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PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA

DIRETRIZES
PARA UMA
ESTRATÉGIA NACIONAL
DE DESENVOLVIMENTO
PARA O BRASIL
COLIGAÇÂO BRASIL SOBERANO
Esse não é o nosso Programa de Governo. São as diretrizes que vamos
discutir com a sociedade. Elas serão discutidas e aperfeiçoadas com a
participação de toda a sociedade brasileira e suas muitas instituições
representativas ao longo da campanha eleitoral. O que alinhavamos
a seguir, com o objetivo de iniciarmos o debate, são diretrizes gerais,
ideias e passos que consideramos fundamentais para fazer do nosso
Brasil um país verdadeiramente justo, solidário, unido, forte e soberano.
Portanto, certamente haverá, num país de tantas complexidades,
omissões, incompletudes e até ideias que deverão ser substituídas pelo
aperfeiçoamento que alcançaremos durante essa campanha.

No mês de junho de 2018, o Brasil tinha 13 milhões de desempregados, segundo


o IBGE; este, por si só, já é um número desolador, mas se computarmos também
aqueles que gostariam de trabalhar mais horas ou não procuraram emprego porque
desistiram de fazê-lo, chegamos a um em cada quatro brasileiras e brasileiros, dos
que compõem a força de trabalho, no primeiro trimestre de 2018. É um número que
impressiona. Aqueles que obtiveram alguma forma de ocupação, conseguiram de
forma mais precária, isso é, sem carteira ou por conta-própria, e em atividades nas
quais a renumeração é menor. Mas tão ruim quanto isso é saber que 28% das pessoas
entre 18 e 24 anos não estudavam nem trabalhavam em 2017; na faixa entre 25 e 29
anos, esse percentual era de 25%. É uma parcela significativa de uma geração fora do
sistema educacional e do mercado de trabalho.

Consumidores e empresas também estão com elevado nível de endividamento;


63 milhões de consumidores estavam inadimplentes no primeiro semestre de 2018,
segundo o Serviço de Proteção ao Crédito, e 5,5 milhões de micro e pequenas
empresas estavam na mesma situação em fevereiro de 2018, segundo a Serasa, o
que representava 22% das empresas desse porte. As margens de lucro das empresas
caíram com a crise nos últimos anos, e a disposição para o setor privado investir e gerar
mais empregos segue muito baixa.
Não há como ficar feliz nessa situação; não é à toa que a população está
desgostosa com os governantes. Mas há meios, sim, para mudar essa situação para
melhor; entretanto, é preciso coragem, determinação e crença na dedicação e
capacidade de superação dos brasileiros. E nós vamos mostrar, com estas diretrizes
para o programa de governo, que é possível para o brasileiro resgatar a sua dignidade.
Temos razões para a esperança. Nosso traço nacional mais importante é a vitalidade:
uma vitalidade sem medida, assombrosa, anárquica e quase cega. O Brasil tem o
recurso mais importante: uma cultura empreendedora amplamente difundida no
país, inclusive e sobretudo entre pequenas e médias empresas. Trabalharemos para
dar a este empreendedorismo vibrante, porém desequipado de braços, asas e olhos.
Inclusive ajudando esse imenso contingente de pessoas e famílias a reduzir seu atual
endividamento.

Essas são as diretrizes para um programa de governo elaborado por quem e para
quem deseja ver o país novamente crescer, produzindo com dignidade e soberania.
Observamos diariamente que o povo brasileiro está sofrendo há tempos; que a crise
econômica e política aumentou o desemprego e piorou as condições de vida da
população. Mas, reforçando o que já foi dito, essa situação não é eterna; há muito
espaço para recuperar a dignidade e a qualidade de vida de nossa população, e as
oportunidades são inúmeras em um país que já cresceu muito no passado. Para isso, é
importante que tenhamos coragem para ser feito o que é necessário: priorizar quem
trabalha e produz, buscando a geração de empregos e a melhoria das condições de
vida dos menos favorecidos, e defender a soberania e os interesses brasileiros. Vamos
propor políticas e oportunidades para criar e manter empregos para uma população
em idade de trabalhar, que chegou a 169 milhões de pessoas em junho deste ano.

Para atingirmos esses objetivos, estamos propondo uma estratégia nacional de


desenvolvimento. É estratégia porque é desenhada para o longo prazo, tem objetivos
claros, sabemos onde queremos chegar, e incluirá metas ao longo do tempo, ainda
que não estejam detalhadas neste programa inicial; é nacional porque defenderá os
interesses do país, do povo brasileiro, junto aos outros países, e buscará fortalecer
a produção local, visando o atendimento ao mercado interno ou externo, de forma
a gerar bons empregos para a nossa população; é de desenvolvimento porque visa
o crescimento a partir da modernização de nossa estrutura produtiva, de forma
sustentável, com a incorporação de pessoas ao mercado de trabalho, que serão
qualificadas através de boas políticas de educação, saúde e relacionadas às demais
condições de vida, e visará reduzir a pobreza e melhorar a distribuição da renda e
da riqueza no país. Essa estratégia deverá, como sempre demonstrou a história, ser
implementada sempre pela ação complementar dos setores público e privado.
Para isso, é preciso, primeiro, colocar a casa em ordem e, ao mesmo tempo,
recuperar a capacidade do setor produtivo para gerar empregos. Arrumar a casa
significa o governo fazer o chamado ajuste macroeconômico, equilibrando as
finanças públicas e reduzindo paulatinamente a participação de sua dívida no PIB do
país, o que fortalecerá a capacidade do governo para realizar políticas sociais e de
investimento; dessa forma, será possível reduzir a taxa de juros e, por consequência,
os custos de financiamento para empresas e consumidores, e propiciar condições para
que a taxa de câmbio oscile moderadamente em torno de um patamar competitivo
para as empresas do país, tanto no mercado interno como externo.

Ao recuperar a sua capacidade de investir, o Estado brasileiro liderará, com


a participação do setor privado, o processo de melhoria da infraestrutura que
tanto afeta a produção e as condições de vida da população e, ao mesmo tempo,
possibilitará a geração de empregos. As deficiências na infraestrutura geram restrições
não só ao aumento da produtividade, mas também deterioram as condições de
vida da população. Dada a ausência de investimentos no setor, somente 20% dos
domicílios na Região Norte e 45% na Região Nordeste tinham acesso à rede geral de
esgotamento sanitário ou fossa ligada à rede em 2017 (segundo o IBGE), por exemplo.

O Estado precisa, junto com o setor privado, viabilizar um volume de


investimentos de, aproximadamente R$ 300 bilhões ao ano (praticamente 5% do
PIB) para recuperar a infraestrutura do país e assim contribuir para a melhoria dos
indicadores sociais e da competitividade global das empresas brasileiras. Não haverá
outra forma de fazê-lo que não seja através do retorno da capacidade de investimento
do setor público, que dependerá do ajuste fiscal, tributário, da reforma da Previdência
e da consequente queda das despesas com juros, e da sua associação com o capital
privado nessa empreitada. O BNDES também terá um papel preponderante nesse
processo.

Outra solução para recuperar o emprego no momento inicial (além do


investimento em infraestrutura e um conjunto de ações emergenciais), já que o
mercado interno está desaquecido e o elevado desemprego e endividamento inibem
a sua recuperação, é o aumento das exportações, principalmente daquelas ligadas
ao setor industrial. A história mostra que o processo de desenvolvimento de todos
os países passou pelo surgimento e crescimento da indústria, e os dados também
mostram que os países mais ricos exportam proporcionalmente mais produtos
industrializados que outros tipos de produtos. É na indústria que é gerada a maioria
das inovações; também é esse setor que mais estimula a produção de outros setores
e gera empregos de qualidade, com bons salários, e em quantidade satisfatória.
A indústria atual está totalmente associada aos chamados serviços modernos,
como informática, design, logística, pesquisa, marketing, consultoria, projetos e
publicidade, dentre outros, e esse é o caminho atual do processo de desenvolvimento
– a chamada indústria 4.0. Portanto, a reindustrialização do país, já que este setor
perdeu muito espaço desde a década de 1990, é um ponto central de nossa estratégia
de desenvolvimento; sempre buscando inovar, agregar serviços modernos e
exportar. O agronegócio, que tanto tem ajudado nossa economia, também deverá ser
estimulado a produzir bens com maior valor agregado, para gerar ainda mais riqueza
ao país.

Nosso país perdeu milhares de indústrias e esse é um dos motivos mais relevantes
para explicar o nosso baixo crescimento, de apenas 2,2% ao ano, em média, nos
últimos 30 anos (1988-2017). Para se ter uma ideia do baque que isso significa, basta
dizer que o Brasil cresceu, nos 30 anos anteriores (1958-1987), à média de 6,6% ao
ano, três vezes mais do que atualmente. As economias que mais enriqueceram nas
últimas décadas foram as que investiram pesadamente em sua indústria, e assim tem
sido ao longo da história. Nós fizemos o contrário. Em 1990, nossa produção industrial
era igual à da China ou à soma de Coreia do Sul, Malásia e Tailândia. Mas em 2015,
produzimos apenas o equivalente a 6% do que a indústria chinesa produziu e somente
33% do que produziram as indústrias dos outros três países somadas. Reindustrializar
o país é uma das nossas metas principais, juntamente com o desenvolvimento dos
setores de serviços intensivos em conhecimento, e ser o passo fundamental para o
Brasil voltar a crescer e gerar mais empregos duradouros e de qualidade.

Mas, para inserirmos mais pessoas no mercado de trabalho, com bons salários,
e melhorar nossa competitividade, precisamos também investir fortemente na
melhoria do sistema educacional. Hoje o acesso é praticamente universal no ensino
fundamental, mas o desempenho ainda é insuficiente. Neste campo, devemos seguir
o exemplo adotado no estado do Ceará, terra de nosso candidato Ciro Gomes: entre
as 100 cidades com o melhor IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)
do país, 77 delas lá se encontram. Já em relação ao ensino de nível médio, a evasão é
elevadíssima, a oferta de vagas é insuficiente e o desempenho dos alunos, também
insatisfatório. Entre 1990 e 2015, o número de pessoas com mais de 25 anos que
possui pelo menos educação de nível médio aumentou 2,9 vezes no Brasil, mas ainda
é baixo para padrões internacionais (94º colocado entre 164 países em 2015; os dados
são do Índice de Desenvolvimento Humano calculado pela Organização das Nações
Unidas). No ensino de nível superior, os problemas de acesso e evasão permanecem,
bem como os relativos à qualidade do ensino em situações específicas. Portanto,
nossas metas estarão relacionadas à correção da evasão escolar, à melhoria dos índices
de desempenho dos alunos e à ampliação do acesso aos níveis de ensino médio e
superior.

No tocante à Saúde, outra área sensível para o bem-estar da população, a situação


é semelhante. Ainda que a taxa de mortalidade até os cinco anos de idade (um
importante indicador das condições de saúde da população) tenha se reduzido em
aproximadamente 75% entre 1990 e 2015, ainda é alta para padrões internacionais,
pois o Brasil é o 90º colocado entre 193 países em 2015 (a fonte dos dados é
semelhante à utilizada para a Educação). A atenção básica tem que ser reforçada e
priorizada, e a gestão do atendimento médico e hospitalar às chamadas doenças
de média e alta complexidade, aprimorada. Diferentemente da Educação, em que o
acesso é quase universal no ensino fundamental, na Saúde ainda precisa ser ampliada
a oferta de diversos serviços, mesmo os mais básicos, à população brasileira.

Outro problema premente para a população é a segurança pública. O Brasil


registrou 63.380 homicídios em 2017. São 30,8 homicídios por mil habitantes,
segundo o Atlas da Violência de 2018. A taxa mundial é de cerca de 8 homicídios por
mil habitantes. Do total de óbitos registrados para a população entre 15 e 19 anos,
50,3% corresponderam a homicídios em 2016. A taxa de homicídios de negros atingiu
40,2 por mil habitantes naquele ano, enquanto a de não negros foi de 16 por mil
habitantes. A desigualdade racial fica evidenciada nessas estatísticas.

Armar as pessoas vai provocar um número de mortes ainda maior (um “banho
de sangue”). Esse não será o caminho da solução, com certeza; a saída se dará pela
melhoria das condições de trabalho da polícia e da inteligência investigativa, ao
combate ao tráfico de armas, ao crime organizado e suas movimentações financeiras, e
ao policiamento nas fronteiras, dentre outros.

Há, portanto, uma série de políticas sociais que devem ser implementadas
conjuntamente à estratégia de crescimento econômico. Essas políticas são importantes
para proteger os mais pobres, melhorar o bem-estar da população e acelerar
o processo de distribuição de renda. Nesta introdução, citamos apenas alguns
exemplos, e essas políticas terão um papel muito importante em nosso programa de
governo a ser elaborado.
Aliás, crescer distribuindo renda é fundamental. Reduzir as gritantes
desigualdades econômicas e sociais do país requer um conjunto amplo e simultâneo
de medidas, como estamos propondo nessa estratégia de desenvolvimento.
Queremos criar empregos de qualidade, tributar proporcionalmente mais os ricos,
investir fortemente em educação e em políticas sociais, dentre outras medidas.

Bem, e encerrando essa introdução, já que estamos defendendo uma estratégia


nacional de desenvolvimento, precisamos dizer onde queremos chegar, gerando
empregos de qualidade acessíveis a todos. Nossa meta maior é buscarmos, em um
período de 15 anos, alcançar o atual Índice de Desenvolvimento Humano de Portugal
(que hoje é o 41º do mundo, enquanto o Brasil está na 79ª posição), um país dentre
os que mais vêm crescendo no mundo desenvolvido e que possui um governo cujas
bases de suas políticas são progressistas. Para atingirmos o atual nível de renda per
capita de Portugal, buscaremos crescer 5% ao ano, e será definida uma série de
outros objetivos e metas relativas a indicadores sociais, como expectativa de vida,
mortalidade infantil, taxa de homicídios e desigualdades sociais entre homens e
mulheres. Se quisermos também atingir os seus indicadores de distribuição de renda,
teremos que investir muito em educação, bem como em políticas econômicas que
propiciem a orientação de nossa produção na direção de setores que produzam bens
mais sofisticados com maior valor agregado, e na realização de muitas políticas sociais
visando o acesso a bens e serviços públicos de qualidade. Como vemos, a tarefa não
é fácil, e sem uma estratégia bem desenhada, implementada com dedicação e vigor,
e que combine a atuação dos setores público e privado, será impossível atingirmos os
resultados propostos. Vamos então, a seguir, detalhar a composição das diretrizes para
o nosso programa de governo, um programa soberano porque é baseado em uma
estratégia nacional de desenvolvimento.
DETALHAMENTO
DO PROGRAMA
1 GERAÇÃO
DE EMPREGOS
O Brasil tem hoje 169 milhões de pessoas em idade de trabalhar. Para gerar
emprego e ocupação de forma sustentável para essa formidável massa de brasileiros,
nosso país precisa adotar uma estratégia planejada, um plano nacional debatido
por toda a sociedade, estabelecendo prioridades sociais e econômicas. Metas de
curto, médio e longo prazos que permitam ao Brasil alcançar, em termos de renda e
desenvolvimento humano, o mesmo nível de alguns países europeus ou asiáticos que
já deixaram para trás problemas como desemprego, miséria e pobreza e oferecem
oportunidades e um bom nível de vida para todos os seus habitantes. O Brasil tem
condições, riquezas e recursos para tanto. Mas isso requer um plano, um caminho
estabelecido entre a sociedade e o governo, entre os trabalhadores, o setor privado
e o setor público, que defina claramente políticas de desenvolvimento focadas na
expansão da competitividade dos setores produtivos, com especial destaque para a
indústria de transformação e redobrada atenção ao setor exportador, considerando
também a força de nosso agronegócio e da nossa mineração, que geram essenciais
divisas para as contas externas do país. Precisamos gerar empregos para milhões de
brasileiras e brasileiros. Esse é um dos objetivos mais importantes de nosso programa.
Para atingirmos esses objetivos, o país precisa retomar o crescimento e uma série de
medidas econômicas serão necessárias; todas elas visam o aumento dos investimentos
que ampliarão a capacidade produtiva, possibilitando a criação dos novos empregos
tão necessários. Diversas medidas serão necessárias, e a seguir descreveremos as
principais delas.

1.1 O alcance do equilíbrio fiscal para que o governo recupere a sua capacidade
de investir e realizar políticas sociais para melhorar as condições de vida da
população. Em outras palavras, vamos garantir a sustentabilidade fiscal e
previdenciária do Estado em todas as suas esferas e promover a simplificação
do sistema tributário, elevando a capacidade de investimento dos governos
e possibilitando a prestação de serviços públicos de qualidade para toda a
sociedade. Definimos como meta alcançar o equilíbrio no resultado primário
em dois anos de governo e, para alcançar esse equilíbrio, uma série de
reformas serão necessárias:
Reforma fiscal, tributária e previdenciária

n Implementação de um sistema previdenciário multipilar capitalizado, em que o


primeiro pilar, financiado pelo Tesouro, seria dedicado às políticas assistenciais;
o segundo pilar corresponderia a um regime previdenciário de repartição com
parâmetros ajustados em relação à situação atual; e o terceiro pilar equivaleria
a um regime de capitalização em contas individuais. Ademais, seria discutida a
introdução de idades mínimas diferenciadas por atividade e gênero;
n Redução, inicial, de 15% das desonerações tributárias;
n Revisão de todas as despesas do governo, de modo a eliminar desperdícios,
sobreposições e privilégios; os gastos com investimentos, Saúde e Educação
deverão ser preservados;
n Isenção de tributos na aquisição de bens de capital;
n Redução do Imposto de Renda da pessoa jurídica;
n Redução de impostos sobre consumo (PIS/COFINS e ICMS);
n Criação de um Imposto Sobre Valor Agregado (IVA), unificando vários tributos
atualmente existentes;
n Eliminação gradual da chamada “pejotização“;
n Recriação do Imposto de Renda sobre lucros e dividendos;
n Alteração das alíquotas do ITCD (imposto sobre heranças e doações);
n Simplificação da estrutura tarifária de importações;
n Elevação da alíquota do ITCD (imposto sobre heranças e doações);
n Revogação da EC 95 (Teto de Gastos), a ser substituída por outro mecanismo
que controle a evolução das despesas globais do governo, preservando, como
afirmado acima, os gastos com investimentos, Saúde e Educação;
n Redução da burocracia para abertura, acompanhamento das operações
tributárias e fechamento de empresas.

Reforma orçamentária

n M
 aior integração entre o planejamento dos objetivos de governo, suas metas,
o orçamento e um modelo de gestão orientado para resultados;
n Introdução do orçamento plurianual para grandes projetos prioritários;
n Planejamento de despesas por período superior a um ano;
n C  riação da unidade de projetos prioritários, com sistema de acompanhamento
e avaliação;
n Adoção do chamado orçamento base zero;
n P  rogramação de desembolsos associados à avaliação da execução de projetos
e resultados alcançados;
n Criação de incentivos à economia de recursos orçamentários;
n Aprimoramento do processo licitatório;
n Maior transparência na classificação e execução orçamentária;
n Criação de sistema de acompanhamento e rateio de custos.

Reforma da gestão pública

n Implementação de um processo dinâmico de planejamento de longo prazo,


com um horizonte de 20 anos, no qual, a cada 4 anos, o planejamento seria
atualizado para as próximas duas décadas, servindo de base para a elaboração
dos planos plurianuais;
n R  edefinição de ministérios em função das atribuições a serem desempenhadas
pelo governo;
n M  elhoria da integração entre as diversas estruturas organizacionais visando
magnificar os efeitos intersetoriais e transversais das políticas públicas;
n R  ealização de um planejamento da força de trabalho que alinhe as
necessidades de pessoal às funções e objetivos estratégicos do governo;
n A  linhamento da política de pessoal aos resultados do planejamento da força
de trabalho;
n D  esenvolvimento profissional do quadro de servidores e de estrutura de
incentivos baseada no alcance de resultados;
n C  riação de mecanismos de incentivo e avaliação de desempenho realistas;
n Introdução de um sistema meritocrático para ocupação de cargos em
comissão;
n C  riação de instrumentos e parâmetros de monitoramento e avaliação de
políticas públicas;
n Implementação de um sistema de metas e acompanhamento de resultados
associado ao orçamento;
n A  primoramento e fortalecimento dos mecanismos de gestão fiscal e de
controle de custos;
n C  riação de mecanismos de identificação de projetos inovadores que possam
ser disseminados na administração pública;
n Integração e modernização dos sistemas públicos de Tecnologia da
Informação e de Comunicação (TIC) e implementação de sistemas de Big Data
no Governo Federal;
n M  elhoria e expansão do chamado governo eletrônico, ampliando fortemente
a prestação de serviços, os controles realizados por meio eletrônico e a
desburocratização de processos de trabalho;
n A  perfeiçoamento do pacto federativo e das regras de consórcio público para
execução de políticas públicas;
n E
 stímulo à oferta de serviços públicos, não exclusivos de Estado, por
organizações públicas não estatais, como organizações sociais;
n R
 evisão da forma de atuação das agências reguladoras;
n A
 perfeiçoamento do marco jurídico que rege a administração pública,
incluindo o processo de compras.

1.2 A
 redução da taxa de juros, para estimular a retomada dos investimentos
privados e aliviar a população e as empresas endividadas, é essencial.
Para atingir esse objetivo, deverá ser realizada uma reforma monetária
acompanhada de um conjunto de medidas que possibilite diminuir tanto a
taxa de juros básica, definida pelo Banco Central, como aquela que é cobrada
nos financiamentos a consumidores e empresas:

n C
 ompromisso com a redução da taxa de juros básica (Selic) em compasso com
a realização do ajuste fiscal;
n R
 edução da indexação no mercado financeiro, através da substituição gradual
da participação de Letras Financeiras do Tesouro, corrigidas pela Selic, por
títulos prefixados no financiamento da dívida;
n S
 ubstituição gradual das operações compromissadas (operações de overnight
com lastro em títulos públicos com compromisso de recompra por parte do
Banco Central) por depósitos voluntários remunerados (que não são lastreados
em títulos públicos) no Banco Central;
n D
 esregulamentação bancária para possibilitar a maior oferta de serviços
financeiros por parte de instituições de pequeno e médio porte e ampliar a
rede bancária;
n A
 primoramento da legislação na direção de facilitar a operação de novos
negócios financeiros dentro e fora do sistema bancário, incluindo a
regulamentação e estímulo ao desenvolvimento das instituições financeiras
que operam exclusivamente pela internet, chamadas de Fintechs;
n M
 aior controle da concentração bancária por parte dos órgãos de regulação;
participação do CADE juntamente com o Banco Central nesse processo;
n P
 articipação ativa do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal no
processo de redução do spread bancário, garantindo a rentabilidade
necessária às suas operações.

1.3 A defesa de uma taxa de câmbio competitiva é essencial para, junto com uma
série de outras medidas, recuperar a capacidade das empresas brasileiras,
produtoras de bens industrializados e serviços sofisticados, concorrerem
no mercado externo. Também é fundamental para evitar que as empresas
importadoras possam trazer produtos com preços em reais artificialmente
baixos que impossibilitem as empresas brasileiras de concorrerem com elas,
resultando na eliminação de muitos empregos no país:

n A
 taxa de câmbio deve oscilar, com reduzida volatilidade, em torno de um
patamar competitivo para a indústria nacional;
n A
 política fiscal equilibrada e a redução da taxa de juros serão os fatores
determinantes desse comportamento da taxa de câmbio;
n R ecriação do fundo soberano, para impedir as oscilações excessivas da taxa de
câmbio em função dos ciclos de commodities, possibilitar a implementação de
políticas anticíclicas e a estabilidade de preços importantes, como o petróleo,
no mercado interno (sempre resguardando a rentabilidade das empresas
produtoras desses bens).

1.4 A manutenção da inflação em patamares baixos é fundamental para o


crescimento e esse é outro ponto essencial de nosso programa. Queremos
aliar a menor inflação possível à meta de criação dos empregos necessários à
população brasileira. Portanto, o regime de metas de inflação será mantido,
e o Banco Central perseguirá a menor taxa de inflação possível associada a
uma taxa de desemprego que não sacrifique a população brasileira:

n O
 Banco Central terá duas metas: a taxa de inflação e a taxa de desemprego,
como ocorre nos Estados Unidos;
n A  doção de medidas de núcleo dos índices de preços como meta de inflação;
n M  udança do prazo de convergência da inflação à meta em caso de choques
inflacionários (ao invés do ano calendário, adotar um número maior de meses);
n D  esindexação de preços relevantes da economia;
n Ampliação da composição do Conselho Monetário Nacional;
n D  ivulgação da transcrição das gravações das reuniões do Copom após seis
meses, visando maior transparência das ações do Banco Central.

1.5 A política industrial, junto com outros instrumentos como a política de


ciência e tecnologia e creditícia, sempre auxiliou no desenvolvimento
de setores considerados estratégicos, seja para a geração de inovações
ou de empregos (ou ambos), tanto nos países desenvolvidos como em
desenvolvimento. Deve ser desenhada de forma complementar à política
macroeconômica, e não para compensar desequilíbrios, como foi no
passado recente:

n D
 efinição de quatro grandes complexos prioritários. A escolha desses
complexos se deve aos seguintes fatores:
• o seu impacto sobre a balança comercial, através da elevada participação de
insumos importados em seu processo produtivo;
• o seu impacto positivo sobre a produção dos demais setores;
• a possibilidade de melhor aproveitamento, com agregação de valor, de
nossos recursos naturais;
• a geração de tecnologia que poderá ser disseminada aos demais setores
da economia. São eles o agronegócio, a defesa, o setor de óleo, gás e
biocombustíveis e a produção de bens para atender aos serviços de saúde.
n O
 quinto setor relevante, a construção civil, forte gerador de empregos, será
estimulado pela política orientada à recuperação da infraestrutura, incluindo o
saneamento básico e a habitação;
n P
 olíticas de incentivo à inovação e sustentabilidade financiadas pelo BNDES
e bancos privados, visando primordialmente ao aumento da competitividade
e elevação das exportações com maior conteúdo tecnológico e a sua
diversificação, e ao estímulo à realização de investimentos complementares
na cadeia produtiva, principalmente na integração entre indústria e serviços
modernos, de forma a possibilitar nossa participação nas etapas mais
relevantes das cadeias globais de valor;
n D
 efinição do BNDES como grande agente financeiro da estratégia de política
industrial, junto com a FINEP e os órgãos estaduais de fomento à inovação;
n R
 eforço à política de preferência por insumos locais nos processos de compras
governamentais;
n A
 primoramento da política de conteúdo local, visando a sua simplificação
e, ao mesmo tempo, sua adoção como efetivo instrumento de estímulo ao
produtor nacional;
n V
 ínculo com a política de ciência e tecnologia por meio da criação de
estímulos à atuação conjunta de universidades, empresas e instituto de
pesquisas no desenvolvimento de produtos e tecnologias.

1.6 Uma política de inserção internacional que fomente o setor produtivo, com
especial destaque para a indústria manufatureira de alta tecnologia e para
serviços intensivos em conhecimento, é fundamental para garantir que a
globalização gere empregos de qualidade, ao invés de destruir os poucos
empregos que restaram nesses setores. Para tanto, é preciso que haja uma
estratégia com foco no longo prazo, com forte apoio às exportações desses
produtos e serviços. O Brasil tem condições de se aproximar, em termos
de renda e desenvolvimento humano, dos países europeus, desde que
estabeleça claramente políticas focadas na expansão da competitividade
externa dos setores produtivos mais sofisticados tecnologicamente:
n D
 efinição de metas claras de crescimento para as exportações de
manufaturados;
n P  riorização na concessão de crédito, por parte do BNDES, às empresas que
cumprirem metas de exportação, inovação, elevação da competitividade e
geração de empregos; prática de menores taxas de juros para aquelas que
inovarem e preservarem o meio ambiente;
n D  esenvolvimento de mecanismos que facilitem o acesso dos exportadores a
financiamentos com custos compatíveis aos obtidos por seus concorrentes
externos;
n M  elhoria da infraestrutura para escoamento da produção;
n R  acionalização da estrutura tarifária de importações;
n Estabelecimento de acordos comerciais, preservando os interesses do país;
n E  struturação de suporte às empresas brasileiras na prospecção de mercados e
no atendimento aos clientes no exterior.

1.7  Todas as políticas orientadas ao crescimento e à geração de empregos


carecem de recursos para serem viabilizadas. Uma política de crédito, que
retome a capacidade de financiamento às empresas e à população em
geral, será fundamental em nossa estratégia de desenvolvimento. Uma
série de medidas serão adotadas para recuperar o volume de crédito na
economia brasileira. A própria redução da taxa de juros e das operações
compromissadas levará o sistema financeiro a realizar operações de
empréstimos e o volume da oferta de crédito deverá crescer:

n D
 efinição de um conjunto de ações para auxiliar na redução do endividamento
de famílias e empresas;
n A
 lterações na política atual de recolhimentos compulsórios sobre depósitos
bancários;
n E
 stímulo à disseminação do cadastro positivo;
n P
 opularização do mercado de fundos lastreados em títulos privados;
n E
 stímulo ao desenvolvimento do mercado de capitais e de financiamento
privado de longo prazo, o que também contribuirá para a elevação da
poupança nacional;
n D
 esenvolvimento de mecanismos alternativos de crédito, como venture capital
(capital de risco);
n D
 efinição de uma estrutura tributária que estimule a concessão de crédito de
longo prazo;
n R
 etomada do protagonismo do BNDES na concessão de crédito ao
investimento, pesquisa e inovação, através da criação de novas formas de
captação de recursos;
n R
 eforço do papel da CEF no financiamento de políticas sociais;
n R
 eforço do papel do BB na concessão de crédito à agricultura e capital de giro
para pequenas e médias empresas.

1.8 Adicionalmente, políticas específicas para a criação direta de empregos,


complementares a todas estas citadas acima, serão necessárias, dado o
elevado desemprego da economia brasileira. Em junho de 2018, esse
contingente atingia 13 milhões de pessoas, praticamente o dobro do número
registrado em 2014; por isso, para recuperar o emprego de milhões de
brasileiros rapidamente, e criar empregos para outras pessoas que vêm
ingressando no mercado de trabalho, vamos propor um conjunto de ações
emergenciais e outras que auxiliarão a promover a geração sustentável
de empregos, priorizando as camadas mais vulneráveis da população,
estimulando a formalização no mercado de trabalho e a capacitação
profissional compatível com as demandas das organizações públicas e
privadas, aperfeiçoando também as políticas de inclusão produtiva:

n C
 riação de um programa emergencial de emprego, com ênfase nas áreas de
saneamento e construção civil, em consonância com as políticas de estímulo a
estas áreas, conforme proposto nestas diretrizes para o programa de governo;
n C
 riação de programas de capacitação nos bolsões de desemprego das
grandes cidades, como o auxílio do Sistema S e das instituições federais de
ensino;
n E
 stabelecimento de política de “adoção, melhoria e multiplicação” das creches
“informais” já existentes, para possibilitar às mães de crianças na primeira
infância a ingressarem no mercado de trabalho;
n P
 olíticas de concessão de crédito desburocratizado e barato para reforma e
ampliação das moradias para famílias de baixa renda, o que melhorará suas
condições de vida e simultaneamente contribuirá para o reaquecimento do
mercado de trabalho na construção civil;
n O
 ferecer cursos de curta duração voltados a Nem-Nems (jovens entre 15
e 29 anos que nem estudam, nem trabalham; 23% dos jovens nessa faixa
etária encontravam-se nessa situação em 2017). As políticas em relação a este
grupo serão mais detalhadas mais à frente nessas diretrizes para o programa
de governo, mas ressalta-se que um de seus componentes será a criação de
cursos de capacitação para facilitar a sua inserção no mercado de trabalho;
n R
 evisão das atuais leis trabalhistas, de modo a adaptá-las às novas tendências
do mercado de trabalho, alavancar o empreendedorismo, incentivar empresas
e trabalhadores a realizar contratos de trabalho mais longos, estimular
aumentos na produtividade e diminuir a insegurança jurídica;
n M
 elhoria dos sistemas de monitoramento e avaliação para determinar as
necessidades de treinamento e direcionar melhor a expansão de programas
de capacitação profissional, inclusive na direção de novos empregos que serão
demandados no futuro, além da ampliação das parcerias com o setor privado
para verificar as áreas que mais precisam de treinamentos, facilitando o acesso
dos alunos a postos de estágio e trabalho;
n R
 eforma de serviços como o do Sistema Nacional de Emprego (SINE),
melhorando a sua estrutura e a sua capacidade de articulação com o setor
produtivo.

1.9 Não menos relevantes, os setores do agronegócio, agricultura familiar,


serviços em geral, comércio, a economia criativa e o turismo também
serão estimulados para contribuir ao crescimento da economia brasileira
e à geração de empregos. Da mesma forma, atenção especial deverá ser
direcionada aos empreendedores, inovadores e às pequenas e médias
empresas. Esses estímulos serão discutidos ao longo da campanha.
2 RECUPERAÇÃO E MODERNIZAÇÃO
DA INFRAESTRUTURA
A infraestrutura de nosso país é velha, insuficiente e carece de manutenção. Nas
cidades, sejam elas no meio urbano ou no meio rural, faltam habitações, saneamento
e transporte público de qualidade, assim como precisamos de ferrovias, estradas,
portos, aeroportos e energia. Portanto, recuperar e modernizar a nossa infraestrutura
é outro passo decisivo para gerar imediatamente milhares de empregos em todo o
país, melhorar a qualidade de vida da população e aumentar a competitividade do
Brasil que produz. Para isso, é necessário um setor público com boa saúde fiscal para
participar, juntamente com o setor privado, desse investimento maciço. Pretendemos
investir nestas obras cerca de R$ 300 bilhões por ano, através de investimento público
ou estimulando o setor privado a fazê-lo, para superar as deficiências e gargalos que
encarecem e limitam nossa capacidade de produção. Estimamos que somente as obras
atualmente paralisadas podem gerar cerca de 350 mil novos empregos. A seguir,
elencamos uma série de medidas necessárias para o alcance deste objetivo.

2.1 Realização de um pacote de investimentos dirigidos a seguintes áreas:



n Habitação
n Saneamento básico
n Resíduos sólidos
n Telecomunicações
n Mobilidade urbana
n Rodovias
n Ferrovias de cargas
n Ferrovias de passageiros
n Aeroportos
n Portos
n Energia elétrica e demais energias renováveis, como eólica, solar e
biomassa, entre outras opções.
2.2 O Programa Minha Casa Minha Vida deverá ser reforçado, recebendo
recursos adicionais, e a infraestrutura de serviços em seu entorno, incluindo
transporte, saúde e educação, dentre outros, receberá a necessária atenção
específica.

2.3 O Sistema Financeiro da Habitação deverá ser fortalecido, de modo a


desenvolver novas formas de captação de recursos, preservando o seu
equilíbrio orçamentário.

2.4 O modelo de concessões e parcerias público privadas será fortemente


incentivado e atuará de maneira coordenada ao investimento público.
Precisamos melhorar a qualidade dos investimentos públicos e aumentar
estrategicamente a sua sinergia com os investimentos privados, por meio da
criação de um comitê de avaliação das políticas de investimentos.

2.5 Fortalecimento e protagonismo do BNDES neste processo.

2.6 Criação de um fundo garantidor para investimentos em infraestrutura,


lastreado em títulos emitidos a partir de um processo de securitização de
dívidas com o setor público.

2.7 Estruturação de equipe específica para a elaboração e análise de projetos,


de modo a auxiliar tanto o setor privado como estados e municípios.

2.8 Estabelecimento de um trâmite organizado de preparação e modelagem


dos projetos públicos de infraestrutura.

2.9 Articulação entre os diversos órgãos públicos, incluindo os governos


estaduais e municipais, envolvidos nos estudos e procedimentos que
precedem às licitações e leilões no modelo de concessões e PPPs.

2.10 Maior segurança jurídica: regulação clara dos setores, com regras bem
delineadas, ações não discricionárias, eficiência das agências reguladoras e
do Poder Judiciário.

2.11 Reestruturação da relação entre os ministérios e agências reguladoras, que


devem regular e não formular políticas.

2.12 Retomada da adoção da TJLP nos processos de infraestrutura.


2.13 Estruturação de um mercado de garantias e seguros para o investimento de
longo prazo.

2.14 Aprimoramento das regras gerais de licenciamento ambiental de modo a


combinar as necessidades de investimento e preservação ambiental.

2.15 Modernização e celeridade nos processos de desapropriações por utilidade


pública.
3 DESENVOLVIMENTO
E MEIO AMBIENTE
Quando falamos em desenvolvimento econômico, reindustrialização,
agricultura e infraestrutura, não podemos nos esquecer que esse processo deve
ocorrer de forma sustentável, preservando o meio ambiente. A maior parte dos
conflitos observados na Política de Meio Ambiente é fruto de uma oposição artificial
entre dois conceitos originalmente interligados, a ecologia e a economia. Percebemos
que não há falta de espaço, mas sim de ordenamento no uso e ocupação das terras
no Brasil. Existem áreas úteis de sobra para sistemas produtivos, ao passo que estes
setores ocupam, em áreas já modificadas pela ação humana, mais de metade das
áreas vocacionadas para preservação. De outro lado, as políticas conservacionistas
priorizaram a instituição de unidades protegidas como salvaguarda de nossa
biodiversidade e pouco avançaram em políticas de harmonização da preservação com
a produção. É necessário solucionar essa apenas aparente contradição. O país tem
elevada biodiversidade e necessita definir e priorizar ações que desenvolvam o seu
manejo e preservação, de modo a melhorar a qualidade de vida das pessoas.

3.1 Intensa expansão, tendendo à universalização, dos serviços de


abastecimento de água, coleta e tratamento de esgoto.

3.2 Compatibilização entre as agendas Marrom (Política Nacional de Meio


Ambiente), Verde (Novo Código Florestal) e Azul (Política Nacional de
Recursos Hídricos).

3.3 A realização de grandes obras deve ser acompanhada de um planejamento


de arranjos produtivos locais em seu entorno.

3.4 Implantação das Unidades de Conservação já criadas no Brasil com as


devidas indenizações e/ou reassentamentos:

n E laboração de um plano de formação de arranjos produtivos locais no entorno
dessas unidades, voltados para a prestação de serviços às mesmas, bem como
o desenvolvimento do turismo sustentável;
n C
 riação de concessões à iniciativa privada de áreas e equipamentos de uso
público para exploração econômica de serviços permitidos em Unidades de
Conservação.

3.5 Desenho de modelos de desenvolvimento para áreas vulneráveis:

n N
 ecessidade de planejamento territorial e normas sobre o deslocamento da
população em caso de grandes obras;
n Planejamento das políticas sociais destinadas a esses grupos;
n A  mpliação da oferta de assistência técnica e extensão rural especializada para
sistemas agrícolas tradicionais, especialmente na Região Norte;
n A  poio à gestão das associações produtivas das comunidades da floresta e
a implantação da infraestrutura necessária ao desenvolvimento das cadeias
produtivas;
n A  tenção especial deve ser dada aos impactos ambientais, sociais e
econômicos da tragédia de Mariana.

3.6 Operacionalização de ações para implementar as metas climáticas, de


redução da emissão dos gases de estufa, até 2020 (definidas pelo Acordo
de Paris):

n E
 stímulo à adoção, através de políticas públicas, de energias renováveis como
os biocombustíveis, a biomassa, a hidráulica, solar e a eólica;
n Articulação com outros países para o cumprimento das metas;
n Desenho de estratégia para redução do desmatamento;
n D  esenho de modelo de precificação da poluição (isso é, definição de formas
de taxação para quem polui ou aprimoramento do mercado de certificados
de emissão de carbono), com a criação de mecanismos de compensação
financeira para atividades impactantes, a exemplo do que é feito com os
certificados de emissão de carbono;
n D  esenvolvimento de sistema com informações sobre a emissão de carbono no
país, por emissor.

3.7 Estímulo ao desenvolvimento de ecossistemas de inovação sustentável:



n A poio a pequenas e médias empresas que gerem negócios inovadores na área
de sustentabilidade, como o desenvolvimento de produtos sustentáveis na
produção de outros bens;
n E stímulo a investimentos e inovações, através de linhas de crédito especificas,
venture capital ou financiamento à pesquisa (incluindo bolsas), que incluam ou
sejam direcionadas a melhorias ambientais e de sustentabilidade;
n C
 oordenação entre os atuais sistemas e linhas de financiamento destinadas à
pesquisa ambiental e de sustentabilidade, incluindo a área de energia;
n T
 axação à produção ilegal que reduz a sustentabilidade e piora as condições
ambientais.

3.8 Desenvolvimento, no país, de defensivos agrícolas específicos para as


nossas culturas e problemas, de menor conteúdo tóxico para pessoas e o
meio ambiente, e incentivo à adoção de sistemas de controle alternativos na
agricultura, prática essa que se constitui em uma tendência mundial.

3.9 Estímulo ao desenvolvimento de setores que possam agregar mais valor à


produção utilizando-se dos parâmetros de sustentabilidade (por exemplo,
a indústria de móveis, que pode desenvolver design e utilizar madeira
de reflorestamento certificada, e a indústria de cosméticos, que pode
desenvolver e utilizar insumos vegetais ao invés de químicos).

3.10 Estruturação de sistema de acompanhamento e disseminação de padrões


de produção internacionais (que visam às melhorias ambientais e à
sustentabilidade) com o objetivo de adaptar os produtos brasileiros a
esse padrão, mesmo porque as barreiras ao comércio internacional serão
cada vez mais associadas à prática de técnicas e processos de produção
sustentáveis.

3.11 Integração de dados, incluindo as análises cartográficas, informações


e conhecimento da ecologia do Brasil, para planejar a melhor forma de
provimento das atividades humanas visando, além de eficiência financeira,
à capacidade de suporte ambiental e à equidade social, o tripé básico da
sustentabilidade.

3.12 Criação de procedimento de avaliação anual da adequação do uso


e ocupação das terras rurais e urbanas, bem como da adoção de
zoneamentos adequados e equipamentos construtivos que observem
princípios de sustentabilidade, incluindo estrutura de incentivos às
unidades aderentes.

3.13 Implementação dos demais instrumentos da Política Ambiental que


auxiliarão no licenciamento ambiental: o Zoneamento Ambiental, o
estabelecimento de Padrões Ambientais e a criação dos cadastros técnicos
previstos na legislação; o único instrumento existente atualmente para
dirimir conflitos é o licenciamento ambiental.

3.14 Regularização fundiária de territórios de comunidades tradicionais,


quilombos, quilombolas e terras indígenas.

3.15 Criação de política de proteção aos animais.


4 CIÊNCIA,
TECNOLOGIA E INOVAÇÃO
Uma política de ciência, tecnologia e inovação, articulada com uma
política industrial e educacional, é fundamental em uma estratégia nacional de
desenvolvimento. É fundamental para caminharmos na direção de uma indústria 4.0.,
respeitando o meio ambiente; para sermos competitivos no exterior e produzirmos
internamente uma parcela dos produtos que hoje importamos e teríamos condições
de fazer no país; desenvolvermos novas técnicas que possibilitarão aumentar a
produtividade em diversos setores que beneficiam a população, como a indústria
alimentícia e os serviços de transportes, apenas para ficar com dois exemplos dentre
muitos outros. Precisamos preservar o conhecimento acumulado, com enorme
esforço público e privado, evitando a deterioração da infraestrutura, a migração de
cientistas qualificados para outros países e a desarticulação de grupos de excelência
em pesquisa, e melhorar a articulação entre o mundo acadêmico e o empresarial, de
forma a gerar conhecimento que aumente o bem-estar da população brasileira e a
competitividade das empresas. O Brasil produz poucas patentes atualmente, o que
expõe o atrasado estágio de nosso processo de inovação e as dificuldades para obter
registros de novos produtos e serviços. É necessário agilizar e desburocratizar este
processo.

4.1 Elaboração de um plano nacional de ciência e tecnologia, de forma a evitar


iniciativas sobrepostas e ações antagônicas, maximizando o uso de recursos
e alinhando os setores público e privado.

4.2 A política de ciência e tecnologia deve fomentar o setor produtivo, com


especial destaque para a indústria manufatureira de alta tecnologia e para
serviços intensivos em conhecimento, que é fundamental para garantir que
a globalização gere empregos de qualidade, ao invés de destruir os poucos
empregos que restaram nesses setores.

4.3 Fortalecimento do CNPq e de suas instituições de pesquisa.


4.4 Estímulo à produção de conhecimento aplicado ao desenvolvimento
tecnológico.

4.5 Estímulo à produção de conhecimento associado entre empresas e


universidades:

n E
 stímulo à instalação de centros de pesquisas das empresas que atuam no
país;
n E
 stímulo à contratação de doutores por empresas, facultando o pagamento
de bolsas por períodos probatórios de até 4 anos. Com isso, as empresas se
iniciam na pesquisa e aumentam o seu vínculo com as universidades.

4.6 Os recursos devem ser divididos entre: a) pesquisa livre, ou seja, dirigidos
às universidades e centros de pesquisa para que desenvolvam pesquisa de
base e aplicada de acordo com seus próprios interesses, com autonomia
da comunidade acadêmica para decidir sua destinação; e, b) pesquisas
dirigidas, por meio da análise das demandas da sociedade:

n P
 ara tanto, é necessário que haja um conselho superior da política de ciência
e tecnologia que defina as prioridades de acordo com esse plano mais geral e
conselhos setoriais que definam diretrizes e prioridades específicas para suas
indústrias;
n D
 entre as diretrizes transversais (que beneficiam todos os setores), devem se
destacar, dentre outras, as seguintes linhas:
• energia: trata-se de um segmento chave para o desenvolvimento dos
demais setores, pois cada vez mais a utilização de fontes renováveis se
torna imprescindível para a produção;
• indústria 4.0: a digitalização dos processos produtivos tem levado a um
novo paradigma em termos da produção, e o Estado tem a obrigação de
apoiar as empresas de base produtiva que buscam promover esse tipo de
inovação.

4.7 Em relação ao financiamento:

n E
 stabilidade das fontes e recursos de financiamento ao sistema de inovação
brasileiro, quais sejam, os investimentos públicos diretos e os fundos setoriais
para inovação;
n R
 eforço e integração das ações da Finep e Bndes para financiamento
especializados para empresas de tecnologia de diversos portes, considerando
instrumentos mais adequados como Project Finance e outros que flexibilizem a
apresentação de garantias;
n C
 riação de mecanismos específicos de estímulo aos investimentos para
financiar inovações incrementais e a difusão de tecnologias mais consolidadas;
n C
 riação de fundos de investimento que fomentem empresas geradoras e
transmissoras de progresso técnico através de empréstimos não reembolsáveis
para o desenvolvimento de tecnologias disruptivas e de maior impacto. Esses
fundos poderão financiar, por exemplo, start-ups, pois são empresas com
pouco capital, que não têm garantias e que desenvolvem projetos de alto risco
e, portanto, com baixa probabilidade de pagamento.

4.8 Desburocratização dos processos de importação de insumos e


equipamentos direcionados à pesquisa.

4.9 Criação de incentivos para o desenvolvimento de startups de tecnologia,


com a respectiva incubação em universidades e instituições públicas, e a
sua associação com organizações que possam utilizar as suas soluções,
bem como a facilitação da comercialização dos produtos e serviços
desenvolvidos.

4.10 Em relação à propriedade intelectual:

n R
 edução de entraves burocráticos e melhoria da segurança jurídica em
relação à produção conjunta da propriedade intelectual entre universidades e
empresas e a sua exploração comercial por empresas;
n M
 elhoria da capacidade do INPI para avaliar e conceder patentes,
impossibilitando a adoção de regras que transfiram para o Poder Judiciário
a disputa da Propriedade Intelectual. Hoje há forte insegurança jurídica
para as empresas inovadoras, sendo fator de inibição para a criação e
desenvolvimento de startups de tecnologia.
5 INVESTIR MACIÇAMENTE
NA EDUCAÇÃO
Só o investimento maciço na Educação poderá fazer do Brasil um país justo
e desenvolvido, com oportunidades iguais para todos os seus cidadãos. Investir
na melhoria da qualidade da Educação Pública será uma das nossas principais
prioridades. E esta prioridade já começa na Educação Infantil, com a implantação
paulatina de Creches de Tempo Integral para as crianças de 0 a 3 anos. É nesse
período que se formam as aptidões mais sofisticadas do ser humano. Vamos criar um
programa específico para cuidar de todas as crianças nessa faixa etária. Em relação
ao Ensino Fundamental, nosso problema não é o acesso e sim a qualidade. Vamos
investir fortemente em sua melhoria. Almejamos obter no Ensino Fundamental do
Brasil os mesmos resultados alcançados no Ceará, que com 77 das 100 melhoras
escolas públicas do Ensino Fundamental brasileiro, tornou-se hoje referência
nacional. Outra meta é elevar a média de anos de estudo da população, introduzindo
a Educação de Tempo Integral desde o Ensino Fundamental II até o Ensino Médio e
fazendo da escola um local de aprendizado, desenvolvimento esportivo, artístico e
social, diversão e lazer, reduzindo assim a grave evasão que existe hoje, premiando as
escolas em que a evasão for reduzida e o desempenho dos alunos tenha melhorado.
A política educacional vai reconhecer e valorizar o professor e os gestores escolares.
As universidades públicas deverão, além de ampliar a oferta de vagas e prosseguir
com as políticas de cotas, estreitar seus laços com as políticas e ações no campo
da educação básica e ciência, tecnologia e inovação. Como objetivo geral, vamos
caminhar na direção do alcance das metas de desenvolvimento sustentável da ONU no
tocante à Educação e persistir na aplicação das metas estabelecidas no Plano Nacional
da Educação (PNE). Vamos eliminar o subfinanciamento das despesas com educação
causado pela Emenda do Teto de Gastos.

5.1  Objetivos para a política educacional:

n Universalizar o acesso de 4 a 17 anos;


n Eliminar o analfabetismo escolar (combate absoluto);
n Melhorar a qualidade, mensurada através dos resultados do IDEB e PISA;
n Elevar a média de anos de estudo da população;
n Garantir a permanência e a conclusão na idade adequada;
n Reduzir a evasão, problema grave no ensino médio;
n C  aminhar na direção do alcance das metas de desenvolvimento sustentável da
ONU no tocante à Educação.

5.2 Instrumentos necessários para viabilizar esses objetivos:

n U
 ma base nacional comum curricular;
n O
 desenho do novo Fundeb;
n U
 m processo adequado de formação e seleção de professores;
n A
 capacitação contínua de gestores e professores;
n R
 egras de desenvolvimento profissional dos professores, reconhecimento de
sua importância e melhoria das condições de trabalho;
n U
 ma estrutura de incentivos adequada para os professores;
n U
 ma estrutura de incentivos que premie os estados e municípios de acordo
com a adesão às políticas e práticas propostas pelo Governo Federal;
n U
 m processo bem estruturado de avaliação dos resultados obtidos pelos
estudantes.

5.3 Com base nestes princípios, diversas medidas estão sendo propostas:

n R
 eabertura da discussão sobre a melhoria e implementação da base nacional
comum curricular, com ampla participação de professores e alunos;
n E
 nvio de proposta do novo Fundeb ao Congresso até março de 2019, com a
promoção de ampla discussão do projeto com a sociedade;
n A
 mpliação da rede de ensino Infantil, Fundamental e Médio;
• As creches deverão oferecer permanência em período integral;
• Pelo menos 50% das escolas destinadas ao ensino fundamental II (11 a 14
anos) e ao ensino médio deverão ofertar cursos em período integral;
• Além do apoio direto, o Governo Federal apoiará estados e municípios para a
obtenção de recursos junto a organismos internacionais de financiamento;

n A
 mpliação da rede de escolas para alfabetização e ensino de jovens e adultos,
também com apoio do Governo Federal;

n E
 m relação à governança e ao pacto federativo da política educacional:
• O governo federal definirá diretrizes gerais, enquanto sugestão, e Estado e
Municípios aplicam se quiserem; porém, aqueles que as adotarem receberão
maior parcela de parcela discricionária (que exceder a definida pela
Constituição) no novo Fundeb;
• Portanto, o novo Fundeb deve prever que a União repasse os 10% adicionais
discricionários de acordo com a adesão do município/estado aos princípios
gerais da política e aos resultados alcançados;
• Os municípios com piores indicadores sociais deverão receber um volume
maior de recursos diretamente do Governo Federal com o compromisso de
cumprimento de metas claras e viáveis de melhoria na aprendizagem;
• Buscaremos a replicação, na medida do possível, da experiência de Sobral no
Ensino Fundamental em outras regiões do país, através do estabelecimento
de políticas e ações que, se adotadas por estados e municípios, implicarão
em maior repasse de recursos voluntários por parte do Governo Federal.

n E
 m relação à formação, seleção, carreira e capacitação dos professores:
• Abertura de diálogo com as universidades para repensar os cursos de
pedagogia e licenciatura voltados para a formação de professores;
• Criação de uma prova nacional, à qual os estados e municípios poderão
aderir, para seleção de professores;
• Estabelecimento de mesa permanente de negociação, incluindo
representações de professores, para construir um projeto de médio prazo
sustentável, capaz de ampliar e aperfeiçoar as medidas de valorização dos
professores;
• Oferta de capacitação continuada aos professores de toda a rede;
• Criação de programa de iniciação docente, estágio, residente e mentoria.

n E
 m relação ao desenvolvimento e à valorização dos professores:
• Priorização à carreira de 40 horas, com melhor remuneração e estrutura de
progressão;
• Apoio à melhoria da infraestrutura escolar e das condições de trabalho,
através do BNDES;
• Maior efetividade da avaliação do estágio probatório.

n E
 m relação à gestão escolar, com impacto direto sobre o rendimento dos
alunos:
• Controle estrito de faltas de professores e alunos;
• Discussão sobre a Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio;
• Escolha de material didático pela rede, com apoio dos professores;
• Manutenção e aprimoramento dos exames nacionais de desempenho
escolar;
• Definição de critérios mínimos para a seleção e nomeação de diretores de
escolas;
• Instituição de programas de reforço escolar;
• Instituição de ações específicas de combate à evasão e em favor da
atratividade do ensino médio.

5.4 Duas políticas sociais serão fundamentais para auxiliar no desempenho,


atratividade e redução da evasão por parte dos alunos, e envolverão também
as áreas de saúde e assistência social:

n P
 acote dos primeiros mil dias – primeira infância, articulação com programas
assistenciais e de saúde; formulação e implementação de um programa
intersetorial de desenvolvimento infantil nos primeiros 1.000 dias de vida;
n B
 olsa de Ensino Médio – pagamento de remuneração mensal aos alunos da
rede pública de Ensino Médio que apresentarem frequência mínima à escola e
ganhos crescentes no desempenho escolar;
n E
 sses programas serão melhor discutidos de forma detalhada mais à frente, no
tópico sobre políticas sociais.

5.5 Em relação ao eEnsino Superior:

n Manutenção da gratuidade nas universidades e institutos de ensino federais;


n Manutenção das atuais políticas de cotas e do acesso via ENEM e SISU;
n Aprimoramento do ProUni e FIES;
n F acilitação dos mecanismos para estabelecimento de convênios entre
universidades, institutos de pesquisa e empresas públicas e privadas;
n E stímulo à associação entre universidades, institutos de pesquisa e empresas
públicas e privadas para projetos de desenvolvimento e aplicação de
tecnologias;
n R ecuperação da política de bolsas de estudo para a graduação e pós-
graduação.
6 APRIMORAR O SUS PARA MELHORAR
O ATENDIMENTO NA SAÚDE
O povo brasileiro, já tão carente de oportunidades e de bons serviços públicos,
merece receber o melhor atendimento de saúde possível. Merece e precisa, uma vez
que mais de 80% da população, em média, não possui recursos para alternativas fora da
saúde pública. A concepção generosa e o desenho do Sistema Único de Saúde (SUS)
são exemplares. Ao completar 30 anos de sua criação, o SUS precisa ser fortalecido
e aperfeiçoado, em busca de melhores resultados para a população brasileira. É
necessário aprimorar a organização, supervisão, avaliação e controle do Sistema,
eliminando também, como na Educação, o subfinanciamento causado pela Emenda
do Teto de Gastos. Só assim será possível ampliar a qualidade e a resolutividade
da atenção primária, que ainda hoje é objeto de insatisfação da população. Outro
ponto a ser trabalhado é a redução da espera para os atendimentos ambulatoriais, as
consultas especializadas e a realização de exames, bem como a diminuição da espera
para as cirurgias eletivas. Para isso, é necessário investir na rede de atendimento, nas
campanhas de prevenção e de vacinação, na formação de médicos generalistas, na
melhoria dos sistemas de informação, na coordenação entre as diversas esferas de
atendimento, incluindo o pacto federativo, e na premiação do bom desempenho.

6.1 Princípios do sistema:

n Reafirmação do SUS como uma política de Estado, universal e que deve ser
aprimorada para melhor atender à população;
n Garantia de Acesso, com qualidade, em tempo oportuno;
n Manutenção e aprimoramento de padrões de integralidade da atenção em
saúde e equidade no sistema de saúde brasileiro.

6.2 Em relação à estrutura de atendimento:

n Na atenção básica:
• Aprimoramento da cobertura, de qualidade e resolutiva, de modo universal,
dotando-a dos mecanismos para exercer o papel de referência para a
organização, funcionamento e avaliação de todo o sistema de saúde;
• Reforço de seu papel enquanto porta de entrada no sistema, de caráter
preventivo e de acompanhamento das condições de saúde da população,
quando a pessoa não estiver necessitando de algum tratamento específico
imediato ou emergencial;
• Criação do Registro Eletrônico de Saúde que registrará o histórico do
paciente e facilitará o atendimento do paciente em todas as esferas do SUS;
• Incentivo às ações de promoção da saúde individuais e coletivas que
estimulem hábitos saudáveis no âmbito dos postos de saúde.
n Na atenção hospitalar (média e alta complexidade):
• Criação de Central de regulação para a alocação de leitos e procedimentos,
a partir da definição de protocolos de prioridade no atendimento,
considerando as diversas especialidades médicas;
• Estímulo à ampliação da rede de policlínicas através da formação de
consórcios em mesorregiões;
• Redução da fila atual para realização de exames e procedimentos
especializados através da compra de procedimentos junto ao setor privado.
n No atendimento emergencial:
• Ampliação da oferta de atendimento à urgência e emergência, reforçada por
meio da constituição de consórcios em mesorregiões e da implementação de
regiões de saúde;
n Aprimoramento e sistematização do processo de entrega de remédios;
n Correção dos valores da tabela de procedimentos.

6.3 Aprimoramento do modelo de gestão e desenvolvimento de mecanismos de


supervisão, avaliação e controle:

n Aprimoramento da integração entre a atenção básica, hospitalar e emergencial


e estímulo à adesão através de uma estrutura de incentivos;
n Equilíbrio nas relações interfederativas e intergestores para uma gestão
solidária do SUS;
n Premiação de hospitais e postos de saúde bem avaliados;
n Disseminação de boas práticas e supervisão dos postos e hospitais com pior
desempenho pelos profissionais daqueles com melhor desempenho;
n Estruturação de carreira de gestor na área da Saúde, a exemplo do que
aconteceu com na área de Infraestrutura;
n Melhoria da infraestrutura nas regiões mais distantes de forma a estimular os
profissionais a permanecerem nestas regiões;
n Necessidade de formação de médicos generalistas e reforço do conteúdo geral
na formação de todas as especialidades;
n Criação de um Sistema Nacional de Ouvidoria do SUS;
n Valorização dos Conselhos e Conferências de saúde, de forma a aumentar a
participação, a transparência e o controle da sociedade sobre a gestão do SUS.

6.4 Criação de incentivos à melhoria da gestão no atendimento privado por


meio dos planos de saúde, através, por exemplo, da adoção dos seguintes
instrumentos:

n Critérios de entrada e priorização no atendimento;


n Definição de protocolos com a participação dos profissionais do atendimento
médico;
n Verticalização do atendimento;
n Desenvolvimento de sistemas de controle e acompanhamento do histórico dos
pacientes.

6.5 Estímulo ao desenvolvimento de tecnologias para o aprimoramento dos


serviços de saúde:

n Fortalecimento do Complexo Econômico Industrial da Saúde, incluindo


ministérios e órgãos da área de Ciência e Tecnologia, com o estímulo à
pesquisa, desenvolvimento e inovação em instituições nacionais;
n Aprimoramento do sistema de gestão e incorporação tecnológica no SUS,
tanto das tecnologias duras como leves, com atenção especial para o impacto
das tecnologias de desenvolvimento acelerado (Inteligência Artificial, TIC,
biotecnologia, nanotecnologia etc.), com grande potencial positivo, mas
também de efeitos disruptivos sobre o cuidado individual à saúde e às
organizações e sistemas de saúde;
n Redução das barreiras impostas pela atual lei de propriedade intelectual,
especialmente na proteção de patentes, fazendo uso das flexibilidades do
Acordo TRIPS da OMC, como a emissão de licenças compulsórias para a
sustentabilidade do direito à saúde, quando necessário.

6.6  Combate intensivo às chamadas arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti


(dengue, zika e chikungunya), pois se constituem, junto com a violência letal,
nos maiores problemas de saúde pública enfrentados pela população das
grandes cidades brasileiras.

6.7 Reforço à vigilância sanitária, com o aprimoramento das relações inter-


federativas no tratamento dessa questão.

6.8 Reforço aos programas bem-sucedidos do SUS – a estratégia de saúde


da família (ESF), o programa de controle de HIV/AIDS, o programa de
transplante de órgãos e o sistema nacional de imunização.

6.9 Recuperação urgente da cobertura vacinal, atentando para a necessidade


premente de evitar uma epidemia de sarampo.

6.10 Aproximação entre os gestores do SUS e os operadores do Direito da Saúde


na busca de soluções que garantam o direito do cidadão, mas que também
reduzam o risco de sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro.
7 COMBATER O CRIME COM INTELIGÊNCIA
POLICIAL E PROTEÇÃO AOS JOVENS
O Brasil registrou 62 mil homicídios em 2016. Número equivalente às mortes
provocadas pela explosão da bomba nuclear que destruiu a cidade japonesa de
Nagasaki em 1945, durante o final da 2a Guerra Mundial. Com 31,1 assassinatos por
100 mil habitantes, temos hoje uma das mais altas taxas de homicídios do mundo. A
verdade é que nos tornamos um país inseguro e violento. Vivemos com medo, seja na
cidade grande, seja no pequeno município. Em muitas cidades, chegamos ao ponto
em que o crime organizado controla tanto as ruas como os presídios. Mas a solução,
como prova o fracasso generalizado da Segurança Pública em todo o Brasil, não é
despejar nas ruas ainda mais armas. Quanto mais armas, mais violência e mais mortes.
Para mudar esse quadro, proteger a população e conter a criminalidade, é necessário
aumentar a presença do Governo Federal na Segurança. As medidas que iremos
implementar têm por objetivo desenhar um novo modelo, em que a União participe
mais da prevenção e repressão à criminalidade violenta. E isso significa melhorar
as formas de financiamento das políticas de segurança, coordenar os esforços
dos estados para conter o crime, direcionar as polícias federais para o combate às
organizações criminosas violentas, controlar o tráfico de armas e drogas, criar uma
Polícia de Fronteiras, organizar os esforços na repressão e prevenção ao homicídio, e
implementar um sistema nacional de inteligência em segurança pública. As medidas
que iremos implementar têm por objetivo desenhar um novo modelo, em que a União
coordene um esforço nacional para a prevenção e repressão à criminalidade violenta.
Ao mesmo tempo, como já dissemos, vamos investir maciçamente em educação, em
escolas de tempo integral que eduquem e protejam nossa juventude do perigo das
ruas, oferecendo-lhes ocupações alternativas e cursos profissionalizantes.

7.1 Objetivos prioritários:

n Investigação e prevenção de homicídios e outros crimes violentos (roubo,


estupro, sequestro etc.);
n Enfrentamento às organizações criminosas;
n Controle do tráfico de armas;
n Policiamento nas fronteiras;
n Repressão à lavagem de dinheiro;
n Crimes contra a administração pública.

7.2 Em relação à estrutura necessária para o alcance desses objetivos:



n Implementação da Política Nacional de Segurança Pública e do SUSP (Sistema
Único de Segurança Pública), que hoje estabelecem apenas as diretrizes gerais
dessa política. Para isso, vamos elaborar, junto com policiais, especialistas,
promotores, juízes e sociedade civil, um detalhamento do plano de segurança
para aplicação imediata;
n Criação, através de Emenda Constitucional, da Polícia de Fronteiras.
Atualmente o órgão responsável por essa atividade é a Polícia Federal, que
possui uma estrutura inadequada para essa função. O Brasil tem 16.432 km
de fronteira, e para melhorar o policiamento nesse espaço é necessária uma
polícia especializada e com efetivo muito maior que o disponível para tal
atualmente na PF, complementado por investimentos em tecnologia e ações
de inteligência;
n Criação de projeto de Emenda Constitucional (PEC) para institucionalizar a
Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), incluindo-a no artigo 144 da
Constituição como Programa Permanente de Cooperação Federativa;
n Fortalecimento dos quadros da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP)
através de duas medidas:
• Criação de um corpo permanente encarregado da administração e logística,
de modo a não necessitar alocar os policiais cedidos pelos estados na
realização dessas tarefas;
• Concessão de incentivos aos estados que cedam policiais para os quadros da
FNSP por um ano.
n Criação, em estados onde a disputa entre grupos de criminosos provoca maior
número de vítimas, de força tarefa constituída de policiais federais, estaduais e
promotores, com vistas ao enfrentamento das organizações criminosas;
n Criação, em colaboração com as entidades estaduais do Provita (Programa
de Proteção à Vítimas e Testemunhas), de um órgão federal de Proteção
a Testemunhas que atenda os casos mais graves envolvendo delatores de
organizações criminosas;
n Implementação da Escola Nacional de Segurança Pública, priorizando a
capacitação de policiais estaduais para investigação e prevenção dos crimes
graves;
n Reforço dos quadros de policiais federais destinados ao enfrentamento das
organizações criminosas responsáveis pelo tráfico internacional e local de
armas e drogas.
7.3 Em relação ao combate direto ao crime:

n Elaboração e execução de um plano federal para o controle de organizações


criminosas nos estados em conflito, começando pelo Rio de Janeiro, e
expandindo depois para outros estados;
n Criação de um sistema nacional de inteligência criminal destinado à troca de
informações entre as polícias dos estados e as federais sobre organizações
criminosas;
n Articulação junto ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de medidas
para agilizar a tramitação dos processos e inquéritos de crimes graves,
estabelecendo critérios objetivos para as audiências de custódia, acelerando a
destruição das armas ilegais e drogas apreendidas e simplificando o inquérito
policial;
n Ocupação das vagas ociosas nos Presídios Federais. Atualmente, apenas
metade delas está ocupada, enquanto os governos estaduais estão cuidando
de inúmeros presos de alta periculosidade, sendo que muitos deles continuam
comandando o crime em seus estados;
n Construção de um sistema ágil de investigação sobre lavagem de dinheiro que
inclua a Polícia Federal, a Receita Federal e o Coaf (Conselho de Controle de
Atividades Financeiras);
n Unificação do cadastro das armas registradas no país, já que atualmente
existem dois sistemas separados, um sob a guarda da Polícia Federal (Sinarm) e
outro das Forças Armadas (Sigma);
n Criação de um sistema de inteligência sobre armas e munições que consiga
rastrear a proveniência das armas ilegais apreendidas, de modo a impedir esse
fluxo.

7.4 Estabelecimento de programas para à valorização do profissional de


segurança, elaborados juntamente com representantes das categorias
de policiais, bombeiros, agentes penitenciários, guardas municipais e
representantes de outras carreiras ligadas à atividade de segurança.

7.5 Implementação de medidas para prevenção da violência contra as


mulheres, através de parceria com estados e municípios.

7.6 Promoção da prevenção criminal com políticas para os jovens como, por
exemplo, a criação de um sistema de acompanhamento do jovem egresso
do sistema penitenciário e a inclusão de jovens em áreas de conflito ou
moradores de rua em programas profissionalizantes.
8 CRIAR, MANTER E AMPLIAR
OS PROGRAMAS SOCIAIS
Sorte do país que não tem de se preocupar com programas sociais pois a
população não precisa deles. Mas este não é o caso do Brasil. Para milhares de famílias,
o Bolsa Família é a única garantia de comida na mesa. Com ele, estes brasileiros
comem. Sem ele, literalmente passam fome. O que não é nem de longe aceitável para
um país que se quer justo e solidário, como nós queremos. Por isso, é importante
manter e aprimorar a rede de proteção social aos brasileiros mais desfavorecidos.
Os atuais programas, como o Bolsa Família, o Benefício da Prestação Continuada,
o ProUni, o sistema de cotas nas universidades e o Farmácia Popular, dentre outros,
devem ser mantidos e, na medida das necessidades, ampliados. Devemos também
criar novos programas, destinados a faixas específicas da população, como a garantia
de renda mínima a partir de determinada idade para os menos favorecidos. Ou como o
programa de acompanhamento orientado durante os primeiros 1.000 dias de vida das
crianças carentes. E ainda o programa de redução da evasão escolar no Ensino Médio,
época em que nossos jovens podem ser tentados pelo apelo do tráfico de drogas,
além do programa de acompanhamento dos jovens egressos do sistema prisional.
Os programas sociais são importantes para devolver o direito à cidadania aos menos
favorecidos através do acesso a uma gama de bens e serviços, públicos ou privados,
anteriormente inalcançáveis. Uma política social bem desenhada e executada contribui
para distribuir renda aos mais pobres e reduzir a pobreza. Como queremos um país
justo e solidário, é importante manter e aprimorar a rede de proteção social aos
brasileiros mais desfavorecidos.
Todos os programas sociais que existem atualmente e estão obtendo bons
resultados serão mantidos e ampliados na medida das necessidades, como por
exemplo o Bolsa Família, o Benefício da Prestação Continuada, o ProUni, o sistema de
cotas nas universidades e o Farmácia Popular, dentre outros. Mas precisamos avançar
e vamos propor outros programas, em adição aos já existentes. Algumas propostas
estão descritas a seguir:

8.1 Os primeiros três anos de idade correspondem ao período em que se


desenvolvem as estruturas cerebrais para a realização das diversas tarefas
inerentes à nossa vida, incluindo as mais complexas. É necessário que
a criança receba estímulos positivos nessa idade para se desenvolver
adequadamente. Precisa ser bem nutrida; mais que isso, a gestante também
precisa ser bem nutrida e desenvolver uma gestação de boa qualidade.
A criança precisa crescer em um ambiente familiar sadio, sem estresses
excessivos:

n Portanto, se o Estado deseja que as crianças se tornem adultos satisfeitos e


produtivos no futuro, deve investir fortemente no seu desenvolvimento nos
anos iniciais de vida, ou melhor, ainda durante a sua gestação;
n Isso requer um programa de atenção à gestante e de acompanhamento do
desenvolvimento da criança, inclusive nutricional, no âmbito do Programa
Saúde da Família; uma oferta suficiente de creches incluindo a programação
de atividades para o desenvolvimento do raciocínio das crianças; um
atendimento hospitalar rápido quando necessário e o acompanhamento de
assistentes sociais em ambientes sociais e familiares mais vulneráveis.

8.2 Os dados mostram que a evasão de alunos é reduzida no Ensino


Fundamental e aumenta substancialmente no Ensino Médio. Em 2016,
um em cada cinco jovens entre 14 e 29 anos pertencia ao grupo dos
chamados Nem-Nem (não estudam e nem trabalham). Entre 18 e 24
anos, esse percentual chegou a 26%. É uma situação gravíssima e que
precisa ser atacada frontalmente. Inúmeros motivos estão listados entre os
possíveis, como a necessidade de trabalhar, cuidar de afazeres domésticos
ou desinteresse. Ainda que a evasão no Ensino Superior também seja
elevada, se as crianças e adolescentes evadirem no Ensino Médio, o ciclo
de aprendizado se encerra ali. Por isso, um programa que busque reduzir
a evasão no Ensino Médio, e melhorar o desempenho dos alunos, é
fundamental para garantir um melhor futuro para o país e as gerações mais
novas:

n Vamos criar mecanismos de premiação nas escolas que conseguirem reduzir


a evasão de alunos e melhorar o desempenho de seus alunos em exames
nacionais; criaremos um programa-piloto que envolva o pagamento de
bolsas de estudo aos alunos que tiverem frequência mínima e melhorarem
seu desempenho ao longo do tempo e, se o piloto for bem-sucedido, iremos
estendê-lo aos poucos para a rede de Ensino Médio;
n As vagas nas creches devem atender a toda a população que necessita
desse serviço, mas deve ser priorizado o atendimento às jovens mães que
se encontram em condições mais vulneráveis e necessitam trabalhar e/ou
estudar.
8.3 Sabemos que, dentro desse grupo de Nem-Nem, estamos perdendo muitos
jovens para a criminalidade, com a falta de perspectivas de crescimento e
geração de empregos, entre outros problemas que geram essa situação.
É muito triste para um país vivenciar esse cenário, com uma parcela
importante de nossa geração se associando a atividades ilícitas. Precisamos
evitar o prolongamento desse quadro e, para isso, esperamos que a
estratégia nacional de desenvolvimento, que inclui políticas econômicas e
sociais, consiga dar esperança e emprego aos jovens:

n Mas há aqueles que entraram no sistema prisional e necessitamos recuperá-


los. Precisa haver uma porta de saída, uma esperança para eles, quando saem
do sistema prisional. Do contrário, o risco de eles voltarem a exercer atividades
ilícitas é elevado; é prejudicial a eles próprios e à sociedade. Assim, urge que
tenhamos um programa específico para reintegrá-los à sociedade de forma
ética. Ações vinculadas de educação, assistência social e políticas de emprego
serão criadas no âmbito de um programa de acompanhamento para esse
grupo dos jovens egressos do sistema prisional;
n Também criaremos programas profissionalizantes específicos para a inclusão
de jovens em áreas de conflito ou moradores de rua no mercado de trabalho.
9 A CULTURA COMO AFIRMAÇÃO
DA IDENTIDADE NACIONAL
A Cultura terá um papel estratégico na afirmação da nossa identidade nacional.
Nossa ideia é incentivar a política cultural para além do mecenato. Queremos deslocar
o conceito de cultura para um dos eixos centrais do nosso Projeto Nacional de
Desenvolvimento, porque aqui está onde se afirma a identidade nacional, que hoje
está gravemente ameaçada, não só por hábitos de consumo, mas também por uma
estética internacional que tem repercussões práticas na própria felicidade das pessoas.
Se antes as pessoas buscavam sua felicidade no amor, na compaixão, na solidariedade,
na poesia, na boemia, na insurgência revolucionária da política, ou seja, no ambiente
espiritual que é o território da cultura, hoje elas são induzidas a buscar a felicidade,
inconscientemente, num consumismo frustrante, porque a única coisa que está
globalizada é a informação desse padrão de consumo sofisticado que elas conheceram
pela internet. Informação que chega a um garoto na África, no Brasil, nos Estados
Unidos, que não têm renda para adquirir aquilo. Isso gera, de um lado, a pirataria,
mas também a desesperança, o desencanto e o vale-tudo, porque o garoto, para ter
esses elementos simbólicos do sucesso, senha para sua aceitação no seu grupo, acaba
presa fácil do narcotráfico, por exemplo. A nossa ideia é que o estímulo à Cultura
tenha a ênfase necessária para que o Brasil se reconheça na sua diversidade regional,
nas suas diversas expressões tradicionais e históricas, na valorização do patrimônio
histórico. Mas também nas novas estéticas, no experimentalismo de vanguarda, de
novas linguagens, passando pela culinária, hábitos alimentares, artesanato, artes
cênicas, artes plásticas, cinema, audiovisual e a música, naturalmente compreendendo
nosso lugar no planeta. Significa dizer que o Ministério da Cultura terá uma missão
muito mais central da que tem podido ter nas últimas décadas. Vai precisar de um
orçamento compatível com essa necessidade. Pretendemos aperfeiçoar a legislação
do mecenato, preocupados em fortalecer expressões artísticas não comerciais, sem
desmerecê-las. A oferta de bens e serviços culturais deve ser vista como uma forma de
lazer e inclusão social, fortalecimento da cidadania e inclusão econômica, assegurando
à juventude alternativas e perspectivas saudáveis e dignas para o seu futuro.
9.1 Investimento na democratização do acesso, na fruição e na expansão do
consumo de bens e serviços culturais:
n Implementação de políticas que ampliem e popularizem o acesso à cultura
e ao lazer, criando espaços de fomento, desenvolvimento e interação, e
valorizando os espaços já existentes, principalmente nas periferias;
n Implementação dos objetivos e estratégias da Política Nacional de Inclusão
Digital com vistas a promover a infraestrutura para acesso à internet, com a
implantação de banda larga para todos.

9.2 Estímulo às manifestações culturais que propiciam a inclusão social e a


cultura periférica de rua, como as danças, grafites e slams.

9.3 Estímulo às manifestações e à disseminação da cultura afro-brasileira.

9.4 Estímulo à produção cultural e criativa de baixo impacto ambiental.

9.5 E
 stímulo às diversas atividades da chamada economia criativa, que vem se
constituindo em um importante ramo da atividade econômica e de criação
de empregos para os jovens em atividades que contribuem para a melhoria
de seu bem-estar.

9.6 Preservação e ampliação de nosso patrimônio artístico-cultural.

9.7 Estabelecimento de uma política e um marco regulatório para a cultura e as


artes no Brasil, de modo a consolidar em um único instrumento legal todos
os aspectos regulatórios deste importante setor para a economia brasileira.

9.8 Estabelecimento de um sistema federativo de gestão da política


cultural, descentralizado, capaz de garantir maior eficiência (evitando
sombreamentos de funcionários e custos), maior capilaridade, maior
adequação às realidades locais e, sobretudo, maior capacidade de cumprir
sua missão nacional, evitando a concentração de recursos nos estados
e cidades (as capitais do Sudeste) que já concentram a maior parte do
investimento privado.

9.9 Facilitação e promoção de parcerias, coproduções e mitigação de riscos


intrínsecos à produção cultural em todas as suas esferas.

9.10 Aperfeiçoamento dos objetivos e alcance da Lei Rouanet, precedido de


amplo debate com a classe artística.
10 RESPEITAR A TODOS
OS BRASILEIROS

Em um país pobre e desigual como o nosso, ganham importância as práticas


afirmativas dirigidas a grupos que, por serem infelizmente discriminados na
sociedade, precisam de políticas específicas que reduzam essa discriminação e as
decorrentes desigualdades econômica, social e no acesso a oportunidades. Os
grupos que serão contemplados nas nossas políticas afirmativas são as mulheres, os
negros, as comunidades LGBTI e as pessoas com deficiências. Para dar um exemplo
inicial e importante, sem ser suficiente, buscaremos igualar o número de homens e
mulheres nas posições de comando no Governo Federal. Além disso, a população
negra e parda constitui mais da metade da população brasileira. Diante desse fato,
é difícil conceber a possibilidade de um projeto nacional de desenvolvimento sem
que o racismo seja denunciado e a igualdade de oportunidades seja alcançada. No
que se refere à população LGBTI, não podemos nos furtar do compromisso com a
vida e igualdade em direitos dessa população; o mesmo vale em relação às pessoas
com deficiência. Por fim, apesar de não serem discriminados da mesma forma que
os demais grupos citados, os jovens constituem-se no futuro de qualquer país e
encontram-se na fase de sua formação física, intelectual e moral enquanto integrantes
da sociedade, e é importante que desenhemos políticas e ações específicas para eles.
É preciso desenvolver ações que respeitem as diferenças humanas e a capacidade de
reconhecer os direitos civis de todos.

RESPEITO ÀS MULHERES:

10.1 Em um contexto de desvantagem social em diversas das dimensões de


poder e direitos, entende-se que é necessária uma atenção especial às
mulheres no que diz respeito ao seu papel como foco de políticas públicas.
Com uma população em torno de 203 milhões de habitantes, o Brasil
registra 6 milhões a mais de mulheres (51,6% do total da população,
de acordo com os dados do IBGE). A presença de mulheres aumenta
proporcionalmente sobretudo nas idades mais avançadas: enquanto
a esperança de vida das brasileiras é de 79,4, a dos homens é de 72,9
anos. Mais da metade (55,6%) das pessoas abaixo da linha de pobreza
são mulheres sem cônjuge com filhos até 14 anos. De acordo com o IBGE,
28,2% das mulheres têm ocupações em tempo parcial (30 horas semanais),
enquanto o percentual entre os homens é de 14,1%. Ao mesmo tempo, as
mulheres gastam com afazeres domésticos – trabalho não remunerado –
73% de tempo a mais que os homens. Isso, mesmo em um contexto de mais
anos de estudo. O rendimento médio delas equivale a ¾ do observado
para os homens e somente 39% dos cargos gerenciais são ocupados por
mulheres.

10.2 Um programa com foco de gênero sinaliza uma mudança de atitude
frente aos processos sociais, reconhecendo que a mulheres e homens
são atribuídos papéis diferentes na vida cotidiana o que, portanto, geram
diferentes necessidades de ação estatal. Políticas para mulheres precisam
ser pensadas tanto em um contexto de urgência por exemplo, como
o aumento de acesso a creches públicas, assim como tendo em vistas
efeitos de mais longo prazo como o fortalecimento de leis e programas
que facilitem a inserção das mulheres nos meios produtivos. A autonomia
das mulheres, e a melhoria de sua situação no que concerne ao seu status
político, social, econômico e de Saúde é uma preocupação fundamental
para uma sociedade com vistas ao desenvolvimento pleno. Portanto,
propomos uma série de medidas orientadas às políticas de Gênero.

10.3 Em relação à institucionalização das políticas:

n Recriação da Secretaria das Mulheres;


n Restauração e incentivo da realização de conferências de mulheres a
nível subnacional e nacional para facilitar o mapeamento dos problemas
enfrentados, assim como o desenvolvimento colaborativo de novas políticas
públicas;
n Garantia da aplicação efetiva da reserva de 30% das candidaturas para
mulheres, estipulada pela lei de cotas;
n Defesa da paridade de mulheres na política;
n Promoção de campanhas com foco no aumento das mulheres no poder
político, com vistas ao alcance da paridade;
n Incentivo ao treinamento de mulheres candidatas, com vistas ao alcance da
paridade;
n Atuação junto aos órgãos competentes para garantir a segurança das
candidatas e eleitas.
10.4 Em relação ao mercado de trabalho:

n Adoção de medidas apropriadas para melhorar a capacidade das mulheres


para obter renda para além das ocupações tradicionais, com vistas à
autonomia econômica;
n Garantia de acesso igual das mulheres ao mercado de trabalho e aos sistemas
de seguridade social;
n Aumento do número de vagas disponíveis em creches, possibilitando que as
mães tenham mais tempo para se inserirem no mercado produtivo de forma
plena;
n Fortalecimento de programas de qualificação profissional;
n Implementação de programas de microcrédito e treinamento de
microempreendimentos com atenção às mulheres;
n Criação de leis e programas que ajudem a proteger as trabalhadoras informais;
n Garantia do cumprimento da lei no caso das trabalhadoras domésticas;
n Garantia do cumprimento da regra que determina a igualdade de salários de
homens e mulheres quando na mesma função e mesma carga horária;
n Garantia do cumprimento da proibição de práticas discriminatórias por
empregadores contra as mulheres, tais como as baseadas em provas de uso de
contraceptivos ou gravidez;
n Garantia do cumprimento das regras que permitem às mulheres combinar os
papéis de gravidez, amamentação e criação dos filhos com a participação na
força de trabalho.

10.5 Em relação à formação:

n Eliminação do uso de material de ensino e educação estereotipados, que


reforçam o papel da mulher como menos apta ao mundo da produção ou mais
aptas à esfera doméstica;
n Promoção de programas de liderança entre meninas;
n Ampliação de programas de incentivo para mulheres nas ciências exatas.
n Combate à evasão escolar de adolescentes grávidas, com focos nos estados
do Norte e Nordeste, onde esses dados permanecem altos;
n Garantia de alfabetização para mulheres que já passaram da idade escolar
tradicional;
n Fortalecimento de programas que combatam as desigualdades de raça/etnia,
principalmente no acesso às universidades.
10.6 Em relação à saúde:

n Oferta de educação informativa para atenção à prevenção da gravidez com


foco em jovens de ambos os sexos, direcionada ao fortalecimento dos direitos
reprodutivos e informações sobre métodos contraceptivos;
n Garantia de condições legais e de recursos para a interrupção da gravidez
quando ocorrer de forma legal, combatendo a criminalização das mulheres
atendidas nos pontos de atendimento na saúde;
n Combate à violência obstétrica, com o fortalecimento de programas que
incentivem o parto natural e a humanização do SUS.

10.7 Em relação à violência:

n Garantia da aplicação e meios para a efetividade da Lei Maria da Penha;


n Incentivo à criação de novas delegacias de atenção à mulher;
n Implementação de políticas públicas de proteção, apoio e atenção às mulheres
com a melhoria no atendimento às mulheres em situação de violência;
n Fortalecimento dos programas de treinamento dos profissionais de saúde e da
polícia voltados para atender mulheres vítimas de violência;
n Identificação e enfrentamento das violências cometidas contra as mulheres
encarceradas, especialmente as grávidas.

RESPEITO AOS AFRODESCENDENTES:

10.8 O Brasil é o país do continente americano que recebeu o maior fluxo de


africanos escravizados entre os séculos XVI e XIX. No entanto, passados
130 anos da abolição da escravatura, eles ainda encontram problemas no
processo de sua plena integração social e do exercício de seus direitos
de cidadania. A explicação para esses entraves está no racismo à moda
brasileira e suas ambiguidades. Uma das características desse racismo
foi a criação do mito da democracia racial que, além de camuflar as
desigualdades raciais e os conflitos latentes, prejudicou o processo de
construção da identidade coletiva da população negra e atrasou a discussão
na sociedade sobre as reinvindicações de políticas de ação afirmativa e
reparação. Uma série de medidas estão sendo propostas para eliminar a
discriminação a esse grupo da sociedade:

n Garantia de uma política de assistência social na perspectiva de equidade para


os segmentos sujeitos a maiores riscos sociais, como a população negra de
rua;
n Inclusão da questão da diversidade cultural e religiosa desde a infância,
valorizando a história e cultura das diversas etnias africanas;
n Desenvolvimento de ações de políticas públicas para o pleno direito de acesso
da população negra à justiça e à cidadania;
n Promoção da sensibilização e capacitação dos profissionais de direito através
de fóruns, seminários, palestras e debates abordando temas específicos como
discriminação racial e violência sexual contra mulheres afrodescendentes;
n Garantia da adoção de políticas afirmativas por parte de empresas e
cooperativas como pré-requisitos ou agregação de pontos de vantagem para
as mesmas em processos licitatórios de concorrências públicas, financiamento,
subsídios, licenças ou avais em geral; o mecanismo também deve se aplicar a
empresas que contratarem jovens negros em conflito com a lei e que estejam
cumprindo medidas sócioeducativas;
n Implantação das convenções 100, 101 e 169 da Organização Internacional do
Trabalho no que concerne à discriminação em matéria de emprego, salário e
profissão;
n Aprimoramento dos mecanismos de fiscalização contra as práticas de assédio
sexual e discriminação racial na ocupação de vagas no mercado de trabalho;
n Instituição de mecanismos de controle social do uso depreciativo de imagem
de mulheres negras nos meios de comunicação;
n Garantia da implementação e execução do Plano Nacional de Políticas para as
mulheres negras;
n Fornecimento de material pedagógico adequado para tratamento da questão
racial nas escolas, ampliando o acervo das bibliotecas escolares e colocando
ao alcance dos alunos a formação correta e não preconceituosa sobre os
grupos étnicos raciais discriminados;
n Fortalecimento do diálogo federativo em relação ao plano nacional de
implementação das diretrizes curriculares nacionais para a educação das
relações étnicos raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e
africana;
n Manutenção do ingresso da juventude negra em todas as universidades
públicas através do sistema de cotas, assegurando via ações afirmativas a sua
permanência nas instituições de ensino;
n Expansão do acesso das populações de áreas remanescentes de quilombos,
comunidades rurais, ciganas e indígenas às escolas profissionais de ensino
técnico;
n Promoção de ações de políticas de segurança pública que atuem contra a
escalada de violência policial em nosso país, buscando a preservação da vida e
cidadania da juventude negra;
n Ampliação do Plano Juventude Viva, fortalecendo o diálogo com as polícias e
o sistema de justiça para uma nova concepção de identificação e abordagem
dos cidadãos, eliminando o racismo institucional e o preconceito geracional;
n Fortalecimento e ampliação do PRONASCI- Programa Nacional de Segurança
Pública com Cidadania, em seu recorte étnico racial, denominado projeto
Farol, considerando e priorizando intensificar as ações nas regiões de maior
vulnerabilidade social conforme IDH- Índice de Desenvolvimento Humano;
n Capacitação de profissionais de saúde com humanização do atendimento
de modo a coibir a xenofobia e discriminação acerca de doenças relativas à
população negra;
n Celeridade dos processos de titularização das áreas das populações
remanescentes de quilombos, dando apoio de infraestrutura, econômica e
tecnológica a programas locais de educação e saúde, além de saneamento
básico e água potável;
n Garantia do uso das terras ocupadas por remanescentes das comunidades de
quilombos a sua reprodução física, social, econômica e cultural, bem como
as áreas detentoras de recursos ambientais necessários à subsistência da
comunidade, à preservação dos seus costumes, tradições, cultura e lazer;
n Fortalecimento do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial
(SINAPIR), incentivando a adesão de estados e municípios;
n Estímulo à criação de secretarias de promoção da igualdade racial no âmbito
dos estados e municípios;
n Desenvolvimento e garantia de recursos para projetos sociais que resgatem a
cultura negra, utilizando todas as linguagens de artes;
n Incentivo à criação de corredores culturais e de intercâmbio entre as
comunidades remanescentes de quilombos;
n Realização de ações educativas na mídia que tratem da diversidade racial e
ressaltem que o racismo é crime;
n Organização de campanha nacional de valorização das contribuições
civilizatórias, culturais e tecnológicas da população de matriz africana.

RESPEITO À POPULAÇÃO LGBTI:

10.9 Não podemos nos furtar do compromisso com a vida e igualdade em


direitos dessa população. É preciso desenvolver ações que harmonizem
a convivência da população para o convívio respeitoso com as diferenças
humanas e a capacidade de reconhecer os direitos civis de todos:

n Criação do Comitê Nacional de Políticas Públicas LGBT com representantes


estaduais, assim como uma Secretaria Nacional de Políticas Públicas para a
Cidadania da população LGBTI, incluindo o amparo à seguridade de trabalho,
emprego e renda à população LGBT e de ações afirmativas de combate à
discriminação institucional de empresas e no ambiente de trabalho;
n Garantia da promoção da cidadania LGBTI, por um país para todas e todos,
com respeito às diversidades humanas, sem exceção;
n Implementação efetiva do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e
Direitos Humanos LGBTI;
n Respeito ao Termo de Compromisso com a Aliança Nacional LGBTI+ e
parceiras, tentando cumprir com máximo esforço suas propostas;
n Criação de meios para coibir ou obstar os crimes LGBTIfóbicos, definindo suas
características, equiparando aos crimes por racismo, injúria e feminicídio, cada
qual com sua especificidade;
n Reestruturação, ampliação, fortalecimento do Disk Direitos Humanos (Disk
100);
n Realização de investimentos nas Universidades Públicas Federais para
ampliação de programas de ações afirmativas, assistência estudantil e
permanência;
n Inclusão do combate a toda forma de preconceito, seja ele por raça, etnia,
sexo, orientação sexual e/ou identidade de gênero no Plano Nacional de
Educação;
n Desenho de plano de ações e metas para diminuir a discriminação nas escolas
e a evasão escolar;
n Articulação e apoio à aprovação do Estatuto das Famílias e do Estatuto da
Diversidade;
n Garantia e ampliação da oferta de tratamentos e serviços de saúde para
que atendam às necessidades especiais da população LGBT no SUS e suas
especificidades, assim como o acolhimento dessa população em sua melhor
idade (acima dos 60 anos);
n Consideração das transversalidades da população LGBTI e suas
vulnerabilidades, tais como: situação de refúgio, conviventes com HIV/AIDS,
LGBTIs negros e negras, em situação de rua, dentre outras, fomentando a
ampliação das políticas públicas existentes e criação de políticas públicas de
proteção e acolhimento à essas especificidades;
n Fomento à aprovação dos Projetos de Lei em tramitação que visam à
equiparação do casamento civil igualitário, assim como a Lei de Identidade
de Gênero conhecida como Lei João W. Nery em consonância com as
Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADI) de número 4277 e 4275,
respectivamente, votadas pelo pleno Supremo Tribunal Federal.
RESPEITO ÀS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA:

10.10 Também precisamos eliminar a discriminação e a acessibilidade e


mobilidade das pessoas com deficiência. Assim, um conjunto de ações se
faz necessário:
n Garantir a implementação da LBI - Lei Brasileira de Inclusão;
n Construção de ações para consolidar a inserção das pessoas com deficiência
no mercado de trabalho;
n Promoção de ações de assistência integral à saúde;
n Eliminação de restrições de acessibilidade e mobilidade em geral;
n Integração das pessoas com deficiência às atividades de ensino direcionadas
aos demais grupos sociais em todas as escolas;
n Criação de Centros de Referência nas principais macrorregiões para
reabilitação e tratamento de Pessoas com Deficiência;
n Criação de uma Rede Federal (ou fomentar isso através dos IFCE’s ou
Universidades Federais) de formação e treinamento de professores e
profissionais que atendam, nas escolas públicas e privadas, crianças e jovens
com deficiência, aí incluídos em especial o TEA (transtorno do espectro
autista), Síndrome de Down, Braille e Língua Brasileira de Sinais;
n Eliminação da impossibilidade de retorno ao exercício de atividade
remunerada por parte de pessoas que recebam auxílios vinculados à
ocorrência de alguma deficiência, mais especificamente o Benefício de
Prestação Continuada.

RESPEITO À JUVENTUDE:

10.11 Os jovens necessitam de política específicas para o seu desenvolvimento e


sua transformação em cidadãos plenos. Vamos a elas:
n Em relação à participação na sociedade:
• Implementação de espaços e mecanismos que ampliem a participação da
juventude nos temas da gestão pública relacionados a ela e a sociedade,
bem como à promoção de uma maior transparência e participação social;
• Estímulo à participação do jovem no planejamento nacional e elaboração
das legislações orçamentárias, por meio do fortalecimento dos Conselhos de
Juventude.
n Em relação à Educação:
• Cumprimento e endosso às diretrizes e metas do Plano Nacional de
Educação (PNE), visando à elevação da escolaridade, erradicação do
analfabetismo, redução da evasão e maior qualidade da educação pública;
• Garantia da implementação da lei 11645/08, que torna obrigatório o ensino
de história e cultura afro-brasileira e africana, bem como incluir importantes
debates que versem sobre diversidade sexual, gênero, igualdade, justiça
social e liberdade, de modo a garantir a democratização e humanização das
escolas;
• Garantia do atendimento universal à educação infantil e participação direta
na criação e ampliação de espaços de formação profissional e tecnológica
gratuita, na cidade e no campo.
n Em relação ao trabalho:
• Criação e ampliação de programas públicos de inserção juvenil no mercado
formal de trabalho para enfrentar o desemprego e subemprego de forma
produtiva, adequadamente remunerada, viabilizando uma vida digna, a
conciliação entre estudos e trabalho e a ampliação da rede de proteção
social;
• Oferta de aprendizado profissionalizante para que os jovens tenham uma
melhor inserção no mercado;
• Fortalecimento dos empreendimentos e coletivos de juventude da
agricultura familiar, pesca artesanal e demais atividades produtivas do
campo e da cidade, bem como, incentivo à formação de novos coletivos
visando à promoção da economia solidária como estratégia para garantia do
bem viver, do trabalho digno e da renda para a juventude.
n Em relação ao acesso ao esporte e lazer:
• Desenvolvimento de programas de incentivo ao esporte, como iniciativas
regionais e o Bolsa Atleta;
• Implementação e qualificação do esporte nas escolas como ferramenta de
entretenimento e amparo dos jovens estudantes;
• Promoção facilitada do acesso à cidade e espaços de lazer para que os
jovens possam viver a cidade em sua plenitude.
n Em relação à Segurança:
• Fortalecimento do Plano Juventude Viva e suas propostas de diminuição
radical da letalidade da polícia, buscando o real compromisso dos estados
com sua implementação;
• Recusa às propostas de redução da maioridade penal e cumprimento efetivo
do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Estatuto da Juventude;
• Construção de políticas de enfrentamento à homofobia, lesbofobia e
transfobia;
• Fortalecimento de políticas e programas de atenção às jovens mulheres em
situação de vulnerabilidade.
11 COMBATER
A CORRUPÇÃO
A corrupção, infelizmente, é uma praga da política brasileira e como tal deve
ser duramente combatida. Somos contrários a qualquer atitude ilícita e condenamos
as práticas corruptas e os desvios de conduta na função pública. Defendemos o
fortalecimento dos mecanismos de transparência e do chamado controle social, bem
como os órgãos que fiscalizam o setor público, como a Controladoria Geral da União
(CGU) e o Tribunal de Contas da União (TCU). Somos favoráveis também ao mecanismo
do acordo de leniência com empresas envolvidas em casos de corrupção, pois ele é a
maneira mais saudável de separar o joio do trigo, punindo os dirigentes e funcionários
implicados em práticas ilícitas, mas preservando as empresas e os empregos
daqueles que não têm envolvimento com corrupção. No Governo, a corrupção deve
ser enfrentada com o exemplo e a vigilância permanentes. A seguir, apresentamos
algumas das medidas que adotaremos para o combate à corrupção, aumento da
transparência e do controle social.

11.1 Todos que aceitarem trabalhar em nossa equipe assinarão um manual de


decência e de responsabilidade com o dinheiro público, que é dinheiro do
povo. Em caso de qualquer acusação ou denúncia específica fundamentada,
o Ministro ou ocupante de cargo de confiança se afastará voluntariamente
da posição e pedirá uma apuração independente, sem prejuízo das
investigações dos órgãos competentes. Atestada a inocência, retornará ao
exercício da função; havendo indícios concretos de irregularidades, será
afastado definitivamente.

11.2 Redução dos atuais entraves burocráticos aos acordos de leniência.

11.3  Ampliação da transparência e controle social da administração pública, com


a ajuda do governo eletrônico, de modo a facilitar o acesso da população a
dados e informações em todos os sites e portais do Governo.

11.4 Maior participação da sociedade na orientação e acompanhamento da


execução das políticas públicas.
11.5 Aperfeiçoamento dos mecanismos de responsabilização e de combate à
corrupção e ao mau uso dos recursos públicos.

11.6 Criação de um Sistema de Controle Interno unificado para toda a Federação,


integrando funções e a atuação da Controladoria Geral da União e das
Controladorias Estaduais e Municipais.

11.7 Instituição de mecanismos de controle social ativo e integrado com relação


às organizações que são responsáveis pela defesa do patrimônio público
(Controladoria Geral da União, Polícia Federal, Tribunal de Contas da União,
Ministério Público, etc.).

11.8 Criação de auditorias de equidade, voltadas a avaliar especificamente se os


serviços públicos tratam o cidadão de forma equânime e justa.

11.9 Criação de unidade de controladoria no Poder Legislativo.

11.10 Criação de unidades anticorrupção ad hoc em grandes obras, com controle


social.

11.11 Integração de todas as bases de dados referentes a cadastros de


beneficiários e demais questões de transparência (como a lista do trabalho
escravo) em um mesmo site, como o Portal da Transparência.

11.12 Conversão das informações governamentais úteis ao controle social à


linguagem cidadã.

11.13 Instituição de “Agentes da Cidadania” em comunidades locais afetadas por


políticas federais, voltados a multiplicar conhecimento em controle social.
12 DEFESA, POLÍTICA EXTERIOR
E SOBERANIA NACIONAL
Um projeto nacional de desenvolvimento calcado em democratização de
oportunidades e capacitações e rico em inovações institucionais tem como
contrapartida a construção da soberania nacional. O projeto externo abre espaço
para o sucesso do projeto interno. Os instrumentos fundamentais e gêmeos do
projeto externo são a defesa e a política exterior. Já o resguardo da soberania nacional
ultrapassa os limites da defesa e da política exterior; inclui também, por exemplo, o
controle nacional de nossos recursos naturais estratégicos. O Brasil ascende no mundo
sem imperar. É o mais pacífico dos países de dimensão continental. Por isso mesmo,
sofremos a tentação de menosprezar nossa defesa. Precisamos poder dizer não aos
que quiserem nos negar condições para desenvolvimento nacional soberano. Não nos
convém viver num mundo em que só os meigos estão desarmados. Nossa orientação
pacífica não nos exime de nos defender.

12.1 SOBERANIA NACIONAL:

n Um projeto nacional de desenvolvimento baseado na democratização de


oportunidades e capacitações e rico em inovações institucionais tem como
contrapartida a construção da soberania nacional;
n Esta inclui, além da defesa e da política exterior, o controle nacional de nossos
recursos naturais estratégicos, como as fontes de energia (petróleo, gás e o
sistema hídrico, por exemplo);
n Vamos reafirmar o compromisso com a Estratégia Nacional de Defesa já
promulgada. O complexo industrial de defesa terá o objetivo de desenvolver
tecnologia de vanguarda não apenas para preservar nossa soberania, mas
também para propiciar inovações que serão utilizadas pelo restante do setor
produtivo;
n Também não toleraremos a compra por estrangeiros de ativos que compõem
ou apoiam nosso complexo industrial de defesa;
n Para manter o controle de nossos recursos naturais estratégicos, todos os
campos de petróleo brasileiro vendidos ao exterior pelo Governo Temer após a
revogação da Lei de Partilha serão recomprados, com as devidas indenizações;
n O mesmo se dará com relação à Eletrobras e à Embraer, caso a venda de ambas
seja efetivada;
n Nenhum país soberano entrega seu regime de águas para o controle
estrangeiro. Igual ocorre com o petróleo;
n Não há nenhuma razão nacional brasileira - estratégica, econômica ou
energética - que justifique a venda das nossas reservas ao exterior ou a pressa
em explorar e produzir o nosso petróleo.

12.2 DEFESA:

n Como presidente do Brasil, Ciro Gomes proporá ao país um debate a respeito


da conveniência de elevar a proporção do PIB dedicada à defesa. Para que se
sustente ao longo do tempo, o compromisso de investir na defesa deve granjear
amplo apoio nacional ao invés de resultar de decisão unilateral do Executivo.;
n Reafirmação do compromisso de manter, cumprir e aperfeiçoar a Estratégia
Nacional de Defesa, promulgada em 18 de dezembro de 2008;
n Prosseguimento na diretriz, formulada na END, de aprofundar monitoramento,
mobilidade e flexibilidade como marcas de nossa defesa;
n Construção de cultura militar organizada em torno de capacitações mais do que
em torno de hipóteses de emprego das Forças Armadas;
n Não basta que cada força contenha uma vanguarda ultra-flexível; cada força
precisa toda ela virar vanguarda:
• Na força terrestre, isso significará a qualificação tecnológica e operacional a
partir do módulo brigada;
• Na força naval, o emprego de espectro amplo de plataformas (de superfície,
submarinas e aéreas) para atender à responsabilidade prioritária de nossa
Marinha de Guerra: negar a qualquer inimigo acesso a nosso território e a
nossas águas territoriais;
• Na força aérea, a capacidade para manter superioridade aérea, quando não
supremacia aérea, sobre nosso território e para projetar poder, em caso de
necessidade, por meio de operações geoestratégicas.
n Reafirmação do compromisso com o caça Gripen NG, com o submarino de
propulsão nuclear e com a nova geração de blindados e armamentos do
Exército;
n Suprimento de nossa lacuna em matéria de artilharia antiaérea de médio e
longo alcances (sistemas de mísseis), em coordenação com iniciativas espaciais;
n As parcerias com países estrangeiros ficarão condicionadas a sua utilidade para
nossa qualificação tecnológica: preferiremos aprender fazendo e fabricando a
comprar plataformas prontas;
n O complexo industrial de defesa será encarado e desenvolvido como manancial
de vanguardismo tecnológico. Deve-se reconhecer a dualidade civil e militar de
tecnologias de ponta:
• A parte estatal deste complexo, sob a condução das Forças Armadas, cuidará
para unir pesquisa avançada à produção avançada;
• Para a parte privada, será criado regime jurídico especial que dispense as
indústrias privadas de defesa do regime geral de licitações em troca da
manutenção de voz decisiva do Estado nos planos destas empresas;
• Não toleraremos a compra por estrangeiros de ativos que compõem ou
apoiam nosso complexo industrial de defesa.
n Haverá atenção especial para os setores cibernético, espacial e nuclear, por
serem vitais para o futuro de nossa defesa e de nossa economia;
n Desenvolvimento de nossas capacitações em matéria de ciência e tecnologia
nucleares para que a renúncia ao emprego militar da energia nuclear resulte
sempre de decisão soberana da nação, não de incapacidade tecnológica e
científica;
n Prosseguimento dos programas de satélites, veículos lançadores e combustíveis
de propulsão;
n Estabelecimento, junto com empresas privadas, de um programa nacional de
inteligência artificial;
n Desenvolvimento de nosso potencial de inteligência e contra inteligência,
superação de nossa dependência dos Estados Unidos nas comunicações com o
resto do mundo e criação de condições iniciais para prover às Forças Armadas
uma alternativa ao GPS norte-americano;
n O emprego do Exército em operações internas será sempre excepcional e
suplementar, com prioridade para a defesa de nossas fronteiras.

12.3 POLÍTICA EXTERIOR:

n A política exterior, por sua vez, precisa servir a nossos interesses e a


nossos valores, possibilitando ampliar, através de um projeto nacional de
desenvolvimento, nosso espaço nas negociações políticas e comerciais globais,
incluindo aquelas que se referem a mudanças climáticas e ao desenvolvimento
sustentável. Os acordos comerciais precisam priorizar o acesso a novas
tecnologias e mercados, ajudando-nos a desenvolver a produção de bens e
serviços mais sofisticados;
n Engajamento de todo o Governo e toda a Nação na construção da política
de comércio exterior. Ação diplomática não se confunde com formulação de
política exterior, que é tarefa de todo o país e de seu governo. Política exterior
é ramo da política, não do comércio: nossos pleitos comercias têm melhor
perspectiva de prosperar à luz de posicionamento consequente no mundo.
Política exterior há de servir aos interesses e valores reais da nação, não à busca
de protagonismo e prestígio. Deve subordinar o vistoso ao importante;
n Uma potência emergente como o Brasil há de reconciliar o fortalecimento
de nossa posição dentro da ordem mundial existente com a busca de outra
ordem mundial, em colaboração com nossos parceiros e amigos. O Brasil é
necessariamente potência revisionista: não se contenta com uma ordem global
que estreita a margem para os experimentos e as inovações institucionais
exigidos pelo projeto nacional de desenvolvimento;
n A política exterior deve ser mais do que independente; ela deve ser
transformadora;
n Defesa do máximo de abertura econômica e cultural no mundo com o mínimo
de restrição a tais inovações e experimentos;
n Busca da governança global sem governo global, com o reconhecimento de
que o instrumento mais poderoso a desenvolver são as coalizões entre países:
sejam regionais (como o Mercosul e a União Sul-Americana), de países com
determinadas semelhanças (como os BRICS) ou de propósito específico (como
os tratados a respeito de mudança de clima);
n Reanimação de nosso projeto sul-americano: a União da América do Sul no
desdobramento de estratégia compartilhada de desenvolvimento voltada para
a qualificação da produção, para a reindustrialização no rumo da economia
do conhecimento (inclusive na agregação de valor a atividades extrativas e
agropecuárias) e para a democratização das oportunidades e capacitações:
• Este esforço deve caminhar para a instalação de cadeias produtivas que
atravessem fronteiras na América do Sul;
• Deve propiciar colaboração direta não só entre os governos centrais de cada
país, mas também entre os governos de nossos estados federados limítrofes e
os governos dos estados fronteiriços de nossos vizinhos;
• Dentro do Mercosul deve-se dispor a aprofundar o livre comércio sem excluir
a flexibilização circunstancial da união aduaneira;
• E deve trabalhar contra a instalação de bases militares de potências externas a
nosso continente sul-americano;
• Cabe ao Brasil desempenhar liderança natural na América do Sul, mas evitar
atos e gestos de hegemonia. Devemos agir com compreensão dos problemas
criados para nossos vizinhos por nossa superioridade de tamanho e força;
• Procuraremos envolver todos os países sul-americanos, dentro e fora do
Mercosul, numa teia cada vez mais densa de trocas comerciais, parcerias
produtivas e tecnológicas, colaborações em defesa e circulação de
estudantes, pesquisadores e ideias;
• A união sul-americana não será artifício proposto, muito menos imposto,
pelo Brasil; será o resultado cumulativo deste engajamento recíproco das
repúblicas sul-americanas;
• O Brasil zelará para que a união a construir exija de todos seus participantes
compromisso com a democracia e respeito pelos direitos humanos.
n Fortalecimento de nossa relação com os Estados Unidos:
• Em relação às grandes empresas norte-americanas, inclusive as de economia
digital, insistir em produção de vanguarda e em parcerias capacitadoras com
nossas empresas e organizações públicas;
• Em relação ao governo dos Estados Unidos, construir pauta que, ao
aprofundar o comércio bilateral, ultrapasse a agenda comercial e construa,
entre governos, empresas e universidades;
• Iniciativas exemplares serão focadas em inovação produtiva, científica e
tecnológica;
• Para poder construir tais parcerias com os Estados Unidos, o Brasil precisa
ganhar independência dos Estados Unidos em tecnologias de comunicação e
defesa. Para ser parceiro, não pode ser protetorado.
n Desenvolvimento e reconstrução de nossa relação com a China, condicionando
o avanço da presença chinesa no Brasil à colaboração com nosso governo e
nossas empresas na qualificação produtiva e tecnológica, inclusive de nossa
agricultura, pecuária e mineração;
n Recusa à relação neocolonial, quer com a China quer com os Estados Unidos;
n Inadmissibilidade de um processo de endividamento com a China, público ou
privado, que acabe por comprometer nossa soberania:
• Um dos melhores instrumentos que temos para trabalhar pela revisão da
ordem atual do mundo é o movimento BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China,
África do Sul), complementado pelo movimento IBAS (Índia, Brasil, África do
Sul);
• Mais que compartilhar preocupações, estes movimentos conjugados podem
desenvolver iniciativas comuns que contribuam ao desenvolvimento de
nossos países e ampliem no mundo o espaço para centros múltiplos de
poder, trajetórias alternativas de crescimento e experiências divergentes de
civilização;
• Ao Brasil, caberá presidir os BRICS em 2019 e neste mesmo ano indicar o novo
presidente do Banco dos BRICS.
n Atuação para o desenvolvimento de agenda da reforma da ordem mundial do
comércio que deixe de condicionar a participação nesta ordem a uma forma
restritiva da economia de mercado (excludente de parcerias estratégicas entre
governos e empresas e de regimes alternativos de propriedade intelectual);
n Desenvolvimento de agenda de reforma da ordem monetária global que crie
condições para ultrapassar o dólar como moeda-reserva do mundo;
n Desenvolvimento de agenda de reforma da ordem de segurança no mundo que
constranja as grandes potências no uso unilateral da força armada;
n Priorização, nos acordos bilaterais e multilaterais de comércio, de nosso acesso
aos meios de qualificação produtiva e tecnológica. Cada acordo deve servir ao
objetivo de colocar o Brasil no rumo da economia do conhecimento não só na
manufatura avançada, mas também nos serviços intelectualmente densos e na
agricultura de precisão;
n Aproveitamento do papel desbravador que o Brasil pode desempenhar
na elaboração de acordos internacionais a respeito de mudança de clima e
desenvolvimento sustentável;
n Reconstrução de nossa relação com a África em bases generosas que façam
justiça à condição do Brasil como maior país africano fora da África e que
deixem de atrelar nossa política africana aos interesses de empreiteiras;
n Valorização do excepcional recurso nacional de nosso serviço diplomático para
assegurar a nossos diplomatas os instrumentos e as condições de que precisam
para atuar em prol do Brasil;
n Atuação junto ao Congresso Nacional, especialmente o Senado Federal, na
construção de nossa política exterior;
n Estímulo ao debate nacional a respeito de nossa posição no mundo, trazendo a
política exterior para o centro da vida pública brasileira.
PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA
SAFS, Quadra 2, Lote 3, Brasília, DF