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ISBN 978-85-8084-259-3

Professor Me. Silvio César de Castro


Professor Esp. Robinson Pereira Santos

CONTABILIDADE APLICADA AO
AGRONEGÓCIO

GRADUAÇÃO
AGRONEGÓCIO

MARINGÁ-PR
2012
Reitor: Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor: Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Administração: Wilson de Matos Silva Filho
Presidente da Mantenedora: Cláudio Ferdinandi

NEAD - Núcleo de Educação a Distância

Diretoria do NEAD: Willian Victor Kendrick de Matos Silva


Coordenação Pedagógica: Gislene Miotto Catolino Raymundo
Coordenação de Polos: Diego Figueiredo Dias
Coordenação Comercial: Helder Machado
Coordenação de Tecnologia: Fabrício Ricardo Lazilha
Coordenação de Curso: Silvio Silvestre Barczsz
Supervisora do Núcleo de Produção de Materiais: Nalva Aparecida da Rosa Moura
Capa e Editoração: Daniel Fuverki Hey, Fernando Henrique Mendes, Luiz Fernando Rokubuiti e Renata Sguissardi
Supervisão de Materiais: Nádila de Almeida Toledo
Revisão Textual e Normas: Cristiane de Oliveira Alves, Janaína Bicudo Kikuchi, Jaquelina Kutsunugi e Maria Fernanda
Canova Vasconcelos

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Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - CESUMAR



CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação
a distância:

C397 Contabilidade aplicada ao agronegócio/ Silvio César de Cas-
tro, Robinson Pereira Santos. Maringá - PR, 2012.
206 p.

“Curso de Graduação em Agronegócio - EaD”.

1. Contabilidade agrícola. 2. Agronegócio. 3.Economia rural.


4. EaD. I.Título.

ISBN 978-85-8084-259-3 CDD - 22 ed. 338.13


CIP - NBR 12899 - AACR/2

“As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site PHOTOS.COM”.
CONTABILIDADE APLICADA AO
AGRONEGÓCIO
Professor Me. Silvio César de Castro
Professor Esp. Robinson Pereira Santos
APRESENTAÇÃO
Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para
todos os cidadãos. A busca por tecnologia, informação, conhecimento de
qualidade, novas habilidades para liderança e solução de problemas com
eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho.

Cada um de nós tem uma grande responsabilidade: as escolhas que


fizermos por nós e pelos nossos fará grande diferença no futuro.

Com essa visão, o Cesumar – Centro Universitário de Maringá – assume o compromisso


de democratizar o conhecimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos
brasileiros.

No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas


do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento
de uma sociedade justa e solidária” –, o Cesumar busca a integração do ensino-pesquisa-
extensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que
contribua para o desenvolvimento da consciência social e política e, por fim, a democratização
do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade.

Diante disso, o Cesumar almeja ser reconhecido como uma instituição universitária de referên-
cia regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de compe-
tências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação da extensão
universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação
da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrativa; compromisso social
de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também
pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos, incentivando a educação
continuada.

Professor Wilson de Matos Silva


Reitor

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 5


Caro aluno, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua
produção ou a sua construção” (FREIRE, 1996, p. 25). Tenho a certeza de que no Núcleo de
Educação a Distância do Cesumar, você terá à sua disposição todas as condições para se
fazer um competente profissional e, assim, colaborar efetivamente para o desenvolvimento da
realidade social em que está inserido.

Todas as atividades de estudo presentes neste material foram desenvolvidas para atender o
seu processo de formação e contemplam as diretrizes curriculares dos cursos de graduação,
determinadas pelo Ministério da Educação (MEC). Desta forma, buscando atender essas
necessidades, dispomos de uma equipe de profissionais multidisciplinares para que,
independente da distância geográfica que você esteja, possamos interagir e, assim, fazer-se
presentes no seu processo de ensino-aprendizagem-conhecimento.

Neste sentido, por meio de um modelo pedagógico interativo, possibilitamos que, efetivamente,
você construa e amplie a sua rede de conhecimentos. Essa interatividade será vivenciada
especialmente no ambiente virtual de aprendizagem – AVA – no qual disponibilizamos, além do
material produzido em linguagem dialógica, aulas sobre os conteúdos abordados, atividades de
estudo, enfim, um mundo de linguagens diferenciadas e ricas de possibilidades efetivas para
a sua aprendizagem. Assim sendo, todas as atividades de ensino, disponibilizadas para o seu
processo de formação, têm por intuito possibilitar o desenvolvimento de novas competências
necessárias para que você se aproprie do conhecimento de forma colaborativa.

Portanto, recomendo que durante a realização de seu curso, você procure interagir com os
textos, fazer anotações, responder às atividades de autoestudo, participar ativamente dos
fóruns, ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados,
pois tais atividades lhe possibilitarão organizar o seu processo educativo e, assim, superar os
desafios na construção de conhecimentos. Para finalizar essa mensagem de boas-vindas, lhe
estendo o convite para que caminhe conosco na Comunidade do Conhecimento e vivencie
a oportunidade de constituir-se sujeito do seu processo de aprendizagem e membro de uma
comunidade mais universal e igualitária.

Um grande abraço e ótimos momentos de construção de aprendizagem!

Professora Gislene Miotto Catolino Raymundo


Coordenadora Pedagógica do NEAD - CESUMAR

6 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


APRESENTAÇÃO
Livro: CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO
Professor Me. Silvio César de Castro
Professor Esp.Robinson Pereira Santos

Olá, prezado acadêmico! Seja bem-vindo ao livro de Contabilidade Aplicada ao Agronegócio.


Pelo fato deste livro ter sido organizado especialmente para o seu estudo, procuro aqui mostrar
qual é a melhor maneira para estudá-lo e, desta forma, lhe proporcionar maior aproveitamento.

Eu sou o Professor Robinson Pereira Santos, e fui o co-organizador deste livro juntamente
com o Professor Silvio César de Castro. Ele tem 5 unidades.

Agora faço um breve relato para facilitar o entendimento da obra por você acadêmico leitor.

Na Unidade I nós mostraremos o atual cenário do agronegócio a nível de mundo e de Brasil,


inclusive acrescentando alguns dados estatísticos, exemplos de empresas referência no
agronegócio, assim como os principais setores da agricultura (grãos e cana-de-açúcar),
pecuária (carnes) e os setores adjacentes a esses.

Ainda na Unidade I, chamada DA CONTABILIDADE GERAL PARA A CONTABILIDADE


RELACIONADA AO AGRONEGÓCIO, procurar-se-á introduzir os aspectos básicos e
conceituais da contabilidade geral, focando sua função principal que é evidenciar a informação
necessária para a tomada de decisão, ou seja, para a gestão do negócio. Procuraremos nesta
primeira unidade relacionar a contabilidade com o agronegócio, proporcionando um melhor
direcionamento para o entendimento específico dos alunos que farão uso deste material.

Por isso, iniciamos o assunto com a Contabilidade e seu posicionamento científico, tendo
em vista que antes da sua aplicação específica no agronegócio, trata-se de uma ciência social
com objeto de estudo e objetivos próprios, assim como mencionamos o seu campo de atuação.

Comentamos também sobre as Atividades relacionadas ao agronegócio e a Classificação


das Lavouras, com o propósito de já fazer a ligação entre a contabilidade e o agronegócio.

Por fim, nosso foco foi a Informação Contábil, elencando os usuários e os principais atributos
da informação contábil.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 7


Portanto, nosso propósito nesta unidade é que você compreenda as bases da contabilidade e
a sua função de apoio à gestão.

Na unidade II, denominada de DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS, entraremos no assunto


que consideramos ser o produto da contabilidade, ou seja, os relatórios gerados pela e por
ela, especificamente os 2 principais: Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do
Exercício.

Dessa forma, iniciaremos primeiramente com a definição e conceitos do Patrimônio Contábil,


que se refere logicamente, ao patrimônio da própria empresa, divididos em bens, direitos e
obrigações.

A seguir, especificamente, discorreremos sobre o Balanço Patrimonial e seus grupos: Ativo e


Passivo. Os prazos de classificação e sua estrutura de apresentação. No que se refere aos
prazos, comentar-se-á sobre a atividade agrícola (suas culturas temporárias e permanentes)
e pecuária, que possuem um ciclo diferenciado em relação às demais empresas comerciais
e industriais.

Também aprofundaremos nos subgrupos que compõem os grupos do Ativo e do Passivo,


focando na liquidez e nos prazos.

Utilizaremos também a metodologia de Balanços Sucessivo, com o propósito de evidenciar


a você como se forma o Balanço Patrimonial de uma empresa e sua variação após qualquer
evento ou fato ocorrido na empresa.

Na segunda parte desta unidade, falaremos sobre a Demonstração do Resultado do Exercício,


cuja finalidade principal é demonstrar o Lucro ou Prejuízo que a empresa auferiu em um
determinado período. Neste ponto falar-se-á também sobre Receitas, Despesas, Custos e
Impostos e a consequente formação do resultado da empresa.

O propósito da apuração do resultado está ligado à eficiência econômica da empresa, por


isso, esta demonstração não tem finalidade financeira, ou seja, compor um fluxo de caixa, das
entradas e saídas de dinheiro no período.

Desta forma, nosso objetivo é que você compreenda a importância, a estrutura e os itens que
compõem estes dois relatórios oferecidos pela contabilidade.

8 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Na unidade III, chamada de ATIVO PERMANENTE – IMOBILIZADO, iremos nos aprofundar
em um dos grupos do Ativo do Balanço Patrimonial, que contém os bens que têm a finalidade
de gerar receitas futuras. É o grupo que compõe os bens físicos da empresa: imóveis,
veículos, equipamentos, maquinários, benfeitorias e especificamente no agronegócio: cultura
permanente, gado matriz e reprodutor, e os implementos.

A finalidade deste aprofundamento é entendermos um pouco dos ajustes que a contabilidade


faz ao patrimônio, especificamente, as perdas de valor decorridas por uso, obsolescência ou
ação da natureza.

Discorreremos sobre os conceitos da Amortização em geral, os cálculos para chegar a estes


valores e os percentuais definidos na legislação fiscal sobre os limites para estas reduções,
que tem como contrapartida reduzir o resultado, ou seja, são custos ou despesas.

Citar-se-á exemplos para a depreciação, exaustão, amortização e seus respectivos cálculos.

Atrelado a isto, também investiremos um espaço para falar sobre o controle de bens, que são
formulários destinados a descrever a “vida” desses bens, desde sua aquisição, amortização e
venda, se for o caso.

A unidade IV tratará de um assunto importantíssimo para a Contabilidade Gerencial, devido


à sua respectiva importância para a gestão de um negócio: INTRODUÇÃO À GESTÃO DE
CUSTOS.

A grande importância desse assunto está no fato de que custos estão diretamente relacionados
a gastos na produção que, por sua vez, influenciam a apuração da margem bruta do produto.

Abordar-se-á nesta unidade, itens como terminologias, classificação e métodos de custeio.

A maior dificuldade quando se fala em acumular custos a um produto é o rateio dos custos
indiretos, ou seja, aqueles que não têm uma relação diretamente proporcional à produção. Aí
entram os critérios de rateio.

Na sequência dos assuntos relacionados a custos, entraremos no mérito do controle dos


estoques e sua respectiva avaliação. Iremos comentar sobre o Custo pela média ponderada
móvel, o PEPS e o UEPS (veja os significados desta siglas na unidade em questão).

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 9


Nossa última unidade tratará de TOMADA DE DECISÃO. Na verdade, veremos instrumentos
que auxiliarão na tomada de decisão no que se refere à produção e ao produto.

Conheceremos a formação da Margem de Contribuição, isto é, o quanto cada produto contribui


para que a empresa possa arcar com os seus gastos fixos.

Na sequência, entenderemos como encontramos o Ponto de Equilíbrio. Você já parou para


pensar em qual fase de um mês, ou em qual mês (no caso específico da agricultura e pecuária),
o empresário sabe que sua empresa tem condições de pagar seus gastos fixos?

Vamos conhecer também os pontos de equilíbrio contábil, financeiro e econômico que tem o
mesmo princípio, mas peculiaridades distintas.

Por fim, vamos conversar sobre a Alavancagem Operacional. Como saber até onde minha
empresa pode crescer em vendas sem aumentar os seus gastos fixos?

Vamos te mostrar como calcular e como encontrar o índice Grau de Alavancagem Operacional,
que irá dizer quantas vezes crescerá o lucro em decorrência do crescimento das vendas,
dentro do mesmo gasto fixo.

Bom, é isso, caro acadêmico! Esperamos que esta iniciação ao conhecimento da contabilidade
seja de grande valia para sua vida profissional.

Qualquer dúvida, estaremos à disposição!

10 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


SUMÁRIO

UNIDADE I

DA CONTABILIDADE GERAL PARA A CONTABILIDADE RELACIONADA AO AGRONEGÓCIO

CENÁRIO ECONÔMICO DO AGRONEGÓCIO..............................................................................18

CONTABILIDADE E SEU POSICIONAMENTO CIENTÍFICO.......................................................28

CARACTERÍSTICAS PECULIARES DO SETOR RURAL............................................................29

ATIVIDADES RELACIONADAS AO AGRONEGÓCIO...................................................................36

CLASSIFICAÇÃO DAS LAVOURAS.................................................................................................37

USUÁRIOS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL.....................................................................................38

UNIDADE II

DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS: BALANÇO PATRIMONIAL E DEMONSTRAÇÃO DE


RESULTADOS

PATRIMÔNIO CONTÁBIL...................................................................................................................50

BALANÇO PATRIMONIAL..................................................................................................................54

ATIVO, PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO...................................................................................56

PRAZOS EM CONTABILIDADE RELACIONADOS AO AGRONEGÓCIO.................................62

FLUXO CONTÁBIL NA ATIVIDADE AGRÍCOLA............................................................................65

NOVOS PROJETOS AGROPECUÁRIOS E OS GASTOS DE MELHORIAS............................69

CONTAS DEDUTIVAS, REDUTORAS OU RETIFICADORAS....................................................79

DRE – DEMONSTRATIVO DE RESULTADO DO EXERCÍCIO...................................................87

CUSTOS DOS PRODUTOS VENDIDOS E DOS SERVIÇOS PRESTADOS............................98


UNIDADE III

ATIVO PERMANENTE - IMOBILIZADO: DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO

ATIVO PERMANENTE......................................................................................................................112

DEPRECIAÇÃO..................................................................................................................................114

AMORTIZAÇÃO..................................................................................................................................119

EXAUSTÃO..........................................................................................................................................121

DEPRECIAÇÃO X EXAUSTÃO........................................................................................................123

CONSOLIDAÇÃO NO BALANÇO PATRIMONIAL........................................................................123

UNIDADE IV

INTRODUÇÃO À GESTÃO DE CUSTOS: SISTEMAS DE CUSTOS - CONTROLE DE


ESTOQUES

TERMINOLOGIAS E NOMENCLATURAS.....................................................................................138

INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE CUSTOS...................................................................................139

CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS....................................................................................................142

INFLUENCIA DOS MÉTODOS DE CUSTEIO NA APURAÇÃO DO RESULTADO.................156

CUSTOS NA PECUÁRIA...................................................................................................................157

CONTROLE DE ESTOQUES.............................................................................................................159

OUTRAS FORMAS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES.................................................................168

UNIDADE V

TOMADA DE DECISÃO, MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO, PONTO DE EQUILÍBRIO E


ALAVANCAGEM OPERACIONAL

MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO.......................................................................................................178
PONTO DE EQUILÍBRIO...................................................................................................................185

UTILIZANDO O PONTO DE EQUILÍBRIO NA PROJEÇÃO DE CENÁRIOS CONTÁBEIS...192

GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL................................................................................195

ESTUDO DE CASO............................................................................................................................199

CONCLUSÃO.........................................................................................................................203

REFERÊNCIAS......................................................................................................................205
UNIDADE I

DA CONTABILIDADE GERAL PARA A


CONTABILIDADE RELACIONADA AO AGRONEGÓCIO
Professor Me. Silvio César de Castro
Professor Esp. Robinson Pereira Santos

Objetivos de Aprendizagem
• Reconhecer a Contabilidade como ciência social.
• Conhecer o objetivo da Contabilidade e sua abrangência.
• Identificar os usuários da Contabilidade e os atributos da informação contábil.
• Verificar as singularidades da atividade rural em relação à contabilidade.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:

• Contabilidade e seu posicionamento científico


• Objetivos, objeto e campo de atuação da Contabilidade
• Usuários da Contabilidade
• Atributos da Informação Contábil
• Contabilidade e o Agronegócio
INTRODUÇÃO

O conceito de agribusiness ou agronegócio é a soma das

Fonte: PHOTOS.COM
operações de produção e distribuição de suprimentos
agrícolas, processamentos e distribuição dos produtos
agrícolas e itens produzidos a partir deles. Nesse conceito, a
agricultura e a pecuária passam a ser abordadas de maneira
associada aos outros agentes responsáveis por todas as atividades, que garantem a produção,
transformação, distribuição e consumo de alimentos, considerando assim, a agricultura como
parte de uma extensa rede de agentes econômicos. A visão sistêmica passa a ganhar
importância, abrangendo todos os envolvidos desde a pesquisa até o consumidor final, desde
o que comumente se chama “antes da porteira” até a “pós-porteira”.

Em julho de 2008, a Revista Veja publicou uma reportagem especial sobre as atividades que
são motores de desenvolvimento sustentável e que eram responsáveis pelo crescimento do
Brasil fora dos grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro. Foram destacadas oito
atividades que impulsionam a economia brasileira, dentre elas, as três primeiras colocadas
pertencem ao agronegócio, mais especificamente: a soja, a cana-de-açúcar e a carne
(destaque para o bovino e o frango).

Não há dúvida de que a maioria dos negócios estão ligados, ou pelo menos são influenciados
pelo agronegócio, seja o próprio setor alimentício, seja os seus outros diversos derivados como,
por exemplo, o álcool da cana-de-açúcar (sem falar nas pesquisas de extração do produto do
milho, da mamona), vestuário (por meio do bicho-da-seda e dos pelos de animais), móveis
(que tenham sua composição a madeira), produtos da borracha, além de muitos outros, sem
falar nas atividades auxiliares como os serviços de transportes, mão de obra profissional etc.
É visível a importância do agronegócio e sua evolução, juntamente com a profissionalização
do setor, na economia nacional e mundial, e imprescindível que continue marchando, trazendo
a consequente prosperidade ao país.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 17


O homem, para sua sobrevivência, sempre dependeu e procurou se utilizar da melhor maneira
possível dos recursos da natureza, principalmente do mundo vegetal e animal. A própria
Bíblia Sagrada já tinha registro da orientação do próprio Criador: “De toda árvore do jardim
comerás livremente...” e “com trabalho obterás da terra o sustento por todos os dias de tua
vida”. As civilizações, portanto, dependem da exploração da terra e dos animais. Entretanto,
é necessário que esta exploração seja feita de maneira responsável e com base nos estudos
científicos e tecnológicos para que haja o abastecimento mundial.

Para tanto, a administração do agronegócio é essencial para que haja sustentabilidade do


negócio, tanto para o empresário quanto para toda a cadeia produtiva dele dependente.
Surge, então, a necessidade da contabilidade gerencial focar este segmento, utilizando-se
de seus princípios, conceitos e técnicas já celebradas nos setores comerciais e industriais,
com a devida adaptação para contribuir no apoio à gestão das atividades agropecuárias e
agroindustriais, fornecendo informações para a tomada de decisão.

CENÁRIO ECONÔMICO DO AGRONEGÓCIO

O agronegócio brasileiro tem vivenciado um período de grande crescimento e abundância;


e se destacado como uma das principais molas propulsoras no desenvolvimento do país. O
setor tem batido recordes de produção e de exportações graças, principalmente, à demanda
de países asiáticos como a China e a Índia. A cadeia de negócio que gira em torno do setor
como as indústrias de fertilizantes; de transformação de matérias-primas; as traddings que
são responsáveis pela intermediação das exportações, além dos fabricantes de máquinas e
equipamentos; tem aderido a este cenário e expandido também suas fronteiras.

Nem as turbulências que o mundo enfrentou, e vários países de ponta ainda enfrentam, foram
suficientes para prejudicar o setor em 2008, apesar de ter ocorrido uma desaceleração no
segundo semestre. Os dados do fechamento desse ano foram surpreendentes: a maior safra

18 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


de grãos já registrada, R$ 144 milhões de toneladas, um crescimento de quase 9,5%. Só a
cana-de-açúcar teve um crescimento de 17%. As exportações atingiram a cifra de US$ 72
milhões e a diferença entre o exportado e importado (balança comercial do setor) foi de US$ 60
milhões. O faturamento anual das 400 maiores empresas do setor, entre elas a Bunge, Cargill
e a brasileira JBS-Friboi, chegou a US$ 167 bilhões. O Brasil ainda registrou participação de
7% nas vendas mundiais no agronegócio.

O agronegócio representa aproximadamente 25% do PIB brasileiro e 36% das exportações,


além de ser responsável por 16% dos empregos com carteira assinada. Portanto, o agronegócio
é fundamental para a economia do país.

O principal destino dos produtos agrícolas e pecuários são os países da União Europeia,
que respondem por cerca de 33% das exportações. Em relação a produtos, o complexo soja
respondeu por 25% das exportações em 2008. Hoje já exportamos produtos do agronegócio
para cerca de 180 países.

A liderança mundial no agronegócio tem sido uma tendência para o Brasil, que já é líder
na exportação de soja, de carne vermelha e de frango, e para esta consolidação é preciso
ampliar sua competência para atuar de modo eficiente no controle das cadeias de produção
agropecuária, de modo a garantir qualidade e segurança dos produtos e das cadeias de
produção. A conquista de novos mercados depende de alcançarmos padrões elevados de
certificação e qualidade sanitária e fitossanitária, buscando competitividade no mercado.

O governo brasileiro também tem dado atenção ao agronegócio e prova disso é o sucesso
alcançado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que é considerada
a maior instituição de pesquisa agropecuária tropical do mundo. Fato este demonstrado pelos
resultados de trabalhos genéticos obtidos no feijão, e que também tem se preocupado em
pesquisar o uso mais produtivo da terra e da água. É um dos poucos organismos estatais que
preza por profissionais competentes em detrimento de disputas políticas comuns em órgãos
ligados ao governo.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 19


Além da área de pesquisa pela Embrapa, o governo brasileiro também tem mantido temas de
suma importância na sua agenda internacional para melhorar a posição do país no agronegócio
mundial como, por exemplo, acordos comerciais bilaterais ou regionais entre países; acordos
de temas sanitários e fitossanitários (procedimentos praticados para combater organismos
vivos que possam ser de alguma forma nocivos ao meio ambiente e à saúde humana) ; além
da própria promoção internacional mediante informação, organização, imagem, eventos e
missões internacionais.

Felizmente, temos visto que o Brasil tem caminhado rumo a este propósito de liderança,
apesar de toda dificuldade de exigências e barreiras sanitárias e fitossanitárias, além do
conhecido protecionismo praticado principalmente na União Europeia, que apesar disso ainda
é responsável por mais de 60% das exportações de soja em grão e carne bovina brasileiras.

Para se ter uma ideia do progresso do agronegócio, vamos verificar alguns dados em relação
ao mercado da soja onde o Brasil já responde por cerca de 27% do mercado global. O Brasil
começou a produzir o grão em escala mundial na década de 60 e graças a pesquisas genéticas
surgiram sementes adaptadas ao clima tropical, além de novas técnicas para correção de solo,
que permitiu o plantio do grão em diversas regiões, além dos tradicionais estados produtores
como Rio Grande do Sul e Paraná. Hoje temos recordes de produtividade no Centro-Oeste e em
Estados do Nordeste, como Bahia, Piauí e Maranhão. Consequentemente, a soja enriqueceu o
solo nos lugares onde é cultivada, proporcionando também as lavouras de milho e de algodão
nos períodos da sua entressafra. Atualmente, as lavouras de soja estão presentes em 21
milhões de hectares em quase 1900 municípios. Veja a seguir gráficos sobre o comportamento
da comercialização da soja brasileira:

Em relação ao milho, a produção esperada para a safra 2011/2012 deve ultrapassar 61

20 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


milhões de toneladas, um recorde, superando em 5% o volume da safra passada, informa a
Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

No ano de 2011, a participação do milho no Valor Bruto da Produção, segundo dados


divulgados pelo Ministério da Agricultura, foi excelente. Dos R$ 206 bilhões totais, cifra
recorde, R$ 24 bilhões são do milho, que teve alta de 31% em relação a 2010 e deve crescer
11% em 2012. Segundo previsões da Conab, a área plantada em 2011/2012, deverá atingir
14,7 milhões de hectares, 6% a mais do que em 2010/2011.

As exportações brasileiras de milho totalizaram 8,67 milhões de toneladas até novembro


último, 2,3% abaixo em relação a igual período de 2010.

Vide dados desta safra:

Outro setor do agronegócio que tem sido destaque no cenário nacional é o sucroalcooleiro.
No século XVIII, foi a força que impulsionou a economia nacional, quando os canaviais
sustentavam o comércio do açúcar. Hoje, o destino do processamento da cana-de-açúcar
é a produção de combustível, o álcool. Graças ao novo mercado de combustível, ou seja, do
biocombustível, impulsionado pelas pressões do preço do petróleo, além do fator ambiental
(o etanol é menos poluente que os derivados de petróleo), o cultivo desta cultura voltou. Os
empresários deste setor têm acompanhado a evolução que este mercado está exigindo, como

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 21


a mecanização do processo produtivo e a modernização das relações de trabalho, que no
passado foi pela mão de obra escrava e em um passado mais recente, pela exploração dos
trabalhadores da lavoura. A presença do etanol brasileiro, além do consumo interno, está
presente em vários países desenvolvidos. O produto detém 47% do mercado americano e 52%
na União Europeia.

Entretanto, nos últimos dois anos temos experimentado uma sequência de aumento do preço
nas bombas de combustível, tornando-se inviável o consumo, principalmente para carros
biocombustíveis, devido ao custo-benefício se comparado com a gasolina. Isto se deve,
principalmente, ao foco dado pelo setor para a exportação de açúcar, devido à baixa oferta
do produto no mercado internacional e a demanda, principalmente da China pelo produto.

As exportações de açúcar no ano de 2010 foram de US$ 4,9 bilhões, e o mercado não tem
nenhuma razão para sinalizar quedas no açúcar, pelo contrário, há colheita menor esse ano.
Os usineiros brasileiros estão aproveitando esse momento para ofertar menos açúcar, na
expectativa de comercializá-las em períodos mais estratégicos, ou seja, com preços mais
altos, para ampliar a lucratividade.

Não podemos esquecer a pecuária. O Brasil hoje tem sido líder na produção e na exportação
em dois setores de carne muito importantes para o mundo: a carne bovina e a carne de frango.
Para se ter uma ideia da importância em relação à carne bovina, de cada três bifes vendidos no
mundo um é oriundo de alguma fazenda brasileira. Até 2008 o rebanho nacional cresceu 32% e
sua população já é quase 9% maior que a população de pessoas. A participação de empresas
frigoríficas no mercado internacional, segundo dados de 2007 levantados pela Revista Veja, é
expressiva: 70% da carne consumida no Uruguai é brasileira, assim como 60% da Argentina e
57% da Australiana. Já em relação ao frango, em 2007 o Brasil se tornou o maior exportador
mundial superando os Estados Unidos. As exportações de frango renderam US$ 5 bilhões e
o aumento da demanda duplicou a produção de aves no Centro-Oeste brasileiro que somou
também em 2007 570 milhões de frangos. Além do fator exportação, que naquela ocasião foi
favorecido pela gripe aviária que praticamente destruiu a produção asiática, o consumo interno

22 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


cresceu 26% e chegou a 38 quilos per capita por ano.

Ainda no setor de carnes, o Brasil tem vivenciado grandes transformações no campo


corporativo no que diz respeito às fusões. Tomemos como exemplo o que aconteceu com o
grupo goiano JBS-Friboi, esse detinha até 2007, 34% da capacidade de abate dos Estados
Unidos, e recentemente adquiriu o rival brasileiro Frigorífico Bertin, e está em negociação
para adquirir a segunda maior empresa americana de processamento de carne de frango
a Pilgrim’s Pride. E outra grande expectativa do mercado foi a megafusão da Sadia com a
Perdigão, surgindo a maior processadora de carne de frango do mundo e a décima maior do
setor de alimentos das Américas e segunda maior do Brasil (ficando atrás da JBS-Friboi), que
passa a se chamar de Brasil Foods.

Alguns dados do gado bovino no Brasil:

Todas estas informações levantadas pelos sites do Ministério da Agricultura, portal do


Agronegócio e revistas Veja e Exame (anuário 2008), mostraram alguns dados importantes
em relação ao agronegócio e focamos, principalmente, as culturas mais relevantes no país
(soja, cana-de-açúcar, carne bovina e de aves). Entretanto, o Brasil também tem se destacado
em diversas culturas como feijão, milho, trigo, algodão, mandioca, hortigranjeiros, e ainda a
criação de ovinos, caprinos, suínos, apicultura etc.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 23


Entretanto, não só as boas notícias permeiam o cenário do agronegócio no Brasil, principalmente
no que diz respeito às exportações. Também foram levantados pelo Ministério da Agricultura
alguns fatores que necessitam ser solucionados para que o país possa continuar na liderança
em diversos mercados do setor, como já mencionado, e alcançar outros tantos dos quais
temos imenso potencial. Alguns destes fatores são internos e dependem da vontade política
e do planejamento, porém outros dependem de negociações com os países parceiros em
relação às suas políticas protencionistas visando resguardar a sua população produtiva. São
eles:
• Logística – transportes.
• Câmbio desfavorável às exportações.
• Juros mais altos que nos países concorrentes.
• Distorções no comércio internacional – subsídios, “barreiras” às importações.
• Imagem negativa do setor.
• Crise internacional.
• Escala, ou porte.
• Regularidade e uniformidade nos produtos vendidos.
• Tradição exportadora.
• Poucas marcas fortes internacionalmente.
• Organização da produção, da comercialização e da política.

A atividade relacionada ao agronegócio abrange as atividades de exploração da terra, por meio


do cultivo de lavouras e florestas ou a criação de animais, com objetivo de se obter produtos
que venham a ser comercializados para uma infinidade de objetivos, tanto alimentares como
industriais entre outros.

No Brasil, nos últimos anos, face ao aumento representativo da industrialização,


consequentemente houve aumento da população urbana e diminuição da população rural.
Mas, apesar disso, a atividade relacionada ao agronegócio continua sendo essencial no

24 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


desenvolvimento do país. Sendo considerada como fundamental, a atividade rural cada vez
mais requer melhorias tanto nos processos produtivos, como na administração da atividade.
O conhecimento das condições de mercado e dos recursos naturais dá ao produtor rural os
elementos básicos para o desenvolvimento de sua atividade econômica, pois permitem saber
quais culturas ou criações encontram boas perspectivas de mercado e se adaptam ao clima e
ao solo existente em seu estabelecimento rural.

Segundo Crepaldi (2005, p. 160) “a administração rural é, portanto, o conjunto de atividades


que facilita aos produtores rurais a tomada de decisões ao nível de sua unidade de produção,
o empreendimento agrícola, com o fim de obter o melhor resultado econômico, mantendo a
produtividade da terra”.

Neste contexto, o principal papel do administrador rural é planejar, controlar, decidir e avaliar os
resultados, visando à maximização dos lucros, à permanente motivação, ao bem-estar social
de seus empregados e à satisfação de seus clientes e da comunidade. O conjunto das ações
de decidir o que, quando e como produzir, controlar o andamento dos trabalhos e avaliar os
resultados constitui o campo de ação do administrador rural. Para que essas decisões sejam
eficazes, o administrador deve conhecer os fatores que afetam os resultados econômicos, os
quais são de natureza externa e interna.
a) Fatores externos: preços dos produtos, clima, existência de mercado para os produtos,
política de crédito e financiamento, transporte, disponibilidade de mão de obra na região
etc.
b) Fatores internos: tamanho do empreendimento agropecuário, rendimentos dos cultivos e
criações, seleção e combinação das atividades produtivas, eficiência da mão de obra, efi-
ciência do equipamento, condições pessoais do administrador etc.

O Administrador não tem controle sobre os fatores externos. Deve conhecê-los para tomar as
decisões que lhe permitam ajustar-se a eles, aproveitando ao máximo as condições favoráveis.
Sobre os fatores internos, o administrador tem controle direto. Por isso, deve conhecê-los bem
para tirar o maior proveito, acompanhando e analisando-os em relação a sua capacidade de

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 25


prestar serviços. O controle eficiente permite que os resultados globais sejam conhecidos por
meio dos resultados parciais. Isto permite agilizar as decisões durante o processo produtivo,
de acordo com as etapas ou operações.

O planejamento empresarial tem um papel fundamental na gestão do empreendimento rural,


pois traz inúmeros benefícios que podem ser obtidos pela forma organizada de planejar. O
mais importante é forçar a administração a pensar no futuro de seus negócios, antecipando
os problemas antes que eles aconteçam. O planejamento sistemático leva a administração
a elaborar previsões e planos detalhados que facilitam sua análise e acompanhamento das
decisões.

A atividade rural será tão mais eficiente, quanto maior for o domínio que o homem venha a ter
sobre o processo de produção, que se obterá na medida do conhecimento acerca das técnicas
de execução e gerência.

A administração eficiente é fator importante no sucesso de qualquer empreendimento, e é


justamente nesse aspecto que o empreendimento Rural brasileiro apresenta uma de suas mais
visíveis carências.

Segundo Crepaldi (2005, p. 81), “grosso modo, é possível constatar que a administração rural
no Brasil ainda se desenvolve dentro de critérios bastante tradicionais ou com um padrão de
desempenho inaceitável”.

A Contabilidade Rural é vista, geralmente, como uma técnica complexa em sua execução, com
baixo retorno na prática. E utilizada na maioria das vezes para atendimento a legislação fiscal,
sendo pouco utilizada para gestão dos negócios.

Portanto, observa-se que diversos fatores têm contribuído para que haja uma mudança quanto
a este aspecto: a retirada de subsídios, incentivos fiscais ao setor e o aumento da tributação da
renda agrícola vem provocando uma mudança quanto à importância da Contabilidade.

Nos segmentos mais dinâmicos do setor rural, os empresários estão sentindo a necessidade

26 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


de ferramentas de gestão e de melhores conhecimentos administrativos, entendendo serem
necessárias para a própria sobrevivência do empreendimento.

Essa conscientização tem favorecido para o interesse e procura crescente por tecnologias
gerenciais que permitam uma administração verdadeiramente eficiente e competitiva. Neste
contexto, a Contabilidade Rural destaca-se como principal instrumento de apoio à tomada de
decisão durante a execução e o controle das operações do empreendimento Rural.

A contabilidade rural é desenvolvida dentro de um ciclo de coleta e processamento de dados


que culmina com a produção e a distribuição de informações de saída, na forma de relatórios
contábeis. Os relatórios devem garantir a administração de informações sobre os mais
variados aspectos econômicos e financeiros do empreendimento Rural, permitindo a avaliação
da situação atual e comparações com o que foi planejado.

É de extrema importância que o empresário adote uma postura bem informada, prudente
e crítica na avaliação e escolha o sistema contábil que melhor se adapte à natureza das
atividades de sua empresa, e analisando o custo benefício da implantação de um sistema de
contabilidade rural e a própria capacidade de compreender e utilizar seus recursos.

A Contabilidade Rural é um dos principais sistemas de controle e informação das Empresas


Rurais. Por meio dela é possível verificar a situação do empreendimento, sob os mais diversos
enfoques, tais como análise de estrutura, de evolução, de solvência, de garantia de capitais
próprios e de terceiros, de retorno de investimentos etc.

A Contabilidade Rural também fornece informações sobre condições de expandir-se, sobre


a necessidade de reduzir custos e despesas, necessidades de buscar recursos, ou seja, o
planejamento da atividade rural.

Neste sentido, a contabilidade é uma ciência social que tem como objeto de estudo o patrimônio
das entidades. Seu objetivo é gerar informações para a tomada de decisões por parte dos
usuários, que podem ser internos e externos. E ela não se restringe a um ou outro ramo
empresarial. Seus conceitos e aplicações são abrangentes a qualquer que seja a atividade-fim

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 27


do empreendimento, salvo as características típicas, como é o caso das atividades relacionadas
ao agronegócio. Entre tais elementos, percebe-se que o conhecimento contábil por parte dos
gestores que atuam em empreendimentos relacionados ao agronegócio, é fundamental na
maximização dos resultados financeiros esperados. Pensando nesses conceitos e premissas
é que esse material foi elaborado. Ele não tem a ambição de tratar de todas as facetas da
contabilidade relacionada ao agronegócio, e nenhuma obra literária poderia, mas, tem o
compromisso de tratar de assuntos considerados fundamentais àqueles que buscam mais
conhecimento a respeito desse assunto.

CONTABILIDADE E SEU POSICIONAMENTO


Fonte: PHOTOS.COM

CIENTÍFICO

Tem-se percebido que a maioria das pessoas que nunca


tiveram contato com a literatura a respeito da Contabilidade,
julgam-na como uma ciência exata. No entanto, tendo a
Contabilidade objeto próprio de estudo – o Patrimônio das “entidades” – que o examina de
forma mais intensa qualitativamente, buscando descrever e explicar as mutações patrimoniais,
quantitativamente faz com que a mesma seja considerada como uma ciência social.

Para a contabilidade qualquer indivíduo, empresa, grupo de empresas ou entidades, setor ou


divisão; desde que efetue atividade econômica e que seja tão importante que justifique um
relatório separado individualizado de receitas e despesas, de investimentos e de retornos, de
metas e de realizações; pode tornar-se uma entidade contábil. Nesse sentido, as propriedades
rurais, independentemente das atividades desenvolvidas (agricultura, pecuária etc) satisfazem
essa premissa, consideradas então entidades contábeis.

A Resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade, em seu apêndice, descreve que:


Contabilidade possui objeto próprio – o Patrimônio das Entidades – e consiste em
conhecimentos obtidos por metodologia racional, com as condições de generalidade,
certeza e busca das causas, em nível qualitativo semelhante às demais ciências

28 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


sociais. A Resolução alicerça-se na premissa de que a Contabilidade é uma Ciência
Social com plena fundamentação epistemológica. Por consequência, todas as demais
classificações – método, conjunto de procedimentos, técnica, sistema, arte, para
citarmos as mais correntes – referem-se a simples facetas ou aspectos da Contabilidade,
usualmente concernentes à sua aplicação prática, na solução de questões concretas.
O Patrimônio também é objeto de outras ciências sociais – por exemplo, da Economia,
da Administração e do Direito – que, entretanto, o estudam sob ângulos diversos
daquele da Contabilidade, que o estuda nos seus aspectos quantitativos e qualitativos.
A Contabilidade busca, primordialmente, apreender, no sentido mais amplo possível,
e entender as mutações sofridas pelo Patrimônio, tendo em mira, muitas vezes, uma
visão prospectiva de possíveis variações. As mutações tanto podem decorrer da ação
do homem, quanto, embora quase sempre secundariamente, dos efeitos da natureza
sobre o patrimônio.

CARACTERÍSTICAS PECULIARES DO SETOR RURAL

Segundo Crepaldi (2005), a atividade agrícola apresenta algumas características peculiares,


que a distinguem das demais dos setores da economia, o qual foram enumeradas a seguir:

1) Dependência do clima: o clima condiciona a maioria das explorações agropecuárias.


Determina épocas de plantio, tratos culturais, colheitas, escolhas de variedades, espécies
vegetais e animais.

2) Correlação tempo de produção versus tempo de trabalho: na indústria, somente o trabalho


modifica a produção de determinado bem.

Na atividade rural, além do trabalho, existe a influência muito grande da natureza no processo
produtivo (processo natural).

3) Dependência de condições biológicas: o ciclo de produção da agropecuária está intimamente


relacionado às condições biológicas. A sequência da produção é obedecida (não se pode
interromper o desenvolvimento de uma lavoura de café para se obter soja, por exemplo).

Embora a pesquisa agropecuária possa conseguir espécies animais e variedades vegetais


mais precoces e produtivas, mas ainda assim estão sujeitas às condições biológicas.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 29


4) Terra como participante da produção: na maioria das explorações agropecuárias, a terra
participa diretamente do ciclo produtivo. Assim, é importante conhecê-la e analisá-la em
suas condições químicas, físicas, biológicas e topográficas. Fatores importantes: fertilização,
rotação de culturas, reflorestamento às margens dos rios.

5) Estacionalidade da produção: na atividade rural, normalmente, não existe fluxo contínuo


de produção, como na indústria, podendo ter tarefas independentes uma das outras. Outra
característica importante a ser destacada é o trabalho ao ar livre, podendo apresentar aspectos
positivos e negativos.

6) Incidência de risco: as explorações podem ser afetadas por problemas causados pelo clima,
ataque de pragas, moléstias e flutuações de preços de seus produtos.

7) Sistema de competição econômica

Algumas características:
- existência de um grande número de produtores e consumidores;
- produtos que apresentam pequena diferenciação entre si;
- a entrada e a saída no negócio pouco influenciam a oferta total.

Uma consequência desses fatores é que o preço dos produtos é ditado pelo mercado, podendo
ser até inferior aos custos de produção.

8) Produtos não uniformes: diferentemente da indústria, na agropecuária há dificuldades em se


obter produtos uniformes quanto à forma, ao tamanho e à qualidade.

9) Alto custo de saída e/ou entrada: algumas explorações na atividade agrícola exigem
investimentos altos em benfeitorias e máquinas e, consequentemente, condições adversas
de preço e mercado devem ser suportadas a curto prazo, pois o prejuízo, ao abandonar a
exploração poderá ser superior.

São exemplos de atividades com altos investimentos: cultura de café e pecuária leiteira.

30 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Objetivos, objeto e campo de atuação
da contabilidade

A Contabilidade é considerada um sistema


que tem como objetivo fornecer informações
a uma gama de usuários. As informações são
elaboradas com base no objeto de estudo
da Contabilidade, ou seja, o patrimônio das
entidades. Em relação ao patrimônio, que será
Fonte: PHOTOS.COM

objeto de estudo da próxima unidade, pode-se


informar por hora, que são os bens, os direitos
e as obrigações de cunho financeiro, ou seja,
mesuráveis em moeda corrente das entidades
(FIPECAFI, 2000).

Essas informações a respeito do patrimônio são disponibilizadas em forma de relatórios/


demonstrações, impressas ou não, podendo ser analisadas pelos usuários sob a ótica
financeira, econômica e de produtividade entre outros aspectos da entidade em questão e tem
como objetivo a tomada de decisões (FIPECAFI, 2000).

Nesse ponto é importante relatar que a contabilidade, independentemente de sua aplicação


e especialização é regida por meio de princípios. Nesse sentido, entre vários princípios,
destacou-se dois princípios que são primordiais na contabilidade aplicada às entidades rurais,
ou seja, voltadas ao agronegócio.
a) O Princípio da ENTIDADE reconhece o Patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma
a autonomia patrimonial, a necessidade da diferenciação de um Patrimônio particular no
universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa; um
conjunto de pessoas; uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade,
com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o patrimônio não se confun-
de com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 31


A desconsideração da personalidade jurídica faz com que este princípio seja desconsiderado
em razão de má-fé dos sócios, pois de acordo com a constituição federal, o direito da maioria
sobrepõe o direito individual quando este não tem subterfúgios para sua sustentação.
b) Regime de competência: as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do
resultado do período em que ocorrerem, sempre simultaneamente quando se correlaciona-
rem, independentemente de recebimento ou pagamento.

c) Regime de caixa é o regime contábil que apropria as receitas e despesas no período de seu
recebimento ou pagamento (embolso ou desembolso), respectivamente, independente-
mente do momento em que são realizadas.

A despesa só é considerada no regime de caixa, quando for paga, independente do momento


em que esta foi realizada. O que se considera aqui é o momento em que foi paga.

A receita só é considerada no regime de caixa quando for recebida, independente do momento


que esta foi realizada. O que se considera aqui é o momento em que foi recebida e não o
momento em que foi efetuado o negócio e emitido a nota fiscal de venda.

Exemplos:
a) Vamos supor que a assinatura anual de um jornal custou R$ 120,00 e esta quantia foi paga
para a editora em 4 vezes sem juros de R$ 30,00. No regime de caixa, respectivamente
no fluxo de caixa, os valores pagos serão considerados e agendados no momento em que
ocorrerá seu pagamento, ou seja, R$ 30,00 por mês. Já no regime de competência a des-
pesa deverá ser apropria R$ 10,00 por mês perfazendo um total de R$ 120,00 (período de
um ano de assinatura), independente de como ela foi paga.

b) Havendo a venda de um bem para pagamento futuro, ou seja, uma venda a prazo: no regi-
me de caixa a receita só será considera quando for recebida, ou seja, no dia que a parcela
correspondente for quitada pelo cliente. Esse agendamento do recebimento da parcela,
será efetuado junto ao fluxo de caixa. Já no regime de competência a receita é considerada
receita ganha no momento da negociação, ou seja, o total da emissão da nota fiscal de
venda, independente do momento que será paga.

32 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Independente do fato gerador, ou negociação.
Fonte: Robinson Interessa saber quando do recebimento ou
pagamento (embolso/desembolso).
Efetuado pelo fluxo de caixa.

Independente do Recebimento ou pagamento. O


que interessa é quando for efetuado a negociação.
O que é considerado é o quando ocorreu o fato
gerador, emissor de notas fiscais
Efetuado pelo DRE-Demonstrativo de Resultado

A contabilidade é uma ciência de natureza econômica que tem por objetivo produzir informação
para possibilitar o conhecimento do passado, presente e futuro da realidade econômica em
termos quantitativos e qualitativos de todos os seus níveis organizativos, mediante a utilização
de um método específico apoiado em bases suficientemente testadas, com o fim de adoção
das decisões financeiras externas e as de planejamento e controles internos.

Preocupa-se com todos os acontecimentos que possam influenciar o equilíbrio patrimonial e por
isso os identifica, seleciona, analisa e promove medidas, processos, avaliação e comunicação
de dados, facilitando a tomada de decisão. A contabilidade desempenha um papel essencial
na condução da gestão das entidades, no exame da sua eficácia e resultados.

Nesse sentido Neves e Viceconti (2000, p. 2) expõem que o campo de atuação da Contabilidade
são as “entidades econômico-administrativas, assim chamadas aquelas que, para atingirem
seu objetivo, seja econômico ou social, utilizam bens patrimoniais e necessitam de um órgão
administrativo, que pratica atos de natureza econômica necessários aos seus fins”.

Silva (2002, p. 3) esclarece que as entidades econômico-administrativas são assim


classificadas:

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 33


a) Entidades com fins lucrativos – chamadas empresas, que visam lucros para preservar e/ou
aumentar o seu patrimônio líquido. Exemplo: empresas comerciais, industriais, de serviços
agrícolas etc.

b) Entidades com fim socioeconômico – intituladas instituições, visam atingir superávit que re-
verterá em benefício de seus integrantes. Exemplo: associações de classe, clubes sociais
etc.

c) Entidades com fins sociais – também chamadas instituições, que têm por obrigação aten-
-der às necessidades da coletividade a que pertencem. Exemplo: a União, os Estados e os
Municípios.

Diante do exposto pode-se afirmar que os objetivos da contabilidade são:


• proceder ao registro da estrutura societária da organização, bem como alterações futuras;

• registrar, analisar e controlar o patrimônio das entidades;

• gerar informações para tomada de decisão da administração;

• gerar informações para terceiros com vínculo de interesse para com o empreendimento
(acionistas, investidores, fornecedores, governo etc.).

Silva (2002, p. 2) afirma que a Contabilidade pode ser estudada de modo geral (para todas
as empresas) ou em particular (aplicada em certo ramo de atividade ou setor da economia).
Assim, no estudo da Contabilidade pode-se enfocar, dentre outros, os seguintes ramos:
• Contabilidade Comercial e de Serviços.

• Contabilidade Industrial.

• Contabilidade Bancária.

• Contabilidade Hospitalar.

• Contabilidade Pública.

• Contabilidade Agropecuária.

• Contabilidade Securitária.

34 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


• Contabilidade de Transporte (rodoviário, marítimo, aéreo).

• Contabilidade das Pessoas Físicas - Atividade Rural.

• Contabilidade de Autônomos.

Em relação à contabilidade aplicada ao agronegócio, é necessário efetuar algumas


considerações que são peculiares da atividade rural e possuem certas definições quando
trazidas sob a ótica da contabilidade:
- Empresas rurais são aquelas que exploram a capacidade produtiva do solo por meio do
cultivo da terra (culturas permanentes ou temporárias), da criação de animais (pecuá-
ria, suinocultura, avicultura etc.) e da transformação de determinados produtos agrícolas
(agroindústria). Qualquer tipo de Empresa Rural, seja familiar ou patronal, é integrada por
um conjunto de recursos, denominados fatores de produção. São eles: a terra, o capital e
o trabalho.

- O fator mais importante para a agropecuária é a terra, pois na terra se aplicam os capitais
e se trabalha para obter a produção.

- O capital representa o conjunto de bens alocados sobre a terra com o objetivo de aumentar
sua produção e ainda facilitar e melhorar a qualidade do trabalho humano.

- O trabalho é o conjunto de atividades desempenhadas pelo homem. A tarefa de administrar


é também considerada trabalho, assim como lavrar a terra, cuidar de animais, construir
cercas etc.

Com relação às atividades das empresas rurais, Marion (2005, p. 24) apresenta três grupos
distintos:
• Produção vegetal – atividade agrícola.

• Produção animal – atividade zootécnica.

• Indústrias rurais – atividade agroindustrial.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 35


ATIVIDADES RELACIONADAS AO AGRONEGÓCIO

Atividade Agrícola

Segundo Marion (2005), agricultura é definida como a arte de cultivar a terra. Arte essa
decorrente da ação do homem sobre o processo produtivo à procura da satisfação das suas
necessidades básicas.

Atividade Zootécnica

A Zootécnica consiste na criação de animais, para serviços de lavoura, para consumo


doméstico ou para fins industriais e comerciais.

Atividade Agroindustrial

Segundo Marion (2005), a atividade agroindustrial compreende o beneficiamento de produtos


agrícolas, transformação de produtos zootécnicos e a transformação de produtos agrícolas,
(cana-de-açúcar em álcool e aguardente; soja em óleo; uvas em vinho e vinagre; moagem de
trigo e milho).

36 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Em relação às atividades associadas ao agronegócio, segundo Marion (2005) pode ser dividida
nos seguintes grupos:

Fonte: Marion (2005).

CLASSIFICAÇÃO DAS LAVOURAS

Lavouras permanentes

Compreende o plantio de culturas de longa duração, que após a colheita não necessitam
de novo plantio, produzindo por vários anos sucessivos. Segundo Giustina (1995), culturas
permanentes ou duradouras são aquelas que duram mais de um ano e proporcionam mais
de uma colheita. É o caso da cana-de-açúcar, da citricultura (laranjeira, limoeira etc.) da
cafeicultura, de frutas arbóreas (maçã, pera, uva, goiaba e outros).

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 37


Lavouras temporárias

Culturas cujo plantio de culturas é de curta duração (via de regra, menor que um ano) e que
necessitam geralmente, de novo plantio após cada colheita, incluíram-se também nesta
categoria as áreas das plantas forrageiras destinadas ao corte. Segundo Crepaldi (1993, p.56)
“são consideradas culturas temporárias aquelas sujeitas ao replantio após a colheita com um
período de vida curta, normalmente não superior a um ano”.

USUÁRIOS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL


Fonte: PHOTOS.COM

Anteriormente, foi abordado que as informações contábeis


são destinadas aos usuários para tomada de decisões.

Segundo Silva (2002, p.3), usuários “compreendem todas


as pessoas físicas e jurídicas que, direta ou indiretamente tenham interesse na avaliação da
situação e do desenvolvimento da entidade, como titulares (empresas individuais), sócios
acionistas, administradores, governo (fisco), fornecedores, bancos etc.”.

No entanto, verifica-se que pode existir uma variedade de usuários com necessidades de
informações específicas. Nessa variedade, existem dois grupos distintos: internos e externos.
A Resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade conceitua:

“os usuários internos incluem os administradores de todos os níveis, que usualmente se valem
de informações mais aprofundadas e específicas acerca da Entidade, notadamente aquelas
relativas ao seu ciclo operacional”.

Segundo Miranda (2002), usuários Internos são todas as pessoas ou grupos de pessoas
relacionadas com o empreendimento e que têm facilidade de acesso às informações contábeis,
tais como:
• Gerentes: para a tomada de decisões.

38 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


• Funcionários: com interesse em pleitear melhorias.

• Diretoria: para a execução de planejamentos organizacionais.

O usuário interno principal da informação contábil é a alta administração que pela proximidade
à Contabilidade, pode solicitar a elaboração de relatórios e demonstrativos de acordo com
suas necessidades específicas, auxiliando-os na gestão do negócio. Os relatórios específicos
podem, além de abranger quaisquer áreas de informação (fluxo financeiro, disponibilidades,
contas a pagar, contas a receber, aplicações financeiras, compra e vendas no dia ou no período
e os gastos gerais de funcionamento), ser elaborados diariamente ou em curtos períodos de
tempo (semana, quinzena, mês etc.), de acordo com as necessidades administrativas.

Os usuários externos concentram suas atenções, de forma geral, em aspectos mais genéricos,
expressos nas demonstrações contábeis.

Para Miranda (2002), usuários Externos são todas as pessoas ou grupos de pessoas
sem facilidade de acesso direto às informações, mas que as recebem de publicações das
demonstrações pela entidade, tais como:
• Bancos: interessados nas demonstrações financeiras a fim de analisar a concessão de
financiamentos e medir a capacidade de retorno do capital emprestado.

• Concorrentes: interessados em conhecer a situação do empreendimento para poder atuar


no mercado.

• Governo: que necessita obter informações sobre as receitas e as despesas para poder
atuar sobre o resultado operacional no que concerne a sua parcela de tributação.

• Fornecedores: interessados em conhecer a situação da entidade para poder continuar ou


não as transações comerciais com a entidade, além de medir a garantia de recebimento
futuro.

• Clientes: interessados em medir a integridade da entidade e a garantia de que seu pedido


será atendido nas suas especificações e no tempo acordado.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 39


Atributos da informação contábil

Como a RESOLUÇÃO Nº 785/95 do Conselho Federal de


Contabilidade que aprova a NBC T 1 (Normas Brasileiras
de Contabilidade – Técnicas) – Características da
Informação Contábil, descreve de forma completa sobre
os seus atributos e características, a mesma encontra-se reproduzida a seguir na íntegra:

1.1 – DO CONCEITO E CONTEÚDO


1.1.1 – A Contabilidade, na sua condição de ciência social, cujo objeto é o patrimônio,
busca, por meio da apreensão, da quantificação, da classificação, do registro, da
eventual sumarização, da demonstração, da análise e relato das mutações sofridas
pelo patrimônio da entidade particularizada, a geração de informações quantitativas e
qualitativas sobre ela, expressas tanto em termos físicos, quanto monetários.
1.1.2 – As informações geradas pela Contabilidade devem propiciar, aos seus usuários,
base segura às suas decisões, pela compreensão do estado em que se encontra a
entidade, seu desempenho, sua evolução, riscos e oportunidades que oferece.
1.1.3 – A informação contábil se expressa por diferentes meios, como demonstrações
contábeis, escrituração ou registros permanentes e sistemáticos, documentos, livros,
planilhas, listagens, notas explicativas, mapas, pareceres, laudos, diagnósticos,
prognósticos, descrições críticas ou quaisquer outros utilizados no exercício profissional
ou previstos em legislação.

1.2 – DOS USUÁRIOS


1.2.1 – Os usuários são pessoas físicas ou jurídicas com interesse na entidade, que
utilizam as informações contábeis desta para seus próprios fins, de forma permanente
ou transitória.
1.2.2 – Os usuários incluem, entre outros, os integrantes do mercado de capitais,
investidores, presentes ou potenciais, fornecedores e demais credores, clientes,
financiadores de qualquer natureza, autoridades governamentais de diversos níveis,
meios de comunicação, entidades que agem em nome de outros, como associações
e sindicatos, empregados, controladores, acionistas ou sócios, administradores da
própria Entidade, além do público em geral.

40 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


1.3 – DOS ATRIBUTOS DA INFORMAÇÃO CONTÁBIL
1.3.1 – A informação contábil deve ser, em geral e antes de tudo, veraz e eqüitativa,
de forma a satisfazer as necessidades comuns a um grande número de diferentes
usuários, não podendo privilegiar deliberadamente a nenhum deles, considerado o fato
de que os interesses destes nem sempre são coincidentes.
1.3.2 – A informação contábil, em especial aquela contida nas demonstrações contábeis,
notadamente as previstas em legislação, deve propiciar revelação suficiente sobre a
entidade, de modo a facilitar a concretização dos propósitos do usuário, revestindo-se
de atributos, entre os quais, são indispensáveis os seguintes:
• confiabilidade;
• tempestividade;
• compreensibilidade; e
• comparabilidade.

1.4 – DA CONFIABILIDADE
1.4.1 – A confiabilidade é atributo que faz com que o usuário aceite a informação
contábil e a utilize como base de decisões, configurando, pois, elemento essencial na
relação entre aquele e a própria informação.
1.4.2 – A confiabilidade da informação fundamenta-se na veracidade, completeza e
pertinência do seu conteúdo.
§ 1º A veracidade exige que as informações contábeis não contenham erros ou vieses,
e sejam elaboradas em rigorosa consonância com os Princípios Fundamentais de
Contabilidade e as Normas Brasileiras de Contabilidade e, na ausência de norma
específica, com as técnicas e procedimentos respaldados na ciência da contabilidade,
nos limites de certeza e previsão por ela possibilitados.
§ 2º A completeza diz respeito ao fato de a informação compreender todos os elementos
relevantes e significativos sobre o que pretende revelar ou divulgar, como transações,
previsões, análises, demonstrações, juízos ou outros elementos.
§ 3º A pertinência requer que seu conteúdo esteja de acordo com a respectiva
denominação ou título.

1.5 – DA TEMPESTIVIDADE
1.5.1 – A tempestividade refere-se ao fato de que a informação contábil deve chegar ao
conhecimento do usuário em tempo hábil, a fim de que este possa utilizá-la para seus
fins.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 41


1.5.2 – Nas informações preparadas e divulgadas sistematicamente, como as
demonstrações contábeis, a periodicidade deve ser mantida . Quando por qualquer
motivo, inclusive de natureza legal, a periodicidade for alterada o ato e suas razões
devem ser divulgados junto à própria informação.

1.6 – DA COMPREENSIBILIDADE
1.6.1 – A informação contábil deve ser exposta da forma mais compreensível possível
ao usuário que se destine.
§ 1º A compreensibilidade presume que o usuário disponha de conhecimentos de
Contabilidade e dos negócios e atividades da entidade, em nível que o habilite ao
entendimento das informações colocadas à sua disposição, desde que se proponha a
analisá-las, pelo tempo e com a profundidade necessários.
§ 2º A eventual dificuldade ou mesmo a impossibilidade de entendimento suficiente das
informações contábeis por algum usuário jamais será motivo para a sua não-divulgação.
1.6.2 – A compreensibilidade concerne à clareza e objetividade com que a informação
contábil é divulgada, abrangendo desde elementos de natureza formal, como a
organização espacial e recursos gráficos empregados, até a redação e técnica de
exposição utilizadas.
§ 1º A organização espacial, os recursos gráficos e as técnicas de exposição devem
promover o entendimento integral da informação contábil, sobrepondo-se, pois, a
quaisquer outros elementos, inclusive de natureza estética.
§ 2º As informações contábeis devem ser expressas no idioma nacional, sendo admitido
o uso de palavras em língua estrangeira somente no caso de manifesta inexistência de
palavra com significado idêntico na língua portuguesa.

1.7 – DA COMPARABILIDADE
1.7.1 – A comparabilidade deve possibilitar ao usuário o conhecimento da evolução
entre determinada informação ao longo do tempo, numa mesma entidade ou em diver-
sas Entidades, ou a situação destas num momento dado, com vista a possibilitar-se o
conhecimento das suas posições relativas.
1.7.2 – A concretização da comparabilidade depende da conservação dos aspectos
substantivos e formais das informações.
Parágrafo único – A manutenção da comparabilidade não deverá constituir elemento
impeditivo da evolução qualitativa da informação contábil.

42 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Resumo da Unidade

Contabilidade é uma ciência social que tem como objeto de estudo o patrimônio das entidades.
Seu objetivo é gerar informações para a tomada de decisões por parte dos usuários, que
podem ser internos e externos. No que tange à informação gerada essa requer os seguintes
atributos: confiabilidade, tempestividade, compreensibilidade e comparabilidade.

A contabilidade é vista no Brasil, de forma geral, como uma ferramenta para tomada de decisões?

<http://pt.wikipedia.org/wiki/Contabilidade>.
<http://www.cfc.org.br/>.
<http://www.eac.fea.usp.br/>.
<http://www.classecontabil.com.br/>.
<http://www.fi pecafi .com.br/>.
<http://www.bovespa.com.br/pdf/GTD_RelatorioFinal.pdf>.
<http://www.agricultura.gov.br/>.
<http://www.iz.ufrrj.br/zootecnia_draa/Biblioteca/Victor/Capitulo%201.pdf>.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 43


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Uma adequada percepção do cenário econômico é fundamental para se entender a


necessidade de uma contabilidade preparada para munir os administradores rurais com as
devidas informações para análise e decisão. Por isso, nossa proposta nesta unidade foi de
trazer informações que posicionam o agronegócio como uma das âncoras econômicas de
nosso país e de como a contabilidade, de acordo com seu posicionamento e atuação, contribui
para fortalecer os empreendimentos rurais e agrega valor no seu contexto.

Entender alguns princípios básicos da contabilidade, os atributos da informação e a relação


destes com o agronegócio já permite que se abra um leque de possibilidades de informação
para a tomada de decisão.

ATIVIDADE DE AUTOESTUDO

Responda as seguintes questões:

1. Quais os objetivos da contabilidade?

2. Qual é o objeto de estudo da contabilidade?

3. As informações contábeis são disponibilizadas aos usuários de que forma e podem ser
analisadas sob qual ótica?

4. Qual o campo de atuação da contabilidade?

5. O que é entidade? Como podem ser classificadas?

6. Por que a contabilidade é considerada uma Ciência Social?

7. O que são usuários internos e externos?

8. Descreva quais os atributos da informação contábil, segundo a RESOLUÇÃO CFC Nº


785/95.

44 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


O Manual de Contabilidade por Ações, apresenta no intervalo indicado a estrutura conceitual básica
da contabilidade sob a ótica dos objetivos da contabilidade, relacionados com os usuários da informa-
ção contábil e a natureza das informações geradas pela contabilidade e do seu relacionamento com
outras ciências sociais.

FIPECAFI. Manual de Contabilidade das Sociedade por Ações. São Paulo: Atlas, 2000, pp. 42-44.
Biblioteca CESUMAR, chamada: 657.95 F981m 5. ed.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 45


46 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância
UNIDADE II

DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS: BALANÇO


PATRIMONIAL E DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS
Professor Me. Silvio César de Castro
Professor Esp. Robinson Pereira Santos

Objetivos de Aprendizagem
• Compreender os elementos que compõem o patrimônio contábil.
• Classificar os itens entre ativo, passivo e patrimônio líquido.
• Identificar quais os parâmetros de classificação entre culturas temporárias e perma-
nentes.
• Obter a compreensão sobre receitas e despesas.
• Compreender os itens que compõem o DRE.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:

• Conceito de Patrimônio Contábil: bens, direitos e obrigações


• Classificação contábil em relação às culturas rurais
• DRE – Demonstrativo de Resultado do Exercício: aspectos conceituais
• Receitas e Despesas
INTRODUÇÃO

Verificamos, na unidade anterior, que o Patrimônio é o objeto de estudo da contabilidade.


Portanto, é necessário discorrermos sobre o que é o Patrimônio para a contabilidade. Em que
consiste e quais são as suas características.

No âmbito do agronegócio, o Patrimônio tem uma posição muito significativa devido aos altos
valores necessários para que se forme este Patrimônio.

A partir deste conceito, entenderemos como se dá o Fluxo Contábil no agronegócio e iniciamos


o estudo das principais demonstrações contábeis: o Balanço Patrimonial e a Demonstração do
Resultado do Exercício, que são fundamentais para análise e acompanhamento do negócio.

Fonte: PHOTOS.COM

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 49


PATRIMÔNIO CONTÁBIL

Conceito de Patrimônio Contábil

Segundo Miranda (2002, p. 19), o patrimônio “é o conjunto de bens, direitos e obrigações


vinculados a uma pessoa física ou jurídica, com finalidade definida e mensurável
economicamente”. Diante do balanço patrimonial, o lado esquerdo acomoda o conjunto de
bens e direitos pertencentes a uma entidade, e o lado direito inclui as obrigações a serem
pagas por essa entidade.

Bens

Segundo Ferrari (2001), bens representam tudo o que pode ser avaliado economicamente
e que satisfaça as necessidades humanas/corporativas. Exemplo: máquinas, equipamentos,
estoque de grãos, implementos agrícolas, armazéns, terras, culturas permentes, animais da
propriedade, infraestruturas etc.

Pode-se classificar os bens em:


• tangíveis, corpóreos, concretos ou materiais;

• intangíveis, incorpóreos, abstratos ou imateriais.

Bens Tangíveis, Corpóreos, Concretos ou Materiais têm existência física; existem como coisa
ou objeto.

Exemplos:
• numerários: dinheiro;

• mercadorias em estoque, produtos, materiais de consumo;

• fixos ou imobilizados (representam os bens duráveis, com vida útil superior a um ano):
imóveis, veículos, máquinas, instalações, equipamentos, móveis e utensílios etc.;

50 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


• de renda: não destinados aos objetivos do empreendimento (imóveis destinados à renda
ou aluguel);

• de consumo (não duráveis ou que são gastos ou consumidos no processo produtivo); de-
pois de consumidos, representam despesas: combustíveis e lubrificantes, material de es-
critório, material de limpeza etc.

Bens Intangíveis, Incorpóreos, Abstratos ou Imateriais

Não possuem existência física, porém, representam uma aplicação de recursos imprescindível
aos objetivos da entidade, e cujo valor reside em direitos de propriedade que são legalmente
conferidos aos seus possuidores, como marcas e patentes, fórmulas ou processos de
fabricação, direitos autorais, autorizações ou concessões, ponto comercial, fundo de comércio,
benfeitorias em prédios de terceiros, pesquisa e desenvolvimento de produtos, custo de
projetos técnicos, despesas pré-operacionais, pré-industriais, de organização, reorganização,
reestruturação ou remodelação de empresas etc. (FERRARI, 2001).

Bens Móveis

São os bens que fazem parte do patrimônio das entidades que se move ou pode mover,
todos os objetos materiais que se podem transportar, mudar sua localização sem perder suas
características e direitos a eles inerentes.

Bens Imóveis

São aqueles bens que fazem parte do patrimônio das entidades que se não movem, são de
forma geral inertes, imutáveis. Bem que não é móvel, como terreno, prédio, edifício, casa etc.

Direitos

Valores a serem recebidos de terceiros, por vendas a prazo ou valores de propriedade do


empreendimento que se encontra em posse de terceiros. A Tendência é de que os valores
correspondentes aos direitos se tornem bens.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 51


Exemplos:
Títulos a receber, clientes, contas a receber, notas promissórias a receber, dinheiro depositado
no banco, aplicações financeiras, adiantamento a funcionários, empréstimos a sócios etc.

Propriedade

Favero et al. (1997) esclarecem que para ter propriedade é necessário possuir o legítimo poder
de decisão sobre o destino do objeto. Nem sempre ser o proprietário é necessário que se
tenha a posse. Um arrendamento mercantil (Leasing) de uma máquina ou veículo, pelo qual o
empreendimento pagará aluguel mensal, não se caracteriza como ativo, embora o bem esteja
dentro do empreendimento (posse e não propriedade).

Avaliável em Dinheiro

Qualquer bem ou direito dever ser mensurável em dinheiro para poder ser considerado como
ativo de um empreendimento. Iudícibus e Marion (2000) colocam que um dos itens mais
significativos que normalmente não é contabilizado como ativo, pois não tem um valor objetivo,
é o que denominamos de Goodwill (traduzido para o português como Fundo de Comércio,
Aviamentos, Mais Valia... traduções essas que não refletem fielmente). Para eles, inicialmente,
pode-se dizer que goodwill é o valor a maior, um ágio de um empreendimento em virtude
de bons serviços prestados; da imagem/reputação; dos consumidores conquistados ao longo
dos anos etc. Esses aspectos considerados positivos, e outros, no momento de se avaliar
um empreendimento podem representar montantes algumas vezes maiores de que seu ativo
tangível, no entanto, não existe a possibilidade de se realizar uma avaliação precisa dado ao
seu subjetivismo. Assim sendo, o goodwill não é demonstrado (FAVERO et al.,1997).

Benefícios Presentes ou Futuros

Favero et al. (1997) afirmam que é necessário também que o bem ou direito tenha a
capacidade de trazer benefícios presentes ou futuros para o empreendimento, ou seja, tenha
a potencialidade de geração de caixa. Se o empreendimento possuir um “título a receber” de

52 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


um empreendimento falido, não teremos mais um ativo, pois não existe mais a possibilidade de
convertê-lo em dinheiro, não trazendo benefício algum para sua portadora.

Obrigações

Segundo Miranda (2002, p. 18), as obrigações “constituem-se em ato da pessoa ou empresa


dispor de algum bem ou serviço e que em troca destes originam um compromisso futuro
de pagamento, representado por um documento, como as duplicatas a pagar”. São dívidas
ou compromissos de qualquer espécie ou natureza assumidos perante terceiros, ou bens de
terceiros que se encontram em posse da entidade.

Exemplos: financiamentos, empréstimos bancários, salários a pagar, impostos a pagar etc.

Patrimônio líquido

O patrimônio líquido é constituído pela soma dos bens mais os direitos menos as obrigações, ou
seja, (pl=bens+direitos-obrigações). Como o próprio nome sugere, patrimônio líquido significa
a fatia de recursos que é da própria entidade, pois se somar o que ela possui (bens) mais o
montante do que tem para receber (direitos) e efetuar a quitação do que ela deve (obrigações)
o que resta é o líquido (patrimônio líquido).

Exemplo:

Se um empreendimento possui em bens: R$ 50.000; direitos: R$ 60.000; e em obrigações:


R$40.000, seu patrimônio líquido será:

PL = 50.000 + 60.000 – 40.000

PL = 70.000

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 53


Fonte: Robinson

54 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


BALANÇO PATRIMONIAL
Fonte: PHOTOS.COM

Balanço Patrimonial - Aspectos Introdutórios

A demonstração que expõe, em dado momento, a posição


financeira dos elementos que compõem o patrimônio (bens,
direitos, obrigações e patrimônio líquido), devidamente valorados, denomina-se Balanço
Patrimonial, se o período corresponder ao exercício social do empreendimento ou Balancete
Patrimonial, se for Mensal (MARION, 2004).

O Balanço Patrimonial expõe os seus componentes em agrupamentos de Ativo, Passivo


Exigível e Patrimônio Líquido, de forma a permitir o reconhecimento do capital acumulado
dos proprietários e de sua variação, de um período para outro. O balanço Patrimonial reflete a
posição financeira em determinado momento de um empreendimento (FIPECAFI, 2000).

Ferrari (2001) afirma que obter dados do Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido, analisar suas
variações durante determinado período de tempo, por meio da verificação direta dos registros
contábeis, é tarefa trabalhosa. Mesmo nas pequenas empresas podem ocorrer diariamente,
inúmeras operações e seus registros contábeis conterem grande número de particularidades.

Daí a necessidade de resumir e apresentar os dados de forma adequada, que permitam às


pessoas interessadas, conhecer a situação patrimonial do empreendimento e as variações
ocorridas durante certo período de tempo.

De forma geral, o Balanço Patrimonial é um quadro (mapa, gráfico etc.) onde é demonstrada
a situação econômica/financeira do empreendimento na data a que o balanço diz respeito.
O balanço avalia a riqueza, isto é, o valor do empreendimento, mas não demonstra o seu
resultado, apenas o apresenta em valor total, sendo a sua demonstração feita em um outro
documento chamado “demonstração de resultados”. O balanço é composto por duas partes,
que se encontram sempre em equilíbrio. O Ativo é igual ao Passivo mais o Patrimônio Líquido.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 55


ATIVO, PASSIVO E PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Como já foi apresentado anteriormente, o Balanço Patrimonial abriga no seu lado esquerdo, os
bens e direitos e do lado direito as obrigações e o patrimônio líquido.

Fonte: Silvio de Castro


Ativo

De acordo com Miranda (2002, p. 17), “o ativo representa a parte dos valores positivos do
patrimônio, tudo aquilo que a entidade possui ou que ela tem a receber de terceiros. Abrange
o conjunto de bens e direitos da entidade”.

O Manual de Contabilidade Societária do FIPECAFI define como Ativo os recursos controlados


por uma entidade e dos quais se esperam benefícios econômicos futuros.

Passivo

O passivo representa todas as obrigações financeiras que um empreendimento terceiro,


proveniente de transações passadas, realizadas na data de vencimento e beneficiário certo e
conhecido. Todos passivos representam os valores negativos do patrimônio (FERRARI, 2001).

Compreende as exigibilidades e obrigações de uma entidade.

Patrimônio líquido

O patrimônio líquido é a diferença entre os valores positivos do ativo (bens e direitos) e os


valores negativos do passivo (obrigações) de uma entidade em um determinado momento.

56 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


É a parte do balanço que representa o capital investido pelos sócios e está graficamente
localizado no seu lado direito (MARION, 2004).

Silva (2002, p. 6) descreve que o Balanço Patrimonial é uma demonstração que relata os bens
e direitos (Ativo), as obrigações e a participação dos acionistas (Passivo) do empreendimento,
dando, dessa forma, a posição patrimonial e financeira do empreendimento.

O termo balanço tem a ver com balança, pois os dois lados: ativo e passivo, devem estar em
harmonia, ou seja, equilibrados com os mesmos valores totais. Nesse sentido, esse aspecto é
chamado de Equilíbrio Patrimonial, de onde resulta a seguinte Equação Patrimonial:

ATIVO = PASSIVO EXIGÍVEL + PATRIMÔNIO LÍQUIDO

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 57


Passivo
Ativo + P.L.

Fonte: Os autores
Ao final de um período, quando comparamos os valores do Ativo com os do Passivo, podemos
obter três situações:

Pode-se afirmar, então, que a riqueza líquida ou patrimônio líquido do empreendimento pode
ser medido pela seguinte equação:

PL = ATIVO – PASSIVO EXIGÍVEL

A entidade pode apresentar três situações patrimoniais:


a) PL > ATIVO - PASSIVO EXIGÍVEL → esta situação nos proporciona uma situação líquida
positiva, pois os valores componentes do Ativo permitem solver as obrigações e ainda
apresentam saldo.

58 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


b) PL < ATIVO - PASSÍVEL EXIGÍVEL → esta situação nos proporciona uma situação lí-
quida negativa, pois os valores componentes do Ativo NÃO são suficientes para cobrir as
obri-gações. Quando ocorre essa situação, contabilmente dizemos que o empreendimento
apresenta um Passivo a Descoberto.

c) PL = ATIVO - PASSÍVEL EXIGÍVEL → esta situação nos proporciona uma situação


líquida nula, pois os valores do Ativo cobrem tão somente o montante das obrigações, não
apresentando saldo positivo ou negativo.

Prazos no balanço patrimonial

Iudícibus e Marion (2000) esclarecem que em contabilidade Curto Prazo significa normalmente
o período de até um ano.

Para facilitar a interpretação e análise do Balanço existe uma preocupação constante em


estabelecer uma adequada distribuição de contas.

Duas regras básicas orientam a distribuição de contas no Balanço Patrimonial:

Prazo: em contabilidade CURTO PRAZO significa normalmente o período de até um ano.

Grau de Liquidez Decrescente: os itens de maior liquidez são classificados em primeiro plano.
Os de menor liquidez aparecem em último lugar. Por exemplo, entre três contas: Estoque,

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 59


Disponível e Duplicatas a Receber, o mais líquido é o disponível (1º lugar); em segundo lugar,
recebe-se mais rapidamente as duplicatas que os estoques (estes possuem uma liquidez mais
lenta – 3º lugar).

Assim, pode-se relacionar tudo aquilo que o empreendimento receberá no Curto Prazo (aquilo
que será transformado em dinheiro) confrontando com tudo aquilo que será pago no Curto
Prazo:

Como essas contas recebidas e pagas rapidamente se renovam constantemente (estão


sempre girando), foi dado o nome de Circulante (corrente), tanto para o Ativo quanto para o
Passivo.

O grupo seguinte seria o das contas que o empreendimento espera muito tempo para receber
(Ativo), confrontando com as contas que se demora muito para pagar (Passivo). Que são
denominados, a princípio, de LONGO PRAZO.

Caso o empreendimento tenha que esperar mais de um ano para receber, pode-se denominar
esse grupo de Realizável a Longo Prazo. E, por outro lado, se o período para pagar é superior
a um ano, denomina-se um Exigível a Longo Prazo. Assim, no Passivo existem compromissos
que se pagam relativamente rápido, (menos de um ano) e compromissos demorarão mais
de um ano para se pagar (exigível a longo prazo). E o terceiro grupo será o de contas que
não serão pagas enquanto o empreendimento estiver em atividade (IUDÍCIBUS E MARION,

60 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


2000). Esses autores complementam que é o caso do Patrimônio Líquido: enquanto a empresa
estiver em um processo de continuidade, não precisa pagar (não exigível) seus donos.

Iudícibus e Marion (2000) afirmam que no Ativo o que se recebe de forma mais rápida,
encontra-se em primeiro lugar (circulante) posteriormente, vem o que demorar mais tempo para
receber. Nesta sequência, em terceiro lugar vem o grupo dos itens que o empreendimento não
receberá, pois não estão à venda, mas destinados ao uso e à renda (permanente). Esses itens
permanecem muito tempo dentro do empreendimento, daí serem chamados de Permanente.

Fonte: Os autores

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 61


PRAZOS EM CONTABILIDADE RELACIONADOS AO AGRONEGÓCIO

Um dos questionamentos frequentes em relação à contabilidade aplicada ao agronegócio,


é quanto ao término do exercício social. Diferentemente do que ocorre com a maioria das
empresas ao fazerem o exercício social coincidir com o ano civil, esta prática não é adequada
para os empreendimentos rurais.

Segundo Marion (2005), as empresas comerciais, industriais ou de serviços, de maneira geral,


têm sua receita e despesa constantes durante os meses do ano, não havendo dificuldade
quanto a fixação do encerramento do exercício social para a apuração de resultado. Qualquer
mês escolhido refletirá o resultado distribuído de maneira quase uniforme no decorrer dos
últimos doze meses. Como dezembro é o último mês do ano civil e geralmente ocorre
interrupção ou redução das atividades por férias coletivas, propicia condições adequadas para
o inventário de mercadorias e consequente apuração de resultado.

Para Marion (2005) na atividade rural a concentração da receita normalmente ocorre durante
ou logo após a colheita. Devido a sua produção sazonal concentrada em determinado período,
muitas vezes em alguns dias do ano nada mais justo que após seu término, proceder em
seguida a apuração do resultado, tão importante para a tomada de decisão, sobretudo, a
respeito do que fazer no novo ano agrícola (ano agrícola é o período compreendido pela
plantação, colheita e normalmente a comercialização da safra agrícola).

Por outro lado, fazer a apuração dos resultados antes da colheita, com a cultura em formação,
seria quase impossível determinar com probidade o valor econômico dessa cultura.

Como exemplo, uma cultura de milho com 1 m de altura, há dois meses da colheita ou um
pomar de maçãs na floração.

Também na atividade pecuária o período adequado para encerramento do exercício social não
é o ano civil. O ideal é realizá-lo logo após o nascimento dos bezerros que, de maneira geral,

62 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


se concentra em determinado período do ano. Outro critério válido é fixá-lo com base no mês
em que se concentra a venda das vezes para o frigorífico.

Nas propriedades rurais em que há atividades diversificadas; agrícolas e pecuárias, o adequado


será adotar como término do exercício social o mês seguinte ao da ocorrência da colheita ou
receita pecuária de maior representatividade econômica para a propriedade.

Atividade Agrícola

Segundo Marion (2005), para a atividade agrícola, porém, a receita concentra-se normalmente
durante ou logo após a colheita. Portanto, ao término da colheita e, quase sempre da
comercialização dessa colheita, temos o encerramento do ano agrícola. O ano agrícola é
definido como o período em que se planta, colhe e normalmente se comercializa a safra
agrícola. Quando as empresas rurais armazenam a safra para obter melhor preço, consideram
o ano agrícola o término da colheita.

Para esse autor, não existe melhor momento para medir o resultado do período senão logo
após a colheita e sua respectiva comercialização. Não há lógica para esperar sete, oito meses
até o final do ano para mensurar o resultado da safra agrícola.

A apuração do resultado, quando realizada logo após a colheita e a comercialização, contribui


de forma mais adequada na avaliação do desempenho da safra agrícola.

Produtos agrícolas com colheitas em períodos diferentes

Para esse autor, há empresas que apresentam colheitas em períodos diferentes no ano devido
à diversidade de seus produtos. Para essas situações, recomenda-se que o ano agrícola seja
fixado em função da cultura que prevaleça economicamente.

Assim, se uma atividade tivesse cultura de milho, soja e cana-de-açúcar, simultaneamente,


por exemplo, o ano agrícola seria fixado com base na cultura de maior representatividade
econômica.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 63


Na atividade pecuária

Segundo Marion (2005), o período adequado para o encerramento do exercício social, assim
como da atividade agrícola, não é o ano civil. O ideal é realizá-lo logo após o nascimento dos
bezerros ou do desmame.

Para esse autor, há empresas que planejam lotes de nascimento para determinados períodos
do ano por meio de inseminação artificial ou a estação de monta, aceleração dos “cios” etc.

Havendo a ocorrência do nascimento de bezerros, a contabilidade por intermédio de relatórios


contábeis, informará os usuários sobre tal fato. Para tanto, há necessidade do encerramento
do exercício social e da confecção do balanço patrimonial.

Segundo Marion (2005), o raciocínio que se deve utilizar aqui é o mesmo utilizado para a
colheita agrícola. Nesse caso, o bezerro será o “fruto”, o produto final que valoriza o patrimônio
do empreendimento.

As empresas que não planejam períodos de nascimento terão dificuldades na fixação do mês
de encerramento, porque os nascimentos se espalham pelo ano inteiro. Mesmo assim, existirá
uma concentração de nascimento que determinará o mês de término do exercício social.

Exercício social e o imposto de renda

Segundo Marion (2005), com o advento da Lei nº 7.450/85, o Imposto de Renda tornou-se
obrigatório para todas as empresas, o exercício social coincidindo com o ano civil, ou seja,
de 01/01 a 31/12. Esta imposição veio trazer sérios prejuízos à contabilidade rural, já que este
setor, necessariamente, deveria ter seu exercício social coincidente com o ano agrícola para
melhor avaliar o desempenho do empreendimento.

Porém, para fins gerenciais nada impede que as empresas rurais mantenham períodos do ano
agrícola para melhor gestão de suas atividades.

64 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


FLUXO CONTÁBIL NA ATIVIDADE AGRÍCOLA

Culturas Temporárias

Segundo Marion (2005), no que tange à Contabilidade Agrícola, devemos considerar


basicamente o tipo de cultura existente, que de acordo com Marion (2005, p.38), “cultura
temporária ou cultura permanente (perene)”.

Para esse autor, as culturas temporárias são aquelas sujeitas ao replantio após a colheita.
Normalmente, o período de vida é curto, conhecido também como anual. E após a colheita são
arrancados do solo para que seja realizado novo plantio. Exemplos: milho, feijão, soja, batata,
legumes etc.

Esses produtos são contabilizados no Ativo Circulante como se fossem um “estoque em


andamento” em uma indústria. Desta forma, todos os custos serão acumulados em uma
subconta com o título específico da cultura em formação da conta “Culturas Temporárias”. São
exemplos de custos que compõem esta rubrica: sementes, fertilizantes, mudas, demarcações,
mão de obra, encargos sociais, combustível, seguro, inseticidas, depreciação de tratores e
outros.

Observe-se que em se tratando de uma única cultura, todos os custos se tornam diretos à
cultura, sendo apropriados diretamente. Todavia, existindo várias culturas, fato que ocorre com
maior frequência, há a necessidade do rateio dos custos indiretos, proporcionalmente a cada
cultura.

Custo x Despesa

Segundo Marion (2005), para facilitar a comunicação deste assunto, consideram-se custo de
cultura todos os gastos identificáveis direta ou indiretamente com a cultura (ou produto), como
sementes, adubos, mão de obra, combustível, depreciação de máquinas e equipamentos
utilizados na cultura, serviços agronômicos, topográficos etc.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 65


Para esse autor, como despesa do período entende-se todos os gastos não identificáveis
com a cultura, não sendo, portanto, acumulados nos estoque (culturas temporárias), mas
apropriados como despesa do período. São as despesas de venda (propaganda, comissão
dos vendedores etc.), despesas administrativas (honorários dos diretores, pessoal de escritório
etc.) e despesas financeiras (juros, correção monetária etc).

Todo o custo da colheita será acumulado na conta “Cultura Temporária” e após o término da
colheita, essa conta será baixada pelo seu valor de custo e transferida para uma nova conta,
denominada “Produtos agrícolas”, sendo especificado como subconta, o tipo de produto (soja,
milho, batata).

Embora não se assemelhe a um estoque em formação, mas a um estoque acabado, recolhido


ao depósito ou ao armazém, essa conta também compõe o Ativo Circulante.

Para o autor, a essa conta, “produtos agrícolas”, são somados todos os custos posteriores
à colheita (para acabamento do produto ou para deixá-lo em condições de ser vendido,
consumido ou reaplicado, tais como beneficiamento, acondicionamento etc.) e todos os custos
para manutenção desse estoque: silagem, congelamento etc.

Segundo Marion (2005), à medida que a produção agrícola for vendida, dá-se proporcionalmente
baixa na conta “Produtos Agrícolas”, e transfere-se o valor de custo para a conta “Custo do
Produto Vendido” (resultado), especificando-se o tipo de produto agrícola vendido (trigo, soja,
tomate etc.). Dessa forma, haverá o confronto entre a Receita e o Custo do Produto vendido,
podendo-se apurar o Lucro bruto.

Custo de armazenagem

De acordo com Marion (2005), quando o produto agrícola estiver pronto para venda, totalmen-
te acabado, não devendo sofrer mais nenhuma alteração, é comum, em alguns casos, armaze-
ná-lo no sentido de vendê-lo em momento oportuno, esperando-se o preço oscilar para cima.

66 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Estes gastos são normalmente tratados como Despesa de Vendas, no grupo Despesa
Operacional, e não Custo do Produto. Dessa forma, são considerados custo do período e não
do produto.

Para esse autor, todavia, considerando que o produto agrícola pode ficar em estoque para
vendas futuras (especulações), algumas vezes ultrapassando um ano, há quem prefira
contabilizar o gasto de armazenamento acumulando no custo (estoque), identificando melhor
o custo do produto no momento da venda.

Culturas permanentes

De acordo com Marion (2005), são aquelas que permanecem vinculadas ao solo e proporcionam
mais de uma colheita ou produção. Normalmente, atribui-se às culturas permanentes uma
duração mínima de quatro anos. Porém, entendemos que basta apenas a cultura durar
mais de um ano e propiciar mais de uma colheita para ser permanente. São exemplos: a
cultura da cana-de-açúcar, a cultura da citricultura, da cafeicultura, da silvicultura, oleicultura,
praticamente todas as frutas arbóreas (maçã, pera, jaca, jabuticaba, goiaba, uva...).

Segundo Marion (2005), os custos necessários para a formação da cultura serão considerados
Ativo Permanente – Imobilizado. Os principais custos são: adubação, formicidas, forragem,
fungicida, herbicidas, mão de obra, encargos sociais, manutenção, arrendamento de
equipamentos e terras, seguro da cultura, preparo do solo, serviços de terceiros, sementes,
mudas, irrigação, produtos químicos, depreciação de equipamentos utilizados na cultura etc.

Para esse autor, vale ressaltar que as despesas administrativas de vendas e financeiras não
compõem o gasto de formação da cultura, mas são apropriadas diretamente como “despesa
do período” e não são, portanto, ativadas. Os custos para formação da cultura são acumulados
na conta “Cultura Permanente em Formação” da mesma forma como acontece com a conta
“Imobilização em andamento” ou em curso em uma indústria.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 67


Dentro da conta “Cultura Permanente em Formação” há subcontas que indicam especificamente
o tipo de cultura: café, pastagem, reflorestamento (araucária, eucaliptos...), guaraná, seringueira
etc.

De acordo com Marion (2005), após a formação da cultura, que pode levar vários anos (antes
do primeiro ciclo de produção ou maturidade, ou antes, da primeira florada, ou da primeira
produção), transfere-se o valor acumulado da conta “Cultura Permanente em Formação” para
a conta “Cultura Permanente Formada”, identificando-se uma subconta por tipo de cultura
específica.

Segundo Marion (2005), comparando-se tal fato com uma indústria que constrói máquinas
para seu próprio uso, estaríamos no estágio em que a máquina está pronta para produzir. Daí
por diante, na fase produtiva, os custos já não compõem o imobilizado, mas são tratados como
estoque em formação e são acumulados ao produto que está sendo formado.

Há caso em que a cultura permanente não passa do estágio de cultura em formação para
cultura formada, pois no momento de se considerar acabada ela é ceifada.

Exemplos: cana-de-açúcar, palmito, eucalipto, pinho e outras.

Colheita ou produção (da cultura permanente)

De acordo com Marion (2005), a partir deste momento a preocupação é com a primeira colheita
ou primeira produção, com sua contabilização e apuração do custo.

A colheita caracteriza-se, portanto, como um estoque em andamento, uma produção em


formação, destinada à venda. Daí sua classificação no Ativo Circulante. Como o ciclo de
floração, formação e maturação do produto normalmente é longo, pode-se criar uma conta de
“colheita em andamento”, sempre identificando o tipo de produto que vai ser colhido.

Para esse autor, essa conta é composta de todos os custos necessários para a realização da

68 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


colheita: mão de obra e respectivos encargos sociais (poda, capina, aplicação de herbicida,
desbrota, raleação), produtos químicos (para manutenção da árvore, das flores, dos frutos),
custo do combate às formigas e outros insetos, seguro da safra, secagem da colheita, serviços
de terceiros etc.

Adiciona-se ao custo da colheita a depreciação (ou exaustão) da “cultura Permanente Formada”,


sendo considerada as quotas anuais compatíveis com o tempo de vida útil de cada cultura. A
Depreciação/Exaustão, normalmente, é o principal item do cálculo do custo da colheita.

Se durante a colheita ou qualquer momento forem aplicados recursos à cultura permanente para
melhorar a produtividade ao longo dos anos ou aumentar a vida útil da cultura, evidentemente
não se deve sobrecarregar a safra do ano, mas o imobilizado, e este ativo será diluído às
safras por meio da depreciação (ou exaustão).

Segundo Marion (2005), após o término da colheita transfere-se o total acumulado de “colheita
em andamento” para “ Produtos Agrícolas”. Nessa conta são acumulados, se houver, custos
de beneficiamentos, de acondicionamentos (embalagens), de silagem etc.

À medida que a produção agrícola é vendida, dá-se proporcionalmente baixa na conta


“Produtos Agrícolas” e transfere-se o valor do custo para conta “Custo do Produto Vendido”
(resultado do exercício). Desta forma, haverá o confronto entre a Receita e o Custo do Produto
Vendido, podendo-se apurar o Lucro Bruto.

NOVOS PROJETOS AGROPECUÁRIOS E OS GASTOS DE MELHORIAS

Gastos pré-operacionais

As culturas permanentes, normalmente, têm um período de formação e crescimento, período


pré-operacional relativamente longo. Nesse período, caso não haja outra receita operacional,
não haverá apuração do resultado.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 69


No período pré-operacional, os gastos não identificados diretamente com a cultura, como
despesas com propagandas administrativas; financeiras, despesas com pesquisas e outras
deveriam ser acumuladas em uma conta denominada de “Gastos pré-operacionais” no Ativo
Permanente – Diferido. Esta, por sua vez, sofria a amortização proporcional às quantidades de
colheitas previstas para aquela cultura.

Entretanto, com as adequações às normas internacionais de contabilidade estes gastos


passaram a ser considerados diretamente como despesas operacionais no resultado do
exercício em virtude de não atender ao conceito de Ativo, mas sim ao de despesa. A exceção
é a possibilidade desses gastos serem integrados a um Ativo Imobilizado, corforme reza o
Pronunciamento Técnico CPC 27 – Ativo Imobilizado.

Melhorias

Segundo Marion (2005), os gastos para tornar a terra agricultável, como destocamento,
desmatamento, terraplanagem, desvios de leitos de rios ou córregos para irrigação,
nivelamento do solo etc., têm recebido dois tratamentos. Uns os tratam como valorização da
terra e, portanto, os adicionam ao valor da terra. Outros os consideram como custo ativado,
amortizando-os em vários períodos.

Para esse autor, os que seguem esta classificação, tais gastos deverão ser ativados no Ativo
Diferido, subconta “melhorias”, sendo esse termo definido como incremento na capacidade
produtiva, que envolve reforma significativa no Ativo da propriedade do empreendimento,
havendo alterações técnicas e de produtividade naquele ativo. A apropriação desses gastos
como custo do período denomina-se amortização que é realizada no período mínimo de cinco
anos e no prazo máximo de dez anos.

Os corretivos aplicados ao solo, ao beneficiarem vários períodos, também serão classificados


no Ativo Diferido, subconta “corretivos” e serão amortizados de acordo com a quantidade de
períodos ou número de culturas que irão beneficiar.

70 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Origens e aplicações

No desempenho de suas atividades, as pessoas jurídicas podem contar com recursos


provenientes de duas origens ou fontes:
1. Recursos próprios: (capital dos sócios + lucro) = (patrimônio líquido).

2. Recursos de terceiros: (fornecedores, instituições financeiras, governo) = (passível exigí-


vel).

De acordo com Iudícibus e Marion (2000, p.35), “o lado do Passivo, tanto Capital de Terceiros
(Passível Exigível) como Capital Próprio (Patrimônio Líquido), representa toda a fonte de
recursos, toda a origem de capital. Nenhum recurso entra na empresa se não for via Passivo
ou Patrimônio Líquido”.

Os resultados positivos apurados nas atividades empresariais também representam recursos


próprios, uma vez que não correspondem às obrigações (lucro). Portanto, são recursos
próprios os decorrentes de receitas, lucros e ganhos obtidos pela sociedade em transações
com terceiros, tais como os rendimentos auferidos com aplicações financeiras, aluguéis de
imóveis próprios, lucro na venda de mercadorias, produtos e serviços.

Iudícibus e Marion (2000) relatam que o lado do Ativo é caracterizado pela aplicação dos
recursos originados no Passivo e Patrimônio Líquido. Assim sendo, o lado do ativo deve ser
igual a do passivo, ou origens igual às aplicações.

O ativo representa as aplicações ou usos dos recursos obtidos. A análise do passivo exigível
e do patrimônio líquido possibilita a identificação das origens ou fontes. Já a análise do ativo
torna possível saber de que maneira os recursos obtidos estão sendo utilizados. Os recursos
podem estar aplicados em estoques de mercadorias, bens de uso, disponibilidades financeiras,
contas a receber etc. Desta forma, a pessoa jurídica obtém capital próprio e capital de terceiros
e os aplica nos bens e direitos que constituem o ativo.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 71


Iudícibus e Marion (2000), descrevem que um dos aspectos importantes do passivo é avaliar
a estrutura do capital: capital de terceiros e o capital próprio. Quanto maior for o capital de
terceiros, mais o empreendimento estará endividado e ao analisar este item pode-se avaliar
e pode-se detectar ainda, para quem se deve, qual o prazo (circulante ou longo prazo) desta
dívida e o custo da mesma.

Balanço patrimonial: grupo de contas

De acordo com o quadro anterior, o balanço patrimonial possui algumas divisões, em relação
a prazos e natureza das contas. O objetivo agora é realizar uma explanação a respeito das
principais contas que compõe cada um desses grupos.

Estrutura patrimonial

Enquanto vigorou a lei 6.404/76, que regulamentava as Sociedades por Ações, aplicável às
demais sociedades, a estrutura patrimonial era dividida da seguinte forma:

Em 2007, com a publicação da lei 11.638/07, que se converteu na lei 11.941/09, com a criação
do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), a contabilidade brasileira vem sofrendo
uma grande evolução, com objetivo de convergir suas normas às Normas Internacionais de
Contabilidade, emitidas pelo International Accounting Standards (IASB).

72 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Dessa forma, a nova estrutura patrimonial das entidades ficou definida conforme a seguir:

Ativo

No ativo estão representadas as contas em que se registram os bens e os direitos do


empreendimento.

De acordo com a lei das Sociedades por Ações (Lei 6404/76), no Ativo as contas devem ser
dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nela registrados.

O Ativo é dividido em:


• Ativo Circulante.

• Ativo Não Circulante.

Ativo Circulante: Serão classificados aqui todos os bens e direitos já convertidos em dinheiro
ou que se transformarão em dinheiro até o término do exercício seguinte.

Os valores numerários disponíveis em caixa e os valores em estabelecimentos bancários com


direito a imediata utilização.

Créditos a receber decorrentes de vendas a prazo e outras operações a prazo realizadas


pela empresa. Os valores correspondentes a títulos a receber, adiantamentos, impostos a
recuperar e outros direitos a receber a curto prazo.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 73


Os estoques, mercadorias adquiridas para revenda e demais itens adquiridos para o
almoxarifado. Nas empresas industriais, teríamos também o estoque de matérias-primas,
estoque de produtos em elaboração e estoque de produtos acabados.

Caixa: destina-se a registrar as entradas e saídas de numerário, bem como cheques em mãos,
recebidos e ainda não depositados, pagáveis irrestrita e imediatamente.

Bancos Conta Movimento: destina-se a registrar as entradas e saídas de numerários,


cheques depósitos, avisos de crédito e de débito relativos às operações do empreendimento.

Aplicações Financeiras de Curto Prazo: destina-se a registrar os valores aplicados pela


empresa junto às instituições financeiras.

Clientes ou Duplicatas a Receber de Clientes: destina-se a registrar as vendas a prazo


relativas às atividades do empreendimento.

Estoques: representam ativos (insumos) adquiridos, em processo de elaboração e de produtos


disponíveis para venda de acordo com a atividade-fim do empreendimento. Geralmente, estão
subdivididos em:
• Estoques de Matérias-primas.

• Estoques de Produtos em Elaboração.

• Estoques de Produtos Acabados.

• Estoques de Materiais Diversos.

ICMS a Recuperar: destina-se a registrar os valores dos créditos relativos ao ICMS


constante nas notas fiscais de entrada (compra) de insumos relacionados com a atividade do
empreendimento.

74 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


ATIVO NÃO CIRCULANTE: neste grupo são contempladas contas de natureza similar ao Ativo
Circulante (com exceção absoluta do grupo “Disponibilidades”), mas que serão realizadas após
o término do exercício seguinte, ou em um prazo superior a um ano. Além destas, contempla o
Ativo Fixo (Investimentos, Imobilizado e Intangível). Portanto, está dividido em dois subgrupos:
o “Realizável a Longo Prazo” e o “Permanente”.

REALIZÁVEL A LONGO PRAZO: são classificáveis no Realizável a Longo Prazo as contas


da mesma natureza que as do Ativo Circulante, que tenham a sua realização certa ou provável
após o término do exercício seguinte (após 360 dias), bem como os créditos de coligadas
ou controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro originados de transações não
usuais ao objeto da companhia, estas transações podem ser decorrentes de:

ICMS a Recuperar: destina-se a registrar os valores dos créditos relativos ao ICMS


constante nas notas fiscais de entrada (compra) de insumos relacionados com a atividade do
empreendimento que serão, no entanto, recuperadas após 360 dias.

Empréstimos ou adiantamentos: pode ser aos diretores, acionistas ou outros participantes


no lucro, o qual o empreendimento receberá após 360 dias.

Clientes ou Duplicatas a Receber de Clientes: destina-se a registrar as vendas a prazo,


relativas às atividades do empreendimento, o qual o recebimento se dará após 360 dias.

ATIVO PERMANENTE: serão registrados neste grupo os bens e direitos de caráter permanente
na empresa, ou seja, aqueles que o empreendimento não tem interesse de negociar e que são
utilizados em processo operacional de geração de caixa.

Investimentos: a característica principal deste subgrupo do Ativo é a condição de permanente,


ou seja, não se trata de uma aplicação de recurso de forma temporária ou especulativa, portanto
não classificável como realizável, ainda que não se destine à manutenção do empreendimento.
Podem ser:

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 75


• Participações permanentes em outras empresas.

• Aquisição de imóveis, desde que não sejam para revenda ou destinados à manutenção das
atividades do empreendimento.

• Obras de arte.

Imobilizado: constituem Ativos Imobilizados os bens e direitos de natureza permanente,


destinados à manutenção das atividades do empreendimento que incluem:

Integram ainda o imobilizado os recursos já aplicados em bens de natureza anteriormente


citados, mesmo que ainda não estejam em operação, mas que se destinam a essa finalidade
como, por exemplo, construções em andamento, importações em andamento etc., e os
bens de caráter permanente, não destinados ao uso nas operações e que poderão vir a ser
utilizados em futuras expansões, como pode acontecer com terrenos, por exemplo, enquanto

76 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


não for definida sua destinação deverão ser classificados como investimentos. A transferência
para o imobilizado dar-se-á quando for definida a sua utilização e iniciada a fase de expansão.

Intangível: este grupo possui o registro de bens incorpóreos (não palpáveis), ativos não
monetários. São três pontos fundamentais para se classificar um ativo como intangível: a)
identificação; b) controle; e c) geração de benefícios. Este grupo foi criado pela recente reforma
na lei das Sociedades por Ações, e é o reconhecimento do chamado fundo de comércio
(goodwill), do capital humano entre outros.

Passivo

O Passivo de um empreendimento consiste em obrigações pagáveis em dinheiro, mercadorias


ou serviços. Essas obrigações são geralmente provenientes da aquisição de um Ativo, da
prestação de um serviço, ou então, surgem de um prejuízo ou despesas incorridos pela
empresa.

No Balanço, os elementos do Passivo deverão ser, preferencialmente, validados de acordo


com os seguintes critérios:
a) Obrigações, encargos e riscos conhecidos ou calculáveis, inclusive o Imposto de Renda a
pagar com base no resultado do exercício, serão computados pelo valor atualizado até a
data do balanço.

b) Obrigações em moedas estrangeiras, com cláusula de paridade cambial, serão convertidas


em moeda nacional à taxa de câmbio em vigor na data do balanço.

c) Obrigações sujeitas à correção monetária serão atualizadas até a data do balanço, de


acordo com o índice de atualização respectivos.

O Passivo é dividido em:


• Passivo Circulante.

• Passivo Não Circulante.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 77


• Patrimônio Líquido.

Passivo circulante: neste grupo são escrituradas as obrigações do empreendimento, inclusive


financiamento para aquisição de direitos do ativo permanente, quando venceram no exercício
seguinte ao do levantamento do Balanço.

No Passivo Circulante encontraremos as seguintes principais contas:

Empréstimos e Financiamentos: destina-se a registrar os valores emprestados de instituições


financeiras, tais como contas garantidas, cheques especiais, e empréstimos em geral.

Salários e Ordenados a Pagar: representa os valores relativos aos salários devidos pela
empresa aos seus funcionários quando o empreendimento não efetua o pagamento dentro do
próprio mês.

ICMS a Recolher: representa os valores relativos às obrigações do empreendimento com o


Governo Estadual no que se refere às vendas efetuadas com incidência desse imposto.

Fornecedores: destina-se a registrar as aquisições de matérias-primas, ativo permanente,


uso e consumo, serviços adquiridos para pagamentos a prazo.

PASSIVO NÃO CIRCULANTE: neste grupo são escrituradas as obrigações do empreendimento,


inclusive financiamento para aquisição de direitos do ativo permanente, que vencerão após o
término do exercício seguinte ao do levantamento do Balanço.

Passivo Exigível a Longo Prazo: neste grupo são escrituradas as obrigações do


empreendimento vencíveis após o exercício seguinte, inclusive financiamentos para a aquisição
de direitos do ativo permanente.

É formado pelos seguintes subgrupos:


• Empréstimos e Financiamentos.

78 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


• Provisão para Imposto de Renda.

• Fornecedores.

• Provisão para Riscos Fiscais e Outros Passivos Contingentes.

Patrimônio líquido

O Patrimônio Líquido é representado basicamente pelos recursos colocados na empresa, na


forma de capital, pelos acionistas ou quotistas e pelos lucros que o empreendimento tiver
apurado das suas atividades e que não tenham sido retirados como dividendos pelos acionistas
ou quotistas.

A conta Capital compreenderá o valor dos recursos investidos pelos proprietários na


empresa, e será modificado somente quando houver alteração do contrato social, decisão em
assembleias, dependendo do tipo de sociedade.

Na conta Lucros ou Prejuízos Acumulados estarão classificados os resultados acumulados


decorrentes das atividades do empreendimento em períodos anteriores, sejam lucros ou
prejuízos. Também serão classificados neste subgrupo os resultados obtidos pelas empresas
durante o período.

CONTAS DEDUTIVAS, REDUTORAS OU RETIFICADORAS

São contas que são assim denominadas por serem de naturezas inversas aos grupos aos
quais pertencem.

As principais contas redutoras de ativo são:

Provisão para devedores duvidosos: destina-se a registrar os valores relativos às possíveis


perdas no recebimento de títulos.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 79


Duplicatas descontadas: utilizada para registrar os valores que são entregues às instituições
financeiras nas operações de desconto de recebíveis para captação de recursos para capital
de giro.

Depreciação acumulada: registra por meio de metodologia própria a perda do valor dos itens
do ativo imobilizado por uso desgaste ou obsolescência (ver unidade IV).

E a principal conta redutora do patrimônio líquido é:

Prejuízos acumulados: resgistra o resultado negativo de um perído de avaliação das receitas


versus as despesas de um empreendimento. Para que o resultado da avaliação seja prejuízo,
as despesas foram maiores que as despesas no mesmo período.

Exemplos:

No Ativo Circulante ou Realizável a Longo Prazo:

Ativo Permanente, Imobilizado:

Patrimônio Líquido:

80 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Fonte: Os autores

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 81


Balanço patrimonial: plano de contas simplificado

82 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Balanços sucessivos

Segundo Silva (2002, p. 85), “a Contabilidade por Balanços Sucessivos é bastante simples: a
cada operação realizada pela empresa faz-se a alteração em um novo balanço”.

Diante disso, basta averiguar se as modificações evidenciadas no balanço estão corretas ou


não, observando:
• Se o total do lado Ativo é igual ao total do lado Passivo + Patrimônio Líquido.

• Se o valor da operação inserido no balanço no lado do Ativo é igual ao do lado do Passivo


+ PL.

• Se a contrapartida de um aumento do lado Ativo foi evidenciada no lado Passivo ou dimi-


nuída do próprio lado do Ativo (no caso de operações permutativas do ativo e passivo).

Silva argumenta que a contabilidade por balanços sucessivos, embora seja correta e facilite a
visualização do processo contábil, apresenta uma inconveniência no seu aspecto prático: não
é recomendável quando o empreendimento realiza muitas operações (que é o caso de quase
todas as empresas). Imaginemos um empreendimento com mil operações diárias: teríamos
que fazer mil balanços sucessivos, o que seria impraticável. Dessa forma, sem perder de vista
esta metodologia, utiliza-se outro processo mais rápido e prático: o controle individual por
contas, registrando-se aumentos e diminuições em cada conta isoladamente. Ao final de um
período determinado, relacionam-se todas as contas, de forma resumida e ordenada, e chega-
-se ao Balanço Patrimonial.

Segundo Favero et al. (1997, p. 71), “o Balanço Patrimonial nada mais é do que o inventário de
todos os bens, direitos e obrigações em determinado momento”.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 83


Para o autor, com a evolução do comércio e dos negócios, há necessidade permanente de
se ter em mãos informações sobre a situação econômico-financeira do empreendimento. Por
isso é que existem, hoje, sistemas complexos para obtenção dessas informações, procurando
registrar as variações ocorridas no patrimônio, visto que não seria viável a cada mês, semana
ou mesmo diariamente efetuar um inventário de todos os bens, direitos e obrigações do
empreendimento.

No entanto, trata-se de um poderosa ferramente de aprendizagem na Contabilidade, tendo


em vista sua facilidade de visualização dos acontecimentos ocorridos no balanço patrimonial.

Apresentação da metodologia

1. Os sócios A e B integralizaram em dinheiro em sua empresa recém-aberta o valor de


R$10.000 cada, que foi depositado diretamente na conta corrente bancária da empresa.

O Balanço ficaria assim:

84 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


2. Compra a prazo de sementes e abudos para o plantio no valor de R$ 7.000, pagamento
para 30 dias.

Fica o novo balanço da seguinte forma:

Estoques Matéria
Prima

3. Aquisição de um trator para uso na empresa pelo valor de R$ 50.000, financiado pelo Banco.

O Balanço Patrimonial após a contabilização dessa operação apresenta-se da seguinte forma:

Estoques Matéria Prima

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 85


4. Aquisição a prazo de materiais diversos (ferramentas e lubrificantes) no valor de R$ 1.000,00.
O pagamento à vista.

Nosso balanço patrimonial, após esta operação, fica estruturada da seguinte forma.

Como mencionamos anteriormente, o objetivo da metodologia dos balanços sucessivos é


demonstrar como se forma o balanço patrimonial de uma empresa, visto que cada evento, ou
fato administrativo, altera a posição dos elementos da estrutura patrimonial.

Observe que os eventos apresentados neste exemplo não se referiam às operações que
influenciam o resultado da empresa, ou seja, que venham a trazer lucro ou prejuízo. Ao
estudarmos a Demonstração do Resultado do Exercício trataremos destas operações.

86 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


DRE – DEMONSTRATIVO DE RESULTADO DO
Fonte: PHOTOS.COM EXERCÍCIO

Aspectos conceituais

Também denominada Demonstração da Dinâmica Patrimonial,


a Demonstração do Resultado do Exercício evidencia, de
uma forma estruturada, os componentes que provocaram a
alteração na situação líquida patrimonial (patrimônio líquido) em
determinado período. Ela é elaborada seguindo o princípio de
confrontação das receitas com as despesas. Como o próprio
nome diz, este relatório evidencia (demonstra) o resultado (lucro ou prejuízo) que a empresa
obteve em um determinado período (ano, semestre, bimestre, mês). Por isso, trata-se da
demonstração que evidencia o lucro ou prejuízo da entidade em questão de um determinado
período. Se as despesas forem maior que as receitas, o resultado será prejuízo. Contrariamente,
se as receitas forem maior que as despesas, o resultado será lucro no período.

Segundo Iudícibus et al. (2009), a apresentação da DRE é de forma dedutiva (vertical), ou seja,
das receitas subtraem-se as despesas até que seja encontrado o lucro ou prejuízo.

Receitas

Segundo Ferrari (2001), receita representa a entrada de recursos para o Ativo, sob forma
de dinheiro, direitos a receber e outros. Entre outras formas, tem origem nas vendas de
mercadorias (empresa comercial), de produtos (empresa industrial) ou serviços (empresa
prestadora de serviços). São entradas de elementos para o ativo do empreendimento, na

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 87


forma de bens ou direitos que sempre provocam um aumento da situação líquida.

Na atividade rural, as receitas correspondem ao valor obtido com a venda da produção e


a exploração das atividades desenvolvidas pelos estabelecimentos, tais como: venda de
produtos vegetais, de flores, plantas ornamentais e gramas, de animais e produtos de origem
animal, de rãs e peixes, produtos transformados nos estabelecimentos (indústria rural),
serviços industriais ou outros serviços prestados a terceiros, exploração mineral, venda de
máquinas, veículos e implementos e outras receitas.

Custos

Gastos com o consumo de um fator de produção, medido em termos monetários para obtenção
de um produto, de um serviço, ou de uma atividade que deverá gerar receitas. São considerados
custos a remuneração dos fatores de produção (mão de obra, capital, máquinas, instalações,
materiais e serviços) utilizados na preparação e execução de um processo produtivo.

Os custos de produção estão subdivididos, contabilmente, em três categorias:


• Matéria-prima.

• Mão de obra direta.

• Custos indiretos de produção.

Devido à grande importância dos custos na apuração do resultado de uma empresa, pois
este influencia o preço de venda, assim como a complexidade no seu rateio aos produtos
desenvolvidos, vamos aprofundar um pouco mais neste assunto em uma unidade específica.

Despesas

Ferrari (2001, p. 86) conceitua despesas como “variações negativas do patrimônio líquido.
Entre outras formas, tem origem no consumo de bens e na utilização de serviços. Visam, direta
ou indiretamente, à obtenção de receitas”.

88 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Favero et al. (1997, p. 95) descrevem que “despesa representa os sacrifícios de recursos com
que a entidade se vê obrigada a arcar para a obtenção da receita”. Exemplificando: para que
um empreendimento possa comercializar certo produto, vários “esforços” financeiros ocorrem
para colocar esse produto em condições de comercialização. São efetuados gastos com a
aquisição das mercadorias, transporte, estocagem, mão de obra etc., representam os sacrifícios
financeiros efetuados para que o empreendimento possa obter a receita da comercialização
das mercadorias. O autor lembra que nunca é tarde lembrar que em condições normais esse
sacrifício não deve superar os benefícios esperados, pois nesse caso não valeria a pena tal
esforço, ou seja, as despesas seriam superiores às receitas e conclusivamente o resultado
seria prejuízo (FAVERO et al., 1997).

A ocorrência de uma despesa se dá quando se consomem ou utilizam bens e serviços


no processo de se obter receitas. A contabilidade reconhece a despesa por meio de sua
contabilização em contas de natureza específica, aqui denominadas de contas de resultado
ou diferenciais.

As despesas representarão:
• Uma diminuição do Ativo, sem alterações dos valores do passivo, quando forem pagas à
vista.

• Um aumento do Passivo, sem alterações dos valores do Ativo, quando forem para paga-
mentos posteriores.

• Uma diminuição do Ativo sem alterações no Passivo, quando forem resultantes de gastos
diferidos apropriados no período, sem função de sua realização.

• Uma diminuição do Ativo sem alterações no Passivo, quando forem resultantes de depre-
ciação, exaustão, amortização etc.

É importante lembrar que nas colocações acima está implícita a ocorrência do consumo. Pois
caso não haja o consumo, a simples compra de materiais para o almoxarifado, tanto à vista
como a prazo, não pode ser caracterizada como despesa. Necessário se torna a ocorrência

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 89


do consumo, que é o fato gerador da despesa para caracterizar sua ocorrência (FAVERO et
al., 1997).

Dentro do contexto de um empreendimento que produz ou fabrica produtos, despesa é o valor


dos insumos não identificados com a produção e que são consumidos para o funcionamento
do empreendimento, isto é, refere-se às atividades não produtivas do empreendimento,
geralmente sendo separadas em Administrativa, Comercial e Financeira. Portanto, as despesas
são diferenciadas dos custos pelo fato de estarem relacionadas com a administração geral do
empreendimento, ao passo que os custos estão ligados com a fábrica e a produção.

Fonte: Silvio de Castro


Segregação entre gastos, despesas e custos

Para o levantamento do Balanço Patrimonial as contas de resultado são encerradas debitando-


se uma a uma as contas de receitas (natureza credora) e creditando-se uma a uma as contas
de custos/despesas (natureza devedora), pelo valor de seus respectivos saldos, tendo como
contrapartida, em ambos os casos, uma conta transitória que denominamos “RESULTADO DO
EXERCÍCIO”, que está evidenciada no Balanço Patrimonial, no grupo do Patrimônio Líquido.

Do resultado são retirados os valores referentes à provisão para imposto e às participações de


debenturistas, empregados, empregadores e partes beneficiárias nos lucros para finalmente,
esta conta ser encerrada mediante à transferência de seu saldo para os lucros ou prejuízos
acumulados.

90 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


A Demonstração do Resultado do Exercício é, tão somente, a estruturação, ordenação da
movimentação desta conta que transitoriamente recebe todas as receitas custos/despesas.

Objetivo

O objetivo da DRE é fornecer aos usuários das demonstrações financeiras do empreendimento


os dados básicos e essenciais da formação do resultado do exercício (lucro ou prejuízo).

Obrigatoriedade

É uma demonstração obrigatória, conforme determina o art. 175 da Lei n.º 6.404/76.

Conteúdo

A Lei atual define o conteúdo da Demonstração do Resultado do Exercício, que deverá ser
apresentado na forma dedutiva, com os detalhes necessários das receitas, despesas, ganhos
e perdas e definindo claramente o lucro ou prejuízo líquido do exercício, e por ação, sem
confundir-se com a conta de Lucros Acumulados, onde é feita a distribuição ou alocação do
resultado. O art. 187 da Lei das S.A. determina:

A demonstração do resultado do exercício discriminará:


I - a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e
os impostos;
II - a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos
e o lucro bruto;
III - as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as
despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais;
IV - o lucro ou prejuízo operacional, as receitas e despesas não operacionais e o saldo
da conta de correção monetária (art. 185, § 3o.);
V - o resultado do exercício antes do Imposto sobre Renda e a provisão para o imposto;
VI - as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias,
e as contribuições para instituições ou fundos de assistência ou previdência de
empregados, que não se caracterizam como despesa;

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 91


VII - o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social.
§ 1o. Na determinação do resultado do exercício serão computados:
a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua
realização em moeda; e
b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes
a essas receitas e rendimentos.
§ 1o. O aumento do valor de elementos do ativo em virtude de novas avaliações,
registrado como reserva de reavaliação (art. 181, § 3o.), somente depois de realizado
poderá ser computado como lucro para efeito de distribuição de dividendos ou
participações.”

Forma de preparação do DRE

As receitas e as despesas são apropriadas ao período pelo regime de competência, ou seja,


em função de sua incorrência e da vinculação da despesa à receita, independentemente
dos seus reflexos no caixa. A Lei das S.A. não admite exceções. Algumas praticadas hoje
decorrem de legislações normalmente fiscais, ainda divergentes da lei societária.

Resumidamente, a Demonstração pode ser descrita da seguinte forma:


a) é iniciada com o valor total da receita apurada nas suas operações de vendas, da qual é
deduzido o custo total correspondente a essas vendas, apurando-se a margem bruta, ou
seja, o lucro bruto;

b) são, então, apresentadas as despesas operacionais segregadas por subtotais, conforme


sua natureza;

c) deduzindo-se as despesas operacionais totais do lucro bruto, apresenta-se o lucro opera-


cional;

d) após o lucro operacional, apresenta-se as receitas e despesas não operacionais;

e) apura-se, então, o resultado antes do imposto de renda;

f) deduz-se a provisão para o imposto de renda e, em seguida, as participações de terceiros


não acionistas, calculáveis sobre o lucro;

g) chega-se assim, ao lucro líquido do exercício que é o valor final da demonstração.

92 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


A lei exige, ainda, a apresentação do montante do lucro por ação, no caso de Sociedades
Anônimas.

Como é uma demonstração de resultados, a sua estrutura vai evidenciar os diversos


“resultados” que a empresa foi auferindo na exploração da sua atividade. Vide exemplo abaixo:

RECEITA BRUTA
(–) Deduções

(=) RECEITA LÍQUIDA

(–) Custos dos produtos vendidos

(=) LUCRO BRUTO

(–) Despesas do período

(=) LUCRO OPERACIONAL

(–) Perdas

(=) LUCRO ANTES DA DISTRIBUIÇÃO

(–) Impostos e Participação dos Empregados

(=) LUCRO LÍQUIDO

(–) Dividendos

(=) LUCRO RETIDO PELA EMPRESA

Fica claro, nesta estrutura simples, as informações de como a receita foi sendo “consumida”
pelos diversos gastos e distribuições, os resultados após estas deduções e o que restou para
sócios e a própria empresa.

Esta riqueza de detalhamento é que propicia o número de informações necessárias para a


tomada de decisão, que é o propósito fundamental da contabilidade.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 93


Forma de apresentação

O resultado é subdividido em alguns tópicos como: lucro bruto, lucro operacional, resultados
não operacionais, impostos e participações sobre o lucro e resultado líquido.

Abaixo, são apresentados os títulos dos grupos de contas e demais itens que compõem a
DRE:

I. RECEITA BRUTA DE VENDAS


a. De mercadorias.

b. De serviços.

II. DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA


a. Impostos s/ vendas.

b. Devoluções.

c. Abatimentos incondicionais concedidos.

III. RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS

IV. CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS E DOS SERVIÇOS PRESTADOS

V. RESULTADO OPERACIONAL BRUTO

VI. DESPESAS OPERACIONAIS


a. De vendas.

b. Administrativas.

c. Encargos financeiros líquidos.

d. Outras receitas e despesas operacionais.

94 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


VII. LUCRO OPERACIONAL

VIII. RESULTADOS NÃO OPERACIONAIS


a. Ganhos não operacionais

b. Perdas não operacionais

IX. RESULTADO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA

X. PROVISÃO PARA O IMPOSTO SOBRE A RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL

XI. PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES

XII. LUCRO (PREJUÍZO) LÍQUIDO DO EXERCÍCIO

XIII. LUCRO (PREJUÍZO) POR AÇÃO

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 95


Exemplo:

96 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Comentários sobre os itens que compõem a DRE

Receita Operacional Bruta

A Receita Operacional Bruta do empreendimento é constituída pelo valor bruto faturado. O


faturamento representa o ingresso bruto de recursos externos provenientes das operações
normais de venda a prazo ou à vista no mercado nacional e exterior de produtos, mercadorias
ou serviços. Outras receitas de caráter operacional secundário devem figurar após o Lucro
Bruto.

É interessante notar que a legislação tributária define a Receita Bruta como vendas faturadas
menos impostos diretos não cumulativos, como o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados),
que, portanto, não se inclui entre os impostos incidentes sobre vendas. Assim, a Receita Bruta
é dada pelas vendas faturadas menos esses impostos, enquanto a Receita Líquida é dada pela
Receita Bruta menos as deduções de abatimentos e devolução, menos os impostos incidentes
sobre vendas, como ICMS, ISS, e menos os encargos diretamente proporcionais às vendas,
como PIS e COFINS.

Isso não é exatamente o que prevê a Lei das S.A. que não faz nenhuma distinção entre as
citadas categorias de impostos, bem como não se refere a encargos proporcionais às vendas.

Deduções das vendas

Correspondem ao que deve ser deduzido da Receita Operacional Bruta. São deduções os
impostos incidentes sobre vendas, as vendas canceladas e os abatimentos concedidos:
a) Impostos incidentes sobre vendas:

• IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados.

• ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços de Transportes.

• ISS – Impostos Sobre Serviços.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 97


• PIS – Programa de Integração Social.

• COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social.

b) Vendas canceladas: é a conta devedora que registra o montante das vendas devolvidas pe-
los clientes, tendo em vista defeitos apresentados ou não atendimento das especificações
do pedido.

c) Abatimentos sobre Vendas: compreendem os descontos concedidos a clientes, após a


entrega de produtos/mercadorias, por defeitos de qualidade, danos de entrega, não atendi-
mento completo de especificações etc.

Como já citado, após estas deduções, temos a Receita Operacional Líquida.

CUSTO DOS PRODUTOS VENDIDOS E DOS SERVIÇOS PRESTADOS

Nas empresas industriais, caracterizadas pela transformação de bens e sua comercialização


o custo é dado pela seguinte fórmula:

Onde,

CPV = Custo da Produção Vendida.

CPP = Custo de Produção do Período.

EI = Estoque Inicial.

EF = Estoque Final.

98 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


No caso das empresas prestadoras de serviços, o custo corresponde aos valores incorridos
para a prestação dos serviços. Os itens componentes do Custo dos Serviços Prestados variam
de empresa para empresa, em função do seu próprio ramo de atividade, entretanto o mais
comum são os custos com a mão de obra direta (o executante do trabalho) que corresponde
a maior parcela dos custos, como também o custo de alguns materiais que porventura
tenham sido utilizados na prestação deste. Há porém, casos de empresas prestadoras de
serviços que não evidenciam na demonstração do resultado o custo dos serviços prestados,
contabilizando-o com as despesas operacionais.

Para as empresas comerciais, caracterizadas pela atividade de compra de mercadorias para


serem revendidas no mercado, o custo das mercadorias vendidas apresentam os seguintes
componentes:

Onde,

CMV = Custo das Mercadorias Vendidas.

EI = Estoque das mercadorias destinadas à venda no início do exercício.

CL = Compra líquidas.

EF = Estoque das mercadorias destinadas à venda no final do exercício.

Após deduzidos os Custos de Produção, obtemos então o Lucro Bruto.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 99


Despesas operacionais

As despesas operacionais, segundo a lei societária, compreendem as despesas necessárias


para o empreendimento funcionar, isto é, vender, administrar e financiar suas atividades. Não
se confundem com as despesas de produção, ou seja, aquela necessárias para transformar a
matéria-prima em produto acabado. São elas:
a) Despesas de Vendas: representam as despesas necessárias para as vendas, bem como
as de promoção e distribuição dos produtos do empreendimento no mercado, e ainda os
riscos assumidos pela venda, como garantias e provisão para devedores duvidosos.

b) Despesas administrativas: compreendem as despesas incorridas para a direção e execu-


ção das tarefas administrativas, bem como as despesas gerais que beneficiam os negócios
do empreendimento.

c) Despesas Financeiras: representa a remuneração paga a terceiros que financiaram o em-


preendimento.

d) Receitas Financeiras: representam os ganhos de capitais aplicados em investimentos tem-


porários, bem como outros ganhos de natureza financeira como recebimento de juros por
atraso de recebimento:

• Descontos Obtidos: decorrem de pagamentos antecipados de duplicatas a fornece-


dores.

• Juros ativos: referem-se aos juros cobrados de clientes por atraso de pagamentos,
postergação de vencimento de títulos etc.

• Receita de investimentos temporários: aqui são registradas as receitas totais prove-


nientes de aplicações temporárias de caixa.

e) Outras Receitas e Despesas Operacionais: participação nos resultados de coligadas e


controladas pelo método de equivalência patrimonial: compreende os acréscimos ou dimi-
nuições de investimentos avaliados pela equivalência patrimonial, em função de lucros ou
prejuízos nas coligadas ou controladas:

• Dividendos e rendimentos de outros investimentos: referem-se às receitas auferidas


pela empresa provenientes de outros investimentos que não os avaliados pelo mé-
todo patrimonial.

100 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


• Amortização de Ágio ou Deságio de Investimentos: compreende os ganhos ou per-
das decorrentes de amortização de ágio ou deságio havido na aquisição de ações e
quotas avaliadas pela equivalência patrimonial.

• Receitas diversas: compreendem receitas provenientes de transações eventuais ou


secundárias.

Da mesma maneira, após a dedução das Despesas, temos o Lucro Operacional.

Lucro líquido do exercício

É a diferença entre as receitas de vendas e o valor gasto para produzir os produtos e para
manter a atividade da empresa.

O lucro apurado é o que se pode chamar de lucro dos acionistas pois, além dos itens normais,
já se deduzem como despesas o imposto de renda e as participações sobre os lucros a outros
que não os acionistas, de forma que o lucro líquido demonstrado é o valor final a ser adicionado
ao patrimônio líquido do empreendimento que, em última análise, pertence aos acionistas, ou
é distribuído como dividendo.

Destinação dos Lucros:


• Debêntures: são juros de títulos de longo prazo emitidos para captar recursos (emprésti-
mos) junto ao público em geral.

• Funcionários e administradores: complemento à remuneração destes, normalmente defini-


do em estatuto ou contrato social.

• Própria empresa: retenção do lucro para reinvestimento.

• Doações: para instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados.

A destinação dos lucros não compromete a capacidade de operação e geração de riquezas da


empresa, visto que há de se obedecer critérios de percentuais previamente estabelecidos para
que não se “esgote” ou “estoure” o Lucro Líquido obtido pela empresa.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 101


Tipos de Lucros:
• Lucro Operacional: oriundo da atividade operacional da empresa.

• Lucro Não operacional: oriundo de eventos não ligados à atividade-fim.

• Lucro Tributável: base de cálculo para o IR e a CSLL.

• Lucro Cessante: suposto lucro que a empresa teria se não tivesse disposto de um determi-
nado bem.

Exemplo – Resultado da atividade em determinado período e seu reflexo no Balanço


Patrimonial

Considerando o Balanço Patrimonial levantado na unidade anterior e os fatos abaixo descritos,


vamos estruturar uma DRE e observar as alterações consequentes no Balanço Patrimonial.

Para facilitar nosso entendimento didático, vamos considerar que esta empresa é uma
empresa comercial, isto é, revende sementes, abudos e insumos. Oportunamente trataremos
de empresa com perfil produtor.

Balanço Patrimonial encerrado em 01/2009:

Estoques Matéria Prima


Estoques Matéria Diversos

102 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Fatos Administrativos:
1. Venda de 60% do estoque pelo valor de R$ 15.000,00 (venda total), sendo 40% à vista e
40% a prazo. Impostos na ordem de 12%. Comissão aos vendedores na ordem de 7%.
Tanto impostos como comissões serão pagas no próximo mês.

2. Pagamento de fornecedores no valor de R$ 3.300,00.

3. Utilização de 30% dos materiais diversos.

4. Pagamento de parcela do financiamento do trator, valor de R$ 1.200,00. Considere


R$370,00 de juros imbutido na parcela.

5. Reconhecimento de depreciação do trator no primeiro mês, valor de R$ 1.040,00.

Impacto no Balanço Patrimonial:

sem
sem

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 103


DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

BALANÇO PATRIMONIAL ENCERRADO EM 02/2009:

104 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


<http://pt.wikipedia.org/wiki/Contabilidade>.
<http://www.cfc.org.br/>.
<http://www.eac.fea.usp.br/>.
<http://www.classecontabil.com.br/>.
<http://www.fi pecafi .com.br/>.
<http://www.portaldecontabilidade.com.br/glossario.htm>.

Desenvolva o Balanço Patrimonial sendo você a entidade contábil.


1. Faça uma relação dos seus bens e atribua valores a eles. (Ativo: bens)

2. Faça uma relação do que você tem a receber nos próximos 12 meses. (Ativo: direitos).

3. Descreva suas dívidas e respectivos valores para os próximos 12 meses. (Passivo Exigível, ou
obrigações).

Com base nesse levantamento utilize a equação patrimonial e calcule seu Patrimônio Líquido.

O Demonstrativo de Resultado do Exercício é similar a um relatório de receitas e despesas pessoais.


Utilizando esse aspecto, faça um demonstrativo mensal de suas fi nanças pessoais.

1º Verifi que o valor de seu recebimento mensal, essa será sua receita bruta.

2º Deduza os impostos (INSS, IR), corresponderá à dedução da receita bruta.

3º Verifi que quais são seus gastos para desenvolver seu trabalho (alimentação, transporte e outros

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 105


materiais não pagos pelo seu empregador).

4º Identifi que agora seus outros gastos, (aluguel, energia, comunicação, alimentação, lazer etc.), esses
corresponderão a seus gastos administrativos.

5º Agora é só verifi car qual foi o resultado do mês em questão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta unidade nos levou a um grande passo: conhecer o produto da contabilidade, que são
as demonstrações contábeis. Entender um Balanço Patrimonial e uma Demonstração do
Resultado do Exercício é básico e fundamental. Devemos lembrar que a proposta não é
formarmos contadores, mas sim críticos das evidências levantadas pela contabilidade.

Patrimônio e Resultado são conceitos empresariais básicos para qualquer atividade. Diz-se
que um empreendimento de sucesso é aquele que consegue gerar RESULTADOS com o
PATRIMÔNIO disponível, e isto sim é saber alocar recursos que gerem retornos.

O correto entendimento do assunto aqui tratado é fundamental para avançarmos nos próximos
assuntos abordados.

106 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


ATIVIDADE DE AUTOESTUDO

Com base em publicação de jornal (Valor Econômico, Gazeta Mercantil etc.) recorte um
Balanço Patrimonial e aponte os grupos que o compõe.

ESCLARECIMENTO SOBRE ALGUNS TERMOS DO BALANÇO PATRIMONIAL:

Obrigações = Capital de Terceiros = Passível Exigível = (Passivo Circulante + Passivo Exigível a


Longo Prazo).
Capital Próprio = Riqueza Própria = Passível NÃO Exigível = Patrimônio Líquido = (Capital Social +
Lucro Acumulado).

1. Descreva 3 fontes de receitas das entidades.

2. Explique o que são Despesas e cite cinco exemplos.

3. O que signifi ca o resultado apurado no DRE?

Iudícibus e Marion (2000), apresentam no capítulo 5 a Demonstração do Resultado de Exercício –


DRE de forma comentada, apresentando os aspectos de sua composição por meio do Lucro Real.
IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Contabilidade para não contadores. 3. ed. São Pau-
lo: Atlas, 2000, p. 63-80. Biblioteca CESUMAR, número de chamada: 657 I92c 3. ed. 2000.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 107


UNIDADE III

ATIVO PERMANENTE - IMOBILIZADO:


DEPRECIAÇÃO, AMORTIZAÇÃO E EXAUSTÃO
Professor Me. Silvio César de Castro
Professor Esp. Robinson Pereira Santos

Objetivos de Aprendizagem
• Identificar os itens do Ativo Permanente
• Estudar o conceito e a Forma de cálculo da Depreciação, Amortização e Exaustão

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:

• Ativo Permanente.
• Depreciação.
• Amortização.
• Exaustão.
INTRODUÇÃO

O patrimônio de uma empresa, necessariamente, deve ser consumido, utilizado, investido na


atividade operacional. Caso contrário ,será dificultoso entendê-lo como tal.

Nesta unidade trataremos do reconhecimento da perda de valor dos itens do Ativo Permanente.
É o que chamamos de “retificação” do Patrimônio. Procuraremos entender os conceitos e
cálculos da chamada amortização, depreciação e exaustão. Fatores fundamentais para uma
correta expressão patrimonial e mensuração do resultado.

Fonte: PHOTOS.COM

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 111


ATIVO PERMANENTE

Os recursos aplicados no Ativo Permanente, como o próprio nome sugere, são todas as
aplicações de recursos feitas pela empresa de forma permanente (fixa), que são representadas
pelos:
• Bens adquiridos para uso do empreendimento.

• Aplicações de recursos na compra de ações ou quotas de outras empresas de caráter


permanente.

• Bens não monetários, sem substância física, mas que tem valor patrimonial, desde que
sejam identificáveis, controlados e gerem benefícios.

Sendo assim, o Ativo Permanente está dividido em três grupos, a saber:

Investimentos - é representado pelos bens e direitos em participações permanentes em


outras empresas ou sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no Ativo
Circulante, que não se destinem à manutenção da atividade do empreendimento ou sociedade.
Exemplo: participação em coligadas, provisões para perdas, obras de arte, imóveis não de uso
etc.

Imobilizado - é representado pelos direitos que tenham por objeto os Bens destinados à
manutenção das atividades do empreendimento ou exercidos com essa finalidade, inclusive os
de propriedade industrial ou comercial. Exemplo: computadores, imóveis, móveis e utensílios,
veículos, instalações etc.

A Lei 6.404 de 76 conceitua que deve ser classificado do Ativo Imobilizado:

“Os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia
e do empreendimento, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial
ou comercial”.

112 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Conforme a Lei 6.404/76:
A diminuição de valor dos elementos do ativo imobilizado será registrada periodicamente
nas contas de:
• Depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeti-
vo bens físicos sujeitos a desgastes ou perda de utilidade por uso, ação da natureza
ou obsolescência;

• Amortização, quando corresponder à perda do valor do capital aplicado na aqui-


sição de direitos da propriedade industrial ou comercial e quaisquer outros com
existência ou exercício de duração limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização
por prazo legal ou contratualmente limitado;

• Exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração,


de direitos cujo objetivo sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados
nessa exploração.

Intangível - é composto pelas aplicações de recursos em despesas que contribuirão para a


formação do resultado de exercícios futuros. Exemplo: despesas de organização, despesas
pré-operacionais etc.

O foco desta unidade é entendermos como e porque ocorrem as chamadas diminuições dos
elementos do ativo fixo.

A necessidade do reconhecimento desta diminuição está diretamente relacionada à vida útil


limitada que esses bens possuem. Em sentido amplo, é o que chamamos de amortização dos
valores históricos em que foram registrados.

Vamos, então, tratar dos três tipos de amortização utilizados na redução de valores do Ativo
Permanente – depreciação, exaustão e amortização.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 113


DEPRECIAÇÃO

A depreciação dos bens do ativo imobilizado corresponde à diminuição parcelada do valor


dos elementos ali classificáveis resultantes do desgaste pelo uso, da ação da natureza ou de
obsolescência normal. As causas que podem provocar a depreciação podem ser:
• o desgaste pelo uso (perdem a capacidade de produção).

• ação do tempo (sofrem desgaste do sol, da chuva e de outros elementos do tempo).

• obsolescência (provocada pela evolução tecnológica).

Resumindo, é o fenômeno contábil que expressa a perda de valor que os valores imobilizados
de utilização sofrem no tempo, por força de seu emprego na gestão.

Segundo Giustina (1995), a depreciação na atividade rural é a apropriação ao resultado, da


perda de eficiência ou da capacidade de produção de bens tangíveis, componentes do Ativo
Permanente que servem à produção de vários ciclos de produção e não se destinam à venda.
É o caso das culturas permanentes, máquinas e equipamentos, tratores, gados reprodutores,
animais de trabalho e outros bens que são de propriedade do empreendimento.

Para se estipular o percentual mensal ou anual desta perda, leva-se em consideração o tempo
de vida útil do bem.

Segundo Giustina (1995), agrônomos e veterinários, técnicos agrícolas e outros profissionais


da área, são os mais indicados para estimarem a vida útil de culturas permanentes e animais,
considerando fatores como solo, clima, raças, qualidade da cultura etc. Máquinas, tratores e
outros implementos agrícolas, o próprio fabricante poderá informar a vida produtiva provável.

A legislação fiscal, em especial a do imposto sobre a renda, não fixa taxas de depreciação
para bens rurais, deixando livre ao contribuinte a determinação destes prazos, exigindo, no
entanto, que explique como estipulou os prazos.

114 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


O valor da depreciação poderá ser computado como custo ou despesa operacional, conforme
o caso. A depreciação dos bens utilizados na produção será custo, enquanto a depreciação
dos demais bens há de ser registrada como despesa operacional.

O valor da depreciação acumulada não poderá ultrapassar o custo de aquisição do bem a que
se refere corrigido monetariamente. O mesmo se aplica à amortização e à exaustão.

Não é admitido o registro de quota de depreciação em relação aos seguintes bens:


• Terrenos, salvo em relação aos melhoramentos e construções.

• Prédios e construções não alugados nem utilizados por seu proprietário na produção de
seus rendimentos ou imóveis destinados à venda.

• Bens que normalmente aumentam de valor com o tempo, como obras de arte ou antiguida-
des.

O tempo de vida útil de um bem será determinado em função do prazo durante o qual é
possível a sua utilização econômica (e a produção de seus rendimentos).

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 115


Segue abaixo a tabela de taxas aplicáveis aos bens de ocorrência mais usual:
Taxa de Depreciação

116 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Fonte: Giustina, 1995.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 117


Taxa de Depreciação

Fonte: Giustina, 1995.

Vamos exemplificar o cálculo da depreciação.

A empresa Euca & Lipto adquiriu um caminhão em 05/01/2009 pelo valor de R$ 200.000,00,
de acordo com a nota fiscal.

De acordo com a tabela acima, a vida útil deste bem é estimada em 5 anos. Portanto, ao
término deste período, o caminhão na contabilidade deverá ter acumulado de depreciação o
seu próprio valor, isto é, R$ 200.000,00.

118 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


O lançamento contábil característico deste evento é da seguinte forma:

D – Depreciação (DRE)
C – Depreciação Acumulada – Veículos

Isto é, após 1 ano, esse bem terá acumulado depreciação de R$ 40.000,00. No balanço
patrimonial levantado em 31/12/2009, este item estará assim registrado:

Portanto, o valor contábil desse bem na data de 31/12/2009, será de R$ 160.000,00. Se a


empresa vender este caminhão por R$ 180.000,00, terá um ganho (lucro contábil) de
R$ 20.000,00. Entretanto, se vender o mesmo caminhão por R$ 140.000,00, terá de reconhe-
cer um prejuízo contábil de R$ 20.000,00.

AMORTIZAÇÃO

A amortização é reservada para reconhecer a redução de valor nos casos de aquisição


de direitos sobre empreendimentos de propriedade de terceiros, onde ao longo do período
determinado será apropriado o custo desses direitos que foram contratados para a sua
exploração.

Amortização é a perda do valor do capital aplicado na aquisição de direitos da propriedade e


quaisquer outros com existência ou exercício de duração limitada ou cujo objeto sejam bens
de utilização por prazo legal ou contratualmente limitado.

Eliminação gradual e periódica do ativo de um empreendimento, como encargos do exercício,


das imobilizações financeiras ou imateriais.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 119


É a recuperação econômica do capital aplicado em:
a) Bens intangíveis ou direitos de uso como, por exemplo, patentes de invenção, fórmulas e
processos de fabricação.

b) Investimento em bens que nos termos da lei ou contrato que regule a concessão de serviço
público, devem reverter ao poder concedente, ao final do prazo de concessão.

c) Direitos autorais, licenças, autorizações para exploração de determinada atividade econô-


mica, concessões para exploração de serviços públicos, bem como o custo de aquisição,
prorrogação ou modificação de contratos de qualquer natureza.

d) Custo das construções e benfeitorias em bens locados, arrendados ou cedidos por tercei-
ros.

e) Valor dos direitos contratuais de exploração de florestas e recursos naturais.

A taxa anual de amortização será fixada tendo em vista o número de anos restantes de
existência do direito ou o número de exercícios sociais em que deverão ser usufruídos os
benefícios das despesas registradas no ativo diferido.

A amortização dos componentes do ativo diferido se sujeita a dois prazos:


a) um mínimo de cinco anos para fins fiscais;

b) um máximo de dez anos, que é aplicável a todas as pessoas jurídicas que possuam escri-
turação contábil regular.

O lançamento característico da amortização é:

D – Amortização - DRE
C – Amortização Acumulada – Balanço Patrimonial

Vamos continuar a aplicar exemplos baseado na empresa Euca & Lipto Ltda. Esta, por sua
vez, utiliza um imóvel de terceiro no qual teve que investir R$ 120.000,00 em 01/2008, e este
investimento seria explorado em um período de 10 anos.

120 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Dessa forma, o balanço que a empresa levantará em 31/12/2009 constará esse registro da
seguinte forma.

Observe que o saldo acumulado é referente a 2 anos de amortização.

Esta demonstração no Balanço Patrimonial evidencia que, apesar do custo do investimento no


imóvel de terceiro ter sido no valor total de R$ 120.000,00, já houve um “aproveitamento” do
mesmo, restando ainda R$ 96.000,00 de saldo a amortizar.

Depreciação X Amortização

A depreciação atinge a perda de valor de coisas materiais, como máquinas, móveis, etc.,
a amortização destina-se apenas a significar perda de valor de coisas imateriais ou de
imobilizações financeiras. São objeto de amortização: despesas gerais de instalação,
aviamentos, dívidas a longo prazo etc.

EXAUSTÃO

Fenômeno patrimonial que caracteriza a perda de valor que sofrem as imobilizações suscetíveis
de exploração e que se esgotam no correr do tempo como, por exemplo, as reservas minerais
e vegetais (bosques, florestas, jazidas etc.).

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 121


Corresponde à perda de valor decorrente da exploração de recursos minerais ou florestais ou
de bens aplicados nessa exploração.

O cálculo da exaustão é feito nas unidades extraídas ou produzidas relacionadas com o custo
do bem, ou seja, deve-se estabelecer a porcentagem extraída de recursos (barris, metros
cúbicos, toneladas) em relação ao total conhecida dos recursos naturais.

Giustina (1995) apresenta alguns exemplos de culturas que têm seu custo de formação
apropriados ao resultado pelo critério da exaustão, são as florestas artificiais de eucaliptos,
de pinos, a cana-de-açúcar, as pastagens artificiais etc. No caso de um canavial, uma vez
formado, dependendo da região, poderá proporcionar três a quatro cortes. Admitindo-se que
seja de três anos, a cota de exaustão anual será obtida aplicando-se o percentual de 33,33%
sobre o valor da cultura formada.

Exemplo:

Empresa Euca & Lipto também é proprietária de uma reserva formada por reflorestamento
com 10.000 eucaliptos, cujo custo da cultura formada é de R$ 100.000,00. A previsão é de
quatro cortes e, consequentemente, a exaustão será de 25% por corte.

Supondo que na primeira colheita até o final do exercício de 2009 será de 4.800 árvores. Qual
será o custo dos recursos florestais extraídos?

Dessa forma, o balanço que a empresa levantará em 31/12/2009 constará esse registro da
seguinte forma.

122 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Esta demonstração no Balanço Patrimonial evidencia que apesar da cultura formada ser
avaliada em R$ 100.000,00 (valor contábil histórico), já houve exploração tal que reduziu o
valor da reserva para R$ 88.000,00.

DEPRECIAÇÃO x EXAUSTÃO

A depreciação é a perda de valor pelo uso; a exaustão é a perda de valor por exploração; a
depreciação é custo indireto de fabricação; a exaustão é custo direto de fabricação.

CONSOLIDAÇÃO NO BALANÇO PATRIMONIAL

Supondo que o Ativo Permanente desta empresa esteja concentrado nos três itens acima
exemplificados, vamos observar a posição e classificação no Balanço Patrimonial, consolidando
estes itens:

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 123


(

Palestra CRC - Prof. José Carlos Marion

CONTROLE DE BENS
Um aspecto muito importante na contabilidade é a adoção de Controles Internos,
que são o conjunto de procedimentos que tenham por finalidade registrar, quantificar
e reportar as ações e/ou atividades desenvolvidas em um setor, departamento ou

124 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


organização, os quais servirão para tomadas de decisões ou ações corretivas, com o
fim de atingir os objetivos da organização.
Para a Controladoria, assim como para a Auditoria, é de extrema importância conhecer a
qualidade e o grau de confiabilidade dos sistemas de controles contábeis e de controles
internos, desde o momento em que se inicia o planejamento de seus trabalhos. De
acordo com o nível de confiabilidade que apresentar tais controles, é que se vai buscar
a adequada identificação dos pontos fracos ou de riscos, ou ainda, que se vai levantar
as áreas de risco.
Dentre esses controles internos (que na verdade seria um assunto para uma unidade
a parte), temos o Controle de Bens, cuja finalidade é manter o registro detalhado da
movimentação de cada item do Ativo Permanente, com o propósito de especificar o
bem, registrar o seu valor de aquisição/formação, calcular a perda de valor respectiva e
a venda do bem, se isso ocorrer.
Por isso, além das contas de controle do balanço, devem ser mantidos registros e
controles individuais para cada unidade de propriedade do imobilizado. Isso se faz
necessário para que a Contabilidade possa registrar adequada e precisamente os
valores históricos e as respectivas reduções no seu valor.

Abaixo segue um modelo de ficha de Controle de Bem.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 125


Vide abaixo como ficariam preechidos as fichas de controle de bens dos itens que utilizamos
como exemplo que compõem o Ativo Permanente da empresa Euca & Lipto Ltda.:

Ficha de controle de imbolizado – Veículo

Ficha de controle de imbolizado – Benfeitorias em imóveis de terceiros

126 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Ficha de controle de imbolizado – Reserva de reflorestamento

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 127


Forma de Apresentação no Balanço:

128 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


<http://pt.wikipedia.org/wiki/Contabilidade>.
<http://www.cfc.org.br/>.
<http://www.eac.fea.usp.br/>.
<http://www.classecontabil.com.br/>.
<http://www.fi pecafi .com.br/>.
<http://www.portaldecontabilidade.com.br/glossario.htm>.
<http://www.ibracon.com.br/>.
<http://www.portaldecontabilidade.com.br/ibracon/>.

Desenvolva o Balanço Patrimonial tendo você a entidade contábil.


1. Faça uma relação dos seus bens e atribua valores a eles. (Ativo: bens)
2. Faça uma relação do que você tem a receber nos próximos 12 meses. (Ativo: direitos).
3. Descreve suas dívidas e respectivos valores para os próximos 12 meses (Passivo Exigível, ou
Obrigações).
Com base nesse levantamento utilize a equação patrimonial e calcule seu Patrimônio Líquido.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 129


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O correto entendimento do conceito e do cálculo das amortizações do Patrimônio,


principalmente no agronegócio, é de fundamental importância para apuração dos resultados
do negócio. Devemos entender que apesar disso, é um “reconhecimento” de valores, isto é,
neste momento não ocorre desembolso financeiro e sim despesa contábil, que reduzirá o lucro
na medida da utilização do ativo do empreendimento.

Nossos próximos assuntos tratarão de custos e análise de resultados, que são diretamente
influenciados pelas retificações patrimoniais abordadas nesta unidade.

ATIVIDADE DE AUTOESTUDO
1. Exemplifique cinco bens sujeitos a depreciação e suas respectivas taxas aceitas pelo Re-
-gulamento do Imposto de renda.

2. Quais os tipos de bens sujeitos a amortização? Por que não existe uma tabela de taxas
para os bens que sofrem amortização?

3. Exemplifique três bens que sofrem exaustão. Por que não existe uma tabela de taxas para
os bens que sofrem exaustão?

130 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


ATIVIDADES

Exercício resolvido 1 – Depreciação

De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda - RIR os veículos podem ser depreciados
em até 60 meses. O Balanço Patrimonial da Cia Mercuri apresentou em 31/12/2003, entre
outros, os seguintes saldos:

Conta Saldo R$
Veículos 240.000
(-) Veículos - Depreciação Acumulada (60.000)

Qual o saldo da conta (-) Veículos - Depreciação Acumulada em 31/03/2004 tendo em vista
que foi efetuado a aquisição de um novo veículo em 25/01/2004 no valor de R$ 120.000?
(240.000 / 60) * 3 = 12.000
(120.000 / 60) * 3 = 6.000
60.000 + 12.000 + 6.000 = 78.000
Resposta: R$ 78.000,00

Exercício resolvido 2 – Amortização

O Balanço Patrimonial da Cia Titânio apresentou em 31/12/2003, entre outros, os seguintes


saldos:

Conta Saldo R$
Benfeitoria em Imóveis de Terceiros 90.000
(-) Benf. em Imov. Terc. - Amort. Acuml (42.000)

Tendo em vista que o contrato para utilização do imóvel é de 12 meses, qual o saldo da conta
(-) Benf. em Imov. Terc. - Amort. Acumulada em 31/01/2004?
(90.000 / 12) * 1 = 7.500
42.000 + 7.500 = 49.500
Resposta: R$ 49.500,00

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 131


Exercício resolvido 3 – Exaustão

O Balanço Patrimonial da Cia Silício apresentou em 31/12/2003, entre outros, os seguintes


saldos:

Conta Saldo R$
Reserva Mineral - Prata 12.000.000
(-) Res. Mineral - Prata Exaustão Acum. -

Porém, devido a um problema junto ao sistema de controle do Imobilizado do empreendimento,


a exaustão não foi evidenciada. Com base nos dados abaixo, calcule a exaustão e informe
qual o saldo que deveria ter sido apresentado na conta (-) Res. Mineral - Prata - Exaustão
Acumulada em 31/12/2003.
Data de Aquisição: 12/7/22001
Quilos previstos da reserva: 3000
Quilos retirados da reserva até a data da apresentação do Balanço Patrimonial: 900
(12.000.000 / 3.000) * 900 = 3.600.000
Resposta: R$ 3.600.000,00

Exercício 4

De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda - RIR os veículos podem ser depreciados
em até 60 meses. O Balanço Patrimonial da Cia Platina apresentou em 31/12/2003, entre
outros, os seguintes saldos:

Conta Saldo R$
Veículos 160.000
(-) Veículos - Depreciação Acumulada (60.000)

Qual o saldo da conta (-) Veículos - Depreciação Acumulada em 31/03/2004, tendo em vista
que foi efetuado a aquisição de um novo veículo em 25/01/2004 no valor de R$ 400.000?
Resposta: 88.000

132 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Exercício 5

O Balanço Patrimonial da Cia Astato apresentou em 31/12/2003, entre outros, os seguintes


saldos:

Conta Saldo R$
Benfeitoria em Imóveis de Terceiros 50.000
(-) Benf. em Imov. Terc. - Amort. Acuml (42.000)

Tendo em vista que o contrato para utilização do imóvel é de 12 meses, qual o saldo da conta
(-) Benf. em Imov. Terc. - Amort. Acumulada em 31/01/2004?

Resposta: 46.167

Exercício 6

O Balanço Patrimonial da Cia Paládio apresentou em 31/12/2003, entre outros, os seguintes


saldos:

Conta Saldo R$
Reserva Mineral - Prata 5.000.000
(-) Res. Mineral - Prata Exaustão Acum. -

Porém, devido a um problema junto ao sistema de controle do Imobilizado do empreendimento,


a exaustão não foi evidenciada. Com base nos dados abaixo, calcule a exaustão e informe
qual o saldo que deveria ter sido apresentado na conta (-) Res. Mineral - Prata - Exaustão
Acumulada em 31/12/2003.
Data de Aquisição: 12/7/2001
Quilos previstos da reserva: 3000
Quilos retirados da reserva até a data da apresentação do Balanço Patrimonial: 830

Resposta: 1.383.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 133


Marion (2004) apresenta por meio do capítulo 15 vários aspectos relacionados ao imobilizado e a
maneira com que a depreciação, amortização e exaustão afeta os itens do ativo permanente. Aborda
também questões relacionadas a depreciação acelerada e dos seus efeitos perante Demonstrativo de
Resultado do Exercício e o Balanço Patrimonial.
MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 7. Edição. São Paulo: Atlas, 2004, pp. 207-225.
Biblioteca CESUMAR, número de chamada: 657 M341c 7. ed. 2004.

134 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


UNIDADE IV

INTRODUÇÃO À GESTÃO DE CUSTOS: SISTEMAS


DE CUSTOS-CONTROLE DE ESTOQUES
Professor Me. Silvio César de Castro
Professor Esp. Robinson Pereira Santos

Objetivos de Aprendizagem

• Conhecer as terminologias empresariais.


• Compreender a classificação dos custos.
• Conhecer os métodos de custeio.
• Apresentar os controles ligados ao estoque.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:

• Terminologias e classifcações
• Métodos de custeio: absorção e variável
• Controle de estoques
INTRODUÇÃO

Existe um dilema no mundo dos negócios. Já não há muito espaço para se crescer em
receitas, a não ser pelo crescimento e abrangência do mercado pela empresa, isto é, escala.
O preço unitário de venda tem sua limitação por aquilo que o mercado trabalha e por aquilo
que o consumidor está disposto a pagar pelo produto.

Este dilema, então, se chama CUSTO. Se não podemos aumentar o preço de venda, só nos
resta administrar os custos que envolvem o processamento de um produto.

Nesta unidade entraremos no mundo da Gestão de Custos. É impossível trabalhar tudo o


que envolve este tema e assim esgotar o assunto, por isso nos limitaremos nos principais
fatores que envolvem a gestão de Custos que são: a classificação dos custos, os sistemas e
mensuração dos custos e o controle de estoques.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 137


TERMINOLOGIAS E NOMENCLATURAS

Antes de falarmos especificamente sobre Estoques e Custos, é necessário entendermos o


significado de alguns termos que são utilizados não somente na linguagem contábil, mas
também na linguagem empresarial.

Por isso, vamos dedicar um espaço para trazermos uma definição aos diversos termos
utilizados no ambiente contábil:
• Gastos: consumo genérico de bens ou serviços.

Ex.: matéria-prima consumida no processo produtivo. Material de expediente consumido


no processo administrativo. Energia elétrica consumida etc.

• Desembolsos: saídas de dinheiro do caixa ou conta bancária, geralmente em virtude do pa-


gamento de compras efetuadas ou obrigações assumidas anteriormente. Podem ocorrer:

Antes dos gastos: aquisição à vista de insumos que ficarão em estoque.

No momento dos gastos: abastecimento à vista de veículo saindo para viagem.

Depois da ocorrência dos gastos: pagamento de título ao fornecedor do material de expe-


diente já utilizado no momento da compra.

• Investimentos: gastos com bem ou serviço “ativado” em função da sua vida útil ou de bene-
fícios atribuíveis a períodos futuros. Tornam-se custos ou despesas com o passar da vida
útil (utilização, depreciação, amortização ou exaustão)

Ex.: sementes para plantio futuro, colheitadeira, animal reprodutor etc.

• Custos: gastos relativos a bens ou serviços utilizado na produção de outros bens ou servi-
ços (na formação do produto rural). São todos os gastos relativos à atividade de PRODU-
ÇÃO AGRÍCOLA ou PECUÁRIA.

Ex.: utilização das sementes, dos adubos, consumo de energia elétrica, depreciação de
maquinários etc.

• Despesas: gastos relativos aos bens e serviços consumidos no processo de geração de re-
ceitas ou manutenção dos negócios da empresa. Ocorrem fora da produção. Têm caráter

138 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


administrativo, financeiro e comercial.

Ex.: consumo material de escritório, material de limpeza, de energia elétrica do escritório


ou do ponto de venda, comissão de vendas, despesas de marketing etc.

• Perdas: gastos anormais ou involuntários que não geram um novo bem ou serviço, nem
receitas.

Ex.: materiais com prazo de validade vencidos; problemas em maquinários; perda de pro-
dução por fatores climáticos.

INTRODUÇÃO AO SISTEMA DE CUSTOS Fonte: Robinson

Tendo em mente as definições das terminologias utilizadas na linguagem empresarial,


podemos estudar mais especificamente os CUSTOS, que são importantes classificações dos
gastos para que se possa:
• Avaliar, ou mensurar, os estoques.

• Controlar os itens que figuram nos estoques.

• Decidir sobre questões de preço, produto e volume.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 139


Assim, também precisamos entender duas expressões importantes para se avaliar e entender
os custos:
• Custo da Produção: é a apuração do custo de toda a produção do período, tanto dos produ-
tos que foram vendidos, quanto dos produtos que ainda estão em estoques. Sua finalidade
é a avaliação dos estoques, ou do que foi produzido.

• Custo dos Produtos Vendidos: é a apuração do custo dos produtos que foram comerciali-
zados, ou seja, vendidos. Sua finalidade principal é a apuração dos resultados da atividade
operacional.

Observe o quadro abaixo que expressa as definições acima.

Fonte: Robinson
A contabilidade de custos tem função gerencial e financeira. A nível de contabilidade financeira,
aquela que atende aos requisitos fiscais é societários, a contabilidade de custos visa trazer
informações de avaliação de estoques, seguindo os critérios estabelecidos, com o propósito
de apurar os resultados obtidos em um determinado período, sobre o qual serão calculados o
Imposto de Renda e a Contribuição Social.

A nível gerencial, a contabilidade de custos utiliza-se de controles extracontábeis para fornecer


informações para se tomar decisões.

Por isso, a gestão de custos envolve:


• Custos para avaliação de estoques.

140 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


• Custos para controle.

• Custos para decisão.

Especificamente, os objetivos da apuração de custos são:


• Apuração do custo dos produtos.

• Apuração da rentabilidade dos produtos.

• Atendimento às exigências legais e contábeis.

• Controle dos custos de produção.

• Controle da movimentação de mercadorias.

• Melhoria de processos e eliminação de desperdícios.

• Auxílio na tomada de decisões gerenciais.

• Otimização de resultados.

• Atribuição de responsabilidades.

• Análise de desempenho.

• Estabelecimento de preços de venda.

E por que conhecer o custo de produção?

A contabilidade gerencial aplicada ao agronegócio é um instrumento para fornecer informações


para tomada de decisão. O estudo, o conhecimento e a gestão de custos fazem parte da área
de trabalho da contabilidade gerencial.

A apuração de custos é vital para a gestão de qualquer empresa, principalmente por dois
parâmetros básicos que são estabelecidos por meio desta apuração: estabelecer o preço de
venda e apurar o resultado da atividade.

Eis, então, algumas decisões que podem ser tomadas baseadas em informações de custos

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 141


gerenciais:
• Possuir reprodutor ou inseminação artificial.

• Gerar ou adquirir bezerro.

• Arrendar ou comprar pasto.

• Arrendar ou comprar áreas produtivas.

• Vender hoje ou esperar aumentar o preço.

• Pastagem extensiva ou confinamento.

Para entender os custos no agronegócio é necessário voltar às atividades básicas deste setor
e associá-las às etapas do processo onde formam-se os custos:
• Agrícola: gastos associados à formação a cultura, desde a preparação do solo até a co-
-lheita.

• Pecuária: gastos associados à cria, recria e engorda dos animais. Envolve a aquisição ou
a geração do animal até a disposição para o abate.

• Agroindústria: gastos associados ao processamento e produtos agrícolas ou o abate e


processamento dos animais.

• Comércio dos produtos relacionados ao agronegócio: empresas que apenas comercia-


-lizam produtos agropecuários (revenda) tem como custo o preço de aquisição da merca-
doria adicionado de despesas de frete e impostos não recuperáveis.

CLASSIFICAÇÃO DOS CUSTOS

A classificação de custos envolve basicamente dois aspectos: sua relação com o produto e
sua relação com o nível de atividade. Assim, são quatro as possíveis classificações dos gastos
relacionados aos custos:
1. Custos diretos: são os custos que podem ser apropriados diretamente ao produto agrícola
ou pecuário, porque há uma medida objetiva e facilmente identificável do seu consumo na

142 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


produção. Ex.: sementes, adubos, mão de obra direta.

2. Custos indiretos: são os custos que para serem incorporados aos produtos agrícolas ou pe-
cuários, necessitam de algum critério de rateio. Ex.: combustível, lubrificantes, depreciação
de máquinas, exaustão, serviços de agrônomos e topógrafos.

3. Custos fixos: são todos os custos cujo valor total não varia proporcionalmente ao volume
produzido, isto é, se a empresa aumentar o seu volume de produção (dentro da sua atual
capacidade produtiva) não irá aumentar o valor total dos seus custos fixos. Ex.: deprecia-
ção da máquina, aluguel do armazém, energia elétrica.

4. Custos variáveis: ao contrário dos custos fixos, são os custos que variam proporcionalmen-
te ao volume produzido. Ex.: adubo, inseticida, fertilizantes, mão de obra direta.

É oportuno ressaltar que um gasto pode ser classificado em duas destas categorias. Por
exemplo, as sementes utilizadas no plantio são custos diretos e variáveis, isto é, são facilmente
identificáveis quanto à quantidade utilizada para determinado tamanho de área e também
variam conforme o volume que será plantado.

Para um melhor entendimento, vide abaixo um quadro explicativo da participação dos custos
no processo da empresa:

Fonte: Silvio de Castro

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 143


Curiosidade:

Você sabia que o custo fi xo é variável em relação à produção total?


E que o custo variável é fi xo em relação à produção total?
Quanto mais uma empresa produz, menos o custo fi xo representará no total produzido. Entretanto, o
custo variável será sempre o mesmo em relação à produção.

Na contabilidade de custos, o valor do custo total do produto ou da produção é basicamente


dividido em três itens:
1. Material Direto: são insumos diretamente associados aos produtos.

2. Mão de obra Direta: são os gastos com mão de obra diretamente associadas à produção.

3. Custos indiretos de produção: são os insumos e gastos com mão de obra que não estão
diretamente associados ao produto/produção.

CUSTO TOTAL

Fonte: Silvio de Castro

144 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Sistemas de custeio

“Todos os Custos Indiretos só podem ser apropriados, pela sua própria definição, de
forma indireta aos produtos, isto é, mediante estimativas, critérios de rateios, previsão de
comportamentode custos etc.” (MARTINS, 1995, p.77)

Segundo Oliveira e Perez (2009), existem basicamente dois critérios para se apropriar os
diversos custos indiretos à produção: o custeio por absorção e o custeio variável.

Métodos de custeio
Fonte: PHOTOS.COM

O objetivo fundamental dos métodos de custeio é apurar


o custo de uma unidade do produto fabricado. É por meio
do método de custeio que se busca determinar o custo
unitário do produto, ou seja, analisar um dado de custo
de alta utilização pelos administradores. Utilidades do conhecimento do custo unitário do
produto pelo administrador:
• Custear inventários para demonstrativos financeiros e para determinar o lucro líquido do
período.

• Assistir a gerência no planejamento e controle das operações.

• Assistir a gerência nas situações de tomadas de decisões (formação de preço de venda,


manter ou eliminar linhas de produtos, fabricar ou comprar componentes, negociar preços
especiais etc.).

Custeamento do produto é o processo de identificar o custo unitário de cada produto produzido


pela empresa, nas suas diferentes versões ou variações.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 145


Custeio por Absorção
Fonte: PHOTOS.COM

O custeio por absorção, de acordo com Martins (1992,


p. 39), “consiste na apropriação de todos os custos de
produção aos bens elaborados, e só os de produção;
todos os gastos relativos ao esforço de fabricação são
distribuídos para todos os produtos feitos”, ou seja, vem a ser a apropriação de todos os
custos (sejam eles fixos ou variáveis) à produção do período. Os gastos não fabris (despesas)
são excluídos. Sendo assim, as despesas são contabilizadas imediatamente enquanto que
somente os custos relativos aos produtos vendidos terão idêntico tratamento.

Pode-se, então, concluir que Custeio por Absorção é um processo de apuração de custos, cujo
objetivo é ratear todos os seus elementos (fixos ou variáveis) em cada fase da produção. Só é
considerada custo a parcela dos materiais que é utilizada na produção.

O Manual de Contabilidade por Ações(1990, p. 510), define custeio por absorção da seguinte
forma:

“[...] devem ser adicionados ao custo da produção os custos reais incorridos, obtidos através da
contabilidade geral, e pelo sistema por absorção, o que significa a inclusão de todos os gastos
relativos à produção, quer diretos, quer indiretos com relação a cada produto”.

Os custos referentes aos produtos em elaboração e aos produtos acabados não vendidos
constarão no estoque desses produtos.

O custeio por absorção é o único aceito pela Auditoria Externa, porque atende aos princípios
contábeis da Realização da Receita, da Competência e da Confrontação. É o único aceito pelo
Imposto de Renda.

O método de apuração dos custos unitários é tão somente o total de custos apurados, dividido
pelo volume de produção. Logo, se houver incorreção em distinguir custo de despesa, haverá

146 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


erro no cálculo do custo unitário.

Exemplo do levantamento do custo de produção, pelo método do custeio por absorção por
meio de um caso prático preparado pelos autores com base em artigo jornalístico publicado
na Gazeta Mercantil, 23 ago. 2000, Caderno: Por Conta Própria, p. 11.
Com base nas informações disponíveis, apure o custo de industrialização de cada pote,
utilizando:
a) o método do custeio por absorção; e
b) o método do custeio variável.
A Boa Pesca Ltda. é uma pequena empresa cearense especializada na industrialização
dos resíduos de pescados. Tais resíduos são adquiridos das diversas indústrias que
exploram as atividades de pesca na região.
Um de seus principais produtos é um pó produzido com base na cartilagem de tubarão.
Está comprovado cientificamente que esse pó é rico em cálcio e fósforo.
A Boa Pesca Ltda. processa anualmente 14 toneladas de cartilagem, sendo que o
rendimento é de 10% do peso desses resíduos, ou seja, para cada quilo de cartilagem
de tubarão, obtêm-se 100 gramas do pó.
Cada pote de 100 gramas do produto acabado (pó de cartilagem de tubarão) é vendido
por $ 85,00. Durante o mês de novembro, foram produzidos 1.200 potes de pó de
cartilagem de tubarão, com 100 gramas cada.
Seguem as informações sobre os gastos do mês de novembro da Boa Pesca Ltda.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 147


Quadro 1 - Custos de fabricação – custeio por absorção

Fonte: Silvio, 2007

148 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


a) Separação dos custos e despesas, fixos e variáveis

Quadro 2 - Despesas administrativas e comerciais

Fonte: Silvio,2007.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 149


Calculando o custo de cada unidade fabricada.

Demonstração do custo unitário – método do custeio por absorção

O resultado do mês pode ser demonstrado da seguinte forma:

Quadro 3 - Demonstração do resultado pelo custeio por absorção

Fonte: Silvio, 2007

150 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


No entanto, acredita-se que o método de custeamento por absorção não possui utilidade relevante
como instrumento gerencial, tendo em vista que os critérios de rateio, na maioria das vezes,
possui elevado grau de arbitrariedade. Esse aspecto, como já foi mencionado anteriormente,
pode simplesmente por uma mudança do critério, afetar o custo e consequentemente a
rentabilidade de um produto, sendo que isso é em termos práticos inadmissível, pois uma
mudança de critério de rateio não muda a maneira e o processo de fabricação de um produto
em questão.

Custeio Variável
Fonte: PHOTOS.COM

O método de custeio variável é uma técnica de apropriação de custos


que considera simplesmente os custos diretamente ligados aos produ-
tos ou serviços prestados, como sendo custos variáveis. Dessa forma,
somente os custos diretos são alocados aos produtos, sendo que os
custos indiretos entram na conta de resultados do exercício sem in-
terferir com as margens de lucros utilizada como auxílio na tomada de
decisões. Uma das aplicações mais conhecidas dessa técnica é a análise de custo-volume-
-lucro e está referida principalmente à análise de influência no lucro que as alterações no mix
de produção e de vendas podem trazer para a empresa.

O método de Custeio Variável é também conhecido como método de custeamento direto.


Segundo Martins (2004, p.178),
No Custeio Direto ou Custeio Variável, só são alocados aos produtos os custos
variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo
diretamente para o Resultado; para os estoques só vão, como conseqüência, os custos
variáveis.

Só são apropriados à produção os custos variáveis, quer diretos, quer indiretos. Os custos
fixos são contabilizados diretamente à débito da conta de resultado (juntamente com as
despesas) sob a alegação de que esses ocorrerão independentes do volume de produção
da empresa. Portanto, os custos fixos não são considerados como custos de produção e

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 151


sim como despesas. Nesse método, é levado em consideração de que a infraestrutura da
empresa não interfere no processo de formação de custos dos produtos, pois uma vez que ela
é concebida, os gastos ocorrem independentemente se houver ou não produção.

Esse método fere os princípios contábeis da Realização, Competência e Confrontação porque


os custos fixos são reconhecidos como despesas mesmo que todos os produtos fabricados
tenham sido vendidos. O método de custeio variável é indicado para tomadas de decisões.
É um tipo de custeamento que consiste em considerar como custo de produção do período
apenas os custos variáveis incorridos.

Os custos dos produtos vendidos e os estoques finais de produtos em elaboração e produtos


acabados só conterão custos variáveis.

Uma outra diferença em relação ao custeio por absorção, esta de natureza formal, reside na
maneira de apresentar a Demonstração dos Resultados. No custeio variável, a diferença entre
Vendas Líquidas e a soma de CPV (que só contém custos variáveis) e Despesas Variáveis
é denominada margem de contribuição. A margem de contribuição propicia a verificação de
quais os produtos e serviços que são mais ou menos lucrativos para a empresa, sem lançar
mão de formas de rateio discutíveis. Cada produto deve ter um percentual de margem de
contribuição que o mercado aceite pagar e não simplesmente, um aumento ou majoração em
cima dos custos variáveis. Além de tudo isso, o isolamento dos custos fixos facilita a gestão de
sua magnitude em relação à organização do todo.

152 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Sendo assim, podemos observar como segue abaixo:

Exemplo da utilização do custeio variável

Fonte: Silvio, 2007

Como base no mesmo exemplo utilizado no custeio por absorção, pode-se verificar as
diferenças na utilização desses dois métodos.

Demonstração do custo unitário – método do custeio variável

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 153


O resultado do mês pode ser demonstrado da seguinte forma:

Demonstração do resultado pelo variável

Fonte: Silvio, 2007

O método de Custeio Variável é também conhecido como método de custeamento direto.


Segundo Martins (1991, p.178),
No Custeio Direto ou Custeio Variável, só são alocados aos produtos os custos
variáveis, ficando os fixos separados e considerados como despesas do período, indo
diretamente para o Resultado; para os estoques só vão, como conseqüência, os custos
variáveis.

154 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


O custeio direto/variável oferece mais informações úteis e relevantes para a tomada de
decisão do que as demais abordagens do método de custeio, principalmente por evidenciar,
de forma clara e objetiva, a margem de contribuição que a instituição precisa ter para suportar
determinado volume de atividade, de modo a absorver os seus custos fixos e gerar resultados
favoráveis.

O objetivo de qualquer informação contábil é sua utilização gerencial e o processo de tomada


de decisão, um sistema de custos não é um fim em si mesmo. Em outras palavras, ele é uma
ferramenta gerencial, que existe para fornecer ao administrador, dados de custos necessários
para dirigir os assuntos de uma organização. Assim, o método de custeio variável/direto é o
método conceitualmente adequado para a gestão econômica do sistema empresa, no âmbito
da contabilidade de custos, enquanto o método de absorção não é adequado para tomadas
de decisão.

Só são apropriados à produção os custos variáveis, quer diretos, quer indiretos. Os custos
fixos são contabilizados diretamente à débito da conta de resultado (juntamente com as
despesas) sob a alegação de que estes ocorrerão independentes do volume de produção
da empresa. Portanto, os custos fixos não são considerados como custos de produção e sim
como despesas. Deduzindo as despesas fixas e os custos fixos da margem de contribuição,
obtém-se o lucro do exercício.

As principais vantagens deste método, que apesar de ser não aceito pela legislação fiscal
proporciona maires subsídios para a tomada de decisões, são:
• Sua fácil operacionalização.

• Identificação dos produtos com maior ou menor margem de contribuição.

• Rateios têm sempre algum grau de arbitrariedade.

• Evita a variação do custo do produto em função da quantidade produzida.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 155


INFLUÊNCIA DOS MÉTODOS DE CUSTEIO NA APURAÇÃO DO RESULTADO
Conforme verificamos quando aprendemos a entender a Demonstração do Resultado do
Exercício, a evidenciação dos custos se apresenta da seguinte forma:

RECEITA BRUTA

(–) Deduções

(=) RECEITA LÍQUIDA

(–) Custos dos produtos vendidos

(=) LUCRO BRUTO

(–) Despesas do período

(=) LUCRO OPERACIONAL

(–) Perdas

(=) LUCRO ANTES DA DISTRIBUIÇÃO

(–) Impostos e Participação dos Empregados

(=) LUCRO LÍQUIDO

(–) Dividendos

(=) LUCRO RETIDO PELA EMPRESA

156 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Observando esta estrutura podemos concluir que, se excluirmos os custos fixos do item
“Custo dos produtos vendidos” (custeio variável) teremos um maior lucro bruto, entretanto na
linha “Despesas dos período” teremos um acréscimo destes custos fixos, independente da
produção vendida e sim da produção do período. Isto fará com que o Resultado do Exercício
seja menor em relação ao custeio por absorção.

Além disso, a avaliação dos estoques será bem menor do que a utilização do custeio por
absorção.

CUSTOS NA PECUÁRIA

A atividade pecuária tem peculiaridades inerentes a sua atividade que diferem de outros setores.
Uma delas é o longo ciclo operacional, que varia de três a cinco anos, desde o nascimento do
bezerro até sua venda. Neste caso, o rebanho permanece no Ativo Circulante – Estoque por
longo período, até a sua maturação.

Existem três fases distintas na atividade pecuária de corte pelas quais passa o animal que se
destina ao abate:
a) Cria: a atividade básica é a produção de bezerros que só serão vendidos após o desmame.
Normalmente, a matriz (de boa fertilidade) produz um bezerro por ano.

b) Recria: a atividade básica é a partir do bezerro adquirido, a produção e a venda do novilho


magro para engorda.

c) Engorda: a atividade básica é a partir do novilho magro adquirido, a produção e a venda do


novilho gordo.

Segundo Marion (2009), o processo de produção na pecuária consiste no crescimento natural


do gado e consequente aumento de valor do Ativo da empresa, ou seja, o Estoque.

Existem outras questões que envolvem a apuração de Resultado na pecuária que está ligado

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 157


ao reconhecimento da receita antes da venda. Isso se deve ao fato do valor definido pelo
mercado, publicado regularmente em jornais e revista de circulação, no qual mesmo a empresa
não tendo ainda realizada a venda, reconhece, para efeito de variação patrimonial, a receita
que seria obtida com a venda do rebanho ainda em formação, com a finalidade de verificar a
viabilidade da manutenção do rebanho. Entretanto, este é um assunto que deverá ser discutido
em outra oportunidade de forma mais específica.

Marion (2009) ainda descreve alguns métodos existentes de cálculo do custo do bezerro:
a) Custo médio do rebanho: divide-se o “custo do rebanho” pelo plantel em estoque mais os
bezerros nascidos no mês. A partir deste valor, apropria-se o Custo Médio pelo rebanho
destinado ao corte.

b) Custo médio dos reprodutores: divide-se o “custo do rebanho” por todo o plantel (Estoque
mais Imobilizado) menos os bezerros nascidos no período. O resultado obtido (custo de
manutenção por cabeça) é multiplicado pelas cabeças do imobilizado e esse valor é atribu-
ído aos bezerros nascidos. Dessa forma, acha-se o custo por bezerro nascido. O custo de
manutenção por cabeça também é distribuido pelo rebanho em estoque.

c) Custo específico: apuram-se todos os custos referentes ao Imobilizado e apropriam-se


aos bezerros. Os demais custos seriam distribuídos proporcionalmente ao rebanho em
estoque.

d) Custo corrigido considerando os bezerros a nascer: trabalha-se com o valor dos estoques
corrigidos monetariamente e considera-se as vacas prenhas, de acordo com o número de
meses de gestação.

Entende-se como “Custo do Rebanho” itens como salário, alimentação de gado, exaustão
de pastagens, depreciações dos reprodutores, serviços veterinários, manutenção do rebanho
reprodutor entre outros.

Comparando-se com a contabilidade de custos em uma indústria, onde o custo de manutenção


das máquinas não é somado ao valor das máquinas, o mesmo acontece com a manutenção
do rebanho reprodutor, por isso este item soma-se ao custo do rebanho, pois o reprodutor tem
função semelhante ao destas máquinas em nossa comparação.

158 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


CONTROLE DE ESTOQUES
Fonte: PHOTOS.COM

O que o controle de estoques tem a ver com apuração de


custos?

Para grande parte das pessoas o controle de estoques é


apenas uma forma de controlar o fluxo do produto no negócio. Entretanto, o controle rigoroso
de estoques é a base para se apurar o custo destes produtos. Sem ele, não há como saber
quanto se gastou para colocar um produto à disposição para venda.

Portanto, da mesma forma que comentamos na unidade sobre ativo imobilizado, a utilização
de controles internos é essencial também na área de estoques.

Além do aspecto de vigilância sobre os itens que compõem o estoque, outro fator importante
do controle é a determinação do custo da mercadoria/produto. Saber apurar o custo é vital
para qualquer empreendimento, pois se não souber quanto custa uma mercadoria ou produto
como é que será possível estabelecer o valor pela qual se pode vendê-la? Por outro lado, se
o empreendimento não sabe o custo dos seus produtos ou mercadorias, não saberá qual o
resultado da mesma.

Os materiais (matérias-primas, mercadorias, embalagens, componentes adquiridos prontos e


outros materiais diretos) utilizados na fabricação e revenda, são considerados como fatores
básicos na formação dos custos.

Os materiais por sua característica física não precisam, necessariamente, serem adquiridos
na medida em que estão sendo utilizados. Eles podem por uma questão de oportunidade, ser
adquiridos em quantidades maiores do que a necessária para o seu consumo imediato, sendo
o excedente armazenado no estoque/almoxarifado.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 159


Os materiais quando ingressam na entidade são ativos que, por sua vez, têm como regra geral
de critério de avaliação o custo histórico de aquisição, ou seja, quando a empresa compra
certo material, incorporam o valor deste material todos os demais gastos (transporte, seguro,
armazenagem etc.) necessários para colocá-lo em condições de uso ou venda.

Os estoques também são classificados de acordo com sua finalidade junto à produção e à
atividade da empresa, como abaixo relacionado:
• Matéria-prima: produtos que compõem a cultura. Sementes, abudos, inseticidas.

• Produtos em elaboração: cultura temporária em formação; cultura permanente em anda-


mento.

• Produtos acabados: produção colhida e pronta para a venda.

• Materiais auxiliares: outros materiais acessórios à produção e à manutenção das ativida-


des da empresa.

De maneira mais específica, a atividade pecuária também possui classificações de estoques


que torna-se interessante mencioná-las, haja vista que temos os animais reprodutores, de
corte, de renda e de trabalho:
• Estoque de animais em experimentação (podem ter qualidades para reprodutores).

• Estoque de animais em formação.

• Estoque de animais prontos para o abate.

• Materiais auxiliares: itens que estão no almoxarifado como ração, feno, sais, medicamen-
tos etc.

Na movimentação desses materiais (saídas e entradas) é frequente a incidência simultânea


de dois ou mais lotes que foram adquiridos a preços diferentes e em diferentes datas. Sendo
que esse fato gera problemas quando da avaliação dos componentes do estoque que, por sua
vez, requer a adoção de determinados critérios ou métodos de avaliação adequados a cada
circunstância, na qual demonstraremos mais adiante.

160 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Embora sejam muitas as funções que se realizam dentro do sistema geral de controle dos
materiais, de acordo com Campiglia (1993, p. 42) são três os seus objetivos fundamentais:
a) a evidência das quantidades físicas que compõe os inventários do material e do
valor que lhes correspondem, determinada em função das operações de entradas e
do consumo periódico ou saídas;
b) a coordenação das entradas do material com o respectivo processo de compra;
c) a identificação das saídas do material e seu entrosamento no processo de formação
e evidência contábil dos custos de produção.

Pode-se notar que anteriormente bastante foi abordado sobre “entradas” e “saídas” de materiais
no estoque, cabendo agora definir melhor o que significam esses termos para a entidade.

As entradas são operações que aumentam o estoque, na maior parte das vezes, decorrentes
de compras e ou transferências internas. As compras se fazem quando do fornecimento
externo de materiais adquiridos de terceiros que se destinam ao abastecimento da fábrica,
já as transferências internas se dão quando certo material que fora retirado do almoxarifado
retorne em forma de entrada.

As saídas compreendem operações que reduzem os estoques e abrangem toda transferência


para a fábrica ou para destinatários externos.

Todo material que deixar o almoxarifado e for transferido para a fabricação ou revenda
(destinatários externos), deve ser contabilizado pelo seu valor respectivo do custo de aquisição.
O custo de aquisição compreende o preço pago na compra do material juntamente com seus
impostos não recuperáveis e suas despesas até o local de destino (fretes, carretos, seguros,
direitos, despesas alfandegárias etc.).

Inventário Permanente

Este sistema de controle de estoque sugere que as entradas e as saídas constituam em


si mesmas, operações que requerem registro e controle permanentes. O efeito desta
movimentação, por sua vez, resulta em uma variação constante que requer uma necessidade

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 161


por parte da administração de se manter um registro permanente dos materiais disponíveis,
seja para efeito de inventário, seja para a evidência pronta das disponibilidades de atendimento
dos consumos da fábrica no seu processo produtivo.

Segundo Favero (1994, p. 42):

“O inventário permanente, trata-se de um controle de estoque que permite aos usuários da


informação contábil obter a qualquer momento, informações precisas sobre a composição e
valor dos estoques da empresa”.

O registro e o controle permanente do estoque compreendem pois, tanto a existência física


como também o seu valor correspondente.

Cabe ainda ressaltar que com a utilização do sistema de inventário permanente, torna-se
desnecessário um maior desdobramento das contas de movimentação de mercadorias, pois
todos os lançamentos relativos à compra de mercadorias deverão ser feitas utilizando-se a
conta mercadorias.

Inventário Periódico

O inventário periódico é outro sistema de controle de estoque onde as informações sobre


as quantidades físicas do estoque, ou seja, a composição (quantidade/valor) do estoque é
efetuada por meio de contagem física periódicas.

No entanto, esta sistemática é aconselhável em empresas de pequeno porte, pois um


controle permanente pode vir a trazer um gasto muito elevado em relação aos benefícios das
informações oferecidas.

Conforme o RIR/80 as empresas no encerramento do ano fiscal devem realizar a contagem


física dos estoques.

162 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Critério de Avaliação dos Materiais

Como já foi dito anteriormente, na movimentação dos materiais (entradas e saídas) é quase
sempre frequente a incidência simultânea de dois ou mais lotes do mesmo material serem
comprados a preços diferentes e em diferentes datas. Com isto, surgem algumas alternativas
de métodos de valorização e controle dos estoques devendo ser adotado o mais adequado a
cada circunstância, na qual será demonstrado tais métodos a seguir.

Custo médio ponderado móvel

Vários autores afirmam que este é o critério mais utilizado no Brasil, possibilitando a
atualização do preço unitário a cada nova aquisição, consistindo simplesmente em apurar a
média ponderada dos preços do custo de aquisição das quantidades de cada lote individual
que entram na formação do saldo único do material.

Segundo Giustina (1995), o inventário permanente é atualizado permanentemente a cada


operação e reflete a qualquer momento e, sobretudo, na apuração de resultados do exercício
social, o valor de cada componente do estoque (cultura em formação, colheita em andamento
etc.).

Segundo o autor, é interessante uma analogia devido às semelhanças da Contabilidade Rural


com a Industrial, pois ambas têm uma produção em andamento.

Na indústria temos a “Matéria-Prima”, e na agricultura os “lnsumos” (sementes, adubos,


inseticidas etc.). “Produtos em Elaboração”, na indústria, equivalem à “Cultura Temporária
em Formação” ou à “Colheita em Andamento” da cultura permanente estoque - inventário
permanente. Na indústria, “Produtos Acabados”, assemelha-se a “Produtos Agrícolas” na
empresa rural.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 163


No exemplo a seguir, temos um diário de eventos relacionados à cultura do trigo. No primeiro
quadro temos as aquisições e aplicações das sementes. No segundo quadro temos o controle
do estoque dessas sementes. Posteriormente, o quadro de controle do custo da produção e o
quarto quadro, o controle do estoque da saca colhida.

Desta forma, podemos verificar o comportamento do custo médio e a importância dos controles
internos para o acompanhamento e apuração correta dos custos.

Movimentação de Sementes de Trigo

164 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Ficha de Estoque – Sementes de Trigo

Custos de Produção

Scs de Trigo

Vamos finalizar este exemplo, considerando a venda de 200 sacas de trigo a R$ 120,00/saca.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 165


Consideraremos, também, ICMS de 7% e comissão de vendas na ordem de 3%.

Demonstração do Resultado do Exercício

Balanço Patrimonial

166 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Ciclo do custo agrícola

Fonte: Silvio de Castro


Por meio da ilustração anterior, pode-se perceber que assim como em uma empresa industrial,
o processo de formação de custo é basicamente o mesmo em empreendimentos rurais, ou
seja, controle dos insumos aplicados, mão de obra e demais custos, formando dessa forma, o
custo de um novo produto pronto para ser comercializado.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 167


OUTRAS FORMAS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES

Além da média ponderada móvel, temos também outros dois métodos: o PEPS (ou FIFO) –
primeiro que entra, primeiro que sai; e o método UEPS (ou LIFO) – último que entra, primeiro
que sai.

Esses métodos seriam, de forma simplista, como se o estoquista, de acordo com o método
convencionado pela empresa, retiraria do estoque o primeiro item estocado (PEPS) ou o último
item estocado, no caso do UEPS. Lógico, que isto aconteceria de forma de apuração contábil
e não fisicamente, se bem que isto também poderia acontecer.

No caso do PEPS, como o próprio nome indica, consiste no esgotamento dos lotes com preços
diferentes, sendo assim, esses lotes devem ter controle separado na ficha de estoque assim,
o material utilizado é consequentemente custeado pelos preços mais antigos. Já no caso do
UEPS, o material utilizado é custeado pelos preços mais recentes.

Estas formas alterariam a apuração dos custos e dos estoques em virtude da política de preços
do produto no mercado. Onde haveria uma tendência de supervalorização ou subvalorização
dependendo se o produto tivesse tendência de alta ou queda no seu preço de aquisição.

A título de exemplo puramente didático, vamos considerar uma movimentação de estoque na


seguinte forma:

01/03 – entrada de 10 itens no estoque ao preço unitário de R$ 150,00.

10/03 – entrada de 30 itens no estoque ao preço unitário de R$ 120,00.

30/03 – saída de 20 itens do estoque.

168 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Em primeiro lugar, vamos utilizar o método PEPS para avaliar esta movimentação.

Observe que o Custo do Produto que saiu do estoque foi de R$ 2.700,00 e o estoque final
fechou com saldo de R$ 2.400,00.

Desta vez, vamos analisar a movimentação deste estoque por meio do método UEPS:

Observe que o Custo do Produto que saiu do estoque foi de R$ 2.400,00 e o estoque final
fechou com saldo de R$ 2.700,00.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 169


Para comparação, vamos agora utilizar a Média Ponderada Móvel e comparar os valores
apurados:

Neste caso, o valor do Custo dos Produtos que saíram do estoque foi de R$ 2.550,00 e o
estoque final avaliado em R$ 2.550,00.

<http://pt.wikipedia.org/wiki/Contabilidade>.
<http://www.cfc.org.br/>.
<http://www.eac.fea.usp.br/>.
<http://www.classecontabil.com.br/>.
<http://www.fi pecafi .com.br/>.
<http://www.portaldecontabilidade.com.br/glossario.htm>.

170 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Por que o fi sco não aceita um dos critérios de avaliação do estoque?
Existe a possibilidade de se obter o resultado contábil de uma entidade sem controle de estoque? Por
quê?

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Após o estudo desta unidade, a assimilação e os conceitos dos gastos que influenciam a
produção, tanto o produto quanto o estoque é a base para avançarmos ao último assunto
abordado nesta fase de estudos.

Para se tomar decisão é necessário conhecer o que a informação apresentada quer expressar.
A segregação dos custos e despesas, dos custos diretos e indiretos, dos custos fixos e
variáveis é fundamental para se analisar e gerir custos. A avaliação de custos é precedida por
estes elementos.

ATIVIDADE DE AUTOESTUDO

Qual a solução para o controle de estoque em empresas de grande porte que movimenta
milhares de itens do seu estoque todos os dias? Faça uma pesquisa a respeito desse aspecto
e apresente algumas sugestões para tal problema.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 171


ATIVIDADES

1. EXERCÍCIO RESOLVIDO

Com base nos dados abaixo, preencha a ficha de estoque e calcule o custo na venda de 60
unidades do produto alfa.

a) Usar método da média ponderada móvel.


b) PEPS - Primeiro a Entrar, Primeiro a Sair.
c) UEPS - Último a Entrar, Primeiro a Sair.

Descrição R$ Unit
Qtdade

Compra 01 327,00
15
Compra 02 360,00
25
Compra 03 385,67
20
Compra 04 408,17
20

a) Custo Médio

172 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


EXERCÍCIO 2

O empreendimento Univale efetuou a movimentação de estoque abaixo, no mês de maio/2006


da mercadoria X. Com base nessa movimentação, elabore a ficha de estoque pelo MPM e
informe o custo da mercadoria vendida.

Favero et al. (1997) expõem no capítulo 10 de sua obra os aspectos relevantes relacionados com
empresas e as operações com mercadorias ou matérias-primas. São abordados questões a respeito
da contabilização, apuração do ICMS, COFINS, e PIS além do frete e seguro sobre o transporte das
mesmas. Por fi m, apresenta critérios de avaliação do estoque e exemplos práticos.

FAVERO, Hamilton et al. Contabilidade Teoria e Prática. São Paulo: Atlas, 1997, pp. 197-253.
Biblioteca CESUMAR, número de chamada: 657 C759 1997.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 173


UNIDADE V

TOMADA DE DECISÃO, MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO,


PONTO DE EQUILÍBRIO E ALAVANCAGEM
OPERACIONAL
Professor Me. Silvio César de Castro
Professor Esp. Robinson Pereira Santos

Objetivos de Aprendizagem
• Compreender o conceito de margem de contribuição.
• Encontrar o ponto de equilíbrio de uma empresa.
• Compreender o conceito de alavancagem operacional.

Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:

• Cálculo da margem de contribuição


• Cálculo dos diversos pontos de equilíbrio
• Interpretação do índice de alavancagem operacional
INTRODUÇÃO

O que mais fica evidente em nossos estudos é a contribuição para a Tomada de Decisão
oferecida pela contabilidade.

Dentre os muitos instrumentos de análise, escolhemos três que formam o tripé da análise de
custos e resultados: Margem de Contribuição, Ponto de Equilíbrio e Alavancagem Operacional.
São instrumentos simples, mas que podem mostrar claramente a direção atual e aquela
que poderá ser tomada pela empresa, visando sempre a maximização do resultado com o
reconhecimento e tudo que pode consumir o resultado.

Fonte: PHOTOS.COM

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 177


MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO

A margem de contribuição consiste na diferença entre o preço de venda e a soma das


despesas e custos variáveis de um produto ou serviço. Para que se possa chegar à margem
de contribuição é de fundamental importância a segregação dos gastos entre variáveis e fixos.
A margem de contribuição pode ser apurada da seguinte forma:
Formas de apuração da margem de contribuição

Fonte: Silvio, 2007

178 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Lunkes (2004, p. 121) entende que “margem de contribuição é a quantia de receita que
permanece depois de deduzir os custos e despesas variáveis”, ou seja, o lucro variável por
unidade comercializada, isto é, consiste no preço de venda menos os gastos variáveis. Oliveira
e Peres (2005, p. 222) afirmam que “entende-se por margem de contribuição a diferença entre
o preço de venda e a soma das despesas e custos variáveis de um produto ou serviço”. E será
com o conceito desses dois últimos autores que esse assunto será tratado, ou seja:

Margem de contribuição = Preço de venda - custos variáveis - despesas variáveis

Sendo custos variáveis e despesas variáveis = gastos variáveis, pode-se assim simplificar:

Oliveira e Peres (2005, p. 222) afirmam que:


A margem de contribuição é, em outras palavras, a ´sobra financeira´ de cada produto ou
divisão de uma empresa para a recuperação — ou amortização — das despesas e dos
custos fixos de uma entidade e para a obtenção do lucro esperado pelos empresários
[...]

a) Exemplo de margem do cálculo contribuição unitária, total por produto e global:

Demonstração da margem de contribuição unitária, total por produto e global

Fonte: Silvio, 2007

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 179


Por meio do quadro acima, pode-se verificar que o produto por unidade que apresenta a maior
margem de contribuição no mês é o produto C, no entanto, o produto que mais contribuiu
para amortizar os gastos fixos da empresa foi a A, mesmo possuindo a menor margem de
contribuição unitária. Isso foi possível pelo fato do volume de vendas dao produto A ter sido
representativamente superior ao produto C. Nesse sentido, é importante verificar que nem
sempre o produto que apresenta a maior margem de contribuição por unidade é o mais
interessante para a empresa, pois o volume produzido e comercializado é um fato relevante
nesse sentido.

b) Exemplo de margem do cálculo de contribuição por filial:

Exemplo de margem de contribuição por filial

Fonte: Silvio, 2007

Da mesma forma como foi demonstrado no quadro 21, pode-se identificar a margem de
contribuição por divisão de negócios ou departamentos da empresa.

Oliveira e Peres (2005) ressaltam que por meio da análise da margem de contribuição é
possível:
a) Verificar quais produtos são mais rentáveis e os menos rentáveis ou deficitários.

b) Qual foi o produto que mais contribuiu para amortizar os gastos fixos da empresa.

180 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Essas informações podem levar a decisões de quais produtos ou linha de produção podem
ser fomentados, produtos a serem eliminados etc.

Margem de Contribuição e os Fatores Limitativos de Produção

Fonte: PHOTOS.COM

Por meio da demonstração da margem de contribuição, pode-se a princípio acreditar que


o mais interessante, a decisão mais acertada, por parte do administrador, seria fomentar a
produção e venda do produto que possui a maior margem de contribuição em relação aos
demais produtos. No entanto, essa premissa é verdadeira somente nos seguintes cenários:
a) a organização não possui fatores que limitem sua produção (hora máquina, hora mão de
obra, matéria-prima etc.);

b) toda demanda de mercado/venda está sendo atingida pela empresa, não existem clientes
que estão sendo atendidos parcialmente face algum limitador de produção.

Caso a empresa possua algum fator que limite sua produção de forma que o mercado está
sendo atendido parcialmente, a simples decisão de fomentar o produto que possui a margem
de contribuição mais representativa por unidade não tem mais valor. A partir desse momento,
a análise da margem de contribuição pelo fator limitativo de produção torna-se crucial.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 181


Exemplo Prático:

A Saudável Frigo S.A. é beneficiadora de carne e laticínios. Produziu e vendeu em julho três
produtos com a seguinte margem de contribuição para cada unidade:

Margem de contribuição e os fatores limitativos: exemplo prático

Fonte: Silvio, 2007

Os custos e despesas fixas totalizaram $ 600.000 no mês, e a empresa trabalhou em julho


com a capacidade máxima de produção das máquinas e equipamentos, ou seja, 34.500 horas
máquina, conforme quadro acima.

Em reunião da Diretoria você ficou sabendo que:

A empresa atendeu totalmente a demanda para o produto C, que oferece a maior margem
de contribuição, mas não conseguiu atender a toda demanda para os produtos A e B, cujas
demandas eram de:
A: 3.000 unidades.

B: 1.400 unidades.

C: 3.000 unidades.

182 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


O administrador acreditou ter tomado a decisão correta em priorizar a produção e venda do
produto que oferecia a maior margem de contribuição em relação aos outros produtos.

1º Passo:

Verificar qual o resultado obtido com a produção e venda realizada de acordo com a decisão
dos administradores da empresa, ou seja, a movimentação efetuada no quadro abaixo.

Margem de contribuição e os fatores limitativos: exemplo prático

Fonte: Silvio, 2007

2º Passo:

Calcular a margem de contribuição em relação ao fator limitativo de produção.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 183


No entanto, se o administrador tivesse levado em consideração o fator limitativo de produção,
o produto que deveria se priorizado para produção e venda seria o produto B com R$ 68,00
seguido pelo produto A com R$ 35,00 e o produto C com R$ 22,50.

No entanto, se fosse efetuado o atendimento à demanda de mercado, o resultado seria:

Margem de contribuição e fatores limitativos de produção: distribuição de horas

Fonte: Silvio, 2007

3º Passo:

Refazer o cálculo do resultado do mês com base no novo mix de produção, levando em
consideração o fator limitativo de produção.

Margem de contribuição e fatores limitativos de produção: novo mix de produção

Fonte: Silvio, 2007

184 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Pode-se verificar que houve um incremento de R$ 196.000 no resultado da empresa. É
importante ressaltar, que isso ocorreu pelo simples fato de ter sido levado em consideração
o fator limitativo de produção. Esse exemplo prático demonstra que quando existirem fatores
que limitem a produção de uma forma que a demanda de mercado não possa ser atendida, a
simples premissa de incentivar a produção e venda do produto que possui a maior margem de
contribuição unitária não possui mais validade.

PONTO DE EQUILÍBRIO
Fonte: PHOTOS.COM

Para Cogan (1999), ponto de equilíbrio corresponde


à quantidade produzida, volume de operações para
a qual a receita iguala o custo total, pois é o ponto
onde o lucro líquido iguala a zero, podendo ser
demonstrada em unidades físicas ou monetárias.
O modelo do ponto de equilíbrio tem por objetivo
determinar o nível de produção em termos de quantidade, ou de valor que se traduz pelo
equilíbrio entre a totalidade dos custos e das receitas. Para um nível abaixo desse ponto, a
empresa estará na zona de prejuízo e acima dele, na zona de lucratividade. Portanto, nesse
ponto, o nível de operação é tal que absorve a totalidade dos custos e despesas fixas, e acima
dele somente incidem os custos e despesas variáveis.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 185


Ponto de equilíbrio

Fonte: Silvio, 2007

Ponto de equilíbrio contábil (PEC)

Possibilita verificar o nível de atividades necessárias para recuperar todas as despesas e


custos de uma empresa, facilita a análise da lucratividade dos produtos vendidos. No Ponto de
Equilíbrio Contábil, o resultado da empresa é igual a zero.

Quadro 4 - Fórmulas ponto de equilíbrio contábil

Fórmulas:

Fonte: Silvio, 2007

186 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF)
Fonte: PHOTOS.COM
Possibilita identificar o nível de produção e vendas em que o saldo
de caixa é igual a zero assim, representa a quantidade de vendas
necessária para cobrir os gastos efetuados tanto operacional quanto
não operacional. O ponto de equilíbrio financeiro exclui os gastos que
não afetam o caixa da empresa, ou seja, não são desembolsáveis,
porém são considerados para efeito do resultado contábil. Os mais comuns são amortizações
e depreciações.

Fórmulas ponto de equilíbrio financeiro

Fonte: Silvio, 2007

Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE)

Por meio do Ponto de Equilíbrio Econômico é possível projetar os resultados que a empresa

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 187


poderá obter em diversos níveis de atividades de produção e de vendas, mantidas constantes
às demais variáveis, tais como margem de contribuição, total das despesas e custos fixos
etc. O Ponto de Equilíbrio Econômico corresponderá ao nível de atividade necessário para se
atingir o resultado esperado ou projetado.

Fórmula ponto de equilíbrio econômico

Fonte: Silvio, 2007

Ponto de equilíbrio, exemplo numérico.

A indústria de alimentos enlatados Sabor do Campo Ltda., obteve no mês de setembro os


seguintes dados de sua produção:

Sabor do Campo Ltda. - Movimentação do mês de setembro

Fonte: Silvio, 2007

1. Qual o volume em quantidade de vendas que fará com que o resultado da empresa seja
zero? Ou seja, o ponto de equilíbrio contábil em unidades.

188 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Primeiramente, deve-se identificar qual a margem de contribuição e a margem de
contribuição %.
Sabor do Campo Ltda. - Margem de contribuição

Fonte: Silvio, 2007


R$180.000
PEC = = 30.000
R$6,00
Isso significa que a empresa apresentará um resultado igual a zero quando produzir e vender
30.000 unidades de enlatado.

Sabor do Campo Ltda. - Demonstração do ponto de equilíbrio em unidades

Fonte: Silvio, 2007

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 189


2. Qual receita bruta fará com que o resultado da empresa seja zero?
R$180.000
PEC = x100 = R$390.000
46,15
Sabor do Campo Ltda - Demonstração do ponto de equilíbrio em receita bruta

Fonte: Silvio, 2007

3. Tendo em vista que entre os gastos fixos, o valor de R$ 12.000 corresponde à depreciação
do mês, quantas unidades do produto farão com que o saldo de caixa seja igual a zero?
R$180.000 - R$12.000
PEF = = 28.000 unid
R$6,00
Sabor do Campo Ltda - Demonstração do ponto de equilíbrio financeiro em unidades

Fonte: Silvio, 2007

190 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Percebemos que, no cálculo do ponto de equilíbrio financeiro o saldo de caixa é zero, porém
o resultado contábil é negativo (prejuízo). Isso é justificado pelo fato de que os gastos fixos
informados no quadro 12 permanecem em sua totalidade, ou seja, não foi deduzido os R$
12.000 correspondente às depreciações do mês.

4. Tendo em vista que entre os gastos fixos, o valor de R$ 12.000 corresponde à depreciação
do mês, a receita bruta fará com que o saldo de caixa seja igual a zero?

R$180.000 - R$12.000
PEF = x100 = R$364.000
46,15
Sabor do Campo Ltda - Demonstração do ponto de equilíbrio financeiro em receita
bruta

Fonte: Silvio, 2007

5. Tendo em vista que entre os gastos fixos, o valor de R$ 12.000 corresponde à depreciação
do mês, quantas unidades do produto farão com que o saldo de caixa seja igual 18.000?
R$180.000 - R$12.000 + R$18.000
PEF = = 31.000 unid
R$6,00
6. Tendo em vista que entre os gastos fixos, o valor de R$ 12.000 corresponde à depreciação
do mês, a receita bruta fará com que o saldo de caixa seja igual R$ 18.000?

R$180.000 - R$12.000 + R$18.000


PEF = x100 = R$403.000
46,15

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 191


UTILIZANDO O PONTO DE EQUILÍBRIO NA
Fonte: PHOTOS.COM

PROJEÇÃO DE CENÁRIOS CONTÁBEIS

O ponto de equilíbrio pode ser utilizado em


complemento a outras ferramentas de análise
financeira dos negócios, prevendo e projetando
possíveis resultados e níveis de atividade com as
mudanças previstas. No objetivo de ilustrar essa utilização, será apresentado um exemplo
prático dessa metodologia.

A rede de hotéis Rede Campo Rural Ltda., possui 16 hotéis no interior do Mato Grosso do Sul,
Paraná e Rio Grande do Sul para turismo rural. Cada unidade possui 50 quartos, ou seja, ela
tem disponível 800 quartos para alugar aos turistas. Levando em consideração em média 30
dias no ano, ela possui então 24.000 (800 x 30) diárias disponíveis por mês.

A taxa média de ocupação é de 70% da capacidade total, ou seja, 16.800 diárias (70% x
24.000).

O preço cobrado por cada diária alugada é de R$ 120,00.

Os gastos variáveis por diária são de R$ 40,00 por diária.

Os gastos fixos mensais com os 16 hotéis da rede são de R$ 1.350.000.

a) Cenário com 16 Unidades

Ponto de equilíbrio nas condições atuais.

Margem de contribuição por diária alugada: R$ 80,00 (R$ 120- R$ 40).

R$1.350.000
PEC = = 16.875 > diárias/mês
80

192 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Sendo que a taxa média de ocupação é de 16.800 diárias/mês (70%), verificou-se que
atualmente a Rede de Hotéis Campo Rural necessita de uma quantidade maior de diárias
alugadas mensalmente do que sua média de ocupação.

Média de ocupação: 16.800 diárias/mês.


Pondo de Equilíbrio Contábil: 16.875 diárias/mês.
Ocupação necessária: 100,44%.

Pensando nisso a Diretoria solicitou um estudo visando a redução da quantidade de unidades,


ficando em um primeiro momento com 13 unidades e depois com 10 unidades na rede. Essa
escolha foi efetuada estrategicamente, visando principalmente aquelas unidades que tinham
um gasto fixo mais elevado em relação as outras.

b) Cenário com 13 Unidades

Com 13 unidades os gastos fixos se manteriam em R$ 850.000 e a capacidade instalada de


19.500 diárias mensais (13 unidades x 50 quartos por diária x média de 30 dias no mês).

No entanto, acredita-se que com essa decisão, a taxa média de ocupação passará para 80%,
tendo em vista a migração de turistas para as unidades remanescentes. Nesse sentido, 15.600
diárias seriam alugadas em média por mês (19.500 x 80%).

R$850.000
PEC = = 10.625 > diárias / mês
80
Com essa decisão a taxa de ocupação necessária para que a rede obtenha o ponto de
equilíbrio contábil é de 68,11%, tendo em vista que 10.625 diárias representam esse percentual
da taxa média de ocupação que é de 15.600 diárias.

c) Cenário com 10 unidades

Com 10 unidades, os gastos fixos se manteriam em R$ 650.000 e a capacidade instalada de


15.000 diárias mensais (10 unidades x 50 quartos por diária x média de 30 dias no mês).

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 193


No entanto, acredita-se que com essa decisão, a taxa média de ocupação passará para 85%,
tendo em vista a migração de turistas para as unidades remanescentes. Nesse sentido, 12.750
diárias seriam alugadas em média por mês (15.000 x 85%).
R$650.000
PEC = = 8.125 > diárias/mês
80
Com essa decisão, a taxa de ocupação necessária para que a rede obtenha o ponto de
equilíbrio contábil é de 63,73%, tendo em vista que 8.125 diárias representam esse percentual
da taxa média de ocupação que é de 12.750 diárias.

Agora, resta verificar qual alternativa é a mais viável para a Rede Campo Rural Ltda., em
termos de obtenção de resultado.

Cenários contábeis: Hotel Rede Campo Rural Ltda.

Fonte: Silvio, 2007

Diante das demonstrações práticas anteriores, convém ressaltar, ainda, que talvez a principal
aplicação da ferramenta Ponto de Equilíbrio seja o seu aspecto de planejamento de cenários,
por meio das simulações que o mesmo possibilita. Neste sentido, o administrador tem
condições de planejar mais adequadamente suas atividades e até verificar se há necessidade
de ampliação (ou ociosidade) na capacidade produtiva instalada.

194 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Depois de calculado o Ponto de Equilíbrio é possível conhecer se a empresa está operando
com Margem de Segurança ou não. Em relação à Margem de Segurança, Bornia (2002) aduz
que consiste no excedente das vendas da empresa sobre as vendas no ponto de equilíbrio.
Consequentemente, representa o quanto as vendas podem cair sem que haja prejuízo para a
empresa.

GRAU DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL

O grau de alavancagem operacional é a forma de medir em que proporção o resultado da


empresa é afetado quando o volume de vendas sofre alterações. Tendo em vista que a
composição dos gastos das empresas se dividem em fixos e variáveis. Quando o volume de
atividades da empresa sofre alterações, o resultado não reage na mesma proporção. Esse
aspecto se dá pelo fato dos gastos fixos permanecerem inalterados, enquanto os gastos
variáveis oscilam proporcionalmente a essa alteração.

Como se mede o grau de alavancagem operacional:

Margem de Contribuição Global


Grau de Alavancagem Operacional =
Resultado

As empresas com composição de gastos fixos mais elevada em relação às variáveis, possuem
uma alavancagem mais elevada em relação àquelas com gastos fixos menos representativos.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 195


Exemplo Prático:
Grau de Alavancagem Operacional

Fonte: Silvio, 2007

Isso significa afirmar que para cada ponto percentual de variação no volume de vendas, o
resultado das empresas aumentará 4, 8 e 20 vezes esse percentual.

Supondo que as empresas A, B e C tiverem um aumento de 10% no seu nível de vendas, ou


seja, R$ 50.000, como ficará o resultado:

A = 10% x 4 = 40%
B = 10% x 8 = 80%
C = 10% x 20 = 200%

Verificando se houve de fato aumento no resultado conforme previsto pelo Grau de


Alavancagem Operacional:
Grau de Alavancagem Operacional: verificação do índice

Fonte: Silvio, 2007

196 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


A alavancagem operacional é definida com a capacidade de “aumentar” o resultado, sem
aumentar o consumo dos recursos (custos e despesas fixas), maximizando os recursos
disponíveis, possibilitando o acréscimo do lucro total pelo incremento da quantidade produzida
e vendida.

Uma outra análise considerável é a simulação de aumento da produção e vendas de acordo


com a capacidade operacional da empresa, isto é, sua estrutura de gastos fixos.

Considere a situação atual de uma empresa:

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 197


Considere um incremento de receita na ordem de R$ 10.000,00 e verifique como se comporta
a alavancagem desta empresa:

Considere desta vez um decréscimo na receita na ordem de R$ 10.000,00 e verifique como se


comporta a alavancagem desta empresa:

Vamos calcular o grau de alavancagem operacional, utilizando dados percentuais, dividindo


o percentual de variação do lucro pelo percentual de variação da receita desta empresa e
verificar sua interpretação:

198 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


Margem de Contribuição Global
Grau de Alavancagem Operacional =
Resultado

Δ% Lucro
Grau de Alavancagem Operacional =
Δ% Receita

20%
Grau de Alavancagem Operacional =
17%

Grau de Alavancagem Operacional = 1,2046.

Este índice indica que com a estrutura de custos atual, a empresa apresenta uma alavancagem
operacional de 1,2046, isto é, o seu lucro cresce 1,2046 vezes mais rápido que as vendas.

ESTUDO DE CASO

Extraído do trabalho de pesquisa de campo no Mato Grosso do Sul.


A viabilidade do segmento avícola no centro-oeste: um estudo de caso sob a
ótica do empresário rural
Adriana Regina Redivo (UFSCAR)
Arlete Redivo (UNEMAT)
Eriqueson Pope (UNEMAT)
Geovane Paulo Sornberger (UNEMAT)
Produção integrada de frango
No sistema de produção integrada de frango ou sistema de integração há uma parceria,
tendo de um lado, o complexo agroindustrial ou uma empresa agroindustrial de
produtos alimentícios, neste caso específico frango de corte, e de outro lado o produtor.
Neste sentido, a empresa procurando uma ampliação do mercado e verticalização
de produção, conta com esse tipo de parceria avícola para aumentar sua capacidade
produtiva e minimizar os custos de mão de obra. Neste regime de integração cabe à

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 199


empresa fornecer os pintainhos de um dia, a ração e a assistência técnica adequadas
para o produtor dono do aviário. Em contrapartida, os produtores comprometem-se com
a construção dos aviários, manutenção, a mão de obra necessária e todos os custos e
despesas como energia, e outros que ocorrem na criação das aves até o abate.
É interessante saber qual é a quantidade de frango que deve ter no aviário para
não incorrer em prejuízos, considerando que tenha as características de produção
semelhantes às do lote em estudo. Desta forma, para saber esta quantidade, deve ser
calculado o ponto de equilíbrio contábil, econômico e financeiro da atividade tanto em
valor quanto em unidade.
Na propriedade, a cada sete lotes de aves é feito a troca da “cama” de frango que é
vendida para terceiros como adubo orgânico. Adiciona-se então esses valores, pois são
pertinentes à atividade, e assim, fazermos os cálculos pretendidos no estudo.
Para isso, a tabela a seguir trata de uma DRE consolidada, em que estão agregados
as receita e gastos do frango e da cama de frango, tendo como função de facilitar
a visualização de todos os componentes necessários para os cálculos do ponto de
equilíbrio. No que refere à cama, para análise da viabilidade econômica do investimento,
é necessário apresentar o retorno oriundo de 7 lotes de produção contemplando os
lucros dos respectivos lotes, mais o lucro gerado pela venda da cama de frango. Desta
forma, será calculado o ciclo total dos 7 lotes que serão transformados em anos para
facilitar a análise o retorno do investimento. Será transcrito o equivalente a 1/7 (um
sétimo) dos valores existentes. Para informação, o ciclo de 7 lotes ocorrem no período
de 1,19 anos.
DRE com valor agregado (lote frangos mais 1/7 da cama de frangos):

Fonte: Os Autores (2008)


Esta tabela tem os componentes que serão utilizados para os cálculos do ponto de
equilíbrio, margem de segurança e o grau de alavancagem operacional. Ela ficou
organizada de forma sintética para facilitar a visualização dos componentes necessários
para tais cálculos, demonstrando seus valores totais e unitários por meio da divisão
do total de receitas, gastos e do lucro pelas 24.800 unidades produzidas, e na última

200 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


coluna foram transformados em porcentagem.
Outras informações:
Gastos com depreciação: R$ 2.125,22.
Retorno desejável pelo empresário: R$ 5.000,00.
Calcular o ponto de equilíbrio contábil, financeiro e econômico e o grau de avalancagem
operacional.

Fonte: Redivo; Redivo; Pope; Sorngerger (2009).

1. Existem autores que fazem crítica a respeito da metodologia do custeio por absorção. Eles ressal-
tam que um dos problemas para a adoção desse critério é a necessidade de ratear os custos fi xos
aos produtos, utilizando critérios inadequados de rateio. Comente essa problemática.

2. Existem autores que fazem crítica a respeito da metodologia do custeio variável, argumentando que
os custos fi xos fazem parte do custo dos produtos e, portanto, nada justifi ca sua não inclusão nos
custos de produção. Comente essa crítica.

<http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/DowContador?OpenAgent&unid=B83E6E16A0097
D3A03257146005A1566>.
<http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/DowContador?OpenAgent&unid=2BAEE4783A580
55703256D520059B555>.
<http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/DowContador?OpenAgent&unid=FECA94438D8E
D49383256F6B0062110D>.
<http://www.biblioteca.sebrae.com.br/bds/bds.nsf/DowContador?OpenAgent&unid=3FBBFEA85569F
44F832572CA004E51A1>.

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 201


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao término desta unidade, acreditamos que ficou claro que a demonstração patrimonial e de
resultados, o entendimento da retificação patrimonial e os itens de custos são imprescindíveis
para se formar uma estrutura que permita a avaliação dos resultados fortemente impactados
pelos Custos.

Custos não se corta, mas se racionaliza. Custos não se extinguem, mas se consomem.
Sua racionalização e seu consumo, transferindo-os ao patrimônio (na forma de estoques) é
de fundamental importância para se obter o resultado econômico mais condizente com os
atributos que se espera da contabilidade: confiança, comparação, compreensão e tempo hábil
para se tomar as decisões cabíveis.

As obras abaixo apresentam modelos e exemplos dos conceitos utilizados neste módulo, além de
argumentação com respaldo de todos os modelos sugeridos. Além de que, trata-se de obras que são
amplamente utilizadas no meio acadêmico e empresarial como obras de referências, inclusive para
outros autores.

MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 4. ed. São Paulo, 2000.


PADOVEZE, Clóvis Luis. Contabilidade Gerencial. São Paulo: Atlas, 1997.

202 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


CONCLUSÃO

A Gestão do Agronegócio é o exercício de tomada de decisões para garantir que o agrone-


gócio, ao qual o gestor está envolvido, alcance os resultados esperados, que invariavelmente
estão relacionados a resultado e rentabilidade.

Impossível alcançar estes resultados sem um sistema de informações que registrem, classifi-
quem e organizem os fatos administrativos que posteriormente sejam consolidados em infor-
mações. Este é o papel da contabilidade.

Entender o que é contabilidade e sua função no agronegócio foi a nossa ênfase neste material.
O posicionamento científico, suas peculiaridades e o uso da informação são elementos funda-
mentais para se entender como se estrutura os subsídios para a tomada de decisão.

O entendimento do Patrimônio da empresa do agronegócio, principalmente aquelas voltadas à


lavoura e à criação animal, foi o ponto de partida para o estudo da contabilidade, onde conhe-
cemos o Ativo, Passivo e o Patrimônio Líquido como elementos fundamentais para a formação
do Balanço Patrimonial.

Ao estudarmos a elaboração da Demonstração de Resultados, a principal demonstração de


avaliação da atividade do agronegócio, fomos dirigidos ao entendimento de Receitas, Custos e
Despesas, Lucro e Prejuízo, que são elementos fundamentais para o conhecimento do Ponto
de Equilíbrio e da Alavancagem Operacional, que são ferramentas de análise imprescindíveis
para alcançar tal avaliação.

Alguns tópicos também foram necessários abordar, devido à peculiaridade do agronegócio,


que é a retificação do Patrimônio que acontece por meio da depreciação, amortização ou
exaustão, assim como o controle dos elementos que formam o Ativo Permanente.

A gestão de custos, pelos menos uma pequena introdução neste universo, foi o assunto funda-
mental para tomada de decisão em relação ao produto do agronegócio e o seu posicionamento
no mercado.

Enfim, reenfatizamos o papel de apoio à gestão que a contabilidade exerce neste âmbito. É
impossível a gestão de qualquer negócio sem a posse de informações reais, organizadas e
dirigidas.

A contabilidade gerencial é, sem dúvida alguma, uma ferramenta fundamental e elementar

CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância 203


neste processo de gestão.

Assim, esperamos que o material apresentado, juntamente com as aulas ministradas, seja de
grande valia e influência na sua vida profissional e pessoal.

Sucesso!!

204 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância


REFERÊNCIAS

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Porto Alegre: Bookman, 2002.

CAMPIGLIA, Américo Oswaldo; CAMPIGLIA, Oswaldo Roberto P. Controles de gestão:


controladoria financeira das empresas. São Paulo: Atlas, 1993.

COGAN, Samuel. Contabilidade Gerencial: Uma abordagem da Teoria das Restrições. São
Paulo: Saraiva, 2007.

CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. RESOLUÇÃO 750/93. Princípios Fundamentais


de Contabilidade (aprovados pelo Conselho federal de Contabilidade pela Resolução CFC
750/93, publicada no DOU de 31/12/93).

CREPALDI, Silvio Aparecido. Contabilidade Rural. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2005.

FAVERO, Hamilton et al. Contabilidade Teoria e Prática. São Paulo: Atlas, 1997.

FERRARI, Ed Luiz. Contabilidade Geral: teoria e 950 questões. Rio de Janeiro: Impetus,
2001.

FIPECAFI. Manual de Contabilidade das Sociedade por Ações. São Paulo: Atlas, 2000.

FIPECAFI. Manual de Contabilidade Societária. São Paulo: Atlas, 2010.

GIUSTINA, José Sérgio Della. Um Sistema de Contabilidade Analítica para Apoio à


Decisões do Produtor Rural. 1995. 141 f. (Dissertação em Engenharia da Produção) –
Programa de Pós-Graduação em Engenharia da Produção, Universidade Federal de Santa
Catarina, Florianópolis.

IUDÍCIBUS, Sérgio de; MARION, José Carlos. Contabilidade para não contadores. 3. ed.
São Paulo: Atlas, 2000.

LUNKES, Rogério João. Manual de orçamento. São Paulo: Atlas, 2004.

MARION, José Carlos. Contabilidade Básica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2004.

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MARION, José Carlos. Contabilidade da Pecuária. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2004.

MARION, José Carlos. Contabilidade Rural. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

MARION, José Carlos (coord.) Contabilidade e Controladoria em Agribusiness. 1. ed. São


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MARTINS, Eliseu. Contabilidade de Custos. 4. ed. São Paulo, 2000.

MIRANDA, Daniela. Contabilidade Básica. IESAM – INSTITUTO DE ESTUDOS


SUPERIORES DA AMAZÔNIA, 2002.

NEVES, Silvério; VICECONTI, Paulo V. Contabilidade Básica. 8. ed. São Paulo: Frase
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OLIVEIRA, Luís Martins de; PEREZ, José Hernandes Junior. Contabilidade de Custos para
não Contadores. São Paulo: Atlas, 2009.

REDIVO, Adriana Regina; REDIVO, Arlete; POPE, Eriqueson; SORNGERGER, Paulo G.


A viabilidade do segmento avícola no centro-oeste: Um estudo de caso sob a ótica do
empresário rural. Universidade Federal de Santa Maria. RS, 2008.

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SILVA, Ernesto J. Manual Básico - Contabilidade Geral: para administradores secretários e


executivos. Faculdade Campo Real. Guarapuava- PR, 2002.

206 CONTABILIDADE APLICADA AO AGRONEGÓCIO | Educação a Distância