You are on page 1of 4

TÍTULO DO TRABALHO

A formação dos trabalhadores e a oferta educacional no norte de Minas Gerais

AUTOR(ES) INSTITUIÇÃO

José de Andrade Matos Sobrinho Universidade Estadual de Montes Claros


Antônio Júlio de Menezes Neto PPGE/FaE/Universidade Federal de Minas Gerais

CATEGORIA DO TEXTO
( x) Resumo estendido de comunicação científico
( ) Resumo estendido de relato de experiência
( ) Trabalho completo de comunicação científica
( ) Trabalho completo de relato de experiência
GRUPO DE TRABALHO

Grupo de Trabalho 12: Trabalho, educação técnica e tecnológica dos trabalhadores

RESUMO / PALAVRAS-CHAVE
Essa comunicação científica é resultado da tese de doutorado intitulada “A formação dos
trabalhadores e a oferta educacional no norte de Minas Gerais”, que buscou ao longo da
investigação compreender as razões que ocasionaram a realidade educacional desigual entre o
rural e o urbano no norte de Minas Gerais e as diferentes repercussões no que se refere ao
acesso à oferta educacional proporcionada pelo Estado e seu sistema de ensino efetivamente
existente aos trabalhadores dessas duas dimensões espaciais do sertão mineiro. A nova divisão
do trabalho e sua correspondente mudança na base técnica da produção econômica induzida
pelo Estado através da SUDENE – que se justificou como uma proposta de romper o
isolamento e transformar a realidade social norte mineira - criou uma base educacional apenas
para a indústria, para o setor de serviços e para o agronegócio. Grande parte das populações
que não tiveram oportunidade de se integrar ao modelo de desenvolvimento proposto pelo
Estado teve que se adaptar para manter suas formas tradicionais de produzir sua
sobrevivência, através de trabalhos ligados diretamente à natureza e a biodiversidade do
Cerrado. Desenvolveram estratégias de resistência, trabalhando em relações familiares e
identitárias ancestralmente construídas, vinculadas aos territórios onde vivem e se relacionam
culturalmente. Se por um lado, esse crescente processo de urbanização possui resquícios de
ruralidades, por outro lado às conexões urbanas também destroem saberes e conhecimentos
tradicionais locais (Querino, 2006). Considerando o conhecimento como um fator
preponderante no sucesso de empreendimentos econômicos, a hipótese dessa pesquisa foi que
a contundente pressão da SUDENE em estimular a industrialização e a modernização agrícola
criou padrão educacional que se estabeleceu em função das demandas desses setores
econômicos instalados no norte de Minas Gerais, o que ocasionou a cisão na oferta
educacional aos trabalhadores não ligados ao grande capital na região. A modernização
conservadora da produção e a concentração de sua base produtiva nos moldes estabelecidos
fizeram com que a oferta educacional fosse direcionada para qualificar prioritariamente o
trabalhador da indústria, do setor de serviços (comércio), do agronegócio e de setores
associados a essas cadeias produtivas. Por outro lado, a formação educacional dos
trabalhadores mais diretamente ligados a natureza, como extrativistas, trabalhadores rurais,
indígenas, quilombolas, vazanteiros entre outras populações tradicionais, nunca tiveram
qualquer política educacional que contemplasse as particularidades e necessidades destes pela
SUDENE e seu modelo educativo. O objetivo geral da pesquisa foi compreender a
racionalidade que determinou a desigualdade desta oferta educacional no norte de Minas
Gerais, particularmente àqueles ligados aos setores econômicos mais dinâmicos do capital
(industrial, serviços e agropecuária) e a oferta educacional destinada as populações
tradicionais do campo dessa região. O arcabouço teórico-metodológico desse trabalho está
fundamentado no materialismo dialético, que aborda a investigação em duas etapas distintas e
complementares, uma de investigação e a outra de exposição crítica dos resultados. A relação
do particular como ponto de partida, mas apenas como o momento da aparência puramente
fenomênica do objeto e aproximativa com a materialidade histórica existente, etapa na qual
Marx chamou de fase de investigação, foi imprescindível para se compreender a totalidade
envolvida no fenômeno educacional no norte de Minas. O concreto nessa fase representou a
forma aparente do objeto a ser estudado e foi o efetivo ponto de partida da pesquisa, mas
apenas enquanto etapa para se apropriar da matéria, da realidade, do objeto em detalhe, assim
como ele se apresenta no concreto sem nenhuma espécie de julgamento ou valor a priori.
Finalizada a etapa de elevar-se do abstrato ao concreto coerente com o entendimento deste
sobre as relações entre sujeito-objeto (Marx, 1989), o momento de realizar o caminho de
volta, ou seja, produzir a teoria sobre a investigação sistemática da realidade na exposição
crítica dos resultados obtidos a partir de uma rica diversidade de determinações, relações e
desenvolvimentos sobre o concreto pensado. A ideologia desenvolvimentista justificou ações
de crescimento econômico trariam desenvolvimento social equitativo. Na prática, as ações
econômicas da SUDENE seguiram o roteiro da acumulação e concentraram renda e manteve
as desigualdades. Mas ao compreender e analisar as informações educacionais e os dados
históricos, o modelo proposto para o norte de Minas desenvolveu o capital e não o trabalho.
Estabeleceram-se todo um arcabouço para por final ao processo de acumulação primitiva do
Capital que, tardia, deu lugar a uma economia imperialista, fundada sobre os preceitos
“keynesianistas”, onde o Estado finalizou o processo de separação dos produtores dos meios
de produção. De uma maneira geral, o projeto modernizador agropecuário para o
desenvolvimento da RMNe implantado pela SUDENE se mantém na realidade do período
atual, de maneira aprofundada. A intervenção da SUDENE determinou com seu projeto as
bases de uma nova organização do trabalho na área rural para a valorização dos capitais
privados envolvidos na indução em detrimento de uma distribuição da riqueza produzida,
lógica inerente ao desenvolvimentismo capitalista que teve nos princípios científicos e
técnicos da Revolução Verde, os fundamentos das suas ações, como demonstra o aumento da
mecanização, do uso de pacotes agroquímicos e a dependência de insumos. Esse modelo
concentrado que beneficiou somente os latifundiários e empresários do setor, tendo em vista
os volumosos recursos públicos destinados e os pífios impactos sociais após tantos anos de
funcionamento, seguiu uma lógica excludente onde a grande parte dos camponeses e
trabalhadores rurais pobres durante todas essas intervenções econômicas por parte do Estado
(federal e estadual) estiveram fora dessas ações, ou foram prejudicados com as consequências
fundiárias e até mesmo aprofundou as desigualdades de renda e manteve, assim, a realidade
histórica onde os piores indicadores educacionais ainda recaem sobre as áreas rurais.
Palavras Chaves: 1. Norte de Minas, 2. Trabalho, 3. Educação, 4. Superestrutura, 5.
SUDENE.

Referencias Bibliográficas

MARX, Karl. O Capital: Crítica da economia política. Livro I: O processo de produção do


capital. Trad. Rubens Enderle. São Paulo: Boitempo, 2013.
QUERINO, Augusto José. Montes Claros e o Norte de Minas na rede urbana do centro-
sul: fábulas e metáforas do desenvolvimento. Dissertação (Mestrado) Universidade
Estadual de Montes Claros – Unimontes. Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento
Social, 2006.