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Afirma-se, por um lado, que o comportamento é determinado, o que, de imediato, parece

garantir o status científico do comportamento. Mas, por outro lado, não se trata de um
determinismo absoluto, mas probabilístico. Isso porque o comportamento é um objeto de
estudo complexo, que encerra relações funcionais envolvendo uma pluralidade de variáveis.
Em razão dessa multideterminação, é praticamente impossível especificarmos uma causa exata
para os fenômenos comportamentais e, conseqüentemente, determinar de maneira absoluta o
comportamento (Carrara, 2004; Tourinho, 2003).

Isto é, a noção de probabilidade reforça a idéia de que é impossível especificar com precisão a
causa exata de qualquer comportamento, ou a totalidade dos fatores causalmente relevantes
de um evento. Assim, a probabilidade diz respeito a um enunciado sobre as limitações do
conhecimento sobre o objeto de estudo, e não sobre o próprio objeto, o comportamento.

Assim, a despeito do caráter probabilista de suas formulações, o determinismo probabilístico


parece estar comprometido com o determinismo ontológico. Isso porque ainda permanece a
suposição velada de que o comportamento é completamente determinado por um complexo
arranjo de variáveis ou causas, que escapa ao nosso conhecimento de forma definitiva.

Para o mecanicismo, o acaso, ou a imprevisibilidade, diz respeito apenas a aspectos mais


restritos do mundo, que não são imprevisíveis por natureza, mas apenas em decorrência de
nossas limitações cognitivas. O mecanicismo torna tais eventos aparentemente imprevisíveis
em previsíveis recorrendo à "lei da probabilidade"[...]Reparemos que, para o mecanicismo, a
probabilidade é apenas um recurso empregado para tentar sorver a aparente irregularidade
em regularidade - ainda que a descrição dessa regularidade seja menos precisa.

Para o pragmatismo, por sua vez, a probabilidade tem estatuto positivo tanto no nível
ontológico quanto epistemológico. No nível ontológico, a probabilidade é entendida como uma
característica irredutível dos fenômenos da natureza. No nível epistemológico, a probabilidade
tem estatuto epistêmico positivo, pois o pragmatismo admite como legítimo o conhecimento
assentado exclusivamente em relações probabilísticas. Com efeito, a noção de probabilidade do
determinismo probabilístico parece ser incompatível com a filosofia do pragmatismo.

Nem toda crítica ao representacionismo pode ser considerada pragmatista. De um modo


bastante geral, o que vai caracterizar o pragmatismo é uma concepção de conhecimento
centrada no valor funcional das descrições reconhecidas como verdadeiras (e, nesse sentido, o
pragmatismo é proposto como uma "teoria da verdade" - cf. James, 1907/1949). [,,,] no qual
o princípio da funcionalidade das descrições ocupa o centro das análises do problema do
conhecimento, e um pragmatismo contemporâneo, do qual Rorty é representante, cujas
propostas envolvem a afirmação de um relativismo lingüístico e cultural como inerente a
qualquer sistema de crenças e de critérios para validação das reivindicações a conhecimento.

Skinner opõe-se sistematicamente à idéia de conhecimento enquanto representação mental da


realidade. Conhecer, para ele, é comportar-se discriminativamente diante de estímulos, é agir,
numa situação particular, de forma tal que propicie um determinado tipo de interação com o
ambiente circundante. Isto significa eliminar qualquer referência a "conteúdos" ou "processos"
mentais na explicação do conhecimento. Um indivíduo não conhece algo no sentido de dispor
de cópias mentais com respeito ao que é conhecido, mas sim no sentido de ser capaz de
interagir de forma eficaz com o ambiente a sua volta. Falar de conhecimento, nesta
perspectiva, é falar de repertório comportamental, da probabilidade de um organismo
comportar-se de uma dada maneira em certas situações. E apenas neste sentido, também,
que se pode falar na posse de conhecimento; um indivíduo possui conhecimento acerca de
algo se está dotado de determinado repertório comportamental com respeito a uma dada
situação.

para Skinner, toda verdade é contingente, inclusive as científicas.

Finalmente, contra Skinner, é necessário admitir que em várias circunstâncias sua análise é
contraditória (ver, por exemplo, Malone Jr., 1975; e Zuriff, 1980) e que o princípio da
funcionalidade não é em si suficiente para explicar a seleção de teorias e práticas científicas,
uma vez que o próprio julgamento acerca da instrumentalidade de uma reivindicação a
conhecimento científico é determinado, entre outros, pela adesão a um conceito particular de
instrumentalidade, que se materializa nas práticas reforçadoras da comunidade verbal
científica, sob controle das quais um cientista produz conhecimento.

A distinção traçada por Strawson parece ser entre a suposta relação natural de
causalidade entre coisas na natureza (que o behaviorismo radical descreve como
contingências de reforço mantidas pelos sistemas físicos e sociais) e a relação
explicativa entre fatos ou verdades(considerada “não-natural”) que, para o
behaviorismo radical, são exemplos naturais de comportamento verbal.

Primeiro: suas brilhantes interpretações beha vioristas do mundo mental. Estas incluem interpretar os
conceitos mentais tais como significado propósito, expectativa , e em termos de contingências e
histórias de reforço, sua incorporação eventos privados dos no behaviorismo para explicar os relatos de
episódios internos elaborados na primeira pessoa e sua epistemologia comportamental. Segundo: sua
concepção de teoria e teorização psicológica que inclui, de um lado, oposição às inferências teóricas
hipotéticas, a substituição de determinação(causa) por relação funcional, a noção de teoria como um
conjunto parcimonioso de leis e a de explicação como predição controle e; de outro, temos sua visão de
que a prática científica efetiva consiste em permanecer próxima aos dados e observação, sua oposição
ao método hipotético-dedutivo, sua liderança na promoção de uma ciência do comportamento autônoma
e sua interpretação da ciência como o comportamento dos cientistas . Terceiro: sua filosofia social e as
idéias sobre a aplicação da tecnologia comportamental, com ênfase no controle comportamental,
oposição ao uso da punição e aos conceitos tradicionais tais como'liberdade' e 'responsabilidade pessoal'
que julgava atrapalhar o progresso humano

Tanto quanto Strawson, Skinner (1945/1984,1969, 1974) criticou com eloqüência a


própria distinção entre externalismo e internalismo, tendo em vista que a pele não é
assim tão importante como fronteira e critério para separar diferentes processos, bem
como com sua distinção entre comportamento modelado por contingências e
comportamento governado por regras ofereceu um contexto teórico para superar as
distinções entre “verdades de fato” e “verdades de razão” (Skinner, 1957;1969).

Com respeito aos exageros do externalismo, Skinner (1974) referiu-se ao


behaviorismo metodológico - ou seja, às várias formas de psicologia S-R que
compartilham a noção de causa como essencialmente antecedente ao comportamento,
inclusive a psicologia cognitiva (ver Day, 1983) - como uma versão psicológica do
positivismo ou operacionismo lógico (fisicalismo, conforme Strawson), embora
reconheça que se preocupam com questões diferentes.

Conforme Skinner, o behaviorismo metodológico excluiu os acontecimentos privados


por não ser possível um acordo público acerca de sua validade, mas o behaviorismo
radical adota uma linha diferente, pois não nega a possibilidade da auto-observação
ou do autoconhecimento nem sua possível utilidade, apenas questiona a natureza
daquilo que é sentido ou observado e, portanto, conhecido.

Skinner(1974) aponta que o mentalismo, ao fornecer uma aparente explicação


alternativa, mantinha a atenção afastada dos eventos externos antecedentes que
poderiam explicar o comportamento, enquanto que o behaviorismo metodológico fez
exatamente o contrário ao lidar exclusivamente com os acontecimentos externos
antecedentes: desviou a atenção da auto-observação e autoconhecimento.

Em resumo, aprendemos a seguir regras à medida que tais ações operantes são
reforçadas por conseqüências naturais e/ou sociais, ou ações não condizentes com
elas são punidas e, paralelamente a esse processo, também aprendemos a formular
regras igualmente sob o controle de contingências naturais e sociais de reforço e
punição (Baum, 1994).