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DEBATE: EXU NÃO/É LIDER DOS AJOGUN

Luiz L. Marins

16/03/2012

Debatedores:

Luiz L. Marins, defendendo que Exu não é líder dos ajogun.

Zarcel Carnielli e Erich Lechinski, defendendo que Exu é o líder dos ajogun.

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Grupo YAMI OSORONGA

INCÍCIO DO DEBATE:

Caio Silva

CUIDADO MEU POVO, TÁ VIRANDO MODA! LÁ VAI Á DICA!

"Àwọn Ìyámi Àjẹ́ – Minhas Mães Feiticeiras"

Àjẹ́ é como são conhecidas as feiticeiras em território Ioruba (Nigéria), também chamadas de Ẹlẹ́yẹ
(Senhora do Pássaro) e “carinhosamente” de Ìyámi (Minha Mãe), maneira apaziguadora de se referir as
feiticeiras.

No Brasil tem existindo grande confusão em relação à Ìyámi Òṣòròngà (Divindade Senhora das
Feiticeiras, também chamada de Ìyámi Àjẹ́ e Ìyámi Ẹlẹ́yẹ), Ìyámi Ayé (Divindade Terrestre) e
principalmente as Àjẹ́ (Feiticeiras), o termo ioruba ÌYÁMI (que literalmente quer dizer MINHA MÃE) é
um termo utilizado para referir-se a diversas energias, e é ai onde mora o perigo e resulta nesta enorme
confusão encontrada hoje no Brasil, pessoas se declarando Àjẹ́, iniciando-se em Ìyámi e até entrando em
transe de algo que desconhecem e inúmeras outras coisas absurdas.

Na Nigéria o culto a Ìyámi Òṣòròngà, consequentemente o culto de Àjẹ́ (feiticeira) e Oṣó (feiticeiro), é
secreto e muito restrito a iniciados e as pessoas que são pactuadas nesta energia, e as mesmas não saem
declarando isso aos quatro ventos, como ocorre no Brasil. Existindo inclusive, famílias de Ifá na Nigéria
que não aconselham a iniciação de pessoas neste culto.

Hoje em dia no Brasil, com a grande disseminação da religião Wicca (religião que respeito bastante),
muitas pessoas querem ser bruxas e bruxos e isso acaba percutindo de uma maneira negativa dentro de
nossa Religião (Ẹ̀ sìn Ìbílẹ̀ Yorùbá), pois, as pessoas acreditam que basta ser iniciado (raridade) ou
pactuado no culto a Ìyámi Òṣòròngà e já podem sair por ai se declarando Àjẹ́ = bruxas e Oṣó = bruxos.
Aos incautos, desejo apenas cuidado...

Espiritualmente falando, as Àjẹ́ e Oṣó pertencem ao grupo dos Àjògún, guerreiros que lutam contra o
homem e prezam o equilíbrio do Universo, liderados por Èṣù e Ìyámi Òṣòròngà, energias que só devem
ser cultuadas por aqueles que possuem equilíbrio, que não é o caso de muitos aqui no Brasil e limites,
para que amanhã não acabem tornando-se o alimento destas energias (espíritos).

Essas energias vieram ao mundo pela primeira vez, através do Odù (signo de Ifá) Ọ̀sá méjì (Ọ̀sá Ẹlẹ́yẹ),
na cidade nigeriana de Ọ̀tà, Ògún State, Nigéria.

Quando encarnadas, possuem forças espirituais fabulosas, passando a serem respeitadas e muito temidas
pela sociedade. Deixando claro que, uma Àjẹ́ de verdade, dificilmente declara-se.

Ìyámi Àjẹ́ são energias que, até mesmo os mais sábios sacerdotes (mẹ̀gùn) ou magos (ọlọ́ògùn)
experientes possuem cautela ao manipularem.

Encontramos três tipos de Àjẹ́, assim como Oṣó (o masculino delas).

Àjẹ́ funfun, feiticeiras ligadas ao àṣẹ funfun (branco), são as menos perigosas, mais “sensatas” e
proporcionam proteção aos seus, mas deixo claro que, também MATAM, mesmo que seja para proteger.

Àjẹ́ pupa, feiticeiras ligadas ao àṣẹ pupa (vermelho), completamente letais, capazes de causarem doenças,
epidemias e grande derramamento de sangue, até a uma comunidade ou família inteira, matam de maneira
muito dolorosa.

Àjẹ́ dúdú, feiticeiras ligadas ao àṣẹ dúdú (preto), as mais TEMIDAS, trabalham na madrugada e levam a
morte certeira, aos incautos, mais uma vez, CUIDADO...

Quando encarnadas essas forças não se prendem a laços emocionais com ninguém, nem mesmo aos
próprios filhos ou entes queridos. Participam de sociedades secretas, sabem transformar seus espíritos em
pássaros e vão até a casa de seus inimigos ou de inimigos dos outros promoverem males e se
“alimentarem”.

A todos aqueles que gostam de manipular a energia de Ìyámi Àjẹ́ (Ìyámi Òṣòròngà) e de seu séquito =
àwọn àjẹ́ (feiticeiras), como se fossem brincadeira de criança, simplesmente para mostrar poder e gerar
temor nos outros, cuidado...

Elas são completamente insensíveis e dolorosas...

Por Hérick Lechinski

Luiz L. Marins

Caio, sobre este artigo publicado no site http://www.religiaoindigenaioruba.com/quem-somos/ (em artigos),


sugeri ao autor Erick Lechinski reconsiderar a seguinte frase:

"... Àjògún, guerreiros que lutam contra o homem e prezam o equilíbrio do Universo, liderados por Èṣù ..."

por entender que esta frase coloca Èsù na posição de "inimigo", o que não corresponde ao conceito tradicional
iorubá.
Zarcel Ilésire Carnielli

Luiz, Èsù é òrìsà e benevolente, mas também é o grande organizador do universo, por isso ele joga nos dois
lados sem constrangimento, como diz o próprio oríkì do mesmo. Èsù é sem dúvida alguma o líder dos àjògún,
não que ele seja o próprio, compreende? Por isso antes de cada ato, Èsù é louvado, e por isso todo ebo é
destinado à ele, pois é ele que pode neutralizar a ação dos àjógún (morte, doença, perda, tristeza, fome...) na
vida do ser humano, assim como, dependendo da conduta humana, é Esù que pode liberar a ação dessas
energias na vida humana.

Abraços, ire o!

Luiz L. Marins

Desculpe Zarcel, admiro seu trabalho, mas continuo a discordar do conceito que "Èsù é lider dos Ajogun". O fato
dele atuar nos "dois lados" não o faz líder do mal, se é assim que pretendeu colocar o artigo. Manter tal
afirmação, que ao meu ver, não é verdadeira dentro da religião tradicional iorubá, apenas fornece elementos aos
evangélicos para criticar nossa religião. Sugiro fortemente que reveja este conceito. Àse !

Zarcel Ilésire Carnielli

não existe essa concepção, de bem e mal, àjógún não é mal e nem èSù líder do mal... àjógun preza pelo
equilíbrio do universo, e èsù também. Todos nós nascemos e cedo ou tarde somos vítimas de àjógún, com a
concepção do próprio Olódùmarè. Desculpe, irmão, convivo com sacerdotes sérios a 20 anos, e hoje com a
internet temos aí vários sacerdotes sérios disponíveis que podem nos esclarecer mais sobre. Bem e mal é uma
visão cristã, nós não somos cristãos, acreditamos em energias e cada uma tem sua utilidade dentro do panteão.

Nós cultuamos os òrìsà para atrair a benção deles em nossas vidas, e apaziguamos os àjógún para que eles não
se alimentem de nossa energia vital, simples assim. Visão pessoal não é visão de culto nem de vivência dentro
do mesmo, o irmão tem uma visão, eu respeito.
Ire o!

Zarcel Ilésire Carnielli Luiz L. Marins

Segue a visão do Bàbáláwo Wande Ambimbola sobre o tema:

Yoruba Religion and Culture Louisville lectures


(2004- 2005)

Baba Wáňdé Abimbólá


Dr. Ògúnwáňdé Abímbólá, Babalawo, Awise Agbaye

"Ajogun (seres maléficos) senhores da guerra contra os humanos 200 + 1 mais conhecidos são:

Iku - a morte
Arun - doença
Ofo - perda
Egba - paralisia
Oran - um grande problema
EPE - maldições
EWON - reclusão
Ese Todos os outros males

Seres benevolentes 400 + 1

Orisa (Divindades)
Ajala - cria Ori,
Esu / (Elegua - CUBANO) gatekeeper.
Ifá (Orunmilá) - adivinhação
Obalúayé
Obatalá
Ogún
Osun
Sango
Oya
Obaluaye
Yemojá
e assim por diante, 400 um deles.
Egúngún (ancestrais)
Orí (cabeça interior, a divindade pessoal)
Ènìyàn (humanos)
Natureza

Animais, pássaros, árvores, rios, montanhas, oceanos, e


assim por diante.

A cosmologia ioruba é dividido em um lado direito (benevolente) e um lado esquerdo (malévola). O alto Deus,
Olodumaré, não é bom nem mau. Sua / Seu contato com os humanos é através do Orisa, especialmente Esu e
Ifá. Os termos um 200 e 400 1 não significa 201 e 401, mas adicionar quantos necessários pelas circunstâncias.

Ou seja, podem surgir novas energias malévolas e benevolentes. Esu comunica com todos. Ele fala com os seres
humanos, o Deus Altíssimo, o Orisa, o Egúngún, e o Ajogun. Èşù por se comunicar com todos, pode agir em
ambos os lados, de acordo com a necessidade."

Zarcel Ilésire Carnielli

Recomendo este livro à todos, está em inglês mas, é muito fácil traduzir. Bàbá Abimbola é um dos sacerdotes
mais respeitados dentro do panteão, logo não me sinto a vontade de descordar do mesmo a respeito. Sem mais,
ire o!

Luiz L. Marins

Zarcel, neste caso, já que insinua que não tenho conhecimento do conceito, vejamos a fala de Abimbola:

"... Os ancestrais, assim como os Òrìsà, acredita-se que são amigos dos homens. Eles o protegem dos ajogun e
agem como intercessores entre os homens e os Òrìsà. A relação dos ancestrais para com os seres humanos é
mais íntima, mas eles, como os Òrìsà, precisam ser propiciados com sacrifícios, e também podem ficar zangados
com um homem que falha com seus deveres familiares, ou sua conduta moral, manchando nome da família do
qual ele, ancestral, também faz parte. Diferente dos Òrìsà e dos ancestrais, as feiticeiras, conhecidas como àjé,
iyàmi ou eleye, as quais acredita-se que vivam no ayé, são intratáveis inimigas da humanidade. De fato, a sua
principal função no ayé é a destruição de todo o trabalho do homem. Elas aliam-se aos ajogun,com o único
propósito de destruir o homem e seu trabalho..." http://culturayoruba.wordpress.com/a-concepcao-ioruba-da-
personalidade-humana-abimbola/

Como o Òrìsà Èsù pode ser qualificado como líder de ajogun, segundo o conceito apresentado por Abimbola?

"Ter poder sobre ...", é diferente de, "ser líder de..." De qualquer forma, está dado o recado aos colegas do
grupo.

Èsù ser líder dos ajogun não é um conceito tradicional ioruba. Foi isso que escreveu o pastor evangélico iorubá
Ade Dopamu no livro "Exu, o inimigo invisível do homem ", e este sim é um conceito cristão.

Luiz L. Marins

Sim Zarcel, concordo: "...Èşù por se comunicar com todos, pode agir em ambos os lados, de acordo com a
necessidade." Mas como já disse: "Èsù tem poder sobre os ajogun" ... mas não é "líder dos ajogun" ...

Zarcel Ilésire Carnielli

ter poder, controlar, é exercer função de liderança, e volto a dizer, não existe para o povo yorùbá o conceito de
bem e mal. Ire o!

Luiz L. Marins

Zarcel, como disse, gosto dos seus escritos e tenho alguns deles arquivados devida a qualidade dos mesmos,
mas desculpe, neste contexto sugiro que reveja seu texto, pois os iorubá tem sim, conceito de bem e mal,
apenas usam palavras diferentes das nossas (óbvio).

Para provar isto, transcreverei pequeno extrato do livro EXU E A ORDEM DO UNIVERSO, de Sikiru Salami &
Ronilda Ribeiro, Editora Oduduwa,2011, p. 147-8:

"[...] tudo que se atribui a Exu resulta, de fato, de uma força neutra utilizada pelas pessoas, para o bem ou para
o mal, cabendo a elas a responsabilidade por seu uso [...] o que estamos querendo enfatizar é que Exu não se
apraz no mal, nem é inimigo do homem [...] Quando uma pessoa nutre pensamentos e sentimentos de antipatia
e serve-se da energia de Exu (ou de outro Orixá) para dirigir o mal à sua vítima, se o receptor estiver protegido
pelo axé de Exu (ou de outro Orixá) [...] o mal a ele enviado será neutralizado [...] o mal emitido retornará à
sua fonte. A mesma dinâmica vale para o bem."

Entretanto, se refere-se ao conceito teológico cristão dos opostos superlativos de bem e mal, neste caso,
concordo com sua fala.

Como podemos ver, a expressão "líder dos ajogun" não se encaixa com a descrição de Exu fornecida por Salami,
e a referência de Abimbola sobre os ajogun; por isso minha sugestão de se usar outra palavra no lugar de
"líder" no texto publicado em seu site. Ìlera!


Zarcel Ilésire Carnielli

Irmão, entendo seu posicionamento, mas volto a lhe dizer, ele exerce função de liderança, não há o que se
discutir quanto a isso. Lembre-se deste termo: Èsù má se mi o. Epo l'èrò èsù... Olórun má jé ki a ríjà èsù ... em
fim...

Cada energia tem uma função no universo. Àjógun é mal para quem é vítima, mas é fundamental para o
equilíbrio do universo, ou seja, no contexto pode ser visto como bom. Pois se não fosse eles, não existiria
necessidade nem de nós humanos, cultuarmos os òrìsà. Fico por aqui, se não o debate ficará chato e
redundante. Abraços, ire o!

Luiz L. Marins

Obrigado Zarcel pela oportunidade. Continue produzindo bons textos como sempre fez. Ìlera!

Zarcel Ilésire Carnielli

Obrigado irmão e obrigado pelo debate, abraços, ire o!

Ọlọ́ òrìṣà Ejòtọlà

Ìbà gbogbo!!!

Mano Luiz L. Marins, acredito que mais nada a ser declarado a respeito do tema, o irmão Zarcel Ilésire
Carnielli já foi bem claro a respeito do meu artigo e sobre nossa concepção em relação ao assunto...

Apenas acrescento que: os ÀJÒGÚN não são seres MALÉVOLOS, mesmo muitas vezes lutando contra a
existência dos HOMENS na Terra, a missão dos mesmos é ORGANIZAR e PRINCIPALMENTE EQUILIBRAR o
MUNDO.

Um Àjògún mata, assim como um Irúnmolè (Orixá)... A Morte (Ikú) é considera RUIM (MALÉVOLA) por muitos,
mas ela é apenas a MORTE, "RUIM" quando é de um ente que amamos e "BOA" quando é de um
INIMIGO. Então meu caro. BEM E MAU só existe na IGREJA CATÓLICA. E Èsù é SIM, OLÚ ÀJÒGÚN, o Líder dos
Àjògún, o único capaz de ordená-los CONTRA ou A FAVOR de alguém...

Grande abraço.

Ọlọ́ òrìṣà Ejòtọlà

Se Èsù fosse apenas "BENÉVOLO" , porque precisaríamos apaziguá-lo algumas vezes??? Rrsrsrsrs.

Luiz L. Marins
Axé Erick,

Estes conceitos não tem embasamento. Parece que estou lendo o pastor iorubá Ade Dopamu, pois era ele que
dizia isso, no seu infeliz livro "Exu, o inimigo invisível do homem".

Já citei as falas de Sikiru Salami e Wande Abimbola, mas parece que você não leu. O recado já foi dado e o
grupo já entendeu. Não quero levar adiante o tema. A propósito, sobre bem e mal, sugiro esta
leitura:http://culturayoruba.wordpress.com/olodumare-deus-na-crenca-ioruba-e-o-problema-teista-do-mal/

Ìlera !

Luiz L. Marins

Penso que este trabalho do Abimbola encerra a questão :

Ìwàpèlè: O conceito de bom caráter no corpo literário de Ifá, Wande Abimbola

IN, Tradição Oral Ioruba, seleção de artigos apresentados no seminário sobre


tradução oral ioruba: poesia, música, dança e drama, Departamento de Línguas e Literaturas Africanas,
Universidade de Ile Ifé, Ile Ifé, Nigéria, 1975, pp. 389-420. Título original: Yoruba Oral Tradition ...

Tradução:
Rodrigo Ifáyodé Sinoti

[...]
Ebo (sacrifício) é uma forma de comunicação simbólica e ritual entre todas as forças do universo. Os Yorùbá
acreditam que, além do próprio homem, existem duas grandes forças em oposição no universo, uma
benevolente para com os seres humanos e outra hostil. As forças benevolentes são, coletivamente, conhecidas
como ìbo (as divindades), e as malévolas são conhecidas como ajogun 4 (guerreiros opositores ao homem). As
àjé (as bruxas) estão também em aliança com os ajogun para a destruição do homem e de sua obra.

Os humanos necessitam oferecer sacrifício às duas forças para sobreviver. O homem necessita oferecer sacrifício
às forças benéficas para continuar gozando de seu apoio e bênçãos. Necessita também oferecer sacrifício aos
ajogun e às àjé com o objetivo de não encontrar sua oposição quando estiver prestes a realizar algum projeto
importante.

A divindade que age como mediador entre as três partes mencionadas acima é Èsù, que partilha um pouco dos
atributos das forças benéficas e malévolas. É o policial do universo. Além disso, é imparcial, uma vez que só irá
dar apoio ao homem ou divindade que tenha feito sacrifício. Isso é o que quer dizer a afirmação: eni ó rúbo l
Èsùú gbè. Uma vez recebido o sacrifício prescrito, ele proibirá os ajogun de prejudicar o suplicante. Èsù é o
guardião do àse, autoridade e o poder divino com os quais Olódùmarè criou o universo.

Èsù é, consequentemente, o verdadeiro administrador do universo, o princípio da ordem e da harmonia e agente


da reconciliação. Sua esposa, Agbèrù, recebe todos os sacrifícios emseu nome. Após tirar sua parte de aárùún
(cinco búzios) e um pouco de todos os outros materiais oferecidos em sacrifício. Èsù leva as oferendas para as
divindades ou os ajogun envolvidos. O efeito é, normalmente, a restauração da paz e a reconciliação entre as
partes conflituosas. [...]

O original para consulta está aqui:http://culturayoruba.wordpress.com/iwapele-o-conceito-do-bom-carater/

Zarcel Ilésire Carnielli

Ou seja, Èsù administra, lidera os Àjógun.


Èsù o inimigos invisível do homem, não de Olódùmarè. Porque Èsù pode ser considerado inimigo do homem, e
algumas vezes das divindades? Pelo simples fato comentado acima, Èsù apoia quem faz o ebo (sacrifício), quem
não faz, Èsù não apoia.

Lembremos òfún méjì, que diz que, quando Obàtálá não fez ebo èsù não o apoiou e ele se embebedou até
adormecer, tendo Odùdúwà criado o mundo em seu lugar. Nesse caso, Èsù atuou como inimigo de Obàtálá, não
por prazer ou por ser MAL, mas pelo simples fato de Obàtálá não ter feito ebo...

Assim como em diversos outros itàn odù, diversas outras divindades que não tenham feito o ebo, tiveram a falta
do apoio de Èsù e logo a ação dele, momentânea como inimigo. Daí a questão, Èsù òtá òrìsà (não que ele seja
inimigo MORTAL, eterno, mas momentâneo, quando preciso.)

Daí parte-se do princípio que ele exerce sim, uma função de liderança, não do mal, mas dos àjógun, energias
tão necessárias, quanto os próprios òrìsà. ìwà-pèlé bom caráter, é a busca do ser humano pela evolução, não
pela perfeição ou por uma bondade fantasiosa.

Ire o!

Caio Silva Gente cada um pensa de uma forma! Cada um faz e pensa da maneira que pode !Acho que certas
palavras devem ser analisadas antes de escritas (pois pode parecer ofensas). De todo modo estou adorando o
debate !

Luiz L. Marins

Caio,

O Zarcel e o Erick tem contribuído com excelentes matérias na internet. Estes debates são normais entre
estudiosos, ninguém é inimigo de ninguém por causa disso, ninguém se odeia por causa de uma visão diferente
do interlocutor ... em alguns momentos o debate fica mais acalorado, mas passa, faz parte da democracia.
Nenhum de nós tem a verdade absoluta. Se quiser ler um bom debate, veja estas matérias:

http://culturayoruba.wordpress.com/etnografiareligiosaiorubaeprobidadecientifica/

http://culturayoruba.wordpress.com/pierre-verger-e-os-residuos-coloniais-o-outro-fragmentado/

http://culturayoruba.wordpress.com/o-perigo-para-as-religioes-afro-brasileiras/

Axé.

Luiz L. Marins

Sobre este oriki, Èsù òtá òrìsà, ele foi adulterado pelo pastor iorubá Ade Dopamu, professor de religiões da
Universidade de Ilorin, para colocar Èsù na posição de inimigo, o diabo cristão.

Na publicação original de Daramola e Jeje Awon Asa ati Orisa Ile Yoruba, consta Èsù Òta Òrìsà, sem tom alto na
letra A, e isto faz toda a diferença.
Assim, Èsù além de NÃO ser líder dos ajogun, também NÃO é inimigo de Òrìsà nenhum, sendo que a tradução
deste oríkì por "pedra fundamental" também não tem embasamento.

Para aqueles que quiserem saber mais sobre o assunto, veja aqui:http://culturayoruba.wordpress.com/livro-dos-
yoruba-ao-candomble-ketu/

Zarcel Ilésire Carnielli

Irmão, você se baseia muito em detalhes CRISTÃO, leia todos os itàn odù que puder, e veja que Èsù é amigo
apenas de ÒRÚNMÌLÀ e ÒRÚNMÌLÀ POR SUA VEZ, AMIGO DE ÈSÙ. Com todas as outras divindades, Èsù possui
uma relação de cordialidade, amigo quando preciso, e inimigo quando necessário, não é uma questão de, ser
inimigo do bem, pois volto a lhe dizer, a concepção de bem e mal como nós conhecemos, é puramente cristã,
para o povo yorùbá, essa visão é distinta, e eles atribuem isso a conduta do ser humano e não às energias
existentes no universo.

Para qualquer sacerdote yorùbá, nesse oríkì Èsù ÒTÁ é inimigo. Até porque, Òta (pedra) e não pedra
fundamental, já é uma abreviação arreda para Òkútá. Se o intuito do Oríkì fosse dizer que ele é a pedra
fundamental, não estaria como Òtá nem como Òta e sim como Òkútá Ìsèsè òrìsà ( aí sim, a pedra fundamental e
primordial do culto de òrìsà), mas não é o caso.

Infelizmente, como Dopomu e King fizeram o mais difícil, que era recolher e publicar o oríkì em 90, os espertos
fazem o mais fácil, que é criar novas versões para algo, pois é mais simples, eu inventar, do que pesquisar
novos.

Abraços, ire o!

Luiz L. Marins

Zarcel, pareceu que você só lê o que lhe interessa, então vou replicar para que todos leiam novamente:

"... Na publicação original de Daramola e Jeje Awon Asa ati Orisa Ile Yoruba, consta Èsù Òta Òrìsà, sem tom alto
na letra A, e isto faz toda a diferença." (lembrando que a letra O tem o sinal inferior)

Qualquer pessoa que consultar um bom dicionário de iorubá (recomendo o do José Beniste) verá que òta, ota,
òtá (todas com sinal inferior na letra o), são três palavras completamente diferentes, na ortografia e no sentido.
A mudança de um simples tom sobre as letras alteram seu sentido.

Assim, o esperto pastor iorubá Ade Dopamu, que você está defendendo aqui, adulterou o texto iorubá original,
trocando Òta por Òtá, para provar que Èsù seria o diabo, o inimigo, tal qual fazem os evangélicos hoje no Brasil.

A versão Èsù Òtá Òrìsà (Exu o inimigo dos Orixas) é uma farsa, uma mentira, que o povo de santo abraçou
como verdade, nos anos 80, 90, alguns até hoje na internet, por que esta informação veio dos próprios iorubás.

Apenas não sabiam que o Cristianismo e o Islamismo já estão nas terras iorubás fazem 200 anos, e o primeiro
dicionário ioruba foi feito por um pastor evangélico, também iorubá (Samuel Crowther), que traduziu Èsù como
diabo.
Foi ele, o esperto pastor Ade Dopamu, que tentou provar que Èsù seria o líder dos ajogun, mas só dentro do
conceito evangélico dele. Daí a minha crítica, pois isto não é conceito ioruba, embora esteja escrito em iorubá.
Vejam aqui o livro do Dopamu, publicado no Brasil pela Editora Oduduwa (nada contra a editora):

No verdadeiro conceito iorubá, Èsù é olóòpá (com sinal inferior nas letras o) Olódùmarè, o policial de Olódùmarè
(ilé olóòpá = delegacia de polícia)

Só lembrando Zarcel, que a abreviação de òkúta é: ota (com sinal inferior na letra o) simples assim, sem
nenhum tom na letra "o", como você escreveu no post anterior.

Mas o meu objetivo aqui não é convencer ninguém ao meu pensamento, e sim apenas levar a informação ao
povo de santo, que muitas vezes não tem acesso por qualquer motivo.

Agradeço a todos aqueles que, concordando ou discordando, dispõe seu precioso tempo em ler nossas
postagens.
Àse à todos !

Zarcel Ilésire Carnielli Luiz L. Marins:

King, dono da editora oduduwa é o sacerdote yoruba que mais contribuiu e ainda contribui para a divulgação da
tradição yoruba de uma forma séria e correta. http://www.oduduwa.com.br/

Sobre o livro de Dopomu, se você leu, deve ter notado que ele traçou um paralelo entre as funções de três seres
distintos e ele deixa isso claro.

Volto a dizer, Èsù òtá é sim inimigo, não eterno, mas quando é preciso, basta ler os itàn odù com atenção,
esquecendo a visão judaico-cristã inserida em nossa cultura e notará isso. O trabalho do Prof. Dr. King é
incontestável e alguém, seja quem for, para critica-lo, deverá primeiro fazer melhor que ele.

Sem mais,

Ire o!

Luiz L. Marins Prezado Zarcel, a editora Oduduwa é idônea, e a pessoa do prof. Salami é integra. Eles não são
objetos do debate.

Bianca Oiyá Afefe Ire

Olá amigos no início postei uma mensagem pedindo que usassem esse espaço para conversações sobre o
assunto IYÁ MI ÒSÒRÒNGÀ e to vendo que o rumo tá sendo outro e uma queda de braços de conhecimentos e
não um debate tranquilo, NÃO dêem continuidade pois quem quiser expor sua sabedoria sobre outros assuntos
que façam diretamente uns com os outros sem usar meu grupo ou criem grupos para isso! Agradeço.

Luiz L. Marins Ok. Compreendido Bianca. Àse a todos!

NESTE PONTO O DEBATE FOI ENCERRADO. QUALQUER PUBLICAÇÃO POSTERIOR NÃO TEM O MEU
CONHECIMENTO [luizlmarins]

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