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Nietzsche, Friedrich. Além do bem e do mal.

1. Dos preconceitos dos filósofos


2. O espírito livre
3. A natureza religiosa
4. Máximas e interlúdios
5. Contribuição à historia natural da moral
6. Nós, eruditos
7. Nossas virtudes
8. Povos e pátrias
9. O que é nobre?
Do alto dos montes (Canção-epílogo)

Dogmatismo é coisa de iniciantes. “Parece que todas as coisas grandes, para se


inscrever no coração da humanidade com suas eternas exigências, tiveram primeiro
que vagar pela Terra como figuras monstruosas e apavorantes: uma tal caricatura foi a
filosofia dogmática (...)” pág. 7-8.

Certamente significou pôr a verdade de ponta-cabeça e negar a perspectiva, a


condição básica de toda a vida, falar do espírito e do bem tal como fez Platão; pág. 8.

1.
A vontade de verdade, que ainda nos fará correr não poucos riscos, a célebre
veracidade que até agora todos os filósofos reverenciaram: que questões essa vontade
de verdade já não nos colocou! Estranhas, graves, discutíveis questões! (...) Que
surpresa se por fim nos tornamos desconfiados, perdemos a paciência, e impacientes
nos afastamos? Pág. 9.

Nós questionamos o valor dessa vontade. Certo, queremos a verdade: mas por que
não, de preferência, a inverdade? Ou a incerteza? Ou mesmo a insciência? – O
problema do valor da verdade apresenta-se a nossa frente – ou fomos nós a nos
apresentar diante dele? Pág. 9.

A crença fundamental dos metafísicos é a crença na oposição de valores. P.10.

(...) “estar consciente” não se opõe de algum modo decisivo ao que é instintivo – em
sua maior parte, o pensamento consciente de um filósofo é secretamente guiado e
colocado em certas trilhas pelos seus instintos. P.11.

A falsidade de um juízo não chega a constituir, para nós, uma objeção contra ele; p.11

Reconhecer a inverdade como condição de vida: isto significa, sem dúvida, enfrentar
de maneira perigosa os habituais sentimentos de valor; e uma filosofia que se atreve a
fazê-lo se coloca, apenas por isso, além do bem e do mal.

Gradualmente foi se revelando para mim o que toda grande filosofia foi até o
momento: a confissão pessoal de seu autor, uma espécie de memórias involuntárias e
inadvertidas; e também se tornou claro que as intenções morais (ou imorais) de toda
filosofia construíram sempre o germe a partir do qual cresceu a planta inteira. P.12.
Pois todo impulso ambiciona dominar: e portanto procura filosofar. P.13.