You are on page 1of 18

2.

2 CONCEITOS DE ENERGIA ELÉTRICA

Energia é a capacidade de um corpo ou sistema de corpos de realizar trabalho. A

energia apresenta-se sob as mais variadas formas. Assim, podemos ter a energia mecânica,

a energia térmica, a energia elétrica, etc. Estas formas de energia podem ser transformadas

entre si, em aparelhos especiais. Por exemplo, num motor elétrico ocorre transformação de

energia elétrica em energia mecânica; numa estufa energia elétrica em térmica. Energias são

grandezas, por isso podem ser medidas. Elas são determinadas pela potencia do aparelho

em unidade de tempo. A potência elétrica é medida em watts e o tempo em segundos,

portanto a unidade da

energia elétrica, no sistema internacional (SI) é o Joule ou quilowatt-hora (kWh).

2.2.1 ENERGIA ELÉTRICA ATIVA/REATIVA E APARENTE

A energia elétrica é a força motriz das maquinas e dos equipamentos de uma instalação.

Esta energia é composta de duas parcelas distintas: energia ativa e energia reativa. A energia

reativa é responsável pela formação do campo magnético necessário para o funcionamento

das máquinas girantes, a exemplo dos motores de indução e também dos transformadores.

A energia ativa, é que realmente possibilita a execução das tarefas, isto é, faz os motores

girarem realizando o trabalho.

Outra forma de se explicar energia reativa é considerando-se o sincronismo entre

tensão e corrente. Quando temos apenas cargas resistivas, a tensão e a corrente estão

perfeitamente em fase. Ao ligarmos uma carga indutiva (motor), a corrente se “atrasa” em

relação à tensão. As cargas capacitivas fazem o oposto, ou seja, “atrasam” a tensão em


relação à corrente.

A energia total ou aparente é a soma vetorial da energia reativa (indutiva e capacitiva)

com a energia ativa. Como a energia ativa e reativa tem 90° de defasagem entre si (90°

atrasado no caso indutivo e 90° adiantado no caso capacitivo), a soma vetorial

resulta em S² = P² + Q² .

Onde: S = Energia Total

P = Energia Ativa

Q= Energia Reativa

A seguir a figura 2.1 representa o triangulo da potencias entre a potência ativa,

reativa e aparente.

P = Potência Ativa ( kW)


φ

Q = Potência
Reativa ( KVAr)
2 S = Potência Aparente ( KVA)

Figura 2.1 – Triângulo das Potências

2.2.2 POTÊNCIA ELÉTRICA

Potência é a capacidade de produzir trabalho, na unidade de tempo, o qual pode ser em

forma de aquecimento, movimento mecânico, etc.

Analogamente ao descrito no item anterior, podemos definir a existência da potência


ativa (aquela que efetivamente produz trabalho útil, usualmente expressa em kW –
quilowatt) e da potência reativa (aquela que produz o fluxo magnético, usualmente expressa
em KVAr – quilovolt-ampere-reativo) e a potência aparente (soma vetorial das potências
ativa e reativa, usualmente expressa em KVA – quilovolt-ampere).
Neste caso vale também a relação:

S² = P² + Q² (1.1)

Onde: S = Potência Aparente


P = Potência Ativa
Q = Potência Reativa

2.2.3 FATOR DE POTÊNCIA

Segundo Cotrim (1992), o fator de potência pode ser definido como a razão de potência

nominal ativa para a potência nominal aparente. É a relação (graficamente representada por

um ângulo) entre a potência ativa e potência aparente numa instalação. Ela indica a

eficiência com a qual a energia está sendo utilizada. Quando a potência aparente (KVA) é

muito maior que a potência ativa (KW), a concessionária precisa fornecer além da corrente

útil (ativa), uma corrente reativa extra.

Como as maiorias das cargas de uma instalação elétricas são indutivas, elas exigem um

campo eletromagnético para funcionar, geram assim energia reativa indutiva. Por isso

muitas vezes é preciso instalar capacitores na rede para se corrigir esta relação. Estes irão

gerar uma energia reativa capacitiva a qual anulará o efeito indutivo.

O fator de potência é sempre um número entre 0 e 1 (alguns a expressão entre 0 e

100%) e pode ser capacitivo ou indutivo, dependendo se o consumo de energia reativa for

indutivo ou capacitivo e pode ser calculado pelo co-seno do ângulo de defasagem entre a

tensão e a corrente ou dividindo-se a potência ativa pela potência aparente.

As Condições Gerais de Fornecimento de Energia Elétrica foram compiladas pela

primeira vez por iniciativa do Ministério de Minas e Energia, que fez publicar a Portaria

NME n.º 378, de 26/03/75. Desde então, o fator de potência mínimo ficou estabelecido em

0.85 mensal, como referencia para limitar o fornecimento de energia reativa.


A portaria do DNAEE No. 1569 modificou o critério de cálculo do fator de potência

que passou a ser integralizado a cada hora a partir de abril/96 e , as multas aplicadas para o

registro de Fp inferiores a 0,92 indutivo ou capacitivo.

Este novo critério, mais rigoroso tecnicamente, requer um conhecimento mais

detalhado do perfil de uso de eletricidade da empresa para poder definir a melhor solução

do ponto de vista técnico e econômico.

Como foi dito para melhorar o fator de potência de uma instalação, normalmente temos

que adicionar capacitores no sistema de distribuição, os capacitores atuam como se fossem

geradores de corrente reativa, reduzindo a corrente que o sistema retira da rede da

concessionária.

Em função da diversidade de soluções que podem ser adotadas para cada instalação

elétrica, é necessário adotar um roteiro prático e objetivo para o usuário poder escolher a

melhor solução em função das particularidades de cada instalação elétrica.

2.3 ESTRUTURA TARIFÁRIA

A energia elétrica pode ser cobrada de diversas maneiras, dependendo do

enquadramento tarifário de cada consumidor. Resumidamente, a classificação dos

consumidores é feita conforme abaixo:

 Consumidor do Grupo A: são aqueles atendidos em tensão de fornecimento igual ou


superior a 2,3 KV ou ligados em baixa tensão em sistema de distribuição
subterrâneo mas considerados, para efeito de faturamento, como de alta tensão.
Nesta categoria, os consumidores pagam pelo consumo, pela demanda e por baixo
fator de potência, mediante três tipos de tarifação: convencional, horo-sazonal azul
e horo-sazonal verde.
 Consumidor do Grupo B: são os demais consumidores, divididos em três tipos de
tarifação: residencial, comercial e rural. Neste grupo, os consumidores pagam
apenas pelo consumo medido de energia ativa.
A maioria das pequenas e médias empresas (industriais ou comerciais) brasileiras se
encaixam no Grupo A, onde são cobrados pelo consumo, demanda e baixo fator de

potência. Estes consumidores podem ser enquadrados na tarifação convencional ou horo-

sazonal azul ou verde. Os custos por kWh são mais baixos nas tarifas horo-sazonais, mas as

multas por ultrapassagem são mais pesadas. Assim, para a escolha do melhor

enquadramento tarifário (quando facultado ao cliente) é necessária uma avaliação

especifica.

2.3.1 TARIFAÇÃO CONVECIONAL

Na tarifação convencional, o consumidor paga a concessionária até três parcelas: o

consumo, a demanda e ajuste de fator de potência. O faturamento do consumo é igual ao de

qualquer residências, sem qualquer divisão do dia em horário de ponta e fora de ponta.

Acumula-se o total de kWh consumidos, e aplica-se uma tarifa de consumo para chegar-se

a parcela de faturamento de consumo.

A parcela de faturamento de demanda é obtida pela aplicação de uma tarifa de

demanda a demanda faturada, que é o maior valor dentre: a demanda registrada, e 85% da

máxima demanda dos últimos 11 meses.

2.3.2 TARIFAÇÃO HORO-SAZONAL

As tarifas de eletricidade em vigor possuem estruturas com dois componentes básicos

na definição de seu preço.

 Componente relativo à demanda de potência (quilowatt – kW)

 Componente relativo ao consumo de energia (quilowatt-hora – kWh)

A tarifação horo-sazonal, conforme visto, os dias são divididos em períodos fora de


ponta e de ponta, para faturamento de demanda, e em horário capacitivo e o restante, para

faturamento de fator de potência. Além disto, o ano é dividido em um período seco e outro

período úmido.

Assim, para o faturamento do consumo, acumula-se o total de kWh consumidos em

cada período: fora de ponta seca ou fora de ponta úmida, e ponta seca ou ponta úmida. Para

cada um destes períodos, aplica-se uma tarifa de consumo diferenciada, e o total é a parcela

de faturamento de consumo. Evidentemente, as tarifas de consumo nos períodos secos são

mais caras que nos períodos úmidos, e no horário de ponta é mais cara que no horário fora

de ponta.

A finalidade da atribuição de preços diferenciados de tarifas, ou seja, a aplicação da

Estrutura Tarifária Horo-sazonal, se justifica por motivos originados no sistema elétrico,

tendo em vista a necessidade de estimular o deslocamento de parte da carga para os

horários em que o sistema elétrico estiver menos carregado e orientar o consumo de energia

elétrica para períodos do ano em que houver maior disponibilidade de água nos

reservatórios das usinas.

Isto levará o mercado à utilização de energia elétrica de forma mais racional e, a

médio e longo prazo, permitirá a inclusão de novos consumidores com menores

investimentos por parte das concessionárias e permitirá por fim aos consumidores que

adotarem medidas de uso racional de suas cargas um custo menor com a eletricidade.

2.3.3 TARIFAÇÃO HORO-SAZONAL AZUL

A tarifação horo-sazonal azul, o faturamento da parcela de demanda será igualmente

composto por parcelas relativas a cada período: fora de ponta seca ou fora de ponta úmida,
e ponta seca ou ponta úmida. Para cada período, o cálculo será o seguinte:

Caso 1 - Demanda registrada inferior à demanda contratada. Aplica-se a tarifa de demanda

correspondente à demanda contratada.

Caso 2 - Demanda registrada superior à demanda contratada, mas dentro da tolerância de

ultrapassagem. Aplica-se a tarifa de demanda correspondente à demanda registrada.

Caso 3 - Demanda registrada superior à demanda contratada e acima da tolerância. Aplica-

se a tarifa de demanda correspondente à demanda contratada, e soma-se a isso a aplicação

da tarifa de ultrapassagem correspondente à diferença entre a demanda registrada e a

demanda contratada. Ou seja: paga-se tarifa normal pelo contratado, e a tarifa de

ultrapassagem sobre todo o excedente.

Para o cálculo da parcela de ajuste de fator de potência, o dia é dividido em duas

partes: horário capacitivo e o restante. Se o fator de potência do consumidor estiver fora dos

limites estipulados pela legislação, haverá penalização por baixo fator de potência. Se o

fator de potência do consumidor estiver dentro dos limites pré-estabelecidos, esta parcela

não é cobrada.

Pode ser aplicada a todas as unidades consumidoras do Grupo A de duas formas :

 Aplicação Opcional, ou seja, a pedido da unidade consumidora : Aplicada às unidades

consumidoras atendidas em tensão inferior a 69 KV e que contratem demandas

entre 50 KW e 500 KW.

 Aplicação compulsória : Serão automaticamente aplicadas as unidades consumidoras

atendidas em tensão igual ou superior a 69 KV e, inferior a 69 KV se for contratada

demanda igual ou superior a 500 KW ou que apresentarem nos últimos 11 meses, 3

ou mais registros no histórico de medidas de demanda igual ou superior a 500 KW.


2.3.4 TARIFAÇÃO HORO-SAZONAL VERDE

Para o faturamento do consumo, acumula-se o total de kWh consumidos em cada

período: fora de ponta seca ou fora de ponta úmida, e ponta seca ou ponta úmida. Para cada

um destes períodos, aplica-se uma tarifa de consumo diferenciada, e o total é a parcela de

faturamento de consumo. Evidentemente, as tarifas de consumo nos períodos secos são

mais caras que nos períodos úmidos, e no horário de ponta é mais cara que no horário fora

de ponta.

Na tarifação horo-sazonal verde, o consumidor contrata apenas dois valores de

demanda, um para o período úmido e outro para o período seco. Não existe contrato

diferenciado de demanda no horário de ponta, como na tarifa azul. Assim, o faturamento da

parcela de demanda será composta por uma parcela apenas, relativa ao período seco ou ao

período úmido, usando o mesmo critério, quanto a eventuais ultrapassagens de demanda

contratada como no Sistema Azul.

Para o cálculo da parcela de ajuste de fator de potência, o dia é dividido em três

partes: horário capacitivo, horário de ponta, e o restante. Se o fator de potência do

consumidor, registrado ao longo do mês, estiver fora dos limites estipulados pela legislação,

haverá penalização por baixo fator de potência. Se o fator de potência do consumidor

estiver dentro dos limites pré-estabelecidos, esta parcela não é cobrada.

Será sempre aplicada de forma opcional, desde que a unidade consumidora seja

atendida em tensão inferior a 69 KV e contrate uma demanda mínima de 50 KW. A unidade

consumidora deverá ter apresentado nos últimos 11 meses, no mínimo, 3 registros no

histórico de medidas de demanda igual ou superior a 50 KW.


2.4 CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA COM BANCO DE CAPACITORES

O Banco de Capacitor é um dispositivo elétrico que ao ser conectado à rede elétrica

fornece a corrente reativa nominal indicada em sua placa de identificação. Normalmente

passa desapercebido pela manutenção os casos de Bancos de Capacitores inoperantes por

queima de fusíveis, chaves desligadas, contatores com defeito, etc.

É conveniente efetuar um cadastro com cada Banco de Capacitor instalado anotando

a sua potência, a sua corrente nominal e a sua localização dentro da instalação elétrica para

periodicamente ser vistoriado e medida a corrente fornecida a rede através de um

amperímetro alicate. Ao longo dos anos os materiais empregados nos Bancos de

Capacitores vão perdendo suas características e a corrente elétrica reativa fornecida à

instalação elétrica vai diminuindo.

A substituição dos Bancos de Capacitores existentes com defeito, em muitos casos,

pode corrigir o fator de potência da empresa, sendo que sua substituição é sempre mais fácil

e econômica do que a instalação de novos Bancos de Capacitores, que requererão novas

chaves, fusíveis, contatores, cabos e demais acessórios.

2.4.1 CORREÇÃO DO FP PELA MÉDIA MENSAL

Os consumidores de eletricidade enquadrados na tarifa convencional, por falta do

sistema de medição de integração horária, continuam a ter o fator de potência calculado

pela concessionária pela média mensal.

Nestes casos, para o dimensionamento da potência capacitiva necessária e para a


quantificação das multas por baixo fator de potência, o projetista deverá levar em conta os

parâmetros de faturamento das contas de eletricidade.

2.4.2 CORREÇÃO DO FP PELA MÉDIA HORÁRIA

Todos os consumidores enquadrados nas tarifas horosazonais terão o fator de

potência integralizado a cada hora. Para a obter o perfil do fator de potência da instalação

existem basicamente três alternativas:

a) Emprego de registrador de grandezas elétricas, ajustado para o intervalo de medição de

uma hora, onde normalmente podem ser registrados os valores de tensão, corrente,

demanda ativa, demanda reativa e fator de potência. Não dispondo do equipamento, este

pode ser locado ou ainda contratada uma empresa de serviços para a realização das

medições.

b) Solicitação da listagem de medição da concessionária de energia com as demandas

ativas, reativas e fator de potência, extraídos diretamente do RDTD, RDMT ou REP. Estas

variáveis, no caso RDTD, RDMT e o REP são grandezas de pulsos fornecidos pela

concessionária para medidores específicos. O pedido da listagem deverá ser formalizado

para a concessionária local, que normalmente cobra uma taxa de pequeno valor e fornece a

listagem no prazo de 30 a 40 dias.

c) Leituras diretas no sistema de medição da concessionária em intervalos de uma hora. O

equipamento de medição dispõe de um visor digital que apresenta ciclicamente todos os

canais de medição.
De posse do perfil do fator de potência da instalação elétrica o projetista poderá

dimensionar os Bancos de Capacitores necessários à cobertura adequada dos períodos de

baixo e alto fator de potência. Normalmente nos consumidores enquadrados nos sistemas

tarifários horosazonais se prestam melhor a adoção de Bancos de capacitores Reguláveis

(Bancos automáticos).

2.4.3 DISTRIBUIÇÃO DOS CAPACITORES NA REDE ELÉTRICA

Uma vez dimensionada a quantidade de Bancos de Capacitores requerida pela

instalação elétrica para ter o seu fator de potência corrigido é necessário distribui-los de

forma adequada. A seguir apresentamos todas as possibilidades de instalação.

2.4.3.1 INSTALAÇÃO NA ALTA/MÉDIA TENSÃO

A instalação na alta/média tensão é válida técnica e economicamente quando são

necessárias grandes potências capacitivas (da ordem de 1.000 kVAr). O custo elevado dos

dispositivos de manobra em tensões superiores a 5 kV, inviabiliza economicamente sua

aplicação em instalações de pequeno porte.

A correção na média/alta tensão apresenta como inconveniente o fato de não otimizar

o rendimento da instalação elétrica como um todo, que continuará com as correntes reativas

indesejáveis em circulação nos circuitos de baixa tensão, gerando perdas adicionais e

sobrecarregando a rede elétrica.

2.4.3.2 INSTALAÇÃO JUNTO AO SECUNDÁRIO DO TRANSFORMADOR


A instalação junto ao secundário de transformador é muito utilizada, porém cada

transformador para o seu funcionamento requer uma determinada parcela de energia reativa

para a magnetização dos seus materiais, e assim poder funcionar. É uma boa prática instalar

um Banco de Capacitores fixo, dimensionado adequadamente, para compensar a sua

energia magnetizante, de tal forma que, quando o transformador trabalhar em vazio, sem

carga elétrica, seu fator de potência estará corrigido. A tabela abaixo apresenta valores

orientativos da potência capacitiva adequada para os tamanhos comumente encontrados de

transformador.

TRANSFORMADORES TRIFÁSICOS DE 60 Hz.

KVA 10 15 30 45 75 112,5 150 225 300 500 750 1000

KVAr 1,0 1,5 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0 7,5 8,0 12,5 17,0 19,50

Figura 2.2 – Tabela de potência reativa em transformadores

Pode-se instalar maior quantidade de capacitores do que os indicados na tabela

acima,

para compensar o fator de potência das cargas por ele alimentadas mas, recomenda-se que o

total da potência capacitiva em kVAr não seja superior a 2/3 da potência em kVA do

transformador para não correr riscos com a amplificação dos harmônicos existentes. Caso

forem necessárias potências superiores ao limite indicado, deverão ser empregados

dispositivos de chaveamento automático (bancos automáticos).

2.4.3.3 INSTALAÇÃO NO GRUPO DE CARGAS DO BARRAMENTO


Quando existirem grupos de cargas com características uniformes de operação ao

longo do dia, a sua correção do fator de potência pode ser feita através de Bancos Fixos de

Capacitores. Conhecendo-se a tensão de linha do sistema, a corrente inicial de linha e o

fator de potencial inicial da carga pode ser empregado a Planilha VxI e conhecendo-se a

tensão de linha do sistema, a potência ativa e reativa da carga pode ser empregada a

Planilha PxQ, que determinarão o valor de KVAr necessário para corrigir o Fp da

instalação elétrica para um valor de Fp pretendido.

2.4.3.4 INSTALAÇÃO JUNTO A MOTORES

A energia magnetizante de um motor é praticamente constante, e depende pouco da

solicitação mecânica da carga acionada. Este fato faz com que um motor elétrico

trabalhando em vazio tenha um baixo fator de potência. Esta característica torna a aplicação

de capacitores junto aos motores muito atrativa, principalmente nos casos de motores com

solicitações mecânicas variáveis (compressores de ar, moinhos, trefiladores, prensas, etc.)

Apesar destas características favorecerem o uso de Bancos de Capacitores, na prática não se

justifica técnica e economicamente sua instalação na totalidade dos motores existentes na

empresa. Para maximizar os resultados da correção com custos compatíveis normalmente

são instalados capacitores nos motores elétricos de maior potência que acionam cargas com

solicitação mecânica variável. Tipicamente potências acima de 20 C.V. proporcionam uma

boa relação custo/benefício.

A seguir a tabela informa a relação entre a potência de motores e a quantidade de

kVAr necessários para corrigir o problema de energia reativa junto a motores.


MOTORES DE 60 Hz COM ROTOR EM CURTO CIRCUITO (motores de gaiola)

RPM 3600 1800 1200 900 720 600

POLOS 2 4 6 8 10 12

HP KVAr I% KVAr I% KVAr I% KVAr I% KVAr I% KVAr I%

1,0 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 1,50

1,5 0,50 0,50 0,50 0,50 0,50 1,50

2,0 0,75 0,75 0,75 1,50 1,50 1,50

2,5 0,75 0,75 0,75 1,50 1,50 1,50

3,0 1,50 14 1,50 15 1,50 20 2,00 27 2,50 35 3,50 41

3,5 1,50 1,50 1,50 2,00 2,50 3,50

4,0 1,50 1,50 1,50 2,00 2,50 3,50

4,5 1,50 1,50 1,50 2,00 2,50 3,50

5,0 2,00 12 2,00 13 2,00 17 3,00 25 4,00 32 4,50 37

7,5 2,50 11 2,50 12 3,00 15 4,00 22 5,50 30 6,00 34

10,0 3,00 10 3,00 11 3,50 14 5,00 21 6,50 27 7,50 31

15,0 4,00 9 4,00 10 5,00 13 6,50 18 8,00 23 9,50 27

20,0 5,00 9 5,00 10 6,50 12 7,50 16 9,00 21 12,00 25

25,0 6,00 8 6,00 10 7,50 11 9,00 15 11,00 10 14,00 23

30,0 7,00 8 7,00 9 9,00 11 10,00 14 12,00 18 16,00 22

40,0 9,00 8 9,00 9 11,00 10 12,00 13 15,00 16 20,00 20


50,0 12,00 8 11,00 9 13,00 10 15,00 12 19,00 15 24,00 19

60,0 14,00 8 14,00 8 15,00 10 18,00 11 22,00 15 27,00 19

75,0 17,00 8 16,00 8 18,00 10 21,00 10 26,00 14 32,50 18

100,0 22,00 8 21,00 8 25,00 9 27,00 10 32,50 13 40,00 17

125,0 27,00 8 26,00 8 30,00 9 32,50 10 40,00 13 47,50 16

Figura 2.3 – Tabela de dimensionamento de capacitores

KVAr : potência necessária do Banco de Capacitor para corrigir o motor,

I% : redução da corrente de linha com a inclusão do banco de Capacitor. Ela corresponde à

redução percentual que deve ser feita no ajuste do relê térmico do motor caso a instalação

do capacitor seja feita após o relê de proteção

* Para motores de 50 Hz, multiplicar os valores da tabela por 1,2.

* Para motores de anéis, multiplicar os valores da tabela por 1,1.

* Para motores de alta corrente de partida, multiplicar os valores da tabela por 1,3.

A tabela anterior sugere as máximas potências de capacitores aplicáveis em motores

de indução, com torque e corrente normal de partida de acordo com a classificação NEMA.

No caso de numa correção não estiver disponível a potência exata do capacitor, deverá ser

escolhida a potência imediatamente inferior para maior segurança quanto a sobretensões

por autoexcitação e limitar eventuais torques transientes.

2.4.3.5 INSTALAÇÃO DE BANCOS AUTOMÁTICOS

Os bancos automáticos são painéis elétricos constituídos de um controlador de fator

de potência que insere ou retira capacitores da rede elétrica em função das suas
necessidades de correção. É a solução mais indicada para instalações que possuem

equipamentos que resultem em um perfil do fator de potência muito variável, e evitam que

a instalação se torne excessivamente capacitiva durante a madrugada. Deve ser a opção

escolhida para instalações elétricas que sejam faturadas pelo sistema tarifário horosazonal.

O principal obstáculo para a sua utilização é o seu alto custo de implantação e de

manutenção.

Atualmente existem gerenciadores de energia que controlam a demanda elétrica da

instalação e também possuem recursos de controle do fator de potência. As saídas destes

equipamentos podem ser associadas a contatores que vão energizar capacitores distribuídos

na rede elétrica conforme as suas necessidades.

2.4.4 CUIDADOS GERAIS PARA A CORREÇÃO DO FATOR DE POTÊNCIA

Deve ser verificado sempre as condições operacionais dos Bancos de Capacitores

instalados na empresa e providencie os reparos necessários (troca de fusíveis, chaves,

capacitores, etc).

Procurar sempre obter o perfil do fator de potência horário para obter o perfil da

potência capacitiva necessária a ser adicionada à instalação elétrica a fim de corrigir o seu

Fp. São freqüentes os casos em que as multas envolvidas são de pequeno valor e não

justificam qualquer investimento em estudos mais detalhados e aquisição de equipamentos

adicionais.

A partir do perfil horário da potência capacitiva determine, no caso da instalação elétrica

ser faturada pelo sistema horosazonal, também o mínimo e o máximo valor de capacitores
necessários para a instalação elétrica. A potência mínima representa a parcela fixa de

Bancos de Capacitores que deverá ser adicionada à rede elétrica e a diferença entre o valor

máximo e o valor mínimo, a potência modulável de capacitores a serem adicionados, ou

através de capacitores chaveados em conjunto com os motores ou através de Bancos

Automáticos.

Caso durante a madrugada seja necessário retirar capacitores da rede elétrica, uma

solução econômica é o emprego de programadores horários para chavear contatores e

modular a potência capacitiva na rede neste horário.

Evitar a adição de uma quantidade excessiva de capacitores porque, além do

investimento da correção ser mais alto, tecnicamente a rede elétrica permanecerá

sobrecarregada com perdas JOULE adicionais e com riscos de amplificação dos

harmônicos eventualmente existentes a níveis indesejados, além de estar submetida a um

aumento da tensão de alimentação junto aos Bancos de Capacitores.

2.5 EQUIPAMENTOS DE MEDIÇÃO E AQUISIÇÃO DE ENERGIA E F.P

Os equipamentos de medição de energia elétrica podem ser eletromecânicos ou

eletrônicos. Os equipamentos mecânicos são constituídos de uma parte fixa e de uma parte

móvel, chamada equipagem, que pode girar em torno do eixo que a sustém. A equipagem

leva um índice, que pode deslizar sobre uma escala graduada.

Pela ação da eletrodinâmica, entre estas duas partes do instrumento, tem-se um

binário motor que tende a deslocar a equipagem de sua posição de repouso.

Esse deslocamento é contrastado pelo binário resistente, devido à ação de duas molas,
ambas fixas na equipagem e na parte fixa do instrumento.

O máximo valor de uma grandeza que se pode medir por um instrumento é dado por

sua capacidade, que é o valor correspondente ao desvio de fundo de escala.

A partir de 1996, passou-se a utilizar sistemas de medição eletrônicos por todo país.

Os medidores eletrônicos são mais fáceis de calibrar e testar, mais baratos e mais simples

de instalar. Desta forma as instalações com medidores eletromecânicos estão a cada dia

mais difíceis de serem encontradas nas industrias e concessionárias de energia.

Os medidores eletrônicos são utilizados quando se necessita fazer uma interface com

algum tipo de controlador especifico. Desta forma se diferenciando dos medidores de

bobina móvel que não permitem interfaces para controladores de grandezas elétricas, os

medidores eletrônicos são utilizados em processos que necessitem um gerenciamento do

controle de energia elétrica. Dentre as formas eletrônicas se destacam os transformadores

de corrente, de tensão e os sensores de efeito Hall.