Вы находитесь на странице: 1из 98

ESTADO DE MATO GROSSO

Prefeitura Municipal de Cáceres

PLANO DIRETOR
DE DESENVOLVIMENTO - PDD

COMISSÃO ESPECIAL PARA ATUALIZAÇÃO

DO PLANO DIRETOR

2010
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

MENSAGEM

O Prefeito de Cáceres, no estrito dever de sua função e no

cumprimento da Constituição Federal, vem através deste instrumento, instituir

as linhas básicas de desenvolvimento coordenado deste Município e, confiante

de que este objetivo seja plenamente alcançado.

Agradecendo a cooperação de cada Órgão Governamental e Não

Governamental, de cada cidadão e de cada servidor público que subsidiou a

atualização do Plano Diretor de Desenvolvimento de Cáceres, colaborando,

sobremaneira, à prática de governo democrático, voltado ao atendimento das

aspirações do povo desta terra.

Túlio Aurélio Campos Fontes


Prefeito de Cáceres

Comissão Especial do PDD 2


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

AGRADECIMENTOS

Agradecemos à Câmara Municipal, à Universidade do


Estado de Mato Grosso – UNEMAT e a todos os órgãos Estaduais, Federais,
Sindicatos, Associações, Cooperativas, Entidades Sociais, Clubes de Serviço,
aos colegas Secretários e aos técnicos das Secretarias que compõem o Setor
Público Municipal, bem como a toda a Comunidade, que direta ou
indiretamente contribuíram para a atualização do Plano Diretor de
Desenvolvimento de Cáceres.

Pela Comissão

Adilson Domingos dos Reis


Secretário de Indústria e Comércio
Interino de Planejamento

Comissão Especial do PDD 3


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

PODER EXECUTIVO

PREFEITO
Túlio Aurélio Campos Fontes
VICE-PREFEITO
Wilson Massahiro Kishi
SECRETARIA DE AÇÃO SOCIAL
Eliene Liberato Dias
SECRETARIA DE SAÚDE
Maria Luiza Vila Ramos de Faro
SECRETARIA DE OBRAS
José Eduardo Torres
SECRETARIA DE GOVERNO
Valéria Alves de Souza
SECRETARIA DE FINANÇAS
Marlene das Graças Fornanciari Teixeira
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO
Josué Valdemir de Alcântara
SECRETARIA DE ADMINISTRAÇÃO
Vânia da Costa Sacramento
SECRETARIA DE ESPORTES, CULTURA E LAZER
SECRETARIA DE MEIO AMBIENTE E TURISMO
Sandro Miguel da Silva Paula
SECRETARIA DE AGRICULTURA
James Frank Cabral
SECRETARIA DE INDÚSTRIA E COMÉRCIO
SECRETARIA DE PLANEJAMENTO
Adilson Domingos dos Reis
PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO
Marionely Araujo Viégas
CONTROLADORIA
Jonésia Pouso Graciolli

Comissão Especial do PDD 4


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

PODER LEGISLATIVO

PRESIDENTE
Leomar Amarante Mota

VICE-PRESIDENTE
Nilson Pereira dos Santos

1º SECRETÁRIO
Usias Pereira

2º SECRETÁRIO
Alvasir Ferreira Alencar

TESOUREIRO
Josias Modesto

Alonso Batista
Antonio Salvador
Celson Fanaia Teixeira
José Elson Pires
Lúcia de Lourdes

Comissão Especial do PDD 5


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

EQUIPE TÉCNICA DESIGNADA

Aldo Cesar da Silva Ortiz – Contábeis/Gestão Pública


Ana Lúcia Faria Ortiz Lopes – Pedagoga
Anderson Luiz Caitano Ribeiro – Agrônomo/Esp.Redes computadores
Arlene Janessara de Oliveira Alcântara – Bióloga – Msc Ambiente
Danival Bento Rodrigues – Contábeis
Denise Maria de Oliveira Carvalho Peralta – Ass.Social
James Frank Cabral – Agrônomo
Joaquim Francisco da Costa Neto- Eng. Civil – Msc Ambiente
Jonésia Pouso Gracioli - Administradora
Josué Valdemir de Alcântara – Lic.História/Saúde pública/Ambiente
Maria Ângela Cardoso de Oliveira – Geografia/Plan.Urbano
Mario Quidá – Bel.Direito
Marionely Araujo Viégas - Advogado
Reginete Maria Rondon da Silva – Arquiteta/Urbanista
Sandro Miguel da Silva Paula – Lic.História
Vera Helena de Arruda Fanaia Monteiro – Adm.Empresa

Coordenação
Adilson Domingos dos Reis – Eng.Civil e de Seg. do Trabalho

Digitação
Leandro Xavier Ursolino

Comissão Especial do PDD 6


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

ÍNDICE

1. O PLANO DIRETOR DO MUNICÍPIO DE CÁCERES-MT ............................. 9


2 - ASPECTOS HISTÓRICOS ......................................................................... 12
3 - ASPECTOS FÍSICOS E NATURAIS........................................................... 16
3.1 - Denominação: ................................................................................... 16
3.2 - Limites............................................................................................... 16
3.3 Vegetação ........................................................................................... 17
3.4 Solos ................................................................................................... 17
3.5 Classificação climática ........................................................................ 19
3.6 Província Serrana e Serras residuais do Alto Paraguai ...................... 20
3.7 Depressão do Paraguai ...................................................................... 21
3.8 Rio Paraguai ....................................................................................... 23
3.9 Pantanal .............................................................................................. 25
3.10 Unidades de Conservação ................................................................ 27
3.11 Estação ecológica da serra das araras. ............................................ 28
3.12 – Estação ecológica de Taiamã ........................................................ 29
4. INSERÇÃO REGIONAL DE CACERES: ..................................................... 30
4.1 Cáceres e região: ................................................................................ 30
4.2 Cáceres pólo: ...................................................................................... 32
4.3 As divisões internas do município: ...................................................... 36
4.4 Cáceres e sua posição nacional e internacional: ................................ 36
5. A estrutura fundiária e a ocupação atual do solo: .................................. 38
5.1 A situação rural: .................................................................................. 38
5.2 A situação urbana: .............................................................................. 40
6. Dinâmica e caracterização sócio-econômica da população: ................. 44
6.1 Evolução e Características:................................................................. 44
6.2 População atual .................................................................................. 51
7. As principais atividades econômicas: ..................................................... 52
7.1 O setor primário: ................................................................................. 52
7.2 O setor secundário: ............................................................................. 55
7.3 O terciário:........................................................................................... 56
8. Breves comentários sobre a infra-estrutura urbana, os equipamentos
sociais, áreas verdes e ambiente: ................................................................ 59
8.1 As deficiências da infra-estrutura básica: ........................................... 59
8.2 Abastecimento de água: ..................................................................... 60
8.3 Rede de esgoto e pluvial: .................................................................... 64
8.4 O tratamento dos resíduos sólidos urbanos: ..................................... 68
8.5 Construções em locais insalubres ou de risco: ................................... 70
8.6 Áreas verdes urbanas: ........................................................................ 71
8.7 Os equipamentos sociais: ................................................................... 73
8.8 O ambiente e algumas zoonoses: ....................................................... 74
8.9 Pesca .................................................................................................. 75
8.10. Considerações Finais ....................................................................... 76
9. A mobilidade geral e urbana: .................................................................... 77
9.1 A mobilidade geral: ............................................................................. 77
9.2. A mobilidade urbana: ......................................................................... 78

Comissão Especial do PDD 7


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

10. TENDÊNCIAS E DIRETRIZES: ................................................................. 81


10.1. Tendências:...................................................................................... 81
10.2 Gerais:............................................................................................... 84
10.3 Da área urbana: ................................................................................ 85
10.4.Da área do Desenvolvimento Economico: ........................................ 85
10.5 Na área de Educação: ...................................................................... 86
10.6 Na área de Recreação, Esporte e Lazer: .......................................... 87
10.7 Na área de Meio Ambiente e Turismo: ............................................. 88
10.8 Na área de Infra-Estrutura: ............................................................... 89
10.9 Na área de Agricultura e Abastecimento: ........................................ 91
10.10 Na área da Saúde: .......................................................................... 92
10.11 De Ordem Politica - Administrativa: ................................................ 92
10.12 Das Leis e Códigos: ........................................................................ 93
11. Das Disposições Transitórias e Finais: ................................................. 94
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 96

ANEXOS:

1. SLIDES UTILIZADOS NAS AUDIÊNCIAS PÚBLICAS;

2. CONJUNTO DE MAPAS.

Comissão Especial do PDD 8


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

1. O PLANO DIRETOR DO MUNICÍPIO DE CÁCERES-MT

A Constituição Federal, promulgada em 1988, indicou que a Política de


desenvolvimento urbano fosse executada pelo poder público municipal e que
as diretrizes gerais de responsabilidade dos Governos Federal e Estadual
balizassem essa Política e sua execução:

Constituição Federal Art. 182: A função social da propriedade


deverá ser definida no Plano Diretor, obrigatório para as cidades com
mais de 20.000 habitantes;

Constituição Federal Art. 30 - Inciso I: Cabe ao Município Legislar


assuntos de interesses locais;

Constituição Federal Art. 30 - Inciso VIII: Promover, no que lhe


couber, adequado ordenamento territorial, mediante planejamento e
controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo urbano.

Cabe ao Município de Cáceres o cumprimento das disposições


constitucionais referente a atualização do Plano Diretor elaborado em 1995,
visando instrumentalizar seu planejamento, na busca do desenvolvimento
sustentável e de cumprir a função social da propriedade.

O objetivo do Plano Diretor é instrumentalizar o processo de


desenvolvimento, permitindo uma compreensão geral dos fatores Políticos
Econômicos, Financeiros e Territoriais, necessário para o desenvolvimento do
Município de Cáceres.

O Plano Diretor é um documento de referência para a ação do Governo


e que, sendo devidamente legitimado, suas determinações poderão funcionar
como instrumento de controle social sobre a ação do Poder Público no
território do Município. Para tanto é fundamental a participação da população
na discussão, construção, aprovação e acompanhamento de todas ações
inerentes a Gestão Municipal, a partir da aprovação do Plano.

O Plano Diretor é a base do Planejamento Urbano/Rural: planejar é


articular soluções para melhor aproveitamento dos recursos disponíveis no

Comissão Especial do PDD 9


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Município; é o instrumento básico para garantir a função social da propriedade


urbana e rural; é o instrumento de Poder Público para elaboração de uma
Política Públicas. O Plano Diretor poderá sofrer modificações continuamente,
em consonância com as mudanças que venham a ocorrer na realidade local.

A metodologia utilizada teve como primeira etapa o esboço histórico


temático e como etapas subsequentes o conhecimento da realidade, pelos
diagnósticos, prosseguindo até, a elaboração de diretrizes gerais para o
desenvolvimento do Município, nos seus vários temas. As propostas se
caracterizam como indicações gerais, implicando que posteriormente devem
ser desenvolvidos Programas, Planos Setoriais, Projetos e Normas Legais.

Administração criou um locus de trabalho e uma equipe mínima para


buscar a atualização do Plano Diretor (1995). Isto se fez necessário em
função da administração dos recursos financeiros escassos; através da
criação de equipe multidisciplinar composta por Secretários e Servidores,
necessária para atendimento e acompanhamento das diretrizes mínimas
previstas para o desenvolvimento Municipal.

Considerando, regra geral, que todo Município, tem sempre um


conjunto de problemas decorrentes do nível econômico da população; da
forma de vida social e do meio ambiente natural, considerando o diagnostico
contratado para atualização do Plano Diretor, concluído em outubro de 2007, a
equipe deciciu pelo seu aproveitamento.

Buscou-se a interação com diversas instituições, seja através de


participação em eventos oficiais, a exemplo do promovido pelo Ministerio
Público Estadual, pela EMBRAPA/INPE – 3º GEOPANTANAL e SEMAJUR
(Semana Juridica) promovida pelo Departamento de Direito da UNEMAT,
SEMAU – Seminario do Meio Ambiente Urbano ―Politicas Públicas Urbanas e
o Desenvolvimento Sustentavel, tendo como foco o exercício de ouvir e
interpretar as diversas inquietudes da sociedade e agregar as informações e
solicitações colhidas durante as dezenas de audiências públicas promovidas
para a construção do Plano Plurianual - PPA 2010-2014, sob o titulo
―Sensibilização para a atualização do Plano Diretor‖.

Comissão Especial do PDD 10


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Com os recursos financeiros disponíveis, apoio das instituições e


participação popular, espera-se que o novo Plano Diretor seja ferramenta
eficaz para a formalização de Projetos ou Programa e no desenvolvimento de
planos de trabalho, auxiliando a conduzir o Município de Cáceres, dentro das
suas potencialidades, ao seu desenvolvimento pleno, com conseqüente
melhoria da qualidade de vida para seus habitantes.

Comissão Especial do PDD 11


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

2 - ASPECTOS HISTÓRICOS

2.1.- Memória Histórica de Cáceres

Cáceres foi fundada em seis de outubro de 1778, pelo


governador de Mato Grosso na época, Luis de
Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, recebendo o
nome de Vila Maria do Paraguai, em homenagem à
Rainha reinante de Portugal. Consta-se que a fundação
do povoado à margem esquerda do rio Paraguai, ocorreu
por quatro motivos principais: a defesa e o incremento
das fronteiras do domínio de Portugal a Oeste; a abertura
de uma via de navegação com a cidade de São Paulo; a facilitação tanto das
comunicações quanto das relações comerciais entre as cidades de Vila Bela
da Santíssima Trindade e Cuiabá e a fertilidade do solo da região, prenúncio
de riquezas.

Passado mais de um século de sua fundação, poucas mudanças houve.


O grande destaque local era a Fazenda Jacobina, que em 1827, de acordo
com o testemunho de Hércules Florense,
citado por Natalino Ferreira Mendes na obra
História de Cáceres, “era a mais rica fazenda
da província, tanto em área como em
produção”. Descrito pelo Professor Natalino
Ferreira Mendes, em Memória Cacerense,
“havia cerca de 60 mil reses povoando os campos da Jacobina, situada junto à
Serra do mesmo nome à entrada de Vila Maria do Paraguai. Consta ainda, que
a Fazenda Jacobina possuía 200 escravos e um grande engenho movido por
força hidráulica”.

Historiadores reputam à Jacobina o início de tudo na região, há registros


de que nesta Fazenda, Sabino Vieira, chefe da malograda revolução baiana
denominada ―sabinada‖, foi se refugiar até a sua morte em 1846.

Comissão Especial do PDD 12


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Maria Josefa de Jesus, filha do fundador da Fazenda Jacobina, casou-


se com João Carlos Pereira Leite, que veio a fundar a Fazenda Descalvados,
que também se tornou uma das maiores e mais antigas fazendas da província.
Por sua vez um genro de João Carlos Pereira Leite, Joaquim José Gomes da
Silva, atravessaria o Pantanal mato-grossense em direção ao sul, hoje Estado
de Mato Grosso do Sul, para fundar no ―firme‖, a Nhecolândia.

O povoado de Vila Maria do Paraguai, na época, não


passava de uma ―aldeia‖, centrada em torno da
igrejinha de São Luis de França. Segundo o
historiador, professor Natalino Ferreira Mendes, em
meados do século XIX, a Vila experimentou algum
progresso, em razão do advento do ciclo da indústria
extrativista da poaia (ipecacuanha) – o ―ouro negro
da floresta‖, e da borracha, que juntamente com a
bovinocultura eram a economia da região;
impulsionada pela abertura da navegação fluvial do rio Paraguai,
estabelecendo a ligação com a cidade de Corumbá.

Em 1860, Vila Maria do Paraguai possuía uma Câmara Municipal, mas


somente em 23 de junho de 1874 foi elevada à categoria de cidade, recebendo
o nome de São Luis de Cáceres. O Nome foi uma homenagem ao Santo
padroeiro e ao fundador da localidade. No ano de 1938, por força de um
Decreto Lei Estadual, o município passou a ter o nome que traz até a
atualidade: Cáceres.

Há citação de que a denominação São Luis estava causando, na época,


confusão de endereço com a capital do Maranhão, São Luiz.

Em fevereiro de 1883, foi transferido


para a praça da matriz, o Marco do Jauru,
demarcatório do Tratado de Madri
celebrado entre Portugal e Espanha, em
1750. O monumento permanece na praça
Barão do Rio Branco, em frente à Catedral

Comissão Especial do PDD 13


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

de São Luis, cuja construção iniciou-se em 1919, mas, somente foi concluída
em 1938 tornando-se também outro monumento da cidade. Os dois
monumentos são motivos de orgulho para Cáceres, e hoje, constituem-se em
atrativos turísticos de visitação ―obrigatória‖.

Em 1907, a então cidade de São Luis de Cáceres recebeu uma visita


ilustre: a do Presidente dos Estados Unidos, Theodore Roosevelt, que
participava em companhia de Cândido Rondon da
famosa Expedição Roosevelt-Rondon.

Conta-se que o Presidente Americano ficou


encantado com o comércio local, cujo destaque era a
loja ―Ao Anjo da Ventura‖, propriedade comercial de
José Dulce & Cia, proprietária também do vapor ―Etrúria‖, o maior e o mais
regular navio de passageiros e de cargas, que se tornou símbolo do progresso
que na época se experimentava.

Embarcações deixavam a localidade com destino à Corumbá,


carregadas de poaia (ipecacuanha), borracha e produtos como charque, crinas
e couros de animais e retornavam com mercadorias finas, como tecidos,
cristais, louças e pratarias, procedentes da Europa.

A elite local tinha acesso à literatura estrangeira e artigos de luxo, em


contraste com a poeira, a lama e animais pastando nas ruas da cidade. A
comunidade em geral se divertia com touradas e cavalhadas, realizadas
durante as festividades de santo, que envolviam toda a sociedade como se
fossem uma grande e única família.

No início de 1927, dois acontecimentos marcaram a cidade: a passagem


da famosa Coluna Prestes pelos arredores, que provocou
pânico e a fuga de muitos moradores; e a histórica descida
do primeiro avião a pousar em Mato Grosso, o hidroavião
italiano Savoia Marchetti S-55, batizado ―Santa Maria‖, que
pousou nas águas calmas do rio Paraguai pilotado pelo Marquês italiano De
Pinedo, hóspede oficial de Cáceres.

Comissão Especial do PDD 14


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Em 1928, foi inaugurado o Porto Mário Corrêa, grande feito para a


cidade, ali, chamava muita atenção as figura de dois
leões que guardavam a entrada do Cais do Porto.

Em dezembro de 1929 ocorre a inauguração de


outra importante obra, o prédio da sede do Governo
Municipal, que abrigou até recentemente a Câmara
de Vereadores. Esta construção, juntamente com
as antigas residências de famílias tradicionais como Costa Marques e
Ambrósio, formam um belo conjunto arquitetônico nas esquinas das ruas
Coronel José Dulce e General Osório, no centro da cidade.

Na segunda metade do século XX, as


mudanças aconteceram mais rapidamente. No
início dos anos 60, foi inaugurada a ponte
Marechal Rondon, sobre o lendário rio
Paraguai, que incrementou toda a logística de
ligação com outras cidades além do rio, na
direção oeste de Mato Grosso; estimulando
migração de brasileiros procedentes do atual Mato Grosso do Sul, de Goiás e
da Região Sudeste do País, alterando a
fisionomia socio-econômica-cultural de
Cáceres, cuja ligação com a Capital Cuiabá e o
restante do País se intensificava na medida
que melhoravam as rodovias.

Acelerou-se então o fracionamento do


antigo território cacerense, através das
sucessivas, naturais e necessárias emancipações, consolidando a situação de
Cáceres como Município Mãe.

Comissão Especial do PDD 15


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

3 - ASPECTOS FÍSICOS E NATURAIS

3.1 - Denominação: Cáceres

Ato de criação:Lei Provincial nº 01 de 28 de Maio de 1859.

O município de Cáceres é um dos maiores do Mato Grosso, mesmo


com as emancipações de Mirassol D’Oeste, Rio Branco, Salto do Céu, S. José
de 4 Marcos e Araputanga, Porto Esperidião, Glória D’Oeste e Lambari
D’Oeste e Curvelândia, mesmo assim conta com uma área de 24.612 Km².

QUADRO 01: Divisão, político-administrativa, lei, data de criação, área e


localização geográfica, no Mato Grosso, no município de Cáceres e Área de
Influência (MT).
Área Coordenadas Distância
Data Lei / Altitude
Nº Municípios Geográfica Longitude Capital
Criação Número Latitude Sul (msnm)
km2 Oeste (km)
TOTAL MATO GROSSO 09/03/1748 903.357
Cáceres (Área de Influência) 39.145
1 CÁCERES 28/05/1859 1 24.612 -16º07'05" -57º67'88" 118 215
2 Araputanga 14/12/1979 4.153 1.602 -15º47'11" -58º35'30" 200 371
3 Curvelândia 28/1/1998 6.981 375 -15º37'00" -57º55'07" ... 311
4 Glória D'Oeste 20/12/1991 5.904 941 -15º76'83" -58º21'77" ... 304
5 Lambari D'Oeste 20/12/1991 5.914 1.794 -15º32'33" -58º00'36" 186 327
6 Mirassol D'Oeste 14/5/1976 3.698 967 -15º67'50" -58º09'58" 260 329
7 Porto Esperidião 13/5/1986 5.012 5.834 -15º85'27" -58º46'02" 160 358
8 Rio Branco 13/12/1979 4.151 420 -15º24'08" -58º11'55" 180 367
9 Salto do Céu 13/12/1979 4.152 1.325 -15º12'97" -58º12'66" 300 383
10 São José dos Quatro Marcos 14/12/1979 4.154 1.275 -15º62'13" -58º17'63" 230 343
Fonte: Anuário Estatístico de Mato Grosso, 2001, Miranda, Leodete. Atlas Geográfico de Mato Grosso, 2000 e IBGE, 2005.
Elaboração COOTRADE, 2007.

3.2 - Limites
Norte: Glória D'Oeste, Mirassol D'Oeste, Curvelandia
Lambari D’Oeste e Porto Estrela

Sul : Poconé, República da Bolívia e Corumbá

Leste: Poconé

Oeste: República da Bolívia e Porto Esperidião

Comissão Especial do PDD 16


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

3.3 Vegetação

A vegetação natural predominante constitui-se de Savana Arborizada,


Savana Gramíneo-Lenhoso Arborizada e Floresta Estacional semidecidual
Aluvial. Com característica heterogênea, apresentando ambientes de
pantanal, cerrado e mata, além de faixas de transição entre estes ambientes
(MORENO E HIGA, 2005)1.

A vegetação que recobre o Pantanal é variada. Para defini-la emprega-


se a expressão ―Complexo do Pantanal‖, designação que engloba diferentes
fitoisionomias. Na região encontram-se fisionomias do tipo: cerrado, campo
limpo, campo sujo, brejos com sua vegetação hidrófila, mata pluvial tropical
subcaducifólia e outras (ABREU et all, 2001)2.

Há diversas comunidades vegetais com domínio nítido de uma espécie,


tomando a comunidade vegetal o nome da espécie dominante (ex. canjiqueiral,
caronal, cambarazal, paratudal, etc) (ABREU et all, op cit).

3.4 Solos

Conforme Miranda (2000)3, os solos da região de Cáceres em sua


grande parte, atualmente são áreas desaconselháveis à utilização agrícola,
pela presença de uma ou mais limitações de caráter acentuado, tais como:
fertilidade muito baixa, alta salinidade, reduzida profundidade, presença de
pedregosidade, rochosidade, textura arenosa, topografia montanhosa e
escarpada.

Também há solos com fertilidade alta (características físicas e/ou


morfológicas boas, com topografia plana e suave ondulada, praticamente sem

1
MORENO, G; HIGA, T.C.S. (orgs.). Geografia de Mato Grosso: território, sociedade, ambiente. Cuiabá: Entrelinhas,
2005. 183p.

2
ABREU, U.G.P.; MORAES, A.S. e SEIDL, A.F. Tecnologias Apropriadas para o Desenvolvimento Sustentado da
Bovinocultura de Corte no Pantanal. EMBRAPA/CPAP: Corumbá. Documentos 24. 2001
3
MIRANDA, L; AMORIM, L. Mato Grosso: Atlas geográfico. Cuiabá: Entrelinhas, 2000.

Comissão Especial do PDD 17


Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

limitações); média alta (características físicas e/ou morfológicas regulares, com


topografia plana e ondulada, possuindo como principais limitações áreas
declinosas, pouca profundidade e textura grosseira) e baixa (características
físicas e/ou morfológicas boas, com topografia plana e suave ondulada, com
limitações de nutrientes - baixa disponibilidade). Média alta (características
físicas e/ou morfológicas regulares, com topografia plana e suave ondulada,
limitações principais são riscos de inundações, impedimento de drenagem).

Quanto a classificação dos solos da região (figura 2) há a predominância


do Plintossolos, seguido por: Planossolos, Neossolos, Gleissolos,
Luvilossolos, Alissolos (veja tabela 1 com pormenores da classificação)

Comissão Especial do PDD 18


QUADRO 02: Principais ocorrências de solos em Cáceres - MT, e suas classificações.
Ocorrência:
Solos Horizonte Origem Cor Textura Profundidade Drenagem
Classe de relevo

Pálidas
Plano, suave ondulado e
Plíntico logo após o Solos minerais mosqueadas com Arenosa a Raso a pouco Imperfeita a
Plintossolos ondulado (alagamento
horizonte A hidromórficos cores alaranjadas argilosa profundo mal drenado
periódico)
e avermelhadas

Nátrico, diferença acentuada Solos minerais


Bruno-acizentado Imperfeita a Plano, suave ondulado
Planossolos entre os horizontes A ou E, hidromórficos ou Argilosa Pouco profundo
claro mal drenado (alagamento periódico)
eoB não
Solos minerais e
Excessivament
Ausência do horizonte B orgânicos, Vermelho, amarelo Arenosa a Raso a muito
Neossolos e a mal Ondulado, forte ondulado.
solos pouco desenvolvidos hidromórficos ou ou mais claro. média profundo
drenado
não.

Ausência de horizonte B, e Acinzentado, Arenosa a Mal ou muito plano (terraços fluviais de


Solos minerais
Gleissolos presença de horizonte glei, azulado e muito Pouco profundo mal drenado grandes rios, áreas
hidromórficos
solos pouco desenvolvidos. esverdeado. argilosa (encharcado) abaciadas e depressões)

Do vermelho ao
Horizonte B textural, distinta
Solos minerais amarelo, às vezes Média Pouco profundo a
Luvilossolos individualização dos Bem a drenado Plano a forte ondulado
não hidromórficos brunado ou argilosa profundo
horizontes.
acinzentado claro

Do vermelho ao
Horizonte B textural, distinta Bem a
Solos minerais amarelo, às vezes Média a Pouco profundo a Ondulado, forte ondulado
Alissolos individualização dos imperfeitament
não hidromórficos brunado ou argilosa profundo e montanhoso)
horizontes e drenado
acinzentado
Fonte: Miranda e Amorim, 2000.

3.5 Classificação climática4

Moreno e Higa (2005) apresentam uma outra classificação climática foi


sugerida proposta com base no Zoneamento Socioeconômico-ecológicodo
Estado. Assim, Cáceres está no grupo II, subunidade II-A.

O grupo II - Clima Tropical Continental Alternadamente Úmido e Seco (6


meses de período seco) corresponde à faixa latitudinal entre 12° e 18° LS.
Onde, o controle climático se deve aos fatores continentalidade (mais de 1.500
km do oceano Atlântico Sul), relevo e dos Sistemas Extratropicais (Frente e
Anticiclone Polar) em relação ao Clima Equatorial Continental (Unidade l).
A diversidade das subunidades climáticas se deve a forma e a
orientação do relevo, ocorrendo desde compartimentos rebaixados, onde os
totais pluviométricos são os menores do Estado (Depressão do Alto Paraguai e
Pantanais), até climas tipicamente mesotérmicos úmidos das altas superfícies

4
Para mais informações, consulte também as tabelas A7 à A 16, dos dados estatísticos desse
relatório.
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

do Planalto dos Guimarães e Parecis (altitudes acima de 600 m) (MORENO e


HIGA, 2005).

A subunidade climática II-A na qual Cáceres está inserida refere-se às


depressões e planícies com altitudes entre 85 e 200 m de altitude, onde o
clima pode ser classificado como Tropical Megatérmico Sub-úmido. Existe uma
nítida diminuição dos totais de chuvas (1.200 e 1500 mm), bem como um
aumento nas perdas superficiais da água por evapotranspiração
(aproximadamente entre 1.350 e 1.450 mm). As temperaturas médias anuais
oscilam entre 25°C e 26°C, enquanto as máximas ultrapassam,
freqüentemente, 35°C durante quase o ano todo e o período seco se prolonga
de abril-maio a setembro-outubro.

QUADRO 03: CARACTERÍSTICAS DA UNIDADE CLIMÁTICA: ZONA II / UNIDADE II - A


Climas controlados por sistemas: Tropicais Continentais (50 a 60%) e Equatoriais Continentais (20 a
30%) e Extra Tropicais (10 a 20%).
Temperatura anual (Cº) Precipitação (mm)
Altitude (m) Total Estação Trimestre mais Estação
Média anual Janeiro Julho
anual chuvosa chuvoso seca
nov-abr mai-out

25.6 - 23.5 - 1.200 a nov-abr mai-out


N 85-200m 25.4-24.3 Dez, jan e fev.
24.9 21.3 1.500 out-abr mai-set
out-abr abr-set
Fonte: Moreno e Higa (2005)

3.6 Província Serrana e Serras residuais do Alto Paraguai

No nordeste do município observa-


se um conjunto de serras denominado
localmente de Morraria (figura ao lado).
São serras de cristas paralelas com topos
arrasados e depressões interplanálticas e
intermontanas, originadas de processos
orogenéticos do Cinturão Orogênico Paraguai-Araguaia.

20
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

A província serrana é representada por um segmento da faixa do


dobramento "Paraguai-Araguaia", com aproximadamente 500 km de extensão
e 20 a 40 km de largura, altitudes entre 300 e 800 metros, com concavidade
voltada para sudeste, situadas entre a Depressão Cuiabana, a Depressão do
Alto Paraguai e os planaltos dos Guimarães e dos Parecis (ROSS et all,
2005)5.

Essas serras residuais atuam como divisor de águas das bacias


Amazônica e do Paraná, contendo, na vertente voltada para o norte, os
formadores dos rios Xingu e Teles Pires, e na
porção voltada para o sul as nascentes dos rios
Cuiabá e Paraguai (ROSS et all, op cit).

Tais serras encontram-se coberta por


cerrados, pastagens e pequenas áreas
destinadas à agricultura nos vales, na qual
emergem uma infinidade de minas e nascentes
de pequenos rios que abastecem as pequenas e
médias propriedades rurais da região (NEVES E
CRUZ, 2006)6.

3.7 Depressão do Paraguai

As planícies e o Pantanal do Rio Paragua encontra-se no centro-sul do


Estado, limitando-se a noroeste com a Depressão do Alto Paraguai e a norte-
nordeste com a Depressão Cuiabana. Uma extensa superfície de acumulação,
com topografia muito plana e altimetrias oscilando entre 120-300 m.
Estendendo-se entre as bordas do Planalto dos Parecis e a terminação norte
dos pantanais mato-grossenses, avançando para leste até os residuais da
Província Serrana (ROSS et all, 2005).

5
ROSS, J; VASCONCELOS, T.N.N e CASTRO, P.R. Jr. Estruturas e Formas de relevo. In: MORENO, G; HIGA,
T.C.S. (orgs.). Geografia de Mato Grosso: território, sociedade, ambiente. Cuiabá: Entrelinhas, 2005. 217-287p.
6
NEVES , R. J. e CRUZ, C.B. M. O uso de representações gráficas geradas a partir de ferramentas de
geoprocessamento nos estudos em sala de aula - Pantanal de Cáceres, MT. Campo Grande: Anais 1º Simpósio
de Geotecnologias no Pantanal; Embrapa Informática Agropecuária/INPE, p.482-491. 2006

21
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Apresenta complexa rede hidrográfica sujeita às inundações periódicas,


com áreas permanentemente alagadas. Tem como principal eixo regional o rio
Paraguai. Essa vasta bacia de deposição aloja um pacote de sedimentos de
idade recente, cuja espessura chega a atingir 500 m (ROSS et all, op cit).

Na depressão do rio Paraguai encontra-se ao norte e na zona urbana,


áreas de cerrado e mata galeria (floresta estacional semi-decidual aluvial) e
cerrado e pantanal a noroeste. Atualmente, boa parte destas áreas, está
retalhada por áreas de pastos, reflorestamentos e de pequenos cultivos
(NEVES E CRUZ op cit)

Da cobertura original, restam apenas a mata galeria ao longo dos


canais fluviais e alguns remanescentes de cerrado, que abrigam importantes
rios e nascentes que alimentam o pantanal mato-grossense, como os rios
Paraguai, Jauru, Cabaçal, Sepotuba, Ixu, Padre Inácio, entre outros (NEVES
E CRUZ op cit).

Segundo Mamede (1993) apud Ross et all, op cit, algumas feições


dessas áreas de acumulações são identificadas assim denominadas:

• baías: pequenas depressões no terreno, de variadas formas


(circulares, semicirculares ou irregulares), contendo água ou não. Podem estar
ou não recobertas por espécies vegetais aquáticas;

• cordilheiras: são faixas do terreno (em média mais longas que


largas), normalmente de 3 m acima do nível de base local, e que balizam as
baías ou direcionam as vazantes. São locais preferenciais para as sedes das
fazendas, muito usadas como retiros para o gado pantaneiro e servem como
refúgio para a fauna regional, na época das cheias;

• vazantes: amplas depressões alongadas, localizadas entre vazantes,


que funcionam como curso fluvial com até vários quilômetros de extensão e
que podem ter caráter intermitente, perene, ou estar ligando baías ou cursos
d'água;

• corixos: cursos d'água de caráter perene, que ligam baías contíguas


ou mesmo cursos d'água de maiores portes, com maior poder erosivo que as

22
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

vazantes (apresentam leitos mais escavados, normalmente mais estreitos e


profundos).

3.8 Rio Paraguai

As nascentes do rio Paraguai estão no complexo da Chapada dos


Parecis, próximo a Diamantino e drena, juntamente com seus afluentes, o
Pantanal (MAITELLI, 2005)7. As isoietas médias anuais (1931-1988) mostram
que os valores de precipitação aumentam de Oeste para Leste, atingindo a
área dos formadores, no planalto central, com amplitude entre 1.000 e 1800
mm. A chuva média da bacia é de 1.370mm/ano (Cunha e Guerra, 1982)8.

Como principais afluentes se têm os rios: São Lourenço, Taquari,


Miranda, Apa, Jauru Queimado, Sepotuba, Bento Gomes, Cabaçal, Cuiabá e
Manso (CUNHA E GUERRA (1982); MAITELLI (1995)).

A complexidade do regime está relacionada à baixa declividade dos


terrenos que integram as planícies e pantanais mato-grossenses (de 50 a 30
cm/km no sentido leste-oeste e de 3 a 1,5 cm/km de norte para o sul) e à
extensão da área que permanece periodicamente inundada. O curso
meândrico do rio e os numerosos acidentes geográficos que aparecem na
planície inundável, contribuem para a lentidão do escoamento das águas
(Maitelli op cit), pelos seus 2.070 Km (CUNHA E GUERRA, op cit)

Segundo BRASIL (2007)9 a vazão média do Rio Paraguai é 2368 m³/s e


a vazão especifica média 6,5 l/s/Km², mas, Tucci (2007) 10 aponta que na parte
pantaneira da bacia do Alto Paraguai a vazão específica é 20 l/s/km², mas,

7
MAITELLI, G.T. Hidrografia. In: MORENO, G; HIGA, T.C.S. (orgs.). Geografia de Mato Grosso: território,
sociedade, ambiente. Cuiabá: Entrelinhas, 2005. 274 – 283p.
8
CUNHA, S.B. e GUERRA, A. J. T. Geomorfologia do Brasil, Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998.
9
BRASIL, ANA. GEO Brasil: recursos hídricos: componente da série de relatórios sobre o estado e perspectivas do
meio ambiente no Brasil. / Ministério do Meio Ambiente ; Agência Nacional de Águas ; Programa das Nações Unidas
para o Meio Ambiente. Brasília: MMA; ANA, 2007.
10
TUCCI, C.E.M Recursos Hídricos e Conservação do Alto Paraguai. Disponível em
http://www.iph.ufrgs.br/corpodocente/tucci/publicacoes/revparagua.PDF acessado no dia 15 de maio de 2007.

23
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

para COLLISCHONN et all (2007)11 a vazão média em Cáceres é de cerca de


400 m³s-¹, em Descalvados é de cerca de 440 m³s-¹. Na figura (3) observa-se a
precipitação e a vazão média mensal do Rio Paraguai em Cáceres.

Figura 3: precipitação e a vazão média mensal do Rio Paraguai em Cáceres Adaptado de Tucci (2007)

Em Mato Grosso o rio Paraguai (figura 3) possui dois trechos com


características de relevo e regime fluvial diferenciados: o Paraguai Superior -
da nascente até a foz do rio Jauru, com 430 quilômetros de extensão e, Alto
Paraguai - em Mato Grosso, compreende o curso entre a foz do rio Jauru, até
o limite sul do Estado. Este trecho, porém, se estende até a foz do rio Apa, em
Mato Grosso do Sul, com extensão total de 1.263 quilômetros (MAITELLI op
cit).

No curso dos rios Paraguai e Cuiabá, em Cáceres e Cuiabá, as cheias


ocorrem de dezembro a março (verão), verificando-se o nível máximo das
águas em fevereiro e o mínimo em julho (inverno), mostrando a influência do
regime tropical austral típico (estação chuvosa na primavera-verão e estação
seca no outono-inverno) (MAITELLI op cit).

Apesar de navegado desde os tempos pré-coloniais e servir de


importante meio de comunicação entre povos e cidades, estudos realizados
para a implantação de uma hidrovia previram serviços de dragagem,

11
COLLISCHONN, B.; BRAVO, J. M.; COLLISCHONN, W.; VILLANUEVA, A.; ALLASIA, D; TUCCI, C.E.M.
Estimativa Preliminar do Comprimento do Remanso no Rio Paraguai a Montante de Amolar. Disponivel em
http://galileu.iph.ufrgs.br/collischonn/ClimaRH/download/artigo_estimativa_remanso_amolar.pdfacessado no dia 15 de
abril de 2007.

24
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

derrocamento do leito fluvial e retificação de meandros numa extensão de


3.442km entre de Cáceres e Nueva Palmira, no Uruguai. Entretanto, diante dos
impactos ambientais dessa proposta, o governo federal ainda está analisando
(BRASIL, 200612 e CEBRAC/ICV, 200013).

Segundo Maitelli (2005) a Bacia Platina é abastecida pela Sub-bacia do


Alto Paraguai onde o rio Paraguai e afluentes ( Sepotuba, Cabaçal e Jauru) a
constitui.

Na área banhada pelos rios Cabaçal e Jauru encontram-se os


municípios de Cáceres, Lambari d'0este, Rio Branco, Salto do Céu, Reserva
do Cabaçal, Araputanga, Mirassol D'0este, Porto Esperidião, Glória d'0este,
São José dos Quatro Marcos, Indiavaí, Figueirópolis d'0este e Jauru.

A autora ainda retrata que os principais problemas ambientais na sub-


bacia são: a erosão das margens dos rios e transporte de sólidos nos cursos
de água; atividades agrícolas que utilizam agrotóxicos e, Devido aos despejos
de detritos pêlos frigoríficos, principalmente os localizados em São José dos
Quatro Marcos, ocorre também o processo de eutrofização nesses cursos
dágua.

3.9 Pantanal

Cáceres situa-se a margem direita do Rio Paraguai, tem predomínio do


ambiente pantaneiro, devido ao pantanal recobrir 50,7% (12.371 km²) da área
territorial municipal, configurando como principal sistema ambiental (Neves e
Cruz, 2006). O Pantanal (Figura 5) desde 2000 é considerado pela UNESCO
como patrimônio da humanidade (Moreno e Higa, 2005).

12
BRASIL. Programa de estruturação institucional para a consolidação da política nacional de recursos
hídricos - BRA/OEA/01/002: Caderno regional da região hidrográfica do Paraguai. Brasília: MMA/SRH/OEA. 2006
13
CEBRAC/ICV, REALIDADE PANTANAL: Retrato da Navegação no Alto rio Paraguai - Relatório Final da
Expedição Científica Realizada entre 3 e 14 de novembro de 1999, no trecho do rio Paraguai entre Cáceres
(MT) e Porto Murtinho (MS). Brasília: CEBRAC/ICV e ECOA, 2000.

25
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

O Pantanal é um mosaico formado pela convergência dos domínios:


Florestas Amazônica e Atlântica, Cerrados e o Chaco. Sua precipitação média
está entre 1.000 a 1.400 mm anuais.

Devido a variedade de microrrelevos, regime de inundações e das


fitofisionomias há a ocorrência de diferentes ambientes no Pantanal. Várias
subdivisões foram propostas para caracterizá-los, sendo a mais utilizada o
sistema de 11 áreas, ou seja: Cáceres, Poconé, Barão do Melgaço, Paraguai,
Paiaguás, Nhecolândia, Abrobal, Aquidauana, Miranda, Nabileque e Porto
Murtinho (PAE, 2004 Apud BRASIL, 2006).

Conforme o PCBAP (1997)14 os sedimentos do Pantanal constituem-se


por depósitos preferencialmente arenosos do Quaternário - Pleistoceno-
Holoceno, apresentando dois grandes ambientes bem distintos: as terras
inundáveis (planícies) e as terras dos sedimentos que recobrem o sinclinorílim
que dá suporte à depressão do Alto Paraguai, ao norte de Cáceres.

A princípio comprimindo entre a depressão do alto Paraguai e a


Província Serrana é limitado a oeste, pela fronteira com a Bolívia, a leste pelo
curso do Rio Paraguai, que descreve um arco com concavidade voltada para o
ocidente até a Morraria da Insua, já nos limites daquele país (PCBAP, 1997).

São planícies que passam por um período de inundação moderada que


oscila entre 3 a 5 meses ao ano e, estão dispostas entre 80-150m de altitude
desenvolvidas por depósitos de sedimentos transportados pelos rios que têm
suas nascentes e altos cursos nos planaltos, serras e depressões que as
circundam (AGUILAR, 2003)15.

Possui uma rica fauna com cerca de 650 aves, 100 mamíferos, 50
répteis e 1.100 espécies de borboletas (MORENO e Higa, 2005) 35 anfíbios e
263 peixes. A flora é representada com 1.863 fanerógamas (PAE, 2004 apud
Brasil, 2006). No Pantanal há baixo endemismo – espécies exclusivas –, mas

14
PCBAP - Plano De Conservação Da Bacia Do Alto Paraguai - Diagnóstico dos Meios Físico e Biótico /Projeto
Pantanal, Programa Nacional do Meio Ambiente. Brasília: PNMA, 1997.
15
AGUILAR, A. M. de Processos erosivos na margem direita do Rio Paraguai, compreendido entre a praia do
Julião e o ponto de captação de água (caixa d’água) em Cáceres-MT. Cáceres-UNEMAT/ICNT - Departamento de
Ciências Biológicas, 2003.

26
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

mostrando espécies oficialmente listadas como ameaçadas de extinção (PAE,


op cit).

Figura 4: Pantanal– Rio Paraguai – Cáceres Fonte: Marcos Bergamasco

3.10 Unidades de Conservação

Boa parte do Pantanal integra a lista de áreas úmidas de importância


internacional, como previsto no Artigo 21 da Convenção Ramsar sobre Áreas
Úmidas.

Na região Cáceres se tem duas importantes estações ecológicas:

A da Serras das Araras onde preserva amostra significativa de


ecossistema em estado não alterado, bem como uso da área em pesquisas e
educação conservacionista. Enfim, ser um núcleo de conservação e
disseminação de informações ecológicas (figura 5).

E a de Taiamã que tem como objetivos Preservar o ecossistema do


Pantanal nesta ilha fluvial e propiciar o desenvolvimento de atividades
científicas para conservação (figura 6).

Em ambas as estações a visitação pública só é permitida em caráter


educacional e/ou científico, dependendo de autorização prévia do órgão

27
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

responsável pela administração da unidade. (SNUC - Lei N° 9.985, de 18 de


julho de 2000). Ver mapa 1-Municipal, as unidades de conservação a seguir
descritas.

3.11 Estação ecológica da serra das araras.

Criada pelo decreto de N° 87.222, DE 31 DE MAIO 1982, a Estação


Ecológica da Serra das Araras está localizada nos Municípios de Barra do
Bugres e em pequena parte no municipio de Cáceres, com 28.700 ha.

A criação da unidade foi devida à ação de entidades como a SEMA


que constatou que a região apresentava diversidade de ecossistemas, por
situar-se próxima à planície sedimentar do Pantanal - MT e por conter sub-
bacias hidrográficas do Rio Paraguai.

O clima é do tipo tropical quente semi-úmido, com 4 a 5 meses de


seca. A temperatura anual média é em torno de 24 °C e a pluviosidade de
1;400 a 1.500 mm/anuais.

O relevo caracteriza-se pela predominância de vastas superfícies de


aplainamentos, modeladas em estrutura geológica diferenciada cristalina e
sedimentar, altitudes médias de 400 a 1.000 m e são muito características as
Serras e Chapadões na região.

A vegetação é composta por 50% de Cerrado, 40% de Matas, 5% de


Capoeiras, 4% de Campos e cerca de 1% de Várzeas e Veredas.

A fauna da região é bastante numerosa, sendo representada pelo porco-


do-mato, onça-pintada, cotia, tatu, capivara, cachorro-do-mato etc. A avifauna
é muito rica e destacamos a presença de araras azuis, pardais, siriemas e a
raríssima rolinha-do-planalto-central, entre outras.

O principal problema que a estação tem enfrentado são os incêndios


presentes durante épocas secas, provocados pela queima do cerrado e
pastagens nas áreas adjacentes.

28
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

3.12 – Estação ecológica de Taiamã

Criada pelo decreto de N° 86.061, de 02 de junho de 1981, a Estação


Ecológica de Taiamã está localizada no Rio Paraguai, na faixa de fronteira.
Estado de Mato Grosso, Município de Cáceres, composta de uma Ilha de
14.300,00 ha, possui um Funcionário, conselho criado pela portaria N°05/04-N,
de 19 de janeiro de 2004 – Publicado no Diário Oficial de 20.01.04 - SEÇÃO
01.º e, é parcialmente regularizada.

A riqueza ictiológica do rio Paraguai levou a SEMA a idealizar a criação


da Estação Ecológica, que contou com o apoio da Universidade Federal do
Mato Grosso. Aspectos Culturais e Históricos

O clima é quente, sendo que a temperatura média máxima é de 34,3° C


no mês de setembro, e a média mínima é de 15° C no mês de julho. As chuvas
se concentram no verão, com precipitação anual de 1.250 mm.

Relevo Predominantemente plano, havendo domínio de águas no


período das cheias; e nas pequenas elevações há quebra de monotonia da
paisagem, existindo ainda depressões que recebem a denominação de
"baías".

A vegetação é composta por extensos campos graminóides


entremeados por manchas mais elevadas de florestas, de porte elevado e
pequeno diâmetro, verificando também a presença de matas ciliares no
entorno dos rios locais.

A ictiofauna é predominante destacando-se o dourado, o pacu, o pintado


e o jaú. Também, há a presença de jacarés, cervo do pantanal, onça e a anta
bem como jabutis, cobras e mamíferos de médio porte como o bugio e a
capivara podem ser encontrados.

A pesca predatória e atividades turísticas descontroladas são os


principais riscos que a unidade enfrenta.

29
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

4. INSERÇÃO REGIONAL DE CACERES:

4.1 Cáceres e região:

A Região Sudoeste, polarizada pelo município de Cáceres, está localizada


no Pantanal mato-grossense e em zona fronteiriça internacional na divisa com
a Bolívia, contando com dois pontos de alfândega, San Mathias e Porto
Esperidião (Ponta do Aterro). Formada por vinte e dois municípios, maior
aglomerado municipal das regiões de Mato Grosso (Araputanga, Cáceres,
Campos de Julio, Comodoro,Conquista D’Oeste, Curvelândia, Figueirópolis
D’Oeste, Glória D’Oeste, Indiavaí, Jauru, Lambari D’Oeste,Mirassol D’Oeste,
Nova Lacerda, Pontes e Lacerda, Porto Espiridião, Reserva do Cabaçal, Rio
Branco,Salto do Céu, São José dos Quatros Marcos, Sapezal, Vale de São
Domingos, e Vila Bela da SantíssimaTrindade). A região de Cáceres tem
também a maior área territorial do Estado, com 115,72 mil km2,o que
representa 12,6% do território estadual.
As atividades produtivas na região, devido aos fluxos migratórios,
atraídos por terras com preços inferiores do Sul e Sudeste, por áreas de
colonização estaduais e possibilidades de ocupação, aceleram-se. O processo
segue o padrão nacional de uso da madeira, para substituição por culturas
alimentares (arroz, milho, mandioca, feijão, etc...), tentativas de culturas semi-
perenes e perenes (banana, café) ou industriais (algodão) e, lenta e
inexoravelmente... pecuarização.

O crescimento da região, com os reflexos em Cáceres como centro de


serviços é notório. Se a estrutura rodoviária é que viabilizava o ir e vir de
mercadorias e pessoas, Cáceres, como porto de saída de madeira, arroz,
milho, etc.., continua tendo importante papel no escoamento da produção
Cacerense para outros mercados.

30
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Cáceres, um município de extrativismo vegetal e de pecuária,


transforma-se em município também agrícola. A presença de agência do
Banco do Brasil, a melhoria portuária (armazém, elevador de grãos, secador,
esteiras, pátio de manobras, etc...), escritórios de Assistência Técnica Rural e
até a criação de uma Escola Agrotécnica Federal, demonstram os
investimentos de suporte para o desenvolvimento sediados em Cáceres.

O município e o seu interior, logo transformado em novos municípios,


beneficiavam-se do conjunto de novos programas de desenvolvimento
nacionais.

A criação, em 1970 do PIN (Programa de Integração Nacional), logo


depois do PROTERRA, onde as terras devolutas às margens das rodovias
federais saiam da tutela dos Estados e voltavam para controle da União,
criavam linhas de crédito subsidiado, instalação de infra-estrutura básica de
apoio à reforma agrária, etc... Outros programas, como o POLOCENTRO,
resultaram em grandes avanços de pesquisa por parte da EMBRAPA,
viabilizando tecnologias produtivas para as terras dos cerrados.

Neste panorama de apoio estatal, a região muda com rapidez. O último


programa, destinado especificamente para a aérea de influência da rodovia
P.Velho-Cuiabá, o POLONOROESTE, injeta mais recursos na região. Embora
o POLONOROESTE, seja o grande programa viabilizador de infra-estrutura
para Rondônia, os seus investimentos no entorno de Cáceres também é
significativo, além da pavimentação, rodovias vicinais, armazéns comunitários,
escolas, etc...

Porém, as distâncias e, na medida em que os pequenos núcleos


urbanos alcançam melhorias, o processo de desmembramento político é
inevitável. Parece que muitas lideranças políticas de Cáceres, não
conseguiram transformar-la em lideranças das novas áreas pioneiras. Estas
áreas, por outro lado, tinham uma dinâmica sócio-econômica mais autônoma,

31
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

auto-sustentada por recursos próprios ou de subsídios públicos, permitindo


construir com rapidez maior bases para autonomia política.

Do que chamamos área de influência próxima16, utilizada para este


estudo, já em 1976 Mirassol D’Oeste transformava-se em município, logo à
seguir, em 1979 surge Rio Branco, Salto do Céu, São José dos Quatro Marcos
e Araputanga, em 1986 Porto Esperidião, em 1991 Glória D’Oeste e Lambari
D’Oeste e o último a desmembrar-se com terras de Cáceres, foi Curvelândia,
em 1998.

MAPA DA ÁREA DE INFLUÊNCIA E PERÍODO DE


DESMEMBRAMENTOS

1976 – Mirassol D’Oeste


1979 – Rio Branco, Salto do Céu,
S. José de 4 Marcos e Araputanga
1986 - Porto Esperidião
1991 – Glória D’Oeste e Lambari
D’Oeste
1998 – Curvelândia
4.2 Cáceres pólo:

Corumbá, particularmente depois da Guerra do Paraguai, transformou-


se, no pólo articulador do Mato Grosso. De Corumbá, partiam barcos com
calado até atingirem Assunção, Buenos Aires e Montevidéu. Em Corumbá,
ocorria o translado das mercadorias que vinham do Prata, para embarcações

16
A mesma deve incluir San Matias na Bolívia (ver adiante).

32
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

de menor calado, que atingiam Cáceres e Cuiabá. Portanto, durante muitas


décadas Cáceres articulou-se com o mundo por esta cidade, sendo pela
mesma polarizada.

Cáceres, deixa de ser um ―entreposto‖ de Corumbá, quando as rodovias


consolidam-se e com elas os novos processos migratórios para o Sudoeste do
Mato Grosso.

Como município já instalado, com uma infra-estrutura de serviços


públicos e outros já existente, Cáceres será logicamente a sede regional,
devido a distância de Cuiabá, dos processos de articulação desta parte do
território nacional no novo papel que os Planos Nacionais de Desenvolvimento
destinavam para a Amazônia e para o Centro Oeste. Assim, escritórios de
diversas repartições públicas, federais e estaduais instalam-se, criando
inclusive nomes de atuais bairros (como DNER).

Os serviços públicos, de suporte as modificações de uma área territorial


despovoada, são oferecidos a partir de Cáceres. A finalidade é transformar a
área para que seja capaz de produzir alimentos e matérias-primas para os
centros industriais do Sudeste, na medida em que absorvem mão-de-obra
―excedentária‖ de outras regiões.

Cáceres, vive nos anos 60 até os anos 90, um processo de crescimento


em que é pólo de serviços para as áreas de colonização e para os novos
municípios que surgem.

No entanto, na medida em que os municípios instalam-se, conquistando


melhorias em educação, saúde, segurança, judiciário, serviços financeiros,
agroindústrias diversas, equilibram sua dependência de Cáceres, avançando
com rapidez em diversas melhorias, que motivam a distritos, como Curvelândia
a buscarem emancipação, criando esta mesma tendência nos atuais distritos
de Caramujo e Nova Cáceres (Sadia).

33
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Assim, a nova autonomia municipal significa, inicialmente, diminuir


custos de deslocamentos até a antiga sede municipal, Cáceres, sempre que se
consiga serviços equivalentes na nova sede municipal. Para Cáceres, a
autonomia municipal significou a diminuição de repasses no bolo fiscal
nacional e, a menor pressão política do interior por recursos e serviços.

Cáceres continua sendo um pólo regional, por oferecer serviços que não
existam, quer na qualidade, quer na quantidade nos municípios que polariza
(saúde, educação, lazer, exportação, etc...) Note-se, que em mar/2007, as
estatísticas do Min. da Saúde, indicavam o registro de 245 profissionais de
medicina, em 31 especialidades médicas atuando nos três hospitais, rede
pública e em clínicas particulares de Cáceres.

Verificamos a importância de Cáceres como pólo de saúde. O


movimento de transporte coletivo, com entrega ―porta à porta‖ (vans), entre as
cidades do entorno e Cáceres é grande diariamente, tendo como principal
ponto de partida e chegada o centro, próximo ao Hospital Regional e do
Hospital Sâo Luiz em áreas de grande concentração de serviços médicos.

A percepção de pólo de educação, temos com o tráfego diário de


inúmeros ônibus pertencentes a prefeituras dos municípios da área de
influência, que diariamente chegam a Cáceres para que alunos da região
possam freqüentar os diferentes cursos da UNEMAT.

Antes da fundação de San Matias, a Bolívia recém independente tentou


implantar um povoado nas margens do Rio Jauru, com a denominação de Vila
del Marco del Jauru.
Em San Matias, foi instalado o início de uma Zona Franca, para tentar
ampliar a capacidade de auto-sustentação deste município. Durante certo
tempo, o TAM (Transporte Aéreo Militar) boliviano, manteve linha de aviação
regular entre San Matias e Sta. Cruz de La Sierra. Atualmente, existem três

34
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

linhas regulares diárias de ônibus entre esta localidade e Sta. Cruz, passando
por San Ignácio de Velasco.

Os vínculos entre San Matias e Cáceres, são profundos. As mesmas,


como todas nossas cidades fronteiriças, vivem de pequenas complementações
comerciais, resultados das diferenças de câmbio, hora mais favorável para um
lado, hora para outro. As diferenças entre poder aquisitivo dos brasileiros,
fazem com que geralmente a Bolívia seja procurada como área de compras, e
que em Sta. Cruz de La Sierra muitas famílias da fronteira enviem seus filhos
para cursarem em Faculdades, pois é mais barato do que no Brasil e o ensino
é considerado de boa qualidade. Estas complementações, na maior parte
regulares e algumas irregulares, são um traço típico das fronteiras. Podemos
ter uma idéia do movimento fronteiriço, na citada tabela J-5 do anexo
estatístico, onde, consta a freqüência diária de onze pequenos e médios
ônibus da Transjaó e do Transboliviano, que fazem conexão entre a rodoviária
do centro de Cáceres e Corixa, podemos estimar que diariamente umas 160
pessoas transitam, ido e vindo, entre Cáceres e San Matias, sem contarmos os
fretes de táxis brasileiros e bolivianos, destes, a maior parte é movimento para
pequenas compras, para buscar assistência médica em Cáceres, etc...

A presença da fronteira, resulta para Cáceres e, também para San


Matias, a presença de contingentes militares e de segurança (exército e
polícia) da fronteira. O processo de adensamento das atividades econômicas,
e as diferenças cambiais, junto com a pobreza de regiões distantes dos
centros econômicos de ambos os países, geram a alternativa de sobrevivência
pelo contrabando. Assim, na literatura de ambos os lados, existe
documentação de ações individuais ou em bandos em ações criminais,
geralmente citando os vizinhos a criarem maior intranqüilidades.

35
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

4.3 As divisões internas do município:

Cáceres possui vários distritos, Caramujo,Vila Aparecida, Horizonte


D’Oeste e o mais recente Nova Cáceres, antigo assentamento Sadia na
rodovia federal rumo a Cuiabá.

Destes, apenas os que estão no leito da rodovia federal (Caramujo e


Nova Cáceres), apresentam certa pujança. Lideranças políticas do primeiro,
tem manifestado desejos emancipacionaistas, procurando seguir o exemplo de
Curvelândia, ex-distrito de Cáceres e município recentemente emancipado.
Estas divisões administrativas internas, assim como a rede de escolas
públicas e de pontos de atendimento de saúde, estão esparramadas por
grande área geográfica do município, tanto no sentido Oeste (para a Bolívia),
quanto Noroeste e para Leste.

4.4 Cáceres e sua posição nacional e internacional:

Cáceres é o ponto final de navegação regular do rio Paraguai, distante


3440 km de Buenos Aires. A atividade de exportação continua regular com
crescente exportação de soja para o exterior. Existe projeto de transferência
do porto (Santo Antonio das Lendas), mais ao Sul, em local onde a afluência
das águas do Jauru ampliam a navegabilidade.
A década passada, com o MERCOSUL, acelera-se o processo de
articulação do Oeste do Brasil com a área andina em busca de acesso ao
Pacífico.Estudos diversos, assim como reuniões e acordos internacionais vão
sendo impulsionados, no sentido de consolidarem as ligações terrestres entre
o Oeste do Brasil e o Pacífico. Dentro deste contexto, consolida-se a ligação
rodoviária pavimentada entre Cáceres e a fronteira com San Matias, com ponte
sobre o rio Jauru, bem como os estudos que de ligação rodoviária com o Porto
de Arica no Chile.

36
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Assim, o final da última década do século passado e os primeiros anos


deste século, Cáceres vai surgindo como um entroncamento internacional. De
um lado a rodovia federal de articulação do Noroeste do Brasil (Acre-Rondônia)
com o Sudeste, de outro a hidrovia com atividades crescentes de exportação e
de outro, a consolidação terrestre com a malha andina e o Pacífico. As
mudanças podem ser percebidas, pelo crescimento do comércio internacional,
como podemos ver nas tabelas seguintes:

QUADRO 04: Exportação por país de destino, no município


de Cáceres, em 2004, 2005 e 2006 (US$FOB)
País 2004 2005 2006 Total
Alemanha 26.140 77.978 104.118
Arabia Saudita 116.425 126.890 2.349.000 2.592.315
Argelia 193.641 193.641
Bahrein 60.221 64.332 124.553
Bolivia 413.546 1.239.976 2.091.438 3.744.960
Catar 66.784 118.962 185.746
Chipre 3.034 3.034
Coveite 54.953 239.748 294.701
Dinamarca 52.984 123.827 176.811
Emirados Arabes Unidos 3.529.685 3.529.685
Estados Unidos 321.607 106.140 427.747
Hong Kong 425.740 331.704 905.068 1.662.512
India 210.282 225.240 88.171 523.693
Indonésia 346.999 1.406.778 2.172.610 3.926.387
Iraque 52.804 52.804
Iuguslavia 58.491 120.979 179.470
Jordania 71.193 71.193
Líbano 100.911 286.671 387.582
Mexico 72.000 79.704 60.000 211.704
Peru 22.512 22.512
Polonia 25.292 25.292
Reino Unido 31.700 31.700
Russia, Federação da 688.814 762.823 1.192.474 2.644.111
Serra Leoa 25.829 25.829
Turquia 69.754 69.754
Uruguai 384.560 384.560
Total 2.889.842 5.186.842 13.519.730 21.596.414
Fonte: SECEX, 2007

37
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

QUADRO 05: Importação por pais de destino, no município


de Cáceres, em 2004, 2005 e 2006 (US$FOB)
País 2004 2005 2006 Total
Argentina 2.068 2.068
Bolivia 41.153 78.982 267.589 387.724
China 2.275 2.275
Total 43.428 81.050 267.589 392.067
Fonte: SECEX, 2007

5. A estrutura fundiária e a ocupação atual do solo:

5.1 A situação rural:

A grande propriedade, foi e ainda é o traço predominante da estrutura


fundiária do município. Com atividade econômica predominantemente calcada
na pecuária extensiva e, no passado, no extrativismo vegetal e animal, a
grande propriedade é um fator estruturante do uso do espaço rural.
O meio rural, com o predomínio da pecuária extensiva, resulta em
baixas densidades demográficas, tendo as sedes de fazendas como elementos
referenciais num espaço onde a natureza parece pouco antropizada, em
comparação com outros municípios onde predomina a agricultura,
particularmente a mecanizada.
Esta estrutura fundiária e produtiva tradicional, resulta não apenas em
poucos empregos rurais, muitos ainda com traços de relações de trabalho
―informais-tradicionais‖, como, em baixa exigência de conhecimentos
tecnológicos para a mão-de-obra rural.
Presume-se, que poucas mudanças fundiárias e as baixas inovações
tecnológicas, provoquem um quadro de estabilidade demográfica no meio
rural. Não constata-se processos de ―expulsão‖ da população rural pela
ampliação da grande propriedade ou por substituição de mão-de-obra por
tecnologias capital-intensivas. Além, da quase inexistência, na formação
histórica do município da figura do pequeno produtor familiar.

38
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

A estrutura fundiária de Cáceres, não difere muito da estadual. As


grandes propriedades ocupam mais de 70% do total da área dos imóveis
cadastrados pelo INCRA em Cáceres e, no MT são 73,6%. O tamanho médio
da grande propriedade em Cáceres é de 4.973 ha, maior do que no MT, que é
de 4.472 ha. Na categoria minifúndios, os mesmos ocupam 2,3% da área total
de imóveis em Cáceres e no MT apenas 2,0%. Os minifúndios em Cáceres
tem um tamanho médio de 35,2 ha. e no MT de 38 ha.
A formação histórica da região de Cáceres teve como um dos vetores
principais, as mudanças na estrutura fundiária. Recordamos, que em meados
dos anos 50 do século passado, o Estado distribuiu terras e assentou colonos,
resultando em vários novos municípios. No entanto, o processo de criação de
assentamentos na atual área rural do município, é recente, somente em 1995 o
INCRA cria o Projeto de Assentamento (PA) São Luiz, com 4.033 ha. para 29
famílias. Atualmente, existem 17 projetos de assentamentos, sendo que o
maior número ocorreu em 1997, quando surgiram 6. Entre 1995 e 2006, o
INCRA, todos os anos tem efetuado intervenções na estrutura fundiária, numa
média de 1,5 assentamentos criados a cada ano, sem interrupção em todo
este período. Isto resulta em 74.625 ha. distribuídos para 1.855 famílias.

QUADRO 07: Projetos de Assentamentos do INCRA localizados no


município de Cáceres em 2007.
Média
Projeto de Assentamento Ano Criação Área (ha) Nº de Famílias Distância Sede
(ha/Família)
PA São Luiz 14/12/1995 4.033 029 139 045 KM
PA Sadia/Vale Verde 12/12/1996 12.191 449 27 065 KM
PA Laranjeira I 24/2/1997 10.944 123 89 080 KM
PA Paiol 24/2/1997 16.067 449 36 050 KM
PA Laranjeira II 4/3/1997 1.210 034 36 085 KM
PA Jatobá 27/10/1997 906 029 31 080 KM
PA Nova Esperança 15/12/1997 1.695 051 33 065 KM
PA Rancho da Saudade 19/12/1997 2.407 047 51 080 KM
PA Ipê Roxo 31/12/1998 1.247 030 42 090 KM
PA Barranqueira 20/1/1999 2.326 079 29 100 KM
PA Sapicuá 30/8/1999 1.249 040 31 068 KM
PA Limoeiro 2/2/2000 8.649 172 50 096 KM
PA Corixo 5/4/2001 3.413 072 47 090 KM
PA Bom Sucesso 18/12/2002 433 014 31 070 KM
PA Katira 27/9/2003 1.886 047 40 080 KM
PA Flor da Mata 2/8/2004 1.187 020 59 030 KM
PA Facão/Bom Jardim 27/3/2006 4.782 170 28 010 KM
TOTAL - 74.625 1.855 40 -
Fonte: INCRA - SAIC. P.M.C., 2007.
Elaboração COOTRADE, 2007.

39
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Nota-se que os assentamentos ocorrem em diversas áreas, desde as


proximidades da área urbana, como o PA Facão-Bom Jardim que é o mais
recente, como em mais distantes. Os assentamentos ao longo da rodovia de
articulação com a Bolívia e próximos a linha de fronteira, tem criado uma nova
dinâmica demográfica naquela área.
A paisagem física e humana do meio rural de Cáceres, vem sofrendo
alterações com a implantação de reflorestamentos de teca. No município,
existem aproximadamente 30 mil ha. de teca plantada em diversos locais e
área tende a ampliar-se. Estas plantações, por suas características produtivas
até o corte, desde a preparação do solo, plantio, desbaste, cuidados contra
incêndios, etc.., exigem a presença permanente de mão-de-obra estável, numa
média de 26 trabalhadores para cada mil ha.
O plantio de teca, está em ampliação, no município e região e o mesmo,
assim como os assentamentos de reforma agrária, possibilitam maiores
concentrações demográficas no meio rural, contrapondo-se as atividades
rarefeitas da tradicional pecuária extensiva.

5.2 A situação urbana:

O perímetro urbano de Cáceres, compreende 69.835.961 m², com


40.876 imóveis, segundo a vigilância sanitária 17, destes, 24.588 são
residenciais, conforme podemos ver por áreas da cidade na tabela seguinte:

17
Neste número, encontram-se imóveis que estão fora da atual lei do perímetro urbano mas, que fazem
parte da cidade.

40
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

QUADRO 08: Tipos de imóveis em


Cáceres, 2007.
Tipos de Imóveis Qtde. %
Residenciais 24.588 60,15
Comerciais 2.702 6,61
Institucionais 1.050 2,56
Baldios 12.446 30,44
Outros 90 0,22
TOTAL 40.876 100,00
Fonte: Vigilância Sanitária de Cáceres, 2007.
* - São considerados pontos estratégicos, imóveis que agregam
potenciais depósitos que servem como criadouros do mosquito
Aedes aegypti, tais como: cemitérios, oficinas, ferros-velho,
borracharia, etc.
* *- Outros: instituição pública, tais como: escola, creches e os
mais diversos órgãos públicos.
Elaboração COOTRADE, 2007.

O que chama a atenção, é a presença de 12.446 terrenos baldios, num


total de 30% da área de cobertura da vigilância sanitária.
Os dados da Prefeitura, cadastram 31.676 imóveis, sendo que 30,2%
não são edificados, coincidindo com a vigilância sanitária.
No referente a regularidade fundiária, dos 117 loteamentos identificados,
11 estão irregulares na prefeitura e, foram identificadas 5 que são resultado de
invasões. A população tende a confundir os nomes dos loteamentos com a
denominação oficial dos bairros.
No perímetro urbano, encontramos no centro, tanto uma área tombada,
quanto vários imóveis valiosos, tanto por sua beleza arquitetônica quanto pela
representatividade da História da cidade. A área está identificada no mapa
anexos.
O mapa da evolução histórica, constata que a cidade, até o primeiro
Império, manteve-se coincidindo com o que é hoje a sua área tombada. Esta
área tombada tem imóveis mais representativos do início do século passado
(República) do que do período Imperial. Sua expansão, até o final dos anos
sessenta do século passado, foi lenta. No entanto, nas últimas décadas a
expansão urbana afastando-se das margens do rio foi rápida e desordenada.
A paisagem urbana é plana. Não constata-se estruturas verticais
significativas. O tipo de domicílio casa, é o predominante, estando acima do

41
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

percentual nacional e estadual, como podemos ver na tabela seguinte e, para


os demais municípios da área de influência.

QUADRO 09: Domicílios particulares permanentes por tipo do


domicílio, no Brasil, Mato Grosso e município de Cáceres(MT),
2000.
Tipo do domicílio
Município Casa Apartamento Cômodo total
Nº % Nº % Nº % Nº %
Brasil 40.018.373 89,34 4.298.980 9,60 477.748 1,07 44.795.101 100,00
Mato Grosso 612.424 94,82 21.773 3,37 11.708 1,81 645.905 100,00
CÁCERES 20.958 98,36 108 0,51 242 1,14 21.308 100,00
Fonte: IBGE / Censo Demográfico, 2000
Elaboração COOTRADE, 2007.

Não se percebe, na atual paisagem urbana, obras de edificações com


vários pisos. Isto talvez ocorra pela baixa renda da população, pela grande
oferta de lotes vazios inclusive nos bairros centrais, pela relativa baixa violência
urbana, que não cria insegurança para a cidadania que vive em casas térreas.
Predomina o uso do solo para fins residenciais e residencial misto18,
como em outras cidades pequenas e de porte médio. No entanto, já se
distingue na paisagem urbana áreas especializadas. Assim, áreas destinadas
para uso industrial (Distrito Industrial, ZPE), embora sub-utilizadas e com
pequenas invasões, são bem caracterizadas, como a área ocupada pelo
principal frigorífico. A peculiaridade de pólo de saúde (ver 2.2.3.), deixa uma
marca no centro da cidade com uma região de concentração de hospital,
laboratórios, clínicas médicas de especialistas, farmácias, etc.., com uma área
bem definida de serviços de saúde; Os serviços institucionais públicos,
também estão bem caracterizados, como o quartel do exército, áreas da
UNEMAT, setor jurídico e todo o entorno da Prefeitura Municipal (COC), com
várias instituições públicas e o Hospital Regional, também caracterizam áreas
de uso bem característicos; O trecho da travessia urbana da BR-70, entre o
terminal rodoviário do Araguaia e as proximidades da ponte sobre o Rio

18
Predomínio de residências com pequeno comércio serviços e micro-indústrias.

42
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Paraguai, caracterizam em suas margens uma área de serviços de apoio ao


transporte pois, ao longo do mesmo situam-se postos de gasolina, oficinas
mecânicas, borracharias, hotéis, porto, restaurantes, algumas indústrias, etc..;
Áreas lineares de comércio e serviços, temos ao longo da Av. N.Sra. do
Carmo, Av. Talhamares, Av. Santos Dumont, Av. Sete de Setembro, parte da
Get. Vargas, Rua dos Verdureiros, Rua das Camélias, parte da Av. S. João,
parte da Gen. Osório, como parte da R. Padre Casemiro e da R. Antônio João,
são importantes eixos de mobilidade urbana e de abastecimento das áreas
residenciais de seu entorno; E finalmente, com características de serviços
diversos, tendo maior predomínio do comércio, temos a R. Coronel Faria, R.
Almirante Corbelino, R. da Boa Vista, costeando a margem do rio. Uma
demonstração das principais áreas de uso, encontra-se no mapa nº4 do
anexo2.

Note-se que na área central, parte da mesma tombada, além de


residências tradicionais, coexistem usos de serviços e comércio, com a
proximidade de institucionais e de saúde.
Uma síntese numérica da situação urbana, podemos ver no quadro
seguinte:

43
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

QUADRO 10: Cáceres, área urbana em números,


(Maio/2007).
Unidade de
Aspectos Revelantes Quantidade
Medida
Área do Perímetro Urbano 69.835.961 m²
Área de Loteamentos Regulares 27.421.559 m²
Área de Loteamentos Irregulares 2.543.031 m²
Áreas invadidas 7.324.752 m²
Área do Distrito Industrial e ZPE 4.044.227 m²
Áreas não edificadas em bairros (terreno baldio) 12.446 lotes
Total de Imóveis residenciais 24.588 unidade
Total de Imóveis urbanos 40.876 unidade
Áreas na cota inferior à 130 metros de altitude 543.393 m²
Áreas Urbanizadas fora do perímetro urbano 1.434.896 m²
Vias Urbanas Pavimentadas 126,68 km
Vias urbanas asfaltadas 116,57 km
Vias urbanas com bloquetes 10,11 km
Vias Urbanas não Pavimentadas 307,35 km
Praças Existentes 381.534 m²
Praças Projetadas 38.723 m²
Praças Previstas 38.322 m²
Fonte: Pesquisa COOTRADE, 2007

6. Dinâmica e caracterização sócio-econômica da população:

6.1 Evolução e Características:

Entre 1940 e 2006, o IBGE indica crescimento populacional, com


exceção do período inter-censitário 1970-1980, quando ocorrem
desmembramentos de novos municípios e entre 1991-96, quando ocorrem
perdas populacionais pelo surgimento de municípios desmembrados de
Cáceres.

44
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

População presente no Município de Cáceres-MT, 1940, 1950, 1960, 1970,


1980, 1991, 1996, 2000 e 2006.

95.000
90.000
85.000
80.000
75.000
70.000
65.000
60.000
55.000
50.000
45.000
40.000
35.000
30.000
25.000
20.000
15.000
10.000
5.000
0
1940 1950 1960 1970 1980 1991 1996 2000 2006

O gráfico anterior, permite visualizar, que de um período de quase


estagnação demográfica, entre 1940-50, houve incremento populacional entre
1950-60 e um crescimento extraordinário na década entre 1960-70.

Tomando-se ao ano de 1980, ocasião do surgimento do atual Mato


Grosso, percebe-se que Cáceres tinha maior representatividade no contingente
populacional de Mato Grosso do que a estimada pelo IBGE para o ano de
2006.

A taxa de urbanização de Cáceres, para os anos 1980 e 2000, tende a


acompanhar o de Mato Grosso, como podemos ver nos gráficos circulares
seguintes:

45
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

População residente por situação de domicílio no Mato População residente por situação de domicílio no
Grosso (1.138.918 hab.), 1980. Mato Grosso (2.504.353 hab.), 2000.

Rural
20,6%
Rural
42,5%
Urbana
57,5%
Urbana
79,4%

População residente por situação de domicílio População residente por situação de domicílio
em Cáceres (59.067 hab.), 1980. em Cáceres (85.857 hab.), 2000.

Rural
22,6%
Rural
41,6%
Urbana
58,4%
Urbana
77,4%

Fonte: IBGE / Censos Demográficos, contagem populacional (1996 e estimativa IBGE Jul/2006)

No processo de urbanização geral, observe-se, no entanto, que mesmo


com perda de territoriais entre 1996-2000, a população rural de Cáceres tem
um pequeno incremento. Isto provavelmente ocorre por novos assentamentos
de reforma agrária, bem como o surgimento de novas fontes de emprego na
área rural, como o reflorestamento de teca.
A distribuição da população por sexo, em Cáceres, é mais equilibrada
do que em Mato Grosso, onde sempre predomina um maior índice de
habitantes masculinos. Isto, talvez reflita a menor influência dos fluxos
migratórios para Cáceres do que para outras regiões do Estado.
População residente por sexo no População residente por sexo no
Mato Grosso (1.138.918 hab.) - 1980 Mato Grosso (2.504.353 hab.) - 2000

Mulheres Mulheres
47,8% Homens 48,6% Homens
52,2% 51,4%

46
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

População residente por sexo em Cáceres População residente por sexo em Cáceres
(Área de Influência (MT)) (141.856 hab.) - 1980 (Área de Influência (MT))(170.036 hab.) - 2000.

Mulheres Mulheres
48,1% Homens 48,9% Homens
51,9% 51,1%

Fonte: IBGE / Censo Demográfico.

População de Cáceres:

População de Cáceres, por Estado de Nascimento, 1970.


(87.693 hab.)

Goiás Bahia
Espirito Santo 2,5% 2,8% Outros Estados
5,7% 4,5%

País Estrangeiro
3,5%
Mato Grosso
48,0%

São Paulo
14,4%

Minas Gerais
18,5%

Fonte: IBGE/Censo Demográfico, 2000.

Com os desmembramentos de diversos municípios até 1979, o censo


demográfico de 1980, já demonstrava outra realidade. Para este ano, 78,6%
da população residente em Cáceres eram de Mato Grossenses, provavelmente
nascidos no próprio município. Esta situação fica quase inalterada no censo
de 1991, quando 77,1% dos residentes são naturais do Estado e, finalmente
no último censo (2000), atinge a 74,7%.

47
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

População de Cáceres, por Estado de Nascimento, 2000.


(85.856 hab.)
Minas Gerais São Paulo
Outros 4,3% 6,1%
Paraná
5,8%
2,4%
Goiás Bahia
1,2% 1,1%

Mato Grosso do Sul


4,2%

Mato Grosso
74,8%

Fonte: IBGE/Censo Demográfico, 2000.

No censo de 2000, além dos residentes naturais de Mato Grosso,


encontramos um predomínio ainda de paulistas (6,1%), seguidos de mineiros
(4,2%) e de matogrossenses do Sul (4,2%) e de outros estados, com
percentuais bem menores. Os nascidos em país estrangeiro, tiveram uma
diminuição para 0,36%, comparando-se com a situação de 1970, onde
chegavam a 3,4% da população total. A participação de naturais da Bolívia,
deve ser significativa nesta estatística.
O censo demográfico de 2000, indica para Cáceres, uma renda média
mensal dos responsáveis pelos domicílios, inferior a média nacional e estadual
assim como a renda per capita de Cáceres, em 1991 e 2000, manteve-se
também inferior a do matogrossense:

48
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

QUADRO 11: Renda per capita (R$), no


Mato Grosso, município de Cáceres e
Área de Influência (MT), 1991 e 2000.
Renda per capita (R$)
Nº Municípios
1991 2000
TOTAL MATO GROSSO 204,86 288,06
Cáceres (Área de Influência)
1 CÁCERES 138,14 218,72
2 Araputanga 181,73 249,03
3 Curvelândia
4 Glória D'Oeste 148,78 238,17
5 Lambari D'Oeste 95,15 156,34
6 Mirassol D'Oeste 204,19 221,58
7 Porto Esperidião 119,71 176,49
8 Rio Branco 147,63 161,67
9 Salto do Céu 103,89 163,88
10 São José dos Quatro Marcos 143,01 168,05
Fonte: PNUD, IPEA, IBGE, Fundação João Pinheiro, 2003.

A distribuição da renda, segundo o censo demográfico de 2000,


seguindo a tendência nacional, infelizmente, é muito desigual como podemos
ver pela tabela e gráfico seguintes:
O PIB per capita, tem crescido, considerando-se os dados entre 1999
até 2004. No entanto, seu crescimento é inferior ao do Brasil e do Estado.
Enquanto o PIB per capita do brasileiro teve um incremento de 68,5% no
período citado, o do matogrossense atingiu um patamar mais alto, de 115,6% e
o incremento dos cacerenses ficou em apenas 58,7%. Este crescimento, foi
também inferior ao de alguns municípios de sua área de influência.

49
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

QUADRO 13: Produto Interno Bruto per


capita, no Brasil, Mato Grosso, Cáceres e
alguns municípios da Área de Influência (MT),
1999 e 2004.
Per capita (R$)
Municípios
1999 2004
BRASIL 5.771 9.729
MATO GROSSO 4.713 10.162
CÁCERES 3.041 4.829
Araputanga 5.533 11.581
Mirassol D'Oeste 3.084 5.527
Porto Esperidião 3.438 8.911
São José dos Quatro Marcos 4.216 5.609
Fonte: IBGE. Produto Interno Bruto dos Municípios - Contas Nacionais
1999-2004. Anuário Estatístico MT-2002.
Obs.: Em 2002, os municípios com maior PIB eram: Cuiabá,
Rondonópolis, Várzea Grande, Sorriso e Sinop, com 39,8% do PIB do
Elaboração: COOTRADE, 2007.

Uma síntese da qualidade de vida, encontramos demonstrada pelo


indicador de desenvolvimento humano (IDH), comparando-se os dados que
tem como base o censo de 1991 e o de 2000.

QUADRO 14: Índice de Desenvolvimento Humano - Municipal, no Brasil, Mato Grosso e


município de Cáceres, 1991 e 2000.
IDH
IDHM - IDHM - IDHM - IDHM - IDHM - IDHM -
IDHM - IDHM - Incremento
Nº Municípios Renda Renda Longevidade Longevidade Educação Educação
1991 2000 1991-2000
1991 2000 1991 2000 1991 2000
(%)

BRASIL 0,696 0,766 0,681 0,723 0,662 0,727 0,745 0,849 10,06
MATO GROSSO 0,685 0,773 0,661 0,718 0,654 0,740 0,741 0,860 12,85
CÁCERES 0,652 0,737 0,595 0,672 0,610 0,689 0,750 0,851 13,03
Fonte: Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil, 1991-2000.
Elaboração COOTRADE, 2007.

Pela tabela acima, percebe-se que o incremento do IDH de Cáceres no


período, foi maior que o do Brasil e mesmo do estado de Mato Grosso. Tendo
a educação, mais contribuído para este incremento do que a renda e a
longevidade. No entanto, o IDH do município ainda é inferior a média brasileira
e estadual. (ver tabela F6 no anexo estatístico mais dados de outros
municípios da área de influência).

50
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

6.2 População atual

O IBGE conclui o censo de 2010, que se encontra em fase de revisão,


os resultados do mesmo trarão números exatos sobre a realidade demográfica
municipal.

QUADRO 15: População em algumas áreas de Cáceres,


segundo o SIAB (Sistema de Informação de Atenção
Básica) em 2006.
N°. De Familias Média
Área
Pessoas Cadastradas Pessoas/Família
Total 41.171 10.227 4,03
1. Urbana 39.047 9.638 4,05
1.1. PACS 8.323 2.205 3,77
1.2. PSF Rodeio 4.301 964 4,46
1.3. PSF Jardim Vista Alegre 4.630 1.136 4,08
1.4. PSF CAIC 4.914 1.120 4,39
1.5. PSF Jardim Paraiso 4.344 1.065 4,08
1.6. PSF Marajoara 3.693 937 3,94
1.7. PSF Vitória Régia 4.181 1.023 4,09
1.8. PSF Vila Real 2.921 739 3,95
1.9. PSF Jardim Guanabara 1.740 449 3,88
2. Rural 2.124 589 3,61
2.1 PSF Caramujo 2.124 589 3,61
Fonte: P.M.C. Secretaria Municipal de Saúde (SIAB)
Elaboração: COOTRADE, 2007.

Assim, os dados da tabela anterior, nos fornecem para a área urbana de


Cáceres, em 2006, praticamente o mesmo número de pessoas por domicílio
que os encontrados pelo IBGE no ano 2000, observando-se que o mesmo é
menor para o Caramujo (área rural).
Os registros atualizados da Vigilância Sanitária, nos indicam a existência
de 24.588 residências habitadas na área urbana, em mar/2007 .
Portanto, se aceitarmos a média de quatro habitantes por domicílio,
poderíamos ter na área urbana uma população 98.252 habitantes.
No entanto, considerando-se a transição demográfica geral, que
também ocorre em Cáceres, e que os PSF não cobrem toda a realidade
urbana atual, optamos por um número de família menor do que a encontrada
no censo 2000 e um pouco acima da nacional (3,6 pessoas por domicílio), o
que resulta na estimativa que segue:

51
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

QUADRO 16: Estimativa da


população urbana e rural de
Cáceres, Mar/2007.
População Nº %
Total 110.646 100,00
Urbana 88.517 80,00
Rural 22.129 20,00
Fonte: Estimativa COOTRADE.
Elaboração: COOTRADE, 2007

Os dados preliminares do censo de 2010 do IBGE, apontam um total de


88.314 habitantes, sendo 77.616 na zona urbana e os dados TRE-MT apontam
66.828 eleitores.

7. As principais atividades econômicas:


7.1 O setor primário:
Significativo na estrutura produtiva de Cáceres era e continua sendo a
pecuária. A planície do pantanal, com suas pastagens naturais e a facilidade
de escoamento pelo rio Paraguai, criaram as condições iniciais de uma
atividade econômica que se ampliou para além do pantanal.
Após a diminuição das atividades extrativas, que chegaram a ser
importante complemento da pecuária, esta manteve-se predominante até os
anos sessenta do século passado. Naquela década, com o processo de
colonização (estatal e privada) da região, surge um pujante ciclo de atividades
agrícolas diversificadas.

Durante quase três décadas, a atual Micro-Região Homogênea (MRH)


do Jauru, foi palco de um processo de extração de madeira, plantio de cultivos
alimentares, plantios de café, algodão e...de pastagens. A pecuária, já na
última década do século passado, era atividade predominante, dando suporte
a laticínios e frigoríficos. A transformação de região agrícola para predomínio
da pecuária alterou a composição demográfica desta MRH anteriormente
pertencente ao município de Cáceres.

52
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Portanto, durante um breve período, as áreas que no início do século


eram florestas, algumas de extrativismo de poaia, transformaram-se em
regiões com uma agricultura diversificada e rápido crescimento.
Em 1990, Cáceres e municípios próximos tinham representatividade
estadual na produção de algodão, atividade agrícola praticamente abandonada
em toda a região.
Produção (t) de algodão herbáceo (em caroço), Produção (t) de algodão herbáceo (em caroço),
Cáceres (Área de Influência (MT)) e Outras Regiões de Cáceres (Área de Influência (MT)) e Outras Regiões de
MT, em 1990. (Total do MT 67.634 t) MT, em 2005. (Total do MT 1.439.693 t)

Cáceres (Área Cáceres (Área


de Influência) de Influência)
8,78% 0,00%

Outras Outras
Regiões Regiões
91,22% 100,00%

Fonte: IBGE/SIDRA, 2007.


A produção de arroz, um dos principais produtos escoados pela
PORTOBRAS em Cáceres, no final dos setenta do século passado, também
foi significativa, diminuindo a sua presença regional, enquanto a mesma
amplia-se no MT.
O milho, também um dos produtos escoados pela antiga PORTOBRAS,
também diminuiu sua presença na produção de Cáceres e Região, enquanto
ampliou-se no Mato Grosso .
A soja, que transformou-se num produto que é quase sinônimo do
Centro-Oeste, tem pouca representatividade no passado, iniciando sua
presença depois de 2003.

QUADRO 17: Produção (t) de milho em


grãos, no Mato Grosso, município de
Cáceres e Área de Influência (MT), 1990 e
2005.
Nº Municípios 1990 2005
TOTAL BRASIL 21.347.774 35.113.312
TOTAL MATO GROSSO 618.973 3.483.266
Cáceres (Área de Influência) 47.730 48.278
1 CÁCERES 12.090 14.000
2 Araputanga 7.800 8.000
3 Curvelândia - 900
4 Glória D'Oeste - 3.200
5 Lambari D'Oeste - 1.050
6 Mirassol D'Oeste 5.000 8.700
7 Porto Esperidião 5.460 6.000
8 Rio Branco 3.780 300
9 Salto do Céu 5.200 2.100
10 São José dos Quatro Marcos 8.400 4.028
Fonte: IBGE/SIDRA, 2007.
Elaboração COOTRADE, 2007.

53
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

O café, que foi importante nos anos oitenta do século passado,


desaparece das estatísticas de produção.

QUADRO 18: Produção (t) de café


(beneficiado), no Mato Grosso, município
de Cáceres e Área de Influência (MT), 1990
e 2005.
Nº Municípios 1990 2005
TOTAL BRASIL 2.929.711 2.140.169
TOTAL MATO GROSSO 78.837 15.902
Cáceres (Área de Influência) 17.617 32
1 CÁCERES - 20
2 Araputanga 720 -
3 Curvelândia - -
4 Glória D'Oeste - -
5 Lambari D'Oeste - -
6 Mirassol D'Oeste 2.560 -
7 Porto Esperidião - 5
8 Rio Branco 451 -
9 Salto do Céu 446 -
10 São José dos Quatro Marcos 13.440 7
Fonte: IBGE/SIDRA/PAM, 2007.
Elaboração COOTRADE, 2007.

A cana-de-açúcar, cultivo agroindustrial de importância energética


crescente, tem diminuído de importância em Cáceres porém ampliado sua
área em Lambari D`Oeste.
QUADRO19: Produção (t) de cana-de-açúcar, no Mato
Grosso, município de Cáceres e Área de Influência (MT),
1990, 2004 e 2005.
Nº Municípios 1990 2004 2005
TOTAL BRASIL 262.674.150 415.205.835 422.956.646
TOTAL MATO GROSSO 3.036.690 14.290.810 12.595.990
Cáceres (Área de Influência) 423.910 767.395 804.291
1 CÁCERES 103.189 1.035 1.035
2 Araputanga 800 600 750
3 Curvelândia - 28.000 34.201
4 Glória D'Oeste - - -
5 Lambari D'Oeste - 688.350 696.013
6 Mirassol D'Oeste 133.042 37.400 60.257
7 Porto Esperidião 600 11.200 11.200
8 Rio Branco 181.379 - -
9 Salto do Céu 4.000 750 780
10 São José dos Quatro Marcos 900 60 55
Fonte: IBGE/SIDRA/PAM, 2007.
Elaboração COOTRADE, 2007.

54
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

A bovinocultura é a atividade que realmente cresce no município e na


região, como podemos perceber à seguir:
QUADRO 20: Efetivo do rebanho bovino
(cabeças), no Mato Grosso, município de
Cáceres e Área de Influência (MT), 1990 e
2005.
Nº Municípios 1990 2005
TOTAL BRASIL 147.102.314 207.156.696
TOTAL MATO GROSSO 9.041.258 26.651.500
Cáceres (Área de Influência) 979.155 2.560.723
1 CÁCERES 364.438 995.076
2 Araputanga 176.562 210.274
3 Curvelândia - 50.206
4 Glória D'Oeste - 99.977
5 Lambari D'Oeste - 152.205
6 Mirassol D'Oeste 67.480 142.745
7 Porto Esperidião 160.942 514.515
8 Rio Branco 70.210 61.404
9 Salto do Céu 78.692 146.466
10 São José dos Quatro Marcos 60.831 187.855
Fonte: IBGE/SIDRA, 2007.
Elaboração COOTRADE, 2007.

A pecuária de corte e também de leite, afirma-se como a estrutura


produtiva dominante.

A grande inovação, é o surgimento em 1994, do reflorestamento com


teca. Principalmente a FLORESTECA, e outras como a SOROTECA,
investiram em grandes plantações em diversas áreas do território municipal.

Estima-se em 70 mil ha a área plantada em Cáceres e municípios


próximos. O grupo FLORESTECA, em Cáceres, gera 400 empregos diretos
com a atividade de reflorestamento. Com a entrade em funcionamento da
serraria, o setor secundário terá um incremento de mais 90 empregos diretos.

7.2 O setor secundário:

As indústrias de maior porte em Cáceres, estão vinculadas ao


processamento primário, em especial ligados a bovinocultura.

55
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Os grandes estabelecimentos de processamento de carne do passado


(como Descalvados, Barranco Vermelho), localizavam-se às margens do Rio
Paraguai e eram de proprietários externos.

Atualmente, o maior frigorífico, os dois curtumes e a fabrica de proteinas


são de capital externo. A mudança, em relação ao passado é em relação ao
uso do modal hidroviário, hoje praticamente restrito ao transporte de grãos,
mas com grandes perspectivas de alteração com a variação da tipologia de
cargas.
Além destes grandes empregadores de processamento da
bovinocultura, Cáceres possui diversas pequenas atividades industriais, desde
estaleiros, fábricas de carrocerias, de móveis, marmorarias, etc.., porém com
menor importância econômica das relacionadas com a bovinocultura.

7.3 O terciário:
As atividades comerciais e de serviço, são o que caracterizam Cáceres
como Pólo Regional.
Seu comércio, tanto para abastecimento das necessidades de consumo
familiar (atacado, varejistas diversos e supermercados), quanto para suporte à
sua atividade produtiva principal (produtos veterinários e agropecuários) e aos
meios de transporte (revenda de veículos, de motocicletas, de peças, de
combustível), é significativa, atendendo ao seu perímetro urbano e aos
municípios de sua área de influência.
O comércio diversificado de Cáceres, é a primeira alternativa de busca
de mercadorias para os municípios próximos, antes de utilizarem a alternativa
mais distante da capital do estado.
A atividade comercial, associada a quantidade de serviços públicos e
privados diversos, se complementam gerando a importância regional do
município.
Em Cáceres, existem serviços públicos que não são oferecidos nas
cidades próximas, por exemplo: 1. A presença de um Batalhão do Exército,
com suas atividades, de recrutamento, treinamento, presença de

56
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

destacamentos ao longo da fronteira com a Bolívia, com suas compras


governamentais e gastos em pessoal; 2. A presença da Polícia Federal, com
suas ações de combate ao narcotráfico, núcleo de migração, etc...; 3. Hospital
Regional; 4.Justiça do Trabalho e Ministério do Trabalho; 5. Min. Dos
Transportes (DNIT – antigo DNER); 6. IBAMA Regional; 7. INDEA Chefia
Regional; 8. EMPAER, Chefia Regional e Centro de Pesquisa; 9. INCRA –
Regional; 10. MAPA – DFA Chefia da Vigilância Agropecuária; 11. Polícia
Militar, Comando da Região Oeste de Mato Grosso e Comando do 6º BPM; 12.
Polícia Rodoviária Federal – Inspetoria do 3º Distrito Rodoviário; 13. UNEMAT,
sede da Reitoria; 14. Min. Da Saúde, Laboratório de Fronteira; 15. A CETEF –
antiga EAF Cáceres; 16. SENAI, etc...
Dos serviços privados em Cáceres, que a distinguem dos municípios do
seu entorno, os de saúde são os mais relevantes. Em 1938 construído o
Hospital S. Luiz, teve consideráveis ampliações nos últimos anos. Em 1973, é
construído o Hospital Bom Samaritano e, em 2001 foi inaugurado o Hospital
Regional. Este conjunto de hospitais, públicos e filantrópicos, criaram uma
constelação de laboratórios e clínicas médicas especializadas, com uma oferta
de serviços não existentes em toda a fronteira Oeste de Mato Grosso e Sul de
Rondônia. Estas atividades de saúde, tem efeitos multiplicadores, com o
surgimento de cursos de nível técnico médio de enfermagem, Faculdade de
Enfermagem na UNEMAT, etc...
Os serviços financeiros, também são relevantes e, durante muito tempo
foram únicos para a região. A agência do Banco do Brasil, foi instalada em
1942, antes o atendimento era feito mais por Corumbá do que por Cuiabá. O
BASA, instalou-se em 1956 e a Caixa Econômica Federal em 1981.
Atualmente existe no município agências do BRADESCO, ITAÚ, HSBC e
SICREDI, esta última uma cooperativa de crédito. Ou seja, Cáceres é uma
―praça bancária‖, que desde a segunda guerra mundial e, particularmente
após a complementação com o BASA, estava em condições de oferecer
crédito para suporte às atividades produtivas. Como única cidade, com
agência da CEF para o Sudoeste do Estado, para acessar aos seus
programas... Cáceres é o pólo.

57
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Os serviços educacionais, também são uma característica de Cáceres,


como pólo de atendimento ao seu entorno. Os Colégios tradicionais como
Imaculada Conceição e o Instituto Santa Maria atuam há longa data em
Cáceres.As atividades do Projeto Rondon, com a presença da Univ. Federal e
da Univ. Católica de Pelotas, desde dos anos 1970, potecializou a instalação
de cursos superiores. Em 1978 é criado o Inst. de Ensino Superior de
Cáceres, incorporado pelo Estado em 1985 e atual Universidade Estadual de
Mato Grosso (UNEMAT).

A UNEMAT em seu diversos cursos recebe diariamente centenas de


alunos de municípios da região. No campus de Cáceres, estão em
funcionamento 12 carreiras superiores regulares e 01 turma especial de
Turismo, oferece também cursos de pós-graduação interinstitucionais de
mestrado e doutorado.

Além da UNEMAT, outras instituições privadas, oferecem cursos


superiores regulares.

Em 1980, é criada a Escola Agrotécnica Federal de Cáceres, atual


IFET, que vem diversificando sua oferta de cursos, como zootecnia e técnico
em florestas, incluídos hoje o Bacharelado em Engenharia Florestal e
Tecnologo em Biocombustiveis.

Os serviços de hotelaria, são significativos, numa cidade que dá suporte


a um grande movimento de veículos entre Acre, Rondônia e o Sudoeste de
Mato Grosso com o restante do país. A rede hoteleira, é mais bem
aparelhada no trecho da rodovia federal que corta à cidade do que no centro
da mesma. Esta rede hoteleira funciona articulada com a pesca esportiva,
criando atividades turísticas que tem o Rio Paraguai como principal atrativo.
Muitos proprietários de hotéis, possuem pousadas ou barcos-hotéis, em
atividades complementares. Assim, a piscosidade do Rio Paraguai, gera um

58
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

conjunto de serviços complementares, hotelaria, restaurantes, alugueis de


embarcações, venda de equipamentos, de iscas, guias, piloteiros de lanchas,
barcos hotéis, pousadas ao longo do rio, e, o Festival Internacional de Pesca
(FIP), que ocorre anualmente.

Os serviços de transporte, são significativos. No passado, o antigo


aeroporto tinha linhas regulares de vôo para Cuiabá, atualmente dois terminais
rodoviários atendem grande fluxo diário de ônibus inter-municipais,
interestaduais e para a área rural que tramitam em Cáceres. O transporte
fluvial é de importância crescente. Em 1975 a PORTOBRAS inaugurou suas
novas instalações, hoje ampliadas e operadas pelas DOCAS DE MATO
GROSSO LTDA, com escoando arroz, milho e madeira. Atualmente, este
terminal opera principalmente com a exportação de soja, em números
crescentes.

8. Breves comentários sobre a infra-estrutura urbana, os


equipamentos sociais, áreas verdes e ambiente:

8.1 As deficiências da infra-estrutura básica:

Além das deficiências de pavimentação das vias públicas e calçadas,


existem serviços básicos urbanos que necessitam de melhorias, algumas já em
fase de projetos.
As informações aqui dispostas foram obtidas em reuniões com membros
da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Turismo Cáceres-MT
(SEMATUR), Secretaria Estadual de Maio Ambiente (SEMA), Vigilância
Sanitária, pesquisas bibliográficas, inclusive na biblioteca da Universidade
Estadual de Mato Grosso – Cáceres e observação In Locu.
Alguns trabalhos efetivados na região já apontavam para os problemas
existentes na região: sobre as questões que envolvem a água: Corrêa (2003),
Fialho (2004), Santos (2005) e Nascimento (2005); Esgoto: Montecchi (2001),
Aguilar (2003), Corrêa (2003), Fialho (2004), Paula (2004); Nascimento (2005)

59
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

e Santos (2005); Assoreamento: Aguilar (2003), Corrêa (2003) e Nascimento


(2005); Retirada da mata ciliar: Aguilar (2003), Corrêa (2003), Souza (2003) e
Nascimento (2005); Pesca (predatória ou não): Aguilar (2003) e Corrêa (2003);
Lixo: Costa (2002); Aguilar (2003), Corrêa (2003), Souza (2003), Fialho (2004),
Paula (2004), Oliveira (2004) e Nascimento (2005) e Zoonozes: Costa (2002)
e Paz (2002).

Durante as observações In locu, observou-se que os problemas


ambientais e por conseqüência de saúde, quase sempre estão relacionados
direta ou indiretamente à água.

8.2 Abastecimento de água:

Cáceres pertence a Grande Bacia do Prata. Sua bacia hidrográfica


é formada pelos rios Paraguai, Jauru, Cabaçal e Sepotuba. Cáceres está
entre é uma das oito sub-regíões do Complexo do Pantanal, localizada
no Pantanal Norte de Mato Grosso. Localiza-se entre o rio Paraguai e a
Chapada dos Parecis. O Alto Rio Paraguai tem presença marcante nessa
região do Pantanal Norte, onde faz fronteira com a Bolívia. A Serra das
Araras limita a vasta planície pantaneira no sentido norte e abriga
cachoeiras, paredões e lagos como a formação das Águas Milagrosas. Á
oeste as áreas alagadas seguem até Vila Bela (antiga capital da
província matogrossense). As duas cidades, Cáceres e Vila Bela, foram
roteiros de bandeirantes e aventureiros nos séculos passados, que
usavam essa rota fluvial para atingir a Bacia Amazônica. E possível
navegar no Pantanal de Cáceres rumo ao sul, ao longo do Rio Paraguai
ainda pouco caudaloso e chegar até uma das poucas unidades de
conservação: a Estação Ecológica Taiamã. Pelas margens do rio e para
o interior, existem várias fazendas de gado importantes no início da
colonização da região que encontram-se desativadas.
O Complexo do Pantanal, ou simplesmente Pantanal, é um
ecossistema com 250 mil km2 de área, altitude média de 100 metros,

60
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

situado no sul de Mato Grosso e no noroeste de Mato Grosso do Sul,


ambos Estados do Brasil, além de também englobar o Norte do Paraguai
e Leste da Bolívia (chamado de chaco boliviano), considerado pela
UNESCO Património Natural Mundial e Reserva da Biosfera. O nome
complexo vem do fato da região possuir mais de um Pantanal dentro de
si. Em que pese o nome, há um reduzido número de áreas pantanosas
na região pantaneira.
O sistema de abastecimento de água da cidade de Cáceres
tem como principal manancial superficial o Rio Paraguai e os
mananciais subterrâneos, 03 (três) poços profundos, que foram
perfurados quando da implantação do Sistema de Abastecimento de
Água para atender os sistemas independentes (Cohab Nova, Jardim
Padre Paulo e Bairro Santo António) os quais já se encontram
interligados ao sistema principal (Rio Paraguai).
A captação superficial no Rio Paraguai representa atualmente
97,00 % da produção do sistema de abastecimento de água assim
constituído: a) Captação - Esta parte do sistema é composta de
tomadas diretas no Rio Paraguai sendo que o conjunto moto-bomba
principal está instalado em uma balsa (flutuador) e o conjunto moto-
bomba reserva encontra-se instalado em um abrigo próximo; b)
Estação Elevatória de Água Bruta – EEAB - A principal EEAB é
composta de um sistema instalado em uma balsa (flutuador) sobre o
rio Paraguai, onde está instalada um conjunto moto-bomba elevatório
e outro reserva instalado em um abrigo próximo da margem do rio. A
sucção é feita através de tomada direta; c) Adução Água Bruta – AAB
- O sistema de adução que interliga a estação elevatória de água
bruta a ETA - Estação de Tratamento de Agua é constituído de 03
(três) linhas, sendo a 1a em tubulação de ferro fundido K7 0 250 mm,
2a em tubulação de PVC/PBA 0,60 Mpa 0 150 mm e a 3a em
tubulação Vinilfer l Mpa 0 300 mm com o comprimento L= 600 m,

61
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

essas tubulações em conjunto veiculam a vazão total de 300 l/s.; d)


Estação de Tratamento de Água – ETA- O sistema de tratamento de
água é composto de 02 (duas) unidades sendo a primeira com a
capacidade para tratar a vazão de Q= 220 l/s e a segunda para a
vazão de Q= 80 l/s. Estas ETA's são atendidas por uma Casa de
Química; e) Sistema de Reservação - O sistema de Reservação do
Sistema de Abastecimento de Agua de Cáceres situado na área da
ETA, é constituído de: 02 (dois) reservatórios enterrados sendo REN-
01 com a capacidade 750m3 e REN-02 com a capacidade de 1.300
m3 e 02 (dois) reservatórios elevados sendo REL-01 com a
capacidade de 570m3 que é utilizado para lavagem dos filtros e o
REL-02 com a capacidade de 400m3 utilizado para a distribuição da
água à população, esses reservatórios tem a sua estrutura em
concreto armado.
Existem outras unidades de reservação isoladas como o REL
03, estrutura em concreto armado, localizado na Cohab Nova com a
capacidade para 100 m3, que recebe a água do poço profundo (PT-
04) existente na área. Outro reservatório é o existente no conjunto
habitacional Vitória Régia, RAP 01 com estrutura em concreto armado
com a capacidade de 150 m3. Outra unidade de reservação existente
encontra-se no bairro Santo Antônio em estrutura metálica, porém
encontra-se desativado.; f) Estação Elevatória de Água Tratada - As
estações elevatórias de água tratada estão concentradas na área da
ETA.; g) Rede de Distribuição - O sistema de distribuição de água é
constituído por um conjunto de condutos principais (anéis) e
secundários em diversos diâmetros; h) Estações Pressurizadoras -
EP's - Estas estações pressurizadoras, em número de 06 (seis) têm a
função de manter pressão dinâmica mínima em determinados pontos
do sistema de distribuição;

62
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Sistema Poços Profundos - Os sistemas com captação


subterrânea foram implantados para atender de forma isolados as
respectivas áreas: a) Cohab Nova - Este sistema é constituído de um
poço tubular profundo denominado PT — 04 que encontra-se hoje
interligado ao sistema do Rio Paraguai. A água proveniente deste
poço recebe desinfecção através de um sistema de cloração
(hipoclorito de cálcio) injetada na tubulação de subida para o
reservatório elevado de capacidade para lOOm3 , através de uma
bomba dosadora tipo eletrônica e em seguida é feita a sua
distribuição para a rede. b) Jardim Padre Paulo - Este sistema é
constituído de um poço profundo denominado PT — 02 que recalca
direto para a rede de distribuição e o sistema encontra-se interligado
ao sistema do Rio Paraguai. A água proveniente deste poço recebe
desinfecção através de um sistema de cloração (hipoclorito de cálcio)
com aplicação na entrada do poço, cuja dosagem é controlada por
uma bomba dosadora tipo eletrônica, e em seguida é feita a sua
distribuição para a rede. c) Bairro Santo Antônio - Este sistema é
constituído de um poço profundo denominado PT — Santo Antônio
que recalcava a água para um REL metálico o qual encontra-se
desativado, portanto hoje recalca direto para a rede de distribuição, e
o sistema encontra-se interligado ao sistema do Rio Paraguai.
Capacidade Atual e Futura do Sistema - A população proposta
inicial abastecida foi calculada pela operadora levando-se em
consideração as economias residenciais existentes à época. A taxa
de ocupação fora de (3,95 hab/econ) tomando-se por base o Censo
IBGE/2000, bem como a taxa de crescimento de 0.45% ao ano.
Segundo a empresa operadora, a população abastecida girava em
torno de 93% da população urbana. A proposta foi para atender a
100% da população urbana, com a projeção populacional atendendo
a um horizonte de projeto de 10 anos com início de plano previsto

63
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

para o ano de 2.008 e final de plano 2.018. O serviço de abastecimento


em Cáceres, é gerenciado pela empresa NORTEC; Atualmente o número
de ligações ativas é de 19.379 (12/2010).
Conclui-se neste PDD que novas projeções deverão ser
realizadas, a partir da base de dados do censo IBGE/2010 e evolução
das economias cadastradas pela operadora.

8.3 Rede de esgoto e pluvial:

O panorama geral da cobertura da população do Brasil, Centro Oeste,


Mato Grosso com sistema de esgotamento sanitário de acordo com o
IBGE/2006, pode ser assim apresentada:
Brasil - 68,24%
Centro Oeste - 43,83 %
Mato Grosso - 34,29 %
Segundo IBGE (2000), a situação do Esgotamento Sanitário em Cáceres
apresenta-se conforme o Quadro 05 apresentado abaixo:

Tipo de Esgotamento Sanitário em Cáceres/MT


DESTINAÇÃO FINAL ATENDIMENTO
Rede de esgoto / drenagem pluvial (%) 11,09
Fossa séptica 33,55
Fossa rudimentar 42,16
Vala 0,99
Rio, lago 0,07
Outro escoadouro 0,21
Não tem banheiro e nem instalação sanitária 11,94
Fonte: IBGE/2000.
De acordo com o Quadro acima mostra que a população de
Cáceres utiliza-se de várias formas de disposição final do esgoto, sendo
os maiores percentuais de aproximadamente 11 % em rede de esgoto ou
em rede de águas pluviais, 33,55 % em fossa séptica, 42,16 % em fossa
rudimentar. Porém o maior percentual foi de disposição em fossas sejam
sépticas ou rudimentares que é um tratamento primário individualizado.

64
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

CONCEPÇÃO DO SISTEMA EXISTENTE


A cidade de Cáceres não contempla em sua totalidade sistema de
esgotamento sanitário mas sim sistemas individualizados construídos em
alguns bairros, sendo eles: Sub-bacia 08 e área central da cidade foi
construído um sistema de esgotamento sanitário com recursos do
Programa PROSEGE-Programa de Ação em Saneamento composto por
rede coletora e estação de tratamento de esgoto construído no Núcleo
Habitacional São Luiz (conhecido também por Cohab Nova). Existem
mais duas ETE's recém construídas de modelo compacta para atender o
Jardim Guanabara e a Penitenciária. O sistema de esgotamento sanitário
é administrado pela Prefeitura através do Serviço de Água e Esgoto de
Cáceres - SAEC. Aos domicílios atendidos com Sistema de Esgotamento
Sanitário é aplicada uma tarifa de esgoto condizente a 50 % do valor da
tarifa de água potável do domicílio, esse valor está inserido na fatura de
água.
Núcleo Habitacional São Luiz e Sub-bacia 08
O sistema de esgotamento sanitário existente no Núcleo Habitacional
São Luiz (Cohab Nova) e Sub-Bada 08 é do tipo separador absoluto, e
deveria atender a aproximadamente 20% da população urbana, através
de 2.868 ligações domiciliares.
O sistema projetado é composto dos seguintes componentes:
• Rede Coletora e Ligações Domiciliares
Foram executadas na cidade um total de 26.454,00 metros de rede
coletora nos diâmetros de 150 à 400 mm e 2.868 ligações domiciliares,
conforme quadro abaixo:
Rede Coletora e Ligações Existentes em Cáceres
Bairros Rede Coletora Ligações Domiciliares
Núcleo Hab. São Luiz 5.277,00 568
Sub-bacia 08 21.177,00 2.300

65
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

• Estações Elevatórias e Emissários por Recalque


O Núcleo Habitacional São Luiz possui duas estações elevatórias de
esgoto bruto e seus respectivos emissários por recalque. A estação
elevatória encaminha o esgoto coletado à Estação de Tratamento de
Esgoto e localiza-se próximo a Rua dos Martins. A estação elevatória 02
é responsável pelo encaminhamento do efluente tratado até o corpo
receptor.
O quadro abaixo apresenta as características das estações elevatórias e
dos emissários por recalque projetados:
Estação Vazão de Emissário por Diâmetro (mm) Material
Elevatória Recalque(l/s) Recalque(m)
EE-01 11,20 15,00 100 F°F°

EE-02 11,20 2.000,00 150 PVC DEF°F°

Na área central da cidade sub-bacia-08, na Rua dos Canários existe


parcialmente executada a estação elevatória EE-08.
Existe um emissário retirando as águas do canal natural do Córrego do
Sangradouro que desagua na Baia do Malheiros, com aproximadamente
2 km, retirando desse local de deságue levando para mais a jusante do
rio Paraguai. Essa água do córrego Sangradouro já encontra-se quase
100% poluída com esgoto.
Estação de Tratamento de Esgoto - O sistema de tratamento de esgoto
existente é do tipo Lodo Ativado com Aeração por Ar Difuso seguido de
Leito de Secagem com capacidade respectivamente de 410 m3 e 93 m3,
atendendo ao Núcleo Habitacional São Luiz. Essa ETE trata o esgoto de
aproximadamente 568 casas do bairro Cohab Nova.
• Destino Final do Efluente Tratado do N.H São Luiz ( Cohab Nova)
O efluente da estação de tratamento de esgoto é encaminhado por
recalque através de emissário para o corpo receptor Rio Paraguai.

66
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

ETE Bairro Guanabara - A ETE — Estação de Tratamento de Esgoto


recém construída no Jardim Guanabara tem capacidade para tratar 2,0
l/s de esgoto afluente do bairro de mesmo nome, que contém 235
residências resultando em aproximadamente 853 habitantes. A ETE é do
tipo compacta, construída em aço e revestida de fibra de vidro. ETE
Penitenciária - Essa ETE recebe e trata o efluente apenas da Unidade
Penitenciária de Cáceres, é do mesmo modelo da ETE do Jardim
Guanabara, tem capacidade para tratar 1,5 l/s. O efluente final é lançado
no córrego do Lobo através de emissário de aproximadamente 700
metros. Este sistema é de responsabilidade da SEJUSP - Secretaria de
justiça do Estado de Mato Grosso.
Segundo Brasil (2006)19 os estados do MT e MS na região hidrográfica
do Paraguai contam com 77% da população com abastecimento de água
potável. Em relação a coleta de esgoto MT possui apenas 16,9% e, destes
somente 13,8% contam com tratamento. Assim, Brasil (2006) citando o DAB-
2004, aponta a premência em implantar sistemas de coleta e de tratamento de
esgotos nos principais centros urbanos, como Cuiabá, Tangará da Serra,
Cáceres, Poconé, Corumbá, Coxim e Aquidauana.
No distrito industrial é feito o tratamento de efluentes das empresas, que
após são lançados em um canal de 3 KM que leva os efluentes ao Rio
Paraguai. O despejo dos efluentes no Rio Paraguai tem o acompanhado da
SEMA e segundo a mesma, segue o padrão ambiental.
O Córrego Sangradouro é afluente do rio Paraguai pela sua margem
esquerda, as suas nascentes são na Serra do Bom Jardim que compõe a
unidade geomorfológica denominada Província Serrana (Leite, 2000 apud
Nascimento, 2005)20. Este córrego, corta o município de Cáceres-MT e ao

19
BRASIL. Programa de estruturação institucional para a consolidação da política
nacional de recursos hídricos – BRA/OEA/01/002: Caderno regional da região hidrográfica do
Paraguai. Brasília: MMA/SRH/OEA. 2006

20
NASCIMENTO, A.A. B do Impacto ambiental nas margens do Rio Paraguai no perímetro
urbano da cidade de Cáceres/MT. Cáceres-UNEMAT/ICNT – Departamento de Ciências
Biológicas, 2005.

67
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

longo dos tempos transformou-se em depósito de resíduos sólidos (lixos) e


líquidos que provêm das residências e comércios (figura seguinte) localizados
no centro da cidade (NASCIMENTO, 2005).
Os problemas identificados residem na carência de políticas públicas na
área de Educação e Saúde; Entupimento dos dutos e rompimento da rede,
devido os moradores retiram as grades de proteção e jogam lixo dentro das
caixas (por problemas com a coleta de lixo); as ampliações e/ou construções
de novas residências quando à revelia da Prefeitura, muitas vezes são
ligadas na rede coletora de águas pluviais ocasionando rompimento os tubos
no período de chuva, pois a tubulação não suporta o volume de água.
Diversas fontes consultadas, apontam a falta de políticas públicas para
essa questão; falta de maior fiscalização pelas autoridades competentes;
projetos de saúde e educação ambiental.
A situação da rede de esgotos poderá sofrer grandes modificações com
os projetos a serem implantados. Uma visualização do alcance dos mesmos,
podemos perceber na planta de saneamento básico anexada.

8.4 O tratamento dos resíduos sólidos urbanos:

Os resíduos sólidos urbanos são destinados a um aterro sanitário


distante 15 quilômetros do perímetro urbano de Cáceres, sentido Barra dos
Bugres e, por tal empreendimento, o que diminuiu os grandes lixões
clandestinos, mas, durante as visitas In Locu observou-se e registrou-se locais
que são utilizados para despejo de lixo e que estão no perímetro urbano, na
entrada de bairros, beira dos canais, até mesmo nos fundos do cemitério, e
ainda, são queimados.
O ato de jogar o lixo nos terrenos baldios e da queima do mesmo é
apontado por Corrêa (2003) como um fator cultural, referendado desde o
começo do século, onde, sem a coleta de lixo este era enterrado ou queimado.

68
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

QUADRO 24: Número de famílias e a destinação final do lixo doméstico, no município de


Cáceres (MT), das famílias cadastradas no PAB (2000 - Fev/2007).

Lixo Queimado
Nº Famílias Lixo Coletado Lixo Céu Aberto
Enterrado
2000 2007 2000 2007 2000 2007 2000 2007
10.118 10.266 7.010 8.476 2.840 1.718 268 72
Fonte: Ministério da Saúde - Sistema de Informação de Atenção Básica (SIAB)
Elaboração COOTRADE, 2007.

Mas, como observado, até na parte central se encontra toda sorte de


lixo. A autora continua: ―bairros centrais como Vila Mariana/Marajoara, onde
até recentemente encontrava-se um lixão a céu aberto, proporcionando mau
cheiro, incidência de doenças respiratórias entre outras, acrescentado do
aspecto visual negativo que o mesmo acarreta para o município‖ (CORRÊA,
2003).
Fialho (2004) argumenta que no bairro Jardim das Oliveiras existia
acúmulo e a falta de tratamento do lixo e esgoto, presença de chiqueiros,
restos de animais mortos e resíduos de animais (fezes e urina). Outro
agravante é a distancia do bairro em relação ao centro e os muitos terrenos
baldios onde, o despejo desses dejetos por moradores de outros bairros é
constante.
Diversas sugestões, foram coletadas para melhorar esse
quadro, como por exemplo, a coleta de lixo urbano e a implantação de
projetos ligados à reutilização, a reciclagem de lixo e a transformação
deles em algo que possa ser útil para a comunidade.
Cáceres, que já teve uma estação de triagem de resíduos sólidos e de
produção de composto orgânico, não possue mais este tipo de equipamento.
Por outro lado, embora seja um pólo de saúde, não existe incinerador para a
queima do lixo hospitalar, de farmácias, clínicas, etc...

69
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

8.5 Construções em locais insalubres ou de risco:

Os diversos trabalhos consultados apontam esse fato, e como visto


realmente é preocupante, pois, muitas dessas construções estão em locais
impróprios, principalmente às margens dos córregos Sangradouro e Renato,
onde existem residências e construções de pessoas com bom poder aquisitivo,
segundo os funcionários da Vigilância Sanitária. Ou ainda, na área
denominada Santo, onde, antigamente era área de lixão, hoje há diversas
casas com poços, sujeitos a contaminação que há no solo. No local também se
observou aterramento de pequenos lagos para a construção de casas.
Segundo a vigilância sanitária, na área do Canal do Sangradouro não há
notificação de doenças. Mas, como se sabe, doenças como diarréias, micoses
e outras, muitas vezes não são inseridas nas estatísticas e, estas estão
relacionadas diretamente com a questão que aqui se trata.
Essas construções nas margens dos canais despejam dejetos de toda a
sorte (roupas velhas, esgoto doméstico, restos vegetais, garrafas de vidro e
plástico, entre outros.) e dessa forma, colaborando com a poluição dos cursos
d’água e a obstrução dos canais vindo a provocar danos grave como enchente
As enchentes de 2007 bem como a de 2010 tiveram grandes proporção
com volume anormal de águas, e os canais, principalmente o Sangradouro não
atenderam a vasão, provocando graves conseqüências.
Nos últimos anos, os canais foram desobstruídos antes do período das
águas, assim como foi feita a limpeza de mais de 1.200 bocas de lobo, ações
insuficientes para evitar a ocorrência de inundações.Verfica-se ainda o
agravante da ocupação irregular de áreas sujeitas a inundações.
O escoamento d’água é agravado pelo acumulo de lixo no leito dos
canais.Nas margens do Rio Paraguai também há ocupações irregulares.
Boa parte das margens que são habitadas, tanto dos córregos como do
Rio Paraguai possuem processos erosivos e, em alguns casos chegando à
rodovia federal (vasão nº 2 da BR – 174/070). O preocupante, é que grande
parte do material erodido pela presença antrópica, é lixiviado e chega aos
córregos e consequentemente ao Rio Paraguai.

70
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Em outros mananciais como córrego da Piraputanga a degradação é


presente devido às pastagem, com a agravante do pisoteio do gado.
O quadro vem se agravando, tanto que, para a realização do últimos
Festivais Internacionais de Pesca – FIP, que era realizado em época de águas
baixas foi necessária a dragagem da Baia do Rio Paraguai, na zona central da
cidade.Sendo esta uma das justificativas para a mudança na data de
realização do FIP.
No mapa 10, vermos a localização das principais áreas de risco
ambiental.

8.6 Áreas verdes urbanas:

O diagnostico (2007), constatou a existência de trinta e cinco áreas


verdes públicas em Cáceres, num total de 398.765 m².

71
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

QUADRO 27: Cáceres, áreas verdes


públicas no perímetro urbano, 2007.
Nº LOCALIZAÇÃO ÁREA (m²)
PRAÇAS PREVISTAS - SUB-TOTAL 80.707
1 Praça prevista do Vitória Régia 6.939
2 Praça prevista do Vitória Régia 7.693
3 Praça prevista da Cohab Nova 2.082
4 Praça prevista B. Nova Era 1.125
5 Praça prevista B. Nova Era 5.282
6 Praça do DNER 42.385
7 Praça prevista do Jd. Padre Paulo 15.201
PRAÇAS PROJETADAS - SUB-TOTAL 38.838
8 Praça projetada Jd Imperial 1.490
9 Praça do esporte 115
10 Praça projetada Junco 24.225
11 Praça projetada B. Sto. Antônio 8.300
12 Praça projetada do B. Sta Cruz 3.122
13 Praça projetada do Jd. Marajoara 1.586
PRAÇAS EXISTENTES - SUB-TOTAL 279.220
14 Campo de Futebol do EMPA 5.805
15 Praça do CAIC 33.462
16 Praça do Jd Paraiso 2.769
17 Praça BR 070 1.979
18 Praça São Miguel 5.135
19 Praça Vila Militar 2.730
20 Praça Vilas Boas 1.450
21 Praça Antônio João 10.712
22 Praça da feira 1.201
23 Praça da Cohab Velha 2.312
24 Praça Monte Verde 7.823
25 Praça da Prefeitura 98.071
26 Praça do Corpo de bombeiros 4.024
27 Praça do Cidade Alta 4.843
28 Praça 7 de setembro 1.947
29 Praça do Sangradouro 42.556
30 Praça Barão 5.633
31 Praça da Sematur 19.386
32 Praça da Cavalhada 6.118
33 Praça do Bom Samaritano 2.789
34 Praça da Cohab Nova 10.265
35 Campo de Futebol B. Nova Era 8.210
ÁREA TOTAL 398.765
Fonte: P.M.C, 2007
Elaboração COOTRADE, 2007.

Desta área verde total, 22 são praças existentes com 70% da área. Se
considerarmos que a quantidade mínima de área verde pública (AVP) deva ser
12 m²/hab., então podemos estimar um déficit de 740.599 m² de área verde
urbana.

72
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

O índice acima, pode ser reduzido, pois Cáceres ainda possui muita
vegetação verde nos quintais das casas. Portanto, aceitando-se um índice de
10m²/hab., este déficit cai para 563.565 m² de área verde urbana.
Observe-se na tabela anterior, que muitas praças são projetadas e/ou
previstas. Ou seja são áreas urbanas em que existe o espaço para este tipo
de equipamento mas, a estrutura não está construída para uso da população.
As praças de Cáceres, de modo geral, não estão bem conservadas, são
pobres em mobiliário (play grounds, equipamentos de ginástica, bebedouros,
sanitários públicos, etc...). Algumas das mais antigas, possuem coretos e até
fontes luminosas (algumas inativas).
Existem bairros que não possuem áreas verdes públicas. Em alguns, as
áreas para isto destinadas, foram invadidas.
De modo geral, as praças são pequenas, não existindo nenhum parque
municipal, a sua quantidade é insuficiente. É necessário maior entrosamento
do poder público com a comunidade no sentido da manutenção das mesmas.
No mapa 10, do anexo 2, temos a localização das áreas verdes de
Cáceres.

8.7 Os equipamentos sociais:


Cáceres, pela sua antigüidade e pela função de pólo de serviços
regional, é bem provida de equipamentos sociais. Sua rede de instituições
públicas retrata uma cidade de serviços para o seu entorno.
A rede de saúde, reforça sua posição de pólo de serviços para o
Sudoeste de Mato Grosso. Da mesma forma, sua rede educacional, com
oferta de cursos em diferentes níveis, modalidades e carreiras
profissionalizantes, tem como suporte uma grande gama de equipamentos
públicos.
Os equipamentos de uso social, quer da União, quer do Estado ou do
Município, e sua localização, tipos de construção, época, etc.., dão a área
urbana um estilo eclético, onde nos mesmos, pode-se ―ler‖ o processo de
expansão da cidade. Tomando-se como exemplo, o educacional, percebe-se
nos prédios da UNEMAT e em sua localização dispersa, o processo modulado

73
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

de seu crescimento e a influência que isto acarreta para a dinâmica urbana e


regional.

8.8 O ambiente e algumas zoonoses:


Mais de 200 zoonoses são conhecidas, no Brasil as tendências recentes
de modelo zoonóticos são: viroses, riquetsioses, protozooses, helmintos,
bacterioses (PAZ, 2004)21. Outras doenças como peste bubônica, leptospirose,
febre maculosa entre outras, também estão ligadas á vetores ou hospedeiros
animais.
A Vigilância Sanitária da cidade aponta que há problemas com
caramujos, escorpiões na Cohab Velha em uma rede de esgoto que lá existe,
mas que na verdade não funciona. Mas, outros casos foram apontados e
seguem algumas informações.
Para se evitar a dengue, como se sabe é necessário, além dos cuidados
dos órgãos de fiscalização e saúde pública, a participação da comunidade
fazendo sua parte é primordial.
Em pesquisa (COSTA, 2002), na ótica da comunidade 65% acha que a
culpa da epidemia de dengue é da população; das autoridades 20%; da
natureza 10% e outros 5%. Dos (100) cem entrevistados, oitenta deles
acreditam que as campanhas esclarecem suficientemente sobre a dengue.
Em relação a outras zoonoses, outra pesquisa na Vila Mariana indica
que apesar do conhecimento satisfatório dos moradores sobre as doenças,
seus transmissores e como lidar com o problema. A falta de campanha a
respeito do controle das zoonoses é sentida por esses cidadãos (PAZ, 2004).
Mesmo assim, 27% dos moradores já contraíram algum tipo de
zoonoses, e os procedimentos adotados foram procurar o médico (47%), uso
de ervas (18%) e procurar uma farmácia (7%) (PAZ, 2004). As visitas de
animais às residências são no período noturno e, agravado pela falta do

21
PAZ. A. A. da O conhecimento da população do bairro Vila Mariana em Cáceres-MT,
sobre zoonozes. Cáceres-UNEMAT/ICNT – Departamento de Ciências Biológicas, 2004

74
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

serviço público de limpeza. Os Cães (100%), Mosquitos (92%), Baratas (86%)


e Ratos (77%) foram os mais citados (PAZ, 2004).
Ambas as autoras apontam a necessidade de um trabalho que tenha
uma integração entre a população e o serviço de Saúde. Mas, como indicado
pela pesquisa de Costa (op cit), a qualidade de vida e conseqüentemente a
saúde da população, seria melhor se houvesse saneamento básico 35%;
outros 19% disseram limpeza de terrenos baldios e com 6 e 5%
respectivamente ficaram a com outros a pavimentação e a coleta de lixo
diária (COSTA, 2002).

8.9 Pesca

O uso do Rio Paraguai para a pesca é uma constante. Mas, com o


decorrer dos anos muitas mudanças aconteceram e de acordo com Corrêa
(2003) o Rio Paraguai e Cáceres não são mais os mesmos, e isso é fruto do
crescimento populacional.
A pesca em Cáceres é um atrativo para o turismo, em especial, no
período do Festival Internacional de Pesca. O FIP como é conhecido possui o
nome no Guiness Book com o maior número de participantes no mundo
(Figura 6)
Hoje o FIP é muito mais que a prova de pesca embarcada (barco e
canoa) e a prova de pesca de barranco (infanto-juvenil). Durante a semana do
FIP acontecem várias atrações culturais e esportivas como campeonatos de
vôlei de praia, futebol de areia, shows nacionais e regionais, oficinas de artes e
de pesca e muito mais (CACERES, 2007).
Apesar de receber milhares de turistas para pescar no Rio Paraguai, o
festival de pesca não afeta o equilíbrio piscoso do Rio Paraguai, segundo
Claumir Muniz da SEMATUR, que estuda a parte ictiológica do Rio Paraguai.
Segundo o biólogo a pesca predatória efetivada durante todos os dias e
que se torna quase impossível de fiscalizar é que causa mais dano.
Ainda continua: ―a pesca com barcos à motores é cara, os
equipamentos são caros, a manutenção e o barco são caros, por tal fator

75
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

houve a diminuição desse tipo de participante, restando agora os com canoas


e de barranco‖.
Mas, como explícito em diversos trabalhos em especial de Aguilar
(2003) esse tipo de pesca também causa danos à barranca do rio e
conseqüentemente assoreamento.
Mas, em Cáceres muitos moradores praticam a pesca seja de barranco,
de ―ceva‖, amadora, profissional e infelizmente a predatória. Pescadores
freqüentam o local (praia do Julião até o ponto de captação de água (caixa
d’água)) até mesmo durante o período da Piracema, e somente abandonam o
local após a cheia no pantanal uma vez que a água inunda o barranco e atinge
a várzea, na lateral da rodovia, sendo essa água escoada através de pontes,
construídas na Rodovia (AGUILAR, 2003).
Dos pescadores que freqüentam o local 27% são homens e 73%
mulheres, de variadas profissões e classes sociais, como: carpinteiro, militar
reformado, pescador profissional, piloteiro, funcionário público e do lar.
Segundo RADIOBRAS(2007)22 A pesca turística é a segunda atividade
econômica no Pantanal e movimenta algo em torno de R$ 30 milhões por ano
no estado. É também uma das atividades mais prejudicadas com o ciclo de
secas já que o baixo volume do rio atrapalha a subida dos peixes jovens,
fenômeno conhecido como piracema.

8.10. Considerações Finais


Atualmente, não há leis ou normas municipais que tratem
específicamente das questões ambientais, apenas um pequeno trecho no
código de postura do município. Com a criação e implantação do Conselho
Municipal de Defesa do Meio Ambiente – COMDEMA, está se desenhando um
avanço nas ações que afetam o meio.

22
BRASIL, RADIOBRAS Pantanal entra em mais um ciclo de seca. Disponível em
http://www.radiobras.gov.br/ct/2001/materia_200401_1.htm, acessado no dia 14 de abril de
2007.

76
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

A Secretaria de Meio Ambiente e Turismo - SEMATUR coordena


parcialmente o setor, e precisa ser reestruturada.
Diversos dos trabalhos aqui citados e disponíveis na biblioteca da
UNEMAT serviram como fonte de informação a cerca das questões
ambientais, sociais e culturais de Cáceres. As observações In locu e as
sugestões dadas nas pesquisas, levam a crer que para um desenvolvimento
planejado e que contemple a todos, se faz necessária a participação de
diversas entidades e principalmente da população, com sugestões e
principalmente colaboração, para assim, se ter as mudanças necessárias para
contemplação ampla artigo 23 da Constituição Federal em seus incisos VI e IX
referente à proteção do meio ambiente, combate a poluição em qualquer de
suas formas e saneamento básico garantidos peia competência da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.

9. A mobilidade geral e urbana:

9.1 A mobilidade geral:


Cáceres encontra-se bem servido de facilidades de acesso. Possui
aeroporto com pista de 1.876 metros pavimentada e mais 300 metros de área
de fuga nas cabeceiras, não existem linhas áreas regulares; a cidade é cortada
por rodovias federais (BR – 174/070), e rodovia estadual (MT – 343) que liga
Cáceres a Porto Estrela e Barra do Bugre. A BR 070, rodovia pavimentada,
faz ligação com a fronteira boliviana e acesso à área andina; possui estrutura
portuária fluvial, que permite navegação durante todo o ano (Hidrovia
Paraguai-Paraná).

Existem esforços políticos para acelerar a pavimentação da rodovia


estadual que articula Cáceres à Porto Estrela e Barra do Bugres (MT-343), o
que permitiria articular a região produtora de Barra do Bugres-Tangará da
Serra-Campo Novo do Parecis e incrementar o uso da hidrovia.

77
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Estudos já foram efetuados para a construção de porto fluvial à jusante


de Cáceres (Santo Antônio das Lendas), assim como alternativas de utilização
de Barranco Vermelho23, mais próximo e onde já existem algumas instalações.
Estas alternativas permitiriam maior escala de uso da hidrovia.

Porém, o predomínio da mobilidade, tanto de longa distância, quanto em


sua área de influência e para distritos e vilas, é rodoviário. Cáceres possui
uma rodoviária no centro, e um terminal rodoviário próximo às margens da BR-
070 no perímetro urbano.
O movimento fluvial maior é para escoamento de grãos (soja) e para
atividades de esporte (pesca e náutico). No entanto a quantidade de
embarcações registradas pela marinha impressiona, demonstrando a
importância do Rio Paraguai para as atividades de lazer e de turismo esportivo.

QUADRO 28: Embarcações


registradas na agência fluvial de
Cáceres 2006.
Ítem Qtde.
Embarcações miúdas 2.246
Embarcações médio porte 2.857
Barcos Hotéis 15
Movimentos de embarcações 366
Movimentos de embarcações de turismo 265
Aquaviários empregados nas movimentações
64
de embarcações de turismo
Fonte: Marinha, Agência Fluvial de Cáceres, Maio/2007.
Elaboração COOTRADE, 2007.

9.2. A mobilidade urbana:

Com aproximadamente 434 km de vias na cidade, a maioria ainda não


está pavimentada:

23
65 km à jusante da cidade, após a confluência do rio Jauru.

78
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

QUADRO 29: Cáceres, vias


urbanas e pavimento em 2007.
Vias Nº %
Vias Total 434,03 100,00
Vias Não pavimentadas 307,35 70,70
Vias Pavimentadas 126,68 29,30
Fonte: COOTRADE, Abril/2007.

Dos 126 km de vias pavimentadas, 29,3% do total, 10,1% são cobertas


com bloquetes. Portanto, a grande parte de Cáceres convive com poeira e
lama.
Considerando-se que a quantidade de calçadas é inferior ao de ruas
pavimentadas, estima-se que as calçadas equivalem a 60% da extensão das
ruas pavimentadas.
A frota de veículos automotores em Cáceres, cresce rapidamente. Entre
1999 e 2006, a frota cresceu mais do que a nacional, passando de 10.431 para
18.620 veículos. No entanto, o maior incremento é na categoria duas rodas
(motocicletas), como podemos ver à seguir:
QUADRO 30: Frota de veículos por
tipo, no município de Cáceres, 1999
e 2006.
Veículos 1999 2006
Biciclo 3.696 9.413
Triciclo - 3
Passeio 4.487 5.590
Transporte Coletivo 149 250
Comerciais Leves 1.500 2.131
Transporte de Carga 599 1.231
Outros - 2
TOTAL 10.431 18.620
Fonte: DENATRAN 2007, Anuário Estatístico 2000.

Evolução da Frota de veículos por tipo, em Cáceres, 1999 e 2006.

9.600
9.000
8.400
7.800
7.200
6.600
6.000
5.400
4.800 1999
4.200
3.600 2006
3.000
2.400
1.800
1.200
600
0
Motos Passeio Transporte Comerciais Leves Transporte Carga
Coletivo

79
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Embora seja impressionante o crescimento de motocicletas no período


1999-2006, é importante observar, que a expansão de veículos de transporte
de carga, amplia-se mais rápido do que a da categoria passeio.

Cáceres possui uma linha de transporte urbana, com veículos pequenos


e que realizam um longo percurso circular, atendendo a vários bairros.
O uso de bicicleta na mobilidade urbana é majoritário, tanto pelas
geografia plana da área urbana, quanto pela renda menor da maioria da
população urbana. Estima-se duas bicicletas por família em Cáceres. No
Brasil, a média é de 0,9 bicicletas por família.
A frota de bicicletas, que diariamente circula, mais o crescente número
de motocicletas, a falta de calçadas para os pedestres, bem como o déficit de
ruas pavimentadas, resultam em acidentes de trânsito diversos.
A tensão entre bicicletas e veículos automotores, além da falta de infra-
estrutura viária, se resulta em acidentes, também resulta nas medidas de
ordenamento recentes. A ciclovia de 3 km existente, foi ampliada com a
instalação de uma ciclo-faixa de mais 25 km de extensão, toda sobre ruas
pavimentadas. Esta ampliação cicloviária, bem como melhorias de sinalização
diversa e de novos semáforos, são medidas para tentar minorar os conflitos de
mobilidade urbana existentes e, que tendem a se agravar com a ampliação da
frota.

Controle de tráfego de veículos na rua ao lado do Supermercado


Juba, entre 06h00-18h00, em 04/05/2007. (Total 10.951 veículos)

Caminhão
Ônibus/Van 1,4% Bicicleta
Automóvel 1,1% 27,5%
31,3%

Ambulância
0,3%
Motocicleta
38,5%

80
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

A grande presença de moto-taxis, por toda a cidade, particularmente na


área central pode ser percebida no mapa de circulação urbana e reflete clara
deficiência do transporte de massa urbano.

10. TENDÊNCIAS E DIRETRIZES:

10.1. Tendências:

Antes de definirmos as tendências do município e de sua área urbana,


devemos explicitar que a conceituação de cidade aqui utilizada, coincide com
Ferrari24: “Espaço delimitado e contínuo, ocupado de forma permanente por um
aglomerado urbano denso e considerável em número, cuja evolução e
estrutura são determinadas pelo meio físico, desenvolvimento tecnológico e
modo de produção existente e cuja população possui o “status” de urbano”.

A evolução e estrutura de Cáceres, é o resultado da dialética articulação


entre as características do meio físico com o modo de produção geral e as
tecnologias que o mesmo vai incorporando em suas atividades. A área
urbana, iniciada às margens de um rio de planície, ponto longínquo de
navegação até o Oceano, nos auxiliam a entender suas origens e estrutura,
onde o ―centro‖ urbano original nas margens do rio e pelo mesmo delimitado,
vai ficando cada vez mais afastado dos bairros, deixando de ser o centro para
tornar-se um dos limites da área urbana, mudança ocorrida devido as novas
tecnologias de produção e de transporte. A navegação a vapor deixou de ser o
elo único da área urbana com os grandes mercados, sendo substituída pelo o
transporte automotriz, com os novos eixos de transporte terrestre, a ponte
sobre o Paraguai, etc.. e assim, alterando a estrutura, o formato da cidade.

24
FERRARI, Celson. Dicionário de Urbanismo. S.Paulo, Ed.Disal. 2004. 451p.

81
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Se o conceito de Ferrari é orientador para a análise urbana, não parece


suficiente para as naturais comparações que surgem. Ao aquilatarmos dados
da cidade e o seu entorno próximo e distante, constata-se as diferenças,
verifica-se que os indicadores, dentro do mesmo espaço estadual, demonstram
uma história de construção de diferenciações inter-municipais e regionais, um
processo de construção de desigualdades, onde alguns espaços urbanos
conseguem melhor qualidade de vida, adquirem mais desenvolvimento,
apresentam índices de crescimento econômico maiores, enquanto outros,
crescem em menor velocidade ou entram em estagnação, como as estatísticas
dos municípios da área de influência retratam.
Para isto, lembramos que a participação positiva no processo de
crescimento e de desenvolvimento humano, tem como base a “capacidade
política para gerar, agregar e reter valor aos bens e serviços (mercadorias)
produzidos pelo grupo ou região, em determinado momento histórico”25.
Isto não significa, que o grau de desenvolvimento de uma área, seja
resultante apenas de suas decisões, digamos endógenas. Como imersa na
totalidade de um modo de produção, num certo momento histórico, estas
condições são criadas, ou negadas, pelas tensões do posicionamento dos
grupos ou classes sociais do momento, sendo esta razão pela qual a ruptura,
aceleração, acentuação do processo local ou regional de inserção no modo de
produção dominante, é um processo político.
Se uma área não produz mercadorias, não pode no modo de produção
dominante ter significativa densidade humana. Exemplificando, vemos distritos
e vilas no município quase desaparecendo, como Horizonte D´Oeste, por
menor capacidade de produzirem bens ou serviços significativos para o
mercado, sem falarmos na capacidade de agregar valor (industrializar) e reter
o mesmo para reinvestimentos. Por outro lado, Vila Aparecida, Clarinópolis
com plantio de teca, recuperam capacidade de inserir-se no mercado, assim
como áreas anteriormente despovoadas, com as atividades induzidas pelos

25
MONTEIRO, Sílvio Tavares. O essencial é o desenvolvimento humano. Cuiabá: COOTRADE,
2003, 108p.

82
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

assentamentos, começam a ter nova inserção no mercado, alterando a


paisagem rural.
Estes pequenos exemplos, usamos para ilustrar que o processo na
escala urbana tem os mesmos efeitos. O passado e o presente, são
explicitados pela forma como o espaço urbano e rural de Cáceres, inseriram-se
no modo de produção, este ditou suas tecnologias produtivas e condições
culturais, explicando sua evolução e atual estrutura.

Em síntese:
Cáceres sempre foi uma área de produção de matérias-primas, quer
extrativa vegetal (poaia) e/ou animal (peles de animais silvestres), quer
agropecuárias, onde predomina a bovinocultura (produção de proteína
animal) e, esta iniciando uma nova fase de produção de madeira. Na
medida em que gera mercadorias, sem agroindustrialização, ela tendeu
a transferir valores para outras regiões;

Quando conseguiu estabilizar grandes unidades de agregação de valor


(agroindústrias), em torno da bovinocultura, foi de forma dependente de
capitais externos e, algumas vezes associada ao mesmo. Isto dificultou,
e ainda dificulta a sua capacidade de reter o valor agregado localmente;

Cáceres estruturou-se como uma área de serviços de suporte às


atividades produtivas do seu entorno. Atividades comerciais, serviços
financeiros, de saúde, de educação, de segurança, justiça, transporte,
etc.., sempre foram atividades que praticamente moldaram a estrutura
urbana;

Como pólo de serviços às atividades produtivas municipais e do entorno


próximo, ela tem limitantes, quando estes serviços são interiorizados e,
potencializa-se na razão em que cria serviços não existentes no seu
entorno, ou, que tenham qualidade melhor do que na sua área de

83
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

influência (Saúde, Educação) ou, cujas ―vantagens naturais‖ sejam


específicas do município (turismo esportivo, pesca, etc...);

10.2 Gerais:

O contínuo crescimento do Noroeste do Brasil (Acre, Rondônia,


Sul do Amazonas e da região Sudoeste de MT), garantem que
Cáceres, por seu posicionamento, tenha um crescente papel
como estrutura de apoio para o transporte;
A lenta e crescente articulação com a área andina, via Chiquitania
boliviana e Sta. Cruz de La Sierra, reforça o item anterior;
Os esforços políticos recentes de articulação da área produtiva
estadual do eixo Barra do Bugres-Tangará da Serra-Campo Novo
dos Parecis, via Porto Estrela para Cáceres, diminuindo custos de
fretes e ampliando a capacidade de escoamento fluvial, aceleram
a tendência geral da passagem de pólo de serviços e de apoio ao
transporte, para um grande pólo multimodal de transporte;
A existência do marco jurídico da ZPE, bem como o crescente
fluxo de exportações e de importações, vão construindo as bases
para modificações em seu papel regional-estadual;
A atratividade para empresas agregadoras de valor, na área do
Distrito Industrial e da ZPE, sempre terão o limitante da relativa
carência da infra-estrutura em comparação com os ganhos
tributários oferecidos pelo marco legal da ZPE. Na medida em
que somar-se facilidades de infra-estrutura para a produção, com
o já existente na área urbana, as possibilidades de crescimento
vão rapidamente acelerar-se;
Na medida em que especializar-se ou ampliar a quantidade e
excelência nos serviços que oferece (saúde, educação, turismo)
e, agregando novos para a sua região, as possibilidades de
interiorizar o crescimento econômico, transformando-o em
desenvolvimento humano, será maior;

84
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

O reflorestamento de teca, é a grande inovação tecnológica na


produção primária, com desdobramentos em atividades de
processamento no futuro próximo. Esta atividade, pela sua
demanda permanente de mão-de-obra, certeza de mercados
externos de processamento local, aprofundará modificações na
paisagem rural e mesmo urbana;

Portanto, Cáceres tende a continuar crescendo. O ritmo em que isto


ocorrerá, dependerá de sua capacidade de articulação, de aproveitamento de
suas vantagens e recursos, no processo geral de desenvolvimento estadual.

10.3 Da área urbana:

Revisar e implantar ações de regularização fundiária urbana, com base


em políticas sociais e ambientais;
Criar normativas sobre a área central tombada pelo patrimônio histórico;
A ampliação de áreas verdes de uso público, particularmente em bairros
mais distantes do centro e de áreas de livre e fácil acesso público para
lazer próximo ao rio;
A carência de pavimentação de suas vias e especialmente de calçadas
para a mobilidade de pedestres;
A planificação e operacionalização de um programa de mobilidade
urbana, que enfrente efetivamente a problemática de deslocamento do
cidadão, numa cidade onde ocorrem conflitos de uso entre pedestres,
ciclistas e motoristas;
A rápida, e urgente melhoria da estrutura do Distrito Industrial e área da
ZPE, é essencial, para potencializar mudanças no perfil econômico da
cidade. O fato de existir estas áreas, exige esforços para transformá-las
de potencialidades latentes, em efetivos aceleradores do
desenvolvimento;
10.4. Da área do Desenvolvimento Economico:

85
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Promover Programas visando direcionar os investimentos


empreendimentos industriais, comerciais ou de serviços
respeitando sempre a legislação ambiental;
Viabilizar estudos para implantar banco de dados, com
disponibilização de informações georreferenciadas de
oportunidades de negócios para orientação de investidores;
Promover em parceria programas de qualificação e inclusão
digital, com estímulo ao desenvolvimento tecnológico;
incentivar e apoiar a implantação e funcionamento da Zona de
Processamento de Exportação – ZPE, e seus desdobramentos,
potencializando a produção regional;
Criar programa de orientação e incentivo ao empreededor,
visando a regularização das suas atividades e a redução da
informalidade em questões fiscais e trabalhistas na indústria, no
comércio e nos serviços, conforme previsto na Lei Geral da Micro
e Pequena Empresa;
Promover Programas de incentivo ao Fomento a Cooperativas,
Economia Solidaria e ao Micro Empresario Individual.
Estabelecer juntos as entidades representativas comercial e
industrial de Cáceres, mecanismo de ação que incentivem a
abertura de novos comércios e industrias;
Incentiva as pesquisas, os estudos e os fóruns de debates que
venha trazer subsídios para o incremento do desenvolvimento
econômico local.

10.5 Na área de Educação:

Integrar com os diversos Órgãos Federais, Estaduais e outros


afins, para garantir a realização de um programa que atenda às

86
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

aspirações da população, cujo sucesso dependa do


comprometimento de todos;
Planejar sistematicamente a rede física escolar, garantindo o
respaldo técnico, inclusive aos alunos e professores portadores
de deficiência física, quanto à construação, ampliação e reforma
da mesma;
Expandir a oferta progressiva da educação infantil Municipal;
Dinamizar a educação pré-escolar no Municipio, nos aspectos
técnicos pedagódico e administrativo, objetivando a sua melhoria
qualitativa e quantitativa;
Expandir progressivamente a oferta de vagas no ensino
fundamental, visando minimizar o déficit de atendimento;
Construir, reformar as unidades escolares;
Promover a integração escola-comunidade buscando a
participação dessa no processo educativo escolar, ajudando
inclusive, na manunteção e conservação da escola;
Capacitar e treinar os profissionais da Educação da rede
municipal de ensino.

10.6 Na área de Recreação, Esporte e Lazer:

Oferecer acesso universal e integral às práticas esportivas,


promovendo bem-estar e melhoria da qualidade devida;
Criar áreas destinadas ao esporte e ao lazer;
Elaborar o Plano Municipal de Esportes e Lazer;
Criar programas de implantação de unidades esportivas em
regiões carentes no Municipio;
Promover programas de recuperação de praças e áreas de lazer;
Estabelecer programas de incentivo ao esporte, cultura e lazer;
Incentivar a pratica esportiva para a terceira idade;

87
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Incentivo aos esportes para portadores de necessidades


especiais;
promover jogos e torneios que envolvam o conjunto dos distritos e
povoados;
elaborar e propor legislação de incentivo às atividades de esporte
e lazer, incluindo a possibilidade do estabelecimento de
parcerias;
destinar parte das áreas públicas decorrentes de loteamento para
equipamentos esportivos.

10.7 Na área de Meio Ambiente e Turismo:

Criar unidades de conservação ambiental;


Proteger as áreas sujeitas à erosão e/ou inundações;
Implantar e incentivar a coleta seletiva e criar estações de triagem
e reciclagem do lixo;
Estimular estudos e pesquisas direcionadas, em busca de
alternativas tecnológicas, para a coleta, tratamento e deposição
do lixo;
Instrumentalizar o aterro sanitário como destino final dos resíduos
sólidos decorrente da coleta seletiva a serem implantada;
ampliar as áreas verdes do Município;
criar unidades de conservação;
implantar Sistema Municipal de Gerenciamento Integrado de
Monitoramento Ambiental;
Elaborar o Zoneamento Municipal Ecológico;
Desenvolver parcerias juntos aos órgãos governamentais e não
governamentais, visando à proteção dos recursos naturais do
município e sua adequada utilização;

88
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

elaborar estudo para definição de indicadores para atividade de


planejamento e recuperação ambiental em áreas críticas e de
risco;
estimular à geração de postos de trabalho nas ações e processos
de conservação ambiental;
fortalecer e incentivar programas de educação ambiental das
escolas;
apoiar as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) no território
municipal;
apoiar as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) no território
municipal;
ampliar a fiscalização ambiental, estabelecendo sanções e
penalidades aos responsáveis por invasões em áreas de
preservação ambiental.
desenvolver o plano de desenvolvimento do turismo, segundo as
diretrizes e metas traçadas pelo Programa de Regionalização do
Turismo no Brasil / 65 Destinos Indutores do Desenvolvimento
Turístico Regional.

10.8 Na área de Infra-Estrutura:

elaborar diagnostico das redes de abastecimento de água,


de esgoto sanitário e de drenagem urbana no município;
melhorar as redes de abastecimento de água, esgoto
sanitário e de drenagem, com prioridade para as áreas
carentes de infra-estrutura;
Garantir a plena oferta dos serviços de abastecimento de
água potável, de coleta dos esgotos sanitários e demais
serviços de infraestrutura urbana de interesse público,
assegurando qualidade e regularidade na oferta dos
serviços;

89
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

construir estações de tratamento de esgoto, visando à


despoluição dos córregos;
controlar e fiscalizar a limpeza dos lotes vagos e dos imóveis;
elaborar planos municipais de Abastecimento de Água, de
Esgotamento Sanitário, de Drenagem Urbana e de Gestão
de Resíduos Sólidos, que atenderão as diretrizes da Política
Municipal de Saneamento Básico, entre outras;
difusão de políticas de conservação do uso da água;
criação de instrumentos para permitir o controle social das
condições gerais de produção de água, ampliando o
envolvimento da população na proteção das áreas
produtoras de água.
Elaborar e implantar o Plano de Tráfego e Transporte Urbano
do Municipio;
manter e construir pontes e vias, de acordo com a demanda
para melhorar a acessibilidade na sede e nos distritos e
povoados;
coibir a privatização dos espaços públicos por atividades e
formas de ocupações inadequadas e prejudiciais à saúde
pública e à plena mobilidade dos pedestres;
elaborar e implementar projeto de sinalização informativa
urbana, revisando a nomenclatura das ruas e numeração das
edificações, com o objetivo de garantir a segurança e
comodidade no trânsito de pessoas, na entrega de
correspondências e mercadorias, o acesso rápido de
assistência médica em situações de emergência e da polícia,
quando da ocorrência de infrações e crimes;
Articular as políticas públicas de transporte e trânsito com a
política de desenvolvimento urbano, com o objetivo de

90
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

promover o desenvolvimento sustentável, e a redução das


necessidades de deslocamentos;
Incentivar a implantação de políticas para pessoas com
restrição de mobilidade, adaptando os sistemas de
transporte, considerando-se o princípio de acesso universal à
cidade;
Promover campanhas educacionais nas escolas e meios de
comunicação social, como forma de contribuir para o
melhoramento da condutas das pessoas conforme leis e
regulamentações de trânsito;
Promover, em conjunto com as concessionárias de serviços de
interesse público, a garantia de oferta adequada e proporcional à
demanda, de serviços de energia elétrica, iluminação pública,
com regularidade e qualidade;
Direcionar as indústrias para locais previamente determinados
(Distrito Industrial),onde poderá se maximizar o fornecimento de
energia elétrica por redes alternativas mais confiáveis;
Criar normas para que os projetos elétricos das industrias a
serem implatadas no Município sejam aprovados pela
concessionárias de energia elétrica antes de ser protocolado na
Secretaria de Obras;
Promover ações junto a Concessionaria de Energia Elétrica no
sentido de ampliar as redes de distribuição em areas em
processos de regularização fundiárias;

10.9 Na área de Agricultura e Abastecimento:

Proporcionar as comunidades rurais de produção, assistência na


produção e comercialização, preferencialmente aos micro e
pequenos produtores;

91
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Estabelecer mecanismo adequados e condições-economicas de


acesso fixação do homem ao campo;
Promover o zoneamento da capacidade sócio-economica e
ambiental do Municipio com o propósito de ordenar o processo
produtivo de ordenar o processo produtivo de forma orientada,
minizando os impactos ao meio ambiente e com um
aproveitamento mais adequado dos recursos naturais;
Estabelecer mecanismo de apoio ao associativismo dos
produtores rurais do Municipio;
Promover a integração entre as instituições do Municipio,
Governo Estadual e Federal, ligadas ao setor de produção
agropecuária e de comercialização no sentido de estabelecer
convênios que visem atingir os objetivos propostos;
Promover a organização dos produtores para maior participação
da produção e comercialização no mercado consumidor;

10.10 Na área da Saúde:


Realizar a vigilância sanitária atendendo a Lesgilação;
Aprimoramento da oferta de serviço de saúde considerando a
equidade territorial;
Realizar ações de divulgação, mediante o trabalho
multiprofissional nas áreas de nutrição e saúde: bucal, oral,
mental, da criança, do adolescente, da mulher, do trabalhador e
do idoso; bem como alertar sobre os casos de emergência e
urgência, hanseníase, tuberculose; uso de medicamentos,
controle epidemiológico, serviço de laboratório, radiologia,saúde,
meio ambiente, recursos humanos,pesquisa,informação e
informatização, administração e serviços gerais.

10.11 De Ordem Politica - Administrativa:


Capacitar as equipes técnicas de modo a fortalecer e estimular o
gerenciamento urbano;

92
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Atualizar permanentemente os levantamentos e pesquisas para


obtenção de diagnostico da situação da área urbana,
identificando basicamente a dinâmica da infra-estrutura;
Rever e atualizar a legislação tributária municipal, entre outras, a
possibilidade de adoção do critério de distribuição da carga
tributária de forma diferenciada em relação à localização
geografia da atividade no município.

10.12 Das Leis e Códigos:


A revisão e atualização de leis e códigos legais do município,
adequando-os ao diposto nesta Lei Complementar do Plano Diretor de
Desenvolvimento Urbano de Cáceres, impõe-se pela necessidade de,
além de aprimorar a legislação municipal em vigor, adotar e implementar
instrumentos de política urbana e ambiental, ainda não incorporados ao
arcabouço legal do município.
A revisão e atualização da legislação municipal,deverá ser
fundamentada no que dispõe a legislação estadual e federal pertinentes,
será elaborada, submetida à apreciação e aprovação do legislativo,
garantida ampla participação da comunidade em todo o processo.
As seguintes as leis e códigos deverão ser elaborados, revisados
e/ou atualizados:
a) Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo Urbano;
b) Lei de Habitação de Interesse Social do Municipio;
c) Lei de Regularização de Parcelamento/Loteamentos Clandestinos
ou Irregulares;
d) Códigos de Obras e Postura Municipais;
e) Código Sanitário
f) Código Tributário Municipal;
g) Código Municipal de Gestão Ambiental;
h) Legislação regulamentadora dos instrumentos de política urbana
definidos no Estatudo da Cidade.

93
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

11. Das Disposições Transitórias e Finais:


Sem esgotar os pontos desenvolvidos, este documento configura uma
plataforma para a aplicabilidade do Estatuto da Cidade (Lei 10.257/01),
segundo a realidade de Cáceres, particularmente, nos seguintes aspectos:

Planejamento Urbano e Regional: ao criar base de dados sobre a


realidade municipal e seu entorno, assim como base cartográfica sobre
diversos temas;
Regularização Fundiária: O documento contribui, ao conseguir, numa
primeira versão, discriminar em tabela e mapa, a situação fundiária da
área urbana, permitindo uma quantificação espacial da mesma e, com
cruzamento de outros dados, uma maior qualificação do impacto social
das medidas legais a serem tomadas e programas que poderão ser
incrementados;
Mobilidade urbana: Os dados e análise de mapas diversos, (densidade
demográfica como fundo da rede de saúde, educacional, etc... com
mapa de circulação urbana, população carente,..), servem para
subsidiar as discussões sobre alternativas para melhoria da mobilidade
urbana;
Zoneamento e limite urbano: Os dados de quantidade de população e
densidade por bairro, abastecimento de água, bem como os mapas das
redes institucionais, das áreas carentes, do saneamento básico, uso
atual do solo urbano, permitem a constatação das áreas que necessitam
adensamento populacional, correções no perímetro urbano, indicação
de Zonas de Especial Interesse Social, Ambiental, etc...
As informações sobre o meio ambiente urbano, bem como o mapa de
saneamento básico e o de áreas verdes e de risco ambiental, permitem
com a densidade populacional, identificar áreas para complementação
dos serviços básicos, que sejam necessárias remanejar populações
bem como a criação bem definida de áreas de produção ambiental e de
lazer;

94
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

No tocante a área histórica, este documento, ao demonstrar no uso


atual do solo, a sua coincidência com o uso residencial, comercial e de
serviços, auxilia a criar prioridade no PDD para a geração,
participativamente, de normativas de uso desta área, sem a sua
descaracterização;
No tocante ao mercado imobiliário, com os instrumentos de indução
para o desenvolvimento urbano, a indicação da situação dos lotes, o
demonstrativo das diferentes densidades, da extensão dos serviços de
água e de transporte público, permitem, na construção da Lei do PDD,
que o direito de preempção, direito de superfície, edificação
compulsória, IPTU progressivo, etc.., sejam discutidos e criados com
maior segurança, no marco legal da Lei do Plano Diretor.
Ao Poder Executivo cabe adotar estímulos e incentivos que possibilitem
atingir mais rapidamente os objetivos desta atualização formal do Plano
Municipal de Desenvolvimento - PDD;
O Plano Diretor está sustentado no Plano Plurianual que justifica a
proposta para a Lei Orçamentária Anual, cujo plano de aplicação é
condicionado ao aporte de receitas públicas, conforme as prioridades
definidas em audiências. Em síntese os objetivos do PDD deverão
obrigatoriamente ser balizados pelo aporte de recursos.

95
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Administradora da Zona de Processamento de Exportação de Cáceres -


AZPEC: Plano Diretor da Zona de Processamento e Exportação de Cáceres.
Cáceres -MT, 1993.

Análise, Diagnóstico e Diretrizes do Plano Diretor de Curitiba. Curitiba,1985.

Análise, Diagnóstico e Diretrizes do Plano Diretor de São João del Rei, 2006.

Cáceres - Diagnóstico para o Planejamento Urbano, Cootrade, 2007.

Desenvolvimento Urbano e Gestão Municipal - Plano Diretor em Municípios de


pequeno porte: Documento básico. Programa Nacional de Capacitação.
Convênio IBAM - MIR / SDU / Secretaria de relações com Estados e
Municípios. Rio de Janeiro, 1994.

Friedrich, Martin. Questão Urbana na Bacia do Alto Paraguai, Cuiabá, 1994.

Lopes, Ataíde Rodrigues - O ABC do Turismo. São Paulo, Linha Geográfica


Editora, 1994.

Manual de Municipalização do Turismo. Ministério da Indústria, do Comércio e


do Turismo / Secretaria de Turismo e Serviço. Brasília, 1994.

NORTEC – Proposta Técnica, 2008.

Plano Diretor da Área 5, PDA - SUDAM. Governo do Estado de Mato Grosso /


Secretaria do Planejamento e Coordenação Geral / Convênio 070/92:
Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia, 1994.

Relatório do Plano de Ação Integrada, 1994-1995. Prefeitura Municipal de


Cáceres, Secretaria de Educação e Cultura.

Sanchez, Roberto Omar. Zoneamento Agroecológico: objetivos, conceitos


centrais e aspectos metodológicos. Cuiabá, Fundação de Pesquisas Cândido
Rondon, 1989.

Sinopse preliminar do Censo Demográfico / Fundação Instituto Brasileiro de


Geografia e Estatística/IBGE - V.1, 1991, Rio de Janeiro.

96
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

Subsídios para uma Política de Desenvolvimento Regional, Documento de


Trabalho nº 1, Gerência de Programas de Desenvolvimento Regional / Projeto
FAO / PNUD - Contrato BRA/87/37, Brasília, 1990.

Zonas de Processamento de Exportação: Legislação - Export Processing


Zones: Legislation / Conselho Nacional das Zonas de Processamento de
Exportação - Brasília: CZPE, 1994.

97
Plano Diretor de Desenvolvimento – PDD

_____________________________________________________

ANEXOS

1. SLIDES UTILIZADOS NAS AUDIÊNCIAS PÚBLICAS;

2. CONJUNTO DE MAPAS;

98

Похожие интересы