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Movimento - Ano VI - Nº 12 - 2000/1

As camadas that it is no possible to assert that working class had a


complete relation with rowing clubs, but certainlly they

populares e o had an active participation in


organization of that sporting practice.
development and

remo no Rio de
No Brasil, ainda não são fartos os estu-
Janeiro da dos aprofundados sobre a apreensão do esporte
pelas camadas populares, principalmente no sé-
transição dos culo XIX e início do XX, momento de estrutu-
ração do campo esportivo no país.1 Mesmo na
séculos XIX/XX Europa, Estados Unidos e Canadá, países onde Na verdade,
Victor Andrade de Melo* está mais avançado o estudo da história do es- compreendia-se
porte, é relativamente recente o surgimento de que as camadas
tais preocupações.2 populares
possuíam uma
Resumo condição de vida
Não parece ser tão fácil construir uma
abordagem dessa natureza. Mesmo que as pes- "suja", com
No Brasil, ainda não são fartos os estudos sobre a
quisas relativas às camadas populares tenham hábitos
apreensão do esporte pelas camadas populares. O "desregrados" e
avançado muito nos últimos anos, não tão gran-
objetivo deste estudo é discutir a presença, a participação valores
des foram os avanços relacionados ao estudo de
e o relacionamento das camadas populares com o constantemente
sua vida cotidiana, até mesmo pela dificuldade
esporte, especificamente o remo, no Rio de Janeiro da relacionados à
de obtenção de fontes, muitas vezes representa-
transição dos séculos XIX/XX , momento de
ções de posições das elites.
festa, às bebidas,
estruturação do campo esportivo no país. Ao final, à promiscuidade,
sugere-se que não seja adequado afirmar que as devendo,
Isto por certo dificulta compreender me- portanto, ser
camadas populares apreenderam o remo, mas por certo
lhor a dinâmica específica de vida daquelas ca- "disciplinadas".
deve-se considerar que tiveram uma participação ativa na madas. Mesmo no caso específico do cotidiano
consolidação e organização dessa prática esportiva. da classe operária, normalmente mais documen-
tado devido às suas características de organiza-
Abstract ção, tal dificuldade permanece:

No caso brasileiro, tal como na Europa, as con-


In Brazil, we don't have a significant number of studies
dições operárias foram enfocadas a partir do as-
about the relation between sport and the working class. pecto físico e moral, através de relatórios de
This article has for purpose to argue about the presence médicos, inspetores, sanitaristas. (...) Os depoi-
mentos e análises de operários são extremamente
and the participation of working class members in
raros, onde ex-escravos, migrantes rurais e
sporting events, specifically of rowing, in the 19th/20th imigrantes europeus eram, na sua maioria, anal-
century culture of Rio de Janeiro. In that moment, we fabetos. (...) Os trabalhos sobre os operários ne-
gligenciaram o estudo das condições de vida.3
could observe the first moments oí modern sport in Brazil.
At the final, I conclude
No que se refere ao esporte, tal constata-
ção parece ser bem adequada. Deve-se admitir
que a continuidade de pesquisas é fundamental
para que se ampliem nossas compreensões. De
qualquer forma, algumas importantes conside-
rações podem ser traçadas e o objetivo deste es-
tudo é exatamente discutir a presença, partici-
pação e relacionamento das camadas populares
com o esporte, especificamente o remo, no Rio
de Janeiro da transição dos séculos XIX/XX.

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Se desde o inicio do campo esportivo fi- das populares era bastante notável no caso das
cava estabelecido um grupo com acesso privile- brigas de galo7 e touradas. Essas práticas popu-
giado (as elites) e apontava-se uma determinada lares, consideradas bárbaras e violentas, passa-
representação de esporte segundo os interesses ram a ser tidas como indignas para um país que
de tal grupo,4 isso não significava a exclusão da se pretendia moderno.
participação das camadas populares. Na verda-
de, a popularização do esporte sempre foi espe- Tal processo de "saneamento" parece ter
rada, tanto no sentido de economicamente tor- sido bastante semelhante ao que aconteceu em
nar viável a atividade, como de apresentar e alguns países europeus. Douglas Reid8 analisa
marcar para a população em geral quem eram as processo semelhante na Inglaterra, procurando
elites. Tratava-se de difundir códigos por entre demonstrar o confronto entre os que defendiam
a população, estabelecendo a diferença entre o fim das brigas de galos e das touradas em nome
aqueles que não somente os dominavam, mas do processo de civilização, e os que, a despeito
Mas se o remo
poderiam manipulá-los com maior propriedade. disso, continuavam freqüentando tais manifes-
era apresentado
tações. Para o autor, o que efetivamente ocorreu
como alternativa
Além disso, no fim do século, tratava-se é que tais práticas continuaram sendo observa-
"saudável" que
deveria substituir de apresentar o esporte como um substituto mo- das entre as camadas populares, de forma clan-
as práticas "bár- derno e adequado para as antigas práticas tradi- destina, mesmo quando outros esportes "civili-
baras" das cionais da população. O movimento de morali- zados" ocuparam espaço significativo.
carnadas popu- zação e controle social, característico das mu-
lares, como isso danças no contexto sócio-cultural do Rio de Ja- Encontramos uma crítica brasileira a proi-
se deu? neiro naquele momento, tinha injunções bastan- bição das brigas de galos e touradas na edição
te diretas e incisivas nas camadas populares e do Jornal de Brasil de 1 de janeiro de 1893. Na
buscava não só atingir seus jogos, como tam- verdade, não era tanto um questionamento aos
bém a sua religiosidade (a "macumba"), a capo- impedimentos para a realização de brigas de
eira (permanente perseguida a partir do quartel galos e touradas, mas sim uma crítica à incoe-
final do século)5 e mesmo suas formas de feste- rência de tal processo. Ao comentar a realiza-
jos, inclusive o carnaval.6 ção de lutas de boxe no Rio de Janeiro, o colu-
nista acha que é um contra-senso que a Inglater-
Na verdade, compreendia-se que as ca- ra tenha proibido as brigas de galos e touradas,
enquanto estimula as lutas de boxe, a seu ver
madas populares possuíam uma condição de vida
extremamente violentas.
"suja", com hábitos "desregrados" e valores
constantemente relacionados à festa, às be-
bidas, à promiscuidade, devendo, portanto, ser Isso era plenamente compreensível se
"disciplinadas". encararmos o boxe como uma atividade de "en-
tusiasmo controlado". Isto é, se realmente as
origens da luta se encontravam e se alinhavam
De fato, os jogos ligados às camadas po-
com o gosto popular, podia-se transformá-la,
pulares eram freqüentemente proibidos (como a
controlá-la e adequá-la a novos sentidos, gerar
víspora, a roleta e a loto), enquanto aqueles pre-
um mercado ao seu redor, criando-se até mesmo
sentes nos fóruns das elites gozavam de reputa-
um discurso que a ligava a uma prática saudá-
ção e muitas vezes eram mesmo denominados
vel.
de esporte (como o xadrez e a dama). Se a práti-
ca era freqüente entre as camadas populares, logo
Interessante também era a constante po-
era considerada motivo de ação policial, algo
sição contrária de Machado de Assis às toura-
pernicioso, ligado a uma consideração pejorati-
va de "jogo". Já se as elites os praticavam, ga- das:
nhavam um caráter aristocrático, logo se consti-
O certo é que se eu quiser dar uma descrição
tuindo em um possível sinal de status. verídica da tourada de domingo passado, não
poderei, porque não a vi. Não sei se já disse al-
Essa ação contras as práticas das cama- guma vez que prefiro comer o boi à vê-lo na pra-

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ça. Não sou homem de touradas; e se é preciso A enseada inteira se engalana para os dias de
dizer tudo, detesto-as.9 certame marítimo. O povo trepa no cais. Cruzam
carruagens. No lado do mar há barcas da
Cantareira, pejadas de povo, com charangas, com
Para Machado de Assis, tal prática deno- danças e namoros. Além das barcas, rebocadores
tava uma violência extrema, não adequada aos e lanchas pejadas de famílias. Até as 6 horas da
novos tempos. Chegava a ironizar a realização tarde é um delírio no mar, na praia. (...) Respira-
de uma tourada com fim de "promover carida- se, em todo o caso, um ambiente de alegria, de
mocidade, de festa, que agrada e que faz bem.12
de", na qual compareceu numerosa e "seleta" pla-
téia. Surpreendia-o que gente de "fino trato" as-
O comentário de Raul Pompéia sobre uma Mas se as
sistisse àquela ferocidade, supostamente com fins camadas popu-
regata realizada pelo clube Guanabarense tam-
humanitários, fingindo que não era um espetácu- lares passaram a
bém pode dar uma idéia da participação das di-
lo violento. Para mostrar a hipocrisia que havia sofrer a
versas camadas da população:
ao redor da prática, apresenta um suposto diálo- influência de um
go que manteve com um amante das touradas: E incalculável a população que se moveu para os modelo
festejos em todos os arrabaldes. Os bonds não construído pelas
- Não imagines que são touradas como as de podiam conter a lotação desmedida do tráfego, elites, não
Espanha. As de Espanha são bárbaras, cruéis. principalmente da volta. (...) A Praia de Botafogo,
Estas não têm nada disso. deixaram de
extensíssima e larga, era insuficiente para
- E entretanto... acomodar o trânsito e o estacionamento dos interferir na
- Assim, por exemplo, nas corridas da Espanha é veículos, do povo, que ali apareceu na noite de prática específica
uso matar o touro...Nesta não se mata o touro; domingo. 13 que estava
irrita-se, ataca-se, esquiva-se, mas não se mata...
- Ah! Na Espanha mata-se?
surgindo: uma
- Mata-se...E isso é o que é bonito! Isso é que é Apesar dessa afluência de público, não se tentativa de
comoção! ... pode dizer que não havia restrições à participa- domesticação que
Entenderam a chave da anedota ? No fundo de ção. Até a transição dos anos 1880/1890, existia deve ser
cada amador de tourada inocente, há um amador
de tourada espanhola. Começa-se por gostar de até mesmo a possibilidade de membros das ca- compreendida
ver irritar o touro, e acaba-se gostando de o ver madas populares participarem das competições como um processo
matar".'" como remadores, embora nunca fossem dirigen- de dupla via de
tes ou associados a clubes. Alberto Mendonça reinterpretação;
Enfim, as práticas de grande penetração menciona que foram catraeiros e pescadores os não passivo.
no gosto popular começaram a ser combatidas, que primeiramente se interessaram pelas corri-
no âmbito do mesmo processo de moralização e das de barcos. Muitos grupos de remadores se
controle social que colocaria em questão mes- inscreviam por conta própria nas regatas, sem
mo as apostas (o que levaria os clubes de remo a representar a bandeira de nenhuma associação
eliminar tal costume de suas competições) e al- náutica: "Assim de mistura com clubs perfeita-
guns jogos de azar menos aristocráticos. mente constituídos, havia esparsos esses peque-
nos, porém, fortes elementos, para darem incre-
O remo, que se desenvolvia adaptado aos mento de valia às festas marítimas".14
discursos de saúde, progresso e moralidade,11
ajustou-se plenamente a essa marca do projeto Tal possibilidade, contudo, não perdurou,
de modernização: a substituição e a destruição e logo exigiu-se que os remadores fossem asso-
de práticas/espaços sociais tradicionais (que pas- ciados aos clubes, o que excluía a possibilidade
sam a ser considerados ultrapassados, não-civi- de participação como remadores de membros das
lizados) por outros julgados "adequados", segun- camadas populares. Mesmo as suas possibilida-
do o padrão que interessava às elites. Mas se o des de assistir às competições foram limitadas.
remo era apresentado como alternativa "saudá- Se era mais fácil ter acesso às regatas, já que se
vel" que deveria substituir as práticas "bárba- desenrolam nas praias - logo, não sendo neces-
ras" das camadas populares, como isso se deu? sário pagar ingressos, como nos hipódromos -
deve-se considerar que arquibancadas montadas
É fato que as camadas populares estavam pelo clubes, e principalmente o Pavilhão de Re-
sempre presentes nos eventos náuticos, assistin- gatas,15 acabaram por "selecionar melhor o pú-
do às competições da forma que fosse possível:

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blico", impedindo a "mistura" entre camadas Tal forma de relacionamento com o mar e
sociais. com as praias acabaria modificado pelas diver-
sas iniciativas de regulamentação e controle
Mas, mesmo presentes nas regatas, teri- implementadas a partir da articulação de consi-
am as camadas populares seguido a lógica das derações médicas/morais/estéticas, e mesmo
elites e incorporado os sentidos que estas dese- simplesmente pelo desejo de imitar os membros
javam propagar? De acordo com Alain Corbin, da elite que passaram cada vez mais a chegar
quando: perto do mar. A citação de Alain Corbin, ainda
que se refira à realidade européia, pode ajudar a
... no início dos anos 1840, na Europa inteira, a compreender, com ressalvas, o que houve na ci-
estrada de ferro atinge o litoral e um novo dis- dade do Rio de Janeiro no que se refere à ocupa-
positivo de progresso vem alterar a fisionomia das
estâncias (...) a figura da praia se turva, os mitos ção do mar e das praias:
de entrecruzam, os estereótipos se acumulam em
uma confusa concorrência.16 ... a figura do habitante das praias perde sua
solidez. (...) Nesse meio tempo a domesticação
imposta (...) diminui e manifesta, a uma só vez, a
Isso poderia ter se dado de forma diferen- distância que separa o turista dos trabalhadores
Para se ter uma ciada no Rio de Janeiro, inclusive devido às ca- da areia e do sargaço. Em breve as classes
idéia dos limites racterísticas da organização geográfica da popu- dominantes virão deliberadamente oferecer-se
lação. A cidade nasceu bem próxima do mar, o como espetáculo a essa gente das praias, obri-
da participação gada a ceder este espaço a um novo teatro
política possível, que permitiria às camadas populares um acesso social.21
cerca de 80% da mais facilitado às praias. Todavia, a ocupação ou
população estava não desses espaços não decorria da proximidade A princípio o habitante das praias assis-
excluída do geográfica, e sim de injunções culturais. tiu à construção de suntuosas casas de membros
direito de voto. das elites ao lado de suas modestas residências.
A princípio, para os membros das cama- Depois, suas casas foram compradas (ou desa-
das populares que moravam nas praias mais dis- propriadas). Suas práticas de banhos de mar fo-
tantes do centro da cidade, o mar fazia parte de ram regulamentadas. E mesmo sua possibilida-
seu cotidiano. Já para os que moravam mais pró- de de participar em eventos de remo foi restrita,
ximo do centro, e estavam mais imersos e sujei- devido ao rígido regulamento dos clubes.
tos aos imperativos sociais, a relação de distân-
cia com o mar era observável,17 embora possi- Mas se as camadas populares passaram a
velmente de maneira mais atenuada do que para sofrer a influência de um modelo construído
os indivíduos das elites. pelas elites, não deixaram de interferir na práti-
ca específica que estava surgindo: uma tentati-
De qualquer forma, para as camadas po- va de domesticação que deve ser compreendida
pulares o uso do mar não estava naquele mo- como um processo de dupla via de reinterpreta-
mento ligado aos aspectos higiênicos, à saúde e ção; não passivo.
à estética, seguindo uma lógica completamente
diferenciada, inclusive no que se refere ao pu- Richard Morse argumenta que as praias
dor, do que esperava o projeto das elites. Alber- cariocas, pensadas a princípio como estratégias
to Mendonça,18 Inezil Penna Marinho19 e Luiz populistas de pacificação e controle, foram in-
Edmundo20 dão fartos exemplos de como tais corporadas de forma ativa pela população, o que
camadas (ressaltando-se os pescadores) faziam torna difícil traçar paralelos com outras praias
uso do mar para suas atividades lúdicas, algu- do mundo:
mas inclusive ligadas à cultura corporal de mo-
vimento, embora não se deva considerar tais "Assim as praias cariocas reificadas como pão-e-
atividades como esportivas. Tais práticas esta- circo não são aquelas experimentadas como
teatro. Aqui não se encontra nem a arregi-
vam na verdade ligadas a sua necessidade de
mentação e a homogeneização das massas de
sobrevivência e/ou às suas tradições, aos seus Coney Island e da 'Riviera' do Mar Negro sovi-
hábitos, às suas festas. ético, nem a segregação privatista com base na

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renda. (...) Os grupos sociais e étnicos se amon- a mudança do regime, a República neutralizou
toam mas não se segregam, e os corpos dramati- politicamente a cidade. (...)Esse imobilismo, con-
camente expostos substituem sutilmente as tudo, não impediu que o povo tivesse opinião
hierarquias dos ambientes de trabalho pela ele- sobre os acontecimentos e as ações do governo,
mentar hierarquia corporal.22 nem muito menos que as classes populares se
manifestassem publicamente. Ainda que o exer-
cício da cidadania fosse limitado, o povo rebelou-
É importante compreender melhor as pos- se em explosões periódicas, mostrando
sibilidades e iniciativas de resistência e articu- insatisfação, apresentando suas reivindicações e
lação das camadas populares naquele momento. denunciando arbítrios.28
Deve-se ter em conta que o quartel final do sé-
culo XIX foi marcado por um grande número Isto é, se poucas resistências podem ser
de tensões sociais, que se desenvolveram como observáveis no campo da política propriamente
conseqüência do crescimento urbano (que aca- dita, fundamentalmente as encontramos no co-
bava por destacar mais as diferenças sociais), tidiano, naquilo que se costuma considerar como
da industrialização e do surgimento de uma clas- periférico, inclusive nas atividades lúdicas/tra- Aliás, os atos de
se operária. Se o Rio de Janeiro, por ser a maior dicionais. Era na negativa da "pasteurização" de destruição
cidade e centro econômico, político e cultural sua cultura (nas resistências no carnaval, na ca- estiveram entre as
do País, sentiu em grau bastante intenso as rápi- poeira, no circo, nos jogos de azar, entre outros) principais formas
que as camadas populares refaziam os códigos, de resistência das
das mudanças ocorridas na transição do século,
modificavam as regras, mesmo que aparente- camadas popu-
seus habitantes também estiveram entre aqueles
mente se submetessem a alguns regulamentos. lares. Basta
que mais se envolveram com os conflitos ocasio-
lembrar da
nados por tais mudanças.23
Revolta do
O processo de resistência não se dava so-
Vintém e da
Certamente nesse momento as camadas mente no interior da lógica capitalista, mas fun- Revolta da
populares já estavam mais críticas e organiza- damentalmente no sentido de conservar o estilo Vacina.
das,24 mas não tanto a ponto de politicamente de vida que tinham no período colonial. E tal
conseguirem grandes vitórias, embora tenham processo ganha grande importância já que:
obtido algumas conquistas significativas, fruto
de algumas greves realizadas.25 Na verdade, a O endeusamento do modelo parisiense é con-
comitante ao desprestígio de nossas tradições.
construção de espaços políticos de intervenção Vive-se o apogeu da ideologia cientificista que
foi claramente dificultada pelo modelo de "de- transforma a modernidade em um verdadeiro
mocracia" imposto.26 mito, cultuado pelas nossas elites. Mais do que
nunca a cultura popular é identificada com
negativismo, na medida que não compactua com
Para se ter uma idéia dos limites da parti- os valores da modernidade.29
cipação política possível, cerca de 80% da po-
pulação estava excluída do direito de voto. Nesse sentido compreende-se, por exem-
José Murilo de Carvalho procura trabalhar plo, por que, a despeito das ações governamen-
exaustivamente a idéia de que, como as possibi- tais, o jogo do bicho não foi eliminado até os
lidades políticas de participação eram muito li- dias de hoje. Segundo Micael Herschmann e
mitadas, era mesmo no cotidiano que a popula- Katia Lerner, "Talvez um dos exemplos mais
ção entabulava resistências: ilustres e célebres de resistências às normas e
modelos estabelecidos pelo Estado foi o reali-
Havia no Rio de Janeiro um vasto mundo de par- zado pelo Jogo do Bicho".30 Mais ainda, os au-
ticipação popular. Só que este mundo passava ao
largo do mundo oficial da política. (...) A tores percebem como os conflitos ao redor des-
participação que existia era de natureza antes se jogo estavam ligados ao sentido que as ativi-
religiosa e social e era fragmentada.27 dades lúdicas logravam na sociedade de então:

Rosa Maria Barbosa Araújo também faz A penetração que obteve na sociedade carioca da
eco a essa perspectiva: Belle Époque demonstra como seus elementos
lúdicos encontravam eco no imaginário dos agen-
tes sociais de então (ela que perdura até hoje, haja
Ao contrário da inicial expectativa popular com visto seu crescimento e consolidação).3'

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A continuidade da existência do jogo do ciavam quando, por exemplo, os bondes muda-


bicho, das brigas de galo, das touradas, fruto tan- vam o percurso para atendê-los, quando leva-
to da resistência das camadas populares quanto vam os jornais a mediar as informações a partir
dos conflitos no interior das elites, demonstra de sua lógica (pois se não as vendas seriam fra-
que a repressão a tais atividades tinham mais cassadas), quando denunciavam os "tribofes"35 e
efeito moral do que efetividade no exterminar quebravam as instalações esportivas devido às
dessas "práticas bárbaras". falcatruas nos resultados36:

Gareth Stedman Jones32 chama a atenção Os espectadores, logo que percebem as irregu-
laridades do jogo, rebentam em impropérios con-
para uma outra dimensão no que se refere ao tra os jogadores. (...) A barulheira cresce.
controle social do tempo do não-trabalho das Referve. E o calão. E a descompostura da sargeta.
Não se pode camadas populares. Para ele, além dos impedi- E a obscenidade. Depois vem o murro, o pontapé,
negar que ao a bengalada, por vezes o tiro de revólver, e a
mentos e restrições, as ações estavam também
redor do esporte depredação da casa da poule.37
destinadas à capitalização do mercado de lazer,
havia o intuito de
o que possibilitaria o oferecimento de ativida-
controle corporal Aliás, os atos de destruição estiveram en-
des consideradas adequadas à propagação dos tre as principais formas de resistência das cama-
da população por
valores que interessavam às elites. Já vimos que
parte das elites, das populares. Basta lembrar da Revolta do Vin-
isso de fato ocorria no que se refere ao remo.
até mesmo tém e da Revolta da Vacina. A população sabia
porque, na que os "tribofes" não estavam somente no turfe,
transição do Mas Jones também exorta-nos a não acre- nas regatas (mesmo em menor número) e nos
século XIX para ditar que as camadas populares incorporaram esportes em geral. Também estava na imprensa,
o XX, já eram passivamente tais valores. Para ele, compreen- no Estado e na política, só restando a estratégia
notáveis ações der tal questão de forma linear e simplista, so- da turba:
mais estruturadas mente a partir do esquema "assimilação-adapta-
no que se refere a ção-aburguesamento", é ser tão funcionalista O povo sabia que o formal não era sério. Não
uma intervenção como qualquer pensamento liberal. havia caminhos de participação, a República não
pedagógica no era para valer. Nessa perspectiva, o bestializado
era quem levasse a política a sério, era o que se
âmbito da higiene Logo, mesmo que o esporte fosse apre- prestasse à manipulação. Num sentido talvez ain-
das camadas sentado como alternativa 'saudável' e permiti- da mais profundo que o dos anarquistas, a política
populares, ... da, ele não conseguiu substituir as atividades era tribofe. Quem apenas assistia como fazia o
povo do Rio por ocasião das grandes transfor-
'bárbaras'. E se as camadas populares tomavam mações realizadas a sua revelia, estava longe de
parte no espetáculo esportivo, principalmente no ser bestializado. Era bilontra.38
papel de torcedores, isso não se deu de forma
passiva e/ou excludente no que se refere às ou- É importante considerar que as camadas
tras atividades lúdicas existentes em sua cultu- populares participavam também como apostado-
ra.33 ras. Mesmo que se procurasse criar uma imagem
de saúde ao redor do esporte, o que realmente
Aliás, Nicolau Sevcenko34 desenvolve parecia interessar àquelas camadas eram os prê-
uma discussão muito interessante sobre o pró- mios em dinheiro. Daí decorre grande parte da
prio papel de torcida. Recuperando a origem da intensa procura e popularidade do espetáculo es-
palavra (torcer-se, contorcer-se, remoer-se, con- portivo. Alan Metcalfe é um dos autores que acre-
trair-se), o autor argumenta que esta não é uma dita que o caráter de jogo de aposta era funda-
função passiva. O torcedor participa ativamen- mental para as camadas populares nesse primeiro
te, incorpora lances, influencia nos resultados. momento de apreensão do campo esportivo:
Se o torcedor incorpora valores, ele também os
gera, apresenta dimensões que os clubes e atle- Eu creio que a predominância de prêmios em
tas devem atender para que continuem tendo dinheiro e jogo/apostas refletem alguns atributos
fundamentais da cultura da classe trabalhadora.
torcida. O esporte não era um veículo para a
demonstração de qualidades sociais; era para
Mais diretamente, os torcedores influen- ganhar. Em alguns aspectos, o esporte era a con-

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tinuação do esforço para sobreviver, mas era um elites acabavam por propagar sua compreensão
esforço que poderia proporcionar uma vitória
acerca de tais atividades, o que muitas vezes era
momentânea.39
consentido pelas camadas populares, até mes-
Também deve-se ter em conta que se a mo para obter maior reconhecimento e aceita-
cidade se dividira drasticamente, aos pobres sen- ção.
do destinado o espaço das periferias e as encos-
tas dos morros, também se criaram espaços de Assim, a despeito de reelaborações e da
Inter-relação. Em tais espaços é possível identi- participação ativa das camadas populares, temos
ficar uma fértil troca de experiências, mesmo que que admitir que a compreensão que vinha das
nem sempre explícita. Pode-se citar como um elites foi bastante influente e poderosa. Logo,
desses espaços a casa de Tia Ciata, responsável não se deve superestimar esse processo de apre-
por grande parte do desenvolvimento do samba ensão e resistência no que se refere às práticas
esportivas. Por fim, quero
na cidade. Também o fato de as crianças das eli- uma vez mais
tes serem muitas vezes criadas por "mães ne- assumir os limites
gras", que de alguma forma lhes passavam um Na verdade, não se pode considerar, no
que se refere ao esporte, que houve algo similar dessa
pouco de sua cultura.40 compreensão
ao que acontecia na música, por exemplo. Afir-
relativa às
Como afirma Mônica Velloso, deve-se ma Jeffrey Needell que "Numa sociedade am-
camadas popu-
compreender que: plamente iletrada como a brasileira, a música,
lares. Não foi
ao contrário da literatura, era acessível a todos,
realmente fácil
Arremedando o poder, falando a sua linguagem, e a contribuição do povo era rica e difusa".43 O conseguir muitos
enfim, mostrando-se cúmplice com os seus valo- esporte era uma prática com uma dinâmica com- indícios sobre
res, o grupo consegue burlar a vigilância das pletamente diferente da música, de certa forma
elites e preservar certa autonomia cultural. A elas, fato comum
tensão que polariza o salão - símbolo da cultura
até mesmo mais "artificial", estando muito entre os que
erudita - e o terreiro - símbolo da cultura popular situada no âmbito das práticas culturais das eli- estudam tal grupo
- desfaz-se através dos biombos que deixam vazar tes, mais adequada a seu ethos. na realidade
sons e sinais nas duas direções. E o fenômeno da
interpenetração cultural.4'
brasileira.
Cabe então um posição de equilíbrio ao
analisar o esporte entre as camadas populares,
E por que não considerar as práticas es-
tanto no decorrer do século XIX quanto na vira-
portivas como um desses espaços de inter-rela-
da do século. Não se pode negar que ao redor do
ção? Como vimos até aqui, as estratégias de di-
esporte havia o intuito de controle corporal da
ferenciação não foram suficientes para eliminar
população por parte das elites, até mesmo por-
a participação popular ativa nos eventos de remo.
que, na transição do século XIX para o XX, já
Na verdade, no seio da cultura popular já existi-
eram notáveis ações mais estruturadas no que se
am condições para o desenvolvimento do remo
refere a uma intervenção pedagógica no âmbito
e do esporte em geral. Se isso ocorreu anterior-
da higiene das camadas populares, expressa na
mente foi devido às próprias resistências no
publicação de manuais, no estímulo à prática da
âmbito das elites:
ginástica e da Educação Física nas escolas44 e
Se o prestígio social atraía a população, o fato é
na permissão de acesso controlado a algumas
que a cultura popular da cidade já era marcada práticas esportivas, iniciativas por certo também
tanto pelo valores da exuberância física quanto engajadas em um projeto de melhor controle e
pelo espírito lúdico de precipitar os oponentes no preparação da mão-de-obra.
ridículo pela destreza e rapidez, de movimento.42

Obviamente, não se pode negligenciar que Contudo, não se pode afirmar que a di-
esses espaços de inter-relação também amplia- mensão de controle corporal era única, central e
obteve pleno êxito: houve reelaborações. Pois
ran a influência cultural que vinha das elites.
se, como visto, as camadas populares entabula-
Ao freqüentar o samba, a religião e as ativida-
ram reelaborações e formas diferenciadas de
des festivas e lúdicas em geral, os membros das
apreender o objeto, elas nem sempre foram prio-

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ritárias, até mesmo porque, ao contrário da mú- Formas de esporte e lazer cresceram em padrões
específicos das condições sociais. As formas de
sica, o esporte estava menos diretamente ligado
dominação potencialmente estabeleceram formas
a sua cultura. Se resistências efetivas existiram, de resistência, mas não há nenhuma característica
foi quando se tentou pasteurizar e controlar aqui- inerente ao esporte que o faça um objeto utópico
lo que fazia parte de sua cultura; seus hábitos e ou subversivo no que se refere às estruturas de
dominação.48
costumes. Enfim, não creio que seja adequado
afirmar que as camadas populares apreenderam
Enfim, a ocupação do mar completava um
o remo, mas por certo tiveram uma participação
ciclo. Antes era desconsiderado pelas elites, e
ativa nessa prática esportiva.
somente os habitantes que residiam próximo às
praias o utilizavam para as atividades de sobre-
No caso específico do esporte, somente
vivência e/ou lúdicas ligadas a sua cultura. As
mais tarde, com o futebol, ficaria mais explícito
elites começaram a ocupar as areias impulsio-
o processo de reelaboração e apreensão. Como
nadas pelo seu caráter terapêutico e pelas possi-
afirma José Murilo Carvalho:
bilidades de contemplação. Posteriormente, um
Assim o mundo subterrâneo da cultura popular
novo setor das elites ocupou as praias, já com
engoliu aos poucos o mundo sobreterrâneo das outros sentidos, ligados diretamente às suas com-
culturas das elites. Das repúblicas renegadas pela preensões de saúde física e moral e aos desafios
República foram surgindo os elementos que que eram lançados pelo progresso, pela indus-
constituiriam uma primeira identidade coletiva da
cidade, materializada nas grandes celebrações do trialização. O remo desenvolve-se na cidade exa-
carnaval e do futebol.45 tamente devido a tais injunções.

Além disso, deve-se pensar o impacto do Nesse processo, os antigos habitantes das
esporte na sociedade sem considerar as cama- praias perderam espaço, assistiram tentativas de
das populares como completamente dispostas a dizimar ou controlar suas antigas atividades lúdi-
resistir aos sentidos propagados pelas elites, cas, permitidas agora segundo um novo padrão.
como também sem se renderem a eles por com- Se não ocorreu o desaparecimento completo dos
pleto. Tais camadas também incorporaram mui- sentidos e significados originais de ocupação das
tos dos valores difundidos, até mesmo para de- praias, sem dúvida estes foram bastante altera-
les fazer uso de acordo com seus interesses. Isso dos. Mas também acabaram por influenciar a nova
pode ser identificado no caso da dominação prática que surgia. Como afirma Gilberto Velho:
masculina, na questão das apostas e na utiliza-
ção e percepção do esporte como forma de as- No terreno dos costumes e das mentalidades, ou
da cultura de um modo mais sintético, assistimos à
censão social.
convivência e constantemente ao confronto de
visões de mundo diferenciadas, quando não
Jones está entre aqueles que criticam os antagônicas. Todavia, no decorrer do processo de
que vêem as camadas populares (destacadamente interação entre mentalidades e/ou culturas
particulares, ao lado de inegável destruição
a classe operária) somente a partir de seu supos- material e simbólica, produzem-se combinações e
to "caráter revolucionário".46 Ainda mais, deve- transculturações (...) geradoras de novos sig-
se tomar cuidado para não politizar extremamen- nificados e temas culturais.49
te as vivências esportivas e lúdicas. Para o au-
tor: Por fim, quero uma vez mais assumir os
limites dessa compreensão relativa às camadas
Claro que o carnaval, as férias ou as partidas de populares. Não foi realmente fácil conseguir
futebol podem converter-se em ocasião de lutas muitos indícios sobre elas, fato comum entre os
sociais importantes. Mas em todos os casos des- que estudam tal grupo na realidade brasileira.
cobriríamos que atuaram como ocasião ou
catalisadores dos acontecimentos que desenca- Com isso não estou a minimizar a importância
dearam e não como causa.47 das compreensões apresentadas, mas a assumir
que se faz necessário continuar a busca de mais
Para sintetizar, são adequadas as coloca- dados que nos permitam uma interpretação mais
ções de Alan Tomlison: clara e aprofundada sobre o assunto.

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8
NOTAS REID, Charles A. Beasts and brutes: popular blood
sports - 1780-1860. In: HOLT, op.cit.
1 9
Maiores informações podem ser obtidas no estudo: ASSIS, Machado. Touradas. In: ASSIS, Machado.
MELO, Victor Andrade de. Cidade "Sportiva": o Crônicas escolhidas. São Paulo: Editora Ática, 1995.
turfe e o remo no Rio de Janeiro (1849-1903). Rio p.55.
de Janeiro: UGF, 1999. Tese (Doutorado em Educa- 10
ção Física). Ibid.
11
2
Maiores informações podem ser encontradas nos MELO, op.cit.
estudos: CANTELON, Hart, HOLLANDS, Robert 12
EDMUNDO, Luiz. O Rio de Janeiro do meu tem-
(eds.). Leisure, sport and working class cultures. po. Rio de Janeiro: Conquista, 1957. p.840.
Toronto: Canadian Press, 1988; JONES, Gareth Ste- 13
dman. Expresión de clase o control social? Critica In: POMPÉIA, Raul. Crônicas do Rio. Rio de Ja-
de las ultimas tendencias de la historia social del neiro: Secretaria Municipal de Cultura, 1996. p.38.
"ocio". In: __ . Lenguajes de clase. Estudios sobre 14
MENDONÇA, Alberto B. História do sport náutico
la historia de la clase obrera inglesa (1832-1982). no Brazil. Rio de Janeiro: Federação Brazileira de
Madrid: Siglo Veintiuno, 1989, p.72-85; HOLT, Ri- Sociedades de Remo, 1909. p.17.
chard (org.). Sport in the working class in modern 15
Britain. Manchester: Manchester University Press, 0 Pavilhão foi criado, em 1905, pelo prefeito Pe-
1990; JONES, Stephen G. Sport, politics and the reira Passos, um nome luminar e de grande
working class. Manchester: Manchester University importância nas reformas observáveis no Rio de Ja-
Press, 1992; KRUGER, Arnd, RIORDAN, James neiro nos primeiros anos do século XX. Logo se
orgs.). The story of worker sport. Champaign: Hu- tornou um dos principais divertimentos e local de
man Kinetics, 1996. freqüência das elites da cidade. Maiores informações:
3
MELO, op.cit.
LOBO, Eulalia Maria Lahmeyer, STOTZ, Eduardo 16
Navarro. Flutuações cíclicas da economia, condições CORBIN, Alain. O território do vazio. A praia e o
de vida e movimento operário - 1880 a 1930. Revis- imaginário ocidental. São Paulo: Companhia das
ta do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, v. 1, n. 1, p.61-86, Letras, 1989. p.85.
dezembro/1985. 17
Maiores informações sobre as relações entre o ha-
4
MELO, op.cit. bitante do Rio de Janeiro e o mar, podem ser
5
encontradas no estudo de Melo (op.cit.).
A discussão específica da capoeira é muito 18
interessante para se compreender o processo de ra- Op.cit.
cionalização e controle das práticas tradicionais, 19
MARINHO, Inezil Penna. Contribuições para a
inclusive no aspecto que se refere à cultura corporal história da Educação Física no Brasil. Rio de Janei-
de movimento. Para os que desejarem se aprofun- ro: Imprensa Oficial, 1943.
dar, sugiro os estudos: REIS, Leticia Vidor de Souza. 20
O mundo de pernas para o ar. São Paulo: Publisher, Op.cit.
1997; SOARES, Carlos Eugênio Líbano. A ne- 21
Op.cit., p.212.
gregada instituição: os capoeristas no Rio de Janeiro. 22
Rio de Janeiro: Prefeitura da Cidade do Rio de Ja- MORSE, Richard M. As cidades 'periféricas' como
neiro/Secretaria Municipal de Cultura, 1993; arenas culturais: Rússia, Austria, América Latina.
VIEIRA, Luiz Renato. O jogo de capoeira: corpo e Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v.8, n.16, p.205-
cultura popular no Brasil. Rio de Janeiro: Sprint, 225, julho-dezembro/1995. p.222.
1995. 23
CARVALHO, José Murilo de. Os bestializados: o
6
Já existem bons estudos sobre a questão do carnaval. Rio de Janeiro e a República que não foi. São Paulo:
Sugiro para os que desejarem maiores informações: Companhia das Letras, 1987.
SOIHET, Rachel. A subversão pelo riso - estudos 24
As primeiras associações beneficentes de caráter
sobre o carnaval carioca da Belle Epoque ao tempo sindical surgiram em 1880.
de Getúlio. Rio de Janeiro: Editora da Fundação
25
Getúlio Vargas, 1999; CUNHA, Maria Clementina Uma das reivindicações mais freqüentes era a redução
Pereira. "Você me conhece?": significados do car- da jornada de trabalho para 8 horas, possibilitando-lhes
naval na belle époque. Projeto História, São Paulo, maior descanso e maior aproveitamento do tempo livre.
n.13, p.93-108, junho/1996; entre outros. As grandes reivindicações em geral estavam ligadas à
7 melhoria de suas condições de vida.
Machado de Assis denominava a briga de galo de
26
"Jockey Club dos pobres", tal sua popularidade. Ainda assim, mesmo com pouca expressão políti-
Maiores informações podem ser obtidas no estudo: ca, no final do século XIX chegaram a ser criados
TATI, Miécio. O mundo de Machado de Assis. Rio três partidos operários: Partido Socialista Brasileiro
de Janeiro: Secretaria Municipal de Cultura, Turis- (1890), Partido Operário Brasileiro (1893) e Partido
mo e Esporte, 1991. Operário Socialista (1895).

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Movimento - Ano VI - Nº 12 - 2000/1

27
CARVALHO, op.cit, p.31. relação podem ser obtidas no estudo de Araújo
28 (op.cit.).
ARAÚJO, Rosa Maria Barboza de. A vocação do
41
prazer - a cidade e a familia no Rio de Janeiro repu- Op.cit., 1988, p.53.
blicano. Rio de Janeiro: Rocco, 1993. p.287. 42
SEVCENKO, op.cit., p.577.
29
VELLOSO, Mônica Pimenta. As tradições popu- 43
NEEDELL, Jeffrey D. Belle Époque tropical. São
lares na Belle Epoque carioca. Rio de Janeiro:
Paulo: Companhia das Letras, 1993. p.209.
Fuñarte, 1988. p.8.
44
30 Maiores informações sobre a inclusão da Educa-
HERSCHMANN, Micael, LERNER, Katia. Lance
ção Física nas escolas brasileiras podem ser obtidas
de sorte - o futebol e o jogo do bicho na Belle Epo-
no estudo: MELO, Victor Andrade de. A Educação
que carioca. Rio de Janeiro: Diadorim, 1993. p.61
Física nas escolas brasileiras do século XIX: esporte
31
lbid., p.61. ou ginástica? In: FERREIRA NETO, Amarílio (org.).
32 Pesquisa histórica na Educação Física - 3. Aracruz:
JONES, op.cit.
FACHA, 1998. p.48-68.
33
Luminar nesse sentido é a existência até a década
de 30 de uma arena de touradas ao lado do hipódro-
45
mo do Derby Club. Duas práticas a princípio tão CARVALHO, José Murilo, op.cit., p.41.
díspares, uma "bárbara" e outra "moderna", convi- 46
JONES, op.cit. O autor é ainda mais enfático ao
vendo tão próximas e por certo recebendo parte de
afirmar que os que compreendem dessa forma aca-
público em comum.
bam formulando um explicação que é "...resultado
34
SEVCENKO, Nicolau. A capital irradiante: técni de um modelo surrealista da consciência da classe
ca, ritmos e ritos do Rio. In: __ . (org.). História da proletária revolucionária que jamais foi visto na his-
vida privada no Brasil - volume 3. São Paulo: Com- tória real" (p.81).
panhia das Letras, 1998. p.513-519. 47
Ibid., p.85.
35
Tribofe era a denominação para as confusões oca- 48
TOMLISON, Alan. Good times, bad times and the
sionadas por burlas nos resultados.
politics of leisure: working class culture in the 1930's
36
No turfe e em outras manifestações esportivas em in a small northern English working class communi-
consolidação (como no ciclismo), onde as apostas ty. In: CANTELON, Hart, HOLLANDS, Robert
eram constantes, esses escândalos eram muito fre- (eds.). Leisure, sport and working class cultures.
qüentes. Já no remo, devido ao processo de controle Toronto: Canadian Press, 1988. p.59.
e saneamento pelo qual passou, eram menores tais 49
VELHO, Gilberto. Estilo de vida e modernidade.
ocorrências.
Estudos Históricos, Rio de Janeiro, v.8, n.16, p.227-
37
EDMUNDO, op.cit., p.854. 234, julho-dezembro/1995. p.228.
38
CARVALHO, op.cit., p.160.
39
METCALFE, Alan. Leisure, sport and working UNITERMOS
class culture: some insights from Montreal and the
northeast coalfields of England. In: CANTELON, História do esporte; remo.
Hart, HOLLANDS, Robert (eds.), op.cit., p.69. *Victor Andrade de Melo é professor Doutor da
40
Maiores informações sobre o aumento da divisão Universidade Federal do Rio de Janeiro. Endereço
entre as classes e a existência de espaços de inter- eletrônico do autor: victor@marlin.com.br

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