Вы находитесь на странице: 1из 23

Introdução

Segundo Secoli (2010) uma interação ocorre quando um medicamento


influencia a ação de outro. A gravidade, prevalência e possíveis conseqüências
das IM estão relacionadas a variáveis como condições clínicas dos indivíduos,
número e características dos medicamentos. Esses fatores são agravados pelo
mau uso não intencional que ocorre devido a problemas visuais, auditivos e de
memória. Deste modo, idosos representam o grupo mais vulnerável, visto que
a maioria das IM ocorre através de processos que envolvem a farmacocinética
e/ou farmacodinâmica do medicamento.

Aspectos Básicos de Neurotransmissão no SNC

Para uma melhor compreensão das terapêuticas biológicas da depressão no


idoso, é necessária uma breve explanação acerca dos principais
neurotransmissores presentes no SNC, as vias por eles integradas e suas
correlações clínicas.

Neurotransmissores, por definição, correspondem a substâncias contidas em


neurônios e por ele secretadas para transmitir informações ao neurônio pós-
sináptico, num processo que converte a mensagem química novamente em um
impulso elétrico.

Após sua síntese, os neurotransmissores são armazenados em vesículas no


interior do terminal nervoso pré-sináptico. A chegada, neste terminal, de um
impulso nervoso determina a liberação do neurotransmissor na fenda sináptica.
Após isto, o mesmo vai se ligar a receptores, proteínas específicas existentes
na membrana pós-sináptica. Esta ligação irá deflagrar uma seqüência de
eventos, mediados por várias substâncias (AMPc, cálcio, dentre outras),
culminando com a transmissão do impulso nervoso ao neurônio seguinte.
Postula-se que o prejuízo da transmissão neuronal ligado a um menor aporte
de neurotransmissores e/ou a uma menor sensibilidade dos receptores a eles
esteja associado à maior ocorrência de distúrbios emocionais, cognitivos e de
comportamento em idosos. As respostas tipo up regulation (regulação para
cima) e down regulation (para baixo) decrescem com a idade e isto pode ser
responsável pela resposta diferente dos idosos ao tratamento com
antidepressivos.

Embora existam diversos neurotransmissores, abordaremos apenas os


principais do ponto de vista neurofisiológico e clínico. São eles a acetilcolina, as
denominadas aminas neurotransmissoras e o ácido amino-gama-butírico
(GABA).

A acetilcolina existe tanto a nível central como periférico. No sistema nervoso


central, as primeiras vias colinérgicas são a integrante do sistema reticular
ativador ascendente e a que se estende do prosencéfalo basal ao hipocampo,
hipotálamo lateral e neocórtex. Esta última encontra-se bastante afetada nos
quadros demenciais tipo Alzheimer.

As aminas neurotransmissoras correspondem, no SNC, a três substâncias


principais. São elas a dopamina, a noradrenalina e a 5-hidroxitriptamina
(serotonina).

• Dopamina - um dos principais neurotransmissores existentes no SNC.


Encontra-se distribuída ao longo de 4 sistemas principais: nigro-estriatal,
mesolímbico, mesocortical e tuberoinfundibular. Este neurotransmissor tem
cinco receptores descritos (D1 a D5), distribuídos de maneira irregular ao
longo dos sistemas dopaminérgicos. No trato nigro-estriatal, por exemplo,
há maior proporção de receptores D2, envolvidos na regulação do tônus
muscular e movimento junto ao sistema extra-piramidal. Com a idade, há
redução do número de receptores D2 e aumento de D1. O aumento da
proporção D1:D2 é uma das hipóteses para explicar a maior sensibilidade
do indivíduo idoso aos efeitos extra-piramidais dos neurolépticos.

• Noradrenalina - a principal via noradrenérgica estende-se do locus


ceruleus até os núcleos talâmicos, mesencéfalo e áreas inervadas pelo
feixe prosencefálico medial. Encontra-se envolvida nas respostas de
ansiedade de caráter fisiológico (reações de medo) e patológico
(síndrome do pânico). Distinguem-se três tipos principais de receptores
noradrenérgicos: a 1, a 2 e b . O alfa-2 é um receptor pré-sináptico de
função auto-reguladora que, quando estimulado, inibe a liberação de
noradrenalina na fenda sináptica. Alfa-1 e beta são receptores pós-
sinápticos, envolvidos na regulação do humor e resposta de ansiedade
relacionadas à noradrenalina. A quantidade e atividade deste
neurotransmissor diminuem com a idade; tanto pela redução do número
de neurônios noradrenérgicos no locus ceruleus, como pela maior
atividade da enzima MAO-B, responsável pela degradação da
noradrenalina.

• Serotonina - todas as vias serotoninérgicas originam-se nos chamados


núcleos da rafe, na zona mediana do tronco encefálico. Suas referências
atingem desde regiões do sistema límbico (por exemplo, hipocampo) até
neurocórtex, guardando relação com grande número de distúrbios como
ansiedade, depressão e enxaqueca. Distinguem-se até o momento quatro
tipos de receptores, designados por números (5-HT1 a 5-HT4), com subtipos
designados por letras (5-HT1A, 5-HT1B, etc). Estudos post-
mortem demonstraram que há redução do número de receptores no SNC com
a idade, particularmente 5-HT1 e 5-HT2. Embora o significado clínico deste
fato ainda não esteja bem definido, evidências sugerem que os idosos sejam
mais sensíveis aos efeitos das drogas serotoninérgicas que os jovens.

O GABA é o principal neurotransmissor inibitório do SNC. Encontra-se


distribuído por todo encéfalo, desempenhando atividade inibitória sobre os
neurônios serotoninérgicos dos núcleos da rafe, neurônios dopaminérgicos da
região nigro-estriatal e em outros sistemas. Os receptores do GABA
encontram-se incorporados a um complexo constituído por um sítio auto-
inibitório, um canal de cálcio e um sítio onde se acoplam os benzodiazepínicos.
Existem dois tipos de receptores, GABA-a e GABA-b. O primeiro está envolvido
nas respostas de ansiedade e alimentação, enquanto o GABA-b está
relacionado com a modulação cardiovascular, analgesia e depressão. Não
foram encontradas alterações relacionadas ao GABA em função da idade nos
estudos realizados, tanto post-mortem quanto in vivo (utilizando PET scan).
Estes achados estão em dissonância com os achados clínicos, dada a maior
sensibilidade de idosos aos benzodiazepínicos.

Conforme exposto no próximo item, os antidepressivos têm como mecanismo


de ação a interferência na transmissão sináptica, basicamente naquela
mediada por neurotransmissores da classe das aminas. Os inibidores seletivos
da recaptação de serotonina, por exemplo, promovem o aumento da atividade
da serotonina na fenda sináptica. Entretanto, o papel exato de tal alteração
ainda permanece não totalmente esclarecido, já que após certo tempo de uso
da medicação, observa-se o down regulation (regulação para baixo) dos
receptores pós-sinápticos para a serotonina.

Tratamento

Os antidepressivos e a eletroconvulsoterapia (ECT) constituem os pilares do


tratamento da depressão no idoso. De modo geral, os antidepressivos
tricíclicos, atuam nos receptores noradrenérgicos e serotoninérgicos, inibindo
a recaptação destes neurotransmissores. Estão indicados no tratamento dos
pacientes com depressão moderada a grave, particularmente quando há
sintomas neuro-vegetativos associados. O grau de resposta terapêutica destas
drogas gira em torno de 65%. Clinicamente, a resposta das várias drogas é
semelhante, variando apenas quanto aos seus efeitos colaterais. Estes últimos
constituem um dos principais elementos a influir na escolha da droga.

As aminas secundárias, tais como a nortriptilina e a desipramina, têm menos


efeitos anticolinérgicos e cardiovasculares, sendo melhor toleradas do que as
aminas terciárias clássicas como a amitriptilina e a imipramina. Observa-se que
a nortriptilina apresenta menor incidência de hipotensão ortostática, um dos
mais importantes fatores de restrição do uso de tricíclicos nesta população. O
tratamento deve ser iniciado com um terço a metade da dose usual para
pacientes mais jovens. Se necessário, o aumento das doses deve ser lento e
gradual. Uma vez obtida à remissão dos sintomas, inicia-se a fase de
manutenção da droga, que geralmente é feita por no mínimo seis meses. Nos
casos de resposta parcial, depressão recorrente, episódios graves ou
arrastados, pode-se mantê-la por períodos mais longos, ou até
indefinidamente. Nos casos de depressão psicótica, o antidepressivo não
consegue ser eficaz isoladamente, necessitando da associação com
neurolépticos.

Os inibidores da monoamino oxidase (IMAO), atuam inibindo a enzima que


degrada as aminas neurotransmissoras, e possuem a mesma eficácia dos
tricíclicos e outros antidepressivos. Seus efeitos colaterais mais comuns são
insônia e hipotensão ortostática. As desvantagens do uso desta classe em
pacientes idosos, são: 1- necessidade de dieta sem tiramina (cuja ingestão
pode causar intensa crise hipertensiva com risco de vida para o paciente); 2 -
interação medicamentosa com diversos fármacos, produzindo crises
hipertensivas ou de hiperpirexia ( ex.: antidepressivos tricíclicos,
simpatomiméticos, ISRS, e narcóticos, como a meperidina).

Os inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS) como a


sertralina, fluoxetina e paroxetina, apresentam poucos efeitos sedativos,
cardiovasculares e anticolinérgicos, além de geralmente não causar aumento
de peso na maioria dos pacientes. Podem, no entanto, ocasionar insônia,
agitação e irritação gástrica. Por apresentar meia-vida longa, a fluoxetina pode
ser de difícil manejo no paciente idoso. Os ISRS podem interferir no
metabolismo de outras drogas por inibir o sistema citocromo P450. Alguns
idosos respondem a doses muito baixas de ISRS.

As novas drogas antidepressivas, também possuem efeito seletivo sobre os


neurotransmissores envolvidos na patogênese da depressão, na tentativa de
reduzir os efeitos colaterais apresentados com os antidepressivos clássicos.
Embora nem todos estejam disponíveis no Brasil, seria interessante conhecê-
los:
• Bloqueadores da Recaptura de Noradrenalina e Dopamina
(Moduladores Adrenérgicos) - estão disponíveis no Brasil, a bupropiona
é o principal integrante desta classe, havendo outras drogas atualmente
em fase de teste. Seu efeito terapêutico é exercido principalmente
através de seu metabólito ativo, que possui um efeito maior do que a
bupropiona em si. É um antidepressivo eficaz, tendo como principal
efeito colateral um maior risco de convulsões do tipo grande mal. Parece
não levar à disfunção sexual, e pode ser útil nos pacientes que não
toleram os efeitos serotoninérgicos dos ISRS. Outras classes de
moduladores adrenérgicos incluem os inibidores seletivos de recaptura
de noradrenalina, ainda em testes; os antagonistas alfa-2 adrenérgicos,
como a mianserina e a mirtazapina; os agonistas beta-adrenérgicos, e
os sistemas de segundos-mensageiros como o rolipram, ainda em
desenvolvimento.

• Inibidores da Recaptura de Serotonina e Noradrenalina (Inibidores de


Dupla Recaptura) - representados pela venlafaxina, que apresenta as
mesmas propriedades de inibição da recaptação de noradrenalina,
serotonina e dopamina (em menor intensidade) dos antidepressivos
tricíclicos, mas sem o bloqueio dos receptores a1, colinérgicos ou
histaminérgicos. Sua maior ou menor ação sobre os receptores é dose-
dependente: em doses baixas, predominam os efeitos de recaptação de
serotonina, enquanto que em doses elevadas predominam os efeitos
noradrenérgicos e surgem os efeitos dopaminérgicos. Ainda não existem
dados de eficácia comparativa entre os IRSN e os ISRS, mas os IRSN
são comprovadamente eficazes antidepressivos.

• Inibidores de Recaptura/Antagonistas da Serotonina-2 - distinguem-se


dos demais antidepressivos pela ação combinada de forte antagonismo
5-HT2, com bloqueio mais fraco da recaptação de serotonina. Este é um
efeito desejável para evitar que os receptores de serotonina sejam
igualmente estimulados em todas as regiões do SNC, produzindo efeitos
colaterais (ao nível da rafe, o estímulo aos receptores 5-HT1A combate
a depressão, mas no prosencéfalo o estímulo ao receptores 5-HT2
causa agitação e ansiedade e na medula, priapismo). Deste grupo
fazem parte a trazodona e a nefazodona. A trazodona bloqueia também
os receptores de histamina (responsável pelo forte efeito sedativo) e
alfa-1. Seu principal efeito colateral, embora raro, é o priapismo. A
nefazodona exerce um efeito mais fraco sobre os receptores
histaminérgicos e alfa-1, o que a torna menos sedativa e menos passível
de provocar priapismo e hipotensão ortostática que a trazodona.

• Sistemas de Modulação da Serotonina - São os ampliadores da


recaptura de serotonina, representados pela tianeptina, os antagonistas
5-HT2 puros (amesergida, ritanserida), os agonistas 5-HT1A e a
polifarmácia de molécula única, que vem sendo desenvolvida para atuar
em mais de um sítio terapêutico.

De forma geral, constata-se a tendência de considerar o ECT como segunda


escolha, reservando-o para os casos refratários à medicação. Vários são os
fatores responsáveis por tal filosofia, a começar pela estigmatização que,
durante décadas, cerceou o uso desta ferramenta terapêutica. O advento da
psicofarmacologia determinou o fim de uma era em que o ECT constituía a
única forma efetiva de tratamento dos distúrbios mentais, e inaugurou outra,
onde o procedimento em questão foi caindo em progressivo desuso, passando
a esbarrar em questões legais e na opinião pública. Embora mais
recentemente tenha ocorrido uma melhor análise e reafirmação do ECT como
método terapêutico eficaz, sem dúvida seu emprego é ainda influenciado por
preconceitos, tanto por parte do paciente e seus familiares como, muitas vezes
da própria equipe médica.
A esta questão soma-se o receio, partilhado durante décadas por muitos
psiquiatras, de que o ECT não seria bem tolerado em pessoas idosas, ou seja,
que estes indivíduos estariam sujeitos a complicações clínicas em decorrência
de seu uso. Vários autores chamaram a atenção para a inveracidade destas
suposições, sendo que atualmente, com a prática corrente de realização do
tratamento eletroconvulsivo sob anestesia geral, é consenso que o mesmo
constitui uma opção segura em idosos, desde que respeitadas as contra-
indicações absolutas ( hipertensão intracraniana, aneurisma cerebral ou de
aorta) e relativas ( acidente vascular cerebral ou infarto agudo do miocárdio
recentes, sangramento gastro-intestinal ativo).

Apesar de alguns estudos terem sugerido que o ECT exibiria um efeito sobre a
depressão superior às medicações antidepressivas, considera-se atualmente
que as eficácias de ambos se equiparam. Diante desta afirmação e das
colocações acima, é possível dizer que, diante de um idoso portador de um
quadro depressivo, a escolha entre o tratamento medicamentoso e a
eletroconvulsoterapia deve levar em consideração vários aspectos, a saber:

• Severidade e características do quadro - depressões graves com


ideação suicida importante, inibição psicomotora, pausa alimentar ou
sintomas psicóticos, demandam melhora rápida em decorrência do risco
de vida implicado. Considerando-se que os antidepressivos apresentam
períodos de latência de duas a quatro semanas entre o início do
tratamento e da resposta terapêutica, a ECT deve ser postulada nestes
casos já que, comprovadamente, exibem período de latência menor. No
que concerne às depressões com sintomas psicóticos deve-se lembrar
que tais quadros habitualmente respondem mal à medicação
antidepressiva isolada, necessitando com freqüência da associação com
antipsicóticos. A maior sensibilidade do indivíduo idoso aos efeitos
colaterais dos psicotrópicos e o maior risco de interações
medicamentosas recomendam evitar, sempre que possível, a
polifarmacoterapia nestes pacientes.
• Tolerabilidade dos efeitos colaterais, interações medicamentosas e
distúrbios clínicos concomitantes - o indivíduo idoso, dados as
próprias características fisiológicas do envelhecimento (redução da água
corporal total e do volume extracelular, aumento do percentual de
gordura, redução da albumina sérica, metabolização e excreção lentas),
é bastante sensível aos efeitos colaterais das medicações
antidepressivas. Além disso, é comum nos depararmos com outros
distúrbios clínicos que constituam contra-indicações, absolutas ou
relativas, para tais medicações. Por vezes tais pacientes se encontram
em uso de outros medicamentos (anti-hipertensivos, digitálicos,
hipoglicemiantes e outros) que podem interagir com os antidepressivos.
Embora muitos dos inconvenientes dos tricíclicos e dos inibidores da
monoaminoxidase tenham sido contornados com o surgimento dos
inibidores seletivos de recaptação de serotonina, ainda assim deve-se
considerar a indicação de ECT, diante de um paciente impossibilitado de
receber tais medicamentos, seja por não suportar os efeitos colaterais
ou se encontrar com distúrbios clínicos graves.5

o Refratariedade a Antidepressivos - trata-se, provavelmente, do


item mais passível de discussões. A Refratariedade às
medicações antidepressivas tem sido considerada a principal
indicação para a eletroconvulsoterapia, tanto no indivíduo idoso
como na população geral. A primeira ressalva se relaciona ao
conceito de refratariedade, que varia de autor para autor. Não
raramente, estudos consideram como refratários indivíduos
tratados por tempo insuficiente ou com dosagens inadequadas de
medicação. Recomenda-se que, ao indicar o ECT baseando-se
neste critério, seja efetuada uma adequada história
medicamentosa, com detalhamento de quais drogas foram
usadas, em que dosagem e por quanto tempo. Outra questão diz
respeito à eficácia do ECT em pacientes refratários. Embora,
classicamente, se tenha difundido que os benefícios do ECT não
estão relacionados a resposta prévia a medicamentos, alguns
estudos parecem demonstrar que pacientes comprovadamente
resistentes a medicações antidepressivas (mormente tricíclicos e
heterocíclicos) apresentam também uma resposta inferior ao
ECT, quando comparados com pacientes não resistentes.9

Embora a ECT constitua uma medida terapêutica segura e eficaz na população


idosa, é interessante frisar que a mesma exibe riscos e efeitos colaterais, tanto
no que se refere à anestesia como ao procedimento em si. Dentre eles, um dos
mais bem descritos é o déficit cognitivo, em geral reversível mas que pode vir a
se somar a algum eventual déficit já presente no indivíduo idoso.8

Diante do exposto, conclui-se que a escolha entre o ECT e os antidepressivos


deve ser baseada em diversos fatores, que irão variar de caso para caso. É
interessante notar que o ECT não deve permanecer em segundo plano, mas
sim corresponder inclusive à primeira escolha em algumas situações. Convém
destacar também, embora nos tenhamos detido aos tratamentos biológicos, a
importância das intervenções familiares e, eventualmente, de abordagens
psicoterápicas senso lato no tratamento destes pacientes.

Caracterização do Ambiente de Pesquisa

Este estudo foi realizado na cidade de Linhares, município localizado na região


noroeste do Espírito Santo, Possui uma área de 3502 km² limitando-se

Encontra-se a 120km da capital do estado, estando a uma altitude de 33


metros acima do nível do mar e possui uma área de 3502 km².

Metodologia

O tipo de pesquisa desenvolvida foi bibliográfica, descritiva e de campo; na


pesquisa bibliográfica, o pesquisador dispõe de livros, artigos, revistas, internet,
sem com isso esgotar as outras manifestações metodológicas. Quanto à
pesquisa descritiva, pode assumir diversas formas e, de um modo geral, a de
um levantamento.

A pesquisa de campo é a investigação empírica, que deve ser realizada no


local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno ou que dispõe de elementos para
explicá-lo.

Para a pesquisa de campo foi escolhido o Lar da Fraternidade em Linhares,


pois é o local de morada de número grande de idosos.

Como método de procedimento e tentando minimizar desvios serão


pesquisados apenas indivíduos que possuem mais de 60 anos e tendo ainda
no mínimo seis meses de permanência nesta casa de repouso. Junto a esses
pacientes foi aplicado um formulário de pesquisa com os seguintes
questionamentos: sexo, idade, grau de escolaridade, tempo de permanência na
casa de repouso, se faz uso de antidepressivo e a quanto tempo; a partir do
resultado positivo segue-se com interrogações como quais os medicamentos
além deste que estão sendo usados bem como a quanto tempo está sendo
utilizado e se este foi prescrito por médico ou indicação de terceiro. Contém
ainda neste formulário questões como se há medicamentos sendo usados que
foram objetos de automedicação, ou seja, não prescritos por profissional de
saúde, e serão ainda coletadas informações importantes como, por exemplo,
se o médico se informou dos medicamentos usados antes de prescrever novo
medicamento.

A análise das informações coletadas foi feita com ajuda de bibliografia


concordante no intuito de detectar interações farmacológicas com
antidepressivos nestes medicamentos em uso e será verificado o seu grau de
interação como sendo baixo, médio, alto ou ainda como sendo inexistente.
Serão contrapostas informações como nível de escolaridade e automedicação,
levantamento por profissional prescritor de histórico de uso medicamentoso
presente e nova prescrição, sendo que o interesse principal desta pesquisa foi
verificar as interações de outros fármacos com antidepressivos e o grau de
risco destas interações, quando existirem.
Universo de Pesquisa e Amostra

Este projeto de pesquisa foi desenvolvido na unidade de internação, de idosos


e deficientes mentais, conhecido como Lar da Fraternidade localizado no
município de Linhares. Foram pesquisados um total de 37 pacientes moradores
permanentes desta casa de repouso sendo que todos os pesquisados se
encaixam nas perspectivas deste projeto, ou seja, moradores a mais de 6
meses no Lar da Fraternidade, e que possuíssem mais de 60 anos e tendo a
pesquisa englobando idosos dos sexos masculino e feminino.

A coleta de dados no Lar da Fraternidade foi feita em duas ocasiões sendo


uma em Julho e outra em Agosto do ano de 2010, sendo coletado através de
questionário preenchido usando-se os dados dos residentes de tal casa de
repouso e posteriormente fazendo uma confirmação observando os potes de
cada paciente onde se encontravam os medicamentos usados.

Procedimentos Metodológicos da Pesquisa

A primeira visita tinha em vista observar a população que seria estudada bem
como suas características, sabe-se que por se tratar de uma casa de repouso o
principal perfil encontrado seria de pessoas idosas. Mas foi observado nessas
primeiras visitas que a instituição abrigava pessoas com problemas mentais
que também faziam uso de medicamentos neste local, e mais ainda, que
possuíam idosos que adjuntamente tinham problemas mentais. É salientado
que a pesquisa objetivava observar e estudar o grau de interações com
antidepressivos na população idosa desta casa, sendo assim os moradores
que tenham idade abaixo de 60 anos não serão abrangidos nessa pesquisa.

O primeiro passo deste processo de recolhimento de dados foi à confirmação


da idade de tais pacientes moradores neste Lar da Fraternidade, pois a
pesquisa visava abranger à população idosa desta casa de repouso
quantificando as interações com antidepressivos presentes na farmacoterapia
empregada e qualificando-as em sua gravidade como branda ou fraca, média e
por fim em casos mais importantes colocando as interações em vias de forte
potência ou grave.

Foram realizados encontros com a direção do Lar da Fraternidade com o intuito


de coletar informações sobre o ambiente da pesquisa objetivando saber se
esta casa seria adequada à pesquisa que pretendia observar e quantificar o
comportamento de interações de antidepressivos e outros medicamentos frente
à população idosa. Após o início da realização da pesquisa pôde ser observada
que havia um profissional médico que acompanhava os pacientes neste local e
estava à disposição quanto aos cuidados clínicos que estes necessitavam.
Também foi observado que nenhum medicamento de origem externa a esse
Lar da Fraternidade teria autorização para ser usado no interior deste local
pelos pacientes idosos sem autorização do médico que os acompanhava.

A partir destes encontros foram realizados mais dois encontros principais onde
foram feitos as coletas de dados sobre os medicamentos usados por estes
idosos para observação sobre o perfil interacional em relação aos
antidepressivos que possivelmente poderia existir neste ambiente onde
residem principalmente idosos.

Esses dois encontros foram realizados da seguinte forma:

1º Encontro :

Aplicação de questionário (APÊNDICE) com os dados a serem pesquisados:


data da pesquisa, sexo, idade, se usa antidepressivo, se sim continua com a
relação descrita, se houver, das outras classes de medicamentos usados por
estes pacientes, do acompanhamento médico ofertado ou não a estes idosos,
e por fim se necessário seria colocado algumas observações necessárias ao
andamento da pesquisa.

Neste primeiro encontro foram preenchidos os questionários com os dados de


todas as mulheres com mais de 60 anos deste local. Foram usados os potes
onde são colocados em separado os medicamentos usados por cada paciente
com o rótulo onde se encontram o nome de cada paciente com coloração
diferente para cada sexo e estando separado os femininos dos masculinos.
2º Encontro

Neste segundo encontro foram apanhadas as informações dos moradores do


sexo masculino, registrando os medicamentos usados e atentando quanto ao
uso de antidepressivos, que são o foco dessa pesquisa. Sendo que novamente
foram observados os dados e os fármacos contidos nesses potes que ficam
numa sala restrita onde só tem acesso os técnicos de enfermagem
responsáveis pelos residentes.

Apresentação e Análise dos resultados

Após esta etapa pôde ser dado seqüência a fase seguinte que foi a análise dos
dados usando-se bibliografia concordante, como exemplo as literaturas de
farmacologia onde foi atentada em cada paciente a existência de uso de
antidepressivo e na seqüência observado se este fármaco teria interações com
os fármacos combinados a ele na farmacoterapia de cada paciente.

Foi empregado o uso de material virtual disponível em sites onde é possível


observar e até confirmar se tais interações descobertas são pertinentes, salvo
o fato de ter sido usado como material principal de fonte de pesquisa na busca
destas interações a literatura farmacológica, como exemplo principal os livros
de farmacologia. Pôde ser observado se os fármacos antidepressivos teriam
algum tipo de interação mesmo em pequena escala com outro medicamento
usado pelo paciente.

A identificação dos pacientes não será exposta, pois este trabalho de pesquisa
destina-se também ao uso de acadêmicos e outras interessados; assim em
respeito à privacidade dos pesquisados os dados pessoais serão preservados.

Em primeiro plano será apresentado o percentual de pacientes dos dois


gêneros existentes para observar a amplitude da pesquisa referente aos sexos,
informa-se que o número de participantes de ambos os sexos se configura num
total de 37 pessoas:

Sexo dos Participantes

Masculino
46%
Feminino
54%

Fazendo um levantamento entre o número de medicamentos usados por cada


paciente na tentativa de que fique comprovado o emprego de polifármacia,tem-
se o gráfico a seguir onde se encontra quantificado em percentuais a
quantidade de pesquisados que utilizam de nenhum a 5 ou mais medicamentos

Quantificação dos Medicamentos Usados Entre


Todos Pesquisados

Nenhum Apenas 1
5 ou mais
8% 19%
Fármacos
19%
2 Fármacos
14%
4 Fármacos
19% 3 Fármacos
21%
Fazendo uma distribuição mais minuciosa e observando-se somente o público
feminino pesquisado, tem-se o gráfico abaixo relativo à quantificação de
medicamentos usados por estas pacientes.

Quantificação dos Medicamentos Usados Entre


Todos os Pesquisados do Sexo Feminino

Nenhum
14%
Apenas 1
5 ou mais 29%
Fármacos
14%
2 Fármacos
0%
4 Fármacos
19% 3 Fármacos
24%

Observando ainda o público masculino pesquisado e continuando a focar na


quantificação do uso de fármacos por paciente, temos este gráfico a seguir.

Quantificação dos Medicamentos Usados Entre


Todos os Pesquisados do Sexo Masculino
Nenhum
0%
5 ou mais Apenas 1
Fármacos 6%
25%
2 Fármacos
31%

4 Fármacos
19% 3 Fármacos
19%
Deste total de 37 pessoas pesquisadas abaixo será apresentado o percentual
de usuários de antidepressivos neste local de pesquisa:

Percentual de Usuários de
Antidepressivos

ComUso de
Antidepressivo
27%

SemUso de
Antidepresivo
73%

Em relação à distribuição percentual entre os sexos referente aos usuários de


antidepressivos mostra-se o gráfico abaixo onde se inserem somente os
pacientes que fazem uso desta classe de medicamentos:

Distribuição de Gênero entre Usuários


de Antidepressivos

Feminino Maculino
50% 50%
Levando em consideração todos os pacientes pesquisados poderá ser
observada a porcentagem de mulheres usuárias dentre todas as pesquisadas
que perfazem um total de 20 mulheres. Atentamos na inclusão de mulheres
não usuárias de nenhuma medicação mas que tiveram também seus dados
registrados.

Percentual de Usuários de
Antidepressivos Entre o Sexo
Feminino

ComUso de
Antidepressivo
25%

SemUso de
Antidepressivo
75%

E em seguida estará exposto à quantificação percentual de homens usuários


entre todas as pessoas do sexo masculino inseridas nesta pesquisa. Foram
pesquisados 17 homens deste local que se encaixavam no perfil de serem
maiores de 60 anos incluindo nestes pesquisados aqueles que também não
faziam uso de nenhum medicamento.
Percentual de Usuários de
Antidepressivos Entre o Sexo
Masculino

ComUso de
Antidepressivo
29%

SemUso de
Antidepressivo
71%

Por fim na seqüência abaixo está posicionado o gráfico com o total, em


porcentagem, de interações medicamentosas entre os usuários de
antidepressivos descobertos por esta pesquisa. Temos então um valor
percentual de prevalência de interações entre os usuários de antidepressivos
nesta casa de repouso. Dentre os 100% apresentados abaixo neste gráfico
encontram-se incluídos somente os moradores do Lar da Fraternidade que:
tem mais de sessenta anos; fazem uso de medicamentos neste local de
pesquisa; e destes medicamentos usados, encontra-se pelo menos um da
classe dos antidepressivos. Este gráfico engloba o percentual de interações
com antidepressivos e os sem interações com tais medicamentos de ambos os
sexos que faziam uso destes fármacos.
Percentual de Presença de Interações
Entre Usuários de Antidepressivos

ComInteração
10%

SemInteração
90%

Conclusão

Através das informações colhidas nesse público de idosos do Lar da


Fraternidade de Linhares podem-se ser concluídas as seguintes afirmações:

1ª Afirmação

A população idosa como pôde ser comprovado pelos dados da pesquisa,


fazem uso de polifármácia. Segundo Kusano (2009) a polifarmácia
entre os idosos tornou-se uma prática comum. A polifarmácia pode ser
classificada como quantitativa e qualitativa. Dentre os conceitos para a
quantitativa, definiu-se a mesma como sendo a utilização de dois ou
mais medicamentos. Por sua vez, a polifarmácia qualitativa leva em
consideração a racionalização da terapia farmacológica

2º Afirmação

Os pesquisados do sexo masculino são os que fazem uso de medicamentos


em maiores quantidades, está claramente denotado este fato a partir
do gráfico onde inicialmente já se nota que todos os entrevistados
homens utilizam pelo ou menos um medicamento, diferente das
mulheres onde 14% delas não fazem uso de medicamento algum.
3ª Afirmação

Um valor de 27% dos pesquisados fazem uso de antidepressivo. Ou seja, uma


fatia grande dos 100% de medicamentos das variadas classes
consumidos por essa população de anciãos são desta classe para
tratar e reverter sintomas da depressão.

Os antidepressivos são, portanto umas das frações preponderantes no


tratamento farmacológico empregado nestes idosos, o que reafirma a
escolha desta classe de medicamentos como objeto de estudo nesta
pesquisa.

4ª Afirmação

Houve um percentual um pouco maior de emprego de antidepressivos entre os


participantes da pesquisa do sexo masculino em relação ao uso dessa
classe nas mulheres estudadas.

Este fato poderia ser explicado tomando-se como base a quantidade de


medicamentos usados por cada gênero, masculino e feminino. Os
homens estão tendo um consumo de medicamentos maior em relação
às mulheres desta pesquisa. Possivelmente este fato explicaria a
inclusão em maior grau pelos homens de fármacos antidepressivos na
farmacoterapia empregada. Neste estudo denota-se que o
recorrimento aos fármacos antidepressivos é maior entre os homens.
Ainda assim não podemos afirmar se os problemas com depressão
acometem em maior quantidade os homens em geral.

5ª Afirmação

Houve um índice de 10% de interações entre os usuários de antidepressivos


num universo de ambos os sexos; o que vai ao encontro de artigos
como Ávila (2010) que afirmam que segundo estimativas, os casos
variam em até 5% para os pacientes que fazem uso de diversos
tipos de medicamentos e podem superar os 20% para pacientes
que usam entre 10 e 20 tipos de remédios.
O intuito desta pesquisa se configuraria em revelar se o inicialmente
suposto alto grau de polifarmácia empregado pelos idosos, seria
fator preponderante no aparecimento de interações entre a classe
de antidepressivos e demais fármacos.

A literatura disponível afirma que os casos de interações podem chegar a


até 20% dos casos em pacientes que fazem uso de quantidade
demasiada de medicamentos concomitamente, como é o caso dos
internos desta casa de repouso estudada.

Imagina-se que o grau baixo de interações acometidas nestes casos


estudados se deve ao acompanhamento de saúde demandado
pela equipe de médico e enfermeiros que cuidam destes idosos.

Aponta-se o fato de não haver entrada de fármacos de origem externa


neste recinto, o que dificulta a automedicação, inibindo uma
prática que em alguns casos é de caráter corriqueiro em nossa
sociedade, em todas as faixas de idade.

Somente foi encontrado 1 caso de interação entre antidepressivo e outra classe


de fármaco; esta sendo de grau moderado com uma probabilidade de
ocorrência possível.

A interação entre o cloridrato de sertralina e o propranolol se dá da seguinte


forma: poderá haver aumento das concentrações plasmáticas do beta-
bloqueador propranolol com aumento dos efeitos farmacológicos e aumento do
bloqueio adrenérgico podendo resultar em bradicardia.
O mecanismo para ocorrência desta interação negativa ocorre devido ao fato
de que o inibidor da recaptação de serotonina, ou seja a sertralina, pode inibir o
metabolismo hepático oxidativo (CYP2D6) do beta-bloqueador que está em
questão, sendo este o propranolol utilizado pelo paciente.

O paciente em destaque é do sexo feminino e possui 86 anos de idade, o que


seria um agravante nesta condição de possível predisposição a
interações.
Uma sugestão de conduta seria o monitoramento das funções cardiovasculares
desta paciente. O risco desta interação pode ser diminuído com a troca por um
beta-bloqueador que não seja metabolizado pelo CYP2D6 como o Sotalol.