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Energia nuclear faz a diferença.

A radiação é utilizada para diagnostico de


doenças e para tratamento de doenças como o câncer; é utilizada para
esterilização de equipamentos médicos, como seringas; é utilizada para
esterilizar até mosquitos e erradicar doenças; é utilizada em aplicações
espaciais: aquele robô, Curiosity, que está em Marte, é movido a bateria nuclear;
pode ser utilizada até mesmo para trocar a cor de uma pedra preciosa ou para
ajudar no processo de restauração de uma pintura.
O processo de produção de energia, dentro de um reator, vem da fissão:
um nêutron atinge um átomo de urânio que se divide e, nessa divisão, nessa
fissão, ele produz outras duas partes, de dois a três nêutrons, e energia; e esses
dois a três nêutrons vão fissionando outros átomos de urânio, e assim é a reação
em cadeia. Essa energia serve para aquecer a água que fica dentro do reator.
Essa água vai aquecer uma outra água, em um outro sistema, que vira vapor,
roda a turbina, e o gerador transforma essa rotação da turbina em energia que
vai ser distribuída para as casas.
A energia nuclear é uma energia limpa. É parte da solução para mudança
climática. O processo da energia nuclear não produz nenhum gás de efeito
estufa. Todos nós temos sentido as mudanças climáticas, como ondas de calor:
no Rio de Janeiro, já houve dias com sensação térmica de 50°C.
Agências e institutos pesquisaram o que nós fazemos que causa tanta
liberação de gases de efeito estufa. Uma das principais razões é a utilização de
combustíveis fósseis, como o carvão. No mundo, o carvão ainda é a fonte de
energia mais utilizada para a produção de energia. O mundo ainda queima muito
carvão para produzir energia. Na nossa fase de crise hídrica, quando os níveis
dos nossos reservatórios de água estavam críticos, o Brasil colocou suas
termoelétricas a combustíveis fósseis a todo vapor para suprir a demanda de
energia.
Além disso, o consumo de energia só tende a aumentar. Ele é indicador
de disponibilidade de serviços básicos das sociedades, como tratamento de
resíduos e de esgotos, e hospitais. Ou seja, o consumo de energia está
diretamente ligado ao índice de desenvolvimento de um país.
A solução ideal para o mundo, precisando de mais energia, não é queimar
mais carvão, e sim optar por energias limpas, o que inclui as renováveis e a
nuclear. Muitas pessoas podem pensar que, por o Brasil ser um país tropical,
podemos ficar com a energia solar e eólica. Elas são parte da solução também.
Mas essas duas energias são intermitentes. Elas dependem do clima para
produzir. Em um dia nublado, chuvoso, a solar não vai produzir tanta energia.
Com muito vento, ou pouco vento, como a eólica funciona numa variação
específica de vento, se tiver muito, ou muito pouco, a eólica também não vai
produzir tanta energia. Já a nuclear vai produzir 24 horas por dia, 7 dias por
semana. Ela é uma energia confiável, de base, sabe-se exatamente quanto ela
vai produzir, em quanto tempo.
A energia nuclear tem uma grande densidade energética. Uma pastilha
de urânio de 7 gramas produz a mesma quantidade de energia que cerca de 800
quilos de carvão. Uma usina nuclear ocupa um espaço, em média 100 vezes
menor do que uma central energética solar precisa para produzir a mesma
quantidade de energia.
Outra vantagem é a quantidade de combustível necessário; pouco
combustível com grandes quantidade de energia obtida. Isso não só economiza
em matérias-primas, mas também no transporte, mineração e manuseio de
combustível nuclear. O custo do combustível nuclear é responsável por 20% do
custo da energia gerada.
Atualmente, a energia nuclear é responsável por 10% da produção de
energia no mundo. Esse número ainda vai aumentar, porque existem dezenas
de usinas em construção. Só na China são mais de 20. A França tem mais de
70% de sua energia baseada em nuclear, são mais de 50 usinas. Nos Estados
Unidos são 99. No Brasil temos duas, atualmente em operação.
Anualmente, a energia nuclear evita a emissão de cerca de 2 bilhões de
toneladas de dióxido de carbono na atmosfera. Uma pesquisa feita chegou à
conclusão de que cerca de 1,8 milhões de pessoas deixaram de morrer por
poluição do ar, porque utilizamos energia nuclear. Nuclear salva vidas.
A população precisa tomar atitudes urgentemente, porque as mudanças
climáticas que estamos sentindo são drásticas. É preciso trocar os combustíveis
fósseis, que estão sendo utilizados, por energias limpas, e a energia nuclear é
uma energia limpa, é uma energia de alta densidade e é segura, sim.
Desde o desastre natural em Fukushima o mundo voltou a ter um interesse
especial pela energia nuclear. Pelo menos é desde essa época que eu vejo grupos
moleculares tentando convencer a população de que a energia nuclear é um mal à
humanidade que deve ser banido. Por minha vez, tenho uma visão diferente da
energia nuclear. Para mim ela não é apenas uma fonte de energia, como a
hidrelétrica ou a termelétrica ou a eólica ou a maremotriz. Não. A energia nuclear
é, na minha opinião, um recurso de poder. O cenário internacional é anárquico. Os
organismos internacionais não são suficientes para gerar segurança coletiva. A
ação unilateral dos EUA de invadir o Iraque, a invasão do espaço aéreo do
Paquistão para matar Osama, a invasão do Líbano por Israel e a invasão da
Geórgia pela Rússia são alguns exemplos de que as grandes potências podem
agir impunemente contra os países mais fracos sem serem incomodados pela
comunidade internacional.

Do ponto de vista estratégico, as usinas nucleares são necessárias para a defesa.


Com elas, e a tecnologia associada ao seu funcionamento e às inovações
possíveis, podem financiar um programa nacional de armamentos nucleares:
submarinos movidos à propulsão nuclear (necessários para fazer a defesa das
águas territoriais, especialmente agora com o pré-sal), porta-aviões e, por que não,
ogivas nucleares. Sim, isso mesmo: bombas atômicas. Elas são o supremo
recurso de poder dissuasivo e necessários para uma política de grande potência
que quer ser respeitada pelas mais fortes. Não é por outro motivo que os EUA,
Rússia, China, França e Inglaterra, especialmente os EUA, são contra a
proliferação da energia nuclear. Se mais países tiverem acesso a esta e
produzirem armas, sua capacidade de impor seus interesses nacionais será
menor. Isso é especialmente crítico no caso do Irã, que armado com ogivas
nucleares seria um grande contrapeso ao poder dos EUA e Israel no Oriente
Médio, local onde estão as mais importantes reservas petrolíferas do mundo.

A energia nuclear e seus fins militares são, pois, necessários para o Brasil e
qualquer país que queira ser grande e lançar uma política externa soberana.
Soberana porque forte, forte porque armada nuclearmente. Os estrategistas, os
que pensam na próxima geração, devem buscar a maximização do poder de seu
país, pois apenas a maximização do poder gera liberdade. Onde um é forte e os
demais são fracos vive-se numa autocracia. Mas onde todos são fortes, vive-se
numa democracia, pois a unilateralidade implica custos altos demais. A propósito:
foi a ameaça da destruição mútua assegurada que impediu a Terceira Guerra
Mundial.

Em relação a Fukushima, quero dizer que o que ocorreu lá foi o que a estatística
chama de outlier. Ou, se preferirem, uma grande exceção. E uma exceção que
confirma a regra: a energia nuclear é segura. Os reatores de Fukushima foram
feitos para suportar um terremoto de até 8 graus na escala richter e o terremoto
chegou aos 9 graus. Um grau de diferença é equivalente a um terremoto dezenas,
ou centenas de vezes mais forte. E as usinas resistiram bem, não explodiram.
Além disso, foram construídas para suportar um tsunami de até 8 metros, mas
suportaram um de 10 metros. E mesmo assim a situação apenas ficou instável,
mas sob controle. Fukushima vem demonstrar que a ciência, desde que
suficientemente desenvolvida, pode conter as forças naturais.
No Brasil, a usina em Itacuruba ficaria numa região onde não ocorrem terremotos
ou tsunamis. Para quem tenha crise de identidade, o Brasil não é o Japão.
Geograficamente estamos muito mais seguros.

Em relação às regras internacionais, o Manifesto da Articulação Antinuclear


Brasileira diz, a partir de três casos, que os protocolos internacioanis de segurança
não são cumpridos. Isso é uma irresponsabilidade. Se não fossem cumpridos não
teriam ocorridos três casos de acidentes, mas dezenas, centenas, milhares de
casos. Tão poucos acidentes são exemplo de que a segurança existe. E se forem
descumpridos por algum motivo precisaremos que as instituições de controle do
Estado ajam e punam com rigor e severidade o descumprimento.

E encerro esta postagem dizedo: a energia nuclear é um recurso de poder e poder


é segurança num mundo perigoso.
Somos, acima de tudo, cidadãos brasileiros e o comprometimento com o poder
nacional é um dever cívico. Usina nuclear? Mais uma por favor. E obrigado.
ÉPOCA – Quando o senhor integrava o Greenpeace, escreveu que “as usinas nucleares são
a invenção mais perigosa da humanidade”. Hoje, as defende publicamente. Por que mudou de
opinião?

Patrick Moore – No Greenpeace, nós achávamos que tudo o que era nuclear era ruim. Acreditávamos
que a energia nuclear estava inevitavelmente ligada às armas atômicas. Mas é só reparar que os reatores
que produzem energia não são usados para matar pessoas. Na verdade, reatores são usados até na
medicina para produzir medicamentos que tratam milhões de pessoas. Muitas tecnologias podem ser
usadas para o bem ou para o mal. Você pode voar em um avião para promover uma missão de paz ou
para destruir uma cidade com uma bomba.

ÉPOCA – O senhor não se diz um alarmista a respeito do aquecimento global, mas o usa
como argumento para defender a energia nuclear. Não é uma contradição?

Moore – Não acho que eu esteja me contradizendo. Não contratamos seguro contra incêndio para nossas
casas mesmo sem saber se elas pegarão ou não fogo? Acho difícil prever quais serão as conse-qüências
do aumento da temperatura do planeta no futuro. Mas acredito que, se quisermos reduzir nossas
emissões de gás carbônico, teremos de reduzir nossa dependência dos combustíveis fósseis.

ÉPOCA – A energia nuclear é considerada cara e, em muitos países, conta com subsídios
governamentais para chegar a um preço razoável aos consumidores. Ela é financeiramente
viável?

Moore – Comparada com as outras fontes de energia, a nuclear é mais cara que a hidrelétrica. E também
é mais cara que a eletricidade gerada em termelétricas movidas a carvão. Mas ainda é mais barata que a
eletricidade produzida com gás natural. E, com certeza, muito menos cara que a energia solar.

"O Greenpeace faz uso de minha história e não o contrário. Quem trabalha hoje lá
está usufruindo da organização que ajudei a construir"

ÉPOCA – O senhor tem dados para comparar os preços de cada tipo de energia?

Moore – Não dá para colocar em números exatos. No caso das hidrelétricas, depende de onde o
reservatório for construído. Cada usina nuclear também é um caso único: depende de quanto tempo vai
demorar a construção, de qual era o preço dos materiais no período etc. Tudo o que eu posso dizer é que,
em 21 países, 15% ou mais da eletricidade é gerada em usinas nucleares. Na França, chega a 80%. A
Eslováquia, por exemplo, não é um país rico, e 66% de sua eletricidade vem de usinas nucleares. A razão
pela qual esses países contam com a energia nuclear é que ela tem um preço bastante razoável
comparado ao de outras tecnologias.
ÉPOCA – Como resolver o problema do armazenamento do lixo nuclear se, desde que a
primeira usina entrou em funcionamento, na década de 1950, na Rússia, ainda não há no
mundo um abrigo definitivo para o combustível usado?

Moore – A França e o Japão já conseguem dar um destino final para seu lixo nuclear. Eles estão
reciclando o combustível usado para reaproveitá-lo nos reatores. O combustível conserva 95% de seu
potencial energético mesmo depois de usado uma vez.

ÉPOCA – Alguns especialistas consideram esse reprocessamento muito arriscado. Depois


de usado no reator, parte do urânio se transforma em plutônio, que pode ser usado para fazer
bombas. É seguro lidar com esse material?

Moore – No Japão, o plutônio é misturado novamente ao urânio dentro do equipamento que faz a
reciclagem. Assim, não é possível construir bombas. Mas eu não estou tão preocupado com os terroristas
se eles se apossarem desse material porque não sabem construir bombas. Agora, países como a Coréia do
Norte e o Irã podem contratar cientistas para isso. Mas ainda é mais fácil para eles comprar centrífugas
para enriquecer o urânio que usar o material reprocessado.

ÉPOCA – Por que não usar o dinheiro gasto nas usinas nucleares para desenvolver fontes
alternativas de energia que não oferecem os perigos da nuclear?

Moore – A energia solar e a energia eólica não dão conta de abastecer toda uma rede elétrica. Além
disso, de onde viria a energia quando não houvesse sol e quando parasse de ventar? Porque não faz sol e
não venta o tempo todo. Sou a favor de usar primeiro o potencial hidrelétrico. Mas, uma vez que ele tenha
se esgotado, defendo a energia nuclear em seguida.