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O capítulo intitulado “O Serviço Social no Processo de Reprodução das Relações

Sociais”, da obra “Relações Sociais e Serviço Social no Brasil”, de autoria de Marilda


Iamamoto e Raul de Carvalho, bem como o texto “Modernos agentes da justiça e caridade.
Notas sobre a origem do Serviço Social no Brasil”, este de autoria exclusiva de Raul de
Carvalho, discorrem sobre a origem do serviço social no Brasil e são uníssonos em relação ao
contexto em que o serviço social passou a integrar a divisão social do trabalho nos moldes
capitalistas: no momento de emergência do proletariado nacional. Iamamoto e Carvalho
enfatizam que o serviço social ganhou corpo no momento em que houve o processo de
industrialização e o inchaço urbano, ou seja, quando a questão social ganhou novos contornos
(CARVALHO; IAMAMOTO,1988, p.77). Por questão social, compreende-se: “A questão
social não é senão as expressões do processo de formação e desenvolvimento da classe
operária e de seu ingresso no cenário político da sociedade, exigindo seu reconhecimento
como classe por parte do empresariado e do Estado.” (CARVALHO; IAMAMOTO,1988,
p.77)

Com a expansão da classe trabalhadora, segundo Iamamoto e Carvalho, houve um


acirramento da questão social e aumento das tensões entre o empresariado e o proletariado.
Foi então que tornou-se necessária a intervenção do Estado, por meio da regulamentação
jurídica das relações de trabalho e da implementação de políticas sociais (CARVALHO;
IAMAMOTO,1988, p.77). O objetivo de tal empreitada por parte do Estado (alinhado com a
classe burguesa), segundo a autora, foi garantir a manutenção dos níveis de produtividade
laborais e do exército de reserva ou desempregados – afinal, a existência desse grupo é
fundamental para que os valores dos salários mantenham-se baixos (CARVALHO;
IAMAMOTO, 1988, p.78). O Estado, portanto, cumpriu papel determinante na origem do
serviço social, produzindo postos de trabalho aos assistentes sociais e estabelecendo seus
parâmetros de atuação. Por essa razão, Carvalho e Iamamoto defendem que o Serviço Social
não pode ser analisado sem que seja considerada sua vinculação ao Estado e ao setor
empresarial – que também passou a empregar esses profissionais, embora em menor escala
(CARVALHO; IAMAMOTO, 1988, p.79). O artigo de autoria exclusiva de Raul de
Carvalho, por sua vez, acrescenta a ideia de que a exploração abusiva a que foi exposto o
então operariado emergente gerou resistências que representavam, para a burguesia, a antítese
de seus valores – moral, religião e ordem pública (CARVALHO, 1980, p.44). Essa teria sido
mais uma razão justificadora para a intervenção do Estado na questão social.
Embora a implantação do Serviço Social no Brasil tenha se dado no contexto histórico
de intervenção estatal acima descrita, a forma tradicional de atuação dos assistentes sociais
remonta às iniciativas assistencialistas da Igreja Católica (CARVALHO, 1980, p.48). Como
explicam Carvalho e Iamamoto, historicamente, passa-se da caridade social praticada pela
Igreja Católica, para a racionalização da profissão em serviço social, a partir da intervenção
do Estado na questão social. (CARVALHO; IAMAMOTO, 1988, p.78). O embrião do
serviço social remete ao surgimento da primeira fase do movimento de “reação católica”,
período em que o pensamento social da Igreja começou a ser disseminado (CARVALHO,
1980, p.48). Raul de Carvalho, a fim de contextualizar esse movimento da Igreja Católica, cita
Gramsci, que descreve o processo enfrentado pela instituição a partir da contrarreforma. A
Igreja Católica foi, a partir daquele marco histórico, obrigada a abrir mão de parte de seu
monopólio ideológico para a burguesia (CARVALHO, 1980, p.49). O resultado foi um
movimento partindo da Igreja que passou a reivindicar o retorno de seus privilégios e
permaneceu nessa toada durante a segunda parte da República Velha (CARVALHO, 1980,
p.48). Com o fim da República Velha, no entanto, como descreve Raul de Carvalho, o
movimento da Igreja Católico muda de foco. O governo, em busca de apoio, faz algumas
concessões à Igreja e essa, por seu turno, para a focalizar seu combate em direção à vanguarda
socialista do movimento operário (CARVALHO, 1980, p.52- 53). Nesse cenário, “como um
departamento da Ação Católica e da Ação Social” (CARVALHO, 1980, p.59), surge o
Serviço Social no Brasil, marcado por totalitarismo e assistencialismo, “baseando-se na
apreensão moral dos fenômenos sociais” (CARVALHO, 1980, p.67). Embora com a criação
dos cursos de Serviço Social a moral religiosa tenha perdido força na seara da profissão,
nesses moldes o Serviço Social foi forjado e seus resquícios ainda são sensíveis na prática
profissional e no imaginário social (CARVALHO, 1980, p.63).

REFERÊNCIAS

De Carvalho, Raul. Modernos agentes da justiça e da caridade. Notas sobre a origem do


serviço social no Brasil. In: Revista Serviço Social e Sociedade Numero 2 Março 1980. p.
43-71.
IAMAMOTO, Marilda Villela; DE CARVALHO, Raul. Relações Sociais e Serviço Social
no Brasil. Esboço de uma interpretação histórico-metodológica. São Paulo: Cortez, 1988
(Capítulo II. p. 71-123)

Uma análise conjunta do texto “O processo de produção/reprodução: trabalho e


sociabilidade”, de Sérgio Lessa, com o artigo de Sara Granemann, “Processos de trabalho e
serviço social”, permite notar que ambos os trabalhos baseiam-se no referencial teórico
marxiano e discutem conceitos similares relativos ao universo do trabalho humano e das
relações sociais. Entretanto, os artigos de Sérgio Lessa e Sara Granemann diferem-se quanto à
compreensão do que seria trabalho. Consequentemente, discordam em relação à classificação
ou não do Serviço Social como trabalho. Como expõe Granemann, a questão que se coloca é:
“pensar o serviço social como trabalho não é algo problemático ao se tornar como correto que
trabalhar é estabelecer uma relação com a natureza” (GRANEMANN, 1999, p. 158), como
Karl Marx descreveu?

Sara Granemann responde a essa questão dizendo que o Serviço Social pode ser
entendido como trabalho e fundamenta seu posicionamento na própria obra marxiana.
Conforme ensinou Marx, conforme os homens desenvolvem a tecnologia, mais os
trabalhadores estarão distantes da natureza. Além disso, o importante, para caracterização de
uma atividade como trabalho, é que haja a extração de mais valia (GRANEMANN, 1999, p.
158). Por fim, para fundamentar seu ponto de vista, a autora enfatiza a importante divisão
entre trabalho produtivo e trabalho improdutivo – sendo o trabalho produtivo compreendido
como aquele que proporciona a captação da mais-valia de forma de direta (como o
funcionário nas fábricas) ou propiciando as condições para que os trabalhadores tenham sua
mão-de-obra explorada e a mais-valia extraída (GRANEMANN, 1999, p. 159). Para
Granemann, considerando essa classificação, o assistente social que, por exemplo, trabalha
em uma empresa de ônibus, contribui para que se produzam as condições ideais para que a
mais-valia seja extraída dos demais funcionários; logo, o assistente social, nesse caso,
desempenha um trabalho produtivo (GRANEMANN, 1999, p. 160). Entretanto, a autora
aprofunda suas colocações explicando que uma mesma atividade pode ora ser caracterizada
como trabalho produtivo, ora como trabalho improdutivo – aquele que não resulta em
extração da mais-valia e tampouco contribui para a sua extração (GRANEMANN, 1999, p.
161). O serviço social, para Granemann, por vezes também pode ser classificado como
trabalho improdutivo, como ocorre quando o assistente social atua nas políticas públicas do
Estado, onde não há extração da mais-valia (GRANEMANN, 1999, p. 160). De qualquer
maneira, frise-se, seja na forma produtiva ou improdutiva, a autora considera que o serviço
social sempre está dentro da categoria trabalho.

Sérgio Lessa, por outro lado, apesar de não abordar diretamente a questão da
classificação do serviço social como trabalho ou não, ao expor sua concepção de trabalho,
termina por excluir o assistente social dessa categoria. Para explicar seu ponto de vista, o
autor descreve historicamente o desenvolvimento do trabalho humano. Desde as primeiras
ideações, que, através da objetivação, transformaram a natureza (LESSA, 1999, p. 20). O
autor descreve como o trabalho tornou-se complexo e como a produção do excedente de
produção culminou na opressão de grupos para a exploração de sua força de trabalho
(LESSA, 1999, p. 23). Como ensina Lessa, para que os então escravos fossem mantidos sob
controle, uma série de estruturas, por ele denominadas complexos sociais, foram criados:
como o exército, o Direito, a ideologia e etc (LESSA, 1999, p. 23). Porém, tais complexos
sociais - enfatiza o autor -, não se confundem com a categoria trabalho (LESSA, 1999, p. 23).
Assim, podemos compreender, em uma leitura voltada à questão de o serviço social ser ou
não trabalho, que o autor não o assim consideraria, pois o Serviço Social forma um tipo de
complexo social.

Considerando o posicionamentos expostos pelos autores, concluímos que o Serviço


Social pode ser considerado trabalho ou profissão, a depender do entendimento adotado a
respeito da categoria trabalho. Particularmente, compartilho do posicionamento de Sara
Granemann de que o Serviço Social é trabalho, pois contribui para a extração da mais-valia à
medida que propicia aos trabalhadores as condições mínimas de manutenção da atividade
laboral.

REFERÊNCIAS

LESSA, Sérgio. O processo de produção/reprodução: trabalho e sociabilidade. In:


Capacitação em Serviço Social e Política Social. Módulo 2. Reprodução social, trabalho e
serviço social. Brasília: CEAD, 1999. p. 19-33.
GRANEMANN, Sara. Processos de trabalho e serviço social. 1 ed. Brasília: CEAD/UnB,
1999, v. 02, p. 154-166.

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