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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL

UNIVERSIDADE FEDERAL DO SUL E SUDESTE DO PARÁ


CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE MARABÁ
INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS (ICH)
FACULDADE DE EDUCAÇÃO DO CAMPO
CURSO DE LICENCIATURA EM HISTÓRIA
DISCIPLINA: RELAÇÕES DE TRABALHO E DE PODER NO MUNDO MEDIEVAL
PROFESSOR: FÁBIO PESSÔA

ESTUDO DIRIGIDO

TEXTO 6: 3ª PARTE – FRANCO JUNIOR. Hilário. “As estruturas sociais”. In: A Idade média:
nascimento do ocidente. -- 2. ed. rev. e ampl. -- São Paulo: Brasiliense, 2001, p. 112-137.

III - AS ESTRUTURAS SOCIAIS

1. História Social e Fragmentação: Muitas vezes esses estudos isolam de tal maneira seu objeto
que parecem esquecer que nenhum grupo vive separado. Apesar de a História Social ter
privilegiado a noção de estrutura antes que outros campos das Ciências Humanas, ela encontra-
se atualmente tão estilhaçada em nichos de hiperespecialização que perdeu sua identidade. (112)

2. Foco do autor: “compreender apenas as hierarquias e as formas de relações sociais da Idade


Média, [...] sem perder de vista suas fortes conexões com as relações econômicas, políticas,
religiosas, culturais e mentais, estudadas separadamente nos capítulos correspondentes.” (112)

3. A redefinição da Primeira Idade Média

3.1. Crise do Império Romano: cristalização da hierarquia social criou uma enorme distância
social entre as várias camadas.

3.2. As incursões bárbaras reafirmaram o princípio do parentesco em detrimento da cidadania:


outras clivagens sociais.

4. A aristocratização da Alta Idade Média

4.1. Ausência de uma “classe média” (comerciantes, artesão) consistente: polarização entre os
proprietários fundiários, de um lado, e os camponeses despossuídos, de outro. (117)

4.2. Clivagens:
4.2.1. Aristocracia (grandes proprietários) descendia da romana, da germânica ou ainda
de ambas, devido à fusão que ocorrera no período anterior. Era, portanto, constituída por famílias
que há muito possuíam grandes latifúndios.
4.2.2. Aristocracia eclesiástica: também de mesma origem e administradora de terras;

4.2.3. Proprietários fundiários: pequenos e médios proprietários, camponeses livres (pagenses)


que trabalhavam sua terra com a ajuda de familiares e uns poucos escravos.

4.3. Relações sociais: união de duas instituições preexistentes, a do benefício e a da vassalagem.

4.3.1. Benefício: “concessão da posse (e não da propriedade) de uma terra para remunerar
determinado serviço”. (117)
4.3.2. Vassalagem: importante perceber as diferenças no tempo e no espaço.

a) designara no século VI a dependência servil de uma pessoa a outra;


b) No século VII, relação de homens livres inferiores;
c) A partir do século VIII indicava uma ligação social entre elementos da aristocracia. Desde
então, somente um vassalo (servidor fiel) poderia receber um benefício — termo substituído entre
fins do século IX e fins do XI, conforme o local, por “feudo” — como remuneração por seus
serviços. (118)

4.3.3. As relações sociais entre membros da aristocracia (laica e/ou clerical): davam-se através de
práticas econômicas (terra entregue ou recebida), políticas (poderes naquela terra) e religiosas
(juramento de fidelidade).

4.4. No outro extremo da sociedade carolíngia estavam os trabalhadores (difícil e controversa


definição)

a) Os assalariados (itinerantes, geralmente artesãos) constituíam um pequeno grupo de homens


sem terra, nem laços de dependência;
b) colonos: pagenses ou escravos. A servidão depois tornou-se a principal relação social (10% do
conjunto dos trabalhadores rurais, mas sua importância cresceria bastante na Idade Média
Central);
c) Escravos: controvérsia quanto ao seu alcance e significado no período (Marc Bloch/ Renée
Doehaerd)

4.5. Servidão.

4.5.1. Não há consenso sobre a origem. Possivelmente, eles foram produto de mudanças ocorridas
na situação jurídico-econômica dos escravos que tinham recebido lotes de terra
(servi casati), e dos colonos, que iam perdendo sua condição teórica de homens livres. (118)

5. A feudo-clericalização dos séculos XI-XII – Idade Média Central

5.1. Polêmicas sobre o tema do feudalismo:

5.1.1. Sentido stricto sensu (François Guizot, Jacques Flach e Karl Marx): refere-se aos vínculos
feudo-vassálicos, relações político-militares entre membros da aristocracia:

a) François Guizot – O feudalismo representou uma forma passageira e instável de equilíbrio


social;
b) Jacques Flach – os historiadores provocaram uma grande distorção devido a uma excessiva
atenção ao feudo: chegou-se “a um sistema jurídico muito completo, muito bem ordenado, que só
tem um defeito: o de nunca ter existido” (119)
c) Karl Marx – o feudo é secundário e o fundamental é a posse da terra por parte do
senhor, com a correspondente expropriação que realizava de uma parcela do produto do trabalho
dos camponeses instalados em lotes daquela terra.

5.1.2. Sentido lato sensu: designa um tipo de sociedade com formas próprias de organização
econômica, política, social e cultural.

Importante: para o autor, ao invés de feudalismo (muito preso às relações de produção/infra-


estrutura), o termo mais correto é feudo-clericalismo

5.2. O papel central da Igreja naquela sociedade.


5.2.1. a conexão entre os vários elementos (já anteriormente presentes) que comporiam aquela
formação social. (120)

5.2.2. a maior detentora de terras naquela sociedade essencialmente agrária, destacando-se,


portanto, no jogo de concessão e recepção de feudos.

5.2.3. controlava as manifestações mais íntimas da vida dos indivíduos: a consciência através da
confissão; a vida sexual através do casamento; o tempo através do calendário litúrgico; o
conhecimento através do controle sobre as artes, as festas, o pensamento; a própria vida e a própria
morte através dos sacramentos (120)

5.2.4. legitimava as relações horizontais sacralizando o contrato feudo-vassálico, e as relações


verticais justificando a dependência servil.

5.2.5. como produtora de ideologia, traçava a imagem que a sociedade deveria ter de si mesma.
Bispo Adalberon de Laon (século XI): “A casa de Deus, que parece una, é portanto tripla: uns
rezam, outros combatem e outros trabalham.” (121)

a) O clero é colocado fora do âmbito da lei humana, possuindo inegável superioridade;


b) A genética deu aos nobres boas condições, de força, de beleza.
c) Os servos eram considerados inferiores e pecadores. “O trabalho era imposto a eles como forma
de resgatar as faltas. Era uma penitência.” (121)

5.2.5. Sociedade de ordens; “[...] ordo apresenta um duplo sentido. Primeiro, corpo social isolado
dos demais, investido de responsabilidades específicas. Segundo, organização justa e boa do
universo, que deve ser mantida pela moral e pelo poder. Ou seja, a sociedade de ordens dividia os
homens em grupos de relativa fixidez, pois a classificação de cada indivíduo partia de uma
determinação, de uma ordem, divina.” (122)
5.2.6. A cristianização do cavaleiro, através da cerimônia de adubamento, de forte componente
litúrgico, e que nos séculos XI e XII acabaria por se tornar um verdadeiro sacramento. (123)

5.2.7. Predominância das relações servis de produção: uma relação de dependência e


subordinação.

“Recebiam do senhor lotes de terra, os mansos, de cujo cultivo dependia sua sobrevivência e em
troca da qual realizavam o pagamento de determinadas taxas àquele senhor. Trabalhavam ainda
em lugares e tarefas indicados pelo senhor, sem nenhum tipo de remuneração. Em contrapartida,
tinham a posse vitalícia e hereditária de seus mansos e a proteção militar proporcionada pelo
senhor.” (123-124)

5.3. Sintetizando: “Tínhamos, portanto, naquela sociedade de ordens, de um lado, duas camadas
identificadas quanto às origens e aos interesses, detentoras de terra e, assim, de poder econômico,
político e judicial (clérigos e guerreiros), de outro lado, uma massa formada principalmente por
despossuídos e dependentes, os trabalhadores.” (124)

5.4. Contrato feudo-vassálico (vitalício, e depois do século XI hereditário em algumas regiões).

a) Homenagem: o ato de um indivíduo tornar-se “homem” de outro;


b) Fidelidade, juramento feito sobre a Bíblia ou relíquias de santos c muitas vezes selado por um
beijo entre as partes;
c) Investidura, pela qual o indivíduo que se tornava senhor feudal entregava ao outro, agora
vassalo, um objeto (punhado de terra, folhas, ramo de árvore etc.) simbolizador do feudo que lhe
concedia.

5.4.1. Formas de Feudo:


a) quase sempre um ou mais senhorios. Ou seja, terra com seus respectivos camponeses, de cujo
trabalho o vassalo passaria a viver;
b) “podia ainda ser a cessão de um direito (por exemplo, taxar os usuários de uma estrada ou
ponte), de um cargo e sua correspondente remuneração (senescal, tesoureiro etc.) ou
simplesmente a entrega de uma determinada quantia, em moedas ou produtos (feudo renda ou
feudo de bolsa).” (125)

5.4.2. Deveres do vassalo: consilium (o aconselhamento, a participação no tribunal senhorial) e o


e sobretudo o auxilium, o serviço militar quando requisitado, além da ajuda econômica, quando
necessário. (125-126)

5.5. Conflitos e crise da sociedade feudo-clerical:

5.5.1. Senhores e camponeses: disputa pela apropriação do excedente produzido;

5.5.2. Segmentos laico e clerical da aristocracia: disputa pelo controle da mão-de-obra e terras;

5.6. As Cruzadas

5.6.1. Para além do aspecto religioso: alternativa para os problemas enfrenados por dois grupos
sociais:
a) filhos secundogênitos excluídos da herança de bens imobiliários (evitando a partilha);
b) Servos desenraizados, produto da continuada fragmentação dos mansos. (127)

5.6.2. Problemas criados:

a) Para a Igreja:
a.1.) A perda de credibilidade: “Seu poder de intermediação com a Divindade começou a ser
colocado em xeque: por que Deus permitira a derrota cristã?” (128);
a.2.) A proliferação das heresias nos séculos XII-XIII;
a.3.) A perda do controle sobre o movimento cruzadístico”.

b) Para a Aristocracia laica: “Morte e empobrecimento de muitos membros Excetuada a glória


que isso proporcionava, a maioria de seus participantes nada ganhou com as Cruzadas.” (128)

c) Movimentos camponeses: costumes, terras comunais, liberdade (“espírito de Robin Hood.)

6. O feudo-aburguesamento dos séculos XII-XIII: “O fator que melhor refletiu e acelerou as


transformações sociais foi, porém, o aparecimento de um segmento burguês” (129)

6.1. Cidade e liberdade: “o ar da cidade dá liberdade”. Isto é, depois de morar certo tempo
numa cidade (o que podia variar de um a dez anos, conforme o local), o camponês tornava-se
homem livre.”

6.2. O elemento burguês: “burguês (habitante do burgo, ou seja, da cidade), o que significava uma
situação jurídica própria, bem definida, com obrigações limitadas e direitos de participação
política, administrativa e econômica na vida da cidade.”

6.3. O burguês dos primeiros tempos, um sujeito em “crise existencial”: “os laços sociais entre os
indivíduos eram estabelecidos por um juramento, como ocorria na aristocracia. Os mais ricos
procuravam imitar vários hábitos nobiliárquicos.” (130)

6.4. As cidades e a marginalidade social: “Era o caso da exclusividade eclesiástica do sagrado


(que os feiticeiros ameaçavam), do regionalismo e imobilismo dos costumes (que os estrangeiros
rompiam), do controle cristão sobre a nova economia de mercado (que via nos judeus
concorrentes), dos valores sexuais tradicionais (que os homossexuais desafiavam), da desigual
distribuição social das riquezas (que a presença dos pobres delatava).” (130)

6.5. As heresias e a crítica ao catolicismo romano: “As heresias dos séculos XII-XIII foram
essencialmente movimentos sociais contestadores, que assumiam forma religiosa” (131)

6.6. A revalorização da mulher:


a) O acentuado progresso do culto à Virgem desde o século XII;
b) Na literatura desenvolvia-se a lírica cortesã;
c) Passava-se a reconhecer à mulher o direito a uma parte substancial dos bens do marido;
d) No sul europeu, aceitava-se mesmo sua participação na vida política.

7. A instabilidade dos séculos XIV-XVI – Baixa Idade Média

7.1. Mobilidade social: “a tendência ao imobilismo social foi sendo substituída pela aceitação da
possibilidade de mudanças” (133)

7.1.1. Aristocracia: “ocorreu o enobrecimento de algumas famílias burguesas (França) e o


aburguesamento de muitas famílias nobres (Itália).” (133)

7.1.2. Clero: “a quebra da identidade clero-nobreza”. Formação de um “proletariado clerical”


(133)

7.1.3. Campesinato: constituição de campesinato livre, de uma elite camponesa (algumas regiões)
e de uma “reação senhorial” (135)

7.1.4. Clivagens nas cidades: Alta e pequena burguesia e um proletariado (estrangeiros,


principalmente)

7.2. Sublevações populares:

7.2.1. Campo

a) contra a miséria: “em regiões mais pobres, caso do movimento dos Tuchins (1366- 1384),
camponeses e artesãos arruinados do Auvergne e do Languedoc.” (136)

b) Trabalhadores em boa situação, que enfrentavam a reação senhorial: “Tais movimentos não
eram revolucionários, mas reacionários, buscando a volta a um passado recente, considerado
menos duro. [...] A Jacquerie (maio-junho de 1358), começada na região parisiense e propagada
por outros territórios franceses. O movimento não foi contra a miséria, como se pensou por muito
tempo, mas resultou de uma conjuntura difícil, advinda da peste negra, da legislação salarial de
1351 e 1354, do crescente peso dos impostos, dos problemas gerados pela Guerra dos Cem Anos.”
(136)

7.2.2. Urbano:
Luta pelo controle do Estado, em processo de afirmação, fosse ele comunal, senhorial ou nacional.
(136)