Вы находитесь на странице: 1из 34

Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz Federal da 2ª Vara do Trabalho de

Guarapari/ES.

Embargos distribuídos por dependência ao Proc. n°0000018-32.2015.5.17.0152

GARANTE VITÓRIA SERVIÇOS CONDOMINIAIS LTDA.,


pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n.º 12.197.411/0001-06,
com endereço à Rua Alexandre José Buaiz, nº 160, Ed. London Office Tower, Sl.
201, Enseada do Suá, Vitória/ES. já qualificada , vem, perante Vossa Excelência,
nos termos do Art. 674 e seguintes do CPC/2015 c/c Art. 769 da CLT, apresentar
os presentes

EMBARGOS DE TERCEIRO

Em face da decisão que penhorou os ativos financeiros da embargante em razão


de despacho exarado nos autos do CUMPRIMENTO DE SENTENÇA na
RECLAMAÇÃO TRABALHISTA movida por MARIA APARECIDA DE OLIVEIRA
ROCHA em face do THERMAS INTERNACIONAL DO ESPÍRITO SANTO, pelos
fundamentos a seguir expostos:
I – TEMPESTIVIDADE

1.1 - A embargante sofreu penhora em seus ativos financeiros no


dia 23/03/2017 (quinta-feira), de sorte que o prazo se encerra aos 28/03/2017
(terça-feira).

II – BREVE RESUMO DA DEMANDA

2.1 - Trata-se de fase de cumprimento de sentença instaurada em


face do THERMAS INTERNACIONAL DO ESPÍRITO SANTO em razão do não
pagamento voluntário do crédito trabalhista constituído por sentença nestes autos
no valor de R$ 25.363,45 (vinte e cinco mil e trezentos e sessenta e três reais e
quarenta e cinco centavos).

2.2 - Em meados de agosto de 2016 este douto juízo determinou a


penhora as taxas de condomínio pagas pelos associados da Reclamada junto à
GARANTE VITÓRIA SERVIÇOS CONDOMINIAIS LTDA., ora Agravante.

2.3 - Por não conseguir receber os valores que foram


antecipados ao THERMAS uma vez que os condôminos não efetuam os
pagamentos das taxas condominiais faz muitos meses, consequentemente
não foi depositado nenhum valor na conta destacada por este douto juízo.

2.4 - Na sequência, este juízo em qualquer embasamento jurídico,


determinou a penhora on line de ativos financeiros da embargante fazendo a
constrição/bloqueio e transferência do valor de R$ 28.689,21 (vinte e oito mil e
seiscentos e oitenta e nove reais e vinte e um centavos).

III – PRELIMINARMENTE – PROTOCOLO DOS EMBARGOS DE TERCEIRO


DIRETAMENTE NO JUÍZO DEPRECANTE – INTELIGÊNCIA DO ART. 676, §
ÚNICO DO CPC/2015.

3.1 - Consabido que o CPC/2015 aplica-se, subsidiariamente, ao


processo trabalhista por força do Art. 769 da CLT, ‘in verbis’:
“(...) Art. 769 - Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte
subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for
incompatível com as normas deste Título. (...)”

3.2 - Dito isso, o Novo Código de Processo Civil (Lei Federal n°


13.105/2015) destaca expressamente que os embargos de terceiro deverão ser
opostos diretamente no Juízo deprecante naqueles casos em que este indicar o
bem a ser constrito e a o ato tiver que ser cumprido por meio de carta.

3.3 - Nesse sentido é o Art. 676, ‘caput’, veja:

“(...) Art. 676. Os embargos serão distribuídos por dependência ao juízo


que ordenou a constrição e autuados em apartado. (...)”

3.4 - Como a penhora dos ativos financeiros partiu do juízo da 2ª


Vara do Trabalho de Guarapari/ES, os Embargos de Terceiro serão opostos
diretamente na Vara do Trabalho de Guarapari/ES.

IV – PONDERAÇÕES INAUGURAIS

– MODELO DE NEGÓCIO DA EMPRESA


‘GARANTE VITÓRIA SERVIÇOS CONDOMINIAIS LTDA.’

4.1 - Por meio da presente ponderação inaugural, cumpre


esclarecer como se opera o modelo de negócio da empresa GARANTE VITÓRIA
SERVIÇOS CONDOMINIAIS LTDA.

4.2 - De plano, destaca-se que a ora embargante não é


administradora de condomínio como muitos acreditam.

4.3 - Basicamente o objeto da embargante é ‘ATIVIDADES DE


COBRANÇA E ANTECIPAÇÃO DE CONDOMÍNIO E ALUGUEL’, conforme se
verifica da consulta de CNPJ obtida junto à RECEITA FEDERAL DO BRASIL – RFB
e do CONTRATO SOCIAL (em anexo):
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL

CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA

NÚMERO DE INSCRIÇÃO
12.197.411/0001-06
COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO DATA DE ABERTURA
24/06/2010
MATRIZ CADASTRAL

NOME EMPRESARIAL
GARANTE VITORIA SERVICOS CONDOMINIAIS LTDA

TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA)


GARANTE VITORIA

CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL


82.91-1-00 - Atividades de cobranças e informações cadastrais

CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS


82.99-7-99 - Outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificadas anteriormente

CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA


206-2 - Sociedade Empresária Limitada

LOGRADOURO NÚMERO COMPLEMENTO


R JOSE ALEXANDRE BUAIZ 160 160 SALA: 201;

CEP BAIRRO/DISTRITO MUNICÍPIO UF


29.050-955 ENSEADA DO SUA VITORIA ES

ENDEREÇO ELETRÔNICO TELEFONE


FISCAL.CONTABIFLEX@GMAIL.COM (27) 3340-7668

ENTE FEDERATIVO RESPONSÁVEL (EFR)


*****

SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL


ATIVA 24/06/2010

MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL

SITUAÇÃO ESPECIAL DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL


******** ********

4.4 - Dito isso, a empresa embargante atua no ramo de garantia de


receitas de condomínio e cobrança, em síntese, a demandada presta aos
condomínios parceiros o serviço de cobrança extrajudicial e judicial garantida
das taxas condominiais.
4.5 - Dentro deste panorama, após feita a assinatura do contrato, a
GARANTE VITÓRIA recebe o balancete enviado pelo condomínio (diretamente ou
por meio de sua administradora) contendo as seguintes informações:

I) Unidade imobiliária (número do apartamento, gleba, casa,


etc);

II) Dados do Proprietário/responsável pela unidade;

III) Valor da taxa de condomínio, mês de referência e as


rubricas que a compõem;

IV) aplicação de eventuais penalidades.

4.6 - Desta feita, a GARANTE VITÓRIA realiza a antecipação de um


percentual da receita mensal do condomínio, sendo que tal percentual a ser
antecipado pode variar de 90% a 95% da expectativa de receita que o condomínio
teria caso 100% dos seus condôminos efetuassem o pagamento das taxas
condominiais.

4.7 - Após a antecipação, a GARANTE VITÓRIA gera os boletos de


cobrança se colocando na qualidade de CEDENTE/BENEFICIÁRIA dos
pagamentos e os condôminos na condição de SACADO/PAGADOR.

4.8 - Desta forma, por óbvio que o valor pago em cada boleto
ingressa diretamente na conta da embargante já que o valor da receita foi
antecipado a cada um dos Condomínios parceiros.

4.9 - Efetuado o pagamento, opera-se a sub-rogação do crédito em


favor da GARANTE VITÓRIA, haja vista a existência de cláusula contratual neste
sentido.

4.10 - Em caso de não pagamento, a embargante assume todos os


ônus da cobrança extrajudicial e judicial do crédito.
4.11 - Abaixo segue uma parte de um boleto gerado após
antecipação:
4.12 - Esse é o modelo de negócio da embargante, sendo que
atualmente ela possui 32 (trinta e dois) condomínios parceiros, destacando que o
Condomínio do THERMAS INTERNACIONAL DO ESPÍRITO SANTO (devedor
dos créditos trabalhistas que geraram a penhora nos ativos financeiros da
embargante) NÃO está nesta relação, uma vez que a rescisão do contrato se
deu desde 19/12/2014.

4.13 - Realizar a penhora nos ativos financeiros da embargante é


atitude TEMERÁRIA, uma vez que se promoveu a constrição de valores que NÃO
dizem respeito à relação jurídica que a GARANTE VITÓRIA teve com o THERMAS
durante o período de 19/12/2013 a 19/12/2014.

4.14 - Essa é a primeira ponderação que se faz, cujos os aspectos


serão explorados em outro tópico desta mesma peça processual.

RELAÇÃO COM O THERMAS FINALIZADA DESDE 2014 – ANTECIPAÇÕES


QUE SE DERAM APENAS PELO PERÍODO DE 12 (DOZE) MESES –

4.15 - Outro ponto que merece destaque antes de adentrar o mérito


diz respeito a inexistência de qualquer relação jurídica entre embargante e o
devedor do crédito trabalhista (THERMAS INTERNACIONAL DO ESPÍRITO
SANTO), desde o final do ano de 2014.

4.16 - No tocante ao contrato de antecipação de receita do


condomínio irregular existente no THERMAS, cumpre destacar que este foi
celebrado em 19/12/2013 e rescindido em 19/12/2014 com efeitos a partir de
01/01/2015.

4.17 - Assim sendo, desde 01/01/2015 o modelo de negócio descrito


em tópico acima deixou de ser utilizado no caso do THERMAS.

4.18 - Ou seja, não são feitas antecipações e muito menos há


qualquer relação entre as partes desde 01/01/2015.
4.19 - ASSIM SENDO, NÃO HÁ REPASSES MENSAIS DA
GARANTE VITÓRIA EM FAVOR DO THERMAS HÁ MAIS DE 27 (VINTE E SETE
MESES), MUITO MENOS RECEBIMENTO DAS TAXAS POR PARTE DA
EMBARGANTE E POSTERIOR REPASSE AO THERMAS.

4.20 - Essa circunstância fática é de extrema relevância para o


deslinde do caso concreto e provimento dos embargos, uma vez que
demonstrado a inexistência de qualquer liame jurídico entre o terceiro
prejudicado (GARANTE VITÓRIA) e o devedor/responsável pelo pagamento
do crédito trabalhista (THERMAS INTERNACIONAL DO ESPÍRITO SANTO),
haja vista a vasta prova documental em anexo.

MÁ-FÉ POR PARTE DOS REPRESENTANTES DO THERMAS –


INEXISTÊNCIA DE CONDOMÍNIO E AUSÊNCIA DE PAGAMENTOS
DAS TAXAS

4.21 - Concluindo as ponderações fáticas que precisam ser


esclarecidas, cumpre por fim destacar que a GARANTE VITÓRIA acabou por ter
celebrado um negócio jurídico que somente lhe trouxe prejuízos.

4.22 - Isto porque inexiste qualquer condomínio na área do


THERMAS.

4.23 - Pelo contrário, a documentação entregue por ocasião da


celebração do contrato na verdade maquiava uma situação que não existia. Sem
falar na situação de fato onde há casas construídas e glebas/lotes vagos conforme
comprovam as fotografias abaixo do local:
4.24 - A área com os lotes e as casas localizadas dentro do
THERMAS foi loteada de forma irregular e em área de preservação ambiental, o
que ensejou o ajuizamento da AÇÃO CIVIL PÚBLICA tombada sob o n° 0006125-
34.2014.8.08.0021, em trâmite perante a VARA DA FAZENDA PÚBLICA
ESTADUAL, MUNICIPAL, REGISTROS PÚBLICOS E MEIO AMBIENTE de
GUARAPARI/ES.

4.25 - Com efeito, não se tratava de um condomínio, muito menos um


condomínio irregular.

4.26 - Feitas as antecipações como ocorria nos casos de outros


clientes, a GARANTE VITÓRIA passou a ter uma dificuldade peculiar de encontrar
os supostos condôminos, seja por contatos telefônicos, seja por carta ou
notificações extrajudiciais de cobrança.

4.27 - Ao cobrar o THERMAS, este sempre alegava que a relação de


proprietários estaria correta para, na sequência prometer uma atualização dos
dados cadastrais de cada um deles.
4.28 - Enquanto isso, as antecipações mensais de receitas
continuaram normalmente a serem feitas nas contas de 02 (duas) pessoas físicas
indicadas por procuração pelo próprio THERMAS, entre eles do Dr. JURACY JOSÉ
DA SILVA, que é ex-magistrado e aposentado compulsoriamente em razão de
inúmeras irregularidades cometidas no exercício do cargo conforme
documentação em anexo. Segue abaixo cópia de 01 (um) dos repasses:

4.29 - Destaca-se que a procuração conferida pelo THERMAS foi


assinada pelo Sr. SEBASTIÃO TEIXEIRA DA MOTA e pela Srª. THAÍS NARA
STEIN CECHIN – esta última atingida na desconsideração da personalidade
jurídica do THERMAS.

4.30 - Ao notar que a BOA-FÉ OBJETIVA estava sendo ignorada


pelos representantes do THERMAS, aliado ao fato de que não conseguia receber
as taxas condominiais que haviam sido antecipadas, a GARANTE VITÓRIA
resolveu rescindir o contrato com o único e exclusivo devedor da quantia que
gerou a penhora dos ativos financeiros da embargante.
4.31 - O problema é que a GARANTE VITÓRIA, mesmo gerando os
boletos na qualidade de CEDENTE, não consegue receber crédito algum dos
supostos condôminos do THERMAS, umas vez que estes alegam:

I) Se tratar de um condomínio irregular sem qualquer estrutura;

II) A Srª. THAÍS NARA não seria síndica e portanto não teria o
condão de ter contratado com a GARANTE VITÓRIA as
antecipações das quotas condominiais.

4.32 - Enfim, toda essa situação levou à GARANTE VITÓRIA a arcar


com um passivo IRRECUPERÁVEL, sendo que ela não recebe dos condôminos do
THERMAS e agora teve seus ativos financeiros bloqueados em razão de dívidas
trabalhistas de um ex-parceiro contratual.

4.33 - Foi acreditando se tratar de um condomínio que houve a


contratação, a qual só gerou transtornos e prejuízos para a ora peticionária que,
até a presente data, não consegue receber os valores antecipados no período de
DEZEMBRO.2013 a NOVEMBRO.2014.

4.34 - Portanto, a GARANTE VITÓRIA não consegue receber os


créditos antecipados e, em razão disso, não promoveu os depósitos determinados
em razão das penhoras das taxas condominiais.

4.35 - Não sendo um condomínio, as pessoas apontadas como


condôminos se negam a pagar. Sem pagamentos, não havia nenhuma hipótese da
GARANTE VITÓRIA fazer depósitos na conta indicada por este juízo.
V- PRELIMINARMENTE

5.1 - Há tantas questões processuais que impedem a manutenção


da constrição que estas serão pontuadas em cada um dos tópicos a seguir.

ILEGITIMIDADE PASSIVA DA EMPRESA GARANTE VITÓRIA

5.2 - Na sequência, como corolário lógico da violação aos limites da


coisa julgada, é possível também destacar a ILEGITIMIDADE PASSIVA da
embargante para constar na presente fase de cumprimento de sentença.

5.3 - Com efeito, a partir do instante em que se extrapolam os limites


da coisa julgada para colocar um terceiro estranho à lide no pólo passivo da
execução escancara-se a ausência de legitimidade da embargante.

5.4 - Neste ponto o Art. 779 do Código de Processo Civil vigente é


muito claro quanto ao rol dos possíveis legitimados passivos à execução, ‘in verbis’:

“(...) Art. 779. A execução pode ser promovida contra:

I - o devedor, reconhecido como tal no título executivo;

II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do devedor;

III - o novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a


obrigação resultante do título executivo;

IV - o fiador do débito constante em título extrajudicial;

V - o responsável titular do bem vinculado por garantia real ao pagamento


do débito;

VI - o responsável tributário, assim definido em lei. (...)”


5.5 - O dispositivo é aplicável subsidiariamente ao caso concreto e,
definitivamente, A EMBARGANTE NÃO SE ENQUADRA EM NENHUMA DAS
HIPÓTESES ACIMA DESCRITAS.

5.6 - Em casos como este deve ser reconhecida a ilegitimidade


passiva da embargante e, por consequência, extinta a execução contra esta última
com consequente desconstituição da penhora.

5.7 - Neste sentido é a orientação que se extrai do julgado abaixo


proferido pelo STJ, o qual destacou que pessoa estranha ao processo não possui
legitimidade ativa para executá-lo, veja:

“(...) PROCESSO CIVIL - EXECUÇÃO - TÍTULO JUDICIAL - COISA


JULGADA - LIMITES E ALCANCE - PARTES QUE NÃO PARTICIPARAM
DA DEMANDA - CONDIÇÕES DA AÇÃO EXECUTIVA - EXCEÇÃO DE
PRÉ-EXECUTIVIDADE - ARGÜIÇÃO - POSSIBILIDADE - DIVERGÊNCIA
JURISPRUDENCIAL - AUSÊNCIA DE SEMELHANÇA FÁTICA.
1. Ausente a semelhança fática entre o acórdão recorrido e o(s) acórdão(s)
paradigma(s) inviabiliza-se o conhecimento do recurso especial pelo
dissídio jurisprudencial. 2. A COISA JULGADA É A EFICÁCIA QUE
TORNA IMUTÁVEL A DECISÃO JUDICIAL NOS LIMITES SUBJETIVOS
E OBJETIVOS DA LIDE. PARTE ESTRANHA AO PROCESSO EM QUE
SE FORMOU O TÍTULO JUDICIAL NÃO POSSUI LEGITIMIDADE ATIVA
PARA EXECUTÁ-LO. 3. As condições da ação executiva são questões de
ordem públicas, passíveis de solução pela via da exceção de pré-
executividade. 4. Recurso especial conhecido em parte e, nessa parte, não
provido1. (...)”

5.8 - Assim, ‘mutatis mutandis’, PARTE ESTRANHA AO


PROCESSO EM QUE SE FORMOU O TÍTULO EXECUTIVO JUDICIAL TAMBÉM
NÃO POSSUI LEGITIMIDADE PASSIVA PARA SOFRER CONSTRIÇÃO EM SEU
PATRIMÔNIO COMO OCORREU NA HIPÓTESE DOS AUTOS.

1STJ, REsp 1084892 / RS, Relator(a) Ministra ELIANA CALMON (1114), Órgão Julgador: T2 -
SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento: 18/08/2009, Data da Publicação/Fonte: DJe 03/09/2009
5.9 - Destarte, requer seja reconhecida a ILEGITIMIDADE PASSIVA
da embargante para à presente execução, com extinção do processo em face dela
baseado no Art. 485, VI, do CPC/2015 e desconstituição da penhora dos seus
ativos financeiros permitindo à embargante fazer o levante do valor penhorado.

EXECUÇÃO NULA – AUSÊNCIA DE TÍTULO EXECUTIVO –


VIOLAÇÃO AOS LIMITES DA COISA JULGADA

5.10 - Além disso, cumpre destacar que NÃO há título executivo em


face da embargante a embasar a presente execução (fase de cumprimento de
sentença).

5.11 - Tal circunstância fulmina por completo a constrição ou qualquer


outra ato expropriatório uma vez que NÃO HÁ EXECUÇÃO SEM TÍTULO QUE A
EMBASE.

5.10 - Ademais, outro aspecto processual que fulmina a validade do


decisum é a manifesta e flagrante violação aos limites da coisa julgada formada
nos autos da Ação Trabalhista n° 0000018-32.2015.5.17.0152.

5.11 - Pois bem, aquela demanda possui como partes litigantes a


Sr.ª MARIA APARECIDA DE OLIVEIRA ROCHA (Pólo ativo) e o THERMAS
INTERNACIONAL DO ESPÍRITO SANTO (Pólo passivo).

5.12 - A r. sentença possui a seguinte parte dispositiva, veja:

“(...) III. DISPOSITIVO

Isso posto, julgo PROCEDENTES EM PARTE os pedidos da AÇÃO


TRABALHISTA ajuizada por MARIA APARECIDA DE OLIVEIRA ROCHA
em face de THERMAS INTERNACIONAL DO ESPIRITO SANTO, para
condenar o réu pagar à autora as
parcelas deferidas na fundamentação supra, que integra este dispositivo
para18 todos os efeitos legais, conforme planilhas disponibilizadas nos
autos e que constituem parte integrante desta sentença.
Devida a retificação da CTPS da autora pelo ré, para constar o contrato de
trabalho durante o período de 01/07/2009 à 18/04/2014, na função de
auxiliar de serviços gerais, como salário mensal de R$ 470,95 (Id e00ab56
- Pág. 1), no prazo de 48 horas, após a apresentação do documento em
juízo, sob pena de fazê-lo a Secretaria da Vara.
Haverá a dedução de valores quitados sob idêntico, se for o caso, a fim de
que seja evitado o enriquecimento sem causa. Juros a partir da data do
ajuizamento da reclamatória, a teor do art. 883 da CLT; e atualização
tomando-se por base o primeiro dia do mês subsequente ao trabalhado, em
observância das normas que regem a matéria (Leis nºs 8.177/1991,
8.660/1993 e 9.069/1995), entendimento consubstanciado na Súmula nº
381 do TST.
As contribuições previdenciárias deverão incidir sobre todas as parcelas
acima deferidas, à exceção daquelas expressamente previstas no art. 28, §
9º, da lei 8212/91, com a redação vigente à época da incidência da
contribuição referida, autorizando-se a dedução da cota parte devida pelo
empregado, pelo seu valor histórico, observado o teto de contribuição.
Quanto ao imposto de renda na fonte, deverá ser observada, por ocasião
do pagamento do valor da condenação, a aplicação da tabela progressiva
de que tratam o art. 12-A da Lei 7.713/1988, incluído pela Lei 12.350/2010,
e as Instruções Normativas nº 1.127/2011 e 1.145/2011 da Receita Federal
do Brasil. Os juros de mora não comporão a base de cálculo do imposto de
renda, a teor do entendimento contido na Súmula nº 01, do TRT 17ª Região-
ES, bem assim na Orientação Jurisprudencial nº 400, da SDI-1 do TST.
Custas pelo réu, calculadas sobre o valor da condenação, conforme
indicado nas planilhas de cálculos. Quanto à intimação da PGF deverá a
secretaria desta Vara observar os termos dos arts. 2º e 4º da Portaria PGF
Nº 815 de 28.09.2011.
Para o cumprimento desta sentença será observado o procedimento
traçado nos arts. 475-I a 475-M do Código de Processo Civil, cuja aplicação
subsidiária ao processo do trabalho atende ao disposto no art. 769 da
Consolidação das Leis do Trabalho.
Após o prazo estabelecido no art. 475-J, do CPC, não havendo pagamento,
remetam-se os autos à Contadoria para a inclusão da multa de 10% (dez
por cento). (...)” (grifos e destaques nossos)

5.13 - Consabido que a sentença faz coisa julgada possuindo limites


objetivos (pedido (s) e causa (s) de pedir) e subjetivos (partes que litigaram no
processo de conhecimento).
5.14 - Dentro desses limites impostos pelo legislador está a
IMPOSSIBILIDADE dos efeitos da coisa julgada atingirem terceiros, prejudicando-
os.

5.15 - Essa é a regra contida no Art. 506 do CPC/2015, ‘in verbis’:

“(...) Art. 506. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada,
não prejudicando terceiros. (...)”

5.16 - Todavia, é justamente o que ocorreu no caso concreto.

5.17 - Não é difícil notar que a decisão embargada, ao determinar o


bloqueio de ativos financeiros de um terceiro que não participou da lide, violou
flagrantemente os limites subjetivos da coisa julgada formada nos autos da
Reclamação Trabalhista n° 0000018-32.2015.5.17.0152.

5.18 - Ao agir desta forma este douto juízo ignorou o PRINCÍPIO DA


SEGURANÇA JURÍDICA e violou a COISA JULGADA MATERIAL, instituto com
proteção constitucional conforme descrito no Art. 5º, XXXVI, da CF/88, veja:

“(...) Art. 5º. (omissis)

XXXVI - a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a


coisa julgada; (...)”

5.19 - O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA já decidiu no sentido


de que os limites da coisa julgada devem ser respeitados não podendo alcançar
terceiros para prejudicar ou beneficiar, confira:

(...) ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO


ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO. PENSÃO POR MORTE. BENEFÍCIO
CUJO VALOR DEVE SER RATEADO, IGUALMENTE, ENTRE A VIÚVA E
A EX-ESPOSA QUE RECEBIA PENSÃO ALIMENTÍCIA. LEI Nº 8.112/1990.
AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO À COISA JULGADA FORMADA NA AÇÃO DE
DIVÓRCIO. AGRAVO IMPROVIDO.
1. Nos termos do art. 217 c.c. o art. 218, § 1.° da Lei n.º 8.112/90, o rateio
da pensão vitalícia entre as beneficiárias habilitadas deve ser feito em
cotas-partes iguais. Precedentes. 2. Não se pode falar em desrespeito à
coisa julgada decorrente da ação de divórcio, que fixou o valor da pensão
alimentícia em favor da ex-esposa, porquanto com a morte do servidor
público federal cessou aquela relação jurídica e surgiu uma nova, de
natureza previdenciária, regulada por legislação específica.
3. A decisão judicial transitada em julgado possui limites objetivos e
subjetivos, desta forma seus efeitos ficam delimitados pelo pedido e
pela causa de pedir apresentados na petição inicial do processo de
conhecimento, NÃO PODENDO BENEFICIAR OU PREJUDICAR
TERCEIROS QUE NÃO INTEGRARAM A RELAÇÃO JURÍDICA. 4.
Agravo regimental improvido2. (...)”

5.20 - Isto posto, por inexistir título que embase a execução, aliado ao
fato de que o ato de penhora extrapola os limites da coisa julga formada nos autos
da Reclamação Trabalhista n° 0000018-32.2015.5.17.0152, bem como violar os
Art. 5º, XXXVI, da CF/88 c/c Art. 506 do CPC/15, devem ser julgados procedentes
os embargos de terceiros para declarar NULA a presente execução e, assim,
desconstituir a penhora nos ativos financeiros da empresa GARANTE VITÓRIA
SERVIÇOS CONDOMINIAIS LTDA ou qualquer outro ato expropriatório.

NULIDADE DA DECISÃO – AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO PARA O


BLOQUEIO DOS ATIVOS FINANCEIROS

5.21 - Por fim, ainda no âmbito processual, a decisão que determinou


a penhora dos ativos financeiros da empresa GARANTE VITÓRIA SERVIÇOS
CONDOMINIAIS LTDA. é NULA DE PLENO DIREITO por ausência de
fundamentação.

5.22 - Isto porque, ao determinar a penhora o fez sem fundamentar


onde residiria o liame jurídico que permitiria atingir o patrimônio (ativos financeiros
da embargante).

2 STJ, AgRg no REsp 993646 / RJ, Relator(a) Ministro WALTER DE ALMEIDA GUILHERME
(DESEMBARGADOR CONVOCADO DO TJ/SP) (8380), Órgão Julgador: T5 - QUINTA TURMA,
Data do Julgamento: 04/12/2014, Data da Publicação/Fonte, DJe 03/02/2015.
5.23 - Pior que isso, a decisão mais se assemelha a um ‘DESPACHO
COM FINS MERAMENTE ORDINATÓRIOS’ visando dar prosseguimento ao feito
como se a embargante fosse co-reclamada originária e capaz de ser atingida pelos
efeitos da coisa julgada operada na sentença prolatada envolvendo APENAS a
Autora e o THERMAS, ‘in verbis’:

“(...) Vistos etc.

Os Embargos de Terceiro 0000747-24.2016.5.17.0152, opostos pela


Garante Vitória Serviços Condominiais Ltda, foram rejeitados, já com o
trânsito em julgado da sentença proferida.

Diante das inúmeras tentativas de executar o patrimônio do réu, sem


sucesso, necessária a desconsideração de sua personalidade jurídica
(artigo 790, II, CPC, c/c artigo 50 CC e artigo 28 CDC), para atingir o
patrimônio da sócia Thaís Nara Stein Cechin, que, conforme consulta ao
Infojud, é a representante legal do réu, além de possuir 243 títulos remidos.

Inclua-se Thaís Nara Stein Cechin, CPF 598.647.029-04, no polo passivo


da presente relação processual (Av. Barcelona, 156, Praia do Morro,
Guarapari/ES, CEP 29216-540).

Tendo em vista que, apesar de não haver comprovação dos depósitos por
parte da Garante Vitória Serviços Condominiais Ltda, a penhora das taxas
de condomínio pagas pelos associados da executada junto àquela empresa
já foi realizada, solicite-se ao Juízo deprecado, 12ª Vara do Trabalho de
Vitória, a devolução da Carta Precatória 000105240.2016.5.17.0012.

Atualize-se o crédito exequendo.

Após, proceda-se à penhora dos ativos financeiros de Thaís Nara Stein


Cechin e da Garante Vitória Serviços Condominiais Ltda (CNPJ
12.197.411/0001-06) por meio do Bacen Jud.

Encontrado o valor da execução em nome de ambos, dar-se-á preferência


ao bloqueio de valores da sócia Thaís Nara.
Não obtendo êxito, retornem os autos conclusos para novas deliberações
acerca do prosseguimento da execução em face da sócia e da Garante
Vitória Serviços Condominiais Ltda. (...)”

5.24 - ‘Data venia’, não há uma linha sequer que fundamente o


alcance do patrimônio da embargante da forma como se deu, o que viola os
PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA e CONTRADITÓRIO (Art. 5°, LIV e LV c/c Art.
93, IX, ambos da CF/88), além do Art. 11 do CPC/15, de aplicação subsidiária, veja:

“!(...) Art 5º. (omissis)

LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido


processo legal;

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados


em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e
recursos a ela inerentes;

(...) Art. 93. (omissis)

IX - todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão


públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade,
podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes
e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a
preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique
o interesse público à informação; (...)”

......................................................

“(...) Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário


serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de
nulidade.

Parágrafo único. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada a


presença somente das partes, de seus advogados, de defensores públicos
ou do Ministério Público. (...)” (grifos e destaques nossos)
5.25 - Qual é o fundamento que permite alcançar o patrimônio da
embargante (TERCEIRA PREJUDICADA) se esta não participou do processo
de conhecimento, não se beneficiou do trabalho exercido pela Reclamante,
muito menos deu azo ao inadimplemento das verbas trabalhistas?

5.26 - Os fundamentos deveriam estar na decisão que determinou o


bloqueio dos ativos financeiros da embargante, até mesmo porque não se trata de
mero despacho conforme o nomen juris do ato processual forçadamente sugere.

5.27 - Na hipótese ocorreram efeitos jurídicos diretos com efetivo


prejuízo a um terceiro, o que demandaria fundamentação para tanto, uma vez que
estamos diante de uma DECISÃO, a qual, por imperativo legal, deve ser
fundamentada.

5.28 - Com a devida vênia, não é conferida a nenhum magistrado a


prerrogativa de decidir sem fundamentar e muito menos fazê-lo com base em
aspirações pessoais de justiça, mesmo que para a efetivação do seu conceito
pessoal de ‘justiça’ esteja a possibilidade alcançar o patrimônio de um terceiro que
nada tem de ver com o processo de conhecimento que gerou a sentença cujo o
cumprimento se busca alcançar (a qualquer custo).

5.29 - Dito isso, cabe ao magistrado aplicar o Direito por ocasião de


suas decisões, conferindo adequação do seu ato ao imperativo legal que prescreve
a necessidade de fundamentação jurídica dos seu atos decisórios (interlocutórios
ou sentenças).

5.30 - Pouco importa para o Direito as aspirações pessoais do


magistrado, dentre as quais o conceito desvirtuado de justiça que se alarga ao
ponto de se buscar o cumprimento de uma obrigação à qualquer custo como
efetivamente ocorreu no caso concreto.

5.31 - Neste sentido é o escólio de DANIEL AMORIM ASSUMPÇÃO


NEVES, ‘in verbis’:
“(...) Motivar e fundamentar significam exteriorizar as razões de decidir, e
nessa tarefa obviamente as opiniões pessoais do juiz são irrelevantes,
devendo o magistrado aplicar ao caso concreto o Direito, e não concretizar
suas aspirações pessoais. (...)” (grifos nossos)

5.32 - Sem fundamentação, impõe-se a nulidade da decisão. Neste


sentido é o entendimento do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, ‘in verbis’:

“(...) PROCESSUAL CIVIL. DECISÃO LIMINAR DE INDISPONIBILIDADE


DE BENS. MOTIVAÇÃO PER RELATIONEM. POSSIBILIDADE.
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SIMPLES MENÇÃO A PEÇAS DO
PROCESSO. NULIDADE. OCORRÊNCIA.
1. A jurisprudência desta Corte Superior de Justiça admite que decisões
judiciais adotem manifestações exaradas no processo em outras peças,
desde que haja um mínimo de fundamento, com transcrição de trechos
das peças às quais há indicação (per relationem).
2. No presente caso, a decisão tida como não fundamentada foi proferida
nos seguintes termos (fls. 12):"Indefiro o pedido de indisponibilidade dos
bens do réu, bem como o seqüestro de bens e valores dos seus
representantes, dada a juntada pelo Requerido dos documentos de fls.
336-579, que elidem a existência do fumus boni juris e periculum in mora
necessários para a medida cautelar constritiva postulada".
3. A simples remissão empreendida pelo Juiz a quo na decisão
agravada a mais de duas centenas de documentos não permite aferir
quais foram as razões ou fundamentos incorporados à sua decisão
para indeferir a indisponibilidade dos bens do réu, bem como o
sequestro de bens e valores dos seus representantes, exsurgindo,
daí, a nulidade do julgado. 4. Recurso especial provido3. (...)” (grifos e
destaques nossos)

5.33 - Ante o exposto, deve ser declarada a NULIDADE DA DECISÃO


que determinou a penhora dos ativos financeiros da embargante por completa
ausência de fundamentação e, assim, desconstituir a penhora realizada como
corolário lógico da nulidade do ato decisório.

3STJ, REsp 1399997 / AM, Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141), Órgão
Julgador: T2 - SEGUNDA TURMA, Data do Julgamento: 17/10/2013, Data da Publicação/Fonte:
DJe 24/10/2013
VI - IMPOSSIBILIDADE DE PENHORA ON LINE NOS ATIVOS FINANCEIROS
DA EMPRESA – INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA COM A
RECLAMANTE – INEXISTÊNCIA DE SOLIDARIEDADE E SUBSIDIARIEDADE

6.1 - No mérito, melhor sorte não assiste à manutenção da decisão


embargada. Explica-se.

6.2 - Conforme dito alhures, a empresa GARANTE VITÓRIA


(terceiro prejudicado) NÃO POSSUI QUALQUER RELAÇÃO JURÍDICA COM O
THERMAS DESDE DEZEMBRO.2014 QUANDO RESCINDIU O CONTRATO DE
ANTECIPAÇÃO DE TAXAS CONDOMINIAIS ENTÃO CELEBRADO.

6.3 - Conforme dito alhures, a rescisão operou-se desde


DEZEMBRO.2014 com efeitos a partir de 01.01.2015. (documentação em anexo)

6.4 - Isto é, desde então a GARANTE VITÓRIA NÃO FEZ MAIS


NENHUMA ANTECIPAÇÃO OU MANTÉM RELAÇÃO COM O THERMAS,
impossibilitando, assim a constrição determinada.

6.5 - Sem sombra de dúvidas este douto juízo ainda se mantém


acreditando que a GARANTE VITÓRIA ainda faz repasses ao THERMAS, seja na
forma de antecipação ou recebendo o crédito das taxas condominiais e transferindo
àquele.

6.6 - Todavia o panorama fático e jurídico é completamente distinto


posto que:

I) A relação entre THERMAS e GARANTE VITÓRIA durou


apenas 1 (um) ano, isto é, de 19/12/2013 a 31/12/2014;

II) O Contrato firmado entre THERMAS e GARANTE VITÓRIA


foi rescindido em DEZEMBRO.2014 com efeitos a partir de
01/01/2015;
III) Com a rescisão do contrato operou-se a SUB-ROGAÇÃO
CONVENCIONAL estabelecida em contrato, passando a
GARANTE VITÓRIA a ser a credora das taxas condominiais
antecipadas no período de 19/12/2013 a 31/12/2014;

IV) a GARANTE não consegue receber os créditos


antecipados, seja por meio amigável, seja judicialmente.

6.7 - Aliado à esse panorama fático, não há nenhuma circunstância


legal ou contratual que impute REPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ou SUBSIDIÁRIA
à embargante.

6.8 - Aqui ressai frisar que a solidariedade não se presume.

6.9 - Pelo contrário, conforme prevê o Art. 265 do Código Civil esta
resulta de lei ou de vontade das partes, confira:

“(...) Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da


vontade das partes. (...)” (grifos e destaques nossos)
6.10 - O mesmo se pode afirmar da responsabilidade subsidiária, até
mesmo porque NÃO se encontram presentes nenhuma das circunstâncias que
permitem a aplicação da SÚMULA 331 do TST.

6.11 - Portanto, é possível constatar que inexiste qualquer liame


jurídico que atribua responsabilidade à embargante, seja na modalidade de
solidariedade ou subsidiariedade.

6.11 - Aliado à isso, cumpre destacar que a embargante possui 32


(trinta e dois) condomínios parceiros com os quais realiza mensalmente o modelo
de negócio descrito nos Itens 4.1 a 4.20 desta peça, sendo que o Thermas
Internacional do Espírito Santo NÃO se encontra neste rol.
6.12 - Com efeito, ao contrário do que se supõe imaginar este ilustre
juízo – supõe-se já que a decisão apresenta-se destituída de qualquer
fundamentação que impeça saber os motivos que geraram a constrição – a penhora
escancara um fato que não pode ser olvidado, qual seja:

I) NÃO SE ESTÁ PENHORANDO DINHEIRO QUE


PERTENCE AO THERMAS; PELO CONTRÁRIO, OS ATIVOS
FINANCEIROS PERTENCEM EXCLUSIVAMENTE À
GARANTE VITÓRIA.

6.13 - O dinheiro penhorado NÃO é e nunca foi do reclamado


originário da Ação Trabalhista, o que impossibilita a constrição realizada.

6.14 - A situação do caso concreto é tão teratológica que faz o


presente causídico se recordar de um caso que atuou nos idos de 2010.

6.15 - O caso foi o seguinte: Um cidadão se separou da ex-esposa


e deu a casa onde morava – de propriedade do seu irmão mais velho – na
partilha de bens.

6.16 - A partilha prosseguiu, foi homologada em juízo e realizada a


prenotação de indisponibilidade do bem imóvel em favor do filhos do casal cujo o
vínculo matrimonial se findara.

6.17 - Resumindo, nem o Ministério Público, muito menos o Judiciário


se deram conta que estavam fazendo constrição de um bem pertencente a um
terceiro (irmão mais velho do ex-conjuge varão) que nada tinha que ver com a Ação
de Divórcio.

6.18 - Por fim, a aplicação do correto direito e a razoabilidade dele


advinda prevaleceram, sendo que a constrição, por fim, foi desconstituída.
6.19 - Tal caso tramitou perante à 2ª VARA DE FAMÍLIA DE VILA
VELHA/ES, tombado sob o n° 035.980.285.429 e sua parte final segue em anexo
à esta peça.

6.21 - Seguindo nos argumentos, pela lógica da decisão a GARANTE


VITÓRIA poderia ser responsabilizada por qualquer débito do THERMAS ou até
mesmo qualquer débitos de seus parceiros contratuais, o que é completamente
DESPROPORCIONAL, IRRAZOÁVEL e ILEGAL.

6.22 - Se assim o fosse, mas não é, ninguém celebraria negócios


jurídicos deste tipo sob pena de se ver compelido a arcar com as obrigações
inadimplidas por um terceiro.

6.23 - Por fim, não basta que a exequente originária apenas peça e,
assim, como num passe de mágica, consiga obter a constrição dos ativos
financeiros da embargada.

6.24 - É ônus dela comprovar o liame jurídico que permite a


constrição na forma do Art. 373 do CPC/2015, confira:

“(...) Art. 373. O ônus da prova incumbe:

I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...)”

6.24 - NO CASO CONCRETO APENAS HÁ O PEDIDO DESTITUÍDO


DE QUALQUER COMPROVAÇÃO, O QUE TAMBÉM REFORÇA A ILEGALIDADE
DA PENHORA QUE SE BUSCA DESCONSTITUIR.

6.25 - Dito tudo isso, por óbvio que a decisão embargada não pode
prevalecer, seja porque não possui substrato jurídico à embasá-la, seja porque
estar-se-á diante de penhora de um bem de terceiro completamente estranho à lide.

6.26 - Em casos como o presente, o entendimento jurisprudencial


superior é assente em desconstituir a penhora, confira:
“(...) RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. INDEVIDA
CONSTRIÇÃO DA PENHORA. INDICAÇÃO DO DEVEDOR.
DESCONSTITUIÇÃO. RECONHECIMENTO PELO
CREDOR/EMBARGADO. CONDENAÇÃO EM HONORÁRIOS
ADVOCATÍCIOS. NÃO CABIMENTO.
- Nos embargos de terceiro assume importância verificar-se quem deu
causa à indevida constrição do bem.
- Havendo indicação à penhora pelo devedor, há que se mitigar os efeitos
do reconhecimento do pedido do embargado à imediata liberação do bem
em seu favor, porquanto neste caso não se pode imputar a ele o
constrangimento infundado a terceiro de sofrer indevida constrição
patrimonial.
- Análise que determina, não responde aquele pelos honorários
advocatícios, mesmo diante da procedência dos embargos opostos.
- Recurso especial provido, para retirar a sucumbência do
credor/embargado4. (...)”

6.27 - O mesmo entendimento é seguido nos TRIBUNAIS


REGIONAIS DO TRABALHO, ‘in verbis’:

“(...) EMBARGOS DE TERCEIRO. SÓCIO EXECUTADO.


INADIMISSIBILIDADE. Não restou comprovada, na hipótese dos autos, a
condição da agravante como terceira estranha à lide, razão pela qual não
possui legitimidade para ajuizar os presentes embargos de terceiro.
Cumpre destacar, que os embargos de terceiro apenas viabilizam a
defesa do bem apreendido judicialmente à pessoa que não á parte do
processo de execução, o que não é a hipótese dos autos, razão pela qual
resta prejudicada a análise quanto à legalidade da penhora realizada.
Agravo de petição conhecido e não-provido. (...)” (TRT16, Processo:
0001100-30.2014.5.16.0001, Relator(a): JOSÉ EVANDRO DE SOUZA,
Publicação: 10/11/2015)

4STJ, REsp 218435 / SP, RECURSO ESPECIAL, 1999/0050461-5, Relator(a) Ministra NANCY
ANDRIGHI (1118), Órgão Julgador, T3 - TERCEIRA TURMA, Data do Julgamento: 08/10/2002, Data
da Publicação/Fonte: DJ 11/11/2002 p. 210.
“(...) EMBARGOS DE TERCEIRO. BEM PERTENCENTE A EMPRESA
ESTRANHA À LIDE. PENHORA INDEVIDA. DESCONSTITUIÇÃO.
Comprovado que o bem penhorado pertence a pessoa jurídica
estranha à lide, que tem sócio diferente e funciona em outro local, tem-
se por indevida a sua constrição judicial motivada por dívida de
outrem, devendo a mesma ser desconstituída. Agravo de petição a que
se dá provimento. (...)” (TRT10, Processo: AP 885200601210006 DF
00885-2006-012-10-00-6. Relator(a): Juiz JOSE LEONE CORDEIRO
LEITE, Julgamento: 02/05/2007, Órgão Julgador: 2ª Turma)

..................................................

“(...) AGRAVO DE PETIÇÃO EM EMBARGOS DE TERCEIRO. PENHORA


SOBRE BEM COMPROVADAMENTE DE TERCEIRO.
DESCONSTITUIÇÃO. Os documentos acostados aos autos são
incontestes em sinalizar que o bem penhorado não está transcrito, no
Cartório do Registro Imobiliário, em nome do executado, não restando
caracterizada a fraude aos credores. Nesse sentido, precedente do TST nos
autos do AIRR-77340-74.2008.5.08.007. Assim, compondo o acervo
patrimonial particular do embargante, o bem imóvel objeto da penhora
não poderia ser levado a constrição judicial, a menos que recaísse
execução contra o mesmo ou em face de empresa da qual fosse
proprietário ou sócio, o que não é o caso. Além disso, não há qualquer
prova nos autos de que o embargante compunha o quadro societário
do grupo econômico executado, integrando o seu contrato social.
Agravo de petição provido para desconstituir a penhora incidente
sobre bem de terceiro5. (...)”

6.28 - Destarte, requer sejam conhecidos e julgados procedentes os


presentes embargos de terceiro para DESCONSTITUIR e CANCELAR a penhora
dos ativos financeiros da empresa embargante, determinando a liberação dos
valores penhorados via BACENJUD em favor da ora embargante.

5 TRT-22ª Região, AGRAVO DE PETIÇÃO n° 828200900122000, Data de publicação: 29/04/2010.


VII - POR EVENTUALIDADE - PENHORA DOS CRÉDITOS DAS AÇÕES DE
COBRANÇA AJUIZADAS E EM TRÂMITE PERANTE OS JUIZADOS –

7.1 - Em caráter eventual, caso sejam ultrapassadas as questões


processuais e de mérito, cumpre frisar a possibilidade de que a penhora das taxas
condominiais recais sobre os direitos de crédito de algumas ações que tramitam
perante a justiça estadual capixaba, mormente os juizados especiais.

7.2 - Aqui, corroborando o que foi dito acima, destaca-se que o


THERMAS possui Ações de Cobrança de condomínio tramitando na Justiça
Comum especial local, algumas nos juizados especiais em que o juízo admitiu o
processamento das ações.

7.3 - Nada impede que a penhora recaia sobre tais ações, ou seja,
nas ações em que o THERMAS possui expectativa de recebimento de créditos, o
que pode ser facilmente operacionalizado por meio de expedição de ofícios aos
juízos onde as demandas tramitam com ordem de ‘penhora no rosto dos autos’.

7.4 - Tal medida se limitará a tornar constrito um crédito que é do


único devedor do crédito trabalhista e afastará a ilegal medida de penhora dos
ativos financeiros de um terceiro estranho à lide, observando os PRINCÍPIOS DO
RESULTADO E DA MENOR ONEROSIDADE POSSÍVEL, promovendo uma
execução equilibrada e limitada à esfera jurídica do devedor que consta no título
executivo extrajudicial (THERMAS).

VIII - PEDIDOS

8.1 - Dito isso, REQUER:

a) a citação da embargada por meio de seu patrono


constituído nos autos (Art. 677, §3° do NCPC), para,
querendo, apresentar contestação aos embargos sob pena
de confissão e revelia;
b) preliminarmente, que:

b1) seja reconhecida a ILEGITIMIDADE PASSIVA da


embargante para à presente execução, com extinção do
processo em face dela baseado no Art. 485, VI, do
CPC/2015 e desconstituição da penhora dos seus ativos
financeiros permitindo à embargante fazer o levante do
valor penhorado;

b2) por inexistir título que embase a execução, aliado


ao fato de que o ato de penhora extrapola os limites
da coisa julga formada nos autos da Reclamação
Trabalhista n° 0000018-32.2015.5.17.0152, bem como
violar os Art. 5º, XXXVI, da CF/88 c/c Art. 506 do
CPC/15, devem ser julgados procedentes os embargos
de terceiros para declarar NULA a presente execução
em desfavor da embargante e, assim, desconstituir a
penhora nos seus ativos financeiros, assim como
qualquer outro ato expropriatório;

b3) seja DECLARADA a NULIDADE DA DECISÃO que


determinou a penhora dos ativos financeiros da
embargante por completa ausência de fundamentação
e, assim, desconstituir a penhora realizada como
corolário lógico da nulidade do ato decisório;

c) no mérito, sejam conhecidos e julgados procedentes os


presentes embargos de terceiro para DESCONSTITUIR e
CANCELAR a penhora dos ativos financeiros da empresa
embargante, determinando a liberação dos valores
penhorados via BACENJUD em favor da ora embargante.
d) Produção de todos os meios de prova admitidos em direito,
mormente a prova documental suplementar, testemunhal,
etc., principalmente a oitiva da Presidente do THERMAS
INTERNACIONAL DO ESPÍRITO SANTO, Srª. Thais Nara
Stein Cechin.

e) Condenação da embargada ao pagamento das custas


processuais e honorários de advogado.

Dá-se à causa o valor de R$ 28.689,21 (vinte e oito mil e


seiscentos e oitenta e nove reais e vinte e um centavos).

Pede e Espera Deferimento.

Vitória/ES, 28 de março de 2017

pp. André Fernandes Braz pp. Francisco Machado Nascimento


OAB/ES 13.693 OAB/ES 13.010
Rol de testemunha:

a) THAIS NARA STEIN CECHIN, brasileira, inscrita no CPF sob o n°


598.647.029-04, residente e domiciliada na Rua Barcelona, n° 156, Bairro
Praia do Morro, Guarapari/ES;

Похожие интересы