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SEPLAG-SE

Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental

Fundamentos de Economia: 1. Conceitos básicos de micro e macroeconomia. .................................. 1


2. Evolução das funções do Governo. 3. Papel do Governo na economia: estabilização econômica,
promoção do desenvolvimento e redistribuição de renda. ...................................................................... 16
4. A função do Bem-Estar. Políticas alocativas, distributivas e de estabilização. ............................... 21
5. Falhas de Mercado: poder de mercado, bens públicos, semi-públicos, bens privados, externalidades,
informação assimétrica........................................................................................................................... 37
6. Agregados macroeconômicos: as identidades macroeconômicas básicas, o sistema de Contas
Nacionais. .............................................................................................................................................. 47
7. Política fiscal. ................................................................................................................................. 53
8. Conceitos de dívida e déficit público. ............................................................................................. 61
9. Financiamento das políticas públicas. ............................................................................................ 67
10. Política monetária: relação com taxas de juros, inflação, resultado fiscal e nível de atividade. .... 84
11. Política cambial: relação com taxa de juros, taxa de câmbio e regimes cambiais. ....................... 99
12. O Processo de Industrialização da Economia Brasileira. ........................................................... 107
13. Expansão Capitalista. ................................................................................................................ 116
14. Industrialização Brasileira no período de 1930 até 1950. 15. Governo JK. 16. Décadas de 1960 e
1970. 17. 13. A década de 1980: inflação; restrições externas; planos de estabilização. 14. A década de
1990: Consenso de Washington e abertura acelerada da economia; 15. Os Planos Collor I e II. 16. Plano
Real. ..................................................................................................................................................... 124
17. Regime de metas de inflação; limites da política monetária e cambial e a fragilidade a choques
externos. 15. A década de 2000. 16. A desregulamentação financeira e a crise internacional de 2008. 17.
Medidas contra crises adotadas pelo Brasil. ......................................................................................... 144
18. Situação atual da economia brasileira. ....................................................................................... 160
19. Indicadores econômicos atuais: PIB; dívida; juros; tributação; câmbio; inflação; exportações;
importações; balanço de pagamentos; reservas internacionais; produção; emprego; renda; salário
mínimo; crédito e perfil dos gastos federais. ......................................................................................... 169

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Fundamentos de Economia: 1. Conceitos básicos de micro e macroeconomia.

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conceitual. Em qualquer situação, solicitamos a comunicação ao nosso serviço de atendimento ao cliente
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O conceito de Economia1

Existem muitas maneiras de conceber a economia como um ramo do conhecimento. Para os


economistas clássicos, como Adam Smith, David Ricardo e John Stuart Mill, a economia é o estudo do
processo de produção, distribuição, circulação e consumo dos bens e serviços (riqueza).
Por outro lado, para os autores ligados ao pensamento econômico neoclássico, a economia pode ser
definida como a ciência das trocas ou das escolhas. Neste caso, para seguir a definição proposta por
Lionel Robbins, a economia lidaria com o comportamento humano enquanto condicionado pela escassez
dos recursos: a economia trata da relação entre fins e meios (escassos) disponíveis para atingi-los. Deste
modo, o foco da ciência econômica consistiria em estudar os fluxos e meios da alocação de recursos para
atingir determinado fim, qualquer que seja a natureza deste último. Segundo os economistas austríacos,
especialmente Mises, a economia seria a ciência da ação humana proposital para a obtenção de certos
fins em um mundo condicionado pela escassez.

A palavra economia deriva do grego oikonomía: oikos - casa, moradia; e nomos - administração,
organização, distribuição. Deriva também do latim oeconomìa: disposição, ordem, arranjo.

A economia moderna foi muito influenciada pela contribuição do escocês Adam Smith. Adam Smith,
na sua obra A Riqueza das Nações, estabeleceu alguns dos princípios fundamentais da economia, que
ainda hoje servem de guia aos economistas. Adam Smith foi o primeiro a defender que os interesses
privados dos indivíduos produziam benefícios públicos. Porém, diferentemente do atual senso comum,
Adam Smith nunca afirmou que o mercado independe do Estado, ideia esta difundida pelos neoliberais.
No entanto, algumas escolas atuais reconhecem que Aristóteles, outros pensadores gregos e os
pensadores escolásticos do final da Idade Média também deram contribuições importantes à ciência
econômica.
No século XIX, Karl Marx fez a crítica mais influente à economia de mercado e à ciência econômica
ao defender que esta forma de organização econômica é uma forma de exploração do homem pelo
homem. Marx defendia que toda riqueza era produzida pelo trabalho humano e que os donos do capital
se limitavam a apropriar-se da riqueza produzida pelos trabalhadores.
Os argumentos de Karl Marx não convenceram os defensores da economia de mercado já que foram
criticados por Böhm-Bawerk e outros economistas mais tarde. Estes constituíam a escola neoclássica
que dominou o pensamento económico até à década de 30 do século XX. Segundo a escola neoclássica,
o preço de um bem ou serviço não representa o valor do trabalho nele incorporado. Assim sendo é o
equilíbrio entre oferta e demanda que determina os preços. Depois de estabelecido, o preço atua como
um sinalizador das quantidades dos estoques de bens e serviços. Por exemplo, uma variação nos preços
indicaria aos consumidores que determinado bem requer mais ou menos unidades monetárias para ser
adquirido, o que incentivaria ou inibiria o consumo. Já para os produtores, indicaria que os consumidores
estariam dispostos a pagar mais ou menos unidades monetárias pelo bem ou serviço, o que, novamente,
incentivaria ou inibiria o produtor a ofertar o bem ou serviço (dado seu custo de produção constante).
Assim sendo, o mercado, através da sinalização dos preços, tenderia ao equilíbrio ideal em termos de
alocação de recursos escassos.
Nos anos 30, a teoria econômica neoclássica foi posta em causa por John Maynard Keynes. A teoria
macroeconômica de Keynes previa que uma economia avançada poderia permanecer abaixo da sua
capacidade, com taxas de desempregos altas tanto da mão de obra quanto dos outros fatores de
produção, ao contrário do que previa a teoria neoclássica.

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http://www.fea.usp.br/feaecon/econoteen/o-que-e-economia.php

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Keynes propôs intervenções estatais na economia com o objetivo de estimular o crescimento e baixar
o desemprego. Para intervir, os estados deviam aumentar os seus gastos financiados e não aumentar
seus impostos gerando uma diferença entre a arrecadação e os gastos. Esta diferença seria preenchida
com a emissão de moeda, que por sua vez geraria inflação.
As ideias de Keynes permaneceram em voga nas políticas econômicas dos países ocidentais até os
anos 70. A partir daí, a política econômica passou a ser orientada pelos economistas neoclássicos. Os
keynesianos, contudo, ainda são muito numerosos. Apontam os neoclássicos que o estado
empreendedor de Keynes era oneroso, burocrático e ineficiente e devia subordinar-se ao mercado.

A economia estuda a maneira como se administram os recursos escassos, com o objetivo de


produzir bens e serviços e distribuí-los para seu consumo entre os membros da sociedade.
De forma intuitiva, pode-se dizer que a economia se preocupa com a maneira como os indivíduos
“economizam” seus recursos, isto é, como empregam sua renda de forma cuidadosa e sábia, de modo
obter o maior aproveitamento possível.

Dentro da economia, temos a microeconomia e a macroeconomia, daremos enfoque à microeconomia:

Microeconomia2

A Microeconomia trata das escolhas dos indivíduos quanto à afetação dos recursos escassos
que têm disponíveis, a afetação das coisas. Assim, estuda os fundamentos das escolhas económicas
de cada indivíduo e a sua evolução com a alteração dos preços das coisas.

A microeconomia é o ramo da economia que estuda o comportamento das unidades de


consumo representadas pelas famílias e indivíduos, e pelo estudo das empresas, representados
pela produção em seus respectivos custos, além dos mercados de atuação de cada empresa.

Estuda o comportamento de consumidores e produtores e o mercado no qual interagem. Preocupa-se


com a determinação dos preços e as quantidades em mercados específicos. A microeconomia é aquela
parte da teoria econômica que estuda o comportamento das unidades, tais como os
consumidores, as indústrias e empresas, e suas inter-relações.

A microeconomia ou teoria dos preços analisa a formação de preços no mercado, ou seja, como a
empresa e o consumidor se interagem e decidem o preço e a quantidade de um produto ou serviço.
Estuda o funcionamento da oferta e da demanda (procura) na formação do preço. A microeconomia se
preocupa em explicar como é fixado o preço e seus fatores de produção.
Além de considerar as decisões individuais, a Microeconomia pode ainda considerar um certo nível de
agregação. No entanto, a agregação é sempre de coisas idênticas (homogêneas) e em quantidades. Por
exemplo, podem ser considerados em conjunto os consumidores de laranjas e em conjunto os
vendedores de laranjas, sendo que, apesar de haver muitas variedades de laranjas, é assumido que para
um certo grau de abstração são idênticas.

Oposto à Microeconomia que se debruça sobre as escolhas individuais, existe a Macroeconomia que
estuda realidades agregadas ao nível dos países, sendo que a agregação é feita em termos
monetários (multiplicando as quantidades pelo preço de mercado). A “Economia Industrial” que
estuda realidades ao nível da “indústria” (que genericamente são conjuntos de empresas que usam
tecnologias idênticas e/ou produzem bens idênticos) é a disciplina intermédia entre esta duas, podendo
considerar agregações em valor ou em quantidades.

Definição de Macroeconomia3

Estuda a determinação e o comportamento dos grandes agregados como PIB, consumo global,
investimento global, exportação, inflação, desemprego, com o objetivo de delinear uma Política
Econômica.”

2
EDINEIDE. Curso: Conceitos Básicos de Microeconomia. Agosto/2010.
VIEIRA, P. C. C. Introdução à Teoria do Consumidor. Faculdade de Economia do Porto, 2004.
3
DANTAS, I. INTRODUÇÃO À ECONOMIA. CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO AMAPÁ – CEAP.
BERGAS, C. A. M. CONCEITOS BÁSICOS DE ECONOMIA, 2011. Disponível em: http://www.cnf.org.br/documents/19/fd534a67-8d62-4f38-b412-c52308259740.

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A macroeconomia estuda o funcionamento da economia em seu conjunto. Seu propósito é
obter uma visão simplificada da economia que, porém, ao mesmo tempo, permita conhecer e atuar
sobre o nível da atividade econômica de um determinado país ou de um conjunto de países.

Divisão do estudo da microeconomia

Voltando à microeconomia, podemos dividir o estudo da microeconomia em três grupos bem distintos:
1 – Estudará o comportamento do consumidor e o comportamento do indivíduo, face das
respectivas rendas poderem se apropriar de uma combinação de bens que lhe propicie a maximização
de sua satisfação.
2 – Revelará o comportamento da empresa, que reflete o funcionamento do setor produtivo da
economia dentro da empresa, em virtude das diversas rendas que poderemos apropriar para produzirmos
determinados bens e serviços.
3 – Interpretará o funcionamento dos mercados, em que cada empresa estará atuando, suas
respectivas características e a formação de preços de cada mercado.

Característica da Microeconomia

As características da microeconomia confundem-se com as características da economia, da qual ela


faz parte. Por isso, podemos classificar as seguintes características: hipóteses, natureza dedutiva,
natureza estática comparativa, economia positiva e análise de equilíbrio parcial:

-HIPÓTESE: as hipótese geralmente estão incluídas dentro de modelos econômicos, dos quais, por
meio da criação de hipóteses, podemos extrapolar as conclusões dos modelos.
-NATUREZA DEDUTIVA: partindo de situações do mundo real, seleciona as variáveis mais relevantes
para a análise, obtendo assim um modelo lógico, mediante deduções adequadas, que, caso não estejam
coerentes com a realidade, voltarão para a reestruturação do modelo inicialmente concebido.
NATUREZA ESTÁTICA COMPARATIVA: comparando-se duas situações de equilíbrio, podemos
verificar as suas igualdades e as suas diferenças, sem termos que analisar o que ocorreu entre uma
situação e a outra de equilíbrio.
ECONOMIA POSITIVA: este aspecto é muito importante, pois a microeconomia vai interpretar os fatos
tais como eles aparentam ser, ou seja, vai simplesmente mostrar os fatos, sem se posicionar a favor ou
contra eles.
ANÁLISE DO EQUILÍBRIO PARCIAL: parte da hipótese que todas as condições do modelo econômico,
que possam influenciar duas variáveis, permanecem constante, ou seja para analisar um mercado
específico, a Microeconomia se vale da hipótese de tudo o mais permanece constante (em latim, coeteris
paribus). O foco de estudo é dirigido apenas àquele mercado, analisando-se o papel que a oferta e a
demanda nele exercem, supondo que outras variáveis interfiram muito pouco, ou que não interfiram de
maneira absoluta.
O objetivo deste instrumento de análise é propiciar uma série de vantagens:
a) exige menos tempo
b) é menos complexa e mais maleável
c) aproxima bem perto do resultado
d) adequação e utilidade maior
e) operacionalmente é mais exequível

Podemos apresentar as análises microeconômicas de diversas formas, a saber:


a) através de expressões matemáticas ou algébricas;
b) através de linguagem gráfica;
c) através de linguagem tabular;
d) através de parábolas.

- Empresa: Trata-se de uma organização destinada a produção e/ou comercialização de bens e


serviços, tendo como objetivo o lucro.
Em função do tipo de produção, distingue-se quatro categorias de empresas:
- agrícola, industrial, comercial e financeira

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Podemos destacar também que o entendimento da microeconomia tem por base dois conceitos
fundamentais que vamos explicar: primeiro que as pessoas atribuem valor às coisas e segundo que
realizam ações de forma a maximizar o valor total das coisas que possuem/consomem.
-Em termos de mercado, as ações possíveis de implementar reduzem-se à realização de compras e
de vendas e as coisas reduzem-se a mercadorias e serviços. No entanto, os conceitos de ação e de coisa
são mais gerais e não se reduzem às transações efetuadas no mercado. Por exemplo, mesmo as
decisões quanto a casar, a ter filhos, a escolher um clube de futebol do “coração”, adoptar um partido
político, ter um amigo ou um animal de estimação, etc., são ações/escolhas que o indivíduo faz sobre
coisas, serviços ou pessoas que têm por objetivo consciente ou inconsciente maximizar o valor das
“coisas” detidas pelo indivíduo.

De qualquer forma, deve-se ressaltar que a microeconomia e a macroeconomia são dois ramos da
mesma disciplina, a economia, e como tais se ocupam das mesmas questões, ainda que se fixem em
aspectos distintos. A seguir são apresentadas as estas principais questões, sendo que o conhecimento
destes termos facilitarão o entendimento dos tópicos seguintes.

Problema de escassez

-O petróleo, o trabalho, as máquinas, etc., estão disponíveis em quantidades limitadas;


-Com esses escassos recursos, produzem-se bens e serviços (alimentos, moradias, automóveis,
saúde, educação, lazer, etc.),
-A escassez sempre existirá, já que os desejos são superiores aos meios disponíveis para satisfazê-
los.
Em qualquer sociedade, os recursos produtivos (mão-de-obra, terra, matérias primas, dentre outros)
são limitados. Por outro lado, as necessidades humanas são ilimitadas e sempre se renovam, por força
do próprio crescimento populacional e do contínuo desejo de elevação do padrão de vida. Independente
do grau de desenvolvimento do país, nenhum deles dispõe de todos os recursos necessários para
satisfazer todas as necessidades da coletividade.

Tem-se então um problema de escassez: recursos limitados contrapondo-se a necessidades


humanas ilimitadas. A escassez é um conceito relativo, pois existe o desejo de adquirir uma quantidade
de bens e serviços maior que a disponibilidade.
Bens escassos: são aqueles que nunca se têm em quantidade suficiente para satisfazer os desejos
dos indivíduos.

Os Problemas Econômicos Fundamentais

Da escassez dos recursos ou fatores de produção, associada às necessidades ilimitadas do homem,


origina-se os chamados problemas econômicos fundamentais: O que produzir? Quanto produzir?
Como produzir? e Para quem produzir?

O que e quanto produzir: dada a escassez de recursos de produção, a sociedade terá de escolher,
dentro do leque de possibilidades de produção, quais produtos serão produzidos e as respectivas
quantidades a serem fabricadas.

Como produzir: a sociedade terá de escolher ainda quais recursos de produção serão utilizados para
a produção de bens e serviços, dado o nível tecnológico existente. A concorrência entre os diferentes
produtores acaba decidindo como serão produzidos os bens e serviços. Os produtores escolherão, entre
os métodos mais eficientes, aquele que tiver o menor custo de produção possível;

Para quem produzir: a sociedade terá também de decidir como seus membros participarão da
distribuição dos resultados de sua produção. A distribuição de renda dependerá não só da oferta e da
demanda nos mercados de serviços produtivos, ou seja, da determinação dos salários, das rendas da
terra, dos juros e dos benefícios do capital, mas também da repartição inicial da propriedade e da maneira
como ela se transmite por herança.

O modo como as sociedades resolvem os problemas econômicos fundamentais depende da forma da


organização econômica do país, ou seja, do sistema econômico de cada nação.

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As organizações devem identificar as disponibilidade dos fatores de produção: recursos naturais,
financeiros e humanos. Os produtores escolherão, entre os métodos mais eficientes, aquele que tiver o
menor custo de produção possível. A produção deve exigir o emprego de recursos produtivos e bens
elaborados.
Os fatores de produção são: terra (recursos naturais ou matéria-prima); trabalho ou recursos humanos,
que utilizam faculdades físicas e intelectuais para realizar o processo produtivo; capital (recursos
financeiros) capaz de adquirir máquinas, equipamentos, instalações, dinheiro, ferramentas, capital
financeiro, tecnologia, bem como matéria-prima e recursos humanos. A capacidade empresarial, também
é considerado um fator de produção, e é constituída por indivíduos que reúnem os capitais para adquirir
recursos produtivos e produzir bens e serviços para o mercado.
É importante ressaltar que para cada fator de produção corresponde uma remuneração. Ao trabalho
corresponde o pagamento de salários. O juro paga o uso do capital. O aluguel constitui a remuneração
da terra. A tecnologia é paga com royalties. À capacidade empresarial corresponde o lucro.

As Necessidades, os Bens Econômicos e os Serviços

O conceito de necessidade humana, isto é, a sensação de carência de algo junto ao desejo de


satisfaze-la é algo relativo, pois os desejos dos indivíduos não são fixos. O ditado popular “quanto mais
se tem, mais se quer” parece refletir fielmente a atitude dos indivíduos em relação aos bens materiais.
Assim, pois, o fato real que enfrenta a economia é que em todas as sociedades, tanto nas ricas como nas
pobres, os desejos dos indivíduos não podem ser completamente satisfeitos. Nesse sentidos, bens
escassos são aqueles que nunca se tem em quantidade suficiente para satisfazer os desejos dos
indivíduos

-Os bens econômicos caracterizam-se pela utilidade, pela escassez e por serem transferíveis. Os bens
livres – como, por exemplo, o ar – são aqueles cuja quantidade é suficiente para satisfazer a todo o
mundo.

Quando buscam satisfazer suas necessidades, as pessoas procuram, normalmente fixar suas
preferências. Assim, os primeiros bens desejados são os que satisfazem as necessidades básicas ou
primárias, como a alimentação, o vestuário e a saúde. Satisfeitas as necessidades primárias, os
indivíduos passam a satisfazer outras mais refinadas, como o turismo, ou buscam melhor qualidade dos
bens que satisfazem suas necessidades primárias, como uma habitação melhor, roupas de determinada
marca, etc.

Por isso, pode-se dizer que as necessidades são ilimitadas ou, de outra forma, que sempre existirão
necessidades que os indivíduos não poderão satisfazer, ainda que seja somente pelo fato de os desejos
tornarem-se “refinados”.

 Bem: é tudo aquilo que satisfaz direta ou indiretamente os desejos e necessidades dos seres
humanos.
 Tipos de bens:

- Segundo seu caráter Livres: são ilimitados em quantidade ou muito abundantes e não são
apropriáveis.
Econômicos: são escassos em quantidade, dada sua procura, e
apropriáveis. É o objeto de estudo da economia.
- Segundo sua natureza: De capital: não atendem diretamente às necessidades.
De consumo: destinam-se à satisfação direta de necessidades:
-Duradouros: permitem uso prolongado
-Não-duradouros: acabam com o tempo.
- Segundo sua função: Intermediários: devem sofrer novas transformações antes de se
converterem em bens de consumo ou de capital.
Finais: já sofreram as transformações necessárias para seu uso ou
consumo.

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Tipos de Bens Econômicos

Os bens podem ser também intermediários (o cimento é um exemplo), pois sofrem novas
transformações antes de se converterem em bens de consumo ou de capital; ou bens finais, isto é, os
que já sofreram essas transformações. A soma total de bens e serviços finais gerados em um período
denomina-se produto total.
Os bens podem ainda se classificar em privados e públicos. Bens privados são os produzidos e
possuídos privadamente. Bens públicos ou coletivos são aqueles cujo consumo é feito simultaneamente
por vários sujeitos, por exemplo, um parque público.

Os Serviços

Os serviços são aquelas atividades que, sem criar objetos materiais, se destinam direta ou
indiretamente a satisfazer necessidades humanas.
Ex: Transportadora, professor, escritor, cantor, etc.

População econômica

- A população é um conjunto de seres humanos que vivem em uma área determinada.


- O fator produtivo trabalho é a parte da população que desenvolve as tarefas produtivas.

Organização econômica e sistemas econômicos

É o ambiente em que se desenvolvem as atividades econômicas de produção, consumo e troca. Sua


caracterização é dada por:
Recursos naturais, que definem as vocações de produção, consumo e troca;
Sociocultural, que influi no comportamento e na formação do indivíduo, definindo seus gostos e
costumes;
Tecnológico, que indica o conhecimento de técnicas para promover o progresso da economia do país.

Classificação

O sistema econômico pode ser classificado em:

Economia de mercado ou economia descentralizada, que é caracterizada por um sistema onde a


decisão é do indivíduo, seja ele produtor ou consumidor. Neste sistema, o Estado não interfere no
mercado e seu papel é de legislador e fiscalizador. São as famílias, as empresas e o governo, que
respondem às seguintes questões: O quê? Quanto? Como? e Para Quem Produzir? É o que constitui o
chamado "Mercado". São aspectos imprevisíveis, dinâmicos, ágeis.

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Economia planificada ou economia centralizada, em que as decisões são tomadas por um
planejamento central de governo, que determina o que deve ser produzido e consumido no país. É o caso
de países como Cuba. Sendo assim, é o governo quem responde àquelas perguntas, formulando a partir
de um órgão de planejamento central.
Sistema misto, onde há diversos graus de características das duas economias.

Composição do Sistema Econômico

O Sistema Econômico pode ser classificado de acordo com as características fundamentais de


sua produção, podendo ser agrupado em três setores distintos:

Setor primário: é aquela que se destina a produzir matérias-primas e bens de consumo in natura, ou
seja, aquele cujas unidades produtoras utilizam intensamente recursos naturais não introduzindo
transformações consideráveis em seus produtos, como é o caso da agricultura, pecuária e extração
mineral.

Setor secundário: é aquele que se dedica à transformações, ou seja, empresas dedicadas às


atividades industriais, transformando matérias- primas em bens finais de consumo.

Setor terciário: é aquele que se dedica à produção de serviços em geral, a exemplo da educação,
empresas de transportes, comunicação, bancos, etc.

- Primário: agricultura, pesca e mineração


Setores econômicos - Secundário: indústria e construção
- Terciário: serviços, comércio, transporte, bancos, etc.

Fluxos do Sistema econômico.

A oferta e a procura representam as duas funções mais importantes de um sistema econômico,


formando o mercado, neste caso representado por todas as compras e vendas nele realizadas, e não
meramente o local físico onde acontecem as negociações.
Podemos representar o fluxo de um sistema econômico, de forma bem simplificada, para maior
entendimento, ressaltando que as unidades econômicas são classificadas em dois grupos, um deles
representando as famílias e o outro grupo representando as empresas. Ambos os grupos interagem em
dois tipos de mercado: mercado de bens de consumo e serviços e mercado de recursos.
Representação gráfica da Circulação e fluxo no Sistema Econômico:

Fluxo da integração entre famílias e empresas


MONETÁRIO

Dinheiro
-

Bens e serviços
REAL

EMPRESA FAMÍLIAS
FLUXO
OFERTA

DEMANDA
FLUXO

Mão-de-obra e Capital

Dinheiro, aluguéis, salários, juros,


etc. .de-obra e Capital
Fluxo Real
Fluxo monetário
Fonte: Adaptado de MENDES, 2008

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Podemos perceber que o funcionamento do fluxo monetário, representado por linhas contínuas, ocorre
a partir das empresas que contratam, junto às famílias, os fatores de produção, trabalho, capital, etc. Ao
mesmo tempo, a empresa organiza os fatores de produção de que agora dispõe e começa a estabelecer
o fluxo real, quando ocorre a oferta de bens e serviços produzidos.
Os fluxos se encontram no mercado e têm uma sequência. Começa com a necessidade das empresas
com relação aos fatores de produção que conseguem com as famílias. As famílias, por sua vez,
necessitam oferecer fatores de produção às empresas pois necessitam de recursos financeiros para
poderem adquirir os bens e serviços de que necessitam. Estando as famílias com recursos financeiros
em mãos, adquirem os bens e serviços de que necessitam, esgotando ou diminuindo a quantidade desses
bens e serviços no mercado, fazendo com que as empresas voltem a contratar os fatores de produção
com as famílias e, assim, começando novamente o ciclo do fluxo do sistema econômico.

Devemos deixar clara a simplicidade do exemplo exposto, uma vez que, em muitos casos, há a
intervenção do governo e também a participação do mercado externo, o que não foi adequado colocar no
fluxo justamente para facilitar o raciocínio.

MACROECONOMIA

Segundo Samuelson4 a Macroeconomia estuda o comportamento do sistema econômico por um


reduzido número de fatores, como a produção ou produto total de uma economia, o nível de emprego e
poupança, o investimento, o consumo, o nível geral dos preços. Seus principais objetivos estão no rápido
crescimento do produto e do consumo, no aumento da oferta de empregos, na inflação reduzida e no
comércio internacional vantajoso.
Ramo da economia especializado na análise das variáveis agregadas: produção nacional total, renda,
desemprego, balança de pagamentos e taxa de inflação. A diferença principal com a microeconomia é
que esta estuda a composição da produção e os determinantes da oferta e da procura de bens e serviços,
como se inter-relacionam nos mercados e como são determinados seus preços relativos.
O Produto nacional bruto (PNB) mede em termos monetários o que se produz em um país, a produção
final, que corresponde, por definição, à demanda final. O PNB potencial, em determinado momento,
depende da quantidade de fatores da produção disponível — trabalho e capital — e da tecnologia.
Esses três elementos mudam com o tempo, e a teoria do crescimento analisa sua modificação a longo
prazo.
A Macroeconomia trata da evolução da economia como um todo, analisando a determinação e o
comportamento dos grandes agregados, como renda e produto nacionais, investimento, poupança e
consumo agregados, nível geral de preços, emprego e desemprego, estoque de moeda e taxas de juros,
balanço de pagamento e taxa de câmbio.
Ao estudar e procurar relacionar os grandes agregados, a macroeconomia não leva em conta o
comportamento das unidades econômicas individuais, tais como famílias e firmas, a fixação de preços
nos mercados específicos, os efeitos de oligopólios em mercados individuais etc. Essas são
preocupações da Microeconomia. A Macroeconomia trata os mercados de forma global.
Por exemplo, no mercado de bens e serviços, o conceito de Produto Nacional é um agregado de
mercados agrícolas, industriais e de serviços; no mercado de trabalho, a Macroeconomia preocupa-se
com a oferta e a demanda de mão-de-obra e com a determinação dos salários e nível de emprego, mas
não se preocupa com diferenças em qualificação, sexo, idade, origem da forma de trabalho etc. Quando
considera apenas o nível da taxa de juros, não são destacadas devidamente as diferenças entre os vários
tipos de aplicações financeiras.
O custo dessa abstração é que os pormenores omitidos são muitas vezes importantes. A abstração,
porém, tem a vantagem de permitir estabelecer relações entre grandes agregados e proporcionar melhor
compreensão de algumas das interações mais relevantes da economia, que se estabelecem entre os
mercados de bens e serviços, de trabalho e de ativos financeiros e não financeiros.
Entretanto, apesar do aparente contraste, não há um conflito básico entre a Micro e a Macroeconomia,
dado que o conjunto da Economia é a soma de seus mercados individuais. A diferença é primordialmente
uma questão de ênfase, de enfoque. Ao estudar a determinação de preços numa única indústria, na
Microeconomia consideram-se constantes os preços das outras indústrias. Na Macroeconomia, estuda-
se o nível geral de preços, ignorando-se as mudanças de preços relativos de bens das diferentes
indústrias.

4
Samuelson & Nordhaus, Economia 10ª Edição editora Mac Graw Hill,

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A teoria macroeconômica, propriamente dita, preocupa-se mais com questões conjunturais, de curto
prazo o desemprego (entendido como a diferença entre a produção efetivamente realizada e a produção
potencial da economia, quando todos os recursos estejam totalmente empregados) e inflação (aumento
contínuo do nível geral de preços).
A macroeconomia busca a imagem que mostre o funcionamento da economia em seu conjunto. Seu
propósito é obter uma visão simplificada do funcionamento da economia, que, porém, permita ao mesmo
tempo conhecer e atuar sobre o nível da atividade econômica de um determinado país ou de um conjunto
de países.
A macroeconomia preocupa-se com o comportamento da economia como um todo, estudando o que
determina e o que modifica o comportamento de variáveis agregadas como o desemprego, a inflação etc.
Abrange o comportamento econômico e as políticas que afetam o consumo e o investimento. Abrange
também o câmbio, a balança comercial e as políticas fiscal e monetária.
São consideradas questões estruturais problemas como desenvolvimento econômico, distribuição de
renda, globalização, progresso tecnológico, as quais em geral, extrapolam a análise meramente
econômica, envolvendo questões políticas, históricas etc., que não são equacionadas no curto prazo.
A parte da teoria econômica que estuda o comportamento dos grandes agregados ao longo do tempo
(longo prazo) é denominada teoria do crescimento e desenvolvimento econômico.
A teoria macroeconômica estuda as causas e as consequências do desemprego. Até a publicação, em
1936, de The General Theory of Employment, Interest and Money (1936; Teoria geral do emprego, do
juro e da moeda), de John Maynard Keynes, a explicação clássica das causas do desemprego dizia que
elas eram determinadas pelas estruturas rígidas do mercado de trabalho, que impediam que os salários
baixassem até o nível do ‘equilíbrio’.
Keynes afirmou que o desemprego pode estar relacionado a uma insuficiente demanda agregada ao
mercado de bens, e não a um desequilíbrio no mercado de trabalho. Essa insuficiência tem relação com
o investimento planejado menor que a reserva disponível.
Também ressalta a importância das variações do nível de produção e emprego, como movimentos
equilibradores que permitiriam igualar o investimento e a reserva, determinando-se assim o nível de
equilíbrio da renda nacional total e da produção nacional.
A ênfase do keynesianismo na demanda, como determinante chave do nível de produção a curto
prazo, permitiu iniciar o desenvolvimento da contabilidade nacional e de conceitos, tais como o gasto total
em consumo, em formação de capital (produção de maquinaria, fábricas etc.), em gastos públicos e em
exportações e importações, que constituem os elementos chave que compõem a ‘demanda final’
agregada à economia. Também permitiu realizar a análise dos determinantes desses elementos chave
da demanda final, ao desenvolver a teoria da demanda agregada de consumo e suas relações com os
níveis da receita, assim como sua dependência dos tipos de interesses existentes. Portanto, a teoria
monetária é uma parte essencial da teoria macroeconômica, uma variável monetária cuja função principal,
em um mundo de incertezas, limita-se a equilibrar a oferta e a demanda de dinheiro, e não a equilibrar o
investimento e a poupança planejados. A teoria monetária também está relacionada com outro elemento
chave da macroeconomia: a inflação.
Para completar o estudo dos principais componentes da demanda agregada, devem ser considerados
os fatores de equilíbrio externo, ou seja, o saldo entre exportações e importações e os seus
determinantes, sobretudo os tipos de câmbio.
Segundo Carlos Escóssia, a macroeconomia, também conhecida como teoria da renda, trata a
economia como um todo. Preocupa-se com a obtenção ou criação das riquezas econômicas (rendas) e
suas respectivas repartição ou distribuição. Em outras palavras, poderíamos definir macroeconomia,
como o estudo dos fenômenos que englobam toda a economia.
A macroeconomia, estuda: a teoria dos agregados e a teoria geral do equilíbrio e desenvolvimento,
que por sua vez, estuda as teorias da moeda, das finanças públicas, das relações internacionais e do
desenvolvimento.
Um macroeconomista, pode estudar: os efeitos dos empréstimos realizados pelo governo federal; as
mudanças da taxa de desemprego ao longo do tempo; políticas alternativas para promover a elevação do
padrão de vida da população.
Os objetivos de políticas macroeconômicas são: alto nível de emprego, estabilidade de preços,
distribuição de renda socialmente justa e desenvolvimento econômico.
A macroeconomia e a microeconomia estão intimamente ligadas e como as mudanças na economia
resultam das decisões de milhares de pessoas, é impossível entender os desdobramentos
macroeconômicos sem considerar as decisões microeconômicas a elas associadas.
Exemplo, um macroeconomista pode estudar os efeitos de um corte no imposto de renda sobre a
produção geral de bens e serviços. Para analisar essa questão, ele precisa levar em consideração a

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maneira pela qual o corte do imposto afeta as decisões das famílias sobre quanto gastar em bens e
serviços.

AS METAS DA POLÍTICA MACROECONÔMICA - São as seguintes as metas de política


macroeconômica:
Pleno emprego de recursos;
Estabilidade de preços;
Distribuição de renda socialmente justa;
Crescimento econômico.
As questões relativas ao emprego e à inflação são consideradas como conjunturais, de curto prazo,
constituindo-se nas chamadas políticas de estabilização. Alguns textos colocam também como meta o
equilíbrio no balanço de pagamentos, mas consideramos que esse não é um objetivo em si mesmo, mas
um meio, um instrumento para atingir as quatro metas básicas acima.

Pleno emprego de recursos


Pode-se dizer que a questão do desemprego, que eclodiu principalmente a partir dos anos 30, é que
permitiu um aprofundamento da análise da política econômica com o objetivo de fazer a economia
recuperar o nível de emprego potencial. Para se ter uma ideia, o produto nacional dos Estados Unidos
caiu, entre 1929 e 1933, 30% e a taxa de desemprego chegou a 25% da força de trabalho em 1933.
Destacou-se então o trabalho do economista inglês John Maynard Keynes, cujo livro A teoria Geral
do Emprego, do Juro e da Moeda (1936) representa um marco na história econômica e foi,
principalmente, a partir de sua colaboração que a teoria e política macroeconômica começou a evoluir.

Estabilidade de preços
Define-se inflação como um aumento contínuo e generalizado no nível geral de preços. Por que a
inflação é um problema? Porque a inflação acarreta distorções principalmente sobre a distribuição de
renda, expectativas empresariais, mercado de capitais e sobre o Balanço de Pagamentos.
Costuma-se aceitar que um pouco de inflação é inerente aos ajustes de uma sociedade dinâmica, em
crescimento. Efetivamente, a experiência histórica mostra que existem algumas condições inflacionárias
inerentes ao próprio processo de crescimento econômico. Isso porque a tentativa de os países
subdesenvolvidos alcançarem, de forma rápida, estágios mais avançados de desenvolvimento econômico
dificilmente se faz sem que, também, ocorram tensões de custos que provocam aumentos no nível geral
de preços.
Mesmos em países desenvolvidos, mostra-se que, quanto maior o nível de atividade econômica, mais
os recursos produtivos tendem a ficar no limite de sua utilização, o que gera normalmente tensões
inflacionárias. Daí a necessidade de políticas econômicas que tenham por objetivo a estabilidade do
comportamento do nível de preços.

Distribuição de renda socialmente justa


A economia brasileira cresceu bastante entre o fim dos anos 60 e a maior parte da década de 70.
Apesar disso, observou-se um aumento da disparidade de renda entre as classes de sociais. No Brasil,
os críticos do chamado “milagre econômico” argumentam que piorou a concentração de renda no país
nos anos 67/73 devido a uma política deliberada do Governo (a chamada “Teoria do Bolo”): primeiro
crescer, para depois pensar em repartição da renda.
A posição oficial era a de que certo grau de aumento de concentração de renda seria inerente ao
próprio desenvolvimento capitalista, que traz transformações estruturais (êxodo rural, com trabalhadores
de pequena qualificação, aumento da proporção de jovens etc.). O economista Carlos Geraldo Langoni,
da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro, naquela época, defendia a tese de que, no
desenvolvimento capitalista gera-se uma demanda por mão-de-obra qualificada, a qual, por ser escassa,
obtém ganhos extras. Assim, o fator educacional seria a principal causa da piora distributiva. Mário
Henrique Simonsen argumentava que havia “desigualdade com mobilidade”, isto é, o indivíduo
permanece pouco tempo na mesma faixa salarial e tinha facilidade de ascensão. Isso seria um fator
importante para a convivência com a má distribuição de renda.
É curioso observar que, naquele período, ocorreu maior concentração de renda, mas a renda média
de todas as classes aumentou. O problema é que embora os pobres tenham se tornado menos pobres,
os ricos ficaram relativamente mais ricos. Houve um aumento geral do padrão de vida, com todos
melhorando, mas os “ricos” ficaram com a maior parte desta riqueza.

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Crescimento Econômico
Quando ocorre o desemprego e a capacidade ociosa, pode-se aumentar o produto nacional por meio
de políticas econômicas que estimulem a atividade produtiva. No entanto, feito isso, há um limite à
quantidade que se pode produzir com os recursos disponíveis. Aumentar o produto além desse limite
exigirá:

Ou aumento nos recursos disponíveis.


Ou avanço tecnológico (ou seja, tecnologia mais avançada, novas maneiras de organizar a
produção).
Quando falamos em crescimento econômico, estamos pensando no crescimento da renda nacional
per capita, isto é, de que seja colocada à disposição da coletividade uma quantidade de mercadorias e
serviços que supere o crescimento populacional. A renda per capita é considerada o melhor indicador, o
mais operacional, para se aferir a melhoria do bem-estar, do padrão de vida da população, embora possa
apresentar falhas (os países árabes, por exemplo, estão entre os países com maiores rendas per capita,
mas não apresentam o melhor padrão de vida do mundo).
O fato de o país estar aumentando sua renda real per capita não necessariamente significa que está
tendo uma melhoria do seu padrão de vida. O conceito de crescimento econômico capta apenas o
crescimento da renda per capita. Um país está realmente melhorando seu nível de desenvolvimento
econômico e social se, juntamente com o aumento da renda per capita, estiver também melhorando os
indicadores sociais (pobreza, desemprego, meio ambiente, moradia etc.)
Vimos que a microeconomia refere-se à análise do comportamento individual das unidades
econômicas: as famílias ou consumidores e as empresas. Até agora vimos, estudando isso, junto com a
instituição do mercado, onde operam os demandantes e ofertantes de bens e serviços. Assim, quando
analisamos as consequências de um aumento de preços sobre a demanda de automóveis, estamos
levantando uma questão tipicamente microeconômica.
A macroeconomia, pelo contrário, estuda o comportamento global do sistema econômico; não
se detém em reações individuais, mas pretende estudar a realidade econômica de forma global.

A contabilidade social
Segundo Samuelson5, observamos anteriormente que a macroeconomia trata da evolução de toda a
economia. O que distingue a macroeconomia da microeconomia é o fato de a macroeconomia analisar o
comportamento dos grandes agregados, sem preocupar-se com questões específicas dos mercados e
agentes que compõem esses agregados. Rigorosamente, para avaliar o resultado da atividade econômica
global, e aferir a riqueza de uma nação, deveríamos explicitar o quanto foi produzido de cada uma dentre
milhões de mercadorias, o que seria não operacional e não ilustrativo para uma análise mais abrangente.
Desse modo, devemos buscar medidas que permitam de forma simplificada mostrar o quanto a economia
produziu, consumiu, poupou, exportou etc.
A necessidade de obter cifras ordenadas que, tornassem possível uma visão agregada dos fenômenos
econômicos ficou mais patente a partir da grande Depressão dos anos 30, quando, evidenciou-se a
necessidade da intervenção do Governo para recuperar o nível de atividade e de emprego. Foi necessário
o desenvolvimento da chamada Contabilidade Social ou Contabilidade Nacional, ou seja, um
mecanismo que permitisse medir a totalidade das atividades econômicas. Os que mais se popularizaram
foram: o Sistema de Contas Nacionais e a Matriz Insumo-Produto.

Pressupostos básicos da Contabilidade Social

As contas procuram medir a produção corrente. Assim, não são considerados bens de segunda
mão, produzidos em período anterior. Nas transações com esses bens, só se considera como
parte da renda nacional a remuneração do vendedor (que é remuneração a um serviço corrente) e
não o valor da mercadoria vendida.
As contas referem-se a um fluxo, normalmente de um ano. Assim, os agregados correspondem
à variáveis fluxo, cujos valores são considerados ao longo de um período, isto é, têm dimensão
temporal. Por exemplo: valor das Exportações em 1999, Consumo Agregado em 1999, Produto
Nacional em 1999. Elas diferem das chamadas variáveis estoque, que se referem aos valores
tomados em determinado ponto de tempo. Como exemplo, temos o nível de emprego, o saldo dos
meios de pagamentos, ao final de um dado mês ou ano. A Contabilidade Social só trabalha com

5 5
Samuelson & Nordhaus, Economia 10ª Edição editora Mac Graw Hill,

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fluxos, não apresentando um balanço patrimonial, de estoques, como aparece na Contabilidade
privada.
A moeda é neutra, no sentido de que é considerada apenas como unidade de medida (padrão
para agregação de bens e serviços fisicamente diferentes) e instrumento de trocas. A moeda tem
o papel de servir de padrão para a agregação de bens e serviços. A Contabilidade Social não se
preocupa com o registro dos chamados agregados monetários, como meios de pagamento (oferta
de moeda), empréstimos, depósitos, open market, aplicações financeiras etc., mas apenas com os
agregados reais, que representam diretamente alterações da produção e da renda e são tratados
nesse capítulo. As transações financeiras são registradas à parte no balanço do sistema Monetário
e serão discutidos quando tratarmos tema referente à moeda.

Economia a dois setores sem formação de capital


Nessa economia simplificada, supõe-se que os únicos agentes são as empresas (que produzem bens
e serviços) e as famílias (que auferem rendimentos pela prestação de serviços). Todas as decisões
partem das famílias. As empresas, que são de propriedade de seus acionistas (que pertencem ao setor
família) são abstrações jurídicas, representando o local onde se organiza a produção.
Vamos imaginar uma economia estacionária, que não se expande. Isso corresponde a supor que não
existe o setor de formação de capital (poupança, investimentos e depreciação). Não consideramos por
enquanto os setores governo e resto do mundo.
Os bens intermediários, como matérias-primas, componentes, energia, são insumos que entram no
processamento de outros bens, ou seja, são transações de empresas a empresas, que se compensam
na agregação das unidades produtoras. Assim, só se consideram os bens finais, e os custos de produção
das empresas, no sistema agregado, não incluem o custo dos insumos intermediários. O fluxo circular da
renda, para uma economia a dois setores, pode ser ilustrado como na Figura abaixo:

Agregados macroeconômicos:

A contabilidade nacional: Contabilidade nacional é a técnica que tem como objetivo principal
representar e quantificar a atividade econômica de um país, durante determinado período de tempo.

Os principais agregados econômicos são, a saber:

A) Valor Bruto de Produção (VBP): expressão monetária da soma de todos os bens e serviços
produzidos em determinado território econômico, num dado período de tempo. Incorre no chamado erro
de "dupla contagem", pois soma os produtos finais com os insumos usados em sua elaboração.
B) Valor Agregado Bruto (VAB): é o valor da "produção sem duplicações". Obtém-se descontando-se
do VBP o valor dos insumos utilizados no processo de produtivo.
C) Produto Bruto (PB): produção de bens e serviços finais realizados pela economia, durante um
período de tempo.
D) Renda Bruta (RB): somatório das remunerações brutas dos fatores de produção empregados na
economia, durante uma período de tempo.
E) Produto Interno Bruto (PIB): expressão monetária dos bens e serviços finais produzidos dentro dos
limites territoriais econômicos, independentemente da origem dos fatores de produção.
F) Produto Nacional Bruto (PNB): expressão monetária dos bens e serviços produzidos por fatores de
produção nacionais, independentemente do território econômico.
G) Renda Nacional (RN): é a renda líquida gerada no período, e que se dirige aos proprietários
nacionais de fatores de produção.

Política Monetária e Objetivos de Política Econômica

Retornando à discussão sobre os objetivos de política econômica, pode-se verificar a capacidade da


política monetária de impactar tais objetivos. Para a expansão do PIB a curto prazo é preciso elevar o
nível de demanda agregada, o que pode ser feito com uma política monetária expansionista, isto é,
aumento da oferta de moeda e crédito e consequente redução dos juros (aumento da base, redução do
compulsório, ou da taxa de redesconto).
Por outro lado, aumentos excessivos de moeda podem levar a um nível inflacionário agudo. Nesse
sentido, vale destacar a Teoria Quantitativa da Moeda que mostra haver uma associação direta entre
moeda e inflação. De acordo com essa teoria, se ocorrer, por exemplo, um aumento de oferta de moeda,
de 10% (tudo o mais constante) podem ocorrer três possibilidades:

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a) a produção aumentar 10% e a inflação não subir, isto é, se a produção acompanhar o aumento
da moeda, os preços ficarão constantes;

b) a inflação pode subir 10% e a produção ficar estável; isso pode ocorrer em períodos nos
quais a economia já se encontra a pleno-emprego e toda a moeda excedente vira aumento de
preços;

c) e, por fim, um mix das duas coisas: um aumento de inflação (menor que 10%) e um aumento
de produção também menor que 10%.

Outra discussão interessante refere-se ao papel da política monetária nas economias altamente
indexadas. Nesse caso, contrações na quantidade ofertada de moeda não conseguem reduzir preços,
porque os preços são reajustados automaticamente. Por outro lado, aumentos de quantidade de moeda
acabam por "sancionar" uma inflação causada pelos mecanismos da indexação. Isso foi muito comum no
Brasil nos períodos de inflação elevada, durante os anos 80.
Em termos de setor externo, a política monetária pode influenciar os resultados de duas formas: de
um lado, a política monetária contracionista reduz o nível de demanda da economia e, por consequência,
as importações. Por outro lado, para atrair capitais externos para o país, as taxas de juros podem ser
elevadas, em momentos de déficits nas contas externas de um país. Esse expediente foi largamente
utilizado pelo Brasil na primeira fase do Plano Real, isto é, no período 1994-1998.
Ainda no contexto do setor externo, é importante avaliar a relação entre taxa de juros e taxa de câmbio.
Como se sabe, no início do Plano Real, a moeda brasileira foi fortemente apreciada (o dólar estava
barato), elevando a demanda por importações e viagens ao exterior, itens que geraram um forte déficit
no setor externo. Para "cobrir" esse déficit, o governo usou fortemente a política monetária praticando
juros elevados para atrair capitais externos. Em outras palavras, "dólar barato" só é compatível com juros
elevados.
Por outro lado, a estratégia do governo utilizada até janeiro de 1999, para a recuperação gradual do
câmbio consistiu em desvalorizações de 0,6% ao mês (7,4% ao ano) da moeda nacional. Vale lembrar
que essa estratégica tem impacto nas taxas de juros, uma vez que o investidor externo raciocina em
dólares. Portanto, além das variáveis já definidas na equação que relaciona juros internos e externos, o
governo até então tinha que conduzir as taxas de juros de forma a garantir rentabilidade real ao investidor
estrangeiro (além do risco, obviamente), o que significa dizer incorporar à taxa de juros os 7,4% da
desvalorização cambial, no que se convencionou chamar de "cupom cambial".

Papel da Política Monetária6


Nesse sentido, o papel da política monetária é central, mas não no sentido de promover o crescimento,
mas sim de promover um ambiente macroeconômico estável.
A teoria econômica ensina que o crescimento econômico sustentado não ocorre sem aumentos de
produtividade. Diante disso, cabe perguntar se a estabilidade de preços é indutora ou inibidora de ganhos
de produtividade na economia. Como visto anteriormente, em períodos de alta inflação, a política
monetária perde sua eficácia no estímulo do investimento.
Desde já, isso sugere que a inflação tende a não estar relacionada positivamente com ganhos de
produtividade.
Em ambientes de inflação elevada, a taxa real de juros deixa de ser referência não apenas para as
decisões de consumo, mas principalmente para as decisões de investimento
A estabilidade de preços em si não garante o aumento da produtividade e tampouco a aceleração do
taxa de crescimento do produto. Mas a contenção dos aumentos de preços permite ganhos na capacidade
de predição do setor privado. Como já mencionado, em ambientes de inflação elevada, a taxa real de
juros deixa de ser referência não apenas para as decisões de consumo, mas principalmente para as
decisões de investimento. Nesse contexto, a estabilidade de preços passa a ser um instrumento. Não se
trata de condição suficiente, mas é certamente uma condição necessária para se atingir maiores taxas de
crescimento do produto.
A política monetária só apresenta efeito em variáveis reais da economia no curto prazo à medida que
surpreende os agentes.
Ocorre que estes corrigem suas expectativas futuras com base na experiência presente. Isso significa
que reduções da taxa de juros podem induzir maiores taxas de gasto e investimento. Mas, se esse
movimento da política monetária for sucedido por aumentos da taxa de inflação em um segundo momento,
6
LIMA, L.A.F. O papel da política monetária no crescimento econômico. Redução da taxa de juros não é medida eficaz para acelerar a taxa de crescimento
econômico. Revista FAE BUSINESS, 2004.

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os mesmos agentes tendem a não responder da mesma forma a novos estímulos da taxa de juros. Isso
torna efêmero o expediente da redução da taxa de juros sem o controle da inflação. E, persistindo-se
nesse expediente, os agentes passarão a adotar comportamentos não apenas corretivos, mas até
defensivos e antecipados. Desse modo, torna-se presente a indexação, mesmo que informal, de preços
e salários. Estímulos da política monetária, neste caso, passam a ser não apenas ineficazes, mas também
inócuos.
Por fim, se a justificativa da tolerância com a inflação está na promoção do crescimento para possibilitar
a geração de empregos e uma sociedade mais justa do ponto de vista social, vale lembrar que a busca
pela justiça social passa longe da alternativa inflacionária. Primeiro porque a redução da taxa de juros
tende a não se mostrar eficaz para a geração de empregos senão no curto prazo.

Questões:

01. (BDMG - Analista de Desenvolvimento – FUMARC). A respeito de microeconomia é


INCORRETO afirmar que:
(A) É o ramo da ciência econômica voltado ao estudo do comportamento das unidades de consumo
(indivíduos e famílias).
(B) Cuida do estudo das empresas e da produção de preços dos diversos bens, serviços e fatores
produtivos.
(C) Demanda individual é a quantidade de um determinado bem ou serviço que o consumidor consome
em determinado período de tempo.
(D) Quase todas as mercadorias obedecem à lei da procura decrescente, segundo a qual a quantidade
procurada diminui, quando o preço aumenta.

02. (Polícia Federal - Agente de Polícia Federal - CESPE). Os modelos utilizados na microeconomia
são essencialmente de característica indutiva e ignoram a complexidade do mundo real.

( ) Certo ( ) Errado

03. (IFB - Economista – FUNIVERSA). Com relação ao fluxo circular simplificado do sistema
econômico, com dois agentes econômicos, assinale a alternativa correta.
(A) O fluxo real é caracterizado pelos pagamentos (despesas) de consumo de bens e de serviços e
pela remuneração aos serviços dos fatores de produção.
(B) As famílias não fazem parte dos mercados de bens e de fatores de produção, pois não constituem
a demanda no mercado de bens nem a oferta no mercado de fatores.
(C) O processo produtivo dá origem a dois fluxos distintos: o monetário (referente à oferta e à procura
dos bens e serviços) e o real (referente aos pagamentos aos fatores de produção).
(D) O fluxo circular simplificado do sistema econômico possui dois fluxos: o real e o monetário.
(E) No fluxo circular simplificado do sistema econômico com dois agentes econômicos, a oferta de
bens e serviços é tipicamente um fluxo monetário.

04. (EMBRATUR – Economia –FUNIVERSA) Acerca de introdução aos problemas econômicos, de


escassez e escolha e de livre mercado, assinale a alternativa correta.
(A) Bens é a denominação usual de produtos tangíveis, resultantes das atividades primárias,
secundárias e terciárias de produção.
(B) As necessidades humanas são ilimitadas, e os recursos produtivos existentes na natureza são
escassos, ou seja, não são encontrados em grande abundância.
(C) Por mais desenvolvidas que sejam as sociedades, sejam elas constituídas pelos sistemas de
economia de mercado socialista ou capitalista, formulam cinco perguntas fundamentais para minimizar o
problema da escassez de recursos.
(D) Serviços é a denominação usual de coisas intangíveis, resultantes das atividades primárias e
terciárias de produção.
(E) As necessidades humanas são limitadas, e os recursos produtivos existentes na natureza são
encontrados em grande abundância, não havendo, portanto, o problema de se tornarem escassos.

05. (UNIFESP – Administrador - CAIP-IMES) Assinale a alternativa correta.


(A) A macroeconomia analisa mercados específicos, enquanto a microeconomia analisa os grandes
agregados.

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(B) A microeconomia ou Teoria dos preços é a parte da teoria econômica que estuda o comportamento
das famílias e das empresas e os mercados nos quais operam.
(C) A hipótese coeteris parfbus (tudo o mais constante) é fundamental para o entendimento da
macroeconomia.
(d) Em macroeconomia a demanda de um bem ou serviço pode ser afetada por muitos fatores, tais
como a propaganda.

06. (EsFCEx - Aluno – EsFCEx) Duas são as principais políticas de que o governo faz uso, como
instrumentos macroeconômicos, para intervir no funcionamento do sistema de mercado de modo a
proteger a economia do país de flutuações inesperadas. São elas.
(A) Política Monetária e Política Orçamentária.
(B) Política de Renda e Política Econômica.
(C) Política Fiscal e Política Monetária.
(D) Política Econômica e Política de Renda.
(E) Política Orçamentária e Política Fiscal.

07. (BDMG - Analista de Desenvolvimento – FUMARC) NÃO diz respeito aos conceitos básicos de
macroeconomia:
(A) Produção.
(B) Déficit público.
(C) PIB.
(D) Famílias.

Respostas:

Resposta: C
A demanda individual é a quantidade de um determinado bem ou serviço que o consumidor consome
a determinado preço, em determinado período de tempo. A curva de demanda nos mostra a quantidade
de determinado bem que o consumidor está disposto a adquirir. Não significa, necessariamente, que o
consumidor está efetivamente comprando aquela quantidade de bens, mas que tem o desejo, aspiração
e intenção de comprar. As demais assertivas estão corretas segundo a microeconomia.

Resposta: Errado.
Existem dois erros nessa afirmação. O primeiro erro diz respeito à natureza dos modelos utilizados.
Eles são de característica dedutiva (necessitam de suposições para existir. Isto porque existem
pressupostos do consumidor). Além disso, eles não ignoram a realizada do mundo real, mas, ao contrário,
são modelos que buscam simplificar as complexidades de forma a tornar o entendimento simplificado.
Modelo econômico que ignora a realidade não é modelo econômico.

Resposta: D
O funcionamento do fluxo monetário, representado por linhas contínuas, ocorre a partir das empresas
que contratam, junto às famílias, os fatores de produção, trabalho, capital, etc. Ao mesmo tempo, a
empresa organiza os fatores de produção de que agora dispõe e começa a estabelecer o fluxo real,
quando ocorre a oferta de bens e serviços produzidos. Os fluxos se encontram no mercado e têm uma
sequência.

Resposta: B
Como visto, em qualquer sociedade, os recursos produtivos (mão-de-obra, terra, matérias primas,
dentre outros) são limitados. Por outro lado, as necessidades humanas são ilimitadas e sempre se
renovam, por força do próprio crescimento populacional e do contínuo desejo de elevação do padrão de
vida. Independente do grau de desenvolvimento do país, nenhum deles dispõe de todos os recursos
necessários para satisfazer todas as necessidades da coletividade. Tem-se então um problema de
escassez: recursos limitados contrapondo-se a necessidades humanas ilimitadas.

05. Resposta: B
A microeconomia é o ramo da economia que estuda o comportamento das unidades de consumo
representadas pelas famílias e indivíduos, e pelo estudo das empresas, representados pela produção em
seus respectivos custos, além dos mercados de atuação de cada empresa.

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06. Resposta: C
Estas são as principais políticas usadas como instrumentos macroeconômicos que visam proteger a
economia: Política fiscal e política monetária.

07.Resposta: D
Família trata-se de um conceito específico de microeconomia, apesar da macroeconomia também
englobar as famílias (pois é global). A microeconomia estuda unidades de produção (empresas) e as
unidades de consumo (famílias), individualmente ou em grupos. Ao passo que a Macroeconomia é o ramo
da Economia que estuda a evolução dos mercados de uma forma mais geral e abrangente, analisando a
determinação e o comportamento dos grandes agregados macroeconômicos como renda nacional,
produto nacional, investimento, poupança, consumo agregado, inflação, emprego e desemprego,
quantidade de moeda, juros, câmbio, etc.

2. Evolução das funções do Governo. 3. Papel do Governo na economia:


estabilização econômica, promoção do desenvolvimento e redistribuição de
renda.

FUNÇÕES DE GOVERNO NA ECONOMIA

Políticas Econômicas

É papel do governo zelar pelos interesses e pelo bem-estar da comunidade em geral. Para esta
finalidade, o setor público, enquanto um agente econômico de peso dentro do sistema, procura atuar
sobre determinadas variáveis e através destas alcançar determinados fins tidos como positivos para a
população. A exemplo do que foi comentado, é comum encontrar, no jornalismo econômico, notícias a
respeito da elevação ou redução da taxa de juros.

Todavia, essas alterações nos juros são determinadas pela atuação do governo sobre outras variáveis
(neste caso oferta de moeda). Essas modificações nos juros buscam afetar outros objetivos maiores como
crescimento econômico e/ou controle inflacionário.
Políticas econômicas têm como objetivo afetar a economia como um todo, e é por isso que sua análise
está no campo da macroeconomia. Entender os objetivos e instrumentos das políticas. Portanto, torna-
se fundamental o entendimento do encadeamento lógico entre as áreas, variáveis e objetivo. Desta forma
é possível uma leitura e interpretação geral do mundo macroeconômico.

Os governos federais, estaduais e municipais têm importante papel na economia de uma nação. As
principais funções do setor público são destacadas em quatro áreas de grande abrangência:

Reguladora: o Estado deve regular a atividade econômica mediante leis e disposições administrativas.
Com isso, torna-se possível o controle de alguns preços, monopólios e ações danosas ao direito do
consumidor;
Provedora de bens e serviços: o governo, também, deve prover ou facilitar o acesso a bens e
serviços essenciais, principalmente àqueles que não são de interesse do setor privado, tais como,
educação, saúde, defesa, segurança, transporte e justa;
Distributiva: as políticas econômicas devem atingir e vir a beneficiar os mais necessitados da
sociedade. Com isso, modificam a distribuição de renda e riqueza entre pessoas e/ou regimes. A
igualdade social deve ser uma prioridade a ser buscada pelos órgãos públicos;
Estabilizadora: os formuladores de políticas econômicas devem estar preocupados em
estabilizar/controlar os grandes agregados macroeconômicos, tais como, taxa de inflação, taxa de
desemprego e nível de produção, com o intuito de beneficiar a população. Os cidadãos e agentes
informados da sociedade brasileira sabem que essas quatro funções básicas do governo são vitais para
o bom funcionamento de qualquer sistema econômico.

Os cidadãos e agentes informados da sociedade brasileira sabem que essas quatro funções básicas
do governo são vitais para o bom funcionamento de qualquer sistema econômico. No estudo da
macroeconomia cabe ainda destacar, a última função do governo, ou seja, a de estabilizar/controlar os
grandes agregados macroeconômicos. Dentro dessa função do setor público, os principais agregados
econômicos são: taxa de juros, crescimento econômico, nível de preços, taxa de desemprego e taxa de

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câmbio. Entretanto, para que esses objetivos do setor público sejam alcançados de forma eficaz, o
governo utiliza-se de um conjunto de políticas e instrumentos econômicos, destacados a seguir.

Funções do Governo da Economia7

O governo necessita realizar atividades de cunho intervencionista nas relações existentes na


sociedade. Essa atuação é devida à existência do que denominamos de “Falhas de Mercado”, situação
na qual a simples interação entre consumidores e produtores não leva a melhor alocação possível dos
recursos econômicos. A base de intervenção do Estado no processo econômico é associada às funções
básicas que este deve exercer, assim denominadas de função alocativa, distributiva e função
estabilizadora.

A função alocativa é aquela que atribui ao Estado a responsabilidade pela alocação dos recursos
existentes na economia quando, pela livre iniciativa de mercado, isto não ocorrer. Um bom exemplo desta
função é representado pela iniciativa do Estado em realizar obras que trarão grandes benefícios à
população. Um caso polêmico, mas revestido da função básica de alocação dos recursos pelo Estado é
a transposição do Rio São Francisco, que mesmo podendo trazer custos ambientais e sociais negativos
para parte da população do Sertão Nordestino, resultará em um significativo aumento do bem-estar da
própria população, levando água, saúde e riqueza a uma região bastante castigada pela seca.
A função (re) distributiva é representada de fato pela melhoria na chamada distribuição da renda
gerada na economia. Políticas de tributação progressiva da renda com a consequente adoção por parte
do governo de programas como o Bolsa Família representam claramente uma política distributiva do
governo, retirando, a princípio, daqueles que ganham mais e repassando àqueles que ganham menos.
A função distributiva governamental é implementada no país por meio de políticas públicas que visam
conceder benefícios às famílias de menor poder aquisitivo. Dentre estes benefícios incluem-se à
realização de transferências de recursos públicos, a exemplo do Programa Bolsa Família. O Programa
foi criado para apoiar as famílias mais pobres e garantir a elas o direito à alimentação e o acesso à
educação e à saúde. O Programa foi criado para apoiar as famílias mais pobres e garantir a elas o direito
à alimentação e o acesso à educação e à saúde. Este visa a inclusão social dessa faixa da população
brasileira, por meio da transferência de renda e da garantia de acesso a serviços essenciais. Em todo o
Brasil, mais de 11 milhões de famílias são atendidas pelo Bolsa Família.
A população alvo do programa é constituída por famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza.
As famílias extremamente pobres são aquelas que têm renda per capita de até R$ 70,00 por mês. As
famílias pobres são aquelas que têm a renda per capita entre R$ 70,01 a R$ 140,00 por mês, e que
tenham em sua composição gestantes, nutrizes, crianças ou adolescentes entre 0 e 17 anos.
Ainda pode ser considerada uma política adotada pelo governo no atendimento à função distributiva a
imposição de tributação incidente sobre a renda e a propriedade. Tributando mais aqueles que ganham
mais, o governo busca a arrecadação de recursos visando distribuir estes mesmos recursos para, entre
outras formas, poder realizar transferências à população de mais baixa renda.
Não menos importante, a atua política de concessão de subsídio à compra da casa própria, por meio
do Programa Minha Casa Minha Vida, constitui mais um dos instrumentos governamentais de
atendimento à sua função distributiva. A concessão do benefício no valor de até R$ 17 mil tende a permitir
o acesso da classe menos favorecida à moradia, gerando, de outra forma, a melhoria do padrão de vida
desta faixa da população.

Um importante conceito utilizado na economia refere-se à mensuração da demanda agregada, a


qual inclui à série de agentes envolvidos no processo econômico e que são responsáveis pela compra
de bens e serviços produzidos.
Em termos de fórmula matemática, podemos afirmar que a demanda agregada é formada pelas
seguintes variáveis:

Demanda Agregada = Consumo (C) + Investimento (I) + Gastos do Governo (G) + Exportações
(X) – Importações (M)

O consumo é representado pela série de bens e serviços comprados pelos indivíduos, sejam eles
os próprios bens de consumo, a exemplo de uma roupa ou um perfume, como no caso de um bem de
consumo durável, a exemplo de um automóvel;
7
MARIOTTI, Francisco. Finanças Públicas - Analista de Finanças e Controle - AFC/STN – Teoria e Exercícios. Disponível em:
file:///C:/Users/Evelynicsp/Downloads/aula0_FIP_TE_STN_46582.pdf. Acesso em março 2015.

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Os investimentos referem-se os gastos realizados pelas empresas com a compra de máquinas e
equipamentos destinados à ampliação da sua capacidade produtiva;
Os gastos do governo são representados por todas as compras realizadas pelo próprio governo
tanto para a manutenção de sua estrutura, a exemplo da compra de matérias de expediente, como
também da realização de investimentos públicos, a exemplo da construção de estradas, escolas,
hospitais, portos e aeroportos.
As exportações referem-se às vendas de bens e serviços produzidos no país, mas destinados ao
mercado consumidor externo. Dentre as exportações temos a venda de produtos básicos, comumente
conhecidos como commodities, a exemplo de minério de ferro, petróleo, soja, bem como de diversos
outros produtos acabados, a exemplo de automóveis e, também, de serviços como consultorias e
assessorias prestadas no exterior.
As importações referem-se às compras de bens e serviços realizados por consumidores e
empresas brasileiras de produtos advindos do exterior. Nas importações incluem-se a compra de
automóveis importados e diversos outros bens e serviços.
Em economia, é comum definirmos a Demanda Agregada como sendo também chamada de
Produto Interno Bruto – PIB, uma vez que o somatório das variáveis componentes (consumo,
investimento, gastos do governo, exportações e importações) corresponde ao total de riqueza gerada
e consumida pelo país durante um determinado período de tempo.

A função estabilizadora está diretamente associada às políticas fiscal e monetária realizadas pelo
governo. A política fiscal é implementada tanto por meio do aumento dos gastos do governo como pela
redução dos tributos. A diferença encontra-se apenas em qual a variável impactada diretamente. No caso
do aumento dos gastos, a variável estimulada inicialmente é a próprio gasto (DA = Y = C + I + G + X –
M).

Sua disseminação se dá pelos diferentes ramos da economia. O ciclo é baseado no gasto inicialmente
realizado em determinado setor (exemplo: Construção Civil) gerando emprego e renda. Como resultado
da renda e do emprego gerado neste setor, os trabalhadores aumentam a sua demanda nos demais
setores da economia, gerando novos impactos em termos de crescimento da renda. No caso da redução
dos tributos, o resultado se dá nas variáveis consumo dos trabalhadores e no investimento das empresas.
Com maior renda disponível os trabalhadores aumentam o seu consumo, estimulando as empresas a
investirem mais, gerando impactos sobre a oferta de bens e serviços (oferta agregada). Esse ciclo se
multiplica gerando impactos novamente sobre toda a economia.
Adicionalmente à política fiscal, a política monetária realizada pelo Banco Central visa controlar o
excesso de moeda na economia, fazendo que a circulação desta seja suficiente para dar lastro às
transações de bens e serviços no mercado real. O resultado desta política é a busca pela manutenção do
nível constante dos preços e o estimulo à geração de renda e emprego via estímulo ao crédito. Digno de
destaque são as diferenças existentes entre as políticas fiscal e monetária e seus impactos diretos sobre
a economia. A política fiscal tem o caráter de ter seu objetivo direcionado, atingindo inicialmente o setor
no qual o governo deseja estimular. Ocorre, no entanto, que toda esta política deve ser pautada na
estruturação do orçamento anual, necessitando de tempo e aprovação por parte do poder legislativo. De
forma contrária, ao apontarmos as vantagens da política monetária, podemos verificar que sua eficácia é
imediata, uma vez que as decisões da autoridade monetária quanto ao controle da liquidez são tomadas
diariamente. De forma contrária, as desvantagens se encontram no fato de que a política monetária tem
caráter nacional, não atingindo um setor econômico específico, nos moldes da política fiscal.

Com a o processo de desestatização implementado pelo Estado brasileiro no fim dos anos 70 e
intensificado a partir dos anos 90, surgiu a necessidade de que este mesmo Estado passasse a controlar
as atividades em que antes atuava diretamente, constituindo para isso uma série de Agências
Reguladoras que passaram a ter como missão a regulação dos serviços públicos concedidos à iniciativa
privada, nos moldes dos regimes de concessão de rodovias, portos, distribuição de energia elétrica e
telefonia.

Questões:

01. (SP-URBANISMO - Analista Administrativo – VUNESP) A aplicação das diversas políticas


econômicas a fim de promover o emprego, o desenvolvimento e a estabilidade, diante da incapacidade
do mercado em assegurar o atingimento de tais objetivos, é a função do governo denominada
(A) social.

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(B) estabilizadora.
(C) alocativa.
(D) distributiva.
(E) progressiva.

02. (CONAB – Economia – IADES) Considerando as três funções clássicas do setor público, que são
a alocativa, a distributiva e a estabilizadora, assinale a alternativa correta.
(A) A existência de bens públicos é considerada uma falha de mercado, o que justifica uma intervenção
distributiva do governo, transferindo renda de uma classe social para outra.
(B) A busca pelo emprego pleno e pela baixa inflação é parte da função alocativa do setor público.
(C) Devido às falhas de mercado, justifica-se a ação do governo de realocar recursos, a fim de substituir
a ação do mercado.
(D) Para manter a estabilidade, o governo intervém usando as políticas fiscal, monetária, cambial e de
crédito, a fim de evitar flutuações excessivas na economia.
(E) Os bens semipúblicos caracterizam-se pelo consumo não excludente, portanto, devem ser
fornecidos exclusivamente pelo governo.

03. (AL/BA - Técnico de Nível Superior - Economia – FGV) O governo FHC ficou marcado pelo fim
das altas taxas de inflação. Por sua vez, o governo Lula ficou marcado pela redução da pobreza e
desigualdade. Nesse sentido, os governos FHC e Lula atenderam, respectivamente, às seguintes funções
básicas do governo:
(A) alocativa e distributiva.
(B) alocativa e estabilizadora.
(C) distributiva e alocativa.
(D) estabilizadora e distributiva.
(E) estabilizadora e alocativa.

04. (SUDENE/PE – Economista – FGV) A função alocativa do governo se refere, dentre outros
motivos,
(A) a alocação de recursos visando uma distribuição de renda que seja considerada justa pela
sociedade.
(B) a estabilização do nível de preços e a redução do nível de desemprego.
(C) ao cálculo do valor de contribuição compulsória para financiamento da produção do bem público
(D) ao uso da política fiscal e monetária visando a um maior nível de crescimento econômico.
(E) a imposição de alíquotas tributárias mais altas a bens de luxo e mais baixas a bens necessários.

05. (PROCEMPA - Analista Administrativo - Analista Financeiro Contábil – FGV) Suponha um


governo que privilegie políticas de melhora do acesso a serviços públicos, em detrimento de políticas que
persigam uma meta inflacionária baixa.
Considerando apenas esses dois tipos de política, assinale a afirmativa correta.
(A) O governo está dando maior peso à sua função distributiva e menor peso a sua função
estabilizadora.
(B) O governo está dando maior peso à sua função alocativa e menor peso à sua função distributiva.
(C) O governo está dando maior peso à sua função estabilizadora e menor peso à sua função alocativa.
(D) O governo está dando maior peso à sua função estabilizadora e menor peso à sua função
distributiva.
(E) O governo está dando maior peso à sua função alocativa e menor peso à sua função estabilizadora.

06. (DPE/TO - Analista em Gestão Especializado - COPESE – UFT) Em relação às funções


governamentais, assinale a alternativa INCORRETA.
(A) As atribuições econômicas básicas do governo são: promover o ajustamento na alocação dos
recursos, promover o ajustamento na distribuição de renda e manter a estabilidade econômica.
(B) A provisão de bens públicos é uma função do governo para o ajustamento na alocação de recursos.
(C) A manutenção da estabilidade econômica tem como objetivo controlar a demanda agregada, de
modo a minimizar os impactos sociais e econômicos de crises de inflação ou depressão.
(D) Não há necessidade de intervenção do governo no que tange à distribuição da renda, haja vista
que os mecanismos de mercado garantem sua justa distribuição.

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Respostas:

Resposta: B
Função Estabilizadora. É a aplicação das diversas políticas econômicas a fim de promover o emprego,
o desenvolvimento e a estabilidade, diante da incapacidade do mercado em assegurar o atingimento de
tais objetivos. Trata-se de intervenção direta do Estado na economia. Em resumo, a função estabilizadora
do Estado visa manter a estabilidade econômica, com um alto nível de emprego e preços estáveis. Para
isso, o governo utiliza instrumentos de política macroeconômica (políticas fiscal e monetária), visando à
manutenção de níveis adequados de emprego, renda, inflação, taxa de câmbio, contas externas,
endividamento público, etc.

Resposta: D
Vamos discutir cada uma das alternativas para um melhor entendimento e aprendizado.
a) ERRADO - A existência de bens públicos é considerada uma falha de mercado, o que justifica uma
intervenção ALOCATIVA do governo.
b) ERRADO - A busca pelo emprego pleno e pela baixa inflação é parte da função ESTABILIZADORA
do setor público.
c) ERRADO - O governo não tem a finalidade de subsistir a ação do mercado.
d) CERTO - A função estabilizadora tem como finalidade manter a estabilidade econômica, com um
alto nível de emprego e preços estáveis.
Para isso, o governo utiliza instrumentos de política macroeconômica (políticas fiscal e monetária),
visando à manutenção de níveis adequados de emprego, renda, inflação, taxa de câmbio, contas
externas, endividamento público, etc.
e) ERRADO - Os bens semipúblicos caracterizam-se pelo consumo não RIVAL (mas são excludentes).
E NÃO devem ser fornecidos exclusivamente pelo governo. Exemplo de bens semipúblicos são as
Universidades Públicas. Todos podem ter acesso (não rival), mas nem todos garantem uma vaga
(excludente).

Resposta: D
Governo FHC – Função alocativa: em que justifica-se a intervenção do governo com o objetivo de
orientar a alocação de recursos, no caso o controle das altas taxas de inflação; estabilização monetária.
Governo Lula - Função Distributiva: Realiza ajustes na distribuição de renda, tornando-a mais justa;
distribuição da riqueza.

Resposta: C
A função alocativa relaciona-se à alocação de recursos por parte do governo a fim de oferecer bens
públicos, bens semi-públicos (ou meritórios) e de desenvolvimento. Dada a incapacidade do mercado de
suprir a sociedade, o orçamento público destinará recursos para a produção desses bens e serviços
necessários à sociedade. Os termos "chave" da função alocativa são: "bens e serviços", "falhas de
mercado", "infraestrutura" e outros relacionados a estes.
Resolução:
A) ERRADA. Trata-se da Função Distributiva.
B) ERRADA. Trata-se da Função Estabilizadora
C) CORRETA.
D) ERRADA. Trata-se da Função Estabilizadora
E) ERRADA. Trata-se da Função Distributiva.

Resposta: E
Melhora de Acesso a Serviços Públicos - ALOCATIVA
- Meta Inflacionária (Política Monetária e Creditícia) - ESTABILIZADORA
06. Resposta: D
a) CORRETA, são as funções do governo: Alocativa, distributiva ou (re)distributiva (é a mesma coisa)
e estabilizadora.
b) CORRETA, função alocativa, quando o governo promove alocação de bens públicos.
c) CORRETA, A manutenção da estabilidade econômica tem como função de governo a estabilizadora,
pois combater a crise ou mesmo o problema da inflação usando a política fiscal e monetária.
d) ERRADO - As falhas de mercado são um exemplo disso, o mercado não se regula sozinho o estado
precisa intervir para que a alocação de recursos produtivos sejam alocados de forma ótima.

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4. A função do Bem-Estar. Políticas alocativas, distributivas e de estabilização.

Trade-off entre eficiência e equidade e funções de bem-estar social8

O capítulo sobre distribuição de renda do mais vendido manual contemporâneo de introdução à


economia, o de N. Gregory Mankiw (Editora Campus) conclui que as sociedades enfrentam
necessariamente um dilema (um trade-off) entre equidade e eficiência.
O crescimento (a utilização eficiente dos recursos) supõe poupança e portanto uma certa concentração
que sacrifica forçosamente a igualdade. Para quem julgar a conclusão desoladora resta o consolo de
acreditar que esta é uma fase apenas inicial no processo de desenvolvimento que será sucedida
possivelmente por bonança distributiva, como mostraram economistas do calibre de Simon Kuznets e
Nicholas Kaldor. Em outras palavras, embora o crescimento não tolere inicialmente excessos na
distribuição, uma vez encontrado seu ritmo de cruzeiro, ele é fundamental no combate à pobreza.
A ciência econômica dos anos 1990 contribuiu de maneira decisiva para colocar aquilo que muitos
viam como uma lei científica seriamente em dúvida. A questão a que dois economistas do Banco Mundial
ofereceram nos últimos dias uma resposta positiva – o crescimento auxilia no combate à pobreza? – foi
simplesmente virada de cabeça para baixo. Ninguém nega que o crescimento seja uma condição
necessária para o combate à pobreza. Mas a indagação inovadora consiste em saber se a vitória sobre
a pobreza pode ser um estímulo significativo para o próprio crescimento econômico.
Esta inversão da pergunta faz com que o tema da desigualdade não seja objeto simplesmente de
políticas sociais compensatórias, mas se incorpore ao âmago da própria economia. Em última análise é
disso que tratam Douglass North (prêmio Nobel de 1993), Amartya Sen (prêmio Nobel de 1998) e Joseph
Stiglitz (até recentemente vice-presidente sênior do Banco Mundial e, antes disso, chefe da assessoria
econômica de Bill Clinton).
Um dos mais importantes enigmas de nosso tempo está em compreender as razões pelas quais
Estados Unidos e Brasil tomaram rumos tão diferentes apesar de um ponto de partida, no início
do Século XIX, bastante semelhante. Para Douglass North (Institutions, Institutional Change and
Economic Performance, publicado em 1990 pela Cambridge University Press) a resposta se encontra
numa estrutura institucional formada pela Constituição Americana, pelo hábito de valorização do
trabalho, pela força dos corpos políticos locais e dos empreendimentos comerciais e por dois
outros fatores decisivos: a distribuição de terras (que deu lugar a uma história fundamentada na
propriedade agropecuária familiar) e a associação entre um sistema público educacional livre e o
estímulo permanente à pesquisa e ao aumento da produtividade.
O que caracteriza o subdesenvolvimento é um conjunto de instituições – isto é, de regras do jogo, de
normas e valores que orientam a conduta do dia a dia, de orientações que reduzem a incerteza dos
indivíduos - que dissociam o trabalho do conhecimento, que dificultam o acesso à terra e que bloqueiam
a inovação. As organizações que emergem deste quadro institucional são altamente eficientes em sua
capacidade de inibir o aparecimento dos potenciais produtivos da sociedade e de dificultar as formas não
hierárquicas de cooperação em que se pode fundamentar o próprio crescimento. A pobreza, neste
sentido, é um freio para o crescimento. É até possível que a economia cresça e que aumente a renda dos
mais pobres. Mas ela cresce menos do que se fosse capaz de criar um ambiente propício à valorização
das atividades dos mais pobres.
Mas em que consiste esta valorização? Para Amartya Sen ela não se reduz simplesmente à oferta de
bens ou serviços: o desenvolvimento é definido por Sen como o processo que permite a ampliação das
possibilidades que os indivíduos têm de fazer escolhas. Daí o título de seu livro recentemente publicado
pela Companhia das Letras em excelente tradução de Laura Teixeira Motta: “Desenvolvimento como
liberdade”. A liberdade para Amartya Sen não é apenas a ausência de restrições, mas, antes de tudo, a
presença das premissas que permitirão aos indivíduos o exercício de suas escolhas. E é exatamente por
isso que Sen trabalhou ativamente na elaboração de um Índice do Desenvolvimento Humano, de um
conjunto de indicadores que mostrassem em que medida os indivíduos estão capacitados, dotados dos
meios materiais e morais que lhes permitirão participar ativamente da vida social e econômica. O estudo
da situação alimentar mundial é um claro exemplo em que o crescimento (da oferta global de alimentos)
em quase nada contribui para reduzir a fome ali onde ela mais cruelmente se manifesta. Um caso, em
outras palavras, em que crescer não basta para melhorar a situação dos mais pobres.

8
Ricardo Abramovay. Disponível em: http://www.fea.usp.br/feaecon//media/fck/File/Solucoes_para_o_dilema.pdf.

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Duas ideias são importantes para a relação entre equidade e eficiência, entre distribuição e
crescimento. A primeira apoia-se na constatação de que os países que mais cresceram depois da II
Guerra Mundial foram exatamente os que mais distribuíram oportunidades de participação na vida
econômica. No caso do Japão e dos Tigres Asiáticos a receita consistiu na ampla democratização do
acesso à terra e à educação.
Mas além disso, o Banco Mundial deu-se conta, de maneira amarga – com base na experiência dos
antigos países socialistas - que a liberalização dos mercados não pode ser encarada como a poção
mágica do crescimento. Mais que isso, longe de ser um ponto neutro, o mercado é uma instituição
construída há séculos e que, como bem mostrou Amartya Sen, não contempla de maneira equânime
todos os que dele aspiram participar. O crescimento econômico pode ser reforçado por mais esta forma
de combate à desigualdade que é a promoção ativa do acesso ao mercado por parte das populações
mais pobres. Aqui também a vitória na luta contra a pobreza pode ser uma das base do próprio
crescimento econômico.

Em economia, a utilidade é uma medida de satisfação relativa de um agente da economia. A análise


da sua variação permite explicar o comportamento que resulta das opções tomadas por cada agente para
aumentar a sua satisfação. A utilidade é frequentemente usada para estudar as decisões de consumo
quando se coloca em alternativa vários bens e serviços, a posse da riqueza ou o usufruto de tempo de
lazer. Um caso típico é o estudo da forma como um indivíduo decide dividir o seu tempo disponível entre
trabalho e lazer.

A utilidade é normalmente aplicada pelos economistas em construções como a curva de indiferença,


que apresenta, para um determinado nível de satisfação, a quantidade de bens que um indivíduo ou uma
sociedade aceitariam ter. Utilidade individual e utilidade social pode ser interpretados como a variável
dependente de uma função de utilidade (como um mapa da curva de indiferença) e como uma função de
bem-estar social, respetivamente. Quando associado à produção ou à escassez de bens, sob certos
pressupostos, essas funções podem apresentar uma eficiência de Pareto, como ilustrado pelas caixas de
Edgeworth nas curvas de contrato. Essa eficiência é um conceito central na economia do bem-estar.

A economia do bem-estar diz respeito ao florescimento da teoria econômica, que está investigando a
natureza das recomendações políticas que o economista está incumbido a fazer no seio da economia
moderna, frente às diversas polêmicas que se afloram no mundo. As misérias do mundo se avolumam.
As injustiças são crescentes, devido às concentrações de riquezas, os oligopólios. O que se nota, é que
alguns estão ficando mais ricos, enquanto outros mais pobres. E a economia moderna procura dar
respostas a estas graves questões que são notórias.

A literatura que procura discutir estas questões tem enfocado a questão de duas maneiras
fundamentais:
a) os problemas fundamentais, mas quase filosóficos - essas inflexões envolvem recomendações
diferentes, uma legítima e outra ilegítima, e,
b) a construção de um arquebouço teórico que possa ser aplicado para alguns problemas de política
atual. Isto significa dizer que a economia do bem-estar, ainda não está totalmente estruturada para uma
aplicação mais consistente com a moderna política desenvolvida.

A economia do bem-estar que toma lugar em diversos pontos importantes, frente à análise de alocação
dos recursos escassos da sociedade, caminha sua filosofia por uma vereda de justiça e igualdade para
os habitantes da Terra. Toda a estrutura da discussão que envolve o mecanismo de pesquisa neste
campo, está montada em teoremas que definem todo o procedimento do assunto.

Os teoremas que regimentam a economia do bem-estar, segundo Baumol (1972), são os


seguintes:
I - “No mundo da concorrência perfeita a tarifa deve resultar na grande alocação de recursos, e na
redução no bem-estar social liquido quando todas as nações afetadas são consideradas juntas;
II - De qualquer maneira, é necessário restringir o uso de um número de produtos, é melhor fazer
assim, pelo significado do sistema de ponto racional, em que para cada consumidor, é designado um
igual número de pontos para ser usado por sua preferência. Este é melhor que o mais usual método de
designação de um montante de cada bem para cada consumidor;
III - Se o governo decide obter algum montante de dinheiro pelo significado da tributação, é melhor que
assim faça pela tributação sobre a renda, do que a tributação sobre o consumo, ou venda”.

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A ideia central deste último teorema, é que um contribuinte, como tem X unidades monetárias tomadas
pelo imposto de renda; pode, se ele quiser, ter sempre recursos para comprar as combinações de bens
que são preferidas das suas combinações avaliáveis, se ele tem exatamente, o mesmo montante tomado
pelo imposto sobre venda, ou sobre alguns produtos. Uma tributação sobre a venda ou consumo, torna o
produto mais caro, prejudicando, que algumas pessoas comprem o produto.

Economia do Bem-Estar9

A economia do bem-estar está ligada com a política que melhora alocação dos recursos - com a
distribuição de insumos para vários produtos e a distribuição dos produtos para vários consumidores. Isto
só é feito, de maneira tal que, se alcance o ótimo definido por Vilfredo Pareto (1927).

Isto é um problema de equilíbrio geral, por que, se recursos são destinados para alguma indústria, eles
devem provavelmente ser destinados de outras indústrias e o inter-relacionamento entre elas constitui o
coração da matéria. O problema da determinação do ótimo da produção dos vários produtos produzidos
na economia aumenta, somente por causa da quantidade de todos os recursos serem limitados. Em tais
circunstâncias, não é resposta dizer que mais de um produto é uma coisa boa. Si produzimos mais bomba
nuclear, haveria mesmo menos trabalhadores nas fazendas para produzir milho e feijão. Seria indesejável
aumentar a produção do produto A, por que o exigido ao mesmo tempo decresce a produção no produto
B que é mais valorizável.

A alocação ótima de recursos entre dois bens é um material de relativa urgência da demanda e seus
relativos custos de produção. O nível de produção ótimo para o produto não pode, desta forma, ser
destinado isoladamente, em comparação com outros produtos com que compete para os recursos
limitados da sociedade.
Desta maneira, a economia como um todo, ficará em equilíbrio geral pela alocação dos recursos,
quando a taxa de substitutibilidade dos mesmos, for igual para todas as indústrias produtoras de
determinados bens, isto é, a taxa marginal de substituição técnica entre dois fatores para a produção de
um bem, for igual para todos os bens da economia.
Este processo direciona a que a taxa marginal de substituição técnica para os produtos e para todos
os produtores deve ser igual à taxa marginal de transformação da economia, que se origina em
decorrência da curva de contrato, que já vem determinada pelas relações de distribuição de renda dentro
do sistema produtivo da economia como um todo, que, por sua vez, advém das relações sociais.

DISTRIBUIÇÃO ÓTIMA DE RECURSOS

Os caminhos são muitos, para se chegar a um ótimo da alocação de recursos. Disto surgem muitas
questões:
a) quanto dos produtos deve ser produzido?
b) muitos de alguns insumos devem ser utilizados na produção de alguns produtos?
c) deveriam alguns produtos ser divididos nos vários tipos de consumidores? A análise marginalista
permite a formulação de regras sobre o assunto e outras decisões envolvidas na alocação dos recursos
utilizados.
Ver-se-á que essas regras serão excelente auxiliares, mas em muitos casos, elas serão altamente
incompletas.

Duas dificuldades são encontradas com tais regras: a) dentro da economia nada justifica que um
indivíduo A receba 2,00 U.M de modo ótimo que B, em termos de renda. Os julgamentos de valor
envolvidos em recomendação como distribuição de renda, devem de algum modo ser negociados, dentro
de informação econômica, e eles não podem ser produzidos magicamente por alguma manipulação da
análise marginal. Na prática, sempre alguma decisão econômica é virtualmente certa para afetar a renda
real de alguém. Uma redução no imposto pode aumentar a renda real de muita gente ao sabor dos que
são empregados da indústria protegida. A decisão para produzir mais feijão e menos batata, pode
aumentar a renda real dos que gostam de feijão ao sabor crítico da batata, ou sacrifício dos que gastam
em batatas.

9
Luís Gonzaga de Souza. Disponível em: http://www.eumed.net/cursecon/ecolat/br/11/lgs.html

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Os economistas têm abordagens alternativas, nenhuma delas são completamente satisfatórias para a
questão de distribuição de renda. Diante disso, verifica-se o seguinte:

- alguns têm ignorado o material por completo;


- outros têm trabalhado com hipóteses aceitando o status quo da distribuição;
- outros têm dito que se pode somente recomendar políticas que não prejudiquem ninguém, nem um
pouco;
- alguns têm dito que se deve medir e comparar as utilidades de todos envolvidos e recomendar uma
política, se e somente se, existe um ganho líquido em utilidades;
- alguns têm dito que se deve aceitar o julgamento arbitrário de alguma autoridade ou grupo para uma
distribuição ótima de renda;
- outros mais, têm dito que outras sejam iguais ou mais ou menos a uma igualdade de renda. A
otimização marginal deixa a desejar em muitos aspectos, devido às informações serem incompletas ou
insatisfatórias, em pontos que merecem mais consistência em questões de distribuição de renda.

Ao levar em consideração a distribuição de renda, isto deve ser feito a partir do momento em que o
consumidor e produtor tiverem examinado as diversas utilizações e combinações a elas oferecidas,
cabendo então o parecer mais favorável nas seguintes suposições:
1) as pessoas tiram o melhor partido possível dos seus rendimentos limitados quando os dividem entre
os diversos usos de tal modo que, no limite final, um rendimento possa ser substituído por outro;
2) tira-se o máximo partido possível dessa combinação trabalho/lazer quando se iguala no final seus
valores de substituição;
3) os indivíduos terão realizado a combinação ótima quando suas unidades de poupança e
investimento forem, no limite, intercambiáveis, não apenas entre si, mas também em relação às diferentes
possibilidades de consumo atual;
4) a combinação ótima não será alcançada enquanto continuar a ser possível aumentar a produção
total, ainda que de uma só unidade, sem prejudicar a ninguém;
5) toda situação que tenha por efeito aumentar a parcela líquida da camada mais pobre de uma
comunidade, sem diminuir o volume total da produção faz parte da combinação ótima dessa comunidade;
6) todo aumento da renda nacional medido, corresponde a uma combinação ótima para a comunidade,
na qual não haja deterioração em sua distribuição;
7) a participação internacional do comércio livre ou protegido, é condição que uma nação deve
satisfazer, a fim de se colocar em uma situação ótima;
8) a elaboração clara dos objetivos e finalidades, bem como a explicitação detalhada dos meios, que
permitam alcançar objetivos, são hoje uma função da economia do bem-estar e um meio de atingir a
combinação ótima a qual cada comunidade aspira.

Uma segunda dificuldade é quanto à obtenção dos dados. O segundo problema levantado aqui do
papel marginal, é que chamam de elemento que nem sempre tem a satisfatória contrapartida na
estatística e contabilidade. O custo para a sociedade de produzir algum bem, deve conter elementos que
nunca devem ser esperados para se apresentar nos lucros da produção da firma.
Se a produção de algum bem causa desgaste ou poluição da água ou leva ao crescimento de favelas,
é o instrumento que o economista deve tomar para o seu trabalho, ao processar se e em que quantidade,
o bem será produzido. Similarmente, a produção do bem deve ofertar benefícios sociais, tais como
melhoramentos tecnológicos, vantagem de defesa nacional, aumento na renda nacional, e outras
vantagens que não são refletidas nas rendas das firmas, mas, um melhoramento nas diversas camadas
da sociedade.

DISTRIBUIÇÃO ÓTIMA DE PRODUTOS

As regras exigidas para uma alocação ótima na distribuição dos bens entre os consumidores num
mercado, são as seguintes e principais, levando-se em consideração a concorrência perfeita e um
mercado limitado. Para esta análise serão considerados dois produtos, dois consumidores, dois fatores
de produção e uma economia simples.

I - A alocação ótima de bens para os consumidores.

Essa primeira condição, diz respeito ao equilíbrio na troca entre consumidores. Esse equilíbrio se dá
quando todos estão satisfeitos, de tal maneira que qualquer redistribuição da utilidade, gerará uma

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insatisfação, quer dizer, quando um ganha, o outro necessariamente perde, no caso do pensamento
pareteano. A condição de equilíbrio em análise é estendida a todos os membros da economia e não se
restringe unicamente a três ou quatro pessoas.

O equilíbrio geral se dá quando se obedece a seguinte condição:

Esta primeira regra implica numa estabelecida curva de contrato, demonstrada pelas condições
marginais estabelecidas acima. Da curva de contrato, retira-se a curva de possibilidade de utilidade que
mostra os níveis de utilidade dos dois indivíduos envolvidos nesta análise, daí saber-se o nível de
satisfação dos agentes econômicos.

II - Alocação ótima dos insumos na empresa.

O equilíbrio geral na empresa será ótimo, quando todos os recursos estiverem plenamente
empregados de maneira tal que qualquer redistribuição fará com que determinado produto seja não
produzido. Esta, também é a ótica pareteana e qualquer desequilíbrio, implicará que qualquer reajuste
será feito pela negociação, pois um pode sair ganhando sem prejudicar o outro, até chegar ao ótimo de
Pareto, portanto equilíbrio.

A condição geral para o equilíbrio na produção em uma economia, é aquela onde:

Esta igualdade anteriormente mencionada, significa que a taxa marginal de substituição técnica entre
os dois fatores de produção: trabalho e capital é igual para n bens. A taxa marginal de substituição técnica
significa a relação entre as produtividades marginais do trabalho com o capital para determinado bem em
questão. As igualdades das taxas marginais de substituição técnica do trabalho com o capital determinam
uma curva de contrato ou de conflito, isto é, as combinações ótimas dos fatores produtivos no sistema
econômico. Da curva de contrato, deriva-se a curva de transformação que significa as diversas produções
da economia, ou especificamente o que a economia deseja para satisfazer a demanda efetiva nacional.

III - A alocação ótima para o mercado.

Quando se procura demonstrar a alocação ótima dentro de um mercado, deve-se levar em


consideração em primeiro lugar o equilíbrio na produção, visto que, o mercado consiste de consumidores
e produtores, onde nenhum deve tirar proveito da inferioridade do outro e sim deixar que a economia
caminhe sempre num ótimo pareteano.

Nas trocas, tem-se que, a taxa marginal de substituição entre dois bens deve ser igual para todos os
consumidores. Já para a produção o equilíbrio se dá onde a taxa marginal de substituição técnica é igual
para todos os produtores na economia. No mercado a distribuição ótima é aquela onde a taxa marginal
de transformação é igual a taxa marginal de substituição entre os bens, daí tem-se, entretanto, distribuídos
os bens e determinados os preços dos produtos e o preço dos fatores empregados. Desta maneira, está
confirmada a condição de Pareto em si conseguindo um ótimo. Estas condições estão montadas na
suposição de competição perfeita, onde tudo é bem comportado e não existem fatores externos para
perturbar estas condições. Apesar de muitas falhas que a elas incorrem, estas condições até hoje
perduram, posto que, pode-se prever o bom andamento de uma determinada economia, pois somente
este sistema é quem melhor explica o comportamento do sistema econômico.

OTIMIZAÇÃO DE PREÇOS

O que determina um sistema econômico é o sistema de preços, pois se não existissem os preços, não
existiria a economia. A determinação do nível de preços, muitas vezes é estipulada pelo governo, outras
vezes é pelo mercado e outras vezes é pelo poder monopolístico de alguns produtores, por isto, a filosofia
política do sistema econômico, é quem determina o nível geral de preços, sempre procurando que a
economia cresça a um nível equilibrado, procurando proporcionar um bem-estar à comunidade.

Um sistema de preços se estabelece àquele que tenha as seguintes características essenciais e


fundamentais:
a) todos os fatores e produtos têm preços fixados, que são os mesmos para todos os compradores e
vendedores e que não pode haver mudança na quantidade dos agentes econômicos;

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b) todas as quantidades ofertadas e demandadas são aqui vendidas, isto é, esses preços são de
equilíbrios do sistema de equilíbrio geral; e,
c) alguma firma pode entrar ou sair com a produção de algum produto a esse preço, ao encontrar boa
lucratividade.

Sobre essas circunstâncias, é possível mostrar que, se todos os consumidores maximizam suas
utilidades e todos os produtores maximizam suas produções e todos os produtores maximizam seus
lucros, que todos esses procedimentos de otimização marginal exigem automaticamente que seja
satisfeito o teorema fundamental da economia do bem-estar, isto é, a condição de Pareto.

As condições pareteanas dizem que as taxas marginais de substituição dos produtos são iguais aos
preços relativos desses produtos, bem como a taxa marginal de substituição técnica entre os fatores de
produção, também são iguais aos seus valores relativos.

No que diz respeito ao mercado como um todo, a condição ótima se dá onde os preços relativos dos
bens são iguais aos custos marginais desses bens. Isto quer dizer que a indústria deve expandir sua
produção até onde o e onde tenha satisfação, até onde a. Com isto, tem-se a otimização dos preços.

ESTRUTURA DE MERCADO

A discussão sobre bem-estar social está solidificada numa estrutura de mercado que esteja em
concorrência perfeita, para que se tenha consistência nos resultados da teoria. Para isto, supõe-se que:
1) a competição perfeita ou pura tende a produzir numa alocação ótima de recursos;
2) competição perfeita implica que o preço de equilíbrio para todos os consumidor ou empresário é
fixado, quer dizer, oferta e demanda são iguais no mercado, determinando o preço a cobrar e a quantidade
a produzir;
3) uma firma que tem uma produção lucrativamente boa, deve dar margem à livre entrada de firmas
na indústria; e,
4) todos os consumidores e produtores no mercado possuem pleno conhecimento de toda a estrutura
de mercado.

Todos os quatro requisitos do sistema de preços devem ser satisfeitos. Estes são apenas quatro dos
requisitos principais e fundamentais de uma estrutura de mercado que esteja em competição perfeita,
pois este tipo de mercado diz que os agentes econômicos são bastante pequenos (atomicidade) para
influir no sistema de preços ou na distribuição do produto. Nestas condições se chega realmente ao
equilíbrio geral. A ideia de competição perfeita é boa, se é que existe, ou pelo menos uma aproximação,
porque previne o sistema econômico de uma exploração monopolista sobre os consumidores e
trabalhadores. Nesta estrutura de mercado, o preço do produto é cobrado pelo seu custo marginal,
havendo assim um ganho de bem-estar para a comunidade que pagará um preço justo (filosofia tomista)
pela produção gerada. Sob monopólio, tem-se que o preço cai quando a produção se expande. O
monopólio produz uma produção menor do que numa indústria que esteja em competição perfeita. Isto
significa que menos recursos seriam usados na manufatura de um produto produzido em monopólio, e
mais desses recursos iria para a indústria que estivesse em competição perfeita. Pouco teria produzido
em monopólio e bem mais em competição perfeita. Recursos seriam plenamente alocados em
competição perfeita e em monopólio os recursos seriam reduzidos em detrimento da sociedade.
Quanto à questão do monopólio, podem-se agregar de forma objetiva e semelhante a competição
monopolítica e o oligopólio (Edward Chamberlin e Joan Robinson), que explicam a questão de não se
chegar ao pleno emprego, consequentemente não eficiência, devido à capacidade ociosa, ou excesso de
capacidade negativa que aparece nestes tipos de mercado, que foi fartamente debatido pelos críticos do
pensamente clássico e neoclássico.

ECONOMIA DO BEM-ESTAR NO SOCIALISMO

A economia do bem-estar de um sistema socialista (Dobb, 1969) deveria ser o mais justo possível,
posto que é um sistema que prega justiça e equidade a todos os membros da população; entretanto, isto
não ocorre devido a estrutura complexa do sistema econômico universal. Cada nível de satisfação é
diferente, cada pessoa humana tem um modo diferente de pensar e isto faz com que as autoridades
econômicas tenham dificuldades em controlar a economia sem uma intervenção mais dura. A economia
socialista tem algumas vantagens sobre a economia capitalista, pois aquela é controlada pelo Estado em

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todos os níveis de atuação e a segunda é controlada pelo mercado, até certo ponto. Na economia
socialista, o preço é designado pelo planejamento do Estado, representando um preço sombra (Shadow
price) ou um preço justo pela aplicação dos recursos disponíveis da sociedade. O pagamento aos fatores
de produção é feito pelo valor de sua produtividade marginal, isto é, ganha pelo que se trabalha.

A economia num sistema socialista obedeceria, se fosse o caso, a uma concorrência perfeita, mais do
que a usada no capitalista. Num sistema de concorrência perfeita o preço é determinado pelo custo
marginal e isto refletiria uma condição de justiça. O sistema de preço num país socialista, talvez não seja
estipulado pelos custos marginais, mas aproxima-se muito de um preço determinado nesta base. Neste
sentido, elimina-se o intermediário e consequentemente a exploração monopolística.
Num sistema socialista a economia parece ser bem organizada, estruturada de uma maneira tal que
as cotas estipuladas pelo Estado são prontamente obedecidas, atendendo assim a um planejamento
previamente estabelecido. A matriz de insumo-produto gera realmente o planejado, porém é estabelecido
um prêmio a quem produzir mais como incentivo pela sua dedicação ao processo produtivo. Esse princípio
de incentivo conduz muitas vezes a alguns produtores agirem como se capitalistas, burlando a lei. A
planificação econômica é uma característica do socialismo centralizado, pois dentre deste esquema, o
governo procura estabelecer os rumos por onde deve caminhar a economia, com uma taxa de
acumulação de capital, estritamente necessária para a alimentação do sistema econômico. Por esta ótica,
tem-se uma política que proporciona um relativo bem-estar a toda sua população, mas não deixa de existir
os aproveitadores das benesses do sistema.

EXTERNALIDADES ECONÔMICAS

Este é um caso onde esta premissa econômica viola as condições impostas à teoria do bem-estar, que
esteja em competição perfeita, visto que os agentes econômicos têm certas atividades que beneficiam
outros, de tal modo que eles podem receber ganhos não monetários de retornos, ou suas opções são
detrimentais para com os demais, envolvendo custos incomensuráveis para os vizinhos produtores ou
consumidores.

As externalidades, como explica Pigou (1932) surgiram para justificar a inviabilidade da estrutura de
mercado da economia do primeiro melhor, comumente chamado de otimização da concorrência perfeita,
onde os preços são cobrados pelas forças competitivas. Este tipo de mercado comporta uma estrutura
onde os preços são iguais aos custos marginais, não havendo exploração do produtor, nem tão pouco
dos consumidores que demandam tal produção.

O aparecimento das externalidades indica a existência de uma economia imperfeita, conduzindo quase
sempre a um monopólio, liberando ao produtor o direito de cobrar o preço que lhe convier, aproveitando
desse poder para explorar ao seu modo, o consumidor de seus produtos. Um produto fabricado a um
custo baixo, envolve uma exploração da mão-de-obra que é vista como um sistema perfeitamente
competitivo de mercado, porém, é vendido a um preço muito além dos custos marginais.

Uma economia não está restrita a um país específico, ou a uma comunidade determinada e fechada,
mas participa de um relacionamento com outras localidades, quer seja país ou comunidade que
implemente as condições de sobrevivência interna, pois os serviços de informações, ou os conhecimentos
são participantes vivos que muitas vezes os consegue sem qualquer contra partida monetária, isto é feito
por adaptação, adoção, imitação, ou popularmente conhecido como cópia e á aí onde aparecem as
externalidades ou spillovers.

O equilíbrio geral, diante deste aparato de novos conceitos frustrantes, não se atinge, porque não se
tem a igualdade das taxas marginais de substituição psicológica entre dois produtos, com seus preços
relativos; assim como, essa mesma taxa marginal de substituição técnica, para os fatores empregados
nesses produtos. Portanto, a exploração se prolifera e o grau de monopólio se intensifica, jogando para
bem longe o bem-estar social e econômico do sistema e cada vez mais intensificando o nível de
concentração do poder político e econômico nas mãos de uma minoria privilegiada.

EFEITOS EXTERNOS NA PRODUÇÃO

Estes conceitos tiveram início no fim do século retrasado, com o economista inglês Alfred Marslhall
(1890). O estudante deve conhecer bem a ideia da economia da produção em grande escala - o caso

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onde a firma pode produzir cada unidade de produção, o mais barato possível, quando aumenta a sua
escala de produção, isto no caso de economias internas de escala (o ganho pela expansão da firma é
colher internamente seus frutos, quer dizer dentro da própria firma).

Caso contrário, a economia externa é o caso onde um aumento na produção da firma advém parte dos
benefícios de que não devolvem a outrem. Isto pode aumentar no mínimo de dois modos: a) pela
expansão, a firma opera na execução da força de trabalho e b) aumento, quando uma expansão na
operação da companhia faz ficar mais barata a oferta de serviços para todas as firmas da indústria.
Exemplificando, verifica-se o aumento na produção de cimento resultante de aumentos da indústria de
construção civil.

Em síntese, economias que são externas à firma podem aumentar, quando a expansão de alguma
firma faz baratear, para todas as firmas da indústria, o valor de seus insumos necessários. A expansão
da firma torna o menor possível para as outras companhias os preços dos insumos que operam,
consequentemente, vendendo um produto mais barato à comunidade, sob a prevalência do sistema de
preços que não há remuneração pela expansão da firma por esses benefícios que tem conferido aos
custos.

Uma expansão da escala de operações da companhia pode também ter efeitos desvantajosos, ou
negativos. Se algum aumento da produção da firma levar a fazer mais troca de operações encheria as
rodagens, em particular, tomaria mais gastos e consumiria mais tempo para outras firmas industriais em
troca. No caso de dar exemplo deste conceito, coloca-se o caso de um aumento em uma pescaria por
um grupo, isto esgotaria a oferta de peixes e seria muito difícil para os outros obterem seus pescados.

Uma configuração de economias externas aparece dentro da esquematização matemática a seguir:

Um outro exemplo de deseconomias externas na produção, seria o caso do aumento no uso da água
ou mais broca de perfurar poço de óleo, ser muito difícil para os outros executarem esses recursos.
Portanto, as deseconomias externas na produção ocorrem quando uma unidade econômica ao atuar,
provoca custos não compensados a outrem. Ainda como exemplo, tem-se a falta de controle no processo
produtivo, crescimento desordenado da firma e tecnologia inadaptável ao processo produtivo.

EFEITOS EXTERNOS NO CONSUMO

Aumento no consumo de determinado produto pode causar análogas vantagens e/ou desvantagens
para os outros membros da comunidade, que não são refletidas nos retornos para as pessoas que o
produzem. Essas variáveis aumentam a sutil interdependência no bem-estar de diferentes economias -
interdependência que não pode ser realmente refletida no preço ajustado.

As economias externas no consumo surgem dos benefícios que se ganha pelo uso de bens por outras
pessoas, no sentido de que minha casa em ordem beneficia meu vizinho e a mim mesmo, além do mais,
se eu educo meu filho e o torno um cidadão responsável, isto vai beneficiar a mim e a comunidade em
que vivo. Portanto, as economias externas no consumo ocorrem quando uma ação adotada por um
consumidor resulta num ganho para o outro, sem que o primeiro obtenha qualquer compensação. Isto
explica o espírito egoístico de uns, o ganancioso de outros e o pacífico de alguns que convivem na
sociedade.

A propósito, as desvantagens também aparecem no consumo de determinado bem e para isto, pode-
se sentir claramente quando uma ação exercida por um consumidor resulta num custo não coberto por
outros. Como exemplos deste tipo de deseconomia externa, pode-se citar uma infinidade de casos
empíricos do dia-a-dia de cada pessoa, como a competição na compra de uma camisa nova, pois se um
compra, o outro fica pensando que ficou em pior situação econômica (Duesenberry, 1958). Um outro
exemplo, é que, um fulano possui um fusca de três anos pode mudar de ideia e alugar uma casa onde
todos usam Dodge Dart novo, ocorre entretanto, deseconomias para as pessoas que usam automóvel de
maior valor.

Todos os dois tipos de efeitos supra analisados, deturpam os critérios pareteanos e também de se
utilizar a caixa de Edgeworth para demonstrar o real equilíbrio geral, pelo simples fato de que a igualdade
das taxas marginais de substituição, não se cumprem e a estrutura de competição perfeita cai por terra,

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cedendo lugar a uma análise mais consistente, para uma economia do segundo melhor, trabalhando
efetivamente sobre uma realidade mais precisa, mais real, mesmo que esteja em mercado imperfeito.

JULGAMENTO DE BEM-ESTAR SOCIAL

No século passado, existia muita discussão sobre bem-estar social e econômico, quando o economista
pode dizer que a política e a economia deveriam, em algum sentido, aumentar o nível de satisfação ou
bem-estar social e econômico da comunidade como um todo. A despeito, este pensamento tem ficado
sempre no ar, pois não se tem procurado proporcionar justiça e equidade e sim, mais e mais concentração
e desigualdade de renda.

Este problema fica nos fundamentos da economia do bem-estar, a não ser que o economista saiba
distinguir que uma mudança política que é um melhoramento e alguma coisa que o faça perder. O
economista não está numa posição para receitar algumas recomendações individualizadas, dentro de
seus princípios fundamentais, ele apenas analisa e propõe dentro do plano de eficiência uma
consolidação para todos.

Por isto, proliferam-se os debates em prol de uma solução como melhorar, ou como alguém entra
numa posição de nível de vida mais baixo, surgindo então alguns posicionamentos de teoristas famosos
no assunto de que tudo isto envolve política e não estritamente um trabalho de economistas técnicos,
pois este ponto de vista, agrava o problema.

Alguém dá uma ideia de equilíbrio geral onde se procura identificar o caminho que se chegue a um
ótimo ou ponto de eficiência pareteano, consequentemente a um bem-estar social proposto por muitos
idealizadores que pensam em um mundo com menos desigualdades e mais equidade para todos os
habitantes do planeta. A ideia de ótimo de Pareto é a ideia do vale pelo que tem e mais especificamente
o trabalhador ganha pela sua produtividade marginal, sem discriminação de pagamento.

Outro leva em conta o auxílio ou compensação, por ter chegado a uma posição melhor, que o outro
companheiro, mas sem prejudicá-lo. Para justificar este ponto de vista os teoristas utilizaram uma
economia com duas pessoas, dois produtos e dois fatores de produção. E, muitos outros economistas
têm contribuído para o estudo de como se chegar a essa eficiência pareteana, levando-se em
consideração a multiplicidade global de variáveis que o cercam.

Para melhor analisar este assunto interessante e palpitante, vários teoristas apresentaram seus
critérios de julgamento de bem estar social. O primeiro a tratar o assunto foi Vilfredo Pareto (1897), ao
definir eficiência econômica para o equilíbrio geral. Em seguida seguiram Nicholas Kaldor (1960), Tibor
Scitovsky (1951), Abram Bergson (1938) e muitos outros, na tentativa de se conseguir chegar ao equilíbrio
geral e fortificar o critério Pareto.

CRITÉRIO DE PARETO

Vilfredo Pareto (1897) foi um italiano que trabalhou com esta questão, fortemente no seu tempo,
propondo um ótimo que ficou com o seu nome e diz o seguinte: o ótimo é aquele em que a produção e a
distribuição não podem ser reorganizadas de modo a aumentar a utilidade de um ou mais indivíduos sem
diminuir de outros

O critério de Pareto claramente designa que uma melhora em um determinado grupo não pode
e não deve prejudicar ninguém, porque se alguém sair prejudicado significa uma ineficiência. O
gráfico ao lado analisa melhor o critério de Pareto. Sejam X e Y duas pessoas, onde no eixo horizontal,
tem-se a utilidade de X e de Y. Da mesma maneira, I, II, III e IV são curvas de indiferença. O critério de
Pareto condiciona que se começar de uma situação que é representada por um ponto A, então uma
mudança política é um melhoramento em resultar em um movimento para algum ponto B, C ou D que
ficam a direita de A ou sobre A. Para X, B é o melhor que A com Y constante. C beneficia sem perdas
para X e o movimento para D, beneficia ambas as pessoas.
Portanto, para movimento de A para E, não pode ser avaliado sobre a base do critério de Pareto. Por
isso, há mudança aumentando o bem-estar de Y, mas ao contrário de X.

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O critério de Pareto diz respeito a um equilíbrio geral no consumo e na produção, reporta o seu
nível de eficiência em sua essência, visto que, é uma posição onde qualquer mudança na estrutura
da economia faz com alguns ganhem e outros percam, devido a todos já estarem em seu equilíbrio
econômico e social, tal como preconiza a competição perfeita.

Em resumo, uma posição econômica é ótima de acordo com Pareto se não for possível melhorar a
situação, ou, de uma forma mais geral, a utilidade de um agente econômico, sem degradar a posição ou
utilidade de outro. As três condições que necessitam ser preenchidas para que uma economia possa ser
considerada Pareto são: eficiência nas trocas; eficiência na produção; e, eficiência no mix de produtos.

CRITÉRIO DE KALDOR

Um outro estudioso da economia do bem-estar foi Nicholas Kaldor (1960). O seu critério propunha que:
uma mudança é uma melhoria se, a pessoa que ganha, avalia seus ganhos a um valor mais alto da
Unidade Monetária, do que o valor desta, para os perdedores. Este critério é bastante conhecido como o
critério da compensação, posto que, quem ganha compensa as perdas dos perdedores, deixando-os em
melhores condições que antes.

O famoso critério de Kaldor é um melhoramento do de Pareto, pois ele lança a compensação aos
perdedores, para que todos participantes deste sistema saiam ganhando, ou pelo menos permaneçam
melhores do que antes. Em outras palavras, ele estabeleça que uma mudança constitui uma melhoria de
eficiência econômica ou de bem-estar social, se os ganhadores puderem compensar os perdedores,
ficando ainda com algum ganho líquido.

A teoria de Kaldor está melhor demonstrada no gráfico que segue. O sistema de compensação é visto
da seguinte maneira: ao se perguntar quanto Y deve pagar a mais para ir de A a E, não renunciar este
movimento. Do mesmo modo, pergunta-se a X, quanto ele pagaria para prevenir esta mudança.

Se, Y deve compensar a X por suas perdas de bem-estar. PP é uma curva de possibilidade de utilidade
e são utilidades de Y e X. Se se está em F e se se considerar que acontece, por exemplo, que X dê sua
riqueza de presente a Y. Isto pode resultar no movimento para Y, onde X está perdendo e Y está melhor
que em F. Outra tal redistribuição de riqueza deve mover-se para E e assim por diante. Portanto, PP é o
locus de todas as combinações dos níveis de utilidade de Y e de X que podem ser atingidos por uma
redistribuição, de riqueza entre os indivíduos X e Y, que está acompanhada não por uma mudança no
outro.

CRITÉRIO DE SCITOVSKY

Este critério é muito conhecido como critério de Scitovsky (1951). Colocou-se que o critério de Kaldor
sofre de sérias fraquezas, pois se vê no gráfico abaixo, que é possível quede de A para H seja considerado
um melhoramento, mas que ao mesmo tempo, sua volta também constitui um melhoramento. Neste
gráfico, têm-se duas curvas de possibilidades de utilidade RR e SS. Será observado que esta velha
situação ocorra como resultado das duas curvas.
O melhoramento de A para H, torna-se importante no intervalo acima de A. Da mesma forma, o
melhoramento de H para A para o intervalo acima de H.
Esta colocação deve ser melhor estruturada para que se compreenda o que se entende para ganhos
de bem estar social.

Para evitar esse embaraçamento, Scitovsky propõe o estrito teste envolvendo as duas partes:
- usar o critério de Kaldor para ver se o movimento do ponto inicial ao novo ponto é um melhoramento;
- usar o critério de Kaldor para estar seguro de que a volta, mover-se de novo ao ponto inicial, não é
um melhoramento.
Para esta última parte, se e somente se, o movimento para um melhoramento estar baseado na
proposta de Scitovsky. Kaldor e Scitovsky têm juízo de valor sobre uma base implícita inaceitável. Scitovsk
usa o critério de Kaldor-Hicks no propósito de justificar o seu critério considerando duas posições
importantes:
- uma posição H, em que redistribuição do produto de H melhoria para todos, levando em consideração
a A;

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- uma posição A, em a redistribuição do produto A melhoraria para todos, levando em consideração
quem estivesse em H.

Portanto, se 1 é possível e 2 impossível, pode-se dizer que H será a posição mais eficiente. Por outro
lado, se 1 for impossível, porém 2 for possível, isso implica que A será a alternativa mais eficiente. Sempre
que ambos são possíveis, não pode se dizer nada, sobre as posições analisadas. Outra possibilidade,
tais como H fosse melhor que A na prova original e ao mesmo tempo igual a A na prova invertida, isto se
ignora ou é desconhecido.

Assegura-se, entretanto, que o critério de Scitovsky propõe que a prova de Kaldor-Hicks inicial, fosse
compatível com a inversão da prova, entendendo isto no sentido de aplicar agora, a prova original ao
movimento desde a posição H até A, provando então que A e H são melhores ou pontos de eficiência.
Diante disto, confirma-se também o critério de falsidade de Scitovsky, como é denominado por alguns
economistas da economia do bem-estar.

CRITÉRIO DE BERGSON

Um outro posicionamento é o do economista conhecido como Abram Bergson, que apareceu em 1938
com seu artigo intitulado. “A reformulation of Certain aspects of Welfare Economic”, publicado em
Quarterly Journal of Economics, exercendo bastante influência nos grandes escritores de sua época, tais
como Lange (1959), Samuelson (1954), Arrow (1951), que encontraram larga inspiração em sua técnica
e enfoque.

O mérito de Bergson foi criar uma função de bem-estar arbitrária com o intuito de se chegar ao bem-
estar máximo. Bergson demonstra que a função de bem-estar depende de juízo de valor, pois um bem-
estar máximo decorre do pensamento político mandatário, qual seja ditador, democrata ou comunista,
desta maneira, um aumento no nível de satisfação de uma comunidade indica um aumento em seu bem-
estar.

Depois de analisadas as teorias de Bergson, Henderson & Quandt colocaram que o bem-estar máximo
só pode ser resolvido de duas maneiras:

- cada ponto sobre a função agregada de transformação define uma combinação de bens que pode
ser atingida com os recursos disponíveis;
- determinam-se todos os contornos de Bergson, cada um destes contornos corresponde a um
diferente nível de bem-estar.
Isto significa, no primeiro caso, alcançar o máximo nível de utilidade e no segundo, atingir o mais alto
contorno de Bergson. Assim, sugere razoavelmente que, somente o modelo do problema é a formulação
de um conjunto de julgamentos de valores explícitos que habilita o analista a avaliar a situação. Por
exemplo: o economista pode ser uma pessoa do governo, um legislador ou uma pessoa não específica
do grupo.

Para melhor explicar o nível de satisfação de uma comunidade, Bergson faz uso de um mapa de
indiferença que foi denominado de funções de bem-estar social. Essas funções obedecem as regras das
curvas de indiferença para proporcionar um melhoramento definitivo, isto é, são côncavas à origem, não
interceptam etc.

Sem dar a esta função de bem-estar social nenhuma forma especifica, ela poderia ser maximizada
com a restrição das funções de produção. Da adversidade de expressões que se pode obter manipulando
as condições de primeiro melhor máximo, Bergson selecionou quatro destas condições:

- o bem-estar social marginal por Unidade Monetária de cada mercadoria deve ser o mesmo para todos
os indivíduos;
- o mal-estar marginal social por Unidade Monetária de cada tipo de trabalho deve ser o mesmo para
os indivíduos;
- o valor marginal da produtividade de cada classe de trabalho deve ser igual ao salário dessa classe
de trabalho e

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- o aumento do valor obtido pelo deslocamento de uma unidade marginal de um fator não laboral da
produção de um bem X a de um bem Y, deve ser igual aos custos originados por este deslocamento. Isto
é, do produto marginal seja igual para todos os usos.
Concluindo, o método de Bergson tem a virtude de reconhecer que as condições últimas, que
encerraram as regras da produção ideal, poderiam separar-se de qualquer predileção sobre a distribuição
do bem-estar refletida nas duas primeiras condições, inferência que independeria da impressão
transmitida por alguns escritores de Cambrigde, que só a aceitariam, munida de uma concreta distribuição
de riqueza: a equidade.

CRITÉRIO DE LITTLE

A participação de I. M. de Little nos compêndio de economia do bem-estar social, veio a surgir por volta
de 1942, como desenvolvimento das idéias de Scitovsky em seu artigo “ Nota”, onde ele procura criticar
a dicotomia original de Kaldor. Já em 1949 Little intensifica suas idéias em “Artigo Fundamental”,
publicado neste mesmo ano.

O artigo de Little está montado em bases mais sólidas, definindo muito bem o seu posicionamento e
para isto faz um trabalho em cima das seguintes premissas:

- que se julgue que o indivíduo está melhor em posição escolhida por ele, que noutra posição qualquer;
- que é um bom deslocamento, uma situação na qual todos estão melhores.
O critério propõe, entretanto, que na medida em que o bem-estar seja só afetado por variáveis
econômicas consideradas, o deslocamento a uma nova situação, deverá acontecer, se: a) a nova situação
não for pior do que a antiga, b) for impossível melhorar a todos na posição original, tanto quanto
melhorariam com a mudança existente. A letra b é mais uma lembrança do critério de Pigou.

CRITÉRIO DE SAMUELSON

Para Samuelson, o seu aparecimento veio a acontecer propriamente em 1950, com um artigo que
versava sobre os famosos números índices, dizendo que os números índices serviriam como indicadores
fundamentais para uma mudança potencial de renda real da comunidade, assim tendo estreita relação
com a prova de compensação de Nicholas Kaldor.

Samuelson utilizou a curva de possibilidade de utilidade, para a aplicação em sua análise, na


justificativa dos números índices como medida de renda da comunidade que seria um indicativo de bem-
estar social de uma nação, de uma mudança na qualidade de vida da população.

O importante, é que, coloca Samuelson que, isto é semelhante a dizer que, disto pode-se concluir que
a renda real pode ser vista, como uma medida de bem-estar social de uma nação ou qualquer aumento
da renda real da população, implica um incremento de bem-estar social e econômico.

A renda real é o poder de compra da população, tendo em vista o uso de seu trabalho no cotidiano,
pois ao se ter ganho de renda real, consegue-se obviamente um nível de bem estar maior, ou uma
qualidade de vida que melhore o nível de satisfação daqueles que percebem renda e se sentem bem
diante o leque de consumo que deve usufruir no cotidiano da lida.

Com relação aos números-índices, eles são importantes instrumentos de medidas estatísticas, usados
para comparar variáveis econômicas, que se relacionam entre si, para obtenção de análise, de variações
no transcorrer do tempo, ou em distintos lugares, numa representação do dia-a-dia das pessoas e onde
estão assentados.

O nível de vida de uma determinada população, tem se notado que conseguiu variado muito ao longo
dos tempos, cujos números índices detectam essas variações, para que as autoridades locais adotem
políticas, para que possa haver crescimento equilibrado e haja um bem-estar real.

O TEOREMA DE ARROW

O teorema de Arrow (1984) decorre de intensiva pesquisa que o autor fez, quando ele investigou a
formulação de preferências sociais e descreveu as preferências individuais e sociais em termos da

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ordenação de estados alternativos formados pela relação “deseja-se pelo menos tanto quanto”. Arrow
mostrou que seria impossível fazer uma escolha dentro de um conjunto de alternativas sem violar algumas
delas.

Para fundamentar seu trabalho Arrow propôs quatro condições básicas que deveriam ser aceitas.
Então, colocou Arrow, condições para serem atendidas pelas escolhas sociais, a fim de refletirem as
preferências individuais representativas da sociedade. Estas são:

- as escolhas sociais devem ser transitivas;


- as mudanças sociais não devem responder em uma direção oposta às mudanças na escolha
individual;
- as escolhas sociais não devem ser ditadas por qualquer um, dentro ou fora da sociedade;
- a preferência social entre duas alternativas deve desprender unicamente das opiniões das pessoas
relativas às duas alternativas e não de suas opiniões a respeito de outras alternativas.
Dentro desta perspectiva, o teorema de Arrow não pode ser considerado um teorema democrático,
visto que a consistência das escolhas sociais, não é compatível com os princípios democráticos.

Uma democracia social, em qualquer instância, deve ser respeitada, dentro do princípio de liberdade
de escolha, que se tem frente a um mercado, cuja sinergia social é quem delibera sobre o ajustamento
da sociedade como um todo.

A TEORIA DO SEGUNDO MELHOR

O aparecimento da teoria do segundo melhor decorre porque nem sempre todas as condições de
Pareto podem ser satisfeitas, então, procura-se em seguida a segunda melhor alternativa para o trabalho.
Estipula-se que não é verdade que uma situação na qual muitas, mas não todas, as condições de
otimização são atendidas necessariamente, ou mesmo provavelmente superior a outra em que poucas
são compridas

Os primeiros economistas a trabalharem essa teoria foram R. G. Lipsey e K. Lancaster. Esses


economistas verificaram que nem sempre as condições de Pareto eram satisfeitas e era preciso tomar
algumas providências para que não ficasse repetindo o mesmo erro, então criaram a teoria do segundo
melhor que trata de uma situação na qual uma ou mais condições de Pareto não podem ser atendidas .
Desta maneira, dever-se-á procurar outra maneira de se ajustar a economia e não pela otimização.

O teorema estabelece que se uma das condições necessárias para conseguir um ótimo de Pareto não
é possível; as outras, a pesar de ser teoricamente possíveis, deixam de ser desejáveis. Se é que uma
das condições, para conseguir um ótimo de Pareto não é satisfeita; só é possível conseguir um ótimo
abandonando as outras condições. O ótimo assim conseguido, consegue-se sujeito a uma restrição que,
preveem o ganho de um ótimo de Pareto.

DEMOCRACIA E BEM-ESTAR

Vários economistas têm recentemente devotado considerável atenção ao relacionamento entre


decisões de indivíduos e grupos. Quer dizer, dadas as informações sobre os desejos das várias pessoas
como caracteriza o grupo, o problema é aquele em se estabelecer um razoável procedimento de
reconciliação desses desejos na decisão de grupo.

Esse problema teve início com o trabalho de Kenneth J. Arrow. Seu procedimento lista algum critério
de aceitabilidade plausível de decisões sociais e examina suas implicações no âmbito da sociedade como
um todo. Frente a essas observações, ele propõe quatro condições que as escolhas sociais encontrassem
em ordem de refletir as preferencias individuais no seu teorema da impossibilidade.

O trabalho de Arrow versa sobre um ponto importante dentro da economia do bem-estar, propondo
quatro condições que devem ser atendidas pelas escolhas sociais, a fim de refletirem as preferências dos
grupos representando a sociedade, sem distinção de cor, nem de renda.

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As quatro condições são as seguintes:
- as escolhas devem ser escalonadas para escolher a que atenda a sociedade;
- os grandes teoremas de bem-estar não devem ser de modo regressivo;
- as preferencias sociais não devem ser determinadas pelas autoridades no grupo, mas sim pelo
consenso e;
- as preferencias sociais devem depender unicamente das pessoas do grupo e não de pessoas
estranhas.

Arrow mostrou que seria impossível fazer uma escolha dentro de um conjunto de alternativas
sem violar algumas delas. Por esta ótica as escolhas sociais não podem ser democráticas. A
democracia é a livre escolha, é participar das decisões centrais e acima de tudo a opinião da maioria no
processo geral de política. A democracia, no seu sentido real da palavra, é um grande passo para
melhorar o bem-estar de uma população.

RETORNOS CRESCENTES E BENS PÚBLICOS

A economia do bem-estar está ligada a uma economia perfeitamente competitiva, uma economia do
primeiro melhor, isto é, um sistema onde seu campo de atuação está perfeitamente organizado. Por outro
lado, nem sempre as condições de primeiro melhor são satisfeitas, por causa de efeitos externos ou
externalidades justificadas pelas falhas de mercado, aparecendo, portanto, os retornos crescentes e/ou
os bens públicos (SAMUELSON, 1954) gerados pela intervenção do Estado nos meios de produção.

Quando um sistema opera com indústria que apresentam retornos crescentes ou quando os bens são
públicos, as condições de uma economia de primeiro melhor, ou concorrência perfeita, não são satisfeitas,
como bem mostra o gráfico ao lado. Um bem, com retorno crescente apresenta uma curva de
transformação do tipo NN. As curvas I e II são curvas de indiferenças do consumidor na sociedade. Nesta
figura, têm-se dois pontos de ótimo que são A e B. Portanto, descaracterizando as hipóteses de alocação
ótima de uma economia do primeiro melhor, ou para os clássicos, uma economia perfeita.

Por bens públicos, pode-se entender aquilo que uma pessoa pode desfrutar sem reduzir a satisfação
de outros no consumo desses bens. Os bens públicos são também chamados de bens coletivos. O
responsável por este tipo de produto é o governo. O que mais caracteriza os bens públicos é o princípio
da não-exclusão, como por exemplo: defesa nacional, proteção policial e contra incêndio, serviços de
justiça, etc.

Para o caso dos bens públicos, não se pode chegar a um ótimo de Pareto, porque o princípio de
otimização diz que a eficiência “é aquela em que a produção e a distribuição não podem ser reorganizados
de modo a aumentar a utilidade de um ou mais indivíduos sem diminuir a de outros.” Com isto, os bens
públicos não satisfazem ao princípio de otimização, visto que não há condições de se separar as utilidades
de um bem entre pessoas, pois a utilização desse bem por um indivíduo não exclui o consumo do outro
indivíduo.

CRESCIMENTO, DESENVOLVIMENTO E BEM-ESTAR

O pensamento econômico levanta com o seu poder histórico, as questões discutidas pelos grandes
filósofos do passado, analisando seu compartimento, para tirar as conclusões para o presente e futuro da
teoria econômica, no que diz respeito às teorias do desenvolvimento econômico e do crescimento
econômico, pois diversos pensamentos têm dado conceitos diferentes sobre esses dois assuntos. A
história é a grande aperfeiçoadora dos técnicos e dos políticos conduzindo-os às especializações.

Para se relacionar desenvolvimento, com crescimento e bem-estar, é preciso que se tenha em mente
o conceito correto desses termos. O desenvolvimento econômico é muitas vezes tido como melhoramento
da renda per capita, pois, presume-se que um aumento na renda por pessoa, melhore o poder aquisitivo
desse povo, consequentemente um desenvolvimento econômico. Já o termo crescimento diz respeito ao
aumento da capacidade produtiva, o aspecto físico da produção; e, quanto ao bem-estar é mais o seu
todo da economia.

Pelo entendimento da Organização das Nações Unidas (ONU), o desenvolvimento econômico é uma
melhora na vida dos trabalhadores, mais precisamente, um aumento no nível de vida da população, no

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que versa sobre saúde, alimentação, transportes, lazer, educação emprego e condições de trabalho, etc.
Este conceito tem muito a ver com o que se entende por bem-estar, visto que bem-estar é um
melhoramento geral em toda economia, deixando a população melhor que antes.

O termo desenvolvimento para a ONU, tem significado mais preciso, visto significa uma mudança,
passagem do nomadismo pastoril para a agricultura, de uma economia de subsistência a uma monetária,
da monocultura a uma produção agroindustrial diversificada, daí a equidade reclamar o nivelamento pelo
alto, não uma partilha da miséria, como posiciona Paulo VI quando diz: o supérfluo dos países ricos
devem servir aos países pobres; assim como indica que o desenvolvimento é o novo nome da paz.

Mesmo assim, o desenvolvimento deve ser medido, porém sua medida deverá ser feita através da
taxa de crescimento econômico como bem explicitada em Alfred Marshall em seu livro, princípios de
economia. O crescimento adotado como medida de desenvolvimento pode ser feito, mas a sua reciproca
não é verdadeira, pelo simples fato de que o primeiro significa aumento quantitativo e o segundo se refere
à qualidade desse crescimento econômico. Como exemplo pode-se citar o aumento do PIB ou a renda
per capita de uma nação.

O conceito de bem-estar tem conotações diferentes quando se nota ao longe da história, os diversos
pensamentos referentes a um melhor nível de vida de uma comunidade. Ao se referir a Adam Smith e H.
Sidgwick, bem-estar é riqueza, A.C. Pigou, a utilidade, a David Ricardo, ao valor e preço, a J.M. Keynes
a moeda ou valor real, a V. Pareto e I.M.D. Little a ofelimidade ou combinação ou escolha, a K. Marx a
realização estética, a Leon Walras e A. Marshall ao estado de equilíbrio, a A. Bergson a um optimum e
finalmente a Rostow, Lewis e Myint a desenvolvimento e crescimento econômico de uma Nação.

Dado este amontoado de conceitos para o bem-estar social, verifica-se que é difícil, estabelecer-se
um conceito preciso ao modus vivendi de qualquer sociedade no mundo. Isto transcorre porque cada
pessoa tem uma maneira de pensar e de agir, mesmo baseando-se nos princípios fundamentais da
economia do bem-estar. Sabe-se diante mão que, popularmente se vê uma galinha e diz-se isto é apenas
uma questão de óptica.

O desenvolvimento econômico de uma Nação possui em comum com suas diversas expressões de
bem-estar, três traços fundamentais e importantes para o bom entendimento desses conceitos, agora
investigados. Os três pontos levantados são os seguintes:

- É uma tentativa de revelar, de compreender e de descrever as leis que caracterizam os homens em


setores determinados de sua existência, o dos negócios correntes da vida, que se tratam de Robinson
Crusoé, daquela ilha de Maurício, de uma empresa industrial ou ainda de uma organização militar;
- Investigação sobre a natureza profunda das diversas modalidades de bem-estar: que é a riqueza?
De onde vem a felicidade? Deve-se fixar preços nisso ou naquilo? Pode-se passar de uma combinação
ótima para uma outra, por meio de uma distribuição mais justa de renda? Pode-se considerar que o
aumento do sofrimento imposto a um indivíduo ou a um grupo é equilibrado ou compensado pelo aumento
do prazer ou da felicidade de um outro indivíduo ou de um outro grupo, que tal caráter compensatório
deve intervir nas combinações preferidas de uns e outros? etc.
- A imprecisão dos contornos do universo sobre o qual o economista discute

Portanto, os dois conceitos emitidos em discussão devem ser tratados com bastante cuidado, para se
tirar conclusões de bem-estar social, cabendo ao analista a inclusão das variáveis de maior relevância
dentro do contexto de melhoramento das condições de vida de uma Nação ou de uma região, pois isto é
uma proposta a ser estudada oportunamente.

Curvas de indiferença social - Representam o conjunto das combinações de utilidades entre os


indivíduos (ou grupos) para os quais a sociedade é indiferente.

Questões:

01. (MS - Economista – CESPE) O desenvolvimento econômico tem correlação direta com o aumento
das taxas de crescimento econômico.
( ) Certo ( ) Errado

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02. (TCE/RS - Auditor Público Externo – FMP/RS) Assinale a afirmação INCORRETA sobre os
conceitos de desenvolvimento, subdesenvolvimento e crescimento econômico.

(A) O crescimento econômico envolve mudanças de estruturas e aperfeiçoamento institucionais. É um


fenômeno de longo prazo, que implica a ampliação da economia de mercado e a elevação geral da
produtividade dos fatores de produção.
(B) O crescimento econômico significa apenas o crescimento do produto e da renda. O
desenvolvimento abrange melhoria na qualidade de vida, como a taxa de analfabetismo, saneamento,
expectativa de vida, educação, saúde, meio ambiente.
(C) O subdesenvolvimento caracteriza-se por crescimento econômico insuficiente, concentração de
renda, instabilidade e dependência econômica, tecnológica e financeira em relação aos países
desenvolvidos.
(D) Uma economia subdesenvolvida caracteriza-se por uma base exportadora instável e diminuta para
causar impactos significativos na economia. A formação de capital mostra-se insuficiente pelo baixo nível
de renda e entraves ao ingresso de capitais externos. Altas taxas de inflação e restrições orçamentárias
inibem o investimento público em setores estratégicos e na área social.
(E) Para que o desenvolvimento econômico ocorra, a taxa de crescimento do produto precisa ser
sistematicamente superior à taxa do crescimento demográfico e precisa ocorrer uma melhoria da
distribuição de renda em favor das classes menos favorecidas.

03. (Polícia Federal - Escrivão da Polícia Federal – CESPE) Pelo fato de o critério de eficiência de
Pareto não levar em consideração questões distributivas, ele não permite uma ordenação inequívoca das
alocações que se encontram na fronteira de possibilidades de utilidade.

( ) Certo Errado ( )

Respostas:

01. Resposta: Errado


Pelo entendimento da Organização das Nações Unidas (ONU), o desenvolvimento econômico é uma
melhora na vida dos trabalhadores, mais precisamente, um aumento no nível de vida da população, no
que versa sobre saúde, alimentação, transportes, lazer, educação emprego e condições de trabalho, etc.
Este conceito tem muito a ver com o que se entende por bem-estar, visto que bem-estar é um
melhoramento geral em toda economia, deixando a população melhor que antes. O desenvolvimento
econômico deve ser medido e sua medida deverá ser feita através da taxa de crescimento econômico
como bem explicitada em Alfred Marshall em seu livro, princípios de economia. Porém, o crescimento
econômico significa aumento quantitativo (como crescimento do produto e da renda) e o desenvolvimento
se refere à qualidade desse crescimento econômico. Desenvolvimento é mais amplo, abrangente do que
crescimento, mas INDIRETAMENTE é influenciado pelo crescimento. Estatisticamente falando, a
correlação (termo técnico) é positiva, pois um maior crescimento contribui para um maior
desenvolvimento, apesar de não ser suficiente (também depende da qualidade das instituições,
liberdades individuais e melhorias amplas e gerais, tais como melhoria na qualidade de vida, como a taxa
de analfabetismo, saneamento, expectativa de vida, educação, saúde, meio ambiente).

02. Resposta: A
A única assertiva incorreta é a letra A. Item, pois o crescimento econômico não é e nem pode ser
somente um fenômeno de longo prazo, mas sim de curto, médio e longo A curto prazo existem políticas
como a monetária que tem o poder de aumentar a renda e o emprego gerando crescimento, também no
curto prazo.
Crescimento econômico é o crescimento contínuo da renda per capita ao longo do tempo.
Desenvolvimento econômico é um conceito qualitativo, representada pela melhora de indicadores de
bem-estar econômico e social: pobreza, desemprego, desigualdade, condições de saúde, nutrição,
educação e moradia.

03. Resposta: Certa


Eficiência ou ótimo de Pareto é um conceito de economia desenvolvido pelo italiano Vilfredo Pareto.
Uma situação econômica é ótima no sentido de Pareto se não for possível melhorar a situação, ou, mais
genericamente, a utilidade de umagente, sem degradar a situação ou utilidade de qualquer outro agente

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econômico. Existem três condições que necessitam ser preenchidas para que uma economia possa ser
considerada Pareto Eficiente:
-eficiência nas trocas - o que é produzido na economia é distribuído de forma eficiente pelos agentes
econômicos, possibilitando que não sejam necessárias mais trocas entre indivíduos, isto é a taxa marginal
de substituição é mesma para todos os indivíduos;
-eficiência na produção - quando é possível produzir mais de um bem sem reduzir a produção de
outros, isto é, quando a economia se encontra sobre a sua curva de possibilidade de produção;
- eficiência no mix de produtos - quando os bens produzidos na economia refletem as preferências dos
agentes econômicos. A taxa marginal de substituição deve ser igual à taxa marginal de transformação.
Um sistema de preços de concorrência perfeita permite satisfazer a esta condição.
Numa estrutura ou modelo econômico podem coexistir diversos ótimos de Pareto. Um ótimo de Pareto
não tem necessariamente um aspecto socialmente benéfico ou aceitável. Por exemplo, a concentração
de renda ou recursos num único agente pode ser ótima no sentido de Pareto A afirmação está correta
uma vez que sob o ponto de vista conceitual o critério de eficiência de Pareto é uma concepção
individualista (cada indivíduo é o melhor juiz da sua própria utilidade) e não inclui elementos redistributivos
por conta dessa eficiência.

5. Falhas de Mercado: poder de mercado, bens públicos, semi-públicos, bens


privados, externalidades, informação assimétrica.

FALHAS DE MERCADO

Ocorre quando os mecanismos de mercado, não regulados pelo estado e deixados livremente ao seu
próprio funcionamento, originam resultados econômicos não eficientes ou indesejáveis ao ponto de vista
social. Estas falhas são geralmente provocadas por imperfeições do mercado, nomeadamente informação
incompleta dos agentes econômicos, custos de transações elevadas, existência de exterioridades e
ocorrência de estruturas de mercado do tipo concorrência imperfeita.
Definição: O conceito de falha de mercado, dentro da teoria econômica, se refere a circunstâncias
específicas que levam um sistema de livre mercado à alocação ineficiente de bens e serviços. As
imperfeições de mercado são os desvios das condições de mercado competitivo que levam indivíduos
privados e organizações, que buscam maximizar seus interesses próprios, a fazerem coisas que não
sejam de interesse social.

Preste bem atenção às falhas no mercado, pois é a situação em que o custo marginal social não é
igual ao benefício marginal. Concorrência imperfeita, externalidades, informação assimétrica e mercador
incompletos, são manifestações de falha de mercado. Essa falhas, no contexto normativo, podem ser
corrigidas por políticas públicas, com legislação, taxação, por exemplo. Outras formas de correção das
falhas que decorrem da função estatal está o controle dos preços por meio do tabelamento e fixação do
preço mínimo.
Indivíduos normalmente prestam atenção somente aos custos e benefícios privados, ignorando os
custos e benefícios gerais. Para que se corrija essa situação, deve-se tentar alinhar os objetivos privados
e sociais, criando programas que induzam os indivíduos privados maximizadores a considerarem todos
os custos e benefícios em seus cálculos.
Desse modo, falhas de mercado podem ser vistas como situações em que a atuação dos indivíduos
em busca de seu puro auto interesse leva a resultados que não são eficientes. Falhas de mercado são
frequentemente associadas com assimetrias de informação, estruturas não competitivas dos mercados,
problemas de monopólio natural, externalidades, ou bens públicos. A existência de uma falha de mercado
é muitas vezes usada como justificativa para a intervenção governamental em um mercado particular. A
microeconomia ocupa-se do estudo das causas de falhas de mercado, e dos possíveis meios para corrigi-
las, quando ocorrem.

EXTERNALIDADES

Externalidades constituem a falha de mercado mais importante a ser estudada, na medida em que é
possível traçar diversos paralelos entre os problemas suscitados pela análise econômica da
responsabilidade civil e o conceito de externalidades.

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As externalidades podem ser entendidas como os custos ou benefício que não são internalizados pelo
indivíduo ou pela empresa em suas ações e que impõem custos ou benefícios diretamente a terceiros.
Qualquer decisão e consequente ação acarretam custos e benefícios. Quando os custos ou benefícios
decorrentes da decisão incidem apenas sobre o agente decisório, são chamados de custos ou benefícios
internos. Se incidirem também, parcial ou totalmente, sobre outras pessoas que não o agente decisório,
geram as chamadas externalidades positivas ou negativas. O benefício que uma decisão trouxer para
outras pessoas e chamado de benefício externo ou externalidade positiva, o custo sobre outras pessoas
e chamado custo externo ou externalidade negativa.
Externalidade é o impacto da ação de um agente sobre um terceiro que não participou dessa ação. O
terceiro, a princípio não paga nem recebe nada por suportar esse impacto. Quando temos uma
externalidade de produção negativa, o custo de produção é maior para a sociedade que para o produtor,
fazendo com que o este último produza uma quantidade acima da desejada pela sociedade. Por outro
lado, as externalidades positivas ocorrem toda vez que o valor social é superior ao valor privado, tendo
como resultado uma produção inferior àquela socialmente desejável.
Diante da existência de externalidades, o interesse da sociedade em um resultado de mercado não
fica adstrito ao bem-estar dos compradores e vendedores incluídos nesse mercado, e passa a incluir
também o interesse dos terceiros afetados indiretamente pelas externalidades. O equilíbrio do mercado,
que seria responsável pela maximização do benefício total para a sociedade, nesse caso, deixa de ser
eficiente, já que os compradores e vendedores desconsideram os efeitos externos de suas ações na
tomada de decisões.
Ou seja, o equilíbrio de mercado é atingido sem que a externalidade, representada pelo custo/valor
social, componha a sua formação, o que faz com que o mercado aloque os recursos de maneira
ineficiente. A seguir, apresentamos dois exemplos para elucidar como externalidades negativas e
positivas podem interferir no equilíbrio de mercado gerando resultados ineficientes.
Cumpre ressaltar que a questão das externalidades foi, primeiramente, abordada por Ronald Coase,
economista da Universidade de Chicago, que desenvolveu em 1960 um estudo denominado de “O
Problema do Custo Social”, o que lhe garantiu, posteriormente, a indicação e a obtenção do Prêmio Nobel
de Ciências Econômicas em 1991. Coase procura, basicamente, estudar até que ponto o mercado privado
é eficaz ao lidar com externalidades, e chega à conclusão de que se os agentes econômicos envolvidos
puderem negociar, sem custos de transação, a partir de direitos de propriedade bem definidos pelo
Estado, poderão alocar os recursos de modo mais eficiente, solucionando o problema das externalidades.
O autor também será objeto de análise em outros pontos do presente material didático. O Teorema de
Coase pode ser resumido pelo seguinte excerto:

“Os agentes privados podem solucionar os problemas das externalidades entre si, desde que os custos
de transação não sejam excessivos. Qualquer que seja a distribuição inicial dos direitos, as partes
interessadas sempre podem chegar a um acordo pelo o qual todos ficam numa situação melhor”10

EXTERNALIDADES NEGATIVAS

Uma externalidade negativa é representada por impacto negativo que atinge terceiros proveniente da
ação de outrem. Consideremos como exemplo, o uso de carros para ir ao trabalho. Quando um agente
decide utilizar seu carro para ir para o trabalho, está em geral preocupado com fatores como seu conforto,
a rapidez, o preço da gasolina, a depreciação do carro, utilização do carro, etc. Essa ação, entretanto,
tem efeito na vida de terceiros dado que, dentre outros fatores, contribui para o aumento do trânsito e da
poluição.
Esses dois resultados podem ser tidos como negativos do ponto de vista dos terceiros que o suportam,
dado que a emissão de gases pelo veículo é prejudicial à saúde, e que o aumento do trânsito fará com
que o tempo de deslocamento entre diferentes pontos da cidade seja maior. Dessa forma, o custo dessa
ação para a sociedade será maior que para a pessoa que decide se deslocar por meio de um carro. Isso
porque, o custo social é a somatória dos custos privados de quem age e do impacto suportado pelos
terceiros.
Podemos ilustrar essa situação pelo gráfico abaixo. A curva do custo social se encontra acima da curva
representativa do custo do agente, aqui chamada de custo privado. A diferença entre as duas curvas é o
custo dos impactos suportado pelos terceiros. O ponto ótimo, ou seja, socialmente desejável, é aquele
onde há interseção entre as curvas do custo social e da demanda. A quantidade desejável de uso de
veículo pelos agentes é dado por q*. O ponto de equilíbrio, no entanto, encontra-se localizado entre as

10
MANKIW, N. Gregory. Introdução à economia. São Paulo: Thomson Learning, 2006, p. 210-211, Capítulo 10.

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curvas da oferta e da demanda, uma vez que o custo privado não engloba o custo da externalidade
produzida, e a quantidade atingida pelo equilíbrio de mercado é q`>q*

Uma solução típica para este tipo de problema seria a imposição de uma taxa, pelo Estado, sobre esta
atividade, a fim de imputar aos agentes o custo decorrente da externalidade apontada. No momento em
que essa externalidade passa a integrar o custo privado, a curva de custo privado se iguala à curva do
custo social, e o equilíbrio atingindo passa a igualar-se ao ponto ótimo. Ou seja, quando as pessoas
passam a arcar com os custos do aumento do trânsito e da poluição, provenientes da utilização dos
carros, o número de carros tende a diminuir de forma a alcançar a quantidade ótima q*. Dessa forma, o
resultado é a alocação eficiente dos recursos que existiria em um mercado onde não há falhas.
A regulação do setor de transporte, em diversos países, tem tentado imputar tais custos ao uso de
automóveis. No Estado de São Paulo por exemplo, há um sistema de revezamento ou rodízio de veículos;
em Estocolmo e em Londres, foram criadas taxas pelo uso de veículos, principalmente nos centros das
grandes cidades, o que ajudou a diminuir consideravelmente o número de veículos nas ruas.

EXTERNALIDADES POSITIVAS

A análise feita acerca da externalidade negativa pode ser aplicada de forma semelhante às
externalidades positivas. Nessas últimas, porém, trata-se de ações que geram benefícios indiretos a
terceiros. O morador de uma cidade que mantém a fachada de sua residência em bom estado está
realizando uma ação em benefício próprio, qual seja a boa conservação de sua propriedade privada.
Adicionalmente, sua conduta está sendo benéfica aos demais moradores daquela cidade, uma vez que
contribui para a sensação de limpeza e boa conservação do ambiente urbano, logo, para o bem-estar de
sua população. À medida que há utilidade para outras pessoas que não o morador que empreendeu a
ação, esse benefício pode ser considerado uma externalidade positiva.
Nesse caso, como há a presença de um ganho, e não de um custo como no caso de uma externalidade
negativa, a curva de valor social se distingue curva da demanda, ou seja, do valor privado. Como o valor
social é superior ao valor privado, a curva do valor social está localizada acima da curva da demanda.
Sendo assim, há um número menor de fachadas conservadas que o desejável pela população, fazendo
com que o ponto equilíbrio, representado pelo cruzamento das curvas de oferta e demanda, se afaste do
ponto ótimo de encontro das curvas da oferta e do valor social. Para que esse último ponto seja alcançado
é necessário alguma forma de incentivo para que mais pessoas contribuam com o melhoramento das
fachadas, de modo a aumentar a quantidade e deslocar o ponto de equilíbrio para o ponto ótimo.

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BENS PÚBLICOS

Outra falha de mercado importante, decorre da existência de bens públicos. Em diversas áreas do
direito público, podemos observar regulações que se ocupam dos bens públicos. Em economia,
chamamos de bem público todo e qualquer bem que é, simultaneamente, não rival e não excludente. Os
mercados, por vezes, não conseguem proporcionar adequadamente os bens que as pessoas desejam,
por exemplo, os chamados bens públicos.
A maioria dos bens encontrados na sociedade são privados, e se adéquam a análise de oferta e de
demanda do equilíbrio no mercado.
Não rivalidade significa que o consumo do bem por um indivíduo não reduz a disponibilidade do bem
para o consumo por outros. Desta forma, é fácil constatar que uma torta é um bem rival, na medida em
que o consumo de uma fatia por um indivíduo A reduz em proporção direta a disponibilidade do bem para
outros indivíduos. Em outras palavras, um bem é rival se dois indivíduos não podem “comer a mesma
fatia”. Um exemplo de bem não rival é assistir a uma partida de futebol pela televisão ou assistir aos
Fogos de Copacabana no Réveillon.
A não exclusividade, por sua vez, está associada à possibilidade de exclusão do uso do bem por
terceiros. Se ninguém pode ser efetivamente excluído do uso do bem, ele é não-exclusivo. Quando vamos
ao cinema, por exemplo, pagamos o preço da entrada para poder assistir ao filme.
Entretanto, se o cinema não pudesse nos impedir de assistir ao filme, provavelmente não pagaríamos
o ingresso. Os bens não excludentes são precisamente caracterizados pela impossibilidade de se “cobrar
a entrada”. Um exemplo seria um espetáculo de fogos em local público.

No mundo real, não existem bens absolutamente não-rivais e não excludentes. Entretanto os
economistas acreditam que alguns bens aproximam-se o suficiente dos conceitos para a análise ser útil.
O principal insight relacionado aos bens públicos está ligado a existência, nestes casos, dos chamados
free-riders, ou caronas, indivíduos que se valem de determinado bem ou serviço sem arcar com os custos
de produção, aproveitando-se do fato de que outros agentes arcaram com tais custos. Interessante citar
que o Brasil, na década de 1970/80, era considerado um free-rider pelo GATT (hoje, transformado na
OMC — Organização Mundial do Comércio), uma vez que o país contribuía pouco para o comércio
internacional e auferia vantagens de transações econômicas de outros países.
Um exemplo menos simples e direto diz respeito à troca de arquivos de música MP3 na internet: com
a facilidade de distribuição e cópia de músicas decorrente das tecnologias digitais disponíveis a grande
parcela do mercado, poderíamos considerar que música está se tornando um bem público. No entanto,
na medida em que as pessoas deixam de comprar música, o mercado pode ficar carente de recursos
para financiar os custos de concepção, produção, e gravação de obras musicais, que são divididos entre
músicos e gravadoras. O Congresso Norte-Americano vem tentando, por meio de medidas legislativas,
barrar esse tipo de manobra, com as discussões do SOPA (Stop Online Piracy Act), o que gera protestos
significativos da população civil. Em um exemplo como este, é fácil perceber como se torna difícil garantir
o financiamento de setores que lidam com bens públicos, o que pode exigir uma intervenção do Estado
para garantir a remuneração adequada do setor pelos usuários do bem, evitando o comportamento
oportuno dos indivíduos considerados “caronas”. No entanto, há grandes controvérsias sobre o papel da

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regulação de bens públicos, sendo setores como o da produção intelectual um exemplo de como
mercados que operam com bens públicos podem, em alguns casos, manter-se, ainda assim, com
elevados níveis de produtividade. Podemos citar, resumidamente, alguns bens públicos, financiados,
sobretudo, pelos Governos: Defesa Nacional, Institutos de Pesquisa, entre outros.

BENS SEMI-PÚBLICOS11

Atendem ao princípio da exclusão porque podem ser prestados por particulares. Nesta prestação,
logicamente excluem aqueles que não pagam. Os bens semi-públicos, como os serviços de educação e
saúde, apresentam consumo rival e excludente (ex. apenas quem passa no vestibular tem acesso a
universidade pública - no caso da universidade privada, apenas quem paga), mas apresentam também
externalidades, ou seja, o benefício social é maior que o benefício privado (internalizado pelo
consumidor), o que também justifica a intervenção governamental.

BENS PRIVADOS

Bem privado é aquele que não pode ser compartilhado por todos. Há concorrência entre os indivíduos
e o direito de propriedade não permite que todos tenham acesso ao bem. É excludente.

RECURSOS COMUNS

Um recurso comum é rival e não excludente. Uma unidade de um recurso comum pode ser utilizada
apenas uma vez, mas ninguém pode ser impedido de utilizar o que está disponível. E os peixes do mar
são um recurso comum.
Os recursos comuns criam a tragédia dos comuns (a ausência de incentivos para impedir a utilização
excessiva e o esgotamento de um recurso).

Recursos comuns são bens rivais pois o uso do recursos por uma pessoa reduz o uso por outras.
Recursos comuns, como os bens públicos, não são excluíveis. Eles estão disponíveis livres de custos
para qualquer pessoa que os deseje utilizar.

TRAGÉDIA DOS COMUNS12

A exploração excessiva de recursos de propriedade comum é denominada por alguns economistas de


“a tragédia dos comuns”, fazendo referência a um artigo de mesmo nome escrito pelo biólogo Garret
Hardin em 1968. Nesse artigo, Hardin afirma que a maioria dos problemas ambientais provém de uma
causa única: a utilização inadequada de recursos que são de propriedade comum. Como o ar, a água, a
maioria das espécies animais e as áreas verdes não têm um proprietário definido, as pessoas tendem a
se comportar como se todos tivessem direitos sobre esses bens; no entanto, ninguém se responsabiliza
pelas obrigações de preservação desses recursos. Quando algo não tem dono, ou seja, não tem
propriedade definida, como, por exemplo, a camada de ozônio, não costumamos atribuir valor a esse bem
e, em consequência, não nos preocupamos em mantê-lo. Como resultado disso, quem se utiliza desses
recursos “comuns” é onerado apenas por uma pequena parcela dos custos sociais de seus próprios atos.
Seguindo ainda o exemplo da camada de ozônio, como esse bem não tem um dono que cobre por seu
uso, não nos preocupamos em não desperdiçá-lo, tendendo a usar até o limite da escassez. Além disso,
os indivíduos utilizam sem cuidado sprays, geladeiras, isopor, etc., porque não é possível verificar os
estragos gerados imediatamente.
Esse problema não é novo. Ele existe desde que os seres humanos começaram a ocupar o planeta.
Tomemos, por exemplo, o caso das pastagens de uso comum. Se somente um criador preocupa-se em
preservar o pasto para o ano seguinte, haverá poucas chances de se beneficiar desse seu ato já que este
pasto está à disposição dos demais donos do rebanho. Com o sistema de pastagens comunitárias,
nenhum criador específico poderá beneficiar-se plenamente dos resultados de seu “bom comportamento”.
Da mesma forma, nenhum deles arcará sozinho com o custo de seu “mau” comportamento. Assim, o
interesse pessoal de todos os donos de rebanho é utilizar ao máximo essas pastagens, mesmo que, a
longo prazo, todos venham a sofrer com o resultado de tal processo.

11
http://uffinancaspublicas.blogspot.com.br/2009/03/bens-publicos-privados-e-semi-publicos.html
12
COSTA, T. S.S. Introdução à Economia do Meio Ambiente. Análise, Porto Alegre, v. 16, n. 2, p. 301-323, ago./dez. 2005. Disponível em:
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/face/article/viewFile/276/225..Acesso em março 2015.

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Essa análise pode ser verificada através de diversas situações do dia-a-dia. Imaginamos que jogar lixo
no quintal do vizinho seja uma atitude fora de cogitação; porém, como o ar e a água são recursos
compartilhados e aos quais a maioria de nós de tem livre acesso, nós os utilizamos como depósitos de
qualquer espécie de lixo, sem considerar que estamos prejudicando a nós mesmos.
Há solução para a “a tragédia dos comuns”? Para muitos ambientalistas, a solução seria mudar a
natureza humana, através da conscientização, da informação e, principalmente, através de penalidades
na forma de taxas e multas. Para os defensores da atuação direta da iniciativa privada, podem existir
ainda alguns incentivos que façam com que as curvas de demanda e de oferta desses produtos sejam
controladas e aproximem-se de um ponto de equilíbrio.
Podemos entender que o maior problema dos bens públicos é como cada um lhes atribui valores
diferentes. Isso gerará uma produção ineficiente desses bens, pois sempre será escassa para os
indivíduos que lhes atribuem maior valor, e excedente para os que lhes atribuem menor valor; exatamente
por isso, consomem além da necessidade. Sendo assim, podemos dizer que bens públicos serão
produzidos sempre de forma ineficiente, por causa do comportamento” free-rider” ou “carona”.

ASSIMETRIA DE INFORMAÇÃO

Em economia, Informação assimétrica é ocorre quando dois ou mais agentes econômicos estabelecem
entre si uma transação econômica com uma das partes envolvidas detendo informações que qualificam
ou quantitativa superiores aos da outra parte.
Essa assimetria gera o que se define na microeconomia como: falhas de mercado. Nos manuais de
introdução à microeconomia, os fenômenos de informação assimétrica que são mais abordadas à seleção
adversa e o risco moral.
Na teoria tradicional de competição perfeita, empresas e consumidores são definidores de preços,
tendo informação completa sobre a qualidade do bem e o preço do mercado. Se uma empresa cobrar
acima desse preço ou oferecer um bem de qualidade inferior ao do mercado, perderá todos os seus
consumidores, pois esses têm acesso a outras firmas que competem com o preço de mercado.
Entretanto, tais pressuposições podem levar a resultados incorretos em relação ao comportamento
dos agentes devido à ocorrência de falhas no mercado.
Na assimetria de informação, frequentemente, o vendedor de determinado produto conhece mais a
respeito da qualidade do produto do que o comprador. Os trabalhadores geralmente conhecem suas
próprias habilidades melhor do que os empregadores. Mostrando assim que cada responsável pelo seu
bem respectivo conhece mais a respeito dele. Isso mostra que geralmente uma parte entende mais do
produto do que a outra. As Informações Assimétricas explicam a razão de que muitos arranjos
institucionais ocorrem na nossa sociedade. Ela explica por que as empresas oferecem garantias para
seus próprios produtos, por que empresas e funcionários assinam contratos que incluem incentivos e
recompensas e por que acionistas devem monitorar o comportamento dos administradores de empresas.
Vamos exemplificar a assimetria de informação: O mercado de seguros é um ótimo exemplo de
ocorrência de assimetria de informações. O consumidor, ao comprar uma apólice de seguro, tem mais
informações a respeito do risco associado ao bem assegurado do que a própria seguradora. No mercado
de seguros, o fenômeno da qualidade duvidosa aparece com o nome de seleção adversa, a qual pode
ser definida da seguinte forma.
A seleção adversa consiste, justamente, no efeito que a assimetria de informação tem na escolha do
agente. Dada a incapacidade de o contratante separar os bons (fornecedores, contratados, segurados,
etc) dos demais, por falta de conhecimento, há a tendência de afastamento de mercados em que a
assimetria de informação é crítica, com o objetivo de não serem contaminados pelos problemas (má
qualidade/reputação, baixos salários, elevadas mensalidades) que afetam determinado mercado.
Exemplo clássico está no mercado de carros usados. Como apenas o proprietário do carro consegue
precisar onde estão os problemas do carro (mesmo um mecânico contratado levaria dias para encontrar
problemas esporádicos), o consumidor tende a ter desconfiança com esse mercado. Isso justifica a opção
de muitos pelo carro zero ou pela procura por concessionárias, que embora vendam o produto a preços
superiores, conferem maior garantia à venda (benefício para o consumidor) e elevam a expectativa de
qualidade do veículo (benefício para o vendedor de produto de boa qualidade). Da mesma forma, em um
plano de saúde ou em um seguro qualquer, a seguradora não sabe o risco que o cliente carrega consigo.
Só ele é capaz de precisar quais os problemas de saúde que carrega. Aliás, não são incomuns
alcoólatras, fumantes e adeptos de esportes radicais mentirem a respeito dos seus hábitos com o simples
intuito de baixar a sua mensalidade/franquia. Por outro lado, a mensalidade/franquia do cliente de baixo
risco fica acima do ideal, porque ele paga pela informação enganosa prestada por indivíduos que não
assumem pertencer às classes de risco.

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Seleção adversa: trata-se da distorção causada pela assimetria de informações entre a seguradoras e
os assegurados no que concerne o risco envolvido, de modo que as seguradoras terão que cobrar um
preço (prêmio) único por não poderem distinguir entre consumidores de alto e baixo risco. A implicação
disto é que o mercado acabará atraindo uma maior quantidade de assegurados de alto risco e afastando
aqueles de baixo risco, com prejuízos para as seguradoras.
É obvio que a companhia de seguro gostaria que cada consumidor pagasse o preço (prêmio) de uma
apólice de seguro que fosse compatível com a sua classe (ou tipo) de risco. No entanto, sempre vai existir
um resíduo de informação assimétrica, relativamente ao risco, que acabará por levar o mercado a alguma
forma de seleção adversa.
Sendo assim, neste caso do problema da seleção adversa no mercado de seguros, a seguradora terá
necessariamente de revisar o preço (prêmio) da apólice de seguro para cima de modo a equilibrar suas
finanças. A consequência da seleção adversa para o mercado de seguros é que os proprietários de baixo
risco se afastarão desse mercado, permanecendo apenas os proprietários de alto risco. Isso significa que
o volume de transações nesse mercado será reduzido, tendo em vista que permanecerão apenas os
clientes com alto risco.
Um outro problema parecido com a seleção adversa que também afeta o mercado de seguros, entre
outros, é o perigo moral (ou risco moral), o qual pode ser definido da seguinte forma: quando uma parte
apresenta ações que não são observadas e que podem afetar a probabilidade ou a magnitude de um
pagamento associado a um evento”.
No caso da seguradora, ela é incapaz de monitorar o cuidado de cada assegurado com o seu carro.
Por isso, é provável que os proprietários sejam um pouco mais descuidados e aumentem a probabilidade
de furto ou colisão. Assim, a seguradora tem mais risco de ficar no prejuízo. Como isso afeta os preços
dos seguros? Na hora de decidir quanto cobrar as empresas precisam levar em conta a probabilidade de
um carro ser furtado, por exemplo, quando estão segurados. Ela será maior do que para indivíduos sem
seguro. Resultado: o preço do seguro é maior do que se todos mantivessem os cuidados anteriores a ele.
É importante ressaltar a diferença que existe entre o perigo (ou risco) moral e a seleção adversa. No
risco moral, um lado do mercado não pode observar a ação do outro, enquanto que na seleção adversa,
um lado do mercado não pode observar o tipo de agente ou a qualidade do bem ou serviço do outro.
Como consequência, no risco moral haverá um racionamento (forçoso) nas transações, enquanto que na
seleção adversa haverá uma redução (espontânea) do nível de transações. Dessa forma, risco moral, por
sua vez, representa um problema de assimetria de informação que se manifesta após a transação ter
ocorrido, ou seja, quando o credor corre o risco de o tomador se engajar em atividades indesejáveis, ou
excessivamente arriscadas, reduzindo a probabilidade de recuperação de um empréstimo, por exemplo.

BIBLIOGRAFIA
ANUATTI NETO, Francisco. Regulamentação dos Mercados. in: PINHO, D. B.; VASCONCELLOS, M.
A. S. (Orgs.). Manual de Economia. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, 1998: 223-241.
BRUNA, Sérgio Varella de. O Poder Econômico e a Conceituação do Abuso em seu Exercício. 1ª ed.
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001.
CARLTON, Dennis W; PERLOFF, Jeffrey M.. Modern Industrial Organization. 3ª ed: Addison-Wesley,
2000.
FERNANDEZ, José Carrera. CURSO BÁSICO DE MICROECONOMIA. EDUFBA, SALVADOR, 2009
MELLO, M. T. L..Defesa da Concorrência.in: KUPFER, David; HASENCLEVER, Lia (Orgs.). Economia
Industrial: Fundamentos Teóricos e Práticos no Brasil. Rio de Janeiro: Campus, 2002: 485-514.
PINDYCK, Robert S.; RUBINFELD, Daniel L. Microeconomia.Tradução de Luis Felipe Cozac, Marcos
Teixeira de Barros e Mauro Teixeira Pinto. Título original: Microeconomics, 4th ed. Ano de publicação do
original: 1998. São Paulo: Makron Books, 1999.
SAMUELSON, Paul A.; NORDHAUS, WilliamD.. Economia. Tradução de Elsa Nobre Fontainha e Jorge
Pires Gomes. Título original: Economics, fourteenth edition. Ano de publicação do original: 1992. Portugal:
Mcgraw-Hill, 1993.

Questões:

01. (Eletrobras-Eletrosul – Ciências Econômicas – FCC) Considere as seguintes situações:


I. Existência de monopólios naturais.
II. Existência de externalidades.
III. Existência de bens públicos.

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No campo da função alocativa da ação do Governo, são exemplos de falhas de mercado o que consta
em

(A) III, apenas.


(B) II, apenas.
(C) I e II, apenas.
(D) I, apenas.
(E) I, II e III.

02. (DPU - Economista – CESPE) Assinale a opção correta com relação ao equilíbrio do consumidor.
(A) O estabelecimento de uma política de preço agrícola mínimo ajudará uma economia a se aproximar
do seu ótimo social.
(B) Quando o excedente do consumidor se iguala ao excedente do produtor, tem-se uma situação de
equilíbrio de mercado.
(C) Um mercado com demanda e oferta sensíveis, no qual o governo resolva tributar a economia,
levará necessariamente a uma igual divisão do pagamento dos impostos devidos entre consumidores e
produtores.
(D) Em uma economia de mercado com externalidade negativa, o custo privado de produção é inferior
ao custo social. Daí, a necessidade de intervenção do Estado.
(E) A definição de salário mínimo pelo governo leva o mercado de trabalho a ficar equilibrado, bem
como ao bem-estar social.

03. (ANSP - Ativ. Tec. de Suporte - Administração, Economia ou Contabilidade – FUNCAB) Em


um mundo globalizado e real, são raros os mercados perfeitamente competitivos. Sempre é necessária a
intervenção do governo devido à existência de bens públicos, de externalidades, influência sobre os
preços e quantidade produzida, e assimetria de informações. Tal conceito refere-se à:
(A) estrutura nacional das receitas e despesas nacionais.
(B) produção dos critérios de escala.
(C) falha de mercado.
(D) capacidade de produção.
(E) teoria da ação pública.

04. (BNDES - Profissional Básico – Economia – CESGRANRIO) Um empresário, quando toma um


empréstimo bancário, sabe mais sobre a verdadeira condição de sua empresa repagá-lo do que o
funcionário do banco que analisa o crédito.

Essa situação gera um problema de assimetria de informação denominado


(A) contestabilidade
(B) risco sistêmico
(C) inelasticidade
(D) seleção adversa
(E) mercado contingenciado

05. (DPE/RS - Analista – Economia – FCC) Na esfera da regulação são exemplos de falhas
regulatórias: a “seleção adversa” e o “risco moral”, onde

I. ambos podem ser considerados efeitos do problema da assimetria de informações entre os agentes
em um processo transacional.
II. um cliente que não fornece todas as informações acerca de sua saúde, ou seja, não informa seu
risco futuro para que a operadora calcule adequadamente o prêmio do plano de saúde, incorre em caso
de seleção adversa.
III. em uma transação, o risco moral ocorre quando a parte ofertante tem maiores informações sobre
os bens e serviços ofertados que a parte contratante.
IV. em uma transação, como o estabelecimento de um contrato entre partes, a seleção adversa se
caracteriza como um problema ex ante (pré-evento), enquanto o risco moral é considerado um problema
ex post (pós-evento).

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Está correto o que consta em
(A) I, II e III, apenas.
(B) II, III e IV, apenas.
(C) I, II e IV, apenas.
(D) I, III e IV, apenas.
(E) I, II, III e IV.

06. (TCE/RN - Auditor – CESPE) No que se refere a falhas de mercado, julgue o item que se segue.

Situações em que empresas de planos de saúde firmem contratos com clientes que não informam que
possuem doenças preexistentes e, por isso, estão mais propensos a utilizar os serviços do plano são
caracterizadas como situação de seleção adversa.
( ) Certo ( ) Errado

07 (BACEN - Analista - Política Econômica e Monetária – CESPE) Acerca das teorias de atuação
dos agentes econômicos em relação aos diversos tipos de bens, julgue o item a seguir.

Um indivíduo com mais de sessenta e cinco anos de idade paga preços mais caros ao seguro de saúde
que outro indivíduo mais jovem devido ao problema da seleção adversa, provocado por um mercado de
informações assimétricas.
( ) Certo ( ) Errado

Respostas:

01. Resposta: E
Falhas de mercado podem ser vistas como situações em que a atuação dos indivíduos em busca de
seu puro auto interesse leva a resultados que não são eficientes. Falhas de mercado são frequentemente
associadas com assimetrias de informação, estruturas não competitivas dos mercados, problemas de
monopólio natural, externalidades, ou bens públicos. A existência de uma falha de mercado é muitas
vezes usada como justificativa para a intervenção governamental em um mercado particular. A
microeconomia ocupa-se do estudo das causas de falhas de mercado, e dos possíveis meios para corrigi-
las, quando ocorrem.

02. Resposta: D
Vamos minuciar aqui: Externalidades negativas são consequências indesejadas - sem intenção - das
ações dos agentes que acabam afetando terceiros. Por exemplo, quando você dirige seu carro, você quer
basicamente se deslocar de um ponto a outro. Entretanto, sem intenção, você acaba afetando outras
pessoas negativamente, como os pedestres, uma vez que queima combustível, diminuindo a qualidade
do ar.
No caso das empresas, principalmente até a década de 1960, era comum a ocorrência de
externalidades negativas no mundo industrial. Via de regra, praticamente todos os dejetos decorrentes
da produção eram devolvidos sem tratamento na natureza (metais pesados em rios, por exemplo).
Obviamente, podemos perceber que o custo para a comunidade, para a natureza e para o planeta eram
muito elevados. Esse custo era elevado, em parte, porque as empresas não eram obrigadas a arcar com
ele. Poluía-se e pronto. Afinal, dá trabalho e é caro tratar, reciclar, etc. lixo industrial, certo?
Com o tempo, o governo percebeu que o planeta estava “pagando o pato”. Para evitar que isso
continuasse, foi necessário intervir. Então, leis foram feitas, padrões mínimos de poluição foram
estabelecidos, penalidades definidas, etc.
Conclusão: a letra d é a alternativa correta: se houver externalidades negativas, é porque a sociedade
está “pagando o pato” (CUSTO SOCIAL é maior do que o CUSTO PRIVADO DE PRODUÇÃO). Como as
empresas não visam ao bem-estar social, mas basicamente ao lucro, a presença do governo se torna
importante para corrigir essa distorção (INTERVENÇÃO GOVERNAMENTAL necessária).

03. Resposta: C
Claramente é a alternativa C, vamos rever aqui o conceito de falhas de mercado para que não haja
dúvida: Falha de mercado ocorre quando os mecanismos de mercado, não regulados pelo estado e
deixados livremente ao seu próprio funcionamento, originam resultados econômicos não eficientes ou
indesejáveis ao ponto de vista social. Estas falhas são geralmente provocadas por imperfeições do
mercado, nomeadamente informação incompleta dos agentes econômicos, custos de transações

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elevadas, existência de exterioridades e ocorrência de estruturas de mercado do tipo concorrência
imperfeita.

04. Resposta: D
Seleção Adversa é a incapacidade de o agente selecionar seus clientes e/ou estabelecer preços
diferenciados com base em informações relevantes (risco, situação real, saúde etc), mas que nesse caso
não estão disponíveis devido à assimetria de informações. Esta é uma situação ex-ante, ou seja, os
contratos já são naturalmente mais caros devido à falta de informação.
Ex: Carros usados: os compradores adotam tabelas genéricas, a um preço atraente para carros mal
conservados, mas pouco atraente para quem cuidou direitinho de seu carro. Logo, a seleção é adversa,
seleciona os piores.
Ex2: Planos de Saúde: com planos padrão estabelecidos pelo Governo, ficam atraentes para pessoas
que cuidam pouco de sua saúde, mas caros para quem se cuida.
Ex3: Políticos: como a legislação deve proteger os eleitos de eventuais ataques do judiciário ou de
oposições, a situação fica atraente para pessoas que sabem que podem ser condenadas a procurarem
proteção como políticos eleitos.
Ex4: Crédito: taxas de juros altas podem acabar selecionando aqueles que sabem que possuem mais
riscos.
Obs: Além da Seleção Adversa, há o problema do Risco Moral, que ocorre tbm devido à Assimetria de
Informações, mas de forma "ex-post", ou seja, ocorre após a contratação, como em motoristas que
arriscam mais seus carros por saberem possuir um bom seguro, pacientes que não se cuidam por
saberem ter uma boa cobertura médica sem gastos adicionais, bancos e empresas grandes que se
arriscam mais por saberem que o governo irá socorrê-los em caso de crise.

05. Resposta: C
I. Certa
II. Certa
III. Errada.
Justificativa: A falha do tipo "risco moral" só pode se manifestar depois da contratação/compra de um
determinado serviço/bem. Por exemplo, tem-se o risco moral quando uma pessoa, depois contratar um
seguro para seu veículo, passa a arriscar mais no trânsito em função do fato de ter seguro.
A afirmação do item III, no entanto, faz referência a um comportamento anterior à concretização da
transação (ou seja, antes de se efetivar o negócio), quem está vendendo - ofertante - tem mais
informações sobre os bens e serviços ofertados do que quem está comprando - contratante. Estas
informações das quais o comprador não tem conhecimento poderiam fazer com que ele desistisse de
efetivar o negócio ou barganhasse um melhor preço. Este é um caso típico de seleção adversa.
IV. Certa. Observe a justificativa acima.

06. Resposta: Certo


A seleção adversa consiste, justamente, no efeito que a assimetria de informação tem na escolha do
agente. Dada a incapacidade de o contratante separar o joio do trigo (por falta de conhecimento), os bons
(fornecedores, contratados, segurados) tendem a afastar-se de mercado em que a assimetria de
informação é crítica, com o objetivo de não serem contaminados pelos problemas (má
qualidade/reputação, baixos salários, elevadas mensalidades) que afetam determinado mercado.
Exemplo clássico está nos planos de saúde e no mercado de carros usados, como já expresso
anteriormente (fixe bem estes exemplos, já que eles são clichês dos concursos públicos).

07. Resposta: Errado


Nesse caso, o idoso apresenta maior propensão ao uso de serviços de saúde; logo, apresenta mais
ônus para a seguradora, essa já sabendo da citada propensão cobra a mais como contrapartida de maior
uso dos serviços. Assim, há informação para a seguradora, não se enquadrando, portanto, como falha de
informação.

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6. Agregados macroeconômicos: as identidades macroeconômicas básicas, o
sistema de Contas Nacionais.

AGREGADOS MACROECONOMICOS

PRINCIPAIS AGREGADOS MACROECONÔMICOS – O FLUXO CIRCULAR DE RENDA


Segundo Samuelson, o objetivo do estudo da Macroeconomia consiste na formação e na distribuição
de produto e renda gerados pela atividade econômica. É o chamado fluxo circular de renda. A partir do
fluxo circular de renda, estabelecemos os conceitos dos principais agregados macroeconômicos.
Começaremos supondo uma economia simplificada, fechada e sem governo.
A Contabilidade Nacional estuda a mensuração dos agregados, tais como o produto, renda e
dispêndio. Uma forma de entender as relações da contabilidade nacional é através do fluxo circular da
renda. Nesse caso dividimos os agentes econômicos em famílias e empresas.

Fluxo Circular da Renda

Onde temos os seguinte fluxo:

1 – Famílias ofertam fatores de produção: Capital e trabalho;


2 - Empresas fornecem bens e produtos;
3 - Associado ao fornecimento de fatores de produção há o seu pagamento: salários, lucros e juros;
4 – Pagamento das famílias pelos bens e serviços consumidos.

Dessa relação do fluxo circular da renda podemos observar três formas de mensurar o “produto”:

- Pela ótica da renda, ou seja, pagamento de juros lucros, alugueres e salários;


- Pela ótica do produto: mensuração física nas empresas;
- Pela ótica do dispêndio: na compra pelos consumidores de bens e serviços.
- A partir do fluxo circular da renda podemos estabelecer a primeira identidade das contas nacionais.

Identidade 1

Produto = Renda = Despesa

Conceito: Produto

Produto: O Produto é o valor, em unidades monetárias, dos bens e serviços finais produzidos por
uma economia em um determinado período de tempo (geralmente um ano).

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Conceito: Renda

Renda (Y): A Renda é a remuneração dos fatores de produção na forma de salários, aluguéis, juros
(pagos a pessoas) e lucros.
• A renda é composta pela soma da remuneração do fator trabalho mais a remuneração do capital
financeiro mais a remuneração do capital físico ou dos recursos naturais mais a remuneração do capital
de risco.

Renda = S + A + J + L

Conceito: Dispêndio ou Despesa

Agentes econômicos realizam para adquirir (comprar) a produção, ou seja, é o destino da produção.
- A despesa é a alocação do produto. A Despesa é dada pela soma do Consumo das famílias (C), do
Investimento das empresas (I), dos Gastos do Governo (G) e das Exportações líquidas (X-M).

Dispêndio = C+I+ G+X-M

As três óticas do PIB: Despesa


Ótica da despesa: O PIB pela ótica da despesa é dada pela soma do Consumo das famílias (C), do
Investimento das empresas (I), dos Gastos do Governo (G) e das exportações líquidas (X – M).
- Note que nesse caso o PIB calculado é o PIB a preço de mercado (PIBpm)

- PIBpm = C + I + G + X – M

C – consumo das famílias


I – investimento das empresas
G – gastos do governo
X – exportações de bens e serviços não fatores
M– importações de bens e de serviços não fatores

As três óticas do PIB: Renda

O PIBcf pela ótica da renda é dado pela soma de todas ao remunerações pagas aos agentes
econômicos em um determinado ano.
Note que nesse caso o PIB calculado é o PIB a custo de fatores (PIBcf).
PIBcf = salários + aluguéis + juros + lucros + depreciação + RLEE
Uma outra forma de calcular o PIB, nesse caso a custo de fatores, é através da relação abaixo:
PIBcf = remuneração dos empregados + excedente operacional bruto

As três óticas do PIB – Produto

Para se calcular o PIB pela ótica do produto devemos somar (agregar) toda a produção de bens e
serviços finais produzidos pôr um país em um determinado período de tempo, pôr exemplo, um ano.

A questão básica no cálculo do PIB pela ótica do produto é não cometer um erro de dupla contagem
ao se somar os produtos intermediários.
Nesse caso o PIB calculado é o PIB a custo de fatores (PIBpm)

Principais agregados macros

PIBpm = (Produção total de bens e serviços) – (Produção intermediária)


PIBpm: Produto Interno Bruto a preço de mercado.
PNLcf: Produto Nacional Líquido a custo de fator.
RNBcf: Renda Nacional Bruta a custo de fator.
RILpm: Renda Interna Líquida a preço de mercado.
DILcf: Despesa Interna Líquida a custo de fator.
DNBpm: Despesa Nacional Bruta a preço de mercado.

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As contas nacionais no Brasil.

Conceito: Consumo
Consumo: o consumo é o valor dos bens e serviços adquiridos pelos indivíduos para a satisfação de
seus desejos.
O valor, em unidades monetárias, do total destes gastos nós chamamos de Consumo.

Conceito: Poupança
A Poupança é a renda que não foi consumida. A poupança é o excesso da renda sobre o consumo
(S = Y-C).
A Poupança, portanto, é a renda que não foi consumida, utilizamos a letra “S” para denotar a Poupança
(do inglês saving) .

Conceito: Investimento
Investimento é o aumento do estoque físico de capital.
O Investimento é o processo de acumulação dos bens de capital.
O Investimento é igual a soma da formação bruta de capital fixo (FBKF) com a variação de estoques
(De), isto é: I = FBKF + De

Conceito: Gastos do Governo


Os gastos do governo são os gastos com salários de funcionários públicos e os gastos com as compras
do governo
Os gastos com transferências, pensões e aposentadorias, e com subsídios não são incluídas na
rubrica Gastos do Governo

Conceito: Transferências
São recursos financeiros que o Governo transfere ao setor privado sem receber algo (bem ou serviço)
em troca.
As transferências se dividem em transferências às pessoas (pensões, aposentadorias, etc.) e
transferências às empresas (IBC – Instituto do café, por exemplo).

Conceito: Subsídio
Quando o Governo financia parte do custo de produção de certos produtos (álcool, por exemplo) com
o objetivo de que o consumidor adquira mais barato esses produtos.

Identidade 2:

Investimento º Poupança Ip + Ig = Sp + Sg + Se
• Sp: poupança privada bruta
• Sg: poupança governo
• Se: poupança externa
• Ip: investimento bruto do governo
• Ig: investimento bruto do setor privado
• I = FBKF + De
• I = Investimento bruto
• FBKF = Formação Bruta de Capital Fixo
• De = variação de estoques
Poupança Externa (Se)

Se = – Saldo em conta corrente


• A poupança externa é igual ao déficit em conta corrente.
Poupança Governo (Sg)

Sg= RLG – G

• RLG = Renda Líquida do Governo


• G = Gasto do Governo ou Consumo do Governo
• A Renda Líquida do Governo (RLG) é dada pela soma dos Impostos Indiretos (II) mais Impostos
Diretos

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(ID) mais outras Receitas do Governo (ORG) menos subsídios e transferências (pensões e
aposentadorias).

RLG = II + ID + ORG – subsídios – transf.

Déficit do Governo (Dg)

Dg = Ig – Sg
• O Déficit do Governo é dado pelo excesso do Investimento do Governo sobre a Poupança do
Governo.

Poupança Interna (Si)


A poupança interna é dada pela soma da poupança privada (Sp) coma poupança do governo (Sg).
Si = Sp + Sp
Si = Poupança Interna
Sp = Poupança Bruta do Setor Privado ou Renda Bruta das Empresas
Sg = Poupança do Governo ou saldo em conta corrente do governo

O sistema de contas Nacionais


Nova Metodologia – Contas Nacionais

Produção Nacional
PN = (CF+CI) + I + X – M – IP + Sub
PN: Produção Nacional
CF: consumo de bens finais
CI: consumo de bens intermediários
I: investimento das empresas
X: exportações
M: importações
IP: Impostos sobre produtos
Sub: Subsídios

Da relação anterior e da formula do PIBpm chegamos a seguinte relação entre PIBpm e Produção
Nacional:

PN = PIB + CI– IP + Sub


PN: Produção Nacional
CF: consumo de bens finais
PIBpm: Produto interno bruto a preços de mercado
IP: Impostos sobre produtos
Sub: Subsídios

Deflator Implícito do PIB

Deflator implícito do PIB = PIB Nominal/PIB Real


O PIB nominal – também chamado de produto a preços correntes - corresponde ao valor do produto
medido aos preços vigentes no ano de referência.

Já o PIB real – também chamado de produto a preços constantes - corresponde à quantidade física
de bens e serviços produzidos pela economia. Ou seja, o produto real somente varia se houver uma
variação na quantidade física efetivamente produzida.

Samuelson e Nordhaus. Economia, Editora Mc Graw Hill, 12 edição.


Dornbusch, Rudiger e Fischer, Satnley. Macroeconomia, Makron Books, 5 edição.
Pindyck, Robert S. e Rubinfeld, Daniel L.. Microeconomia, Makron Books

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1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
Questões:

01. (IPEM-RO – Economista – FUNCAB) A Poupança Interna é determinada pela expressão:


(A) Poupança Privada + Impostos – Gastos do Governo.
(B) Poupança Privada – Impostos + Gastos do Governo – Poupança Externa.
(C) Poupança Privada + Impostos – Gastos do Governo + Poupança Externa.
(D) Poupança Privada – Impostos + Gastos do Governo.
(E) Poupança Privada + Impostos – Gastos do Governo – Poupança Externa.

(Banco da Amazônia - Técnico Científico - Economia – CESPE) Julgue o item a seguir:


O modelo do fluxo circular da renda e do produto não pressupõe uma economia aberta com governo.

( ) Certo ( ) Errado

03. (IFB – Economista – FUNIVERS) Com relação ao fluxo circular simplificado do sistema
econômico, com dois agentes econômicos, assinale a alternativa correta.
(A) O fluxo real é caracterizado pelos pagamentos (despesas) de consumo de bens e de serviços e
pela remuneração aos serviços dos fatores de produção.
(B) As famílias não fazem parte dos mercados de bens e de fatores de produção, pois não constituem
a demanda no mercado de bens nem a oferta no mercado de fatores.
(C) O processo produtivo dá origem a dois fluxos distintos: o monetário (referente à oferta e à procura
dos bens e serviços) e o real (referente aos pagamentos aos fatores de produção).
(D) O fluxo circular simplificado do sistema econômico possui dois fluxos: o real e o monetário.
(E) No fluxo circular simplificado do sistema econômico com dois agentes econômicos, a oferta de
bens e serviços é tipicamente um fluxo monetário.

04. (STM - Analista Judiciário – Economia – CESPE). Julgue o item a seguir:


No fluxo circular de bens e serviços, as firmas demandam fatores de produção que são ofertados pelas
famílias e, nesse processo, os fluxos monetários vão das empresas para as famílias.

( ) Certo ( ) Errado

05. (Fumarc - Economista – Prefeitura de Governador Valadares – MG) Para descrever o


crescimento da economia ao longo do tempo, deve-se utilizar:
(A) O PIB real
(B) O PIB nominal
(C) O deflator implícito do produto
(D) A taxa de desemprego

06. (ESAF - Planejamento e Orçamento – ESAF) Considerando os conceitos básicos em


macroeconomia, é correto afirmar que:
(A) a dívida pública não pode ser maior do que o déficit público nominal.
(B) independente da renda enviada ou recebida do exterior, a dívida pública total do governo pode ser
maior do que o Produto Nacional Bruto.
(C) a poupança externa nunca pode ser negativa.
(D) um aumento no valor nominal do PIB implica necessariamente em um aumento na renda real da
economia.
(E) O PIB nominal não é influenciado pela inflação já que se trata de uma medida de desempenho real
da economia.

07. (TJ/RO - Analista Judiciário - Economia – CESPE) Em relação às contas nacionais, assinale a
opção correta.
(A) A soma dos gastos em bens e serviços finais produzidos internamente é igual à soma das
remunerações dos fatores de produção.
(B) Considere que um bem produzido em 2011 tenha sido vendido em 2012. Nesse caso, é correto
afirmar que esse bem contribui para o PIB de 2012, mas não para o PIB de 2011.
(C) Em uma economia aberta, o produto nacional bruto (PNB) é determinado pelos gastos em produtos
domésticos efetuados por residentes e não residentes do país.

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(D) Se um bem produzido em 2011 foi vendido em 2012, então esse bem será contabilizado como
investimento nas contas nacionais.
(E) A variação do produto interno bruto (PIB) real será sempre igual ou inferior à sua variação nominal.

08. (BADESC - Economista – FGV) O conceito de Deflator Implícito do PIB relaciona:


(A) o PNB Real com o PIB Real.
(B) o PIB Nominal com o PIB Real.
(C) o PNB Nominal com o PIB Nominal.
(D) o PIL Nominal com o PIB Nominal.
(E) o PNB Nominal com o PIB Real.

Respostas:

01. Resposta: A
Poupança interna = Poupança privada + poupança do governo
Poupança do governo = O que arrecada (impostos) - o que gasta (gastos)
Poupança interna = Poupança privada + impostos - gastos do governo

02. Resposta: Certo


Esse modelo é simplificado, visando entender a relação entre empresas e famílias sem a influência do
Governo ou do Resto do Mundo.

03. Resposta: D
Como visto, o fluxo circular simplificado do sistema econômico é composto por dois fluxos: o real e o
monetário.

04. Resposta: Certo


O fluxo circular de renda apresenta o fluxo contínuo de bens (mercadorias e serviços) e fatores de
produção, entre empresas (unidades produtivas) e famílias (unidades consumidoras e detentoras dos
direitos de propriedade sobre as firmas) tendo em contrapartida um fluxo de pagamentos a bens (preço
pago pelas mercadorias e serviços) e a fatores de produção (salários alugueis, etc) entre estas mesmas
unidades.

05. Resposta: A
Esta é uma questão fácil em que é solicitado ao candidato a distinção entre PIB real versus PIB
nominal. O PIB real é o efetivamente auferido após descontar o efeito da inflação ou correção monetária.
Logo, ele é o responsável pela medição real da economia, isto é, quantifica ou mensura o verdadeiro
crescimento da economia e da produção em um dado tempo. Por sua vez, o PIB nominal é aquele em
que a inflação não foi apurada, logo, gera um valor irreal, pois podemos ter um período de inflação muito
elevada ou até hiperinflação em que os números da produção estão mascarados. Assim, PIB nominal –
taxa de inflação ou correção monetária = PIB real.

06. Resposta: B
a) Incorreta. Na verdade, as dívidas públicas dos países, em regra, são bem superiores aos déficits
públicos.
b) Correta. Em termos econômicos, não há impedimentos para que um país tenha uma dívida superior
a seu PNB. De fato, vários países hoje em dia possuem dívidas que ultrapassam seus PNB (Japão,
Grécia, Portugual, EUA, entre outros).
c) Incorreta. A poupança externa pode ser negativa, positiva ou nula.
d) Incorreta. Se a inflação aumentar em um percentual superior ao aumento do valor nominal do PIB,
então, teremos uma queda da renda real da economia.
e) Incorreta. É o PIB real (e não o PIB nominal) que não é influenciado pela inflação.

07. Resposta: D
A letra a: A soma dos gastos com bens e serviços finais produzidos compõe o DIBpm enquanto que a
soma das remunerações dos fatores de produção compõe o RIBcf. Letra e: No caso de haver deflação,
o PIB real será maior que o PIB nominal. Portanto, alternativa correta: D

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08. Resposta: B
PIB nominal e PIB real
Vamos retomar aqui os principais pontos vistos: Quando se procura comparar ou analisar o
comportamento do PIB de um país ao longo do tempo, é preciso diferenciar o PIB nominal do PIB real. O
primeiro diz respeito ao valor do PIB calculado a preços correntes, ou seja, no ano em que o produto foi
produzido e comercializado, já o segundo é calculado a preços constantes, onde é escolhido um ano-
base onde é feito o cálculo do PIB eliminando assim o efeito da inflação. Para avaliações mais
consistentes, o mais indicado é o uso de seu valor real, que leva em conta apenas as variações nas
quantidades produzidas dos bens, e não nas alterações de seus preços de mercado. Para isso, faz-se
uso de um deflator (normalmente um índice de preços) que isola o crescimento real do produto daquele
que se deu artificialmente devido ao aumento dos preços da economia.
Deflator do PIB - O deflator do PIB é uma estatística simples calculada pela divisão do PIB nominal
pelo PIB real multiplicados por cem. Como o PIB nominal e o PIB real serão iguais nos anos base, o
deflator do PIB neste ano deve ser igual a cem. A importância do deflator do PIB é refletir as mudanças
que ocorrem nos preços do mercado e, portanto, é usado para controlar o nível médio de preços em dada
economia. O cálculo da taxa de inflação de um determinado ano leva em consideração, geralmente, o
deflator do PIB deste ano em relação à mesma estatística referente ao ano anterior.

7. Política fiscal.

Papel da Política Fiscal

Política fiscal13 reflete o conjunto de medidas pelas quais o Governo arrecada receitas e realiza
despesas de modo a cumprir três funções: a estabilização macroeconômica, a redistribuição da renda e
a alocação de recursos. A função estabilizadora consiste na promoção do crescimento econômico
sustentado, com baixo desemprego e estabilidade de preços. A função redistributiva visa assegurar a
distribuição equitativa da renda. Por fim, a função alocativa consiste no fornecimento eficiente de bens e
serviços públicos, compensando as falhas de mercado.

Os resultados da política fiscal podem ser avaliados sob diferentes ângulos, que podem focar na
mensuração da qualidade do gasto público bem como identificar os impactos da política fiscal no bem-
estar dos cidadãos. Para tanto podem ser utilizados diversos indicadores para análise fiscal, em particular
os de fluxos (resultados primário e nominal) e estoques (dívidas líquida e bruta). A saber, estes
indicadores se relacionam entre si, pois os estoques são formados por meio dos fluxos. Assim, por
exemplo, o resultado nominal apurado em certo período afeta o estoque de dívida bruta.

Resultado fiscal primário é a diferença entre as receitas primárias e as despesas primárias durante um
determinado período. O resultado fiscal nominal, por sua vez, é o resultado primário acrescido do
pagamento líquido de juros. Assim, fala-se que o Governo obtém superávit fiscal quando as receitas
excedem as despesas em dado período; por outro lado, há déficit quando as receitas são menores do
que as despesas.

No Brasil, a política fiscal deveria ser conduzida com alto grau de responsabilidade fiscal. O uso
equilibrado dos recursos públicos deve visar a redução gradual da dívida líquida como percentual do PIB,
de forma a contribuir com a estabilidade, o crescimento e o desenvolvimento econômico do país. Mais
especificamente, a política fiscal deve buscar a criação de empregos, o aumento dos investimentos
públicos e a ampliação da rede de seguridade social, com ênfase na redução da pobreza e da
desigualdade.

Panorama da Política Fiscal14

Até os anos 1960, os economistas acreditavam que as políticas ativistas poderiam reduzir a
intensidade das flutuações econômicas, sem criar inflação. No entanto, nos anos 1960 e 1970, o resultado

13
Tesouro Nacional. Disponível em: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt_PT/sobre-politica-fiscal.
14
Santos, M. E.; Strachman, E. POLÍTICA FISCAL E DÍVIDA PÚBLICA NO BRASIL: UMA ANÁLISE PARA O PERÍODO DE 1994–20081 PESQUISA & DEBATE,
SP, v. 25, n. 1(45) pp. 87-108, jan-jun. 2014

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passou a não ser o que eles esperavam, com a economia apresentando, simultaneamente, inflação e
desemprego.
A crise econômica e a inflação da segunda metade da década de 1970 tornaram as políticas fiscais
vigentes no período de crescimento acelerado alvo de críticas (Lopreato, 2003). A teoria keynesiana
utilizada até o momento, deixou de servir aos formuladores de política econômica, abrindo espaço para
um novo modelo para as políticas fiscais, ao mesmo tempo em que se desenrolava a crise da economia
mundial e a deterioração das finanças públicas, em vários países.

Nos anos de 1972 e 1973, Lucas iniciou a revolução das expectativas racionais, com uma série de
artigos. A ideia central, no tocante às políticas econômicas é que o Estado só consegue ser eficiente, ao
mudar suas políticas, se conseguir surpreender o mercado; caso contrário, por meio de expectativas
racionais, o mercado antecipa as ações do Estado, com o que as políticas se tornam inócuas (Kydland e
Prescott, 1994). Ademais, em uma sociedade democrática, seria importante a adoção de regras simples
de serem entendidas por todos os agentes, as quais tornassem claro quando os policy makers mudam
de políticas e possibilitassem aos agentes econômicos ajustarem suas expectativas a fim de eliminar
surpresas futuras (Barro e Gordon, 1994). Apenas em casos muito especiais, o Estado deveria
surpreender o mercado, com políticas não antecipadas.

Segundo Chari, esses desenvolvimentos teóricos levaram os governos a adotarem modelos em que
as políticas futuras podem facilmente ser previstas. Se a política escolhida no futuro coincide com o plano
original, os formuladores de política seguiram o plano inicial e o modelo de política é consistente, caso
contrário, é inconsistente. Dessa forma, as expectativas sobre as políticas futuras passam a depender
também do histórico de políticas implementadas.

Nesse contexto, é importante entender que uma política econômica que possui credibilidade é menos
vulnerável às instabilidades, sejam elas geradas por choques externos ou internos (Silva e Mendonça,
2007). Já as economias com baixa credibilidade sofrem mais com as crises, pois, normalmente,
apresentam maior incerteza. Para que haja o desenvolvimento da credibilidade, é preciso, em um primeiro
momento, a conquista de reputação. Para isso, é necessário que o responsável pela condução da política
econômica tenha sucesso na obtenção das políticas previamente anunciadas, criando expectativas nos
agentes econômicos de que as próximas políticas serão igualmente alcançadas.

Essas mudanças conduziram, no final dos anos 1980 e início dos anos 1990, à implementação de um
novo consenso na teoria macroeconômica (Arestis e Sawyer, 2008). Esse Novo Consenso
Macroeconômico (NCM), também chamado de Nova Síntese Neoclássica (NSN), emergiu com grande
influência no pensamento e na política macroeconômicas, principalmente no tocante à política monetária.

Na década de 1990, os modelos econômicos de maior reputação apresentavam consistência no


método e na prática. Os modelos aos quais fazemos referência aparentemente apresentavam
fundamentos microeconômicos e suas versões iniciais eram representadas usualmente por três equações
que descrevem: variação do produto, taxa de inflação e taxa de juros, ou seja, uma curva tipo IS, uma
curva de Phillips e uma equação de política monetária (Fontana, 2009; Arestis e Sawyer, 2008).

É importante ressaltar que o NCM é decisiva para o novo papel da política monetária, pois sugere que
as ações da política monetária podem ter algum efeito sobre a atividade econômica real, mas com pouco
ou nenhum trade-off entre inflação e atividade real no longo prazo. Contudo, podem apresentar ganhos
significativos com a eliminação da inflação, aumentando a eficiência nas transações e reduzindo as
distorções nos preços relativos, com a credibilidade tendo um papel importante para a condução da
política monetária (Goodfriend e King, 1997; Le Heron, 2003).

A recomendação é que a política monetária estabilize o nível de preço, com inflação positiva, mas
próxima de zero, mantendo o produto na direção do produto potencial. A política monetária deve ser ativa,
administrando a demanda agregada para acomodar variações no produto (Goodfriend e King, 1997).
Portanto, o NCM conduz quase que naturalmente a um modelo de metas de inflação, com a inflação
devendo variar pouco no tempo. Esse tem sido o principal objetivo da política monetária para muitos
países, os quais passam a adotar o modelo de metas inflacionárias, abandonando outras metas, como,
por exemplo, de crescimento econômico (Le Heron, 2003).

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Segundo Fontana, um importante resultado do modelo do NCM seria que uma inflação baixa conduziria
ao crescimento, estabilidade e funcionamento eficiente do mercado. A proposição central do NCM é que
o Banco Central (BC) tem um papel muito importante para manter a estabilidade de preços, no longo
prazo e, ao contrário, a autoridade fiscal é de menor relevância, devendo estar concentrada no controle
e na sustentabilidade das finanças públicas. Essa é uma das críticas ao NCM, justificada, porém, por esta
última, pela possibilidade de a política monetária poder ser modificada e implementada mais rapidamente
do que a política fiscal, uma vez que a política fiscal precisa ser planejada, aprovada politicamente, para
só então ter suas medidas implementadas. Assim, a mais controversa suposição do NCM é a ausência
de um papel essencial para o setor público e para a política fiscal, o que, dado o tamanho do setor público
nas economias modernas atualmente, é uma suposição difícil de defender.
A disciplina na política fiscal refere-se ao comportamento da autoridade fiscal com relação à política
de estabilidade de preços. Uma política fiscal austera, na qual a autoridade fiscal elabora seu orçamento
levando em conta a restrição orçamentária e os compromissos da dívida a serem pagos, pouparia,
segundo vários autores, a autoridade monetária de ser obrigada à prática de políticas contracionistas que
visem contrabalançar os déficits nas contas do governo. Logo, um comportamento responsável da
autoridade fiscal é favorável à construção da credibilidade da política monetária, à medida em que evita
pressões inflacionárias ou custos resultantes de políticas monetárias contracionistas (Silva e Mendonça,
2007).
Essas políticas são importantes principalmente em economias emergentes, que possuem mercados
financeiros menos maduros e estáveis, apresentando maior taxa de juros e maior volatilidade do
crescimento da economia. Essas características, de acordo com Mihaljek e Tissot, têm atribuído à
sustentabilidade do déficit público grande importância para a condução da política monetária em países
de economia emergente:

A fragilidade das finanças públicas é muitas vezes considerada como um indicador de aviso, que talvez
esconda fragilidades no resto da economia. Assim, os mercados atribuem importância específica para a
credibilidade fiscal ao julgar a solidez de indicadores macroeconômicos. Por exemplo, eles tendem a ser
menos tolerante com déficits em conta corrente, se o país é caracterizado por grandes fragilidades fiscais.
Ou eles vão examinar de forma mais rigorosa a saúde dos setores empresariais e bancários. Além disso,
preocupações com as finanças públicas podem comprometer compromissos institucionais e torná-los
insustentáveis. Por exemplo, acordos para fixar a taxa de câmbio fixa não vão despertar olhares credíveis
e pode ser atacado em caso de prodigalidade fiscal (Mihaljek e Tissot, 2003, 16 p.).
Dessa forma, a sustentabilidade fiscal afeta não somente as condições financeiras, mas têm também
grande importância para o produto de uma economia, a inflação e a interface com a condução da política
monetária (Mihaljek e Tissot, 2003). Segundo Dinh, haveria um consenso de que uma política fiscal
prudente é condição necessária, mas não suficiente, para um rápido crescimento, pois uma política fiscal
imprudente atrapalharia o crescimento e colocaria em risco a estabilidade.

Então, na evolução das teorias macroeconômicas, a política fiscal passou por importantes mudanças,
com uma redução de seu papel. Para Hermann e Alves e Montes, a credibilidade da política econômica,
sustentabilidade da dívida pública e definição de regras de controle das contas públicas passaram a definir
a condução da política fiscal, tornando-se hegemônicas no pensamento e na prática da política fiscal.

Segundo Lopreato, o movimento generalizado de deterioração fiscal, em países com razoáveis ou


elevados níveis de desenvolvimento, decorreu do aumento do estoque da dívida pública e da queda do
crescimento econômico. A avaliação das políticas fiscais e os novos fundamentos teóricos exigiam a
construção de indicadores capazes de superar as limitações dos indicadores tradicionais, fornecendo
informações mais confiáveis sobre a economia. Por exemplo, o resultado fiscal convencional de
Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP), embora amplamente aceito, não apresentava
o comportamento esperado das finanças públicas. Blanchard resolveu esse problema ao sugerir novos
indicadores de política fiscal, como o de sustentabilidade da dívida.

Como os investidores precisam ter confiança de que a dívida é sustentável, ao longo do tempo, as
metas fiscais tornaram-se prisioneiras das expectativas de risco dos agentes e das previsões sobre o
comportamento futuro das variáveis, com influência da relação dívida/PIB esperada. Segundo Lopreato,
para o caso da economia brasileira, apesar de a política fiscal ser o pilar da política econômica, ela não
tem autonomia, porque as mudanças do câmbio e dos juros sempre demandam mudanças nas metas
fiscais, a fim de garantir a sustentabilidade da dívida; o Tesouro torna-se, então, “refém” do BC, se não
há uma maior concertação entre estes dois entes, como aliás é o caso, quando se advoga um BC

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independente. Assim, nesse novo modelo teórico, a ação da política fiscal é limitada, cabendo à política
monetária o papel de manter a demanda agregada próxima ao produto potencial (Carvalho, 2011). Essa
mudança na forma de pensar a política fiscal influenciou a forma da condução desta política, no Brasil.

Um ponto importante a saber referente a política fiscal é o seguinte:

A política fiscal pode ser Expansiva (expansionista) ou Restritiva (contracionista).

Política Fiscal Expansiva:


Quando tem como objetivo estimular a Procura Agregada, nomeadamente quando a economia vive
um momento recessivo e é preciso estimular o crescimento da economia. Este tipo de política fiscal tende
a provocar inflação. Objetivos: aumentar a produção e reduzir o desemprego. Frequentemente, os seus
promotores realizam uma descida de impostos, por forma a aumentar o rendimento disponível e estimular
o consumo e, logo, os lucros das empresas que assim, aumentarão a contratação (reduzindo o
desemprego). Assim, consegue-se uma deslocação expansiva da procura agregada.

Política Fiscal Restritiva:


Quando tem como objetivo travar o crescimento da Procura Agregada. Este tipo de política é usada
quando estamos perante uma expansão excessiva da economia e a inflação começa a escapar ao
controlo. Estão geralmente associadas a superávits orçamentais. Ao diminuir a Procura Agregada, a
Política Fiscal Restritiva, reduz o Emprego e produz um excesso da oferta agregada de bens, criando
assim um pressão deflacionária na moeda.
Os seus mecanismos são diametralmente opostos aos usados pela Política Fiscal Expansiva:
1. Redução da Despesa Pública, pela contração da Procura Agregada e da Produção.
2. Subida dos impostos, por forma a baixa a procura agregada e a produção. Os cidadãos ficam com
menos rendimentos disponíveis e consequentemente reduzem o seu padrão de consumo o que leva a
uma queda da Procura Agregada.

Utilizaremos o artigo Política Fiscal e Dívida Pública15 para explicar sobre o déficit público:

Barbosa e Giambiagi, por exemplo, entendem que o relevante para a mensuração da situação fiscal
deveria ser “o resultado da soma do governo federal com o Banco Central”, geralmente agrupados sob a
rubrica “governo central”.
O argumento que sustenta esse ponto de vista parte da constatação de que em um setor público cujas
funções estejam bem definidas e no qual não existam “vazamentos” os eventuais déficits de estados e
municípios, de um lado, e das empresas estatais, de outro, seriam cobertos por fontes de endividamento
não inflacionárias e, portanto, as operações das quais esses agentes econômicos participassem seriam
equivalentes a operações entre agentes privados, sem impacto na expansão monetária.
A classificação adotada pelo Manual de Finanças Públicas do FMI, por seu lado, trata as empresas
não financeiras do setor público separadamente do governo geral, fazendo a distinção com base na
natureza das atividades que elas executam e não na classificação legal ou institucional.
Quanto ao setor público financeiro, justifica-se sua não inclusão pela própria atividade exercida pelo
setor, qual seja, a de intermediário financeiro, embora as evidências brasileiras indiquem essas
instituições como responsáveis por significativos déficits quasi-fiscais que geram a necessidade de
cobertura do Tesouro estadual ou federal e impactam o endividamento público.
Em contraponto à defesa de um conceito estrito para a mensuração do déficit público relevante, temos
de considerar que vários fatores, ou “vazamentos”, impedem a não consideração de estados e municípios
e de empresas estatais no cálculo. As sucessivas renegociações de dívidas estaduais e municipais, que
culminaram com a assunção destas pelo governo federal, indicam que os déficits daqueles entes não são
desprovidos de impacto inflacionário. De fato, a pressão inflacionária não se dá apenas pelos canais
tradicionais de transmissão monetária, é mais difusa e envolve aspectos como tamanho do ente público,
utilização dos bancos públicos para o financiamento do déficit, a garantia da União a empréstimos
externos, a quase impossibilidade legal de falência daqueles entes, gerando a necessidade de socorro
federal para evitar comprometimento dos serviços públicos, etc.
Quanto às empresas estatais, o passado também nos mostra que elas, em maior ou menor grau, foram
utilizadas para a consecução de gastos extraorçamentários ou como instrumentos de políticas públicas,
como subsídios à indústria, no caso de mineradoras de ferro ou produtoras de aço.
15
Política Fiscal e Dívida Pública – Cláudio Jaloretto. Disponível em:
http://www3.tesouro.fazenda.gov.br/Premio_TN/XIVPremio/divida/MHafdpXIVPTN/monografia_Tema1_Claudio_Jaloretto.pdf

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A propósito, Stella assim se manifesta:
Uma questão importante nos países onde as empresas públicas têm um papel significativo é a reação
dessas empresas a uma mudança nos sinais de preço, com mais frequência através de taxas de câmbio
e juros. [...] Em um extremo, uma empresa de propriedade pública pode ser completamente insensível às
mudanças de preço. Isso é possível porque tais empresas frequentemente não são responsáveis por seu
resultado operacional na mesma medida que as empresas do setor privado. Uma desvalorização da taxa
real de câmbio, por exemplo, pode não levar a uma mudança no mix de entrada de tradables para não
tradables – como faria uma empresa privada – mas sim a um aumento no empréstimo. Isso produziria o
oposto daquilo que a política de desvalorização pretendia e serviria para financiamento de outras
empresas. Se a empresa pública entrasse em concorrência com empresas privadas, ela poderia
experimentar aumento nas vendas devido a preços relativamente inflexíveis e, portanto, aumentar sua
participação no mercado exatamente em uma época de ineficiência de crescimento.
O aumento do empréstimo também deslocaria o financiamento do governo ou aumentaria o custo do
crédito para ele. No caso brasileiro, por seu turno, há um detalhe que muitas vezes passa despercebido,
mas é determinante, em última instância, para a classificação das empresas estatais como agentes da
execução de políticas públicas: conforme previsão constitucional, os investimentos das empresas estatais
federais são parte integrante do orçamento anual submetido pelo governo federal ao Congresso Nacional.
Em outras palavras, a decisão de investimento daquelas empresas segue mais as necessidades
políticas ou de governo que aquelas decisões puramente negociais ou de mercado.

A questão aqui apresentada diz respeito às duas formas de mensurar o déficit público:

i) pela diferença entre as receitas e as despesas públicas ou


ii) pela variação do endividamento líquido do setor público.

A primeira é o que convencionamos chamar de “acima” da linha, enquanto a segunda, também


conhecida como Necessidades de Financiamento do Setor Público, chamamos de “abaixo” da linha. Essa
forma de classificação, estabelecendo uma “linha” divisória entre a mensuração dos fatores que motivam
o déficit e seu dual, o financiamento desse déficit, foi emprestada de classificação semelhante do balanço
de pagamentos, em que “acima” da linha figuram as transações correntes e o movimento de capitais, e
“abaixo” da linha figura a variação das reservas internacionais do país.
Conceitualmente, essas duas formas de ver o déficit público deveriam coincidir, mas isso não ocorre
em função da abrangência diferente do setor público utilizada e por erros e omissões decorrentes de
formas diferentes de agregação ou mensuração.
Até o início dos anos 1980, a mensuração que prevalecia era a “acima da linha”, tendo por base,
geralmente, a contabilização estabelecida pela Lei nº 4.320/1964. Em geral, os dados relativos ao déficit
público eram coletados das contas nacionais, de periodicidade anual, e, no caso do governo federal,
utilizava-se o resultado de caixa do Tesouro Nacional.
Essa situação começou a mudar no início da década de 1980, quando, com o acordo com o FMI de
1983, se estabeleceram as bases para a mensuração do déficit “abaixo” da linha, computando-se a
variação do endividamento público com o Sistema Financeiro Nacional e o setor externo. Essa
metodologia, embora não permita identificar as fontes causadoras do déficit público, tem a vantagem de
ser de mais fácil cálculo e de ter relativamente menos fontes de informações, o que diminui as chances
de erro, além de ser menos sensível a manipulações, posto que os dados são fornecidos pelos credores,
e não pelos devedores.

Nominal, operacional e primário


Os conceitos tradicionais de déficit público são apresentados em três diferentes concepções:
i) conceito nominal ou convencional;
ii) conceito operacional; e
iii) conceito primário.
A diferença entre essas formas de mensuração está relacionada, intrinsecamente, às despesas com
juros. No primeiro, consideram-se os juros nominais pagos ou apropriados; no segundo, consideram-se
os juros reais pagos ou apropriados, enquanto no terceiro conceito se excluem as despesas com juros.
O conceito primário, ao excluir as despesas com juros, tenta mensurar o impacto decorrente das ações
fiscais do governo, sendo uma medida relevante para identificar o esforço empreendido pelo setor público
para o ajustamento fiscal.

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As despesas com juros são excluídas, pois mensuram, de um lado, o custo pelo desequilíbrio fiscal
anterior, expresso pelo saldo da dívida, e de outro, a variação da taxa de juros, determinada
exogenamente ao componente fiscal do governo.
Embora relevante, o conceito primário é parcial, não devendo ser lido isoladamente, mas em conjunto
com a mensuração nominal ou operacional, pois o impacto macroeconômico do déficit é dado pelos
déficits nominal ou operacional, e não pelo déficit primário.
O conceito operacional surgiu no início dos anos 1980, inicialmente como uma tentativa de aproximar
os juros apropriados por competência dos juros que deveriam ser contabilizados pelo critério de caixa.
Posteriormente, com o recrudescimento inflacionário, atentou-se para o fato de as despesas com juros
nominais não espelharem devidamente o impacto das transferências de juros para os detentores da
dívida, dada a não existência de ilusão monetária.
De fato, na ausência de ilusão monetária, o conceito relevante é o de déficit operacional, que exclui do
cálculo dos juros o efeito da atualização monetária da dívida, ou seja, os financiadores do governo não
irão confundir a correção monetária dos seus créditos contra o governo com rendimento real.

Problemas estatísticos
O período de inflação alta pelo qual o Brasil passou na década de 1980 e início dos anos 1990
explicitou alguns problemas estatísticos, irrelevantes com inflação baixa, mas importantes na existência
de inflação alta. Esses problemas, basicamente relacionados à comparação das variáveis com o PIB e
com o deflacionamento de série, são comentados a seguir, juntamente com sua solução.

Efeito estoque-fluxo
Em geral, as variáveis de estoque, como dívidas, meios de pagamento, base monetária, estão
expressas a preços do último mês do período; por exemplo, o saldo da base monetária do mês de
dezembro está a preços do mês de dezembro.
Por sua vez, as variáveis de fluxo, tais como o PIB, estão expressas a preços médios do período. O
deflator implícito do PIB, por exemplo, é uma medida da inflação média do ano, e não da inflação
acumulada do ano. Com a aceleração inflacionária, a inflação acumulada tende a se distanciar da inflação
média e, consequentemente, as variáveis de estoque tendem a ser superestimadas, se comparadas a
variações de fluxo. Em suma, relações como dívida líquida/PIB apresentam resultados superestimados
em um contexto de aceleração inflacionária.
Para solucionar o problema, o Banco Central desenvolveu o conceito de PIB valorizado, que consiste
em expressar o valor do PIB a preços do último mês, e não a preços médios do ano, eliminando a
característica de média, implícita no cálculo do PIB.

Efeito final de período


O PIB, como qualquer fluxo monetário, corresponde à soma dos fluxos mensais em moeda corrente.
Da mesma forma, qualquer outro fluxo monetário também corresponde à soma dos fluxos mensais
expressos em moeda corrente.
Assim, uma relação fluxo monetário/PIB, na presença de inflação, está sujeita a distorções decorrentes
da eventual sazonalidade diferente entre os fluxos mensais do PIB e da variável utilizada para
comparação. A essa distorção foi dado o nome de “efeito final de período”.
Essa distorção é corrigida comparando-se os fluxos a preços constantes, independentemente da
metodologia utilizada para a apuração do déficit público, ou do conceito utilizado.

Efeito inflação média


Em geral, os índices de inflação são calculados utilizando-se a soma ponderada dos preços durante o
mês, comparada com a soma ponderada dos preços do mês anterior. Assim, o índice mede os preços
médios de um mês em relação ao mês anterior, ou seja, grosso modo, corresponde aos preços praticados
no 15º dia do mês em relação ao mesmo dia do mês anterior, fazendo com que os preços ao final do mês
sejam maiores do que aqueles captados pelo índice. Em uma conjuntura de inflação alta, a diferença é
significativa. Como os fluxos de juros apropriados, no cálculo do déficit público, estão a preços do último
dia do mês, para retirar o efeito inflacionário seria necessária a utilização de um índice que captasse os
preços ponta a ponta, ou seja, os preços do último dia do mês.

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Questões:

01. (MPE/MS - Analista – Administração – FGV) O termo Política Fiscal refere- se


(A) à obrigatoriedade de gestão uniforme dos recursos pelos Estados.
(B) às decisões de cada Estado em constituir uma estrutura fiscal unitária.
(C) ao processo político em que interesses conflitantes são colocados frente a frente
(D) ao comportamento e à administração das receitas e despesas do setor público.
(E) à influência que os diferentes agentes sociais exercem sobre a estrutura fiscal de cada Estado.

02. (TCM/RJ – Auditor – FGV) O país Y possui um elevado déficit fiscal. Caso esse país queira reduzi-
lo sem ter grande impacto no produto, a combinação de políticas adotada será:
(A) política monetária e fiscal contracionista.
(B) política monetária e fiscal expansionistas.
(C) política monetária contracionista e fiscal expansionista.
(D) política monetária expansionista e fiscal contracionista.
(E) somente uma política fiscal contracionista.

03. (MANAUSPREV - Analista Previdenciário – Economia – FCC) Considerando-se a natureza e os


instrumentos da política fiscal,
(A) o efeito do orçamento equilibrado sobre a renda agregada mostra que déficits fiscais sistemáticos,
independentemente da conjuntura econômica, são uma boa forma de controlar a inflação, pois levam a
taxas de juros cada vez mais elevadas.
(B) os gastos do governo são importante instrumento de estabilização da economia, pois garantem
diretamente um equilíbrio estável da taxa de câmbio, independentemente do nível da taxa de juros e das
reservas internacionais.
(C) a política fiscal no Brasil é gerida pelo Tesouro Nacional e representa a composição do gasto
público e da arrecadação de tributos e a trajetória do endividamento do setor público nos diferentes níveis
de governo e, portanto, não tem qualquer relação instrumental direta com a política monetária, a qual é
de responsabilidade do Banco Central do Brasil.
(D) cabe à política fiscal o controle dos agregados monetários e das reservas internacionais.
(E) a política cambial é determinante para os resultados fiscais do setor público, pois uma parte
substancial dos gastos e arrecadações é feita em divisas estrangeiras.

04. (TJ/PA - Analista Judiciário – Economia – FCC) É uma medida de política fiscal expansionista:
(A) elevar o pagamento de juros da dívida pública.
(B) promover a troca de títulos da dívida pública de curto prazo pelos de longo prazo.
(C) tributar a exportação de produtos relacionados à matriz energética do país.
(D) retirar subsídios da agricultura familiar.
(E) promover programas de transferência de renda.

05. (SP-URBANISMO - Analista Administrativo – VUNESP) São instrumentos de política fiscal


restritiva
(A) corte de gastos públicos, redução nos impostos e aumento da taxa de redesconto.
(B) corte de gastos públicos, aumento nos impostos e aumento da taxa de redesconto.
(C) corte de gastos públicos, compra de títulos no mercado aberto e aumento da taxa de redesconto.
(D) corte de gastos públicos, venda de títulos no mercado aberto e redução nos subsídios.
(E) corte de gastos públicos, aumento nos impostos e redução nos subsídios.

06. (QC – Economia – Marinha) Com relação à Política Fiscal de um governo, assinale a opção
correta.
(A) Refere-se aos instrumentos de que o governo dispõe para a arrecadação de tributos e controle de
suas despesas.
(B) São políticas que atuam sobre as variáveis relacionadas ao setor externo da economia.
(C) As políticas monetária e fiscal representam meios idênticos para as mesmas finalidades.
(D) Seus efeitos são imediatos, dado que depende apenas de decisões diretas das autoridades.
(E) São denominadas políticas de rendas, no sentido de que influem diretamente sobre as rendas, os
salários, os lucros, os juros e o aluguel.

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07. (BNB - Técnico de Nível Superior - Economista – ACEP) Em relação à política fiscal, assinale a
alternativa CORRETA.
(A) Procura estimular ou desestimular as despesas de consumo e de investimentos por parte das
empresas e das pessoas, influenciando as taxas de juros e a disponibilidade de crédito.
(B) Funciona diretamente sobre as rendas, mediante a tributação e os gastos públicos.
(C) É uma medida de política fiscal pura, anti-recessiva, materializa-se por meio de redução dos gastos
do governo e/ou aumento da carga tributária com meios de pagamentos constantes.
(D) Por política fiscal, entende-se a atuação do Banco Central para definir as condições de liquidez da
economia.
(E) Caso a política fiscal assuma a forma de uma redução dos impostos, seu impacto sobre a demanda
se dará pela diminuição da renda disponível dos agentes.

08. (TJ/RO - Analista Judiciário – Economia – CESGRANRIO) A política fiscal expansiva pode ser
efetivada através de um aumento
(A) dos gastos do governo.
(B) dos impostos.
(C) do superavit orçamentário do setor público.
(D) das tarifas públicas.
(E) da oferta monetária.

Respostas:

01. Resposta: D
Política fiscal reflete o conjunto de medidas pelas quais o Governo arrecada receitas e realiza
despesas de modo a cumprir três funções: a estabilização macroeconômica, a redistribuição da renda e
a alocação de recursos. A função estabilizadora consiste na promoção do crescimento econômico
sustentado, com baixo desemprego e estabilidade de preços. A função redistributiva visa assegurar a
distribuição equitativa da renda. Por fim, a função alocativa consiste no fornecimento eficiente de bens e
serviços públicos, compensando as falhas de mercado. Os resultados da política fiscal podem ser
avaliados sob diferentes ângulos, que podem focar na mensuração da qualidade do gasto público bem
como identificar os impactos da política fiscal no bem-estar dos cidadãos. No Brasil, o uso equilibrado dos
recursos públicos visa a redução gradual da dívida líquida como percentual do PIB, de forma a contribuir
com a estabilidade, o crescimento e o desenvolvimento econômico do país. Mais especificamente, a
política fiscal busca a criação de empregos, o aumento dos investimentos públicos e a ampliação da rede
de seguridade social, com ênfase na redução da pobreza e da desigualdade.

02. Resposta: D
O país Y possui elevado déficit fiscal: isso significa que o governo desse país gasta muito mais do que
arrecada. Ora, para resolver parte do problema, o primeiro passo é GASTAR MENOS. Os economistas
chamam isso de POLÍTICA FISCAL CONTRACIONISTA. O governo reduz o número de ministérios,
oferece menos políticas assistenciais, etc. Porém, o governo não quer arriscar perder sua popularidade
com grande recessão. Para atenuar os efeitos do corte nos gastos (a questão menciona “sem ter grande
impacto no produto”), ele pode ``ABRIR A TORNEIRA DE DINHEIRO´´ da economia. Na prática, ele emite
moeda, reduz a alíquota de depósitos compulsórios (os bancos, assim, ficam com mais dinheiro para
emprestar), etc. Ou seja, fica mais barato conseguir dinheiro. E, com dinheiro barato, as pessoas acabam
consumindo e investindo mais. Os economistas chamam isso de POLÍTICA MONETÁRIA
EXPANSIONISTA.

03. Resposta: C
Esta alternativa apresentou a correta definição, bem como o responsável pela política monetária e o
responsável pela política fiscal.

04. Resposta: E
Quando os gastos do governo aumentam, dizemos que o governo está promovendo uma política fiscal
expansionista, ou seja, ele deseja aumentar a renda e o emprego, por exemplo. Quando acontece o
contrário, o governo está fazendo uma política fiscal retracionista ou contracionista.

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05. Resposta: E
Cortes de Gastos Públicos: Política Fiscal Restritiva
a) Política Fiscal Expansionista, e Política Monetária Restritiva;
b) Política Fiscal Restritiva e Política Monetária Restritiva;
c) Política Monetária Expansionista e Política Monetária Restritiva;
d) Política Monetária Restritiva e Política Fiscal Restritiva
e) Política Fiscal Restritiva, Política Fiscal Restritiva

06. Resposta: A
A política fiscal refere-se aos instrumentos de que o governo dispõe para a arrecadação de tributos e
controle de suas despesas.

07. Resposta: B
a) Procura estimular ou desestimular as despesas de consumo e de investimentos por parte das
empresas e das pessoas, influenciando as taxas de juros e a disponibilidade de crédito. FALSA. Assertiva
se refere à política MONETÁRIA.
b) Funciona diretamente sobre as rendas, mediante a tributação e os gastos públicos. VERDADEIRA.
c) É uma medida de política fiscal pura, anti-recessiva, materializa-se por meio de redução dos gastos
do governo e/ou aumento da carga tributária com meios de pagamentos constantes. FALSA. O aumento
da carga tributária é uma medida RECESSIVA.
d) Por política fiscal, entende-se a atuação do Banco Central para definir as condições de liquidez da
economia. FALSA. Assertiva se refere à política MONETÁRIA.
e) Caso a política fiscal assuma a forma de uma redução dos impostos, seu impacto sobre a demanda
se dará pela diminuição da renda disponível dos agentes. FALSA. A redução dos impostos faz com que
AUMENTE a renda disponível dos agentes, uma vez que o dinheiro que era gasto com tributos poderá,
agora, ser gasto com outras finalidades.

08. Resposta: A
A Política Fiscal expansiva é usada quando há uma insuficiência de demanda agregada em relação à
produção de pleno - emprego. Isto acarretaria o chamado "hiato deflacionário", onde estoques excessivos
se formariam, levando empresas a reduzir a produção e seus quadros de funcionários, aumentando o
desemprego. As medidas nesse caso seriam:
a) Aumento dos gastos públicos;
b) Diminuição da carga tributária, estimulando despesas de consumo e investimentos;
c) Estímulos às exportações, elevando a demanda externa dos produtos;
d) Tarifas e barreiras às importações, beneficiando a produção nacional.

8. Conceitos de dívida e déficit público.

Déficit e Dívida Pública

Segundo Santiago16, Déficit Público é o nome que se dá à relação na qual o valor total das despesas
públicas é maior que valor total das receitas públicas, considerando-se, nesta determinada relação os
valores nominais, ou melhor, a inflação e a correção monetária do mesmo período considerado.
Embora a especificação do déficit governamental em termos de diferenças entre as receitas e
despesas de setor público seja de definição excessivamente simplificada e de fácil compreensão, pode
ser melhor elaborada com a especificação de diversos componentes do processo orçamentário que são
indispensáveis para uma mais objetiva determinação das causas do déficit, permitindo uma avaliação
mais apurada da política fiscal.

Desse modo, dentro da definição de déficit, temos certos fatores que se "escondem" dentro da
definição de déficit:
- os métodos de financiamentos utilizados;
- a contribuição de déficits passados para o atual déficit;

16
SANTIAGO, E. Déficit público. Disponível em: < http://www.infoescola.com/economia/deficit-publico/ >

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- o impacto das dívidas interna e externa sobre o déficit;
- a necessidade de emissão de moeda;
- o efeito da inflação sobre a receita e os gastos do governo;
- o efeito de variações nas taxas de juros;
- a cobrança de imposto inflacionário;
- a existência de erros e omissões nas contas governamentais;

O déficit público, ou governamental encobre diversas características do processo orçamentário


que são fundamentais para a determinação das causas do mesmo. Merecem destaque:
- a contribuição do déficit passado para o atual;
- o efeito da inflação sobre a receita e despesa do governo;
- o efeito da variação das taxas de juros;

A Carga tributária bruta representa o total de impostos arrecadados no país. Se desse total subtrairmos
as transferências governamentais (juros da dívida pública, subsídios e gastos com assistência e
previdência social), chegamos ao conceito de carga tributária líquida. Com base nessa carga é que o
governo pode financiar seus gastos correntes (também chamado de consumo do governo). A diferença
entre a receita líquida e o consumo do governo é definida como poupança do governo em conta corrente.
Existe uma importante categoria de gastos chamada de investimento público, que representa as
despesas de capital de governo com construção de estradas, hospitais, escolas etc. Déficit público é a
diferença entre o investimento público e a poupança do governo em conta corrente.
O tamanho do déficit público, em última instância, dá a participação do governo na atividade econômica
em termos de complementação da demanda privada. Quando esse déficit é menor do que zero, isto é,
quando há um superávit, pode-se afirmar que o governo está com uma política fiscal contracionista, isto
é, estão restringindo a demanda. Se for maior do que zero, diz-se que o governo está com uma política
fiscal expansionista, com impactos positivos sobre a demanda.

A existência de déficits implica que ele deve ser financiado de alguma forma. Como alternativa
de financiamento do déficit público, pode-se citar:
I) a venda de títulos públicos ao setor privado;
II) a venda de títulos públicos ao Banco Central.

A primeira alternativa representa uma transferência de poupança do setor privado para o setor público.
Na segunda, a aquisição de títulos pelo Banco Central é feita por meio de emissão de moeda. Ambas
levam ao endividamento do setor público (mais precisamente do Tesouro Nacional, órgão responsável
pela arrecadação e gastos).
O Endividamento do Setor Público representa nova categoria de gastos públicos: a rolagem e o
pagamento dos serviços dessa dívida. Os juros sobre a dívida entram na categoria de gastos com
transferências. Quanto maior for o estoque da dívida, maior será o gasto com juros e, consequentemente,
maior será a diferença entre carga tributária bruta e líquida.
Uma dificuldade na definição de déficit diz respeito à definição de setor público. Na Contabilidade
Nacional, consideram-se como governo apenas a administração direta e os órgãos que realizam as
funções típicas do governo, cuja receita advém de dotações orçamentárias. As empresas estatais ou
públicas, que produzem bens e serviços, são classificadas junto com as empresas privadas. Nos países
subdesenvolvidos, por inúmeras razões, o Estado assumiu o papel principal na promoção do
desenvolvimento econômico. A intervenção pública deu-se na forma de criação de empresas públicas
encarregadas de atuar em setores estratégicos. Em muitos casos, foram também criados órgãos de
desenvolvimento para atuar em setores específicos ou mesmo agências de financiamento, com o objetivo
de captar recursos necessários aos investimentos. Em tais países, o conceito de governo como
administração direta é bastante limitado para avaliar o papel do Estado na economia e,
consequentemente, avaliar o déficit público.
Considerando o caso brasileiro, cujo Estado teve papel fundamental no processo de desenvolvimento,
foram desenvolvidos alguns conceitos para se medir o déficit público. Entre esses conceitos, destaca-se
o de Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP), utilizado pelo Fundo Monetário
Internacional (FMI). Tal conceito começou a ser medido no início dos anos 80, a partir da vinda do FMI
ao país para acompanhar a condução da política econômica no contexto de renegociação da dívida
externa a partir da crise de 1982.

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Déficit fiscal ou superávit fiscal - Diferença entre despesa e receita do governo. Quando os gastos
são maiores do que a arrecadação, há déficit e o governo é forçado a recorrer ao mercado para se
financiar. O montante do déficit é também chamado de necessidade de financiamento do setor público.
O governo poderia também emitir moeda, mas esta medida tem inúmeros inconvenientes.
Déficit nominal - necessidade de financiamento do setor público, incluindo os efeitos da correção
monetária e cambial nas despesas e nas receitas.
Déficit operacional - necessidade de financiamento do setor público, excluindo-se os efeitos da
correção monetária e cambial nas despesas e nas receitas.
Déficit orçamentário - despesa maior do que receita, havendo distinção entre déficit previsto no
orçamento e o déficit da execução orçamentária.
Déficit primário - déficit operacional retirando-se os encargos financeiros embutidos no conjunto das
despesas e das receitas.
Déficit previdenciário - é a diferença entre o que o Governo arrecada de contribuição para a
manutenção da Previdência Social e o valor pago em benefícios.
Na avaliação das contas externas, os principais conceitos são:

Déficit comercial - é a diferença entre o valor recebido com exportações e os gastos com importações.
Quando o país importa mais do que exporta, ele tem déficit na balança comercial.
Déficit em Conta Corrente - o cálculo do resultado em conta corrente considera o resultado da
balança comercial, da balança de serviços e de transferências unilaterais. Se a soma das despesas
nesses três itens for superior à entrada de divisas, temos déficit em conta corrente.

De acordo com o site do Tesouro da Fazenda17, a Dívida Pública Federal (DPF) é a dívida contraída
pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do Governo Federal, nele incluído o
refinanciamento da própria dívida, bem como para realizar operações com finalidades específicas
definidas em lei.

A Dívida Pública Federal pode ser classificada de distintas formas, sendo as principais:
-quanto à forma utilizada para o endividamento, e
-quanto à moeda na qual ocorrem os fluxos de recebimento e pagamento da dívida.

Em relação à forma, o endividamento por ocorrer por meio da emissão de títulos públicos ou pela
assinatura de contratos. Quando os recursos são captados por meio da emissão de títulos públicos, a
dívida daí decorrente é chamada de mobiliária. Quando a captação é feita via celebração de contratos, a
dívida é classificada como contratual.
Os títulos públicos federais são instrumentos financeiros de renda fixa emitidos pelo Governo Federal
via oferta pública (leilão) ou diretamente ao detentor. Já os contratos são usualmente firmados com
organismos multilaterais, tais como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, com
agências governamentais, como o Japan Bank For International Cooperation e o KfW, e com bancos
privados.
Em relação à moeda na qual ocorrem seus fluxos de recebimento e pagamento, a Dívida Pública
Federal pode ser classificada como interna ou externa. Quando os pagamentos e recebimentos são
realizados na moeda corrente em circulação no país, no caso brasileiro o real, a dívida é chamada de
interna. Por sua vez, quando tais fluxos financeiros ocorrem em moeda estrangeira, usualmente o dólar
norte-americano, a dívida é classificada como externa.
Atualmente, toda a Dívida Pública Federal em circulação no mercado nacional é paga em real e
captada por meio da emissão de títulos públicos, sendo por essa razão definida como Dívida Pública
Mobiliária Federal interna (DPMFi).
Já a Dívida Pública Federal existente no mercado internacional é paga em outras moedas que não o
real e tem sido captada tanto por meio da emissão de títulos quanto por contratos, sendo por isso definida
como Dívida Pública Federal externa (DPFe).

17
TESOURO NACIONAL. O que é Dívida Pública Fiscal? Disponível em: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/pt/o-que-e-a-divida-publica-federal-. Acesso em:
março 2015.

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Déficit brasileiro – Veja nos anos recentes a sua evolução18

Segundo Martello19, a forte deterioração das contas no ano de 2014, resultado de aumento de gastos
em um ano eleitoral e do fraco comportamento da arrecadação – fruto das desonerações de tributos e do
baixo nível de atividade – levaram o setor público consolidado (governo, estados, municípios e empresas
estatais) a registrar, em doze meses até outubro, um déficit nominal (contabilizado após o pagamento de
juros da dívida) de 5% do Produto Interno Bruto (PIB), informou o Banco Central.
A marca emblemática de 5% para o déficit público no conceito nominal, em doze meses, não era
atingida desde dezembro de 2003 – quando o indicador somava 5,24% do PIB, segundo números do BC.
Em dezembro de 2010, 2011, 2012 e 2013, resultado negativo das contas públicas, pelo conceito nominal
(após pagar juros), somava 2,48% do PIB, 2,61% do PIB, 2,48% do PIB e 3,25% do PIB.
O chamado déficit nominal é uma das principais formas de comparação da situação das contas
públicas entre os países. O conceito também é utilizado pelas agências de classificação de risco para dar
notas para as economias e, deste modo, sugerir investimentos em determinadas economias, ou, por outro
lado, desaconselhar a aplicação de recursos em determinados países.
Já em Abril de 2015, o setor público consolidado registrou superávit primário de R$13,4. O Governo
Central, os governos regionais e as empresas estatais apresentaram superávits, na ordem, de R$10,6
bilhões, R$2,6 bilhões e R$208 milhões.
No ano, o superávit primário acumulado é de R$32,4 bilhões, ante superávit de R$42,5 bilhões no
primeiro quadrimestre de 2014. No acumulado em doze meses, registrou-se déficit primário de R$42,6
bilhões (0,76% do PIB), comparativamente a déficit de R$39,2 bilhões (0,7% do PIB) em março.
Os juros nominais, apropriados por competência, alcançaram R$2,2 bilhões em abril,
comparativamente a R$69,5 bilhões em março. Contribuíram para essa redução o menor número de dias
úteis e o resultado favorável de R$31,8 bilhões das operações de swap cambial no mês, ante resultado
desfavorável de R$34,5 bilhões em março. No acumulado no ano, os juros nominais somam R$146,1
bilhões, comparativamente a R$80,2 bilhões no mesmo período do ano anterior. Em doze meses, os juros
nominais totalizaram R$377,3 bilhões (6,71% do PIB), reduzindo-se 0,39 p.p. do PIB em relação ao
observado em março.
O resultado nominal, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi superavitário
em R$11,2 bilhões em abril. No ano, o déficit nominal soma R$113,6 bilhões, comparativamente a déficit
de R$37,6 bilhões no mesmo período de 2014. No acumulado em doze meses, o resultado nominal
deficitário alcançou R$419,9 bilhões (7,47% do PIB), 0,33 p.p. do PIB inferior ao registrado no mês
anterior.
O superávit nominal de abril refletiu reduções de R$8 bilhões na dívida bancária líquida e de R$5,3
bilhões nas demais fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária, contrabalançadas,
parcialmente, pelos aumentos de R$1,7 bilhão na dívida mobiliária e de R$367 milhões no financiamento
externo líquido.

Sobre 2016 e 2017.

Já a notícia20 apurada mais recente sobre a Dívida pública (24/04/2017), informa que: Dívida
pública sobe 3,17% em março, para R$ 3,23 trilhões.

Segundo o Tesouro Nacional, aumento é resultado de emissão de títulos públicos acima dos
vencimentos e das despesas com juros.

A dívida pública federal, que inclui os endividamentos do governo dentro do Brasil e no exterior, avançou 3,17%
em março, para R$ 3,23 trilhões, informou a Secretaria do Tesouro Nacional nesta segunda-feira (24). Em fevereiro,
a dívida estava em R$ 3,13 trilhões.
O aumento se deve à emissão de títulos acima do volume de resgates (quando o governo paga a investidores
por papéis da dívida que venceram). Em março, as emissões somaram R$ 80,37 bilhões e, os resgates, totalizaram
R$ 13,78 bilhões.
Já as despesas com juros da dívida pública, outro fator que impulsiona para cima a dívida pública, somaram R$
32,95 bilhões.

18
Banco Central do Brasil. Política Fiscal. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/?ECOIMPOLFISC>
19
MARTELLO, A. Após juro, déficit público atinge 5% do PIB, algo sem registro desde 2003. G1. 2014. Disponível em: <
http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/11/apos-juro-deficit-publico-atinge-5-do-pib-algo-sem-registro-desde-2003.html >
20
Por Alexandro Martello, G1, Brasília. 24/04/2017 10h09. Atualizado 24/04/2017 10h48. http://g1.globo.com/economia/noticia/divida-publica-sobe-317-em-
marco-para-r-323-trilhoes.ghtml

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A dívida pública é a emitida pelo Tesouro Nacional para financiar o déficit orçamentário do governo federal.
Quando os pagamentos e recebimentos são realizados em real, a dívida é chamada de interna. Quando tais
operações ocorrem em moeda estrangeira (dólar, normalmente), é classificada como externa.
Em 2016, a dívida pública registrou crescimento de 11,42%, para R$ 3,11 trilhões.

Para 2017
Para este ano, a expectativa do Tesouro Nacional é de novo aumento na dívida pública. A programação da
instituição prevê que ela pode chegar aos R$ 3,65 tilhões no fim de 2017.
Se isso se confirmar, a alta da dívida, neste ano, será de R$ 538 bilhões, aumento 17,28% em relação ao
fechamento de 2016.
O patamar de R$ 3,65 trilhões é o máximo previsto para a dívida interna e externa. Portanto, o crescimento pode
ser menor. Estimativas do Tesouro apontam que a alta pode ficar em R$ 338 bilhões e, neste caso, a dívida chegaria
ao final de 2017 em R$ 3,45, elevação de 10,86%.

Dívidas interna e externa


No caso da dívida interna, segundo informou o Tesouro Nacional, foi registrada uma elevação de 3,08% em
março, para R$ 3,11 trilhões. Neste caso, a alta foi de R$ 93 bilhões.
A dívida externa brasileira, resultado da emissão de bônus soberanos (títulos da dívida) no mercado internacional
e de contratos firmados no passado, contabilizou uma alta de 5,59% no mês passado, para R$ 120,3 bilhões. O
aumento da dívida externa foi de R$ 6,37 bilhões por conta, principalmente, da alta do dólar no período.

Compradores
Os números do Tesouro Nacional também revelam que a participação dos investidores estrangeiros na dívida
pública interna continuou a cair em março. Em fevereiro, os não residentes detinham 13,66% do total da dívida
interna (R$ 412 bilhões). No fechamento de março, detinham 13,26%, mas o valor se manteve em R$ 412 bilhões.
Mesmo assim, os estrangeiros seguem na quarta colocação de principais detentores da dívida pública interna,
atrás dos fundos de previdência, com R$ 808 bilhões em março, ou 25,98% do total; dos fundos de investimento
(23,16% do total, ou R$ 721 bilhões) e das instituições financeiras (22,7% do total, ou R$ 706 bilhões).

Perfil da dívida
Em março deste ano, o percentual de papéis prefixados somou 35,87% do total, ou R$ 1,11 trilhão, contra
35,09% em fevereiro (R$ 1,06 trilhão). Os números foram calculados após a contabilização dos contratos de "swap
cambial".
Os títulos atrelados à taxa Selic, chamados de pós-fixados, por sua vez, tiveram sua participação elevada no
mês passado. Em fevereiro, representaram 28% do total (R$ 847 bilhões), avançando para 28,2% em março (ou
R$ 878 bilhões).
A parcela da dívida atrelada aos índices de preços (inflação), por sua vez, somou 33,2% em março deste ano, o
equivalente a R$ 1,03 trilhão, contra 33,61% em fevereiro (R$ 1,01 trilhão).
Os ativos indexados à variação da taxa de câmbio, por sua vez, somaram 2,72% do total em março, ou R$ 84,77
bilhões, contra 3,23% em fevereiro deste ano, ou R$ 97,55 bilhões.
A queda da dívida em dólar se deve ao resgate, por parte do Banco Central, de contratos de "swap cambial" -
na esteira do processo de queda da cotação do dólar no Brasil.

Questões:

01. (Prefeitura de São José do Rio Preto – SP - Auditor Fiscal Tributário Municipal – VUNESP) A
diferença entre os conceitos de déficit público nominal e operacional é que o primeiro
(A) é obtido incluindo-se os gastos com os juros nominais cobrados sobre as dívidas interna e externa,
enquanto no segundo somente são incluídos os juros reais.
(B) representa a diferença entre as receitas e despesas correntes de todas as esferas de Governo,
enquanto no segundo é representada a diferença entre as receitas e despesas de capital.
(C) representa a diferença entre as receitas e despesas financeiras dos entes públicos, enquanto o
segundo representa a diferença entre as receitas e despesas não financeiras
(D) corresponde ao aumento da dívida bruta do setor público, enquanto o segundo corresponde ao
aumento da dívida líquida
(E) não inclui os investimentos realizados pelos entes públicos, enquanto o segundo inclui

. 65
1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
02. (SP-URBANISMO - Analista Administrativo - VUNESP) Numa economia, o déficit nominal e o
operacional são iguais, e ambos são superiores ao déficit primário. Isso significa que
(A) o governo só gasta o que arrecada.
(B) não há dívida pública.
(C) a taxa de juros é zero.
(D) a taxa de inflação é zero.
(E) não há investimentos do setor público.

03. (CGU - Analista de Finanças e Controle - Área - Auditoria e Fiscalização – ESAF) Com relação
a déficit público e dívida pública, não se pode afirmar que
(A) para avaliar o estímulo do governo à atividade econômica em termos de complementação da
demanda privada, há interesse em se medir o tamanho do déficit público.
(B) quando o déficit público é menor que zero, o governo está fazendo uma política fiscal contracionista.
(C) se o déficit público for maior que zero, o governo estará contribuindo para aumentar a demanda.
(D) caso o governo incorra em um déficit, o gasto que supera a receita deverá ser financiado de alguma
forma.
(E) quanto menor for o estoque da dívida pública, maior será o gasto com juros.

04. (UFPR - Economista - NC-UFPR) Sobre os principais conceitos e definições de déficit público, é
correto afirmar:
(A) O déficit operacional resulta do déficit primário, adicionadas as despesas com juros da dívida
constituída.
(B) O déficit operacional resulta do déficit primário, adicionadas as despesas com juros da dívida
constituída, a correção monetária e a correção cambial.
(C) O déficit de caixa resulta do déficit operacional, adicionados o principal e os juros da dívida do setor
público a vencer.
(D) O déficit fiscal resulta do déficit nominal, subtraída a correção monetária.

05. (MPE/SC - Técnico em Contas Públicas – FEPESE) Assinale a alternativa que apresenta a
definição de déficit nominal.
(A) Maior saída de numerário em relação à entrada, em um determinado período.
(B) Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP), incluindo os efeitos da correção
monetária e cambial nas despesas e nas receitas.
(C) Despesa maior do que receita, havendo distinção entre déficit previsto e o déficit da execução
orçamentária.
(D) Necessidade de financiamento do setor público, excluindo-se os efeitos da correção monetária e
cambial nas despesas e nas receitas.
(E) Diferença entre as receitas e as despesas de um orçamento público, não se considerando, nas
receitas de capital, as operações de crédito a serem contratadas para o financiamento do déficit.

06. (ESAF - Gerência de Projetos e Governança de TI – ESAF) Considerando os conceitos básicos


em macroeconomia, é correto afirmar que:
(A) a dívida pública não pode ser maior do que o déficit público nominal.
(B) independente da renda enviada ou recebida do exterior, a dívida pública total do governo pode ser
maior do que o Produto Nacional Bruto.
(C) a poupança externa nunca pode ser negativa.
(D) um aumento no valor nominal do PIB implica necessariamente em um aumento na renda real da
economia.
(E) O PIB nominal não é influenciado pela inflação já que se trata de uma medida de desempenho real
da economia.

Respostas:

01. Resposta: A
A diferença entre os conceitos nominal e operacional reside no fato de que o primeiro inclui juros reais
e a inflação (correção monetária), enquanto o segundo inclui somente os juros reais. Ao mesmo tempo,
sabemos que juros reais mais a inflação nos conduzem ao conceito de juros nominais (juros nominais =
juros reais + inflação). Assim:
Déficit nominal = déficit primário + juros nominais

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Déficit operacional = déficit primário + juros reais
Logo, a única alternativa que apresenta de modo correto a diferença entre o déficit nominal e o déficit
operacional é a letra A. Observe que também estaria correta se houvesse uma assertiva afirmando que
a diferença entre os dois conceitos fosse a inclusão da inflação (correção monetária) no conceito nominal.

02. Resposta: D
Vamos retomar que:
Déficit Primário: Gastos – Arrecadação. Sem correção monetária, taxa de juros ou taxa de inflação
Déficit Operacional: Déficit Primário + Juros reais da dívida. Sem correção monetária ou inflação
Déficit Nominal: Déficit Primário + Juros nominais da dívida. Com correção monetária e com inflação
DN = DO => Juros nominais da dívida =Juros reais da dívida => Inflação =0.

03. Resposta: E
Os juros são cobrados sobre o capital emprestado (dívida), portanto quanto maior a dívida, maiores
serão os gastos com juros cobrados.

04. Resposta: A
1- Déficit Nominal (DN)= Inclui todas as despesas do governo, inclusive as financeiras (Juros,
Correção monetária e Cambial), ou seja, DN= DO + Correção Monetária + Correção Cambial. Assim o
setor público vai necessitar de Financiamento privado (NFSP) para honrar seus compromissos.
2- Déficit Operacional (DO) = Déficit Nominal (DP) + Despesas com Juros, ou seja, DO=DP + Juros
3- Déficit primário (DP) ou Déficit Público = Déficit Operacional (DO) – Despesas com qualquer tipo
de encargo financeiro, ou seja, DP=DO-Juros
Logo, podemos dizer que: DP está contido no DO que está contido no DN.

05. Resposta: B
Déficit Nominal Necessidade de Financiamento do Setor Público (NFSP), incluindo os efeitos da
correção monetária e cambial nas despesas e nas receitas.

06. Resposta: B
a) Incorreta. Absurda. Na verdade, as dívidas públicas dos países, em regra, são bem superiores aos
déficits públicos.
b) Correta. Em termos econômicos, não há impedimentos para que um país tenha uma dívida superior
a seu PNB. De fato, vários países hoje em dia possuem dívidas que ultrapassam seus PNB (Japão,
Grécia, Portugal, EUA, etc).
c) Incorreta. Ela pode ser negativa, positiva ou nula.
d) Incorreta. Se a inflação aumentar em um percentual superior ao aumento do valor nominal do PIB,
então, teremos uma queda da renda real da economia.
e) Incorreta. Na verdade, é o PIB real (e não o PIB nominal) que não é influenciado pela inflação.

9. Financiamento das políticas públicas.

POLÍTICAS PÚBLICAS

Políticas públicas são conjuntos de programas, ações e atividades desenvolvidas pelo Estado
diretamente ou indiretamente, com a participação de entes públicos ou privados, que visam assegurar
determinado direito de cidadania, de forma difusa ou para determinado seguimento social, cultural, étnico
ou econômico. As políticas públicas correspondem a direitos assegurados constitucionalmente ou que se
afirmam graças ao reconhecimento por parte da sociedade e/ou pelos poderes públicos enquanto novos
direitos das pessoas, comunidades, coisas ou outros bens materiais ou imateriais.
Para Seichi21 as políticas públicas, analiticamente, ocorrem com o monopólio de atores estatais.
Segundo esta concepção, o que determina se uma política é ou não “pública” é a personalidade jurídica
do formulador. Em outras palavras, é política pública somente quando emanada de ator estatal.

21
SECCHI, Leonardo. Políticas Públicas: Conceitos, Esquemas de Análise, Casos Práticos. São Paulo: Cengage Learning, 2010. 133 p.

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1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
As políticas públicas são formadas para atender as demandas da sociedade nas mais diversas áreas
ou seguimentos. A iniciativa ocorre por parte dos poderes executivo e legislativo. A lei que institui uma
política pública pode, se necessário, assegurar a participação da sociedade na criação, no processo, no
acompanhamento e na avaliação da lei. A participação pode ocorrer em forma de conselhos estabelecidos
no âmbito municipal, estadual ou federal.
O quadro a seguir apresenta alguns conceitos de políticas públicas dados por estudiosos da área, os
conceitos se integram e completam o significado ainda que em diferentes períodos:

Autor Definição de Políticas Ano da Obra


Públicas
Campo dentro do estudo da
Mead política que analisa o governo à 1995
luz de grandes questões
públicas.
Conjunto específico de ações do
Lynn governo que irão produzir efeitos 1980
específicos
Soma das atividades dos
Peters governos, que agem diretamente 1986
ou através de delegação, e que
influenciam as vidas dos
cidadãos.
Dye O que o governo escolhe fazer 1984
ou não fazer.
Responder às seguintes
Laswell questões: quem ganha o quê, 1958
por que e que diferença faz.
Fonte: Oliveira (2012).

As políticas públicas podem ainda ser consideradas como “outputs” (saídas) como tratado na
linguagem dos processos estabelecidos em uma organização. São resultados das atividades políticas. A
política pública difere da decisão política, há uma necessidade de envolver diversas ações estratégicas
para se implementar decisões tomadas e não apenas uma escolha entre outras alternativas. Sendo
assim, nem todas as decisões políticas podem ser consideradas como políticas públicas.
A complexidade da sociedade moderna ocorre devido a fatores como idade, religião, sexo, estado civil,
renda, escolaridade, profissão, ideais, interesses, costumes, e tudo isso causa em algum momento uma
série de conflitos. O gerenciamento desses conflitos pode assegurar a sobrevivência e progresso da
sociedade como um todo, e isto é estabelecido por meio da política.
Segundo Seichi, organizações privadas, organizações não governamentais, organismos multilaterais,
redes de políticas públicas (policy networks), juntamente com atores estatais, protagonistas no
estabelecimento das políticas públicas.

IMPORTANTE:22
Política pública é um conceito que comporta diferentes expressões. Existem várias definições
esclarecedoras a respeito, que são importantes para formar uma ideia geral sobre o que seja política e
política pública.
Inicialmente, convém lembrar que política pública é diferente de política. Política é ampla, envolve um
“conjunto de procedimentos formais e informais que expressam relações de poder e que se destinam à
resolução pacífica dos conflitos quanto a bens públicos” (Rua, 2009). Política pública é específica, cujos
conceitos veremos a seguir.
Política é diferente de política pública. Política tem cunho geral e política pública tem soluções/ações
específicas.

Os instrumentos que compõem as políticas públicas são:

Planejamento: os planos são direcionados a estabelecerem as diretrizes, prioridades e objetivos em


geral. Ao estabelecerem os planos são firmadas metas estratégicas para períodos longos.

22
Augustinho Paludo. Administração Pública. Teoria e 700 questões

. 68
1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
Execução: os programas são estabelecidos buscando atender objetivos gerais com foco em um
determinado tema, público, conjunto ou área.

Monitoramento: o monitoramento é realizado por meio de ações que visam alcançar determinados
objetivos preestabelecidos no programa.

Avaliação: as atividades de avaliação são estabelecidas com o objetivo de avaliar os resultados ou


percursos alcançados a partir dos objetivos preestabelecidos.

Atores das Políticas Públicas é o nome dado aos grupos que apresentam as reivindicações que
possivelmente poderão ser convertidas em Políticas Públicas. As ações estabelecidas por este grupo
levam aos dirigentes os interesses da sociedade e promovem uma integração dos grupos com o Sistema
Político. São todos as pessoas, grupos ou instituições que, direta ou indiretamente participam da
formulação e implementação de uma política.
Os atores envolvidos no processo de discussão, criação e execução das Políticas Públicas podem ser
classificados como estatais ou privados.

Estatais: são os procedentes do Governo ou do Estado; Alguns foram eleitos pela sociedade por um
período determinado (os políticos eleitos) e outros atuarão de forma permanente exercendo funções
públicas no Estado (servidores). Os servidores teoricamente deveriam atuar de forma neutra, sem agir de
acordo com os interesses pessoais, mas sim contribuindo de modo essencial para um bom desempenho
das ações governamentais.

Privados: são os procedentes da Sociedade Civil. Não possuem um vínculo direto com a administração
do Estado. Esse grupo é formado por sindicatos de trabalhadores; sindicatos patronais; entidades de
representação da Sociedade Civil Organizada; a imprensa; os centros de pesquisa, entre outros.

Ao longo dos anos as mudanças que ocorreram na sociedade como um todo levaram o Estado a
ampliar seu papel de atuação que concentrava-se na segurança pública e defesa externa em caso de
ataques inimigos. Essa ampliação foi tomada pela democracia e pelas novas responsabilidades que
levaram o Estado a atuar pelo bem estar da sociedade como um todo.
As atividades realizadas pelo Estado no exercício e busca pelo bem estar comum são desenvolvidas
nas mais diversas áreas como saúde, trabalho, educação, meio ambiente, segurança, etc.
As políticas públicas são ações que buscam atingir resultados nessas diversas áreas e
consequentemente promover o bem estar da sociedade. Sendo assim, as políticas públicas podem ser
compreendidas como um conjunto de ações e decisões do governo, voltadas para a solução (ou não) de
problemas da sociedade. Soma das ações, metas e planos que os governos estabelecem buscando
alcançar o bem estar da sociedade.
A maneira pelo qual a sociedade expressa os interesses e necessidades é através de solicitações,
pedidos, aos grupos organizados. Essas necessidades são apresentas aos vereadores, deputados e
senadores, e estes levam os interesses e demandas da sociedade aos prefeitos, governadores,
Presidente da República, membros do Poder Executivo escolhidos para representar a sociedade e
atender ao bem estar coletivo.
Os grupos organizados podem ser chamados de Sociedade Civil Organizada, incluindo também
sindicatos, associações, entidades empresariais, associações patronais e ONGs em geral.
Vivemos em uma sociedade que se caracteriza por uma grande diversidade. Diferentes valores,
cultura, costumes, religião, idade, sexo, profissão, interesses e ainda por inúmeras/limitadas
necessidades com uma quantidade escassa/limitada de recursos. A formação de grupos que possuem
interesses comuns é um caminho muito comum para criar força e se organizar para reivindicar direitos e
melhorias para a sociedade. É importante que essas ações sejam sempre estabelecidas de acordo com
as conformidades da legislação vigente.
Levando em conta que as necessidades são ilimitadas faz-se necessário ao formulador de políticas
públicas selecionar as prioridades de modo que as políticas sejam então respostas que atendam as
expectativas e demandas da sociedade voltando o governo para o atendimento dos interesses públicos
da sociedade buscando assim atender o bem estar da sociedade.
Os interesses apresentados pelos grupos aos dirigentes do governo podem ser específicos para
atender uma parte específica do grupo de pessoas, como por exemplo a construção de uma creche, ou
um sistema de captação de águas, ou mesmo de interesse geral da sociedade, como por exemplo, a
necessidade de melhorias na saúde pública ou na questão da segurança. A apresentação das demandas

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e interesses não significa necessariamente que serão atendidas mas a força, justificativas ou o impacto
com que as reivindicações chegam aos dirigentes pode demonstrar a urgência e importância de tal ação
para o grupo ou a sociedade.

MODELOS DE TOMADA DE DECISÃO EM POLÍTICAS PÚBLICAS

As decisões são escolhas entre diferentes cursos de ações possíveis. Normalmente uma pessoa faz
escolhas diariamente para diferentes situações ou circunstâncias e isso também ocorre no contexto
organizacional, essas decisões têm inúmeras implicações, inclusive no alcance de resultados/lucro e no
consumo de recursos da empresa. O estudo sistemático do processo decisório pode maximizar as
chances de decisões boas serem tomadas e minimizar as chances de serem tomadas decisões que
tragam consequências negativas para a organização.
Com a finalidade de descobrir a melhor decisão para determinadas situações, cabe ao indivíduo
tomador de decisões construir o máximo de alternativas possíveis para que então possa escolher o melhor
caminho otimizando e possibilitando o crescimento e desenvolvimento da empresa nesse contexto de
competitividade agressiva.
Seguir critérios racionais e etapas estabelecidas pode ser um caminho para resolução de problemas
e tomada de decisões no contexto organizacional. Veja abaixo as etapas da solução de problemas e as
principais técnicas de cada etapa.
Deve-se primeiramente realizar a Identificação do problema ou da oportunidade, pode ser
caracterizada pela existência de um obstáculo ao alcance de objetivos organizacionais, por uma nova
oportunidade, por um problema nos processos de trabalho ou por um acontecimento qualquer que exija
uma decisão e, subsequentemente, a adoção de determinadas ações.
O diagnóstico do problema consiste na caracterização do problema. Devemos entender o problema,
seu contexto, suas causas e suas consequências.

CHIAVENATO DESTACA CONDIÇÕES SOB AS QUAIS A DECISÃO PODE SER TOMADA:

1) Incerteza: situação em que o tomador de decisão tem pouca ou nenhuma informação a respeito da
probabilidade de ocorrência de cada evento futuro.

2) Risco: é a situação em que sabemos a probabilidade de ocorrência de um evento, mas que tomamos
diferentes decisões, de acordo com os riscos que estamos dispostos a assumir. Por exemplo, na prova
desse concurso, se cair uma questão que trate de um assunto acercado do qual nunca ouvimos falar, e
todas as alternativas parecem igualmente plausíveis, temos 20% de chance de acertar e 80% de chance
de errar. Para marcar o gabarito, cada um adotará uma tática, considerando os riscos e benefícios
envolvidos. Neste caso, a intuição, que vimos anteriormente, também pode estar presente.

3) Certeza: é a situação em que temos sob controle todos os fatores que afetam a tomada de decisão.
Sabemos quais são os riscos e probabilidades de ocorrência de eventos, temos informações acerca de
custo, sabemos quais são os fatores potencializadores e restritivos, e possuímos estudos de viabilidade
das alternativas etc.

4) Turbulência: condição para tomada de decisão que ocorre quando as metas não são claras ou
quando o meio ambiente muda muito depressa.

As decisões ordenadas de forma lógica são chamadas de decisões racionais, uma vez que seguem
critérios para escolher a melhor alternativa buscando os melhores resultados com os menores custos.
Algumas características são a busca pelo resultado e evitar a incerteza. É necessário considerar que não
é possível obter todas as informações de modo a tomar uma decisão cem por cento racional,
considerando que nem todas as variáveis estão sob nosso total controle.
As decisões baseadas em sentimentos, intuição, percepção são chamadas de decisões intuitivas. Esse
tipo de decisão normalmente ocorre quando as informações, dados não são suficientes para se tomar
uma decisão racional ou mesmo quando não há tempo para se analisar todas as variáveis. São muitos
os fatores que afetam uma decisão, tais como custos, fatores políticos, objetivos, riscos que podem ser
assumidos, tempo disponível para decidir, quantidade de informações disponíveis, viabilidade das
soluções, autoridade e responsabilidade do tomador de decisão, estrutura de poder da organização entre
outros.

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As decisões podem ainda ser programadas ou não programadas. As programadas são aquelas para
a qual a organização dispõe de soluções padronizadas e preestabelecidas. São tomadas com base em
regras e procedimentos preestabelecidos aplicam-se a problemas rotineiros, cujas soluções podem ser
previstas. Neste caso, não seguiremos as etapas de decisão, pois o diagnóstico já foi identificado.
Aconselha-se no contexto organizacional tomar o maior número possível de decisões programáveis.
Decisões não programáveis ou não programadas são aquelas referentes a problemas inéditos, novos ou
problemas que as soluções programadas não são capazes de resolver. As transformações que ocorrem
no mundo organizacional contribuem para que decisões não programáveis sejam frequentemente
necessárias. Este tipo de decisão exige que sejam seguidas todas as etapas de tomada de decisão
(identificação do problema, diagnóstico etc.).

Há tipos de decisão quanto ao nível organizacional em que ela é tomada. Assim:

Decisões estratégicas: são aquelas mais amplas, referentes à organização como um todo e sua
relação com o ambiente. São tomadas nos níveis mais altos da hierarquia e possuem consequências de
longo prazo.

Decisões táticas: ou administrativas, são tomadas nos níveis das unidades organizacionais ou
departamentos.

Decisões operacionais: são aquelas tomadas no dia-a-dia, relacionadas a tarefas e aspectos


cotidianos da realidade organizacional.

Decisões autocráticas: são decisões tomadas sem discussões, acordos e debates. O tomador de
decisão deve ser um gerente ou alguém com responsabilidade e autoridade para tal. É uma forma rápida
de tomada de decisão e não devem ser questionadas. Muitas vezes, são decisões de cunho estritamente
técnico.

Decisões compartilhadas: são aquelas decisões tomadas de forma compartilhada, entre gerente e
equipe. Têm características marcantes, tais como o debate, participação e busca de consenso. Podem
ser consultiva, quando a decisão é tomada após a consulta, ou participativa, quando a decisão é tomada
de forma conjunta.

Decisões delegadas: são tomadas pela equipe ou pessoa que recebeu poderes para isso. As decisões
delegadas não precisam ser aprovadas ou revistas pela administração. A pessoa ou grupo assume plena
responsabilidade pelas decisões, tendo para isso a informação, a maturidade, as qualificações e as
atitudes suficientes para decidir da melhor maneira possível.

Serão apresentadas abaixo cinco etapas sequenciais no processo de decisão. Este processo começa
com a identificação da situação e vai até monitoração e feedback.

1ª Etapa
Reconhecimento: Identificação da situação e Diagnóstico da situação. É um a etapa mais difícil, pois
precisamos reconhecer um problema ou oportunidade. Essa etapa é fundamental porque, se não for bem
feita, todo trabalho de uma equipe será perdido. É considerada a mais difícil das cinco etapas do processo
decisório.

2ª Etapa
Planejamento: Desenvolvimento de alternativas. É nesta etapa que são elaboradas as alternativas de
ação. Faz-se necessária a elaboração de alternativas porque é a partir delas que uma decisão deverá ser
tomada, e sem elas, não existe decisão a ser tomada. Para facilitar a segunda etapa, pode ser
desenvolvido um instrumento gráfico, denominado “árvore de decisão”, que avalia as alternativas
disponíveis (esse processo é normalmente usado quando há muitas alternativas a serem discutidas).

3ª Etapa
Avaliação- Avaliação e escolha de alternativas. Nesta etapa, deverá ser feita uma análise das
vantagens e desvantagens das alternativas desenvolvidas. É importante destacar que se devem avaliar
as vantagens e as desvantagens de cada alternativa. Deve-se utilizar senso crítico ao avaliar as
alternativas.

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4ª Etapa
Decisão e implementação - Seleção e implementação. Agora é o momento de selecionar a melhor
alternativa. Uma vez escolhida, deve-se anunciá-la com confiança e de forma decisiva, pois caso contrário
poderá ser despertado um sentimento de insegurança nos outros. Para a implementação da alternativa
escolhida, deve-se também, verificar o momento oportuno de implementá-la. É um erro comum
implementar a alternativa escolhida na época errada.

5ª Etapa
Controle - Monitoração e feedback. Para que se alcance os resultados desejados e para um bom
controle do andamento e do processo, faz-se necessário a avaliação dos resultados da decisão. Nessa
etapa é necessário humildade, pois em se verificando que os resultados não atingiram o esperado é
preferível admitir o erro que manter a decisão, pois as consequências poderão ser danosas.

Com relação as políticas públicas, os modelos de tomada de decisão são classificados como:
incremental e racional.

Segundo informações do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), o modelo de


tomada de decisão incremental pode ser visto como:

Um processo político caracterizado pela barganha e pelo compromisso entre decisores auto
orientados. As decisões limitam-se a decisões sucessivas anteriores, sendo, portanto, apenas
marginalmente diferentes das anteriores. Dessa forma, ocorreriam apenas mudanças incrementais no
status quo.

O MODELO INCREMENTAL TRAZ DUAS CONSTATAÇÕES AO PROCESSO DE POLÍTICAS


PÚBLICAS:

1) por mais adequada que seja a fundamentação técnica de uma alternativa, a decisão envolve
relações de poder;

2) os governos democráticos não possuem efetivamente liberdade total na alocação de recursos


públicos.

A principal crítica a este modelo se refere à sua pouca compatibilidade com as necessidades de
mudanças necessárias à gestão de programas e projetos, podendo gerar prejuízos à eficiência do Estado
e legitimar um viés conservador no processo decisório.

Já no modelo racional, segundo ainda informações do MPOG,

(...) neste modelo, a tomada de decisão segue as seguintes atividades sequenciais:

- Um objetivo para solucionar um problema é estabelecido.


- Todas as estratégias alternativas para alcançar o objetivo são exploradas e listadas.
- Todas as sequências significantes de cada alternativa estratégica são previstas e as probabilidades
dessas consequências ocorrerem são estimadas.
- Por fim, a estratégia que parece resolver o problema ou que o resolve com menor custo é selecionada.

Esse modelo parte de um pressuposto ingênuo de que a informação é perfeita e não considera limites
cognitivos em se analisar todas as opções de políticas. Tampouco, considera adequadamente o peso das
relações de poder na tomada de decisões. Os decisores, muitas vezes, são obrigados a selecionar
políticas públicas em bases políticas, ideológicas ou aleatoriamente, sem referência a padrões de
eficiência.

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TIPOS DE POLÍTICAS PÚBLICAS

Veja como Oliveira23 explica as os tipos de políticas públicas:

Políticas distributivas: referem-se a decisões alocativas, sem contrapartidas fiscais.


As políticas públicas distributivas implicam nas ações cotidianas que todo e qualquer governo precisa
fazer. Elas dizem respeito à oferta de equipamentos e serviços públicos, mas sempre feita de forma
pontual ou setorial, de acordo com a demanda social ou a pressão dos grupos de interesse. São exemplos
de políticas públicas distributivas as podas de árvores, os reparos em uma creche, a implementação de
um projeto de educação ambiental ou a limpeza de um córrego, dentre outros. O seu financiamento é
feito pela sociedade como um todo através do orçamento geral de um estado.

Políticas regulatórias: disciplinam aspectos da atividade social.


As políticas regulatórias consistem na elaboração das leis que autorizarão os governos a fazerem ou
não determinada política pública redistributiva ou distributiva. Se estas duas implicam no campo de ação
do poder executivo, a política pública regulatória é, essencialmente, campo de ação do poder legislativo.

Políticas redistributivas: são aquelas que de várias formas (transferências, isenções, etc.) redistribuem
recursos de qualquer natureza, entre grupos sociais. Consistem em redistribuição de renda em forma de
recursos e financiamentos de equipamentos e serviços públicos. São exemplos de políticas públicas
redistributivas os programas de bolsa-escola, bolsa-universitária, cesta básica, renda cidadã, isenção de
IPTU e de taxas de energia e/ou água para famílias carentes, dentre outros. Do ponto de vista da justiça
social o seu financiamento deveria ser feito pelos estratos sociais de maior poder aquisitivo, de modo que
se pudesse ocorrer, portanto, a redução das desigualdades sociais. No entanto, por conta do poder de
organização e pressão desses estratos sociais, o financiamento dessas políticas acaba sendo feito pelo
orçamento geral do ente estatal (união, estado federado ou município).

Políticas constitucionais: estabelecem procedimentos para a adoção de decisões públicas e relações


entre os vários aparatos do Estado. Cada tipo de política pressupõe uma arena de poder diferente, uma
rede diferente de atores, uma diferente estrutura decisional e um contexto institucional diferente.

FASES DAS POLÍTICAS PÚBLICAS

As fases das Políticas Públicas também são conhecidas como “Processo de Formulação de Políticas
Públicas” ou “Ciclo das Políticas Públicas”.

Chamaremos aqui de “Fases das Políticas Públicas”. Veja no quadro a seguir, as cincos Fases das
Políticas Públicas:

1ª Fase Formação da Agenda: seleção das prioridades.


2ª Fase Formação de Políticas: apresentação das alternativas ou soluções.
3ª Fase Processo de Tomada de Decisão: determinação ou escolha das ações.
4ª Fase Implementação: execução das ações.
5ª Fase Avaliação: verificação dos resultados alcançados.
Fonte: Elaborado com base no SEBRAE.

1ª Fase - Formação de Agenda


Dá-se o nome de formação de agenda para o procedimento de escolha da lista com os principais
problemas da sociedade a serem tratados.
Estabelecer quais os assuntos ou questões serão tratadas pelo Governo é fundamental, uma vez que,
ilimitados são as reivindicações e interesses da sociedade em meio a uma limitada quantidade de
recursos.

23
OLIVEIRA, A.F. POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS: conceito e contextualização numa perspectiva didática. SINPRODF. 2012.

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Faz-se necessário definir as questões a serem tratadas bem como reconhecer aquelas que não serão
levadas adiante. Alguns elementos poderão ser levados em conta para a inserção de um problema na
Agenda Governamental. Veja os exemplos abaixo:

Exemplo 1 - Se um número elevado de pequenas empresas encerram os negócios nos primeiros


meses de existência, uma política pública voltada especificamente para esta situação poderia ser criada
como medida de controle ou influência.

Exemplo 2 - Acontecimentos como crimes violentos podem levar a população a uma comoção, o
impacto social causado por evento específico pode levar os dirigentes do governo a estabelecerem ações
que possam evitar a repetição do ato ocorrido.

O feedback das ações governamentais que podem contribuir para o apontamento de falhas em
medidas adotadas pelo programa avaliado ou outros programas que não receberam atenção
governamental. O período onde ocorre transição entre os governos pode ser considerado como um
período onde a agenda passa por mudanças, diante desta circunstância faz-se necessário valorizar e
dedicar maior atenção aos temas já selecionados como mais relevantes entre as demandas da sociedade.
Porém ainda que uma questão esteja selecionada na Agenda Governamental, isso não significa
obrigatoriamente que será dedicada uma atenção especial ou prioridade. Isso normalmente ocorrerá
quando outros fatores são somados a esta questão como, por exemplo, mobilização popular, vontade
política, percepção dos custos de não se resolver a questão versus os custos de resolver.

2ª Fase – Formulação de Políticas


Faz-se necessário definir quais caminhos ou ações deverão ser tomadas para tratar/solucionar uma
situação já vista como um problema inserido na Agenda Governamental.
Diante da realidade mencionada anteriormente compreende-se que esse processo nem sempre é
tomado como um processo pacífico. Embora as ações ou medidas tomadas sejam favoráveis e de
interesse de determinado grupo/parte da sociedade, outros grupos poderão considerar as ações não
favoráveis aos seus interesses e necessidades. Por isso, definir os objetivos da política, os programas e
metas a serem desenvolvidas fazem-se importantes e necessárias, ainda que provoque rejeições de
várias propostas de ação.
As decisões devem ser tomadas após ouvir o corpo técnico da administração pública, considerando
recursos materiais, econômicos, técnicos, pessoais, e ainda após verificação do posicionamento dos
grupos sociais.

Veja abaixo alguns importantes passos para a elaboração de Políticas Públicas:


- A conversão de estatísticas em informação relevante para o problema;
- Análise das preferências dos atores e;
- Ação baseada no conhecimento adquirido.

Deve haver uma comunicação entre o responsável pela elaboração da Política Pública e os atores
envolvidos no contexto com o propósito de facilitar a formulação de propostas, onde ela irá ser implantada
e requerer a eles uma proposta sobre qual seria a melhor forma de proceder. As diversas opiniões
poderão servir como um banco de ideias que poderão apontar o caminho desejado por cada segmento
social.
Uma análise objetiva precisa ser realizada com relação as opiniões do grupo e ainda considerar a
viabilidade técnica, legal, financeira e política. Comparar e medir as alternativas, os riscos, a eficácia e
eficiência pode conduzir a um melhor atendimento aos interesses e objetivos sociais.

3ª Fase – Processo de Tomada de Decisão


Embora seja necessário tomar decisões em todos os momentos no ciclo de Políticas Públicas, esta
fase concentra-se em um importante momento de ação em resposta aos problemas escolhidos para a
Agenda. Definem-se os recursos e o prazo temporal da ação política. As formalizações das escolhas são
expressas por meio de leis, normas, resoluções, decretos, e outros atos da administração pública.
É importante ressaltar que na terceira fase ou processo de tomada de decisão, verificam-se os
procedimentos a seguir antes de tomar a decisão. Faz-se necessário decidir aqueles que participarão do
processo e ainda se o mesmo será aberto ou fechado. Se for aberto faz-se necessário verificar se ocorrerá
participação dos beneficiários, se a decisão será ou não tomada por votação, e em qual grau direto ou
indireto.

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As decisões serão fortemente influenciadas por diferentes formas de decisão e diferentes
controladores da Agenda.
Pesquisadores e estudiosos desenvolveram modelos que poderão amenizar erros e elevar eficiência
desse processo. Dentre os diversos modelos, cabe a Abordagem das Organizações, que pressupõe que
o governo é um conjunto de organizações dos mais diversos níveis, dotadas de maior ou menor
autonomia. A forma dos governos perceberem problemas são os sensores das organizações, e as
informações fornecidas por tais sensores se constituem em recurso para se solucionar os problemas
inseridos nesse modelo, as Políticas Públicas passam a ser entendidas como resultado da atuação das
organizações.
Assim, os atores são as próprias organizações que concorrem em termos de poder e influência para
promover a sua perspectiva e interpretação dos problemas tratados. Sob este enfoque, explicam-se as
decisões basicamente como o resultado de interações políticas entre as organizações burocráticas. As
soluções ajustam-se aos procedimentos operacionais padronizados, ou seja, às rotinas organizacionais.
Segundo esse modelo, uma boa decisão seria aquela que permitisse a efetiva acomodação de todos
os pontos de conflito envolvidos naquela Política Pública. Os principais atores, ou seja, aqueles que têm
condições efetivas de inviabilizar uma Política Pública devem ter a convicção de que saíram ganhando.
Na pior hipótese, nenhum deles deve se sentir completamente prejudicado. Na prática, isso requer que
os atores que podem impedir a execução devem sentir que poderão não ter ganhos reais mas, ao menos,
não terão prejuízos com a política proposta.

4ª Fase – Implementação
Na quarta fase, na implementação ocorre a transformação do planejamento e das escolhas em atos.
O principal responsável pela execução da política ou ação direta é o corpo administrativo. Devem
realizar a aplicação, o controle e o monitoramento das medidas já definidas. Dependendo da postura do
corpo administrativo a política poderá sofrer mudanças drásticas durante este período/fase.
Mencionaremos aqui dois modelos de implementação das Políticas Públicas, o de cima para baixo e
o de baixo para cima.

De Cima para Baixo: aplicação descendente. Do governo para população.


Este modelo representa um modelo centralizado onde um número muito pequeno de funcionários
participa das decisões e pode opinar sobre a forma da implementação das Políticas Públicas. As decisões
tomadas pela administração pública devem ser cumpridas sem quaisquer questionamentos.

De Baixo para Cima: aplicação ascendente. Da população para o governo.


Este modelo representa um modelo descentralizado. Ocorre participação dos beneficiários ou usuário
final das políticas em questão. O contato direto com aqueles que serão os beneficiários, o cidadão,
permite uma perspectiva participativa nas Políticas Públicas.
Nesta fase deve-se chamar a atenção para fatores que podem comprometer a eficácia das políticas.
As disputas de poder entre as organizações, os fatores internos e externos que podem afetar o
desempenho das organizações, suas estruturas, sua preparação formal.

Dentre os fatores de disputas entre as organizações, destacam-se a quantidade de agências ou


organizações envolvidas no acompanhamento e controle das políticas e o grau de cooperação ou
lealdade entre elas. Quanto maior o número de organizações envolvidas na execução de uma política,
maior será o número de comandos ou ordens que tem de ser expedidas e, consequentemente, o tempo
demandado para a realização das tarefas. A extensão da cadeia de comando mede-se pelo número de
decisões que é necessário adotar para que o programa funcione.

A extensão de comando afeta o grau de cooperação entre as organizações, tornando o controle e


monitoração do processo de implementação mais complexo e difícil. Dessa forma, quanto mais elos –
agências e organizações da administração pública envolvidas na execução de tarefas – tiver a cadeia de
comando – canais de transmissão das ordens para execução das tarefas – mais sujeita a deficiências
estará a implementação de políticas.
Dentre os fatores internos que afetam as organizações, podemos enumerar, em primeiro lugar, as
características estruturais das agências burocráticas – recursos humanos, financeiros e materiais – e a
relação entre quantidade de mudanças exigidas por uma política e extensão do consenso sobre seus
objetivos e metas. As características das agências abrangem aspectos objetivos – como tamanho,
hierarquia, autonomia, sistemas de comunicação e de controle – e qualitativos – como a competência da
equipe e a vitalidade de seus membros. Essas características estruturais são responsáveis não apenas

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pela eficácia na execução das tarefas como também pela compreensão mais ou menos precisa dos
implementadores acerca da política e pela abertura ou adaptabilidade da organização às mudanças.

Quanto ao segundo fator interno, cabe destacar a existência de consenso dentro da burocracia. Com
efeito, a relação entre a quantidade de mudanças exigidas afeta inversamente o consenso sobre a
política, ou seja, quanto mais mudanças no padrão de interação dos atores ou nas estruturas forem
necessárias, menor será o consenso sobre como atingi-las. Isso afeta negativamente o grau de
cooperação entre as organizações e a lealdade da burocracia aos formuladores, provocando deficiências
e deturpações na implementação das Políticas Públicas.

Os fatores externos, por fim, também afetam as Políticas Públicas. Com efeito, a opinião pública, a
disposição das elites, as condições econômicas e sociais da população e a posição de grupos privados
podem tornar problemática a execução das políticas. A indiferença e descaso gerais, a resistência passiva
ou a mobilização intensa contra as medidas podem configurar uma conjuntura negativa que prejudique a
aplicação dos objetivos e metas propostas na política. Para melhor se entender isso, é importante
ressaltar quais características possuem os indivíduos que podem contribuir para o aparecimento dos
fatores externos. Além da diferença na escala social (grupos de alta, média ou baixa posição), as
características mais importantes dos atores políticos são: a racionalidade, os interesses e as capacidades
que possuem para agir. Se entendermos essas três características, entenderemos como ocorre a
formulação de Políticas Públicas na prática.

A racionalidade é a capacidade de um Grupo Social (um ator) definir estratégias e cursos de ação para
alcançar seus objetivos. Os interesses representam as preferências de um dado ator por uma certa
política com a qual possui mais afinidade em detrimento de outras que desconhece ou não possui
simpatia.

A capacidade reflete os recursos (carisma, possibilidade de mobilização, liderança, unidade, acesso


aos meios de comunicação) que um ator possui na sua relação com seus representados, o que faz com
que a sociedade ouça seus argumentos e os leve em consideração (ou não).

5ª Fase – Monitoramento ou Avaliação


O fato de que o “Monitoramento e Avaliação” são classificados como a quinta fase não significa que
suas atuações ocorram somente no final. A avaliação pode ser realizada em todos os momentos do ciclo
de Políticas Públicas. O constante exercício do monitoramento e avaliação pode contribuir para o sucesso
das ações governamentais e para a maximização dos resultados obtidos com os recursos. O
monitoramento e avaliação tem vital importância no processo de percepção sobre quais ações tendem a
elevar melhores resultados.

O monitoramento e a avaliação permitem à administração:

- Gerar informações úteis para futuras Políticas Públicas;


- Prestar contas de seus atos;
- Justificar as ações e explicar as decisões;
- Corrigir e prevenir falhas;
- Responder se os recursos, que são escassos, estão produzindo os resultados esperados e da forma
mais eficiente possível;
- Identificar as barreiras que impedem o sucesso de um programa;
- Promover o diálogo entre os vários atores individuais e coletivos envolvidos;
- Fomentar a coordenação e a cooperação entre esses atores.

O processo de avaliação de uma política leva em conta seus impactos e as funções cumpridas pela
política, busca determinar sua relevância, analisar a eficiência, eficácia e sustentabilidade das ações
desenvolvidas, e ainda serve como um meio de aprendizado para os atores públicos.
Os impactos se referem aos efeitos que uma Política Pública provoca nas capacidades dos atores e
grupos sociais, por meio da redistribuição de recursos e valores, afetando interesses e suas estruturas
de preferências. A avaliação de impacto analisa as modificações na distribuição de recursos, a magnitude
dessas modificações, os segmentos afetados, as contribuições dos componentes da política na
consecução de seus objetivos.

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A avaliação de uma política também deve enfocar os efeitos que esses impactos provocam e que se
traduzem em novas demandas de decisão por parte das autoridades, com o objetivo de anular ou reforçar
a execução da medida. Também é importante analisar se a política produziu algum impacto importante
não previsto inicialmente, bem como determinar quais são os maiores obstáculos para o seu sucesso.

Quanto às funções cumpridas pela política, a avaliação deve comparar em que medida a Política
Pública, nos termos em que foi formulada e implementada, cumpre os requisitos de uma boa política.
Idealmente, uma boa política deve cumprir as seguintes funções:

- Promover e melhorar os níveis de cooperação entre os atores envolvidos;


- Constituir-se num programa factível, isto é, implementável;
- Reduzir a incerteza sobre as consequências das escolhas feitas;
- Evitar o deslocamento da solução de um problema político por meio da transferência ou adiamento
para outra arena, momento ou grupo;
- Ampliar as opções políticas futuras e não presumir valores dominantes e interesses futuros nem
predizer a evolução dos conhecimentos. Uma boa política deveria evitar fechar possíveis alternativas de
ação.

Para se determinar a relevância de uma política deve se perguntar se as ações desenvolvidas por ela
são apropriadas para o problema enfrentado. Para se analisar a eficácia e eficiência de um programa,
uma avaliação deve buscar responder se os produtos alcançados são gerados em tempo hábil, se o custo
para tais produtos são os menores possíveis e se esses produtos atendem aos objetivos da política.
Quanto à sustentabilidade, uma política deve ser capaz de que seus efeitos positivos se mantenham após
o término das ações governamentais na área foco da Política Pública avaliada.

Por fim, é importante se apreender, dentre outras coisas, quais seriam outras alternativas de ações
que poderiam ter sido adotadas – e que poderão ser em intervenções futuras – e quais lições se tirar da
experiência – tanto daquilo que deu certo como do que deu errado.

A avaliação pode ser dividida de forma interna ou externa. A primeira divisão se dá entre a avaliação
interna – que é conduzida pela equipe responsável pela operacionalização do programa – e a externa –
feita por especialistas que não participam do programa. A vantagem da primeira se dá devido ao fato de
que, ao estarem inseridos no programa, a equipe terá maior conhecimento sobre ele, além de acesso
facilitado às informações necessárias, o que diminui o tempo e os custos da avaliação. Em contrapartida,
a equipe envolvida no programa pode não contar com a separação do objeto avaliado, necessária para
se garantir a imparcialidade. Já a avaliação externa tem como ponto fraco o tempo necessário para se
familiarizar com o objeto de estudo, porém conta com imparcialidade maior.

A segunda divisão se refere ao objetivo da avaliação, e pode ser formativa, quando se busca
informações úteis para a equipe na parte inicial do programa, ou a somativa, que busca gerar informações
sobre o valor ou mérito do programa a partir de seus resultados, para que a autoridade responsável possa
tomar sua decisão de manter, diminuir, aumentar ou encerrar as ações do programa.

CONTROLE SOCIAL: TRANSPARÊNCIA E PARTICIPAÇÃO SOCIAL; NOVOS ARRANJOS DE


POLÍTICAS E POLÍTICAS PÚBLICAS NO BRASIL24

A complexidade das políticas públicas tem originado iniciativas pontuais, fragmentadas e


descontinuadas no tempo, em face das constantes mudanças decorrentes de influências políticas e da
incapacidade de resolver consistentemente os problemas que são postos pela sociedade para o Estado
e para a Administração Pública. Essa é a imagem da política pública transmitida pelos meios de
comunicação.
No Brasil vigora e está em desenvolvimento um regime democrático. Princípios democráticos
refletem profundamente no modo como as políticas públicas são desenvolvidas e implementadas. Em
regimes democráticos é importante considerar que existem condições essenciais a serem observadas e
respeitadas no que tange à gestão de interesses públicos por meio de políticas públicas.
Os fundamentos democráticos que contextualizam e parametrizam o desenvolvimento de políticas
públicas são:

24
Augustinho Paludo. Administração Pública. Teoria e 700 questões

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1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
a) o jogo político ocorre com base em regras preestabelecidas, haja vista que as ações e decisões
políticas são pautadas direta ou indiretamente por regras constitucionais;
b) as eleições são periódicas e têm como base o sufrágio (voto) universal – logo, constituem fontes de
manifestação de preferências e escolhas do eleitorado sobre amplos programas de governo de políticas
públicas;
c) os mandatos dos eleitos são limitados temporalmente e quanto ao alcance de decisões e ações, o
que exige a definição de consistentes linhas de ação, preferencialmente, institucionalizadas em legislação
e instrumentos orçamentários de longo prazo para que as políticas públicas tenham continuidade;
d) a prevalência da vontade da maioria da população, limitada por regras preestabelecidas, é que
determinará que tipos de políticas públicas serão priorizadas em cada governo;
e) a oposição tem participação legítima do jogo político e deve ter condições de assumir o poder por
meio do voto popular – logo, sempre terá importância o seu papel de crítica sobre como estão sendo
conduzidas políticas públicas e como propositora de diferentes agendas a serem cumpridas caso venha
a assumir o poder;
f) os representantes são responsáveis frente ao eleitorado, de modo que ao cidadão sempre caberá o
direito de cobrar a criação de novas políticas púbicas de seu interesse e pela eficiência e eficácia das já
existentes;
g) os clássicos direitos civis (direito à vida, liberdade, segurança, igualdade, dentre outros) são
garantidos – logo, exigem ações concretas dos governantes para manutenção de políticas públicas
permanentes para que os cidadãos os desfrutem na sua plenitude.

Os elementos acima ganharam força na condução dos interesses públicos, principalmente a partir dos
fundamentos da Reforma Gerencial de 1995. Com a Reforma Gerencial houve claro delineamento sobre
o papel da administração pública e o perfil de atuação do Estado na gestão de políticas públicas. Nessa
concepção a administração pública não se restringe à execução de rotinas ou ao gerenciamento de
órgãos públicos: ela é bem mais ampla que isso, compreende a estrutura organizacional do Estado, em
seus três poderes. O Estado, por sua vez, é mais abrangente, compreende também o sistema
constitucional-legal, que regula a população nos limites de um território.
Portanto, a concepção, a implementação e a avaliação de políticas públicas devem ser balizadas pelos
condicionantes de um regime democrático. A gestão pública deixa de ser voltada para somente rotinas e
procedimentos burocráticos internos para se colocar também como meio para que governantes,
políticos, administradores e sociedade a utilizem para viabilização de políticas públicas capazes de
fortalecer a democracia por meio da elevação dos níveis de justiça social e fomentar o desenvolvimento
econômico sustentável.
A ampliação das discussões e a abertura de espaços para novos participantes com influências na
concepção e implementação de políticas públicas deve ser regra na democracia, pois “se democracia
é participação dos cidadãos, uma participação insuficiente debilita-a” (Bobbio et al., 1998).

Por que a participação é tão importante no processo de formação de políticas públicas?


Porque a falta de participação torna difícil para os agentes públicos e governantes perceberem
demandas não expressas pelo número reduzido de cidadãos que se manifestam nas esferas políticas.
Essa falta de percepção dos problemas enfrentados pela sociedade fragiliza a produção legislativa que
regula a distribuição de recursos entre grupos na sociedade. Numa situação como essa, existe a
tendência de que os recursos públicos sejam direcionados para os poucos cidadãos que participam dos
processos políticos de elaboração de políticas públicas em detrimento da maioria da população não
participante, o que gera falta de legitimidade dos governos perante a sociedade (Bobbio et al, 1998).
Assim, como o nosso sistema é democrático, não há alternativa diferente para compreender as
políticas públicas e utilizá-las para fazer cumprir o que constitucionalmente foi determinado. Veja a
importância da participação que vem sendo atribuída na elaboração do Plano Plurianual federal e de
alguns estados e municípios. É o cidadão e a sociedade civil organizada obtendo um espaço para
priorizar a alocação de recursos orçamentários em políticas que consideram prioritárias.
Antes de ser vista como coisa de políticos, a política deve ser compreendida por servidores
públicos, agentes políticos e cidadãos, para que consigam se instrumentalizar, se capacitar e se
articular com eficiência com vistas a planejar e executar ações públicas capazes de encontrarem um
mínimo de legitimidade, eficiência e eficácia perante a sociedade. Como a Administração Pública
trabalha para o público, não pode esperar, principalmente dos que detêm cargos com capacidade
decisória, que “um chefe” diga o que e como fazer política pública. Desenvolver políticas públicas é,
portanto, atividade que envolve políticos, administradores e servidores públicos, e cidadãos.

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No processo de transformação de modos de governo centralizado para governos mais
descentralizados, a governança passou a significar um modo de governo distinto do modelo de controle
hierárquico, característico do Estado intervencionista. A acepção atual de governança diz respeito a um
novo estilo de governo, distinto do modelo de controle hierárquico. Está relacionada a governos que atuam
procurando maior grau de cooperação e de interação entre o Estado e os atores não estatais em redes
decisórias mistas situadas na intersecção entre o espaço público e o espaço privado (Procopiuk e Frey,
2007).
A governança expande o foco para incluir atores públicos, privados e da sociedade civil como
componentes essenciais do processo de governo (Ansell, 2007). Na nova governança a abertura de
espaços e de canais institucionais para ampliação da participação nos processos de concepção e
implementação de políticas públicas é consequência lógica no processo de fortalecimento da democracia
brasileira.

IMPORTANTE:
A nova governança pública representa um novo modo de governar: mais democrático, mais
participativo, mais descentralizado e com maior número de atores participantes.

A gestão pública brasileira vive um intenso processo de transformação, ainda sob a influência principal
da redemocratização do país e da reforma do Estado, que tem na descentralização um de seus eixos
principais para aproximação da ação pública das reais aspirações da sociedade (Shommer, 2005).
No âmbito local, surgem tendências de crescente constituição de estruturas organizacionais em forma
de rede envolvendo organizações estatais, não governamentais e privadas para atuarem
cooperativamente em contextos de múltiplas e sobrepostas jurisdições. As relações entre tais
organizações têm fundamentos que vão além de simples relações contratuais. Num processo de
negociação contínua em longos períodos tende a haver formação de laços sociopolíticos em que a
confiança entre os atores assume papel relevante; logo, as relações se diferenciam substancialmente
daquelas constituídas em regras puras de mercado (Ansell, 2000; Smith, 2007).
Nessa linha, estudos têm mostrado que o resgate da importância do município na definição e condução
de políticas públicas e na gestão do território está, cada vez mais, exigindo a concepção de novas formas
de intervenção voltadas ao atendimento das necessidades locais, assim como a incorporação de uma
multiplicidade de novos atores na articulação dos interesses da comunidade. A qualidade da gestão local
passa a depender da capacidade de obtenção de equilíbrios dinâmicos nas articulações entre atores
internos, integrantes do próprio poder público, e externos, oriundos da iniciativa privada ou da sociedade
em geral, participando da concepção e implementação de políticas públicas (Rosa, 2007).
As estruturas locais de governança são vistas mais como iniciativas orgânicas que mecanicistas; logo,
a forma de gestão de iniciativas locais tende a ser descentralizada e distribuída. Esta lógica da
governança leva à constituição de configurações únicas de conjuntos de atores em torno de projetos
específicos. Os projetos, neste caso, apresentam a peculiaridade de ir além da atuação das organizações
e, ao mesmo tempo, serem conduzidos sob uma lógica própria de gestão desenvolvida em espaço de
intersecção de condicionantes do setor público e do setor privado local (Ansell, 2000).
Nessa nova perspectiva de condução das atividades estatais, no Brasil apostou-se no controle
social realizado por meio de comissões/conselhos de cidadãos para avaliação da qualidade de serviços,
possibilitando, deste modo, influir nas mudanças da gestão dos equipamentos sociais. A gestão de
serviços tende a ser deixada a cargo da comunidade, das organizações não governamentais ou mesmo
de especialistas e voluntários, com patrocínio parcial de empresas com objetivos de melhorar sua imagem
e evitar efeitos negativos dos problemas sociais que pudessem atingi-las. Ao Estado caberia manter o
funcionamento e controle dessas políticas por meio de uma burocracia preparada para tal função
(Abrucio, 1999).
Com a Reforma do Estado de 1995 foi dado início ao processo de publicização, como incentivo à
constituição de organizações híbridas de propriedade pública não estatal, submetidas ao controle social,
para ocupar o espaço compreendido entre o Estado e a sociedade para prestação de serviços sociais e
competitivos (Bresser Pereira 2000). A publicização, para Rua (2009), “é uma das estratégias de um
novo modelo de administração pública baseado em alianças entre o Estado e a sociedade”.
Nesse sentido, a chamada Lei do Terceiro Setor (Lei no 9.790/1999), instituiu o Termo de Parceria
como instrumento de regulação das relações entre o poder público e as entidades qualificadas como
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público. O objetivo foi formar vínculos de cooperação entre
as partes, para o fomento e a execução de políticas públicas e de atividades de interesse público. Além
disso, essa lei reforçou a atuação dos Conselhos de Políticas Públicas nos diferentes níveis de

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governo ao determinar a necessidade de consultas a eles quanto à intenção de firmar Termos de Parceria
com organizações privadas e do terceiro setor.
Um ponto positivo nesse processo de descentralização da gestão de políticas públicas foi instituição
e ampliação da atuação dos conselhos como espaços públicos (não estatais). Isso sinalizou para a
possibilidade de representação de interesses coletivos na cena política e na definição da agenda pública,
apresentando um caráter híbrido, uma vez que são, ao mesmo tempo, parte do Estado e da sociedade
(Carneiro, 2002). Esses conselhos, como canais institucionalizados de participação política, de controle
público sobre a ação governamental, de deliberação legalmente aceita e de publicação das ações do
governo, marcam uma reconfiguração das relações entre Estado e sociedade que, idealmente, busca a
corresponsabilização quanto ao desenho, monitoramento e avaliação de políticas públicas (Carneiro,
2002).
Ao lado de vários outros conselhos já institucionalizados que figuram como arena de manifestação da
sociedade civil dentro de um novo espaço “público não estatal” de interseção entre Estado e a Sociedade,
a Lei de Responsabilidade Fiscal ampliou as instituições democráticas, ao trazer a figura dos Conselhos
de Gestão Fiscal. Tais conselhos são integrados por representantes do Estado, além de contar com a
presença do Ministério Público e entidades representativas da sociedade, que têm como função a
promoção de avaliação continuada da gestão. Embora com funcionamento ainda precário, esses
conselhos se apresentam como instrumentos de controle social sobre o Estado ao viabilizarem um canal
de participação da população na formulação, implementação e no controle da execução de políticas
públicas mais concatenadas com as demandas dos segmentos sociais a que se destinam.
Os conselhos de políticas públicas funcionam como uma espécie de fórum para negociação e captação
de demandas de grupos sociais, possibilitando a participação pública de segmentos menos
representativos. As principais dificuldades enfrentadas pelos conselhos são: a desigualdade de
condições entre seus participantes; a ausência de garantia de que suas decisões sejam efetivamente
implementadas; e ausência de instrumentos jurídicos que imponham ao Poder Executivo o cumprimento
das decisões emanadas dos conselhos.
Não obstante a precariedade, os conselhos como bem explicitam Pinho, Iglesias e Souza (Pinho et al,
2006), representam arranjos que podem vir a viabilizar caminhos para maior proximidade dos cidadãos
em direção à formulação e implementação de políticas públicas, bem como da prestação de serviços pelo
governo.

IMPORTANTE:
Esses conselhos existem nas políticas públicas mais bem estruturadas. Têm amparo legal com
atribuições definidas e atuam mais no planejamento e fiscalização. Em regra são paritários (50% de
participantes públicos e 50% não públicos), e nem todos são obrigatórios.

O aumento das atividades associativas voluntárias propiciou a distribuição mais equitativa de serviços
do governo, e o fortalecimento da cidadania e da democracia no Brasil. Exemplo disso foi a criação de
mais de 170 projetos de orçamento participativo instalados, a instalação de cerca de 5000 conselhos de
saúde, e de milhares de comissões de planejamento urbano (Avritzer, 2006). Além disso, são realizadas
audiências públicas em diferentes âmbitos dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário para tratar de
assuntos que afetam interesses coletivos.
No contexto das políticas há mudanças na concepção sobre a natureza dos serviços prestados e novas
propostas são aplicadas para fazer frente a novos desafios, como a ampliação de espaços de cidadania,
com atenção a minorias excluídas, aliadas à ampliação e reconstrução da esfera de atuação dos governos
locais dentro de um processo de reconstrução da esfera pública, orientado para a democratização da
gestão das políticas públicas (Farah, 2001).
A democracia brasileira vai, assim, deixando de ser uma democracia de elites para se
transformar em uma democracia de opinião pública na qual já podem ser percebidas características
da democracia participativa ou republicana, na medida em que se multiplicam os processos participativos
oriundos de organizações da sociedade civil, sejam elas públicas não estatais, de controle e advocacia
social, ou corporativas, como associações representativas de interesses e sindicatos (Bresser
Pereira,2004). Nesse sentido, os governos locais assumem assim um papel de coordenação e de
liderança, mobilizando atores governamentais e não governamentais e procurando estabelecer um
processo de ‘concertação’ de diversos interesses e de diferentes recursos em torno de objetivos comuns.
Através dos novos arranjos institucionais assim constituídos tende a crescer a perspectiva de
sustentabilidade de políticas públicas que, de outra forma, poderiam sofrer solução de continuidade a
cada mudança de governo. O enraizamento das políticas em um espaço público que transcende a esfera

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estatal reforça a possibilidade de políticas de longo prazo, com repercussões sobre a eficiência e a
efetividade das políticas implantadas (Farah, 2001).
Não obstante os conselhos e a formação de novos arranjos de governança e de gestão pública, ainda
persistem profundamente arraigadas culturalmente tendências de condução dos interesses públicos “a
portas fechadas”. Os espaços efetivos para os cidadãos se fazerem presentes ainda, por um lado, são
bastante diminutos e, por outro, a maioria dos cidadãos ainda não detêm suficiente clareza sobre os seus
direitos em relação à administração e aos administradores públicos.

Outros aspectos de Políticas Públicas

Instituições Públicas. Quase todas as políticas públicas são executadas por instituições públicas.
Essas instituições têm papel decisivo: influenciam as decisões com seu poder, condicionam as
decisões com sua estrutura, limitam as decisões com suas normas, e impõem seu estilo próprio de agir.
Portanto, as instituições influenciam na escolha, na forma e na implementação das políticas públicas.
Instituições, políticos, gestores e servidores não são neutros: cada um tem seus interesses e nem
sempre esses interesses são harmônicos.

IMPORTANTE:
As instituições impõem limites e procuram moldar o comportamento dos atores na direção que lhes
interessa.

É comum abordar o aspecto da racionalidade nas instituições: A racionalidade substantiva utiliza


valores absolutos e preocupa-se com a efetividade dos resultados, mas nessa ótica os fins não
justificam os meios. É utilizada por políticos e refere-se à ética da convicção. Na racionalidade
instrumental, funcional ou da conveniência, os fins justificam os meios. Nessa ótica os valores não
são absolutos (os valores são conscientes), e busca-se selecionar os melhores meios que possibilitem
alcançar os resultados desejados. É típica das Organizações e refere-se à ética da responsabilidade.

Pluralismo e Elitismo. O pluralismo admite a existência de diversos grupos de poder e pressão e


entende que as soluções podem ser diferentes para os mesmos problemas. O pluralismo beneficia as
minorias organizadas. O Elitismo compreende a tese de que apenas poucas pessoas detêm o poder,
definem e controlam as políticas públicas com a finalidade de obter vantagens. É a denominada elite
dominante, em que os interesses da população são relegados a um segundo plano.

Carona. Em políticas públicas, carona é aquele cidadão que se beneficia das políticas públicas sem
ter concorrido para isso. Ex.: políticas de preservação do meio ambiente, de controle da qualidade do ar,
etc. Carona também é o cidadão que não paga os impostos que financiam a produção de bens/serviços
pelo Estado e mesmo assim utiliza esses bens/serviços produzidos. Ex.: serviços de saúde, de educação
etc.
O carona é irracional do ponto de vista da sociedade, mas racional sob a ótica do indivíduo/carona,
visto que os cidadãos procuram obter os melhores benefícios com um mínimo de custo ou esforço.
O carona também se aplica a entes estatais como Estados-membros e Municípios. Ex.: Investir
menos em programas sociais para não atrair beneficiários de outros entes, ou, até mesmo, forçar
cidadãos da comunidade a buscar atendimentos em outros Municípios e/ou Estados-membros.

Empresário Político. São empresários/atores de origem diversa que têm disposição e recursos para
investir em políticas públicas que lhes favoreçam ou gerem algum benefício. O empresário pode ser um
político (eleito ou não), jornalistas, lobistas, servidores públicos, acadêmicos, etc.

IMPORTANTE:
O empresário político, em regra, não é um comercial/industrial.

Equilíbrio Interrompido. Utiliza-se esse termo para explicar as políticas públicas que são
implementadas por longos períodos, mas que em determinado momento são interrompidas em face de
instabilidades que provocam mudanças nas políticas anteriores.

Tipos de Demandas. Jose Pereira (2006) considera três tipos de demandas: as demandas novas
resultam do surgimento de novos atores políticos ou de novos problemas; as demandas recorrentes se
referem a problemas não resolvidos ou mal resolvidos, que retornam com frequência ao debate e à

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agenda governamental; e as demandas reprimidas contemplam problemas já existentes que não foram
considerados problemas, mas apenas um “estado de coisas”.

Questões

01. (DETRAN-MT - Administrador – UFMT) Políticas Públicas consistem em:


(A) Outputs resultantes da atividade política, em áreas como emprego, educação, segurança e saúde.
(B) Procedimentos formais e informais que expressam relações de poder na solução de conflitos.
(C) Centros de competências instituídos para o desempenho de funções estatais, por meio de seus
agentes.
(D) Procedimentos que permitem aos gestores públicos tornar públicas suas ações, garantindo-lhes
transparência.

02. (ANVISA - Técnico Administrativo – CETRO) A respeito das Políticas Públicas, é correto afirmar
que
(A) geram bens públicos e privados.
(B) são o resultado da atividade política.
(C) não possuem aspecto coercitivo.
(D) leis orgânicas municipais são políticas públicas.
(E) Estados e Municípios priorizam a ocupação do que se convencionou denominar a high politics.

03. (BANPARÁ - Assistente Social – EXATUS) Sobre conselhos de Políticas Públicas, julgue as
alternativas e assinale a INCORRETA:
(A) Os conselhos, nos moldes definidos pela Constituição Federal de 1988, são espaços públicos com
força legal para atuar nas políticas públicas, na definição de suas prioridades, de seus conteúdos e
recursos orçamentários, de segmentos sociais a serem atendidos e na avaliação dos resultados.
(B) A composição plural e heterogênea, com representação da sociedade civil e do governo em
diferentes formatos, caracteriza os conselhos como instâncias de negociação de conflitos entre diferentes
grupos e interesses, portanto, como campo de disputas políticas, de conceitos e processos, de
significados e resultantes políticos.
(C) Os conselhos são canais importantes de participação coletiva, que possibilitam a criação de uma
nova cultura política e novas relações políticas entre governos e cidadãos.
(D) Os conselhos representam o esvaziamento das responsabilidades públicas do Estado, de
qualificação das instâncias de representação coletivas, de fragmentação do espaço público, de
despolitização da política e de processos que fragilizam a capacidade de a sociedade civil exercer pressão
direta sobre os rumos da ação estatal.
(E) Em termos da tradição política brasileira, os conselhos de políticas públicas são arranjos
institucionais inéditos, uma conquista da sociedade civil para imprimir níveis crescentes de
democratização às políticas públicas e ao Estado, que em nosso país têm forte trajetória de centralização
e concentração de poder.

04. (TJ-GO - Analista Judiciário – FGV) O conceito de política pública e seus diversos significados
seguem uma tradicional classificação, que divide em ciclos essa atividade estatal e o seu processo. A
perspectiva “de cima para baixo” tem suas raízes no modelo de estágios, que devem ser claramente
distintos.
Um desses estágios é o da implementação da política pública, que pode ser definido como:
(A) o processo de julgamentos deliberados sobre a validade de propostas para a ação pública;
(B) o processo de execução e efetuação, que pressupõe um ato anterior e direcionado à consecução
de objetivos;
(C) a determinação do caminho definitivo para a solução do problema que a originou;
(D) a discrepância entre o status quo e uma situação ideal possível;
(E) o conjunto de problemas ou temas que a comunidade política percebe como merecedor de
intervenção pública.

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05. (DPE-RJ - Técnico Superior Especializado – Administração – FGV) Os modelos de elaboração
de Políticas Públicas que aspiram à generalidade desconsideram o fato de que diferentes ambientes
sociais, que configuram a situação em que é feita a escolha da política, aparentemente levam os
tomadores de decisão a fazer opções significativamente distintas. Deste modo, para que haja
adequabilidade de um modelo teórico, deve-se levar em conta que:
(A) não existe diferença entre a busca de um modelo para os países desenvolvidos e os países em
desenvolvimento.
(B) o analista deve vincular-se com rigidez a um modelo em particular, não devendo, necessariamente,
ter que observar os aspectos do ambiente em estudo.
(C) nem sempre há necessidade de identificar e estruturar os aspectos da política a ser analisada.
(D) esse modelo deve estar ligado às metas fixadas e como produto da participação das massas.
(E) na elaboração de políticas, as percepções e os interesses dos atores individuais estão presentes
em todos os estágios.

Respostas:

01. Resposta: A
Políticas Públicas consistem em:
a) “Outputs resultantes da atividade política, em áreas como emprego, educação, segurança e saúde".
Os tais dos outputs podem ser traduzidos, à luz da Análise de Políticas Públicas (APP), como resultados,
produtos e, até mesmo, como as próprias políticas públicas (objeto da APP). CERTO.
b) "Procedimentos formais e informais que expressam relações de poder na solução de conflitos". Esta
é a definição de política. ERRADO.
c) "Centros de competências instituídos para o desempenho de funções estatais, por meio de seus
agentes". Esta é a definição para órgãos públicos. ERRADO.
d) "Procedimentos que permitem aos gestores públicos tornar públicas suas ações, garantindo-lhes
transparência". Trata-se de atos administrativos que, inerentemente, respeitam o princípio da publicidade
(contratos, relatórios, prestação de contas etc.) ou, mesmo, de sistemas informatizados de transparência
pública que promovam accountability, tais como o Portal da Transparência ou outro tipo de ferramenta de
Governo Aberto e de Gestão da Informação. ERRADO.

02. Resposta: B
Para atingir resultados em diversas áreas e promover o bem-estar da sociedade, os governos se
utilizam das Políticas Públicas que podem ser definidas da seguinte forma: Políticas Públicas são um
conjunto de ações e decisões do governo, voltadas para a solução (ou não) de problemas da sociedade
Dito de outra forma, as Políticas Públicas são a totalidade de ações, metas e planos que os governos
(nacionais, estaduais ou municipais) traçam para alcançar o bem-estar da sociedade e o interesse
público. É certo que as ações que os dirigentes públicos (os governantes ou os tomadores de decisões)
seleciona (suas prioridades) são aquelas que eles entendem serem as demandas ou expectativas da
sociedade. Ou seja, o bem-estar da sociedade é sempre definido pelo governo e não pela sociedade.
Isto ocorre porque a sociedade não consegue se expressar deforma integral. Ela faz solicitações
(pedidos ou demandas) para os seus representantes (deputados, senadores e vereadores) e estes
mobilizam os membros do Poder Executivo, que também foram eleitos (tais como prefeitos, governadores
e inclusive o próprio Presidente da República) para que atendam as demandas da população.

03. Resposta: D.
Os conselhos de políticas públicas não representam o esvaziamento das responsabilidades públicas
do Estado, ele funcionam como uma espécie de fórum para negociação e captação de demandas de
grupos sociais, possibilitando a participação pública de segmentos menos representativos.

04. Resposta: B.
A fase da Implementação é conhecida por ser a fase da execução das ações, ou seja, onde ocorre a
transformação do planejamento e da escolhas em atos, podendo ser de “de cima para baixo” (aplicação
descendente) onde pressupõe um ato anterior e direcionado à consecução de objetivos.

05. Resposta: E.
Na elaboração das Políticas Públicas deve haver uma comunicação entre o responsável pela
elaboração da Política Pública e os atores envolvidos no contexto com o propósito de facilitar a formulação

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de propostas, onde ela irá ser implantada e requerer a eles uma proposta sobre qual seria a melhor forma
de proceder.

10. Política monetária: relação com taxas de juros, inflação, resultado fiscal e
nível de atividade.

POLÍTICA MONETÁRIA

A política Monetária é o instrumento de política econômica utilizada pelo governo, para interferir na
economia. Enquanto a política fiscal afeta diretamente a demanda agregada e o nível de produto da
economia, através da arrecadação, do gasto público e do montante do déficit público, a política monetária
afeta o produto de forma indireta, através das intervenções sobre o mercado financeiro e sobre a taxa de
juros.
Assim, a política monetária refere-se à ação do governo no sentido de controlar as condições de
liquidez da economia. Com esse objetivo, o governo atua sobre a quantidade de moeda na economia,
sobre a capacidade de concessão de empréstimos por parte dos bancos e por, consequência, sobre os
níveis das taxas de jutos. Na realidade, o mercado monetário é como outro qualquer, onde existe
demanda (por moeda), oferta (de moeda) e preço de equilíbrio, que nada mais é do que a taxa de juros.
Um ponto que merece ser destacado é o objetivo da política monetária. Para os analistas, existem dois
tipos de política monetária: a ativa e a passiva.
Na primeira, o objetivo do governo é controlar a oferta de moeda e, neste caso, a taxa de juros oscila
para determinar o equilíbrio entre oferta e demanda de moeda. No segundo caso, o objetivo do governo
é determinar a taxa de juros e, neste caso, o governo, tanto via taxa de redesconto como pela
remuneração dos títulos públicos, tenta determinar a taxa de juros de mercado, deixando a oferta de
moeda variar livremente para manter esta taxa de juros, ou seja, a oferta de moeda fica endogenamente
determinada.

CONCEITO E TIPOS DE MOEDAS

No Brasil, há uma grande polêmica sobre o significado de moeda. Pode-se começar a discussão a
partir das funções que a moeda desempenha. Assim, identificamos três funções que a moeda
desempenha no sistema econômico:

Unidade de conta - ser o referencial das trocas, instrumento pelo qual as mercadorias são cotadas,
dado que possibilita que todos os bens e serviços sejam expressos num mesmo denominador;
Meio ou instrumento de troca - intermediário entre as mercadorias, por ter aceitação generalizada e
garantida por lei;
Reserva de valor - poder de compra que se mantém no tempo, ou seja, forma de se medir a riqueza,
dado que representa liquidez imediata para quem a possui;

Nota-se que, enquanto unidade de conta, a moeda expressa a relação de troca das mercadorias, ou
seja, funciona como um medidor, um parâmetro. Assim, o preço de uma mercadoria é a expressão
monetária do valor de troca de um bem. A convivência com taxas muito elevadas de inflação por longos
períodos, fez com que a moeda brasileira não exercesse todas essas funções tradicionais. No auge do
período inflacionário, no início dos anos 90, quando a inflação superou a casa dos 80% ao mês, embora
a moeda fosse utilizada como meio de troca, o mesmo não se verificou em relação às demais funções.
Em períodos de inflação elevada não há interesse em reter a moeda como reserva de valor, até porque
o valor da moeda será corroído pela inflação. Da mesma forma a corrosão da moeda, derivada da inflação,
faz surgir outras unidades da conta, como dólar, UFIR, UPC, BTN e assim por diante (os preços passam
a ser expresso nessas unidades). E pelo mesmo motivo, não será utilizado como padrão para pagamentos
diferidos. Existem três tipos de moeda: as moedas metálicas, emitidas pelo Banco Central, normalmente
de pequeno valor e que visam facilitar as operações fracionadas; o papel- moeda, que são as cédulas
emitidas pelo Banco Central, que representam parcela importante do volume de dinheiro utilizado pelo
público e, finalmente, a moeda escritural, que representada pelos depósitos à vista efetuado nos bancos
comerciais.
A soma das moedas metálicas, o papel-moeda (que juntos compõem a moeda manual) e a moeda
escritural correspondem ao conceito tradicional de meios de pagamento. Os meios de pagamento

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apresentam duas características peculiares:

Têm liquidez imediata (isto é, podem ser utilizados imediatamente para efetuar transações);
Não rendem juros.

Ainda em relação ao conceito de meios de pagamento, vale destacar que se refere a direitos do setor
privado não bancário, excluindo, portanto, o caixa dos próprios bancos e a moeda manual que está com
as autoridades monetárias. O depósito à vista são recursos à disposição do público não bancário e não
pertencem ao banco. Cabe observar, ainda, que no conceito tradicional de meios de pagamento aqui
definido (adiante serão apresentados outros conceitos), não estão incluídos os depósitos a prazo (como
fundos monetários, cadernetas de poupança etc.), porque rendem juros e não têm liquidez imediata. Para
entendermos melhor a influência da política monetária na economia, estudaremos primeiro a moeda,
iniciando pelo seu conceito o que leva a demanda e a oferta de moeda, os mecanismos de controle da
oferta de moeda pelo Banco Central - BACEN - e, por fim, a influência desta no sistema econômico.

A IMPORTÂNCIA DA MOEDA NO SISTEMA FINANCEIRO

A moeda é o instrumento básico para que se possa operar o mercado. Sem esta, o processo de troca
seria extremamente limitado, uma vez que, um hipotético sistema de escambo - trocas direta - para que
alguém adquira qualquer mercadoria deve encontrar no sistema alguém que possua aquilo que esteja
querendo adquirir e simultaneamente queira comprar aquilo que esteja sendo oferecido. Deste modo, a
introdução da moeda, enquanto representante do valor da mercadoria, permite que a troca se desenvolva,
desvinculando-a da necessidade da dupla coincidência de interesses. Como se pode perceber, a moeda
é o ativo utilizado para realizar as transações porque possui maior liquidez, ou seja, que tenha a
capacidade de converter-se rapidamente em poder de compra, isto é, transformar-se em mercadorias.
Percebe-se que ao ser colocada como intermediária das trocas, a moeda permite a separação temporal
entre o ato de compra e o de venda. O indivíduo não é obrigado a comprar instantaneamente apenas
pelo fato de ter vendido. Ele pode vender uma mercadoria hoje e só utilizar a moeda para comprar outra
depois de determinado período de tempo.

DEMANDA POR MOEDA

Por que os indivíduos demandam moeda? Podemos identificar pelo menos três motivos para que os
indivíduos demandem moeda:
Motivo transacional
Motivo precaução
Motivo especulação.

Observa-se aqui que enquanto meio de troca, a moeda começa a afetar o sistema econômico, pois
para realizar as trocas, para poder comprar, os indivíduos devem ter moeda. Neste sentido, porém, os
indivíduos não demandariam, não reteriam moeda por ela mesma, mas pelos bens que ela pode adquirir.
Esta é a chamada demanda de moeda por motivo transacional. Se a moeda se restringisse a esta função,
teríamos a seguinte relação: como os indivíduos não demandam moeda por si mesma, toda moeda no
sistema seria utilizada para realizar as trocas; dada a quantidade de bens existentes na economia, a
quantidade de moeda influenciaria tão-somente na determinação dos preços destes bens. Quanto mais
moeda houvesse, mais os indivíduos iriam querer gastar e, como a oferta de bens é dada no curto prazo,
o efeito seria uma elevação de preços. Os indivíduos, contudo, não recebem renda diariamente na
economia. Por exemplo, o salário é pago de mês em mês. Por outro lado, os agentes realizam gastos
diariamente, em alimentação, transporte, etc. Sendo assim, os indivíduos devem fazer frente a estas
defasagens entre recebimentos e pagamentos, guardando moeda para poderem realizar as transações
necessárias. A demanda de moeda para transações depende do padrão de gastos dos indivíduos e estes
do nível de renda. Assim, quanto maior a renda maior será a demanda de moeda para transações.
Quando consideramos a moeda como reserva de valor, temos novos motivos para demandar moeda.
Um segundo motivo a ser considerado é o motivo precaução. Os indivíduos têm incerteza em relação ao
futuro e guardam moeda para precaver-se dos infortúnios. Neste contexto, cabe a pergunta: por que se
precaver guardando moeda que não renda juros em vez de comprar outros ativos - títulos - que rendem,
podendo-se obter mais moeda no futuro? Uma resposta comumente aceita é que, no contexto de
incerteza, o único ativo que possibilita segurança a seu detentor é aquele que possui liquidez absoluta,
ou seja, a moeda - dinheiro. Assim, a posse de moeda dá a seu detentor maior segurança diante das

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incertezas do futuro, pois tem liquidez absoluta. Este motivo é importante em momentos (ou de países)
com baixa inflação. O total de moeda que o indivíduo pode guardar para precaver-se do futuro está
diretamente relacionado com sua renda. Um terceiro motivo para demandar moeda, salientado por
Keynes, é o motivo especulação. O indivíduo, segundo Keynes, guarda moeda para esperar o melhor
momento para adquirir títulos que permitam rendimento. Imagine o caso de um título de longo prazo com
um rendimento anual fixo em reais - o que é chamado de perpetuidade. O rendimento do título é visto
como juros pagos pela aplicação de um capital. Sendo assim, o preço do título flutuará de acordo com as
mudanças na taxa de juros.

Assim, segundo a teoria keynesiana, a sociedade demanda moeda por três razões:

A demanda para transação, que se refere à necessidade que os agentes têm de possuírem moeda
para efetuar suas transações
A demanda para precaução, que se refere à procura de moeda por parte da sociedade para fazer
frente a eventuais compromissos não previstos; e
Finalmente, a demanda para especulação, que se verifica quando o agente econômico fica esperando
uma oportunidade de aplicação interessante. Enquanto essa oportunidade não se verifica, o agente fica
"posicionado" em moeda.

Por outro lado, pode-se identificar um conjunto de variáveis que influenciam o comportamento da
demanda por moeda. Em primeiro lugar, não é difícil perceber que à medida que o país se desenvolve
e a produção de bens e serviços aumenta, a necessidade de moeda eleva-se na mesma proporção. Já
quando as taxas de juros apresentam-se muito elevadas, há uma tendência à redução da demanda de
moeda por especulação, uma vez que a possibilidade de surgir novas e boas aplicações fica reduzida (na
realidade, a boa alternativa de aplicação já está existindo). Além disso, a própria demanda para
transação e precaução tende a reduzir-se com juros elevados, uma vez que os agentes trabalharão com
menor volume de dinheiro (tanto manual como escritural) para poder aplicar seus recursos em ativos que
rendem juros. Uma terceira variável importante refere-se aos efeitos da inflação. De um lado, verifica-se
que, à medida que os preços aumentam, a necessidade de moeda para transação também aumenta em
termos nominais. De outro lado, porém, quando a inflação é elevada, "carregar dinheiro no bolso" significa
perda, uma vez que os preços estão aumentando e o dinheiro fica parado, comprando um volume cada
vez menor de bens. Essa situação conduz ao conceito de "imposto inflacionário". Esse "imposto" recai sobre
os detentores de moeda, em períodos de inflação elevada, uma vez que o poder de compra da moeda
retida está sendo corroído pela inflação, impondo uma perda (real) ao proprietário da moeda, como se o
mesmo estivesse pagando um "imposto". Assim, em períodos de inflação muito elevada, os agentes
procuram "livrar-se" o mais rapidamente possível da moeda, fazendo com que contraia a demanda por
moeda (em termos reais). No auge da explosão dos preços, que seria a hiperinflação, a moeda é rejeitada
pela sociedade, e acaba sendo substituída por outros ativos ou outras moedas (como o dólar, por
exemplo).
Por outro lado, em períodos de queda brusca da inflação, como ocorreu nos planos de congelamento
ou mesmo no Plano Real, há uma tendência de aumento da demanda real da moeda, uma vez que o
custo de "carregar" dinheiro deixa de existir (o imposto inflacionário some quando a inflação é zero) e as
alternativas de aplicação financeira de curtíssimo prazo também tendem a desaparecer.

OFERTA DA MOEDA

Por meio da política monetária, o governo atua sobre a oferta de moeda, uma vez que a demanda é
determinada pela sociedade. No Brasil, o órgão responsável pela execução da política monetária, é o
Banco Central cuja tarefa é regular a liquidez, de forma compatível com a produção de bens e serviços e
o controle da inflação (costuma-se dizer que o Banco Central é o "guardião da moeda").
Para entender essa tarefa do Banco Central, é importante observar que há dois agentes na economia
em condições de ofertar moeda: o próprio Banco Central que detém o monopólio da moeda manual, e os
bancos comerciais, por meio da multiplicação dos depósitos à vista (o Banco Central, como se verá, tem
condições de atuar nessa capacidade de multiplicação dos depósitos pelos bancos).
O processo de multiplicação dos depósitos a vista pelos bancos pode ser entendido a partir de um
depósito inicial. Quando ocorre um depósito à vista em um banco comercial, esse recurso pode ser
movimentado a qualquer momento, pelo titular da conta. Sabe-se entanto, que (em situações normais) no
conjunto total dos depósitos a vista, nem todos os recursos são sacados simultaneamente, havendo, na
realidade, apenas saques numa porcentagem desse valor total. O banco precisa guardar em seus cofres

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apenas esse percentual, podendo emprestar o restante a seus clientes. Por outro lado, o cliente que
tomou o empréstimo irá fazer um novo depósito em outro banco (ou no mesmo) e o processo vai se
repetindo.

1ª etapa:
• o banco A recebe um depósito de R$ 1.000,00;
• retém digamos, 30% para fazer frente às necessidades de saques (10% voluntários e taxa
compulsória do Banco Central de 20%) e empresta o restante R$ 700,00;

2ª etapa:
• o cliente que tomou emprestado R$ 700,00, deposita esse valor no Banco B;
• o banco B retém 30% (R$ 210,00) e emprestará o restante (R$ 490,00);

3ª etapa:
• o cliente que tomou emprestado R$ 490,00, deposita esse montante no banco C;
• o banco C retém 30% (R$ 147,00) e empresta R$ 343,00;

Demais etapas:
• como o depósito está se reduzindo em cada etapa, o processo continua até "zerar".

O efeito final será dado por um multiplicador igual ao inverso da percentagem das reservas bancárias.
Como, no exemplo, as reservas bancárias representam 30% (0,30), o multiplicador final será de 1/0,30 =
3,33..., isto é, o depósito inicial de R$ 1.000,00 transforma-se num acréscimo de meios de pagamento
de R$ 3.333,00. Como já foi destacado, o Banco Central tem capacidade de influenciar esse poder de
multiplicar, por meio de um dos instrumentos de política monetária que será discutido adiante (o depósito
compulsório).

Base Monetária
A base monetária refere-se à emissão primária de moeda. E mais abrangente que a moeda manual
utilizada no conceito de meios de pagamento, uma vez que inclui, além da moeda em poder do público, as
reservas dos bancos comerciais. Assim:

Base monetária = papel-moeda em poder do público + Reservas dos


bancos comerciais

Da mesma forma, porém, em períodos de inflação muito elevada, a base monetária também se reduz
como porcentagem do PIB, já que a sociedade não retém moeda, por causa de sua contínua perda de valor.
Além da base monetária, existem outros quatro conceitos de meios de pagamento (M1 a M4), cujas
diferenças referem-se basicamente a menor ou maior liquidez dos ativos que os compõem. Parte-se do M1
que inclui apenas ativos de total liquidez e vai incorporando ativos até chegar-se a M4, que inclui os de
menor liquidez.

(M1) liquidez total

O M1 é o conceito de meios de pagamento definido anteriormente, incluindo, portanto, o papel-moeda


em poder do público e os depósitos a vista nos bancos comerciais. Portanto:

M1 = Papel-moeda em poder do público + Depósitos a vista

(M2) liquidez com algumas restrições

O M2 é um conceito mais amplo de meios de pagamento já que inclui, além do os fundos do mercado
monetário (como os fundos de renda fixa, fundos DI etc.) mais os títulos do governo em poder do público.
Assim:

M2 = M1 + Fundos do mercado monetário + Títulos públicos

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(M3) liquidez com mais restrições

O M3 agrega ao M2 os depósitos em caderneta de poupança. Vale lembrar que os depósitos em


caderneta de poupança, embora possam ser sacados a qualquer momento, para gerar rentabilidade,
precisam ficar inalterados durante 30 dias pelo menos, o que dá uma característica, em termos de
liquidez, diferente dos fundos do mercado monetário e dos títulos públicos.
Deste modo:

M3 = M2 + Depósitos de Poupança

(M4) liquidez de maior restrições

O M4 incorpora os títulos privados, que incluem certificados de depósito bancário (CDBs), outros
depósitos a prazo e letras de câmbio. Desta forma:

M4 = M3 + Títulos privados

A Tabela abaixo mostra o valor dos diferentes agregados monetários, não somente como porcentagem
do PIB, bem como em relação a M4.

Tabela – Agregados monetários

Discriminação Saldo em R$ milhões % do PIB % do M4

Base Monetária 98.306 5,1 7,5

M1 142.451 7,4 10,9


M2 582.464 30,1 44,4
M3 1.166.502 60,2 88,9
M4 1.312.399 67,7 100,0
Fonte: Conjuntura Econômica, 2005.

É importante destacar um conceito muito utilizado em economia, que é o multiplicador da base


monetária, definido pela relação ente M1 e a base, isto é:

K=M1

Base

Onde K é o multiplicador. (No exemplo da tabela 01 o multiplicador é = 1,5)

O multiplicador, na realidade, mostra, a partir do comportamento da base, como será impactado o


montante de M1. Assim, se o multiplicador é igual a 1,5, significa dizer que um aumento de R$ 1,00 na
base monetária implicará em elevação de R$ 1,50 nos meios de pagamento (M).

FERRAMENTAS DE POLÍTICA MONETÁRIA

São três as Ferramentas clássicas de política monetária: controle da base monetária, depósito
compulsório e política de redesconto.

CONTROLE DA BASE MONETÁRIA

Por determinação legal, o Banco Central controla o volume de moeda manual da economia. Para
entender como o governo controla a base monetária, é necessário verificar quais os fatores que,
tradicionalmente, levam a uma expansão ou contração de base monetária. Independentemente da política
monetária, existem três fatores que podem levar a oscilações na base monetária. O primeiro deles é o
resultado das contas públicas. Se o governo registrar déficit em suas contas, uma das formas de "bancar"

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esse déficit é por meio da emissão de moeda, ampliando a base monetária. Na hipótese de superávit
público, ocorre o contrário, o governo retira mais dinheiro da sociedade (por meio de tributos) do que
injeta (por meio dos gastos), gerando redução da base. A segunda possibilidade de flutuação da base
monetária refere-se ao resultado líquido das operações do setor externo. Sempre que ocorre entrada de
dólares no Brasil, há pressão para a emissão de moeda, para fazer a conversão dos dólares, que
entraram, para reais. Quando os dólares saem ocorre o contrário. Para facilitar o entendimento desse
processo, basta imaginar que o Banco Central fosse como uma caixa única. Quando uma empresa
exportadora recebe dólares (ou qualquer outro tipo de entrada de moeda estrangeira), tais dólares serão
trocados no Banco Central do Brasil por reais, 106 obrigando este a emitir reais. Por outro lado, quando
uma empresa precisa importar, necessita comprar dólares e retira reais de circulação (pagando ao Banco
Central).
Se o saldo das entradas e saídas é zero, não ocorre qualquer pressão sobre a base monetária.
Contudo, se o resultado é de superávit nas contas externas, ocorrerá pressão para aumento da base
monetária, o inverso verificando-se quando há déficit (há pressão para reduzir a base).
Uma terceira fonte de oscilação da base monetária refere-se às operações de crédito do setor público.
Quando o saldo de tais operações é positivo há uma pressão para encolher a base, o inverso ocorrendo
na hipótese deficitária. Os fatores de pressão aqui citados são independentes da política monetária.
Ocorre que, muitas vezes, esses fatores atuam no sentido contrário das necessidades de moeda, isto é,
a economia está precisando de mais moeda e esses fatores estão levando a uma redução da base, e
vice-versa.
Para controlar essa situação, o governo faz uso das operações de mercado aberto (open market), que
consistem na compra e venda de títulos públicos. Quando o governo coloca títulos junto ao público, está
reduzindo (ou "enxugando") a base monetária, já que a moeda do setor privado está indo para o governo,
operando no sentido contrário, quando compra seus títulos, estará injetando moeda na economia. As
operações de mercado aberto permitem assim, controlar o volume da base monetária e atender às
flutuações sazonais da demanda de mercado, como ocorre, por exemplo, no final do ano, em função das
comemorações natalinas.
É importante destacar que toda vez que o governo coloca títulos junto à sociedade, além de restringir
base monetária, está incorrendo em aumento da dívida pública interna, já que esses títulos representam
obrigações para o governo e pagam juros e correção monetária. Assim, se a dívida pública crescer muito
(por causa do desequilíbrio nas contas públicas, juros elevados ou excessivos superávits externos), os
agentes econômicos tendem a perder a confiança nos títulos do governo e a política de mercado aberto
fica inviabilizada.

POLÍTICA MONETÁRIA E KEYNES

Abordagem clássica e keynesiana quanto à dinâmica do nível de emprego, produto, taxa de juros,
poupança, investimento, lucro e renda global.

Economia clássica Economia keynesiana

A teoria econômica (neo)clássica supõe o Existe desemprego involuntário na economia


pleno emprego do trabalho e demais fatores capitalista. A teoria keynesiana se ocupa com
de produção. Quando há desemprego, este é o nível geral de emprego, o qual determina o
passageiro, isto é, compatível com o volume de investimento. O nível de emprego
desemprego voluntário e com o desemprego está determinado no mercado de bens e a
friccional. Caso a perturbação persista, tal economia, com suas peculiaridades
fato ocorre devido à interferência dos monetárias, explica o desemprego.
governos ou monopólios privados no livre
jogo das forças de mercado.
Quanto maior a produção, maior o número de Os empresários são geradores da renda e do
empregos, já que o pleno emprego ocorre emprego e a quantidade produzida está de
com a suposição de que a oferta cria sua acordo com a lucratividade empresarial.
própria procura (Lei de Say), não havendo
superprodução.

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A taxa de juros tende a igualar poupança e A taxa de juros é o prêmio pela abstinência à
investimento. A taxa de juros é o prêmio pela liquidez. É determinada pela preferência a
abstinência ao consumo. É determinada pelo liquidez e pela quantidade de moeda em
equilíbrio entre a oferta por capital e poder das autoridades monetárias.
demanda por capital. A taxa de juros, a
poupança e o investimento são determinados
simultaneamente. O investimento necessita
da poupança prévia. A poupança seria a
quantidade de moeda que vai para o
investimento.
A economia move-se da renda prévia ao A economia manifesta-se do gasto para a
gasto. renda.

As curvas de oferta e de demanda são As curvas de oferta e de demanda são


dependentes. interdependentes.

Os lucros determinam os investimentos. Os investimentos determinam os lucros.

A EFICÁCIA DA POLÍTICA MONETÁRIA

Keynes identificou um processo em três etapas, segundo o qual uma mudança na política monetária
poderia afetar a demanda agregada
Uma operação de mercado aberto e uma variação no estoque monetário podem afetar a taxa de juros;
por exemplo, uma operação de compra no mercado aberto tende a reduzir a taxa de juros.

OS ECONOMISTAS KEYNESIANOS SITUAM O IMPACTO O IMPACTO DA POLÍTICA MONETÁRIA


EM TRÊS ETAPAS:

1.A política monetária pode alterar a taxa de juros.

2. Variações na taxa de juros podem ter impacto sobre a demanda de investimentos.

3. Variações na demanda de investimentos têm um efeito amplificado sobre a demanda agregada e o


produto nacional

Uma mudança nas taxas de juros pode afetar a demanda de investimentos, pois, com uma taxa de
juros menor, os empresários são encorajados a tomar dinheiro emprestado para comprar novas máquinas
ou construir novas fábricas.
Uma maior demanda de investimentos terá um efeito multiplicador sobre a demanda agregada e renda
nacional.

A INFLUÊNCIA DA TAXA DE JURO

Podemos definir a taxa de juro como sendo aquilo que se ganha pela aplicação de recursos durante
determinado período de tempo, ou, inversamente, aquilo que se paga pela obtenção de recursos de
terceiros - tomada de empréstimos - durante determinado período de tempo. Assim, a taxa de juros deve
sempre especificar o período de tempo ao qual corresponde. Existem pelo menos duas correntes

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alternativas sobre o que determina a taxa de juros. Uma primeira concepção, que considera a
possibilidade de se guardar a poupança na forma monetária, uma vez que moeda também é reserva de
valor, vê a taxa de juros como o prêmio pela renúncia à liquidez. De acordo com esta visão, o indivíduo
tem duas decisões a tomar: a primeira é quanto poupar e a segunda de que forma guardar a poupança.
O simples fato de poupar não garante a obtenção de um juros sobre a poupança. Esta só terá algum
rendimento se o indivíduo abrir mão de guardar a poupança na forma monetária e adquirir um ativo
financeiro. Assim, a taxa de juros é vista como o prêmio pela renúncia à liquidez - segurança - absoluta
oferecida pela moeda. Uma segunda corrente, vê a taxa de juros como o prêmio pela "espera", ou seja,
pela renúncia ao consumo presente em favor do consumo futuro. A taxa de juros, nesta concepção, é
vista como o prêmio pela poupança. Esta concepção parte da ideia de que a única forma de guardar
poupança é adquirindo ativos financeiros, dado que ninguém demandaria moeda como reserva de valor,
uma vez que ela não rende juros.

Assim, teoricamente, podem-se dar duas explicações para a taxa de juros:

Taxa de juros é o prêmio pela renúncia à liquidez, isto é, o que se ganha por guardar a poupança na
forma de títulos e não na forma monetária.
A taxa de juros é o prêmio pela espera, isto é, o que se ganha por sacrificar o consumo hoje em favor
de um maior consumo futuro;

Agora podemos voltar a discussão de como a política monetária afeta a demanda agregada. Já vimos
que a demanda de moeda depende da renda e da taxa de juros. Dado o nível de renda, quanto maior a
taxa de juros menor a demanda de moeda. Define-se assim o nível de renda, quanto maior a taxa de
juros menor a demanda de moeda. A partir desta demanda de moeda, dada a oferta de moeda controlada
pelo governo, determina-se taxa de juros que equilibra demanda e oferta de moeda. É neste ponto que a
política monetária pode afetar o nível de demanda agregada da economia e, por consequência, afeta
também o produto. Como o investimento, ou mesmo o consumo de bens duráveis, varia inversamente
com a taxa de juros, sempre que o governo quiser conter a atividade econômica ele pode contrair a oferta
monetária e com isso afetar a taxa de juros e a demanda.
Sempre que o governo reduz ou aumenta os meios de pagamento, há uma tendência de elevação ou
redução das taxas de juros, porque a oferta de empréstimos se contrai ou se expande. Na realidade, a
taxa de juros tem um papel fundamental nas decisões dos agentes econômicos. No âmbito familiar, afeta
suas decisões de consumo de duas formas: na disposição de adquirir um bem a prazo (se a taxa de juros
sobe, as prestações aumentam) e na decisão entre consumir e poupar (juros mais elevados levam a um
aumento da poupança e redução do consumo).
Já do lado empresarial, as taxas de juros interferem nas decisões de investimento: quanto mais
elevadas às taxas de juros, menos os empresários estarão dispostos a investir: de um lado, porque o
custo de tomar emprestado o recurso fica mais alto, e de outro, porque pode ser mais atraente aplicar o
recurso no mercado financeiro (se dispuser do recurso) do que na atividade produtiva. Além disso, quando
os juros estão altos, as empresas procuram trabalhar com o menor estoque possível, tanto de produtos
finais como de matérias-primas, porque o custo de "carregar" o estoque fica muito alto (ou paga juros ou
está deixando de ganhar no mercado financeiro). As taxas de juros também têm papel importante para
as contas externas. Quando o país está necessitando de dólares, as taxas internas de juros podem ser
elevadas para atrair recursos do exterior, que vêm em busca de rendimentos mais altos.

RISCO PAÍS

O risco país mede a confiança dos investidores estrangeiros na capacidade de pagamento do país e
de honrar os compromissos assumidos. Assim, poder-se-ia dividir, a título de simplificação, o mercado
financeiro internacional em dois grandes grupos: o primeiro refere-se ao mercado dos títulos emitidos
pelos países desenvolvidos (Estados Unidos e Europa), cujas características essenciais são de papéis
com reduzido grau de risco e, por consequência, baixa rentabilidade. O outro grupo refere-se aos
emergentes (América Latina e Ásia), em que o grau de risco é maior, o mesmo ocorrendo com as taxas
de juros. Os países são classificados, em termos de grau de risco, pelas empresas de rating. Além de
variáveis como a estabilidade política, uma questão que "pesa" muito na avaliação é a situação dos
chamados "fundamentos da economia", incluindo aí a situação fiscal (déficit e dívida pública), o grau de
solvência do balanço de pagamentos (que está associado à política cambial), combate inflacionário etc.
Além disso, há um fator extremamente importante na avaliação do risco de um país, que é o fato de já
ter declarado moratória em seu passado. Isso porque a ideia de risco está associada ao não- pagamento

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de uma obrigação financeira por parte de um país. Ora, se um país (ou mesmo uma empresa do país)
tem um título vencendo, e esse país encontrar-se em moratória, não há como efetuar o pagamento e o
credor não receberá seu direito. Em função dos diferentes graus de risco, os países, ao lançarem seus
papéis no exterior, vão pagar diferentes taxas de juros. Países com elevado grau de risco pagarão taxas
mais elevadas; em outras palavras, pagarão um elevado spread (diferença entre a taxa paga pelo país e
a taxa básica de juros que pode ser a prime de New York, ou a libor, do mercado de Londres, ou ainda,
a taxa básica dos títulos do Tesouro dos EUA). Normalmente, o spread é medido em termos de pontos-
base, isto é, cada 1% de spread corresponde a 100 pontos-base.
Já quando uma empresa vai captar recursos no exterior, lançando títulos, o grau de risco envolvido nesta
operação é composto de duas partes: a primeira, refere-se a própria empresa, que pode não ter recursos
para arcar com as obrigações relativas à operações (pagamentos de juros, normalmente semestrais, e o
próprio título no vencimento); o outro componente é o risco do país, uma vez que, mesmo que a empresa
tenha condições de honrar seus compromissos, não há condições de efetuar o pagamento em dólar, se o
país encontrar-se em moratória, por ocasião dos vencimentos.

O BANCO CENTRAL E O TESOURO NACIONAL

No Brasil, há uma grande confusão entre política monetária, política de dívida pública, Banco Central
e Tesouro Nacional. Nos países em que há independência do Banco Central, o Tesouro coloca títulos
de longo prazo e o Banco Central controla a liquidez da economia, e não tem qualquer responsabilidade
sobre a situação financeira do Tesouro. A independência do Banco Central é caracterizada não somente
pelo fato dos administradores terem o mandato outorgado pelo poder legislativo, como também pela
legal do Banco Central financiar o Tesouro Nacional. No Brasil, a situação é completamente diferente. A
falta de credibilidade (derivada de constantes descontroles inflacionários, "calote" do Governo Collor,
entre outros fatores) não permite colocar títulos de longo prazo. Além disso, e até por consequência,
sempre houve cordão umbilical entre o Tesouro Nacional e o Banco Central, que, na realidade, sempre
foi o agente da dívida pública. A relação entre o Banco Central e o Tesouro Nacional nunca foi muito
clara, na medida em que há uma superposição entre a política da dívida pública (que deveria ser do
Tesouro) e a política de "open-market" (que deveria ser do Banco Central). O Banco Central compra
títulos de longo prazo do Tesouro Nacional (financiando assim o Tesouro) e faz política monetária com
títulos federais. A Constituição de 1988 proibiu o Banco Central de financiar o gasto público, mas, deixou
duas "brechas" que na realidade, autorizam o financiamento. De um lado, permitiu ao Banco Central
financiar bancos estatais, e, de outro, adquirir títulos do Tesouro Nacional nos leilões efetuados pela
Secretaria do Tesouro Nacional (que, na prática, significa financiar o déficit).

COPOM – BANCO CENTRAL

O Comitê de Política Monetária (Copom) foi instituído em 20 de junho de 1996, com o objetivo de
estabelecer as diretrizes da política monetária e de definir a taxa de juros. A criação do Comitê buscou
proporcionar maior transparência e ritual adequado ao processo decisório, a exemplo do que já era
adotado pelo Federal Open Market Committee (FOMC) do banco central dos Estados Unidos e pelo
Central Bank Council, do banco central da Alemanha. Em junho de 1998, o Banco da Inglaterra também
instituiu o seu Monetary Policy Committee (MPC), assim como o Banco Central Europeu, desde a criação
da moeda única em janeiro de 1999. Atualmente, uma vasta gama de autoridades monetárias em todo
o mundo adota prática semelhante, facilitando o processo decisório, a transparência e a comunicação
com o público em geral. Desde 1996, o Regulamento do Copom tem sido atualizado no que se refere ao
seu objetivo, à periodicidade das reuniões, à composição e às atribuições e competências de seus
integrantes. Essas alterações visaram não apenas aperfeiçoar o processo decisório no âmbito do
Comitê, como também refletiram as mudanças de regime monetário.
Destaca-se a adoção, pelo Decreto 3.088, em 21 de junho de 1999, da sistemática de metas para a
inflação como diretriz de política monetária. Desde então, as decisões do Copom passaram a ter como
objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional. Segundo o
mesmo Decreto, se as metas não forem atingidas, cabe ao presidente do Banco Central divulgar, em
Carta Aberta ao Ministro da Fazenda, os motivos do descumprimento, bem como as providências e prazo
para o retorno da taxa de inflação aos limites estabelecidos. Formalmente, os objetivos do Copom são:
"implementar a política monetária, definir a meta da Taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o Relatório
de Inflação". A taxa de juros fixada na reunião do Copom é a meta para a Taxa Selic (taxa média dos
financiamentos diários, com lastro em títulos federais, apurados no Sistema Especial de Liquidação e
Custódia), a qual vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do Comitê. Se for o caso, o Copom

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também pode definir o viés, que é a prerrogativa dada ao presidente do Banco Central para alterar, na
direção do viés, a meta para a Taxa Selic a qualquer momento entre as reuniões ordinárias.
As reuniões ordinárias do Copom dividem-se em dois dias: a primeira sessão às terças-feiras e a
segunda às quartas-feiras. Mensais desde 2000, o número de reuniões ordinárias foi reduzido para oito
ao ano a partir de 2006, sendo o calendário anual divulgado até o fim de junho do ano anterior. O Copom
é composto pelos membros da Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil: o presidente, que tem o
voto de qualidade; e os diretores de Administração, Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos
Corporativos, Fiscalização, Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações do Crédito
Rural, Política Econômica, Política Monetária, Regulação do Sistema Financeiro, e Relacionamento
Institucional e Cidadania. Também participam do primeiro dia da reunião os chefes dos seguintes
departamentos do Banco Central: Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
(Deban), Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab), Departamento Econômico (Depec),
Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep), Departamento das Reservas Internacionais (Depin),
Departamento de Assuntos Internacionais (Derin), e Departamento de Relacionamento com Investidores
e Estudos Especiais (Gerin). A primeira sessão dos trabalhos conta ainda com a presença do chefe de
gabinete do presidente, do assessor de imprensa e de outros servidores do Banco Central, quando
autorizados pelo presidente.
No primeiro dia das reuniões, os chefes de departamento apresentam uma análise da conjuntura
doméstica abrangendo inflação, nível de atividade, evolução dos agregados monetários, finanças
públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de câmbio, reservas internacionais,
mercado monetário, operações de mercado aberto, avaliação prospectiva das tendências da inflação e
expectativas gerais para variáveis macroeconômicas. No segundo dia da reunião, do qual participam
apenas os membros do Comitê e o chefe do Depep, sem direito a voto, os diretores de Política Monetária
e de Política Econômica, após análise das projeções atualizadas para a inflação, apresentam alternativas
para a taxa de juros de curto prazo e fazem recomendações acerca da política monetária. Em seguida,
os demais membros do Copom fazem suas ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas.
Ao final, procede-se à votação das propostas, buscando-se, sempre que possível, o consenso. A decisão
final - a meta para a Taxa Selic e o viés, se houver - é imediatamente divulgada à imprensa ao mesmo
tempo em que é expedido Comunicado através do Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen).
As atas em português das reuniões do Copom são divulgadas às 8h30 da quinta-feira da semana
posterior a cada reunião, dentro do prazo regulamentar de seis dias úteis, sendo publicadas na página
do Banco Central na internet ("Atas do Copom") e para a imprensa. Ao final de cada trimestre civil (março,
junho, setembro e dezembro), o Copom publica o documento "Relatório de Inflação", que analisa
detalhadamente a conjuntura econômica e financeira do País, bem como apresenta suas projeções para
a taxa de inflação.

O que é o Copom? Por que foi criado? O Comitê de Política Monetária, ou Copom, é o órgão
decisório da política monetária do Banco Central do Brasil (BCB), responsável por estabelecer a meta
para a taxa básica de juros, que no Brasil é a Taxa Over-Selic, ou Taxa Selic. O Comitê foi criado em
junho de 1996 com o objetivo de estabelecer ritual adequado ao processo decisório de política monetária
e aprimorar sua transparência.

Quais são os objetivos do Copom? No regime de metas para a inflação, implementado no Brasil em
1999, o principal objetivo do Copom é o de estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a meta
para a taxa básica de juros no Brasil. A partir dessa definição, cabe ao BCB, por meio de operações de
mercado aberto, buscar manter a Taxa Selic diária próxima a essa meta. A meta de inflação de cada ano,
por sua vez, é estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) com dois anos de antecedência,
sempre no mês de junho. Se, em determinado ano, a inflação ultrapassar a meta estabelecida pelo CMN,
o Presidente do BCB deve encaminhar carta aberta ao Ministro da Fazenda explicando as razões do não
cumprimento da meta, bem como as medidas necessárias para trazer a inflação de volta à trajetória
predefinida e o tempo esperado para que essas medidas surtam efeito.

Quem são os membros do Copom? O Copom é composto pelos membros da Diretoria Colegiada
do BCB: o Presidente e os Diretores de Política Monetária, Política Econômica, Assuntos Internacionais
e Gestão de Riscos Corporativos, Organização do Sistema Financeiro e Controle de Operações de
Crédito Rural, Fiscalização, Regulação do Sistema Financeiro, e Administração. O Presidente tem direito
ao voto decisório em caso de empate na decisão da política monetária surtam efeito.

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Quando acontecem as reuniões do Copom? As reuniões ordinárias do Copom eram mensais até
2005. Em 2006, essas reuniões passaram a ocorrer oito vezes ao ano, aproximadamente a cada seis
semanas, e continuam a ser realizadas em dois dias. A primeira seção começa na tarde de terça-feira, e
a reunião é concluída, normalmente, no fim da tarde do dia seguinte. O calendário das reuniões ordinárias
do Copom de cada ano é divulgado até o final de outubro do ano anterior. Para ver o calendário de
reuniões do Copom para o ano em curso, acesse http://www.bcb.gov.br/?COPOM. O Copom pode se
reunir extraordinariamente, convocado pelo presidente do BCB, em função de alterações inesperadas do
cenário macroeconômico. Desde a sua criação, ocorreram três reuniões extraordinárias, a última das
quais em outubro de 2002.

Quem participa das reuniões do Copom? No primeiro dia participam da reunião do Copom seus
membros e os chefes de sete departamentos do Banco Central:
- Departamento de Assuntos Internacionais (Derin),
- Departamento Econômico (Depec),
- Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep),
- Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban),
- Departamento das Reservas Internacionais (Depin),
- Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab), e
- Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
(Gerin).
Participam também do primeiro dia de reunião o Secretário Executivo e o Assessor de Imprensa do
Banco Central. A participação no segundo dia de reunião é limitada aos membros do Copom e ao Chefe
do Depep.

O que é a Taxa Selic? A Taxa Selic, instrumento primário de política monetária do Copom, é a taxa
de juros média que incide sobre os financiamentos diários com prazo de um dia útil (overnight), lastreados
por títulos públicos registrados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). O Copom
estabelece a meta para a Taxa Selic, e cabe à mesa de operações do mercado aberto do BCB manter a
Taxa Selic diária próxima à meta.

O que é o viés de taxa de juros? O Copom pode estabelecer viés de taxa de juros (de elevação ou
de redução), prerrogativa que autoriza o Presidente do BCB a alterar a meta para a Taxa Selic na direção
do viés a qualquer momento entre as reuniões regulares do Copom. O viés é utilizado, normalmente,
quando alguma mudança significativa na conjuntura econômica for esperada. A última vez em que esse
expediente foi utilizado ocorreu na 82ª reunião do Comitê, em 19-20/3/2003.

O que é o viés de taxa de juros?


O Copom pode estabelecer viés de taxa de juros (de elevação ou de redução), prerrogativa que
autoriza o Presidente do BCB a alterar a meta para a Taxa Selic na direção do viés a qualquer momento
entre as reuniões regulares do Copom. O viés é utilizado, normalmente, quando alguma mudança
significativa na conjuntura econômica for esperada. A última vez em que esse expediente foi utilizado
ocorreu na 82ª reunião do Comitê, em 19-20/3/2003.

O Copom divulga outras informações sobre política monetária e inflação?


Ao final de cada trimestre (março, junho, setembro e dezembro), o Copom publica o Relatório de
Inflação, que analisa detalhadamente a conjuntura econômica e financeira no Brasil, bem como apresenta
suas projeções para a taxa de inflação. As projeções inflacionárias são exibidas por meio de um gráfico
com o leque de inflação, que mostra as projeções como uma distribuição probabilística, enfatizando o
grau de incerteza presente no momento em que as decisões de política monetária são tomadas. O Gráfico
1 reproduz o leque de inflação apresentado no Relatório de Inflação de março de 2013. Por uma questão
metodológica, as projeções apresentadas no leque de inflação assumem, para todo o horizonte de
previsões, taxa Selic constante e taxa de câmbio no nível do dia anterior à reunião do Copom (cenário de
referência). Para facilitar a análise, os Relatórios de Inflação também apresentam o leque de inflação
construído com base nas medianas das expectativas do mercado para a taxa Selic e a taxa de câmbio
na véspera da reunião do Copom (cenário de mercado).

Para maiores informações a respeito do COPOM, você candidato(a) pode acessar o endereço
eletrônico do Banco Central do Brasil, e explorar mais:
http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus/faq%203-copom.pdf

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COPOM E A INFLAÇÃO

O Brasil possui um sistema de metas para inflação que foi instituído em Junho de 1999 pelo Banco
Central (BC). O indicador considerado para mensuração da inflação é o Índice de Preços ao Consumidor
Amplo (IPCA).
No atual regime de metas para a inflação, o principal objetivo da política monetária implementada pelo
Copom é o alcance das metas de inflação estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Se,
em um determinado ano, a inflação ultrapassar a meta estabelecida pelo CMN, o presidente do Banco
Central deverá encaminhar uma Carta Aberta ao ministro da Fazenda, explicando as razões do não
cumprimento da meta, bem como as medidas necessárias para trazer a inflação de volta à trajetória
predefinida e o tempo esperado para que essas medidas surtam efeito.
Para manter a inflação controlada, um rigoroso controle sobre o consumo e os preços vem sendo
efetuado desde então pelo Banco Central, aquecendo ou desaquecendo a economia, através de seu
principal instrumento de política monetária: a Taxa Selic.

Para acesso às informações da Carta Aberta você candidata(o) e cidadã(ão), ter noção do que
se trata esse documento que comunica à Presidência, Ministro da Fazenda, demais autoridades e
sociedade sobre o cumprimento ou não cumprimento das metas sobre a SELIC.

No contexto geral, a Carta Aberta pode ser entendida como uma carta dirigida a alguém, mas que é
tornada pública, ao ser divulgada em um canal comunicativo público, em um sítio na Rede, em um
comunicado ou qualquer outro meio de difusão.
O texto de uma carta aberta deve ser bem redigido, claro, preciso e com boa apresentação. As fórmulas
de cortesia a utilizar devem ser adequadas ao status do destinatário, como aliás toda a linguagem e o
tipo de discurso.
É muito diferente a forma como podemos dirigir a um diretor de um jornal, por exemplo, ou ao
Presidente da República. Mas, seja qual for a forma adotada e o status do destinatário, os elementos de
identificação do remetente são imprescindíveis e, ainda que apresentados de forma resumida, completos,
para que tanto o destinatário como os leitores compreendam o ponto de vista e o contexto e, até, a razão
de ser da própria carta aberta. Se o autor de uma carta aberta não for uma figura pública, a abertura da
carta tem mais ou menos a seguinte fórmula, de identificação que, no fundo, não diverge muito das que
se utilizam em outros textos utilitários.25

POLÍTICA MONETÁRIA E OBJETIVOS DE POLÍTICA ECONÔMICA

Retornando à discussão sobre os objetivos de política econômica, pode-se verificar a capacidade da


política monetária de impactar tais objetivos. Para a expansão do PIB a curto prazo é preciso elevar o
nível de demanda agregada, o que pode ser feito com uma política monetária expansionista, isto é,
aumento da oferta de moeda e crédito e consequente redução dos juros (aumento da base, redução do
compulsório, ou da taxa de redesconto). Por outro lado, aumentos excessivos de moeda podem levar a
um nível inflacionário agudo. Nesse sentido, vale destacar a Teoria Quantitativa da Moeda que mostra
haver uma associação direta entre moeda e inflação. De acordo com essa teoria, se ocorrer, por exemplo,
um aumento de oferta de moeda, de 10% (tudo o mais constante) podem ocorrer três possibilidades:

A produção aumentar 10% e a inflação não subir, isto é, se a produção acompanhar o aumento da
moeda, os preços ficarão constantes;

A inflação pode subir 10% e a produção ficar estável; isso pode ocorrer em períodos nos quais a
economia já se encontra a pleno-emprego e toda a moeda excedente vira aumento de preços;

E, por fim, um mix das duas coisas: um aumento de inflação (menor que 10%) e um aumento de
produção também menor que 10%.

Outra discussão interessante refere-se ao papel da política monetária nas economias altamente
indexadas. Nesse caso, contrações na quantidade ofertada de moeda não conseguem reduzir preços,
porque os preços são reajustados automaticamente. Por outro lado, aumentos de quantidade de
moeda acabam por "sancionar" uma inflação causada pelos mecanismos da indexação. Isso foi muito

25
CARTA ABERTA. Disponível em: http://www.teiaportuguesa.com/manual/unidade19cartas/cartaaberta.htm.

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comum no Brasil nos períodos de inflação elevada, durante os anos 80. Em termos de setor externo, a
política monetária pode influenciar os resultados de duas formas: de um lado, a política monetária
contracionista reduz o nível de demanda da economia e, por consequência, as importações. Por outro
lado, para atrair capitais externos para o país, as taxas de juros podem ser elevadas, em momentos de
déficits nas contas externas de um país. Esse expediente foi largamente utilizado pelo Brasil na primeira
fase do Plano Real, isto é, no período 1994-1998. Ainda no contexto do setor externo, é importante avaliar
a relação entre taxa de juros e taxa de câmbio. Como se sabe, no início do Plano Real, a moeda brasileira
foi fortemente apreciada (o dólar estava barato), elevando a demanda por importações e viagens ao
exterior, itens que geraram um forte déficit no setor externo. Para "cobrir" esse déficit, o governo usou
fortemente a política monetária praticando juros elevados para atrair capitais externos. Em outras
palavras, "dólar barato" só é compatível com juros elevados.
Por outro lado, a estratégia do governo utilizada até janeiro de 1999, para a recuperação gradual do
câmbio consistiu em desvalorizações de 0,6% ao mês (7,4% ao ano) da moeda nacional. Vale lembrar
que essa estratégica tem impacto nas taxas de juros, uma vez que o investidor externo raciocina em
dólares. Portanto, além das variáveis já definidas na equação que relaciona juros internos e externos, o
governo até então tinha que conduzir as taxas de juros de forma a garantir rentabilidade real ao investidor
estrangeiro (além do risco, obviamente), o que significa dizer incorporar à taxa de juros os 7,4% da
desvalorização cambial, no que se convencionou chamar de "cupom cambial".

PAPEL DA POLÍTICA MONETÁRIA26

Nesse sentido, o papel da política monetária é central, mas não no sentido de promover o crescimento,
mas sim de promover um ambiente macroeconômico estável.
A teoria econômica ensina que o crescimento econômico sustentado não ocorre sem aumentos de
produtividade. Diante disso, cabe perguntar se a estabilidade de preços é indutora ou inibidora de ganhos
de produtividade na economia. Como visto anteriormente, em períodos de alta inflação, a política monetária
perde sua eficácia no estímulo do investimento.
Desde já, isso sugere que a inflação tende a não estar relacionada positivamente com ganhos de
produtividade. Em ambientes de inflação elevada, a taxa real de juros deixa de ser referência não apenas
para as decisões de consumo, mas principalmente para as decisões de investimento
A estabilidade de preços em si não garante o aumento da produtividade e tampouco a aceleração do
taxa de crescimento do produto. Mas a contenção dos aumentos de preços permite ganhos na capacidade
de predição do setor privado. Como já mencionado, em ambientes de inflação elevada, a taxa real de juros
deixa de ser referência não apenas para as decisões de consumo, mas principalmente para as decisões de
investimento. Nesse contexto, a estabilidade de preços passa a ser um instrumento. Não se trata de
condição suficiente, mas é certamente uma condição necessária para se atingir maiores taxas de
crescimento do produto. A política monetária só apresenta efeito em variáveis reais da economia no curto
prazo à medida que surpreende os agentes.
Ocorre que estes corrigem suas expectativas futuras com base na experiência presente. Isso significa
que reduções da taxa de juros podem induzir maiores taxas de gasto e investimento. Mas, se esse
movimento da política monetária for sucedido por aumentos da taxa de inflação em um segundo momento,
os mesmos agentes tendem a não responder da mesma forma a novos estímulos da taxa de juros. Isso
torna efêmero o expediente da redução da taxa de juros sem o controle da inflação. E, persistindo-se nesse
expediente, os agentes passarão a adotar comportamentos não apenas corretivos, mas até defensivos e
antecipados. Desse modo, torna-se presente a indexação, mesmo que informal, de preços e salários.
Estímulos da política monetária, neste caso, passam a ser não apenas ineficazes, mas também inócuos.
Por fim, se a justificativa da tolerância com a inflação está na promoção do crescimento para possibilitar
a geração de empregos e uma sociedade mais justa do ponto de vista social, vale lembrar que a busca pela
justiça social passa longe da alternativa inflacionária. Primeiro porque a redução da taxa de juros tende a
não se mostrar eficaz para a geração de empregos senão no curto prazo.

Questões:

01. (Banco do Brasil – Escriturário – FCC) O Comitê de Política Monetária (COPOM), instituído pelo
Banco Central do Brasil em 1996 e composto por membros daquela instituição, toma decisões:
Sobre a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP).
A respeito dos depósitos compulsórios dos bancos comerciais.
26
LIMA, L.A.F. O papel da política monetária no crescimento econômico. Redução da taxa de juros não é medida eficaz para acelerar a taxa de crescimento
econômico. Revista FAE BUSINESS, 2004.

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1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
De acordo com a maioria dos participantes nas reuniões periódicas de dois dias.
A serem ratificadas pelo Ministro da Fazenda.
Conforme os votos da Diretoria Colegiada.

02. (Banco do Brasil – Escriturário – CESGRANRIO) O Comitê de Política Monetária (Copom) do


Banco Central do Brasil estabelece as ações que definem a política monetária do governo.

O Copom:
(A) administra as reservas em divisas internacionais do Brasil.
(B) determina periodicamente a taxa de juros interbancários de referência, a taxa Selic.
(C) é presidido pelo Ministro da Fazenda.
(D) impõe limites mínimos de capitalização aos bancos comerciais.
(E) impede a entrada de capitais financeiros especulativos no país.

03. (Caixa - Técnico Bancário – CESPE) O Brasil segue o regime de metas da inflação. Caso a meta
não seja cumprida, o presidente do BCB divulgará publicamente as razões do descumprimento, por meio
de carta aberta ao ministro de estado da Fazenda.
( ) Certo ( ) Errado

04. (Banco do Brasil – Escriturário – FCC) O Comitê de Política Monetária (COPOM)


(A) divulga semanalmente a taxa de juros de curto prazo verificada no mercado financeiro.
(B) tem como objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pela Presidência da República.
(C) é composto pelos membros da Diretoria Colegiada do Banco Central do Brasil.
(D) tem suas decisões homologadas pelo ministro da Fazenda.
(E) discute e determina a atuação do Banco Central do Brasil no mercado de câmbio.

05. (METRÔ/SP - Analista Treinee – Economia – FCC) É atribuição do COPOM (Comitê de Política
Monetária) definir
(A) a meta da taxa anual de inflação.
(B) a taxa média anual de crescimento econômico a longo prazo.
(C) a meta para a Taxa SELIC e seu eventual viés.
(D) o superávit esperado do balanço de transações correntes.
(E) a política de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

06. (BNDES – Administrador - NCE-UFRJ) A política monetária e a política fiscal diferem, entre outras,
pela seguinte razão:

(A) a política monetária é deliberadamente executada num esforço de manter o PNL (Produto Nacional
Líquido) na região de pleno emprego, enquanto a fiscal tem efeitos de pouca importância sobre o nível do
PNL;
(B) a política monetária trata dos totais de dinheiro gasto e arrecadado pelo governo, enquanto que a
fiscal trata da taxa de juros;
(C) a política monetária procura estimular ou desestimular as despesas de investimento e de consumo
influenciando as taxas de juros e a disponibilidade de crédito, enquanto a fiscal funciona diretamente sobre
as rendas através do dispêndio e da tributação;
(D) a política fiscal funciona principalmente através de alterações no nível de despesas de investimento,
enquanto que a monetária afeta quase nada as despesas de investimento;
(E) são executadas por duas instituições diferentes, não havendo, na essência, diferença significativa
entre elas.

Respostas:

01. Resposta: E.
Segundo o Banco Central do Brasil, No primeiro dia das reuniões, os chefes de departamento
apresentam uma análise da conjuntura doméstica abrangendo inflação, nível de atividade, evolução dos
agregados monetários, finanças públicas, balanço de pagamentos, economia internacional, mercado de
câmbio, reservas internacionais, mercado monetário, operações de mercado aberto, avaliação
prospectiva das tendências da inflação e expectativas gerais para variáveis macroeconômicas.

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1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
No segundo dia da reunião, do qual participam apenas os membros do Comitê e o chefe do Depep,
sem direito a voto, os diretores de Política Monetária e de Política Econômica, após análise das projeções
atualizadas para a inflação, apresentam alternativas para a taxa de juros de curto prazo e fazem
recomendações acerca da política monetária. Em seguida, os demais membros do Copom fazem suas
ponderações e apresentam eventuais propostas alternativas. Ao final, procede-se à votação das
propostas, buscando-se, sempre que possível, o consenso. A decisão final - a meta para a Taxa Selic e
o viés, se houver - é imediatamente divulgada à imprensa ao mesmo tempo em que é expedido
Comunicado através do Sistema de Informações do Banco Central (Sisbacen).

02. Resposta: B.
O Comitê de Política Monetária (Copom) é formado pelo presidente e os diretores do Banco Central,
que se reúnem a cada 45 dias para fixar a taxa básica de juros, a Selic.
O objetivo das mudanças nos juros é manter a inflação sob controle, ou seja, cumprir a meta de inflação
para o ano. A decisão do BC sobre os juros é soberana e não precisa de aprovação do presidente da
República nem do ministro da Fazenda. Já a meta de inflação é fixada pelo governo.

03. Resposta: Certo.


A carta aberta é uma carta que pode ser lida por todos, não apenas pelo Ministro da Fazenda.
Detalhe:
Deverá explicar o motivo de não ter atingido a meta: SELIC META 4,5% com erro de 2% para mais ou
para menos.
Na carta deve constar:
- Porquê não foi atingida.
- O que será feito para atingir.
- Quando será cumprido.

04. Resposta: C
Reuniões: As reuniões ordinárias do Copom dividem-se em dois dias: a primeira sessão às terças-feiras
e a segunda às quartas-feiras. Mensais desde 2000, o número de reuniões ordinárias foi reduzido para oito
ao ano a partir de 2006, sendo o calendário anual divulgado até o fim de outubro do ano anterior. Composto:
membros da diretoria colegiada do Banco Central. Objetivo: Cumprir as metas para a inflação definidas pelo
CMN. OBS: Se a meta não for atingida, cabe o presidente do BC divulgar em Carta Aberta ao Ministro da
Fazenda, os motivos do descumprimento, bem como as providências e prazo para o retorno da taxa de
inflação aos limites estabelecidos.

05. Resposta: C
Copom foi instituído em 20 de junho de 1996, com o objetivo de estabelecer as diretrizes da política
monetária e de definir a taxa de juros. A criação do Comitê buscou proporcionar maior transparência e ritual
adequado ao processo decisório, a exemplo do que já era adotado pelo Federal Open Market Committee
(FOMC) do Banco Central dos Estados Unidos e pelo Central Bank Council, do Banco Central da Alemanha.
Em junho de 1998, o Banco da Inglaterra também instituiu o seu Monetary Policy Committee (MPC), assim
como o Banco Central Europeu, desde a criação da moeda única em janeiro de 1999. Atualmente, uma
vasta gama de autoridades monetárias em todo o mundo adota prática semelhante, facilitando o processo
decisório, a transparência e a comunicação com o público em geral.
Formalmente, os objetivos do Copom são "implementar a política monetária, definir a meta da Taxa Selic
e seu eventual viés, e analisar o 'Relatório de Inflação'". A taxa de juros fixada na reunião do Copom é a
meta para a Taxa Selic (taxa média dos financiamentos diários, com lastro em títulos federais, apurados no
Sistema Especial de Liquidação e Custódia), a qual vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do
Comitê. Se for o caso, o Copom também pode definir o viés, que é a prerrogativa dada ao presidente do
Banco Central para alterar, na direção do viés, a meta para a Taxa Selic a qualquer momento entre as
reuniões ordinárias.

06. Resposta: C
Afirmação correta ao afirmar que a política monetária procura estimular ou desestimular as despesas de
investimento e de consumo influenciando as taxas de juros e a disponibilidade de crédito, enquanto a fiscal
funciona diretamente sobre as rendas através do dispêndio e da tributação.

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11. Política cambial: relação com taxa de juros, taxa de câmbio e regimes
cambiais.

REGIMES CAMBIAIS

A definição de taxa de câmbio é a referência em valor da moeda nacional com relação à moeda
estrangeira. Assim, no Brasil a taxa de câmbio representa o preço, em moeda nacional, de uma unidade
de moeda estrangeira, normalmente o dólar. Uma elevação da taxa de câmbio representa uma
desvalorização do real com relação ao dólar. Ao contrário, uma diminuição da taxa de câmbio representa
uma valorização do real com relação ao dólar.
Uma desvalorização cambial tende a desestimular as importações e estimular as exportações, pois no
mercado interno encarece os bens importados e aumenta a renda dos exportadores. No mercado externo
barateia os bens que o país exporta.

Quando tratamos a taxa de câmbio consideramos os conceitos de:

Taxa de câmbio nominal: é a relação entre quantidades de moeda.

Taxa de câmbio real: corresponde ao relativo de preços entre o produto nacional e o


estrangeiro.

Isso porque os países têm reflexos do valor da moeda no preço das mercadorias. Ou seja, há inflação.
É exatamente para neutralizar o efeito da inflação na definição da taxa de câmbio que se trata a referência
dos preços de uma mesma mercadoria em dois países. Mudanças na demanda e oferta de moeda
estrangeira e influência nos resultados do comércio
Como se determina as taxas de câmbio? devemos nos basear na relação entre a quantidade de moeda
na economia e o valor atribuído, em moeda, às mercadorias. Estamos tratando então da oferta de moeda
e da demanda de moeda. É a oferta e a demanda de moeda e seu equilíbrio que determinam a taxa
de câmbio.
Na figura abaixo são representadas as curvas de oferta e demanda em dólares com preços medidos
em reais. Temos no eixo vertical a taxa de câmbio, em reais por dólar. Ou seja,  mede quantos reais
valem um dólar. Se você tem 2 reais e pode comprar com isto um dólar, então  = 2 reais/dólar. No caso
de  aumentar para R$ 2,5/dólar, o dólar aumentou em valor, o que significa a desvalorização do real (um
dólar vale mais real agora). Ao contrário, se a taxa de câmbio cai para R$ 1,5/dólar, o real valorizou com
relação ao dólar e o preço do dólar em termos de reais diminuiu.

As curvas acima mostram a oferta e a demanda de dólar no Brasil. A curva de oferta mostra a
quantidade ofertada de dólares a diferentes preços em reais. As empresas que exportam bens ou ativos
brasileiros aos Estados Unidos trocam dólares por reais para reinvestir ou utilizar a renda recebida. Outro
exemplo de oferta de dólar é um investidor norte-americano que deseja investir no Brasil. Ele precisa
trocar dólares por reais, porque se utiliza apenas reais no Brasil.

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A inclinação positiva da curva de oferta significa que quando o valor do dólar em reais aumenta,
os exportadores e investidores estão dispostos a vender mais dólares.
A curva de demanda representa a quantidade demandada de dólares pelos brasileiros residentes. Os
indivíduos ou empresas brasileiras que desejam comprar bens ou ativos norte-americanos necessitam de
dólares para negociar. Por exemplo, para comprar dos Estados Unidos uma máquina da linha de
montagem de eletrodomésticos, a empresa brasileira precisa trocar reais por dólares. E quando esta
compra é mais interessante? Quando a taxa de câmbio aprecia, tornando os dólares mais baratos em
relação aos reais. Isso torna os bens e os ativos norte-americanos mais baratos para os residentes
brasileiros porque passa a ser necessário menos reais para comprar cada dólar. Quando os bens e ativos
norte-americanos ficam mais baratos, os residentes preferem mais dólares.
Portanto a curva de demanda tem inclinação negativa: a quantidade total demandada de dólares
aumenta quando o preço do dólar em reais cai.

Quanto ao equilíbrio do mercado de câmbio estrangeiro, no gráfico acima temos a taxa de câmbio R$
2/dólar. Neste ponto a disposição de negociar dólares por reais é igual à disposição de negociar reais por
dólares.
Deslocamentos das curvas de oferta e de demanda de moeda estrangeira. As mudanças da demanda
e da oferta de uma moeda alteram a taxa de câmbio de equilíbrio. O gráfico abaixo mostra como o
aumento da demanda, que desloca a curva da demanda para a direita, eleva a taxa de câmbio ou a
desvaloriza. Os dólares norte-americanos tornam-se mais caros em relação ao real quando o preço do
dólar norte-americano em termos de reais aumenta.

Acima temos então ilustrado que um aumento da demanda de dólares aumenta a taxa de câmbio
desvalorizando-a.

FATORES QUE DESLOCAM A CURVA DE DEMANDA DE DÓLARES NO BRASIL:

Taxas de juros norte-americanas mais altas levam ao aumento da demanda de dólares;


Com retornos mais altos nos mercados norte-americanos os investidores de todo o mundo, inclusive
do Brasil, desejarão comprar dólares para investir em ativos norte-americanos;
Preços menores dos bens e dos ativos norte-americanos levam ao aumento da demanda de dólares;
Crises em países em desenvolvimento como o Brasil provocam um deslocamento da curva de
demanda de dólares para a direita, pois os investidores internacionais, diante da crise desses países
avaliam o risco dos demais países com características semelhantes, fugindo desses investimentos e
migrando para investimentos em economias desenvolvidas e mais estáveis.

E abaixo temos apresentado o gráfico que mostra os efeitos do aumento da oferta de dólares, um
deslocamento da curva de oferta para a direita. O aumento da oferta de dólares leva à queda da taxa de
câmbio, ou à valorização.

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Temos no gráfico que um aumento da oferta de dólares diminui a taxa de câmbio, ou a valoriza. Taxas
de juros mais altas ou preços menores no Brasil aumentam a oferta de dólares.
E o que afeta a oferta da moeda do país? Os mesmos fatores, ou seja, taxas de juros e preços dos
bens:
- taxas de juros mais altas no Brasil levam os investidores estrangeiros a comprar títulos da dívida
brasileira ou outros ativos que paguem juros. A compra dos títulos brasileiros pelos estrangeiros exige
que esses investidores ofertem dólares para obter reais, o que causa a valorização da taxa de câmbio do
real por dólar;
- preços mais baixos no Brasil levam ao aumento da oferta de dólares, pois mais estrangeiros
desejarão comprar bens e ativos brasileiros. Um exemplo é a queda do preço do aço laminado brasileiro.
Isso aumenta a quantidade demandada de aço pelos países estrangeiros, o que implica aumento da
oferta de dólares.

UM BREVE HISTÓRICO SOBRE AS POLÍTICAS CAMBIAIS ADOTADAS NO BRASIL

Do fim da II Guerra Mundial até os últimos anos da década de 1980, as regras cambiais obedecem a
duas características básicas: as taxas oficiais de câmbio são fixadas pelo governo e a moeda possui um
elevado grau de restrição cambial (reduzida conversibilidade). Como exceção, ao longo deste período,
em 1953, o governo, de acordo com a Instrução 70 da Sumoc, distribuía as divisas disponíveis em lotes
(alocados inicialmente em bens de acordo com sua essenciabilidade), sendo a taxa de câmbio para cada
categoria determinada por meio de leilões. Neste sistema que durou, com algumas alterações, até 1957,
o governo fixava a quantidade de divisas distribuídas, mas não o valor da moeda estrangeira.
Afora esta exceção, as taxas fixadas eram ajustadas em períodos, que chegaram a ser longos ou
curtos, sendo que, desde 1968 até 1989, o Brasil seguiu uma política cambial de minidesvalorizações
baseada na variação da paridade do poder de compra (PPP), seguindo o enfoque das metas reais
(enfoque pelo qual mudanças na taxa de câmbio alteram a relação entre os preços domésticos e os
externos, o que afeta a competividade da economia com o resto do mundo). Em 1980, com o intuito de
combater a inflação, os reajuste do câmbio passaram a ser prefixados. No entanto, como a economia
permanecia sob um amplo sistema de indexação, a inflação chegou a alcançar os três dígitos ao ano e
os reajustes do câmbio chegaram a ser diários, apesar de sempre fixados pelo governo e não pelo
mercado. O regime cambial adotado, mesmo com esta periodicidade, continuou mais próximo do conceito
de taxa fixa.
A política de minidesvalorizações tinha, basicamente, dois objetivos, um deles era evitar ataques
especulativos contra a moeda nacional e o outro era estabilizar a remuneração real do setor exportador,
auxiliando assim o aumento das exportações. Se por um lado, esta política foi positiva, pois trouxe maior
estabilidade à taxa de câmbio comercial, por outro lado, as frequentes minidesvalorizações serviram para
desviar a atenção da necessidade de uma maior desvalorização real diante dos choques externos que o
Brasil sofreu na década de 70 e 80.
A última medida de restrição cambial, anterior à abertura do mercado, ocorreu em 1989. O governo
frente ao agravamento da tendência declinante do fluxo de crédito oficial e privado, chegando este a
tornar-se negativo, e devido às exíguas chances, para não se dizer nulas, de se conseguir reverter este
quadro por meio de políticas econômicas, optou pela moratória não declarada. Estabeleceu restrições
aos pagamentos ao exterior, ou seja, uma centralização cambial, conseguindo com isto, reter o

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esvaziamento das reservas internacionais. Segundo Souza (1998), medidas como a moratória sobre a
dívida externa e outras restrições à conversibilidade da moeda nacional, apesar de permitirem deter a
sangria de divisas para o exterior em situações de crise cambial latente, elas, por outro lado inibem o
ingresso e estimulam a saída (inclusive a fuga) de capitais.
Em março de 1990, no início do governo Collor, foi adotado o regime de câmbio flutuante e uma
retenção de haveres em moeda local que restringia a demanda em divisas externas.
Este sistema estabelecia que caberia aos bancos e corretoras determinar diariamente o preço do dólar
no mercado, efetuando operações de compra e venda da moeda americana. O BACEN ao invés de ter a
obrigação de comprar e vender dólares a uma taxa anunciada pela política das minidesvalorizações,
interviria somente quando os objetivos traçados em relação às reservas e à base monetária tornavam isto
necessário. No entanto, apesar do regime adotado pretender uma alta conversibilidade e flutuação
cambial, na prática somente a crescente conversibilidade da moeda nacional se verificou. No que tange
a flutuação cambial propriamente dita, com o Banco Central intervindo aos poucos nos segmentos oficiais
do mercado (flutuante e turismo), o regime foi caminhando progressivamente na direção da flutuação
suja, e finalmente, em setembro/outubro de 91 retornando ao regime de câmbio fixo. Portanto, o mercado,
que vinha variando o câmbio baseando-se quase que totalmente na perspectiva de inflação para o mês,
volta a sofrer intervenções por parte do BACEN, retornando a taxa de câmbio1 a apresentar uma
depreciação real, de forma a reverter a tendência de queda das exportações e aliviar a crise de liquidez
da economia.
No que tange a conversibilidade da moeda, cabe destacar que nesta época garantiu-se a plena
transitividade entre as moedas nacional e estrangeira, aumentando-se a conversibilidade interna, ao
possibilitar sua retenção como ativo de reserva (criação de alternativas de aplicação em ativos financeiros
externos ou indexados em dólar), e a conversibilidade externa, permitindo a um público mais amplo a
utilização de moeda estrangeira para pagamentos e remessas ao exterior.
Outro ponto a ser levantando é a diferença existente entre as cotações no mercado oficial e paralelo
que chegou a ser, de meados dos anos 60 ao final de 88, por vezes mais de 100 %. A partir de 1989,
introduziu-se um terceiro segmento no mercado de câmbio brasileiro, de forma a abrigar transações em
moeda estrangeira para fins de turismo. Como este novo segmento era dotado de cotações flexíveis,
capazes de se adaptar às mudanças na escassez relativa de divisas, ele passou a concorrer com o
mercado paralelo na compra dos saldos em moeda estrangeira não alocados no segmento "comercial"
ou "livre". Assim sendo, a partir desta época, um aumento da demanda de divisas passou a provocar um
aumento das cotações flutuantes e não mais uma redução nas reservas. Somando-se à criação deste
novo segmento, a transferência para o mercado (intermediários financeiros) da responsabilidade pela
determinação das taxas de câmbio e pela conciliação entre demanda e oferta de divisas, o mercado de
câmbio comercial tornou-se mais sensível às taxas de juros, à instabilidade da política doméstica,
sobretudo ao balanço de pagamentos, e às expectativas de desvalorização do câmbio.
Em 1990, após a redução da liquidez geral da economia, que o governo implementou por meio do
sequestro de 80% dos haveres financeiros, os segmentos turismo e paralelo começaram a se aproximar
do comercial não tendo a partir deste momento voltado a apresentar um ágio com percentuais elevados,
conforme demonstra o Gráfico 1. No início o Banco Central intervia indiretamente no mercado paralelo
por meio da venda de ouro, mas a partir de 1992, o BACEN passou a poder controlar o distanciamento
das cotações entre paralelo e comercial comprando e vendendo moeda estrangeira diretamente no
mercado flutuante. Esta unificação cambial foi perseguida com a finalidade de mais tarde ser utilizada
como um indexador confiável, ou seja, como uma âncora para a estabilização.
Apesar da quantia transacionada no mercado paralelo não ser de fato relevante, o distanciamento
entre o flutuante e o paralelo é prejudicial à condução de políticas econômicas, pois o elevado ágio
estimula a fraude cambial, além de funcionar como um termômetro das expectativas de flutuação da taxa
oficial.
Após esta rápida passagem pelo sistema de taxas de câmbio flutuante, o governo retorna à política de
taxas de câmbio fixo, monitorando a evolução da taxa de câmbio em linha com a inflação por meio de
leilões periódicos. Esta política alinhada conjuntamente com o aumento da conversibilidade da moeda
nacional, taxas de juros elevadas e políticas de incentivo à entrada de recursos externos, tornou possível
um enorme afluxo de recursos externos e, consequentemente, um fortalecimento das reservas
internacionais do país. O aumento do ingresso de recursos externos ocorreu apesar do pequeno volume
de financiamentos de organismos multilaterais e agências governamentais, concentrando-se
basicamente em recursos privados.
Com a abertura da economia ao mercado financeiro internacional, a adoção de uma política de câmbio
fixa perseguindo metas reais, as taxas de juros domésticas deveriam se igualar às externas, acrescidas
da expectativa de desvalorização cambial e do risco de inadimplência. A partir de 1991, com a queda do

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"risco Brasil" a diferença entre a taxa de juros doméstica e externa funcionou como um indutor do fluxo
de capital externo para o Brasil. Cabe destacar no entanto, que esta política de manutenção do câmbio a
níveis reais, torna a moeda endógena e, praticamente, elimina a prática de uma política monetária ativa
eficiente.
Diante deste grande fluxo de divisas e buscando a estabilidade monetário o Governo implanta o Plano
Real, a partir de meados de 1994, baseando-se em um regime explícito e flexível de bandas cambiais.
Este regime de bandas de flutuação representa uma tentativa de introduzir certa flexibilidade na taxa de
câmbio nominal a fim de responder a mudanças nas condições externas e internas do país e manter o
mercado informado do valor nominal, a taxa central da banda, de maneira a estabilizar as expectativas.
A combinação de taxa flutuante com juros elevados, utilizada para fixar as bandas cambiais, conduziu,
contudo, a uma apreciação do câmbio, deteriorando a balança comercial. Além disto, a política de juros
elevados levou a um aumento da dívida interna, que com a crise financeira asiática e russa, no final de
97 e 98, respectivamente, afetou a confiabilidade dos investidores externos, ocasionando, então, a perda
de reservas da ordem de US$40 bilhões.
Com intuito de tentar conter a perda de reservas, em 13 de janeiro de 1999, o Banco Central ampliou
a banda cambial e aumentou suas intervenções nos mercados pronto e futuro. Outra medida adotada foi
a unificação das posições de câmbio2 existentes nos dois segmentos, o livre, também chamado de
"comercial", e o flutuante, conhecido como "turismo". Não havendo mais diferença, portanto, entre os dois
segmentos na formação da taxa de câmbio. O custo oportunidade para celebração das operações de
câmbio passou a ser o mesmo.
Porém, o ajuste inicial – aumento da banda – mostrou-se pequeno e as novas elevações nas taxas de
juros foram ineficientes. Como a fuga de capital continuou em ritmo acelerado, o Banco Centrou, em 15
de janeiro, deixou que o Real passasse a flutuar livremente. Houve uma forte desvalorização do Real,
que de R$1,21/US$ alcançou uma média de R$1,52/US$ em janeiro, R$1,91/US$ em fevereiro e
R$1,90/US$ em março. A depreciação do real gerou um significativo incremento da competitividade
brasileira no setor externo, que segundo o Memorando de Política Econômica junto ao Fundo Monetário
Internacional – FMI, deverá gerar uma melhoria acentuada da balança comercial que passará de um
déficit de US$6,4 bilhões para um superávit de US$11 bilhões. O Memorando prevê ainda que o déficit
em conta corrente deverá reduzir-se caindo de 4,5% do PIB para 3%, sendo que apesar disto o saldo do
balanço de pagamentos continuará a apresentar déficits nos próximos meses, em razão de elevadas
amortizações e do fato de que o fluxo de capitais deverá se recuperar lentamente.
Em suma, o regime cambial brasileiro, tradicionalmente de taxas fixas e restrição cambial, com
minidesvalorizações cambiais, seguindo o enfoque de paridade do poder de compra, após uma rápida
incursão no regime de taxas flutuantes com crescente conversibilidade no início dos anos 1990, deslocou-
se para o regime de taxa de câmbio fixa e alta conversibilidade, com a predominância do enfoque das
metas reais. A partir de 1994, com a implantação do regime de Bandas Cambiais mudou-se para o
enfoque de âncora cambial (enfoque pelo qual uma vez fixado a taxa de câmbio as outras variáveis
macroeconômicas nominais se ajustam, não afetando portanto as variáveis reais), visando a estabilização
dos preços, e finalmente, com a crise financeira, o câmbio foi liberado para flutuar sem a intervenção do
governo.
Podemos concluir, então, que recentemente observa-se uma clara tendência rumo à flexibilização da
taxa de câmbio e liberalização da conta de capitais. Ambas as medidas são extremamente relevantes
para condução de política monetária. Regimes cambiais flexíveis estão associados a uma maior
volatilidade cambial e autonomia de política monetária. A livre mobilidade de capitais amplia a volatilidade
e o desalinhamento cambial em países emergentes e, dado que a taxa de câmbio é um preço relevante
para esses países, isso afetará a regra de política monetária.

OBSERVEMOS ENTÃO UM RESUMO DOS REGIMES CAMBIAIS:

Câmbio fixo - A taxa de câmbio é fixa, não varia, geralmente atrelada ao preço de outra mercadoria
ou através de regulamentação oficial. O Banco Central se compromete a comprar e a vender a moeda
estrangeira de referência a um preço fixo, expresso em moeda nacional.
Câmbio flutuante - A taxa de câmbio varia de acordo com a oferta e a demanda das moedas
negociadas, sendo que o Banco Central não intervém no mercado de divisas.
Flutuação suja (dirty-floating) - O princípio básico é do regime flutuante, mas o Banco Central atua
por meio de intervenções (vendendo ou comprando moedas) que influenciam as taxas.

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Questões:

01. (MPOG - Analista de Planejamento e Orçamento - Planejamento e Orçamento – ESAF) Com


relação a regimes cambiais, não é correto afirmar que:
(A) o regime de flutuação das moedas com intervenções esporádicas dos Bancos Centrais para
amenizar as oscilações especulativas das taxas de câmbio é chamado de flutuação suja (dirty floating).
(B) a taxa de câmbio nominal é a taxa à qual se pode trocar os bens e serviços de um país pelos bens
e serviços de outro país.
(C) a teoria da paridade do poder de compra afirma que uma unidade de qualquer moeda dada tem
que poder comprar a mesma quantidade de bens em todos os países.
(D) no regime de taxas puramente flutuantes, o Banco Central nem compra nem vende moedas
estrangeiras, a taxa de câmbio oscila ao sabor das forças de mercado.
(E) a grande vantagem do regime de taxas de câmbio fixas é facilitar a tomada de decisões pelos
agentes econômicos.

02. (BNB - Técnico de Nível Superior – Economista – ACEP) Sobre os tipos de regimes cambiais,
é INCORRETO afirmar que:
(A) um regime de flutuação cambial pura é caracterizado pelo fato de que a taxa de câmbio é
determinada, exclusivamente, por meio da atuação das forças de mercado.
(B) um regime de câmbio fixo é aquele em que uma paridade entre moeda doméstica e estrangeira é
estabelecida por meio de uma decisão do governo ou de uma lei.
(C) nos chamados conselhos de moeda (currency boards), a quantidade de moeda (primária) na
economia é determinada pelos fluxos de oferta e demanda de moeda estrangeira.
(D) no regime de bandas cambiais, as mudanças na taxa de câmbio são feitas com freqüência e, em
geral, obedecendo a determinadas regras.
(E) no sistema de flutuação suja (dirty-floating), o Banco Central intervém basicamente para evitar
volatilidade excessiva da taxa de câmbio.

03 – (APO/SEPLAG – CEPERJ) O regime de câmbio flutuante tem como desvantagem:


(A) assegurar o equilíbrio do balanço de pagamentos.
(B) permitir maior liberdade da política monetária.
(C) favorecer a movimentação especulativa dos capitais externos.
(D) provocar a endogenização da moeda.
(E) provocar segurança aos agentes econômicos.

04. (Petrobras – Economista – CESGRANRIO) No regime cambial de taxa flutuante (ou flexível),
uma subida dos juros domésticos
(A) tende a desvalorizar a moeda do país.
(B) tende a prejudicar as importações.
(C) tende a prejudicar as exportações.
(D) aumenta o preço dos produtos importados.
(E) causa fuga de capitais do país.

05. (CEAGESP - Analista - Economia – VUNESP) O regime cambial em que é estabelecido um valor
máximo e mínimo para a taxa de câmbio, e quando ela está entre estes dois valores flutua livremente, é
denominado regime de
(A) bandas cambiais.
(B) câmbio flutuante.
(C) câmbio fixo.
(D) minidesvalorizações.
(E) maxidesvalorizações.

06. (Banco do Brasil - Escriturário – FCC) No regime de câmbio flutuante, o Banco Central do Brasil
atua no mercado de câmbio,
(A) nele intervindo com o objetivo de evitar oscilações bruscas nas cotações.
(B) desvalorizando a taxa de câmbio com o objetivo de reduzir o cupom cambial.
(C) determinando a taxa de câmbio com o objetivo de incentivar as exportações.
(D) fixando a taxa de câmbio com o objetivo de estimular captações externas.
(E) livremente, dentro da banda cambial por ele estabelecida e divulgada.

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07. (QC - Economia – Marinha) De modo geral, existem dois tipos de regime cambial: o de taxas fixas
e o de taxas flutuantes de câmbio. Assinale a opção que melhor explica uma das características do câmbio
flutuante.
(A) O Banco Central é obrigado a disponibilizar reservas cambiais.
(B) A política monetária (taxa de juros) fica dependente do volume de reservas cambiais.
(C) As reservas cambiais ficam vulneráveis a ataques especulativos.
(D) O mercado determina a taxa de câmbio.
(E) Maior facilidade de controle das pressões inflacionárias, devido às desvalorizações cambiais.

08. (QC - Economia – Marinha) Com relação ao regime de câmbio fixo, é correto afirmar que:
(A) mantém paridade fixa com o dólar, e o dólar com o ouro, ou seja, padrão-dólar de Bretton Woods.
(B) constitui-se de um método para compatibilizar preços altos com o nível geral de preços do resto do
mundo, independentemente das decisões da autoridade monetária.
(C) possui paridade entre a moeda doméstica e a estrangeira estabelecida por meio de uma decisão
do governo ou de uma lei.
(D) a taxa de câmbio é fixada por meio do sistema de bandas de flutuação.
(E) também é conhecido como crawling peg.

Respostas:

01. Resposta: B
Vamos realizar a seguir uma análise de cada alternativa:
a) No regime flutuação suja (dirty floating) há intervenções dos Bancos Centrais para que o câmbio
varie dentro de uma faixa limitada, a banda cambial. CORRETO
b) A taxa de câmbio nominal é o preço de uma moeda estrangeira em termos da moeda nacional.
A taxa real leva em conta os preços interno e externo, e isso está mais próximo da realidade de troca
entre bens e serviços de um país por bens e serviços de outro país. Mais próximo, porque, na verdade a
paridade de compra é que definirá a troca. FALSO
c) A paridade do poder de compra é poder comprar a mesma quantidade de bens em todos os países
ao mesmo preço apenas fazendo-se a conversão entre moedas pela taxa de câmbio. CORRETO
d) No regime de câmbio flutuante puro, o Banco Central não atua no mercado cambial, a taxa de
câmbio é definida pelas forças de mercado. CORRETO
e) O regime de taxas de câmbio fixas permite planejamentos com menor incerteza e isso facilita a
tomada de decisões pelos agentes econômicos. CORRETO

02. Resposta: D
O regime de bandas cambiais, a taxa de câmbio varia dentro de determinados valores estabelecidos
pelo Banco Central (BACEN) de tal modo que caso a taxa câmbio saia de dentro destes limites, ele
intervém garantindo uma estabilidade na moeda. Este é um modelo híbrido de arranjo de forma que não
é totalmente livre, uma vez que o BACEN pode intervir, mas também não é fixo já que o BACEN não
intervém o tempo todo.

03. Resposta: C
Para seu melhor entendimento, a resposta será detalhada por cada alternativa.
A – INCORRETA – Assegurar o equilíbrio do balanço de pagamentos seria um instrumento desejável,
mas o câmbio livre, flutuante ou flexível faz com que as forças de oferta e demanda por moeda estrangeira
determinem o novo patamar cambial, não se importando com possível fuga de capitais ou entrada maciça
dele. O que importa é que o mercado satisfaça o novo parâmetro estabelecido.
B – INCORRETA. – Visualiza-se aqui uma vantagem do regime cambial flutuante e não uma
desvantagem. O câmbio flutuante permite maior liberdade da política monetária, uma vez que o BACEN
(autoridade monetária suprema) passa a ter outras preocupações que não sejam a manutenção do
câmbio em nível precedente.
C- CORRETA – O risco de bolhas cambiais e ataques especulativos são inerentes a uma economia
altamente internacionalizada e dependente dos fluxos voláteis de capitais ao redor do mundo.
D – INCORRETA – Com perfeita mobilidade de capital, qualquer variação no fluxo de capital externo
deve ser compensada pela variação proporcional da oferta de moeda doméstica, sob pena de alterar o
valor da taxa de câmbio, que é fixado em um determinado patamar. Em um regime de câmbio fixo. Dessa
forma, dado o compromisso da manutenção desse patamar, a autoridade monetária não pode alterar a
oferta monetária sem uma modificação prévia do fluxo de capital externo. Portanto, a autonomia na

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condução da política monetária fica restringida a um regime de câmbio fixo com alta mobilidade do fluxo
de capitais.
E – INCORRETA – O câmbio flutuante representa a total e irrestrita variação do valor relativo da moeda
ao sabor do mercado. Eventos imprevisíveis na economia podem levar a um total caos do mercado em
questão de minutos.

04. Resposta: C
Quando aumenta-se os juros domésticos isso aumenta a atratividade da economia para investidores
estrangeiros. Estes investidores entrarão com dólares e para investir no país precisarão trocar seus
dólares por reais, este aumento de demanda por Reais decorrente da entrada de investidores externos
faz valorizar a moeda nacional. Com uma moeda nacional valorizada fica mais barato importar e mais
caro exportar.

05. Resposta: A
Bandas cambiais é um sistema econômico, que no Brasil foi utilizado pelo Banco Central do Brasil, no
plano real, onde ele estabelece uma faixa ou banda em que o câmbio flutua livremente. Em termos
conceituais, a taxa de câmbio é equilibrada quando reflete a competitividade externa do país e a confiança
sobre os fatores macroeconômicos fundamentais da economia de difícil instrumentação, esse enunciado
envolve empecilhos práticos para estipular a taxa de câmbio de equilíbrio
Essa questão tem sido resolvida por meio de dois caminhos básicos: pelo sistema de preços, através
do encontro da oferta e da demanda de divisas no mercado cambial (câmbio flutuante), ou pelo
arbitramento do Banco Central (câmbio fixo), desconsiderando-se nesse caso o mecanismo básico de
formação de preços. Sendo o preço da moeda estrangeira uma das variáveis mais importantes da
economia, mesmo no caso da adoção do sistema de câmbio flutuante, está sujeito a intervenções das
autoridades monetárias (flutuação suja) o que requer compra e venda de divisas pelo Banco Central, para
direcionamento das cotações dentro dos parâmetros predeterminados.
Neste sistema se usa a taxa de juros com atrativa de capitais externos para acumular as reservas
internacionais. Assim o banda é sustentada e controla a inflação.

06. Resposta: A
Importante ter o conceito de câmbio flutuante:
"Câmbio flutuante é o sistema em que as operações de compra e venda de moedas funcionam sem
controle sistemático do governo. O valor das moedas estrangeiras flutua de acordo com a oferta e a
demanda no mercado.
Desde 1999, o Brasil passou a adotar o sistema de câmbio flutuante. Na passagem do regime de
câmbio fixo para o câmbio flutuante, ocorreu a crise da desvalorização do real."
Da alternativa "b" até a "d" é nítido que tem intervenção, o que é contra o conceito de câmbio flutuante.
A alternativa "e" muda um pouco e fala sobre "banda cambial", cujo conceito é: "Sistema através do
qual o Banco Central define periodicamente faixas para flutuação da taxa de câmbio, e intervém no
mercado interbancário de câmbio sempre a cotação da moeda ficar acima, ou abaixo, dessa faixa, ou
atingir pontos específicos dentro da banda. Esse sistema de controle foi usado no Brasil durante o Plano
Real, sendo abandonado em janeiro de 1999."

07. Resposta: D
No Câmbio flutuante a taxa de câmbio varia de acordo com a oferta e a demanda das moedas
negociadas, sendo que o Banco Central não intervém no mercado de divisas, isto é, o mercado que
determina a taxa de câmbio.

08. Resposta: C
A taxa de câmbio é fixa, não varia, geralmente atrelada ao preço de outra mercadoria ou através de
regulamentação oficial. O Banco Central se compromete a comprar e a vender a moeda estrangeira de
referência a um preço fixo, expresso em moeda nacional. A taxa de câmbio fixa possui paridade entre a
moeda doméstica e a estrangeira estabelecida por meio de uma decisão do governo ou de uma lei.

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12. O Processo de Industrialização da Economia Brasileira.

INDUSTRIALIZAÇÃO

Há tempos, as indústrias vêm conquistando seu espaço no território brasileiro, tornando-se muitas
vezes um dos elementos mais básicos de uma região. Trazem consigo, sempre a característica marcante
da mudança, tanto na cultura como na economia, ou até mesmo no espaço que ela ocupa e no impacto
que ela causará no meio ambiente.
A seguir, veremos um pouco mais sobre as indústrias, como e porque um lugar que comporta uma ou
várias indústrias se modifica, e modifica a vida de sua população e como os meios de transporte e
comunicação podem influenciar para a industrialização de uma determinada região.

GÊNESE DA INDÚSTRIA

a) Histórico de Industrialização no Brasil:


Desenvolveu-se uma indústria doméstica com mão de obra escrava ou restrita às mulheres da casa
(fiação, tecelagem, costura), e aos homens mais habilidosos o trabalho como ferreiros. Surgem também
artesãos ambulantes, olarias, cerâmicas, curtumes (locais onde se trabalha o couro) também surgem.
Na segunda metade do século XVIII, o desenvolvimento de tais setores produtivos passou a preocupar
Portugal. Diante disto, em 1875 surge uma lei que proíbe as manufaturas têxteis na colônia. Esta lei foi
criada para ‘proteger’ a indústria têxtil inglesa.
Em 1808, a chegada da Família Real ao Brasil deu uma nova orientação às questões ligadas à
atividade industrial, apesar disso, o desenvolvimento industrial foi bem pequeno, devido à concorrência
com os produtos ingleses.
A Lei Eusébio de Queirós (1850) proibindo o tráfico de escravos fez com que capitais anteriormente
investidos nessa atividade agora se voltassem para o setor industrial. Tal lei coincidiu com a expansão
da cafeicultura, estimulando a imigração europeia, principalmente dos Italianos e Alemães, que trouxeram
seu conhecimento técnico contribuindo para o desenvolvimento de atividades industriais.
A partir da primeira guerra mundial (1914-1918), a atividade industrial apresentou certo
desenvolvimento devido à dificuldade de importação. Eram indústrias de bens de consumo (artigos de
vestuário, alimentos), química, entre outras.
Formava-se nessa época um movimento operário e em 1928 foi criado o Centro das Indústrias do
Estado de São Paulo, que já se destacava no conjunto do país.

b) De 1930 até a Segunda Guerra Mundial:


Foram vários os fatores que contribuíram para o desenvolvimento industrial a partir de 1930:
* O Êxodo da população das antigas áreas de cafeicultura e o capital cafeeiro;
* O aumento da população urbana, constituindo o mercado de consumo;
* Redução das importações de produtos manufaturados fazendo com que a indústria nacional ficasse
livre da concorrência estrangeira;
* Decreto de Getúlio Vargas proibindo a importação de maquinarias;
* Concentração industrial na região Sudeste e Sul (devido ao mercado consumidor mais amplo e
abundância de capital).

Ocorreram substituições de importação e o desenvolvimento de setores até então pouco estimulados,


como o de autopeças, tintas e vernizes, metalurgia, entre outros.

c) Após a Segunda Guerra Mundial:


Alguns problemas dificultavam a produção industrial:
* Falta de energia elétrica;
* Baixa produção de petróleo;
* Deficiente rede de transportes e comunicações.

Durante o governo Vargas, a inauguração da usina de Paulo Afonso (no Rio São Francisco) e a criação
da Petrobrás (1953) foram iniciativas importantes para o setor industrial, somadas à criação da
Companhia Siderúrgica Nacional (em Volta Redonda, Rio de Janeiro) que começou a funcionar em 1947.

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Temos que destacar que no início da Segunda Guerra Mundial houve um decréscimo no setor
industrial, motivado pela impossibilidade de importar equipamentos, vários ramos industriais ressentiram-
se. Mas, por outro lado, tal limitação estimulou vários tipos de indústrias até então inexistentes (óleos e
graxas vegetais, transformação de minerais não-metálicos, material de transporte e outros). Passaram-
se a utilizar também matérias-primas nacionais.

d) A década de 50:
Durante o governo Juscelino Kubitschek (1956 – 1961), foi elaborado o Plano de Metas, que pretendia
estimular o setor de energia, transportes (principalmente o rodoviário, com incentivo à indústria
automobilística). O capital estrangeiro passa a ser importante para o desenvolvimento industrial.
Foi nesse momento que a internacionalização da economia ocorreu, por meio da participação de
empresas multinacionais ou transnacionais, transplantando tecnologia e tendo como matriz energética o
petróleo no setor automotivo, o que gerou uma deficiência brasileira naquele momento e que levaria à
dependência da importação.

Os investimentos estrangeiros ocorreram nos seguintes setores:


* Automobilístico (máquinas e ferramentas);
* Indústria Naval;
* Cimento e materiais de construção civil;
* Químico e Farmacêutico.

Optou-se pela indústria de bens de consumo e por alguns setores básicos para garantir a indústria:
energia elétrica e siderurgia.

e) Industrialização Pós-1964:
Em 31 de Março de 1964 ocorre o Golpe de Estado que derruba o governo Goulart, o qual pretendia
implantar ‘Reformas de Base’ (conjunto de medidas consideradas necessárias por grupos liberais e
progressistas para superar problemas de subdesenvolvimento).
Após 1964, a Ditadura Militar adotou um modelo econômico associado ao capitalismo mundial, abrindo
o país para o capital estrangeiro em vários setores da economia, inclusive na agricultura. O Estado
assumiu a função de órgão supervisor das relações econômicas e a responsabilidade de setores como
energético, a produção de aço, a indústria petroquímica e a abertura de rodovias, assegurando para a
iniciativa privada condições para expansão de seus negócios. Houve diversificação no setor industrial,
não só nos ramos básicos (aço, cimento, siderurgia), mas bens de consumo duráveis e não duráveis.
Para sustentar o crescimento industrial, houve o aumento da capacidade aquisitiva da classe média
alta financiando o produto. Foi estimulada também a exportação de produtos industrializados, o que
ocorre até os dias atuais. O Brasil tornou-se exportador de diversos produtos industrializados.
As médias e pequenas empresas de capital nacional foram marginalizadas no processo instaurado
com a entrada das multinacionais; restaram os bens de consumo não-duráveis e ramos tradicionais
(alimentos, bebidas, vestuário).

f) A concentração da riqueza em São Paulo:


Vários fatores contribuíram para a concentração de capital e de atividades econômicas mais dinâmicas
na Região Sudeste e, particularmente, em São Paulo:
* O capital gerado pela atividade cafeeira;
* A mão de obra imigrante assalariada e mais recentemente a maior qualificação desta;
* A localização dos centros de pesquisa de renome, institutos de pesquisa;
* Facilidade de transportes;
* Produção de energia;
* Amplo mercado consumidor;
* Facilidade de obtenção de matérias primas.

O PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO, A CONCENTRAÇÃO DA ATIVIDADE INDUSTRIAL NO


BRASIL E A RECENTE DESCONCENTRAÇÃO ESPACIAL DA INDÚSTRIA

A atividade industrial, antes muito concentrada no Sudeste brasileiro, vem sendo melhor distribuída
entre as diversas regiões do país. Atualmente, seguindo uma tendência mundial, o Brasil vem passando
por um processo de descentralização industrial, chamada por alguns autores de desindustrialização, que
vem ocorrendo intra-regionalmente e também entre as regiões.

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Dentro da região Sudeste, essa desindustrialização está ocorrendo no ABCD Paulista, sendo que as
indústrias buscam menores custos de produção do interior paulista, como no Vale do Paraíba e ao longo
da Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte. Estas áreas oferecem, além de incentivos
fiscais, menores custos de mão-de-obra, transportes menos congestionados e, por tratarem-se de
cidades-médias, melhor qualidade de vida, o que é vital para polos tecnológicos.
A desconcentração industrial entre as regiões vem determinando o crescimento de cidades-médias
dotadas de boa infra-estrutura e com centros formadores de mão-de-obra qualificada, geralmente
universidades. Além disso, percebe-se um movimento de indústrias tradicionais, de uso intensivo de mão-
de-obra, como a de calçados e vestuários para o Nordeste, atraídas sobretudo, pela mão-de-obra
extremamente barata.
A distribuição espacial da indústria brasileira, com acentuada concentração em São Paulo, foi
determinada pelo processo histórico, pois no momento do início da efetiva industrialização, o estado tinha,
devido à cafeicultura, os principais fatores para instalação das mesmas, podendo citar: capital, mercado
consumidor, mão-de-obra e transportes.
Além disso, a atuação estatal através de diversos planos governamentais, como o Plano de Metas,
acentuou esta concentração no Sudeste, destacando novamente São Paulo. A partir desse processo
industrial e, respectiva concentração, o Brasil, que não possuía um espaço geográfico nacional integrado,
tendo uma estrutura de arquipélago econômico com várias áreas desarticuladas, passa a se integrar.
Esta integração reflete nossa divisão inter-regional do trabalho, sendo tipicamente centro-periferia, ou
seja, com a região Sudeste polarizando as demais.
A exemplo do que ocorre em outros países industrializados, existe no Brasil uma grande concentração
espacial da indústria no Sudeste. A concentração industrial nesta região é maior no Estado de São Paulo,
por motivos históricos. O processo de industrialização, entretanto, não atingiu toda a região Sudeste, o
que produziu espaços geográficos diferenciados e grandes desigualdades dentro da própria região. A
cidade de São Paulo, o ABCD (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano e Diadema) e centros
próximos, como Campinas, Jundiaí e São José dos Campos possuem uma superconcentração industrial,
elaborando espaços geográficos integrados à região metropolitana de São Paulo. Esta área se tornou o
centro da industrialização, que se expandiu nas direções: da Baixada Santista, da região de Sorocaba e
do Vale do Paraíba – Rio de Janeiro e interior, alcançando Ribeirão Preto e São José do Rio Preto.

A INDUSTRIALIZAÇÃO RESTRINGIDA, A SUBSTITUIÇÃO DE IMPORTAÇÕES E O


DESENVOLVIMENTO DE POLOS INDUSTRIAIS E TECNOLÓGICOS

A primeira metade do século XX foi marcada fortemente por três acontecimentos: a Primeira Guerra
Mundial, a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial. Segundo Hobsbawm, foi o período em que
as economias capitalistas atravessaram sua crise mais profunda e terrível. As explicações para o
comportamento cíclico da economia são variáveis, mas a constatação empírica é irrefutável: as
economias capitalistas são intrinsecamente instáveis.
A instabilidade cíclica atinge, em alguns momentos, dimensões e consequências significativas, que
abalam profundamente um grande número de países, configurando crises econômicas mundiais. Assim,
podemos classificar a Primeira Grande Depressão (1873-96) como a primeira dessas crises globais. A
Segunda Grande Depressão (1929-33), também chamada de Grande Depressão, foi o período histórico
de maior redução do nível de atividade em quase todos os países do mundo, com exceção da URSS.
Segundo Hobsbawm, destruiu o liberalismo econômico por meio século, pois o mundo que emergiu da
Depressão foi marcado pelas políticas intervencionistas de inspiração keynesiana e pela busca da
construção do estado de bem-estar social (welfare state) nos países desenvolvidos.
No Brasil, a Revolução de 30 ocasionou a perda de hegemonia política pela burguesia cafeeira em
favor da classe industrial ascendente.
O Brasil era o principal produtor de café já no século XIX e atuava no mercado internacional como
semi-monopolista, com grande vantagens comparativas. Por outro lado, a única alternativa para alocar o
capital obtido da cafeicultura era o reinvestimento na produção de mais café, resultando em crises de
superprodução. Assim, desenvolveram-se diversos mecanismos de defesa do café, um dos quais, a
depreciação da moeda nacional nos momentos de queda dos preços de exportação, procedimento que
diminuía as perdas de receitas dos cafeicultores. Os mecanismos foram se sofisticando, tal que o governo
passou a comprar os excedentes de produção financiado por empréstimos externos.
Quando a crise mundial de 1929 atingiu a cafeicultura, esta se encontrava em situação extremamente
vulnerável. Para uma produção de 28 milhões de sacas, apenas 14 milhões foram exportadas. A política
de defesa do café, sem mecanismos efetivos para conter a superprodução, só agravava esse
desequilíbrio. Nossa economia ainda era imensamente dependente do café – uma de suas únicas rendas

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– portanto, mais uma vez, lançou-se mão do mecanismo cambial para sua defesa. Entretanto, o preço
continuava caindo.
Evidentemente a preservação da renda dos cafeicultores era paga pelo conjunto da sociedade
(“socialização das perdas”, nos termos de Celso Furtado). Essas medidas não foram suficientes, assim,
o governo tomou a decisão de utilizar uma solução econômica lógica, embora aparentemente absurda: a
diminuição da oferta de café pela queima de excedentes (cuja compra era financiada por impostos sobre
a exportação de café e pela pura e simples expansão do crédito). Devido a esse mecanismo de defesa
de renda da cafeicultura, a queda na renda nacional foi da ordem de cerca de 30%, um valor razoável se
comparado à economia americana que declinara 50%.
Para Furtado, o financiamento público da compra de excedentes anteciparam outras intervenções
estatais, com o objetivo de manutenção do nível de emprego e da demanda agregada (keynesianismo
avant la lettre) e, em função disso, já em 1933 a renda nacional voltou a crescer com níveis de
investimento equivalentes aos de 1929. Considerando que a economia mundial só voltou a dar sinais de
recuperação em 1934, pode-se inferir que a recuperação econômica se deu por fatores internos.
Durante a Depressão o preço dos importados subiu cerca de 33%, causando uma redução das
importações na ordem de 60%. Parte da procura, antes satisfeita com importações, passou a ser atendida
pela oferta interna. Assim, a demanda interna passaria a ter importância crescente como elemento
dinâmico nessa conjuntura de recessão mundial. Tratava-se de uma situação nova com a preponderância
do setor ligado ao mercado interno no processo de formação de capital e no conjunto de investimentos
do país.
A crise do café afugentava os capitais investidos na cafeicultura. Parte desses capitais foi absorvida
pela própria agricultura exportadora, particularmente o algodão.
No lado da indústria, embora o aumento da produção requeira o aumento da importação de máquinas,
isso não foi necessário, pois era possível usar a capacidade ociosa preexistente, como no caso da
indústria têxtil. Posteriormente, foi possível importar equipamentos usados mais baratos, decorrentes das
fábricas fechadas durante o período da Depressão. Num terceiro momento, o crescimento da procura por
bens de capital e o forte aumento dos preços de importação desses bens, devido à desvalorização
cambial, criaram condições propícias à instalação de uma indústria de bens de capital no país.
Como resultado, a renda nacional aumentou 20% no período, enquanto a renda per capita subiu 7%.
Na mesma época, os Estados Unidos ou países de desenvolvimento semelhante ao Brasil que seguiram
políticas ortodoxas de combate à crise, ainda estavam em depressão em 1937.
Segundo Maria da Conceição Tavares, a Grande Depressão foi um momento de ruptura com o modelo
primário-exportador da economia brasileira em favor de um modelo de desenvolvimento voltado para o
mercado interno. O conceito de substituição das importações, além de significar o início da produção
interna de um bem antes importado, denota também uma mudança qualitativa na pauta de importações
do país, ou seja, conforme aumenta a produção interna de bens de consumo anteriormente importados,
aumenta a importação de bens de capital e bens intermediários necessários a essa produção.
Apesar de a dinâmica da economia brasileira ter passado, a partir dos anos 30, a ser determinada
internamente, tratava-se de um processo de industrialização ainda incompleto, uma vez que os setores
produtores de bens de capital e de bens intermediários, os chamados bens de produção, eram muito
pouco desenvolvidos no país. Por isso, João Manuel Cardoso de Mello denominou esse período, que se
estende até o início da implantação do Plano de Metas no governo JK de “industrialização restringida”.
Nesse quadro, as bases técnicas e financeiras da acumulação são insuficientes para que se implante,
num golpe, o núcleo fundamental da indústria de bens de produção, que permitiria à capacidade produtiva
crescer adiante da demanda, autodeterminando o processo de desenvolvimento industrial.
Além de representar o fim da descentralização republicana, fruto do próprio enfraquecimento da
oligarquia cafeeira, o Estado Novo foi uma tentativa de afirmação de um projeto nacional, no qual caberia
ao Estado assumir o papel de indutor do desenvolvimento industrial, quer implantando agências
governamentais para a regulação das atividades econômicas, quer estabelecendo uma nova legislação
trabalhista, quer ainda assumindo o papel de produtor direto, com a construção da usina siderúrgica de
Volta Redonda, marco do desenvolvimento industrial nacional.
Analistas observam que, nos processos de industrialização do século XX, período do capitalismo
monopolista, com predomínio das grandes corporações, as escalas técnicas e financeiras requeridas para
o avanço da industrialização estavam muito acima das forças dos capitalistas locais. Como na década de
30 ainda não fazia parte da estratégia das empresas capitalistas produzir em outros países
(especialmente nos países subdesenvolvidos), a única possibilidade de implantar grandes projetos de
indústrias de bens de produção concentrava-se na ação estatal – essa era a proposta de Vargas.
Logo após o golpe de 1937, o forte aumento das importações provocou escassez de divisas e forçou
o governo a adotar o monopólio cambial, com uma taxa única desvalorizada e com um sistema de controle

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cambial similar ao vigente entre 1931-34. O objetivo imediato era reduzir o nível agregado de importações.
Era uma repetição de uma situação comum na economia brasileira: a convivência quase permanente com
crises cambiais, permeadas por alguns momentos particulares de tranquilidade relativamente às divisas
externas e à capacidade de cumprimento dos compromissos assumidos pelo país.
Somente em 1941 a balança comercial passou a ser superavitária, com o aumento das exportações e
recuperação dos preços do café. Apesar da diminuição das importações, a produção industrial, após
sofrer forte queda no crescimento, voltou a crescer mesmo com a séria escassez de bens de capital
importados.
A posição liberal inicial do governo Dutra, bem como sua contraposição ao intervencionismo de Vargas,
apoiava-se no que Besserman Vianna chama de “ilusão de divisas” (pois o volume de reservas
internacionais do país parecia bastante confortável) e na certeza de que o Brasil era credor político dos
EUA por sua colaboração na 2a GM. Acreditava-se que uma política liberal de câmbio seria capaz de
atrair investimentos diretos estrangeiro, equilibrando o estruturalmente o balanço de pagamentos
brasileiro. Assim, o mercado livre foi instituído, com a abolição das restrições e do controle dos fluxos de
divisas por parte do governo (existentes desde os anos 1930). O resultado foi a queima de divisas, só em
parte gasta com importação de máquinas e matérias-primas essenciais.
Em 1947, diante da impossibilidade de sustentar a política anterior, voltam os controles cambiais,
enquanto o país enfrente uma escassez de moedas fortes. O sistema de licenciamento de importações
reduziu o déficit comercial.
A conjugação de uma taxa de câmbio sobrevalorizada com controle cambial, a partir de 1947, produziu
um triplo efeito em benefício da industrialização substantiva de importações:
* subsídio às importações de bens de capital e bens intermediários
* protecionismo contra importação de bens competitivos
* aumento da rentabilidade da produção para o mercado interno
Além disso, a política do Banco do Brasil de crédito à indústria foi bastante importante.

O PROCESSO DE INDUSTRIALIZAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO DESIGUAL DAS REGIÕES


BRASILEIRAS

Sudeste
Como descrito anteriormente, a região Sudeste é a que possui a maior concentração industrial do país.
Nesta área, os principais tipos de indústrias são: automobilística, petroquímica, alimentares, de
minerais não metálicos, têxtil, de vestuário, metalúrgica, mecânica, etc. É um centro industrial bem
desenvolvido, marcado pela variedade e volume de produção.
Várias empresas multinacionais operam nos setores automobilísticos de máquinas e motores,
produtos químicos, petroquímicos, etc. As empresas governamentais atuam principalmente nos setores
de siderurgia. Petróleo e metalurgia, enquanto empresas nacionais ocupam áreas diversificadas.
O grande interesse de empresas multinacionais é principalmente pela mão-de-obra mais barata, pelo
forte mercado consumidor e pela exportação dos produtos industriais a preços mais baixos. Quem
observa a saída de navios dos portos de Santos e do Rio de Janeiro tem oportunidade de verificar quantos
produtos industriais saem do Brasil para outros países.
A cidade do Rio de Janeiro, caracterizada durante muito tempo como capital administrativa do Brasil
até a criação de Brasília, possui também um grande parque industrial. Porém, não possui as mesmas
características de alta produção e concentração como a São Paulo. Constitui-se também, de empresas
de vários tipos, destacando-se as indústrias de refino de petróleo, estaleiros, indústria de material de
transporte, tecelagem, metalurgia, papel, têxtil, vestuário, alimentos, etc.
Minas Gerais, tem um passado ligado à mineração, e, devido a isso, assumiu importância no setor
metalúrgico após a 2 Guerra Mundial e passou a produzir principalmente aço, ferro-gusa e cimento para
as principais fábricas do Sudeste. A cidade de Belo Horizonte tornou-se um centro industrial diversificado,
com indústrias que vão desde o extrativismo até setor automobilístico.
Além do triângulo São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, existem no Sudeste outras áreas
industriais, a maioria apresentando ligação direta com algum produto ou com a ocorrência de matéria-
prima. É o caso de Volta Redonda, Ipatinga, Timóteo, João Monlevade e Ouro Branco, entre outras,
ligadas à siderurgia. Outros centros industriais estão ligados à produção local, como Campos e Macaé,
Três Corações, Araxá e Itaperuna, Franca e Nova Serrana, Araguari e Uberlândia, entre outras.
O estado do Espírito Santo é o menos industrializado do Sudeste, tendo centros industriais
especializados como: Aracruz, Ibiraçu, Cachoeiro de Itapemirim. Vitória, a capital do Estado, tem
atividades econômicas diversificadas, relacionadas à sua situação portuária e às indústrias ligadas à
usina siderúrgica de Tubarão.

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No Sudeste, outras atividades estão muito ligadas à vida urbana e industrial: comércio, serviço público,
profissionais liberais, educação, serviços bancários, de comunicação, de transporte, etc. Quanto maior a
cidade, maior variedade de profissionais aparecem ligados às atividades urbanas.
Como em São Paulo, Rio e Belo Horizonte concentram-se a maior produção industrial do país, a
circulação de pessoas e mercadorias é muito intensa na região. Milhares de pessoas estão envolvidas na
comercialização, transporte e distribuição dos produtos destinados à industrialização, ao consumo interno
ou à exportação. Considerada também o centro cultural do país, a região possui uma vasta rede de
prestação de serviços em todos os ramos, com grande capacidade de expansão, graças ao crescimento
de suas cidades.

Sul
A industrialização do Sul, tem muita vinculação com a produção agrária, visa o abastecimento do
mercado interno e as exportações.
O imigrante foi um elemento muito importante no início da industrialização como mercado consumidor
e no processo industrial de produtos agrícolas, muitas vezes em estrutura familiar e artesanal.
A industrialização de São Paulo implicou na incorporação do espaço do Sul como fonte de matéria-
prima. Implicou também na incapacidade de concorrência das indústrias do sul, que passaram a exportar
seus produtos tradicionais como calçados e produtos alimentares, para o exterior. Com as transformações
espaciais ocasionadas pela expansão da soja, o Sul passou a ter investimentos estrangeiros em
indústrias de implementos agrícolas.
A indústria passou a se diversificar para produzir bens intermediários para as indústrias de São Paulo.
Nesse sentido, o Sul passou a complementar a produção do Sudeste. Daí considerarmos o Sul como
sub-região do Centro-Sul.
Objetivando a integração brasileira com os países do Mercosul, a indústria do Sul conta com empresas
no setor petroquímico, carboquímico, siderúrgico e em indústrias de ponta.
A reorganização e modernização da indústria do Sul necessita também de uma política nacional que
possibilite o aproveitamento das possibilidades de integração da agropecuária e da indústria, à
implantação e crescimento da produção de bens de capital e de indústrias de ponta em condições de
concorrência com as indústrias de São Paulo.

Nordeste
A industrialização dessa região vem se modificando, modernizando, mas sofre a concorrência com as
indústrias do Centro-Sul, principalmente de São Paulo, que utilizam um maquinário tecnologicamente
mais sofisticado.
A agroindústria açucareira é uma das mais importantes, visando, sobretudo, a exportação do açúcar e
do álcool.
As indústrias continuam a tendência de intensificar a produção ligada à agricultura e as novas
indústrias metalúrgicas, químicas, mecânicas e outras.
A exploração petrolífera no Recôncavo Baiano trouxe para a região indústrias ligadas à produção,
refino e utilização de derivados do petróleo.
Essa nova indústria de alta tecnologia e capital intenso, não absorve a mão-de-obra que passa a se
subempregar na área de serviços ou fica desempregada.
As indústrias estão concentradas nas mãos de poucos empresários e os salários pagos são muito
baixos, acarretando o empobrecimento da população operária.
O sistema industrial do Nordeste, concentrado na Zona da Mata, tem pouca integração interna.
Encontra-se somente em alguns pontos dispersos e concentra-se, sobretudo, nas regiões metropolitanas:
Recife, Salvador e Fortaleza.
Com vistas à política do Governo Federal para o Programa de Corredores da Exportação, instituído no
final da década de 70, com o intuito de atender o escoamento da produção destinada ao mercado externo,
foram realizadas obras nos terminais açucareiros dos portos de Recife e Maceió.
A rede rodoviária está mais integrada a outras regiões do que dentro do próprio Nordeste. A construção
da rodovia, ligando o Nordeste ao Sudeste e ao Sul, possibilitou o abastecimento do Nordeste com
produtos industrializados no Sudeste e o deslocamento da população nordestina em direção ao mesmo.

Centro-Oeste
Na década de 60, a industrialização a nível nacional adquire novos padrões. As indústrias de máquinas
e insumos agrícolas, instaladas no Sudeste, tiveram mercado consumidor certo no Centro-Oeste, ao
incentivarem o cultivo de produtos para exportação em grandes áreas mecanizadas.

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A partir da década de 70, o Governo Federal implantou uma nova política econômica visando a
exportação. Para atender às necessidades econômicas brasileiras e a sua participação dentro da divisão
internacional do trabalho, caberia ao Centro-Oeste a função de produtor de grãos e carnes para
exportação.
Com tudo isso, o Centro-Oeste tornou-se a segunda região em criação de bovinos do País, sendo esta
a atividade econômica mais importante da sub-região. Sua produção de carne visa o mercado interno e
externo.
Existem grandes matadouros e frigoríficos que industrializam os produtos de exportação. O
abastecimento regional é feito pelos matadouros de porte médio e matadouros municipais, além dos
abates clandestinos que não passam pela fiscalização do Serviço de Inspeção Federal.
Sua industrialização se baseia no beneficiamento de matérias-primas e cereais, o que contribui para o
maior valor de sua produção industrial. As outras atividades industriais são voltadas para a produção de
bens de consumo, como: alimentos, móveis, entre outros. A indústria de alimentos, a partir de 1990,
passou a se instalar nos polos produtores de matérias-primas, provocando um avanço na agroindústria
do Centro-Oeste. A CEVAL, instalada em Dourados MS, por exemplo, já processa 50% da soja na própria
área.
No estado de Goiás, por exemplo, existem indústrias em Goiânia, Anápolis, Itumbiara, Pires do rio,
Catalão, Goianésia e Ceres. Goiânia e Anápolis, localizadas na área de maior desenvolvimento
econômico da região, são os centros industriais mais significativos, graças ao seu mercado consumidor,
que estimula o desenvolvimento industrial.
Enquanto outras áreas apresentam indústrias ligadas aos produtos alimentares, minerais não
metálicos e madeira, esta área possui certa diversificação industrial. Contudo, os produtos alimentares
representam o maior valor da produção industrial.

Norte
A atividade industrial no Norte, é pouco expressiva, se comparada com outras regiões brasileiras.
Porém, os investimentos aplicados, principalmente nas últimas décadas, na área dos transportes,
comunicações e energia possibilitaram a algumas áreas o crescimento no setor industrial, visando à
exportação.
Grande parte das indústrias está localizada próxima à fonte de matérias-primas como a extração de
minerais e madeiras, com pequeno beneficiamento dos produtos.
A agroindústria regional dedica-se basicamente ao beneficiamento de matérias-primas diversas,
destacando-se a produção de laticínios, o processamento de carne, ossos e couro, a preservação do
pescado, a extração de suco de frutas, o esmagamento de sementes para fabricação de óleos, a
destilação de essências florestais, prensagem de juta, etc. Tais atividades, além de aumentarem o valor
final da matéria-prima, geram empregos.
As principais regiões industriais são Belém e Manaus. Na Amazônia não acontece como no Centro-
sul do país, a criação de áreas industriais de grandes dimensões.
Mais adiante veremos sobre a criação da Zona Franca de Manaus.
Como a implantação de uma indústria pode alterar a cultura e as relações de trabalho na região em
que foi implantada
Já é do conhecimento de todos nós, que quando uma indústria é implantada em determinada região,
várias mudanças acontecem, dentre elas, mudanças no espaço geográfico, mudanças culturais, e,
principalmente, mudanças na economia.
A implantação de uma indústria, modifica a cultura, pois, um trabalho que artesanalmente era
executado pelo povo, e tido como tradição, cede seu lugar, muitas vezes, as máquinas pesadas, que
exercem sozinhas e em pouco tempo, o serviço que muitas vezes era desempenhado por várias pessoas
e em um período de tempo muito maior. Assim, milhares de postos de trabalho se extinguiam, fazendo
com que aumentasse o número de empregos informais surgidos nessa região.
Além de mudanças na cultura e economia, surgem também, mudanças no espaço geográfico. Em
alguns casos, as indústrias são implantadas, sem maior avaliação dos danos que ela poderá causar,
acarretando consequências gravíssimas posteriormente.
A Zona Franca de Manaus (ZFM) foi criada em 1957, originalmente através da Lei 3.173, com o objetivo
de estabelecer em Manaus um entreposto destinado ao beneficiamento de produtos para posterior
exportação. Em 1967, a ZFM foi subordinada diretamente ao Ministério do Interior, através da SUFRAMA
(pelo Decreto-Lei n 288). O decreto estabelecia incentivos com vigência até o ano 1997.
Ao longo dos anos 70, os incentivos fiscais atraíram para a Zona Franca de Manaus investimentos de
empresas nacionais e estrangeiras anteriormente instaladas no sul do Brasil, bem como investimentos de
novas ET, principalmente da indústria eletrônica de consumo. Nos anos 80, a Política Nacional de

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Informática impediu que a produção de computadores e periféricos e de equipamentos de
telecomunicações se deslocasse para Manaus e a ZFM manteve apenas o segmento de consumo da
indústria eletrônica.
A Constituição de 1988 prorrogou a vigência dos incentivos fiscais da União para a Zona Franca de
Manaus até o ano de 2013, mas com a abertura da economia, nos anos 90, esses incentivos perderam
eficácia. Simultaneamente, os produtos fabricados na ZFM passaram a enfrentar a concorrência com
produtos importados no mercado doméstico brasileiro. As empresas estabelecidas em Manaus
promoveram um forte ajuste com redução do emprego e aumento do conteúdo importado dos produtos
finais.
A relação dos meios de transporte e comunicação e do comércio com a industrialização de uma
determinada região
Os meios de transporte, comunicação e comércio, são os fatores cruciais para que se implante uma
indústria em uma determinada região.
Para ser determinado estratégico para a implantação de uma indústria, um local tem que ter fácil
acesso às rodovias, para que as mesmas escoem a sua produção para as diversas regiões do país e os
portos, visando a exportação.
Os meios de comunicação, também são vitais, para que sejam feitos os contatos necessários para se
fechar grandes negócios, visando à obtenção de lucros mais altos, para o crescimento da indústria, a
atualização dos conhecimentos e a velocidade de comunicação.
O comércio, também é muito importante, pois para que se produza alguma coisa, é necessário que
haja mercado para este produto, e o comércio tem o papel de intermediário entre o produtor e o
consumidor final.

OS IMPACTOS AMBIENTAIS CAUSADOS PELA INDÚSTRIA

As economias capitalistas tiveram, no pós-guerra até meados da década de 70, uma das fases de
maior expansão e transformações da estrutura produtiva, sob a égide do setor industrial. Essa expansão
foi liderada por dois grandes subsetores: o metal-mecânico (indústria de automotores, bens de capital e
do consumo duráveis) e a química (especialmente a petroquímica).
A rápida implantação da matriz industrial internacional no Brasil internalizou os vetores produtivos da
químico-petroquímica, da metal-mecânica, da indústria de material de transporte, da indústria madeireira,
de papel e celulose e de minerais não-metálicos todos com uma forte carga de impacto sobre o meio
ambiente.
De maneira geral, e abstraindo as características de cada ecossistema, o impacto do setor industrial
sobre o meio ambiente depende de três grandes fatores: da natureza da estrutura da indústria em distintas
relações com o meio natural; da concentração espacial dos gêneros e ramos industriais; e do padrão
tecnológico do processo produtivo – tecnologias de filtragem e processamento dos efluentes, além do
reaproveitamento econômico dos subprodutos.
A industrialização maciça e tardia incorporou padrões tecnológicos avançados para base nacional,
mas ultrapassados no que se refere ao meio ambiente, com escassos elementos tecnológicos de
tratamento, reciclagem e reprocessamento.
Enquanto o Brasil começa a realizar ajustes no perfil da indústria nacional, a economia mundial
ingressa em um novo ciclo de paradigma tecnológico. Ao contrário da industrialização do pós-guerra,
altamente consumidora de recursos naturais: matérias-primas, "commodities" e energéticos. O novo
padrão de crescimento tende a uma demanda elevada de informação e conhecimento com diminuição
relativa do "consumo" de recursos ambientais e de "produção" de efluentes poluidores.
É importante sempre relembrarmos os acidentes ambientais causados pela falta de cuidados de certas
indústrias, para que haja pelo menos a esperança, de que não voltará a acontecer.
Uma indústria em uma certa região, poderá ser benéfica ou prejudicial a mesma, pois, ao mesmo
tempo que contribui para o crescimento, ela pode estar executando a massificação da cultura de um povo.
Muitas vezes, o prejuízo natural causado por um acidente ambiental, tendo como protagonista uma
indústria, pode não ser revisto nunca mais, matando ecossistemas inteiros, um prejuízo sem recuperação.
Uma indústria também pode contribuir fortemente para o desenvolvimento da população, gerando
inúmeros empregos diretos e indiretos.
Referências Bibliográficas:
Disponível em:
https://cursinhopopulartriu.files.wordpress.com/2013/03/geografia-industrializac3a7c3a3o-segunda-parte.pdf. Acesso em: Fevereiro/2016.

Disponível em:
http://www.mundovestibular.com.br/articles/5093/1/Conteudo-Enem-O-espaco-industrial-no-Brasil/Paacutegina1.html. Acesso em: Fevereiro/2016.

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Disponível em:
http://www.geografiaparatodos.com.br/index.php?pag=captulo_11_a_industria_no_brasil. Acesso em: Fevereiro/2016.

Disponível em:
https://fichasmarra.wordpress.com/2010/12/08/faq-crise-de-1930-e-o-avanco-da-industrializacao-brasileira/. Acesso em: Fevereiro/2016.

Questões:

01. (TJ/SC – Analista Jurídico – TJ/SC) Sobre o espaço econômico brasileiro, suas características e
o processo industrial do Brasil, todas as alternativas abaixo estão corretas, EXCETO:
(A) Dentre os fatores responsáveis pela concentração industrial na região Sudeste, podemos afirmar
que a região foi se organizando como área de atração da população e de capital, tornando-se região
concentradora de riquezas. O mercado consumidor que aí se formou, o desenvolvimento do sistema
rodoviário, os recursos naturais favoráveis e a imigração contribuíram para a concentração industrial
nesta região.
(B) São Paulo concentra a maior parte da produção industrial do país, cujas raízes encontram-se nas
etapas iniciais do processo da industrialização do Brasil. Mas, nos últimos anos, a participação relativa
do Estado começa a diminuir, o que reflete o início do processo de dispersão industrial espacial, no país.
(C) O processo industrial brasileiro se firmou nos anos 70, os anos do “milagre brasileiro”, baseado em
um tripé, representado pela forte participação do capital estatal, pelos grandes conglomerados
transnacionais e um mercado consumidor em ascensão.
(D) Uma das características do processo industrial atual do Brasil, corresponde à forte dispersão
financeira das empresas e à grande concentração espacial.
(E) Uma das influências diretas da inserção do Brasil nos mercados globais é a disseminação no
território brasileiro dos polos tecnológicos próximos de centros universitários e de pesquisas.

02. (Prefeitura de Nilópolis/RJ – Professor de Geografia – FUNCEFET) A industrialização promove


a concentração espacial da riqueza e dos recursos financeiros e produtivos. Em certo ponto do
desenvolvimento econômico, a tendência de concentração espacial da indústria arrefece e dá lugar a
movimentos de desconcentração.
Assinale a alternativa que indica os movimentos geradores de desconcentração industrial no Brasil.
(A) Evolução das tecnologias, infraestrutura de transportes e comunicações
(B) Escassez de mão de obra e poluição
(C) Segregação espacial e ação dos movimentos sociais
(D) Concentração de infraestrutura e poluição

03. (Instituto Rio Branco – Diplomata – CESPE) A partir de meados da década de 90 do século
passado, a denominada guerra fiscal entre os estados brasileiros intensificou-se. A abertura econômica
atraía, então, novos fluxos externos de investimentos industriais para o país e estimulava a guerra dos
lugares.
A respeito desse assunto, julgue (C ou E) o item que se segue.
O processo de desconcentração regional da indústria brasileira favorece o prolongamento da disputa
entre as unidades federativas com base na renúncia fiscal.
( ) Certo ( ) Errado

04. (Petrobras – Profissional Júnior – CESGRANRIO) Como tantos outros países periféricos, o
Brasil era exportador de matérias-primas e importador de produtos manufaturados. Há um momento em
que o minério de ferro do Brasil impressiona os técnicos das indústrias siderúrgicas da Europa e dos
Estados Unidos, mas o Brasil importa até as grades de ferro que cercarão as árvores da recém-aberta
Avenida Central, no Rio.
Nessas poucas palavras, sobre a coação da história a estrangular o futuro dos países como o Brasil,
encerra-se toda a política econômica da Revolução de 30, do presidente que a levou ao poder e de toda
a Era Vargas: fazer do Brasil um país que transforme em aço o ferro de seu subsolo, que explore seu
petróleo e suas fontes de energia elétrica, que produza tratores, caminhões, automóveis e até aviões, um
país não mais vítima, mas protagonista e criador de seu futuro.
RIBEIRO, José Augusto. A Era Vargas, o suicídio e o petróleo. Revista Caros Amigos, São Paulo,
n.209, p.41, ago. 2014.
Com base no texto, é possível associar a realidade socioeconômica e a política brasileira da Era
Vargas
(A) à expansão da agroindústria
(B) à opção pelo neoliberalismo

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(C) ao modelo de substituição de importações
(D) ao processo produtivo de acumulação flexível
(E) às privatizações no setor de produção de energia

Respostas:

01. Resposta: D.
Com a evolução das tecnologias e infraestruturas de transportes e comunicações houve a redução nos
custos de transferência de bens, de modo que o espaço se tornou mais fluido, abrindo novas localizações
adequadas para a indústria.
O que ocorre é um processo de desconcentração espacial das indústrias. Tal fato deve-se a maior
abertura econômica e pelo desenvolvimento técnico-científico, associado a informática e comunicação.

02. Resposta: A.
Com os avanços tecnológicos nos meios de transporte e comunicações, não eram mais necessárias
uma aglomeração industrial e, tampouco, a proximidade entre indústria e mercado consumidor. Por isso,
muitas empresas resolveram migrar para regiões interioranas e cidades médias, longe dos problemas
relacionados às grandes cidades.

03. Resposta: Certo.


As disputas fiscais entre os estados em torno do aumento da arrecadação gerou um cenário instável
de busca desenfreada pelo estabelecimento de indústrias, em troca da concessão de benefícios fiscais
como geração de créditos e isenções, transformando-se em verdadeira “guerra fiscal”.

04. Resposta: C.
A política nacionalista dos governos de Getúlio Vargas era caracterizada pela decisiva intervenção do
Estado na economia. Transformado em agente fomentador da industrialização, o Estado brasileiro
realizou pesados investimentos, graças os quais foram implantadas uma moderna infraestrutura e
inúmeras indústrias de base. Foram construídos muitos portos, além de sistemas de transporte terrestre
e de geração de energia. Foram fundadas grandes companhias de capital estatal. A disponibilidade das
matérias-primas produzidas por essas indústria de base estatais estimulou a criação de diversas
indústrias privadas de capital nacional. Equipadas com uma tecnologia menos sofisticada que as
indústrias de bens de consumo duráveis, a instalação de indústrias de bens de consumo não-duráveis
necessita de menos investimentos. Por isso foi registrado um aumento maior do número de indústrias
privadas de bens de consumo não-duráveis, como tecelagens, fábricas de produtos alimentícios e de
bebidas, fábricas de calçados, estabelecimentos de torrefação de café, etc.

13. Expansão Capitalista.

Capitalismo

O capitalismo é um modo de organizar a economia, isto é, a produção e a troca de bens e serviços.


Uma economia capitalista reúne três elementos-chave, que a definem: a propriedade privada dos meios
de produção, o mercado de trabalho e a troca de produtos num mercado visando ao lucro.
O capitalismo tem suas raízes na Baixa Idade Média, com o Renascimento Comercial e urbano,
proporcionado pelo aumento populacional, pelo contato com outros povos e o início da decadência do
feudalismo.
De maneira geral podemos classificar o capitalismo em três fases distintas:

Capitalismo Comercial ou mercantil: consolidou-se entre os séculos XV e XVIII. É o chamado


Mercantilismo. As grandes potências da época (Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra e França)
exploravam novas terras e comercializavam escravos, metais preciosos etc. com a intenção de
enriquecer.
Capitalismo Industrial: Foi a época da Revolução Industrial.
Capitalismo Financeiro: após a segunda guerra, algumas empresas começaram a exportar meios de
produção por causa da alta concorrência e do crescimento da indústria.

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A baixa Idade média e as mudanças na sociedade Feudal

Na Baixa Idade Média, ocorreu a transição para o sistema capitalista. Ao mesmo tempo, surgiram
novas classes sociais, principalmente a burguesia, que auxiliou a realeza no processo de centralização
política.
A questão fundamental para entender as mudanças durante a Baixa Idade Média é a crise do
feudalismo. A produção feudal era baseada no trabalho servil, sendo limitada e estática, o que, por sua
vez, representava o baixo nível de técnica do sistema feudal.
No século XI, cessaram as ondas invasoras, criando uma certa estabilidade na Europa, além de
condições de segurança para o aumento da circulação de mercadorias. Houve uma maior redistribuição
da produção, gerando um crescimento demográfico que não foi acompanhado pelo aumento da oferta de
empregos e alimentos.
Com o aumento da circulação de mercadorias e a introdução de novos artigos de luxo, os senhores
feudais passaram a ter necessidade de aumentar as suas rendas. Para obter mais recursos, eles eram
obrigados a aumentar as obrigações dos servos, que, pressionados, partiam para as cidades em busca
de uma vida melhor. A solução para a crise seria a substituição do regime de trabalho servil pelo trabalho
assalariado, porém essa mudança incentivou a evolução do modo de produção feudal para o capitalista,
o que não seria viável num curto período.
Dessa forma, a crise do feudalismo ocorreu pela incapacidade da antiga estrutura econômica de
sustentar as mudanças, o que foi gerando uma nova organização do modo de vida.
A crise do sistema feudal deu origem a um processo de marginalização social, quer pela fuga dos
servos, quer pelos deserdamentos ocorridos na camada senhorial. Essa marginalização trouxe como
consequência o aumento da belicosidade, marcada por assaltos e sequestros a ricos cavaleiros.
A Igreja Católica, para tentar conter a crise, propôs a "Paz de Deus" (proteção aos cultivadores,
viajantes e mulheres) e a "Trégua de Deus" (na qual os dias para realizar guerras ficavam limitados a 90
por ano). Porém, essa intervenção da Igreja não foi suficiente para conter a crise e a violência feudais.

As Cruzadas

Como as tentativas anteriores não obtiveram o resultado esperado, a Igreja propôs as Cruzadas, uma
contraofensiva da cristandade diante do avanço do Islã. A Europa, que, entre os séculos VIII e XI, não
teve condições de reagir contra os árabes, passava a reunir nesse momento as condições necessárias:
- Mão-de-obra militar marginalizada e ociosa;
- Controle espiritual e religioso que a Igreja exercia sobre o homem medieval, que o levou a crer na
necessidade de resgatar o Santo Sepulcro e combater o infiel muçulmano;
- Poder papal que se fortalecera quando Gregário VII impôs sua autoridade a Henrique IV, na Querela
das Investiduras:
-A Igreja do Ocidente pretendia a reunificação da cristandade, quebrada pelo Cisma de 1054;
- O desejo do imperador de Constantinopla em afastar o perigo que os muçulmanos representavam;
- Para Urbano II, o papa do exílio imposto pela Querela das Investiduras, convocar as Cruzadas
demonstrava prestígio e autoridade perante toda a Igreja.

Em 1095, durante Concílio de Clermont, Urbano II convocou a cristandade para uma guerra santa
contra o Islã. Foram realizadas oito Cruzadas, entre 1095 e 1270.
Apesar da mobilização realizada pelas Cruzadas, elas são consideradas um insucesso, que se deve
em primeiro lugar ao caráter superficial da ocupação. A presença cristã no Oriente Médio não criou raízes
entre as populações locais. Outra razão foi a anarquia feudal, que enfraquecia as colônias militares
estabelecidas em território inimigo. A luta fratricida foi uma constante entre as ordens religiosas e os
cruzados latinos.

Consequências das Cruzadas

As Cruzadas não se limitaram às expedições ao Oriente. Ao mesmo tempo, os reinos ibéricos de Leão,
Castela, Navarra e Aragão começavam a Reconquista da Península Ibérica contra os muçulmanos. A
ofensiva teve início com a tomada da cidade de Toledo, em 1036, e concluiu-se, em 1492, com a tomada
de Granada. A vitória dos italianos sobre os muçulmanos no Mar Tirreno e norte da África fez com que
as cidades italianas iniciassem o seu domínio sobre o Mediterrâneo, lançando as sementes do comércio
e do capitalismo. As relações entre Ocidente e Oriente foram redinamizadas depois de séculos de

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bloqueio, e as mercadorias orientais se espalhavam pela Europa. O contato com o Oriente trouxe o
conhecimento de novas técnicas de produção, fabricação de tecidos e metalurgia.

O Renascimento do Comércio

As transformações econômicas e sócias entre os séculos XI e XIV na Europa foram imensos. A crise
do feudalismo acentuou-se, principalmente depois das cruzadas. Ao voltarem das batalhas em terras
orientais, os cruzados traziam consigo produtos de luxo, como tapetes persas, porcelanas chinesas,
tecidos finos ou especiarias (temperos como cravo, canela e pimenta), que atraíam a população europeia,
proporcionado o Renascimento do Comércio.
Por haverem estabelecido feitorias nessas regiões mais afastadas, os europeus abriram um novo eixo
comercial ligando o Ocidente ao Oriente. As principais rotas de comércio eram feitas pelo mar
Mediterrâneo e estavam sob o controle de cidades como Gênova, Veneza, Pisa, Constantinopla,
Barcelona e Marselha. No mar Báltico e no mar do Norte, o domínio ficava por conta de cidades como
Hamburgo, Bremen e pela região de Flandres (Países Baixos).

Burgos e burgueses

Com a retomada do comércio, muitos europeus deixaram o campo e foram viver dentro dos burgos -
vilas fortificadas com muralhas, construídas entre os séculos IX e X e posteriormente abandonadas -,
onde esperavam encontrar melhores condições de vida. Em pouco tempo, contudo, esses lugares
tomaram-se pequenos e as pessoas viram-se obrigadas a se instalar do lado de fora de suas muralhas.
Essa população, formada principalmente por artesãos, operários e comerciantes, acabou dando
origem a novos burgos em vários pontos da Europa. Seus habitantes, por oposição aos nobres que viviam
em castelos, ficaram conhecidos como burgueses.
O aumento do comércio e do volume de negociações gerou uma nova necessidade: a padronização
de unidades de valor. O uso de moedas tornou-se essencial, substituindo o escambo ou troca de
mercadorias. Com a criação das moedas, surgiram também primeiras casas bancárias, responsáveis
pelas operações de câmbio e empréstimos a juros. Toda essa dinâmica fez com que o dinheiro passasse
a ganhar importância e a terra e a produção agropecuária deixassem de ser a base da riqueza na Europa.
Com o aumento do comércio, e, consequentemente, dos lucros, os mercadores e banqueiros
conquistavam maior status social e passaram a ansiar pelo poder político. A burguesia ganhava prestígio
e espaço, aproximando-se dos reis e emprestando-lhes dinheiro em troca de medidas políticas favoráveis
ao comércio. Ao mesmo tempo, os senhores feudais viam-se envolvidos em dívidas, muitas delas
decorrentes das altas despesas com as Cruzadas.

A construção dos Estados Nacionais


A construção dos estados nacionais deu-se a partir de um longo processo ocorrido durante a Idade
Média.
A transição do feudalismo para o capitalismo foi marcada pelo confronto entre a ascendente Burguesia
capitalista e a decadente Nobreza feudal. A burguesia, interessada na ampliação de seus negócios e,
sobretudo, em assegurar para si condições estáveis para exercê-los, via a nobreza feudal cada vez mais
como um obstáculo.
Para a nobreza, o poder político fragmentado era vantajoso, pois permitia:
- A ação de nobres saqueadores, que tornavam incerto o comércio, e inseguras as rotas;
- A coexistência de leis e tribunais diversos, dificultando o estabelecimento e cumprimento de
contratos;
- A cobrança de tributos diversos encarecendo a prática do comércio;
- Diversidade monetária, pois cada cidade ou região cunhava sua própria moeda.

A nobreza via com desconfiança o crescimento das cidades, berço de um novo poder e polo de atração
para uma população servil cada vez menos disposta a cumprir as obrigações feudais.
O choque entre burguesia e nobreza foi resolvido com a intervenção dos monarcas, interessados em
submeter a nobreza feudal à um poder centralizado.
Como forma de assegurar seu domínio, os monarcas aproximaram-se da burguesia, cobrando um
imposto nacional. Com o dinheiro arrecadado através do imposto, o rei passava a dispor de recursos
para enfrentar e superar a nobreza, centralizando todo o poder político em suas mãos e fundando o
Estado Nacional e também o Exército Nacional.

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Durante o processo de formação e centralização do poder, os monarcas europeus tiveram que superar,
além dos senhores feudais, com seus interesses diversos, as pretensões políticas do Papa, reivindicador
do poder espiritual universal sobre todo o ocidente.
Cada Estado Nacional teve suas particularidades durante sua formação, que serão apresentadas a
seguir.

França

O processo de centralização do poder teve início durante o século X, na dinastia capetíngia, sucessora
da dinastia carolíngia. Entre os principais monarcas que buscaram o poder centralizado, estavam:

Felipe Augusto (Felipe II – 1180-1223) – O rei aproximou-se da burguesia, iniciando a cobrança de


impostos e a criação de um exército nacional. Através da utilização de seu exército, Felipe combateu a
nobreza militar, obtendo vitórias significantes, como a tomada da região da Normandia. Criou cargos de
fiscais, conhecidos como bailios ou senescais, que percorriam a França, recolhendo impostos e fazendo
com que a justiça real sobrepujasse a justiça estabelecida localmente pelos senhores feudais. Também
criou as cartas de franquia para os burgos e manteve um controle firme sobre a nobreza

Luís IX (1226-1270) Responsável por fortalecer os tribunais reais e pela padronização monetária,
estabelecendo uma moeda única para a França. O rei também teve participação na sétima e na oitava
cruzada, onde morreu. Posteriormente foi canonizado pela igreja, recebendo o título de São Luís.

Felipe IV, o Belo (1285-1314) Felipe IV gerou atritos com a Igreja, após estabelecer para o clero o
pagamento de taxas. Por suas atitudes o rei foi ameaçado de excomunhão pelo papa Bonifácio VIII.
Buscando uma maneira de fortalecer seu poder, o rei criou a Assembleia dos Estados Gerais, que
reunia alguns representantes da sociedade francesa: clero, nobreza e trabalhadores (burguesia).
Apesar de possuir um caráter apenas consultivo, a assembleia servia como instrumento de legitimação
das ações do rei.
Após a morte de Bonifácio VIII, Felipe influenciou na nomeação do um novo papa, o francês Clemente
V. Além da indicação do papa, o rei transferiu a sede do papado para Avignon, no sul da França. Essa
transferência ficou conhecida como Cativeiro de Avingnon, e durou de 1307 a 1377. Em 1341 foi eleito
um novo papa, gerando a divisão da cristandade ocidental em dois papados, criando a Cisma do
Ocidente.

Inglaterra

A formação do Estado Nacional Inglês tem origem na dinastia Plantageneta, iniciada em 1154 com a
chegada de Henrique II ao trono. O sucessor de Henrique, Ricardo I Coração de Leão, que governou
entre 1189 e 1199, esteve envolvido com o movimento das Cruzadas, e não conseguiu estabelecer a
centralização do poder. Entre suas tentativas, o aumento constante de impostos deixou a população
insatisfeita.
João-sem-Terra, que governou entre 1199 e 1216, também não conseguiu atingir a centralização,
cercado por várias guerras que levaram ao aumento de impostos para financiamento do exército.
A necessidade cada vez maior de recursos levou o rei a confrontar o papa Inocêncio III. Enfraquecido
pela falta de apoio, o rei foi obrigado a assinar a Magna Carta, proposta tanta pela burguesia quanto pela
aristocracia. Essa medida submetia os reis da Inglaterra à autoridade de um Grande Conselho de
Nobres, principalmente no que dizia respeito à cobrança de impostos. O Parlamento inglês teve sua
origem no Grande Conselho.
Com a submissão do rei à um Conselho, a centralização do poder na Inglaterra tornava-se cada vez
mais distante, tendo sido concretizada após a Guerra das Duas Rosas, quando a dinastia Tudor chega
ao poder, já no final do século XV.

Sacro Império Romano Germânico

O Sacro Império Romano Germânico foi criado no século X, e correspondia aproximadamente aos
atuais territórios da Itália e Alemanha, mantendo uma estrutura política descentralizada e tipicamente
feudal.
Apesar da existência de um imperador, o Sacro Império era também residência do papa, e gerava
conflitos entre ambos. O ápice dos conflitos ocorreu durante o pontificado de Gregório VII (1073-1085),

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através do episódio conhecido como Querela das Investiduras. Após esse episódio, os principados
alemães e das cidades do norte da Itália, que tornaram-se praticamente independentes. A unificação tanto
da Itália quanto da Alemanha só ocorreria de fato durante o século XIX.

A Península Ibérica

A Península Ibérica foi marcada pelas invasões árabes durante o século VII. Com a expansão do
islamismo na península, os grupos cristãos concentraram-se em quatro pequenos reinos: Leão, Castela,
Navarra e Aragão. A partir disso, iniciou-se durante o século XI a Guerra de Reconquista, que tinha por
objetivo expulsar os árabes da região e restabelecer o cristianismo.
A guerra de reconquista teve fim em 1492, quando a cidade de Granada foi dominada. Durante os
conflitos ao longo de mais de 300 anos, os quatro pequenos reinos foram se expandindo e também
acabaram por unir-se. O casamento dos “reis católicos”, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, em
1479, foi marco no nascimento da Espanha.

Já Portugal teve suas origens na doação de um feudo, feita pelo rei de Leão, Afonso VI, para o nobre
francês Henrique de Borgonha, que lutou na Reconquista. Em 1139, o Condado Portucalense adquiriu
autonomia, através da iniciativa de D. Afonso Henriques, filho de Henrique de Borgonha com D. Teresa.
Dessa forma foi fundado o reino de Portugal e sua primeira dinastia, a de Borgonha.
Uma das práticas do feudalismo português foi a doação de terras em caráter não hereditário, feita pelo
rei aos nobres. Com a prática, o rei conseguia manter domínio sobre a nobreza, que dependia de sua
indicação para adquirir terras.
A Guerra dos Cem Anos contribuiu de maneira excepcional para a centralização do poder em
Portugal. Com os conflitos, as rotas continentais europeias passaram a cruzar parte do território
português, criando uma vasta atividade comercial.
Com um rei forte, uma nobreza controlada e um setor mercantil a pleno vapor, Portugal atingiu a
centralização política antes de seus vizinhos europeus, com a chegada de D. João de Avis ao trono, em
1385.
Com a centralização e estabilidade política conquistados com a formação dos Estados Nacionais, a
exploração de novos mercados e riquezas tornou-se um objetivo.
Durante a primeira fase do colonialismo, no século XVI, a preocupação das potencias europeias estava
pautado no metalismo (acumulação de ouro e prata), no encontro de mercados fornecedores de
especiarias e outros produtos tropicais e de mercados consumidores para os produtos manufaturados
europeus. Durante essa fase a concentração de interesses esteve voltada principalmente para a América,
também chamada de Novo Mundo.

O Mercantilismo
O mercantilismo deve ser entendido como a política econômica do capitalismo comercial, isto é, do
período da história econômica no qual a produção é obtida pelo trabalho assalariado (o que não ocorre
no feudalismo) e a acumulação de capital se dá pela atividade comercial.
Entre os componentes essenciais do mercantilismo estão: balança comercial favorável, monopólio e
protecionismo. No início a balança comercial era o dado mais importante, ficando o monopólio e o
protecionismo como instrumentos dela. O monopólio garantido pelo protecionismo depois ganhou mais
destaque, passando a constituir o dado essencial do sistema mercantilista – seu elemento definidor.
O sistema colonial enquadra-se no mercantilismo, constituindo seu elemento mais importante e
favore-cendo, tanto o fortalecimento do Estado como a ascensão da burguesia.
As ideias do mercantilismo como sistema de mercado começam a perder espaço com a revolução
industrial, que vai mudar toda a concepção de comércio e produção de mercadorias.
A revolução industrial é um dos momentos de maior importância e influência sobre o modo de vida das
sociedades atuais. Ela marca a passagem e as transformações sociais ocorridas primeiramente na
Europa e que se espalharam pelo restante do mundo, principalmente a passagem da sociedade rural
para a sociedade urbana e a transformação do trabalho artesanal e manufatureiro para o trabalho
assalariado e a organização fabril.
A Revolução Industrial normalmente é dividida em três fases:

A Primeira Fase que vai de 1760 a 1850, predominantemente na Inglaterra, quando surgiram as
primeiras maquinas a vapor;
A Segunda Fase que vai de 1830 a 1900 e marca a difusão da revolução por países europeus como
Bélgica, França, Alemanha e Itália, além dos Estados Unidos e Japão. Durante esse período surgem

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formas alternativas de energia, como a hidrelétrica e motores de combustão interna, movidos a gasolina
e diesel.
A Terceira Fase começa em 1900, caracterizada pela inovação nas comunicações e o aumento da
produção em massa.

Entre os principais teóricos do capitalismo está o escocês Adam Smith, importante pensador da
economia que vinha se consolidando na Europa. Segundo suas ideias, a riqueza era resultado da atuação
dos indivíduos que agiam de acordo com interesses próprios, promovendo o desenvolvimento e a
inovação.
Segundo suas afirmações, não é da benevolência do padeiro, do açougueiro ou do cervejeiro que
eu espero que saia o meu jantar, mas sim do empenho deles em promover seu auto-interesse.
Smith defendia que o homem capitalista devia ser completamente livre para comprar e vender e que o
estado não deveria intervir. Assim, a sociedade receberia mais produção de cada uma das pessoas que
dela fazia parte. A competição livre entre os diversos fornecedores levaria não só à queda do preço das
mercadorias, mas também a constantes inovações tecnológicas por conta da ânsia de baratear o custo
de produção e vencer os competidores.
Adam Smith influenciou tanto a formação dos estados nacionais quanto o Direito. Estabeleceu
importantes conceitos regedores das sociedades capitalistas judaico-cristãs. Descreveu uma sociedade
que não precisava do estado para produzir e para permanecer em equilíbrio. Segundo Smith, o preço da
mercadoria seria determinado pelo mercado, mas o valor da mercadoria seria determinado pela
quantidade de trabalho nela existente.
Todos trocariam seus produtos no mercado e não haveria interferência do governo, o qual seria apenas
mais um participante do mercado. Porém, todos os participantes seriam individualistas e lutariam por seus
próprios interesses.
O governo, nessa concepção, deveria existir para garantir os direitos sobre a propriedade e a harmonia
dentro da sociedade, evitando desentendimentos.
Um dos principais críticos do sistema capitalista foi o filósofo alemão Karl marx. Segundo ele, o
capitalismo firmou-se completamente a partir do século XVIII, com a Revolução Industrial, que teve início
na Inglaterra e, a partir de então, foi alcançando os demais países europeus.
Marx divide a sociedade capitalista em duas classes sociais antagônicas: a burguesia e o
proletariado. Em sua essência, o sistema capitalista era representado pela busca do capital, pelo qual a
burguesia, que era a classe social dominante através da economia e da posse dos meios de produção
concentra o poder. Nessa busca, esse sistema econômico não vê nenhum impedimento político, moral
ou ético para expropriar o trabalhador de todos os seus atributos humanos. Marx afirma que no processo
de produção capitalista, o homem se aliena, tornando-se mera peça de engrenagem produtiva. Ele não é
mais dono dos seus instrumentos de trabalho, o ritmo de produção não é imposto por ele e tampouco
domina o processo produtivo, ou seja, a divisão do trabalho. A principal consequência desse processo é
que o trabalhador não se reconhece no produto que fez, e assim perde a sua identidade enquanto sujeito.

Propriedade Privada

A propriedade privada pode ser definida como o direito de usar algo de maneira exclusiva, de acordo
com os anseios e interesses de seu dono. Ela deve ser limitada pelo Estado para garantir sua posse e
continuidade, como também assegurar as liberdades individuais.
A propriedade privada dos meios de produção, é aquela que se constitui pelos meios de trabalho e
pelos objetos de trabalho. Os meios de trabalho são os instrumentos de produção como máquinas,
equipamentos, ferramentas e tecnologia.
Considerado o pai do liberalismo, o filósofo inglês John Locke (1632-1704) concebeu a propriedade
privada como um conceito central. Para ele, o fundamento da propriedade estava no próprio homem, em
sua capacidade de transformar a natureza pelo trabalho. O conceito de propriedade para Locke é que ela
é um direito natural, ou seja, já existia no estado de natureza, assim como o direito à vida e à liberdade.
Para Locke, a propriedade é a razão para a construção da sociedade civil, para a instituição do governo
civil, com o fim principal da união dos homens em comunidades, garantindo direitos fundamentais.
O pensador afirma que o corpo é a primeira propriedade do homem. Assim, o homem é, antes de mais
nada, proprietário de si mesmo, o que coloca em evidência a ideia da escravidão como algo
desnecessário. Sobre a propriedade da terra, Locke afirma que no estado de natureza, Deus garantiu a
todos a posse comum, e por esse razão, qualquer um poderia apropriar-se dela e suprir suas
necessidades.

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A legitimidade que Locke concede à propriedade privada, gerada na origem pelo direito natural à
apropriação, e sujeita a inúmeras restrições, só será garantida, de fato e de direito, pela esfera política
instituída pelo pacto, um pacto de consentimento e confiança, estabelecido pela maioria com vista à
segurança, que permite a cada membro usufruir por completo daquilo que lhe é próprio: seu corpo e seus
bens, entre eles a liberdade.

Religião
A religião é mostrada como uma alternativa para a consolidação do capitalismo, segundo Max Weber.
A explicação de Weber enfatiza aspectos culturais que permitiram a expansão do capitalismo. Para
ele, o desejo pelo acúmulo de riquezas sempre existiu nas sociedades humanas, como no Império
Romano ou durante as grandes navegações, mas até meados do século XVII faltavam condições sociais
que justificassem a sua perseguição ininterrupta.
Como base para sua afirmação, o autor demonstra que a Igreja Católica, por meio da inquisição e
outras ferramentas de repressão, condenava a usura e os lucros dos comerciantes, principalmente nos
séculos XV e XVI.
O Protestantismo surgiu como uma salvação às práticas comerciais proibidas pelo catolicismo. A
Reforma protagonizada por Lutero, e que ganhou força com Calvino, permitiu a acumulação de capital
necessária para a formação do sistema capitalista.
Pelos ideais protestantes, em Lutero e principalmente em Calvino, o trabalho e a acumulação não eram
condenados por Deus. Na verdade, esses religiosos colocam o trabalho e a conquista de riquezas como
algo necessário para alcançar a salvação divina, pois algumas pessoas estariam predestinadas por Deus
para alcançar o sucesso através do trabalho, e seria errado não exercer esses valores. Calvino aponta
essa riqueza alcançada pelo trabalho como a predestinação divina.
Porém, o calvinismo condena as tendências ao prazer e ao gozo, afirmando que os homens devem
privar-se de todas as coisas que não são estritamente necessárias para a sua subsistência ou para que
possa levar um estilo de vida digno e seguro. O calvinismo condena tudo aquilo que implique desperdício
ou esbanjamento. Eles também pregam que a riqueza criada deve ser reinvestida, deve servir de estímulo
para que sejam criadas novas formas de trabalho.
Essa predestinação vai ser considerada um dogma na doutrina protestante, juntamente com regras
menores como o gerenciamento minucioso do tempo, para evitar qualquer forma de desperdício. Segundo
Weber, essas normas casaram-se muito bem com as exigências administrativas da empresa (valorização
do trabalho e busca do lucro), criando as condições necessárias para a expansão do espirito capitalista
e posteriormente da sociedade industrial.
De acordo com o autor, o objetivo do capitalismo é sempre e em todo lugar, aumentar a riqueza
alcançada, aumentar o capital. E esse processo de enriquecimento constitui uma indicação segura de
que se está “predestinado”. Suas afirmações são sustentadas pela relação entre os países que fizeram
parte da Reforma Religiosa do século XVI ou sofreram grande influência destes. Entre os países que
alcançaram um grande desenvolvimento nos moldes capitalistas estão:
- Alemanha – berço da Reforma Protestante;
- Inglaterra – berço do Anglicanismo e da revolução industrial;
- Estados Unidos – destino de milhares de protestantes que buscavam fugir da perseguição religiosa
na Europa.

Neoliberalismo
O neoliberalismo foi proposto pelo economista austríaco Friedrich August von Hayek, no final da
década de 1940. Ele surge como uma contraproposta aos ideais keynesianos de bem-estar social e contra
o Estado intervencionista.
Entre suas ideias estavam a diminuição do Estado para patamares mínimos e a sociedade sendo
organizada pelo mercado. Dentro do neoliberalismo busca-se diminuir cada vez mais a participação e
principalmente a regulação do Estado na Economia (Estado mínimo), privatizando todos os setores
possíveis da sociedade, até mesmo a saúde e educação. As organizações sindicais são duramente
combatidas, assim como a regulamentação de direitos trabalhistas, afirmando que o salário mínimo é
fator de desemprego, por distorcer a economia.
Apesar de suas ideias terem sido propostas na primeira metade do século XX, apenas na década de
1980, com os líderes do Reino Unido e Estados Unidos, Margareth Thatcher e Ronald Reagan,
respectivamente, elas foram colocadas em prática.
Em 1989, com a prática neoliberal já consolidada nos Estados Unidos, o Institute for International
Economics realizou em Washington um encontro com os principais pensadores e apoiadores dessa
doutrina, além de diversos líderes sul-americanos.

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O encontro tinha como objetivo, segundo seus organizadores, “acelerar o desenvolvimento sem piorar
a distribuição de renda”
Entre os pontos sugeridos aos países participantes da reunião estavam a diminuição de gastos do
Estado, com corte de custos e de funcionários; a reforma tributária privilegiando as empresas; privatização
de empresas estatais; abertura comercial e desregulamentação de leis trabalhistas.
O Brasil não aderiu de imediato aos pontos propostos, porém, os aplicou de maneira ampla ao longo
da década de 1990, principalmente com as privatizações nos setores de energia, comunicação e
mineração.

Questões:

01. (UERJ)

Fusão entre Sadia e Perdigão

A fusão da Sadia com a Perdigão, em maio de 2009, resultou na criação da Brasil Foods, décima maior
empresa alimentícia do continente americano e segunda do país.
Esse evento é decorrente de uma estratégia das grandes corporações e representa uma tendência
mundial da atual fase do capitalismo.
A denominação da atual fase do capitalismo e uma justificativa para a adoção dessa estratégia estão
indicadas em:
(A) liberal - redução dos preços das mercadorias
(B) monopolista - ampliação da participação no mercado
(C) monetarista - diminuição dos custos de comercialização
(D) concorrencial - aumento da escala de compras da companhia

02. (UFRS) Na sua obra clássica, publicada em 1776, “A riqueza das Nações”, o escocês Adam Smith
descrevia o funcionamento de uma forma de produção de alfinetes:
“um puxa o arame, o outro o endireita, um terceiro o corta, um quarto o afia, um quinto o esmerilha na
outra extremidade para a colocação da cabeça; para se fabricar a cabeça são necessárias duas ou três
operações distintas; a colocação da cabeça é muito interessante, e o polimento final dos alfinetes também;
até a sua colocação no papel constitui, em si mesma, uma atividade...”
Smith dizia que 10 homens, dividindo o trabalho, produziam ao fim de um dia 48 mil alfinetes. Se a
produção fosse artesanal, um homem produziria apenas 20 alfinetes por dia e os 10 homens juntos
somente 200 alfinetes.
Com base nas afirmações acima, assinale a alternativa que responde corretamente às questões a
seguir.
Que forma histórica do trabalho está sendo descrita por Adam Smith? Quais as principais
consequências econômicas dessa nova forma de produção, defendida por Smith como real avanço para
a sociedade?

(A) A divisão manufatureira do trabalho – o aumento da produção e a liberdade do comércio.


(B) A produção artesanal – a industrialização e a liberdade de comércio.
(C) A divisão manufatureira do trabalho – o aumento da produção e o monopólio do comércio.
(D) A produção artesanal – o aumento da produção e a liberdade de comércio.

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(E) A cooperação fabril – a industrialização e o monopólio do comércio.

03. A origem do capitalismo remonta a um longo processo de transformações sociais iniciado em fins
da Idade Média, principalmente com a expansão comercial marítima e o renascimento urbano, que
passou a ser hegemônico na Europa Ocidental apenas em fins do século XVIII e início do XIX. Sobre as
características do desenvolvimento capitalista neste período, indique qual das alternativas sobre o tema,
expostas abaixo, está incorreta.
(A) Nos séculos finais da Idade Média houve uma transformação no caráter autossuficiente das
propriedades feudais, em que as terras começaram a ser arrendadas e a mão de obra começou a ser
remunerada com um salário.
(B) A burguesia medieval implantou uma nova configuração à economia europeia, na qual a busca
pelo lucro e a circulação de bens a serem comercializados em diferentes regiões ganharam maior espaço.
(C) A prática comercial experimentada imprimiu uma nova lógica econômica em que o comerciante
substituiu o valor de uso das mercadorias pelo seu valor de troca.
(D) Além de possibilitar uma impressionante acumulação de riquezas, o capitalismo mercantil criou
uma economia de aspecto monopolista, na qual as potências econômicas se recusavam a realizar
acordos, implantavam tarifas e promoviam guerras com o objetivo de manter seus domínios comerciais.
(E) A experiência da Revolução Industrial imprimiu um novo ritmo de progresso tecnológico e
integração da economia em que percebemos as feições mais próximas da economia experimentada no
mundo contemporâneo.

Respostas:

01. Resposta: B
A prática ilustrada na charge revela a fusão entre duas empresas que, em tese, competem em um
mesmo setor. Isso acirra as práticas monopolistas do capitalismo

02. Resposta: A
Essa forma de divisão manufatureira do trabalho precedeu a cooperação fabril necessária à
industrialização. Uma das consequências demonstradas pelo próprio trecho do livro de Smith é o aumento
da produção, a outra é a liberdade de comércio necessária ao escoamento dessa produção.

03. Resposta: D
O capitalismo mercantil criou inicialmente uma forma comercial mais aberta à concorrência, pautando
nestes princípios as políticas nacionais.

14. Industrialização Brasileira no período de 1930 até 1950. 15. Governo JK. 16.
Décadas de 1960 e 1970. 17. 13. A década de 1980: inflação; restrições externas;
planos de estabilização. 14. A década de 1990: Consenso de Washington e
abertura acelerada da economia; 15. Os Planos Collor I e II. 16. Plano Real.

27
INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA

O Brasil é considerado um país emergente ou em desenvolvimento. Apesar disso, está quase um


século atrasado industrialmente e tecnologicamente em relação às nações que ingressaram no processo
de industrialização no momento em que a Primeira Revolução Industrial entrou em vigor, como Inglaterra,
Alemanha, França, Estados Unidos, Japão e outros.
As indústrias no Brasil se desenvolveram a partir de mudanças estruturais de caráter econômico, social
e político, que ocorreram principalmente nos últimos trinta anos do século XIX.
O conjunto de mudanças aconteceu especialmente nas relações de trabalho, com a expansão do
emprego remunerado que resultou em aumento do consumo de mercadorias, a abolição do trabalho
escravo e o ingresso de estrangeiros no Brasil como italianos, alemães, japoneses, dentre muitas outras
nacionalidades, que vieram para compor a mão de obra, além de contribuir no povoamento do país, como
ocorreu na região Sul. Um dos maiores acontecimentos no campo político foi a proclamação da República.
Diante desses acontecimentos históricos, o processo industrial brasileiro passou por quatro etapas.

27
http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/a-industrializacao-brasileira.htm

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Caro(a) Candidato(a), trazemos neste material a linha do tempo da industrialização brasileira, de
1.500 até o início do século XX.

 Primeira etapa: essa ocorreu entre 1500 e 1808, quando o país ainda era colônia. Dessa forma,
a metrópole não aceitava a implantação de indústrias (salvo em casos especiais, como os engenhos) e a
produção tinha regime artesanal.

 Segunda etapa: corresponde a uma fase que se desenvolveu entre 1808 a 1930, que ficou
marcada pela chegada da família real portuguesa em 1808. Nesse período foi concedida a permissão
para a implantação de indústria no país a partir de vários requisitos, dentre muitos, a criação, em 1828,
de um tributo com taxas de 15% para mercadorias importadas e, em 1844, a taxa tributária foi para 60%,
denominada de tarifa Alves Branco. Outro fator determinante nesse sentido foi o declínio do café,
momento em que muitos fazendeiros deixaram as atividades do campo e, com seus recursos, entraram
no setor industrial, que prometia grandes perspectivas de prosperidade. As primeiras empresas limitavam-
se à produção de alimentos, de tecidos, além de velas e sabão. Em suma, tratava-se de produtos sem
grandes tecnologias empregadas.

 Terceira etapa: período que ocorreu entre 1930 e 1955, momento em que a indústria recebeu
muitos investimentos dos ex-cafeicultores e também em logística. Assim, houve a construção de vias de
circulação de mercadorias, matérias-primas e pessoas, proveniente das evoluções nos meios de
transporte que facilitaram a distribuição de produtos para várias regiões do país (muitas ferrovias que
anteriormente transportavam café, nessa etapa passaram a servir os interesses industriais). Foi instalada
no país a Companhia Siderúrgica Nacional, construída entre os anos de 1942 e 1947, empresa de
extrema importância no sistema produtivo industrial, uma vez que abastecia as indústrias com matéria-
prima, principalmente metais. No ano de 1953, foi instituída uma das mais promissoras empresas estatais:
a PETROBRAS.

 Quarta etapa: teve início em 1955, e segue até os dias de hoje. Essa fase foi promovida
inicialmente pelo presidente Juscelino Kubitschek, que promoveu a abertura da economia e das fronteiras
produtivas, permitindo a entrada de recursos em forma de empréstimos e também em investimentos com
a instalação de empresas multinacionais. Com o ingresso dos militares no governo do país, no ano de
1964, as medidas produtivas tiveram novos rumos, como a intensificação da entrada de empresas e
capitais de origem estrangeira comprometendo o crescimento autônomo do país, que resultou no
incremento da dependência econômica, industrial e tecnológica em relação aos países de economias
consolidadas.
No fim do século XX houve um razoável crescimento econômico no país, promovendo uma melhoria
na qualidade de vida da população brasileira, além de maior acesso ao consumo. Houve também a
estabilidade da moeda, além de outros fatores que foram determinantes para o progresso gradativo do
país.

O GOVERNO JUSCELINO KUBITSCHEK28

Antes mesmo de seu início, o governo de Juscelino Kubitschek enfrentou uma série de dificuldades.
As adversidades políticas que marcaram o período entre sua indicação como candidato e sua posse como
presidente não deixavam dúvidas quanto à ferrenha oposição que teria pela frente. O novo governo, fruto
da aliança PSD-PTB, certamente seria hostilizado por adversários capitaneados pela UDN, para quem
Juscelino e Jango representavam a continuação política do ex-presidente Getúlio Vargas. Parecia não
existir possibilidade de meio termo para o novo presidente, e por isso mesmo o apoio da opinião pública
seria a única forma de garantir sua manutenção no cargo. Era preciso ousar, e JK ousou ao anunciar seu
programa de governo – 50 anos de progresso em 5 anos de realizações, com pleno respeito às
instituições democráticas.
Esse ideal desenvolvimentista foi consolidado num conjunto de 30 objetivos a serem alcançados em
diversos setores da economia, que se tornou conhecido como Programa ou Plano de Metas. Na última
hora o plano incluiu mais uma meta, a 31ª, chamada de meta-síntese: a construção de Brasília e a
transferência da capital federal, o grande desafio de JK. Não se pode dizer que essa fosse a primeira
experiência de Juscelino de governar com base num plano de desenvolvimento. Guardadas as devidas

28
SILVA. B, SUELY. 50 anos em 5: O Plano de Metas. FGV CPDOC. Disponível em: < http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Economia/PlanodeMetas>

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proporções, como governador de Minas Gerais de 1951 a 1955, JK já tinha eleito o binômio energia e
transportes como metas de desenvolvimento para a sua gestão.
Tanto o plano de governo mineiro quanto o Plano de Metas de Juscelino foram elaborados com base
em estudos e diagnósticos realizados desde o início da década de 1940 por diversas comissões e missões
econômicas. O último grande esforço de diagnóstico dos entraves ao crescimento econômico brasileiro
fora feito pela Comissão Mista Brasil-Estados Unidos entre 1951 e 1953 ainda no governo Vargas. Os
estudos da Comissão Mista, assim como os do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE)
e os da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (CEPAL), indicavam a necessidade de
eliminar os "pontos de estrangulamento" da economia brasileira. Tratava-se de setores críticos que não
permitiam um adequado funcionamento da economia. A premissa do Plano de Metas, esboçado pouco
antes da posse de JK por uma equipe do BNDE, era, assim, a superação desses obstáculos estruturais.
As metas deveriam ser definidas e implementadas em estreita harmonia entre si, para que os
investimentos em determinados setores pudessem refletir-se positivamente na dinâmica de outros. O
crescimento ocorreria em cadeia. A meta de mecanização da agricultura, por exemplo, indicava a
necessidade de fabricação de tratores, prevista na meta da indústria automobilística.
Para os analistas da época, o Brasil vinha passando, desde a década de 1930, por um processo de
substituição de importações não-planejado, e a falta de planejamento seria a causa dos constantes
desequilíbrios no balanço de pagamentos. O Plano de Metas pretendia suprir essa falta. A introdução de
uma meta de consolidação da indústria automobilística no país tinha como objetivo, entre outras coisas,
a redução planejada e gradativa da importação de veículos.
Talvez pela consciência que tivesse das dificuldades inerentes à burocracia estatal e dos obstáculos
permanentes e inevitáveis impostos pela oposição, JK traçou uma estratégia de ação que se mostraria
acertada com relação à administração e à operacionalização do Plano de Metas. Já na primeira reunião
de seu ministério, em 1o de fevereiro de 1956, criou um órgão diretamente subordinado à Presidência da
República, o Conselho do Desenvolvimento, que iria coordenar o detalhamento e a execução do plano.
Tendo como secretário-executivo o presidente do BNDE, e reunindo todos os ministros, os chefes dos
gabinetes civil e militar e o presidente do Banco do Brasil, o conselho constituiria uma administração
paralela com autonomia de decisão suficiente para viabilizar a realização dos projetos. O conselho foi
conduzido, primeiramente, por Lucas Lopes. Quando este deixou a presidência do BNDE para assumir o
Ministério de Fazenda, em agosto de 1958, seu lugar foi ocupado por Roberto Campos, que permaneceu
até julho de 1959. Dessa data até o final do governo, Lúcio Meira presidiu o BNDE e foi o secretário-
executivo do conselho.
O Conselho do Desenvolvimento recorria a especialistas dos diversos setores previstos no Plano de
Metas e também a economistas oriundos de órgãos do governo, como a Superintendência da Moeda e
do Crédito (Sumoc). Atuava através de grupos executivos, aos quais cabia a responsabilidade pela
concessão de incentivos ao setor privado para que as metas de que tratavam fossem atingidas. O mais
conhecido de todos foi o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (GEIA). A coordenação dos
investimentos do setor público era atribuição do BNDE.
O Plano de Metas mencionava cinco setores básicos da economia, abrangendo várias metas cada um,
para os quais os investimentos públicos e privados deveriam ser canalizados. Os setores que mais
recursos receberam foram energia, transportes e indústrias de base, num total de 93% dos recursos
alocados. Esse percentual demonstra por si só que os outros dois setores incluídos no plano, alimentação
e educação, não mereceram o mesmo tratamento dos primeiros. A construção de Brasília não integrava
nenhum dos cinco setores.
As metas eram audaciosas e, em sua maioria, alcançaram resultados considerados positivos. O
crescimento das indústrias de base, fundamentais ao processo de industrialização, foi de praticamente
100% no quinquênio 1956-1961.
Ao final dos anos JK, o Brasil havia mudado. Muitos foram os avanços, e muitas foram as críticas à
opção de JK pelo crescimento econômico com recurso ao capital estrangeiro, em detrimento de uma
política de estabilidade monetária. O crescimento econômico e a manutenção da estabilidade política,
apesar do aumento da inflação e das consequências daí advindas, deram ao povo brasileiro o sentimento
de que o subdesenvolvimento não deveria ser uma condição imutável. Era possível mudar, e o Brasil
havia começado a fazê-lo.

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O CUSTO DO DESENVOLVIMENTISMO29

A política econômica do governo Kubitschek procurou estabelecer condições para a implementação


dos compromissos desenvolvimentistas do governo, sintetizados no Plano de Metas. A prioridade dada
ao fomento do desenvolvimento econômico contava com uma larga base de apoio que incluía interesses
empresariais, trabalhistas e militares, irmanados pela ideologia nacional-desenvolvimentista. De outro
lado, porém, enfrentava a oposição de alguns setores internos e de organismos internacionais favoráveis
a uma rígida política de estabilização. As tensões entre essas duas tendências marcaram as gestões dos
três ministros da Fazenda do período: o político José Maria Alkmin, o técnico Lucas Lopes e o
banqueiro Sebastião Pais de Almeida.
Premido pelo progressivo déficit orçamentário e da balança comercial e pela crescente desvalorização
internacional do preço do café, o governo JK teve inicialmente que definir os instrumentos de política
econômica dos quais viria a lançar mão. O ministro José Maria Alkmin rejeitou a adoção da política
cambial formulada por José Maria Whitaker quando ministro da Fazenda do governo Café Filho, a qual
previa a desvalorização do cruzeiro e o fim do regime de taxas múltiplas de câmbio. Tal sistema
tradicionalmente permitia ao governo federal subsidiar a importação de produtos considerados
estratégicos, como petróleo e trigo. Além de refutar os princípios da reforma cambial proposta por
Whitaker, Alkmin ainda tratou de estender os subsídios às indústrias automobilística e naval, tornando a
política cambial um importante instrumento de fomento ao projeto de desenvolvimento industrial do Plano
de Metas. O compromisso com a execução do plano também pode ser observado na forma pela qual
Alkmin procurou definir uma política monetária destinada a conter o processo inflacionário. O ministro
buscou limitar o processo de expansão da moeda através da restrição do crédito ao setor privado, mas,
de maneira conflitante, empenhou-se em adotar medidas que viabilizassem maior disponibilidade de
recursos para os investimentos do setor público e para o subsídio de atividades industriais consideradas
de interesse estratégico. Assim, uma vez mais, tornavam-se explícitas as prioridades do governo
Kubitschek.
As críticas à política econômica adotada por Alkmin se estenderam dos cafeicultores – que, em maio
de 1957, chegaram a organizar uma marcha contra o "confisco cambial" – aos trabalhadores assalariados
– só em 1958 foram deflagradas 29 grandes greves –, passando pelos defensores de uma maior
austeridade na execução do orçamento como forma de exercer efetivo controle inflacionário – entre os
quais se destacava Eugênio Gudin. O aumento dos gastos públicos com a execução dos programas
previstos no Plano de Metas e com a construção Brasília, a concessão de aumentos salariais e o
alargamento das linhas de crédito do Banco do Brasil, associados a uma forte depressão no mercado
internacional dos produtos da pauta de exportações brasileiras, resultariam em um quadro de forte
pressão inflacionária (só no primeiro semestre de 1958 o custo de vida na cidade do Rio de Janeiro
aumentou cerca de 10%) e de expansão do endividamento do setor público. Esse panorama passou a
representar um real risco para a condução das ambiciosas metas de desenvolvimento do governo.
Em março de 1958, o Fundo Monetário Internacional (FMI) enviou uma missão ao Brasil com o
propósito de avaliar a capacidade do país de honrar um empréstimo externo de US$ 300 milhões,
solicitado para cobrir os investimentos previstos no plano de desenvolvimento. O relatório elaborado pelo
FMI sugeria uma série de alterações nos rumos da política econômica brasileira, entre elas a contenção
dos salários, o respeito a tetos inflacionários, a revisão da política cambial e a suspensão de subsídios.
Procurando adequar-se às exigências do principal avalista dos empréstimos internacionais, Juscelino deu
sinais de que promoveria uma radical alteração nos rumos da política econômica ao substituir Alkmin por
Lucas Lopes.
Ao assumir o Ministério da Fazenda, em junho de 1958, Lucas Lopes apresentou as bases de um
Programa de Estabilização Monetária (PEM) que defendia um rígido controle do orçamento e o combate
à expansão da base monetária através de medidas radicais como o aumento de impostos, o controle das
linhas de crédito do Banco do Brasil e a eliminação dos subsídios cambiais. Com seu rigor monetarista,
o PEM impunha limites à implementação das metas de desenvolvimento, além de provocar sérios abalos
nos eixos de sustentação política e social do governo. Revelando a falta de consenso político para a
implementação das medidas contencionistas, JK autorizaria um aumento de 30% para o salário mínimo
em janeiro de 1959 e, pouco depois, concederia novos subsídios aos cafeicultores e à importação de
maquinaria para a indústria de base. Afrontando abertamente a diretriz do ministro da Fazenda, o
presidente do Banco do Brasil, Sebastião Pais de Almeida, se recusaria a cumprir a orientação de
austeridade creditícia e abriria novas linhas de empréstimos para o setor industrial. Ficava claro que, entre
a necessidade do ajuste macroeconômico e a aposta no desenvolvimento, o governo Kubitschek assumia
29
SARMENTO. E. CARLOS. O Custo do desenvolvimentismo. FGV CPDOC. Disponível em: <
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Economia/Desenvolvimentismo>

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a opção de implementar a matriz desenvolvimentista, ainda que os indicadores econômicos apontassem
para um progressivo desequilíbrio dos pilares da economia. Vencia a concepção de matriz estruturalista,
segundo a qual os sinais de desequilíbrio identificados na economia eram inerentes ao processo de
desenvolvimento e seriam corrigidos progressivamente, à medida que a economia brasileira se
modernizasse, dinamizasse e diversificasse.
Juscelino fez do embate entre a matriz desenvolvimentista e a matriz monetarista, que privilegiava a
estabilização, um poderoso instrumento de ação política, capaz de mobilizar diferentes setores da
sociedade a partir da evocação de um ideário nacionalista. Foi assim que transformou em gesto de
soberania nacional o rompimento com o FMI, em junho de 1959, e a exoneração de Lucas Lopes do
Ministério da Fazenda e de Roberto Campos da presidência do BNDE. Sua imagem pública, ao final de
seu governo, estava associada à do grande empreendedor da modernização da economia brasileira,
processo esse, no entanto, que viria a cobrar seus ônus nos anos seguintes. JK legou ao seu sucessor
uma economia que crescia à média de 8,2% ao ano, mas que passara a conviver com taxas de inflação
anuais da ordem de 23% e com um progressivo descontrole das contas externas.

INFLAÇÃO E MEDIÇÃO DA INFLAÇÃO 30

Inflação31

Fala-se muito de inflação, no entanto, nem sempre se utiliza o conceito da forma mais correta.
Especialistas e leigos muitas vezes falam de inflação quando o assunto em questão é a subida de preços.
Mas a inflação não é a simples subida de preços, não se pode falar de inflação sempre que o padeiro
decide aumentar o preço do pão ou quando se registam aumentos dos bilhetes do cinema. Isso porque,
em economia, os preços são gerados pelos movimentos de oferta e procura e o fato do preço do pão
aumentar não significa que se perca poder de compra, porque a par desse aumento pode-se verificar
diminuições nos preços de outros produtos, como a bolacha, e, então, pode acontecer que o pão seja
substituído pela bolacha. A inflação não é, assim, a simples subida do preço de um bem ou de um
serviço.

Inflação diz respeito ao processo persistente e relativamente generalizado de aumento dos


preços em vigor numa dada economia, observado ao longo de um dado período de tempo.

Importa reter nesta definição a expressão “aumento generalizado”, o que significa que a inflação não
recai apenas sobre os preços de alguns bens ou serviços, mas sim sobre os preços da maioria dos bens
e serviços. Contudo, na sua forma mais comum, o termo inflação é utilizado de forma restrita, designando
os aumentos dos preços que são suportados pelos consumidores como contrapartida pelos bens e
serviços que usufruem, não contemplando os preços pagos pelos produtores ou ainda outros preços,
como os salários. De uma forma muito simples, a inflação pode surgir quando existe uma procura
excessiva relativamente aos bens disponíveis. Suponhamos que na loja só resta um par de calças e
que você e todos os teus amigos o querem comprar. O vendedor, sabendo que a procura é muita e que
pode conseguir muito dinheiro com essas calças, decide aumentar o seu preço. Um produto pode também
passar a ser mais caro se custar mais a produzir. Caso, por exemplo, aumentem os preços dos produtos
energéticos (petróleo, eletricidade, gás, etc.), então os custos de produção de um par de calças irão
também aumentar e o fabricante, para não ter prejuízos, irá subir o preço da venda, que será transferido
aos consumidores a partir do momento em que o vendedor aumente também os preços.

Considerações Gerais sobre a Inflação32

Inflação é um aumento na quantidade de dinheiro e de crédito criado em decorrência desta criação


adicional de dinheiro. A principal e mais visível consequência da inflação é a elevação dos preços.
Portanto, uma inflação de preços — atenção para o termo correto — é causada basicamente pelo
aumento da quantidade de dinheiro na economia.

30
VASCONCELLOS, Marco Antônio Sandoval; GARCIA, Manuel Enriquez. Fundamentos da Economia. São Paulo: Saraiva. 5 Ed, 2014.
Índices de Inflação. Disponível em : http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/defaulttab.shtm.
Instituto Brasileiro de Economia: Disponível em: http://portalibre.fgv.br/
O cálculo da inflação no Brasil. Disponível em: http://br.advfn.com/economia/inflacao/brasil/calculo
31
O QUE É A INFLAÇÃO?. Cadernos BCV – Série Educação Financeira- nº 07/2008.
História da Inflação no Brasil. O Brasil e a hiperinflação. Disponível em: http://br.advfn.com/economia/inflacao/brasil/historia.
32

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A quantidade de dinheiro na economia é uma variável decorrente das políticas monetárias do governo
— mais especificamente, de seu Banco Central.

Um dos principais motivos para a criação de mais dinheiro é a existência de um orçamento deficitário
por parte do governo. Orçamentos deficitários são gerados por gastos crescentes e extravagantes, os
quais o governo é incapaz de cobrir utilizando exclusivamente suas receitas de impostos. Gastos
excessivos decorrem principalmente dos esforços do governo em redistribuir riqueza e renda para setores
privilegiados — isto é, esforços para retirar recursos dos produtivos para sustentar os improdutivos de
todas as classes. Isto corrompe a ética e desestimula os incentivos trabalhistas tanto dos produtivos
quanto dos improdutivos. Controles e congelamentos de preços não podem interromper ou arrefecer a
inflação de preços. Eles podem, no máximo, atrasar a sua manifestação. Pior ainda: eles irão sempre
desorganizar a economia. Controles de preços simplesmente comprimem ou eliminam por completo as
margens de lucro, desarranjam a estrutura de produção da economia, e geram gargalos e escassezes.
Todo e qualquer controle de preços e salários implantado pelo governo, ou até mesmo a sua
"monitoração", é apenas uma tentativa de políticos de jogar a responsabilidade pela inflação sobre
produtores e vendedores, e não em suas próprias políticas monetárias.
Uma prolongada inflação nunca "estimula" a economia. Ao contrário, ela desequilibra e desorganiza
a estrutura produtiva da economia, direcionando a produção e o emprego para investimentos que mais
tarde revelar-se-ão insustentáveis, gerando prejuízos, desperdício de recursos escassos e maior
desemprego. O desemprego assim gerado permanecerá em níveis elevados enquanto o salário
demandado estiver acima do real valor de mercado — seja por demandas sindicais, por leis de salário
mínimo (que mantém adolescentes e mão-de-obra pouco qualificada fora do mercado de trabalho) ou por
prolongados e generosos seguros-desemprego.
Para se evitar estragos irremediáveis, a noção de que expansões monetárias podem estimular
permanentemente a economia deve ser irreversivelmente rejeitada. Adicionalmente, o governo deve ser
retirado por completo do controle da oferta monetária, deixando esta área a cargo das forças de mercado.
Por fim, o orçamento do governo deve ser equilibrado o mais rapidamente possível, e não de maneira
gradualista e indolor. O equilíbrio deve ser alcançado por meio de um acentuado corte de gastos, e não
pelo aumento de uma carga tributária já extremamente elevada, que comprime salários e desestimula o
trabalho árduo e a produção.

Causas da Inflação

Basicamente, o aumento dos preços podem ter causas monetárias (impressão de papel moeda),
causas psicológicas (expectativas), ou causas reais (descompasso entre oferta e demanda).
A forma mais tradicional para estudar a questão inflacionária é distinguir a inflação provocada pelo
excesso de demanda agregada (inflação de demanda) da inflação por elevação de custos (inflação de
custos) e da inflação devido aos mecanismos de indexação de preços (inflação inercial).

-A inflação de demanda refere-se ao excesso de demanda agregada em relação à produção


disponível de bens e serviços. A probabilidade de ocorrer inflação de demanda aumenta quando a
economia está produzindo próximo ao pleno emprego de recursos. Nessa situação, aumentos da
demanda agregada de bens e serviços, com a economia já em plena capacidade, conduzem a elevações
de preços.
Um fenômeno associado à inflação de demanda é a chamada curva de Phillips, que mostra que
existiria uma relação inversa entre as taxas de salários e as taxas de desemprego. Essa curva mostrou
que existe um trade-off (ou relação inversa) entre taxas de salários nominais (que podem ser associados
às taxas de inflação) e taxas de desemprego. Coeteris Paribus (o resto constante), elevações da procura
agregada levam as empresas a demandar mais mão de obra, ocasionando aumento de salários
monetários (nominais) e redução das taxas de desemprego.
Para combater um processo de inflação de demanda, a política econômica deve basear-se em
instrumentos que provoquem redução da procura agregada por bens e serviços (como redução dos
gastos do governo, aumento da carga tributária, controle de crédito e elevação da taxa de juros).

-A inflação de custos pode ser associada a uma inflação tipicamente de oferta. O nível da demanda
permanece o mesmo, mas os custos de certos fatores importantes aumentam. Com isso, ocorre uma
retração da produção, deslocando a curva da oferta do produto para trás, provocando um aumento dos
preços de mercado.
As causas mais comuns dos aumentos dos custos de produção são:

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-Aumentos do custo de matérias-primas: exemplo: as crises de petróleo da década de 1970, ao elevar
os preços dessa matéria-prima, provocaram um brutal aumento nos custos de produção, em particular
nos custos de transporte e de energia com base no diesel, que forçosamente foram repassados aos
preços dos produtos e serviços.
-Aumentos salarias acima da produtividade: um aumento das taxas de salários que supere os
aumentos na produtividade da mão de obra acarreta um aumento dos custos unitários de produção, que
são normalmente repassados aos preços dos produtos.
-Estrutura de mercado: a inflação de custos também está associada ao fato de algumas empresas,
com elevado poder de monopólio ou oligopólio, terem condições de elevar seus lucros acima da elevação
dos custos de produção, aumentando o preço de seus produtos finais.

- Inflação inercial é o processo automático de realimentação de preços. Ou seja, a inflação corrente


decorre da inflação passada, perpetuando-se uma inércia ou memória inflacionária. Ela é provocada,
fundamentalmente, pelos mecanismos de indexação formal (salários, aluguéis, contratos financeiros) e
indexação informal (preços em geral e impostos, preços e tarifas públicas). Ou seja, os aumentos de
preços passados são automaticamente repassados para todos os demais preços da economia, por meio
dos mecanismos de correção monetária, cambial e salarial, gerando um processo autorrealimentador de
inflação.

Causas da Inflação segundo a corrente estruturalista

Na América Latina, a partir dos anos 1950, ganhou destaque uma corrente que pressupõe que a
inflação no continente estaria associada a tensões de custos causados por deficiências na estrutura
econômica. É a corrente estruturalista ou cepalina, por ter sido originada na CEPAL – Comissão
Econômica para a América Latina e Caribe, organismos da ONU sediado no Chile.
Segundo essa corrente, a inflação seria explicada principalmente por questões estruturais (daí o
nome), como estrutura agrária, estrutura oligopólica de mercado e estrutura de comércio internacional.
A oferta agrícola não responderia na mesma proporção do crescimento da demanda de alimentos, por
ser dominado por latifúndios pouco preocupados com questões de produtividade. Isso levaria ao aumento
de preço dos alimentos. Por outro lado, grandes oligopólios tem condições de manter suas margens de
lucros, repassando todos os aumentos de custos aos seus preços. Finalmente, a inflação seria provocada
pelas desvalorizações cambiais que os países subdesenvolvidos são obrigados a promover para
compensar o déficit crônico da balança comercial, gerado pela deterioração dos termos de troca no
comércio internacional, contra países subdesenvolvidos, por exportarem produtos primários, de baixa
elasticidade-renda, e importarem produtos manufaturados, de alta elasticidade-renda da demanda.
Ainda segundo os estruturalistas, as causas da inflação estão associadas a conflitos distributivos,
ou seja, na tentativa de os agentes manterem sua posição na distribuição do bolo econômico: empresários
defendendo suas margens de lucro, trabalhadores tentando manter seus salários e o governo mantendo
sua parcela por meio de impostos, preços e tarifas públicas.

Efeito da Inflação sobre a distribuição de renda

A distorção mais séria provocada pela inflação diz respeito à redução relativa do poder aquisitivo das
classes que dependem de rendimentos fixos. Nesse caso são os assalariados, que, com o passar do
tempo vão ficando com seus rendimentos cada vez mais reduzidos, até a chegada de um novo reajuste.
A classe trabalhadora é a que mais perde com a elevação das taxas de inflação, principalmente os
trabalhadores de baixa renda, que não têm condições de se proteger, por exemplo, com aplicações
financeiras, visto consumirem praticamente a totalidade de sua renda. Por essa razão costuma-se dizer
que a inflação é um imposto sobre o pobre.
Os proprietários que auferem renda de aluguel também sofrem perda de rendimento real ao longo do
processo inflacionário, pois os alugueis estão normalmente atrelados a contratos que fixam seu valor por
determinado prazo.
Os agentes econômicos com mais liberdade de formar preço e com maior poder de mercado, como
empresas oligopolizadas, têm condições de repassar os aumentos de custos provocados pela inflação,
garantindo, assim, suas margens de lucro. O governo, por meio de impostos e preços públicos, também
tem condições de se defender, corrigindo suas receitas pelas taxas de inflação.

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História da inflação no Brasil

A hiperinflação ocorre quando a inflação fica elevadíssima e fora de controle. Além de corroer o poder
de compra do consumidor, a alta generalizada e contínua dos preços costuma provocar recessão e
desvalorização acentuada da moeda.
No Brasil, a hiperinflação ocorreu entre as décadas de 1980 e
1990, quando a inflação galopante chegou a superar os 80% ao mês, ou seja, o mesmo produto chegava
a quase dobrar de preço de um mês para o outro.
Dados da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostram que entre 1980 e 1989, a
inflação média no país foi de 233,5% ao ano. Na década seguinte, entre os anos de 1990 e 1999, a
variação anual subiu para 499,2%.

-As causas da hiperinflação brasileira

As causas da hiperinflação no país costumam ser relacionadas ao aumento dos gastos públicos
durante o governo militar e pela elevação do endividamento externo, agravado pela crise mundial derivada
do aumento dos preços do petróleo e pela retração na taxa de expansão da economia.
A política de
substituição das importações – que vinha desde o governo Juscelino Kubitschek – fez crescer os gastos
públicos, e o "milagre econômico" entre o final dos anos 1960 e o início da década de 1970 (quando a
economia brasileira cresceu à média de 10% ao ano) foi financiado por empréstimos internacionais.
A
partir de 1973, quando a crise internacional do petróleo fez o custo do barril subir 400% em três meses,
de US$ 2,90 para US$ 11,65, a economia brasileira passou a apresentar taxas de inflação crescentes. O
PIB já não crescia tanto, e o Brasil entrou na década de 1980 com o pé esquerdo: inflação, dívida externa
elevada e indústria defasada.
Na hiperinflação crônica, as causas se sucedem e se realimentam. O choque do petróleo pode ter
dado início à crise hiperinflacionária, mas ela foi intensificada por desvalorizações da moeda, para manter
o Brasil competitivo (com uma maxidesvalorização em 1979); e pelo aumento do dinheiro em circulação
para financiar a dívida externa.
Foram cerca de 15 anos de inflação acima de dois dígitos e de correção monetária. Comerciantes
remarcavam diariamente dos preços dos produtos, que sumiam rapidamente das prateleiras, já que a
população estocava alimentos por temer as sucessivas altas. Preços e salários eram reajustados
automaticamente assim que era divulgada a inflação do mês anterior, criando o efeito bola de neve, em
que a inflação de um mês era imediatamente repassada para o mês seguinte.
Quem mais perdia com a hiperinflação eram os mais pobres (continua até hoje assim), que não podiam
se defender das perdas colocando o dinheiro em aplicações que rendessem juros diários e
acompanhassem a desvalorização da moeda.

-O Plano Cruzado

O Plano Cruzado foi um conjunto de medidas econômicas, lançado pelo governo brasileiro em 28 de
fevereiro de 1986, com base no decreto-lei nº 2.283, de 27 de fevereiro de 1986. Esse plano foi concebido
à luz do diagnóstico inercialista. A corrente inercialista defendia a tese de que a inflação brasileira seria
basicamente inercial, razão pela qual as políticas de controle monetário encerradas até 1995 não
provocavam reduções da taxa de inflação. O pensamento inercialista a respeito da inflação brasileira
descartava qualquer influência significativa do déficit público. A ausência de uma preocupação maior com
os limites e as formas de financiamento do déficit público estava ligada à crença de que a demanda por
moeda seria crescente numa estabilização e, assim, a estabilidade de preços resultaria numa ampliação
da capacidade de financiamento do déficit, estimulando a opção pelo lançamento de um programa
heterodoxo de combate à inflação. Em outras palavras, consideravam que desde que equacionada a
questão do desequilíbrio do setor público, o processo inflacionário brasileiro só seria contido pela
eliminação do mecanismo de indexação. Essa era a proposta por trás do Plano Cruzado.
Na época do Plano Cruzado, o presidente da República era José Sarney e o ministro da Fazenda
era Dilson Funaro.
O Plano Cruzado foi o primeiro plano econômico nacional em larga escala desde o término da ditadura
militar. Em 1986, o plano Cruzado congelou preços, e a carne sumiu dos supermercados.

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Principais medidas do Plano Cruzado

As principais medidas contidas no Plano foram:


-congelamento de preços de bens e serviços; congelamento da taxa de câmbio;
-reforma monetária, com alteração da unidade do sistema monetário, que passou a denominar-
se cruzado (Cz$), cujo valor correspondia a mil unidades de cruzeiro;
-substituição da Obrigação Reajustável do Tesouro Nacional ORTN (título da dívida pública instituído
em 1964), pela Obrigação do Tesouro Nacional (OTN), cujo valor foi congelado por um ano;
-congelamento dos salários pela média de seu valor dos últimos seis meses e do salário mínimo em
Cz$ 804,00, que era igual a aproximadamente a US$ 67,00 de Salário Mínimo;
-como a economia fora desindexada, institui-se uma tabela de conversão para transformar as dívidas
contraídas numa economia com inflação muito alta em dívidas contraídas em uma economia de inflação
praticamente nula;
-criação de uma espécie de seguro-desemprego para aqueles que fossem dispensados sem justa
causa ou em virtude do fechamento de empresas;
-os reajustes salariais passaram a ser realizados por um dispositivo chamado gatilho
salarial ou seguro-inflação, que estabelecia o reajuste automático dos salários sempre que a inflação
alcançasse 20%.

-Plano Verão

O Plano Verão, instituído em 16 de Janeiro de 1989, foi um plano econômico lançado pelo governo
do presidente brasileiro José Sarney, realizado pelo ministro Maílson Ferreira da Nóbrega, que havia
assumido o lugar de Bresser Pereira.
Devido à crise inflacionária da década de 1980, foi editada uma lei que modificava o índice de
rendimento da caderneta, promovendo ainda o congelamento dos preços e salários, a criação de uma
nova moeda, o Cruzado Novo, inicialmente atrelada em paridade com o Dólar e a extinção da OTN,
importante fator de correção monetária.
Assim como ocorreu no Plano Bresser, o Plano Verão também gerou grandes desajustes às
cadernetas de poupança, em que as perdas chegaram a 20,37%. Nenhuma regra foi definida em relação
a ajustes salariais. Atualmente, até dezembro de 2008, estas perdas podem ser reclamadas na justiça.

Cruzado Novo

Em 1989, o governo lançou o Cruzado Novo: o dinheiro perdeu zeros, a taxa de juros subiu e o crédito
desapareceu...

Plano Real

Após quase uma dezena de planos econômicos fracassados, o Plano Real marcou o final do período
de instabilidade monetária e altas taxas de inflação, que chegaram a atingir 5.000% ao ano, de julho de
1993 a junho de 1994. Junto com o plano, veio a nova moeda, o real – a quinta à qual os brasileiros
tiveram que se acostumar em uma década.
Lançado no início de 1994, durante o governo Itamar Franco, o plano baseou-se, num primeiro
momento, no equilíbrio das contas do governo, iniciado ainda no ano anterior, com redução de gastos,
aumento de impostos e privatizações. O governo também promoveu a desindexação da economia –
isto é, a inflação passada deixou de corrigir automaticamente preços e salários. Isso porque o Plano Real
também se baseou na existência de inflação inercial. Considerava que o gasto público em excesso (ou
desequilíbrio do setor público) e os mecanismos de indexação eram os principais motivos da inflação.
Para os brasileiros, a medida mais visível foi a nova troca de moeda. Antes do real, a moeda que
circulava no país era o cruzeiro real (CR$), vigente de 1º de agosto de 1993 até 30 de junho de 1994. Em
fevereiro de 1994, foi criada a Unidade Real de Valor (URV), uma moeda fictícia, cujo valor, em
cruzeiros reais, era estabelecido diariamente. Assim, a hiperinflação seguia em cruzeiros reais, mas não
em URVs.
Em 1º de julho de 1994, uma URV passou a ser igual a R$ 1, o novo dinheiro entrou em circulação no
país.
Distribuir as notas e moedas do real pelo país foi uma das maiores operações de logística já vistas.


Para a equivalência, o valor da nova moeda foi fixado com a cotação da URV do dia anterior, que era de
2.750 cruzeiros reais. Dessa forma, CR$ 5.000 equivaliam a cerca de R$ 2 – o suficiente para comprar,

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na época, meio quilo de carne, três litros de leite ou duas latas de refrigerante, por exemplo.

Entre as
medidas para controlar os preços, o governo também promoveu uma abertura maior às importações, e
adotou as chamadas âncoras cambial e monetária.
A âncora cambial instituiu o regime de bandas cambiais que, na prática, fixava o valor da moeda, e
barateava o custo dos importados.
Já a âncora monetária buscava controlar o volume de dinheiro em
circulação, evitando a pressão sobre os preços. Para isso, foram elevadas a taxa de juros e as reservas
compulsórias dos bancos (recursos que eles são obrigados a deixar guardado no Banco Central).
Essas âncoras foram substituídas, em 1999, pelo regime de metas de inflação, em que as
autoridades monetárias se comprometem a cumprir metas estabelecidas para o ano corrente e próximo
– o que ancora as expectativas do mercado. Uma das formas de buscar atingir essa meta é por meio da
taxa Selic. Ao elevar os juros, o governo encarece o custo do dinheiro, e faz cair a procura por produtos
e serviços à venda.

Políticas Econômicas

Denomina-se de Política Econômica um Conjunto de medidas tomadas pelo governo de um país com
o objetivo de atuar e influir sobre os mecanismos de produção, distribuição e consumo de bens e serviços.
Embora dirigidas ao campo da economia, essas medidas obedecem também a critérios de ordem política
e social – na medida em que determinam, por exemplo, quais segmentos da sociedade se beneficiarão
com as diretrizes econômicas emanadas do Estado.
O alcance e o conteúdo de uma política econômica variam de um país para outro, dependendo do grau
de diversificação de sua economia, da natureza do regime social, do nível de atuação dos grupos de
pressão como os partidos, sindicatos, associações de classe e movimentos de opinião pública.
Finalmente, a política econômica depende da própria visão que os governantes têm do papel do Estado
no conjunto da sociedade.
De maneira geral, podemos classificar as políticas econômicas em três tipos, segundo os objetivos
governamentais: estruturais, de estabilização conjuntural e de expansão.
A política estrutural está voltada para a modificação da estrutura econômica do país, podendo chegar
até mesmo a alterar a forma de propriedade vigente, regulando o funcionamento do mercado (proibição
de monopólios e trustes) ou criando empresas públicas, regulamentando os conflitos trabalhistas,
alterando a distribuição de renda ou nacionalizando empresas estrangeiras, privatizando empresas
públicas.
A política de estabilização conjuntural visa à superação de desequilíbrios ocasionais. Podendo
envolver tanto uma luta contra a depressão econômica como, o combate à inflação ou à escassez de
determinados produtos.
Já a política de expansão tem por objetivo a manutenção ou a aceleração do desenvolvimento
econômico. Nesse caso, podem ocorrer reformulações estruturais e medidas de combate à inflação,
proteção alfandegária e maior rigor na política cambial contra a concorrência estrangeira.
Assim, é preciso entender que o objetivo do estudo de Economia é formular propostas para resolver
ou minimizar os problemas econômicos presentes, de forma a melhorar a qualidade de vida das pessoas.
Nesse contexto, é preciso entender o que e quais são os problemas econômicos do país.

O controle da inflação pela taxa de juros – Política Monetária

Para manter o nível de inflação esperado, o governo faz uso da política monetária, por meio da taxa
básica de juros, a Selic.
Assim, caso o BC observe que a inflação corre o risco de superar a meta, a
tendência é elevar os juros.
A taxa de juros foi o instrumento escolhido pelo governo, pois ela determina
o nível de consumo do país, já que a taxa Selic é utilizada nas transações bancárias e, portanto, influencia
os juros de todas as operações na economia. A Selic é utilizada pelos bancos como um parâmetro. A
partir dela, as instituições financeiras definem quanto vão cobrar por empréstimos às pessoas e às
empresas.
Caso os juros do país estejam altos, o consumidor tende a comprar menos, porque a prestação
de seu financiamento vai ser mais alta. Isso reflete na queda da inflação. Segundo a lei da oferta e da
procura, quanto maior a demanda por um determinado produto, mais elevado é o seu preço.

Do contrário, se uma mercadoria ou serviço não forem tão procurados, o preço tende a cair para atrair
mais compradores.
O objetivo de controlar a inflação não significa manter a inflação igual a zero. Mesmo os países mais
desenvolvidos não buscam essa meta, como, por exemplo, os Estados Unidos, cujas taxas de inflação

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têm-se situado entre 2% e 3% ao ano. Na realidade, o que se busca é evitar períodos de aceleração
permanente no crescimento dos preços e manter a inflação em patamares reduzidos, que podem
perfeitamente atingir taxas como menos de dois dígitos ao ano, mas desde que estáveis ou descendentes.
A preocupação em controlar a inflação justifica-se, uma vez que taxas elevadas de inflação acarretam
uma série de distorções na economia: afetam negativamente a distribuição de renda, à medida que os
mais pobres não conseguem se proteger da inflação (porque não conseguem aplicar seus recursos no
mercado financeiro); reduzem os prazos das aplicações financeiras, fazendo desaparecer os recursos
para financiar os investimentos, a aquisição de moradias etc.; dificultam, ou até mesmo impossibilitam,
qualquer planejamento empresarial que não seja de curtíssimo prazo; e, finalmente, podem levar a uma
total destruição do parque produtivo, quando se chega à hiperinflação (como ocorreu na Alemanha, no
pós-guerra, e, mais recentemente, com a Argentina, no final dos anos 80).
A experiência mundial demonstra que países que não obtiveram um razoável controle sobre as
taxas de inflação, não conseguiram promover, de forma sustentada, o crescimento da produção
de bens e serviços. O Brasil dos anos 80 é uma prova dessa situação: o país ficou praticamente
estagnado durante toda a década, e viveu um processo inflacionário agudo. Isso faz com que o controle
da inflação seja um dos objetivos primordiais da política econômica, notadamente nos países em
desenvolvimento, onde a presença do descontrole inflacionário tem sido recorrente. Na realidade, a
discussão do problema inflacionário é uma das questões mais relevantes do debate econômico atual.
Trata-se de um tema de difícil abordagem, dado que as causas da inflação diferem entre países e, mesmo
num dado país, diferem no tempo.

Medição da inflação

As projeções relativas à inflação têm, pois, um importante papel a nível das opções tomadas pelos
agentes econômicos. Isso verifica-se, sobretudo, quando se negociam salários, ou mesmo, quando as
empresas fixam os seus preços. Se as expectativas são que a inflação vai ser elevada, então os
trabalhadores vão exigir salários nominais mais elevados, para compensar as perdas reais, e as
empresas, por sua vez, vão passar esse aumento suportado para o consumidor, sob forma de preços
mais altos. Da mesma forma, se as empresas esperam que a inflação aumente, elas antecipam esse
aumento subindo o preço dos seus bens. Agindo de acordo com a teoria das expectativas adaptativas,
os agentes econômicos tomam as suas decisões relativamente à inflação, com base no comportamento
que esta persistentemente apresentou no passado. As suas expectativas podem ou não se materializar,
mas o seu comportamento vai influenciar bastante o desempenho econômico, podendo mesmo gerar
períodos inflacionistas.
Sendo assim. a inflação precisa ser constantemente medida para depois ser projetada. A medição da
inflação é realizada por métodos econométricos. De forma simplificada: é a média aritmética ponderada
das variações de preço ao longo de um período, em que cada produto tem um peso a depender de sua
importância econômica.
No Brasil há diversos índices de inflação. Os diferentes índices utilizam em seus cálculos faixas
de renda diferentes, regiões diferentes, itens diferentes e até períodos diferentes. Isso contribui
para tornar mais segura a medição da inflação no país.
A forma de medição mais utilizada no mundo é através da aferição dos preços no varejo. A variação
dos preços no mercado varejista origina o índice de preços ao consumidor (IPC).

-IPCA

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), medido mensalmente pelo IBGE (Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística), foi criado com o objetivo de oferecer a variação dos preços no comércio para
o público final. O indicador reflete o custo de vida de famílias com renda mensal de 1 a 40 salários
mínimos, residentes nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto
Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.
O período de coleta do IPCA vai do primeiro ao último dia de cada mês. A pesquisa é realizada em
estabelecimentos comerciais, prestadores de serviços, domicílios (para verificar valores de aluguel) e
concessionárias de serviços públicos. Os preços obtidos são os efetivamente cobrados ao consumidor,
para pagamento à vista. São considerados nove grupos de produtos e serviços: alimentação e bebidas;
artigos de residência; comunicação; despesas pessoais; educação; habitação; saúde e cuidados
pessoais; transportes e vestuário. Eles são subdivididos em outros itens. Ao todo, são consideradas as
variações de preços de 465 subitens.

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O IPCA é considerado o índice oficial de inflação do Brasil - É utilizado pelo Banco Central como
medidor oficial da inflação do país. O governo usa o IPCA como referência para verificar se a meta
estabelecida para a inflação está sendo cumprida.

Como é calculada a inflação no Brasil

Os institutos pesquisam todo tipo de estabelecimento: açougues, papelarias, bares etc. Depois, usam
a pesquisa de orçamentos para saber quanto uma família média compra em cada tipo de loja. A questão
geográfica é resolvida com a pesquisa em várias praças (em geral, as maiores capitais brasileiras) e
pesando a inflação de cada região de acordo com sua população. O resultado são índices que
representam uma tendência média dos preços.
Sendo assim, mensalmente, cerca de 260 pesquisadores do IBGE fazem o levantamento dos preços
de aproximadamente 22,5 mil produtos para obterem a variação mensal do IPCA e dos demais índices
calculados pelo instituto.

No Brasil há diversos índices de inflação. Os diferentes índices utilizam em seus cálculos faixas de
renda diferentes, regiões diferentes, itens diferentes e até períodos diferentes. Isso contribui para tornar
mais segura a medição da inflação no país. Isso porque há dificuldades, como: para chegar à variação
do preço do feijão, por exemplo, leva-se em conta várias marcas, tamanhos de embalagem e tipos do
produto, segundo economistas. Usar uma cesta de produtos simplifica o cálculo, mas não resolve todos
os problemas – porque a própria inflação muda os hábitos de consumo: se, por exemplo, o preço da
laranja sobe 100%, as pessoas compram menos dessa fruta ou até deixam de consumi-la. À medida que
uns preços vão subindo mais que outros, altera-se seu peso na cesta com base em hipóteses sobre o
efeito no consumo daqueles produtos. Senão, a inflação pode ficar subestimada ou exagerada. Outra
dificuldade é decidir onde pesquisar preços. Cem gramas de presunto têm um preço num supermercado
em Salvador e outro numa padaria em Curitiba.

Vamos conhecer outros exemplos dos principais índices que medem a inflação e seu foco:

-IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), monitorado pela FGV. Ele registra a inflação de preços
variados, desde matérias-primas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. É muito usado na
correção de aluguéis e tarifas públicas, como conta de luz. Serve para todas as faixa de renda.

-INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) é medido pelo IBGE (Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística) desde setembro de 1979. Ele é obtido a partir dos Índices de Preços ao
Consumidor regionais e tem como objetivo oferecer a variação dos preços no mercado varejista,
mostrando, assim, o aumento do custo de vida da população. Como o INPC mede uma faixa salarial mais
baixa que o IPCA (até 5 salários mínimos, diante dos 40 salários mínimos do IPCA), a alteração de preços
de serviços e produtos mais básicos é mais sentida neste índice. O peso do grupo alimentos (arroz, feijão,

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leite, frutas, refeições feitas em restaurantes, lanchonetes) é maior no INPC que no IPCA. Logo, uma
variaçao nesse grupo tem um impacto maior no INPC.

-INCC - Produzido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), o Índice Nacional de Custo da Construção
(INCC) é o principal indicador de custo da construção civil no Brasil. O índice mede a evolução dos custos
de construções habitacionais nas sete principais capitais de estados do país. Consolidou-se como o
primeiro índice oficial de custo da construção civil do Brasil.

Sendo assim, temos atualmente os seguintes índices:

IPCA Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo


IGP-M Índice Geral de Preços - Mercado
IGP-DI Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna
INPC Índice Nacional de Preços ao Consumidor
IPC-S Índice de Preços ao Consumidor Semanal
IPC-Fipe Índice de Preços ao Consumidor - Fipe
INCC Índice Nacional da Construção Civil

Caro candidato(a), se quiser conhecer melhor cada um deles e consultar os índices atuais de
inflação, basta, por exemplo, visitar os sites do IBGE e FGV – IBRE, nos seguintes links:
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/defaulttab.shtm e
http://portalibre.fgv.br/

PLANOS DE ESTABILIZAÇÃO ECONÔMICA

A condução da política econômica da Nova República elegeu o combate inflacionário como meta
principal. Uma série de planos econômicos para conter a inflação foram criados.

Dentre os planos estão aqueles da ortodoxia e aquelas da heterodoxia.

Ortodaxia: De acordo com o pensamento ortodoxo, a inflação é decorrente do processo de emissão


monetária devido aos déficts públicos, o que eleva a demanda e força a alta de preços. Assim, para
combater a inflação, deve-se estancar a emissão de moeda, o que só pode ser conseguido com a retração
da demanda quer do setor privado, pela elevação de impostos, quer do setor público, pela queda nos
gastos públicos. Assim, o combate inflacionário é conseguido mediante uma política recessiva

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Heterodaxia: Para eles a inflação não decorre de excesso de demanda provocado pela emissão
monetária. A emissão monetária é vista como uma ocorrência da inflação, não como causa. Assim, a
inflação poderia ser combatida sem o apelo ao controle da demanda, isto é, não haveria necessidade de
uma política recessiva. O congelamento de preços e salários é um tipo de medida (política de renda)
característica dessa corrente.

PLANO CRUZADO
Após o fim do governo militar, foi eleito o primeiro governo da Nova República e o presidente José
Sarney tomou posse como presidente em 1985. A inflação atingia valores insustentáveis e o combate à
inflação virou o ponto mais importante da política econômica brasileira. Os planos de estabilização de
inspiração ortodoxa, adotados no período de 1981-1984, promoveram o ajustamento externo da
economia, mas não conseguiram evitar a escalada da inflação. A inflação brasileira parecia ter
propriedades específicas e uma dinâmica própria, resistindo às pressões deflacionárias da recessão e do
desemprego.
A inflação alcançou um patamar de 200% e a desindexação da economia era prioridade para combatê-
la pois somente dessa forma não haveria uma forte recessão e alto índices de desemprego. Em fevereiro
de 1986, um plano heterodoxo de estabilização foi anunciado, chamado de Plano Cruzado.
Seu principal objetivo era interromper de imediato uma inflação que parecia estar fugindo do controle
e que aparentemente não podia ser dominada por meio de políticas de estabilização ortodoxas. A
recessão de 1981-1984 resultante de políticas ortodoxas convenceu o governo da mudança de estratégia.
Num pronunciamento na televisão, em 28 de fevereiro de 1986, o presidente Sarney anunciou o Decreto-
lei 2.283, cuja meta era derrubar a inflação com um golpe violento.

Esse Decreto-lei, impôs as seguintes medidas:


1. Um congelamento geral dos preços finais dos produtos
2. Um congelamento seguindo-se a um reajuste que fixou os novos salários reais com base na média
dos seis meses anteriores mais 8%, e 15% para o salário mínimo
3. Aplicação da mesma formula a alugueis e hipotecas, sem aumento de 8%
4. Um sistema de reajustamento salarial, que assegurava um aumento automático a cada vez que o
índice de preços ao consumidor tivesse aumentado 20% em relação ao ajuste anterior ou a partir da data
base anual de cada categoria trabalhista
5. Proibição de cláusulas de indexação em contratos com menos de um ano 6. Criação de uma nova
moeda, o cruzado, que substituía o antigo cruzeiro (Cz$1 sendo igual a Cr$1.000,00).

O plano foi recebido pela população com grande entusiasmo. Assim, apesar de ter sido lançado sob a
forma de um decreto-lei, ou seja, sem discussão com a sociedade, o Plano Cruzado parecia satisfazer os
anseios da população. O plano não estabeleceu regras ou metas para as políticas monetária e fiscal, elas
ficariam a critério dos responsáveis pela política econômica. O controle das taxas de juros no início era
uma tarefa delicada, pois se muito elevadas poderiam afetar negativamente os programas de
investimento e aumentariam o peso da dívida pública interna.
Taxas de juros baixas poderiam estimular a especulação com estoques e com moedas estrangeiras,
ameaçando a estabilização. A taxa de cambio fixa não estava no decreto, mas o governo manteve fixa
em Cz$13,84 em relação ao dólar. Todas essas medidas foram adotadas pelo diagnostico de uma inflação
inercial, e o sucesso do plano dependia até que ponto isso era verdade. De imediato, os resultados foram
espetaculares.
Porém, o aumento do poder de compras dos salários, o declínio do recolhimento do imposto de renda
pessoa física, a despoupança voluntaria causada pela ilusão monetária, a redução das taxas de juros
nominais e o congelamento de alguns preços em níveis inferiores em relação ao custo geraram uma
explosão de consumo. Isso gerou um superaquecimento da economia e muitos setores se aproximavam
da capacidade plena, fazendo com que muitos produtos literalmente desaparecessem das prateleiras.
Dessa forma, no final de julho, a política econômica dispunha, aparentemente, de apenas duas opções:
ou decretava o fim do congelamento de preços, ou desacelerava o crescimento do produto através de um
rápido e severo corte na demanda agregada. Como tanto a inflação quanto a recessão tinham custos
políticos, que o governo julgava insuportáveis, optou-se por um modesto ajuste fiscal. Depois de apenas
alguns meses o plano já mostrava as suas fragilidades.
No final de julho, o governo elaborou um pacote fiscal para desaquecer o consumo. Envolvia
basicamente a criação de empréstimos compulsórios: novos impostos indiretos na aquisição de gasolina
e automóveis que seriam restituídos após três anos. Porém, esse esforço foi em vão, e a expectativa do
congelamento deu um novo impulso à demanda, aumentando ainda mais o consumo. O produto industrial

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atingiu seu pico em setembro e matérias-primas faltaram em vários setores da economia. Durante o
período de agosto a outubro a inflação permaneceu baixa, mas já começou a apresentar uma tendência
ascendente. Entretanto, esta não refletia a inflação real da economia. Os elevados superávits da balança
comercial não refletiam o excesso de consumo do mercado interno, e esse quadro superavitário mudou
a partir de setembro e outubro com uma dramática queda nas receitas das exportações. Dessa forma, o
governo descongelou levemente o câmbio e anunciou uma política de minidesvalorizações. A expectativa
de uma nova e maior desvalorização do cruzado estimulou ainda mais o adiamento de exportações e a
antecipação de importações, levando a uma deterioração maior das contas externas nos meses
posteriores. Esse foi a verdadeira crise do Plano.

PLANO CRUZADO II
A experiência e o fracasso do Plano Cruzado deixaram algumas sequelas importantes. O lançamento
do Cruzado II, uma semana após as eleições, jogou a opinião pública contra o governo.
Em novembro, o governo anunciou o Cruzado II, um “pacote fiscal” com objetivo de aumentar a
arrecadação do governo através de reajustes de alguns preços como gasolina, energia elétrica, telefone
e tarifas postais. Além disso, haveria um aumento de impostos indiretos sobre automóveis, bebidas e
cigarros. “Infelizmente como avisaram muitos economistas na época, os aumentos de preços tendiam a
desviar os gastos em vez de estimular a poupança”68. “O impacto imediato do Cruzado II seria um
violento choque inflacionário, pois tais aumentos liberaram toda a inflação que havia sido reprimida com
o congelamento dos preços
O governo de José Sarney promoveu ajustes no Plano Cruzado para tentar readequar a política
de combate à inflação. Entre as medidas propostas, destacaram-se o rigor nos gastos e déficits
públicos, juntamente com um aumento da arrecadação tributária a partir da elevação de impostos
e tarifas.
Para tentar retardar o ajuste salarial, o governo retirou do índice de inflação o aumento dos preços de
automóveis, bebidas e cigarros, mas logo voltou atrás pela pressão popular. “Dada a magnitude do
choque inflacionário do Cruzado II, a indexação voltaria a plena carga. Para tentar minimizar os efeitos,
o governo voltou com as minidesvalorizações diárias, mas sem sucesso, e a inflação voltou a acelerar
gerando uma ineficiência no reajuste salarial e reduzindo drasticamente o poder de compra dos
trabalhadores. “Contando com a retração da demanda para amortecer a aceleração inflacionária, o
governo cedeu às pressões pela liberalização dos preços, suspendendo abruptamente quase todos os
controles em fevereiro de 1987. Nos meses seguintes a inflação explodiu, atingindo 14% em março, 19%
em abril e 26% em maio. “Assim, em meados de 1987 a taxa anual estava bem acima de 1.000%”72. O
plano fracassou.
O principal objetivo do Plano Cruzado era eliminar a inflação inercial com choques heterodoxos. Os
economistas acreditavam que a inércia inflacionária era o principal motivo para a persistência da inflação.
O fracasso do plano “pode ser atribuído a muitas causas, sendo a mais importante o aumento salarial
concedido no seu início, o que intensificou a demanda agregada numa época em que a economia já
estava aquecida, situação que se agravou pela não-poupança do setor público e externa” 73. O
congelamento de preços durou mais que o necessário, provocando um crescimento assustador da
demanda e por sua vez criando um sério problema para as contas externas. Podemos concluir que “o
Plano Cruzado falhou definitivamente”

PLANO BRESSER
Foi mais um plano heterodoxo, mas este não previa a desindexação econômica, nem a reforma
monetária. O novo programa não tinha como meta a “inflação zero”, nem tencionava eliminar a indexação
da economia. Pretendia apenas promover um choque deflacionário com a supressão da escala móvel
salarial e sustentar taxas de inflação mais baixas com a redução do déficit público. Ele foi apresentado
como um plano que inclui elementos tanto ortodoxos quanto heterodoxos para o combate à inflação. A
seguir vamos analisar as principais ferramentas aplicadas a economia no plano: Baseava-se no
congelamento de três meses dos preços e na realização de ajuste fiscal, que foi incompleto.
1. Salários: foram congelados por um prazo máximo fixado em três meses nos níveis vigentes em
junho de 1987. Iria haver um reajuste de 20% da inflação registrada em maio e “o resíduo inflacionário,
decorrente do teto de 20% para os reajustamentos salariais, acumulado até maio, seria pago em seis
parcelas mensais a partir de setembro” 80.
2. Indexação Salarial: o plano previa uma nova base de indexação após o término do congelamento.
A base seria chamada de Unidade de Referência de Preços (URP), e a cada três meses, percentuais de
reajuste para os próximos três meses seriam pré-fixados, baseado na taxa de inflação média dos três
meses anteriores.

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3. Congelamento de Preços: do mesmo modo que o salários, os preços também foram congelados
pelo prazo máximo de três meses. “Porém, antes do congelamento foram anunciados diversos aumentos
para os preços públicos e administrados: 45% para eletricidade, 34% para telefone, 32% para o aço, 36%
para o pão, 27% para o leite e 13% para combustíveis. A majoração destes preços pretendia, além de
recompor perdas passadas, criar uma margem de folga para enfrentar a fase do congelamento.
4. Desvalorização Cambial: em junho o cruzado sofreu uma desvalorização de cerca de 9,5%, mas
a taxa de câmbio não foi congelada como no Plano Cruzado, mas as minidesvalorizações diárias do
cruzado, restabelecidas em novembro de 1986, foram mantidas.
5. Aluguéis: residenciais e comerciais foram congelados nos níveis vigentes em junho de 1987.
6. Contratos: pós-fixados não foram afetados pois ainda haveria indexação da economia. Para os
contratos pré-fixados, anunciou-se uma tabela de deflação diária dos pagamentos futuros, permitindo que
a expectativa inflacionária fosse embutida nos futuros pagamentos. Essa deflação foi definida em 15% ao
mês.
7. Política fiscal: o programa pretendia reduzir o déficit público. Houve aumento de tarifas públicas e
eliminação do subsídio ao trigo. Projetos de investimento público foram adiados, ajudando a criar uma
imagem mais austera do governo.
8. Política monetária: taxas de juros reais positivas visando reduzir o consumo de bens duráveis.

Logo após o início do plano a inflação oficial caiu de 25,9% em junho para 9,3% e 4,5% em julho e
agosto de 1987 respectivamente. Como havia o congelamento salarial dos trabalhadores por três meses,
e a taxa de inflação observada em junho não foi repassada aos salários, houve uma queda significativa
no poder aquisitivo e uma queda anual real dos salários na ordem de 14,7% foi observada em julho,
atingindo um pico de 16,5% em agosto. Devido as taxas de juros reais positivas, estipuladas para reduzir
o consumo, houve queda na taxa de crescimento anual da produção industrial de 9,1% em junho para
7,4% e 6,2% em julho e agosto respectivamente. Portanto, diferentemente do Plano Cruzado, o
congelamento de preços não gerou uma pressão na demanda. A inflação registrada durante os meses
de julho e agosto pode ser atribuída a um desequilíbrio nos preços relativos da economia no dia que o
plano foi implementado (12/05/1987), pois já existia uma expectativa de um novo congelamento e aos
aumentos nas tarifas públicas promovidas pelo governo.
Como os preços relativos das mercadorias nacionais estavam desalinhados com os preços do
mercado internacional, inclusive a taxa de câmbio, a inflação retomou a curva de crescimento. Ainda em
agosto, começaram a surgir novas pressões inflacionárias. A indústria estava desestimulada a produzir
devido ao controle de preços e havia um “conflito distributivo de rendas do setor privado e entre os setores
privado e público” 86. Dessa forma, o governo reduziu a quantidade de preços controlados aceitando
alguns reajustes de preços, limitados a 10%. A política heterodoxa de congelamento de preços durou
apenas três meses, abalando a credibilidade do programa. Os trabalhadores exigiam reajustes salariais
maiores e queriam incorporar ainda a inflação registrada em junho. A inflação voltou a acelerar e os gastos
do governo aumentaram muito devido aos aumentos salariais, gerando um déficit orçamentário.
Devido à falta de apoio político ao plano de ajuste fiscal, o então ministro da Fazenda, Luiz Carlos
Bresser Pereira, pediu demissão do cargo.

PLANO VERÃO
Adotou o congelamento dos empréstimos ao setor público, contenção salarial e a redução no prazo de
recolhimento dos impostos. Também tinha elementos ortodoxos e heterodoxos. Do lado ortodoxo a visão
era conter a demanda pela diminuição dos gastos públicos e da elevação de taxas de juros, procurando
evitar uma fuga dos ativos financeiros. Do lado heterodoxo visava promover a desindexação da economia
sem a predeterminação de novas regras.
Ele começou sua gestão rejeitando qualquer tipo de choque heterodoxo, “enfatizando somente a
necessidade de se empregar medidas de austeridade para combater a inflação”. Ele estabeleceu como
meta estabilizar a inflação em 15% ao mês e reduzir gradualmente o déficit público. Dessa forma não foi
lançado nenhum plano de ajuste estrutural significativo, e essa política ficou conhecida como “feijão com
arroz”. “Não é de surpreender que essa estratégia tenha-se mostrado incapaz de controlar a inflação,
cuja taxa média mensal aumentou de cerca de 18% no primeiro trimestre para aproximadamente 28% no
último trimestre de 1988
Este plano baseou-se em um programa de congelamento de preços e desindexação da economia,
bem como numa política monetária pautada na manutenção dos juros elevados, que chegaram a 16% ao
mês em termos reais no primeiro mês do plano. Os juros altos contribuíram para onerar ainda mais o
governo com o crescimento dos gastos financeiros do país. Esse plano também adotou mais uma nova
moeda, o Cruzado Novo (1000 Cruzados equivaliam a 1 Cruzado Novo).

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O Plano Verão foi de curta duração. O governo não realizou nenhum ajuste fiscal, o que mantinha os
elevados e crescentes déficits públicos. O descontrole fiscal levava ao descontrole monetário. As
exportações, por sua vez, foram desestimuladas e as importações aquecidas.

PLANO COLLOR I
Com o fracasso do plano verão e o clima festivo promovido pelo governo que chegava ao poder em
março de 1990, a inflação acelerou, atingindo uma taxa mensal de 81%92. Estes festejos decorriam das
comemorações da primeira eleição democrática no Brasil desde 1960 e foram responsáveis por um
aumento desenfreado do gasto governamental, passando de 5,8% para 8,2% entre 1989 e 1990.
Esse aumento nos gastos foi decorrente dos aumentos salariais no final do governo Sarney. A
aceleração progressiva da inflação foi acompanhada de um comportamento desfavorável da balança
comercial nos seis meses anteriores à mudança do governo, atribuído ao atraso cambial decorrente da
defasagem da indexação diante da aceleração inflacionária. O nível de produção da indústria apresentava
resultados negativos, como pode ser observado no gráfico 4 abaixo, e havia uma utilização quase plena
da capacidade instalada do parque industrial brasileiro, o que pode ser verificado pelo baixo nível de
desemprego mensurado em março de 1989, de apenas 4%.
O sistema financeiro passou a funcionar apenas como instrumento para a criação de substitutos à
moeda, pois a mesma não funcionava mais como uma reserva de valor, devido à alta inflação. Há uma
elevação contínua na taxa diária de rendimento dos depósitos no sistema financeiro, que tinha como
lastro títulos públicos, principalmente. Havia um interesse por parte das instituições financeiras em manter
uma carteira de títulos públicos, com a finalidade de dar lastro aos depósitos remunerados pelo público
como um substituto doméstico da moeda nacional. Essa era uma forma de evitar a dolarização da
economia. A população mais pobre era a mais prejudicada pela alta inflação.
Além da indexação, o governo pretendia evitar os erros dos planos anteriores, tais como o aumento
descontrolado da demanda agregada, implementando medidas de políticas restritivas, para desestimular
o consumo e o investimento privado. A importância implicitamente atribuída à recessão como meio de
alcançar a estabilização revela-se também pela decisão de manter a taxa de câmbio fortemente
valorizada nos primeiros meses após a implementação do plano, para evitar pressões inflacionárias
O governo Fernando Collor de Mello inovou a política monetária a partir do corte nos meios de
pagamentos da economia brasileira, com o confisco das poupanças e contas correntes, em que 70% dos
ativos financeiros do país foram bloqueados. Este plano, que voltou a nomear a moeda brasileira como
Cruzeiro sem promover uma reforma monetária, não levou em consideração a inflação inercial. No
primeiro mês, o plano registrou êxito ao baixar a inflação de 82% para 3%. Depois da redução inicial, o
plano deveria ser prosseguido com políticas monetárias e fiscais restritivas, juntamente com uma política
de renda que previa a correção salarial a partir da previsão da inflação do mês seguinte. A política de
renda foi abandonada, o que deixou o plano incompleto.
Os maus resultados obtidos no Plano Color I levaram a nova tentativa heterodoxa de estabilização: o
Plano Cruzado II, lançado ainda sob o comando de Zélia Cardoso de Mello. A inflação caiu entre os meses
de fevereiro e maio; mas, mesmo assim, as resistências políticas à equipe econômica, acompanhada de
uma série de escândalos, levaram a substituição da Ministra Zélia em maio. Em seu lugar, assumiu
Marcílio Marques Moreira, promovendo a volta à ortodoxia e uma tentativa de combate gradualista à
inflação.

PLANO COLLOR II – JANEIRO DE 1991


O governo, enfrentando dificuldades, lança então um novo pacote econômico em 1° de fevereiro de
1991. Esse segundo pacote de medidas ficou conhecido como Plano Collor II, e assim,
consequentemente, o pacote anterior como Plano Collor I. Dessa vez, a estratégia concentrava-se numa
reforma financeira limitada que consistia na eliminação do overnight e num ataque à inflação inercial,
através de um congelamento de salários e preços e na extinção de várias formas de indexação.
A operação de overnight é substituída por um fundo chamado de Fundo de Aplicações Financeiras.
Este novo mecanismo criado é regulado pelo governo, sendo composto por papéis do governo federal ou
estadual (garantidos pelo Bacen), de Títulos de Desenvolvimento Econômico e de Títulos de
Desenvolvimento Social. Estes dois últimos são criados com intuito de fomentar programas de
investimento tanto na área industrial quanto na social. Outros dois componentes do Fundo de Aplicações
Financeiras são papéis privados ou estaduais sem garantia governamental e mantidos como reservas
sob forma de depósitos à vista.
Um Taxa referencial (TR) é criada, buscando eliminar o que foi comumente chamado de “memória
inflacionária”, o que permite que a inflação seja calculada através da inflação esperada (πᵉ), que estava
em queda. Novos ajustes fiscais foram estabelecidos, contendo despesas das empresas estatais pelo

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bloqueio de 100% do orçamento dos Ministérios da Educação, Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social107.
A liberação de recursos para esse ministérios dependia da aprovação do Ministério da Fazenda e da
disponibilidade de recursos. Novamente, um efeito de curto prazo é observado, derrubando a taxa de
inflação mensal de 21% em fevereiro, para 6% em maio de 1991.
Houve um controle de fluxos de caixa com “resultados satisfatórios”108, com salários de funcionários
públicos sendo aumentados a taxas inferiores às da inflação, permitindo assim uma desoneração superior
a 40% dos gastos reais com salários. Somou-se a isso uma redução dos investimentos governamentais,
atingindo apenas 30% do previsto para o ano. O estoque da dívida interna reduziu-se em 1,5% do PIB,
com os gastos com serviços da dívida pública interna declinando em 80%.
Já em maio a inflação voltou a acelerar, e a equipe econômica, liderada por Zelia Cardoso de Mello foi
substituída, antes que o efeito de longo prazo de todo o plano pudesse ser observado. “O novo ministro,
Marcílio Marques Moreira, assumiu declarando-se contra qualquer tipo de tratamento de choque”110. As
principais medidas da nova equipe foram: controle nos meios de pagamentos, descongelamento de
preços e no desbloqueio dos ativos ainda bloqueados. Era o fim do Plano Collor (I e II), mais uma tentativa
frustrada no combate à inflação.

CONSENSO DE WASHINGTON33

O Consenso de Washington funcionou como um “receituário” das premissas neoliberais na América


Latina.
O Consenso de Washington foi a forma como ficou popularmente reconhecido um encontro ocorrido
em 1989, na capital dos Estados Unidos. Nesse encontro, realizou-se uma série de recomendações
visando ao desenvolvimento e à ampliação do neoliberalismo nos países da América Latina. Essa reunião
foi convocada pelo Institute for International Economics, sob o nome de “Latin Americ Adjustment: Howe
Much has Happened?”, e envolveu instituições e economistas de perfil neoliberal, além de alguns
pensadores e administradores de países latino-americanos.
Em linhas gerais, não foi preconizada nenhuma medida “inédita” durante o Consenso de Washington,
que recebeu esse nome do economista John Willianson em função de sua ampla aceitação pelos países
da América Latina, exceto, até então, Brasil e Peru. As ideias desse encontro – tidas como um
“receituário”, e não como uma imposição – já eram proclamadas pelos governos dos países
desenvolvidos, principalmente EUA e Reino Unido, desde as décadas de 1970 e 1980, quando o
Neoliberalismo começou a avançar pelo mundo. Além disso, instituições como o FMI e o Banco Mundial
já colocavam a cartilha neoliberal como pré-requisito necessário para a concessão de novos empréstimos
e cooperação econômica. O objetivo dos pontos dessa reunião, segundo o próprio John Willianson, era
o de “acelerar o desenvolvimento sem piorar a distribuição de renda”. Dessa forma, as recomendações
apresentadas giraram em torno de três ideias principais: abertura econômica e comercial, aplicação da
economia de mercado e controle fiscal macroeconômico.

Dentre as premissas básicas colocadas no Consenso de Washington, podemos destacar:


Disciplina fiscal, em que o Estado deveria cortar gastos e eliminar ou diminuir as suas dívidas,
reduzindo custos e funcionários.
Reforma fiscal e tributária, em que o governo deveria reformular seus sistemas de arrecadação de
impostos a fim de que as empresas pagassem menos tributos.
Privatização de empresas estatais, tanto em áreas comerciais quanto nas áreas de infraestrutura, para
garantir o predomínio da iniciativa privada em todos os setores.
Abertura comercial e econômica dos países, diminuindo o protecionismo e proporcionando uma maior
abertura das economias para o investimento estrangeiro.
Desregulamentação progressiva do controle econômico e das leis trabalhistas.

Apesar de o Brasil ter sido um dos poucos países que não aceitaram de imediato essas medidas, foi
um dos que mais rapidamente as aplicou, em um processo que conheceu o seu ápice ao longo da década
de 1990. A principal ação do governo brasileiro nesse sentido foi a implantação da política de
privatizações, em que empresas estatais dos ramos de energia, telecomunicações, da mineração e outros
foram transferidas para a iniciativa privada.
O Consenso de Washington tornou-se, dessa forma, uma verdadeira “receita de bolo” para a execução
das premissas neoliberais em toda a região latino-americana, que acatou as suas ideias principalmente

33
https://brasilescola.uol.com.br/geografia/consenso-washington.htm

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pela pressão e influência exercidas pelo governo dos Estados Unidos e por instituições como o FMI, o
Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BIRD)
Grupos e movimentos de esquerda e estatistas direcionam frequentes críticas ao consenso, sobretudo
por considerarem que as suas ideias teriam sido direcionadas para atender aos interesses norte-
americanos em toda América Latina, além de beneficiar as elites locais, favorecendo a concentração de
renda nos países da região. Em oposição, esses grupos apontam que a solução para os países do sul
seria adotar uma política inversa à preconizada em Washington, com uma maior intervenção do Estado
na economia, além da ampliação e fortalecimento das leis trabalhistas.

PLANO REAL
34
Plano Real foi o programa brasileiro de estabilização econômica que promoveu o fim da inflação
elevada no Brasil, situação que já durava aproximadamente trinta anos. Até então, os pacotes
econômicos eram marcados por medidas como congelamento de preços.
O Plano passou por três fases: O Programa de Ação Imediata, a criação da URV (Unidade Real de
Valor) e a implementação da nova moeda, o Real.
O PAI – Programa de Ação Imediata - foi um conjunto de medidas econômicas elaborado em julho de
1993, que “preparou a casa” para o lançamento do Plano Real um ano depois. Nessa época, o presidente
era Itamar Franco, sendo que Fernando Henrique Cardoso já era o Ministro da Fazenda.

O Programa de Ação Imediata apontou as seguintes necessidades:


- Corte de gastos públicos – de aproximadamente 6 bilhões de dólares no orçamento de 1993, em
todos os ministérios.
- Recuperação da Receita – através do combate a evasão fiscal, inclusive das grandes empresas.
- Austeridade no relacionamento com Estados e Municípios – através do corte de repasses
inconstitucionais, forçando Estados e Municípios a equilibrarem seus gastos através de cortes.
- Ajustes nos Bancos Estaduais – em alguns casos, através da intervenção do Banco Central,
buscando cortes de gastos e punindo irregularidades com a Lei do Colarinho Branco.
- Redefinição das funções dos Bancos Federais – buscando o enxugamento da estrutura, evitar a
concorrência recíproca e predatória, e punir irregularidades através da Lei do Colarinho Branco.
- Privatizações - De empresas dos setores siderúrgicos, petroquímico e de fertilizantes, por entender
que as empresas públicas estarem reféns de interesses corporativos, políticos e econômicos.

A segunda etapa do Plano, a criação da URV ocorreu em 27 de maio de 1994, inicialmente convertendo
os salários e os benefícios previdenciários, promovendo a neutralidade distributiva.
No dia 30 de junho de 1994, foi editada a Medida Provisória que implementou a nova moeda, o Real.
Essa era a terceira fase do plano.
Todo o programa tinha como base as políticas cambial e monetária. A política monetária foi utilizada
como instrumento de controle dos meios de pagamentos (saldo da balança comercial, de capital e de
serviços), enquanto a política cambial regulou as relações comerciais do país com os demais países do
mundo.
Foi estabelecida a paridade nos valores de reais e dólares, defendida através da política de
intervenção, na qual o governo promoveu a venda de dólares e o aumento das taxas de juros nos
momentos de pressão econômica.
O capital especulativo internacional foi atraído pelas altas taxas de juros, o que aumentou as reservas
cambiais, mas causou certa dependência da política cambial a esses investimentos não confiáveis em
caso de oscilações econômicas.
As políticas econômicas neoliberais originadas no governo Collor foram reforçadas, através de políticas
públicas como: a privatização de empresas estatais, a abertura do mercado, da livre negociação salarial
e da liberação de capital, entre outras. Tais medidas alteraram o padrão de acumulação de capital do
Brasil.

O Plano Real possibilitou a vitória de Fernando Henrique Cardoso nas eleições para a Presidência em
1994, sendo reeleito nas eleições seguintes. Após algumas crises internacionais, as políticas econômicas
foram revistas e modificadas, mas a estabilidade da moeda permaneceu, comparando com as décadas
em que a realidade era a hiperinflação.

34
https://www.infoescola.com/economia/plano-real/

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Questões

01. (ESAF - Planejamento e Orçamento – ESAF) Em relação ao Plano Real, é correto afirmar que
(A) nos primeiros quatro anos do Plano, a taxa de juros foi mantida baixa e próxima à média do
mercado financeiro internacional. O objetivo dessa estratégia foi manter o real desvalorizado no sentido
de estimular as exportações brasileiras.
(B) já em 1994, logo após o anúncio do Plano, foi implantado o sistema de metas de inflação, tendo a
política monetária como principal instrumento para o controle dos preços.
(C) o Plano se beneficiou de uma conjuntura internacional favorável: durante a década de 90, não
houve nenhuma crise cambial ou bancária em países emergentes.
(D) o único preço congelado durante os quatro primeiros anos do Plano Real foi a taxa de câmbio.
(E) apesar de considerar a indexação como fator importante no processo inflacionário crônico
brasileiro, o Plano não se utilizou de congelamento geral de preços e salários para reduzir a inflação no
país.

02. (ESAF - Planejamento e Orçamento – ESAF) Comparando o Plano Real com o Plano Cruzado,
é correto afirmar que:
(A) ambos os planos se beneficiaram do grande fluxo financeiro internacional de curto prazo decorrente
da desregulamentação financeira que começa no início dos anos 80.
(B) durante a vigência dos planos, ambos os governos decretaram moratória das dívidas externa e
interna.
(C) em ambos os planos, foi adotado a denominada “âncora cambial”.
(D) ambos os planos reconheciam a existência de um componente inercial na inflação brasileira.
(E) em ambos os planos, houve a implantação de inúmeras medidas para conter o aumento dos
salários na economia.

03. (IBGE - Tecnologista - Análise Socioeconômica – CESGRANRIO) Em 1986, implementou-se


no Brasil o chamado Plano Cruzado para combate à inflação.
Um aspecto fundamental desse Plano foi o(a):
(A) pacto social controlando o conflito distributivo.
(B) redução de impostos indiretos.
(C) redução da realimentação inflacionária pela inflação passada.
(D) aumento da importação de bens de investimento.
(E) choque de oferta de produtos de exportação.

04. (BACEN - Analista do Banco Central – CESGRANRIO) O Plano Real de estabilização da


economia brasileira, de, levou inicialmente ao(à)
(A) congelamento geral de preços e salários.
(B) congelamento da taxa de câmbio R$ / US$.
(C) estabelecimento de metas de inflação para o Banco Central do Brasil.
(D) valorização do real em relação ao dólar americano.
(E) forte expansão das exportações.

05. (TJ/ES - Analista Judiciário – Economia – CESPE) A introdução da nova moeda, o real, ocorreu
após todos os preços estarem expressos em termos de unidade real de valor.

Diferentemente de planos anteriores, o Plano Real não reconheceu a existência de inflação inercial no
Brasil.
( ) Certo ( ) Errado

Respostas

01. Resposta: E
Vamos discutir cada assertiva:
a) ERRADO. Nos primeiros anos, as taxas de juros foram mantidas altas.
b) ERRADO. O sistema de metas foi implantado apenas em 1999.
c) ERRADO. Houve algumas crises cambiais que dificultaram a adoção do Plano (crise dos Tigres
Asiáticos, crise do México e da Rússia).
d) ERRADO. A taxa de câmbio não foi congelada nos primeiros quatro anos do Plano Real.

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e) Correta.

02.Resposta: D
a) ERRADO. O Plano Cruzado não se beneficiou de nenhum grande fluxo financeiro internacional. Na
verdade, foi o oposto. Os EUA aumentaram as taxas de juros na década de 1980, o que provocou fuga
de capitais do mundo todo para os EUA. Portanto, a década de 1980 foi um período de fraco fluxo
financeiro internacional para o Brasil.
b) ERRADO. Tivemos moratória apenas no Plano Cruzado (mais especificamente no Plano Cruzado
II).
c) ERRADO. Apenas no Plano Real, foi adotada a âncora cambial. No Plano Cruzado, optou-se pelo
congelamento de preços.
d) CORRETA. Os dois planos consideravam a existência de inflação inercial. A diferença é que a
equipe do Plano Cruzado considerou esse ser o principal motivo da nossa inflação. Já a equipe do Plano
Real considerava que o gasto público em excesso era o principal motivo da inflação. Mas ambos levaram
em conta o componente inercial das inflações.
e) ERRADO. No Plano Real, nada foi feito sobre controle de salários. No Plano Cruzado, foi introduzido
um gatilho salarial, acionado toda vez que a inflação atingisse 20%.

03. Resposta: C
A indexação, em economia, é um sistema de reajuste de preços, inclusive salários e aluguéis, de
acordo com índices oficiais de variação dos preços. Em conjunturas inflacionárias, a indexação permite
corrigir o valor real dos salários e aluguéis e demais preços da economia, reajustando-os com base na
inflação passada. No entanto, a indexação automática pode realimentar a inflação futura. E, o plano
cruzado, como visto, foi a favor da eliminação do mecanismo de indexação, isto é, favorável à redução
da realimentação inflacionária pela inflação passada.

04. Resposta: D
(A) Quem fazia isso eram os planos heterodoxos da década de 1980 e o Plano Collor. O Real não
congelou nada.
B) Não houve congelamento do câmbio e sim uma "fixação" da paridade R$/US$. Isso quer dizer que
ela poderia mudar livremente, mas o BC atuaria para mantê-la fixa.
(C) As metas de inflação foram implantadas em 1999.
(D) CORRETO. Após a substituição da URV pelo Real manteve-se a valorização da nova moeda em
relação ao dólar americano, levando a um aumento na entrada de produtos importados no Brasil e, a
queda dos índices de inflação.
(E) pelo contrário. Houve forte expansão das IMPORTAÇÕES.

05. Resposta: Errado


Lançado no início de 1994, durante o governo Itamar Franco, o plano baseou-se, num primeiro
momento, no equilíbrio das contas do governo, iniciado ainda no ano anterior, com redução de gastos,
aumento de impostos e privatizações. O governo também promoveu a desindexação da economia – isto
é, a inflação passada deixou de corrigir automaticamente preços e salários. Isso porque o Plano Real
também se baseou na existência de inflação inercial. Considerava que o gasto público em excesso (ou
desequilíbrio do setor público) e os mecanismos de indexação eram os principais motivos da inflação.

17. Regime de metas de inflação; limites da política monetária e cambial e a


fragilidade a choques externos. 15. A década de 2000. 16. A desregulamentação
financeira e a crise internacional de 2008. 17. Medidas contra crises adotadas
pelo Brasil.

Metas da inflação

O regime de metas para a inflação35 é um regime monetário no qual o banco central se compromete a
atuar de forma a garantir que a inflação efetiva esteja em linha com uma meta pré-estabelecida, anunciada
publicamente.

35
Regime de Metas para a Inflação no Brasil. Informações até junho de 2016. Este fascículo faz parte do Programa de Educação Financeira do Banco Central
do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus/faq%2010-regime%20de%20metas%20para%20a%20infla%C3%A7%C3%A3o%20no%20brasil.pdf.

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O sistema de metas de inflação é um compromisso que o país assumiu em 1999, para dar segurança
ao mercado sobre os rumos da economia. Esse sistema prevê que a inflação medida pelo IPCA (Índice
de Preços ao Consumidor Amplo) deve ficar dentro de um limite de tolerância; ou seja, dentro de uma
faixa estabelecida.
O governo estabelece, para cada ano, uma meta de inflação, que é uma taxa fixa que deve ser
buscado. A partir desse número, é estabelecida uma faixa de tolerância – quanto a inflação real pode
variar acima ou abaixo dessa meta.

Que elementos caracterizam um regime de metas para a inflação?


O regime de metas para a inflação caracteriza-se geralmente por quatro elementos básicos:
- conhecimento público de metas numéricas de médio prazo para a inflação;
- comprometimento institucional com a estabilidade de preços como objetivo primordial da política
monetária;
- estratégia de atuação pautada pela transparência para comunicar claramente o público sobre os
planos, objetivos e razões que justificam as decisões de política monetária; e
- mecanismos para tornar as autoridades monetárias responsáveis pelo cumprimento das metas para
a inflação. Portanto, o regime de metas para a inflação envolve mais do que o anúncio público de metas
numéricas para a inflação. A transparência e a prestação de contas regulares à sociedade e a seus
representantes são elementos essenciais desse regime.

Quais as características básicas do desenho institucional de um regime de metas para a


inflação?
Entre as principais características presentes na determinação de um regime de metas para a inflação,
temos:
- escolha do índice de inflação: usualmente existem duas alternativas - o índice cheio ou um núcleo de
inflação;
- definição da meta, que pode ser pontual ou intervalar. No caso intervalar (banda), ainda existe a
alternativa de ter ou não meta central;
- horizonte da meta: definição do período de referência para avaliar o cumprimento da meta para a
inflação;
- existência de cláusulas de escape: estabelecimento, a priori, de situações que podem justificar o não
cumprimento das metas; e
- transparência: formas de comunicação da autoridade monetária visando informar a sociedade sobre
a condução do regime de metas.

No regime de metas para a inflação pode haver metas para o câmbio ou o crescimento
econômico?
No regime de metas para a inflação, a ação do banco central se baseia no controle de apenas um
instrumento, a taxa de juros de curto-prazo. Portanto, não se pode atribuir à política monetária meta
adicional para o câmbio ou o crescimento econômico. Entretanto, essas e outras variáveis econômicas
são levadas em consideração na construção do cenário prospectivo para a inflação, como pode ser visto
nas Atas do Comitê de Política Monetária (Copom).

Quais as pré-condições para a adoção de um regime de metas para a inflação?


Em um regime de metas para a inflação, é necessário que haja autonomia operacional do banco
central, de maneira que possa gerir a política monetária no sentido do cumprimento das metas. Além
disso, é necessário que a situação fiscal esteja sob controle e que o sistema financeiro nacional esteja
estável, de modo a não comprometer a perseguição da meta de inflação. Por outro lado, as metas para
a inflação devem ser críveis, ou seja, devem ter valor alcançável. Por fim, é preciso que o banco central
disponha de conhecimento sobre o funcionamento da economia, em particular dos mecanismos de
transmissão da política monetária e sua quantificação por meio de modelos macroeconômicos.

Por que se estabelecem bandas para a meta para a inflação? Por que não se utiliza meta
pontual?
As bandas existem por dois motivos. Em primeiro lugar, nenhum banco central tem controle total sobre
o comportamento dos preços. O que ele faz é mover a taxa de juros básica de forma a afetar, por vários
mecanismos indiretos, a evolução dos preços. A inflação está sujeita a vários fatores externos ao banco.
Além disso, existem defasagens nos mecanismos de transmissão da política monetária. Na ocorrência
de choque inflacionário hoje, mesmo o banco central respondendo prontamente, ainda se observará

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aumento da inflação no curto-prazo. Em segundo lugar, a presença de bandas permite ao banco central
acomodar parcialmente alguns choques. A existência de banda permite que a autoridade monetária
cumpra a meta sem que a política monetária se torne excessivamente restritiva. Contudo, tal banda não
pode ser muito ampla, pois criaria a expectativa de falta de compromisso em alcançar seu centro. Sua
utilização, portanto, deve ser feita com bastante critério e parcimônia. Assim, se por um lado é importante
que existam bandas para acomodar os choques econômicos, por outro lado sua amplitude deve ser
limitada de forma a não prejudicar a credibilidade do regime de metas.

Que fatores determinam o intervalo da banda?


Na definição do intervalo a ser considerado na meta de inflação são levados em consideração fatores
como:
- frequência e magnitude dos choques a que a economia está sujeita e resistência da economia a
esses choques. Por exemplo, choques no prêmio de risco-país, na taxa de câmbio e no preço do petróleo
podem impactar significativamente o nível de preços;
- defasagens existentes nos efeitos da política monetária: em virtude das defasagens nos mecanismos
de atuação da política monetária, existe atraso entre a ação da autoridade monetária e a reação da
economia. Dessa forma, quando ocorre choque, o banco central pode não ter como cumprir uma meta
pontual, mesmo tomando todas as medidas necessárias, pois se leva algum tempo até terem reflexo na
economia; e
- maior limitação dos modelos de previsão, em virtude, por exemplo, da presença de mudanças
estruturais na economia, que não podem ser rapidamente captadas em modelos econométricos, dada a
necessidade de reconstrução das séries históricas.

Quais são os mecanismos de transmissão da política monetária?


Os mecanismos de transmissão da política monetária são os canais por meio dos quais mudanças na
taxa de juros básica (que é o principal instrumento da política monetária) afetam o comportamento de
outras variáveis econômicas, principalmente preços e produto. Os principais mecanismos refletem a
influência de modificações no instrumento de política monetária sobre os componentes da demanda
agregada, as expectativas dos agentes econômicos, os preços dos ativos (inclusive a taxa de câmbio),
os agregados monetários e de crédito, os salários e o estoque de riqueza.

Quais os horizontes temporais utilizados em regimes de metas para a inflação? Qual o utilizado
no Brasil?
Na adoção de um regime de metas para a inflação, deve-se especificar o período que será utilizado
para verificar o cumprimento da meta. No Brasil utiliza-se o ano-calendário, isto é, o cumprimento da meta
é avaliado considerando-se os doze meses de janeiro a dezembro. Alguns países utilizam um sistema
conhecido como janela móvel (rolling window), no qual o cumprimento da meta é avaliado todo mês,
considerando a inflação acumulada em determinado número de meses (normalmente doze). Uma terceira
alternativa, tal como ocorre na Austrália, é não fixar horizonte fixo, mas considerar que as metas devem
ser alcançadas em média ao longo do tempo.

Quais as vantagens e desvantagens de horizontes mais curtos e mais longos?


Dadas as defasagens intrínsecas à política monetária, instituir horizonte de tempo mais longo para a
meta para a inflação pode ser uma boa forma de lidar com os choques econômicos e, ao mesmo tempo,
preservar a credibilidade do regime. Horizontes mais longos permitem respostas mais suaves da política
monetária em relação aos choques econômicos, já que a inflação, mesmo apresentando grandes
variações, tem certa inércia, requerendo maior tempo para se ajustar. Por outro lado, horizontes mais
curtos permitem convergência mais rápida das expectativas, possibilitando neutralizar parte dos efeitos
inflacionários decorrentes de expectativas elevadas para a inflação futura. Em economias como a
brasileira, nas quais ainda se está buscando convergência para melhores padrões internacionais de taxa
de inflação, horizontes mais curtos podem ser mais adequados.

Regime de metas para a inflação no Brasil

Quando se deu o processo de implementação do regime de metas para a inflação no Brasil?


No início de março de 1999, em ambiente ainda marcado pela incerteza quanto ao impacto da
desvalorização do real sobre a inflação, o governo brasileiro anunciou a intenção de passar a conduzir a
política monetária com base num arcabouço de metas para a inflação. O Brasil adotou formalmente o
regime de metas para a inflação como diretriz de política monetária, com a edição do Decreto nº 3.088

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pelo Presidente da República, em 21 de junho de 1999. Em 30 de junho de 1999, o Conselho Monetário
Nacional (CMN) editou a Resolução nº 2.615, tratando da definição do índice de preços de referência e
das metas para a inflação para 1999 e para os dois anos subsequentes.

Por que a estabilidade de preços foi escolhida como objetivo primordial da política monetária
no Brasil?
Após vários anos de elevado crescimento econômico, a década de 80 foi marcada pela conjunção de
dois fatores: forte queda da taxa de crescimento da economia brasileira e grande aumento da taxa de
inflação, situação que se estendeu durante a primeira metade dos anos 90, e que levou à adoção de sete
planos de estabilização em menos de dez anos. Hoje há consenso na sociedade sobre as vantagens da
estabilidade de preços, condição necessária para que possa haver crescimento autossustentado. Além
disso, no médio e longo prazo, maior inflação não gera maior crescimento; pelo contrário, cria ambiente
desfavorável aos investimentos e penaliza as camadas mais pobres da sociedade, promovendo
concentração de renda. Vale adicionar que os principais bancos centrais do mundo adotam, de forma
implícita ou explícita, a estabilidade de preços como principal objetivo da política monetária.

Qual o índice de preços escolhido para o regime de metas para a inflação no Brasil?
Quais as suas principais características? No Brasil, a meta para a inflação é definida em termos da
variação anual do índice de um dos índices de preços ao consumidor do país, o IPCA. IPCA é a sigla
para Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE.
A escolha do índice de preços ao consumidor é frequente na maioria dos regimes de metas para a
inflação, pois é a medida mais adequada para avaliar a evolução do poder aquisitivo da população. Dentro
do conjunto de índices de preços ao consumidor, o IPCA foi escolhido por ser o de maior abrangência:
mede a inflação para domicílios com renda entre 1 e 40 salários-mínimos em 13 cidades ou regiões
metropolitanas. Para mais informações sobre índices de preços no Brasil, veja PMF 2- Índices de Preços
no Brasil.

Qual a diferença entre o índice cheio e o núcleo de inflação? Que tipo de índice o Brasil adota?
O regime brasileiro considera um índice “cheio” como referência, em linha com a grande maioria dos
países que adotam metas formais para a inflação. Nesse índice são considerados todos os itens
presentes no levantamento de preços do IPCA. Em alguns países, a meta para a inflação é estabelecida
em termos de um “núcleo”, embora a tendência seja a de substituí-lo por índices cheios. Núcleos de
inflação são medidas que buscam captar a tendência da inflação, expurgando-se as variações de
componentes mais voláteis.
Um exemplo comum de núcleo de inflação é o núcleo por exclusão, calculado retirando-se da inflação
o comportamento de preços de determinados itens, como alimentos e derivados de petróleo. Outra forma
comum de núcleo é o de médias aparadas, que exclui da inflação cheia, a cada mês, os itens que
apresentaram maior volatilidade no período. Independentemente da forma de cálculo, medidas
adequadas de núcleo de inflação devem apresentar a mesma trajetória de longo-prazo que a inflação
cheia, com exceção dos casos em que a variação de preços dos itens excluídos seja de natureza
permanente.

Por que o Brasil optou pela adoção de índice cheio?


No Brasil, a adoção do índice cheio deveu-se a dois motivos. O primeiro é que, embora no longo-prazo
o núcleo e a inflação tendam a convergir, no curto prazo podem divergir significativamente. O segundo, e
talvez o mais importante, é questão de transparência e credibilidade. No momento da implantação do
regime de metas para a inflação, além da necessidade de explicar à população o que significava o regime
de metas, a introdução de novo conceito de inflação (núcleo), que não reflete a inflação efetivamente
ocorrida junto ao consumidor, poderia gerar ainda mais dúvidas. Ademais, o índice cheio está mais
próximo do conceito de bem-estar, pois é mais representativo para mensurar o verdadeiro poder de
compra do consumidor.
As pessoas não estão interessadas nos preços de parte de sua cesta de consumo, e sim em sua
totalidade. Um fator de cautela adicional na utilização dessas medidas deriva do fato de que, mesmo entre
os especialistas na área, há controvérsia quanto aos méritos e deméritos das diferentes metodologias
para calcular núcleos de inflação. O Gráfico 1 mostra a evolução do IPCA cheio e do núcleo de inflação
usando o método das médias aparadas, com suavização.

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Fontes: IBGE e BCB.
Maiores informações sobre núcleos de inflação podem ser obtidas no PMF2 sobre Índices de Preços.

O que é o centro da meta?


É a inflação a ser perseguida no centro da faixa de tolerância criada para a oscilação dos preços,
explica Pessoa (a taxa exata de inflação na qual o BC 'mira'). Desde 2005, o centro da meta se mantém
em 4,5% ao ano no Brasil.
O que é a margem de tolerância?
A regra diz que a inflação pode ficar até dois pontos acima ou dois pontos abaixo do centro da meta.
Na prática, por essa regra a inflação anual não pode ficar abaixo de 2,5%, nem ultrapassar 6,5%. Em
2005, o país esteve mais próximo do centro da meta para o ano (4,5%), com inflação anual de 4,46%.

O que é o piso da meta?


É a variação mínima tolerada dentro do sistema de metas inflacionário. Serve para prevenir o risco de
uma inflação muito baixa ou até uma deflação (queda de preços), o que pode indicar um desequilíbrio
entre a oferta e demanda no mercado, com mais produtos disponíveis do que consumidores dispostos a
comprá-los.
Esse desequilíbrio pode afetar a indústria por excesso de capacidade produtiva e provocar demissões,
aumentando o risco de maior desemprego. Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos e países da zona
do euro lutam para combater a baixa inflação após a crise internacional de 2009.

O que é o teto da meta?


É o limite ao qual a inflação pode chegar dentro do sistema de metas em um determinado período.
Atualmente, ele está 2 pontos percentuais acima do centro da meta (4,5%). Se a inflação estourar esse
teto, o presidente do BC tem obrigação de divulgar uma carta aberta ao ministro da Fazenda justificando
o descumprimento e informando quais medidas serão adotadas para que a inflação volte a níveis
tolerados.

O que acontece quando a meta para a inflação não é atingida?


Quando a meta para a inflação fixada pelo Conselho Monetário Nacional não é cumprida, isto é,
quando a inflação rompe, acima ou abaixo, os limites do intervalo de tolerância em torno da meta, as
razões para o descumprimento, bem como as providências tomadas para retornar à trajetória de metas,
são explicitadas pelo Presidente do Banco Central do Brasil (BCB) em Carta Aberta ao Ministro da
Fazenda.
Tal procedimento confere maior transparência e credibilidade ao processo de convergência às metas
inflacionárias. Foram enviadas Cartas Abertas referentes às inflações de 2001, 2002, 2003 e 2015.
O IPCA estourou o teto da meta entre 2001 e 2004. “Não há punição quando se ultrapassa o teto, mas
serve como uma advertência moral que gera insegurança nos investidores, que aumentam a exigência
por juros para investir no país”, explica Pessoa.

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1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
Quais são os instrumentos de política monetária utilizados no regime de metas para a inflação
brasileiro? A maior parte dos bancos centrais utiliza a taxa de juros de curto-prazo como instrumento
principal de política. Assim, o regime brasileiro de metas para a inflação utiliza a taxa Selic como
instrumento primário de política monetária. A taxa Selic é a taxa de juros média que incide sobre os
financiamentos diários com prazo de um dia útil (overnight) lastreados por títulos públicos registrados no
Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), ou seja, a taxa de juros que equilibra o mercado de
reservas bancárias. O Comitê de Política Monetária (Copom) estabelece a meta para a taxa Selic, e cabe
à mesa de operações de mercado aberto do BCB manter a taxa Selic diária próxima à meta.
O Gráfico 2 mostra a convergência da taxa Selic efetiva à meta estabelecida para a taxa Selic, definida
pelo Copom.

Fonte: BCB. SGS 1178 e SGS 432.


Para maiores detalhes sobre a Selic e o funcionamento das operações de mercado aberto, veja o PMF6 sobre Gestão da Dívida Mobiliária e Operações de
Mercado Aberto.

Como a inflação tem evoluído desde a adoção do regime de metas para a inflação no Brasil?
Com a introdução do regime de câmbio flutuante em 1999 e com a acentuada desvalorização
acentuada do real, a adoção do regime de metas para a inflação em julho do mesmo ano contribuiu para
estabilizar a inflação. Desde a adoção do regime de metas, a inflação efetiva, medida pelo IPCA:
Ultrapassou o intervalo de tolerância em 2001, 2002, 2003 e 2015;
Ficou acima da meta, mas dentro do intervalo de tolerância, em 2004, 2005, 2008, e de 2010 a 2014;
e
Ficou abaixo da meta, mas dentro do intervalo de tolerância em 2006, 2007 e 2009. Como pode ser
visto no Gráfico 3, em fins de junho de 2016, as medianas das expectativas de inflação coletadas pelo
Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin), do BCB, encontravam-
se em 7,27%, para 2016 e 5,50% para 2017.

Gráfico 3 – Metas para a Inflação, Intervalos de Tolerância, Mediana das Expectativas de Mercado e
IPCA Efetivo (até 2017)

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Fonte: BCB. (*) As expectativas de mercado para 2016 e 2017 foram coletadas em 30 de junho de 2016.

Qual o papel das expectativas de mercado no regime de metas para a inflação?


Um dos objetivos centrais do regime de metas é ancorar as expectativas de mercado que, de forma
geral, orientam o processo de formação de preços na economia. Na medida em que o BCB anuncia sua
estratégia de política monetária e comunica a avaliação das condições econômicas, os mercados têm
melhores condições de compreender o padrão de resposta da política monetária aos desenvolvimentos
econômicos e aos choques. Com isso, o prêmio de risco dos ativos financeiros diminui. Os movimentos
de política monetária passam a ser mais previsíveis ao mercado no médio prazo e as expectativas de
inflação podem ser formadas com mais eficiência e precisão. A partir do momento em que a política
monetária ganha credibilidade, os reajustes de preços tendem a ser próximos à meta.

CRISES FINANCEIRAS INTERNACIONAIS DE 2007 E SEUS IMPACTOS NO BRASIL

Diante da desregulamentação36 financeira dos últimos trintas anos, o que se observou foi o acirramento
da concorrência entre bancos, tendo como consequência a formação de grandes conglomerados através
de fusões e incorporações.
Outra consequência foi a diversificação da exploração dos mercados, inclusive com a exploração de
segmentos de mercado para a população de mais baixa renda. No mercado de títulos desenvolveram-se
mecanismos de securitização estimulados pelo crescimento de investidores institucionais, em que firmas
e bancos se financiam através da venda das hipotecas imobiliárias (Ferrari-Filho; De Paula, 2011).
A expansão do crédito imobiliário foi incentivada nos EUA a partir de 2001 com taxas de juros baixas
e desregulamentação financeira, era o sonho americano da sociedade de proprietários.
A desregulamentação das décadas de 1990 e 2000 permitiu o crescimento de empresas de
empréstimos hipotecários, que buscaram junto a empresas consideradas mais sólidas a securitização
dos contratos, estas, por sua vez passaram a transacioná-los de forma lucrativa nos principais mercados
financeiros dos países desenvolvidos, isso acabou incorrendo em desconectar a acumulação financeira
(fictícia) em relação ao valor real dos bens imobiliários dados em garantia para os empréstimos.
Um processo especulativo, com valores dos imóveis cada vez mais elevados, servindo de parâmetro
para a tomada de novos empréstimos por parte das famílias e dos especuladores.
A criação e difusão das hipotecas subprime foi resultado, grosso modo, do processo de intensificação
da concorrência bancária e financeira verificada durante a década de 1990. Mais especificamente, esta
década foi marcada pelo enfraquecimento das fronteiras dos espaços de atuação entre bancos e
instituições financeiras não bancárias, e também pelos rendimentos relativamente baixos dos mercados
tradicionais de crédito (empréstimos a firmas, consumidores e governos).
Neste período, o acirramento das pressões competitivas teve como um de seus resultados a
articulação entre inovações financeiras nos contratos hipotecários e processos de securitização. Tal

36
Crise mundial – resumo. http://economia.uol.com.br/ultnot/2008/10/10/ult4294u1723.jhtm.
Luiz Fernando de Paula e Fernando Ferrari Filho. Desdobramentos da crise financeira internacional. Rev. Econ. Polit. vol.31 no.2 São Paulo Apr./June 2011
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31572011000200009

. 150
1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
articulação possibilitou, por sua vez, a expansão do sistema de financiamento imobiliário americano em
direção a operações de maior risco associadas ao grupo subprime.
A expressão subprime está referida a um enorme contingente de tomadores até então excluídos
do mercado de crédito. Esse grupo incluía tomadores sem histórico de crédito, tomadores sem
comprovação de renda, contudo com bom histórico de pagamento e até mesmo tomadores de crédito
com registros de inadimplência. Conforme dito, as hipotecas foram viabilizadas, pelo lado dos credores,
pela combinação de inovações financeiras com processos de securitização.
Nesse quadro, a transformação de operações de crédito extremamente arriscadas em títulos bem
avaliados por agências de classificação de risco respeitadas resultou em um aumento significativo da
oferta de crédito. Pelo lado real da economia, a demanda por novas hipotecas - que poderiam ser
securitizadas, empacotadas e distribuídas a instituições financeiras não bancárias – estimulou o
crescimento do setor de construção civil o que, em meio à fragilidade de outros componentes de
demanda autônoma, permitiu a sustentação de taxas de crescimento econômico razoáveis.
É possível afirmar, portanto, que na década de 2000 vigorou um modelo de crescimento do
consumo baseado no crédito.
Tal processo permitiu a elevação do consumo das famílias a despeito do modesto crescimento da
renda e do emprego. Nas condições antes descritas, o limite da expansão creditícia é determinado pela
dinâmica dos preços no mercado imobiliário. Uma vez que os preços se estabilizassem, famílias e firmas
não conseguiriam repetir o procedimento de rolagem da dívida, tornando-se insolventes. Ao final de 2006,
a economia norte-americana começou a desacelerar e o mercado imobiliário a emitir sinais de retração:
“A partir de fevereiro de 2007, uma cadeia de eventos começou a revelar a fragilidade dos instrumentos
e das estruturas financeiras: inadimplência das famílias subprime, com hipotecas com taxas de juros
ajustadas ou flutuantes, execução de devedores inadimplentes, quedas nos preços dos imóveis,
movimentos de saques em hedge funds, rebaixamento das notas de alguns produtos estruturados”
(Freitas e Cintra, 2008; p. 421).
A entrada dos títulos hipotecários em fundos especulativos de alto risco a partir de 2005 pôs fim a um
período de expansão da economia mundial, com o estouro da “bolha especulativa” em 2007/2008. A
dinâmica especulativa do mercado financeiro implicou em grandes perdas para a economia norte-
americana e Europeia, incorrendo em menor dinamismo das economias periféricas.

Observe um resumo dos principais fatos da crise financeira mundial da Redação

A derrocada financeira global teve início nos EUA em março de 2007, com a crise do "subprime", como
é chamada a modalidade de empréstimos de segunda linha no país.
Com o aquecimento do mercado imobiliário, as financeiras americanas passaram a confiar de modo
excessivo em pessoas que não tinham bom histórico de pagamento de dívidas.
O bom momento econômico de então, com taxas de juros baixas no país e boas condições de
financiamento, fez os americanos se endividarem para comprar imóveis.
Os bancos decidiram transformar os empréstimos hipotecários em papéis e venderam a outras
instituições financeiras, culminando em uma perda generalizada.
Alguns dos maiores bancos dos Estados Unidos anunciaram prejuízos bilionários e tiveram de ser
socorridos. Acompanhe a seguir os desdobramentos da crise:

Junho/2007: O banco norte-americano Bear Stearns anuncia redução de 30% no lucro do segundo
trimestre por causa dos créditos imobiliários

Julho/2007: A Countrywide Financial, maior empresa do ramo de crédito hipotecário dos Estados
Unidos, divulga queda no lucro e reduz projeções para os meses seguintes

Agosto/2007: O banco BNP Paribas anuncia o congelamento dos resgates em três fundos de
investimento lastreados em hipotecas de alto risco.

Setembro/2007: Ações do Northern Rock, quinto maior provedor de hipotecas do Reino


Unido,desabam mais de 30% na Bolsa. Clientes sacam US$ 4 bilhões

Outubro/2007: O lucro líquido do Citigroup cai 57% no terceiro trimestre de 2007, em relação a igual
período de 2006, por conta dos ativos lastreados em hipotecas

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Fevereiro/2008: O banco Credit Suisse tem queda de 72% em seu lucro líquido do quatro trimestre de
2007.

Em crise, o banco britânico Northern Rock é nacionalizado

Março/2008: A maior seguradora do mundo, a AIG, anuncia perdas de US$ 5,3 bilhões no quarto
trimestre de 2008

O JP Morgan compra o Bear Stearns por US$ 236,2 milhões, ou US$ 2 por ação. Um ano antes, o
papel era negociado a US$ 70

Abril/2008: O banco Wachovia, quarto maior dos Estados Unidos, registra prejuízo de US$ 393 milhões
no primeiro trimestre e corta 41% do dividendo distribuído aos acionistas

Maio/2008: A agência de crédito hipotecário Fannie Mae, anuncia prejuízo de US$ 2,19 bilhões no
primeiro trimestre e também reduz dividendos

Julho/2008: O banco norte-americano IndyMac anuncia a quebra

Agosto/2008: O Tesouro dos Estados Unidos avisa que fará o resgate das agências hipotecárias
Fannie Mae e Freddie Mac e oferece garantias de até US$ 100 bilhões para as dívida de cada uma delas

Setembro/2008: O banco Lehman Brothers pede proteção à lei de falências e ocasiona a


maiorqueda nas Bolsas dos Estados Unidos desde os atentados de 11 de setembro de 2001

O terceiro maior banco britânico, o Barclays, anuncia que vai adquirir o conjunto das atividades norte-
americanas e a sede do gigante dos investimentos Lehman Brothers, por US$ 1,75 bilhão.

O banco central dos EUA, o Federal Reserve, nacionaliza a seguradora AIG, concedendo-lhe um
crédito de US$ 85 bilhões em troca de 79,9% de seu capital

O Tesouro dos EUA anuncia a criação de um plano de cerca de US$ 700 bilhões para comprar os
títulos hipotecários que perderam valor e ameaçavam os bancos em crise

O lucro do Goldman Sachs desaba 70% no terceiro trimestre e passa para US$ 845 milhões, ou US$
1,81 por ação

Os seis principais bancos centrais do mundo anunciam uma "medida coordenada" com a injeção de
bilhões de dólares no mercado financeiro para enfrentar a falta de liquidez

O Merrill Lynch é vendido ao Bank of América por US$ 50 bilhões

O Fed aceita a proposta que transforma o Goldman Sachs e o Morgan Stanley em bancos comerciais

O grupo empresarial Berkshire Hathaway, dirigido pelo multimilionário americano Warren Buffett,
anuncia o investimento de US$ 5 bilhões no banco Goldman Sachs, para reforçar a capitalização e a
liquidez da entidade.

Após a liberação do Fed para se transformar em um banco comercial, o banco Morgan


Stanleycongelou as negociações para uma fusão com o também americano Wachovia.

O banco britânico Lloyd TSB compra o concorrente HBOS, que estava à beira da falência.

O Fed volta a intervir no mercado e injeta US$ 20 bilhões no sistema financeiro do país para aumentar
a liquidez.

Diante da dificuldade de aprovação do pacote, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush,
utiliza um discurso mais rígido e afirma que a economia norte-americana pode entrar em recessão

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1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
A crise se agrava com a quebra do sexto maior banco americano, Washington Mutual (WaMu), e a
venda de suas atividades bancárias ao banco JPMorgan Chase por US$ 1,9 bilhão

Congresso dos EUA fecha acordo sobre pacote econômico, que liberaria US$ 700 bilhões para
socorrer o setor financeiro

Dois bancos europeus, o britânico Bradford & Bingley e parte do belga Fortis, são nacionalizados
devido à crise

Sadia anuncia perdas de R$ 760 milhões com operações no mercado financeiro. Aracruz também
admite perdas, mas não diz quanto

A Câmara de Representantes dos Estados Unidos surpreende e rejeita o pacote de socorro ao setor
financeiro, apesar de acordo prévio anunciado

Outubro/2008: O Senado dos EUA aprova um novo pacote de resgate financeiro, que mantém os
gastos de até US$ 700 bilhões. O novo projeto tem de voltar à Câmara

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprova a nova versão do pacote de resgate
financeiro, dois dias depois de ter sido aprovada pelo Senado.

Aracruz anuncia perda de R$ 1,95 bilhão com operações no mercado financeiro. O presidente dos
Estados Unidos, George W. Bush, sanciona a lei que permite colocar o plano em vigor, dizendo que a
ação "vital para ajudar que a economia americana supere a tempestade financeira".

O Bank of America anuncia que está disposto a gastar até US$ 8,4 bilhões para reestruturar os
empréstimos hipotecários dos clientes de sua nova filial Countrywide, adquirida em julho quando estava
à beira da falência

O governo e os bancos da Alemanha fecham um acordo para a criação de um plano de 50 bilhões de


euros para evitar a quebra do banco Hypo Real Estate (HRE).

O banco americano Wells Fargo anuncia que conseguiu anular, com um recurso de apelação, a
decisão do juiz de Nova York que ordenava o congelamento da fusão com o Wachovia

Apesar da aprovação do pacote de socorro nos EUA, os investidores começam a desconfiar da eficácia
do plano e, com temores de que possa acontecer uma recessão global, os mercados desabam e no Brasil,
a Bovespa interrompe as negociações por duas vezes na segunda-feira, dia 6 de outubro, depois de
recuar mais de 15%.

Para tentar conter o avanço da crise, os bancos centrais no mundo divulgam uma série de medidas.
O Fed (Federal Reserve, autoridade monetária americana) diz que vai colocar mais US$ 450 bilhões à
disposição do sistema financeiro e anuncia uma medida sem precedentes: comprar papéis de curto prazo
emitidos por empresas

O Fed e mais cinco bancos centrais, incluindo o Europeu, anunciam um calendário de operações de
refinanciamento, numa ajuda conjunta ao sistema financeiro

A União Européia decide elevar a garantia dos depósitos bancários no grupo de 20 mil euros para 50
mil euros e afirma que não permitirão que nenhum grande banco quebre na região.

O governo britânico discute com instituições financeiras a possibilidade de uma injeção de recursos
públicos. Fontes dizem que três grandes bancos, Royal Bank of Scotland, Lloyds TSB e Barclays, estavam
em busca de 15 bilhões de libras (US$ 26 bilhões) cada para ajudá-los a enfrentar a crise global

Em relatório, o Fundo Monetário Internacional (FMI) sugere que o pior da atual crise financeira global
ainda está por vir

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A porta-voz da Casa Branca, Dana Perino, diz que a crise financeira já afeta mercados como o
brasileiro

No Brasil, o Banco Central e o Ministério da Fazenda anunciam ações para evitar que os problemas
financeiros norte-americanos reflitam no Brasil. Entre as medidas, estão o aumento do limite da dedução
de compulsórios para R$ 300 milhões, a disponibilização de R$ 24 bilhões exclusivos para a compra de
carteira de bancos menores e ampliação da linha de crédito para exportações em R$ 5 bilhões.

Os principais bancos centrais do mundo decidem reduzir suas taxas básicas de juros, em uma ação
emergencial conjunta sem precedentes

O FMI prevê uma forte freada no crescimento da economia mundial em 2008 e 2009. Para os Estados
Unidos, a projeção de crescimento baixou para 0,1%. Para a América Latina, a expectativa é de uma
expansão de 4,6%.

O Reino Unido anuncia um plano interno de ajuda ao setor bancário que vai custar 50 bilhões de libras
(equivalente a US$ 90 bilhões). Mas o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, defende um plano
europeu de socorro ao sistema financeiro.

No Brasil, o Banco Central decide vender dólar no mercado à vista, prática que não adotava desde
2003, para tentar reduzir a cotação da moeda, que subia forte.
A crise na Europa e os dilemas da Espanha
A moeda comum europeia, o Euro, foi implantada em 1999 como mais uma etapa no que se entendia
como um processo que deveria conduzir o Velho Continente a tão sonhada unificação política, a qual, por
sua vez, era vista por muitos europeus como condição necessária para a Europa reassumir sua liderança
histórica no mundo, suplantando os Estados Unidos. Passados mais de 10 anos da introdução do Euro
surgem dúvidas cada vez maiores sobre a sustentabilidade da moeda comum a médio prazo.
Os países que compõe a área do Euro são bastante heterogêneos no que se refere tanto à sua
competitividade externa como à sua situação fiscal. Essas diferenças impõem limites bastante estreitos
para a condução de políticas anticíclicas "autônomas" por parte dos países da área do Euro.
Nesse contexto, podemos identificar dois grupos de países. No primeiro grupo, composto basicamente
pela Alemanha, o crescimento do PIB é liderado pelas exportações, a taxa real de câmbio permanece em
patamares razoavelmente competitivos e a situação fiscal (medida pela relação dívida/PIB e déficit
público/PIB) permite o uso moderado da política fiscal por vários anos como instrumento de política
anticíclica.
Em um contexto de forte apreciação do Euro frente ao dólar e outras moedas, a competitividade
externa da economia alemã foi mantida nos últimos 10 anos graças a uma política de "moderação salarial"
adotada pelos sindicatos alemães, os quais, em troca da manutenção dos empregos industriais na
Alemanha, aceitaram que um crescimento do salário real muito abaixo da produtividade do trabalho. Essa
política salarial permitiu uma queda acentuada do custo unitário do trabalho na Alemanha relativamente
aos demais países da área do Euro, viabilizando a manutenção da competitividade da economia alemã e
a importância da indústria e das exportações como motor do crescimento de longo prazo da maior
economia da Europa.
O segundo grupo de países é constituído pelos PIIGS: Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha.
Em que pesem a existência de algumas diferenças entre os referidos países, podemos destacar a
presença de alguns traços comuns a esse grupo de países. Com efeito, esses países sofrem de um
problema crônico de competitividade externa, o qual se reflete em grandes déficits em conta-corrente (no
caso da Espanha quase 10% do PIB em 2008) somado com desequilíbrios fiscais que variam de
moderado (no caso da Espanha) à gravíssimo (o caso da Grécia). O regime de crescimento desses
países nos últimos anos foi, em larga medida, finance-led, ou seja, liderado pelo aumento do consumo (e
do investimento imobiliário) financiado com endividamento privado e aumento dos preços dos ativos. A
combinação entre desequilíbrios nos balanços do setor privado e desequilíbrios nas contas públicas não
só torna muito estreito o espaço para a utilização da política fiscal de forma anticíclica, como ainda
inviabiliza as chances de uma recuperação do nível de atividade por intermédio de um aumento da
demanda doméstica privada.
Dessa forma, a única saída que esses países têm para a atual crise consiste em um aumento forte e
sustentável das exportações, o qual, no entanto, fica no aguardo da recuperação da economia mundial,
uma vez que:

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A adesão ao Euro eliminou a possibilidade de se usar a desvalorização do câmbio como instrumento
de política econômica; e
Os sindicatos desses países não têm a mesma "visão estratégica" dos sindicatos alemães e
aparentemente não estão dispostos a trocar redução de salário real por garantia de manutenção de
emprego no presente e no futuro. Sendo assim, os países desse grupo não têm como promover um ajuste
rápido de sua competitividade externa, o que deverá mantê-los por um período longo de tempo numa
situação de estagnação econômica.

A crise recente da Grécia expôs as fragilidades da área do Euro. Em função das desconfianças
crescentes dos mercados financeiros a respeito da solvência do setor público na Grécia, as taxas de juros
dos títulos da dívida pública desse país aumentaram consideravelmente nos últimos meses o que
terminou por agravar a situação fiscal gregas, criando um ciclo vicioso: piora das expectativas do mercado
financeiro levando a um aumento das taxas de juros que, por sua vez, gera um agravamento da situação
fiscal, conduzindo a uma nova piora das expectativas do mercado financeiro.
Como no contexto do arranjo monetário prevalecente hoje na área do Euro o governo da Grécia não
pode contar com o apoio financeiro do Banco Central Europeu para monetizar, ao menos uma parte, do
seu enorme déficit fiscal, segue-se que a eliminação desse ciclo vicioso exige um ajuste fiscal draconiano
por parte do governo grego, justamente no momento em que a política adequada, por conta do quadro
recessivo que vive o país, e da ausência de outros instrumentos de política econômica, é a manutenção
dos déficits fiscais.
A Grécia encontra-se, portanto, entre a Cruz e a Espada: se não fizer um ajuste fiscal forte e crível,
os mercados financeiros internacionais irão exigir taxas de juros cada vez mais altas para o financiamento
do seu déficit fiscal, o que irá conduzir o País inexoravelmente ao default; se fizer o ajuste fiscal requerido
pelos mercados, poderá obter um alívio nas condições de financiamento do seu déficit público às custas
de um aumento significativo do desemprego e queda do nível de atividade econômica.
Nessas condições, a sociedade e os políticos da Grécia podem, em algum momento, perceber que os
custos de manutenção do País na área do Euro superam os seus benefícios, o que levará a Grécia
a abandonar a moeda comum. Se isso acontecer, a pressão sobre os demais PIIGS, principalmente a
Espanha, pode se tornar insuportável, levando a um efeito cascata de saída de países da área do Euro.
Com efeito, a Espanha, a quarta maior economia da área do Euro - com um PIB de US$ 1,6 trilhão -
foi profundamente afetada pela crise econômica mundial. A taxa de desemprego passou de 8,2% da força
de trabalho em 2007 para 11,3% em 2008, fechando 2009 em torno de 20%. O PIB espanhol apresentou
uma contração de 3,6% em 2009 e as expectativas do FMI para 2010 são de uma nova contração de
0,7%.
A performance da economia espanhola nos últimos anos teve também um profundo impacto sobre a
sua situação fiscal. Até 2007, a Espanha vinha reduzindo a dívida pública como proporção do PIB. Com
efeito, entre 2004 e 2007 a dívida pública apresentou uma expressiva redução, caindo de 48% para 38%
do PIB. Ou seja, a Espanha, ao contrário dos demais PIIGS, não estava fazendo uma "farra fiscal"; pelo
contrário, a gestão fiscal da Espanha era sólida e responsável, condizente com os "princípios básicos da
ortodoxia".
Após 2007, contudo, a dívida pública passa a apresentar uma elevação expressiva, alcançando o
patamar de 70% do PIB no início de 2010. Essa deterioração resultou das diversas medidas de estímulo
fiscal que o governo do primeiro-ministro José Luiz Zapatero vem adotando desde 2008 para estimular a
combalida economia espanhola e para evitar que a recessão se transformasse numa depressão. Como
consequência dessas medidas e da própria recessão, o déficit orçamentário espanhol foi de 11,9% do
PIB em 2009.
A deterioração do quadro fiscal da Espanha tem levado os mercados financeiros a temer um calote
por parte do governo espanhol. Os mercados pressionam o governo da Espanha para adotar rapidamente
medidas no sentido de reduzir o déficit fiscal. Em função dessas pressões, o governo da Espanha já
sinalizou sua intenção de cortar gastos e aumentar impostos, de forma a reduzir o déficit orçamentário
para 3% do PIB até 2013. Mas será essa política a mais adequada para a Espanha sair da crise na qual
se encontra?
Fazer um ajuste fiscal dessa magnitude, em um prazo relativamente curto de tempo e considerando o
contexto de que a Espanha apresenta elevada taxa de desemprego e grande ociosidade da capacidade
produtiva, não parece ser uma política muito sensata. Isso porque o ajuste fiscal implica uma contração
da demanda do setor público (ou, analogamente, num aumento da poupança do setor público) e a
economia espanhola precisa de mais demanda, e não menos, para se recuperar. Além disso, nos
próximos anos o setor privado espanhol, atolado em dívidas que superam, em muito, a dívida do setor
público, terá que reduzir o seu nível de dispêndio para tentar ajustar os seus balanços.

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Com efeito, o endividamento do setor privado (empresas e famílias) era de cerca de 4,1 trilhões de
dólares no final de 2008 segundo dados da McKinsey Global Institute, quase três vezes o valor do PIB da
Espanha. Esse enorme endividamento do setor privado irá exigir uma redução muito forte do dispêndio
das famílias e das empresas da Espanha. Dessa forma, os gastos de consumo e de investimento do setor
privado deverão permanecer estagnados por vários anos. Em outras palavras, a poupança privada (soma
das poupanças das famílias e das empresas) terá que aumentar muito nos próximos anos para reduzir o
enorme endividamento do setor privado.
Em face do aumento necessário da poupança privada, a recuperação da economia espanhola exige
ou uma redução da poupança pública - política que vem sendo adotada até o presente momento pelo
governo espanhol - e/ou uma redução da poupança externa, ou seja, um aumento do saldo em conta-
corrente.
O espaço para a utilização da política fiscal para estimular a economia está rapidamente chegando ao
fim. Embora países como a Itália tenham uma dívida pública como proporção do PIB muito maior que a
Espanha, o ritmo de deterioração fiscal da Espanha é assustador. Se essa velocidade for mantida, em
poucos anos a dívida pública da Espanha irá superar 100% do PIB. Não é demais salientar que,
recentemente, os mercados sinalizaram que não estão dispostos a tolerar uma deterioração muito mais
forte da situação fiscal da Espanha.
Isso deixa a Espanha com uma única solução possível: reduzir a poupança externa, ou seja, cortar o
seu gigantesco déficit em conta-corrente. Entre 2003 e 2008 a Espanha vivenciou uma explosão do seu
déficit em conta-corrente, o qual saltou de 30,8 bilhões de dólares em 2003 para 154,1 bilhões de dólares
em 2008, o que equivale a quase 10% PIB. O aumento do déficit em conta-corrente resultou, em larga
medida, do aumento do déficit comercial espanhol, o qual passou de 45,1 bilhões de dólares em 2003
para 129,6 bilhões de dólares em 2008.
Se a Espanha não estivesse na área do Euro, a solução seria simples: bastaria uma forte
desvalorização da taxa de câmbio, para impulsionar as exportações, contrair as importações e aumentar
as receitas com o turismo. O problema é que a adesão à moeda única europeia tirou a possibilidade de
usar a taxa de câmbio como instrumento de política econômica.
Então como a Espanha pode sair desse imbróglio? Existem duas alternativas possíveis. A primeira é
produzir um ajuste na competitividade da economia espanhola por intermédio, não de uma desvalorização
do câmbio, mas de uma queda dos salários. A redução dos salários teria o efeito de produzir um
aumento da relação câmbio/salário, reduzindo, assim, os custos das empresas espanholas em euros, o
que teria o mesmo efeito de uma desvalorização do câmbio, caso a peseta ainda fosse a moeda corrente
da Espanha. O problema com essa saída é que a sua implementação irá contar com a fúria dos sindicatos
espanhóis, o que certamente torna muito custosa essa alternativa.
A segunda alternativa é o abandono puro e simples do Euro. Nesse cenário, a Espanha volta a ter uma
moeda corrente própria e poderá desvalorizar o câmbio para incentivar as suas exportações. Os custos
dessa alternativa também serão elevados. Certamente haverá corridas aos bancos, fuga de capitais e
moratória de todos os contratos em euros no País. A adoção dessas medidas exigirá que a Espanha
adote fortes controles a saída de capitais, os depósitos a vista terão que ser parcialmente congelados e
o governo deverá intervir nos contratos de dívida em euros para arbitrar ganhos e perdas entre as partes.

Como o Brasil superou a crise

O declínio de 0,2% do PIB brasileiro em 2009 foi indicativo da força de uma economia que, a despeito
de ter acionado poucos mecanismos anticíclicos relativamente a outros países, evitou uma recessão mais
profunda. Na base do êxito do Brasil em lidar com a maior crise desde a Grande Depressão de 1929
estão a remoção da vulnerabilidade externa mediante a acumulação de reservas que às vésperas da
crise chegavam a quase US$ 200 bilhões, a maior solidez das contas públicas e do endividamento do
setor público e a contaminação zero das instituições financeiras do País com os ativos "tóxicos" que
notabilizaram o boom financeiro internacional e que sofreriam forte desvalorização com a crise
Foi também relevante a aplicação de políticas anticíclicas pelo poder público. Mas, no que diz respeito
ao esforço fiscal que tanta importância teve no enfrentamento da crise pelos países de economia
desenvolvida e destacados países em desenvolvimento, este limitou-se, no caso brasileiro talvez, a 1%
do PIB, por renúncia de impostos do governo federal na compra de bens duráveis como automóveis,
materiais de construção, linha branca e móveis, e atrasos de recebimentos que fizeram do governo um
financiador de última instância para empresas com dificuldades de acesso ao crédito.
Por outro lado, a redução de juros entrou em cena muito tarde. Apenas em janeiro de 2009 ocorreu a
primeira redução da taxa básica, enquanto o agravamento da crise externa teve lugar, de forma dramática,
em setembro de 2008. A taxa Selic cairia de 13,75% ao ano para 8,75% ao ano entre janeiro e julho de

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2009. Como há um intervalo de tempo entre a queda da taxa básica de juros e seus efeitos na atividade
real, provavelmente a política de juros acelerou a recuperação da economia quando esta já estava em
curso, vale dizer, em meados de 2009, sem ter sido em si um antídoto à crise ou um mecanismo primário
promotor da reativação.
O governo lançaria mão de medidas de aumento da liquidez na economia, com a liberação entre fins
de setembro de 2008 e início de 2009 de R$ 100 bilhões que antes os bancos recolhiam
compulsoriamente ao Banco Central. Juntamente com uma ação deliberada de política bancária para
evitar uma crise nos bancos de menor porte, na qual instituições públicas adquiriram participações e
compraram carteiras de crédito de bancos em dificuldades, a medida de aumento de liquidez foi relevante,
pois abortou a possibilidade de corrida bancária ou de dúvidas sobre a situação de liquidez dos bancos
brasileiros.
Estes vinham promovendo uma enorme evolução do crédito para pessoas físicas e, sobretudo, para
pessoas jurídicas, tendo por base em ambos os casos o alargamento dos prazos dos financiamentos,
sem contrapartida de ampliação de prazos do lado da captação de recursos. Para se ter ideia do boom de
crédito que se desenvolvia na economia no momento anterior à crise internacional, basta observar que
em setembro de 2008 o crédito crescia 45,0% e 17,9%, respectivamente, para pessoas jurídicas e
pessoas físicas, na comparação com o mesmo mês do ano anterior.
Dada a onda de dúvidas e incertezas que se instaurou quando explodiu a crise internacional, esse
intenso crescimento dos financiamentos e o descasamento de prazos que o acompanhava,
transformaram-se em fatores de elevação do risco dos bancos mais alavancados e expostos a captações
no interbancário e junto a fundos de investimentos e a grandes empresas. A incerteza se agravaria à
medida que iam se tornando públicos os elevados montantes de empréstimos a empresas concedidos
em operações casadas com aplicações em mercados futuros de câmbio nas quais as empresas
assumiram riscos cambiais. Com a desvalorização do realforam gerados vultosos prejuízos em muitas
empresas brasileiras, o que em setores como celulose, alimentos processados e açúcar e álcool levou a
quebras de empresas nacionais de porte. No contexto internacional adverso que afugentava potenciais
compradores estrangeiros e dado um apoio financeiro redobrado concedido pela agência brasileira de
financiamento, o BNDES, os grandes grupos nacionais foram os principais absorvedores das empresas
em crise.
A propósito, o apoio financeiro do BNDES também foi relevante para viabilizar a compra de empresas
no exterior por parte de empresas nacionais e por financiar absorções ou associações entre empresas
nacionais. Com isso, em vários segmentos da atividade econômica emergiram da crise grupos nacionais
com muito maior porte e poderio financeiro. Essa consequência da crise poderá vir a condicionar
positivamente em um futuro próximo a inserção de empresas brasileiras no exterior e sua capacidade
inovadora, dois traços que as empresas nacionais, sabidamente, deixam a desejar.
As medidas na área de liquidez e de política bancária, portanto, evitaram uma crise de liquidez que,
se desencadeada, restringiria de forma aguda o crédito e tornaria inevitável uma recessão de grandes
proporções na economia. Um instrumento importante para a recuperação da capacidade de concessão
de novos financiamentos por parte dos bancos de menor porte foi a garantia concedida pelo Fundo
Garantidor de Crédito aos depósitos a prazo emitidos por esses bancos.
A medida anticíclica mais destacada do nosso ponto de vista não veio nem da área fiscal, nem da
política monetária ou de liquidez, a despeito da inegável relevância de cada uma delas. Veio, sim, da
orientação que o governo transmitiu aos seus bancos (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e
BNDES) para que ampliassem seus financiamentos. No início da crise o crédito dos bancos públicos
representava cerca de 35% do crédito total, percentual que subiria a 41% (percentual de fevereiro de
2010). No contexto em que os bancos privados contraíam os seus financiamentos, foi esse espaço
ocupado pelos bancos públicos o determinante por não ter havido na economia uma crise de crédito
entendida esta não somente como a contração do volume de financiamentos concedidos, mas também
como uma onda de falências de empresas e de liquidação de ativos. O crédito se retraiu de fato, o que
trouxe consequências negativas para a atividade econômica, mas logo pôde ser recomposto, como
veremos em seguida.
Nos casos do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, a orientação do governo no sentido de que
essas instituições ampliassem seus financiamentos encontrava correspondência em um grande
crescimento da sua captação de recursos, dada a maior preferência do público em manter, no momento
de crise, seus saldos de recursos junto aos bancos oficiais. No caso do BNDES, suas operações de
crédito já vinham aumentando de forma acelerada antes da crise em função do boom de investimentos
em grandes projetos que após uma ausência de mais de três décadas voltou a se apresentar na economia
brasileira. Nesse caso, a orientação do governo foi não interromper o financiamento das inversões que
de outra forma não seriam realizadas, dada a retração do crédito externo e doméstico e o refluxo que se

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observava no mercado brasileiro de capitais. Além disso, como já foi visto, o BNDES financiou
oportunidades abertas pela crise para aquisições e fusões sob o comando de empresas nacionais, no
país e no exterior.
Em suma, propriamente relacionados à defesa do nível de atividade durante a crise e indutores da
recuperação após a recessão do último trimestre de 2008 e primeiro trimestre de 2009, podem ser
relacionados (i) os instrumentos monetário o qual, todavia, veio com relativo atraso, (ii) o instrumento
fiscal que, no entanto, pode ser considerado tímido se comparado aos esforços empreendidos em outros
países, (iii) o instrumento da liquidez, que mais propriamente defendeu o sistema bancário contra o risco
de uma crise e (iv) o crédito dos bancos públicos, este sim, o mais ativo promotor da defesa da economia
contra a crise e da restauração das condições de volta do crescimento.
Ao lado desses fatores, foi decisiva a manutenção pelo governo das políticas que já estavam em curso,
o que teve por consequência a preservação, durante a crise, de certo de nível de gasto e de crédito na
economia. Assim, o governo não abriu mão dos vultosos investimentos programados pela Petrobras e
dos demais programas do PAC e procurou ampliar esses investimentos. Criou também dois outros
programas relevantes. O primeiro, na área de habitação ("Minha casa, minha vida"), terá maior impacto
a partir de 2010; o segundo, transitório (com validade até 31/12/2009, depois prorrogado para o fim de
2010), foi adotado em meados de 2009 na área do investimento. O "Programa de Sustentação do
Investimento" (PSI) pode ser concebido como um capítulo da exitosa política de crédito adotada durante
a crise e teve grande efeito sobre o investimento corrente, notadamente no investimento mais "leve"
(voltado à aquisição de máquinas e equipamentos). Consistiu na redução para 4,5% ao ano da taxa de
juros dos financiamentos do BNDES para a compra de bens de capital, praticamente tornando nula a taxa
real de juros dos financiamentos de parcela considerável do investimento no país.
Não houve retrocesso em outras decisões do governo como ampliar e reajustar as transferências para
famílias pobres (o programa "Bolsa Família") e na concessão de aumento do salário mínimo. O governo
também não restringiu o direcionamento do crédito, como por exemplo, no sistema que vincula a captação
da caderneta de poupança que teve significativo aumento no ano da crise com o financiamento de
moradias. Com isso, foi possível amortecer a queda no setor de construção habitacional. Não houve
recuos ainda em programas de elevação dos salários de servidores públicos, mas nesse caso um
adiamento ou reprogramação não teria ônus para o crescimento econômico. Com essas medidas, às
quais se somariam outras como a ampliação do seguro desemprego, o governo preservou o seu já
elevado nível de gasto público sobre o PIB, aumentou o investimento público e ampliou o impacto do
gasto por ele induzido na economia.
Isso teve consequência relevante porque evitou que a crise se propagasse para toda a economia
brasileira. A sustentação do gasto público "blindou" o setor serviços da economia, responsável por 60%
do PIB e grande empregador. Este setor, salvo em segmentos de maior relação como a dinâmica
agroindustrial, a exemplo de transportes, praticamente não foi afetado pela crise. Isso significa dizer que
os efeitos desta no Brasil, embora graves, ficaram restritos aos setores da indústria e da agropecuária.
Nesses casos era inevitável um grande impacto inicial da crise internacional, dada a sua natureza - tratou-
se de uma ampla e gravíssima crise de confiança - e as mudanças por ela repentinamente provocadas
nas decisões de longo prazo, na disponibilidade do crédito e no comércio exterior. Isso afetaria fortemente
a agropecuária (pelo encolhimento do crédito e do comércio mundial) e, sobretudo, a indústria (pelos
mesmos fatores, acrescidos da retração do investimento em decorrência do colapso das decisões de
longo prazo). Por essas razões, o primeiro desses setores declinaria 5,2% no ano da crise, a indústria,
5,5%, enquanto o setor de serviços mantinha crescimento de 2,6%.
Por outro lado, o gasto público, na medida em que preservou o emprego no setor de serviços, protegeu
a atividade em segmentos produtores de alimentos e de bens industriais básicos para a população. Isso
não impediu, no entanto, uma onda de demissões com dispensas líquidas de trabalhadores formais
acumuladas entre outubro de 2008 a março de 2009 de 692 mil pessoas. Mas, apesar disso, deve ser
notado que as demissões ocorreram na indústria (493 mil) e agropecuária (227 mil), mas não no comércio
(que no mesmo período contratou 47 mil pessoas) e em serviços (67 mil). Deve ser sublinhado ainda que
após esse período todos os setores ampliaram as contratações.
Por não prosperar o desemprego, não aumentou a inadimplência no crédito familiar. Isso, aliado à
disposição dos bancos oficiais de deterem fatia maior no crédito pessoal e ao consumidor, o que suscitou
uma reação competitiva da parte do segmento privado, fez com que já no segundo trimestre de 2009
voltasse a crescer o crédito para as pessoas físicas. No segundo semestre ocorreria um início de
retomada do crédito para as empresas.
Em suma, a manutenção e o aumento do nível do investimento e do gasto público e a ampliação do
crédito em plena crise, foram os determinantes do êxito brasileiro em responder à crise internacional e
superá-la com rapidez, minimizando a retração do PIB em 2009. A ampliação do crédito pode ser

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considerada fator ativo mais relevante para a retomada do crescimento da economia a partir do segundo
trimestre do ano passado. Se o Brasil tivesse se aproximado mais de outros países em termos de arrojo
na execução de políticas fiscais e de juros, como no caso da China e dos países desenvolvidos, talvez
sua economia nem tivesse entrado em recessão e teria acumulado crescimento no ano crítico de 2009.

Questões:

01. (AL-ES - Cargos de Nível Superior – CESPE) Uma das medidas do governo brasileiro para
preparar o país para enfrentar a crise financeira internacional foi
(A) privatizar a companhia hidrelétrica de Itaipu, com a finalidade de aumentar a arrecadação fiscal.
(B) aumentar gastos públicos, com elevação dos salários do funcionalismo e de investimentos na
construção de novos aeroportos e rodovias, para fortalecer o mercado consumidor e, assim, manter o
crescimento do país.
(C) vender as reservas de ouro do Banco Central do Brasil, para obter recursos que permitam pagar,
até o final de 2012, a dívida externa brasileira.
(D) aumentar a meta do superávit primário, de modo a permitir uma redução mais rápida da taxa de
juros.
(E) isentar do imposto sobre o produto industrializado por um ano as indústrias nacionais, de modo a
permitir-lhes enfrentar a concorrência chinesa.

02. (TJ-PI - Titular de Serviços de Notas e de Registros – CESPE) Há cinco anos, eclodiu a crise
financeira internacional que, para muitos, não está totalmente debelada. Essa crise, iniciada nos EUA em
2008, teve origem na
(A) decisão norte-americana de abandonar o Conselho de Segurança da ONU.
(B) falência das grandes montadoras de automóveis dos EUA, como a GM e a Ford.
(C) ação terrorista que redundou na destruição das torres gêmeas do World Trade Center.
(D) bolha no mercado hipotecário norte-americano, que se disseminou pela economia mundial
globalizada.
(E) decisão do governo Bush de invadir o Iraque, ampliando a tensão no Oriente Médio.

03. (BRB - Analista de Tecnologia da Informação – CESPE) A atual crise financeira na Europa
iniciou-se a partir da decisão tomada pelo Banco Central Europeu de abandonar o lastro ouro para o euro.
Certo ( ) Errado ( )

04. (MPE-MS - Analista - Economia – FGV) A respeito dos desdobramentos da crise financeira global
de 2008/2009 sobre a economia brasileira assinale a afirmativa correta.
(A) Ocorreu um aumento da dívida pública em 2009 devido a diversos fatores como o crescimento
continuado do gasto público.
(B) Realizou-se uma desvalorização cambial em 2009, o que fez com que a dívida pública líquida
caísse em função de ser atrelada, em parte, ao dólar.
(C) Verificou-se uma piora do saldo em transações correntes já em 2008, devido à inversão de sinal
do saldo da balança comercial.
(D) Houve um estouro da meta de inflação em 2009, registrada em 4,5%, devido à redução drástica
da taxa Selic real pelo Banco Central.
(E) Observou-se um forte aumento da taxa de desemprego em 2008 e2009 acima de 8%, registrado
pela Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, o qual foi revertido apenas em 2010.

Respostas:

01. Resposta: D
Governo eleva meta de superávit primário para permitir queda de juros. "O Brasil tem de se antecipar
para impedir que essa deterioração [da economia mundial] acabe afetando os avanços que tivemos.
Temos de tomar medidas preventivas para evitar o que aconteceu em 2008, quando houve desaceleração
forte em um primeiro momento. Queremos estar mais preparados do que estávamos em 2008 para essa
recessão internacional que se avizinha. O aumento [do superávit primário] se dá para impedir o aumento
de gastos correntes e para abrir mais espaço para os investimentos subirem no país. Além disso, também
viabiliza, no médio e longo prazo, a redução da taxa de juros. Quando o BC entender que é possível
[reduzir a taxa]", disse Mantega. Juros e controle da inflação. O entendimento do governo é que, retirando

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recursos da economia, por meio da elevação do chamado "superávit primário", a tarefa do Banco Central
no controle da inflação ficaria mais fácil - permitindo um recuo mais rápido dos juros.

02. Resposta: D
A entrada dos títulos hipotecários em fundos especulativos de alto risco a partir de 2005 pôs fim a um
período de expansão da economia mundial, com o estouro da “bolha especulativa” em 2007/2008. A
dinâmica especulativa do mercado financeiro implicou em grandes perdas para a economia norte-
americana e Europeia, incorrendo em menor dinamismo das economias periféricas.

03. Resposta: Errado


O Lastro Euro-Ouro não existiu de fato efetivamente. O que ocorreu foi o Dolar-Ouro que nasceu pela
Conferência de Bretton Woods e foi abandonada pelos EUA no governo de Nixon em 1973 que a partir
de então o lastro ficou conhecido com dólar-dólar.

04. Resposta: A
Referente à economia brasileira ocorreu um aumento da dívida pública em 2009 devido a diversos
fatores como o crescimento continuado do gasto público.

18. Situação atual da economia brasileira.

ECONOMIA - ATUALIDADES

No 12º corte seguido, BC baixa juro para 6,5% ao ano, novo piso histórico37

O Taxa é a menor de toda a série histórica do Banco Central, que começou em 1986. Em nota, Copom
sinalizou a possibilidade de novo corte na Selic na próxima reunião, em maio.
Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou nesta quarta-feira (21/03) a redução
da taxa básica de juros da economia brasileira de 6,75% ao ano para 6,5% ao ano.
Foi o 12º corte consecutivo na Selic. A taxa de 6,5% ao ano é a menor desde a adoção do regime de
metas para a inflação, em 1999, e também de toda a série histórica do BC, iniciada em 1986.
A decisão confirma a previsão da maior parte dos economistas do mercado, colhida pelo próprio BC
na semana passada. Ela também afeta o rendimento das cadernetas de poupança.
Em comunicado, o Copom sinalizou que pode fazer uma nova redução moderada da taxa básica de
juros na próxima reunião, em 16 de maio. O novo corte viria para garantir que seja alcançada, ao final do
ano, a meta de inflação de 4,5%.

37
MARTELLO, A. SOUSA, Y. No 12º corte seguido, BC baixa juro para 6,5% ao ano, novo piso histórico. G1 Economia. Disponível em:
<https://g1.globo.com/economia/noticia/no-12-corte-seguido-bc-baixa-juro-para-65-ao-ano-novo-piso-historico.ghtml> Acesso em 22 de março de 2018.

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A possibilidade de novo corte contraria a expectativa dos analistas, que esperavam que a reunião
desta quarta colocasse fim ao atual ciclo de redução da Selic, iniciado em 2016.
"A evolução do cenário básico tornou adequada a redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto
percentual nesta reunião. Para a próxima reunião, o comitê vê, neste momento, como apropriada uma
flexibilização monetária moderada adicional [novo corte na Selic]. O Comitê julga que este estímulo
adicional mitiga o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas", informou o Copom
na comunicado.
Por outro lado, o Copom informou que, se a economia evoluir como o previsto, não serão necessários
cortes adicionais na Selic nas reuniões seguintes à de maio.
"Para reuniões além da próxima, salvo mudanças adicionais relevantes no cenário básico e no balanço
de riscos para a inflação, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização
monetária, visando avaliar os próximos passos, tendo em vista o horizonte relevante naquele momento",
diz o texto.
A taxa definida pelo BC influencia nos juros praticados pelos bancos. Entretanto, apesar de a Selic
estar na mínima histórica, os juros bancários seguem elevados. Em janeiro (último dado disponível), as
taxas do cheque especial e do cartão de crédito rotativo estavam acima de 300% ao ano.

Como as decisões são tomadas


A definição da taxa de juros pelo BC tem como foco o cumprimento da meta de inflação, fixada todos
os anos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Para 2018, a meta central de inflação é de 4,5%. Para 2019, é de 4,25%. O sistema, porém, prevê
uma margem de tolerância, para cima e para baixo. Isso significa que a meta não seria descumprida pelo
Banco Central caso a inflação neste ano ficasse entre 2,5% e 6,5%.
Normalmente, quando a inflação está alta, o BC eleva a Selic. A expectativa é que a subida da taxa
também eleve os juros cobrados pelos bancos, ou seja, que o crédito fique mais caro e, com isso, freie o
consumo, fazendo a inflação cair. Essa medida, porém, afeta a economia e gera desemprego.
Quando as estimativas para a inflação estão em linha com as metas predeterminadas pelo CMN, o BC
reduz os juros. É o que está acontecendo neste momento. Para 2018 e 2019, o mercado estima um IPCA
de 3,63% e de 4,20%, respectivamente.

Comparação com outros países


Com a redução de juros promovida pelo Copom nesta quarta, o Brasil caiu de quinto para sexto lugar
no ranking mundial de juros reais (calculados com abatimento da inflação prevista para os próximos 12
meses), compilado pelo MoneYou e pela Infinity Asset Management.
Com os juros básicos em 6,5% ao ano, a taxa real do Brasil soma 2,54% ao ano, atrás da Turquia
(5,95% ao ano), Argentina (4,56% ao ano), México (3,57% ao ano), Rússia (3,36% ao ano) e Índia (2,67%
ao ano).

Rendimento da poupança
As decisões do Banco Central sobre a Selic também afetam o rendimento da poupança, que vai cair
novamente a partir desta quarta-feira. A regra atual, em vigor desde maio de 2012, prevê corte nos
rendimentos da poupança sempre que a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano.
Nessa situação, a correção anual das cadernetas fica limitada a um percentual equivalente a 70% da
Selic, mais a Taxa Referencial, calculada pelo BC. A norma vale apenas para depósitos feitos a partir de
4 de maio de 2012.
Com a nova queda dos juros, desta vez para 6,50% ao ano, a correção da poupança passará a ser de
4,55% ao ano, mais Taxa Referencial.
Mesmo assim, segundo cálculos da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e
Contabilidade (Anefac), a poupança continuará sendo uma "excelente opção de investimento,
principalmente sobre os fundos cujas taxas de administração sejam superiores a 1% ao ano".

1% mais ricos concentra 28% de toda a renda no Brasil, diz estudo38

A população 1% mais rica detinha, em 2015, 28% de toda a riqueza obtida no país, mostrou um
relatório sobre a desigualdade no mundo divulgado nesta quinta-feira (14/12/17). Em 2001, essa
participação era de 25%.

38
G1. 1% mais ricos concentram 28% de toda a renda no Brasil, diz estudo. G1 Economia. Disponível em: <https://g1.globo.com/economia/noticia/1-mais-ricos-
concentram-28-de-toda-a-renda-no-brasil-diz-estudo.ghtml?utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=g1> Acesso em 15 de dezembro de 2017.

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O documento é assinado por um time de pesquisadores, entre eles o aclamado autor do livro "O Capital
no Século XXI", Thomas Piketty, especialista em estudos sobre desigualdade de renda.
Enquanto os 50% mais pobres do Brasil eram mais de 71 milhões de pessoas em 2015, os 1% mais
favorecidos somavam 1,4 milhão de pessoas.
O estudo também aponta que os 10% mais ricos elevaram sua riqueza de 54% para 55% neste mesmo
período.

Extremos
Os 50% mais pobres também tiveram um aumento da renda, passando de 11% para 12%, um
crescimento mais rápido que os 10% mais ricos, segundo o relatório, mas com impacto bem menos
relevante devido a sua baixa renda.
A participação da classe média, por sua vez, caiu entre 2001 e 2015 de 34% para 32%. Segundo o
estudo, esse estreitamento da camada do meio é resultado da baixa participação da renda e baixa
performance de crescimento desta população.
"Enquanto a desigualdade de renda salarial declinou de acordo com nossas observações, essa queda
foi insuficiente para mitigar a concentração de capital e reverter a crescente concentração de renda entre
os mais favorecidos", diz o estudo.

Brasil gasta mal e de forma injusta, diz Banco Mundial39

Brasil gasta mais do que arrecada e, além disso, de forma ineficaz, já que as despesas não cumprem
plenamente seus objetivos, e muitas vezes é injusta, porque beneficiam os ricos em detrimentos dos mais
pobres. A conclusão é de um relatório do Banco Mundial divulgado nesta terça-feira (21/11/17).
O estudo, intitulado "Um ajuste justo: uma análise da eficiência da equidade do gasto público no Brasil",
foi encomendado pelo ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy.
Ele analisa as raízes dos problemas fiscais brasileiros, os programas sociais existentes e as alocações
das despesas, centrando-se em oito setores dos gastos públicos, com diagnóstico detalhado de cada um.
Também aponta possíveis reformas para promover uma gestão de recursos mais eficaz e justa.
O Banco Mundial afirma que o governo brasileiro terá que enfrentar "escolhas difíceis" para ajustar
suas contas, com o perigo de "mergulhar novamente na espiral da inflação e do baixo crescimento".
No entanto, após a análise de uma série de dados, o órgão concluiu que "é possível economizar parte
do orçamento sem prejudicar o acesso e a qualidade dos serviços públicos, beneficiando os estratos mais
pobres da população".
O relatório alerta, por exemplo, que os gastos públicos brasileiros aumentaram de forma consistente
nas últimas décadas, colocando em risco a sustentabilidade fiscal do país - o déficit fiscal já atinge 8% do
PIB, e a dívida subiu de 51,5%, em 2012, para 73% neste ano.
Nesse sentido, ressalta que será necessário reduzir as despesas em 0,6% em proporção ao PIB do
país a cada ano, bem como reduzir as despesas dos estados e municípios em 1,29%.

Previdência
Um dos problemas apontados pelo banco é referente aos gastos com previdência, descrita como o
"motor do desequilíbrio fiscal" do país. Segundo o estudo, sua reforma seria a medida com maior impacto
para a economia brasileira.
Se a situação atual for mantida, em treze anos, o gasto com previdência esgotará o limite do teto de
gastos do governo federal e não haverá dinheiro para salários, manutenção de escolas e hospitais ou
investimentos. Em 2080, essas despesas corresponderiam a 150% do PIB nacional.
Além disso, a previdência brasileira é "altamente injusta", aponta o Banco Mundial. Isso porque 35%
dos subsídios beneficiam aqueles que estão entre os 20% mais ricos, enquanto penas 18% dos subsídios
vão para os 40% mais pobres.

Serviço público
Na esfera do serviço público, aposentadoria e salários registram uma injustiça ainda maior. Segundo
o relatório, os servidores públicos federais ganham, em média, 67% a mais do que os trabalhadores da
iniciativa privada. Já os servidores estaduais recebem salários 30% maiores.
A remuneração acima da média, afirma o estudo, é o que leva os gastos com funcionalismo no Brasil
serem tão altos, ultrapassando as despesas de países como Estados Unidos, França e Portugal.

39
DW. Brasil gasta mal e de forma injusta, diz Banco Mundial. Terra. Disponível em: <https://www.terra.com.br/noticias/brasil/brasil-gasta-mal-e-de-forma-injusta-
diz-banco-mundial,6cbd6958c84c97d4cd77ec17cfef71bb0drvk8o8.html> Acesso em 22 de novembro de 2017.

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O Banco Mundial revela que os gastos com servidores, em todas as esferas do governo, chegaram a
13,1% do PIB em 2015, em comparação com os 11,6% registrados há dez anos. Em outros países
desenvolvidos, esse percentual é de cerca de 9% do PIB.

Ensino superior gratuito


Em relação à educação, o estudo aponta injustiça também no ensino superior gratuito, onde 65% dos
estudantes estão entre os 40% mais ricos do país. O governo gasta 0,7% do PIB com as universidades
federais.
A fim de cortar gastos sem prejudicar os mais pobres, a sugestão do Banco Mundial é o fim da
gratuidade na universidade pública, com a criação de bolsas para aqueles que não podem pagar. Já os
alunos de renda média e alta, que tendem a ter um aumento de renda depois de formados, poderiam
pagar pelo curso após a graduação.
Outro alerta do relatório é referente às políticas públicas de incentivo ao setor privado. Segundo o
banco, elas estão presentes em gastos tributários, créditos subsidiados e gastos diretos com empresas.
Os gastos nessa área correspondem a duas vezes o custo de todos os programas de assistência social
e apoio ao mercado de trabalho e mais de dez vezes o custo do programa Bolsa Família, por exemplo.

Desemprego entre jovens no Brasil tem maior taxa em 27 anos, diz OIT40

O desemprego entre os jovens no Brasil atinge sua maior taxa em 27 anos. Dados apresentados pela
Organização Internacional do Trabalho (OIT) apontam que, ao final de 2017, praticamente 30% dos
jovens brasileiros estariam sem trabalho. "Trata-se da maior taxa desde 1991", aponta a entidade, com
sede em Genebra.
A estimativa sobre o índice brasileiro é mais de duas vezes superior à média internacional. Segundo a
OIT, o desemprego entre jovens no mundo é de cerca de 13,1%. A situação brasileira só é equivalente
às taxas registradas nos países árabes, que viram o desemprego desencadear uma importante crise
política e social a partir de 2011.
Hoje, entre as mais de 190 economias avaliadas pela OIT, apenas 36 delas tem uma situação pior que
a do Brasil para os jovens. Na Síria, por exemplo, a taxa de desemprego entre os jovens é de 30,6%,
contra 34% no Haiti.
A queda do crescimento da economia brasileira, informalidade e as incertezas de investimentos teriam
gerado o salto no desemprego dessa camada nos últimos anos, ainda que o pico possa já ter sido
atingido. "Houve uma enorme desaceleração de alguns países, entre eles o Brasil", disse a diretora de
Política de Desenvolvimento e Emprego da OIT, Azita Awad.
Em 1991, a taxa brasileira de desemprego entre os jovens era de 14,3% e, em 1995, chegou a cair
para 11,4%. Mas a segunda metade da década de 90 registrou um aumento, com um pico em 2003.
Naquele ano, o desemprego de jovens era de 26,1%. Entre 2004 e 2014, a taxa sofreu uma queda
substancial, chegando a 16,1%.
A situação brasileira acabou afetando as médias de toda a região latino-americana, que teve o maior
salto de desemprego no mundo entre essa camada da população. O continente terminará 2017 com seu
nível de desemprego mais alto desde 2004. A taxa entre os jovens chegará a 19,6%, contra um índice de
apenas 14,3% em 2013. Apenas neste ano, 500 mil jovens extras ficarão desempregados e a região deve
somar 10,7 milhões de pessoas nessa situação.
Os números latino-americanos se contrastam com os dados da América do Norte ou Europa. Nos EUA
e Canadá, a taxa deve ser a menor desde 2000, com 10,4% dos jovens desempregados. Na Europa, a
crise de 2009 ainda é sentida. Mas os números de desemprego começam a perder força. Para 2017, o
ano deve fechar com uma taxa de 18,2%, o quarto ano consecutivo de queda. Em 2013, essa taxa
chegava a ser de 23,3%.
No mundo, um total de 70,9 milhões de pessoas com até 24 anos estão sem trabalho. Esse número
deve piorar em 2018, com 71,1 milhões de jovens desempregados.
Os dados ainda revelam que os jovens, hoje, tem três vezes mais chances de estar desempregado
que um adulto. Mas os dados também revelam que uma parte substancial dessa camada da população
deixou de procurar emprego.
Em 1997, 55% dos jovens com até 24 anos estavam no mercado de trabalho. Hoje, essa taxa é de
45%. Para a OIT, essa queda não significa apenas que eles estão permanecendo nas escolas e
universidades por mais tempo. 21,8% dos jovens em 2017 nem trabalhavam e nem estudavam.

40
CHADE, JAMIL. Desemprego entre jovens no Brasil tem maior taxa em 27 anos, diz OIT. Estadão, Economia & Negócios. Disponível em:
<http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,desemprego-entre-jovens-no-brasil-tem-maior-taxa-em-27-anos-diz-oit,70002091029> Acesso em 21 de novembro
de 2017.

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Outro destaque da OIT se refere ao número de jovens que, mesmo trabalhando, não conseguem sair
da pobreza. No mundo, esse total chega a 160 milhões de pessoas, que ganham menos de US$ 3,1 por
dia. "Eles representam 39% de todos os jovens que trabalham", destaca a diretora da entidade. Na
América Latina, a taxa é de 9,1%, com 4 milhões de pessoas vivendo nessa situação.
O cenário para os próximos anos não é dos melhores. A média geral de desemprego para os jovens
deve aumentar em 2018. Para a OIT, essa geração enfrentará um "futuro incerto", com salários sendo
pagos em setores temporários.
Uma das constatações, porém, é de que aqueles com maior nível de escolaridade terão uma transição
mais curta entre a escola e o mundo do trabalho. No Brasil, os índices mostram que aqueles apenas com
escolaridade primária podem levar um tempo cinco vezes maior para encontrar um emprego que
universitários.

Entenda o que é a meta fiscal e por que o governo revisou o número41

O governo anunciou nesta terça-feira (15/09/17) a revisão da meta fiscal para 2017 e 2018. Na prática,
o governo admitiu que não conseguirá fechar as contas públicas dentro da previsão orçamentária neste
ano e no ano que vem.
A nova meta prevê um rombo de R$ 159 bilhões nas contas públicas em 2017 e 2018. É um rombo
maior do que o previsto anteriormente, de R$ 139 bilhões para 2017 e R$ 129 bilhões em 2018.
Essa mudança poderá trazer consequências para a dívida pública, a nota de crédito do Brasil e a
própria credibilidade do governo.

O que é a meta fiscal?


É uma estimativa feita pelo governo da diferença entre a sua expectativa de receitas e de gastos em
um ano. Se essa diferença for positiva (ou seja, receitas maiores que gastos), a meta prevê um superávit
primário. Se for negativa (com gastos maiores que receitas), será um déficit primário.
Ao estabelecer um valor, o governo assume um compromisso público de como vai equilibrar as contas
públicas e manter a dívida pública sob controle.

Quem define a meta?


O próprio governo através da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que precisa ser aprovada pelo
Congresso.

Por que o governo teve que reajustar a meta?


O governo enfrenta dificuldades em cumprir a meta fiscal porque a recuperação da economia brasileira
está mais lenta que o previsto e, com isso, a arrecadação com impostos e contribuições está ficando
abaixo do esperado. Na prática, a arrecadação cresceu menos de 1% no primeiro semestre. Como os
gastos públicos continuam a crescer, há um desequilíbrio financeiro.

Quais são as consequências do reajuste?


O governo terá que cobrir um déficit fiscal maior (despesas maiores que as receitas). Para isso, ele
precisa captar recursos com a emissão de títulos públicos. Assim, ele consegue financiar os gastos que
foram liberados. Mas, como efeito, sua dívida pública fica maior em relação ao tamanho da economia,
assim como os juros a serem pagos.
"Estamos falando de um acréscimo que não é nada desprezível, R$ 20 bilhões que o governo vai ter
que tirar de algum lugar. Vai ter um aumento da dívida pública, então o ano que vem deve ter taxas de
juros mais altas. O investimento se torna mais caro, então deve ser menor em 2018", diz Inhasz.

Como o reajuste afeta a vida das pessoas?


O crescimento da dívida pública tem efeitos negativos na economia. Segundo a professora da Fecap,
a população deve sentir pouco o reajuste de maneira imediata, mas os efeitos terão mais força no ano
que vem. "Deve ter um aumento na inflação, que não deve ser um baita aumento, mas a população deve
sentir".

Como a meta fiscal é calculada?


O governo faz o planejamento do valor que vai gastar em determinado ano (despesas) e o total de
recursos esperados (receitas).
41
VELASCO, CLARA. Entenda o que é a meta fiscal e por que o governo revisou o número. G1 Economia. Disponível em:
<http://g1.globo.com/economia/noticia/entenda-o-que-e-a-meta-fiscal-e-por-que-o-governo-revisou-o-numero.ghtml> Acesso em 16 de agosto de 2017.

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Os gastos são todas as despesas da máquina pública, exceto o pagamento de juros. "É tudo aquilo
que o governo gasta para colocar serviços à disposição das pessoas: educação, saúde, pagamento de
funcionários públicos, emissão de passaportes", diz Juliana Inhasz, professora de economia da Fundação
Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap).
Já as receitas vêm da tributação – impostos diretos cobrados sobre o patrimônio e renda e tributos
indiretos sobre o preço de bens e serviços – e refinanciamentos, como o Refis.

O que acontece se o governo não cumprir a meta?


Ele desrespeita a Lei de Responsabilidade Fiscal e perde credibilidade internacional. Para evitar isso,
o governo tem a possibilidade de reajustar a meta fiscal. As revisões na meta tornaram-se comuns durante
o governo de Dilma Rousseff e acabaram vistas pelo mercado como sinônimo da falta de compromisso
com o orçamento público e com a retomada da economia.
"(O governo) sinaliza para o mercado que não tem dispositivo econômico suficiente para fazer ajustes
necessários para colocar as contas em ordem. As pessoas enxergam que, se hoje o governo não ficou
dentro da meta, ele pode fazer isso de novo, de dizer uma coisa e fazer outra, já que no início do ano, ele
se comprometeu com uma meta fiscal que depois teve que reajustar", diz Inhasz.
Segundo especialistas ouvidos pelo G1, porém, no contexto atual, o anúncio não compromete a
credibilidade da equipe econômica diante dos investidores.

O que o governo fez para tentar cumprir a meta?


Para tentar cumprir a meta deste ano, o governo já bloqueou gastos e aumentou tributos sobre os
combustíveis, por exemplo. Além disso, o governo já anunciou a adoção de um programa de incentivo
para demissão de servidores e planeja adiar o reajuste programado para o início do ano que vem.

Bitcoin deve entrar na declaração do Imposto de Renda 201742

Embora não tenham regulamentação própria, investimentos em moedas digitais como o Bitcoin
precisam ser relacionados na declaração do Imposto de Renda
“Tenho investimentos em bitcoin. Devem ser declarados à Receita Federal?”
A dúvida do militar Romildo Alves, 24 anos, é a mesma de um número crescente de pessoas que
costuma investir nas chamadas moedas digitais. Morador da cidade goiana de Jataí, de passagem por
Brasília pela comemoração ao Dia do Exército, na semana passada, ele diz ter conhecido esse mercado
há dois meses por indicação dos vários amigos de quartel que fazem esse tipo de aplicação. “Será que o
governo tributa moeda virtual?”
O Fisco diz que sim.
Esses investimentos têm tratamento fiscal semelhante ao de outros bens, como carros, joias e obras
de arte. “A obrigatoriedade de declarar bens móveis (exceto automóveis) se dá quando esses bens
ultrapassam R$ 5 mil”, informa a Receita Federal. “O contribuinte pode declarar suas moedas virtuais
pelos valores históricos de aquisição.” O imposto só será cobrado quando a moeda for vendida com lucro.
“Os ganhos obtidos com a alienação (de bitcoins, por exemplo) cujo total no mês seja superior a R$ 35
mil são tributados, a título de ganho de capital, à alíquota de 15%”, esclarece o órgão.
Bitcoin é uma das moedas criptográficas que, desde 2009, vêm despertando a atenção e até gerando
fortunas. As chamadas “moedas do futuro” têm circulação restrita à internet, em compras digitais. Elas
não têm regulação específica de autoridades monetárias, nem reconhecimento dos governos em geral e
não oferecem garantias. Mas já movimentam cerca de US$ 21 bilhões no mundo inteiro, segundo dados
do mercado.

Regra legal
A cotação do bitcoin numa casa de câmbio, na quinta-feira, era de US$ 1,3 mil, e as apostas são de
que, em dezembro, o valor chegará a US$ 2 mil. O designer gráfico Cássio Barbosa comprou US$ 240
em agosto de 2015, também tinha dúvidas sobre a necessidade de incluir a moeda virtual na declaração
do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) 2017, cujo prazo termina à meia noite da próxima sexta-
feira, dia 28/06. Ele disse que tem três bitcoins, adquiridos pelo equivalente a R$ 890, cujo valor convertido
oscila, agora, ao redor de R$ 4 mil.
O Fisco reconhece que, “como esse tipo de ‘moeda’ não possui cotação oficial, uma vez que não há
um órgão responsável pelo controle de sua emissão, não há uma regra legal de conversão dos valores

42
AZELMA RODRIGUES. Bitcoin deve entrar na declaração do Imposto de Renda 2017. Correio Braziliense, Economia. Disponível em: <
http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/economia/2017/04/22/internas_economia,590302/bitcoin-deve-entrar-na-declaracao-do-imposto-de-renda-
2017.shtml> Acesso em 11 de agosto de 2017.

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para fins tributários. Entretanto, essas operações deverão estar comprovadas com documentação hábil
e idônea para fins de tributação”, afirma a Receita.

Terceirização: como fica a partir de agora?43

A sanção da lei que permite a terceirização de trabalhadores de forma irrestrita provocou muita
controvérsia recentemente na sociedade. Diante do novo cenário, é preciso as enxergar as novas
implicações no mercado de trabalho com essa nova lei.
O projeto aprovado pela Câmara e transformado em lei pelo presidente é de 1998 e libera a
terceirização de todos os setores das empresas, seja atividade fim ou atividade meio, e também no serviço
público, com exceção de carreiras de Estado, como auditor e juiz.
A maior crítica da oposição, é que o projeto não tem dispositivos para impedir a chamada "pejotização"
- demissão de trabalhadores no regime de CLT para contratação deles como pessoas jurídicas (PJ) - e
assim restringir direitos trabalhistas. Porém essa conduta continua sendo ilegal. Explicando um pouco
melhor esse termo, a PJ tem vínculos que caracterizam uma relação de funcionário com aquela empresa,
mas não tem sua carteira assinada e, em geral, não tem todos os direitos trabalhistas garantidos
justamente por não trabalhar em regime CLT. Já na terceirização, uma empresa tem empregados com
carteira assinada vinculados a ela, e aloca esses funcionários para prestar serviços na empresa cliente.
Em relação às leis trabalhistas, por enquanto nada mudou. Porém, a expectativa fica sobre como será
votada a lei de flexibilização do regime trabalhista. Caso aprovada, reforma trabalhista irá permitir que o
acordado entre patrões e empregados tenha poder de se sobrepor à normas trabalhistas – o chamado
“combinado sobre o legislado”.
Já o lado que apoia o projeto afirma que ele irá reduzir o alto número de desempregados atualmente
no Brasil. Para se ter ideia, segundo dados do IBGE, no trimestre encerrado em fevereiro o número de
desempregados no Brasil atingiu a marca de 13,5 milhões de brasileiros, o maior índice da série histórica
que se iniciou em 2012. O número de pessoas sem trabalho cresceu 36% em relação ao mesmo período
do ano anterior.
Eles ainda dizem que, na medida em que as empresas passam a se focar em partes específicas do
trabalho, tornam-se mais especializadas e produtivas, elevando assim os ganhos em toda sua cadeia de
produção. Por exemplo, quando uma empresa contrata uma terceirizada para cuidar da limpeza de suas
instalações, essa empresa reduz a quantidade de procedimentos que tem que lidar e acaba prestando
um melhor serviço do seu “core business”. Menos recursos indo para a burocracia resultariam em maior
produtividade. E maior produtividade significa melhores condições e mais ganhos reais ao trabalhador.
Agora, vamos aos pontos mais parciais que foram vetados na proposta. O primeiro deles é da
possibilidade de prorrogação do prazo de até 270 dias do contrato temporário de trabalho por acordo ou
convenção coletiva. O segundo assegura ao trabalhador temporário, salário, jornada de trabalho e
proteção previdenciária e contra acidentes equivalentes aos trabalhadores fixos da mesma função. Por
fim, o terceiro e último, prevê o benefício do pagamento direto do FGTS, férias e décimo terceiro
proporcionais a empregados temporários contratados até trinta dias.
Além disso, um assunto que foi muito questionado com essa lei, foi a maneira em que os concursos
públicos ficariam pós a lei entrar em vigor. A realidade é que o projeto não tem nenhum ponto específico
que fala sobre o serviço público, pois é considerado muito amplo e com poucos itens pontuais que
explicam determinada área em específico.
Segundo o juiz federal William Douglas, a abolição de concursos seria considerada inconstitucional.
Ademais, enquanto algumas pessoas interpretam que o projeto é só para o setor privado, outras acham,
por exemplo, que empresas como o Banco do Brasil, que tem “economia mista”, são afetadas pelo projeto.
Com a terceirização em vigor, as empresas tendem a se tornar mais produtivas e isso se refletirá em
melhores serviços e produtos com preços mais competitivos. Até serviços melhores poderão vir até
mesmo do governo, uma vez que produzindo mais, aumenta-se a arrecadação de impostos e com isso
orçamento público também se eleva.

43
DANA, Samy. Terceirização: Como fica a partir de agora? Portal G1. Disponível em: < http://g1.globo.com/economia/blog/samy-dana/post/terceirizacao-como-
fica-partir-de-agora.html>. Acesso em 10 de abril de 2017.

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Questões

01. (TJ-SP – Assistente Social Jurídico – Vunesp) O presidente Michel Temer sancionou na noite
desta sexta-feira o projeto de lei que regulamenta a terceirização no país.
A iniciativa foi publicada em edição extra do “Diário Oficial da União” e inclui vetos parciais a três pontos
da proposta.
(Folha de S.Paulo, 31.03.2017)
O projeto de lei sancionado
(A) Isenta as empresas contratantes e contratadas dos serviços terceirizados de qualquer ação no
âmbito da Justiça do Trabalho e determina que todos os trabalhadores terceirizados devem se constituir
em microempresários, dessa forma responsáveis pelos tributos relacionados ao trabalho.
(B) Determina que todas as empresas privadas podem terceirizar qualquer atividade profissional,
desde que todos os direitos trabalhistas sejam respeitados, e veta a utilização de trabalho terceirizado
para as empresas de economia mista e a administração pública, com exceção para a área de saúde.
(C) Limita a terceirização do trabalhador à denominada atividade-meio e, em caso de litígio trabalhista,
as empresas contratadas e contratantes devem ser acionadas conjuntamente na Justiça do Trabalho e
dividirão os custos das indenizações relacionadas a tais processos.
(D) Impede que a empresa de terceirização subcontrate outras empresas, prática denominada de
quarteirização, e amplia os direitos trabalhistas dos funcionários das empresas de terceirização, por
exemplo o aumento da multa sobre o valor dos depósitos do FGTS em caso de demissão sem justa
causa.
(E) Permite a terceirização de todas as atividades e autoriza a empresa de terceirização a subcontratar
outras empresas para realizar serviços de contratação, remuneração e direção do trabalho e atribui à
empresa terceirizada, em casos de ações trabalhistas, o pagamento dos direitos questionados na Justiça,
se houver condenação.

02. (PC-AP – Agente de Polícia – FCC) A Lei da Terceirização, foi sancionada pelo presidente Michel
Temer, em 31 de março. Essa lei dispõe que:

I. A terceirização poderá ser aplicada a qualquer atividade da empresa, tanto atividade-meio como
atividade-fim.
II. O tempo de duração do trabalho temporário não deve ultrapassar três meses ou 90 dias.
III. Após o término do contrato, o trabalhador temporário só poderá prestar novamente o mesmo tipo
de serviço à empresa após esperar três meses.

Está correto somente o que se afirma APENAS em


(A) I e III
(B) I
(C) I e II
(D) II e III
(E) III.

03. (BRDE – Analista de Projetos-Área Econômico-financeiro – FUNDATEC) O Banco Central do


Brasil está entre as principais autoridades monetárias do país e é integrante do Sistema Financeiro
Nacional. Quem é seu atual presidente?
(A) Alexandre Tombini.
(B) Armínio Fraga.
(C) Henrique Meirelles.
(D) Ilan Goldfajn.
(E) Michel Temer.

04. (PC-AP – Agente de Polícia – FCC) A economia brasileira voltou a crescer após oito trimestres
seguidos de queda. Nos três primeiros meses de 2017, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 1,0% em
relação ao 4° trimestre do ano passado, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (1° ) pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
(Adaptado de: http://g1.globo.com)
Um dos fatores que contribuiu para o crescimento do PIB foi a
(A) expansão dos setores do comércio e de serviços.
(B) redução do desemprego e do trabalho informal.
(C) manutenção das taxas básicas de juros.

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(D) expressiva expansão do agronegócio.
(E) ampliação dos gastos do governo.

05. (Câmara de Maria Helena – Advogado – FAUL) Votada recentemente pelo Senado Federal, a
chamada PEC 55 gerou uma série de protestos por todo o país. Assinale a alternativa que melhor define
essa PEC:
(A) Medida provisória que promove alterações na estrutura do Ensino Médio, última etapa da educação
básica nacional.
(B) Processo instaurado com base em denúncia de crime de responsabilidade contra alta autoridade
do poder executivo.
(C) Proposta que altera a Constituição Federal e institui um novo regime fiscal no país, estabelecendo
um limite para os gastos do governo.
(D) Trata-se da maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já conheceu,
centralizada em recursos desviados da Petrobras.

Respostas:

01. Resposta: E
Seria algo como uma “quarteirização”. As novas regras permitem que uma empresa terceirizada
terceirize o serviço para o qual ela foi contratada ou para que essas empresas encontrem outras para
executar esse serviço. Segue o link explicativo < http://g1.globo.com/politica/noticia/temer-sanciona-com-
3-vetos-projeto-da-camara-sobre-terceirizacao.ghtml>

02. Resposta: A
A alternativa II está incorreta. “O contrato de trabalho temporário, com relação ao mesmo
empregador, NÃO poderá exceder ao prazo de CENTO E OITENTA dias, consecutivos ou não.”.
Conforme Artigo 10 da mesma lei.

03. Resposta: D
Ilan Goldfajn (Haifa, 12 de março de 1966) é um professor e economista israelo-brasileiro. É o atual
presidente do Banco Central do Brasil.
De origem judaica, nasceu em Haifa, Israel. Parte de sua criação deu-se no Rio de Janeiro, onde
estudou no Colégio Israelita Brasileiro A. Liessin.
Em 17 de maio de 2016, foi indicado ao cargo de presidente do Banco Central pelo ministro da Fazenda
Henrique Meirelles. Seu nome foi submetido à aprovação no Senado Federal, contando com 53 votos
favoráveis e 13 contrários. Foi empossado no cargo em 9 de junho.

04. Resposta: D
PIB do Brasil cresce 1% no 1º trimestre de 2017, após 8 quedas seguidas.
Agropecuária foi o destaque na primeira alta da economia em 2 anos. Tecnicamente, resultado positivo
tira o país de sua pior recessão. (https://g1.globo.com/economia/noticia/pib-do-brasil-cresce-10-no-1-
trimestre-de-2017.ghtml)

05. Resposta: C
A PEC 55 “institui o Novo Regime Fiscal no âmbito dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social da
União, que vigorará por 20 exercícios financeiros, existindo limites individualizados para as despesas
primárias de cada um dos três Poderes, do Ministério Público da União e da Defensoria Pública da União”
(fonte: https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/127337)

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19. Indicadores econômicos atuais: PIB; dívida; juros; tributação; câmbio;
inflação; exportações; importações; balanço de pagamentos; reservas
internacionais; produção; emprego; renda; salário mínimo; crédito e perfil dos
gastos federais.

INDICADORES ECONOMICOS
44
Tomar decisões faz parte da rotina de todo empreendedor e ter em mãos os dados necessários para
fundamentar essas decisões pode ser muito útil – um passo em falso pode levar um negócio bem-
sucedido à falência. Entre as informações essenciais para tomar uma decisão assertiva estão
os indicadores econômicos revelando a situação macroeconômica de uma região, estado ou país e
apontando tendências. Entender e acompanhar esses dados pode ser o diferencial quando se trata de
tomar uma decisão ou planejar uma estratégia. Abaixo os indicadores econômicos mais utilizados:

PRODUTO INTERNO BRUTO (PIB) - Esse indicador sintetiza a situação da economia de um país.
Seu cálculo é trimestral e sua análise é feita comparando os resultados atuais a resultados anteriores.
Podemos dizer que o PIB é o resumo de toda a riqueza de uma nação em termos monetários na ocasião
em que foi medido. No Brasil, ele é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

TAXA DE DESEMPREGO - Outro índice calculado do pelo IBGE, esse indicador é gerado a partir de
dados obtidos pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME). Com os dados da pesquisa, divide-se o número
de pessoas desempregadas pelo número de pessoas empregadas (PEA). Multiplique o resultado por cem
e você terá o percentual da taxa de desemprego.

ÍNDICES DE PREÇOS - Os indicadores pertencentes à essa classificação têm como finalidade medir
a inflação. Há diferentes formas de medição e elas podem ser realizadas tanto pelo setor público quanto
pelo setor privado.

ÍNDICE GERAL DE PREÇOS – DISPONIBILIDADE INTERNA (IGP – DI) - Esse índice mede o
comportamento dos preços no mercado. Seu cálculo é feito calculando-se a média entre o Índice de
Preços no Atacado (IPA), índice de Preços ao Consumidor (IPC) e índice Nacional de Custo da
Construção (INCC). Criado na década de 40 e obtido por meio de uma amplitude muito grande de valores,
esse indicador tem sido criticado por não dar conta de alguns gargalos técnicos. O IGP-M é utilizado para
reajustar tarifas públicas, planos e seguros de saúde e contratos de aluguel. Ele é medido pela Fundação
Getúlio Vargas (FGV).

ÍNDICE DE PREÇOS AO CONSUMIDOR AMPLO (IPCA) - Esse índice mede a variação de preços e
o seu impacto nas compras das famílias brasileiras. A coleta dos dados é realizada em 10 regiões
metropolitanas: Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba,
Vitória e Porto Alegre, além de Brasília e os municípios de Goiânia e Campo Grande. A medida é adotada
pelo Banco Central como meio de fixação das metas de inflação.

SETOR EXTERNO - Os índices do setor externo medem a relação do país com o mercado externo.

ÍNDICE DE EXPORTAÇÕES - Calculado pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), esse índice
calcula os índices de valor ($), volume (Kg) e preço ($/Kg) das exportações brasileiras. Seus números
indicam o quanto o Brasil conseguiu vender para outros países.

SALDO DA BALANÇA COMERCIAL - É a subtração das exportações pelas importações. Para que a
balança comercial seja favorável, é necessário que as exportações superem as importações.

DÍVIDA EXTERNA - Indica os débitos do país. Para que um país se torne credor, as dívidas externas
contraídas devem ser menores do que as subsidiadas.

44
http://www.debit.com.br/blog/index.php/2016/03/02/saiba-o-que-sao-indicadores-economicos-e-por-que-voce-deve-acompanha-los/

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ÍNDICES FINANCEIROS - Os índices financeiros demonstram a capacidade de liquidez do mercado.
Eles indicam como o mercado tem se comportado no que diz respeito à disponibilidade do consumidor
em realizar compras.

TAXA SELIC - Essa taxa, que significa Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, refere-se aos
débitos e créditos de operações financeiras realizadas dentro do mercado bancário. Ou seja, a Selic é
uma taxa estipulada para empréstimos entre bancos. A meta Selic é determinada mensalmente pelo
Copom, Comitê de Política Monetária. A taxa Selic pode ser sentida de formas variadas no bolso do
contribuinte. Para quem investe em fundos DI, mudanças na taxa têm efeitos diretos e para quem tomou
dinheiro emprestado dos bancos, a influência da taxa tende a ser mais lenta.

POUPANÇA - Um dos investimentos mais populares no Brasil, a poupança é regulamentada pelo


Banco Central e sua remuneração básica é dada pela Taxa Referencial (TR) acrescida de 0,5%.
Conforme levantamento feito pelo Banco Central, em 2015 os valores retirados da poupança superam os
depósitos. Tal situação impacta os financiamentos imobiliários, pois conforme foi estipulado, os bancos
precisam destinar 65% dos saldos da poupança para o crédito imobiliário.

Caro(a) Candidato(a) abaixo traremos alguns indicadores solicitados, conforme edital.


45
Inflação - A previsão do mercado para a inflação em 2018, ficou em 3,53% (Dados da primeira semana de
Abril de 2018). Foi a décima queda seguida no indicador.
O percentual esperado pelos analistas continua abaixo da meta central que o Banco Central precisa perseguir
para a inflação neste ano, que é de 4,5%. Entretanto, está dentro do intervalo de tolerância previsto pelo sistema,
que considera que a meta terá sido cumprida pelo BC se o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficar
entre 3% e 6%.
A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva
ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic).

PIB e Juros - Para o resultado do PIB em 2018, os economistas dos bancos baixaram a previsão de
crescimento de 2,84% para 2,80%. Para o ano que vem, a expectativa do mercado para expansão da economia
continua em 3%.
O Produto Interno Bruto é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução
da economia. Em 2016, o PIB teve uma retração de 3,5%. Em 2017, cresceu 1% e encerrou a recessão no país.
Os analistas do mercado mantiveram em 6,25% ao ano sua previsão para a taxa básica de juros da economia,
a Selic, ao final de 2018. Atualmente, a taxa está em 6,5% ao ano.

Câmbio, Balança e Investimento - Na edição da 1ª semana de Abril de 2018 do relatório Focus, a projeção do
mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 ficou estável em R$ 3,30 por dólar. Para o fechamento
de 2019, caiu de R$ 3,40 para R$ 3,39 por dólar.
A projeção do boletim Focus para o resultado da balança comercial (resultado do total de exportações menos as
importações), em 2018, continuou em US$ 55 bilhões de resultado positivo.
Para o ano que vem, a estimativa dos especialistas do mercado para o superávit permaneceu estável ao redor
de US$ 45 bilhões.
A previsão do relatório para a entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil, em 2018, permaneceu em
US$ 80 bilhões. Para 2019, a estimativa dos analistas ficou estável em US$ 80 bilhões.
46
Balanço de Pagamentos - O balanço de pagamentos é o registro estatístico de todas as transações
– fluxo de bens e direitos de valor econômico – entre os residentes de uma economia e o restante do
mundo, ocorridos em determinado período de tempo.
A série temporal de balanço de pagamentos do Brasil foi elaborada seguindo as diretrizes conceituais
estabelecidas na 5ª edição do Manual de Balanço de Pagamentos do Fundo Monetário Internacional -
FMI.

45
https://g1.globo.com/economia/noticia/mercado-baixa-estimativa-de-inflacao-e-de-alta-do-pib-em-2018.ghtml
46
http://www4.bcb.gov.br/pec/series/port/metadados/mg152p.htm

. 170
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Balanço de pagamentos

US$ milhões
Discriminação 2017* 2018*

Fev Jan-fev Ano Fev Jan-fev

I. Transações correntes - 945 - 6 030 - 9 762 283 - 4 024


Balança comercial (bens) 4 375 6 880 64 028 4 626 7 030
Exportações1/ 15 433 30 294 217 243 17 275 34 204
Importações2/ 11 057 23 414 153 215 12 649 27 174
Serviços - 2 432 - 4 856 - 33 851 - 2 545 - 5 333
Renda primária - 3 056 - 8 400 - 42 572 - 1 981 - 6 103
Renda secundária 168 346 2 632 184 382
II. Conta capital 59 97 379 41 82
III. Conta financeira3/ - 54 - 4 649 - 6 146 517 - 3 152
Investimento direto no exterior 580 717 6 268 - 51 2 425
Participação no capital4/ 633 760 6 155 - 294 1 958
Operações intercompanhia - 53 - 43 114 243 467
Investimento direto no país 5 263 16 722 70 332 4 743 11 208
Participação no capital5/ 2 170 10 948 59 138 4 129 7 812
Operações intercompanhia 3 093 5 774 11 194 614 3 396
Investimento em carteira – ativos 917 2 027 12 371 1 219 2 531
Ações e cotas em fundos 442 834 10 002 1 225 2 549
Títulos de renda fixa 475 1 192 2 368 - 6 - 19
Investimento em carteira – passivos - 1 128 - 2 113 - 1 075 1 525 13 376
Ações e cotas em fundos 652 1 614 5 674 66 4 176
Títulos de renda fixa - 1 780 - 3 727 - 6 748 1 459 9 200
Derivativos – ativos e passivos 132 - 5 705 443 635
Outros investimentos – ativos6/ 6 170 5 756 44 808 1 552 10 446
Outros investimentos – passivos6/ 4 918 247 6 134 - 355 - 1 395
Ativos de reserva 1 201 1 711 5 093 3 268 4 000

Erros e omissões 832 1 284 3 236 193 790

Memo:
Transações correntes / PIB (%) - 1,86 - 0,47 - 1,21
Investimento direto no país / PIB (%) 5,17 3,42 3,37

Fonte: http://www.bcb.gov.br/pec/Indeco/Port/indeco.asp

. 171
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Índice de Produção

Índices da produção industrial (geral e por categoria de uso)

2012
= 100
Bens
Período Geral Bens Bens de consumo
de
capit intermediári
al os
Geral Duráveis Não-duráveis
e
semiduráveis
Obse Obse Obse Obse
Dess Dess Dess Dess Obser Dessa Obser Dess
rvad rvad rvad rvad
az. az. az. az. vado z. vado az.
o o o o

2017 Jan 77,80 86,10 58,20 65,40 79,80 87,20 78,60 87,40 61,20 68,60 84,10 93,90
Fev 75,70 87,10 65,90 70,00 75,90 87,60 77,40 88,40 66,10 71,60 81,00 92,90
Mar 85,30 85,10 76,50 68,60 84,70 86,00 88,80 86,70 78,50 70,20 92,00 92,00
Abr 79,40 86,00 64,40 69,50 82,00 87,20 77,90 85,50 63,40 70,30 82,40 91,50
Mai 90,20 86,40 76,00 71,50 91,90 87,90 90,60 87,80 79,80 73,60 94,00 92,40
Jun 88,30 87,20 73,70 73,80 91,30 88,40 86,30 88,30 67,70 72,80 92,20 92,80
Jul 92,20 87,70 73,80 74,30 95,30 89,10 91,10 89,50 72,30 74,00 97,10 95,10
Ago 96,70 87,30 81,20 74,60 97,40 88,20 99,70 89,90 87,40 76,90 103,50 94,00
Set 93,00 87,70 75,10 74,60 94,40 88,90 95,10 89,30 81,60 78,60 99,30 92,50
Out 95,10 87,70 79,40 75,10 95,00 88,90 99,80 90,20 85,40 78,20 104,30 93,80
Nov 90,50 88,30 78,10 75,80 89,70 89,80 95,70 90,00 85,50 79,90 98,90 91,50
Dez 80,70 90,90 65,90 75,80 81,60 91,60 82,40 91,90 71,80 86,30 85,80 94,30

2018 Jan 82,30 88,90 68,60 75,40 83,20 89,60 83,40 91,10 73,60 81,30 86,50 94,80
Fev 77,80 89,10 71,00 75,50 77,00 89,00 80,90 92,20 76,40 82,70 82,30 94,20

%
-5,47 0,22 3,50 0,13 -7,45 -0,67 -3,00 1,21 3,80 1,72 -4,86 -0,63
mês
% mês(-1) 1,98 -2,20 4,10 -0,53 1,96 -2,18 1,21 -0,87 2,51 -5,79 0,82 0,53
- - -
% mês(-2) 2,94 0,00 -9,03 2,00 2,11 -16,02 8,01 -13,25 3,06
10,83 15,62 13,90
% mês ano
2,77 2,30 7,74 7,86 1,45 1,60 4,52 4,30 15,58 15,50 1,60 1,40
ant.
%
4,30 2,77 12,49 11,45 2,89 2,17 5,32 4,27 17,83 16,98 2,24 1,18
ano
% 12
2,95 3,03 7,18 7,37 2,12 2,17 3,57 3,56 14,16 14,33 1,12 1,05
meses

. 172
1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
Índice de Emprego Formal

Índice do nível de emprego formal - Brasil

Dezem
bro
2001 =
100
Constr
Período Total Indústria da Comércio Serviços ução
civil
transformação
Observ Dessaz Observ Dessaz Observ Dessaz Observa Dessaz Observ Dessaz
ado . ado . ado . do . ado .

2010 Dez 164,19 164,29 149,24 150,09 192,99 192,28 161,75 161,18 208,93 211,56
2011 Dez 173,49 173,54 153,50 154,42 204,54 203,80 172,31 171,74 228,61 231,51
2012 Dez 179,78 179,67 155,26 156,13 214,29 213,33 179,99 179,83 241,70 244,49
2013 Dez 185,01 184,80 157,60 158,46 222,18 221,26 186,18 186,08 250,42 253,21
2014 Dez 186,94 186,63 154,50 155,27 226,93 226,07 191,56 191,76 241,33 243,66
2015 Dez 179,89 179,54 142,88 143,52 221,78 221,15 188,60 189,23 206,56 208,31
2016 Dez 173,81 173,39 136,73 137,26 217,00 216,42 184,27 184,79 176,37 177,60

2017 Jan 173,67 173,08 137,09 136,78 215,51 216,28 184,24 184,56 176,47 175,66
Fev 173,89 173,12 137,19 136,54 215,04 216,36 184,90 184,37 175,51 173,99
Mar 173,63 172,71 137,11 136,35 214,25 216,28 184,74 184,52 174,83 172,75
Abr 173,97 172,62 137,38 136,27 214,44 216,25 185,10 184,11 174,79 171,55
Mai 174,18 172,66 137,42 136,29 214,21 216,40 185,16 184,04 174,51 170,85
Jun 174,25 172,65 137,28 136,30 214,17 216,54 185,11 184,15 173,78 170,05
Jul 174,48 172,69 137,55 136,34 214,47 216,71 185,26 184,20 173,98 169,28
Ago 174,70 172,73 137,82 136,35 214,79 216,87 185,57 184,31 174,30 169,18
Set 174,92 172,56 138,34 136,21 215,21 216,82 185,69 184,37 174,47 168,68
Out 175,30 172,89 138,99 136,53 216,16 217,08 185,89 184,33 174,14 168,82
Nov 175,26 173,00 138,45 136,61 217,88 217,18 185,90 184,57 172,25 168,68
Dez 173,71 173,20 136,30 136,78 218,03 217,36 184,68 184,70 167,71 168,65

2018 Jan 174,08 173,50 137,25 136,94 216,86 217,60 185,21 184,92 169,08 168,20
Fev 174,36 173,56 137,58 136,92 216,25 217,53 185,94 185,33 168,78 167,20

% mês 0,16 0,04 0,24 -0,02 -0,28 -0,03 0,39 0,22 -0,18 -0,59
% mês ano ant. 0,27 0,25 0,29 0,27 0,56 0,54 0,56 0,52 -3,84 -3,90
% mês(-1) ano
0,24 0,24 0,12 0,12 0,63 0,61 0,52 0,20 -4,19 -4,24
ant.
% mês(-2) ano
-0,06 -0,11 -0,31 -0,35 0,48 0,43 0,22 -0,05 -4,91 -5,04
ant.
%
0,26 0,25 0,20 0,20 0,59 0,57 0,54 0,36 -4,01 -4,07
ano1/
% 12 meses -1,15 -1,15 -1,39 -1,39 -0,30 -0,30 -0,63 -0,83 -9,11 -9,09

. 173
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Arrecadação de Impostos/Tributação

Arrecadação do imposto de renda por setores

R$
milhões
Fim Pessoa Pessoa jurídica Retido na fonte Total
de física geral
Entidade Tota Rend. Rend. Outro
período Demais Rem. p/ Total
s l do do s
rendi
financeir empresa trabalh
capital exterior mento
as s o
s

108 130
2012 24 310 20 135 88 705 75 106 32 980 14 743 8 168 264 146
840 997
126 140
2013 26 452 21 894 104 254 79 004 34 284 16 971 9 949 292 810
149 209
121 155
2014 27 779 19 235 101 954 87 021 39 816 18 658 9 975 304 437
189 470
113 10 180
2015 28 450 17 713 95 684 93 222 52 469 24 204 322 101
397 360 255
140 10 193
2016 30 515 23 959 116 523 99 735 59 142 24 450 364 448
482 125 451

120 111 10 207


2017
32 205 19 724 100 496 220 214 58 632 26 466 961 273 359 698
22
Jan
2 597 6 631 16 298 929 12 017 5 395 3 134 1 076 21 621 47 147
8
Fev
945 1 429 6 738 166 7 969 3 487 1 416 780 13 652 22 763
9
Mar
1 232 2 063 7 049 111 9 086 3 505 2 314 745 15 651 25 994
12
Abr
8 430 1 034 11 149 183 9 722 3 761 2 972 985 17 441 38 054
6
Mai
3 116 1 006 5 203 209 8 875 3 510 1 603 817 14 806 24 131
6
Jun
2 689 901 5 224 125 8 412 10 329 1 716 843 21 299 30 113
11
Jul
2 545 759 10 929 688 8 591 3 521 2 063 929 15 104 29 337
8
Ago
2 391 1 604 6 458 061 8 366 3 529 1 655 950 14 500 24 952
7
Set
2 443 1 406 5 929 335 8 436 3 558 1 687 952 14 634 24 413
13
Out
2 348 1 172 11 905 076 8 973 3 624 1 932 897 15 426 30 851
7
Nov
2 243 895 6 507 402 10 712 3 287 1 833 964 16 795 26 440
7
Dez
1 226 827 7 107 934 10 054 11 126 4 140 1 023 26 343 35 503

2018
23
Jan
1 509 5 338 18 659 997 12 799 5 112 3 893 1 241 23 046 48 553
9
Fev
1 198 1 977 7 712 688 8 590 3 125 1 940 831 14 486 25 373

Acumulado
no ano
31
2017
3 542 8 059 23 036 095 19 986 8 882 4 550 1 856 35 273 69 910

. 174
1452794 E-book gerado especialmente para ELENITA BARBOSA DE SOUZA
33
2018
2 707 7 315 26 370 685 21 389 8 237 5 834 2 072 37 532 73 925

Variação % :
2018/2017 -23,6 -9,2 14,5 8,3 7,0 -7,3 28,2 11,7 6,4 5,7

Índice de Preços

Índices de preços

Variações
percentuais
INP IPC IPCA- IPCA- IGP- IGP- IGP-
Período IPC-Fipe
C A 15 E 10 DI M

1º Mens 1ª 2ª 3ª
dec Mensal
dec. al q. q. q.
.

200
5,05 5,69 5,88 5,88 1,47 1,22 ... ... 1,21 ... ... ... 4,53
5
200
2,81 3,14 2,96 2,96 4,05 3,79 ... ... 3,83 ... ... ... 2,54
6
200
5,16 4,46 4,36 4,36 7,38 7,89 ... ... 7,75 ... ... ... 4,38
7
200
6,48 5,90 6,10 6,10 10,27 9,10 ... ... 9,81 ... ... ... 6,16
8
200
4,11 4,31 4,19 4,19 -1,68 -1,43 ... ... -1,72 ... ... ... 3,65
9
201
6,47 5,91 5,79 5,79 11,16 11,30 ... ... 11,32 ... ... ... 6,40
0
201
6,08 6,50 6,56 6,56 5,33 5,00 ... ... 5,10 ... ... ... 5,81
1
201
6,20 5,84 5,78 5,78 7,42 8,10 ... ... 7,82 ... ... ... 5,10
2
201
5,56 5,91 5,85 5,85 5,39 5,52 ... ... 5,51 ... ... ... 3,88
3
201
6,23 6,41 6,46 6,46 3,88 3,78 ... ... 3,69 ... ... ... 5,20
4
201 11,2 10,6
10,71 10,71 10,54 10,70 ... ... 10,54 ... ... ... 11,07
5 8 7
201
0,14 0,30 0,19 0,19 0,20 0,83 ... ... 0,54 ... ... ... 0,72
6

201 0,7 0,7 0,6 0,5


J 0,42 0,38 0,31 0,31 0,88 0,43 0,86 0,64 0,32
7 6 5 9 8
-
0,0 0,1 0,0
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2 8 2
5
-
0,0 0,0 0,0
M 0,32 0,25 0,15 0,15 0,05 -0,38 0,25 0,01 0,0 0,14
8 2 6
9
-
0,3 0,4 0,5
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1 3 6
9
-
0,5 0,3 0,1
M 0,36 0,31 0,24 0,24 -1,10 -0,51 -0,89 0,8 -0,93 -0,05
8 0 1
9
- -
- - 0,0 0,0
J 0,16 0,16 -0,62 -0,96 -0,51 0,6 -0,67 0,1 0,05
0,30 0,23 5 4
1 0

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- - -
0,0
J 0,17 0,24 -0,18 -0,18 -0,84 -0,30 -0,95 0,7 -0,72 0,1 0,1 -0,01
0
1 5 1
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- -
- 0,4 0,0
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4 2
0,3 0,1 0,1 0,2
O 0,37 0,42 0,34 0,34 0,49 0,10 0,32 0,20 0,32
0 0 6 2
0,3 0,3 0,3 0,3
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7 1 4 2
0,8 0,3 0,4 0,5
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8 9 6 2

201 0,8 0,5 0,4 0,5


J 0,23 0,29 0,39 0,39 0,79 0,58 0,75 0,76 0,46
8 2 5 9 2
-
0,0 0,2 0,0
F 0,18 0,32 0,38 0,38 0,23 0,15 0,16 0,07 0,2 -0,42
3 5 3
3
- - -
0,5
M ... ... 0,10 0,10 0,45 ... 0,60 0,64 0,4 0,2 0,1 0,00
9
2 3 2

Acum. 1,4 0,3 0,2 0,1


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ano 5 8 9 7
12 0,2 2,0 2,0 2,0
1,81 2,84 2,80 2,80 -0,02 -0,18 -0,26 0,20 1,93
meses 1 6 9 5

47
Demais Indicadores

COMMODITIES
UNIDADE COMPRA VENDA VARIAÇÃO
Petróleo (Brent) Barril US$ 67,980 US$ 68,000 3,47%
Ouro Onça troy US$ 1335,870 US$ 1336,620 0,00%
Prata Onça troy US$ 16,449 US$ 16,540 0,00%
Platina Onça troy US$ 931,000 US$ 936,000 -0,05%
Paládio Onça troy US$ 929,500 US$ 935,500 0,00%

VALOR ATUALIZAÇÃO
Salário Mínimo R$ 954,00 2018
Global 40 112,32% 09.Abr.2018
TR 0,00% 09.Abr.2018
CDI 6,39% 09.Abr.2018
SELIC 6,50% 21.mar.2018
IPCA 0,32% fev.18

INFLAÇÃO
ÍNDICE MÊS VALOR
IPCA Fev.18 0,32%
IPC-Fipe Mar.18 0,00%
IGP-M Mar.18 0,64%
INPC Fev.18 0,18%

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https://economia.uol.com.br/cotacoes/indices-economicos/

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CÂMBIO
Compra Venda Variação
Dólar com. 3,4208 3,4219 1,60%
Dólar tur. 3,28 3,56 0,28%
Euro 4,2147 4,2185 1,91%
Libra 4,8334 4,8383 1,86%
Pesos arg. 0,1694 0,1695 1,38%

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