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TEMAS BÍBLICOS PARA ESTUDO –


LEVITAS E SACERDÓCIO LEVÍTICO

Autora: Pastora Tânia Cristina Giachetti


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Assuntos relacionados: A arca da Aliança do Senhor | Estudo evangélico sobre o templo


de Salomão | Menorá | O Tabernáculo de Moisés e seu significado. Links:
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Tabela de genealogias bíblicas para download (a mesma colocada no texto abaixo):


www.searaagape.com.br/genealogiasbiblicas.pdf

Neste estudo, nós vamos falar sobre os Levitas e o Sacerdócio Levítico, bem como
sobre a genealogia da linhagem levítica, a função dos Levitas no Tabernáculo e no
Templo, os utensílios do Tabernáculo, as vestes sacerdotais, o Urim e o Tumim, as
pedras no peitoral do juízo, e sobre o dízimo, as primícias e as ofertas que eles recebiam
do povo pelo serviço que prestavam na tenda da congregação. Há também uma lista
com as cidades dos Levitas dadas a eles por Josué quando a Terra Prometida foi
conquistada. Vamos entender o que tudo isso significa para nós hoje.
Vamos falar primeiro sobre os Levitas, e depois sobre o Tabernáculo ou Tenda da
congregação, que o Senhor ordenou aos filhos de Israel que construíssem no deserto
para o lugar de Sua adoração.

Levi foi um dos doze filhos do patriarca Jacó e foram separados dentre todos os
seus irmãos para servir a Deus como sacerdotes, em especial os filhos de Arão. Levi
gerou Gérson, Coate e Merari. Coate gerou Anrão, Isar, Hebrom e Uziel. Anrão foi o
pai de Miriam, Arão e Moisés. Arão se casou com Eliseba e teve quatro filhos: Nadabe,
Abiú (estes dois morreram no deserto por ter oferecido incenso sem a permissão do
Senhor – Lv 10: 1-7), Eleazar (1 Cr 6: 1-15) e Itamar (Êx 6: 23). Os descendentes de
Eleazar (1 Cr 6: 1-15) e Itamar foram, respectivamente: Zadoque e Abiatar, que
oficiaram como sacerdotes no reinado de Davi – 1 Cr 24: 3). Os outros irmãos de Anrão
também geraram descendência, mas não foram escolhidos por Deus para seguirem a
linhagem de sumo sacerdotes (Mais tarde falarei disso, quando voltar a falar entre a
diferença entre Levitas e sacerdotes Levitas). Isar, o segundo filho de Anrão, gerou
Coré (ou Corá – Êx 6: 21; Nm 26: 9-11), Nefegue e Zicri. Coré gerou Assir, Elcana e
Abiasafe (Êxodo 6: 24) e, de Assir, depois de 12 gerações (1 Sm 1: 1 cf. 1 Cr 6: 33-35),
nasceu Jeroão, que foi pai de Elcana, o pai do profeta e sacerdote Samuel. Os filhos de
Samuel (Abias e Joel) também tiveram filhos. De Joel nasceu Hemã, um dos cantores
que oficiaram no reinado de Davi. De Hebrom, outro irmão de Anrão, nasceram (1 Cr
23: 19): Jerias, Amarias, Jaaziel e Jecameão, cuja descendência serviu a Deus no
reinado de Davi. Finalmente, de Uziel, o último irmão de Anrão, nasceram Misael,
Elzafã e Sitri (Êx 6: 22), de cuja descendência nasceram Mica e Issias (os dois foram
levitas no reinado de Davi). Voltando aos filhos de Levi (Gérson, Coate e Merari),
Gérson gerou Libni e Simei, sendo que um dos seus descendentes, após várias
gerações, foi Asafe, um dos músicos de Davi [1 Cr 6: 16-30; 1 Cr 6: 31-48; 1 Cr 15: 17
e 1 Cr 23: 1-32]. De Merari, o último filho de Levi, nasceram Mali e Musi. Este gerou
Mali e, depois de várias gerações, nasceu Etã (ou Jedutum), outro músico de Davi (1
Cr 25: 1 e 3; 1 Cr 15: 19). Vamos nos lembrar também que Moisés, filho de Anrão, era
um levita; portanto, sua geração foi de linhagem Levítica. Moisés gerou a Gérson e
Eliezer. Dos seus filhos nasceram descendentes, entre eles, Sebuel (filho de Gérson) e
Reabias (filho de Eliezer), cujos descendentes oficiaram no reinado de Davi (1 Cr 23:
15).

Vamos resumir o que dissemos acima:

Descendentes de Levi [1 Cr 6: 16-30; 1 Cr 6: 31-48 e 1 Cr 15: 17; 1 Cr 23: 1-32


(músicos de Davi *)]:
1) Gérson:
Libni → gerou descendência
Simei → gerações → Berequias → Asafe *
2) Coate: Anrão, Isar, Hebrom, Uziel → Hemã *
3) Merari:
Mali → gerou descendência
Musi → Mali → gerações → Etã * (Jedutum): 1 Cr 25: 1 e 3; 1 Cr 15: 19.

Anrão
x Joquebede, sua tia (Êx 6: 20)

Miriã Arão x Eliseba Moisés x Zípora
↓ ↓
Nadabe, Abiú (mortos no Gérson * e Eliezer **
deserto ↓
Lv 10: 1-7), Sebuel * e Reabias **
Eleazar * (1 Cr 6: 1-15) e (seus descendentes
Itamar ** (Êx 6: 23) oficiaram como Levitas no
↓ reinado de Davi – 1 Cr 23:
Zadoque * e Abiatar ** 15; 26: 24-25
oficiaram como sacerdotes
no reinado de Davi –
1 Cr 24: 3
Isar Uziel Hebrom

• Coré* (Corá – Êx 6: 21; Misael (1 Cr 23: 19):


24; Nm 26: 9-11) Elzafã Jerias
• Nefegue Sitri (Êx 6: 22) Amarias
• Zicri ↓ Jaaziel
↓ ... Jecameão
*Assir (filho de Coré) ↓ ↓
↓ Mica e Issias (os dois (seus descendentes
12 gerações... oficiaram como Levitas no serviram como Levitas no
1 Sm 1: 1 cf. 1 Cr 6: 33-35) reinado de Davi) reinado de Davi)
Jeroão

Elcana

Samuel (sacerdote e
profeta)

Abias e Joel

Joel → Hemã * (músico no
reinado de Davi)

Assim, podemos entender que os Levitas eram sacerdotes que serviam o Senhor,
mas somente os da linhagem de Anrão, mais especificamente de Arão, eram aptos para
serem sumo sacerdotes, pois o próprio Deus estabeleceu assim, quando falou a Moisés
no Sinai.
Um dos descendentes de Eleazar (filho de Arão) deu seu nome à oitava família (a
família de Abias) dentre os vinte e quatro turnos de sacerdotes (1 Cr 24: 10), dos quais
Zacarias (Lc 1: 5), pai de João Batista, fazia parte.

Sumo sacerdotes (1 Cr 6: 1-15; 49-53): Arão → Eleazar → Finéias → Abisua →


Buqui → Uzi → Zeraías → Meraiote → Amarias → Aitube → Zadoque (na época de
Davi) → Aimaás → Azarias → Joanã → Azarias (na época de Salomão) → Amarias →
Aitube → Zadoque → Salum → Hilquias → Azarias (2 Cr 31: 10 – sumo sacerdote no
tempo de Ezequias) → Seraías (Jr 52: 24 – levado cativo para a Babilônia juntamente
com Sofonias, o segundo sacerdote) → Jeozadaque (levado cativo para a Babilônia) →
Período Pós-exílico: Jesua ou Josué (520 AC, durante o período dos profetas Zacarias
(520 AC) e Ageu (520-480 AC): Ed 2: 2; Ed 3: 2; Ed 10: 18; Ne 12: 1; 10-11; Ag 1: 12;
Ag 2: 2; Zc 3: 1) → Joiaquim (Ne 12: 10 – 480 AC) → Eliasibe (Ne 3: 1; Ne 12: 10; 22;
Ne 13: 4; 7; Ne 13: 28 – 458-443 AC) → Joiada (Ne 12: 10; 22; Ne 13: 28 – 420 ou 415
AC). Provavelmente Eliasibe e Joiada foram contemporâneos do profeta Malaquias
(440-430 AC), o período que, segundo alguns estudiosos, coincide com o retorno de
Neemias à Pérsia após seus 12 anos como governador em Jerusalém (Ne 5: 14; Ne 13:
6), voltando novamente à cidade (Ne 13: 6); por isso, Malaquias reprovou os sacerdotes,
que estavam negligenciando seu ofício → Jônatas (ou Joanã, Ne 12: 10; 22 – 408-336
AC) → Jadua (Ne 12: 10; 22 – 340 ou 336 AC, um pouco antes de Alexandre o Grande
(333-323 AC) subir ao poder e derrotar o império persa, cujo último governante foi
Dario III; Jadua se encontrou com Alexandre em 332 AC) → Período
Intertestamentário (com início em 397 AC, sob a ótica espiritual, i.e., profética, após o
período de Malaquias) → listagem histórica, não bíblica (fonte: Wikipedia.org) →
Período Ptolomaico sobre a Palestina (323-198 AC): Onias I → Simão I → Simeão, o
Justo → Eleazar → Manassés → Onias II (por volta de 234 AC) → Período dos
Selêucidas sobre a Palestina (198-167 AC; sacerdotes escolhidos pelos Selêucidas):
Simão II → Onias III (185-175 AC) → Jason (175-172 AC) → Menelau (172-162 AC)
→ Alcimus (162-153 AC) → Revolta dos Macabeus, sob o comando de Matatias
Hasmon no vilarejo chamado Modiín. Matatias era sacerdote, mas não há prova alguma
sobre pertencer à linhagem de Arão. Ele era pai de cinco filhos: Simão, Judas (o
macabeu), Eleazar, João e Jônatas. Matatias faleceu na revolta, e seu filho Judas
Macabeu (160-153 AC) foi nomeado general. Finalmente, os Macabeus expulsaram as
tropas de Antíoco IV (Rei Selêucida) de Jerusalém. A Revolta dos Macabeus durou de
167-160 AC. Judas Macabeu faleceu e foi sucedido por seu irmão Jônatas, que se
tornou sumo sacerdote em Jerusalém por indicação do rei Selêucida Antíoco VI
Dionísio (144-142 AC) → Dinastia Hasmoneana sobre Israel (167-63 AC): Jônatas
Macabeu (153-143 AC) → Simão Macabeu (143-135 AC) → João Hircano I (o filho
mais novo de Simão Macabeu – 135-104 AC) → Aristóbulo I (nascido com nome
Judas, o filho mais velho de João Hircano I – 104-103 AC) → Alexandre Janeu (103-76
AC. Alexandre, filho de João Hircano I, herdou o trono de seu irmão Aristóbulo I,
casando-se com a viúva deste, Salomé Alexandra, de acordo com a lei do levirato) →
Rainha Salomé Alexandra e João Hircano II (76-67 AC), filho mais velho dela com
Alexandre Janeu → Aristóbulo II (67-63 AC – outro filho de Salomé e Alexandre
Janeu) → João Hircano II (restaurado – 63-40 AC. A neta de João Hircano, II
Mariamne I, foi a 2ª esposa de Herodes o Grande) → Antígono (40-37 AC), o filho de
Aristóbulo II. Antígono foi o último rei da dinastia Hasmoneana → Em 65–64 AC, o
Império Selêucida foi anexado à República Romana. Assim, terminou também o
Período Hasmoneano, e teve início o Período Romano, quando Pompeu invadiu
Jerusalém (63 AC) e Herodes, o Grande, subiu ao poder como rei → Dinastia
Herodiana: Herodes era filho de Antípatro, um Idumeu (ou Edomita), colocado pelo
general romano Pompeu como procurador da Palestina em 67 AC. Antípatro prosperou
na corte dos últimos soberanos Hasmoneus e passou a governar a Judéia após a
ocupação romana → Herodes, o Grande, nomeou como sumo sacerdote a Ananelus
(37-36 AC), sucedido por Aristóbulo III da Judéia (36 AC). Aristóbulo III era cunhado
de Herodes, o Grande e irmão de Mariamne I; foi assassinado por Herodes, que já havia
assassinado João Hircano II da Judéia 36 AC. → Ananelus (restaurado – 36-30 AC),
Joshua ben Fabus (30-23 AC) → Simon ben Boethus (pai de Mariamne II, que se casou
com Herodes, o Grande) → Joazar ben Boethus (4 AC) → Eleazar ben Boethus (4-3
AC) → Anás (6-15 DC – Ananus ben Seth ou Anás ben Sete, o pai, o Anás dos
Evangelhos) → Caifás (18-36 DC – genro de Anás: Lc 3: 2; João 18: 13. Escolhido
pelos romanos para o cargo).
Os cinco filhos de Anás também serviram como sumo sacerdotes:
• Eleazar ben Anás (16-17 DC)
• Jônatas ben Anás (36-37 DC, após a morte de Caifás)
• Teófilo ben Anás (37-41 DC)
• Matias ben Anás (43 DC)
• Anás ben Anás (63 DC)

As cidades dos Levitas estão descritas em Josué 21: 1-45, e são ao todo 48 cidades
(Josué 21: 4-7): Quiriate-Arba (ou Hebrom, e também cidade de refúgio para o
homicida), Libna, Jatir, Estemoa, Holom, Debir, Aim, Jutá, Bete-Semes, Gibeão, Gaba,
Ananote, Almom, Siquém (na tribo de Efraim e também cidade de refúgio para o
homicida), Gezer, Quibzaim, Bete-Horom, Elteque, Gibetom, Aijalom, Gate-Rimom
(na tribo de Dã), Taanaque, Gate-Rimom (na tribo de Manassés), Golã (na tribo de
Manassés e também cidade de refúgio para o homicida), Beesterá, Quisião, Daberate,
Jarmute, En-Ganim, Misal, Abdom, Helcate, Reobe, Quedes (em Naftali e também
cidade de refúgio para o homicida), Hamote-Dor, Cartã, Jocneão, Cartá, Dimna,
Naalal, Bezer (na tribo de Rúben e também cidade de refúgio para o homicida), Jaza,
Quedemote, Mefaate, Ramote (em Gileade e também cidade de refúgio para o
homicida), Maanaim, Hesbom e Jazer. A bíblia diz no v. 41: “As cidades, pois, dos
levitas, no meio da herança dos filhos de Israel, foram, ao todo, quarenta e oito cidades
com seus arredores”.

Os Levitas serviam dentro do santuário, no Lugar Santo e no Santo dos Santos. No


Antigo Testamento muitos eram os encargos dos levitas, não só cantar, como pensam
alguns. Em 1 Cr 23; 24; 25 e 26, um pouco antes de construído o templo por Salomão e
a arca da Aliança não mais precisar ser carregada sobre seus ombros para nenhuma
parte de Israel, a bíblia nos informa as funções dos sacerdotes e dos levitas
(determinadas por Davi): conservavam os utensílios do templo, deslocavam os móveis,
assavam os pães da proposição, guardavam suprimentos para sacrifício, eram músicos,
administradores (guarda dos tesouros do templo), assistentes dos sacerdotes nos rituais,
porteiros oficiais, juízes (1 Cr 23: 4). Seu serviço era feito em 24 turnos, em
revezamento. Eles eram separados a cada semana duas vezes por ano para realizar seu
sacerdócio. Mas devemos nos lembrar também das orientações anteriores dadas por
Deus a eles, quando o templo ainda não havia sido construído: eles conservavam os
utensílios do templo – por exemplo: eles deveriam manter o candelabro aceso todos os
dias, queimavam incenso no altar de ouro duas vezes por dia, removiam as cinzas do
altar, deslocavam os móveis – levavam a Arca da Aliança sobre os ombros; preparavam
o óleo da santa unção, assavam os pães da proposição, guardavam suprimentos para
sacrifício, mantinham o fogo ardendo perpetuamente sobre o altar do holocausto etc.
A família de Coate cuidava dos utensílios do tabernáculo, após Arão e seus filhos
os cobrirem; aí eles os carregavam, inclusive a arca da Aliança. Arão e seus filhos
cuidavam do sacerdócio propriamente dito, de servir no Santo dos Santos e no Lugar
Santo, portanto, cuidavam dos objetos sagrados, do Lugar Santo e do Santo dos Santos
(A liderança era de Eleazar, filho de Arão: Nm 3: 31; Nm 4: 3 e Nm 4: 16-20). A
família de Gérson cuidava de carregar as cortinas e os reposteiros, assim como os
demais utensílios da tenda da congregação, que não os objetos sagrados; e a família de
Merari era responsável pelos objetos, pelas estacas e por tudo o mais que estava no
pátio externo da tenda da congregação, além das tábuas do Tabernáculo. Essas duas
últimas famílias estavam debaixo do comando de Itamar, 2º filho de Arão: Nm 3: 25-26;
Nm 3: 36-37; Nm 4: 21-28; Nm 4: 29-33. Portanto, cada um desempenhava sua própria
função. Isso para nós é muito importante, porque é o trabalho conjunto de cada membro
da Igreja que ajuda a mantê-la em ordem e ajuda o sacerdote na sua função que é a
oração e o ministério da palavra. Da idade de trinta anos até os cinqüenta os levitas
eram separados para servir ao Senhor (Nm 4: 3; 23; 30; 43). Davam o dízimo dos
dízimos que recebiam do povo ao sacerdote. A eles foram dadas cidades para habitarem
(“as cidades dos levitas”) no meio das tribos de Israel, ao todo quarenta e oito cidades.
Por colocarem as coisas de Deus acima das coisas pessoais, inclusive da própria família,
é que Moisés os abençoou, pedindo a Deus que os guardasse de todo o mal e os livrasse
de todos os seus inimigos (Dt 33: 8-11).
Hoje, após a vinda de Jesus, a bíblia diz que nós somos os levitas, os sacerdotes do
Senhor na terra e devemos exercer nosso ofício com toda a santidade (1 Pe 2: 9: “Vós,
porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de
Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua
maravilhosa luz”). Através das nossas atitudes de adoração, fidelidade e louvor sincero
a Jesus, muitos serão resgatados das trevas e largarão os falsos deuses para conhecer a
verdadeira luz, que é o Filho de Deus.
Vamos falar um pouco sobre o Tabernáculo do Senhor, construído após a saída do
Seu povo do Egito:
Depois da saída dos filhos de Israel do Egito, quando estavam no deserto, Deus
ordenou que fosse construído um santuário para que o povo pudesse distinguir entre as
coisas sagradas e as coisas mundanas. Ele precisava de um lugar consagrado, separado
das demais coisas, para poder ser adorado integralmente. Hoje, como filhos de Deus,
esta é a ordenança que temos: construir dentro de nós um lugar santo onde Ele possa
estar em privacidade conosco e poder nos falar, nos tratar e nos dirigir, da mesma forma
que fez com Moisés. Está escrito:
• 1 Co 3: 16-17: “Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus
habita em vós? Se alguém destruir o santuário de Deus, Deus o destruirá; porque o
santuário de Deus, que sois vós, é sagrado”.
• 1 Co 6: 15-20: “Não sabeis que os vossos corpos são membros de Cristo? E eu,
porventura, tomaria os membros de Cristo e os faria membros de meretriz?
Absolutamente não. Ou não sabeis que o homem que se une à prostituta forma um só
corpo com ela? Porque, como se diz, serão os dois uma só carne. Mas aquele que se une
ao Senhor é um só espírito com ele. Fugi da impureza. Qualquer outro pecado que uma
pessoa cometer é fora do corpo; mas aquele que pratica a imoralidade peca contra o
próprio corpo. Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que
está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos? Porque
fostes comprados por preço. Agora, pois glorificai a Deus no vosso corpo”.
O que podemos entender é que nós somos o verdadeiro santuário de Deus, não
feito por mãos humanas, mas pelo Espírito Santo vivendo no nosso corpo, na nossa
alma e no nosso espírito e querendo ocupar todo o espaço que Lhe pertence, uma vez
que não somos mais de nós mesmos. Se fizermos uma comparação com o tabernáculo
ordenado pelo Senhor a Moisés (Êx 25; Êx 26 e Êx 27; Lv 24: 1-9), vamos notar coisas
interessantes:
O tabernáculo era dividido em três partes: O Santo dos Santos, onde ficava a arca
da Aliança, e era separado do Santo Lugar por um véu espesso. Lá entrava apenas o
sumo sacerdote uma vez por ano para oferecer sacrifício pelo pecado (no dia da
Expiação). O Lugar Santo (Santo Lugar) era onde ficava a mesa com os pães da
presença ou pães da proposição (ao norte) e o candelabro (ao sul). Defronte do véu,
no Lugar Santo, mas na frente da arca da Aliança, havia também o altar do incenso ou
altar de ouro, onde Arão e seus filhos queimavam incenso duas vezes por dia como
ofertas contínuas ao Senhor. Embora colocado no Lugar Santo, o altar de ouro era
considerado uma peça do Santo dos Santos. Para fora do Santo Lugar ficava o Átrio
Exterior com a bacia de bronze para os sacerdotes lavarem as mãos e os pés e o altar
do holocausto, onde se faziam os sacrifícios pelo povo. Além do Átrio Exterior, estava
o Pátio dos Gentios (quando foi construído o templo de Herodes) onde os estrangeiros
só poderiam ter um vislumbre do interior do templo através de uma balaustrada que eles
não poderiam ultrapassar. Separando o Lugar Santo do Santo dos Santos havia um véu
espesso, como já dissemos, que simbolizava a separação entre o santo e o profano, entre
Deus e os homens. Como também dissemos, no Santo dos Santos havia a arca da
Aliança e ali só podia entrar o sumo sacerdote uma vez por ano para adorar ao Senhor e
Lhe oferecer sacrifícios. Foi o véu que se rasgou quando Jesus morreu na cruz,
simbolizando que Sua morte estava rompendo a separação entre nós e Deus. A partir
daquele momento, Ele, como sumo sacerdote, estava fazendo o sacrifício definitivo para
nos dar livre acesso ao coração do Pai. O templo assim construído tem uma semelhança
com o nosso ser e com a nossa vida. O Átrio Exterior representa nossos
relacionamentos sociais em que muitas pessoas nos vêem, nos cumprimentam, mas
conhecem pouco de nós. O Lugar Santo é a nossa alma, da qual participam pessoas
mais próximas como a família e os amigos que nos conhecem melhor e sabem do que se
passa no nosso coração. Aí é que deveríamos vigiar mais para não deixar entrar
qualquer um e não sermos tão feridos (Ez 44: 5). No Santo dos Santos, que
corresponde ao nosso espírito, onde estão os mais íntimos dos nossos desejos e nosso
verdadeiro eu, aí só o Espírito de Deus tem acesso.
O candelabro significa a luz, o Espírito Santo com os israelitas (a glória do
Senhor). A mesa significa comunhão e intimidade com Deus e os pães, a comida e a
provisão divina. A arca com o povo simbolizava que YHWH estava com eles. Como
ela era levada na frente pelos levitas, isto é, pelos sacerdotes, significa que o líder
levantado por Deus como sacerdote no meio do Seu povo libera a palavra profética e dá
o exemplo abrindo o caminho para que o rebanho possa passar também e alcançar sua
terra prometida. Hoje, somos nós que carregamos Sua presença para onde formos.
Dentro do nosso coração deve haver o fogo do Espírito queimando constantemente (a
chama acesa no candelabro), o amor pela Sua obra (o fogo aceso no altar) e o louvor,
pois é ele que nos aproxima do trono. Quanto ao outro encargo dos levitas (queimar
incenso no altar de ouro duas vezes por dia) nós podemos nos lembrar do que está
escrito em:
• Ap 5: 8: “E, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro
anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de
ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos”.
• Ap 8: 3-4: “Veio outro anjo e ficou de pé junto ao altar, com um incensário de
ouro, e foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos
sobre o altar de ouro que se acha diante do trono; e da mão do anjo subiu à presença de
Deus a fumaça do incenso, com as orações dos santos”.
Assim, fica claro que nós como sacerdotes de Cristo queimamos diante Dele todos
os dias o incenso da nossa oração. E, como sacerdotes, nós removemos as cinzas que
ficaram, ou seja, aquilo que não tinha mais motivo de estar dentro do nosso ser e foi
entregue ao Senhor em oração. O fogo do Seu Espírito queimou o mal e nos avivou.
Antes de falarmos sobre as vestes sacerdotais, ainda existe algo a ser dito sobre os
levitas:
Desde os primórdios da Lei, os levitas recebiam o dízimo, as primícias e as
ofertas pelo serviço que prestavam na tenda da congregação, pois não tinham meios
de renda, nem gado, nem herança que lhes assegurasse o sustento. Fazendo assim, o
povo era abençoado e não faltaria alimento na Casa do Senhor:
• Nm 3: 41: “e para mim tomarás os levitas (eu sou o Senhor) em lugar de todo o
primogênito dos filhos de Israel e os animais dos levitas em lugar de todo o primogênito
entre os animais dos filhos de Israel”.
• Nm 4: 1-3: “Disse o Senhor a Moisés e a Arão: Levanta o censo dos filhos de
Coate [filho de Levi e avô de Arão e Moisés], do meio dos filhos de Levi, pelas suas
famílias, segundo a casa de seus pais; da idade de trinta anos para cima até os cinqüenta
será todo aquele que entrar neste serviço, para exercer algum encargo na tenda da
congregação”.
• Nm 8: 24-26: “Isto é o que toca aos levitas: da idade de vinte e cinco anos para
cima entrarão, para fazerem o seu serviço na tenda da congregação; mas desde a idade
de cinqüenta anos desobrigar-se-ão do serviço e nunca mais servirão; porém ajudarão
aos seus irmãos na tenda da congregação, no tocante ao cargo deles; não terão mais
serviço. Assim farás com os levitas quanto aos seus deveres”.
Os levitas davam o dízimo dos dízimos de todas as dádivas que recebiam, e tinham
de ser dados ao sumo sacerdote. Hoje, nosso sumo sacerdote é Jesus. Em Nm 18: 1-32
estão escritos os direitos e os deveres dos sacerdotes e aqui o Senhor fala também dos
dízimos que eram dados ao levita; 10% das colheitas e dos animais de Israel era o
dízimo dado aos levitas para ajudá-los no sustento, uma vez que era a única tribo que
não tinha possessão em Canaã. Eles, em troca, ofereciam o dízimo dos dízimos em
sacrifício a Deus. Hoje, para nós, o Levita é todo aquele que exerce o cargo de
liderança como sacerdote, por exemplo, o pastor da igreja, e os que o auxiliam na
instrução do povo, e que foram separados para esse ofício e muitas vezes não têm
trabalho secular. Foram separados por Deus apenas para o ministério. A bíblia diz que o
Levita, ou seja, o pastor, recebe o dízimo do povo e dá a Deus o seu dízimo, ou seja, o
dízimo dos dízimos que ele recebe:
• Nm 18: 1; 6; 8; 14; 20-21: “Disse o Senhor a Arão: Tu, e teus filhos, e a casa de
teu pai contigo levareis sobre vós a iniqüidade relativamente ao santuário; tu e teus
filhos contigo levareis sobre vós a iniqüidade relativamente ao vosso sacerdócio... Eu,
eis que tomei vossos irmãos, os levitas, do meio dos filhos de Israel; são dados a vós
outros para o Senhor, para servir na tenda da congregação... Disse mais o Senhor a
Arão: Eis que eu te dei o que foi separado das minhas ofertas, com todas as coisas
consagradas dos filhos de Israel; dei-as por direito perpétuo como porção a ti e a teus
filhos... Toda coisa consagrada irremissivelmente [que não poderia ser resgatada] em
Israel será tua... Disse também o Senhor a Arão: Na sua terra, herança nenhuma terás e,
no meio deles, nenhuma porção terás. Eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos
filhos de Israel. Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo
serviço que prestam, serviço da tenda da congregação”.
• Nm 18: 26: “Também falarás aos levitas e lhes dirás: Quando receberdes os
dízimos da parte dos filhos de Israel, que vos dei por herança, deles apresentareis uma
oferta ao Senhor: o dízimo dos dízimos”.
• Nm 18: 28: “Assim, também apresentareis ao Senhor uma oferta de todos os
vossos dízimos que receberdes dos filhos de Israel e deles dareis a oferta do Senhor a
Arão, devem trazer ofertas do cereal, do vinho e do azeite; porquanto se acham ali os
vasos do santuário, como também os sacerdotes que ministram, e os porteiros, e os
cantores; e, assim, não desampararíamos a casa do nosso Deus”.
• Nm 18: 29: “De todas as vossas dádivas apresentareis toda oferta do Senhor: do
melhor delas, a parte que lhe é sagrada”.
• Nm 35: 2-3; 6-7: “Dá ordem aos filhos de Israel que, da herança da sua possessão,
dêem cidades aos levitas, em que habitem; e também, em torno delas, dareis aos levitas
arredores para o seu gado. Terão eles estas cidades para habitá-las; porém os seus
arredores serão para o gado, para os rebanhos e para todos os seus animais... Das
cidades, pois, que dareis aos levitas, seis haverá de refúgio, as quais dareis para que,
nelas, se acolha o homicida; além destas, lhes dareis quarenta e duas cidades. Todas as
cidades que dareis aos levitas serão quarenta e oito cidades, juntamente com os seus
arredores”. Eles receberam cidades para habitar, no meio das demais tribos.
• Dt 10: 8-9: “Por esse tempo, o Senhor separou a tribo de Levi para levar a arca da
Aliança do Senhor, para estar diante do Senhor, para o servir e para abençoar em seu
nome até o dia de hoje. Pelo que Levi não tem parte nem herança com seus irmãos; o
Senhor é a sua herança, como o Senhor, teu Deus, lhe tem prometido”.
• Dt 12: 11-12: “Então, haverá um lugar que escolherá o Senhor, vosso Deus, para
ali fazer habitar o seu nome; a esse lugar fareis chegar tudo o que vos ordeno: os vossos
holocaustos, e os vossos sacrifícios, e os vossos dízimos, e a oferta das vossas mãos, e
toda escolha dos vossos votos feitos ao Senhor, e vos alegrareis perante o Senhor, vosso
Deus, vós, e vossos filhos, as vossas filhas, os vossos servos, as vossas servas e o levita
que mora dentro das vossas cidades e que não tem porção nem herança convosco”.
• Dt 12: 19: “Guarda-te, não desampares o levita todos os teus dias na terra”.
• Dt 14: 27: “porém não desampararás o levita que está dentro da tua cidade, pois
não tem parte nem herança contigo”.
• Dt 18: 1-8: “Os sacerdotes levitas e toda a tribo de Levi não terão parte nem
herança em Israel; das ofertas queimadas ao Senhor e daquilo que lhes é devido
comerão. Pelo que não terão herança no meio dos seus irmãos; o Senhor é a sua
herança, como lhes tem dito. Será este, pois, o direito devido aos sacerdotes, da parte do
povo, dos que ofereceram sacrifício, seja gado ou rebanho: que darão ao sacerdote a
espádua, e as queixadas, e o bucho. Dar-lhe-ás as primícias do teu cereal, do teu vinho e
do teu azeite e as primícias da tosquia das tuas ovelhas. Porque o Senhor, teu Deus, o
escolheu de entre todas as tuas tribos para ministrar em o nome do Senhor, ele e seus
filhos, todos os dias. Quando vier um levita de alguma das tuas cidades de todo o Israel,
onde ele habita, e vier com todo o desejo da sua alma ao lugar que o Senhor escolheu, e
ministrar em o nome do Senhor, seu Deus, como também todos os seus irmãos, os
levitas, que assistem ali perante o Senhor, porção igual à deles terá para comer; além
das vendas do seu patrimônio”.
Isso quer dizer que o Senhor os separou de todas as tribos exclusivamente para
servi-lO. Não teriam que trabalhar pelo seu sustento como seus irmãos, porque o
próprio Deus os sustentaria por estarem fazendo a Sua vontade. Seus irmãos lhes
trariam os dízimos e as ofertas para suprir suas necessidades materiais, enquanto eles se
preocupariam em lhes dar o suprimento espiritual.
• Js 13: 33: “Porém à tribo de Levi Moisés não deu herança; o Senhor, Deus de
Israel, é a sua herança, como lhes tinha dito”.
• Js 14: 4: “... aos levitas não deram herança na terra, senão cidades em que
habitassem e os seus arredores para seu gado e para sua possessão. Como o Senhor
ordenara a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel e repartiram a terra”.
• Js 18: 7: “Porquanto os levitas não têm parte entre vós, pois o sacerdócio do
Senhor é a sua parte”
Os levitas também eram isentos de impostos:
• Ed 7: 24: “Também vos fazemos saber, acerca de todos os sacerdotes e levitas,
cantores, porteiros, de todos os sacerdotes e levitas, cantores, porteiros, de todos os que
servem nesta Casa de Deus, que não será lícito impor-lhes nem direitos, nem impostos,
nem pedágios”.
Outras referências bíblicas sobre Levitas: Nm 1: 47-54; Nm 3: 6-12; Nm 4: 15-16;
Nm 4: 24-28; Nm 4: 29-33; Dt 33: 8-11; Js 21: 1-45; 1 Cr 6: 54-81; Ez 44: 15-31.

Agora, vamos falar sobre as vestes dos sacerdotes:


As vestes dos sacerdotes são descritas em Êx 39: 1-31 e Êx 28: 1-43. Nos
versículos 40 a 43 de Êx 28 o Senhor orienta Moisés a fazer para eles calções de linho,
túnicas, cintos e tiaras. O linho representa os atos de justiça dos filhos de Deus (Ap 19:
8), portanto, santidade, que não pode se misturar com as vestes do pecado do mundo.
Por isso, Ele falou aos sacerdotes sobre trocar as vestes ao se aproximar dos outros que
não eram sacerdotes (Ez 44: 19), ou seja, não podemos conversar ou discutir a palavra
de Deus no mesmo nível com aqueles que não a compreendem ainda, que não
conseguem entendê-la na sua essência, pois escarneceriam dela e a desprezariam. Seria
como dar pérolas finíssimas a porcos. Na antiguidade, o suor era sinal de impureza, por
isso, a orientação para os sacerdotes era para não usarem lã, para que não suassem
(Ez 44: 17-18). Para nós, isso significa que um sacerdote não precisa usar “roupas
pesadas”, ou seja, conhecimentos que não têm a sabedoria de Deus, tampouco,
sentimentos e pensamentos impuros do mundo, pois trazem um fardo desnecessário à
sua vida, além de não agradar ao Senhor. O linho é fabricado com a fibra. Depois que a
fibra era tratada, era tecida pelas mulheres para transformar-se em pano (Pv 31: 24). As
vestes de linho dos sacerdotes foram tecidas com o linho trazido do Egito. Samuel usava
uma estola de linho (1 Sm 2: 18); Davi dançou diante da arca usando uma estola de
linho (2 Sm 6: 14). Parece que o uso do linho estava associado com pessoas especiais,
santas. O linho e o linho fino eram reputados como presentes preciosos a uma mulher
amada por algum homem (Ez 16: 10 e 13, quando Deus compara Jerusalém à sua
noiva). Por isso, a bíblia diz que o Senhor separou para a Sua Igreja, para a Sua noiva,
vestes de linho finíssimo, resplandecente e puro. Porque o linho finíssimo são os atos de
justiça dos santos (Ap 19: 8).
Quando falamos em vestes, podemos nos lembrar também de um texto do Novo
Testamento (HaBrit HaHadashah) onde Jesus, ao enviar os discípulos para pregar,
mencionou, entre todas as orientações, a de não levarem duas túnicas:
• Mc 6: 7-13 (Mt 10: 5-15 e Lc 9: 1-6): “Chamou Jesus os doze e passou a enviá-los
de dois a dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos imundos [Lucas completa: e
para efetuarem curas]. Ordenou-lhes que nada levassem para o caminho, exceto um
bordão; nem pão, nem alforje, nem dinheiro; que fossem calçados de sandálias e não
usassem duas túnicas [em Mateus está escrito: Não vos provereis de ouro, nem de prata,
nem de cobre para os vossos cintos; nem de alforje para o caminho, nem de duas
túnicas, nem de sandálias, nem de bordão; porque digno é o trabalhador do seu
alimento]. E recomendou-lhes: Quando entrardes nalguma casa, permanecei aí até vos
retirardes do lugar [Mateus completa: Ao entrardes na casa, saudai-a; se, com efeito, a
casa for digna, venha sobre ela a vossa paz; se, porém, não o for, torne para vós outros a
vossa paz]. Se nalgum lugar não vos receberem nem vos ouvirem, ao saírem dali, sacudi
o pó dos pés, em testemunho contra eles. Então, saindo eles, pregavam ao povo que se
arrependesse; expeliam muitos demônios e curavam numerosos enfermos, ungindo-os
com óleo”.
Jesus lhes ordenou que fossem calçados de sandálias, mas não levassem sandálias
extras e não usassem duas túnicas. Aqui, Ele fala de estar na dependência de Deus e não
fazer estoque como uma medida de segurança, pois isso minaria a fé no maná divino.
As sandálias falam de ocupação, de bênçãos materiais e autoridade, assim como tirá-las
significa se render, sinal de submissão e respeito; e as túnicas falam de proteção
espiritual e de posicionamento moral diante da vida. Como as sandálias do evangelho da
paz, descrita em Ef 6: 15, nós devemos caminhar sobre uma única direção que é o
evangelho da paz que nos foi dado por Jesus. A nossa direção não é mais a palavra nem
o conhecimento do mundo, mas a palavra viva do Espírito, que nos faz levar a paz e a
verdade aonde formos. Dessa forma, não podemos ter duas palavras: a de Deus e a do
mundo vivendo concomitantemente dentro de nós para nos direcionar. Só uma delas vai
ter que prevalecer; e um servo de Deus só pode ter uma única direção para seguir: o
evangelho. A túnica também só pode ser uma, ou seja, nossa vestimenta só pode ser
espiritual, nossa aparência deve ser a do próprio Jesus, nossa maneira de viver só pode
ser uma, ao invés de vivermos uma hora de um jeito, outra hora de outro. Não podemos
ter “duas caras”, não podemos pregar o que não vivemos, não podemos “acender uma
vela para Deus e outra para o diabo” como se diz por aí; precisamos ser, sim, coerentes
com a nossa fé. Não podemos nos cobrir com sentimentos contrários ao amor de Deus,
senão viveríamos com as roupas sujas do pecado. Nossas vestes devem ser de santidade,
ou seja, devemos estar sempre cobertos com o sangue de Jesus, que é derramado sobre
aqueles que Lhe são fiéis, e Ele, por sua vez, os justifica de todo pecado e os livra de
toda acusação do inimigo.
Vamos falar mais sobre as vestes sacerdotais:
A estola sacerdotal (éfode) era uma antiga vestimenta, como uma túnica ou
avental, feita de linho fino trançado (a bíblia fala: ‘retorcido’) e fios de ouro, e fios de
tecido carmesim (vermelho), azul e púrpura (roxo) – Êxodo 39: 2, feita em duas partes.
A parte da frente era separada da parte de trás, e as duas eram unidas junto aos ombros
com argolas douradas fixados por uma pedra de ônix, como ombreiras, e onde foram
escritos os nomes das doze tribos de Israel. Foram colocados seis nomes em ordem de
nascimento em um ombro, e seis no outro (Êxodo 28: 10). A estola sacerdotal era
utilizada pelo sumo sacerdote ao apresentar-se a Deus no Lugar Santo do templo. O
cinto sobre a estola sacerdotal era do mesmo tecido (Êxodo 39: 5).
O peitoral (Êxodo 39: 8-21) era feito do mesmo material da estola, de forma
quadrada e dupla. Tinha o comprimento de um palmo, e a largura de um palmo (Êxodo
39: 9 cf. Êxodo 28: 16), ou seja, 22 centímetros quadrados, onde foram colocadas
quatro ordens de pedras preciosas (quatro filas de três pedras), num número de doze,
correspondendo ao número das doze tribos de Israel. Isso simbolizava para os Judeus a
unidade do povo de Deus, enquanto a posição das pedras no peito de Arão fala do afeto
de Deus para com o Seu povo. No peitoral do juízo foram colocados o Urim e o
Tumim (Êxodo 28: 30). Eram dois objetos achatados por meio dos quais a vontade de
Deus era consultada. Os dois tinham de um lado escrita a palavra Urim, derivada de
’ãrar (amaldiçoar); de outro estava escrita a palavra Tumim de tãmam (ser perfeito). Se
ao lançar a sorte, as duas faces do Urim ficassem para cima, significava um 'não' de
Deus. Se fossem os dois Tumim, significava 'sim', e se fosse um Urim e outro Tumim,
significava 'sem resposta'. Como no AT não havia a distribuição do Espírito Santo sobre
todas as pessoas, somente sobre o líder, com o qual Deus falava pessoalmente (no caso,
Moisés, irmão de Arão), as consultas a Ele eram feitas pelo sacerdote através desses
dois objetos. Mas somente aos sacerdotes isso era delegado. Depois da vinda de Jesus, o
Espírito Santo começou a falar com todos os Seus filhos (At 1: 23-26 – aqui é a única
vez no NT que se menciona a sorte como meio de escolha divina; At 13: 1-3 – aqui já
havia profetas, por meio dos quais o Espírito Santo falava). O mais importante para nós,
hoje, é que devemos consultar o Senhor sempre, em todas as circunstâncias das nossas
vidas, e ouvir com clareza a voz do Seu Espírito em nosso coração para podermos tomar
a direção correta.
Por baixo da estola havia uma túnica ou manto de cor azul (a bíblia chama de
sobrepeliz), em uma única peça, com uma abertura por onde se passava a cabeça, e não
tinha mangas. Era mais comprido que a estola sacerdotal. Na sua borda havia
campainhas (sinos) de ouro puro entre romãs de tecido azul, carmesim e linho retorcido
(Êxodo 39: 22-26). Os sinos soavam quando o sacerdote se movia, e isso transmite a
idéia de escutar a Deus enquanto O servimos, e traz também a idéia de um serviço com
alegria. O som dos sinos poderia ser ouvido quando Arão entrava no Santo Lugar diante
do Senhor, e o seu povo, ao escutar, saberia que ele não tinha sido morto na presença de
Deus, mas que a sua oferta por eles havia sido aceita. A romã é uma fruta muito
conhecida e popular no oriente e dela se faz xarope, suco e remédio adstringente. Isso
significa que as romãs simbolizam a frutificação (ela tem sementes abundantes) e a
Palavra de Deus como alimento espiritual e remédio para nós.
Sobre o corpo, embaixo da estola sacerdotal e da sobrepeliz, havia uma túnica de
linho fino e o calção de linho. As túnicas de linho eram longas e soltas, do cinto para
baixo. Por isso, o Senhor falou para Moisés que os Levitas deveriam usar os calções de
linho, que se estendiam da cintura até os joelhos (Êx 39: 28; Êx 28: 42-43; Lv 16: 4). Os
calções ficavam escondidos pela túnica, e não permitiam que a nudez do sacerdote
ficasse exposta (Êx 20: 24-26). Quanto a essa precaução sobre a nudez do sacerdote, era
por causa do seu ofício sagrado, para não despertar em ninguém nenhum tipo de
sentimento contrário à reverência ao Senhor, caso suas vestes balançassem com o vento
ou, se ele tivesse que subir os degraus para o altar do holocausto, que ficava a uma
altura de 4,5 metros no templo de Salomão. No tabernáculo de Moisés, altura do altar
do holocausto era de 1,5 m; portanto, a escada não era necessária. É interessante que os
calções de linho (roupa de baixo) eram permitidos naquela época apenas aos sacerdotes,
não aos homens do povo.
Na cabeça, o sumo sacerdote usava a mitra de linho fino. A lâmina ao redor da
mitra era de ouro e nela estava gravada a frase: “Santidade ao Senhor”. A lâmina era
presa à parte superior da mitra por um fio azul (Êxodo 39: 30-31). Ela era uma
lembrança constante da aliança de santidade para o povo de Israel e para o sumo
sacerdote em seu chamado.
Para os demais sacerdotes havia a mesma túnica longa de linho com mangas
compridas e sem costura, tudo tecido numa só peça; também as tiaras (como um
turbante, mas de forma cônica), os calções de linho da cintura até as coxas, e o cinto de
linho, de estofo azul, púrpura e carmesim bordado (Êxodo 39: 27-29).
Agora nós vamos ver as imagens:

As pedras no peitoral do juízo usado pelo Sumo Sacerdote


Calções de linho dos sacerdotes / A mitra

As vestes dos sacerdotes e do sumo sacerdote


As vestes do sumo sacerdote

A vista exterior do Tabernáculo


O altar do holocausto

A bacia de bronze para a purificação dos sacerdotes

A vista interior do tabernáculo e sua mobília no Lugar Santo e no Santo dos Santos
O altar de ouro (altar do incenso)

A mesa com os pães da proposição (ao Norte)

O candelabro de ouro (ao Sul)


Arca da Aliança no Santo dos Santos
Quando Jesus morreu na cruz, o véu do santuário se rasgou em duas partes de alto a
baixo (Mateus 27: 51a), mostrando com isso que Sua morte havia acabado com a
separação entre Deus e o homem por causa do seu pecado. Hoje, nosso Sumo Sacerdote
é Jesus (Hb 2: 17; Hb 4: 14-15; Hb 7: 26; Hb 8: 1-3; Hb 9: 11).

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