Вы находитесь на странице: 1из 10

Crianças e jovens e o trabalho doméstico:

a construção social do feminino


ETHEL VOLFZON KOSMINSKY*
JULIANA NICOLAU SANTANA**

Resumo: A proposta deste trabalho é contribuir com a discussão das relações de gênero a
partir do estudo qualitativo sobre o trabalho doméstico desempenhado por crianças e
jovens de idade entre 10 e 17 anos, na cidade de Marília, estado de São Paulo. Geralmente
dentro do nosso universo de pesquisa, formados por pessoas pertencentes às camadas
populares, encontramos a permanência de relações de gênero bem delimitadas, consolidadas
como continuidades e processos históricos. Contudo, nosso estudo indica que tais relações
podem se modificar e se deslocar em um processo complexo e sutil de embates e
contradições, que está intimamente ligado ao posicionamento histórico da mulher na
família brasileira. Desse modo, no entendimento de que gênero envolve relações sociais,
permeadas por relações de poder, pretendemos discutir o trabalho infanto-juvenil doméstico,
vinculando-o a relações de classe e de gerações.
Palavras-chave: trabalho doméstico; relações de gênero; valores sociais.

Introdução nas, como possibilidade de ganho econômico e


contribuição para a renda familiar é constatada
O trabalho doméstico em geral é marcado pelos números dos dados censitários, desde o
por sua origem no Brasil escravagista, em que século XIX. Na década de 1800, aproxima-
era praticado de forma gratuita ou quase gratuita damente 22,4% das mulheres que exerciam
por mulheres livres ou escravizadas. Posterior- alguma atividade remunerada pertenciam a essa
mente, foi delegado às mocinhas sob a denomi- categoria. Esse índice se mantém até os dias
nação de ajuda e apadrinhamento, costume que atuais e, apesar da estagnação no percentual, a
manteve-se até meados dos anos 1950, princi- diferença nos números absolutos é bem expres-
palmente nas Regiões Nordeste e Norte (Melo, siva. Entre 1970 e 1997, o número de emprega-
1998). Logo, em nossa sociedade, é um fato das domésticas saltou de 1,7 milhão para 4,9
histórico e cultural a incumbência dessa ativi- milhões de trabalhadoras (Bruschini e Lombardi,
dade econômica a terceiros, principalmente às
2000). Em outras palavras, no Brasil, o trabalho
jovens mulheres não brancas, pobres e de origem
doméstico remunerado é uma ocupação que
rural, pessoas cuja força de trabalho é subva-
absorve grande fatia do contingente da mão-
lorizada.
de-obra feminina.
A importância do trabalho doméstico para
Apesar de entendermos que os dados
as mulheres, sobretudo das camadas subalter-
estatísticos pouco auxiliam na determinação do
perfil das mulheres que exercem a profissão de
* Professora de Sociologia da UNESP – Marília e pesquisa-
dora do CNPq.
doméstica, não podemos ignorar que eles
** Aluna de Ciências Sociais da UNESP – Marília e bolsista
demonstram uma realidade que precisa ser
do PIBIC/CNPq. levada em consideração. Nesse sentido, esses

227
KOSMINSKY, E. V.; SANTANA, J. N. Crianças e jovens e o trabalho doméstico: a construção social...

dados apontam para a concentração de traba- relatório anual da OIT (1997) aponta que, em
lhadores com idade entre 10 e 24 anos, corres- todo o mundo, as crianças desempenham as
pondendo a cerca de 45% dos que desempe- atividades domésticas em sua própria casa
nham atividades dentro desse segmento profis- (Sabóia, 2000). Nossa hipótese é a de que,
sional. A entrada de adolescentes nessa muitas vezes, a execução dessas tarefas, ao
atividade é facilitada pelo fato de ela não exigir serem naturalizadas e vistas como uma ajuda,
escolaridade, nem tampouco experiência podem esconder relações de poder. Para as
anterior (Melo, 1998). crianças e os jovens de outras camadas sociais,
Em outra pesquisa, Liberato (1999) constata essas mesmas tarefas são consideradas como
que nessa categoria ainda se encontra a maior obrigação de outrem (da mãe ou da empregada),
taxa de trabalhadores informais, quer dizer, sem eles não devem executá-las e se dedicam a
registro em carteira. Mais do que isso, os empre- exercer atividades que possibilitem a sua quali-
gados domésticos são vistos como uma catego- ficação futura.
ria especial, já que são regulamentados por uma Supomos que, por não resultarem em
legislação especial e não pela Consolidação das mercadoria, mesmo contribuindo para aumentar
Leis Trabalhistas (CLT). E, apesar de aparentar o nível de vida dos membros do grupo familiar
certa segurança, segundo Santana et al (2003) e, quando desempenhadas por terceiros,
dados sugerem que as empregadas domésticas possibilitar o desenvolvimento de outras ativi-
dades não-domésticas, tanto aos homens quanto
sofrem o perigo de ser vítimas de acidentes
às mulheres, as tarefas domésticas comumente
ocupacionais em média 5% a mais em compa-
são pouco valorizadas. As imagens, os valores
ração a trabalhadoras dos demais segmentos, e
e as práticas associados a essa categoria são
tal risco aumenta proporcionalmente com a
transferidos e acentuados no caso do labor
jornada de trabalho e inversamente com a idade.
doméstico infanto-juvenil, devido às relações
O maior percentual de acidentes foi encontrado
geracionais, acarretando uma série de proble-
entre as empregadas com idade entre 15 a 17
mas: a imaturidade para negociações que pode
anos (25%).
levar ao abuso de autoridade; os horários que
O que os dados estatísticos não trazem à podem ser extensos (Tavares, 2002), impedindo-
tona é que a entrada de adolescentes no mundo os de freqüentar a escola, de desenvolver ativi-
do trabalho, via emprego doméstico, está vincu- dades lúdicas e até mesmo colocando-os em
lada a um processo de treinamento especial situação de risco devido às possibilidades de
na infância, geralmente fornecido pela mãe, avó, acidentes de trabalho ou de estresse físico ou
tia e, na falta destas, por outra figura feminina psicológico. Além do mais, desenvolvida no inte-
próxima (Belotti, 1979). Desse modo, em alguns rior das casas, essa profissão ganhou certa invisi-
grupos sociais brasileiros, o poder da autoridade bilidade, pois é naturalizada como sendo uma
masculina é muito presente e funciona como atribuição da mulher.
modelador, em maior ou menor grau, da Esta pesquisa, iniciada em agosto de 2003,
educação de meninos e de meninas e também intitulada “O trabalho infanto-juvenil doméstico
distingue o espaço público do privado. Comu- na cidade de Marília”, envolve uma complexi-
mente aos homens é atribuído o papel de dade de questões teóricas fundamentais: rela-
provedor, de guardião do lar e à mulher a ções de gênero, geracionais, raciais, valores
responsabilidade pelo cuidado com a casa e os sociais atribuídos ao trabalho, diversidade
membros da família. Entretanto, consideramos cultural, espacial e social etc. Assim, realizamos
que diferentes mulheres e homens apresentam leituras que forneceram subsídio para essas
distintas considerações a respeito do conjunto reflexões e utilizamos dados macros do Instituto
de tarefas que envolve o trabalho doméstico. Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e
Na ausência da dona da casa, atividades do Departamento Intersindical de Estatística e
como tomar conta da casa (limpar, lavar, passar, Estudos Socioeconômicos (Dieese). Posterior-
cozinhar etc) e das crianças menores são exerci- mente, realizamos a pesquisa qualitativa que
das por meninas, nas camadas populares. O consistiu em entrevistas semi-estruturadas,

228
SOCIEDADE E CULTURA, V. 9, N. 2, JUL./DEZ. 2006, P. 227-236

gravadas em fita cassete, com crianças e jovens diferencial de gênero nas famílias analisadas.
com idade entre 10 e 17 anos, moradores da Quando os dois filhos mais velhos são do sexo
cidade de Marília, estado de São Paulo, que masculino, o primeiro fica responsável pelo
desenvolvem o trabalho e o labor doméstico e, cumprimento do trabalho doméstico e pelo
quando possível, com os pais desses jovens e cuidado com os irmãos menores. Entretanto,
alguns patrões. quando o segundo filho é do sexo feminino, a
Na tentativa de maior compreensão do criança ou a jovem fica incumbida dessas ativi-
processo que vai do trabalho doméstico para a dades que não se limitam ao seu grupo familiar
própria família ao realizado para terceiros, e e estendem-se ao grupo doméstico,1 principal-
tendo como base a obra de Hannah Arendt mente quando realizadas pelas jovens mulheres.
(2000), elaboramos uma distinção entre trabalho Uma parte das entrevistadas afirma que as
ou serviço doméstico e labor doméstico. Essa tarefas domésticas são impostas pelos pais ou
diferenciação e essa redefinição teórica ocorre- responsáveis e, em caso de não-cumprimento
ram por entendermos que ambas atividades parcial ou total, muitas sofrem agressões, desde
apresentavam naturezas diferentes. Observa- psicológicas a físicas.
mos que o trabalho ou serviço doméstico, aqui A questão da dominação masculina não
entendido como o desenvolvido em prol do está limitada à representação mental (Bourdieu,
próprio grupo familiar, é interpretado pelos 1995). Para esse sociólogo, os próprios corpos
entrevistados como uma forma de mostrar
humanos são adestrados e a prática de rituais
reciprocidade, respeito, obediência enquanto o
coletivos produz corpos sexuados e sexuantes,
labor doméstico, ou seja, as tarefas domésticas
formando uma identidade social baseada nesse
desempenhadas para terceiros, mediante alguma
mundo simbolicamente construído. Na opinião
remuneração, são apontadas como um meio de
desse autor, a autoridade masculina é difícil de
sobrevivência do sujeito e da sua família.
ser modificada porque não basta acontecer uma
revolução econômica, é preciso a mudança de
Organização familiar: tradição e mentalidade e das práticas sociais, isto é, que
mudanças as pessoas se dêem conta de sua situação de
Nas sociedades ocidentais, predominam dominação para buscarem meios de subversão.
relações de gênero hierárquicas, que se expres- Bourdieu (1995, p. 175) assinala que são neces-
sam em posições desiguais ocupadas de acordo sárias novas “estruturas mentais, não somente
com o sexo, tanto na esfera da produção como entre os membros do sexo dominado, mas
no âmbito das relações familiares. E, tradicio- também entre os membros do sexo dominante”.
nalmente, o trabalho doméstico, as atividades Notamos que as jovens empregadas não
reprodutivas e os cuidados com os membros da se lamentam, mas demonstram perceber uma
família são expostos como uma obrigação para situação de injustiça que denunciam de forma
a mulher e uma ajuda para o homem. sutil. Nesse sentido, uma das entrevistadas
Na visão de Scott (1990), uma das caracte- registra que sua mãe solicita a seus irmãos
rísticas do conceito de gênero é o de ser relacio- somente tarefas externas, enquanto outra men-
nal, o que requer uma análise dos homens e das ciona a menor cobrança dos meninos em relação
mulheres em conjunto, como também a distinção ao trabalho doméstico. Sobre os aspectos
entre sexo e gênero, em que o primeiro é consi- culturais e a educação informal, parte das jovens
derado como algo biológico enquanto o segundo apresenta pensamentos que refletem o processo
é uma construção social. Para Bourdieu (1995), de aprendizagem que reforça a naturalização
a dominação masculina é uma violência simbó- das diferenças de gênero. Assim, elas consi-
lica que, por meio de instituições como a família deram aceitável a divisão sexual do trabalho
e a Igreja, desde a tenra idade, tem como obje- dentro do seu grupo familiar, apontando para o
tivo incorporar nos indivíduos atos considerados
como femininos e masculinos, os habitus. 1. Interpretamos como grupo doméstico a família expandi-
da, referindo-nos à execução das atividades domésticas na
Em analogia ao pensamento de Bourdieu, casa de outros parentes como tios e avôs, sem qualquer
observamos em nossa pesquisa que há um remuneração.

229
KOSMINSKY, E. V.; SANTANA, J. N. Crianças e jovens e o trabalho doméstico: a construção social...

treinamento da figura feminina como um proces- cações no mundo do trabalho, com a inserção
so importante para a futura dona de casa, já crescente de mulheres em diferentes segmentos
que nesse grupo social a realização do trabalho econômicos e as novas formações conjugais,
doméstico ainda contém um valor moral. familiares, chefia familiar feminina etc, como
Supomos que o fato de as mulheres incor- também que as perspectivas e as expectativas
porarem os valores da dominação masculina e das mulheres e dos homens estão em transfor-
não se aperceberem disso pode realmente mação, buscamos captar expressões da menta-
dificultar modificações nas relações de gênero, lidade em processo de mudança. Os dados cole-
já que as práticas sociais seriam em parte tados, em nossa pesquisa, sugerem que as
resultantes de ações inconscientes, em que mudanças dentro do núcleo familiar acompa-
prevalece a visão hegemônica masculina. Contu- nham as tendências do mercado de trabalho, isto
do, o trabalho doméstico também é representado é, há uma interação entre a estrutura produtiva
pelas jovens trabalhadoras por uma mistura de e a família (Montali, 2004; Hirata, 2002). Assim,
sentimentos contraditórios: de rejeição, aceita- a formação familiar, a quantidade de membros,
ção resignada e aceitação legitimada pela falta a idade, os rendimentos dos provedores influen-
de opção e obrigatoriedade. Por sua vez, uma ciam no ingresso no mercado de trabalho, como
pequena parte das entrevistadas menciona de também nas demais relações que se estabele-
forma direta os problemas decorrentes da rela- cem no âmbito familiar.
ção desigual de gênero e, através de seus depoi- O aumento da quantidade de mulheres que
mentos, elas expressam que nem sempre ingressam no mercado de trabalho tem levado
concordam com o modelo de educação informal os homens, sobretudo os meninos e rapazes das
tradicional e apresentam os seus modos sutis camadas populares, a desenvolverem tarefas
de resistência. que vão além de varrer o quintal, levar recados,
comprar suprimentos nas proximidades ou de
O habitus masculino e o feminino produ-
exercerem atividades econômicas em supermer-
zem atores sociais, entretanto, as relações de
cados, oficinas de carros, borracharias próximos
gênero, como relações sociais, são heterogêneas
do local de sua residência. Nos casos em que
(Bourdieu, 1995). Nessa perspectiva, Soihet
as mães trabalham fora em período integral e
(2000) registra que, por meio da categoria de
os filhos maiores são do sexo masculino, existe
gênero, é possível verificarmos distintas concep-
o incentivo à realização do trabalho doméstico,
ções de relações sociais, em diferentes socie- que está ligado à melhoria das condições de vida
dades. Ela utiliza essa categoria na busca de do grupo. Algumas das mães entrevistadas
novas indagações sobre as formas societárias explicam que essa atitude visa à sobrevivência
brasileiras. Na procura de possíveis articulações da família, não deixando de mencionar, no
e contradições, Soihet (2000) assinala que, se o entanto, que essas atividades são de competência
masculino e o feminino se opõem, é porque feminina.
existem entre eles relações de poder. Mas, para Nessa perspectiva, todas as jovens entre-
essa historiadora, a despeito de existir uma vistadas têm irmãos do sexo masculino, no
dominação masculina, a atuação feminina não entanto, apenas em metade desses grupos fami-
deixa de apresentar contra-poderes, manipula- liares os homens são solicitados a compartilha-
ções, alianças e consentimentos. Nesse ponto, rem o trabalho doméstico. Os dados indicam uma
a autora diverge das considerações de Bourdieu participação maior dos homens no trabalho
(1995) e percebe, pois, que as relações de gêne- doméstico, apesar da responsabilidade por tal
ro, ao mesmo tempo em que escondem, revelam atividade ainda ser atribuída às mulheres. Desse
distintas formas de configurações. Para ela modo, mesmo quando as jovens desempenham
inexiste uma submissão alienante por parte das o labor em casa alheia, elas continuam a auxiliar
mulheres, já que estas, muitas vezes, utilizam- nos cuidados com a casa e com os familiares,
se de elementos que lhes permitem deslocar e enquanto os seus irmãos e outras figuras mascu-
inverter essa relação de submissão. linas do grupo doméstico, caso trabalhem para
Acompanhando o raciocínio de Soihet terceiros, são dispensados dessas mesmas ativi-
(2000) e levando em consideração as modifi- dades.

230
SOCIEDADE E CULTURA, V. 9, N. 2, JUL./DEZ. 2006, P. 227-236

Não pretendemos reduzir nossa discussão mundo do trabalho e o mundo privado, nessa
ao trabalho realizado no âmbito residencial; categoria profissional. Até meados dos anos
como já afirmamos nos parágrafos anteriores, 1990, comumente a inserção da empregada
as relações de gênero envolvem uma diversi- doméstica no emprego ocorria a partir de redes
dade de questões como condições culturais, de relações pessoais, tais como mãe, sogra,
sociais, espaciais. Essa diversidade provoca uma amigos e de indicação de antigos patrões. Essa
situação contraditória, sobretudo em relação ao peculiaridade também está vinculada à impor-
trabalho e ao labor doméstico. tância dada às qualidades pessoais. Dessa
Os discursos e as práticas sociais analisa- maneira, a trabalhadora adquire informações a
dos estão vinculados à imagem da mulher consi- respeito dos hábitos dos membros da família, da
derada ideal, aquela dedicada aos afazeres relação entre patrões e empregados, das condi-
domésticos e boa mãe, imagem ainda arraigada ções de trabalho etc. As patroas que buscam
e naturalizada no imaginário popular. Algumas maiores chances de garantia de honestidade e
vezes, nos depoimentos das jovens, o biologismo confiança podem conferir as informações sobre
é confundido com o próprio destino, ao mesmo o meio e as condições sociais e a disciplina da
tempo em que expressam os papéis sexuais empregada (Kofes, 2001), fato apontado pelas
como culturais ou resultantes da imposição nossas entrevistadas. As empregadas afirmam
familiar e social. Elas também mencionam que a atual contratação aconteceu por meio de
algumas formas de resistência contra a situação indicações de pessoas de suas relações pessoais
de subordinação feminina, o que reforça a e as patroas mostram a preocupação com as
afirmação de que as relações de gênero são pessoas que trabalham em sua residência.
relações de poder. Observando os dados encon- Nossos dados empíricos também sugerem
trados na pesquisa empírica e comparando-os que muitas vezes criam-se laços de amizade,
com a parte teórica deste trabalho, notamos que em que não raramente as empregadas identifi-
a transmissão de saberes femininos envolve cam suas patroas como pessoas prestativas,
uma complexidade de valores sociais da moder- ressaltando a importância de serem tratadas e
nidade, como a luta feminina e o crescimento de sentirem-se como membros da família
do nível de escolaridade das mulheres e, ao empregadora, como demonstram outras pesqui-
mesmo tempo, valores tradicionais, como o sas, como a realizada por Azeredo (1989).
reconhecimento da mulher submissa. Comumente sendo a relação entre empregadas
e patroas marcada pelo encontro de pessoas de
A comparação entre relações de gênero classes sociais distintas, na visão das jovens
e o labor doméstico empregadas um relacionamento mais afetivo
pode trazer-lhes benefícios, na forma de salários
Muitas mulheres das camadas média e alta indiretos como roupas, sapatos, presentes,
têm o cumprimento das tarefas domésticas, dos assistência médica, material escolar, remédios
cuidados parentais e de outras atividades faci- etc (Bruschini e Lombardi, 2000; Azeredo, 1989;
litado pelos empregados domésticos, que possi- Matos, 1996).
bilitam a liberação de tempo para as patroas No entanto, essa relação maternalista pode
exercerem atividades profissionais ou extralar. levar à identificação da empregada com a patroa
Por outro lado, muitas famílias das camadas de forma negativa, ou seja, em vez de executar
populares consideram os empregados domés- os seus deveres e defender os seus direitos, a
ticos como uma alternativa devido à indispo- empregada assume o discurso, as vontades e
nibilidade por parte do Estado de serviços sociais as posições da patroa. O maternalismo influen-
em quantidade suficiente e com qualidade, como cia no posicionamento da trabalhadora como
as creches, escolas em período integral, lavan- prestadora de serviço e do empregador como
derias, entre outros (Santana et al., 2003; contratante. Nesse sentido, uma das nossas
Stengel, 2003). entrevistadas, ao ser indagada sobre o recebi-
A literatura brasileira sobre o labor domés- mento de 13º salário, expressa uma identificação
tico assinala a dificuldade de distinção entre o maior com os interesses de sua patroa do que

231
KOSMINSKY, E. V.; SANTANA, J. N. Crianças e jovens e o trabalho doméstico: a construção social...

com os seus próprios, mencionando que o bene- de relações empregatícias, como a profissio-
fício seria cumprido de acordo com a vontade nalização da categoria de empregados domés-
de sua patroa. Interpretamos que, em uma ticos pela Constituição Federal de 1988. Essa
relação mais pessoal, reclamar a falta de um profissão tem uma invisibilidade por ser desen-
pagamento devido pode resultar na perda da volvida no interior das casas, o que dificulta a
confiança do patrão. fiscalização dos direitos trabalhistas, e é ainda
Os estudos demonstram que o âmbito reforçada pelo imaginário de que a mulher tem
privado pode ser o local da discriminação de um determinado papel sexual e exerce um
gênero, classe, etnia, de jornadas de trabalho conjunto de atividades típicas que fazem parte
longas, infindáveis, mal remuneradas, não remu- de seu cotidiano, naturalizado.
neradas, de experiências de injustiças, como Nessa perspectiva, a jornada de trabalho
também de desencadeamento de sentimentos da empregada doméstica não é determinada por
de resistência e de desejos de mudanças. Quan- lei. Em nosso estudo, observamos que quando
do comparamos a situação trabalhista dos as jovens trabalham no próprio bairro ou na
empregados domésticos do final do século XIX própria residência, exercendo a maternagem,
e início do século XX com a atual, observamos inexiste um horário fixo de trabalho, as jornadas
que os empregados domésticos, em ambos os giram em torno de doze horas diárias e algo
períodos, pertencem às camadas populares, o semelhante acontece com as empregadas
que pressupõe estratégias de sobrevivência e residentes. Essa situação apenas se altera no
convivência com a ausência ou pouco acesso à momento em que a empregada trabalha em outro
educação, ao lazer, à saúde etc; esses empre- bairro e não mora com os patrões, nesse caso,
gados estão pouco preparados para vivenciar e a jornada cai para cerca de oito horas diárias.
exigir o cumprimento de seus direitos. A partir As patroas entrevistadas fornecem informações
dessas constatações, o labor doméstico pode ser semelhantes. À medida do possível, elas procu-
considerado como uma manifestação da desi- ram justificar as longas jornadas de trabalho,
gualdade existente em nossa sociedade. Será mencionando acordos paralelos e atividades
que as jovens ingressam no labor doméstico desconsideradas como trabalho, como a empre-
apenas por falta de opção? gada levar as crianças para passear ou com elas
Nesse sentido, alguns empregados conti- brincar.
nuam valorizando o paternalismo/maternalismo, Sobre a remuneração constatamos que
citando-o para definirem o que consideram como todas as jovens que trabalham no próprio bairro
bons patrões. A confusão entre a esfera pública ou em sua própria residência são sub-remune-
e a privada no trabalho doméstico acaba por radas e recebem valores muito inferiores ao
criar situações ambíguas, que influenciam no salário mínimo vigente, a renda média é de 100
posicionamento da empregada como trabalha- reais. E apenas uma das entrevistadas ganha
dora, já que essa atividade, até o presente um valor superior, que é de 200 reais. Nenhuma
momento, não obteve qualquer reconhecimento delas recebe qualquer outro benefício. Contudo,
oficial de valor econômico. O isolamento e a a renda dessas trabalhadoras representa aproxi-
característica de prestação pessoal de serviços, madamente 30% da renda familiar, com varia-
individualizada, contribuem para a ausência de ções de 13% a 100%, o que indica a baixa renda
organizações coletivas eficientes para reivindi- desses grupos familiares.
cações e confronto quanto ao abuso de poder Os rendimentos das empregadas residentes
por parte de alguns patrões (Castanha, 2002). e daquelas que se deslocam para outros bairros
Notamos que a situação de submissão geralmente são maiores, podendo a diferença
prossegue de um certo modo diante da falta de chegar a 150%. Nessas condições de trabalho,
organização dessa categoria (Castanha, 2002) todas as empregadas têm os seus salários vincu-
e da persistência dos costumes sociais, o que lados ao mínimo corrente e, quando trabalham
pode levar ao abuso de autoridade, aos horários meio período, recebem metade do mínimo, com
extensos, à negligência dos direitos trabalhistas exceção de uma jovem que percebia 50 reais.
etc., apesar do estabelecimento de novas formas Apenas duas jovens não recebiam outros benefí-

232
SOCIEDADE E CULTURA, V. 9, N. 2, JUL./DEZ. 2006, P. 227-236

cios, as demais contavam com cesta básica ou patroa disse-nos que o salário de sua empregada
vale-transporte. Em grande parte, essas jovens fora combinado, procurando atender às necessi-
gostam de investir uma parcela de seus rendi- dades de ambas. As patroas ainda decidem o
mentos em produtos estéticos, como cremes, horário, as tarefas a serem realizadas, a conces-
batons e roupas, ou ainda adquiriram celulares, são ou não de folgas, de férias, o pagamento ou
walkman etc. não de 13º salário e outras itens referentes à
Na opinião da maioria das entrevistadas, o situação de trabalho. Em contrapartida, a maior
valor do salário da categoria profissional é ínfimo parte das empregadas entrevistadas se vê como
e precisa ser reajustado, principalmente devido pessoas de menos direitos. Em relação ao regis-
à quantidade de tarefas e aos cuidados que tro em carteira de trabalho, algumas delas
exigem as crianças. Uma única entrevistada demonstram que não reconhecem o labor
expressa a existência de diversidade de situações doméstico como profissão, já que não têm
salariais, experimentadas por diferentes empre- carteira de trabalho. Esse comportamento não
gadas domésticas. Por sua vez, todos os pais se limita à ignorância sobre a regulamentação
entrevistados acham os salários de suas filhas dessa atividade, aparentemente, é representado
baixos e os descrevem com um certo sentimento ora como uma conformidade, ora como uma
de resignação. Observamos que, nos casos aqui resistência, já que o registro como empregada
analisados, os pais e as jovens não exageram doméstica pode dificultar uma colocação em
nas adjetivações atribuídas aos salários, pois outro segmento profissional, futuramente.
esses rendimentos são inferiores aos valores Contraditoriamente, todas as entrevistadas
médio da cesta básica de fevereiro de 2005,2 negam o estigma social da profissão de domés-
cerca de 175,04 reais. As jovens que trabalha- tica ou babá e, majoritariamente, elas afirmam
vam em seu próprio bairro recebiam em média que não sentem vergonha de trabalhar nesse
57% desse valor, isto é, 100 reais. subsetor. Vale a pena registrarmos que o estigma
Entre as empregadoras, o salário declarado da profissão é assinalado como uma forma de
variava entre 100 reais e 550 reais. Ressaltamos discriminação contra as jovens abaixo da idade
que os menores valores de rendimento, respec- legal para o trabalho. Assim, a única a mencio-
tivamente 100 e 260 reais, foram encontrados nar algum constrangimento diz que o seu patrão
entre as jovens que trabalham para os seus se sentia desconfortável, devido à pouca idade
familiares ou para os seus vizinhos. Esse dado da moça. Todas as jovens entrevistadas decla-
chama a atenção, sugerindo a existência de ram gostar da profissão, e para algumas depende
estigma em torno do labor e do trabalho domés- das crianças e dos patrões, para outras do servi-
tico, no sentido de que essa atividade configura- ço e, ainda, do bom tratamento recebido da parte
se praticamente como uma obrigação das jovens dos empregadores. Contudo, ao serem interro-
para com os membros de sua família, daí os seus gadas se gostariam de exercer outra profissão,
direitos trabalhistas serem pouco respeitados. a maioria respondeu que sim. Entre as profissões
Hipótese confirmada pelo depoimento da patroa citadas estão comerciária, médica, química,
da primeira jovem acima mencionada, que cate- secretária, enfermeira, professora etc. Nas con-
goricamente expressa que, como tia da criança, siderações de Saffioti (1978), a negação do
a jovem devia cuidar do sobrinho. estigma é uma estratégia das empregadas
Acordos estabelecidos conforme os inte- domésticas de valorizar a sua profissão.
resses dos patrões são mencionados quando as Muitas pesquisas sugerem que entre os
jovens trabalhadoras respondem sobre a defi- patrões, salvo as exceções, permanece o pensa-
nição dos salários e das formas de pagamento. mento de manter os costumes senhoris, o
A maioria das empregadoras assinala ser a paternalismo/maternalismo e a exploração,
definidora dos valores a serem pagos, segundo dando-se pouca ou nenhuma importância aos
as suas possibilidades financeiras. Somente uma direitos trabalhistas. Estes, formalmente con-
quistados, são, quase sempre, pouco colocados
2. O valor refere-se à a capital paulista e foi divulgado pelo
em prática e incapazes de alterar as condições
DIEESE. de trabalho dessas trabalhadoras. Aqui, reto-

233
KOSMINSKY, E. V.; SANTANA, J. N. Crianças e jovens e o trabalho doméstico: a construção social...

mamos Tavares (2002), para quem a falta de mentalidade da casa como o lugar da mulher e
cumprimento das leis, dos direitos humanos e da pressão social para que os meninos desem-
os abusos de poder ocorrem “numa sociedade penhem ações ditas masculinas, atribuindo-lhes
em que crianças e adolescentes não são consi- um papel a ser seguido e qual a identidade que
deradas como sujeitos de direitos e, portanto, deve ser construída. Com exceção de uma mãe,
não são ouvidas nem para as pequenas escolhas todas as demais expressam, por meio de inter-
[...] e muito menos para as decisões ‘mais jeições, que a idéia de o menino exercer o labor
sérias’[...] como as questões relativas ao mundo doméstico é espantosa. Metade das patroas
do trabalho”. entende que os homens são incapacitados para
No geral, a empregadora e a empregada o labor doméstico, somente uma admite a
pertencem ao sexo feminino. Apesar de essa possibilidade de eles conseguirem realizar
questão ser muito importante na relação entre algumas tarefas, mas com ressalvas. E apenas
patroa e empregada, não podemos desconsiderar uma das empregadas entrevistadas registra que
que um fator determinante dessa relação é a o seu patrão costuma auxiliar no trabalho
desigualdade social. A maior parte das pesquisas doméstico, lavando a louça ou preparando
a respeito da desigualdade econômica refere- lanches para o jantar.
se à diferença de rendimentos entre os homens Outra ambigüidade do labor doméstico é
e as mulheres, sendo poucos os estudos que que, em um momento histórico em que se discute
relatam a crescente disparidade entre as em diversos setores as questões de cidadania e
próprias mulheres. de relações de gênero, essa atividade preserva
Na década de 1990, vários estudos apontam peculiaridades tradicionais. Para alguns autores,
para uma crescente taxa de feminização de como Castro (1989), o labor doméstico compro-
funções. Nesse sentido, Hirata (2002) utiliza-se mete uma distribuição igualitária das tarefas
de diversas pesquisas para demonstrar como as domésticas, pois a presença de uma empregada
transformações tecnológicas têm proporcionado diminui a participação masculina na execução
melhores oportunidades à mão-de-obra feminina, daquelas tarefas. Segundo Duarte (1989 apud
principalmente na área de informática e de Castro, 1989, p. 54), “a possibilidade de contratar
tecnologia, em diversas localidades do mundo. uma trabalhadora doméstica reforça o patriar-
Outros autores como Bruschini e Lombardi calismo e a subordinação da mulher na socie-
(2000) e Lavinas (2001) indicam um distan- dade, em vez de contribuir para seu enfren-
ciamento entre as mulheres, pois, ao mesmo tamento e questionamento”
tempo em que muitas delas exercem cargos de No entanto, não podemos desconsiderar
alto nível, também aumenta o número daquelas que as relações de gênero, como já mencionado,
que desempenham as chamadas funções estão vinculadas às questões de habitus, de um
desqualificadas, com salários baixos e precárias processo de socialização bastante eficiente e
condições de trabalho, como as empregadas limitador (Bourdieu, 1995) e não apenas à
domésticas. Citando Lavinas, “algumas benefi- terceirização da mão-de-obra. As relações de
ciando-se mais do que outras do avanço e do gênero são relações sociais, que devem ser
combate ao sexismo” (2001, p. 17). Observando articuladas com outros marcadores sociais.
as peculiaridades do trabalho doméstico, isto é, Observamos nos dados empíricos que os atores
a informalidade e a precariedade que envolve sociais vão construindo suas identidades também
essa atividade, remetemo-nos ao pensamento por meio de outras categorias, como classe e
de Arendt (2000), para quem a esfera privada etnia. As relações de gênero se diferem dentro
consolida a privação. de um mesmo grupo social, elas são relações
O diferencial nas relações de gênero não de poder e como tais sempre geram conflitos,
aparece unicamente na execução das tarefas logo, não há relações de gênero sem embates
domésticas para o próprio grupo familiar. A entre várias posições distintas (Haraway, 2004).
opinião dos pais e dos patrões entrevistados Dessa forma, as empregadas domésticas são
sobre a possibilidade de os rapazes exercerem atores sociais, que, ao seu modo, se acomodam
o labor doméstico registra a continuidade da e ao mesmo tempo encontram formas de

234
SOCIEDADE E CULTURA, V. 9, N. 2, JUL./DEZ. 2006, P. 227-236

resistência diante das relações de poder, Eliminação do Trabalho Infantil – Ipec, 2002.
opressão e exploração do dia-a-dia (Matos, Disponível em: <www.andi.org.br/tid>. Acesso em:
1996). 12/set/2003.
Portanto, dentro de um quadro de mudan- CASTRO, M. G. Empregadas domésticas: a busca
ças históricas, o labor doméstico permanece, em de uma identidade de classe. Cadernos do Centro
parte representando a continuidade de profissão de Estudos e Ação Social – Ceas, Salvador BA, n.
123, set/out 1989.
ambígua, que mantém certas estruturas e
valores sociais. No Brasil, o labor doméstico, HARAWAY, D. Gênero para um dicionário marxista:
a política sexual de uma palavra. Cadernos Pagu, n.
além de conter as desigualdades de gênero,
22, p. 201-246, 2004.
corrobora o pensamento da legítima coexistência
HIRATA. H. Reorganização da produção e transfor-
de grupos sociais com direitos desiguais
mação do trabalho. Uma nova divisão sexual. In:
(Martins, 1999). Em nossa sociedade, é um BRUSCHINI, C.; UNBEHAUN, S. G. (Orgs). Gênero,
instrumento de poder a continuidade de valores democracia e sociedade. São Paulo: Fundação
tradicionais e autoritários, social e culturalmente Carlos Chagas. Editora 34, 2002.
construídos. Idéias de paternalismo/materna- KOFES, S. Mulher, mulheres – identidade, diferença
lismo, clientelismo são constantemente reformu- e desigualdade na relação entre patroas e empre-
ladas e reapropriadas, dependendo dos interes- gadas domésticas. Campinas: Editora da Unicamp,
ses e da situação. 2001.
LAVINAS, L. Empregabilidade no Brasil: inflexões
de gênero e diferenciais femininos. Rio de Janeiro:
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, set.2001
Abstract: Based on qualitative research about children (Texto para Discussão, 826). Disponível em: http://
and youth at the age from 10 to 17 years old, who work <www.ipea.br/pud/td/td.html>. Acesso em: 4/dez/
as domestic servants in Marilia City, São Paulo State, 2003.
this article intends to discuss the gender relationship,
social class and generation relationship concerning to this LIBERATO, V. C. A dinâmica do serviço doméstico
kind of labor. remunerado nos anos noventa do Brasil. In: Encon-
tro Nacional de Estudos do Trabalho, 6 Abet, 1999.
Key words: childhood; youth; domestic service; gender
relationship; social values.
Disponível em: <www.race.nuca.ie.ufrj.br/abet/vienc/
st.html>. Acesso em: 26/9/2003.
MARTINS, J. S. O poder do atraso: ensaios de
sociologia a história lenta. São Paulo: Hucitec, 1999.
Referências
MATOS, M. I. S. Na trama urbana: do público, do
ARENDT. H. A condição humana. 10 ed. Rio de privado e do íntimo. Projeto História, São Paulo, n.
Janeiro: Forense Universitária, 2000. 13, jun.1996.
AZEREDO, S. M. da M. Relações entre empregadas MELO, H. P. DE. De criadas a trabalhadoras. Revista
e patroas: reflexões sobre o feminismo em países Estudos Feministas, Rio de Janeiro, v. 6, n. 2, p. 323-
multiraciais. In: COSTA, A de O; BRUSCHINI, C. 357, 1998.
(Orgs). Rebeldia e submissão: estudos sobre a MONTALI, L. Rearranjos familiares de inserção,
condição feminina. São Paulo: Editora Vértice/ precarização do trabalho e empobrecimento.
Fundação Carlos Chagas, 1989. Trabalho apresentado no XVI Encontro Nacional
BELOTTI, E.G. Educar para a submissão. Petrópolis: de Estudos Populacionais, ABEP, realizado em
Vozes, 1979. Caxambu - MG, de 20-24 de set. de 2004.
BOURDIEU P. A dominação masculina. Educação SABÓIA, A. L. Estratégias para combater o
& Realidade, n. 20 (2), p. 133-184, jun/dez 1995. trabalho infantil no serviço doméstico: as meninas
BRUSCHINI, C.; LOMBARDI, M. R. A bipolaridade empregadas domésticas uma caracterização socioe-
do trabalho feminino no Brasil. Cadernos de conômica – OIT. Ipea, fev. 2000.
Pesquisa, São Paulo, n. 110, p. 67-104, Jul/2000. SAFFIOTI, H.I.B. Emprego doméstico e capita-
CASTANHA N. Projeto: Prevenção e eliminação do lismo. Petrópolis: Vozes, 1978.
trabalho infantil doméstico em lares de terceiros na SAMARA, E. M. Mão-de-obra feminina, oportu-
América do sul. Organização Internacional do nidades e mercado de trabalho no Brasil no século
Trabalho – OIT, Programa Internacional Para XIX. In: SAMARA, E. M. (Org). As idéias e os

235
KOSMINSKY, E. V.; SANTANA, J. N. Crianças e jovens e o trabalho doméstico: a construção social...

números de gênero: Argentina, Brasil e Chile no SOIHET, R. Mulheres pobres e violência no Brasil
século XIX. São Paulo: Hucitec; Cedhal/SP Funda- urbano. In: DEL PRIORE, M. (Org). História das
ção Vitae, 1997, p. 21-61. mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto Ed Unesp,
SANTANA, V. S. et al.. Emprego em serviços 2000.
domésticos e acidentes de trabalho não fatais. Saúde STENGEL, M; MOREIRA, M. I. C. Narrativas
Pública, São Paulo, v. 37, n. 1, p. 65-74. fev. 2003. infanto-juvenis sobre o trabalho doméstico. Belo
Disponível em: <www.scielo.br>. Acesso em: 14/nov/ Horizonte: PUC Minas, 2003.
2003. TAVARES, M. A. Onde está Kelly? O trabalho oculto
SCOTT, J. Gênero: uma categoria útil de análise de crianças e adolescentes exploradas nos serviços
histórica. Educação & Realidade, Porto Alegre, v.16, domésticos na cidade do Recife. Recife: Cendhec,
n.2 p. 5-22, jul/dez. 1990. 2002.

236