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VOCAÇÃO AO EPISCOPADO

Introdução

Abordaremos o presente trabalho a partir do seguinte esquema:

1. Imagem Bíblica: O Bom Pastor


2. Aspectos históricos
3. Exposição magisterial:
a) Christus Dominus do Vaticano II
b) Pastores Gregis de João Paulo II
4. Reflexão sistemática
5. Questões canônicas sobre o bispo

1. Imagem Bíblica: O Bom Pastor

A imagem bíblica que mais explicita a missão do bispo é a do Bom Pastor, como
aquele que dá a vida por suas ovelhas (cf. Jo 10,11).
A tradição cristã fixou a imagem bíblica do pastor em três figuras:
- Aquele que traz aos ombros a ovelha desgarrada;
- O que conduz o rebanha em prados verdejantes;
- Aquele que com o cajado recolhe as ovelhas e as protege do perigo;
Em todos os casos, o pastor é pelas ovelhas e não as ovelhas pelo pastor.
O Bom Pastor é Cristo, pois é Ele que dá a vida as ovelhas. Nele, é que os bispos
foram constituídos pastores, não do próprio rebanho, mas da grei de Cristo.
O bispo é pastor na medida em que evangeliza, santifica e guia o povo cristão.
*O Bispo é mestre da fé e mensageiro da Palavra (munus docendi)
Recordamos os deveres do Bispo: é o primeiro responsável da evangelização e da
catequese, bem como aos vários ambientes e meios para a difusão do Evangelho.
*O Bispo é santificador do povo cristão (munus sanctificandi), com realce
central na liturgia como vida da diocese, sobretudo na celebração eucarística. Neste
contexto são enfrentados também importantes temas como a centralidade do domingo, a
importância da piedade popular, o decoro dos lugares sagrados, etc.
*Do governo pastoral do Bispo (munus regendi) é evidenciado o radical
espírito de serviço e de vigilância sobre o desenvolvimento da vida diocesana. Em
particular, no seu governo o Bispo deve refletir as mesmas características do Bom Pastor.
Faz-se referência a pastoral diocesana, o sínodo diocesano, a cúria, os vários conselhos
diocesanos, tais como o Colégio de Consultores, de Presbíteros, de Pastoral e de assuntos
econômicos.
Para finalizar, podemos ver quão grande é a responsabilidade do Bispo. Essa deve
ser exercida como serviço e como amor, na autoridade que é própria da missão episcopal.

2. Aspectos históricos
Nos diferentes estados de vida, como ministro ordenado, religioso ou leigo, quer na
vida matrimonial ou celibatária, o cristão exerce sua vocação para o crescimento do Corpo
de Cristo que é a Igreja. Renascido na água do batismo, o cristão pertence a Cristo. É essa
ligação com o Mestre que o faz parte do Povo de Deus.
Examinando o que estabeleceu o próprio Cristo, é possível identificar critérios e
tarefas de escolha, discipulado e missão. Ele escolheu e instruiu um grupo de discípulos (Jo
15,16), designou 12 para que ficassem em sua companhia ( Mc 3,14) .
Para esses discípulos Cristo concedeu tarefas especiais, confiando-lhes os meios de
salvação (Mt 28,19: Jo 20,23) , autorizando que agissem em nome d’Ele ( Mt 10,27) .
Os enviados, discípulos que receberam a missão de agir em nome de Cristo passam
a apóstolos. “Com isto fica claro que os homens deverão receber a salvação, isto é, serão
ligados a Cristo, por meio daqueles homens que Ele escolheu” 1
O sucessor de Pedro (Mt 16 , 18-19) é reconhecido na pessoa do Bispo de Roma.
Os Bispos que, por divina instituição, sucedem os Apóstolos são constituídos pastores na
Igreja. Pela própria consagração episcopal os Bispos recebem, juntamente com o múnus de
1
KONINGS, Johan M. H. & ZILLES, Urbane. Religião e Cristianismo. 7 ed , Porto Alegre: EDIPUCRS,
1997, p.258.
santificar, o de ensinar e governar, os quais, por sua natureza, não podem ser exercidos a
não ser em comunhão hierárquica com a cabeça e com os membros do Colégio (Cân. 375
§§ 1 e 2, do CIC).
Após um breve exame sobre a situação dos bispos na história da Igreja, passaremos
à análise dos diferentes documentos a respeito da atuação do Bispo, cujo ministério, desde
os primeiros tempos, ocupou lugar privilegiado na igreja, por conservar a semente
apostólica através de uma sucessão ininterrupta desde o começo da Igreja.2

ASPECTOS ECLESIAIS DA IGREJA DOS PRIMEIROS SÉCULOS: OS BISPOS


As primeiras comunidades foram caracterizadas pela espera da volta do Senhor e
mantinham as estruturas organizativas correspondentes à ordem da sinagoga.
Seguindo o modelo institucional judaico do conselho dos anciãos, em algumas
comunidades os anciãos (presbíteros) perceberam a sua função de guia e de assistência (1
Pd 51-4; Tg 5,14).
Na ordem dos ministérios (1 Cor 12,4-11), na diversidade de ofícios, os que
presidiam eram propostos como bispos (e’piskopoi) e diáconos (Fl 1,1). Aqueles que Deus
estabeleceu na Igreja em primeiro lugar eram apóstolos e , depois, profetas, mestres ,
inseridos na comunidade local ( 1 Cor 12,28 ).
Após 150, a direção colegial da comunidade foi substituída por um epíscopo.
Alguns fatores foram determinantes a prevalecer o mono episcopado: necessidade de
coesão e unidade; as cartas pastorais endereçadas aos discípulos dos apóstolos que exigiam
do bispo a capacidade de ensinar (1 Tm 3,2); uma sucessão não interrompida que garantia a
autenticidade do ensinamento e apostolicidade da comunidade.
Da época da Igreja nascente (séculos I e II) não se poderia esperar clara
documentação legislativa em meio a tanta insegurança. O consuetudinário presidia o
estabelecimento das primeiras normas, transmitidas oralmente. Havia longas distâncias a

2
LG 20.
serem superadas e as comunicações eram deficientes, fatores que impediam as
comunidades de firmarem alguma uniformidade. No século III, e mais ainda no século IV,
desponta a legislação eclesiástica, graças às primitivas coletâneas de atas de concílios e
sínodos regionais.
Quando os apóstolos do Senhor concluíram sua missão terrena, seus discípulos
imediatos permitiram-se a tentativa de perpetuar os preceitos que haviam ouvido atribuindo
a seus mestres a autoria daquilo que redigiam, no intuito de valorizarem-no, assim como
alicerçar os costumes que introduziam em suas comunidades.
Apesar de serem pseudoepígrafos (pois os verdadeiros autores são anônimos), esses
documentos possuem valor a título diverso: testemunham a legislação consuetudinária
contemporânea à Igreja primitiva.
Tudo leva a crer que se poderiam agrupar as fontes pseudo-apostólicas em torno de
dois escritos primitivos: a Didaqué (Doutrina dos Doze Apóstolos) e as Diatagái ton
Apostólon (Constituições dos Apóstolos), ambas redigidas no Oriente, porém bem-
recebidas no Ocidente. Da Igreja ocidental conhece-se apenas um escrito posterior: a
Tradição Apostólica, de Santo Hipólito.
No decorrer do II século, desapareceu a direção do tipo colegial. Na Didaqué 15
consta: 1. Escolhei-vos, pois, bispos e diáconos dignos do Senhor, homens dóceis,
desprendidos (altruístas), verazes e firmes, pois eles também exercerão entre vós a liturgia
dos profetas e doutores (mestres). 2. Não os desprezeis, porque eles são da mesma
dignidade entre vós como os profetas e doutores.
O texto não alude à hipótese de que o bispo fosse escolhido do meio do colégio dos
presbíteros, não sendo descrito em detalhes o ministério dos epíscopos. No Novo
Testamento (At 20,28; Fl11) bispo designa homens com função de presidir as comunidades
devendo ser irrepreensível, esposo de uma única mulher, capaz de ensinar, não dado à
bebida, nem briguento, mas indulgente, pacífico e sem interesse por dinheiro (1Tm 3,2 ),
aspectos que irão aparecer nas disposições das Constituições dos Santos Apóstolos de
São Clemente.3
Depende da Didaqué a Didascalia ton Apostólon, isto é, os ensinamentos dos
Apóstolos. Esta obra também nasceu na Síria ou na Palestina, na primeira metade do século
3
Libro II ( I Vescovi ) 2. E sia sóbrio prudente , dignitoso ben saldo , imperturbato non dedito al vino, non
rissoso , ma misurato, alieno a litigi, senza attaccamento al denaro ...
III. Segundo Mons. Maurílio Cesar de Lima, a obra apareceu pretensamente como
compilação do chamado Concílio de Jerusalém do ano 50. Ela trata da disciplina
eclesiástica na comunidade, dos deveres das diversas funções, da atenção para com os
pobres, da educação das crianças, dos litígios entre cristãos, das reuniões litúrgicas, dos
jejuns, do perdão dos pecados e adverte sobre o cerimonial judaico e sobre os hereges.
Assemelha-se a um ensaio de redação de um Corpo de Direito Canônico e a uma base de
partida para quem escrevesse as Constituições Apostólicas. 4
Há também os Cânones eclesiásticos dos Santos Apóstolos aparecem na Síria ou
no Egito no fim do século II ou no princípio do século III. Os primeiros cânones
reproduzem a Didascalia; seguem-se preceitos referentes à escolha e à ordenação dos
epíscopos e dos presbíteros, aos deveres do clero, das viúvas, das diaconisas, dos leigos e
da participação das mulheres no culto.
Diatagái ou Diatéczeis ton apostólon, ou seja, Constituições Apostólicas: provêm
de Antioquia ou da Palestina, compilação de autor desconhecido, sem razão atribuída ao
papa São Clemente (89-98). Surgem no fim do século IV na Síria ou na Palestina. Trata
acerca dos leigos, bispos, viúvas e órfãos. A partir do Livro V desenvolve a questão acerca
dos mártires, das heresias, das cismas, da vida cristã, concluindo com disposições acerca da
liturgia, incluindo as ordenações de bispos. Em apêndice oferece os 85 cânones dos
Apóstolos, obra que gozou de grande reputação no Oriente.
As Constituições dos Santos Apóstolos atribuídas a São Clemente
(Costituzioni dei Santi Apostoli) foram o produto de escritores da Igreja Oriental.
Apresenta-se como testemunho de uma convicção eclesiológica e serviu de base para
a atuação dos bispos e presbíteros .
O pastor que vem constituído bispo pela Igreja deve ser incensurável e
irrepreensível (Livro II 1.1), devendo, de preferência, não ser de idade inferior a cinquenta
anos. Deve ser marido de uma só esposa e saber governar bem a própria casa (Livro II 2.1).
Caso não haja pessoa de idade avançada, constituído no episcopado, um jovem deverá
demonstrar maturidade, após ser submetido a exame e deve receber de todos o atestado
para que seja constituído em paz . (Livro II 1,3).

4
In: Introdução á história do direito canônico . São Paulo: Loyola,1999,p.37;
Lembremos que nos séculos iniciais, a escolha dos candidatos se fazia pela
contagem de mãos erguidas dos eleitores em gesto positivo (keirotonia), seguindo-se a
consagração pela imposição das mãos (keirothesia). Nos primeiros anos os apóstolos
escolhiam seus sucessores (1 Tm 4,7), admitindo a colaboração da comunidade (Art 1,3;
6.3).
Ainda no século III, tanto no Oriente como no Ocidente, a eleição do bispo pela
comunidade era reconhecida. A discussão era se se tratava de simples aclamação, como
direito conferido originalmente ou era concessão à praxe generalizada. O termo hierarchia
(grau sagrado) começou a ser empregado apenas no século IV para dar sentido à
organização eclesiástica. O pleno poder jurisdicional era transmitido aos bispos que o
partilhavam com seus colaboradores. Essa jurisdição episcopal vigorava onde o bispo
residia, imitando a administração civil.
A necessidade de atendimento à zona rural deu lugar à instituição dos
corepíscopos, dependente do bispo citadino. Recebiam a ordenação, mas sua atuação era
limitada ao campo, para a cura de almas. Podiam ordenar somente clérigos inferiores e
apenas com autorização do bispo da cidade.
Com o tempo, eles tornaram-se numerosos. Tanto que, no Concílio de Nicéia
(325) como em outros concílios dos séculos IV e V, sua presença e atuação se fazia sentir
com peso incômodo. Os Concílios de Neocesaréia (314-325) e de Antioquia (314) os
coibiu.5
O Concílio de Sárdica (343-344) declarou que não se consagrassem corepíscopos
para serviços que pudessem ser realizados por sacerdotes. O Concílio de Lodicéia ( 343-
381) proibiu aas ordenações de corepíscopos, que poderiam ser substituídos por
presbíteros .
Com a legislação conciliar hostil aos corepíscopos, declinou a instituição,
enquanto se reforçava os bispos citadinos com a organização das dioceses segundo o
modelo implantado por Diocleciano (284-305). Este dividira a jurisdição do império em
quatro prefeituras (Oriente, Ilírico, Itália e Gália) que se subdividiam em doze dioceses,
abrangendo mais de cem províncias.

5
Op. cit. p. 205 .
Devido à coincidência entre território das províncias civis e eclesiásticas no
Oriente, a criação de uma nova diocese não se fazia sem a intervenção do poder leigo. No
Ocidente , ao contrário , era a decisão do bispo da cidade principal da província, com a
aprovação de com provincianos que a determinava.. Na Itália, a criação de uma nova
diocese, de fusão com outra ou outras era atribuição do papa.
Aparece, então, a figura do metropolita. O termo foi bem aceito no Ocidente. A
Igreja africana preferiu a denominação de senex para o episcopus primae sedis, ou seja, o
primaz que, com o papa, era consagrado pelos bispos vizinhos.
Os metropolitas foram conquistando autonomia, em prejuízo da autoridade papal
assumindo privilégios. No Oriente , pelo Direito conciliar , competia ao metropolita dirigir
os bispos sufragâneos (dependentes do metropolita ), convocar e presidir o concílio
provincial , aceitar a apelação da instância episcopal. Aos poucos os metropolitas foram se
tornando autônomos, enfraquecendo a autoridade papal.
O Concílio de Nicéia (325) confirmou a precedência honorífica já existente para as
metrópoles de Roma, Alexandria, Antioquia, Jerusalém e Constantinopla sedes de fundação
apostólica. Passaram a metrópoles superiores. A Igreja-mãe de Jerusalém perdera a
importância após a destruição no ano 70, sendo que no século II Cesareia mantinha
precedência na Palestina. Constantino restabeleceu a precedência honorária.
Seguiu-se que algumas metropolitas superiores passaram a se denominar
patriarcas. Justiniano I (527-62) resolveu intervir declarando que o papa de Roma fosse
considerado patriarca do Ocidente.
Os patriarcas orientais perderam importância por vários fatores, entre eles, pelo
fato de que alguns aderiram a heresias, outros tiveram suas sés invadidas pelos árabes,
sendo que apenas o de Constantinopla se manteve durante muito tempo.
O Cisma de Acácio, patriarca de Constantinopla que separou o Oriente de Roma
por 35 anos (484-519) fez com que se desenvolvessem textos legais impregnados de
espírito pontifício. Por outro lado, a partir daí os patriarcas não pediam confirmação aos
papas, apenas manifestavam a comunhão de fé e a autonomia disciplinar.
Nos séculos IV e VII o Direito Canônico apresenta coloração do direito romano,
embora apresente que a organização hierárquica do pontificado romano e a autoridade
central do papa procediam da vontade de Deus em decorrência da origem da Igreja .
Ressaltava-se o caráter monárquico do Direito Canônico no sentido de que todo o
poder reside na hierarquia sagrada e daí desce para os ministros inferiores. Na igreja local,
o governo é presidido e exercido por um único bispo; na província pelo metropolita; em
âmbito maior pelo patriarca e, na Igreja universal, pelo papa. A essa índole monárquica
correspondia a centralização jurídica e administrativa. Toda a autoridade ficava nas mãos
do bispo que, por si mesmo a exercia por direito próprio e exclusivo: celebrava e presidia as
funções sagradas, administrava os sacramentos ao povo cristão, ensinava a doutrina da fé e
gerenciava os bens temporais.
Os presbíteros, diáconos e outros ministros chamados para o serviço diocesano,
quando exerciam funções sagradas , faziam-no não em razão de cargo estável e poder
ordinário, mas como cooperadores do bispo ou por delegação permanente ou ad hoc. Tudo
era centralizado nas mãos dos bispos inclusive em relação às ordens religiosas.
Atualmente, as disposições acerca da consagração episcopal, direitos e deveres em
relação aos Bispos, constituídos pastores da Igreja a fim de serem também mestres da
doutrina, sacerdote do culto sagrado e ministros do governo estão dispostas nos Cân. 375 a
411 do Código Canônico.
Pela consagração episcopal, os Bispos recebem, juntamente com o múnus de
santificar, o de ensinar e de governar que não podem ser exercidos a não ser em comunhão
hierárquica com a cabeça e com os membros do Colégio. Na função de governar manifesta-
se de maneira plena o poder de regime ou de jurisdição (Cân. 129,§1).

3. Exposição Magisterial
a) DECRETO CHRISTUS DOMINUS:SOBRE O MUNUS PASTORAL DOS BISPOS
NA IGREJA
A Sucessão de Pedro e dos Apóstolos
Na Igreja, o Romano Pontífice, como sucessor de Pedro, está revestido, por
instituição divina, de poder supremo, pleno, imediato e universal, em ordem a cura das
almas.
Os Bispos sucedem aos Apóstolos como pastores das almas e, juntamente com o
Romano Pontífice e sob sua autoridade, foram enviados a perpetuar a obra de Cristo.
Solicitude dos Bispos pela Igreja Universal
Os Bispos considerem-se sempre unidos entre si e mostrem-se solícitos de todas as
Igrejas, pois cada um é responsável por toda a Igreja, juntamente com os outros bispos.
Esforcem-se por preparar ministros sagrados aptos, tanto religiosos como leigos, para as
missões e territórios que não têm clero.
Caridade Eficaz para com os Bispos Perseguidos
Abracem com espírito fraternal e prestem ajuda sobretudo àqueles Bispos que, pelo
nome de Cristo, são caluniados e perseguidos, se encontram presos ou encarcerados ou se
vêem impedidos de exercer o seu ministério.
Noção de Diocese e Ofício do Bispo na Diocese
Diocese é a porção do povo de Deus confiada a um Bispo para que a apascente com
a colaboração do presbitério, de tal modo que unida a seu pastor e reunida por ele no
Espírito Santo por meio do Evangelho e da Eucaristia, constitui uma igreja particular, na
qual está e opera a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica.
O Bispo, a quem é confiada uma igreja particular, apascenta em nome do Senhor as
suas ovelhas, sob a autoridade do Sumo Pontífice, como próprio, ordinário e imediato
pastor, exercendo em favor das mesmas o múnus de ensinar, santificar e governar.
Dever de Santificar do Bispo
Os Bispos são os principais dispensadores dos mistérios de Deus. Como
santificadores, procurem promover a santidade dos seus clérigos, dos religiosos e dos
leigos, segundo a vocação de cada um. Lembrando-se da obrigação que tem de dar exemplo
de santidade pela caridade, humildade e simplicidade de vida.
Dever de Reger e Apascentar do Bispo
Abracem com especial caridade os sacerdotes, considerando-os como filhos e
amigos, mostrando-se pronto a ouvi-los e tratando-os com confiança. Preocupem-se com as
condições espirituais, intelectuais e materiais, para que possam viver santa e piamente, e
exercer com fidelidade e fruto o seu ministério.
Para poderem atender melhor ao bem dos fiéis, segundo a condição de cada um,
procurem conhecer-lhes bem as necessidades, dentro das circunstancias sociais em que
vivem, recorrendo aos meios convenientes.

b) PASTORES GREGIS – JOÃO PAULO II (16.10.2003)


Trata-se de uma Exortação Apostólica Pós-sinodal sobre o Bispo, servidor do
Evangelho de Jesus Cristo para a esperança no mundo. O texto divide-se em sete capítulos:
I- Ministério e ministério do Bispo; II- A vida espiritual do Bispo; III- Mestre da fé e arauto
da Palavra; IV -Ministro da graça do supremo sacerdócio; V- O governo pastoral do Bispo;
VI -Na comunhão das Igrejas; VII- O Bispo perante os desafios atuais.
É resultado dos relatórios e sugestões elaboradas na X Assembléia do Sínodo dos
Bispos.

MISTÉRIO E MINISTÉRIO DO BISPO


A missão confiada por Jesus aos Apóstolos deve durar até o fim dos séculos (cf. Mt
28,20 ) porque o Evangelho transmite vida para a Igreja de todos os tempos. A efusão do
Espírito Santo de que foram repletos os Apóstolos foi comunicada por eles, através do
gesto da imposição das mãos, a seus colaboradores.
A dimensão cristológica do ministério pastoral introduz na compreensão do
fundamento trinitário: Cristo é Filho eterno e unigênito do Pai e ungido do Espírito Santo,
enviado ao mundo. É Ele, juntamente com o Pai, que envia à Igreja o Espírito Santo.
O Bispo, agindo em lugar e em nome de Cristo, torna-se, na Igreja a ele confiada,
sinal do Senhor Jesus, Pastor e Esposo, Mestre e Pontífice da Igreja. A unção do Espírito
Santo que configura o Bispo a Cristo, habilita-o a ser uma continuação viva do seu mistério
em favor da Igreja.
Fazendo parte do Colégio Episcopal, o Bispo deve atender às funções recebidas na
ordenação episcopal: santificar, ensinar e governar a serem exercidos em comunhão
hierárquica. Há o chamado “afeto colegial” ou colegialidade afetiva de onde deriva a
solicitude dos Bispos para as outras igrejas.
A dimensão colegial dá ao episcopado o caráter de universalidade.
Por outro lado, o Bispo, em virtude da plenitude do sacramento da Ordem, é diante
dos fiéis, santificador e pastor, encarregado de agir em nome de Cristo. No ministério
episcopal manifesta-se uma circularidade entre o testemunho de fé de todos os fiéis e o
testemunho do Bispo, assim como entre a fé de todos os fiéis e os meios de santificação que
o Bispo lhes oferece. Também há circularidade entre a responsabilidade pessoal do Bispo
pelo bem da Igreja e a co-responsabilidade de todos os fiéis relativamente ao bem da
mesma.

A VIDA ESPIRITUAL DO BISPO


À santificação objetiva deve corresponder a santidade subjetiva, na qual o Bispo,
com o apoio da graça, há de crescer através do exercício do ministério.
Inspirado pela imitação da caridade do Bom Pastor, o Bispo é chamado a santificar-
se e a santificar, tendo como princípio unificador a contemplação do rosto de Cristo e o
anúncio do evangelho da salvação.
A santidade pessoal do Bispo não se limita ao nível subjetivo porque sua eficácia
reverte em benefício dos fiéis. Para o Bispo a vocação à santidade está inscrita no próprio
acontecimento sacramental da Ordenação Episcopal.
Sua espiritualidade deve ser uma espiritualidade de comunhão, vivida em sintonia
com os outros batizados, em união a todos os sacerdotes, em especial os sacerdotes do
presbitério diocesano.
Deve ser invocada Maria, Mãe da esperança e mestra de vida espiritual. Confiando-
se à Palavra de Deus, o Bispo deve guardá-la como a Virgem Maria, sendo importante na
espiritualidade a leitura e escuta da Palavra, a celebração diária da Santa Missa, a oração e a
Liturgia das Horas.
Seguindo as pegadas de Jesus, o Bispo é obediente ao Evangelho e à Tradição da
Igreja, consegue ler os sinais dos tempos, reconhecer a vos do Espírito Santo no ministério
petrino e na colegialidade episcopal (n.19).
Observando a pobreza e a castidade ao serviço da Igreja, o Bispo cumpre a
obrigação de oferecer ao mundo a verdade de uma Igreja santa e casta. Esse caminho
alimentado com a comunhão com o Romano Pontífice e outros irmãos Bispos exige que
o Bispo cultive uma vida serena para cultivar o equilíbrio psicológico e afetivo.
Para que esteja sempre disponível à atualização periódica, deve ter tempo de escuta
e diálogo com Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos.
O exemplo de vida deve vir dos Santos Bispos que devem merecer especial atenção
e serem celebrados em cada Igreja particular.
MESTRE DA FÉ E ARAUTO DA PALAVRA
Embora seja dever de cada um, anunciar a Palavra pertence a título especial aos
Bispos. Ele deve ser ouvinte e guardião da Palavra.
É responsável pela transmissão e educação da fé, defendendo, sempre que se revele
oportuno, a unidade e a integridade da fé.
Apresenta-se como elementos importantes a evangelização da cultura e a
inculturação do Evangelho, levando em consideração os valores culturais de cada região e
as novas possibilidades de comunicação.

MINISTRO DA GRAÇA DO SUPREMO SACERDÓCIO


O ministro da santificação que se propaga na vida da Igreja é o Bispo,
especialmente por meio da Liturgia sagrada. Entre o ministério da santificação e os da
palavra e do governo existe uma profunda correspondência.
O Bispo exerce o ministério da santificação por meio da celebração da Eucaristia e
demais sacramentos, do louvor da Liturgia das Horas, presidência de ritos sagrados e, em
especial, na administração do sacramento da Confirmação, das Ordens Sacras.
Embora exercendo seu ministério de santificação em toda a diocese, o Bispo tem
um ponto de referência na igreja catedral, lugar onde o Bispo tem sua cátedra.
O Bispo tem obrigação de disciplinar o que diz respeito á iniciação cristã, à
disciplina penitencial, devendo o Bispo recorrer assídua e fielmente ao sacramento da
penitência.
A piedade popular não pode ser desconsiderada pelo Bispo visto que ela é
importante para a transmissão e progresso da fé.
O ministério da santificação do Bispo tem por objetivo a santidade do Povo de
Deus, devendo identificar os sinais de santidade e virtudes heróicas quando se trata também
de fiéis leigos, em particular cônjuges cristãos.
O GOVERNO PASTORAL DO BISPO
O Bispo deve ter diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor. ele é enviado , em
nome de Cristo , como pastor para cuidar determinada porção do povo de Deus e ,em
virtude disso , governa a Igreja particular que lhe foi confiada como vigários de Cristo.
O poder do Bispo é iluminado segundo o modelo do Bom Pastor e só será
pastoralmente eficaz se gozar de boa credibilidade moral que deriva da santidade de vida.
Trata-se de um “poder sagrado”.
Procurará o consenso dos fiéis, mas se não for possível, assumirá a responsabilidade
das decisões.
A visita pastoral é um tempo de graça e momento especial de encontro e diálogo do
Bispo com os fiéis. Há um momento em que deve ser privilegiado o encontro.
Para bem governar o Bispo também precisa ter um espírito de cooperação em
relação aos presbíteros a quem o Bispo concede afeto privilegiado.
Por isso também a necessidade de apoio e formação aos candidatos ao presbiterado,
sem descuidar dos diáconos e as pessoas de vida consagrada.
Aos leigos deve ser conferida a evangelização da cultura, a inserção da força do
Evangelho nas realidades temporais. Nesse sentido deve ocorrer uma solicitude do Bispo
pela família. Cabe ao Bispo defender valores do matrimônio.
Os jovens têm uma prioridade pastoral e, por isso, deve ser propiciado o encontro
dos jovens com seus pastores e animadores.

NA COMUNHÃO DAS IGREJAS


Cada Bispo particular está relacionado simultaneamente com a sua Igreja particular
e com a Igreja universal. A dimensão universal do ministério episcopal manifesta-se e
realiza-se plenamente quando os todos os Bispos em comunhão hierárquica com o
Romano Pontífice , atuam como Colégio.
Na sua relação com a suprema autoridade se notabiliza o princípio da comunhão. E
para manter essa comunhão, temos as visitas ad limina Apostolorum que inclui a
peregrinação ao sepulcro dos dois príncipes dos Apóstolos. Num segundo momento, há o
encontro com o Sucessor de Pedro e para onde foi retirado do grupo.

O BISPO PERANTE OS DESFIOS ATUAIS


O Bispo é obreiro de justiça e de paz. Há necessidade de um compromisso com a
paz, o diálogo inter-religioso e o discernimento a respeito do ambiente e a salvaguarda da
criação.
Há de se considerar os aspectos éticos do problema ecológico, impondo-se uma
conversão ecológica para a qual os Bispos dão a contribuição ensinando a correta relação
do homem com a natureza.
É preciso estar atento às questões de saúde e a solicitude em relação, aos migrantes,
não devendo haver desânimo frente aos desafios.

CONCLUSÃO
O compromisso do Bispo é o anunciar o Evangelho de Cristo, salvação do mundo.
Há de poder contar com os membros do presbitério, diáconos, consagrados e com os fiéis
leigos devendo ser para cada pessoa um sinal vivo de Jesus Cristo, Mestre Sacerdote e
Pastor.
Como arauto da esperança também deve oferecer a existência pela salvação, com a
invocação de Maria, Mãe da Igreja e Rainha dos Apóstolos.

4. Reflexão sistemática: sobre a vocação episcopal

a) Preliminares
Podemos dizer que a Igreja surgiu quando o Senhor deu o seu Corpo e o seu Sangue
dizendo: “Fazei isto em memória de mim”. Isso corresponde a dizer que a Igreja é a
resposta a este mandato, ao poder e à responsabilidade que lhe são conferidos. A Igreja é
Eucaristia. Por outro lado, a Igreja também é assembléia dos homens de toda a face da terra
para Deus. Igreja é convocação da Trindade.
Sendo assim, a Igreja é Eucaristia e assembléia. Podemos resumir esses dois
aspectos de uma mesma Igreja na palavra comunhão, dada de cima (Trindade) e unindo os
homens entre si a partir de dentro (assembléia).

b) Eclesiologia eucarística e ministério episcopal...


Partamos do fato de que a Igreja se realiza na celebração eucarística. Isto inclui em
primeiro lugar o local: a celebração eucarística se dá num lugar concreto, com as pessoas
que nele vivem. Tem inicio aqui o processo de unificação (assembléia). Ressaltamos, que o
chamado de Deus é valido para todos os que se acham nesse lugar, visto que a Igreja é
pública (Gl 3,28).
Nesse sentido, entendemos porque Santo Inácio de Antioquia insistiu tanto na
unicidade do ministério episcopal em um determinado lugar e por que vinculou tão
enfaticamente a condição de membro da Igreja à comunhão com o Bispo. Um só bispo em
um só lugar significa que a Igreja é uma só e única para todos, porque Deus é um só e único
para todos.
Diante disso dessa missão da unidade, a Igreja tem uma imensa tarefa de
reconciliação, visto que, o sangue derramado de Cristo (Eucaristia) é nossa paz (Ef 2,13).
O caráter eucarístico da Igreja nos remete em primeiro lugar à assembléia local; ao
mesmo tempo reconhecemos que o ministério episcopal pertence essencialmente à
Eucaristia como serviço à unidade, que necessariamente deriva do caráter sacrifical e
reconciliatório da Eucaristia. Uma Igreja entendida eucaristicamente é uma Igreja
concebida episcopalmente. Contudo, o bispo não pode ficar reduzido ao lugar, visto que é
bispo é dado por Deus através da Igreja àquele local.
A vocação do bispo é um chamado à unidade. O bispo representa a Igreja universal
perante a Igreja local e a Igreja local em face à Igreja universal. O bispo é o elo da união da
catolicidade da Igreja, catolicidade entendida no princípio da apostolicidade, a catolicidade
e apostolicidade estão a serviço da unidade. Ademais, não existe santidade sem unidade,
que se realiza tendendo a integração dos indivíduos e dos indivíduos no amor sacrifical e
reconciliador de Cristo. A santidade é próprio da unidade do Deus trino.
c) Conclusão
Da catolicidade de um bispo faz parte também, não somente o princípio da
vizinhança, mas a relação viva com Roma. O bispo de Roma, sucessor de Pedro está no
centro do colégio apostólico, e os une ente si. Como sucessor de Pedro, o papa é
responsável pela Igreja universal, sinal visível, como cabeça, da unidade do Corpo de
Cristo.
5. BISPO (Episcopus) – questões canônicas

Sucessores dos apóstolos;


São constituídos Pastores da Igreja = Mestres da Doutrina, sacerdotes do culto
sagrado e ministros do governo.
Recebem pela consagração episcopal, embora as de ensinar e governar, por sua
natureza, não possam ser exercitadas a não ser em comunhão hierárquica com a cabeça e
com os membros do Colégio episcopal.
Fica ao Sumo Pontífice a nomeação dos Bispos, ou confirma os que foram
legitimamente elegidos.
Os Bispos de uma Conferência Episcopal a cada 3 anos enviam, de comum acordo,
à Sé Apostólica uma lista de presbíteros (diocesanos e/ou religiosos) mais aptos para o
episcopado.
Cada Bispo tem direito de indicar à Sé Apostólica os presbíteros que julgar dignos e
idôneos para o múnus episcopal.

O que requer-se de um candidato ao episcopado?


- Que se destaque pela fé sólida, bons costumes, piedade, zelo, sabedoria, prudência e
virtudes humanas e seja também dotado de todas as outras qualidades exigidas por esse
ofício;
- Boa reputação;
- Pelo menos trinta e cinco anos;
- Presbiterado, pelo menos, há cinco anos;
- Doutorado ou ao menos mestrado em Sagrada Escritura, teologia ou Direito
Canônico, num instituto de estudos superiores aprovado pela Sé Apostólica, ou pelo menos
seja verdadeiramente perito em tais disciplinas. O juizo definitivo sobre a idoneidade
compete à Sé Apostólica.

O prazo para a consagração episcopal é num período de três meses após recebidas as
cartas apostólicas. Antes de tomar posse canônica, deve o Bispo fazer a profissão de fé e o
juramente de fidelidade à Sé Apostólica.
Bibliografia

JOÃO PAULO II. Levantai-vos! Vamos! São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2004.
RATZINGER, Joseph. Compreender a Igreja hoje. Petrópolis: Vozes, 1992.
CONGREGAÇÃO PARA OS BISPOS. Relatório do Cardeal Giovanni Battista Re sobre
as novas directrizes pastorais para os bispos.
Site:
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cbishops/documents/rc_con_cbishops_d
oc_20040330_card-re-pastorale-vescovi_po.html
Concilio Vaticano II. Christus Dominus. Petrópolis: Vozes, 2000.
PASTORES GREGIS. Exortaçao Apostólica Pós-Sinodal do Sumo Pontífice João Paulo
II . Sobre o bispo, servidor do Evangelho de Jesus Cristo para a Esperança do Mundo. 2 ed.
São Paulo: Paulina , n.186.
DIDAQUÉ. Catecismo dos primeiros cristãos.7 ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2004.
LIMA, Maurílio Cesar de . Introdução à história do Direito Canônico. São Paulo: Loyola,
2004.
SPADA, Domenico;SALACHAS, Dimitrios. Costituzioni dei Santi Apostoli. Insegnamento
Cattolico per mano di Clemente- Vescovo dei Romani e Cittadino. Roma: Urbaniana
University Press, 2001.
KONIGS, Johan; ZILLES, Urbano(Orgs). Religião e Cristianismo. Porto Alegre:
EDIPUCRS, 1997.
Dicionário de Direito Canônico. São Paulo: Loyola, 1993

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