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15 º ENCONTRO ESPÍRITA DE MEDICINA ESPIRITUAL

Índice

Mensagem para o 15 o Encontro Espírita Sobre Medicina Espiritual

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Por que estamos insatisfeitos com as dificuldades que precisamos vivenciar?

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A compreensão do livre-arbítrio à luz da Doutrina Espírita 13

Quais os Recursos que a Doutrina Espírita nos Orienta na Aceitação das Provas

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Imortalidade – A certeza da Misericórdia Divina 34

Conceito de Saúde Física e Saúde Espiritual

O Comportamento Emocional diante das Doenças 52

Como é feito o Tratamento de Cura na visão da Doutrina Espírita 57

O Papel da Fé e da Esperança no Processo de Cura 62

(física, social, moral e familiar)

43

A Necessidade da Mudança do Padrão Mental

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As Potências da Alma

78

O Florescer dos Valores Morais 85

A Fidelidade aos Conceitos Doutrinários

93

Jesus – A Terapia do Amor como Fonte de Progresso ANEXOS

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Mensagem de Ignácio Bittencourt na véspera do Encontro 1 a vibração 2 a vibração 3 a vibração

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O

CASO DO MENINO DO REFRIGERANTE

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Mensagem para o 15 o Encontro Espírita Sobre Medicina Espiritual

E Jesus, falando, disse-lhe: Que queres que te faça? E o cego

lhe disse: Mestre, que eu tenha vista.

E Jesus lhe disse: Vai, a tua fé te salvou. E logo viu, e seguiu

a Jesus pelo caminho.

(Marcos, 10:51-52)

Quando vemos a atitude confiante do cego Bartimeu perante Jesus e a multidão, sentimo- nos comovidos, ante a determinação do espírito acicatado pela dor porém confiante em Jesus. Com efeito, muitos oram e rogam a Jesus a força precisa para suas lutas; nem sempre, entretanto, trazem consigo as marcas da confiança e lealdade devidas a Jesus, no momento do testemunho e da dor. Cada pessoa, ao ficar doente, ou está resgatando o passado ou é vítima dos abusos do presente. Assim, marcando passo nas indefinições de comportamento perante a saúde, o homem sobrecarrega o seu organismo físico e, não raro, o espiritual, com as várias marcas decorrentes de seus atos insanos. Chega, porém, o dia do reajuste — o momento em que, pela dor ou pela atenção ao seu próprio comportamento, o homem diz basta às insensatezes provocadas pelo seu modo de ser. Nesse momento, alguns de nós ficamos como crianças encurraladas, e choramos e esbravejamos contra a dor, exatamente como se não a tivéssemos merecido, esquecidos de que todos nós teremos o que plantamos, mesmo que pensemos ou desejemos o contrário. Raros têm a atitude de Bartimeu, que, ouvindo a voz do amor, do desejo de ajudar que Jesus demonstra por nós, respondeu claramente, sem titubeios aos apelos de Jesus, com o sentido absoluto da fé e do conhecimento da verdade: “Que eu veja.” Se fizéssemos isso, por certo diríamos também: “Que eu tenha saúde.” E falando desse modo, tivéssemos a resolução de agir corretamente com o nosso organismo, pondo fim aos abusos, quaisquer que sejam estes, e para que tenhamos acesso ao processo orgânico sem máculas, mantido por gestos sadios de alimentar-se e viver. Nesse dia, poderemos dizer: “Tenho a saúde que possuo.” Paz!

Ignácio Bittencourt

(Mensagem psicográfica recebida pelo médium Altivo Carissimi Pamphiro, em 6/8/2004, no CELD, RJ.)

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15 º ENCONTRO ESPÍRITA DE MEDICINA ESPIRITUAL

Por que estamos insatisfeitos com as dificuldades que precisamos vivenciar?

Aula dada por Mário Coelho em 15/04/2004

Insatisfação, muitas vezes, não é simples insatisfação. Nós precisamos ver quando estamos insatisfeitos ou quando estamos irresignados, sem resignação. Porque quem está insatisfeito quer mudança e faz mudança. Quem está irresignado não. Batalha muitas vezes contra o próprio equilíbrio. Paulo de Tarso, grande conhecedor dos movimentos humanos, que falava para o Cristianismo nascente, já dizia para a gente não se concentrar com o mundo, mas “transformai-vos”, ou seja, a gente poderia ficar insatisfeito com as situações e, diante delas, procurar se transformar. Há uma grande diferença entre insatisfação e resignação. O irresignado acaba trabalhando contra ele próprio, porque quando a gente entra na faixa da irresignação, não está resignado perante as próprias lutas, nós vamos na contramão do socorro. Porque começamos a valorizar muito a nós mesmos, e achar que estamos no lugar errado, na hora errada, com as pessoas erradas. Quando na verdade, já dizia o espírito Sheilla, estamos no lugar certo, com as pessoas certas, no momento certo, vivenciando as lutas que nós precisamos. Então, quando vamos lidar com as dores humanas, devemos ver se o caminho pelo qual aquele sofredor chega para nós é o da irresignação. Porque teremos que fazer todo um trabalho de base, porque quando a gente está irresignado, a gente acha que Deus é injusto: “Por que só eu estou sofrendo? Por que só eu estou doente?” Começamos a valorizar a nós mesmos e achamos que sabemos mais do que Deus. Então, a gente vai na contramão do socorro. É uma coisa para a qual se deve ficar alerta. Um dos grandes problemas nossos é no campo da relação humana, que a gente depois vai ver que acaba levando à doença. Um grande grupo de doenças que chegam à nossa Casa é mais doença moral do que física, ou começou, muitas vezes, com a doença moral e terminou na física. Pessoas que se aborreceram, que tiveram desilusões, que carregaram mágoa e daqui a pouco aparece um lúpus eritematoso, uma doença auto-imune, aparece uma artrite reumatóide, um câncer. É comum a gente ver essas solicitações no receituário mediúnico, e as pessoas contando essa história: “Passei uma grande desilusão e daqui a pouco surgiu isso.” Qual é a grande dificuldade nossa no campo das relações humanas? Até porque é um dos aprendizados mais difíceis, o da relação humana. Uma vez perguntaram ao médium Chico Xavier qual a matéria em que Emmanuel era mais exigente com ele. Ele disse: “O trato com as pessoas.” E qual é a nossa grande dificuldade, a grande dificuldade de quem aporta na nossa Casa? É o de levar tudo para o lado pessoal no trato com as pessoas. Se o Fulano vem e faz qualquer ato de grosseria comigo, ou me trata mal, qual é a primeira coisa, se a gente está invigilante? É levar para o lado pessoal. Quando, na verdade, as ações das pessoas são o somatório de uma vivência que elas já carregam há muito tempo. Então, se ela é grosseira, ela será grosseira comigo, com ele, com ela, porque isso já faz parte da vivência pessoal dele. Da mesma maneira quem é bom. Quem é bom, não é bom só porque vai ser bom para Fulana, ele vai ser bom para Fulana, vai ser bom para ele e vai ser bom para aquele. E a gente, às vezes, se coloca também numa posição de especial, quando as pessoas bondosas tem alguma deferência para com a gente. As pessoas são o que são. O valor intrínseco não pode ser medido pelo jeito como as pessoas nos tratam. Isso é uma das grandes causas de doença aqui no nosso meio. As doenças que foram causadas no trato com as outras pessoas. Leva tudo para o lado pessoal. Quando na verdade, Fulano age assim com a gente, porque ele age assim. “— Ah! mas por que ele não age com Fulano assim?” Em geral, se formam grupos, aqueles grupos que se coadunam com aquela atitude dele, ele não age assim, mas qualquer pessoa que fure esta barreira ou que represente uma ameaça, a pessoa age dessa maneira com a gente. É uma das coisas que a gente deve sempre pensar para não carregar mágoa. Até porque como diz André Luiz: “Carregar mágoa, é carregar lixo inútil dentro do próprio coração.” Uma das coisas que a gente deve prestar atenção, no trato com as pessoas: será que eu estou levando para o lado pessoal? Vamos fazer um auto-exame. Aquilo que nos ensinou Santo Agostinho, lá em O Livro dos Espíritos, quando ele fala do conhecimento de si mesmo. Todas as

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noites ele chegava e fazia uma auto-análise. Se as ações dele teriam prejudicado alguém. Se ele recebesse as ações que ele tinha feito, como ele se portaria? É o auto-exame, é o entrar dentro de si mesmo. É uma tarefa difícil a do auto-exame? É, porque dói, porque a gente encontra uma série de situações que pensa que venceu, e ainda não venceu. No livro se não me engano Cura, de Chico Xavier, um dos espíritos diz que, a gente às vezes estuda dez anos, para dar o testemunho em um minuto. A gente pensa que venceu uma coisa e diante de determinadas situações, a gente vê que não venceu. É a questão do auto-exame. Uma das causas de doença é a mágoa. A gente carregar mágoa. Aquela idéia que fica dentro da gente. E as idéias, quando lemos Ernesto Bozzano, vemos que criamos essas idéias, um filminho do que a pessoa fez com a gente, e aquilo ganha vida própria. Enquanto alimentamos, aquilo vira um personagem. Um médium de língua inglesa conta um fato muito interessante. Foi um protestante na casa dele vender essas revistinhas de porta em porta, e quando descobriu que ele era médium, espírita, o homem começou a falar de céu, de inferno, de demônio, que aquilo era coisa do demônio. Ele foi aceitando aquilo, foi escutando e no final o homem pediu para rezar. Ele deixou rezar. Quando acabou a reza, o camarada foi embora, ele se concentrou e viu três figuras de diabo. Aqueles diabinhos com chifre, rabo, vermelho, como conta a alegoria. Aí o guia espiritual falou: “Isso não são espíritos, são as idéias pensamentos que aquele irmão formou aqui dentro.” Elas teriam uma quantidade de vida, na medida que ele entrasse naquela faixa e alimentasse. Isso uma coisa comum, um irmão que rezou por alguns minutos, agora imagine a gente pensando naquele filminho do Fulano que magoou a gente, e a gente vendo aquilo toda hora. Quanto aquele personagem que a gente cria vai ganhando força, vai ganhando braço, vai ganhando perna, vai ganhando movimento e fica como um personagem real, junto dos nossos pensamentos. Agora, imagine isso no nosso campo perispiritual? As forças que vamos movimentando, como vamos embrutecendo o nosso perispírito e como vamos alterar a nossa natureza celular. E aí começa a surgir a série de doenças. A gente sabe que vai vir de lá do espírito. A gente nunca pode esquecer uma frase, quando estuda Medicina Espiritual, que está em O Livro dos Espíritos, pergunta 196-a que os espíritos falam para Kardec: “Teu espírito é tudo, teu corpo é simples veste que apodrece.” Então, a raiz de tudo é o espírito. Não podemos, no estudo das doenças, sempre qualificar tudo como do campo de vista físico. É claro que existem doenças que são puramente físicas. Encostamos o braço numa chapa quente, vai formar uma queimadura, é uma doença física. Abusamos de qualquer alcóolico, vai ter uma gastrite no dia seguinte, vai ter uma ressaca, é uma doença física. Tem doenças no campo da psique que vão afetar o físico, e isso já está mais do que provado. A gente nem precisa falar sobre isso, porque sabemos, principalmente, sobre a imunidade. A pessoa com mágoa, com raiva, acaba desenvolvendo mecanismo auto-imune. É comum a gente ver pacientes, principalmente idosos, em quem estoura um Herpes-zoster, o famoso cobreiro, que dá sempre de um lado só do corpo. Vai colher a história e o Fulano vai dizer: “Eu me aborreci com alguém, estava magoado.” Por quê? Baixou a imunidade. Atua no perispírito, mexe em toda a arquitetura celular e a pessoa desenvolve um problema desses, de caso agudo. Sem contar as doenças crônicas, auto-imunes. Auto-imune, a gente já sabe, é autodestruição. No inconsciente da pessoa, ela está se autodestruindo. É o lúpus, a artrite reumatóide, que sempre se desenvolve com algum potencial, na grande maioria das vezes, potencial emocional desequilibrante. Todos nós, sem exceção, aqui na sala, temos uma série de doenças guardadinhas, igual à caixinha de Pandora. Temos células cancerígenas se formando a todo momento no nosso sistema imune, os linfócitos vão lá e matam. Temos uma série de gens prontos para despertar. E por que não despertam? Enquanto a gente estiver equilibrado, eles vão permanecer guardados. Tem um caso de um médium que teve uma doença. Médium de cura, dava passe aqui na Casa. Teve um problema renal, precisou fazer diálise, descompensou. Se teve a devida noção de que era de cunho de queda espiritual. Médium que dava passe, médium de incorporação, médium que tinha bom fluido, chegou uma certa hora da vida que ele falou: “Ah! não acredito mais muito

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em espírito, mediunidade.” E foi embora. Quando tentou voltar para a Casa, até voltou, voltou para tomar passe, porque não tinha mais condições. Todos nós temos, igual à caixinha de Pandora, volto a dizer, uma série de doenças lá na nossa genética, porque a gente sabe que tudo é genética. E genética nada mais é do que a expressão do que está no perispírito. O que dá a fôrma à genética é o perispírito. Quem comanda é o perispírito. Pode ficar guardadinho de acordo com a nossa vida, com a nossa ação. Aquilo vai desequilibrar ou não. Vai ficar guardadinho ou não. Então, os espíritos estão mais do que acertados quando nos mandam trabalhar. Porque eles estão olhando ali as predisposições. Cada um de nós é um terreno para várias doenças. Por que uma doença dá num de um jeito e em outro arrasa? O bacilo de Koch chega nela, não dá nada, dá um simples resfriado e nele dá uma tuberculose? Porque são terrenos diferentes. Predisposições diferentes. Tudo no fundo está lá na genética. O camarada tinha um gen para isso, mas, no fundo, a gente sabe que tudo é predisposição do perispírito. É isso que a gente deve estar sempre lembrando. As nossas dificuldades como espíritos. Nós estamos trabalhando aqui como o doente que está dividindo o remédio com os outros. A gente está pegando parte do nosso remedinho e dividindo com os outros, para se sentir um pouquinho melhor. A gente repara que as pessoas estão ficando sem resistência para as lutas. Qualquer coisa desequilibra. Qualquer luta que não desequilibraria, vemos as pessoas se desequilibrando por qualquer coisa. A gente acaba concluindo que, parte, é das facilidades que a gente tem. Porque o próprio progresso cria facilidades. Emmanuel diz que o progresso tecnológico veio para diminuir o tempo do trabalho do homem, para que ele pudesse se dedicar mais às coisas espirituais. Vocês já tinham pensado nisso? O progresso ser para isso, para termos mais tempo. Não precisar usar a força física. Tudo pelo botão, pelo maquinário, para que tivéssemos mais tempo. O progresso tem a facilidade, para que a gente tenha esse tempo, para se ligar nas coisas espirituais. Mas, em contrapartida, quando a gente não se liga nas coisas espirituais, ficamos com a cabeça vazia. A gente, às vezes, tem muito tempo e os espíritos mandam a gente trabalhar para isso, para ocupar a nossa cabeça, porque as facilidades quebram um pouco a nossa resistência. Se a gente lembra da nossa infância, vamos ver que nossos pais, com todas as dificuldades de compreensão que eles tinham, com toda a rudeza, com toda aquela lei dura que tinham com a gente, eles eram mais resistentes. Porque a pessoa era obrigada, às vezes, a andar três quilômetros para estudar. Hoje em dia se não tiver o ônibus passando em frente à nossa porta, a gente reclama. As pessoas reclamam tanto de artrite, artrose, tendinite e nossas mães e avôs lavavam roupa no tanque. Tinha artrite, artrose? Se tinha, não tinha tempo de reclamar. A gente vai perdendo resistência até para a dor. A gente vê que as pessoas são muito frágeis para as dores, porque não tem mais essa resistência de caminhar, de andar, se esforçar. E acaba entrando muitas vezes no consumismo. Quem de nós aqui, mais velho, já não levou para escola, para a merenda, pão com banana, com ovo, com goiabada? Você pega um jovem de hoje, quem é que vai levar isso para escola? E se não tem o que levar, o que acontece? Entra no sentimento da irresignação. Começa a doença na idade escolar muitas vezes. Porque não consegue acompanhar o bonde do consumismo, que também é uma das causas de doenças. A gente, às vezes, quer comprar o som que tem cento e vinte botões e não sabe usar dois. Porque se não tiver, entra no sentimento de menos valia, de baixa auto-estima. As pessoas estão ficando sem resistência por isso. Além de não ter com que lutar, não se ocupam com as coisas espirituais. Temos que estimular as pessoas ao estudo e ao trabalho. Não só o trabalho aqui na Casa Espírita, como também o trabalho junto à assistência social, para vermos lutas maiores do que a nossa, ver pessoas que, se estivéssemos no lugar delas, não tiraríamos tão de letra. São pessoas que estão na luta, nem todos claro, alguns estão em provas brabas, expiações, mas vemos ali pessoas com uma têmpera, que vemos que estão acima da gente. Acontece igual à irmã Rosália no Evangelho. Ela diz que muitos daqueles a quem ela ajudou na vida, no outro lado ela teve que pedir as coisas a eles.

“Entretanto, esta caridade não deve impedir a prática da outra; pensai principalmente em não desprezar o vosso semelhante; lembrai de tudo o que eu já vos disse: é preciso ter sempre em mente que, no pobre rejeitado desdenhosamente, podeis estar repelindo um espírito que vos foi querido, e que se

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acha momentaneamente em uma posição inferior a vossa. Revi um dos pobres da Terra a quem pude, por felicidade, ajudar algumas vezes e a quem, por minha vez, tenho agora de implorar. Lembrai-vos de que Jesus disse que somos irmãos e pensai sempre nessas palavras, antes de repelir o leproso ou o mendigo. Adeus; pensai nos que sofrem, e orai!” (Irmã Rosália. Paris, 1860.)

(O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec – Cap. XIII – Item 9 – ED. CELD)

As pessoas estão ficando sem resistência por isso. Estão desacostumando de lutar, estão desacostumadas até com a dor, a própria dor física. A facilidade dos analgésicos favorece isso. Nunca se tomou tanto analgésico; em época nenhuma se vendeu tanto analgésico. Não é que a gente vai ser masoquista e querer ficar com dor, mas temos que ver que precisamos lutar em alguns momentos, fazer esforço. Vejo muitos espíritos no receituário falar para as pessoas que estão tomando antidepressivo, calmantes e não estão melhorando, ele, o amigo espiritual falar assim: “Você tem que fazer aquilo que o remédio não pode fazer, que é a transformação íntima. O remédio vai te dar o equilíbrio para você pensar por um tempo, para você tentar solucionar. Mas quem tem que fazer a transformação íntima é você e não o remédio.” O remédio não vai transformar a gente de uma hora para outra. É bem verdade que a depressão é um distúrbio bioquímico, mas esse distúrbio bioquímico vem da alma. O que a gente vê de distúrbio bioquímico é apenas a ponta do iceberg. A gente deve lembrar as pessoas disso, e incentivar a buscar também a Medicina Espiritual, para ajudá-las a se transformar.

O objetivo da Medicina Espiritual não é curar a dor, que qualquer analgésico pode curar,

mas o objetivo é nos trazer o equilíbrio, para que a gente caminhe com os próprios pés.

no entanto, desencarnado,

agora, observo que a turba de doentes que na Terra me feria a visão, aqui continua da mesma sorte, desarvorada e sofredora. Os gemidos no reino da alma não são diferentes os gemidos nos domínios da carne. E dói-me o coração reparar as filas imensas de necessitados e de aflitos a se movimentarem depois do sepulcro, entre a perturbação e a enfermidade, exigindo assistência. É por esta razão, hoje reconhecemos, que acima do remédio do corpo temos necessidade de luz no Espírito.”

A gente tem que trabalhar para diminuir a fila de doentes do lado de lá. Porque senão daqui

a pouco eles estão reencarnando e reencarnam doentes novamente. E fica nesse círculo vicioso.

Devemos sempre olhar por esse ângulo. Qual o objetivo da Medicina Espiritual? É tratar as doenças psíquicas, as doenças que estão no perispírito, para equilibrar o corpo físico? É, mas o objetivo final é acordar a pessoa para a realidade da vida espiritual. Nem sempre a cura física desperta a pessoa. Uma pessoa foi curada de um mal brabo dos médicos conseguirem curar, e o espíritos acabaram curando. Anos mais tarde a pessoa nem lembrava direito da cura. Ou seja, a cura não foi o bastante para transformar. Nós devemos estimular a busca da Medicina Espiritual, porque somos seres espirituais, somos espíritas, estamos trabalhando com os espíritos, mas lembrar sempre para a pessoa: “Isso tudo é para que você lembre que é espírito imortal. Os espíritos estão te curando, estão te apoiando para lembrar que você é espírito imortal, para você vê muito além disso aí.”

A gente lembra do stress da vida diária. O stress é necessário na nossa vida, ele nos faz

caminhar. Mas no stress existem três fases:

Ignácio Bittencourt, em Vozes do Grande Além, página 95 diz: “

1 – do alerta, nos chamar atenção;

2 – da adaptação, adaptar-se às lutas que tem que vivenciar; E podemos, por invigilância, cair na fase:

3 – da inadequação, da exaustão, porque não se soube lidar com seu stress.

Já pensou se ficássemos paradinhos lá em cima do Monte Himalaia, sentadinhos, meditando,

a gente ia evoluir? Não. Nós temos que vir para Bento Ribeiro, passar pelos buracos que tem na rua,

entrar numa rua que não pode, tem que acordar cedo, tem que enfrentar o patrão difícil, o paciente difícil, e assim a gente vai, porque o stress nos estimula.

Mas, se não entramos naquela fase de conhecer o que aquela situação pode acordar em nós, nós voltamos ao início da nossa aula, voltamos para fase da irresignação. Quando entramos na fase

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da irresignação, entramos na contramão do socorro espiritual. É como dizia Newton de Barros, é pedir água com o copo virado para baixo.

É uma das causas de doença. O stress não solucionado, a pessoa não adaptada para a luta,

sem aquela resistência que a gente falou no início, não adaptado para lutar, sem vontade de lutar, entra naquela fase de inadaptação, não sabe gerenciar o stress e acaba gerando doença. Gera, primeiro, os transtornos da ansiedade, e a gente passa a viver em estado de alerta sempre. O estado de alerta é até benéfico. A adrenalina nos dá aquela posição de enfrentar o problema ou fugir do problema, nos bota alerta. É o hormônio que chamamos de o medo da luta ou da fuga. Só que ninguém pode viver em estado de alerta o dia inteiro. Como se andássemos armados o dia inteiro. Tem a situação de alerta, o elemento estressor nos atinge, nós não podemos fugir do stress, daquele sinal de alerta. O que devemos fazer? Aprender a gerenciar o nosso stress, para entrarmos na fase de adaptação e não na fase da exaustão, senão entra no transtorno da ansiedade e daqui a pouco está fazendo síndrome do pânico, que acaba virando distúrbio bioquímico, que na verdade é um estado d’alma. O distúrbio bioquímico é a ponta do iceberg. Toma remédio, melhorou. Melhorou, porque bloqueou temporariamente. Mas se a pessoa não se modifica, não apresenta naqueles momentos de melhora, vontade de se melhorar, daqui a pouco está enfermando de novo.

O que faz a síndrome do pânico? Não prende a pessoa em casa? A depressão não prende a

pessoa em casa? Na verdade a pessoa passa mal na rua, não é porque está na rua, é para a pessoa inconscientemente querer fugir da luta. Eu passo mal, o que o passar mal está tentando fazer comigo? Me proteger das lutas lá fora, porque eu sou frágil, porque sou fraco, então vou ficar dentro da minha casinha, dentro do meu quartinho e não saio. Isso claro, dentro do inconsciente. Mas isso começa como? Desde lá de muito tempo, a gente vai juntando, no fim ocorre uma gota d’água, uma situação que explode, mas é o somatório de várias vivências nossa.

O que dizem os espíritos a Kardec, para vencermos nossas dificuldades íntimas, que é

necessário nós fazermos pequeninos esforços. Mas aí eles dizem uma coisa que machuca a gente:

Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”

Pergunta 909: Poderia sempre o homem, pelos seus esforços, vencer as suas más inclinações? Resposta: “Sim, e, freqüentemente, fazendo esforços muito insignificantes. O que lhe falta é a vontade. Ah! Quão poucos dentre vós fazem esforços!”

(O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Parte 3 a – Cap. XII – Perg. 909 – ED. F.E.B.)

Não é preciso nenhum ato de bravura extraordinário, é sabermos vencer aquele minutinho. Se não vencemos aquele minutinho de impaciência, de reclamação, isso vai somando, vai somando, depois fica difícil derrubar uma montanha de uma vez só. Enquanto está um monticulozinho, bastam pequeninos esforços nossos, mas depois que vai acumulando, vai acumulando, como é que vai vencer?, até porque vira uma segunda natureza nossa, vira o nosso modo de ser. Fica bem mais difícil.

Como a gente gerencia o nosso stress? Primeiro, a auto-observação, a observação cuidadosa de nós mesmos. Voltando para O Livro dos Espíritos, Santo Agostinho falando:

Pergunta 919a: Conhecemos toda a sabedoria desta máxima, porém a dificuldade está precisamente em cada um conhecer-se a si mesmo. Qual o meio de consegui-lo? Resposta: “Fazei o que eu fazia, quando vivi na Terra: ao fim do dia, interrogava a minha consciência, passava revista ao que fizera e perguntava a mim mesmo se não faltara a algum dever, se ninguém tivera motivo para de mim se queixar. Foi assim que cheguei a me conhecer e a ver o que em mim precisava de reforma. Aquele que, todas as noites, evocasse todas as ações que praticara durante o dia e inquirisse de si mesmo o bem ou o mal que houvera feito, rogando a Deus e ao seu anjo de guarda que o esclarecessem, grande força adquiriria para se aperfeiçoar, porque, crede-me, Deus o assistiria. Dirigi, pois, a vós mesmos perguntas, interrogai-vos sobre o que tendes feito e com que objetivo procedestes em tal ou tal circunstância, sobre se fizestes alguma coisa que, feita por outrem, censuraríeis, sobre se obrastes alguma ação que não ousaríeis confessar. Perguntai ainda mais: “Se aprouvesse a Deus chamar- me neste momento, teria que temer o olhar de alguém, ao entrar de novo no mundo dos Espíritos, onde nada pode ser ocultado?”

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“Examinai o que pudestes ter obrado contra Deus, depois contra o vosso próximo e, finalmente, contra vós mesmos. As respostas vos darão, ou o descanso para a vossa consciência, ou a indicação de um mal que precise ser curado. “O conhecimento de si mesmo é, portanto, a chave do progresso individual. Mas, direis, como há de alguém julgar-se a si mesmo? Não está aí a ilusão do amor-próprio para atenuar as faltas e torná- las desculpáveis? O avarento se considera apenas econômico e previdente; o orgulhosos julga que em si só há dignidade. Isto é muito real, mas tendes um meio de verificação que não pode iludir-vos. Quando estiverdes indecisos sobre o valor de uma de vossas ações, inquiri como a qualificaríeis, se praticada por outra pessoa. Se a censurais noutrem, não na poderia ter por legítima quando fordes o seu autor, pois que Deus não usa de duas medidas na aplicação de Sua justiça. Procurai também saber o que dela pensam os vossos semelhantes e não desprezeis a opinião dos vossos inimigos, porquanto esses nenhum interesse têm em mascarar a verdade e Deus muitas vezes os coloca ao vosso lado como um espelho, a fim de que sejais advertidos com mais franqueza do que o faria um amigo. Perscrute, conseguintemente, a sua consciência aquele que se sinta possuído do desejo sério de melhorar-se, a fim de extirpar de si os maus pendores, como do seu jardim arranca as ervas daninhas; dê balanço no seu dia moral para, a exemplo do comerciante, avaliar suas perdas e seus lucros e eu vos asseguro que a conta destes será mais avultada que a daquelas. Se puder dizer que foi bom o seu dia, poderá dormir em paz e aguardar sem receio o despertar na outra vida. “Formulai, pois, de vós para convosco, questões nítidas e precisas e não temais multiplicá-las. Justo é que se gastem alguns minutos para conquistar uma felicidade eterna. Não trabalhais todos os dias com o fito de juntar haveres que vos garantam repouso na velhice? Não constitui esse repouso o objeto de todos os vossos desejos, o fim que vos faz suportar fadigas e privações temporárias? Pois bem! Que é esse descanso de alguns dias, turbado sempre pelas enfermidades do corpo, em comparação com o que espera o homem de bem? Não valerá este outro a pena de alguns esforços? Sei haver muitos que dizem ser positivo o presente e incerto o futuro. Ora, esta exatamente a idéia que estamos encarregados de eliminar do vosso íntimo, visto desejarmos fazer que compreendais esse futuro, de modo a não restar nenhuma dúvida em vossa alma. Por isso foi que primeiro chamamos a vossa atenção por meio de fenômenos capazes de ferir-vos os sentidos e que agora vos damos instruções, que cada um de vós se acha encarregado de espalhar. Com este objetivo é que ditamos O Livro dos Espíritos.”

SANTO AGOSTINHO

(O Livro dos Espíritos – Allan Kardec – Parte 3 a – Cap. XII – Perg. 919a – ED. F.E.B.)

É aquele exame de consciência. Não precisa ser na hora de dormir igual a Santo Agostinho, porque tem dia que não dá. Tirar quinze minutinhos para o estudo, para ler uma página, para meditar. Não é aquela meditação de ficar em posição de lótus, com a perna cruzada, pensando no nada, no Nirvana. Como a gente medita numa página espírita? É ver o que é que aquela página tem a ver com a nossa luta pessoal. Vamos passar a meditar e meditar produz luz. André Luiz diz isso no livro Mecanismos da Mediunidade, Capítulo IV, “Matéria Mental e Matéria Física”, quando ele fala da teoria dos spins, do átomo do perispírito. Ele diz que os momentos de tensão pacífica, os momentos de luta, os momentos de introspecção, de auto-análise, movimentam não mais a órbita dos átomos perispirituais, mas o núcleo dos átomos perispirituais, e isso produz luz. Então, os momentos de meditação vão gerar luz em nós, vão gerar situações diferentes no nosso perispírito. E a gente evolui assim, experimentando. Se a gente nunca experimentar uma coisa boa, a gente nunca vai pensar em querer conquistar. Então, Fulana vem para o Centro, chega aqui, reza um bocadinho, eleva o padrão e se sente bem. Daqui a pouco ela vai entrar no dia a dia dela, vai voltar à vibração dela natural, que é próprio nosso mesmo, a gente não consegue manter vinte quatro horas o padrão elevado. Mas ela já experimentou uma sensação superior, isso vai fazer com que ela busque isso outras vezes. Seja num momento de solidão, seja num momento em que esteja para baixo, algum momento em que ela vai lembrar de coisas melhores, e isso vai estimular a buscar outras vezes. Porque se a gente não provar algo elevado, como é que a gente vai almejar algo que nunca viu? André Luiz, no umbral, no finalzinho, quando ele está caído no chão, bebendo aquela água suja, comendo aquele mato, o que é que ele lembra? Das coisas boas que vivenciou no próprio lar,

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da sopa, do alimento, da roupa limpa, do amor materno, do amor paterno, isso fez com que ele lembrasse de Deus, das preces da mãe e foi lembrando que devia existir realmente um Deus, porque ele estava sobrevivendo a tudo aquilo. Daqui a pouco, ele entrou na faixa da prece e Clarêncio aparece e socorre. Sempre vamos experimentar algo superior para poder almejar. Enquanto não fazemos esses saltos assim, ficamos no lugar comum. Temos que começar a trabalhar a fase de adaptação ao stress, que é a observação cuidadosa de si mesmo e aceitação do que pode ser diferente na nossa vida, do que não está de acordo com aquilo que planejamos. Porque muitas vezes entramos na irresignação, que vai gerar todas aquelas doenças que falamos, no nosso psiquismo, a depressão, o pânico, os transtornos obsessivo- compulsivo, porque achamos que nossa luta, nossa vida tem que ser tudo certinho, tudo milimetrado, sem qualquer coisa que fuja daquele mapa que montamos. Nós temos que aceitar que as coisas podem ser diferentes e que às vezes, temos que nos adaptar. Como na tempestade, a árvore que fica de pé não é a mais grossa, não é a imbatível, é a que se dobra às circunstâncias da luta. No popular, seria o jogo de cintura. Hoje em dia a psicossomática, no campo da Psicologia, fala isso dos nossos estados emocionais gerando toda a sorte de doenças. Quem é que não conhece as enxaquecas dos perfeccionistas? A pessoa é perfeccionista, vai acabar tendo enxaqueca, vai sofrer por conta disto, é próprio do perfeccionista. As dermatites por conta do emocional. Embriologicamente, lá no embrião, o sistema nervoso e a derme derivam do mesmo local, que é o ectoderma (camada germinal primária externa,

das três que envolvem o embrião. Dela desenvolvem-se a epiderme e os tecidos epidérmicos: unhas, cabelos e glândulas da pele; o sistema nervoso e os órgãos dos sentidos externos, como orelhas, olhos etc., e a membrana mucosa da boca e do ânus. – Dicionário Eletrônico Michaelis). Então, tem uma relação muito

grande de pele, do exterior nosso com o emocional. Não podemos esquecer nunca, quando estudamos Medicina Espiritual, da Lei de Causa e Efeito. Existem dois mecanismos básicos na Lei de Causa e Efeito: o imediato, que muitas vezes ocorre logo depois dos nossos atos e outros que vão ocorrer em outras encarnações. Há pessoas que vão trazer geneticamente, de outras vidas, pela Lei de Causa e Efeito, as predisposições às doenças, que vão se manifestar ou não de acordo com a maneira de caminhar, é o “Vá e não peques mais, para que não te aconteça algo pior.”, dito por Jesus. E outras vezes, viemos fadados mesmo não para esse lado de poder ocorrer ou não, mas vem mesmo com a doença, que pode ser minimizada pela Medicina Espiritual, pela modificação da criatura, pelo trabalho no bem. O próprio trabalho do bem é remédio da Medicina Espiritual em última análise. É o remédio prescrito pelos espíritos para todos nós. Uma pessoa estava com uma tuberculose, deu em todos os exames, trabalhadora da Casa. O Dr. Hermann falou com ela: se você trabalhar, a gente pode modificar. Ela ia começar a tomar aquele esquema de tuberculose. Ela entrou no passe de cura, ou seja, a Medicina Espiritual, começou a tomar o passe. Ela não teve mais a tuberculose, mas passou a ter uma bronquite. Ela está trabalhando tanto no bem que, raramente, tem uma crise de bronquite. Até mesmo dentro da Lei de Causa e Efeito algo pode ser mudado, de acordo com o apoio da Medicina Espiritual e a pessoa aceitando os ditames para aquela Medicina Espiritual agir sobre ela você. Não basta só os espíritos quererem nos curar, nós queremos nos curar? Às vezes, a doença traz um ganho para a gente. Isto a pessoa não faz porque é sem-vergonha, isto é inconsciente. Eu fico doente, todo mundo vai cuidar de mim. O marido talvez volte, a mulher talvez volte, o filho que não respeita talvez me respeite. Cria aquela coisa de não se melhorar nunca. Temos que observar se as pessoas estão agindo dessa maneira, mesmo que inconscientes, porque em geral não

é consciente. Isso é comum em idoso. Uma das coisas para que devemos nos preparar, em termos de doença, é preparar para a síndrome do ninho vazio. Quando os filhos crescem e vão embora, se a pessoa não tem uma

estrutura psíquica, uma estrutura para pensar nas coisas espirituais, vai ficar naquele mundinho dela

e passa a ter menos coisas para fazer, porque antes se ocupava com o filho. Não fica perturbada

porque tem o que fazer, ocupa a cabeça, mesmo que não seja coisa espiritual. Mas na medida que não vai ter a roupa para cuidar, o livro para tomar conta, o horário, a comida, etc., entra na chamada

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síndrome do ninho vazio, que é real. Então, nós temos que entrar numa estrutura antes disso. Estar voltado para o trabalho no bem. Já sabe com que ocupar seu tempo. Se preparou para a luta, para vivenciar esse momento de solidão, e é um momento sempre difícil. É o momento que você começa

a pensar nas conquistas que não fez, principalmente a nível profissional. É a fase que a pessoa

começa a ver ganhos e perdas materiais. E a julgar pela situação do país, se a gente for entrar nessa, fica deprimido. Isso é um dos fatores materiais que leva à doença. Nós vamos ver muitas pessoas tomando passe, que entraram em depressão, em pânico por conta da situação do país, porque elas não souberam vivenciar a luta. Seja através do desemprego, ou de outras situações, porque não se prepararam para as lutas. Nós não estamos aqui apenas para sofrer, estamos para tentar achar soluções. Desde o momento que se entra naquela de achar que tudo está ruim, difícil, a irresignação e entramos na contramão do socorro. Vem a doença física, a doença que estava no nosso mental vira uma doença física, uma doença bioquímica, temos que tomar remédio. E as pessoas estão num nível tão alto de perturbação que não conseguem aturar os primeiros sintomas colaterais da medicação. Começa a tomar um antidepressivo, deu tonteira, boca seca, e aí pára e vira outro problema, “Eu sou incurável, nada me cura.”

Quando a gente lida com Medicina Espiritual deve lidar com essas faixas de compreensão, porque se não entramos na faixa de compreensão, não ajudamos. Só seremos bons intérpretes dos espíritos da cura, se entrarmos na fase da compreensão. Vemos isso no receituário mediúnico, às vezes, vamos com cada dúvida banal, ou com cada dor, que para nós, encarnados, seria de pequena monta, mas vemos os espíritos respondendo com a maior seriedade, compreensão, porque sabe que aquela é a dor daquele indivíduo naquele momento. Aquela dor assistida, faz com que a pessoa permaneça na Casa. A pessoa vem aqui como o último socorro. Às vezes, uma palavra que foi dita, ou uma frase que o orador falou na palestra, até mesmo pelo socorro espiritual, faz com que as pessoas fiquem na Casa. Então, a gente deve sempre, quando vai trabalhar com os espíritos, entrar na faixa de compreensão. Como vamos ser intérpretes de um espírito compreensivo se não olhamos

o outro com compreensão, com piedade? E o passe, que é uma das bases da Medicina Espiritual, é unicamente piedade, e piedade é a irmã da caridade. É um grande exercício de piedade, porque eu vou estar na frente dela, nunca a vi, não a conheço, vou ter que estar pensando na dor dela, o que a fez vir aqui na Casa, vou ter que estar vibrando para tentar auscultar a dor dela, e sem receber o agradecimento, porque acabou o passe, cada um vai embora. Além de ser um exercício de piedade, é de humildade. Como vamos ser intérpretes de Bezerra de Menezes, se não temos cuidado com a dor alheia? Ele que se ocupa com toda dor alheia. Como vamos ser intérpretes desses espíritos que tem aqui aos milhares, voltados para a cura espiritual, se não estamos nem aí para a dor do outro? Nós temos que estar pensando: “O companheiro de repente, veio aqui como último socorro. Deve ter feito um esforço danado para chegar aqui hoje. Deve ter trabalhado, enfrentado lutas. Podia estar lá fora, se complicando mais ainda, mas veio aqui buscar o socorro.” Você entra na faixa do auxílio. Às vezes, ficamos preocupados em saber o nome do nosso mentor. Na verdade não precisamos saber o nome do nosso guia, precisamos entrar na faixa dele, que é a faixa do trabalho.

E qual é a faixa do trabalho voltado para a cura? É voltar para o alívio da dor do outro. É pensar na

dor do outro. Na nossa Casa vamos ver muito isso, pessoas chegando com doenças que ainda estão naquela área do sentimento e da emoção, e que dá para fazer ainda muita coisa, antes delas se afundarem. É convidando sempre para o estudo. Às vezes, menosprezamos a dor do outro. “Como Fulana foi ficar assim, com uma coisa simples?” Não podemos esquecer que estamos lidando com espíritos, que têm uma vivência de passado. A pessoa perde um cordão e fica deprimida, e falamos: “Como é que a Fulana, uma pessoa culta, perdeu o cordão e entrou em depressão?” É a coisa da reencarnação. Nós não entendemos porque numa luta comum a gente se desequilibra. É porque o sentimento de perda acorda um sentimento de perda lá do passado. Ela não sabe o que perdeu no passado, mas aquele sentimento que ela passa a alimentar por algumas horas, alguns dias, por alguns meses, acorda um sentimento de perda no passado. Seja uma perda material, a perda de um grande amor, perda da família que teve no passado. Aquilo acorda e, sem saber, já não está nem deprimida por causa do cordão, já não sabe nem porque está deprimida. Devemos lembrar muito bem disso, antes de julgar pequeno o

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problema do outro. Porque o problema acordou alguma coisa lá do passado, e a gente se desequilibra mesmo. As premissas que um pesquisador fez do depressivo. Depressivo é aquele que tem culpa pelo passado, ele se culpa sempre pelo passado, de tudo ter dado errado, de tudo não sair como ele quis; apatia quanto ao presente e desesperança quanto ao futuro. Isso define o deprimido.

Quais são as premissas que faz a gente ficar depressivo?

Que para ser feliz devo ser aceito por todos;

Para ser feliz devo obter sucesso em tudo que faço;

Se eu errar isso significa que sou incapaz. Entra o sentimento de menos valia, de que eu não presto, de que tudo dá errado para mim;

Não posso viver sem uma outra pessoa;

Se alguém descorda de mim, isso significa que não gosta de mim. Olha a gente caindo na mágoa, na depressão. Aí entra a doença que é psíquica, daqui a pouco vira doença física e daqui a pouco libera o nosso cancerzinho que estava guardadinho, não precisaria a gente ter, e o colocamos para fora, pela auto-agressão;

Meu valor como pessoa depende do que os outros pensam de mim. A pessoa vive a vida inteira tentando botar uma máscara, tentando atender aquilo que ela não é e, com isso, não caminha.

Para nossa reflexão final eu trouxe o livro Memórias de um Suicida, Capítulo IV, 1 a Parte, tem um momento em que Jerônimo Silveira, recém socorrido do Vale, não quer cumprir a ordem de permanecer ali socorrido, quer ver a família. Já tinha passado treze anos que tinha se suicidado. O mentor Teócrito manda avisar a ele que o melhor é ficar aqui. Ele insiste e vem ver a família antes da hora. O mentor fala para ele: “Espera alguns meses, poucos meses e você se equilibra e vai poder ver a família com mais equilíbrio.” Mas ele não aceita. Vai e vê só as bobagens que a família estava fazendo, se descompensa e tem que ficar no isolamento durante anos. Quando ele chama Teócrito de príncipe, Teócrito diz assim para ele: “Entre nós Jerônimo, pequena diferença existe, distância não muito avançada. É que tendo vivido maior número de vezes sobre a Terra, sofri mais, trabalhei um pouco mais, aprendendo portanto, a resignar-me melhor, a renunciar sempre por amor a Deus e a dominar as próprias emoções. Observei, lutei com mais ardor, obtendo destarte maior soma de experiência. Não sou como vês, soberano desse domínio, mas simples operário da legião de Maria. Maria, única majestade a governar este Instituto correcional, onde te abrigas temporariamente. Um teu irmão mais velho, eis a verdadeira qualidade que em mim deverás enxergar. Sinceramente, desejoso de auxiliar-te na solução dos graves problemas que te enreda, chama-me por Teócrito e terás acertado.”

ou seja,

aproveitou do sofrimento. Pois aqueles em que bem-aventurados eram os aflitos, a aflição dele, fez dele

o

trabalho, que os nossos benfeitores aqui da Casa tanto falam para o nosso equilíbrio espiritual.

olha a resignação que nós falamos, que a irresignação

aprendendo portanto, a resignar-me melhor

renunciar sempre por amor a

Deus

quantas vezes a gente atura uma série de coisas por amor próprio, mas está pensando por amor a Deus,

por amor ao nosso próximo. Que no fundo, pensar no próximo, como diz no Evangelho, é pensar em

Deus. A distância entre nós e Deus é o próximo, quanto mais próximo estivermos do nosso próximo,

mais próximo estamos de Deus. E

mesmo, é a meditação sobre nós mesmos, é aquilo que Santo Agostinho falou em O Livro dos Espíritos.

colocou paixão naquilo que faz. Se a gente não trabalha no bem

e a dominar as próprias emoções.”, é o conhecimento de si

ou seja, escolher é o melhor caminho, não por amor próprio, porque se fosse por amor próprio,

leva a ficar na contramão do socorro e do progresso pessoal. E

Qual é a dica que Teócrito dá, para a gente, da evolução dele? “Sofri mais

,

um bem-aventurado, porque não se revoltou contra o sofrimento. “Trabalhei um pouco mais

,

,

a

,

“ Observei, lutei com mais ardor

,

com paixão, não se diferencia dos outros que trabalham. Quem disse isso foi Jesus: “Se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus nada fizeste. Porque os homens de má vida também amam aos

a experiência fez dele um

seus pares.” E

trabalhador diferenciado, da luta, do trabalho, da observação, do domínio próprio. Então, o Teócrito do

Memórias de um Suicida, dá o caminho que ele mesmo percorreu para a gente; como fazer.

obtendo destarte maior soma de experiência

,

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A compreensão do livre-arbítrio à luz da Doutrina Espírita

Aula dada por Luiz Carlos Dallarosa em 29/04/2004

EVOLUÇÃO

Instinto Inteligência Moralidade Linha do Tempo Eu Primitivo Espírito Superior
Instinto
Inteligência
Moralidade
Linha do Tempo
Eu Primitivo
Espírito Superior

O

que a gente acha que é entrave para chegar a ser um espírito iluminado?

Inexperiência; Vínculos do passado; Apego aos bens materiais; Vícios; Egoísmo; Orgulho; Vaidade; Preguiça; Desregramentos; Conflitos.

A

característica principal do espírito não evoluído é estar mais perto das coisas materiais do

que da luz. Isso tudo está relacionado com o eu ainda primitivo, bastante inferiorizado que não é

capaz de vislumbrar a possibilidade de ser um espírito de luz.

O que vocês estão falando, está puxando esse eu, compreendendo o espírito, muito mais para

baixo, é o egoísmo, é a vaidade. E uma coisa importante que todo espírito na escala evolutiva inicial possui, que são os instintos: de sobrevivência, animal, de reprodução, que faz predominar a matéria.

É a matéria predominando em relação ao espírito.

A gente pode dividir essa linha do tempo em três períodos principais:

1 o período – Predomina o instinto, as sensações mais materiais, as coisas mais primitivas, a sobrevivência, a matéria ainda predomina em relação ao espírito, ele nem conhece predominantemente

que vem a ser o espírito; 2 o período – A inteligência, que é a aquisição de valores capazes de fazer com que haja o raciocínio, pensamento, a inteligência, o discernimento, o livre-arbítrio; 3 o período – A moralidade.

A gente demora milhões de anos para passar de uma etapa. Lógico que ela não é estanque, é

uma coisa que se faz de maneira paulatina. À medida que caminhamos nessa linha do tempo, largamos os valores instintivos, animais e vão predominando os valores espirituais, moralizados. É uma aquisição que vai sendo feita ao longo do tempo. Graças a quê? Às Leis que Deus nos oferece. Temos de principal a Lei de Liberdade, do Trabalho, do Progresso, de Justiça, Amor e Caridade. Ou seja, se nós temos mais forças que nos puxam para baixo (1 o período), nós temos a construção de

um eu espiritualizado (3 o período). Se nós temos mais forças que nos puxam para o lado inferior, temos, ao longo do tempo, forças que nos elevam e que nos conduzem a ser o que nós iremos ou deveremos ser: seres espiritualizados, moralizados. A conquista disso é individual, é uma luta diária, contínua, progressiva, do nosso eu contra todos esses valores que foram enumerados, que sabemos serem nocivos ao nosso progresso e fazemos força para combatê-los, na grande maioria das vezes.

A reencarnação, dentro da própria Lei que Deus nos oferece, é um ponto básico para o pulo

e as possibilidades de alcançarmos, gradativamente, essa condição de luz. Nós enumeramos, pelo menos quatro Leis: Liberdade, Progresso, Trabalho e Amor. São forças, energias e Leis que regem toda a natureza espiritual, que vão fazer com que sejamos puxados, gradativamente, para o patamar de luz.

o

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O que predomina no instinto? Preservação da espécie, satisfação das necessidades físicas ou

pelo menos, predomina a busca dos valores físicos, até porque, o espírito contido nesse grau, ainda não tem consciência do ser como espírito. Então, predomina a consciência instintiva, baseada no

imediatismo, no cotidiano, nas conquistas mais imediatas para sua sobrevivência. É assim que a gente vê na escala evolutiva o selvagem, que tem uma vida puramente momentânea, instintiva, diária, sem visão nenhuma de futuro. Podemos dizer que esse eu é ainda primitivo. Ao longo da nossa caminhada desenvolvemos a nossa consciência instintiva, o nosso eu, “eu existo”.

Por exemplo, uma criança que está iniciando nos primeiros passos, conquistando o espaço onde movimenta, a sua relação com a família. Ali predomina o instinto, o instinto de sobrevivência, é a alimentação precisando ser dada, a necessidade daquela criança buscar para si o alimento que a satisfaça, quando não satisfaz ele chora, grita, até conquistar aquilo que ela deseja. É uma coisa puramente egocêntrica, uma satisfação pessoal.

A criança, até uma determinada etapa, passa por essa fase, embora muita gente ainda

consiga isso aí para o resto da vida. Aí está a diferença das conquistas morais, para quem conquistou do ponto de vista espiritual, para aqueles que só ficam nessa questão do eu instintivo,

momentâneo, automático.

Então, a vida que o indivíduo leva, mesmo nas suas encarnações mais iniciais, até um determinado patamar, é uma vida instintiva, egocêntrica ou, se não é só para si, é, no máximo, para sua própria família, ou para as coisas que lhe interessam no momento, ou nas suas pequenas comunidades.

À medida que o homem começa a individualizar-se, a constituir mais fortemente a sua

consciência individual, ele começa a perceber e esbarrar no próximo.

O eu nosso tem um limite, o limite da expansão, onde nossos sentidos e sensações permitem

ir, a gente não consegue ir mais além disso. E a gente começa a esbarrar no próximo. Começa a olhar para a gente e ver que somos individuais, únicos, mas começamos, graças às sensações, sentidos, a desenvolver o intelecto, a perceber que há pessoas diferentes. Começamos a ver que existe um certo limite naquilo que se pode fazer e naquilo que se deve fazer. São as conquistas que queremos ter para nós, que é o nosso lado ainda instintivo, animal, momentâneo, imediato, esbarrando em outras pessoas, e que, ao invadirmos esse espaço, iram chiar, porque estamos invadindo o espaço deles. Vamos aprendendo, através do processo reencarnatório, que temos outras pessoas que devemos respeitar. Num determinado momento em que a nossa inteligência permite compreender que não estamos sozinhos no espaço, no tempo, e que não somos mais somente individualidade, que não temos só a nós na nossa pobre visão terrena, começamos a entender e aceitar que também somos espíritos, passamos para uma terceira fase, que é a fase da questão moral. São valores que a partir de então, vão ser alicerçados. Embora, em cada fase dessa, possa já ter sido alicerçado alguma coisa. Mas, até certo ponto, não temos compreensão absoluta do que vem a ser o espírito, ou a capacidade de amar, a capacidade de doar, a capacidade de sentimento, capaz de fazer com que a pessoa sublime o seu próprio eu em detrimento da outra pessoa. E o que é principal, começamos a desenvolver uma consciência de Deus muito mais plena. Na fase instintiva como Deus é representado?

Imediatista;

Punitivo;

Semelhança de si próprio.

Muito próximo da Natureza, daí o politeísmo. Ele surge porque se começa a dar valores, maiores e mais qualificados, àquilo que não entende, classificando-o como Deus. O deus Sol, deus Lua. Tudo o que está na Natureza em muitas ocasiões é super valorizado, porque não compreendemos. À medida que a inteligência nos permite entender alguma coisa, começamos a vislumbrar a possibilidade da existência de um Deus único. À medida que a inteligência se desenvolve, a tendência é vislumbrar Deus em outros planos.

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Hoje em dia, temos noção do Universo, de múltiplos planetas. Não sabemos exatamente onde Deus está, mas temos uma idéia de que toda essa criação, por ser tão perfeita, materialmente falando, regida por Leis extremamente fixas, em todos os passos do Universo, não pode ter sido criada ao acaso. É um princípio básico. Os que não conseguem compreender isso, estão mais perto ainda da animalidade, do que da espiritualidade. À medida que a gente vai caminhando na escala evolutiva, que a Lei do Progresso vai sendo feita, a reencarnação vai se sucedendo e as possibilidade de compreensão vão se multiplicando, o espírito vai tendo noção de que é um espírito imortal, capaz de vivenciar experiências fora do corpo material, viver após a morte do corpo físico.

À medida que o espírito vai crescendo, se por um lado a liberdade é maior, ou seja, o

selvagem teoricamente, teria uma maior mobilidade do ponto de vista físico, em algumas coisas, de agir, de caçar, de estar com a Natureza, de não ter certos freios nos seus instintos, de matar, de comer o seu semelhante, os canibais. À medida que o ser evolui, essa liberdade vai caminhando para o verdadeiro sentido da vida, mas vai se restringindo, porque vamos compreendendo que o nosso campo estreito de ação se restringe ao nosso interior. E a única coisa que nós podemos mudar, de maneira clara e objetiva, é o nosso eu. Aparentemente, muitas pessoas acham, ou classificam, ou desejam ter liberdade, mas essa liberdade que nós vemos nessa escala, está associada a um aprisionamento do espírito ao seu próprio condicionamento inferior. À medida que caminhamos nessa escala, essa liberdade passa a ser mais restrita, porém mais real. Porque o espírito começa a dar realmente valor ao ser dele, ao individual dele, ao interior dele e a trabalhar esses aspectos mais íntimos, que nós catalogamos logo no início, para que possa chegar ao processo de crescimento, de luz o mais cedo possível. Obviamente a linha do tempo é individual, pode demorar para uns alguns milhares de anos e para outros alguns milhões de anos. Mas não importa, a gente sabe que a Lei de Deus funciona através desse mecanismo, que é único e não podemos fugir dele. À medida que começamos a compreender que existe esse mecanismo entramos no terceiro item, que é a conquista da nossa moralidade.

A primeira linha do desenho só pôde existir, não individualmente, mas coletivamente, no

nosso planeta, com o advento de Jesus. Ele marca o início de uma nova era, com uma série de informações que nós não tínhamos, que somadas às conquistas materiais-intelectuais: pensamento, raciocínio, memória, discernimento, etc., a gente consegue começar com níveis altos e baixos a aproveitar. Jesus veio trazer, independentemente de uma determinada figura A, B ou C, através de uma coletividade, uma informação que iríamos a partir de então, aproveitar. Passamos por uma era bastante conturbada, até chegarmos a Idade Média, ali predominando muito os valores materiais, egocentrismo, fazendo da religião somente coisas voltadas para si próprio, para o interesse pessoal, e ainda hoje é assim. Porque o nosso planeta é heterogêneo, nós não somos totalmente homogêneos. À medida que chegamos na possibilidade de adquirirmos a visão espiritual, que veio de maneira segmentar, clara e objetiva, com advento do Espiritismo, a clarear a possibilidade do vislumbre de entrarmos numa nova era, que é a era moral. A partir do momento que temos esta possibilidade, não quer dizer que conquistamos não, em tempo até rápido, uma diferença não muito grande para uma determinada fase evolutiva. Mas, provavelmente, os governadores do planeta tinham visto que a partir do século XIX iria haver uma expansão do conhecimento, através das ciências. Com certeza o Espiritismo veio no momento certo, para dar o balanço necessário, para que esta conquista intelectual-científica pudesse ser pelo menos balanceada com uma conquista moral mais direcionada, mais capacitada ao raciocínio, a inteligência do ser humano. Possivelmente, só vamos poder absorver isso melhor daqui há 200, 300, 400 anos. A gente começa a talvez entender melhor, a nível de coletividade, como está no Evangelho, que nem todas as pessoas têm capacidade de entendimento, pessoas que lêem o Evangelho, o Livro dos Espíritos, têm a capacidade de entendimento da Doutrina Espírita. Lá fala bem claro: aqueles que têm a capacidade um pouco desenvolvida, espiritual, moral, já conseguem entender determinados aspectos dessa vida moral, ou pelo menos a necessidade de conquistá-la e de combater a vida animal, instintiva,

momentânea, imediatista. Já começa a predominar a visão espiritual em relação à visão animal. É a fase que estamos iniciando. Estamos em plena fase de ebulição de uma conquista da vida espiritual.

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O Espiritismo nos trouxe as condições de raciocinar sobre as Leis Morais e a importância de

conquistá-las. Para chegarmos à conclusão que somos espíritos imortais, temos que ter uma Lei que vai nos reger, conduzir, direcionar para um determinado objetivo, aí vem o conhecimento da

Doutrina Espírita. Esse é o patamar em que nós nos situamos. Léon Denis fala dessa questão dos instintos. A criatura vislumbra a libertação dos seus apetites. À medida que a criatura caminha, de salto em salto, na reencarnação, ela sonha em se libertar dos seus apetites físicos, dos vícios, das necessidades mais materiais. Na inteligência é a conquista da verdade e na moralidade, a procura da virtude.

“Isto só se pode obter por uma educação e uma preparação prolongada das faculdades humanas:

libertação física pela limitação dos apetites; libertação intelectual pela conquista da verdade; libertação moral pela procura da virtude. É esta a obra dos séculos. Mas, em todos os graus de sua ascensão, na repartição dos bens e dos males da vida, ao lado da concatenação das coisas, sem prejuízo dos destinos que nosso passado nos inflige, há sempre lugar para a livre vontade do homem.” (O Problema do Ser, do Destino e da Dor – Cap. XXII – O Livre-arbítrio – Léon Denis – Ed. F.E.B.)

Nós estamos caminhando para sermos um espírito de luz, é uma conquista. Graças a uma coisa que nós temos que ressaltar: nós temos a Lei de Deus a nosso favor, temos nós próprios contra nós. São os nossos instintos. Não são aqueles instintos intuitivos que nos salvam, são os mais básicos de sobrevivência, são as coisas mais materiais e físicas que fazem com que a gente viva em busca do prazer. Isso é a pior coisa que existe. Quando mal interpretada, viciada, de maneira mal conduzida, ela faz com que a gente fique nesse cerco de situações mais materiais, impedindo que a gente deslanche para outros patamares. Muita gente ainda não entende a linguagem de Jesus, ou não aceita. Aceita de alguma maneira Jesus, mas não consegue nem vislumbrar a reencarnação, a causa e efeito, e que para nós é claro.

Desse processo evolutivo, de reencarnação em reencarnação, de liberdade de ação, é que desenvolvemos o nosso livre-arbítrio. Sem o livre-arbítrio, simplesmente, Deus pegaria a gente no

1 o período (instinto) e colocaria no 3 o período (moral) sem problema nenhum para ele. Se ele criou

o espírito simples e ignorante é porque tem um objetivo.

Nós começamos a compreender essas leis todas até pela lógica. O trabalho é necessário para sairmos de um período para outro, consequentemente, há um progresso. Nós vamos ter que destruir

o nosso egoísmo, nossa vaidade, nosso eu mais inferior. Vamos ter que adquirir amor ao longo das nossas existências. Sem sacrifício a gente não faz nada. Léon Denis diz assim:

“Todo o poder da alma resume-se em três palavras: — Querer, Saber, Amar! Querer, isto é, fazer convergir toda a atividade, toda a energia, para o alvo que se tem de atingir, desenvolver a vontade e aprender a dirigi-la.”

(O Problema do Ser, do Destino e da Dor – Cap. XXV – O Amor – Pág. 367 – Léon Denis – Ed. F.E.B.)

Na fase instintiva é como aquela massa que estamos sendo preparados. Predomina a matéria, vislumbramos as coisas celestes num ponto de vista ainda material, as situações simplesmente passam pela nossa frente e seguimos os nossos instintos. Nós não conseguimos ainda desenvolver aquela vontade, esse querer de chegar a um ponto, porque não temos capacidade de raciocínio, pensamento, discernimento, capaz de fazer com que cheguemos ao objetivo que Deus está nos oferecendo. A gente satisfaz os nossos instintos pelas coisas materiais, mata, reencarna, morre, suicida, enfim, fica nesse processo de ebulição sem compreender a nossa natureza espiritual.

“Saber, porque sem o estudo profundo, sem o conhecimento das coisas e das leis, o pensamento e a vontade podem transviar-se no meio das forças que procuram conquistar e dos elementos a quem aspiram governar.”

(O Problema do Ser, do Destino e da Dor – Cap. XXV – O Amor – Pág. 367 – Léon Denis – Ed. F.E.B.)

À medida que a gente adquire essa inteligência, começa a brigar para sair da massa. A gente

começa a brigar e aí vem o conhecimento do eu, vem o conhecimento que Jesus nos trouxe, estamos na ebulição, uma hora tendendo para um lado, para o outro e à medida que conseguimos caminhar e vencer essas etapas chegamos na última, quando, fundamentalmente, começamos a entender, de maneira definitiva, que somos espíritos imortais.

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Jesus deu seu recado em três anos e foi embora, e com isso modificou todo um panorama espiritual, material da Terra. Com o advento da Doutrina Espírita isso também é verdade. Tem muita gente que ainda vive na idade da pedra, selvagens, mas hoje em dia são em menor número. A Terra caminha de uma maneira globalizada no pensamento também, financeiramente, evolutivamente e futuramente a própria religião vai se unir dentro de um único conceito básico que é a verdade. A terceira coisa que Léon Denis fala:

“Acima, porém, de tudo, é preciso amar, porque, sem o amor, a vontade e a ciência seriam incompletas e muitas vezes estéreis. O amor ilumina-se, fecunda-se, centuplica-lhes os recursos. Não se trata aqui do amor que contempla sem agir, mas do que se aplica a espalhar o bem e a verdade pelo mundo. A vida terrestre é um conflito entre as forças do mal e as do bem. O dever de toda alma viril é tomar parte no combate, trazer-lhe todos os seus impulsos, todos os seus meios de ação, lutar pelos outros, por todos aqueles que se agitam ainda na via escura.”

(O Problema do Ser, do Destino e da Dor – Cap. XXV – O Amor – Pág. 367 – Léon Denis – Ed. F.E.B.)

A gente adquire de certa maneira essas forças instintivas, o discernimento, a vontade, porque sem isso, essa alavanca inicial, a gente não conquistaria o resto. Na segunda fase a gente conquista a inteligência, que são aquisições de todas as ciências e, na terceira fase, nós conquistamos o amor, muito acima das outras duas. Um impulsiona, o outro aumenta o discernimento, mas só o amor sublima. Na questão do livre-arbítrio que vamos desenvolvendo ao longo do tempo, vamos vendo que

o livre-arbítrio está limitado à capacidade do nosso entendimento, à capacidade de entendermos que não estamos sozinhos neste Universo, à capacidade de entendimento de adquirir o sentimento mais sublime que é o amor. Elementos que precisamos adquirir para fazer com que o livre-arbítrio, ou essa capacidade que nós temos de agir, pensar, raciocinar, decidir, que vai evoluindo ao longo da linha do tempo (ver figura), como conseguimos fazer com que ela se torne o mais retilínea possível para não perdermos o nosso tempo?

Conhecimento de si próprio;

Respeito;

Vontade;

Instintivamente a vontade é desenvolvida. Porque há um mecanismo intrínseco que se desenvolve pela própria Lei da Natureza. Mas, chega um determinado ponto em que a vontade não

é

suficiente. Como fala Léon Denis: o querer não é suficiente, ele precisa de algo mais. É necessário

o

amor. Mas para alcançarmos o patamar, comecemos a agredir menos o próximo, nos tornarmos

mais tolerantes, virtuosos. Temos que largar coisas e adquirir outras, sacrificar mais o nosso eu em função dessa visão futura que estamos começando a delinear.

Dever;

Disciplina;

Responsabilidade.

Sem isso, a gente não consegue desenvolver em nós esse mecanismo, que flui naturalmente, que alguns espíritos já conseguiram desenvolver. Exemplo: Kardec, Léon Denis, Bezerra de Menezes. São espíritos que conseguiram, ao longo do tempo, desenvolver o dever, a responsabilidade em relação ao próximo, ou seja, vivem mais em função da Lei Moral do que propriamente, e somente, do instinto ou do intelecto. Muitos estão nessa fase de conquistar coisas materiais, usar a intelectualidade para conquistar coisas materiais. É aquela briga toda que a Humanidade está o tempo todo tendo e nós, individualmente, estamos tendo conosco mesmo. Mas já conseguimos compreender algo mais, porque já temos um conhecimento da Lei, a partir do conhecimento da Doutrina Espírita. Intuitivamente já temos esse conhecimento alicerçado no nosso espírito. Reforçado aqui pelo estudo da Casa.

Tudo isso facilita a visão que temos do futuro e as conquistas que temos ainda a fazer e as coisas de que temos ainda que nos libertar. É o primeiro passo. O que é o livre-arbítrio, o processo da evolução do livre-arbítrio e aonde nós temos que chegar. Tudo isso faz parte da evolução primitiva do nosso próprio eu.

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15 º ENCONTRO ESPÍRITA DE MEDICINA ESPIRITUAL

A visão de Jesus era tão grande que, quando perguntaram para ele qual era a Lei principal

ele respondeu: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Você tem que amar a si mesmo, que é um processo instintivo, egocêntrico, tem que aprender a amar ao próximo

que é a segunda etapa e depois aprender a amar a Deus.

Jesus numa frase colocou todo o processo de evolução do ser humano, embutido. Quando ele falava aquilo, provavelmente, os judeus e nós, estávamos entendendo de uma maneira. Mas, no fundo, nessa frase, ele passou de permeio todo o processo da cadeia evolutiva. E, para fazer isso, ele falou temos que conquistar todas essas coisas. Ao amar a Deus você já ama ao próximo e, automaticamente, já ama a si mesmo. Já passou por esse processo de crescimento. O entendimento, aqui, é que você, ao atingir um patamar de iluminação, é capaz de perceber, num segundo, tudo aquilo que você passou. É como se toda a nossa jornada terrena, evolutivamente falando, se passasse à nossa frente como um filme. Através disso nos vemos caindo, alegres, dando saltos, indo para o inferno, no sentido figurado da palavra, indo para os lugares mais elevados, fazendo todos aqueles saltos constantes e inconstantes que o ser humano possui, dentro do seu processo evolutivo e nada disso, embora construísse o que eu sou hoje, mais nada disso tem valor, isso foi só um processo de crescimento. Como uma criança que está crescendo, está construindo valores, sentimentos. A gente precisa do corpo físico, nessas etapas evolutivas, mais densas, para que isso ocorra. Porque o nosso espírito, princípio inteligente, sem forma, sem definição, sem consciência de Deus, sem consciência do Universo, sem consciência de

si próprio, é colocado num corpo que tem condições de absorver toda aquela gama de situações e

nos posicionarmos inicialmente, individualmente com a nossa própria consciência, nosso eu. É por isso que os instintos materiais predominam em relação aos valores espirituais. É como se Deus preparasse uma massa de bolo com todos os ingredientes mais saborosos possíveis, mas é uma massa. Mas, se pega a massa e mantém um tempo dentro do forno, ela vira um bolo muito gostoso.

O processo é o mesmo. Ele coloca o espírito num componente chamado matéria, físico, restrito,

capaz de fazer com que haja um molde perispiritual, a individualização do nosso próprio ser. E, através do processo de reencarnação, ele faz com que esse princípio inteligente comece a desenvolver sentimentos, valores emoções, que ainda estão presos à matéria, que fazem parte da matéria, porque dão capacidade de entendimento de outros valores. Primeiro tem que dominar as coisas que estão a sua volta.

A expansão do nosso universo se restringe ao nosso organismo. É lógico que depois a gente

quer expandir para outras coisas, quer invadir o nosso próximo. É como a criança, a gente dá um doce daqui a pouco quer todo dia doce, porque não tem noção de que aquilo vai fazer mal, não tem noção que existem limites. E a Lei, através do processo de reencarnação, vai fazendo com que o ser humano tenha noções do seu limite. É aí que se vai adquirir a noção do próximo, porque se esbarrar

no próximo, que é o seu limite, ele vai chiar e vai revidar. Eu pego as lutas, a luta pela própria individualidade, a luta pelas conquistas dos valores materiais que ainda estão presos a mim, ou então, mais tarde, a luta para tentar se desvencilhar dos

vícios, das coisas materiais e aí é que vai entrando o processo de limitação do nosso próprio eu. E é

aí que a gente entra nos processos das doenças.

O sofrimento é o fator que vai fazer com que o espírito entenda o seu próprio limite. Se eu

como demais, tenho dor no estômago, passo mal, ou tenho enxaqueca. Se me aborreço ou tenho um ímpeto de cólera minha pressão sobe, ou tenho diarréia. Isso de imediato. São fatores que limitam.

O instinto me diz que eu devo fugir das coisas que me fazem mal e buscar as coisas que me

fazem bem. Só que ao buscar as coisas que me fazem bem, eu começo a esbarrar nas coisas que o outro também acha que se sente bem, aí vem as divergências. São os selvagens brigando entre si, a luta pela sobrevivência, os selvagens formando pequenas comunidades para brigar com outras. É o

que vemos no Oriente Médio até hoje. É por isso que o nosso planeta é de provas e expiações. Mas a gente começa (algum de nós) a vislumbrar, a aceitar, a entender que nós chegaremos lá. As doenças servem como fator limitante aos nossos mecanismos de ação. Quando Deus, na questão da Lei de Causa e Efeito, pune. Quando há uma punição para o indivíduo por um ato cometido em vidas anteriores. A Lei cerceia. Se usei mal a mão, muitas vezes venho sem braço. Se

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utilizei a inteligência errada, venho idiota. A Lei, nesse sentido, é coercitiva para mostrar que o indivíduo tem limite de ação. Senão, a gente não aprende. Tem gente que fuma, perde o dedão do pé, a perna e assim vai. Continua fumando. Isto é um processo de consciência inferiorizada, materializada, não dá valor ao espírito, não tem consciência do que vai acontecer. É uma questão de lógica. À medida que vamos desenvolvendo esta lógica, vamos começando a nos autodisciplinar. Vem o dever, o sentimento responsabilidade, a disciplina. Isso passa a fazer parte da nossa vida cotidiana, sem que haja obrigação. As doenças apareceram? Tudo bem. Uma parte é contingência da própria materialidade da condição humana, as coisas que fazem parte do cotidiano humano. É um trauma, são infecções, bactérias, vírus, isso também são elementos da natureza, que também tentam conquistar seus espaços.

À medida que o ser se equilibra, as doenças vão se tornando menores também. O espírito e o

seu próprio perispírito, vai se moldando àquela nova condição. Seu pensamento já é mais retilíneo, embora possa estar sofrendo as influências da matéria, mas consegue se equilibrar, e as doenças são

de menor monta.

À medida que a Humanidade caminha coletivamente, as doenças estão sendo controladas.

As doenças mais materiais, infecciosas, bacterianas. O indivíduo vivia 20, 25, 30 anos (1 o período),

aqui o indivíduo vive 80 anos (2 o período), aqui vai viver 120, 140 anos (3 o período), porque já controlamos câncer, hipertensão. Tudo isso controlado vai fazer com que o indivíduo viva muito mais, para que possa usar seu livre-arbítrio, aprender e amar. Desenvolver o seu próprio eu. A gente vive muito pouco. Nós estamos na fase em que se aprende muito pouco, por isso que tem que ter várias encarnações. Se a gente começar a viver mais, como nos planetas de regeneração, possivelmente, vamos ter mais tempo de vida do ponto de vista espiritual e mais tempo do ponto de vista material, aproveitando mais as duas fases. Na verdade a gente aproveita muito pouco da nossa encarnação. Todo processo de doença é um fator que vai equilibrar um desequilíbrio que, possivelmente, nós mesmos engendramos em nós, ou na natureza, ou na sociedade em que nós vivemos. Se compreendermos isso, fica muito mais fácil da gente perceber. Só tem um jeito: é utilizar o nosso livre-arbítrio, desde o momento que tomamos consciência do nosso próprio eu como ser espiritual, de maneira correta. É a única possibilidade palpável de termos menos doenças, aproveitar melhor a nossa encarnação e caminhar de maneira mais retilínea.

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O Livre-arbítrio

(Capítulo XXII – O problema do Ser, do Destino e da Dor – Léon Denis – Ed. F.E.B.)

A liberdade é a condição necessária da alma humana que, sem ela, não poderia construir seu

destino. É em vão que os filósofos e os teólogos têm argumentado longamente a respeito desta questão. A porfia têm-na obscurecido com suas teorias e sofismas, votando a Humanidade à servidão em vez de a

guiar para a luz libertadora. A noção é simples e clara. Os druidas haviam-na formulado desde os primeiros tempos de nossa História. Está expressa nas “Tríades” por estes termos: Há três unidades primitivas — Deus, a luz e a liberdade.

À primeira vista, a liberdade do homem parece muito limitada no círculo de fatalidades que o

encerra: necessidades físicas, condições sociais, interesses ou instintos. Mas, considerando a questão

mais de perto, vê-se que esta liberdade é sempre suficiente para permitir que a alma quebre este círculo e escape às forças opressoras.

A liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua elevação; é a

responsabilidade do homem que faz sua dignidade e moralidade. Sem ela. não seria ele mais do que um autômato, um joguete das forças ambientes: a noção de moralidade é inseparável da de liberdade.

A responsabilidade é estabeleci da pelo testemunho da consciência, que nos aprova ou censura

segundo a natureza de nossos atos. A sensação do remorso é uma prova mais demonstrativa que todos os argumentos filosóficos. Para todo Espírito, por pequeno que seja o seu grau de evolução, a Lei do dever brilha como um farol, através da névoa das paixões e interesses. Por isso, vemos todos os dias homens nas posições mais humildes e difíceis preferirem aceitar provações duras a se abaixarem a cometer atos indignos. Se a liberdade humana é restrita, está pelo menos em via de perfeito desenvolvimento, porque o progresso não é outra coisa mais do que a extensão do livre-arbítrio no indivíduo e na coletividade. A luta entre a matéria e o espírito tem precisamente como objetivo libertar este último cada vez mais do jugo das forças cegas. A inteligência e a vontade chegam, pouco a pouco, a predominar sobre o que a nossos olhos representa a fatalidade. O livre-arbítrio é, pois, a expansão da personalidade e da consciência. Para sermos livres é necessário querer sê-lo e fazer esforço para vir a sê-lo, libertando-nos da escravidão da ignorância e das paixões baixas, substituindo o império das sensações e dos instintos pelo da razão. Isto só se pode obter por uma educação e uma preparação prolongada das faculdades humanas:

libertação física pela limitação dos apetites; libertação intelectual pela conquista da verdade; libertação moral pela procura da virtude. É esta a obra dos séculos. Mas, em todos os graus de sua ascensão, na repartição dos bens e dos males da vida, ao lado da concatenação das coisas, sem prejuízo dos destinos que nosso passado nos inflige, há sempre lugar para a livre vontade do homem. Como conciliar nosso livre-arbítrio com a presciência divina? Perante o conhecimento antecipado que Deus tem de todas as coisas, pode-se verdadeiramente afirmar a liberdade humana? Questão complexa e árdua na aparência que fez correr rios de tinta e cuja solução é, contudo, das mais simples. Mas, o homem não gosta das coisas simples; prefere o obscuro, o complicado, e não aceita a verdade senão depois de ter esgotado todas as formas do erro. Deus, cuja ciência infinita abrange todas as coisas, conhece a natureza de cada homem e as impulsões, as tendências, de acordo com as quais poderá determinar-se. Nós mesmos. conhecendo o caráter de uma pessoa, poderíamos facilmente prever o sentido em que, numa dada circunstância, ela decidirá, quer segundo o interesse, quer segundo o dever. Uma resolução não pode nascer de nada. Está forçosamente ligada a uma série de causas e efeitos anteriores de que deriva e que a explicam. Deus, conhecendo cada alma em suas menores particularidades, pode, pois, rigorosamente, deduzir, com certeza, do conhecimento que tem dessa alma e das condições em que ela é chamada a agir, as determinações que, livremente, ela tomará. Notemos que !tão é a previsão de nossos atos que os provoca. Se Deus não pudesse prever nossas resoluções, não deixariam elas, por isso, de seguir seu livre curso.

É assim que a liberdade humana e a previdência divina conciliam-se e combinam, quando se

considera o problema à luz da razão.

O círculo dentro do qual se exerce a vontade do homem, é, de mais a mais, excessivamente

restrito e não pode, em caso algum, impedir a ação divina, cujos efeitos se desenrolam na imensidade

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sem limites. O fraco inseto, perdido num canto do jardim, não pode, desarranjando os poucos átomos ao

seu alcance, lançar a perturbação na harmonia do conjunto e pôr obstáculos à obra do Divino Jardineiro.

A questão do livre-arbítrio tem uma importância capital e graves conseqüências para toda a

ordem social, por sua ação e repercussão na educação, na moralidade, na justiça, na legislação, etc.

Determinou duas correntes opostas de opinião — os que negam o livre-arbítrio e os que o admitem com restrição. Os argumentos dos fatalistas e deterministas resumem-se assim: “O homem está submetido aos impulsos de sua natureza, que o dominam e obrigam a querer, a determinar-se num sentido, de preferência a outro; logo, não é livre.”

A escola adversa, que admite a livre vontade do homem, em face desse sistema negativo, exalta

a teoria das causas indeterminadas. Seu mais ilustre representante, em nossa época, foi Ch. Renouvier.

As vistas desse filósofo foram confirmadas, mais recentemente, pelos belos trabalhos de Wundt, sobre a percepção. de Alfred Fouillée sobre a idéia-força e de Boutroux sobre a contingência da lei natural.

Os elementos que a revelação neo-espiritualista nos traz, sobre a natureza e o futuro do ser, dão

à teoria do livre-arbítrio sanção definitiva. Vêm arrancar a consciência moderna à influência deletéria do materialismo e orientar o pensamento para uma concepção do destino, que terá por efeito, como dizia C. du Prel, recomeçar a vida interior da Civilização. Até agora, tanto sob o ponto de vista teológico como determinista, a questão tinha ficado quase insolúvel. Nem doutro modo podia ser, pois que cada um daqueles sistemas partia do dado inexato de que o ser humano tem de percorrer uma única existência. A questão muda, porém, inteiramente de aspecto se se alargar o círculo da vida e se se considerar o problema à luz que projeta a doutrina dos renascimentos. Assim, cada ser conquista a própria liberdade no decurso da evolução que tem de perfazer. Suprida, a princípio, pelo instinto, que pouco a pouco desaparece para dar lugar à razão, nossa liberdade é muito escassa nos graus inferiores e em todo o período de nossa educação primária. Toma extensão considerável, desde que o Espírito adquire a compreensão da lei. E sempre, em todos os graus de sua ascensão, na hora das resoluções importantes, será assistido, guiado, aconselhado por Inteligências superiores, por Espíritos maiores e mais esclarecidos do que ele.

O livre-arbítrio, a livre vontade do Espírito exerce-se principalmente na hora das reencarnações.

Escolhendo tal família, certo meio social, ele sabe de antemão quais são as provações que o aguardam, mas compreende, igualmente, a necessidade destas provações para desenvolver suas qualidades, curar seus defeitos, despir seus preconceitos e vícios. Estas provações podem ser também conseqüência de um passado nefasto, que é preciso reparar, e ele aceita-as com resignação e confiança, porque sabe que seus

grandes irmãos do Espaço não o abandonarão nas horas difíceis.

O futuro aparece-lhe então, não em seus pormenores, mas em seus traços mais salientes, isto é,

na medida em que esse futuro é a resultante de atos anteriores. Estes atos representam a parte de fatalidade ou “a predestinação” que certos homens são levados a ver em todas as vidas. São simplesmente, como vimos, efeitos ou reações de causas remotas. Na realidade, nada há de fatal e,

qualquer que seja o peso das responsabilidades em que se tenha incorrido, pode-se sempre atenuar, modificar a sorte com obras de dedicação, de bondade, de caridade, por um longo sacrifício ao dever.

O problema do livre-arbítrio tem, dizíamos, grande importância sob o ponto de vista jurídico.

Tendo, não obstante, em conta o direito de repressão e preservação social, é muito difícil precisar, em todos os casos que dependem dos tribunais, a extensão das responsabilidades individuais. Não é possível fazê-lo senão estabelecendo o grau de evolução dos criminosos. O neo-espiritualismo fornecer-nos-ia talvez os meios; mas, a justiça humana, pouco versada nestas matérias, continua a ser cega e imperfeita em suas decisões e sentenças. Muitas vezes o mau, o criminoso não é, na realidade, mais do que um Espírito novo e ignorante em que a razão não teve tempo de amadurecer. “O crime, diz Duclos, é sempre o resultado dum falso juízo.” É por isso que as penalidades infligidas deveriam ser estabelecidas de modo que obrigassem o condenado a refletir, a instruir-se, a esclarecer-se, a emendar-se. A sociedade deve corrigir com amor e não com ódio, sem o que se torna criminosa. As almas, como demonstramos, são equivalentes em seu ponto de partida. São diferentes por seus graus infinitos de adiantamento: umas novas; outras velhas, e, por conseguinte, diversamente desenvolvidas em moralidade e sabedoria, segundo a idade. Seria injusto pedir ao Espírito infantil

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méritos iguais aos que se podem esperar de um Espírito que viu e aprendeu muito. Daí uma grande diferenciação nas responsabilidades. O Espírito só está verdadeiramente preparado para a liberdade no dia em que as leis universais, que lhe são externas, se tornem internas e conscientes pelo próprio, fato de sua evolução. No dia em que ele se penetrar da lei e fizer dela a norma de suas ações, terá atingido o ponto moral em que o homem se possui, domina e governa a si mesmo. Daí em diante já não precisará do constrangimento e da autoridade sociais para corrigir-se. E dá- se com a coletividade o que se dá com o indivíduo. Um povo só é verdadeiramente livre, digno da liberdade, se aprendeu a obedecer a essa lei interna, lei moral, eterna e universal, que não emana nem do poder de uma casta, nem da vontade das multidões, mas de um Poder mais alto. Sem a disciplina moral que cada qual deve impor a si mesmo, as liberdades não passam de um logro; tem-se a aparência, mas não os costumes de um povo livre. A sociedade fica exposta pela violência de suas paixões, e a intensidade de seus apetites, a todas as complicações, a todas as desordens. Tudo o que se eleva para a luz eleva-se para a liberdade. Esta se expande plena e inteira na vida superior. A alma sofre tanto mais o peso das fatalidades materiais, quanto mais atrasada e inconsciente

é, tanto mais livre se torna quanto mais se eleva e aproxima do divino.

No estado de ignorância, é uma felicidade para ela estar submetida a uma direção. Mas, quando sábia e perfeita, goza da sua liberdade na luz divina. Em tese geral, todo homem chegado ao estado de razão é livre e responsável na medida do seu adiantamento. Passo em claro os casos em que, sob o domínio de uma causa qualquer, física ou moral, doença ou obsessão, o homem perde o uso de suas faculdades. Não se pode desconhecer que o físico

exerce, às vezes, grande influência sobre o moral; todavia, na luta travada entre ambos, as almas fortes triunfam sempre. Sócrates dizia que havia sentido germinar em si os instintos mais perversos e que os domara. Havia neste filósofo duas cor- rentes de forças contrárias, uma orientada para o mal, outra para

o bem. Era a última que predominava. Há também causas secretas, que muitas vezes atuam sobre nós.

Às vezes a intuição vem combater o raciocínio, impulsos partidos da consciência profunda nos determinam num sentido não previsto. Não é a negação do livre-arbítrio; é a ação da alma em sua plenitude, intervindo no curso de seus destinos, ou, então, será a influência de nossos Guias invisíveis, que se exerce e nos impele no sentido do plano divino, a intervenção de uma Inteligência que, vindo de mais longe e mais alto, procura arrancar-nos às contingências inferiores e levar-nos para as cumeadas. Em todos estes casos, porém, é só nossa vontade que rejeita ou aceita e decide em última instância.

Em resumo, em vez de negar ou afirmar o livre-arbítrio, segundo a escola filosófica a que se pertença, seria mais exato dizer: “O homem é o obreiro de sua libertação.” O estado completo de liberdade atinge-o no cultivo íntimo e na valorização de suas potências ocultas. Os obstáculos acumulados em seu caminho são mera- mente meios de o obrigar a sair da indiferença e a utilizar suas forças latentes. Todas as dificuldades materiais podem ser vencidas. Somos todos solidários e a liberdade de cada um liga-se à liberdade dos outros. Libertando-se das paixões e da ignorância, cada homem liberta seus semelhantes. Tudo o que contribui para dissipar as trevas da inteligência e fazer recuar o mal, torna a Humanidade mais livre, mais consciente de si mesma, de seus deveres e potências. Elevemo-nos, pois, à consciência do nosso papel e fim, e seremos livres. Asseguraremos com os nossos esforços, ensinamentos e exemplos a vitória da vontade assim como do bem e, em vez de formarmos seres passivos, curvados ao jugo da matéria, expostos à incerteza e inércia, teremos feito almas verdadeiramente livres, soltas das cadeias da fatalidade e pairando acima do mundo pela superioridade das qualidades conquistadas.

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Quais os Recursos que a Doutrina Espírita nos Orienta na Aceitação das Provas (física, social, moral e familiar)

Aula dada por Iole de Freitas em 13/05/2004

Vamos tentar juntos, fazer uma reflexão sobre quais seriam os conceitos doutrinários que podem nos ajudar a enfrentar as nossas provas com a pacificação e a aceitação que o próprio texto do Evangelho veio nos dizer. Já entendendo até que, na medida que um de nós atravessa as provas, que existirão sempre, as expiações e as provas nós não podemos nos furtar a elas, porque estamos num mundo de provas e expiações e sem dúvida, pela justiça da Lei de Deus nós estaremos expostos a essas experiências, não como uma situação punitiva, mas dentro de uma pedagogia, como diz o nosso companheiro Milton Menezes no Livro O Sentido do Sofrimento, uma pedagogia do sofrimento, para que a gente possa perceber que vamos através da possibilidade de identificarmos dentro de nós, os nossos estágios de dor e de uma aceitação desse estágio, iremos

amadurecendo o nosso psiquismo, galgando etapas espirituais, através das quais iremos enfrentando

a dor. Nós vamos ver no início do nosso estudo hoje, quais seriam algumas causas da dor, que André Luiz nos explica lindamente em Evolução em Dois Mundos e Ação e Reação, para que a gente note de onde vem este sofrimento, que nós sabemos que se atravessado de uma maneira

equilibrada, paciente, serena, ele irá nos educar. Por isso a questão da pedagogia. Ele irá nos ensinar

a termos uma postura de equilíbrio dentro do nosso processo evolutivo. Em Evolução em Dois Mundos, capítulo 19, “Alma e Reencarnação”, temos um conceito muito lindo que é chamado: “Sementes de Destino”, e André Luiz explica isso de uma maneira tão clara. Nós vamos dividir o nosso estudo em duas etapas. Vamos buscar um pouquinho do entendimento de algumas causas das nossas dores e sofrimentos e depois vamos vendo que, como tendo este entendimento, que já é uma benção da Doutrina, nós podemos ter outros alicerces também, para nos ajudar a enfrentá-las, já que elas vêm, com tranqüilidade. Porque eu posso identificar a causa, isso me dá uma lucidez, me dá um discernimento, mas eu posso não ter competência para lidar com a dor com tranqüilidade. Vamos tentar ver essas duas questões. Vamos começar pela a primeira, sobre essa questão da razão da dor. André Luiz nos explica de maneira muito clara a relação através da qual, por um estado consciencial mais evoluído, mais amadurecido, ao chegarmos à espiritualidade, ele começa a explicar olhando-nos lá e não encarnados, nós teremos um discernimento sobre as nossas faltas, iremos então, entrando num processo de arrependimento, e aí nos lembramos da colocação de Ignácio Bittencourt, tão clara, que no instante exato em que, ao adentrar a espiritualidade, ultrapassando o período natural da perturbação, entrando no instante maior lucidez, nós percebemos as nossas falhas na última encarnação ou nas outras, aí então, nós enviamos aquela vibração de pedido de perdão, um sentimento sincero de arrependimento dirigido a Deus nosso Pai. Neste instante em que emitimos este sentimento nós mapeamos, a gente prefere colocar assim, o nosso corpo mental, como se fosse um grande alerta que nós marcamos no nosso próprio ser, que a nossa consciência, graças a Deus, já atingiu um estado de poder perceber. “Naquilo ali presta atenção. Naquela área toma cuidado.” A gente mapeia o nosso corpo mental, nos alertando para aquela nossa dificuldade, aquela nossa insipiência, aquela nossa falta ainda, de posicionamento equilibrado. Para isso ocorrer, significa que nós já atravessamos outras etapas de crescimento. Tem companheiros que mesmo hoje na espiritualidade, dentro da situação ainda de dor, eles ainda não atingem esse processo logo após o desencarne, porque ainda não conseguem identificar aonde está o erro, a atitude, o sentimento, o pensamento que eles produziram e que os afasta da Lei.

A grande questão que André Luiz traz para nós é a seguinte: e esse pessoal como é que fica?

Porque senão, fica parecendo que aqueles que conseguiram um patamar é que tem nitidez, é que tem docilidade de sentimentos, se arrependem, pedem perdão, simultaneamente mapeiam. E os

outros?

A gente sabe, no desdobramento do raciocínio de Ignácio, ele nos diz que mapeia o corpo

mental e mais tarde, quando estivermos aptos este mapeamento vai ser impresso nas diversas camadas do corpo espiritual, para que no momento que tivermos força, competência,

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15 º ENCONTRO ESPÍRITA DE MEDICINA ESPIRITUAL

amadurecimento maior do intelecto moral, nós possamos transferir essas marcas, no momento reencarnatório, para duplo etéreo e para o corpo físico, revelando então, a razão de muitas distonias mentais, das doenças físicas e mentais que ocorrem na nossa vida quando estamos encarnados. Mas então só vai adoecer, só vai sofrer aquele que já tem o discernimento para poder marcar? E o outro, como é que evolui na Lei? Bem aos trancos e barrancos vão caminhando, porque a Lei impulsiona. Ele tem latente dentro dele a vontade de progredir e ser feliz. Ele se atrapalha, é rebelde, muitas vezes até perverso, porque vai calcando aquela ação menos boa dentro de si. Mas mais do que tudo, ele tem dentro de si o impulso do progresso. Então como é que esse progresso não vindo de uma maneira consciente, não vindo de uma postura opcional dele de falar: “ali eu errei, não quero mais errar, como é que eu vou consertar? Nessa encarnação não dá, deixo para mais tarde, mas depois eu quero resolver esta história.” E o outro que nem consegue perceber que errou. Lesa publicamente. Às vezes, a pessoa em áreas de poder, dentro de situações de responsabilidade comunitária, a pessoa não se dá conta que lesou o outro, acha natural tirar vantagem. E só porque adentrou o plano espiritual não quer dizer que vai se dar conta disso. Então como é que opera o processo da Lei, que é magnânima e quer que ele progrida, se ele não está conseguindo enxergar sozinho? André Luiz diz lindamente nisso. Por uma questão de afinidade vibratória ele vai estar junto, vai buscar mentalmente. E pelo campo eletromagnético que ele exala será tragado, mas também terá o impulso por afinidade, de se congregar àquelas almas que lhe são semelhantes e afins. Se reúnem agrupamentos por similitude intelecto-moral, e aí então, é que a Lei entra magnânima. Por quê? Aí vem a questão da dor, como ela entra sem o outro ter se arrependido, ter se dado conta da origem da distonia. Ele vai ser colocado no confronto, na vida de relação no plano espiritual, com aqueles que lhe são afins. Diz André Luiz, que ele vai ser educado pelo convívio com aquele que tem a mesma deficiência moral.

Além-túmulo, no entanto, o estabelecimento depurativo

como que reúne em si os órgãos de repressão e de cura, porquanto as consciências empedernidas

O empedernido é o mais difícil, está lá secularmente

se mantendo na posição de rebeldia e não reconhece que aquilo está distanciando da Lei, que causa prejuízo ao irmão e a ele. O outro é enfermo, porque entra naquele clima, mas já há dentro dele um outro grau de esclarecimento e vai buscar sair disso. Mas naquele momento não tem como, ele vai ser colocado naquela posição de convivência com os outros, que é necessária, essa convivência, onde o mal é defrontado pelo próprio mal. Palavras de André Luiz.

“ na comunhão dolorosa, mas necessária, em que o mal é defrontado pelo próprio mal, a

fim de que, em se examinando nos semelhantes, esmoreça por si na faina destruidora em que se

“CONCEITO DE INFERNO –

aí se congregam às consciências enfermas,

desmanda.”

(Evolução em Dois Mundos – Psicografia de Chico Xavier – Cap. XIX – CONCEITO DE INFERNO – Pág. 148 – Ed. F.E.B.)

É assim que ele vai aprender. A pedagogia da Lei vai funcionar assim. Sozinho ele não percebe, não consegue entender que está prejudicando o outro. Como é que ele vai entender que está prejudicando o outro? Quando ele lidar com um que ainda é mais dificilzinho que ele, porque o outro é empedernido. Então, quando ele titubear numa agressão, o outro não titubeia não, vem em cima. Aí ele começa a sentir aquela sensação de desconforto que antes não sentia, estava seguríssimo de si, estava dando tudo certo. De repente, quando ele sofre a ação do outro, ele começa a perceber que existe uma sensação de desconforto, que não foi produzida por ele, que foi produzida por outro, mas se reflete nele. Ele percebe que aquilo que antigamente fazia no outro é igualzinho o que estão fazendo com ele. Será que causava no outro também desconforto? Ele passa pela experiência, ele localiza em si, pela possibilidade de vivenciar no plano espiritual, aquele desconforto. Ele começa a acender em si, como espírito enfermo, mas não empedernido, essa possibilidade. O empedernido depois vai ser enfermo também e depois vai evoluir. Num outro momento de estudo com outros companheiros, nós fomos percebendo pelos outros estudos em André Luiz e até em Ação e Reação também, muitas vezes, depois desse corpo a corpo com o mal, ele vai sentindo que há um desconforto, que não é agradável quando o outro age assim. Há uma ressonância negativa para ele, quando o mal o atinge, ele começa a despertar para

15 º ENCONTRO ESPÍRITA DE MEDICINA ESPIRITUAL

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essa realidade. Mas não obrigatoriamente ele vai querer se transformar. Ele pode reconhecer: “— É isso não é legal. Então quando eu faço com o outro não deve ser legal para o outro. Mas está mais confortável assim. Eu prefiro enfrentar quando o outro me agride, mas eu vou continuar agredindo.” Até o momento que ele é levado para determinadas reencarnações, inclusive como nós chamamos em geral de compulsórias, ele aqui chama de reencarnações especiais. Quando ele diz que pelo estado ainda de revolta:

Incapazes de eleger o caminho de reajuste, pelo estado de loucura ou de sofrimento que evidenciam, semelhantes enfermos são decididamente internados na cela física como doentes isolados sob assistência precisa ”

(Evolução em Dois Mundos – Psicografia de Chico Xavier – Cap. XIX – REENCARNAÇÕES ESPECIAIS

– Pág. 150 – Ed. F.E.B.)

Neste caso específico ele está se referindo quando a situação é extremada e eles reencarnam compulsoriamente num corpo físico que lhes garanta um apagamento de determinadas capacidades cerebrais, para que usufrua novamente da oportunidade da vida de relação, no plano encarnado, e que possa se certificar e reiterar que aquelas percepções que ele teve na vivência espiritual, que não é confortável quando o outro o agride, ele vai perceber que não é nada mesmo. E que aquilo que antes ele tinha abundância e tirava do outro, ou impossibilitava do outro de ter: saúde, bem-estar, educação, possibilidade do raciocínio, quando lhe são retiradas lhe causam muita dor e desconforto. Retornando à pátria do espírito, ele novamente é levado à região que lhe é afim, mais amena (porque já aprendeu), do que a anterior, e ele aí volta então a aprender. Até o momento em que ele com o sincero sentimento de arrependimento, porque primeiro vem o discernimento, é o intelectual que vai arrastar o moral. Ele primeiro observa, porque não está legal, dói aqui, dói lá, de repente ele pára. Mas isso acima de tudo cria uma desordem no equilíbrio da Lei de Amor. Então, ele se arrepende e basta este sentimento de arrependimento para que ele seja retirado daquelas regiões e transportado para as regiões porque nós sabemos que tem uma de repressão e a outra de cura. Quando muda de diapasão ele é levado, pelo arrependimento, ele já pode se beneficiar de um outro estado mental, que é muito mais receptivo e flexível; então, ele pode adentrar determinadas comunidades sem criar desordem, que é o que aqui está em Ação e Reação, no capítulo I, páginas 19 e 20. Nós percebemos que os espíritos, quando vão chegando neste estágio de discernimento, eles vão então, por um verdadeiro arrependimento, ter a oportunidade de se curar, de reparar. Mas, nem todos o fazem de maneira lúcida e legítima, nem muitas vezes de uma maneira sincera, e aí a Lei separa claramente. São amparados e levados aqueles que têm sinceramente a vontade. Por que será? Por causa do campo vibratório que ele exala. Até pelo peso específico do corpo espiritual dele. Porque na hora que não é verdadeiro, ele está até por interesse, está até funcionando. “Não, eu quero melhorar porque aqui não está dando certo. Eu não estou agüentando mais. O sofrimento que estão me impondo aqui, os outros são mais fortes do que eu, mais perversos, eu não estou gostando. Eu quero sair daqui. Como é que eu saio?” Para sair vai ter que melhorar de verdade. Ele vai ter que operar dentro dele uma mudança vibratória, e essa mudança é facilitada pelo sentimento verdadeiro de arrependimento. Quando não é verdadeiro não funciona. Ele muda de patamar vibratório e pode ser levado para regiões onde estão os hospitais espirituais, onde há cura. Na página 149 no Livro Evolução em Dois Mundos:

“ Qual doente, agora acolhido em outros setores pela encorajadora convalescença de que

dá testemunho, o devedor desfruta suficiente serenidade para rever os compromissos assumidos na encarnação recentemente deixada, sopesando os males e sofrimentos de que se fez responsável, acusando ainda a si próprio, com a incapacidade evidente de perdoar-se, tanto maior quão maiores lhe foram no mundo as oportunidades de elevação e a luz do conhecimento.”

(Evolução em Dois Mundos – Psicografia de Chico Xavier – Cap. XIX – SEMENTES DE DESTINO – Pág. 149 – Ed. F.E.B.).

Ele perde perdão a Deus, se arrepende, uma outra freqüência vibratória exala do seu campo

perispiritual, ele ganha serenidade, ele é ajudado, ele é passível de ser conduzido. Agora, ele ainda

não consegue se perdoar. Ele ainda traz uma vontade de que

ele tenda a buscar o movimento de expiação, movimento provacional e de reparação, e que ele não

aí vamos ver, vamos torcer para que

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15 º ENCONTRO ESPÍRITA DE MEDICINA ESPIRITUAL

caia no movimento da culpa. Mas aquele resquício, que dentro do discernimento, pela própria falta de amor que a gente tem pelos outros e por nós mesmos. Na hora que reconhece que ali errou, que já foi um ganho. No início nem reconhecia. Mas cai nesse risco da culpa.

vez, ascendem a escolas beneméritas, nas quais recolhem mais alta noções da

vida, aprimoram-se na instrução, aperfeiçoam impulsos e exercem preciosas atividades, melhorando os próprios créditos; ”

(Evolução em Dois Mundos – Psicografia de Chico Xavier – Cap. XIX – SEMENTES DE DESTINO – Pág. 149 – Ed. F.E.B.).

Vocês estão percebendo que a gente para poder falar de como podemos suportar com serenidade as nossas dores, as nossas provações quando estamos encarnados, a gente tem que entender que é um fluxo, um troca-troca, estamos na posição de encarnados ou desencarnados? É muito mais ligado do que a gente pensa. Então, para a gente poder se ajudar com o esclarecimento doutrinário, como que eu posso ter pacificação para atravessar a prova aqui? Eu posso ter uma noção das etapas que eu provavelmente atravessei, pelo menos algumas delas, para que eu pudesse continuar crescendo e tivesse a oportunidade nessa encarnação. Como é que ela vem?

“ todavia, as lembranças dos erros voluntários, ainda mesmo quando as suas vítimas

tenham já superado todas as seqüelas dos golpes sofridos, entranham-se-lhes no espírito por ‘sementes de destino’, de vez que eles mesmos, em se reconhecendo necessitados de promoção a

níveis mais nobres, pedem novas reencarnações com as provas de que carecem para se quitarem consciencialmente consigo próprios.”

(Evolução em Dois Mundos – Psicografia de Chico Xavier – Cap. XIX SEMENTES DE DESTINO – Pág. 149 – Ed. F.E.B.).

Olha como fica lá atrás, já passou por tudo isso, as seqüelas, a depressão, perseguição. Esse conceito de semente do destino é a gente que fala, ele põe aqui “de destino”. Porque elas ficam lá plantadinhas no fundo do nosso psiquismo, nas dimensões mais sutis da nossa tecitura perispirítica, como nos alertando daquilo que nós precisamos produzir em nós mesmos, para podermos recompor a distonia vibratória criada com aquele fato. Pelo mecanismo sábio da Lei, já percebemos que é o processo reencarnatório que vai nos favorecer, que será o procedimento que irá viabilizar aquilo que eu tanto anseio por ter, que é a possibilidade de me reestruturar, recolocar minha tecitura perispirítica num ponto novamente de equilíbrio com a Lei. Mas como isso se procede? Ah! reencarna e pronto? Não. Como é planejada essa reencarnação, para de fato ela ser frutífera e útil para que eu de fato elimine os resquícios daquela distonia que eu criei por aquele ato de desamor e desequilíbrio com a Lei?

casos, a escolha da experiência é mais que legítima, porquanto, através da

limpeza de limiar, efetuada nas regiões retificadoras, e pelos títulos adquiridos nos trabalhos que

abraça, no plano extrafísico, merece a criatura os cuidados preparatórios da nova tarefa em vista, a fim de que haja a conjugação de todos os fatores para que reencontre os credores ou as circunstâncias imprescindíveis, junto aos quais se redima perante a Lei.”

(Evolução em Dois Mundos – Psicografia de Chico Xavier – Cap. XIX – SEMENTES DE DESTINO – Pág. 149/150 – Ed. F.E.B.).

Quando estava no corpo a corpo com o outro que era renitente no mal, foi produzido uma limpeza de limiar, que facilitou uma crosta vibratória danada, que foi tirada no rala-rala mesmo, no embate vibratório, foi perdendo casca vibratória pesada, para poder ter mais lucidez, nitidez sobre o meu ser e poder entrar no estado consciencial que me leva ao arrependimento. Vocês viram que entre a página 148 e 149 tem um destino secular exemplar. Milhares de reencarnações seguindo o ritmo da Lei. Passando primeiro pelas regiões expiatórias mais contundentes, que produzem essa questão que ele diz que é a eliminação da carga de superfície, para depois poder se arrepender, para depois poder ser ajudado, para poder então, ser levado para o trabalho, para o estudo. Sentindo que quer continuar a crescer, o espírito anseia por uma nova reencarnação, aonde atravessará situações provacionais. Que a gente possa valorizar. Depois disso tudo, somos tutelados ainda, por uma equipe de espíritos amigos que têm um entendimento muito maior das necessidades do ser, para poder evoluir.

Muita “

Nesses “

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Analisam aquilo que é comum a tudo, analisam a especificidade de cada um, como necessidade espiritual e promovem esses reencontros. Deve ser um mapeamento inacreditável, uma teia de relações incríveis. Em Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz, caps. V e IX, dentro de uma situação muito semelhante a esta, um espírito estava trabalhando no plano espiritual, nas comunidades de atendimento, sendo extremamente útil, numa tarefa em que ele tinha um bom desempenho, onde ele criara outros vínculos vibratórios por laços de amizade e de sintonia no mesmo ideal no bem. Mudou aquela coisa do confronto para outro tipo de laço de convivência e estava bem. Passou por aquela dor toda. É como a gente quando sobe a escada da Casa Espírita, entra no estado de felicidade. A gente conta com essa estrutura, essa firmeza, sempre. Então, quando um amigo está lá em cima, e a gente provavelmente, outras vezes, “Ah! agora estou conseguindo paz, estou trabalhando, estou sendo útil, não quer sair daqui não.” Vem o mentor, o espírito que está acima:

“— Ótimo, legítima conquista, mas e o impulso do progresso? Qual é a finalidade da Lei? Tem que crescer. Está bom por enquanto. Para crescer vai ter que reencarnar, convivendo com Fulano, Beltrano.” “— Ah! Não, eu sou muito útil aqui, não me tira daqui não. Vai atrapalhar o trabalho, desorganizar a tarefa. Estou ótimo aqui, não me tira não.” O espírito constrangido, não tinha mais saída, é trazida sua mãezinha de uma outra esfera vibratória, para tentar convencê-lo. Porque não é só para criar o reencontro dos credores e as circunstâncias imprescindíveis para

o crescimento dele. Não é assim. Ele diz que é para deixar para mais tarde. Por que é que veio a necessidade? Porque aí fica claro, porque aqueles com os quais ele tinha que se reajustar, já estavam reencarnados de monte; tem uma duração a reencarnação, não dava mais para ficar esperando. Ele vinha como neto, porque tinha que vir dentro daquela família antes de desencarnar, porque ia ser dificílimo juntar aquele povo todo de novo. Não dava para falar: “Deixa eu ficar mais um pouquinho na tarefa do bem.” Como é que a Doutrina nos ajuda a enfrentar as provas com pacificação, com serenidade? Porque a dor dói. Vai querer prova sem dor. Ela dói, mas como é que a gente atravessa essa dor? Ou melhor colocando: que aprendizado eu retiro para o meu espírito naquele momento de dor? A Lei é educativa. Ela não está fazendo aquilo pelo prazer de me ver sofrer, jamais. Ela está reduzindo ao máximo o desconforto psíquico, em que eu sou colocado e em que eu me coloco por causa do meu nível consciencial em determinadas situações, mas eu preciso daquela situação para poder crescer. Porque por omissão eu não cresço; tapando o sol com a peneira eu não cresço. Eu não resolvi aquela situação, só significa que eu não estou capacitado naquele aspecto. Como é que eu vou evoluir para depois ajudar o outro, se não resolvi internamente? Como é que eu cresço na tarefa do bem, até no plano espiritual, se naquela situação encrenca. Porque está tudo bem, menos quando aparece na minha frente Fulano ou Beltrano, aí eu viro uma fúria. Como é que fica? Vai agendar horário? No dia que eu estou bem, posso atender. No dia que não estou, aparece o Fulano. Como o plano espiritual pode confiar no trabalhador, com toda essa confusão e essa especificidade de

atitudes?

Nós temos que conquistar internamente, qualidades que temos, que estão apagadinhas, porque estão abafadas pelas nossas eternas paixões, o egoísmo e o orgulho, que abafa mesmo. É um capacete negativo em cima das opções. Caminhos existem outros, mas a gente não consegue entrar por eles porque tem que se dobrar, tem que ter humildade, reconhecer o erro, tem que deixar o outro ter uma péssima idéia de mim, sabendo que ele não está certo naquilo, nas ouras coisas até teria, mas naquele aspecto não tem. Eu tenho, principalmente (é outra coisa que freqüentemente surge em André Luiz), é a posição de que o compromisso consciencial nosso, implantado pelo Criador, é com

a Lei de Amor, não é com a filtragem interpretativa da Lei de Amor que os outros, meus irmãos no

mesmo grau de evolução média que eu tenho, tenham dela. Porque muitas vezes, a gente não consegue ter uma atitude mais digna e proba no bem, porque a média da família não vai entender, a média dos amigos não vai entender. A gente se deixa levar muito mais pela opinião do outro e pelo retorno, porque não é brincadeira, o que esta opinião gera em relação a mim. Vai me achar

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antipática, acha chata, isso e aquilo. Então, eu priorizo o conceito que está numa determinada etapa evolutiva do companheiro, em relação, às vezes, a questões básicas de ordem ética. Porque eu temo

a reação dele, de não me adorar, não me prezar tanto. Eu coloco isso na frente do crivo consciencial

que eu tenho. São as nossas fraquezas. O que é que abafa a potência amorosa de crescimento e a possibilidade de eu poder conviver com uma pessoa, com quem em outra encarnação eu tive tantas dificuldades? A gente quando quer puxa forças criadoras da alma inacreditáveis. A gente descobre recursos íntimos de que não tem idéia. Essas questões é que parecem que são fundamentais para que a gente veja quanto trabalho através dos séculos o nosso espírito construiu, através da vigilância e do amparo abençoado da Lei, para que a gente pudesse ter um planejamento reencarnatório, que obviamente é aberto, porque senão o arbítrio não existiria, mas ele tem parâmetros como se fosse dentro de uma larga estrada. Nós teremos alguns parâmetros que surgirão, porque foram buscados pelos mentores espirituais, para surgirem como circunstâncias para nós podermos crescer e podermos substituir, aí sim, na nossa tela mental, no nosso registro espiritual, aquela reação que tivemos negativa, errada, insuficiente, pouco amorosa, séculos atrás digamos, por uma outra atual, amorosa, de compreensão, solidária, suave, simples. Isso nós podemos.

Quando nos defrontamos com uma dor superlativa o que é que a gente percebe? Tem uma parte no Evangelho que fala disso, que nas grandes calamidades a caridade surge. Mas o texto chama para outro lado, dizendo que o problema é no cotidiano, na miséria oculta que não aparece com muita veemência, que não é contundente. Muitas vezes o nosso coração ainda tão endurecido,

não se deixa tocar por ela, não atende. Mas o que a gente pode perceber também, é que muitas vezes

o nosso espírito precisa atravessar uma dor superlativa, para que ele descortine dentro de si, com

muita clareza, a escala de valores que norteia o nosso ser espiritual. Nas provas que a gente já tenha atravessado, a gente percebe que pelo menos naquela fração de tempo em que somos tomados, estamos encharcados pelo fato, pela experiência, pela contundência da situação, nós temos uma nitidez sobre o valor da vida, uma nitidez sobre aquilo que importa e sobre as bobagens em que a gente perde tempo. Toda vez que a gente lê o “Necessário e o Supérfluo”, vamos tentar ler de novo. A gente está sempre achando que é bem material, não é nada disso, é em relação até ao que eu usufruo na vida, que tipo de necessidade eu tenho afetiva com o meu filho, meu marido, minha mãe, o que eu espero? Fico enjoada querendo isso ou aquilo invés de valorizar aquilo que é essencial. O que é essencial na vida de relação? O que é essencial na minha relação com o meu filho? O que é essencial afetivamente, na minha relação com meu marido, com minha esposa? Quais são as bobagens supérfluas a que eu fico presa cobrando? A dor superlativa, a prova superlativa, pelo menos temporariamente, eu não sei quem já atravessou, mas a gente tem tristemente essa percepção de que ela dura. Um tempo depois, volta aos pouquinhos a ser abafada pelas nossas bobagens, infantilidade, imaturidade. Mas na hora, e às vezes, dura uns bons anos para tirar proveito e alavancar o nosso progresso, elas dão uma nitidez sobre a escala de valores, porque elas mostram com clareza, inclusive o valor da encarnação. A

gente passa a valorizar a vida de uma maneira totalmente diferente. Se você passou pela prova da situação limite de perda do envoltório denso do corpo físico nessa encarnação, olha a vida diferente

e olha até a Medicina Espiritual de outra maneira, olha a possibilidade de ajuda àqueles que sofrem

a dor de outra maneira, porque sentiu na mão, por fração de minuto, aquela possibilidade de perder

a oportunidade reencarnatória. E quando por acréscimo de misericórdia não ocorre, não perde tempo com bobagem, porque você sente necessidade. A vibração não é falsa, não é arranjada, ela exala. Aí se atravessa de fato uma situação em que se valoriza a possibilidade de viver. Para a gente chegar nesse estado, que é altamente confortador, de lucidez numa escala de valores do nosso ser espiritual, deixando de lado os valores materiais, e eu incluo inclusive, dentro

do campo afetivo, que a gente pode englobar como valor espiritual mas sem as bobagens, infantilidades que a gente confunde como amor e essas coisas todas. Como é que a gente pode aproveitar esse conhecimento, para nesta encarnação não ficar achando que se não for nesse tranco vigoroso, nós não conseguimos enxergar de maneira lúcida e não conseguimos ter uma porosidade para estes valores espirituais?

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Como a gente criaria essa situação como antídoto, para a situação da dor? Como se fosse uma profilaxia da dor. Nós poderemos criar através de situações, e aí é muito interessante, quando a gente vê que é sempre pelo trabalho no bem. No Livro Dimensões da Verdade de Joanna de Ângelis através de Divaldo, quando nós vamos percebendo que tem outras maneiras, não só a prova superlativa tão dolorosa, é que pode nos alertar, ampliar o nosso discernimento e nos fazer mudar muitas vezes de atitude, buscar outras situações, buscar um outro tipo de trabalho dentro do bem. Olha como ela fala: “Terapêutica Espírita”. Como nós podemos retirar da Doutrina os conceitos que nos ajudam a atravessar a dor e eu vou me adiantar um pouquinho, e até evitar, porque quando ela vem muito dolorosa e evitar as confusões das causas atuais das aflições que a gente cansa de complicar. O que veio planejado, depois de tudo aquilo que nós vimos em André Luiz, ok, mas a gente gosta de complicar. Então, vamos ver como a gente pode tentar não complicar e, muito pelo contrário, ajudar e amenizar o instante da dor que está sendo necessária. Ela diz o seguinte:

Terapêutica Espírita – “Pára num turbilhão que te desequilibra e medita. Meditação é combustível precioso que mantém o vigor moral. Emerge das areias movediças e sedutoras das atrações fáceis e medita nas responsabilidades morais que enfeixas nas mãos. Meditação é dínamo poderoso que movimenta a máquina da ação.”

(Dimensões da Verdade – Espírito Joanna de Ângelis – Divaldo P. Franco)

Dentro de uma daquelas entrevistas espirituais para o Encontro de Mediunidade, quando um dos companheiros perguntou a Ignácio Bittencourt: “— Tá bom já entendemos, tem que estudar. O povo chega não conhece nada da Doutrina, tem que por no estudo para poder serenar, equilibrar, ter discernimento, entendemos.” Estou chamando a atenção por causa da palavra meditação e do conceito de meditação. Repetiu a pergunta: “— Não, é outra coisa, a gente que saber, a gente que já está aqui nesse esforço há tanto tempo, que temos as nossas dificuldades, quem está aqui melhorou, mas tem

aqueles defeitos que a gente não consegue se livrar, se entristece cada vez que vê que ele aflora e

e aí, como é que a

não sabemos como evitar, porque não temos uma estatura moral para poder gente faz com gente e como é que fala com o encontrista se ele trouxer isso?” Aí a palavra de Ignácio: — Estudo.

O companheiro ouviu e voltou a fazer a pergunta com outras palavras: “— O que eu estou

querendo dizer é, não é o povo que não está habituado a ouvir Doutrina, a gente que já ouve há trinta anos, até já está melhorzinho, está no trabalho. Eu quero saber como é que a gente faz com aqueles defeitos lá de trás, que ninguém percebe, os amigos nem sabem, porque a gente esconde

lindamente, somos muito inteligentes para esconder, morre de vergonha, mas fica lá incomodando.

E porque não conseguimos exalar aquilo, nem trocar opinião com ninguém, aquilo fica numa panela

de pressão. O que se faz?” Resposta: — Estudo. Depois pelo desenrolar da entrevista a gente foi vendo que era isto. Ele falou estudo porque

é o início, mas é tudo o como. Como é que eu atravesso a encarnação? Como é que eu atravesso a

prova? E como é que eu estudo? Porque sem meditação entra por um lado e sai por outro. Eu estudo

e apreendo nada. Eu estudo, racionalmente até gravo, porque o coitado do amigo espiritual está lá

com passes magnéticos infindáveis na hora que eu estou numa palestra, para ver se aquilo grava na camada mais superficial do perispírito, para ver se na outra semana eu ainda me lembro.

Depois na outra: “Eu até lembro, mas na hora de funcionar eu lembro, a vontade ameaça fazer, me dá uma preguiça e eu volto a fazer o que eu estava acostumado.” E aquilo vai acumulando, aquela informação superficial, porque ela não ganhou vivência.

A triagem para sair do estado da zona de repressão para a zona da cura, é o verdadeiro

arrependimento, é a verdadeira transformação do campo eletromagnético que faculta o ser a sair

daquela situação de densidade perispirítica para uma outra. E como é que eu faço essa passagem? É

o estudo sim, mas é o estudo assimilado, vivenciado.

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Vamos ver como ela vai falando aqui dessa pequena palavra, que ela chama da terapia espírita, que é a meditação.

“ Meditação é dínamo poderoso que movimenta a máquina da ação.

Estaciona no caminho de inquietudes por onde seguem os teus pés e faz um exame dos teus atos, demorando-te um pouco em meditação. Meditação é terapia que oferece paz. Esquece sombras e pesadelos.

E antes de reiniciares as tarefas que acalentas, deixa-te ficar algum tempo em meditação.

Meditação é amiga fiel que corrige com bondade e esclarece com humildade. Se desejas realmente um método eficiente para ser mantido o alto índice de produtividade, evitando insucessos continuado ou erros constantes, elege a meditação como hábito salutar em tua vida.

O cristão, em particular o espírita tem necessidade de meditar, como de orar. Porquanto, se

a vigilância decorre da meditação esta é conseqüência dela.”

(Dimensões da Verdade – Espírito Joanna de Ângelis – Divaldo P. Franco)

A gente é sempre agitadinho, quer sempre fazer um monte de coisas. Achamos que nesse

agito a gente resolve a qualidade vibratória. Ledo engano. Não é a quantidade, é a qualidade. Meditação é dínamo poderoso que movimenta a máquina da ação.” Não é para inverter. Observando companheiros chegando na Doutrina com 800 atividades na Casa Espírita. Porque tudo que pergunta eu fico sem jeito de dizer não. Digo sim, faço. Mas não dá para fazer tudo muito bem feito. Vai aquele acúmulo de tarefas, tudo junto. Cria aquela ilusão de que se não fizer tudo, não vai crescer. E se fizer menos e bem feito? E se meditar antes para poder pensar na qualidade da ação? No livro Por que adoecemos?, Volume 2, Princípios para a Medicina da alma, da Associação Médica Espírita de Minas Gerais, um dos textos de Jaider Rodrigues de Paulo, é “Estrutura do perispírito e as suas repercussões na vida do espírito.” Ele fala com muita clareza das atribuições do corpo mental e mostra como funciona isso. Antes de irmos para o Jaider, vamos relembrar Mecanismos da Mediunidade, a questão das ondas vibratórias mentais. Quando estamos numa postura de reflexão e de estudo, as nossas ondas mentais já funcionam numa freqüência vibratória um pouquinho mais elevada. Quando nós estamos no movimento de renúncia verdadeira, ou estamos atravessando a prova superlativa numa posição de pacificação e aceitação, nós já temos uma freqüência vibratória ainda mais elevada. Porque já estamos entrando mais em sintonia com a Lei de Amor. Nesta hora eu estou adentrando um estado psíquico, onde meu ser, ao exalar esta postura de aceitação, emite ondas vibratórias numa freqüência mais elevada. As ondas curtas, ultra curtas, já fica por conta dos espíritos angelicais. Mas aquelas de reflexão e estudo já tem uma freqüência vibratória maior do que as ondas que eu emito no dia a dia nas questões comezinhas, não são negativas, não são na hora dos maus pensamentos, é quando eu estou tratando do meu expediente que a vida de encarnado exige.

No momento da situação da meditação, eu entro numa outra faixa vibratória, que eleva a minha faixa mental, que coliga minha faixa mental com mais facilidade com o do espírito amigo mentor e de todas as pessoas que estão nessa sintonia. Se eu entro nessa faixa vibratória, quando eu for tomar uma decisão e vou entrar em ação, é provável que eu possa agir dentro da faixa do bem e da serenidade.

A meditação é um dínamo, porque eu não estou agitando o tempo todo, acumulando tarefa.

Eu estou num estado de introspecção, de reflexão e de estudo. Aí entra na relação do estudo no tom ao qual provavelmente se referia o espírito Ignácio Bittencourt, que é o estudo que promove a reflexão, a interiorização, a meditação, que muda a freqüência vibratória que eu exalo e que aí, facilita as minhas ligações com os espíritos mais evoluídos, que exalam constantemente. Porque a gente estuda um tempo, depois sai e vai fazer outra coisa. Mas se naquele momento a gente já conseguiu, o estado de meditação é extremamente salutar.

Fazendo um cruzamento com o estudo que está no livro Por que adoecemos?. Aí é o homem integral, que a gente estuda sempre no Encontro de Medicina Espiritual, o espírito. A primeira

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dimensão que exterioriza as potências do espírito nós sabemos que é o corpo mental superior, médio

e inferior. Aqui ele analisa basicamente o superior e o inferior. Sabemos que tem as inúmeras

camadas do corpo espiritual, sendo que a mais sutil se coliga com a mais densa do corpo mental inferior, porque elas todas estão interligadas. No momento da preparação reencarnatória, quando estamos encarnados, a camada mais densa do corpo espiritual estará ligada ao duplo etéreo e este através dos centros de força e dentro dos plexos do corpo físico, isto quer dizer do sistema neuro- endócrino, nós então, teremos este fluxo que promana do espírito, atravessa as camadas do corpo mental, as diversas camadas do corpo espiritual, imanta o duplo etéreo quando estamos reencarnados e exala no corpo físico.

As camadas do corpo mental e do corpo mental superior que é aquela constituída pelas vibrações mais sutis do nosso ser, em qualquer grau que a gente esteja evolutivo. Obviamente que entre a qualidade vibratória, a tecitura vibratória do nosso corpo mental superior e do espírito angélico é completamente diferente. Mesmo dentro dessa relação, em referência ao nosso ser integral é a dimensão mais sutil, e que age como veículo imediato do espírito. Armazena a essência das experiências humanas nas diversas reencarnações, como por exemplo, não serão mantidos na memória a perda de tempo com a cultura inútil, o sofrimentos

desnecessários, a questiúnculas (Questão sem importância. Controvérsia ou discussão sobre assunto

fútil) da vida e muitas mais, porque nenhuma delas ficará gravada na essência do nosso ser. De posse desses recursos tem o homem condições de selecionar melhor os seus reais investimentos na atual encarnação. Tudo para vermos porque a meditação vai ser um dos elementos, além da elucidação toda que a gente percebe, porque a gente atravessa as provas, de onde eu tiro a força de na hora atravessar melhor. A meditação foi uma delas. O que a meditação causa, já vimos em relação a freqüência das nossas ondas mentais. O que a gente vai percebendo que vai promovendo nas camadas mais sutis? O que o corpo mental superior guarda? Ele é depositário da memória, da intuição e da vontade. Sua forma é ovóide, composta por matéria mental superior e pelas vibrações das virtudes. Porque na hora que eu vou emitindo pensamentos pelo processo de meditação e reflexão mais sutil, a freqüência vibratória fica mais otimizada. O que acontece com esta vibração? Ela vai atingindo as camadas mais sutis do meu ser. E vai atingir o campo do corpo mental superior, aonde habitam as virtudes. E delas a gente tira forças, para na hora de agir, agir no bem e não fazendo bobagens. “Por isso no plano em que labora não há sofrimento. Uma entidade que viva neste plano, mesmo que quisesse sofrer”, (aí está falando dos espíritos angelicais, já chegaram lá, eles detêm essa dimensão simplesmente, do corpo mental superior, porque o resto não precisa mais). “Uma entidade que viva neste plano, mesmo que quisesse sofrer não conseguiria, devido ao fato de não existir nele matéria mental que responda a vibração do sofrimento.”

(Porque Adoecemos – vol. II – Associação médico Espírita de Minas Gerais – A Estrutura do Perispírito e suas Repercussões na Vida do Espírito – “Corpo Mental Superior” – Jaider Rodrigues de Paulo – p. 53 – Ed. Fonte Viva)

Está fazendo sentido como a gente pode fazer por nós mesmos um esforço de na hora da prova que vem e que vai doer, como a gente tira elemento de nós? É de nós mesmos. Porque ele habita o nosso ser. Nós não estamos habituados, capacitados, não temos nos esforçado para poder ativá-los, mas eles lá estão. Porque apesar de estarmos num mundo de provas e expiações, já tivemos conquistas morais. Cada um de nós detêm um patrimônio, é lógico que

não é igual ao espírito angelical, ou do espírito bom, mas já é um patrimônio. A gente pode acessar isso, é esta a questão. A gente tem, através da meditação, a possibilidade do trabalho no bem. É quando você penetra na realidade daquele trabalho, aí você acessa essas dimensões. Isso explica o fato dos espíritos angélicos e superiores serem naturalmente felizes. A afirmação de Jesus de que a felicidade não é deste mundo ganha com esses conhecimentos explicação científica lógica e plausível. Nesse entendimento vale tecermos alguns comentários do que vem

a ser matéria vivificada. Nós temos em nós a possibilidade de atingirmos a perfeição, somos seres perfectíveis. Através do nosso esforço de auto-construção nós vamos ativando estas potências, que estão ali

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latentes, mas elas existem. Elas são o reflexo dos atributos do Criador. Quando nós conseguimos vivificar essas virtudes, parece que tem que ser através do trabalho, da ação. Não, é através do estudo, da meditação, do nível consciencial transformado pelo processo de introspecção, esclarecido pelo conceito doutrinário absorvido e estudado é que eu vou mudar a freqüência do meu campo vibratório, vou acessar esta região tão sutil e tão próxima do imo do meu ser, que é o espírito. Vou ativá-la e trazer para as camadas mais sutis, de modo que o próprio cérebro físico atue de maneira positiva, me levando a cumprir determinadas ações que serão fraternas, amorosas, justas e boas, que irão alavancar o próprio crescimento. Ele (Jaider) diz que, tanto na espiritualidade quanto quando estamos encarnados, a preciosidade da vida de relação, é que nós crescemos com o outro. A gente sempre aprende. Aprendemos com métodos pedagógicos adequados à nossa possibilidade de aprender. Quando vem essa possibilidade, ele diz que a informação que vem de fora, dada pelo mundo, a gente pode pegar a informação doutrinária, os estudos. Você está 40 anos na Doutrina vai tendo que aprender cada vez mais, tem que sempre continuar estudando. Esse patrimônio que está fora e que eu vou trazendo para dentro de mim, seja doutrinário, seja em outras áreas de cultura, de aprendizado do mundo, inclusive os aprendizados menos consagrados, como o trabalho no campo, o trabalho rural. Tudo tem uma sabedoria inacreditável. Este processo de assimilar isto, que cria um movimento, que é uma ante-sala para este aprofundamento e para o processo de meditação. Porque a gente retira estes conhecimentos. À medida que eu assimilo aquilo, que introjeto as informações e que eu vou verificando como vou podendo pensar, raciocinar, operacionalizar aqueles conceitos na minha existência, eu vou fazendo com que aquilo que era ante-sala passe a ser o conteúdo maior do meu ser. Na hora que eu acessar as virtudes que estão já conquistadas e que estão dominando a estrutura toda do meu corpo mental, elas virão jorrando, atravessando todas as camadas que compõem o homem integral e atuando na minha ação no mundo, porque elas vão atuar inclusive, sobre a minha vontade. Fechando com Joanna para poder valorizar este texto. “Acreditas-te em soledade e por isso sofres. Medita e verificará outros corações mais solitários ao teu lado. Levanta-te, visita-os e apresenta-lhes a Mensagem Espírita. Consideras-te enfermo e alquebrado, caminhando sem arrimo. Medita e encontrarás próximo de ti, sofredores mais atormentados, contemplando em ti a felicidade que dizes não possuir. Dirige-te a eles, oferece a fraternidade que podes haurir nas Lições Espíritas. Aceitas como fato consumado a tua falta de sorte no que diz respeito as atividades comuns a todos os homens. Meditas e enxergarás corações vencidos, que ti invejo o sorriso e a fortuna que afirmas não ter. Alonga até eles a compreensão espírita. Descobrirá se meditar que a Terra é um imenso hospital de almas mais sofredoras do que a tua e que com os recursos da terapêutica espírita, poderás operar valiosas contribuições em favor delas. Constatando a exatidão da máxima evangélica: “Mais se dará aquele que mais der”, porque ao ajudares sentir-te-ás também ajudado. Faz pequeno curso de espiritismo em casa para ti próprio, estudando a Codificação. Aplica passe, usufrui da água magnetizada, concede palavras de alento, freqüenta serviços de desobsessão, desperta para a vida espírita dentro de ti mesmo e, meditando para agir com acerto, desfrutarás a felicidade perfeita que ambicionas, porque meditar no bem é começar a fruir o bem desde agora mesmo.”

(Dimensões da Verdade – Espírito Joanna de Ângelis – Divaldo P. Franco)

Que a gente possa ir raciocinando nessas questões, para que tenhamos condições, dentro de todo esse panorama de textos trazidos pela Doutrina, de perceber, primeiro, quais foram as causas que geraram a necessidade de atravessarmos determinadas provações? Por que nos cabe nesta encarnação a convivência no seio da família, no grupo da Casa Espírita, no grupo de trabalho, por que eu tenho que lidar com aquelas criaturas? Eu fico imaginando a trabalheira que foi para a espiritualidade arregimentar aquelas almas todas, para que elas pudessem numa mesma situação espaço temporal conviver. A

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complexidade inclusive, de um outro reencontro. Que é o alerta do mentor em Obreiros da Vida Eterna - Fica perdendo tempo aí em cima, nesse bem-bom de estar na tarefa e não querer evoluir, porque depois não vai ser fácil. Tão cedo não se poderá criar a reunião destes mesmos espíritos. Porque cada um deles tem outras necessidades. Nestas horas vamos valorizar a convivência, mesmo a convivência difícil. Que a gente possa valorizar. Gostaria de fechar hoje com esse conceito. Que não só nos fortaleçamos para atravessar, como façamos a profilaxia para não inventar bobagem, que valorizemos profundamente o dom da vida, da programação, dos encontros e desencontros e que a gente saiba, inclusive, aoinvés de cair em desalento ao olharmos alguns procedimentos desta encarnação, e sentirmos que fraquejamos, que podíamos ter agido de outro jeito, que não conseguimos dar conta na medida da nossa expectativa conosco mesmo, às vezes, dói, a gente achou que conseguia e não consegue. Que possamos ficar imbuídos de estímulo, de coragem, de vontade de crescer nessa mesma encarnação. Que a gente aproveite cada segundo para transformarmos aquelas situações que não demos conta. Que tal reajustar agora? Que tal buscar forças? Que tal buscar novas posturas? Que tal sair do imobilismo que determinados hábitos familiares criam? Porque às vezes a gente não muda por uma questão de ficar considerando demais a opinião do outro, ao invés de entender o que a Lei que é justa pede. A gente não consegue na hora da dor superlativa ainda, agradecer a Deus pela prova. É muito difícil. Com aquele sentimento verdadeiro é muito difícil. Atravessamos com serenidade e

aceitação, mas na hora “H” dizer: “Graças a Deus”, é muito difícil

porque querendo ou não, nos demos conta da prova, isso dá uma aliviada vibratória na gente. Mas

Sentimos um grande alívio,

com amor ao Pai podemos dizer: “Obrigada Senhor por essa dor”. Quem sabe um dia a gente chega lá.

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Imortalidade – A certeza da Misericórdia Divina

Aula dada por Lúcia Ventura em 27/05/2004

O tema é a questão da imortalidade como a misericórdia de Deus junto a nós. Para tratarmos deste assunto tem uma coisa que não podemos fugir, que é talvez, o único dogma que temos dentro da Doutrina Espírita, que é a reencarnação. Não tem como a gente fugir da questão da imortalidade, segundo a Doutrina Espírita, nem fugir da misericórdia divina se a gente não falar de reencarnação.

Nós fomos criados simples e ignorantes, lá no reino mineral, no reino vegetal, no reino animal. Num determinado ponto Deus nos transforma em espíritos. E dentro da Lei de Progresso o nosso destino é a felicidade, é a perfeição. Só que Deus nos dá o livre-arbítrio. E aí

o que a gente faz com o livre-arbítrio? A gente começa a experimentar determinadas vivências e

é quase que fatal que a gente começa a fazer um monte de besteira, principalmente no iniciozinho. Então, a caminhada que poderia ser em linha reta, ascendente, sem dificuldades, acaba sendo um caminho, muitas vezes, tortuoso. A gente vai, volta, melhora, até que consegue pegar prumo da situação e fazer o caminho. Só que a gente faz isso em diversas existências. Em uma existência não daria para acertar tudo, resolver tudo, conhecer tudo, ter todas as virtudes. Na verdade a gente vai fazendo isso em diversas encarnações. Para gente falar de reencarnação é uma coisa bastante simples, fácil, lógica. Para quem está na Doutrina há um, dois, três anos já começa a se tornar mais tranqüilo falar de reencarnação. Mas a gente também sabe que muitas pessoas não têm a mesma facilidade em relação a essa idéia de reencarnação. Outro dia na escola, nós temos professores evangélicos, católicos e um grupo pequeno de espíritas, surgiu um assunto e uma professora que conhece alguma de Doutrina Espírita, embora, não se diga espírita, ela falando de uma dificuldade familiar, falou assim: “— Eu vou precisar de muitas encarnações para resolver esse problema.” E outra professora, católica extremada falou assim: “— Que encarnação que nada, a gente só tem essa vida. Vê se Deus ia deixar a gente ter outras vidas de padecimento.” Quer dizer, o que a gente aceita com tranqüilidade, vê como misericórdia divina, para outros companheiros seria um castigo de Deus. “Para que Deus vai me dar outra vida, para eu ficar padecendo? Já não estou padecendo nessa? Já tenho tanto problema familiar, profissional, social, ainda vou vir em outra vida para continuar padecendo?” Para ela, reencarnação não é misericórdia divina. Para ela seria uma punição. Eu estava na sala, fiquei caladinha, não ia comprar briga no local de trabalho. Deixa cada um pensar por si só, acreditar no que mais lhe convém. Tem a questão 222 do Livro dos Espíritos diz que independente da nossa vontade, o que é será mesmo, acreditem ou não na reencarnação, ela vai acontecer com a criatura, então deixa haver esse despertar.

No livro Reencarnação e Imortalidade, de Hermínio C. de Miranda, nós escolhemos o capítulo 21, que tem como título Reencarnação – Instrumento para o Progresso Espiritual. Nesse capítulo ele fala de um companheiro protestante que, como protestante não acreditava em reencarnação, o Edgar Cayce. Ele sendo protestante e não acreditando em reencarnação, ele era

médium, então ele entrava em crise mediúnica. Numa dessas crises mediúnicas ele falou com todas as letras que a reencarnação era uma verdade. Quando ele saiu da crise mediúnica e falaram para ele

o que ele havia dito, ele entrou em desespero. Como é que ele um protestante, bem comprometido

com sua religião, com sua crença, um estudioso da bíblia, como é que ele teria confirmado a veracidade da reencarnação, que ele como protestante não acreditava? A bíblia para ele não dizia em lugar nenhum a questão da reencarnação. Ele se desespera e resolve abandonar o trabalho mediúnico que fazia. Porque ele entrava no processo mediúnico e, às vezes, ele percebia as vidas das pessoas e dava conselhos. Até esse momento ele entrava nas crises e só dava os conselhos, a partir desse momento ele passa, inclusive, a ver o passado das pessoas. Só que um outro companheiro, já percebendo que ele vinha ajudando muitas pessoas, e conhecendo alguma coisa de mediunidade, conversa com ele e o convence a continuar trabalhando mediunicamente.

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Ele vivou no início do século passado. Ele vai fazendo esse trabalho de ajuda e amparo as pessoas. Às vezes, narrando para as pessoas vivências passadas. E aos poucos vai tirando algumas conclusões. Ele acaba quase que se obrigando a acreditar na reencarnação, mesmo sendo protestante. Ele continua com o trabalho na igreja dele e com o trabalho mediúnico, só que passa a acreditar na reencarnação. Dos episódios narrados tem dois que chama a atenção para o trabalho da Medicina Espiritual, o do Paul Durbin e da Stella Kirby.

“O homem chamava-se Paul Durbin, tinha 34 anos, casado, com um filho. Sofria de esclerose múltipla e seu braço direito e a perna do mesmo lado começaram a encolher. Amigos dedicados reuniram-se para pagar-lhe hospitalização e tratamento, além de conseguirem para ele

uma consulta com Edgar Cayce e até aplicarem as massagens recomendadas pelo médium Ou seja, num primeiro momento, por causa do problema da atrofia do braço e da perna os amigos levaram no Edgar Cayce, pagaram a consulta, a hospitalização e se dispuseram a fazer o tratamento que foi indicado.

“ Cayce se referira aos excessos que o homem praticara no passado, no livre exercício de

suas paixões, e dizia: “A entidade (sua maneira de referir-se aos consulentes) está em guerra consigo mesma. Todo ódio, toda malícia, tudo que faz os homens medrosos, deve ser eliminado da sua mente. Pois, como se disse no passado, cada alma dará conta de toda vã palavra que pronunciar. Tudo será pago até o último ceitil. No entanto, a entidade sabe, ou deveria saber, que há um advogado junto ao Pai.” Essas foram as palavras do Edgar Cayce para esse companheiro. Ou seja, havia um passado, nesse passado ele havia se excedido em determinados procedimentos, inclusive, na questão da palavra, do ódio, da malícia, de tratar mal as pessoas. Ele estava num processo mais ou menos de despertar, tanto que ele estava em guerra com ele mesmo. Mas, esse peso do passado, esses comportamentos do passado, era uma coisa muito forte no Paul. Era isso que fazia com que o processo de atrofiamento do braço e perna continuasse acontecendo, apesar do tratamento que estava sendo feito.

Estes “

e outros conselhos não foram tomados em consideração. Não apenas isso: Durbin,

satura do de ódio e revolta, exigiu que lhe dissessem por que razão Cayce não o curara

instantaneamente, como por certo achava de seu direito.”

A gente vê a dificuldade da criatura. Ela achava que o Edgar Cayce tinha que chegar, como

se fosse a gente aqui, dá um passe e acabou o problema, está resolvido, não tem mais nada, o braço vai voltar para o lugar, a perna também. Além de acreditar que ele tinha mérito para isso, ele ainda se colocou numa postura de ódio, de raiva, de rancor em relação ao problema de saúde que ele estava vivenciando e até dos companheiros.

“ Até mesmo as pessoas que o estavam ajudando na sua aflição, ele as atirava umas

contra as outras, de tal maneira que muitos se arrependeram do que fizeram por ele.”

É a história do ingrato. Os amigos se reuniram, pagaram o tratamento, fizeram o que

puderam, iam fazer as massagens e ele invés de pelo menos, tentar se resignar, que não dissesse muito obrigado, mas ficasse na dele, não, ele ainda foi instigando desarmonia entre os amigos. Ele foi deixado por conta própria.

“ A despeito de tudo, seu estado geral melhorou.”

A gente vê a misericórdia divina. Com toda a dificuldade, com todo o problema dele, espírito imortal, com sentimentos negativos, com práticas, condutas negativas, ele ainda teve uma melhora.

“ Quando, porém, ele notou que a melhora não se consolidava, voltou a lamentar-se, mais amargamente do que nunca.”

vai não tornes a pecar, ele faz exatamente o

contrário. Invés de ele aproveitar e seguir o caminho reto, não, ele voltou a fazer o que fazia antes e complicar a sua situação.

“ Respondendo a nova consulta, Cayce, adormecido, foi de uma franqueza rude, de uma

severidade a que poucas vezes recorreu na sua longa vida de serviço ao próximo. Explicou que a

Quer dizer, teve uma melhora, invés de

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doença de Durbin era um problema cármico, que somente poderia melhorar se ele mudasse de atitude mental, com respeito “à sua própria situação, às coisas e ao semelhante”. Nenhum tratamento poderia ser eficiente enquanto não houvesse um esforço espiritual. "O corpo é, na verdade, o templo do Deus vivo, mas como está ele no momento? Truncado na sua finalidade e na faculdade de se regenerar. Que falta? Aquilo que é a própria vida, aquela influência ou força a que chamam Deus. Será que você a aceita ou a rejeita? Cabe a você decidir.” Ou seja, mais uma vez Cayce tentou ajudá-lo, só que dessa vez de uma forma mais severa, mais rígida. Colocando para ele: enquanto você não melhorar o teu comportamento mental, não só o comportamento com os outros, mas o comportamento mental, o pensamento, nenhum tratamento vai trazer benefício nenhum. Vai estagnar aí, vai parar aí, porque necessita de uma reforma moral para poder se quitar com a Lei de Deus. Ele fala, é essa força de Deus. Você vai aceitar ou vai rejeitar. Você vai lembrar que existe um Deus e esse Deus é um Deus de justiça, de misericórdia, ou você vai ficar sempre se rebelando? Isso é muito importante para gente, porque o Cayce não tinha estudos de Doutrina Espírita, mas ele trouxe a mensagem que nós temos na Doutrina Espírita. E se a gente pega o livro do Milton Menezes O Sentido do Sofrimento, a gente vai vendo como as coisas vão se cruzando, vão se completando. Lógico, que hoje o estudo da Psicologia facilita muito as coisas para gente. O que a Doutrina Espírita também trouxe há quase duzentos anos, a Psicologia agora tem ajudado e muito a gente a entender, a esclarecer. Lógico, que eles vão usar alguns termos um pouco diferentes. Ele fala lá em psiquismo profundo e a gente vai simplificar usando a palavra perispírito. Mas no final das contas a informação que traz lá, mesmo puxando para a Psicologia, porque ele fala de perispírito também, porque ele é espírita, mas ele tem todo um vocabulário dentro da área da Psicologia. Nada que impeça a gente de ler também. Ele coloca numa linguagem muito fácil. Mesmo tendo alguns termos que são mais da área da Psicologia, a gente pode perfeitamente trazer para os nossos estudos e para o nosso entendimento de Doutrina Espírita. Edgar Cayce a partir desses trabalhos que foi realizando foi tirando algumas conclusões. O outro caso é o da Stella:

“Num outro caso dramático, Stella Kirby, uma senhora simpática, tranqüila e algo tímida, divorciou-se e ficou com uma filha para cuidar. Aconselharam-na a empregar-se como enfermeira e, na verdade, pouco depois ela encontrou o emprego com que sonhava. O salário era elevado, seus aposentos quase luxuosos, numa casa de família rica. Stella, no entanto, quase desmaiou ao ver o seu paciente. Era um homem de 57 anos, em completo estado de imbecilidade. Sua cama era cercada por uma jaula de ferro. A pobre criatura ficava sentada, despedaçando a roupa que lhe vestiam; recusava-se a comer e mantinha-se em permanente estado de imundície, sem controle de suas funções naturais, de olhar vago, inexpressivo, sem falar e sem entender nada. Stella encheu-se de coragem e entrou na jaula para cuidar do seu paciente, mas ao tomar contacto com ele sentiu-se tão mal que teve de ir ao banheiro para vomitar. Em completo desespero, pois necessitava aflitivamente do emprego, procurou Cayce para uma consulta. Foi-lhe dito, pelo médium adormecido, que já duas vezes no passado os caminhos de Stella e daquele homem se haviam cruzado. No Egito, ele havia sido filho dela. O asco que ora sentia por ele, no entanto, provinha de uma existência no Oriente Médio, na qual ele fora um rico filantropo que, no entanto, levava uma secreta existência de devassidão, numa espécie de harém, onde praticava abusos de toda sorte. Stella fora, então, uma das infelizes que tinham de se submeter aos seus caprichos. Quanto ao problema atual, o conselho de Cayce foi sábio e profundo. Como sempre dizia, assegurou-lhe que o espirito do doente responderia ao afeto. Stella deveria, pois, aprender amá-lo, se é que ela desejava vencer suas próprias barreiras cármicas. Abandonar a casa não seria solução, porque a ligação entre os dois continuaria em suspenso. a invadir os domínios de futuras existências. Stella jamais ouvira falar de reencarnação. Cayce lhe disse, ainda, que numa outra existência, na Palestina, ela cuidara de crianças defeituosas e que, portanto, estava habilitada ao trabalho junto a seu paciente. Ela voltou à tarefa com nova carga de coragem e nova compreensão

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dos seus problemas. Para encurtar a história: o pobre homem de fato respondeu ao tratamento carinhoso de Stella; começou a alimentar-se espontaneamente, a conservar-se limpo e vestido. Com o olhar pacificado ele seguia Stella, sem perde-la de vista um minuto. Ao cabo de dois anos, resolvidos os problemas espirituais, expirou tranqüilamente e Stella retomou a sua vida, com a visão espiritual enriquecida pela valiosa e difícil experiência.” As conclusões que Edgar Cayce vai tirando dos trabalhos que realiza:

“Por exemplo: é útil conhecermos nossas encarnações anteriores?” Tem um capítulo no Livro dos Espíritos que fala sobre isso. a gente sabe que não é grande coisa. é a passagem do Evangelho do túmulo caiado, por fora está bonitinho mas vai abrir para ver o que tem. É melhor deixar do jeito que está. Ele diz:

“ Sim, quando desse conhecimento possa resultar algum beneficio para o desenvolvimento do

Espírito.” Nós temos também no Livro dos Espíritos dizendo para gente que em algumas situações é permitido que nós conheçamos sim, o passado. Para testar a gente. Para mudar determinadas rotas que estamos tomando. Para consertar os erros do passado. e mesmo assim se a gente tiver condição para conhecer, para saber. Porque se não tiver condição, fica lá fechadinho. É aquela questão do fardo. Deus só vai dar o fardo que possa ser carregado. Se a lembrança do passado, o conhecimento de outra vida é alguma coisa que eu vou conseguir suportar, que eu vou conseguir trabalhar mentalmente, sentimentalmente, psicologicamente, espiritualmente, tudo bem, até pode vir. Mas se não for desse jeito não adianta, para quê? Para jogar a pessoa numa depressão, para jogar a pessoa num processo de doença, de crise, de acomodação, para suscitar revolta, raiva, rancor de outros companheiros? Então não vale a pena, deixa lá guardado.

“ Caso contrário, a norma é o esquecimento e a dificuldade de acesso às nossas remotas

memórias.” Essa é uma conclusão de Edgar Cayce no início de 1900 e hoje temos a Psicologia com todo um trabalho desenvolvido com a terapia de vidas passadas, que também não é feita de qualquer jeito. A própria Psicologia diz que esse é um trabalho que tem que ser uma coisa cuidadosa, tem que ter um objetivo real, tem que ter um motivo sério para fazer isso, senão não adianta. Quando a gente não tem a possibilidade do terapeuta, mas a espiritualidade quer que a gente saiba alguma coisa, ela vai dando os indícios, pelas situações da nossa vida, pelos sonhos que a gente tem, pelas dificuldades que a gente tem no nosso pensamento, no nosso sentimento. Tem umas questões no Livro dos Espíritos que diz que se a gente quer saber do nosso passado é só olhar bem para as nossas imperfeições, para as nossas dificuldades e para as situações que chegam na nossa vida e como a gente reage a elas. Se a gente fizer uma análise disso, vai ter uma boa idéia do que a gente fez e foi no passado.

Ele continua:

“ Cayce adverte, várias vezes, de que as leis divinas somente deixam filtrar para o nosso

consciente aquilo que podemos suportar como espíritos encarnados.” A gente vê que a conclusão dele bate direitinho com a Doutrina Espírita sem ele nunca ter lido Doutrina Espírita e bate com a questão da reencarnação, Lei de Causa e Efeito, o que eu fiz no passado vai ter uma conseqüência, pode ser nessa vida, pode ser numa próxima. Mas a gente vai responder por cada coisa que a gente faz.

No livro do Milton Menezes O Sentido do Sofrimento, ele coloca a questão do próprio pensamento. Às vezes, a gente não faz as coisas, não tem coragem de fazer, se inibe de fazer determinadas coisas, por questões sociais. Mas se o nosso pensamento e o nosso sentimento está sempre ali, contínuo, em determinado pensamento, em determinado sentimento, mais hora menos hora vai responder por isso também. Porque estamos marcando o perispírito. E marcando o perispírito, uma hora essa marca vai ter que ser colocada para fora. Aí vem lá o braço, a perna atrofiado, o problema da loucura, vem problemas e dificuldades diversas para nossa vida. É a Lei de Causa e Efeito.

“ Ensina também que, embora nos seja dado algum conhecimento, sob determinadas

condições, cabe a nós, exclusivamente, a decisão pessoal sobre a maneira de agir.” O Hermínio

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coloca assim: “É a Doutrina Espírita da responsabilidade pessoal, que nos dá o mérito das nossas conquistas e os ônus das nossas falhas.” Ele chega a mesma conclusão que nós temos na Doutrina Espírita. No final das contas a decisão é nossa. Eu quero matar o outro, quero ficar pensando besteira, quero continuar na minha vida de maledicência, no meu vício, seja ele qual for. É teu livre-arbítrio. Ninguém vai poder

chegar, colocar uma arma na tua cabeça e falar assim: “A partir de hoje você não pensa mais nisso.

A partir de hoje você não vai mais falar mal do teu vizinho. A partir de hoje você não vai mais

sentir raiva de ninguém.” Não dá. Eu posso até fingir que estou aceitando e não vou fazer. Mas no final das contas sou eu mesmo que escolher. É a questão do livre-arbítrio.

“ Aqui e ali, as leis divinas nos ajudam a entender melhor os nossos problemas,

revelando-nos a razão oculta, mas não resolvida, das nossas dores atuais.” Vai lá para o livro do Milton Menezes também. Conscientemente eu posso não saber que na encarnação de duzentos anos atrás eu fui uma mulher da “pá virada”. Eu posso não saber conscientemente, mas nessa vida, os problemas que vão me chegando, de relacionamento, de saúde, vão me dizendo que eu tenho uma questão não resolvida e essa questão não resolvida é o que me traz o problema de hoje. Na verdade, cada vez que a gente se depara com a dificuldade, com o sofrimento, com a dor, com o problema, para gente agora dentro da Doutrina Espírita, não é que a gente vai fazer apologia da dor, que fique feliz, sorrindo, porque está sofrendo. Não é isso, lógico que não. Mas a gente já consegue olhar aquele sofrimento e dizer que é alguma coisa que eu preciso resolver. A história da professora: “Deus vai me dar outra vida cheia de complicação, de problema, de sofrimento, já basta uma.” Para companheira o sofrimento não está servindo de muita coisa, porque ela ainda não consegue olhar o sofrimento e dizer: “Eu mereço isso, isso é para mim mesmo. É alguma coisa que eu preciso resolver.” Mas a gente não vai interferir no livre-arbítrio do companheiro, não vai tentar goela abaixo o que a gente entende como verdade. Porque também é outra coisa, a Doutrina Espírita é uma verdade para nós e a gente não pode querer obrigar o outro a aceitar a Doutrina Espírita como verdade.

“ Outra lição vital que aprendemos nas palavras de Cayce, tanto quanto nos ensinamentos da

Doutrina Espírita, é a de que o homem é aquilo que pensa. É a força do seu pensamento que modela os seus atos e, por conseguinte, o seu estado de espírito, sua posição evolutiva, e a melhor ou pior situação humana nas vidas que se encadeiam. Nossos erros de hoje serão, fatalmente, as

dores de amanhã: o sofrimento que hoje causamos virá, mais cedo ou mais tarde, atingir-nos no mais fundo do nosso ser.” Lei de Causa e Efeito, mas ele começa com um pensamento. O pensamento e o sentimento norteiam a tua ação. A gente faz aquilo que a gente pensa e sente. O comportamento, a atitude, o ato é a exteriorização daquilo que a gente traz dentro de nós. Às vezes, a gente esconde o que está lá dentro de nós, mas está lá e uma hora tem que sair de alguma forma. Se for algo negativo, ruim, vai sair na forma de doença, de problema, de dificuldade. Se for uma coisa boa vai facilitar a nossa caminhada para que ela se torne mais reta, menos problemática. Isso aqui me lembra um texto que

eu li num outro livro, nem é espírita. Uma história de um homem, que casou e logo no dia seguinte

do casamento ele disse para a esposa que ia sair da cidadezinha deles para procurar um lugar onde ele pudesse ganhar a vida e quando tivesse dinheiro voltaria para a esposa. Ele sai. Chega numa fazenda e consegue emprego. O patrão é muito bom e ele diz para o patrão: “Invés do senhor me dá o dinheiro, o senhor vai guardando o meu dinheiro para quando eu retornar para minha esposa, o senhor me dá o dinheiro todo. Para levar para minha casa.” Nisso passam vinte anos. Ele resolve que vai voltar para a esposa. Fala para o patrão, que fica triste e diz: “Vou pegar teu dinheiro, mas antes quero falar uma coisa contigo. Você quer o dinheiro ou três conselhos?” Ele pensa e resolve optar pelos três conselhos. O patrão dá os três conselhos. Diz para ele nunca entrar por atalhos, sempre seguir o caminho certo. Não se deixar levar pela curiosidade e nunca se deixar levar pelo sentimento de raiva, no momento mesmo que raiva explode. São os três conselhos que o patrão dá e

pega três pães e diz: “Esses você vai comendo pelo caminho e esse você só vai comer quando chegar em casa, quando estiver com a tua esposa.” Ele vai embora com os três pães, sem o dinheiro,

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preferiu os conselhos. Ele segue e

emboscada. Ele fica aliviado e segue. Chega numa hospedaria, vai dormir e no meio da noite ele ouve uns gritos desesperados, ele levanta e quando vai meter a mão na maçaneta para ir para o corredor ver o que está acontecendo lembra do segundo conselho, “não se deixe levar pela curiosidade.” Volta para a cama e dorme tranqüilamente. No dia seguinte quando ele acorda o dono da hospedaria pergunta se ele não ouviu a gritaria, a confusão durante a noite. Ele disse que ouviu, mas que não gostava de se envolver em situações, prefiro ficar dormindo. O hospedeiro diz para ele:

Você é o primeiro visitante que passa por essa hospedaria sem morrer, porque o meu filho é louco e quando ele tem as crises, ele mata quem estiver pelo caminho.

Quando ele está perto de casa vê a esposa abraçada com um homem. Fica morrendo de raiva. Lembra do terceiro conselho, “não agir sob o efeito da raiva.” Passa a noite na floresta para resolver a traição no dia seguinte. Chega para tirar satisfação com a mulher e descobre que o homem era filho dele. Ele só passou uma noite com ela, mas ela engravidou.

A sorte maior, quando ele vai abrir o pãozinho para dividir com a esposa e o filho, o

dinheiro estava lá, o patrão não ficou com o dinheiro dele. Deixou o dinheiro escondido no pão. Mas o que lhe valeu foi seguir os três conselhos. Ele teve o livre-arbítrio nas situações. Quantos de

nós escolhe o caminho mais fácil.

O Milton Menezes diz que nós na nossa vida de espíritos imortais, somos assim. Muitas

vezes, nos deixamos levar com a crença, com a ilusão das facilidades e aí a gente sai do caminho. Ele faz uma comparação, como se nós estivéssemos numa estrada reta, que a gente só visse, por causa do calor, a fumacinha do asfalto subindo e começa a se cansar. Parece tão monótono, chato e se cansa daquela estrada. Resolve sair para o acostamento, que tem umas irregularidades. Não satisfeito, daqui a pouco, a gente saiu até do acostamento. Começa a vir o buraco. Daqui a pouco se embrenha mais para frente e tem o mato, isso e aquilo, quando a gente vê está completamente perdido, numa situação catastrófica. Ele diz que é preciso retornar, só que o retorno é difícil. É fácil porque a gente foi e sabe o caminho de retorno, mas tomar a decisão e ter a coragem de retornar, é difícil. É a comparação que ele faz conosco, nessa trajetória ali. Vem de encontro com a questão 614 do Livro dos Espíritos que diz que a Lei de Deus é a única para felicidade do espírito e ele só é infeliz quando se afasta dela.

Pergunta 614: Que se deve entender por lei natural? Resposta: “A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica- lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta.”

uma emboscada preparada para ele. Ele pereceria na

Na hora que a gente resolve sair para o acostamento, a gente está se afastando da Lei de Deus. A Lei de Deus era aquele caminho. Pode até parecer monótono, pode parecer chato, mas é aquele o caminho. A partir do momento que vai se afastando, pega rotas tortuosas, que uma hora vai ter que reconhecer que fez o errado, vai ter que voltar e esse retorno, muitas vezes, é doloroso. Porque vai ter que passar, pelo que a gente conhece de Doutrina, pelas provas, pelas expiações, para poder consertar tudo o que fez de errado e resolver o que tem que resolver.

“ A lei não pune nem a dor é castigo. A lei indica o caminho a seguir e a dor redime a consciência inquieta, corrigindo a rota espiritual.”

A dor vem nos mostrar de novo a nossa rota. O Milton Menezes coloca como pedagogia do

sofrimento. Porque a pedagogia são os métodos, os caminhos, as formas de nós chegarmos a um aprendizado, termos uma conquista em termos de aprendizado. Então, a pedagogia do sofrimento é, o sofrimento como mecanismo, como estratégia para nos tornarmos felizes. Para voltarmos para o

caminho da Lei de Deus e seguirmos adiante.

“ Há também a lei universal e divina do perdão que liberta o espírito da longa cadeia do

ódio que gera o ódio. Não cabe a nós cobrar as faltas cometidas contra nós. Primeiro, que também as cometemos (e muitas) alhures, no passado e no presente; segundo, que, trocando a vingança pelo perdão, livramos o nosso espírito das correntes do ódio e, portanto, do sofrimento.”

É a questão pelo lado científico. Os cientistas mostrando que, à medida que você perdoa,

que vai se livrando desses sentimentos de raiva, de rancor e você perdoa as outras pessoas, você beneficia a tua saúde mesmo, o teu corpo físico. E à medida que você não perdoa, fica ali preso a

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raiva, ao ódio, ao desejo de vingança, ao rancor, ao ressentimento, você vai prejudicando teu organismo, você vai envenenando teu organismo. Se não for nessa vida que esse veneno exploda como uma doença, numa outra vida, provavelmente, isso virá e acontecerá. Como aconteceu com o Paul Durbin, o braço e a perna encolhendo.

“ Quanto a Deus, a concepção de Edgar Cayce se fundamenta no princípio de que Ele já

nos perdoou a todos de nossas faltas — a reencarnação é apenas o maravilhoso instrumento que Ele nos oferece para a nossa própria redenção.” Também é lindo não é? Deus já nos perdôo. Deus não tem mágoa nenhuma da gente. Deus não quer castigar ninguém. Deus não pune ninguém. Nós somos filhos queridos de Deus. A reencarnação é o mecanismo que ele utiliza, para que nós mesmos nos perdoemos, para que

alcancemos nossa redenção.

A gente vê que o Edgar Cayce em momento nenhum fala em perispírito. Lógico, não era da

alçada dele. Ele não era espírita, era protestante, não ia ficar falando de perispírito. Ele tinha a noção da reencarnação, ele tinha a noção que as dificuldades do passado de alguma forma eram

trazidas para outras vidas e que acabavam resultando em doenças, em problemas para a criatura, mas ele não sabia, exatamente, como esse mecanismo funcionava.

A Doutrina Espírita já vem falar para gente do perispírito, que é o elemento intermediário

entre o espírito e o corpo físico. Corpo físico, algo muito material, muito grosseiro e o espírito que a gente não sabe o que é. Sabemos que somos espíritos, mas qual é a matéria que forma o espírito? A

gente não sabe. De qualquer jeito, para o espírito que é alguma coisa imaterial, por falta de palavra, por ser a que a gente pode usar no momento, para o corpo que é alguma coisa muito material, tinha que ter um elemento de ligação, que estabelecesse a relação, que não fosse nem tão grosseiro nem tão pesado quanto o corpo material e que não fosse essa essência que a gente desconhece. O perispírito é esse elemento intermediário. É ele, que agora a gente sabe pela Doutrina Espírita, por André Luiz, por outras obras, que é esse elemento semi-material que vai fazendo os registros dessas vivências passadas. Tudo o que o espírito faz, que contraria a Lei de Deus, de alguma forma fica registrado no perispírito. Toda vez que o espírito faz alguma coisa de acordo com a Lei de Deus, também fica. Com a diferença que, quando a gente faz o que é certo, é conquista nossa, é mérito nosso. Quando a gente faz o errado, vai ter esse registro, para uma hora ter que colocar para fora. Um fica de posse definitiva e o outro de alguma forma, em algum momento da nossa existência a gente vai ter que jogar fora. O perispírito é esse elemento que vai fazendo esses registros. No livro Reencarnação e Imortalidade, de Hermínio C. de Miranda, capítulo 13, “Os soviéticos descobrem o perispírito”. Ele fala da fotografia Kirlian. Infelizmente ou felizmente, nem sei, é dá caminhada humana, da nossa dificuldade de aceitar determinadas coisas, precisa vir a ciência para comprovar e passar a ser aceita socialmente. A questão do perispírito, precisa ter o soviético fazendo a máquina que fotografa, começar a pensar no perispírito, que eles aqui chamam de corpo secundário. Precisa todo esse andar científico para uma verdade nossa começar a ser espalhada, divulgada. Sobre a fotografia Kirlian ele coloca algumas coisas interessantes:

O casal Kirlian descobriu, por exemplo, que “vemos nas coisas vivas o sinal dos estados interiores, refletidos no brilho ou na falta de luminosidade e cor das “labaredas”. As atividades da vida interior do ser humano estão escritas nesses hieróglifos luminosos. Criamos um aparelho que escreve tais hieróglifos, mas, para interpretá-los, vamos precisar de ajuda”. Eles perceberam o perispírito através da fotografia Kirlian e eles percebem que essa exteriorização do perispírito que é registrada pela fotografia, mostra o que vai dentro de nós naquele momento. Essa descoberta resultou, como muitas, de um chamado “acaso”, quando, na excitação de uma demonstração importante, o nervosismo dos próprios operadores impediu que o fenômeno se produzisse com o brilho que era de esperar-se. Pensou-se, a princípio, que havia um defeito no aparelho; só depois se evidenciou, claramente, que a falha estava nos próprios operadores, por causa da excitação, do nervosismo, das preocupações que traziam naquele momento e que, nitidamente, se traduziram nas imagens, tal como estavam sendo emitidas.

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A energia que anima essa bioluminescência não é, segundo os cientistas soviéticos, nem elétrica nem eletromagnética. É uma forma desconhecida de energia, que ainda não se classificou devidamente, mas que, sem dúvida alguma, rasgou para o futuro amplas perspectivas para insuspeitadas paisagens. Um exemplo, entre outros: doenças que ainda não se transpuseram ao corpo físico são identificadas como anomalias já existentes na contraparte bioluminescente do ser (planta ou animal). Já se pensa nas tremendas possibilidades que essa descoberta oferece ao esclarecimento do problema do câncer. Mais do que isso, porém, vemos na revelação científica aquela certeza antiga, que todos nós espíritas possuímos, de que disfunções perispirituais acabam por se traduzir em doenças orgânicas. E que, reversamente, operações ditas espirituais, realizadas nos delicadíssimos tecidos do perispírito, eliminam males físicos, porque lhes tiram o suporte patológico localizado no corpo de matéria sutil. Eles já começam a pensar no uso dessa máquina fotográfica especialíssima para detectar futuras doenças. Porque de alguma forma o corpo e o perispírito vão exteriorizar isso e a fotografia vai lá representar. À medida que se souber fazer essa leitura com mais precisão, vai poder descobrir:

“Ah! nesse ponto aqui tem um câncer que daqui algum tempo pode vir a eclodir” E se faz o tratamento antes. A gente vê que a ciência vai caminhando e confirmando o que a Doutrina Espírita traz para gente. À medida que ela caminha, mesmo que outros não acreditem no que nós acreditamos, esse companheiros estão sendo beneficiados. É sempre misericórdia divina. Vou terminar com Joanna de Ângelis no livro Estudos Espíritas capítulo 4, Perispírito. CONCEITO – Parte essencial do complexo humano o perispírito ou psicossoma se constitui de variados fluidos que se agregam, decorrentes da energia universal primitiva de que se compõe cada Orbe, gerando uma matéria hiperfísica, que se transforma em mediador plástico entre o Espírito e o corpo físico. Graças à sua existência, a dualidade ancestral, Espírito e Matéria, se transformou em organização trina, em considerando a essencialidade de que se faz objeto, na sustentação da vida vegetativa e orgânica, de que depende o soma, como veículo da Alma, e, simultaneamente, pelas impressões que envia à centelha encarnada, que as transforma em aquisição valiosa, decorrente da marcha evolutiva. Revestimento temporário, imprescindível à encarnação e à reencarnação, é tanto mais denso ou sutil, quanto evoluído seja o Espírito que dele se utiliza. Também considerado corpo astral, exterioriza-se através e além do envoltório carnal, irradiando-se como energia específica ou aura.

Por mais complexos cálculos se processem as técnicas para o estudo da irradiação perispiritual ou da sua própria constituição, faltam, no momento, elementos capazes de traduzir aquelas realidades, por serem, por enquanto, de natureza desconhecida, embora existente e atuante. Não é uma condensação de caos elétrico ou de forças magnéticas, antes possui estrutura própria, maleável, em algumas circunstâncias tangível — como nas materializações de desencarnados, nas aparições dos vivos e dos mortos; atuante — nos transportes, nas levitações; ora ponderável, podendo aumentar ou diminuir o volume e o peso do corpo; ora imponderável, como ocorre nas desmaterializações e transfigurações. Informe na sua natureza íntima, adquire a aparência que o Espírito lhe queira imprimir, podendo, desse modo, tornar-se visível em estado de sono ou de vigília, graças às potencialidades de que disponha o Ser que o manipula.

MORAL e PERISPÍRITO – Refletindo o pretérito do homem, na forma de tendências no presente, liberta-se das fixações negativas ou as avoluma, consoante a direção, que ao Espírito aprouver aplicar, dos recursos natos. Toda experiência venal brutaliza-o, desequilibrando-lhe os centros vitais que, posteriormente, responderão com distonias e desordens variadas, em forma de enfermidades insolúveis.

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As ações de enobrecimento e os pensamentos superiores, quando cultivados, oferecem-lhe potencialidades elevadas, que libertam das paixões, com conseqüente sublimação dos sentimentos que exornam o Espírito. Não foi por outra razão que o Mestre recomendou cuidado em relação aos escândalos, às agressões mentais, morais e físicas, considerando melhor o homem entrar na Vida sem o membro escandaloso, do que com ele, como a afirmar que melhor é ser vítima do que fator de qualquer desgraça. Possui todo Espírito os inestimáveis recursos para a felicidade como para a desdita, competindo-lhe moralizar-se, disciplinar-se, elevar-se, a fim de ascender à pureza, após a libertação das mazelas de que se impregnou. (Livro Estudos Espíritas – Cap. 4 – Joanna de Ângelis – Divaldo P. Franco – Ed. F.E.B.)

É tarefa nossa, intransferível.

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Conceito de Saúde Física e Saúde Espiritual

Aula dada por Fátima Ventura em 03/06/2004

Nós começamos encontrando no O Consolador, algumas colocações de Emmanuel que são definições:

Questão 95: Em face dos esforços da Medicina, como devemos considerar a saúde? Resposta: “Para o homem da Terra, a saúde pode significar o equilíbrio perfeito dos órgãos materiais; para o plano espiritual, todavia, a saúde é a perfeita harmonia da alma, para obtenção da qual, muitas vezes, há necessidade da contribuição preciosa das moléstias e deficiências transitórias da Terra.”

Se nós saíssemos por aí perguntando as pessoas, o que é saúde para você? A maioria da população diria isso, que é a saúde, o equilíbrio, o bem estar dos órgãos físicos.

A Organização Mundial de Saúde já define a saúde como um equilíbrio da saúde física

com a saúde mental, até como equilíbrio, um bem estar social. Mesmo que você não esteja doente, mas está num ambiente hostil, insalubre ou violento e isto te traz de alguma forma um

ônus, te pesa de alguma forma, você já não está mais com a saúde perfeita. É o conceito da Organização Mundial de Saúde. Mas o senso comum vai dizer: se não estou doente, estou com saúde.

A saúde, na verdade, seria o perfeito equilíbrio da alma, estamos entrando no nível da

saúde espiritual, é alguma coisa que não está restrita ao corpo físico, mas a saúde plena do

espírito. Equilíbrio, harmonia. Pode ser uma necessidade para a aquisição da harmonia espiritual, a doença física.

Questão 96: Toda moléstia do corpo tem ascendentes espirituais? Resposta: “As chagas da alma se manifestam através do envoltório humano, o corpo doente reflete o panorama interior do espírito enfermo. A patogenia é um conjunto de inferioridades do aparelho psíquico. E é ainda na alma que reside a fonte primária de todos os recursos medicamentosos definitivos ”

Nós vemos no corpo físico, como se fosse um mata-borrão, uma expressão daquilo que ainda está marcado na alma, consequentemente, no corpo espiritual e, naturalmente, transparece no corpo físico. Um é reflexo do outro. Não há como fazer essa separação. Não há como ter o espírito plenamente saudável e o corpo cheio de mazelas. Essa relação é uma relação direta. Nós vivemos pensando que a cura de todas as mazelas está na ciência, em medicações caríssimas, está em pesquisas avançadas que custam fortunas. Evidentemente, que tudo isso faz parte. Nós sabemos que tudo isso está na Lei de Deus. Esse caminhos são caminhos de progresso e conquista da saúde. Mas a fonte de toda a saúde verdadeira está dentro de nós mesmos. Pegamos dois doentes com a mesma moléstia, com o mesmo mal, às vezes, incurável, e vemos que a repercussão da doença é diferente. Nós temos estudos que saem em revistas de grande circulação, em que os médicos estão deixando isso bem claro. A pessoa pode ter a mesma doença que a outra, mas dependendo da sua atitude mental, o resultado é diferente. Dependendo da atitude interna de cada pessoa, ela está mais predisposta a adquirir determinadas doenças do que outra que tem uma atitude íntima totalmente diferente. Meu pai mesmo quando teve câncer e se perguntou ao médico responsável qual a avaliação que ele fazia, o médico disse: “— Olha, ele teria em média alguns meses de vida. Mas, nenhum médico pode dizer quanto tempo um paciente tem de vida, porque isso depende muito do paciente.” E na verdade de alguns meses, foram dois anos e ele só foi em virtude de uma cirurgia, que seria para avaliar o quadro interno, daí veio um processo infeccioso, uma infecção hospitalar e ele se foi.

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Do Livro Dias Gloriosos de Joanna de Ângelis:

Da mente (que comanda o cérebro) procedem todos os programas a que o corpo se submete. Tudo que meu corpo realiza depende dos comandos que a minha mente, enquanto espírito, transmite ao cérebro físico. Ela diz que da mente emanam ondas. Essas ondas atingem todo o sistema nervoso central, sistema endócrino e o sistema imunológico. Sendo que eles três se inter-relacionam. Eles recebem esses comandos, através das ondas, se inter-relacionam e emitem comandos para os demais departamentos celulares.

Mente

Mente Sistema Nervoso Central Sistema Endócrino Sistema Imunológico Demais departamentos celulares

Sistema Nervoso Central

Mente Sistema Nervoso Central Sistema Endócrino Sistema Imunológico Demais departamentos celulares
Mente Sistema Nervoso Central Sistema Endócrino Sistema Imunológico Demais departamentos celulares

Sistema Endócrino

Sistema Imunológico

Mente Sistema Nervoso Central Sistema Endócrino Sistema Imunológico Demais departamentos celulares

Demais departamentos celulares

Então, se a minha mente está vibrando numa atmosfera positiva, ou seja, se eu estou ligada a pensamentos, a vibrações de paz, de harmonia, de trabalho e de fé, evidentemente, isso é que transmitido aos sistemas que comandam o meu corpo e esses sistemas transmitem isso para todas as outras células da organização física. Eu tenho um estado de saúde, porque a minha mente vibra, trabalha de forma saudável. Então, essas ondas se envolvem e comandam todo o meu corpo. Isso nos levaria, a todos, a ter saúde. Porque basta, parece tão simples, que a mente funcione de forma saudável, que o espírito se ligue àquilo que é saudável, para que esses comandos se transmitam para os sistemas e os sistemas para todas as células e você tem saúde. Na prática olhamos para nós próprios e para aqueles que nos cercam e não vemos essa fartura de saúde. Por quê? Porque o indivíduo traz marcas profundas de compromissos não solucionados de outras existências. E essa marca negativa, esse peso, normalmente, fica comigo. Ele se manifesta na forma de conflitos, traumas, baixa estima, na necessidade de autopunição, sentimentos depressivos. Isso é alguma coisa que nós temos dificuldade de nos livrar. Nós vemos crianças que apresentam essas características. Crianças depressivas, muito tristes, que acham que ninguém gosta delas. Às vezes, parece que nós temos necessidade de nos punirmos: “Eu não vou conseguir. Comigo não vai dar certo, não adianta, eu já tentei tantas vezes. Eu vou tentar só por desencargo de consciência.” O que é isso? São esses mecanismos que funcionam de forma negativa para nós. Joanna diz que eles não são necessários e não contribuem para o nosso processo evolutivo. Por isso, fomos lembrar de Jesus (Mt. 9:10-14), ele estava em uma refeição com os pecadores (os publicanos, pessoas consideradas de má vida.) Ele estava com eles e é lógico que os doutores da lei, os fariseus estranharam, recriminaram e Jesus então respondeu que não são os sãos que precisam de médico e sim os doentes e que ele veio exatamente, para esses doentes, que somos todos nós. Pegou um trecho do antigo testamento e que Deus já nos ensinou: “Misericórdia quero e não sacrifício.” Ou seja, a Lei de Deus não está querendo que eu viva me punindo por aquilo que errei, mas que eu tenha misericórdia até comigo mesma, para fazer aquilo que precisa ser feito. É o levanta-te e anda do Evangelho. Não adianta ficar na situação de menos valia nem sofrimento, até porque, a mente se sentindo sofrida, magoada, diminuída, tendo necessidade de se autopunir, vai passar isso para os sistemas, os sistemas passam para os órgãos e temos a doença física. E aí fica