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MULTA PODE RESOLVER OS PROBLEMAS DO TRÂNSITO?

Eng. Marcus Romaro, MSc


Especialista em Seg. Veicular e Seg. no Trânsito
01.04.2011

Foi aprovado o Projeto de Lei 6319/09 do Deputado Hugo Leal que instituiu a 'Década de Ações para a
Segurança no Trânsito 2011-2020' no país (http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/TRANSPORTE-
E-TRANSITO/196582-COMISSAO-APROVA-DECADA-DE-ACOES-PARA-A-SEGURANCA-NO-
TRANSITO.html).

Recomendada pela ONU, o assunto torna-se por demais importante devido à situação atual do trânsito
Brasil.

A MULTA, por si só, não tem condições de resolver todos os problemas do trânsito brasileiro.

É premente que seja, isto sim, encarada como um ‘recurso emergencial’ na tentativa de redução de
acidentes de trânsito, porém é preciso ter em mente que ela não se sustentará a médio prazo,
considerando-se que não há dinheiro e nem estrutura suficientes para se fiscalizar todo o sistema de
trânsito, durante todo o tempo e para todas as infrações em lugar algum do mundo.

É claro que a fiscalização deva ser intensificada e rigorosa porém a multa, por si só, não é suficiente para
se garantir o ato seguro e ser a solução para os problemas do trânsito, pelos seguintes aspectos:
• Ataca o ‘efeito’ e não a ‘causa’
• Tem ação limitada e efeito restrito ao local de atuação
• É punitiva e não ‘educativa’
• Ser impossível fiscalizar 100% das vias, 100% do tempo e 100% das infrações

Portanto, o principal objetivo da fiscalização (aplicação das multas) é controlar as ‘exceções’ e não a
‘regra’.

Ou seja, considera-se que a grande maioria dos usuários sejam conscientizados, conhecedores e
cumpridores das leis, cabendo-se à fiscalização, a manutenção das regras e minimizar a ação dos ‘não-
educados’.

Isto pode ser verificado nos países desenvolvidos uma vez que, para o sucesso na implantação de
qualquer lei e/ou novo procedimento, é sempre seguida a ordem:

EDUCAÇÃO ==> LEGISLAÇÃO ==> FISCALIZAÇÃO

Por isso, encarar a multa como a solução para se acabar com as infrações e imprudências no trânsito
mostra-se um grande equívoco pois, para ter algum efeito mais prolongado, exige uma fiscalização
constante, em várias localidades e ser ‘onipresente’, algo totalmente inviável para qualquer país, que dirá
o Brasil.

E como provas disso, convivemos com as leis ‘que pegam e as que não pegam’, cujos exemplos temos:

• A lei dos capacetes (obrigatoriedade do selo do INMETRO e das etiquetas reflexivas), cuja fiscalização
foi muito efetiva nos primeiros meses da lei e, após cessada a exposição na mídia e fiscalização intensas,
já não se observa o amplo atendimento à lei, o que com certeza acarretou numa diminuição na venda de
capacetes após o ‘boom’ inicial

• Em São Paulo, a obrigatoriedade do cinto de segurança foi tão efetiva que chegou a superar os índices
mesmo dos países desenvolvidos e não se pode atribuir isto a apenas à fiscalização pois, mesmo após
cessada a fiscalização maciça, o uso continua alto e credita-se isso tão e somente à conscientização dos
cidadãos, haja vista que a fiscalização não é mais intensa

• Em contra partida, conforme vai se subindo para o norte do país, a frequência no uso do cinto cai
drasticamente, mesmo no Rio de Janeiro (cidade que conheço relativamente bem por frequentá-la já há
quase 40 anos e por passar a residir nela no começo deste ano), vendo-se frequentemente pessoas
trafegando sem cinto de segurança, especialmente os taxistas

• A lei seca, entretanto, no Rio de Janeiro é levada muito a sério, tendo sido inclusive destacada na
matéria, havendo ‘blitz’ contínuas em vários pontos da cidade, porém não me parece ser tão agressiva
em São Paulo uma vez que pessoalmente nunca vi ou sequer passei por uma blitz de lei seca na cidade,
que dirá ser parado

• A matéria sobre os caminhoneiros veiculada no dia 27.03.2011 no Fantástico, que escancara as grandes
deficiências do sistema de fiscalização do país, sem falar na completa falta de conhecimento dos riscos
por parte dos motoristas

Ou seja, tudo isto confirma a observação de que, se não há a devida 'consciência do risco', só haverá
respeito às leis se houver fiscalização intensa e contínua, a um custo muito mais elevado e com efeito
'pontual', não sendo portanto suficiente para se reduzir drasticamente os acidentes de trânsito a nível
nacional, visando cumprir as metas da DÉCADA DE AÇÃO PELA SEGURANÇA NO TRÂNSITO lançada
pela ONU em 2009.

À disposição para quaisquer esclarecimentos adicionais. Obrigado pela atenção!

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