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Erro Médico: consequências civis

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Publicado por Beatriz Fogliano - 3 dias atrás

Introdução
A responsabilidade médica, implícita aos grandes temas da responsabilidade civil e penal, mostra-se um
assunto bastante relevante na contemporaneidade.

O homem, a fim de preservar sua saúde, seja mental ou física, recorre ao médico, que visa prevenir os
males e curar enfermidades por meio de cirurgias. Portanto, tratar da conduta médica, especialmente nos
dias atuais, faz-se pertinente dentro do campo do Direito.

No presente trabalho será estudada a “Responsabilidade Civil do Médico” de forma histórica, conceitual e
em vista dos casos práticos e da jurisprudência brasileira, nos atentando a extrema importância do
assunto, visto que se trata do nosso maior bem: a vida.

Analisaremos preliminarmente noções basilares, como a responsabilidade civil e o seu contexto histórico.
Serão analisados também os deveres e obrigações do médico, o erro médico, o conceito de danos
materiais e morais, dentre outros pontos que se fizerem relevantes para a exposição do tema.

I. Considerações históricas
O dano, desde o início da história, foi combatido pelo lesado. O que mudou e se transformou com o
passar do tempo foi a forma com que esse dano passou a ser combatido, e como isso evoluiu ao longo dos
anos.

Nos primórdios, predominava o sistema de vingança, no qual o ofendido reagia de maneira imediata e
brutal.

O Código de Hamurábi, considerado uma das primeiras leis escritas, previa a possibilidade de que fosse
causado ao transgressor um sofrimento equivalente a aquele que ele havia causado, para que a pena
imposta correspondesse na mesma proporção que o delito cometidos.

Posteriormente, no direito romano, foi sumindo a idéia de somente se punir o mal com o mal. Surgiu a
possibilidade de que a vítima pudesse ser recompensada em dinheiro ou por outros bens pelo dano
causado pelo seu ofensor.

Após, no período da República romana, surgiu a Lei Aquilia, que foi um marco para a evolução da teoria
da responsabilidade civil, pois, a partir desta Lei, verificou-se a intervenção do legislador para resolver os
casos em espécie e a previsão de reparação da vítima mesmo nos casos em que não havia corpo lesado,
trazendo a concepção de culpa, e, ademais, ainda que não tenha derrogado a legislação anterior, substituiu
as multas fixas por uma pena proporcional.
Bem mais adiante, observa-se que no direito francês a "reparação" não mais estava vinculada aos casos
especiais, de forma que todo aquele que causasse dano a outrem por culpa seria obrigado a efetuar a
devida reparação.

Dessa forma, com base no direito dos franceses, o Código Civil brasileiro de 1916 consagrou em seu
artigo 159 a teoria da culpa, determinando que todo aquele que, por ação ou omissão voluntária, violasse
direito ou causasse prejuízo a outrem fosse obrigado a reparar o dano.
Registre-se, por outro lado, que o conceito de responsabilidade civil abordado atualmente não se preocupa
tanto se o fundamento do dano adveio da culpa. Foi nesse ínterim que os doutrinadores dividiram em duas
teorias a responsabilidade civil, isto é, na doutrina subjetiva ou teoria da culpa, e na doutrina objetiva
concentrada especificamente na teoria do risco. Trata-se esta última de uma responsabilidade que
independe da culpa, resolvendo-se o problema da reparação na verificação da causalidade.

Atualmente o Código Civil brasileiro estabelece, em seu artigo 927, que "aquele que, por ato ilícito (arts.
186 e 187), fica obrigado a repará-lo", mantendo como regra a responsabilidade civil subjetiva.
No entanto, nosso direito material também acabou por consagrar a doutrina objetiva, notadamente através
da teoria do risco, ao determinar que "Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa,
nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano
implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem".

Esta última teoria é uma exceção, visto que no direito brasileiro a culpa ainda é a regra para a verificação
da responsabilidade civil do agente, sendo exceção a doutrina objetiva, na qual a culpa sequer é cogitada.

II. Aspectos gerais da responsabilidade civil


A responsabilidade civil só existe quando houver a presença dos seguintes elementos objetivos: um fato
ilícito, um prejuízo causado a outrem e um nexo causal entre os elementos precedentes. Ausentes
quaisquer desses elementos, certamente a responsabilização civil não deverá existir.

A responsabilidade civil subjetiva é aquela que depende de dolo ou culpa do agente causador do dano, ou
seja, a obrigação de indenizar ou de reparar o dano advém do comportamento culposo do agente, seja ele
direto ou indireto. Segundo a teoria da responsabilidade subjetiva, positivada no Código Civil brasileiro
em seus artigos 186 e951, é incumbido a vítima provar o dolo ou culpa do agente – no caso, o médico,
para obter a reparação do dano.
A culpa strictu sensu compreende uma conduta voluntária traduzida na negligência do agente, verificada
quando há omissão de certo ato acarretando no resultado danoso, na imprudência, quando o agente age
precipitadamente ou não prevê integralmente as consequências que os seus atos poderão ocasionar, e na
imperícia, vista quando os procedimentos técnicos que deveriam ser tomados adequadamente são
imperfeitos.

Já nos casos de responsabilidade civil objetiva, o dano emerge de uma conduta indireta de ação ou de
omissão do responsável, devendo o ofendido apenas provar a ocorrência do dano, o nexo causal e que não
agiu ele com culpa própria. Não é necessário provar que houve culpa do médico para que ele seja
obrigado a reparar o dano, ou seja, a verificação da responsabilidade independe da verificação da culpa do
agente, não importando a intenção deste de causar ou não o resultado danoso, ele figura como
responsável, pois tem a obrigação de evitar a lesão em razão do seu dever legal de cautela. Lembrando
que, sendo a culpa presumida por lei, há inversão do ônus da prova, cabendo ao paciente provar a ação ou
omissão do médico e o resultado danoso, uma vez que a culpa do agente já se presume.

Seja a responsabilidade subjetiva ou objetiva, é essencial que haja uma causalidade apta a vincular
determinada ação ou omissão direta ou indireta com um resultado lesivo. Assim, o dano emerge como
circunstância elementar da responsabilidade civil, o qual decorre a obrigação do ofensor em reparar o mal
causado, tanto que para alguns doutrinadores não existe responsabilidade civil sem a ocorrência do dano.

O artigo 5º, inciso V da Constituição da República de 1988 estatui o direito de indenização devido por
dano moral, material e à imagem. Deste dispositivo sobrevém ainda a possibilidade de cumulação entre
danos materiais e morais.
A indenização moral tem por objetivo amenizar mediante recompensa financeira, a dor da vítima ou de
seus familiares, bem como punir o agente infrator de forma que o mesmo não mais incida no erro que
acarretou o dano, e que aquela punção sirva de exemplo social.

Por outro lado, o dano material restringe-se à patrimonialidade do prejuízo, compreendendo a reposição
de tudo quanto a vítima perdeu ou deixou de ganhar (lucros cessantes).

Por fim, cumpre salientar que a legítima defesa, exercício regular de direito, estado de necessidade, fato
da vítima exclusivo ou concorrente, fato de terceiro, caso fortuito ou força maior, excluem a
responsabilidade civil.

III. Teoria Majoritária no Brasil – Responsabilidade Subjetiva


No nosso ordenamento jurídico, além das disposições gerais contidas no Código Civilacerca da
responsabilidade civil no capítulo concernente à obrigação de indenizar (Código Civil de 2.002, Título
IX, Capítulo I), perante as quais também se depreende a culpa médica e a respectiva obrigação de reparar,
também encontramos no Código de Defesa do Consumidor, disposições aplicáveis aos profissionais da
medicina, como, por exemplo, o artigo 14, caput e § 4º, in verbis:
“Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação
dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como sobre
sua fruição e riscos.

(...)

§ 4º A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de


culpa”.

Logo, presume-se que a responsabilidade do médico é subjetiva, ou seja, precisa ser verificado o dolo ou
a culpa em sua conduta para que exista o direito à indenização.

De acordo com Clóvis Beviláqua, em sua obra Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado,
Ed. Rio de Janeiro, v.4, p. 696, “A responsabilidade das pessoas indicadas neste artigo, por atos
profissionais, que produzem morte, inabilidade para o trabalho, ou ferimento, funda-se na culpa; e a
disposição tem por fim afastar a escusa, que poderiam pretender invocar, de ser o dano um acidente no
exercício da profissão. O direito exige que esses profissionais exerçam a sua arte segundo os preceitos
que ela estabelece, e com as cautelas e precauções necessárias ao resguardo da vida e da saúde dos
clientes e fregueses, bens inestimáveis, que se lhes confiam, no pressuposto de que zelem. E esse dever de
possuir a sua arte e aplicá-la, honestamente e cuidadosamente, é tão imperioso que a lei repressiva lhe
pune as infrações.”
Ainda, vejamos recente julgado de relatoria do Ministro Massami Uyeda a respeito do tema:

“RECURSO ESPECIAL - AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - DANOS MORAIS E MATERIAIS - CIRURGIA


DE VASECTOMIA - SUPOSTO ERRO MÉDICO – RESPONSABILIDADE CIVIL SUBJETIVA -
OBRIGAÇÃO DE MEIO - PRECEDENTES - AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE IMPRUDÊNCIA NA
CONDUTA DO PROFISSIONAL – CUMPRIMENTO DO DEVER DE INFORMAÇÃO -
ENTENDIMENTO OBTIDO DA ANÁLISE DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO - REEXAME DE
PROVAS - IMPOSSIBILIDADE - ÓBICE DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA/STJ - RECURSO
ESPECIAL NÃO CONHECIDO.

(STJ - REsp 1051674-RS, Terceira Turma, Rel. Min. Massami Uyeda, j. 03.02.2009).

A responsabilidade médica se infere no contexto que nosso ordenamento jurídico preceitua: todas as
pessoas são obrigadas a responder por danos causados a terceiros. Dessa forma, será possível
responsabilizar médicos ou terceiros (como por exemplo, a equipe hospitalar, enfermeiros e auxiliares),
tanto no âmbito cível quanto no âmbito penal, quando houver falhas decorrentes do exercício de suas
profissões.

A responsabilidade civil do médico, como visto anteriormente, é baseada na teoria subjetivista da culpa e
objetivista do risco. Para que o médico seja responsabilizado por determinado evento danoso, é necessário
que tenha ocorrido uma conduta de negligência, imprudência ou imperícia deste, ou ainda, nos casos em
que for contratada uma obrigação de resultado e o mesmo não for atingido, que são os casos que
concernem à medicina plástica.

A legislação permite os avanços na medicina, possibilitando que o profissional desenvolva suas


atividades e as aplique da melhor maneira possível, considerando ainda que a obrigação do médico é de
meio e não de resultado. No entanto, essa mesma legislação imputa determinados deveres essenciais de
cuidados, de tal forma que se faz imprescindível a observância do zelo e da vigilância próprios
dos statusque os médicos detêm, quais sejam:

III. I. Dever de informação


No mais, ainda que se presuma que o médico detém conhecimento acerca do tratamento adequado, o
mesmo deverá orientar o enfermo ou as pessoas responsáveis pela pessoa doente todas as informações
que forem necessárias ao tratamento.

O código de Ética Médica, em seu artigo 59 afirma que é vedado ao médico “Deixar de informar ao
paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação
direta ao mesmo possa provocar-lhe dano, devendo, nesse caso, a comunicação ser feita ao seu
responsável lega”.

Ainda, o artigo 6º, inciso III do Código de Defesa do Consumidor diz que “São direitos básicos do
consumidor: III – a informação adequada e clara sobre diferentes produtos e serviços, com especificação
correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que
apresentem”.
Assim, cabe o médico prestar as devidas informações e documenta-las ao paciente sob a forma de termo
de consentimento, autorizando realização de tratamentos e dando ciência dos riscos ao qual o paciente
está se submetendo. Caso o médico não o faça, e o paciente se sinta lesado pela falta desta, poderá buscar
reparação dos danos ou prejuízos causados.

III. II. Dever de Atualização

Além da habilitação para o exercício da profissão, o médico deve manter-se atualizado sobre técnicas e
conhecimentos necessários para que ao aplica-los na prática, tenha maiores chances de êxito.

III. III. Dever de Assistência

Cabe o médico assessorar o paciente, lhe proporcionando meios para ajudá-lo em caso de necessidade. A
falta desta pode incorrer em negligência médica, sendo o médico responsável no caso de dano ou prejuízo
causado ao paciente por falta de comunicação assistencial.

III. IV. Dever de Abstenção de Abuso

A essência da medicina é de salvar e preservar vidas. Dessa forma, presume-se que o profissional atuel
sempre baseando seus atos no princípio da boa-fé e de acordo com os princípios éticos, não visando
apenas o lucro ou obtenção de vantagens.

Casos que são muito discutidos são os dos pacientes que se dizem “Testemunhas de Jeová”. Estes
pacientes não aceitam receber a transfusão de sangue, e caso o médico o faça até mesmo para salvar suas
vidas, pode ser considerado um abuso por parte deles.

No entanto, os Tribunais se posicionam favoralmente aos médicos, haja vista que as transfusões são
necessárias para salvar a vida do paciente. Nesse sentido:

“Entretanto, em que pesem as convicções religiosas da apelante que, frise-se, lhe são asseguradas
constitucionalmente, a verdade é que o que deve prevalecer, acima de qualquer credo, religião, é o bem
maior tutelado pela Constituição Federal, a vida.
É evidente que ao profissional médico é vedado, pautando-se, inclusive, com o disposto no Código de
Ética Profissional da categoria, efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento prévio do
paciente ou de seu responsável legal. Entretanto, essa regra admite exceção, quando o paciente se
encontra em iminente risco de morte. E, no caso dos autos, restou demonstrado pela prova produzida que
os médicos que acompanhavam o tratamento a que estava sendo submetida a apelante esgotaram todas
as formas alternativas de tratamento contra o mal que a acometia.”

(TJSP, Recurso de Apelação nº 9131552-72.1999.8.26.0000, 3ª Câmara de Direito Privado, Rel. Des.


Flavio Pinheiros, j. 18/06/2002)

Assim, independentemente de crença ou considerações quanto a violação da dignidade humana, o médico


deve sempre agir com o único objetivo de preservação da vida do paciente.

IV. A culpa e as suas modalidades

Como já visto anteriormente, no que se refere ao crime culposo, o Código Penal não lhe prevê um
conceito, apenas estabelece as modalidades da culpa, a saber, imprudência, negligência e imperícia.
Ao falar em imprudência, estamos tratando de uma A imprudência é conduta comissiva, que se
caracteriza pela ausência de atenção do agente quando da realização do ato. Trata-se de "uma atitude em
que o agente atua com precipitação, inconsideração, com afoiteza, não usando de seus poderes
inibidores" (MIRABETE, Julio Fabbrini; FABBRINI, Renato N., 2007, p. 140).

É, por exemplo, o médico que avalia um diagnóstico a distância e receita um medicamento por telefone,
ou ainda um médico cirurgião que utiliza uma técnica que não a consagrada nos meios científicos e
acarreta resultado danoso ao paciente, outro caso também, o clinico geral que, sem ao menos ter estagiado
em serviço de clinica cirúrgica se propõe a realizar por sua conta e risco, uma apendicectomia.

Já a negligência se daria em razão de uma omissão, caracterizada em razão de uma inércia do agente, o
qual, ante a situação concreta, tinha o dever de agir. Nessa modalidade de culpa, portanto, observa-se a
passividade do agente. Como por exemplo deixar de examinar adequadamente um paciente em estado
precário de saúde, desinternando-o, e disso resultando vir ele a falecer, ou então realizar um exame
clínico superficial, entre outros diversos exemplos.

A doutrina também aponta como resultado de negligência a própria letra destes profissionais que torna a
receita médica indecifrável. Tal fato pode acarretar a troca de medicamentos. Todavia, ressalta a doutrina
que também o farmacêutico age com culpa nestes casos, na modalidade da imperícia, pois não devia ter
ele fornecido medicamento quando não tem certeza do que se trata. Concomitantemente, em razão de
negligência e também imperícia, também os médicos deveriam responder nestes casos (FRANÇA,
Genival Veloso, 1994, p. 245/246).

Finalmente, verifica-se a caracterização da imperícia quando falta habilidade ou aptidão técnica, teórica
ou prática na realização de uma atividade profissional.

Refere-se, portanto, "a incapacidade, a falta de conhecimentos técnicos no exercício de arte ou profissão,
não tomando o agente em consideração o que sabe ou deve saber" (MIRABETE, Julio Fabbrini, e
FABBRINI, Renato N., 2007, p. 140).
Alguns exemplos de imperícia médica são a provocação de queimaduras em radioterapia, ou então uma
obstetra que durante uma cesariana segmentar transversa, no ato de praticar a manobra denominada
Fucks, na qual faz-se uma abertura da concavidade superior do útero, acaba por lesar a bexiga.

V. Culpa Exclusiva da Vítima

Existem casos em que não há a menor contribuição do médico para a ocorrência do evento danoso, sendo
este gerado exclusivamente pela conduta do próprio paciente.

São casos nos quais, por exemplo, o paciente não toma os devidos cuidados pós-operatórios
recomendados pelo médico, ou então não segue corretamente o tratamento prescrito. Em casos como
estes, não existe a relação de causa e efeito entre o ato do agente causador do dano e o prejuízo
experimentado pela vítima.

Assim, o médico é totalmente exonerado da responsabilidade civil do dano, não tendo que arcar com
nenhum tipo de indenização ao paciente, haja vista que a culpa é exclusiva deste.

VI. Culpa de Terceiro

Quando existe uma ação dolosa ou culposa advinda de um terceiro que resulte na lesão do paciente,
também é excluída a responsabilidade do dano pelo médico.

De acordo com Silvio de Salvo Venosa, em sua obra Direito Civil: Responsabilidade Civil, Vol. 4:
“Temos que entender por terceiro, nessa premissa, alguém mais além da vítima e do causador do dano.
Na relação negocial, é mais fácil a conceituação de terceiro, pois se trata de quem não participou de
negócio jurídico”.

Assim, nesse caso, o fato gerado por terceiro não se confunde com a relação médico-paciente, uma vez
que há a quebra do nexo de causalidade entre a conduta do médico e a lesão sofrida pelo paciente.

VII. Caso Fortuito ou Força Maior

O caso fortuito e a força maior são excludentes de responsabilidade do médico por possíveis danos que o
paciente tenha sofrido. Não existiu ato comissivo ou omissivo praticado pelo agente que levassem a
ocorrência de um dano, mas sim um fato imprevisível.

Nos termos do artigo 393, o Código Civil define: “O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de
caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo
único. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário, cujos efeitos não eram possíveis
evitar ou impedir”.
VIII. Erro Médico

O erro médico é uma falha do profissional na prestação de serviço de sua responsabilidade e no exercício
de sua profissão. Trata-se de uma conduta profissional mal aplicada, onde o erro é consequência da
imprudência, negligência ou imperícia do profissional médico.
O médico, através de conduta culposa decorrente de imprudência, negligência ou imperícia, causa dano
ao paciente, podendo ocorrer em basicamente três hipóteses: erro diagnóstico, erro profissional ou erro
grosseiro, e ensejando até três consequências distintas, quais sejam: punição administrativa, reparação
civil, e punição criminal.

O erro diagnostico ocorre devido a uma falha, onde será ministrado ao paciente algum tipo de medicação
errada, ou medicação para outro tratamento, por exemplo. O erro profissional é aquele cuja falha não é
apenas do médico, mas também do paciente, que omite informações necessárias para o diagnóstico. Por
fim, o erro grosseiro é quando o profissional não tem condição alguma de exercer a profissão, podendo
até ser classificado como “incapacitado” – neste caso não restam dúvidas quanto a obrigação do médico
de reparar o paciente.

Assim, é necessário primeiramente distinguir o erro médico do acidente imprevisível, que seria o caso de
suposto caso fortuito ou força maior, ou ainda de resultado incontrolável, que decorre de uma situação
grave e de curso inexorável.

IX. Dano Causado por Erro Médico e o Dever de Reparar

Por certo, a relação que se estabelece entre o médico, no exercício de suas atribuições profissionais, e o
paciente, é pautada por um contrato, cuja natureza é a prestação de um serviço, e que firma um vínculo
jurídico entre as partes, tornando exigível a prestação avençada, que seriam, no caso, emprego dos meios
necessários para que ocorra uma melhoria da condição de saúde do paciente.

Ocorre que esse contrato é ele pautado em uma obrigação de meio, e apesar dos avanços científicos e
tecnológicos a favor da saúde, o médico não possui a certeza da cura. Diante disso, obviamente, o
contrato médico se pauta pelo dever legal de cuidar e de diligencia do médico para com o paciente, e não
em uma certeza de recuperação, sendo assim o objeto uma obrigação de meio, sem dúvidas.

Entende-se obrigação de meio como aquela cuja execução independe do alcance do resultado pretendido,
somente importando o emprego de boa diligência em seu cumprimento, ao contrário das obrigações de
resultado que serão inadimplidas quando não houver efetivação do fim esperado. Ou seja, o médico tem
apenas que agir esforçando-se para obter uma melhora do paciente, mesmo que ao final não obtenha
sucesso.

Inversamente da obrigação de meio, existe a obrigação de resultado, que é aquela cujo compromisso
findado no contrato é de atingir determinado resultado, como por exemplo, o caso da cirurgia plástica –
aqui, o que interessa é o resultado da atividade, e apenas atingindo determinado resultado é que será dado
cumprimento a obrigação contratada.

Portanto, na obrigação de resultado, caso o fim almejado não se atinja totalmente, pode-se dizer que o
médico não adimpliu sua obrigação, havendo então presunção de culpa, e consequentemente inversão do
ônus da prova, competindo ao paciente comprovar que o resultado não foi obtido.
Da inexecução do contrato, surge, então, a responsabilidade civil, consubstanciada no dever legal de
reparação do resultado danoso.

A doutrina lista determinados pressupostos legais à incidência da responsabilização civil ao médico. São
eles: a culpa, o dano e, por fim, o nexo de causalidade.

Como já vimos anteriormente, a culpa possui três espécies: negligência, imperícia e imprudência, e estas
somente irão produzir efeitos quando estiverem aliadas à previsibilidade do resultado danoso, caso
contrário, não há que se falar em culpa e nem em responsabilização do médico.

Por exemplo, nos casos em que há incidência de caso fortuito ou força maior ao longo do tratamento do
paciente, que acaba resultando na morte do paciente ou em outras consequências. Nesses casos, se o
médico tomou todas as precauções e agiu sob o domínio do dever geral de cautela, e apesar disso tudo
sobreveio um fato imprevisível, exclui-se a culpa e a responsabilização do médico.

O Código de Defesa do Consumidor considera o médico como prestador de serviços liberais, ou seja, ele
age profissionalmente diretamente com o paciente. Sua responsabilidade esta positivada no artigo 14,
parágrafo 4º do mencionado código, e este estatui que será examinada a responsabilidade mediante
aferição da culpa, como já tratado anteriormente.
Além do ato culposo, para que seja configurada a responsabilização do médio, é necessário que a falta de
observância dos deveres legais de cuidado, diligencia e zelo, acarretem em resultados danosos ao
paciente.

A norma inscrita no artigo 927 do Diploma Civil é clara e estatui que “Aquele que, por ato ilícito (arts.
186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”.

Aqui surge uma verdadeira condicionante à responsabilização, pois não há que se falar na
responsabilização do médico, ainda que este não tenha utilizado das normas gerais de cuidado e cautela,
caso não haja a ocorrência real, efetiva e certa de um resultado danoso, traduzido em lesões corporais,
morte ou qualquer outro resultado similar.

Finalmente, é preciso que se verifique a existência de um efetivo nexo de causalidade entre a conduta do
médico, violadora das normas de cuidado, e o resultado danoso que enseja reparação. Sem esta
comparação não se pode falar em responsabilização.

Os exemplos para ilustrar a efetiva necessidade do nexo de causalidade são diversos. Imaginemos o
médico que, ao tratar determinada doença dá alta ao paciente, determinando que este o procure caso sinta
algum sintoma estranho. O paciente, ao desobedecer à orientação médica deixa de procurá-lo para
informar-lhe sobre a superveniência de outros sintomas, vindo a ter sua condição agravada
posteriormente. Nesse caso não há que se falar em responsabilização pois inexiste o nexo de causalidade
entre a conduta do profissional médico e o agravamento da condição física do paciente; não há que se
falar em reparação dos danos.

X. Danos Morais e Lucros Cessantes


O dano moral é aquele que decorre da privação ou da diminuição de bens de valor que são incalculáveis à
pessoa, como a paz, a tranquilidade de espírito, a liberdade individual, integridade física, honra e demais
afetos. Em suma, é aquela que abala a dignidade do ser humano.

A noção do conceito de dano em nosso ordenamento jurídico está intimamente ligada do


princípio neminem leadere, que quer dizer que ninguém é dado prejudicar a outrem.

Conforme afirma Silvio de Salvo Venosa “Sem dano ou sem interesse violado, patrimonial ou moral, não
se corporifica a indenização.” (VENOSA, Silvio Salvo, 2009, p. 33). Dessa forma, verificamos que o
dano se materializa mediante a comparação do efetivo prejuízo sofrido pela vítima.

O Código Civil Brasileiro, em seu artigo 186 consagrou a plena reparabilidade do dano, mesmo sendo
este exclusivamente moral. A indenização que decorre do dano moral implica na evidencia de uma perda
ou de um sofrimento que adveio de um ato de terceiro.
O critério de valoração monetária é majoritariamente subjetivo, pois cada pessoa vive uma situação
singular, e o dano que lhe for causado acarretará prejuízos de acordo com suas características individuais.
Cabe ao juiz fixar a indenização de acordo com a capacidade econômica do agente causador, observando
uma razoabilidade no valor a ser arbitrado, sem que lhe abale demasiadamente.

Temos também o chamado lucro cessante, que é privação de lucros que deveriam ingressar como parte de
nosso patrimônio, mas que, por fato imprevisível e alheio à nossa vontade, foram impedidos de
adentrarem nossa esfera de propriedade; por motivos alheios deixam eles de fazer parte de nosso
patrimônio.

Tratam-se dos ganhos que eram certos, numa estimativa razoável de previsibilidade. Assim, se da má
pratica médica houver lesão do paciente, e este fique impossibilitado de realizar determinado trabalho que
era executado para seu sustento, além de serem devidos os danos emergentes, deverá se estimar quanto
que o paciente vítima do dano deixou de ganhar em razão da lesão que o impossibilitou de exercer sua
profissão.

XI. Dano Estético

Ao conceituar dano estético, explica a professora Maria Helena Diniz em sua obraCurso de Direito Civil
Brasileiro, 10ª edição: “O dano estético é toda alteração morfológica do indivíduo, que, além do aleijão,
abrange as deformidades ou deformações, marcas e defeitos, ainda que mínimos, e que impliquem sob
qualquer aspecto um afeiamento da vítima, consistindo numa simples lesão desgostante ou num
permanente motivo de exposição ao ridículo ou de complexo de inferioridade, exercendo ou não
influência sobre sua capacidade laborativa.”. E continua sua explicação exemplificando ainda as
possibilidades do dano estético: “mutilações (ausência de membros – orelhas, nariz, braços ou pernas
etc.); cicatrizes, mesmo acobertáveis pela barba ou cabeleira ou pela maquiagem; perda de cabelos, das
sobrancelhas, dos cílios, dos dentes, da voz, dos olhos; feridas nauseabundas ou repulsivas etc., em
consequência do evento lesivo”
É necessário que o prejuízo sofrido pelo paciente seja considerado fora do padrão considerado normal
para que seja considerado um dano passivo de indenização. Verifica-se a extensão do dano estético, qual
a localização no corpo, se existe ou não a possibilidade de remoção, quais são as características da vítima
(idade, sexo, estado civil profissão, etc.), quais restrições a pessoa sofrerá em decorrência da
irreparabilidade da lesão, entre diversos outros aspectos para poder calcular e definir o valor da
indenização.

No ordenamento jurídico brasileiro, apenas a própria vítima do dano estético tem legitimidade para
pleitear a indenização.

XII. Conclusão

Nosso ordenamento jurídico preceitua que todas as pessoas são obrigadas a responder por danos causados
a terceiros e é dentro desse contexto que se infere também a responsabilidade médica.

Assim, advindo algum dano ou prejuízo ao paciente que esteja diretamente relacionado à conduta do
profissional médio ou por terceiros como por exemplo a equipe hospitalar, enfermeiros, auxiliares, etc., é
possível que seja pleiteado a responsabilização destes.

Para configurar a responsabilidade civil do médico, devem estar presentes a culpa ou dolo, além do nexo
de causalidade e a conduta médica. Ainda, existem alguns casos em que não há responsabilidade do
médico, como em situações de caso fortuito ou força maior, fato de terceiro ou culpa da vítima.

Quanto às consequências civis advindas com o erro médico, concluímos pela responsabilidade civil
subjetiva do médico. Não obstante a relação médico paciente seja pautada por um contrato, não há a
incidência daquela implicação natural a estas causas, qual seja, a presunção de culpa. Isto porque o
Código de Direito do Consumidor traça que a responsabilidade do profissional liberal será auferida
mediante exame da culpa.

O que deve se ter em mente é que o médico, através de sua obrigação de meio, deve utilizar todo seu
conhecimento e meios necessários para a melhora do paciente. Exceto na obrigação de resultado, como na
cirurgia plástica, onde o médico se compromete a obter determinado resultado

Ante todo o exposto, o presente estudo, embora não tenha esgotado o tema proposto, trouxe premissas
fundamentais acerca da responsabilidade médica, discorrendo sobre as consequências civis que o médico
se submete quando do cometimento de erro profissional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Calado, Vinicius de Negreiros. Culpa Médica: Considerações. Disponível


emhttp://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=6222&p=1. Acesso em 22 de maio de 2009.
CROCE, Delton; JÚNIOR, Delton Croce, Erro Médico e o Direito, 2ª edição, São Paulo: Saraiva, 2002.

DESTRI, Célia. Erro Médico Julgo Procedente. 1. Ed. Rio de Janeiro: Revista Forense, 1999.
FRANÇA, Genival Veloso. Direito Médico, 6ª edição, São Paulo: Fundação BYK, 1994.

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Fonte: http://beatrizfogliano.jusbrasil.com.br/artigos/310755695/erro-medico-consequencias-
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Data: 07/03/2016