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ACÚSTICA ARQUITETONICA

Robert B. Newmon
Arquiteto . Professor do
Mouochusetts Ins'itufe of Technology

o Dr. Reberl B. Newman é Vice Presidente do 8011, Beronek e Newmon Inc.,


consultores de acústico, de Càmbridge, Mossachusefls, acessorondo seus trabalhos
de ocústica arquitetônico. Professor Associado do Instituto de Tecnologia de Arqui.
tetura de Mossachusetts, funçõo que vem desempenhando desde 1949, e conferen-
cista de ocústico do Universidade de Harvard e do Universidade de Yale.

Nosceu no China, e receb~u o B.A. e M.A. diplomando-se em físico pela Univer-


sidade de Toxos em 1938/39. Fertenceu ao grupo de pesquisadores do R.C.A.,
do loborot6rio de Eletroacústica de Horvord e do "Bureou" do Aeronáutica e
Marinho, em Philadelph ia, durante o II Guerra Mundial. Recebeu o grau má-
ximo em Arquitetura do M.!.T. em 1949.

Foi nomeado, pejo período de três anos, poro o quadro de Dirigentes do Instituto
de Pesquisas em Construções do Conselho Nacional de Pesquisas. E' membro da
Sociedade Americano de Acústico e presidente dos Comités de Acústica em Arqui-
tetura. Autor de diversos artigos inseridos em publicações sôbre orquite tu ra, tem
proferido d iversas conferências sôbre acústico em reuniões no Instituto Americano
de Arquitetos e em outras entidades profissionais.

A Bolt, Beronek e Newman Inc. têm colaborado como consultores de acústica em


um elevado número de edifícios tanto nos Estados Unidos como no exterior, po-
dendo-se cilor ent re outros: Quartel General das Noções Unidas em New York,
Centro Técnico da General Motors em Detroil, Copera do Academia da Fôrça
Aérea dos EE.UU . e outros edifícios em Colerodo Springs, Auditório do Museu de
Arte Metropolitano Grace Rainey Rogers em New York, Auditório Kresge do M.I.T.,
Edifício da Aula Magno da Universidade de Venezuelo em Caracas, Sala de Con-
certos Frederick R. Monn em Tel-Aviv e Solo de Congresso Benjamim Fronkin em
Berlim.
Em recente visito 00 Brasil o Dr. Robert B. Newman proferiu conferências nos
principais copitais brasileiras, integrondo-se 00 Instituto Brasileiro de Acústica, do
qual é membro honorário.

o fe rec i m e-n to
da indústria pioneira, aos pwneLros e estudiosos da Acústica no Brasil,

/
i
~i
íNDICE

Parte 1 Pagina

Importância da Acústica na Arquitetura - Arq. Rino levi


A Arena da Arquitetura - Ro bert L. Gedd es .. .. 3

Porte 11 Boletim

Tôda Construção possui Probl e mas Acústicos - Praf. Robert B. Newmon 21

História de Casos - Edifício Fard, Michigon, EUA 22


"Santo Mônico Civic Auditorium" 23
Primeiro Igreja Presbiteriana de $tanford 24
"Morse School", Combridge ... 25
Primeiro Igreja luterano, Boston .. 26
"Sain' Louis County (ou r! House", Hibbing 27
Aproximação Criativas e Corretivas - J/Fatos da vida" sô bre acústica 28
Absorção e Isoloção ........... . 29
Pêso Som ente n50 Sosfo _ Reflexão 30
História de Cosas - "Warren Petroleum Bu ilding", Tuba
Capelo da Academia do Fôrça Aé reo, Colerado Springs ..... .... . . 31
Escolo do Academia do Fôrça Aéreo, Colerado 5prings 32
"Pal6cio de los Deportes", Havana · ....... .. . 33
Departamento musical do "Conard High 5chool" de West Hartford 34
"Mu nicipal Air Terminal", Tulsa
"Broadcasting 5tation DZXL", Mani la
Escrit6rio poro Advogados ........ . 35
"Marrio' Motor Hotel', Arlington
"Congress Hall", Berlim ...... ... .. . 36

Materiais e Equipamentos - Materiais acusticamente refletores Materiais


acusticamente abso rve ntes - Aplicação de material acustica-
mente absorvente .. . . 37

Barreiras acusticamente isolantes - Com bina çêio de Materiais, contrôle máximo 38


História de Casos - "Coliseum Cha rlotte", North Carolina
Concha Acústica " Trazei ra de Envelope"
Auditório do "Rockfeller Institute of Medicai Reseorch, New York 39
Audit6rio do "Greenfield High 5chool", Greenfields
"5tole Fo ir Pavi lion", Roleigh
"MIT's Kresge Auditorium" ... .. . 40
Pla ne jamento para Boa Audição - Inte nsidade e distribuição Mistura de
so ns e difu são - Reflexões in dese jáveis 41

Amp lificoçêio do som - Contrôle de Reverberação - Planejam ento de ambie nte acústico idea l'
- CuidaGo com cifras únicas ... ... ... ........ .... ......... . ....... 42
Diagramas de critério de ruido
História de Casos - Audit6rio do Ginásio de littleton, Massochusets 43
Capela do "Mil "
Cidade Universit6ria de Caracas 44
Audit6rio do "Mil Kresge"
Teatro do liceu de "Dallas Memorial Auditorium" ..... .•...•... 45
"St. Stephens Episcopal Church", Ohio ............ 46

Parte 111 Página

o Ensin o da Acústica na Escola de Arquitet ura - Eng. Roberto Paulo Ri chte r 57

Divisão Isolante de Ruídos - Eucatex Isolante e Eucatex Durotermic .. 60

Reve stimentos Acústicos - Eucatex Acústico - absorção de som. . . . . . . 61

Revestimentos Acústicos Eucatex Isolante - Coefic iente d e absorção e


Tabela de Pe rd a por Transmissão ... . ....... .... ... 62

Iso lação e ntre Pa vimentos - Eucatex Piso Flutuante e Eucatex Isolante 63

Normalização de Ru ídos e Tratamentos Acú sticos - ABNT .. .. 64


IMPORTÂNCIA DA ACUSTICA NA
ARQUITETURA

Rino l ev i, arquiteto *

o progresso alcançado pe la acúst ica nestes últimos 40 bitação. O prob lema deverá ser enquad ra do no zo-
anos, desde que começou a ser encarada cientlfica- neamento da cidade, tend o em vista a criação de zo·
mente, é realmente notável. Os conhecimentos neste na~ industriais e residenciais nitidam ente separadas.
campo encontram hoje ap licação em vár ios setores da
ciência, da "engenharia, da medicina, da indústria e Numa cidade como São Paulo, que cresceu desorde·
da arquitetura. ' nadamente e sem contrôle e que se apresen ta com as
anomalias mais flagran tes, dever·se- ia provocar a mu-
Vejamos, em síntese, sua importância na arqu itetura. dança pau la tina das indúst rias nocivas colocadas em
Mas, antes de mais nada, convém esclarecer que por bairros residenciais.
arquitetura não se deve entender apenas o estudo e
a const rução de um edifício. Arqu itetura abrange, Essas indústrias deveria m instala r-se fora da cidade,
igualmente, um conjunto de edifícios destinados a uma em lugares a fastados. Isto, além do mais, provocaria
comunidade, qualquer que seja o tamanho desta, envol- a retirada da cidade de considerável massa de tra·
vendo todos os problemas, serviços e equ ipamen tos ne- balhadores, para a qual se criariam núcleos orgân icos
cessários à vida coletiva. Ass im, o seu campo de ação de habitação, com melhores condições de vid a do que
se estende ao estudo da cidade, da região e do país. as que possuem atualmente.
De uma mane ira geral, podemos dizer, de acôrdo com Essa med ida, ao mesmo tempo, teria a virtude de
os ma is autorizados estud iosos 'do assunto, que a ar· desafogar consideràvelmente a cidade, o que perm iti.
quitetura define o espaço destinado à vida do homem, ria solucionar outros problemas da maior urgênc ia.
envolvendo aspectos físicos, econômicos e sociais.
Com relação aos ruídos da rua, provenientes dos
Feito êste esclarecimento, passemos ao te ma destas veícu los motori zados, o problema se apresenta bem
considerações. mais complexo e difíc il de solucionar nas cidades ex is-
Os _problemas acústicos que se apresentam na arqui. tentes (Medidas realm ente efica zes numa transfo rm a·
tetura sã? de duas espécies, assim defi nidos: ção radical da estru tura urbana o q ue não é fácil de
real izar).
10 Proteção contra os ruídos, tendo em vista o sossê· A rua, na nossa estrutura ur.bana, nada ma is é que
go, a saúde e a capacidade de trabalho do in· um corredor, com pista para veículos e para pedestres,
víduo.
e com edifícios em ambos os lados. E' uma remin is-
20 Condicionamento acústico dos a mb ientes, tendo cência da cidade antiga, pacata e feliz, quando a
em vista a boa audição. velocidade era determi nada pelo ritmo do cavalo.

Nessas co ndições, com a velocidade e a capacidade


Proteção contra os ruídos de carga dos veículos moto rizados, a rua tornou-se
fonte de ruídos espantosos. A rua atual apresen ta
Os pavorosos ruídos que nos atormentam são uma con- ainda, perigo para os pedestres, determina trepida -
sequência da mecanização da vida moderna. ções que abalam os edifícios, provoca desgaste do
material rodante e perda de tempo para a popu·
Com o avanço do progresso ma ter ial, infelizmente, a lação.
tendência é para um agravame nto se mpre maior do
problema. A solução integral para tal problema, só pode ser con·
seg uida median te um planejamento orgânico, que im·
Os ruídos que mais nos af ligem, não só por sua inten- pl icaria na transformação radical da cidade. As pis-
sidade, como por sua continu idade, prolongando·se, tas para transporte rápido seriam destinadas exdu·
frequentemente, pelo período · noturno, têm sua origem sivamente aos veículos motorizados. Não teriam cru·
em instalações industria is e; nos veículos motorizados. zamento de nível, de modo a permitir trâns ito dese m·
Estes ruídos só poderão ser realmente e lim inados por baraçado e contínuo. Estas pistas seriam afastadas
me io de med idas a serem cons ideradas no planeia- da habitação, da escola, do hospital e do local de
menta urbanístico. O assunto deverá ser examinado trabalho. O espaço intermediário entre as pistas e
no plano d iretor da cidade. os ed ifícios, seria destinado à jardins e à circulação
de pedestres, sem cruzamentos de nível com as pistas
Com re lação à indústria barulhenta e em geral no- de veículos.
civa, não há dúv ida que deverá ser afastada da ha·
Outros ruídos, pa ra os q uais é mais difícil vis ua lizar
soluções eficientes, são os produzidos pelos a viões,
* Presidente do Instituto Brosile iro de Acústica. à jato.
Se considerarmos que o impacto do som produzido A reverberação ideal, no caso da música, é variável,
pelos aviões a jato chega a romper vidros de ianelas de acôrdo com o gênero musical. Por exemplo, para
à distância de quilômetros, não será difícil imaginar a música de órgão dever-se-6 dispor de uma reverbe-
suas repercussões no nosso del icado aparelho audi- ração bem ma ior que para a música de câmara.
tivo.
A reverberação deve ser estudada para cada frequên-
Para êste tipo de ruídos não possuimos defesa. A cia da escala musical, de modo a evitar d istorções so-
ún ica solução que podemos preconizar para o mo- noras. Estas resultam da absorção excessiva de cer-
mento, porém com resultados precários, é a do afas- ta frequêncio, determinando preponderância das fre-
tamento do aeroporto dos cen tros habitados. quências absorvidas em menor escala. Os materiais
usados comumente na construção, absorvem mais as
Para uma solução radical, neste setor, só nos resta a notas agudas que as graves. Em consequência, ver i-
esperança que técnica moderna possa eliminar o ruído fica-se nos ambientes não tratados acusticamente uma
na fonte ou inventa r novos meios propulsores menos predom inância das notas graves. Exem plo típico dês-
barulhentos. te fenômeno pode ser observado nas estações de
passageiros dos nossos aeroportos, onde são ma I en-
Capítulo importante, também, é o do ruído produzido tendidos os avisos transm itidos pelos a lto-falantes. Tra -
no interior dos edifícios, por máquinas industriais, ele- ta-se de uma constatação que pode ser feita em inú -
vadores, bombas de água, vent iladores, etc .. meros loca is, independentemente de medidas rigo-
rosas.
O fabricante dessas máquinas, o arquiteto e o cons-
trutor possuem meios próprios para reduzir êsses ru ídos Outro problema a ser examinado no estudo acústico
a níveis aceitáveis. Alguns aperfeiçoamentos nessas de uma sala, qualquer que seja seu destin o, é o da
máqu inas, seu assentamento sôbre bases isolantes de distribuição uniforme do so'm por tôda a superfície da
modo a não transmitirem vibrações à estrutura e o tra- mesma de modo que todos os espectadores possam
tamento acústico dos locais em que estão instaladas, ouvir com igua l intensidade. A sol ução para êste pro-
darão resultados satisfatórios. blema é ligada a uma série de fatôres. Em primeiro
lugar, dever-se-á considerar, no pro jeto, a forma e o
Por último, cons ideremos os ruídos produzidas no in- vol ume do local e, em seguida, tôdas as particular i-
terior dos ed ifícios mormente os de habitações cole- dades dêste.
tivas, provenientes de vozes humanas, alto-falan tes e
Superfícies côncavÇls ou convexas, saliências e reen-
impactos de várias espécies.
trâncias, um parapeito de balcão e os materia is apli-
Igualmente, nestes casos, será possível reduzir a gra- cados nas paredes, no teto, no piso e na s cadeiras
vidade do problema mediante a escolha cuidadosa dos são importantes para o resu ltado final.
processos e materiais de construção.
Em síntese, a solução acústica para uma boa audição
depende da for ma do local, e dos materia is aplicados
no mesmo, elementos êsses que podem variar de acôr-
Condicionamento acústico dos ambientes
do com o critério e a fantasia do projetista.
Passemos, agora ao problema do condicionamento Com relação aos materiais, o projetista tem à sua dis-
acústico tendo em vista a boa audiçõo, tanto no caso posição uma grande variedade de produtos especiais,
da palavra como da música. O assunto interessa, prin- que possuem acentuada capacidade absorvente dos
cipalmente, aos locais de grandes proporções, nos quais sons. A qualidade e a quantidade dêsses ma teriais
o problema se apresenta ma is agudo e mais difícil de são determinadas por cálculos matemáticos relativa -
so lucionar. Encontram-se neste caso as salas desti- mente simples.
nadas à conferências, aulas, teatros, cinemas, igre- A acústica deverá ainda prog redir. Mas, é inegável
jas, etc.. que os conhecimentos que possuim os, hoje, nesse cam-
O co nd icionamen to acústico dêstes loca is consiste em po, já nos permitem solucionar, de maneira satisfató-
dotá-los de uma re.verberação apropriada, variável ria, todos os casos que se apresentam na prática.
para cada gênero sonoro. Isto se obtém com a absor- No entanto, é lamentável ter que constatar que entre
ção de certa quantidade de sons, que de outro modo nós o problema não encontrou, ainda, a compreensão
permaneceriam no ambiente por tempo excessivamente deseiável em face de sua importância . A absoluta
longo, em ref lexões sucessivas, sobrepondo-se uns oos maioria dos nossos teatros, ci nemas, igrejas, salões
outros. para o público em aeroportos e bancos, salas de aula,
escritór ios e residências, apresentam pesslmas condi~
Tratando~se de sa las destinadas à aud ição da palavra,
ções de audição, com grave sacrifício para uso dêsses
o condicionamento acústico deverá cuidar, principal -
loca is.
mente, da perfeita inteligibilidade dos sons, de modo
a se obter a distinção nítida de cada sílaba . Isto As relações entre acústica e arquitetura, tornam-se
implica em providenciar para o local uma absorção cada ve z mais íntimas e importantes. Pràticamente,
relativamente alta. Isto é, o local deverá ser dotado não existe, hoje, projeto, qualquer que seja sua na -
de uma reverberação baixa . tureza ou extensão, no quo I essas relações não se
a presentem seja na concepção, na estru tura e especi-
No caso de locais destinados à mUSICO, pelo contrá r io, ficações da obra.
deve-se admitir, para boa audição, certa sobreposição
ou fusão dos sons em itidos em tempos imed iatamente O assunto é vasto. Numa breve comunicação como
sucessivos. Em consequência, a reverberação deverá esta não seria possível fazer mais que apresenta r uma
ser ma ior da que se exige para a palavra. síntese do problema.

2
• boletim men sal do Instituto Brasileiro de Acústica

1 a R e d a ~ ã o: Or. B. Bed rikow Eng. R. P. Richte r Be l. J. L. Cardoso Dr. R. T. Motto O. Ab u·Ja mra Arq. W. G. Ramos
Sede, São Pa ulo : R. Joõo Brícolo, 24 _ 2.°, Rio: Av. Almle. Barroso, 54, g. 1505, B. Hor izo nte: R. Paraíba, 697

A ARENA DA ARQUITETURA

Rebert L. Geddes
(Prog ressive Architecture)

Os arqu itetos estão constantemente remodelando a estrutura torna-se leve e fina. O espaço não é iso-
arquitetura: introduzindo novas idéias e reconsideran - lado, mas, aparentemente, continua sem barreira atra-
do as velhas. O desenho é, na realidade, a síntese vés de vidro, grades e jardins.
de idéias importantes. As priorida des dadas a estas
E' cada vez mais difícil concil iar-se o contrôle de
idé ias, a hierarquia de sua importância, umas rela!i':9'
ruídos com ou tras idéias em arte e tecnologia. Por
mente às outras, aparecem naqu ilo que um arquiteto
exemplo, a "continuidade" é uma idéia importante,
constróe 8, às vêzes, no que êle diz . Infelizmente,
que serve de base a muita arquitetura contemporânea:
numerosas teorias e construções contemporân"eas ou
o fluxo de espaço, o plano aberto que significa con-
ignoram o contrôle de ruídos, ou o tratam como uma
tinuidade de espaçai e o fluxo de fôrças estruturais,
questão de estética superficial.
que condu z a uma estrutura contínua . Os chefes do
Pe rgunta-se pois qual a prioridade dada ao con- movimento moderno, de Wright a Le Corbusier, têm
trô le doe ruídos na seguinte proposição: "a arqui- praticado e pregado a importância da "continuidade"
tetura é uma arte e dificilmente algo diferente. O como idéia arquitetônica. Como podemos conseguí-Ia,
alvo da arquitetura é a criação de espaços belos, e e ainda controlar os ruídos?
tudo o mais está tão subordinado a isto que verda -
E' importante lembrar que a arquitetura está cons-
deiramente nõo existe" ( 1). A História está ao lado
tantemente mudando seu conjunto de prioridades. Nem
do autor. A arquitetura é, essencialmen te, uma arte:
uma arte visual, uma arte plást ica, uma arte espacial. o arqu iteto do centenário vindouro nem o arquiteto
Porém, deve-se perceber que o ex periência da arqui- renascen t ista colocaria as mesmas ênfases ou pr io-
tetura é receb ida por todos os nossos sent idos, e não ridades que nós colocamos. O conce ito renascent ista
un icamente pela visõo . "A qualidade do espaço é de espaço e est rutura, por exemp lo, era ma is está tico,
med ida pela sua temperatura, sua iluminação, seu am- isolado e celular; teria resolvido alguns de nossos pro-
biente, e o modo pelo qual o espaço é servido de blemas ruidosas de cr iação humana. Mas isto apre
luz, ar e som deve ser incorporado no conce ito do a porta novamente a novas possib ilidades? Há al-
espaço em si" (2). Como faremos o "ambiente do guma esperança de surgi rem conceitos que adm itam
espaço" uma parte do conceito do espaço? o contrôle de ruídos, senão no "centro da arena", ao
menos na mesma tenda que nos abr iga?
E' irônico que o movimento moderno seja chamado
de "funcional ista". Algumas das idéias de maior prio- Sempre, desde que o homem pela primeira vez ras-
ridade da nossa arquitetura não se baseiam em fun- tejou para dentro de uma caverna ou fez um abrigo,
cional idade mas em poesia. Os p intores têm exercido ex istiu um sentido da base "operacional" da arquite-
grande influência. Um arquiteto moderno diz: "a tura. A estética da estrutura sempre se baseou sôbre
transparência definitivamente é um dos nossos objeti- a resolução de pressões. Um arqu iteto moderno diz
vos. E' uma das novas possibilidades tecnológicas mais carregamento de um pêso, a resistência a uma fôrça ,
fascinantes. Podemos realizá-la com os me ios de que a reso lução de pressões. Um arqu iteto moderno diz,
dispomos, com os nossos materia is, com os nossos sis- que "um esp aço, em a rquitetura, most ra como foi fe i-
temas de aquecimento e com tudo" (3). Mas podemos to. Nada deve int rometer-se para enevoar a ev idên-
realizá-Ia e também controlar os ru ídos? Os proble- cia de como o espaço é feito. A junta é o começo da
mas ocasionadas pela transparência são muitos. A ornamentação em arqu itetura" (2).

3
De um modo semelhante, pode-se considerar a ma - "condicionamento aéreo" em nosso programa cons-
neira pela qual a construção "opera" para man ter trutivo .
fora a água : como a água é obrigada a gotejar de
E' essencial que o /l som" seja aprese ntado aos ar-
certas saliências, como mater iais exteriores se juntam
quitetos em têrmos de operações, antes, do q ue como
para serem impermeáveis à água, como calhas são
uso simplesmente de materiais acusticamente imper -
colocadas em tôdas as juntas.- O co ntrô le da água
meáve is. Afinal de contas, entendemos aquecimen tos
f'Jz parte da ordem espacia l básica da arquitetu ra, e
e condicionamento de ar em térmos de isolação, con-
do detalhamento de tôdos as juntas. O modo de con-
dutos, dclos, um idade, e assim por diante . Parece in·
trolar-se a água tornou-se uma base de expressão e
crível que a ma ior parte da litera tura de arquitetos e
enriquecimento na arquitetura.
fabricantes seja tão inmticulada sôbre as duas opera-
Estes dois exemplos - estrutura e o contrôle da ções básicas do som : transmissão e absorção.
água - indicam os possibilidades que podem ser en -
con tradas em uma base "operaciona l" para o arqui- Também é essencial que o "condicionamento sono -
tetura. Eles indicam a poss ibilidade de que o contrô- ro" seja previsível, dentro de lim ites razoáveis da exa-
le dos ruídos possa também entrar plenamen te numa tidão e economia de esfôrço, enquanto a construção
base teórica tanto quan to as necessidades prá t icas da ainda este ja sendo planejada. Está entendido que
arquitetura. Há dez anos, uma excelente apresenta- qualquer ruído é aceitável enquanto não incomodar
ção dêste ponto de vista foi feita por James M. Fitch, os ocupantes de um préd io; pode êste ponto de incô-
no seu livro "American Build ing" (4) . Fitch disse, que modo ser previsto com antecedência? O arquiteto
a função do "American Building" deverá ser a manu- tem todo o direito de proclamar que o problema não
tenção daquelas condições amb ientais ót imas, essenciais é o barulho; o incômodo é que constitui o problema .
para a saúde e felicidade do indivíduo e para o desen-
O que é que o arquiteto gostaria de saber a cê rca
volvimento pacífico e eficien te da sociedade ame ri-
do som? Por exemplo, como é que podemos prever
cana" .
a qualidade do som, o /lambiente" de um espaço?
Em defesa de nossos arquitetos deve ser dito que, Como podemos fazer com que um espaço pareça mais
até anos recentes, o e3tado natural em que vivia o nobre, ou mais aleg re, ou mais ínt imo, ou mais cl i-
homem era um ambiente sonoro simples. Nossos an- mático, ou mais particular?
cestrais ouviam alguns sons, e a maioria dêles eram
Qua l é a di ferença ent re as téc nicas de contrôle
agradáveis: o canto de um pássaro, ou o vento nos
acúst ico para espaços grandes e para pequ enos? Pode
pinhe iros, o chôro de uma criança. Se bem que a lgu ns
a qua lidade do som aliviar a monotonia de corredo-
dêstes sons pode riam ter sido perigosos por implica-
res? Como pode a qua lidade do som concorrer para
ção (como sinais de aviso), éles não eram nocivos à
uma sequência de espaços, um rítmo de espaços?
saúde por si mesmos. Mas irônico, então, é o fato
de que o ambiente sonoro criado pelo hom em 'de ho- Como precisa ser uma parede? O que precisa ser
je constitui uma verdadeira ameaça ao bem-estar da um piso? Entendemos muito bem estas questões do
Amér ica urbana . Pois foi a moderna sociedade indus- ponto de vista estrutural; por que não em têrmos de
trial que criou sons novos a um ponto em que os ní· sons, impactos, vibrações?
ve is sonoros em muitas fábricas e' esc ritórios estão no
limiar de dôr, e em que muitas áreá?urbanas possuem E' irônico que as idéias espacia is dos nossos dias
um nível médio de barulho que torna necessária a pro- te nham -se ocupado tão eloquentemente com estrutura
teção contra éle. Nós corrompemos nosso ambien te e luz, porém tão escassamente com o som. Se o pro-
natural, quieto. blema do contrôle acúst ico fôr claramente estabelecido,
de maneira que lhe seja dada uma a lta prio r idade en-
A arquitetura deve desenvolver-se mais plenamen te t re as idéias a serem incorpo radas nos pro jetos, poder-
do que uma "arte de ambientes". Um dos propósitos se-á predizer o advento de novos conceitos espaciais.
de uma construção deveria ser o operar como um fil-
tro selet ivo e uma barreira, tirando do corpo do ho- E o ou tro lado da moeda : enquanto a estrutura de
mem a carga do ambien te natural por êle produzido. uma construção se tornou um elemento express ivo (5),
Um dos propósitos de uma construção deveria S'3:r a os medidas de contrôle de som têm permanecido, via
contribuição para um ambiente humano. de regra, inexpress ivas. Fôrro falso é a image m
que ocorre mais comumen te à mente, quando é con-
O contrôle do ambiente não é a totalidade da a r- siderado o contrôle do som. Mas a finalidade da
quitetura, mas deve ser parte da ordenação básica futura arquitetura não é isso. Como um espaço é
dos projetos. O arquiteto deve faze r do contrô le dos feito, e como é servido de luz, calor, fô rça e som :
ruídos um problema seu. esta é a técnica integ rada que procuramos dentro da
Barreiras con tra som podem tornar-se uma parte da arquitetura .
expressão da arquitetura. Elas podem se r colocadas Mas devemos relembrar que a técnica é um meio
ao redor da fonte do barulho, ou em vo lta da v ít ima, para um fim, e não um f im em si. A arquitetura é
ou ambas as coisas _ Elas podem ser incorporadas nos
uma arte socia l e espacia l: sua função essencial é
primeiros pensamentos sôbre a natu reza dos espaços.
ajudar a resolver alguns dos problemas do homem e
Como as barrei ras contra a água, as barreiras contra
a enriquecer o seu espírito.
o som podem contribui r para a riqueza de expressão
da arqu itetura . Mater iais acusticamente absorventes
ou refJetentes podem ser dotados de uma vida própriai
e materiais tradicionais podem se r reconsiderados em (l) Philip Johnson.
(2) Louis Kohn.
têrmos de suas propriedades sonoras. Isto poderia
(3) Morce l Breuer.
acontecer, mas não aconteceu, porque o "condiciona - (4) Houghton Mifflin Co.
mento sonoro" ainda não possuia a importância do (5) Nervi, Le Corbusier, etc ..

4
JANEIRO 1960 N.· 21
REDAÇÃO
Df', Bernardo Bedrikow - Eng. Q Roberfo
Paulo Richter - Bel. Joõo l el lis Cardoso
- Orlando Manoel Brogiolo.
Sede provo R. Maranhão, 88 - S. Pllulo

BO LE TI M MENSAL

TÔDA CONSTRUÇÃO POSSUI PROBLEMAS ACUSTICOS


ROBERT B. NEWMAN
Arquiteto - Catedrótico de Acú stico do M.I.T.

I
Todos sabem que a acústica é importante em audi- cretária de um vice-pres idente se queixou de estar em
tórios, teatros, salões de concêrto, estúdios de rád io e d ificuldades de escrever cartas, porque, frequentemen -
televisão, ou em igrejas. Mas, quantas vêzes nos cien- te, ficava confundida pelo ditado do vice-presidente
tificamos de que prédios de apartamentos, edifícios de do escritório vizinho J Essas pessoas resolveram o seu
escritórios, residências enfim, qualquer tip o de cons- problema, ao menos tempcràriamente, abandonando
trução, têm muitos problemas de acústica . . Cada ele- todos os outros escritórios - uma isolação acústica um
mento de construção tem alguma influência sôbre as tanto dispendiosa J O proprietário ficou desapontado
características acústicas do edi fício 8, a menos de que e surprêso de descobrir que, com o sistema de divisóes
todos os fatôres envolvidos sejam claramente compre- que possuia, nunca poderia ter nenhum grau de inti-
endidos e incorporados durante o proieto, raramente midade em escritórios adjacentes. "Talvez estivesse-
alcançamos resultados satisfatórios. mos melhores com paredes de alvenaria, disse o pro-
prietário, em desespêro. Sim, isto teria sido uma so -
Muitos problemas acústicos encontrados nas constru-
lução, mas não necessàriamente a única.
ções podem ser resolvidos sem qualquer despêsa adi -
cionai, por meio da aplicação sensata de princípios Certamente, em edifícios atuais não esperamos en-
básicos. No entanto, a tarefa de alcançar condições contrar paredes de tijo los divid indo escritórios particu-
realmente boas é mais complexa, se nos encam inhar - lares. Mas, não podemos conseguir a tradicional inti-
midade dos escritórios por meio de divisões da espes-
mos para componentes de construção mais leves e exi-
sura de papel, contendo tõda a sorte de buracos e
girmos ma ior flex ibi lidade e serviços mecânicos. Em-
fendas embutidas. S6mente por meio de uma inte-
bora as pessoas estejam tornando-se cada vez mais to-
gração cuidadosa cas técnicas de hoje, à nossa dis-
lerantes ao barulho e à falta de intimidade, assim mes-
posição, podemos conseguir intimidade com flexibi-
mo a inda existe o limite muito bem definido daquilo
lidade.
que os ocupantes dos edifícios aceitarão como padrão
de uma boa edificação. A produção de confôrto acús- Outro incidente d ivert ido passou-se em um grande
edifício, onde um dos executivos se queixou de haver
tico deixou de ser uma questão de adivinhações esperan-
transm issão excessiva de som entre o seu escritório e
çosas e adaptações posteriores. As medidas para uma
o do seu vizinho. A nova edificação está local izada
boa acústica podem e devem ser planejadas durante
em lugar afastado do centro da cidade, onde reinava
o projeto, da mesma forma que os problemas de aque-
grande quietude. Não havia ruído de tráfego urbano
cimento, ventilação, estrutura e iluminação. A nã':> ser
para fornecer aquela continuidade de ruído de fundo
que exista essa integração inicia l, cuidadosa, o custo
que tão frequentemente impedem as intrusões de sons
de uma adaptação posterior é onerosa.
estranhos proven ientes dos escritórios viz inhos. Nêste
caso particular, o som estava sendo transmitido por
Sem Surprêsas cima das divisões, através dos tetos de pêso reduzido,
para acima dentro do espaço vazio. As co isas foram
melhoradas, colocando argamassa por sôbre os tetos
O tema desta publicação poderia ser perfeitamente:
em questão. Agora êle diz : "Na realidade, as coisas
"Evitemos Surprêsas". As surprêsas acústicas em muitas
não estão tão melhores: de fato, pode ser até que
edificações novas não são devidas somente à negli-
agora estejam a inda piores. Este sujeito do escritório
gência proposital do arquiteto ou do construtor. Ela
vizinho, como primeira coisa que faz quando chega,
existe, também, por uma falta de conhecimento do mo-
de manhã, sempre conta uma piada à sua secretária.
do de comportamento do som e da maneira pela qual
Antes, eu ouvia a anedota, agora tudo o que posso
êle caminha de um ponto a outro, dentro de uma cons-
ouvir, são somente as gargalhadas ]".
tru ção (figura 1) . Recentemente, um grande edifício
de escritórios foi completado para uma companhia de Quanta isolação nós necessitamos realmente, para
seguros. As áreas executivas dos escritórios estavam consegu irmos a intimidade? Achamos que esta é uma
subdivididas por meio de paredes removíveis, muito pergunta realmente complexa, que de modo a lgum po-
bonitos e bem detalhadas (na aparência visual ). A se- de ser respondida com simples números. Isto depende
de estarmos falando de intimidade completa, confiden-
ciai, ou meramente isenção de distrações. Depende,
também, em grande parte, de quão barulhento fôr o
ambiente que circu nda o "ouvinte" . N o ruidoso cen tro ..... <;, ..,.",
... ,,,,' ... ,..........,..v<>s
da cidade, por exemplo, frequentemente bastam d ivi-
sões finas e leves; enquanto que em loca is mais afasta-
dos onde existe mais silêncio, poderemos necessi tar de
paredes de 2,5 cm de tijo los, ou en tão teremos de
regular o barulho de saída do sistema de ar condi-
cionado de modo que êle possa comparar-se ao baru-
lho encontrado na grande cidade. Cada caso ex ige
suas própr ias especificações mos, hoje isto pode ser ".e,,,,,,,,S ÇoI!.

c."'''''"I!.F'<'''~, .... &


feito, com os conhecimentos de engenharia disponíveis.
.I!K.oI...-6 ... os·
" .. o .." .....

"Perfume Acústico "

Quanto mais estudamos as reações das pessoas ao


ambien te acústico, concluimos que em muitas situações
a existência de uma certa quantidade de barulho se
torno desejável. Frequen temente, refer imo-nos a êste
barulho com a expressão "perfume acústico", desde
que com pequenos ru ídos de fundo contínuos e agra-
dóveis, mu itas vêzes podemos camuflar outros ruídos,
que interrcmpam a nossa intim idade ou nos tragam as
distrações de informações indesejáveis do que esteja se Fig . 1. - As inúmera s á reas d e uma co nstruçóo, sujeitas a pro-
b lemas a cústicos, provoca m o a viso: " Evite mos sur p rêscu" I
passando no recinto vizinho. Ruídos provenientes do
sistema de ventilação, de tráfego, de atividade comum
de escritório, todos êles contribuem para fazer a maio -
ria dos espaços parecerem mai5 silenciosos do que se há desculpa para qualquer auditório ou outro rec into
estivessem, de foto, sem êstes sons. semelhante, cujas condições de audibilidade não se- .
jam excelentes em todos os assentos. As med idas que
Às vêzes O projetista de UrY;(! ccnstrução fica fasc i-
garantem uma boa audibi lidade podem ser incorpo-
nado com algum aspecto pa:-1icu lar do projeto e pa-
radas no projeto, e raramente há necessidade para
rece esquecer a interação que e:,1a feição possl! irá
qualquer modificação na forma ou no acabamento do
com os outros aspectos do resultado. Recebemos, ou-
espaço completado. Às vêzes, a aquisição de cond i-
tro dia, telefonema desesperado de um arqu ite to, cujo
ções de boa audibilidade envolverá o projeto de um
edifício de escritórios, de 10 andares, proietado prim:·
sistema de ref6rço acústico de alta qualidade. Se um
tivamente para médicos e advogados, estavo próximo
tal sistema fôr necessário, seu projeto e sua integração
a ficar pronto. Um andor já havia sido ocupado, e
no recinto serão tão importantes como qualquer Ol'tro
os inquil in os estavam extrema mente descontentes com
detal he arquitetônico. Não deveria haver a poss.bili-
uma fa lta quase total de intimidade acústica. Médicos
dade do arquiteto descobrir, justamente duas semanas
e advogados exigem um alto grau de intimidade, por-
antes da inauguração, que em sua nova igreja será
que muito do que êles dizem em seus escritórios é
impossível para qualquer pessoa ouvir o sermão, por-
al tamente confiden ci al. N este caso particular, o ar-
que o sistema de al to-fa lantes fo i elaborado de modo
quiteto usara um novo sistema de ventilação, empre-
inepto l Tais su rprêsas não têm cab imento no proieto
gando o "plenum" (espaço vaz io) sôbre o fôrro falso,
arquitetônico de hoje em dia!
para a circulação de ar. Cada escritório era abaste-
cido com ar, através de uma série de fendas d istribuí -
das pelo fôrro. Naturalmente, estas fendas, oferecen-
DUTO
do um ótimo caminho para a transmissão do ar, tam -
bém, permitiam a transmissão do som, ràpidamente, ""
AR

de recin to para rec into (figura 2). In fe li zmente, a


construção estava terminada, e a obtenção de qual-
quer grau de isolação acústica entre os escritórios, acar-
retaria alterações vitais. O sistema mecânico do ar
condic ionado deverá ser completamente refeito para Fig . 2 - Os projeti stas d evem cient ifica r-se da impo rtâ ncia de
co nside rar todos os caminh os poss íveis poro a transmissão de som
conseguir-se algum grau de intimidade entre escritórios,
e ntre espaços a d jacentes. Um sistema de dist ribuição de a r, q ue
o que poderia ter sido alcançado se de início tivessem utiliza difusores lin ea res contínuos no a cabame nto do fôrro, pode
sjdo projetadas medidos acústicas adequadas. pràticamente anu lar a eficá cia de d ivisões co nstruídos entre es-
critórios adjace ntes. O som pode prontame nte passa r at ra vés de
Mas, a acústica arqu itetôn ica não se ocupa exclusi- abe rturas de um lado do divi sõ o poro de nt ro do espaço adiacente.
vamente com assuntos de intim idade e isolação. Às Siste ma s de aba stecimento d e ar co mo êste nõ o d everiam ser con-
vêzes, desejamos ter boas condições de audibilidade. side rad os ond e seja exigida uma intimid ade d os escritÓríos. Pro-
b le mas sem elha ntes se riam enco nt rad os com a berturas po ro il u-
Grandes passos têm sido dados na com preensão do
minaçõo, ca vida d es pa ro cortinas, ou siste mas de re tôrno d e a r
modo de comportamen to do som, e hoje em d ia não " plenum" .

.•
FEVEREIRO 1960 N." 22
REDAÇÃO
Dr. Bernardo Bedrikow - Eng. o Roberto
Pau lo Richter - Bel. Joõo lellis Cardoso
- Orlando MOóloe l Brogiolo.

Sede prOI/ . R. Moro nhõo, 88 - S. Pa ulo

B O L E T " I M M E N S A L

11
HISTORIA DE CASOS
Problemas g eraIs ROBERT B. NEWMAN
Arquiteto·Catedrá tico de Acústica do M.I.T.

--'

Ed ifí cio de escritó rios do Ford e m Michig oi1 E.U .A.

Semelhante a mu itas das novas construções de escritórios


de hoje em dia, o escritório central da Ford ("Ford Central
Stoff Office Bui1ding"), Dearborn, Michigan, está em um lo-
cai relativamente quieto, afastado do barulho de tráfego da
cidade. Isto fez com que surgissem exigências severas pora
com o arquiteto, que tinha de prov idenciar grandes áreas
de espaço subdivisível em escritórios particulares e sem i-par-
ticulares dotados de adequada intimidade acústica. O pro·
jeto das divisões removíveis incluia el ementos especiais de
vedação, acima dessas divisões, bafles entre o fôrro e o
LlADEJRAS PARA
TAo RI,./('ÁME;NTO
DE· ~4 ' )( r Y4"
teto sem revestimento. Uma supervisão cuidadosa durante a
construção resulta em uma intimidade acústica razoàvelmente
satisfatória entre as sa las de escritórios. Em certas áreas,
CAAPA DE
6f~~9 1IS· T~='7i"' l.IGADO C()IoII A~ 1.1E. onde a flexibilidade não era indispensável, foram aplicadas
E. CI NTAS DE, M ETAL
divisões permanentes de alvenaria, com o m9smo cuidado
no detalhe, para que fossem evitados os " vaza mentos" acús-
ticos.
Ao lado dos problemas de isolação acústica entre escritó-
C J.lA PADE
<.eSSO ,,'..1..--1..;. I rios, também durante o planejamento, cuidou-se minuciosa-
mente de obter ambiente acústico confortável internamen-
te aos vários escritórios, assim como a produção de boas
condições de audibilidade em recintos de conferências.
No grande salão de conferências da diretoria (vide foto),
T ETO foi dedicado um estudo consideráve l ao projeto do teto on-
PL..Á<;,.T, CO

~~~~t~~l~~~·~ ~S ALTeRNATlv~S -_-_-_ dulado de painéis de meta l, que serve como refletor e di-
fusor de som. Assim, a palavra que tem origem em qualquer
parte do recinto será ou vida nas outras partes da área de
cadeiras, sem auxílio de sistema de amplificação sonora.
Isto é especialmente importante em recintos grandes como
I-ol..:l"TA:JU ....1TA
êsse usado para conferências com participação ativa da
CE. f\1ETAI.. assistência. Além disso, o desenho das paredes e seu tra-
tamento superficial evitam a formação de écos e concentra-
ções de som.
Muito frequentemente, porém, o arquiteto se confronta
com a tarefa negativa de proteger o ouvinte, que se encon -
tra numa residência, num escritório ou num hotel, contre o
som desejável. Este é o campo da acústica da construção .
Se ouvirmos pouco, no primeiro caso, ou demais, no se-
gundo, não será a "acústica" que será má, mas sim a inte-
ligibilidade do recinto ou a proteção acústica da edificação,
respectivamente .

Separata do Revisto Acropole N.· 255 - Ano XXII


MARÇO 1960 N." 23
REDAÇÃO
Dr. Bernardo Bedrikow - Eng .o Roberto P.
Richler - Bel. João l. Cardoso· Orlando
M. Br09io1o • l. A. Palhono Pedroso.
Se de: S. Pa ulo· R. J oão Brícola , 24, 24. 0
Rio· Av. Almiro nle Barroso, 54, 9'. 1505

BO LE TI M MENSAL

III

HISTÓRIA DE CASOS
ROBERT B. NEWMAN
Problemas gerais Arquiteto-Catedrático de Acústica do M.I.T.

Vista geral do Auditório

o prog rama da construção do "Santa Monica Civic Auditorium", em Santa Mônica,


Califórnia, E.U.A., especificava a criação de um edifício de inúmeras utilidades, que
servisse para acontecimentos esportivos, exposições e convenções comerciais e , ainda,
para espetáculos musicais, tais como, sinfônicos, "shows" e óperas.
A acústica foi p ro ietada para apresentar óti'mas condições em espetáculos, tanto
sinfônicos, como de grupos menores de solistas, sem uso de refôrço sonoro. O sistema
estereofônico de som, projetado e instalado por engenheiros da RCA Victor foi fei to
de modo a adaptar-se a diversos tipos de reuniões públicas, apre:entações musicais
populares e representações teatra is. Para acontecimentos esportivos, obteve-se um
refôrço sonoro adicional, usando um conjunto de alto-falantes suspensos, removíveis
e diretamente convergentes sôbre o centro do piso basculante. Além disto, para ga-
rantir ótimo tempo de reverberação para a palavra e a música, os materiais especi-
ficados tinham de se restringir àqueles que resist issem às cargas pesadas e impactos
da bolo de "basket", durante competições esportivas. Desta maneira, foram empre-
gados, nos paredes laterais, painéis acúst icos proteg idos por metal. Estes painéis
de ,metal perfurado, com 4 polegadas de lcugura, foram usados nos paredes laterais
e do fundo. As paredes lisas da frente são de metal não perfurado e funcionam
como painéis de reflexão, para proietar e reforçar o som. Os painéis perfurado3
são revestidos por trás com materiais isola ntes minerais e possuem um espaço de ar.
GAlf~'A PARA
'lU"" "'''''''O

9'lH[H~IA

EM DIR EÇÃO À. I=ACE


INFE RIO R DO TEL/-I A D O ÇOL DE ISOlAç.ÀO

Detalhe do Auditório

II

CHAPA DE GESSO 1/2 11


'/; ~E REBOCO

TARUGAMENTO 12"
DE CADA LADO

(DO LADO ESQUERDO) LADO 00 AUDITÓRIO

o teto, de rebôco duro, pintado, tem também a finalidade de pro;etar c reforçar


o sem para o fundo. A absorção acústica é fe:ta por inlermédio das parede:; late;-ais
e do fundo do auditório. Não há su!=erfície5 verticais fronteiriças ao palco, em di-
reção alguma, de modo que qualquer característica de éco será difundida. Perto
do teto, tôdas as paredes se inclinam para dentro. Além disto, não há paredes pa-
ralelas, sendo que as paredes la terais se abrem ligeiramente, para que, com isto,
se evite a existência de superfícies paralelas que poderiam causar ressonâncias. Para
calcular os tempos de reverberação e as curvas dos espectros acústicos, foram ana-
lisados e determinadas os características acústicas de todos os materiais usados no
auditório. O tempo de reverberação é de, aproximadamente, 1,59 segundos, a 512
cps, com o ambiente lotado.
Os assentos do auditório foram confeccionados de modo a possuírem características
de absorventes acústicos. As áreas críticos refletoras, tais como a área da parede
da cabine de projeção, foram eliminados por difusão poli-cilíndrica. A área foi
tratada com pa inéis de chopas acústicos, co locados na s paredes, em direções opostas,
semelhante a um fole de sanfona.
Devido aos múltiplos fins do auditório, alguns especial istas julgaram que os écos
constituiriam um prablema vital dentro da construção. No entan to, desde a 5ua
inauguração, em junho de 1958, o auditório tem passado por testes e recebido muitos
elogios. "Acusticamente falando", declara o Dr. Vem O. Knudsen, um dos mais
destacados consultores acústicos daquele país, "o Santa Monica Civic Auditor ium"
preenche seus múltiplos requ isitos, de um modo altamente sa tisfató rio . Com refe-
rência às suas propriedades de reverberação, merece umo classificação mais oito
até do que o Royal Festival Hall, em Lond res, que tem sido muito elogiado por
críticos e personalidades artísticas pela sua soberbo acústica".

Separata do Revisto Acropole N.o 258 - Ano XXII


ABRil 1960 N.· 24

INSTITUTtO BRAS1~~tRO DE\ACÚSTICA


R ED A Ç ÃO
Dr. Bernardo Bedrikow - Eng .o Roberto
P. R:chter - Bel. Joóo l. Cardoso · L. A.
Polh o no Peclroso • Orlcn:lo M. Brog iolo.
. -. _o" u . ~ \
Sede : S. Pa ulo· R. J oão Br/co la , 24, 24.0
j.~~} ~~ _ ...i Rio· Av. Almira nte E!orroso, 54, 9r. 1505

BO LET IM MENSAL

TODA CONSTRUÇÃO POSSUI PROBLEMAS ACÚSTICOS

ROBERT B. N EWMAN N
Arquiteto Catedrático de Acústico do M.I.T.

IV
HISTORIA DE CASOS
Problemas g erais

o mai or problema do tra tamento


acústico para igrejas, é a recor.ci-
liaçáo das medidas para um:! alta
inteligibilidade da faJa e uma boa
reprodução do música litúrgica . De
acôrdo com as curvas comumente
aceitas de tempos ó ~ im03 de rever-
beração, uma igreja convenciona l,
comparáve l no tamanho, à Primei -
ra Igreja Presbiteriana, de Stan-
ford, Connecticut, de 70.000 m3
deveria possu ir um tempo de re-
ver bera ção de aprox imadament-e 1, 1
ou 1,2 segundos para fala e de
cêrca de 2,0 segundos para música.
(Outras dimensões desta estrutura,
de facêtas pré-moldadas de concre-
to, são: comprimento da nave
49,2 m; distâ ncia do j:úlpito aos as-
sen tos do fundo 31,2 m; ponto cul-
minante do interior, 18 r,, ). Apesar

Inte rior do igre ja com vista para a altar


SAL A 0 0 ORGANISTA
CÔRO CÕ RO
+-~~----- ORGÃO

OSSEL -FI~-=- < F-'~


l
S ALA 00 CÔRO

- PASSAGEM PARA
SACRIS T IA

T ELH A DO DE PE ÇAS
M O L DADAS

PASSAGEM PAR'A
f.SC OlA DO MIN! CAl

Detalhe da púlpito - -I-l/.--'V ESTíBUL O DA IGREJ"'-

de ter sido observado desde o co-


mêço que esta forma daría, consi-
deràvel mente, mais difusão do que
uma igreja retang ular ou cruciforme,
ficou a se r verificado, quão grande
seria a melhoria da audibilidcde
acarretada por esta difusão adicio-
naI. Durante a entrevista entre os
arquitetos e consultores de acústica Aspecto exte rno da Primeira Ig reja Pres biteriano, em Stanford, E.U.A.

por ocasião dos estágios pre limina -


res do projeto, concordou-se num
tempo de reverbera ção de 1,7 se- das na estrutura comp letada, mas fação com o ambiente acústico obti-
gundos, para satisfazer tanto fala não tratada a inda. Antes da inau- do - apesar de não terem sido usa-
como música. Por isto, inicialmente, guração e após a colocação dos ta- dos, na forma final, mater iais acús-
uma área de apro ximad amen te pêtes - somente no alta r e nos cor- ticos. Um dossel de púlpito - para
120 m2 de materia is acústicos, foi redores, não sob os bancos - testes aumentar a proporção e energia so-
considerada adequada par a garan- revelaram que o tempo de rever - nora direta, reverberante - atua
tir êstes 1,7 segundos para o caso beração médio, com tôda a congre- como um ampl ificador sonoro natu-
de estar a igreja completamente gação, era aproximadamente 2,1 ral. O dassel permite uma caracte-
cheia . Foi decidido, no entanto, segundos em 500 cps. Uma inspeção rística de reverberação, com a igre-
od iar-se a aplicação do material da parte dos consultores de acústica ja che ia, próxima a 2, 0 segundos,
acústico até que as condições de - mais um inquérito dos mem bros sem sacrifício perceptível da inte Ji-
audibilidade tivessem sido observa- da congregação - ind ic aram satis- gibilidade da fala.

Separata da Revista Acropole N.O 259 - Ano XXII


,'v ....
M AI O 1960 N." 25
REDAÇÃO

INSTJTUlO
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DE':\
ACÚSTICA
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Dr. Bernardo Bedrikew - Eng. o Roberto
Poulo Richler - Bel. Joõo L. Cordoso _
L. A. Polhono Pedroso.
Sede : S. Pau lo - R. Jaõo Brícolo, 24, 24.0
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BO LET IM MENSAL

TODA CON
. " . STRUÇÃO POSSUI PROBLEMAS ACÚS T ICOS

V
HISTORIA DE CASOS
Problemas gerais
RO BERT B. N EWMAN
Arquiteto - Catedrático de Acú~tlca do M.I.T.

cu." ....." •• , .... · .. H, .~p·

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hl~u <O'"P"",;do

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.... ~ ... AO "'-"--'W--I

So lo de au la da Morse School

Construções de telhados inclinados apre- sob uma laje metálica de chapa dobrada
sentam um problema extremamente difícil (formando cana letas). Um bom desenho
quando os requisitos acúst icos exigem que de detalhes e cu idadosa supervisão duran-
as divisões sejam rigorosamente vedadas te a constru ção eliminaram êsse vazamen-
em relação aos referidos tetos. Ao plane- to acústica potencialmente sério. A cons-
jar a Morse School, Cambridge, Massachu- tru ção das d ivisões proporcionam dessa
setts, os arquitetos reconheceram de ante- maneira um isolamento acústico satisfató-
mão os problemas a serem enfrentados com rio, entre os aposentos, porque, o va za-
d ivisães de salas de aula, arrematando mento de som foi evitado.
Boa distribuição de som re f letido foi alcançado no auditório da Morse
School at ravés da orien tação adequada de dois p lanos re lativamente sim-
ples de teto de rebôco duro : um ascendendo da cbertura do proscênio e
juntando -se a um segundo que se inclina para baixo na pa rte de t rás. A
... . ,,"'''"=
parede dos fundos é revestida com um ma te rial abso rvente de som para
controlar o éco. O tratamento absorven te de som restante, necessário para
o contrôle de reverberação, é incorporado nas duas áreas de parede do
lado de cima, que não são ut ilizadas para o re fôrço de som vindo do
palco . Faixas de ma terial acústico pe rfurado do t ipo pad ronizado, foram

Aud itório da Morse School com vista para o p alco

inser idas entre as nervuras do pa inel metálico - que formam as paredes


la terais - resul tando daí um interessante efeito decora t ivo. A área de
parede t ratada absorve o som quase tão eficazmen te como se as nervuras
de metal estivessem também cobertas, devido aos efe itos de absorção de
"beiradas".
O palco também serve como lugar de ensaio de bandas, e por essa
razão exigia um tratamento de absorção de som nas áreas das paredes
laterais . Frequentemente, os palcos de aud itórios escola res peq uenos têm '''' '' ,

demasiada absorção de som na forma de pesadas cortinas de veludo, cor-


tinas de palco, etc. . Em geral, entretanto, a extremidade "transmissora"
de um auditório deve ser mantida rela t ivamente ríg ida e refletindo o som
a f im de assegurar bons resultados. Arqu itetos; Corl Koch & Asscciates.

Separata da Revista Acropole N,· 260 - XXII


r'" .... ~ . "-~""-'--" , r JUNHO 1960
R E DI A ç Ã o
N,· 26

INSTITUTO BRAS,1LflRO D~ ACÚSTICA


Dr. Bernardo Bedrikflw - Eng. o Roberto
Pau lo Richter • Bel. João L. Cardoso -
L. A. Polhano Pooroso - Orno r Abu-Jomra.

l ..J:.. .... ,.....


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Sede: S. Pau lo · R. Joã o Brícola. 24, 24.0
Rio - Av. Al mira nte Ba rroso, 54, gr. 1505

BO LE TI M ME N SA L

TODA CON STR U Ç ÃO P O SS ÚI PR O BLE MAS AC Ú S TIC OS

VI
HIS T OR I A O E CASOS
Problemas gera is

A Primeira Igreja luterano, de Boston, Massachusetts, oferece um ambiente acústico


altamente satisfatório para a apresentação de música litúrgica.
Ao mesmo tempo, as condições de audib ilidade para a fala sôo excelentes em
todo o recinto da igreja. Não existem problemas sérios de distribuição de som
no této achatado, cujo acabamento é constituído inteiramente de materiais bà·
sicamente refletores, no sentido acústico. O perímetro interno, incluíndo a 90.
leria, é de concreto, com fôrro de made ira sôbre a maior parte da área central.
COR TE

HORIZONTAL PARC I AL

Rlpos de modeiro SI O
Oisl oncio_, de 1/4'·
Foc. do Po'ede d._
Blócos a. conc'eto

ue"Xq "

A quantidade de materiais absorventes, necess6ria pa ro o contrôle de reverberação,


restringe-se ao teto da galeria lateral, ao teto do vestíbulo (o vestíbulo est6 acusti -
camente ligado à nave através de uma parede vazada em ripas de madeira), e ao
material de enchimento do lambril do altar. Não h6 problemas de éco na parede
do fundo, devido a grande descontinuidade da superfície dessa parede, ocasio'nada
pela saliência do balcão e pelos tubos de órgão situados na galeria do fundo. A
necess idade de amplificação sonora fo i reduzida ao mínimo, pelo uso de um grande
dossel de madeira, suspenso por sôbre o pú lpito. Pro jeto do arq. Pietro Belluschi.

Conc reto
~c cc co oc cc cc
0 0 cc oc 00 00 cc Madei ra
0 0 o o ~ o ao oc

Orgõo
Parede de Ti j olos

Ac ústic a

Par ede Va sa da em R

Separata da Revista Acropale N.' 261 - XX II


JULHO 1960 N.· 27
REDAÇÃO
Dr. Berna rd o Bedrikew • Eng. o Roberto
Paulo Richter • Bel. João L Cardoso _
L A. Polho no Pedro5o • Ornar Ahu-Jomra.
Sede: S. Paulo - R. J oão Brícola, 24, 24. 0
Rio - Av. Almirante Borr050, 54, g r. 1505
BeJo H or i zonte - Rua Paraíba, 697

BO LE T IM MENSAL

TODA CONSTRUÇÃO POSSUI PROBLEMAS ACÚSTICOS


VII
HISTORIA DE CASOS

Problemas Gerais

ROBERT B. NEWMAN N
Arquiteto Co tedr6t ico de Acústico do M.LT.

fachada do Forum de Hibbing, M!nn. E.lI.A.

R IGI OA • DE

'f.. •

REVESTIMENTO DE GfSSO

G" ELHAS DE VENTIL A çÃO

Uma exigência acústica básica no projeto de uma sala de tribunal é reduzir-se


o tempo de reverberação de tal modo que a palavra falada possa ser ouvida em
tôdas as partes do recinto . Por esta razão, a sala de iulgamentos da /1St. l ouis
County Court House", Hibbing, Minnesota, foi dotada de um mínimo de superfícies
absorventes.
RIP.."S DE PINHO OE
CORTE 1-2 Z")( 4" - 3" De.

Além das cortinas e do teto suspenso de ripas de madeirCl, nenhum outro dispo-
sitivo foi necessário para reduzir o tempo de reverberação. Com o teto suspenso
ondulado, que, no caso, também servia para disfarçar os encanamentos e a luz fluo-
rescente, os projetistas evitaram superfícies de soalho e teto paralelas, que poderiam
ter ocasionado um problema de ressonância. Ao mesmo tempo, as ripas agem em
uníssono, como uma superfície refletora para dar uma distribuição melhor à energia
sonora. Um problema de ruído, oiiginado peja montagem direta de estabilizadores
para luzes fluorescentes sôb re o teto de concreto e rebôco duro foi reduzido ao mí-
nimo, colocando-se estabilizadores de um tipo silencioso e trocando-se algumas das
peças da instalação de luz. Jyring & Whiteman, arquitetos.

Separata da Revista Acropole N,· 262 - XX II


AGÔSTO 1960 N.· 28
RE DAÇÃO
Dr. Bernardo Bedrikow • Eng. o Roberto
Paulo Richter • Bel. Joõo L Cardoso -
L. A. Polhono Pedroso - Omor Abu·Jomro.
Sede: S. Pau to · R. João Brícola, 24, 24. 0
Rio - Av. Almirante Barroso, 54, gr. 1505
Belo Hori zo nt e - Rua Parefho, 697

BO LE TI M ME N SA L

A partir dêste número apresentaremos a seg unda parte do série d e


artigos publicados na revista " Progressive Architectu re", de autoria de
Rebert B. Newmann. Os artigos que se seg uem aborda rão todo os
fenômenos e respectivas so luções que compõem os casos
de tratam entos acústicos.

APROXIMAÇÕES CRIATIVAS E CORRETIVAS

ROBERT 8. NEWMANN
Arquiteto Catedrático de Acústico do M.I.T.

Frequentemente, um arqu iteto pergunta: "Qua l é rios. Muito mais frequentemente, sõo aplicados a 'as-
a forma ideal para um auditório?U Felizmente, o en - suntos cotidian os, comuns no desenho arquitetônico.
genheiro acústico pode responder ; "Não há uma sól" Por exemplo, o arquiteto de um novo prédio de apar·
Mas êle pode ajudar o arquiteto a chegar a uma so· tomentos poderá perguntar quais as medidas necessá·
lução do projeto que, devido à forma básica do es· rias para transformar uma sala de máquinas, localiza·
paço, necessitará pouco mais de tratamento ou con· da no andar térreo, em um bom vizinho para com
formação corretiva. Às vêzes, êste esfôrço de cola· apartamentos, imediatamente superiores. Depois que
boração entre arquiteto e engenheiro pode conduzir o engenheiro acústico tiver acabado de indicar uma
a soluções novas, estéticas, funcionais para certos m;. base an ti-v ibratór ia, tetos, com material especial, etc.,
pectos da projeto que tiverem sido determinados por que seriam exigidos, o arquiteto poderá concluir que
considerações acústicas. Por ou tro lado, o arquiteto seria mais simples e menos custoso colocar todo êste
poderá dizer : "Eu sei que isto não funcionará, do equipamento em outra construção, fora do prédio. Ta l
ponto de vista acústico, mas é êste o aspecto que solução não só poderá ser menos custosa, mas, ainda,
eu quero para o recinto. O senhor não quer me poderá muito bem condu zir a uma solução final mais
ajudar a fazê -lo funcionar?" O engenheiro consciente satisfatória do problema ruidoso, para os ocupantes
poderá tentar d issuadir o seu cliente de uma aproxi· do pri meiro andor. Quando insistimos em colocar uma
mação dêste tipo, mas, de qualquer forma êle é abri· fonte de ruídos num recinto próximo a outros que de·
gado a fazer o melhor possível mesmo numa situação vam ser silenciosos, achar· nos·emos inevitàvelmente, en·
difícil. Muias destas aproximações "corretivas" têm volvidos numa construção enormemente complexa e
resultado em excelentes auditórios. custosa, o que poderia ter sido completamente evitado,
No entanto, os aspectos de concepção de um pro- se a fonte de barulho simplesmente fôsse afastada
jeto não se restringem somente ao campo de auditó- para longe.
Por outro lado, no uWarren Petroleum Building", em estavam máquinas. Estas, depois tinham de ser men~
Tulsa, Oklahoma, o arquiteto e seus engenheiros sen- todas, sôbre êste sanduíche duplo de laje, em mon -
tiram que o único local sensato para o equipamento tagens especiais "rubber-in -shear". tste tratamento
mecânico seria o último andar (vide história dêste provou ser inteiramente satisfatório e, nos escritórios
caso na Parte 11). Logo abaixo estavam os escritórios abaixo, não se tinha consciência do funcionamento de
equipamento mecânico. Certamente houve certas des-
administrativos da companhia; e o proprietário havia
pesas adicionais para fornec~r êste tipo de tratamento,
exig ido que êles fôssem "completamente silenciosos".
porém, todo mundo reconheceu de início que elas eram
Nêste coso, a laje do piso do andar destinado 00 equi -
necessárias. Um tratamento posterior, tipo remendo,
pamento mecânico havia sido projetada com duas po-
não poderia ter resolvido o problema ruidoso que ine-
legadas de concreto sôbre cobertura de metal on -
vitàvelmente ter ia surg ido.
dulado. Durante a fase de cálculo, foi necessário au-
Frequentemente, não podemos decidir qual o modo
mentar -se a espessura para seis polegadas e cobrí-Ia apropriado de agir com o planejamento de uma cons-
com uma camada de 3 % de polegadas de material trução, mas podemos dizer que as medida,; para boa
elástico e, depois, com outra camada, de oito pole- acústica devem ser planejadas com antecedência. Cor-
gadas, de concreto leye, sendo que esta espessura au- reção posterior quasi nunca é econômica ou satisfa-
mentava até o valor de 1 pé em todos os locais onde tór ia.

" FATOS DA VIDA " SOBRE ACÚSTICA

Em acúst ica arquitetônica, estamos interessados em lôr, etc.). Isto é muito importante quando começamos
do is objetivos muito simples: (A) Obtenção de um am- a avaliar, no planejamento de comunidades, os efe itos
biente acústico satisfatório; (B) Obtenção de boas con- de barulho, como por exemplo, de aviões ou indústrias.
dições de audibi:idade. Em mu itas situações, ocupa- Enquanto que uma separação máx ima entre atividades
mo -nos somente com o ambiente, mas, frequentemente, ruidosas e áreas residenciais é desejável, ficamos logo
a boa aud ibilidade constitúi um objetivo igualmente sabendo que, para cada vez que dobramos a d istância
importante do plano. entre fonte e receptor, reduzimos a intensidade per-
E' essencial, em qualquer discussão de acústica ar- ceptível do som de somente cêrca de um têrço. Isto
qu itetônica, entender-se a lguns dos fatos básicos acêr ~ frequentemente significa que temos de recorrer à téc-
ca do som - o que êle é, o que nos faz gostar ou nicas diversas de simples separação para reduzir o
desgostar dêle, como podemos controlar a sua trans- barulho.
missão de um lugar para o outro e, o mais importante Quando uma onda sonora encontra um obstáculo de
do ponto de vista arquitetônico, como podemos incor- dimensão apreciável, tal como uma parede ou um
porar êstes conhecimentos na construção terminada . teto, uma parte dela será refletida e outra parte absor-
O som é simplesmente um movimento ondulatório vida, e, ainda, outra parte será transm itida a algum
fís ico, no ar. Consiste de movimentos de ida e volta espaço adjacente. A grandeza relat iva destas três
de moléculas no ar, criando uma série de compressões partes do som original é determinada pelas proprieda-
e rarefações. Na real idade, uma dada molécula não des físicas do obstáculo. Um rebôco denso, de super-
se desloca poro muito longe - ela meramente se fície dura, por exemplo, refletirá uma grande parte
move para a frente e para trás, conforme é empurra- do som que o atinge, enquanto que uma superfície
da ou puxada pelas suas vizinhas. A onda sonora, que macia, tal como de um tapête pesado, reflet irá muito
viaja a aproximadamente 340 metros por segundo, es- pouco de volta para o espaço. Absorção e reflexão
palha~se a partir da fonte, numa onda esférica, distri- será tudo que nos interessará, se restringirmos nosso
buindo sua energia por sôbre uma área cada vez interêsse ao espaço em que se origina o som. Porém,
ma ior, con forme se afasta mais do fonte . Isto é ver- muitas vêzes, também temos de nos ocupar com a par-
dadeiro em condições externas, ou em "campo aber- te transmitida para o espaço adjacente. Um obstáculo
to". Dentro de um recinto, as ondas sonoras são re- poroso ou de pêso reduzido transmitirá uma grande
flet idas muitas vêzes pelas superfícies envolventes e, parte da energia sonora original para o recinto adja-
a alguma d istância da fonte sonora, as intensidades cente e dará muito pouca isolação acústica . Os me -
são ma is ou menos un iformes através do recinto. Em canismos que regem a absorção, reflexão ou isolação,
campo aberto, a intensidade do som obedece à lei são muito d iferentes e devem ser claramente compre -
dos inversos dos quadrados, que podemos encontrar endidos se qu isermos prever exatamente o ambiente
em todos os tipos de propagação ondulatória (luz, ca- acústico numa construçâo concluída.

Separata da Revista Acropo le N .o 263 - XXII


SETEMB~() 1960 N.· 29
REDAÇÃO
Dr. Ber nardo Bedrikow • Eng .o Roberto
Paulo Richter . Bel. Joôo L. Cardoso _
l. A. Polhono Pedroso - Orno r Abu-Jomro.
Sede: S. Pau lo · R. Joõo Brícolo, 24, 24.0
Rio - Av. Almirante Barroso, 54, gr. 1505
Selo H orixonte - Ruo Paraíba, 697

BO L E TI M ME N SA L

APROXIMAÇOES CRIATIVAS E CORRETIVAS

ROBERT B. NEWMANN
Arquiteto Caledrótico de Acústica do M.I.T.

ABSORÇÃO de reverberação curto. Por outro lado, se as superfícies


forem altamente refletoras, e o som conti nuar a refle -
Absorção acústica aproveitóvel em construções é for-
tir -se de superfície para superfície com pouco mais de
necida por todos os tipos de materiais porosos e fibro-
perda apreciável do que aque la que sempre ocorre
sos. Tapêtes, cortinas, móveis estofados, placas e len-
quando a energia sonora se reflete, dizemos que o re-
çois acústicos especia lmente projetados, tudo isto for-
cinto possu i um tempo de reverberação longo. A
nece absorção acústica significativa. As ondas sonoras "sensação" ou qualidade do espaço, assim como é
do ar entram nesses materia is porosos e, por meio do percebido pelos ocupantes, é determinada grandemente
atrito das partículas de ar nas fibras do material, a
pela quantidade e tipo de acabamento acusticamente
energia se perde como calor, e esta fração de energia absorvente. Todos nós jó sentimos esta "sensação",
não mais é recuperada sob forma de som. Este meca- ao entrarmos em um apartamento vazio, e a coloca-
nismo de perda por atrito deve existir em todos os mos em contraste com o som que ouvimos após o local
materiais acusticamente absorventes realmente ef icien- ter sido mobiliado. O /l som condicionado" vem com
tes, se bem que se consiga algumas perdas por painéis a adição de grande quantidade de materiais porosos,
vibróteis em materiais como madeira fina, metal ou acusticamente absorventes.
plósticos. A absorção nesses painéis restringe-se prin-
Absorventes acústicos, pelo fato de serem porosos e
cipalmente à extremidade do espectro que contém os
admit irem o movimento das moléculas na onda sonora,
frequências ba ixos e raramente fornece a eficiente
também transmitirão uma grande parcela de som don -
absorção para grande faixa de frequências, exibido
de conduimos que um bom absorvente acústico quase
por mu itos dos materiais grossos, com forra menta
sempre também é um excelente transm issor de som.
felpudo.
Existe muita confusão sôbre êste ponto, em pa rte por-
Quando materiais porosos são co locados em um re- que tão comumente nos refer imos a materiais acustica-
cinto, o energia refletida é grandemente reduzido, e o mente absorventes ti po padrão como materiais '/ iso-
som morre ràpidamente, em vez de sofrer reflexões lantes", desde que êles sejam bons isolantes térmicos.

múltiplos nas superfícies envolventes. Se o som refle- Nunca devemos confundir isolação térmica com isola-

tido morre ràpidamente, d izemos que temos um tempo ção acústica!


ISOLAÇÃO se deve esquecer, mesmo com êstes materia is compos-
tos acusticamente absorventes e iso lantes, que estamos
As propriedades isolantes acústicas de uma barreira
falando de dois mecanismos inteiramente diferentes.
são determinadas principalmente pelo seu pêso ou inér-
cia. Se relembrormos que as ondas sonoras consistem Outro ponto digno de nota aqui é a ordem bastante
diferente das grandezas da redução de energ ia sonora
de movimentos de vai-vém de moléculas no ar, po-
envolvida na isolação acústica, em comparação com a
deremos prontamente compreender que, quando estas
absorção acústica. Um bom isolante acústico... por
partículas encontrarem um obstáculo, tentarão movê-lo
para a frente e para trás. Se o obstáculo possuir uma exemplo: uma parede de ti jo los de 10 em, fornecerá

grande inércia, resistirá a esta tentativa de ser movido, uma perda de transmissão do som de aproximada-

enquanto que, se fôr relat ivamente leve, poderá ser mente 40 dB, num campo sign ificativo de frequências.

movido e bastante. Quando o obstáculo é movido (Isto quer dizer que não se pode, ordinàriamente, ou-

para a frente e para trós pela incidência de onda so- v ir som de vozes, e, provàvelmente se pode, justamente,

nora em um de seus lados, ocasionaró, com isto, uma perceber o som de alguém gritando na sala vizinha ).

nova onda sonora, do outro lado. De um certo modo, Uma perda por transmissão de 40 dB representa uma

uma parede pode ser considerada como um d iafragma redução, na energia transmitida de 10.000 vêzes, ou
,
de alto-falante, sendo solicitado, em um de seus lados, seio sàmente 1/ 10.000 da energia que incide em um

por ondas sonoras, em vez de energia elétrica . A nova lado da parede é reirradiado do outro lado. Um bom

onda sonora, criada do outro lado do obstóculo, é a absorvente acústico, por outro lado, pode absorver

onda sonora transmitida , e é esta que nós ouvimos num cêrca de 70 ou 80 por cento da energia sonora inci-

espaço adjacente. A energia é meramente transferida dente. Os 20 ou 30 por cento restantes serão refle-

de um lado da divisão para o outro por movimento tidos de volta para o recinto para serem absorvidos em

direto do obstácu lo. Quanto mais pesado fôr êste úl- outro contato ou talvez sejam transmitidos, se o ma-

timo, menos som passaró através dêle. terial absorvente não estiver reforçado com um mate-

Podemos compreender também que, mesmo se um rial pesado e impenetrável. Estes 20 ou 30 por cento

material acusticamen te absorvente não permitisse uma transmitidos certamente, em ordem de grandeza, serão

migração propriamente dita da onda sonora através maiores do que o 1/10.000 ou 1/100 de 1 por cento,
dêle, muitos dêstes materiais são muitíssimos leves que atravessaram nossa parede de tijo los de 10 cm.

para possuir uma inércia significativa. Todos nós Se o material absorvente transmite 20% da energia

sabemos que uma cortina suspensa no meio de uma sonoro incidente, sua perda por transmissão de som

sola fornece muito pouca isolação acústica entre as seria de cêrca de 7 dB, que é aproximadamente o ti-

metades da salai então porque esperar de qual- po de isolação que seria fornecido por paredes muito

quer ou tro material, primitivamente projetado para finas (menos de 1/ 8" ) de madeira compensada. Assim,

absorção acústica, a obtenção de uma isolação sono- novamente constatamos que não só os mecanismos da

ra significativa? Muitas tentativas têm sido feitas isolação e absorção são muito diferentes, mas também

no sentido de conseguir-se materiais que combinam tos acusticamente absorventes e isolantes, que estamos

as propriedades de isolação e absorção. Mu itos os resultados obtidos são de ordem de grandeza mu ito

dêstes materiais de fato estão no mercado, hoje em d iversos.

dia. Por exemplo, algumas unidades para tetos, de Também devemos perceber a tremenda importância
painéis de metal, vêm com um refôrço trazeiro impe- de vazamentos e fendas em obstáculos separatórios.
netrável e podem resolver o dificílimo problema da Tôda a energia sonora que atinge um orifício, atraves-
transmissão de som entre escritórios pelo caminho do sa-o. Um cálculo muito simples mostrar-nos-á que um
teto, quando as divisões, por razões práticas, devem orifício de aproximadamente 1 polegada quadrada,
terminar no teto suspenso. Uma barreira relativamente no meio de uma construção divisória acusticamente iso-
leve por trás ou embutida no material acusticamente lante de 100 pés quadrados, com 40 dB de isolação,
absorvente pode ser tudo o que seja necessário, se deixa passar a mesma quantidade de energia sonora
considerarmos que o som tem que atravessa r a barreira que o resto da parede! Por esta razão, existe muito
duas vêzes (através do teto em um escritório, ao lon- interêsse em tornar qua lquer obstáculo acusticamente
go do espaço forrado, por sôbre o teto suspenso, e isolante, completamente impermeável ao ar, e em evitar
através do teto do escritório adjacente). Porém nunca qualquer porosidade que seja, na construção.

Separata da Revista Acropole N,· 264 - XX II


r' ~_-~
r
OUTU BRO 1960 N.o 30
REDAÇÃO
Dr. B. Eedr :kow . Eng .o Roberto Paulo
R:chler - Bel. J. L. Ca rdoso - L. A. P.
Pedroso - O rna r Abu-Jomro - F. H. Aidor.
Sede: S. Paulo R. )050 Brícolo, 24, 24.0
Rio - Av. Almirante Barroso, 54, gr. 1505
Belo H orizonte· Ruo Pa ra íba, 697

BO LE TI M ME N SA L

APROXIMAÇÕES CRIATIVAS E CORRETIVAS


ROBERT B. NEWMANN
P~SO SàMENTE NÃO BASTA
Arquiteto Catedr6tico de Acústica do M.!.T.
Enquanto que a massa de uma d ivisão é o fator pri - 'o , -- --------- --______________--,
mário de contrôle na sua atuação como isola nte acús-

I'I III B:::~::;:::::.::::;:::::.


tico, conclu ímos, em anos recentes, que esta atuação g
pode ser consideràvelmente modificada pela sua rigi- ••o tO _'
~

'"Lt
dez. Uma divisão muito rígida não atuará precisamen- 1.22W - 1" .5I(G. / W! ,
'~
te tão bem, como esperaríamos com base somente no i
•• " '

/~;!P~H~ CA i.~ ~ ~ ~~/


:
seu pêso. As divisões isolantes acústicas ideais, são
os pesadas e " flexíveis", ou não rígidas. Por cutro ••
lodo, estruturas tais como aquelas tão frequentemente
"
20 - , flXAOA soellE COl _
usados na construção moderna, empregando núcleos _.~, IIIIEIA OE MA D.(HOHEV -
estrutura is leves, com revestimentos finos e leves, dão o 8,' -COMB) DE 6CId DE E5-~
1 /' P!$SURA - APROX Z~5KG/Id2.
muito menos isolação acústica do que seria de prever
o A' I I I I
somente do seu pêso. Em complemento ao se u simpl es 50 100 2.00 ~o 800 1600 3ZOO 6300 IUOO
movimento de vai -vém, uma divisão pode também pos-
fRE OUÊHCI" EM CICLOS PO R S EGUHDO
suir outros tipos de movimento. Possui, por exemplo,
dependendo de suas propriedades de rigidez e massc, Fig . 2 - Perdo por fransmis~ão medido poro dois tipos
certas frequências favoritas ou na tura is para vibrar de divisees, po;suindo, em essência, o me~mo pêso total,
com as ondas (pressões sonoras). Se uma destas fre- mos com corocte rística~ do rigidez c01"lsideràve:mente di-
ferer.b~. A perda por transmis~ão de ~om moi~ 0:10, exi-
quências favoritas coincidir com a de uma onda so- bido pe~a construção menos rígid o no campo de fre-
nora incidente na divisão, sob um certo ângulo, tere- quênciai de 200 o 1.200 cps, poderó em algumas ocasiões,
mos uma situação semelhante àquela outra que Caruso re ~ u ltar ju:tamente suficiente paro farnecer uma itimidade

e outros cantores experimentavam quando eram ca- do fa lo a dequado e ntre do is espaços adiacentes

pazes de despedaçar um copo, produzindo uma certa Podemos prontamente ver o efeito da rigidez, o bser-
nota. A divisão será facilmente excitada nas proxi- vando os resultados de medições realizadas em duas
midades de sua frequência natural, e torna-se quase divisões possuindo O mesmo ma terial de revestimen to
transparente ao som nesta frequência. Uma depres- mas de rigidez diferente (figura 2). A divisão "A" é
são, ocasionada pela ressonância da parede, num feita de duas p lacas de madeira compensada, contra-
diagrama de perdas por transmissão nas várias fre- p lacan do uma colméia de madeira (Honeycomb), e
quêncios, para um material de divisão de 19,5 kg/m 2 , pesa 24,5 kg/m2. A divisão "B" é do mesmo tipo,
é mostrada na figura 1. com exceção do núcleo, e as placas de madeiro com-
Quanto mais flexível o d ivisão, mais alta será sua pensada estão simplesmente pregada s em montantes
frequência natural de tensão e menos desastrada será de madeira cada 1,22 mi resa um pouco menos que
a redução da isolação na atuação total do parede. a divisão "A". Poderemcs constatar que a atuação
é melhor sem o núcleo, mesmo sendo a divisão "B'I
" r--------------------------------- mais leve que "A", porque quando a madeira com-
PUICA POR TRANSMiSSÃO tO ...... st: pen sada está livre, elo é mu ito menos rígida do que
•o" T ANTO NO Piso tOIllO "A ItlGIC[Z em combinação com um núcleo de colméia de ma-
••o deiro; de fato tem apenas cêrca de 0,2% do r igidez
,. " da divisão "A". As duas divisões são igualmente sa -

•i PERDA POR rr.A"IIIIISlio

•• '" PftEVIITA COloIIAst: tisfatórios de um ponto de vista estrutural. No entan-


• to, a isolação acústica adiciona l fornecida pela cons-
•• '" trução menos rígida no campo de 200 a 1.200 cps
~
• pode significar, em muitos caS03, a diferença entre
•o " MATER IAIS-PODE..,: isolação adequada e inadequada.
•~ SER Cio ORDUI DE
" 10 - 15 00" Vários novos tipos de divisões estão agora sendo
, L-__-L~__L_~_L~__L--L~__ desenvolvidos levando-se em conta o problema da ri-
50 100 200 "00 800 1600 l2DO WOO 11000 gidez em painéis leves. Valores relativos de rigidez
'REQU[NCIA UI CIC L O' po~ S;!:GUHDO e massa podem ser controlados, para resolver qual -
quer problem a de isolação acústica com uma necessi-
Fig. 1 - O efeito da rigidez sôbre o coracte rfstico de
perdo por transm issão de uma divisão. Teoricomente, dade mínima de pêso.
uma d ivisão deve rio ficor cada vez melhor, no sentido do O papel do ruído de fundo não deve ser negligen -
pe rda por transm issão de som, com o cre scer da fre- ciado na sel eçã o de tipos de construção destinados o
q ue nCla. Na prótica, no entanto, painéis grandes exi·
satisfazer exigências de isolação acústica entre espa -
bem umo depressão significativo no suo corocterfctico de
perda por transmissão, em um certo ca mpo de frequência, ços. A importância dêste elemento é mostrada esque-
que depende do d imensão do painél e da rigidez à màticamente no f igura 3. Expondo o caso simples-
flexão. Po ro uma gronde moiorio dos mote riais comuns mente, a quantidade de intim idade acústica entre es-
de co nstrução, esla depressão ocorre num compo de fre-
paços é igual à soma do nível de ruídos de fundo
q uêndas de grande importância po ro o entendimento de
folo (som de vozes). Quondo isto acontece, o fo!o seró e do isolação fornecida pela construção. Os orqui~
fàcilmente o uv;da através do divisão tetos freq uentemente têm ficado estupefatos ao co ns-
tato rem que um tipo de divisão, que funcionava per- dades que se encontram em recintos com superfícies -. j
feitamente bem numa construção de escritórios na ci- refletoras curvas são óbvips, especialmente quando es-
dade, estava longe de ser satisfatória num préd io de tamos tentando, na maioria dos projetos de auditórios,
escritórios localizado em região rural, silenciosa. Os espalhar o som refletido uniformemente por sôbre a
níveis contínuos de ruídos de tráfego e do sistema de órea dos espectadores.
ventilação foram suprimidos na nova localização, mas No entanto, se o objeto é pequeno em comparação
mesmo assim, a inda, a divisão está atuando do mesmo com o compr imento de onda (por exemplo uma coluna
modo como fazia na grande cidade. de 30 x 30 em, no meio de um reCinto), haverá muito
O tipo de barulho de fundo de que estamos falando pouca reflexão significativa de energia, e a onda sim-
não é o zumbido criticável de um ventilador, nem c plesmente rodeará êsse obstáculo, como ondas na
assobio ou gemido de uma bomba circulante. Em vez 6gua rodeiam um pilar singular ou uma pequena ro -
disto, o ruído de fu ndo, em si, deve ser brando e con- cha (figura 5). Às vêzes, desenhamos diagramas de
tínuo, de modo que 03 pessoas quase não o percebem. raios ilustrando as reflexões do som em várias super-
O barulho constante de tráfego de uma grande cidade fícies num recinto, e cometemos o engano de crê r que
ou o som característico de muitos tipos de difusores de mesmo as superfícies menores darão reflexões espe -
ar representam o tipo discreto que as pessoas espe- culares ou óticas - pois não darão!
ram em um espaço de escritório típico moderno. E
Existem, às vêzes, certos pormenores a serem obser-
êste é o tipo que devemos estar seguros esteja pre-
vados no acabamento de superfícies refletoras, de au -
sente, se esperamos possuir intimidacie acústico com
ditórios e igrejas por exemplo, por se tratar de recintos
construções leves, móveis.
onde necessitamos mais do que uma simples reflexão,
para melhores condições de audibilidade. tsses por-
menores, (relativos à difusão) serão discutidos com de-
I SOLAÇ ÃO
NODtlUoOA
talhes, mais tarde (vide Parte Quatro). Na verdade, a
reflexão difusa é simplesmente um .enriquecimento do
som refletido, de modo que o ouvinte percebe muitas,
=- INTlMIOAM em vez de uma ou duas re fl exões simples; e isto se
ACUSTlCA
N! Y[lot: ....RULHO TIU. NSlflT IOO
~~FlCI[NT[ consegue através de irregularidades, em grande quan-
!idade, nas superfícies do recinto. Devemos relembrar,
no entanto, que uma difusão efetiva do som ou da
ISOLA çÃO
MOO t"AOA
onda sonora só resulta com acidentes de grande ta-
manho, com 0,90 m ou 1,20 m de lado e 0,15 m ou
mais de entrâncias e reentrâncias, e não com irregu -
= .O A INTIM' OAO [
laridades de um ou dois centímetros, que poderiam
ACU ST ICA
afetar somente as frequências muito altas. E' impor-
Fig. 3
tante, também, relembrar que a difusão ou " quebra lJ
da onda sonora, meramente dá uma nova direção à
REFLEXÃ O
energia sonora - não destrói nenhuma parcela dela
A parte da onda sonora que não fôr absorvida ou ou a absorve. A difusão do som não tem valor ne -
transmitida, é refletida de volta para o recinto. De- nhum numa situação em que necessitemos de absorção
pendendo da dimensão da superfície refletora, pode- por materiais porosos.
mos ser ou não capazes de prevêr o comportamento A reflexão de som por superfícies é extremamente
do som refletido. Uma onda sonora é refletida por importante em auditórios e recintos em que a boa
uma superfície, se esta superfície fôr grande em com - oudibilidade seja necess6ria. Por outro lado, onde
paração com o comprimento de onda do som. Numa quizermos atenuar o ruído e controlar o espalhamento
frequência de 500 cps, o comprimento de onda é de do som, deveremos tratar as superfícies de tal modo
aproximadamente 0,68 m. Assim sendo para refletir o que reduzam a energia sonora refletida.
som nesta frequência, como um espelho refletiria a
luz, o obieto refletor deverá possuir uma dimensão IMAGEM OA ' O NT[

um tanto quanto maior. Como estamos lidando com . -j., 'O ~OI'lA O . ~[TO II['L[TO I'I
f igo " /'.;.." í , .IIAIIOl
sons bem abaixo de 500 cps, deveremos possuir su - " ',1
perfícies bastante grandes para obtermos êste tipo de
reflexão direta. A superfície deverá também ser re-
lativamente dura e suficientemente pesada para resis-
tir ao movimento de vai -vém das moléculas no ar e
para forçar a onda a fazer meia volta e seguir em
outro sentido. A onda será refletida por êste objeto
grande de acôrdo co mas leis da ótica - o ângulo
de reflexão será igual ao ângulo de incidência. tste
tipo de reflexão direta est6 ilustrado na figuro 4. Uma
coisa im portante a ser notada é que, se bem que mui-
figo 5
tas vêzes desenhamos a direção de deslocamento de
uma onda sonora, como uma linha reta, a onda sono-
ra na realidade é uma ando esférica, cuja frente se
move em direção ao objeto refletor. Justamente como
no coso da luz, o objeto refletor refletiró aquela parte
da onda que o atingir - como um espelho, com uma
imagem virtual da fonte sonora do outro lado do ob-
jeto refletor. Se tivermos grandes superfícies curvas -
com estrutu ras em cúpula ou abóbada - o som re-
fleTido tenderá inevitàvelmente a focalizar-se conforme
se afasta da superfície, em vez de continuar a espa-
lhar-se, como faz com superfícies planas. As dificul-

Separata da Revista Acropole - Ano XXII N.· 265


NOV. 1960 - VO lo 11 - N.· 31
---j ;-~-; ----" r--- R EDAÇ Ã O
Dr. B. Bedrikow - Eng .o Roberto Paulo

IN~TO B~~~t!R~ DE\ACÚSTICA


Ricnler - Bel. J. L. Cardoso - L. A. P.
Pedroso - Ornar Abu-Jomro - F. H. Aidor.
Sede : S. Pau lo R. Joõo Brícola, 24, 24 .0
Rio - Av. Almirante Barroso, 54, 9 r. 1505
Be l o Horiz o nt e _ Ruo Paraí ba , 697

BO LE T IM MENSAL

APROXIMAÇOES CR I ATIVAS E CORRETIVAS

ROBERT B. NEWMANN
Arquiteto Cole dr6tico de Acústico do M.I.T .

HISTÓRIA DE CASOS
Técnicas especiais:

COaLlITUfIl.t. Df; TU.H.AM

!"LAC A ACIJ snCA-

Um exemplo notável de contrôle eficiente de ruídos, conseguido


durante o estudo do projeto, é o "Warren Petro leum Building",
em Tulsa, Oklahoma, E.U.A.. A consideração de certos fatôres
técnicos e outros, d itou a localização de maior parte do equi-
pamento mecânico a ci ma dos escritór ios admin istrativos. Para que
fôsse assegurado uma isolação quase total do som aéreo e de
"ISO DE CO Nc1I: ETO L.EV E '"
impacto, nestes escritórios, foram necessários construções múltiplas •
•~• ~1~~"~~if='''A''EL.
especia is de paredes e la jes em adição à convencional montagem
~
1 OE CONSTRUÇ ÃO
lSOL.AÇÃO ~EIoII· RI CIO ..
' , '
L. " ~[ CSTA UTU:ÚL. tO ..
isolante de vibroções para as vár ias peças do equipamento me· 0.·:.
cônico. Uma supervisão cuidadosa desta construção, necessària ·
mente trabalhosa, resultou em satisfação completa da exigência
do propr ietário de que os ruídos fôssem inaud íveis nos escritórios
administrativos. O contrôle de problemas de ru ídos e vibrações,
difíce is como êste, só pode ser conseguido por meio da isolação
do so m aéreo (por meio de uma barreira composta, maciça e
nTI.QU[ [XTE ll tC ~ O ll 501111.[
impenetrável ), com as técnicas apropriadas de isolação de vibra· O CI N O OA ~A NEL."

ções - soluções que não poderão ser prontamente conseguidas


uma vez que o préd io tenha sido ocupado. - Arqs. Skidmore,
Owings & Merril!.
HISTÓRIA DE CASOS
Técnicas especiais: 11

Visto que a capela da A cademia


da Fôrça Aérea, atualmente em
construção em Colorado Spri ngs, é
composta de três capelas, constituiu
uma dos cons iderações primárias do
estudo a isolação das mesmas entre
si, poro possibil itar uso simultâneo.
Essencialmente, a laje do piso do
pavimento superi:>r - para culto
protestante - apoio-se elàsticamen-
te na estrutura que forma o teto das
cape las do andar inferior - católica
e judáica. Por outro lado, um flan ·
queamento do som ao redor dêste
piso especial, através de janelas
abertas será reduzido ao mín imo,

conseguindo grandes distâncias en·


tre vidraças móveis. Um sistema de
ventilação completamente indepen -
dente fo i fornecido ao pavimento su·
perior. Também fo i especificado um
tratamento dos dutos, a fim de que
VISTA ATRAVÊ S
DE PARE D E o ruído dos ventiladores fôsse redu-
LATERAL
zido ao nível deseiado de ruídos de
fundo . Outro problema que recebeu
atenção considerável durante o es-
tudo foi o problema dos ruídos de
impacto, originados por chuva ou
grani zo incidindo no revestimento
externo de metal fino da construção
tetraédrica. Uma construção exterior
de painéis altamente amortecidos re -
duz êste problema a um mínimo tal
que o impacto não será mais sério
do que em qualquer outra constru-
ção de tipo padrão.
Ruídos oriundos de d ilatação tér-
mica foram previstos no projeto es-
truturaI. Para que seja obtido um
ma ior refôrço da música, foram es-
pecificados painéis de argamassa
extra-pesada para as superfícies in-
ternas próximas ao balcão do fundo .
Para as capelas do andar inferior,
foram executadas portas, inteiram en-
te gaxetadas de acesso tanto à ca-
pela católica como à judáica, de mo-
do que o vestíbulo ~ervisse como um
eficaz amortecedor sonoro. - Arqs.
Skidmore, Owings & Merrill.

Separata da Revi sta Acropole - Ano XXII N.· 266


DEZ. 1960 - VOlo 11 - N.O 32
REDAÇÃO
Dr. B. Bedrikow - Eng .o Roberto Paulo
Richter - Bel. J. L. Cardoso - L A. P.
Pedroso - Omor Abu-Jamro - F. H. Aldof.
Sede: S. Paulo R. João Brícola, 24, 24.0
Rio - Av. Alm ira nte Barroso, 54, 9'. 1505
Belo H orizonte - Ruo Paraíba, 697

BO LE T IM MENSAL

APROXIMAÇÕES CRIATIVAS E CORRETIVAS

HISTÓRIA DE CASOS ROBERT B. NEWMAN


Técnicas especiais: 111 Arquiteto Catedrático de Acústica do M.I.T.

Uma vista da escola do Academia da


Fô rça Aérea, Colarado Springs, E.U .A.

Aspecto do circu la ção dos salO$ de auto

Um índice relativamente alto de


isolação acústica foi exigido entre
salas de aula da novo e complexa
escola da Academia da Fô rça Aéreo,
local izada em Colerado Springs,
E.U.A ..
Vários tipos de divisões foram in-
vestigados quanto à sua atuação
acústica em edifícios concluídos, an-
tes que o arqu iteto selecionasse um
tipo construído com argamassa e
pedra estucadas em suportes ae
arame e aço. Talvez mais importan-
te e digno de nota seja a planifica-
ção extremamente cuidadosa de to-
do o conjunto divisória para conse-
guir-se a capacidade máxima de iso-
lação acústica dêste tipo de divisão.

5
Vi$hl de umo do s salas de aula

,.

PL ANTA T I PO DE SALA DE AU LA

I ' I I :--'---l ~ O

i ~CO·. """'~
,
ÁR EA OCUP ADA . _.p .

..
, , PE LO DUTO

_I
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--!j ~I,--'.
RE V EST I NENTO T OTAL DO PISO
o . .0

+Wl ~
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COM PLACAS OE VI NI L -ANIANTO

I ~ i ~SÕES
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GÊSSO
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~~ \ ) UA ORO: , NEG~OS DE ." "
. ,~

CA LAFETAÇio ·

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Ui
L" V EDACÃO DE
F I B R AS
, -I I
---- ---- 1>

~. cÁ ."" DE_À-'

PAINE IS DE AC O L ==tttt----J1t11
POR C ELAN I ZAOO

A d ivisão mesma, se estende com-


il ECEPTÁCULO DE GIZ
p letamente ac ima do teto de acaba-
mento para difusão da luz e está
inteiramente gaxetoda em suo junção
ACA BAMENTO 10~E~nr::mr
com a laje estruturo I acima. Tôdas REB ÓCO "I
os penetrações de condutores elé-
tricos, tubos de ventilação, etc., fo- PISO OE
RODAPÉ DE
ram dotadas de juntas vedadas e ca- VINI L - AMI A NTO BORRACHA

lafetado •.
Os sistemas de ventilação para os SECÇAO DE DIVISA0 TIP O
conjuntos de salas de au la, foram
colocados de um modo que ev ite
"conversa cruzada" entre as salas, e
medidas adequadas para o contrôle
de ruídos foram incorporadas nos
dutos individuais. - Arqs. Skidmore,
Owings & Merrill.

6
Separata da Revista Acropole - Ano XXI I N . o 267

,.
JAN. 1961 - VOL. 11 - N.· 33
REDAÇÃO
Or o B. 8edrikow - Eng, O Ro berto Paulo

INSTITUTO BRASt EIRD O,ACÚSTICA ~


o .l t _ , Rpl. J. l. Cardoso _ L. A. P
Pedroso - Omo r Abu-Jomra _ F. H. Aldor.

L., I L ___ &=\ \ Se de: S. Paulo R. João Brfeala, 24, 24. 0


i Rio - Av. Almirante Barroso, 54, gr. 1505
Be lo Horizonte - Ruo Para íba , 697

80 LE T IM MENSAL

APROXIMAÇÕES C R I A T I V AS , E CO~RETIVAS
' {c·
~

HISTÓRIA DE CASOS ROBERT B. NEWMAN


Técnicas especiais: IV Arquiteto Cotedrótico de Acústica do M. I.T.

Neste grande ginósio de esportes


- "Palacio de los Deportes", Hava -
na, Cuba -, uma chapa a cústica de
fi bra de madeira foi colocada nas
fôrmas para o co ncreto e deixado
neste lugar. Em adição, pelo fafo
da curvatura e da conformação lisa
e contrnua darem origem a um sér io
problema de éco-múJtiplo entre o
piso e o teto, foram introduzidos, Pa ló,io de los Deportes - Havana
pai né is acustica mente absorventes su-
plementares na forma de grandes
discos suspensos de meta l perfurado
Pa inéis adlsti,amente absorventes em fo rma de di"os
complementados por mater iais ab-
sorventes. Os resu ltados são exce-
lentes. Dois sistemas sonoros de
alta qualidade - um para bandas
de música e outras fontes vivas de
grande intensidade sonora, e outro
para apresentações - foram incor-
porados no projeto do ginásio. O
primeiro consiste de um conjunto cen-
tra i de alto-falantes para tôdas as
frequências, as baixas separadamen-
te das altos, localizado por sôbre a
plataforma da banda. O último, o
sistema para apresentações, consiste
de unidades de alto-falan tes distr i-
bu fdos na forma de um anel por
sôbre a arena ce ntra l.

Arroyo & Menendez, arq uitetos.

9
=--
I~ _ . __ _

Vista geral interna do "Palótio de los Esportes" em HavanCl, Cubg

PLANTA
REFLETIDA

PAINEIS ACUSTICAMENTE
/~ ~BSORVENTES

~
": CAMADA DE MATE]-9...
L ...... I

-
.;.
~.--J
AL ABSORVENTE .:
...
. ......'1'::EIS ONDULADOS DE ....•.. :.:;.
ALUM1N1Q PERFuRADO ,.

______-L~
~====================~~ ~~-----

SEÇÃO TIPICA

10 Separata da Revista Acropole - Ano XXII N.o 266


FEV. 196 1 - VOl. 11 - N." 34
:----: r _" , . \ R ED AÇÃO

IN~Tf BRt~5tlk~ ACÚSTICA


Dr. B. Bed rikow • Eng. o Roberto Po ulo
Rich ter • Bel. J. L. Cardoso· L. A. P
Pedroso . Omor Abu·Jamro . F. H. Aidar.
Se de : S. Pa ulo R. J oõo Br ícola, 24, 24. 0
Rio· Av. Alm irante Barroso, 54, gr. 1505
Be l o Horizont e · Rua Paraíba, 697

BO LE TI M ME N SA L

APROXIMAÇÓES CRIAT IVA S E CORRETIVAS

HISTÓRIA DE CASOS RO BE RT B. NEWMAN


Técnicas e speciais: V Arq uiteto Catedrático de Acústico do M. I.T.

Visõo externa do " Conord High School"

Seção do Deportamenta Musica l da " Conard High School"

13
Uma consideração acústica primá ria, no pla- de modo que êles possam ouvir-se um ao outro
nejamen to do Departa mento Musical da "Co- e melhorar, ass im, a sua apresentação.
nard High School", em West Hartford, Connecti-
cut, envo lveu a cont rôle da transmissão de som Portas com uma face perfurada sobreposta a
ma teria l acústico absorvente, são usadas tanto
entre espaços usa dos simultâneamente . Pode-se
nas salas para corais, como para instrumentos,
consegu ir muito, acustica mente, por intermédio
para auxiliarem o contrôle de reverberação .
de um p lano cuidadqsamente pensado, com o es-
Tratamento, acusticamente absorvente, adiciona l é
t6 evidente neste projeto.
fornecido por faixas de chapas acústicas, apli-
Corredores amplos - utilizados como eficien- cadas em áreas de rebôco.
tes espaços de contrô le de ruídos - e duas por-
tas com pl etamente ,gaxetadas, sempre existem Nichols & Butterfjeld - arqu itetos.
=ntre duas salas quaisquer. Recintos de depósi-
to também são usados com grande van tagem
paro isolamento de sal as de música adjacentes.

Onde não puderam ser introduzida s antecô-


maras i50 lantes, as paredes comuns foram cons -
CORREDOR
truídas em alvenaria de 20 cm de espessura, de -
talhada para fornecer juntas impermeáveis de
ar, em tôdas as terminações.
1
"Curtos-circuitos" acúst icos en tre salas serv i-
-.•.
o
das pe lo mesmo siste ma de encanamento, são ~
o
o
evitados por uma cuid adosa colocação dos con- w o

dutos e pela incorporação de amortecedores de


••o
u
som e revestimentos acusticamente absorventes S. P/INSTRUMENTOS
nas d ivisões entre recintos. DEPOSITO DE
UNIF OR MES
CORREDOR
A seg unda conside ração mais importan te, foi
'- -~

fE
o planej amento de um ambiente acúst ico ade- S08~. ~ SALA, .
~ : PARA,
quado, dentro de cada um dos recintos.
~ . fONJUNTO HIt-- ---s. P/PRÁTICA
Para elim inar écos e ressonôncia exagerada
"'.....u ~
nas sa la s, foram evitadas superfícies d uras pa-
ra lelos. Uma colocação estudada de material
SALA
.. A,RA,
CONJUNTO
T] DE P. PI APARELHO
E SPORTIVOS

acústico absorven te, em paredes e tetos, fornece


um contrô le de reverberação e, ainda assim,
permite uma reflexão suficiente para os músicos,

,....--
-
~ /'"""

LA1 DE CONCRETO ,. 5.00 AQUECEDOR

SE CCA O EM II A"

.-'" F Õ-; RO
.
"-
/ TETO DE CHAPAS ACÚS-
TlCAS SOBR E 1/4"DE
RUÔCO DrR~ O
LA J E OE
CE"íRET O 12"
I

=;: r;-- - SALA PARA I NST RUMENTOS TRAVESS A DE


~".LA OE I
MADEIRA
,-- f
AULA ~ CORREDOR J eoRREOOR SALA PARA

\~
CONJUNTO
1-
,,
,,,
PORTAS DUPLA' : "PLENUM "
"PLENU".· :
:
.;_-_-_J : - __ 1 - -

• ~-

'-----------,
,

14 Separat.a da Revist.a Acropole - Ano XXIII N.o 269

,.
MARÇO 196 1 - VOl. 11 - N.O 35
.- ----' I ', '"' REDAÇÃO

INSTITtJ~O BRA~llEtR{) DE ACÚSTICA


Dr. B. Bedrikow • Eng. o Roberto Paulo
Richler - Bel. J. L. Cardoso - l. A. P.
Pedroso - Orno r Abv-Jomro _ F. H. Aidor.
Sede: S. Paulo R. João Brícola , 24, 24.0

! II L--~U=\\ Rio - Av. Almirante Borroso, 54, g r. 1505


Be l o H orizonte - Ruo Paraíba, 697

BO L E TI M ME N S A L

APROXI MAÇÓES CRIATIVAS E CORRETIVAS

ROBERT B. N EWMAN
Arquiteto Cotedr61ico de Acústico do M.1.T.

HISTÓRIA DE CASOS
Técnicas especiais: VI

COBERTURA Com a chegada de QVloes a jato ,


em aéroportos civís e municipais, o
contrôle do ruído torna-se ai nda mais
imperioso. Na construção de termi-
nais aéreos futuros, as paredes ex-
ternas deverão ser paredes simp les
E ARG AMA SS A' I
2. 2." DE CONCREl O ou duplas, maciços, com amplos es-
C HoItPA "'USTl CA 3, ",, " paços de ar ou alguma outra isola-
SÔSRE CO BERT URA
COLAOA NA ARGA"tASSA
DE METAL ONDULADO
ção adequada - de modo nenhum
V I DR O EXTERN O
l'Z MM . •
o
o
poderão ser toleradas fendas ou ou-
tros caminhos de "curto-ci rcuito"
" I DRO INTERNO
6MM .
através destas paredes. Além disso,
está infrlnsicamente envolvido um
arranjo cuidadoso das funções inter-
nas do terminal. No projeto para o
TE lHA DO novo "Municip al Air Terminal l l, Tul-
sa, Oklahoma, tais previsões foram
t omadas (vide detalhes no desenho).
RIPA M[NT O METÁLIC O
oE ALMA
As funções internas do term inal fo-
V A Z A DA
E A R G..,oI A s~S~A_~~iiiiiii;~~t~ ram arranjadas de acôrdo com os
"critérios de nível de ruido" assina-
CHAPA AC.~STICA lados para cada atividade e previa-
CO I..AOA NA ARGAMAS SA mente fixados em acôrdo de opiniões
pelo administrador do aéroporto e
SECÇ O ES TiP ICAS pelo arquiteto. Desta maneira, escri-
DE PAREDES

o tórios e guichês para venda de bilhe-
o
.... I DRO E~ TERNO te s (Nível de som - 50 dBI, exíg ín-
nos plataformas de ca rgo •
_-+---+1-1
E IN T E R NO 6 MM. do a transmissão da palavra falada
através de contato pessoal, telefone
AEBÔCO SÕSRf
AL .... E<AA"A_~+_,
ou rádio, foram colocados em áreas
bem protegidas, enquanto que fu n-
1S0L ACÃO ções tais como o manêjo de baga-
N E lS PRÉ- MOL DAD OS 10 "'I--IBI,~ gens, estão em locais mais expostos
LI NHA 00 PI5 0 L INHA 00 PIS O , (Nível de som - 75 dB). Murra y-
Jones-Murray - arquitetos.

17
Técnicas especiais: VII
A JlBroadcating Station DZXL", Manila, contém dois
estúdios grandes, de tipo auditório, três estúdios para
dramas, e vários estúd ios menores. A primeira con -
sideração foi uma isolação adequada de cada um
dêstes espaços. Isto exigiu um grau significativamente
mais elevado de isolação, do que aque le exigido na
maioria das construções convencionais. Todos os es-
túdios possuem pisos de concreto de 7,5 em, flutuando
sôbre material elástico (fjbroso ) que, por sua vez, se
apoia na laje estrutural. Além disso, os tetos de cada
um dos estúdios são de rebôco não poroso, suspensos
em suportes de borracha resiJiente.

-PAR E DE DE TI~OLO FURADO PAIUDf: Df: TI~ OLD fU,,""OD-- Corte através do teto suspenso

I
~
~ÇALAFETAÇÂO
DIVISORES DE
"""[1Ão CAl~fET"C~ (li; . ~

'k" " , , ', , ,,~.õ"


[$,.A,A"'[NTO POR

I I I I I 11 1 hlOLIDUA;u-s~pC:K~:.KADDRA
ru I I I i
P211.rl DE ..... Of lRA
COMPENSAOA
SPAÇ. "'E NTO $X~ CIoI
REGUAS ~fRTIC~IS

DE t~AOEIR" $Xl~C "' .

Cortes através de caixas acusticamente absorventes


Na maior parte, as construções de parede são Unida-
des de alvenaria densa e, em alguns casos, são exigi-
das duas destas paredes para isolar adequadamente
dois estúdios adjacentes. A produção de um ambiente
acústico satisfatório dentro de cada um dos estúdios
foi a segunda meta ma is importante, do projeto, a ser
atingida. Alguns dos estúdios eram designados tanto
para atividades musicais como para fala; assim foram
incorporadas prev isões para tornar variáveis as carac- Mf:MB RJ, j. DE
terísticas de reverberação. Atenção particular foi dis- LlNOL U 3/""

pensada à produção de um contrôle adequado de re- NADEI'. COMPENSADA IIN ...


verberação no campo das baixas frequências. Ao
mesmo tempo, um grau mais elevado de difusão sonora
tinha que ser obtido, para que pudessem ser coloca-
dos microfones em quase tôdas as posições den tro dos T ETD

estúd ios. C. D. Arguelles & Associates ~ arquitetos.

Técnicas especiais: VIII

o problema acústico da associação secretarial fo i particular-


mente bem resolvido nesta pequena construção de escritórios
para seis advogados, em Long Beach, Califórnia . As divisões
entre as escrivaninhas, não sàmenfe fornecem uma individuali-
zação de amb ie nte e visualização pessoal, enquanto se mantém
o arranjo associativo, mas, também elas servem, principalmente,
para colocar em surdina o som de máquinas elétricas de es-
crever e conversações telefônicas.
As d ivisões, que têm uma altura de 1,35 m, são revestidas
superficialmente, em ambos os lados, com chapas de cimento-
amianto, perfuradas, de 6 mm, forradas internamente com ma-
terial fibroso de 1 Y2". Além do tratamento acústico destas
paredes, foram aplicadas chapas acústicas no teto, e um painel
de vidro introduzido entre o recinto secretarial, e o saguão que
leva aos escritórios dos chefes. KiJlingsworth, Brady & Smith -
arquitetos.

Separata da Revista Acropole - Ano XXIII N." 270


ABRil 1961 - VOl: 11 - N . O36
REDAÇÃO
Dr 8. 8edrikow - Eng.o Roberto Paulo
Richter - Bel. J. L. Cardoso - L. A. P
Pedroso - Ornar Abu-Jamra _ F. H. Aida r.
Sede: S. Paulo R. João Brícolo, 24, 24. 0
Rio· Av. Almirante Barroso, 54, gr. 1505
Be lo H or izont e _ Ruo Para íba , 697

BO LE T IM MENSAL

APROXI MAÇÓES CRIATIVAS E CORRETIVAS

ROBERT B. N EWMAN
Arquiteto Catedrótico de ACÚ51 ico do M. !.T.

HISTÓRIA DE CASOS
Técnicas especiais: IX

GERAL 00 LOCIl'-

Rio Pelamoc

o terreno do "Mordett Motor Ho-


tel", Arlington, Virginio, é triangular,
sendo flanqueado, de um lado por
uma rodov ia movimentada, do outro
lado por uma linha férrea, e do ter -
RIO Pel amoc ceiro lado pelo "Wash ington Inter-
nationa l Airport".
Vidro O contrôle acústico esteve presen-
COi~;!hO arliculado
SECCÃo DE UMBRAL te, em primeiro plano, nas conjeturas
E CABEÇA dos projetistas, desde o início. A
SECÇÃO DE PEITORIL (unidade de venlilocóo)
consideração dos níveis móximos de
( unidade de vi draça l i ~o )
barulho contínuo, que existiriam fo-
Peitoril de madeiro ~;,~:~.~~~~~,o ra da unidade típica de dormitório,
compensa do reco·
berlo de plos lico
---===t~;,T:;'O;~VO 5,.{5?( S/,,, ditou a construção das ja nelas du-
'- Posição Fechado
plas especiais. Como cada quarto
deveria ser ventilado, por um apa -
relho de ar-condicionado sob a ja -
nela, um amortecedor, tipo labirinto,
teve que ser incorporado em tôda a
construção das paredes. Isso perm i-
tia o acesso de ar exterior ao apa-
relho, mas não oferecia caminho
osfalto e fibra
para o ruído exterior. Onde as uni-
dades de dormitório abriam para bal -
cões, foram planejadas portas espe-
ciais acusticamente isolantes.
Joseph G . Morgan - arquiteto.

21
Técnicas especiais: X

No "Congress Hell" de Berlim, o teto de argamassa dura,


tem a mesma forma da cobertura - uma forma de sela,
convexa numa direção e côncava na outra . Não há proble-
mas sérios de focalização com um teto dessa fo rma, e não
houve necessidade de tratamento especial. O arquiteto pla-
ne java a criação de uma sala lisa e circular. Isso foi con -

Painéis de rnodelro

PLANTA L om,,'" T"'''O''"'~_t~.· · ·'··'·'·'·.·'··O··"·'· cornpensodo 3/6"


·A

t:;;; ~ Material Acúst icurnente


seguido usando-se um pai- Suspenso
nel visual, feito de ripas de ~
madeira, que se constituíam
num verdadeiro acabamen-
to das paredes. Essas ripas
estão colocadas de ta l ma -
'"-:!.....

C[f

I d, Mod",o
Face do Material
_'pcH~b50r 'le nte 2"

0/
R,p'
spoço corn ar 75 crn
Materia l Absorvente 2""

r
neira que sejam transparen- SE CÇAO DE PAR E DE
tes (pe rmeáveis) ao som. D ,,,,do d, molho 0''''' . . / .... /;\
Atrás delas fo ram coloca-
das as várias superfícies SECÇÃO - ~'. , .\
acusticamente ref letoras e
ab::orventes, necessárias pa- '"--Material Acúst lcomente Absor'/enle2" ;'!' 't:
....Ffj:'
ra fornecer o grau desejado .-1- --1- _ ._._._- - '. ,
de difusão e reverberação. Voa de escadn Lombril Transpa rente
A sala dá a impressão de esco1oempés
ser circular, porém, acusti-
camente, ela é bastante di-
fusa. Devido ao alto grau
de difusão ocasionado pelo
teto duplamen te recurvado,
SECÇÃO TRANsvERSAL I/
o espaço tem demonstrado 11 Lombr;1
ser satisfatório também pa- Ironsporenle
Reslo~lonte Solos de Conferências
ra apresentações musica is, I
a lém do seu uso p r i n c i p a l , ; : : = l Instoloçoes do

qu e é oHugh
tórias. Stubbins - ora-
de atividades ar-
quitetai Werner Duettmann,
\~r~~~~~t:~rr~~I~~~e~jE~~~~~f~~~F~~~~'1~01d;~~0~i',"rO':õ~o
Franz Mocken - arquitetos._~Il-B[[[:[:Jl_ _ _ _J[=J[:)~-~::~::~..Illu..4_..l_~~Jl_-
associados . Grande 50guõo

22 Sepa rata da Rev ista Acropole - Ano XX III N,o 271


MAIO 1961 - VOl. II - N.o 37
REDAÇÃO: Dr. B. 8ed ri kow - Eng. Roberto
Paulo Richter Bel . J. l. Cardoso
L. A . P. Pedroso - O rnar Abu-jamro
Eng. Fernando H. Aidar.
Sede: S. Paulo - R. João Brícola , 24, 24. 0
Rio - Av. Almirante Barroso, 54, gr. 1505
Belo Horizo nte - Rua Pa ra íba, ' 697

BO LET IM MENSAL

M A TER . I A S E E Q U PAMENTOS
ROBERT B. NEWMAN
Arquiteto Catedrático de Acústica do M.I.T.

Assim como podemos dizer que tô- silenciosa disponível em cada uma resultados de medições em várias fre -
das as construções possuem proble- das categorias. Em cosas onde de- quências, mos sempre relembrando
mas acústicos, também pode ser dito sejamos um certo nível de cuídos de que números méd ios não descrevem
que quase todos os materia is e equi- fundo como "perfume acústico", para a atuação no campo intei ro das fre-
pamentos de construção têm proprie- tornar apropriados con juntos leves quências sonoras com o qual lida-
dades acústicas. de divisões....:... de um ponto de vista mos, na acústica arquitetônica.
Dentro de um espaço, materiais
de isolação acústica - a escolha do
equipamento pode rá não se dirigir Materiais Acusti camente Refletores
exigidos para reflexão de som são
no sentido de selecionar-se o equipa- A ma io ria dos materiais pode ser
diferentes daqueles exigidos para
mento mais silencioso disponível, mas, considerada "acusticamente refleto-
absorção de som e, nós já tivemos
em vez disso, por exemplo, em es- ra" por todo o campo de frequên-
ocasião de constatar, que a isolação
colher-se um difusor de ar que pos - cios, a não ser que se trate de um
acústica entre espaços é ainda outro
sua a quantidade desejada de ruí- material espedficamente projetado
assunto inteiramente diferente. Mui-
dos de características adequadas. para ser acusticamente absorvente.
tas vêzes, tombé m, exige-se a iso -
Madeiras, argamassas, unidades pré-
lação de uma peça de equipamento Uma discussão pormenorizada, das
mecânico vibrante, da estrutu ra do moldadas de alvenaria, concreto e
propriedades de muitos materiais de outros materia is semelhantes perten-
préd io, de tal modo que só esta pe- construção e tipos de equipamento, cem a esta categoriq. Alguns mate -
ça se torne a fonte de irradicção de não é, naturalmente, possível, den-
som, em vez de acontecer co m tôda riais com pequenas espessuras, as-
tro de um traba lho curto como o sim como madeira compensada ou
a estrutura circunvizinha. Isto intro- presente . E' favorável , no entanto,
duz tôda uma série de materiais para lâminas plásticas, podem ser selet i-
para qualquer pessôa envolvida no vamente re fletoras em ce rtos spm pos
contrôle acústico em construções e, projeto construtivo, estar a par das
geralmente, êstes abrangem bases de frequências, isto é, ê les pqderão
propriedades acústicas básicas e de fornecer alguma absorção acústica,
isolantes de vibrações para equ ipa- como estas afetam o ambiente acús-
mento rotativo ou alternado (mol as por ação de diafragma, usudlmente
tico . no campo das frequências inferiores.
de aço, borracha, cortiças, chapas
macias de fibra de madeira, etc.), Em se considerando materiais e Muito poucos fabricantes anunciam
assim como conexões e ligações resi- equ ipamentos, do ponto de vista seus produtos com base na sua ca-
lientes que devem ser fornecidas acústico, um fator muito importante pacidade de forne cer reflexão acús-
para todos aqueles condutos, canos deve ser tido em men te. Inev itàvel- tica, e o arquiteto normalmente te-
e circuitos elétricos, em comunicação mente, nosso interêsse abrange a rá que selecionar êstes materiais re-
uns com os outros. atuação acústica por um largo cam- correndo à sua própria experiência
po de frequências, e descrições em e seus conhecimentos dos fatos bá-
Ocasionalmente, exigem-se cons- números singulares são, por vêzes, sicos acêrca da reflexão acústica.
truções duplas para fornecer altos inadequadas. Muitos fabr icantes de
Materiais Acusticamente Absorventes
graus de isolação acústica entre es- materiais absorventes acústicos for-
paços, e precisamos de materiais iso- necem dados sôbre a absorção acús- Existe uma profusão de produtos
lantes de vibrações semelhantes, para tica dos seus materiais, em várias disponíveis, especlficamente para for -
garantir uma descontinuidade acústi- frequências representat ivas, e uma necer absorção acústica. Uma gran -
ca entre camadas da construção - - grande parte dos fabricantes de pa- de parte dêsses materiais recebem
tais como materiais resilientes para redes divisórias agem da mesma for - acabamento na p rópria fábrica, e as
apôio de soalhos, paredes ou tetos ma, em relação aos dados de per- características absorventes podem
"flutuantes". Mesmo a escolha de das por transmissão de som. Dotado s·'3 r cu idadosa mente controladas du -
peças individuais de equipamento com êste tipo de intormação deta - rante a fabricação. Por outro lado,
mecânico e elétrico pode exigir con- lhada sôbre a atuação de um p ro- existem produtos mol hados, de apl i-
sideração das propriedades acústicas duto em particular, com base na cação na própria obra, que podem
do equipamento em si. O proje- frequência, e com um entendimento fornecer uma absorção apreciável;
tista deverá considerar a produção básico do problema acústico envol- suo atuação na obra, no entanto, é
de barulho dos ventiladores do vido, um arquiteto raramente empre- influenciada de algum modo pelo
sistema de ar cond ic ionado, de gará mal o produto ou ficará sur- método de aplicação. Entre êstes,
bombas, compressores, tôrres de re· prêso com os resultados. Tomando-se estão os plásticos acústicos, os mate-
frigeração, caldeira~ etc., e esco- um ce rto produto torna-se, por vê - riais de fib ra de am ianto pulveriza-
lher a peça de equipamento mais zes, muito útil, tirar-se a média dos das, e similares.

25
Bàsicamente, as qualidades absor- dução das qualidades absorventes uma quantidade razoável de absor-
ventes dos materiais de tipo poroso par a o campo das frequências su- ção acústico e, hoje em dia, encon-
são determinadas pela espessura do periores. Para muitos problemas tramos produtos no mercado que po-
material e pela natureza da superfí- acústicos, não precisamos de absor- dem resolver êste problema particu-
cie de aca bamento. A caracter ísti ca ção acústica efi ciente no campo su- lar. Estes materia is poros.os esp e-
absorve nte de materiais porosos, re- perior das f requências e, por isto, a ciais, finos, dependem do espaço aé-
lacionada à frequência, encontra -se mencionada redução para frequên- reo existente por detrás, para a sua
descrita de um modo simples na fi- cios altas não afeta a atuação con - absorção acústica - e não podem
gura 8. Em" Ali, vemos que um junta do material. A natureza do ser aplicados diretamente sôbre uma
material poroso fino, montado d ireta- materia l de revestimento p.oderá, no superfície dura.
mente sôbre uma superfície dura, entanto, afetar com o decorrer do Outro modo de conseguir -se ab-
tem relat ivamente pouca absorção tempo, as características absorventes sorção sob um teto de plástico para
no campo das frequências inferiores, de um determinado material de ab- difusão de luz, ou em qualquer ou -
e que a absorção cresce com a fre- sorção acústi ca. Se as perfurações tro espaço onde não fôr possível uma
d isponíve is, especificamente para for- ou fendas são muito pequenas e po- aplicação de materiais porosos con-
quência. Se qu isermos ma is absorção dem ser fechadas por camadas su- tinuamente sôbre o teto, é o uso de
de frequências baixas, é preciso au - cess ivas de pin tura, então as carac- unidades acusticament~ absorventes
mentar a espessura: fornecer um len - terísticas absorventes para todo o suspensas, ou de bafles. tstes ma-
çol poroso mais espêsso ou providen - campo de frequências poderão ser ter iais encontram um amplo campo
ciar um e~paço de ar, por trás do ma - dràsticamente pre judicadas. Fabri- de aplicação em áreas industriais
terial. Este efeito está mostrado em cantes de produtos que tiverem aber - onde o teto deve ser mantido com -
"B". Tod avia, em quase tôd as as turas mu ito pequenas para o inte- pletamente livre para dar acesso a
const ruções arq uitetôn icas, ra ramente rior do material, muitas vêzes acon- condutos, canos, etc., mas, bàs ica-
podemos deixar uma camada porosa selharão cu idado contra pin turas ex - mente, êles absorvem o som do mes-
exposta. Temos que providenciar um cessivas e, pOSSivelmente, sugerirão mo modo como os motera is porosos
revestimento mais durável, que se procedimentos especiais de p intura, ap licados horizontalmente, isto é,
mantenha por um longo período de para evitar-se êste problema. todos êles consistem essencialmente
tempo. Isto exige alguma coisa as- Além do tipo poroso, relativamen - de materia is porosos, seja na forma
sim como um revestimento de prote- te espêsso, de materia is acusticamen- de baf/es verticais ou em outras for-
ção, com aberturas, que, ou poderá te absorventes, que podem ser usa- mas geométricas, que absorvem ener-
se r adicionado (como um elemento dos com ou sem espaço aé reo por g iá sonora d irigida em sua d ireção.
separado) à camada porosa, ou en- detrás, temos um outro tipo de ma-
tão executado como parte integran- terial acusticamente absorvente, que Já notamos que a absorção tam -
te desta. O efeito da adição de um foi desenvolvido para fornecer a ab- bém é possível com o uso de mate-
material de revestimento é determ i- sorção exigida em áreas onde se - riais finos que absorvem o som por
nado essencia lmente pela dimensão iam desejáveis tetos contínuos, difu- ação diafragmática. E recintos onde
e pelo espaçamento das aberturas sares de luz. desejamos obter uma boa quantida -
que são deixadas para permit ir a en- Perfurand o-se a superfície difusora de de absorção das frequências bai-
trada do som para o interior fe lpu- de luz, de modo que permita a pas- xas - sem fornecermos muita absor-
do do mater ia I. sagem do som até uma camad a acus - ção ad icion al d e f requências média s
Mate r ia l p lástico muito fino, ou ticamente absorvente no mesmo ní - e altos - usa mos a madeira compen -
papel, pode também ser usado como vel das lu zes, tornar-se -iam as fontes sada fina, ou outros materiais seme-
revest imento, mesmo que não haja luminosas visíveis através das perfu - lhantes. Muito poucos materiais ab-
perfurações propriamente ditas, des- rações. No entanto, é possível per- sorventes, de t ipo painel, são anun-
de que ta is materiais finos transmi- furar-se materiais plást icos e lam iná- ciados no mercado como tais, mas é
tem a maior parte da energ ia so no- los com materiais porosos finos, co- útil para o arquiteto relemb rar que
ra que os at inge, diretamen te para mo papel de fibras de celulose. Esta tais materia is poderão ser usados
dentro do interio r poroso. De um co locação em ca madas cu ida d osa- po ro a lguns problemas acústicos.
modo geral, o efeito da a d içã o de mente desenhadas, com um espaço - A seg uir : Barreiras Ac ust ica -
materiais de revest imento é uma re - amplo de a r po r trás, pode forn ecer mente Isolantes .

APLICAÇÃO DE MATERIAL ACUSTI CAMENTE ABSORVENTE


•1 _ _ .IA
. "." " . ""i" !" i
o
Eficiêncio de mo'eriois o C ~ 5 tico m ent e obsorvente s de vórios config uroijões.
APLICADO EM BASE SOL.tDA I~ FREOUÊNCIA __
a:

:':. .4L c
" A" - mo'eriol poroso, montodo dire'ome nte sôbre umo superfície d uro

~
forn eceró pouco obso rijo o no campo das frequê ncia s infe riores, enquo nto
forn ece obsorijoo efici e nte pa ro frequência s méd ias e oltos. " B" - o
efeito surtido pe lo moior espenuro do mate rial oc~ st i come n'e obsorve nle, _1IIIIIIí_ _ _ B c , ./
ocorretoda por um esp oijom ento do mo'eria l po roso poro com a sup erfí cie I-
ESPAÇO AÉREO POR DETRÁS
duro . ~ste mate ria l ac~5ficam e n ' e absor vente " ma is espê sso " au mento ; FREOUÊNCIA --

o absorijoo nas frequ ê ncias baixo s, conform e foi mostrado. " C" - o
efei'o do adiijoo d e um reve stimen'o perfu rado, usuo lmente necessóri o
po ro proteger o materio [ poroso. A absorijã o na s frequências superiores
será reduzida, em dep e ndê ncia d o dimenso o e do espoijamen'o d os fu ros,
______________ c
mas isto no o terá e feito prótico no absorijã o do s frequê ncia s baixa s. FREQUÊNCIA _
ESPAÇO AÉREO E REVEST. PERFURADO

26 Se parata da Revista Acropole - Ano XXIII N.o 272


JUNHO 1961 - VOL. " - N,· 38
REDAÇÃO, Dr. B. Bedrikow - Eng. Roberto
Paulo Rich ter - Bel. J. L Cardoso
L. A. P. Peclroso - Orno r Abu-jomro
Eng. Fernando H. Aiclor.
Sede: S. Paulo - R. J oão 8ricolo, 24, 24. 0
Rio - Av. Almirante Barroso, 54, gr. lS05
Belo H o riz on t e - Ruo Para íba, 697

BO LE TI M MENSAL

M A T E R A S E E Q U PAMENTOS
ROBERT B, NEWMAN
Arquiteto Catedr6tico de Acústica do M.I.T.

Barre iras Acusticamente Isolantes táve l. E, fjnalmente, as construções Combinação de materiais, confrôle
mu it0 leves e ao mesmo tempo rígi- máximo
Manuais de Acústica, literatura das - tais como pa inéis de metal
Vimos que reflexão, absorção e
de fabricantes e boletins ce labora- ou de estrutura de madeira favifor-
isolação são muito diferentes em seus
tórios de testes, fornecem ao arqui- me - não são aceitáveis. Agora,
mecanismos básicos. Como, então,
teto muita informação detalhada se mudássemos os níveis de ruídos
podemos combinar êstes elementos
sôbre as propriedades de perda de de fundo nestes dois escritórios, se-
ce contrôle para obtenção de um
som por transm issõo, de vários tipos parados por qualquer destas barrei-
ambiente acústico satisfatório? Pri-
de construção de paredes, soalhos e ras, deslocaríamos as áreas de acei-
meiro de tudo, materiais acustica-
tetos. A inda que o assunto não pos- tabilidade, ou para cimo - para o
mente absorventes, como já aponta-
sa ser discutido plenamente neste direita -, para um nível mais silen -
mos, reduzem o tempo de reverbera -
breve relatóri~, poderá ser útil o exa- cioso de ruídos de fundo; ou para
ção, r~duzindo a energia sonora re-
me ce uma situação particular para baixo - para a esquerda -, para flet ida. Em um grande espaço de
descobrirmos como as exigências de um fun do mais barulhento. Este escritórios, o uso de um teto acusti-
isolação acústica são cumpridas por efeito está também ilustrado na fig. camente absorvente é altamente
vários tipos de construção. Suponha- 9. Desde que a tendência na cons- benfazejo para contrôle da propa-
mos dois escritórios particulares num trução contemporânea de escritórios gação do som . Na verdade, até
ambiente relativamente silencioso: o é para componentes mais leves, o mesmo o nível do som é reduzido
problema é escolhermos uma barrei- deslocamento para baixo e para à um pouco, porém o principal bene -
ra que forneça uma intim idade ade- esquerda é, talvez, o mais realístico . fício é aquele ce dor d ireção às fon-
quada de fala entre êstes espa ços. No entan to, para aqueles envolvidos tes - fazendo com que elas fiquem
Já apontamos que a eficácia de uma com problemas acústicos é óbvio " lá mesmo" em vez de rodear o ou -
barreira acusticamente isolante de- que níveis criticávelmente altos de vinte com energia sonora reverbe-
pende do seu pêso, sua rigidez e sua "perfume acústico" são precisos para rante vinda de tôdas as direções.
impermeabil idade ao ar. Suponco inc luirmos algumas das barreiras le- Sabemos que em escritórios e ou-
ainda que possamos deixar de lado ves no grupo aceitável. As aproxi- tros espaços onde a comunicação
a impermeabilidade ao ar, desde mações futuras, do ponto de vista oral é importante, um tratamento
que esta pode ser controlada por um acústico devem, pois, incluir a lgumas acusticamente absorvente do teto é
procedimento cuidadoso na constru- reformas no planejamento de d ivi- altamente benfazejo na criação de
ção, podemos representar gràfica - sões, para reduzir-se ao mínimo a um ambiente de trabalho confortável.
mente vários tipos de construção, rigidez, se quizermos reso lver o pro- Também constatamos serem os ma-
num d iagrama cujo eixo das abçissas blema estonteante da intimidade ter iais acusticamente absorventes mu i-
cujo ·eixo das ordenadas representa acústica entre escritórios com as di- to úteis em escolas e hospitais, para
representa a densidade superficial e visões leves, móveis. controlar o espalhamento do som nos
a . rigidez (Iig. 9), Esta breve consideração das pro- corredores e para tornar os espaços
priedaces acusticamente reflet ivas, de oficinas de artezanato e ginásios
A seguir, sobrepomos o êste grá-
absorventes e isolantes de materiais em lugares satisfatórios ao ensino.
fico três áreas de aceitabilidade, do
constitue uma introdução limitada e Níveis altos de baru lho e tempos de
ponto de vista da intim idace acústica:
generalizada para os problemas en- reverberação longos em piscinas co -
completamente aceitável (quase tó-
volvidos. Não foram tocados os mu i- bertas também podem exigir a ab -
dos os pessoas ficariam satisfeitas
tos materiais especiais e ítens de sorção acústica poro permitir um am -
com êste grau de isolação); proxima-
equipamento que o arquiteto poderá biente acústico satisfatório para o
mente aceitável (sete ou mais de
usar para resolver problemas acús- ensino e também para o contrôle da
cada 10 pessaas estariam satisfeitas
ticos. Outros assuntos importantes, segurança. Um teto acusticamente
com êste grau de iso lação acústica);
que justificariam mais discussão são obsorvente numa fábrica ruidosa
e não aceitável (menos de sete em
as propriedades de cispositivos de pode ou não resolver definitivamen-
cada 10 pessoas ficariam satisfeitas).
contróle de som e vibrações exigi- te o problema do ruído. Limitações
Tódas as construções pesadas - dos em sistemas mecânicos, as pro - no uso de materiais acusticamente
rígidas, como paredes de blocos de priedades acusticamente isolantes de absorventes estão indicados na figo
alvenaria, ou não tão rígidas, como portas, assim como outros detalhes 10. Se os operários estiverem bem
folhas de chumbo - estão na cate- práticos construtivos. Se não quizer- sep arados e o teto fôr ba ixo, poderá
goria completamente aceitável. Mui- mos nos su rpree nder posteriormente, resultar um bom contrôle do espa -
tas das construções convencionais, - êstes seriam os · tópicos, dentre os lhamento do som. Por outro lado,
chapas de vidro, rebôco em suportes, mu itos existentes, que exigiriam con - se o teto tiver uma altura de 9 ou
argamassa só lida, etc. - são encon - sideração detalhada nos planejamen- 12 m e os operários estiverem em
tradas no grupo proximamente acei- tos acústicos. atividade ruidosa mu ito pertos um do

29
outro , um teto acusticamente absor- blemas sérios. Muitos professôres no pla nejamento de escolas. O com-
vente fará muito pO\Jco pelo operá- nos contam que, em situações como portamento do som em construções
rio ind ivi dual ou mesmo para aqueles estas, eles não some nte se sentem é governado pelas leis básicas da
o perários que estiverem nas suas perturbados pelo barulho da ativi- físi ca - do mesmo modo como, quan-
imed iata s vizinhanças. ,Em ambos os dade da classe v izinh a, mas também do alguém pula da janela, sem-
casos, pode ser observado que o const rangidos quanto aos t ipos de pre vai para baixo! Não é plausí-
tratamento do teto não reduz todo atividade que possam permit ir aos vel que descubramos, em futuro pró-
o som d ireto de uma dada máqu ina. seus próprios alunos. Eles sabem ximo, algum campo anti-gra vitacio-
Tem havido resultados desapon tado- que incômodo será para as outras nal, e nem subitamente nos achare-
res no uso de materia is acusticamen- dasses, se perm it irem canto ou ou- mos de posse de divisões milagrosas
te absorventes para contrôle do ruí- tras atividades ruidosas . que não pesem nada e nos dêem a
do, porque as pessoas nem sempre Ouvimos tôda a sorte de referên- intimidade e ausência de distrações
levaram em conta o fato de que os cias sôbre "biombos ultrassônicos", que todos exigimos de nossos v izi-
materia is acusticamente absorventes paredes plásticas, tapetes, etc., que nhos. Convém não esquecer que
são meramente não- refletivos. deverão repentinamente resolver to- nã o há subst ituto para uma porta
dos os problemas de fle xi b il idade fechada!
A situação jdea l de absorção acús-
tica é encontrada ao ar livre, onde
100 por cento de energia sonora que
su rg e é absorvida pelo simp les fato
PROXIMAMENTE ACEITAVE L COM
ESCRITÓRI OS MODERADAMENTE
1 PROX I ~AMENTE ACEITÁVEL

de não voltar . Desta maneira, po- RU I DOSaS


demos compreender que o operador REBOCO E'" SUPORTES DE MADEIRA
de uma máqu ina ruidosa não apro-
veite muito do fato do teto não re-
fletir o som . A solução poderó ex is- • ~-------:
I::'·: "
NAO ACEITÁVEL:.:.··· .
IS "'. o AI..VENARIA ÓCio

toe .. . DE TIJOLOS
tir sob a forma de a lgum tipo de ab-
sorção imediata ao redor da máqui-
na ou, possivelmente, além disto, de
um revestimento feito de material
acusticamen te isolante impenetrável,
1.3104101.. DE Al.UMINIO sô. E
M
N'.kLEO DEI F.... VIFOR [

3 MM. OE M""OElftA CO..


PENS ADA SÔBIIE NUcI..J '
~
.'=;l '~~______-+~:~;~:~·"~~I :ft GA_
._" _'_'

ARGA\lA'!A E" SUPOItT ES


, - - - - - - --+-< 0 .. GRAMPOS RISlI..I[NT[S_

f AVlfOIlME DE t"
~1:ahlM OE ctW"BO
com abert uras pequenas, para tornar
mínima a quantidade de som que It.5e .. . DE VIOFlO

consiga sai r para o espaço aberto. '''''''. DE V IE~


Devemos pensar primeiramente em
"~ I
~ ... .
absorção acústica, no entanto, como ~ ~-º!..ÇlIUM.O
um dispositivo de contrôle dentro de
um recinto - não para serv ir, por si
.
o
N I.I;M~~ _~~

• 1M". DE "'10110
Q

mesma, para o contrôle da transmis- ACEITÁV EL


são do som entre espaços. Contrôle " P Êso eRESCENTL'__________________________....

realmente adequado da transm issão


Fig. 9 - Posição relativo de vorios tipos de moteriois que poderão ser empre gados na construção
do som de um espaço para o outro,
de divisões - do !J0nto de vista do pêso e da rigidez de tensão. À direi to e em cima estã-o os
em situações muito silenciosas, só mate rioi s retativamente p esados que tombém possuem uma rigi dez relati va mente elevada - tais
pode ser alcançado com obstáculos como materiais de concreto· ou alvenaria. Na extremo esquerda estóo as construções relativo-
~ólidos, impenetróveis e pesados. mente leves mos também muito rígido s - tais como estruturas faviformes de metal ou madeira
compensada. Também g direito estão as construções rela tivo mente pesadas mas me nos rígidas -
Como vimos, podemos arranjar-nos
tais como folhos de chumbo e aço. Pa ra um ambiente pa rtic ular de ruídos de fundo - uma
com construções leves - mas não de - órea de escritório relativamente silencioso, por exemplo - o diagrama mostra aonde estas vorias
masiadamente rígidas - mas somen - construções cairiam, do ponto de vista da aceitabilidade no fornecime nto de isolação acústica
te se perm itirmos a exi stên ci a de ní- e ntre os espaços de escritórios adjacentes. Em gera l os materiais pesados (mesmo os rígidos)
fornecer iam isolação sotisfatória, mos materiais extremamente leves e rígidos nõo são aceitá veis.
veis c:1e "perfume acústico" suf ici ente-
Como pode ser vista, muitos materiais de construção comuns coem na categoria proximamente
mente altos. Divisões de altura par- aceitável. Uma intensificação do níve l de ruídos de fundo do escritório deslocaria a área de
cial, seja com ou sem acabamento oceitabilidade para baixo e para o esquerda, e desta forma incl uiria muitas mais das construções
acusticamen te absorvente, poderão padronizadas nas categorios comp letamente e proximamente aceitáve is. No entanto, exigiria
ser satisfatórias em situações onde ní veis muito elevados de ruídos de fundo a inclusão de algumos construçc.es muito leves e rígidas
que hoje em dio podem ser observadas em alguns p rojetos de construção de divisões
noo haja problemas ce intimidade
e onde ocorrem at ividades semelhan-
tes em todo o espaço . Para escritó-
rios particulares, ou em qualquer si-
tuação em que as ativ idades sejam
muito diversas, um fechamento de al-
tura parcial nunca poderá ser satis-
fatório. Em escolas, por exemplo,
ouv imos falar muito sôbre disposição
a berta e tapumes parciais. Isto fun-
cionará bem enquanto as crianças
est iverem sendo instruídas em pe- f igo 10 - Categorias de aceitabilidade para intimidade de fa la em escritórios silenciosos . Trata·
mento ac usticamente obsorvente em uma fábrica com teto baixo e com máqu inas a mp la mente
quenos grupos, e estiverem tôdas fa -
distonciodas pode ser de valio considerá vel na red ução do nível de ruído ouvido por operadore s
zendo a mesma co isa. No en tanto, adjacentes. Note·se, no entanto, que o som direto permanece sem mu da nça e, portanto, tetos
deixemos somente uma classe come- acust:camente absorve ntes não permitem até certo ponto, reforço sonoro poro o pessoa que esti ver
çar a cantar ou passar um filme ou ope ra ndo determinado máquina. Em fábricas com. tetos altos e tendo máq uinas co locadas perto
uma às outras, um tratamento acusticamente absorvente do teto não seria uma solução perfeita.
começar com outra atividade muito
Se o contrô le do ruí do para o indivíduo que estiver operando a moquina fôr importonte, a
ciferente daquela que os vi zi nhos solução poderá ser da natureza d e um revestimento fechado constituído de materia l acusticomente
estejam prat icando, e teremos pro- absorvente

30 Separata da Revista Acropole - Ano XXIII N. o 273


JULHO 1941 - Va lo 11 - N.· 39
t' - ~ f REDAÇÃO: Dr. B. 8edrikow • En9_ Roberto
Pa ulo Ric hter - Bel. J. l. Cardoso

INSrITUTO BRASltEtko D"ACÚSTICA- L. A. P. Pedroso - Ornar Abu-jamra


Eng. Fernando H. Aidor.

,:. ,. I L- VÚ~~\ \ Sede: S. Paulo - R. J oão Brícolo, 24, 24. 0


Rio · Av. Almironfe Barroso, 54, gr. 1505
Be lo Horizont e · Ruo Poraíbo, 697

BOLET IM MENSAL

M A T E R A S E E Q U PAMENTOS

ROBERT B. NEWMAN
Arquiteto Catedrático de Acúst ico do M.!.T.

HISTÓRIAS DE CASOS

Uso de Mater iais - I

I - O t ratamento dt;! absorção do


som, no ceso do "Coliseum Charlot·
te" North Carol ina, serve também,
como material estrut ural e isolante
térmico. O fechamento d e contro-
procado de fibras de madeiro, usa-
do, por sôbre os membros estruturais
de aço, nas paredes e no teto, for- ~

ot5ertura de Telhod õ dé 'Alumll'llo nece, nêste espa ço, um contrô le tan -


to do éco como da reverberação .
de assentomento-2.5cm
Desde que tôdos as superfícies en -
Poinêls Acús1ieo- estruturaiS volven tes se en co ntrem demasiada -
de Fibrode made ira 7.5em mente longe das fontes sonoras, para
pode rem fornecer uma reflexão acús-
tica aproveitável, a correção acúst i-
ca é quase inteiramente uma apro-
ximação às condições de "ao ar li-
vre". O sistema de alto-falantes
está colocado em um conjun to cen -
tral-, próximo de uma das extremida-
des da arena, por sôbre a posição
Poin~IS Acústico-estruturais de um palco temporár io usado para
flbro de modei r a4.5cm
certas funções. Os alto-falantes são

Ii necessários para tôdas as atividades,


exceto música de banda, para que
haja uma intensidade sonora ade-
quada em tôdas as áreas de assen-
tos. Uma feição interessante, de um
ponto de vista acústico, é o uso de
Dutos de Ar uma arquibancada retangular nesta
construção bàsicamente curvilínea.
Arquibancadas curvas, em auditórios
grandes como êste, frequentemente
cond uzem a problemas difíceis de
O.70m écos focalizados, quando o área da
audi ência está só parcialmente ocu -
pada. - A. G. Odell, Jr. & Associa -
tes - Arquitetos.
SECCÃO TIPICA NA ALTURA DA CORNIJA

33
HISTÓRIAS DE CASOS 11 - Considerações acústicas nõo
deveriam ser excluídas, em uma obra
Uso de Ma te ria is - 11
provisória tal como aquela que oca·
sionou o pro jeto da concha acústica
"traze ira de envelope" mostrada
aqui. Por ocasião de uma cerimônia
comemorativa para o falécido pre·
sidente da MIT, Karl T. Camptan,
uma plataforma adequada foi pedi-
da para um grupo de músicos sinfô-
ni cos. O arquiteto sentiu a necessi-
dade de um envolvimento 8, usando
alguns materia is simples - painéis
de madeira compensada de 1,22 m x
2,44 m - resultou um con finame nto
acústico adequado.

HISTÓRIAS DE CASOS
Uso de Mater iais - 111

III - Plane jando o auditório para


o "Rockefeller Institu te Of Medicai
Research", Nova York, tanto o ar-
quiteto como o cliente sentiram for-
femente que a construção deveria ser
uma cúpula, para complementar a
forma retilínea de uma outra cons-
trução ao lado. Depois de conside-
rarem duas alternativas acústicas -
a suspensão de um grande número
de painéis defletores, isolados, den-
tro da cúpula, ou a construção de
uma cúpula interna, acusticamente
transparente - uma terceira propos- Vista da platé ia
ta, usando uma série de grandes
discos convexos que se salie ntavalT,
em direção à a udiência, foi escolhi-
da. Pa ra contrõle do éco, a parede
do fundo foi tratad a com ripamento
de madeira, com juntas separadas,
e material absorvente põsto interna-
mente. Amianto pulver izado fo i apli-
cado nas porções do teto entre os
discos su perio res. Além disto, todo
o soalho fo i pesadamente atapetado
e os assentos completamente estofa-
dos. Isto resu ltou em uma grande
quantidade de absorção de frequên -
cios altas e pràticamente nenhuma
absorção de frequências baixas. Em-
bora o recinto tenha sido primit iva-
mente projetado para conferências,
reuniões científicas ou aprese ntação
de filmes, também foram previstos
eventua is apresen tações musica is. Pa-
ra harmonizar os sons instr umentais,
foram introduzidas em alguns trechos
do paine l d ifusor localizado d ireta -
mente atrás do palco, superffcies de
reflexão. Além disto, o soalho do
palco foi deixado duro e refletor.
Vista do palco Harrison & Abramovitz - Arquitetos.

34 Sepa rata da Revisto Acropole - Ano XXIII N,a 274


AGÔSTO 1961 • VO lo II • N.o 40
REDAÇÃO, Dr. B. Bedrikow - Eng. Roberto
Paulo Richler . Bel. J. l. Cardoso
L. A. P. Pedroso - Orno r Abu-jomra
Eng. Fernando H. Aidor.
Sed e: S. Pa ulo - R. João BrícoJo, 24, 24. 0
Rio - Av. Almirante Borroso, 54, gr. 1505
Belo H orizonte - Ruo Paraíba, 697

BO LET IM MENSAL

M A T E R A S E E Q U PAMENTOS
HISTÓRIAS DE CASOS ROBERT B. NEWMAN
Arquiteto Catedrático de AcústiCQ do M,I.T.
Uso de Materiais - IV
Teto Suspenso

Tijolos vazados
A Altura do teto
varia
Rebaco
Perfil U com 1/2" de lodo
c/1.20m de centro a centro
Perfil U com 3/4" de lodo
c/0.40m 00 centro o centro
f eio metalica e Re bôco,
ocobomento f lutuante

PAREDE LATERAL 00
AUDITÓRIO
Ripas de
madeiro
Testeiro de
madeiro

',",

Este auditório, na JJGreenfield High $chool lJ , Greenfield, Massa-


chussets, incorpora quase tôdas as feições desejáveis para se~ alcan-
çar boas condições de audib ilidade tanto pa ra a fala quantp para
o ,música. Os materia is acusticamente absorventes estão cuidadosa-
mente colocados, de modo que controlam reflexões, longamente re-
SECÇÃO
tardadas tanto quanto a reverberação. Desde que o Conselho da
escola programou um importante fest ival musical da co munidade,
um fechamento removível de palco foi providenciado. Tal fecha-
...... >. ::I
mento é importante não somen te para misturar e harmonizar a Cha"os Acústicas de .
música orquestral e coral, mas também para fornecer reflexões de 3OX30cm.
som entre os atuantes, de modo que êles possam ouvir-se uns aos ;, ...... colados em rnodeiro .;
com pensadO I9mm .
outros e melhorar a sua apresentação conjunta. . .. ...
O recinto da banda possúi um alto grau de difusão sonora,
devido ao seu teto de rebôco, ondulado, e a forma das paredes. CordÔO d~ madeiro .:
Materiais acusticamente absorventes estão distribuidos por sôbre ! 12X IOmm. .

uma parte das áreas do teto e da5 paredes. Os corredores têm


painéis absorventes, de chapa acústica, suspensos do teto.
James Albert Britton - arquiteto. DETALHE DE BAFLE ACUSTICO

37
HISTÓRIAS DE CASOS Contendo aproximadamente 850.000 m3 de volume, o
Uso d e Materia is - Y "State Fair Pavilion", Raleigh, North Carol ina, apresentava
um problema inusitadamente difícil para integraâo do tra -
Tamento acusticamente absorvente necessório para o (ontróle
do éco e da reverberação. Muitos tipos convenc iona is de
tratamento acusticamente absorvente não poderiam ser adap -
tados à cobertura - telhado de metal, em forma de sela,
suportada por cabos, devido ao movimento estrutural dêste
elemento. "Batles" de material absorvente com 60 x 120 em,
cada 1,80 m, de cenfro a centro, verticalmente suspensos,
num arranjo de engradado de ovos, provaram ser uma so-
lução sensata para êste problema e resultaram na transfor-
mação desta área num espaço altamente satisfatório para
"shows" ao vivo, acontecimentos esportivos e outras grandes
reunJoes. Para a instalação dêstes bafles, foi utilizado um
guin daste de alcance elevado, de plataforma, eliminando a
necessidade de andaimes dispendiosos.
Como em todas as grandes arenas dêste tipo, com super-
fíc ies internas muito distanciadas da fonte sonora, a eletro-
acústica fa z-se necessória para fornecer uma intensidade
adequada de som. Na arena, antes da instalação do tra-
tamento acusticamen te absorvente, um sistema d istribuído de
alto-falantes tipo corneta era necessário para anunciamen -
tos. Uma ve z conseguido um contrôle adequado da rever-
beração, fo i possível a instalação de um sistoema central de
alto-falantes, de alta qualidade, para dar conta tanto da
amplificação de fala como de música.
A grande área recurvada da parede de janelas ainda
representa alguma dificuldade com reflexões facalizadas,
longamente retardada s. Tratamento com material acustica -
mente absorvente estava fora de cogitação. No entanto, o
problema é reduzido ao mínimo pela colocação cuidadosa
dos alto-falantes, de modo que pouca energia sonora é di-
r igida para estas superfícies, mas em . vez disto quase tódo
ela é concentrada na direção da área da arquibancada.
Wil liam Henley Deitrick, arquiteto; Matthew Newicki, consultor.

HISTÓRIAS DE CASOS
Uso de Materiais - VI

Onde boas condições de audibilidade são de impor-


tância capital, as providências adequadas para o con-
dicionamento de som interior não serão suficientes sem
o impedimento da transmissão do ruído exterior. Para
excluir barulhos provenientes de aviões, cam inhões e
indústrias próximas do "M IT/s Kresge Auditorium", uma
segunda camad a de 5 cm de co ncreto leve, sôbre um
lençol de 2" de material resi liente foi adicionada à
concha estrutural. Esta segunda concha não possúi de Acril ico
nenhum valor estrutural, mas serve unicamente para
reduz ir ao mínimo a transmissão de ruído exterior. As
divisões internas arrematam-se à 10 cm da superfície
da concha . Gaxetas de borracha, preenchendo êste
espaço intermed iário, foram projetadas não somente
Concha .. trutur.1
para absorver o movimento devido à expansão e con-
de concreto e.5em.
tração, mas também para prevenirem vazamentos acús-
ticos.
Eero Saorinen e associados - arquitetos.
SECÇÃO DE CORNIJA

38 Separata do Revisto Acropole - Ano XXIII N.· 275


._, SETEMBRO 1961 - VOL 11 - N .o 4 1
REDAÇÃO: Dr. S. Bedrikow - Eng. Roberto
Paulo Richler - SeI. J. L. Cardoso
" L. A. P. Pedroso Ornar Abu-jamra

INSTITUTO BRASilEIRO DE ACÚSTICA Eng. Fernando H. Aidor.


Sede: S. Pau la - R. Jaão Bríco!a, 24, 24 .0
Rio - Av. Al miran te Barroso, 54, gr. 1505
Be lo Ho ri1; o nf e - Ruo Po ro rbo, 697

80 LE T IM ME N SA L

PLANEJAMENTO PARA BOA AUDIÇAO


ROBERT B. NEWMAN
Arquiteto Catedrático de Acústico do M.I.T .

A fim de termos boas condições de audição, devemos tância. Mas, ao roçar as cabeças e roupas dos ouvi n-
sat isfazer uma porção de exigências básicas de bom tes, absorventes de som, teremos perda gradativa que
senso. Primeiro, O ambiente ideal para audição deve poderá chegar a perfazer um ou dois decibels por fi-
ser um ambiente silencioso. Sabemos como seria ri- leira. Isto quer d izer que as pessoas sentadas no fun-
dículo procurarmos ouvir um quarteto de cordas em do do auditó rio não somente recebem menos energ ia
uma esquina movimentada de uma cidade moderna, sonora em virtude do fato de esta rem afastadas d a
e lembramo-nos de que, às vêzes, não podemos ouvir fonte sonora, como ainda perdem por causa do p ú-
o sermão na igreja quando o aparelho de ar condicio- blico à sua frente. Por isso, ao ar livre, com o audi-
nado é barulhento demais. O ruído amb iental, que tório em nível p lano, as ex igências de intensid ade e
pode ser de tanta utilidade como "perfume acústico", distribuição do som são satisfeitas de maneiras defi-
isolando-nos e livrando-nos de distra ção no escritório cientes.
ou no apartamento, é absolutamente inadmissível em Os gregos e romanos da ant igu id ade aparentemente
uma sala onde desejamos ouvir música ou vozes. tinham um a boa compreensão dêste problema e cons-
truiram seus teatros em morros e locais quietos.
Intensid ade e d istr ibuição Nos teatros gregos e romanos o auditório estava
instalado em um terreno íngreme. Eles achavam que
E' quase axiomático que é altamente dese jável que havia muito menos perda de energia em ondas sonoras
os sons que desejamos ouvir sejam de intensidade su- que se propagam livremente do que em áreas p lanas.
ficiente e também distribuidos de maneira uniforme Talvez tenhamos admiração dema is para os nossos an -
pelo ambiente. Os ouvintes na parte da frente não tepassados gregos e romanos quanto ao seu senso
deveriam receber grandes quan t idades de som quando acústico e capacidade de planej amen to, pois é bem
os do f undo q uase nada ouvem. Pontos vivos e pontos possível que ê)es ten ham p rocura do resolver apenas o
mortos (que recebem mu ita ou pouca energia sonora problema de visão, tendo receb id o boa acúst ica com o
devido a focal ização ou ao som reverberado) podem uma gratificação adicional. Se ja como fêr, isto reve-
ser tão indesejáveis como um lugar onde ouvimos tudo la uma verdade útil em muitas sit uações de acústica
duas vêzes por causa da ~everberação retardada. A ambiental: f ileiras de boa visão geralmente sign ificam
intensidade (loudness) adequada e a boa difusão so - também fileiras de boa aud ição. O mesmo resu ltado
nora são determinadas quase completamente pe la for- pode ser obtido co locan do a fonte sonora em ponto
ma e os acabamentos das superfícies do ambiente. muito alto com relação ao aud itório, mas isto acarreta
Aqui, o arquiteto pode determ inar boas condições mós condições v isua is, e na ma io ria dos casos recor-
acúst icas med iante planejamento cuidadoso. remos ao reméd io muito simples de prov iden cia r um
Vemos como o som é d istribu ido quando os ouvin tes espelho sonoro - o teto adequadamente refletor do
estão sentados num mesmo plano, ao ar livre (f ig. 11 ). auditório.
Conforme já sabemos, uma onda sono ra perde ,sua A ação do teto como refletor traz energia sonora
intensidade na proporção inversa ao quadrado da dis- para ba ixo aos ouv intes, reforçando o som d ireto.
A utilização do teto como espe lho sonoro é f unda-
mentai no planejamento de um ambiente de boas con -
dições acústicas. Pode ser formado e esmerado d e
vár ias mane iras, mas fundame nta lmen te deve ser re-
fletor de so m. N unca deve ser absorvente de som
sem motivos especiais. O teto é a superfície mais im-
portante de um am biente para garantir intensidade
adequada e boa distribu ição. E' óbvio que, para re-
ceber energia sonora refletida do teto, o ouvinte deve
f igo 11 f igo 12 ser capaz de "vêr" o teto. Os lugares em baixo de
balcões são geralmente os pio res, justamente por esta
f igo 11 - Ilustração do distribuição do som com o público sentado razão. On de os balcões formam uma parte do pro-
num mesmo plano 00 a r livre, A in tensidade sonoro percebida
jeto de um a sala, a superfície in fe rior do balcão deve
pelo último pessoa na fundo é reduzida não apenas pela queda
norma l causada pelo distância, mas também pelo absorção do som ser sempre incl inada para cima em d ireção do teto
pelos pessoas do fren te, 00 longo do caminhomento principal, com abertura suficien te no espaço em baixo
Fig. 12 - Distribuiçõo do som em oudít6rio ao ar livre, e em do balcão, de maneira que das cadeiras mais no fundo,
rompo. A absarçõo par pessoas sentados no frente de outros é
grande parte do teto seja visível.
reduzido 00 mínimo, e o intensidade do som percebido pelo pessoa
mais do fundo do oudit6rio depende quase diretamente do d istân- Desde a invenção de materia is acúst icos absorventes,
cia do fonte sonoro muitas igre jas e auditórios foram constru idos com tais

41
mater iais no teto, e, de fato, mu ita s pessoas cont inuam os comprimentos das ondas com as qua is trabalhamos
pensando que o que precisa para boa acústica em um são relativamente grandes. Quebra em pequena esca-
auditório seja apenas êste tratamento do teto inteiro. la apenas afetará as frequência s muito altas e não
O uso abusivo de material absorvente quase inevità- fornecerá a espécie de difusão sonora que precisamos.
velmente produz más condições acústicas, pois a sara Na essência, portanto, o planejamento de boa d is-
fica desprovida do seu refletor mais útil. Isto não quer tribuição e intensidade satisfatória em uma sala nos
dizer que materiais absorventes de som não tenham leva a superfícies que são duras e refletoras de somi
um lugor muito importa nte no planejamento de am - que dirigem o som da fonte ao receptor; e as quais,
bientes para boas condições de audição. Há muitos além disso, o fazem com grau moderado de di fusão,
su perfícies nas salas onde temos necessidade de tais para aumentar a uniformidade da energia d istribuída
materiais para controlar reflexos indesejáveis, tai s por todo o auditório. A difusão representa um requin-
como nas paredes do fundo, e para controlarmos a re- te no planejamento que muitas vêzes não é essencial
verberação, cujo assunto trataremos mais adiante; po- mas sempre muito desejável. E' de importância espe-
rém nunca cobrimos superfícies de reflexão útil com cial no refletor acima da orquestra. A difusão logra-se
materiais absorventes. muitas vêzes pelos meios estruturais à d isposição, por
exemplo, ca ixotes perdidos, vigas, chapas dobradas,
Mistura de sons e difusão etc.. A Igreja de Stanford e a Capela da Academ ia
de Aviação (vejam-se Casos Relatados, Parte Primeira
Função igualmente importante do teto refletor é a e Parte Segunda) são exemplos excelentes de difusão
de misturar sons vindos de vórias partes de um grande :::onora eficiente.
grupo, por exemplo, uma congregação em uma igreja
ou ump__.orquestra ou côro no palco. Sempre que pes- Reflexões indesejáveis
soas Pf.Ocuram uma representação em conjunto, é es-
sencia l que todos os membros do grupo ouçam um ao Certas re flexões são indeseiáveis em lugares de au-
outro. Sem um teto bom, refletor, o ouvinte simples- dição. De modo geral, écos distintos ocorrem quando
mente não houve bem os outros do grupo e é muito o ouvinte percebe energia sonora reflet ida com inten-
difíci l obter o senso da representação tota l. Poucas sidade suficiente, 1/17 de um segundo ou mais depois
pessoas na igreja, por exemplo, gostam de participar de ouvir o som direto (ou uma diferença no compri-
no canto da congregação ou nos preces quando acham mento do caminho entre o som direto e o reverberado
que todos os outros não fazem a mesmo coisa. Nin- acima de 20 m). Geralmente nos chegam estas re-
guém gosta de fazer-se notar! Quantas vêzes se vê tlexões retardadas das paredes de fundo. Con trola -
uma orquestra procurando dar um concerto em um mo-Ias inclinando a superfície da parede de fundo
teatro convencional envolto de cortinas de veludo. para baixo a fim de conduzir à terra a reflexão da
Envolvendo os represemalltes de materiais de absorção proximidade, mediante tratamento com materiais absor-
acústica é a mesma coisa como pintar de prêto o re - ventes de som ou às vêzes quebrando a superfície
fletor principal de luz, na analogia de iluminação. E' além da aplicação de materiais absorventes. Na
virtualmente impossível que os representantes ouçam maioria dos casos, nas igrejas desejamos reduz ir ao
um ao outro e lograr uma performance coordenada; mín imo a utilização de materiais absorventes de som,
perde-se, além disso, uma grande parcela de proje - para conservar o ambiente apropriado para música, e
ção sonora útil para o aud itório . a solu ção se apresenta na aplicação de meios de difu-
Há muitos requintes no planejamento de tetos de são em larga escala.
auditórios e dos envólucros refletores para orquestras Outra espécie básica de reflexão indesejável é a
e grupos menores de músicos. Mas o fator essencial reverberação focalizada que vem de grandes super-
é a reverberação que aumenta a intensidade do som fícies côncavas, tais como abóbadas em forma de bar-
transmitido diretamente pela fonte sonora . Esta inten- ril, cúpulas, formas cônicas, e similares. Superfícies
sidade adicional pode ser tão importante para os re- focal izantes naturalmente não satisfazem nossas exi-
presentantes - como no caso de grupos de músicos - gências de distribu ição uniforme . As paredes côncavas
como é para os ouvintes. Lembramo-nos de uma parte de fundo em auditórios são particularmente desagra-
anterior desta série de artigos, que os refletores, a fim dáveis, porque a energia sonora focalizada é ao mes-
de serem dirigentes eficientes de energia sonora, de- mo tempo um reflexo sonoro retardado, e assim um
ve m ser grandes em compa ração com o comprimento éco mais possante. A verdadeira solução é a de evitar
de onda dos sons que refletem. Por isso, superfícies estas formas, mas como cúpulas e abóbadas são for-
refletoras devem ser de d imensões mínimas de 0,90 m mas estruturais e estéticas muito úteis, continuarão a ser
a 1,20 m, e geralmente são do tamanho de 3 a 6 escolh idas sem dúvida pelos arquitetos para auditórios
metros. Achamos também desejável providenciar certa e igrejas.
quantidade de difusão sonora na reflexão. Isto é aná-
logo ao reflexo de luz de uma superfície de acaba-
mento fôsco em oposição a uma superfície brilhante.
i!!i!!I)))J)))))
TETO REFLETOR OE SOM
Como a maioria das pessoas prefere reflexão difusa
de luz, também preferem reflexo acústico difuso. A
difusão de som é desejável porque as fontes podem
variar em sua disposição no ambiente, e ouvintes es·
tão sentados em tôdas as portes do espaço. Deseju-
mos criar uma condição na qual o móximo de energia Fig. 13 Fig. 14
sonora é dirigido de cada ponto de fontes sonoras à Fig. 13 - Distribuição do som em auditório com Iclo duro, rever·
todos os pontos de recepção, e logramos isso median- bero nte. A intensidade reduzida do som direto que chega à última
te irregularidades de larga escala nos superfícies re- pessoa no fund o, é compensado por som refletido no órea do leio.
fletoras. Tais irregularidades, para produzirem efeito, Fig. 14 - Os ouvintes situados em óreo sob os balcães de qualquer
auditório deveriam ser capazes de vêr grande parcelo do teto
devem medlr · O,90 a 1,20m em extensão e 0,15m
principal do solo, poro ouvir tão bem como os oulros ouvintes
ou mais em profundidade e prec isam cobrir boa" parte na solo . E:spoços fundos, reentranles em baixo de bolcães nunca
da área · reRetora útil. Nunca devemos esquecer que permitem boa audição

42
O UTUBRO 1961 - VOlo 11 - N.· 42
REDAÇÃO, Dr. B. Bedrikow - Eng. Roberto
Pavio Rich ter - Bel . J. l. Cardoso

INSTITUTO BRASilEIRO DE ACÚSTICA l. A. P. Pedroso • Orno r Abu-jomro


Eng. Fernando H. Aido f.
Sede: S. Pa ulo · R. Joõo 8ricola , 24, 24. 0
Rio · Av. Almirante Ba rroso, 54, 9r. 1505
Be lo H o r i z o n te · Rua Paro ibo, 697

BO LE T IM MENSAL

PLANEJAMENTO PARA BOA AUDIÇAo

RO BERT B. N EWMAN
Arquiteto Cotedr6tico de Acústico do M.I.T.

Mas o autor do projeto deve dar-se conta dos pro- apropriado pela pessoa encarregada do cónfrôle do
blemas inerentes à d ifusão sonora ao escolher tais for- sistema durante sua operação.
mas, e a verdade ira sol ução acústica não é encon- Uma único fonte de som amplificado de altofa lantes
trada se não durante a fase de pla ne ja men to. A "Aula loca lizados aci ma e ligeiramente para a frente da fon -
Magna de Caracas" e o "Kresge Aud itorium" na MIT te do som orig inal, dá os resu ltad os mais realísticos
(Parte Quatro, História de Casos) mostram uma manei- (isto é, o efe ito como se o som amplif icado e o som
ra de resolve r o problema de superfíc ies côncavas, me - natural viessem da mesma fonte). Subjetivamente, o
diante su spensão de superfícies ref letoras. A Capela ouv inte não deve sentir que há um sistema sonoro fun -
MI T (H istória de Casos, Parte Quatro ), é ou tra maneira, cionando .
onde a modulação inter ior da forma cilínd rica, com po- Em espaços mu ito compridos e baixos, ou em espa-
licilindros convexos el iminou o problema de focalização. ços com arranjo de assentos o nde seria impossível su-
Outro mane ira é a de providenciar uma superfície pr ir o ambiente todo por uma única fonte altofa lante,
côncava, mas de transparência acústica, atrás da qua l precisa-se recorrer muitas vêzes a um sistema altofalante
a difusão acúst ica pode ser realizada. Como exemplo d istribuído. Este tipo de sistema emprega muitos alto -
citamos o tra tamento da parede la teral da Sala do fal antes através da área do teto, com cada a ltofalan-
Congresso em Berlim (Histór ia de Casos, Parte Dois). te projetando som amplificado de baixa intensidade e
para distâncias limitadas. A mesma solução é empre-
gado frequentemente também em igrejas muito rever-
Ampl ifica ção do so m berantes as quais foram projetadas principa lmen te
para música litúrgica. Qualquer qu e seja o tipo de
sistema de amplif icaçã o sonora exig ido para um dado
Onde tôdas as med idas toma das para assegurar a
projeto de amb iente, a seleção e localização dos com-
intensidade dos sons desejados por refôrço natural das
ponentes devem ser completamente integradas no am -
superfíci'3s do ambiente não são sufic ientes, deve-se
b iente acústico em apreço, e isto só se pode fazer bem
util iza r ampl ifi cação eletrôn ica. Igrejas e auditórios
na fase de p lanejamento. Mu itos arquitetos, ao vol ta -
para menos de 600 pessoas nunca devem necessitar
rem a um aud itório ou a uma igreja um ano depois
um sistema de oltofalantes - presumindo-se qu e os de sua inauguração, vêm uma porção de altofalantes,
oradores e can tores usem sua capacidade vocal normal,
que párecem fonógrafos automáticos, em tôda a volta
e que os ou tros aspectos correlatos tenham sido tra- das paredes, e dando res ultados longe de sere m satis-
tados corretamente. Por outro lado, há quase sempre
fatórios ·'na solução do problema de ampl ificação so-
necessidade de um sistema am plificador em espaços
nora . 'A cinteg ração apropri ad a d'3 ta is elementos é,
po ro mais de 1 .000 pessoas, pois muitos dos o'r adores fora de qualquer dúvida, uma parte do p lanejamento
que utilizarão o espaço não serão oradores treina dos.
acúst ico.'
Arenas e ginásios grandes, onde as superfícies de en-
vólucro são distantes demais paro fornecer refôrço efi-
ciente do som vivo, talvez sejam os casos extremos,
Contróle d e reverberação
necessitam amplif ica ção comp leta para tôdas os ati-
vidades.
De importância igual ao silêncio, distribuição unjfor-
Em todo caso, um bom sistema de a mp lificação so- me e intensidade suficiente do so m, é a amalgamação
nora é semp re um complemento acústico no amb iente, dos sons para darem uma qual idade completa sem
não um subst ituto. O sistema global, inclusive altofalan- confusão. No decorrer dos anos, ouvintes experimen-
tes, rn'icrofones e todos os componen tes de contrôle inter - t<;l,dos observavam grande número de aud itórios, ten ·
mediário, deve ser selec ionado com cu idado e integra- do fe ito uma co rre lação de suas impressões de agrado
do no planejámento acústico. Um sistema sonoro so - aLI do cont rá rio, po r medições físicas d o tempo de re·
t isfator iame nte integrado envo lve não só componentes ve rbe ração . O tempo de reverberaçã o em um amb i ~
de alta qualidade, mas também a colocação apropria - ente é defjn ido a r bitrà riamente como o tempo ex ig ido
da dos'. m~smos dentro do espaço, ajuste adequado do para que o som seja atenuado em um milionésimo de
sistema para adaptá- lo ao ambiente acústico, e ajuste sua intensidade original (60 dB) depois ....da parada da

45
fonte. Em geral, precisamos de tempo de reverbera- Formulando-o com palavras simples, um ambie nte
ção relativamente lo ngo para a amalgamação ade- acústico satisfatório é aquele no qual o caráter e a
quada de sons musica is, mas um tempo mais curto magnitude do som é compatível com o uso adequado
para boa audição da palavra falada. do espaço para a final idade prevista . Infelizmente,
A reverberação do som é determinada quase com- esta formulação do objetivo não é tão fácil de exprimir
pletamente pelo volume, natureza do acabamento das em números concretos com os quais o arqu iteto possa
superfícies, e a lotação do ambiente. Em sala cu jas trabalhar. Como o arquiteto não pode afirmar que
superfícies são tôdas de acabamento duro e refletor, 20°C é a tempera tura ideal para todos os espaços no
o som persistirá por muito tempo, enquanto em am- edifício, ou que 100 Lux é o iluminam'3nto ideal para
biente com grande quantidade de mater iais porosos no a luz, também não se pode dizer que a intensidade
acabamento ou na mobíl ia, os sons serão ràpidamente máxima do ruído será 30 dB. Lidando com seres hu-
absorvidos e a energia será dissipada . As equa- manos cuja adaptabil idade a quantidades medíveis
ções que habilitam o planeiador a prevêr':' o tempo dos fenômenos físicos básicos de calor, luz, e som, va -
de reverberação de um espaço, bem como sugestões ria muito, a seleção de números ótimos é bastante com-
referentes ao valor ótimo para locução e para mú- plicada. O ouvido humano, por exemp lo, é capaz de
sica encontram-se em livros didáticos e não serão perceber um sussurro de folhagem (menos de 10 dB
trat~dos no presente artigo. O tempo ót imo de re- de inte nsidade ) e, ao mesmo tempo, sobrev iver sem
verberação para um auditório projeta do em primeiro danos permanentes ao estrondo de um motor a jato
lugar para locução, poderá ser 1 . 2 a 1.5 seg. nas fre- (120 dB ~ um milhão de vêzes mais inte nso ). Além
quências médias, enquanto para um espaço destinado da magnitude ou intensidade do som, temos a frequên~
pr incipalmente para música, o tempo de reverberação cia , (altura ) bem como as características d inâmicas (va-
poderá ser 1 .8 a 2. O segundos. Uma igreja onde mú- riação com respeito ao tempo), ao procurarmos dete r-
sica litúrgica é muito importante, poderá ser projetada minar o ambiente sonoro ótimo.
para ter um tempo de reverberação nas frequências Há muitos trabalhos fundamentais elaborados por
médias de até 2. O ou 2 . 5 segundos. A esco lha de pesquisadores em acúst ica e psicólogos que nos habi-
um tempo específico de reverberação é um assunto litam a entender quanto ruído e de que natureza afeta
sér io, e precisa ser examinado com grande cuidado a a conversa, causa incômodo e fadiga . Mu ito se fez
final idade do espaço. Se, como acontece mu itas vêzes, também com referência ao prob lema de prejuizo 00
a exigência é a de um ambiente para vár ias finalidades, o uvido por ruído de alta intensidade, embora, feliz -
deve-se chegar a um compromisso razoáve l. mente, na ma ioria de nossos edifícios não devamos
Embora, na engenhar ia acústica moderna, o cálculo preocupar-nos com isto. As investigações do pesqui-
efetivo do tempo de reverberação seja mais ou menos sador não sôo, de modo algum, completas, particular-
um processo rotineiro, mesmo nêste part ic ular há sem- mente em têrmos de perturbação auditiva e efe itos da
pre descobertas novas. Achamos, por exemplo, que fadiga do ruído, mas temos uma boa base para espe-
em muitas sa las de concerto antigas, consegu ia-se te m- cificar ruídos ambientais ace itáveis em muitos do s va-
po de reverberação relat ivamente longo com os ou- riedades de espaços que precisamos projetar em nossos
vintes sentados bem pE:rto um do outro. Nas salas mo - ed ifícios.
dernas preferimos ma is luxo, com maior espaço entre
fileims e cade iras, com o resultado de não consegu ir-
mos tempo de reverberação tão longo, simplesmente Cuidado com cifras únicos
porque os ouvintes constituem absorvente de som mais
eficien te quando distribuidos em área maior. Aumen- Cifras únicas, como se lêem em termômetros de tem-
tado o tempo de reverberação mediante aumento de- peratura, seriam úte is se estivessemos apenas interes-
masiado do volume, o som perde em sua qua lidade sados na quantidade total de energia em ambiente
por ex igirmos dêle que encha espaço demais. E' acústico. Mas cifras únicas não nos dão uma idéia
importante que o planejador saiba que boas con d ições sôbre a composição de frequências no som. No<;so ou-
acústicas não dependem necessàriamente de um plano vido é mais tolerante para com energia sonora de
comp licado de tratamento interio r para O contrôle da ba ix as frequências do que a de altas frequências, tan-
reverberação; ao invés d isso, depende da apl icação to .sob o ponto de vista de incômodo quanto sob o
da idéia básica de contrôle de reverberação pelas su- de nossa capacidade de entender a fala. Por isso, o
perfícies do fôrro e pelo uso sensível de materia is acús- medidor de som que indica 50 dB sem informar-nos
ticos absorventes e reverberantes. A co nsecução de boa sôbre as característ icas de frequência do som, poderá
acústica nos auditórios escolares em geral ou em qual. significar um ambiente acústico ·intolerável ou um per-
quer outro espaço de audição hoje em dia, não deverá feitamente aceitável, e até agradável.
co nstituir a exceção, mas sim a regra. Existem d ispositivos para medir som cu jas caracte-
ríst icas estão a justadas a encarar certas bandas de
frequências, como, por exemplo, a esca la A em um
Pla ne ia menta de ambiente acústico id ea l medidor padrão de som. Muitos livros didát icos sôb re
acústica arquitetônica dão listas de níveis sonoros, ace i-
Já assinalamos que a acústica· arquitetônica não se táveis para vários espaços, em têrmos de taxas do es-
preocupa apenas de providenciar boa acústica. O ou- cola A, e isto simplesmente quer dizer que o lado de
tro objetivo básico, e talvez o que nos inte resse ma is, ba ixas frequências do espectro é ignorado de propósito .
no maior número de espaços que projetamos em edi- Embora indicações de Cifras únicas da escala A possam
fícios, é o de providenciar ambiente acústico sat isf9tó- aproximar-se mais da reação do nosso ouvido aos di-
rio. O conhecimento dos fatos básicos da acúst ica nos versos níveis sonoros, não dão esclarecimentos especí-
ensinará como atingir êste objetivo, m\Js antes de túdo ficos sôbre as caracterísfkas do som nas frequênc ias
p recisamos entender o que é realmente um ambiente méd ias e altas que mu itas vêzes necessitamos para es-
acústico satisfatório. pecificar um ambiente acústico.

46
" .. -.- \
NOV. 1961 - VO lo 11 _ N .o 43
REDAÇÃO: Dr. B. Bedrikow - Eng. Roberto
Paulo Rknter - Bel. J. L. Cardoso
L. A. P. Pe droso - Orno r Abu-jomro

INSTITUTO BRASilEIRO DE ACÚSTICA Eng. Fernando H. Aidor.


Sede: S. Pa ulo - R. João 8rlcola, 2 4, 24.0
Rio - Av. Almira nte Barroso, 54, g r. 1505
Be lo Horizonte· Rua Para íba, 697

BO LE T IM ME N SA L

PLA N EJAMENTO PAR A B O A AUDiÇÃO


ROBERT B. N EWMAN
Arquiteto Catedr6tico de Acústico do M.I.T-.

Diagramas d e critér io d e ru ído xima permitida . Se precisamos de certa quantidade de


perfume acústico para assegurar discreção acústica
Um dos métodos muito úteis de especificar intensida- entre espaços, nossa curva NC bem poderá especificar
des de ruídos de amb iente cont ínuos, que se afasta das também o limite inferior para o espectro de ruído am-
limitações de cifras únicas, consiste das chamadas cur- bientaI. Por exemplo, em pequeno escritório particular,
vas de cr it ério de ruído. tste método simplesmente pro- os ocupan tes poderão não ter objeção ao ruído se
porciona uma maneira de classif icar em determinada êste não fôr superior a NC 40. Assim, projetamos pro -
ordem, vários níveis de intensidade do ruído na fo r- vidências silenciadoras para o nosso sistema de vent i-
ma de níveis de pressão sonora em faixas de frequên- lação nesta base. Mas, para chegarmos à meta do pro-
cio de oito oitavas. Fa ixas de oitava são um método jeto a certas frequências, poderemos achar que estamos
conveniente de dividir a região audível de frequências prov idenciando níveis bem abaixo de NC 40 em gran-
em oito secções para fins de medição conforme cons- de parte da reg ião da frequênc ia. Em tais casos, não
fa na figo 15. Os números NC são a média aritmética haveria ruído suficiente para mascarar o som que vem
dos níve is de pressão sonora nas regiões de 600- através da construção de paredes leves e removíveis
I . 200 cps, 1.200-2.400 cps, e 2 .400-4. 800 cps. As- da sala de escritório ad jacente. Em outras palavras,
sim, poderemos ter NC's além dos que constam na enquanto muitas vêzes não queiramos mu ito baru lho,
tabela. Por exemplo, NC 22 ou NC 28, etc.. também em outros casos poderemos não desejar pouco
Indica-se também a avaliação subjetiva ~ue um ou- barulho. Por outro lado, não precisamos de perfume
vinte pode dar de um ambiente acústico que tenha acústico algum em auditórios, e então ace itariamos
níveis sonoros de faixa de o itava que se aproximem ambiente mais quieto do que o projetado - outrossim,
de6sas curvas. Por exemp lo, abaixo de NC 25 a maio- não faz sentido um esfôrço maior para excedermos a
ria das pessoas julgaria um espaço como "muito quie- um objetivo, pe lo fato de que um maior contrôle de
to", acima de NC 25 "muito barulhen to", com gradua- ru ído significa ma is despesa.
ções de "quieto", "moderadamente ba rulhento" e "ba-
rulhento". Em têrmos de entender a fala, NC 30 per- C R I T~R I O S DE RuTDO RECOMENDA DOS PARA AMB IENTES

mitiria entender a fala, a voz normal, a distância até Nlvel sonoro


6 m; níveis de NC 40 exigiriam a elevação da voz equivale nte
para ser audível claramente a 6 m de ' distância, e per- Curva do computado,
Tip o de espo'.;o critério de conforme
mitiria conversa em voz normal a distâncias até apro- ruldo medidor de
ximadamente 1,80 m. NC 50 exigiria a elevação da recom e ndad o som
voz, para percepção daro, a menos de 1,80 m entre (Escala A - dB )
a pessoa que fala e a que ouve. Seria permissível um Estúdios radiod ifusores NC 15- 25 25-35
ruído ambiental até mais alto do que 50 NC em fó - Salas de concêrto 20 30
Teatros legítimos (sem ampl ificadores) 20- 25 30-35
bricas onde a comunicação pela fala e os incômodos
Solos de música 25 35
não têm grande importânc ia; porém, onde tal ruído Solos de aula 25 35
excede a NC 80, entramos em uma reg ião onde pre- G ran des solos de conferência (poro
cisamos preocupar-nos com donos ao ouvido. 50 pessoas ou mais) 25 35
Aparta me ntos e hotéis 25-35 35-45
Indica mos a lgumas curvas de critér io de ru ído para
So los de assembléia (com amplificado·
vários tipos de ocupação (Tabela 1) . Conforme seria res) 25- 30 35- 40
de esperar, a maioria de espaços pa ra audição exige Dormitórios domésticos 25- 35 35-45
NC's baixos; os espaços da var iedade mais barulhen- Solos de conferência (po ro 20 pessoas
ta, como escritórios comerciais e fábricas, onde a co- ou menos) 30 40
Cinemas 30 40
municaçã o falada é restringida a curtas distâncias, per- 30 40
Igrejas
mitem curvas NC mais altas. Para fins de comparação, Solos de fóro iurídica 30 40
indicam-se as medidas equ ivalentes de algarismos úni- Bibliotecas 30-40 40-50
cos da escala A do medidor. Estes ú!tfmos nem de Hosp ita is 30-40 40-50
Pequenos escritór ios particulares 30- 40 40-50
longe são tão significat ivos em especif icar o ruído am- Restaurantes, lo ias 40- 50 50-60
b ientaI, pois não definem com exatidão a forma do Ginásios esportivos (com amplificado-
eSFDect ro sonoro quanto à frequênc ia, o que é necessá- res) 50 60
rio com muitos casos. Escritórios gera is (com máquinas de
escrever e outros) 40-50 50-60
Precisa-se salienta . que muitas vêzes estamos interes-
Fáb ricas 40- 65 50-75
sados em mais do que simplesmente a intensidade má-

49
As edições mais recentes da "Guide of the American
Society of Heating and Air-Condit ioning Engineers" ,
(Guia da Saciedade Americana de Engenheiros de
Aquec imento e Ar Cond icionado) descreve métodos de
~ .r--t-"-..--t~+-t--~~.J=:!~.)
I MU ITO
calcular intensidades de ruído provenientes dos equi- -'F~t-=!:::::::J "'.60 ,RUIDOSO
pamentos que movimentam o ar, para correspanderem
aos cr itér ios NC dos quais tratamos acima. Muitos fa- : ~I---j~~"--+"';T-+=~+-=!::::=I~c.~ 1RU IDOSO
bricantes de ventiladores, difusores de ar e equ ipamen- o J
~ ~ } WODERA.
tos correlatos estão agora classificando o rend imento "'.-0 DA.,.EHTE
IIUIOOSO
causador de ruído de seus produtos em têrmos de fai-
xas de oitava. A ma ioria dos fabricantes de materia l J1
NC . >O SILEN ·
CIOSO
acústico também possuem dados do comportamento F~="t"-""t-,*-+-...,+-~t---i ") MUITO
acústico de seus produtos, em têrmos de frequênda.
Hoje em dia, o arqu iteto está em excelentes condições -o ., , ,\---i.::o---;!;~,----;._r;::='::---'!~__
--d! NC.2<) J~:~~.
para especificar o ambiente acústico e selecionar de- FAIXAS DE FREouÊNCl1I - CICLOS POR 'SEGUNDO
po is os materiais próprios e equipamentos para satis-
fazer as respectivas exigências de maneira significati- forma das curvas de cr itério poderá mudar. Mas é cla -
va. Com o progresso da engenharia acústica, ensinan- ro que descr ições em números únicos de um amb iente
do-nos melhor sôbre a influência do ruído na ~ficiên­ acústico, que não levam em consideração as caracterís-
cia da pessoa que t rabalha , no sono, na comunicação ticas de frequência sonora, são lamentàvelmente ina-
falada, e simplesmente sôbre seus efe itos incômodos, a dequadas.

HISTÓRIA DE CASOS
para audição ótima:
Nêste pequeno auditório para o Ginásio de Uttle-
ton, Massachusetts, USA, o arquiteto escolheu um
projeto estrutural básico resulta,ldo um ambiente
com boa distribuição de energ ia sonora reflet ida .
Quatro grandes painéis de argamassa cobrem a
maior parte do teto do aud itório, estando suspensos
diretamente em baixo da est ru tura com 1 polegada
de espessura e construído de material semi-absor-
vente . De ambos os Jados, os painé is suspensos de
argamassa terminam de modo a não chegar até as
paredes laterais, para deixar exposta uma área
limitada do tratamento absorvente do teto para con-
trôle de reverberação. A área tota l da parede do
fundo da soja é provida de uma cortina absorvente
de som montada em moldura de madeira faceada
de' chapa dura perfurada. Este tratamento serve
para controlar o éco da parede de fundo como tam-

TEl 1111 00
~

~AÇ;;;O ~iGIOA. DE I ft~ bém para fornecer o resto de absorção sonora ex i-


gida para contrôle da reverberação . Amplificação
sonora é raras vêzes necessária em pequenas salas
desta espécie, nas quais as superfícies internas são

M~~~~;~CHAPA
projetadas para dar o máximo de refôrço natural
ABSORVENTE DE I"
da voz do locutor, e onde foram incorporados ma-
teriais absorventes suf icientes para controlar o éco

I,j ETAL~~;;;;:;:-:L:,W1
-- e a reverberação. Mesmo em auditório pequeno, a
SARRAFOS OE
primeira eXlgencla para boas condições de audição
[ ARGA I,jA SS"
é a intensidade reduzida do ruído ambiental. O
arqu iteto tratou com atenção especial o contrôle do
SUPORTE ruído do sistema de ventilação, bem como de ruídos
CIoI"PA AasO/lVEHH OE I"" - vindos de espaços adjacentes destinados a represen-
tações musicais. A localização remota de equipa-
PLANTA SECÇÃO DA PAREDE
F U H DO
mento mecânico permitiu usar dutos relativamente
*,~~===::::::::~~P A REPE DE fUNOO UCI,j ,
compridos e adequadamente forrados de material
RODAP( DE 1I0 RRAC~A
acúst ico. Foi prov idenciada uma porta especial de
PISO ESPECIAL l)Ii CORTIÇA
isolação acústica na saída do palco.
TRAVESSA The Architects Co!laborative, Arquitetos.
~)('DC I,j .

50
DEZEMBRO 1961 - VOL 11- N." 44
REDAÇÃO: Dr. B. Bedrikow - Eng. Roberto
Paulo Richter - Bel. J. l. Cardoso

INSTITUTO BRASllEIRD
. DE ACÚSTICA .
L. A. P. Ped roso • Omor Abu-jamro
Eng. Fernando H. A idar.
Sede: S. Pa ulo· R. João Brícolo, 24, 24.0
Rio - Av. Almira nte Barroso, 54. gr. 1505
Be l o H orizonte· Rua Poro lba, 697

BO LE T IM MENSAL

PLANEJAMENTO PARA BOA AUDIÇAO

HISTÓRIA DE CASOS ROBERT B. NEWMAN


para auidção ótima: 11 Arquiteto Catedrático de Acústico do M. I.T.

SECÇAQ LONGITUDINAL

DUTOS VENTILADORES
poço DE LUZ

DUTOS DE AO IMISSÃO
PAREDE DE TlJO_'~O:_._, DE AR
VAZADA-

FÕSSO

Pa ra resolver o problema de foca- para contrô le da reverberação nas 500 cps), a audiçõo é excelente tan-
lização na Capela MIT, o arqu iteto paredes laterais, e o teto de arga- to para locuçõo como para música.
decidiu constru ir as paredes interio- massa dura é uma superfície côn ica Um pequeno órgão exposto, de tu-
res em forma ondulada no espaço excêntrica, descendo das margens bos, de 12 paradas, mereceu repu-
cilíndrico, em curvas de pequenas da sa la paro a abertura da ilumi- tação exce lente entre os músicos de
curvaturas e de tamanho variável. nação do teto. Embora o tempo de música litúrgica.
Pequena quantidade de material reverberação para um espaço tão
acústico absorvente é introdu zida pequeno seja razoàvelmente alto Eero Saarinen & Associates, Ar-
atrás à construção aberta de tijolos (aproximadamente 1.75 segundos a quitetos.

,
Tt:TO OE AA6 ....IASU
PA RE DE Df T IJOLO S U S PENSO
20 CN .

PROFU NDIDADf
" AMIAVEI..
I __
PAREDE OE TI~ OLO LATE MA L
ONDUL A DA ESP. zoeI.!

SECÇÃO DA PAREDE ,

53
H ISTÓRIA
DE
CASOS
para
audição
ó timo: III

A construção de cúpula e a gran-


de área encurvada da parede de
fundo da Au la Magna da Cidade
Universitária de Caracas, Venezuela,
apresentou problemas particularmen-
te difíceis de distr ibuição sonora . Su-
perfícies refletoras foram introduzi-
das em grande quantidade para
cobrir grande porte do teto de
cúpula e para providenciar distribui-
ção uniforme do som hefletiçb para
tôda a área de ouvintes. Os ref le-
tores foram proietados em colabora-
ção unjformé ' do som refletido para
sultor acústico, bem como Alexandre
Calder, o esculto r. De inferêsse par-
ticular é a escala de objetos refle-
tores necessários pora funcionar co-
mo distribuidores adequados de som. chidos com material acústico absor- quência no teto logo na frente do
A parte superior da parede de fun- vente . A grade do balcão também lim ite do palco (ribalta). Um de!le-
do ex igiu trata mento extremamente foi enchida de eficiente material ab- tor convexo acima do palco e al ta-
profundQ e cuidadosamente detalha- sorven te pa ra controlar o éco. Este mente difusor não somente projeta
do para eliminar o problema de écos grande auditório é utilizado bastan- som vindo do palco para o auditório,
focalizados . Como grande pa rcel a te, tanto para locução como para mas tem também a função importan-
da área de parede consistia de por- música. Conferências de voz viva te de misturar e amalgamar sons de
tas, foram providenciadas portas du- necessitam de amplificação a qual é música quando a sala é utilizada
plas, as portas internas foram per- providenciada mediante uma série para concertos orquestrais e de côro .
furadas de ambos os lados e preen- de unidades de baixa e alta fre- Arquiteto Carlos R. Villanueva.

D \]
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VQu D
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54
JANEIRO 1962 ,VOL. 11 ' N.· 45
REDAÇÃO : Dr. B. Bedrikow - Eng. Roberto
I'ouloRichter - Bel. J. L. Cardoso

INSTITUTO BRAS'IlBRO
. . .
DE ACÚSTICA L. A. P. Ped roso - O rnar Abu-jamra
Eng . Fernando H. Aidor.
Sede: S. Paulo - R. João Brícolo, 24, 24.0
Rio - Av. Almirante Barroso, 54, gr. 1505
Belo Hori7.: onte - Rua Paraíba, 697

B O L E T I M M E N S ' A L

HISTÓRI A DE CASOS ROBERT B. NEWMAN

para audição óti ma: IV Arquiteto Catedrática de Acústica do M.l.T.

Para o estrutura do Auditório MIT Kresge, o


arquiteto escolheu um segmento de abóbada.
Em seu projeto estão incorporados todos os "cor-
retivos" necessários, painéis refletores de arga-
massa, suspensos, para direção apropriada do
som aos ouvintes e para mistura dos sons no
palco. Sendo a parede de fundo da sala côn-
cava, necessitou tratamento com material a cústi-
co de alta eficiência. Foi aplicado material ab-
sorvente atrás de um biombo de pranchas de
madeira em cima de um tecido plástico. tste é
o único tratamento especial do absorvente de som
aplicado na sala . Os ouvin tes e as cadeiras es-
tofadas com tecido fornecem .) resto de absor-
ção sonora pa ra contrôle da reverberação.
Foram tomadas as devidas providências para
controlar o ruído do sistema de vE'ntilação . Além
disso, havendo um pequeno teatro em baixo do
auditório que pode ser utilizado ao mesmo tem-
po, foi empregada construção de piso especial,
para isolar o som. Consiste do ladrilho estrutu- cionado. Embora a sala grande com 1238 ca-
ral básico, em baixo do qual está suspenso um deiras tenha sido projetada para locução, utili-
teto contínuo de 1" de espessura, feito de plás- za-se ela também para apresentações musicais,
tico denso, segurado por dispositivo suspenso r de como recitais de órgão e consertos sinfônicos. O
borracha. O verdad e iro teto acabado do pe- espaço mais pequeno em ba ixo é para 200 ou-
queno teatro está suspenso em baixo desta es- vintes, e é destinado para representações de
trutura. O teto acabado não podia oferece r teatro.
isolação acústica apreciável, por causa da pe r-
fu ração exigida pelos d utos de lu z e ar co ndi- Eero Saarinen & Associates, Arquitetos.

PAINEIS ACU5T1COS SALA DE PROJECÃ O

SECÇAO ~r
l ~~ AUDITÔRIO

CORREDOR INFERtOR SALA DE DESCANSO


TEATRO

57
H ISTÓRIA
DE
CASOS

para audição
ótima: V

Vista exte rna do 001105 Memo rial Auditorium

.---.~ Localizado no 001105 Memorial


Auditorium, o Teatro do liceu é usa-

t' '\ .r "

'f'. ' I

-
-- do para tõdo espécie de aconteci-
mentos teatra is e musicais.
mação do teto oferece boa rever-
beração do som e alto grau de di-
A for-

fusão sonora. Tra tamento de absor-


ção acús~ica para controlar éco é
apl icado atrás de meto l ,carrugado e
perfurado na a la transversa l e na
parede de fundo. Poltronas estofa-
das na sala tõdo reduzem ao mínimo
a mudança no tempo de reverbera-
ção no caso de ocupação incomple-
ta. No teto encontra -se um sistema
amplificador de som em pos ição cen-
trai, logo na frente do proscênio,
Visto do po lco p arCl O fund o que fornece amp lificação para locu-
ção e matéria gravada que é usado
para os programas.

Visõo po ra o polco

George L. Dahl, Engenhetros-ar -


qu itetos.
Bolt, Beranek & Newman e Way-
ne Rudmos, Consultores Acústicos As-
sociados.

58
FEVEREIRO 1962 - VOlo 11 - N.· 46
REDAÇÃO: Dr. B. Bed rikow • Eng . Roberto
Paulo Richter - Bel . J. l. Cardoso

INSTlTlJTO BRASilEIRO DE ACÚSTICA L. A. P. Pedroso • Omor Abu-jom(Q


Eng. Fernando H. Aidor.
Sede: S. Paulo - R. João Bricola, 24, 24.0
l. _
Rio - Av. Alm irante Barroso, 54. 9r. 1505
Be l o Horizont e . Rua Paraíba, 697

BO LE TI M ME N SA L

PLANEJAMENTO PARA BOA AUDIÇAO

ROBERT B. NEWMAN
Arquiteto Cotedr6tico de Acústica do M.I.T.

HISTÓRIA DE CASOS
para audição ótima: VI

SI. Stephen' s Episcopal Church

Sob O ponto de v!sta da forma vidro são inc linados verticalmente em


e do material, a forma básica da grandes segmentos. Irregularidade
nave da St. Stephen's Episcopal superficial em grande escala, como
Churc h, Cantan, O hio, USA, tem esta, pode ser mu ito ef icaz no con-
boas propr iedades acústicas. Para trôle de écos da parede de fundo,
controlar éco indese jável vindo da particular mente em ig rejas onde tra-
parede de fundo, que atrapalharia tamento excessivo de a bsorção acús-
as condições de aud ição na área tica poderá destruir o ambien te re-
fron tal de assentos, os painéis de ,verberante para música litúrgica. A

61

-.
", , .........,.,-
,-
FORA
pequena quantidade de tratamento
de absorção acústica que é necessá-
SEc.cÃo !)li ExTRbUDolQE
&HA P A ACUSTICA ,lOX l OC IoI ATE A CU MI E IRA DA ~'R€ ClE rio, está incorporada nas duas re·
EIoIC AOACU ft VATURA A LTE RNA
en trâncias do fundo no teto, atrás
de um paramento de tijolo perfura-
do em uma porte dos lados inferio-
ISOLAÇÃO ACUSTlCA AL"''' ' ",O. res do oeste da nave, e na textura
COa.! CH Av Er A DE "'A DEIR A
de a Igumos dobras expostas da es-
trutura.
As superfíc ies do santuário sôo tão
refletoras acusticamente quanto pos-
sível, pois tôdas as posições de lo-
cução, do côro e do órgão estão lá.
Da mesma forma, o teto principal da
nave, com exceção das duas reen-
trâncias tra ze iras, é duro e refletor
I
SECÇÃo DA CoRNIJA
de som, reforçando bem a fala e a
música.
TIJOLO DE lo e lol
I
! ,"'~
Brooks & Coddington, Arqu itetos.

Os artigos do Prof. Robert B. Newman, o último dos quais publicamos


neste número, são de absoluto interêsse à arquitetura e engenharia bra-
sileira, que atualmente vêm ded icando particular atenção aos problemas
de acústica na construção.
As técnicas de ensaios de materiais de construção, hoje bastante de-
senvolvidas, permitem-nos obter informações preciosas sôbre o compor-
tamento físico dos mesmos; por outro lado, a f ís ica Aplicada às cons-
truções desenvolveu extraordinàriamente o campo da Acústica Arquite-
tônica e Contrôle de Ruídos, a tal po nto que as tenta tivas de out rora
tornaram-se realidades física e matem ótica em nossos dias.
Hoje, um engenheiro ou arquiteto, através de medidas de som, ensaios
de materíais, conceitos e leis físicas, modelos reduzidos, etc. pode prever,
de antemão, o comportamento acústico de qualquer local, na fase de
ante-proieto, com pequena margem de êrro. Esta cond ição nos permite
elaborar estudos acústicos que envolvam quase tôdas as tecnolog ias de
construção; estrutura, vedação, 0r condicionado e ventilação, equipa-
mentos eletroacústicos, sistemas de iluminação, hidrául ica e equipamentos,
esquadrias e caixilharia, acabamentos das superfícies de piso, teto e
paredes, equipamentos diversos, que poderão influenciar direta ou indi-
retamente nos problemas acústicos cons iderados.
O contrôJe do ruído bem como a necessidade de se garantir condi-
ções de ótima audibilidade para ambientes de trabalho, de repouso, de
recreação e cultura, é um dos fatôres preponderantes, dentro da cons-
trução moderna, para proporcionar clima favorável a tôdas as atividades
do homem que procuro para si o bem-estar e o aumento de sua pro-
dut ividade intelectual e mater ial.
Acreditamos que esta série de artigos, ora encerrada, tenha dado aos
nossos leitores preciosas informações teór icas e práticas neste campo im-
portante da engenharia que é a acústica.

62

.•
o ENSINO DA ACÚSTI CA NA ESC OLA DE
ARQUITETURA

Robe rto Paul o Ric hter


Diretor do Instituto Brasileiro de Acústico

Desf ile através de sua memória todos os campos da mentos. Assim, o médico que se especializar em oto-
atividade humana. Dificilmente encontrará um em que rino-Iaringologia, pode estudar audiometria, equipa-
a acústica deixa de intervir . Onde há vibração e som, mentos, técnica de medidas e onális9 dos resultados
existe ar e êste é parte integrante e essencial de nossa como ponto essencial na diagnóse e evolução da 8ur-
p róp ria existê ncia. A importânc ia do estudo da acús- dez. De maneira análoga, o advogado recebe sub-
tica já não admite qualquer d iscussão. Bem ou mal, sídios técnicos para o conhecimen to dos probl9mas de
com ou sem planejamento, com método ou não, en- ruídos que afetam os ind ivíduos nos casos de indeni-
sina-se acústica desde a escola secundária até os cur- zações por perda de audição (surdez profissional ) ou
sos de "post-graduação" das mais especia lizadas uni- interd ições de locais barulhentos infringindo, por exem-
vers idades do mundo: da acústica física ministrada oos plo, os direitos d9 vizinhança. O engenhe iro aprende
ginas ianos nas cadeiras de física (ondas sonoras e suas as técnicas de medidas acústicas e os conhecimentos
or igens) à acústica ultrasônica de alto nível de inten- dos problemas estruturais consequentes de vibrações,
sidade aplicada na aumento da potência do combus- tanto na construção de máqu inas como d e edifcios.
tível em foguetes que levam satélites e homens ao
Os exemplos podem ser dados indefinidame nte e prin-
espaço.
cipalmente no caso do arquiteto. Este deve conhecer
Na formação profissional dos que abraçam carreiras os fundamentos da a cústica arquitetônica, ligando os
que exigem cursos universitários impõe-se o maior co- problemas de som e ruído às formas e dime:1sões dos
nhec imento da acústica. Aos professores, físicos, pes- ambientes em que trabalhamos, descansamos ou nos
quisado res, médicos, engen heiros, psicó logos, advoga- divertimos, sempr9 sob a in fl uência benéfica ou ma-
dos e a rquitetos, ficam as responsabilidades inerentes léfica do mundo dos sons.
às suas atividades, ligadas diretamente aos problemas
acústicos. Ass im, delineam-se, entre outros, os campos Cabe, no entanto, às escolas superiores, o imper ioso
da: Acústica Física, Acústica e Medicina, Elétro-Acústica, d9ver de proporcionar aos alunos, as noções de acústica
Psíco-Acústica, Ultra-som, Acústica Musical, Acústica indispensáveis ao exercício da vida profissional. Abs-
da Fa la, Acústica e Contrôle dos Ruídos, Acústica das traindo, por ora, as deficiências do ensino desta maté-
ria nas faculdades de Engenharia, Filosofia, Direito e
Comun ic ações e Acúst ica Arqu itetônica .
Medicina, a necessidade de aprendizado da Acústica
Em un iversidades de maior expressão, justifica-se a Arquitetônica e o posterior aperfeiçoamento através
criação de um Instituto de Acúst ica, nos moldes mais dos cursos de "post-graduação", ressalta-se na Escola
modernos do ponto de vista pedagógico e de equipa- de Arquitetura.

57
Porqu ê o arqu iteto? nacionais. Trata-se de complemento ao que deve con-
tinuar a ~er ministrado em várias cadeiras, destacan-
Ex iste a tendência mundial da va lorização da profissão do-se as de "física apUcada à arquitetura", "materiais
de arquiteto. Dêsse movimento, participam tôdas as de construção" e "grandes composições". O plano é
pessoas de bom senso que conco rdam com a verda- de 24 aulas, ministradas em 6 meses, ou seja, na média
deira atribuição das atividades do arquiteto na comu- de uma aula por semana, cada uma com a duração
ilidade e a justa recompensa pelo seu trabalho. Di- de 2 horas. Parte dêsse tempo, será uti lizado para
vulga-se, comenta-se e propaga-se a idéia baseada exp lanações teóricas e parte para exercícios p ráticos
no princípio fundamental de que o arquiteto formado e visita a obras. O programa é êste :
~or uma escola de arquitetura é capaz de projetar
lC aula. Breve resumo do campo da acústica arquIte-
uma obra tecnicamente perfeita . Dentro dessa perfei-
tônica - seus objetivos - estabelecimento do crité-
ção está enquadrado o confôrto acústico que é indis-
rio para a reação do homem ao som e barulho -
pensável da pequena residência até o moderno cen-
princípios básicos para a obtenção da boa acústica
tro hospitalar, a universidade, o centro cultural ou o
em edifícios - casos reais de problemas de acústica
plano de urbanização da cidade.
em todo o mundo.
Os arquitetos sabem que terão prob lemas acústicos na
2 C e 3 c aulas. Som no espaço livre - suas leis - de-
sala de concêrtos, no cinema, teatro ou auditório.
finições de nível de intensidade, exemplos - desen-
Poucos, entretanto, se apercebem da importância do
volvimento dos problemas de som em ambientes
problema acústico na escola, hospital, edifício de es-
externos - Medidor de nível de in tensidade de
critór ios ou apartamentos. Sem boa acústica, o edi-
som - níveis de ruídos ideais.
fício não pode ser considerado obra de boa qualida-
de. Para o arquiteto compreende r que a acústica 4 C e 5c aula s. Som em ambientes fechados - deter-
chegou a tal ponto de progresso que se pode prever minação dos níveis de intensidade em função da
com absolu ta precisão os efeitos acú~ticos do edifícic potência e absorção sonora - considerações sôbre
e assim, evitar as desagradáveis surpresas quando a o contrôle do ruído, por tratamento acústico - efei-
obra fôr conduída, é preciso que ap renda acústica tos psicológicos do tratamento acústico por absor-
arquitetônica. Não se deve confundir o aprendizado ção - contrôle da reverbe ração - contrôle da di-
básico com a especialização. O curso de acústica ar- fusão do som.
quitetônica planejado e dirigido a estudantes de ar- 6 C e 7 C a ulas. Transmissão do som de um ambiente
quitetura produz notáveis resultados, como se consta- para outro - considerações básicas sôbre o meca-
ta nos principais centros universitários mundiais. nismo da transmissão - cálculos sôbre a redução
No caso mais simples da residência, também se ressal· de ruído entre amb ientes - paredes compostas -
ta a importância do confôrto acústico, paralelamente sistemas de piso flutuante - aumento da isolação
à importância de se confiar o seu projeto ao arqui- sonora por absorção.
teto. Isto se divulga nos cen tros mais adiantados da SC, 9c e 10 c a ulas. Discussões sôbre os problemas
Europa : atuais de acústica em edifícios - isolação de ruídos
"Constru ir a casa é aventura, sendo poro muitos o inevitáveis - materiais de construção e suas pro-
maior empate de capital da vida . Pode representar priedades acústicas - problemas de fissuras na iso-
a meto atingida de anos de planejamento, economia e lação - legislação sôbre ruídos urbanos e código
espera. Há vários caminhos : veja um anúncio qual- de obras - acústica em função da forma.
quer e compre a caso feita. Ou, então, faça o es- 11 c e 12° aula s. SaJas acústicas - discussão sôbre o
boço de suas idéias e procure alguém para execu tá· Ias. tempo de reverberação - determinação do nível de
No entanto, se necessitar de ajuda para escolher o "back-ground" ideal.
terreno, selecionar os ma teriais e controlar o andamen ~
13 c, 14c e 15° aula s. Projetos de cinemas, auditórios
to do serviçoj se desejar o melhor po r seu dinheiro
e teatros - discussão dos formas e materiais de
em têrmos de espaço, ~eu aproveitamento, agrado e
acabamento - cálculo de tempo de reverberação
confôrtai se quizer suas próprias idéias incorporadas
- discussão de projetos existentes .
ao projeto com as melhores e mais modernos idéias
quanto ao planejamento e acabamento, procure um 16 c , 17 c e 1S c aula s. Projetos de hospitais - escolas
arquiteto. Ele proporcionará tudo isso e mais, danda- - bancos - edifícios públicos - estúdios de rádio
lhe a casa eficiente, econômico, confortável e caracte- e TV - igrejas - hotéis - indústrias - probl'3mas
risticamente sua". sôbre a forma e materiais de acabamento - redu-
ção de ruídos e inteligibilidade da palavra.

o que ens inar 19° e 20° aula s. Contrôle de ruídos de equipamentos


mecânicos - eliminação das vibrações com bases
O planejamento do curso de acústica arquitetônica na anti-vibratórias - dutos de ar condicionado - pro-
'e scola de arquitetura obedece a critérios inteiramente blemas gerais de contrôle de ruídos.

58
21 0 au la . Proietos bósicos de alto-falantes e sistema missão" de paineis divisórios. Estudo do isolamento
de amplificação - som estereofônico, teatros ao ar do ruído de impacto entre pavimentos, em loca is com
livre, estád ios. ou sem tratamento acústico . Estudo de confinamento
total e parcial para motores e máquinas estacionárias .
22(1 f 23 0 e 24(1 aulas. Visita a obras importantes com
a discussão dos problemas no local.
Cursos de aperfeiçoamento

Programo de pesquisa s Podem ser estabelecidos numa escala quase infinita.


Cada item ou problema tratado anteriormente, é de-
Paralelamente ao curso normal, desenvolve-se o plano senvolvid o de modo o tornar o arquiteto em condições
de pesquiso, que compreende: de discutir com um especialista no assunto. Assim, te-
mos acústica em hospitais, acústica em escolas, tea-
Med ição do nível de barulho de rua tros ao ar livre etc ....
Para se ter uma noção sôbre os cursos de aperfeiçoa-
Medição dos níveis de intensidade de som nas diversas
mento "post-graduação", eis o programa desenvolv ido
ruas da cidade, abrangendo ruas residenciais, ruas mis-
pelo "Massachusetts Institute of Technology", no curso
tas (residenciais e comerciais) e ruas centrais. As me-
"Novos Métodos na Redução de Ruídos":
dições são efetuadas com ou sem trânsito especif ican-
do-se os tipos (bondes, ônibus, caminhões, automóveis • Ondas sonoros - decibels, níveis de pressõo sono-
etc.). Leva ntamento das curvas isofônicas da cidade, ro, de potência sonora e intensidade de som.
permitindo a determ inação futura dos custos de terre-
• Instrumentação para a medida de ruído - medido-
no em função do nível sonoro médio, existente no lo-
res de níveis de intensidade analisadores de um
cai, tendo em vista as necessidades de isolamento
têrço e oitava bandos de freqüência, medidores de
acústico (investimento ma ior) poro diversas classes de
pico, registradores magnéticos de fitas.
construção.
• Técnicas de util ização de equipamentos de med ida
2 Medição do ruído industrial de ruídos com demonstrações práticas.

• Audição.
Med ições diretas de ru ídos de máqu inas de ocôrdo
com a Associação Brasileira de Normas Técnicas para • Previsão do inteligibilidade da palavra.
previsões de proteção acústica, quando do planeiamen- • Seminário em audiometria.
to de indústrias. Medições de ruídos de fábricas para
• Som em pequenos ambientes.
estabelece r estatísticas e compa ração com os índices
máximos previstos em normas. Med ições de níveis de • Som em salas.
ru ído em amb ientes viz inhos às fábricas em face das
• Materiais acústicos para a absorçõo de som.
leis estaduais e municipais de proteção ao bem-estar
e sossêgo públ ico. • Medida das potências sonoras e diretividade.
• Princípios da isolação de vibrações.
3 Medição do ruído em ambientes • Critér ios poro o contrôle de ruídos.

Constatação dos níveis de som em escolas, hospitais, • Problemas típicos de redução de ruídos.
escrit órios, laias, hotéis, residências e outros ambientes. • Atenuação de som por estruturas, paredes e bar-
reiras acústicas.
4 Medição do tempo de reverberação
• Obtenção de silêncio em sistemas de ventilação.
Mediçães do tempo de reverberação em ci nemas, tea - • Histórias sôbre o contrôle de ruídos em edifícios
tros, aud itórios, igrejas, salas de a~la que rece beram de escr itórios e residências.
ou não trata mento acústico e~pecífico. Confronto dos
• Proieto de silenciadores.
va lores rea is com os previstos por cálcu los. Estudo
comparativo da realidade local com os dados interna - • Instrumentação para a medida de vibrações.
cionais dos tempos de reverberação ideais. Determ i- • Atenuação de ruídos em máquinas, aviões, trens e
nação do coeficiente de intel ig ib ilidade. automóveis.

• Ruídos de av iões a jato e fogue tes.


5 Estudos
• Microfones e instrumentação usadas em ambientes
Estudo da absorção do som de diversos materiais acús- extremamente barulhentos e em condições especi 4

ticos em loca is tratados. Estudo da upe rda por trens- a is.

59
Divisão Isolante de Ruidos

Revestimentos Acústicos

Isolação entre Pavimentos

A Eucatex S.A., através de sua Seção de Engenharia, consequência do alto espírito progressista de nossa
especializada em tratamentos acústicos, apresenta nes- indústria de materiais de construção e, em particular,
um esfôrço de promoção técnica a fim de permitir
ta separata uma breve exposição de alguns dos seus
àqueles interessados nas coletas de dados para ela-
materiais com suas características e aplicações nas so- boração de um projeto acústico, uma consulta imedia-
luções dos problemas acústicos. Esta contribuição é ta e precisa.

DIVISÃO ISOLAN TE DE RulDOS (240 kg/m'), entre salas de um mesmo conjunto co-
merciai, em salões, residências.
1. 1 Eucatex Isolan te

A lei das massas, que estabelece o poder isolante de 1 .2 Eucatex Durotermic


barreiras acústicas (paredes, pisos, etc), em função da
o índice de isolação sonora de uma parede é ex-
densidade superfic ia l deixa de ser válida quando se
presso em "decibels" e denominado "perda de trans-
utilizam materiais porosos absorventes de som interca-
missão". Um painel com 31 mm de espessura e com
lando câmaras de ar. Assim em divisões compostas,
as juntas de periferia seladas tem uma perda de
conseguimos, às vêzes, melhor isolação de som do que
transmissão de 30 dB para o ruído aéreo, o que é
com paredes compactas homogêneas. Comparando,
suficiente para imped ir a percepção da voz huma na,
por exemplo, o poder de isolação de som de uma pa-
em intensidade normal, através de uma divisão dêste
rede de alvenaria de 1/ 2 tijôlo, rebocado de ambos
materia l entre duas salas.
os lados e pintada, com uma parede composta de
chapas Eucatex Isolante 12 mm pregadas de ambos os
lados de um tarugamento de madeira (sarrafos de Leveza
10 x 2,5 em ), mante ndo câmara de ar de 10 em, ve-
o pêso de uma divisão de Eucotex Duromotic varia
rificaremos:
de 18 a 22 kg/m', dependendo do espessura util i-
zada (19 a 31 mm ). Esta característica recomenda sua
Perda de
Pêso
Parede divisória transmissãa aplicação indiscriminada como divisões removíve is,
I I kg/m2
I média
sem quaisquer reforços estrutura is em edifícios já con-
cluidos. Por outro lado, a previsão dêste tipo de di-
Alvena ria de 1/2 t ijôlo (15 em) 240 40 dB
visão proporciona " economia estrutural, pois em con-
Divisão de Eueatex Isolante <12,5 em) 20 30 dB
fronto com o pêso de uma parede (divisões internas)
de 1/2 ti jolo, a divisão de Eucatex Duroterm ic repre-
Daí se conduem as vantagens da utilização de divi- senta no máximo 10% em pêso, sem contar com outro
sões de Eucatex Isolante 12 mm, leves (20 kg/ m2 ), em fator sumamente importante que é a econom ia ou a
lugar de divisões de alvenaria de 1/2 tijolo, pesadas vantagem de espaço.

60
2 REVESTIMENTOS ACOSTICOS

2. 1 Eucatex Acústico

Tipos Ac ústico A
I Acústico B
I Acústico C
I Trovertino Ronhurado Striacúsfico

Espessura 19mm
I 19 mm
I 19 mm 19 rnm 19 mm 16 e 19mrn

30x30 em 30x30 em
30x60 em 30){óO em
Dim e nsões
. 60x60 em
60x60 em 4xl
30x30 em
30x30 em
60",60 em
. 60x60 em
60x60 em ,h.1
30x30 em
60 )(60 em
30)(30 em
30x60 em

Côr b ronca bronca


I branca bronca
I bronca bro nca

Pêso p/m2 5,1 kg 5,1 kg


I 5,1 kg
I 5,1 kg
I 5, 1 kg
I 5 ,1 kg

* 60x60 em 4x1 - E' chapa com bisotês cruzados em ângulo reto divid indo-o em 4 quadros de 30x30 .

Coe fi cie nte de Absorção de Som


Tipos de aplicação Mate riais
128 cps • 256 cps
I 512 cps
I 1024 cps
I 2048 cps
I 4096 cps

Acústico A
I 0,15 0,20
I 0,64 0,70 0,76 0,77

Acú stico B 0,13 0,18


I 0,64 0 ,70 0,74
I
0,76

C ha pa colado ô laie de con-


ereto ou parede (sem cômara
Acústico C 0,12
I
0,18 0,62 0,68
I 0,73 0,7.4

de ar) Travertino 0,17 0,28 0,57 0,57 0,53 0,56

Ran hura do 0, 10 0,13 0,50 0,57 0,50 0,45

Striacúslico 0, 10 0, 1.4
I 0,55 0,57
I 0,60
I 0,65

Acú stico A 0,.48 0,76


I 0,66 0,73 0 ,76 0,93

Acú stico 8 0,.48 0,76 0,62 0,70


I 0,70 0,89
Chapa fixoda a tarugamentQ
de madeira ou estrutura me-
Acústico C 0,.48 0,76 0,60 0,70
I 0,68 0,86

~
tálica (com cômara de ar mi· Tra verti no 0,26 0,72 0,6.4 0,62 0,54
nima 5 em )
Ran hu rado 0,26 0,70 0,5 8 0 ,58 0,57 0,52

Striacústico 0 ,26 0,70 0,60 0,6 1 0 ,60 0,57

Frequência do Som em ciclos por segund o (cps).

Absorção de Som Deve ser materia l poroso com perfurações, fissuras


ou superfícies corrugadas.
A t ransformação da energ ia mecânica em energia co ·
2 As célu las de ar no interior do material precisam
lorí fica é o fenômeno marcante que cara cteriza as
ser comun icantes, a fim de que possa h::lver cont i·
boa s qualida des absorventes de um material acústico.
nuidade de vibrações das partículas ce ar exterio-
O movimento vibratór io das partículas de ar exterior
res e inferiores.
é transm iti do, através de orifícios ou fissura s, para o
interior do material absorvente acústico. O ar dos 3 Precisa ser macio e elástico (resi lientel, a f im
poros intercomunicantes do ma teri al resiliente entra em de que sej a possíve l a fricção de fibra com fibra;
vibração . Da vibração do ar dos poros, fricção do ar isto concorrerá para um maior rendimento na trans-
com as fibras e das fibras en tre si, resulta a transfor· formação das energ ias, aumentando, portanto, o
mação da energ ia mecânica (vi bra ção, fricção ou atri- coeficiente de absorção.
to ) em energ ia ca lorífica. 4 Espêsso, a fim de que se possa obter bons coe fi-
Resum indo, re lacionamos as con dições ideais para q ue ci entes de absorção também nas frequências mé-
um material seja um perfeito absorvente de som: dias.

61
2.2 Eucatex Isolante 12 mm cons istência contr ibuem para uma relativa absorção
do som · cujos valores o destacam dos materia is con~
Fornecido em chopos de 1,22 x 2,44 m, 1,22 x 3,05 m
e 0,60 x 0,60 m não é um material especificamen te venciona is de fôrro e revest imento. Seu pêso é de
acústico todavia, sua porosidade, sua superfície e sua 3,7 kg/m'.

~,p, I
Coefici ente de Absorsão do Som
Material Acabamento
256 cps
I 512 cps 1024 'p' 2048 cps

Eucatex
Isolante sem pintura 0,12 0, 18 0,32 0,40 0,40
12 mm

Frequência do som em ciclos por segundo.

o quadro abaixo informa as diferentes perdas de como de divisões compostas com chapas de fibra de
transmissão de som de alguns sistemas divisórios bem madeira Eucatex.

ESTRU T URAS DIVERSAS


10 r-------------------------------------------------------------------------------, ~

P.". _roolo
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20I-----h<0,.. "0'•. " IZ ..... 20


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30
'"'"

50

62

,.
3 ISOlAÇÃO ENTRE PAVIMENTOS GRÁFICO COMPARATIVO - TRANSMISSÃO DE RU IDO DE IMPACTO

75 .o
3. 1 Eucatex Piso fl utuante
/ .

.. .
o 70.0 ~.~.

:
· · ·~ ~r·· ,~,o ';0
o
•u
· ,," .!
Tipo Piso Flutuante flutuo I.
Dimensões 1,22 x 1,22 m
"'~"'"
11:
í
"·o"
1,22 x 2A4 m
"

Espessu ra 12 mm
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24mm o
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Cô r bege E
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Pêso por m2 3,2 kg - 12 mm
6,4 kg - 24 mrn
~

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I
-
p;IO !f1UIUOII.
< >C. o
i'---.
A solução mais prática e econômica para a isolação
o ~ 600 900 1200 I~oo 1600 '2100 '2<100 2700
de ruídos entre pavimentos de edifícios consiste na
in serçõo de um material elástico entre a laje e a ar- frequencia - c ps

gamassa de assentamento do piso, a fim de atenuar


os impactos ocasionados pelo trânsito de pessoas, ar-
rastar de móveis, etc., que fatalmen te iriam repercutir
atenuar impactos por ação elástica, razão pela qual
na laje, vigas e paredes dos compartimentos adja.
é recomendado para isolação entre pavimentos.
centes.

Dentre os materia is de características elásticas com· 3.2 Euca tex Isolante


provadas, as chapas de fibra de madeira do tipo iso-
lante (soft-board) têm sido utilizadas na Europa e no Quando se propõe como acabamento dos pisos (hotéis,
Brasil, correspondendo plenamente aos objetivos vi- ed ifícios de apartamentos, edjfícios comerciais etc. ) o
sados. tradicional tapete, pode-se dispensar os tacos ou piso
de made ira, habitualmente assentados antes da colo-
Não é certo supor que lajes de tijolos furados ou la- cação do tap ete.
jes de caixotes perdidos solucionem o problema de
ruídos de impacto, pois são sistemas monolíticos, de A utilização de uma chapa de Eucatex Isolante d ireta-
nada adiantando os vazios ali contidos (preenchidos mente assentada na laje, para servir de base para
ou não com materiais absorventes), uma vez que a o tapete, não só visa o aspecto econôm ico como tam-
passagem do som de impacto atinge os amb ien tes ad- bém a isolação entre pavimentos.
jacentes por diversas vias: 1) por vibração diafragmá-
fica da laje do piso e paredes; 2) condução sólida Por outro lado, é preciso sal ientar a grande vantagem
através da própria laje, vigas, colunas e paredes; 3) obtida no equilíbrio térmico em cada pavimento, em
através de janelas e circulações internas do edjfício. vista de o materia l proposto ser altamente iso lante de
ca lor, possibilitando com isso a econom ia de energ ia
Pasto isso, justificam-se os têrmos "prático e econômi- e combustível nos equipamentos de ar condicionado e
co", -salientados no início desta especificação, pois calefação. Eventualmente, deve ser colocada uma ca-
que a atenuação do impacto na sua origem, impedin- mada de feltro, a mínima possível, entre o ' isolamen-
do-o de atingir, em sua plen it ude, a est rutura da laje, to e o tapete. Esta alternativa justifica-se pela ne-
evita rá soluções complexas, onerosas e de resultados cessidade de obtenção de um piso mais macio.
duvidosos após o término de uma obra não isolada.
Convém notar, também, que o tapete apoiado sôbre
No que diz respeito à propagação por via aérea, o o Eucatex Isolante oferece condições de melhor maç iez
som, em intensidades moderadas, consequentes do pisar do que no caso de aplicação direta sôbre o taco de
~ormal de pessoas, será pràt icamen te inaudível. En- made ira.
tretanto, quando fôr de intensidade elevada, a tal pon-
to de propagar-se pelas circulações do edifício, deve- o Eucatex Isolante é indicado, neste caso de isolação
se tratar acusticamente, pelo menos as ca ixas de es- entre pavimentos, pelo fato de ser um material de re -
cadas, "halls" e corredores com material acústico, apli- sistência à compressão maior do que a do Piso Flu-
cado no teto. tuante, pois nas condições em que é submetido estará
sujeito a contactos quase diretos dos pés dos móveis,
Eucatex Piso Flutuante, pela sua constituição celular saltos de sapatos etc., cujas áreas de apo io são na
(fibras de madeira entrelaçadas), é material capaz de maioria das vêzes, reduzidíssimas.

63
No r malização de Ruídos e T ra tamentos Ac ústicos
A ABNT - São Paulo e Rio de Janeiro f izeram estudos Cinemas:
preliminares no sen t ido de estabelecer normas de ruídos Sala de projeção 45 dB
aceitáveis, bem como de tratamentos acústicos. Tais Sala de espera 60 dB
estudos encontram-~e em fose de p rojeto e publicados Teatros:
em bolet ins cu jo teor transcrevemos a segu ir . Sala de espetácu los 38 dB
Sala de espera .. . ......... . 60 dB
Níveis de ruídos aceitá veis Ginásio e In ter io res pa ra jogos e es-
portes 75 d8
Norma Brasileira da ABNT (São Paulo) P-NB-95. Museus 42 dB
Escolas 42 dB
Tribunais 42 dB
Objetivo Salas de Mús ica 38 dB
Estúdios de gravação 24 dB
.1 Esta Norma estabelece os níveis de ruído ace i- Estúd ios de Rádio e TV 28 dB
táve is em ambientes inter nos onde se real izem Fábricas 75 dB
at ividad es de comércio, indústria, arte, ens ino, Res idências 40 dB
esporte e outras.
1 .2 Pa ra os e feitos desta Norma, nível de ruído ace i- 4 .2 Norma para trata mento acústico
tável é o valor máx imo do nível de som, dado
em dec ibels, q ue perm ite o mí nimo de con fôrto ABNT (Guanabara ) Projeto a Norma P-N B-IO I.
à maioria dos ocupantes de um determinado
Obj etivo
amb ie nte.
Esta Norma tem por objet ivo estabe lecer as bases
2 Medida do nível de som fundamentais pa ra a e xecução de tratamen tos acúsli-
cos em recintos fechados.
2. A determinação do nível de som é feita de
acôrdo com o método MB-268 - Medida do ní- Def inições
vel de som em ambien tes internos e externos.
2 Tratamento acústico: processo pelo qual se procura
3 Níveis de ruído aceitáveis dar a um recinto cond ições que pe rmitam a boa au -
dição das pessoas presentes neste recinto, processo
3. Os níveis de ruído aceitáveis pa ra os amb ien tes êste que fica sujeito às restri ções constantes desta
internos relacionados são : Norma. Este tratamento compreende o isolamento
acúst ico e o cond icionamento acústico .
Ban cos 60 dB 3 Som: forma de energ ia proven iente de um corpo
Escritór ios: emitindo, em uma ou em tôdas as d ireções certos mo-
Datilograf ia, taquigrafia, escr ituração 60 dB vimentos vibratórios que se propagam em me ios elás-
Diretoria, cálculos, pro jetos, leitura de ticos e que se podem ouvi r.
pla ntas, sala de reuniões, con tabili- 4 Tom: fo rma dessa ene rgia vibratór ia (som ) que se
dade . ....... . . 57 dB p ropaga num meio e lástico com variação senoidal no
Saguão pr incipal e sala de espe ra 60 dB tempo .
Mercados .. . ... ... . . 75 dB 5 Ruído: mistura de tons cujas frequênc ias não seguem
Restaurantes, Bares e Confeitarias : nenhuma lei p recisa, e que diferem entre si por va -
Refeitóri o 60 dB lores imperceptíveis ao ouvido humano.
Copas e cozinhas 65 dB 6 Iso la me nto acustico: processo pelo qual se p rocura
lojas ... 60 dB evitar a penet ração ou a saída, de ruídos ou son s,
Aud itór ios e Anfitea tros: em um determinado recin to. O isolamento acústico
Sala de espetáculos 38 d8 comp reende a proteção contra ru ídos ou sons aéreos
Sala de espera .. 60 dB e ru ídos ou sons de impacto .
Gabinetes Den tá rios : 7 Condicionamento acústico: processo pelo qual se
Sa la de espera 60 dB procu ra garantir em um rec into o tempo ó ti mo de re -
Sala de tratamento 40 dB ve r beração e, se fô r o ca so, também a boa distr ibuição
Hospitais e Consul tór ios Médicos: do som .
Enfer marias e quartos 40 dB 8 Ruído aéreo, som aéreo: r uído ou som produzido
Recep ção, sá la de espera ..... ... . 60 dB e transmitido através do ar (ex .: buzina, vozes, alto -
Sala de operação 35 dB falantes, etc. ).
l a vander ia 65 dB 9 Ruídos de Im pacto, som de impacto! ru ído ou som
Ho téis : pr oduzido por percussão sóbre um co rpo sólid o e trans-
Sala de estar 47 dB mit ido através do ar (ex .: queda de ob jetos, ruído de
Sala de le itura 42 dB passos, marteladas, instrumentos de pe rcussão etc. ).
Restaurante 60 dB 10 Tempo de reverbera ção: tempo necessário para
Co pa, coiinha 65 dB que um som deixe de ser ouvido após a ex tinção da
Dormitório 40 dB fon te sonora . E' exp resso em seg undos. (E' o tempo
Portaria e Recepçã o 60 dB necessá rio para o decréscimo de um milionésimo da
Igrejas e Templos 42 dB intensidade da ene rgia inicial de regimem dentro d e
Bi b liotecas 42 dB um deter mi nado ambiente).

64
1 1 Tempo ótim o de rever be ra çã o: tempo de reverbe- noras, previamente localizadas. Tal estudo visará
ração considerado ótimo para um determ inado recinto. conhecer a distribu ição dos sons diretos ou refletidos,
E' expresso em segundos. de modo a serem conseguidas em todo o reci nto as
12 Decibe l: unidade de intensidade fisiológica do som. melhores cond ições de a udi bilidade .
O número de dec ibel de um som é expresso pela O projetista deverá utilizar as superfícies do teto para
fórmula : obter o refõrço sonoro necessário à boa audibilidade,
e a inda eventualmen te util izará as superfícies das pa-
= 10 log 10
redes; para tanto empregará defletores (no caso de
I,
reflexões do som orientadas) ou difusores (no caso de
simples distribuição do som em todos os sentidos) .
onde i é a intensidade fisi ológica expressa em decibe l,
1 é a intensidade física do mesmo som e lo a intensi- A forma geométrica do recinto poderá, assim, sofrer
dade do som correspondente ao limiar de percepção. modificações tanto em planta como em corte, neces-
Geral mente : sárias à boa distribuição do som .
I, = 10 - 16 W/cm 2 19 Cá lculo do tempo de r~ver b e ra çã o : terminado o
estudo geométr ico-acústico do recinto, o cálculo do
13. Níve l de som: é a le it ura , em decibels, forne- tem po de reverberação será feito por uma das se-
cida po r um med idor de nível de som construído e guintes fórmulas:
operado de acôrdo com as especificações I. E.C. 29
(Secreta riat ). Fór mula de Sabine:
0,161 V
Co nd ições a serem esta belecida s tr = --- - ------- - ----
SIO:I + $20: 2 + . ".'
onde:
14 O tratamento acústico, destinado ao confôrto hu -
t, tempo de reverberação do reci nto, em.
mano, implica no co nhecimento de valores das condi-
segundos;
ções locais, em função do conjunto de condições do
recinto, a saber:
V = volume do recinto, em m3;
S" S, = áreas das superfícies interiores do re-
cinto, em m2 ;
a. nível de som exterior, em decibels;
b. nível de som do recinto, em decibe ls (em função a" a, = coeficientes de absorção sonoro das vá-
rias superfícies interiores.
do gênero de atividades do mesmo);
c. planta de situação do imóvel onde se achar o re-
Fórmu la de Eyring:
cin to a ser tratado;
0,161 V
d. plantas e cortes longitudinal e transversal do re-
tr = - -- - -- - - -- - -- - -
cinto;
2,3 S log (1 - am)
e. especificações dos materiais empregados no re-
onde:
cinto: de construção (ex .: piso, paredes, etc.) e de
tr = tempo de reverberação do recinto, e m segun-
utilização (mesas, poltronas, cortinas, etc. ).
dos;
V = volume do recinto em m3;
Cálc ulo do tratamento acú stico $ = área total das superfícies interiores do recinto,
em m2 ;
15 O tratamento acústico do recinto compreende de- O'rn = coeficiente médio de absorção sonora das su-
te rm ina ções pa ra : perfícies interiores do recinto.

a. isolamento acústico, através do uso adequado de Os coeficie ntes de absorção das materiais mais comu ns
materiais capazes de perm itir a necessário imper- encontram-se na tabelo 1.
meabilidade acústica, previamente fi xada : Os outros elementos das fórmulas serão ca lculados em
b. condicionamento acústico, pelo estudo geométr ico- cada caso particular de apl icação.
a cústico do recinto e cálculo do tempo de rever-
beração. 20 Determ inado o tempo de reverberação tn, com -
para-se êste valor com o tempo ótimo de reverbera -
16 Isolam e nto ac ústico: o nível de som no recinto deve ção, to, através do gráfico L A diferença (to-tr) deve
ser fixado de acôrdo com as recomendações da ABN T. ser a me no r possível.
Estabelecido êste nível e conhec ido o nível de so m ex-
ter ior, obtém-se por diferença a queda de nível de
som (.6.), em decibels. Aceita ção
Poderá' ser util iza da uma combinação de materia is
., iso lantes, para o caso de queda de nível de som (.ó. ) 21 Com provado que o isola mento e o condicio namen -
e levada; e dever-se-á levar em conta a natureza dos to acústicos tenham sido calculados e forneçam os re-
ru ídõs ou sons a isolar (aéreos ou de impacto). sultados estabelecidos na presente Norma com tolerân-
17. Condicionamento acú stico: estabelecido o nível cias até 10%, deve o Trata me nto Acústico ser co ns ide-
de som do recinto, seró feito o estudo geométrico-acús- rado satisfatório e consequentemente aceito pelo Com-
tico e determinado o tempo de reverberação. prador.
18 Estudo geométrico-acústico do reci nto: para au -
dit6rios, teatros, cinemas, etc., se rão examinadas as 22 Nos casos especia is em q ue a Norma não fôr in-
plan tas e cortes do recinto, e, levando-se em conta tegra lmente seguida, deverão consta r da proposta e
os materiais a se rem empregados, será feito o estudo das especificações do Instalador todos os pontos que
geométrico, considerando-se uma ou mais fontes so- dela diverg irem.

65
TABELA 1
Coeficientes de Absorção por Unidade de Área
(m2 )

Frequência, ciclos/seg

125
I 250 500
I 1000
I 2000 4000

Alvenaria rebocado 0 ,020 0,025 0,025 0 ,025


Alvenaria rebocado e caiada 0,028 0,025 0,027 0,030
Alvenaria rebocado e pintada a óleo 0,018 0,023 0,023 0,024
Alvenaria simples 0,025 0,028 0,028 0,028
Azulejo 0,0 10 0,012 0,0 15
Cadeiras de madeira 0,14 0, 17 0,20
Cadeiras e stofadas 0 ,41 0,50 0,56 0 ,58 0,54
Chapas acústicas de fibra de madeira 0, 15 0,20 0,64 0,70 0,76 0,77
Chapas com camada de ar 5 cm por detroz 0,48 0,76 0,66 ' . 0,73 0,76 0,93
Chapas de fibra de madeira, tipo "soft·
board " 0 ,12 0,18 0,32 0,40 0,40
Chapas tipo " Hord boa rd" 0,04 0,09 0,13
Cimento penteado (rebôeo) 0,03 0,04 0,037 0,035
Compensado 3 mm (camada de ar de 5 cm ) 0,25 0,34 0, 18 0,10 0, 10 0,06
Concreto sim ples 0,01 0,02 0,02 0,02
Concreto rebocado pi ntado a ca l 0,0 15 0,022 0,022 0,025
Cortina de ve lu do 0,06 0,44 0,42 0,40
Corti na leve 0,06 o,ro 0, 10 0,10
Estuqu e 0,035 0,030 0,029 0,028
Feltro (2,5 em) 0,12 0,32 0,51 0,62 0,60 0,56
Gron ilite 0,012 0,0 15 0,016
Grel hos de venti lo ção 0,50 0,50 0,50 0 ,50
Lombri de madeira 0,08 0,06 0,06 0,06
Li nóleo 0,02 0,03 0,035 0,04
Modeira envernizada 0,05 0,03 0,03 0,03
Madeira pintada a ól'e o 0,04 0,03 0,03 0,03
Mármore 0,01 0,01 0,0 12 0,015
Passadeira leve 0,08 0,08 0,040 0,03
Passadeira pesada 0 ,012 0,18 0,21 0,28
Pastilha de cerâmico 0,012 0,015 0,016
Piso de madeira 0,09 0,08 0,090 0, 10
Piso de cimen to 0,0 1 0,012 0,012 0,0 12
Piso de tocos 0,04 0,03 0,030 0,03
Superfície d 'água O,OOS ': 0,008 0,0 13 0,0 15 0,020 0,025
Superfície metálica 0,002 0,002 0,0025 0,003
Tapete·Carpete 0, 1~ 0,10 0, 10
Telhado (Fibro-cimento) 0,0 1 0,012 0,012 0,0 12
Vidro 0,028 0,027 0 ,026 0,025
Vidros deixando câmara de a r 0,03 0 ,01 0,0 15 0,02

TEMPO DE REVERBERAÇÃO OTlMO


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