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Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por ELIANA SILVIA DE MELO E SOUSA MALTA MOREIRA SCUCU e Tribunal de Justica do Estado de Sao Paulo, protocolado em 30/07/2018 às 17:02 , sob o número WJMJ18409722461
fls. 1582
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO
Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital
Processo nº 1077460-13.2018
39ª Vara Cível Central
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Procedimento Ordinário
Requerentes: Maria Regina Macedo e outros
Requerida: Cooperativa Habitacional dos Bancários -
Bancoop
MM. Juíza,
Trata-se de ação promovida por vinte e
sete autores em litisconsórcio ativo em face da Bancoop.
Embora revestida da roupagem de
cooperativa, o fato é que a Bancoop adotou inúmeras atitudes
que caracterizam uma relação de consumo, tanto é que o
Ministério Público instaurou inquéritos civis para investigar
suas condutas e ajuizou ações civis públicas em favor do
universo de consumidores por ela prejudicados. As ações
foram recebidas, tendo sido reconhecia a relação de consumo.
Nesta Promotoria de Justiça do
Consumidor da Capital foram ajuizadas duas ações civis
públicas: uma em 2007, distribuída à 37ª Vara Cível sob nº
583.00.2007.245877-1, que resultou em acordo judicial onde
não se abordou o pedido de desconsideração da
personalidade jurídica da Bancoop, mas a ela foram
estabelecidas obrigações de fazer tendentes a solucionar os
graves problemas detectados; e outra em 2012, distribuída à
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4ª Vara Cível sob o nº 0159572-66.2012.8.26.0100, onde foi
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postulado, liminarmente, a intervenção judicial na
administração da referida entidade cooperativa para o fim de
afastar os atuais dirigentes da Diretoria Executiva e do
Conselho de Administração, com a determinação da
indisponibilidade de seus bens, para o fim de se efetivar a
liquidação das obrigações da Bancoop, nomeando-se
interventores provisórios; e no mérito, a dissolução judicial
da Bancoop.
O acordo da ação de 2007 foi
homologado, tendo sido extinto sem apreciação do mérito o
pedido de desconsideração da personalidade jurídica, tendo
sido considerado o autor carecedor da ação, o que motivou a
interposição de apelação por este órgão do Ministério Público.
O recurso foi provido para o fim de reconhecer a
responsabilização pessoal dos dirigentes da cooperativa,
desconsiderando-se sua personalidade jurídica, tendo sido
alvo de Recurso Especial que, julgado em recente decisão,
confirmou o v. acórdão do Tribunal de Justiça paulista.
Quanto à segunda ação, a de 2012, foi
extinta sem julgamento do mérito por ausência de interesse
processual, tendo sido alvo de recurso por este órgão
ministerial, para o qual foi dado provimento, com o
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afastamento da extinção sem julgamento do mérito (Apelação
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nº 0159572-66.2012.8.26.0100, julgado em 17 de abril p.p.).
Feitas estas considerações, embora esta
ação tenha sido promovida por pessoas físicas em
litisconsórcio e não seja uma ação civil pública, o fato é que
todo o histórico da Bancoop, aliado ao fato ora descrito:
convocação de assembleia pelos dirigentes da Bancoop para
discussão de sua dissolução, pertinente, e até necessária, a
intervenção do Ministério Público.
Assim, Excelência, informo, antes de
mais nada, que este órgão tomou conhecimento, nesta data,
que, embora encaminhados os autos do Processo nº1077897-
54.2018.8.26.0100, da 44ª Vara Cível Central (doc. 1), nele
foi proferida decisão em que foi concedida liminar para
suspender os efeitos da assembleia geral agendada para
31/07/2018 – que pode, ou não, ser ratificada por Vossa
Excelência.
Necessário informar, ainda, a prolação
de outra decisão, esta da 20ª Vara Cível Central, nos autos do
Processo nº 1077657-65.2018.8.26.0100 (doc. 2), onde
também foi concedida liminar para suspender os efeitos de
qualquer deliberação eventualmente tomada na assembleia
retro mencionada.
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Para este órgão do Ministério Público,
portanto, há que ser concedida a liminar pleiteada para os
fins almejados, pois embora esta Promotoria de Justiça tenha
postulado a dissolução judicial da Bancoop na ação
promovida em 2012, aquele pedido não se confunde com as
pretensões ora estabelecidas na convocação da assembleia a
se realizar amanhã.
Na ação civil pública o intuito é colocar
um ponto final nas práticas abusivas gravíssimas adotadas
pela Bancoop, porém, de maneira formal, com
responsabilidade, evitando-se maiores danos aos cooperados;
enquanto que a dissolução pretendida pelos dirigentes da
Bancoop, a ser votada em assembleia, à evidência não
atenderá as necessidades dos cooperados.
Ante o exposto, opino pela concessão da
liminar pleiteada.
São Paulo, 30 de julho de 2018.
Eliana S. M. S. Malta Moreira Scucuglia
1ª Promotora de Justiça do Consumidor