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ENTENDENDO A ESQUIZOFRENIA
O QUE É A ESQUIZOFRENIA?

A esquizofrenia é uma doença mental complexa e intrigante, cujas


causas não são ainda completamente conhecidas. Aproximadamente 1%
da população desenvolve a doença ao longo da vida. Embora afete homens
e mulheres na mesma proporção, a doença freqüentemente aparece mais
cedo nos homens, usualmente no final da adolescência e em torno dos 20
anos. As mulheres adoecem mais tarde, em geral entre os 20 e 30 anos de
idade. Os sintomas da esquizofrenia são freqüentemente assustadores – a
pessoa pode ouvir vozes não escutadas pelos outros, acreditar que os outros
estão lendo seus pensamentos, controlando sua mente ou planejando algo
para prejudicá-la. Estes sintomas podem levar a pessoa a ficar com muito
medo e se retrair. Sua fala e seu comportamento podem ficar tão
desorganizados que ela se torna incompreensível e desperta medo nos outros
ao seu redor. Estima-se que cerca de 25% das pessoas com esquizofrenia
se recuperam totalmente. O tratamento pode aliviar muitos sintomas, mas
muitas pessoas com esquizofrenia continuam a apresentar alguns sintomas
ao longo da vida.

Entretanto, este é um momento de esperança para as pessoas com


esquizofrenia e suas famílias. As pesquisas estão gradualmente levando a
medicamentos novos e mais seguros e revelando as complexas causas da
doença. Os cientistas estão estudando a doença sob vários aspectos,
procurando entender desde seus aspectos genéticos até os populacionais,
visando aprender mais sobre a doença. Métodos de avaliação por imagem
da estrutura cerebral também prometem novas descobertas sobre a doença.

A ESQUIZOFRENIA É UMA DOENÇA

A esquizofrenia ocorre no mundo todo. A gravidade dos sintomas e


o padrão de duração crônica comumente levam a algum grau de
incapacitação. Os medicamentos e as intervenções terapêuticas e de apoio,
quando seguidos com regularidade, podem ajudar a diminuir e controlar os
sintomas que trazem tanto sofrimento. Entretanto, algumas pessoas não têm
acesso ao tratamento, outras não melhoram muito com os tratamentos
disponíveis, ou abandonam o tratamento por falta de orientação e apoio
adequados. Há ainda aquelas que param de tomar os medicamentos por
causa de seus efeitos colaterais desagradáveis ou por outras razões. Mesmo
quando o tratamento é eficaz, existem conseqüências da doença que
persistem – a perda de oportunidades, o preconceito, os sintomas residuais,
efeitos colaterais de certos medicamentos – tudo isso pode trazer muito
sofrimento e tornar a vida difícil para essas pessoas.

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Os primeiros sinais da esquizofrenia aparecem em geral sob a forma
de mudanças graduais ou repentinas, às vezes chocantes, do
comportamento. Lidar com os sintomas da doença pode ser particularmente
difícil para os familiares que não entendem como a pessoa mudou de maneira
tão radical o seu jeito de ser. O início repentino dos sintomas psicóticos
graves é chamado de fase “aguda” da doença. A “psicose” ou “surto”, uma
condição comum na esquizofrenia, é um estado de alteração mental
caracterizado pelas alucinações, que são distúrbios da percepção sensorial,
e/ou delírios, que são crenças falsas, resultantes de uma impossibilidade da
pessoa de distinguir experiências reais das imaginárias. Sintomas menos
evidentes, como isolamento e retraimento social, e fala ou comportamento
estranhos ou desorganizados, podem preceder, acompanhar ou vir depois
do aparecimento dos sintomas psicóticos.

Algumas pessoas têm somente um episódio (ou surto) psicótico;


outras têm vários, mas conseguem levar uma vida relativamente normal
durante os períodos entre as crises. Entretanto, aqueles com uma evolução
crônica da doença, que sofrem continuamente ou com crises sucessivas,
mal controladas, em geral não recuperam um funcionamento normal e
necessitarão de tratamento e acompanhamento a longo prazo, incluindo a
medicação para controlar os sintomas.

Diagnosticando a esquizofrenia

Para diagnosticar a esquizofrenia é importante descartar outras doenças,


pois às vezes os sintomas psicóticos ou confusionais podem ser motivados
por outras condições. Além disso, o abuso de certas drogas pode provocar
sintomas semelhantes ao da esquizofrenia. Por esse motivo, a avaliação
médica, o exame físico e exames laboratoriais devem ser feitos para afastar
outras causas possíveis dos sintomas antes de se concluir que a pessoa
tem esquizofrenia. Às vezes, é difícil diferenciar uma doença mental de outra.
Por exemplo, algumas pessoas com sintomas da esquizofrenia apresentam
alterações de humor (depressão ou euforia) muito marcantes, sendo
importante determinar se a pessoa tem mesmo esquizofrenia ou um transtorno
depressivo ou bipolar. Algumas pessoas cujos sintomas não podem ser
claramente categorizados, ou que apresentam sintomas mistos (psicóticos
e de alteração de humor), podem ser diagnosticadas como tendo um
“transtorno esquizoafetivo”.

Crianças podem ter esquizofrenia?

Crianças com idade superior a cinco anos podem desenvolver esquizofrenia,


mas a doença raramente aparece antes da adolescência. Embora algumas
pessoas que mais tarde desenvolvem a esquizofrenia possam ter parecido

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“diferentes” de outras crianças na infância, os sintomas psicóticos –
alucinações e delírios – são extremamente incomuns antes da adolescência.

COMO AS PESSOAS COM ESQUIZOFRENIA


VIVENCIAM A DOENÇA

Percepções distorcidas da realidade

As pessoas que têm esquizofrenia podem perceber a realidade de


maneira muito diferente dos outros à sua volta. A experiência de sentir o
mundo e os acontecimentos alterados, devido às alucinações e delírios, pode
gerar medo, ansiedade e confusão. Em parte devido a essas experiências
incomuns, estas pessoas às vezes podem se comportar de maneira muito
estranha. Podem, por exemplo, parecer distantes, alheias ou preocupadas.
Podem ficar imóveis durante muito tempo sem proferir qualquer palavra. Em
outros momentos podem andar de um lado para o outro parecendo
preocupados, vigilantes, alertas e insones.

Alucinações e Ilusões

Alucinações e ilusões são alterações da percepção comumente


presentes nas pessoas que sofrem de esquizofrenia. Alucinações são
percepções que ocorrem sem que haja um estímulo sensorial correspondente.
Embora possam ocorrer sob qualquer forma sensorial – auditiva (audição),
visual (visão), tátil (tato), gustativa (gosto) e olfativa (olfato) – escutar vozes
que os outros não escutam é o tipo de alucinação mais comum na
esquizofrenia. As vozes podem descrever, comentar ou mesmo criticar as
ações da pessoa. Podem também aconselhar, dar ordens ou conversar entre
si (várias vozes). As ilusões, por outro lado, ocorrem quando um estímulo
sensorial existe, mas é incorretamente interpretado, por exemplo, pessoa vê
uma sombra ou escuta um ruído e os interpreta como uma aparição ou
mensagem.

Delírios

Delírios são crenças pessoais falsas que não cedem frente à


argumentação lógica ou evidências contrárias, e não são coerentes com
crenças ou conceitos compartilhados por pessoas do mesmo grupo ou
comunidade. Os delírios podem abranger diferentes temas.Por exemplo, as
pessoas que sofrem de sintomas do tipo paranóide – aproximadamente um
terço das pessoas com esquizofrenia – geralmente têm delírios de
perseguição, com idéias falsas de estarem sendo enganadas, traídas,
envenenadas, ou de que existe uma conspiração ou um complô contra elas.
Estas pessoas podem acreditar que elas, algum membro da família ou alguém
próximo a elas é o foco da perseguição. Além disso, delírios de grandeza,

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em que a pessoa acredita ser alguém famosa ou importante, também ocorrem
na esquizofrenia. Algumas vezes, os delírios são bizarros. Por exemplo,
acreditar que um vizinho está controlando o seu comportamento através de
ondas magnéticas; que as pessoas na televisão estão enviando mensagens
especiais, ou que os seus pensamentos estão sendo irradiados para os
outros.

Abuso de álcool e drogas

O abuso de álcool e drogas é uma preocupação comum entre os


familiares, amigos e cuidadores das pessoas com esquizofrenia. Como
algumas pessoas que usam drogas podem apresentar sintomas semelhantes
a aqueles da esquizofrenia, os portadores de esquizofrenia podem ser
erroneamente identificados como “drogados”. E, embora hoje não se acredite
que o abuso de drogas a esquizofrenia, as pessoas que têm a doença
freqüentemente abusam de álcool ou drogas, e podem ter reações
particularmente negativas a certas drogas.

O abuso de álcool ou drogas pode reduzir a ação dos medicamentos,


atrapalhando o tratamento. Estimulantes (como a anfetamina ou a cocaína),
bem como a maconha, podem causar mais problemas para as pessoas com
esquizofrenia. De fato, algumas pessoas têm uma piora dos sintomas quando
fazem uso deste tipo de drogas. O abuso de álcool e drogas também reduz
a probabilidade de que o paciente siga o tratamento prescrito.

Esquizofrenia e Nicotina

O abuso mais comum de substância em pessoas que têm


esquizofrenia é a dependência de nicotina devido ao cigarro. Cerca de 75%
das pessoas que têm esquizofrenia são fumantes, contra 25 a 30% de
fumantes na população geral (dados norte-americanos).

As pesquisas têm mostrado que a relação entre o fumo e a


esquizofrenia é complexa. A nicotina age em receptores cerebrais causando
alívio de certos sintomas, e por isso muitas pessoas com esquizofrenia
sentem-se melhor quando fumam. Nesse sentido o cigarro atua como um
“remédio”. No entanto, o cigarro interfere com a resposta às medicações
antipsicóticas. Estudos têm mostrado que os pacientes fumantes necessitam
doses maiores de medicação antipsicótica. Deixar de fumar pode ser
especialmente difícil para as pessoas com esquizofrenia, porque os sintomas
de abstinência de nicotina podem causar uma piora temporária dos sintomas
da doença. Estratégias para parar de fumar, como adesivos de nicotinas ou
outros métodos de substituição gradual, podem ser efetivos. Os médicos
devem ficar atentos e monitorar cuidadosamente a dosagem da medicação
quando seus pacientes começam ou param de fumar.

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Pensamento Desordenado
A esquizofrenia comumente afeta a capacidade da pessoa de pensar
“corretamente”. Os pensamentos podem ir e vir rapidamente; a pessoa pode
não conseguir se concentrar por muito tempo e pode facilmente se distrair,
mostrando-se incapaz de focar a atenção. As pessoas com esquizofrenia
podem não saber distinguir o que é relevante do que não é numa determinada
situação. Podem ser incapazes de conectar os pensamentos numa seqüência
lógica, com os pensamentos tornando-se desorganizados e fragmentados.
Essa ruptura na continuidade lógica dos pensamentos é chamada
de “desorganização do pensamento” e pode dificultar muito a conversação,
contribuindo para o isolamento social. Se as pessoas não conseguem
entender o que um indivíduo está dizendo, tendem a ficar constrangidas e
deixar aquela pessoa sozinha.

Expressão Emocional
As pessoas com esquizofrenia freqüentemente apresentam um afeto
diminuído ou “achatado”. Isto se deve a uma severa redução da expressão
emocional. Uma pessoa com esquizofrenia pode não mostrar os sinais de
uma emoção normal; pode falar com voz monótona, ter as expressões faciais
diminuídas e parecer extremamente apática. A pessoa pode retrair-se
socialmente, evitando contato com os outros e, quando forçada a interagir,
pode não ter nada a dizer, mostrando um “pensamento empobrecido”. A
motivação pode estar muito diminuída, da mesma maneira que o interesse e
o prazer de viver. Em alguns casos graves, a pessoa pode passar dias inteiros
sem fazer nada, chegando a negligenciar a higiene básica.
Esses problemas com a expressão emocional e com a motivação, que podem
ser extremamente perturbadores para a família e os amigos, são sintomas
da esquizofrenia – e não um problema de caráter ou fraqueza pessoal.
Normal X Anormal
Às vezes, indivíduos normais podem sentir, pensar e agir de maneira
que lembram a esquizofrenia. Pessoas normais podem às vezes serrem
incapazes de “pensar corretamente”. Podem tornar-se extremamente
ansiosas, por exemplo, para falar diante de grupos, podem se sentir confusas,
incapazes de organizar as idéias, e esquecer o que tinham intenção de dizer.
Isso não é esquizofrenia. Da mesma maneira, pessoas com esquizofrenia
nem sempre agem de maneira anormal. Na verdade, algumas pessoas com
a doença podem aparentar serem perfeitamente responsáveis, mesmo que
tenham alucinações ou delírios. O comportamento de um indivíduo pode
mudar, tornando-se bizarro se a medicação é interrompida e retornando mais
próximo do normal quando recebendo tratamento apropriado
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• “Dupla Personalidade”
• Fraqueza de caráter
• Preguiça
O QUE A
• Loucura ou psicopatia
ESQUIZOFRENIA
• “encosto” ou mal espiritual
NÃO É:
• Culpa da criação dos pais
• Deficiência mental
• Uma doença sem tratamento

As pessoas com esquizofrenia têm uma tendência a serem violentas?

Os jornais e a mídia tendem a associar doença mental e violência


criminal. Entretanto, estudos indicam que, à exceção das pessoas com
histórico de violência criminal anterior à doença e daquelas com problemas
de abuso de álcool ou drogas, as pessoas com esquizofrenia não são
particularmente propensas à violência. De maneira geral, os indivíduos com
esquizofrenia não são violentos; tipicamente, eles são retraídos e preferem
estar sozinhos. Os crimes violentos, em sua maioria, não são cometidos por
pessoas com esquizofrenia.

O abuso de drogas aumenta significativamente o índice de violência


em pessoas que têm esquizofrenia, mas também nas que não tem a doença.
Pessoas com sintomas paranóides (de perseguição) e psicóticos, que podem
se tornar piores se a medicação for interrompida, podem também ter um
maior risco de comportamento violento. Quando ocorre a violência, esta é
com maior freqüência direcionada a algum familiar ou pessoa próxima e
muitas vezes ocorre em casa.

E quanto ao suicídio?

Suicídio é um risco sério para as pessoas que têm esquizofrenia. Se


um indivíduo tenta cometer suicídio ou ameaça fazê-lo, é preciso buscar
ajuda profissional imediatamente. O índice de suicídio é mais alto em pessoas
com esquizofrenia do que na população geral. Aproximadamente 10% das
pessoas que sofrem de esquizofrenia cometem suicídio, especialmente jovens
do sexo masculino. Infelizmente, é muito difícil prever quais pessoas com
esquizofrenia poderão tentar o suicídio.

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QUAIS AS CAUSAS DA ESQUIZOFRENIA?

Não existe uma única causa da esquizofrenia. Muitas doenças, como


por exemplo as doenças cardíacas, resultam de uma interação entre fatores
genéticos, comportamentais e ambientais. Provavelmente o mesmo deve
acontecer com a esquizofrenia. Os cientistas ainda não conhecem todos os
fatores necessários para causar a esquizofrenia, mas diversos tipos de
pesquisa estão sendo feitas para estudar os genes, os momentos críticos no S
desenvolvimento cerebral e outros fatores que podem levar à doença.

A esquizofrenia é herdada?

Já é bem conhecido que a esquizofrenia tem um caráter familiar.


Pessoas que têm um parente próximo com esquizofrenia são mais propensas
a desenvolver a doença do que aquelas que não têm parentes com a doença.
Por exemplo, um gêmeo monozigótico (idêntico) de alguém que tem
esquizofrenia tem o risco mais alto – 40 a 50% - de desenvolver a doença.
Uma criança cujo pai ou mãe tem esquizofrenia tem 10% de chance de
desenvolver a doença. Em comparação, na população geral o risco da
esquizofrenia é de aproximadamente 1%.

Cientistas estão estudando os fatores genéticos na esquizofrenia. É


provável que múltiplos genes estejam envolvidos em criar uma predisposição
para desenvolver a doença. Além disso, fatores como dificuldades pré-natais
(durante a gestação), como falta de nutrição intrauterina ou infecções virais,
complicações perinatais (durante o parto), e vários estressores não
específicos, parecem influenciar o desenvolvimento da esquizofrenia.
Entretanto, ainda não sabemos como a predisposição genética é transmitida,
e não se pode prever com precisão se uma determinada pessoa irá ou não
desenvolver a doença.

A esquizofrenia está associada a um defeito químico no cérebro?

O conhecimento básico sobre a química cerebral e sua ligação com


a doença está avançando rapidamente. Os neurotransmissores, substâncias
que permitem a comunicação entre as células nervosas, têm sido desde há
bastante tempo associados com o desenvolvimento da esquizofrenia. É
provável (ainda não há certeza) que a doença esteja associada a algum
desequilíbrio do complexo sistema de interrelações químicas do cérebro,
talvez envolvendo os neurotransmissores dopamina e glutamato. Esta área
de pesquisa é promissora.

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A quizofrenia é causada por uma anormalidade física do cérebro?

Há grandes avanços em tecnologia de neuroimagem que permitem


que cientistas estudem a estrutura e função cerebral em indivíduos com a
doença. Muitos estudos em pessoas com esquizofrenia encontraram
anormalidades na estrutura cerebral (por exemplo, o aumento de cavidades
cerebrais chamadas ventrículos, no interior do cérebro, e a diminuição de
certas regiões cerebrais), ou na função cerebral (por exemplo, atividade
metabólica diminuída em certas regiões cerebrais). Deve-se enfatizar que
essas anormalidades são bastante sutis e não são características de todas
as pessoas com esquizofrenia, nem ocorrem somente em indivíduos que
têm essa doença. Estudos microscópicos do tecido cerebral depois da morte
têm também mostrado pequenas mudanças na distribuição ou número de
células cerebrais em pessoas com esquizofrenia. Parece que muitas destas
mudanças (mas provavelmente não todas), estão presentes mesmo antes
que o indivíduo se torne doente. A esquizofrenia pode ser, em parte, um
transtorno do desenvolvimento do cérebro.

Neurobiólogos do desenvolvimento, financiados pelo Instituto Nacional de


Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMH), descobriram que a esquizofrenia
pode ser um transtorno do desenvolvimento resultante de conexões
inapropriadas entre neurônios durante o desenvolvimento fetal (intra-uterino).
Esses erros podem permanecer “dormentes” até a puberdade, quando
mudanças no cérebro que ocorrem normalmente durante este estágio crítico
da maturação interagem adversamente com as conexões falhas ou
defeituosas. Essa pesquisa tem incentivado trabalhos para identificar fatores
pré-natais que possam ter alguma relação com a aparente anormalidade do
desenvolvimento. Em outros estudos, investigadores usando técnicas de
imagem cerebral, têm encontrado evidências de mudanças bioquímicas que
podem preceder os sintomas da doença, levando ao exame dos circuitos
neurais que têm maior probabilidade de estar envolvidos na produção destes
sintomas. Ao mesmo tempo, cientistas trabalhando em nível molecular estão
explorando as bases genéticas no desenvolvimento cerebral e nos sistemas
neurotransmissores que regulam as funções cerebrais.

COMO SE TRATA A ESQUIZOFRENIA?

Como a esquizofrenia não é uma condição simples e suas causas


não são ainda conhecidas, os métodos de tratamento atuais são baseados
em pesquisas e experiência clínicas. Essas abordagens são escolhidas
levando em conta a capacidade de reduzir os sintomas da esquizofrenia e
diminuir as chances de retorno destes sintomas.

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Quais as medicações indicadas?

As medicações antipsicóticas começaram a ser utilizadas em meados


da década de 50 e têm contribuído para melhorar a perspectiva de vida dos
pacientes. Estas medicações reduzem os sintomas psicóticos da
esquizofrenia e geralmente permitem ao paciente funcionar mais efetivamente
e apropriadamente. Drogas antipsicóticas são o melhor tratamento até agora
disponível, mas não “curam” a doença nem garantem que não ocorrerão
novos episódios psicóticos. A escolha e dosagem da medicação devem ser
feitas somente por um médico qualificado, que esteja bem informado sobre
o tratamento médico dos transtornos mentais – usualmente um psiquiatra. A
dosagem da medicação é diferente de paciente para paciente, uma vez que
as pessoas variam muito em relação à quantidade necessária para reduzir
sintomas sem a produção dos indesejáveis efeitos colaterais.

A maioria dos pacientes tem uma melhora substancial quando


medicados com antipsicóticos. Alguns pacientes, entretanto, não são muito
ajudados pela medicação. É difícil prever quais pacientes estarão numa destas
categorias e distingui-los da maioria dos pacientes que de fato se beneficiam
dos remédios.

Algumas novas drogas antipsicóticas (comumente chamadas


“antipsicóticos atípicos”) têm sido introduzidas desde 1990. A primeira delas,
a clozapina (Leponex ®), tem mostrado ser mais efetiva que outros
antipsicóticos, embora a possibilidade de efeitos colaterais graves – em
particular uma condição chamada agranulocitose (redução dos glóbulos
brancos do sangue, necessários para a defesa contra infecções) – requeira
que os pacientes sejam monitorados com exames de sangue periódicos.
Algumas drogas antipsicóticas mais novas, como a risperidona (Risperdal®)
e a olanzapina (Zyprexa®), são mais seguras do que a clozapina e podem
ser melhor toleradas. Entretanto, elas podem ou não tratar a doença tão
bem quanto à clozapina. Vários outros antipsicóticos estão atualmente em
desenvolvimento.

As drogas antipsicóticas são em geral bastante efetivas para tratar


de certos sintomas da esquizofrenia, particularmente alucinações e delírios;
infelizmente, as medicações não parecem ser muito úteis para melhorar outros
sintomas, tais como a diminuição da motivação e da expressão emocional.
Além disso, os antipsicóticos mais antigos (que também eram chamados de
neurolépticos), remédios como o haloperidol (Haldol®) ou a clorpromazina
(Amplictil®), podem até mesmo produzir efeitos colaterais que se parecem
com os sintomas mais difíceis de serem tratados. Diminuir a dose ou trocar
a medicação geralmente reduz os efeitos colaterais; os remédios mais novos,
incluindo a olanzapina (Zyprexa®) e a risperidona (Risperdal®), parecem
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trazer menos problemas quanto a esses efeitos colaterais. Às vezes, quando
as pessoas com esquizofrenia ficam deprimidas, outros sintomas podem
parecer piorar. Estes sintomas podem melhorar com a adição de medicação
antidepressiva.

Os pacientes e familiares muitas vezes ficam preocupados com as


medicações usadas para tratar a doença. As dúvidas e temores mais
freqüentes são a respeito dos efeitos colaterais e a preocupação de que
estes medicamentos possam levar o paciente a ficar dependente do remédio.
É importante saber que as medicações antipsicóticas não produzem nenhum
tipo de euforia ou dependência, isto é, não “viciam” o paciente.

Outro preconceito sobre as medicações antipsicóticas é a idéia de


que eles produzem um controle mental ou atuam como uma “camisa de
força química”. Esses remédios, quando usados de forma apropriada, não
“nocauteiam” as pessoas ou tiram a sua liberdade de pensar. Essas
medicações podem ser sedativas, e esse efeito pode ser útil no início do
tratamento, particularmente se o indivíduo está bastante agitado, mas a
utilidade dos medicamentos não se dá por seu efeito sedativo e sim por sua
capacidade de diminuir as alucinações, a agitação, a confusão e os delírios
de um episódio psicótico. Desta maneira, as medicações antipsicóticas
estariam ajudando o paciente a lidar com a realidade de maneira mais
racional.

Por quanto tempo as pessoas com esquizofrenia devem ser medicadas?

Os medicamentos antipsicóticos reduzem o risco de episódios


psicóticos futuros em portadores que se recuperaram de um episódio agudo.
Mesmo com a continuidade do tratamento, algumas pessoas sofrerão
recaídas, mas os índices de recaída são muito maiores quando o tratamento
é interrompido. Na maioria dos casos, não seria correto dizer que o tratamento
medicamentoso “previne” as recaídas. Na verdade, ele reduz sua intensidade
e freqüência. O tratamento dos sintomas psicóticos graves geralmente requer
dosagens mais altas do que aquelas usadas para o tratamento de
manutenção. Se os sintomas reaparecem com uma dose menor, um aumento
temporário na dosagem pode prevenir um novo surto psicótico.

Justamente porque a recaída é mais provável quando os


antipsicóticos são interrompidos ou usados irregularmente, é muito importante
que os pacientes tenham um bom acompanhamento médico e que os
familiares sejam também orientados e atendidos. Esse acompanhamento
costuma aumentar a adesão ao tratamento. Esse termo - adesão – se refere
a quanto os pacientes seguem o tratamento recomendado por seu médico.
Boa adesão envolve tomar a medicação prescrita na dose correta e de forma

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apropriada todos os dias, além de comparecer às consultas e seguir
cuidadosamente outros procedimentos do tratamento. A adesão ao tratamento
é freqüentemente difícil para as pessoas com esquizofrenia, mas pode
aumentada por várias estratégias, levando a uma melhor qualidade de vida.

As pessoas com esquizofrenia não aderem ao tratamento por várias


razões: Os pacientes podem não acreditar que estão doentes e negar a
necessidade de medicação, ou podem ter o pensamento tão desorganizado
que não se lembram de tomar o remédio de forma correta. Membros da
família ou amigos podem nem sempre entendem a doença e inadvertidamente
aconselham o paciente a parar de tomar o remédio quando ele passa a se
sentir melhor. Os médicos, que têm um importante papel em ajudar seus
pacientes a aderir ao tratamento, nem sempre perguntam a seus pacientes
como estão tomando a medicação, ou não se dispõem a acolher o pedido
do paciente de mexer na dosagem ou tentar uma nova medicação. Alguns
pacientes relatam que os efeitos colaterais de certas medicações parecem
piores do que os sintomas da doença. Além disso, o abuso de álcool e drogas
pode interferir com a efetividade do tratamento, levando os pacientes a
interromper a medicação.

Mas existem estratégias que pacientes, médicos e familiares podem


usar para melhorar a adesão e prevenir a piora da doença. Alguns
medicamentos, como o haloperidol (Haldo®) e a olanzapina (Zyprexa®), estão
disponíveis em forma depot (injetáveis, de depósito), que eliminam a
necessidade do paciente tomar comprimidos diariamente. O envolvimento
dos familiares ou cuidadores na rotina de medicação é muito importante
para assegurar a adesão ao tratamento. É fundamental ajudar o paciente a
entender que a medicação tem um efeito positivo em sua vida (mesmo com
seus efeitos colaterais), ainda que este não aceite ou acredite estar doente.
Os familiares podem também ajudar a estabelecer uma rotina para a
medicação – por exemplo, tomar os remédios junto com as refeições. Além
destas estratégias de adesão, conversar com o paciente e com seus familiares
sobre a doença, seus sintomas, e informá-los sobre as medicações prescritas
para tratar a doença ajuda a compreensão da necessidade do tratamento.
Pacientes e familiares precisam ter acesso à informação e orientação para
que possam melhor entender as razões do tratamento.

O paciente precisa ser escutado em seus motivos para não querer


tomar o remédio, mas pode também ser motivado e com o tempo passará a
entender que o remédio o ajuda a viver melhor O que não costuma ser útil é
dar o remédio sem o conhecimento do paciente, pois isto não o ajudará a
perceber a relação entre a medicação e a melhora de certos sintomas, e
conseqüentemente não contribuirá para que ele adquira consciência da
doença. Tomar o remédio de forma correta é quase sempre um longo processo
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de negociação, que requer paciência e compreensão de todas as pessoas
envolvidas – profissionais, familiares e o próprio paciente.

E os efeitos colaterais?

As drogas antipsicóticas, como todas as medicações, trazem efeitos


indesejáveis junto com seus efeitos benéficos. Nas primeiras fases do
tratamento os pacientes podem sentir efeitos colaterais desagradáveis tais
como tonturas, inquietação motora, tremores, sonolência, espasmos
musculares, boca seca, turvamento da visão. A maioria destes efeitos pode
ser corrigida com uma diminuição da dosagem ou controlada com outros
medicamentos. São comumente usados para tratar os efeitos colaterais:
biperideno (Akineton®), trhexafenidil (Artane®), e propanolol. É importante
lembrar que diferentes pacientes respondem de forma diversa e apresentam
efeitos colaterais diferentes aos vários medicamentos antipsicóticos.

Os efeitos colaterais de longo-prazo podem representar um problema


mais sério. A discinesia tardia é um transtorno caracterizado por movimentos
involuntários que afetam mais freqüentemente a boca, os lábios, a língua e
às vezes o tronco ou outras partes do corpo, como pernas e braços. Ela
ocorre em cerca de 15 a 20% dos pacientes que receberam os medicamentos
mais antigos (os “antipsicóticos típicos”) por muitos anos, mas também pode
aparecer em pacientes que tenham sido tratados com estas drogas por
períodos mais curtos. Na maioria dos casos os sintomas de discinesia tardia
são leves e os pacientes podem nem perceber os movimentos.

As medicações antipsicóticas desenvolvidas mais recentemente


parecem apresentar um risco muito menor de produzir discinesia tardia do
que as medicações tradicionais, mais antigas. Entretanto, este risco não é
nulo. Além disso, estas medicações mais novas também podem produzir
efeitos colaterais, tais como ganho de peso. Quando prescritas em doses
muito altas, podem levar a problemas de retraimento social e produzir
sintomas que se parecem com a Doença de Parkinson, um transtorno que
afeta os movimentos. De qualquer forma, estes novos antipsicóticos
representam um avanço significativo no tratamento e o seu uso adequado é
tema de muitas pesquisas atuais.

O que são intervenções psicossociais?

Os pacientes com esquizofrenia podem melhorar muito dos sintomas


psicóticos com a medicação, mas ainda assim muitos continuam a sofrer
com dificuldades de comunicação, motivação, auto-cuidado e para
estabelecer e manter relacionamentos. Além disso, como a doença acomete
as pessoas quando estão numa fase crítica de formação na vida (entre os

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18 e 35 anos de idade), os pacientes têm menor probabilidade de completar
os estudos e treinamento adequado para desempenhar um trabalho mais
qualificado. Conseqüentemente, muitas pessoas com esquizofrenia sofrem
não somente com dificuldades emocionais e cognitivas, mas também não
adquirem ou perdem habilidades sociais e de trabalho, ou seja, experiência
de maneira geral.

As intervenções psicossociais podem ajudar principalmente a diminuir


o sofrimento e as dificuldades sociais e ocupacionais. Existem muitas
abordagens terapêuticas para as pessoas com esquizofrenia, nos diferentes
tipos de serviços e contextos de tratamento – no hospital ou na comunidade.
Algumas destas abordagens estão descritas aqui. Infelizmente estes serviços
não estão disponíveis ou acessíveis de maneira ampla. Muitas pessoas ainda
sofrem com a inexistência de tratamento apropriado em suas comunidades.

Reabilitação

Em termos gerais, a reabilitação inclui uma ampla gama de


intervenções não-médicas. Os programas de reabilitação enfatizam o
treinamento social e vocacional ou ocupacional para ajudar as pessoas a
superarem as dificuldades e barreiras nestas áreas de atividade. Em alguns
países esses programas incluem desde o desenvolvimento de habilidades
específicas como lidar com dinheiro e usar o transporte público, o treinamento
de hábitos sociais para ajudar a pessoa a se relacionar melhor socialmente,
técnicas de resolução de problemas e até aconselhamento vocacional.

No Brasil, estas abordagens são realizadas principalmente através


da intervenção de terapia ocupacional. Estas abordagens são importantes
para o sucesso do tratamento na comunidade, porque possibilitam que os
pacientes desenvolvam estratégias e habilidades para viver de forma
satisfatória na comunidade.

Psicoterapia

A psicoterapia envolve um encontro regular entre o paciente e um


profissional de saúde mental, geralmente um psicólogo ou psiquiatra. Esses
encontros, ou sessões, podem abordar problemas atuais ou passados,
pensamentos, idéias, sentimentos, relações e vivências. Através do
compartilhamento destas experiências com o terapeuta – de falar sobre seu
mundo com alguém de fora – as pessoas com esquizofrenia podem
gradualmente entender mais sobre si próprias e seus problemas. Também
podem aprender a discernir aquilo que é real do que não é real. Estudos

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recentes indicam que a psicoterapia suportiva, bem como as abordagens
cognitivo-comportamentais que ajudam o paciente a conviver melhor com a
doença e a desenvolver recursos para a resolução de problemas e
dificuldades, podem trazer benefícios para as pessoas com esquizofrenia.
Entretanto, a psicoterapia não substitui a medicação; é uma abordagem
coadjuvante, que funciona melhor se os sintomas psicóticos estiverem
controlados pela medicação e o acompanhamento médico regular.

Apoio e Orientação Familiar

As pessoas com esquizofrenia comumente vivem com seus


familiares, sendo estes os principais responsáveis por seus cuidados no longo
prazo. Por essa razão, é importante que os familiares entendam o que é a
esquizofrenia, compreendam as dificuldades e problemas causados pela
doença e pelo processo de tratamento. Os familiares precisam receber apoio
para que possam desenvolver estratégias para minimizar crises e recaídas,
e para lidar com o próprio sofrimento. Grupos “Psicoeducativos”, coordenados
por profissionais (em geral assistentes sociais, terapeutas de família ou
psicólogos), têm-se mostrado uma intervenção útil para ajudar as famílias a
desenvolverem estratégias e recursos para lidar com a doença. Essa
modalidade de atendimento é ainda pouco desenvolvida nos serviços de
tratamento existentes no Brasil, mas as evidências de que são importantes
para uma melhor evolução do tratamento devem contribuir para que sejam
oferecidos mais amplamente, tanto nos serviços de atendimento da rede
pública como na clínica privada.

Grupos da auto-ajuda ou de ajuda mútua

Grupos de apoio e de ajuda mútua estão se tornando cada vez mais


comuns. Embora não sejam coordenados por um terapeuta, esses grupos
costumam ser terapêuticos porque os participantes encontram apoio e
conforto em saber que não estão sozinhos nos problemas que enfrentam.
Estes grupos são usualmente coordenados pelos próprios integrantes
(portadores ou familiares) e constituem espaços úteis de troca de informações,
de compartilhamento de conhecimento e experiências, e de fortalecimento
para lidar com a convivência diária em casa. Ajudam a diminuir o isolamento
dos familiares, facilitam a circulação de informações sobre serviços de
tratamento e de recursos da comunidade.

Grupos de ajuda mútua podem também servir a outras importantes


funções. Trabalhando juntas, as famílias podem exercer a defesa de direitos
e demandar melhores condições de tratamento, serviços na comunidade e
benefícios da lei. Ao atuar em grupo, tanto portadores como familiares podem
contribuir para diminuir o estigma e levar ao conhecimento do público a

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desatenção, abusos e a discriminação contra os portadores de transtornos
mentais.

Os grupos e associações que estão se formando serão cada vez


mais ativos e proverão informação e apoio aos portadores e familiares, e
para isso precisam da participação de todos. Veja uma lista com as principais
associações ao final desse documento.

COMO AS PESSOAS PODEM AJUDAR?

A rede de apoio de um paciente pode conter várias pessoas e


instituições incluindo a família, seu médico, terapeutas, serviço de tratamento,
centro de convivência, igreja, amigos, vizinhos e outros.

Há muitas situações em que os pacientes com esquizofrenia podem


precisar de ajuda de pessoas da sua família ou da comunidade. Com
freqüência, uma pessoa portadora de esquizofrenia poderá resistir ao
tratamento, acreditando que os delírios ou as alucinações são reais e que a
ajuda psiquiátrica não é necessária. À vezes, a família ou os amigos precisam
intervir e levar seu parente ou conhecido a um serviço de atendimento
psiquiátrico ou a um médico para ser avaliado.

Em situações de crise, com a presença de comportamentos que


representem risco para o portador de esquizofrenia ou para as pessoas a
seu redor (por exemplo, o portador recusa a alimentação e está muito abatido,
ou assustado e ameaçando bater nas pessoas, ou sai de casa e vaga sem
destino pelas ruas), essa pessoa deve ser levada ao Pronto-Socorro (PS)
mais próximo. Neste PS, mesmo que não haja psiquiatra de plantão, é
obrigatório que o paciente seja avaliado. O médico que atendeu o paciente
pode solicitar uma avaliação psiquiátrica numa unidade médica de referência,
se achar necessário. Esta avaliação por psiquiatra é obrigatória nos casos
em que pode haver necessidade de internação psiquiátrica. O portador de
esquizofrenia e seus familiares devem ser atendidos com seriedade e
humanidade pela equipe de saúde: casos de negligência ou violência com o
paciente durante estes atendimentos precisam ser denunciados as
autoridades competentes.

Às vezes, somente os familiares ou pessoas próximas percebem a


alteração no comportamento ou nas idéias. Se o paciente não está
conseguindo ou não quer falar sobre o que está acontecendo com ele, estas
pessoas próximas precisam fornecer informações (e tem de ser atendidas e
ouvidas pelo profissional procurado para avaliar o paciente), para que os
dados relevantes sejam considerados.
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Em casos onde a internação se fêz necessária, é muito importante
garantir a continuidade do tratamento após a hospitalização. Muitos pacientes
param de tomar a medicação ou largam o tratamento e isso freqüentemente
leva ao retorno dos sintomas da doença. Encorajar o paciente a continuar o
tratamento e assisti-lo no processo de tratamento pode influenciar
positivamente sua recuperação. Sem tratamento, algumas pessoas com
esquizofrenia se tornam tão psicóticas e desorganizadas que não conseguem
cuidar de suas necessidades básicas como alimentação, vestuário, higiene
e moradia. Muito freqüentemente, pessoas com transtornos mentais como a
esquizofrenia, sem nenhum tipo de assistência ou tratamento, acabam
isolando-se completamente do convívio social. Alguns se tornam moradores
de rua ou terminam envolvendo-se em delitos e vão presos. Com isso, acabam
não recebendo o tratamento de que tanto precisam e perpetuando o problema
do isolamento e exclusão social.

As pessoas próximas aos portadores freqüentemente sentem-se


inseguras quanto a como responder quando estes fazem afirmações que
parecem estranhas ou são claramente falsas. Para a pessoa com
esquizofrenia, crenças bizarras ou alucinações parecem ser reais – não são
apenas “fantasias” ou “imaginação”. Uma maneira de lidar com isso é não
contestar nem simplesmente aceitar, mas dizer para a pessoa que, embora
não entendamos tal questão da mesma maneira, ou não compartilhemos
das mesmas sensações, reconhecemos e acreditamos que o que está sendo
vivenciado é real para ele ou ela.

Também pode ser útil, para as pessoas que convivem com o portador,
anotar quais sintomas observam, os medicamentos em uso (incluindo a
dosagem), bem como os efeitos observados nos tratamentos experimentados
anteriormente. Ao conhecer quais medicações ajudaram e quais causaram
efeitos colaterais indesejáves no passado, familiares ou cuidadores podem
ajudar os profissionais que tratam o paciente a encontrar o melhor tratamento
mais rapidamente. Além disso, ao conhecer quais sintomas já estiveram
presentes, os familiares ou cuidadores podem lidar melhor com as oscilações
e dificuldades diárias. Isso ajuda também a identificar “sinais de alerta” –
indicadores de que o paciente possa estar recaindo. Estes sinais podem ser
mudanças no padrão de sono, agitação ou aumento do isolamento. Se um
início de recaída é logo detectado e tratado, previne-se um novo surto e isto
diminui o sofrimento e as perdas para o paciente.

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Além do envolvimento com a busca e a adesão ao tratamento, os
familiares, amigos e grupos de ajuda mútua dão apoio e encorajam a pessoa
com esquizofrenia a recobrar suas habilidades e interesses. É importante
que se ajude o portador a estabelecer objetivos alcançáveis, uma vez que a
“pressão” ou a crítica e exigência repetidas expõem a pessoa a um estresse
que pode levar à piora dos sintomas. A pessoa que tem esquizofrenia, como
todo mundo, precisa de reconhecimento quando está fazendo as coisas de
maneira boa ou correta. É sempre bom lembrar que atitudes positivas podem
ser mais úteis do que críticas.

QUAIS SÃO AS PERSPECTIVAS?

As perspectives para as pessoas com esquizofrenia têm melhorado


ao longo dos últimos 25 anos. Embora não tenhamos ainda um tratamento
totalmente eficaz, é importante lembrar que muitas pessoas com esquizofrenia
recuperam-se e podem levar uma vida independente e satisfatória. E
conforme aprendemos mais sobre as causas e os tratamentos, aumentam
nossas possibilidades de ajudar mais pacientes a viverem melhor.

Estudos que acompanharam pessoas com esquizofrenia por um


longo período, desde o primeiro episódio psicótico até a velhice, revelaram
que uma amplitude de desfechos é possível. Quando se estudam grandes
grupos de pacientes, certos fatores tendem a ser associados com uma melhor
evolução - por exemplo – um bom ajustamento social, escolar ou profissional
anterior à doença. Entretanto, o estado atual do conhecimento não permite
prever de maneira acurada como será a evolução da doença no longo prazo,
em cada caso específico.

Dada a complexidade da doença, questões importantes tais como


as causas, prevenção e o tratamento, precisam ainda ser mais pesquisadas.
É importante ter cautela quando se ouve algo sobre “a cura” ou “a causa” da
esquizofrenia. Tais afirmações tendem a gerar expectativas que podem levar
a mais frustração na medida em que não se cumprem ou confirmam.

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REFERÊNCIA

National Institute of Mental Health


Office of Communications. “Schizophrenia”. Bethesda, Maryland.

NIH Publication No. 02-3517

Printed 1999, Reprinted 2002

Acessível em http://www.nimh.nih.gov/publicat/schizoph.cfm

FONTES DE INFORMAÇÃO, APOIO E ORGANIZAÇÕES


PARA A DEFESA DE DIREITOS

ABRE
Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de
Esquizofrenia

Tel: (0xx11) 5533-1789

Fax: (0xx11) 5561-7057

Projeto Fênix
www.fenix.org.br

AGAFAPE
Associação Gaúcha de Familiares de Pacientes Esquizofrênicos
e Demais Doenças Mentais
http://www.agafape.org.br/

AFDM-BRASIL - Associação de Amigos, Familiares


e Doentes Mentais do Brasil.
http://www.afdm.org.br

S.O.eSq.
Serviço de Orientação à Esquizofrenia
Tel: (oxx11) 5081-3502
www.soesq.org.br

PROESQ
Programa de Esquizofrenia da Universidade Federal de São Paulo -
UNIFESP
http://www.proesq.org.br/

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