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Estruturalismo

O estruturalismo se estabelece pelos pressupostos de que o ser humano reage a


estruturas pré-existentes e se comporta não apenas dentro de seus limites, mas de
acordo com uma lógica social externa mais poderosa do que a vontade individual.

Neste sentido, os indivíduos seriam suportes de estruturas e existem para cumprir o


que o “sistema” exige. O que se pensa e o que se deseja é fruto do que a “sociedade
impõe” a cada um em seu lugar específico dentro da estrutura. Não existe “autonomia
individual” ou independência dos agentes, pois como os indivíduos estão sempre
sujeitos às estruturas, a ação individual é mera reprodução de tais estruturas
coletivas.

Em termos de decisões individuais, o estruturalismo é categórico ao postular que


ninguém decide de acordo com sua própria vontade, e sim conforme as demandas
do sistema, embora tal dinâmica ocorra de forma “camuflada”, ou seja, embora as
pessoas de fato não decidam por si mesmas e não tenham vontade própria, elas
acreditam que sim.

Tal estrutura é composta por um conjunto complexo de fatores, que se ramificam por
meio de subestruturas econômicas, políticas e ideológicas. No que se refere
especificamente à questão ideológica, da produção de símbolos e da comunicação,
tanto a linguística de Saussure quanto a antropologia de Lévi-Strauss são
estruturalistas, e ambos diriam que a linguagem humana estariam evidentes em
estruturas universais das mais diversas naturezas. Assim, a própria expressão dos
indivíduos se daria pelas restrições dos códigos e repertórios necessários pra
viabilizar a estrutura, que no fundo, implicam “uma ditadura de signos”:

Pensando ser senhores dos signos em vista da suposta liberdade com que indivíduos
os controlam os articulam em sociedade, estes mesmos indivíduos são na verdade
prisioneiros destes signos e a eles se sujeitam. Para que a comunicação seja
eficiente, portanto, é preciso controlar exatamente a articulação do signo para obter
do receptor a resposta desejada pelo emissor. Isso desencadeia uma submissão às
limitações de repertórios, tornando as pessoas prisioneiras dos sinais que orientam e
à ditadura dos códigos exercida pelos signos. O indivíduo é prisioneiro do que sabe
através deste repertório e do que pode saber pela comunicação dos códigos que sua
cultura permite (Sexualidade na Comunicação, Revista Comunicação & Política,
1/1997).

As linhas gerais do estruturalismo, portanto, manifestam-se na forma de uma


impessoalidade que determina os comportamentos individuais. Em termos de gostos,
que em tese dizem respeito a escolhas estritamente individuais, pode-se observar
uma forte manifestação de raciocínio estruturalista que beira o exagero em
reportagem do jornal A Folha de São Paulo no ano de 1997:

Se você gosta de determinadas opções de lazer e de determinado vinho e se


identifica com determinada música, pode se considerar uma grande vítima dos
ditadores do gosto paulistano. Um seleto grupo de arquitetos, designers, produtores,
publicitários, estilistas estão por trás de qualquer escolha que você faça, por mais
pessoal que possa parecer. São eles que determinam o que você vai gostar de
comer, vestir, ver, decorar, ouvir e ser… Trata-se de uma formação em cadeia.
Osprimeiros a serem influenciados são os profissionais da própria área, que se
inspiram nas ideias destes ditadores e propagam seu estilo. Em seguida, vem os
formadores de opinião, e assim por diante. A pessoa comum que recebe a
informação final não saberá a origem, mas saberá que é “bom”, e afinal, é isso que
importa… (Revista da Folha, “Fazendo Cabeças”, janeiro, 1997).

Neste sentido, como o estruturalismo estabelece uma impessoalidade nas estruturas,


e não necessariamente se caracteriza pela detecção de uma elite que comanda e
uma maioria que obedece, todos os grupos e estratos sociais estão incluídos nesta
estrutura. Se o trecho acima soa elitista, portanto, é possível também fornecer a ele
uma interpretação estruturalista, na qual, apesar da suposta “hierarquia” entre
ditadores, formadores de opinião e cidadãos comuns, e autonomia apenas dos
ditadores ao escolher os elementos aceitáveis de gostos, pode-se observar o aspecto
de determinação externa dos comportamentos individuais. Interpretando o trecho de
forma estruturalista, o seleto grupo de ditadores seria capaz de “determinar o gosto”
das pessoas, ainda que elas achem que estão escolhendo espontaneamente, sendo
portanto não uma minoria autônoma, e sim uma peça nas engrenagens do sistema
no qual ninguém tem de fato autonomia. Este pode ser, portanto, um exemplo da
dimensão estruturalista na qual as pessoas acham que são dotadas de
independência, quando no fundo, são guiadas por forças externas ainda que
subjetivas.

Neste sentido, portanto, é possível observar que uma visão de mundo


exclusivamente estruturalista esvazia o ser humano de sua individualidade, o que
seria quase o oposto pendular de uma liberdade irrestrita, atomizadora e ingênua do
liberalismo clássico. Cabe questionar, contudo, se é possível conciliar o estruturalismo
a dimensões subjetivas individuais que permitam um maior grau de liberdade às
pessoas independente de suas posições na sociedade. Apesar das restrições, é
possível ser um indivíduo pleno e único ainda que haja uma estrutura que ordene as
nossas ações? Ou somos apenas veículos do sistema, independente de nossas
posições sociais?
O que determina o modo como pensamos, nos relacionamos com os outros, nos comportamos à
mesa, nos vestimos e vivemos em família? Será que cultura e sociedade foram historicamente
construídas pela ação do homem ou existiriam estruturas ocultas que explicariam nossos hábitos?
Para o estruturalismo francês, movimento intelectual que atingiu seu apogeu na segunda metade
da década de 1960, a segunda hipótese seria mais viável para investigar tais fenômenos.

Pode-se dizer que o estruturalismo foi o último movimento filosófico francês a ganhar notoriedade
mundial, logo após o existencialismo, corrente criticada em debates que envolveram dois dos
maiores expoentes dessas escolas filosóficas, respectivamente, Michel Foucault (1926-1984) e
Jean-Paul Sartre (1905- 1980).

Mas o estruturalismo reuniu pensadores de diversas áreas das ciências humanas, a ponto de ser
difícil encontrar um núcleo coeso que permita classificá-lo como sistema filosófico. Na verdade, o
estruturalismo é mais um método de análise, que consiste em construir modelos explicativos de
realidade, chamados estruturas.

Por estrutura entende-se um sistema abstrato em que seus elementos são interdependentes e que
permite, observando-se os fatos e relacionando diferenças, descrevê-los em sua ordenação e
dinamismo. É um método que contraria o empirismo, que vê a realidade como sendo constituída de
fatos isolados. Para o estruturalismo, ao contrário, não existem fatos isolados, mas partes de um
todo maior. Assim, compreende-se que:

 Alguns fenômenos podem ser explicados não pelo que deixam à mostra, mas por uma
estrutura subjacente.

 Os fatos possuem uma relação interna, de tal forma que não podem ser entendidos
isoladamente, mas apenas em relação aos seus pares antagônicos.

Para entender como esse método funciona, é preciso estudar suas origens, na Linguística e
na Antropologia.

A linguagem O método estruturalista foi usado pela primeira vez pelo linguista suíço
Ferdinand de Saussure (1857-1913) em sua obra póstuma, editada por alunos, Curso de
Linguística Geral. Nesta obra, Saussure fornece as bases teóricas para duas importantes
ciências do século 20: a Linguística Estrutural e a Semiologia, ou ciência dos signos.

As teorias de Saussure podem ser explicadas por meio de quatro dicotomias. A primeira diz
respeito a duas formas de se abordar a linguagem:

 Língua: o aspecto social da linguagem.

 Fala: o aspecto individual da linguagem.

A segunda refere-se a tipos de estudos da linguagem:

 Linguística sincrônica (estática ou descritiva): estuda a constituição da língua (fonemas,


palavras, gramática, etc.) num dado momento.

 Linguística diacrônica (evolutiva ou histórica): estuda as mudanças da língua através dos


tempos.

A originalidade de Saussure foi propor um estudo da língua enquanto sistema social de um


ponto de vista sincrônico, não histórico, como vinha sendo feito antes. Ele também propõe o
nome de semiologia, ou estudo do signo linguístico, que contém:

 Significante: é a expressão material do signo, como o som da palavra "árvore" ou a imagem


da palavra escrita no papel.

 Significado: o conceito que o significante representa ou o conteúdo do signo, uma ideia,


como a árvore que eu imagino ao ouvir ou ler a palavra escrita.
A palavra estrutura não aparece na obra do linguista suíço, mas se faz presente no conceito
de sistema, que quer dizer uma análise estrutural que inclui o estudo da língua em suas
relações internas, conforme a terceira dicotomia:

 Eixo sintagmático: um termo só é compreendido em oposição (relação) a outro termo. Ex.:


"O semáforo está verde".

 Eixo paradigmático: o termo é associado a outros, presentes na memória. Por exemplo, na


frase anterior, ao invés de semáforo, uso "sinal" e ao invés de "está verde", "abriu": "O sinal
abriu".

Saussure, ao entender a linguagem como estrutura subjacente e sistema cujos elementos


são solidários entre si (e que, somente assim, adquirem valor e sentido), e, ainda, vista de
uma perspectiva não histórica, inaugurou o método estruturalista de análise.

Os mitos A primeira aplicação do estruturalismo fora do âmbito da linguística foi feita pelo
antropólogo francês Claude Lévi-Strauss (1908), hoje aposentado e um dos mais
importantes intelectuais vivos.

Lévi-Strauss observou, ao estudar tribos indígenas de vários países, incluindo o Brasil, um


conjunto de normas que se preservavam em diferentes culturas, como se fossem formas
inconscientes que moldavam o pensamento e o comportamento dos povos. Diferente de
uma abordagem histórica, que não veria as relações, ele empregou o método da linguística
estrutural em, basicamente, dois sentidos:

 Como uma estrutura profunda ou inconsciente.

 Como elementos que só adquirem significado quando vistos dentro dessa estrutura.

Consequentemente, existiriam estruturas que determinam regras de vestuário, alimentação,


parentesco, condutas morais e políticas recorrentes em diferentes povos, e que não são
visíveis.

Os mitos, segundo Lévi-Strauss, são estruturados com linguagem, de modo que, da mesma
forma que na língua - eu não penso em formas gramaticais quando falo, apenas falo -,
também não penso em mitos quando os reproduzo inconscientemente (como Freud
mostrou com o mito de Édipo, por exemplo): os mitos só funcionam quando a estrutura
permanece invisível, como a linguagem.

A conclusão do antropólogo é a de que o pensamento mítico não está no homem, mas o


próprio homem é que é pensado nos mitos.

Mas vejamos outro exemplo da antropologia estrutural de Lévi-Strauss nas relações de


parentesco. Parte-se da compreensão de que fenômenos de parentesco são estruturados
como fenômenos linguísticos. Então, procede-se à identificação de elementos desta
estrutura: pai, mãe, filhos, tios e irmãos. Cada um desses termos só faz sentido estando em
relação aos demais: o pai autoritário em relação à mãe protetora, por exemplo.

O que o antropólogo verificou, no convívio com culturas diversas, foi que, apesar das
diferentes formas de filiação e relações de afetividade, hostilidade, antagonismo ou reserva
(tios mais afetivos, pais mais hostis e irmãos mais conflituosos, por exemplo), a mesma
estrutura de oposições - pai/mãe, tios/sobrinhos, irmãos/irmãs - permanece inalterada.

Outros estruturalistas No decorrer das décadas de 1960 e 1970, surgiram aplicações do


método estruturalista em áreas como crítica literária, cinema, estudos culturais e
publicidade, entre outros, o que provocou críticas de abusos.

Alguns dos mais renomados intelectuais e pensadores franceses empregaram o método em


suas obras, como Jacques Lacan (1901-1981), que concebeu o inconsciente como
estruturado na forma de linguagem; Foucault, que estudou estruturas discursivas que
condicionavam o pensamento do homem em determinadas épocas; Roland Barthes (1915-
1980), que examinou os mitos modernos, a moda e a literatura; e Louis Althusser (1918-
1990), que fez uma leitura estruturalista da obra de Marx.

Leituras recomendadas Curso de Linguística Geral, de Saussure, foi publicado no Brasil


pela Editora Cultrix. Uma boa introdução ao pensamento de Lévi-Strauss é Antropologia
Estrutural (Tempo Brasileiro), que reúne ensaios do autor. Outros livros indicados são
Mitologias (Difel), de Roland Barthes, As Palavras e as Coisas (Martins Fontes), de
Foucault, e Escritos (Perspectiva), de Lacan. Para mais detalhes sobre o movimento
estruturalista, História do Estruturalismo (EDUSC), de François Dosse.