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STJ afasta aplicação do princípio da insignificância para

crimes reiterados
A 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça houve por bem, recentemente, no âmbito do HC

137018, afastar, por unanimidade, a aplicação do princípio da insignificância, em caso que

versava acerca de tentativa de furto de objeto de pequeno valor.

De acordo com o Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, ainda que o bem subtraído ostentasse

valor ínfimo, restou comprovado, através da folha de antecedentes criminais do réu, que não

era a primeira vez que ele cometia um delito contra o patrimônio. Originário do Direito

Romano, o princípio da insignificância ou bagatela funda-se no conhecido brocardo de minimis

non curat praetor. Em 1964, acabou sendo introduzido no sistema penal por Claus Roxin, tendo

em vista sua utilidade na realização dos objetivos sociais traçados pela moderna política

criminal.

Segundo tal preceito, não cabe ao Direito Penal preocupar-se com bagatelas, do mesmo modo

que não podem ser admitidos tipos incriminadores que descrevam condutas totalmente

inofensivas ou incapazes de lesar um dado bem jurídico.

Nesse contexto, se a finalidade do tipo penal é assegurar a proteção de um bem jurídico,

sempre que a lesão for insignificante, a ponto de se tornar incapaz de ofender o interesse

tutelado, não haverá adequação típica.

Note-se que o princípio da insignificância não é aplicado no plano abstrato. Não é possível, por

exemplo, afirmar que todas as contravenções penais são insignificantes, pois, dependendo do

caso concreto, isto não se pode revelar verdadeiro. Dessa forma, andar pelas ruas armado

com uma faca é um fato contravencional que não se reputa insignificante. São de menor

potencial ofensivo, subordinam-se ao procedimento sumaríssimo, beneficiam-se de institutos

despenalizadores, mas não são, a priori, insignificantes.

Sobredito preceito há de ser verificado em cada caso concreto, de acordo com as suas

especificidades. O furto, abstratamente, não é uma bagatela, mas a subtração de um chiclete


pode ser.

Buscando, pois, facilitar a tarefa do aplicador do direito, o Supremo Tribunal Federal assentou

algumas circunstâncias que devem ser conjugadas para que possa ter ensejo a incidência do

princípio em questão, a saber: “a) a mínima ofensividade da conduta do agente; b) a ausência

total de periculosidade social da ação; c) o ínfimo grau de reprovabilidade do comportamento;

e d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada” (1ª Turma, HC 94439/RS, Rel. Min.

Menezes Direito, j. 03/03/2009).

Assim, tomando-se por base todos os fatores aqui declinados, reputou, o relator do acórdão,
oportuna a manutenção da condenação do réu pelo crime praticado, concluindo que “apesar
de não se olvidar a relevância do princípio em comento como forma de limitar eventuais

excessos que a norma penalizadora possa causar ao ser rigidamente aplicada ao caso concreto,

por outro lado, não pode ser empregado indistintamente, sob pena de incentivar a prática de

pequenos delitos e, em última análise, gerar a insegurança social”.

FONTE: Fernando Capez


Disponível
em: http://capez.taisei.com.br/capezfinal/index.php?secao=68&subsecao=0&con_id=5644

http://www.oabsp.org.br/subs/santoanastacio/institucional/artigos/stj-afasta-aplicacao-do-
principio-da