Вы находитесь на странице: 1из 3

SEMINÁRIO DE PESQUISA EM HISTÓRIA DO TEMPO PRESENTE

Profª Drª Claudia Mortari

Aluna: Isadora Muniz Vieira

ECO, U. A pesquisa do material. In: Como se faz uma tese. São Paulo: Perspectiva, 1989. p. 35-79.

Conceitos: tese, documentos, fontes, fontes primárias/secundárias,

A primeira crítica a ser feita no texto de Umberto Eco aqui estudado diz respeito a maneira
que o autor italiano classifica as fontes utilizadas pelo pesquisador, no primeiro parágrafo do capítulo.
É importante que se considere que toda obra é datada, que está circunscrita num determinado tempo e
espaço, visando responder a questões e problemas de modo a dar conta do que lhe é pertinente em dada
situação. Assim, é compreensível que o texto de Eco, publicado pela primeira vez em 1977, classifique
fontes como primarias, secundárias e terciárias. Contudo, na prática historiográfica mais recente, tal
classificação foi posta de lado com a justificativa de que tais nomenclaturas poderiam sugerir diferentes
graus de importância entre as fontes, de modo a hierarquizá-las. Sabe-se que a História do Tempo
Presente possui teorias e métodos próprios para lidar com uma variedade de documentos, seja em
forma ou conteúdo, de tal modo que é inapropriado considerar esta ou aquela fonte primeira ou
segunda em termos de relevância.

Um ponto importante que o autor alerta aos leitores preocupados em escrever uma tese, é
atenção que se deve ter, durante a narrativa, de não misturar uma análise das fontes com uma análise
feita por uma literatura crítica delas. Assim, é importante que um historiador que trabalhe com fontes
periódicas, por exemplo, tenha a cautela de evidenciar no seu texto o que é a descrição e a análise dos
periódicos que lhe servem de fonte, e o que é uma interpretação crítica acerca dos periódicos em
questão. Se, por alguma questão narrativa, seja difícil discernir o que é um e o que é outro, pode ser que
o autor da tese deva mudar o foco do trabalho. Assim, se a tese for composta predominantemente por
uma análise do que se escreveu acerca de uma fonte, talvez seja mais interessante produzir um trabalho
que compare-as e as analise minuciosamente, uma em função da outra.

O autor faz essa reflexão para defender a importância de se definir, logo no início do longo
processo de pesquisa, as fontes a serem utilizadas, se elas podem ser acessadas com facilidade e se o
pesquisador têm condições de chegar até elas. Para Eco, é imprudente iniciar um projeto de pesquisa
cuja existência e localização das fontes é incerta, ou ainda deixar-se levar pelo entusiasmo e ignorar os
detalhes que impossibilitam o acesso aos documentos, seja fisicamente ou epistemologicamente. O
mesmo vale para o acesso à literatura crítica, que, segundo Eco, deve ser lida quase em sua totalidade
para que não se cometa negligências que afetem a análise das fontes e consequentemente a elaboração
da tese.

Um elemento que, do meu ponto de vista, faz do texto de Eco um ótimo manual de escrita de
trabalhos acadêmicos, é a inserção, a cada argumento apresentado, de exemplos de possíveis temáticas,
problemas e métodos de pesquisa, bem como os possíveis caminhos que os pesquisadores podem
tomar. Através desse recurso, o autor explica a importância da delimitação de um recorte temporal a ser
pesquisado e sua relação direta com a seleção das fontes, bem como a importância de um levantamento
de fontes que não se limite à mera compilação de dados e materiais.

Para Eco, nem todo tipo de documento pode ser considerado uma fonte, quando muito uma
fonte secundária ou de “segunda mão”. Nessa categoria, ele inclui as traduções, as antologias e as
resenhas, que podem ser materiais de grande utilidade para o pesquisador, principalmente nos
momentos iniciais de familiarização com sua fontes, mas jamais devem ser tomadas como
protagonistas dos estudos. Nesse momento do texto, o autor expõe de forma bastante explicativa como
certos documentos podem servir de fontes de “segunda mão” e como os pesquisadores podem fazer uso
delas, sempre com alertas imperativos. De acordo com o autor, jamais uma fonte de “segunda mão”
deve ser citada pelo pesquisador como se ele a tivesse acessado em sua originalidade, seja por motivos
éticos ou lógicos. Contudo, é evidente que nem sempre é possível que se tenha acesso a todo tipo de
documento em sua materialidade original, portanto o pesquisador não deve adotar uma postura
neurótica que o instigue a rejeitar reproduções e outros materiais na intenção de dotar seu trabalho de
fontes totalmente autênticas. Basta que se tenha sempre o cuidado de realizar a verificação necessária a
toda análise de fontes ditas secundárias.

Também faz um alerta para o trato com as referências bibliográficas. Tal qual as fontes
secundárias, elas devem ser apuradas a fim de que se evite equívocos que podem ser apontados pelos
pares, causando constrangimentos e embaraços. O autor aponta para casos em que pesquisadores, na
pressa da escrita, citam obras que não deram conta de ler, de modo que tal desleixo acaba evidenciado
no texto de forma ou de outra. Ainda falando sobre leituras, Eco defende que o bom pesquisador é o
que vai a uma biblioteca não com uma lista de livros em mente, mas que vai disposto a se deparar com
títulos e assuntos que lhe eram desconhecidos e que, após o contato, lhe foram úteis (ou não) para o
processo de pesquisa. Para o autor, isso sim se configura em fazer uma bibliografia. Aqui ele também
elenca algumas sugestões de como melhor aproveitar os recursos oferecidos pelas bibliotecas e como
facilitar a pesquisa em catálogos, o trato com os profissionais que lá atuam e o uso dos recursos
computadorizados.

O autor segue explicando a importância de se fazer ficheiros a fim de que se organize toda a
bibliografia, do mais para o não tão pertinente para o trabalho. Eco explica como ele mesmo organiza
seus ficheiros e dá sugestões de como é possível mantê-los organizados. Também explica e exemplifica
as maneiras erradas e corretas de se referenciar as obras selecionadas para a realização do trabalho.
Aqui, ele dedica várias páginas com exemplos de citações e ficheiros, que podem ser consultadas e
usadas como modelos para os pesquisadores.

O texto de Umberto Eco, além de um grande manual para escrita de teses, é um excelente
exemplo da modelização de escrita e estrutura exigido pela academia, que padroniza a expressão do
raciocínio, da epistemologia e da produção do conhecimento. É importante que se pontue que Umberto
Eco tinha um objetivo bastante específico e bem delimitado quando elaborou sua obra, o que não nos
impede, contudo, de problematizá-la e considerá-la como um exemplo de modelo colonial de saber.