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Processos Químicos Industriais

Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão

Nathalia Motta de Carvalho Tolentino Processos Químicos Industriais Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos

Nathalia Motta de Carvalho Tolentino

Processos Químicos Industriais

Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão

11 aa EEddiiççããoo

11
11
DDaaddooss IInntteerrnnaacciioonnaaiiss ddee CCaattaallooggaaççããoo nnaa PPuubblliiccaaççããoo ((CCIIPP))
DDaaddooss IInntteerrnnaacciioonnaaiiss ddee CCaattaallooggaaççããoo nnaa PPuubblliiccaaççããoo ((CCIIPP))
((CCââmmaarraa BBrraassiilleeiirraa ddoo LLiivvrroo,, SSPP,, BBrraassiill))
Tolentino, Nathalia Motta de Carvalho
Processos químicos industriais : Matérias-primas, técnicas de produção e métodos de controle de corrosão /
Nathalia Motta de Carvalho Tolentino. – 1. ed. – São Paulo : Érica, 2015.
Bibliograa
ISBN 978-85-365-1650-9
1. Química – Estudo e ensino 2. Química industrial I. Título.
14-10102
Editado também como livro impresso.
CDD-660
Índices para catálogo sistemático:
1. Processos químicos industriais : Tecnologia
660
CCooppyyrriigghhtt ©© 22001155 ddaa EEddiittoorraa ÉÉrriiccaa LLttddaa
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem prévia autorização
da Editora Érica. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na Lei n o 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.

Coordenação Editorial:

Rosana Arruda da Silva

Capa:

Maurício S. de França

Edição de Texto:

Beatriz M. Carneiro, Paula Craveiro, Silvia Campos

Revisão de Texto:

Rosa Kushnir

Produção Editorial:

Dalete Oliveira, Graziele Liborni, Laudemir Marinho dos Santos,

Editoração:

Rosana Aparecida Alves dos Santos Join Bureau

Produção Digital:

Alline Bullara, Erika Amaro Rocha

A Autora e a Editora acreditam que todas às informações aqui apresentadas estão corretas e podem ser utilizadas para qualquer m legal.

Entretanto, não existe qualquer garantia, explícita ou implícita, de que o uso de tais informações conduzirá sempre ao resultado desejado. Os nomes de sites e empresas, porventura mencionados, foram utilizados apenas para ilustrar os exemplos, não tendo vínculo nenhum com

o livro, não garantindo a sua existência nem divulgação. Eventuais erratas estarão disponíveis para download no site da Editora Érica.

Conteúdo adaptado ao Novo Acordo Ortográco da Língua Portuguesa, em execução desde 1

A ilustração de capa e algumas imagens de miolo foram retiradas de <www.shutterstock.com>, empresa com a qual se mantém contrato

ativo na data de publicação do livro. Outras foram obtidas da Coleção MasterClips/MasterPhotos© da IMSI, 100 Rowland Way, 3rd oor Novato, CA 94945, USA, e do CorelDRAW X5 e X6, Corel Gallery e Corel Corporation Samples. Copyright© 2013 Editora Érica, Corel Corporation e seus licenciadores. Todos os direitos reservados.

Todos os esforços foram feitos para creditar devidamente os detentores dos direitos das imagens utilizadas neste livro. Eventuais omissões

de crédito e copyright não são intencionais e serão devidamente solucionadas nas próximas edições, bastando que seus proprietários conta-

tem os editores.

o

de janeiro de 2009.

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2 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
2 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
Agradecimentos Agradeço a Deus, aos familiares e amigos pelas oportunidades, apoio, contribuições e forças que
Agradecimentos
Agradeço a Deus, aos familiares e amigos pelas oportunidades, apoio, contribuições e forças
que me fizeram chegar aonde cheguei e que me tornaram capaz de escrever este livro.
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Sobre a autora Como a grande maioria das crianças, que não conhecem o grande universo
Sobre a autora
Como a grande maioria das crianças, que não conhecem o grande universo de profissões que
existe, na minha infância tinha o sonho de ser médica, dançarina e até mesmo dona de padaria. Uma
das coisas que nunca me passara pela cabeça foi virar professora. Porém, aos 13 anos, como uma boa
aluna, comecei a dar aulas de reforço escolar para crianças da rua, no início somente por favores.
Surpreendentemente, descobri não só um dom como também uma vocação.
Ao entrar no Ensino Médio, descobri o universo da química e junto com ele a profissão que
iria seguir: professora de química.
No ano de 2012 me formei em licenciatura em química pela Universidade Federal Fluminense.
Comecei a dar aula em escolas particulares, e atualmente pertenço ao programa de Pós-Graduação
da Universidade Federal Fluminense como aluna de Mestrado em química, trabalhando na área de
síntese de novas moléculas que possam apresentar atividade antivirais, antibióticas e anticâncer.
44 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
44 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
Sumário Capítulo 1 – Introdução aos Processos Industriais 13 1.1 Conceitos básicos 13 1.1.1 Definição
Sumário
Capítulo 1 – Introdução aos Processos Industriais
13
1.1
Conceitos básicos
13
1.1.1 Definição de processo
13
1.1.2 Operações unitárias
13
1.2 Classificação dos sistemas
14
1.2.1 Quanto ao tipo de operação
14
1.2.2 Quanto ao comportamento ao longo do tempo
14
1.3 Principais equipamentos utilizados nas indústrias
14
1.4 Controle de
processo
15
1.5
Tratamento de água para sistemas de aquecimento e resfriamento
16
1.5.1 Clarificação da água
16
1.5.2 Água desmineralizada
16
1.6
Tratamento de efluentes
17
Agora é com você!
18
Capítulo 2 – Produção de Cerâmicas, Vidros e Cimento
21
2.1
Tipos de materiais cerâmicos
21

2.2 Etapas da fabricação da cerâmica

2.2.1 Preparo da matéria-prima

2.2.2

2.2.3 Preparo da massa

2.2.4 Moldagem das peças

2.2.5

2.2.6

2.2.7

2.2.8 Acabamento

Moagem

Secagem

Esmaltação

Queima

2.3 Impactos da indústria cerâmica ao ambiente

2.4 Processo de fabricação do vidro

2.4.1

2.4.2

2.4.3

2.4.4 Tratamento a quente da superfície

2.4.5

2.4.6 Tratamento a frio da superfície

2.5 Impacto da indústria de vidro ao ambiente

2.6 Processo de fabricação do cimento

Composição

Fusão

Moldagem

Recozimento

2.6.1

2.6.2

2.6.3

2.6.4

2.6.5

Composição Moagem de cru Pré-calcinação Clinquerização Resfriamento

2.7 Impactos da indústria de cimento ao ambiente

Agora é com você!

Capítulo 3 – A Indústria Soda-Cloro

3.1.

Eletrólise

3.1.1 Eletrólise com células de mercúrio

3.1.2 Eletrólise com células tipo diafragma

22

22

23

23

23

24

24

24

24 24

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31

31

33

34

55
55

3.1.3 Eletrólise em células de membrana

Agora é com você!

Capítulo 4 – Fertilizantes

4.1 Introdução

4.2 Qualidade

4.3 Fertilizantes fontes de nitrogênio

4.3.1 Ureia

4.3.2 Sulfato de amônio

4.3.3 Fosfato monoamônico MAP e fosfato diamônico DAP

4.3.4 Nitrocálcio

4.4 Fertilizantes fontes de fósforo

4.4.1 4.4.2 Superfosfato Superfosfato triplo simples

4.4.3 Termofosfato

4.5 Fertilizantes fontes de potássio

4.6 Impactos ao ambiente

4.7 Informações de periculosidade e efeitos ao ambiente

4.7.1 Ureia

4.7.2 Sulfato de amônio

4.7.3 MAP e DAP

4.7.4 Superfosfato simples

4.7.5

4.7.6

Superfosfato triplo

Termofosfato

4.8 Adubação orgânica

Agora é com você!

Capítulo 5 – Gases Industriais

5.1 O que são gases industriais?

5.2 Gases industriais, aplicações e obtenção

5.2.1

5.2.2

5.2.3

5.2.4

5.2.5

5.2.6

5.2.7 Dióxido de carbono

5.2.8 Monóxido de carbono

5.2.9 Gás natural

5.2.10 Gás liquefeito de petróleo

Nitrogênio

Oxigênio

Argônio

Hidrogênio

Hélio

Acetileno

Agora é com você!

Capítulo 6 – Polímeros

6.1

Conceitos

6.1.1

6.1.2

Polímeros

Monômeros

6.2 Tipos de polímeros

6.2.1 Quanto ao método de preparação

6.2.2 Quanto ao aumento de temperatura

6.2.3 Quanto à srcem

6.2.4 Quanto ao número de monômeros

6.2.5 Quanto à função química

6.2.6 Quanto à estrutura da cadeia

35 36 37 37 38 38 39 39 40 40 40 40 41 41 42
35
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66 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
66 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
6.3 6.4 6.5 Nomenclatura de polímeros Reações de polimerização Técnicas de polimerização 6.5.1
6.3
6.4
6.5
Nomenclatura de polímeros
Reações de polimerização
Técnicas de polimerização
6.5.1
Polimerização em massa
6.5.2
Polimerização em
solução
6.5.3 Polimerização
em
suspensão
6.5.4 Polimerização
em
emulsão
6.5.5
Polimerização em fases
6.6
Propriedades físicas dos polímeros
6.6.1
6.6.2
6.6.3
6.6.4
Permeabilidade Resistência à corrosão quanto à
Resistência a impacto
Flexibilidade
luz
6.6.5
6.6.6
6.6.7
6.7 Massa molar
6.8 Cristalização
6.9 Propriedades térmicas
6.10
Conheça alguns polímeros
6.10.1
Polietileno(PE)

Porosidade Densidade Condutividade térmica e elétrica

6.10.2

6.10.3

Polipropileno(PP)

Poliestireno

6.10.4 Cloreto de polivinila (PVC)

6.10.5 Politetrafluoretileno (Teflon)

6.10.6 Polimetacrilato (Acrílico)

6.10.7

6.10.8 Polifenol (Baquelita)

6.10.9 Poliamidas (Náilon)

6.11 6.10.10 Aditivos Politeriftalato de etileno (PET)

Poliuretano

6.11.1

6.11.2

6.11.3 Retardantes de chamas

Lubrificantes

Estabilizadores

Corantes

6.11.7 Agentes antiestéticos

6.11.6

6.11.5

6.11.4

Cargas

Plastificantes

Agora é com você!

Capítulo 7 – Papel e Celulose

7.1 Parede celular vegetal

7.2 Separação dos componentes lignocelulósicos

7.2.1 Processos mecânicos

7.2.2 Processos físicos

7.2.3 Processos biotecnológicos

7.2.4 Processos químicos

7.3 Preparo da polpa da celulose

7.3.1

7.3.2

7.3.3

7.3.4

7.3.5

Descascamento

Picagem

Classificação

Cozimento

Depuração

62

63

64

64

64

64

64

65

65

65

65

66

66 66

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67

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71

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72

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74

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79

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80

80

80

80

80

80

81

81

77
77

7.3.6 Branqueamento

7.3.7 Recuperação do licor

7.4 Indústria de celulose e papel

7.5 Fabricação do papel

7.5.1 Preparo da massa

7.5.2 Seção de formação

7.5.3 Prensagem e secagem

7.5.4 Acabamento

7.6 Aditivos

7.7 Impactos ambientais e reciclagem

Agora é com você!

Capítulo 8 – Petróleo e Gás

8.1 Histórico

8.2 Características do petróleo

8.3 Processamento primário

8.4 Refino

8.4.1 Destilação

8.4.2 Craqueamento

8.4.3 Tratamentos das frações

8.5 Gás natural e GLP

8.6 Gasolina e óleo diesel

Agora é com você!

Capítulo 9 – Óleos e Gorduras

9.1

9.2 Conceitosimportantes

Economia

9.2.1

9.2.2

9.2.3 Triglicerídeos, monoglicerídeos e diglicerídeos

Óleos e gorduras Ácidos graxos

9.3 Outros componentes dos óleos e gorduras

9.4

9.5 Preparação de óleos e gorduras

Propriedades

9.5.1 Extração dos óleos e gorduras

9.5.2

9.5.3

9.5.4

9.5.5

9.5.6

9.5.7

9.5.8

Degomado

Refino

Branqueamento

Desodorização

Hidrogenação

Interesterificação

Fracionamento

Agora é com você!

Capítulo 10 – Sabões e Detergentes

10.1 História do sabão

10.2 Características dos sabões e detergentes

10.2.2 10.2.1 Capacidade Surfactantes de ou limpeza tensoativos

10.3 Produção de sabão

10.3.1

10.3.2

10.3.3

Saponificação

Semicotura

Refino

81 82 83 84 84 84 84 84 84 85 86 87 87 88 89
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114

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88 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
88 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
10.3.4 Descanso 10.3.5 Tratamentos posteriores 10.4 Produção de detergente 10.4.1 10.5 Produção de detergente
10.3.4
Descanso
10.3.5
Tratamentos posteriores
10.4
Produção de detergente
10.4.1
10.5
Produção de detergente em pó
10.5.1
Síntesedo tensoativo
10.5.2
Torrede secagem
10.6
Detergentes enzimáticos
10.7
Impactos ao
ambiente
Agora é com você!
Capítulo 11 – Cosméticos
11.2 11.1 Definição Histórico
11.3
11.3.1
11.3.2
11.3.3
11.4
11.4.1
11.4.2
Agentes de perolização
Antioxidantes

11.4.3 Bases oleosas e solventes

11.4.4

11.4.5 Corantes e pigmentos

11.4.6

11.4.7

11.4.8 Agentes umectantes

11.4.9

11.4.10

44

1111

1112

EPrsotapbeilleiznatneste

Biocidas

Corretores de pH Emolientes

Espessantes

Essências

s

d e e.s p u m a

Composição dos detergentes em pó

Composição dos cosméticos e regiões de aplicação

Cosméticos para a pele Cosméticos para os cabelos Lábios

Outras matérias-primas dos cosméticos

11.5 Técnicas de produção

11.5.1

11.5.2

11.5.3 Controle de micro-organismos

Cristalização

Degasagem

Filtração

11.5.7 Tratamento de água

Agora é com você!

11.5.6

11.5.5

11.5.4

Agitação

Moagem

Capítulo 12 – Tecnologias Farmacêuticas

12.1

12.2

12.3 Formas farmacêuticas

Histórico

Conceitos

12.3.1 Formas semissólidas

12.3.2 Formas sólidas

12.3.3 Formas líquidas

12.4 Instabilidades das formulações farmacêuticas

12.4.1 Instabilidade química

12.4.2

12.4.3 Instabilidadebiológica

Instabilidadefísica

12.5

Adjuvantes

115

116

116

117

118

118

119

119

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99
99

12.5.1 Veículos

12.5.2 Solventes

12.5.3 Absorventes

12.5.4 Agentes molhantes

12.5.5 Agentes tamponantes

12.5.6 Corantes, aromatizantes e flavorizantes

12.5.7 Agentes emulsificantes

12.5.8 Surfactantes

12.5.9 Agentes suspensores

12.5.10 Agentes alcalinizantes ou acidificantes

12.5.11 Conservantes

12.5.12 Antioxidantes

12.5.13 Agentes sequestrantes

Agora é com você!

Capítulo 13 – Fundamentos de Corrosão

13.1 Conceitos

13.1.1 Corrosão

13.1.2 Reações de oxirredução

13.1.3 Pilhas eletroquímicas

13.2 Mecanismos de corrosão

13.2.1 Mecanismo eletroquímico

138 138 138 138 138 138 138 138 139 139 139 139 139 140 141
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141
141
141
142
142
147
147

13.2.2 Mecanismo químico

148

13.3

Classificação e tipos de corrosão

148

13.3.1 Uniforme

149

13.3.2 Em placas

149

13.3.3 Alveolar

149

13.3.4 Puntiforme ou pite

149

13.3.5 Intergranular

149

13.3.6 Intragranular

149

13.3.7 13.3.8 Poresfoliação Filiforme

149 149

13.3.9

Em torno do cordão de solda

150

13.3.10 Empolamento por hidrogênio

150

13.3.11 Grafítica

150

13.3.12 Desineificação

150

13.4

Velocidade e taxa de corrosão

150

13.5 Passivação

151

13.6 Polarização

152

13.6.1

Polarização por concentração

153

13.7

Fatores que afetam a velocidade de corrosão

153

13.7.1 Oxigênio dissolvido

154

13.7.2 Efeito

do pH

154

13.7.3 Efeito da temperatura

154

13.7.4 Efeito de sais dissolvidos

154

13.8 Controle e combate à corrosão

154

13.9 Revestimentos de superfície

155

13.9.1

13.9.2

Revestimentos Revestimentos metálicos não metálicos inorgânicos

155 156

13.9.3

Revestimentos não metálicos orgânicos

157

Agora é com você!

158

Bibliografia

159

11 00 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de
11 00
Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
Apresentação O livro Processos Químicos Industriaisapresenta em seu primeiro capítulo conceitos básicos sobre
Apresentação
O livro Processos Químicos Industriaisapresenta em seu primeiro capítulo conceitos básicos
sobre processos químicos, cuidados com o meio ambiente e precauções durante a produção não só
para fornecer condições adequadas de trabalho como para gerar produtos de qualidade. Nos capítu-
los seguintes o leitor vai conhecer as técnicas de produção de cerâmica, vidros e cimento; soda e gás
cloro; fertilizantes; gases industriais; derivados de petróleo e gás; polímeros; papel e celulose; óleos e
gorduras; sabões e detergentes; cosméticos e tecnologias farmacêuticas. Além disso, são descritos
também os prejuízos que essas indústrias trazem ao ambiente. O último capítulo apresenta os con-
ceitos de corrosão e as maneiras de evitá-la ou reduzi-la.
A autora
11 11
11 11
11 22 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de
11 22 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de
11 22
Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
1 aos Introdução Processos Industriais Para começar Este capítulo tem como objetivo mostrar os conceitos
1
aos Introdução Processos
Industriais
Para começar
Este capítulo tem como objetivo mostrar os conceitos básicos sobre os processos industriais, bem
como tratamento alguns de equipamentos água e efluentes. utilizados nas indústrias, e os controles necessários durante a produção e o

1.1 Conceitos básicos

1.1.1 Denição de processo

Um processo é caracterizado por um conjunto de operações (químicas, físicas ou bioquímicas) que tem como objetivo transformar a matéria-prima no produto desejado, de forma econômica e em grande escala.

1.1.2 Operações unitárias

rações Todos unitárias. os processos Essas operações industriais são podem caracterizadas ser divididos por em reações etapas, químicas, as quais são operações chamadas mecânicas de ope-

(transporte, moagem, mistura, separação mecânica, fragmentação, peneiração etc.), operações de trocas de calor (aquecimento e resfriamento de fluídos, condensação, evaporação, ebulição) e opera-

ções de transferência de massa (destilação, extração, cristalização, adsorção etc.).

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1.2 Classicação dos sistemas 1.2.1 Quanto ao tipo de operação » Batelada: O processo ocorre
1.2 Classicação dos sistemas
1.2.1 Quanto ao tipo de operação
» Batelada: O processo ocorre em um sistema fechado. Ao mesmo tempo em que se retira o
produto desejado do reator é inserida a matéria-prima que irá alimentar o meio reacional
do início ao fim do processo.
» Contínua: O produto é retirado ao final da operação, e após o tratamento do reator é inse-
rida novamente a matéria-prima, reiniciando a etapa.
1.2.2 Quanto ao comportamento ao longo do tempo
» Regime estacionário: as variáveis (temperatura, pressão e concentração) não mudam com
o tempo. Caracterizam o processo contínuo.
» Regime transiente:as variáveis mudam em alguma posição do processo. Caracterizam o
processo em batelada.

1.3 Principais equipamentos utilizados nas indústrias

No mundo de hoje há diversos tipos de indústrias que produzem os mais variados tipos de produtos. Para atender as necessidades de cada processo existem muitas variedades de equipamen- tos. Os principais destes estão descritos a seguir.

» Reatores:São grandes reservatórios em que ocorrem as reações químicas ou bioquímicas. Nele são adicionados a matéria-prima e os reagentes necessários para que a reação ocorra. Aco- plados a ele há equipamentos que aquecem ou resfriam o meio, controlando a temperatura.

» Caldeiras: Existem quatro tipos de caldeiras, a vapor, elétrica, aquatubulares e flamotubu- lares, porém todas elas têm o mesmo objetivo: gerar vapor por meio da transferência de energia de uma fonte térmica para um fluido, normalmente a água. Outros equipamentos são acoplados para que haja melhor rendimento na distribuição de calor.

» são Trocadores exemplos de de calor:podem trocadores de ser calor, utilizados assim para como aquecer resfriadores, ou resfriar condensadores, o sistema. Caldeiras evaporado- res e torres de refrigeração.

11 44 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de
11 44
Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
» 1.4 Controle de processo controle das variáveis poderia transformar uma refinaria em uma bomba
»
1.4 Controle de processo
controle das variáveis poderia transformar uma refinaria em uma bomba gigantesca.
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Compressores: são equipamentos que capturam o ar e o armazenam sob alta pressão. O melhor compressor será escolhido de acordo com o aparelho que irá consumir o ar com- primido, dependendo da vazão, da pressão e da qualidade do ar que é necessitada.

É de grande importância nos processos industriais que se tenha o controle das variáveis, tais como temperatura, pressão, vazão, concentração,pH, entre outras. Imagine o perigo que seria, em uma refinaria de petróleo, se não houvesse o controle de temperatura e pressão, por exemplo. Além da matéria-prima, que é um combustível, há a produção de muitos gases explosivos. A ausência do

Figura 1.1 – Uma refinaria de petróleo.

Imagine também que o produto final de um processo se decomponha em altas temperaturas. Caso não haja o controle dessas temperatruas, o produto seria degradadoe todo o processo estariaperdido.

Para o controle dessas variáveis é necessário que sejam inseridos instrumentos de medida, como termômetros e barômetros, e alguns instrumentos de segurança, como válvulas e discos de ruptura.

Além da segurança, outros objetivos para o controle de variáveis são a redução do impacto ambiental, a otimização na qualidade do produto e a economia nos gastos durante o processo.

Introdução aos Processos Industriais 11 55
Introdução aos Processos Industriais
11 55
1.5 Tratamento de água para sistemas de aquecimento e resfriamento Graças a seu elevado calor
1.5 Tratamento de água para sistemas de
aquecimento e resfriamento
Graças a seu elevado calor específico e a sua grande disponibilidade, a água é o fluido mais
utilizado para geração de vapores. Porém a água encontrada na natureza possui impurezas dissol-
vidas e/ou em suspensão. Essas impurezas podem causar problemas nas aparelhagens de metal uti-
lizadas nos processos, tais como corrosão, incrustação e arraste. A água ideal para ser injetada nas
plantas industriais não deve ser corrosiva, nem conter agentes que se depositam nas aparelhagens,
nem causar arraste ou formar espuma.
Antes de ser utilizada, a água deve passar por testes de qualidade como pH, dureza e íons dis-
solvidos. Após os testes devem ser realizados os tratamentos necessários.
1.5.1 Claricação da água
A clarificação tem como objetivo retirar da água as impurezas sólidas e em suspensão. Esse
processo consiste em três etapas: floculação, decantação e filtração.

Na floculação são adicionados produtos que sejam capazes de englobar as partículas sólidas em flocos. Por exemplo, a cal, CaO, é um óxido básico que em contato com a água produz hidróxido.

CaO (s) + H 2 O (l) Ca(OH) 2(aq)

Ca(OH) 2(aq) Ca 2+ (aq) + 2 OH (aq)

Esse hidróxido é solúvel e, portanto, deixa o meio básico. Junto com a cal é adicionado sul- fato de alumínio Al 2 (SO 4 ) 3, que é um sal solúvel, porém em meio básico o íon alumínio precipita na

forma do seu hidróxido, carregando consigo as partículas de impurezas.

Al 2 (SO 4 ) 3(aq) 2 Al 3+ (aq) + 3 SO 4 2 (aq)

Al 3+ (aq) + 3 OH (aq) Al(OH) 3(s)

Outras substâncias também podem ser utilizadas como agentes floculantes, tais como cloreto férrico (FeCl 2 ) e hidróxido de sódio (NaOH).

Após a formação dos flocos, a água é deixada em repouso para que eles decantem. As partí- culas sobrenadantes que não foram floculadas voltam ao processo, enquanto o lodo decantado for- mado pelos flocos é filtrado e a água resultante da filtração passa para a etapa de desmineralização.

1.5.2 Água desmineralizada

A água desmineralizada é caracterizada por não possuir íons dissolvidos. Os sais minerais pre-

sentes substituem na água os íons são por removidos outros em quando quantidade esta passa de carga por tratamento equivalente. com resinas de troca iônica que

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11 66
Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
» Resinas de troca catiônica : apresentam sítios com carga negativa e capacidade de reter
»
Resinas de troca catiônica : apresentam sítios com carga negativa e capacidade de reter
os cátions.
R-X-H + + Z + ⇆ R-X- Z + + H +
Nesse equilíbrio R é um polímero, X pode ser o íon –SO 3 – ou carboxilato –COO – e Z +
são os cátions dissolvidos na água que são trocados por H + . As resinas derivadas do ácido
sulfônico atuam em ampla faixa de pH; já as derivadas de ácido carboxílico atuam em pH
neutro para alcalino.
»
1.6 Tratamento de euentes

As resinas são polímeros insolúveis que apresentam sítios ativos. Nesses sítios ocorrem as tro- cas iônicas através de equilíbrios químicos. Os tipos de resina existentes são:

Resinas de troca aniônica: apresentam sítios com carga positiva e capacidade de reter ânions. Esses sítios são formados por aminas quaternárias (R-N(CH 3 ) 3 + .

O número de indústrias que existe hoje é muito grande, e cada uma gera uma grande quanti- dade de resíduos e efluentes derivados dos seus processos. Cada efluente tem composição química, física e biológica própria, dependendo do tipo de indústria que os produz, e podendo causar grande impacto ambiental devido a substâncias e micro-organismos tóxicos que podem conter. Dessa forma, é necessário que cada indústria caracterize, quantifique, trate e acondicione seus rejeitos e efluentes antes de descartá-los ao ambiente.

rejeitos e efluentes antes de descartá-los ao ambiente. Figura 1.2 – Tratamento de efluentes. m o

Figura 1.2 – Tratamento de efluentes.

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Introdução aos Processos Industriais 11 77
Introdução aos Processos Industriais
11 77
A primeira alternativa de prevenção à poluição deve ser a diminuição ou eliminação do volume,
A primeira alternativa de prevenção à poluição deve ser a diminuição ou eliminação do
volume, concentração e toxicidade dos rejeitos gerados no próprio processo. Isso pode ocorrer atra-
vés de modificações na aparelhagem e na substituição de reagentes e matérias-primas que sejam
tóxicos sempre que possível. Mesmo após essas alterações ainda é necessário que sejam realizados
procedimentos de tratamento, que podem ser divididos em:
» Físicos: sedimentação, filtração, flotação, regularização etc.
» Químicos: coagulação, neutralização, oxidação, troca iônica, precipitação etc.
» Biológicos: utilizam reações bioquímicas realizadas por micro-organismos para a elimina-
ção dos contaminantes. São utilizados lodos ativados, lagoas ativadas, biodiscos etc.
Os tratamentos físico-químicos costumam ser mais caros, porém são a única opção quando o
produto de contaminação não é biodegradável. Rejeitos contendo metais pesados, cianetos, ácidos
e bases são suscetíveis a tratamentos físico-químicos. Para a recuperação desses metais é realizada a
adição de agentes precipitantes, cianeto é oxidado a cianato e cromo VI reduzido a cromo II; subs-
tâncias não tóxicas e ácidos e bases são neutralizados.
Vamos recapitular?
Neste capítulo você pôde conhecer os conceitos de processos industriais e operaçõesunitárias, assim
como a classificação dosprocessos. Conheceu também alguns equipamentos utilizados nas indústrias.
Pôde perceber a importância do controle de variáveis para a segurança dos trabalhadores e para a
qualidade do produto e economia nos gastos dos processos e também a importância do tratamento de
efluentes para a não contaminação do meio ambiente.
de efluentes para a não contaminação do meio ambiente. 1) 2) O que se entende por

1)

2)

O que se entende por processo industrial?

O fluxograma a seguir apresenta as etapas da produção de etanol a partir da cana-de-açúcar.

11 88 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de
11 88
Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
Concentração e cristalização Açúcar Refinação Açúcar Garapa escuro comum Trituração Cana
Concentração
e cristalização
Açúcar
Refinação
Açúcar
Garapa
escuro
comum
Trituração
Cana
Fermentação
Bagaço
Melaço
Vinhoto
Destilação
Etanol
Mosto
Resíduo
Figura 1.3 – Fluxograma da produção de etanol.
a)
Quais as operações unitárias realizadas na produção do etanol?
b)
Quais os outros produtos obtidos a partir da cana?
c)
Quais as operações unitárias para a obtenção dos outros produtos?
3)
Um técnico escolheu uma resina catiônica para retirar os íons de cálcio da água,
como mostra a equação a seguir.
2
R-COOH + Ca 2 Cl → (R-COOH – ) 2 Ca 2+ + HCl
a)
Em que faixa de pH estará a solução final?
b)
Essa troca de íons será possível? Justifique.
4)
Com base nas informações a seguir, responda as perguntas:
»
Sulfato de alumínio e Al 2 (SO 4 ) 3 e óxido de cálcio CaO são utilizados no trata-
mento de efluentes.
»
Hidróxido de alumínio é insolúvel em solução aquosa, porém acima do pH 10
se transforma no íon Al(OH) 4 – conforme a equação:
Al(OH) 3(s) + OH – aq) → Al(OH) 4 – (aq)
a)
Qual é o papel dessas substâncias no tratamento de efluentes?
b)

Qual o controle que os técnicos de operação devem ter sobre o tratamento de efluentes utilizando o hidróxido de alumínio?

Introdução aos Processos Industriais 11 99
Introdução aos Processos Industriais
11 99

5)

6)

5) 6) Um dos métodos de produção de cloro e soda cáustica ocorre a partir da

Um dos métodos de produção de cloro e soda cáustica ocorre a partir da eletrólise de soluções de NaCl utilizando eletrodos de mercúrio. Ao final do processo, pode haver íons Hg 2+ células eletrolíticas. O mercúrio é um metal tóxico e prejudicial ao meio ambiente. Que medidas devem ser tomadas nas indústrias que utilizam esses proces- sos para redução do impacto ambiental?

As caldeiras são equipamentos cuja função é produzir calor que será cedido a um sis- tema a partir de um fluido.

a) Por que a água é o fluido mais utilizado?

b) Que prejuízos podem ser causados caso a água não passe pelo tratamento de

troca iônica?

22 00 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de
22 00
Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
2 Cerâmicas, Produção Vidros de e Cimento Para começar As cerâmicas têm a argila como
2
Cerâmicas, Produção Vidros de
e Cimento
Para começar
As cerâmicas têm a argila como matéria-prima que, quando molhada, se torna plástica e moldável.
devido O vidro a e pequenas o cimento diferenças fazem parte na da matéria-prima classe dos materiais utilizada cerâmicos, e nas características porém muitos do processo. desconsideram Neste capítulo, esse fato
você vai conhecer os processos de produção de materiais cerâmicos, incluindo o vidro e o cimento.

2.1 Tipos de materiais cerâmicos

Materiais cerâmicos são conhecidos e produzidos há séculos pela humanidade, inicialmente como peças artesanais. Com a evolução das indústrias, esses materiais têm sua produção voltada principalmente para o setor de construção civil, para indústrias de metal mecânica e indústrias de produção de energia. No Brasil a indústria cerâmica participa de 1% do PIB, e graças à grande dispo- nibilidade de matéria-prima teve um crescimento muito grande.

Apesar de ter como material base a argila, as cerâmicas podem ser divididas em classes em função de diferenças na matéria-prima e aditivos utilizados e nas etapas do processo de fabricação.

» Cerâmica branca: compreende as louças de mesa, sanitárias e isolantes elétricos obtidos a partir de uma massa branca.

» Cerâmica de revestimento: são os azulejos, pastilhas e pisos utilizados em construções civis e piscinas.

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» Cerâmicas vermelhas: são as telhas, tijolos e blocos de coloração avermelhada utilizados na construção civil e louças de barro utilizadas na decoração doméstica.

» Materiais refratários: são resistentes a choques mecânicos, variações de temperatura e ata- ques químicos utilizados principalmente em equipamentos industriais.

» Isolantes térmicos: podem ser ou não das classes dos materiais refratários e, como o nome diz, têm a função de isolar termicamente os materiais que envolvem.

» Cerâmica avançada: sua produção é rigorosamente controlada, pois são utilizadas em naves espaciais e satélites principalmente, mas também podem ser encontradas em apare- lhos de som e vídeos e em catalisadores de carros.

» Fritas: vidro moído utilizado no acabamento e em outras cerâmicas.

» Abrasivos: são considerados parte da indústria cerâmica por apresentar matéria-prima semelhante. São exemplos óxido de silício e carbeto de silício.

» Vidros e cimento: têm a areia como matéria-prima e por isso muitos não os consideram materiais cerâmicos, porém esquecem que tanto a argila quanto a areia são constituídas por óxido de silício.

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(a)

(b)

(c)

Figura 2.1 – Alguns tipos de cerâmica: (a) cerâmica branca, (b) cerâmica de revestimento e (c) cerâmica vermelha.

2.2 Etapas da fabricação da cerâmica

A produção de cerâmicas pode ser dividida em quatro etapas: extração e tratamento da maté-

ria-prima, modelagem das peças, tratamento térmico e acabamento. A seguir, conheceremos os

detalhes de cada uma delas.

2.2.1 Preparo da matéria-prima

A matéria-prima é obtida através da mineração, na qual ocorre a primeira etapa de granulação.

Mesmo assim a argila ainda necessita ser moída e classificada de acordo com o tamanho dos grãos, e, dependendo da sua composição, precisa ser deixada em repouso para a decomposição do material

orgânico presente.

22 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
22 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
2.2.2 Moagem Para reduzir o tamanho das partículas, a argila passa por moinhos nos quais
2.2.2 Moagem
Para reduzir o tamanho das partículas, a argila passa por moinhos nos quais poderão ter sua
granulometria reduzida a 1 mm. No moinho é adicionada também a água, dando srcem à barro-
tina. rente Há para vários os grãos. tipos de moinhos, de rolo, de bolas, pista etc. Cada um irá fornecer um tamanho dife-
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Figura 2.2 – Moinhos de rolo.

2.2.3 Preparo da massa

A massa é preparada misturando-se argila, água e aditivos que vão depender do tipo de cerâ-

mica que se deseja obter. A dosagem de água e aditivos deve ser bem controlada, pois isso dará características diferentes à cerâmica.

2.2.4

O

»

Moldagem das peças

processo de moldagem vai depender do tipo de peça que será produzida com a cerâmica.

Fundição em molde: a barrotina é derramada sobre moldes de gesso ou resina porosa que possuem o formato desejado da peça e ali é deixada até que o molde absorva o excesso de

Produção de Cerâmicas, Vidros e Cimento 23
Produção de Cerâmicas, Vidros e Cimento
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água da argila. Após retirado, o molde é tratado com injeção de ar para que

água da argila. Após retirado, o molde é tratado com injeção de ar para que seque e seja reutilizado. Esse processo de moldagem é utilizado principalmente para a confecção de louças de mesa e louças sanitárias.

Prensagem: a massa com baixo teor de umidade passa por prensas, formando placas que são utilizadas principalmente como pisos e cerâmicas de revestimento.

»

»

»

Extrusão: a massa passa por uma máquina em que é prensada por um pistão, formando colunas que serão cortadas, formando peças regulares como tijolos, telhas e tubos.

Torneamento: é a moldagem final da peça que ocorre normalmente após a extrusão. Pode ser realizada em tornos mecânicos ou manuais.

2.2.5 Secagem

A

aplicação de água na massa é essencial para sua moldagem, porém, para que a peça adquira

estabilidade sem apresentar defeitos como rachaduras e bolhas, é necessário que ocorra a secagem de maneira lenta. Essa etapa é realizada emsecadores de gás natural que atingem a tempertaura de 170 ºC.

O

2.2.6 Esmaltação

esmalte é uma camada fina aplicada à cerâmica, cuja composição irá depender da peça a ser

produzida e da temperatura de queima. Além da função estética, o esmalte também fornece à peça uma melhor resistência mecânica e elétrica.

2.2.7 Queima

secagem seja realizada antes com a retirada do excesso de água. Nessa faixa de temperatura formar-

-se-iam bolhas de vapor d’água, deformando a peça. A queima tem como objetivo dar estabilidade ao formato da peça, resistência à temperatura, à água e a ataques químicos, assim como fornecer as características finais de cor, brilho e porosidade.

A

queima ocorre na faixa de temperatura de 800 a 1700 °C, por esse motivo é necessário que a

2.2.8 Acabamento

Algumas peças podem necessitar de acabamentos como polimento, corte e furos.

2.3 Impactos da indústria cerâmica ao ambiente

Como toda atividade humana, as indústrias de cerâmicas também podem gerar impactos ao ambiente.

A

água é utilizada em grande quantidade, já que está presente nos processos de preparo da

massa, na extrusãoe moldagem, na moagem por via úmida, naconfecção de esmaltes líquidos, além de ser utilizada na lavagem das peças finais. A água utilizada preferencialmente vem de fontes subt-er râneas, pois produtos químicos adicionados à água tratada podem interferir na qualidade da cerâmica.

24 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
24 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
Tabela 2.1 –Pigmentos para o vidro CCoorr SSuubbssttâânncciiaa Verde Azul Amarelo Preto Cinza Marrom Vermelho
Tabela 2.1 –Pigmentos para o vidro
CCoorr
SSuubbssttâânncciiaa
Verde
Azul
Amarelo
Preto
Cinza
Marrom
Vermelho
Branco
Óxidodecromoedecobalto
Alumínio-zinco-cromo-cobalto
Antimônio-chumbo
Cobalto, níquel,manganês,vanádioetc.
Estanho-antimônio, zinco-(cobalto-níquel)
Óxidodezinco
Cádmio
Óxidodecériooudetitânio

Devido ao processo de queima, o setor de indústrias de cerâmicas utiliza grande quantidade de gás natural e gás liquefeito de petróleo. A fonte de energia elétrica só é utilizada nas máquinas de moagem e prensagem.

Durante a confecção das peças são utilizados alguns aditivos, como plastificantes, fluidificantes e antiespumantes, que podem ser poluentes. Além disso, os corantes utilizados para a pintura de algumas peças são óxidos de metais pesados que podem ser tóxicos. Algumas substâncias utilizadas como pigmentos estão descritas na tabela a seguir.

Outro impacto causado por essas indústrias é a emissão de gases e material particulado para a atmosfera. Em todos os processos de fabricação (mineração, transporte, moagem, secagem, esmalta- ção e queima) podem ser liberadas partículas provenientes da matéria-prima e dos aditivos que podem causar problemas respiratórios. No processo de queima e secagem são liberados gases prove- nientes da queima dos combustíveis, além de gases produzidos pela combustão do material orgânico presente na argila e de substâncias voláteis presentes nas colas e resinas utilizadas para decoração. Os principais gases emitidos são o monóxido de carbono, óxidos de nitrogênio e dióxido de enxofre.

Os efluentes líquidos são gerados durante a lavagem da cerâmica e podem conter sulfatos, fos- fonatos, ácido silícico e metais pesados provenientes dos corantes. O descarte sem tratamento desses efluentes pode trazer grandes problemas ao ambiente.

2.4 Processo de fabricação do vidro

O vidro é resultado da fusão da areia juntamente com outros aditivos que aumentam de visco- sidade ao passo que a temperatura da massa diminui sem cristalizar. O vidro reciclado, proveniente de embalagens ou cacos que já tenham terminado com seu ciclo, também pode ser utilizado como matéria-prima para a confecção de novos vidros.

Além da areia, outras substâncias são utilizadas na composição desse material, como óxido de cál- cio, carbonaot s de cálcio e sódio, fundentes, estabilizadores e substâncias que irãdoar cor aoproduto.

Produção de Cerâmicas, Vidros e Cimento 25
Produção de Cerâmicas, Vidros e Cimento
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2.4.1 Composição

Nessa etapa são combinados os componentes que irão formar a mistura a ser fundida. Cada tipo de vidro a ser produzido terá uma quantidade diferente de cada componente de acordo com as características desejadas. A Tabela 2.2 mostra as matérias-primas utilizadas na fabricação do vidro, bem como a função de cada uma no processo.

Figura 2.3 – Material para casco de vidro.

Tabela 2.2 –Principais matérias-primas do vidro

MMaattéérriiaa--pprriimmaa FFuunnççããoo QQuuaannttiiddaaddee Cascodevidro Diminuirocustodaprodução.
MMaattéérriiaa--pprriimmaa
FFuunnççããoo
QQuuaannttiiddaaddee
Cascodevidro
Diminuirocustodaprodução.
Vitrificante:constituinteprincipaldocorpodovidro.
Fundentes:ajudamadiminuiratemperaturadefusão.
Estabilizantes:estabilizamamassa.
Afinadores:dãocore controlamaopacidade.
Até75%
Areia
73-75%
Óxidodesódioedepotássio
12-13%
Óxidodecálcio,magnésioezinco
12-13%
Corantesinorgânicos

2.4.2 Fusão

Depois que todos os componentes são dosados e homogeneizados, a mistura passa para um forno regenerativo, que chega à temperatura de 1600 °C na qual ocorrerá a fusão, ou seja, a mistura

ratura. sólida passará No final a da ser zona um líquido, de fusão, o o vidro, vidro cuja fundido viscosidade sai na forma aumenta de fios à medida e é então que cortado se diminui por tesouras, a tempe- formando peças chamadas gotas.

26 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
26 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
2.4.3 Moldagem 2.4.3.1 » » 2.4.3.2
2.4.3 Moldagem
2.4.3.1
»
»
2.4.3.2

Nessa etapa é dadaao vidro a forma desejada. Deve haver gradecontrole na temperatura durante a moldagem para que nãohaja aumento da viscosidade antes que apeça alcance seu formato.

Vidros para embalagens

Dois processos de moldagem são comuns na confecção de embalagens de vidro: o soprado- -soprado e o prensado-soprado.

Soprado-soprado: nesse processo a gota é enviada para um pré-molde no qual será encai- xada por ação de um sopro; em seguida, um novo sopro fará com que a gota assuma o formato do pré-molde. O vidro é então transferido para o molde final, novamente por ação pneumática, assumindo então o formato final da embalagem.

Prensado-soprado: a gota ganha o pré-formato pela pressão de um pistão metálico que também é responsável por diminuir sua temperatura. O formato final é adquirido tam- bém por um sopro pneumático contra o molde final.

Vidro impresso

Ao sair do forno, a massa fundente passa por entre dois rolos, um dos quais possui o desenho que será marcado na superfície. Em seguida, o vidro passa para a etapa de recozimento.

2.4.3.3 Vidro aramado

A massa fundente passa por entre dois rolos juntamente com uma malha metálica que ficará

entre duas camadas de vidro. A vantagem desse tipo de vidro é que ele não estilhaça ao quebrar,

além de ser considerado não inflamável.

2.4.3.4 Lã de vidro

A massa fundente passa por pequenos orifícios e ao sair pelo outro lado é atingida por jatos de

ar, produzindo a lã. A lã de vidro é muito utilizada na construção civil como forro, pois atua como isolante térmico e acústico.

2.4.3.5 Fibra de vidro

A massa fundente é colocada em um tanque com muitos orifícios que gira em alta velocidade,

produzindo os filetes que serão enrolados em cilindros.

2.4.4 Tratamento a quente da superfície

É adicionado cloreto de zinco ou cloreto de titânio à superfície para oferecer maior proteção contra choques mecânicos, além de evitar defeitos por deslizamento.

2.4.5 Recozimento

Nesse processo, o vidro é reaquecido e resfriado de maneira lenta e controlada para que sua superfície fique homogênea e sem falhas que possam levar a tensão e quebra.

Produção de Cerâmicas, Vidros e Cimento 27
Produção de Cerâmicas, Vidros e Cimento
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2.4.6 Tratamento a frio da superfície Ao final da etapa de recozimento é adicionada uma
2.4.6 Tratamento a frio da superfície
Ao final da etapa de recozimento é adicionada uma camada de polietileno, um polímero, que
confere maior resistência à superfície.
2.5 Impacto da indústria de vidro ao ambiente
Assim como a indústria de cerâmicas, a indústria de vidro também emite material particulado
e óxidos de enxofre, carbono e nitrogênio para a atmosfera. Também há gasto de água e de energia,
principalmente nas máquinas de modelagem.
m o c . k c s to 2.6 Processo de fabricação do cimento r
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2.6 Processo de fabricação
do cimento
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a
O cimento tem grande importância econômica, já
que é a base de toda infraestrutura do país como princi-
pal componente do concreto, material utilizado em todo
tipo de construção.
R
m
i
d
a
V
Ultimamente, a produção de cimento tem recebido
importância
devido
ao
fato
de
incorporar
resíduos
industriais em seu processo de fabricação.
2.6.1 Composição

Argila e calcário (CaCO 3 ) são os constituintes prin- cipais do cimento, em percentual que varia entre 75 e 80% de argila e 20 e 25% de calcário. Outros componen- tes são dosados e adicionados de acordo com o tipo de cimento que se deseja produzir. A argila utilizada é com- posta basicamente de silicatos de alumínio e óxidos de

Figura 2.4 – O cimento é utilizado em todo tipo de construção.

28 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
28 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
2.6.2 2.6.3 2.6.4
2.6.2
2.6.3
2.6.4

ferro, silício e alumínio. Aditivos, como minérios de ferro e areia, podem ser utilizados para corrigir deficiências da argila.

Moagem de cru

Após todos os componentes estarem dosados, a mistura passa pela moagem em moinhos de bolas e/ou moinhos verticais, onde se transformará em um pó fino e homogêneo chamado farinha.

Pré-calcinação

chegando Nessa à etapa temperatura a farinha de passa 800 ºC. por Na um pré-calcinação forno que aproveita é iniciada os gases a descarbonatação de sua saída para do aquecê-la, calcário, ou seja, este começa a se transformar na cal.

CaCO 3(s) CaO (s) + CO 2(g)

Clinquerização

Após a pré-calcinação, a mistura passa para o forno rotativo, que faz com que a massa percorra todo o seu comprimento, começando a fundir quando a temperatura chega a 1450 ºC, formando o clínquer. Nessa temperatura o CaO reage com a sílica e o alumínio, formando silicato e aluminato de cálcio. Esses compostos reagem com a água, formando seus derivados hidratados.

2.6.5 Resfriamento

Em seguida o clínquer é resfriado e passa por novo processo de moagem junto com gesso, que é responsável por aumentar o tempo de manuseio do cimento, formando uma espécie de película e a escória, restos da indústria siderúrgica. Como alguns componentes do clínquer são instáveis, é necessá- rio que o resfriamento seja rápido. O resfriamento é feito por uma passagem de ar no clínquer.

2.7 Impactos da indústria de cimento ao ambiente

No processo de fabricação do cimento, cerca de 90% da energia consumida é proveniente da queima de combustíveis. Os 10% restantes correspondem à energia elétrica utilizada na moagem.

A água é utilizada principalmente nas torres de resfriamento e 100% reaproveitada para os

futuros processos. Assim, não são gerados efluentes líquidos.

A produção do clínquer libera grande quantidade de gás carbônico, tanto pela calcinação

quanto pela queima do combustível, além de gerar material particulado.

Produção de Cerâmicas, Vidros e Cimento 29
Produção de Cerâmicas, Vidros e Cimento
29
Vamos recapitular? Neste capítulo você conheceu os métodos de preparação de materiais cerâmicos. Apesar de
Vamos recapitular?
Neste capítulo você conheceu os métodos de preparação de materiais cerâmicos. Apesar de apre-
sentarem algumas diferenças no uso de matérias-primas e no modo de produção, o vidro e o cimento
também podem ser considerados materiais cerâmicos. De maneira geral, esses materiais são preparados
nas seguintes etapas: seleção da matéria-prima, preparo da massa, moldagem e secagem.
1)
Faça um esquema listando todas as operações unitárias no processo de fabricação das
cerâmicas, do vidro e do cimento.
2)
Que cuidados uma indústria cerâmica pode adotar a fim de diminuir sua contribui-
ção para a poluição do ar?
3)
Quais as considerações que devem ser feitas na escolha do vidro em uma construção?
4)
Explique o que são vidros impressos.
5)
Qual a importância da reciclagem do vidro?
6)
As transformações físicas são aquelas que alteram o estado físico dos materiais sem
alterar sua composição química, enquanto as transformações químicas alteram
justamente a composição química. Cite uma etapa no processo de fabricação do
cimento mação química. em que ocorra uma transformação física e uma em que ocorra a transfor-
7)
Qual a importância da dosagem de aditivos no processo de fabricação dos vidros,
cimentos e cerâmicas?
30 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
30 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
3 A Indústria Soda-Cloro Para começar Neste capítulo, você irá conhecer três processos de produção
3
A Indústria
Soda-Cloro
Para começar
Neste capítulo, você irá conhecer três processos de produção de gás cloro, hidróxido de sódio e gás
hidrogênio, bem como as vantagens e desvantagens de cada processo.

3.1 Eletrólise

As reações de eletrólise são reações de oxirredução (com troca de elétrons) não espontâneas que ocorrem somente com a passagem de uma corrente elétrica.

Na eletrólise há dois eletrodos, o catodo (polo negativo), em que ocorre a redução de uma espécie, e o anodo (polo positivo), em que ocorre a oxidação de outra espécie.

Há dois tipos de eletrólise: a ígnea, que utiliza o sal fundido, e a aquosa, que usa o sal dissol- vido em água. No último caso, o próprio solvente compete com o eletrólito, podendo ser oxidado ou reduzido.

O gás cloro (Cl 2 ), a soda cáustica (NaOH) e o gás hidrogênio (H 2 ) são produzidos em paralelo pela eletrólise de salmouras (soluções concentradas de cloreto de sódio – NaCl).

31
31
Em 1774, o sueco Carl Wilhelm Scheele realizou a primeira reação que teve como produto

Em 1774, o sueco Carl Wilhelm Scheele realizou a primeira reação que teve como produto o gás cloro, misturando dióxido de manganês e ácido clorídrico. Na época, Scheele acreditava ter des- coberto algum composto contendo oxigênio.

MnO 2 + 4HCl MnCl 2 + Cl 2 + 2H 2 O

Somente em 1810 Humphry Davy, químico inglês, descobriu que esse gás era um novo ele- mento químico e deu o nome cloro por causa de sua cor (do grego c h lo ró s, que significa amarelo- -esverdeado). Cerca de cem anos mais tarde, começou a ser utilizado na síntese de produtos químicos, entre estes na produção do bis(2-cloroetil)sulfeto (gás mostarda), primeira arma química utilizada na Primeira Guerra Mundial.

Atualmente 94% do cloro produzido é consumido na indústria petroquímica. O gás é muito utilizado também para a síntese do policloreto de vinila (PVC), do poliuretano, na indústria de papel e celulose, na indústria de tintas, na síntese de ácido clorídrico e hipoclorito de sódio (princípio ativo da água sanitária), além do tratamento da água.

Já o hidróxido de sódio, popularmente conhecido como soda cáustica, é utilizado para con- trole de pH em tratamento de efluentes e de indústrias alimentícias, na produção de detergentes, sabões, borrachas remanufaturadas e vidros opacos, no tratamento da celulose; é catalisador de diversas reações de síntese e ainda tem uso doméstico, principalmente para desentupimento de pias.

Há três técnicas utilizadas nas indústrias de soda-cloro: a célula de mercúrio, a célula de dia- fragma e a célula de membrana seletiva. Todas as tecnologias empregam a eletrólise para a obtenção dos produtos. Veremos a seguir como ocorrem esses processos, bem como as vantagens e desvanta- gens de cada tipo de célula, mas antes veja um exemplo de como ocorre a eletrólise.

mas antes veja um exemplo de como ocorre a eletrólise. 32 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas,
32 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
32 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
3.1.1 Eletrólise com células de mercúrio Inicialmente a salmoura (solução concentrada de sal) passa por
3.1.1 Eletrólise com células de mercúrio
Inicialmente a salmoura (solução concentrada de sal) passa por um tratamento químico com
ajuste de pH para a
retirada de cátions indesejáveis como Mg² + , Fe² + , Fe³ + e Hg² + . O precipitado
obtido após o tratamento contém hidróxidos desses metais que serão lavados para que fiquem livres
de Hg² + que ainda possa estar solúvel.

A salmoura é então conduzida à célula eletrolítica na qual ocorrerá a eletrólise. Essa célula é formada por um anodo de grafite e um catodo móvel de mercúrio. No anodo, os íons cloreto Cl são oxidados ao gás cloro Cl 2 , enquanto no catodo os íons Na + formam o sódio metálico, que irá se com- binar ao mercúrio, formando o amálgama de mercúrio (Na(Hg)). A seguir, encontram-se as reações que ocorrem nos eletrodos, bem como a reação global.

2 NaCl (aq) 2 Na + (aq) + 2 Cl (aq)

Anodo: 2 Cl (aq) Cl 2(g) + 2e

Catodo: 2 Na + (aq) + 2 Hg 0 + 2e 2 Na(Hg)

Equação global: 2 NaCl (aq) + 2 Hg 0 Cl 2(g) + 2 Na(Hg)

Na(Hg) Equação global: 2 NaCl ( a q ) + 2 Hg 0 → Cl 2
33 A Indústria Soda-Cloro
33
A Indústria Soda-Cloro
Anodo: 2 Na(Hg) → 2 Na + + 2 Hg 0 + 2e – Catodo:
Anodo: 2 Na(Hg) → 2 Na + + 2 Hg 0 + 2e –
Catodo: 2 H 2 O + 2e – → 2 OH – (aq) + H 2(aq)
Tratamento
Tratamento
Salmoura
químico
de efluente
Cl 2
Filtração
Célula
eletrolítica
Hg
Decomposição
NaOH e
do Na(Hg)
H 2

Equação global: 2 Na(Hg)+ 2 H 2 O 2 NaOH (aq) + H 2 + Hg 0

O uso do mercúrio no catodo diminui a reatividade do sódio com a água. Assim como os outros metais alcalinos, a reação do sódio com a água é muito violenta, libera muito calor e produz o gás hidrogênio, que é explosivo. O amálgama será então conduzido a outro compartimento, a célula secundária. Nessa nova divisão, o amálgama será o anodo e irá produzir o íon Na + , enquanto no catodo de ferro ou grafite a água será reduzida a H 2 . A água é injetada contracorrente para que a rea- ção ocorra de maneira amena. A seguir, estão as reações que ocorrem na célula secundária.

Figura 3.1 – Fluxograma da eletrólise com eletrodo de mercúrio.

Reunindo as equações globais que ocorrem em cada etapa, obtém-se a seguinte equação global

para o processo:

2 NaCl (aq) + H 2 O 2 NaOH (aq) + Cl 2(g) + H 2(g)

Ao final do processo pode haver íons Hg 2+ na salmoura proveniente das células eletrolíticas. Outro fator que pode aumentar a concentração desse cátion é a queda de energia, pois quando isso ocorre o aparelho pode ficar parado por tempo suficiente para que o gás cloro formado oxide o mer- cúrio metálico a Hg² + . Por causa desses fatos, a salmoura deve ser tratada antes de retornar ao início do processo. Costuma-se adicionar agentes precipitantes, como o sulfeto de sódio (Na 2 S), que for- mará um sal insolúvel de mercúrio HgS e que poderá ser retirado por filtração.

3.1.2 Eletrólise com células tipo diafragma

Esse método utiliza um catodo de aço ou ferro e um anodo de titânio coberto por platina ou óxido de platina. Para separar os dois eletrodos, usa-se um diafragma poroso de amianto, um silicato mineral, que tem boa estabilidade química. Esse diafragma permite a troca iônica sem deixar que ocorra a difusão dos produtos. Nesse procedimento, ocorre escoamento da salmoura do anodo para o catodo, evitando reações paralelas.

Os íons Na + chegam ao catodo por escoamento e vão se juntar às hidroxilas OH formadas nesse eletrodo pela eletrólise da água, que também produz gás hidrogênio. O diafragma impede

34 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
34 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
Tratamento Salmoura químico
Tratamento
Salmoura
químico
Filtração Célula Cl 2 eletrolítica NaOH
Filtração
Célula
Cl 2
eletrolítica
NaOH

ainda que as hidroxilas cheguem ao anodo, no qual ocorre a produção do Cl 2 , que podem reagir for- mando hipoclorito de sódio e clorato de sódio.

Com o tempo, o diafragma tem que ser trocado, pois seus poros entopem devido ao ataque de produtos da eletrólise e de impurezas da salmoura. Outro problema desse método é que o amianto utilizado no diafragma é cancerígeno.

3.1.3 Eletrólise em células de membrana

É um método similar ao descrito anteriormente. Dois compartimentos, católito e anólito, são separados por uma membrana seletiva de troca catiônica que permite a passagem dos íons Na + , porém não permite a passagem dos íons OH e Cl . As primeiras membranas foram feitas de per- fluorossulfonato, atualmente utilizam-se membranas de camada dupla de ácidos perfluorcarboxílico e perfluorossulfônico. No anodo, feito de titânio, os íons Cl são oxidados a gás cloro Cl 2 . Os íons Na + migram para o catodo, feito de níquel, onde se juntam às hidroxilas provenientes da eletrólise da água, formando a solução de NaOH. Assim como na eletrólise com celas de diafragma, a eletrólise da água produz também o gás H 2 .

Tratamento de efluente
Tratamento
de efluente

H 2 2

Figura 3.2 – Fluxograma da eletrólise com células de diafragma e de membrana.

As equações que ocorrem no anodo e no catodo dos dois últimos processos estão descritas a seguir:

Anodo: 2 NaCl (aq) 2 Na + (aq) + 2 Cl (aq)

2 Cl (aq) Cl 2(g) + 2e

Catodo: 2 H 2 O + 2e 2 OH (aq) + H 2(g)

2 Na + (aq) + 2 OH (aq) 2 NaOH(aq)

Reação global: 2 NaCl (aq) +2 H 2 O 2 NaOH (aq) +Cl 2(g) + H 2(g)

35 A Indústria Soda-Cloro
35
A Indústria Soda-Cloro
Como podemos perceber, os três processos fornecem a mesma reação global. Tabela 3.1 –Comparação das
Como podemos perceber, os três processos fornecem a mesma reação global.
Tabela 3.1 –Comparação das células eletrolíticas
VVaannttaaggeennss
DDeessvvaannttaaggeennss
A soda cáustica não necessita de operação de
concentração.
Maior consumo de energia elétrica.
O mercúrio é poluente, porém, pode ser controlado.
Célula de mercúrio
Produtos com qualidade.
As matérias-primas não precisam ser de alta pureza.
Menor consumo de energia elétrica.
Exige concentração da soda cáustica.
O segundo processo em utilização no mundo.
Célula de diafragma
As matérias-primas precisam ser de alta pureza.
Os produtos são impuros.
O custo de manutenção do diafragma é alto.
O asbesto é material tóxico.
Baixo consumo de energia.
As matérias-primas precisam ser de alta pureza.
Célula de membrana
Boa qualidade dos produtos.
A manutenção é cara.
Não é poluente nem tóxico.
Vamos recapitular?
Neste capítulo você conheceu três processos de produção de gás cloro, soda cáustica e gás hidro-
gênio, todos eles a partir da eletrólise de salmouras. Após conhecer suas vantagens e desvantagens, pode-
mos utiliza perceber célula de que, membrana. apesar de apresentar alto custo de manutenção, o processo mais vantajoso é o que
1) Quais as características das reações de eletrólise? 2) Quais os produtos da eletrólise aquosa
1)
Quais as características das reações de eletrólise?
2)
Quais os produtos da eletrólise aquosa do MgCl 2 ? Equacione as semirreações no
anodo e no catodo e a reação global.
3)
Se a eletrólise fosse realizada utilizando cloreto de zinco, ZnCl 2 , seria formado algum
hidróxido? Justifique.
4)
Qual a importância do tratamento químico das salmouras?
5)
Por que podemos dizer que o processo que utiliza a célula de membrana é o mais
vantajoso?
6)
Que controles um técnico deve ter no processo que utiliza eletrodos de mercúrio?
36 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
4 Fertilizantes Para começar Neste capítulo você irá conhecer a importância dos ertilizantes para a
4
Fertilizantes
Para começar
Neste capítulo você irá conhecer a importância dos ertilizantes para a agricultura, assim como as
ormas de produção dos seus dierentes tipos.

4.1 Introdução

Os ertilizantes têm como unção ornecer ao solo os nutrientes necessários para o bom cresci- mento do cultivo agrícola ou repor esses nutrientes após a colheita. Podem ser orgânicos ou inorgâ- nicos, naturais ou sintéticos.

Os elementos que compõem os ertilizantes são classificados em macro e micronutrientes. Os macronutrientes (nitrogênio, carbono, potássio, ósoro, hidrogênio, enxore, cálcio e magnésio) são aqueles de que a planta necessita em maior quantidade, ao passo que os micronutrientes (cloro, boro, zinco, sódio, manganês, cobalto, silício, erro e cobre) são necessários em quantidades menores. Porém, as maiores deficiências do solo costumam ser dos nutrientes ontes de nitrogênio, ósoro e potássio.

duos asálticos As principais do petróleo, matérias-primas nafa, rochas utilizadas osáticas, na produção rochas potássicas de ertilizantes e de enxore. são o gás natural, resí-

37
37
m o c . k c o t s r e t t u h
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F

Figura 4.1 – Aplicação de ertilizantes em uma plantação.

4.2 Qualidade

Os ertilizantes têm sua qualidade medida de acordo com a granulometria e a fluidez, que irão aetar, respectivamente, a dissolução e a acilidade de escoamento; e a consistência, que é responsável pela resistência dos grãos, permitindo armazenagem e transporte.

4.3 Fertilizantes fontes de nitrogênio

O nitrogênio constitui as proteínas e a clorofila, essencial para a otossíntese. Assim, ertilizan-

tes nitrogenados são muito utilizados para maior produtividade agrícola.

A matéria-prima para esses ertilizantes é a amônia. Esta, por sua vez, é sintetizada pela reação

do nitrogênio do ar com o hidrogênio proveniente da nafa do petróleo.

N 2(g) + 3H 2(g) 2NH 3(g)

As principais ontes de nitrogênio para as plantas são a ureia, o sulato de amônio, misturas contendo nitrogênio e ósoro (MAP e DAP) e o nitrocálcio.

38 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
38 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
4.3.1 Ureia 2 ) 2 CO é o que apresenta a maior concen- tração de

4.3.1 Ureia

2 ) 2 CO é o que apresenta a maior concen-

tração de nitrogênio, além de ser a mais estável quimicamente. É sintetizada reagindo-se a amônia

com gás carbônico.

Dentre todos os ertilizantes sólidos, a ureia (NH

2 NH 3(g) + CO 2(g) (NH 2 ) 2 CO (s) + H 2 O (g)

4.3.2 Sulfato de amônio

Apesar de ter uma concentração de nitrogênio mais baixa que a ureia, o sulato de amônio

possui 20% de enxore em sua composição. É muito utilizado quando o solo, além de

(NH 4 ) 2 SO 4

necessitar de nitrogênio, é pobre em enxore.

39 F er t i l i z a nt es
39
F er t i l i z a nt es
É sintetizado a partir da reação de neutralização da amônia com ácido sulúrico. 2 N

É sintetizado a partir da reação de neutralização da amônia com ácido sulúrico.

2 NH 3(g) + H 2 SO 4(aq) (NH 4 ) 2 SO 4(aq)

Fosfato monoamônico MAP e fosfato diamônico DAP

4.3.3

O

(NH 4 )H 2 PO 4 e hidrogenoosato de amônio (NH 4 ) 2 HPO 4 , são vendidos na orma de misturas gra- nuladas como ertilizantes secos. Além de ornecer nitrogênio, também são grandes ontes de ós- oro. São sintetizados a partir da neutralização da amônia com ácido osórico.

MAP e o DAP, cujos nomes IUPAC são respectivamente di-hidrogenoosato de amônio

NH 3(g) + H 3 PO 4(aq) (NH 4 )H 2 PO 4(aq)

2 NH 3(g) + H 3 PO 4(aq) (NH 4 ) 2 HPO 4(aq)

4.3.4 Nitrocálcio

Dentre todos os ertilizantes nitrogenados o nitrocálcio é o mais instável quimicamente no solo. Possui em sua composição 7% de cálcio. Consiste na mistura do sal nitrato de amônio, NH 4 NO 3 , e o calcário, CaCO 3 , ambos sólidos.

O nitrato de amônio, por sua vez, é sintetizado a partir dareação entre nitrato de prata e amônia.

NH 3(aq) + AgNO 3(aq) + H 2 O (l) NH 4 NO 3(aq) + AgOH (aq)

A amônia diluída em água orma a solução de NH 4 OH, que também costuma ser utilizada

como onte de nitrogênio.

NH 3(g) + H 2 O (l) NH 4 OH (aq)

4.4 Fertilizantes fontes de fósforo

O ósoro participa de processos como armazenamento e controle do uso da energia, além de

contribuir para o crescimento de raízes e rutos e na qualidade dos grãos. Esse elemento é encon- trado nas rochas em orma de osatos, logo as principais matérias-primas para a produção de ertili- zantes osatados são as rochas osáticas e o enxore.

As principais ontes de enxore utilizadas são os osatos de amônio, já citados anteriormente, o superosato simples, o superosato duplo ou triplo e o termoosato.

4.4.1

Superfosfato simples

 

O

superosato simples, CaHPO

. 2H

O, é vendido na orma granulada ou pulverizada. Pos-

sui 20% de ósoro, 16% de cálcio e 12% de enxore em sua composição. É vantajoso por não alterar as propriedades ísico-químicas do solo. É produzido a partir do tratamento da rocha osática com ácido sulúrico.

4

2

Ca 3 (PO 4 ) 2(s) + H 2 SO 4(aq) 2 CaHPO 4(aq) + CaSO 4(aq)

40 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
40 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
4.4.2 A a as propriedades do solo. A 4.4.3 É e
4.4.2
A
a
as propriedades do solo.
A
4.4.3
É
e

Termofosfato

Superfosfato triplo

principal dierença entre o superosato triplo, Ca(HPO 4 ) 2 . 2H 2 O, e o superosato simples é

dierença de concentração do ósoro, que chega a 45%. O superosato simples também não altera

rocha osática é tratada com ácido sulúrico e ácido osórico, produzindo então o osato

triplo e gesso CaSO 4 como subprodutos.

Ca 3 (PO 4 ) 2(s) + H 2 SO 4(aq) + 2 H 3 PO 4(aq) 2 Ca(HPO 4 ) 2(aq) + CaSO 4(aq) + 4 H + (aq)

preparado a partir do aquecimento de rochas osáticas enriquecidas com silicatos de cálcio

magnésio, chegando à temperatura de 1500 °C quando unde. A rocha incandescente é então res-

riada com jatos de água, transormando-se em um pó granulado. Além de ser onte de ósoro, pode

apresentar em sua composição até 16% de cálcio, além de 5% de magnésio e silício.

Todos os ertilizantes nitrogenados e osatados que são comercializados na orma sólida, mas são sintetizados na orma aquosa, têm a água evaporada após a síntese para serem obtidos na orma comercial.

Exemplo Estequiometria Através de cálculos estequiométricos é possível prever a massa dos produtos de uma
Exemplo
Estequiometria
Através de cálculos estequiométricos é possível prever a massa dos produtos de uma reação, a quantidade de reagentes
necessária, o rendimento de uma reação e o grau de pureza dos produtos. Para fazer esses cálculos basta conhecer a
reação e a relação a seguir para fazer as contas, que são regras de três simples:
1 mol = 6 x 10 23 moléculas = X gramas = 22,4 L
em que X é a massa do composto que será vista na tabela periódica.
Hidrogênio gasoso reage com nitrogênio gasoso em altas temperaturas e pressão para formar amônia, de acordo com a
reação a seguir:
N 2(g) + 3
H 2(g) → 2
NH 3(g)
a) Qual a massa de amônia produzida a partir de 18 g de hidrogênio? Dados: massa do H = 1g/mol; massa do
N = 14 g/mol.
Pela reação e pelos dados de massa da tabela periódica, podemos tirar a primeira linha da regra de três; a segunda
será obtida a partir do enunciado da questão.
Massa de H 2
Massa de NH 3
3mol x 2g
2mol x 17g
=
18g
x
18 . 2 .
17
x =
= 102 g
3 . 2
41 F er t i l i z a nt es
41
F er t i l i z a nt es
b) Qual o rendimento da reação, sabendo que foram produzidos somente 96 g? Sabemos que
b) Qual o rendimento da reação, sabendo que foram produzidos somente 96 g?
Sabemos que 102 g seriam produzidos se o rendimento fosse de 100%, ou seja, se todo o hidrogênio reagisse.
Como foram produzidos somente 96 g, temos que descobrir qual a porcentagem do hidrogênio que reagiu, ou seja,
qual o rendimento da reação.
102 g
100%
=
9g6
x
96 . 100
x =
= 94%
102
4.5 Fertilizantes fontes de potássio

O potássio é responsável pelo equilíbrio de cargas no interior da célula e pela hidratação da planta. Esse elemento é encontrado em minerais como a silvita, a silvinita, a carnalita e a langbenita. O potássio é ornecido ao solo diretamente da matéria-prima, ou seja, não é necessário nenhum tra- tamento térmico ou químico para colocá-lo no solo. O cloreto de potássio, KCl, e o sulato de potás- sio, K 2 SO 4 , são os sais mais utilizados como ertilizantes.

4 , são os sais mais utilizados como ertilizantes. Figura 4.3 – Silvita. m o c

Figura 4.3 – Silvita.

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42 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
42 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
4.6 Impactos ao ambiente
4.6 Impactos ao ambiente

Como já vimos, o gesso é um dos produtos do tratamento ácido de rochas osáticas na produ- ção de ertilizantes osatados. Esse gesso é guardado em pilhas e necessita de um cuidado especial para que nem ele nem as águas ácidas residuais atinjam os lençóis reáticos. O gesso produzido pode ter duas finalidades: servir como corretor de acidez do solo após ser tratado ou ser enviado para a indústria de construção civil.

A indústria de ertilizantes produz efluentes líquidos ácidos e alcalinos que devem ser tratados e neutralizados antes de serem descartados.

Quanto à poluição atmosérica, são emitidos pelas ábricas produtoras de ácido os gases dos

óxidos tos e carbonatos de enxore e do e de processo nitrogênio, de granulação. além de material particulado provenientes da produção de nitra-

Exemplo O pH ou potencial hidrogeniônico pode ser calculado a partir da fórmula: pH =
Exemplo
O pH ou potencial hidrogeniônico pode ser calculado a partir da fórmula:
pH = – log [H+],
em que [H+] é a concentração do íon hidrogênio no meio.
Qual o pH de uma amostra de solo que apresenta concentração de cátion hidrogênio igual a 0,03 mol/L?
pH = – log [H + ]
pH = – log [0,03]
pH = – log [10 –3 ]
.
pH = – 3
(-log 10), com log 10 =1
pH = 3
43 F er t i l i z a nt es
43
F er t i l i z a nt es
4.7 Informações de periculosidade e efeitos ao ambiente 4.7.1 Ureia A ureia é um sólido
4.7 Informações de periculosidade e
efeitos ao ambiente
4.7.1 Ureia
A ureia é um sólido branco, corrosivo e irritante à pele que se decompõe quando aquecida.
Reage violentamente com oxidantes ortes, nitritos, cloretos e percloratos inorgânicos, causando
incêndio e explosão. Não causa danos à auna e flora aquáticas.
4.7.2 Sulfato de amônio
É um sólido branco que apresenta pH na aixa de 3,5-5,0 quando dissolvido em água. A com-
bustão de amônio pode resultar na emissão de gases tóxicos de óxidos de nitrogênio. É biodegradá-
vel, não sendo prejudicial ao ambiente.
4.7.3
MAP e DAP
O
MAP e o DAP são sólidos brancos solúveis em água que apresentam pH alcalino. Reagem

com hipoclorito de sódio e se decompõem em temperaturas altas, produzindo gases tóxicos como amônia e óxidos de nitrogênio e ósoro. Podem saturar cursos de água em nitrogênio e ósoro.

4.7.4

Superfosfato simples

O

superosato simples é um sólido que apresenta alta solubilidade em água, e seu pH varia na

aixa de 2,5 a 3,0. Desse modo, pode diminuir o teor mineral devido à sua acidez.

Se exposto a altas temperaturas, pode se decompor, liberando gases osatados tóxicos que podem causar problemas respiratórios.

4.7.5 Superfosfato triplo

Bastante solúvel em água, apresenta pH menor que 4,5. Sua alta solubilidade permite que seja rapidamente incorporado pelas plantas. Pode contaminar cursos de água, saturando-os em ósoro.

Assim como o superosato simples, decompõe-se liberando gases osatados tóxicos se exposto a altas temperaturas.

Em contato com materiais alcalinos, gera o gás amônia.

4.7.6 Termofosfato

É um sólido preto ou marrom, parcialmente solúvel em água, que apresenta pH maior que 7. Por não ser muito solúvel, não é tóxico para a vida aquática e não é bioacumulativo.

44 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
44 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
4.8 Adubação orgânica A adubação orgânica consiste na inserção, no solo, de resíduos de srcem
4.8 Adubação orgânica
A adubação orgânica consiste na inserção, no solo, de resíduos de srcem animal e vegetal que
O esterco é o adubo orgânico de srcem animal mais usado. É ormado por excrementos
sólido e líquidos misturados ou não com restos vegetais. É uma onte rápida de potássio, ósoro
e cálcio. O nitrogênio e o carbono serão disponíveis à medida que o material vai entrando em
decomposição.
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ao se decomporem pela ação de micro-organismos se transormam em húmus, um líquido rico em nitrogênio e carbono.

cada sara. Os adubos Também de srcem é comum vegetal o uso normalmente de resíduos agroindustriais, são provenientes como dos a restos vinhaça deixados e a torta ao de fim filtro, de oriundos das destilarias de álcool e da indústria açucareira, respectivamente.

Figura 4.4 – Esterco utilizado como adubo orgânico.

A adubação orgânica apresenta diversas vantagens, como a melhora da agregação do solo, retenção de água diminuindo a erosão, diminuição da variação de temperatura do solo. Porém, o adubo orgânico muitas vezes não supre a necessidade de nutrientes que se deve ornecer ao solo, a não ser que sejam adicionados adubos orgânicos em grande quantidade.

45 F er t i l i z a nt es
45
F er t i l i z a nt es
Vamos recapitular? Neste capítulo você conheceu os meios de produção e obtenção dos ertilizantes, assim
Vamos recapitular?
Neste capítulo você conheceu os meios de produção e obtenção dos ertilizantes, assim como suas
unções para as plantas. Você também pôde conhecer os perigos que alguns ertilizantes podem causar e
ainda o processo de adubação orgânica.
1)
A cal virgem, jogada ao solo, entra em contato com a água, produzindo a cal hidra-
tada, de acordo com a equação a seguir:
CaO + H 2 O → Ca(OH) 2
Se, na correção de um solo ácido oram utilizados 15 gramas de cal virgem, que apre-
senta 60% em massa de CaO, qual será massa de cal hidratada obtida?
2)
Qual o pH de uma amostra de solo que apresenta concentração de cátion hidrogênio
igual a 0,01 mol/L?
3)
Qual o pH de uma amostra de solo que apresenta concentração de cátion hidrogênio
igual a 0,03? Dado log 3 = 0,47.
4)
De acordo com a síntese da ureia, qual a quantidade dessa substância que é produzi-
da a partir de 170 g de amônia, sabendo que a reação apresenta 100% de rendimento?
5)
Uma amostra de 5 kg de uma rocha osática é aquecida para a obtenção do termo-
osato. Sabendo que oram obtidos 2 kg do ertilizante, determine o percentual desse
componente na rocha.
6)
A granulometria é uma das propriedades que determina a qualidade dos ertilizantes.
Quanto maiores os grãos, pior a eficiência do ertilizante. Justifique.
7)
Quais são as vantagens e as desvantagens da adubação orgânica?
46 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
46 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
5 Gases Industriais Para começar Neste capítulo você vai conhecer os gases utilizados nas indústrias,
5
Gases
Industriais
Para começar
Neste capítulo você vai conhecer os gases utilizados nas indústrias, bem como suas funcionalida-
des e métodos de produção.

5.1 O que são gases industriais?

Os gases industriais são aqueles fabricados e vendidos para a utilização em diversos setores

com diversas aplicações. Podem s er orgânicos ou inorgânicos, retirados diretamente da ou sintetizados.

São utilizados em diversos setores industriais, como nas indústrias de petróleo e gás, siderúr- gicas, eletrônicas, automobilísticas, químicas, alimentícias, farmacêuticas, de borrachas e plásticos, papel e celulose, entre outras.

atmosfera

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47
Tabela 5.1 –Gases e suas demandas GGaasseessiinndduussttrriiaaiiss SSeettoorreessddeemmaannddaanntteess Bebidas Gelo
Tabela 5.1 –Gases e suas demandas
GGaasseessiinndduussttrriiaaiiss
SSeettoorreessddeemmaannddaanntteess
Bebidas
Gelo seco
Gás carbônico
Indústria têxtil
Saneamento
Metalurgia
Hospitalar
Gases atmosféricos
Química
Nitrogênio
Mecânica
Oxigênio
Metalúrgica
Argônio
Siderúrgica
Transporte
Alimentos
Hidrogênio
Química
Fertilizantes
Acetileno
Eletroeletrônica

Na Tabela 5.1 você irá encontrar as demandas de alguns gases industriais.

Os gases são ainda classificados como gases industriais ou medicinais:

GGaasseessiinndduussttrriiaaiiss GGaasseessmmeeddiicciinnaaiiss Oxigênio Nitrogênio Argônio Óxido nitroso
GGaasseessiinndduussttrriiaaiiss
GGaasseessmmeeddiicciinnaaiiss
Oxigênio
Nitrogênio
Argônio
Óxido nitroso
Dióxido de carbono
Hidrogênio
Oxigênio
Óxido nitroso
Misturas binárias ou terciárias

Além disso, podem ainda ser classificados como gases especiais, que são gases mais raros, que existem em pouca quantidade, como o hélio, e ainda quanto ao tipo de obtenção, que pode ser por fracionamento do ar atmosférico ou por processos químicos.

pesquisas Além e usos de todas para essas o gás aplicações, combustível, os visto setores que de uma ciência de nossas e tecnologia maiores têm fontes investido de energia, bastante o petró- em leo, tende a acabar.

48 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
48 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
5.2 Gases industriais, aplicações e obtenção 5.2.1 Nitrogênio Nossa atmosfera é composta por 78% de
5.2 Gases industriais, aplicações e obtenção
5.2.1 Nitrogênio
Nossa atmosfera é composta por 78% de gás nitrogênio, 21% de gás oxigênio e 1% de outros
gases. Apesar de ser muito abundante na atmosfera, o nitrogênio encontra-se em uma concentração
muito baixa na crosta terrestre, de apenas 19 ppm (partes por milhão).
O nitrogênio é um gás inerte e não participa da nossa respiração, porém esse elemento é indis-
pensável ao nosso organismo, pois faz parte das proteínas que formam nosso corpo, assim como das
moléculas formadoras do DNA. Assim, nosso organismo consegue todo o nitrogênio necessário por
meio da alimentação.
Alguns micro-organismos têm a capacidade de fixar o nitrogênio, tornando-o disponível para
absorção pelas plantas. Essas plantas são a maior fonte de nitrogênio para a alimentação dos animais.
O gás nitrogênio tem grande aplicação na indústria química, por exemplo quando é necessária
a utilização de uma atmosfera inerte nas reações. O nitrogênio líquido é utilizado como gás refrige-

rante na indústria de alimentos para o congelamento e transporte e também na indústria química, quando se deseja chegar a temperaturas muito baixas. O nitrogênio líquido fornece ao sistema uma temperatura de –78 ºC.

líquido fornece ao sistema uma temperatura de –78 ºC. m o c . k c o

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Figura 5.1 – Nitrogênio líquido.

49 Gases Industriais
49
Gases Industriais
O maior uso do gás nitrogênio pela indústria química é na produção de amônia (NH

O

maior uso do gás nitrogênio pela indústria química é na produção de amônia (NH 3 ).

N 2(g) + 3 H 2(g) 2 NH 3(g)

Esse gás, por sua vez, é utilizado como gás refrigerante na produção de gelo e na manutenção de baixas temperaturas em diversas indústrias. A amônia também é matéria-prima para a produção de ácido nítrico e para a síntese da ureia, (NH 2 ) 2 CO, e de outros fertilizantes.

2 NH 3(g) + CO 2(g) (NH 2 ) 2 CO (s) + H 2 O (g)

A

obtenção do nitrogênio em larga escala atualmente ocorre somente por um processo: a

liquefação seguida da destilação fracionada do ar atmosférico. Como os gases presentes na atmosfera

apresentam pontos de ebulição muito próximos, é necessário que a destilação fracionada seja ben- feita para a separação bem-sucedida dos componentes.

5.2.2 Oxigênio

O

gás oxigênio é o segundo mais abundante de nossa atmosfera. É um gás inodoro, incolor,

insípido e atóxico. Sozinho não é inflamável, mas é um gás comburente, ou seja, alimenta chamas,

podendo causar explosões. Possui um alto poder oxidante. É indispensável ao nosso organismo, visto que faz parte de nossa respiração e das reações de produção de energia para nosso corpo.

Nas indústrias metalúrgicas e siderúrgicas, o oxigênio é utilizado para a combustão e ajuste do teor de carbono no aço e na solda. A combustão permite aumentar a concentração de CO 2 nos fumos industriais, sendo a primeira etapa de armazenagem desse gás.

É utilizado ainda como branqueador nas indústrias de papel e celulose, representando uma

opção micro-organismos, para a não utilização aumenta a do atividade cloro. No biológica. tratamento de efluentes que utilizam o lodo ativado por

Também é muito utilizado em aparelhos de respiração artificial em hospitais e em cilindros de mergulho.

Assim como o gás nitrogênio, o gás oxigênio também é obtido pela liquefação do ar atmosfé- rico e destilação fracionada do ar liquefeito.

5.2.3

Argônio

O

argônio é um gás nobre, incolor, inodoro, insípido e inerte. Foi o primeiro gás nobre a

ser descoberto em nosso planeta, visto que já se havia descoberto o gás hélio no Sol por métodos

espectroscópicos.

O argônio é produzido de maneira natural pelo decaimento do isótopo radioativo potás-

sio-40 tamente existente das rochas nas para rochas, a atmosfera. através da A emissão datação de de uma argônio-potássio partícula β (beta). em rochas O argônio é utilizada migra para len- calcular a idade da Terra.

Os principais usos para o argônio são a soldagem de metais que necessitam de uma atmosfera inerte para que não sofram oxidação, como alumínio, aço inoxidável, zircônio, titânio e urânio; a

50 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
50 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
O de absorção atômica usados em laboratórios de química analítica. O nada do ar atmosférico.
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de absorção atômica usados em laboratórios de química analítica.
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nada do ar atmosférico.

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fabricação de cristais de semicondutores; e em extintores de incêndio utilizados em locais com mate- riais que necessitam de cuidados especiais, como microcomputadores e documentos históricos.

argônio também é utilizado como gás inerte em lâmpadas para aparelhos de espectrometria

argônio é obtido juntamente com o nitrogênio e o oxigênio na liquefação e destilação fracio-

Figura 5.2 – Atmosfera inerte de argônio.

fracio- Figura 5.2 – Atmosfera inerte de argônio. 5.2.4 Hidrogênio O hidrogênio é o elemento mais

5.2.4 Hidrogênio

O hidrogênio é o elemento mais leve da tabela periódica. Não é encontrado puro em nosso

planeta, então fornecer estando energia sempre para ligado dissociá-lo. a outro elemento químico. Para se obter o gás hidrogênio, é necessário

Esse gás foi sintetizado pela primeira vez misturando-se ácido sulfúrico com ferro. Mais tarde observou-se que a reação entre ácido clorídrico e zinco também produzia esse gás.

51 Gases Industriais
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Gases Industriais
2 e H 2 ,
2 e H 2 ,

Atualmente há vários processos de produção de hidrogênio, todos eles necessitando de energia para ocorrer.

A

eletrólise da água utiliza células com membranas de troca iônica é uma técnica que pro-

duz hidrogênio gasoso perfeitamente puro e pode utilizar energia renovável, como solar, eólica ou hídrica. Porém, atualmente, são utilizadas somente fontes de energia não renováveis e poluidoras.

2 H 2 O (l) 2 H 2(g) + O 2(g)

A

reforma a vapor de hidrocarbonetos é um processo muito utilizado para a geração do gás

hidrogênio nas refinarias de petróleo. Esse processo consiste no aquecimento do gás natural e dos gases produzidos na refinaria, todos eles hidrocarbonetos, com vapor d’água sob altas temperaturas e utilizando-se um catalisador.

CH 4(g) + H 2 O (g) CO (g) + 3H 2(g)

O

monóxido de carbono pode continuar reagindo com o vapor d’água, produzindo CO

aumentando assim o rendimento na produção de hidrogênio.

tende a se esgotar no futuro.

A

desvantagem desse processo é que a matéria-prima utilizada é uma fonte não renovável e

O hidrogênio pode ser sintetizado ainda pela reação de metais alcalinos com água e de ácidos

clorídrico ou sulfúrico com metais como ferro ou zinco.

Na (s) + H 2 O (l) NaOH (aq) + H 2(g)

2 HCl (aq) + Zn (s) H 2(g) + ZnCl 2(aq)

poluentes Processos e não necessitam biológicos de de produção matéria-prima de hidrogênio não renovável. têm ganhado bastante destaque, pois não são

Na década de 1990 foram descobertas bactérias que produzem uma enzima resistente ao calor que é capaz de degradar a molécula de glicose produzindo hidrogênio. Essa tecnologia pode ser usada para esse fim a partir da celulose da madeira, que é um polímero da glicose. O calor pode ser usado, visto que as enzimas são resistentes, para acelerar o processo. Recentemente foram descober- tas microalgas capazes de produzir hidrogênio em condições específicas.

O hidrogênio é um gás inflamável e explosivo, logo deve ser armazenado e transportado com

cuidado, longe de materiais que produzam fogo ou faíscas.

O gás hidrogênio é utilizado na síntese da amônia, ácido clorídrico e metanol, por exemplo.

Também é muito usado na indústria alimentícia para a saturação de gorduras que serão utilizadas em margarinas e chocolates. O deutério (hidrogênio-2), isótopo do hidrogênio, é utilizado em usinas

de fusão nuclear, produzindo energia.

52 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
52 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
O O 5.2.5 Hélio O
O
O
5.2.5
Hélio
O

maior uso do gás hidrogênio está nas refinarias de petróleo. As próprias refinarias produzem

o gás a partir da reforma a vapor e o utilizam em diversos processos de produção de derivados de petróleo, como hidrodessulforização e hidrocraqueamento.

hidrogênio tem sido chamado de combustível do futuro, pois estuda-se a possibilidade de

esse material substituir os derivados do petróleo, fonte que irá se esgotar. A combustão do hidrogê- nio, além de não gerar gases poluentes, é a que gera maior quantidade de energia, 142 KJ, ao passo

que a gasolina libera 48 KJ. O problema do uso do hidrogênio como combustível são os processos caros de obtenção desse gás.

gás hélio monoatômico, incolor e inodoro, apresenta o menor ponto de ebulição (–268,93 °C)

de todos os elementos químicos. É o segundo elemento mais abundante no universo, atrás somente do hidrogênio, porém é escasso na nossa atmosfera terrestre. Pode ser encontrado em depósitos sub-

terrâneos naturais de gás em quantidade para exploração. É utilizado no enchimento de balões e dirigíveis, como líquido refrigerante de materiais supercondutores.

5.2.6 Acetileno

O acetileno é um gás de fórmula molecular C 2 H 2 bastante reativo devido à ligação tripla entre

os carbonos. Sofre polimerização e ciclização facilmente. É um gás explosivo se for armazenado em altas pressões, por isso deve ser armazenado com gases inertes, que diminuem o risco de explosão, e não deve ser comprimido a pressões acima de 2 atm.

Não é comum se encontrar acetileno na composição do petróleo, por se tratar de um gás muito reativo, porém durante os processos de refino esse gás pode ser produzido. Nas indústrias químicas, o acetileno é produzido a partir da reação do carbureto de cálcio, CaC 2 , com água. O carbureto por sua vez é sintetizado a partir da reação de cal, CaO, com carvão em fornos elétricos.

CaO (s) + C (s) CaC 2(s) + CO (g)

CaC 2(s) + H 2 O (l) C 2 H 2(g) + Ca(OH) 2(aq)

A síntese por via úmida utiliza um excesso de água que absorve a energia térmica liberada na

reação e forma uma suspensão de hidróxido de cálcio. Na via seca é utilizada somente a quantidade de água necessária para a reação, sendo o pequeno excesso vaporizado pelo calor da reação. Forma-

-se nesse processo hidróxido de cálcio finamente dividido.

As principais etapas do processo são a geração do gás, a purificação e o armazenamento. O flu- xograma na Figura 5.3 apresenta um esquema da produção do acetileno.

53 Gases Industriais
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Gases Industriais
CaC 2 C 2 H 2 H 2 O Reator Resfriador Compressor Cilindros Decantador Secador
CaC 2
C 2 H 2
H 2 O
Reator
Resfriador
Compressor
Cilindros
Decantador
Secador
Secador
H 2 O
Ca(OH) 2
Purificador
Filtro
Figura 5.3 – Fluxograma ilustrando a produção do acetileno.

O

acetileno é usado como gás combustível em maçaricos e como matéria-prima para a síntese

de

diversos compostos orgânicos.

5.2.7

O

Dióxido de carbono

dióxido de carbono, também chamado de gás carbônico, é essencial para a manutenção da

vida na Terra, pois é responsável pelo efeito estufa, fenômeno que mantém o planeta na temperatura ideal para a vida. Além disso, o gás é utilizado pelas plantas para a realização da fotossíntese como fonte de carbono para a produção de glicose.

O CO 2 é obtido a partir da combustão completa de compostos que contêm carbono. Além

de ser liberado na respiração de seres vivos, pelos motores de automóveis, também é produzido em

diversos processos industriais. Algumas indústrias o capturam não só para a diminuição da emissão desse gás poluente como também para a reutilização em processos da própria indústria ou para ven- der para outras.

O gás carbônico é utilizado na indústria alimentícia para congelamento e conservação de ali-

mentos e para a gaseificação de bebidas. No ramo hospitalar, é utilizado em laboratórios de análise sanguínea, junto com outros gases. Também é muito usado em extintores de incêndio e em tubu- lações e cilindros de armazenagem de materiais inflamáveis. É utilizado também no tratamento de efluentes alcalinos e na soldagem de metais.

5.2.8 Monóxido de carbono

O monóxido de carbono é resultado da combustão incompleta de um composto de carbono.

A combustão incompleta ocorre quando não há quantidade suficiente de oxigênio para a forma-

ção de CO 2 .

O CO é um gás extremamente tóxico e, se inalado em grande quantidade, pode causar a morte

por asfixia.

54 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
54 Processos Químicos Industriais – Matérias-primas, Técnicas de Produção e Métodos de Controle de Corrosão
A produção industrial do monóxido de carbono é feita por meio da reforma catalítica a

A produção industrial do monóxido de carbono é feita por meio da reforma catalítica a vapor

do carvão ou do metano e outros hidrocarbonetos com vapor d’água. A mistura de gases produzida é chamada de gás de síntese. A produção mais eficiente que utiliza esse método encontra-se nas indús- trias petroquímicas.

C (s) + H 2 O (g)