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ADVOCACIA-GERAL DA UNIÃO

PROCURADORIA-GERAL FEDERAL
EQUIPE DE TRABALHO REMOTO - BENEFÍCIO POR INCAPACIDADE DA 1ª REGIÃO
ETRBI - NÚCLEO DE CONTENCIOSO

EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) JUIZ(A) DO(A) 8ª VARA JEF

NÚMERO: 0010986-55.2017.4.01.3200
RECORRENTE(S): INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS
RECORRIDO(S): ANA LUCIA MARQUES FERREIRA

INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL - INSS, pessoa jurídica de direito público,


representado(a) pelo membro da Advocacia-Geral da União infra assinado(a), vem, respeitosamente, à
presença de Vossa Excelência, interpor,

RECURSO INOMINADO

e o faz pelos relevantes fundamentos expostos nas razões em anexo, requerendo se digne
Vossa Excelência de remetê-las à egrégia Turma Recursal Federal, onde, por certo, serão conhecidas e
providas.

É o que pede e espera deferimento.

23 de abril de 2018

NEFERTITI SACRAMENTO FERREIRA MARMUND


PROCURADORA FEDERAL
OAB/BA 23.568
EGRÉGIA TURMA RECURSAL

ÍNCLITO RELATOR,

RAZÕES PELO RECORRENTE

DO FATOS

Trata-se de ação em que se busca a concessão de benefício por incapacidade, bem como
pagamento das parcelas atrasadas.
Na sentença, o Juízo de 1º grau condenou o INSS a implantar o benefício, sem que tivesse
sido cumprida a carência necessária. Assim, como se demonstrará, a sentença deve ser reformada.

DA FALTA DO PERÍODO DE CARÊNCIA

A parte autora postula na presente demanda a concessão de benefício por incapacidade,


tendo sido indeferido administrativamente o seu requerimento formulado em 21/03/2017.

A despeito da comprovação da incapacidade pela perícia médica judicial, não prospera a


pretensão da parte demandante, pois ela não havia completado a carência mínima de 12 (doze)
contribuições na DER.

Como se observa do extrato do CNIS, a parte autora havia perdido a qualidade de segurada
quando teve início seu vínculo com DIHAL DA AMAZONIA LTDA.

A partir de então, realizou apenas três contribuições antes do requerimento administrativo.


Neste momento, portanto, a demandante não contava com a carência mínima de 12 (doze)
contribuições, exigida para concessão dos benefícios por incapacidade.

É importante destacar que não se aplica ao caso a regra do terço – segundo a qual seria
possível utilizar as contribuições efetuadas antes da perda da qualidade de segurado para fins de
integralização da carência, desde que cumprido o equivalente a 1/3 da carência após a reaquisição da
qualidade de segurado.

Isso porque a DER (data de entrada do requerimento) ocorreu durante a vigência da Medida
Provisória nº 767/2017, que alterou a regra do terço prevista no art. 24 da Lei 8.213/91, com vigência
até 26 de junho de 2017, quando ocorreu o início da vigência da L ei nº 13.457, de 2017.

Ocorre que, para todos os fatos geradores ocorridos no período compreendido


entre a publicação da MP 739 (08/07/2016) e a perda da eficácia da MP
767/2017 (26/06/2017), vale a exigência de cumprimento integral da carência de 12 meses
após a perda e reaquisição da qualidade de segurado.

Importante referir, ainda, que o presente caso não se enquadra entre aqueles que
dispensam a carência, pois a incapacidade não é decorrente de acidente de qualquer natureza, nem
está o segurado acometido de qualquer das seguintes doenças: tuberculose ativa, hanseníase, alienação
mental, neoplasia maligna, cegueira, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de
Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estado avançado da doença de Paget
(osteíte deformante), síndrome da deficiência imunológica adquirida (AIDS) ou contaminação por
radiação, hepatopatia grave com base em conclusão médica especializada, ou hepatopatia grave (arts.
26, I e II, da Lei nº 8.213/91 c/c Portaria Interministerial MPAS/MS nº 2.998/01).

Resta claro, portanto, que a parte autora perdeu a qualidade de segurada e, após a
reaquisição, não cumpriu a carência mínima de 12 (doze) contribuições exigida em lei, razão pela qual
não faz jus ao benefício postulado.

RE 870.947 (TEMA 810 DA REPERCUSSÃO GERAL). CORREÇÃO MONETÁRIA. MODULAÇÃO DE


EFEITOS. JUROS. MANUTENÇÃO DO DISPOSTO NO ART. 1º-F DA LEI Nº 9.494/97 COM A
REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.960/09.

Recentemente, o STF concluiu o julgamento do RE 870.947 (tema 810 da repercussão geral)


na sessão do dia 20.09.2017, referente aos juros e correção monetárias nas condenações impostas à
Fazenda Pública:

Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, Ministro Luiz Fux,
apreciando o tema 810 da repercussão geral, deu parcial provimento ao recurso para,
confirmando, em parte, o acórdão lavrado pela Quarta Turma do Tribunal Regional Federal
da 5ª Região, (i) assentar a natureza assistencial da relação jurídica em exame (caráter
não-tributário) e (ii) manter a concessão de benefício de prestação continuada (Lei nº
8.742/93, art. 20) ao ora recorrido (iii) atualizado monetariamente segundo o IPCA-E desde
a data fixada na sentença e (iv) fixados os juros moratórios segundo a remuneração da
caderneta de poupança, na forma do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada pela
Lei nº 11.960/09. Vencidos, integralmente o Ministro Marco Aurélio, e parcialmente os
Ministros Teori Zavascki, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ao final, por maioria,
vencido o Ministro Marco Aurélio, fixou as seguintes teses, nos termos do voto do Relator:
1) O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em
que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública, é
inconstitucional ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária, aos quais
devem ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a Fazenda Pública remunera seu
crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia (CRFB, art. 5º, caput);
quanto às condenações oriundas de relação jurídica não-tributária, a fixação dos juros
moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional,
permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a
redação dada pela Lei nº 11.960/09; e 2) O art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação
dada pela Lei nº 11.960/09, na parte em que disciplina a atualização monetária das
condenações impostas à Fazenda Pública segundo a remuneração oficial da caderneta de
poupança, revela-se inconstitucional ao impor restrição desproporcional ao direito de
propriedade (CRFB, art. 5º, XXII), uma vez que não se qualifica como medida adequada a
capturar a variação de preços da economia, sendo inidônea a promover os fins a que se
destina. Presidiu o julgamento a Ministra Cármen Lúcia. Plenário, 20.9.2017.
(Disponível em: < http://www.stf.jus.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?
numero=870947&classe=RE&origem=AP&recurso=0&tipoJulgamento=M>)

Inicialmente, observa-se que não ficou definido se o STF adotará ou não o mesmo critério
resultante do julgamento da questão de ordem nas ADIs 4357 e 4425, no qual determinou a aplicação
dos novos índices somente a partir da decisão em que a modulação foi decidida (25/03/2015).

Com efeito, o Egrégio Tribunal será provocado para se manifestar sobre oponto omisso.
Todavia, ainda permanece pendente de julgamento os Embargos de Declaração interpostos para
discussão acerca da modulação dos efeitos da decisão do STF.

O reconhecimento da existência pelo STF de repercussão geral na matéria já denota que


esta ultrapassa os interesses subjetivos do processo, nos termos do próprio § 1° do art. 1.035 do CPC
que dispõe: "será considerada a existência ou não de questões relevantes do ponto de vista econômico,
político, social ou jurídico que ultrapassem os interesses subjetivos do processo".

Desconhecidos, pois, os limites objetivos e temporais da decisão do STF, notadamente no


que tange aos efeitos prospectivos do julgado, mostra-se temerária e contrária à segurança
jurídica a aplicação do precedente, antes da publicação do acórdão e da modulação dos efeitos do
julgado.

Além de tudo isso, destaca-se que após a decisão do STF n o julgamento do Recurso
Extraordinário (RE) 870947, foi fixado que é devida a utilização dos juros moratórios segundo a
remuneração da caderneta de poupança, na forma do art. 1º-F da Lei nº 9.494/97.

Isso porque, o art. 1º-F da Lei nº 9.494/97, com a redação dada pela Lei nº 11.960/09, na
parte em que disciplina os juros moratórios aplicáveis a condenações da Fazenda Pública,
foi declarado inconstitucional apenas ao incidir sobre débitos oriundos de relação jurídico-tributária,
sobre os quais devem, no entender do Tribunal, ser aplicados os mesmos juros de mora pelos quais a
Fazenda Pública remunera seu crédito tributário, em respeito ao princípio constitucional da isonomia
(CRFB, art. 5º, caput).

Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal esclareceu que, quanto às condenações
oriundas de relação jurídica não-tributária, como é o caso das lides ajuizadas em face do INSS, a fixação
dos juros moratórios segundo o índice de remuneração da caderneta de poupança é constitucional,
permanecendo hígido, nesta extensão, o disposto no art. 1º-F da Lei nº 9.494/97 com a redação dada
pela Lei nº 11.960/09.

À luz do exposto, mostra-se induvidoso a necessidade de ser aplicado o art. 1º-F da Lei
9.494/97, com a redação do art. 5º da Lei 11.960/2009, quanto ao caso em questão haja vista tratar-
se de atualização do quantum debeatur, ou seja, antes de inscrito em precatório, situação
acerca da qual ainda se desconhece o marco temporal fixado pelo STF para fins de
modulação dos efeitos.

É o que desde já se requer.

DO PREQUESTIONAMENTO
Caso sejam julgados procedentes os pedidos da parte autora, o que se admite tão somente
para argumentar, requer-se, desde já, o prequestionamento, mediante manifestação expressa quanto à
violação dos dispositivos acima citados.

CONCLUSÃO

Isso posto, a Advocacia-Geral da União (AGU), em nome do Instituto Nacional do Seguro


Social (INSS), requer seja acolhido o presente recurso, para modificar a sentença, nos termos da
fundamentação supra.

Nesses termos, pede deferimento.

Brasília, 23 de abril de 2018.

NEFERTITI SACRAMENTO FERREIRA MARMUND


PROCURADORA FEDERAL
OAB/BA 23.568