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CIDADANIA ITALIANA - A Tutela Jurídica da Dupla Cidadania Ítalo-Brasiliana - 1a.

Edição

ÍNDICE

Nota Sobre os Direitos Autorais ............................................ 02

Prefácio à Primeira Edição .................................................... 03

Introdução à Primeira Edição ................................................ 05

Capítulo I - A Tutela Jurídica da Cidadania Brasileira, da


Cidadania Italiana e da Dupla Cidadania ............................. 09

Capítulo II - Práticas e Procedimentos no Brasil .................... 62

Capítulo III - Práticas e Procedimentos na Itália .................... 114

Legislação Citada e Sugestão de Leitura ............................... 158

Agradecimentos Finais ......................................................... 159

Sobre o Autor ....................................................................... 160

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CIDADANIA ITALIANA - A Tutela Jurídica da Dupla Cidadania Ítalo-Brasiliana - 1a. Edição

NOTA SOBRE OS DIREITOS AUTORAIS

Este livro é protegido pela Nova Lei do Direito Autoral


LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998
Altera, atualiza e consolida a legislação sobre
ireitos autorais e dá outras providências.

Esta obra foi produzida como fonte de referência e consulta individual,


sendo vedada à exibição ou publicação de seu conteúdo, no todo ou
em partes, em meios de massa sem a devida e prévia autorização do
autor detentor dos respectivos direitos autorais. Sua cópia, fotográfica
ou não, fotocópia, reprodução ou duplicação por qualquer forma, meio
ou processo, seja manual, eletrônico, digital ou qualquer outra
tecnologia que venha a ser utilizada, sem a devida, prévia e expressa
autorização do autor detentor dos direitos autorais sobre esta obra
constitui crime e poderá ser punido nos termos da legislação penal em
vigor, ressalvado ainda o direito à reparação de danos civis, comerciais
ou de imagem que tais violações vierem a produzir.

Para contatar o autor utilize os seguintes meios de comunicação:


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“In memoriam” de meu filho Fernando Estevam


Galdino Costa Marques, que Deus me dê
sabedoria eterna e me ajude a compreender os
motivos de não tê-lo mais comigo”

CIDADANIA ITALIANA – A TUTELA JURÍDICA DA DUPLA


CIDADANIA ÍTALO-BRASILIANA

PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO

A cidadania é um direito fundamental do ser humano. É simples de


ser entendido assim, pois todos já nascemos cidadãos e nossos
direitos já são protegidos e tutelados antes mesmo de nosso
nascimento. Entretanto essa simplicidade de entendimento não
representa necessariamente simplicidade de tratamento.

O ambiente jurídico no qual se insere a matéria de cidadania é amplo


e complexo, em alguns casos é também contraditório e confiuso.

Quando o tratamento dessas matérias envolve o ordenamento jurídico


de mais de uma nação, tudo se complica mais ainda, vez que duas
correntes de pensamentos, duas legislações constitucionais e dois
costumes entre povos distintos se misturam e devem ser
perfeitamente harmonizados.

Nesse cenário eu trabalhei profundamente para conquistar o


reconhecimento da minha cidadania italiana, e por isso absorvi uma
séire de conhecimentos de ordem teórica e prática que registro nesta

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obra com o objetivo de disseminá-lo auxiliando outras pessoas e


profissionais a entenderem essa matéria.

Esta publicação contém dois capítulos específicos de outro livro meu,


“CIDADANIA ITALIANA – Como Processar a Duplia Cidadania
Diretamente na Itália” e que encontra-se na 3ª. Edição neste
momento.

Nesta obra manterei um foco mais direcionado ao universo jurídico da


cidadania italiana, enquanto que naquele, além desses aspectos, eu
abordo situações de ordem prática na preparação do processo para
obtenção da cidadania quando se deseja processá-la diretamente na
Itália.

Estevam Del Nero


O autor.

INTRODUÇÃO À PRIMEIRA EDIÇÃO

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Este livro tem como objetivo principal o esclarecimento sobre o direito


para a obtenção da cidadania italiana sem perder a cidadania
brasileira.

Ele também poderá lhe servir como fonte de consulta ou de referência


futura e como um manual jurídico-administrativo para diversas
finalidades inclusive profissionais. Dentre alguns de meus leitores
recebí muitas solicitações de escritórios especializados e também de
advocacias que desejavam aprimorar-se nesta matéria.

Hoje em dia sou bastante solicitado para auxiliar escritórios e


profissionais a se organizarem e a organizarem processos de seus
clientes no que tange à cidadania italiana.

Como convidado do Consulado Honorário da Itália em Mato Grosso,


já apresentei palestras e orientações sobre a busca da cidadania. Poço
ajudá-lo também, se desejar.

Como bacharel em direito e tendo exercido a advocacia por alguns


anos, fiz nesta obra uma descrição detalhada de forma clara e realista
de toda a experiência que adquiri em meu próprio pedido de
reconhecimento da cidadania italiana. A essa experiência, somei
também o conhecimento obtido em práticas promovidas por leitores e
clientes meus, o que ajuda esta obra a se tornar realmente uma
referência para você.

Não posso, no entanto, garantir ao leitor que esta obra poderá


efetivamente ser-lhe útil e permanecer indefinidamente como fonte de
referência ou de consulta, pois o ambiente jurídico-legal e jurídico-
administrativo do Governo Italiano muda a cada dia e a todo
momento.
Quando faço citações de sites, de profissionais e de empresas aqui
neste livro, faço-o sem contudo avalizá-los ou garantir a qualidade das
informações disponibilizadas ou prestadas por eles. As citações tem o

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fito de auxiliar o leitor a iniciar suas buscas. Eu não tenho qualquer


vínculo pessoal ou econômico com esses sites, profissionais ou
empresas aos quais eventualmente faço uma referência. Não me
utilizei deles apenas os referencio (sem contudo avalizá-los) para o
fim de auxiliar o início do processo por parte do candidato que esteja
se valendo deste livro para colocar em prática seu sonho de obter o
reconhecimento da cidadania italiana.

Este livro está dividido por temas que te facilitarão tanto o


entendimento quanto a prática e futuras consultas de referência.

Capítulo I - A Tutela Jurídica da Cidadania Brasileira, Italiana e da


Dupla-cidadania.

Neste capítulo faço uma apresentação objetiva e bem focada, de como


se regem as relações jurídicas de cidadania Brasileira. Neste tópico
abordo alguns aspectos históricos e algumas considerações pessoais
sobre a constituição brasileira.

Também esboço algumas considerações sobre a Constituição Italiana


e suas normas infraconstitucionais e por fim sobre a manutenção de
duas cidadanias simultaneamente, e a tutela jurídica que protege essa
situação, principalmente diante das normas constitucionais brasileiras.

Capítulo II - Práticas e Procedimentos no Brasil.

Este capítulo, propriamente, é o que eu poderia chamar de "Script" ou


"Itinerário" da cidadania italiana, em dependência de solo e órgãos
públicos brasileiros.

Um conjunto não inferior a algumas dezenas de entendimentos,


habilidades, técnicas e ferramentas são necessárias para administrar
um processo de reconhecimento de cidadania italiana. O bom
planejamento é a chave para o sucesso nesse pleito.

Uma série de pesquisas, estudos, análises, práticas e procedimentos


devem ser seguidos para a coleta de toda a documentação necessária
ao processo de reconhecimento da cidadania italiana, e isso se inicia

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tanto no Brasil quanto na Itália. Porém, tudo o que pode e deve ser
feito à partir do Brasil, eu apresento neste capítulo. Também registro
as informações que possuo e que conheço sobre essa etapa do pleito
de um candidato à obtenção do reconhecimento à cidadania italiana,
seja no Brasil ou diretamente na Itália.

Apresento aqui alguns conceitos, sugestões de fluxos de informações,


sugestões de cruzamentos de informações e também uma planilha
sugestiva que pode ajudar ao interessado a não se perder no
emaranhado de documentos e contatos que terá de fazer durante essa
etapa processual.

Este capítulo serve tanto aos interessados que pretendem o


reconhecimento da cidadania diretamente na Itália, quanto àqueles
que pretendem ingressar com esse pedido no Brasil. A documentação
é a mesma, só mudam os procedimentos quando se deseja processar
a prática diretamente na Itália.

Capítulo III - Práticas e Procedimentos na Itália.

Neste capítulo, apresento em detalhes como está se processando a


cidadania italiana diretamente na Itália, nos dias de hoje. É importante
saber detalhes e também o quão sensível é o ambiente da
administração pública italiana, no que se refere ao processo
reconhecimento de cidadania requerida diretamente na Itália.

Apresento aqui quais as práticas burocráticas devem ser efetuadas,


em que tempo o são, em que condições de perfeccionam, em que
situações se bloqueiam, com quais custos se depara, desde o visto
"Ingresso e Soggiorno" até mesmo as relações trabalhistas, saúde,
instrução, habitação, família e cidadania, tudo o que impacta a vida
do aspirante à cidadania italiana, e como ele deve se preparar para
essa etapa do processo.

Registro algumas considerações sob o aspecto emocional, psicológico,


motivacional dessa etapa difícil do processo. É uma etapa difícil mas
possível.

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Também faço outras considerações de natureza econômica, quase que


como pré-requisito ao êxito no pleito da cidadania italiana diretamente
na Itália.

CAPÍTULO I

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A TUTELA JURÍDICA DA CIDADANIA BRASILEIRA E


ITALIANA E DA DUPLA-CIDADANIA

CONCEITO DE CIDADANIA

Em poucas e breves palavras, podemos conceituar a cidadania como


a condição da pessoa física, à qual o ordenamento jurídico de uma
nação, reconhece a plenitude dos direitos civis e políticos. A cidadania
assim conceituada deriva da nacionalidade, que é entendida como o
vínculo jurídico e político que faz de um indivíduo, uma célula do
próprio Estado, entendido como nação.

A cidadania è um atributo do ser humano de qualquer nação. Todo


cidadão, por princípio, pertence a uma comunidade, ou mais
genericamente falando, a uma nação, e por isso detém a
nacionalidade da nação à qual pertence. Podem ocorrer situações
específicas que geram a perda da nacionalidade de uma pessoa, e
conseqüentemente, a perda da cidadania. Nessa situação, quando
uma pessoa não possui cidadania, é considerada apátrida, ou seja,
sem pátria. Nesta ótica, sem cidadania também.

Quando falamos de nações, falamos de ordenamentos jurídicos


diversos. Falamos de ordenamentos jurídicos específicos que regem
também a soberania de cada Estado.

Algumas normas jurídicas entre nações distintas muitas vezes são


harmonizadas em razão da necessidade de manutenção de relações
comerciais ou políticas entre os povos, e nesse sentido o próprio
conceito de soberania resulta por tornar-se relativo.

O fenômeno da globalização acabou por acentuar mais a necessidade


de inter-relacionamento entre as nações, e conseqüentemente entre

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seus ordenamentos jurídicos. Toda essa disciplina è estudada e


normatizada por vários segmentos do direito, tais como o Direito
Constitucional, Direito Civil, Direito omercial, Direito Internacional,
dentre outros.

Em razão de todo o desenvolvimento do ser humano e do efeito dessa


globalização, o conceito de cidadania acaba por sofrer influências que
me fazem pensar que esse atributo, em algumas situações, vem sendo
estendido além do “território” de uma determinada nação.

A cidadania também passa a receber ao menos uma maior atenção


por parte dos governos. Isso se justifica na medida em que esse
fenômeno global se associa à melhor logística, melhor distribuição de
riquezas, menor custo do transporte, menor custo da comunicação
entre os povos, nascimento de alguns blocos comerciais e
protecionistas, tais como a União Européia, a Alca, o Mercosul, etc....
dentre outros fatores, acabando por aproximar as pessoas de uma
nação ao sistema comercial, social e político de outra.

Quase que podemos prever um mundo onde as fronteiras não serão


mais terrestres, mas sim econômicas, e nesse caso a cidadania passa
a ser um atributo também globalizado, já que a globalização se
sustenta basicamente na economia entre as nações.

FUNDAMENTOS DA CIDADANIA

Em se tratando de ordenamentos jurídicos, constatamos que a


cidadania normalmente encontra seus fundamentos nas constituições
de cada país, podendo ter alguns detalhes regulamentados em
normas infraconstitucionais, nem que sejam normas meramente
interpretativas do texto maior.

Não posso deixar de registrar, no entanto, que as constituições muitas


vezes encontram algumas vigas mestras estabelecidas em Tratados e
Convenções Internacionais, o que, neste caso, acaba por ser
considerado também como fonte do direito à cidadania. Devo
ressalvar no entanto, que esta não é uma regra. No Brasil e em alguns

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países sul-americanos a questão da nacionalidade é disciplinada


fortemente pelo direito constitucional.

Na Europa isso não se revela como o padrão. A maior parte dos países
europeus, inclusive a Itália, disciplinam a nacionalidade em normas
infraconstitucionais como Decretos e Leis (às vezes “ad hoc”, ou seja,
específicos para a matéria), não obstante alguns dispositivos
constitucionais façam referimento cidadania. Entretanto, isso não
representa um fator que induza à crença de irrelevância da matéria,
apenas um costume.

Muitas vezes essa temática de nacionalidade advém de normas que


são até mesmo fundamentos para as normas constitucionais e por isso
mesmo, superiores até às constituições, vez que são disciplinadas em
Tratados e Convenções Internacionais e que por fim são reproduzidos
nas Constituições da nação que adotar a Constituição como fonte
magna do seu direito positivo interno.

Um exemplo muito pertinente ao nosso tema ocorre justamente no


ordenamento jurídico da Itália, o qual teve algumas normas sobre
cidadania editadas em decorrência do artigo 19, do Tratado de Paz
que foi firmado entre a Itália, Forças Aliadas e associados, em Paris
no dia 10 de fevereiro de 1947 para por um o fim à participação
italiana na segunda guerra mundial.

Entretanto esse tratado não teve reflexo na Constituição Italiana do


ano seguinte, de 01 de janeiro de 1948, vez que esta não fez menção
à cidadania, exceto para afirmar que nenhuma pessoa pode ser
privada, por motivos políticos, da capacidade jurídica, do direito de ter
uma cidadania e um nome, em seu artigo 22.

Interessante observar, no entanto, que por uma dezena de vezes a


Constituição Italiana faz referimento ao “cidadão”, sem assumir o
encargo de disciplinar ou conceituar o que seja o “cidadão”. Quase
que considerando tratar-se de um atributo inerente ao próprio ser
humano, sem necessidade de maiores esclarecimentos e partindo do
pressuposto de que já seja um conceito sabido.

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Mas como tudo na vida precisa de melhores esclarecimentos, deixou


toda matéria de nacionalidade para ser disciplinada em nível
infraconstitucional, porém não o fez por disposição expressa, mas sim
por casualidade. A matéria precisava ser disciplinada e não restou
outro meio para fazê-lo, senão o infraconstitucional.

Fechando o argumento sobre o Tratado de Paz de 1947 e


resumidamente, este regulamentou a questão da cidadania dos
habitantes dos territórios que foram cedidos pela Itália às outras
nações, definindo os termos e os procedimentos para manutenção ou
perda da cidadania italiana e aquisição de outra cidadania pelos
habitantes dos territórios cedidos.

Esse tratado fixou ainda prazos para que os ordenamentos jurídicos


das nações envolvidas fossem adequados aos termos nele pactuados.

Constatamos assim, o quanto a questão da cidadania é vital e


estratégico para uma nação, a ponto de ter seus fundamentos
estabelecidos em normas de altíssima hierarquia, tais como as normas
constitucionais e os tratados internacionais.

Relativamente ao Brasil è um pouco diferente já que disciplina


basilarmente essa matéria em nível constitucional. Seja como for, em
ambos os ordenamentos jurídicos (tanto o italiano quanto o
brasileiro), a Constituição è a Lei maior que define os parâmetros entre
nacionais e estrangeiros.

Farei aqui alguns breves comentários sobre o que dizem esses


ordenamentos jurídicos a cerca da cidadania, iniciando pelo
ordenamento jurídico italiano.

CIDADANIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO ITALIANO

O sistema jurídico italiano sofreu muitas modificações no que diz


respeito à condição de cidadão, e isso se deve à toda história
turbulenta pela qual passou a Itália nos últimos séculos. Seja por
conta das invasões e conquistas da idade média, seja por conta da

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unificação italiana ocorrida e 1.861, seja por conta das últimas duas
grandes guerras ou mesmo por conta de movimentos globais. O fato
é que, quando estudamos a cidadania italiana, observamos que o
ambiente jurídico esteve sempre muito em ebulição, com normas que
vieram e foram às dezenas, só neste último século.

Se você desejar fazer uma consulta na internet, encontrará muitos


sites que elucidam bem a questão legal quanto à cidadania italiana.
Um dos que mais me chamou a atenção, pela qualidade e
detalhamento com que foi criado pode ser visto no endereço:
http://www.dupla.cidadania.nom.br/cidadania_brasil.htm é um site
comercial, mas isso não invalida sua indicação, até porque este próprio
livro também tem o seu preço.

Hoje podemos consolidar um pouco de todos esses dispositivos legais,


na Lei n. 91, de 05 de fevereiro de 1992, a qual consolidou muitas
outras normas sobre cidadania, revogando as leis e os dispositivos já
obsoletos, diante da nova visão de Estado em matéria de
nacionalidade.

Tecnicamente observamos que a cidadania, no sistema jurídico


italiano, è concedida por dois fatores: nascimento em solo italiano
(“jus soli”) e por relação de parentesco sanguíneo (“jus sanguinis”).

Neste ultimo caso, a cidadania è concedida sem limites de gerações,


a todos os descendentes de italianos emigrados da Itália (já vimos os
conceitos de migração, emigração e imigração no capitulo anterior).

A AQUISIÇÃO DA CIDADANIA ITALIANA

A cidadania italiana pode ser adquirida em situações especificas


definidas pela legislação mas basicamente são as seguintes situações:

1) É cidadão italiano, pelo nascimento:

a. Filhos de pai ou mãe que sejam cidadãos italianos;


b. Nascidos em território italiano:
i. Se ambos os pais são ignorados;

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ii. Se ambos os pais são apátridas, ou;


iii. Se a criança não adquire (por impedimentos legais) a
cidadania dos pais, no âmbito do sistema jurídico e do
direito vigente no Estado ao qual os pais pertençam
originariamente;

2) São considerados cidadãos italianos por nascimento, crianças que


sejam encontradas no território italiano, filhas de pais ignorados,
exceto se existirem meios de prova de que são possuidoras de outra
cidadania.

3) O reconhecimento ou a declaração judicial de paternidade durante


a menoridade do filho determina a sua cidadania nas seguintes
condições:

a. Se a criança é reconhecida ou declarada maior,


mantém o seu estado de cidadania italiana, com direito
de opção pela cidadania dos pais, desde que exercido
esse direito no primeiro ano da maioridade ocorrida ou
declarada;
b. É igualmente aplicável este princípio, para crianças
cuja maternidade ou paternidade não possa ser
declarada, desde que tenham tido, ao menos
reconhecido o direito à manutenção ou alimentos;

4) Crianças adotadas por estrangeiros também adquirem a cidadania


italiana;

a. Aplica-se este princípio também aos adotados antes da


entrada em vigor da Lei n.91 de 05 de fevereiro de 1992;
b. Caso a adoção seja revogada pelo próprio adotado,
este perderá a cidadania italiana desde que seja
possuidor de outra cidadania ou possa readquiri-la;
c. Em outros casos de revogação, o adotado mantém a
cidadania italiana, no entanto, se a revogação da adoção
ocorrer após a maioridade do adotado, o mesmo poderá
renunciar à cidadania italiana desde que em posse de
outra nacionalidade, ou o possa fazê-lo. O exercício desta

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faculdade deve ser feito no prazo de um ano após a


revogação da adoção.

5) O estrangeiro ou apátrida cujo pai ou mãe ou um dos ascendentes


em linha reta até segundo grau sejam cidadãos italianos por
nascimento, tornam-se cidadãos italianos nas seguintes condições:

a. Se prestar serviço militar para o Estado italiano e


manifestar antecipadamente o a intenção de adquirir a
cidadania italiana;
b. Se tomar posse em cargo público sob dependência do
Estado italiano, mesmo que no exterior, e manifestar sua
vontade em adquirir a cidadania italiana;
c. Se, obtendo a maioridade e tendo residido legalmente
em território italiano por um mínimo de dois anos,
manifestar o desejo de adquirir a cidadania italiana. O
exercício desta faculdade é condicionado a ser exercido
no primeiro ano após a obtenção da maioridade;

6) O estrangeiro que, nascido na Itália tenha residido legalmente no


país, sem interrupção até a obtenção da maioridade, torna-se cidadão
italiano desde que manifeste este desejo no prazo de um ano após a
aquisição da maioridade;

7) O cônjuge, estrangeiro ou apátrida, de um cidadão italiano, adquire


a cidadania quando resida há pelo menos seis meses no território
italiano ou, residindo no exterior, tenha ao menos três anos de
matrimônio civil, desde que à data do requerimento de
reconhecimento de cidadania por casamento, não tenha ocorrido a
separação judicial, dissolução ou anulação da sociedade conjugal;

8) A cidadania italiana pode ser concedida por Decreto do Presidente


da República, depois de ouvido o Conselho de Estado em base a
requerimento do Ministro do Interno nos seguintes casos:

a. Aos estrangeiros cujos, pai ou mãe ou um ascendente


em linha reta até o segundo grau, eram cidadãos
italianos por nascimento, ou estrangeiro que nasceu no

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território do Estado, em ambos os casos, desde que


hajam residência legal há pelo menos três anos em
território italiano, ressalvado o direito mencionado no
item 5.c.;
b. Aos estrangeiros maiores de idade adotados por um
cidadão italiano e que resida legalmente no território
italiano por um mínimo de cinco anos após a adoção;
c. Aos estrangeiros que tenham prestado serviços ao
Estado italiano, mesmo que no exterior, pelo menos por
cinco anos;
d. Aos cidadãos de um dos Estados Membros da União
Européia, se residente legalmente há pelo menos quatro
anos em território italiano. Aqui se observa uma norma
que provavelmente encontra reciprocidade nos
ordenamentos jurídicos de outros Estados Membros da
União Européia, mostrando que a cidadania entre os
residentes na União Européia pode ser facilmente
trocada. Neste caso, justificando o entendimento de que
a cidadania caminha para ser um atributo muito mais
econômico do que territorial.
e. Aos apátridas que residam legalmente há pelo menos
cinco anos no território italiano;
f. Aos estrangeiros legalmente residentes há pelo menos
dez anos no território italiano.

A IMPORTÂNCIA DA RESIDÊNCIA PARA O PROCESSO NA ITÁLIA

A observação que faço diante de todas essas possibilidades de


obtenção da cidadania italiana por parte de estrangeiros, é a questão
da legalidade da residência, que é atributo indispensável ao pleito.

O tempo de residência que é outro dos atributos, é de curso natural,


porém a legalidade não. Esta deve ser obtida pelos meios jurídicos
adequados à fixação legal de uma residência na Itália.

A contrário do Brasil, na Itália a questão da residência é um fator de


vital importância para o controle estatal sobre a sociedade. Assim

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sendo, se uma pessoa tem a residência legal, ela tem tudo. Se não a
tiver posso quase que dizer que não será considerada uma pessoa.

No Brasil, quase todo o ordenamento jurídico de exercício de direitos


civis pós-maioridade se funda no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF, e
deste derivam outros registros públicos obrigatórios. Não faço com
essa observação, uma diminuição do valor intrínseco de outros
documentos legais tais como RG, Título de Eleitor, Certidão de
Nascimento, Carteira de Trabalho, etc...., mas apenas que, sem o
“bendito” CPF, quase nada se faz. Tudo é alicerçado sobre esse
documento, desde uma conta bancária, até um registro de situação
pessoal de crédito no mercado.

Na Itália o documento equivalente é o “Códice Fiscale”, porém não


tem a mesma relevância que o nosso CPF apesar de ter também a sua
função e importância. Mas o que realmente vale na Itália, para tudo,
é ter uma residência.

Para entender um pouquinho da complexidade que permeia esse


tema, ao longo desta obra veremos as situações que são afetadas pela
fixação da residência na Itália, bem como sua mudança. Os controles
estatais, com visitas de policiais em sua casa e outros controles que
são exercidos relativamente à residência.

Por isso, a questão da legalidade da residência é o atributo mais


importante estabelecido pela lei, e é justamente aí que reside a
distinção entre quem se encontra regular ou clandestinamente no
País. Sem a regularidade desta situação, a pessoa não terá vida civil,
sujeitando-se à clandestinidade e vivendo sempre às sombras de
algum outro que esteja regularmente residindo na Itália.

FILHOS MENORES – A RENÚNCIA À CIDADANIA ITALIANA AO


COMPLETAR A MAIORIDADE

Observo ao analisar a legislação italiana que os filhos menores,


daqueles que adquirem ou recuperam a cidadania italiana, quando se
tornam adultos “podem” renunciar à cidadania italiana, mas desde que
em posse de outra nacionalidade.

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OS DESCENDENTES DA MONARQUIA AUSTRO-HUNGARA I

Também as pessoas que ainda vivem nos territórios que pertenceram


à Monarquia Autro-Húngara e emigraram ao exterior antes de 16 de
julho de 1920, bem como seus descendentes em linha reta, são
equiparados aos estrangeiros de origem italiana, ou seja, transmitem
também o direito à cidadania.

Podemos inferir daqui que um Austro-Húngaro emigrado ao Brasil


antes da data acima citada, poderá transmitir um direito de cidadania
italiana a seus descendentes, vez que é equiparado a um estrangeiro
“de origem italiana” sendo assim sujeito de direito de cidadania.

Esta minha observação é uma interpretação pessoal, não posso


garantir ou gerar expectativa de direito a ninguém mas serve de luz
para eventuais interessados se aprofundarem um pouquinho mais
nessa hipótese de transmissão de cidadania.

REGISTRO CIVIL DE UM CIDADÃO ITALIANO

A Lei também estabelece que todas as informações pertinentes à


cidadania, bem como atos e medidas relativas à perda, à manutenção
ou à recuperação da cidadania italiana serão transcritas à margem do
ato de registro civil de nascimento do cidadão.

Isso se dá, porque uma vez concluído o procedimento para


reconhecimento da cidadania italiana esse ato é formalizado com um
assentamento no registro civil da localidade onde transcorreu o
processo, e é finalizado com o registro do ato de nascimento do
requerente, à margem do qual serão assentadas todas as informações
pertinentes à sua vida civil, inclusive matrimônio, nome, cidadania,
etc...

A JURIDICIDADE DA DUPLA CIDADANIA DIANTE DA LEGISLAÇÃO


ITALIANA

Um ponto importante a ser observado, é o aspecto da tutela da dupla

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cidadania por parte da legislação italiana. Até o advento da Lei n.91


de 05 de fevereiro de 1992, vigorava a Lei n. 123 de 21 de abril de
1983. Segundo esta, no caso de dupla nacionalidade, a criança deveria
escolher apenas uma, dentro do prazo de um ano após a aquisição da
maioridade.

Não se vislumbrava aqui, a possibilidade de manutenção de uma


situação de binacionalidade. Somente uma seria aceita. O artigo 26
na citada Lei n.91 de 05 de fevereiro de 1992, revogou aquele
dispositivo, se omitindo quanto à existência da possibilidade de dupla
cidadania ou em alguns casos, ao máximo, deixando como uma
faculdade do indivíduo o exercício do direito de opção por uma
nacionalidade ou outra, e não mais uma obrigação.

Merece também atenção o fato de que a cidadania é reconhecida por


Decreto do Ministro do Interno, à pedido da parte interessada, porém
apresentada ao Prefeito do município de residência do interessado
(quando residente na Itália) ou às Autoridades Consulares (quando
residente no exterior).

Em uma análise resumida, não aprofundando muito em discussões de


constitucionalidade ou inconstitucionalidade de Leis italianas,
podemos concluir segundo o artigo 1o. a Lei n.91 de 05 de fevereiro
de 1992, é cidadão italiano:

a) O filhos de pai ou mãe italianos;


b) Quem é nascido no território do Estado italiano, se
ambos os genitores são ignorados ou apátridas, ou se o
filho não segue a cidadania dos genitores segundo a
legislação do Estado a que estes pertençam;

Observa-se também, pela leitura do parágrafo 2o. que é cidadão


italiano por nascimento, o filho de pessoa ignorada, encontrado em
território do Estado, se não se prova a posse de uma outra
nacionalidade.

É importante o artigo 3o, que reproduz parcialmente o texto do artigo


5o. da Lei n. 123 de 21 de abril de 1983 que já se encontra revogada,

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mas que no novo texto, continua a considerar cidadão italiano o filho


adotivo, mesmo que estrangeiro, de cidadão italiano ou cidadã
italiana, também se nascido antes da promulgação da Lei n.91 de 05
de fevereiro de 1992.

O que ocorreu aqui, foi que a Lei estabeleceu expressamente a


retroatividade para esta situação, não obstante que a própria Lei exclui
a possibilidade de “retroatividade” no seu artigo 20, que dispõe “...
salvo nos casos expressamente previstos, o estado de cidadania
adquirido anteriormente à presente lei não se modifica senão por fatos
posteriores à data de entrada em vigor da mesma”.

Nessa ótica, considerando que o atributo de “não cidadão” é no fundo


um “estado negativo de cidadania”, que equivale a “estado de não
cidadania”, uma vez que a lei não está a admitindo “modificação”
desse estado de cidadania, senão por fatos posteriores à vigência da
Lei, aquela situação acima descrita resulta como que uma exceção
expressa.

Esta disposição, quando cumulativamente considerada com o Parecer


n. 105 de 15 de abril de 1983, resulta por considerar que os filhos, de
cidadã italiana e pai estrangeiro, nascido antes de 1o. de janeiro de
1948 (data de entrada em vigor da Constituição Italiana) continuam
sujeitos de direito ao disposto na antiga Lei n. 555 e 13 de junho de
1912, não obstante a declaração de ilegitimidade constitucional dada
pela Sentença n. 30 de 1983 pela Corte Constitucional Italiana.

Assim sendo, pode-se considerar que os casos previstos na Lei n. 555


e 13 de junho de 1912, constituem exceção à regra de que a cidadania
a descendentes de italianos somente é possível quando o pai era
italiano ou quando a mãe era italiana, neste caso condicionado ao
nascimento do filho ser após 01 de janeiro de 1948.

A exceção prevista segue o modelo abaixo, o que permite aumentar


consideravelmente o espectro de ítalo-descendentes com direito ao
reconhecimento de sua cidadania, mesmo que filhos de mães
italianas, nascidos antes de 01 de janeiro de 1948. As condições são

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exaustivas, mas servem de ajuda para muitos casos de ítalo-


descendentes.

FILHOS DE MÃES ITALIANAS NASCIDOS ANTES DE 01 DE JANEIRO


DE 1948

Se o ascendente italiano è do sexo feminino, só transmite o direito da


cidadania aos descendentes nascidos depois de 01 de janeiro de 1948,
data em que entrou em vigor a nova constituição italiana.

Aos descendentes nascidos antes dessa data, a cidadania ainda pode


ser pleiteada, nos casos previstos no parágrafo 2º. do artigo 1º. da
Lei n. 555 de 13 de junho de 1912, o qual disciplina estas três
hipóteses residuais:
a) Se filho de pai ignorado;
b) Se o pai, à epoca (01/01/1948) era apátrida, ou;
c) Se o filho, por limitações impostas pela Lei Estrangeira
do País de nacionalidade do pai, não poderia ter
reconhecida sua cidadania, obtendo a cidadania do
próprio pai. Este seria o caso típico de um Estado que
reconhece a cidadania somente em base ao “jus soli”, não
admitindo transmiti-la pelo “jus sanguinis”;

Em todo caso, se estes dispositivos não forem reconhecidos


espontaneamente pela administração pública italiana, restará ao
candidato a busca de seus direitos na esfera judicial, porém com
grandes chances de sucesso. Considere também que algumas dessas
interpretações que aqui apresento são de juízo pessoal.

Várias sentenças de Cortes de Cassação tem decidido por reconhecer


o direito à cidadania italiana, mesmo para filhos de mães italianas
nascidos antes de 1948. Veja na 5a. Dica da Cidadania Italiana um
detalhamento sobre esse assunto.

Por fim relembramos de novo que a Lei n.91 de 05 de fevereiro de


1992 admite em qualquer caso, a posse da cidadania múltipla que era
vetada no artigo 5. da Lei n. 123 de 21 de abril de 1983.

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Esse juízo sobre a transmissão da cidadania por parte da linha


materna, mesmo para filhos nascidos antes de 01 de janeiro de 1948
poderá mudar.

Um interessante parecer sobre a questão da transmissão sanguínea


da cidadania por via materna foi apresentada pelo do Dr. Francesco
Saverio Matozza, um Especialista Médico-Legal e foi publicada em
italiano no sequinte site:
http://www.abruzzoforum.com/archived/0208/messages/98.html

CITTADINANZA ITALIANA "JURE SANGUINIS"


INTERPRETAZIONE MEDICO-LEGALE
Articolo a cura del Dr. Francesco Saverio Matozza

A seguir faço a tradução desse importante artigo, o qual tem sido


referenciado em vários processos judiciais de pleito à cidadania
italiana.

Foi um trabalho muito bem elaborado sobre a cidadania para filhos de


mães italianas, nascidos antes de 01 de janeiro de 1948, é a tese
apresentada pelo Dr. Francesco Saverio Matozza.

O Dr. Matozza é médico formado pela Universidade de Bologna.


Embora sua formação divulgada seja da área de medicina, seus
conhecimentos jurídicos merecem atenção pela coerência com que os
apresenta entrelaçados com os conhecimentos médicos.

A análise médico legal da cidadania por descendência, na minha


humilde opinião, resulta por ser uma técnica que permite a perfeita
interpretação do direito positivo que rege a matéria.

Ao invés de tentar interpretar o artigo publicado pelo médico legal,


vou preferir traduzí-lo, pois será indubitavelmente mais claro ao leitor
e também mais motivador, uma vêz que não se trata de uma opinião
minha, a qual poderia vir viciada pelas minhas crenças e desejos
pessoais.

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CIDADANIA ITALIANA “IUS SANGUINIS”


INTERPRETAÇÃO MÉDICO-LEGAL
Artigo de autoria do Dr. Francesco Saverio Matozza

O objetivo deste artigo é demonstrar que a cidadania italiana “Ius


Sanguinis” deveria ser transmitida também por parte da mão italiana
aos filhos nascidos que seja antes ou depois de 1948, baseando-se
sobre os aspectos médico-legais.

O artigo conterá as seguintes seções:


1. Lei vigente sobre a cidadania italiana, n. 91 de 15 de fevereiro de
1992;
2. Aspectos médicos (circulação materno fetal);
3. Risco nas concepções antes de 1948;
4. Emigração Italiana 1860 – 1948;
5. Conclusão;

Pressupostos da cidadania italiana

A cidadania italiana se baseia sobre o princípio do “Ius Sanguinis”


(direito de sangue), em virtude do qual o filho nascido de pai italiano
ou mãe italiana é italiano.

1 – CIDADANIA POR NASCIMENTO – LEI N.91 DE 05 DE FEVEREIRO


DE 1992

Com fundamento no sistema normativo vigente, é cidadão italiano o


filho de genitores italianos (Ius Sanguinis”). A mãe italiana transmite
a cidadania somente aos filhos nascidos a partir de 01.01.1948, ano
em que entrou em vigor a nova Constituição Italiana. Qualquer um
que fosse nascido antes dessa data poderá obter a cidadania somente
por via paterna.

Sem dúvida existem três sentenças em que foram reconhecidos como


italianos os filhos de mãe italiana nacidos antes de 01.01.1948. A
sentença da Corte de Cassação Civil de Roma, Primeira Sessão,
Sentença n. 6297 de 10.07.1996 que reconhece a cidadania italiana a
um homem, filho de mãe italiana, nascido antes de 1948. Outro caso

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é do Tribunal de Torino, Sentença 12.04.1999 “Deve ser considerado


cidadão italiano todo aquele que é nascido de mãe italiana
anteriormente a 01 de janeiro de 1948”. A última é a Sentença da
Corte Constitucional n. 30 de 28 de janeiro de 1983.
Recentemente muitos tribunais italianos aderiram a esta sentença.

A trasmissão da cidadania “Ius Sanguinis” não prevê limite de


gerações, porém não permite saltos generacionais. Por este motivo, o
descendente de italiano pode adquirir a cidadania italiana somente se
recupera todos os ascendentes em linha reta (por exemplo, o neto de
italiano pode adquirir a cidadania só se a recupera do seu progenitor).
No caso de ascendentes falecidos, a reconstrução da cidadania destes
pode ser realizada diretamente pelo descendente. Para ter direito à
cidadania italiana é pois necessário ser descendente em linha reta de
um familiar que seja um cidadão italiano (por ex: bisavô, avô, pai).

2 – CIRCULAÇÃO MATERNO FETAL

A placenta é o órgão fundamental da gestação e é característico dos


mamíferos superiores. Desempenha funções diversas: nutrição,
metabolismo embrionário, desenvolvimento fetal, função endócrina e
eliminação dos catabolismos (* resíduos) provenientes do feto... A
troca de substâncias entre a mãe e o feto se faz através das
vilosidades do córion (*Membrana embriônica externa, altamente
vascular). A barreira placentária que separa o sangue materno do
sangue fetal é constituida do endotélio capilar (*Camada celular que
forra interiormente as serosas, o coração e os vasos) e dao trofoblasto
(* Conjunto de células que provê a nutrição embrionária antes da
formação da placenta). Da mãe passam ao feto o oxigênio e os
principais elementos: sais, água; e do feto passam à mãe os
catabolitos: dióxido de carbono, uréia, bilirrubina (* pigmento biliar),
etc...

O sangue materno alcança a placenta por meio de ramificações das


artérias uterinas. A circulação placentária fetal é proveniente das
artérias umbilicais e alcança o feto através da veia umbilical. O fluxo
sanguíneo, durante o pleno desenvolvimento placentário, é de cerca
de 500 ml ao minuto.

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Outra função da placenta é a secreção dos hormônios que passam


seja à mãe que ao feto: hormônios esteróides, testosteronas,
progesteronas, etc... Não podem atravessar a barreira placentária as
moléculas de grande dimensão como as proteínas.
Do momento da concepção até o parto, a vida do feto depende do
funcionamento da circulação materno fetal.
A velocidade do fluxo sanguíneo uterino aumenta progressivamente
durante a gestação.

Graças ao Eco Colo Doppler das artérias e da veia umbilical e à


Ecografia Fetal, se pode avaliar a circulação umbilical, a placenta, o
líquido amniótico, as medidas fetais, orgãos (coração, fígado, cérebro,
rins, etc...)

3 – RISCOS NA GRAVIDEZ ANTES DE 1948

Naquela época não existia a Ecografia, a anestesia peridural nel o


parto cesária. Os controles fetais durante a gravidez se baseavam
sobre: escuta dos batimentos cardíacos fetais, os movimentos fetais à
partir do quarto mês e o crescimento uterino que era un índice indireto
do crescimento do feto. A maior parte dos partos ocorriam no local de
domicílio da parturiente, sem assistência médica. Existia un grande
risco de infecções.
Os antibióticos “fizeram bonito” na segunda guerra mundial e eram
inacessíveis para a maioria dos pacientes. Muitas mulheres morriam
em consequencia do parto, durante o mesmo ou no puerpério (* após
parto) por infecções. Os recém nascidos prematuros morriam quase
todos, não existindo terapia neonatal intensiva. Hoje os nascidos
prematuros de 800 gramas podem sobreviver graças à tecnologia.
Portanto, antes de 1948, a gravidez e o parto eram uma das maiores
causas de mortalidade para as mulheres.

4 – EMIGRAZIONE

Entre 1860 e 1948 mais de 20 milhões de italianos, inclusive muitos


jovens, emigraram em busca de trabalho e melhores condições de vida
nos Estados Unidos, Argentina, Brasil, Canadá e Europa. Muitos deles

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se casaram com estrangeiras perdendo a cidadania italiana. De outra


parte os filhos nascidos antes de 01.01.1948 não foram considerados
italianos. Somente os filhos de pai italiano podiam obter a cidadania
italiana.

Em qualquer família haviam filhos não italianos, nascidos antes de


01.01.1948, e italianos por terem nascidos depois daquela data, mas
sendo ambos filhos da mesma mãe e do mesmo pai. Is é
verdadeiramente inadmissível.

5 – CONCLUSÃO

Com base em tudo o que foi exposto se demonstra que o feto recebe
da mãe (por via sanguínea) todos os elementos necessários para a
sua nutrição, desenvolvimento e crescimento. A vida do feto durante
a gravidez depende somente da mãe e não do pai. Antes de 1948 as
mulheres tinham maior possibilidade de complicações durante a
gravidez, parto e pós parto (mortalidade) incusive a sua própria morte.
Portante a transmissão da cidadania “Ius Sanguinis” deveria ser
admitida também por via materna, pois é próprio o sangue da mãe
que alimenta o filho durante os 9 meses de gravidez.

Essa nova interpretação do direito “Ius Sanguinis” deveria permitir aos


filhos de mãe italiana nascidos antes de 1948 a obtenção da cidadania
italiana.

Dr. Francesco Matozza


Web Editor do site www.maristas.com.ar/champa/exa.htm
Doutor em Medicina e Cirurgia pela Universidade de Bologna
Especialista em Radiologia e Oncologia pela Universidade de Paris
Membro da Academia de Ciencias de San Isidro – Argentina
Ex-diretor do Centro de Referência Italiano em Paris
(*) Adaptações por Estevam Del Nero

Existem ainda outras propostas legislativas em andamento no


Parlamento Italiano com vistas a ampliar o direito de reconhecimento
da cidadania italiana aos nascidos de mãe italiana mesmo antes de 01
de janeiro de 1948. Porém devo registrar também, que correm

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propostas no sentido de endurecer sensivelmente as possibilidades de


reconhecimento da cidadania italiana, e esta proposta é por demais
preocupante pois poderá afetar a grande maioria dos ítalo-
descendentes.

COMENTÁRIOS À PROPOSTA DE “LEGGE N. 2006 – INIZIATIVA DEP.


PAROLI”

Trata-se da proposta C2006, que transcrevo abaixo e em seguida faço


alguns comentários:

http://www.camera.it/_dati/leg16/lavori/schedela/apriTelecomando_
wai.asp?codice=16PDL0017950

PROPOSTA DI LEGGE
d'iniziativa del deputato PAROLI
Modifiche alla legge 5 febbraio 1992, n.
91, e altre disposizioni sulla cittadinanza
Presentata l'11 dicembre 2008

Onorevoli Colleghi! - In termini giuridici


la cittadinanza è la condizione della
persona fisica alla quale l'ordinamento
giuridico di uno Stato riconosce la
pienezza dei diritti civili e politici; essa,
quindi, può essere vista come uno
status del cittadino, ma anche come un
rapporto giuridico tra cittadino e Stato.
Secondo il nostro ordinamento la
cittadinanza si può acquisire per:
ius sanguinis (diritto di
sangue), per la nascita da
un genitore in possesso
della cittadinanza;
ius soli (diritto del suolo),
per essere nato sul
territorio italiano;
matrimonio con un
cittadino italiano;

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naturalizzazione, a seguito
di un provvedimento della
pubblica autorità, in
presenza di determinate
condizioni (residenza per
un lungo periodo di tempo
sul territorio nazionale,
assenza di precedenti
penali, rinuncia alla
cittadinanza d'origine
eccetera) o per meriti
particolari.
La scelta fondamentale che si trovano
a fare gli ordinamenti è quella tra ius
sanguinis e ius soli, avendo gli altri due
istituti una funzione puramente
integrativa; lo ius sanguinis (sul modello
tedesco) presuppone una concezione
«oggettiva» della cittadinanza, basata
sul sangue, sull'etnia, sulla lingua
(Johann Gottlieb Fichte); lo ius soli (sul
modello francese) presuppone, invece,
una concezione «soggettiva» della
cittadinanza, come «plebiscito
quotidiano» (Ernest Renan).

L'adozione dell'una piuttosto che


dell'altra opzione ha conseguenze
rilevanti negli Stati interessati da forti
flussi migratori in entrata o in uscita.
Infatti, lo ius soli determina
l'allargamento della cittadinanza anche
ai figli degli immigrati nati sul territorio
dello Stato: ciò spiega perché sia stato
adottato da Paesi (quali Stati Uniti,
Argentina, Brasile, Canada eccetera)
che si sono trovati ad amministrare una
forte immigrazione e, al contempo, un
territorio nazionale così esteso da poter
ospitare una popolazione maggiore di
quella residente. Al contrario, lo ius
sanguinis tutela i diritti dei discendenti

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degli emigrati, ed è dunque spesso


adottato dai Paesi interessati da una
forte emigrazione, anche storica
(Armenia, Irlanda, Italia, Israele), o da
ridelimitazioni dei confini (Bulgaria,
Croazia, Finlandia, Germania, Grecia,
Italia, Polonia, Serbia, Turchia, Ucraina,
Ungheria).

Può, quindi, accadere che una persona


acquisti la cittadinanza dello Stato di
origine dei genitori, dove vige lo ius
sanguinis, e nel contempo quello dello
Stato sul cui territorio è nata, iure soli.

Un brevissimo cenno sulle tappe


storiche della legislazione italiana sulla
cittadinanza: nello Statuto albertino
(1948) le donne erano subordinate
all'autorità del pater familias, fatto
molto rilevante, giacché la soggezione
della donna e dei suoi figli al marito
comportava che anche ciò che
riguardava la cittadinanza del marito
(perdita o riacquisto) si «riversasse» su
tutta la famiglia. Con la legge n. 555 del
1912 si ribadiva il primato del marito nel
matrimonio e la soggezione della moglie
e dei figli alle vicissitudini che all'uomo
potevano accadere in relazione alla
cittadinanza. Essa stabiliva inoltre che:
lo ius sanguinis era, come nell'attuale
regime, il principio reggente, essendo lo
ius soli una ipotesi secondaria; i figli
seguivano la cittadinanza del padre e
soltanto in forma residua della madre;
la donna perdeva l'originaria
cittadinanza italiana in caso di
matrimonio con uno straniero la cui
legge nazionale le trasmettesse la
cittadinanza del marito, come effetto

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diretto e immediato del matrimonio


stesso.

La sentenza 9 aprile 1975, n. 87, della


Corte costituzionale dichiarò
l'illegittimità costituzionale dell'articolo
10, terzo comma, della legge 13 giugno
1912, n. 555, nella parte che prevedeva
la perdita di cittadinanza italiana
indipendentemente dalla volontà della
donna.

In seguito, la legge n. 123 del 1983 ha


sancito che è cittadino per nascita il
figlio minore, anche adottivo, di padre o
di madre cittadini. Nel caso di doppia
cittadinanza il figlio doveva optare per
una sola cittadinanza entro un anno dal
raggiungimento della maggiore età
(articolo 5).

Attualmente la legge n. 91 del 1992


stabilisce (articolo 1, comma 1) che è
cittadino per nascita:

a. il figlio di padre o di
madre cittadini;
b. chi è nato nel territorio
della Repubblica, se ambo i
genitori sono ignoti o
apolidi, o se il figlio non
segue la cittadinanza dei
genitori, secondo la legge
dello Stato di questi.

Inoltre, la legge n. 91 del 1992


ammette in ogni caso il possesso della
cittadinanza multipla, già ostacolata
dall'articolo 5 della legge n. 123 del
1983. Leggi successive al 1992 hanno
poi modificato l'accesso alla cittadinanza
estendendolo ad alcune categorie di

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cittadini che, per ragioni storiche e


collegate agli eventi bellici, ne erano
rimaste escluse (legge n. 379 del 2000,
recante disposizioni per il
riconoscimento della cittadinanza
italiana alle persone nate e già residenti
nei territori appartenuti all'Impero
austroungarico e ai loro discendenti;
legge n. 124 del 2006, recante
modifiche alla legge 5 febbraio 1992, n.
91, concernenti il riconoscimento della
cittadinanza italiana ai connazionali
dell'Istria, di Fiume e della Dalmazia e ai
loro discendenti).

Allo stato attuale il cittadino straniero


che ottiene la cittadinanza italiana può
conservare anche quella del proprio
Paese di origine. L'ammissione della
doppia cittadinanza, riconosciuta con
l'entrata in vigore della legge n. 91 del
1992, ha tuttavia provocato confusione
e, tra i nostri neoconcittadini, molti sono
coloro che hanno voluto acquisire la
cittadinanza per una mera convenienza,
senza alcun legame con la nostra storia
e la nostra cultura, ma soltanto perché
maggiormente protetti dallo Stato
sociale: si è verificato un vero e proprio
«arrembaggio» alla cittadinanza
italiana, soprattutto iure sanguinis e per
matrimonio, operato principalmente da
quelle popolazioni di Paesi poveri che
hanno tutto l'interesse ad entrare nel
novero dei cittadini europei, e in
particolare in quel privilegiato gruppo
degli assistiti dallo Stato sociale italiano.

L'attuale legislazione sulla acquisizione,


perdita o riacquisto della cittadinanza
italiana presenta alcuni aspetti che
comportano un rilevante onere per lo

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Stato italiano, un aggravio per le


pubbliche finanze ed una notevole
complicazione nella gestione
burocratica degli uffici preposti ad
amministrare tali pratiche (soprattutto
Ministero degli affari esteri e Ministero
dell'interno).

Va sottolineato, inoltre, che i tempi sono


in veloce mutamento e la legislazione in
questione, nonostante i suoi
aggiornamenti, non è più né funzionale
né rispondente ai bisogni della nostra
società. Una nuova legge sulla
cittadinanza dovrebbe avere ben chiaro
come obiettivo il contenimento della
spesa pubblica e dell'onere assistenziale
e previdenziale, dato che il nostro Paese
rappresenta oggi un vero e proprio
«paese della cuccagna» per quegli
sfortunati individui nati in Paesi molto
meno ricchi del nostro: soprattutto in un
momento in cui l'Italia è oggetto di forti
e difficilmente arginabili flussi migratori
da parte di popolazioni in gravi difficoltà.

La presente proposta di legge è volta ad


eliminare le distorsioni più pericolose
della legislazione in materia di
cittadinanza nel presupposto che, fermi
restando i princìpi fondamentali della
stessa, in concreto la cittadinanza vada
concessa con cautela e soltanto a chi
accetta di condividere pienamente e
senza condizioni i nostri valori e la
nostra cultura, nonché i princìpi del
nostro ordinamento democratico.

Gli articoli della presente proposta di


legge sono diretti a sanare le lacune
principali della legislazione vigente.

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L'articolo 1 prevede il pagamento di una


tassa per l'istruttoria della pratica: allo
stato attuale essa è assolutamente
gratuita. Ad esempio in Gran Bretagna il
prezzo per la sola istruttoria si aggira
intorno alle 1.000 sterline. Questo fa sì
che molti cittadini stranieri (in
maggioranza del Sudamerica) che si
rivolgono alle agenzie specializzate per
l'ottenimento di una qualsiasi
cittadinanza europea si sentono
suggerire di chiedere quella italiana
perché, appunto, gratuita. Da
sottolineare che all'estero pullulano
agenzie specializzate nella richiesta di
cittadinanze e che queste offrono, tra i
vari servizi di sbrigo pratiche presso i
consolati, «pacchetti» preconfezionati.

L'articolo 2 limita la discendenza iure


sanguinis al nonno o al bisnonno:
attualmente la legge non pone limite al
numero di antenati cui si può far risalire
la propria discendenza italiana. Questo
implica che persone (anche stavolta
sudamericane) che non hanno nulla a
che fare con la nostra cultura, con nomi
che non richiamano affatto i nostri, che
non conoscono la nostra lingua e che,
specialmente, vantano discendenze
improbabili, documentate da registri a
volte introvabili ed altre illeggibili,
ottengano la nostra cittadinanza.
Cittadinanza che, guarda caso, essi
«usano» immediatamente per accedere
a cure mediche pagate dal nostro
Servizio sanitario nazionale o a pensioni
sociali, in quanto nullatenenti e
disoccupati, che vengono erogate sul
posto e che, fatto il debito cambio di
valuta, rappresentano un mensile di
tutto rispetto. Non porre limiti alla

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discendenza è un principio ideologico


obsoleto, che risponde alla esigenza di
uno Stato che ha molti emigranti e che,
soprattutto, identifica la propria
importanza nella equazione popolo
numeroso = molta potenza. Non è più
così. Gli emigranti non mandano più i
soldi «a casa». Quelli che tra loro hanno
fatto fortuna non intendono in alcun
modo chiedere la nostra cittadinanza,
per ovvi motivi fiscali tutti gli altri; per la
stragrande maggioranza, sono indigenti
ed hanno invece bisogno di una
assistenza sociale che allevi in qualche
modo le loro ristrettezze economiche.

L'articolo 3 fa valere per tutti i


richiedenti le disposizioni,
opportunamente modificate, della citata
legge n. 379 del 2000, che prevedono la
esibizione di documentazione che attesti
l'appartenenza alla comunità italiana ed
alla sua cultura, come un'antica
frequentazione di istituti e scuole
italiane, l'iscrizione da molto tempo a
circoli italiani e tutto ciò che in qualche
modo dimostri l'interesse per
l'appartenenza alla nostra cultura ed ai
nostri valori. Richiede la conoscenza
parlata e scritta della lingua italiana,
dato che si presentano sovente presso i
nostri consolati (veri e propri avamposti
di frontiera) persone che non parlano
una sola parola di italiano. Del nostro
Paese sanno una sola cosa: conviene
essere italiani.

L'articolo 4 esclude il possesso


contemporaneo, a qualsiasi titolo, della
cittadinanza italiana contestualmente
ad un'altra cittadinanza non
comunitaria, e ribadisce che tutti i

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cittadini, anche quelli stranieri non


comunitari, non possono conservare
una cittadinanza multipla e sono tenuti
a sceglierne una.

L'articolo 5 obbliga i figli stranieri


adottati da genitori italiani, e viceversa,
a scegliere una cittadinanza entro un
anno dalla maggiore età o, se già
maggiorenni, entro un anno dal
provvedimento di adozione, dal
riconoscimento eccetera.

L'articolo 6 non permette la


trasmissibilità della cittadinanza
acquisita per matrimonio: in molti casi i
cittadini stranieri, dopo aver acquisito la
cittadinanza italiana, divorziano. Loro
conservano la cittadinanza per poi
trasmetterla al coniuge successivo che,
guarda caso, è molto spesso del proprio
Paese d'origine, con un «effetto
domino» che in questo modo aggira le
leggi sull'immigrazione (un escamotage
di cui si servono soprattutto persone
nordafricane e mediorientali).

L'articolo 7 non consente che la


cittadinanza sia conservabile sempre e
comunque: se un cittadino, che ha la
cittadinanza italiana acquisita, non
conserva la propria residenza e degli
interessi economici, finanziari,
immobiliari o quant'altro su cui pagare
le imposte allo Stato, per un periodo di
almeno due anni, allora perde la
cittadinanza italiana.

PROPOSTA DI LEGGE
Art. 1.
(Copertura degli oneri burocratici).

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1. Le istanze per l'acquisto o la


concessione della cittadinanza italiana,
ai sensi degli articoli 5 e 9 della legge 5
febbraio 1992, n. 91, devono essere
corredate dalla documentazione
attestante l'avvenuto versamento di un
importo di 1.500 euro a titolo di
contributo per le spese d'ufficio per
l'avvio dell'istruttoria presso gli uffici
preposti in Italia e all'estero.

Art. 2.
(Regolamentazione dell'acquisto della
cittadinanza italiana per rapporti di
parentela).
1. La cittadinanza italiana può
essere acquisita o concessa, per
rapporti di parentela, solo per rapporti
fino al secondo grado di parentela
ascendente senza soluzione di
continuità.

Art. 3.
(Condizioni per l'acquisto della
cittadinanza italiana per rapporti di
parentela).
1. L'acquisto e la concessione
della cittadinanza italiana per rapporti di
parentela, fatte salve le disposizioni di
cui all'articolo 2, sono subordinati alle
seguenti condizioni:
a) esibizione della
documentazione attestante la
frequentazione, da almeno tre anni, di
scuole di lingua italiana o
l'appartenenza a circoli e associazioni di
lingua e cultura italiane presenti nel
territorio di appartenenza;
b) conoscenza della
lingua italiana parlata e scritta;

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c) conoscenza dei
princìpi fondamentali della Costituzione
italiana.

Art. 4.
(Esclusione della doppia cittadinanza).
1. L'articolo 11 della legge 5
febbraio 1992, n. 91, è sostituito dal
seguente:
«Art. 11. - 1. L'acquisizione della
cittadinanza italiana, a qualsiasi titolo, è
subordinata alla rinuncia contestuale
alla precedente cittadinanza per tutti i
cittadini stranieri non comunitari.
2. Il cittadino straniero non
comunitario che, dopo aver acquisito la
cittadinanza italiana, acquista o
riacquista, a qualsiasi titolo, una
cittadinanza straniera perde quella
italiana».

Art. 5.
(Elezione della cittadinanza in caso di
riconoscimento o dichiarazione
giudiziale della filiazione).
1. Il comma 2 dell'articolo 2 della
legge 5 febbraio 1992, n. 91, è sostituito
dal seguente:
«2. Se il figlio riconosciuto o
dichiarato è maggiorenne conserva il
proprio stato di cittadinanza, ma deve
dichiarare, entro un anno dal
riconoscimento o dalla dichiarazione
giudiziale, ovvero dalla dichiarazione di
efficacia del provvedimento straniero di
Stato non comunitario, di eleggere la
cittadinanza determinata dalla
filiazione, con esclusione della doppia
cittadinanza».

Art. 6.

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(Non trasmissibilità della cittadinanza


acquisita per matrionio).
1. All'articolo 5 della legge 5
febbraio 1992, n. 91, è aggiunto, in fine,
il seguente comma:
«1-bis. Le disposizioni del
comma 1 non si applicano in caso di
nuovo matrimonio del cittadino
straniero non comunitario che ha
acquistato la cittadinanza italiana ai
sensi del medesimo comma».

Art. 7.
(Perdita della cittadinanza).
1. All'articolo 12 della legge 5
febbraio 1992, n. 91, sono aggiunti, in
fine, i seguenti commi:
«2-bis. I cittadini stranieri non
comunitari che acquisiscono, a qualsiasi
titolo, la cittadinanza italiana la perdono
se, entro un anno dall'acquisto, non
eleggono residenza stabile nel territorio
nazionale.
2-ter. Il cittadino italiano che non
è tale per nascita perde la cittadinanza
acquisita a qualsiasi titolo se, per un
periodo superiore a due anni
consecutivi, risiede all'estero e non può
esibire atti di proprietà, o contratti di
affitto, o utenze, o conti correnti bancari
o dichiarazioni dei redditi che attestino
la persistenza di suoi interessi economici
nel territorio nazionale».

OBSERVAÇÕES SOBRE A “PROPOSTA DI LEGGE N.2006”

Dentre os artigos que mais se destacam, no concernente ao direito de


cidadania italiana aos ítalo-descendentes, considero particularmente
os artigos 1, 2, 3, 4 e 7 da proposta de lei acima transcrita.

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O artigo 1 proposto cria a novidade de pagamento de um “Contributo”,


uma ajuda ao Governo, uma Taxa enfim, no valor de € 1.500,00 (Um
mil e quinhentos euros) para processamento de cidadania, seja
adquirida ou concedida.

Diz o artigo 1o.:

“Le istanze per l'acquisto o la concessione della cittadinanza


italiana, ai sensi degli articoli 5 e 9 della legge 5 febbraio 1992,
n. 91, devono essere corredate dalla documentazione
attestante l'avvenuto versamento di un importo di 1.500 euro a
titolo di contributo per le spese d'ufficio per l'avvio
dell'istruttoria presso gli uffici preposti in Italia e all'estero.”

Traduzindo: As práticas para aquisição ou concessão de cidadania


italiana, nos termos dos artigos 5 e 9 da lei de 5 de fevereiro de 1992,
n.91, devem ser instruídas com a documentação comprobatória de
efetivo pagamento de uma importância de 1.500 euros a título de
contribuição (taxa) pelas despesas oficiais para o início da instrução
processual perante as agências competens na Itália e no exterior.

O legislador aqui reservou esse entendimento aos artigos 5 e 9 da Lei


n. 91 de 5 de fevereiro de 1992. Esses atigos são específicos para a
concessão da cidadania de estrangeiros, sejam eles cônjuges de
cidadãos italianos ou não. Deixou à margem dessa exigência a
cidadania reconhecida por direito “Ius Sanguinis”

A cidadania italiana, como já vimos, quando obtida pelo


reconhecimento decorrente do direito “Ius Sanguinis”, é cidadania
adquirida por modo originário. A cidadania obtida pelo nascimento em
solo italiano “Ius Solis” também é adquirida por modo originário.
Ambos os italianos, tanto o reconhecido por “Ius Solis” quanto o
reconhecido por “Ius Sanguinis” são cidadãos idênticos na ordem
jurídica. Não há um deles que seja MAIS cidadão que outro,
igualmente não há entre eles, distinção que possa fazer um deles ser
MENOS do que o outro. Nessa proposta de lei, nesse artigo 1o. Em
especial, há intrinsecamente uma afirmação nesse sentido, vez que

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dispõe sobre cobrança da tal “taxa” só para casos de concessão da


cidadania seja por matrimônio seja por naturalização.

Se essa taxa fosse cobrada também para aqueles que pleiteiam o


reconhecimento da cidadania “Ius Sanguinis” haveria violação ao
sagrado e consagrado princípio da igualdade previsto por tantos
dispositivos constitucionais italianos e também pela DUDH –
Declaração Universal dos Direitos Humanos. Assim sendo o legislador
não quis se confrontar com esses princípios basilares da cidadania, e
excluiu das hipóteses de cobrança, a cidadania recenhecida “Ius
Sanguinis”, ao menos é o que eu deduzo da leitura da proposta.

A observação que faço ao analisar esse artigo é que não há como uma
Lei criar distinção e duas classes de cidadãos com cidadania originária,
tanto a obtida por “Ius Solis” quanto a “Ius Sanguinis” tem os mesmos
direitos constitucionais e isto, nesse artigo foi respeitado.

Teria bem feliz o legislador se tivesse proposto que no caso da


cidadania reconhecida com base no direito “Ius Sanguinis” o Estado
italiano arcasse com os custos de seu reconhecimento, já que o arca
quando se trata de um nascido em seu solo. Digamos que sob o
aspecto da despesa pública, o cidadão “Ius Sanguinis” na verdade é
menos custoso ao Estado do que o cidadão “Ius Solis”. Este, nascido
em território italiano, usufruiu dos serviços sanitários oferecidos
gratuitamente pelo Estado aos cidadãos, desde a sua concepção até
o nascimento, incluindo aí todo o custo de exames pré-natais, de
acompanhamento gestacional por cerca de 9 (nove) meses,
assistência à progenitora, e ainda o próprio parto e acompanhamento
do neonato. Junte-se aí ainda os benefícios de ordem trabalhista como
a licença maternidade de 6 meses e outros custos indiretos de
acompanhamento do recém nascido, com apoio pediátrico e coisas do
gênero.

Por outro lado, sua contribuição previdenciária somente começa a


correr quando esse cidadão entra no mercado de trabalho, o que hoje
em dia tem ocorrido já com idade bastante avançada.

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Penso que todos esses direitos do cidadão italiano e todos esses


serviços oferecidos pelo Estado Italiano a seus cidadãos, são dignos,
maravilhosos e humanos. No entanto, esses serviços custam e não
custam pouco.

Me parece que seria justo também que a proposta contemplasse um


valor aos progenitores do cidadão italiano que está buscando o
reconhecimento de sua cidadania “Ius Sanguinis”, ou no mínimo um
incentivo para esse reconhecimento, já que foram esses progenitores
que arcaram com esses custos da gestação, do nascimento até o pleno
desenvolvimento profissional desse cidadão, principalmente se
nascidos no Brasil onde os custos de planos de saúde, educação e
profissionalização privados são altíssimos.

Nessa ótica entendo que uma cidadania “Ius Sanguinis” reconhecida


a um jovem ou mesmo um adulto é altamente benéfica ao Estado
Italiano, o qual não suportou nenhum custo dessa “criação” do ser
humano até a sua idade “economicamente ativa”, quando então
passará a contribuir economicamente em igualdade de condições com
os cidadãos “Ius solis”, cujo custo de desenvolvimento pessoal foi
totalmente arcado pela sociedade italiana.

Observo que o Brasil produz muitos cidadãos notáveis e estes, quando


tem a oportunidade, emigram para outros países levando consigo toda
a enorme bagagem de cultura e investimento que lhe fôra dedicada,
sem que a sociedade brasileira tenha qualquer compensação por isso,
ao invés, permanece com o custo do investimento feito.

Mas o que importa é que ao menos esse artigo 1 não veio em mais
um prejuízo aos ítalo-descendentes com direito à cidadania italiana
reconhecida com base no direito “Ius Sanguinis”, e isso já é bom.

Diz o artigo 2 que:

“La cittadinanza italiana può essere acquisita o concessa, per


rapporti di parentela, solo per rapporti fino al secondo grado di
parentela ascendente senza soluzione di continuità.”

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Traduzindo: A cidadania italiana pode ser adquirida ou concedida por


relação de parentensco, somente em relações até o segundo grau de
parentesco ascendente e sem solução de continuidade.

A primeira observação que faço é o entendimento de que a


transmissão da cidadania italiana estaria limitada ao máximo à
segunda geração de descendentes, ou seja, do avô ou avó ao neto,
no máximo.

A segunda observação é que o legislador, na proposta de Adriano


Paroli, criou uma correta distinção entre cidadania adquirida e
cidadania concedida. Mas na proposta de lei não há um detalhamento
sobre os entendimentos sobre esses dois vernáculos. Para mim,
quando o legislador se vale do termo cidadania concedida, refere-se
claramente à faculdade dada ao Estado como ente político, de regular
as formas de aquisição da cidadania, neste caso, representando o
poder concedente de cidadania por naturalização a qualquer título.

O problema surge quando desejamos interpretar a expressão “pode


ser adquirida”. No conceito de aquisição, considero a cidadania como
um direito do cidadão e um dever do Estado, ao contrário daquela
“concedida”, cuja concessão pode ou não ser dada, desde que
respeitados os limites e condições previstos pela Lei. No caso do
“reconhecimento” da cidadania italiana, penso tratar-se de uma forma
de aquisição da cidadania, neste caso, enquadrando-se na expressão
utilizada pelo legislador parlamentar.

Essa distinção me parece por demais importante para não vir em


detalhes no projeto de lei, principalmente quando analisados os
artigos subseqüentes e passamos a fazer uma interpretação sistêmica
dos temas tratados nesse projeto de lei.

Vejamos o porquê dessa necessidade.

Diz o artigo 3 do projeto de Paroli que:

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“L'acquisto e la concessione della cittadinanza italiana per


rapporti di parentela, fatte salve le disposizioni di cui all'articolo
2, sono subordinati alle seguenti condizioni:…”

Traduzindo: A aquisição e a concessão da cidadania italiana por


relação de parentesco, fazendo salva às disposições de que tratam o
artigo 2, são subordinadas às seguintes condições:...

As condições são, basicamente, conhecimento da lingua italiana


escrita e falada, da cultura italiana e dos princípios fundamentais da
constituição. Sobre essas condições, a que estaria sujeita a cidadania,
farei comentários mais abaixo, juntamente com as disposições da
Declaração Universal dos Direitos Humanos, mostrando o quanto essa
disposição é inaplicável diante das normas universais.

Concentrando análise sobre os termos “aquisição” e “concessão”


observo que novamente são utilizados sem a devida conceituação para
evitar possíveis interpretações equivocadas da lei. Quanto à
concessão, já comentei acima e para mim não surgem dúvidas. Mas
quando fala em “aquisição”, novamente me questiono se isso vale
também para a cidadania adquirida por “reconhecimento”. Outra
dúvida que paira, é o que o legislador quis dizer ao utilizar a expressão
“fatte salve Le disposizioni di cui all’articolo 2...” deixando enorme
confusão a disciplina do citado artigo 2 está “fora” das condições
limitativas impostas pelo artigo 3 ou justamente o contrário, fazendo-
se aqui a aplicação cumulativa das restrições à cidadania. Em outras
palavras, a dúvida é: O descendente de italiano até o segundo grau
(artigo 2) deve ou não ser submetido “também” às exigências do
artigo 3 (conhecimento da língua, cultura e constituição italianas). No
meu entender o artigo está muito mal escrito.

O artigo 4, que altera o artigo 11 da Lei de 1992, diz que:

“1. L'acquisizione della cittadinanza italiana, a qualsiasi titolo,


è subordinata alla rinuncia contestuale alla precedente
cittadinanza per tutti i cittadini stranieri non comunitari. 2. Il
cittadino straniero non comunitario che, dopo aver acquisito la

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cittadinanza italiana, acquista o riacquista, a qualsiasi titolo, una


cittadinanza straniera perde quella italiana».”

Traduzindo: 1- A aquisição da cidadania italiana, a qualquer título, é


subordinada à renúncia expressa à nacionalidade anterior, para todos
os cidadãos estrangeiros não comunitários. 2 – O cidadão estrangeiro
não comunitário que, depois de ter adquirido a cidadania italiana,
adquire ou readquire, a qualquer título, uma cidadania estrangeira,
perde aquela italiana.

Na essência, o legislador italiano tenta, com essa proposta, acabar


com a possibilidade de coexistência de duas cidadanias
simultaneamente. O duplo-cidadão não existiria para fins da legislação
italiana.

Essa disciplina merece quatro observações.

A primeira refere-se ao impacto que tal medida traria na aplicação do


direito internacional, nas leis e tratados internacionais aos quais a
Itália é signatária. Os impactos que essa medida traria sob o aspecto
fiscal e tributário, por exemplo, seriam imensos, na medida em que
poderiam haver situações onde a ocorrência da bitributação fosse um
caso concreto.

Supondo-se que algum regime tributário italiano seja fundado na


prerrogativa de cidadania da pessoa ao invés da residência do mesmo,
certamente já haveria hipótese de bitributação de rendas. Essa
hipótese surgiria na medida em que uma renda auferida pelo
“cidadão” italiano, não poderia ser compensada com os impostos
pagos em outro país, decorrentes do mesmo fato gerador, pois o
dispositivo proposto resulta por não reconhecer ao cidadão, outra
nacionalidade, furtando do mesmo a possibilidade de compensar (por
direitos de reciprocidade tributária) os impostos pagos em outros
países. É um pouco complexa esta matéria, merece um estudo bem
mais extenso e profundo, mas deixo aqui este registro para que o
leitor compreenda o impacto que essa proposta poderá causar nas
relações internacionais da Itália.

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A segunda observação que faço, me remete diretamente ao cerne das


soberanias entre os povos. Me transparece, através dessa proposta,
que o legislador italiano, desconhecendo a dinâmica que rege as
relações internacionais, vem propor uma disciplina que invade a
soberania dos outros povos. Não posso conceber que uma disposição
de lei italiana possa excluir a cidadania de um indivíduo, dada por
outra nação. É no mínimo uma pretensão descabida. Não conseguirá
o legislador, através de simples decretos legislativos, “decretar” que
um brasileiro não será mais “brasileiro” se o mesmo adquirir a
cidadania italiana. O máximo que a legislação italiana poderia dispor
seria sobre a própria cidadania, jamais querer alçar competência sobre
os direitos e garantias individuais pertencentes ao poder originário de
outras nações.
Os critérios para aquisição e manutenção da cidadania brasileira é de
competência exclusiva do povo brasileiro, representado por seus
legisladores e não do Parlamento Italiano. Essa disposição do
legislador italiano me envergonha um pouco, por demonstrar um
despreparo gigantesco do mesmo na gestão do interesse coletivo com
os instrumentos democráticos existentes para esse fim. Um curso de
“giurisprudenza” (curso de direito) como pré-requisito à função de
parlamentar, seria muito mais adequado aos legisladores, do que essa
medida proposta pelo ilustre parlamentar.

A terceira observação que faço, refere-se à violação do disposto na


Declaração Universal dos Direitos Humanos, conforme veremos mais
adiante.

A quarta observação que faço, é sobre a expressão “cidadão


estrangeiro não comunitário”. Esse cidadão, evidentemente não
nascido na União Européia, deixa dúvidas quando à sua extensão.
Veja-se por exemplo que, um cidadão brasileiro ítalo-descendente,
aspirante à cidadania italiana, até que sua cidadania seja reconhecida,
será um estrangeiro na Itália e será também um extracomunitário.
Estará ele sujeito a esta disciplina?

A questão pode ser polêmica e complexa, ao meu ver. A cidadania


italiana a ítalos-descendentes, em se tratando de cidadania
reconhecível com base no direito “ius sanguinis”, é uma cidadania

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adquirida por direito originário, afastando-a daquelas “concedidas” por


direito derivado. Nesse diapasão, o cidadão brasileiro já é também
cidadão italiano desde o nascimento, apenas o reconhecimento desse
seu “status” jurídico está em processamento. Até que esse “status”
jurídico de cidadão italiano “desde o nascimento” lhe seja
reconhecido, esse cidadão brasileiro será um estrangeiro. Uma vez
que sua cidadania seja reconhecida, ele não mais se enquadrará na
definição de “cidadão estrangeiro” pois será um cidadão italiano com
cidadania reconhecida “ius sanguinis” desde seu nascimento, embora
seja de nascimento extra-comunitário. Nessa linha de raciocínio,
faltaria a ele a qualidade “de estrangeiro”, para que o mesmo fosse
“qualificável” às restrições impostas pelo citado artigo.

Quanto à qualidade de extra-comunitário, a meu ver, o cidadão ítalo-


brasiliano, apesar de ter tido seu “nascimento” fora da comunidade, o
fato é que por ter sido reconhecido “italiano” (vale dizer, reconhecido
comunitário) desde o nascimento, escapa ao alcance da norma
também sob essa ótica. Até mesmo essa qualidade de extra-
comunitário, ao meu ver poderia ser debatida, vez que se esse
brasileiro foi reconhecido como italiano, e assim, considerando que a
Itália é um país membro da U.E., considerando que o tal brasileiro com
cidadania reconhecida passou a ser também um italiano,
conseqüentemente, um cidadão “comunitário”.

Esse artigo me faz crer com mais certeza, de que o legislador italiano
deveria, lá no artigo 2, ter deixado bem mais claro e definido os
conceitos de aquisição e de concessão de cidadania.

O artigo 7 merece também comentários. Diz ele que:

“1- I cittadini stranieri non comunitari che acquisiscono, a


qualsiasi titolo, la cittadinanza italiana la perdono se, entro un
anno dall'acquisto, non eleggono residenza stabile nel territorio
nazionale. 2-ter. Il cittadino italiano che non è tale per nascita
perde la cittadinanza acquisita a qualsiasi titolo se, per un
periodo superiore a due anni consecutivi, risiede all'estero e non
può esibire atti di proprietà, o contratti di affitto, o utenze, o

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conti correnti bancari o dichiarazioni dei redditi che attestino la


persistenza di suoi interessi economici nel territorio nazionale».

Traduzindo: 1 – Os cidadãos estrangeiros não comunitários que


adquiram, a qualquer título, a cidadania italiana a perdem se, dentro
de um ano da data de aquisição, não elegem residência estável no
território nacional. 2 – O cidadão italiano que não é tal por nascimento
perde a cidadania adquirida a qualquer título se, por um período
superior a dois anos consecutivos, reside no exterior e não pode exibir
prova de propriedade ou contrato de locação ou de usufruto, ou conta
corrente bancária ou declaração de rendas que atestem a persistência
dos seus interesses econômicos no território nacional.

O comentário que faço diante deste dispositivo é o mesmo que fiz no


dispositivo anterior, no que concerne á definição de “cidadão
estrangeiro” e de “estrangeiro não comunitário”.

Entretanto, o que me desperta curiosidade nessa disposição, é que


pela primeira vez o legislador fez a menção ao “cidadão italiano que
NÃO É TAL POR NASCIMENTO”, remetendo, a meu ver, ao cidadão
com cidadania decorrente também do “Ius sanguinis”.

Para piorar a situação, o legislador criou uma ficção jurídica de que os


cidadãos italianos são agora divididos e duas classes: O cidadão
nascido na Itália e o cidadão nascido fora da Itália, e para agravar seu
entendimento sobre direitos humanos, estabeleceu regras para perda
da nacionalidade apenas ao italiano nascido fora da Itália, em evidente
violação aos princípio básicos da Declaração Universal dos Direitos
Humanos e da Constituição Italiana, onde claramente é disciplinada a
questão das minorias e do repúdio à discriminação ou racismo de
qualquer ordem e ao princípio da igualdade.

A Constituição Italiana de 1948 reza:

"Art. 3.
Tutti i cittadini hanno pari dignità sociale e sono eguali davanti
alla legge, senza distinzione di sesso, di razza, di lingua, di
religione, di opinioni politiche, di condizioni personali e sociali."

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A Declaração Universal dos Direitos Humanos, abaixo transcrita


impõe:

Artigo 4º
1.Os Estados adotarão as medidas necessárias a fim de garantir
que as pessoas pertencentes a minorias possam exercer plena
e eficazmente todos os seus direitos humanos e liberdades
fundamentais sem discriminação alguma e em plena igualdade
perante a Lei.

Artigo 15.º
1. Todo o indivíduo tem direito a ter uma nacionalidade.
2. Ninguém pode ser arbitrariamente privado da sua
nacionalidade nem do direito de mudar de nacionalidade.

Uma imensa quantidade de disposições da Declaração Universal dos


Direitos Humanos foi violada com a proposta de lei apresentada, mas
não vou aqui ficar a comentar uma a uma. O que importa é dar ao
leitor uma idéia do quão polêmica e impensável é a aplicação das
propostas do PDL n.2006. Seguramente não conseguirá aprovação do
parlamento e se por razões políticas obtiver, terá vida curta diante dos
Tribunais Internacionais que apreciarão a matéria. Portanto, não se
preocupem.

Também a Constituição Italiana de 1948, lei maior do país disciplina e


garante os direitos invioláveis do homem, dita em seu artigo 2:

"Art. 2.
La Repubblica riconosce e garantisce i diritti inviolabili
dell’uomo, sia come singolo, sia nelle formazioni sociali ove si
svolge la sua personalità, e richiede l’adempimento dei doveri
inderogabili di solidarietà politica, economica e sociale."

A própria Constituição Italiana exige o respeito às normas de Direitos


Internacional:

"Art. 10.
L’ordinamento giuridico italiano si conforma alle norme del
diritto internazionale generalmente riconosciute. [...]"

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Não pode o ordenamento jurídico italiano, ao arrepio de sua própria


Constituição e da Declaração Universal dos Direitos Humanos, privar
um indivíduo de sua cidadania. Como já registrado anteriormente, o
fato de o Brasil conferir ao Brasileiro sua nacionalidade, não confere a
outro Estado, mesmo ao Italiano, o direito de privá-lo dela. A própria
privação da cidadania italiana fundada em motivos ilegítimos e não
legalmente previstos poderá ser objeto de ação perante a Corte
Européia e resultará certamente em ganho para o requerente e
vergonha para o Estado Italiano.

Por esses e outros motivos eu, particularmente, não acredito que esse
projeto de lei possa prosperar.

CONCLUSÃO SOBRE A CIDADANIA NA LEGISLAÇÃO ITALIANA

Certamente você observou que o ambiente jurídico italiano no que diz


respeito à cidadania italiana está sempre em movimento e é bastante
polêmico. Considerando essa observação, fica também difícil se
desenhar um cenário claro sobre como as coisas vão ficar, mas pelo
momento podemos dizer que as modalidades mais importantes de
aquisição da cidadania italiana, até o momento, são:

1) Nascimento;
2) Matrimômio;
3) Benefício de Lei;
4) Naturalização.

Em particular, se prevê que seja cidadão italiano o filho de pai ou mãe


cidadãos italianos, mesmo que nascidos no exterior, desde que seu
registro de nascimento venha a ser feito em registro civil (Anagrafe)
de uma cidade (Comune) italiana.

O “status” de cidadão italiano por nascimento (“ius sanguinis”) se


transmite de pais para filhos independentemente do fato de serem
nascidos em um país estrangeiro.

Assim sendo, mesmo o descendente de cidadão italiano nascido no

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exterior tem a faculdade de obter o reconhecimento de sua cidadania


italiana, desde que os seus ascendentes (progenitores, avós, bisavós,
trisavôs, etc...) não tenham jamais declarado renúncia à própria
cidadania italiana.

A CIDADANIA NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO

O ordenamento jurídico brasileiro, ao contrário do italiano, trata da


cidadania diretamente no texto constitucional, dando uma maior
rigidez ao processo de mudança de entendimentos sobre a matéria.

Qualquer mudança no entendimento constitucional sobre esse tema


exige que “quoruns” privilegiados sejam estabelecidos e solenidades
especiais sejam realizadas para, só após, serem alterados os
dispositivos constitucionais através das chamadas “Emendas” à
Constituição.

A primeira Constituição do Brasil, datada de 1824, já trazia em seu


texto a disciplina da cidadania. Isto demonstra o quanto a matéria já
era considerada relevante sob o aspecto do processo legislativo, o que
daria maiores seguranças jurídicas à sociedade.

Talvez essa visão fosse decorrente do próprio processo de


descobrimento, colonização e desenvolvimento do Brasil, o que não
ocorria na Itália.

As transformações sociais e políticas pelas quais o Brasil passava,


talvez fossem fortes impulsos à busca de uma maior segurança
jurídica para uma sociedade que era assolada por mudanças
repentinas provocadas pelos movimentos econômicos da revolução
industrial, movimentos abolicionistas, movimentos revolucionários,
mudanças das normas de propriedade da terra e direitos sobre o
comércio, enfim, uma época em que a instabilidade pela qual o
governo e a sociedade passavam, acabou por exigir, por clamar por
uma constituição que delineasse algumas vigas mestras nos direitos e
na legislação do país.

Nesse diapasão, entendo também porque a constituição imperial de

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1824 era uma constituição semi-rígida, posto que exigia algumas


formalidades especiais para poder ser modificada.

Já a Constituição Brasileira de 1988 é classificada como uma


constituição rígida devido justamente à maior exigência de
solenidades, formalidades, iniciativas, “quoruns” mínimos para poder
ser modificada.

REGRAS CONSTITUCIONAIS SOBRE A CIDADANIA NO BRASIL

Mas relativamente à cidadania, tal como a Itália, o Brasil adotou


mecanismos baseados tanto no “jus soli” quanto no “iuri sanguinis”
para reconhecimento de nacionalidade e conseqüentemente, de
cidadania.

Para nós, brasileiros, a aquisição da nacionalidade encontra seus


fundamentos no texto constitucional, mais atual e precisamente, no
artigo 12 da Constituição Federal de 1988.

Segundo essa norma, são considerados brasileiros originariamente:

a) Aos nascidos no Brasil, ainda que de pais estrangeiros,


desde que estes não estejam a serviço de seu país;

b) Aos nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou de


mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço
do Brasil;

c) Aos nascidos no estrangeiro de pai brasileiro ou de


mãe brasileira, desde que sejam registrados em
repartição brasileira competente ou venham a residir no
Brasil e optem, em qualquer tempo, depois de atingida a
maioridade, pela nacionalidade brasileira.

A QUESTÃO DO BRASILEIRO NATO “PROVISORIAMENTE”

A terceira situação acima descrita, seguramente é o maior consolo


para os não residentes no País e que venham a ter filhos nascidos no

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exterior. Representa propriamente o conceito do “ius sanguinis”


aplicado.

Foi introduzido com este texto através da Emenda Constitucional n.


54 de 2007, criando a figura do “Brasileiro Nato Provisoriamente”,
posto que, nas condições ali indicadas, depois de adquirida a
maioridade, esse brasileiro nato provisoriamente deverá optar pela
nacionalidade brasileira, sendo que neste caso, sua “nacionalidade
provisória” entraria em estado de suspensão até que essa opção fosse
exercida.

Assim sendo, restariam em suspenso todos os seus direitos civis e


políticos, até que fosse exercido o direito de opção ou não pela
nacionalidade brasileira.

É de se admirar a astúcia do legislador, posto que criou um direito


político a uma pessoa humana que não é considerada ainda um
cidadão, no entanto, tendo direitos de exercer o direito de ser cidadão.
É no mínimo
curioso.

A opção pela nacionalidade brasileira deve ser feita perante um juiz


federal, segundo disciplina o artigo 109, inciso X da Constituição
Federal, vez que compete a ele processar e julgar as causas referentes
à nacionalidade, inclusive a respectiva opção.

Entretanto existem duas a pré-condições alternativas para o exercício


desse direito de opção:

1) A de que o nascido no exterior venha a ser “registrado”


em repartição brasileira competente, ou;
2) Que venha a residir no Brasil para exercer o seu direito
de opção.

OUTRAS FORMAS DE AQUISIÇÃO DA NACIONALIDADE BRASILEIRA

Já a aquisição da nacionalidade brasileira por processo derivado, ou

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seja, de naturalização, é disciplinada pelo Artigo 12, II, da constituição


brasileira, que prevê a aquisição da nacionalidade brasileira:

a) aos que, na forma da lei, adquiram a nacionalidade


brasileira, exigidas aos originários de países de língua
portuguesa apenas residência por um ano ininterrupto e
idoneidade moral; e
b) os estrangeiros de qualquer nacionalidade residentes
no Brasil há mais de quinze anos ininterruptos e sem
condenação penal, desde que requeiram a nacionalidade
brasileira.

A cidadania por naturalização é também disciplinada por outros textos


infraconstitucionais, que impõem condições e formalidades ao
estrangeiro que tenha intenção de se tornar cidadão brasileiro. Dentre
eles, destaco o de ser residente permanentemente e ter idoneidade
moral.

A JURIDICIDADE DA DUPLA CIDADANIA DIANTE DA LEGISLAÇÃO


BRASILEIRA

A dúvida que paira no ar é se um cidadão brasileiro pode ou não


acumular a cidadania brasileira com a cidadania italiana.

A resposta é afirmativa. Já vimos no tópico do “Ordenamento Jurídico


Italiano”, que, diante da legislação italiana não existem óbices à
harmônica convivência de várias cidadanias por uma pessoa; Esse
entendimento é fundado na legislação atual e sem considerar o
polêmico PDL n. 2006 comentado em detalhes anteriormente.

Resta saber em qual dispositivo constitucional brasileiro


encontraremos a harmonização com a legislação italiana já
anteriormente descrita.

Hoje podemos considerar o ambiente jurídico brasileiro bastante


pacífico quanto à possibilidade de coexistência da cidadania brasileira
com a cidadania de outras nações, em alguns casos.

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Particularmente no que se refere à coexistência da cidadania brasileira


simultaneamente com a italiana, após a promulgação da Constituição
Brasileira em 1988, até o advento da Emenda Constitucional n.3, de
1994 (quase por cinco anos), o ambiente jurídico era muito turbulento
e negativo a esse entendimento, posto que o texto originário da
Constituição Federal de 1988 disciplinava a perda da nacionalidade
brasileira àquele que adquirisse outra nacionalidade por naturalização
voluntária.

Embora o processo de naturalização pudesse ser entendido como


aquisição derivada, de outra nacionalidade, o fato é que permitia
alguma margem de interpretação sobre o “interesse” exercido
“voluntariamente” para a obtenção da outra cidadania.

Com o advento da Emenda Constitucional n.3, se a matéria permitia


algum grau de discussão, decididamente tornou-se pacífica.

O atual texto constitucional, em seu artigo 12, parágrafo 4o. dispõe


sobre os casos de perda da nacionalidade brasileira àquele que:

1) tiver cancelada sua naturalização, por sentença


judicial, em virtude de atividade nociva ao interesse
nacional;
2) adquirir outra nacionalidade, salvo no casos:
a. de reconhecimento de nacionalidade
originária pela lei estrangeira;
b. de imposição de naturalização, pela
norma estrangeira, ao brasileiro residente
em estado estrangeiro, como condição para
permanência em seu território ou para o
exercício de direitos civis

Desta forma, o item “a” disciplina de forma muito clara a matéria,


quando diz que é uma ressalva à perda da cidadania brasileira, o
“reconhecimento de nacionalidade originária” pela lei estrangeira.

É exatamente aqui que a legislação pátria se harmoniza com a

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legislação italiana criando um laço e gerando um ambiente


juridicamente perfeito à coexistência das duas cidadanias, desde que
atendidos os pressupostos legais para o seu reconhecimento.

Isso se deve pelo fato de que a cidadania italiana fundamentada no


“jus sanguinis” é adquirida por modalidade originária e não derivada,
como é o caso de um simples pedido de naturalização.

Nesse diapasão, não só a legislação italiana prevê a possibilidade de


manutenção de mais de uma cidadania a um cidadão italiano, mas
também a legislação brasileira o prevê e de forma clara e pacífica.

É de se destacar também a interpretação dada pelo Ministério da


Justiça a esses dispositivos constitucionais, o que ocorreu através do
Despacho número 172 do Ministério da Justiça, de 4 de agosto de
1995, no qual se observa até mesmo uma interpretação extensiva
daquilo que foi disposto na alínea “b” do item “2” do parágrafo 4o. do
artigo 12 da Constituição.

A interpretação a ser dada a essa norma constitucional é a de que:

a) no caso de reconhecimento de nacionalidade originária pela lei


estrangeira: "não perde a nacionalidade o brasileiro que teve
reconhecida outra nacionalidade por Estado estrangeiro, quando a
mesma decorre do direito de sangue (jus sanguinis), sendo
originariamente adquirida. Aqui o simples vínculo sanguíneo é que faz
surgir a nacionalidade, independente do local de nascimento. É, v.g.,
o caso da Itália que reconhece aos descendentes de seus nacionais a
cidadania italiana. Muitos brasileiros descendentes de italianos vêm
obtendo aquela nacionalidade através do simples processo
administrativo. Nesta hipótese, não há aquisição derivada de
nacionalidade estrangeira, mas reconhecimento de nacionalidade
originária, independente de renúncia ou opção pela nacionalidade
anterior. Neste caso, não perderão a nacionalidade brasileira os que
se utilizarem de tal benefício";

b) no caso de imposição de naturalização, pela norma estrangeira, ao


brasileiro residente em estado estrangeiro, como condição para

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permanência em seu território ou para o exercício de direitos civis é


preservada "a nacionalidade brasileira daquele que, por motivos de
trabalho, acesso aos serviços públicos, fixação de residência, etc.,
praticamente se vê obrigado a adquirir a nacionalidade estrangeira,
mas que, na realidade, jamais teve a intenção ou a vontade de abdicar
da cidadania originária. ... A perda só deve ocorrer nos casos em que
a vontade do indivíduo é de efetivamente mudar de nacionalidade,
expressamente demonstrada." (g.n.)

Observe que o texto constitucional explicitou que a naturalização


“imposta pela norma estrangeira” seria uma exceção à perda da
nacionalidade brasileira. Entretanto, no despacho 172 do M.J. acima
transcrito, esse entendimento foi interpretado extensivamente, já que
considerou que aquele que se vê “praticamente obrigado” à
naturalização também não perde a nacionalidade brasileira.

Vale dizer que o Ministério da Justiça interpretou que aquela imposição


“formal ou legal” para a naturalização, possa ser entendida como uma
imposição de ordem prática, já que utilizou os termos “praticamente
obrigado”. Assim sendo, não exigindo que seja uma norma expressa,
bastando que a naturalização tenha sido feita para se viver com
praticidade, talvez devido à imposições de ordem econômica ou social
(o que de fato ocorre) conduzindo à aceitação de ser também um
motivo considerado como que uma exceção à perda da nacionalidade
brasileira.

Tenha em mente também que esta é uma interpretação pessoal


minha.

CONCLUSÃO SOBRE A CIDADANIA NA LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

Minhas convicções pessoais à respeito do direito à dupla cidadania me


conduzem à tranqüilidade interior de que a tutela jurídica da cidadania
tanto do Brasil quanto da Itália permitem a sua coexistência em forma
harmônica.

Assim sendo, vou concluir este capítulo fazendo citação a um texto


sobre essa matéria, que está publicado no site do Consulado Geral do

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Brasil em Milão, e que pode ser livremente acessado através do


seguinte link:

http://www.brasilemilano.it/br/consulares/nacionalidade.asp

Ele diz o seguinte:

“Não há qualquer restrição quanto à múltipla nacionalidade de


brasileiros que possuam nacionalidade originária estrangeira, em
virtude de nascimento (jus soli) ou de ascendência (jus sanguinis).

Isto significa que todo indivíduo que, no momento de seu nascimento,


já detinha direito a cidadania diferente da brasileira, reconhecida por
Estado estrangeiro, poderá mantê-la sem conflito com a legislação
brasileira.

Por conseguinte, a dupla nacionalidade não se aplica ao cidadão


brasileiro que adquire nacionalidade estrangeira, ao longo da vida, por
casamento ou imigração, entre outros motivos, com exceção feita aos
casos onde houver, pelo Estado estrangeiro, imposição de
naturalização, como condição para permanência em país estrangeiro
ou para o exercício de direitos civis.

Os cidadãos com dupla nacionalidade não devem jamais esquecer que


mantêm direitos e deveres em relação aos países que lhe concedem
nacionalidade (serviço militar, situação eleitoral, fiscal, etc). Ademais,
a dupla nacionalidade pode implicar limitações na reivindicação de
certos direitos, como nos casos de pedido de assistência consular
dentro de um país onde também é considerado como nacional. A título
de exemplo: um indivíduo com dupla cidadania, brasileira e italiana,
sempre que se encontrar dentro do território italiano será tratado,
pelas autoridades locais, exclusivamente como italiano, e nunca como
estrangeiro, ainda que apresente documentos brasileiros e alegue
essa condição.

Para efeitos de comprovação de nacionalidade brasileira perante as


autoridades consulares, exige-se a apresentação de certidão de
nascimento emitida no Brasil, ou por Repartição Consular Brasileira no

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exterior. Para estrangeiros naturalizados exigir-se-á o Certificado de


Naturalização. Este processo está sujeito a verificação e não exclui a
exigência de apresentação de documentos adicionais. A expedição ou
concessão de passaporte comum brasileiro sempre está sujeita à
comprovação de nacionalidade brasileira (apresentação de certidão
brasileira juntamente com outros documentos, tais como a cédula de
identidade brasileira).

A aquisição de outra nacionalidade pelo cidadão brasileiro, derivada


de casamento, não implica na perda da nacionalidade brasileira
(Convenção sobre a nacionalidade da mulher casada - Decreto n°
64.216, de 18/03/1969)

Cabe lembrar que a legislação sobre nacionalidade brasileira


determina que os interessados deverão solicitar a transcrição de
nascimento junto ao Cartório do 1° Ofício de Registro Civil da área em
que residirem no Brasil (devem, portanto, provar residência em
território brasileiro). Recomenda-se, portanto, prévia confirmação, por
parte de cada interessado, dos requisitos exigidos em cada Cartório
do 1° Ofício, conforme a área de residência no Brasil.”

Por fim, cabe breve comentário ao que foi mencionado no texto acima,
relativamente à cidadania italiana da mulher, adquirida com base no
casamento.

Não obstante esse direito seja exercido voluntariamente, creio


pessoalmente que não implica na perda da nacionalidade brasileira,
permitindo assim, também nesse caso, a coexistência da dupla
cidadania.

Essa segurança jurídica se funda na Convenção Sobre a Nacionalidade


da Mulher Casada – Decreto n. 64.216 de 18 de março de 1969, cujos
artigos que nos interessam, transcrevo a seguir:

“Decreto nº 64.216, de 18 de março de 1969

Promulga a Convenção sobre a Nacionalidade da Mulher Casada -


Aprovada pelo Decreto Legislativo nº 27,

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de 25/06/1968 - DOU de 28/06/1968.

Art. 1º - Os Estados contratantes convêm em que nem a celebração


nem a dissolução do casamento entre nacionais e estrangeiros, nem
a mudança de nacionalidade do marido durante o casamento, poderão
afetar "ipso facto" a nacionalidade da mulher.

Art. 2º - Os Estados contratantes convêm que nem a aquisição


voluntária por um de seus nacionais da nacionalidade de um outro
Estado, nem a renúncia à sua nacionalidade por um de seus nacionais,
impedirá a mulher do referido nacional de conservar sua
nacionalidade.

Art. 3º

1. Os Estados contratantes convêm em que uma


estrangeira casada com um de seus nacionais poderá
adquirir, a seu pedido, a nacionalidade de seu marido,
mediante processo especial privilegiado de naturalização,
a concessão da referida nacionalidade poderá ser
submetida às restrições que exigir o interesse da
segurança nacional ou da ordem pública.

2. Os Estados contratantes convêm em que não se


poderá interpretar a presente Convenção como afetando
qualquer lei ou regulamento, nem alguma prática
judiciária que permita a uma estrangeira casada com um
de seus nacionais, de adquirir, de pleno direito, a seu
pedido, a nacionalidade de seu marido.”

Considero pessoalmente que essa Convenção, por ter sido firmada nas
Nações Unidas, tem hierarquia superior à nossa Constituição, posto
que Tratados e Convenções Internacionais, como vimos, são fontes
primárias também do Direito Constitucional.

Assim sendo creio que não precisamos sequer analisá-la sob o aspecto
da receptividade ou não dessa Convenção, diante de nosso texto

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constitucional. Uma vez que o Brasil é signatário dessa Convenção,


devendo respeitá-la.

Por outro lado, alguns juristas defendem que o direito de “não perda
da nacionalidade originária” quando do exercício do direito de
obtenção da nacionalidade do cônjuge pela mulher, se aplique
também aos homens, com base no princípio da igualdade disciplinado
por nossa Constituição em seu artigo 5o. que inicia seu “caput” com
o preceito de que:

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,


garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança
e à propriedade”

Não posso deixar de registrar também, que outros juristas tem


entendimentos opostos a estes, acreditando e defendendo que uma
opção assim efetuada pela mulher, resultaria na perda de sua
nacionalidade brasileira.

Ficam aqui esses registros, para aqueles que eventualmente se


encontrarem em situação de dúvida ou de problemas jurídicos
decorrentes do exercício de opção pela aquisição da cidadania da
esposa.

Ao menos a matéria poderá inflamar boas discussões na esfera


judiciária, o que por si só já justifica ter o seu conhecimento,
demonstrando boas chances de defesa caso se constate a
necessidade.

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CAPÍTULO II

INTRODUÇÃO ÀS PRÁTICAS E PROCEDIMENTOS NO BRASIL

Já vimos nos capítulos anteriores muitas coisas sobre a cidadania,


desde as razões que motivam o seu desejo pela sua cidadania, até os
fundamentos jurídicos que sustentam o esse direito.

Agora, veremos passo a passo como iniciar esse processo, a quais


procedimentos nos submeteremos e quais documentos deveremos
apresentar. Neste capítulo, apresento tudo o que conheço e que pode
ou deve ser feito a partir do Brasil.

É importante, entretanto, esclarecer que em se tratando de pedido de


reconhecimento de cidadania italiana, muitas vezes observei
procedimentos e tratamentos diferenciados por parte das diversas
Repartições Consulares Italianas existentes no Brasil. Ora observei
procedimentos complicadores, ora procedimentos simplificadores, em
situações exatamente iguais ou análogas.

Isso demonstra o quanto esse procedimento ainda não está com todas
as suas práticas devidamente mapeadas e padronizadas, resultando
em constantes modificações.

Ultimamente, no entanto, começo a observar uma certa uniformização

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de procedimentos entre as diversas Representações Diplomáticas


Italianas presentes no Brasil, ao menos no ambiente ainda de
divulgação. Infelizmente essa padronização vem sendo efetuada no
mais acentuado rigor burocrático do que a favor da desburocratização,
mas os motivos justificam isso, conforme já comentamos nos capítulos
iniciais deste livro.

Então, é IMPORTANTE que o aspirante à cidadania, se utilize deste


livro para entender um pouco mais profundamente sobre o
processamento desse pleito, mas é FUNDAMENTAL que se oriente
também diante da Representação Diplomática de sua jurisdição, para
ter certeza de que tudo o que aqui descrevo, deve ser juntado ao seu
processo, ou se algo pode ser dispensado OU DEVE SER
ACRESCENTADO.

Por outro lado, essa consulta também servirá para se atualizar, diante
do que aqui exponho, certificando que não exista alguma outra
burocracia ou documento aqui não mencionado e que eventualmente
possa ser exigido para o processamento do pedido para o seu caso
específico.

Resumindo, embora tenha toda a boa vontade e tenha feito bons,


vastos e profundos estudos para compor esta obra, não posso garantir
que esteja completa e atualizada para o seu caso específico, nem
mesmo que possa ser capaz de gerar, no seu caso, o direito ao
reconhecimento da sua cidadania italiana.

O ambiente jurídico nesse tema muda constantemente, o que obriga


o candidato a desenvolver um interesse genuíno pelo tema, de forma
a naturalmente estar atento às modificações eventualmente
introduzidas nesse processo, bem como se tornar também um
interessado por pesquisas profundas nessa área.

Por isso tudo, vou sugerir sempre o máximo rigor na preparação do


seu processo, aliás recomendo rigor sempre.

Posso, contudo, testemunhar o quanto um processo bem elaborado,

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bem preparado, tem chances de levar ao sucesso na obtenção do


reconhecimento desse direito.

Por outro lado, também posso testemunhar o contrário, inúmeros


processos de grandes amigos meus, que não foram bem sucedidos só
pelo fato de não terem compreendido a fundamental importância de
"bem" instruir a documentação. Aquele que se previne, normalmente
chega lá. Os outros só se a sorte ajudar.

TESTEMUNHO PESSOAL – A IMPORTÂNCIA DE UMA BOA INSTRUÇÃO


PROCESSUAL

Para escrever este livro, fiz várias pesquisas e busquei o máximo de


informações atualizadas para os nossos dias. Dentre essas pesquisas,
algumas eu disparei por e-mail, e um dos entrevistados foi justamente
o cidadão exemplar que foi o responsável pela análise de meu próprio
processo de reconhecimento da cidadania italiana.

Já faziam alguns anos que minha cidadania tinha sido reconhecida,


mas questionei sobre alguns pontos da legislação atual, que não eram
vigentes quando fiz a minha. Na resposta ao e-mail esse servidor me
explicou com clareza, aliás como sempre o fez, e com muita dignidade
e respeito também. Mas quando entrou na parte da documentação
propriamente dita, ao invés de me informar como deveria ser
apresentada, ele me escreve o seguinte:

... “ottenuta la residenza si inizia l'iter della pratica con la


presentazione della domanda e dei documenti opportunamente
tradotti e legalizzati (ma questo già lo sai meglio di me dal
momento che quanto hai presentato per la tua pratica era il
meglio della documentazione che abbia mai visto!)

Traduzindo em outras palavras: ...”a documentação que foi


apresentada no meu processo foi a melhor documentação jamais vista
por ele”...

E lembre-se, eu apresentei documentos de 05 (cinco) gerações, e

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ainda com todos os atropelos de nomes errados que já falei na


introdução deste livro. Ainda assim, minha documentação era perfeita.

Então se esmere o máximo possível para fazer bem feito aquilo que
deve ser feito.

A ORGANIZAÇÃO DE SEUS PROCEDIMENTOS

Para iniciar a organização da instrução do seu processo, passaremos


obrigatoriamente pelo planejamento estratégico de suas ações.

Essencialmente devemos considerar que para fazer um bom


planejamento, devermos ter um profundo conhecimento daquilo ao
que nos propomos planejar, não é mesmo? Assim sendo, nada mais
lógico do que conhecer bem a história da sua família italiana, já que
seu direito sanguíneo vem justamente dela.

Para isso, inicio sugerindo que você construa uma espetacular árvore
genealógica da sua família.

A IMPORTÂNCIA DE UMA ÁRVORE GENEALÓGICA

Uma árvore genealógica tem esse nome pelo fato de se assemelhar


aos ramos de uma árvore. Trata-se de um instrumento muito útil para
a compreensão do histórico de uma família. É uma representação
gráfica e visual que permite uma rápida compreensão do conjunto
formado pelos membros da família.

Uma árvore genealógica, em tese, poderia fazer a representação


quase que infinita, dos ancestrais de uma determinada pessoa, mas
por razões de ordem prática, quase sempre relacionados à falta de
documentação formal e histórica, há uma limitação na construção
desse modelo em padrões infinitos.

Em se tratando de uma árvore genealógica para busca de cidadania


italiana, devemos e considerar o primeiro cidadão italiano (oriunde),
que transmite a cidadania ao interessado, como o ancestral mais
longínquo da árvore genealógica a ser identificado. O candidato

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deverá chegar a identificar com clareza, precisão e documentação,


esse primeiro ancestral italiano (oriunde) que emigrou da Itália com
destino ao Brasil. Ancestrais anteriores a esse são desnecessários já
que a herança da cidadania é transmitida somente e à partir desse.

Pelo que pude constatar, os antecedentes máximos que estão tendo


suas documentação encontradas na Itália não tem seus respectivos
nascimentos anteriores aos idos anos de 1.840. Se seu caso exige uma
volta ao passado anterior a essa época, creio particularmente que será
bastante difícil de encontrar alguma documentação que possa ajudá-
lo em sua reivindicação. Mas como dizem: “A esperança é a última que
morre!”, então não desista, tente!

Podem ocorrer processos, entretanto, no qual o ancestral italiano não


tenha nascido na Itália, mas tenha sido contemplado com o título de
cidadão italiano por outro motivo. Vimos algumas dessas situações no
capítulo anterior (estrangeiro que prestou serviço militar, posse em
cargo público, residência na Itália por um determinado período mínimo
de tempo, pessoas regularmente adotadas, apátridas, cidadãos do
antigo império Austro-Húngaro, etc...). Nestes casos, o desenho da
árvore genealógica deve chegar até esse (ou partir desse) ancestral,
pois não haverá ancestral anterior a este que tenha sido cidadão
italiano.

Considerando que o modelo de uma árvore genealógica é um enorme


facilitador no processo de entendimento das origens de uma pessoa,
sugiro e recomendo que o candidato à solicitação de reconhecimento
de cidadania, identifique e desenvolva sua própria árvore genealógica
como o passo inicial e fundamental à identificação e busca de
documentos que necessariamente deverão estar presentes no
processo. Assim sendo, um dos primeiros passos a serem seguidos
neste pleito de cidadania, é o de entender a árvore genealógica da
sua própria família.

Para esse fim, o candidato poderá desenhar de próprio punho essa


sua árvore genealógica, ou se valer de softwares ou de sites na
internet que possam ajudá-lo nesse desenho. O uso de uma grande
prancha de isopor com papeizinhos e alfinetes poderia também ajudar

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bastante na modelagem desse algoritmo que é a sua árvore


genealógica.

Outro instrumento que constatei ser bastante útil, prático e eficaz, é


o de construção de árvores genealógica disponibilizado pelo site
http://www.meusparentes.com.br/

Trata-se de um instrumento gratuito e bastante abrangente e


dinâmico, que pode facilitar muito a sua vida nessa etapa do processo.
Por exemplo, se, depois de bem adiantado o desenho de sua árvore
genealógica, surge uma nova informação, proveniente de algum
documento ou parente essa informação poderá ser inserida, mesmo
que a estrutura de sua árvore genealógica já esteja concluída.

Você poderá incluir, alterar e excluir pessoas dessa árvore genealógica,


alterar nomes, origens, datas, estado civil, e isso tudo, sem nenhum
custo. Basta apenas registrar-se no site para poder utilizar dessa
ferramenta.

Para aqueles que não tem acesso à internet e não queiram fazer uso
de um algoritmo móvel com uma prancha de isopor, resta a
possibilidade de desenhar sua própria árvore genealógica no papel
também. Sugiro, neste caso, se seja utilizada uma folha grande de
cartolina, e que essa árvore seja desenhada à lápis, permitindo assim
sua alteração e atualização com facilidade.

É muito importante também, aproveitar desse momento de


construção da sua árvore genealógica, para iniciar também a
organização de alguns dados que serão muito úteis quando da busca
de documentos.

Assim sendo, sugiro que além de incluir o nome da pessoa na árvore


genealógica, sejam também incluídas algumas informações que serão
vitais para o planejamento e para o seu processo, tais como seus
dados de nascimento, casamento e óbito:

A COLETA DE DADOS DE NASCIMENTO, CASAMENTO E ÓBITO

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Tendo em vista facilitar a visão estruturada dessas informações, vou


listar abaixo algumas informações as quais eu julgo pertinentes e que
devem ser identificadas e coletadas para uso em momento oportuno.

1) NASCIMENTO

1.1) Data de Nascimento;


1.2) Cidade de Nascimento;
1.3) Estado de Nascimento;
1.4) País de Nascimento;
1.5) Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja, etc...) onde foi
feito o registro do nascimento;
1.6) Endereço desse Órgão de Registro Público (Cartório,
Igreja, etc...) onde foi feito o registro do nascimento;
1.7) Telefone desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do nascimento;
1.8) Fax desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do nascimento;
1.9) Email desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do nascimento;

2) CASAMENTO

2.1) Data de Casamento;


2.2) Cidade de Casamento;
2.3) Estado de Casamento;
2.4) País de Casamento;
2.5) Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja, etc...) onde foi
feito o registro do casamento;
2.6) Endereço desse Órgão de Registro Público (Cartório,
Igreja, etc...) onde foi feito o registro do casamento;
2.7) Telefone desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do casamento;
2.8) Fax desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do casamento;

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2.9) Email desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,


etc...) onde foi feito o registro do casamento;

3) ÓBITO (Eventualmente ocorrido)

3.1) Data de Óbito;


3.2) Cidade de Óbito;
3.3) Estado de Óbito;
3.4) País de Óbito;
3.5) Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja, etc...) onde foi
feito o registro do óbito;
3.6) Endereço desse Órgão de Registro Público (Cartório,
Igreja, etc...) onde foi feito o registro do óbito;
3.7) Telefone desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do óbito;
3.8) Fax desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do óbito;
3.9) Email desse Órgão de Registro Público (Cartório, Igreja,
etc...) onde foi feito o registro do óbito;

4) VARIAÇÕES DE NOMES E SOBRENOMES:

4.1) Nome do Ancestral;


4.1.1) Outra Possível Variação no Nome do Ancestral;
4.1.2) Outra Possível Variação no Nome do Ancestral;
4.1.3) ... etc...
4.2) Sobrenome do Ancestral;
4.2.1) Outra Possível Variação no Sobrenome do
Ancestral;
4.2.2) Outra Possível Variação no Sobrenome do
Ancestral;
4.2.3) ... etc...

5) SEPARAÇÕES JUDICIAIS OU DIVÓRCIOS:

5.1) Data da Separação Judicial;

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5.2) Data do Divórcio, se ocorrido;


5.3) Data da Sentença de Conversão da Separação Judicial em
Divórcio;
5.4) Data do Trânsito em Julgado da Sentença do Divórcio;
5.5) Vara ou Juízo no Qual se Processou o Divórcio;
5.6) Número do Processo de Separação e Divórcio;
5.7) Cidade do Foro em que correu o divórcio;
5.8) Estado do Foro em que correu o divórcio;
5.9) Telefone do Foro em que correu o divórcio;
5.10) Fax do Foro em que correu o divórcio;
5.11) Email do Foro em que correu o divórcio.

Essas informações deverão ser obtidas relativamente a cada pessoa


que integrar a árvore genealógica do aspirante à cidadania italiana. Se
for o seu caso, inclusive de você, esses documentos deverão ser
obtidos.

DIVERGÊNCIA DE ENTENDIMENTOS QUANTO AOS DOCUMENTOS

Uma observação importante que faço de novo, é que constatei


tratamentos diversos não somente entre as Repartições Diplomáticas
Italianas no Brasil, mas também nos órgão públicos italianos na Itália,
relativamente a essa documentação.

Enquanto alguns divulgavam exigirem apenas os documentos da


“linha” italiana da árvore genealógica, outros divulgavam exigir
também a documentação relativa ao respectivo cônjuge dessa pessoa.

Assim, por exemplo, se o seu pai é o filho do cidadão italiano, para a


primeira corrente de Repartições Consulares, apenas os documentos
do seu pai e do seu avô deveriam ser juntados ao processo, ou seja,
suas respectivas certidões de nascimento e casamento ou óbito, mas
não seria necessário a juntada da certidão de nascimento da mãe nem
da avó.

Para a segunda corrente de Repartições Consulares, já era exigido,


além dos tais documentos, deveriam também ser juntados os de

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nascimento da mãe e da avó, além de certidões de óbito caso tivesse


ocorrido.

Para escapar de riscos, recomendo que seja seguido o modelo desta


segunda corrente, ou seja, quando encontramos um casal na árvore
genealógica, seria muito importante coletar esses documentos de
nascimento, casamento e óbito, de ambos os cônjuges.

Essa medida pode complicar um pouco a instrução do seu processo,


pode também encarecê-lo e retardá-lo um pouco também, mas se
você tiver esses documentos em mãos, poderá se despreocupar com
o juízo de avaliação que o “operador” do seu caso vai fazer. Enfim,
essa medida é bem preventiva, mas não é desperdício simplesmente
por poder potencializar mais as suas chances de sucesso nesse pleito.

EVENTOS DA VIDA CIVIL OCORRIDOS NA ITÁLIA

Caso o nascimento, casamento, óbito ou divórcio tenha se processado


na Itália, ainda assim esses documentos deverão ser obtidos. Somente
as etapas de tradução e legalização dos mesmos (que veremos neste
capítulo ainda) é que serão dispensadas, resultando em boa economia
processual.

OS BONS MOTIVOS PARA UM BOM PLANEJAMENTO

Existe um princípio natural no marketing: “Ninguém vende o que não


conhece”. Partindo desse princípio, e considerando a história
genealógica de nossa família como um produto a ser ofertado
(vendido), passa a ser essencial que tenhamos o pleno conhecimento
desse produto para que possamos ofertá-lo com a segurança que o
caso requer. Neste sentido, quanto mais conhecermos nossa história
mais segurança transpareceremos quando dela falarmos. O candidato
ao reconhecimento de sua cidadania italiana deve conhecer de trás
pra frente e de frente pra trás a sua história. Deve conhecer a história
de sua família tal como conhece a palma de sua mão. Deve transpirar
conhecimento e sabedoria. Assim sendo, pode parecer um
planejamento excessivo mas registrar todas essas informações é vital.
Acreditem em mim, isso será muito útil por vários motivos.

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a) O primeiro deles, é que nessa pequena análise muitas informações


sobre seus “oriundi” serão desvendadas, informações tais que sem
esse instrumento, não seriam observadas e registradas;

b) Esses registros o ajudarão a colocar em ordem as idéias e melhor


gerir a busca e o recebimento de dados. Sem esse instrumento, a
busca será muito desorientada e o recebimento muito desorganizado,
causando muitas vezes uma enorme confusão sobre quem é quem
nessa sua árvore genealógica;

c) Também esse instrumento servirá de planejamento para o


detalhamento das buscas, pois uma vez criado, ele ajudará o
candidato a não se perder e não esquecer de buscar alguma
informação ou documento que seja vital para o processo;

d) Por fim, mas não exaurindo as vantagens desse método, está o


benefício que o mesmo proporciona ao candidato, no sentido de
ajudar a incorporar em sua mente a estrutura formal de sua árvore
genealógica, e isto será muito útil para a defesa de seus interesses
perante o Governo Italiano, com a energia de quem realmente
conhece do seu produto.

A APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS COMPLEMENTARES

Essa observação é levada em conta, considerando que este "script" de


cidadania trata daquilo que é padrão, porém o Governo Italiano
poderá solicitar outros ou novos documentos que eventualmente
entenda necessários para a conclusão da análise de mérito jurídico do
seu pleito à cidadania italiana.

Então, nada mais razoável do que conhecer profundamente sua árvore


genealógica, quem é quem em sua família e a história de seus
ancestrais. Junte-se a isso a necessidade também de conhecer as
possíveis variações de nome e sobrenome que seus ancestrais tenham
tido, bem como dos motivos que justificam essa eventual variação de
nomes ou sobrenomes (também abordaremos de novo, em detalhes,
este assunto ainda neste capítulo).

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CERTIDÃO DA PARÓQUIA AO INVÉS DA CERTIDÃO DE NASCIMENTO

Relativamente à certidão de nascimento ou casamento, caso um


ascendente (ou mais ascendentes) tenha nascido no Brasil antes de
01/01/1889, poderá ser apresentada a relativa certidão da Paróquia.
A mesma poderá ser apresentada também quando se tratar de
casamento anterior a 21/05/1890. A partir destas datas serão aceitas
somente as certidões emitidas em cartório.

Essas informações são importantes, pois se houver necessidade de se


provocar o poder jurisdicional para obtenção de uma documentação
formal, as certidões das Paróquias poderão ser utilizadas, se for o
caso, para solicitar ao competente Juiz a “reinstauração” do
documento faltante nos Cartórios ou a transcrição do casamento
religioso.

TRATAMENTO DOS DOCUMENTOS PÚBLICOS GERADOS FORA DA


ITÁLIA

Para compreender bem este capítulo e os que vêm a seguir, é


importante esclarecer sobre alguns procedimentos da administração
pública italiana, quando em relação à documentos públicos e privados
gerados fora da Itália. Veremos a seguir como deve ser tratada a
diversidade de idioma.

A QUESTÃO DA TRADUÇÃO JURAMENTADA

Temos ordenamentos jurídicos de dois países envolvidos nesse


processo de reconhecimento da cidadania. Considerando que cada um
desses países tem idioma diferente do outro, isso implica na
obrigatoriedade de processar a tradução de todos os documentos que
são gerados em português, para o italiano.

Entretanto, considerando a simples possibilidade de geração de


documentos com tradução que não corresponda à realidade,
normalmente essas traduções são exigidas através de "tradutores
juramentados", os quais gozam de um tipo de fé pública que qualifica

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o texto por eles traduzidos, como textos com uma veracidade maior,
ou seja, presunção de certeza. Isto em Direito se chama “Presunção
Juris Tantum”, ou seja, admite prova em contrário, mas enquanto uma
prova contrária não é apresentada, o documento goza de presunção
de certeza.

Relativamente à prova em contrário, compete a quem tiver interesse


em discutir o mérito da validade da tradução apresentada. Esses
tradutores profissionais são normalmente registrados nas Juntas
Comerciais, Fóruns ou Tribunais de Justiça, dependendo da região ou
do Estado ao qual pertençam.

Ocorre, entretanto, que algumas Representações Consulares


(Curitiba-PR, por exemplo, e agora seguida de outros Consulados),
exigem que a tradução seja feita por Tradutor Juramentado
“habilitado” pelo Consulado.

Isso criou uma nova figura no ambiente jurídico. A do Tradutor


Juramentado Habilitado. Essa medida me faz crer que existe agora
uma categoria de Tradutor Juramentado que NÃO É HABILITADO e
outra de Tradutor Juramentado que É HABILITADO. É estranho e um
pouco difícil de entender, mas é assim mesmo, um Tradutor
Juramentado que NÃO é habilitado perante o Consulado para traduzir
não poderá traduzir.

Antigamente eu pensava que não entendia os italianos e lembrava das


estórias em quadrinhos do Asterix e do Obelix dizendo... "esses
Romanos são uns neuróticos"... Como tenho uma parte da genética
italiana, já que sou cidadão italiano também, e então ainda me restava
o consolo de ser também um cidadão brasileiro. Com o passar dos
anos eu deixei de pensar isso. Diante de tantas fraudes que são
cometidas para a busca do reconhecimento à cidadania italiana, diante
da responsabilidade que é esse ato de reconhecimento de cidadania
para um estranho ao nosso meio, passei a considerar que toda essa
exigência tinha como fulcro dar um pouco mais de segurança jurídica
a todos os profissionais envolvidos no processo. A seqüência dessa
compreensão que é que me desarmei para enfrentar a burocracia, e
passei a utilizá-la a meu favor.

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Retornando aos tradutores. Na ausência desses profissionais no


mercado se serviços locais, (ocorre normalmente no interior do Brasil)
vi situações onde pessoas com notório saber técnico do idioma serem
nomeados por Juízes para poderem exercer essa função e um ou outro
caso, ou mesmo, permanentemente na Vara Judiciária para a qual
foram nomeados. Alguns desses profissionais seguramente são
bastante capacitados, e a maior parte deles são escolhidos entre
pessoas de origem italiana ou vinculadas a escolas de idioma ou tendo
o idioma italiano como um idioma nativo (língua-madre). Até mesmo
os Vice Consulados Honorários do Interior do Brasil detinham poderes
para proceder a uma tradução juramentada. Hoje não mais.

Mas não é difícil encontrar esses profissionais hoje em dia, aliás, é


muito fácil. Pequenas buscas na internet seguramente vão lhe
proporcionar uma infinidade de contatos com tradutores
juramentados, alguns que funcionam até mesmo em regime de
plantão e 24 horas por dia nos 365 dias do ano. Assim sendo, não se
preocupe com essa formalidade, pois será simples de resolvê-la.

O CUSTO DA TRADUÇÃO JURAMENTADA

Esses profissionais trabalham cobrando pelos serviços, e isso já é


outra conversa. Embora se possa tentar administrar a negociação de
preços, normalmente esses profissionais trabalham baseados em uma
tabela da própria categoria. Essas tabelas de preços variam um pouco
de região para região ou de Estado para Estado, e obviamente
também podem oscilar de profissional para profissional.

Uma coisa que pode ser útil na escolha do profissional, é o método de


cobrança que eventualmente adote. É bastante difuso no mercado a
cobrança em base à "lauda", que nada mais é do que a página. Porém,
já vi negociações baseadas no volume de documentos serem bastante
vantajosas.

Uma boa dica para aqueles que conseguirem, é a de tentar escapar


dos profissionais que cobram por "caractere", ou seja, por letra, ponto,
virgula e espaço, no texto a ser traduzido, pois isso normalmente torna

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a tradução relativamente mais cara. Alguns tradutores utilizam o


método de cobrar por "lauda" de "x" caracteres, o que pode ao menos
permitir ao interessado a avaliação previa do custo da tradução de
todos seus documentos, se os tiver em meio digitalizado, facultando
assim a contagem dos caracteres.

Por fim, é importante ter em mente que os preços das traduções


juramentadas, nesta data em que escrevo (março/2010) está à partir
de R$ 25,00 (vinte e cinco reais) a lauda de 1.000 caracteres, ou 164
palavras ou 25 linhas. Basta fazer uma pequena busca na internet,
mas a que acabei de fazer e encontrar esse preço no site do Buscapé
http://compare.buscape.com.br

ADVERTÊNCIA SOBRE CITAÇÕES PROFISSIONAIS OU COMERCIAIS

Gostaria de relembrar aqui o que já disse na introdução deste livro.


Qualquer citação a empresa ou fornecedor tem o propósito exclusivo
de auxiliar o leitor a iniciar suas buscas. Eu não tenho qualquer vínculo
com as empresas ou sites aos quais eventualmente vou fazer uma
referência, e também não posso assegurar a veracidade ou a
qualidade do conteúdo eventualmente inserido nesses sites ou
idoneidade das pessoas ou dos serviços oferecidos por esses
fornecedores.

Tudo isso, pelo simples fato de que não me utilizei deles, apenas
menciono, entretanto sem indicá-los, com o propósito de auxiliar o
candidato que esteja se valendo deste livro para colocar em prática
seu sonho de pleitear a cidadania italiana, a iniciar os procedimentos
que sejam necessários.

Por fim, isto significa que cada documento, cada certidão de


nascimento, casamento ou óbito, deve ser traduzida para o italiano, e
isso deve ser feito através desses profissionais juramentados.

Mas não bastará a tradução juramentada. Todos os documentos


deverão ainda seguir outras formalidades. Uma delas é a questão da
validade dos documentos no tempo.

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A VIDA ÚTIL DOS DOCUMENTOS

Uma atenção especial deve ser dada à questão do "tempo de vida útil"
de um documento público como as certidões de nascimento,
casamento ou óbito. Em geral, elas não vêm com um prazo de
decadência expresso, aliás, porque normalmente diante da legislação
brasileira, elas não perdem mesmo a validade. Assim sendo, tem
validade por um período em aberto.

Entretanto, em se tratando de relacionamento internacional com a


Itália, isso não é visto dessa forma. É até uma questão de cultura
italiana, aliás, o que considero realmente bem melhor do que no Brasil,
é que os documentos italianos sempre têm um prazo de validade.

Assim, até mesmo uma simples Carteira de Identidade, tem sua


validade não superior a 10 (dez) anos. Veremos no último capítulo, no
tema “Carta D’Identitá” que esse documento tinha validade somente
de 05 (cinco) anos, mas recentemente isso foi mudado, em
decorrência do Decreto Lei n. 112 de 25 de junho de 2008.

Isso se dá por um motivo bem simples. O mundo muda, e nós


também. Mudamos nosso rosto, mudamos nosso peso, mudamos
nosso cabelo, mudamos nossa expressão, mudamos nossa caligrafia,
mudamos nossa voz, nossa pele e assim por diante, sem contar as
mudanças que o próprio tempo nos impõe. Então, para evitar aquela
situação, tão comum no Brasil, de uma pessoa se apresentar aos 30
(trinta) anos de idade com carteira de identidade emitida quando
ainda era analfabeto, a Itália colocou essa regra de prazo de validade
em seus documentos. Uma carteira de identidade vale por 10 (dez)
anos. Depois disso, o cidadão tem de renová-la, pois ela não vale mais.

Uma vez explicado esse aspecto cultural, devemos considerar que isso
também irradia efeitos no processo de reconhecimento da cidadania
italiana. Essa situação se nota, quando se observa que, para efeito
desse processo, toda e qualquer certidão de registro civil (nascimento,
casamento e óbito) deverá ter sido emitida "no máximo" há 01 (um)
ano.

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A IMPORTÂNCIA DO CORRETO MAPEAMENTO DE INFORMAÇÕES

Considerando, entretanto, que um prazo assim tão exíguo resulta


muitas vezes em perda da validade do documento antes mesmo de se
dar a entrada no processo, recomendo neste meu livro que se faça
primeiro um grande apanhado de informações sobre os documentos
que deverão ser emitidos para, só depois, havendo todas as
informações nas mãos, serem feitas as solicitações de emissão dos
mesmos. Essa medida visa estabelecer um rigor na gestão temporal e
financeira e do andamento desse processo.

Para isso, cada Cartório, cada Juízo, cada Igreja, cada Cúria, cada
Museu, cada Tabelião, cada Cemitério, etc... deverá ser prévia,
organizada e inteiramente mapeado antes de se solicitar a emissão de
qualquer documento. Para isso, vou sugerir a utilização de uma
simples planilha, que inclusive anexo a este livro com o nome de
“ACOMPANHAMENTO”, para servir de auxilio ao interessado em
organizar esse processo de busca de documentos. Você poderá ainda
aperfeiçoar essa planilha, inserindo outras informações que acredite
que possam ser úteis. Aqui eu a apresento como um exemplo, mas o
que importa é ter a gestão organizada das informações, seja através
de uma planilha como essa, seja através de qualquer outro meio ou
ferramenta com o qual você se sinta mais familiarizado.

Uma vez que integralmente em mãos as informações sobre onde obter


as Certidões de Nascimento, Casamento e Óbito bem como as
Certidões de Batismo e outros documentos comprobatórios de
parentesco, somente então é que devem ser solicitadas as respectivas
emissões.

Também deve ser organizado esse processo, quase que deixando em


"stand by" o Tradutor Juramentado, em modo a agilizar o
procedimento da tradução, não expondo a preciosa validade temporal
do documento, à perda de tempo natural em negociações com
tradutores.

Assim sendo, seria muito útil, e às vezes vital para o sucesso do pleito,

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que o tradutor já esteja contratado ou pré-contratado antes de se ter


toda a documentação em mãos, com isso, agilização do processo será
muito maior principalmente considerando que os tradutores, em geral
sempre estão bastante empenhados e não sendo raro ouvir a recusa
para pegar a sua tradução, em razão da quantidade de trabalho que
os mesmos vêm tendo. Assim sendo, muita atenção a esta etapa e a
este conselho.

Outra coisa fundamental é a questão da extensão e profundidade das


informações contidas em um documento. Veremos isto a seguir.

O TIPO DE DOCUMENTO PÚBLICO QUANTO À EXTENSÃO DO


CONTEÚDO

Considerando que os documentos públicos, por praxe, são emitidos


em modelos resumidos ou integrais, é muito importante ao
interessado deixar claro que, para fins desse processo, os documentos
resumidos (chamados "Breves Relatos") normalmente não são
aceitos. Devem ser solicitados sempre documentos integrais
(chamados "Inteiro Teor").

Isso se deve pelo fato de que um documento resumido poderá omitir


uma informação que seja importante, ora a favor, ora contra o
interesse do candidato. No caso da cidadania, seguramente o que o
Governo Italiano busca, é evitar conceder a cidadania a quem não
tenha o direito a ela, e assim sendo, acaba por exigir o documento de
Inteiro Teor, para garantir a máxima transparência de informações a
quem irá decidir o mérito do direito no processo.

Podemos deduzir disso tudo que, quem tem a cidadania nas mãos,
passou por uns bons filtros, o que lhe garante também que sua
cidadania é "quase" que indiscutível. Digo quase, porque não creio
que fraudes não possam existir ou ter tido existência no passado.

Assim sendo, INTEIRO TEOR, é o nome do jogo. Não se esqueçam:


INTEIRO TEOR.

A NECESSIDADE DO RECONHECIMENTO DE FIRMAS

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Devemos fazer aqui uma distinção da hierarquia das firmas em


documentos com os quais trabalharemos.

Devemos considerar a existência possível das seguintes firmas:

a) De um cidadão comum ou de um funcionário público


emitente de certidão;
b) De um Tradutor Juramentado;
c) De um Tradutor Juramentado Habilitado no Consulado;
d) De um Escrevente ou Auxiliar da Justiça;
e) De um Juiz, Escrivão Judicial ou Escrivão de Cartório de
Registro Civil ou Comercial;
f) De um Tabelião;
g) De um Tabelião Habilitado no Consulado;

Feitas essas distinções, deveremos ter em mente que, TODOS os


documentos em original e com a respectiva tradução (esta também
em original), deverão chegar ao Consulado ou Representação
Diplomática Competente, com a firma de um Tabelião (ou, para os
Consulados mais exigentes, a de um “Tabelião Habilitado”).

É fácil se estabelecer um padrão para se fazer as coisas diante do


Governo Italiano. Esse padrão é: “Faça sempre a mais do que pedem”.
Imaginem onde seu processo possa ter um pequeno “nó” e cuide bem
para que esse “nó” esteja desatado o máximo possível, antes de dar
a entrada em seus papéis. O respeito a esse simples mas custoso
conselho já garantiu o sucesso de muitos pleitos, e a sua
inobservância, o fracasso de tantos outros.

Algumas vezes constatei procedimentos divergentes entre membros


de Repartições Consulares diversas, e outras divergências até mesmo
dentro da mesma Repartição Consular. Isto demonstra que não há um
“standard” de avaliação sobre algumas situações, e cada um
interpreta as normas como bem entende.

Então é bastante recomendável o reconhecimento de todas as firmas


de todos os seus documentos. Recomendo isso por medida

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preventiva, pois para algumas firmas o Governo Italiano não menciona


obrigatoriedade de reconhecimento, mas como o "seguro morreu de
velho" é melhor reconhecer, pois esse custo é insignificante, diante do
custo de todo um processo que possa eventualmente ser colocado de
"em espera" ou ser perdido por falta de reconhecimento de uma
simples assinatura.

Então, se no documento tiver uma firma de um cidadão comum,


busque reconhecê-la, preferencialmente já em um tabelião, caso
contrário, deverá fazer através de um cartório que depois terá a firma
de seu oficial, reconhecida por um tabelião.

Depois de ter a firma reconhecida por um tabelião, essa firma do


tabelião deverá ser reconhecida de novo, desta vez por um tabelião
que seja habilitado (ou reconhecido como sério) pela Repartição
Diplomática Competente.

Parece estranho, mas é assim mesmo. Embora para nós, brasileiros, o


reconhecimento de firma por um Oficial de Registro, seja Civil,
Imobiliário, Comercial, enfim, um Oficial de Registros Públicos, seja
suficiente para se dar "fé pública" àquela firma, para o Governo
Italiano, somente será considerada idônea se for feita por um Tabelião
de Notas.

Eu explico isso pelo fato de ter observado que na Itália não existem
esses cartórios que existem no Brasil. Só existe o tal "Notaio", e por
isso eles associaram o nome "Notaio" ao nome "Tabelião de Notas",
vale dizer, "Notário" do Brasil. Assim sendo, só documentos
reconhecidos por esses notários é que tem fé pública.

Mas ainda assim, essa fé pública é relativa, por valer só no Brasil. Veja
o porquê no item seguinte.

A QUESTÃO DA HABILITAÇÃO DO TABELIÃO DE NOTAS

Recomendo que o interessado no reconhecimento da cidadania


italiana sempre consulte a Repartição Consular Competente, para

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verificar qual é o Tabelião de Notas que a tal repartição considera


habilitado.

Uma vez identificado esse tabelião, por medida de economia


processual, é importante consultá-lo sobre a existência em seu
repertório de firmas, do depósito das firmas dos Escrivães,
Escreventes ou Oficiais dos Registros Públicos responsáveis pela
emissão de suas certidões de nascimento, casamento e óbito.

Isso se deve ao fato de que, para um tabelião poder reconhecer a


firma de um oficial de registro civil, deverá ter em seu rol de
assinaturas presentes, a assinatura daquele funcionário daquele
registro civil.

Como nem todos os tabeliães possuem as firmas de todos os


servidores de registro civil do Brasil, seria bom consultá-lo antes. Essa
cautela serve a poder agilizar que as firmas dos oficiais públicos
necessários ao seu processo e porventura inexistentes no rol de firmas
assentadas no tabelião competente, seja encaminhada pelo respectivo
emitente da certidão, ao tabelião competente e habilitado pela
Repartição Diplomática. Isso agilizaria o procedimento em pelo menos
30 (trinta) dias dependendo da distância física entre o cartório de
registro civil e o tal tabelionato.

Esse procedimento de depositar a firma de um cartório no rol de


firmas de um outro cartório ou tabelionato, é feito através de um
documento que se denomina “sinal público”. Alguns cartórios
permitem que esse documento “sinal público” (o qual contém a firma
de todos os autorizados a firmarem em nome do cartório) seja levado
pelo próprio requerente ao outro cartório ou tabelião, para que lá seja
depositado. Eu mesmo já fiz de “courier” várias vezes.

Alguns cartórios, entretanto, não permitem que o requerente seja o


portador do documento, preferindo encaminhá-lo via postal ao
cartório ou tabelião destinatário. Isso consome uns bons dias de
espera do seu processo.

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Essa dica é muito importante. Assim sendo, não se esqueça de tentar


negociar diante do cartório que emitiu as certidões de registro civil das
pessoas que constam em sua árvore genealógica, para que você
mesmo possa ser o portador desse “Sinal Público”. Se ele for liberado
em suas mãos, você poderá agilizar seu processo levando-o
pessoalmente ao tabelião destinatário. Se você não puder levá-lo
pessoalmente, tente enviar um portador, mas na pior das hipóteses,
utilize os serviços de “courier” profissional ou os serviços do Sedex
dos correios.

Se esse “Sinal Público” não for liberado em suas mãos, tente ao menos
negociar no cartório emitente, que você custeie a remessa desse
documento via “courier” profissional ou os serviços do Sedex dos
correios, o que certamente agilizará muito o andamento do seu
processo.

A LEGALIZAÇÃO DE DOCUMENTOS

A legalização de documentos é uma etapa bastante complicada no


processo de preparação da documentação para reconhecimento da
cidadania italiana. Mas porquê é complicado?

Simples: Insuficiência de funcionários nas Repartições Consulares para


dar vazão à enorme quantidade de documentos que, dia após dia,
chegam para serem legalizados. Essa é a pura realidade e a resposta
mais simples que o Governo Italiano dá.

Mas o que é essa coisa tão complicada, de "Legalização"? Que coisa


vem a ser isso?

Outra coisa simples: Nada mais é, do que uma sumária verificação dos
pressupostos formais do pleito à cidadania (vale dizer, dar uma corrida
de olhos no processo, para ver se falta algum documento, entretanto,
sem adentrar no "conteúdo", no “mérito” do tal documento) e por fim,
"reconhecer" mais uma vez, uma firma.

O ato administrativo de "legalizar" se consolida com outra chancela de


reconhecimento de firma. Desta vez, é a firma do nosso "notário"

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(Tabelião de Notas) que é submetida à apreciação de autenticidade


por parte do funcionário administrativo da Repartição Consular
Competente. Isso inclusive explica um pouco do "porquê" de se ter
Tabelião Habilitado ou não habilitado perante o a Repartição
Diplomática.

Como os operadores internos dos Consulados, não são "experts" em


exames grafo-técnicos, pois não são peritos, e as fraudes são
inúmeras, então acaba por ser mais fácil filtrar a enorme quantidade
de tabeliães possíveis estabelecendo que somente alguns poucos
serão os preferenciais e desse modo simplificando bastante o processo
de conferência de assinaturas já que uma assinatura, vista alguns
milhares de vezes, consolida um juízo de semelhança automático no
cérebro do encarregado de "enxergar" algo que não deva passar. Essa
medida “cautelar” seguramente é resultado de tantas fraudes
cometidas nesse meio.

Assim sendo, a legalização é o ato de reconhecer a firma do tabelião


brasileiro para que esse documento traduzido, possa ter ingresso
eficaz no mundo jurídico italiano.

Toda essa burocracia não é só decorrente de exigência vã do Governo


Italiano. De fato é muito importante sob o aspecto de proteger a
sociedade de uma enxurrada de documentos falsos que criam e
extinguem direitos, sem o devido suporte legal. Então, essa burocracia
ajuda a manter a sociedade um pouco mais séria, limpa e segura,
relativamente à cidadania italiana, é claro.

A CONVENÇÃO DE HAYA E A LEGALIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS

Por fim, essa burocracia também encontra razão de ser no Governo


Brasileiro, o qual, quando teve a oportunidade, não foi signatário das
convenções em matéria de direito civil, internacional e administrativo
(legalização de documentos públicos estrangeiros, disposições
testamentárias, proteção de menores) realizada dentro da Convenção
de Haya de 05/10/1961, a qual simplificou muito o reconhecimento de
documentos públicos entre várias nações. A Itália foi signatária dessa
Convenção, mas o Brasil não.

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Se o Brasil tivesse firmado essa Convenção, esse processo e


legalização de documentos públicos poderia ter sido simplificado por
emissão de simples "apostila" de um Órgão Público Brasileiro. Não
sendo assim, ficamos à mercê das Repartições Diplomáticas Italianas,
mas por “culpa” nossa.

Particularmente eu penso que o procedimento de legalização também


está servindo para controlar fluxo migratório com destinado à Itália.
Isso para mim é notório embora não seja explícito. Entretanto, não
entendo o porquê, já que tantos povos de origem não italiana estão
adentrando na Itália sem controle. Os descendentes, entretanto, estão
encontrando uma certa dificuldade.

Já li muitas matérias dizendo que o Governo Italiano está mobilizando


forças-tarefas para resolver os problemas dos italianos do exterior,
particularmente desde meados do ano 2008 vejo essas conversas
(http://www.jornaldapaulista.com.br/site/page.php?key=1247), mas
ouvi dizer que a partir de maio de 2009 os Consulados Italianos no
Brasil receberiam reforço de pessoal para desovar tantos processos de
pedido de reconhecimento de cidadania italiana. Para mim, a simples
notícia do “quando”, boato ou não, já traz um alento, pois considero
sempre que “onde há fumaça há fogo”. Talvez exista um fundo de
verdade nessa informação.

O CUSTO DA LEGALIZAÇÃO

Por fim, cabe a lembrança de que o processo de legalização de


documentos também tem um custo, e não é barato.

O Governo Italiano impõe o pagamento de uma taxa (bollo) pelos


serviços que são prestados ao cidadão, e isso é cobrado por página
legalizada. Normalmente se paga isso, depois que o processo de
legalização da documentação já foi examinado e encontra-se em
ordem. Considero dizer que, quando contatam o interessado a
comparecer à Repartição Diplomática para pagar os emolumentos
devidos, significa que o processo de documentação da cidadania, no

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que se refere ao Brasil, já está “saneado”, ou seja, livre de vícios


formais.

A cobrança é feita em base a cada documento, dependendo do tipo


de documento. Se é um documento da vida civil como certidões de
nascimento, casamento ou óbito, o preço é um, se são outros
documentos, como peças processuais de separação ou divórcio, o
preço é outro. Não convêm perder tempo tentando compor esses
custos detalhadamente. Concentre-se no objetivo final, e provisione-
se financeiramente para contingências.

Entretanto pode considerar que, em média o custo da legalização de


documentos varia de € 7,00 (sete) a € 16,00 (dezesseis) euros, e na
conversão para o real (R$) esse valor é arredondado para cima. Esse
preço é o que se paga por documento. Mas para facilitar, considere
que será aproximadamente 50% (metade) do que se gastou em
emissão de documentos e respectiva tradução. Assim sendo, para
ajudar na sua programação financeira, considere isso como um
padrão, podendo sofrer variações para mais ou para menos, mas para
mim, esta fórmula serviu muito bem para poder me programar.

A QUESTÃO DAS SEPARAÇÕES JUDICIAIS E DOS DIVÓRCIOS

Este tema é de vital importância para o processamento do pedido de


reconhecimento de cidadania. Devemos considerar a possibilidade,
aliás, muito freqüente, de que em nossas respectivas famílias
tenhamos tido situações de separações de casais. Sejam de nossos
pais (o que de certa forma não é tão incomum), de nossos avós (o
que já é mais raro) , de nossos bisavós ou trisavós (situação que
jamais vi na prática), mas também de nós mesmos, na qualidade de
requerentes.
Se tivermos separações judiciais ou divórcios em nossa árvore
genealógica, e devemos nos incluir nessa hipótese, uma série de
documentos complementares deverão ser juntados ao processo de
reconhecimento da cidadania italiana.

Conforme já manifestado em outros pontos desta obra, há alguns


anos, a documentação que vem sendo solicitada pelas Repartições

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Diplomáticas, vem aumentando. Antigamente bastavam algumas


peças processuais relativas ao divórcio, como a petição inicial,
despachos de conversão de separação em divórcio, a própria sentença
de divórcio e a data de seu trânsito em julgado eram suficientes. Hoje
em dia, mais e mais se constata que os Consulados estão exigindo a
cópia integral do processo do divórcio, com todas as suas discussões
de mérito e assuntos pessoais e familiares inclusive.

Embora muita discussão existente dentro de um processo de


separação e divórcio não diga respeito à cidadania italiana, mesmo
assim as Repartições Consulares tem divulgado que é uma exigência
a apresentação de cópia integral do processo para se considerar
analisável o pedido da cidadania. Eu pensava que essa medida quase
que burocracia excessiva, se justificava pela própria complicação e
aumento de custos que essa medida gera nos pedidos, resultando em
alguns casos, em desistência do aspirante à cidadania, de ver seu
sonho realizado. Hoje em dia eu reconsidero esse pensamento, depois
de ter ouvido a respeito de situações onde as discussões manifestadas
dentro de processos de divórcio resultam em evidências de
inexistência de direito hereditário de cidadania italiana. Assim sendo,
passo a compreender melhor os motivos pelos quais tantos
documentos são exigidos hoje em dia, e, novamente em razão de elidir
as potenciais fraudes que possam ser convenientes a um processo
dessa natureza.

Infelizmente é assim, mas, como tudo na vida tem seu custo, se este
for o seu caso, prepare-se adequadamente e não desista. Não aceite
facilmente a imposição de obstáculos ao seu sonho. Não permita que
lhe roubem a esperança. Poupe e focalize no que você realmente quer.
Vá em frente e busque, pois você conseguirá.

Minha esposa sempre diz que "não posso" nunca realizou nada,
enquanto "vou tentar" tem realizado maravilhas. Assim sendo,
incorpore isso em seus pensamentos e vá adiante.

Para concluir este tópico, você deve saber que para TODAS as pessoas
de sua árvore genealógica que tiveram situação de mudança do
estado civil por separação judicial ou divórcio, relativamente a essas

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pessoas, você deverá obter uma cópia INTEGRAL do processo de


divórcio, com TODAS as suas folhas, desde o pedido inicial de
conversão de separação em divórcio, até a conclusão da causa, com
o carimbo atestando a data (dia, mês e ano) em que a decisão
transitou em julgado.

Em TODAS as páginas dessa cópia do processo, deverá constar a


rubrica do funcionário ou escrivão diretor do Cartório onde se
processou essa ação.

Esse processo deverá ter todas essas firmas do funcionário ou escrivão


diretor, reconhecidas, e ainda ser traduzido. Deverá ser apresentado,
juntamente com a documentação de solicitação de reconhecimento da
cidadania italiana com uma fotocópia e duas vias traduzidas para o
italiano por um tradutor juramentado. Observe perante a Repartição
Consular na qual pretende dar entrada nessa documentação se
eventualmente não haverá necessidade de se utilizar serviços de
Tradutores Juramentados “Habilitados”, conforme vimos
anteriormente.

Por fim, os aspirantes à cidadania, caso eles próprios tenham sofrido


o processamento do divórcio, relativamente a eles próprios, deverá
ser apresentada uma declaração formal, prevista na Lei Italiana, que
se chama "Dichiarazione Sostitutiva di Atto di Notorietá", para informar
que não existem também processos de divórcio na Itália.

No caso de divórcio obtido por via administrativa já sob a vigência da


Lei Federal nº 11.441 de 04/01/2007 (Arrolamento e Divórcio
Extrajudicial), o requerente deverá apresentar Certificado de Divórcio,
em original, acompanhado de tradução em língua italiana. Ambos os
documentos deverão ser acompanhados de fotocópia. O requerente
ao reconhecimento da cidadania italiana deverá também apresentar
um pedido específico para o caso, e para isso deverá contatar a
Repartição Consular de sua jurisdição para obter maiores e específicos
detalhamentos.

A QUESTÃO DAS INCORREÇÕES DE NOMES OU SOBRENOMES

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Citei no início deste capítulo, a importância de se garimpar todas as


informações possíveis para compor o processo de solicitação da
cidadania italiana. Uma das etapas muito importante é a de identificar
as possíveis variações de nome do seu ancestral italiano.

Antigamente, quando se pleiteava a cidadania italiana, qualquer


variação no nome tanto do ancestral cidadão italiano, quanto de
outros ancestrais entre ele e você, deveria ser feita a correção judicial
do nome. Deveria ser feita a padronização do nome e sobrenome que
havia sofrido variação.

Isso muitas vezes implicava em sérios desconfortos para a vida civil


do cidadão brasileiro, que muitas vezes, para conquistar seu sonho de
cidadania, se via obrigado a mudar de nome, e isso era muito
complicado em se tratando de vidas em movimento. Implicava em
mudanças de registros civis, documentos civis, documentos escolares,
documentos profissionais, enfim, um absurdo enorme.

Hoje isso não mais é necessário, na maioria dos casos. Posso dizer
que, diante de tantas medidas burocratizantes do Governo Italiano,
talvez esta seja uma das poucas que passou a desburocratizar o
processo.

Essa medida decorreu de decisão do Ministério da Justiça Italiana o


qual reconheceu não serem mais necessárias retificações em
documentos italianos os quais haviam sido alterados nos Cartórios
Brasileiros (SENTENZA DELLA CORTE COSTITUZIONALE ITALIANA Nº
13, del 3 febbraio 1994) e por via de conseqüência extensivos aos
documentos brasileiros, quando for clarividente tratar-se de
aportuguesamento de nomes ou tratar-se de mero erro gráfico.

Assim sendo, nos casos de erros nos nomes e sobrenomes italianos,


nas certidões brasileiras, não é mais necessário que os aspirantes à
cidadania recorram à justiça para retificação de tais registros.
Entretanto, caso as variações constantes na documentação suscitem
dúvidas quanto à identidade das pessoas envolvidas, o Governo
Italiano, através de suas Representações Consulares, poderá solicitar
documentações complementares.

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Aqui, vemos um dos motivos que citei no início do capítulo, de se


processar com um bom planejamento ao estudo de sua árvore
genealógica. Neste momento poderá ser muito útil ter a clareza sobre
seus antepassados, seus nomes, variações de nomes e a história de
sua família.

Vi casos, aliás, vivi casos, em que o bom conhecimento da história da


pessoa e de seus antepassados, resultou em dispensa de solicitação
de documentos complementares. Isso se dá quando se é convocado
à prestar informações. Se você tiver coerência, clareza e segurança
sobre a história de sua família, muitas vezes uma solicitação formal de
documento é convertida em uma simples e informal entrevista onde
muitas coisas se esclarecem.

Mas é importante saber que é necessário retificar as certidões de


nascimento ou de casamento do PRÓPRIO requerente a cidadania
italiana quando estas apresentarem diferenças ENTRE SI com respeito
a nomes, sobrenomes, datas, etc.

Convém também registrar que, se houver divergência entre os


SOBRENOMES italianos e brasileiros, pela Lei Italiana, no processo de
reconhecimento da cidadania italiana, o sobrenome que apresente
alterações relativamente ao do antepassado que chegou da Itália
(oriunde), é modificado para constar conforme o sobrenome
originalmente italiano. Se for o seu caso, vale dizer que você receberá
seu título de cidadão italiano como sobrenome original de seu
antepassado, mesmo que no Brasil seu sobrenome italiano esteja
diferente.

Também merece atenção, a prática de registro somente em base ao


sobrenome paterno. Em todos os documentos de registro é utilizado
apenas o sobrenome paterno e, portanto, excluído o sobrenome
materno que o interessado tiver, mesmo que sua descendência e
direito à cidadania sejam provenientes da mãe.

Relativamente a esses dois casos, tanto de divergência de


sobrenomes, quanto da perda do sobrenome materno, o ambiente

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jurídico que envolve a cidadania também dá suporte ao interessado


para que não veja essas alterações serem processadas em seu caso.

Poderá requerer diretamente ao “Comune” italiano, que não seja


alterada a grafia de seu sobrenome original brasileiro, para refazê-lo
igual ao do ancestral italiano, e ainda requerer que não lhe seja
suprimido o sobrenome materno. Mas isso não é feito em automático,
deverá ser solicitado expressamente. Para isso, basta solicitar à
Repartição Consular de sua jurisdição, cópia da carta modelo para
manifestar esse direito. Também com relação aos filhos menores, os
próprios pais poderão exercer essa manifestação de vontade,
utilizando o modelo próprio de carta para não ter o sobrenome de
menor modificado na Itália.

A RESIDÊNCIA PARA DEFINIÇÃO DA JURISDIÇÃO CONSULAR

Já vimos no capítulo anterior que a residência é tudo na Itália, e isso


se irradia também para as relações com a Itália, a partir de
Representações Diplomáticas da Itália no Brasil.

Assim sendo, um Consulado somente poderá processar pedidos,


solicitações e requerimentos de pessoas residentes em sua jurisdição.
No que concerne aos exercícios dos direitos de cidadania, essa
importância da residência se torna maior ainda.

Cada Repartição Consular no Brasil tem jurisdição territorial bem


definida. É importante você saber identificar qual é a Repartição
Consular da sua jurisdição, e uma vez feito isso, considerar essa
Repartição como a Repartição que será competente para apreciar a
sua documentação.

Entretanto, essa identificação da jurisdição não é um ato unilateral do


aspirante à cidadania. Deverá ser comprovado. Essa comprovação de
residência deverá ser feita por um documento válido para esse fim, os
quais deverão ser fornecidos em original e fotocópia, sendo que os
originais, normalmente são imediatamente devolvidos ao requerente,
dentre os quais destaco aqui os seguintes:

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a) Notificação da Receita Federal relativa ao último exercício, ou


seja, Declaração do IRPF;
b) Contracheque (hollerith) recente da aposentadoria;
c) Comprovante de inscrição junto à Receita Federal;
d) Conta de Água, Luz ou de outro serviço público (que pode
ser em nome do cônjuge também);
e) Declaração expedida pelo competente estabelecimento de
ensino, comprovando a freqüência no semestre relativo à
apresentação do pedido de reconhecimento de cidadania
italiana. Esse documento deverá ter a firma de seu responsável,
reconhecida em cartório.
f) Título de Eleitor e respectivos comprovantes de votação.

A QUESTÃO DA CIDADANIA JÁ RECONHECIDA EM FAMÍLIA

Quando algum outro membro da família do aspirante à cidadania, já


obteve o reconhecimento da cidadania italiana na mesma Jurisdição
Consular, não será necessária a apresentação de todos os documentos
que são indicados neste capítulo, para fins de início do processo. Serão
necessariamente exigidos, apenas os documentos que ainda não
foram apresentados, e relativos ao próprio núcleo familiar.

Por exemplo, se um primo já obteve o reconhecimento da cidadania,


isso significa que os documentos do avô já foram depositados na
Repartição Consular, assim sendo, a documentação a ser apresentada
começa com a Certidão de Nascimento do pai ou da mãe do aspirante,
que transmite a cidadania.

Cabe um ENORME esclarecimento aqui. Essa situação de economia


processual só se verifica no caso exclusivo em que o interessado
deseje preparar toda a documentação para fins de obtenção do
reconhecimento do seu direito, na própria jurisdição em que algum
parente seu já obteve. NÃO SERVE para o processamento em outra
jurisdição, e muito menos para se processar o pedido diretamente na
Itália.

Muitas pessoas fazem confusão nessa análise, e simplificam o


raciocínio com o argumento de que, se um parente meu já obteve a

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cidadania, bastaria que a documentação fosse anexada relativamente


ao primeiro ancestral do candidato, subseqüente àquele ancestral em
comum com o seu parente.

Nessa ótica, o entendimento seria o de que a cidadania italiana tem


um processamento centralizado, seja na Itália, seja no Brasil, mas não
é assim.

Cada Repartição Consular tem uma jurisdição e cuida só dela, não se


integrando com outras jurisdições nem com os "Comunes" italianos.
O mesmo raciocínio se aplica aos "Comunes" italianos, que também
detêm a competência para processar e julgar os pedidos de cidadania
diretamente na Itália, mas não são integrados entre si, nem mesmo
com os Consulados Italianos no Brasil.

Por esse motivo, TODA a documentação deve ser reapresentada,


integral e na forma anteriormente prescrita, desde o cidadão italiano
ancestral mais antigo que transmite a cidadania, até o requerente.
Não se pode também pedir o desentranhamento de documentos já
depositados no Consulado de sua jurisdição, para integrá-los ao
processo que se pretende dar entrada diretamente na Itália. Uma vez
depositados no Consulado, esses documentos permanecerão lá, e o
interessado deverá reiniciar a solicitação de seus documentos tudo de
novo, para poder formar um novo processo caso deseje ingressar com
o pedido diretamente na Itália.

Assim sendo, antes de dar a entrada em seu pedido de cidadania no


Consulado de sua jurisdição, esteja certo de que deseja realmente
processar esse pedido por ali, pois depois não poderá solicitar o
desentranhamento desses documentos para levá-los à Itália, caso
(depois) tenha se arrependido e desejado isso. Lembre-se, se for fazer
a cidadania diretamente na Itália, o Consulado de sua jurisdição será
utilizado exclusivamente ao fim de legalizar a sua documentação.

Para efeitos deste livro, considerarei que o leitor interessado queira


propor o reconhecimento de sua cidadania SEMPRE diretamente na
Itália não obstante (até aqui) esta obra tenha servido também àqueles

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que pretendam fazer isso na Repartição Consular de sua Jurisdição


diretamente no Brasil.

OS DESCENCENTES DA MONARQUIA ÁUTRO-UNGARO II

Os descendentes de pessoas nascidas e já residentes nos territórios


que pertenceram ao Império Áustro-Húngaro (por exemplo, Trentino
Alto Adige / Sudtirol) e que emigraram para o exterior no período entre
25/12/1867 e 16/07/1920, não tem automaticamente direito à
cidadania italiana. Esses ítalo-descendentes terão seus processos
regidos pela Lei Italiana 379/2000 e os interessados deverão
preencher um formulário específico segundo as modalidades que
estão disponíveis nas Repartições Diplomáticas Italianas no Brasil.
Esta lei prorrogou até 2011 o prazo para descendentes de imigrantes
trentinos optarem pela cidadania italiana “jus sanguinis”.

Da mesma forma, os descendentes de pessoas nascidas na Ístria, em


Fiume ou na Dalmácia deverão procurar instruções específicas
disponíveis Repartições Diplomáticas Italianas no Brasil.

A QUESTÃO DA CERTIDÃO NEGATIVA DE NATURALIZAÇÃO

Relativamente ao ancestral que transmite o direito à cidadania italiana,


deverá ser feita a juntada da Certidão Negativa de Naturalização,
comprovando que o mesmo não se naturalizou brasileiro, ao imigrar
no Brasil, perdendo assim a sua condição de cidadão italiano, e
interrompendo a cadeia de transmissão o direito de cidadania a seus
descendentes.

Essa certidão é emitida pelo Ministério da Justiça Brasileiro,


Departamento de Estrangeiros, Divisão de Nacionalidade e
Naturalização (Esplanada dos Ministérios, bloco T, Anexo II, sala 305
- 70064-900 - Brasília/DF), que deverá ser solicitada pelo requerente
ao reconhecimento à cidadania italiana em ambiente on-line no site
do próprio Ministério.
Se eles não mudaram a página de lugar, o endereço completo é este
aqui:

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http://www.mj.gov.br/data/Pages/MJ15F4A0A2ITEMID1943A84F3F9
B4EAE99403BF09D77B078PTBRIE.htm

Antigamente essa solicitação era feita por pedido escrito e enviado via
posta, conforme “Modelo Requerimento Certidão Negativa de
Naturalização” divulgado pelos Consulados no Brasil e ainda por
muitos sites que falam sobre a cidadania italiana. Eles estão
desatualizados. O modelo agora é ON-LINE, não esqueça.

A Certidão Negativa de Naturalização deverá indicar o nome e


sobrenome do ascendente italiano, com todas as eventuais variações
de grafia, constantes nas certidões emitidas no Brasil.

No caso de ascendente vivo, a Certidão Negativa de Naturalização


poderá ser substituída pela Carteira de identidade para Estrangeiros.

Caso o ascendente italiano tenha se naturalizado brasileiro, o fato não


prejudicará o direito ao reconhecimento da cidadania italiana aos
próprios descendentes, desde que seus filhos tenham nascido antes
do decreto de naturalização.

DOCUMENTAÇÃO A SER OBTIDA NA ITÁLIA À PARTIR DO BRASIL

“ESTRATTO DELL’ATTO DI NASCITA” A SER OBTIDO À PARTIR DO


BRASIL

Certidão de nascimento do ancestral italiano que nasceu na Itália e


que transmite o direito à cidadania italiana. Esse documento é emitido
pela autoridade civil da cidade onde ocorreu o nascimento, que, para
simplificar vamos chamar aqui com o mesmo nome que são chamados
lá na Itália, são os "Comune", mas são equivalentes aos municípios do
Brasil.

Esses “Comune” é que são os responsáveis pelo registro civil de


pessoas, diferentemente do Brasil, que são os Cartórios. O registro
civil, na Itália, é chamado de "Anagrafe", e é na anágrafe de o
interessado deverá também iniciar a busca de documentação de
nascimento de seu ancestral.

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Para fazer isso, o aspirante à cidadania poderá contratar ou iniciar ele


próprio as buscas, escrevendo cartas, e-mails, fazendo telefonemas,
enfim correndo atrás, ou solicitar as buscas à empresas especializadas
nesses trabalhos, mas que normalmente cobram caro por esses
serviços. Se você precisar de ajuda, pesquise na internet que
encontrará várias empresas que prestam esse tipo de serviço.

Entretanto, considerando que a Itália possui 8.110 “Comune” a serem


pesquisados, se o interessado não tiver algumas dicas sobre as
origens de seu ancestral italiano, o custo acabará por ser compatível
à buscas empreendidas em todos esses 8.110 municípios.

Se os documentos tiverem de ser pesquisados em paróquias então, a


situação se complica mais ainda, já que podemos considerar que, em
média, cada “Comune” tem 3 paróquias, e isso levaria a mais de 25
mil pontos de busca. Não é fácil, mas é possível.

Por isso é que sugeri no início do capítulo, haver um bom


planejamento de ações, uma boa busca de informações, pois quanto
mais dados você tiver, menos buscas desorientadas deverá
empreender, e isso reduzirá não só o custo, mas também o tempo do
seu pleito.

Para contatar os “Comune”, você poderá se valer do modelo de carta


que anexo ao final do capítulo, se chama “Modelo de Carta ao
Comune”. No modelo citado eu considerei a hipótese de que tanto o
nascimento do casal, quando o casamento deles, ocorreu tudo no
mesmo município. Se ocorreu em municípios diversos, a cartinha
deverá ser remodelada adequando a essa situação.

“CERTIFICATO DI BATTESIMO” A SER OBTIDO À PARTIR DO BRASIL

Caso o “estratto dell’atto di nascita” não possa ser localizado, poderá


ser substituído pela certidão de batismo, desde que pelo motivo de
inexistência e anágrafe quando da época do nascimento do ancestral
do interessado. Antes de 1861, os nascimentos eram registrados nas
igrejas e paróquias, assim sendo, anteriormente a essa data, um

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"Certificato di Battesimo" é um documento hábil à comprovação de


nascimento de um cidadão italiano.

Esse documento deve ser obtido nas igrejas ou paróquias


competentes, e depois devem ser reconhecidos pela Cúria
Metropolitana da Igreja Católica juntamente com uma carta do
“Comune”, informando que naquela data, para aquele “Comune”, não
existiam registros civis.

“ESTRATTO DELL’ATTO DI MATRIMONIO” A SER OBTIDO À PARTIR


DO BRASIL

É a certidão de casamento do ancestral italiano que tenha se casado


antes de emigrar para o Brasil, tendo tido seu casamento processado
na Itália. Da mesma forma que o “estratto dell'atto di nascita”, o
“estratto dell'atto di matrimonio” é emitido pelo “Comune”, já que este
é o responsável pelo registro civil das pessoas. Utilize o modelo de
carta ao comune, que está no final do capítulo, para se orientar em
como escrever.

Para fins da cidadania italiana, qualquer um desses três documentos


acima indicados, deverá ser obtido em original. As Repartições
Consulares não tem aceitado fotocópias. Exigem que o documento
seja extraído diretamente dos registros existentes nas anágrafes, e
para isso, também será muito importante ter bem planejado este
processo, com a identificação clara de qual anágrafe (de qual
“Comune”) deverá ser solicitada essa documentação.

Em princípio, e segundo me consta, sempre se encontra um grande


profissionalismo por parte dos responsáveis pelas anágrafes.
Normalmente atendem com dedicação e gentileza às solicitações,
tanto escritas por correspondência postal, quanto por email, telefone
ou presencialmente.

Entretanto, cabe aqui a lembrança de que são muitos os brasileiros


que tem recorrido à Itália diretamente para a tentativa de obtenção
da cidadania italiana. Isso tem resultado em um movimento

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aumentado nas funções de alguns “Comune”, mais notadamente


daqueles que também foram objeto de grande emigração de italianos
com destino ao Brasil (Vêneto Italiano).

O resultado disso é que às vezes se torna um pouco demorada a


obtenção da resposta às solicitações feitas à distância resultando mais
eficaz a busca pessoal e presencial ou por empresa especializada em
qualquer desses casos, sempre mais custosa.

APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS POR VIA DE UM TERCEIRO

Somente para os casos em que o interessado deseje processar sua


cidadania no Brasil, toda a documentação elencada neste capítulo,
poderá ser apresentada por ele ou por um de seus pais ou irmãos.

Se a cidadania for ser processada diretamente na Itália, somente o


interessado, pessoalmente poderá dar andamento ao processo.
Veremos isso mais adiante, mas para um esclarecimento preliminar,
cabe informar da necessidade se obter vistos, fixar residência, obter
permissão de permanência em solo italiano, etc... coisas que são
personalíssimas.

A ORGANIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS E A QUANTIDADE DE CÓPIAS

Recomendo que todos os documentos sejam organizados mantendo-


se o original junto com a respectiva tradução. Também vale fazer uma
pequena consulta na Repartição Consular Competente, para verificar
a quantidade de cópias desejadas de cada documento, de forma a
agilizar o atendimento e processamento do seu pedido.

RESUMO DA FORMALIZAÇÃO DOS DOCUMENTOS NO BRASIL

Não bastará ter o documento original em mãos deve-se ainda


providenciar o reconhecimento de firma de todos os intervenientes
que assinaram o documento. Assim sendo, deverá ter a assinatura do
escrevente ou oficial que emitiu o documento e é investido na função
pública competente para esse fim. Depois essas firmas deverão ser

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reconhecidas por um Tabelião de Notas e finalmente ser traduzido, e


depois de traduzido, ter a firma do tradutor também reconhecida.

Depois disso esses documentos deverão ser legalizados na Repartição


Consular, conforme já vimos anteriormente.

ITINERÁRIO PARA BUSCA DE INFORMAÇÕES À PARTIR DO BRASIL

Não é pouca a documentação que se deve arrolar para se iniciar um


processo de solicitação de cidadania italiana.

Maior será a documentação, quanto maiores forem os eventos


históricos presentes na vida do requerente e seus ancestrais, bem
como da quantidade de gerações entre este e seu “oriunde” italiano.

Assim sendo, se falamos basicamente de um cidadão brasileiro cuja


árvore genealógica faça referência a uma ou duas gerações passadas,
certamente haverá muito menos documentos a preparar, do que
aquele que, como eu, tiverem de buscar documentos de quatro
gerações anteriores à minha.

Também, da mesma forma, quanto menos eventos históricos tiver a


família do requerente, menos documentação deverá buscar. Para
exemplificar isso, imagine um cidadão que busque documentos de
seus antepassados, e na história de sua família não ocorreram
separações ou divórcios. Compare isso a uma situação (de novo eu
como exemplo) como a minha, onde eu mesmo já havia me
divorciado, e minha mãe também. Tive de buscar instruir o meu
processo de cidadania não com um, mas com dois processos de
divórcio dentro deles. E relativamente ao divórcio de minha mãe tive
de buscar e desarquivar um processo que iniciou em 1967. Você
imagina o que é isso? Olha, você conseguirá a sua cidadania, eu tenho
fé nisso!!!!

Com base nesse meu próprio exemplo, e nas minhas próprias


complicações é que me sinto bastante capaz de orientar e de motivar
outros interessados, de que não é impossível. Se deu certo comigo,
que sou a quinta geração do meu “oriunde” italiano e tive dois

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processos de divórcio dentro do meu processo de cidadania, qualquer


um pode obter a sua. Basta querer.

Bom, mas para organizar isso, é necessário iniciar buscas de


informações e de documentos. Essas buscas, quase que em 100% dos
casos de fracasso no processamento do pedido, encontram como
óbice e maior vilão, a falta de condições para se obter o documento
do ancestral italiano que gera o direito à cidadania. Muitas vezes o
processo tem tudo, mas falta a certidão de nascimento desse
“oriunde”. O resultado é um só. O processo não se inicia e a frustração
te massacra.

Então, concentre-se nas buscas, mas o principal é buscar o documento


de partida. O documento que é o próprio tesouro nesse mapa de
documentos que deverão se levantados. Mas muitas vezes esse
documento original não é encontrado. Algumas vezes, porque de fato
não existe mais. Outras vezes, por falha no levantamento de
informações que pudessem conduzir a ele.

Algumas vezes esses documentos podem ter sido destruídos pelas


guerras pelas quais passou a Itália, mas lembre-se, que se uma
anágrafe foi destruída, ainda pode ser que seja possível comprovar o
nascimento do ancestral em base ao batismo registrado na igreja,
então, não esmoreça, vá à luta.

Assim sendo, é vital se comprometer e se empenhar profundamente


nessa busca, pois se esse documento existir, suas chances de localizá-
lo serão muito maiores.

Sugiro ao interessado que inicie isso levantando requisitos e


informações e isso se faz conversando com pessoas. Pessoas da
família, de amigos próximos que possam saber da história da sua
família.

Escrevo aqui um itinerário de coisas que podem ser feitas a partir do


Brasil e que eu fiz:

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1) Fale com seus pais, avós, bisavós (se forem vivos), seus tios e tios-
avós. Procure os mais velhos primeiro, pois eles, pelas leis da
natureza, poderão sair deste plano antes, e se você perder tempo,
poderá perder informações importantes de um arquivo histórico ainda
vivo e lúcido.

Assim sendo, aceite minha sugestão e procure imediatamente os


membros, os anciãos mais velhos da sua família, converse com eles e
informe seu objetivo de buscar a sua cidadania.

Para isso deverá ter em mãos o "script" de documentos de


nascimento, casamento e óbito que deixei escrito no início deste
capítulo, para poder perguntar a esses seus familiares tudo o que
puder.
Escreva e tome nota de tudo o que falarem, acredite nisso, é muito
importante.

Pergunte se sabe onde nasceram, onde viveram, nomes de cidades,


nomes de províncias, nomes de regiões, se ao norte ou ao sul.
Pergunte se sabe em que época vieram ao Brasil. Em qual navio
vieram, se foi recente, em qual vôo, enfim procure tudo. Busque saber
se vieram direto ao Brasil, ou se foram antes para outros países como
Argentina, Chile e Uruguai.

Pergunte se sabem de outras famílias italianas que eram amigas da


sua família, onde foram residir quando chegaram ao Brasil, onde
trabalharam, quem da família tem o espírito de historiador ou
arqueólogo (esse sujeito, se você tiver sorte, terá um mundo de
documentos), procure, invista suas noites, seus sábados e domingos
nisso, vale a pena.

Tente ser um bom investigador nessa hora. Explore o máximo possível,


pois isso vai te ajudar a economizar muito na etapa italiana de
levantamento de documentos;

2) Peça cópia de tudo. Peça a esses seus anciãos, para poder


fotocopiar seus documentos de nascimento, suas certidões de
casamento, seus registros de identidade. Esses documentos antigos

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são como que rastilho de pólvora. De um documento se chega a um


outro.

Deste outro a um nome, a uma região ou a uma cidade, e assim por


diante, até que se chega a tirar muitas e muitas dúvidas sobre a
família, seu nome, sobrenome, cidades e regiões por onde começaram
a povoar o Brasil, etc... Assim sendo, tire cópia de tudo o que puder e
se organize, pois poderá ser muita coisa.

3) Com base em informações obtidas em documentos de nascimento,


casamento e óbito, mais em informações obtidas com os seus
familiares mais anciãos, busque cemitérios e seus respectivos livros
de registro. Essas buscas sempre devem ser focadas na tentativa de
identificar a região, a província ou a cidade italiana de nascimento do
antepassado.

Muitas vezes, um registro em cemitério informa como declarante uma


irmã do bisavô do interessado ou um amigo, e buscando a certidão de
nascimento dessa irmã ou desse amigo, nascida eventualmente no
Brasil, se constata uma declaração explícita sobre as origens dos
respectivos pais. Um atestado de óbito com a indicação da “causa
mortis” assinada por um médico pode ser uma informação útil.

Esse médico pode ter sido o médico da família e talvez valia a pena
direcionar as suas buscas à família daquele médico também, pode ser
que ali você encontre informações sobre a origem de seu
antepassado. Era muito comum que os médicos também fossem de
família e às vezes da mesma região da Itália. Então, uma informação
transversalmente obtida, pode auxiliar na busca vertical de suas
origens. Veja as lápides de cemitério, pegue as datas e confronte com
a de documentos físicos.

4) Busque na internet empresas que fornecem informações de


pesquisa por pouca remuneração, pois trabalham com bancos de
dados ricamente alimentados, tanto de ancestrais no Brasil quanto na
Itália. Busque informações em Museus, Memoriais (memorial do
imigrante), registros de albergues, arquivos de estado, portos e

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capitanias. Todos esses lugares possuem registros que nem


imaginamos existir.

Inscreva-se em sites de ancestrais, e busque contatos também na


Itália.

Eu conheço um serviço prestado por email por um cidadão na europa


que faz busca das origens de ascendentes de italianos. Esse serviço
conta com um banco de dados com mais de 100 mil nomes de
italianos. A pesquisa na base de dados não custa nada, bastando
informar o nome do “oriunde” e de seu respectivo pai. Se for
encontrado na sua base de dados o nome da pessoa solicitada, o
serviço de busca informará o nome da mãe e outros dados que
possam comprovar que ele realmente detém a informação.
Confirmado o interesse do requerente, é cobrado uma taxa de € 65,00
para informar qual o Comune de origem do tal “oriunde”. Desejando
detalhamentos, entre em contato comigo por email ou no site.

Eu já fiz pesquisas através dele, mas não tive a sorte de ter em suas
bases de dados os dados das pessoas que eu solicitava, assim sendo,
não posso avaliar como é o processamento completo do serviço
oferecido, e na conseqüência não posso avalizá-lo também.

5) Consulte seu sobrenome em listas e catálogos telefônicos sejam


eles físicos ou virtuais. Faça o mesmo com os catálogos da Itália, pois
os sobrenomes italianos normalmente são provenientes das mesmas
regiões, em datas passadas.

6) Escreva para pessoas com quem não conseguir falar pessoalmente.


Escreva cartas e e-mails, explique da sua busca e de seu objetivo.
Busque informações e se ofereça como fonte de ajuda também para
pessoas que tenham o mesmo sobrenome que você, desta forma você
arranja aliados na busca de suas origens. Se dedique à pesquisa em
modo profundo.

Conforme você for juntando dados, estes, depois de devidamente


cruzados e processados, certamente te darão muitas informações.

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O REGISTRO DAS INFORMAÇÕES COLETADAS

Mantenha esse registro de informações bastante organizado, para


você não se perder.

Para isso, utilize o seguinte modelo de gestão, que certamente vai te


ajudar muito, e está planilhado no final do capítulo com o nome
“Acompanhamento”, para dar uma visão matricial dessas informações:

Nome do Ancestral Italiano


Certidão que se busca
Nascimento
Casamento
Desembarque
Óbito
Negativa de Naturalização

De cada um desses documentos, sugiro que sejam coletadas as


seguintes informações, as quais auxiliarão à conclusão da árvore
genealógica sugerida no início deste capítulo:

a) data do evento;
b) localidade do registro (cartório, anágrafe, igreja, etc..);
c) órgão de registro;
d) livro e folhas e número do resgistro;
e) endereço do órgão de registro;
f) nome de pessoa de contato do órgão de registro;
g) telefone, fax e email da pessoa de contato do órgão de
registro;
h) status do pedido, se foi feito ou não;
i) data do pedido, se foi feito;
j) valor dos emolumentos;
k) informação se os emolumentos já foram pagos ou não;
l) dados bancários para pagamento;
m) observações importantes sobre este documento.

Planilhar essas informações, ou mesmo elencá-las em um caderno,


utilizando uma folha para cada membro da sua árvore genealógica o

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auxiliará a concluir as buscas sem se perder no mundo de informações


que serão coletadas. Também o ajudarão a gerir melhor e concentrar
melhores esforços nos documentos que ainda não foram identificados
e mapeados.

Por fim, somente quando toda a planilha ou todas as folhas de um


caderno de informações estiverem completamente preenchidas, é que
se inicia a etapa de realmente solicitar a emissão do respectivo
documento. Esta recomendação, eu faço para poder viabilizar a
questão de vida útil e validade temporal do respectivo documento,
posto que muitas Repartições Diplomáticas estão reconhecendo
validade apenas a documentos emitidos em menos de um ano. Já falei
sobre isso anteriormente. Assim sendo, como essa etapa de
mapeamento e identificação e documentos pode ser que consuma
mais de um ano, se você sair por aí requerendo certidões, poderá
estar investindo um dinheiro que depois não será mais utilizado.

Por outro lado, algumas vezes se torna necessário solicitar a emissão


de um documento, normalmente quando se crê que aquele
documento poderá conter dados que te levem a uma outra informação
importante para dar andamento ao processo. Quando isso ocorre
diante de um registro público, eu recomendo que você solicite a
extração daquele registro público, sempre em formato INTEIRO TEOR,
mesmo que isso esteja ocorrendo no início do processo, pois, mesmo
que esse documento venha a perder a validade, você deverá
considerá-lo como um documento como se obtido em museu, para lhe
permitir chegar a outras informações relevantes.

Se esse documento se prestar a esse fim, certamente não terá sido


um desperdício tê-lo solicitado. Mesmo que mais adiante você tenha
de solicitá-lo de novo, para fins de tradução e etc... ele já terá servido
para um rico propósito de permitir a identificação e busca de outros,
que sem ele, não seriam possíveis.

SOLICITAÇÃO DA CERTIDÃO NEGATIVA DE NATURALIZAÇÃO

Para entender também um pouco as coisas, eu recomendaria de não


se extrair definitivamente a documentação brasileira enquanto não

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estiver devidamente mapeada e identificada a possibilidade de


extração da documentação italiana. Este raciocínio eu aplico a tudo,
exceto à Certidão Negativa de Naturalização.

Este documento, e recomendo que seja solicitado de imediato, por


três motivos. Primeiro, porque é de emissão gratuita, prática e feito o
pedido através da internet, assim sendo, não seria desperdício
financeiro ter de solicitá-lo de novo. Segundo, pois, dentre todos os
documentos a serem obtidos no Brasil, é certamente o mais demorado
a ser conquistado. De certo, se gasta de 60 a 120 dias para ter uma
resposta do Ministério da Justiça, relativamente à eventual ou negativa
naturalização do ancestral italiano, contra, em média, 30 a 45 dias
para se ter as outras certidões de cartórios em mãos. Por terceiro,
recomendo isso pelo fato de que se eventualmente o ancestral se
naturalizou brasileiro, e isso interrompe o fluxo de transmissão do
direito à cidadania italiana, mas uma vez em posse dessa informação
o candidato já poderá interromper e abandonar essa via de obtenção
da cidadania sem ter desperdiçado muito tempo em outras pesquisas.
Poderá intentar a cidadania por outras vias, como esposa por exemplo.
Assim sendo, começar com essa certidão é uma boa recomendação

Lembre-se que também deverá reconhecer firma do funcionário do


Ministério da Justiça que emitir esse documento, e o fato de tê-lo em
mãos ajudará a identificar mais facilmente o cartório onde o mesmo
mantém sua firma depositada.

REGISTRO DE VARIAÇÕES DE NOMES

Por fim, seria também bastante útil se ter uma pequena planilha, que
pode ser uma folha de caderno dividida em duas colunas, onde o
aspirante à cidadania pode inserir na primeira coluna o nome do
ancestral como conhecido por ele, e na segunda coluna, as possíveis
variações que esse nome possa ter sofrido, seja em razão de
documentos encontrados, seja em razão de histórias ou estórias da
família.

Uma vez se familiarizando com essas possíveis variações, o


interessado estará também mais atento a esses nomes, quando da

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manipulação de documentos, podendo servir de enlace efetivo no


cruzamento de informações que o levem à conquista da cidadania
italiana.

ONDE PROCURAR DOCUMENTOS E INFORMAÇÕES NO BRASIL

1) Cartórios de Registros Civis, sites;


2) Cartório 24 Horas na Internet, site;
3) Memorial do Imigrante em São Paulo, site;
4) Instituto Genealógica do Rio Grande do Sul, site;
5) Imigração Italiana no Rio Grande do Sul, site;
6) Arquivo Público do Estado do Rio Grande do Sul;
7) Projeto Imigrantes, site;
8) Arquivos de Petrópolis - RJ;
9) Arquivo Nacional do Rio de Janeiro - RJ;
10) Arquivo Público do Espirito Santo - ES;
11) Arquivo Público Mineiro - MG;
12) Arquivo Histórico de Juiz de Fora - MG;
13) Arquivo Público do Paraná - PR;
14) Bibliotecas Públicas;
15) Bibliotecas de Universidades Estaduais e Federais;
16) Associações Italianas no Brasil
17) Polícia Federal do Brasil - Que mantem registros de
estrangeiros;
18) Genealogy, site;
19) RootsWeb, site;
20) Genslabo, site;
21) SITECART dos Correios, para busca de certidões;
22) Imigrantes Italianos, site;
23) Pregnolabo, site;

Para qualquer dessas fontes, basta incluir esses nomes nos sistemas
tradicionais de busca, que certamente os sites serão exibidos.

MODELO DE CARTA AO COMUNE

Preg.
Ufficio Anagrafe

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Del comune di

(CODIGO POSTAL) (NOME DO COMUNE) (SIGLA DA PROVINCIA)

ITALIA

Cidade, dia,
mês, ano.

Egregio Signore,
Le chiedo il gentil favore di inviarmi su carta libera per uso consolare:

·Il Certificato di Nascita di (nome do ancestral), figlio di (nome


do pai do ancestral) e di (nome da mãe do ancestral), nato in
codesto Comune il (data de nascimento do ancestral) ed
emigrato in Brasile, con registro del atto di nascita in questo
Comune al: (número de registro, livro, folhas e ano);

·Il Certificato di Nascita di (nome da esposa do ancestral, se do


mesmo comune) figlia di (nome do pai da esposa do ancestral)
e di (nome da mãe da esposa do ancestral) nata in codesto
Comune il (data de nascimento da esposa do ancestral) ed
emigrato in Brasile, con registro del atto di nascita in questo
Comune al: (número de registro, livro, folhas e ano);

Il Certificato di Matrimonio dei sopracitati, avvenuto il (data do


casamento, se ocorrido no mesmo comune), che essere stato
celebrato in codesto Comune, con registro del atto matrimoniale
al: (número de registro, livro, folhas e ano)

I certificati portino i nomi dei genitori per ragioni di validità nel


processo di doppia cittadinanza “iure sanguinis”.

Ringraziando per la gentilezza

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Porgo i più distinti saluti

SEU NOME
Seu endereço completo
Seu telefone
e-mail: Seu email
Seu Skype ou Voip

Hoje em dia a solicitação de Certidão Negativa de Naturalização está


disponível on-line no site do Ministério da Justiça do Brasil.

Esse documento que comprova se um estrangeiro foi naturalizado ou


não no Brasil. Para obtê-la acesse o site do Ministério da Justiça cujo
endereço é transcrito abaixo, pois agora a certidão negativa de
naturalização deve ser pedida em meio eletrônico e se chama “e-
Certidão”.

Nesse endereço você também poderá acompanhar a autenticidade de


uma certidão, acompanhar as solicitações e consultar as bases legais:

http://www.mj.gov.br/data/Pages/MJ15F4A0A2ITEMID1943A84F3F9
B4EAE99403BF09D77B078PTBRIE.htm

Na qualidade de requerente você deverá informar alguns dados:

DADOS DO REQUERENTE

Nome Interessado*
Sexo do Interessado*
Grau Parentesco*
Motivo da Solicitação*

DADOS DO REQUERIDO
Nome*
Obs: Informe nesse campo o nome do requerido. Caso existam
variações, informe cada uma delas em um campo, clicando no sinal
de “mais” (+) que aparece na frente desse campo.
Sexo*

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Nome do Pai
Nome da Mãe
Data de Nascimento (DD/MM/AAAA) se souber, ou:
Ano (AAAA)
País de Nascimento*

Você deverá repetir os caracteres de segurança que lhe forem


exigidos. Esse mecanismo serve para evitar “robôs” virtuais que
acessam sites e disparam pesquisas, solicitações, capturam
conteúdos, etc... e se chama dispositivo “anti-robô”.
Repita os Caracteres*

Somente a título histórico, abaixo vai reproduzido um modelo de


Certidão Negativa de Naturalização que foi exigida para processos
anteriores a 2009.

ANTIGO MODELO DE REQUERIMENTO DE CERTIDÃO NEGATIVA DE


NATURALIZAÇÃO

ILUSTRÍSSIMO SENHOR DIRETOR DO DEPARTAMENTO DE


ESTRANGEIROS
DIVISÃO DE NACIONALIDADE E NATURALIZAÇÃO

REQUERIMENTO

Eu,
…………………………………………………………………………………………………
…………………………………………
RG n………………………………………………………nascido/a
aos………………../………………../………………….
em……………………………………………………………, residente
na………………………………………………………..
………………………………………………………………………………………..Bairro
……………………………………………..
Cidade……………………………………………UF…………………………….,CEP…
………………………………..abaixo

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Assinado/a, venho requerer a Vossa Senhoria a Certidão Negativa de


Naturalização de
…………………………………………………………………………………………………
…………para fins de adquirir a
cidadania……………………………………………………………………………………
………..

QUALIFICAÇAO E OUTROS DADOS DO REQUERIDO

Nome
completo……………………………………………………………………………………
………………………………
Nacionalidade……………………………………Natural
de…………………………………………………………… Nascido/a
aos……………/…………..…./………………….Estado
civil……………………………………………….
Nome do
pai…………………………………………………….………………………………………
………………………….
Nome da
mãe……………………………………………………………………………………………
…………………………
Registro de Estrangeiros
(RE)……………………………………………………………………………………………
.
Data de expedição da
carteira……………/…………………/……………………………Desembarque em
……………………………………………………………….Data de
embarque………………../……………/…………..
Desembarque……………/…………../……………..Data de
falecimento……………../……………/…………

Nestes termos, pede deferimento.

Em…………/……………/……………

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………………………………………………………………………………………
……..
assinatura do requerente

- Fotocopia da identidade (Requerente)


- Qualquer documento do requerido

enviar para:
Ministério da Justiça
Secretaria da Justiça
Divisão de Nacionalidade e Naturalização - Seção de Registro e
Averbação
Esplanada dos Ministérios - Anexo II - 3^andar
70064-901 BRASILIA -DF

Tel. (0xx61) 225.8170 ou 218.3497


Fax (0xx61) 322.7818

MODELO DE ACOMPANHAMENTO

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CAPÍTULO III

PRÁTICAS E PROCEDIMENTOS NA ITÁLIA

REQUERER A CIDADANIA NO BRASIL OU NA ITÁLIA?

Até o presente momento, tudo o que foi apresentado neste livro serve
tanto ao aspirante à cidadania italiana que deseja processar o pedido
de reconhecimento desse direito diretamente no Brasil quanto na
Itália.

Em poucas palavras, é a inclusão das orientações contidas neste


capítulo é que vai obrigar o candidato a fazer a sua escolha, se vai
desejar requerer o reconhecimento de seu direito perante uma

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Repartição Diplomática Italiana no Brasil, ou se vai desejar apresentar


esse pedido DIRETAMENTE na Itália.

Considerando que este livro está direcionado ao público que deseja


obter o reconhecimento de seu direito na Itália, vou me abster aqui
de efetuar maiores detalhamentos ou aprofundamentos sobre os
procedimentos pertinentes à obtenção do reconhecimento a cidadania
italiana no Brasil.

Se algum leitor desejar seguir as sugestões que inseri nesta obra, até
o presente momento para depois submeter essa prática a um
Consulado Italiano no Brasil, sugiro que antes de considerar concluída
a preparação documental, entre em contato com a Repartição
Consular de sua jurisdição em modo a poder obter informações mais
detalhadas e atualizadas sobre eventuais outros documentos que
estejam sendo exigidos para o fim de processamento dessa prática no
Brasil.

DECISÃO DA REGIÃO, PROVÍNCIA E COMUNE

Uma pergunta que sempre me fazem é sobre a melhor localidade para


se processar o pedido de reconhecimento da cidadania italiana
diretamente na Itália.

Primeiro é importante registrar que a prática do reconhecimento da


cidadania “Ius Sanguinis” não precisa obrigatoriamente correr no
“Comune” de onde partiram os “oriundi” do aspirante à cidadania. A
escolha do “Comune” onde movimentar o processo é livre. Pode ser
feita e qualquer dos 08 (oito) mil e poucos “Comunes” italianos. Se for
feita no “Comune” do próprio ancestral, creio que algumas portas já
estariam mais ou menos abertas, pois a curiosidade e a preocupação
da população local sempre é muito grande quando se tratam de
forasteiros. Se a origem do candidato for no mesmo “Comune” onde
pretende efetuar a prática de reconhecimento de sua cidadania, ao
menos a questão da origem desconhecida fica menos relevante.

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Eu costumo responder que o melhor lugar é onde o candidato tenha


a maior quantidade de contatos ou de possíveis contatos, pois eles
serão de grande importância em muitos momentos processuais.

Devemos considerar primeiro a questão da residência. Ninguém se


estabelece na Itália sem ter uma residência, e para se ter uma
residência a coisa funciona mais ou menos como o Gmail do Google o
o OrKut. Quase sempre só se acessa esses serviços quando convidado
por alguém que já faça parte dele.

Na residência ocorre o mesmo. O estrangeiro para poder se


estabelecer na Itália, como padrão deve ser hospedado por alguém,
que é o seu anfitrião.

Esse anfitrião será um anfitrião formalmente falando, deverá dirigir-se


a um órgão público e declarar em uma documentação pública que está
recebendo o estrangeiro para habitar provisória ou definitivamente
com ele.

Assim sendo, só por conta desse exemplo, já me basta para responder


aos interessados que me perguntam onde processar sua prática.
Procure saber, antes de vir para a Itália, onde você tem as maiores
chances de contatos, pois você vai precisar deles.

A segunda recomendação que faço é para o candidato buscar


informações sobre como estão sendo processadas as práticas de
reconhecimento da cidadania nos “Comunes” dessas regiões onde
tenham maiores chances de contatos.

Sugiro mesmo que liguem ou escrevam para os “Comunes” nos quais


pretendam dar andamento à suas respectivas práticas. Sugiro que já
façam isso a partir do Brasil durante o processo de buscas de
documentos no próprio Brasil. Aproveitem esse tempo para dar
também vazão à prática do idioma, da língua falada, e para se
aproximarem dos operadores que vão analisar seus respectivos
processos.

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Digo para não terem medo de fazer esse contato. Seja esse “Comune”
o próprio “Comune” de origem de seus ancestrais, seja ele um outro,
não importa. Façam o contato. Esse momento também servirá para
entender mais ou menos como é o entendimento desse “Comune” no
que se refere à algumas práticas processuais e também servirá para
captar, mesmo que superficialmente, se o candidato seria bem
recebido na localidade. Outra vantagem desse contato, é atualizar-se
sobre os procedimentos à época da consulta.

Por fim, esse contato também serviria pra que num futuro, antes de ir
à Itália, o candidato pudesse enviar uma fotocópia de todo o seu
processo, para ser analisado previamente pelo “Comune”, de forma
que, se for entendido que falta alguma peça processual ou algum
esclarecimento, isso possa ser feito ou obtido antes de se empreender
a viagem para a Itália.

Essa medida poderia ser tomada em paralelo com o pedido de


legalização dos documentos traduzidos por tradutor juramentado, que
se faz perante a Repartição Consular Jurisdicionalmente Competente
no Brasil. Isso, pelo fato de que essa legalização muitas vezes é
demorada, e assim sendo, se o candidato tem uma fotocópia de toda
sua documentação já traduzida, mesmo que sem autenticação, poderá
submetê-la ao juízo do “Comune” onde pretende se estabelecer para
dar andamento à sua prática.

Essa remessa de documento pode ser feita também por via digital,
através da Internet ou de algum site provedor de serviços. Poderá
também ser enviado por e-mail (devidamente compactado) ou mesmo
por CD ou DVD em via postal.

O candidato poderá também, criar um website gratuito com uma conta


do Google e deixar esses documentos depositados no referido website
com opções de download e login de acesso, é rápido, fácil e muito
seguro, além de colocá-lo na vanguarda das tecnologias disponíveis
que facilitam a conectividade entre as pessoas. Precisando de
orientações para isso, podem me contatar, eu sou especialista nisso
também e ajudarei na medida que meu tempo o permita.

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A vantagem dessa idéia é que o interessado poderá enviar essa


documentação para vários “Comunes” simltaneamente, pois esses
“Comunes” não são integrados, e conseqüentemente pensarão que a
consulta está sendo feita somente nele. Uma vez que se tenha a
resposta de mais de um “Comune”, já se inicia um bom processo de
análise da rigidez ou flexibilidade no entendimento da pessoa que vai
analisar o processo.

Isso seguramente ajudará o interessado a efetuar uma escolha mais


baseada sobre uma técnica do que ao acaso, resultando seguramente
em maiores chances de sucesso no seu pleito.

PROCEDIMENTOS PARA O RECONHECIMENTO DO STATUS DE


CIDADÃO ITALIANO “IUS SANGUINIS”

O “STATUS” DE ESTRANGEIRO ATÉ QUANDO?

Não obstante o candidato ao reconhecimento da cidadania italiana


“Ius Sanguinis” seja considerado italiano “desde o nascimento”, essa
situação só se torna concreta e efetiva a partir do momento em que a
sua cidadania foi “de fato” reconhecida como um direito, e “de fato”
concedida sob o aspecto formal.

Até esse momento, o aspirante à cidadania italiana não passa de um


simples “candidato”, um aspirante, vale dizer, tem apenas a
expectativa do direito, mas não tem ainda o seu direito reconhecido e
formalizado.

Nessa ótica, é importante relembrar e entender que esse candidato,


sob o prisma da legislação italiana, não passa de um “estrangeiro” e
será tratado dessa forma até que seu direito seja reconhecido e
formalizado, quando então, “retroativamente” à data do seu
nascimento, será formalizado.

Feita essa pequena, mas importante reconsideração, será mais fácil


ao candidato à cidadania entender toda a burocracia que lhe será
imposta para poder exercer esse direito.

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De fato, o Estado Italiano não tem condições de “adivinhar” se uma


pessoa que se diz descendente de italiano, realmente o é. Nesse
prisma, uma série de documentos e procedimentos serão instaurados
pelo Governo Italiano com o propósito de esclarecer essa afirmação
feita pelo candidato à cidadania italiana, e por fim, resultando
comprovadamente verdadeira essa afirmação, lhe reconhecer esse
direito.

Assim sendo, enquanto não reconhecido esse direito, o aspirante à


cidadania italiana é considerado, para todos os efeitos legais, um
estrangeiro. Sendo um estrangeiro, deverá se submeter a todos os
procedimentos que são exigíveis para um estrangeiro poder ingressar
e permanecer no país.

Em outras palavras, deverá entrar e permanecer na Itália formalmente


“regular”, ou seja, em concordância com todas as normas legais
italianas e convenções internacionais que amparem essa sua
permanência em solo italiano.

A QUESTÃO DO INGRESSO, VISTO E “PERMESSO DI SOGGIORNO”

O ingresso de um estrangeiro em território de um país depende de


uma série de procedimentos, mas é conhecido mais popularmente
como “visto”. Pode ser “visto” de entrada, de permanência, de turismo,
de trabalho, de asilo político, enfim, uma infinidade de “motivos” que
sustentam juridicamente o “visto” concedido.

O visto é a autorização administrativa concedida pela Repartição


Diplomática Italiana, fora de seu território, e que autoriza uma
determinada pessoa a ingressar no território Italiano. Mas isso não
basta. Uma vez entrado no território, o estrangeiro deverá solicitar a
autorização para ali poder “permanecer” e isso se chama “permesso”.

Enquanto o “visto” deve ser requerido “fora” do território Italiano, em


uma Repartição Diplomática do Governo Italiano, o “permesso” deve
ser requerido em um Órgão da Administração Pública Italiana, em
território italiano, e que se chama “Questura”. A “Questura” é o órgão
público equivalente ao nosso “Departamento de Polícia Federal”, que

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se encarrega de controlar o acesso e as condições de acesso do


estrangeiro no território nacional.

Assim sendo, quando se fala de “permesso”, automaticamente


teremos o vínculo administrativo com uma “Questura” ou um
“Comissariato” de uma “Questura”.

Um “Comissariato” é um órgão equivalente a uma “departamento” de


uma “Questura”, e que tem vinculação específica com uma
determinada região, uma determinada atividade, uma determinada
prática ou um determinado assunto. Assim sendo, encontraremos na
Itália muitas “Questura” que lidam com o procedimento dos
“permessos” através de seus “Comissariatos”, e isso é perfeitamente
normal, porém bastante recente.

O “permesso” se diz comumente “di soggiorno”, ou seja, de pernoite,


ou de permanência provisória, ou seja, algo não definitivo. Assim
sendo, o termo composto é “Permesso di Soggiorno” e equivale a
dizer, permissão de pernoite ou de permanência provisória.

O atributo “provisório” será qualificado conforme o motivo que o


sustenta, assim sendo, se uma pessoa requeria o visto de ingresso
para fins de turismo na Itália esse o “permesso” era qualificado com
o termo que o vinculava ao motivo do turismo, e assim sendo, era
emitido o “Permesso di Soggiorno Per Turismo”. Devo resgistrar no
entanto, que este tipo de “permesso” já não se usa mais, tendo sido
substituído recentemente por um documento chamado Declaração de
Presença e que veremos mais adiante.

Esses “permesso” podem ser transitórios ou definitivos, tal como no


Brasil temos os vistos provisórios e os permanentes. Quando o
“permesso” tem fundamentos mais sólidos e permanentes de vínculos
com o Estado Italiano, o documento que o exterioriza é chamado de
“Carta de Soggiorno”, a qual consente ao seu titular a permanência
em solo italiano por tempo indeterminado. (D.L. 286/98 de 25/07/98)

A Lei sobre imigração editada em outubro de 1998 mudou o nome dos


“permesso” para os cidadãos da comunidade européia, de “Permesso

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di Soggiorno” para “Carta di Soggiorno”. Em prática, se tratam dos


mesmos documentos porém no início da mudança, se faziam muitas
confusões, ocorrendo por vezes que uma pessoa solicitava um
“Permesso di Soggiorno” e recebia uma “Carta de Soggiono” em seu
lugar, e vice-versa. Hoje essa situação está mais organizada e as
“Questura” e “Comissariato” estão mais esclarecidos.

Não obstante a existência do documento “Carta de Soggiorno”, como


este livro diz respeito à obtenção da cidadania italiana diretamente na
Itália, e para essa prática, na maior parte dos casos, só é exigido o
“Permesso di Soggiorno”, utilizarei aqui esse termo “permesso” como
um “standard”.

Devo esclarecer que um “Permesso di Soggiorno”, seja ele do tipo que


for, NÃO É UMA PERMISSÃO DE RESIDÊNCIA. Esta só pode ser
requerida depois de se ter obtido o “Permesso di Soggiorno”, nos casos
em que seja possível (pelos motivos) estabelecer a residência oficial
na Itália.

O tempo para se obter um “Permesso di Soggiorno” pode variar


bastante, mas em regra exige até 90 dias para sua emissão, em alguns
casos. Entretanto, conforme já expliquei acima, o “Permesso di
Soggiorno” será vinculado ao mesmo motivo que justificou o visto de
ingresso, exceto no nosso caso de requerimento de reconhecimento
da cidadania italiana diretamente na Itália, e veremos o porquê ainda
neste capítulo.

TIPOS E PRAZOS DE VALIDADE DE “PERMESSO DI SOGGIORNO”

São muitos os tipos de “Permesso di Soggiorno” mas os mais comuns


são os seguintes:

a) “Permesso di soggiorno per turismo”: Apresento aqui um


breve relato sobre este tipo de “permesso”, porque foi muito
utilizado até um passado recente, mas hoje não é mais emitido.
Servia a todos aqueles que pretendiam documentar-se para a
visita à Itália por mais de uma semana e que não vinham a se
hospedar em um hotel, pensão ou camping oficial. Esses postos

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tinham a obrigação legal de registrar seus hóspedes, e isso


equivale a um controle do Governo sobre esses visitantes
independentemente do visto que possuiam, por outro lado, se
vinham hospedar-se em casas de famílias, amigos, parentes, o
ideal é que já viessem para a Itália com o visto de turismo,
embora na prática isso não era normalmente efetuado. Este tipo
de “Permesso di Soggiorno” havia uma validade de apenas 3
meses e não podia ser renovado nem modificado para qualquer
outra modalidade de “Permesso di Soggiorno”. Este “permesso’
não permitia o estabelecimento de residência na Itália, nem
mesmo o trabalho ou o estudo;

b) “Dichiarazione di Presenza”: Esta declaração veio para


substituir o antigo “permesso di soggiorno per turismo”, e tem
os mesmos fins daquele. Entretanto a prática para sua obtenção
não é a mesma. Está muito mais simples. Trata-se de uma
declaração que é feita com validade não superior a 90 (noventa)
dias,em território italiano, onde o interessado declara sua
entrada no país com a finalidade de turismo, diretamente diante
da Polícia de Fronteira (no caso de entrada no País, sendo
proveniente de um País não pertencente à União Européia) ou
de um “Commissariato de P.S” vinculado a uma “Questura” (se
a entrada no País se deu por via de outro Páis da União
Européia). Sendo um caso ou outro, esta declaração deve ser
feita no prazo de 08 (oito) dias a contar do dia de ingresso na
Itália;

c) “Permesso di soggiorno per motivi familiare”: Serve ao


cônjuge estrangeiro de um cidadão italiano quando se mudam
para a Itália. Neste caso o “permesso” tem validade de 2 anos
devendo ser renovado quando expirado;

d) “Permesso di soggiorno per lavoro subordinato”: É a


permissão para trabalhar na Itália como empregado
subordinado. Neste caso a validade do “permesso” não pode
superar 1 anos (para contrato por tempo determinado) e 2 anos
(para contratos com tempo indeterminado) devendo neste
último caso, ser renovado sempre que estiver vencendo;

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e) “Permesso di soggiorno per lavoro autonomo/indipendente”:


Serve para os trabalhadores independentes e autônomos. Neste
caso o “permesso” tem validade de 2 anos devendo ser
renovado quando vencendo;

f) “Permesso di soggiorno per studio”: Serve para aqueles que


se dirigem à Itália com o fim particular de estudo. Neste caso o
“permesso” tem validade de 1 ano devendo ser renovado
quando vencendo. Se o curso for plurianual também deverá ser
renovado de ano em ano;
g) “Permesso di soggiorno per ricongiungimento familiare”:
Serve para o cônjuge os fillhos menores e os pais de um cidadão
italiano e também para outros membros da família que venham
para se juntar ao núcleo familiar que já estejam residindo na
Itália. Neste caso o “permesso” tem validade de 2 anos devendo
ser renovado quando expirado;

h) “Permesso di soggiorno per dimora”: Servem aos


estrangeiros que estabelecem suas residências na Itália e que
não pretendam trabalhar ou estudar na Itália. Neste caso o
“permesso” tem validade veriável em base à documentação
apresentada;

i) “Permesso di Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza”: Serve


àqueles que tenham se dirigido à Itália com ânimo definitivo de
residência e que estejam pleiteando o reconhecimento da
condição de cidadão italiano “Ius Sanguinis”. Neste caso o
“permesso” tem validade de 1 ano devendo ser renovado
quando vencendo;

Existem ainda outros tipos de “Permesso di Soggiorno” para outras


classes ditas “especiais” inclusive os refugiados de guerra, refugiados
políticos e missionários religiosos.

Quando um cidadão extra-comunitário encontra-se na Itália e não tem


posse de um visto de permanência, deverá se dirigir à uma “Questura”
para solicitar uma autorização de permanência, que normalmente é

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concedida por motivo de turismo em base a uma “Declaração de


Presença”.

No passado, para se obter o reconhecimento da cidadania italiana,


dentre os documentos exigidos no procedimento inicial encontrava-se
o “Permesso di Soggiorno per Turismo” que deveria ser obtido nos
primeiros 8 dias depois do ingresso em solo italiano. No curso de
validade dessa autorização de permanência por turismo (90 dias), o
estrangeiro deveria obter o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla
Cittadinanza””. Hoje esse procedimento mudou, e nos primeiros 8
dias o estrangeiro já deverá fazer a “Declaração de Presença” e obter
o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza””, sendo
dispensada a exigência prévia de obtenção do “Permesso di Soggiorno
per Turismo”.

ATENÇÃO QUANTO AOS PRAZOS – SÃO 08 OU 90 DIAS?

Devo registrar aqui que existe uma divergência de entendimentos por


parte dos Órgãos Públicos Italianos sobre o prazo para se requerer o
“Permesso di Soggiorno di Attesa alla Cittadinanza”.

PRIMEIRA CORRENTE DE ENTENDIMENTOS – CORRENTE DOS 90


DIAS

Alguns “Comune” têm o entendimento de que a “Declaração de


Presença”, por substituir plenamente o “Permesso di Soggiorno per
Turismo”, segue as mesmas regras daquele e, portanto, deve ser feita
nos primeiros 08 (oito) dias de ingresso em solo Italiano e tem sua
validade por 90 (noventa) dias.

Depois de feita essa “Declaração de Presença”, o interessado estaria


regular no País e teria esses 90 (noventa) dias para poder providenciar
o “Permesso di Soggiorno di Attesa alla Cittadinanza”.

O entendimento desta corrente de pensamentos é de que após a


obtenção do “Permesso di Soggiorno”, não importante se ele foi obtido
nos primeiros 08 (oito) ou nos primeiros 90 (noventa) dias, é de que
em posse do tal “Permesso” o aspirante à cidadania italiana poderia

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trabalhar, estudar e se ausentar do país durante o curso do seu


processo de reconhecimento da cidadania.

Eu particularmente concordo com este entendimento acima


explicitado, mas por razões de precaução, informo o leitor da
existência também de um outro entendimento menos favorável à
prática do reconhecimento da cidadania italiana.

Concordo também com a possibilidade de trabalhar, pois não constatei


uma proibição expressa na legislação, quanto a esse direito sob a
regra do “Permesso di Soggiorno di Attesa alla Cittadinanza”. Aliás, o
Ministério da Finança Italiano, em 2007 se manifestou expressamente
contra a possibilidade de desenvolvimento de atividade profissional
por parte de quem estava sob a égide de tal “permesso”, mas por fim,
como a Itália não tem ma uniformidade na aplicação de seus
entendimentos, resultou que algumas Províncias (em particular a
Província de Treviso) passaram a aceitar que esse direito ao trabalho
fosse extendido aos possuidores de “Permesso di Soggiono per Attesa
alla Cittadinanza”.

Nessa linha, a Secretaria do Trabalho da Província de Treviso passou


a relaxar o “Nulla Osta” para permitir o trabalho a esses aspirantes à
cidadania, e vários deles foram contratados por fábricas locais.

SEGUNDA CORRENTE DE ENTENDIMENTOS – CORRENTE DOS 08


DIAS

Esse outro entendimento é aplicado por outros “Comune” e estes


consideram que a “Declaração de Presença” deve ser feita como pré-
requisito à solicitação de “Permesso de Soggiorno di Attesa alla
Citadinanza”, e que este “permesso” é que deve ser solicitado nos
primeiros 08 (oito) dias de ingresso em solo Italiano.

O entendimento desta segunda corrente de pensamentos é de que


após a obtenção do “Permesso di Soggiorno”, o qual deveria ser obtido
obrigatoriamente nos primeiros 08 (oito) dias do ingresso do
interessado na Itália, é de que em posse do tal “Permesso” o aspirante
à cidadania italiana NÃO poderia trabalhar, NÃO poderia estudar e

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NÃO poderia se ausentar do país durante o curso do seu processo de


reconhecimento da cidadania.

A aplicação desse entendimento complicou bastante a vida de pessoas


mais simples que estejam sonhando com a cidadania italiana. Mas não
é uma via sem saída. Se o candidato conseguir obter um emprego na
Itália, à partir do Brasil, poderá solicitar o Visto de Trabalho, com base
nesse convite, e uma vez na Itália, e regularmente “Soggiornato”
poderá dar entrada em seu pedido de reconhecimento de cidadania
italiana.

Também por precaução, vou considerar que o aspirante à cidadania


se deparará com esta segunda linha de entendimentos, assim sendo,
uma linha mais severa. Neste raciocínio, vou preferir conduzir o
interessado ao processamento de sua cidadania segundo essa
vertente mais rígida, de forma que, se por sorte ou por acaso o
interessado se deparar com aquela vertente mais favorável, não estará
perdendo nada nem se expondo a riscos, apenas antecipando algumas
etapas processuais.

Faço isso absolutamente por medida de prudência, mas creio que o


caminho mais provável é aquele contido no primeiro entendimento,
mas considerando que existe também a possibilidade de se deparar
com o rigor do segundo entendimento, então vamos nos preparar para
esse.

Em se tratando de ingresso em solo italiano, a partir do exterior,


observamos a participação direta da Repartição Diplomática Italiana
estabelecida no Brasil. Porém quando falamos de permanência na
Itália, quando já se está em solo Italiano, toda referência é feita aos
Órgãos Públicos Italianos estabelecidos a Itália.

Muitas informações podem ser obtidas tanto no site do Ministero


Dell’Interno quando no site da Polizia di Stato, cujos endereços coloco
abaixo. Vale a pena conferir, inclusive para auxiliar na prática da leitura
em italiano.

http://www.interno.it

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http://poliziadistato.it

CONSEQUÊNCIAS DA IMIGRAÇÃO CLANDESTINA NA ITÁLIA


A imigração clandestina na Itália é punida com sanções muito severas.
Qualquer pessoa que facilite o ingresso de um estrangeiro na Itália é
punido com até 05 (cinco) anos de cárcere e com multas que podem
chegar a 15 (quinze) mil euros. Essa multa é aplicada “por pessoa”
ingressada na Itália clandestinamente.

Essa pena pode ser aumentada de 04 (quatro) a 15 (quinze) anos de


reclusão e com multas de 15 (quinze) mil euros para cada pessoa,
caso a facilitação de ingresso clandestino tenha sido feita com objetivo
de obtenção de vantagem pessoal, mesmo que a vantagem tenha sido
indireta.

Ainda a pena pode ser aumentada se a imigração clandestina se referir


a um grupo de mais de 05 (cinco) pessoas, ou se resulta em condições
desumanas, degradantes ou feitas através de documentação
fraudulenta.

Se a imigração resultar por exploração de prostituição infantil ou de


mulheres, as penas são aumentadas de um terço e as multas podem
chegar a 25 (vinte e cinco) mil euros por pessoa ilegalmente entrada
no território italiano.

Observa-se assim que o rigor da Lei Italiana impõe a necessidade de


se processar MUITO corretamente o ingresso e a permanência do
estrangeiro no território do Estado Italiano. Isso tudo explica um
pouco toda a dificuldade para se obter o auxílio, por parte de um
residente na Itália, ao ingresso de uma pessoa, seja ela da família ou
do círculo de amizades. O grau de responsabilidade que um residente
assume é muito alto principalmente pelo fato (muitas vezes) de
desconhecer a origem da documentação que o estrangeiro está
portando ao vir para a Itália.

ÓRGÃOS COMPETENTES PARA RECONHECIMENTO DA CIDADANIA


ITALIANA

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O estrangeiro regularmente estabelecido em território italiano, sendo


tilular de um “Permesso di Soggiorno”, sendo possuidor dos requisitos
necessários, requerer o reconhecimento da cidadania italiana (Ius
Sanguinis) pelo fato de ser descendente de um cidadão italiano, mas
para isso deverá seguir um procedimento administrativo especial que
envolve o “Comune” e o “Ufficio Immigrazione della Questura” de
residência.

Um cidadão de origem italiana, nascido e vivido no exterior, como já


vimos anteriormente, é “estrangeiro” até quando não venha a ter
reconhecido seu “status” de cidadão italiano, e como tal, a relativa
condição jurídica.

São competentes para o reconhecimento da cidadania italiana:

a) A Representação Diplomática Italiana no país de


origem (Brasil) quando esse reconhecimento da
cidadania é feita por aspirante à cidadania que esteja
residente no exterior, no caso, no Brasil;
b) “Ufficio di Stato Civile” do “Comune” de residência se
o requerente está regularmente estabelecido na Itália;

O responsável pelo procedimento e pela instrução processual é o


Oficial do Registro Civil (“Ufficiale dello Stato Civile”) do “Comune” de
residência do requerente

PROCEDIMENTOS PARA A PRÁTICA DIRETAMENTE NA ITÁLIA

Uma vez que o aspirante à cidadania italiana esteja com todos os


documentos regularmente preparados no Brasil, conforme já
orientado nos capítulos anteriores, poderá dirigir-se à Itália para início
dos procedimentos em solo italiano.

Considerando que nos últimos 03 (três) anos o Governo Italiano vem


modificando freqüentemente as práticas para processamento do
pedido de reconhecimento da cidadania italiana, tanto quando
solicitada no Brasil quanto quando solicitada no território da Itália,
convém lembrar ao leitor que as sugestões aqui apresentadas

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referem-se às práticas exigíveis à primeira edição do livro “CIDADANIA


ITALIANA – Como Processar a Dupla Cidadania Diretamente na Itália”
de minha autoria e publicada em setembro/2008, outras são práticas
já atualizadas para a segunda edição desse livro (abril/2009) e
algumas para a primeira edição deste (março/2010).

Assim sendo, se o leitor estiver tomando conhecimento destas


sugestões em um momento muito posterior à publicação desta edição,
é ALTAMENTE RECOMENDÁVEL que busque informações atualizadas
para ter certeza de que as práticas aqui sugeridas ainda são aplicáveis.

O procedimento para a prática do reconhecimento da cidadania


italiana, seja ela processada diretamente na Itália seja no Brasil, segue
uma seqüência de ações que necessariamente devem ser
empreendidas na ordem exigida pela legislação. Isso se deve ao fato
de que um documento, muitas vezes, é pré-requisito para outro
documento que vai ser solicitado mais adiante. Em outras palavras,
podemos considerar situações onde a prática de determinado
procedimento é dependente de um documento ou de uma prática
anterior, sem a qual não é possível a conclusão desta.

Essas práticas são concatenadas em uma seqüência muito justa, tanto


sob o aspecto do tempo para sua execução, quanto sob o aspecto da
dependência em sua inter-relação.

Assim sendo, vou apresentar aqui uma seqüência passo-a-passo e


como deverão ser concatenadas as ações a serem empreendidas, em
modo a proporcionar uma maior certeza no resultado positivo do pleito
à cidadania.

UM ITINERÁRIO PASSO A PASSO PARA A PRÁTICA NA ITÁLIA

O aspirante à cidadania deverá seguir as seguintes fases e apresentar


os seguintes documentos para poder avançar com seu processo:

O ELENCO DAS PRÁTICAS

1) Ingressar na Itália;

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2) Seguro viagem para cobertura do período da


passagem aérea;
3) Cartão de Crédito Internacional e Recursos em
Espécie;
4) Obter o carimbo de ingresso na “Declaração de
Presença”, seja no aeroporto no posto da “Polizia di
Frontiera” seja na “Questura” (08 dias de prazo);
5) Obter uma declaração de hospitalidade (48 horas de
prazo);
6) Com o recibo da “Declaração de Presença” em mãos,
requerer a inscrição anagrafica (residência) no “Ufficio
Anagrafe, conforme Circular do”Ministero Dell-Interno n.
32 de 13/06/2008;
7) Preencher módulo de requerimento de
reconhecimento de cidadania italiana com exibição
informal de toda a documentação da cidadania preparada
no Brasil, com seus originais e fotocópias devidamente
traduzidas e legalizadas, tudo perante o “Comune” onde
pretende que seja processada a prática;
8) Apresentar declaração expressa de que a solicitação
de residência é feita com o objetivo de processar o
reconhecimento da cidadania italiana “Ius Sanguinis”;
9) Obter do “Comune”, o “Nulla Osta” que é uma carta
do “Comune” que certifica ou atesta que o procedimento
para o reconhecimento da cidadania italiana “Ius
Sanguinis” instaurado, e que no exame preliminar da
documentação apresentada, não foram constatados
vícios que possam servir de óbice ao pleito do
requerente;
10) Obter uma “Fideiussione” bancária de € 5.000,00
(Cinco mil euros);
11) Obter o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla
Cittadinanza””;
12) Requerer residência no “Comune”;
13) Aguardar controle policial para confirmar a residência
(Ispezione dei Vigili);

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PRÁTICA DE INGRESSO NA ITÁLIA E A IMIGRAÇÃO

Relativamente a essa fase na busca da cidadania italiana diretamente


na Itália o candidato à cidadania deverá empreender viagem com
destino à Itália. Pode ser que o ele esteja partindo do Brasil ou de
qualquer outro ponto no globo, com destino à Itália. Não importa de
onde se parte, mas é MUITO importante COMO se chega na Itália.

Basicamente o acesso ao território italiano pode ser feito por via


aérea, marítima ou terrestre. Em se tratando do acesso via aérea, este
pode ser feito tendo como origem um país da Comunidade Européia
ou um país não comunitário. É muito importante estabelecer a VIA de
entrada na Itália a fim de poupar tempo precioso no curso do
processamento do pedido de reconhecimento da cidadania.

Quando se acessa a Itália por via terrestre ou por via aérea


proveniente de outro país da União Européia, ditos Países do Acordo
de Schengen (Alemanha, Espanha, França, Holanda, Bélgica,
Luxemburgo, Grécia, Itália, Suécia, Áustria, Dinamarca, Finlândia,
Noruega, Portugal e Islândia) , o candidato à cidadania terá de cumprir
uma etapa a mais na prática processual. Isso se dá pelo fato de que,
entrando na Europa através de qualquer outro país europeu, que não
seja a Itália (diretamente), o candidato à cidadania italiana não
conseguirá obter um carimbo de imigração italiana em seu documento
“Declaração de Presença” e em seu passaporte. Como essa declaração
carimbada é necessária para instrução do processo de cidadania, o
candidato deverá obter essa declaração por outro meio, e isso
consumirá ao menos mais um dia na sua prática, aliás, um dia MUITO
precioso, diante das práticas atuais de acordo com a segunda linha de
entendimentos que expliquei algumas páginas atrás.

No caso de entrar por um país do Acordo de Schegen, deverá


providenciar a Declaração de Presença no Comissariato de Polícia da
Região.

Para alguns “Comuni”, estão sendo aceitos como comprovante de


Declaração de Presença, o recibo de hospedagem em Hotel ou
Albergue regular, identificando o dia da 1a. Noite de hospedagem. De

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qualquer forma, por este processo sempre se perderia 01 (um) dia a


mais no processamento da cidadania, motivo pelo qual recomendo a
entrada na Itália, diretamente de país não comunitário e em vôo sem
escala na qual seja exigido o procedimento de imigração. Em outras
palavras, o procedimento de imigração deve ser feito em solo italiano.

O SEGURO DE VIAGEM

A Itália quer garantias de de o estrangeiro tem condições de vir e


permanecer em solo italiano, sem que isso contribua mais para o
déficit previdenciário. Para isso, nos processo de pedido de
reconhecimento de cidadania, considerando que são períodos mais
longos de permanência, exige que o interessado faça prova de poder
arcar com despesas médicas e hospitalares caso necessário. O melhor
meio para se oferecer essa garantia ao governo italiano é entrar na
Itália munido de seguro de viagem particular ou público, que dê essas
garantias de atendimento.

Esse seguro de viagem pode ser adquirido diretamente na Itália, não


é custoso e qualquer agência de viagens poderá emití-lo. O
inconveniente de se fazer isso lá, é que será MAIS uma coisa a fazer,
consumindo o precioso tempo que o interessado na cidadania terá.
Então o que recomendo é que o mesmo já parta do Brasil com esse
seguro em mãos.

Existem no Brasil seguros de viagem comercialmente disponíveis e são


inúmeras as seguradoras que os oferecem. Basta solicitar ao seu
agente de viagens essa informação. Caso você não tenha agência de
viagem de sua confiança, posso recomendar os serviços da Maxtravel,
pertencente ao Grupo Intermax Tour Operator, os quais têm oferecido
um serviço VIP ao que testemunham algumas pessoas que conheci e
que se serviram deles. Eles têm seguro de viagem para oferecer a
preços bem competitivos. O site deles é
http://www.grupointermax.com.br/ e eles ficam na Rua da
Consolação, 37 • Conjunto 701 • São Paulo/SP • Tel.: +55 (11) 3214-
2100

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Se você preferir, poderá também tentar utilizar de um acordo


internacional entre Brasil e Itália, que prevê reciprocidade de
atendimento em matéria de seguridade social.

A vantagem de se utilizar desse acordo internacional é que ele é


gratuito. O interessado deve dirigir-se à Agência do INSS para se
informar da documentação que eles solicitam para sua emissão.
Existe um formulário para esse fim, que se chama Modelo I/B – 2 do
INSS o qual eu anexo na documentação complementar deste livro e
uma imagem no modelo a seguir:

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FORMULÁRIO DO PROTOCOLO DE ACORDO DE IMIGRAÇÃO ITÁLIA-


BRASIL - CERTIFICADO DE DIREITO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA

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É muito importante de efetuar o reconhecimento de firma e


legalização do mesmo perante o Consulado de sua jurisdição no Brasil,
em modo a elidir qualquer possibilidade de recusa na sua aceitação.

CARTÃO DE CRÉDITO INTERNACIONAL E RECURSOS EM ESPÉCIE

É altamente recomendável que o interessado, antes de partir para a


Itália, possua um ou dois cartões de crédito internacionais de
bandeiras diferentes (Visa, MasterCard, Amex, Dinners, etc...) com um
limite mínimo de uns € 1.500,00 (Um mil e quinhentos euros) cada
um, que equivaleria atualmente a uns R$ 4.500,00 (Quatro mil e
quinhentos reais).

A posse de cartões de crédito com essas características facilitará muito


o processo de imigração que será feito ainda no aeroporto ou outro
ponto de entrada, seja diretamente pela Itália ou por qualquer outro
de País do Acordo Schegen.

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Outra medida altamente recomendável e que objetiva o mesmo fim,


é a posse de numerário em espécie, num montante mínimo de uns €
1.500,00 (Um mil e quinhentos Euros), para fazer prova de capacidade
de auto-sustento como turista no momento da entrada na europa.

Essas medidas também reduzirão o risco de repatriamento direto do


aeroporto, sem que seja feita a imigração. Temos que levar em conta
que a europa está entrando num início de processo de xenofobismo,
e qualquer medida que o candidato puder adotar com o fim de evitar
conflitos e gerar motivos para repatriamento, serão sempre
benvindas.

A ESSENCIALIDADE DA DECLARAÇÃO DE PRESENÇA

Esse documento que tem o poder de “substituir” o antigo “Permesso


di Soggiono per Turismo” se chama “Declaração de Presença”.

É um documento no qual o candidato (ainda turista e estrangeiro)


declara que entrou no país. Esse documento deve ser feito
diretamente no Posto de Polícia de Fronteira, quando se entra na Itália
provindo de um país não comunitário e em vôo direto.

Se o acesso ao território Italiano ocorrer, tendo como ponto de partida


um país extra-comunitário com destino diretamente à Itália e for por
via de um Porto Marítimo Italiano ou por Via de um Aeroporto Italiano,
o procedimento de imigração na União Européia será feito na Itália e
isso representa para o candidato, que terá a Declaração de Presença
assinada e carimbada pela imigração, obtido perante uma autoridade
de fronteira italiana.

É direito do estrangeiro que entra na Itália, requerer essa Declaração


de Presença para preencher e assinar, mas se o interessado não
souber disso ou se esquecer, vai simplesmente entrar na Itália fazendo
a tradicional “imigração” através da exibição do passaporte e
recebendo no mesmo o carimbo de ingresso.

Porém, esse carimbo de ingresso, mesmo que feito diretamente no


guichê da imigração do aeroporto, não substitui a Declaração de
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Presença para fins do processamento do pedido de reconhecimento


da cidadania italiana “Ius Sanguinis”.

A CONSEQUÊNCIA DA FALTA DA DECLARAÇÃO DE PRESENÇA

Mesmo entrando na Itália nas condições explicitadas no parágrafo


precedente, é MUITO IMPORTANTE que o interessado esteja bem
atento e consciente no momento da imigração, para que
EFETIVAMENTE sejam carimbados e assinados a sua Declaração de
Presença e o seu passaporte (este, basta o carimbo).

Faço essa advertência, pois muitas vezes ocorre desse carimbo ou a


assinatura não serem colocados, ou por esquecimento por parte do
funcionário da imigração, ou por tumulto, fila ou qualquer outro
motivo que leve à distração do servidor responsável, e que resulte
pela falta desses carimbos e assinaturas.

No caso de o funcionário da imigração esquecer de carimbar ou


assinar a Declaração de Presença ou carimbar o passaporte, é
importante não deixar o recinto da imigração sem que seja aposto o
referido carimbo e assinatura, se necessário, explicando ao funcionário
responsável, que se necessita do tal procedimento para comprovar o
regular ingresso em território italiano para o fim de dar início à prática
processual de reconhecimento da cidadania italiana diretamente na
Itália.

Obtido esse carimbo de ingresso e respectiva assinatura na Declaração


de Presença, não será mais necessário fazê-la no “Commissariato de
P.S.”, resultando em enorme economia processual.

Se o interessado se esquecer de fazer essa declaração as coisas ainda


não vão estar inteiramente perdidas. Poderá ainda fazê-la na
Autoridade de Segurança Pública, que hoje em dia se refere ao
“Commissariato di P.S.” em um determinado Comune vinculado a uma
“Questura”, porém essa prática vai custar ao candidato ao menos um
dia a mais no andamento do seu processo. Como, por prudência,
estamos considerando que deverá obter o “Permesso di Soggiorno di
Attesa alla Cittadinanza” em apenas 08 (oito) dias, esse dia perdido

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resulta por ser um desperdício extravagante e que poderá fazer falta


depois. Se essa falta se confirmar, poderá por a perder boa parte dos
investimentos do candidato.

A ECONOMIA PROCESSUAL COM A “JUSTA” DECLARAÇÃO DE


PRESENÇA

Mas como garantir essa economia processual? É simples. No caso de


brasileiros que estejam indo diretamente do Brasil à Itália para fazer
esse processo, basta que escolham um vôo de companhia aérea que
tenha vôo direto Brasil x Itália. Por exemplo, um vôo da TAM ou Alitália
que vá diretamente de São Paulo ou Rio de Janeiro, à Milão ou Roma
sem fazer uma escala prévia. Basta isso!

Por outro lado, se o candidato à cidadania estiver buscando economia


financeira, poderá resultar com um custo administrativo alto, ou
mesmo correr o risco de perder os prazos para obter o “Permesso de
Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza”” nos primeiro 08 (oito) dias de
ingresso na Itália. E veja bem, 08 (oito) dias não é nada.
Simplesmente voam!!!

Então, economizar o tempo é muito mais importante do que


economizar o dinheiro, nesta hora. Assim sendo, como sugestão,
recomendo fortemente que não sejam adquiridos bilhetes aéreos que
façam conexões (e conseqüentemente imigração) em outros países da
União Européia tais como os vôos da TAP que fazem conexão em
Lisboa, os vôos da Ibéria que fazem conexão em Madrid os vôos da
Lufthansa que fazem conexão em Frankfurt ou os vôos da KLM que
fazem conexão em Amsterdan. Esses exemplos de vôos que citei
acima servem para o leitor ter em mente que deve privilegiar em suas
buscas, vôos que garantam que sua imigração em território europeu
seja feita dentro de solo italiano.

Se vocês aceitam uma sugestão, evitem os vôos da IBÉRIA, pois com


essa companhia eu tive e constatei que muitas outras pessoas tiveram
enormes dissabores quanto à responsabilidade com que tratam nossas
bagagens. Na última viagem que empreendi, portando 12 malas (eu,
esposa e filhos) somente 9 malas me foram entregues no destino,

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sendo 2 bem danificadas. As outras 3, duas me foram entregues mais


de uma semana depois, e a outra, coincidência ou não, era a mais
valiosa e até hoje, 4 meses depois do vôo, a Cia IBÉRIA sequer me
contatou para explicar o furto ocorrido ou para me oferecer qualquer
tipo de reparação de danos. Façam uma pequena pesquisa na Internet
e vocês constatarão o descaso com que são tratadas as bagagens de
seus passageiros e o descaso com que os tratam depois de
extraviarem suas malas.

Para os candidatos que forem provenientes de outros países


Comunitários, não restará outra alternativa, a não ser se submeter à
burocracia adicional de fazer a Declaração de Presença na “Questura”
ou no “Commissariato”. Mas mesmo para estes, se realmente
estiverem conscientes do quanto a “gestão do tempo” é crucial para
o resultado do processo, verão que valeria à pena retornar ao Brasil e
fazer, partindo do Brasil, um vôo direto a solo italiano nos moldes que
sugeri anteriormente.

A NECESSIDADE DA DECLARAÇÃO DE HOSPITALIDADE

Já foi visto em capítulos anteriores a grande importância e controle


sobre a residência em território italiano. Aqui continuaremos a expor
o quanto burocrático é essa prática.

Para poder obter uma residência na Itália, a Lei Italiana impõe uma
série de procedimentos, dentre os quais, que o cidadão estrangeiro
tenha ingressado em território italiano regularmente e que ali possa
se estabelecer.

Para poder se estabelecer, deverá portanto, ter um “Permesso di


Soggiorno” compatível com o ânimo de residência.
Tudo se inicia com a Declaração de Hospitalidade, que em verdade se
refere a uma “Comunicação”. É a “Comunicazione di Ospitalitá
Assunzione o Cessione di Fabbricato”. É feita no “Comune” onde se
pretende residir.

Esse documento é preenchido no próprio “Comune” e normalmente já


é feito com um sistema informatizado integrado. É uma comunicação

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que o anfitrião faz ao “Comune”, informando que o hóspede será


acomodado em sua residência por uma quantidade de meses
equivalente a 06 (seis) normalmente.

Nessa comunicação, o anfitrião declara seus dados pessoais e algumas


informações sobre a sua casa. Declara ainda os dados pessoais do
hóspede bem como sua relação com o mesmo, se de parentesco ou
não. Por fim, informa se é o proprietário do imóvel ou não. Se for o
próprio dono do imóvel, bastará a sua firma, se não for, deverá ainda
ser colhida a firma do proprietário, consentindo que hóspede possa
adentrar ao imóvel.

Relativamente à “Comunicazione di Assunzione”, cabe o parêntese de


que quase não ocorreria no curso de um processo de reconhecimento
de cidadania exceto para aquelas pessoas que eventualmente estejam
indo à Itália também com o visto de trabalho e estejam concorrendo
ao “Permesso di Soggiorno per Lavoro”, caso em que o ofertante do
trabalho é que comunicará o “Comune” sobre sua admissão.

Relativamente à “Comunicazione di Cessione Fabbricato” refere-se ao


proprietário de um imóvel que o cede em locação, comodato ou outro
motivo jurídico, ao hóspede, como local para moradia. Nesse caso é o
próprio dono do imóvel que comunica o Comune de que está cedendo
esse imóvel (“fabbricato”) a um estrangeiro. Quase que não ocorre
essa situação também com as pessoas que se dirigem à Itália para
dar andamento ao processo de reconhecimento de sua cidadania, pelo
fato de que representa uma solução muito dispendiosa, pois implica
em um contrato de longa duração, com cauções que são exigidas, e
por fim, também a dificuldade de se obter a confiança de um dono de
imóvel, para que o ceda em locação a um estrangeiro desconhecido.

Por outro lado, se houverem pessoas conhecidas afiançando o


negócio, poderia ser uma ótima solução para aqueles que dispõe de
melhores recursos financeiros, e isso também facilitaria o
“entendimento” a “convicção” das autoridade responsáveis pela
concessão do “Permesso di Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza””,
de que o tal “inquilino” foi para a Itália com dois “atributos”
importantes: 1) Foi com recursos e 2) Foi com ânimo mais definitivo.

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Seja como for, a Comunicação de Hospitalidade é preenchida em 03


(três) vias, sendo que depois de assinadas pelo declarante e pelo
responsável pela anágrafe do “Comune”, 02 (duas) são ali retidas e 01
(uma) via é entregue ao declarante, que deverá entregar ao
interessado na cidadania, pois deverá ser encaminhada para o
“Commissariato di P.S.” da “Questura” a fim de integrar o processo de
“Permesso di Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza””

NORMA SOBRE OCUPAÇÃO DE IMÓVEIS

Toda essa burocracia sobre a hospedagem de uma pessoa no imóvel,


se deve ao fato de que a legislação italiana estabelece uma quantidade
máxima de habitantes por imóvel, em razão da metragem quadrada
desse imóvel.

Com isso, evita-se situações de superalojamento de pessoas acima da


capacidade sanitária do referido imóvel. Parece-me bastante razoável
essa posição do Governo, até mesmo justifica o porquê da inexistência
(ao menos aparentemente) de favelas e cortiços na Itália (ao menos
ao Norte Italiano).

Para se ter uma idéia, um apartamento com até 46 m2 só pode ter 01


habitante. Não será possível se fazer a “residência” de duas pessoas
com essa metragem quadrada.

Segundo a Lei Regional do Vêneto, n. 10 de 1996, a situação ficou


assim definida:

a) 46 m2 – Máximo de 1 residente;
b) 60 m2 – Máximo de 2 residentes;
c) 70 m2 – Máximo de 3 residentes;
d) 85 m2 – Máximo de 4 residentes;
e) 95 m2 – Máximo de 5 residentes;
f) mais de 110 m2 – Mais de 5 residentes;

Observa-se dessa lei, duas coisas interessantes.

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Primeiro: que não faz menção à idade das pessoas. Nesse caso, um
recém nascido é considerado um número para esse fim, mesmo que
ocupe pouco espaço, há o direito civil de ser considerado um
residente, e nesse caso, contribuindo para a contagem da cota
máxima de residentes.

Segundo: acima de 110 m2, a Lei não detalha o máximo de pessoas


podendo gerar interpretação que resulte por um superpovoamento de
um imóvel com metragem quadrada superior a essa.

Também essa Lei não garante que tudo seja efetivamente assim, creio
que podem existir imóveis onde, ou por descontrole ou por ignorância,
tenham formalmente mais residentes do que a lei permite.

A FIDEIUSSIONE BANCARIA

Para o Governo Italiano aceitar um estrangeiro em seu território, ele


exige comprovação de meios de sustento a esse estrangeiro. Essa
comprovação deve ser feita com meios financeiros, e para isso, em
anos anteriores era exigido uma conta bancária com um depósito no
valor de € 2.500,00 (dois mil e quinhentos euros), que “servia” para o
Governo se tranqüilizar de que o estrangeiro não ficaria “pesando” nos
cofres públicos.

Isso tudo mudou, e hoje é exigido uma fiança bancária no valor de €


5.000,00 (Cinco mil euros) para comprovar a capacidade de
manutenção de um estrangeiro em território italiano por pelo menos
06 (seis) meses.

Suponho que isso tenha sido motivado em razão de manobras que os


estrangeiros faziam com o dinheiro, um emprestando para o outro,
iludindo o governo com relação à própria capacidade de auto-
manutenção na Itália. Por exemplo, um cidadão emprestava parte ou
integralmente o valor para outro que estava precisando demonstrar
ao Governo sua capacidade econômica, e depois de feita a
comprovação (através de extratos bancários) o dinheiro era devolvido.
Assim, o mesmo dinheiro servia para comprovação de capacidade
econômica de várias pessoas, que normalmente não possuíam

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realmente meios de subsistência e se tornavam pedintes em ruas e


estacionamentos de grandes centros comerciais.

O governo também criou uma “Tabella per la determinazione dei mezzi


di sussistenza richiesti per l'ingresso nel territorio nazionale” conforme
dados abaixo e que pode ser consultada no site:

http://www.poliziadistato.it/articolo/226-
Tabella_per_la_determinazione_dei_mezzi_di_sussistenza_richiesti_p
er_l_ingresso_nel_territorio_nazionale

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Quota giornaliera a persona € 27,89 € 17,04

Hoje essa fiança bancária, por outro lado, se resolve o problema para
o Governo, acaba por complicar a situação daqueles que estão
honesta e regularmente tentando obter o reconhecimento de seu
direito à cidadania italiana.

Isso se dá pelo fato de que essa “Fideiussione Bancaria” deve ser


apresentada junto com toda outra documentação pertinente ao
requerimento de “Permesso di Soggiorno”, porém, tudo deve ser feito
somente nos primeiros 08 (oito) dias de ingresso em solo Italiano, e

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esse tempo é muito, muito exíguo para tanta coisa que deve ser
preparada.

Os bancos italianos são muito lentos, são defasados em tecnologia e


ainda possuem leis vantajosas que lhes concedem enormes prazos
para utilizar o dinheiro de seus correntistas. Essa morosidade na
transação econômica protegida por leis, resulta também por impactar
a gestão bancária, que copia o mesmo modelo e se torna também
muito morosa. O resultado disso é que, a obtenção de um contrato de
fiança bancária, se já é complicado no Brasil, imagine só na Itália!

O aspirante à cidadania italiana deverá, contudo, obter esse


documento, e isso realmente vai custar, não só dinheiro, como
trabalho e tempo. Tudo isso se explica pela situação do crédito. Um
banco quer garantias, mas não conhecendo a pessoa, não terá
confiança em conceder-lhe o crédito, e isso resultará por um bom
investimento que “garanta” ao banco a “venda” do crédito.

ALTERNATIVAS PARA A QUESTÃO DA “FIDEIUSSIONE”

ALTERNATIVA 1:
Uma das alternativas para poder ganhar tempo nesse expediente, é
se iniciar essa tratativa com um banco italiano quando o aspirante à
cidadania ainda está em solo brasileiro, ou seja, antes de ir para a
Itália.

Esse procedimento poderia ser desencadeado a partir de um contato


com um Banco Italiano que tenha sede no Brasil, e a partir dessa
agência, obter esse documento de “Fideiussione” ainda no Brasil, com
validade para uso no território italiano, à partir da data em que o
viajante chegasse na Itália. Uma providência dessa natureza pouparia
muitas horas de burocracia italiana e também pouparia muito
estresse, já que o tempo em solo italiano “urge” velozmente. Por outro
lado, estando no Brasil, o candidato terá mais tempo para dispensar a
essa prática.

ALTERNATIVA 2:

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Também como alternativa a essa “Fideiussione”, poderia o interessado


na cidadania empreender contatos com seus amigos e conhecidos na
Itália, em modo a conseguir que esses lhe adiantassem o expediente
da fiança bancária, se empenhando pessoalmente perante as
instituições bancárias italianas. Esse procedimento seria mais
econômico, porém exigiria um certo grau de intimidade com o cidadão
italiano que se colocaria quase que como “avalista” para esse cidadão
brasileiro que pretenderia ir à Itália para fazer o reconhecimento de
sua cidadania.

Uma desvantagem desta alternativa reside no fato de ser bem difícil


encontrar alguém que se disponha a isso, não por conta da
credibilidade no “avalizado”, mas por conta da falta de tempo... aliás,
da “neurose” da falta de tempo que os italianos têm.

ALTERNATIVA 3:
Somente para o caso de candidatos que já possuam cidadãos italianos
em sua família, até o quarto grau em linha reta, poderão se valer de,
alternativamente à “Fideiussione”, apresentar uma “Dichiarazione
Sostitutiva di Atto di Notorieta” assinada por esse parente, no qual o
mesmo declara que acolhe o estrangeiro (no caso, o aspirante à
cidadania) em sua casa (através da declaração de hospitalidade), que
convive com estabilidade e harmonia com esse estrangeiro e que
garante que proverá a manutenção desse estrangeiro sob suas
expensas.

Essa alternativa, no entanto, passa necessariamente por comprovação


de tudo que está sendo declarado. Assim sendo, um imóvel que
contenha a metragem quadrada mínima que permita o recebimento
desse novo hóspede, e um “hollerith” (chamado “Busta Paga”) que
comprove que tem capacidade econômica de manter, dignamente,
mais uma pessoa sob seu teto.

Dentre os documentos que serão exigidos aqui, ainda termos a cópia


da carteira de identidade do declarante e seu CUD do ano anterior
(Declaração e Imposto de Renda, equivalente a nosso DIRPF).

NULLA OSTA

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Outro documento necessário à composição da prática de obtenção do


“Permesso di Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza”, é a carta do
“Comune” onde se atesta que “nada consta”, contra o reconhecimento
da cidadania italiana do requerente.

Para isso, o aspirante à cidadania deverá dirigir-se ao “Comune” onde


está efetuando a prática e onde pretende residir, munido com o recibo
da “Declaração de Presença”, tudo isso no momento em que estiver
também requerendo a inscrição no cadastro de residentes desse
“Comune” (Anagrafe), e ali, apresentar informalmente toda a
documentação elaborada no Brasil, devidamente traduzida e
legalizada.

Deverá, ato contínuo, declarar que a solicitação de residência se faz


com a finalidade de reconhecimento da cidadania italiana “Ius
Sanguinis”.

O “Comune”, com base nessa documentação, fará uma análise prévia,


e expedirá uma carta onde certifica que o “Iter” do procedimento de
reconhecimento da cidadania “Ius Sanguinis” está em andamento.

Essa exigência da lei, já vigente anteriormente, tem trazido alguns


problemas de interpretação, aliás, eu mesmo em meu processo tive
desses problemas.

COMUNICAÇÃO COM O CONSULADO NO BRASIL

A causa mais evidente desses problemas é decorrente de um paradoxo


legal. Veja bem, o oficial do estado civil que vai analisar o processo de
cidadania e para fazê-lo deverá seguir alguns ritos legais. Dentre esses
ritos legais, encontra-se um que determina ao referido oficial, que
deve comunicar-se com o Consulado do Brasil, para consultar se o
requerente (aspirante à cidadania) bem como todos seus
antepassados não apresentaram perante essa Repartição Consular,
renúncia à cidadania italiana.

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O aspirante à cidadania deverá declarar ao “Comune”, todos os


endereços nos quais viveu no Brasil, em modo a definir a Jurisdição
das Repartições Consulares Competentes, as quais serão todas
consultadas para informar sobre essa hipótese de renúncia expressa
à cidadania italiana.

Esse paradoxo é materializado quando se constata que até


relativamente ao requerente (que ainda não é um cidadão italiano)
deve ser feita a verificação de que o mesmo não tenha renunciado à
cidadania italiana. A pergunta que fica sem resposta é: Como pode,
alguém que ainda não tem a cidadania italiana, renunciá-la? Só
podemos renunciar a alguma coisa sobre a qual já possuímos o direito
de exercício. Não sendo ainda cidadão italiano, como poderia uma
pessoa exercitar o direito de cidadão para poder renunciar a esse
próprio direito? Ao menos para mim, isso é um paradoxo confuso.

Considerando que o Oficial do Registro de Estado Civil, para poder


afirmar que nada consta contra o pedido de cidadania do requerente:

a) depende de analisar todos os documentos apresentados pelo


requerente;
b) depende também da resposta afirmativa da Repartição
Consular do Brasil atestando que nem o requerente, nem seus
ascendentes renunciaram à cidadania italiana;

Como nenhuma dessas duas práticas será feita ali, no momento em


que o interessado está no guichê, a situação resulta por indefinida.

Uma boa questão que se impõe aqui, é: Porque o candidato à


cidadania italiana, ele próprio já que está no Brasil preparando uma
série de documentos para ir à Itália, não pode dirigir-se ao Consulado
de sua jurisdição e já solicitar previamente essa declaração que o
“Comune” italiano deve requerer do tal Consulado?

A resposta que obtive por várias vezes, quando indaguei se não


poderia eu mesmo portar esse documento à Itália, é de que eu não
detinha a “competência legal” para solicitar esse documento. Que a
legislação havia atribuído essa “competência legal” ao “Comune”,

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assim sendo, somente o “Comune” poderia solicitar esse documento


ao Consulado, e somente ao “Comune” o Consulado poderia dirigir-se
e responder à solicitação.

Então, uma vez que é assim, embora sem tanta lógica, só resta
arranjar outras alternativas para dar andamento a esses processos.

Como poderá o Oficial do Registro de Estado Civil, antes de ter essas


respostas, atestar o “Nulla Osta” ao procedimento que está sendo
apenas iniciado pelo interessado?

ALTERNATIVA:
Uma solução que encontrei para esse paradoxo jurídico, é obter do
Oficial do Registro de Estado Civil uma declaração de que a prática
processual foi ali superficialmente analisada, e que “aparentemente”
em um simples controle formal da documentação apresentada, “Nulla
Osta” ao início do procedimento para verificação das possibilidades de
reconhecimento da cidadania italiana.

Considerando que o oficial do “Comune” ao qual me dirigi era muito


criterioso, aliás extremamente criterioso, eu tive uma certa dificuldade
em obter esse documento, mas isso não foi devido à uma má vontade
do referido servidor, o qual, aliás era muito competente, mas sim ao
próprio paradoxo jurídico criado pela Lei, que o obrigava a afirmar
uma situação jurídica antes mesmo de ter toda a documentação que
lhe permitisse emitir um juízo de mérito sobre a referida prática.

Eu compreendi a dificuldade em que a Lei colocou esse operador dos


serviços e juntos encontramos uma alternativa para poder dar
prosseguimento ao meu processo, sem que o referido funcionário
fosse colocado em risco de estar decidindo o mérito e me concedendo
um direito antes de ter a certeza de que eu não havia renunciado a
esse próprio direito.

Este foi o texto que fiz inserir nesse documento, em concordância com
o Oficial do Registro de Estado Civil do “Comune” onde efetuei a
prática de reconhecimento de minha cidadania italiana.

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“ Com la presente, ai fini del rilascio del permesso di soggiorno per


riconoscimento della cittadinanza italiana a cittadino brasiliano di
origini italiana, si comunica che:

MEU SOBRENOME E MEU NOME COMPLETO


Nato a MINHA CIDADE DE NASCIMENTO (Brasile) il DIA/MÊS/ANO

- há presentato in data odierna l-istanza, corredata della


documentazione relativa, ai fini del
riconoscimento della cittadinanza italiana iure sanguinis;
- la pratica é ad oggi all’esame di questo ufficio.”

Com esse texto, consegui superar um problema jurídico, que não seria
solucionado sem uma saída que não comprometesse o referido oficial
do registro civil.

“PERMESSO DI SOGGIONO PER ATTESA ALLA CITTADINANZA”

Como já vimos, segundo o entendimento mais rigoroso e nos dias


atuais, a prática da cidadania exige que o interessado obtenha no
prazo de 08 (oito) dias, o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla
Cittadinanza”.

Esse “Permesso” deve ser concedido pela “Questura” competente para


a prática, ou seja, a “Questura” da Província onde o candidato
pretenda efetuar sua residência. Na prática em muitas Províncias, essa
função está sendo exercida pelos “Commissariato di P.S.”, conforme
vimos anteriormente.

Mas é mesmo necessário o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla


Cittadinanza” para poder obter o reconhecimento da cidadania italiana
diretamente na Itália?

A resposta é, não!

Para obter o reconhecimento da cidadania italiana diretamente na


Itália, o “Permesso di Soggiorno” não é essencial. Ele se torna
essencial se o interessado puder correr o risco de permanecer em solo

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italiano sem a devida regularidade, e a regularidade de permanência


só pode ser obtida através da “Declaração de Presença” ou das
permissões que são os “Permesso di Soggiorno”.

Seja qual for, ela terá uma validade limitada no tempo.

Se o candidato à cidadania tiver 100% de certeza de que a sua prática


de reconhecimento de cidadania italiana pode ser concluída em menos
de 03 (três) meses, então o “Permesso di Soggiorno” acaba por ser
um documento desnecessário, já que por 03 (três) meses o cidadão
brasileiro em posse do recibo de entrega da “Declaração de Presença”
pode permanecer legalmente no território italiano. Assim sendo, não
estará irregular no país, e quando sua cidadania for reconhecida, se
acontecer antes desses 03 meses, ele não estará mais irregular pois
será um cidadão italiano.

Por outro lado, se sua cidadania não for reconhecida nesse breve
tempo, a sua situação de permanência e solo italiano será considerada
clandestina, sujeitando-se às penas e conseqüências legais impostas
aos clandestinos, inclusive à expulsão do país, resultando como
improfícuo seu processo de cidadania. Lembre-se também das
pesadas multas que são impostas nessas situações. Reveja o item
“Imigração Clandestina na Itália” no início deste Capítulo.

Vale a pena correr esse risco? Se me perguntarem isso, sempre


responderei que não.

Não vale a pena correr esse risco, pois ele é muito alto e não valerá a
pena colocar em risco um sonho tão grande, só por conta de economia
de algumas fases processuais.

Também essa opinião se justifica muito em base ao tempo que tem


demandado para que um “Comune” obtenha a resposta de uma
Repartição Consular Italiana do Brasil, afirmando que o interessado e
seus antepassados NÃO renunciaram à cidadania italiana.

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Assim sendo, é mais conveniente correr atrás do tal “Permesso di


Soggiorno per Attesa alla Cittadinanza”, e para isso, serão necessários
os seguintes documentos:

DOCUMENTOS A APRESENTAR NO “COMMISSARIATO DE P.S.”

1) Passaporte com carimbo de ingresso na Itália ou em


algum outro país da União Européia;
2) “Declaração de Presença” carimbado e assinado pela
Polícia de Fronteira ou feita perante o próprio
“Commissariato” caso o ingresso na Itália tenha sido por
fronteira com outro País Comunitário;
3) Marca da Bollo de € 14,62 (Catorze Euros e Sessenta
e Dois Centésimos);
4) Fotocópia de todas as páginas do Passaporte inclusive
com a página do carimbo de ingresso;
5) Quatro fotografias do requerente em formato
“Tessera”;
6) Quatro fotografias de cada um dos eventuais filhos
menores de idade à cargo do requerente do “Permesso
di Soggiorno” caso estejam indo à Itália para viver junto
com o requerente;
7) Declaração de Hospitalidade feita perante o “Comune”
assinada por quem dá a hospedagem ao requerente ou
por quem concede em uso (aluguel, comodato, etc...)
imóvel para habitação do requerente;
8) Fotocópia de um documento de identidade da pessoa
que concede a hospedagem ou do “Permesso di
Soggiorno” caso essa pessoa seja um estrangeiro;
9) Apresentação do seguro de saúde viagem ou do
certificado de direito de assistência médica emitido pelo
INSS.

Relativamente à “Declaração de Presença” carimbada e assinada, não


esquecer da GRANDE CONVENIÊNCIA em se fazer o acesso à Itália
através de um vôo sem conexões, partindo do Brasil, diretamente a
Milão ou Roma, ou qualquer outra cidade Italiana.

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Se o ingresso se de por território de outro Estado Membro da União


Européia, será necessário fazer a “Declaração de Presença” perante o
“Commissariato” ou a própria “Questura” da respectiva Provícia.

Relativamente à “Marca da Bollo” trata-se de um selo vendido em


tabacarias, que são muito facilmente encontradas na Itália. Essas
tabacarias têm maquinas de registro desses “Bollo” que são selos pré-
pagos de taxas e emolumentos pelos atos praticados perante a
Administração Pública Italiana. Para os processos cotidianos,
normalmente tem sempre esse mesmo valor de € 14,62 (Catorze
Euros e Sessenta e Dois Centésimos de Euro).

O passaporte deverá ser levado em original, bem como uma fotocópia


de todas as suas páginas, mesmo as em branco, do começo ao fim. É
bom lembrar que o passaporte deve estar em curso de validade, e
distante do prazo de vencimento, ao menos uns 02 (dois) anos. Isso
eu recomendo, pois como o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla
Cittadinanza” pode ser concedido por um prazo de até 01 (um) ano,
se o passaporte vencer antes desse tempo, o permesso será dado até
uma validade de 06 (seis) meses anteriores ao vencimento do
passaporte, assim sendo, o interessado terá empreendido um enorme
esforço para conseguir um “Permesso” que será dado por pouco
tempo, sujeitando-o logo-logo a requerer sua renovação, com novos
custos, novos documentos e novos estresses.

Deve ser ainda considerado que, uma vez que a legislação sobre essas
práticas tem mudado com muita freqüência, pode ser que já na
renovação de um “Permesso di Soggiorno” novos documentos ou
procedimento tenham sido incorporados, resultando em maiores
burocracias e desgastes pessoais.

Relativamente às fotografias do requerente em formato “Tessera”,


cabe informar que tem as medidas aproximadas de 3,5 x 4,5 cm e
devem ser feitas a meio perfil, em modo poder registrar o formado da
cabeça e das orelhas. Essa é uma determinação da legislação anti-
terrorismo, da União Européia, ao menos me foi assim informado.
Assim sendo, não faça essas fotos no Brasil, faça-as aqui, custam €

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10,00 (dez euros) para se fazer 08 (oito) fotos, é a média e são feitas
na hora.

Relativamente à declaração de hospitalidade, já vimos anteriormente


que uma via ficou em mãos do aspirante à cidadania.

Também será necessária uma fotocópia do documento de identidade


do anfitrião que deu a hospitalidade ou do empregador, se for o caso
de admissão em emprego, ou do locador, no caso de cessão de
“fabbricato”. Enfim, uma cópia desse documento de identidade deverá
de novo ser apresentada, agora não no “Comune”, mas sim na
“Questura” ou “Commissariato di P.S.”.

Se esse anfitrião, empregador ou locador for estrangeiro, ao invés da


fotocópia da identidade será exigida fotocópia do seu “Permesso di
Soggiorno”.

Deverá ser anexado aqui a carta de “Nulla Osta” dada pelo “Comune”
no qual foram depositados todos os documentos para a prática da
cidadania italiana, conforme já vimos em detalhes nas páginas
anteriores.

Por fim, o comprovante da documentação sobre a “Fideiussione” que


atestem os adequados meios de sustento do requerente, ao menos
semestral, na importância de € 5.000,00 (Cinco mil euros) ou uma das
alternativas que sugeri anteriormente no detalhamento deste tema.
Lembro aqui, que essa fiança poderia também ser apresentada em
forma de apólice de seguro, se for possível obtê-la.

Em posse de todos esses documentos, o candidato deverá se dirigir


ao “Commissariato de P.S.” da jurisdição do “Comune” onde estiver
dando entrada nos documentos.

Para isso é muito importante que o candidato já no primeiro ou


segundo dia de sua chegada na Itália, procure por esse
“Commissariato” para obter informações sobre os horários de
apresentação, horários em que as eventuais filas se formam, e

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eventualmente se os mesmos distribuem senhas ou fixam


agendamentos.

Essa simples medida poderá auxiliar muito no processamento de seu


pedido, uma vez que já se coloca em contato com o Órgão,
estabelecendo uma sintonia de comunicação e preparação que
certamente serão de grande auxílio no dia em que for se apresentar
com toda a documentação para obtenção do “Permesso di Soggiorno”,
tal como já sugeri anteriormente no contato com os “Comune”.

Essa visita ao Órgão também deve levar em conta a busca de


informações que possam atualizar o contexto inserido nesta obra, já
que o Governo Italiano não tem se revelado muito estável em suas
práticas para reconhecimento da cidadania italiana diretamente na
Itália, principalmente quando se trata de brasileiros.

RESIDÊNCIA NO “COMUNE” E VISITA POLICIAL (“ISPEZIONE DEI


VIGILI”)

Uma vez com o “Permesso di Soggiorno” em mãos, o aspirante à


cidadania começará a viver um pouco melhor da sua situação jurídica
na Itália. Não significa que tudo acabou, mas que começam a surgir
novos horizontes.

A primeira providência a fazer é obter a residência oficial. Esse


procedimento se faz levando o “Permesso di Soggiorno per Attesa alla
Cittadinanza” ao “Comune” onde foi feita a comunicação de
hospitalidade e também analisados preliminarmente todos os
documentos de cidadania preparados no Brasil. No caso de “Comune”
que tenha o entendimento mais favorável ao interssado, essa
residência já poderá ser requerida com a requisição feita no momento
em que se apresentou o recibo da entrega da “Declaração de
Presença”. Mas este é o caso mais simples. Por prudência, vou
considerar que será sempre solicitado o “Permesso di Soggiorno”.

O “Comune”, em posse da cópia do “Permesso di Soggiorno”,


preencherá uma série de campos em um banco de dados
informatizados, colocando todos os dados do requerente e depois

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imprimindo um documento que se chama pedido de residência


“Richiesta di Residenza”. Esse documento é feito em uma folha
enorme e impresso em impressora matricial de 150 colunas, de tão
grande que é. Pode ser que à época em que o leitor interessado esteja
processando seu pedido, essa tecnologia já tenha mudado, mas hoje
ainda é assim.

Uma vez impresso, o Oficial do Registro colhe a assinatura do


interessado, e destaca uma grande tarjeta desse documento
entregando-a ao requerente como prova de pedido de residência.

Uma vez feito isso, o Oficial do Registro comunica a Policia Municipal


ou outro Órgão de Polícia responsável pela segurança pública, e esse
Órgão se encarregará de fazer uma fiscalização, inspeção de controle
para se certificar de que o interessado realmente existe, de que o
imóvel realmente existe e é apropriado ao uso humano e que o
interessado está estabelecido realmente lá.

Essa fiscalização, comumente chamada de “visita policial” (“Ispezione


dei Vigili”) tem também o objetivo de verificar as condições sócio-
sanitárias do local, e certificar que não se trata de um cortiço, de uma
fraude ou outra coisa.

Como essas visitas policiais não tem data certa para ocorrer, podendo
variar de 01 dia a mais de 02 ou 03 meses, é muito desagradável ao
interessado, mas ele deverá procurar ficar de plantão no imóvel, até
que essa visita ocorra. Se ocorrer de os policiais passarem para fazer
a visita em um momento em que o interessado não esteja, eles
normalmente retornam, mas se isso acontecer por muitas vezes, a
situação poderá se complicar para o interessado, que se verá diante
de necessidade de se justificar do porque não ter sido encontrado,
embora insistentemente procurado.

Cabe aqui uma advertência: Mesmo com o “Permesso di Soggiono di


Attesa alla Cittadinanza” em mãos, e (segundo o entendimento mais
favorável) podendo sair do País, não convém ao interessado fazer uso
dessa liberdade antes da visita dos policiais, aliás, que pode ser
repetida mais de uma vez.

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Essas visitas também tem a finalidade de verificar se o interessado


não está trabalhando ilegalmente, e por isso dificilmente eles
agendam visitas com dia ou hora marcadas.

É um mal necessário, mas uma vez superado, estará abrindo as portas


da Itália para o candidato. Nessa visita os policiais poderão solicitar
abertura de armários e malas, bem como indagar o requerente sobre
sua vida, certificando-se de que se trata de uma pessoa honesta e que
está corretamente praticando seus atos na Itália

É uma missão solene e muito importante, e o respeito deve reinar de


ambas as partes. Recomendo fortemente que o imóvel que será objeto
da vistoria seja mantido limpo e organizado e que não tenha
residentes acima do número máximo de pessoas por metro quadrado
permitido pela lei.

Se algum problema ocorrer nessa vistoria, a residência não será


concedida, e muita burocracia deverá ser reiniciada para resolver essa
situação pois colocará o estrangeiro (pois ainda é estrangeiro) em
situação de não ter um abrigo regular.

Uma vez concluída a visita policial, um relatório será encaminhado


pelo Órgão de Polícia ao Oficio de Registro Civil, atestando a
veracidade das declarações do requerente. Feito isso, o requerente
será inscrito na anagrafe dos residente no “Comune” e poderá solicitar
um “Certificato di Residenza” que vai ser um documento inicial para
pedido de outros documentos e prática de atos na vida civil.

APRESENTAÇÃO DEFINITIVA DE DOCUMENTOS

Obtida a residência se inicia a prática para o reconhecimento da


cidadania italiana na Itália, e se faz através de um requerimento
escrito pelo próprio “Comune”, onde o interessado assina solicitando
o reconhecimento de sua cidadania “Ius Sanguinis” e faz a juntada de
toda a sua documentação preparada, traduzida e legalizada no Brasil.

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Uma vez feito o depósito dessa documentação, não restará mais ao


interessado fazer nada, apenas esperar que seu processo seja
analisado e concluído.

Nessa análise, como já foi mencionado anteriormente no item


“Comunicação com o Consulado no Brasil”, o “Comune” solicitará ao
Consulado de Jurisdição Competente no Brasil informações sobre
eventuais renúncias do interessado e de seus ascendentes, à
cidadania italiana.

Esta consulta não se confunde com aquela feita ao Ministério da


Justiça do Brasil na qual se solicita uma Certidão Negativa de
Naturalização. Se o ancestral se naturalizou quando chegou ao Brasil,
isso se deu através de nosso Ministério da Justiça, mas não
necessariamente o fez comunicando ao Governo Italiano sua decisão,
e por isso o Governo Italiano requer aquela Certidão Negativa.

Porém em se tratando de italianos, se eventualmente algum desses


antepassados renunciou expressamente à própria cidadania, isso só
pode ter sido feito perante o Governo Italiano, que é o governo que
tem a capacidade ativa para processar esse pedido, já que é de sua
soberania. Então, isso fica assentado nos registros consulares, e é por
isso que se faz esta consulta a esses Consulados.

São assim, dois atos distintos e que não se confundem. Um é a


Certidão Negativa de Naturalização (obtida perante o Ministério da
Justiça do Brasil) outro é um tipo de Certificação Negativa de Renúncia
de Cidadania ou de Nacionalidade (obtida perante o Consulado
Italiano no Brasil).

Quando o Consulado devolve a resposta de que não houve renúncia


por parte do interessado e seus ascendentes, à cidadania italiana,
então o processo se conclue, e o próprio “Comune” consagra o direito
de cidadania italiana ao interessado, fazendo para isso alguns atos
formais, dentre os quais o Registro de Nascimento do requerente nos
registros civis ali mantidos.

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Esse é o momento tão esperado por todos os aspirantes à cidadania


italiana.

LEGISLAÇÃO CITADA E SUGESTÃO DE LEITURA

LEGISLAÇÃO ITALIANA

Lei n. 555 e 13 de junho de 1912


Tratado de Paz de 10 de fevereiro de 1947
Constituição Italiana de 01 de janeiro de 1948
Convenção de Haya de 05 de outubro de 1961
Lei n. 123 de 21 de abril de 1983
Sentenza Corte costituzionale, 09 febbraio 1983 , n. 30
Parecer n. 105 de 15 de abril de 1983
Lei n. 91, de 05 de fevereiro de 1992

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Circolare n. K. 60.1 11 novembre 1992


Lei Regional do Vêneto, n. 10 de 1996
D.L. 286 de 25 de julho de 1998
Decreto Legislativo 19 ottobre 1998, n. 380
Lei n.431 de 09/12/1998
Lei Italiana 379/2000
Cassazione civile, Sezioni Unite, 19 febbraio 2004 , n. 3331
Nota do “Ministero dell’Interno” n. 400/A/2005/1501/P/23.13.27 de 05
dezembro 2005
Circolare del Ministero dell’interno n. 32 del 13 giugno 2007
Decreto Lei n. 112 de 25 de junho de 2008
Codice Della Strada

LEGISLAÇÃO BRASILEIRA

Convenção sobre a nacionalidade da mulher casada - Decreto n°


64.216, de 18/03/1969
Constituição da República Federativa do Brasil - 1988
Lei Federal nº 11.441 de 04 de janeiro de 2007

AGRADECIMENTOS

Primeiro agradeço a Deus, Jesus e à Nossa Senhora de Aparecida, pois


sem esse apoio espiritual, nada teria se realizado, não só no que diz
respeito à minha cidadania, mas à minha própria vida.

Cíntia Galdino de Oliveira Costa Marques – Minha esposa, especial


companheira, que agüentou me ouvir e aceitou sonhar os meus

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sonhos e fazer dos meus, também os seus ... apesar das dificuldades
que esses sonhos nos impuseram na vida;

Daniel Estevam Galdino Costa Marques – Meu filho, o meu motivo, ao


qual dedico esta cidadania;

Rebecca Galdino de Carvalho – Minha filha de criação e meu sonho


ousado de adoção que não foi ainda realizado por razões que só o
egoísmo humano poderá entender, a quem, se eu conseguisse a sua
adoção, poderia também transmitir o direito à cidadania italiana;

Alberto Berlendis – Meu pai de criação, que me ensinou os valores do


trabalho, da honestidade, do caráter, da perseverança e do estudo;

Muito obrigado a todos.


Estevam Del Nero
O autor

SOBRE O AUTOR

Estevam Luiz Del Nero Costa Marques, nasceu em São Paulo (SP) no
ano de 1.964. Iniciou seus estudos de Direito na Faculdade de Direito
de Itu (SP) em 1.982, tendo concluído a graduação na Faculdade de
Direito das Universidades Metropolitanas Unidas em São Paulo no ano
de 1.987.

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Foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil já no


primeiro semestre de 1.988, tendo recebido a inscrição da OAB n.
91.320 (SP).

Exerceu várias funções na administração pública direta e indireta,


todas em razão de aprovação em concurso público, tendo iniciado sua
carreira como escrevente de audiência da magistratura em 1.983.
Aprovado em concurso para Oficial de Justiça exerceu a função por 04
anos, durante os estudos de direito.

Com o título universitário se submeteu a concursos de nível superior,


tendo exercido a função de Agente da Fiscalização Financeira do
Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, onde foi promovido
internamente à Assistente Técnico de Gabinete, tendo exercido suas
funções em Gabinete de Conselheiro até final de 1.990. Dentre umas
02 dezenas de concursos em que obtivera aprovação, destacou-se por
ter obtido êxito nos processos seletivos e a nomeação em vários
concursos para Fiscal de Rendas (ICMS) nos Estados de Rondônia,
Mato Grosso do Sul (por 02 vezes) e Mato Grosso, tendo exercido a
função de Fiscal de Tributos do Estado de Mato Grosso nos últimos 20
anos. Como advogado, lutou pela conquista do reconhecimento da sua
cidadania italiana e atingiu seu objetivo em 2.006, partindo de seu
“Trisavô” Abruzzesi, “Felice Del Negro” nascido em 1.844 na cidade
italiana de Montazzoli.

Em 2007 licenciou-se do Estado para acompanhar a esposa que


trabalhava em multinacional e foi promovida para assumir a direção
de uma unidade Européia da empresa.

Na Itália, a convite de um Grupo Empresarial, exerceu funções de


Consultor na área jurídica, administrativa e de sistemas, promovendo
cursos e palestras, inclusive no âmbito motivacional.

Pai de 02 filhos, ainda residiu na Itália por cerca de 2 anos e também


presta consultoria nas áreas afins com a cidadania italiana.

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Qualquer dúvida ou sugestão, entre em contato com o autor através


do e-mail info@estevamdelnero.com

Todas dicas, sugestões e reclamações serão muito bem-vindas.

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