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18/08/2018 São Bernardo - InfoEscola

São Bernardo
Por Paula Perin dos Santos
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São Bernardo (1934) é uma obra-prima de Graciliano Ramos. Foi onde o escritor
consolidou sua técnica, estilo e um significativo aprofundamento na “fusão” entre o
social e o psicológico, a fim de criar uma obra de análise significativa das relações
humanas.

Narrado em 1ª pessoa, o romance gira em torno do fazendeiro Paulo Honório que,


vindo de uma família pobre ao extremo, enriquece ilicitamente, passando a viver à
custa da desonestidade e exploração de seus empregados.

Paulo Honório conta inicialmente sua dura vida na condição de caixeiro viajante e de
guia de cego. Como possuía “jeito” para negócios e aproveitando da vulnerabilidade
de Luiz Padilha, um jogador irresponsável, compra a fazenda São Bernardo, onde já
havia trabalhado antes. Para atingir seus objetivos capitalistas, elimina todos os
obstáculos que se posicionam à sua frente, inclusive pessoas. Astucioso e desonesto,
o protagonista olha o mundo visando apenas o lucro que lhe possam trazer.

Aos 45 anos, conhece Madalena, uma professora boa, compassiva, que vivia com uma
tia velha, com quem se casa não por amor, mas com o único e exclusivo intuito de
garantir um herdeiro para São Bernardo. Ela é a única pessoa que Paulo Honório não
consegue transformar em objeto de seus negócios. O conflito entre os dois se inicia
quando Madalena passa a questionar a condição de miséria dos empregados da
fazenda, despertando nele uma raiva profunda e ciúme doentio e, simultaneamente,
uma confusão mental e incompreensão o atormenta. Mesmo com o nascimento do
filho, as discussões se intensificam. Apenas uma coisa ele compreende: ambos
pertencem a mundos diferentes.

A vida angustiada de Madalena, devido ao ciúme exagerado e o despotismo do


protagonista desesperam-na de tal maneira que ela comete suicídio. Aos poucos,
todas as pessoas da propriedade passam a ir embora, levando São Bernardo à ruína,
pela mesma maneira agressiva com que se originou. Sozinho, vendo tudo acabado,
Paulo Honório procura escrever, na solidão, a história de sua vida, numa tentativa de
compreender não apenas os fatos de sua vida, mas também sua própria esposa e sua
maneira de ver o mundo. Daí nasce o romance “São Bernardo”. Uma retrospectiva da
vida de Paulo Honório.

A narrativa avança na medida em que o protagonista tem consciência do estado


desanimador de sua existência: “Cinqüenta anos! (...) Não é bom vir o diabo e
carregar tudo?”

O livro impressiona pela construção pelo avesso. Madalena, capaz de “domar a


escrita, de apreciar um livro, de buscar a justiça, de respeitar o outro”, conforme
Beatriz Resende na Folha de São Paulo, é incapaz de ser amada pelo marido ou pelo
filho. Sua voz é abafada e incompreendida por um “marido cego, incapaz de
vislumbrar ternuras”, um bruto, cuja linguagem é seca e cortante. Sua narrativa faz
um balanço trágico de um homem perdido e consumido pela ideologia capitalista da
competição, ganância e acúmulo de riqueza, acabando por desumanizar-se para viver.
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18/08/2018 São Bernardo - InfoEscola

Fontes
CEREJA, William Roberto e MAGALHÃES, Thereza Cochar. Literatura Brasileira em
diálogo com outras literaturas. 3 ed. São Paulo, Atual editora, 2005, p.450-3.

TUFANO, Douglas. Estudos de Literatura Brasileira. 3ed. São Paulo, Moderna, 1985, p.
154-6.

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