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Estados Unidos

a extraordinária concentração de renda que se estabelecia e o imenso poder dos grandes monopólios criaram insatisfações e revoltas popu­ lares nos Estados Unidos de então. Houve, portanto, não só a revolta dos trabalhadores como também manifestações de insatisfação de fa­ zendeiros, pequenos empresários e consumidores que, em geral, aca­ bavam prejudicados.

6.3 O PROGRESSIVISMO

Com tal concentração de renda, a reação não pôde esperar: ex­ plodiu nos Estados Unidos o movimento progressista, ativismo social difícil de precisar os contornos, pois havia entre eles progressistas e conservadores de distintos matizes. Os temas que uniam grupos com posições tão diferentes era a cruzada dos setores médios da época, do homem comum, em favor da regulação dos monopólios ou big business (grandes negócios), da regeneração da política que grassava em corrupção. O movimento era eminentemente reformista e reunia políticos, intelectuais, jornalistas e muitos estratos médios da sociedade. Espe­ ravam maior atuação do Estado no controle dos trustes, ainda que operassem mais frequentemente em níveis municipal e estadual. De­ nunciavam problemas no sistema eleitoral, defendendo que o elei­ torado também deveria ser regenerado, evitando o voto dos analfa­ betos, mas simultaneamente apoiavam a luta pelo sufrágio feminino, provavelmente na intenção de as mulheres ajudarem na regeneração do mundo em que viviam. Para eles, a sociedade norte-americana estava fatalmente cor­ rompida. Os progressivistas sustentaram a Prohibition (1920-1930; Lei Seca), a proibição do consumo de bebida alcoólica, pois estavam convencidos de que o álcool era agente da degeneração da sociedade. Prosütuição e divórcio eram vícios que atacavam e que igualmente não poderiam permanecer em uma sociedade que devia ser regenera­ da. Havia uma verdadeira campanha contra o álcool, a prostituição e a possibilidade de dissolução da família com o divórcio.

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Acreditavam que muitos problemas seriam resolvidos com a re­ forma e modernização da educação. Houve grande crescimento das escolas no período, enquanto homens como John Dewey (1859-1952) e Lester Ward (1841-1913) discutiam a reorganização da educação no país. Debatiam o significado de democracia em uma sociedade com tal concentração de renda e os limites da justiça, que autorizava tamanhas desigualdades no país. Entretanto, simultaneamente, justi­ ficavam e legitimavam a sociedade segregada entre negros e brancos. O movimento reformista teve seu declínio com a Primeira Guer­ ra Mundial (1914-1918), mas deixou lastro. Muitas propostas do progressivismo orientaram Franklin D. Roosevelt (1882-1945), 322 presidente dos Estados Unidos (1933-1945), a elaborar o New Deal (1933-1939; Novo Acordo), programa reformista que tentou superar a Crise de 1929 e tirar o país da Depressão.

6.4 O FIM DO MUNDO INDÍGENA

Desde a década de 1820, a política adotada pelo governo era transferir os índios para terras além da fronteira de ação do homem branco, ou seja, para terras ainda não dominadas por ele. Com o pas­ sar do século xix, a conquista de terras aumentou, e as reservas indí­ genas diminuíram. No confronto decorrente do avanço dos pionei­ ros, os índios foram conquistados, pauperizados e, em muitos casos, vítimas de genocídio. Durante o século xix, os índios resistiram como puderam à con­ quista de seus territórios. Entretanto, a moderna tecnologia empre­ gada em armamentos, a ação de civis e do próprio governo federal fizeram o extermínio indígena rápido e eficaz. Ainda assim, as tropas federais enfrentaram alguns revezes e amargaram pelo menos uma grande derrota na guerra contra os nativos. No final do século, os mais sérios adversários da cavalaria eram os apaches, ao sudoeste, e os sioux, ao norte.

Em 1876, houve uma das mais memoráveis batalhas indígenas nos Estados Unidos. O estopim do conflito foi a descoberta de ouro, em 1874, no território de Dakota, nas montanhas Black Hills, região

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considerada sagrada tanto pelos sio u x como pelos cheyenne e, até en­ tão, assegurada aos índios pelo governo. Apesar disso, numerosos mineiros se espalharam pelos territórios de Dakota, Montana e Wyoming. Em consequência, nesses locais fo­ ram travadas batalhas entre os índios e as tropas federais, que se puse­ ram em favor dos mineiros. À época, os sioux, já sofrendo pressões por causa das instalações da Northern Pacific Railroad em seu território, decidiram enfrentar a cavalaria, e outros grupos indígenas da região juntaram-se a eles. No verão de 1876, somavam-se 3 mil guerreiros, que, liderados por Sitting Bull (Touro Sentado) e Crazy Horse (Ca­ valo Louco), atacaram o acampamento militar ao sul de Montana, na região do rio Little Bighorn. Três colunas da cavalaria e seus respectivos comandantes par­ tiram de diferentes fortes federais em direção a Little Bighorn. A cavalaria temia que os índios se refugiassem nas desconhecidas mon­ tanhas da região, as Black Hills, que estão onde hoje fica a Dakota do Sul. Coube ao tenente-coronel George Armstrong Custer (1839- -1876) - também conhecido por general Custer, por causa de uma patente temporária alcançada durante a Guerra Civil - bloquear a estratégia indígena. Hábeis com o arco curto e com o rifle, os índios eram guerreiros notáveis. Agiam em pequenos grupos com veloci­ dade. No combate, os sio u x cavalgaram em zigue-zague e, em ape­ nas uma hora, mataram 264 homens, incluindo Custer. A Batalha de Little Bighorn ficou conhecida como Custer’s Last Stand (Ultimo Levante de Custer), pois foi uma terrível derrota infligida à cavalaria

e ao orgulhoso tenente-coronel habilmente articulada por aqueles

que consideravam índios selvagens. No entanto, a vitória indígena teve vida curta. A cavalaria não poderia admitir tal derrota. Custer, na época, tornou-se um mártir da “civilização norte-americana” contra os “selvagens”. Tropas federais seguiram para a região e, finalmente, derrotaram os sioux. Os que sobreviveram foram obrigados a seguir para uma reserva demarcada pelo governo em outro local. As Black Hills, alvo inicial do conflito, deixaram de ser vistas como a terra sagrada dos índios. Foi ali, no monte Rushmore, que os norte-americanos esculpiram os colossais rostos de seus presiden­

tes: George Washington

(1732-1799), Thomas Jefferson (1743-1826),

George Washington (1732-1799), Thomas Jefferson (1743-1826), Figura 6.3 Guerreiro indígena não identificado, Estados

Figura 6.3 Guerreiro indígena não identificado, Estados Unidos, séc. x.x Presume-se que seja Crazy Horse (c. 1840-1877), chefe dos oglala lakota, ou ogtala sioux

Figura 6.4 Sitting Buli de Bismarck ( nd ), Estados Unidos, 1885. Chefe indígena dos

Figura 6.4 Sitting Buli

de

Bismarck (nd), Estados Unidos, 1885. Chefe indígena dos hunkpapa lakota,

(1831-1890), em

fotografia tirada em

estúdio

da cidade

ou hunkpapa sioux.

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Theodore Roosevelt (1858-1919) e Abraham Lincoln (1809-1865). As montanhas passavam a ser o território sagrado dos norte-americanos. Em 1890, o governo ainda avançava no controle de zonas ain­

da sob poder dos índios. Os sioux, já ameaçados e debilitados com a vida que lhes havia sido imposta, reuniram-se nos rituais conhecidos como danças fantasmas. Nessas cerimônias, em transe, eles afirmavam receber comunicações de seus antepassados. Em um desses rituais, divulgou-se que os antepassados dos sio u x voltariam à terra para que, juntos, derrotassem o homem branco, causa de seus males, restauran­ do, assim, seus antigos territórios e sua paz. Por fim, um profeta p a iu te previu que o homem branco desapareceria da face da Terra. Os boatos chegaram aos fortes federais, contaminaram a cavala­ ria, instalando o pânico entre os soldados. A ação dos chefes indíge­ nas Crazy Horse e Sitting Buli ainda assustava as supersticiosas tropas federais. A cavalaria clamou pela intervenção federal. O telégrafo foi fundamental para a organização dos militares, e o resultado foi imediato. Em dezembro de 1890, as tropas juntaram-se rapidamente

e atacaram os índios na Dakota do Sul, na batalha conhecida como Massacre de Wounded Knee, perto do riacho de mesmo nome, na qual foram covardemente massacrados aproximadamente duzentos homens, mulheres e crianças desarmados. Os sobreviventes foram perseguidos e mortos. O Massacre de Wounded Knee é conhecido como a última ba­

talha na qual a cavalaria atuou contra os índios. A partir dessa data, estava encerrado o “problema indígena”. A partir da segunda metade do século xix, a maioria dos índios havia sido exterminada por civis

e pelo governo federal. Os que sobreviveram foram confinados em

reservas, geralmente longe de seu território de origem, e controlados de perto pelo governo federal5. A própria criação dos parques nacio­ nais, no fim do século xix, é também uma confirmação de que os norte-americanos já haviam controlado o “mundo selvagem”. Além dos índios, 60 milhões de bisões, que habitavam as planícies, foram dizimados, e algumas cabeças restantes foram confinadas para fins co­ merciais. Assim, o “avanço da civilização” pelo território norte-ameri­ cano implicava também o confinamento e o controle de tudo que era

5. Elise Marientras, Wounded Knee ou lAmériquefin de siècle, 1890, 1992.

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considerado selvagem. Civilizar significava dominar a vida selvagem,

jamais ser dominado por ela.

6.5 A SEGREGAÇÃO DO NEGRO

Além do controle do mundo selvagem, ao fim do século xix, con­ firmava-se nos Estados Unidos a segregação do negro na sociedade norte-americana. Nos estados sulistas, ela fazia parte do cotidiano: era proibida a convivência de brancos e negros em meios de transporte público, escolas, hospitais, restaurantes e cafés. Aos negros, era vetado frequentar determinados lugares públicos. No Sul, a segregação com

o aval das autoridades avançou pelo século xx e durou ate a década

de 1960. O voto universal nos estados ocorreu apenas em 1965 e após

o Movimento pelos Direitos Civis que tomou conta do país. A Décima Quinta Emenda (1870), que garantia o direito de voto

a qualquer cidadão, sem distinção de raça, nascido nos Estados Uni­

dos, foi completamente ignorada no Sul por pressão de grupos con­ servadores, reacionários e ultradireitistas. Isso reforçou outro foco de conflito que marca a sociedade norte-americana: a tensão racial cons­

tante e a profunda revolta de grupos negros contra as condiçoes que lhes foram impostas, mesmo depois da abolição da escravidão. O ativista negro William Eduard Burghardt Du Bois (1868-1963), nascido em Massachusetts, tratava da condição do negro no livro The

Souls o f B lack Folk (1903):

Depois do egípcio e do indiano, do grego e do romano, do teutão e do mongol, o negro é uma espécie de sétimo filho, nascido como um véu e aquinhoado com o estigma da inferioridade neste mundo americano - um mundo que nao lhe

concede uma verdadeira consciência de si, mas que apenas lhe permite ver-se por meio do olhar do outro. É uma sensação estranha, essa consciência dupla, essa sensação de estar sempre a se olhar com os olhos dos outros, de medir sua própria

alma pela medida de um mundo que continua a mirá-lo com divertido desprezo e piedade. E sempre a sentir sua duplicidade - americano e negro; duas almas, dois

pensamentos, dois esforços irreconciliados; dois ideais que se combatem em um corpo escuro cuja força obstinada unicamente impede que se destroce6.

6. William E. B. Du Bois, “Sobre Nossas Lutas Espirituais”, 1999, p. 54.

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Já no início do século xx, parte dos negros do Sul migrou para as grandes cidades do Norte, formando os bairros dos excluídos, ou gue­ tos, em cidades como Chicago, Nova York etc. Esperando encontrar uma vida melhor nessas cidades, foram confrontados igualmente com

a

segregação da qual fugiam no Sul. A imposta separação entre negros

e

brancos havia tomado os Estados Unidos. Embora os negros tenham

conquistado direitos civis, ainda hoje é possível perceber a herança da escravidão e da segregação em conflitos raciais que explodem cons­ tantemente nas cidades do país.

6.6 A IMIGRAÇÃO

Durante todo o século xix, contingentes consideráveis de imi­ grantes europeus aportaram nos Estados Unidos. Entre 1820 e 1880, cerca de 9,5 milhões de homens, mulheres e crianças foram para o pais, especialmente irlandeses e alemães. Essa fase é chamada pelos historiadores de velha imigração, pois antecede o grande boom da vi­ rada do século xix para o xx. A partir de 1880, os Estados Unidos instalaram na Europa agên­ cias para atrair imigrantes, especialmente para o trabalho nas fábri­ cas. Massas de homens e mulheres, vindos da Europa Central e Meri­ dional, chegaram aos Estados Unidos, fugindo da crise econômica em seus países de origem, atraídos pelas promessas de uma vida melhor que o progresso da industrialização poderia proporcionar-lhes. O governo norte-americano encorajava a imigração e permitia às companhias contratarem trabalhadores estrangeiros. Entre 1880 e 1920, os Estados Unidos receberam cerca de 22 milhões de imigran­ tes, entre outros, chineses, filipinos, russos,judeus, tchecos, húngaros, poloneses, servios, croatas, romenos, gregos e um número expressivo de italianos. Foi o país das Américas a receber o maior número de imigrantes nessa época. O segundo lugar ficou com a Argentina, e o terceiro, com o Brasil. Grande contingente de imigrantes foi empregado pelas indús­ trias e se instalou nas cidades e regiões que tinham essa demanda. Desorientados com a mudança, vivendo em condições miseráveis, amontoados em pequenos cômodos, recebendo salários irrisórios, os