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ESTRUTURAS DE CONCRETO E AÇO

Materiais estruturais, tipos de esforços, e fenômenos de


tensão, deformação, flambagem e vibração
ESTRUTURAS DE CONCRETO E AÇO
Materiais estruturais, tipos de esforços, e fenômenos de tensão,
deformação, flambagem e vibração

GABRIEL LUAN PAIXÃO MOTA


UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS | CURSO DE ARQUITETURA E URBANISMO
1. MATERIAIS ESTRUTURAIS
1.1. A pedra
• Durabilidade
• Resistência à compressão (Não tração)
• Disponibilidade.
Porém, é difícil de cortar e esculpir e, por isso, tem-se
dificuldade de dar a forma que se deseja.

Nas esculturas usa-se mais as pedras menos duras,


como o calcário (mármore), por exemplo, mas o tempo
de execução do trabalho ainda assim é incompatível
com a atividade de construção de edifícios.
1. MATERIAIS ESTRUTURAIS
1.2. A madeira
✓ Facilidade de manuseio
✓ Disponibilidade ➡ renovável
✓ Boa resistência à compressão e tração.

• Material combustível e vulnerável


aos ataques por microrganismos.

• A umidade é outro fator que oferece


desvantagem.
1. MATERIAIS ESTRUTURAIS
1.3. A argila
✓ Disponibilidade
✓ Se usada crua, sem cozimento, com água, gera argamassa de
assentamento.
✓ Moldada e cozida, temos os tijolos,
que têm relativa resistência à
compressão.
1. MATERIAIS ESTRUTURAIS
1.4. O aço
É produzido em usinas fazendo-se a retirada de impurezas e do
carbono do minério de ferro.

✓ Excelente resistência à
compressão e tração.
✓ Oxidação e corrosão
✓ Tempo de trabalho otimizado.

▪ O custo é um fator negativo.


▪ Mão-de-obra especializada
1. MATERIAIS ESTRUTURAIS
1.5. O concreto
Material constituído pela mistura de agregados, cimento e água e
que quando endurecido torna-se uma pedra artificial.

✓ Ótima resistência à compressão


(Não tração).
✓ Boa resistência à ação do fogo,
aos efeitos atmosféricos e ao
desgaste mecânico
✓ Fácil moldagem ➡ uso de fôrmas
1. MATERIAIS ESTRUTURAIS
1.5. O concreto
✓ Não é necessário dispor de mão-de-obra especializada.
✓ Custo aceitável dentro dos padrões de construção.

✓ Tempo de trabalho é razoável.


✓ Disponibilidade
✓ Ótima durabilidade ➡ requer
cuidados agregado e com o
aço
1. MATERIAIS ESTRUTURAIS
1.5. O concreto
✓ Adição de aço no concreto simples ➡ Concreto armado
✓ Armadura de aço pré-tensionada ➡ Concreto protendido

o Peso próprio elevado.


o Dificuldade de reforma,
ampliação, ou reparo
estrutural.
1. MATERIAIS ESTRUTURAIS
1.5. O concreto
No concreto armado:
Aço ➡ esforços de tração
Concreto ➡ esforços de compressão
Se supõe que o concreto armado tenha
perfeita solidariedade.
A viabilidade deste material consiste basicamente em:
1. Aderência adequada
2. Capacidade de proteção do aço
3. Coeficientes de dilatação térmica muito próximos
2. TIPOS DE ESFORÇOS
2.0. Introdução

Vamos revisar os tipos de


esforços...
2. TIPOS DE ESFORÇOS
2.1. Esforço Normal
O primeiro dos esforços é o normal, que poderá ser de:
1. Tração - ocorre tração em uma estrutura quando suas
partes sofrem estiramento, afastamento. Uma corda sofre
tração quando é esticada.
2. Compressão - ocorre compressão em uma estrutura
quando suas partes sofrem encurtamento, aproximação. Um
pilar sofre compressão quando em trabalho.
2. TIPOS DE ESFORÇOS
2.1. Esforço Normal

❖ Que tipo de esforço


ocorre de:
❖ AB=?, BC=?, AC=? e
BE=?
2. TIPOS DE ESFORÇOS
2.1. Esforço Normal
I. O peso proveniente do telhado
aplica um esforço de compressão
nos pilares.
II. As paredes também sofrem com
parcela da compressão (tentativa
de aproximação das partículas)
III. O solo recebe um esforço de
compressão da estrutura.
2. TIPOS DE ESFORÇOS
2.2. Esforço de Flexão
Esforço de flexão ➡ dobramento ou encurvamento do eixo
Forças perpendiculares ao eixo da
estrutura.

Na imagem ao lado, a parte


superior da viga bi-apoiada sobre
compressão e a inferior tração, por
flexão.
2. TIPOS DE ESFORÇOS
2.2. Esforço de Flexão
• A viga ao lado é uma viga em que sua
ponta está em balanço.
• O balanço da viga sofre esforço de
flexão.

A parte superior da viga sobre tração por flexão,


enquanto que a parte inferior sobre compressão
por flexão.
2. TIPOS DE ESFORÇOS
2.2. Esforço de Flexão
• No corte ao lado tem-se
uma viga apoiada em
quatro pilares com
deformação exagerada
para fim didático.

• O comportamento dos trechos bi-apoiados é de tração na parte inferior


e compressão na parte superior.
• O trecho em balanço tem tração na parte superior e compressão na
parte inferior.
• O ponto de apoio tem tração na parte superior da viga.
2. TIPOS DE ESFORÇOS
2.2. Esforço de Flexão

É importante introduzir o conceito de


flecha

A flecha é uma deflexão, isto é, o deslocamento de


uma fibra da seção em função da aplicação de um
esforço de flexão.
2. TIPOS DE ESFORÇOS
2.3. Esforço de Torção
Esforço de torção ➡ giro da seção transversal
Forças forçando a estrutura girar em
torno do seu eixo.

É comum a existência de esforço de


torção:
1. Vigas engastadas em vigas
2. Vigas que apoiam lajes em
balanço (marquises)
2. TIPOS DE ESFORÇOS
2.3. Esforço de Torção
Viga A ➡ submetida a esforço de torção
Este esforço provém do momento torçor causado pela atuação de uma
força no extremo da prancha de madeira B.
2. TIPOS DE ESFORÇOS
2.3. Esforço de Torção

É necessário tomar
cuidado com estas
situações.

Balanços grandes aplicam esforços de torção


elevados na viga de apoio ➡ braço de alavanca
Vigas apoiadas em vigas transferem um esforço
de momento fletor e de momento torçor para a
viga de apoio.
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
3.0. Introdução
Trataremos de alguns fenômenos básicos e
importantes

A. Tensão
B. Deformação
C. Flambagem
D. Vibração
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
3.1. Tensão
Conceito da grandeza tensão ➡ Extensão do conceito da grandeza pressão.
Descreve a intensidade da força sobre um plano
específico (área)

❖Tensões normais: São resultado de


um carregamento que provoca a
aproximação ou o afastamento de
moléculas que constituem o sólido.
❖Tensões tangenciais: São
resultado de um carregamento que
provoca um deslizamento relativo de
moléculas que constituem o sólido.
A força F aplica uma tensão normal
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
3.2. Deformação
Força aplicada a um corpo ➡ tendência de mudar a forma e o tamanho dele.

Tais mudanças são chamadas deformação

A deformação pode ser perfeitamente


visível ou praticamente imperceptível
sem o uso de equipamentos.
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
3.2. Deformação
Poderá ser:
Deformação normal - É o alongamento ou a
contração de um segmento de reta por unidade de
comprimento.
Deformação por cisalhamento - É a
mudança de ângulo ocorrida entre dois segmentos
Deformação específica linear de reta originalmente perpendiculares entre si.

As deformações normais e por cisalhamento ocorrem


simultaneamente e são responsáveis por provocar mudança de
volume e formato do elemento.
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
3.3. Relação Tensão x Deformação
Relações entre tensões e deformações ➡ estabelecidas por ensaios
experimentais

Os ensaios são realizados através da


aplicação de uma carga (de
compressão ou tração) e da aferição
da deformação para cada acréscimo
de carga.
O gráfico resultante desta relação é
chamado de diagrama tensão x
deformação. Ao lado apresenta-se
um diagrama típico.
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
3.3. Relação Tensão x Deformação
1. Fase elástica - O material tem comportamento elástico na região elástica,
cujo diagrama apresenta trecho linear. Diz-se que a tensão é proporcional
à deformação (Lei de Hooke). As deformações são transitórias.
2. Escoamento - Em seguida tem-se o limite de escoamento, cujo
comportamento do material é de uma deformação permanente devido a
um pequeno acréscimo de tensão.
3. Fase plástica - Ao fim do escoamento, segue-se um trecho de diagrama
curvo até tornar-se plano no ponto de resistência máxima do material.
Todas as deformações são permanentes.
4. Estricção - Ainda na fase plástica tem-se a estricção que é a redução da
área de seção transversal do material ao invés da deformação do seu
comprimento. O material ainda resiste a tensões inferiores à máxima até
chegar à tensão de ruptura.
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
3.4. Flambagem
Quando se projeta um elemento é necessário que ele satisfaça
requisitos de:

1. Tensão
2. Deformação (Deflexão)
3. Estabilidade

Elemento sujeito a compressão ➡ Deflexão lateral ➡ Flambagem


Flambagem da coluna ➡ falha súbita
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
3.4. Flambagem
A carga axial máxima que um pilar pode suportar
quando está no limite de flambagem (iminência de
flambar) é chamada de carga crítica.

Causas da flambagem:
1. Seções pequenas
2. Alturas (comprimento) elevadas
3. Carga de compressão elevada
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
3.5. Vibração
Vibração ➡ ocorrência em elementos muito leves, como lajes e vigas.
Atuação de cargas dinâmicas ➡ passagem de pessoas
ou atuação do vento.

Carga dinâmica +
elemento leve + vão
grande = problema!
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
3.5. Vibração
É necessário realizar um estudo especial sobre esses
carregamentos dinâmicos. Para superá-los, usualmente, é suficiente
projetar elementos mais robustos.

Nota - Se essa vibração atingir


frequência igual à frequência
natural do elemento, ele
entrará em ressonância,
podendo vir ao colapso muito
facilmente.
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
Balançando nas alturas...
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
Balançando nas alturas...
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
Compreendendo alguns modelos...
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
Compreendendo alguns modelos...
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
Compreendendo alguns modelos...
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
Compreendendo alguns modelos...
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
Compreendendo alguns modelos...
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
Compreendendo alguns modelos...
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
Situações reais de ressonância...
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
Situações reais de ressonância...
3. FENÔMENOS IMPORTANTES
Possíveis soluções...
3. FENÔMENOS IMPORTANTES

Analisem a seguinte situação...


Em Balneário Camboriú.
EXERCÍCIOS
1. Quais são as principais vantagens do concreto como material
estrutural? E suas principais desvantagens?
2. Quais são as principais vantagens e desvantagens do aço como
material estrutural?
3. O que é um esforço de flexão? E um esforço normal?
4. O que é um esforço de flexo-compressão?
5. Por que se deve ter atenção especial para sacadas?
6. Explique sucintamente os 4 estágios do diagrama tensão x
deformação convencional.
7. Cite e explique cada uma das causas da flambagem.
8. Quando pode ocorrer vibração em uma estrutura?
Referências básicas
• PINHEIRO, Libânio M. Fundamentos do concreto e projetos de edifícios. Apostila. Universidade de São
Paulo, Departamento de estruturas - São Carlos. 2007.
• SOUZA, RONILSON FLÁVIO DE SOUZA. Dimensionamento de estruturas de concreto armado. Notas de
aula. Faculdade Pitágoras, 2014.
• ARAÚJO, José Milton. Curso de concreto armado. Coleção completa. Rio Grande: Editora Dunas.
• CAMACHO, Jefferson S. Concreto armado. Notas de aula. Universidade Estadual de São Paulo - UNESP,
Ilha Solteira, 2008.
• BOTELHO, Manoel Henrique Campos. Concreto armado eu te amo. Vol 1 e 2. São Paulo: Editora Edgard
Blucher, 3 ed.
• PFEIL, Walter; PFEIL, Michele. Estruturas de aço: dimensionamento prático. Rio de Janeiro: Editora LTC,
8 ed.
• MARGARIDO, Aluízio Fontana. O uso do aço na arquitetura. Apostila. Fundação para a pesquisa ambiental
- FUPAM.
• REBELLO, Yopanan Conrado Pereira. Bases para projeto estrutural na arquitetura. São Paulo: Zigurate
editora, 2007.