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DJU DATA:22/01/2008 PÁGINA: 560

Decisão
Vistos, relatados e discutidos estes autos, em que são partes as acima
indicadas, ACORDAM os Desembargadores Federais da Primeira
Turma do Tribunal Regional Federal da Terceira Região, à
unanimidade, em dar provimento ao recurso em sentido estrito para
receber a denúncia quanto aos delitos previstos nos artigos 299 e 304,
ambos do Código Penal, e determinar o retorno dos autos ao juízo de
origem para regular prosseguimento do feito, nos termos do relatório
e voto do Desembargador Federal Relator que fazem parte integrante
do presente julgado.
Ementa
PENAL - RECURSO EM SENTIDO ESTRITO TIRADO CONTRA
DECISÃO QUE REJEITOU A DENÚNCIA POR AUSÊNCIA DE
JUSTA CAUSA - DENÚNCIA QUE APRESENTA INDÍCIOS
SUFICIENTES DE MATERIALIDADE E AUTORIA QUANTO
AOS DELITOS PREVISTOS NO ART. 299 E ART. 304, AMBOS
DO CÓDIGO PENAL - VIABILIDADE DA ACUSAÇÃO -
PRINCÍPIO DO IN DUBIO PRO SOCIETA - RECURSO
PROVIDO. 1. Trata-se de recurso em sentido estrito interposto contra
a decisão (fls. 322/325) que rejeitou denúncia que imputa aos
recorridos a pratica dos delitos de estelionato, falsidade ideológica
e uso de documento falso (art, 173, §3, art. 299 e art. 304, todos
do Código Penal), sob fundamento de inexistência de justa causa
para a ação penal. 2. Nas razões recursais (fls. 330/340), pleiteia-se a
reforma parcial da decisão recorrida, com recebimento da denúncia
quanto aos delitos de falsidade ideológica e uso de documento falso.
3. No caso, a denúncia imputa aos recorridos o uso de documento
falso para instruir processo judicial, de modo que - embora
caracterizada a desistência quanto ao estelionato - já havia,
segundo a narrativa da exordial, ocorrido (o que teria se dado
com a mera apresentação da CTPS falsificada em juízo no
processo que buscou a concessão de benefício previdenciário) a
consumação do delito previsto no art. 304 do Código Penal, uma vez
que se trata de crime formal. A descrição dos fatos contida na
exordial mostra-se plausível - embora, por óbvio, ainda deva ser
comprovada em juízo - sendo oportuno o recebimento da denúncia
para apuração da responsabilidade dos recorridos pelos atos
praticados antes da desistência voluntária, os quais são - em tese -
aptos a configurar a prática do delito de "uso de documento falso"
(art. 304 do CP). 4. Merece reparo a decisão recorrida no tocante à
subsunção dos fatos narrados na denúncia ao disposto na Súmula
nº 17 do Superior Tribunal de Justiça, pois, no caso em concreto,
a potencialidade lesiva do falso não restou esgotada com a
desistência operada no processo judicial nº 748/98 (fls. 264), uma
vez que a CTPS objeto do falso poderia, em tese, servir para nova
postulação de benefício previdenciário na via administrativa ou
mesmo em outro processo judicial, ou seja, não houve
exaurimento da potencialidade lesiva do falso, continuando o
mesmo a ter, per si, capacidade lesiva. 5. Presentes indícios de
materialidade e autoria dos delitos previsto nos artigos 299 e 304,
ambos do Código Penal e atendendo a denúncia aos requisitos
elencados no artigo 41 do Código de Processo Penal, com a
exposição do fato criminoso com todas as circunstâncias de tempo,
lugar e modo de execução, bem como a correta qualificação dos
acusados e classificação do delito, não se vislumbra razão plausível a
ensejar a rejeição da mencionada peça inaugural. 6. Recurso em
sentido estrito provido para receber a denúncia quanto aos delitos
previstos nos artigos 299 e 304, ambos do Código Penal e determinar
o retorno dos autos ao juízo de origem para regular prosseguimento
do feito. (Processo RSE 200061080087451, RSE - RECURSO EM
SENTIDO ESTRITO – 3811; Relator JUIZ JOHONSOM DI
SALVO; Sigla do órgão: TRF3; Órgão julgador: PRIMEIRA
TURMA; Data da Decisão: 11/12/2007 ; Data da Publicação:
22/01/2008 (grifos meus)

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