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Parte II- SOLUÇÕES DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO

1. Escoamento dos esgotos

O fluxo natural dos esgotos é por gravidade, isto é, os esgotos fluem naturalmente dos pontos mais
altos para os pontos mais baixos. As águas residuárias provenientes das habitações,
estabelecimentos comerciais e industriais, instituições e edifícios públicos e hospitais, são conduzidas
pelas redes coletoras aos coletores tronco e interceptores.

Figura 1. Escoamento dos esgotos por gravidade

As canalizações coletoras de esgotos sanitários recebem ao longo de seu traçado, os coletores


prediais (domésticos, comerciais, industriais etc.).

Figura 2 Unidade habitacional – unidades do sistema de coletor de esgoto


Cada coletor predial recebe e transporta os seus esgotos, à medida que no interior das habitações os
aparelhos sanitários vão lançando os dejetos correspondentes às águas utilizadas para os diversos
fins, O escoamento nas canalizações das extremidades iniciais é bastante irregular, não só quanto às
vazões, como também quanto aos intervalos de tempo de funcionamento ao longo do dia. À medida
que os esgotos atingem condutos de maiores dimensões, o fluxo vai se tornando contínuo e mais
regular.

Pelo fato do escoamento dos esgotos ser por gravidade, as canalizações necessitam de uma
determinada declividade que possibilite o transporte das águas residuárias até o seu destino final. O
escoamento dos esgotos deverá ocorrer sem problemas que impliquem em obstruções das
tubulações ou demais danos que prejudiquem o perfeito funcionamento de todas as unidades que
compõem o sistema de esgotos sanitários.

O dimensionamento hidráulico das canalizações é feito de forma que o esgoto não chegue a ocupar
todo o espaço interno da tubulação. O líquido atinge apenas um determinado nível, inferior ao
diâmetro interno da tubulação, possibilitanto então, seu escoamento por gravidade, sem exercer
pressões sobre a parede interna do tubo.

2. Tipos de sistemas de coleta e transporte

Existem basicamente dois tipos de sistemas como soluções para o esgotamento de uma determinada
área:

• sistema individual

• sistema coletivo

Os sistemas coletivos podem ser dos seguintes tipos:

• sistema unitário ou combinado


• sistema separador

Os sistemas separadores podem ser subdividos nas seguintes modalidades principais:


• sistema convencional
• sistema condominial

Esquematicamente, pode-se entender estas subdivisões conforme a Figura 3.

Figura 3. Tipos de Sistemas de Esgotamento


2.1 Sistemas individuais

Sistemas adotados para atendimento unifamiliar. Consistem no lançamento dos esgotos domésticos
gerados em uma unidade habitacional, usualmente em fossa séptica seguida de dispositivo de
infiltração no solo (sumidouro, irrigação sub-superficial).

Tais sistemas podem funcionar satisfatoria e economicamente se as habitações forem esparsas


(grandes lotes com elevada porcentagem de área livre e/ou em meio rural), se o solo apresentar boas
condições de infiltração e ainda, se o nível de água subterrânea se encontrar a uma profundidade
adequada, de forma a evitar o risco de contaminação por microrganismos transmissores de doenças.

Figura 4. Solução Individual. Riscos de contaminação

2,2 Sistemas coletivos

À medida em que a população cresce, aumentando a ocupação de terras (maior concentração


demográfica), as soluções individuais passam a apresentar dificuldades cada vez maiores para a sua
aplicação. A área requerida para a infiltração torna-se demasiado elevada, usualmente maior que a
área disponível. Os sistemas coletivos passam a ser mais indicados como solução para maiores
populações.

Os sistemas coletivos consistem em canalizações que recebem o lançamento dos esgotos,


transportando-os ao seu destino final, de forma sanitariamente adequada. Em alguns casos, a região
a ser atendida poderá estar situada em área afastada do restante da comunidade, ou mesmo em
áreas cujas altitudes encontram-se em níveis inferiores. Nestes casos, existindo área disponível cujas
características do solo e do lençol d’água subterrâneo sejam propícias à infiltração dos esgotos,
poder-se-á adotar a solução de atendimento coletivo da comunidade através de uma única fossa
séptica de uso coletivo, que também atuará como unidade de tratamento dos esgotos.
Fihura 5. Fossa séptica como solução coletiva

Em áreas urbanas, a solução coletiva mais indicada para a coleta dos esgotos pode ter as seguintes
variantes:

• Sistema unitário ou combinado: os esgotos sanitários e as águas de chuva são conduzidos ao seu
destino final, dentro da mesma canalização.

• Sistema separador os esgotos sanitários e as águas de chuva são conduzidos ao seu destino final,
em canalizações separadas.

2.2.1.Sistema unitário ou combinado

Neste sistema, as canalizações são construídas para coletar e conduzir as águas residuárias
juntamente com as águas pluviais.

Figura 6. Sistema unitário ou combinado

Os sistemas unitários não têm sido utilizados no Brasil, devido aos seguintes inconvenientes:

• grandes dimensões das canalizações;


• custos iniciais elevados;
• riscos de refluxo do esgoto sanitário para o interior das residências, por ocasião das cheias;
• as estações de tratamento não podem ser dimensionadas para tratar toda a vazão que é gerada no
período de chuvas. Assim, uma parcela de esgotos sanitários não tratados que se encontram diluídos
nas águas pluviais será extravasada para o corpo receptor, sem sofrer tratamento;
• ocorrência do mau cheiro proveniente de bocas de lobo e demais pontos do sistema;
• o regime de chuvas torrencial no país demanda tubulações de grandes diâmetros, com capacidade
ociosa no período seco.

2.2.2. Sistema separador

Algumas cidades que já contavam com um sistema unitário ou combinado, há décadas atrás,
passaram a adotar o sistema que separa as águas residuárias das águas pluviais, procurando
converter pouco a pouco o sistema inicial ao novo sistema.

Outras cidades que ainda não tinham sido beneficiadas por serviços de esgotos, adotaram desde o
início o sistema separador absoluto, no qual procura-se evitar a introdução das águas pluviais nas
canalizações sanitárias.

Figura 7. Sistema separador

No Brasil, adota-se basicamente o sistema separador absoluto, devido às vantagens relacionadas a


seguir:

• o afastamento das águas pluviais é facilitado, pois pode-se ter diversos lançamentos ao longo do
curso d’água, sem necessidade de seu transporte a longas distâncias;

• menores dimensões das canalizações de coleta e afastamento das águas residuárias;

• possibilidade do emprego de diversos materiais para as tubulações de esgotos, tais como tubos
cerâmicos, de concreto, PVC ou, em casos
especiais, ferro fundido;

• redução dos custos e prazos de construção;

• possível planejamento de execução das obras por partes, considerando a importância para a
comunidade e possibilidades de investimentos;

• melhoria das condições de tratamento dos esgotos sanitários;

• não ocorrência de extravasão dos esgotos nos períodos de chuva intensa, reduzindo-se a
possibilidade da poluição dos corpos d’água.
As seguintes considerações são também importantes nos sistemas de esgotamento:

• Ligações clandestinas

Observa-se na prática, a indesejável ocorrência de uma grande quantidade de ligações clandestinas,


algumas lançando esgotos nos sistemas de águas pluviais e outras lançando águas de chuva nos
sistemas de esgotos sanitários. Pela existência de tais ligações, os sistemas nem sempre são
totalmente separadores. As ligações clandestinas trazem problemas à operação de sistemas de
esgotamento e de águas pluviais. Esforços devem ser feitos para diminuir o número de ligações
clandestinas.

• Plano Diretor

Uma localidade, ao estudar seu plano urbanística, deve necessariamente levar em consíderação as
possíveis soluções a serem dadas aos seus esgotos. A elaboração de um Plano Diretor viabilizará o
atendimento planejado, considerando-se as prioridades da comunidade compatibilizadas com os
recursos disponíveis da administração pública. A reserva ou desapropriação de áreas ou faixas para
as unidades do sistema de esgotamento, previstos no planejamento proposto, garantirá a
implantação adequada de todas as unidades componentes do sistema de esgotos sanitários.

O sistema separador possui as seguintes duas modalidades principais:

• Sistema convencional
• Sistema condominial

3. Sistema convencional

3.1 Concepção

A solução de esgotamento sanitário mais frequentemente usada para o atendimento de um município


se faz através dos sistemas denominados convencionais. As unidades que podem compor um
sistema convencional de esgotamento sanitário são as seguintes: -canalizações: coletores,
interceptores, emissários; estações elevatórias; órgãos complementares e acessórios; estações de
tratamento; disposição final; obras especiais.

Ao se estudar as alternativas de esgotamento sanitário de uma localidade, é usual delimitar-se as


bacias sanitárias a serem esgotadas. A bacia sanitária é a área a ser esgotada, contribuinte por
gravidade num mesmo ponto do interceptor.

As figuras 8 e 9 apresentam o exemplo de uma zona urbana que ocupa uma área com dois rios (ou
córregos), os quais convergem a um rio principal, definindo duas bacias hidrográficas. As duas bacias
sanitárias (esgotos) coincidem aproximadamente com as bacias hidrográficas (águas de chuva). As
figuras apresentam soluções diferentes para a mesma área.

Para a coleta, condução e destinação adequada dos esgotos sanitários gerados na área em estudo,
deverão ser estudadas alternativas diferentes. As soluções de tratamento dos esgotos coletados, seja
em estações localizadas em pontos diferentes ou mesmo uma única estação de tratamento para
atendimento a toda a população, deverão ser concepções cuja solução mais adequada deverá ser
selecionada após criterioso estudo técnico-econômico de alternativas possíveis para as diversas
partes do sistema.
Figura 8. Bacias sanitárias distintas com estações de tratamento de esgotos separados

Figura 9.Bacias distintas com uma estação única


3.2 Partes constitutivas do sistema convencional

A Figura 10 apresenta uma ampliação de parte do sistema convencional que atende uma área
urbana e ilustra as unidades, órgãos e acessórios que compõem o mesmo.

Ramal predial - Os ramais prediais são os ramais domiciliares, que transportam os esgotos para a
rede pública de coleta.

Coletor - Os coletores recebem os esgotos das residências e demais edificações, transportando-os


aos coletores-tronco. Por transportarem uma menor vazão, possuem diâmetros proporcionalmente
menores que os das demais tubulações.

Coletor-tronco - Os coletores-tronco recebem as contribuições dos coletores, transportando-os aos


interceptores. Os diâmetros são usualmente mais elevados que os dos coletores.

Interceptor - Os interceptores correm nos fundos de vale, margeando cursos d’água ou canais. Os
interceptores são responsáveis pelo transporte dos esgotos gerados na sua sub-bacia, evitando que
os mesmos sejam lançados nos corpos d’água. Em função das maiores vazões transportadas, os
diâmetros são usualmente maiores que os dos coletores-tronco.

Emissário - Os emissários são similares aos interceptores, com a diferença de que não recebem
contribuições ao longo do percurso. A sua função é transportar os esgotos até a estação de
tratamento de esgotos.

Poços de visita - Os poços de visita (PVs) são estruturas complementares do sistema de


esgotamento. A sua finalidade é permitir a inspeção e limpeza da rede. Podem ser adotados nos
trechos iniciais da rede, nas mudanças (direção, declividade, diâmetro ou material), nas junções e em
trechos longos.

Elevatória - Quando as profundidades das tubulações tornam-se demasiado elevadas, quer devido à
baixa declividade do terreno, quer devido à necessidade de se transpor uma elevação, torna-se
necessário bombear os esgotos para um nível mais elevado. A partir desse ponto, os esgotos podem
voltar a fluir por gravidade. As unidades que fazem o bombeamento são denominadas elevatórias, e
as tubulações que transportam o esgoto bombeado são denominadas linhas de recalque.

Estação de tratamento de esgotos (ETE) - A finalidade das estações de tratamento de esgotos é a


de remover os poluentes dos esgotos, os quais viriam a causar uma deterioração da qualidade dos
corpos d’água. A etapa de tratamento de esgotos tem sido negligenciada em nosso meio, mas deve-
se reforçar que o sistema de esgotamento sanitário só pode ser considerado completo se incluir a
etapa de tratamento.

Disposição final - Após o tratamento, os esgotos podem ser lançados ao corpo d’água receptor ou,
eventualmente, aplicados no solo. Em ambos os casos, há que se levar em conta os poluentes
eventualmente ainda presentes nos esgotos tratados, especialmente os organismos patogênicos e
metais pesados. As tubulações que transportam estes esgotos são também denominadas de
emissários.
Figura 10. Partes constitutivas de um sistema de esgotamento convenconal

3.3 Condições técnicas a serem satisfeitas pelos coletores

Algumas características técnicas relacionadas com o projeto e a construção


das canalizações de esgotos apresentam grande importância do ponto de vista técnico e econômico.

• Diâmetro mínimo: depende das condições locais e do consumo de água dos habitantes.
Para os coletores prediais, que são as tubulações que recebem todos os esgotos sanitários
gerados em uma edificação, conduzindo-os ao coletor da via pública, o diâmetro mínimo
adotado é igual a 100 mm. Para os coletores públicos, o diâmetro mínimo deverá ser avaliado
pelo projetista, após diagnóstico das condições da região que se deseja atender. O diâmetro
mínimo é também igual a 100 mm, desde que as vazões de esgotos sejam compatíveis com
este diâmetro. As condições da região e os valores de consumo de água de cada habitante
serão elementos que conduzirão à definição do projeto.

• Profundidade mínima: está relacionada com a possibilidade de esgotamento de todos os


compartimentos sanitários existentes na edificação, situados a uma certa distância da frente do
lotë e em cota inferior à da via pública, e relacionada também à proteção da canalização contra
a ação de cargas externas, O limite da profundidade mínima é freqüentemente estabelecido em
1,Om. Quando as condições de traçado ou de topografia impuserem profundidades inferiores ao
mínimo rqcomendado, devem ser tomadas precauções especiais (proteção contra a ação de
cargas acidenjtais, emprego de tubos mais resistentes — ferro fundido, por exemplo).

• Profundidade máxima: deve-se também ter em conta no projeto, não ultrapassar


profundidades acima de um certo valor, aqui recomendado por volta de 4,0 a 4,5m, conforme os
serviços.
• Profundidade mais conveniente: os valores médios deverão estar em
torno de 1,50 a 2,50m.

Figura 11. Profundidades mais convenientes

Profundidades elevadas: Quando o terreno possui uma baixa declividade, é preponderantemente


plano ou mesmo possui uma declividade contrária à declividade da tubulação, esta tende a se
aprofundar com relação ao nível do terreno. Em alguns casos, quando estas profundidades
apresentam-se muito elevadas, torna-se necessária a utilização de uma estação elevatória de esgoto
sanitário. São os seguintes os inconvenientes das valas profundas:

•Maior efeito da carga permanente (terra de reposição da vala);


•Ligações dos coletores prediais mais onerosas;
•Aumento do custo de construção da rede.

3.4. Localização dos coletores em relação ao sistema viário

• Os coletores devem ser assentados, de preferência, do lado da rua no qual ficam os terrenos mais
baixos.

• A existência de estrutura ou canalizações de serviços públicos, tais como águas pluviais, redes de
distribuição de água, adutoras, cabos elétricos, telefônicos, etc., poderá, entretanto, determinar o
deslocamento dos coletores de esgotos para posições mais convenientes.

•Para vias públicas com largura superior a 18 m ou 20 m, deverão ser executados dois coletores (um
de cada lado), de forma a viabilizar o atendimento dos domicílios de ambos os lados com
profundidades convenientes.

3.5. Localização dos interceptores

Os interceptores podem ser localizados em:

• vias sanitárias
• fundos de vale tratados
3.5.1 Vias sanitárias

Como os esgotos fluem por gravidade no sistema de coleta, os interceptores se situam nos pontos
mais baixos, ou seja, nos fundos de vale, correndo paralelos aos córregos de cada bacia. Sua
construção tem sido tradicional- mente feita em conjunto com as obras de canalização dos cursos
d’água e com a implantação de vias sanitárias.

• Aplicação

Áreas já urbanizadas, cuja reserva de faixas marginais e de eventual implantação de áreas verdes ao
longo do córrego é de difícil concretização

• Vantagens

• Possibilidade de se realizar obras conjuntas;


• Redução dos custos de implantação.

Figura 12. Localização de interceptores em fundos de vale canalizados

3.5.2 Fundos de vale tratados

A implantação de vias sanitárias não deve ser encarada como a única forma de se poder executar
interceptores de esgotos. Existem soluções ainda mais econômicas para implantação dos mesmos,
que não exigem que se executem obras em concreto ou mesmo abertura de vias públicas ao longo
dos corpos d’água naturais, proporcionando as vantagens:

• Preservação natural do curso d’água, evitando-se o artificialismo do concreto;


• Independência da canalização, a qual muitas vezes demora a ser implantada devido aos seus
elevados custos;
• Tratamento dos fundos de vale com criação de áreas verdes ao longo dos córregos, introduzindo
concepções de maior qualidade estética, paisagística e econômica.

Estas soluções somente poderão ser adotadas em áreas preservadas ou ainda não ocupadas por
grande número de edificações, cujas desapropriações são frequentemente caras e difíceis. A
preservação das margens do curso d’água com áreas verdes ou matas ciliares é uma forma bastante
atrativa de tratamento de fundo de vale.
Figura 13. Localização de interceptores em fundos de vale tratados

3.6. Sistema condominial

O sistema condominial de esgotos tem sido apresentado como uma alternativa a mais no elenco de
opções disponíveis, ao alcance do projetista, para que o mesmo faça a escolha quando do
desenvolvimento do projeto.

No entanto, o sistema condominial é muito mais do que isto. O sistema condominial de esgotos é, na
realidade, uma nova forma de ver a relação entre a população e o poder público, tendo como
características uma importante cessão de poder e a ampliação da participação popular. O sistema
condominial representa, portanto, um novo enfoque na prestação de serviços públicos, que vem
alterar a forma tradicional de atendimento à comunidade. Devido a essa concepção inovadora,
descreve-se neste manual não apenas o arranjo físico do sistema condominial, mas também os
aspectos conceituais que lhe dão suporte.

Figura 14 - Arranjo fisico do sistema condominial

Os pontos importantes para a compreensão do sistema condominial são: (a) fundamentos, (b)
diretrizes, (c) forma de agir e (d) modelo físico.
3.6.1 Fundamentos

Os fundamentos do sistema condominial são a democratização dos serviços e a universalidade do


atendimento. A prestação de serviços públicos no Brasil tem se caracterizado pela exclusão de
parcela expressiva da população, sob os mais diversos argumentos. Tais argumentos vão desde a
inviabilidade técnica do atendimento, até a necessidade de se prestar os serviços para as camadas
de maior poder aquisitivo, como forma de viabilizar o atendimento às camadas mais pobres. Esta
prática, corrente ainda nos dias de hoje, retira dos serviços prestados o caráter de saúde pública,
privilegiando apenas seu componente econômico-financeiro ou, como usualmente entendido, a sua
viabilidade. O sistema condominial vem afirmar que é possível, em nosso país, atender a todos, de
imediato, sem distinção de poder econômico. Esta é uma das condições para a prestação do serviço
de esgotamento sanitário, e uma das formas mais imediatas de se promover a democratização dos
serviços.

3.6.2. Diretrizes

As diretrizes do sistema condominial funcionam como pano de fundo orientador de todas as ações,
inclusive da busca de soluções técnicas para o equacionamento da melhor forma de atender a uma
dada comunidade. Elas se apoiam, no mínimo, nos seis pontos listados a seguir:

• Participação comunitária. Direito de ordem política e requisito de eficácia do serviço. O sistema


condominial resgata o papel do cidadão, que nos sistemas convencionais é restrito á condição de
usuário. Aqui, ao contrário, o cidadão participa no planejamento e nas decisões, com parcela das
responsabilidades de operação e, se possível, até na execução dos serviços. Quanto mais
participativo o serviço, menores serão os custos e maior a eficácia do sistema.

• Mudança nos padrões. Os padrões técnicos e valores vigentes no Brasil estão muitas vezes
associados a sofisticações ou a um elevado nível de segurança, o que traz, em decorrência, maiores
custos. É portanto indispensável que uma nova cultura, voltada para o efetivo atendimento do
conjunto da população brasileira encontre campo para se desenvolver, e isto não poderá ser
alcançado sem que haja uma significativa mudança nos padrões. Deve ficar claro que não se trata de
um saneamento de segunda categoria para uma população de segunda classe, mas sim de encarar
de frente a realidade nacional, e assumir que não será possível atender a todos, mantendo os atuais
padrões.

• Adequação à realidade. A ampla adequação à realidade local é uma das diretrizes básicas da
concepção do programa, devendo orientar todas as fases do processo.

• Integração dos seiviços. Pretende-se que as intervenções, necessárias à implantação do sistema de


esgotos, ocorram de forma integrada, articulando-se desde o início com os demais serviços públicos.
Procura- se assim evitar a cena comum em cidades brasileiras, onde a colocação de sistemas
coletivos de abastecimento de água, em zonas densamente povoadas, traz como conseqüência o
surgimento de valas de esgotos correndo a céu aberto.

• Acesso imediato. A proposta do sistema condominial é a de garantir o acesso imediato a todos ao


sistema de esgotamento sanitário. Esta postura se contrapõe ao gradualismo, que objetiva o
atendimento parcial e escalonado da população.

• Municipalização. A questão central para o sistema condominial não é passar o serviço para o
condomínio, mas sim, pelo condomínio. Desta forma, torna-se uma discussão secundária a de quem
vai prestar o serviço, uma vez que é garantido ao município sua efetiva participação em todas as
fases do processo. É importante que a análise destes temas seja objeto de debate no âmbito
municipal, deslocando-se a execução dos trabalhos para o campo da eficiência, menores custos e
melhor prestação dos serviços, sem uma definição a priori do melhor agente.

3.6.3. Forma de agir do sistema condominial

A forma de agir do sistema condominial é baseadano pacto comunitário, que deve regular o acordo
entre as partes, prever as divisões de responsabilidade, e definir os agentes principais do processo.
Através desta sistemática é possível se ter a situação de que um sistema concebido, implantado e
operado comunitariamente será sempre mais econômico. Desta torma, o poder público, dispondo de
uma solução tecnicamente ótima e mais barata, poderá definir o limite de participação do recurso
público no sistema, cabendo à comunidade ajustar-se na busca de um acordo interno que viabilize
suas conveniências, O resultado final será sempre um sistema mais harmônico que o convencional,
com um investimento inicial mais barato, e com participação de menor aporte de recursos por parte
do poder público.

Este acordo é materializado pela criação de condomínios, que passam a ser tratados como a menor
unidade de planejamento e preocupação do órgão encarregado da execução e manutenção do
sistema. Desta forma, as soluções que antes eram marcadas pelo atendimento individualizado,
tomam a forma de soluções coletivas, passando a ser equacionadas quadra a quadra. De forma
figurativa, o sistema funciona como se as quadras, na horizontal, pudessem ser entendidas como um
prédio deitado.

Esta forma de agir é continuamente monitorada pelos resultados de campo. Os resultados finais
obtidos serão sempre particulares e incorporarão as especificidades da comunidade onde se está
trabalhando. Não existe, portanto, uma solução, mas um método de resolução de problemas.

3.6.4. Modelo físico

As partes integrantes do sistema condominial podem ser divididas em (a) ramal intramuros, (b) rede
básica e (c) tratamento e disposição final.
• Ramal intramuros. Entende-se por ramal intramuros a parte do sistema que, por acordo comunitário,
será executada no interior de uma quadra, ficando os moradores que a ele contribuem responsáveis,
tanto pela sua execução, quanto pela sua correta operação e manutenção.

• Rede básica. Por rede básica compreende-se a parcela do sistema indispensável para a reunião de
vários condomínios e, portanto, de responsabilidade do agente promotor, o qual pode ser uma
prefeitura, um órgão municipal, uma companhia estadual de saneamento, ou outra entidade. Trata-se
da menor extensão de rede que pode ser imputada como necessária ao equacionamento sanitário da
comunidade, e nesta situação assume caráter coletivo. Esta é a razão pela qual se diz que qualquer
extensão superior à rede básica não pode ser arcada pela coletividade, devendo seus custos ser
suportados por quem demandou o acréscimo. Percebe-se assim que o sistema condominial não é
uma imposição de uma solução única, arbitrária, mas a busca do menor investimento público, aqui
compreendido como coletivo, O que se estabelece, por uma questão de justiça, é que os custos
adicionais, advindos de soluções mais onerosas, sejam suportados pelos beneficiários.

•Tratamento. O sistema condominial destaca serem o tratamento e a disposição final elementos


indispensáveis de um sistema de esgotos sanitários adequadamente concebido, de tal forma que não
se pensa em condominial sem esta parcela. A solução de tratamento e disposição final a ser adotada
deve ser sempre aquela que é executada com as demais unidades do sistema, não se aceitando o
seu adiamento.
Figura 15. Tipos de concepções do sistema condominial.

3.7. Estações elevatórias

As estações elevatórias de esgotos sanitários são instalações algumas vezes obrigatórias nos
sistemas de esgotamento de uma localidade. Os esgotos são bombeados para que adquiram cota
elevada, possibilitando seu lançamento em estações de tratamento ou corpos d’água, ou para
reiniciar novo trecho de escoamento por gravidade, quando se tem elevadas profundidades dos
coletores.

As elevatórias devem ser utilizadas, portanto, nos trechos em que, por razões técnicas e economicas,
o esgotamento por gravidade não se mostrar possível ou recomendável. Tais instalações, além de
apresentarem um custo inicial elevado, exigem despesas de operação e, sobretudo, manutenção
permanente e cuidadosa.
Figura 18. Estações elevatórias