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João Victor Cunha (ESGR211764).

3° Período no curso Licenciatura


em História. 03/05/2018.

Resenha da obra ‘’O antigo Regime’’

O Antigo Regime foi uma criação da Revolução Francesa, o que os revolucionários


pensavam estar destruindo em 1789. A primeira vez em que se utilizou a expressão
Antigo Regime foi em 1788 e já nas eleições da primavera de 1789, eleitores do clero
davam significado a expressão em referencia ao passado vivido. Julho e Outubro de
1789 os deputados começaram a definir em seus discursos e decretos o ‘’Regime
Precedente’’. Em 1790 o Antigo Regime tornou-se expressão ideal para o que havia
ocorrido antes da revolução. Os franceses cunharam tal expressão, contudo, seu
significado iria mais além do que seus criadores imaginaram.

As características básicas do Antigo Regime, segundo os revolucionários baseava-se


em uma ideia de governo com poder arbitrário, sem instituições representativas.
Acreditavam que sob este governo ninguém possuía direito algum, em que as
propriedades não estavam seguras e que não havia regras ou leis ajustadas que
estabelecessem limites para a condução de assuntos públicos. A maioria ainda
acreditava que as tendências despóticas do velho governo provinham mais dos
conselheiros do rei do que do próprio monarca. No verão de 1788 as pessoas
começaram a falar da necessidade de uma constituição para regulamentar todos
esses assuntos de modo permanente. 7 de Julho, antes mesmo da queda da Bastilha,
a recém-instituída Assembleia Nacional declarava-se um organismo com poder
constituinte.

O Antigo Regime foi dominado pelas ordens privilegiadas do clero e nobreza, os quais
haviam monopolizado todos os poderes e vantagens públicas. A ideologia da
Revolução Francesa desenvolveu-se e refinou-se acompanhando a marcha dos
acontecimentos. Em 1789 ocorreu a querela com a Igreja Católica, houve a abolição
dos dízimos, confisco e revenda de propriedades da Igreja, abolição do monasticismo
e a construção da Constituição civil do clero, a qual pretendia reorganizar a Igreja
francesa. Em 1790 o Papa condena a Revolução. Em 1794 regiões da França sofrem
processo de descristianização e o Estado passa a não reconhecer nenhuma
associação a instituição religiosa.

O ataque a religião tornou a revolução mais do que um assunto Frances, teve


repercussão internacional. O ato de racionalizar o país levou os revolucionários a
entrar em conflito com outras autoridades estrangeiras. Em 1792 a França vai a guerra
para impedir a restauração do Antigo Regime pelas maquinações estrangeiras- põe a
baixo a monarquia, em nome de uma república contra as instituições que apoiavam os
monarcas. Os revolucionários então passaram a se identificar com os movimentos
sociais, os generais franceses receberam autorização para eleger pessoas fiéis à
liberdade, a igualdade e a quem renunciassem a privilégios. O antigo Regime passa a
ter um caráter internacional, podia ser encontrado em toda parte em que houvesse
aristocracia e clero, ou seja, a maior parte da Europa.

A objetividade histórica não teve nenhum papel no momento da denominação do


Antigo Regime, os Revolucionários o fizeram com intenção de condena-lo. Isso
estabeleceu um padrão sobre ele como um Fenômeno Histórico, até mesmo entre
respeitáveis especialistas. Contudo, a essa altura, começaram a encontrar defensores
do Antigo Regime. Edmundo Burke (1790) refutou que a liberdade inglesa e a francesa
tivessem algo em comum. Mesmo então, a preocupação principal era com a
revolução, deixando o estudo do Antigo Regime em segundo plano. Pela primeira vez
na defensiva, os adeptos do legado revolucionários argumentaram que a revolução
havia sido tanto parte das tradições francesas quanto um repúdio a elas. Enquanto os
monarquistas (émigres) exaltavam os poderes ancestrais do rei restaurado, os liberais
afirmavam que a liberdade não era novidade para a França em 1789 e a Revolução
apenas a reafirmava, denotando a nação uma constituição.

Após isso, surgiram interpretações mais elaboradas do Antigo Regime como um


Fenômeno Histórico. Joseph Droz (1839) pretendia refutar a inevitabilidade da
Revolução, segundo ele, poderia ter sido evitada se as ordens privilegiadas
houvessem se agrupado em apoio ao monarca, ao invés de obstruir seus planos.

O estudo acadêmico sério do Antigo Regime teve inicio em 1856. Alexis de


Tocqueville foi mais além das memórias e polemicas revolucionárias, segundo ele a
Revolução meramente fortaleceu e completou um certo número de tendências ao
longo da sociedade francesa; considerava que a tendência da história moderna era em
rumo a igualdade, o perigo é a possibilidade de abrir caminho ao despotismo.
Segundo Tocqueville esse perigo foi aumentado com a Revolução, em que muito
longe de instaurar a liberdade, destruiu as instituições mediante ela funcionava,
abrindo desse modo, caminho para o despotismo desenfreado de Napoleão. A
centralização do século XIX não constituía nada de novo, era um traço fundamental do
Antigo Regime. Igualmente fundamental, porem, seria os obstáculos que a ela se
impunha, vestígios da Idade Média, sob forma de privilégios, direitos consagrados pelo
uso e instituições independentes como o clero e tribunais de justiça. O despotismo
jamais fora inteiramente bem-sucedido em aboli-los. Essa foi à tarefa da Revolução,
cuja força motora (o impulso para igualdade) era o impulso da própria história. Para
Tocqueville o Antigo Regime era a Idade Média em ruínas, fragmento da velha
constituição da Europa, grande parte de sua obra foi dedicado a investigar porque se
as instituições europeias eram tão uniformes, a revolução, que iria a destruir e nivelar
os destroços, ocorreu primeiro na França? Para isso, estudou o modo de como o
governo funcionava fora dos corredores do palácio de Versalhes.. A resposta final que
ele extraiu de sua pergunta o fez voltar a suas as suas preocupações mais gerais. A
derrubada na França ocorreu primeiro porque o governo centralizado excluía a todo o
povo dos assuntos públicos, privando as pessoas de qualquer dever público. Nessas
circunstancias, as pessoas deixaram-se seduzir pelos sonhos impraticáveis do
Iluminismo que lhes ofereciam um desprezo total as instituições existentes. Dessa
forma, as ideias de Tocqueville terminaram muito próximos as de Burke, na qual
acreditava que a Revolução era um produto de um complô filosófico.

As teorias conspiratórias exerceram uma força de atração a quem admirava o Antigo


Regime. Para Tocqueville, sua dedicação estava centrada nos vestígios de uma antiga
liberdade. Para Hyppolite Taine foram a ordem e os frutos de um desenvolvimento
orgânico. Taine queria buscar explicações porque a França, mesmo tendo 13
constituições em 80 anos, permanecera insatisfeita? O motivo estava em haver-se
abandonado irresponsavelmente o Antigo Regime. Taine acreditava que toda
sociedade tem seu caráter peculiar e abandonar em bloco a herança do passado era
atrair má sorte e abrir porta a anarquia (1789). Taine não aprovava o AntigoRegime
como um todo, mas acreditava que havia uma contrabalança e, ao tomar a trilha
errada em 1789, seduzidos por uma minoria instruída, a derrubada do Antigo Regime
liberou uma energia destrutiva contra a orem e a propriedade.

Tocqueville e Taine deram rumo importante as interpretações do Antigo Regime, mas


também houve um terceiro caminho, o qual remonta Marx. Para Marx e seus
precedentes, o progresso fundamental da historia moderna foi a substituição do
feudalismo pelo capitalismo, isso significou que a burguesia substituiu a aristocracia no
tpo da sociedade. Não foi um processo tranquilo, mas sim marcado por lutas violentas
toda vez que a burguesia atingia um patamar econômico que lhe permitia assumir um
poder politico.

O antigo Regime cresceu vigorosamente e ao acaso. As leis eram consuetudinárias e


os direitos consagrados pelo uso. Os poderes, prerrogativas e privilégios
sobrepunham-se e conflitavam entre si infindavelmente.
Os homens de 1789 julgavam estar derrubando o despotismo, Tocqueville os julgou
que eles estavam o fazendo progredir. A definição de despotismo foi formulado por
Montesquieu, um governo de um só homem de acordo com a lei. E para que ele
observasse a lei existiria ‘’organismos intermediários’’ colocados entre governantes e
massa, com poderes a resistir aquele e proteger contra a estes. De acordo com essa
definição o Estado do Antigo Regime não era um despotismo. A monarquia era
certamente absoluta no sentido de que, nenhuma instituição ou grupo tinham direito de
opor-se as ordens do rei e este tinha um corpo de representantes administrativos para
fazer cumprir sua vontade. Porem o rei tinha que respeitar ampla gama de leis e
formas legais e tinha que competir com vários organismos intermediários, como clero,
os parlamentos e incontáveis companhias e corporações que disputavam de
privilégios legais.

Acima de todo havia os parlaments, tribunais de justiça soberanos que podiam colocar
obstáculos sobre a vontade régia- estes eram os fragmentos medievais de Tocqueville
em que ainda latejava o espirito da liberdade. Contudo, segundo alguns historiadores
franceses, a monarquia de 1789 foi a principal força em prol do progresso e da
modernização e o que impediram sua atuação foram grupos privilegiados
concentrados unicamente numa obstrução egoísta. Tal intepretação surgiu durante os
primeiros anos da terceira republica, em prol de legitimar a história pré-revolucionária
da França, dando a entender que a monarquia havia tido feitos louváveis – construção
nacional, racionalização e eliminação de privilégios sociais.

Segundo Marcel Marion, o único erro da monarquia não foi ter sido suficientemente
despótica. Sua posição foi adotada pelos partidários do Action Française (movimento
monarquista). Mas nem todos os historiadores que concordavam com a Action
Française salientavam o potencial autoritário da monarquia. Funck-Bretano afirmava
que a instituição chave do Antigo Regime era a família, que a nação era uma grande
família e o rei era seu patriarca, assim sendo, seu poder era benevolente e longe de
ser um déspota, o rei era simpático com a opinião publica. Outros historiadores
enfatizaram o caráter corporativo do Antigo Regime, harmonia mais que o conflito.
Pierre Gaxolte salientou que a missão fundamental da monarquia era destruir as
instituições de oposição. George Pagés afirmava que o poder da monarquia do Antigo
Regime atingiu o auge nos anos do governo pessoal de Luiz XIV, pois nessa época a
liberdade de ação do rei esteve mais desimpedida.

Desde os tempos medievais a monarquia estivera lutando para livrar-se das restrições
compostas pelas instituições feudais. A monarquia lutou para estabelecer uma
autoridade que banisse para sempre o fantasma da guerra civil. Conseguiu faze-lo em
1660. O parlament de Paris fora reduzido ao silencio e garantira-se o controle das
províncias pela investidura de Entendentes. Por este meio, Rei e Estado se tornaram
uma coisa só. Contudo, quando Luiz XIV morreu, a burocracia presente apriona o rei
dentro de uma maquina administrativa, o que manteve seus sucessores isolados da
nação, despertando a Revolução.

A venalidade dos cargos, com as vendas maciças de cargos públicos, levantou


enorme quantia de dinheiro, um dos erros ‘’irreparáveis’’ da monarquia. A venalidade
dos cargos deu ampla autonomia aos magistrados dos Parlaments e todos os demais
tribunais, tornando enormemente mais trabalhoso como obstáculos a autoridade regia.
Isto fez com que a monarquia montasse uma contra burocracia de funcionários
demissíveis, os Entendentes.

Discípulo de Pagés, Roland Mousnier entendia a monarquia como uma instituição


acima e fora da sociedade que utilizava sua plenitude de poder para orientar, proteger
e formar a nação a partir de uma perspectiva superior.

A autoridade regia também tivera seus críticos de discernimento, os historiadores dos


parlaments, o que aquilo e conhecido como thése royale. Alguns historiadores
afirmaram que quando os parlaments acusavam o Rei de pisar nas leis, eles estavam
certos. Tem afirmado que nem sempre os parlaments estavam motivados por
interesses próprios e que as interpretações que eles faziam geralmente estavam mais
certas do que a que o Rei fazia e que jamais foram reduzidos ao silencio, nem mesmo
em tempos de Luís XIV e que seus poderes extra judiciais constituíam parte integrante
do aparelho estatal, não pondo obstáculos em seu funcionamento. E não foi a
oposição deles que levou a decaída do Antigo Regime, porem a inercia e
incompetência do governo.

A suposta eficiência e reformismo da monarquia também na escaparam de exame ‘’


não terão sio uma busca constante de recursos financeiros para custear uma politica
externa superambiciosa?’’ A instalação de Entendentes serviu para extorquir mais
dinheiro de contribuintes relutantes. As sucessivas tentativas de fazer com que o Clero
e Nobreza pagassem mais impostos diretos ocorreram justamente em tempos de
guerra.

O absolutismo foi em grande parte filho da tributação, porem, essa tributação podia
obstar o progresso da autoridade regia. Levantar dinheiro mediante a venda de cargos
enfraqueceu o controle dos reis sobre os próprios subordinados. Isso resultava numa
administração financeira em que a desordem era normal, segundo Denis Richet.

Desde o século XVI até o século XVIII o Estado foi sempre ampliado em excesso. E
toda elaboração de politicas financeiras ou outras, era brinquedo de facções da corte.
Nessas circunstancias, era muito reduzida a possibilidade de um governo ágil,
eficiente e ate mesmo ponderado, sem falar no despotismo. Após a Revolução, seria
diferente, como percebeu Tocqueville.

O Clero e a Nobreza representavam, para os revolucionários, as duas ordens injustas


dentro da nação, imunes as leis e obrigações comuns. Com a nova constituição não
haveria mais espeço para privilégios de qualquer espécie.

Havia uma base racional na tomada de privilégios dessas classes, siso remontava o
pensamento da tripartite (oram, lutam, trabalhavam). As isenções de impostos se
justificavam nesse principio básico, mas foi liquidado pelos revolucionários como
alegações destinadas a amparar a desigualdade social.

Boris Porshnov afirmou que estes levantes sobre a cobrança de impostos partiram da
luta de classes das massas contra seus senhores feudais. Ao seu ver o Estado não
passava de um instrumento da nobreza, a classe feudal. O feudal absolutismo
constituía apenas um novo modo de explorar a produção camponesa para encher os
bolsos e servir aos propósitos da nobreza feudal.

Mousnier indignava-se ao ver o Estado como ‘’instrumento de qualquer grupo social’’.


Para ele, a nobreza era a maior adversaria da monarquia, e sobre um exame rigoroso,
descobre-se que as maiorias dos levantes populares tiveram nobres lideres e
instigadores. Aceitar que a monarquia fosse um simples instrumento da nobreza seria
diminui0-la, tanto sua gloria, quanto sua interpretação autoritária na qual Mousnier era
o principal depositador. Ele decide então elaborar uma contra categoria de acordo com
as condições verificáveis do século XVII e encontrou nas obras do sociólogo
americano Bernard Barber e em um dos seus bem-amados juristas, Charles Loyseau
(1564-1627)

Loyseau dissecou as diversas ordens da sociedade francesa de sua época. Não era
simplesmente uma questão de nobreza, clero e terceiro estado. Haviam em cada uma
das ordens, uma hierarquização correspondente a função social e profissional
especifica, Loyseau relacionou-as em ordem de posição e de prestigio. Mousnier
considerou esse tipo de descrição contemporâneo mais próximo da realidade do que
na baseada em classes. Ratava-se de uma sociedade de ordens. ‘’Segundo a estima,
a honra e a dignidade atribuídas ela sociedade a funções sociais que podem não ter
qualquer relação com a produção de bens materiais’’.

Essa teoria do novo colorido ao estudo do Antigo regime de duas formas: 1.que
ordens distintas estavam em constante conflito a medida em que se mudava o
prestigio atribuído pela sociedade a suas funções. Na sociedade medieval o guerreiro
desfrutava de um prestigio indiscutível, dai surge a consagrada prominência social da
nobreza da espada. Mas, em medida que o Estado vinha se aprimorando, advogados
e administradores adquiriram papel cada vez mais importante e acabaram por
constituir uma ordem superior rival, sob forma de nobreza de toga. 2. Também no
século XVII a sociedade de ordens estava em constante decadência. A prosperidade
crescente fez se desenvolver dentro dela uma burguesia comercial cada vez maior
cuja a demanda por consideração baseava-se inteiramente na riqueza liquida. O que
os burgueses queriam era uma sociedade de classes e em 1789 derrubaram o Antigo
Regime (sociedade de ordens) para consegui-lo.

Jamais houve uma discussão de que os que derrubaram o Antigo Regime fossem
burgueses (no sentido de que não eram nobres). Os marxistas iam além; os
burgueses eram burgueses no sentido que representavam o capitalismo e a riqueza
não fundiária. Em termos sociais a realização mais importante do Antigo Regime foi
preparar terreno para a burguesia capitalista para sua tomada de poder em 1789.

Contudo, Alfred Cobban afirmou que o grupo de deputados eleitos em 1789 tivera
poucos capitalistas, ou homens de riqueza liquida, entre seus membros. Eram em
maioria os advogados funcionários públicos e homens de riquezas de bens de raiz.
George V. Taylor ainda afirmava que a maior parte da burguesia era de homens dessa
espécie e que o capitalismo representava uma fonte minoritária de riqueza. Em 1780 a
burguesia francesa era esmagadoramente não comercial e ate mesmo seus membros
minoritários estavam ansiosos por abandonar o comercio e a indústria tão logo. Todo o
lucro dos cargos venais do século XVI provinha do desejo da burguesia de investir em
status os lucros comerciais.

Betty Behrens afirmou que o privilegio era um principio que perpassava todo o Antigo
Regime e que nela beneficiava todo mundo direta ou indiretamente. Ela mostra que
nem mesmo a isenção das supostas ‘’ordens privilegiadas’’ era completa e que,
quanto a isso, as pessoas mais privilegiadas na França podem muito bem ter sido
determinados burgueses.
O fato de que burgueses pudessem aspirar a nobreza implicava que estes tinham
considerável chance de consegui-lo. A propaganda revolucionaria pintou a velha
nobreza como uma casta impenetrável para os de fora (o que agora vemos que e
falso). Era sempre fácil que plebeus ricos ingressassem na segunda ordem. Por toda
sociedade do Antigo Regime a riqueza podia superar toda barreira social. Assim, a
reivindicação dos revolucionários era mais contra a mobilidade social (não
deliberadamente) do Antigo Regime do que contra sua rigidez.

Enquanto o numero da nobreza continuava razoável o da burguesia crescia


enormemente com a prosperidade comercial do século XVIII. Contudo, as
oportunidades de nobilitação não cresceram. Isto significa que mais burgueses
levavam vida de nobres, embora sem o status técnico. Tornou-se cada vez mais difícil
distinguir estes dos outros. Neste sentido, as ordens sociais tracionais da sociedade
estavam em declínio. A ordem nobre fora absolvida por algo que se pode
razoavelmente chamar de uma classe. Menos razoável e chama-lo de classe
burguesa. A maioria de seus membros eram burgueses, no sentido do Antigo Regime
e não marxista.

Os homens de 1789 acreditavam numa economia de livre mercado. Eliminaram o


controle sobre o comercio de cerais, aboliram guildas e proibiram sindicatos de
trabalhadores, aboliram uma serie de encargos sobre a agricultura senhorial.

Aos olhos dos marxistas tudo isso fez da Revolução um momento econômico decisivo
de maior importância, quando as forças capitalistas romperam os grilhões da
organização feudal da agricultura e produção manufatureira. Com isso a Revolução
deu fim também a uma etapa do desenvolvimento econômico. Economicamente este
foi o fim da Idade Média e inicio do fim do Antigo Regime.

Ao tempo da Revolução o feudalismo, como organização, já desaparecera a muito


tempo, os vestígios que dele sobravam nada mais era do que uma sobretaxação da
propriedade fundiária e não vivencia uma relação econômica antiga. Nem sequer os
homens de 1789 julgavam estar fazendo uma reforma econômica. Na verdade
procuravam fortalecer a estrutura básica da economia. Os fisiocratas afirmavam que a
única fonte de riqueza capaz de expansão era a agricultura e por isso não podiam ser
obstruídas. Porem, ainda segundo esses, a revolução industrial, um beco sem saída, e
que estava a revolucionar a vida econômica. Por isso que, a visão marxista de que o
Antigo Regime foi o ultimo estagio do feudalismo foi abandonada. Porem o encanto do
marxismo econômico rendeu ainda alguns frutos.
Em uma economia maciçamente agrícola e com uma tecnologia de transporte
precária, algumas regiões da França sofriam mais que outras. Pela disparidade
regional de preços, alguns autores tem dado ênfase a composição de duas Franças no
Antigo Regime. O setor manufatureiro sempre foi subalterno ao agrícola e dependente
de sua prosperidade. A maioria dos impostos e rendas vinham do bolso dos
camponeses.

Ate o final do século XVIII o Estado deixou que a agricultura se valesse dos seus
próprios recursos influenciados por ministros como Colbert que acreditava que a
manufatura era o caminho para enriquecer o estado – produzindo tudo o que se
necessitava o fluxo de importação caia e em caso de grande produção, podia-se
exportar. Protegendo e regulando setores da economia o governo podia prosperar. O
século XIX iria chamar isso de mercantilismo, mesmo quando os fisiocratas
convencem os ministros de Luís XIV e Luís XV das superiores exigências da
agricultura, eles nunca deixaram de lado os hábitos de regulamentação herdados do
século XVII. A regulamentação estatal como assinalou Tocqueville constituiu um traço
fundamental da economia do Antigo Regime.

No entanto, o tipo de manufatura mais importante estava entre os mais difíceis de


regulamentar, a de têxteis. A maioria dos tecidos era produzido no interior e
comercializado a partir das cidades, o sistema de fabricação domestica. Esse sistema
não necessitava de grande capital e escapava em grande medida as restrições das
guildas e encontrava uma força de trabalho disponível nos camponeses.

A indústria do Antigo Regime era ‘’pré-industrial’’, bens produzidos em pequenas


oficinas e utilizando a força muscular humana. Afinal de contas, a mão de obra era
barata, ainda mais num século de crescimento populacional. Crescimento este no
padrão do antigo regime demográfico: o de casamento precoce e de novo casamento
rápido entre os quais ficaram viúvos. O tamanho das famílias era notavelmente
elevado e isso se deve a alta taxa de mortalidade. Apenas a metade das crianças
atingia a fase adulta. A mortalidade adulta também era alta comparada ao período
moderno. O que mantinha as populações dentro de certos limites eram as crises
demográficas periódicas, quando passavam as crises retomavam taxas
compensatórias. Na raiz das crises demográficas estavam as colheitas insuficientes.
Um ano pouco produtivo poderia ser suportado, uma sucessão desses não.

A demografia, porem, como todas as coisas do Antigo Regime eram extremamente


localizadas. Crises no Âmbito Nacional quase nunca ocorreram. As taxas de
mortalidade na cidade eram mais elevadas que as do campo. Assim sendo, para que
as cidades mantenham sua população tinha que ser alimentada pela imigração. Numa
economia limitada pelos altos custos do transporte, os seres humanos descobriram ser
mais fácil que eles próprios se deslocassem do que a maioria das outras coisas.

Os homens de 1789 eram nacionalizadores. Desejavam criar uma França onde tudo
fosse racional, lógico e claro na organização e justo, econômico e útil no objetivo.
Encararam o Antigo Regime como desprezível amontoado de caos, falta de logica,
rotina, desperdício e injustiça. A perspectiva que lhe dava sustentação era como uma
mescla de egoísmo, superstição e fanatismo. Foi esse ponto de vista que Taine
condenou como ‘’espirito clássico’’, sem dar importância as complexidades da
evolução social e nem mesmo a psicologia humana básica. A mentalidade do Antigo
Regime era tão complexa em seu caráter como em suas outras facetas.

O Antigo Regime era um regime católico romano, o titulo máximo para a autoridade
real era consagrado por Deus e apenas perante a Deus ele devia prestas contas. Seu
reinado tinha inicio numa coroação junto a unção com óleo sagrado. Todos seus
súditos passavam a vida sore a sombra da Igreja, esta que prescrevia o calendário,
batizava, casava e enterrava todo mundo; monopolizava a educação; organizava os
casamentos, os serviços médicos e ajudavam os pobres; possuía maior parte dos
maiores edifícios e um decimo do território francês. Tudo isso foi despedaçado entre
1790 a 1801.

O protestantismo só foi ilegal durante o ultimo século do Antigo Regime. Ao ver dos
católicos os protestantes constituíam um corpo estranho. Contudo, os protestantes
tiveram papel importante no comercio ultramarino francês, organizaram e nominaram
grande parte da indústria de tecido e os banqueiros de Languedoc foram fundamentais
ao manter o Estado financeiramente equilibrado.

As fronteiras entre igreja e estado constituíram uma das preocupações principais dos
políticos. Isso porque os membros da igreja recorriam ao rei ou aos seus tribunais para
resolver suas contendas, com o paio do rei se saiam melhor que seus adversários nos
parlaments, universidades e entre determinadas outras ordens religiosas. Porem sua
determinação de esmagar todos os adversários acabou resultando na criação de uma
frouxa coalização entra eles, o jansenismo conquistava apoio popular.

Ambos as partes do grande conflito religioso iniciado na revolução podiam concordar


em uma coisa: a maior parte das coisas que haviam dado errado podia ser atribuída
ao sistema educacional do Antigo Regime. Os católicos condenavam-o por permitir a
difusão da irreligiosidade; os revolucionários por perpetuar a superstição e o
fanatismo.

Os historiadores enxergam o Antigo Regime como uma época em que o atendimento


educacional se ampliou sob o estimulo da palavra impressa, da determinação católica
de combater a heresia e da demanda publica. A educação era controlada pela Igreja
em todos os níveis e a elevação dos padrões educacionais no Antigo Regime talvez,
foi a maior obra de Contrarreforma. Assim foi salva a França do protestantismo, não foi
salva porem das divergências em que se consistia uma boa pratica católica. O
conhecimento podia ser uma boa arma contra a heresia, mas também tornava as
pessoas mais criticas a respeito da ortodoxia. Havia um empenho em depurar as
reminiscências da religião pagã, mas essa era uma batalha longe de estar ganha em
1789, o que era de se espera num pais em que a maioria era de camponeses
analfabetos.

Cada localidade tinha seus próprios santos, fontes sagradas e cerimonias a ela
relacionados. Eliminar essa enorme diversidade exigia um grande esforço e recursos
que fugiam da capacidade da Igreja no Antigo Regime. Era mais fácil impor
uniformidade as elites e, mesmo aí, a ‘’piedade barroca’’ da Contrarreforma havia
começado a desmoronar pelos meados do século XVIII.

O ‘’historiador da Revolução’’ qualifica essas tendências como sinal de


descristianização e afirma que elas tornam mais compreensíveis as agressões da
Revolução contra a Igreja. Outros afirmam que tais sinais são meros evidencias de
uma modificação de atitude diante da pratica religiosa, antes que uma decadência da
intensidade da fé.

Mas, até mesmo uma comprovada decadência tem sido caracterizada como uma
‘’secularização de atitudes religiosas’’- mais um afastamento do ideal sacerdócio do
que das verdades do cristianismo.

Muitos historiadores concordam que a grande querela revolucionária não foi


premeditada, ela começou como uma tentativa de depurar a Igreja de uma grande
gama de atributos e praticas que os homens de 1789 criam que enfraquecem sua
autoridade moral dentro da nação.

Contudo muito católicos admitiram as afirmações de Burke de que a agressão a Igreja


foi premeditada pelos escritores do Iluminismo e até bem recentemente aceitava-se
que o Iluminismo foi profundamente hostil ao Antigo Regime e por isso, em certo
sentido, não era parte integrante deste. Criticar porem não e condenar, e tanto os
produtores quanto os consumidores do Iluminismo queriam era o aprimoramento e não
a destruição.

Unanimemente todos os pensadores eram frutos da educação católica, a reputação


deles se constituía pelo o que eles falavam nos salons da alta sociedade parisiense
anto o que escreviam. Na década de 1760 os philosophes haviam apoderado todos os
principais órgãos e instituições da vida intelectual nacional, haviam-se tornado o
establishment literário. Não se sentiam ameaçados pela maneira de pensar de sua
época. É evidente que não esperavam que isso levasse as convulsões sociais de 1789
que iriam destruir seu status, privilégios, cargos e, de fato, a maioria das instituições
culturais que a patrocinavam. Somente quanto essas convulsões sociais começaram a
ser apuradas é que o Iluminismo foi identificado como uma força subversiva.

A revolução fez do Iluminismo uma ideologia revolucionaria. Ninguém anteviu as


dimensões do colapso do Antigo Regime nem a simultânea gama de oportunidades de
reforma que isso iria proporcionar. O que produziu a ideologia revolucionaria foi que as
mentes impregnadas do Iluminismo se voltaram quanto aos problemas práticos de,
simultaneamente governar e reorganizar uns pais em que a ordem publica quase se
rompera. As instituições representativas levaram ao poder a elite dos lumiéres em
grande medida não comercial, fundiária e profissional liberal. A bagagem mental com
que enfrentaram os problemas de governo constituíra-se no mundo intelectual
dominado pelo Iluminismo e este lhes propiciou o material a partir do qual
compuseram sua ideologia revolucionária. Não propiciou porem, tal ideologia
inteiramente pronta. O Iluminismo era um fenômeno do Antigo Regime. A revolução
transformou-o, como tantas outras coisas, dentro de um molde novo e diferente.

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