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Guerra dos Cem Anos

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Guerra dos Cem Anos

De cima, da esquerda para a direita: Batalha de La Rochelle; Batalha de Azincourt; Batalha de


Patay e Joana d'Arc no Cerco de Orleães.
Data 1337 – 1453
Local França e Países Baixos
Desfecho Vitória francesa decisiva e consolidação da Monarquia na França
A Casa de Valois garante o controle de toda a França, menos Pas-de-
Mudanças territoriais
Calais
Beligerantes
Reino da Inglaterra Reino da França

 Principado de Gales  Condado da Flandres


 Ducado da Aquitânia  Ducado da Borgonha

Ducado da Borgonha Coroa de Castela


Ducado da Bretanha[1] Ducado da Bretanha[2]
Reino de Portugal Reino da Escócia
Reino de Navarra Ducado da Lorena
Condado da Flandres República de Gênova
Condado de Hainaut Reino da Boêmia
Estados Papais Coroa de Aragão
Reino de Maiorca

Papado de Avinhão
Comandantes
Eduardo III (1337-1377) Filipe VI (1337-1350)
Ricardo II (1377-1399) João II (1350-1364)
Henrique IV (1399-1413) Carlos V (1364-1380)
Henrique V (1413-1422) Carlos VI (1380-1422)
Henrique VI (1422-1463) Carlos VII (1422-1453)

Guerra dos Cem Anos foi uma série de conflitos travados


de 1337 a 1453 pela Casa Plantageneta, governantes do Reino da Inglaterra,
contra a Casa de Valois, governantes do Reino da França, sobre a sucessão do
trono francês. Cada lado atraiu muitos aliados para a guerra. Foi um dos
conflitos mais notáveis da Idade Média, em que cinco gerações de reis de duas
dinastias rivais lutaram pelo trono do maior reino da Europa Ocidental. A
guerra marcou tanto o auge da cavalaria medievalquanto seu subsequente
declínio e o desenvolvimento de fortes identidades nacionais em ambos os
países. Depois da Conquista Normanda, os reis da Inglaterra eram vassalos dos
reis da França para suas posses em solo francês. Os reis franceses se
esforçaram, ao longo dos séculos, para reduzir estas posses, no sentido de que
apenas a Gasconha fosse deixada para os ingleses. A confiscação ou a ameaça
de confisco deste ducado faziam parte da política francesa para controlar o
crescimento do poder inglês, particularmente quando os ingleses estavam em
guerra com o Reino da Escócia, um aliado da França.

Por intermédio de sua mãe, Isabel da França, Eduardo III da Inglaterra era o
neto de Filipe IV da França e sobrinho de Carlos IV da França, o último rei da
linha principal da Casa dos Capeto. Em 1316, foi estabelecido um princípio que
negava a sucessão das mulheres ao trono francês. Quando Carlos IV morreu
em 1328, Isabella, incapaz de reivindicar o trono francês para si, reivindicou-o
para seu filho. Os franceses rejeitaram o pedido, sustentando que Isabella não
podia transmitir um direito que ela não possuía. Por cerca de nove anos (1328-
1337), os ingleses haviam aceitado a sucessão de Valois ao trono francês, mas
a interferência do rei da França, Filipe VI, na guerra de Eduardo III contra a
Escócia permitiu a Eduardo III reafirmar sua reivindicação ao trono francês.
Várias vitórias esmagadoras inglesas na guerra - especialmente
em Crecy, Poitiers e Agincourt - levantaram as perspectivas de um triunfo
inglês definitivo. No entanto, os maiores recursos da monarquia
francesa impediram uma conquista completa. A partir de 1429, decisivas
vitórias francesas em Patay, Formigny e Castillon concluíram a guerra a favor
da França, com a Inglaterra perdendo permanentemente a maior parte de suas
principais possessões no continente.

Historiadores comumente dividem a guerra em três fases separadas


por tréguas: a Guerra da Era Eduardiana (1337-1360); a Guerra Carolina (1369-
1389); e a Guerra de Lancaster (1415-1453). Os conflitos locais nas áreas
vizinhas, que estavam contemporaneamente relacionados com a guerra,
incluindo a Guerra da Sucessão Bretã (1341-1364), a Guerra Civil de
Castela(1366-1369), a Guerra dos Dois Pedros (1356-1375) em Aragão e
a Crise de 1383–1385 em Portugal, foram aproveitados pelas partes para fazer
avançar as suas agendas. Posteriormente, os historiadores adotaram o termo
"Guerra dos Cem Anos" como uma periodização da historiografia para abranger
todos esses eventos, construindo assim o maior conflito militar da história
europeia.

A guerra deve seu significado histórico a múltiplos fatores. No final, os


exércitos feudais haviam sido largamente substituídos por tropas profissionais
e o domínio aristocrático cedera à democratização da mão-de-obra e das
armas dos exércitos. Embora primeiramente um conflito dinástico, a guerra
deu o ímpeto às ideias do nacionalismo francês e inglês. A introdução mais
ampla de armas e táticas suplantou os exércitos feudais onde a cavalaria
pesada tinha dominado. A guerra precipitou a criação dos primeiros exércitos
permanentes na Europa Ocidental desde a época do Império Romano do
Ocidente e assim ajudando a mudar seu papel na guerra. Com relação aos
beligerantes, na França, guerras civis, epidemias mortais, fomes e mercenários
reduziram a população drasticamente. As forças políticas inglesas ao longo do
tempo vieram a opor-se à arriscada aventura. A insatisfação dos nobres
ingleses, resultante da perda de suas terras continentais, tornou-se um fator
que levou às guerras civis conhecidas como Guerras das Rosas (1455-1487).[3]
Índice

• 1 Antecedentes

• 1.1 Reino da França

• 1.2 Os atritos

• 2 Principais batalhas

• 3 Desenrolar da guerra

• 3.1 Primeiro período (1337 - 1364)

• 3.2 Segundo período (1364 - 1380)

• 3.3 Terceiro período (1380 - 1422)

• 3.4 Quarto Período (1422 - 1453)

• 4 Consequências

• 5 Reis durante a guerra

• 6 Ver também

• 7 Referências

• 7.1 Bibliografia

• 8 Ligações externas
Antecedentes[editar | editar código-fonte]
Reino da França[editar | editar código-fonte]

A Europa em 1430, na última fase da Guerra dos Cem Anos.

No início do século XIV, o reino da França, drenado por grandes bacias fluviais e
desfrutando de um clima favorável para a agricultura, estava florescendo, com
seus 17 milhões de habitantes,[4][5] a primeira potência em termos
demográficos da Europa. A sociedade agrícola baseia-se em um sistema
feudal e religioso muito hierarquizado. A produção agrícola é capaz de
alimentar a população (não havia mais fome desde o século XII[6]) e necessita
da nobreza para defender a terra.[7]
O clero desempenha um importante papel social na organização da sociedade.
Os clérigos são alfabetizados e têm habilidades na aritmética e gestão das
instituições; os religiosos administram organizações de caridade[8] e
escolas[9] onde somando-se com os feriados religiosos, o número de feriados
chega a 140 por ano.[10]
Os atritos[editar | editar código-fonte]
Historiograficamente é registrada entre 1334 a 1452. As suas causas remotas
prendem-se à época em que o duque da Normandia, Guilherme, o
Conquistador, apoderou-se da Inglaterra em (1066). Desde Guilherme, os
monarcas ingleses controlavam extensos domínios senhoriais em território
francês, ameaçando o processo de centralização monárquica da França que se
esboçava desde o século XII. Durante os séculos XII e XIII, os soberanos
franceses tentaram, com crescente sucesso, restabelecer a sua autoridade
sobre esses feudos.[carece de fontes]
No século XII, o rei Henrique II da Inglaterra se casou com Leonor da
Aquitânia e, segundo as tradições feudais, tornou-se vassalo do rei da França
nos ducados da Aquitânia (Antiga Guiena, Guyenna ou Guyenne) e Gasconha.
Desde então, as relações entre os reis da Inglaterra e França foram marcadas
por conflitos políticos e militares. Isso culminou na questão da soberania sobre
a Gasconha. Pelo Tratado de Paris (1259), Henrique III de Inglaterra abandonara
as suas pretensões sobre Normandia, Maine, Anjou, Touraine e Poitou,
conservando apenas a Gasconha. Os constantes conflitos vinham pelo fato do
rei inglês, que era duque da Gasconha, ressentir-se de ter de pagar pela região
aos reis franceses e de os vassalos gascões frequentemente apelarem ao
soberano da França contra as decisões tomadas pelas autoridades inglesas na
região.[carece de fontes]

João II de Valois condecora cavaleiros. miniatura do século XV, na Biblioteca Nacional da França.

As influências francesa e inglesa em Flandres (atual Bélgica e Países Baixos)


eram também opostas, pois os condes desse território eram vassalos da França
e, por outro lado, a burguesia estava ligada economicamente à Inglaterra.
Além do intenso comércio estabelecido na região, Flandres era importante
centro produtor de tecidos, que consumia grande parte da lã produzida pela
Inglaterra. Essa camada urbana vinculada à produção de tecidos e ao comércio
posicionava-se a favor dos interesses ingleses e portanto, contra a ingerência
política francesa na região. Resolveram, flamengos e ingleses, estabelecer
uma aliança, que irritou profundamente o rei da França, também interessado
na região. Com muita sabedoria, eles obedeceram à nova lei pública na
Europa, portanto estavam numa crise de guerras Europeias.[carece de fontes]
O estopim dos conflitos se deu com o problema sucessório resultante da morte
do terceiro e último filho de Filipe IV, o Belo, Carlos IV, em 1328. Entre os
possíveis sucessores estavam: o rei inglês Eduardo III, da
dinastia Plantageneta, sobrinho do falecido monarca pelo lado materno,
detentor dos títulos de duque da Aquitânia e conde de Ponthieu (na região
do canal da Mancha); e o nobre francês Filipe, conde de Valois, sobrinho
de Filipe IV, o Belo, pertencente a um ramo secundário da família real. As
pretensões dos dois foram examinadas por uma assembleia francesa que,
apoiando-se na lei sálica, segundo a qual o trono não poderia ser ocupado por
um sucessor vindo de linhagem materna, inclinou-se para o candidato nacional,
aclamando o sobrinho, Filipe de Valois, com o título de Filipe VI. O rei inglês não
discutiu a decisão, reconhecendo Filipe VI em Amiens em 1329.[carece de
fontes]
Retrato do monarca inglês Eduardo III.

O Conde de Nevers, regente de Flandres desde 1322, prestou juramento de


obediência ao seu suserano Filipe VI, decisão que poderia paralisar a economia
flamenga. Eduardo III, após a intervenção de Filipe VI em Flandres apoiando
o conde contra os amotinados flamengos, suspende as exportações de lãs. A
burguesia flamenga forma um partido a favor do rei de Inglaterra, incitando-o a
proclamar-se rei de França. Assim, Eduardo III, instigado por Jacques
Artervelde - rico mercador que já havia liderado uma rebelião na cidade
flamenga de Gante - e temendo perder o ducado francês de Ducado da
Aquitânia - mantido como feudo de Filipe VI -, repudiou o juramento de Amiens
e alegou a superioridade de seus títulos à sucessão.[carece de fontes]
Os franceses acusavam os ingleses de desenvolverem uma política
expansionista, percebida pelos interesses na Aquitânia e em Flandres. Já os
ingleses insistiam em seus legítimos direitos políticos e territoriais na França.
Embora tenham ocorrido crises anteriores, em geral, a data de 24 de
maio de 1337 é considerada como o início da guerra: nesse dia, após uma série
de discussões, Filipe VI, cônscio da grave ameaça que representava para os
seus domínios a existência de um ducado leal à coroa inglesa, apoderou-se de
Aquitânia. Eduardo respondeu imediatamente: não reconheceu mais "Filipe,
que dizia ser rei da França", e ordenou o desembarque de um exército em
Flandres. Iniciava-se a Guerra dos Cem Anos. A situação se deteriorou diante
do auxílio francês à independência da Escócia nas guerrasque Eduardo III e
o seu pai haviam iniciado contra os reis escoceses para ocupar o trono desse
país.[carece de fontes]
Principais batalhas[editar | editar código-fonte]

A Batalha de Castillon.

Entre os episódios mais importantes do conflito citam-se:

 A Batalha de Sluys (1340);


Desenrolar da
 A Batalha de Crécy (1346);
guerra[editar | editar código-fonte]
 A Batalha de Calais (1347);
A guerra dividiu-se por quatro
 A Batalha de Poitiers (1356); períodos: o primeiro
 A Batalha de Cocherel (1364); entre 1337 e 1364, o segundo entre
1364 e 1380, o terceiro entre 1380
 A Batalha de Azincourt (1415); e 1422, e o quarto entre 1422 e 1453.
[carece de fontes]
 O Cerco a Orléans (1429);
 A Batalha de Jargeau (1429);
 O Cerco de Paris (1429);
 A Batalha de Meung-sur-Loire (1429);
 A Batalha de Patay (1429);
 A Batalha de Formigny (1450);
 A Batalha de Castillon (1453).
Primeiro período (1337 - financeiro de grandes mercadores
de Flandres e do duque da Bretanha,
1364)[editar | editar código-fonte] que voltou-se contra o monarca
francês. O avanço e a conquista
inglesa só não foram maiores porque
após a batalha de Crécy, ocorreu a
chamada "Peste Negra", que dizimou
praticamente um terço da população
europeia. A peste foi responsável por
interromper a guerra.[carece de
fontes]

Uma das primeiras batalhas da guerra dos cem


anos ocorreu em Sluis, perto de Bruges, hoje
na Bélgica. Nesse conflito, a frota anglo-flamenga
derrotou a francesa. Miniatura da Batalha de
Sluys do livros de crônicas de Jean Froissart (século
XIV).
miniatura medieval mostrando a Batalha de
Poitiers (1356).

Vários anos depois, quando se


retomaram os combates, Eduardo III
havia conquistado o apoio do rei
de Navarra, Carlos II, e a inestimável
ajuda militar de seu filho Eduardo,
o príncipe de Gales, conhecido como o
príncipe negro (por conta da cor de
sua armadura). Esse período foi
Iluminura de um manuscrito do século XV caracterizado por sucessivas vitórias
representando Batalha de Crécy. inglesas, contando com o apoio de
muitos nobres locais, mais
Filipe VI exerceu intenso assédio ao preocupados em preservar seus
litoral inglês durante meses, até ser domínios do que com a lealdade
derrotado em 1340. As hostilidades devida ao rei da França, possibilitando
começaram seriamente com a batalha o domínio de cerca de um terço do
naval de Sluys, além do rio Escalda, território francês nas regiões norte e
em 1340, onde a frota inglesa foi oeste. O Príncipe Negro conseguiu
vitoriosa. Eduardo III tentou conquistar tomar como prisioneiro o sucessor
a França, vencendo grande parte dos de Filipe, João II, o Bom na Batalha de
combates em Crécyen- Poitiers (1356), e posteriormente,
Pomthieu (1346), Calais (1347). As exigiu resgate por sua libertação. Uma
duas vitórias inglesas garantiram a insurreição popular (Jacquerie)
Eduardo III importantes posições no complicou as coisas: revoltados com a
norte da França, mantendo o canal da miséria, os camponeses se lançavam
Mancha sob seu controle. Para tanto o contra os senhores feudais, enquanto
rei da Inglaterra contou com o apoio a burguesia de Paris, indignada pelas
calamidades da guerra e liderada Guesclin, cavaleiro valente e notável
por Étienne Marcel, clamava por militar que organizou as famosas
mudanças políticas. O filho de João, o "campanhas brancas" (sistema
Bom, o futuro Carlos V, atendeu as de guerrilhas). A luta se estendeu
questões internas e negociou a paz a Castela, com a França apoiando o
com Eduardo III. Em 1360, o Tratado candidato à coroa, Dom Henrique,
de Brétigny, ratificados em Calais, deu contra Dom Pedro aliado da Inglaterra.
a Eduardo um considerável número de As vitórias do monarca francês, fruto
territórios na França (Calais e todo o da reorganização militar, fortaleceram
sudoeste francês) em troca do a ideia de centralização política,
abandono de suas reivindicações ao possibilitou submeter a maior parte da
trono francês.[carece de fontes] nobreza, aumentar a arrecadação
tributária e organizar o Estado com
Segundo período (1364 - elementos oriundos da burguesia em
cargos de confiança.[carece de fontes]
1380)[editar | editar código-fonte]
Em 1377, com escassos meses de
distância entre um e outro, faleciam o
príncipe de Gales e Eduardo III. O
sucessor do trono inglês era o neto do
monarca falecido, Ricardo II, de
apenas dez anos de idade. A morte do
monarca da França Carlos V, em 1380,
esfriou o ânimo dos franceses.
[carece de fontes]
Terceiro período (1380 -
1422)[editar | editar código-fonte]
Nas últimas décadas do século XIV e
as décadas iniciais do século
seguinte foram marcadas pelas
disputas internas nos dois países,
Carlos V, o Sábio. arrefecendo momentaneamente a
guerra externa.[carece de fontes]
A morte de João II (1364), que
permanecera em mãos dos ingleses, No caso da Inglaterra, o reinado
marcou o recrudescimento das de Ricardo II, investido do poder assim
hostilidades, pois seu que alcançou a maioridade (1389), viu
filho Carlos (1364-1380), que o as hostilidades praticamente
sucedeu no trono francês com o nome cessarem. Porém, ocorreram rebeliões
de Carlos V, negou-se a respeitar os camponesas lideradas por Wat Tyler,
tratados firmados em 1360. Dessa vez contra a servidão, e posteriormente as
os franceses atacaram com êxito o disputas envolveram parte da nobreza,
inimigo pois a França desfrutava de que lutou contra o rei, e culminou com
uma melhor posição.[carece de fontes] a ascensão de Henrique
de Lencastre ao trono, em 1399, com o
Sob Carlos V, os franceses, graças a título de Henrique IV.[carece de
unificação de seus exércitos, fontes]
recuperaram boa parte do território
meridional do Reino da França. Neste Na França, as lutas internas foram
período destacou-se
mais complexas e envolveram os
o condestável francês Bertrand Du
interesses da região da Borgonha,
antigo feudo poderoso, que lutou
constantemente por seus interesses
particulares. Em 1380, quando os
ingleses nada mais ocupavam
senão Calais e a Aquitânia, morreu
Carlos V na França, abrindo caminho
para a ascensão do herdeiro Carlos VI,
o Insensato, de doze anos. Houve uma
série de disputas pelo poder, que
culminou com a cisão da nobreza
francesa em dois partidos:
os armagnacs, partidários da família O monarca inglês Henrique V.

de Orléans, e os borguinhões,
partidários dos duques de Borgonha.
Em considerando Carlos VI como
incapaz, os Borguinhões pretenderam
tomar o poder e, após várias derrotas,
aliaram-se aos ingleses. Ao lado da
família real ficaram o irmão do rei, Luis
Batalha de Azincourt em miniatura do século XV.
de Orléans e Bernardo de Armagnac.
A retenção inglesa
Nesta guerra civil, destacaram-se João de Calais e Bordeaux, no entanto,
Sem Medo da Borgonha e impediu a paz permanente. Na França,
a evidente incapacidade mental do rei,
o Delfim Carlos. Carlos VI, desencadeou acirradas
disputas pelo trono entre seus irmãos.
A eclosão da guerra civil na França
(luta entre Armagnacs, partidários dos
Orléans, e os Borguinhões, partidários
do duque de Borgonha), além
da loucura do rei Carlos VI, animou o
novo rei inglês, Henrique V, a insistir
em suas reivindicações no tocante ao
trono francês (invocando a lei sálica).
Henrique V, primo de Ricardo II,
assumira a coroa em 1413.[carece de
fontes]
A guerra civil e a loucura do rei Carlos apoio dos armagnacs.[carece de
VI permitiram novas conquistas dos fontes]
ingleses. Em 1415, Henrique V
desembarcou na Normandia, invadindo Quarto Período (1422 - 1453)
e tomando Harfleur. Neste mesmo [editar | editar código-fonte]
ano, travou-se a batalha de Agincourt
(ou Azincourt), num terreno em que a
chuva transformara num atoleiro. A
orgulhosa cavalaria francesa foi
massacrada e milhares de nobres
franceses pereceram. Seguiu-se a
ocupação de Paris(1415), da
Normandia (1419) e de outras regiões
no norte da França, obrigando a
assinatura da paz, com a cumplicidade
de Isabel da Baviera. O Tratado de
Troyes (1420), que garantia a
Inglaterra todo o norte do país A França em 1435
(inclusive Paris) e, o mais grave,
forçou Carlos VI a deserdar do trono O Delfim, porém, instalara-se no vale
seu filho, o Delfim Carlos VII. Henrique do Loire e dali passou a liderar a
V casou-se com a princesa Catarina, resistência francesa aos invasores. É
filha de Carlos VI, ficando com o direito nesse momento que aparece em cena
de herdar o trono.[carece de fontes] uma camponesa mística e visionária
Depois do assassinato de João Sem de Domrémy: Joana d'Arc, que
Medo, duque de Borgonha e um dos conseguiu desarmar uma conspiração
contendores na guerra civil da França, para matar o soberano. Os regentes do
Henrique V aliara-se ao filho do ineficaz Henrique VI foram perdendo o
duque, Filipe, o Bom. A união teve controle dos territórios conquistados
sucesso e até 1422 o rei inglês e o para as forças francesas, sob a
novo duque de Borgonha controlaram liderança de Joana d'Arc.[carece de
todo o território francês ao norte fontes]
do Loire, incluindo Paris e a Aquitânia. Com a França em perigo Joana d'Arc
[carece de fontes] organizara um exército
Naquele ano, morreram tanto Carlos VI completamente diferente dos exércitos
quanto Henrique V, o que faz com que feudais. Guerra era assunto para
as duas coroas (a da França e da nobres e homens em geral. Seu
Inglaterra) fossem herdados exército era liderado por uma mulher
por Henrique VI, que ainda era uma camponesa. Os exércitos feudais
criança recém nascida. lutavam por seu senhor e seu feudo. O
Dois barões ingleses encarregaram-se de Joana d'Arc era um exército
da regência: o Duque de Badford se nacional, que lutava pela França e por
ocupou da França e o Duque de seu rei. Os franceses, agora, sentiam-
Gloucester passou a administrar a se integrantes de um país. A ideia de
Inglaterra. Carlos VII, o Delfim, nação estava lançada.[carece de
assumiu a realeza em Bourges. Assim, fontes]
a França encontrava-se dividida em
dois reinos: nos territórios do norte,
governava o rei inglês, apoiado pelos
borguinhões; nos poucos territórios do
sul, reinava o francês Carlos VII, com o
Isto significou, efetivamente, o fim da
guerra, e desde então os ingleses
mantiveram apenas Calais, que
conservaram até 1558. Eles foram
forçados a voltar sua atenção aos
assuntos internos, principalmente
às guerras das Rosas e desistiram de
todas as reivindicações sobre a França.
Nenhum tratado foi assinado de forma
a assinalar o fim das hostilidades. A
rivalidade anglo-francesa, no entanto,
ainda perduraria por muito tempo.
[carece de fontes]

Consequências[editar | editar
código-fonte]
Coroação de Carlos VII na Catedral de Reims,
segundo as antigas tradições. Os conflitos deixaram um saldo de
milhares de mortos em ambos os
Joana d'Arc conseguiu do Delfim um lados, e uma devastação sem
exército de aproximadamente cinco precedentes nos territórios e na
mil homens e libertou a praça forte de produção agrícola francesa.[carece de
Orléans (1429). Essa vitória fez Filipe, fontes]
o Bom, abandonar seus aliados
ingleses e aceitar a autoridade de No plano político e social, a Guerra dos
Carlos VII. Depois conquistou Reims, Cem Anos contribuiu para a dinastia
no norte do país, onde Carlos VII foi de Valois, apoiada pela burguesia,
coroado segundo as antigas tradições. fortaleceu o poder real francês,
Carlos VII, aproveitando as discórdias abrindo caminho para o
da Guerra das Duas Rosas na chamado absolutismo, por vários
Inglaterra, empreendeu eficaz motivos:[carece de fontes]
reestruturação militar que culminará  Liquidou com as pretensões inglesas
com a conquista da Aquitânia em
1453.[carece de fontes] sobre territórios na França;
Em 1430, aprisionada pelos  Os feudos do rei inglês, na França,
borguinhões, Joana D'Arc foi entregue
aos ingleses, em Compiègne. Foi passaram para o domínio da coroa
julgada herética por um tribunal francesa;
eclesiástico e queimada na fogueira,
em 1431, em Rouen (ou Ruão).  O longo período de guerras
[carece de fontes]
enfraqueceu bastante a nobreza
O impulso, entretanto, estava dado. Os
franceses, incentivados pelo martírio francesa, porque, à medida que os
de Joana d'Arc, bateram os ingleses nobres morriam, seus feudos iam
em Formigny (1450), tendo
conquistado a Normandia e grande passando para o domínio do rei,
parte da Gasconha. O fim da guerra é debilitando o sistema feudal.
marcado pela batalha de Castillon, em
1453, quando foi capturada a cidade
de Bordeaux, o último reduto inglês.
 Construção de uma identidade
Reis durante a
nacional entre os franceses;
guerra[editar | editar código-fonte]
 Tornou possível a criação de algumas
instituições de governo centralizadas. nascimento - começo de reinado -

 A cavalaria entrou em decadência. morte

 Atrasou a expansão marítimo- Reis da França Reis da Inglaterra


comercial norte-francesa o que lhe Luís Henrique III de
IX (1214 - 1226 - 1270
Inglaterra (1207 - 1216
custaria a perda de grande parte do ) - 1272)
mundo para os países ibéricos, razão Filipe III de Eduardo I de
França (1245 - 1271 -
Inglaterra (1239 - 1272
pela qual a França foi o único dos 1285) - 1307)
Filipe IV de Eduardo II de
grandes países expansionistas a ter
França (1268 - 1285 -
Inglaterra (1284 - 1307
impacto e influência demográfica 1314) - 1327)
Luís X de Eduardo III de
desprezível nas Américas, em
França (1289 - 1314 -
Inglaterra (1312 - 1327
contraste com países como Portugal. 1316) - 1377)
João I de Ricardo II de
Ao contrário da França, a Inglaterra e
França (1316 - 1316 -
Inglaterra (1367 - 1377
posteriormente a Holanda 1316) 5 dias - 1399) Neto
Henrique IV de
conseguiram recuperar o tempo Filipe V de
Inglaterra (1367 - 1399
França (1291 - 1316 -
perdido, inclusive superando os países 1322) Tio - 1413) Neto de
Eduardo III
ibéricos no hemisfério leste e maior Carlos IV de Henrique V de
parte da América Setentrional. França (1295 - 1322 - Inglaterra (1387 - 1413
1328) Irmão - 1422)
No plano das relações internacionais Filipe VI de
da Europa no período, o conflito se liga França (1293 - 1328 - Henrique VI de
ainda a outros episódios como Inglaterra (1421 - 1422
1350) Neto de Filipe
a Guerra Civil de Castela, os - 1461)
III
confrontos na Sicília entre a França e
João II de
o reino de Aragão e mesmo o
França (1319 - 1350 -
chamado Papado de Avinhão.
1364)
[carece de fontes]
Carlos V de
Poderá, enfim, dizer-se que a Guerra França (1337 - 1364 -
dos Cem Anos marca o final da Idade 1380)
Média e anuncia a Idade Moderna. Carlos VI de
[carece de fontes] França (1368 - 1380 -
1422)
Carlos VII de
França (1403 - 1422 -
1461)
 História da França
Ver também[editar | editar código-
fonte]
Referências
 História da Inglaterra

1. Ir para cima↑ A Casa de Montfort dos Bretões apoiavam a 6. Ir para cima↑ Michel Balard, Jean-Philippe Genet et
Inglaterra Michel Rouche 2003, p. 222-223

2. Ir para cima↑ A Casa de Blois dos Bretões 7. Ir para cima↑ Michel Kaplan et Patrick Boucheron
apoiavam a França 1994, p. 89-90

3. Ir para cima↑ Anne Curry (2002). The Hundred 8. Ir para cima↑ Marie-Thérèse Lorcin,Des Restos du
Years' War. 1337-1453. [S.l.]: Osprey cœur avant la lettre, Historia Thématique N°65: Un
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]  (em francês) Boucheron, Patrick e Kaplan, Michel.

 (em francês) Balard, Michel; Genet, Jean-Philippe e Le Moyen Âge, XIe - XVe siècle, Bréal, 1994, 397

Rouche, Michel. Le Moyen Âge en Occident, p. ISBN 9782853947329

Hachette, 2003, 352 p. ISBN 9782011455406

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