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IGREJA FIEL DE JESUS SALVADOR DE MOÇAMBIQUE

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DEPARTAMENTO DA ESCOLA DOMINICAL

CURSO DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A


ESCOLA DOMINICAL - CUFORPED

2018

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INTRODUÇÃO AO ESTUDO DA BÍBLIA

CAPÍTULO I
1. ASPECTOS GERAIS

A Bíblia se destaca por sua singularidade e excepcionalidade em relação aos demais livros,
isto porque Ela é a Palavra de Deus. E traz a mensagem de Deus para os homens – é a
REVELAÇÃO1 DE DEUS.

1.1.A Bíblia é um verdadeiro milagre.

A Bíblia é um livro milagre pelo seu conteúdo, composição, preservação e interferência


divina no mundo dos homens. Os aspectos que destacam a sobrenaturalidade da Bíblia são:
✓ Foi escrita por cerca de 40 homens de épocas diferentes, línguas diferentes e costumes
diferentes;
✓ Apesar dos livros da Bíblia terem sido escritos por homens, o autor da Bíblia é o próprio
Deus.
✓ Foi escrita por um período de pelo menos 1500 anos (1400 para o VT e 100 anos para o
NT).
✓ A Bíblia tem um tema central único, há uma perfeita sintonia entre o tema central e as
partes que compõem toda a Bíblia, formando assim uma revelação sem contradições.2
✓ A Bíblia é um livro milagre porque ela não se desactualiza.

2. Etimologia da palavra BIBLIA

A palavra “Bíblia” é de origem grega, biblos, e significava literalmente “livros.” Portanto,


embora tenhamos a Bíblia na conta de um só livro, na realidade é constituída por uma
colecção de livros menores distribuídos em testamentos. Uns estão integrados no Velho
Testamento, e outros no Novo Testamento.

3. Material usado para escrever os livros da Bíblia

Os materiais mais usados foram:

✓ Papiro (tipo de material de junco que crescia nos pântanos),


✓ Pergaminho (feito de couro de animais menores como ovelhas e cabras) e

1
Traz a revelação que Deus faz de si mesmo e de Seu propósito aos homens.
2
O tema central da Bíblia desde o livro de Génesis até Apocalipse é a Redenção do homem.

2
✓ Velino (feito de couro de boi e antílopes, sendo um produto mais caro e de utilização
reduzida).
4. Nomes dados a Bíblia
• O Livro: “Escreve isso para memória no livro.” Ex 17:14;
• A Luz: (Salmos119:105)
• Água (Efésios 5:26)
• Alimento, Pão (Jó 23:12; I Coríntios 3:2; Deuteronómio 8:3)
• Ouro (Salmos 19:10)
• Fogo e Martelo (Jeremias 23:29)
• Espada (Efésios 6:17)
• Escrituras: (; Dn 10:21).

5. COMPOSIÇÃO DA BÍBLIA
A Bíblia é composta por duas partes: Velho e Novo Testamento. O primeiro escrito antes do
nascimento de Cristo, é composto por 39 livros. O segundo escrito depois do nascimento de
Cristo é composto por 27 livros. Perfazendo um total de 66 livros.
5.1. Testamento – Significado
O vocábulo “Testamento” – significa “acordo, pacto, concerto, ou aliança”. No Antigo
Testamento temos “o pacto da lei” e no Novo Testamento “o pacto da graça”. Um conduz ao
outro (Gálatas 3:17-25).

5.1.1. Velho Testamento


Foi estabelecido por Deus para os Israelitas. Os gentios não pertenciam a ela – Efésios 2:13. Para
alguém pertencer a esta aliança devia ser circunciso – Génesis 17:12-14, e assim era desta
separados os incircuncisos – Génesis 17:14; era firmada por sangue, o intermediário era Moisés
– Êxodo 24:1-8; Hebreus 9:18-20.

5.1.2. Novo Testamento

A nova aliança chegou para dar por desaparecida a antiga aliança – Hebreus 813. Por isso, esta
aparece para todos sem distinção – Hebreus 13:40; apenas não inclui tão-somente os que não
crêem – Marcos 16:15,16. Foi firmada com o sangue eterno e universal de Jesus – Marcos
14:24; em Hebreus 12:24 encontramos explícito seu mediador, a saber: Jesus.

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5.2.ESTRUTURA DA BÍBLIA
a) Velho Testamento

Os 39 livros do Antigo Testamento estão assim sistematizados por estilo literário3 e conteúdo:

➢ Lei – Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio. Esta primeira lista é conhecida
também como o “Pentateuco” (cinco livros). Total de 5 livros.
➢ Livros Históricos – Josué, Juízes, Rute, 1º e 2º Samuel, 1º e 2º Reis, 1º e 2º Crônicas,
Esdras, Neemias e Éster – Total – 12 livros.
➢ Livros Poéticos – Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares de Salomão – total 5 livros.
➢ Profetas Maiores – Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel e Daniel – Total – 5 livros.
➢ Profetas Menores – Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque,
Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias – Total – 12 livros.

b) Novo Testamento

Os 27 livros do Novo Testamento estão assim sistematizados por estilo literário:

➢ Livros evangélicos: Mateus, Marcos, Lucas e João. – Total – 4 livros


➢ Livro Histórico: Actos dos Apóstolos.
➢ Cartas Paulinas e Hebreus: Romanos, 1ª e 2ª Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses,
Colossenses, 1ª e 2ª Tessalonicenses, 1ª e 2ª Timóteo, Tito, Hebreus. – Total – 13 livros
NOTA: Não se conhece o autor da epistola aos Hebreus, entretanto, pensa-se que tenha sido
Paulo. A epistola evidencia que os destinatários dela, os hebreus, que já eram cristãos há
algum tempo (Hb 5:12), conheciam o autor da epistola (Hb 13:18-19) e Timóteo que estava
por visitá-los (Hb 13:23).
➢ Epistolas Gerais: Tiago, 1ª e 2ª Pedro, 1ª, 2ª e 3ª João e Judas. – Total – 7 livros
➢ Livro Profético: Apocalipse.

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A sistematização da Bíblia em estilos literários, quando não entendida, leva-nos a interpretação pobre e rebelde as
regras de hermenêutica bíblica. O que, infelizmente, é um fenómeno cada vez mais frequente, cometido não só por
pessoas biblicamente iletradas. A sistematização da Bíblia não é um mero acaso, ela ajuda-nos a saber como
devemos e como não devemos ler certos géneros. Caso não se saiba disso, pode ser muito penoso terminar o livro de
Levítico, Jeremias em contraste com o livro de Actos e I Samuel que são de agradável leitura.

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5.3. ESTATÍSTICA BÍBLICA

↓ → Velho Testamento Novo Testamento Total


Número de Livros 39 27 66
Número de capítulos 929 260 1189
Número de versículos 23.214 7.959 31.173
Número de Palavras 2.728.100 838.380 3.566.480

Para a leitura completa da Bíblia são necessárias 49 horas, a saber, 38 horas para a leitura do
Velho Testamento e 11 para o Novo Testamento. Para lê-la audívelmente, em velocidade normal
de fala, são necessárias cerca de 71 horas. Para ser lida num ano, deve-se ler 4 capítulos por dia.

5.4. CURIOSIDADES E PARTICULARIDADES ACERCA DOS LIVROS DA BÍBLIA

• O maior livro é Salmos e o menor Obadias – (V.T) e III João (NT)


• O maior capitulo é Salmo 119
• O menor é Salmo 117
• Médios Livros – Miqueias e Naúm
• Médio Capítulo – Jó 29
• Menor versículo – VT – Êxodo 20:13; – NT – João 11:35
• O maior versículo é Ester 8:9
• A vinda do Senhor é referida 1.845 x, sendo 1527 no AT e 318 no NT
• A expressão “____________” ocorre 366 vezes na Bíblia (1 para cada dia do ano...)
• A Bíblia fala 215 x em fé; 318 x em salvação; e 2085 x em dinheiro.
• A Bíblia já está traduzida para mais de 1600 idiomas ou dialectos.
• O A.T encerra citando a palavra “Maldição”; O N.T encerra citando a expressão “a graça de
• Nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós!”

5.5.AS LÍNGUAS DA BÍBLIA

a) O Hebraico e Aramaico: O hebraico é a língua em que foi escrito a maior parte do Antigo
Testamento. Poucas passagens no Antigo Testamento foram escritas no aramaico, estas
incluem: Jr 10:11; Dn 2:4-7, 28 e Ed 4:8; 6:8; 7:12-26.

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b) O Grego: O Novo Testamento foi escrito na língua grega. O grego usado pelos escritores do
Novo Testamento foi o grego Koinê (grego comum, popular, empregado em todo Império
Romano), ao invés do grego clássico, empregado pelos intelectuais da época.

5.6.TRADUÇÃO DA BÍBLIA

Há três traduções que são importantes por serem antigas:


1 - VERSÃO DOS SETENTA – É uma tradução em grego do V.T., feita entre os anos 280 e
130 A.C., e é conhecida por "Septuaginta", porque a tradição diz que é o resultado de setenta
sábios hebreus, convocados em Alexandria, no Egipto, pelo rei Ptolomeu Filadelfo.

2- VULGATA LATINA – foi feita por Jerónimo no fim do Século IV. No Século IV havia
diversas versões em latim, divergentes entre si, e a igreja católica entregou a Jerónimo, grande
conhecedor do hebraico e do grego, a tarefa de preparar uma versão confiável em latim
3 - VERSÃO SIRÍACA PESHITO – Esta versão é a terceira de interesse, no idioma da Síria.
Provavelmente a primeira tradução do N.T. tenha sido esta. Estas versões citadas são importantes
porque foram usadas para traduções mais recentes.
II
A ciência da tradução tem a difícil tarefa de encontrar vocábulos na língua-alvo (nosso caso,
Português e Changana) que signifique o mesmo na língua-fonte (Hebraico, Aramaico e Grego),
ela baseia-se em várias regras e teorias, exemplo:
a) Equivalência formal (é a tradução literal, embora tenha suas vantagens, muitas vezes ela
torna a língua alvo ambígua. Alem de apresentar limitações, no caso por exemplo de existir
uma lacuna de palavras e gramática entre a língua-alvo e a língua-fonte) É o caso da versão:
João Ferreira de Almeida4
b) Equivalência funcional (é a tradução que actualiza as questões de linguagem, gramática e
estilo, não se preocupa em transliterar as palavras da língua-fonte para a língua-alvo. O
problema desta teoria é de manter um distanciamento histórico na busca de um equivalente
moderno, o que nem sempre é melhor.) É o caso da: Nova Versão Internacional

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Entretanto, esta versão foi recentemente editada. A última Edição, a de 2017, optou pela teoria da Equivalência
Dinâmica, que é a que adopta a equivalência formal e funcional.

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NOTA: Como se viu, todas as teorias de tradução têm a sua vantagem e desvantagem, por isso,
sugere-se que o Professor da Escola Bíblica dominical tenha duas traduções ou, de preferência
três, das quais sugerimos: 1. João Ferreira de Almeida; 2. Nova Versão Internacional; 3. A Bíblia
Para Todos: Edição Comum.
Sugere-se ainda que se puder ler e entender outras línguas, procure adquirir uma Bíblia nessas
línguas, e consulte sempre que possível alguns trechos que por algum motivo se mostrem difíceis
ou que lhe tenham chamado atenção.

6. A INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA
6.1. Conceito de Inspiração
A palavra “inspiração” é a tradução do termo grego θεόπνεςζηορ / Theópneustos que significa
“respirado por Deus”. A teologia usa regularmente a palavra “inspiração” para expressar a
origem e qualidade das escrituras sagradas. De modo activo o substantivo indica a respiração de
Deus para fora, a qual produziu a escritura.

6.2. A Doutrina da Inspiração no Novo Testamento.


Três textos do Novo Testamento apresentam a doutrina de inspiração: 2ª Tm 3:16-17; 2ª Pe 1:20-
21 e Hb 1:1-2. Estas escrituras ensinam que:
a) “Toda escritura é divinamente inspirada...” (2ª Tm 3:16).
b) Homens movidos pelo Espírito Santo falaram da parte de Deus. (2ª Pe 1:20-21);
c) As escrituras têm origem divina (Hb 1:1-2)

6.3. Diferença entre Inspiração, Revelação e Iluminação

Inspiração. É a influência sobrenatural do Espírito Santo sobre os escritores sagrados, que


valida os seus escritos. ( diz respeito ao método de receber, interpretar e relatar a verdade
revelada por Deus.)

Revelação. É a actividade de Deus, na qual ele se torna conhecido ao homem Sua pessoa, Seu
propósito e Seus desígnios e mistérios. (diz respeito à verdade recebida)

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Iluminação. Diz respeito ao ato de receber esclarecimento sobre determinado assunto que esteja
obscuro ou complexo (diz respeito ao esclarecimento das verdades reveladas e dos escritos
inspirados).

7. TEORIAS ACERCA DA INSPIRAÇÃO DA BÍBLIA.


7.1. Teoria da Inspiração divina Comum: confunde inspiração com iluminação por
asseverar que se trata da mesma coisa. A iluminação como já vimos é para compreender
o que já foi revelado e inspirado.
7.2. Teoria da Inspiração Natural: confunde a inspiração sobrenatural do Espírito Santo
com o esclarecimento intelectual de filósofos sábios e eruditos. Estes, entretanto, jamais
poderiam pela sua intelectualidade, escrever um livro sequer da Bíblia (Cf. 1ª Co 1:27-
29).
7.3. Teoria da Inspiração Parcial: defende que a Bíblia contém a palavra de Deus, ao invés
de dizer que a Bíblia é a palavra de Deus. Ensina que as questões de situação do homem
são inspiradas, porém as questões de ciência e historia não foram inspiradas.
7.4. Teoria da Inspiração Verbal ou do ditado verbal: entende que os homens foram
usados mecanicamente o que escreviam, como se fossem secretários e escreviam o que
Deus ditava. Deus não usou os escritores sagrados desta maneira, antes o Espírito Santo
usou as faculdades mentais e características dos escritores produzindo uma mensagem
perfeitamente divina. Lucas por exemplo foi inspirado a pesquisar apuradamente os
assuntos, consultando testemunhas oculares (Cf. Lc 1:1-4).
7.5. Teoria da Inspiração de ideias e conceitos: Esta teoria é contrária da inspiração verbal.
Ela diz que Deus ditou apenas ideias e pensamentos da Bíblia não palavras. Porém, isto é
indefensável. Ideias e conceitos só podem ser expressos através de palavras.

Teoria adoptada
É chamada de “inspiração plenária e verbal”. Todas as partes da escritura são inspiradas. As
escrituras reivindicam inspiração, e dão certeza de serem inspiradas. “Toda escritura é
divinamente inspirada” (2ª Tm 3:16).

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8. CANONICIDADE DA BÍBLIA
8.1. O que é Cânon?
O termo cânon provém do grego “κανών / kanōn” significa regra ou norma, lista, vara, régua,
um padrão de medida.

8.2. RELAÇÃO ENTRE CANONICIDADE, REVELAÇÃO E INSPIRAÇÃO.


A origem e desenvolvimento do cânon envolveram 3 (três) passos:
a). Revelação; b). Inspiração; c). Canonização
Na revelação, temos a verdade, na inspiração, temos o registo da verdade e na canonização o
reconhecimento dos escritos como revelados e inspirados.

8.3. CÂNON COMUM


O judaísmo, o Catolicismo e o Protestantismo concordam acerca do cânon comum do Antigo
Testamento, o qual consiste em ter 39 livros (que nas Bíblias judaicas perfazem o número de 24
livros). É o que chama-se cânon comum.

8.4. DIVERGÊNCIAS SOBRE A CANONICIDADE


Entretanto, uma divergência crucial surge dentro da Cristandade acerca dos 11 livros do período
do Antigo Testamento, os quais a Igreja Católica declarou “infalivelmente” como parte do cânon
no ano de 1546 d.C., no Concílio de Trento. Estes livros são conhecidos pelos protestantes como
livros apócrifos e pelos Católicos como os livros Deuterocanônicos.
Tais livros são: (1 e 2 Esdras, Tobias, Judite, O Resto de Ester, A Sabedoria de Salomão,
Baruque, O Cântico dos Três Moços, A História de Susana, Bel e o Dragão, 1 e 2 Macabeus,
Oração de Manassés)

8.5. Teste Verdadeiro da Canonicidade


O verdadeiro teste de canonicidade é a profeticidade. Ou seja, a profeticidade é que determina a
canonicidade; A profeticidade refere-se ao facto de os livros que perfazem a Bíblia terem sido
escritos por profetas ou apóstolos (2 Pe1.20-21/ Ef2.20/ 2Pe 3.15-17) e portanto, terem sido
necessariamente inspirados por Deus (2 Tm 3:16); E os livros apócrifos não foram escritos por
profetas ou apóstolos.

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Deus determinou quais os livros seriam inclusos na Bíblia ao entregar a sua mensagem a um
profeta. Dessa forma, somente os livros escritos por um profeta, ou um dos seus representantes
autorizados por Deus, são inspirados e fazem parte do Cânon das Escrituras.

8.6. Algumas das Razões para rejeição dos livros apócrifos

a). Não foram citados por Cristo5, e não há referência directa à eles por parte dos apóstolos. Os
apóstolos citaram 433 vezes o Antigo Testamento, mas nenhuma vez estes livros.

b). Não figuravam no cânon hebraico, e daí, deduz-se que não eram inspirados.

c). Há neles referências que contradizem os livros canónicos. Exemplo: (Dar esmolas como
requisito para salvação: Eis as palavras textuais de Tobias 12.9: “Porque a esmola livra da
morte, e ela é quem apaga os pecados, e faz achar misericórdia e a vida eterna”. A Bíblia
desautoriza este ensino. (Cf. 1ª Pe 1.18-19).

5 Quando Jesus citou em (Mateus 5:17) as duas partes da Bíblia hebraica “Lei e os Profetas5” referia-se
especificamente os 39 livros do cânon Protestante, que Ele chamava de “todas as Escrituras” (Lc 24:27).

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