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DEONTOLOGIA E ÉTICA NA ADVOCACIA

Ao advogado, profissional do direito, cabe um inigualável papel de intermediário entre os


cidadãos e a função jurisdicional do Estado, evitando e dirimindo conflitos extrajudicialmente ou,
não sendo possíveis tais soluções, representando o seu patrocinado em Juízo, garantindo a
qualidade científica e técnica dessa representação e, ao mesmo tempo, desempenhando essas
funções com consciência ética, integridade e probidade.

A Deontologia profissional pode caracterizar-se como o conjunto de regras éticas que


disciplinam a conduta dos profissionais de uma certa área profissional. O seu cumprimento
dependerá exclusivamente da integridade dos profissionais ou da sua vontade em prestigiarem a
sua profissão.

Porém, a advocacia livre encerra um perigo: a liberdade significa a admissão de um


regime de concorrência que, no caso de não existirem regras de conduta colectiva e
individualmente assumidas, pode por em risco os fundamentos do estatuto de independência e,
porventura, a existência da própria profissão. Todavia, a liberdade profissional não pode ser
exercida sem a consagração de regras. O advogado ao servir a comunidade através da Justiça
realiza um dever ético, pois é esse serviço que justifica e legitima a sua existência. O conjunto de
regras ético-jurídicas pelas quais o advogado deve pautar o seu comportamento constitui a sua
Deontologia profissional.

O Estatuto da Ordem dos Advogados Português (Lei 15/2005, de 26 de Janeiro), no seu


artigo 83º nº 1 diz que “O advogado é indispensável à administração da justiça e, como tal, deve
ter um comportamento público e profissional adequado à dignidade e responsabilidade da função
que exerce, cumprindo pontual e escrupulosamente os deveres consignados no presente
Estatuto(…)”. Todavia, o estudo da deontologia jurídica não é apenas um mero enunciado de
regras de conduta, é muito mais, é o cultivar uma função ética e social relevante, exigindo-se ao
futuro profissional uma moral irrepreensível e uma incontestável cultura cívica pela justiça, pela
defesa dos direitos humanos, pelo exercício da cidadania. Daí defender que, para o advogado, é
crucial o conhecimento das regras e das condutas deontológicas, na medida em que o seu
desconhecimento acarreta para o cidadão comum o descrédito da classe e da justiça.

A garantia de confiança está igualmente consagrada no actual Estatuto da Ordem dos


Advogados, Lei nº 15/05, de 26 de Janeiro, pois o artº 87º, nº1, prescreve que “(…) o advogado é
obrigado a guardar segredo profissional no que respeita a todos os factos cujo conhecimento lhe
advenha do exercício das suas funções ou da prestação dos seus serviços(…)”. O dever de guardar
segredo é uma obrigação que o advogado tem não só para com o cliente, para com a classe
profissional onde se insere, mas, principalmente para com a comunidade em geral. Diremos que,
numa primeira abordagem, o dever de guardar segredo abrange todos os factos que o advogado
tenha conhecimento directa ou indirectamente, no decurso do exercício da sua profissão.

Saber guardar segredo é a grandeza maior do advogado, não basta ser conhecedor da lei é
necessário ser merecedor da confiança daquele, que muitas das vezes nos entra pela porta à
procura de ajuda e que, em desespero de causa, nos confia os seus segredos. Como anteriormente
tivemos oportunidade de frisar, o segredo profissional do advogado é, de certo modo, uma
imposição, um dever, que assenta em razões de ordem pública, em razões de confiança do
cliente, mas, essencialmente no respeito devido à sociedade em que nos inserimos.

A questão que se coloca ao advogado é a de saber qual ou quais os factos que são objecto
de tutela jurídica, isto é, que estão cobertos pelo segredo profissional. Todavia, consideramos
que em situações dúbias o advogado deve sempre socorrer-se de um parecer prévio, dirigido ao
respectivo Presidente do Conselho Distrital da Ordem, solicitando a quebra do dever de sigilo a
que está obrigado.

O fundamento ético-jurídico do segredo profissional resulta não só do princípio da


confiança, mas fundamentalmente da natureza social inerente à função forense, pois ao
advogado cabe a função sublime de servir e defender a Justiça e o Direito.

A obrigação de guardar segredo profissional cessa em tudo quanto seja necessário para a
defesa da dignidade, direitos e interesses legítimos do próprio advogado, do cliente ou dos seus
representantes, mediante prévia autorização do Presidente do Conselho Distrital da Ordem dos
Advogados, sendo certo que o advogado poderá socorrer-se da faculdade que a lei lhe permite,
pedindo escusa como forma de impedir a revelação de factos sigilosos.

O advogado está sujeito à acção disciplinar exclusiva dos órgãos da Ordem dos Advogados,
pois nos termos do artº 110º do E.O.A.“(…) Comete infracção disciplinar o advogado ou advogado-
estagiário que, por acção ou omissão, violar dolosa ou culposamente alguns dos deveres
consagrados no presente Estatuto, nos respectivos regulamentos e nas demais disposições legais
aplicáveis.”,podendo, igualmente, ser responsabilizado criminalmente e civilmente, atento o
disposto no artigo 111º do citado Estatuto.

Faz parte do compromisso que assume enquanto advogado, cumprir pontualmente e


escrupulosamente todos os deveres consignados no Estatuto, assim como, aqueles que a lei, os
usos e costumes lhe impõem, sendo sua obrigação agir com honestidade, lealdade, sinceridade e
rectidão. É com este sentido ético que, acima de tudo, deve ser pautada a sua actividade
profissional, da mesma forma que, incorrendo em responsabilidade, deverá ser objecto de
processo disciplinar. Contudo, a conduta do advogado pode, eventualmente, ser objecto de um
processo criminal ou civil.

A grande diferença entre o segredo profissional do advogado e o segredo de justiça,


reside no facto de no primeiro caso ele dever ser preservado até ao fim, independentemente da
existência de qualquer processo, salvo os casos em que este poderá pedir escusa e ainda assim
haverá lugar a ponderação de interesses quanto ao seu levantamento, contrariamente ao
segundo, que por regra é público e só excepcionalmente é sigiloso.

As questões de cariz deontológico têm uma importância acrescida, não só porque fazem
parte de um quadro de princípios e valores inerentes a uma actividade profissional, mas porque
traduzem em si mesmo valores a defender e a preservar.

O E.O.A. encerra em si um conjunto de regras deontológicas fundamentais, impondo, na


sua maioria, como dever, ao advogado, zelar pela sua liberdade e independência. Sejamos
homens livres e conscientes da nossa missão e cumpridores da Lei e da Justiça.

CONCLUSÕES:

1. – No moderno Estado de Direito, a função jurisdicional surge como complemento


indispensável da função legislativa não sendo resultado de um dado processo
inteiramente estranho ao interesse público, pelo que o papel do advogado é
essencial à aplicação da Lei.

2. – Exige-se que o advogado seja um homem recto e cumpridor da Lei, segundo os


princípios éticos e morais, impostos pelo quadro de valores
profissionais/deontológicos em que se insere.

3. – A importância do segredo profissional é condição “sine qua non” do exercício da


advocacia, sendo considerado um valor incalculável a ser sempre preservado,
independentemente dos interesses em presença.

4. – No EOA, as normas consagradas nos artºs 83º, 87º, 110º e 111º, visam regular,
punir e preservar a actuação dos advogados no quadro da sua exigente profissão
forense.

5. – O nosso ordenamento jurídico/constitucional consagra o advogado como um


servidor da justiça e do direito e, enquanto servidor da justiça, tem a nobre tarefa
de defender não só o direito como assegurar a defesa daqueles que se socorrem
dos seus serviços, que apelam por ajuda.
Coimbra, 20 de Outubro de 2011

Moreira Claro – Céd. Prof. 3.177C – 4ª Secção dos Trabalhos do VII Congresso dos
Advogados Portugueses

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