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MULHERES OPERÁRIAS DA CONSTRUÇÃO CIVIL: IDENTIFICAÇÃO SOCIAL

E ORGANIZACIONAL.

Resumo
Este estudo objetivou compreender como ocorre o processo de identificação social e
organizacional de mulheres operárias da construção civil. Para tanto, realizou-se uma pesquisa
exploratória de caráter qualitativo. Os resultados demonstraram que a inserção das mulheres
nesse ambiente de trabalho com predomínio masculino se deu devido à busca por independência
financeira e descontentamento com trabalhos anteriores. Os colegas homens tem uma
representação positiva das mulheres, uma vez que conseguem perceber suas potencialidades.
Também se observou que as mulheres, desde que começaram a trabalhar, procuraram obter
respeito frente aos homens pelo seu trabalho. Por fim, constatou-se que as mulheres se
identificam com a organização onde trabalham e se consideram parte da mesma. Tal fato se
demonstrou determinante para a consolidação e aceitação de sua identidade social.

Palavras-chave: identificação social, identificação organizacional, gênero, trabalho, mulher.

WOMEN WORKERS OF CONSTRUCTION: SOCIAL AND ORGANIZATIONAL


IDENTIFICATION.

Abstract
This study aimed to understand how is the process of social and organizational identification of
women workers of the civil construction. To this end, was performed an exploratory qualitative
research study. The results demonstrated that the insertion in this male predominance
environment was due to obtain financial independence and dissatisfaction with previous work.
Colleagues, has a positive representation of women, since they can realize their potential.
Women, since they started working, they pursuit gain respect for their work and behavior in
front of their colleagues. Finally, it was found that women identify with the organization they
work and consider themselves part of it. This fact is proved decisive for the consolidation and
acceptance of their social identity.

Keywords: social identification, organizational identification, gender, work, woman.


1 Introdução

Nas últimas décadas, mudanças no ambiente laboral vêm sendo progressivamente


impulsionadas por transformações demográficas, culturais e sociais, modificando o cenário
competitivo e interferindo nas interações sociais. De acordo com Sennet (2009), elementos
referenciais que sustentam a identidade dos indivíduos no trabalho são afetados à medida que
a estrutura interna das instituições se modifica.
Kreiner e Ashforth (2004) ratificam o interesse de teóricos organizacionais em
acompanhar as interações dos indivíduos no ambiente de trabalho, passivos de metamorfoses
sociais que transformam essas relações, analisando como essas pessoas se identificam e
interagem nas organizações e conceituando, assim, a identificação social no local de trabalho.
A identificação social assume importante papel na compreensão dos comportamentos e
relações interpessoais e organizacionais, concebida como a percepção de filiação a um grupo e
todo o significado emocional dessa filiação (TAJFEL, 1978).
O aumento do trabalho feminino, justificado por diversos fatores (BRUSCHINI, 2007),
tais como: redução das famílias e das taxas de fecundidade, mulheres com maior expectativa
de vida e mudanças nos valores e padrões culturais sobre o papel da mulher possibilitam uma
gama de estudos relacionados às questões de identificação social e organizacional, pois
representam uma demanda relevante e atual nas mais diversas áreas.
Em especial, no contexto da construção civil, essa temática torna-se ainda mais
importante, pois esse segmento, até então predominantemente masculino, vem admitindo mão
de obra feminina como força de trabalho. Quando se fala em gênero nas relações sociais,
considera-se uma construção histórica e sociocultural com implicações nas relações de poder.
Segundo Scott (1990), as questões de gênero dizem respeito ao modo como uma sociedade
estrutura as relações entre homens e mulheres e constrói significados a partir das diferenças
biológicas.
Diante desse contexto, este estudo interroga: Qual é o sentimento das mulheres que
trabalham no setor da construção civil em relação ao trabalho que executam e à própria
organização, como meio de convívio social? E ainda: Como as mulheres percebem esse
ambiente de restrições predominado por características historicamente masculinas? A
preocupação justifica-se, pois, segundo Pateman (1993), mesmo estando inseridas no mundo
do trabalho, as mulheres não deixaram de ser alvo dos preconceitos masculinos. E as
transformações sociais no campo da construção civil refletem-se no campo organizacional,
apontando um cenário de intensa competição e discriminação, principalmente para o universo
feminino (STEIL, 1997).
Nesse sentido, a problemática norteadora da pesquisa levou ao seguinte objetivo de
estudo: compreender como ocorre o processo de identificação social e organizacional e suas
inter-relações em mulheres operárias da construção civil.

2 A mulher e o mercado de trabalho

A relação do gênero feminino e questões antropológicas que envolvem o seu papel na


sociedade são tratadas em diversos estudos relacionados à evolução da mulher no mercado de
trabalho. A partir dos anos 70 o conceito das relações de gênero evoluiu, passando a assumir
caráter essencialmente social, refletindo construções históricas, sociais e culturais que definem
e revelam formas de representação de papéis masculinos e femininos na sociedade (CALAS e
SMIRCICH, 1999; MURARO e BOFF, 2002).
Mesmo que atualmente, a sociedade aceite funcionárias mulheres nas organizações,
essas trabalhadoras seguem vítimas de preconceitos e discriminações, tendo diversas vezes seus
salários e cargos inferiorizados em relação aos dos homens, mesmo que possuam as mesmas
competências (ANTUNES, MANFREDINI e SILVA, 2007).
De acordo com Cappelle (2006), ainda existe na sociedade a diferenciação técnica
marcada pela divisão por sexo, onde trabalhos mais estáveis e formais, como cargos de chefia,
são comumente ocupados por homens, enquanto os trabalhos com menores atribuições de
responsabilidades são relegados às mulheres. Segundo o DIEESE (2008), o rendimento mensal
feminino é aproximadamente 25% menor do que o masculino.
No entanto, Aparício et al. (2009) afirmam que as barreiras impostas à mulher pela
sociedade e pelas organizações podem diminuir na proporção da sua ascensão no mercado de
trabalho e em relação ao seu comprometimento com o desenvolvimento de sua carreira. Apesar
das adversidades vivenciadas pelas mulheres nos ambientes laborais, na maioria das vezes elas
interagem de forma harmônica com os demais indivíduos, com o meio e com a organização,
ajudando a diminuir o preconceito e a discriminação.

3 A Identificação Social e Organizacional

Identificação social é a percepção do indivíduo como membro de uma coletividade, ou


seja, de filiação a um grupo, bem como o significado emocional e o valor que essa filiação
representa ao mesmo (TAJFEL, 1978). Para Mael e Ashforth (1992), o indivíduo é mais
propenso a confirmar sua identidade se ele pertencer e se identificar a um grupo, percebendo
os sucessos e fracassos do grupo e os seus. Nesse sentido, a identidade social provoca reações
comportamentais e perceptuais nos indivíduos, que tendem a agir conforme as regras do grupo.
A Teoria da Identidade Social desenvolveu outras concepções, como a Teoria da
Autocategorização de Turner (1999), que foca nos fatores de realização das categorizações
pelos indivíduos e as consequências no comportamento do grupo. Assim, conforme Ferreira
(2010), os indivíduos deixam de lado suas características peculiares conforme sentem pressão
social e ativam suas identidades sociais, levando-as à adesão de ações coletivas.
Nesse contexto, é possível perceber várias dimensões existentes na identificação social,
destacando-se alguns componentes fundamentais e comuns da identidade social e grupal, como
solidariedade, satisfação e centralidade (CAMERON, 2004).
A solidariedade, de acordo com Leach et al. (2008), está associada ao apoio, cooperação
e comprometimento nas obrigações e atividades do grupo, refletindo o vínculo psicológico. A
satisfação requer a avaliação positiva do grupo, levando os indivíduos à tendência de subestimar
eventos negativos. A centralidade, por sua vez, especificada como a relevância da filiação no
grupo, conduz as pessoas a serem sensíveis aos eventos coletivos, sendo componente essencial
na identificação do grupo.
Já a identificação Organizacional segundo Mael e Ashforth (1992) trata-se de uma
forma de identificação social, em que o indivíduo se define conforme a sua participação na
organização.
Assim, a identificação organizacional produz uma percepção de unidade com a
organização, fazendo o sujeito assumir características organizacionais (VAN KNIPPENBERG
et al., 2002).
Alguns fatores contribuem para a identificação do indivíduo com a organização, como
o prestígio e a imagem positiva da organização, a qualidade da relação empresa/empregado e a
conexão da empresa com atributos e desejos dos indivíduos (MAEL e ASHFORTH, 1992).
A identificação organizacional é expressa por uma combinação de componentes
cognitivos, afetivos e valorativos: a) os componentes cognitivos estão relacionados à
autodefinição e autocategorização do indivíduo à medida que ele se sente parte da organização;
b) os componentes afetivos referem-se aos sentimentos do indivíduo por ele fazer parte de
determinado grupo social; c) os componentes valorativos relacionam a percepção dos
indivíduos sobre como o seu grupo social é valorizado pelo meio (RIKETTA, 2005; DUTTON,
DUKERICH e HARQUAIL, 1994).
Dutton, Dukerich e Harquail (1994) afirmam que a identificação com a organização é
fundamental para formar comportamentos de apoio entre os membros, fazendo com que as
pessoas pensem em si mesmas através das suas organizações e dos grupos a que pertencem.
Assim, quanto maior a identificação organizacional, maior o apego psicológico com a
organização e chances de motivação e comportamento desejado dos seus membros. Nessa
senda, Fernandes, Marques e Carrieri (2009) ressaltam que o entendimento do processo de
identificação organizacional possibilita compreender os significados que as pessoas atribuem
às organizações, bem como a relevância que a organização tem na sua autodefinição e
autoestima.

4 Método

Para atingir o objetivo delineado, realizou-se um estudo exploratório de caráter


qualitativo (ROESCH, 2007). É um estudo exploratório, pois tem por objetivo proporcionar
maior familiaridade com o objeto do estudo fornecendo uma visão geral sobre o tema (GIL,
2010). Os dados foram obtidos através de entrevistas. O recurso da entrevista ofereceu
oportunidade para que os entrevistados discorressem à vontade sobre os temas propostos. As
perguntas semiestruturadas serviram de base para adaptação pelo entrevistador de acordo com
a necessidade, as quais eram lançadas para o entrevistado permitindo a emergência de uma fala
permeada tanto por aspectos de improvisação quanto por certa coerência e unidade passível de
ser relacionada com os outros discursos.
Este estudo foi realizado em uma empresa do ramo da construção civil localizada no
interior do Estado do Rio Grande do Sul/Brasil, que possui em seu quadro de pessoal, 449
operários em canteiro de obra, dos quais 19 são mulheres (4,23%) e 430 são homens (95,77%).
Participaram das entrevistas, somente indivíduos que aceitaram participar da pesquisa
totalizando 31,57% do total de mulheres operárias, 02 operários homens, colegas dessas
mulheres, e 02 gestores da obra (engenheiro e mestre de obra), os quais doravante passam a ser
denominados simplesmente de gestores.
A opção por se trabalhar com pessoas de ambos os gêneros decorreu da necessidade de
verificar a questão da identificação social feminina referente ao discurso tanto do homem, como
da mulher, visando melhor compreender as relações de gênero.
Antes de sua aplicação, os roteiros das entrevistas foram devidamente analisados por
especialistas e a situação planejada para a coleta de dados consistiu na aplicação das entrevistas,
em salas disponibilizadas pela construtora, no próprio canteiro de obras.
Aos participantes que aceitaram participar da pesquisa, além do objetivo da pesquisa,
foi fornecida uma explicação sobre os aspectos éticos, a confidencialidade dos dados, o
tratamento dos mesmos e a disponibilidade dos resultados. Também lhes foi assegurado o
anonimato e a privacidade dos dados, resguardando-lhes o direito de desistirem de participar da
pesquisa, caso desejassem.
Foram organizados três roteiros de entrevistas diferenciados, porém contemplando
questões convergentes ao tema do estudo: um roteiro para as mulheres operárias, outro para os
colegas homens e o terceiro para os gestores.
No intuito de melhor responder aos objetivos propostos, foi definido o contexto de
análise a partir das teorias sobre Identificação Social e Identificação Organizacional, de onde
foram retiradas as categorias de análise. A fim de melhorar a apresentação e compreensão das
análises, o elemento Identificação Social teve suas categorias de análise divididas em duas
partes, conforme demonstra o Quadro 1.

Elementos de
Categorias de Análise
Análise
Escolha da Profissão
Sentimento em relação ao ambiente de trabalho, predominantemente
masculino
Parte 1 -
Percepção sobre o tratamento recebido
Quadro 2
Percepção sobre a aceitação no grupo, pelos colegas, família e amigos
Percepção sobre como os colegas homens enxergam o trabalho feminino
Identificação
Identificação com o trabalho
Social
Sentimentos em relação às regras estipuladas pelo grupo
Relação com os colegas homens e com as colegas mulheres
Respeito x Atitudes no trabalho e em casa Parte 2 -
Percepção sobre a visão do outro em relação ao trabalho feminino Quadro 3
Percepção sobre a produtividade
Preferência em trabalhar com homens x mulheres
Identificação com a empresa onde trabalha
Percepção sobre o valor de trabalhar na empresa
Percepção sobre sucesso na profissão x sucesso da empresa
Identificação
Percepção sobre a identidade da empresa Quadro 4
Organizacional
Importância de fazer parte da empresa
Percepção sobre os valores da organização x valores individuais
Identificação com a empresa (organização) x inserção no grupo de trabalho
Quadro 1 – Elementos e Categorias de Análise
Fonte: Elaborado pelos autores

Para os colegas e gestores, o roteiro de entrevistas teve por objetivo verificar como eles
percebem a inserção das mulheres na construção civil, especificamente as operárias de obra, se
gostam do trabalho executado por elas e se existe boa aceitação das mulheres pelo grupo, entre
outras questões.
As entrevistas tiveram uma duração média de 50 minutos, foram gravadas em áudio e
transcritas para posterior análise. Quanto ao desenvolvimento das mesmas, pode-se dizer que
ocorreram de forma agradável e cordial, permitindo abordar com tranquilidade todas as
questões propostas. As transcrições foram feitas de forma contínua, não alterando a sequência
e o conteúdo dos relatos. Para a análise das entrevistas, a fim de preservar a identidade dos
respondentes, optou-se por nomear as mulheres entrevistadas como E1, E2, ..., E6; os colegas
homens, como H1 e H2; e os gestores como G1 e G2.
No intuito de melhor visualizar as questões de análise para o problema proposto, os
principais trechos das entrevistas com as mulheres operárias foram dispostos em quadros,
contemplando as categorias de análise pré-definidas, seguidos dos comentários e percepções
dos colegas e gestores e do respaldo teórico pertinente ao assunto.

5 Resultados

Em relação ao perfil das operárias entrevistadas neste estudo, a média de idade foi de
38 anos, tendo quatro delas entre 41 e 50 anos. Quanto à escolaridade das entrevistadas, quatro
delas afirmaram possuir apenas o ensino fundamental e as outras duas o ensino médio. Quanto
ao tempo em que as mulheres estão nessa profissão, quatro delas estavam entre 3 e 4 anos e
duas delas estão na profissão há 2 meses apenas. Em relação a empregos anteriores, as
entrevistadas apontaram diversas atividades, entre elas: auxiliar de cozinha, servente, diarista,
camareira, doméstica, trabalho em agricultura, em restaurante, em lavanderia e em loja.
No que diz respeito aos dois colegas homens entrevistados, ambos são casados e
possuem 2º grau completo, desempenhando as funções de contramestre (há 4 anos) e almoxarife
(há 8 anos), tendo, respectivamente, 24 e 39 anos de idade.
Quanto ao perfil dos gestores entrevistados, o engenheiro possui 27 anos, com curso
superior e MBA, é solteiro e está na empresa há 4 anos e meio. O mestre de obras possui 53
anos, com ensino fundamental incompleto, casado e atua na construção civil há 35 anos, sendo
20 anos na empresa atual e 15 anos como mestre de obras.
A segunda parte do roteiro de entrevistas destinado às mulheres operárias da
organização em estudo teve por objetivo verificar a identificação social das mesmas. O Quadro
2 mostra a primeira parte das categorias de análise referentes à Identificação Social, objetivando
contemplar o máximo de respostas obtidas

Elemento de Análise: Identificação Social


Categorias de
Trechos das entrevistas Entrev
Análise
Eu tava desempregada fiz o curso de pedreiro do governo e pensei, isso aí é só
baboseira (...) eu disse, eu vou tentar vamo vê se eu consigo, vou tentar uma
profissão diferente (...) mostrei meu currículo e o mestre se interessou e ali
começou tudo, foi as primeiras mulher que foram contratadas (...) fui por
necessidade (...) cheguei para pedir para trabalhar na limpeza, por que não ia
E1
pedir para trabalhar na obra, aí disse para a guria do escritório que eu tinha
um curso, daí ela chamou o mestre e o mestre chamou o engenheiro, daí foi
quando eles perguntaram se a gente queria encarar de servente (...) fiquei 9
meses lá e estou há 3 anos aqui (...) eu gosto do que faço, se eu sair daqui vou
pra outra (...)
Eu resolvi trabalhar aqui por que era perto de casa, tava pouca a grana, daí era
perto de casa e eu era de fora e achei, era melhor para mim construção, eu já E2
Escolha da
era de fora né, aí pensei vou me dar bem aqui (...)
Profissão
Eu não aguentava mais as minha patroa (risos), aí meu filho que arrumou aqui
E3
pra mim (...) Eu queria ser camareira (...)
Já eu não aguentava mais enxergar lavoura na minha frente sabe como é pra
fora aquela situação e a gente nova não quer ficar naquele ambiente rural pro
E4
resto da vida né. Daí eu peguei e encarei né, fui pra Porto Alegre e daí vim pra
cá de volta (...) Eu quero aprender mais e quero evoluir aqui dentro
Eu queria uma oportunidade melhor agora. Hoje eu digo, é bom aqui. Eu gosto
do que faço, mas se pintar uma oportunidade melhor, assim, pra ser melhor, aí E5
eu iria pra outro lado (...)
Eu fui por necessidade (...) fiquei sabendo que a (...) tava contratando. Aprendi
tudo dentro da obra, não fiz curso. Entrei como servente e aprendi tudo aqui (...) E6
to gostando do que faço, to pagando a minha casa, que é o importante (...)
Eu me sinto bem (...) São muito respeitador, desde o primeiro. No começo a
Sentimento em gente sofreu muito preconceito deles. Lá na (...) (supressão do nome da primeira
relação ao empresa que a entrevistada trabalhou) foi muito preconceito. Tinha uns que E1
ambiente de diziam que lugar de mulher era em casa, no tanque e no fogão. Mas não passava
trabalho disso. Se passar, essas coisas, não. Eles respeitam.
Aqui a gente ri a fuzel, como se diz o outro, né (...) E2
Eu também me sinto bem (...) E3
Eu me sinto bem aqui, todos os colegas respeitam (...) E4
(...) Eles te dão o trabalho ali na medida que tu pode fazer. Se no dia tu não pode
fazer, eles não te obrigam. Mas é que a gente entrou aqui com a opção de fazer
tudo que o homem faz. E é o que nós tamo fazendo (...) Eu acho até que é por
aí mesmo, se a gente optou por invadir um espaço deles, nós temo que aceitar E1
Percepção sobre
(...) Não tem diferença, nós somos iguais a eles, né. Nós cumprindo o horário
o tratamento
igual a eles, então vamo ser tudo igual. Se não, nós vamo ficar de novo naquela
recebido
paparicação, por que tu é mulher (...)
Nós queremos direito iguais, né (risos) E2
Acho que não, se a mulher tiver que pegar no pesado, eles colocam. Se chegar
E4
uma carreta para descarregar e não tiver homens, vai as mulher (...)
O grupo aceita (...) pelo um bom dia, começando por aí, conversam, dão oi (...)
dão parabéns pra gente e tudo, meus amigos, minha família também. Meu filho
até tentou no começo não deixar eu vim, por que ele dizia, obrão não tem
respeito (...) daí eu disse, não meu filho, se eu me der o respeito, eles vão me
E1
dar o respeito. Agora hoje não, ele tem orgulho da mãe que tem (...) anos atrás
mulher trabalhando na construção civil não podia, não podia uma mulher
passando na frente que sempre tinha um largando uma piadinha, agora não (...)
eles se botaram no lugar deles, eles viram que não tem mais jeito (...)
Percepção sobre A minha (filha) tem orgulho de mim, por que minha mãe faz casinha (risos) (...)
a aceitação no No início foi até mais difícil, bah trabalhar no meio de homem. Hoje já faz três
E2
grupo, pelos anos quase, ele (o marido) já tá acostumado (...) Eu lá em casa, agora, o marido
colegas, família e é o dono da casa ele cuida da casa, ele cuida de filha (...)
amigos O meu (marido), nada a ver, por que não me dá nada, então não pode cobrar
E3
nada (risos)
Como eu dizia pro meu (marido), ó, trabalhar no meio dos homem não quer
E4
dizer que vou fazer alguma coisa errada (...)
A maioria se apavora, né, quando ficam sabendo que a gente trabalha em
construção civil (...) ao mesmo tempo tem um orgulho né, é difícil ver a E5
mulherada trabalhando nisso (...)
Eu, só o meu filho que sofreu preconceito no colégio por eu estar trabalhando
E6
na construção civil (...) aham por eu ser mulher e trabalhar na construção civil.
Percepção sobre (...) eles dizem que a gente tem mais paciência, né (...) E1
como os colegas As vezes eles acham que até é melhor do que o deles (...) E2
enxergam o Que a gente tem mais cuidado, que a gente olha com mais detalhe, né (...) E5
trabalho feminino A mulher é mais detalhista (...) E6
Eu me identifiquei com meu trabalho, eu já gostava de solteira, depois de
Identificação
casada, ajudava o marido em tudo, sempre gostei (...) antes eu ia no mercado e E1
com o trabalho
perguntavam quanto sobrou, agora não, o dinheiro é meu e faço o que quero.
Eu gosto de levantar cedo e vim trabalhar, para mim é um orgulho vim trabalhar. E2
(...) Tu ta ali fazendo as tuas coisas, ninguém te cobra, né. Só vão avaliar depois
E4
de pronto. Não tão ali te enchendo o saco (...)
(...) Não depender de homem é o mais importante, não depender do marido pra
E5
tudo (...)
Antes de eu poder trabalhar, eu ouvia desaforo e agora eu disse pra ele, tem
duas coisas que eu adquiri, foi o serviço e minha casa, que tá no meu nome. E6
Hoje eu digo pra ele, não grita mais, quem canta de galo aqui sou eu (risos)
Quadro 2 – Categorias de análise referentes à Identificação Social – Parte 1.
Fonte: Dados da pesquisa.

Ao serem questionadas se gostavam do que faziam, todas responderam que sim. Em


relação a existir tratamento diferenciado para homens e mulheres, a percepção dos colegas
homens e dos gestores entrevistados pode ser observada nos fragmentos discursivos a seguir:
Aqui para nós, na finaleira da obra assim, os arremates como se diz, quando
chega no final, é muito bom, melhor que os homens (...) Elas enxergam mais
detalhes (G2).

Para nós aqui hoje, a mulher está só trabalhando com acabamento. Elas fazem
piso, rejunte, textura, limpeza (...) elas passam a massa niveladora, massa
corrida (...) o tratamento é um pouco diferenciado; mas em termos de serviço,
o serviço é o mesmo (...) Aqui é só acabamento mesmo. Em uma outra obra
da construtora, não aqui, as mulheres faziam tudo (...) regularizava as paredes,
enchia, tapava buraco, pois as vezes ao retirar a forma fica algum defeito, tinha
até homem serventiando elas (H1).

Por meio das falas dos operários homens e dos gestores, foi possível observar que não
existe, por parte da organização, qualquer preferência por trabalhador quanto ao gênero.
Entretanto, pelo fato de a organização utilizar dois processos construtivos, existe um tratamento
diferenciado quando se trata de obra em que a alvenaria é de concreto, isto se deve ao fato de
que as formas utilizadas são extremamente pesadas (aproximadamente 60 Kg) e, nesse caso, as
mulheres são designadas a trabalhar somente na parte de acabamento. Quando o processo
utilizado é alvenaria de tijolos, segundo o mestre de obras e o engenheiro, as mulheres
trabalham desde as fundações até os arremates finais da obra, sem nenhum problema.
Salientaram também que as mulheres conseguem um melhor resultado em relação aos homens,
uma vez que elas são mais detalhistas. De acordo com a percepção das mulheres, esse trabalho
lhes é designado porque elas são mais cuidadosas e detalhistas (E2, E5, E6), e não por conta de
o serviço ser leve, pois elas entendem que também são capazes de fazer serviço pesado (E1, E2,
E4).
Da mesma forma, os colegas homens e os gestores foram questionados sobre como é a
aceitação das mulheres no grupo, e se acham que elas sofrem algum tipo de preconceito, ao que
responderam:

Eu, se tiver que cobrar do homem cobro, se tiver que cobrar da mulher cobro,
pra mim é indiferente. (...) da administração (...) da parte dos colegas, eu nunca
recebi uma reclamação de mulher em função de algum assédio ou alguma
coisa assim. Acho que nada, (...) não levou muito tempo assim pro pessoal
aceitar bem as mulheres (G1).

Até nóis mesmo até nóis que nunca tinha trabalhado (...) é, é diferente, no
começo é um pouco diferente (...) (G2).

Olha vou te dizer assim, 70 % deles têm um preconceito e 30% não. Não tá
bem aceito ainda (H1).

É mais ou menos isso. Não tá bem aceito ainda (...) tinha até um que ficou
meio de cara, ela pedreiro e ele servente (H2).

É um preconceito tipo meio assim também. Ela pedreiro e ele servente. Ela
fazia melhor do que ele, então ele tinha um quê ali (...) ele não aceitava ela
mandar nele (H1).

Vamo deixar pra passar a textura em cima do rodapé para as mulheres, isso é
serviço das mulheres (...) sempre tem um quesinho no meio ali, pois as vezes
eles fazem tal serviço e dizem, até aqui eu fiz, agora daqui é deixá as mulher,
aqui é serviço de mulher. (H1).

Como é possível perceber nos trechos das entrevistas, parece haver certa discordância
entre as percepções dos gestores e dos colegas homens. Conforme a fala de G1, as mulheres
são bem aceitas pelo grupo, graças a um trabalho realizado pela empresa, onde os homens foram
preparados para a vinda das mesmas: “a gente fez um trabalho com os homens dizendo, a partir
de agora vai começar a trabalhar mulher, vão ter que manter respeito e foi repetindo que... o
pessoal agora tá normal” (G1) (...) É que faz tanto tempo que tá automático já (G2).
No entanto, percebe-se a existência de uma tentativa de divisão do trabalho por gênero,
havendo uma tendência por parte de alguns homens de não querer realizar determinados
serviços por defini-los como sendo de mulher, criando uma noção de que existem “trabalhos de
mulheres e trabalhos de homens”. Além disso, verificou-se que alguns homens não gostam de
serem mandados ou estarem hierarquicamente inferiores às mulheres em suas atividades.
Porém, embora os colegas homens tenham essa percepção, eles acreditam que essa
situação com o tempo irá mudar, pois as mulheres entraram na construção civil com o propósito
de lutar pelo seu espaço de trabalho, conforme apontam os fragmentos discursivos:

Ela vai se adaptando, com o tempo ela vai gostando do serviço (...) Ela acaba
gostando de trocar uma porta, passar uma massa e ela vai gostando e tu vê a
diferença a hora que tu olha, o falar dela é diferente (...) (H1).

Elas chegaram e tentaram manter o lugar e aquela linha de acreditar nelas


também; por que não tinha, no momento em que elas entraram no serviço, elas
vêm mantendo aquela ideia de ter mulher na construção civil e estão mantendo
e mantém (...) Acho que a ideia dela, ela entrou na construção e começou a
gostar do serviço e se acostuma com o ambiente (H2).

Para Cappelle et al. (2009), os indivíduos são influenciados pelo contexto, pela cultura,
pelas estruturas e interações sociais ao construir sua identidade social. Nessas circunstâncias,
vários papeis são assumidos nos diferentes momentos e lugares, até que os indivíduos passem
a ser aceitos por outros com quem se relacionam. O fato de viver sob uma estrutura institui uma
espécie de mentalidade coletiva, com a qual o indivíduo se conforma, assimilando suas regras
e normas de comportamento.
Quando questionados como os colegas homens enxergam o trabalho das mulheres, tanto
H1 quanto H2 concordam que a mulher é mais caprichosa, de forma geral.

(...) elas são mais detalhistas. Se tu botar um carreiro de casa feito por homem
e outro por mulheres, tu nota a diferença ao chegar na casa. Por que as
mulheres deixa brilhando tudo. O homem, ah esse rejuntezinho que tá
faltando, isso não dá bola, fica embaixo, ninguém vai ver. A mulher não (H1).
(...) a mulher, ela atende mais o cara (...) ela tem mais vergonha, vamos se
dizer assim, fala uma ou duas vezes elas tentam caprichar (G2).

Eles tão achando o trabalho delas bom. Como to te dizendo, o que nós
enxergamo eles enxergam. Tanto que às vezes tem alguns serviços que eles
querem passar para elas. Tipo, isso elas fazem bem, vamos deixar para elas
(...) eles querem fazer o grosseiro e que as mulheres façam o acabamento (H1).

Como é possível perceber nas falas dos colegas homens e dos gestores, o trabalho
realizado pelas mulheres é bem aceito e valorizado pelo grupo, à medida que é avaliado como
bem feito. Na concepção de Wachelke (2012, p. 187), “é necessário que o indivíduo sinta-se
como parte do grupo, que perceba a importância de uma pertença grupal, para que a instância
coletiva possa influenciar seu comportamento ou pensamento”.
Ao adentrarem no espaço masculino, algumas famílias começam a ter um novo arranjo,
onde a responsabilidade de cuidar do lar, da família e dos filhos é compartilhada pelos maridos,
ou até mesmo assumida por eles, como aponta o trecho da fala de E6: eu lá em casa, agora o
marido é o dono de casa, ele cuida da casa, ele cuida de filha. Segundo Siqueira (2002), a
inserção das mulheres no mercado de trabalho ultrapassa o âmbito do trabalho, alterando
também as organizações familiares. Perticarrari, Cockell e Lima (2007) complementam,
dizendo que a inserção feminina no trabalho tem provocado mudanças na identidade do homem
como provedor da casa, havendo uma perda relativa de sua importância enquanto chefe de
família.
O Quadro 3 apresenta o segundo bloco das categorias de análise e os principais
fragmentos discursivos que tem por objetivo distinguir os traços característicos da Identificação
Social das entrevistadas.

Elemento de Análise: Identificação Social


Categorias de
Trechos das entrevistas Entrev
Análise
Existe a regra da parceria. A gente colocou uma meta, que somos parceiras em
Sentimentos em tudo, tanto nos alimento, a gente cozinha aqui e todas ajudam. A regra da
relação às regras higiene, todas ajudam a arrumar a casa (...) E se um trabalho tá atrasado, a outra
E1
estipuladas pelo vai lá e ajuda pra adiantá (...) Na verdade a gente é uma família, por que a gente
grupo fica mais tempo junta aqui do que em casa, com os filho, com a família, né (...)
Eu e a (fulana), eu acho que não vamo mais saber viver sozinha, uma longe da
outra, por que tem 3 anos que a gente tá junto. Se a gente é transferida para
outra obra, a gente briga no escritório, até mandarem as duas junta (...)

Até para pegar o ônibus (...) Se uma tá atrasada as outras perdem o ônibus
E4
também (risos)
As vezes tem carona, aí se tem carona só para uma, as outras ninguém vai (...) E5
A gente tenta ser colega mesmo, sempre uma ajudando a outra e ensinando a
E6
outra, nada é nosso aqui, é da empresa (...)
Graças a Deus, nunca tive envolvimento nenhum com colega, acho que isso é
E1
uma regra que, posso mudar amanhã, mas pra mim, colega é colega (...)
Relação com os Eu dou bom dia e as vezes chego e não dou bom dia, recebo bom dia várias
E2
colegas homens e vezes e não respondo (risos)
com as colegas Eu me relaciono bem, dou bom dia pra todo mundo (...) E5
mulheres Entre mulher a gente fala bobagem né, com os colega homens tem que maneirar
(...) a gente parece um homem mesmo, eles só veem que a gente é uma mulher E6
mesmo numa festa, quando a gente tá toda espichada, arrumada (...)
Em casa eu quero ser mais feminina (...) em casa eu já tento..., na sexta-feira eu
já vejo o que vou fazer no sábado, é a minha unha, vou pintar meu cabelo, vou E1
tentar botar um saltinho para ir no (...)
Às vezes, eu tento ser e as vezes não consigo. Tô sempre desse jeito. Eu chego
E5
em casa e acho que tô aqui (...)
Respeito x Eu já sou mais meio estilo de cá mesmo (...) eu já sou mais simples mesmo.
Atitudes no Não pinto unha. A única coisa, a minha vaidade, é pintar o cabelo (...) não
E6
trabalho e em gosto de maquiagem, não uso salto. Vestido é muito difícil. É calça jeans e
casa tênis (...)
Se algum (colega) tenta ultrapassar a brincadeira e coisa a gente dá um puxão
neles (...) mas isso é raro acontecer (...) eu não tenho queixa de nenhum E1
colega (...)
Às vezes nem precisa falar nada, basta ficar isolada, isolar eles (...) é raro
E5
acontecer mesmo (...)
Percepção sobre Outro dia teve um colega nosso que disse que ele não consegue mais nos ver
E1
a visão do outro como mulher, né. Que pra nós, nós somos todos iguais a eles (...)
em relação ao O nosso modelito parece de homem (...) E4
trabalho Eles nos acham competente. A gente faz até melhor às vezes do que eles, que
E5
feminino nem eles dizem (...)
Na força física eles produzem mais. Mas a gente também produz bastante (...) E1
Percepção sobre Acho que é eles né, eu acho que ainda é eles (...) a gente encosta um
E5
a produtividade pouquinho neles também, a gente anda quase ali (...)
Preferência em Com os homens (...) eles tentam até ajudar a gente. Eles são muito cavalheiros E1
trabalhar com Mulher tá sempre concorrendo com mulher, né (...) E3
homens/mulheres Eu já tive servente homem, servente mulher, eu não vejo diferença (...) E6
Quadro 3 – Categorias de análise referentes à Identificação Social – Parte 2.
Fonte: Dados da pesquisa.

Referente ao Quadro 3, quando questionadas como é a relação com os colegas homens,


percebe-se que as mulheres tentam manter o profissionalismo, se vestindo de forma menos
chamativa, assumindo posturas mais masculinizadas e evitando envolvimentos com os colegas.
No entanto, o estudo apontou que, embora as mulheres sofram pressões sociais para o
cumprimento de determinados papeis, ainda assim elas não tem medo de perder a feminilidade,
conforme mostraram em suas falas: “eu até consigo chegar pintada, mas até às dez não tem
mais nada” (...) “Mas vai manter como?” (risos) (E4).
Da mesma forma, os colegas homens também percebem que a natureza do trabalho pode
ser uma pressão social relevante para a aceitação da mulher neste contexto específico.

Estas que estão aqui não tem esse problema, se tiver que descarregar uma
carreta de piso aí (...) estas aqui não tem frescura (G1).

Vim pintada para o serviço não, elas vem de cara e coragem, como diz o outro
(...) É diferente uma mulher de escritório, ele tá de terno, aí botam aqueles...
Agora aqui a mulher, por tá de uniforme, botina igual a nós, tu já nota a
diferença, mas no serviço é normal; mas sai dali, é normal, vai pra casa dela,
bota a roupa dela. No serviço ali, claro, tem umas que quebram mais piso, aí
tu já vê que botam mais marreta, tem aquela diferença, né (H1).

Talvez a percepção de masculinização, nesse caso, possa estar associada simplesmente


ao fato de que o uniforme é igual para todos e em função do trabalho que executam, o qual não
permite que se mantenham arrumadas por exigir demasiado desempenho físico, como apontam
os trechos discursivos.
Ainda fica claro que a ideia e os comportamentos das entrevistadas, com sua inserção
em um trabalho predominantemente masculino, são construídos no seu dia a dia de trabalho.
No início foi até mais difícil, bah trabalhar no meio de homem. Hoje já faz
três anos quase, eles já tão acostumado (E2).

Anos atrás, mulher trabalhando na construção civil não podia, não podia uma
mulher passando na frente que sempre tinha um largando uma piadinha. Agora
não (E4).

De mesma forma, o comportamento masculino vai se moldando frente a essa nova


realidade.

É, ele ficava com aquele pé atrás, mas vai mudar (H1)

Acho que vai da convivência. A gente trabalhava com uma aqui. E ela quando
chegou aqui, dizia não vou tomar café nesse copo, esse copo tá assim, com
poeira vou lavar. E depois de um tempo tomava. Ela se adaptou (...) se
acostuma com o ambiente (...) ela vai se adaptando, com o tempo ela vai
gostando do serviço (H2).

Ao serem perguntadas se elas acham que fazem um trabalho melhor do que o dos
homens, a maioria das mulheres acredita que o seu trabalho é melhor do que o dos colegas,
especialmente nos acabamentos, o que corrobora o pensamento dos homens:

Ah não!!! nessa tarefa que estão hoje, sem sombra de dúvida. Elas são 100%
(...) o homem pode até chegar perto. Mas não... (H1).

(...) começou (a contratação) pela escassez de mão de obra, isso a uns 3 anos
atrás, acho, que a gente começou a contratar mulheres, 3 anos e meio, eu acho,
e foi aumentando a contratação pela qualidade do acabamento, sim. Começou
pela escassez de mão de obra (G1).

Nós mesmo, aqui nós teria mais mão de obra de acabamento, mas nós
preferimos contratar mais mulheres para fazer (G2).

Com certeza, (...) é melhor (G1).


Os depoimentos evidenciam que existe uma diferenciação técnica nas organizações em
decorrência da divisão de sexo no trabalho (CAPPELLE et al., 2009). Para Calas e Smircich
(1999), é importante que a nova ordem social, redesenhada pela presença das mulheres nos mais
variados contextos de trabalho, tenha claro que determinadas qualidades reconhecidas como
características femininas sejam revistas e valorizadas como poder de produção e execução, e
não mais compreendidas como hábitos de julgamento ou falsas generalizações da sujeição,
como aponta o trecho discursivo de H1.

(...) tu vai pedir para eles fazer um serviço e eles dizem assim: não, isso é pra
mulher. Sempre tem um preconceito assim. Não que eles não deem o braço a
torcer. Acham até o serviço da mulher melhor. Eles dizem, as mulher fazem
bem. Mas isso é pra mulher, esse rejunte deixa pra mulher, esse serviço deixa
para a mulher. Ehhh. Sempre tem um quesinho assim (H1).

Contudo, para as mulheres operárias, essa distinção não lhes agride, mas sim,
reconhecem que tem muito a aprender com os homens nesta profissão, ainda nova para o
universo de atuação feminino.

Eu acho que tenho muito que aprender com eles ainda. É, a gente procura, na
medida que eu aprendi muito com os pedreiros, principalmente com os
pedreiros mais antigos, né, os mais velhos. Aí eu procuro adquiri, tento fazer
igual o que eles fazem; mas nunca sai igual, sai um pouquinho melhor (risos);
mas aprendi muito com eles, eles nunca reclamaram do meu trabalho (E1).

Tem muita coisa para aprender ainda (E5).

Ressalta-se que todo o processo de aprendizagem da função de pedreiro, em sua grande


maioria, se deu no próprio canteiro-de-obra, com um colega pedreiro.
Segundo Vaz da Silva e Honório (2009, p. 13), para as mulheres trabalhadoras da
construção civil, “o trabalho representa uma porta aberta para um mercado limitado, indicando
uma oportunidade tanto de aquisição de conhecimento como de inserção no mercado e na
carreira nesse ambiente considerado tão masculinizado”. Isso talvez explique o esforço das
mulheres operárias entrevistadas para vencer suas limitações físicas e conquistar seu espaço de
trabalho em uma carreira com características e propriedades ou traços predominantemente
masculinos.
Tem algumas que a gente diz, esse peso é demais. E não tem, com elas não
tem. Elas pegam e fazem (...) elas se esforçam. Elas carregam, vi mulher
descarregando piso, telha junto com os homens. Tinha cara desistindo e as
mulheres ali, firmes (H2).

Na parte inicial, que é a parte pesada, o homem produz mais, que é a parte
mais pesada, para esse tipo de obra, nós usamos formas e as formas são muito
pesadas, a mulher não aguenta, mas nessa parte de acabamento final a mulher
produz mais (G2).

A mulher ela te escuta melhor, ela tenta aprender. Elas estão sempre
antenadas. O homem não. Se ele fez errado aqui e tu mostra para ele. Na outra
ele faz errado de novo por que eles acham que sabem tudo e não sabem. E a
mulher se errou aqui na outra ele não erra mais, por que ela aprende com o
erro (H1).

A parte que dá até onde nosso corpo aguenta nós fizemo bem feito (E5).

Como é possível observar as mulheres não se esquivam de tentar aprender e fazer o


melhor para serem mais produtivas e conquistar seu espaço de trabalho. Verifica-se que, as
mulheres buscam contornar as adversidades da profissão e se inserir nos espaços públicos
através de demonstrações de profissionalismo, conforme defende Rebelo (2013). Também
demonstram características como: flexibilidade, sensibilidade, intuição, capacidade para
trabalhar em equipe e administrar a diversidade (GOMES, 2005).
O Quadro 4 apresenta as categorias de análise referentes à Identificação Organizacional
e os principais fragmentos discursivos, que tem por objetivo verificar a identificação das
mulheres operárias entrevistadas com a empresa onde trabalham.

Elemento de Análise: Identificação Organizacional


Categorias de Análise Trechos das entrevistas Entrev
Ela é uma empresa que é tudo certinho, né (...) a gente sabe que pode
Identificação com a contar com a empresa (...) os engenheiros, se um dia a gente precisar,
E1
empresa onde trabalha eles dão uma mão (...) é uma segurança que a gente tem. Aqui tu é um
funcionário seguro nos teu direitos, nas tuas condições.
(...) os anos que a gente tá aqui, a gente sabe que é valorizado, a gente
sabe (...) a gente é bem recebida, em todas as obras que a gente foi, a E1
Percepção sobre o valor
gente foi bem recebida, bem tratada pelos mestre, pelos engenheiro.
de trabalhar na
(...) a gente sabe que o engenheiro ou chefe chega em nóis e diz, eu
empresa
preciso disso aqui, eu preciso entregar essa meta nesse mês. Ele já vem E3
direto em nóis (...)
Percepção sobre
Se a empresa tiver bem, nós vamos estar bem, né. Ela tem que tá bem.
sucesso na profissão x E2
Nós temo que se esforçar para ela tá bem (...)
sucesso da empresa
Percepção sobre a (...) pra entregar a casa perfeita pro morador, entendeu, eles tentam
E1
identidade da empresa fazer tudo direitinho (...)
Importância de fazer Não consigo mais me vê fora da (...) E1
parte da empresa Pra mim é, (...) pra mim é importante (...) E6
Olha só, minha filha trabalha no mesmo ramo que eu só em outro lugar.
A firma já demora para pagar. Ela fica um mês, um mês e pouco
esperando para receber. Então não é que nem nóis. Nóis é chova ou não E1
chova, nosso dinheiro tá ali (...) Eu já não me vejo trabalhando num
Percepção sobre os lugar assim (...)
valores da organização Eu não me vejo trabalhando noutra empresa. E6
x valores individuais A não ser que seja igual a ela. Tipo a XX, eu tenho orgulho daquela
empresa. Vou sempre carregar os dono, eles todos no coração, por que
graças ao seu fulano, que deu espaço para as mulheres começar a E1
trabalhar, né (...) ela era muito honesta também. Dava muito valor para
o funcionário (...)
Identificação com a É mais fácil de pegar as coisa, né, as coisas que te dizem, as coisas que
organização x inserção te ensinam, mais fácil de pegar. Tipo, por que se identificou com a E5
no grupo de trabalho empresa. Tu já se dá bem com o mestre, já se dá bem com todo mundo.
Quadro 4 – Categorias de análise referentes à Identificação Organizacional.
Fonte: Dados da pesquisa.

Conforme se observa no Quadro 4, os fragmento discursivos das entrevistadas apontam


que existe identificação com a organização onde trabalham, o que pode ser constatado também
através de observações de colegas e gestores, quando apontam o gosto e a alegria das colegas
em trabalhar na obra:

(...) muitas dizem aí que não deixam mais de trabalhar em obra prá trabalhar
em faxina, só que não tenha mesmo serviço em obra prá saírem da obra... um
pouco pelo financeiro e outro que gostaram, né, de trabalhar em obra (G2).
(...) tu dá um serviço novo para ela, tu vê a alegria nela, tu diz é assim que tu
faz, e é pra ti ver a alegria e vontade que ela tem. Tu convivendo no canteiro,
tu vê as diferença (H1)

As entrevistadas percebem a empresa como sendo séria, respondendo, na contrapartida,


com comprometimento de fazer bem feito o serviço, orgulho de fazer parte da organização e
uma relação de confiança mútua. Em uma das falas, uma das mulheres utiliza o pronome “nós”,
relacionando-se à empresa, sugerindo que ela seja parte da mesma:

Olha só, minha filha trabalha no mesmo ramo que eu, só em outro lugar. A
firma já demora para pagar. Ela fica um mês, um mês e pouco esperando para
receber. Então, não é que nem nóis. Nóis é chova ou não chova, nosso dinheiro
tá ali (E1) (Grifo dos autores).

(...) a gente faz as coisas pensando que poderia ser uma casa pra mim (...)
Como eu disse pro engenheiro um dia que ele chegou e disse (...) tu olha bem
o que tu tá fazendo, era um negócio de eletricidade, que tinha que tapar um
buraco. Aí eu disse, fulano, eu vou fazer como se eu tivesse fazendo pra mim.
Aí ele disse, então pode deixar que eu já tô saindo, que se fosse tua, tu ia fazer
perfeito (E1)

(...) a gente olha e pra nós é um orgulho ver aquele monte de gente ali. E
saber que em cada detalhe tem o nosso ali (E4).

Em suas falas, as entrevistadas demonstraram que quando se tem orgulho do que se faz,
seja lá o que for, é preciso que se imponha respeito para preservar sua identidade no trabalho e
conservar seu posto. Essa valorização faz com que não sofram preconceitos dos amigos,
familiares e colegas de trabalho.

6 Conclusão

Este estudo entrou em um universo majoritariamente masculino, no qual as mulheres


negociam com suas identidades. Essa negociação envolve, além dos fatores de gênero, fatores
organizacionais que se demonstraram determinantes para a consolidação e aceitação de sua
identidade social dentro de um espaço que ainda hoje é de predomínio masculino.
Sobre a representação social que os colegas homens têm a respeito das mulheres essa é
positiva, pois percebem as mulheres como capazes e mais caprichosas. Em função da vivência
laboral semelhante, verificou-se a emergência da identidade das mulheres compartilhada por
ambos os grupos, facilitando o convívio e as práticas solidárias.
A cultura imposta pela empresa é norteada pelos princípios de igualdade entre os sexos.
Contudo, pela fala dos homens percebe-se a existência de uma tentativa de divisão do trabalho
por gênero e certo preconceito, havendo uma tendência por parte de alguns homens de não
realizar determinados serviços por defini-los como sendo de mulher, criando uma noção de que
existem “trabalhos de mulheres e trabalhos de homens” dentro da obra.
Tanto no discurso masculino como no feminino não existe critério de preferência na
admissão de homens e mulheres. Contudo, percebe-se que as mulheres estão mais limitadas ao
trabalho de acabamento e arremate final da construção.
As mulheres, desde que começaram a trabalhar procuraram ganhar respeito pelo seu
trabalho e comportamento frente aos colegas. Moldam o ambiente organizacional, combatendo
as diferenças e o assédio, seja ele moral ou sexual. Têm se demonstrado ótimas pedreiras e dia
após dia remodelam as relações laborais na construção civil e as concepções normativas
anteriormente arraigadas no ideário masculino.
Por fim, constatou-se que as mulheres se identificam com a organização onde trabalham
e se consideram parte da mesma. Tal fato facilita o convívio, o aprendizado e influencia na sua
identificação social, a qual está diretamente ligada às vivências e relações produzidas no
ambiente de trabalho. Uma vez que, as maneiras de como os indivíduos trabalham e se
relacionam no ambiente laboral tem impacto na percepção de sua liberdade e valoração social.
A discussão aqui levantada carece de amadurecimento teórico e de um acúmulo de
conhecimentos devido à incipiência do tema. As dificuldades encontradas foram a falta de
estudos sobre mulheres operárias da construção civil e a escassez de estudos científicos sobre
o trabalho feminino em ambientes predominantemente masculinos. Esse trabalho não se encerra
por aqui, estudos futuros poderão suprir algumas lacunas aqui deixadas e enriquecer as análises.
Algumas limitações são próprias do estudo exploratório, outras podem estar relacionadas ao
fato de o estudo ter se concentrado em apenas uma empresa. Sugere-se assim, estudos que
abarquem outras empresas, a fim de superar essas limitações. Ainda, pesquisas futuras poderão
replicar o estudo para outros setores de atuação, na tentativa de encontrar categorias comuns,
que possam fundamentar o desenvolvimento de um quadro teórico que reflita a inserção da
mulher em trabalhos predominantemente masculinos.
Sem dúvida, esse é um campo fértil para a pesquisa. Espera-se que este estudo sirva de
subsídio para outras pesquisas que ainda serão realizadas, principalmente por se tratar de um
tema de grande relevância para a sociedade em geral, bem como para gestores de organizações
preocupadas com a inserção da mulher no mercado de trabalho.

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