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GOVERNO DO ESTADO DO PIAUÍ

SEMAR
Secretaria do MEIO AMBIENTE
e RECURSOS HÍDRICOS

PLANO ESTADUAL DE
RECURSOS HÍDRICOS
DO ESTADO DO PIAUÍ
RELATÓRIO TECNICO FINAL – RTF
PROPOSTA DO SISTEMA ESTADUAL DE
GERENCIAMENTO E DO PLANO ESTADUAL
DE RECURSOS HÍDRICOS

I.

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SETEMBRO DE 2010
ELABORAÇÃO DO PLANO ESTADUAL DE RECURSOS
HÍDRICOS DO ESTADO DO PIAUÍ

RELATÓRIO TECNICO FINAL – RTF

PROPOSTA DO SISTEMA ESTADUAL DE


GERENCIAMENTO E DO PLANO ESTADUAL DE
RECURSOS HÍDRICOS

SETEMBRO/2010

1
REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente

AGÊNCIA NACIONAL DE ÁGUAS - ANA


Vicente Andreu Guillo
Diretor – Presidente

GOVERNO DO ESTADO DO PIAUÍ


Wilson Nunes Martins
Governador

SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE E RECURSOS HÍDRICOS – SEMAR/PI

Dalton Melo Macambira


Secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos

Demócrito Chagas Barreto


Superintendente de Recursos Hídricos

Milcíades Gadelha de Lima


Diretor de Recursos Hídricos

Marcos José Craveiro Moreira


Coordenador do PROÁGUA NACIONAL - UEGP/PI

Roberto José Amorim Rufino Fernandes


Coordenador do PERH/PI

2
APRESENTAÇÃO

O presente documento consiste no RELATÓRIO TÉCNICO RT–9, denominado IMPLEMENTAÇÃO


DOS INSTRUMENTOS DE GESTÃO DE RECURSOS HÍDRICOS NO PIAUÍ, elaborado pela IBI
ENGENHARIA CONSULTIVA S/S, parte integrante do PLANO ESTADUAL DE RECURSOS
HÍDRICOS DO ESTADO DO PIAUÍ – PERH/PI, consoante a solicitação de propostas SDP Nº.
001/2008 da SECRETARIA DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS HÍDRICOS – SEMAR/PI, que
resultou no CONTRATO Nº 08/2008, no âmbito do Acordo de Empréstimo 7420-BR.

Conforme especificado nos Termos de Referência (TDRs), a elaboração do PERH/PI deverá ser
estruturada na apresentação dos seguintes estudos, relatórios ou produtos:

1. Plano de Trabalho Revisado e Metodologia;

2. Relatórios Técnicos, segundo os objetivos específicos e tendo por conteúdo o detalhamento de


atividades e indicadores de desempenho apresentados, editados conforme segue:

RT - 1: Matriz Institucional e a Base Legal Interveniente na Gestão de Recursos Hídricos;

RT - 2: Relatório sobre Diretrizes e Estratégicas para a Gestão dos Recursos Hídricos no Estado do
Piauí, consolidando leitura sobre a inserção macrorregional do Estado e suas relações com a União
e Estados fronteiriços (síntese de problemas, aspectos geopolíticos e estratégicos);

RT - 3: Integração com a Gestão Ambiental e Regional e com o Planejamento de Setores Usuários;

RT - 4: Mecanismos de acompanhamento e avaliação da implementação do PERH/PI;

RT - 5: Avaliação de Desempenho de Entidades Existentes e de Funcionamento de Novas


Instâncias Decisórias do Sistema Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos do
Estado do Piauí - SEGRH/PI;

RT - 6: Diagnóstico Referencial Consolidado sobre os Recursos Hídricos no Estado do Piauí.


Este Relatório constitui-se dos seguintes Relatórios Técnicos Preliminares:

RTP–1: Diagnóstico e Prognóstico das Disponibilidades Hídricas das Bacias


Hidrográficas;
RTP–2: Diagnóstico e Prognóstico das Demandas Hídricas das Bacias Hidrográficas;
RTP–3: Diagnóstico dos Componentes e Processos Naturais e Antrópicos que afetam ou
possam ser afetados pelo uso da água;
RTP–4: Diagnóstico da Dinâmica Social das Bacias Hidrográficas;

RT – 7: Compatibilização das Disponibilidades e Demandas Hídricas;

RT – 8: Articulação e Compatibilização dos Interesses Internos e Externos ao Estado;

RT - 9: Implementação dos Instrumentos de Gestão de Recursos Hídricos;

3
3. RTF: Relatório Técnico Final - Relatório final consolidado com hierarquia e prioridades de ações,
estratégia de implementação e arranjos institucionais;
4. Relatório Executivo (RE), contendo programa de implementação das ações do Plano, indicando
as fontes de financiamento e cronograma de execução.
5. Relatórios de Andamento (RA): deverão ser apresentados 18 (dezoito) relatórios, com
periodicidade mensal, contendo indicadores de avanço na elaboração dos produtos;
6. Relatório Síntese (RS), contendo a síntese para divulgação do Plano Estadual de Recursos
Hídricos do Estado do Piauí;
7. Material de Divulgação do PERH/PI e do SEGRH/PI, para apoio à estratégia de sua
implementação e difusão no âmbito do Estado;
8. Publicação do Relatório Síntese (RS), a ser editada em papel (1.000 unidades) e em meio
magnético (CD-ROM – 1.000 unidades) e apresentação de uma síntese para divulgação na home-
page da SEMAR/PI.
9. Organização e realização de 6 (seis) rodadas de 2 (dois) Seminários Regionais (Consultas
Públicas) sobre o PERH/PI.
Este RELATÓRIO TÉCNICO RT-9: IMPLEMENTAÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE GESTÃO DE
RECURSOS HÍDRICOS NO PIAUI foi concebido e estruturado em consonância com as normas
estabelecidas pela Solicitação de Propostas N.º SDP 001/2008, adaptando-se ao estilo, interpretação e
conhecimento da Empresa Consultora responsável pela elaboração do PERH – PI.
O capítulo 1 trata da introdução;
No capítulo 2 são descritos os Aspectos Legais, onde são apresentadas as questões da legislação
federal e estadual pertinentes ao tema, de forma clara e concisa;
O capítulo 3 trata de experiências de implementação desses instrumentos mostrando as
experiências do Estado do Ceará que iniciou este processo em 1994, portanto, uma das primeiras do
Nordeste e as do Estado da Paraíba que mostra experiências mais recentes; bem como a situação
atual do Estado do Piauí em termos de experiências no setor;
O capítulo 4 apresenta as diretrizes que balizarão todos os procedimentos para a implementação
dos instrumentos, com comentários sobre cada uma delas, mostrando a sua importância para atingir
os objetivos programados;
O capítulo 5 faz uma abordagem básica ou estratégica para a implementação dos instrumentos,
sugerindo parcerias para otimizar as ações a partir de compromissos compartilhados nas esferas
federal, estadual e municipal;
O capítulo 6 trata da implementação dos instrumentos, propriamente, onde são caracterizados
conforme a expressão da lei, a necessidade de regulamentação para torná-los exeqüíveis, a
integração entre os instrumentos como forma de mostrar a interface entre eles, os procedimentos
mais adequados para a sua implementação, e sobretudo a condição institucional para executar as
ações;

4
O capítulo 7 de maneira sucinta aborda questões relativas às oportunidades da SEMAR para
implementar os instrumentos de gestão da política estadual de recursos hídricos, bem como alguns
riscos que podem criar dificuldades ao cumprimento dessa missão de grande relevância para o
Estado do Piauí;
O capitulo 8 apresenta uma proposta de Enquadramento dos Corpos d’Água em Classes de Uso
Preponderantes, considerando as Fases de Diagnóstico e Prognóstico e recomendações para sua
legitimação e efetivação;
O capitulo 9 trata da proposta de enquadramento “quantitativo” dos corpos de água, indicando as
prioridades de suprimento hídrico às diversas demandas e os níveis de garantia que serão
requeridos, tomando por base as propostas analisadas nos capítulos anteriores.
O capítulo 10 discorre sobre a proposta de critérios de outorga dos direitos de uso da água,
apresentando os critérios compatíveis que oriente a OGRH na sua aplicação na bacia hidrográfica,
indicando os tipos de outorga que serão dispensados de outorga;
O capítulo 11 apresenta a proposta de critérios de cobrança pelo uso da água com a indicação dos
critérios gerais de cobrança pelo uso da água seguindo-se as mesmas orientações requeridas para
aplicação do instrumento de outorga, esclarecendo ainda sobre o que cobrar, como cobrar, de quem
cobrar e para que cobrar o uso da água;
O capítulo 12 fala sobre a proposta de critérios de compensação a municípios da região de entorno,
onde são discutidos os critérios gerais de compensação aos municípios e, suas dificuldades de
aplicação no atual contexto;
O capítulo 13 discute sobre a situação de implementação do FERH – fundo estadual de recursos
hídricos;
O capítulo 14 mostra uma proposta de criação de unidades de proteção dos recursos hídricos na
qual deverão ser indicadas áreas destinadas à unidades de conservação e proteção dos recursos
hídricos, fundamentadas em análises e justificativas circunstanciadas;
O capítulo 15 discorre sobre a proposta organizacional para implementação do gerenciamento dos
recursos hídricos no Estado, onde estão previstas as entidades que participarão do gerenciamento
dos recursos hídricos da bacia que devem compor o sistema de gerenciamento dos recursos hídricos
do Estado, de acordo com as legislações pertinentes e as deliberações do OGRH e do Governo do
Estado;
Em conformidade com os Termos de Referência (TDR’s), o RT–9 está sendo apresentado em 2
(duas) vias, sob a forma de minuta, para aprovação prévia pela SEMAR/PI. Após aprovação, o
Relatório será apresentado em sua forma definitiva, encadernação simples (mola espiral) em 5 (cinco)
vias impressas e 2 (duas) cópias em meio informatizado (CD-ROM), sendo uma cópia em PDF e
outra livre de quaisquer bloqueios.

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SUMÁRIO

1 - INTRODUÇÃO ............................................................................................................................ 14 


1.1 - ABRANGÊNCIA DO PLANO ................................................................................................ 14 
1.2 - OBJETIVOS DO PERH/PI .................................................................................................... 14 
1.3 - OBJETIVOS DO RELATÓRIO TÉCNICO FINAL .................................................................. 14 
2 - PROPOSTAS DE PROGRAMAS E ATIVIDADES REFERENTES AO
GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HÍDRICOS DO ESTADO ..................................................... 16 
2.1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS................................................................................................ 16 
2.2 - ORDENAMENTO DOS PROGRAMAS ................................................................................. 16 
3 - PROGRAMAS PARA O FORTALECIMENTO DO SEGRH .......................................................... 19 
3.1 - PROPOSTA DE CRIAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DO NOVO ÓRGÃO DE
GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HÍDRICOS DO PIAUÍ – AGEAPI............................ 19 
3.1.1 - Introdução.............................................................................................................. 19 
3.1.2 - Competências e Encargos Referentes às Diversas Entidades
envolvidas ............................................................................................................. 19 
3.1.3 - Diagnóstico Sobre a Atual Estrutura Existente ................................................... 20 
3.1.4 - Diagnóstico do Arcabouço Jurídico-Legal Vigente ............................................. 20 
3.1.5 - Natureza Jurídica do Órgão Gestor dos Recursos Hídricos ............................... 23 
3.2 - FORTALECIMENTO DO SISTEMA ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE ................................ 25 
3.3 - PROPOSTA DE ELABORAÇÃO DE UM NOVO PLANO DE CARGO E
CARREIRA PARA A SEMAR – PCC .................................................................................. 28 
3.3.1 - Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração ........................................................ 28 
3.3.2 - Fundamentos Básicos e Principais Resultados .................................................. 30 
3.3.3 - Elementos Básicos................................................................................................ 30 
3.3.4 - Diretrizes................................................................................................................ 32 
3.4 - CRIAÇÃO E INSTALAÇÃO DOS COMITÊS DE BACIAS HIDROGRÁFICAS ....................... 33 
3.4.1 - Introdução.............................................................................................................. 33 
3.4.2 - Aspectos Legais de Comitê de Bacia Hidrográfica ............................................. 34 
3.4.3 - Conceituação de Comitê de Bacia Hidrográfica .................................................. 36 
3.4.4 - Metodologia da Participaçâo de Comitê de Bacia Hidrográfica .......................... 36 
3.4.5 - Sistemática Metodológica ..................................................................................... 37 
3.4.6 - Procedimentos Necessários para a Instalação de Comitê de Bacia
Hidrográfica........................................................................................................... 38 
3.4.7 - Atribuições do Comitê de Bacia ........................................................................... 40 
3.4.8 - Pressupostos de Orientação para a Escolha dos Membros de
Comitê de Bacia .................................................................................................... 41 
3.4.9 - Priorização na Implantação de Comitês de Bacias Hidrográficas ...................... 42 
3.4.10 - As Comissões Gestoras de Açudes – CGA’s e Associações de
Usuários (ASSUSAS) ............................................................................................ 42 
3.4.11 - Agências de Águas.............................................................................................. 43 
3.5 - CRIAÇÃO DAS AGÊNCIAS DE BACIAS OU GERENCIAS REGIONAIS .............................. 44 
3.6 - PROGRAMA PARA ELABORAÇÃO DO CADASTRO DE USUÁRIOS DE ÁGUA
DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS........................................................................................ 47 
3.6.1 - Introdução.............................................................................................................. 47 
3.6.2 - Área Objeto dos Estudos ...................................................................................... 47 
3.6.3 - Descrição das Bacias ............................................................................................ 48 
3.6.4 - Metodologia ........................................................................................................... 48 

6
3.7 - PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO E TREINAMENTO DE SERVIDORES ............................. 50 
3.7.1 - Introdução.............................................................................................................. 50 
3.7.2 - Preparação para a Criação do Centro de Excelencia .......................................... 51 
3.7.3 - Metodologia ........................................................................................................... 51 
3.7.4 - O Centro de Excelência em Recursos Hídricos ................................................... 52 
3.8 - PROPOSTA DE REFORMULAÇÃO NA ESTRUTURA DA SEMAR,
OBJETIVANDO SEU FORTALECIMENTO ......................................................................... 54 
3.8.1 - Composição Atual ................................................................................................. 54 
3.8.2 - Proposição de um Novo Modelo de Estruturação para a SEMAR....................... 56 
4 - IIPROPOSTAS PARA IMPLEMENTAÇÃO/MATERIALIZAÇÃO DOS
INSTRUMENTOS DE GESTÃO ........................................................................................................ 60 
4.1 - PROGRAMA PARA IMPLEMENTAÇÃO DOS PLANOS DE BACIAS ................................... 60 
4.1.1 - Comentários Sobre o Decreto n.º 14.145 de 22 de março de 2010 e
Cronograma para Implantação do PDRH ............................................................. 60 
4.2 - PROGRAMA PARA IMPLEMENTAÇÃO DO ENQUADRAMENTO DOS
CORPOS DE ÁGUA EM CLASSES DE USOS PREPONDERANTES ................................ 64 
4.2.1 - Considerações Gerais ........................................................................................... 64 
4.2.2 - Referências para Elaboração do Enquadramento de Corpos de
Água ...................................................................................................................... 66 
4.2.3 - Enquadramento dos Rios Intermitentes............................................................... 73 
4.3 - PROPOSTA DE CRITÉRIOS DE OUTORGAS DOS DIREITOS DE USO DE
RECURSOS HÍDRICOS..................................................................................................... 76 
4.3.1 - Introdução.............................................................................................................. 76 
4.3.2 - Outorga de Uso e Planos de Recursos Hídricos.................................................. 76 
4.3.3 - Outorga de Uso e Reserva Hídrica ....................................................................... 76 
4.3.4 - Outorga de Uso e Estudo Prévio de Impacto Ambiental ..................................... 76 
4.3.5 - Vinculação, Discricionariedade. Publicidade do Procedimento de
Outorga.................................................................................................................. 77 
4.3.6 - Outorga de Uso e Dever de Fiscalizar .................................................................. 77 
4.3.7 - Outorga de Uso e Cobrança.................................................................................. 77 
4.3.8 - A Outorga e a Alocação ........................................................................................ 78 
4.3.9 - Licenças de Poços Concedidos pela SEMAR ...................................................... 95 
4.4 - PROPOSTA DE CRITÉRIOS DE COBRANÇA PELO USO DA ÁGUA ................................. 96 
4.4.1 - Introdução.............................................................................................................. 96 
4.4.2 - Esclarecimentos Fundamentais ........................................................................... 96 
4.5 - PROPOSTA DE CRITÉRIOS DE COMPENSAÇÃO À MUNICÍPIOS .................................. 105 
4.5.1 - Aspectos Legais .................................................................................................. 105 
4.5.2 - A Construção de Reservatórios de Múltiplos Usos ........................................... 105 
4.5.3 - As Compensações aos Municípios .................................................................... 106 
4.5.4 - Regulamentação da Compensação a Municípios .............................................. 107 
4.6 - IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA ESTADUAL DE INFORMAÇÕES SOBRE OS
RECURSOS HÍDRICOS DO PIAUÍ .................................................................................. 107 
4.6.1 - Proposta para Implementação do Sistema Estadual de Informações
de Recursos Hidrícos ......................................................................................... 107 
4.7 - FUNDO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS .............................................................. 120 
4.7.1 - Introdução............................................................................................................ 120 
4.7.2 - Recursos.............................................................................................................. 120 
4.7.3 - Diretrizes.............................................................................................................. 120 
4.7.4 - Aplicações ........................................................................................................... 121 

7
5 - ABORDAGEM DE QUESTÕES RELEVANTES DE CARÁTER INSTITUCIONAL E
ESTRUTURAL................................................................................................................................ 126 
5.1 - INSERÇÃO MACROREGIONAL DO ESTADO DO PIAUÍ NO PLANO DOS
RECURSOS HÍDRICOS................................................................................................... 126 
5.2 - COMPATIBILIZAÇÃO ENTRE AS ATIVIDADES DE DESENVOLVIMENTO
REGIONAL E AS POTENCIALIDADES DE PROGRAMAS DE RECURSOS
HÍDRICOS DO ESTADO .................................................................................................. 131 
5.2.1 - Compatibilização entre o Potencial e o Desenvolvimento Regional................. 135 
5.2.2 - Avaliação ............................................................................................................. 135 
5.3 - ÁREAS SUJEITAS A RESTRIÇÕES DE USO .................................................................... 135 
5.3.1 - Primeiro Plano - As faixas de proteção do corpo hídrico (Lagos,
Açudes, Rios e Nascentes) preconizados na Lei Ambiental............................. 135 
5.3.2 - Segundo Plano - As conotações referentes às situações
específicas do território de cada região ou estado ........................................... 138 
5.4 - AÇÕES ESTRUTURANTES RELACIONADAS COM A GESTÃO AMBIENTAL E
AO DESENVOLVIMENTO REGIONAL............................................................................. 138 
5.4.1 - Bases para o Programa de Recuperação e Manutenção de
Barragens e Grandes Sistemas Adutores.......................................................... 139 
5.5 - MODELO BÁSICO DE UM BOLETIM INFORMATIVO PARA OS RECURSOS
HÍDRICOS DO ESTADO .................................................................................................. 143 
5.5.1 - Folha da SEMAR .................................................................................................. 143 
5.5.2 - Folha dos Setores de Cartografia e Meteorologia da SEMAR ........................... 143 
5.5.3 - Folha da AGEAPI ................................................................................................. 144 
5.5.4 - Folha dos Comitês de Bacias ............................................................................. 144 
5.6 - BASES PARA UM PROGRAMA DE GESTÃO DA ÁGUA SUTERRÂNEA .......................... 144 
6 - PROGRAMAS ESTRUTURAIS ................................................................................................. 148 
6.1 - PROGRAMA DE AMPLIAÇÃO DA OFERTA HÍDRICA ....................................................... 148 
6.1.1 - Programa de Açudagem...................................................................................... 148 
6.1.2 - Plano de Integração de Bacias ........................................................................... 149 
6.1.3 - Programa de Perfuração de Poços ..................................................................... 151 
6.1.4 - Programa de Abastecimento .............................................................................. 152 
6.1.5 - Programa de Saneamento Básico ...................................................................... 156 
6.2 - PROGRAMA HIDROAGRÍCOLA PARA O ESTADO DO PIAUÍ .......................................... 160 
6.3 - PROGRAMA DE AÇUDAGEM PARA AS BACIAS DE 3ª ORDEM...................................... 164 
6.3.1 - A Tese da Sub-bacias de Terceira Ordem .......................................................... 164 
6.4 - PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DE BARRAGENS ........................................................ 167 
7 - PROGRAMAS NÃO-ESTRUTURAIS......................................................................................... 170 
7.1 - MEDIDAS MITIGADORAS DE REDUÇÃO DA CARGA POLUIDORA................................. 171 
7.1.1 - Programa de Disciplinamento da Coleta e Tratamento de Efluentes
Sanitários ............................................................................................................ 171 
7.1.2 - Programas de Coleta, Reciclagem e Disposição Final de Resíduos
Sólidos................................................................................................................. 175 
7.1.3 - Programa Sustentável de Coleta Seletiva em Comunidades de
Baixa Renda ........................................................................................................ 180 
7.1.4 - Controle do Uso de Agrotóxicos ........................................................................ 181 
7.2 - MEDIDAS DE CONTROLE QUANTITATIVO DAS DEMANDAS HÍDRICAS ....................... 183 
7.2.1 - Programa de Redução e Controle de Perdas nos Sistemas de
Abastecimento d’Água ....................................................................................... 183 
7.2.2 - Controle do Uso da Água na Irrigação ............................................................... 184 

8
7.2.3 - Controle da Superexploração de Aquíferos ....................................................... 186 
7.3 - PROGRAMAS DE MEDIDAS MITIGADORAS PARA OS IMPACTOS EM
COMPONENTES NATURAIS E ANTRÓPICOS ASSOCIADOS AOS
RECURSOS HÍDRICOS................................................................................................... 187 
7.3.1 - Reflorestamento das Matas Ciliares e Recuperação de Áreas
Degradadas ......................................................................................................... 187 
7.3.2 - Programa de Educação Ambiental ..................................................................... 191 
7.3.3 - Apoio à Gestão Municipal do Meio Ambiente .................................................... 194 
7.3.4 - Incentivo à Adoção do ICMS Ecológico ............................................................. 197 
7.3.5 - Programa de Monitoramento e Fiscalização ...................................................... 198 
7.3.6 - Programa de Adensamento da Rede de Monitoramento ................................... 210 
7.3.7 - Programa de Sistema de Alerta contra Enchentes e Zoneamento de
Áreas Inundáveis ................................................................................................ 215 
8 - PROGRAMAÇÃO DO PLANO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS .................................. 228 

ANEXO I - LEI COMPLEMENTAR CRIANDO E ORGANIZANDO A AGÊNCIA DE ÁGUAS


DO PIAUÍ - AGEAPI
ANEXO II - DECRETO DE REGULAMENTAÇÃO DA AGÊNCIA DE ÁGUAS DO PIAUÍ -
AGEAPI
ANEXO III - DECRETO COM O TERMO DE REFERÊNCIA PARA ELABORAÇÃO DOS
PLANOS DE RECURSOS HÍDRICOS DAS BACIAS HIDROGRÁFICAS
ANEXO IV - DECRETO Nº 14.143, QUE DISPÕE SOBRE O ENQUADRAMENTO DOS
CORPOS HÍDRICOS DE DOMÍNIO ESTADUAL
ANEXO V - DECRETO Nº 11.341 DE 22 DE MARÇO DE 2004. REGULAMENTA A
OUTORGA PREVENTIVA DE USO E A OUTORGA DE DIREITO DE USO DOS
RECURSOS HÍDRICOS
ANEXO VI - DECRETO Nº 14.144 DE 22 DE MARÇO DE 2010 – DISPÕE SOBRE A
REGULAMENTAÇÃO DA COBRANÇA PELO USO DE RECURSOS HÍDRICOS
ANEXO VII - DECRETO Nº 12.212, DE 17 DE MAIO DE 2006 – REGULAMENTA O
FUNDO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS - FERH
ANEXO VIII - DECRETO Nº 14.142, DE 22 DE MARÇO DE 2010 – DISPÕE SOBRE O
SISTEMA ESTADUAL DE INFORMAÇÕES SOBRE RECURSOS HÍDRICOS
ANEXO IX - PLANILHAS DE CUSTOS DE IMPLEMENTAÇÃO DO PERH-PI

9
LISTA DE QUADROS

Quadro 3.1 - Resumo das Despesas Totais Estimadas .....................................................................25 


Quadro 3.2 - Estimativas de Arrecadação via Cobrança pelo Uso da Água – Cenário 2010/11 ..........26 
Quadro 3.3 - Estimativas de Arrecadação via Cobrança pelo Uso da Água – Cenário 2015/17 ..........26 
Quadro 3.4 - Cruzamento entre Despesas e Receitas – Cenário Preliminar ......................................27 
Quadro 3.5 - Cruzamento entre Despesas e Receitas – Cenário Avançado.......................................27 
Quadro 3.6 – Proposta de Criação das Gerências Regionais para as Bacias do Estado ....................45 
Quadro 4.1 – Proposta Para Implementação dos Planos Diretores das Regiões Hidrográficas ..... Erro!
Indicador não definido. 
Quadro 4.2 – Classificação CONAMA 357/05 dos Rios do Estado do Piauí .......................................67 
Quadro 4.3 - Capacidade de assimilação das cargas de esgotos para as sub-bacias estudadas .......74 
Quadro 4.4 - Prioridades de Outorga de Uso de Água .......................................................................79 
Quadro 4.5 – Distribuição dos Poços na Bacia ..................................................................................96 
Quadro 4.6 - Fluxo do Processo de Cobrança Passo a Passo .........................................................104 
Quadro 5.1 - Ações Estruturantes – Recursos Hídricos / Meio Ambiente .........................................139 
Quadro 5.2 - Níveis de Serviços de Manutenção .............................................................................142 
Quadro 6.1 – Proposta para a Construção de Açudes .....................................................................149 
Quadro 6.2 - Estimativas de Custos para a Construção do Eixo Abastecedor e do Eixo
Receptor do Plano de Integração de Bacias ....................................................................................151 
Quadro 6.3 – Proposta para a Perfuração de Poços........................................................................152 
Quadro 6.4 - Sistemas Adutores Propostos para o Programa de Abastecimento .............................153 
Quadro 6.5 – Obras de Abastecimento de Água para o Estado do Piauí Previstas no PAC .............154 
Quadro 6.6 – Municípios contemplados pelo PAC com obras de esgotamento sanitário ..................157 
Quadro 6.7 – Municípios contemplados pelo PAC com obras de melhorias sanitárias
domiciliares.....................................................................................................................................158 
Quadro 6.8 – Municípios contemplados pelo PAC com obras de saneamento em áreas
quilombolas.....................................................................................................................................158 
Quadro 6.9 - Municípios contemplados pelo PAC com obras de saneamento integrado ..................158 
Quadro 6.10 - Municípios contemplados pelo PAC com obras de saneamento rural ........................159 
Quadro 6.11 – Proposta de Saneamento para as 12 bacias com a respectiva prioridade.................160 
Quadro 6.12 – Ampliação das Áreas Irrigadas no Cenário Otimista Acelerado por Bacia
Hidrográfica em Relação a 2010 .....................................................................................................162 
Quadro 6.13 – Projeção da Área Irrigada para o Cenário Otimista Acelerado ..................................162 
Quadro 6.14 – Barragens a Serem Recuperadas ............................................................................168 
Quadro 7.1 – Custos dos Projetos dos Sistemas de Esgotamento Sanitário ....................................175 
Quadro 7.2 – Custos do Programa de Disciplinamento da Coleta, Reciclagem Disposição
Final de Resíduos Sólidos...............................................................................................................179 

10
Quadro 7.3 – Custos do Programa Sustentável de Coleta Seletiva em Comunidades de
Baixa Renda ...................................................................................................................................181 
Quadro 7.4 – Custos do Plano de Controle do Uso e Manejo de Agrotóxicos ..................................182 
Quadro 7.5 - Custos das Ações de Incentivo ao Controle do Uso da Água na Irrigação ...................186 
Quadro 7.6 – Custos do Controle da Superexploração de Aqüíferos ...............................................187 
Quadro 7.7 – Custos de Reflorestamento de 150 ha de Matas Ciliares............................................189 
Quadro 7.8 – Custos de Implantação da Unidade Piloto de Referência ...........................................190 
Quadro 7.9 – Custos de Implantação do Programa de educação Ambiental (Piloto) ........................195 
Quadro 7.10 - Resumo de Pessoal do Programa de Monitoramento Qualitativo ..............................201 
Quadro 7.11 - Equipamento de Apoio ao Monitoramento Qualitativo ...............................................202 
Quadro 7.12 - Resumo dos Tipos de Ensaios do Programa de Monitoramento Qualitativo
das Águas Superficiais....................................................................................................................203 
Quadro 7.13 - Localização dos Pontos de Coleta do Programa de Monitoramento Qualitativo das
Águas Superficiais ..........................................................................................................................204 
Quadro 7.14 – Custo Total Estimado do Programa de Monitoramento e Fiscalização ......................205 
Quadro 7.15 – Distribuição dos Pluviômetros por Unidade de Planejamento ...................................210 
Quadro 7.16 – Densidade Mínima de Estações Recomendadas pela OMM – Guia de Práticas
Hidrológicas ....................................................................................................................................210 
Quadro 7.17 – Demanda de Estações Pluviométricas para o Estado do Piauí .................................211 
Quadro 7.18 – Distribuição dos Fluviômetros por Unidade de Planejamento ...................................212 
Quadro 7.19 – Densidade Mínima de Estações Fluviométricas Recomendadas
pela OMM – Guia de Práticas Hidrológicas ....................................................................................212 
Quadro 7.20 – Demanda de estações fluviométricas para o Estado do Piauí...................................213 
Quadro 7.21 – Estimativa do Custo do Programa de Adensamento da Rede de Monitoramento .....213 
(*)
Quadro 7.22 - Água Superficial - Posto fluviométrico e Medição da Qualidade da Água ...............214 
Quadro 7.23 - Água Subterrânea - Posto de Medição de Nível e Qualidade da Água ......................214 
Quadro 7.24 - Valores de CN para Bacias Urbanas e Suburbanas ..................................................219 
Quadro 8.1- Síntese dos custos e implementação do programa do Plano Estadual de Recursos
Hídricos do Estado do Piauí – PERH/PI ..........................................................................................229 

LISTA DE FIGURAS

Figura 3.1 – Estrutura Organizacional da AGEAPI.............................................................................24 


Figura 3.2 – Organograma da SEMAR ..............................................................................................29 
Figura 3.3 – Priorização e Cronograma de Custos do Cadastro de Usuário .......................................50 
Figura 3.3 – Organograma Atualizado da SEMAR .............................................................................55 
Figura 3.4 - Participação relativa dos setores na SEMAR ..................................................................56 
Figura 3.5 – Modelo Descentralizado, porém concentrado na SEMAR ..............................................56 
Figura 3.6 – Organograma Proposto .................................................................................................58 

11
Figura 4.1 - Cronograma de Implementação dos Planos Diretores de Recursos
Hídricos das Regiões Hidrráficas – PDRH’s ......................................................................................65 
Figura 4.2 - Fluxograma Simplificado SEMAR/AGEAPI .....................................................................85 
Figura 4.3 – Fluxograma do Processo de Outorga.............................................................................87 
Figura 4.4 – Fluxograma do Processo de Licença .............................................................................94 
Figura 4.5 – Página inicial do sítio do Sistema de Informações do PERH ........................................114 
Figura 4.6 – Página referente ao item Relatórios do sítio do PERH .................................................115 
Figura 4.7 – Página referente ao item Gráficos do sítio do PERH ....................................................116 
Figura 4.8 – Página do Gráfico de Balanço Hídrico Climatológico – Thornthwaite para
Estação Alvorada do Gurgéia – PI do sítio do PERH .......................................................................117 
Figura 4.9 – Página do Mapa das Bacias Hidrográficas do Sítio do PERH .......................................118 
Figura 4.10 – Página do Quadro de Balanço Hídrico Climatológico – Thornthwaite
para Estação Água Branca – PI do Sítio do PERH ..........................................................................119 
Figura 5.1 – Integração da Barragem de Boa Esperança com o Rio Itapecuru.................................127 
Figura 5.2 – Arranjo Geral da Alternativa Selecionada para o Eixo de Integração da Ibiapaba .........128 
Figura 5.3 – Esquema Hidráulico do Açude Fronteiras – Canal Poti Sul ..........................................129 
Figura 5.4 – Perfil do Sistema Inhuçu – Lontras e Hidroelétrica .......................................................130 
Figura 5.5 – Ramal de Enremontes .................................................................................................132 
Figura 5.6 – Compatibilização das Regiões Hidrográficas com as Macrorregiões
de Desenvolvimento........................................................................................................................133 
Figura 7.1 - Operação do Reservatório............................................................................................215 
Figura 7.2 - Principais etapas de um Projeto do HEC - HMS ...........................................................224 

LISTA DE MAPAS

Mapa 3.1 – Proposta par Implementação das Novas Sedes Gerenciais por Regiões
Hidrográficas para o Estado do Piauí ................................................................................................46 
Mapa 4.1 - Resultado da Classificação dos Corpos D’água por Sub-bacia ........................................75 
Mapa 6.1 – Integração de Bacia da Fronteira Seca Sudeste............................................................150 
Mapa 6.2 – Bacias do Estado Divididas em Sub-bacias de 3ª Ordem ..............................................166 

12
1 - INTRODUÇÃO

13
1 - INTRODUÇÃO

1.1 - ABRANGÊNCIA DO PLANO


O Plano Estadual de Recursos Hídricos do Estado do Piauí – PERH-PI foi elaborado com base na
sistemática nos Termos de Referência – TDR’s que integram a SDP Nº 001/2008 da SEMAR/PI,
associado a um forte enfoque de sustentabilidade voltado para as ações inerentes aos aspectos
operativos, institucionais e de viabilidade social, ambiental, econômica e financeira de todo o Estado
do Piauí.

As atividades e os serviços constantes do mencionado Plano foram planejados e estruturados em


três fases distintas, harmoniosamente desenvolvidas, preservando sempre as suas articulações
fundamentais, tudo conforme está previsto nos citados TDR’s, assim especificados:

− Fase A – Diagnóstico e Prognóstico;


− Fase B – Compatibilização e Articulação;
− Fase C – Plano Estadual de Recursos Hídricos.

1.2 - OBJETIVOS DO PERH/PI


O Plano no âmbito específico dos Recursos Hídricos busca principalmente fortalecer a SEMAR, a
partir da sua elaboração e implementação no nível institucional, legal e técnico.

O revigoramento da instituição básica dos recursos hídricos do Estado, ao consolidar as ações


preconizadas no PERH/PI, visa os seguintes aspectos:

− Inserção do Estado no contexto regional;


− Ordenamento institucional, inter e infra-institucionais;
− Aspectos setoriais que apresentam elevados impactos sobre os recursos hídricos;
− Definir as unidades geográficas de intervenção, onde os limites não necessariamente coincidem
com o de uma bacia hidrográfica;
− Programa de estratégias, metas e ações em forma de programas, consolidando as atividades
estruturais, não estruturais e emergenciais, recomendadas pelo plano.

1.3 - OBJETIVOS DO RELATÓRIO TÉCNICO FINAL


Apresentar de forma ordenada o elenco de propostas e programas, que proporcionarão de forma
eficaz e segura a implementação do Sistema Estadual de Gerenciamento e do Plano Estadual de
Recursos Hídricos, estabelecendo hierarquia e prioridades de ações institucionais, de intervenções
estruturais, não estruturais e emergenciais.

14
2 - PROPOSTAS DE PROGRAMAS E ATIVIDADES REFERENTES
AO GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HÍDRICOS DO ESTADO

15
2 - PROPOSTAS DE PROGRAMAS E ATIVIDADES REFERENTES AO
GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HÍDRICOS DO ESTADO

2.1 - CONSIDERAÇÕES GERAIS


A Lei Estadual Nº 5.165 de 2000, à semelhança da Lei Federal 9.433 de 1997, instituiu a Política
Estadual de Recursos Hídricos e criou o Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos,
além de tratar de outras regulamentações.

Conforme a Lei Nº 5.165 de 17 de agosto de 2000, os instrumentos de gestão da Política Estadual de


Recursos Hídricos são os seguintes:

a) Os Planos de Recursos Hídricos;


b) O enquadramento dos corpos de água em classes, segundo os usos preponderantes da água;
c) A outorga dos direitos de uso de recursos hídricos;
d) A cobrança pelo uso dos recursos hídricos;
e) A compensação a municípios;
f) O sistema estadual de informação sobre recursos hídricos;
g) O Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

Com a identificação dos Diplomas Legais e das entidades intervenientes na gestão dos recursos
hídricos, nas esferas federal e estadual com suas respectivas atribuições formais e efetivamente
exercidas, explicitando lacunas, sobreposição de competências, conflitos, inconsistências e
complementaridades, identificou-se as necessidades da conformação ideal para as funções
regulatórias de competência estadual referentes aos recursos hídricos e a SEMAR/PI.

No Diagnóstico da Base Legal atual, observa-se que o Piauí dispõe de quase todos os Instrumentos
de Gestão regulamentados por Decreto, com exceção do Instrumento de Compensação aos
Municípios.

Entretanto, a implementação segura desses instrumentos, necessita ainda de estudos e ações


complementares que permita a sua funcionalidade efetiva, tais como Resoluções do Conselho
Estadual de Recursos Hídricos-CERH, e outras estabelecendo regimentos internos e outras
complementariedades de sua competência, Portarias emitadas pelo Sr. Secretário de Recursos
Hídricos estabelecendo normas e procedimentos etc., como também da criação e funcionamento de
um órgão de gerenciamento competente para exercer as funções executivas de administração,
operação e manutenção dos recursos hídricos.

2.2 - ORDENAMENTO DOS PROGRAMAS


O ordenamento dos programas e atividades segundo suas prioridades e hierarquia de implementação
a serem adotadas pela SEMAR, considerando os objetivos do PERH, são mostrados a seguir:

I - PROGRAMAS DE FORTALECIMENTO DO SISTEMA ESTADUAL DE GERENCIAMENTO DOS


RECURSOS HÍDRICOS - SEGRH, destacando-se:

16
− Criação e Instalação do Novo Órgão de Gerenciamento dos Recursos Hídricos – AGEAPI;
− Criação e Instituição dos Comitês de Bacias Hidrográficas;
− Elaboração do Cadastro de Usuários de Água das Bacias Hidrográficas;
− Criação do Quadro Permanente de Pessoal da SEMAR;
− Elaboração do Plano de Cargo e Carreira da SEMAR – PCC;
− Elaboração do Programa de Capacitação e Treinamento de Pessoal.
II – PROPOSTAS PARA IMPLEMENTAÇÃO / MATERIALIZAÇÃO DOS INSTRUMENTOS DE
GESTÃO, compreendendo:

− Os Planos de Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas;


− O Enquadramento dos Corpos de Água, em Classes de Usos Preponderantes;
− A outorga do Direito de Uso da Água;
− A Cobrança pelo Uso da Água;
− A Comprensação a Municípios;
− O Sistema Estadual de Informação sobre Recursos Hídricos;
− O Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

17
3 - PROGRAMAS PARA O FORTALECIMENTO DO SEGRH

18
3 - PROGRAMAS PARA O FORTALECIMENTO DO SEGRH

3.1 - PROPOSTA DE CRIAÇÃO E IMPLEMENTAÇÃO DO NOVO ÓRGÃO DE


GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HÍDRICOS DO PIAUÍ – AGEAPI
3.1.1 - Introdução

A SEMAR, empenhada na agilisação de criação desse órgão de gerenciamento, tão importante para
o desenvolvimento dos recursos hídricos do Piauí, ao mesmo tempo em que se elaborava o PERH,
contratou os serviços do Consultor Francisco José Lobato da Costa com o objetivo de estudar e
definir o Organismo de Gerenciamento dos Recursos Hídricos do Estado do Piauí. Em síntese, esse
estudo envolveu os seguintes aspectos:

− Diagnóstico da Natureza dos Recursos Hídricos do Piauí;


− Conflitos Relacionados à Gestão dos Recursos Hídricos;
− Competências e Encargos Referentes às Diversas Entidades Envolvidas;
− Diagnóstico da Estrutura Atual Existente;
− Diagnóstico do Arcabouço Jurídico Legal Vigente;
− Quadro de Pessoal;
− Despesas, Fontes e Receitas;
− Aparato Legal.

Embora todos esses aspectos sejam de toda relevância apresentamos em destaque:

3.1.2 - Competências e Encargos Referentes às Diversas Entidades envolvidas

No âmbito da União Federal são citados: a Agência Nacional de Águas (ANA), o Departamento
Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São
Francisco e Parnaíba (CODEVASF), a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), a Companhia de
Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), o
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), a Companhia
Hidrelétrica do São Francisco (CHESF) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), além de
outras, de menor relevância.

Quanto aos estados vizinhos, são particularmente mencionados: a Secretaria Estadual de Recursos
Hídricos (SRH-CE) e a Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (COGERH), do Ceará, e a
Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMA), do Estado do Maranhão.

Internamente ao Governo do Estado do Piauí, as menções incluem: a própria Secretaria do


Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR), com instâncias internas que demandam
interfaces com a Superintendência de Meio Ambiente; Superintendência de Recursos Hídricos;
a Secretaria de Planejamento (SEPLAN); o Instituto de Águas e Esgotos do Piauí (AGESPISA);
a Companhia Energética do Piauí (CEPISA); a Secretaria de Desenvolvimento Rural, à qual
está vinculada a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER); a Empresa de

19
Gestão de Recursos do Piauí (EMGERPI), vinculada à Secretaria de Administração, que
possui, em paralelo, uma Coordenadoria de Engenharia e Recursos Hídricos destinada a
fiscalizar a execução de obras hídricas; o Instituto de Desenvolvimento do Piauí (IDEPI),
vinculado à SEINFRA.

Ainda internamente ao Piauí, registra-se que as maiores Prefeituras Municipais normalmente


possuem órgãos ligados ao meio ambiente e recursos hídricos.

3.1.3 - Diagnóstico Sobre a Atual Estrutura Existente

No que concerne à atual estrutura institucional da SEMAR, segundo o diagnóstico realizado pela
IBI – Engenharia Consultiva, e, conforme evidências recolhidas nos estudos da COBA Engenharia e
das entrevistas e análises de dados disponibilizados pela SEMAR, verifica-se que, embora a
Secretaria conte com uma base legal apropriada e, também, com um arcabouço institucional
estrutural organizado e com a previsão de uma equipe técnica que lhe permitiria desempenhar as
atividades que lhe foram atribuídas pela legislação, trata-se apenas de intenções registradas na
legislação, ainda sem os devidos rebatimentos em termos da efetiva estrutura existente.

A par das restrições quanto a seus quadros técnicos, o fluxo de decisões ainda é lento, em boa parte
por conta de limitações de ordem orçamentária para promover o desenvolvimento e fortalecimento da
entidade, não permitindo, por conseqüência, uma realização satisfatória de muitas das ações e
atividades previstas; além da existência de centralização de autoridade em alguns cargos por causa
de indefinição de funções ou por falta de funcionários nas unidades correspondentes. Algumas
gerências e coordenações são compostas pelo gerente e, às vezes, apenas por mais um ou outro
funcionário.

3.1.4 - Diagnóstico do Arcabouço Jurídico-Legal Vigente

O diagnóstico apresenta uma avaliação comparativa entre diferentes alternativas para a definição da
figura jurídica do novo Órgão Estadual Gestor de Recursos Hídricos, de modo a assegurar
consistência entre a proposta de criação do órgão de gerenciamento de recursos hídricos e as
legislações da estrutura administrativa e do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos
Hídricos (SEGRH/PI), com suas respectivas vantagens e desvantagens.

3.1.4.1 - Matriz Institucional e Legal Interveniente na Gestão dos Recursos Hídricos do Piauí

A composição plena de um Sistema Estadual de Gestão de Recursos Hídricos apresenta a seguinte


formação:

− Um Órgão Executivo da Administração Direta – SEMAR;


− Um Colegiado Estadual – CERH;
− Um Organismo Operacional – AGEAPI;

20
− Uma Instituição Regional Colegiada – CBH’s1 e CGA’s2
− Um Fundo Financeiro – FERH.

Das cinco instituições do sistema, o Estado do Piauí conta de forma mais efetiva com os dois
primeiros, SEMAR e CERH. Os demais estão em fase incipiente de implementação AGEAPI, CBH’s,
CGA’s e FERH. Apesar da evidente ação da SEMAR e CERH, ambos apresentam vulnerabilidade e
entraves políticos e administrativos.

A SEMAR como instituição coordenadora do sistema gerou pontos positivos e negativos:

Pontos Positivos:

− A SEMAR tem um poder cartorial na gestão dos Recursos Hídricos;


− A SEMAR vem exercitando na prática a aplicação de alguns Instrumentos de Gestão,
principalmente a Outorga de Uso e a Licença de Obras Hídricas.
− A SEMAR vem contratando estudos, projetos e obras de caráter hídrico.

Pontos Negativos

− Entre os diversos Níveis de Governo, a SEMAR divide a implantação de obras hídricas com
outros organismos do primeiro escalão do Estado como a SEINFRA, EMGERPI, AGESPISA e
outros;
− A sub-estrutura de Recursos Hídricos é relativamente menor do que o setor ambiental da
SEMAR;
− Entre os setores usuários, a SEMAR ainda não implantou uma articulação com as instituições
representativas dos setores produtivos da indústria e da agropecuária. São eles importantes
usuários de água. No Ceará por exemplo são estes setores que dão sustentabilidade a
COGERH.

Por outro lado, a primeira amostra do Comitê de Bacia, tem pouca representação desses setores
usuários. É comum não só no Piauí, a presença de atores coadjuvantes da cidadania local.

O CERH, pela sua relação intrínseca com a fragilidade do sistema, se reúne com pouca freqüência e
como tal decide menos, pois este é um indicador estratégico de avaliação da política.

Os demais organismos estão em fase embrionária de implantação.

O FERH somente deverá ser fortalecido com o instrumento da Cobrança pelo uso da Água.

Os CBH’s e CGA’s necessitam de um longo processo de atividade, e sua dinâmica está intimamente
ligada a autoridade parlamentar de alocação de água.

1
Comitês de Bacias Hidrográficas
2
Comissão Gestora de Açudes

21
A AGEAPI tem um longo caminho para impor-se na sociedade usuária. Para tanto, precisa de quadro
técnico, estrutura logística descentralizada na bacia (gerências avançadas) e prestação eficiente de
serviços operacionais de água bruta.

O SEGRH como um todo além dos problemas de Competência e Superposição já abordados, são
vulneráveis a processos políticos na moderação de conflitos em face de vícios paroquiais
persistentes. Falta-lhe também recursos e autonomia para cooperação técnica com instituições
acadêmicos de tecnologia, e organismos internacionais, para exercer ações de complementariedade
em pesquisa e capacitação, como é o caso da FUNCEME no Ceará que tem convênios com vários
institutos nacionais e internacionais.

A Matriz Institucional ideal para o SEGRH do Estado do Piauí, na opinião da Consultora deverá
conferir a SEMAR o comando de duas autarquias vinculadas de Gerenciamento: Recursos Hídricos e
Meio Ambiente, visando seu fortalecimento. O setor de Água atmosférica, ou seja, de Meteorologia
deverá constituir um nível hierárquico mais elevado no âmbito da SEMAR. O organismo gerenciador
de água terá representação na bacia, através das gerencias para interagir com os CBH’s e CGA’s. Os
comitês de Bacias, por serem criados em lei são, portanto, órgãos públicos e como tal deverão ter
presença logística e administrativa na principal sede urbana de Bacia.

Este esboço foi esquematizado no Relatório RT9.

3.1.4.2 - Modelos Institucionais para o Fortalecimento Institucional da SEMAR

A construção de modelos alternativos que promova o fortalecimento institucional da SEMAR,


partiu do pressuposto de sua vinculação com a base legal existente no Estado do Piauí,
destacando-se a própria Lei Estadual nº 4.797, de 24 de outubro de 1995, que criou a SEMAR
e, a Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000, que dispôs sobre a Política Estadual e
instituiu o Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos.

3.1.4.3 - Proposição Estratégica para o Fortalecimento Institucional da SEMAR

O modelo sugerido é gradual e de longo prazo, permitindo a flexibilização das ações e correções de
rumo durante o processo. A estratégia proposta é centrada em quatro pilares de ações:

a) Fortalecimento Interno da SEMAR: compreendendo a realização de concurso público para


criação do Quadro Permanente da instituição; a implantação de um programa de capacitação e
treinamento de pessoal à medida que estes forem sendo admitidos; e, a reestruturação interna com
descentralização de atividades e tarefas para otimizar a distribuição de pessoal e funções do órgão.

b) Fortalecimento Externo da SEMAR: envolvendo a elaboração e divulgação do PERH-PI para


divulgação institucional e como ponto de partida para a implementação das ações neste previstas; a
implantação de Unidades de Planejamento e Gerenciamento dos Recursos Hídricos; sendo
aconselhável a criação de Escritórios Regionais do órgão em algumas bacias estratégicas; e, o
estabelecimento de acordos de consultas formais com a ANA e a CHESF, além de convênio

22
operacional com o DNOCS para administração conjunta da liberação das águas estocadas nos
reservatórios federais.

c) Elaboração de Estudos Complementares ao PERH-PI: como o escopo do PERH-PI é feito na


perspectiva e concepção de um plano macroestrutural para o Estado como um todo, este não permite
o detalhamento de programas essenciais para desenvolvimento institucional, dentre os quais se
destacam:

− A elaboração de estudos de requalificação institucional;


− A elaboração de estudos de fontes de receita e definição do modelo tarifário para dar
sustentabilidade ao Sistema de Gestão; e,
− Elaboração de Planos Diretores das bacias hidrográficas prioritárias para implantação dos
instrumentos de gestão e intervenções estruturais.

d) Implantação Gradual dos Instrumentos de Gestão: recomenda-se que o processo seja iniciado
de forma paulatina, primeiramente com a instituição de Comissões Gestoras de Açudes tal como já
existe nos açudes Bocaina e Petrônio Portela. Como a grande parte dos reservatórios estratégicos no
Estado do Piauí é de domínio da União, com outorga sendo dada pela ANA e administrado
operacionalmente pelo DNOCS, é indispensável que sejam estabelecidos os acordos de consulta e
operação tática na gestão destes reservatórios nos quais a SEMAR tenha um papel fundamental,
principalmente junto ao público alvo da operação.

3.1.5 - Natureza Jurídica do Órgão Gestor dos Recursos Hídricos

A partir da Lei nº 11.107, de 6 de abril de 2005 – Lei do consórcio público, a Administração indireta
brasileira foi modificada como segue: a) autarquias; b) empresas públicas; c) sociedades de
economia mista; d) fundações públicas; e, e) consórcios públicos.

3.1.5.1 - Proposta da Estrutura organizacional e da Figura Jurídica do Órgão Gestor de Recursos


Hídricos do Piauí

Submetendo-se uma comparação das características do Estado do Piauí com as dos entes que
compõem a Administração Pública Indireta, suas vantagens e desvantagens, chegou-se à conclusão
de que o novo Órgão Estadual Gestor de Recursos Hídricos melhor se amolda à figura de autarquia.
A Figura 3.1 mostra o organograma com a estrutura organizacional desse novo órgão gestor de
recursos hídricos.

23
Fonte: SEMAR - Estudos para Implementação do Órgão Gestor dos Recursos Hídricos do Piauí - Produto 05: Relatório
Síntese do Escopo Principal dos Produtos Anteriores. (Janeiro/2010).
Figura 3.1 – Estrutura Organizacional da AGEAPI

− Quadro de Pessoas e Estimativas de Despesas e de Fontes de Receitas do Novo Órgão


Estadual Gestor de Recursos Hídricos do Piauí

Com base no Organograma proposto e nos 07 (sete) Grupos de Funções Principais (GFPs),
acrescidos pela Presidência, seu Gabinete e Assessores, concluiu-se que o Quadro de Pessoal,
chegará a 62 (sessenta e duas) pessoas. As atribuições e atividades desenvolvidas estão detalhadas
na minuta do decreto específico.

a) Presidência – 8 pessoas sendo 5 de nível superior;


b) Diretoria Administrativa e Financeira – 11 pessoas, sendo 6 de nível superior;
c) Diretoria de Gerenciamento de Recursos Hídricos – 20 pessoas sendo 14 de nível superior;
d) Diretoria de Planejamento e Relações Institucionais – 12 pessoas sendo 10 de nível superior;
e) Diretoria Operacional – com 13 pessoas, sendo 6 de nível superior.

− Despesas Gerais da Nova Entidade

Em relação à nova entidade proposta para o gerenciamento dos recursos hídricos, se destacam 04
(quatro) categorias de despesas, mostradas no Quadro 3.1.

24
Quadro 3.1 - Resumo das Despesas Totais Estimadas
Discriminação Orçamento Preliminar Orçamento Avançado (*)
das Despesas Mensal Anual Mensal Anual
Gastos com pessoal e
R$ 145.127,12 R$ 1.741.525,44 R$ 268.102,27 R$ 3.217.227,23
encargos trabalhistas
Despesas Operacionais (**) R$ 57.900,00 R$ 694.800,00 R$ 100.861,80 R$ 1.210.341,60
Apoio às instâncias
R$ 18.200,00 R$ 218.400,00 R$ 24.388,00 R$ 292.656,00
do SEGRH/PI
Investimentos Estimados R$ 196.000,00 R$ 2.352.000,00 R$ 262.640,00 R$ 3.151.680,00
Total R$ 417.227,12 R$ 5.006.725,44 R$ 655.992,07 R$ 7.871.904,83
(*) Aplicados reajustes anuais de 5%, nos 06 anos subseqüentes, portanto, de 34%
(**) Acrescidos mais 30% para o orçamento avançado, em função da elevação do número de funcionários
Fonte: SEMAR - Estudos para Implementação do Órgão Gestor dos Recursos Hídricos do Piauí - Produto 05: Relatório Síntese
do Escopo Principal dos Produtos Anteriores. (Janeiro/2010).

− Estimativas de Receitas do Novo Órgão Estadual Gestor de Recursos Hídricos

Tal como recomendado pelo RT-2 do PERH/PI, o novo órgão gestor está diretamente associado e
dependente de suas potenciais fontes próprias de receitas, inseridas no seguinte conjunto:

− Compensação paga pelo setor elétrico;

− Tarifa pela entrega de água bruta;

− Cobrança pelo uso da água.

Os Quadros 3.2 e 3.3 que seguem mostram a estimativa de arrecadação pela cobrança pelo uso da
água para os cenários 2010/2011 e 2015/2017.

3.2 - FORTALECIMENTO DO SISTEMA ESTADUAL DE MEIO AMBIENTE


Esta referência tem como objetivo estabelecer uma analogia com o Sistema Estadual de Recursos
Hídricos – SEGRH, que poderia denominar-se SEMAP. As instituições ambientais em geral
ultrapassam a fronteira da Administração Direta, culminam com uma autarquia com maior flexibilidade
de ações e mobilidade para aplicação de recursos próprios ou de fontes nacionais e externas. Assim
é a própria ANA em relação ao Ministério do Meio Ambiente. Os demais estados que reúnem os dois
segmentos na mesma Secretaria, possuem a sua vinculada ambiental, a exemplo do IDEMA-RN,
IMA-AL, IGAM-MG, IMA-BA. Mesmo quando separadas as duas funções, como o Ceará, uma
autarquia vinculada a ouvidoria; a SEMACE.

Uma vez que o Estado do Piauí, elabora seu Plano Estadual de Recursos Hídricos, não é
extemporâneo propor esta nova Instituição, pois a política ambiental tem instrumentos mais
poderosos e consolidados do que o Setor Hídrico, que não são os instrumentos próprios e adequados
do inflexível modelo da Administração Direta.

25
Quadro 3.2 - Estimativas de Arrecadação via Cobrança pelo Uso da Água – Cenário 2010/11
Demandas Preço
Setores
por Vazões % a considerar Unitário Arrecadação Anual Estimada
Usuários 3
(tendencial) (R$/m )
= R$ 0,008/m3 x 0,7.(253,45
Abastecimento 3 70% (taxa de 3
8,037 m /s 0,008 (*) milhões de m /ano) =
Humano3 urbanização)
R$ 1.419.320,00
= R$ 0,012/m3 x 0,8.(22,075
Produção 3 80% (usuários 3
0,696 m /s 0,012 (**) milhões de m /ano) =
Industrial cadastrados)
R$ 211.920,00
70% (excluídas 3
= R$ 0,0002/m x 0,7.(500
3 vazões para
Cultivos Irrigados 15,846 m /s 0,0002 (*) milhões de m 3/ano) =
pequenos
R$ 70.000,00
produtores)
Total R$ 1.701.240,00
(*) Valor de referência, inicialmente cobrado nas bacias do CEIVAP e do complexo PCJ;
(**) Proposta de acréscimo de 50% sobre o preço cobrado do setor saneamento.

Quadro 3.3 - Estimativas de Arrecadação via Cobrança pelo Uso da Água – Cenário 2015/17

Demandas Preço
Setores
por Vazões % a considerar Unitário Arrecadação Anual Estimada
Usuários
(tendencial) (R$/m3)

= R$ 0,011/m3 x 0,74.(264,5
Abastecimento 74% (taxa de 0,008.(1,05)6
8,388 m3/s milhões de m 3/ano) =
Humano urbanização) = 0,011
R$ 2.153.030,00
= R$ 0,0165m3 x 0,85.(27,7
Produção 3 85 (usuários
0,879 m /s 0,0165 milhões de m 3/ano) =
Industrial cadastrados)
R$ 388.492,00
70% (excluídas = R$ 0,00027/m3 x 0,7.(623,9
Cultivos 3 vazões para 0,0002.(1,05)6 milhões de m 3/ano) =
19,784 m /s
Irrigados pequenos = 0,00027
produtores) R$ 117.917,00

Total R$ 2.660.000,00
(*) Valor de referência, inicialmente cobrado nas bacias do CEIVAP e do complexo PCJ;
(**) Proposta de acréscimo de 50% sobre o preço cobrado do setor saneamento.
Fonte: SEMAR - Estudos para Implementação do Órgão Gestor dos Recursos Hídricos do Piauí - Produto 05: Relatório
Síntese do Escopo Principal dos Produtos Anteriores. (Janeiro/2010).

As alternativas de receitas próprias já abordadas, não são suficientes para garantir a sustentabilidade
do novo órgão estadual gestor de recursos hídricos do Piauí, não havendo possibilidade de dispensar
transferências a partir do Orçamento Geral do Estado (OGE), notadamente em decorrência de que
algumas das fontes próprias de receita estão sujeitas a limites para gastos de custeio – como os
7,5% fixados sobre o total arrecadado pela Cobrança pelo Uso da Água (§ 1º, Art. 20, da Lei Estadual
nº 5.165, de 17 de agosto de 2000); assim como de aportes que constem do Orçamento Geral da
União (OGU), a exemplo dos recursos dispostos através da ANA em favor dos estudos em questão.

Os Quadros 3.4 e 3.5 mostram o cruzamento entre as despesas e receitas para os dois cenários:
preliminar e avançado.

3
Como observação geral, vale lembrar que 50% da demanda atual para abastecimento humano no Piauí (urbana e rural)
corresponde aos 05 municípios mais populosos.

26
Quadro 3.4 - Cruzamento entre Despesas e Receitas – Cenário Preliminar
Quadro 3.5 - Cruzamento entre Despesas e Receitas – Cenário Avançado

27
A Minuta do Projeto de Lei que dispõe sobre a criação e organização da Agência de Águas do Piauí –
AGEAPI, sob a forma de autarquia especial, e dá outras providências; e a Minuta do Projeto de
Decreto que dispõe sobre a organização e a estrutura administrativa da Agência de Águas do Piauí –
AGEAPI, cria o seu Regimento Interno e dá outras providências, estão apresentados nos
Anexos I e II.

3.3 - PROPOSTA DE ELABORAÇÃO DE UM NOVO PLANO DE CARGO E CARREIRA


PARA A SEMAR – PCC
Com a criação do novo órgão de gerenciamento, a SEMAR que é a coodenadora das ações
executivas desse novo órgão, torna-se imprescindível providenciar seu fortalecimento, com um Plano
de Cargo e Carreira compatível com a importância e responssabilidade de suas funções.

Baseado no novo Organogramda da SEMAR aprovado através da Lei Complementar Nº 113 de 04 de


agosto de 2008 que alterou dispositivos da Lei Complementar Nº 28 de 09 de junho de 2003 e
Lei Complementar Nº 39, de 14/07/2004 modificando a estrutura organizacional da SEMAR com a
criação de duas Superintendências: Superintendência de Meio Ambiente e Superintendência de
Recursos Hídricos além das Diretorias de Parques e Florestas, Diretoria Administrativa Financeira,
Diretoria de Recursos Hídricos, Diretoria de Meio Ambiente e Diretoria de Fiscalização e
Licenciamento. Esta modificação, muito oportunamente vem propiciar a criação de um novo Plano de
Cargos Carreiras e remuneração para a SEMAR. O novo Organograma da SEMAR está apresentado
na Figura 3.2.

3.3.1 - Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração

O Plano de Cargos, Carreiras e Salários – PCCS da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos


Hídricos – SEMAR, tem como base a política de valorização e reconhecimento dos servidores
públicos integrantes das carreiras que compõem o Sistema de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do
Estado do Piauí, com ênfase na qualificação e desenvolvimento profissional, com respeito aos
parâmetros que nacionalmente vem sendo adotados acerca do tema.

O PCCS tem como objetivo dotar a SEMAR, órgão da Administração Direta, de uma estrutura
funcional adequada, visando o alcance de sua missão e dos projetos estratégicos.

28
Figura 3.2 – Organograma da SEMAR

29
3.3.2 - Fundamentos Básicos e Principais Resultados

Este Plano considera conceitos atualizados e modernos de gestão de pessoas, com as seguintes
características básicas:

− Ênfase em cargos genéricos e abrangentes que possibilitem a flexibilização e melhor utilização


do potencial humano da organização, bem como o desenvolvimento da multifuncionalidade e
elevação do nível de empregabilidade dos colaboradores;
− Maior flexibilidade que lhe permitam adequação às mudanças internas e externas;
− Valorização do auto-desenvolvimento pelo próprio empregado;
− Carreiras prioritariamente horizontalizadas, com mais acesso lateral que vertical.

Dentre os principais resultados advindos com a implementação deste Plano, ressaltam-se os


seguintes:

− Definição de uma política salarial;


− Organização das carreiras profissionais com ênfase na qualificação contínua do quadro funcional
e definição de critérios transparentes de ascensão na carreira e melhoria do desempenho e
remuneração;
− Definição de horizontes profissionais, critérios de acesso e condições de mobilidade claras e
objetivas para os colaboradores;
− Definição da estrutura de cargos próprios com as respectivas responsabilidades;
− Equilíbrio na relação ocupante/cargo/remuneração, possibilitando o posicionamento adequado
dos colaboradores em cargos compatíveis com as funções exercidas, bem como o atendimento
pleno dos requisitos do cargo e o recebimento de remuneração coerente com a complexidade de
suas responsabilidades e com o mercado de trabalho;
− Gestão da massa salarial, otimizando a relação entre a remuneração e o valor que o seu trabalho
agrega aos resultados;
− Definição e regulamentação das políticas de gestão de cargos e salários;
− Contribuição efetiva no que se refere à melhoria do nível de qualificação dos colaboradores e
otimização dos investimentos em treinamento e desenvolvimento de pessoal.

3.3.3 - Elementos Básicos

Os Planos de Cargos e Carreiras e Salários – PCCS deverão conter os seguintes elementos básicos:

I - Cargo Público Efetivo - a unidade básica do quadro de pessoal, de natureza permanente, criado
por Lei, organizado em carreira, remunerado pelos cofres públicos estaduais, providos por concurso
público, individualizando ao seu ocupante o conjunto de atribuições e responsabilidades que lhe são
cometidas;

30
II - Classe - divisão básica da carreira integrada por cargos de idêntica denominação, atribuições,
grau de complexidade, nível de responsabilidade, requisitos de capacitação e experiência para o
desempenho das atividades;

III - Carreira - conjunto de classes da mesma natureza funcional e hierarquizadas segundo o grau de
escolaridade, responsabilidade e complexidade a elas inerentes, para o desenvolvimento do servidor
nas classes dos cargos;

IV - Referência - posição do servidor na escala de vencimento da respectiva classe;

V - Grupo Ocupacional - conjunto de carreiras e cargos cujas atividades tenham natureza correlata ou
afim;

VI - Qualificação - conjunto de requisitos exigidos para ingresso e desenvolvimento na carreira;

VII - Especialidade - formação específica, comprovada por meio de diploma de formação superior em
nível de graduação.

Sugere-se que o plano deve ser composto pela seguinte estrutura:

1. Grupos Ocupacionais;

2. Carreiras;

3. Cargos Efetivos;

4. Composição dos Cargos Efetivos:

a. Composto por profissionais de nível superior completo que desenvolvam funções técnicas
tendo como exigência a formação de bacharel na sua área de atuação;

b. Tecnólogo em Gestão de Recursos Hídricos e Meio Ambiente composto por profissionais


de nível superior técnico que desenvolvam funções que exigem formação tecnológica;

c. Técnico em Gestão de Recursos Hídricos e Meio Ambiente composto por profissionais de


nível médio.

Os Cargos Efetivos são restritos em virtude da formação exigida e de dispositivos constitucionais,


com acesso permitido apenas por concurso público. Todos os funcionários do quadro efetivo deverão
ser enquadrados nos cargos da SEMAR órgãos, conforme adequação às descrições, especificações
e critérios de acesso. Cada cargo é composto de uma descrição única, contendo todas as suas
funções, subdivididos em níveis de carreira, considerando o respectivo grau de complexidade e
especificações exigidas para o exercício das funções. Estas especificações servirão como requisitos
de acesso de um nível para outro, viabilizando o crescimento profissional do funcionário.

Para elaborar o novo Plano de Cargos, Carreira e Salários é necessário que seja realizado diversos
seminários e oficinas com os funcionários e técnicos da SEMAR onde serão inicialmente levantados o
número de funcionários, suas funções realmente exercidas, formação acadêmica, conflitos existentes,

31
salários e outras questões destacáveis, além da discussão sobre o atendimento das necessidades da
SEMAR. Finalmente, os quantitativos de pessoal para as respectivas estruturas deve considerar
todos os critérios, consultas e estimativas realizadas além das seguintes premissas:

− A realidade institucional vigente;


− A missão do órgão;
− O modelo organizacional;
− As funções dos setores componentes do órgão;
− A inovação tecnológica;
− A ponderabilidade entre os níveis superior e médio;
− A importância da função do tecnólogo;
− A analogia com outros Estados da região com o mesmo nível econômico;
− A visão prospectiva de avanço da gestão do órgão;
− As peculiaridades do Estado do Piauí.

Posteriormente o resultado dessas discussões é apresentado ao SEGRH/PI e a SEMAR para


aprovação. Finalmente em seminário com a presença possivelmente de representantes da ANA a
SEMAR apresentará sua proposição aprovada.

3.3.4 - Diretrizes

Os Planos de Cargos e Carreiras da SEMAR deverá observar as seguintes diretrizes:

I - investimento no capital humano do serviço público e no desenvolvimento de sua competência


gerencial, técnica, operacional e acadêmica em consonância com a política de valorização do
servidor;

II - padrões de vencimento e demais componentes do sistema remuneratório fixados com base na


natureza, grau de responsabilidade, complexidade e peculiaridades de cada carreira e,
compatíveis com os riscos e encargos inerentes aos respectivos processos de trabalho e
desempenho do servidor;

III - formação, educação e qualificação continuadas, como requisito para o desenvolvimento do


servidor na carreira;

IV - organização multiprofissional e multidisciplinar da carreira, assegurada a mobilidade horizontal


e vertical de seus integrantes (progressão e promoção).

O ingresso de profissionais nos cargos efetivos dependerá de concurso público e seu enquadramento
se dará, obrigatoriamente, na Classe I, Referência A do cargo a que concorreu. A mudança de cargo
pelos ocupantes somente se efetivará através de concurso público. Em caso de aprovação para
cargo distinto ao cargo efetivo, já ocupado, mediante realização de concurso público, seu
enquadramento no PCCS se dará na Classe I, Referência A do cargo a que concorreu, passando a
receber o salário estabelecido na respectiva tabela salarial vigente.

32
Ascensão Funcional

O desenvolvimento funcional dos servidores integrantes das carreiras dos respectivos Grupos
Ocupacionais será orientado pelas seguintes diretrizes:

I - Elevação na carreira mediante ocupação de classes superiores considerando o grau de


responsabilidades e a complexidade das tarefas para o desempenho das funções que a integram;

II - Busca da identidade entre o potencial do servidor e o nível de desempenho esperado


(recomenda-se utilizar a metodologia do mapeamento de competências);

III - Recompensa pela competência profissional considerando o desempenho das atribuições da


função, o aperfeiçoamento e capacitação profissional

IV - O desenvolvimento funcional nas carreiras do Grupo Ocupacional GRH dará oportunidade de


crescimento profissional ao servidor por meio da progressão e promoção, cuja apuração dar-se-á
através da avaliação de desempenho.

V - A evolução na carreira por progressão é quando o servidor passa para uma referência
imediatamente superior dentro da mesma classe e por promoção quando a mudança ocorre de
uma classe para a outra.

VI - Recomenda-se que a ascensão funcional do servidor ocorra anualmente.

O enquadramento dos atuais cargos da SEMAR deve obedecer à premissa do “Direito Adquirido” e
não deve ocorrer redução salarial, sendo que o funcionário que não atender aos requisitos do cargo
objeto de enquadramento, apenas será promovido com o atendimento pleno dos pré-requisitos
apresentados na pontuação.

3.4 - CRIAÇÃO E INSTALAÇÃO DOS COMITÊS DE BACIAS HIDROGRÁFICAS


3.4.1 - Introdução

A instituição Comitê de Bacia Hidrográfica faz parte do universo das organizações nacionais
brasileiras desde 1976 quando foi criado o Comitê de Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, no município
de Cubatão, em São Paulo, baseado, sobretudo, na experiência francesa de gestão dos recursos
hídricos e na complexa e problemática realidade de gerenciamento das águas na região.
Posteriormente, em 1988 foi criado Comitê de Bacia em Sinos e Gravataí, no Rio Grande do Sul. Em
1997 foi a vez do Ceará com a criação do Comitê de Bacia do Rio Curu.

Os Comitês não surgiram como manifestações espontâneas, mas como uma sábia aproximação de
duas instâncias de poder: Estado e sociedade civil, para juntos assumirem o gerenciamento das
águas nas bacias hidrográficas. A gestão democrática dos recursos hídricos é uma prática do
exercício de cidadania. Nesta, tanto o Estado como os usuários e a sociedade civil organizada têm
poder e direito de seu exercício em benefício da água, bem comum, legítimo, indispensável à vida de
todos os seres na sua relação com o planeta terra. Estado e Sociedade inauguram uma nova forma

33
de relação e de entendimento sobre os cuidados que passariam a ter com as águas superficiais e
subterrâneas e conhecendo sua natureza administrarem conjuntamente.

O Estado do Piauí, através da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos inseriu-se
na Política Nacional de Recursos Hídricos com a regulamentação dos instrumentos de gestão dos
recursos hídricos, principalmente, com a elaboração do Plano Estadual dos Recursos Hídricos. É
importante destacar a criação do Comitê de Bacia Hidrográfica dos Rios Canindé/Piauí, inaugurando
o processo de criação de novos Comitês e de uma nova gestão das águas no Estado. Na perspectiva
de modernização do Estado do Piauí para a gestão dos recursos hídricos, ressalta-se os Comitês de
Bacia Hidrográfica como organização indispensável para assegurar a implementação da Política
Estadual de Recursos Hídricos no Piauí. Ressalta-se também, a importância dos planos de bacias,
considerando que:
“A aprovação dos planos de bacias hidrográficas pêlos respectivos Comitês de Bacias terá caráter
vinculante para aplicação de recursos do FERH”. (Art. 30 da Lei Nº. 5.165/2000).

3.4.2 - Aspectos Legais de Comitê de Bacia Hidrográfica

O Comitê de Bacia é uma instituição legal, fundamentada na Política Nacional de Recursos Hídricos,
Lei Nº. 9.433/97 e, na Lei 5.165/2000 que definiu a Política Estadual de Recursos Hídricos em seu
Art. 36 paragrafo único define:”

Parágrafo Único - A instituição de Comitê de Bacia Hidrográfica em rios de domínio do Estado será
efetivada por ato do Governador.”

Quanto a composição dos Comitês de Bacias, esta definida no Art. 37 – “ Os Comitês de Bacia
Hidrográfica são integrados por representantes:

I - dos Poderes Públicos Executivos do Estado e dos Municípios;

II - representantes dos usuários e das comunidades.

Parágrafo Único - Os Comitês de Bacias Hidrográficas serão presididos e secretariados por membros
eleitos por seus pares e organizar-se-ão de acordo com as peculiaridades e a realidade de suas
respectivas bacias, na forma de Regimento Interno próprio.

Os Comitês de Bacias Hidrográficas são criados por Decreto do Governador do Estado do Piauí e
compete ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos “aprovar a criação de Comitês de Bacia
Hidrográfica, a partir de solicitação de usuários e da comunidade, esta representada por organizações
civis de recursos hídricos, com atuação comprovada na bacia hidrográfica; estabelecer critérios gerais
para elaboração dos regimentos dos Comitês de Bacia Hidrográfica; aprovar o programa de trabalho
a ser adotado pela Secretaria Executiva e supervisionar o seu andamento e; aprovar a criação de
Agências de Água, a partir de propostas do respectivo ou dos respectivos Comitês de Bacia
Hidrográfica”.

34
A Política Estadual declara os Comitês de Bacia como órgãos deliberativos e normativos, a nível de
bacia hidrográfica e define também as suas competências assinaladas no Art. 43:

I - propor, acompanhar e aprovar a elaboração de planos, programas e projetos para utilização


dos recursos hídricos da respectiva bacia hidrográfica e sugerir as providências necessárias ao
cumprimento de suas metas;

II - decidir, administrativamente, conflitos entre usuários, atuando como primeira instância de


decisão;

III - propor ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos as acumulações, derivações, captações e


lançamentos de pouca expressão, para efeito e isenção da obrigatoriedade de outorga de direitos
de uso e cobrança pelo uso dos recursos hídricos, na bacia hidrográfica;

IV - propor ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos os procedimentos para a cobrança e os


valores a serem cobrados pelo uso dos recursos hídricos, na sua área de atuação;

V - propor a implementação de planos emergenciais de controle de quantidade e qualidade das


águas em sua área de atuação geográfica, bem como a sua efetiva consecução em prol dos
usuários;

V - aprovar propostas de programas anuais e plurianuais de aplicação de recursos financeiros


previstos para a gestão da Agência de Água, originários da cobrança pelo uso dos recursos
hídricos e de outras fontes, observadas as disposições e recomendações dos Planos de Bacia
Hidrográfica;

VII - apreciar e manifestar-se, junto ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos, sobre a


aplicação, na sua área de atuação, de recursos financeiros e investimentos a fundo perdido
provenientes de instituições financeiras e de outras fontes;

IX - deliberar sobre as propostas para o enquadramento dos corpos de água em classes de usos
preponderantes, com o apoio de audiências públicas;

X - aprovar o Orçamento Anual da Agência de Água, na área de sua atuação;

XI - aprovar a criação de sub comitês de Bacia Hidrográfica de sua área de atuação, a partir de
proposta de usuários e de organizações civis de recursos hídricos;

XII - aprovar o seu Regimento Interno e respectivas modificações;

XIII - incentivar a formação de consórcios intermunicipais e de associações de usuários na sua


área de atuação, bem como prestigiar ações e atividades de instituições de ensino e pesquisas e
de organizações não-governamentais, que atuem em defesa do meio ambiente e dos recursos
hídricos na bacia hidrográfica.

35
XIV - exercer outras ações, atividades e funções estabelecidas em lei, regulamento ou decisão do
Conselho Estadual de Recursos Hídricos compatíveis com a gestão integrada de recursos
hídricos.

Parágrafo Único - Das decisões dos Comitês de Bacia Hidrográfica caberá recurso ao Conselho
Estadual ou ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos, de acordo com sua esfera de competência.

3.4.3 - Conceituação de Comitê de Bacia Hidrográfica

Comitê de Bacia é um órgão colegiado, criado a partir de manifestações das instituições locais para
colaborar efetivamente na gestão das águas de uma determinada bacia hidrográfica a partir das
questões mais relevantes desses recursos hídricos. O Comitê constitui-se em um instrumento de
gestão democrática das águas dos rios, açudes, poços, canais e adutoras, bem como de
encaminhamento de propostas para outras instâncias de poder. No nível de organização é a
expressão mais aprimorada, no que se refere à descentralização do poder de decisão e da integração
institucional para o planejamento das atividades na área dos recursos hídricos da bacia.

O Comitê é composto, de forma paritária, por representantes dos segmentos da sociedade: poder
público federal, estadual e municipal; pela sociedade civil organizada e pelos usuários de água. É um
instrumento de participação político-social tanto na gestão como no planejamento de ações e de
projetos relacionados às águas, com a pretensão de também contribuir para a elevação da cultura, da
qualidade de vida das pessoas e para o desenvolvimento sustentável da região.

Pode-se afirmar que o Comitê de Bacia é a forma de maior expressão de participação da sociedade
no processo de gerenciamento dos recursos hídricos. Como já foi dito anteriormente, fundamenta-se
na Política Nacional – Lei Nº 9433/97 e na Política Estadual – Lei Nº 5.165/00 de Recursos Hídricos
que estabelecem o sistema descentralizado, participativo e integrado dos recursos hídricos. Tem
cunho democrático e com garantia legal para a participação da sociedade civil como parceiro do
Estado, e, representa o nível de organização mais aprimorado, no que se refere à descentralização
do poder de decisão, da integração das atividades e do planejamento. É um canal aberto à
possibilidade de articulação de informações sobre a realidade da bacia e de desenvolvimento de
planos de bacia com a intervenção do colegiado e do Estado.

3.4.4 - Metodologia da Participaçâo de Comitê de Bacia Hidrográfica

Nos Comitês de Bacia o Estado tem participação igualitária à da sociedade civil organizada, o que
autoriza estas instituições a priorizarem os interesses públicos e que sejam superados os conflitos
advenientes do uso das águas. No processo de engajamento e de capacitação as semelhanças, as
diferenças e as contradições são explicitadas e carecem ser trabalhadas dialeticamente pelas
instituições a fim de descobrirem que precisam ser estabelecidos compromissos sociais e legais.
Precisam trabalhar em sistema de cooperação, de respeito e de solidariedade, aprendendo, assim, a
praticar a troca de saber e a elaborar, no cotidiano da vida, uma nova forma de pensar e de agir, uma
nova forma de conceber a sociedade e o mundo.

36
O conhecimento da realidade da bacia hidrográfica é um passo muito importante, mas precisa ser
articulado, refletido, aprofundado e projetado para a superação da leitura inicial e constituição de uma
nova forma de conceber a bacia hidrográfica como unidade de planejamento da alocação das águas.
Nesta articulação de conhecimentos são configuradas as parcerias institucionais. Daí a importância
dos membros de Comitê em conhecer o Diagnóstico e o Prognóstico das Bacias Hidrográficas do
Piauí e, mais particularmente se apropriarem das informações relacionadas àquela bacia hidrográfica
correspondente a sua área de atuação no Comitê. No dia-a-dia da vida do Comitê, seus membros
devem também ir se apropriando do conhecimento sobre as Leis relacionadas aos recursos hídricos e
ao meio ambiente, de informações técnicas, bem como de informações econômicas, políticas e sócio-
culturais para irem formando uma concepção holística da realidade em que vivem e da realidade que
pretendem interferir. Saber lidar com a realidade exige também saber lidar com as pessoas,
estabelecendo relações de parceiros. O compromisso real do Comitê depende muito da formação da
consciência de seus membros para o exercício de suas competências. Os planejamentos, planos de
bacia, definição de atividades prioritárias, programas; tudo é influenciado pelo perfil de seus
membros.

3.4.5 - Sistemática Metodológica

Para a criação, instalação e operação dos comitês de bacia alguns aspectos se fazem necessários:
observar aspectos relacionados à estratégia de intervenção; à política de recursos hídricos do Estado
e à logística necessária para o Comitê, contribuir efetivamente na gestão descentralizada,
participativa e integrada das águas na sua relação com o meio ambiente.

− Identificação e conhecimento das especificidades de cada região do Estado condicionando a


natureza dos eventos a serem promovidos. O Diagnóstico e o Prognóstico das bacias
hidrográficas apresentados no Plano Estadual de Recursos Hídricos, em muito poderão contribuir
com as atividades e programas a serem propostos;
− Formação de multiplicadores locais com habilidades e informações suficientes para
desenvolverem ações de mobilização/sensibilização;
− Articulação das intervenções municipais com as políticas estadual e federal de meio ambiente e
recursos hídricos visando sua preservação e uso racional e sustentável;
− Comprometimento das instituições públicas estaduais e municipais, bem como da sociedade civil
organizada, com a possível continuidade das ações de mobilização e educação ambiental;
− Análise sistêmica dos problemas abordados, com estímulo a uma reflexão crítica sobre suas
causas e alternativas de superação;
− Identificação dos principais conflitos existentes nas bacias hidrográficas tanto relacionados a
recursos hídricos como ao meio ambiente;
− Incentivo e apoio ao fortalecimento e à criação de mecanismos de participação favoráveis à
continuidade do processo, na busca de alternativas de gerenciamento participativo.

37
3.4.6 - Procedimentos Necessários para a Instalação de Comitê de Bacia Hidrográfica

Ao se buscar uma estratégia que garanta a gestão integrada, participativa e descentralizada dos
recursos hídricos, conforme determina a Política Nacional e a Política Estadual de Recursos Hídricos,
devem ser considerados alguns aspectos que dinamizem as propostas de gestão e de criação do
Comitê de Bacia Hidrográfica, dentre os quais se destacam:

− A água como elemento essencial à vida é um bem de domínio público, com características de
vulnerabilidade;
− “A água como um recurso natural limitado, dotado de valor econômico".
− “A gestão dos recursos hídricos deve sempre propiciar o uso múltiplo das águas”. No entanto, a
mesma Lei da política nacional das águas define como prioridades o abastecimento humano e a
dessedentação animal;
− A água como elemento natural dinâmico, passível de múltiplos usos pode gerar conflitos devido a
interesses antagônicos que se não forem administrados de forma eficiente, podem transformar-se
em graves conflitos entre os diversos usuários e má utilização deste recurso;
− A gestão das águas deve sempre buscar o seu melhor aproveitamento para o bem estar social e
para o desenvolvimento sustentável respeitando a conservação e preservação desses recursos
superficiais e subterrâneos.

3.4.6.1 - Formação de um Grupo de Articulação

Formar um pequeno grupo de pessoas pertencentes a algumas instituições locais mais reconhecidas
pela sociedade com atuação nos municípios da área de abrangência da bacia para a divulgação do
Plano Estadual de Recursos Hídricos do Piauí e para a sensibilização e divulgação da proposta de
criação do Comitê de Bacia Hidrográfica.

Este grupo tem grande importância, não só porque com ele começa o envolvimento de forças locais
para a criação do Comitê de Bacia, mas porque faz a ponte de ligação com a SEMAR/PI, facilitando
em muito a articulação entre os envolvidos e acelerando pedagogicamente a formação do Comitê.
Significa também as aproximações institucionais, o estabelecimento de parcerias e a democratização
dos espaços proporcionados pelo processo de gestão participativa, descentralizada e integrada dos
recursos hídricos.

Este grupo de articulação pode se formar a partir do Seminário sobre o Plano Estadual de Recursos
Hídricos do Piauí, como vem se formalizando em algumas regiões ou poderá ser incentivado por
pessoas/instituições locais que participaram do Seminário. Em outros casos pode ser feito a partir de
um diagnóstico institucional dos municípios: associações de usuários, sindicatos, ONG’s, instituições
do poder público e outras instituições locais com reconhecida intervenção na sociedade, de modo
especial, na área do sistema hídrico. Relacionam-se as instituições e suas lideranças para em
seguida convida-las para reunião sobre a Política de Recursos Hídricos e proposta de implementação
dessa política.

38
3.4.6.2 - Elaboração do Diagnóstico Institucional e Organizacional

Fazer o levantamento de todas as instituições existentes nos municípios de abrangência da Bacia,


suas formas de organização e de atuação, com a colaboração do Grupo de Articulação. Identificar as
instituições mais relacionadas aos recursos hídricos e à gestão participativa e buscar com elas
estabelecer uma parceria, estimulando o interesse pela participação da gestão dos recursos hídricos
e da formação do comitê de bacia.

3.4.6.3 - Estudo do Diagnóstico Hídrico da Bacia

O Documento Síntese e Relatórios Técnicos são fontes de informações fundamentais para


subsidiarem os planos, programas, atividades nas áreas das Bacias Hidrográficas. Neste sentido
podem ser destacados no Diagnóstico o estudo das disponibilidades e das demandas hídricas, o
balanço hídrico, a qualidade das águas superficiais e subterrâneas, o monitoramento dos recursos
hídricos, a identificação dos principais problemas hídricos e ambientais e medidas mitigadoras.

3.4.6.4 - Estudo do Diagnóstico Ambiental da Bacia

O estudo do levantamento da situação ambiental da área geográfica da bacia hidrográfica: situação


dos solos: usos, identificação de degradação, assoreamento etc; Identificação de desmatamento e
queimadas; saneamento e esgoto; exploração da pesca, usos de defensivos agrícolas, conflitos
existentes e medidas mitigadoras.

3.4.6.5 - Definição dos Membros do Comitê de Bacia Hidrográfica

Os membros do Comitê são escolhidos, de forma paritária nos segmentos sociais: poder público
federal, estadual e municipal, sociedade civil e usuários de água. Independente do número de
participantes deve ser respeitado o princípio da paridade.

3.4.6.6 - Posse do Comitê de Bacia Hidrográfica

A instituição de Comitê de Bacia Hidrográfica em rios de domínio do Estado será efetivada por ato do
Governador. Compete ao mesmo dar posse ao Comitê de Bacia Hidrográfica.

3.4.6.7 - Eleição da Presidência e Secretário

A eleição da direção do Comitê é feita logo após a Posse do Comitê de Bacia Hidrográfica. Esse é
composto de um presidente um secretário.

Os Comitês de Bacias Hidrográficas serão presididos e secretariados por membros eleitos por seus
pares e organizar-se-ão de acordo com as peculiaridades e a realidade de cada Bacia.

3.4.6.8 - Elaboração do Regimento Interno

O Conselho Estadual de Recursos Hídricos estabelece critérios gerais para elaboração dos
regimentos dos Comitês de Bacia Hidrográfica, ficando cada Comitê com a responsabilidade de sua
elaboração contando com a participação efetiva do Secretariado. Na Lei Nº 5.165 da Política Estadual

39
de Recursos Hídricos do Piauí referindo-se também à Regimento Interno de Comitê diz: “Os Comitês
de Bacias serão presididos e secretariados por membros eleitos por seus pares e organizar-se-ão de
acordo com as peculiaridades e a realidade de suas respectivas bacias, na forma de Regimento
Interno próprio.” Cabe ao Comitê aprovar também possíveis alterações no Regimento. Consta no
Regimento.

3.4.6.9 - Capacitação do Comitê de Bacia

As propostas de Estudos são formas de capacitação das lideranças institucionais para uma efetiva
participação do Comitê de Bacia. Muitos outros temas serão priorizados pelo Comitê de acordo com
as suas necessidades e ao atendimento de suas ações.

3.4.6.10 - Implementação das Ações do Comitê

Colaborar na implementação da política de recursos hídricos do Estado do Piauí, no desenvolvimento


de ações, programas e projetos relacionados aos recursos hídricos e ao meio ambiente, destacando-
se o Plano de Bacia Hidrográfica.

3.4.7 - Atribuições do Comitê de Bacia

No Capítulo Aspectos Legais de Comitê de Bacia Hidrográfica estão listadas as competências do


Comitê. Neste item são apresentadas as suas atribuições com a pretensão de reforçar a forma de
apresentação das competências do Comitê de Bacia:

− Gerenciamento colegiado, participativo e integrado, das águas na Bacia Hidrográfica. A


participação direta da sociedade, a democratização da gestão dos recursos hídricos e a sua
publicização;
− Garantir o direito de participação da sociedade através das instituições envolvidas; para orientar a
gestão a partir das necessidades e aspirações sociais, bem como do Plano Estadual de Recursos
Hídricos com análise das potencialidades hídricas da Bacia e das demandas da Sociedade a
curto, médio e longo prazo;
− Exercer com consciência as suas responsabilidades de contribuir qualitativamente na gestão das
águas, participando com autonomia e competência das decisões sobre alocação negociada das
águas;
− Defender que as interferências em cada bacia hidrográfica devem compreender a bacia como
unidade de planejamento, de organização e de gerenciamento dos recursos hídricos;
− Propor programas e ações de preservação e recuperação dos ecossistemas;
− Participar do Planejamento integrado dos Recursos Hídricos na bacia e fazer avaliações sistemáticas:
ƒ Otimizar o uso das águas nos reservatórios e nos trechos perenizados e decidir
conjuntamente o processo de alocação negociada procurando evitar conflitos entre
interesses em oposição;

40
ƒ Exercer o papel de mediador de conflitos pelo uso de água, visando sempre assegurar a
democratização dessa água e de outros recursos naturais e a preservação dos sistemas
hidroambientais como patrimônio público de uso e não de posse;
ƒ Contribuir para a implementação do Sistema Nacional de Recursos Hídricos e defender o
bom desenvolvimento do Plano Estadual dos Recursos Hídricos, do Plano de Bacia
Hidrográfica e dos Programas e Ações;
ƒ Defender quando necessário, a construção de novas obras hídricas, e a conservação do
patrimônio público;
ƒ Buscar o aprimoramento de sua capacitação para melhorar a qualidade de intervenções,
bem como poder contribuir para a capacitação de novas lideranças;
ƒ Apoiar, orientar e promover a formação de lideranças sociais desenvolvendo programas de
educação hidroambientais para a apropriação de uma nova cultura de gestão democrática
dos recursos naturais e ambientais;
ƒ Orientar os usuários para adotarem os instrumentos legais de gestão das águas;
ƒ Apoiar o ordenamento pesqueiro e manejo da pesca nos sistemas hídricos; Incentivar os
participantes da sociedade no controle da quantidade e qualidade das águas;
ƒ Buscar fortalecer a parceria do Estado com a sociedade civil organizada para desenvolver o
processo de gestão descentralizada, participativa e integrada da água no território. É um
processo de construção de canais institucionais para uma nova forma de gestão pública,
abrindo espaços para uma efetiva parceria do poder público com a sociedade.

3.4.8 - Pressupostos de Orientação para a Escolha dos Membros de Comitê de Bacia

− Ter espírito público. Prática de cidadania. Dispor-se a contribuir na preservação e na construção


dos bens públicos;
− Ser respeitado e reconhecido pela população. Revelar em sua prática de vida social, postura
ética;
− Ser aberto à comunicação, ao diálogo, ao trabalho de grupo;
− Gostar de gente e do meio ambiente com toda a sua diversidade de riquezas: terra - solo, água,
florestas, animais, peixes;
− Ser aberto à aquisição e à apropriação de novos conhecimentos e práticas sociais que capacitam
às lideranças a interferirem com qualidade técnica e com consciência pública no processo de
gestão dos recursos hídricos e ambientais como representantes da sociedade;
− Acreditar nas possibilidades de mudanças nas relações sociais, nas instituições sociais e na
sociedade como expressão do corpo social, reconhecendo ser também responsável por essas
mudanças;
− Acreditar que as pessoas podem mudar a forma de pensar e de agir na sociedade. Necessitam
de motivações, apoio e orientações;

41
− Querer contribuir na reorganização dos espaços sociais: institucionais, políticos, econômicos,
culturais, educacionais e ambientais acreditando estar contribuindo para a elevação da qualidade
de vida das pessoas e de todos os seres vivos, bem como para o desenvolvimento sustentável de
nossa sociedade;
− Saber organizar o seu tempo entre trabalho, família, lazer, vida comunitária e engajamento sem
trazer prejuízo para nenhum dos setores;
− Ser aberto a novos desafios e acreditar que a sua capacidade de contribuição no processo de
gestão participativa, descentralizada e integrada dos recursos hídricos e ambientais é de
fundamental importância porque faz a diferença.

3.4.9 - Priorização na Implantação de Comitês de Bacias Hidrográficas

A mobilização e organização dos Comitês de Bacia obedecem pelas mesmas razões já discutidas
anteriormente. A priorização para estruturação dos Comitês de Bacias seguem o seguinte
ordenamento segundo sua agregação em UPGRH (Região Hidrográfica):

Região Hidrográfica Prioridade


Canindé/Piauí I
Poti II
Baixo Parnaíba III
Médio Parnaíba IV
Alto Parnaíba
Esta ordem atende até certo ponto uma cronologia histórica em relação ao desenvolvimento regional
e ao programa de açudagem do Estado do Piauí. As reservações mais antigas estão nas bacias do
Canindé/Piauí, Poti e Baixo Parnaíba. As cidades históricas também estão nestas bacias: Oeiras,
Picos, Teresina, Campo Maior e Parnaíba, etc. Enquanto a BR-222 cruza a Bacia do Longá, a
Ferrovia cruza a Bacia do Poti. Estes são elementos estruturantes que na época tiveram papel
importante no desenvolvimento da bacia.

3.4.10 - As Comissões Gestoras de Açudes – CGA’s e Associações de Usuários (ASSUSAS)

Uma idéia atropelada no semiárido do nordeste foi a tese de começar a organização da bacia pelos
açudes. Estes reservatórios federais do DNOCS desenvolveram ao longo do tempo uma organização
social própria de usuários, que viviam em torno daquela reserva hídrica. Eram três os modelos
sociais:

− Os Vazanteiros: produtores que se estabeleceram na borda do espelho d’água e desenvolviam


atividades de agropecuária sob coordenação do próprio DNOCS que durante muitos anos tinha o
serviço de áreas de montante, e alguns instrumentos de gestão do setor.
− Os Pescadores: grupo de pessoas que viviam da pesca artesanal no lago. Havia uma
organização do tipo cooperativa e a pesca era pesada, controlada diariamente pelo DNOCS
através de um setor de fiscalização do órgão;

42
− Os Cooperandos: eram produtores beneficiados pela descarga da galeria do açude, muitos
abastecidos pelo canal de jusante, que irrigavam as várzeas aluviais do rio formador da
barragem. Foram estes os primeiros irrigantes do nordeste. A água era liberada para o agricultor
privado e esta indenizava o DNOCS com um valor quase simbólico, que alimentava um fundo
federal do próprio órgão.

Este público já estruturado em associação no final do século passado, poderiam formar as


ASSUSAS, que integravam a Lei do Ceará e do Rio Grande do Norte. Embora estes dois estados
tenham começado a estruturar este modelo, foram atropelados pelos ativistas que pensaram as
políticas públicas de água no centro sul e que formataram a Agência Nacional de Água – ANA. Estes
importaram um galiscismo de origem francesa denominado Comitê de Bacia, e organizaram as bacias
esquecendo os açudes. Somente no início da primeira década do século 21, mais precisamente em
2004, teve início um movimento no DNOCS sob a coordenação da mesma equipe que havia
organizado a COGERH, para criação em todos os açudes federais do nordeste, das então chamadas
Comissões Gestoras de Açudes, CGA’s. Estas deveriam integrar, obrigatoriamente, os comitês, uma
vez que elas são as “células mater” da política de água no semiárido.

No caso específico do Estado do Piauí, com uma importante rede de açudes federais, as CGA’s
devem ser fortalecidas com um novo público, pouco ou mais diferenciado da base originárias das
antigas barragens do DNOCS, porém afinadas com os novos conceitos da política de água. Nunca
esquecer que a legitimidade tem como base na bacia o açude. Sem ele não tem água no sertão.

3.4.11 - Agências de Águas

O Instituto da Agência de Água tem muita importância no modelo francês. Em primeiro lugar porque a
cobrança da água na França é um imposto federal. A agência de bacia é uma estrutura que tem como
base o comitê, para de forma democrática e participativa aplicar os recursos arrecadados na bacia.
Em segundo lugar, porque no caso francês, o peso parlamentar do Comitê é formado de membros
que pagam e não de representantes que cobram e não pagam. No Brasil somente em São Paulo,
onde o complexo industrial que usa e abusa dos rios, tendo como base o pagador poluidor e o alto
poder aquisitivo da indústria, estão em implementação algumas agências de Bacia. O Rio Grande do
Sul, pensa dividir o estado em duas agências, e avançou muito pouco. Há uma informação recente
que foi criada uma agência do Rio São Francisco, denominada “Peixe Vivo” com o intuito de
administrar os recursos da cobrança da transposição da água daquele rio.

Por enquanto estes recursos estão garantidos pelos governos dos estados do nordeste setentrional
(Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba e Pernambuco).

Tudo indica que este modelo vai predominar em bacias federais, como o Paraíba do Sul, São
Francisco ou o Piracicaba que, apesar de estadual, tem o peso do complexo urbano e industrial. Não
deve ser a modelagem mais adequada para o Estado do Piauí.

43
3.5 - CRIAÇÃO DAS AGÊNCIAS DE BACIAS OU GERENCIAS REGIONAIS
O Fortalecimento do SEGRH tendo como pano de fundo o gerenciamento da água no território
através da futura AGEAPI, necessita se estabelecer com uma estrutura nas bacias para interagir com
os usuários locais e servir de interlocutor para a ação dos comitês das bacias. Para tanto é importante
a criação de gerencias avançadas no interior como braço do organismo gerenciador na alocação da
água, apoio a SEMAR nas vistorias, reconhecimento de campo, perícias técnicas e no trabalho de
monitoramento dos mananciais de água.

A criação das Agências de Bacias ou Gerências Regionais, objetiva portanto descentralizar as ações
da SEMAR através da criação de escritórios regionais e, o estabelecimento de parcerias com as
Prefeituras Municipais, dinamizando as atividades executivas da AGEAPI no gerenciamento dos
recursos hídricos e ambientais.

Algumas premissas devem ser consideradas nesta decisão institucional:

− O número de gerencias deve ser o mínimo possível para viabilizar o custeio das mesmas, e seria
ideal que cada gerencia correspondesse a um comitê, pois este pelo fato de estar preconizado
em Lei é no fundo um órgão público; e como tal, a médio prazo terá uma estrutura logística para
seu funcionamento, o que implicará em mais custeio;
− Neste caso, a fórmula mais lógica seria agregar um conjunto de bacias fronteiriças e que
confluem para um mesmo trecho do rio Parnaíba caracterizadas como uma região hidrográfica ou
uma unidade hidrográfica (agrupadamento de em uma ou mais bacias). Isto posto, merece
atenção a tese de que os comitês de bacias possam representar as regiões hidrográficas, uma
vez que esta instituição ainda está em fase embrionária e sua prática vai depender muito do
poder indutor das gerências.
− Tese semelhante pode ser estendida para os estudos relativos aos Planos Diretores de Bacias e;
Criação e Instalação dos Comitês de Bacia, Estudos de Enquadramento dos Corpos D’Água e
outros, pelas razões que seguem:
ƒ Bacias limítrofes e confluentes na mesma realidade territorial, a exemplo daquelas cuja foz
está praticamente no Complexo do Delta do Parnaíba;
ƒ Bacia como a do Poti, que se confunde no seu exutório com a parcela norte dos tributários
da Difusas do Médio Parnaíba, na altura do complexo urbano de Terezina;
ƒ Outro modelo típico é o caso do sistema Gurguéia, Itaueira, cuja confluência também se dá
quase unificada com a parcela sul das Difusas do Médio Parnaíba e Boa Esperança;
ƒ Finalmente a Bacia do Uruçui, que junto com as Difusas do Alto Parnaíba, apresentam
características semelhantes, geologia, solos, atividades econômicas, como nova fronteira
produtiva de grãos e energia.

44
− Diante destas considerações é prudente e racional, formatar um máximo de 5 (cinco) bacias
agrupando geograficamente aquelas que fazem limites entre si e ao mesmo tempo não alteram a
base hidrográfica original.

Com estes fundamentos foram definidas 5 (cinco) regiões hidrográficas, quase todas elas por uma
peculiaridade do Estado do Piauí: são integrantes do rio Parnaíba.

Os Estudos e Planos que antes tinham como abrangência a unidade bacia hidrográfica, agora terão
como unidade básica a Região Hidrográfica. Este novo modelo inclusive tornará bem mais prático e
econômico o gerenciamento dos Recursos Hídricos.

Cada região destas deve ter como sede gestora uma cidade estratégica e de maior porte do Estado.

O Quadro 3.6 e o Mapa 3.1 apresentam a nova proposta de composição das gerências das Bacias.

Quadro 3.6 – Proposta de Criação das Gerências Regionais para as Bacias do Estado
Região Sede das Área
Bacias Prioridade
Hidrográfica Gerências (Km²)
Canindé Picos Canindé/Paiuí 75.683,17 1
Uruçui Preto, Difusas da Barragem Boa Esperança e
Alto Parnaíba Uruçuí 40.905,45 3
Difusas do Alto Parnaíba
Médio Parnaíba Bom Jesus Gurguéia, Itaueira e Difusas do Médio Parnaíba (1) 61.601,06 2
Longá, Piranji, Difusas do Médio Parnaíba (2), Difusas do
Baixo Parnaíba Piripiri 36.150,76 1
Litoral e Difusas do Baixo Parnaíba
Poti Teresina Poti 37.188,75 2
Total 251.529,19
(1) Parcela Sul das Bacias Difusas do Médio Parnaíba, considerando sua localização em relação a região hidrológica
respectiva;
(2) Parcela Norte das Bacias Difusas do Médio Parnaíba, considerando também sua localização em relação a região
hidrográfica correspondente.

As cinco gerências seriam dirigidas pela figura do tipo Gerente de Bacia, servidor de carreira de nível
superior. A sede das Gerencias Regionais foram definidas de acordo com a sua localização no
contexto das bacias, importância econômica e social e as reinvindicações do corpo técnico da
SEMAR, caracterizando a descentralização do Sistema SEGRH.

A implantação das unidades de gerenciamento obedecerá a cronograma de hierarquia e prioridades,


em função da importância das mesmas.

A criação dessas gerencias regionais de gerenciamento que compreendem a descentralização do


SEGRH devem ser criadas através de Decreto.

45
Mapa 3.1 – Proposta parplementação das Novas Sedes Gerenciais por Regiões Hidrográficas
para o Estado do Piauí

46
3.6 - PROGRAMA PARA ELABORAÇÃO DO CADASTRO DE USUÁRIOS DE ÁGUA DAS
BACIAS HIDROGRÁFICAS
3.6.1 - Introdução

A água constitui um dos elementos primordiais da estratégia brasileira de promover o crescimento


sustentável e lograr maior eqüidade e inclusão social. Nos últimos 50 anos, o progresso do país
esteve estreitamente vinculado ao desenvolvimento de seus recursos hídricos. Durante esse mesmo
período, porém, surgiram também novos desafios que requerem urgente formulação de políticas para
o “setor água”, inclui as áreas de recursos hídricos e saneamento, que se refere ao abastecimento de
água potável e ao esgotamento sanitário.

Nos países de climas semi-áridos ou onde há regiões áridas, como é o caso do Nordeste
Semi-Árido do Brasil, e do Piauí a água sempre foi um assunto extremamente delicado e desafiante,
pois ela é de vital importância para a sobrevivência humana e dos ecossistemas.

À medida que a demanda cresce e a disponibilidade vai aos poucos atingindo seu limite superior, a
gestão dos recursos hídricos torna-se cada vez mais desafiadora.

Em regime de escassez hídrica, é natural, inicialmente, criar estruturas hídricas que ampliem a oferta,
como foi o caso da açudagem na Bacia do Canindé/Piauí. Este modelo ficou conhecido como modelo
de gestão da oferta hídrica, pois basicamente o desenvolvimento é induzido pela simples ampliação
da oferta hídrica.

Aos poucos a capacidade desta ampliação vem se tornando mais onerosa e a implementação de
melhorias no consumo hídrico passa a ser o foco central. Diante deste novo enfoque, o conhecimento
da demanda hídrica e as particularidades neste processo se tornam de vital importância.

Assim, como é de se esperar, o modelo de gestão de recursos hídricos adotado no Brasil, vem dando
bastante enfoque no controle da demanda, sendo conhecida, inclusive como gestão da demanda.

Para se propor melhoria, sugerir otimização de uso é necessário conhecer em que se usa a água
disponível. O cadastramento dos usuários é uma forma eficiente de obter este conhecimento, apesar
dele retratar apenas um momento num processo dinâmico.

O programa proposto para realização dos cadastros de usuários das bacias hidrográficas do Piauí
resulta da inexistência de um cadastramento dos usuários de água bruta no Estado.

3.6.2 - Área Objeto dos Estudos

As áreas objetos dos serviços para aplicação dos questionários aos usuários de água bruta são as
bacias hidrográficas do Estado do Piauí.

Nas bacias que dispõem de barragens, para efeitos cadastrais será considerada toda a região
drenante diretamente ao lago do açude, no trecho perenizado pelo açude, além dos poços perfurados
nas áreas de depósito aluviais dos vales perenizados, como também, os usuários que utilizam água

47
subterrânea e estão situados fora das áreas aluviais perenizadas, tais como: Irrigantes, Indústrias,
Saneamento, Condomínios, Hotéis, Resorts, Parque Aquáticos, Pousadas, e, ainda os usuários que
exploram água mineral natural e à água adicionada de sais.

3.6.3 - Descrição das Bacias

A realização do cadastro de usuários implica na identificação e conhecimento das principais


características das bacias hidrográficas em todos os seus aspectos: físico, político, geográfico,
climatológico, oferta hídrica, demanda hídrica, social, econômico, qualidade d’água e conflitos
existentes.

3.6.4 - Metodologia

O cadastro a ser elaborado deve responder a três enfoques básicos: Consubstanciar um diagnóstico
sócio-ambiental, servir como orientador no processo de universalização da outorga de água
superficial e subterrânea e permitir uma avaliação da capacidade de pagamento dos usuários de
água para o estudo de tarifação do uso de água bruta.

Deverão ser cadastrados todos os usuários de usos significativos cujas captações de água,
lançamentos de efluentes e interferências hidráulicas estejam localizados na bacia.

Os formulários serão usados para o levantamento dos usuários que captam água ou diretamente do
açude, ou a montante do mesmo, ou ao longo do trecho perenizado por estes açudes, ou ao longo
dos rios ou afluentes perenes, sendo esta captação a fio d’água ou em poços no vale do rio nas áreas
aluviais ou ao longo do rio, e afluentes perenes através de tomada d’ água diretamente no curso do
rio, ou vazantes de reservatórios.

Os formulários na realidade indicam o nível de detalhamento para os diferentes tipos de usuários: uso
industrial, abastecimento público, carcinicultura, piscicultura (peixes explorados em viveiros e em
tanques redes) e irrigantes que exploram áreas irrigadas, cujo somatório de vazão esteja acima de
0,56 l/s.

Este formulário também será utilizado para os demais usos, tais como: Saneamento de Condomínios,
Hotéis, Resorts, Parque Aquáticos, Pousadas, e, ainda os usuários que exploram água mineral
natural e à água adicionada de sais que utilizam águas subterrâneas.

A metodologia detalhada para aplicação dos formulários está apresentada no Relatório RTP-2

3.6.4.1 - Desenvolvimento das Atividades da Metodologia

A primeira atividade a ser realizada é o treinamento para os cadastradores e digitadores, a ser


ministrado por uma equipe formada por técnicos da SEMAR ou AGEAPI, a ser nomeada, com
formação nas áreas agrárias e sociais, ficando esta equipe também responsável pela orientação da
execução dos trabalhos e aprovação dos mesmos. É indispensável a responsabilidade de
fornecimento da logística: o material e a infra-estrutura (como aluguel de sala, impressão de

48
apostilhas, material, computadores, data show, etc.) para a realização do Treinamento, que terá 20
(vinte) participantes/bacia com três dias de duração e carga horária estimada de 24 horas entre aulas
teóricas e práticas de campo; a programação deve ser definida pela SEMAR. No treinamento serão
transmitidas informações necessárias para a execução dos trabalhos de campo, além de noções
básicas da legislação de recursos hídricos, federal e estadual, instruções para o preenchimento dos
formulários de cadastro e sobre a utilização dos equipamentos GPS.

Os outros serviços constarão basicamente da aplicação de formulário em campo, digitação dos dados
cadastrais, crítica e consistência dos dados e emissão de relatório com as informações obtidas.

Os usuários são classificados segundo seu uso e para cada uso previsto foi elaborado um
questionário a ser aplicado.

Cada tomada de água dos usuários cadastrados terá suas coordenadas geográficas retiradas por
meio de GPS.

Modelos de formulários de cadastro elaborados pela IBI foram apresentados no Relatório RTP-2.

3.6.4.2 - Hierarquização e Atualização do Cadastro de Usuários, Cronograma e Custos

O cadastro de usuários de água é uma tarefa urgente que deverá ser objeto de implementação nas
bacias, principalmente naquelas que tradicionalmente já utilizam água e acumulam pedidos de
outorgas significativos. Esta ação tem alguns objetivos que justificam sua execução:

− constituir-se um “marco zero” da situação do uso na bacia;


− servir de ação corretiva para as outorgas já concedidas e que estão desativados ou são
diferentes do valor solicitado;
− identificar de melhor forma seletiva os segmentos usuários de bacia;
− fornecer informações valiosas para a gestão da água na bacia;
− desencadear na bacia as bases da implementação do instrumento de cobrança da água.

Pelas mesmas razões já abordadas em outros capítulos deste relatório, o ordenamento para
hierarquização e cronograma desta tarefa básica, que é o cadastro hídrico, deve ter o seguinte
formato:

49
Cronograma/ano Custo
Prioridade Bacia
2012 2013 2014 2015 2016 2017 (R$ 10³)

I Canindé/Piauí 1.000,00

II Poti 1.000,00

III Baixo Parnaíba 1.000,00

IV Médio Parnaíba 1.000,00

V Alto Parnaíba 1.000,00

Figura 3.3 – Priorização e Cronograma de Custos do Cadastro de Usuário

Os formulários para execução do cadastro estão apresentados em detalhe no RTP2. Os custos e o


cronograma das ações de cadastramento também são apresentados na programação do RTF
(Matriz de Custos) e no RTE (Físico-Financeiro).

A atualização do cadastro que é baseada nas concessões de outorga, estão previstas no sistema de
informação do PERH/PI, pois integra o módulo 6: Cadastro de Usuários de Recursos Hídricos.

Desde que a outorga seja concedida e cadastrada no setor competente do SEGRH, deverá através
de “ferramenta de planilhas eletrônicas” ser alimentada ao banco de informações e, organizada para
que possa ser consultada.

No plano operacional os setores do SEGRH que vão gerenciar o cadastro estão localizados em dois
níveis:

− na SEMAR na gerência de outorga, mais especificamente na Coordenadoria de Outorga e Uso de


Água;
− na AGEAPI está afeito a Gerência de Usos dos Recursos Hídricos.

Ambos os setores não dispensam a interação com as futuras gerências de bacias e seus comitês de
bacias e comissão gestora de açudes.

3.7 - PROGRAMA DE CAPACITAÇÃO E TREINAMENTO DE SERVIDORES


3.7.1 - Introdução

A partir de Quadro de Servidores da SEMAR aprovado por Lei analisado e comparado com o efetivo
quadro disponível e suas funções realmente exercidas, conclui-se da necessidade de criação de um
Programa de Criação do Centro de Excelência em Recursos Hídricos para o Piauí, cujos propósitos
são: formar gestores e servidores capazes de compreender a questão da água em suas múltiplas
facetas, desde a captação, à adução, conservação e uso compatível com as exigências ambientais

50
da atualidade, e capacitá-lo para a resolução de problemas maximizando sua capacidade de
aprender e gerenciar corretamente o uso e a preservação da água.

3.7.2 - Preparação para a Criação do Centro de Excelencia

A preparação de um curso de excelência tem início com a proposição de cursos, oficinas e


workshops que devem ser elaborados com base em dois pontos focais, a saber:

− A necessidade diagnosticada na análise dos quadros de Recursos Humanos da SEMAR, em


relação à formação e à função de cada gestor e servidor;
− A articulação interinstitucional para o programa de formação ou a identificação de disponibilidade
de cursos nas instituições parceiras, preferencialmente, utilizando o potencial técnico-pedagógico
das Instituições de Ensino Superior – IES locais. Em caso de necessidade, podem ser propostas
parcerias com IES de Estados vizinhos, tais como UFC e UECE no Ceará, que já vem
desenvolvendo formação em Recursos Hídricos, ou outras instituições nacionais ou
internacionais.

3.7.3 - Metodologia

Para melhorar a função organizadora da proposta de Capacitação em Recursos Hídricos, deve ser
estabelecida uma metodologia que se faz através das etapas descritas a seguir:

− ETAPA I – Esta etapa, consta de visitas técnicas à SEMAR visando entrevistar pessoas em
setores essenciais para colher informações sobre os quadros funcionais, sua formação e
adequação entre a formação e a função desempenhada efetivamente na instituição;
− ETAPA II – Realização de Workshop para apresentação da proposta e articulação das ações
com colaboradores internos, gestores, servidores e parceiros da SEMAR;
− ETAPA III – Ajustes no Programa de Capacitação incorporando as contribuições emanadas
desse Workshop, bem como atualizando dados e subsídios do corpo de gestores, servidores e
parceiros;
− ETAPA IV – Intercâmbio com as Instituições de Ensino Superior – IES – visando o atendimento
das demandas por qualificação nos diversos níveis e áreas específicas de formação de quadros.
O contorno desses quadros definirá os programas e níveis de formação necessários;
− ETAPA V - Criação de um CENTRO DE EXCELÊNCIA EM RECURSOS HÍDRICOS;
− ETAPA VI - Estudo e detalhamento dos quadros funcionais da SEMAR;
− ETAPA VII - Fazer o levantamento detalhado de instituições públicas ou privadas que lidam com
a geração de conhecimento e tecnologias;
− ETAPA VIII - Fazer uma análise prospectiva das necessidades de recursos humanos
especializados em recursos hídricos;
− ETAPA IX - Operacionalização - Definição de prioridades e níveis de qualificação necessários.

51
3.7.4 - O Centro de Excelência em Recursos Hídricos

3.7.4.1 - Objetivos

Capacitar a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos - SEMAR, através da formação de


quadros especializados, no planejamento e na gestão de recursos hídricos.

Apoiar a formação de um Centro de Excelência em Recursos Hídricos no Estado, no âmbito do


conhecimento científico e da pesquisa tecnológica.

3.7.4.2 - Justificativa

O Centro de Excelência constitui-se num instrumento essencial para a formação ou especialização


profissional das pessoas envolvidas na realização das ações relacionadas à questão hídrica,
abrangendo vasta gama de áreas e sub-áreas do conhecimento.

A criação do Centro atende à necessidade de capacitar os quadros funcionais que desempenham as


tarefas de implantação, acompanhamento e avaliação permanente da nova política de águas que o
Estado do Piauí irá adotar, nesta gestão.

O pretendido Centro de Excelência não deverá ser constituído por uma instituição isolada, mas, antes
de tudo, por um conjunto de instituições, públicas e privadas, federais, estaduais e municipais,
trabalhando em conjunto, de forma racional e harmônica.

3.7.4.3 - Base Institucional

Será definida por um conjunto de instituições consideradas essenciais para o programa. Essas
instituições serão parceiras do Programa de Capacitação de Gestores do Sistema Hídrico do Piauí.
As instituições básicas que comporão o Centro de Excelência para Capacitação em Recursos
Hídricos, são, inicialmente, as seguintes4:

− Universidade Federal do Piauí – UFPI;


− Universidade Estadual do Piauí – UESPI;
− Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – SEMAR;
− Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS;
− Secretaria de Estado do Desenvovimento Econômico e Tecnologico – SEDET;
− Secretaria de Estado do Desenvolvimento Rural – SDR;
− Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – IFPI;
− Superintendência de Ciência e Tecnologia – SECTEC;
− Centro Tecnológico de Teresina – CTT;
− Centro Tecnologico de Piripiri;
− Instituto de Água e Esgoto do Piauí – AGESPISA;

4
A qualquer tempo, havendo necessidade ou oportunidade, outras instituições podem vir a integrar o Centro de Excelência,
visando ampliar sua capacidade operacional ou o melhoramento de sua capacidade técnico-científica.

52
− Eletrobrás Distribuidora do Piauí – CEPISA.

3.7.4.4 - Diretrizes e Estratégias

Para a formação do Centro de Excelência, a SEMAR deve oferecer apoio ao fortalecimento e


capacitação dos cursos de pós-graduação já existentes no Estado, ou criá-los quando necessário.

Para que seja efetivado o perfil do Centro de Excelência do Piauí, a SEMAR necessita mapear os
cursos oferecidos nas IES locais, até o momento.

A SEMAR, proverá recursos para o auxilio acadêmico do Centro de Excelência através de bolsas de
estudo de mestrado e de doutorado, bolsas para professor visitante, realização de eventos científicos,
participação em intercâmbio, financiamento de projetos de pesquisa e desenvolvimento e realização
de intercâmbio. Afora isto, a SEMAR deverá despender esforços no intuito de obter apoio financeiro
das agências nacionais financiadoras (FINEP, CNPQ, CAPES) para a formação e manutenção do
Centro de Excelência.

As demais instituições envolvidas na temática participarão do Centro de Excelência como provedoras


de profissionais para capacitação e fornececimento de dados.

O Piauí constituirá esse “Centro de Excelência” no momento que o sistema gestor conseguir alcançar
a seguinte situação:

− Aglutinar uma pirâmide de técnicos em recursos hídricos, formada por pesquisadores, doutores,
mestres, graduados, técnicos de nível médio, nas devidas proporções e distribuídos nos espaços
geográficos de abrangência das bacias hídricas;
− Houver articulado uma rede de instituições formadoras desses técnicos, estimulando a
renovação, a inovação e a criatividade, num verdadeiro processo de educação continuada;
− Dispuser de um mecanismo de integração institucional, legitimado pelo governo e pela sociedade,
fruto de negociação e de consenso. Salienta-se que o desenvolvimento de recursos humanos
representa o principal componente da capacitação institucional, indispensável ao fortalecimento
de um sistema integrado de gestão de recursos hídricos.

Fortalecimento do Sistema Estadual de Meio Ambiente

Esta referência tem como objetivo estabelecer uma analogia com o Sistema Estadual de Recursos
Hídricos – SEGRH, que poderia denominar-se de SEMAP. As instituições ambientais em geral
ultrapassam a fronteira da Administração Direta.

53
3.8 - PROPOSTA DE REFORMULAÇÃO NA ESTRUTURA DA SEMAR, OBJETIVANDO
SEU FORTALECIMENTO
3.8.1 - Composição Atual

A Lei Complementar nº 113 de 04/08/2008 promoveu uma alteração no Organograma da SEMAR que
passaria a ter a estrutura apresentada na Figura 3.3. A referida Lei complementar, por meio da
criação da Superintendência de Recursos Hídricos e da Superintendência de Meio Ambiente,
pretendia delimitar os espaços de meio ambiente e recursos hídricos dentro da estrutura da SEMAR.
Ao mesmo tempo sinalizava para o fortalecimento do setor de recursos hídricos, por meio também da
criação da Diretoria de Recursos Hídricos e algumas Coordenações no nível VII da organização.

Algumas Coordenações, já existentes na estrutura anterior, ligadas à Diretoria de Recursos Naturais,


apresentavam uma vocação mais própria de recursos hídricos do que de meio ambiente. Tal é o caso
das Coordenações de Hidrologia e Hidrogeologia. Além disto, a Coordenação de Gestão Participativa
também foi vinculada à Diretoria de Recursos Hídricos numa tentativa de fortalecer esta área com um
maior envolvimento da sociedade.

Entretanto, isto não foi suficiente para introduzir uma modificação quantitativa ou mesmo qualitativa
no organograma da SEMAR em relação à situação anterior; ou seja, a Secretaria continuou sendo
majoritariamente voltada para as questões do meio ambiente. É o que mostra o gráfico da Figura 3.4
onde são comparados os cargos em comissão e funções gratificadas para os três setores básicos da
SEMAR: meio ambiente, recursos hídricos e administrativo financeiro.

Quanto ao aspecto qualitativo, a estrutura advinda da Lei Complementar Nº 113 apenas contempla
um instrumento de gestão dos recursos hídricos: a outorga. Deixa-se de lado, portanto, toda a
perspectiva de fortalecimento da área de recursos hídricos que embasa este PERH/PI, fundamental
para a implementação de uma Política de recursos hídricos no Estado.

Outro nível de análise da estrutura da SEMAR, considerando o espaço já ocupado pela


Superintendência de Meio Ambiente, revela uma tendência crescentemente operacional da
Secretaria, que tende a afastá-la de sua principal missão no atual momento: o fortalecimento em
relação às demais instituições (estaduais, federais e municipais) que atuam e interferem fortemente
no planejamento e ação das áreas de meio ambiente e recursos hídricos.

O retrado desta constatação relativa ao predomínio do setor ambiental é comprovado na Figura 3.4.

Na medida em que se avolumam as atividades ligadas à definição e controle da Política de Recursos


Hídricos, torna-se mais complexa a justaposição, em um mesmo órgão, das funções de gestão e
gerenciamento. Isto é válido tanto para o meio ambiente como para os recursos hídricos, na medida
em que compartilham um mesmo órgão gestor.

54
Figura 3.3 – Organograma Atualizado da SEMAR

55
Figura 3.4 - Participação relativa dos setores na SEMAR

Assim sendo, sugere-se a adoção do modelo sugerido no Relatório RT1 com o nome de “Modelo
Descentralizado, porém concentrado na SEMAR”

Esse Modelo tem a estrutura apresentada na Figura 3.5:

Figura 3.5 – Modelo Descentralizado, porém concentrado na SEMAR

3.8.2 - Proposição de um Novo Modelo de Estruturação para a SEMAR

Seguindo esse Modelo, a SEMAR passaria a concentrar as funções de Gestão do Sistema de Meio
Ambiente e de Recursos Hídricos, ou seja, a responsabilidade pela definição das Políticas de Meio
Ambiente e de Recursos Hídricos e o controle da implementação dessas políticas. No caso específico
dos recursos hídricos estão incluídas nestas atribuições aquelas referentes ao controle de taxas de
serviços, pagamento pelo uso da água, definição das diretrizes e concessão de outorgas e licença,
controle do sistema de informações sobre recursos hídricos, fomento à descentralização e à
participação da sociedade na gestão dos recursos hídricos.

Dada a importância da implementação do Sistema de Informações de Recursos Hídricos para o


fortalecimento e controle do setor, sugere-se uma Diretoria específica sobre o tema. Salienta-se que

56
tal Sistema deverá estar centralizado na Secretaria embora, na sua utilização, seja descentralizado
tanto no acesso como na alimentação.

Ao mesmo tempo, caberá à SEMAR o trabalho de articulação intra e extra governamental, de modo a
garantir o cumprimento do PERH/PI seja no desenvolvimento das obras hídricas, seja na articulação
com os parceiros no uso dos recursos hídricos legalmente compartilhados. É também desta
articulação que se espera a alimentação descentralizada do Sistema de Informações.

Finalmente, dada sua importância no sistema de meio ambiente e recursos hídricos foi incluída uma
Diretoria específica para a área de Meteorologia.

Feitas essas considerações o organograma da SEMAR, dentro do Modelo mostrado na Figura 3.3,
teria o desenho mostrado na Figura 3.6.

57
Figura 3.6 – Organograma Proposto

58
4 - PROPOSTAS PARA IMPLEMENTAÇÃO/MATERIALIZAÇÃO DOS
INSTRUMENTOS DE GESTÃO

59
4 - IIPROPOSTAS PARA IMPLEMENTAÇÃO/MATERIALIZAÇÃO DOS
INSTRUMENTOS DE GESTÃO

4.1 - PROGRAMA PARA IMPLEMENTAÇÃO DOS PLANOS DE BACIAS


Em 22 de março de 2010, no dia mundial da água, o Governador do Estado assinou o Decreto
Nº 14.145, que dispõe sobre os a elaboração dos planos de recursos hídricos, estabelece diretrizes,
critérios, conteúdo mínimo, inclusive acompanhamento do Termo de Referência para elaboração
desses Planos.

Com base nas diretrizes emanadas do PERH e a existência do CBH-Canindé/Piauí, a SEMAR


juntamente com o Comitê deverão construir novo Termos de Referência, com base no Art. 5.º da
Lei N.º 5.165/2000, enquadrando-o na lógica da gestão participativa.

Baseados nos princípios e conclusões resultantes dos relatórios anteriores, principalmente nos RT-6,
RT-7 e RT-9, e no item 3.4 e 3.5 desse relatório indica-se que o mais acertado e viável tanto do ponto
de vista econômico quanto adminsitrativo é a elaboração dos Planos Diretores de Bacias
Hidrográficas segundo a divisão do Estado em regiões hidrográficas. A prioridade para
implementação dos Planos de Bacias está apresentada no Quadro 3.6 do capitulo anterior.

O Anexo III apresenta o Termo de Referência, para elaboração dos Planos de Bacias, aprovado pelo
CERH/PI, componente do Decreto Nº 14.145, de 22 de março de 2010, com todas as definições,
objetivos, diretrizes e critérios.

4.1.1 - Comentários Sobre o Decreto n.º 14.145 de 22 de março de 2010 e Cronograma para
Implantação do PDRH

Este Decreto segue um padrão análogo aos diplomas legais que regulamentam Planos Diretores de
Recursos Hídricos de Bacias, inclusive contendo o Anexo Único, que apresenta os Termos de
Referência para Elaboração dos PDRH de Bacias Hidrográficas. Neste particular o Estado do Piauí é
inovador, pois nem todos os estados da federação, nem aqueles mais avançados, regulamentaram,
em detalhe, esta questão.

Até mesmo o estado do Ceará, que já exercita o instrumento dos Planos de Gerenciamento de
Bacias, abordou o assunto com tamanha dimensão.

Um ponto que a consultora considera crítico no Estado do Piauí, está afeto ao Art. 2º - Parágrafo
Único, onde a integração e articulação com as ações relativas aos Recursos Hídricos, sobretudo
àquelas executadas por múltiplos órgãos estaduais, necessitariam de uma relação mais contundente,
definindo e reforçando o mandato da SEMAR como organismo Coordenador das Políticas. Como o
texto não nomeia a SEMAR como tal, mas apenas generaliza os termos técnicos do instrumento, a
tarefa de articulação da Secretaria se torna difícil, uma vez que PDRH não é função de outras
instituições que exercem ações no setor hídrico, mas apenas da SEMAR.

60
Outro ponto que merece comentário desta consultora prende-se aos Artigos 6º e 7º, que diz respeito
ao caráter participativo da elaboração dos PDRH. Mesmo nas bacia onde já foi criado e instalado o
Comitê de Bacia, é importante estabelecer uma sistematização das consultas públicas para melhor
organizar e objetivar o exercício da cidadania.

O processo de participação da população envolvida nos comitês de bacia necessitará de tempo para
este exercício parlamentar de representantes da sociedade e governo interargirem entre si. O debate
propiciado no âmbito da política de água no Estado do Piauí, capitaneado pela SEMAR, levará longo
período para alcançar um patamar de afirmação e amadurecimento. As propostas dos participantes,
se por um lado, poderão refletir o sentimento das pessoas sobre os problemas locais de recursos
hídricos, pelo lado dos representantes do poder público, este ainda não estabeleceu uma
metodologia de organização dessas demandas, de modo a formatar uma matriz que possa convergir
para encaminhamentos claros e objetivos.

Aqui a consultora esboça um esforço para elaboração de um modelo matricial de enquadramento


dessas demandas, embora não necessariamente acabado, porém, buscando formular tipologias
afinadas com os processos do arcabouço da política dos recursos hídricos.

De um modo geral a problemática apontada pelos seminários realizados durante a execução do


PERH/PI, propoem ações visando atender questões locais de cada região onde aconteceram as
audiências. As ações apresentadas são de quatro tipos de abordagem:

− Ações para Meadição dos Conflitos Identificados


− Ações para Solucionar as Principais Barreiras Institucionais
− Ações voltadas para minorar as Vulnerabilidades Ambientais.
− Ações voltadas para a melhoria da Oferta de Água.

As intervenções do público são organizadas na metodologia matricial que segue:

Metodologia

A sistematização das demandas e propostas são classificadas de forma geral pela natureza e
tipologia:

Natureza

ƒ Administrativa
ƒ Estrutural
ƒ Institucional
ƒ Gerenciamento
ƒ Gestão
ƒ Legal
ƒ Preservação
ƒ Planejamento

61
Cada natureza compreende diversas tipologias para enquadramento das possíveis soluções ou
encaminhamento adequado.

Administrativa: quando há limitações de ordem logística, material, financeira, pessoal, desempenho


funcional do organismo ou servidor que causam problemas na ação do SEGRH.

Tipologias:

ƒ Aquisição de material e/ou equipamento


ƒ Capacitação de pessoal
ƒ Compensação financeira ou material
ƒ Exoneração de pessoal
ƒ Implementação logística
ƒ Nomeação de pessoal
ƒ Substituição de pessoal
ƒ Transferência de pessoal

Estrutural: quando decorrente de manutenção de infraestrutura, construção de obra hídrica, correção


ou complementação de obras hídricas e demolição de obras irregulares.

Tipologias:

ƒ Estudo do manancial
ƒ Manutenção da obra
ƒ Construção ou complementação da obra
ƒ Correção ou reforma da obra
ƒ Recuperação da obra
ƒ Demolição de obra irregular

Institucional: quando caracterizado pela inexistência do Estado ou diretamente da autoridade


delegada, falta de um instrumento entre intituições e entendimento informal ou formal entre os
organismos.

Tipologias:

ƒ Autorização
ƒ Articulação
ƒ Reconhecimento
ƒ Formalização
ƒ Intermediação

Gerenciamento: esta natureza compreende a ação ou inação local na ponta do sistema de oferta
d’água, do tipo desperdício, vandalismo, operação de equipamento hidráulico, medição, distribuição
justa da água, inspeção, assistência técnica, recuperação de áreas degradadas (mananciais), etc.

62
Tipologias:

ƒ Alocação da água
ƒ Controle da água
ƒ Inspeção
ƒ Liberação da água
ƒ Medição da água
ƒ Programa de Proteção dos Recursos Hídricos

Gestão: quando depende de ato administrativo com “poder de polícia”, ação executiva da autoridade
constituída da administração direta, como cobrança, aplicação de auto de infração, multa, concessão
ou cancelamento de outorga, encaminhamento de uso irregular da água ao ministério público ou
autoridade competente, etc.

Tipologias:

ƒ Autuação
ƒ Concessão de uso
ƒ Estudo de reconhecimento
ƒ Moderação
ƒ Notificação por apropriação da água
ƒ Notificação por uso inadequado da água
ƒ Notificação por poluição
ƒ Punição de usuário

Legal: quando totalmente não respaldado em lei ou genericamente apontado na lei, porém, não
regulamentado por decreto ou sem diploma normativo complementar do tipo portaria, resolução, etc.

Tipologias:

ƒ Regulamentação
ƒ Normalização
ƒ Legislação
ƒ Celebração de parceria

Preservação: significa manter o uso da água dentro dos padrões de preservação ambiental, evitando
sua degradação.

Tipologias:

ƒ Promover denúncia ambiental


ƒ Autuação
ƒ Requerer embargo
ƒ Capacitação
ƒ Zoneamento

63
Planejamento: quando a ação está direcionada para um estudo técnico básico necessário ao
atendimento da demanda.

Tipologias:

ƒ Estudo complementar
ƒ Levantamento técnico de campo
ƒ Reconhecimento Preliminar
ƒ Perícia Técnica

4.1.1.1 - Cronograma para Implantação dos Planos Diretores de Recursos Hídricos das Bacias

Com vista ao ordenamento das ações de implantação dos PDRH’s segue abaixo cronograma
temporal e de custos para cada região hidrográfica (Figura 4.1).

4.2 - PROGRAMA PARA IMPLEMENTAÇÃO DO ENQUADRAMENTO DOS CORPOS DE


ÁGUA EM CLASSES DE USOS PREPONDERANTES
4.2.1 - Considerações Gerais

O estabelecimento das classes de enquadramento dos corpos de água no Brasil, tem sido feito
tradicionalmente de uma forma tecnocrática e pouco participativa. No entanto, as demandas do Sistema
de Gestão de Recursos Hídricos implementados no País indicam a necessidade de mudança destes
procedimentos.

O Governo do Estado do Piauí através do Decreto Nº 14.143 de 22 de março de 2010 dispõe sobre
as diretrizes ambientais e procedimentos técnicos e administrativos para que se proceda ao
enquadramento dos corpos d’água superficiais de domínio estadual e subterrâneo tendo como
referência as classes de qualidade fixadas em normas do CONAMA.

64
Figura 4.1 - Cronograma de Implementação dos Planos Diretores de Recursos Hídricos das
RegiõeHidrráficas – PDRH’s

65
Segundo o Decreto Nº 14.143 a proposta de enquadramento deve ser desenvolvida em
conformidade, e de preferência concomitantemente, com o Plano de Recursos Hídricos das Bacias
Hidrográficas. Esta proposta deve conter: i. Diagnóstico e prognósticos em termos de qualidade dos
recursos hídricos, ii. Definição de metas relativas às alternativas de enquadramento, iii. Programa
para efetivação do enquadramento. Estes itens encontram-se detalhados no respectivo Decreto
(Anexo IV).

No parágrafo único do Art. 5º do Decreto Nº 14.143 define-se que enquanto não forem elaborados os
Planos de Recursos Hídricos das Bacias Hidrográficas, cabe ao Plano Estadual de Recursos Hídricos
fornecer os parâmetros necessários ao enquadramento dos corpos hídricos; o que foi realizado
considerando o diagnóstico dos usos preponderantes e da situação atual da qualidade de água.

Para os rios não enquadrados, o artigo Nº 42 da Resolução CONAMA nº 357/05, estabelece que
“enquanto não aprovados os respectivos enquadramentos, as águas doces serão consideradas
classe 2, exceto se as condições atuais de qualidade forem melhores, o que determinará a aplicação
da classe mais rigorosa correspondente”.

Os estudos elaborados pelo PERH/PI contidos nos Relatórios RT7 e RT9 indicam uma classificação
dos trechos de rios analisados para 25 postos fluviométricos onde a ANA faz monitoramento de
qualidade d’água e que foram enquadrados segundo a classificação do CONAMA 357/2005. (Quadro
4.1)

Ressalta-se que os trechos de rios enquadrados como Classe 1 deverão permanecer nessa Classe
os classificados na Classe 3, segundo a Classificação do CONAMA Nº 357/2005 deverão ser
enquadrados na Classe 2.

Tendo em vista que todo o rio Parnaíba está enquadrado na Classe 1 com exceção dos trechos
referentes aos postos Sítio do Velho e Luzilândia, sugere-se enquadra-los também na Classe 1.

4.2.2 - Referências para Elaboração do Enquadramento de Corpos de Água

Nas referências deve conter:

− Contexto Geral;
− Descrição das Bacias Objeto do Enquadramento;
− Objetivos Geral e Especificos;
− Diretrizes e Aspectos Metodológicos;
− Delimitação da Área de Projeto;
− Delimitação das Zonas Objeto de qualidade de Água dos Rios;
− Escopo dos Trabalhos e Detalhamento das Atividades.

66
Quadro 4.1 – Classificação CONAMA 357/05 dos Rios do Estado do Piauí
Classe Classe
Código Nome Rio Município Bacia Hidrográfica
Atual Proposta
Ribeiro
34060000 Parnaíba Ribeiro Gonçalves Alto Parnaíba 1 1
Gonçalves
34070000 Sítio do Velho Parnaíba Uruçuí Boa Esperança 3 1
Fazenda Uruçuí
34090000 Uruçuí Uruçui Preto 1 1
Bandeira Preto
34230000 Contrato Contrato Monte Alegre do Piauí Gurguéia 2 2
34250000 Cristino Castro Gurguéia Cristino Castro Gurguéia 1 1
34270000 Barra do Lance Gurguéia Jerumenha Gurguéia 1 1
34420000 Fazenda Tapage Canindé Santo Inácio do Piauí Canindé/Piauí 1 1
Santa Cruz do
34471000 Itaim Santa Cruz do Piauí Canindé/Piauí 1 1
Piauí II
34420000 Fazenda Tapage Canindé Santo Inácio do Piauí Canindé/Piauí 3 2
34450000 Maria Preta Itaim Patos do Piauí Canindé/Piauí 1 1
34465000 Picos Guaribas Picos Canindé/Piauí 1 1
Santa Cruz do
34471000 Itaim Santa Cruz do Piauí Canindé/Piauí 1 1
Piauí II
34480000 Fazenda Talhada Canindé Oeiras Canindé/Piauí 3 2
34571000 São Fco. do Piauí Piauí São Fco. do Piauí Canindé/Piauí 3 2
34600000 Francisco Ayres Canindé Francisco Ayres Canindé/Piauí 2 2
Passagem Passagem Franca do
34620000 Berlengas Poti 2 2
Franca Piauí
34660000 Fazenda Veneza Parnaíba Palmeirais Médio Parnaíba 1 1
34690000 Teresina Chesf Parnaíba Teresina Médio Parnaíba 1 1
Fazenda
34760000 Sambito São Miguel do Tapuio Poti 1 1
Carnaíba
34770000 Prata do Piauí Poti Prata do Piauí Poti 1 1
Fazenda
34789000 Poti Teresina Poti 1 1
Cantinho II
34879500 Luzilândia Parnaíba Luzilândia Baixo Parnaíba 2 1
34940000 Esperantina Longá Esperantina Longá 2 2
34976000 Piracuruca Piracuruca Piracuruca Longá 1 1
34980000 Tinguis Longá São José do Divino Longá 1 1
Fonte: ANA adaptado

67
4.2.2.1 - O Contexto Geral

Considerando que se trata de um instrumento de gestão imprescindível e fundamental ao


balizamento técnico e operacional das ações a serem desenvolvidas, torna-se necessário que as
informações sejam específicas, o suficiente para nortear a estruturação e a apresentação da proposta
técnica para elaboração do enquadramento dos corpos d’água em classes de uso, considerando-se
as peculiaridades da bacia em questão.

O documento deve ser desenvolvido, tendo como ponto de partida, as “Orientações da Resolução
Nº12/2000 do Conselho Nacional de Recursos Hídricos – CNRH”; as Resoluções Nº 357/2005 do
CONAMA, que dispõe sobre a classificação dos corpos d’água e diretrizes ambientais para o seu
enquadramento e estabelece condições e padrões de lançamento de efluentes, e, a Resolução Nº
396 de 03/04/2008 que dispõe sobre a clssificação e diretrizes ambientais, para o enquadramento,
prevenção e controle da poluição das águas subterrâneas.

O documento (Termo de Referência) deve também proporcionar uma padronização terminológica e


conceitual para o entendimento claro e inequívoco das exigências, procedimentos operacionais,
objetivos, metodologias e produtos da Proposta de Enquadramento. A clareza e conteúdo técnico da
Proposta de Enquadramento deverá ser suficiente para permitir sua análise por decisores políticos de
forma a viabilizar a implementação dos programas e ações priorizadas.

4.2.2.2 - A Descrição das Bacias Objeto do Enquadramento

Deve conter todas as informações de ordem física, política, geográfica, climatológica, social,
econômica e de qualidade de água se houver.

4.2.2.3 - Objetivos Especificos

Elaborar uma proposta de enquadramento para os rios objeto do Termo de Referência delimitando
espacialmente as diferentes condições de qualidade da água e perspectivas de evolução no tempo
visando seus enquadramentos, conforme diretrizes estabelecidas na Resolução CONAMA 357/2005.

− Efetuar o diagnóstico de uso e ocupação do solo nas bacias;


− Efetuar o levantamento dos principais usos, disponibilidades e demandas (abastecimento urbano,
recreação, irrigação, pesca, etc.) por recursos hídricos na bacia, constantes do diagnóstico
elaborado quando da execução do PDRH das bacias;
− a atualização do cadastramento, com o apoio do Comitê das Bacias hidrográficas dos usuários de
recursos hídricos nas bacias;
− Atualizar e analisar, tendo como base o diagnóstico da bacia existente com o apoio do CBH, as
principais fontes de poluição;
− Levantar os dados hidrológicos e de qualidade de água nas bacias dos rios constantes no PDRH
das Bacias – Diagnóstico e Estudos Básicos;

68
− Realizar modelagem de qualidade da água dos rios e propor o enquadramento dos mesmos;
− Propor um Plano de Trabalho para efetivação da proposta de enquadramento dos rios, junto aos
seus respectivos CBH.

4.2.2.4 - Diretrizes e Aspectos Metodológicos

Com base nos objetivos definidos, alguns aspectos metodológicos a serem adotados durante a
execução dos serviços devem ser destacados:

− O diagnóstico será guia para o trabalho, evitando, portanto, que informações e detalhamentos
que não sejam relevantes para o enquadramento a ser proposto venham a exigir esforços
técnicos adicionais;
− deverá se atentar para a coerência dos dados coletados durante o cadastramento e efetuar uma
análise técnica da consistência e compatibilidade dessas informações;
− As análises de qualidade de água devem ser realizadas por laboratórios detentores de
certificação ISO 17025 ou credenciados por órgãos gestores de qualidade de água; e deverão ser
realizadas de acordo com o “Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater”,
em sua edição mais recente.
− As campanhas de medição de vazão devem utilizar instrumentos calibrados e com certificado de
aferição e o método de medição deve ser adequado à seção do rio e suas condições fluviológicas
na época da campanha;
− A proposta de enquadramento deve estar em consonância com a Resolução 357/2005 do
Conselho Nacional de Meio Ambiente – CONAMA, que “dispõe sobre a classificação dos corpos
de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e
padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências” e a Resolução Nº 396, de 3 de
abril de 2008 do CONAMA que dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o
enquadramento, prevenção e controle da poluição das águas subterraneas Os trabalhos devem
ser desenvolvidos e apresentados em escala 1:100.000, com base nas cartas do IBGE nos
trechos dos rios correspondentes.

4.2.2.5 - Delimitação da Área de Projeto

A área de estudo corresponde a cada bacia hidrográfica dos rios com todos os seus afluentes.

Deve ser realizado o cadastramento de usuários de recursos hídricos e de fontes de poluição, se a


bacia ainda não o dispuser.

− Delimitação das zonas de qualidade de água dos rios.

Neste procedimento, o corpo de água deve ser dividido em trechos, delimitados segundo a proposta
metodológica para o enquadramento de corpos de água.

69
4.2.2.6 - Escopo dos Trabalhos e Detalhamento das Atividades

Para atingir os objetivos propostos será necessário desenvolver as seguintes atividades relacionadas
aos objetivos específicos:

− Elaboração do Plano de Trabalho;


− Diagnóstico do Uso e da Ocupação do Solo e dos Recursos Hídricos nas Bacias;
− Planejamento das atividades de enquadramento.

Esta parte do trabalho se faz necessária para definição das atividades de campo, das relações entre
os entes participantes do processo de enquadramento, da equipe de trabalho, da análise da proposta
inicial da segmentação de trechos de rio e dos parâmetros e número de análises a serem efetuados
por trecho, etc. Nesta etapa deverá ser previsto, no mínimo, a realização de um seminário aberto, ou
interno ao comitê de bacia, onde serão expostos os detalhes dos trabalhos a serem realizados, com
discussão e aperfeiçoamento da metodologia, se for o caso, incorporando o componente “gestão
participativa”, nesta fase de implementação deste instrumento.

− Coleta de dados existentes e diagnóstico preliminar da situação atual dos recursos hídricos.

Nesta etapa, deverá ser avaliado e atualizado os dados existentes no Relatório Final do Plano Diretor
de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica:

− Cadastramento de usuários e das principais fontes potenciais de poluição

De posse do diagnóstico atualizado, deverão ser identificados os principais usuários de recursos


hídricos e as principais fontes potenciais de poluição na bacia.

A princípio, definem-se como principais usuários de recursos hídricos as maiores captações que
totalizem mais de 80% da água retirada dos rios e como principais fontes potenciais de poluição os
municípios que despejam esgotos sem tratamento no rio, assim como as indústrias localizadas nas
bacias contribuintes. Essa definição pode ser ajustada no decorrer dos trabalhos em virtude de um
maior conhecimento adquirido sobre a região de projeto.

Devem ser realizadas visitas técnicas de campo para o cadastramento desses principais usuários de
recursos hídricos e fontes potenciais de poluição. A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e
Recursos Hídricos – SEMAR e os Comitês das Bacias Hidrográficas prestarão apoio à equipe
executante, quanto o acesso aos locais de cadastramento.

Nesta etapa, é essencial que se proceda uma estimativa, a mais apurada possível, das cargas
poluidoras potenciais e efetivamente lançadas no rio, para futura calibração do modelo de qualidade
de água a ser desenvolvido.

− Mapeamento dos trechos segmentados

70
O corpo d’água deve ser dividido em trechos, onde devem ser considerados os usos atuais e futuros
do trecho e o conceito de semelhança de usos, ou seja, sempre que possível, usos semelhantes
devem ser agrupados em um mesmo trecho.

O trabalho deve ser realizado visitando-se cada trecho de uso, plotando-se as informações em um
mapa da bacia estudada, utilizando-se símbolos padronizados para cada uso, registrando-se através
de fotografias e preenchendo-se a folha do trecho correspondente.

Deve ser revisado o mapeamento dos trechos do rio, com inclusão de barragens se houver, para
confirmação dos usos atuais e futuros de um determinado trecho.

− Realização de campanhas de medições de vazões e de coleta e análises de amostras de água

Com base no conhecimento adquirido no diagnóstico e na identificação dos principais usuários de


recursos hídricos e potenciais fontes poluidoras, deverão ser realizadas campanhas de medições de
vazões e de coletas de amostras de água para análise de qualidade, nos rios e seus afluentes, em
pontos a serem propostos pelo executante

− Medições de Vazões e de coleta e análises de amostras de água

A definição da quantidade e locais das seções onde serão executadas as medições de vazão e
coletas de amostras de água para análise de qualidade obedecerá a critérios técnicos que serão
propostos e aprovados pela fiscalização.

A princípio, as seções para medições de vazões serão definidas nos pontos de amostragem de
qualidade da água, podendo sofrer ajustes em função das condições locais ou outros critérios
técnicos a serem propostos pelo executante e aprovados pela fiscalização.

Os propostos executantes devem declarar conhecer as bacias dos rios a serem enquadrados e
deverão informar o método e o equipamento que pretendem utilizar para medições de vazões, e arcar
com todos os custos necessários à realização das medições de vazões.

4.2.2.7 - Qualidade de Água

− Qualidade das Águas Superficiais

Com relação ás águas superficiais os estudos devem ser elaborados partir de dados relativos aos
constituintes físico-químicos e biológicos.

Em relação aos aspectos da qualidade biológica das águas, os dados levantados devem ser tratados
por meio de estatística descritiva e emprego de índices. Deve-se levar em consideração os dados e
informações de estudos existentes da biota aquática, de forma a integrar os aspectos relacionados à
avaliação e manutenção da integridade dos ecossistemas aquáticos aos elementos de qualidade das
águas.

71
Finalmente, a interpretação dos resultados obtidos e apresentação em mapas georeferenciados em
escala adequada.

Os parâmetros a serem analisados serão, no mínimo, os seguintes:

ƒ Físicos: temperatura do ar, temperatura da água, turbidez, cor, transparência, sólidos totais,
sólidos dissolvidos, sólidos suspensos e sólidos sedimentáveis;
ƒ Químicos: pH, condutividade, salinidade, dureza, alcalinidade, oxigênio dissolvido, demanda
bioquímica de oxigênio, demanda química de oxigênio, série nitrogenada (amônia, nitrito,
nitrato, nitrogênio total), série fosfatada (fosfato total, ortofosfato), ferro total, potássio, óleos e
graxas, metais pesados;
ƒ Microbiológicos: coliformes totais e termotolerantes;
ƒ Hidrobiológicos: clorofila a;
ƒ Hidrológicos
ƒ Capacidade de autodepuração do corpo d’água
ƒ Avaliação da satisfação do usuário
ƒ Agrotóxicos
− Qualidade das águas subterrâneas

Devem ser realizadas as seguintes atividades:

ƒ Análise físico-química e de qualidade das águas por unidade aqüífera, identificando os


principais processos de mineralização e a evolução química das águas, definindo sua
adequação aos diversos tipos de utilização, principalmente quanto à potabilidade e usos
agrícola e pecuário;
ƒ Tratamento dos dados físico-químicos objetivando a determinação do balanço iônico,
verificando eventuais erros ou imprecisões das análises e cálculo dos índices
hidrogeoquímicos mais apropriados;
ƒ O tratamento estatístico dos parâmetros físico-químicos contemplará o conjunto das
amostras e particularizará as águas dos principais sistemas aqüíferos;
ƒ Construção de diagramas de classificação química das águas e de classificação quanto aos
usos. Estas classificações serão representadas em mapas georreferenciados, com os
dados hidroquímicos mostrando a distribuição dos parâmetros mais relevantes encontrados
nas bacias hidrográficas ou nas Unidades de Planejamento.

4.2.2.8 - Monitoramento da Qualidade das Águas

Realizado o enquadramento dos corpos hídricos, deverá ser apresentado um programa de


monitoramento de qualidade, com a indicação dos pontos (locais) onde devem ser coletadas as
amostras de água a serem analisadas, a freqüência da coleta, as datas ou períodos do ano de
realização da campanha de coleta d’água para análise, tanto para os mananciais superficiais, quanto
os subterâneos.

72
− Consultas Públicas

Nestas consultas, devem ser apresentados aos atores representativos da sociedade de cada bacia os
resultados obtidos dos estudos, especificamente, classificação de referência obtida das análises, e
com base nos usos preponderantes da água, os usos desejados da água em cada trecho dos corpos
hídricos da bacia.

O Decreto Nº 14.143 que dispõe sobre o enquadramento dos Corpos Hídricos de Domínio Estadual,
está apresentado no Anexo IV.

4.2.3 - Enquadramento dos Rios Intermitentes

Em relação aos rios intermitentes não há ainda uma metodologia estabelecida para o enquadramento
desses corpos d’água. O Ceará vem buscando desenvolver uma metodologia sobre esta matéria, no
âmbito da comunidade acadêmica de pós-graduação em Recursos Hídricos do Centro de Tecnologia
da Universidade Federal do Ceará. A idéia básica é procurar enquadrar o açude, que é o promotor de
regularização no trecho jusante do rio, uma vez que a vazão natural no período seco é zero. Ao
mesmo tempo este mesmo açude é também receptor do trecho intermitente do rio à montante. Uma
tese corrente quando da existência de posto fluviométrico em rio intermitente, é a avaliação qualitativa
realizada no posto durante o período chuvoso, exercida pela Agência Nacional de Água. Este
procedimento recomenda inclusive enquadrar o rio na classe 2.

No caso do Estado do Piauí, a bacia do Canindé/Piauí é considerada representativa de rios


intermitentes.
O Quadro 8.2 do RT9 apresenta o enquadramento de trechos dos rios realizados em 10 postos
fluviométricos nessa bacia, dos quais cinco foram enquadrados na classe 2 e os demais 50% na
classe 1, conforme análise de qualidade da água da Agência Nacional de Águas.

Uma tese que poderá orientar uma metodologia mais integrada com o território, população e sistemas
hídricos, seria uma proposta que utiliza como temática para pesquisa de pós-graduados do Centro de
Tecnologia da UFC, o aproveitamento da rede de açudes em bacias de terceira ordem hidrológica do
Ceará. No caso do Piauí, esta tese está embrionariamente esboçada no Quadro 4.2 e Mapa 4.1, de
capacidade de assimilação das cargas de esgoto para sub-bacias. Destaca-se que um dos pontos
relevantes dessa metodologia é a idéia básica de considerar as condições de qualidade da água no
açude que caracteriza os impactos a montante da bacia e do posto fluviométrico à jusante do
barramento, avaliando assim uma média das condições do rio.

No mais, a ANA já estabeleceu termos de referência para projetos de enquadramento seguindo


metodologia expressa no item anterior deste relatório.

73
Quadro 4.2 - Capacidade de assimilação das cargas de esgotos para as sub-bacias estudadas
Produção de DB05 Produção de DB05 Disponib Capacidade
Disponib
(Kg/Dia) (Kg/Dia) Vazão . Carga de
.
Área Específic Hídrica Assimiláve Assimilaçã
Bacias Sub-Bacia Hídrica
(Km²) a Potencia l o das
2010 2020 2030 2010 2020 2030 Ativada
(L/s/Km²) l (Kg/dia) Cargas de
(L/s)
(L/s) Esgoto
Difusas Alto_01 538,5 596,9 636,8 538,5 596,9 636,8 5413,4 6,97 119127,7 41694,7 18.012,11 0,04
do Alto Alto_02 190,2 210,8 224,9 190,2 210,8 224,9 6655,4 6,97 81396,1 28488,6 12.307,08 0,02
Parnaíba Alto_03 408,2 452,4 482,7 408,2 452,4 482,7 5022,6 6,97 35007,7 12252,7 5.293,17 0,09
Baixo_01 8245,6 9139,3 9751,0 8245,6 9139,3 9751,0 462,6 2,20 563532,0 197236,2 85.206,04 0,11
Difusas Baixo_02 667,0 739,3 788,8 667,0 739,3 788,8 1980,4 2,20 393208,5 137623,0 59.453,13 0,01
do Baixo Baixo_03 - - - - - - 25,2 2,20 557729,6 195205,4 84.328,72 0,00
Parnaíba Baixo_04 2446,2 2711,3 2892,7 2520,0 2793,1 2980,0 3034,5 2,20 388851,7 136098,1 58.794,38 0,05
Baixo_05 1178,0 1305,7 1393,1 1178,0 1305,7 1393,1 2140,7 2,20 382175,9 133761,6 57.785,00 0,02
Difusas Boa_
da Esperança_0 1299,1 1439,9 1536,3 1299,1 1439,9 1536,3 5545,1 2,44 176918,0 61921,3 26.750,01 0,06
Barragem 1
de Boa Boa_
Esperanç Esperança_0 779,6 864,1 921,9 779,6 864,1 921,9 2484,5 2,44 163388,1 57185,8 24.704,28 0,04
a 2
Canindé_01 301,2 333,8 356,2 301,2 333,8 356,2 2541,2 0,73 60028,1 21009,8 9.076,24 0,04
Canindé_02 477,6 529,3 564,8 477,6 529,3 564,8 4306,2 0,73 32741,8 11459,6 4.950,57 0,11
Canindé_03 158,2 175,3 187,0 158,2 175,3 187,0 3431,4 0,73 2504,9 876,7 378,74 0,49
Canindé_04 2531,8 2806,2 2994,0 2498,9 2769,8 2955,2 4839,9 0,73 22926,2 8024,2 3.466,45 0,86
Canindé_05 783,9 868,9 927,0 783,9 868,9 927,0 6547,1 0,73 4779,4 1672,8 722,64 1,28
Canindé_06 991,1 1098,5 1172,0 991,1 1098,5 1172,0 6860,3 0,73 21197,6 7419,2 3.205,07 0,37
Canindé_07 414,2 459,1 489,8 414,2 459,1 489,8 4960,8 0,73 3621,4 1267,5 547,56 0,89
Canindé
Canindé_08 949,8 1052,7 1123,2 949,8 1052,7 1123,2 3719,9 0,73 7011,5 2454,0 1.060,13 1,06
Canindé_09 4584,8 5081,6 5421,8 4584,8 5081,6 5421,8 4374,7 0,73 12381,6 4333,6 1.872,10 2,90
Canindé_10 1720,5 1907,0 2034,6 1720,5 1907,0 2034,6 5768,3 0,73 4210,8 1473,8 636,68 3,20
Canindé_11 2138,4 2370,1 2528,8 2138,4 2370,1 2528,8 6845,7 0,73 4997,4 1749,1 755,60 3,35
Canindé_12 308,7 342,2 365,1 308,7 342,2 365,1 8784,7 0,73 11410,2 3993,6 1.725,23 0,21
Canindé_13 1067,8 1183,5 1262,7 1067,8 1183,5 1262,7 5884,9 0,73 4296,0 1503,6 649,55 1,94
Canindé_14 1347,4 1493,4 1593,4 1380,3 1529,9 1632,3 6818,2 0,73 4977,3 1742,1 752,57 2,17
Gurguéia_01 371,3 411,6 439,1 371,3 411,6 439,1 4813,5 0,75 36619,3 12816,8 5.536,84 0,08
12630,
1037,0 1149,4 1226,3 1037,0 1149,4 1226,3 0,75 33009,1 11553,2 4.990,98 0,25
Gurguéia_02 5
10289,
Gurguéia 1787,7 1981,4 2114,0 1787,7 1981,4 2114,0 0,75 23536,2 8237,7 3.558,68 0,59
Gurguéia_03 7
Gurguéia_04 228,2 252,9 269,9 228,2 252,9 269,9 4832,0 0,75 3624,0 1268,4 547,95 0,49
Gurguéia_05 875,6 970,5 1035,5 875,6 970,5 1035,5 7491,1 0,75 5618,3 1966,4 849,49 1,22
Gurguéia_06 1497,4 1659,6 1770,7 1497,4 1659,6 1770,7 8768,8 0,75 6576,6 2301,8 994,38 1,78
Itaueira_01 - - - - - - 3662,2 1,64 16805,4 5881,9 2.540,97 0,00
Itaueira Itaueira_02 542,9 601,8 642,1 542,9 601,8 642,1 2282,5 1,64 10799,3 3779,8 1.632,86 0,39
Itaueira_03 113,1 125,4 133,8 113,1 125,4 133,8 4302,5 1,64 7056,0 2469,6 1.066,87 0,13
Litoral Litoral_01 904,9 1003,0 1070,1 904,9 1003,0 1070,1 2071,0 5,08 10520,4 3682,2 1.590,69 0,67
Longá_01 108,2 119,9 127,9 108,2 119,9 127,9 2710,0 7,27 164465,6 57563,0 24.867,20 0,01
Longá_02 95,2 105,6 112,6 95,2 105,6 112,6 1643,2 7,27 11945,8 4181,0 1.806,21 0,06
Longá_03 1359,1 1506,4 1607,3 1359,1 1506,4 1607,3 4628,4 7,27 33648,6 11777,0 5.087,67 0,32
Longá Longá_04 4638,8 5141,6 5485,7 4638,8 5141,6 5485,7 4051,2 7,27 99169,6 34709,4 14.994,44 0,37
Longá_05 2683,4 2974,3 3173,3 2683,4 2974,3 3173,3 3042,1 7,27 22116,2 7740,7 3.343,97 0,95
Longá_06 2211,1 2450,7 2614,8 2035,3 2255,9 2406,9 3616,2 7,27 47601,0 16660,3 7.197,26 0,36
Longá_07 3546,5 3930,8 4193,9 3546,5 3930,8 4193,9 2931,4 7,27 21311,4 7459,0 3.222,28 1,30
Médio_01 119,1 132,0 140,8 119,1 132,0 140,8 2142,1 2,35 305223,7 106828,3 46.149,83 0,00
Difusas 0,06
Médio_02 2207,7 2447,0 2610,8 2207,7 2447,0 2610,8 1906,4 2,35 300189,9 105066,5 45.388,71
do Médio
Médio_03 - - - - - - 427,2 2,35 235681,9 82488,6 35.635,10 0,00
Parnaíba
Médio_04 2831,8 3138,6 3348,7 2831,8 3138,6 3348,7 1844,8 2,35 217872,5 76255,4 32.942,32 0,10
Piranji Piranji_01 654,0 724,9 773,4 654,0 724,9 773,4 1082,5 4,42 4784,6 1674,6 723,44 1,07
47066, 52167, 55659, 47066, 52167, 55659,
5197,2 1,85 72242,7 25284,9 10.923,09 5,10
Poti_01 7 5 4 7 5 4
Poti_02 584,6 648,0 691,4 584,6 648,0 691,4 4349,1 1,85 56797,2 19879,0 8.587,74 0,08
Poti_03 178,4 197,8 211,0 178,4 197,8 211,0 4207,9 1,85 12311,2 4308,9 1.861,45 0,11
Poti_04 - - - - - - 2446,8 1,85 4526,6 1584,3 684,42 0,00
Poti Poti_05 1207,7 1338,6 1428,2 1207,7 1338,6 1428,2 3314,4 1,85 6131,6 2146,1 927,10 1,54
Poti_06 866,4 960,3 1024,5 866,4 960,3 1024,5 3151,7 1,85 5830,7 2040,7 881,60 1,16
Poti_07 939,2 1041,0 1110,7 939,2 1041,0 1110,7 1816,3 1,85 20044,9 7015,7 3.030,78 0,37
Poti_08 322,5 357,5 381,4 322,5 357,5 381,4 5548,0 1,85 10263,8 3592,3 1.551,88 0,25
Poti_09 578,9 641,6 684,6 578,9 641,6 684,6 2532,6 1,85 16684,8 5839,7 2.522,73 0,27
Poti_10 1193,9 1323,3 1411,9 1193,9 1323,3 1411,9 6486,1 1,85 11999,4 4199,8 1.814,30 0,78
Uruçuí_01 - - - - - - 6805,0 2,42 38198,1 13369,3 5.775,56 0,00
Uruçuí Uruçuí_02 - - - - - - 4937,0 2,42 21730,0 7605,5 3.285,58 0,00
Uruçuí_03 - - - - - - 4042,4 2,42 9782,6 3423,9 1.479,12 0,00

74
Mapa 4.1 - Resultado da Classificação dos Corpos D’água por Sub-bacia

75
4.3 - PROPOSTA DE CRITÉRIOS DE OUTORGAS DOS DIREITOS DE USO DE
RECURSOS HÍDRICOS
4.3.1 - Introdução

Conceitualmente, a outorga é um ato administrativo que faculta ao usuário, o direito de captar água
em local determinado de um corpo hídrico (rio, açude, lagoa, fonte, canal, adutora, aqüífero), com
vazão, volume e período definidos, assim como declaradas as finalidades de seu uso, sob
determinadas condições, objetivando assegurar o controle quantitativo e qualitativo dos usos da água
e o efetivo exercício dos direitos de acesso à água

A importância da outorga pode ser vista nos aspectos da justiça social ao promover o acesso à água
para todos os usuários; do controle do uso e conhecimento da demanda que influenciam a oferta de
água e o exercício do direito que estimula a participação do usuário na gestão dos recursos hídricos.

4.3.1.1 - Integração com Outros Instrumentos

A outorga dos direitos de uso de recursos hídricos por autorizar o uso de um bem público do interesse
de todos, escasso e dotado de valor econômico, estará sempre vinculada a normas e procedimentos
administrativos para a sua expedição e pela sua natureza de recurso ambiental, a sua análise e
condição de disponibilidade está intimamente dependente ou integrada a outros instrumentos de
gestão das águas.

4.3.2 - Outorga de Uso e Planos de Recursos Hídricos

Toda outorga estará condicionada às prioridades de uso estabelecidas nos Planos de Recursos
Hídricos (art. 13, caput, da Lei Federal 9.433/97).

Toda outorga estará condicionada às prioridades de uso estabelecidas nos Planos de Recursos
Hídricos e deverá respeitar a classe em que o corpo de água estiver enquadrado (art. 11, caput, da
Lei Estadual 5.165/00)

4.3.3 - Outorga de Uso e Reserva Hídrica

Ao poder público e à coletividade incumbem a defesa do equilíbrio do meio ambiente (art. 225 da CF).

Há uma reserva hídrica que não permitirá que o poder público conceda todas as outorgas solicitadas,
sem deixar um saldo hídrico suficiente para atender às emergências ambientais de interesse comum
da coletividade e a demanda ecológica.

4.3.4 - Outorga de Uso e Estudo Prévio de Impacto Ambiental

O Estudo Prévio de Impacto Ambiental, além de ser uma exigência constitucional e da legislação
brasileira infraconstitucional, é um procedimento indispensável na prevenção dos danos aos recursos
hídricos nos atos de controle do poder público.

O ato administrativo da outorga de uso da água não é um ato isolado da administração pública.
Nesse sentido, dizem os art. 29, caput 30, da Lei 9.433/97 que compete ao Poder Executivo Federal

76
e aos Poderes Executivos Estaduais e do Distrito Federal “Promover a integração da gestão de
recursos hídricos com a gestão ambiental” (inciso IV de ambos os artigos).

Com base na Lei nº 9.984/2000, estão sendo expedidas “outorgas preventivas”, até que as licenças
ambientais sejam concedidas para a obtenção da outorga de uso de recursos hídrico, principalmente
para aqüicultura

Observar e por em prática a legislação ambiental federal e estadual de modo compatível e integrado
com a política e o gerenciamento de recursos hídricos de domínio do Estado (inciso VI do art. 31 da
Lei 5.165/00).

4.3.5 - Vinculação, Discricionariedade. Publicidade do Procedimento de Outorga

O deferimento da outorga está condicionado às prioridades de uso estabelecido nos Planos de


Recursos Hídricos, ao enquadramento do corpo de água, à manutenção de condições adequadas ao
transporte aquaviário e à preservação do uso múltiplo dos recursos hídricos (art. 13 e seu parágrafo
único da Lei Federal 9.433/97). O ato administrativo da outorga é de natureza vinculada quanto aos
aspectos referidos.

Respeitada a parte vinculada do ato administrativo da outorga, este ato poderá conter uma parte
discricionária, que deve ter clara e ampla motivação, manifestando a sua “legalidade, moralidade e
impessoalidade” (art. 37 da CF) para que não se caia na arbitrariedade.

4.3.6 - Outorga de Uso e Dever de Fiscalizar

A responsabilidade civil, administrativa e criminal do órgão público que emitir a outorga não termina
com este ato. Cumpre a esse órgão público “regulamentar e fiscalizar os usos” (inciso II do art. 29,
inciso I do art.30, da Lei Federal 9.433/97)

A fiscalização do uso das águas inclui inspeções periódicas. Caso contrário, a outorga tornar-se-á um
ato sem nenhum resultado benéfico para o meio ambiente e para os bons usuários.

Na implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, compete ao Poder Executivo, outorgar


os direitos de uso de recursos hídricos, “regulamentar e fiscalizar os usos” no âmbito de sua
competência (inciso II do art. 31 da Lei 5.165/00).

Compete às Agencias de Água “manter sistema de fiscalização de uso de recursos hídricos da bacia
hidrográfica com a finalidade de identificar infratores e aplicar penalidades legais cabíveis” (inciso XIV
do art. 45 de Lei 5.165/00).

4.3.7 - Outorga de Uso e Cobrança

“Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos à outorga, nos termos do art. 12 desta lei” (art.
20 da Lei Federal n.º 9.433/97). Há, pois, uma união entre cobrança e outorga, de tal forma que a
cobrança pelo uso dos recursos hídricos mereça ser inserida como uma das condições da outorga
dos direitos de uso desses recursos

77
Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos a outorga, nos termos do art. 10, desta lei (art.
18 da Lei Estadual n.º 5.165/00)

4.3.8 - A Outorga e a Alocação

A outorga dos direitos de uso da água refere-se ao ato administrativo pelo qual o órgão gestor
permite ao solicitante o direito de usar determinada quantidade de água durante um determinado
período e sob determinadas condições. A alocação é um ato técnico, através do qual o órgão gestor
planeja o uso dos recursos hídricos disponíveis. Os dois atos, embora tecnicamente distintos, não são
independentes. Não se pode deixar de incluir na alocação tudo o que já está outorgado, sob pena de
comprometer o processo.

A alocação, portanto, deve ser referenciada nos planos de recursos hídricos, significando a partilha
da disponibilidade hídrica com os múltiplos usos da água, de acordo com o planejamento de cada
bacia.

4.3.8.1 - Condições/Critérios Gerais de Outorga

As condições gerais de outorga estão definidos no decreto nº 11.341, de 22 de março de 2004 que
regulamentou a outorga de direito de uso de recursos hídricos. Mesmo considerando que este
diploma legal disciplina todo o processo de expedição de outorgas, para melhor entendimento e
compatibilização desses mecanismos, apresentou-se condições gerais da outorga que expressam um
caráter mais geral e critérios e normas de outorga que demonstram condições mais operacionais.

A SEMAR, com base na Lei Estadual Nº 5.165/2000 e Decreto Nº 11.341 vem expedindo outorgas
preventivas de uso dos recursos hídricos desde 2004, tendo já expedido 962 outorgas preventivas e,
308 outorgas de uso em diversos (as) rios / bacias, sendo a grande maioria de águas subterrâneas.
Um outro cadastro da SEMAR, referente ao período de 2004 à 20 –agosto de 2010, apresenta o
cadastro de 1.567 outorgas concedidas de águas subterrâneas com as informações de localização,
vazão outorgada, aqüífero explorado, bacia hidrográfica envolvida, etc.

A Resolução CERH Nº 004/2005, de 26 de abril de 2005, dispõe sobre os critérios e procedimentos


provisórios para outorga preventiva e outorga de direito de uso de recursos hídricos e especifica em
seu Art. 6º - “As vazões de referência a serem utilizadas, para cálculo das disponibilidades hídricas,
em cada local de interesse, deverão estar de acordo com os Planos de Recursos Hídricos de Bacias
Hidrográficas”.

O conceito de vazão com 90% de permanência constitui um parâmetro hidrológico comumente


utilizado nos estudos relativos a oferta de água na região semiárida do Nordeste brasileiro. O valor de
95% de permanência estabelecido na resolução CERH nº 004/2005 para a concessão de outorgas é
um parâmetro legal e na opinião dessa consultora é bastante elevado, isto porque os estados que
tradicionalmente foram pioneiros na região, estabeleceram a regra que integra o decreto de

78
regulamentação dessas estados, que a soma do valor outorgado em uma bacia hidrográfica não
poderá exceder a 9/10 da vazão de 90% de garantia.

Embora não sejam estabelecidos níveis de garantia para os usos múltiplos da água, de um modo
geral na região há um consenso entre os especialistas que o abastecimento humano e animal tenham
garantias próximas de 100%. Considerando ainda, que a indústria em geral está inserida no
abastecimento do complexo urbano e sendo ela uma atividade essencial pelo seu alto valor
econômico e intensa relação social, recomenda-se uma garantia elevada de pelo menos 95% de
garantia.

Com relação a produção hidroagrícola há um conceito racional na região semiárida de que 50% das
áreas irrigadas devem ser constituídas de cultivos temporários e a outra metade com cultivos
permanentes. Nos anos críticos somente serão garantidos os cultivos permanentes. Como nos anos
normais os cultivos temporários consomem água em torno de 65% a 75% do ano, em face dos
períodos de colheita, pousio de entre safra e rotação de culturas, alguns projetos de irrigação da
região recomendam garantias de 75% a 80%. Para a aquicultura, recomenda-se a mesma garantia
dos cultivos permanentes, isto é 90% (ver Quadro 4.3).

A emissão de outorga de uso da água nas bacias de forma indiscriminada poderá gerar excessos de
comprometimentos a médio prazo, gerando direitos e demandas hídricas incompatíveis com a
5
vocação desenvolvimentista de cada região hidrográfica . É da maior conveniência estabelecer
critérios básicos para hierarquização e prioridades das outorgas considerando os múltiplos usos: I –
Abastecimento Humano e Animal, II – Industrial, III – Irrigação e IV – Aqüicultura (Quadro 4.3).

Quadro 4.3 - Prioridades de Outorga de Uso de Água


Tipos de Uso Níveis de Garantia %
Abastecimento Humano e Animal Próximo de 100
Industrial 95
Irrigação 75 a 80
Aqüicultura 90

Um importante dispositivo dessa Resolução está previsto em seu art. 3º, que traz a definição não
contida na lei em referência, nem no decreto regulamentar, sobre uso de pouca expressão, indicando
ser aqueles volumes acumulados ou captações nos seguintes tipos de obras hídricas: a) Açude com
volume de acumulação de até 50.000 m³, com área de espelho de água menor ou igual a 3 (três)
hectares, ou ainda, altura máxima do barramento menor ou igual a 6 (seis) metros; b) Poços com
vazão de uso de até 2,0 m³/h (dois metros cúbicos por hora), ou ainda, poços com caráter exclusivo
de pesquisa; c) Captações a fio d’água com vazão média contínua menor ou igual a 0,56 L/s
(cinqüenta e seis centésimos de litros por segundo); d) Barragens de derivação ou de regularização
de nível cuja bacia hidráulica não exceda a 2,0 ha. (dois hectares), ou com altura máxima menor do

5
Cujo conceito é a agregação de várias bacias em uma nova unidade de planejamento constitui proposição apresentada no
capítulo

79
que 3 m (três metros); e, e) Obras de transferência, entre bacias hidrográficas, de vazões inferiores a
0,56 L/s (cinqüenta e seis centésimos de litros por segundo).

Disciplina, ainda, que fica dispensada a outorga de direito de uso de água para satisfação das
necessidades da população de núcleos rurais inferiores ou iguais a 600 (seiscentos) habitantes.

Visando preservar o uso da água subterrânea, o art. 7º da resolução estabeleceu que para poços, a
vazão máxima outorgável será de 50% (cinqüenta por cento) da vazão de referência, encontrada em
teste de bombeamento com duração mínima de 24 (vinte e quatro) horas, devendo a vazão
outorgada ser limitada às necessidades da demanda prevista para o horizonte de projeto ou da vida
útil do empreendimento.

1 - Condições Gerais da Outorga

A outorga de direito de uso de recursos hídricos será emitida sob a forma de autorização.

A outorga não implica alienação total ou parcial das águas, que são inalienáveis.

A outorga confere o direito de uso de recursos hídricos condicionado à disponibilidade hídrica e ao


regime de racionamento, sujeitando o outorgado às penalidades da legislação pertinente.

O outorgado é obrigado a respeitar os direitos de terceiros.

A transferência do ato de outorga a terceiros deverá conservar as mesmas características e


condições da outorga original e somente poderá ser feita, total ou parcialmente, quando aprovada
pela SEMAR/PI, quando será emitido novo ato administrativo indicando o(s) novo(s) titular(es).

2 - Critérios e Normas de Outorga

Conforme o decreto supracitado, esses critérios e normas estão definidos nos art. 9 a 12 e parágrafo
único, para os quais se fez algumas explicações para um melhor entendimento e facilitação da
operacionalidade da outorga.

Art. 9º - “Independem de outorga os usos de recursos hídricos para a satisfação das necessidades
de pequenos núcleos populacionais, distribuídos no meio rural; as derivações, captações e
lançamentos considerados de pouca expressão, tanto do ponto de vista de volume quanto de carga
poluente; as acumulações de volumes de água consideradas de pouca expressão; e, que os critérios
específicos de vazões ou acumulações de volumes de água considerados de pouca expressão serão
estabelecidos nos planos de recursos hídricos, ou na inexistência destes, pelo CERH/PI”.

O estabelecimento das vazões e volumes correspondentes aos usos ou acumulações que


independem de outorga deve ser apresentado nos planos de bacias hidrográficas que estudam as
condições hídricas regionais, todavia devem ser discutidas com os comitês de bacias e podem variar
em função da sazonalidade das ofertas hídricas ou em situações de escassez de água onde seja
necessária a adoção de racionamentos.

80
A norma legal para instituição dessas vazões e volumes de pouca expressão deve ser por resolução
do Conselho Estadual de Recursos Hídricos com aprovação dos Comitês de Bacias, como forma de
fortalecer esses colegiados e garantir a prerrogativa do Conselho no estabelecimento de critérios e
normas da gestão de recursos hídricos do Estado.

Art. 10- A outorga de uso de recursos hídricos deverá observar os planos de recursos hídricos
respectivos, e em especial:

“O Plano de Recursos Hídricos deve apresentar a distribuição da água para os múltiplos usos de
forma global (abastecimento humano; dessedentação animal; irrigação; indústria; aqüicultura; turismo;
etc.) que balizará até onde outorgar”.

I - as prioridades de uso estabelecidas na Lei Estadual nº 5.165, de 2000;

“A Lei em seu art. 11 assegura que toda outorga está submetida às prioridades de uso estabelecidas
nos planos de recursos hídricos”. A prioridade constitucional é para abastecimento humano e
dessedentação animal, os demais usos são relacionados pela ordem de importância e de consumo,
na seguinte ordem: indústria, irrigação, aqüicultura e os demais.

II - a classe em que o corpo hídrico estiver enquadrado, em consonância com a legislação ambiental;

Enquanto o OGERH (AGEAPI) não realizar o enquadramento, as águas doces serão consideradas
classe 2 e as salinas e salobras classe 3 conforme o decreto nº 14.143, de 22 de março de 2010, que
dispõe sobre o enquadramento de corpos hídricos de domínio do Estado do Piauí;

III - a preservação dos usos múltiplos previstos;

“Não se pode outorgar um uso que venha a inviabilizar outros usos de um corpo hídrico”.

IV - a manutenção das condições adequadas ao transporte aquaviário, quando couber;

“No balanço hídrico das outorgas do Rio Parnaíba, devem ser consideradas as condições de sua
navegabilidade”.

§ 1 - Enquanto não for aprovado o Plano de Recursos Hídricos de uma bacia hidrográfica a outorga
obedecerá aos critérios gerais estabelecidos neste Decreto.

§ 2 - Em igualdade de condições, terão prioridade os projetos que atenderem melhor ao interesse


público.

§ 3 - Na emissão das outorgas será considerada para a prioridade a data de protocolo do pedido.

§ 4 - Ao se emitir uma outorga de uso não consuntivo, o volume outorgado fica indisponível para
outros usos no corpo hídrico em que é feita a captação ou diluição e nos corpos hídricos situados a
jusante, considerada, no caso de diluição, a capacidade de autodepuração dos respectivos corpos
hídricos, para cada tipo de poluente.

81
§ 5 - O volume de água outorgado poderá variar mensalmente em função da variação sazonal do
volume aleatório e da necessidade de uso da água.

§ 6 - O volume de água subterrânea a ser abstraído de um poço deve depender do planejamento do


uso do aqüífero, observando-se a reserva explotável do aqüífero e a disponibilidade real do poço.

Art. 11 - Quando a outorga for emitida sem que haja um Plano de Recursos Hídricos para a bacia
hidrográfica, os outorgados ficam obrigados a adaptar suas atividades e obras ao Plano
superveniente.

Art. 12 - A outorga de direito de uso para o lançamento de efluentes será emitida em quantidade de
água necessária para a diluição da carga poluente, podendo variar ao longo do prazo de validade da
outorga em função da concentração limite de cada indicador de poluição ou em função de parâmetros
definidos pela legislação correlata.

Parágrafo Único. No caso previsto no caput deste artigo, implementar-se-á o disposto nos §§ 4 e 5
do art. 10, deste Decreto, separadamente para o uso não consuntivo e para cada indicador de
poluente.

3 - Manualização da Outorga

O órgão de outorga deve desenvolver um Manual de Operacionalização da Outorga que demonstre


de maneira lógica todas as etapas do processo de outorga, com os respectivos fluxos de processo e
fluxos dos recursos da outorga, inclusive da sua aplicação e quais os setores da administração
envolvidos com a outorga.

A SEMAR apesar de não dispor de um Manual de Operacionalização de Outorga formalmente


regulamentado, vem utilizando um conjunto completo de modelos específicos para cada espécie de
usuário, construídos com base na legislação específica atual, tanto a nível federal como estadual.
Entretanto é funcional para a organização do sistema de gerenciamento a elaboração do Manual de
Outorgas aprovado por Resolução ou Intrução Normativa do CERH

4.3.8.2 - Procedimentos para Expedição da Outorga

A outorga é fundamental para a gestão dos recursos hídricos, não se limitando apenas ao controle
dos usos da água e ao acesso a essa água. Dada à sua condição de integrar-se a vários
instrumentos e mecanismos de ação que interagem nos processos de garantia hídrica e dos usos
sustentáveis da água, deixa de ser um ato discricionário puro para tornar-se um ato de decisão
coletiva, ao se permitir aprovar pelo comitê da bacia hidrográfica

A expedição da outorga realizada pela SEMAR, deve ser continuada contemplando uma ação de
atendimento das demandas voluntárias ou estimuladas pelos órgãos de financiamento de projetos, já
em implementação e uma ação programada para atender a regularização dos usos de determinada
bacia ou parte da bacia que apresente situações de conflitos mais iminentes. Fica claro, no entanto,
que o planejamento deve perseguir a universalização da outorga no Estado.

82
O fluxo de processo deve ser o mais simples e funcional possível para que a tramitação tenha
celeridade e o sistema obtenha credibilidade junto ao usuário demandante da outorga. A SEMAR
dispõe de um conjunto de formulários aprovados pelo SEGRH, específicos para os diversos setores
de usuários.

Campanhas de regularização de usos compreendem o cadastro dos usuários com pedidos de


outorga, que depois de analisados e sistematizados no banco de dados, o Órgão Gestor fará a
expedição do respectivo ato da outorga.

1 - Pedido de Outorga

O pedido de outorga deve ser protocolizado no OGERH (AGEAPI) ou entidade delegatária em


formulário próprio e instruído com no mínimo as seguintes informações:

a) identificação do requerente;
b) localização geográfica do(s) ponto(s) característico(s) objeto do pleito de outorga, incluindo
nome do corpo de água e da bacia hidrográfica principal;
c) especificação da finalidade do uso da água;
d) vazão máxima instantânea e volume diário que se pretenda derivar;
e) regime de variação, em termos de número de dias de captação, em cada mês, e de número de
horas de captação, em cada dia;

Quando se tratar de lançamento de esgotos e demais resíduos líquidos ou gasosos, tratados ou não,
com o fim de sua diluição, transporte ou disposição final:

a) vazão máxima instantânea e volume diário a ser lançado no corpo de água receptor e regime
de variação do lançamento;
b) concentrações e cargas de poluentes físicos, químicos e biológicos.

2 - Análise e Parecer Técnico

Esta etapa tem por objetivo avaliar se a quantidade d’água demandada pelos usuários e os níveis de
garantia associados podem ser atendidos com as disponibilidades hídricas existentes no local de
captação.

A análise consiste em conferir a viabilidade da inclusão da nova demanda no contexto do balanço


hídrico da unidade de oferta onde se efetivará a captação e, dependendo do tipo de manancial e da
disponibilidade hídrica para atender a demanda, poderá ser realizada uma análise mais detalhada do
sistema, inclusive simulações com níveis de garantias diferentes.

O processo adotado considera o balanço levando-se em conta as condições potenciais do sistema e,


se outorgam valores de referencia, que deverão ser ratificados anualmente dependendo da situação
da fonte de suprimento, e da alocação no plano de recursos hídricos da bacia.

3 - Modelo de Parecer Técnico

83
O modelo representa uma configuração mínima cujas informações variam de acordo com o tipo de
uso avaliado. Contudo, compõe-se basicamente de:

I. Dados do requerente;
II. Dados do requerimento;
III. Dados da fonte de suprimento d’ água;
IV. Análise da demanda e balanço hídrico;
V. Conclusões.

4 - Custos e Emolumentos Relativos a Cobrança

O Decreto, em seu Art. 24 diz: Compete ao requerente o pagamento prévio dos emolumentos
necessários à cobertura dos custos operacionais inerentes ao processo de outorga, que a análise da
outorga requerida depende do recolhimento prévio dos emolumentos; que os custos operacionais
inerentes ao processo são fixados através de atos administrativos, pelo órgão outorgante, após
aprovação pelo CERH; que quando se fizer necessário, a SEMAR pode contratar serviço de
consultoria para oferecer subsídios às análises das outorgas de recursos hídricos requeridas; e que
os custos referentes à vistoria devem ser definidos em razão da localização e complexidade do
empreendimento, com base em critérios técnicos estabelecidos por intermédio do Decreto nº 12.184
de 24/04/2006, que estabeleceu critérios e valores a serem cobrados pelos custos operacionais
inerentes aos processos de emissões ou de renovação de outorgas de recursos hídricos e outros a
serem estabelecidos, por intermédio de Portaria, pela SEMAR/PI.

5 - Expedição da Outorga

Do ato administrativo da outorga, deverão constar, no mínimo, as seguintes informações:

a) identificação do outorgado;
b) localização geográfica e hidrográfica, quantidade, e finalidade a que se destinem as águas;
c) prazo de vigência;
d) obrigação de recolher os valores da cobrança pelo uso dos recursos hídricos, quando exigível;
e) condição em que a outorga poderá cessar seus efeitos legais, observada a legislação
pertinente;
f) situações ou circunstâncias em que poderá ocorrer a suspensão da outorga em observância ao
art. 13 da Lei nº 5.165, de 2000.

6 - Fluxo do Processo

Em face da importância da outorga na política de águas, é relevante analisar o ambiente institucional,


pois esta função outorgante terá uma ação tanto mais vigorosa, quanto o SEGRH possa avançar na
estruturação do organismo gerenciador. A SEMAR há praticamente vários anos vem exercendo a
prerrogativa da lei no sentido de aplicar o instrumento da outorga, praticando uma sistemática limitada
de fiscalização e monitoramento do uso da água; embasada, atualmente, de um modo mais formal, a

84
partir do conjunto de formulários e modelos já implantados. Esta ação, no contexto legal e
institucional vigente, cabe única e exclusivamente a SEMAR. No caso da criação de um organismo
gestor, alguns procedimentos deverão ser estabelecidos no sentido de fortalecer esta nova entidade,
lhes assegurar legítimas atribuições no âmbito do seu caráter gerenciador e operacional na ponta do
sistema, e na ação direta sobre a infraestrutura de oferta hídrica territorial.

Para tanto, tais procedimentos, parâmetros e modelos deverão ser objetivo de formalização legal
legitimados através de instrumentos normativos. A ação de monitoramento deverá ser uma missão
permanente do processo gerenciador de forma integrada entre a SEMAR e o novo organismo gestor -
AGEAPI. Para realizá-la não basta a instalação de instrumentos de controle nos açudes, canais,
lagoas, rios, poços e medidores nas tomadas dos principais usuários. Será necessário a montagem
de um sistema de informação dos níveis, volumes e vazões dos mananciais de oferta e registro das
medições de usos consuntivos.

Este acervo de dados deverá gerar um boletim informativo, mensal, a exemplo do utilizado na
meteorologia. Outra ação fundamental para executar o monitoramento será a modelagem institucional
do órgão de gerenciamento, com autoridade legal delegada e quadro de pessoal habilitado para o
exercício de função.

No modelo integrado a ser formulado entre a SEMAR e o organismo gerenciador (SEMAR/AGEAPI),


o fluxo dos processos, de forma simplificada, será basicamente.

1
AGEAPI
SETOR REGIONAL (GERÊNCIA)

2
AGEAPI
DIRETORIA DO SETOR DE FISCALIZAÇÃO

3
SEMAR/PROTOCOLO

Figura 4.2 - Fluxograma Simplificado SEMAR/AGEAPI

Este fluxograma simplificado caracteriza, de forma genérica, a relação direta no âmbito do SEGRH
entre a AGEAPI e a SEMAR. O primeiro, um órgão com modelagem descentralizada, deve receber na
ponta as demandas para uso da água e construção da obra hídrica onde é feito o reconhecimento no
campo do projeto e, encaminhamento técnico para o setor competente do segundo, a SEMAR. Nesta,
o processo se completa com a análise da autoridade legal para sua autorização, publicação e seu
cadastro no sistema de informações.

85
Este mesmo fluxograma funciona, também, no sentido inverso, quando o pedido formal é protocolado
na SEMAR. Neste caso, ele volta para o setor regional de inspeção e perícia técnica na gerência do
AGEAPI, de onde retorna para análise e acolhimento na SEMAR e sua posterior autorização.

Com relação à implementação da Sistemática de Outorga, há uma vasta coleção de documentos a


nível Federal e Estadual. O próprio Estado do Piauí já elaborou material sobre a questão. Portanto,
neste apêndice de relatório, buscamos apenas simplificar os diversos conceitos, procedimentos e
passos para a execução do processo de outorga pelo Estado quando da criação da AGEAPI.

As Figuras 4.2 e 4.3 apresentam o fluxograma simplificado dos procedimentos de outorga e licença.
Ambos mostram claramente a integração entre os organismos SEMAR/AGEAPI. Há uma
complementação nítida entre os processos de vistoria e análise. O modelo de fluxo de procedimentos
reflete, também, o fato que os pedidos poderão ter encaminhamento por qualquer um dos dois
órgãos, sendo que a AGEAPI, por apontar para uma descentralização regional, poderá ter a
solicitação feita diretamente na representação regional da bacia. Há também o aspecto da
dominialidade Federal da água, caracterizada pela presença da ANA para os casos de rios e
reservatórios da União.

Em algumas fases da tramitação dos processos, há sentidos duplos do fluxo, principalmente


relacionados com os setores de avaliação técnica-jurídica dos pedidos formalizados pelos usuários.

Finalmente, estes fluxogramas identificam a necessidade do suporte jurídico e do gabinete para


expedição dos instrumentos da outorga, licença, e da obrigatoriedade da informação para o usuário.
No caso específico da outorga, há uma referência ao setor Planejamento da AGEAPI, visando,
naturalmente, o futuro processo de taxação ou tarifação da água. Esses fluxogramas, aqui
apresentados em forma simplificada, referem-se a processos de pedidos normais e não isentos, tanto
para Outorga de uso, como Licença de obra de oferta. O fluxo para pedidos isentos é interrompido na
própria vistoria.

86
Protocolo
SEMAR/AGEAPI

AGEAPI/SEDE DRH/SEMAR

GERÊNCIAS GURH/AGEAPI ANA


REGIONAIS

D.O.E
CASA CIVIL
DRH/SEMAR ASJUR/SEMAR
GABINETE
SEMAR

USUÁRIO
GEOR/DGRH
DPRI/AGEAPI

Figura 4.3 – Fluxograma do Processo de Outorga

Fluxograma do Processo de Outorga

a) Entrada do pedido no Protocolo da SEMAR ou AGEAPI;

b) A SEMAR através da Diretoria de Recursos Hídricos - DRH envia à Gerência de Outorga – GEOR
que cadastra o pedido e envia para a AGEAPI;

c) A AGEAPI recebe o processo e encaminha para a Gerência de Uso dos Recursos Hídricos -
GURH;

d) A Gerência de Uso dos Recursos Hídricos – GURH atualiza a Planilha de Acompanhamento, faz
uma triagem das informações e documentos, encaminha correspondência ao usuário, se necessário
(falta de documentação e informações necessárias para elaboração do parecer), faz contato com as
Gerências Regionais, se necessário, e emite parecer técnico;

e) Gerências Regionais da AGEAPI:

− Orienta usuário;
− Recebe e complementa informações;
− Realiza visita técnica;
− Emite parecer/relatório;
− Envia processo para Gerência de Uso dos Recursos Hídricos.

f) GURH/AGEAPI recebe o processo e o envia para a DRH/SEMAR;

g) A Diretoria de Recursos Hídricos – DRH analisa e instrui o processo e envia para a Gerência de
Outorga - GEOR;

87
h) GEOR: Realiza cadastro, gerencia o banco de dados e prepara documento de outorga /
correspondência denegatória;

j) Gabinete: Secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos assina a outorga ou correspondência


denegatória:

Publicação da outorga no Diário Oficial do Estado na forma de extrato (ASJUR).

k) Diretoria de Planejamento e Relações Institucionais - DPRI:

− Recebe a outorga da DRH/SEMAR;


− Faz contato com o usuário;
− Emite contrato.
− Usuário Recebe outorga ou correspondência denegatória.
Integração com o SIRH
No Módulo 6 – Cadastro de Usuários de Recursos Hídricos do Sistema de Informações de Recursos
Hídricos do PERH, deste relatório, será incorporado o componente –“Cadastro de outorgas” e todo o
conteúdo do referido módulo será acessado em página própria que terá um link com o banco de
dados de outorga do setor da SEMAR que a expede.

O Sistema de Cadastro de Usuários será um sistema Web que poderá ser disponibilizado para
acesso através da Internet, a partir do site da www.semar.pi.gov.br, que terá um link do sistema para
acesso dos usuários e integração com o sistema CNARH da Agência Nacional de Água. Este sistema
terá sua própria base de dados e irá utilizar dados de Outorga e Licença referentes aos elementos da
Bacia, Município, Tipo de Uso, Tipo de Fonte e Fonte Hídrica.

O sistema permitirá o cadastro de seis tipos uso de água: Indústria, Aqüicultura Peixe em Tanque
Rede, Aqüicultura Peixe em Viveiro e Carcinicultura, Empresa Concessionária de Água Bruta,
Irrigante Agropecuária. Cada cadastro terá seu tipo específico, que será informada pelo usuário.

Para realizar um cadastro, será necessário informar primeiro a pessoa responsável pelo uso da água,
que poderá ser pessoa física ou jurídica, que a mesma está sendo cadastrada.

O usuário irá informar o CPF/CNPJ da pessoa (física/jurídica) e o sistema irá realizar uma consulta
em sua base de dados para verificar se já existe um cadastro de uso de água em seu nome. Caso
exista, o sistema irá listar todos os cadastros, por tipo de uso. O usuário terá a opção de
alterar/excluir o cadastro realizado.

4.3.8.3 - Procedimentos Para a Universalização de Concessão de Outorgas de Recursos Hídricos


Segundo a Priorização das Bacias Hidrográficas

1 - Convocação dos usuários de recursos hídricos das regiões hidrográficas conforme as


prioridades abaixo:

I - Canindé/Piauí;

88
II - Poti;
IV - Baixo Parnaíba;
V - Médio Parnaíba;
VI - Alto Parnaíba.

2 - Apresentação da aprovação do Plano Estadual de Recursos Hídrficos pelo CERH;

3 - Aprovação do Plano Diretor da Bacia Hidrográfica;

4 - Criação e Instalação do Comitê da Região Hidrográfica;

5 - Decisão do % de disponibilidade hídrica da bacia hidrográfica que pode ser alocado para
disponibiliza-lo para outorga pelo comitê de bacia, apoiado nas informações e conhecimentos
dos técnicos da SEMAR/AGEAPI;

6 - Monitoramento da água alocada x outorgada, apresentada e discutida com as câmaras técnicas,


e os comitês da bacia hidrográfica pelo menos 2 vezes / ano: no final do período chuvoso e no
final do verão / início de inverno;

7 - Discussão das decisões a serem tomadas e, aprovação das decisões.

Segundo informação da SEMAR (31/12/2009) o Piauí tinha outorgado 10,989 m³/s correspondente a
outorgas de águas superficiais e águas subterrâneas. As bacias com maiores outorgas concedidas
são: Canindé com 5,877 m³/s de águas superficiais e 0,705 m³/s de águas subterrâneas, seguido da
Bacia do Poti com 403 m³/s de água superficial e 0,139 m³/s de água subterrânea.

4.3.8.4 - Critérios de Avaliação de Outorga

O critério para emissão de outorga recomendada pela consultora no item 10.8.1 do Relatório RT9,
“procedimentos para universalização de concessão de outorga de recursos hídricos, segundo a
priorização das bacias hidrográficas”, tem o sentido de atender as bacias que reúnem melhores
condições nos seguintes aspectos:

• infraestrutura hídrica existente;


• necessidade de obras hídricas;
• densidade populacional;
• organização e mobilização;
• maior intensidade de uso.

Estes parâmetros que em tese justificam o ordenamento proposto devem ser avaliados na sua
eficácia.

A idéia para estabelecer um indicador de avaliação, seria considerar 2010 o “marco zero” e a cada 5
anos ou seja, 2015, 2020, 2025 e 2030 levantar o volume outorgado e medir o índice relativo do
avanço, pela seguinte expressão.

89
V0 (ano 5)
IAR =
V0 (ano 0)

IAR - Índice de Avanço Relativo

V0 (ano 5) – volume outorgado no 5º ano

V0 (ano 0) – volume outorgado no ano zero

Esta performance reflete o potencial regional da capacidade indutora da política hídrica no


desenvolvimento regional. Por outro lado, não deverá ser um índice absoluto, o que não seria
indicador adequado, pois cada bacia tem uma relação diversa entre a oferta e a demanda.

O resultado dos índices indicativos de cada bacia poderá servir de base para tomada de decisão e
promover uma correção de rumo nas prioridades.

Esta primeira avaliação, uma vez que o SEGRH e os instrumentos de gestão ainda estão em fase de
implementação, é puramente quantitativa global.

Numa segunda fase, talvez após 2015, o índice poderá ser aplicado de forma seletiva, considerando
cada segmento usuário, até para vincular as outorgas com as prioridades da bacia.

4.3.8.5 - Licença de Obras Hídricas

O controle técnico das obras de interferência hídrica é feito através do licenciamento, assegurado na
Lei Estadual 5.165/00, conforme expressa o Art. 16 – “A implantação, ampliação e alteração de
projeto de qualquer empreendimento que demande a utilização de recursos hídricos, bem como a
execução de obras ou serviços que alterem o seu regime, em quantidade e/ou qualidade, dependerão
de prévio licenciamento, sem prejuízo da licença ambiental”.

A licença de Obras Hídricas é uma autorização expedida pela SEMAR ao interessado em executar
qualquer obra ou serviço de interferência hídrica, que possam influenciar o regime hídrico de um
determinado curso d’ água ou de um aqüífero e tem por objetivos:

− Possibilitar a construção de obras hídricas de qualidade e compatíveis com as condições


hidroambientais da bacia hidrográfica;
− Disseminar a cultura de projetos, garantindo a realização de obras hídricas dentro de padrões
técnicos e econômicos consagrados em normas técnicas cientificas;
− Exercer o controle técnico das obras, bem como manter um cadastro e mapeamento das mesmas
com vistas ao monitoramento dos recursos hídricos das bacias hidrográficas;
− Permitir o controle social das obras públicas a partir da aprovação dos comitês de bacias em
consultas locais e justificativas dos benefícios.

Não consta que a licença de obras hídricas tenha sido regulamentada, no entanto a PORTARIA
GAB. N.º 021/04 - Altera a redação da Portaria n.º. 05/00 que fixa normas e procedimentos técnicos a
serem observados em processos de construção, recuperação e operação de poços para captação de

90
águas subterrâneas no Estado do Piauí, mas deixa dúvidas ao tratar da obrigatoriedade da licença
ambiental prévia da SEMAR que não é a licença de obra hídrica citada no art. 16 da Lei 5.165/00 e
em seguida faz referencia a carta consulta, que é um procedimento da licença de obra hídrica, da
seguinte forma: Faculta ao interessado, antes de formalizar o processo de obtenção de Licença
Prévia, endereçar carta consulta à SEMAR/PI com vistas a um exame preliminar de possíveis
impedimentos ou limitações à implantação de poço profundo.

Há, sem dúvidas, a necessidade de regulamentação da concessão de licenças de obras hídricas,


para garantir a legalidade dos procedimentos, a avaliação das infrações e a consequente aplicação
de penalidades.

A regulamentação da concessão de licença de obras hídricas deve considerar a Resolução/CNRH n.º


37, de 26 de março de 2004, que estabelece diretrizes para outorga de recursos hídricos para a
implantação de barragens em corpos hídricos de domínio dos Estados, do Distrito Federal ou da
União.

1 - Importância do Licenciamento

− A obra de açudagem deve ser feita em local adequado e ser bem dimensionada para oferecer
bom rendimento (maior percentual de volume útil em relação ao volume armazenado);
− É importante avaliar a contribuição que a bacia hidrográfica oferece para ser armazenado no
açude, verificando-se quanto desse escoamento pode ser represado e quanto está comprometido
com obras de jusante;
− O formato do lago, bem como a área do espelho d’ água por ele formado são importantes para a
redução das perdas por evaporação;
− A construção de poços profundos deve ser avaliada para evitar a interferência entre poços
próximos ou superbombeamento que levem ao esgotamento do aqüífero;
− As obras classificadas como passagem molhada apesar de caracterizarem-se como obras
rodoviárias, podem influenciar negativamente o regime de cheias de um rio ou riacho, por isso
devem ser controladas;
− A transposição de água bruta através de tubulação ou canal, ao longo do percurso, podem
influenciar diversos sistemas hídricos e portanto devem ter avaliados seu projeto e a própria obra;
− A barragem de derivação ou de regularização de nível pode influenciar o regime do curso d’água
e deve estar compatível com a vazão a ser derivada, devendo ser controladas;
− Finalmente, é um bom projeto em um local adequado, que favorece a construção de uma obra de
oferta hídrica e sua operação face os usos desejados.

Obras sujeitas ao licenciamento:

Obras de barramento:

− Barragem de regularização;

91
− Barragem de nível ou derivação;
− Dique de proteção ou recondução de leito de rio;
− Obras de travessias de cursos d’ água;

Obras de adução:

− Adutora;
− Canal;

Obras de exploração de água subterrânea:

− Poço tubular;
− Poço escavado.
Obras com licença simplificada:
Apesar das liberações preconizadas pela Resolução nº 004/05 de 26 de abril de 2005, a Consultora
recomenda os seguintes parâmetros para uma abertura no processo administrativo.

Açudes com capacidade de acumulação igual ou inferior a 500.000 m³ de água com bacia de
contribuição (bacia hidrográfica) igual ou inferior a 3 km² e com altura da parede inferior a 5 m;

Transposições de vazões inferiores a 1.000 l/h.

Barragens de derivação ou regularização de nível cuja bacia de contribuição não exceda


3 km².

Poço raso (profundidade inferior a 10 m) e no cristalino com vazão menor ou igual a 1.000 l/h, exceto
em aqüíferos sedimentares considerados estratégicos ou diretamente alimentados por rios
perenizados.

Poços medianamente profundos (0 a 50 m) com vazões inferiores a 1.000 l/h, exceto quando se tratar
de poços da responsabilidade de órgãos públicos.

Estes parâmetros visam, sobretudo, diminuir a burocracia e reduzir o custeio dos órgãos
SEMAR/AGEAPI. Os casos especiais que justifiquem o controle, serão apontados por ocasião da
vistoria para análise e submissão a autoridade competente.

Estes parâmetros são proposições da consultora, baseados em publicação pioneira sobre o assunto
registrado no livro “A Chuva e o Chão na Terra do Sol” de MACEDO, Hypérides, 2004, classificando
açudes no semi-árido. O volume de 500.000 m³ é o cálculo extraído da expressão do Engenheiro
Aguiar, DNOCS, da década de trinta, onde a capacidade estimada do açude deveria ser duas vezes o
volume afluente médio e que corresponde a uma bacia hidrográfica de 3 km². Neste caso o tamanho
do reservatório seria classificado como microbarragem.

2 - Procedimentos para Expedição da Licença

92
A licença prévia deve ser requerida ao Sr. Secretário do Meio Ambiente e Recursos Hídricos,
utilizando-se de formulários apropriados e encaminhados à SEMAR ou à AGEAPI, diretamente ou
através das gerências de bacias. Este processo poderá envolver duas fases:

FASE 1

CARTA CONSULTA – antes de formalizar o processo de obtenção da Licença de Construção, o


interessado poderá fazer uma Consulta Prévia, à SEMAR com vistas a um exame preliminar de
possíveis impedimentos ou limitações à implantação da obra ou serviço de oferta hídrica de seu
interesse.

A análise pode ser favorável ao desenvolvimento do projeto. Neste caso a SEMAR enviará uma
correspondência acompanhada de um termo de referência sugerindo a elaboração do projeto. Caso
contrário, a correspondência desaconselhará o projeto.

FASE 2

LICENÇA DE CONSTRUÇÃO – este processo segue os mesmos procedimentos da FASE 1, todavia


os formulários são encaminhados juntamente com uma cópia do projeto executivo ou projeto básico
da obra para análise, cujo resultado sendo positivo, a SEMAR expedirá a Licença.

3 - Fluxo do Processo

No aspecto institucional, o fluxo de processo da licença tramita de forma similar ao processo de


expedição da outorga, no entanto o processo da licença envolve a elaboração de projeto baseado
nos termos de referência oferecido pela SEMAR, que deverá ser de adoção obrigatória pelo
interessado, cuja análise requer uma visita de campo e a reunião de um corpo técnico de várias áreas
da engenharia, e da área social dependendo da dimensão da obra.

Mesmo considerando todas essas questões que envolvem a tomada de decisão para a expedição da
licença de obras hídricas, o modelo operacional deverá ser o mais simples e funcional possível para
que a tramitação tenha celeridade e o sistema obtenha credibilidade junto ao interessado na licença
de obras hídricas.

4 - Análise dos Projetos e Parecer Técnico

Para todas as demandas de licenças serão realizadas, inicialmente: a verificação do preenchimento


correto do requerimento e formulário disponíveis e aplicados pela SEMAR, análise da documentação
apresentada, conforme check-list, inclusive Anotação de Responsabilidade Técnica – ART; a
indicação das coordenadas do local da obra, entre outros. Esta pré-análise é feita na DRH/SEMAR ou
na AGEAPI conforme o protocolo de entrada.

5 - Fluxograma do Processo de Licença

A Figura 4.4 apresenta o Caminhamento dos procedimentos para obtenção da licença de obras
hídricas.

93
Protocolo
SEMAR/AGEAPI

AGEAPI/SEDE DRH/SEMAR

GERÊNCIAS GURH/AGEAPI GEOR/SEMAR


REGIONAIS

D.O.E
CASA CIVIL
DRH/SEMAR ASJUR/SRH
GABINETE
SEMAR

GEOR/DRH INTERESSADO

Figura 4.4 – Fluxograma do Processo de Licença

Fluxo do Processo de Licença

a) Entrada do pedido no Protocolo da SEMAR ou AGEAPI;

b) A SEMAR através de sua Diretoria de Recursos Hídricos envia a GEOR (Gerência de Outorga) que
cadastra o pedido faz uma pré-análise e envia para a AGEAPI;

c) A AGEAPI recebe o processo e encaminha para a GURH (Gerência de Uso dos Recursos
Hídricos);

d) A GURH faz uma triagem das informações e documentos, encaminha correspondência ao usuário
(no caso de falta de documentação e/ou de informações necessárias para elaboração do parecer),
faz contato com as Gerências Regionais ou faz vistoria e emite parecer técnico;

e) Gerências Regionais da AGEAPI

− Orienta usuário;
− Recebe e complementa informações;
− Realiza visita técnica;
− Emite parecer / relatório;
− Envia processo para a GURH – Gerência de Uso dos Recursos Hídricos;

f) GURH (Gerência de Uso dos Recursos Hídricos)

− Orienta usuário;
− Recebe e complementa informações;

94
− Realiza visita técnica;
− Emite parecer / relatório;
− Envia processo para a SEMAR;

g) DRH/SEMAR:

− Analisa e instrui processo;


− Envia processo de expedição de licença ao gabinete;
− Demanda ação fiscalizatória à Gerência de Uso dos Recursos Hídricos, que o envia a GEOR;

h) GEOR6:

− Realiza cadastro; gerencia o banco de dados; prepara documento de licença/denegatória;

i) CTL (Câmara Técnica de Licença):

− Analisa parecer técnico e emite manifestação sob a forma de resolução ou parecer;

j) Gabinete - Secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos assina a licença ou correspondência


denegatória

− Autoriza publicação da licença no Diário Oficial do Estado na forma de extrato (ASJUR);


− Usuário recebe licença ou correspondência denegatória.

6 - Expedição da Licença

Satisfeitas todas as condições técnicas e legais a DRH procederá a expedição da licença, a certidão
de isenção ou a correspondência denegatória, para a assinatura do Secretário.

O Anexo V apresenta o Decreto Nº 11.341 de 22 de março de 2004, que regulamenta a outorga


preventiva de uso e a outorga de diretio de uso de recursos hídricos do Estado do Piauí.

A Resolução Nº 001, de 26 de outubro de 2004, estabelece procedimentos específicos para


licenciamento ambiental e fiscalização de obras de perfuração de poços na região entre os rios
Parnaíba e Poti, no perímetro urbano do município de Teresina.

O Decreto Nº 12.184 de 24/04/06, estabelece critérios e valores a serem cobrados pelos custos
operacionais inerentes aos processos de emissão ou renovação de outorgas de recursos hídricos.

A Resolução CERH Nº 004 de 26-05-2005, dispõe sobre os Critérios e Procedimentos Provisórios


para Outorga Preventiva e Outorga de Direito de Uso dos Recursos Hídricos

4.3.9 - Licenças de Poços Concedidos pela SEMAR

A SEMAR dispõe de um cadastro referente ao ano 2007 com 482 licenças concedidas, contendo a
localização com coordenadas geográficas, município, localidade, bacia e sub-bacia hidrográfica e
outras. As informações referentes as características dinâmicas dos poços (nível estático, nível

6
Verificar se a obra está sendo executada de acordo com a licença.

95
dinâmico, rebaixamento, teste de vazão, vazão específica, aqüífero explorado, teste de
bombeamento e recuperação) como também os parâmetros de qualidade (análise físico-química e
bacteriológica) são incompletos e estão apresentados em Anexo do Relatório RT 9.

A distribuição dos poços segundo as bacias hidrográficas estão apresentados no Quadro 4.4:

Quadro 4.4 – Distribuição dos Poços na Bacia


Poços Cadastrados
Bacia
com Outorga
Canindé/Piauí 140
Parnaíba 90
Difusas da Barragem Boa Esperança 2
Difusas do Alto Parnaíba 7
Difusas do Baixo Parnaíba 29
Difusas do Litoral 1
Difusas do Médio Parnaíba 45
Gurguéia 26
Itaueira 35
Longá 67
Piranji 3
Poti 35
Uruçui-Preto 2

Um outro cadastro da SEMAR, referente ao período de 2004 à 20 –agosto de 2010, apresenta o


cadastro de 1.567 outorgas concedidas de águas subterrâneas com as informações de localização,
vazão outorgada, aqüífero explorado, bacia hidrográfica envolvida, etc. Estas 1.567 outorgas
concedidas comprometem uma vazão de 11,04 m³/s mostradas em Anexo do Relatório RT 9.

4.4 - PROPOSTA DE CRITÉRIOS DE COBRANÇA PELO USO DA ÁGUA


4.4.1 - Introdução

Conforme alínea “c” do artigo 2º da Lei Estadual Nº 5.165, de 17 de agosto de 2000, “a água, como
recurso limitado, desempenha importante papel no processo de desenvolvimento econômico e social,
impõe custos crescentes para sua obtenção, tornando-se um bem econômico de expressivo valor,
decorrendo, daí, que a cobrança pelo uso da água é entendida como fundamental para a
racionalização de seu uso e conservação e instrumento da viabilidade da política estadual de
recursos hídricos”.

A cobrança pelo uso da água é, portanto, um mecanismo indispensável à gestão uma vez que, além
de propiciar o uso racional, assegura a sustentabilidade do sistema de gerenciamento.

4.4.2 - Esclarecimentos Fundamentais

A implementação do instrumento da cobrança pelo uso da água, pela sua importância para o sistema
de gestão, bem como para a assimilação por parte dos usuários como uma forma de partilha dos

96
benefícios, pela equidade e pela justiça social em que aquele que usa mais paga mais, torna-se
necessário a apresentação dos seguintes esclarecimentos.

4.4.2.1 - O que Cobrar

Nas regiões semi-áridas com rios intermitentes como é o caso de parte do Estado do Piauí, a
cobrança será exercida como forma de pagamento pelos serviços prestados, para disponibilização da
água bruta. No entanto faz-se necessário a construção de uma infra-estrutura hídrica de múltiplos
usos (barragens, adutoras e canais) que assegurem a oferta de água. Ao construir, operar, monitorar
e manter toda essa infra-estrutura, necessitam-se de recursos financeiros, os quais devem provir da
tarifação do uso da água bruta, legalmente instituída.

Na região do Estado banhada pelo rio Parnaíba que apresenta condições perenes, a cobrança deverá
atender os preceitos da Lei Federal n.º 9.433/97, que compreende o pagamento pelo direito de uso da
água, cuja utilização dos recursos arrecadados atende a repartição de 7,5% para cobrir as despesas do
sistema de gerenciamento e o restante para aplicação prioritária, na bacia onde os recursos foram
arrecadados.

4.4.2.2 - Como Cobrar

Com base nos art. 7º, 14 e 15 do Decreto Estadual nº 14.144, de 22 de março de 2010, a cobrança
pelo uso da água será efetuada pelo Órgão Gestor Estadual de Recursos Hídricos, pela Agência de
Água ou entidade delegatária, mediante a apresentação de faturas emitidas, correspondendo ao
faturamento do período de 30 (trinta) dias, cujo pagamento deverá ocorrer até o 10º (décimo) dia do
mês subseqüente ao que se referir à fatura, gerando um boleto a ser pago na rede bancária, ou
noutros agentes cobradores.

O cálculo do valor a ser pago considerará o volume em metros cúbicos efetivamente consumidos pelo
usuário, cuja medição desse volume será efetivada de acordo com uma das seguintes formas:

I – medição do consumo mediante a utilização de hidrômetro volumétrico aferido e lacrado pelos


fiscais do Órgão Gestor Estadual de Recursos Hídricos (OGERH);

II – medições freqüentes de vazões das aduções de grande porte, onde seja inapropriada a instalação de
hidrômetros convencionais, para obtenção de dados dos volumes efetivamente consumidos pelos
usuários;

III - mediante estimativas indiretas, considerando as dimensões das instalações dos usuários, os
diâmetros das tubulações e/ou canais de adução de água bruta, a carga manométrica da adução, as
características de potência da bomba e energia consumida, tipo de uso e quantidade de produtos
manufaturados, processos ou culturas que utilizam água bruta.

97
4.4.2.3 - De quem cobrar

Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos a outorga, nos termos do art. 10, da Lei
nº 5.165, de 17 de agosto de 2000, ratificado pelo Decreto Estadual nº 14.144, de 22 de março de
2010 em seu art. 8º.

4.4.2.4 - Para que cobrar o uso da água

A cobrança pelo uso dos recursos hídricos compreende um instrumento de gestão que tem a função
de conferir sustentabilidade ao sistema de gerenciamento dos recursos hídricos e, portanto, alcança
os seguintes objetivos, no âmbito da política de recursos hídricos do Estado do Piauí, nos termos do
art. 3º do Decreto Estadual nº 14.144, de 22 de março de 2010:

Fica clara a função da cobrança pelo uso dos recursos hídricos, como instrumento de gestão onde os
valores arrecadados constituem receita do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FERH) e serão
utilizados:

I – no financiamento de estudos, programas, projetos e obras incluídas nos Planos de Recursos


Hídricos;

II – no pagamento de despesas de implantação e custeio administrativo dos órgãos e entidades do


Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos.

4.4.2.5 - Critérios de Cobrança

Para a efetivação da cobrança pelo uso dos recursos hídricos, o Órgão Gestor Estadual de Recursos
Hídricos, destaca alguns critérios gerais de cobrança a ser adotados nos procedimentos da cobrança,
baseados nos aspectos legais ditados pela lei geral da política estadual de recursos hídricos
(Lei nº 5.165, de 17/08/2000) e no Decreto Estadual nº 14.144, de 22 de março de 2010 que
regulamentou a cobrança pelo uso de recursos hídricos do Estado do Piauí, relacionados abaixo:

1 - Serão cobrados os usos de recursos hídricos sujeitos a outorga, isto é, aqueles usos que utilizem
vazões superiores às “vazões de pouca expressão”, estabelecidas nos Planos de Bacias ou pelo
Conselho Estadual de Recursos Hídricos;

2 – O cadastro de usuários de água viabilizará a regularização dos usos através da outorga dos
direitos de uso de recursos hídricos, como condição para a implantação da cobrança;

3 – A cobrança pelo uso da água deverá ser implementada considerando as informações advindas
dos demais instrumentos da Política e os programas e projetos de forma integrada, sobretudo dos
Planos de Recursos Hídricos;

4 – A cobrança será iniciada, a título experimental, junto aos “usuários urbanos prestadores de
serviços públicos de abastecimento de água potável e esgotamento sanitário”.

5 – Os recursos arrecadados serão aplicados prioritariamente na bacia hidrográfica em que forem


gerados.

98
6 - Para a definição do valor a cobrar devem ser avaliados a capacidade de pagamento dos usuários;
os custos do sistema de gestão; as premissas tarifárias e o modelo tarifário.

− A capacidade de pagamento é definida como um indicador a ser considerado na política tarifária,


em que se admite a cobrança diferenciada por setores usuários em consonância com suas
respectivas capacidade de pagamento. A análise desse indicador na forma da Capacidade de
Pagamento Unitária (CPU), em R$/m³, ao considerar conjuntamente a Capacidade de Pagamento
Total (CPT), em R$/ano, e o volume demandado, em m³/ano, equaliza possíveis distorções
atinentes à cobrança referenciando somente o produto (R$) ou o volume (m³) dos usuários. Com
o cálculo da CPU possibilita-se uma proposta tarifária mais justa e de acordo com os propósitos
da gestão eficiente, aplicando, assim, tarifas unitárias a cada setor.
− Os custos do sistema de gestão são embasados nos custos de Operação, Administração e
Manutenção (OAM), excluindo-se, portanto, os custos de investimento. Esse pressuposto sugere
à cobrança pelo custo médio que se incorre na gestão do sistema, implicando que a tarifa média
seja suficiente apenas para suprir os custos médios. Deste modo o montante a arrecadar, pela
prestação ou não dos serviços de oferta hídrica, não se confunde com financiamento do Estado,
via prática arrecadatória.
− As premissas tarifárias consideradas trazem em seu ensejo um conjunto de proposições que vão
ao encontro dos preceitos da cobrança como efetivo instrumento econômico de gestão dos
recursos hídricos. Compreendendo, ainda, que a gestão das águas envolve diversas dimensões,
entre as quais: social, econômica, política e ambiental. O uso racional, sustentável das águas
(bem escasso e de valor econômico e social) constitui-se como a meta fim da política tarifária.
− O modelo tarifário (CPS) proposto e simulado à base de dados disponível é considerado adequado
por se referenciar na capacidade de pagamento dos setores usuários, nos custos de OAM do sistema
de gestão e no montante a arrecadar pelo sistema. A tarifa é aplicada ao setor usuário, e não ao
usuário individual. É considerada isenção tarifária a categorias específicas de usuários, bem como
subsídios cruzados entre usuários, de modo a empregar o princípio de justiça social.

4.4.2.6 - Estudo e Cálculo das Tarifas para os Diversos Usos

Embora o Decreto nº 14.144, de 22 de março de 2010 apresente os valores a serem cobrados pelo
uso dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos do Estado, a realização do estudo de tarifas que
avalie a capacidade de pagamento do usuário de água bruta, levante os custos do sistema de gestão,
e estabeleça uma matriz básica de preços para os múltiplos usos da água, é fundamental pela
participação do usuário pagador. Referido estudo deverá desenvolver modelos alternativos de
cobrança e considerar os sistemas hídricos intermitentes e perenes do Estado.

O cálculo do valor a ser pago por cada usuário, será o produto da tarifa de uso pelo volume
consumido ou utilizado, expressado por uma relação monomial do tipo:

99
T(c) = V(e) * T(u) – sendo: T(c) a tarifa do consumo; V(e) o volume efetivamente consumido ou
utilizado e T(u) a tarifa por uso.

Destaque-se que o Decreto 11.341, de 22 de março de 2004, que regulamenta a outorga e a licença
de obras hídricas, isenta da outorga, em seu Art. 9º, o uso de recursos hídricos para a satisfação das
necessidades de pequenos núcleos populacionais, distribuídos no meio rural; as derivações,
captações e lançamentos considerados de pouca expressão, tanto do ponto de vista de volume
quanto de carga poluente; as acumulações de volumes de água consideradas de pouca expressão; e
que os critérios específicos de vazões ou acumulações de volumes de água considerados de pouca
expressão serão estabelecidos nos planos de recursos hídricos, ou na inexistência destes, pelo
CERH/PI.

O valor da vazão correspondente aos usos que independem de outorga e consequentemente de


cobrança, já foram determinados através da Resolução Nº 004, de 26-04-2005 do Conselho
Estadual de Recursos Hídricos - CERH.

4.4.2.7 - Processos de Negociação Com os Usuários

Em cumprimento ao princípio fundamental da gestão que assegura a participação, a integração e a


descentralização como o tripé que dá sustentação ao processo de gerenciamento dos recursos
hídricos, é importante que a implementação da cobrança que representa um instrumento da política
de recursos hídricos seja amplamente participativa.

O Plano de Implementação da Cobrança Pelo Uso da Água Bruta, apresenta uma estratégia clara e
concisa do envolvimento dos principais atores nas decisões da cobrança, destacando a participação
dos setores de usuários na formulação dos mecanismos de cobrança e na indicação dos valores a
serem cobrados. O produto resultante desta consulta será discutido no âmbito dos Comitês de Bacias
Hidrográficas, e da representação dos usuários, bem como do setor público, para a consolidação de
uma proposta de consenso sobre os mecanismos de cobrança e sugestão de valores a serem
cobrados.

A proposta dos Comitês de Bacias Hidrográficas, embasada no estudo de tarifas e na participação da


sociedade envolvida no processo, será levada ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos pelo
Órgão Gestor para sua aprovação.

− Discussão com os Segmentos de Usuários

Deverão ser realizadas reuniões técnicas com os setores de usuários de água, envolvendo
basicamente, a indústria através da Federação da Indústria do Piauí, a agricultura através da
Federação da Agricultura e Pecuária focando os grupos de irrigação e de aquicultura, especialmente,
e por último o setor de saneamento, compreendendo a AGESPISA, os SAAEs e Prefeituras que
executam seu próprio saneamento. O resultado desses encontros pretende a busca de consensos
para a implementação da cobrança pelo uso da água bruta, mediante o estabelecimento de uma

100
proposta que inclui as sugestões dos valores das tarifas, dos mecanismos de cobrança, e da
alocação dos recursos arrecadados que serão aplicados prioritariamente na bacia onde forem
arrecadados. Esta proposta será objeto de discussão no âmbito dos Comitês de Bacias Hidrográficas.

− Participação dos Comitês de Bacias Hidrográficas (CBH)

Os CBH são colegiados do Sistema Integrado de Gestão dos Recursos Hídricos, com atuação nas
bacias hidrográficas de suas jurisdições que desenvolvem ações consultivas e deliberativas no âmbito
das atividades de co-gestão da Política Estadual de Recursos Hídricos.

Os Estudos de Tarifas realizados confirmam essa participação ao afirmar que “A política tarifária deve
ser decidida de comum acordo com os Comitês de Bacia Hidrográfica (CBH). O processo deve-se dar
através de assembléias amplamente convocadas para este fim específico. Os membros dos CBH
devem dispor de tempo e de assessoria técnica para analisar as alternativas apresentadas, podendo
propor modificações”. (grifo original)

Nestas condições os CBH constituem a instância mais legítima para estabelecer um diálogo
multiparticipativo com os setores usuários e com a sua plenária, mediado pelos órgãos gestores dos
recursos hídricos, para formatar uma proposta de implementação da cobrança que garanta a
sustentabilidade do sistema estadual de recursos hídricos do Piauí, a ser aprovada pelo Conselho.

Caso não existam comitês de bacias em pleno funcionamento que possam referendar uma proposta
de cobrança para o Conselho, o Órgão Gestor (SEMAR), ouvindo os segmentos representativos de
usuários e da sociedade civil, elaborarão a proposta de implementação da cobrança para aprovação
do CERH - Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

4.4.2.8 - Aprovação da cobrança pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos (CERH)

A partir da proposta de implementação da cobrança emanada dos comitês de bacias hidrográficas ou


do Órgão Gestor, o CERH estabelecerá os critérios gerais para cobrança pelo uso dos recursos
hídricos, conforme preceitua a Lei Nº 5.165 de 17 de agosto de 2000.

Embora o Decreto de Nº 14.144 regulamentando a cobrança pelo uso de Recursos Hídricos, no qual
já estão estabelecidos os preços de cobrança pelo uso da água, para a sua legitimação e
materialização é necessário que sejam elaborados os estudos de Tarifa a Cobrar pelo Órgão Gestor
ou de Gerenciamento, ouvindo a sociedade representativa e usuários, e, após, submetê-lo ao CERH
para aprovação, e finalmente a emissão de Resolução ou Instrução Normativa disciplinando o
processo de cobrança.

4.4.2.9 - Comentário Sobre o Decreto nº 14.144

Sobre o Decreto nº 14.144 de 22 de março de 2010, que dispõe sobre a cobrança pelo uso dos
recursos hídricos, a Consultora opina o seguinte:

101
− o Decreto regulamenta a cobrança pelo uso da água bruta, porém não acena com qualquer
negociação junto a AGESPISA e usuários com relativa capacidade de pagamento;

Em nenhum dispositivo do Decreto, o entendimento com os segmentos de usuários são enfatizados.


Não pode uma Lei ser implementada sem qualquer ação proativa junto a sociedade organizada ou
cidadãos empreendedores de obras hídricas e de uso hídrico.

O Decreto reafirma a tese de aplicar os recursos hídricos da cobrança prioritariamente na bacia


hidrográfica onde foram gerados os recursos.

Esta determinação do Art. 10 não é prática e tem sido objeto de grande polêmica. Esta visão
paroquial não explica que a arrecadação das tarifas deverá cobrir os custos de OAM dos sistemas de
produção de água. Claro que a recuperação de uma obra hídrica de grande porte deverá ser
subsidiada pelo governo a fundo perdido e ademais existem bacias que têm muitas despesas e
pouca arrecadação tarifária, o que necessitaria de utilizar o método do subsídio cruzado.

Uma outra observação importante, é que, o Decreto original de Regulamentação da Cobrança. Art.
16, não deve estabelecer tabela de cobrança, sem negociação com a classe usuária, discussão no
Comitê de Bacia, Resolução do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, seguido da análise da
Procuradoria Geral do Estado – PGE e, finalmente a homologação do governador do Estado.

De qualquer modo, sua utilidade maior é jurídica, pois estabeleceu as bases legais para
implementação da cobrança, o mais importante instrumento de gestão da água.

Cabe agora, fortalecer institucionalmente a Secretaria, perseguir a organização das bacias,


estabelecer a partir dessas condições a articulação e o diálogo com os usuários, para implantação da
tarifa de água bruta. A seleção e o ordenamento dos segmentos usuários são importantes para essa
tarefa. A consultora sugeriu a seguinte prioridade: I - Saneamento (água); II – Indústria; III –
Aquicultura; IV – Agropecuária; V - Irrigação.

Apontando para o futuro, quando os corpos hídricos estiveram organizados, principalmente os


açudes, poderão ser adotados pequenas taxas para recreação nas lagoas, a exemplo do que no
passado o DNOCS já cobrou pela pesca.

4.4.2.10 - Procedimentos para a Cobrança

A efetivação da cobrança requer algumas condições, bem como o estabelecimento do fluxo de


processos que o OGERH deve desenvolver para proceder a arrecadação dos valores devidos pelos
usuários de água bruta do Estado do Piauí.

O Setor de Cobrança deverá estar munido de informações sobre os usuários outorgados e, portanto,
sujeitos a cobrança, bem como do aparato jurídico legal que garanta a execução da cobrança;
decreto regulamentando a cobrança e fixando os valores a serem cobrados (já existente), e a
Instrução Normativa ou Regulamento, que discipline o processo de cobrança.

102
4.4.2.11 - Condições para a Cobrança

Para efetivar a cobrança pelo uso de recursos hídricos, o OGERH deverá realizar as seguintes ações
para acercar-se das condições técnicas, jurídicas e operacionais necessárias para a sua
implementação:

− Estruturação do Setor de Cobrança

A SEMAR terá que estruturar o setor de cobrança, seja no âmbito da sua estrutura, caso ela
desempenhe esta função, seja na estrutura de uma futura Entidade Descentralizada de
Gerenciamento de Recursos Hídricos (EDGRH) como foi proposto anteriormente. É fundamental
compreender que para efetivar a cobrança, há necessidade de um órgão institucionalmente forte e
competente para estabelecer uma parceria com o usuário pagador, mediante o desenvolvimento de
ações transparentes quanto ao valor justo da tarifa, a aplicação dos recursos oriundos da cobrança, e
abranja todos os usuários sujeitos a cobrança nos termos da legislação. Embora a tarifa possa ser
implementada por segmento de uso, começando pelo setor de saneamento e da indústria e depois os
demais, obedecendo um cronograma planejado no estudo de tarifas.

− Operacionalização do FERH

Preparar o Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FERH, para recepcionar os recursos da cobrança,
que serão depositados em subcontas por bacia hidrográfica, efetuando-se, no final de cada exercício,
a prestação de contas aos comitês de bacias e ao CERH. Trata-se de um modelo onde o sistema
expressa transparência na implementação da cobrança e ganha credibilidade da sociedade
organizada.

− Fluxo de Processos

A seguir, mostram-se as etapas que compõem um processo de cobrança, de forma simplificada para
demonstrar os vários setores do órgão intervenientes no fluxo, sem considerar os comitês de bacias
hidrográficas ou outros órgãos afins parceiros da gestão dos recursos hídricos (Quadro 4.5).

− Medição

É necessário que o OGERH através de Resolução ou Instrução Normativa providencie a


materialização dos procedimentos de leitura, faturamento e operacionalização técnica da medição,
cujas regras darão as condições para o órgão fazer a quantificação do volume de água
consumido/utilizado por mês, através de medidores (hidrômetro) ou outros meios que permitam a
medição, considerando aspectos técnicos e econômicos.

Naturalmente, o USUÁRIO assegurará ao pessoal da SEMAR e a AGEAPI o livre acesso ao


hidrômetro ou a outro equipamento de medição do consumo de água bruta adotado.

Estes procedimentos estão apresentados no Decreto Nº 14.144, de 22-03-2010.

103
Quadro 4.5 - Fluxo do Processo de Cobrança Passo a Passo
Setor de Cobrança recebe informações do Setor de Outorgas e
1 - Usuário de Água Bruta
monta um banco de dados do usuário pagador.
Técnicos do Setor de Cobranças visitam o usuário pagador
2 - Visita ao Usuário Pagador para prepará-lo para o pagamento (verificar endereço, forma
de medição/instalação de medidor, outros).
Técnico do Setor de Operações faz a medição/leitura do
3 - Medição do Volume Consumido
volume consumido no mês e envia ao setor de processamento.
O setor responsável recebe os dados, processa a informação e
4 - Processamento da Informação
envia para o Setor de Cobranças.
O Setor de Cobrança de posse das informações de consumo
5 - Emissão da Fatura de Pagamento mensal emite a fatura para cobrança e os envia ao Setor
Financeiro.
Setor Financeiro recebe a fatura do Setor de Cobrança emite o
6 - Setor Financeiro Emite Boleto de
Boleto de Cobrança e envia ao usuário via correio com AR
Cobrança
(Aviso de Recebimento).
7 - Usuário Recebe Boleto para Usuário recebe o boleto de cobrança com o valor faturado e o
Pagamento em Banco valor cobrado e efetua o pagamento no Banco Conveniado.
Após o vencimento, o Setor de Cobrança recebe informações
8 - Banco Informa os Créditos dos dos créditos e apura a relação de usuários devedores. O Setor
Pagamentos Efetuados Financeiro recebe as informações e efetua a baixa dos títulos
pagos.
Caso o usuário não efetue o pagamento, após 30 (trinta) dias
9 - Envio de Carta de Cobrança do vencimento o Setor de Cobrança solicita ao Setor
Financeiro, o envio de Carta Cobrança ao usuário devedor.
Após 60 (sessenta) dias do vencimento, o usuário não tendo
10 - Envio de Carta de Corte efetuado o pagamento, o Setor de Cobrança solicita ao Setor
Financeiro o envio de Carta de Corte.
Após 5 (cinco) dias do recebimento da Carta de Corte, caso o
11 - Corte no Fornecimento de Água usuário continue inadimplente, o Setor de Cobrança solicita do
Setor de Operações o corte no fornecimento de água.
Efetuado o corte, o Setor de Cobrança envia o título ao
Cartório para protesto. O restabelecimento do fornecimento da
12 - Envio do Título para Protesto em
água somente ocorrerá após resolução da pendência, que
Cartório
compreende o próprio pagamento ou negociação de
parcelamento da dívida.
Caso o usuário não efetue o pagamento, ou não negocie a
13 - Cobrança Judicial dívida em cartório, o Setor de Cobrança e a Assessoria
Jurídica procederão à Cobrança Judicial.

104
4.5 - PROPOSTA DE CRITÉRIOS DE COMPENSAÇÃO À MUNICÍPIOS
4.5.1 - Aspectos Legais

A Lei Federal 9.433, de 8 de janeiro de 1997 que criou a Política Nacional de Recursos Hídricos, não
contempla a compensação a municípios por ter áreas inundadas com a construção de reservatórios.
Entretanto na Constituição Federal, o artigo 20 define como bens da União, entre outros, os
potenciais de energia hidráulica. Seu parágrafo primeiro assegura participação dos Estados, Distrito
Federal, Municípios e Órgãos da administração direta da União, no resultado da exploração de
recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica, ou a compensação financeira por esta
exploração.

O valor da Compensação Financeira corresponde a 6,75% da energia de origem hidráulica


efetivamente verificada, medida em MWh, multiplicado pela Tarifa Atualizada de Referência (TAR),
fixada pela ANEEL.

Na distribuição dos recursos da Compensação Financeira, dos 6,75%, 0,75% são destinados ao
Ministério do Meio Ambiente para aplicação na implementação da Política Nacional de Recursos
Hídricos e do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, constituindo-se tal parcela
em pagamento pelo uso de recurso hídrico para fins de geração de energia elétrica. Os 6% restantes
são destinados da seguinte forma: 45% dos recursos aos municípios atingidos pelas barragens,
proporcionalmente às áreas alagadas de cada município abrangido pelos reservatórios e instalações
das UHEs; aos estados onde se localizam os reservatórios outros 45%, correspondentes à soma das
áreas alagadas dos seus respectivos municípios; ficando a União com os 10% restantes.

A Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000 que criou a Política Estadual de Recursos Hídricos,
assegura no Art. 21 – “A compensação financeira, com recursos arrecadados na bacia, a Municípios
com áreas afetadas pela implantação de obras hídricas ou seus impactos será disciplinada, pelo
Poder Executivo, mediante decreto, a partir de estudos aprovados pelo Conselho Estadual de
Recursos Hídricos”.

Os recursos oriundos da cobrança pelo uso dos recursos hídricos integrarão as fontes financeiras do
Fundo Estadual de Recursos Hídricos, cujas aplicações de acordo com o art. 29, inciso II da mesma
lei, serão também para: “compensação aos Municípios com áreas afetadas pela implantação de obras
hídricas ou seus impactos, construídas pelo Estado”.

O Decreto nº 14.144, de 22 de março de 2010 que regulamentou a cobrança pelo uso de recursos
hídricos no Estado do Piauí não é explícito quanto a destinação de recursos arrecadadas na bacia
para pagamento de compensação a municípios com áreas afetadas por obras hídricas.

4.5.2 - A Construção de Reservatórios de Múltiplos Usos

No Nordeste existem dois tipos de reservatórios que se diferenciam pelos seus grandes objetivos. Os
macro-reservatórios com objetivos de geração de hidroeletricidade que são administrados pela

105
Constituição Federal, conforme citado acima, no que diz respeito à compensação financeira com
pagamentos dos chamados “Royalties de Energia”. Outros que podem ter grandes dimensões, mas
são destinados a múltiplos usos (exceto geração de energia) que não são objeto de compensação
financeira, no âmbito da legislação federal de recursos hídricos.

A construção desses reservatórios de múltiplos usos é feita pala União, pelo Estado ou em parceria
de ambos, cujo sistema mais atual envolve: a desapropriação de todas as terras e benfeitorias da
área da bacia hidráulica acrescida de cem metros acima da cota do sangradouro a título de Área de
Preservação Permanente (APP); estrada de contorno margeando o lago e dando acesso à água para
as populações situadas a sua volta e os proprietários remanescentes das desapropriações;
reassentamento das populações afetadas pelo lago da barragem, em agrovilas com toda a
infraestrutura e serviços, bem como um lote agrícola para cada família, de forma que ela tenha
melhores condições de vida do que tinha antes da intervenção pública na área.

Por outro lado, conforme o Art. 21 da Lei Geral da Política Estadual de Recursos Hídricos, a
compensação a municípios depende de estudos que identifiquem os tipos de danos a ser
compensados, a forma de cálculo dos valores das compensações e as fontes de recurso. Embora
esteja assegurado que a compensação será feita com recursos da tarifa, arrecadados na bacia, o
estudo de tarifas a ser ainda desenvolvido terá que considerar esses custos na matriz de custos de
gerenciamento.

Como a cobrança usualmente leva em conta somente a capacidade de pagamento do usuário e tem
sido dimensionada para cobrir somente os custos de administração, operação e manutenção da infra-
estrutura hídrica, não se pode dizer, a priori, que os custos de compensação a municípios serão
suportados pela tarifa.

A construção de um reservatório estratégico gera desenvolvimento no município, a partir dos


seguintes aproveitamentos: 1) perenização de rios; 2) abastecimento das populações através de
aduções; 3) das captações e transferências hídricas para projetos de irrigação; 4) do desenvolvimento
da aqüicultura em tanques escavados ou em tanques-rede; 5) da pesca; 6) do uso de vazantes; 7) do
desenvolvimento do turismo; 8) do lazer; 9) do esporte náutico, entre outros. Esse conjunto de
benefícios justificaria plenamente a importância desse tipo de empreendimento em uma região,
especialmente, do semi-árido, não cabendo compensação financeira ao município pela área por
ventura alagada.

4.5.3 - As Compensações aos Municípios

Considerando os benefícios e oportunidades geradas pelo reservatório, enumeramos outras ações


que podem ser demandadas pelos municípios como compensações ambientais, tais como: 1)
revitalização das áreas de empréstimos de materiais para a construção da obra; 2) desmatamento de
toda a bacia hidráulica e remoção dos materiais para evitar danos à qualidade da água; 3)
recuperação da faixa de APP; sistemas de coleta e tratamento de esgotos de todos os aglomerados

106
urbanos a montante do reservatório; 4) coleta e tratamento dos resíduos sólidos dos mesmos
aglomerados urbanos de montante; 5) abastecimento dessas comunidades através de sistemas
adutores com tratamento da água; 6) capacitação da comunidade para uso e preservação dos
recursos ambientais, entre outros.

4.5.4 - Regulamentação da Compensação a Municípios

A consultora entende que deve haver uma discussão envolvendo os municípios do Estado através da
entidade que os congrega e a SEMAR que é o Órgão Gestor de Recursos Hídricos e de Meio
Ambiente, a Procuradoria Geral do Estado e a Fazenda Estadual, para estabelecerem as bases
legais e operacionais da compensação aos municípios de forma abrangente, atendendo às famílias
impactadas com a construção do reservatório e o município, propriamente, na base do que foi
abordado nesta proposta.

Todavia, é importante assinalar que; embora exista esse instrumento de gestão na Lei Nacional de
Recursos Hídricos, não se conhece nenhum Estado que a tenha implementado.

4.6 - IMPLEMENTAÇÃO DO SISTEMA ESTADUAL DE INFORMAÇÕES SOBRE OS


RECURSOS HÍDRICOS DO PIAUÍ
4.6.1 - Proposta para Implementação do Sistema Estadual de Informações de Recursos
Hidrícos

Dentre os instrumentos da Política Estadual de Recursos Hídricos, o art. 22 da referida lei estabelece
que “o Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos é um sistema de coleta,
tratamento, armazenamento, recuperação e divulgação de informações sobre recursos hídricos e
fatores intervenientes em sua gestão e que devem ser compatibilizados com o Sistema Nacional de
Informações”.

O Decreto Estadual Nº 14.142 publicado em 22 de março de 2010, dispõe sobre o Sistema


Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos.

O Decreto discorre sobre a viabilização de recursos para a sua implementação, os princípios básicos
para seu funcionamento, objetivos, responsabilidade do órgão gestor e instituição de uma comissão
permanente de implementação.

Um Sistema de Informações é um instrumento de grande importância para a gestão das águas no


Estado, uma vez que oferece subsídios e gera informações fundamentais para o processo de
decisão, no que se refere ao planejamento e execução de obras, operação de sistemas de
reservatórios, administração de conflitos de uso da água, monitoramento do uso, e outras ações.

O Sistema de Informações sobre Recursos Hídricos deverá ser estruturado de forma a receber e
processar todas as informações sobre os reservatórios, poços, redes hidrométricas, qualidade das
águas superficiais e subterrâneas, demandas por água, características fisiográficas das bacias
hidrográficas e dos municípios, tipos de solos, imagens de satélite e outras informações relevantes.

107
O sistema deverá ser desenvolvido para funcionamento na Internet, estando direcionado para
obtenção, gerenciamento e manutenção de informações das bacias hidrográficas do Estado e dos
seus dados correlacionados. Pelo amplo caráter de suas finalidades, este produto deverá dispor de
informações por meio de mecanismos de buscas textuais e mapas "on line" acessíveis a qualquer
usuário conectado à Internet.

Os objetos geográficos a serem manipulados no sistema poderão ser programados para utilização
conforme o seguinte esquema:

− Objetos, como por exemplo bacias hidrográficas, poderão ter seus dados descritivos e as
informações disponibilizadas por meio de mecanismos de busca seletiva, desenvolvidos em
função da estrutura de banco de dados das informações desenvolvidas.
− Objetos como barragens, postos hidrométricos, poços etc. poderão ser acessados por meio de
visualização gráfica georreferenciada, de acordo com o posicionamento na bacia hidrográfica, e a
consulta por dados descritivos ou técnicos.

4.6.1.1 - Etapas para Implantação do Sistema Estadual de Informações sobre os Recursos Hídricos

− ETAPA 1 – Realização de diagnósticos

Realização de diagnóstico a partir dos objetivos propostos, bem como das informações e dados que
constituirão o sistema de informações em recursos hídricos.

O diagnóstico deverá ser planejado considerando os objetivos e realizado em todas as Instituições


que participarão do sistema.

Em cada instituição/órgão serão levantados seus objetivos, suas competências e atribuições, áreas
de atuação, como se encontra organizada em termos de estrutura, pessoal, setor de informática,
sistemas computacionais, banco de dados e informações e como se relaciona com outras instituições
em termos de compartilhamento de informações, especialmente, com o meio ambiente e recursos
hídricos.

− ETAPA 2 - Concepção e estruturação do sistema

Concepção e estruturação do sistema levando em conta as várias instituições e as informações


consideradas.

Para a montagem do sistema de informações, aspectos importantes serão considerados, entre os


quais se apresentam: as interligações do sistema; o ambiente institucional de relacionamento do
sistema; a organização a administração e a tecnologia a ser utilizada e os diferentes tipos de
sistemas de informações e os níveis de atuação.

− ETAPA 3 - Criação do aparato jurídico-institucional

Criação do aparato jurídico-institucional para garantir a operacionalização do sistema de informações


nos aspectos legal e gerencial.

108
O Sistema de Informações já está criado através de Decreto Estadual.

− ETAPA 4 - Instalação do sistema de informações

Instalação do sistema de informações incorporando os sistemas computacionais existentes e o


desenvolvimento de novos módulos.

O sistema de informações deverá ser desenvolvido compatibilizando os sistemas computacionais


existentes e a inclusão de novos, se for necessário. Nesta oportunidade, conhecidos os sistemas
existentes em cada instituição a partir do diagnóstico e concebida a arquitetura do sistema, pode-se
avaliar quais as formas e processos de integração e formação de redes entre as Instituições
participantes do Sistema, o que facilitará a sua instalação.

− ETAPA 5 - Disseminação da informação através do Sistema de Informações

Identificados os sistemas de informações em cada Instituição participante do Sistema, avaliam-se os


dados e informações existentes que poderão ser disponibilizados aos tomadores de decisão e ao
público em geral. Esta deverá ser precedida de um planejamento detalhado de como realizar essa
disseminação, definidos quais os meios e canais de divulgação, periodicidade, entre outras
atividades.

− ETAPA 6 - Operacionalização do Sistema de Informações

A operacionalização dos sistemas de informações nas instituições participantes requer duas ações
básicas: a primeira diz respeito à operação e manutenção do sistema de informação em si, para a
qual, se necessário for, a apresentação do uso do sistema e suas funções para as instituições
usuárias do Sistema Integrado de Informações.

A outra ação básica está relacionada a capacitação dos técnicos de cada instituição parceira que irão
alimentar os sistemas de informações, especialmente, os técnicos da instituição administradora do
Sistema de Informações de Recursos Hídricos.

− ETAPA 7 - Criação de uma estrutura institucional para administrar o Sistema Integrado de


Informações

A SEMAR é a instituição responsável pela administração do Sistema Integrado de Informações, para


tanto deverá estruturar uma unidade gestora do sistema para prover o SIGERH das informações de
recursos hídricos em tempo real, permitindo o acesso aos relatórios analíticos nos vários níveis de
decisão e disponibilizar os dados e informações para a sociedade.

4.6.1.2 - Concepção do Projeto do Sistema a Implantar

− Módulo de Informações

Um Sistema de Informações sobre os Recursos Hídricos deverá normalmente ser projetado de forma
a permitir o armazenamento, o tratamento e a disseminação dos seguintes módulos de informações:

109
ƒ Módulo 1: Dados Hidrológicos

− Pluviométricos;

− Fluviométricos;

− Hidrometeorológicos;

− Cadastro e registro da operação de obras hidráulicas.


ƒ Módulo 2: Dados Hidrogeológicos

− Cadastro de poços tubulares (características);


− Mapeamento de aqüíferos;
− Características geométricas dos aqüíferos;
− Formações geológicas (características).
ƒ Módulo 3: Qualidade da Água

− Monitoramento da qualidade da água;


− Cargas poluidoras urbanas;
− Cargas poluidoras industriais;
− Agrotóxicos e fertilizantes;
− Classificação das águas.
ƒ Módulo 4: Demandas de Água

− Abastecimento urbano;
− Abastecimento industrial;
− Irrigação;
− Geração hidrelétrica;
− Lazer, dentre outras.
ƒ Módulo 5: Controle de Recursos Hídricos

− Regularização de vazões;
− Recarga de aqüíferos subterrâneos;
− Controle de eventos extremos: cheias/secas;
− Prejuízos dos eventos extremos;
− Monitoramento das áreas degradadas;
− Controle de poluição;
− Controle de erosão;
− Controle de assoreamento.
ƒ Módulo 6: Cadastro de Usuários de Recursos Hídricos

− Usinas hidrelétricas;

110
− Captações para abastecimento urbano e rural;
− Captações industriais;
− Captações para irrigação;
− Captações para outros usos.
ƒ Módulo 7: Cadastros Gerais

− Municípios;

− Bacias hidrográficas;

− Rede hidrográfica;

− Cursos de água quanto ao domínio;

− Cursos de água quanto à classe de uso preponderante;

− Vias navegáveis;

− Sistema geográfico de base.


ƒ Módulo 8: Dados Sócio-econômicos

− População;

− Atividades econômicas: agricultura, indústria, comércio e serviços;

− Educação e saúde.

4.6.1.3 - Proposta de apresentação do sistema de informação do PERH

Os dados, a cartografia e os estudos apresentados nos módulos de informação podem ser


disponibilizados no formato de sítio na rede internacional de computadores através do domínio
semar.pi.gov.br. Neste caso, o sítio da SEMAR teria um ícone onde daria acesso ao sítio do sistema
de informação do PERH. A estrutura aqui apresentada se trata de uma proposta ainda em elaboração
que pretende suprir, de forma adequada, os interesses da SEMAR.

A página de entrada apresentada na Figura 4.5 oferece uma ligação para os diversos produtos do
PERH como: Relatórios, Gráficos, Mapas, Quadros, Base de dados e Links. Ao iniciar o tópico
Relatórios da Figura 4.5, é apresentada a divisão dos relatórios técnicos que compõem o PERH e a
descrição de cada um deles como apresentado na Figura 4.6. O título dos relatórios é uma interface
para o download do referido documento do formato “pdf”. O item Gráficos da Figura 4.5 apresenta os
seguintes temas na Figura 4.7:

− Hidroclimatologia
ƒ Pressão Atmosférica Mensal
ƒ Temperatura Média Mensal
ƒ Temperatura Mínima Mensal
ƒ Temperatura Máxima Mensal
ƒ Umidade Relativa do Ar Mensal

111
ƒ Nebulosidade Mensal
ƒ Insolação Mensal
ƒ Velocidade do Vento Mensal
ƒ Precipitação Pluviométrica Mensal
ƒ Evaporação Mensal
ƒ Evapotranspiração potencial - Thornthwaite
ƒ Balanço Hídrico – Thornthwaite
− Educação
ƒ População residente por localização e sexo, e a densidade demográfica
ƒ População residente por faixa etária
ƒ Domicílios Particulares por classe de rendimento domiciliar e outras características
ƒ Grau de alfabetização por região
ƒ Nível de alfabetização por idade
ƒ Número de matriculas por localização e tipo de ensino
ƒ Evolução do ensino superior
− Saúde e saneamento básico
ƒ Estabelecimentos de saúde, leitos e internamento
ƒ Dados relativos à natalidade e mortalidade
ƒ Evolução do número de economias ativas e totais de ligação
ƒ Evolução dos volumes de água produzidos, consumidos e faturados
ƒ Dimensão da rede de abastecimento de água
ƒ Municípios com rede coletora de esgoto
− Economia
ƒ Condições de atividade na semana de referência por localização e faixa etária
ƒ Tipo de atividade na semana de referência por faixa etária e sexo
ƒ Produção agrícola por mesorregião
ƒ Produção animal por mesorregião
ƒ Animais abatidos por espécie
ƒ Número de unidades por setor de atividade econômica
ƒ Produto Interno Bruto (PIB) estadual por setor de atividade econômica
ƒ Resumo de exportações e importações

Ao acessar o ícone Estação Alvorada do Gurguéia - PI em Balanço Hídrico – Thornthwaite no


tema Hidroclimatologia da Figura 4.7 é apresentado o Gráfico do Balanço Hídrico Climatológico
como mostrado na Figura 4.8.

112
O item Mapa da Figura 4.5 apresenta os seguintes temas:

ƒ Divisão Administrativa
ƒ Regiões Geo-econômicas
ƒ Regiões Ambientais
ƒ Regiões Hidrográficas
ƒ Rede de Monitoramento Hidroclimatológica
ƒ Estações Meteorológicas com Normais Climatológicas
ƒ Classificação Climática de Köppen
ƒ Domínios Geológicos
ƒ Hipsometria
ƒ Solos
ƒ Uso e Ocupação do Solo
ƒ Vegetação

O ícone Bacias Hidrográficas leva ao mapa referente a esse tema, conforme apresentado na
Figura 4.5. Este mapa também está disponível para download no formato pdf na mesma página.

O item Quadros da Figura 4.5 observa a mesma divisão do item Gráficos. Neste são apresentados
os dados na forma tabular para cada um dos assuntos como mostra a Figura 4.10.

O item Base de Dados apresenta os dados a nível municipal da demografia, socioeconomia,


cadastro de usuários, demandas, etc.

113
Figura 4.5 – Página inicial do sítio do Sistema de Informações do PERH

114
Figura 4.6 – Página referente ao item Relatórios do sítio do PERH

115
Figura 4.7 – Página referente ao item Gráficos do sítio do PERH

116
Figura 4.8 – Página do Gráfico de Balanço Hídrico Climatológico – Thornthwaite
para Estação Alvorada do Gurgéia – PI do sítio do PERH

117
Figura 4.9 – Página do Mapa das Bacias Hidrográficas do Sítio do PERH

118
Figura 4.10 – Página do Quadro de Balanço Hídrico Climatológico – Thornthwaite para Estação
Água Branca – PI do Sítio do PERH

119
4.7 - FUNDO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS
4.7.1 - Introdução

O Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FERH, foi regulamentado pelo Decreto nº 12.212 de 17 de
maio de 2006, cuja importância para a gestão dos recursos hídricos está expressa no Art. 1º - “O
Fundo Estadual de Recursos Hídricos – FERH, criado pela Lei n.º 5.165, de 17 de agosto de 2000,
terá natureza contábil e caráter rotativo, sendo instrumento de suporte da Política Estadual de
Recursos Hídricos, tendo como objetivo assegurar os meios necessários às ações programadas no
Plano Estadual de Recursos Hídricos e nos Planos de Recursos Hídricos de Bacias Hidrográficas e
das ações do Sistema Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos do Estado do Piauí –
SEGRH/PI” sendo vinculado à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos - SEMAR/PI que é o
órgão gestor financeiro, administrativo e patrimonial do FERH, podendo contar com o apoio de
instituição financeira, na condição de agente financeiro.

O FERH reger-se-á pelas normas estabelecidas na Lei Federal nª° 4.320, de 17 de março de 1964,
pela Lei Estadual n° 5.165, de 17 de agosto de 2000 e por sua legislação específica.

O Decreto determina as origens dos recursos do FERH, suas diretrizes e aplicações.

4.7.2 - Recursos

A constituição dos recursos do FERH, bem como suas diretrizes estão apresentadas no Decreto
Nº 12.212 de 17 de Maio de 2006

O Conselho Estadual de Recursos Hídricos - CERH/PI apreciará a aplicação dos recursos financeiros
do FERH, cuja supervisão ficará a cargo da Secretaria Estadual da Fazenda e fiscalização a cargo da
Controladoria Geral do Estado, na forma da legislação aplicável.

4.7.3 - Diretrizes

A aplicação dos recursos financeiros do FERH, deverá seguir as diretrizes da Política Estadual de
Recursos Hídricos, com vistas a atender aos objetivos e metas contidos no Plano Estadual de
Recursos Hídricos e nos Planos de Recursos Hídricos de Bacias Hidrográficas. Enquanto não estiver
aprovado e implementado o Plano Estadual de Recursos Hídricos, instalado os Comitê de Bacia
Hidrográfica e Agência de Água, as aplicações desses recursos financeiros serão definidas pela
SEMAR/PI, observando os critérios de aplicação aprovados pelo CERH. As aplicações do FERH
serão feitas por modalidade de empréstimo, objetivando garantir eficiência e eficácia na utilização de
recursos financeiros públicos e a expansão do número de beneficiários. A aplicação dos recursos do
FERH, em situações especiais, sem retomo parcial ou total dos valores empregados, dependerá de
aprovação do CERH, conforme o que está disposto no parágrafo 2° do art. 28 da Lei nª° 5.165, de 17
de agosto de 2000. Os empréstimos concedidos através do FERH terão prazos e carências
diferenciados em função das peculiaridades de cada tipo de investimento.

120
O CERH deverá estabelecer a remuneração da SEMAR/PI pela administração do FERH, na forma de
percentual do montante dos recursos que entram na sua conta sendo vedada a utilização de tais
recursos para o pagamento de quaisquer espécies de remuneração a servidores da SEMAR.

4.7.4 - Aplicações

Os recursos do FERH, uma vez objeto de planejamento e após incluídos em orçamento, só poderão
ser utilizadas nas seguintes aplicações: financiamento às instituições públicas e privadas, para a
realização de serviços e obras relacionados aos recursos hídricos, devidamente incluídos nos planos
de recursos hídricos; compensação aos Municípios com áreas afetadas pela implantação de obras
hídricas ou seus impactos, construídas pelo Estado; realização de programas conjuntos entre o
Estado e os municípios, relativos ao aproveitamento múltiplo, controle, conservação e proteção dos
recursos hídricos e defesa contra eventos críticos que ofereçam perigo à saúde pública e prejuízos
econômicos e sociais; programas de estudos e pesquisas, desenvolvimento tecnológico e
capacitação de recursos humanos de interesse do gerenciamento dos recursos hídricos; manutenção
permanente de campanha de divulgação para a conscientização do uso racional dos recursos
hídricos.

Em seu Art. 6ª -° o Decreto define: Na concessão de financiamento com recursos do FERH, deverão
ser observadas as seguintes exigências e condições: as possibilidades de efetivo retorno econômico
e financeiro do projeto financiado; contrapartida mínima de 10% (dez por cento) do valor dos
investimentos financiados, a cargo do beneficiário do crédito, comprovada a disponibilidade de
recursos; prazo de carência não excedente ao de execução do projeto e limitado ao máximo de três
anos; taxa de juros não excedente a 12% (doze por cento) ao ano, nela excluída a remuneração do
agente financeiro; reajuste monetário pela variação do IGP - M, apurado e divulgado pela Fundação
Getúlio Vargas, ou, na sua falta, por outro índice fixado em Decreto do Poder Executivo; a
constituição, em favor do Fundo, de garantias que assegurem, ajuízo do agente financeiro, certeza de
retomo dos empréstimos concedidos.

A análise do regulamento do Fundo frente a outros diplomas legais vigentes no Estado revela
algumas incompatibilidades quanto a sua operação conforme relatado no Relatório Técnico (RT1),
que fazem com que o fundo não esteja operando em sua plenitude. No Item 2.4.1 do
RT-1 foram tecidos comentários sobre a problemática de implantação operacional do FERH dentro do
arcabouço legal vigente no Estado do Piauí.

− 1ª Dificuldade

A limitação de 7,5% da aplicação dos recursos oriundos da cobrança pelo uso dos recursos hídricos
com o custeio administrativo do Sistema Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos pode
dificultar de sobremaneira a implementação dos instrumentos de gestão previstos na Lei,
principalmente o concernente à própria cobrança, tendo em vista que há princípios que devem ser

121
respeitados em qualquer modelo de cálculo de tarifa para que seja implementado com êxito, a efetiva
cobrança pelo uso dos recursos hídricos:

a) A cobrança deve respeitar a Capacidade de Pagamento dos Usuários;


b) A cobrança somente se viabilizará politicamente se também respeitar o princípio de Disposição a
Pagar pelo mesmo usuário, pois os valores terão de ser discutidos no âmbito dos Comitês de
Bacias hidrográficas e aprovados pelo Conselho Estadual de Recursos Hídricos–CERH;
c) Os valores propostos para cobrança devem ser minimizados para atendimento aos dois primeiros
princípios.

No caso do Ceará, definiu-se que os valores arrecadados com a cobrança deveriam ser suficientes
para prover 100% do custeio administrativo e operacional do órgão de gerenciamento dos recursos
hídricos (COGERH).

O modelo matemático CPS – Capacidade de Pagamento com Subsídio cruzado foi aprovado pelos
Comitês de Bacias do Estado do Ceará, implantados até 2002 (7 Comitês dentre as 11 bacias
hidrográficas do Estado) e foi adotado para definir a matriz tarifária aplicável em todo o Estado.

Por esse modelo, o valor da tarifa não poderia superar 4% da Capacidade de Pagamento individual
de cada setor usuário. Essa fórmula viabilizou politicamente a implantação da cobrança pelo uso da
água bruta nos diversos segmentos de usuários no Estado do Ceará e permitiu a introdução de uma
Matriz Tarifária de forma justa e equilibrada com subsídios cruzados intra e inter-setoriais.

É importante salientar que, do ponto de vista jurídico, a percentagem limite citada no Artigo 20, inciso
II, §1º da Lei Estadual nº 5.165/2000 correspondente ao Artigo 22, inciso II, § 1º da Lei Federal nº
9.433/1997 não necessita ser exatamente igual. O Estado do Piauí pode legislar complementarmente
à União no que concerne aos bens de domínio do Estado, no caso, os recursos hídricos superficiais e
subterrâneos que não sejam de domínio da União.

ƒ A Sugestão Aplicável:

Com base no exposto anteriormente e assumindo uma visão de futuro sugere-se uma alteração do
Artigo 20, inciso II, §1º da Lei Estadual nº 5.165/2000 da seguinte forma:

a) Suprimindo o parágrafo; ou
b) Alterando a percentagem com base em um estudo futuro sobre receitas e custos do SEGRH e
definição de modelo tarifário, para adequar melhor o rateio de aplicação das receitas advindas da
cobrança pelo uso dos recursos hídricos para suprir o custeio administrativo e operacional do
órgão de gerenciamento destes mesmos recursos.
− 2ª Dificuldade

ƒ A Questão Legal:

Na regulamentação do Fundo Estadual de Recursos Hídricos - FERH, definida pelo


Decreto nº 12.212 de 17 de maio de 2006, merecem destaques os seguintes artigos:

122
§ 3º - A SEMAR/PI é o órgão gestor financeiro, administrativo e patrimonial do FERH, podendo contar
com o apoio de instituição financeira, na condição de agente financeiro;

§ 4º - O Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH/PI apreciará a aplicação dos recursos


financeiros do FERH, cuja supervisão ficará a cargo da Secretaria da Fazenda e fiscalização a cargo
da Controladoria Geral do Estado, na forma da legislação aplicável.

Art 4º - Os recursos financeiros do FERH deverão ser depositados e movimentados em uma


instituição financeira integrante do Sistema Financeiro Nacional, contratada pela SEMAR/PI.

§ 2º - A conta específica referida no caput deste artigo só poderá ser movimentada pelo titular do
órgão gestor do FERH.

Por outro lado, o Governo do Estado do Piauí sancionou a Lei Ordinária nº 5.423 de 20 de dezembro
de 2004 implantando no Estado do Piauí o Sistema Integrado de Administração Financeira para
Estados e Municípios – SIAFEM/PI em substituição ao Sistema Integrado de Contabilidade, com os
seguintes artigos principais:

Art 1º - A partir de 03 de janeiro de 2005, fica implantado na Administração Direta, nos Poderes
Legislativo e Judiciário, no Ministério Público, no Tribunal de Contas do Estado, nas Autarquias, nas
Fundações, nas Empresas Públicas e nas Sociedades de Economia Mista do Estado do Piauí o
Sistema Integrado de Administração Financeira para o Estado e Municípios – SIAFEM/PI, em
substituição ao Sistema Integrado de Contabilidade.

Art 3º - Fica instituído o Plano de Contas Único do SIAFEM/PI, de utilização obrigatória pela
Administração Direta...

Art 4º - A Gestão do Sistema que trata esta lei é encargo da Secretaria da Fazenda, cabendo a
PRODEPI a responsabilidade do processamento dos dados a ele relativos.

(i) A partir da Lei nº 5.423 de 20/12/2004 foi instituído o Plano de Contas Único da Administração
Direta e Indireta, ou seja, todos os recursos financeiros de qualquer origem, são depositados em
conta única, à época no Banco do Estado do Piauí – hoje federalizado, na Conta Única do Tesouro,
de onde saem os numerários para pagamento de todas as despesas.

Em outras palavras, a partir da Lei do SIAFEM todos os recursos financeiros de qualquer origem são
vinculados à conta única do tesouro. Assim, os recursos oriundos da compensação financeira que o
Estado receber com relação aos aproveitamentos hidro-energéticos em seu território, nos termos
do art 2 da Lei Federal nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989, são creditados não na Conta do
FERH, mas na conta única do tesouro.

ƒ Sugestão Aplicável

Sugere-se uma revisão do Artigo 27 inciso IV da Lei Estadual nº 5.165/2000 e sua


regulamentação no artigo 3, inciso IV do Decreto nº 12.212 de 17/05/2006 recomendando-se:

123
a) a sua supressão; ou;

b) manutenção do inciso, modificando a redação para:

“IV – compensação financeira que o Estado receber com relação ao aproveitamento da água
subterrânea como recurso mineral, com aplicação prioritária em levantamentos, estudos,
programas e projetos de interesse do gerenciamento dos recursos hídricos subterrâneos e das zonas
superficiais de recarga dos aqüíferos;”

(iii) O Artigo 4º, inciso II do Decreto nº 12.212 de 17/05/2006 que regulamenta a aplicação dos
recursos do FERH estabelece que:

“II – até 50% (cinqüenta por cento) da arrecadação a que se refere o inciso anterior poderá ser
aplicado em outra bacia ou região hidrográfica que não aquela em que os recursos tenham sido
arrecadados;”

A experiência da gestão em estados que implementaram a cobrança pelo uso dos recursos hídricos,
como é o exemplo do Ceará, demonstra que a maioria das bacias hidrográficas é deficitária com
relação à arrecadação para suprir a gestão de seus próprios recursos hídricos.

O instrumento do subsídio cruzado entre bacias hidrográficas com elevado potencial arrecadador e bacias
deficitárias em arrecadação é um mecanismo obrigatório a ser empregado pelo Estado se desejar uma
uniformização no modelo de gerenciamento dos recursos hídricos. O exemplo do Ceará é clássico:
somente a bacia metropolitana é superavitária e subsidia a gestão em todas as demais bacias do Estado
para que o sistema de gestão seja único e não haja assimetrias de atuação do órgão gestor.

No caso do Estado do Piauí, admite-se a priori que as arrecadações serão diferenciadas entre as
bacias hidrográficas nas quais se situam os maiores centros urbanos e de desenvolvimento
econômico industrial e agrícola e as bacias do semi-árido piauiense.

Para que não haja assimetrias e seja possível ao órgão gestor realizar uma gestão eficaz em todas as
bacias hidrográficas, deverão ser removidos da legislação os dispositivos que impedem o subsídio
inter-bacias sem amarrações artificiais não embasadas em estudos econômicos completos sobre
modelo tarifário e avaliação do potencial arrecadador de cada bacia hidrográfica, sugere-se:

a) supressão do inciso II do Artigo 4º do Decreto nº 12.212 de 17/05/2006; ou


b) modificação do percentual de 50% para outro valor maior a ser determinado com base em estudos
econômicos completos sobre potenciais de arrecadação e despesas de gestão por bacia
hidrográfica do Estado do Piauí.

O processo de gestão do FERH, só atingirá um nível satisfatório de funcionamento, quando a


implementação da política de recursos hídricos estiver consolidada. Embora ele disponha de várias
fontes de recursos financeiros, os seus objetivos são voltados para as ações de recursos hídricos.

124
5 - PROGRAMAS ESTRUTURAIS

125
5 - ABORDAGEM DE QUESTÕES RELEVANTES DE CARÁTER
INSTITUCIONAL E ESTRUTURAL

5.1 - INSERÇÃO MACROREGIONAL DO ESTADO DO PIAUÍ NO PLANO DOS


RECURSOS HÍDRICOS
A DIRETRIZ geral que estabelece os conceitos para articulação com a União relacionada com a
Inserção Macrorregional do Estado do Piauí, pertinente aos recursos hídricos envolvendo outros
estados, está contida no Art. 4º da Lei 9433 de 7 de janeiro de 1997, que diz: “A União articular-se-á
com os Estados tendo em vista o gerenciamento dos Recursos Hídricos de interesse comum”.

Esta tese tem como OBJETIVO buscar o princípio da subsidariedade já incorporado universalmente a
administração das águas, que advoga “o que pode ser resolvido em uma escala hierárquica inferior
não deve subir a uma escala superior”. Conceito este compatível com o Fundamento V e também
com a Diretriz III da Lei Nacional de Águas.

Neste caso uma das METAS a ser alcançada, seria a delegação de competência ensejada pela ANA
para os estados que atingirem elevado nível de gestão de suas águas no plano jurídico, institucional e
técnico operacional. Não é o caso do Piauí, que ainda não consolidou os organismos de
gerenciamento pleno a exemplo:

1 – Órgão operacional – AGEAPI

2 – Organismo de Gerenciamento Local – Gerências de Bacias


3 – Organismo de Participação de Usuários – CBH’S

No caso das relações com os estados vizinhos e com as bacias compartilhadas, mais
especificamente o Maranhão, esta questão será permanente em toda a fronteira oeste em face da
situação de fronteira do rio Parnaíba.

Só para mencionar um exemplo, há uma proposta do estado maranhense, esboçada no Ministério da


Integração que visa transpor água do Lago de Boa Esperança para o Riacho Balseiro, tributário do
Rio Itapicurú. Esta bacia abastece a Região Metropolitana de São Luis, cujas nascentes integra a
Zona Semi-árida do Maranhão (Figura 5.1). Outro exemplo bem marcante é o Marco Regulatório
entre o Ceará e Piauí. Neste acordo o Ceará cedeu água do Açude Fronteiras no rio Poti, na cota 200
m, para o carrasco piauiense e o Açude Castelo. Em compensação reservará em território cearense
as águas do nível superior da Chapada da Ibiapaba, cota 500, do rio Macambira na mesma bacia.
Este projeto contratado pelo Governo do Ceará, fará parte do Eixo de Integração da Ibiapaba,
contemplando duas barragens de Grande Porte (Inhuçú e Lontras), um túnel e uma PCH para o lado
do Ceará, visando abastecer importante zona de território cearense (Figuras 5.2, 5.3 e 5.4).

126
Figura 5.1 – Integração da Barragem de Boa Esperança com o Rio

127
Figura 5.2 – Arranjo Geral da Alternativa Selecionada para o Eixo de Integração da Ibiapaba

128
Figura 5.3 – Esquema Hidráulico do Açude Fronteiras – Canal Poti Sul

129
Figura 5.4 – Perfil do Sistema Inhuçu – Lontras e

130
Essas inserções entre estados e bacias compartilhadas guardam também relação com iniciativas de
projetos que contemplam eixos hídricos de transposição de bacias externas como já foi discutido no
Relatório RT9. Contudo vale mencionar o projeto do Ramal do Entremontes na Região do sertão
pernambucano, interligando-se com o Eixo Norte da Transposição do São Francisco, que se
aproxima da fronteira do Piauí na altura do Açude Piaus. A ampliação do Projeto Pontal no Rio São
Francisco para a irrigação até a Região do Araripe em Pernambuco, também é outra hipótese de
integração de bacias com o Piauí (Figura 5.5).

Vale mencionar, não esquecer que a idéia da adutora do Oeste obra federal do Estado de
Pernambuco tinha como proposta transpor a fronteira e abastecer aglomerados piauienses na
fronteira que não se concretizou, inclusive por entraves institucionais entre os estados da federação.

As bases dessa questão já foi objeto de abordagem do Relatório RT9 no seu capítulo 4.

5.2 - COMPATIBILIZAÇÃO ENTRE AS ATIVIDADES DE DESENVOLVIMENTO


REGIONAL E AS POTENCIALIDADES DE PROGRAMAS DE RECURSOS
HÍDRICOS DO ESTADO
Para configurar este tema, foi necessário estabelecer uma referência para o modelo de região ou sub-
região de planejamento para o desenvolvimento do Estado e o PERH-PI. Para tanto, foi adotado
como base desta análise, o Plano de Ação para o Desenvolvimento Integrado da Bacia do Parnaíba –
PLANAP.

Com o intuito de emprestar uma abrangência de macro visão e maior objetividade, a consultora
procurou simplificar os dois campos de compatibilização.

Pelo lado hídrico, foi desconsiderada a difusão do zoneamento por bacia hidrográfica, agregando
estas áreas nas referidas Regiões Hidrográficas, modelagem já adotada no âmbito do PERH-PI.

Por outro lado, em relação ao PLANAP, foram consideradas as Macrorregiões de Desenvolvimento,


deixando de contemplar a dispersão geográfica dos chamados Territórios de Desenvolvimento, pois
representam recortes no âmbito global da região de pouca diferenciação física, climática e hídrica, ao
mesmo tempo que seccionam o sistema fluvial.

A Figura 5.6 explica melhor esta compatibilização aqui proposta.

a) Bacia do Baixo Parnaíba

Esta região insere a Macrorregião do Litoral e parte norte da Macrorregião do Meio Norte, onde
predominam as bacias do rio Longá e Difusas do Baixo Parnaíba. Nesta hidrografia o segmento da
agropecuária é a mais relevante.

Vale destacar a atividade de carcinicultura na bacia difusa do Litoral. Ambas as áreas integrantes
dessas duas macrorregiões abrigam cultivos agrícolas tradicionais, florestas e o bioma caatinga.

131
Figura 5.5 – Ramal de Enremontes

132
Figura 5.6 – Compatibilização das Regiões Hidrográficas com as
Macrorregiões de Desenvolvimento

133
A bacia tem potencial hídrico suficiente para a expansão de áreas irrigadas, pois conta com uma rede
fluvial com confortável potencial de regularização tributária no rio Longá. Na área do Litoral onde os
cursos d’água são de pequeno porte, esta se avizinha da Foz do Parnaíba, permitindo que o
abastecimento do complexo urbano de Parnaíba e demais cidades costeiras, seja planejado a partir
deste manancial permanente.

Os reservatórios da fronteira do Ceará (Açude Jaburu) e do estado do Piauí (Açude Piracuruca) e


Tinguis em fase de construção têm importantes reservas e disponibilidades hídricas.

b) Bacia do Poti

Esta bacia abrange praticamente a parte sul e leste da Macrorregião do Meio Norte. Nela está situada
a capital do Estado, Teresina, o maior centro urbano e industrial piauiense. As propostas de controle
de cheia da capital e de irrigação em importante mancha de solo na zona oeste da região, serão
garantidas pelo potencial hídrico do Rio Poti, através do futuro açude Castelo.

O abastecimento da zona do carrasco a leste da Macrorregião, tem como fonte hídrica o futuro açude
Fronteiras no Ceará, já acordado através do Marco Regulatório consagrado entre a
ANA/SRH(CE)/SEMAR(PI).

A capital se abastece do próprio rio Parnaíba. Estas condições projetam cenários favoráveis para o
desenvolvimento preconizado para a região, relativamente ao suporte hídrico das propostas do PERH-PI.

c) Bacia do Canindé/Piauí

A Macrorregião do Semi-árido engloba a base tributária da Bacia do Rio Canindé/Piauí. É sem dúvida
a zona mais crítica do Estado, porém é nela onde a ação de açudagem mais se acentuou ao longo
dos últimos 50 anos. Tem algum potencial hídrico subterrâneo principalmente na região das maiores
cidades Picos e Oeiras. Nesta região se destaca a mais importante adutora do Piauí, o Sistema
Adutor Garrincho, que abastece vários municípios. Outros sistemas preconizados no PERH/PI
deverão ser implementados

Ao lado de mananciais planejados como o açude Cansanção, Itainópoles, e outros, há o projeto de


integração da Bacia do São Francisco através do lago de Sobradinho e a interligação de um conjunto
de sete açudes desde o Petrônio Portela, até o reservatório de Bocaina.

Esta região dominada pela vegetação de Caatinga, tem considerável rebanho bovino, suíno, ovino e
caprino. A apicultura é bem significativa nessa região. A agricultura é tradicional com cultivos de
milho, feijão, arroz, com algum destaque para mandioca, caju e mamona.

Esta região apesar de ser crítica em relação aos seus recursos hídricos, as ações preconizadas no
PERH/PI, ensejam condições para o seu desenvolvimento, contemplando inclusive a irrigação ao
longo do Eixo de Integração como base para geração de empregos e renda a essa zona do semi-
árido estadual.

134
d) Bacias do Médio e Alto Parnaíba

Estas bacias integram praticamente a Macrorregião do Cerrado, a maior e mais promissora região do
Estado. Constituída de tabuleiros sedimentares e importante manancial de água subterrânea, a
região abriga o maior potencial de solos para o cultivo mecanizado e produção de grãos. A soja, o
milho, o arroz e o feijão são predominantes, com destaque para a soja. Nesta região está localizado o
lago da Barragem de Boa Esperança e está previsto a construção de duas hidroelétricas importantes:
Uruçuí e Ribeiro Gonçalves. As cidades mais importantes são Floriano, Corrente, Bom Jesus e a
dinâmica Uruçui.

Contando com o manancial do rio Parnaíba, barragens estratégicas como Rangel e Contrato, os
aqüíferos do Gurguéia e Itaueiras, o crescimento da irrigação e os demais usos da água, esta região
favorecida pelo seu notável potencial hídrico será uma das mais prósperas do Estado.

5.2.1 - Compatibilização entre o Potencial e o Desenvolvimento Regional

Tendo como eixo básico a unidade hidrográfica, que é o espaço por onde se define o volume da água
disponível, foi estabelecida uma inserção aproximada do modelo territorial de desenvolvimento do
Estado, visando avaliar as condições superavitárias ou de escassez relacionada com o planejamento
hídrico. Para efeito de avaliação foram verificadas as situações apenas para dois cenários do
PERH/PI, o Tendencial e o Otimista Acelerado, como mostram os Quadro 5.1 e 5.2.

5.2.2 - Avaliação

Dentro do princípio de que água está na bacia e não em qualquer outro espaço territorial, a base de
referência para exame de garantia do insumo de água às atividades produtivas da economia, é a
unidade hidrográfica. Uma vez que as macrorregiões de desenvolvimento estão inseridas na base
hidrográfica, ou seja, na região hidrográfica, os segmentos usuários que alavancam o crescimento
econômico estão assegurados. Por outro lado, qualquer espaço dos territórios de desenvolvimento
não alcançado por açude ou rio, os avançados sistemas de adutoras e canais de integração são
capazes de suprir estas deficiências hídricas, como já constituem exemplos as adutotoras de
Garrincho e Piaus.

5.3 - ÁREAS SUJEITAS A RESTRIÇÕES DE USO


A definição de áreas com restrição de uso para proteção dos recursos hídricos apresentam duas
conotações próprias:

5.3.1 - Primeiro Plano - As faixas de proteção do corpo hídrico (Lagos, Açudes, Rios e
Nascentes) preconizados na Lei Ambiental

Lagos Urbanos

A faixa de proteção é de 30 metros em torno do espelho d’água.

135
Quadro 5.1 – Cenário Tendencial

136
Quadro 5.2 – Cenário Otimista Acelerado

137
Lagos Rurais
A faixa é de 50 metros em torno do espelho máximo
Açudes

Uma faixa de 100 metros em torno do perímetro molhado estabelecido pela linha da cheia máxima.
Nos projetos da SRH do Ceará são utilizados os níveis de cheia de recorência centenária.
Rios
A faixa em debate atualmente no Código Florestal é de 30 metros para cada margem. Há contudo
proposta de estados do Sul, mais desenvolvidos, como é o caso de Santa Catarina, para reduzir para
20 ou 10 metros.
Fonte Natural ou Nascente

A faixa de proteção corresponde a um raio de 50 metros em torno do centro da nascente.

5.3.2 - Segundo Plano - As conotações referentes às situações específicas do território de


cada região ou estado

No semiárido, por exemplo, deve se perseguir uma legislação própria para suas condições naturais.

Os mais recentes projetos de açudes financiados pelo Banco Mundial no Ceará, têm estimulado um
plano de conservação de solo e de preservação da Mata Ciliar nos cursos d’água de pequeno porte
que contribuem diretamente para o lago onde há restrição ao uso de agrotóxico e efluentes com
carga poluidora. Estas são as restrições básicas para as áreas de proteção.

Neste caso, ainda como idéia preliminar, visando numa fase seguinte onde o mandato de criação
dessas áreas pertencentes ao organismo ambiental, poderão ser recomendadas em primeiro plano,
para efeito de novos estudos, as seguintes áreas:

− zona de montante dos principais açudes públicos do Estado do Piauí;


− margem direita do rio Parnaíba;
− encosta das serras que constituem as nascentes das bacias estaduais (Canindé/Piauí, Itaueira,
Gurguéia e Uruçuí Preto). Nestas, deverá haver uma restrição para o desmatamento, inclusive,
fora da faixa do eixo hídrico;
− tanto os açudes estratégicos como as novas hidroelétricas, se construídos, deverão atender a lei
ambiental.

A ampliação de proteção aos recursos hídricos obedecerá ao capítulo 10 do RT9.

5.4 - AÇÕES ESTRUTURANTES RELACIONADAS COM A GESTÃO AMBIENTAL E AO


DESENVOLVIMENTO REGIONAL
A gestão da água de forma sustentada deverá buscar uma integração no Desenvolvimento Regional
e no Meio Ambiente. A água é um insumo básico nos planos setoriais de importantes segmentos de
usuários como o abastecimento urbano e rural, o crescimento industrial, a expansão da irrigação e da
agro-pecuária, a agricultura, a navegação, a energia, o turismo e lazer. Neste caso, ofertar água em

138
quantidade e qualidade para as pessoas e atividades produtivas é promover o crescimento
econômico.

A programação estrutural do PERH-PI implementará uma matriz de ação articulada e voltada para o
desenvolvimento dessas atividades produtivas ( Quadro 5.3).

Quadro 5.3 - Ações Estruturantes – Recursos Hídricos / Meio Ambiente


Ações Estruturantes
Segmento Ações Estruturantes
Quantitativas de Comentário
Usuário Qualitativas Ambientais
Recursos Hídricos
Construção de Açudes Tratamento da Água (1)
Abastecimento
Construção de Poços Tratamento de Esgoto (1) A dessedentação animal
Urbano e
Controle de Perdas Tratamento de Resíduos Sólidos não exige tratamento
Rural
Integração de Bacias Dessalinização
Construção de Açudes Controle de Agrotóxico (2) Utilização de Métodos de
Irrigação Construção de Poços Conservação do Solo Aplicação Eficiente de Baixo
Integração de Bacias Redução de Uso (2) Consumo Hídrico
Tratamento e Controle do (3) O órgão ambiental deve
Construção de Adutoras Despejo Industrial (3) separar o esgoto urbano das
Indústria
Construção de Poços indústrias especiais (papel,
Localização Adequada
álcool, siderurgia, etc.)
Construção de Açudes Controle de Uso de Ração (4) (4) Criatório em curral nos
açudes
Aquicultura Construção de Tanques
Tratamento do Resíduo (5) (5) Renovação da água do
e Viveiros
viveiro.
Controle de Manutenção e (6) Esta atividade é exclusiva
Construção da eclusa de
Navegação Limpeza do Equipamento Móvel do Rio Parnaíba e espelhos de
Boa Esperança
Proteção das Margens (6) grandes açudes.
Construção das novas Preservação da flora dos
Hidroelétricas do Rio Mananciais (7) (7) Ações já previstas no
Energia
Parnaíba e Reflorestamento das áreas de capítulo 10 do RT9
Macrobarragens montante do Lagos (7)
Tratamento de Água (8) Enquadramento do corpo
Turismo e Uso não consuntivo dos Tratamento de Esgoto hídrico no padrão de uso de
Lazer corpos hídricos Tratamento de Resíduos Sólidos contato direto com a água –
(8) Classe 1 e 2

Estas ações deverão ser incluídas na pauta de discussão e articulação do CODEPAR cuja
formatação integra o conjunto de diplomas legais do RT9.

5.4.1 - Bases para o Programa de Recuperação e Manutenção de Barragens e Grandes


Sistemas Adutores

O programa de recuperação e manutenção de barragens apresenta quatro situações distintas, quais


sejam:

− reparos de pequeno porte que poderão ser objeto de suporte pela tarifa no âmbito do conceito de
OAM (Operação, Administração e Manutenção) já discutido no RT7;
− reparos de maior porte na estrutura fixa da obra, onde não estão incluídos os equipamentos
hidromecânicos, que serão objeto de investimentos de orçamento público (União ou Tesouro
Estadual);

139
− recuperação, substituição ou manutenção do equipamento hidromecânico (comportas, válvulas,
tubulação de galeria e outras). Estes equipamentos em geral têm vida útil de 20 a 30 anos, de
acordo com a especificação do fabricante;
− ação corretiva acidental em função de fatores naturais, principalmente de eventos críticos de
cheias ou problemas crônicos de construção como vazamentos e fraturas nas rochas de
fundação, erosões imprevisíveis, características geológicas impróprias e imperfeições de projeto.

As obras de barramento na região do semiárido do nordeste brasileiro, principalmente os açudes


construídos pelo DNOCS até a década de cinqüenta, surpreenderam a engenharia pela sua
resistência ao descaso governamental de manutenção de obras públicas. O Congresso Nacional que
vota o Orçamento Geral da União (OGU) não costuma eleger dotação para manutenção de obras,
mas apenas para construção de novos empreendimentos.

A nova política de água, a ação do ministério público na defesa jurídica das responsabilidade civis, os
direitos sociais, o rigor técnico dos novos manuais de obras, os projetos com recursos federais e
externos, o papel dos Tribunais de Contas Públicas e a lei de segurança de barragem, ampliaram o
leque dos fatores que obrigam cada vez mais a implantação de uma política de conservação
permanente das obras hidráulicas. A divulgação de tragédias causadas por fenômenos hídricos nos
meios de comunicação, contribuíram para criar uma nova mentalidade a respeito do assunto.

Contudo, esta Consultora chama atenção que numa peça de planejamento geral como o PERH/PI as
previsões de custos de manutenção são estabelecidos de forma sistemática por grupos de barragens
em fases com intervalos de cinco a dez anos, elegendo como grupo prioritário de ordem I, as obras
estratégicas integrantes do PERH/PI com capacidade igual ou superior a 10 x 10 m³ apontados pela
SEMAR na bacia do Canindé/Piauí.

O grupo de açudes das bacias do Longá, Poti, Gurguéia e Itaueira como grupo II. Finalmente o grupo
de obras concluídas ou em fase de conclusão mais recente como grupo III.

Este planejamento não exclui a denúncia da autoridade privada ou pública sobre risco da obra ou
risco constatado na vistoria denominada marco zero (2011) ou na próxima que poderia ser a cada
intervalo em torno de cinco anos (2015).

Procurando estabelecer um ordenamento para as ações foi definida uma lista de açudes por grupos:

Período de
Grupo Açudes
Manutenção
Petrônio Portela, Jenipapo, Pedra Redonda, Bocaina, Cajazeira, Ingazeiras, Barreiras,
I 2011 a 2015
Salinas e Estreito
II Poços, Algodões II, Bezerros, Piracuruca, Caldeirão, Corredores, Mesa de Pedra 2015 a 2020
III Poço do Marruá, Piaus e Tinguis 2020 a 2025
Açudes apontados nas vistorias de 2015 e 2020 como de risco ou classificado como
IV 2025 a 2030
de gerenciamento intensivo e os do grupo I, agora integrantes também do grupo IV

140
Esta proposta não exclui a situação nº 4.

A metodologia das ações está detalhada no “Manual de Preenchimento da Ficha de Inscrição das
Barragens” do PROÁGUA Semiárido de 2005, elaborado pelo painel de segurança de barragem da
Secretaria de Infraestrutura Hídrica do MI, da qual era titular na época e coordenador do PERH/PI.

Em relação a manutenção do sistema de adutoras, obras que o estado vem implementando nos
últimos cinco anos, obras recentes, porém que exigem monitoramento da operação de forma
permanente.

A manutenção desses sistemas hidráulicos, muito embora a vida útil dos equipamentos
hidroeletromecânicos em geral especifique 15 a 20 anos, envolvendo a estação elevatória, tubulação,
peças especiais, automação etc, necessita para tal de um Plano de Operação e Manutenção (POM)
semelhante ao que a COGERH do Ceará contratou recentemente.

As bases detalhadas desse processo de manutenção, tanto de barragem como de adutoras estão
apresentadas nos seguintes documentos do POM da COGERH/CE.

5.4.1.1 - Barragem

Tomo IV - Manuais de Operação e Manutenção

• Volume IV.1 - Manual Genérico de Barragens de Terra

REFERÊNCIAS

ƒ “Diretrizes para a Inspeção e Avaliação da Segurança de Barragens em Operação, 1983”


(CBDB);
ƒ “Recomendações para a Formulação e Verificação de Critérios e Procedimentos de
Segurança de Barragens, 1986” (CBDB);
ƒ “Avaliação da Segurança de Barragens Existentes, 1987” (ELETROBRÁS);
ƒ “Dam Safety Code of Pratice, 1994” - recomendações do ICOLD;
ƒ “Cadastro Brasileiro de Deterioração de Barragens e Reservatórios, 1995” (CBDB);
ƒ “Auscultação e Instrumentação de Barragens no Brasil, 1996” (CBDB);
ƒ “Guia Básico de Segurança de Barragens, 2001” (CBDB);
ƒ “Manual de Segurança e Inspeção de Barragens, 2002” (Ministério da Integração Nacional);
ƒ “Critérios de Projeto Civil de Empreendimentos Hidrelétricas, com ênfase no capítulo 14:
Auscultação e Instrumentação de Obras Civis, 2003” (ELETROBRÁS – CBDB);
ƒ Projeto de lei Nº. 1181/03 de 2003.

a) Generalidades

ƒ Falhas por “Overtopping”


ƒ Falhas por Vazamento

141
ƒ Falhas Estruturais
ƒ Procedimentos Corretivos Emergenciais

b) Principais Causas de Falhas

5.4.1.2 - Adutora:

Plano de Operação e Manutenção (POM) do Sistema de água Bruta do Estado do Ceará

− Manuais Genéricos de Operação e Manutenção das Obras Integrantes do POM


ƒ Volume 4 - Manual de Operação e Manutenção de Adutoras
ƒ Volume 5 - Manual de Operação e Manutenção de Estações de Bombeamento

Estes documentos técnicos compreendem:

a) Objetivo
b) Alcance
c) Utilização e atualização do manual
d) Organização das ativides de operação
e) Missão e objetivos da manutenção
f) Políticas de manutenção
g) Níveis de serviços de manutenção

Estes elementos podem ser combinados para classificar os serviços em níveis que indicarão a
definição da estrutura de Manutenção, conforme mostrado no Quadro 5.4.

Quadro 5.4 - Níveis de Serviços de Manutenção


Nível Atuação/volume Recursos humanos Recursos físicos
Regulagens simples, serviços que não
Operador ou operário com
requeiram nenhuma desmontagem, troca Ferramentas manuais
1° níveis básicos de
de elementos acessíveis com toda leves.
conhecimento; execução local.
segurança.
Eliminação de paralizações por reposições
Operários hábeis e Ferramentas,
padronizadas, atenção a situações
2° especializados; execução local equipamentos e instru-
emergenciais com procedimentos
ou em oficinas. mentos de controle.
programáveis .
Equipe de Trabalho com Ferramentas,
Trabalhos importantes de Manutenção
treinamento específico Equipamentos e Materiais
Preventiva e Corretiva, reconstruções e
3° liderada por engenheiros e específicos; Apoio do fabri-
reparos pesados.
técnicos especializados. cante de equipamentos.

h) Elementos da atividade de manutenção de estações de bombeamento e adutoras

i) Características das atividades de manutenção

− Manutenção preventiva
− Manutenção preditiva
− Manutenção corretiva

142
Mesmos que estes documentos técnicos sejam normas nacionais e internacionais, contendo,
portanto, alguns aspectos de universalização, não dispensa a caracterização de cada estrutura em
particular. Isto implica na necessidade da SEMAR também elaborar um Plano de Manutenção e
Operação para o futuro organismo gerenciador, a AGEAPI, para seu conjunto de obras de
infraestrutura hídrica.

5.5 - MODELO BÁSICO DE UM BOLETIM INFORMATIVO PARA OS RECURSOS


HÍDRICOS DO ESTADO
A respeito desta matéria para divulgação das ações do SEGRH, e não excluindo as campanhas e
peças de comunicação que deverão acontecer junto aos comitês de bacias, comissões gestoras de
açudes e segmentos de usuários, a consultora recomenda a edição de um boletim mensal, o BRH/PI.
Esta peça publicitária é de simples elaboração, pois conta com informação do próprio SEGRH, obtida
de forma simples e direta do próprio desempenho da gestão do sistema.

Sem a pretensão de ser um impresso complexto de difícil confecção, que em geral não funciona em
instituições públicas, a consultora propõe o seguinte modelo:

− uma peça no Formato A3 dobrada com quatro faces no tamanho A4;


− a primeira folha é voltada para o governo estadual/SEMAR;
− a segunda folha para o setor de meteorologia e cartografia da SEMAR;
− a terceira folha para o setor de gerenciamento (AGEAPI);
− a última folha seria dedicada a divulgação do trabalho dos Comitês de Bacias.

5.5.1 - Folha da SEMAR

Nesta folha serão divulgadas algumas ações da SEMAR, a exemplo de:

− Decisões e atos institucionais do governo com relação aos recursos hídricos;


− movimentação do secretário tais como visitas às bacias, inauguração de obras hídricas,
participação em reunião dos comitês de bacias, contratação de estudos projetos e obras,
assinatura de ordem de serviço, etc.;
− notícias relevantes da secretaria;
− “releasing de trechos de entrevistas ou artigos de membros técnicos da SEMAR;
− Participação da SEMAR em conselhos, congressos, simpósios, eventos, seminários nacionais ou
internacionais;

5.5.2 - Folha dos Setores de Cartografia e Meteorologia da SEMAR

Nesta página serão divulgados:

− o boletim mensal de chuva, sobretudo no período úmido;


− as previsões meteorológicas de reunião sobre a região no período seco;
− mapas ilustrativos do estado com elementos do Plano e temática variada, para o público
interessado em solo, flora, geologia, hidrogeologia, fluviometria, unidades de conservação, etc.;

143
− layout e plantas de secções especiais de obras hídricas;
− ficha de obras hidráulicas;
− mapa de localização de obras hídricas;

5.5.3 - Folha da AGEAPI

Nesta terceira face do boletim, serão divulgadas:

− notícias do organismo gerenciador e das gerências das bacias;


− boletim mensal de operação dos açudes e poços;
− dados sobre alocação de água e de medição de rios no local dos fluviômetros, de vazão e
qualidade da água;
− dados sobre cadastro de uso, outorga e licença de obras;
− notícias dos segmentos usuários: indústria, agropecuária, abastecimento, irrigação e aqüicultura;

5.5.4 - Folha dos Comitês de Bacias

Na quarta página serão publicadas:

− notas sobre mobilização social dos comitês, reuniões, deliberação, criação ou renovação do
colegiado;
− notícias de problemas hídricos na bacia, agressões ambientais, uso irregular dos recursos
hídricos, conflitos de água;
− entrevistas com membros dos comitês.

Estes boletins serão localizados junto ao setor responsável pelo sistema de informações da SEMAR.

5.6 - BASES PARA UM PROGRAMA DE GESTÃO DA ÁGUA SUTERRÂNEA


O problema da água subterrânea no país, e também na região, nunca foi tratado com políticas
públicas adequadas e com tecnologias objetivas e práticas. Ao contrário da mineração e petróleo que
avançaram bastante na prospecção pelo seu valor econômico, a água subterrânea continua baseada
no resultado da produção dos poços para exame da reserva instalada e uma estimativa polêmica
entre a recarga, reserva explotável e reserva permanente. O cadastro de poços ainda é muito
precário, pois os organismos que cuidam do programa nem sempre adotam procedimentos técnicos
confiáveis nos testes de vazão.

No Estado do Piauí, na segunda metade da década de oitenta foi contratado pelo DNOCS na época
do Ministério da Irrigação, um estudo do aqüífero da Bacia do Gurguéia executado pelo grupo do
LABHID – Laboratório de Hidrologia de Pernambuco. Na época cinco a seis poços profundos foram
perfurados com equipamento de controle de nível, e testes monitorados, pela CPRM e supervisão
daquela instituição.

O trabalho foi executado na região do Projeto Trombeta coordenado pela Universidade de Fortaleza
na época.

144
Este estudo foi o pioneiro ao lado de outros referenciados nos relatórios da fase do diagnóstico do
PERH/PI.

A gestão da água subterrânea até agora é muito incipiente. O assunto em geral integra os estudos
básicos dos planos de recursos Hídricos. Não há especificamente um Plano de Água Subterrânea.

Na Secretaria de Infraestrutura do Ministério da Integração, nem o setor de água subterrânea existe.


Quem cuida do assunto, inclusive no Piauí, é o CPRM que trata de poços de maior profundidade e de
aqüíferos estratégicos. Ainda é esta instituição que tem o melhor cadastro.

Nos últimos anos, capitaneada pela Agência Nacional de Água, foram concentrados os primeiros
estudos e planos específicos de recursos subterrâneos.

Na época que o coordenador do PERH/PI assumiu a SIH/MI foram contratados dois estudos mais
aprofundados: uma avaliação para uso sustentado do aqüífero Beberibe na Região Metropolitana de
Joao Pessoa na Paraíba e um programa de monitoramento de poços na região do Recife em
Pernambuco.

O primeiro destes trabalhos na região nordeste está em fase final, o Estudo do Aquífero Apodi na
fronteira do Ceará e Rio Grande do Norte. Outros trabalhos na região de Natal, também foram
implementados, todos estudados no âmbito do PROÁGUA Nacional / ANA.

O resultado destas consultorias não forneceram ainda elementos que possam dar suporte a um
programa de gestão de águas subterrâneas. Os diversos aspectos desse programa serão aqui
comentados:

1 – A PESQUISA se restringe basicamente a locação de poços e não dos aqüíferos como um todo.
Estas, são baseadas em métodos geofísicos de eletroresistividade e de ondas de ultra baixa
freqüência. Ainda servem de apoio a pesquisa as cartas de geologia e hidrogeológicas do DNPM e
CPRM.

2 – O PLANEJAMENTO tem sido contemplado nos planos de recursos hídricos com avaliações
baseadas nos dados dos poços fornecidos pelos órgãos do setor. Recentemente surgiram planos
detalhados que preconizam a implementação de poços testemunhos e operação de poços de
referência.

3 – O MAPEAMENTO da VULNERABILIDADE à POLUIÇÃO ainda divide com as águas superficiais


os mesmos cuidados. É por demais consagrado que a melhor providência para proteger os recursos
hídricos, incluindo os recursos subterrâneos, as são cinco ações básicas que seguem:

− a preservação do solo e da flora dos mananciais hídricos: encostas das bacias para água
superficial e zonas de recarga para subterrânea;
− o tratamento dos esgotos sanitários;
− o tratamento dos despejos industriais;

145
− o tratamento dos resíduos sólidos;
− a prevenção da intrusão salina

4 – A DELIMITAÇÃO DE ÁREAS e sua PROTEÇÃO é outro tema pouco abordado. Não há um


trabalho sistemático sobre a matéria. Nem a proteção do Código Ambiental e Florestal que preconiza
para nascentes e fontes naturais sub-superficial de 50 metros de raio, a partir do centro de fonte, é
mencionado para poços subterrâneos.

5 – O CONTROLE e MONITORAMENTO é uma atividade típica de gerenciamento de recursos


hídricos. Esta ação deve ser integrada ao instrumento de outorga e da licença de obra. Com isto, a
construção do poço deverá cumprir as recomendações técnicas estabelecidas nos dispositivos legais,
técnicos e administrativos para esse tipo de obra.

Em relação ao Piauí, a única medida mais prática, até o momento realizada, foi sem dúvida o
tamponamento dos poços jorrantes, promovido pelo MI/ANA.

Com relação ao PERH/PI, dois estudos apontam no sentido de aprofundar o conhecimento e a


proteção dos recursos subterrâneos na programação do RTF:

− Estudo de Controle de Superexploração de Aquíferos;


− Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais e Subterrâneas;

146
6 - PROGRAMAS ESTRUTURAIS

147
6 - PROGRAMAS ESTRUTURAIS
As propostas estruturais são essencialmente construtivas e envolvem planejamentos de curto, médio
e, longo prazo, e de caráter emergencial, que modificam o sistema fluvial. Essas propostas
necessitam da devida aprovação por parte dos órgãos governamentais, que por sua vez dependem
da contratação de empresas de projeto e construção, requerendo grandes volumes de recursos
financeiros, além da formalização de procedimentos de operação e manutenção. As propostas de
caráter estrutural para o Estado serão apresentadas nos itens que seguem.

6.1 - PROGRAMA DE AMPLIAÇÃO DA OFERTA HÍDRICA


6.1.1 - Programa de Açudagem

Os açudes têm por finalidade o armazenamento de água nos períodos chuvosos e disponibilizá-la
nos períodos secos. No Estado do Piauí, existem alguns rios intermitentes e, portanto, a construção
de barragens é indispensável para o aproveitamento dos seus recursos hídricos. Além disso, algumas
bacias apresentaram déficit hídrico (RT-7), reforçando a necessidade da construção de açudes. Os
volumes de água armazenados artificialmente serão reforçados pelos volumes que são naturalmente
reservados em lagoas.
No Quadro 6.1 são apresentados os reservatórios propostos com o caráter de prioridade e as
respectivas estimativas de custos.

As metas para este programa são de construir as seguintes barragens já planejadas:


ƒ Curto Prazo:

− Bacia do Canindé: Santa Cruz do Piauí


− Bacia do Poti: Castelo

ƒ Médio prazo:

− Bacia do Poti: Santa Cruz dos Milagres


− Bacia do Longá: Tinguis
− Bacia do Parnaíba: Hidroelétricas de Ribeiro Gonçalves, Uruçuí, Cachoeira, Estreito e
Castelhano

ƒ Longo prazo.

− Bacia do Gurguéia: Rangel, Angicos, Contrato e Atalaia


− Bacia do Itaueira: Vereda Grande

148
Quadro 6.1 – Proposta para a Construção de Açudes
Custo Estimado
Açude Bacia Prioridade
(R$)
Algodões I Piranji E 17.340.000
Santa Cruz do Piauí Canindé C 130.000.000
Castelo Poti C 247.000.000
Santa Cruz dos Milagres Poti M 121.000.000
Rangel Gurguéia M 59.000.000
Angicos Gurguéia L 42.500.000
Contrato Gurguéia M 191.609.500
Atalaia Gurguéia L 60.000.000
Tinguis Longá M 34.000.000
Vereda Grande Itaueira L 37.000.000
AHE Ribeiro Gonçalves Difusas do Alto Parnaíba M 306.000.000
AHE Uruçuí Uruçuí Preto M 402.000.000
AHE Cachoeira Difusas do Médio Parnaíba M 222.000.000
AHE Estreito Difusas do Médio Parnaíba M 258.000.000
AHE Castelhano Difusas do Médio Parnaíba M 242.000.000
Legenda: L – Longo Prazo; M – Médio Prazo; C – Curto Prazo.

6.1.2 - Plano de Integração de Bacias

6.1.2.1 - Considerações Gerais

O Plano de Integração de Bacias foi proposto no Estudo de Integração das Fronteiras Secas do Piauí
- SIH/MI, 2007. O Plano visou à segurança hídrica da região sudeste do Estado, revitalizando o
conjunto de açudes construídos, através de interligação destes com uma fonte hídrica de maior
capacidade de suprimento. Esta forma aproveita a infraestrutura já implantada, propiciando ao
mesmo, através dos canais de transferência, um eixo úmido para o desenvolvimento hidroagrícola
dos solos irrigáveis da bacia do Canindé.

Fortalecendo a irrigação ao longo do eixo dos canais, haverá também um reforço no abastecimento
urbano, rural e principalmente na atividade agropecuária..

6.1.2.2 - Caracterização Regional

A região problemática do Piauí fisiograficamente pode ser dividida em duas áreas de fronteiras bem
críticas. A fronteira seca Nordeste e a Sudeste, sendo a fronteira seca sudeste a que apresenta
maiores problemas de déficit hídrico.

− A Fronteira Seca Sudeste

A Fronteira Seca Sudeste, compreende basicamente as nascentes do Rio Piauí, incluindo o Rio
Canindé, nos limites com os Estados da Bahia, Pernambuco e Ceará. Trata-se da mais seca e crítica
área do Piauí, mais especificamente entre os municípios de Picos ao Norte e Caracol ao Sul do Piauí.
Já foram construídos diversos açudes para promover esta integração de bacias, destacando-se:
Petrônio Portela, Jenipapo, Pedra Redonda, Poço de Marruá, Estreito, Piaus e Bocaina. Mapa 6.1.

149
Mapa 6.1 – Integração de Bacia da Fronteira Sec

150
6.1.2.3 - Eixo Abastecedor

O Plano de Integração de Bacias analisou diversas alternativas para o eixo abastecedor, e a que
apresentou menor custo foi o suprimento pelo lago de Sobradinho.

Para o suprimento pelo Lago de Sobradinho estão previstas uma estação de bombeamento principal,
uma elevatória e trechos de adutoras e canais, em direção a nascente do rio Piauí.
O estudo na íntegra está disponível no arquivo do Projeto de Integração da Bacia do Rio São
Francisco com a bacia do Nordeste Setentrional.

6.1.2.4 - Eixo Receptor

O eixo receptor, também chamado de distribuidor, é formado de um trecho natural do Rio Piauí, a
montante e jusante do Açude Petrônio Portela. A partir do Açude Jenipapo, uma estação de bomba
alimenta um canal que interliga os açudes Pedra Redonda, Poço de Marruá, Estreito e Piaus. Existe
também a possibilidade de alcançar a barragem de Bocaina. Este eixo canal deverá ser totalmente
gravitário transpondo os açudes por um sifão sobre o maciço e sangradouro.

Prever-se que com a implantação do Eixo Abastecedor, pela futura transferência de água a partir da
fonte externa de abastecimento, a capacidade potencial de regularização global dos açudes situados
nas Fronteirsa Secas terão um acréscimo da ordem de 340 hm³/ano (10,8 m³/s). Segundo os estudos
realizados, este valor será suficiente para o abastecimento humano de cerca de 600.000 habitantes e
para promover a irrigação de uma área aproximada de 13 000 há, (assumindo um consumo médio de
0,70 l/s/ha), com níveis mínimos de garantia de 95% e 80%, respectivamente.

O detalhamento do Projeto Básico, Supervisão e Construção das Obras do Eixo Piloto Receptor do
Plano de Integração Hídrica ao Sertão do Piauí – Jenipapo / Pedra Redonda deverá ser concomitante
com a construção e estudos do Eixo Abastecedor Lago Sobradinho / Nascentes do Rio Piauí.

No Quadro 6.2 são apresentadas as estimativas de custos para a construção do Eixo Abastecedor e
do Eixo Receptor previstas no Plano de Integração de Bacias.

Quadro 6.2 - Estimativas de Custos para a Construção do Eixo Abastecedor e do


Eixo Receptor do Plano de Integração de Bacias
Descrição Valor (R$)
Construção do Eixo Abastecedor do Plano de Integração de Bacias
R$ 332.690.000,00
Hidrográficas do Piauí.
Execução das Obras do Eixo Receptor (Projeto Piloto. Trecho Bar. Jenipapo
R$ 382.167.000,00
– Bar. Pedra Redonda)
Total R$ 714.857.000,00

6.1.3 - Programa de Perfuração de Poços

Este programa compreende a perfuração de poços profundos, com o objetivo de irrigar


30.000 ha na bacia do Gurguéia e 10.000 ha na bacia do Itaueira, considerando que as duas bacias

151
apresentam disponibilidade e qualidade de água subterrânea, além de possuírem bons solos para
irrigação.

Para estimar a quantidade de poços necessários, considerou-se que os poços da região apresentam
vazões máximas de 100 L/s e que esse volume de água irriga até 100 ha. Sendo assim, observa-se
no Quadro 6.3, que serão necessários perfurar 300 poços na bacia do Gurguéia e 100 poços na
bacia do Itaueira, com um custo estimado em R$ 20.000.000.

Quadro 6.3 – Proposta para a Perfuração de Poços


Custo
Custo Total
Bacia Quantidade de Poços Prioridade Unitário
(R$)
(R$)
Gurguéia 300 L 50.000 (poço 15.000.000
Itaueira 100 L artesiano) 5.000.000
Legenda: L – Longo Prazo; M – Médio Prazo; C – Curto Prazo; E – Caráter Emergencial.

Objetiva-se atingir as seguintes metas com esse programa:

− Perfuração de 300 poços profundos na bacia do Gurguéia, sendo 100 a médio prazo e mais 200
a longo prazo;
− Perfuração de 100 poços profundos na bacia do Itaueira a longo prazo;
− Irrigar 30.000 ha na bacia do Gurguéia e 10.000 ha na bacia do Itaueira.

6.1.4 - Programa de Abastecimento

Devido à falta de infraestrutura, como captação e adução para distribuição, as águas armazenadas
nos reservatórios não estão sendo aproveitadas pela população, seja para consumo humano,
dessedentação de animais, industrial ou para irrigação. Durante muitos anos no Estado construíram-
se barragens sem nenhum tipo de planejamento, isto é, os projetos das barragens não contemplavam
a construção de adutoras, e isso acabou inviabilizando um melhor aproveitamento dos recursos
hídricos armazenados.

O Plano Estadual tem como meta atender pelo menos os principais núcleos urbanos, nos horizontes
do Plano, com os seguintes valores de consumo “per-capita”:

a) Municípios com população até 5.000 habitantes................................ 120 l/hab/dia


b) Municípios com população entre 5.000 e 25.000 habitantes .............. 130 l/hab/dia
c) Municípios com população entre 25.000 e 100.000 habitantes .......... 135 l/hab/dia
d) Municípios com população entre 100.000 e 500.000 habitantes ........ 180 l/hab/dia
e) Municípios com população superior a 500.000 habitantes ................. 200 l/hab/dia

O programa de abastecimento ora proposto visa atender mais de 600.000 habitantes, a partir dos
sistemas adutores apresentados no Quadro 6.4 no qual ainda é possível observar a ordem de
prioridade e os custos estimados.

152
Quadro 6.4 - Sistemas Adutores Propostos para o Programa de Abastecimento
População Custo
Executor
Descrição Estado atual Bacia Local de Proj - Prioridade Previsto
(Convênio)
2035 (hab) (R$1.000)
Difusas do
Realizando Abastecimento humano dos municípios: Parnaíba, Luis Correia, Cajueiro da Praia e
Adutora do Litoral Litoral e Baixo 219.059 C 45.000,0 AGESPISA
Projeto Básico Ilha Grande e mais 11 comunidades
Parnaíba
Melhoria das Condições de Abastecimento Humano: a) Adutora de Água Tratada
para abastecer os municípios: Alagoinha do Piauí, Bocaina, Francisco Santos,
SEMAR/
Sistema Adutor de Bocaina Em Licitação Canindé Monsenhor Hipólito, Santo Antônio de Lisboa, São João da Canabrava, São Jose 23.824 C 29.541,0
PROÁGUA
do Piauí, Santana do Piauí, Sussuapara e São Luís do Piauí e comunidades. b)
Melhoria e Ampliação dos Sistemas Independes c) Coleta e Tratamento de Esgoto.

Projeto Básico Sem


Adutora do Jenipapo Canindé Abastecimento humano ao município de São João do Piauí. 24.915 C 8.523,2
Concluído Convênio

Abastecimento humano dos municípios: Santa Cruz do Piauí, Paquetá, Dom


Em
Adutora Santa Cruz do Piauí Canindé Expedito Lopes, São João da Varjota, Ipiranga do Piauí, Wall Ferraz, Santo Inácio 122.545 C 130.000,0 Sem convênio
Planejamento
do Piauí, Floresta do Piauí e Picos.
Abastecimento humano dos municípios: Conceição do Canindé; Isaias Coelho,
Em
Adutora Pedra Redonda Canindé Simplício Mendes, São Francisco do Piauí, Campo Alegre do Fidalgo; Capitão 39.980 C 72.142,6 Sem convênio
Planejamento
Gervásio de Oliveira, Lagoa do Barro e Queimada Nova.
Projeto Básico
Adutora Algodões II Gurguéia Abastecimento humano dos municípios: Júlio Borges, Curimatá e Avelino Lopes 21.645 M 24.871,4 Sem convênio
Concluído
Projeto Básico Itaueira e Abastecimento humano dos municípios: Itaueira, Rio Grande do Piauí, Flores do
Adutora Poços 22.922 M 24.352,9 Sem convênio
Concluído Canindé Piauí e Pajeú do Piauí
Projeto Básico Abastecimento humano dos municípios: Nazaré do Piauí, São Francisco do Piauí,
Adutora Salinas Canindé 66.617 C 79.284,5 Sem convênio
Concluído Oeiras; Colônia do Piauí, Santo Inácio do Piauí e São João da Varjota
Em Abastecimento humano dos municípios: Santa Cruz dos Milagres, São João da
Adutora Santa Cruz dos Milagres Poti 22.435 C 93.000,0 Sem convênio
Planejamento Serra, São Félix do Piauí, São Miguel da Baixa Grande e Prata do Piauí
Em
Sistema Adutor de Picos Canindé Abastecimento humano aos municípios: Picos (parcialmente) e Sussuapara 93.943 C 22.400 Sem convênio
Planejamento
Projeto Básico das Obras do
Licitação em Aumentar a capacidade de regularização dos açudes situados na fronteira seca
Plano de Integração de Bacias Canindé / Piauí 600.000 C 3.600,00 -
Planejamento sudeste suficiente para o abastecimento e irrigação de 13 mil hectares
Hidrográficas do Piauí
Construção do Eixo Abastecedor Aumentar a capacidade de regularização dos açudes situados na fronteira seca
do Plano de Integração de Baias - Canindé / Piauí sudeste para 10,8 m³/s, suficiente para o abastecimento e irrigação de 13 mil 600.000 C 332.690,00 Sem convênio
do Piauí hectares
Execução das Obras do Eixo
Receptor “Projeto Piloto” Trecho O Eixo Receptor entre as Barragens Genipapo e Pedra Redonda faz parte do Plano
- Canindé / Piauí 600.000 C 382.167,00 Sem convênio
Barragem Genipapo e Pedra de Integração de Bacias Hidrográficas do Piauí
Redonda
Legenda: L – Longo Prazo; M – Médio Prazo; C – Curto Prazo; E – Caráter Emergencial.

153
Além das ações de abastecimento apresentadas no Quadro 6.4 estão previstos, no Programa de
Aceleração do Crescimento-PAC, do governo federal, investimentos na ordem de
R$ 142.849.800.000 em obras de abastecimento de água em 99 municípios do Estado
(Quadro 6.5).
Quadro 6.5 – Obras de Abastecimento de Água para o Estado do Piauí Previstas no PAC
Investimento Previsto
Município Beneficiado Proponente Bacia Hidrográfica Estágio
2007-2010 (Milhares)
Acauã Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Anísio de Abreu Estado Canindé/Piauí 700,00 Contratação
Arraial Estado Canindé/Piauí 500,00 Contratação
Bela Vista do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Belém do Piauí Estado Canindé/Piauí 400,00 Contratação
Betânia do Piauí Município Canindé/Piauí 500,00 Contratação
Brejo do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Cajazeiras do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Caldeirão Grande do Piauí Município Canindé/Piauí 500,00 Contratação
Campinas do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Campo Alegre do Fidalgo Município Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Campo Grande do Piauí Estado Canindé/Piauí 500,00 Contratação
Caracol Estado Canindé/Piauí 700,00 Contratação
Caridade do Piauí Estado Canindé/Piauí 500,00 Contratação
Conceição do Canindé Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Curral Novo do Piauí Estado Canindé/Piauí 500,00 Contratação
Dom Inocêncio Estado Canindé/Piauí 400,00 Contratação
Fartura do Piauí Município Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Floresta do Piauí Município Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Francisco Macedo Município Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Isaías Coelho Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Itainópolis Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Jacobina do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Jaicós Estado Canindé/Piauí 750,00 Contratação
Jurema Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Lagoa do Barro do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Marcolândia Município Canindé/Piauí 1.750,00 Contratação
Massapê do Piauí Município Canindé/Piauí 400,00 Contratação
Monsenhor Hipólito Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Patos do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Pedro Laurentino Município Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Pio IX Estado Canindé/Piauí 400,00 Contratação
Queimada Nova Estado Canindé/Piauí 400,00 Contratação
Santa Rosa do Piauí Estado Canindé/Piauí 400,00 Contratação
Santana do Piauí Município Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Santo Antônio de Lisboa Estado Canindé/Piauí 400,00 Contratação
São Braz do Piauí Município Canindé/Piauí 400,00 Contratação
São Francisco de Assis do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
São Francisco do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
São João da Canabrava Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
São José do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
São Julião Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Simões Estado Canindé/Piauí 500,00 Contratação
Socorro do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Tanque do Piauí Município Canindé/Piauí 500,00 Contratação
Várzea Branca Estado Canindé/Piauí 400,00 Contratação
Vera Mendes Município Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Vila Nova do Piauí Estado Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Campo Largo do Piauí Estado Difusas do Baixo Parnaíba 350,00 Contratação
Joaquim Pires Estado Difusas do Baixo Parnaíba 800,00 Contratação
Joca Marques Município Difusas do Baixo Parnaíba 350,00 Contratação
Madeiro Município Difusas do Baixo Parnaíba 350,00 Contratação
Matias Olímpio Estado Difusas do Baixo Parnaíba 800,00 Contratação

154
Investimento Previsto
Município Beneficiado Proponente Bacia Hidrográfica Estágio
2007-2010 (Milhares)
Miguel Alves Estado Difusas do Baixo Parnaíba 1.250,00 Contratação
Nossa Senhora dos Remédios Estado Difusas do Baixo Parnaíba 400,00 Contratação
Parnaíba Estado Difusas do Baixo Parnaíba 22.000,00 Contratação
São João do Arraial Estado Difusas do Baixo Parnaíba 350,00 Contratação
União Estado Difusas do Baixo Parnaíba 2.000,00 Contratação
Amarante Estado Difusas do Médio Parnaíba 700,00 Contratação
Curralinhos Município Difusas do Médio Parnaíba 350,00 Contratação
Floriano Estado Difusas do Médio Parnaíba 6.000,00 Contratado
Hugo Napoleão Estado Difusas do Médio Parnaíba 350,00 Contratação
Santo Antônio dos Milagres Estado Difusas do Médio Parnaíba 350,00 Contratação
Teresina Estado Difusas do Médio Parnaíba 32.000,00 Contratado
Bom Jesus Estado Gurguéia 28.179,00 Contratado
Guaribas Estado Gurguéia 400,00 Contratação
Barras Estado Longá 1.600,00 Contratação
Batalha Estado Longá 850,00 Contratação
Boa Hora Estado Longá 350,00 Contratação
Cabeceiras do Piauí Estado Longá 350,00 Contratação
Cocal dos Alves Estado Longá 500,00 Contratação
Coivaras Município Longá 350,00 Contratação
Domingos Mourão Estado Longá 350,00 Contratação
Jatobá do Piauí Município Longá 350,00 Contratação
Lagoa Alegre Estado Longá 550,00 Contratação
Lagoa de São Francisco Estado Longá 500,00 Contratação
Nossa Senhora de Nazaré Município Longá 350,00 Contratação
Piracuruca Estado Longá 1.800,00 Contratação
Piripiri Estado Longá 6.570,80 Contratado
São João da Fronteira Estado Longá 350,00 Contratação
Nova Santa Rita Município Parnaíba 350,00 Contratação
Cocal Estado Piranji 2.000,00 Contratação
Agricolândia Estado Poti 500,00 Contratação
Alto Longá Estado Poti 900,00 Contratação
Aroazes Estado Poti 500,00 Contratação
Assunção do Piauí Município Poti 400,00 Contratação
Barra D'Alcântara Município Poti 350,00 Contratação
Castelo do Piauí Estado Poti 800,00 Contratação
Inhuma Estado Poti 500,00 Contratação
Juazeiro do Piauí Estado Poti 500,00 Contratação
Lagoa do Piauí Estado Poti 350,00 Contratação
Milton Brandão Município Poti 350,00 Contratação
Novo Santo Antônio Município Poti 350,00 Contratação
Prata do Piauí Estado Poti 400,00 Contratação
Santa Cruz dos Milagres Município Poti 350,00 Contratação
São João da Serra Estado Poti 400,00 Contratação
São Miguel do Tapuio Estado Poti 700,00 Contratação
Sigefredo Pacheco Estado Poti 400,00 Contratação
Total de Investimento 142.849,80  

Alguns municípios do Estado utilizam, atualmente, mananciais subterrâneos como fonte de suprimento
de água, de forma satisfatória. No entanto, é possível que o atendimento a esses municípios passe a ser
feito por mananciais superficiais, principalmente nos casos em que existe essa disponibilidade e o
excessivo número de poços profundos esteja provocando o gradativo rebaixamento do lençol freático.
Uma boa medida seria esgotar as possibilidades dos mananciais superficiais, ficando os depósitos
subterrâneos como reserva estratégica para atendimento às demandas além dos horizontes do Plano
Estadual.

Conforme apresentado no RT-3, dos 224 municípios do Estado, 149 apresentam abastecimento de
água, operados pela Agespisa, representando mais de 64% dos municípios. No entanto, nenhum

155
município tem atendimento total. Sendo assim, os investimentos a curto prazo constarão da ampliação e
melhorias desses sistemas de reservação e distribuição.

Ressalta-se que o papel da concessionária estadual de abastecimento de água (Agespisa), deverá ser
incrementado, dinamizando-se a alocação de recursos (internacionais, nacionais e estaduais), para que
esse órgão seja estruturado, capacitando-o para atender mais dinamicamente a população do Estado.

Para os municípios que não poderão ser atendidos por fontes superficiais na bacia do Canindé, previu-se
a implantação de unidades de dessalinização, tendo em vista a inexistência de informações seguras
sobre a qualidade das águas subterrâneas.

Foram previstos para serem contemplados com unidades de dessalinização os povoados e outros
aglomerados da zona rural dos seguintes municípios:
− Coronel José Dias, São Raimundo Nonato, São Lourenço do Piauí, Bonfim do Piauí, Várzea Branca,
São Brás do Piauí, Anísio de Abreu, Gervásio Oliveira, São João do Piauí, Ribeira do Piauí, Pajeú do
Piauí, Canto do Buriti, Flores do Piauí, São José do Peixe, São Miguel do Fidalgo, São Francisco do
Piauí, Nazaré do Piauí, Paulistana, Acauã, Bela Vista do Piauí, Isaías Coelho, Simplício Mendes,
Conceição do Canindé, Marcolândia, Simões, Caridade do Piauí, Curral Novo do Piauí, Caldeirão
Grande do Piauí, Alegrete do Piauí, Francisco Macedo, Padre Marcos, Belém do Piauí, Jaicós,
Massapé do Piauí, Patos do Piauí, São Julião, Vila Nova do Piauí, Alagoinha do Piauí, Monsenhor
Hipólito, Pio IX, São José do Piauí, São João da Canabrava, Bocaina, São Luís do Piauí, Santana do
Piauí, Sussuapara, Picos, Santo Antônio de Lisboa, Francisco Santos, Fronteiras, Santa Cruz do
Piauí, Paquetá, Dom Expedito Lopes, São João da Varjota, Floresta do Piauí e Wall Ferraz.

6.1.5 - Programa de Saneamento Básico

O PAC – Programa de Aceleração do Crescimento do governo federal também prever diversas obras de
saneamento, como: esgotamento sanitário, saneamento rural, saneamento de áreas quilombolas,
melhorias sanitárias e saneamento integrado, contemplando mais de 100 municípios do Estado
totalizando um investimento na ordem de R$ 277.465.200.000,00. Os municípios contemplados com as
respectivas obras podem ser vistos nos Quadros 6.6 a 6.10.

156
Quadro 6.6 – Municípios contemplados pelo PAC com obras de esgotamento sanitário
Investimento Previsto
Município Beneficiado Proponente Bacia Hidrográfica Estágio
2007-2010 (Milhares)
Bela Vista do Piauí Município Canindé/Piauí 750,00 Contratação
Campo Alegre do Fidalgo Município Canindé/Piauí 400,00 Contratação
Campo Grande do Piauí Município Canindé/Piauí 700,00 Contratação
Curral Novo do Piauí Município Canindé/Piauí 800,00 Contratação
Jaicós Estado Canindé/Piauí 4.000,00 Contratação
Jurema Estado Canindé/Piauí 450,00 Contratação
Monsenhor Hipólito Estado Canindé/Piauí 900,00 Contratação
Patos do Piauí Estado Canindé/Piauí 800,00 Contratação
Pedro Laurentino Município Canindé/Piauí 400,00 Contratação
Picos Estado Canindé/Piauí 6.000,00 Contratado
Picos Município Canindé/Piauí 5.139,80 Contratação
São João da Canabrava Estado Canindé/Piauí 700,00 Contratação
Tanque do Piauí Município Canindé/Piauí 700,00 Contratação
Vila Nova do Piauí Município Canindé/Piauí 450,00 Contratação
Marcos Parente Município Difusas da Barragem Boa Esperança 2.300,00 Contratação
Porto Alegre do Piauí Município Difusas da Barragem Boa Esperança 700,00 Contratação
Joca Marques Município Difusas do Baixo Parnaíba 900,00 Contratação
Parnaíba Estado Difusas do Baixo Parnaíba 22.827,70 Contratado
Amarante Estado Difusas do Médio Parnaíba 2.850,00 Contratação
Curralinhos Município Difusas do Médio Parnaíba 700,00 Contratação
Hugo Napoleão Estado Difusas do Médio Parnaíba 1.600,00 Contratação
Teresina Estado Difusas do Médio Parnaíba 60.281,60 Contratado
Teresina Estado Difusas do Médio Parnaíba 44.000,00 Contratação
Guaribas Estado Gurguéia 800,00 Contratação
Batalha Estado Longá 3.800,00 Contratação
Piracuruca Estado Longá 3.800,00 Contratação
São João da Fronteira Município Longá 1.200,00 Contratação
Agricolândia Estado Poti 2.250,00 Contratação
Castelo do Piauí Estado Poti 2.850,00 Contratação
Inhuma Estado Poti 2.800,00 Contratação
Lagoa do Piauí Município Poti 700,00 Contratação
Milton Brandão Município Poti 1.200,00 Contratação
Novo Santo Antônio Município Poti 350,00 Contratação
Total de Investimento 178.099,10  

157
Quadro 6.7 – Municípios contemplados pelo PAC com obras de
melhorias sanitárias domiciliares
Investimento Previsto
Município Beneficiado Proponente Bacia Hidrográfica Estágio
2007-2010 (Milhares)
Bela Vista do Piauí Município Canindé/Piauí 200,00 Contratação
Campo Alegre do Fidalgo Município Canindé/Piauí 200,00 Contratação
Campo Grande do Piauí Município Canindé/Piauí 450,00 Contratação
Curral Novo do Piauí Município Canindé/Piauí 400,00 Contratação
Jaicós Município Canindé/Piauí 800,00 Contratação
Jurema Município Canindé/Piauí 250,00 Contratação
Monsenhor Hipólito Município Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Patos do Piauí Município Canindé/Piauí 300,00 Contratação
Pedro Laurentino Município Canindé/Piauí 200,00 Contratação
São João da Canabrava Município Canindé/Piauí 250,00 Contratação
Tanque do Piauí Município Canindé/Piauí 450,00 Contratação
Vila Nova do Piauí Município Canindé/Piauí 350,00 Contratação
Marcos Parente Município Difusas da Barragem Boa Esperança 650,00 Contratação
Porto Alegre do Piauí Município Difusas da Barragem Boa Esperança 250,00 Contratação
Joca Marques Município Difusas do Baixo Parnaíba 500,00 Contratação
Amarante Município Difusas do Médio Parnaíba 900,00 Contratação
Curralinhos Município Difusas do Médio Parnaíba 450,00 Contratação
Hugo Napoleão Município Difusas do Médio Parnaíba 650,00 Contratação
Guaribas Município Gurguéia 450,00 Contratação
Batalha Município Longá 800,00 Contratação
Piracuruca Município Longá 900,00 Contratação
São João da Fronteira Município Longá 400,00 Contratação
Agricolândia Município Poti 800,00 Contratação
Castelo do Piauí Município Poti 800,00 Contratação
Inhuma Município Poti 500,00 Contratação
Lagoa do Piauí Município Poti 450,00 Contratação
Milton Brandão Município Poti 500,00 Contratação
Novo Santo Antônio Município Poti 200,00 Contratação
Total de Investimento 13.400,00  

Quadro 6.8 – Municípios contemplados pelo PAC com obras de


saneamento em áreas quilombolas
Bacia Investimento Previsto
Município Beneficiado Proponente Estágio
Hidrográfica 2007-2010 (Milhares)
Paulistana Município Canindé/Piauí 560,00 Contratado
São João da Varjota Funasa Canindé/Piauí 10,40 Contratado
Altos Funasa Longá 328,40 Contratado
Assunção do Piauí Município Poti 367,10 Contratado
Total de Investimento 1.265,90  

Quadro 6.9 - Municípios contemplados pelo PAC com obras de saneamento integrado
Investimento Previsto
Município Beneficiado Proponente Bacia Hidrográfica Estágio
2007-2010 (Milhares)
Floriano Município Difusas do Médio Parnaíba 10.001,60 Contratação
ParnaÌba Município Difusas do Baixo Parnaíba 34.954,20 Contratado
ParnaÌba Município Difusas do Baixo Parnaíba 17.083,00 Contratação
Teresina Município Difusas do Médio Parnaíba 21.008,40 Contratado
Total de Investimento 83.047,20  

158
Quadro 6.10 - Municípios contemplados pelo PAC com obras de saneamento rural
Investimento Previsto
Município Beneficiado Proponente Bacia Hidrográfica Estágio
2007-2010 (Milhares)
Ilha Grande Santa Izabel Funasa 585,10 Contratado
Acauã Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Alagoinha do Piauí Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Alegrete do Piauí Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Anísio de Abreu Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Belém do Piauí Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Bonfim do Piauí Estado Canindé/Piauí 33,10 Contratado
Capitão Gervásio Oliveira Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Caridade do Piauí Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Coronel José Dias Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Curral Novo do Piauí Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Dirceu Arcoverde Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Dom Inocêncio Estado Canindé/Piauí 33,10 Contratado
Fartura do Piauí Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Francisco Macedo Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Francisco Santos Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Fronteiras Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Jacobina Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Jaicós Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Jurema Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Lagoa do Barro Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Marcolândia Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Padre Marcos Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Paulistana Estado Canindé/Piauí 33,10 Contratado
Picos Estado Canindé/Piauí 33,10 Contratado
Queimada Nova Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Santana do Piauí Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
São João da Canabrava Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
São João do Piauí Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
São Julião Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
São LuÌs do Piauí Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
São Raimundo Nonato Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Simões Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Várzea Branca Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Vila Nova Estado Canindé/Piauí 16,50 Contratado
Luzilândia Funasa Difusas do Baixo Parnaíba 14,30 Contratado
União Estado Difusas do Baixo Parnaíba 16,50 Contratado
Amarante Estado Difusas do Médio Parnaíba 16,50 Contratado
Curralinhos Estado Difusas do Médio Parnaíba 49,60 Contratado
Jardim do Mulato Estado Difusas do Médio Parnaíba 16,50 Contratado
Santo Antônio dos Milagres Estado Difusas do Médio Parnaíba 16,50 Contratado
Avelino Lopes Estado Gurguéia 16,50 Contratado
Redenção do Gurguéia Funasa Gurguéia 31,90 Contratado
Pavussu Funasa Itaueira 30,80 Contratado
Campo Maior Estado Longá 33,10 Contratado
José de Freitas Estado Longá 16,50 Contratado
Água Branca Estado Poti 16,50 Contratado
Assunção do Piauí Estado Poti 16,50 Contratado
Barro Duro Estado Poti 16,50 Contratado
Beneditinos Estado Poti 33,10 Contratado
Monsenhor Gil Estado Poti 49,60 Contratado
Passagem Franca do Piauí Estado Poti 49,60 Contratado
Total de Investimento 1.653,00  

159
No Quadro 6.11 apresentam-se as bacias com a Quadro 6.11 – Proposta de Saneamento para
ordem de prioridade de implantação do sistema de as 12 bacias com a respectiva prioridade
esgotamento sanitário em cada delas.
Bacia Prioridade
Ressalta-se que este programa deverá expandir as Parnaíba C
Canindé C
ações de saneamento para os demais municípios do Poti M
Estado que não foram contemplados com as obras Longá M
Gurguéia L
do PAC. Itaueira L
Uruçuí Preto L
Devido ao rompimento da barragem Algodões I na Piranji E
bacia do Piaranji, prevê-se também, em caráter Difusas do Litoral C
Legenda: L – Longo Prazo; M – Médio Prazo; C
emergencial, a elaboração e implantação de um – Curto Prazo; E – Caráter Emergencial.

sistema de esgotamento sanitário para os municípios


da bacia.

A curto prazo prevê-se a elaboração de projetos e a implantação de sistemas de esgotamento sanitário


para as bacias do Parnaíba, Difusas do Litoral e Canindé.

Já para médio prazo prevê-se a elaboração de projetos e a implantação de sistemas de esgotamento


sanitário nas bacias do Poti e Longá.

E por fim, a longo prazo, presume-se a elaboração de projetos e a implantação de sistemas de


esgotamento sanitário nas bacias do Gurguéia, Itaueira e Uruçuí Preto.

6.2 - PROGRAMA HIDROAGRÍCOLA PARA O ESTADO DO PIAUÍ


O Programa Hidroagrícola deve promover o desenvolvimento da agricultura irrigada no Estado do Piauí,
buscando o aproveitamento racional e sustentável dos solos irrigáveis, com base em critérios de viabilidade
técnica, sustentabilidade econômica, inclusão social e preservação ambiental.

O Programa orienta-se pelos seguintes princípios:

− Utilização racional dos solos destinados à irrigação, com prioridade para o de maior beneficio sócio-
econômico e ambiental;
− Integração com as políticas setoriais de saneamento, meio ambiente e recursos hídricos, visando à
utilização harmônica dos recursos naturais, especialmente as disponibilidades hídricas;
− Preferência por técnicas de irrigação de menor consumo de água por área irrigada;
− Integração e articulação das ações do setor público na promoção da agricultura irrigada, nas
diferentes instâncias de governo;
− Integração entre as indicativas e ações dos setores público e privado; e
− Gestão participativa dos projetos de irrigação.

A meta do Programa é a irrigação de áreas agrícolas distribuídas da seguinte maneira:

160
− No curto prazo (até o ano 2015): irrigação de 14.000 ha na bacia do Poti, com água da barragem
Castelo, programada para ser construída pelo PAC.
− No médio prazo (do ano 2016 à 2020): 15.000 ha com os recursos hídricos da UHE de Uruçuí,
15.000 ha da UHE de Ribeiro Gonçalves, 20.000 ha da bacia do Canindé, considerando a fonte
hídrica proveniente do Plano de Integração de Bacias; 10.500 ha na Bacia do Longá, nas áreas
dominadas pelos açudes Tinguis e Piracuruca e Caldeirão, 10.500 ha nas bacias Difusas do Baixo
Parnaíba, referentes ao Projeto de Irrigação Tabuleiros Litorâneos e Lagoas do Piauí e 13.828,60 ha
referentes ao Projeto de Irrigação dos Platôs de Guadalupe nas Bacias Difusas da Barragem Boa
Esperança;
− No longo prazo (do ano 2021 ao ano 2030): 30.000 ha na bacia do Gurguéia e 9.500 ha na bacia do
Itaueira.

Os perímetros irrigados deverão ser abastecidos, preferencialmente, pelos mananciais superficiais. Devido ao
regime dos cursos d’ água, o suprimento dos projetos só se dará por meio de barramentos, que acumulam água
no período das chuvas, possibilitando a sua liberação nos períodos de demanda; com exceção de 30.000 ha da
bacia do Gurguéia, que serão irrigados por 300 poços, e 10.500 ha da bacia do Itaueira, que serão irrigados por
100 poços, ambos contemplados no programa de ampliação da ofertra hídrica.

Salienta-se que os 30.000 ha da bacia do Gurguéia deverão ser executados em três áreas de irrigação,
e na bacia do Longá os 16.000 ha previstos deverão ser executados em duas áreas, envolvendo a
região dos açudes Mesa de Pedra, Tinguis, Piracuruca e Caldeirão.

Sendo a fonte hídrica o principal fator limitante, as áreas irrigadas serão implantadas de acordo com a
capacidade de regularização dos diversos barramentos. Por esta razão, as metas programadas são
agrupadas em função de cada barragem existente, em construção ou projetada.

A superfície a ser irrigada em função de cada barramento foi estabelecida com o objetivo de atender as
demandas, conforme diversos cenários de usos múltiplos dos recursos hídricos e de construção de
obras de regularização nas bacias estaduais, inclusive, considerando a integração dos rios São
Francisco/Piauí, a partir do Plano de Integração de Bacias.

No Quadro 6.12 está apresentada a quantificação da ampliação das áreas a serem irrigadas conforme
essas considerações no cenário otimista acelerado em relação ao ano 2010 e, o Quadro 5.13 mostra a
distribuição dessa projeção até ofinal do horizonte do Plano.

161
Quadro 6.12 – Ampliação das Áreas Irrigadas no Cenário Otimista Acelerado por
Bacia Hidrográfica em Relação a 2010
Área Irrigada
Bacia
Projetada
Difusas do Alto Parnaíba 14.800
Uruçuí Preto 14.700
Gurguéia 30.000
Boa Esperança 12.650
Itaueiras 9.500
Canindé/Piauí 28.000
Poti 12.000
Médio Parnaíba 4.000
Baixo Parnaíba 16.650
Longá 16.000
Piranji 504
Difusas do Litoral 1.280
Total 160.084

Quadro 6.13 – Projeção da Área Irrigada para o Cenário Otimista Acelerado


Área Irrigada (ha)
Bacia Ano Base
2015 2020 2025 2030
2010
Difusas do Alto Parnaíba 274 4.024 7.800 12.000 15.000
Uruçuí Preto 300 4.050 7.800 12.000 15.000
Gurguéia 3.914 16.414 27.000 30.000 34.273
Boa Esperança 3.134 6.873 10.500 12.000 15.000
Itaueira 502 3.002 5.500 7.000 10.000
Canindé/Piauí 8.533 13.533 18.500 25.000 35.000
Poti 3.657 7.157 10.600 12.000 15.000
Médio Parnaíba 1.017 1.017 2.000 3.500 5.000
Baixo Parnaíba 5.831 8.488 11.200 15.000 24.000
Longá 4.913 7.538 10.200 15.000 21.000
Piranji 269 269 800 900 1.100
Difusas do Litoral 645 645 1.500 1.600 2.700
Total 32.990 73.010 113.400 146.000 193.073

A área irrigada a ser acrescida será de 160.083 ha que somada a área irrigada atual de 32.990 ha
resulta no valor planejado da área irrigada no horizonte do projeto de 193.073 ha.

Os projetos de irrigação deverão ser implementados sob a iniciativa do governo do Estado do Piauí, com
apoio do Governo Federal, consoante a Política Nacional de Irrigação e Drenagem e a legislação em vigor.

A Política Nacional de Irrigação considera três tipos de projetos de irrigação: projetos públicos, projetos
privados e projetos mistos.

Os projetos públicos referem-se aos empreendimentos planejados e implementados pelo setor público,
para serem explorados por produtores selecionados por critérios de qualificação, inclusive os que vierem
a ser reassentados.

162
Os projetos privados são aqueles em que o empreendimento de irrigação é implantado e explorado às
expensas do próprio produtor (pessoa física ou jurídica). Significa dizer que esse produtor pode trabalhar
com crédito e incentivos concedidos pelo governo e com recursos próprios ao longo do tempo. O
desenvolvimento destes tem obedecido as seguintes estratégias:

− instalados e explorados por produtores que recebem do governo apenas assistência creditícia;
− postos em ação por produtores que podem contar, além do crédito, com apoio para a construção de
obras de infra-estrutura (linha de transmissão e/ou de distribuição de energia, assim como redes
elétricas e obras de macro-drenagem e estradas de acesso); e
− conduzidos sob forma cooperativada ou individual podendo, neste caso, os produtores ainda terem
acesso ao crédito rural necessário para a construção de obras de infra-estrutura hidráulica, fora das
parcelas irrigáveis (investimento fora da propriedade).

Os projetos mistos têm sido instalados com recursos do governo federal, dos governos estaduais e da
iniciativa privada, a partir de empreendimentos onde os investimentos em nível de propriedade são
realizados pelos próprios beneficiários. Esta categoria de projetos contribui para a redução dos custos
unitários públicos de implantação das áreas irrigadas.

Sugere-se que a seleção final das áreas a serem irrigadas seja discutida no âmbito dos Comitês de
Bacia, quando formados, envolvendo os beneficiários em potencial e considerando os parâmetros
econômicos e sociais do empreendimento.

As áreas selecionadas deverão ser organizadas em projetos de perímetros irrigados, definindo seu
modelo, de acordo com as diretrizes respaldadas pela Política Nacional de Irrigação. A implementação
dos projetos deverá passar pelas etapas de estudo de viabilidade, projeto básico, projeto executivo,
implantação e funcionamento.

As áreas atualmente sob irrigação no Estado, deverão ser submetidas a uma avaliação técnica para
definir a maneira com que estão sendo conduzidas quanto a fatores como eficiência de irrigação,
adequabilidade das variedades de culturas exploradas e conservação da água e do solo, dentre outros.
Somente as propriedades com áreas adequadamente irrigadas ou as que se sujeitem a corrigir os
problemas inerentes à atividade, deverão receber a outorga de água para irrigação e ter acesso a
determinadas linhas de financiamento.

As outorgas de água para irrigação de novas áreas deverão ser concedidas somente onde, além da
disponibilidade de água – desde que não se ultrapassem os limites estabelecidos para a região, tenha
aprovado o projeto de estabelecimento de agricultura irrigada pelo órgão competente.

Serão realizados estudos para implantação de sistemas de drenagem nos pontos mais críticos das áreas
atuais e das novas áreas de irrigação. Nos projetos maiores onde esses sistemas são mais necessários
deverão ser previstos esquemas para utilização da água de drenagem, seja na produção agrícola ou em
outros usos.

163
As pesquisas de apoio à agricultura irrigada na região deverão ficar a cargo principalmente da
EMBRAPA e da Universidade do Piauí, devendo a divulgação de resultados em nível de produtor ser
realizada pelo serviço de assistência técnica a ser estabelecido pela instituição gestora dos projetos,
podendo-se, inclusive, utilizar serviços terceirizados de empresas especializadas.

O programa de ampliação da área irrigada proposta no RT-7 baseou-se em uma cesta de produtos a
serem explorados, centrada na produção de culturas de commodities, como soja, algodão, milho,
mamona, cana-de-açúcar e fruticultura, que permitirão ao homem rural auferir rendas superiores à obtida
na agricultura de subsistência.

Segundo informações do Projeto de Irrigação de Guadalupe do Departamento Nacional de Obras Contra


as Secas – DNOCS, o custo por hectare, considerando toda a infra-estrutura necessária é de
R$ 30.000,00 / ha. Sendo assim, estima-se um valor de R$ 4.802.490.000,00 para irrigar os 160.083 ha
prosposto para o Estado.

6.3 - PROGRAMA DE AÇUDAGEM PARA AS BACIAS DE 3ª ORDEM


O conceito de disponibilidade da água nas bacias do semi-árido mesmo nas regiões de transição do Estado
do Piauí, apresenta uma característica própria das regiões banhadas por rios intermitentes. Com exceção do
rio Parnaíba, que se alimenta de mananciais provenientes de bacias sedimentares da formação cerrado do
sul do Maranhão e Piauí. As bacias que integram o território piauiense, são formadas por cursos d’água com
grande variação entre as vazões naturais máximas, no período das estações chuvosas, e o período seco do
ano, quando a maioria dos rios está vazio, ou sem nenhum escoamento.

A rigor, o volume d’água disponível numa bacia nessa região com garantia de uso para atividade
econômica de maior porte como abastecimento, irrigação, aqüicultura por exemplo, somente se
configura mediante a descarga regularizada nos açudes, uma vez que a água subterrânea tem uso
limitado e pontual. Embora o Estado do Piauí disponha de importante lençol subterrâneo capaz de
abastecer cidades e irrigar o solo, não é capaz de alimentar a vazão dos rios. Portanto, a única
forma viável para manter o escoamento dos cursos d’água, é o açude de grande porte.

Nestas condições, toda compatibilização objetiva da oferta d’água com qualquer tipo de uso consuntivo,
necessita que se estabeleça uma visão territorial mais próxima da realidade. Esta proposta preconiza um
modelo capaz de representar a possibilidade real de controle hidráulico da base hidrográfica. Isto implica,
sobretudo, no controle de sub-bacias secundárias onde é mais fácil reservar água em boqueirões localizados
nos afluentes, reduzindo custos, viabilizando barramentos, melhormente distribuídos no território, alcançando
as sedes municipais e perenizando cursos d’água nas áreas estategicas, vicinais, e, nas nascentes dos
cursos d’ água das bacias.

6.3.1 - A Tese da Sub-bacias de Terceira Ordem

Neste conceito foram definidas como sub-bacias de terceira ordem hidrológica os afluentes formadores
das bacias principais, inclusive os trechos do rio principal no alto da bacia. Esta modelagem permite
complementar a ação federal do DNOCS que no Nordeste estabeleceu o controle dos rios de 1ª e 2ª

164
ordem, principalmente nos Estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Como
exemplo da objetividade desse modelo, o Ceará através dos programas PROURB, PROGERIRH,
PROÁGUA e outros, com o apoio do Banco Mundial, construiu um conjunto de açudes de porte médio
no âmbito das bacias de 3ª ordem, contemplando o território cearense, com reservatórios capazes de
atender mais densamente o espaço da bacia e as sedes municipais do interior situados longe do leito
dos rios de 1ª e 2ª ordem. Um outro exemplo marcante dessa tese está presente no próprio Estado do
Piauí: os açudes construídos no território piauiense em convênio com o governo federal nas regiões mais
áridas do Estado nas bacias dos rios Poti, Canindé e Piauí, são típicas desta tese. São as barragens
Caldeirão, no rio Caldeirão; Piracuruca, no rio Piracuruca; Petrônio Portela, e Jenipapo no rio Piauí (2ª
ordem); Pedra Redonda, no rio Pedra Redonda, Salinas, no rio Salinas; Poço de Marruá, no rio Itaim;
Algodões, no rio Piranji e etc.

Há uma premissa quase generalizada na hidrologia do semi-árido que mesmo bem planejado o
controle das bacias de forma densa, o volume regularizado atinge um valor em torno de um terço
do potencial bruto afluente na bacia. Este número permitiu estimar a oferta ou disponibilidade
efetiva dos cursos d’água na sub-bacia, e como tal um parâmetro medidor dos possíveis cenários
de conflito e confronto nessas áreas hipoteticamente controladas por futuras ações de açudagem.

O programa propõe a construção desses reservatórios nas sub-bacias de 3ª ordem (Mapa 6.2), a fim de
controlar e proporcionar um melhor atendimento tanto nas bacias quanto nos municípios que tem sua
sede, distante dos principais leitos de rios do Estado.

Inicialmente será proposto a elaboração do Estudo de Viabilidade de 50 barragens em rios de 3ª ordem


nas Bacias Hidrográficas do Piauí.

165
Mapa 6.2 – Bacias do Estado Divididas em Sub-bacias de

166
6.4 - PROGRAMA DE RECUPERAÇÃO DE BARRAGENS
Segundo Canali (2002), a segurança de barragens é um tema de crescente importância, como revela
uma tendência internacional recente em direção à organização, perfeiçoamento e institucionalização de
sistemas de controle público destas obras. Várias são as razões que explicam tal tendência, entre elas:

i) o envelhecimento de um grande número de barragens construídas, muitas delas, há mais de


um século, que naturalmente suscita preocupação quanto à integridade, estabilidade e bom
funcionamento destas estruturas e a necessidade de avaliação sistemática de seu estado e de
seu desempenho;

ii) a experiência e o desenvolvimento da tecnologia, relacionados com o projeto, a construção e a


operação de barragens, que permite melhor identificação dos fatores intervenientes na
segurança e de medidas corretivas eventualmente necessárias;
iii) a crescente dependência da sociedade em relação ao suprimento regular e confiável de água e
de outros benefícios proporcionados pelas barragens, suscitando o interesse de estender tanto
quanto possível a sua vida útil;
iv) a necessidade de minimizar riscos e evitar efeitos catastróficos, em caso de ruptura,
especialmente a perda de vidas humanas e impactos sobre o ambiente;

v) o interesse em bem caracterizar as responsabilidades dos agentes envolvidos nas diversas


fases de concepção, implantação, operação e descomissionamento de barragens, assim como
em situações de risco iminente ou de emergência.

vi) o interesse em envolver e conscientizar o público quanto às práticas de ocupação e uso do


solo no entorno de barragens e reservatórios e suas interferências sobre a segurança dos
mesmos.

Além das conseqüências com prejuízos diretos, como a perda de vidas humanas e os danos materiais
na barragem e nas zonas inundadas, há ainda que considerar os prejuízos indiretos resultantes da
interrupção das atividades produtivas nas zonas afetadas, da impossibilidade de exploração dos
recursos hídricos e os resultantes de traumas psicológicos e físicos nos sobreviventes. A determinação
exata do valor total dos prejuízos torna-se assim difícil, se não mesmo impossível, pois a atribuição de
valor à vida humana é um aspecto que suscita questões de ordem moral, muito profundas (MENESCAL,
2009).

Atualmente, a necessidade de construção de novas barragens, soma-se a preocupação com a


recuperação e manutenção de barragens já existentes. Pelos mais diversos motivos, muitas destas
obras não receberam, ao longo dos anos, os cuidados necessários à sua manutenção. Estes motivos
vão desde comportamentos arraigados em nossa cultura, que privilegiam a construção de novas
barragens em detrimento da garantia de recursos para a operação e manutenção das existentes, até a
extinção de órgãos (como o antigo DNOS) e falência de empresas, que deixaram suas barragens numa
espécie de limbo administrativo (MENESCAL, 2009).

167
Considerando que as barragens no Estado são bastante antigas, este Programa propõe a recuperação
dos maciços, vertedouros e tomadas d’água de 29 barragens do Piauí, visando manter suas seguranças.
O programa prever um investimento da ordem de R$ 12.010.000,00.

Como o PERH / PI tem 20 anos de horizonte, sugere-se que as recuperações sejam realizadas de 5 em
5 anos, da seguinte forma:

− Prazo de 5 anos - recuperar as barragens: Piracuruca, Petrônio Portela, Poços, Joana, Jenipapo,
Pedra Redonda e Bocaina (Quadro 6.14);
− Prazo de 10 anos - recuperar as barragens: Bezerros, Cajazeiras, Ingazeiras, Barreiras, Corredores,
Algodões I e Nonato (Quadro 6.14);
− Prazo de 15 anos - recuperar as barragens: Aldeias, Caracol, Pé de Serra, Bonfim, Anajás, Mesa de
Pedra, Campo Maior e Salinas (Quadro 6.14);
− Prazo de 20 anos - recuperar as barragens: Caldeirão, Beneditinos, Salgadinha, Algodões II, Fartura,
Estreito, Malhadinha e Poços I (Quadro 6.14).
Quadro 6.14 – Barragens a Serem Recuperadas
Capacidade Total
Prioridade Bacia Reservatório Município Rio Barrado
(m³) (R$ 1000,00)
1 Longá PIRACURUCA PIRACURUCA 250.000.000 PIRACURUCA 3.200,00
2 Canindé/Piauí PETRÔNIO PORTELA S. RAIMUNDO NONATO 181.248.100 PIAUÍ 1.750,00
3 Itaueira POÇOS ITAUEIRA 43.000.000 ITAUEIRA 480,00
4 Poti JOANA PEDRO II 10.670.000 CORRENTE 230,00
5 Canindé/Piauí JENIPAPO S. JOÃO DO PIAUÍ 248.000.000 PIAUÍ 670,00
CONCEIÇÃO DO
6 Canindé/Piauí PEDRA REDONDA 216.000.000 CANINDÉ 1.620,00
CANINDÉ
7 Canindé/Piauí BOCAINA BOCAINA 106.000.000 DAS GUARIBAS 1.000,00
8 Longá BEZERROS JOSÉ DE FREITAS 11.000.000 RCH BEZERRO 260,00
9 Canindé/Piauí CAJAZEIRAS PIO IX 24.702.000 CONDADO 200,00
10 Canindé/Piauí INGAZEIRAS PAULISTANA 25.719.750 CANINDÉ 100,00
11 Canindé/Piauí BARREIRAS FRONTEIRAS 52.800.000 CATOLÉ 230,00
12 Longá CORREDORES CAMPO MAIOR 60.000.000 JENIPAPO 150,00
13 Longá ALGODOES I (1) COCAL PIRANJI 12.750,00
14 Canindé/Piauí NONATO DOM INOCÊNCIO 9.021.250 CACIMBAS 50,00
SÃO RAIMUNDO
15 Canindé/Piauí ALDEIAS 7.235.250 PIAUÍ 50,00
NONATO
16 Canindé/Piauí CARACOL CARACOL 585.000 RACHO CARACOL 30,00
RIACHO PÉ DE
17 Longá PÉ DE SERRA PIRIPIRI 54.000 30,00
SERRA
18 Canindé/Piauí BOM FIM BOM FIM 3.821.250 RIO PIAUÍ 40,00
19 Longá ANAJÁS PIRIPIRI 1.282.600 RCH. AZEDO 150,00
20 Poti MESA DE PEDRA VALENÇA 55.000.000 SAMBITO 120,00
AÇUDE CAMPO
21 Longá CAMPO MAIOR 600.000 50,00
MAIOR
S. FRANCISCO DO
22 Canindé/Piauí SALINAS 387.407.413 SALINAS 600,00
PIAUÍ
23 Longá CALDEIRÃO PIRIPIRI 54.600.000 CALDEIRÃO 250,00
24 Poti BENEDITINOS BENEDITINOS 4.290.000 R. TABOQUINHA 160,00
25 Canindé/Piauí SALGADINHA SIMOES 25.000.000 RCH DO GENTIO 80,00
26 Gurgueia ALGODOES II CURIMATÁ 247.000.000 CURIMATÁ 360,00
RCH PAU
27 Canindé/Piauí FARTURA FARTURA 4.130.000 0,00
FERRADO
28 Canindé/Piauí ESTREITO PADRE MARCOS 19.000.000 BOA ESPERANCA 80,00
RIACHO
29 Canindé/Piauí MALHADINHA DIRCEU ARCO VERDE 2.076.000 30,00
RIACHINHO
30 Canindé/Piauí POÇOS I SIMPLÍCIO MENDES 911.140 R. SALINA 40,00
TOTAL 24.760,00
(1) - Barragem rompida em Maio/2009

168
7 - PROGRAMAS NÃO-ESTRUTURAIS

169
7 - PROGRAMAS NÃO-ESTRUTURAIS
As propostas chamadas não estruturais têm como objetivo principal à indicação de ações de natureza
institucional, técnica e administrativa, que assegurem a utilização racional, recuperação e preservação
dos recursos naturais, dando suporte ao planejamento e gestão dos recursos naturais, dentro da política
de desenvolvimento sustentável.

Essa preocupação com o aproveitamento racional dos recursos hídricos tem se materializado através de
diversas ações voltadas para este setor, mais especificamente no âmbito das bacias hidrográficas, que
vão desde a elaboração do Plano Estadual de Recursos Hídricos até a estruturação de organizações de
usuários da água (comitês de bacias) e o estabelecimento do sistema de outorga/tarifação do uso da
água, entre outros.

Assim sendo, a estratégia dos programas não-estruturais propostos foi centrada em 5 eixos
estruturadores das metas/ações prioritárias a serem empreendidas:

− O eixo Medidas Mitigadoras de Redução da Carga Poluidora; que abrange ações de disciplinamento
do lançamento de efluentes sanitários, de disciplinamento da coleta, reciclagem e disposição final de
resíduos sólidos, de coleta seletiva sustentável em comunidades de baixa renda e de controle do uso
de agrotóxicos;
− O eixo Medidas Mitigadoras de Controle Quantitativo das Demandas; englobando ações voltadas
para a Redução e Controle de perdas nos Sistemas de Abastecimento d’água, o controle do uso da
água na irrigação e controle da superexplotação de aqüíferos;
− O eixo Medidas Mitigadoras dos Impactos em Componentes Naturais e Antrópicos Associados aos
Recursos Hídricos, que abrange o manejo conservacionista do solo e da água e a delimitação e
reflorestamento das matas ciliares dos cursos e mananciais d’água;
− O eixo Incentivo a Adoção do ICMS Ecológico que tem como objetivo estimular as administrações
municipais a desenvolverem ações em prol da conservação da biodiversidade e do desenvolvimento
sustentável através da aplicação do ICMS Ecológico, que teve sua lei recentemente promulgada no
Estado do Piauí;
− O eixo Programa de Monitoramento e Fiscalização Ambiental – que orienta, para assegurar o
controle sistemático da qualidade dos recursos hídricos e dos solos, bem como da qualidade de vida
da população local, de modo a que sejam adotadas as medidas cabíveis sempre que se fizer
necessário, garantindo junto com o sistema de fiscalização e controle a preservação do meio
ambiente;
− O eixo Incentivo à Gestão Municipal do Meio Ambiente visa à descentralização da ação da SEMAR,
através do estímulo à gestão municipal do meio ambiente, permitindo um controle mais efetivo das
atividades poluidoras;
− Por fim, o eixo Educação Ambiental permeando os demais eixos, visa assegurar através da difusão
de conceitos e práticas de uso e conservação dos recursos naturais, à formação de uma consciência

170
pública sobre as questões ambientais, promovendo a participação da população na defesa e
proteção do meio ambiente e dos recursos hídricos.

Os eixos estratégicos se desdobram em metas/ações prioritárias, tendo como áreas de atuação


preferencial, aquelas com atividades de riscos iminentes ou configurados com alterações de qualidade
dos recursos hídricos.

A análise do quadro sócio-econômico e ambiental vigente no Estado do Piauí permitiu selecionar um


conjunto de metas/ações prioritárias vinculadas à questão ambiental, de modo a garantir que o
desenvolvimento a longo prazo do território piauiense seja suportável pelo ambiente natural. As referidas
metas/ações são apresentadas nos itens a seguir.

7.1 - MEDIDAS MITIGADORAS DE REDUÇÃO DA CARGA POLUIDORA


7.1.1 - Programa de Disciplinamento da Coleta e Tratamento de Efluentes Sanitários

7.1.1.1 - Objetivos e Metas a Serem Atingidas

O programa ora proposto visa, eliminar fontes de degradação dos recursos hídricos relacionadas ao
lançamento de efluentes sanitários, através da promoção da sua coleta e tratamento adequados nos
núcleos urbanos integrantes do território estadual, devendo ser definidas áreas-alvo a serem priorizadas.

Objetiva, ainda, difundir junto aos produtores rurais e pecuaristas da região, informações sobre as
principais questões concernentes ao reúso de esgotos tratados, procurando incutir os benefícios
econômicos e ambientais advindos com a adoção desta prática.

A priori as metas a serem atingidas pelo programa proposto são:

− Implantação de sistemas de esgotamento sanitário nas sedes municipais com população acima de
15.000 habitantes, sendo priorizadas as mais populosas;
− Ampliação dos sistemas de esgotamento sanitário das sedes dos municípios de Teresina, Parnaíba,
Picos, Oeiras e Corrente, as quais apresentam contingentes populacionais acima de 15.000
habitantes, além de constituírem pólos econômicos;
− Implantação de sistemas de esgotamento sanitário nas sedes municipais posicionadas na retaguarda
de mananciais hídricos estratégicos para o desenvolvimento do Estado; nas sedes municipais com
elevado nível de industrialização; nas sedes municipais com potencial turístico elevado; nas sedes
municipais posicionadas na retaguarda de ambientes naturais frágeis;
− Efetuar estudo para identificação das localidades rurais com população acima de 1.000 habitantes
situadas na retaguarda de açudes estratégicos ou em áreas com potencial turístico, e que contam
com sistemas de abastecimentos d’água, para a proposição de implantação de sistema de coleta e
tratamento de esgotos, através do Sistema Integrado de Saneamento Rural – SISAR;
− Implementar um programa de incentivo a interligação dos domicílios existentes nas áreas atendidas
com saneamento básico com a rede coletora de esgotos nos municípios de Teresina e Parnaíba,

171
através de programas de sensibilização da população e do fornecimento de crédito subsidiado com
pagamento parcelado nas contas de água e esgoto para a população de baixa renda;
− Elaboração e implementação de um programa de monitoramento da eficiência das Estações de
Tratamento de Esgotos (ETE’s) existentes nos núcleos que já contam com sistemas de esgotamento
sanitário em funcionamento;
− Por fim, deverá ser incentivado o reúso dos efluentes tratados em lagoas de estabilização na
irrigação de capineiras e frutíferas nos municípios que já dispõem de sistemas de esgotamento
sanitário em funcionamento.
7.1.1.2 - Atividades a Serem Desenvolvidas

Inicialmente deverão ser elaborados ou revisados os projetos de engenharia e os respectivos estudos


ambientais dos sistemas de esgotamento sanitário dos núcleos urbanos a serem contemplados pelo
programa proposto. Na elaboração dos projetos de esgotamento sanitário deverão ser levados em conta:

− A compatibilização do projeto com a legislação ambiental pertinente;


− A não interferência das obras de engenharia propostas com áreas de preservação permanente e de
unidades de conservação;
− A compatibilização da qualidade do efluente final com o enquadramento do curso d’água receptor;
− A dotação de geradores a diesel nas estações elevatórias ou a adoção de outra solução que permita
evitar o extravassamento de esgotos por ocasião de falhas no fornecimento de energia elétrica, entre
outros.

Além disso, na locação das Estações de Tratamento de Esgotos (ETE’s), deve ser levado em
consideração a direção dos ventos dominantes em relação às áreas urbanizadas, de modo a controlar o
aporte de odores fétidos.

Tendo em vista que a simples implantação/ampliação de sistemas de coleta e tratamento de esgotos não
constitui garantia de preservação da qualidade da água dos corpos receptores, deverá ser implementado
o monitoramento da eficiência das ETE’s - Estações de Tratamento de Esgotos, bem como a realização
de cursos de capacitação para os operadores dos sistemas, de modo a garantir a sua correta operação e
manutenção. Os programas de monitoramento da eficiência das ETE's devem ser compatíveis com as
contingências de recursos financeiros enfrentados pelas concessionárias.

Outra prática que deverá ser amplamente difundida no território estadual é o reúso do esgoto tratado,
reduzindo assim os riscos de poluição dos recursos hídricos. Com efeito, a reutilização das águas
residuárias evita o seu lançamento nos cursos d'água da região, cujas capacidades de autodepuração
são praticamente nulas em várias regiões do Estado. Além disso, permite o fornecimento d'água para
irrigação em áreas onde há carência hídrica, permitindo o aproveitamento da água disponibilizada para
outros fins. Contribui também para a melhoria da fertilidade do solo (nitrogênio e fósforo), além dos
benefícios sócio-econômicos resultantes do desenvolvimento da agricultura irrigada e da exploração de
engorda de bovinos, entre outras atividades.

172
Quanto à reutilização de esgotos tratados, esta atividade deverá abranger as áreas rurais situadas nas
imediações de núcleos urbanos que já contam com esgotamento sanitário em operação e cujos sistemas
de tratamento estão centrados no uso de lagoas de estabilização. No incentivo a adoção do reúso dos
esgotos tratados deverá ser formulado um programa de disseminação desta prática destinado aos
agricultores e pecuaristas da região, pois somente com a formação de uma consciência popular se
poderá alcançar uma adesão satisfatória. Dentre as medidas a serem adotadas com este fim figuram a
realização de seminários com produtores rurais; divulgação de informações em meios de comunicação
de massa; distribuição de cartilhas educativas; formação de agentes multiplicadores através da
incorporação de conhecimentos sobre reúso de esgotos nas atividades de extensão rural, etc.

7.1.1.3 - Estabelecimento de Parcerias

Na elaboração do Programa de Disciplinamento da Coleta e Tratamento de Efluentes Sanitários e na


implementação das obras e atividades propostas deverão a priori ser estabelecidas parcerias com os
seguintes órgãos: SDR – Secretaria do Desenvolvimento Rural, Prefeituras Municipais, AGESPISA –
Instituto de Águas e Esgotos do Piauí S/A, FUNASA - Fundação Nacional de Saúde e Secretaria de
Educação do Estado do Piauí, entre outros.

7.1.1.4 - Custos de Implantação

Sugere-se que a implantação do Programa de Disciplinamento da Coleta e Tratamento de Efluentes


Sanitários ora proposto procure inicialmente atingir as seguintes metas:

− Ampliação dos sistemas de esgotamento sanitário das cidades de Teresina, Parnaíba, Oeiras e
Corrente, as quais além de abrigarem contingentes populacionais significativos, se constituem em
pólos econômicos e contam com elevados potenciais de industrialização e/ou de desenvolvimento
turístico. As populações de projeto para o ano 2030 são de 837.331 habitantes para Teresina,
136.962 habitantes para Parnaíba; 22.025 habitantes para Oeiras e 16.485 habitantes para Corrente.
A cidade de Picos não foi considerada, devido estar previsto investimentos na ampliação do seu
sistema, elevando seu nível de cobertura para 80,0% ;
− Implantação dos sistemas de esgotamento sanitário das cidades de Floriano, Piripiri e Campo Maior,
as quais polarizam a economia das regiões onde estão inseridas, além de apresentarem
contingentes populacionais significativos e potencial industrial elevado. As populações de projeto
para o ano 2030 foram estimadas em 62.014 habitantes para Floriano, 55.419 habitantes para Piripiri
e 41.741 habitantes para Campo Maior;
− Implantação dos sistemas de esgotamento sanitário das cidades de São Raimundo Nonato, Luís
Correia e Cajueiro da Praia, as quais se caracterizam por apresentar potencial turístico elevado,
estando as duas últimas posicionadas na região litorânea. As populações de projeto para o ano 2030
foram estimadas em 25.433 habitantes para São Raimundo Nonato, 14.441 habitantes para Luís
Correia e 3.329 habitantes para Cajueiro da Praia;

173
− Efetuar campanhas de incentivo a interligação dos domicílios existentes nas áreas atendidas com
saneamento básico à rede coletora de esgotos, nas cidades de Teresina e Parnaíba, através de
programas de sensibilização da população;
− Fiscalização efetiva do monitoramento da eficiência das estações de tratamento de esgotos (ETE’s)
existentes nos núcleos urbanos que contam com sistemas de esgotamento sanitário em operação;
− Efetuar campanhas de incentivo ao reúso dos efluentes tratados em lagoas de estabilização na
irrigação de capineiras e frutíferas nos municípios que contam com sistemas de esgotamento
sanitário em operação.

A base de cálculo para estimativa dos custos de implantação dos projetos de coleta e tratamento de
efluentes sanitários propostos, foram os projetos executivos desenvolvidos para núcleos urbanos do
Estado do Ceará, no âmbito do Projeto Alvorada e do SANEAR II.

Os custos estimados para cada núcleo urbano da área do Plano de Controle Ambiental, tiveram como
horizonte de projeto o ano 2030. O nível de cobertura considerado foi de 100,0% do contingente
populacional para as cidades que não contam com sistemas de esgotamento sanitário em operação.
Para as cidades que serão contempladas com a ampliação dos seus sistemas, foi descontado o índice
de cobertura atual dos sistemas em operação. A preços de junho de 2010 se chegou aos seguintes
custos per capita médios de investimentos:

− Cidades com população inferior a 5.000 habitantes: R$ 425,00/habitante;


− Cidades com população entre 5.000 e 20.000 habitantes: R$ 450,00 / habitante;
− Cidades com população entre 20.000 e 100.000 habitantes: R$ 485,00/habitante;
− Cidades com população superior a 100.000 habitantes: R$ 610,00/habitante.

Os custos a serem incorridos na implantação dos sistemas de coleta e tratamento de esgotos sanitários
propostos no âmbito do Programa de Disciplinamento da Coleta e Tratamento de Efluentes Sanitários
são apresentados no Quadro 7.1.

174
Quadro 7.1 – Custos dos Projetos dos Sistemas de Esgotamento Sanitário
Bacia Custos
Atividade
Hidrográfica (R$ 1,00)
Difusas do
Ampliação do sistema de esgotamento sanitário da cidade de Teresina 510.771.910,00
Médio Parnaíba
Difusas do Baixo
Ampliação do sistema de esgotamento sanitário da cidade de Parnaíba 83.546.820,00
Parnaíba
Ampliação do sistema de esgotamento sanitário da cidade de Oeiras Canindé 10.682.125,00
Ampliação do sistema de esgotamento sanitário da cidade de Corrente Gurguéia 7.418.250,00
Difusas do
Implantação do sistema de esgotamento sanitário da cidade de Floriano 30.076.790,00
Médio Parnaíba
Implantação do sistema de esgotamento sanitário da cidade de Piripiri Longá 26.878.215,00
Implantação do sistema de esgotamento sanitário da cidade de Campo Maior Longá 20.244.385,00
Implantação do sistema de esgotamento sanitário da cidade de São
Canindé 12.335.005,00
Raimundo Nonato
Difusas do
Implantação do sistema de esgotamento sanitário da cidade de Luís Correia 6.498.450,00
Litoral
Implantação do sistema de esgotamento sanitário da cidade de Cajueiro da Difusas do
1.414.825,00
Praia Litoral
Campanhas de incentivo a interligação dos imóveis ao sistema de Difusas do
62.500,00
esgotamento sanitário existente na cidade de Teresina Médio Parnaíba
Campanhas de incentivo a interligação dos imóveis ao sistema de Difusas do Baixo
62.500,00
esgotamento sanitário existente na cidade de Parnaíba Parnaíba
Fiscalização efetiva do monitoramento da eficiência das estações de
- 36.000,00
tratamento de esgotos (ETE’s) existentes implementado pela AGESPISA (1)
Campanhas de incentivo ao reúso dos efluentes tratados em lagoas de
estabilização na irrigação de capineiras e frutíferas nos municípios com - 80.000,00
sistemas de esgotamento sanitário em operação
Total 712.107.775,00
(1) Custo anual.

7.1.2 - Programas de Coleta, Reciclagem e Disposição Final de Resíduos Sólidos

7.1.2.1 - Objetivo do Programa

Este programa tem como objetivo a eliminação de fontes de degradação dos recursos hídricos
relacionadas aos resíduos sólidos, através da promoção da sua disposição e gestão adequadas nos
municípios do Estado do Piauí.

Visa, portanto, dotar agrupamentos de núcleos urbanos do território piauiense com aterros sanitários
dentro das normas técnicas requeridas e implementar diretrizes para o gerenciamento dos resíduos dos
sistemas de saúde, industriais e tóxicos, de acordo com a realidade de cada grupo de municípios,
considerando os procedimentos mínimos exigidos. Além disso, pretende incentivar o desenvolvimento do
setor de reciclagem através da implantação de usinas de triagem/compostagem.

7.1.2.2 - Detalhamento do Programa

As ações a serem desenvolvidas no âmbito deste programa têm como base inicial a elaboração de um
Programa de Gerenciamento Integrado de Resíduos Sólidos (PGIRS) para os municípios do Estado do
Piauí. Além da implementação da Política Estadual de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos e do
Sistema de Informação de Resíduos Sólidos (SIRES).

175
Posteriormente deverão ser elaborados e implementados os projetos dos aterros sanitários consorciados
e definidos seus modelos de gestão. No que se refere à implantação dos aterros sanitários deverá ser
dada prioridade a implantação de aterros sanitários para atendimento dos núcleos urbanos de maior
porte, notadamente os que polarizam as economias das regiões onde estão situados, aqueles com
potencial turístico e industrial elevados e os que estão posicionados imediatamente a montante de
reservatórios prioritários para o suprimento hídrico da região onde encontra-se posicionado. Com base
nessa premissa foi sugerida a implementação de aterros sanitários consorciados e usinas de triagem
distribuídos pelo território estadual obedecendo as seguintes premissas:

− Implantação de aterros sanitários consorciados e usinas de triagem nos principais centros


polarizadores da economia do Estado do Piauí, cujas populações sejam superiores a 15.000
habitantes, exceto Teresina e Parnaíba, que já contam com este tipo de infraestrutura;
− Implantação de aterros sanitários consorciados e usinas de triagem nos, núcleos urbanos com
potencial turístico elevado;
− Implantação de aterros sanitários consorciados e usinas de triagem nos, núcleos urbanos com
potencial de industrialização elevado;
− Implantação de aterros sanitários consorciados e usinas de triagem nos, núcleos urbanos
posicionados nas imediações de ambientes considerados frágeis ou que apresentem relevante
potencial de biodiversidade;
− Implantação de aterros sanitários consorciados e usinas de triagem nos núcleos urbanos
posicionados na retaguarda de mananciais hídricos considerados estratégicos para o
desenvolvimento do Estado do Piauí;
− Para todos os tipos de implementação, a distância máxima de deslocamento entre as sedes
municipais integrantes do consórcio e a área do aterro não deve ultrapassar os 20 km.

Deverão ser estabelecidos convênios entre as Prefeituras Municipais e o Governo do Estado visando
garantir a supervisão da operacionalização dos referidos aterros sanitários. Deverá ser prevista, ainda, a
dotação de usinas de triagem/reciclagem acopladas as áreas dos aterros sanitários de modo a aumentar
a vida útil dos mesmos e contribuir com a inclusão social dos catadores de lixo. Além disso, as
Prefeituras devem se comprometer com a disseminação da coleta seletiva dos resíduos sólidos.

O programa deverá prever, ainda, o apoio à formação de cooperativas de agentes recicladores, a


capacitação técnica para gestão e operação dos aterros e a conscientização da população urbana sobre
as questões ambientais associadas à disposição inadequada de resíduos sólidos. Por fim, deverá ser
também contemplada a elaboração e implementação de Planos de Recuperação das Áreas Degradadas
(PRAD) dos lixões/aterros controlados que serão desativados.

7.1.2.3 - Estabelecimento de Parcerias

Na elaboração do Programa de Disciplinamento da Coleta, Reciclagem e Disposição Final de Resíduos


Sólidos e na implementação das obras e atividades propostas deverão a priori ser estabelecidas

176
parcerias com os seguintes órgãos: Secretaria Estadual de Cidades, Prefeituras Municipais, FIEPI -
Federação das Indústrias do Estado do Piauí, SEBRAE - Serviço de Apoio a Pequena e Média Empresa,
Secretarias de Saúde e de Educação do Estado do Piauí e FUNASA - Fundação Nacional de Saúde,
entre outros.

7.1.2.4 - Custos de Implantação

No que se refere à implantação de aterros sanitários deve-se priorizar grupos de municípios localizados
sobre o embasamento sedimentar, onde os riscos de poluição dos aqüíferos são elevados, aqueles que
apresentam potencial de desenvolvimento industrial ou turístico elevado e os de grande porte, de modo a
viabilizar o projeto do ponto de vista econômico:

− Aterro Sanitário/Usina de Picos - deverá atender os núcleos urbanos de Picos, Geminiano, Bocaína,
Dom Expedito Lopes, Santana do Piauí e Sussuapara, atendendo a uma população de 82.919
habitantes no ano 2030;
− Aterro Sanitário/Usina de Piripiri - deverá atender os núcleos urbanos de Piripiri, Lagoa de São
Francisco e Brasileira. A população de projeto no ano 2030 será de 62.299 habitantes.
− Aterro Sanitário/Usina de São Raimundo Nonato - deverá atender os núcleos urbanos de São
Raimundo Nonato, Dirceu Arcoverde e São Lourenço do Piauí. A população de projeto no ano 2030
será de 29.711 habitantes, sem considerar a população flutuante.

Quanto à implementação de aterros controlados/usinas de triagem e compostagem, foi dada prioridade


aos municípios de pequeno/médio porte localizados sobre o embasamento sedimentar, que estão
posicionados numa região com potencial turístico e na retaguarda de um manancial hídrico. Como estes
núcleos urbanos apresentam contingentes populacionais inferiores a 50 mil habitantes, deverão ser
criados consórcios com municípios vizinhos, instalando uma usina comum numa localização estratégica,
de modo a torná-la mais econômica para todos os envolvidos. Assim sendo, foi proposta a
implementação de sete aterros controlados e três usinas de triagem e compostagem com as seguintes
áreas de atuação:

− Aterro Controlado de São Brás do Piauí - deverá atender ao núcleo urbano de São Brás do Piauí. A
população de projeto para o ano 2030 é da ordem de 1.355 habitantes;
− Aterro Controlado de Bonfim do Piauí - deverá atender ao núcleo urbano de Bonfim do Piauí. A
população de projeto para o ano 2030 é da ordem de 1.808 habitantes;
− Aterro Controlado de Anísio de Abreu - deverá atender ao núcleo urbano de Anísio de Abreu,
perfazendo uma população de projeto de 4.951 habitantes no ano 2030;
− Aterro Controlado de Várzea Branca - deverá atender ao núcleo urbano de Várzea Branca,
perfazendo uma população de projeto de 1.584 habitantes no ano 2030;
− Aterro Controlado de Jurema - deverá atender ao núcleo urbano de Jurema, perfazendo uma
população de projeto de 802 habitantes no ano 2030;

177
− Aterro Controlado de Caracol - deverá atender ao núcleo urbano de Caracol, perfazendo uma
população de projeto de 4.943 habitantes no ano 2030;
− Aterro Controlado de Fartura do Piauí - deverá atender ao núcleo urbano de Fartura do Piauí,
perfazendo uma população de projeto de 1.676 habitantes no ano 2030;
− Usina de Triagem/Compostagem de Anísio de Abreu - deverá atender aos núcleos urbanos de
Anísio de Abreu, São Brás do Piauí, Jurema, Várzea Branca e Bonfim do Piauí, perfazendo uma
população de projeto de 10.500 habitantes no ano 2030;
− Usina de Triagem/Compostagem de Caracol - deverá atender ao núcleo urbano de Caracol,
perfazendo uma população de projeto de 4.943 habitantes no ano 2030;

Os prazos para construção dos aterros sanitários são de nove meses, enquanto que para os aterros
controlados se estima um prazo de seis meses. As usinas de triagem e compostagem, por sua vez,
poderão ser implantadas num prazo de quatro meses cada.

Os custos a serem incorridos na implementação dos aterros sanitários, aterros controlados e usinas de
triagem/reciclagem de resíduos sólidos propostos são apresentados no Quadro 7.2, onde são,
discriminados todos os custos, pertinentes à elaboração e implementação do Plano de Gerenciamento
Integrado de Resíduos Sólidos (PGIRS) e do Sistema de Informação de Resíduos Sólidos (SIRES), bem
como dos Planos de Recuperação de Áreas Degradadas - PRAD’s, dos lixões desativados.

Os custos de implantação dos aterros sanitários tiveram como base de cálculo projetos semelhantes
elaborados para a cidade de Sobral e para os três aterros sanitários metropolitanos que atendem os
municípios de Fortaleza, Caucaia, Aquiraz, Maracanaú, Maranguape, Pacatuba e Eusébio, no Estado do
Ceará. A preços de junho de 2010, os custos médios estimados para os investimentos (infra-estrutura e
equipamentos) foram:

− Cidades com população até 10.000 habitantes: R$ 650.000,00;


− Cidades com população entre 10.000 e 50.000 habitantes: R$ 750.000,00;
− Cidades com população > 50.000 habitantes: R$ 950.000,00.

Para os aterros controlados o cálculo dos custos teve como base projetos semelhantes elaborados para
as cidades de Jaguaribara, Beberibe e Morada Nova, no Estado do Ceará, tendo-se chegado a um custo
médio de R$ 100.000,00. Para o cálculo dos custos de implantação das usinas de triagem/reciclagem foi
considerado o custo médio de investimento por tonelada diária de capacidade instalada preconizado pelo
Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), qual seja US$ 30.000 por tonelada diária, tendo-se chegado
aos seguintes valores: R$ 200.000,00 para usinas de pequeno porte sem esteira; R$ 250.000,00 para
usinas de pequeno porte com esteira e de R$ 500.000,00 para usinas de médio porte com esteira.
Ressalta-se que, nesses valores não foi levado em consideração o capital necessário para aquisição dos
terrenos, devido à variabilidade de preços destes em função do local.

178
Quadro 7.2 – Custos do Programa de Disciplinamento da Coleta, Reciclagem
Disposição Final de Resíduos Sólidos

Bacia Custos
Atividade
Hidrográfica (R$ 1,00)
Elaboração e implementação dos Planos de Gerenciamento Integrado de
Resíduos Sólidos (PGIRS) e dos Sistemas de Informação de Resíduos Sólidos Canindé/Piauí 300.000,00
(SIRES) nas regiões de Picos e São Raimundo Nonato
Elaboração e implementação dos Planos de Gerenciamento Integrado de
Resíduos Sólidos (PGIRS) e dos Sistemas de Informação de Resíduos Sólidos Longá 300.000,00
(SIRES) na região de Piripiri
Projeto executivo, EIA/RIMA, execução das obras e aquisição de equipamentos
de 01 aterro sanitário para atendimento das cidades de Picos, Geminiano, Canindé/Piauí 950.000,00
Bocaína, Dom Expedito Lopes, Santana do Piauí e Sussuapara 1
Projeto executivo, EIA/RIMA, execução das obras e aquisição de equipamentos
de 01 aterro sanitário para atendimento das cidades de Piripiri, Lagoa de São Longá 950.000,00
1
Francisco e Brasileira
Projeto executivo, EIA/RIMA, execução das obras e aquisição de equipamentos
de 01 aterro sanitário para atendimento das cidades de São Raimundo Nonato, Canindé/Piauí 750.000,00
Dirceu Arcoverde e São Lourenço do Piauí 1
Difusas do
Implantação das obras de 1 usina de triagem/compostagem de médio porte com
Baixo 500.000,00
esteira na cidade de Parnaíba
Parnaíba
Difusas do
Implantação das obras de 2 usinas de triagem/compostagem de médio porte com
Médio 500.000,00
esteira na cidade de Floriano
Parnaíba
Implantação das obras de 2 usinas de triagem/compostagem de médio porte com
Canindé/Piauí 500.000,00
esteira na cidade de Picos
Construção de 7 aterros controlados para atendimento das cidades de São Brás
do Piauí, Bonfim do Piauí, Anísio de Abreu, Várzea Branca, Jurema, Caracol e Canindé 700.000,00
Fartura do Piauí
Implantação das obras de 1 usina de triagem/compostagem de médio porte porte
com esteira para as cidades de São Brás do Piauí, Bonfim do Piauí, Anísio de Canindé 500.000,00
Abreu, Várzea Branca e Jurema.
Implantação das obras de 1 usina de triagem/compostagem de pequeno porte
Canindé 200.000,00
sem esteira para a cidade de Caracol
Implantação das obras de 1 usina de triagem/compostagem de pequeno porte
Canindé 200.000,00
sem esteira para a cidade de Fartura do Piauí
Elaboração e implementação de 16 Planos de Recuperação de Áreas
Canindé 960.000,00
Degradadas - PRAD’s dos lixões que serão desativados
Elaboração e implementação de 3 Planos de Recuperação de Áreas Degradadas
Canindé 180.000,00
- PRAD’s dos lixões que serão desativados
Total 7.190.000,00
1
Balança, trator com esteira, pá mecânica, caminhão caçamba, móveis e utensílios.

179
7.1.3 - Programa Sustentável de Coleta Seletiva em Comunidades de Baixa Renda

7.1.3.1 - Objetivos do Programa

O Programa Sustentável de Coleta Seletiva em Comunidades de Baixa Renda ora proposto preconiza o
incentivo a implementação da coleta seletiva de resíduos sólidos nas áreas de baixa renda da cidade de
Teresina, visando a destinação do material reciclável para troca por redução no custo da conta de
energia elétrica ou para comercialização no mercado de reciclagem.

Esta proposição tem como fonte de inspiração a ECOELCE, programa implementado pela COELCE –
Companhia de Eletricidade do Estado do Ceará, em meados de 2006, como forma de contornar o
problema anteriormente aludido. O referido programa procura estimular o pagamento do consumo de
energia elétrica pela população de baixa renda utilizando o lixo reciclável (resíduos sólidos com preço de
mercado) como moeda de troca. O prêmio promovido pela ONU – Organização das Nações Unidas
colocou a iniciativa da COELCE, que troca lixo por bônus na conta de energia, entre as dez ganhadoras
da Edição 2008 do World Business and Development Awards (WBDA), tendo repercussão na imprensa
nacional e internacional.

7.1.3.2 - Atividades a Serem Desenvolvidas

A primeira atividade a ser desenvolvida deverá ser a apresentação de uma proposta de parceria com a
CEPISA – Companhia de Eletricidade do Piauí para implementação de um programa semelhante ao
ECOELCE no território piauiense, tendo como área piloto a cidade de Teresina. Posteriormente deverá
ser efetuado um intercâmbio com a COELCE para a obtenção de conhecimentos com base na
experiência desta instituição na elaboração e implementação do programa ECOELCE.

É importante para o bom êxito do projeto o estabelecimento de parcerias da CEPISA com a Prefeitura
Municipal de Teresina, visando a instalação de pontos de coleta de resíduos nas áreas de intervenção
do programa e a obtenção de material informativo.

Deverá ser desenvolvida, ainda, uma campanha de conscientização junto a população de baixa renda,
visando estimular o seu engajamento neste programa através da execução de palestras e oficinas, além
da divulgação do programa por meio de comunicação de massa.

7.1.3.3 - Custos de Implantação

Os custos a serem incorridos com a implementação deste programa envolvendo desde o delineamento
das suas diretrizes básicas até a execução do intercâmbio com a COELCE - Companhia de Eletrificação
do Ceará, a implantação de pontos de coleta e a execução de campanhas de divulgação do programa e
de conscientização da população encontram-se discriminados no Quadro 7.3.

180
Quadro 7.3 – Custos do Programa Sustentável de Coleta Seletiva em
Comunidades de Baixa Renda
Custo
Custo Total
Discriminação Unidade Quant. Unitário
(R$ 1,00)
(R$ 1,00)
Delineamento das diretrizes e ações estratégicas a
serem desenvolvidas no âmbito do Programa verba 01 20.000,00 20.000,00
Sustentável de Coleta Seletiva
Realização de Intercâmbio com a COELCE verba 01 8.500,00 8.500,00
Execução de seminário de divulgação do Projeto Seminário 05 2.500,00 12.500,00
1
Implantação de 5 pontos de coleta Verba 05 30.700,00 153.500,00
Elaboração e distribuição de material informativo folders 25.000 3,00 75.000,00
Campanha de divulgação do programa verba 01 12.800,00 12.800,00
Execução de campanha de conscientização da
palestras 25 2.000,00 50.000,00
população (5 palestras/comunidade)
Total 332.300,00
1 Prédio e equipamentos (birô, computador, balança, prensa, etc).

7.1.4 - Controle do Uso de Agrotóxicos

7.1.4.1 - Objetivo do Plano e Metas a Serem Atingidas

Faz-se necessário o estabelecimento de um programa visando não só controlar o uso desregrado de


agrotóxicos nas áreas com irrigação intensiva e difusa do território estadual através da disseminação de
técnicas adequadas de uso e manejo de fertilizantes e pesticidas e da implementação de um programa
de gerenciamento de embalagens de agrotóxicos, como através da promoção de atividades
ambientalmente sustentáveis e do desenvolvimento de ações de vigilância ambiental em saúde junto aos
irrigantes.

Inicialmente deverá ser efetuada à identificação dos irrigantes e o diagnóstico do perfil de uso de
agrotóxicos pelos produtores, com vistas à caracterização da situação vigente e ao estabelecimento de
um marco zero. Posteriormente deverão ser iniciadas as campanhas de sensibilização dos irrigantes
através da execução de oficinas de sensibilização e mobilização para o engajamento destes nas
atividades do plano. Deverão ser executados seminários de apresentação do programa em áreas
estratégicas do território estadual, bem como de oficinas, distribuídas pelos municípios onde se
concentram as áreas de irrigação.

Na capacitação dos irrigantes no uso e manejo adequado de agrotóxicos deverá ser dada ênfase ao
controle de pragas e doenças, toxicologia e caracterização dos agrotóxicos, tecnologias de aplicação,
formas adequadas de descarte de embalagens e legislação. Além disso, deverão ser enfatizadas,
também, noções básicas de higiene, segurança e proteção individual; de primeiros socorros e de
poluição ambiental provocada pelo uso desregrado destes insumos.

Deverão ser executados cursos com duração de 40 horas/aula para grupos de 30 irrigantes cada. A
capacitação deverá ser destinada preferencialmente para pequenos e médios produtores que atuam na
irrigação difusa ou que estejam vinculados aos perímetros irrigados em operação. Deverão ser

181
estabelecidas parcerias entre a SEMAR e as grandes empresas de irrigação atuantes no território
estadual para que estas cubram os custos a serem incorridos com a capacitação dos seus funcionários.

Quanto ao gerenciamento de embalagens de agrotóxicos, este prevê a implantação de Centros de


Recebimentos de Embalagens Vazias de Agrotóxicos em pontos estratégicos do território estadual.
Deverão ser executadas, ainda, vistorias periódicas por técnicos da SEMAR nas áreas de
desenvolvimento da irrigação intensiva, devendo os infratores serem punidos com multas e outras
sanções cabíveis.
7.1.4.2 - Custos de Implantação

Sugere-se que a implementação deste programa seja iniciada pela região das bacias do Alto Parnaíba,
Uruçuí Preto e Difusas da Barragem de Boa Esperança, onde se concentra as regiões produtoras de
soja e arroz e a 1ª Etapa do Perímetro Irrigado de Guadalupe, cujos consumos de agrotóxicos
apresentam-se bastante elevados. Como as medidas a serem adotadas contribuirão para a preservação
da qualidade da água represada na Barragem de Boa Esperança, foi prevista a implantação de um
centro de recebimento de embalagens de agrotóxicos para atendimentos dos 15 municípios que contam
com áreas nos territórios destas bacias, a saber: Antônio Almeida, Barreiras do Piauí, Baixa Grande do
Ribeiro, Bom Jesus, Currais, Gilbués, Guadalupe, Landri Sales, Marcos Parente, Ribeiro Gonçalves,
Santa Filomena, Sebastião Leal, Palmeira do Piauí, Porto Alegre do Piauí e Uruçuí. Foi preconizada,
ainda, a elaboração das diretrizes da Política de Gerenciamento de Embalagens de Agrotóxicos a ser posta em
prática, a realização de cursos de capacitação de irrigantes para o uso e manejo de agrotóxicos, a
distribuição de material educativo e a execução de uma fiscalização efetiva, entre outros. Quadro 7.4.

Quadro 7.4 – Custos do Plano de Controle do Uso e Manejo de Agrotóxicos


Custo
Custo Total
Discriminação Unidade Quant. Unitário
(R$ 1,00)
(R$ 1,00)
Execução de seminário de divulgação do Projeto Seminário 03 2.500,00 7.500,00
Execução de 60 oficinas de sensibilização e mobilização dos
pequenos irrigantes para o seu engajamento nas ações do
Oficina 60 1.800,00 108.000,00
projeto
(4 oficinas/município)
Capacitação de pequenos e médios irrigantes para o uso e
Curso
manejo de agrotóxicos (30 cursos de 40h/aula para 30 30 6.000,00 180.000,00
40h/aula
participantes)
Elaboração de material didático Manuais 900 20,00 18.000,00
Elaboração e distribuição de material informativo folders 15.000 3,00 45.000,00
Capacitação de pequenos irrigantes para a prática da
Curso
agricultura orgânica (15 cursos de 80h/aula para 30 15 12.000,00 180.000,00
80h/aula
participantes)
Capacitação dos profissionais de saúde para ações de
Curso
controle da saúde dos irrigantes (15 cursos de 40h/aula para 15 6.000,00 90.000,00
40h/aula
30 participantes)
Implantação de um Centro de Recolecção de Embalagens
Verba 01 210.000,00 210.000,00
Vazias de Agrotóxicos
Diretrizes da Política de Gerenciamento de Embalagens de
verba 01 15.000,00 15.000,00
Agrotóxicos a ser posta em prática
Inspeções/
Execução de Fiscalização (SEMAR) 06 5.000,00 30.000,00
ano
Total 883.500,00

182
7.2 - MEDIDAS DE CONTROLE QUANTITATIVO DAS DEMANDAS HÍDRICAS
7.2.1 - Programa de Redução e Controle de Perdas nos Sistemas de Abastecimento d’Água

7.2.1.1 - Objetivos e Metas a Serem Atingidas

O Programa de Redução e Controle de Perdas de Água visa melhorar a eficiência dos sistemas de
abastecimento em operação pelo combate às perdas através da priorização de ações mais efetivas
como micro e macromedição e controle de vazamentos, além do desenvolvimento de ações de
sensibilização dos consumidores para a redução dos desperdícios. As metas a serem atingidas pelo
presente programa versam basicamente sobre:

− Atualização dos cadastros técnico e comercial dos sistemas de abastecimento d’água em operação
nas sedes municipais do território estadual;
− Elevar para 90,0% o índice de hidrometração (micromedição) nos sistemas de abastecimentos
d’água em operação nas sedes municipais;
− Implantação de sistemas de macromedição e pitometria nos sistemas de abastecimentos d’água em
operação;
− Execução de pesquisa e reparos de vazamentos nas redes dos sistemas de abastecimentos d’água
em operação.

Foi prevista, ainda, a execução de campanhas de sensibilização dos consumidores d’água, de modo a
obter o engajamento destes no combate aos desperdícios de água.

7.2.1.2 - Atividades a Serem Desenvolvidas

Quanto às atividades a serem desenvolvidas, três ações são consideradas fundamentais e prioritárias
para promover a redução e controle de perdas nos sistemas de abastecimento d’água em operação.
Inicialmente deverão ser executadas ações de macromedição da produção e micromedição do consumo.
Ações voltadas para a determinação dos volumes e indicações de perdas físicas, embora não atuem
diretamente na redução destas, são importantes como instrumentos de controle, acompanhamento e
avaliação do desempenho dos sistemas.

A modernização do cadastro técnico visa dotar as concessionárias de saneamento básico, de uma base
cartográfica única, em meio digital, que constitua uma ferramenta de agilização do processo gerencial.

No que se refere ao cadastro comercial, torna-se imprescindível o recadastramento geral dos


consumidores, inserindo-o num sistema computacional capaz de monitorar, com agilidade a situação de
cada consumidor.

A setorização e macromedição da rede de distribuição e a pesquisa e reparos de vazamentos na rede e


nos ramais prediais são atividades de atuação direta na redução e controle de perdas.

Dois níveis de ações deverão ser perseguidos, quais sejam: a realização de uma pesquisa de
vazamentos mediante a análise do cadastro, coadjuvada pelo conhecimento do pessoal local e de
equipamentos tais como geofones, detectores de tubos e correlacionadores, e a correção efetiva das

183
redes e ramais prediais que estiverem com problemas de vazamentos a partir de um ordenamento
planejado das áreas alvo para o início dos reparos.

7.2.1.3 - Estabelecimento de Parcerias

Na elaboração do Programa de Redução e Controle de Perdas nos Sistemas de Abastecimento d’Água e


na implementação das atividades propostas deverão a priori ser estabelecidas parcerias com a
AGESPISA e com os SAAE – Serviços Autônomos de Água e Esgoto, além da Secretaria de Educação
do Estado do Piauí.

7.2.1.4 - Custo de Implantação

Prevê-se numa primeira etapa para implementação deste plano uma verba de R$ 500.000,00 para o
início da atualização dos cadastros técnico e comercial dos sistemas de abastecimento de água em
operação nas sedes municipais do território estadual.

7.2.2 - Controle do Uso da Água na Irrigação

7.2.2.1 - Objetivo do Plano e Metas a Serem Atingidas

O Programa de Controle do Uso da Água na Irrigação visa melhorar o sistema de uso das águas para a
irrigação, aumentando sua eficiência na agricultura irrigada pelo combate do desperdício e incentivo a
sua conservação. As metas a serem atingidas pelo presente programa versam basicamente sobre:

− Recuperação das infraestruturas hídricas de uso comum (canais primários, secundários e parcelares,
estações de bombeamento e rede de drenagem) e, modernização dos planejamentos agrícolas dos
perímetros irrigados ora em operação;
− Redução em 50,0% da área irrigada com métodos intensivos no uso da água através do fornecimento
de incentivos financeiros e de equipamentos de irrigação localizada (gotejamento e microaspersão)
aos produtores que modernizarem seus cultivos nas áreas dos perímetros irrigados;
− Capacitação dos produtores vinculados aos perímetros irrigados nas técnicas modernas de irrigação
e no manejo sustentável do solo e da água e de 50,0% dos produtores que praticam a irrigação difusa
com métodos gravitários.
7.2.2.2 - Ações Estratégicas Propostas

Deverá ser efetuado inicialmente um cadastro dos irrigantes atuantes no território piauiense, bem como
levantamentos de campo visando à caracterização socioeconômica deste grupo populacional. O
levantamento socioeconômico deverá ter como base a aplicação de questionários junto a uma amostra
representativa dos irrigantes cadastrados nas áreas de irrigação difusa e nos perímetros irrigados em
operação.

Deverão ser estabelecidas articulações com as instituições envolvidas no gerenciamento dos recursos
hídricos do território estadual visando a disponibilização de seus cadastros. Deverão ser estabelecidas,
ainda, articulações com a SDR - Secretaria do Desenvolvimento Rural e as secretarias de agricultura
municipais para identificação das comunidades rurais a ser visitadas.

184
Com base nas informações reunidas no decorrer dos estudos básicos, proceder-se-á a elaboração de
um diagnóstico das condições socioeconômicas da população alvo do programa, visando à obtenção do
seu conhecimento detalhado.

O planejamento estratégico a ser elaborado a partir da reflexão sobre a realidade a ser detectada pelo
diagnóstico elaborado definirá com maior nível de detalhamento o conjunto de ações necessárias à
instalação de processos que possam promover um maior controle do uso da água na irrigação, a
melhoria da economia local, e, em decorrência, uma melhor qualidade de vida da população.

Posteriormente deverá ser elaborado um plano de recuperação dos perímetros irrigados e efetuadas
campanhas de incentivo financeiro para a modernização das áreas de irrigação através da substituição
de métodos intensivos de uso da água por métodos pouco intensivos e da capacitação dos produtores.

Inicialmente deverá ser desenvolvido um estudo pela SEMAR sobre os tipos de incentivos financeiros
que podem ser oferecidos aos irrigantes para que estes modernizem seus cultivos através da troca de
métodos de irrigação intensivos no uso da água por outros mais eficientes. O referido estudo deverá
contemplar, também, uma análise sobre as possibilidades de fornecimento de crédito subsidiado para a
aquisição de equipamentos de irrigação localizada (gotejamento e microaspersão) ou da doação destes
equipamentos aos irrigantes pelo governo estadual.

Em seguida, deverá ser efetuada uma campanha de sensibilização dos irrigantes através da execução
de um seminário para divulgação do programa proposto e de oficinas para conscientização e
mobilização dos irrigantes para a sua adesão ao projeto. Posteriormente deverão ser ministrados cursos
de 40 hora/aula sobre uso e manejo do solo e da água.

7.2.2.3 - Custos de Implantação

Sugere-se que as ações de incentivo ao controle do uso da água na irrigação sejam implementadas
inicialmente nas regiões das bacias do Alto Parnaíba/Uruçuí Preto e Difusas da Barragem de Boa
Esperança onde a irrigação difusa apresenta-se mais difundida e nas áreas dos perímetros irrigados
Fidalgo (Bacia do Canindé/Piauí) e Lagoas do Piauí (Bacias Difusas do Baixo Parnaíba), que adotam
métodos de irrigação e cultivos intensivos no uso da água. Os custos a serem incorridos com a
implementação das atividades propostas para esta etapa inicial são apresentados no Quadro 7.5.

185
Quadro 7.5 - Custos das Ações de Incentivo ao Controle do Uso da Água na Irrigação

Custos
Atividades
(R$ 1,00)
Execução do cadastro de irrigantes da região das bacias do Alto Parnaíba/Uruçuí
120.000,00
Preto e Difusas da Barragem de Boa Esperança
Elaboração do Relatório de Diagnóstico da Situação Socioeconômica dos
Irrigantes da região das bacias do Alto Parnaíba/Uruçuí Preto e Difusas da 30.000,00
Barragem de Boa Esperança
Diagnóstico da infra-estrutura hídrica dos Perímetros Irrigados Lagoas do Piauí e
90.000,00
Fidalgo / Planos de Recuperação dos Perímetros Irrigados
Execução de estudo sobre incentivos financeiros para modernização das áreas de
40.000,00
irrigação difusa e intensiva
Execução de 05 seminários de divulgação do Programa 12.500,00
Execução de 34 oficinas de sensibilização e mobilização dos irrigantes para o seu
61.200,00
engajamento nas ações do plano
Capacitação de irrigantes para manejo do solo e da água (15 cursos de 40h/aula
90.000,00
para 30 participantes)
Elaboração de material didático (450 apostilhas) 9.000,00
Elaboração e distribuição de material informativo (7.000 folders) 21.000,00
Total 473.700,00

7.2.3 - Controle da Superexploração de Aquíferos

No Estado do Piauí problemas de superexploração de aqüíferos são identificados principalmente na


região do Vale do Gurguéia, onde existe uma quantidade apreciável de poços jorrantes, considerados
atualmente símbolos de desperdício de água.

Visando sanar o problema de rebaixamento do nível potenciométrico dos aquiferos, a SEMAR em


convênio com a ANA – Agência Nacional de Águas vêm implantando um sistema de controle de vazão
em poços jorrantes através da instalação de equipamentos de controle de vazão. No Vale do Gurguéia
seis poços localizados no município de Alvorada do Gurguéia (poços Violeta I e II, Bom Lugar I e II,
Santa Fé e Rebentão), que jorravam ininterruptamente, há mais de 10 anos, agora contam com registro
de controle, evitando um desperdício médio de 3.000 litros de água por minuto. Uma segunda fase da
implantação de registros já foi desenvolvida pela SEMAR em convênio com o Ministério da Integração
Nacional contemplando mais 30 poços.

O programa ora em desenvolvimento pela SEMAR visando o controle da superexploração de aqüíferos


no território estadual deverá ser alvo de ações de continuidade, já que se estima a existência de 264
poços jorrantes na região do Vale do Gurguéia. Além disso, este programa deverá ser estendido para
outras regiões do território estadual. Deverão ser estudadas, também, formas de controle que inibam os
usuários das águas subterrâneas a efetuarem a sua exploração de forma desregrada.

186
7.2.3.1 - Custos de Implantação

Sugere-se que seja efetuada, inicialmente, a implantação de sistemas de registros para controle da
vazão de 40 poços na região da Bacia do Gurguéia, onde o desperdício d’água associado a existência
de poços jorrantes apresenta-se mais acentuado. Os custos a serem incorridos nesta primeira etapa de
implementação do programa estão discriminados no Quadro 7.6.

Quadro 7.6 – Custos do Controle da Superexploração de Aqüíferos


Custos
Atividade
(R$ 1,00)
Cadastro, diagnóstico e seleção de 40 poços jorrantes 45.232,91
Elaboração dos projetos executivos de implantação dos equipamentos de
56.541,14
controle de vazão de 40 poços
Implantação de sistemas de controle de vazão em 40 poços 588.027,86
Oficinas de difusão de técnicas de construção e manutenção de poços
236.115,80
(58 oficinas - 2 oficinas/município).
Elaboração material didático (5.000 cartilhas educativas). 113.082,28
Total 1.039.000,00

7.3 - PROGRAMAS DE MEDIDAS MITIGADORAS PARA OS IMPACTOS EM


COMPONENTES NATURAIS E ANTRÓPICOS ASSOCIADOS AOS RECURSOS
HÍDRICOS
7.3.1 - Reflorestamento das Matas Ciliares e Recuperação de Áreas Degradadas

7.3.1.1 - Objetivos do Programa

O programa de reflorestamento das matas ciliares e de recuperação de áreas degradadas ora proposto
tem como objetivo contribuir para conservação dos recursos hídricos, em termos quantitativos e
qualitativos, através da recuperação das matas ciliares dos cursos d’água do território estadual, bem
como nas áreas de entorno e a montante de reservatórios estratégicos.

Abrangerá todo o território estadual, devendo as ações estratégicas propostas levarem em conta as
características biogeofísicas e socioeconômicas de cada uma das áreas-alvo selecionadas.

As atividades a serem desenvolvidas para esse programa estão detalhadas no RT-7.

7.3.1.2 - Programa de Capacitação e Treinamento

O Programa de Reflorestamento das Matas Ciliares e de Recuperação de Áreas Degradadas deverá


prever no seu âmbito a implementação de um programa de capacitação e treinamento tendo como
público alvo os diversos agentes a serem engajados na execução das atividades do programa. Deverá
prever a capacitação dos produtores rurais nas práticas de reflorestamento de matas ciliares e do uso e
manejo conservacionista do solo, da água e da vegetação, através de campanhas de mobilização e
sensibilização quanto aos problemas da região e de oficinas de planejamento das atividades.

A execução de treinamentos com aulas demonstrativas e de foros de intercâmbios de experiência entre


agricultores são outras atividades que deverão ser implementadas, entre outras. As oficinas e

187
treinamentos efetuados deverão envolver além da sociedade local e dos seus agentes econômicos,
técnicos de extensão rural e das prefeituras municipais, organizações não governamentais e
associações comunitárias atuantes na região, entre outras, que serão os novos agentes multiplicadores.

7.3.1.3 - Estabelecimento de Parcerias

No detalhamento e execução das atividades preconizadas pelo programa deverá ser constituído um
Grupo Técnico de Trabalho sob a coordenação da SEMAR, que funcionará como órgão indutor
propositor do programa. Esta secretaria já tem notável saber na implementação de programas de
recuperação de áreas degradadas através do NUPERADE, no qual foi espelhado o plano ora proposto.

Objetivando o cumprimento das metas preconizadas pelo plano de forma satisfatória e tendo em vista os
elevados custos inerentes a este tipo de projeto, a SEMAR deverá incentivar o estabelecimento de
parcerias para o detalhamento e implantação das atividades preconizadas pelo programa.

Dentre as instituições atuantes na região que apresentam potencial para funcionarem como parceiros no
detalhamento e execução das atividades preconizadas e com as quais devem ser mantidos contatos
para divulgação dos objetivos e ações do programa, figuram:

− As Prefeituras Municipais;
− Os órgãos ambientais competentes, ou seja, o IBAMA – Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis e a própria SEMAR;
− As universidades e escolas agrícolas atuantes nas áreas de abrangência;
− Órgãos de assistência técnica e extensão rural como a EMATER – Empresa de Assistência Técnica
e Extensão Rural;
− Associações comunitárias e organizações não governamentais atuantes nas áreas de influência do
Plano, entre outros.
7.3.1.4 - Gerenciamento e Monitoramento das Atividades Recomendadas

Para o gerenciamento das atividades a serem implementadas deverá ser estabelecido um grupo gestor
composto por técnicos da unidade executora e das instituições parceiras (co-executoras), bem como por
representantes da sociedade civil. Este grupo gestor terá como função promover e acompanhar o
desenvolvimento da implementação das atividades preconizadas pelo programa.

Para o bom andamento das atividades recomendadas no âmbito do plano faz-se necessário, ainda, o
monitoramento dos fatores biofísicos e socioeconômicos nas áreas contempladas, de modo a que
possam ser adotadas medidas corretivas ou até mesmo alterações nas linhas de ação propostas,
sempre que estas se fizerem necessárias.

7.3.1.5 - Custos de Implantação do Programa

Sugere-se que numa primeira etapa de implementação, seja selecionado um dos reservatórios
considerados prioritários para o suprimento hídrico do território estadual e que apresente trechos de sua
faixa de proteção degradada para ser alvo do reflorestamento de cerca de 150 ha de matas ciliares, o

188
correspondente a uma faixa de 50,00 m por 3.000,00 m. Deverá ser também selecionada uma área na
bacia de contribuição de um dos reservatórios prioritários para ser alvo da implantação de uma unidade
piloto de referência de implementação de técnicas de uso e manejo do solo, da água e da vegetação. Os
custos a serem incorridos na execução destas atividades encontram-se discriminados nos Quadros 7.7
e 7.8.

Quadro 7.7 – Custos de Reflorestamento de 150 ha de Matas Ciliares


Custo
Custo Total
Atividade Unid. Quant. Unitário
(R$ 1,00)
(R$ 1,00)
Estabelecimento de um marco zero das condições das matas ciliares 5.400,00
ƒ Elaboração diagnóstico das matas ciliares h/hora 120 45,00 5.400,00
Reflorestamento de 150 ha de matas ciliares nos trechos selecionados 481.410,00
ƒ Visitas técnicas para sensibilização dos agricultores e
litros 200 2,20 440,00
formalização do termo de compromisso (combustível)
ƒ Visitas técnicas para sensibilização dos agricultores e
diárias 15 80,00 1.200,00
formalização do termo de compromisso (diárias)
ƒ Acompanhamento técnico h/hora 176 45,00 7.920,00
ƒ Estudos pedológicos e florísticos unid. 01 15.000,00 15.000,00
ƒ Estudos topográficos ha 150 50,00 7.500,00
ƒ Aquisição de insumos agrícolas ha 150 1.037,00 155.550,00
ƒ Produção de mudas (2.222 mudas/ha) unid. 333.300 0,50 166.650,00
ƒ Transporte de mudas (viagens) Unid. 34 100,00 3.400,00
ƒ Mão-de-obra (contrapartida produtores rurais) h/dia 11.250 11,00 123.750,00
Capacitação de 75 produtores em técnicas de reflorestamento 9.000,00
ƒ Curso de capacitação para 25 produtores rurais
h/aula 120 50,00 6.000,00
(3 cursos de 40 horas)
ƒ Aluguel de instalações para execução dos cursos dia 15 50,00 750,00
ƒ Elaboração de material didático (apostilhas) unid. 150 15,00 2.250,00
Vistorias técnicas executadas pela SEMAR (04 vistorias/ano) 21.860,00
ƒ Visitas de acompanhamento (combustível) litros 1.500 2,20 3.300,00
ƒ Visitas de acompanhamento (diárias) diárias 72 80,00 5.760,00
ƒ Acompanhamento pela SEMAR h/hora 576 45,00 12.800,00
Replantio de mudas (10% do total) sempre que se fizer necessário 47.831,00
ƒ Aquisição de insumos agrícolas ha 14 1.037,00 14.518,00
ƒ Produção de mudas unid. 33.330 0,50 16.665,00
ƒ Transporte de mudas (viagens) unid. 5 100,00 500,00
ƒ Mão-de-obra h/dia 1.468 11,00 16.148,00
Total 565.501,00

189
Quadro 7.8 – Custos de Implantação da Unidade Piloto de Referência
Custo
Custo Total
Atividade Unid. Quant. Unitário
(R$ 1,00)
(R$ 1,00)
Definição da área a ser contemplada com ações de reflorestamento e de desenvolvimento de
1.584,00
práticas conservacionistas (unidade de referência piloto)
ƒ Identificação da área em fotografias aéreas e viagem
litros 120 2,20 264,00
para checagem de campo (combustível)
ƒ Identificação das áreas em fotografias aéreas e viagem
diárias 03 80,00 240,00
para checagem de campo (diária)
ƒ Técnico para identificação das áreas em fotografias
h/hora 24 45,00 1.080,00
aéreas e checagem de campo
Estabelecimento do marco zero da área a ser contemplada com ações de reflorestamento e de
60.000,00
desenvolvimento de práticas conservacionistas (unidades de referência piloto)
ƒ Contratação de empresa de consultoria (relatório de
unid. 01 60.000,00 60.000,00
diagnóstico biogeofísico e socioeconômico)
Reflorestamento de 60ha nas áreas degradadas da unidade de referência piloto 181.220,00
ƒ Aquisição de insumos agrícolas ha 60 1.037,00 62.220,00
ƒ Produção de mudas (2.222 mudas/ha) unid. 133.320 0,50 66.660,00
ƒ Transporte de mudas (viagens) unid. 14 100,00 1.400,00
ƒ Mão-de-obra (trabalhadores rurais) h/dia 4.500 11,00 49.500,00
Proposição e implementação de práticas conservacionistas de uso e manejo do solo e da água
70.250,00
nas áreas das unidades de referência
ƒ Implementação de 50ha de cordões de contorno ha 50 160,00 8.000,00
ƒ Implementação de 100ha de plantio em curva de nível ha 50 155,00 15.500,00
ƒ Implementação de 10ha de cobertura morta ha 10 2.940,00 29.400,00
ƒ Adubação orgânica de 20ha ha 20 530,00 10.600,00
ƒ Implementação de 30ha de cultivo mínimo ha 30 95,00 2.850,00
ƒ Manejo de área de pastoreio (60ha) ha 60 65,00 3.900,00
Sensibilização e definição do público alvo 5.224,00
ƒ Reunião de divulgação do projeto unid. 01 1.050,00 1.050,00
ƒ Oficina de sensibilização e mobilização unid 01 1.050,00 1.050,00
ƒ Viagens oficina e reunião (combustível) litros 220 2,20 484,00
ƒ Viagem oficina e reunião (diárias) diárias 6 80,00 480,00
ƒ Acompanhamento técnico h/hora 48 45,00 2.160,00
Formação de agentes multiplicadores 14.610,00
ƒ Realização de 2 cursos de 80 horas/aula para 25
h/aula 160 50,00 8.000,00
participantes cada curso
ƒ Aluguel de instalações para execução dos cursos dia 20 50,00 1.000,00
ƒ Viagem cursos combustível) litros 150 2,20 330,00
ƒ Viagem cursos (diárias) diárias 12 80,00 960,00
ƒ Acompanhamento técnico h/hora 96 45,00 4.320,00
Capacitação de produtores rurais nas práticas de uso e manejo conservacionista do solo e da
17.076,00
água e de reflorestamento de áreas degradadas
ƒ Realização de 2 cursos de 3 dias para capacitação de
h/aula 48 50,00 2.400,00
25 participantes cada curso
ƒ Aluguel de instalações para execução dos cursos dia 06 50,00 300,00
ƒ Elaboração de material didático (apostilhas) unid. 50 15,00 750,00
ƒ Intercâmbio de experiências entre agricultores com
unid. 01 6.300,00 6.300,00
duração de 3 dias
ƒ Viagens cursos e intercâmbio (combustível) litros 330 2,20 726,00
ƒ Viagens cursos e intercâmbio (diárias) diárias 15 80,00 1.200,00
ƒ Acompanhamento técnico h/hora 120 45,00 5.400,00
Acompanhamento técnico permanente 142.338,00
ƒ Contratação de mão-de-obra permanente (2 técnicos salário +
02 70.794,00 141.588,00
de nível superior/3anos) encargos
ƒ Elaboração de material didático (cartilhas técnicas) unid. 50 15,00 750,00
Total 492.302,00

190
7.3.2 - Programa de Educação Ambiental

7.3.2.1 - Objetivos do Programa e Metas a Serem Atingidas

O Programa de Educação Ambiental preconizado tem como objetivo geral promover a internalização, o
disciplinamento e o fortalecimento da dimensão ambiental no processo educativo, com vistas a prevenir
e conter os impactos adversos sobre o meio ambiente, contribuindo para a melhoria da qualidade de
vida, e para o aperfeiçoamento do processo de interdependência Sociedade/Natureza, necessário a
manutenção dos recursos naturais.

Nesse sentido, o programa visa conscientizar os gestores municipais para a importância da integração
dos municípios no processo de gestão do território das bacias hidrográficas através da formação de um
consórcio intermunicipal e da participação nos comitês de bacias.

O programa visa, ainda, implementar um ciclo de ações interativas envolvendo a comunidade, a escola e
o aparato institucional (comitês de bacia, prefeituras municipais e outros órgãos públicos).

O programa deverá ser implementado em todo o território estadual, sendo definidas como áreas-alvo a
serem priorizadas os municípios com populações urbanas acima de 20.000 habitantes; municípios com
sedes urbanas posicionadas na retaguarda de mananciais hídricos estratégicos para o desenvolvimento
do Estado; municípios com elevado nível de induatrialização e muniícpios com potencial turístico
elevado, entre outros.

As metas a serem atingidas com a elaboração e implementação do Programa de Educação Ambiental do


Estado do Piauí versam basicamente sobre:

− Inclusão da educação ambiental na grade curricular das escolas municipais;


− Promoção de seminários sobre Educação Ambiental para técnicos das instituições que atuam no
território estadual, visando debater com essas equipes os aspectos operacionais referentes à
inserção de práticas conservacionistas no planejamento das atividades que desenvolvem nos
municípios;
− Implantação de programas sistemáticos em Educação Ambiental junto às indústrias e serviços de
saúde de cada município, visando estimular a adoção de processos, condutas e produtos mais
condizentes com a preservação ambiental;
− Realização de cursos de capacitação em gestão ambiental para professores, irrigantes,
administradores de estabelecimentos de saúde, industriais, piscicultores/carcinicultores, etc., em cada
área-alvo, obedecendo a proporcionalidade de 2 cursos/setor/área);
− Formação de agentes ambientais para a transferência de conhecimentos, formas de uso correto e
tecnologias alternativas de uso e gestão dos recursos naturais.

7.3.2.2 - Definição do Público-alvo

A definição do público do programa deverá ter como base um diagnóstico das condições sócio-
econômicas e ambientais vigentes no território de cada área-alvo. Deverá envolver diferentes grupos

191
sociais abrangendo além da população residente na sede municipal e nas comunidades rurais,
lideranças comunitárias; os agentes econômicos aí atuantes (agricultores de sequeiro, irrigantes,
pecuaristas, silvicultores, piscicultores, carcinicultores, industriais, etc.); professores e a classe
estudantil; organizações da sociedade civil atuantes na região, agentes de saúde, agentes de vigilância
sanitária, extensionistas rurais e as administrações públicas municipais, entre outros.

7.3.2.3 - Estabelecimento de Parcerias

No desenvolvimento do Programa de Educação Ambiental a ser proposto deverá ser levado em conta o
estabelecimento de parcerias, envolvendo não só a própria comunidade, as instituições e os atores
sociais atuantes em cada área-alvo, como também o engajamento de órgãos governamentais e
instituições da iniciativa privada, cujas participações sejam fundamentais na execução das ações
propostas.

A priori já se visualiza o estabelecimento de algumas parcerias imprescindíveis para a boa execução do


programa: com as secretarias de educação de cada município, objetivando a disponibilização de
professores; com as secretarias municipais de meio ambiente e com a SEMAR, objetivando a obtenção
de subsídios para o enriquecimento do programa e, com a EMATER e as secretarias municipais de
saúde visando o repasse de conhecimentos através dos extensionistas e dos agentes de saúde. As
prefeituras municipais devem, também, ser engajadas na formação de um consórcio visando à
implementação de ações em defesa dos recursos hídricos locais.

7.3.2.4 - Elaboração de Material Didático

Objetivando divulgar os objetivos e metas preconizadas pelo Programa de Educação Ambiental, bem
como referendar os trabalhos a serem desenvolvidos pela equipe de mobilização social deverão ser
elaborados diversos materiais didáticos (cartilhas educativas, folder, boletins informativos, etc.) para
serem distribuídos junto aos diferentes públicos-alvos.

Deverão ser divulgados, também, através de materiais impressos, conhecimentos e normas técnicas
adequadas que permitam o manejo preservacionista dos recursos naturais de cada área-alvo.

7.3.2.5 - Mobilização Social e Sistema de Informação, Comunicação e Mídia

O trabalho de mobilização social deverá ter início com a identificação da figura de reeditores (agentes
multiplicadores) que, em seu campo de atuação, possam contribuir para aprofundar e viabilizar as metas
a que se propõe o Programa de Educação Ambiental proposto para cada área-alvo. Uma vez
identificados os reeditores, procurar-se-á conhecer os seus campos de atuação, para provê-los de
compreensões, de alternativas de ações e decisões que irão ajudá-los, no primeiro momento, a
responder à seguinte pergunta: o que eu posso fazer no meu campo de atuação, no meu cotidiano? Com
o passar do tempo os próprios reeditores irão descobrir sozinhos novas formas de atuar e participar na
defesa do meio ambiente. Em suma, será criada a figura do multiplicador ambiental que transfere
conhecimentos, formas de uso correto e tecnologias alternativas de uso e gestão dos recursos naturais.

192
Outro papel a ser desenvolvido pela equipe de mobilização social é o incentivo a participação da
comunidade em geral, lideranças comunitárias, agentes econômicos locais, classe estudantil e órgãos
públicos a participarem ativamente dos eventos e atividades programadas no âmbito do Programa
(palestras, oficinas, cursos, etc.), através de contatos pessoais e da distribuição de convites.

Deverão ser efetuadas campanhas informativas que permitam a ampliação da base do processo de
mobilização dando-lhe abrangência e pluralidade, reforçando e legitimando o discurso dos reeditores e
divulgando as ações e decisões dos diversos grupos engajados no processo, possibilitando à população
conservar os recursos naturais, de forma a conduzir as áreas-alvo ao desenvolvimento sustentável.
Deverá ser prevista, também, a divulgação dos eventos a serem ministrados no âmbito do Programa de
educação Ambiental (seminários, palestras, etc.), para os quais deverão ser utilizados meios de
comunicação radiofônicos, cartazes, distribuição de material impresso, etc.

7.3.2.6 - Execução de Seminários, Palestras e Reuniões com Grupos Formais e Não Formais

Estes eventos deverão objetivar, além da divulgação dos objetivos e metas do programa a:

− Transferência de conhecimento para a população local através da execução de seminários, palestras


e debates versando sobre os problemas ambientais vigentes, em especial sobre a problemática da
degradação dos recursos hídricos, especificando causas, conseqüências e medidas mitigadoras
passíveis de serem adotadas, capacitando-a para exercer seu papel no controle da gestão
ambiental;
− Fornecer apoio aos processos de educação ambiental nas escolas e nas organizações da sociedade
civil em nível local, mediante reuniões, palestras, cursos e distribuição de material educativo;
− Contribuir para a fixação de valores, conhecimentos e atitudes relacionados a sustentabilidade
ambiental, junto aos produtores econômicos atuantes em cada área-alvo.

Por ocasião da realização dos seminários e palestras deve-se aproveitar o ensejo para divulgação das
atividades que estão sendo desenvolvidas pelo programa, incluindo em especial apresentações de
peças de teatro, músicas, poesias, artes plásticas desenvolvidos pelos alunos das escolas locais sobre a
temática de preservação dos recursos hídricos, além da apresentação de produtos obtidos do
reaproveitamento de material reciclável (artesanato, desfiles de moda, etc.).

7.3.2.7 - Capacitação de Professores e Multiplicadores

Deverão ser executados cursos de capacitação objetivando a formação de agentes multiplicadores. Os


cursos deverão ter uma duração de 40 horas/aula, sendo sub-divididos em dois módulos de 20
horas/aula cada. O primeiro módulo deverá envolver cursos a ser ministrados junto aos multiplicadores
sobre questões relativas aos recursos hídricos abrangendo:

− As características biogeofísicas e socioeconômicas das áreas-alvo e seus principais problemas


ambientais;
− O processo de gestão integrada da bacia hidrográfica (Lei nº 5.165, de 17 de agosto de 2000);

193
− Políticas nacional e estadual de educação ambiental;
− Conceitos de desenvolvimento sustentável;
− Técnicas de elaboração de projetos de educação ambiental, técnicas pedagógicas e de dinâmica de
grupo, entre outras.

Cada agente multiplicador deverá elaborar um projeto passível de ser implementado em suas atividades
cotidianas.

No segundo módulo deverão ser apresentados e debatidos os projetos de educação ambiental


elaborados pelos agentes multiplicadores e discutidas sugestões para elaboração do material educativo,
o qual deverá ser posteriormente distribuído para uso no desenvolvimento dos projetos dos reeditores
capacitados.

7.3.2.8 - Custos de Implantação

Sugere-se que numa primeira etapa seja selecionado um dos reservatórios prioritários para suprimento
hídrico do território estadual para a implementação deste programa e na região de sua bacia de
contribuição, visando a proteção das águas aí represadas. Os custos a serem incorridos nesta primeira
etapa estão discriminados no Quadro 7.9.

7.3.3 - Apoio à Gestão Municipal do Meio Ambiente

A imprecisão das fronteiras de competência da atuação dos diferentes níveis de governo nas questões
ambientais, além de contribuir para a criação de obstáculos ao processo de
descentralização/municipalização da gestão ambiental, vem ensejando a superposição de esforços e
intervenções; a pulverização de recursos, além de omissões no atendimento e dificuldades na
caracterização de responsabilidades e no exercício do controle ambiental.

Atualmente o controle ambiental é exercido no território piauiense pela SEMAR – Secretaria do Meio
Ambiente e Recursos Hídricos do Piauí e em caráter supletivo pelo IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis. A SEMAR conta com escritórios apenas em Teresina e
Parnaíba, sendo a fiscalização no restante do território estadual efetuada, em geral, de forma
relativamente esporádica e sempre que ocorrem denúncias de degradações pela população. A maioria
das prefeituras municipais não conta com secretarias de meio ambiente e os COMDEMAS – Conselhos
de Desenvolvimento do Meio Ambiente não existem ou foram apenas implementados por força de lei,
não estando sendo exercidas as atividades para os quais foram criados. Apenas o COMDEMA de
Teresina apresenta-se atuante, buscando, junto às entidades associadas, promover discussões e
estabelecer diretrizes para a preservação do meio ambiente.

194
Quadro 7.9 – Custos de Implantação do Programa de educação Ambiental (Piloto)
Custo Unitário Custo Total
Discriminação Unidade Quantidade
(R$ 1,00) (R$ 1,00)
Elaboração do Diagnóstico da Área do Estudo e do Programa de Educação Ambiental 39.800,00
Contratação de serviços de consultoria unid. 01 35.000,00 35.000,00
Análise e acompanhamento técnico h/hora 160 30,00 4.800,00
Sensibilização do Público Alvo 18.207,00
Seminários de divulgação do programa unid. 02 2.500,00 5.000,00
Oficinas de sensibilização e mobilização unid 06 1.800,00 10.800,00
Aluguel de instalações para execução dos
dia 08 40,00 320,00
seminários e oficinas
Aluguel carro de apoio dia 8 80,00 640,00
Viagens oficina e reunião (combustível) litros 300 2,69 807,00
Viagem oficina e reunião (diárias) diárias 8 80,00 640,00
Capacitação de produtores rurais nas práticas de uso e manejo conservacionista do
35.676,00
solo, da água e da vegetação
Realização de 2 cursos de 80h/aula para
curso 2 12.000,00 24.000,00
capacitação de 30 participantes cada curso
Aluguel de instalações para execução dos
dia 20 40,00 800,00
cursos
Elaboração de material didático (apostilhas) unid. 60 30,00 1.800,00
Aluguel carro de apoio dia 20 80,00 1.600,00
Viagens cursos (combustível) litros 400 2,69 1.076,00
Viagens cursos (diárias) diárias 20 80,00 1.600,00
Acompanhamento técnico h/hora 160 30,00 4.800,00
Capacitação de professores e de multiplicadores ambientais 71.352,00
Realização de 4 cursos de 80h/aula para
capacitação de 30 participantes cada curso curso 4 12.000,00 48.000,00
(2 na zona rural e 2 na zona urbana)
Aluguel de instalações para execução dos
dia 40 40,00 1.600,00
cursos
Elaboração de material didático (apostilhas) unid. 120 30,00 3.600,00
Aluguel carro de apoio dia 40 80,00 3.200,00
Viagens cursos (combustível) litros 800 2,69 2.152,00
Viagens cursos (diárias) diárias 40 80,00 3.200,00
Acompanhamento técnico h/hora 320 30,00 9.600,00
Execução de palestras junto a escolas, agentes econômicos e setor saúde 44.807,00
Palestras sobre temas específicos unid. 20 2.000,00 40.000,00
Aluguel de instalações para execução das
dia 20 40,00 800,00
palestras
Aluguel carro de apoio dia 20 80,00 1.600,00
Viagem palestras (combustível) litros 300 2,69 807,00
Viagem palestras (diárias) diárias 20 80,00 1.600,00
Comunicação e mídia 112.250,00
Divulgação de eventos e de mensagens
sobre temas ambientais nos serviços unid. 15 150,00 2.250,00
radiofônicos (spots)
Divulgação de eventos e de mensagens
sobre temas ambientais nos serviços unid. 500 10,00 5.000,00
radiofônicos (mensagens)
Elaboração e distribuição de convites para
os eventos junto as autoridades, lideranças unid. 3.000 3,00 9.000,00
locais e sociedade civil
Elaboração e distribuição de cartilhas
unid. 6.000 15,00 90.000,00
educativas
Elaboração e distribuição de folhetos
unid. 3.000 2,00 6.000,00
informativos
Avaliação dos resultados do programa verba 1 28.000,00 28.000,00
Total 350.092,00

195
Assim sendo, a medida ora proposta, visa dinamizar a ação de controle das atividades poluidoras,
tornando-a mais efetiva através do estabelecimento de parcerias entre a SEMAR e as Prefeituras
Municipais como forma de incentivo a implementação gradativa da gestão municipal do meio ambiente.
As metas preconizadas prevêem a:

− Criação de escritórios regionais em parceria com a SEMAR voltado para a gestão ambiental em
áreas estratégicas do território estadual, delineadas pelo território de uma ou mais bacias
hidrográficas;
− Criação/fortalecimento das Secretarias Municipais de Meio Ambiente dos municípios integrantes da
área de influência de cada escritório regional;
− Fortalecimento dos Conselhos de Desenvolvimento do Meio Ambiente - COMDEMAS dos municípios
integrantes da área de influência de cada escritório regional;
− Estabelecimento de um consórcio intermunicipal de gerenciamento das questões ambientais na área
de influência de cada escritório regional;
− Treinamento e reciclagem de técnicos de secretarias municipais que tenham suas ações vinculadas
direta ou indiretamente à questão ambiental e dos COMDEMAS dos municípios integrantes da área
de influência de cada escritório regional.

O tipo de descentralização proposto alicerça-se na cooperação e na articulação de propostas e ações


intergovernamentais, cuja continuidade político-administrativa precisa ser preservada em nome do
interesse público. Desta forma, o programa de descentralização da ação da SEMAR também dinamizará
o controle das atividades poluidoras pelo órgão ambiental estadual, através da criação dos escritórios
regionais e o estabelecimento de parcerias com as Prefeituras Municipais como forma de incentivo ao
estabelecimento gradativo da gestão municipal do meio ambiente.

Quanto ao Programa de Treinamento e Capacitação de Pessoal, este deverá ser elaborado a partir de
um diagnóstico das necessidades de treinamento. Deverá permitir pelo menos, que funcionários das
secretarias municipais alvo do programa e dos COMDEMAS, possam ser treinados e reciclados, duas
vezes, por cada ano de implementação do Programa.

Por fim, o estabelecimento de consórcios intermunicipais visa o gerenciamento regionalizado das


questões ambientais e a racionalização dos recursos. A experiência de consórcios intermunicipais já se
consolidou em vários campos e constitui-se numa boa alternativa para a busca de soluções de
problemas ambientais.

No âmbito do presente programa deverá ser dada assessoria às prefeituras municipais da área de
influência de cada escritório regional na formação dos consórcios. Não existe um modelo pronto e
acabado para se formar um consórcio, que deve ser, antes de tudo, produto de decisões tomadas pelas
autoridades locais e pelas comunidades envolvidas num processo de participação popular. Cada
conjunto de municípios deve construir seu consórcio com características próprias, decorrentes das
peculiaridades e dificuldades de cada região e de cada um dos municípios consorciados.

196
O consórcio serve como instrumento para racionalizar e modernizar a administração e ainda para a
própria viabilidade financeira de grande número de projetos na área ambiental, beneficiando muito os
municípios menores. Estes se apresentam com personalidade jurídica, estrutura de gestão autônoma e
orçamento próprio, e também podem dispor de patrimônio próprio para a realização de suas atividades.

Quanto à estrutura administrativa, os consórcios devem ser gerenciados através de um Conselho de


Administração, composto pelos prefeitos dos municípios integrantes. Pode também incorporar
representantes dos legislativos municipais e entidades da sociedade civil.

Conforme for determinado no estatuto do conselho, as decisões podem ser tomadas por maioria simples
ou maioria absoluta, maioria qualificada ou unanimidade. Em algumas situações, um dos municípios
pode ter poder de veto sobre as decisões, especialmente quando houver uma prefeitura de porte muito
maior que as demais ou, por algum motivo, ocupar um papel central nas atividades realizadas pelo
consórcio. Os consórcios, em geral, são presididos por um dos prefeitos dos municípios integrantes,
adotando-se um sistema de rodízio, mudando a presidência a cada um ou dois anos.

A gestão operacional do consórcio, em grande parte dos casos, exige uma estrutura própria. Há duas
formas de supri-la: criando um quadro de pessoal próprio ou utilizando servidores cedidos pelas
prefeituras integrantes, atuando à disposição do consórcio em tempo integral ou parcial. Na medida do
possível, é conveniente dispor de uma equipe técnica própria e de caráter permanente, permitindo que
se forme uma “inteligência” do consórcio, com conhecimento aprofundado da problemática regional.
Prevê-se a destinação de uma verba de R$ 350.000,00 para dar início as atividades preconizadas no
âmbito do presente programa.

7.3.4 - Incentivo à Adoção do ICMS Ecológico

A presente medida tem como objetivo incentivar a adoção do ICMS Ecológico pelos municípios
piauienses através do desenvolvimento de campanhas de conscientização das administrações
municipais sobre os benefícios advindos e o fornecimento de orientação técnica sobre a sua aplicação
efetiva

No Estado do Piauí, o ICMS Ecológico foi instituído recentemente através da Lei Estadual
No 5.813, de 03 de dezembro de 2008, que prevê a contemplação dos municípios que se destacarem na
proteção do meio ambiente com o rateio de 5,0% da arrecadação do ICMS, bem como de seus
acréscimos legais, mediante a aplicação progressiva dos percentuais previstos em lei, de acordo com o
desempenho de cada município. No terceiro ano consecutivo de distribuição do benefício encerra-se a
progressividade, estabelecendo-se em definitivo os índices percentuais do ICMS Ecológico, segundo a
avaliação da SEMAR conquistada pelo município.

Para viabilizar o benefício, foi instituído o Selo Ambiental que é um documento de certificação ambiental,
que se divide em três categorias: Categoria A, Categoria B e Categoria C, o qual será conferido ao
município conforme o nível de sua gestão dos recursos naturais e meio ambiente. Coube a SEMAR,

197
órgão responsável pelo gerenciamento dos recursos ambientais, a responsabilidade pela execução do
controle, fiscalização, administração e fiel cumprimento da referida lei no território piauiense.

Consideramos que a promulgação da lei de criação do ICMS Ecológico no Estado do Piauí, pondo em
prática uma importante parceria entre o Estado e os municípios, para que juntos possam combater as
agressões ao meio ambiente, em especial a poluição dos recursos hídricos e a degradação da
vegetação e dos solos, certamente contribuirá para a promoção do desenvolvimento sustentável e da
melhoria da qualidade de vida da população. Faz-se necessário, no entanto, a execução de campanhas
de incentivo a adoção do ICMS Ecológico pelas administrações municipais.

Assim sendo, o plano ora proposto deverá ser centrado na execução de uma ampla campanha de
divulgação dos benefícios advindos com a implementação desta política ao nível dos municípios, visando
incentivar a sua adoção por parte dos seus dirigentes. A referida lei deverá ser apresentada e debatida
junto as administrações municipais visando o fornecimento de orientação técnica sobre a sua aplicação,
devendo para tanto ser realizados seminários, oficinas e audiências públicas. Foi prevista uma verba de
R$ 95.000,00 para o desenvolvimento da campanha de divulgação desta lei no território piauiense.

7.3.5 - Programa de Monitoramento e Fiscalização

7.3.5.1 - Monitoramento da Qualidade das Águas Superficiais

A escassez de dados sobre qualidade de águas superficiais impede a elaboração de um diagnóstico


mais preciso da real situação das águas dos rios e reservatórios piauienses, exceto naqueles em que
houve algum tipo de intervenção planejada ou projetada, tal como a construção de sistemas adutores ou
estações de tratamento de água e esgoto.

7.3.5.2 - Objetivos do Monitoramento Qualitativo

Os objetivos do Programa de Monitoramento Qualitativo das Águas Superficiais do Estado do Piauí


compreendem ações de CONTROLE e de PLANEJAMENTO com relação à qualidade da água desejada
para os diversos sistemas hídricos do estado, com prioridade para:

− Os rios afluentes aos reservatórios estratégicos que servem de manancial para sistemas adutores de
grande porte, tais como as adutoras do Garrincho, Bocaína, Pedra Redonda, Salinas, Piaus,
Jenipapo, etc.;
− Os reservatórios estratégicos propriamente ditos;
− Os rios perenes que servem de manancial hídrico com captação direta para abastecimento de
cidades, tais como o rio Parnaíba em Floriano, Teresina, etc.

Os objetivos dos PROGRAMAS DE PLANEJAMENTO envolvem:

− Fornecimento de informações sobre a qualidade da água disponível potencialmente para satisfazer


as necessidades futuras, incluindo novos empreendimentos;

198
− Prognóstico dos efeitos de novas captações, estabelecimentos de novos perímetros irrigados,
construção de novos barramentos, industriais e lançamento de seus despejos sobre a qualidade da
água;
− Auxílio na avaliação dos efeitos de variações hidrológicas sobre a qualidade das águas para os
ciclos de escassez e abundância dos recursos hídricos;
− Auxílio na avaliação de mudanças de políticas ambientais e conservacionais dos recursos hídricos e
seu impacto na qualidade das águas;
− Auxílio na avaliação da construção de novos sistemas hídricos, mudanças nas regras de operação e
gestão da liberação das águas dos reservatórios existentes e sua influência na qualidade das águas;
− Estabelecimento de condições preliminares na formulação de modelos matemáticos;
− Informações sobre casos e tendências ao surgimento de substâncias perigosas;
− Reavaliação de políticas de gestão com base nas informações obtidas dos programas de
monitoramento.

Os objetivos dos PROGRAMAS DE CONTROLE envolvem:

− Identificação de áreas críticas, incluindo-se reservatórios com tendência a salinização e eutrofização,


seções fluviais com presença de poluição, e avaliação da urgência de ações que visem melhorar a
qualidade das águas superficiais;
− Proteção dos usuários dos sistemas hídricos, avaliando a eficácia das medidas de controle na
manutenção ou melhoria da qualidade da água;
− Determinação de variações da qualidade da água em períodos críticos específicos, para detectar e
medir tendências e propor ações preventivas;
− Estabelecer Programas de Controle Emergenciais, no caso de propagação de doenças endêmicas
ou epidêmicas de veiculação hídrica, tais como o Cólera, Tifo, Febre Paratifóide, etc.
− Determinar a origem de potenciais fontes poluidoras, estabelecer medidas mitigadoras e
acompanhamento de sua implementação e manutenção permanentes;
− Promover a melhoria da qualidade ambiental e preservação das espécies que habitam os
ecossistemas hídricos;
− Garantir a qualidade da água para o consumo humano, e para os diversos usos múltiplos a que se
destinam;
− Alertar para o aparecimento de substâncias perigosas e promover o controle do lançamento de
resíduos tóxicos de natureza agrícola ou industrial nas coleções e corpos de água superficiais.

Tomando como exemplo o "Plano Estadual de Monitoramento da Qualidade e Quantidade da Água de


Bacias Prioritárias e Projeto de Monitoramento da Qualidade e Quantidade da Água - PIAUÍ" do
Ministério do Meio Ambiente e Programa Nacional do Meio Ambiente, publicado em 2005, propõem-se
também as seguintes ações, como embasamento para a implantação da rede de monitoramento:

199
I. Fortalecimento dos mecanismos técnicos e institucionais, para a implantação do
Monitoramento das doze Bacias Hidrográficas do Estado;
− Neste caso, necessita-se realizar uma revisão do atual sistema de monitoramento de qualidade das
bacias, no sentido de atualizar a disponibilidade de recursos e informações para a efetiva
operacionalização futura da rede de monitoramento;
− E ainda, realizar o levantamento das demandas por equipamentos e instalações decorrentes da
ampliação prevista, do número de pontos de amostragem, além das análises dos parâmetros;

II. Implantação de um sistema de monitoramento qualitativo e quantitativo das águas nas


Bacias Hidrográficas do Estado;
− Serão coletados dados de qualidade da água, a fim de analisar os parâmetros físicos, químicos e
bacteriológicos, que possam servir como indicadores dos recursos hídricos com qualidade
comprometida;
− Por outro lado os dados também contribuirão para o processo de gestão das bacias hidrográficas;

III. Implantação de um Banco de Dados, para disponibilizar e divulgar as Informações relativas


ao monitoramento dos dados;

− Para a implantação de um banco de dados serão necessários fornecer treinamento para os usuários
dos dados que serão disponibilizados;
− Disponibilizar as informações por bacias, municípios, fontes poluidores, etc. na internet;
− Além disso, será necessária a elaboração e distribuição de relatórios técnicos, a fim de facilitar a
divulgação dos dados.

7.3.5.3 - Proposta de Equipe e Equipamento Necessários ao Monitoramento

Faz-se necessário que sejam criadas, dentro do corpo técnico da SEMAR-PI, duas equipes
especializadas para fazer o monitoramento qualitativo das águas superficiais (e subterrâneas) do Estado
do Piauí. Estas equipes deveriam ser constituídas minimamente de:

− 1 técnico de nível superior, engenheiro ou área afim, com formação de sanitarista, técnico em
recursos hídricos ou biólogo, tendo a função de coordenar os trabalhos das duas equipes;
− 2 hidrometristas, técnicos de nível médio, tendo função de medir vazões nos pontos de coletas das
amostras de água, se em rios ou riachos, canais, poços, etc;
− 4 auxiliares, de nível básico ou primário, para auxílio nas medições, transporte de equipamentos,
sendo 2 para cada 1 dos hidrometristas;
− 1 topógrafo para cada equipe, destinado a dar suporte às medições de vazões nos rios, calibrar as
réguas de medição e níveis, fazer pequenos levantamentos topográficos e batimétricos em rios e
açudes que possam ser realizados com topografia clássica;
− 1 motorista, para deslocamento de cada equipe.

200
O Quadro 7.10 mostra o sumário do pessoal necessário para realizar as campanhas de monitoramento
qualitativo das águas pela SEMAR-PI.

Quadro 7.10 - Resumo de Pessoal do Programa de Monitoramento Qualitativo


Salário Custo
Função Nível escolar Quantidade
Base (R$) Mensal (R$)
(*)
Coordenador de Equipe Superior 01 4.335,00 4.335,00
Hidrometrista/Coletor Amos. Técnico Médio 02 1.500,00 3.000,00
Auxiliar de Serviços Gerais Básico 04 510,00 2.040,00
Topógrafo 2º Grau / Médio 02 1.500,00 3.000,00
Motorista Básico 02 650,00 1300,00
Total 13.675,00
Encargos 13.675,00
Total Geral 27.350,00
(*) Com base em 8,5 salários mínimos aproximadamente.

O Quadro 7.11 apresenta o equipamento mínimo necessário para o monitoramento qualitativo e


quantitativo (medição de vazão) do programa, e o custo dos mesmos considerando preços médios
referenciados a dólar.

O elevado custo de investimento inicial, da ordem de R$ 612.209,32, poderá ser objeto de um


financiamento específico de Desenvolvimento Institucional, alavancado em algum programa com
recursos externos, tal como o INTERÁGUA, ou similar.

7.3.5.4 - Tipos de Análises

Os tipos de análises a serem realizados pela SEMAR serão aqueles que permitam atender aos objetivos
tratados no Item 4.3.5.2 precedente. Não cabe à SEMAR fazer todos os ensaios relativos ao
atendimento da Portaria nº 518 de 25/03/2004 do Ministério da Saúde, pois a maior parte daquelas
análises laboratoriais é intrínseca do órgão operador do sistema de abastecimento público, no caso a
AGESPISA, ao âmbito estadual e as prefeituras municipais que operam autonomamente seus sistemas
de abastecimento público.

À SEMAR cabe identificar os pontos críticos de poluição e acompanhar a evolução da qualidade da água
dos rios e reservatórios para fins de enquadramento em classes preponderantes de uso e tomada de
providências para fazer cumprir com as normas de enquadramento.

Assim, resumem-se no Quadro 7.12 os tipos de ensaios e a metodologia sugerida para sua realização,
apresentando o custo atual (Fevereiro/2009).

201
Quadro 7.11 - Equipamento de Apoio ao Monitoramento Qualitativo

QUANT. POR  QUANT.  PREÇO  PREÇO  CUSTRO TOTAL 


DESCRIÇÃO DO EQUIPAMENTO ESTIMADO 
EQUIPE TOTAL (US$) ESTIMADO (R$) (R$)
Veículo tipo VAN ou similar com reboque para 
lancha ou barco a motor 1 2 42735.00 96581.10 193162.20
Lancha ou barco com motor de popa de 15 HP
1 2 13675.00 30905.50 61811.00
Mini‐geladeira a bateria 12V para conservação de 
amostras 1 2 854.00 1930.04 3860.08
Cronômetros 2 4 171.00 386.46 1545.84
Medidor de corrente líquida PYGMY PRICE ou 
similar 1 2 1025.00 2316.50 4633.00
Medidor de corrente líquida Marsh McBirnney ou 
similar 1 2 1965.00 4440.90 8881.80
Molinetes de hélice C31 OTT Messtechnick ou 
similar 2 4 12820.00 28973.20 115892.80
Medidor de temperura‐condutividade e 
profundidade Hydrolab Surveyor ou similar 1 2 2564.00 5794.64 11589.28
Medidor de temperatura‐condutividade e 
profundidade YSI TLC Meter ou similar 1 2 1282.00 2897.32 5794.64
Garrafa de Marriot 2 4 683.00 1543.58 6174.32
Kit de coleta de amostras de água 2 4 3418.00 7724.68 30898.72
Garrafa de Meyer 2 4 683.00 1543.58 6174.32
Garrafa de Van Dorn 2 4 1025.00 2316.50 9266.00
Amostrador de Kemmerer 2 4 1709.00 3862.34 15449.36
Discos de Sacchi 2 4 4273.00 9656.98 38627.92
Garrafas de OD ou Batiscafo 2 4 2136.00 4827.36 19309.44
Garrafas de preservação de amostra 4 8 521.00 1177.46 9419.68
Calculadoras científicas 2 4 10.00 22.60 90.40
GPS portátil 2 4 512.00 1157.12 4628.48
Nível WILD ou similar 1 2 4273.00 9656.98 19313.96
Teodolito WILD ou similar 1 2 6837.00 15451.62 30903.24
Galões de 50 litros 4 8 85.00 192.10 1536.80
Trenas de 50 m 2 4 20.00 45.20 180.80
Trenas de 5 m 2 4 4.27 9.65 38.60
Pás 2 4 17.00 38.42 153.68
Enxadas 2 4 25.00 56.50 226.00
Picaretas 2 4 25.00 56.50 226.00
Papel à prova d'água (resma) 2 4 20.00 45.20 180.80
Conjunto de capa e chuva 8 16 42.00 94.92 1518.72
Botas de pesca (waders) 16 32 68.00 153.68 4917.76
Coletes salva‐vidas 8 16 150.00 339.00 5424.00
Conjunto de canetas para escrita úmida 2 4 42.00 94.92 379.68

TOTAL 612209.32

202
Quadro 7.12 - Resumo dos Tipos de Ensaios do Programa de Monitoramento
Qualitativo das Águas Superficiais
Custo
Parâmetro Metodologia Sugerida
Unitário (R$)
DBO Respirométrico R$ 50,00
Refluxo Fechado /
DQO R$ 50,00
Espectrofotometria
Coliformes Totais Membrana Filtrante Millipore R$ 30,00
Coliformes
Tubos Múltiplos R$ 30,00
Termotolerantes
NO2 Espectrofotometria R$ 16,00
NO3 Espectrofotometria R$ 16,00
Amônia Total (mg/l) Titulometria pós-destilação R$ 35,00
N. Albuminóide Titulometria pós-destilação R$ 35,00
Fósforo Total Espectrofotometria R$ 40,00
Ortofosfato Espectrofotometria R$ 32,00
Total R$ 334,00

Assim, pelo preço atualizado dos ensaios laboratoriais (praça de Fortaleza), o custo de uma bateria de
ensaios para caracterização completa de uma amostra seria de R$ 334,00/amostra.

7.3.5.5 - Periodicidade e Locais de Amostragem

Recomenda-se que a periodicidade da amostragem seja semestral contanto que compreenda uma
coleta durante a estação úmida (chuvas) e outra durante a estação seca. Como a estação úmida é
geralmente mais curta do que a estação seca, o planejamento da campanha de amostragem deverá ser
mais rigoroso do que durante a estação seca de forma a cobrir os mesmos pontos de amostragem num
intervalo menor de tempo do que esta última.

Os locais de amostragem deverão ser prioritariamente:

− Os rios afluentes aos reservatórios estratégicos que servem de manancial para sistemas adutores
de grande porte, tais como as adutoras do Garrincho, Bocaína, Pedra Redonda, Salinas, Piaus,
Jenipapo, etc.;

− Os reservatórios estratégicos propriamente ditos;

− Os rios perenes que servem de manancial hídrico com captação direta para abastecimento de
cidades, tais como o rio Parnaíba em Floriano, Teresina, etc.

A seleção dos locais de amostragem nessa primeira proposta compreende os reservatórios estratégicos
que servirão de suprimento hídrico para o abastecimento de cidades e sistemas adutores, e calhas
fluviais de importância estratégica para monitoramento e enquadramento dos rios em classes de uso
preponderantes. Nesse último caso, dar-se-á preferência às seções de postos fluviométricos ativos para
se ter a possibilidade de associar o valor da concentração do parâmetro nas águas do rio com a vazão
líquida do mesmo.

203
O Quadro 7.13 apresenta o sumário das seções sugeridas.

Quadro 7.13 - Localização dos Pontos de Coleta do Programa de Monitoramento


Qualitativo das Águas Superficiais
Tipo de local Nome Latitude Longitude
Posto Fluviométrico Fazenda Paracati II -8.271 -45.668
Posto Fluviométrico Ribeiro Goncalves -7.560 -45.245
Posto Fluviométrico Sitio do Velho -7.381 -44.827
Posto Fluviométrico Fazenda Bandeira -7.391 -44.614
Posto Fluviométrico Contrato (Uniao) -9.578 -45.029
Posto Fluviométrico Cristino Castro II -8.793 -44.206
Posto Fluviométrico Barra do Lance -7.248 -43.649
Posto Fluviométrico Pedra Redonda -8.006 -41.498
Posto Fluviométrico Fazenda Tapage -7.468 -41.865
Posto Fluviométrico Maria Preta -7.546 -41.295
Posto Fluviométrico Picos -7.073 -41.454
Posto Fluviométrico Santa Cruz do Piaui II -7.189 -41.770
Posto Fluviométrico Fazenda Talhada -6.973 -42.106
Posto Fluviométrico Sao Francisco do Piaui -7.233 -42.544
Posto Fluviométrico Francisco Ayres -6.625 -42.698
Posto Fluviométrico Passagem Franca II -5.858 -42.436
Posto Fluviométrico Fazenda Veneza (Pcd Inpe) -5.573 -43.024
Posto Fluviométrico Fazenda Boa Esperanca -5.223 -41.738
Posto Fluviométrico Fazenda Carnaiba -5.714 -42.100
Posto Fluviométrico Prata do Piaui -5.663 -42.206
Posto Fluviométrico Fazenda Cantinho II -5.203 -42.697
Posto Fluviométrico Luzilandia -3.453 -42.369
Posto Fluviométrico Esperantina -3.903 -42.230
Posto Fluviométrico Piracuruca -3.937 -41.717
Posto Fluviométrico Tinguis -3.724 -41.974
Açude Estratégico Algodões II -10.150 -44.200
Açude Estratégico Petrônio Portela -8.883 -42.317
Açude Estratégico Pedra Redonda -7.933 -41.550
Açude Estratégico Poço do Marruá -7.704 -41.232
Açude Estratégico Estreito -7.333 -40.866
Açude Estratégico Piaus -7.014 -40.797
Açude Estratégico Bocaina -6.917 -41.317
Açude Estratégico Jenipapo -8.450 -42.167
Açude Estratégico Poços -7.583 -43.016
Açude Estratégico Salinas -7.000 -42.517
Açude Estratégico Mesa de Pedra -6.192 -41.992
Açude Estratégico Milagres -5.987 -41.794
Açude Estratégico Corredores -5.100 -42.033
Açude Estratégico Piracuruca -3.983 -41.667
Açude Estratégico Caldeirão -4.350 -41.683
Açude Estratégico Tinguis -4.000 -41.900
Açude Estratégico Barreiras -7.100 -40.583
Açude Estratégico Algodões I -3.400 -41.533
Açude Estratégico Rangel -9.800 -44.600
Açude Estratégico Bezerros -4.768 -42.602
Açude Estratégico Boa Esperança -6.759 -43.563

Ao todo são 46 pontos estratégicos de amostragem. O custo estimado considerando a equipe técnica
permanente durante os 20 anos de horizonte do Plano, a compra do equipamento de apoio e as duas

204
amostras por ano (estação úmida e estação seca), durante os 20 anos do Plano, pode ser observado no
Quadro 7.14.

Quadro 7.14 – Custo Total Estimado do Programa de Monitoramento e Fiscalização


Preço Unitário Preço Total
Descrição Unidade Quantidade
(R$) (R$)
Equipe Técnica mês 240 27.350,00 6.564.000,00
Equipamento de Apoio ao Monitoramento vb 1 612.209,32 612.209,32
Análises amostra 1.840 334,00 614.560,00
Total 7.790.769,32

7.3.5.6 - Monitoramento da Qualidade dos Recursos Hídricos nas Áreas de Irrigação Intensiva

O desenvolvimento de uma agricultura intensiva, com acentuado uso de insumos, sem a adequada
orientação ambiental, pode vir a comprometer a qualidade das águas superficiais e subterrâneas na
própria área do projeto ou em áreas sob sua influência, afetando negativamente a capacidade produtiva
dos solos, a flora, a fauna e, em especial, o homem.

O programa de monitoramento da qualidade das águas superficiais e subterrâneas proposto tem por
objetivo acompanhar a evolução temporal da qualidade dos recursos hídricos superficiais e
subterrâneos, diante de uma utilização intensiva de agrotóxicos na área de influência direta dos
perímetros irrigados e de empresas hidroagrícolas.

Para que o caminho descrito pelas águas e seus eventuais poluentes seja conhecido, deverá ser
determinada a forma da superfície piezométrica (nível freático) e, a partir dela, definidas as linhas de
fluxo subterrâneo e seus pontos de convergência para a drenagem superficial. Os riscos de
contaminação, especialmente não devem ser minimizados.

Inicialmente deverá ser realizado um diagnóstico da área do empreendimento, em que deverão ser
estabelecidas as interrelações entre os solos, águas superficiais e águas subterrâneas, de modo a
permitir o conhecimento do sistema físico e da sua dinâmica de circulação. Para tanto, deverá ser
analisado o mapa geológico detalhado da área de cada projeto e do seu entorno, bem como o
mapeamento do lençol freático. No caso específico das águas superficiais deverá ser analisado o mapa
de declividade da área do empreendimento e definida a drenagem natural ao nível de detalhe.

Deverão ser efetuadas campanhas de coleta e análises de amostras das águas superficiais e
subterrâneas para definição dos padrões de qualidade existentes na estação seca e na chuvosa, visando
caracterizar a situação vigente.

Em seguida deverá ser definida uma rede de pontos de amostragem para monitoramento da qualidade das
águas superficiais e de uma rede de piezômetros para monitoramento do nível freático e da qualidade das
águas subterrâneas, bem como as freqüências que deverão ser executadas as coletas de amostras. No caso
específico das águas subterrâneas deverão ser aproveitados os poços existentes nas áreas de influência dos
perímetros irrigados para execução do monitoramento.

205
Posteriormente deverão ser definidos os parâmetros de qualidade da água a serem adotados com base
nas normas preconizadas pela Resolução CONAMA no 357/2005, e CONAMA Nº 396 de 03 de abril de
2008, complementadas pelas normas preconizadas pelo Ministério da Saúde para potabilidade e pelo
U.S. Salinity Board para irrigação.

Para caracterização da qualidade das águas superficiais das áreas de influência dos perímetros irrigados
recomenda-se a análise dos seguintes parâmetros físico-químicos e biológicos: RAS, pH, Cor, Turbidez,
DBO, DQO, Sólidos dissolvidos totais, Condutividade elétrica, Carbonato de sódio residual, Alumínio,
Arsênico, Berílio, Boro, Cádmio, Cromo hexavalente, Cobalto, Cobre, Lítio, Manganês, Molibdênio,
Níquel, Chumbo, Selênio, Vanádio, Zinco, Fluoretos, Fosfato total, Nitrato, Nitrito, Sulfatos, Sulfetos,
Coliformes totais, Coliformes fecais e presença de Organofosforados e Carbonatos totais.

Devem ser obtidos e registrados por ocasião de cada amostragem as seguintes informações de caráter
geral: data, hora, condições de precipitação pluvial, vazão instantânea do curso d’água amostrado e local
de amostragem. Os métodos de coleta, preservação e análise das águas superficiais e subterrâneas e
dos sedimentos devem ser os especificados nas normas brasileiras.

Para os sedimentos foram definidos os seguintes parâmetros: Alumínio, Arsênico, Berílio, Boro, Cádmio,
Cromo hexavalente, Cobalto, Cobre, Lítio, Manganês, Molibdênio, Níquel, Chumbo, Selênio, Vanádio,
Zinco, Fósforo, Nitrato, Nitrito, Sulfatos, Sulfetos e presença de Organofosforados e Carbonatos totais.
Para as águas subterrâneas os parâmetros a serem analisados são os seguintes: pH, Alcalinidade,
Dureza, fenóis, Condutividade Elétrica, RAS, Sólidos dissolvidos totais, Coliformes totais, Coliformes
fecais, Nitrato, Fosfato, Cádmio, Cromo Hexavalente, Cobre, Lítio, Chumbo, Selênio e Zinco.

Prevê-se a análise dos parâmetros acima recomendados tanto para águas superficiais e subterrâneas
como para sedimentos, acrescidos das substâncias químicas que estão previstas no planejamento
agrícola (fertilizantes e defensivos). Cabe ressaltar que em função dos dados gerados ao longo do 1º
ano, os parâmetros listados poderão ser substituídos ou eliminados.

Quanto à freqüência da amostragem, deverá ser estabelecida inicialmente uma freqüência arbitrária, a qual
deve ser posteriormente ajustada através de uma análise dos resultados obtidos. Assim sendo, sugere-se a
priori a realização de 2 campanhas de amostras, com intervalo de 15 dias, para caracterização da qualidade
da água e dos sedimentos. Durante o 1º ano do monitoramento das áreas dos perímetros deverão ser
efetuadas 6 campanhas de amostragem com intervalo bimestral, que proporcionarão os elementos
necessários para o estabelecimento da freqüência adequada. Para os anos subseqüentes a freqüência de
amostragem deverá ser definida de acordo com os resultados obtidos anteriormente. Para as águas
subterrâneas deverão ser adotadas as mesmas freqüências de amostragem recomendadas para as águas
superficiais e sedimentos.

Por fim, deverá ser efetuado um estudo de compatibilização e otimização de rotinas de análises das
águas superficiais e subterrâneas, dos sedimentos e dos solos.

206
A administração dos perímetros e aos empresários do setor hidroagrícola cumpre desempenhar as
atividades de monitoramento da qualidade das águas superficiais e subterrâneas e dos sedimentos nas
áreas de irrigação. Caberá a SEMAR exercer uma fiscalização efetiva destes monitoramentos.

7.3.5.7 - Monitoramento da Qualidade dos Solos nas Áreas de Irrigação Intensiva

O monitoramento da qualidade dos solos nas áreas de irrigação intensiva se encontra diretamente
associado a possível ocorrência de alterações decorrentes da elevação do lençol freático e conseqüente
salinização dos solos e da poluição destes pelo uso indiscriminado de agrotóxicos. No caso específico
da salinização dos solos provocada por elevação do lençol freático, a ocorrência desta situação em geral
está associada a irrigações posicionadas em áreas de várzeas. Quanto aos agrotóxicos, a utilização não
racional destes produtos (quantidade aplicada, tecnologia de aplicação, produtos não específicos para o
objetivo), pode a médio/longo prazo, tanto reduzir a produtividade do solo quanto provocar a
contaminação dos alimentos produzidos acima dos limites de tolerância permitidos pela legislação
específica. Assim sendo, o programa de monitoramento dos solos proposto versará basicamente sobre
os seguintes tópicos:

− Análise dos mapas pedológicos, hidrogeológicos e de drenagem superficial detalhada, para identificação
das zonas com possibilidades de saturação e/ou concentração de sais e /ou agrotóxicos;
− Uso das informações de análises dos solos já existentes para subsidiar a definição dos parâmetros a
serem monitorados, locais de amostragem e freqüência;
− Elaboração de rotinas de análise;
− Definição de necessidades de instalações, equipamentos, materiais de consumo e pessoal
necessário ao monitoramento;
− Definição das necessidades de contratação de serviços para implementação do programa de
monitoramento.

Na definição da rede de amostragem pode ser considerado o critério de 1 ponto de amostragem para
cada 125 ha. Quanto à freqüência de amostragem, devido ao comportamento destes produtos no solo foi
prevista a execução de uma campanha de amostragem a cada 2 anos, nas seguintes profundidades 15
cm e 75 cm.

Por fim, os parâmetros de qualidade dos solos a serem analisados foram definidos com base nas
normas preconizadas pela EMBRAPA, pelo U. S. Bureau of Reclamation e pelo U.S. Salinity Board,
devendo abranger os parâmetros: pH, fósforo, Nitrogênio Orgânico, Nitrogênio, Nitrato, Nitrogênio Kjedal,
Potássio, Condutividade Elétrica, RAS, Cádmio, Chumbo, Cobre, Cromo hexavalente, Lítio, Selênio,
Zinco e produtos químicos recomendados no planejamento agrícola.

Ressalta-se que, os dados gerados pelos monitoramentos dos solos e dos recursos hídricos deverão ser
interpretados, com as seguintes finalidades:

207
− Identificar as áreas ou locais onde as concentrações de poluentes estão acima dos padrões
estabelecidos para a preservação dos usos múltiplos dos recursos hídricos vigentes na área de
influência dos perímetros irrigados e empresas hídroagrícolas;
− Acionar um sistema de alerta, que tem como objetivo estabelecer limites às concentrações dos
parâmetros analisados através da tomada das medidas cabíveis para correção dos problemas
detectados, no sentido de assegurar a preservação ambiental, assim como proporcionar uma
avaliação da operação dos perímetros irrigados e empresas hídroagrícolas. O sistema de alerta
deverá ser acionado toda vez que as concentrações dos parâmetros analisados atingirem
80,0 % dos padrões estabelecidos.

O monitoramento da qualidade dos solos deverá ficar a cargo das administrações dos perímetros
irrigados e dos empresários do setor hidroagrícola. Caberá a SEMAR exercer uma fiscalização efetiva
destes monitoramentos

7.3.5.8 - Monitoramento da Atividade Piscícola

A aqüicultura, desde sua descoberta na antiga China, é utilizada como atividade produtora de alimentos
e voltada para a ornamentação, sendo considerada como atividade de baixo impacto sobre o meio
ambiente. Com a descoberta do processo de desova induzida e da reprodução controlada de espécies
de alta capacidade de produção, a aqüicultura passou a ser vista como atividade com possibilidades de
produção intensiva. Com o advento das rações formuladas, do aumento das densidades de estocagens
em viveiros escavados, dos tanques-rede e de outras técnicas de massificação da produção, a atividade
passou a sofrer determinados controles com vistas à preservação da qualidade dos recursos hídricos
utilizados na produção.

Tendo em vista o uso intensivo da água nesta atividade, a aqüicultura não pode descuidar dos
procedimentos que garantam a preservação dos recursos hídricos, como forma de garantir um bom
desenvolvimento dos organismos cultivados e preservar a qualidade do meio ambiente, fator de
sobrevivência da atividade.

A legislação brasileira de controle da piscicultura e da pesca preconiza a adoção de cuidados


precautórios de importantes condicionantes para a preservação do meio e para a sustentabilidade da
atividade. A pesca extrativista é regida por diversos instrumentos legais com destaque para o Decreto-
Lei no 221 de 20/02/1967, que regulamenta a atividade de pesca; a Lei no 7.679 de 23/11/1988, que
estabelece a proibição da pesca durante os períodos de reprodução e da utilização de aparelhos e
métodos demasiadamente ofensivos à conservação dos estoques pesqueiros e a Lei no 9.938 de
31/08/1988, que estabelece a Política de Meio Ambiente no Brasil.

Quanto a atividade aqüícola, a legislação pertinente compreende além da Lei no 9.938/88 e do Decreto-Lei no
221/67, outras normas que visam a proteção e a sustentabilidade ambiental como o Decreto Presidencial no
4.895 de 25/11/2003, que estabelece normas e procedimentos para o exercício da aqüicultura em águas
públicas; a Instrução Normativa Interministerial no 08 de 26/11/2003, que estabelece normas para a criação

208
de parques aqüícolas e a Instrução Normativa no 06 de 31/05/2004, que estabelece normas complementares
para a implantação dos parques aqüícolas.

Nesse contexto, a legislação brasileira é bastante cuidadosa e ciosa das necessidades protecionistas
com relação à captura pesqueira e atividade aqüícola, principalmente com relação a esta última, já que
as licenças prévias, de implantação e de funcionamento, esta última renovável anualmente, só devem
ser emitidas após analise das condições de sustentabilidade do empreendimento. Caberá assim a
SEMAR exercer uma fiscalização efetiva dos empreendimentos aquícolas existentes no território
piauiense.

Na pesca extrativa as principais normas de controle a serem implementadas estão associadas ao


monitoramento da sobrevivência das espécies piscícolas às condições ambientais e ao
acompanhamento estatístico das capturas para elaboração de relatórios de recuperação dos estoques.
Deverão ser definidos e controlados o tamanho de malhas, os tamanhos mínimos de captura para as
espécies mais afetadas e o esforço de pesca sustentável.

Por fim, deverá ser efetuada a capacitação e treinamento dos pescadores, versando basicamente sobre
legislação ambiental pesqueira; utilização de armadilhas e dos apetrechos de pesca com impacto
assimilável pelos estoques pesqueiros; conservação dos estoques pesqueiros e sobre os impactos
causados ao meio ambiente pela aqüicultura e as formas de assimilação.

7.3.5.9 - Monitoramento da Qualidade da Água Vinculado a Carcinicultura

O controle sistemático da qualidade da água é fator determinante para o cultivo de camarões. Condições
inadequadas da água resultam em prejuízos ao crescimento, à saúde, à sobrevivência e a qualidade dos
camarões, comprometendo o sucesso dos sistemas de cultivo. Além disso, faz-se necessário o controle
da qualidade dos efluentes da carcinicultura, minimizando a possibilidade de poluição do corpo receptor,
e de comprometimento do próprio cultivo de camarão.

Visando a correta operação das fazendas de camarão existentes na região litorânea do Estado do Piauí
e a manutenção da qualidade da água utilizada, bem como dos recursos hídricos periféricos, a SEMAR
deverá exigir entre as obrigações dos carcinicultores o monitoramento da qualidade da água no local do
cultivo e no corpo receptor, devendo estes fornecerem informações sobre parâmetros físico-químicos,
bem como a ocorrência de parasitas e enfermidades, que porventura venha a ocorrer nas espécies
aqüícolas da criação.

De acordo com o plano de monitoramento ambiental preconizado pela Resolução CONAMA


No 312, de 10/10/2002, deverá ser implantado, no mínimo, o seguinte plano de instalação de estações
de coleta de água nas fazendas de camarão para análise em laboratório: uma estação de coleta nos
viveiros de produção de pequenos produtores (< 10 ha), duas para o médio produtor (10 a 50 ha) e três
para o grande produtor (> 50 ha); uma estação no ponto de captação d’água para suprimento hídrico do
cultivo; uma estação no canal de drenagem e duas estações no corpo receptor dos efluentes da

209
drenagem dos viveiros, sendo uma 100 m a montante do ponto de lançamento e a outra 100 m a jusante
deste ponto. Deverão ser executadas 4 baterias de amostras/fazenda de camarão/ano.

Os parâmetros a serem analisados no monitoramento da qualidade da água para fins de preservação de


meio ambiente são: material em suspensão, transparência, temperatura, salinidade, oxigênio dissolvido,
DBO, pH, amônia-N, Nitrito-N, Nitrato-N, Fosfato-P, Silicato_Si, Clorofila “a” e coliformes totais. A
periodicidade das análises a serem empreendidas deverá ser no mínimo trimestral, considerando as
estações seca e chuvosa.

Quanto aos principais parâmetros a serem monitorados nos viveiros de camarão visando o controle da
qualidade da água para cultivo, a freqüência da coleta de amostras é de: duas vezes ao dia para
temperatura da água, oxigênio dissolvido e transparência; diariamente para salinidade, pH e alcalinidade;
duas vezes por semana para amônia, nitritos e nitratos duas vezes por semana e semanalmente para
nitrogênio total inorgânico, silicato, fosfato reativo e clorofila “a”.

7.3.6 - Programa de Adensamento da Rede de Monitoramento

A rede de monitoramento pluvimétrico é composta apenas de pluviômetros convencionais perfazendo


um total de 268 divididos entre as unidades de Planejamento como apresentado no Quadro 7.15.

Quadro 7.15 – Distribuição dos Pluviômetros por Unidade de Planejamento


Área Estações Densidade
Bacia Hidrográfica
(Km²) (und.) (Km²/und.)
Bacia do Canindé 75.683,17 92 823
Bacia do Gurguéia 48.825,72 42 1.163
Bacia do Itaueira 10.247,17 6 1.708
Bacia do Longá 21.950,32 35 646
Bacia do Piranji 934,84 1 1.082
Bacia do Poti 37.188,75 42 930
Bacia do Uruçuí Preto 15.784,35 9 1.754
Bacias Difusas da Barragem de Boa Esperança 8.029,61 10 803
Bacias Difusas do Alto Parnaíba 17.091,49 10 1.709
Bacias Difusas do Baixo Parnaíba 7.415,75 10 742
Bacias Difusas do Litoral 2.057,60 2 1.029
Bacias Difusas do Médio Parnaíba 6.320,42 9 702
Total 251.529,19 268 949

A Organização Meteorologia Mundial (OMM), em seu Guia de Práticas Hidrológicas (OMM, 1994),
recomenda uma densidade mínima de estações pluviométricas de acordo com a unidade fisiográfica e o
tipo de estação, conforme apresentado no Quadro 7.16.

Quadro 7.16 – Densidade Mínima de Estações Recomendadas


pela OMM – Guia de Práticas Hidrológicas
Densidade Mínima (km²/Estação)
Unidade Fisiográfica
Estação Convencional Estação com Registrador
Litoral 900 9.000
Montanhas 250 2.500
Planícies Interiores 575 5.750

210
Áreas Ingrimes/Onduladas 575 5.750
Pequenas Ilhas 25 250
Área Urbana - 10-20
Árida/Polar 10.000 100.000

Denomina-se por estação pluviométrica convencional aquela que acumula a chuva, sendo feita uma
leitura diária em um horário predeterminado (Ex. pluviômetro), e por estação pluviométrica com
registrador a que mede a chuva em intervalos de tempo inferiores a um dia (Ex. pluviógrafo).

As informações acima permitem concluir que a densidade de estações pluviométricas é baixa no Estado.
Considerando a totalidade da sua área classificada em Planícies Interiores com algumas Áreas
Ingrimes/Onduladas, a rede de monitoramento, de acordo com a OMM, deveria ter em operação, 443
estações pluviométricas convencionais e 45 estações pluviométricas com registrador.

Logo, deve ser acrescentada a rede pluviométrica base do Estado um total de 175 estações
pluviométricas convencionais e 45 estações pluviométricas com registrador distribuídas nas unidades de
planejamento como apresentado no Quadro 7.17.

Quadro 7.17 – Demanda de Estações Pluviométricas para o Estado do Piauí


Quantidade de Estações Segundo OMM (1994)
Bacia Hidrográfica
Convencional Déficit Atual Registrador
Bacia do Canindé 132 40 13
Bacia do Gurguéia 85 43 8
Bacia do Itaueira 18 12 2
Bacia do Longá 39 4 4
Bacia do Piranji 2 1 1
Bacia do Poti 68 26 7
Bacia do Uruçuí Preto 27 18 3
Bacias Difusas da Barragem de Boa Esperança 14 4 1
Bacias Difusas do Alto Parnaíba 30 20 3
Bacias Difusas do Baixo Parnaíba 13 3 1
Bacias Difusas do Litoral 4 2 1
Bacias Difusas do Médio Parnaíba 11 2 1
Total 443 175 45

As 175 estações convencionais sugeridas desempenharão uma função secundária no monitoramento,


devendo ser alocadas nas áreas que apresentam espaços vazios deixados pelas estações de base,
enquanto as 45 estações com registrador deverão compor a estrutura base de monitoramento e serão
instaladas de forma a contemplar toda a área do Estado.

Ressalta-se que as propostas de instalação segundo as unidades de planejamento se referem à


complementação da rede básica do Estado. As localizações das estações devem ser analisadas pelo
órgão gestor em conjunto com os demais órgãos estaduais.

A rede de monitoramento fluvimétrico é composta por 25 estações. Observando a divisão das estações
entre as unidades de planejamento apresentada no Quadro 7.18, percebe-se que
4 bacias hidrográficas, dentre as 12 em que se divide o Estado do Piauí, não possuem estações

211
fluviométricas dentro de seu território que são: Bacias de Difusas do Litoral; Bacia do Piranji; Bacia do
Itaueira e as Bacias Difusas da Barragem Boa Esperança.

A densidade mínima de estações fluviométricas recomendada pela OMM pode ser observada no
Quadro 7.19.

Quadro 7.18 – Distribuição dos Fluviômetros por Unidade de Planejamento


Área Estações Densidade
Bacia Hidrográfica
(Km²) (und.) (Km²/und.)
Bacia do Canindé 75.683 8 9.460
Bacia do Gurguéia 48.826 3 16.275
Bacia do Itaueira 10.247 0 10.247
Bacia do Longá 22.623 3 7.541
Bacia do Piranji 1.082 0 1.082
Bacia do Poti 39.050 5 7.810
Bacia do Uruçuí Preto 15.784 1 15.784
Bacias Difusas da Barragem de Boa Esperança 8.030 0 8.030
Bacias Difusas do Alto Parnaíba 17.091 3 5.697
Bacias Difusas do Baixo Parnaíba 7.416 1 7.416
Bacias Difusas do Litoral 2.058 0 2.058
Bacias Difusas do Médio Parnaíba 6.320 1 6.320
Total 254.210 25 10.168

Quadro 7.19 – Densidade Mínima de Estações Fluviométricas Recomendadas pela


OMM – Guia de Práticas Hidrológicas
Densidade Mínima (km² / estação)
Unidade Fisiográfica
Estações Fluviométricas
Litoral 2750
Montanhas 1000
Planícies Interiores 1875
Áreas Ingrimes/Onduladas 1875
Pequenas Ilhas 300
Área Urbana -
Árida/Polar 20.000

As informações acima permitem concluir que a densidade de postos é muitíssimo baixa no Estado.
Considerando a totalidade da sua área classificada em Planícies Interiores com algumas Áreas
Ingrimes/Onduladas a rede de monitoramento recomendada deveria ter em operação 136 estações
fluviométricas. Logo, deve ser acrescentada a rede fluviométrica do Estado um total de 111 estações
distribuídas como apresentado no Quadro 7.20.

Ressalta-se que as propostas de instalação segundo as unidades de planejamento se referem à


estrutura mínima necessária para o desenvolvimento de estudos de ampliação da infra-estrutura hídrica
e o devido gerenciamento destes recursos, portanto a rede de monitoramento fluviométrico deverá
conter estações nos principais rios de cada bacia evitando as zonas perenizadas por reservatórios
artificiais. O detalhamento das localizações das estações deve ser analisado pelo órgão gestor em
conjunto com os demais órgãos estaduais.

212
Quadro 7.20 – Demanda de estações fluviométricas para o Estado do Piauí
Quantidade de Estações Déficit
Bacia Hidrográfica
segundo OMM (1994) Atual
Bacia do Canindé 40 32
Bacia do Gurguéia 26 23
Bacia do Itaueira 5 5
Bacia do Longá 12 9
Bacia do Piranji 2 2
Bacia do Poti 21 16
Bacia do Uruçuí Preto 8 7
Bacias Difusas da Barragem de Boa Esperança 4 4
Bacias Difusas do Alto Parnaíba 9 6
Bacias Difusas do Baixo Parnaíba 4 3
Bacias Difusas do Litoral 2 2
Bacias Difusas do Médio Parnaíba 3 2
Total 136 111

Estima-se que o custo para implantação da rede de monitoramento proposta seja de


R$ 442.290,00 (Quadro 7.21)

Quadro 7.21 – Estimativa do Custo do Programa de Adensamento


da Rede de Monitoramento
Quantidade Preço Unitário Preço Total
Material
(und) (R$) (R$)
Pluviômetro Ville de Paris Cap. 125 mm
175 R$ 1.500,00 R$ 262.500,00
Área de Captação 400 cm²
Pluviógrafo 45 R$ 2.170,00 R$ 97.650,00
Lance de Régua Linimétrica em Alumínio 111 R$ 740,00 R$ 82.140,00

Total R$ 442.290,00

7.3.6.1 - Rede Complementar de Monitoramento Quali-quantitativo de água Superficial e Subterrânea

O monitoramento, visando o controle efetivo sobre quantidade e qualidade dos recursos hídricos
superficiais e subterrâneo nas UPGRH’s, está atualmente baseado na rede da ANA. Esta missão já
assumida pela Agência Nacional de água é um suporte federal aos estados do Nordeste. Isto significa
custos e organização que o Estado ainda não tem.

Contudo, este fato não impede que o Estado ao formatar o futuro organismo de gerenciamento AGEAPI,
possa propor ou mesmo complementar esta rede em operação no território piauiense apoiada nas
futuras gerências de bacia.

Isto posto, a consultora recomenda um programa mínimo de complementação da rede atual de


fluviômetros, implementando o monitoramento da água superficial e postos de medição de nível d’água
para monitoramento das águas subterrâneas, que venham de encontro a programação preconizada no
PERH/PI (Quadros 7.22 e 7.23)

213
(*)
Quadro 7.22 - Água Superficial - Posto fluviométrico e Medição da Qualidade da Água
Bacia Curso D’água Justificativa Localização Nº
Montante do açude Entre o açude Jaburu (CE) e o 01
Longá Rio Piracuruca
Piracuruca Piracuruca (PI)
Montante do açude Tinguis Entre o açude Caldeirão e o açude 01
Longá Rio dos Matos
em construção Tinguis (em construção)
Montante do futuro açude Entre o futuro açude Fronteiras e 01
Poti Rio Poti
Castelo futuro açude Castelo
Montante do futuro açude Entre o açude Algodões II e o futuro 01
Gurguéia Rio Gurguéia
Rangel açude Rangel
Montante do futuro açude Entre as nascentes do rio contrato e o 01
Gurguéia Rio Contrato
Contrato futuro açude contrato
Montante do açude Entre o açude Poços e suas 01
Itaueira
Poços nascentes
No curso d’água à montante dos 07
Á montante dos açudes a
Rios tributários açudes Petrônio Portela, Jenipapeiro,
serem interligados no eixo
Canindé/Piauí do Piauí e P edra Redonda, Poço de Marruá,
de integração do Rio São
Canindé Estreito, Piaus e Bocaina
Francisco
(*) Este programa mínimo é de curto prazo até 2015. Não invalida a ampla programação do RTF.

Quadro 7.23 - Água Subterrânea - Posto de Medição de Nível e Qualidade da Água


Zona do
Bacia Justificativa Região Quantidade
aquífero
Canindé Cabeças Área de maior densidade de uso Picos 5
Canindé Pimenteiras Área de maior densidade de uso Oeiras 5
Itaueiras Cabeças Área de maior densidade de uso Canto do Buriti 5
Gurguéia Pimenteiras/Poti Área de maior densidade de uso Bom Jesus 5

a) Rios

Quanto a localização dos novos postos, a consultora apontou a zona dos trechos dos rios para os
fluviômetros e as áreas prioritárias para seleção dos poços que serão monitoradas.

A instalação de um fluviômetro deverá buscar uma secção do rio que atenda aos requisitos mínimos do
ponto de vista geomorfológico e fluvial. Isto implica na estabilidade da secção e das condições para
construção da curva chave etc. Em geral há uma prioridade para as pontes rodoviárias próximas dos
aglomerados urbanos. Portanto, a consultora nãopode mapear estes pontos, uma vez que não estão
definidas as suas coordenadas.

b) Poços

A respeito das águas subterrâneas, a seleção desses poços merecerá exame de alguns critérios
básicos, tais como:

− a operação permanente;
− a importância estratégica;
− a cobertura do espaço representativo;
− a logística de observação;
− a sua integração no aqüífero em foco.

214
7.3.7 - Programa de Sistema de Alerta contra Enchentes e Zoneamento de Áreas Inundáveis

O sistema de alerta de cheias e zoneamento de áreas inundáveis deve ser realizado seguindo a seguinte
metodologia:

− Estratégia de Operação do sistema de reservatório para o controle de cheias.


− Definição do nível meta.
− Zoneamento de áreas inundáveis para diferentes níveis máximos de cheias.
− Implementação de Modelo de Simulação da Hidrodinâmica do Sistema Fluvial.
− Determinação da regra de operação do reservatório através da Otimização do sistema.
− Definição de Plano de Contingência.

7.3.7.1 - Estratégia de Operação do sistema de reservatório


para controle de cheias

A estratégia metodológica proposta para o sistema de


alerta de cheias é mostrada na Figura 7.1. Inicialmente
deve ser encontrado os níveis meta dos reservatórios de
controle de cheia a longo prazo, em seguida ajusta-se
estes níveis utilizando informações climáticas.
Posteriormente deve-se realizar previsão de vazões
utilizando as informações do monitoramento e da previsão
do tempo com vistas a se avaliar o impacto das potenciais
cheias e identificação de situações em que deva ser
emitido o alerta a população para inicio da atuação da
defesa civil. Caso não haja reservatório de controle de Figura 7.1 - Operação do Reservatório

cheias ou que amorteça o pico das cheias executa-se o


processo a partir do passo 3.

7.3.7.2 - Metodologias utilizadas para a definição do Nível Meta

A estimativa dos volumes de espera de cheias em caso de reservatório de controle de cheias pode ser
realizado pelo método da curva volume–duração determinístico, descrito a seguir:

VE = max [VAD − DxQ lim xΔ t ] (4.1)

Onde:

VE = Volume de espera para o período analisado.

Qlim = Vazão efluente Limite.

215
7.3.7.3 - Zoneamento de áreas inundáveis para diferentes níveis máximos de cheias

O zoneamento dos níveis de cheias e respectivas áreas inundáveis deve ser feita preferencialmente na
escala 1:25.000 ou menor. Neste zoneamento deve-se identificar quais os tipos de uso do solo com
vistas a uma estimativa de danos em função da ocorrência de inundações.

7.3.7.4 - Otimização do sistema

Com base nos resultados obtidos, será realizada uma otimização do sistema, que tem como objetivo
principal a determinação da regra de operação do reservatório.

7.3.7.5 - Implementação de Modelo de Simulação da Hidrodinâmica Fluvial

ƒ Definição da Cheia afluente

A determinação da cheia afluente será realizada com base em modelo chuva-deflúvio baseado em
previsão da precipitação na bacia hidrográfica.

i) Metodologia de estimativa de vazões pelo modelo chuva-deflúvio

A metodologia procura descrever as diversas hipóteses de cálculo da cheia de projeto: a escolha da


chuva de projeto, o hietograma utilizado, a definição da precipitação efetiva, o hidrograma das cheias em
cada sub-bacia e por fim a propagação da cheia no canal. A ferramenta utilizada para a implementação
desta metodologia foi o programa HEC-HMS7.

As relações chuva-deflúvio para a área de drenagem da Bacia devem ser estabelecidas utilizando-se o
modelo HEC-HMS, um modelo desenhado para simular o escoamento superficial em uma bacia, sendo
esta representada como um sistema de componentes hidrológicos e hidráulicos. Para esta bacia foi
estudada a sua resposta ao hietograma obtido da previsão de chuva para um dado período de operação
das comportas.

O modelo HEC-HMS permite o uso de várias metodologias para determinação da chuva efetiva,
simulação do escoamento superficial em bacia (overland flow) e propagação do escoamento em canais e
reservatórios. Deve ser adotado os seguintes critérios para as bacias estaduais:

− Método Curva-Número (Soil Conservation Service) na determinação da chuva efetiva;


− Método do Soil Conservation Service na determinação do hidrograma unitário sintético - Escoamento
Superficial na bacia (Overland flow);
− Método da Onda Cinemática para a propagação das cheias nos canais.

ii) Precipitação

O termo precipitação pode ser entendido como todas as formas de água provenientes do meio
atmosférico e que atingem a superfície terrestre sob forma de neblina, granizo, neve, orvalho e chuva. A

7US ARMY CORPS OF ENGINEERS - HYDROLOGIC ENGINEERING CENTER, 1990. HEC-HMS FLOOD HYDROGRAPH
PACKAGE - USERS MANUAL, 415 p.

216
precipitação, por natureza, é um fenômeno de características variáveis, tanto no aspecto temporal como
espacial.

O cálculo do escoamento superficial de cada bacia poderá ser realizado de acordo com as metodologias
abaixo citadas:

− Utilização de um modelo metereológico de meso-escala que seria responsável pela previsão de


chuva;

− Utilização de radar metereológico e postos pluviográficos com vistas à previsão;

− Definição de uma chuva pelo operador do sistema.

iii) Precipitação Efetiva

O modelo HEC-HMS refere-se à interceptação superficial, armazenamento em depressões e infiltração


como perdas de precipitação, ou seja, a parcela da precipitação que não contribui para gerar
escoamento é considerada perda, sendo o restante, considerado precipitação efetiva.

O cálculo das perdas de precipitação podem ser usadas nos componentes do modelo HEC-HMS:
hidrograma unitário e onda cinemática. No caso do hidrograma unitário, estas perdas são consideradas
uniformemente distribuídas sobre a bacia (ou sub-bacia). Por outro lado, no caso da onda cinemática,
estas perdas podem ser especificadas para cada plano de escoamento, sendo assumidas
uniformemente distribuídas sobre estes planos.

De maneira geral, existem três metodologias utilizadas para determinação da chuva efetiva: equações de
infiltração, índices e relações funcionais. Especificamente, o HEC-HMS possibilita o uso de 5 métodos:

(a) taxa de perda inicial e uniforme;

(b) taxa de perda exponencial;


(c) Curva-Número;

(d) Holtan;
(e) Função de Infiltração Green e Ampt.

Foi considerado mais adequado, diante dos dados disponíveis, o método curva número do Soil
Conservation Service.

O método curva número é um procedimento desenvolvido pelo Serviço de Conservação do Solo (USDA),
no qual a lâmina escoada (isto é, a altura de chuva efetiva) é uma função da altura total de chuva e um
parâmetro de abstração denominado curva-número, CN. Este coeficiente varia de 1 a 100, sendo uma
função das seguintes propriedades geradoras de escoamento na bacia:

(1) tipo de solo hidrológico;


(2) uso do solo e tratamento;

(3) condição da superfície subterrânea;

217
(4) condição de umidade antecedente.

A equação de escoamento do SCS é dada por

( P − Ia )2
Q=
( P − Ia ) + S (5.2)

Onde:

Q = escoamento

P = precipitação

S = capacidade máxima de armazenamento do solo

Ia = perdas antes do início do escoamento.

As perdas antes do início do escoamento (Ia) incluem água retida em depressões superficiais, água
interceptada pela vegetação, evaporação, e infiltração. Ia é altamente variado, mas a partir de dados de
pequenas bacias Ia é aproximado pela seguinte relação empírica:

I a = 0 ,2 0. S (5.3)

Substituindo (5.3) em (5.2) elimina-se Ia, resultando em:

( P − 0,20.S ) 2
Q= (5.4)
P + 0,80.S

Onde S está relacionado às condições de solo e cobertura através do parâmetro CN.

O CN foi tabelado para diferentes tipos de solos, os quais foram classificados pelo SCS em quatro
grupos de solos hidrológicos (A, B, C e D) de acordo com sua taxa de infiltração. Estes quatro grupos
são descritos a seguir:

− A - solos que produzem baixo escoamento superficial e alta infiltração. solos arenosos profundos
com pouco silte e argilla.
− B - solos menos permeáveis que o anterior, solos arenosos menos profundo que o do tipo A e com
permeabilidade superior à média
− C - solos que geram escoamento superficial acima da média e com capacidade de infiltração abaixo
da média, contendo percentagem considerável de argila e pouco profundo.
− D - solos contendo argilas expansivas e pouco profundos com muito baixa capacidade de infiltração,
gerando a maior proporção de escoamento superficial.

Desde que o método do SCS dá o excesso total para uma tormenta, o excesso incremental de
precipitação para um período de tempo é calculado como a diferença entre o excesso acumulado no fim
do presente período e o acumulado do período anterior.

218
iv) Definição do CN

A partir dos mapas e estudos pedológicos e de uso do solo realizados pode-se caracterizar os solos a
partir do Quadro 7.24 apresentado a seguir:

Quadro 7.24 - Valores de CN para Bacias Urbanas e Suburbanas


Tipos de Solos
Uso do Solo Condições de Superfície
A B C D
Sem conservação do solo 72 81 88 91
Zonas Cultivadas
Com conservação do solo 62 71 78 81
Pastagens - 68 79 86 89
Boas Condições 39 61 74 80
Terrenos baldios
Más Condições 68 79 86 89
Prado Boas Condições 30 58 71 78
Cobertura ruim 45 66 77 83
Bosques ou zonas florestais
Cobertura boa 25 55 70 77
Espaços abertos, relvados, parques, Com relva em mais de 75% da área
39 61 74 80
campos de golfe, cemitérios Com relva de 50% a 75% da área
Zonas comerciais e de escritório - 49 69 79 84
Zonas industriais - 89 92 94 95
Zonas residenciais: Lotes de m² % média impermeável 81 88 91 93
<500 65 77 85 90 92
1000 38 61 75 83 87
1300 30 57 72 81 86
2000 25 54 70 80 85
4000 20 51 68 79 84
Parques de estacionamento, telhados,
- 98 98 98 98
viadutos, etc
Asfaltados e com drenagem de águas
98 98 98 98
pluviais
Arruamentos
Paralelepípedos 76 85 89 91
Terra 72 82 87 89
Fonte: TUCCI, 1998, p.406

Este valor é, porém, apenas uma aproximação inicial. As medidas realizadas após a instalação da rede
de monitoramento para a previsão de cheias possibilitará a calibração deste parâmetro no modelo HEC-
HMS.

Os valores de CN apresentados no Quadro 7.24 refere-se à condição de umidade do solo na condição


II. A seguir será apresentado os critérios de classificação de umidade do solo:

− Condição I - Solos secos: as chuvas nos últimos 5 dias não ultrapassaram 15 mm;
− Condição II - Situação média na época das cheias: as chuvas nos últimos 5 dias totalizaram entre 15
e 40 mm;
− Condição III - Solo úmido (próximo da saturação): as chuvas nos últimos 5 dias foram superiores a
40 mm e as condições meteorológicas foram desfavoráveis a altas taxas de evaporação.

As condições de umidade dos solos I e III são obtidas através da relação que estas têm com a condição
II. Podemos ver esta relação através das equações (5) e (6) mostradas a seguir:

219
4,2 xCN ( II )
CN ( I ) = (5.5)
10 − 0,058 xCN ( II )

23 xCN ( II )
CN ( III ) = (5.6)
10 + 0,13 xCN ( II )

Os procedimentos básicos para determinação do CN serão mencionados a seguir:

1. Classificar o tipo de solo existente na bacia;

2. Determinar a ocupação predominante;

3. Com a tabela do SCS para a Condição de Umidade II determinar o valor de CN;

4. Corrigir o CN para a condição de umidade desejada;

5. No caso de existirem na bacia diversos tipos de solo e ocupações, determinar o CN pela média
ponderada.

v) Hidrograma Unitário – SCS

A técnica do hidrograma unitário é usada para transformar a precipitação efetiva em escoamento


superficial de uma sub-bacia. Este método foi escolhido por ter sido idealizado para bacias de áreas
entre 2,5 e 1000 km², e por ser construído exclusivamente a partir de informações hidrológicas. Além
disto, este modelo necessita apenas de um parâmetro: o TLAG. Este parâmetro, TLAG, é igual à distância
(lag) entre o centro de massa do excesso de chuva e o pico do hidrograma unitário. A vazão de pico e o
tempo de pico são calculados por:

A Δt
Q p = 208. tp = + t LAG
tp 2
(5.7)

Onde

Qp = vazão de pico (m3/s) e

tp= tempo de pico do hidrograma (h).

Uma vez determinados estes parâmetros e o intervalo de cálculo (duração do hidrograma unitário), o
HEC-HMS utiliza estes para interpolar um hidrograma unitário a partir de um hidrograma unitário
adimensional do SCS. A seleção do intervalo de cálculo é baseado na relação Dt = 0,20.tp , não devendo
exceder 0,25.tp. Estas relações baseiam-se nas seguintes relações empíricas:

tlag = 0,60.Tc (5.8)

1,7. tp = Δt + (5.9)

Onde:

Tc = é o tempo de concentração da sub-bacia.

220
O HEC-HMS sugere que Dt ≤ 0,29.TLAG. Para cálculo do hidrograma de projeto por esta metodologia, é
necessário uma estimativa do tempo de concentração de cada sub-bacia.

vi) Calculo do tempo de Concentração na Bacia

O tempo de concentração (Tc) corresponde ao intervalo de tempo, contado a partir do início da


precipitação para que toda a bacia hidrográfica passe a contribuir na seção de estudo. A estimativa do
tempo de concentração pode ser feita utilizando as fórmulas empíricas estabelecidas para diferentes
regiões e bacias. A escolha da fórmula que melhor se aplica ao modelo depende principalmente da área
da bacia e comprimento do percurso mais longo do escoamento. O cálculo do tempo de concentração na
bacia foi realizado utilizando o método do Califórnia Highway and Public Roads, propostas por Kirpich:

0, 385
⎛ L3 ⎞
Tc = 57⎜⎜ ⎟⎟
⎝H⎠ (5.10)

Onde:

L = é o comprimento do Talvegue em Km;

H = Máximo desnível ao longo do L;

Tc = Tempo de concentração.

vii) Propagação da Cheia nos Canais

As dimensões da bacia de contribuição indicam um modelo semi-distribuído para modelar o evento


extremo, sendo o escoamento superficial em cada sub-bacia modelado a partir das metodologias
descritas acima para os hidrogramas, sendo nos canais utilizado um modelo de propagação da cheia. A
propagação da cheia nos canais teve o objetivo de possibilitar uma composição das cheias afluentes das
diversas sub-bacias obedecendo a cronologia dos escoamentos nas mesmas (não se pode compor
vazões que ocorreram em tempos diferentes) e de possibilitar que a teoria dos hidrogramas unitários
sintéticos possa ser aplicada em bacias pequenas.

As metodologias para a propagação do hidrograma das cheias pode utilizar modelos com formulação
originariamente hidrológica (Muskingum) ou hidrodinâmicas (onda Cinemática89, onda difusiva10, onda
dinâmica11). O modelo Muskingum pode ser deduzido a partir do modelo da onda cinemática, reduzindo
do ponto de vistas prático a três alternativas de cálculo do transiente em canais.

Todos os modelos hidrodinâmicos são compostos pelas equações da continuidade e da quantidade de


movimento, distinquindo-se dos termos desta última que são considerados no cálculo. O método

8CUNJE, J.A., 1969, “AU SUJET D’UNE METHODE DE CALCUL DE PROPAGATIONDE CRUES (METHODE MUSKINGUM)”.
JOURNAL OF RESEARCHES HYDRAULIQUES, N0 2.
9LI, RM, DARYL, B.S & STEVENS, 1975, “NONLINEAR KINEMATIC WAVE APROXIMATIONFOR WATER ROUTING”. M.A.
WATER RESOURCES RESEARCH, VOL.11, N02, APRIL.
10 PONCE, V.M., 1986, “DIFFUSION WAVE MODELING OF CATCHEMENT DYNAMICS”, PONCE, V.M, JOURNAL OF
HYDRAULICS ENGINEERING, VOL.112, NO8, AUG,1986.
11 “MODELOS MATEMÁTICOS EM HIDROLOGIA E HIDRÁULICA”, RBE, VOL.3, RIO DE JANEIRO, 1986.

221
utilizado para a propagação da cheia nos canais da rede de drenagem foi o da onda cinemática, o qual é
uma simplificação da equação de quantidade de movimento.

∂ Q ∂ ( Q 2 / A) ∂ y
+ + g . A. = g . A. S 0 − g . A. S f
∂ t ∂x ∂ x
iné rcia pressão g ravidade atrito (5.11)

Nesta equação o primeiro termo representa a aceleração local, o segundo termo é o termo advectivo,
inercial, o terceiro termo representa as forças de pressão, o quarto termo a força do campo gravitacional
e o quinto termo as forças de fricção. A equação da onda cinemática considera que os termos
gravitacionais e de fricção são os mais significativos, desprezando o efeito dos demais.

A equação da onda cinemática após a simplificação é descrita pelas equações 12 e 13. As equações 12
e 13 podem ser compostas e esta resolvida de forma linearizada. O HEC-HMS, utilizado como
ferramenta para as simulações hidrológicas faz uso desta forma linearizada.

As equações 12 e 13 descrevem a onda cinemática, sendo a primeira de conservação da massa e a


segunda a de conservação da quantidade de movimento.

∂ y ∂ Q
b. + =p (5.12)
∂ t ∂ x

So = S f
(5.13)

Onde:

y = profundidade;

b = largura;

Q = vazão;

x = distância no sentido longitudinal;

p = p(x,t) - precipitação.

A equação de conservação da quantidade de movimento utilizada pela onda cinemática é simplificada.


Nesta equação são desprezados o efeito das forças de inércia e de pressão, sendo considerado apenas
os efeitos das forças gravitacionais e de fricção. Esta simplificação do modelo condena-o a ser restrito a
escoamentos submetidos a altas declividades e que não sofram efeitos de jusante.

− Modelos Computacionais Existentes

O Hydrologic Modeling System (HEC-HMS) foi desenvolvido pelo Hydrologic Engineering Center (HEC)
do U. S. Army Corps of Engineers (2001), como substituição ao HEC-1, seu antecessor. Essa nova
versão apresenta uma evolução para o ambiente Windows, com uma interface gráfica que permite
operar as diversas funções de maneira simples e integrada. Cita-se, como outra característica

222
importante, o armazenamento dos resultados de simulações em arquivos compatíveis com outros
programas de estudos hídricos.

Os resultados da computação são vistos de maneira esquemática e global. O modelo da bacia e as


tabelas sumárias dos elementos incluem a informação das vazões de pico e o período de tempo total do
volume.

A modelagem hidrológica, em geral, é empregada para simular os processos de conversão chuva-vazão


de sistemas de bacias hidrográficas. Ou seja, determinar a chuva excedente a partir de uma precipitação
fornecida e calcular, a partir da chuva excedente, o hidrograma de escoamento superficial direto.

A modelagem hidrológica realizada pelo HEC – HMS consiste basicamente nas seguintes etapas:

ƒ Etapa A - Separação da chuva (Para calcular que parte da precipitação está indo gerar o
escoamento direto).
ƒ Etapa B - Cálculo do escoamento direto produzido por essa precipitação.
ƒ Etapa C - Identificação do escoamento de base. Para adicionar o escoamento direto ao
escoamento de base, se existir previamente.
ƒ Etapa D - Trânsito de Hidrogramas”, ou seja, corresponde ao cálculo da evolução das vazões, à
medida que se propaga ao longo de um canal, ou através de um reservatório.

O programa realiza os cálculos das três primeiras fases para sub-bacia, e calcula a última fase (D) para
a propagação ao longo de um canal (a evolução do hidrograma que, gerado em uma sub-bacia, circula
por outra bacia distinta). Ao final, somado todos os volumes gerados e transitados ao longo da bacia,
fornecendo (em tabelas e gráficos) os hidrogramas de saída dos diversos elementos hidrológicos.

− Componentes de um projeto de HEC – HMS

A representação física da bacia e dos rios é configurada no modelo por meio dos elementos hidrológicos
conectados para simular processos de escoamento. Os elementos disponíveis são: sub-bacias, trechos
dos rios, junções, divergências, reservatórios, fontes e sumidouros. Os cálculos prosseguem nos
elementos em sentido de jusante à montante. A composição de um projeto no HEC-HMS é realizada de
maneira modular, em que conjuntos de dados podem ser independentemente manipulados, mas que
respeitam uma seqüência de acionamento para a realização de computações (Figura 7.2).

223
Figura 7.2 - Principais etapas de um Projeto do HEC - HMS

Os três componentes essenciais a um projeto de HEC – HMS está posto a seguir:

1. Basin Model (Modelo de Bacia): Aqui informamos ao programa as diferentes sub-bacias e suas
características, bem como todos os demais elementos hidrológicos e a conectividade entre
estes.
2. Meteorologic Model (Modelo Meteorológico): Dentro do modelo meteorológico introduziremos os
dados de um ou mais modelos pluviométricos. Podemos utilizar precipitações reais, teóricas,
chuvas de projeto.
3. Control Specifications (Especificação de Controle): Indica quando começar e quando terminar
de computar os cálculos, dado um pequeno intervalo de tempo.

7.3.7.6 - Propagação Hidrodinâmica da Cheia e Cálculo dos níveis

A modelagem hidrodinâmica pode ser realizada com o modelo HEC-RAS. Este modelo foi desenvolvido
pelo Hydrologic Engineers Certer do Corpo de Engenheiros dos Estados Unidos. Descreve-se a seguir o
equacionamento básico utilizado por este modelo.

7.3.7.6.1 - Descrição do Modelo Hidrodinâmico

− Escoamento Permanente

O Escoamento permanente e variado é utilizado para a definição da condição inicial do escoamento no


canal.

Por definição a energia total na superfície da água ou linha d’água (H) para um trecho é dada pela soma
da elevação da superfície (cota), pressão na superfície e velocidade, podendo ser descrita da seguinte
forma:

αV 2
H = z + d cos θ + (5.14)
2g

224
Onde cosθ é usualmente considerado unitário para canais naturais.

Considerando-se a equação da energia total na linha d’água, a equação da energia entre dois trechos
pode ser descrita como:

V1
2
αV 2
z1 + y1 + α1 = z 2 + y 2 + 2 2 + he ∴ H 1 = H 2 + he (5.15)
2g 2g

A energia total na superfície em um perfil H1 a montante da seção é igual a energia total na superfície a
jusante mais o termo de perda de energia he. Esta equação é usada repetidamente em etapas, em cada
trecho, computando a água na superfície.

O programa HEC-RAS determina se o escoamento é uma expansão ou contração, fazendo o cálculo da


diferenciação da velocidade de superfície a jusante e a montante; se este valor foi negativo significa que
o escoamento é uma contração, se positivo, uma expansão. O programa aplica o coeficiente apropriado
para o cálculo das perdas. É possível considerar as perdas por contração e expansão devido a
redemoinhos, desvios e junções, pelo aumento do coeficiente de fricção.

Dado um trecho do canal, a declividade da linha de energia Sf em uma seção pode ser determinada com
a equação de Manning, dada a elevação da superfície, a descarga, o coeficiente de rugosidade n e a
geometria da seção.

− Escoamento não permanente

O equacionamento utilizado para modelar o escoamento não permanente foi o sistema de equações de
Saint Venant (Mahmmod e Yevjevich, 197512). Este sistema de equações é construído baseado nas
seguintes hipóteses básicas:

ƒ O fluxo é unidimensional, isto é, as profundidades e velocidade só variam na direção longitudinal


do canal. Isto implica que a velocidade é constante e a superfície de água é horizontal em
qualquer seção perpendicular ao eixo longitudinal do canal.
ƒ Assume-se que o fluxo varia gradualmente ao longo do canal de forma que a pressão
hidrostática prevalece, podendo ser negligenciadas acelerações verticais (Comida, 1959).
ƒ O eixo longitudinal do canal é aproximado como uma linha reta.
ƒ A declividade do fundo do canal é pequena;
ƒ O fluido é incompressível e a densidade é constante ao longo do escoamento.

Este equacionamento possui duas equações principais a Equação da continuidade e a equação da


conservação da quantidade de movimento como descrita a seguir.

(a) Equação de continuidade

A equação de continuidade pode ser descrita como:

12 Unstead Flow in Open Channels. Mahmmod and Yvjevich, 1975.

225
∂Q ∂A
+ −q =0 (5.16)
∂x ∂t
onde Q é a vazão em uma dada seção (L3T-1), A é a área molhada da seção(L3), q é a vazão lateral que
aporta ao canal (L2T-1).

(b) Equação da quantidade de movimento

A Equação da conservação da quantidade de movimento pode ser escrita como:

(5.17)

7.3.7.6.2 - Método numérico de Resolução do escoamento não Permanente

O Método numérico utilizado para a resolução das equações do transiente hidráulico foi o método das
diferenças finitas. O HEC-RAS utiliza um esquema de discretização de diferenças finitas implícito que
trasforma as equações diferenciais de conservação da massa e da quantidade de movimento em um
sistema de equações algébricas não lineares. O esquema de discretização numérica utiliza o
denominado esquema de Preissmann, e o seu método de resolução, método interativo de Newton-
Raphson tem vasta documentação na literatura, podendo-se citar como exemplo, Liggett and Cunge
(1975) e Chen (1973), Amain and Fang (1970), Fread (1974, 1976).

7.3.7.6.3 - Modelagem das Singularidades

O modelo HEC-RAS possibilita a incorporação de uma série de singularidades, tais como, pontes e
bueiros. Sendo a modelagem realizada através do alinhamento das equações representativas destes
modelos no sistema de equações que representa a propagação da cheia nos canais.

7.3.7.6.4 - Interface Gráfica do HEC-RAS

O HEC-RAS possui uma interface gráfica que reduz erros na entrada de dados e possibilita no mesmo
ambiente a simulação e um sistema de análise de dados amigável.

226
8 - PROGRAMAÇÃO EXECUTIVA DO PLANO ESTADUAL
DE RECURSOS HÍDRICOS

227
8 - PROGRAMAÇÃO DO PLANO ESTADUAL DE RECURSOS HÍDRICOS
A Programação resultane dos estudos realizados durante a elaboração do Plano Estadual de Recursos
Hídricos está contida num conjunto de Planilhas, em formato matricial, elencando as ações, os espaços
territoriais, a caracterização da sua natureza institucional, o cronograma físico financeiro ao longo do
horizonte temporal do Plano, a fonte e custo orçamentário.

Foram formatados quatro programas, consolidando 14 subprogramas apresentados nas planilhas que
seguem:

− Programa de Fortalecimento do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos - SEGRH


com os subprogramas:
ƒ Ações Instrumentais;
ƒ Desenvolvimento da Gestão.
− Programa de Infra-estrutura, envolvendo os subprogramas:
ƒ Construção de Barragens;
ƒ Construção de Adutoras;
ƒ Perfuração de Poços;
ƒ Construção de Canais de Interligação;
ƒ Recuperação de Barragens;
ƒ Implementação de Estruturas de Controle de Vazão em Poços Jorrantes.
ƒ Implantação de Sistemas Hidrometereológicos;
ƒ Desenvolvimento da Agricultura Irrigada.
− Programa Estudos e Projetos:
ƒ Ações Complementares.
− Programa de Preservação de Recursos Hídricos:
ƒ Ações de Preservação Ambiental e de Saneamento Básico;
ƒ Ações de Conservação de Solos;
ƒ Ações de Monitoramento da Demanda nos Sistema de Abastecimento d’água.

O Quadro 8.1 apresenta a síntese dos custos e implementação do programa do Plano Estadual de
Recursos Hídricos do Estado do Piauí – PERH/PI.

As planilhas com os custos de implementação do PERH-PI detalhadas estão apresentadas no Anexo IX.

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Quadro 8.1- Síntese dos custos e implementação do programa do Plano Estadual de Recursos Hídricos do Estado do Piauí – PERH/PI

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ANEXO I – LEI COMPLEMENTAR CRIANDO E
ORGANIZANDO A AGÊNCIA DE ÁGUAS DO PIAUÍ - AGEAPI
PROJETO DE LEI

ESTADO DO PIAUÍ
ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA

_____________________________
GOVERNADOR DO ESTADO

PROJETO DE LEI Nº___/2010

“Dispõe sobre a criação e organização da


Agência de Águas do Piauí – AGEAPI,
sob a forma de autarquia especial, e dá
outras providências.”

O GOVERNADOR DO ESTADO DO PIAUÍ. Faço saber que a Assembléia


Legislativa do Estado aprovou e eu sanciono a seguinte Lei:

CAPÍTULO I
DA CRIAÇÃO, DOS OBJETIVOS, DA NATUREZA JURÍDICA, DA FINALIDADE, DA
COMPETÊNCIA E DOS PRINCÍPIOS.

Art. 1º Fica criada a Agência de Águas do Piauí – AGEAPI, entidade


integrante da administração pública estadual indireta, submetida a regime autárquico
especial, com personalidade jurídica de Direito Público e plena autonomia
administrativa, técnica e financeira, vinculada à Secretaria de Estado do Meio
Ambiente e Recursos Hídricos (SEMAR), e que passa a ter a sua organização
básica disposta nesta Lei.

Art. 2º A AGEAPI tem por finalidade executar a Política Estadual de Recursos


Hídricos, tendo suas atribuições e competência definidas no art. 8º desta Lei,
previstas no art. 45 da Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000 e nos
Decretos que a regulamentam, bem como, promover a gestão dos recursos hídricos
estaduais e, também, dos recursos hídricos federais, cuja gestão tenha sido a ela
delegada pela União.

Parágrafo único. A Agência funcionará como apoio técnico e operacional ao


organismo coordenador Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, o qual
continua a ser a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos
(SEMAR).

Art. 3º A atuação da AGEAPI obedecerá aos fundamentos, objetivos,


diretrizes, instrumentos e princípios da Política Estadual de Recursos Hídricos,
objeto da Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000.

1
Art. 4º A natureza de autarquia especial conferida à Agência no art.1º da
presente Lei, é caracterizada por independência administrativa, autonomia decisória,
ausência de subordinação hierárquica e capacidade progressiva de auto-
sustentação financeira, em especial no que tange aos encargos de gestão de
recursos hídricos e operação de infra-estruturas hidráulicas.

Art. 5º A AGEAPI terá sede e foro na cidade de Teresina, capital do Estado


de Piauí, e jurisdição em todo o território estadual, podendo implantar núcleos
regionais nas regiões hidrográficas abrangidas pela jurisdição dos Comitês de
Bacias, gozando no que se refere aos seus bens, receitas e serviços, das regalias,
privilégios, isenções e imunidade conferidas à Fazenda Pública.

Art. 6º A extinção da Agência somente ocorrerá por Lei específica de maior


ou igual hierarquia à de sua criação.

Art. 7º O Poder Executivo regulamentará esta Lei, mediante Decretos


Governamentais, no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a contar da data da
publicação desta no Diário Oficial do Estado, Decretos estes que considerarão, no
mínimo, o Regimento Interno com a futura estrutura administrativa da Agência.

§1º A data da nomeação da primeira Diretoria será considerada,


administrativamente, como a data da instalação da Agência, investindo-a,
automaticamente, no exercício das suas funções.

§2º Para fins festivos e comemorativos, a data de Fundação da AGEAPI será


o dia 22 de março, Dia Mundial da Água.

Art. 8º Compete à AGEAPI, além do contido no art. 45º da Lei nº 5.165, de 17


de agosto de 2000, o seguinte:

I – promover o uso racional da água e o desenvolvimento sustentável;

II – gerenciar, supervisionar e executar ações concernentes aos recursos


hídricos do Estado;

III – promover estudos de engenharia e estudos econômicos sobre os


recursos hídricos do Estado;

IV – acompanhar a execução de obras previstas nos planos de utilização


múltiplas dos recursos hídricos;

V – coordenar de forma integrada com outros órgãos estaduais a operação e


monitoramento da rede hidrométrica e de dados hidrometeorológicos do Estado, e
manter intercâmbio de informações com órgãos e entidades da União ou do setor
privado;

VI – elaborar relatório anual sobre a situação dos recursos hídricos do Estado;

VII – exercer a função de Agência de Bacia de uma ou mais bacias


hidrográficas enquanto estas não forem instituídas, ou quando lhe for delegada esta

2
função pelo respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica, ou ainda, por Resolução do
Conselho Estadual de Recursos Hídricos;

VIII – participar da implantação e executar a Política Estadual de Recursos


Hídricos, e os Projetos e Programas Estaduais de Gestão, referentes a este setor;

IX – orientar as ações da sociedade para o uso sustentável dos recursos


naturais e da melhoria da qualidade de vida, promovendo o uso racional da água e o
desenvolvimento sustentável;

X– executar as atividades de gerenciamento de recursos hídricos no Estado;

XI– elaborar e coordenar estudos, pesquisas e projetos na área de recursos


hídricos, com ênfase na preservação destes, bem como elaborar normas e padrões
de recursos hídricos;

XII – propor o estabelecimento de áreas em que a ação governamental deva


ser prioritária, tendo como objetivo a proteção aos recursos hídricos e a manutenção
da qualidade de vida;

XIII – orientar e apoiar os municípios para uma gestão integrada dos


Recursos Hídricos, bem como fomentar a inclusão nos Planos Diretores de Uso do
Solo Municipais de dispositivos que objetivem a proteção dos recursos hídricos,
essenciais à manutenção da qualidade de vida;

XIV – estabelecer parcerias e orientar, de forma compartilhada com a


SEMAR, as atividades técnicas e administrativas de informação, comunicação,
mobilização social e com as demais, relacionadas com a política estadual de
Educação Ambiental no âmbito do Governo do Estado;

XV – elaborar, estruturar e manter operacionais todos os instrumentos de


gestão necessários a uma perfeita gestão dos recursos hídricos no Estado de Piauí;

XVI – apoiar o órgão central do sistema integrado (SEMAR) para a execução


e gerenciamento da Política Estadual de Recursos Hídricos;

XVII – exercer o poder de polícia administrativa e fiscalizar o cumprimento da


legislação de proteção aos recursos hídricos vigentes, podendo, para tanto, celebrar
convênios com órgãos federais, estaduais e municipais, civis ou militares,
especialmente com a Polícia Ambiental do Estado de Piauí, tendo como objetivo a
aplicação da legislação de proteção, conservação e melhoria do meio ambiente e
dos recursos hídricos, no Estado do Piauí;

XVIII – propor à SEMAR alterações da legislação de recursos hídricos com a


finalidade de aperfeiçoar a legislação vigente, nos limites de sua competência legal;

XIX – analisar projetos e conceder licença técnica para a construção de obras


hídricas, sem prejuízo da licença ambiental obrigatória, a qual, dentro do possível,
se constituirá em processo integrado de liberação no caso das obras hídricas;

3
XX – elaborar estudos visando à fixação ou alteração de critérios e normas
quanto à outorga de direito de uso, cobrança e outras providências relacionadas à
utilização racional dos recursos hídricos;

XXI – estabelecer e implementar as regras de operação da infra-estrutura


hídrica existente;

XXII – estipular o cálculo do rateio das obras de uso múltiplo de interesse


comum ou coletivo;

XXIII - planejar e promover ações destinadas a prevenir ou minimizar os


efeitos de secas e inundações, no âmbito do sistema estadual de Recursos Hídricos,
em articulação com o organismo estadual de Defesa Civil em apoio aos municípios;

XXIV – promover a elaboração de estudos para subsidiar a aplicação de


recursos financeiros da União e do Tesouro do Estado em obras e serviços de
regularização de cursos de água, de alocação e distribuição de água e de controle
da poluição hídrica, em consonância com o estabelecido nos Planos de Recursos
Hídricos;

XXV – elaborar e manter um sistema de prevenção de eventos críticos,


relacionados aos recursos hídricos;

XXVI – operar as obras de usos múltiplos de água, que lhe forem delegadas
pela União ou pelo Estado, para operação;

XXVII – fiscalizar o uso de recursos hídricos;

XXVIII– elaborar e manter cadastros de infra-estrutura hídrica e de usuários


de recursos hídricos;

XXIX – manter atualizada uma Base Cartográfica para os recursos hídricos


estaduais, e a hidrografia do Estado;

XXX – manter atualizado o Balanço Hídrico do Estado e de cada uma das


suas Bacias Hidrográficas;

XXXI – fazer uso de instrumentos avançados na Gestão de Recursos


Hídricos, tais como, Sistemas de Suporte à Decisão, Modelos Matemáticos de
Qualidade e Quantidade de Água, Manualização, Sistemas Telemétricos, dentre
outros;

XXXII – atuar para fins de administração e resolução de conflitos pelo uso da


água, existentes e potenciais;

XXXIII – elaborar e manter atualizado um Atlas de Recursos Hídricos do


Estado de Piauí;

XXXIV – exercer outras atividades correlatas de apoio às atividades de


Gestão de Recursos Hídricos.

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Parágrafo único. Poderá a AGEAPI, aceitar, mediante a celebração de
convênios, acordos e ajustes, a delegação de atribuições compatíveis com a sua
esfera de competência, bem como, poderá delegar a terceiros, como Agências de
Água dos Comitês de Bacias, competências de sua esfera.

CAPÍTULO II
DO PATRIMÔNIO, DO ORÇAMENTO E DAS RECEITAS DA AGEAPI

Art. 9º Constituem patrimônio da AGEAPI os bens e direitos de sua


propriedade, os que lhe forem conferidos ou que venham a ser adquiridos ou
incorporados ao longo de sua existência.

Art. 10 A Autonomia Financeira da AGEAPI é assegurada pelas seguintes


fontes de recursos ou de receitas:

I – os recursos provenientes do FERH que lhe venham a ser destinados,


obedecido ao disposto nesta Lei, na Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000
e Decretos correspondentes, com as modificações previstas na presente Lei;

II – os recursos resultantes de dotações orçamentárias e os créditos


adicionais e repasses que lhe forem conferidos;

III – o produto resultante da arrecadação de multas e demais infrações


previstas na Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000;

IV – os recursos provenientes de acordos, convênios, contratos e consórcios


celebrados com entidades ou organismos públicos ou privados, nacionais ou
internacionais;

V – os recursos advindos de doações, legados, subvenções, contribuições e


outros quaisquer que lhe forem destinados;

VI – o produto advindo da venda de publicações, material técnico, dados e


informações, inclusive para licitações públicas e taxas de inscrições em concursos
públicos;

VII – os valores apurados com a venda ou aluguel de bens móveis ou imóveis


de propriedade da Autarquia;

VIII – o produto da alienação de bens, objetos e instrumentos utilizados para a


prática de infrações, assim como do patrimônio dos infratores incorporados ao
patrimônio da autarquia, nos termos de decisão judicial;

IX – os recursos decorrentes da cobrança de emolumentos e taxas


administrativas;

X – o resultado das operações de crédito, no que lhe couber;

5
XI – o produto das aplicações financeiras dos seus recursos;

XII – a parcela dos valores cobrados pelo uso dos Recursos Hídricos na
forma estabelecida na Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000, inclusive do
repasse de recursos arrecadados por órgãos e entidades federais com base na Lei
Federal nº 8.001, de 13 de março de 1990;

XIII – receitas advindas de tarifas pela reservação e adução de água bruta a


longas distâncias, de modo a cobrir gastos com operação e manutenção de
reservatórios, açudes, canais e adutoras;

XIV – outras receitas que lhes destinarem a Lei e os Orçamentos;

XV – o produto da retribuição por serviços de qualquer natureza prestados a


terceiros;

XVI – 100% da compensação financeira que o Estado recebe em decorrência


do aproveitamento do potencial hidro-energético localizado em seu território, na
forma da Lei, repassado pelo FERH;

XVII – 10% da parte da compensação financeira que o Estado recebe pela


exploração de petróleo, gás natural e recursos minerais, destinada à aplicação
exclusiva em programas pertinentes ao estudo, pesquisa, exploração e conservação
dos recursos hídricos, repassado pelo FERH;

XVIII – recursos eventuais oriundos de outras fontes.

Art. 11 A Diretoria Executiva da AGEAPI apresentará, anualmente, à SEMAR,


um Plano de Trabalho e uma Previsão Orçamentária da Agência.

§1º A Agência, através da sua Diretoria Executiva, elaborará e submeterá, à


SEMAR/PI, no seu primeiro ano de existência, a sua proposta orçamentária para
inclusão no projeto de lei orçamentária anual da Secretaria e das suas vinculadas.

§2º A elaboração da proposta orçamentária obedecerá as normas fixadas


pelo regime orçamentário e financeiro do Estado.

§3º A Agência fará acompanhar as propostas orçamentárias de um quadro


demonstrativo do planejamento plurianual das receitas e despesas visando à busca
do seu equilíbrio orçamentário e financeiro.

§4º A fixação das dotações orçamentárias da Autarquia na Lei de Orçamento


Anual e sua programação orçamentária e financeira de execução não sofrerão
limites nos seus valores para movimentação e empenho.

Art. 12 Os recursos financeiros colocados à disposição da Autarquia, após a


data da sua instalação, serão mantidos à disposição da AGEAPI, na Conta Única do
Estado do Piauí, enquanto não forem utilizados para as respectivas destinações.

6
§1º A regra estabelecida neste artigo não se refere a recursos oriundos de
convênios e/ou doações que tiverem regras próprias específicas.

§2º As disponibilidades financeiras, enquanto não utilizadas, poderão ser


mantidas em aplicações financeiras nos termos da legislação específica sobre a
matéria.

CAPÍTULO III
DAS ESTRUTURAS ADMINISTRATIVA, ORGANIZACIONAL E ORGÂNICA
DA AGÊNCIA – AGEAPI

Art. 13 A AGEAPI será dirigida por uma Diretoria Executiva, composta por
cinco membros, dentre eles, um Presidente e quatro Diretores, nas áreas
administrativa-financeira, de gerenciamento de recursos hídricos, planejamento e
relações institucionais e operacional, todos nomeados pelo Governador do Estado,
com mandatos não coincidentes de quatro anos, admitida uma única recondução
consecutiva.

Art. 14 À Diretoria Executiva da AGEAPI compete, dentre outras atribuições,


as seguintes:

I – exercer a administração da AGEAPI;

II – editar normas sobre matérias de competência da AGEAPI, sob diretrizes e


orientações gerais advindas da SEMAR;

III – propor ao Governador do Estado, a aprovação do Regimento Interno da


AGEAPI, a organização, a estrutura, e o âmbito decisório de cada unidade
administrativa da Agência, bem como o seu Plano de Cargos e Salários, respeitados
os limites legais vigentes;

IV – cumprir e fazer cumprir as normas relativas ao Sistema Estadual de


Gerenciamento de Recursos Hídricos;

V – examinar e decidir sobre pedidos de outorga e cobrança de direito de uso


de recursos hídricos de domínio do Estado, exercendo fiscalização e poder de
polícia e respeitadas as competências e atribuições pertinentes aos demais órgãos
do Sistema Estadual de Recursos Hídricos;

VI – elaborar e divulgar relatórios sobre as atividades da AGEAPI;

VII – encaminhar os demonstrativos contábeis da AGEAPI aos órgãos


competentes;

VIII – decidir pela venda, cessão ou aluguel de bens integrantes do patrimônio


da AGEAPI;

IX – conhecer e julgar pedidos de reconsideração de decisões de


componentes da Diretoria da AGEAPI;

7
X – a admissão, designação, promoção e demissão de servidores, bem como
estabelecer a lotação de pessoal da Agência, de acordo com o previsto nesta Lei;

XI – gerenciar os diversos instrumentos de Gestão de Recursos Hídricos


utilizados pelo Estado do Piauí;

XII - desenvolver todas as ações necessárias à realização dos objetivos


institucionais do órgão gestor;

XIII - planejar, dirigir e controlar, conjuntamente com os diretores, os serviços


e atividades do órgão gestor;

XIV - representar o órgão gestor, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele;

XV – outras atividades correlatas.

§1º A Diretoria deliberará por maioria simples de voto e se reunirá com a


presença do seu Presidente ou substituto legal e, de pelo menos, dois diretores.

§2º A Diretoria da AGEAPI, ao atuar de forma colegiada, é o seu órgão


superior, responsável por implementar as diretrizes estabelecidas nesta Lei e
demais normas aplicáveis, incumbindo-lhe exercer as competências executiva, fiscal
e outras que lhe reservem a regulamentação desta Lei.

§3º As decisões relacionadas com as competências institucionais da AGEAPI


serão tomadas de forma colegiada, conforme disposto em regimento interno.

§4º As atribuições e competências de cada uma das Diretorias componentes


da Diretoria Executiva, deverá constar de Decreto Regulamentador da presente Lei,
que crie o Regimento Interno da AGEAPI.

§5º O Anexo 2 da presente Lei apresenta o Organograma da futura Agência.

Art. 15 A AGEAPI contará, na sua estrutura administrativa, com os seguintes


níveis:

I – nível de Direção Superior, composto pela Presidência e Diretoria


Executiva;

II – nível Gerencial, composto pelas Gerências e as Unidades Administrativas.

§1º As diversas atribuições e competências de cada uma das Gerências


componentes da AGEAPI deverão constar de Decreto Regulamentador da presente
Lei, que crie o Regimento Interno da Agência.

§2º O número máximo de cargos em comissão e cargos de chefia (cargos em


comissão somados às funções gratificadas) a ser previsto no Regimento Interno da
Agência não deverá ultrapassar os 15 (quinze) cargos e/ou chefias, sendo 6 (seis)
cargos em comissão e 9 (nove) funções gratificadas.

8
§3º Os cargos do Nível Gerencial, chefes de unidades e gerentes, em número
de 9 (nove) após os 2 (dois) primeiros anos de funcionamento da AGEAPI, somente
poderão ser ocupados por pessoal do quadro permanente da Agência.

§4º Os cargos de chefia previstos no Parágrafo anterior, serão de nomeação


do Governador do Estado, a partir de indicação específica dos Diretores da Agência.

§5º As atribuições e as competências dos órgãos que integram a estrutura


administrativa da AGEAPI serão estabelecidas em regulamento (Regimento Interno),
a ser aprovado e homologado por Decreto do Governador do Estado, o qual deverá
ser promulgado no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a contar da
publicação desta Lei.

CAPÍTULO IV
DOS SERVIDORES DA AGEAPI

Art. 16 A AGEAPI constituirá, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses a contar


da data da publicação desta Lei, o seu quadro próprio de pessoal, por meio da
realização de concurso público de provas ou de provas e títulos, ou, ainda, da
redistribuição de servidores de órgãos e entidades da administração estadual direta
ou indireta.

Parágrafo único. Nos termos do art. 37 da CF, fica a AGEAPI autorizada a


efetuar contratação temporária, por prazo não excedente a 24 meses, do pessoal
técnico imprescindível ao exercício de suas atribuições institucionais, utilizando-se,
para tanto, de Contratos de Terceirização de Mão de Obra.

Art. 17 A AGEAPI poderá requisitar servidores de órgãos e entidades


integrantes da administração pública estadual ou municipal, direta e indireta,
quaisquer que sejam as atribuições a serem exercidas, desde que sejam atendidos
os requisitos técnicos para àquela função.

§1º As requisições para exercício na AGEAPI, sem cargo em comissão ou


função gratificada e de confiança, ficam autorizadas pelo prazo máximo de 24
meses, contado da instalação da autarquia.

§2º Transcorrido o prazo a que se refere o parágrafo anterior somente serão


cedidos para a AGEAPI servidores por ela requisitados para o exercício de cargos
de comissão ou para exercer funções de chefia.

Art. 18 Poderão ser aproveitados, nos quadros de pessoal da AGEAPI, em


cargos de atribuições iguais ou assemelhadas, por ato do Governador do Estado, os
servidores concursados e/ou estáveis da Administração Pública Estadual Direta ou
Indireta, que se encontrem prestando serviços à SEMAR/PI, na data da vigência
desta Lei, na condição de requisitados e/ou cedidos, ou ainda, como integrantes dos
quadros da Secretaria, mediante opção e anuência do órgão de origem, desde que
os aproveitados possuam experiência e escolaridade compatível com o exercício
das futuras funções.

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Parágrafo único – O aproveitamento de que trata este artigo far-se-á
mediante processo seletivo, cujos critérios serão fixados pela Secretaria de Estado
da Administração.

Art. 19 Ficam criados, com a finalidade de integrar a estrutura da AGEAPI, os


seguintes cargos do quadro permanente e do quadro dos cargos em comissão e das
funções gratificadas:

I – um cargo em comissão de Presidente;

II – quatro cargos em comissão de Diretor;

III – um cargo em comissão de Secretária Geral;

IV – 9 (nove) funções gratificadas de nível 1, para Gerentes, a saber:


A – Gerente Administrativo;
B – Gerente Financeiro;
C – Gerente de Disponibilidades Hídricas;
D – Gerente de Usos de Recursos Hídricos;
E – Gerente de Informações e de Sistemas de Apoio à Decisão;
F – Gerente de Apoio ao Sistema de Gestão de Recursos Hídricos;
G – Gerente de Relações Estratégicas;
H – Gerente de Operações;
I – Gerente de Manutenção;

V – 22 (vinte e dois) cargos de nível superior, a saber:


A – 1 (um) advogado;
B – 1 (um) assessor de comunicação;
C – 11 (onze) especialistas em recursos hídricos;
D – 2 (dois) analistas de sistemas;
E – 4 (quatro) técnicos da área social;
F – 3 (três) engenheiros civis;

VI – 12 (doze) profissionais de nível médio, a saber:


A – 1 (um) auxiliar de secretaria;
B – 1 (um) telefonista;
C – 2 (dois) gestores de pessoal;
D – 1 (um) auxiliar administrativo;
E – 1 (um) auxiliar de finanças;
F – 1 (um) auxiliar de serviços gerais;
G – 2 (dois) assistentes técnicos;
H – 3 (três) técnicos em obras e manutenção;

VII – 15 (quinze) estagiários, nas seguintes áreas:


A – 1 (um) de direito;
B – 1 (um) de comunicação social;
C – 3 (três) administrativos-financeiros;
D – 6 (seis) de recursos hídricos e meio ambiente;
E – 4 (quatro) de engenharia civil.

10
§1º A carga horária dos cargos em comissão e de provimento efetivo,
instituídos no caput deste artigo, será de quarenta horas semanais.

§2º O servidor investido em cargo de confiança ou função gratificada


perceberá remuneração correspondente ao cargo efetivo ou emprego permanente,
acrescida do valor percentual previsto na Lei Estadual, ou optará pelo recebimento
do valor atribuído ao Cargo de Confiança respectivo, para o qual tiver sido
designado.

Art. 20 O Poder Executivo, no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a


contar da data da publicação da presente Lei, promulgará instrumento legislativo
com o Plano de Cargos e Salários da AGEAPI, obedecendo aos parâmetros já
colocados na presente Lei Complementar.

CAPÍTULO V
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 21 Na primeira gestão da AGEAPI, o Presidente e um Diretor terão


mandatos de quatro anos, um diretor terá mandato de três anos, um diretor terá
mandato de dois anos e um diretor terá mandato de um ano, para implementar o
sistema de mandatos não coincidentes.

Art. 22 O Direito de Uso previsto no art. 15 da Lei nº 5.165, de 17 de agosto


de 2000, poderá ser temporariamente limitado ou suspenso, a critério exclusivo do
Órgão Coordenador do sistema e/ou do Órgão Executivo, Gestor e de Apoio Técnico
e Operacional do Sistema (AGEAPI), pelo tempo julgado necessário nas seguintes
hipóteses: (a) superveniência de caso fortuito ou de força maior; (b) ocorrência de
fenômenos climáticos que impossibilitem ou dificultem extraordinariamente as
condições de oferta hídrica, independentemente de decretação de estado de
calamidade pública.

Art. 23 O parágrafo primeiro do art. 20 da Lei nº 5.165, de 17 de agosto de


2000, passa a ter a seguinte redação:

“§1º a aplicação nas despesas previstas no inciso II deste artigo, não terá
limites, até que o Sistema de Gestão, e, principalmente, o Organismo Gestor, não
dependam de recursos externos aos recursos gerados pelo setor de recursos
hídricos.”

Art. 24 No Art. 26 da Lei nº 5.165, de 17 de agosto de 2000, a recém criada


AGEAPI, substituirá a Secretaria do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos como
administradora do Fundo Estadual de Recursos Hídricos.

Art. 25 O inciso II do artigo 34 da Lei nº 5.165, de 17 de agosto de 2000,


passa a ter a seguinte redação:

11
“II – Órgão Coordenador do Sistema: a Secretaria do Meio Ambiente e dos
Recursos Hídricos – SEMAR/PI; Órgão Executivo, Gestor e de Apoio Técnico e
Operacional do Sistema: a Agência de Águas do Piauí – AGEAPI.”

Art. 26 O caput do artigo 42 da Lei nº 5.165, de 17 de agosto de 2000, passa


a ter a seguinte redação:

“Art. 42 - À Agência de Águas do Piauí - AGEAPI, na condição de órgão


executivo central, gestor do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos
Hídricos, compete:”

Art. 27 No artigo 42 da Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000, se


inserem os seguintes incisos:

“XIV – responder pelas gestões: administrativa, orçamentária, financeira e


patrimonial do Fundo Estadual de Recursos Hídricos, funcionando como sua
Secretaria Executiva;”

“XV – elaborar o orçamento anual do Fundo Estadual de Recursos Hídricos,


conjuntamente com os Comitês de Bacias ou suas respectivas Agências de Águas,
e elaborar o plano anual de receita e aplicação dos recursos consignados no Fundo,
bem como dos rendimentos auferidos de aplicações financeiras das receitas
consignadas na Lei nº 5.165/2000;”

“XX – apoiar os organismos colegiados do Sistema de Gestão, como o


Conselho Estadual, os Comitês e as Agências de Bacias, além de promover a
difusão e a comunicação do setor, sempre articuladamente com a sociedade,
através de campanhas e de promoção comunitária.”

Art. 28 No mesmo artigo 42 da Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de


2000, criar mais um inciso entre as atribuições do organismo gestor, que refira o
seguinte:

“XXI – as competências previstas para as Agências de Água, enquanto estas


não existirem;”

Art. 29 As competências de cada uma das Diretorias e das Gerências


Executivas da AGEAPI serão estabelecidas em Regimento Interno a ser
estabelecido por Decreto Governamental.

Art. 30 Caberá à AGEAPI a coordenação da implantação do Programa


Estadual de Educação Ambiental, vinculado à Recursos Hídricos.

Art. 31 Os Decretos de Números 11.341 e 12.184, respectivamente de 22 de


março de 2004 e 24 de abril de 2006, que regulamentam a outorga, poderão ser
reeditados, prevendo-se a participação da AGEAPI nos procedimentos técnicos e
administrativos da concessão da outorga, bem como poderá ser reeditado o Decreto
12.212 de 17 de maio de 2006 que regulamenta o FERH, pelos mesmos motivos.

12
Parágrafo único. Os Decretos acima citados deverão ser editados, por
iniciativa do Poder Executivo, num prazo não superior aos 180 (cento e oitenta) dias,
a contar da Publicação da presente Lei.

Art. 32 A SEMAR/PI transferirá parte do seu acervo, bens móveis,


equipamentos, programas e projetos em andamento, e algumas obrigações, deveres
e direitos, para a Agência de Águas do Piauí – AGEAPI que a sucederá para todos
os fins, em todos seus direitos e obrigações, especialmente nos acordos, convênios
e contratos, no que couber.

Art. 33 Fica o Poder Executivo autorizado a abrir Crédito Especial, no


orçamento de 2011, até o limite de R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil
reais) destinados à cobertura de despesas decorrentes do cumprimento desta Lei.

§1º O Decreto de Abertura de Crédito Especial estabelecerá o detalhamento


por natureza de despesa e os critérios para as suas alterações, observadas as
disposições contidas nesta Lei e nas normas técnico-legais vigentes.

§2º Os recursos necessários à cobertura do crédito a que se refere o caput


deste artigo são oriundos dos excessos de arrecadação do Fundo de Participação
do Estado, de sobras do orçamento da atual SEMAR/PI, de repasses não
reembolsáveis do Governo Federal através da Agência Nacional de Água, a ANA e
de recursos diretamente arrecadados pela AGEAPI.

Art. 34 Fica o Poder Executivo autorizado a regulamentar a presente Lei


Complementar, principalmente nos assuntos que se referem à Estrutura
Administrativa da nova Autarquia, no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a
contar da data de sua publicação.

Art. 35 Fica o Poder Executivo autorizado a promover as alterações


necessárias no PPA, na LDO e na LOA, a fim de atualizá-las, após a criação da
Agência de Águas do Piauí - AGEAPI.

Art. 36 Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação.

Art. 37 Revogam-se as disposições em contrário.

Palácio ______, em Teresina, capital do Estado, em

___/__________/_____

______________________________
GOVERNADOR DO ESTADO

13
ANEXO II – DECRETO DE REGULAMENTAÇÃO DA
AGÊNCIA DE ÁGUAS DO PIAUÍ - AGEAPI
PROJETO DE DECRETO

ESTADO DO PIAUÍ
GABINETE DO GOVERNADOR

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GOVERNADOR DO ESTADO

DECRETO Nº ___/2010

“Dispõe sobre a organização e a estrutura


administrativa da Agência de Águas do
Piauí – AGEAPI, cria o seu Regimento
Interno e dá outras providências.”

O GOVERNADOR DO ESTADO DO PIAUÍ, após a aprovação pela


Assembléia Legislativa do Estado, da criação da Agência de Águas do Piauí,
decretou a aprovação do presente Regimento Interno da Entidade, o qual considera,
na sua estrutura, todas as considerações da Lei de Criação da Autarquia Gestora
das Águas do Estado do Piauí.

TÍTULO I
DA CRIAÇÃO, DOS OBJETIVOS, DA NATUREZA JURÍDICA, DA FINALIDADE, DA
COMPETÊNCIA E DOS PRINCÍPIOS

Art. 1º A Agência de Águas do Piauí – AGEAPI é uma entidade integrante da


administração pública estadual indireta, submetida a regime autárquico especial,
com personalidade jurídica de Direito Público e plena autonomia administrativa,
técnica e financeira, vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos
Hídricos (SEMAR).

Art. 2º A AGEAPI tem por finalidade executar a Política Estadual de Recursos


Hídricos, tendo suas atribuições e competência definidas no art. 8° da Lei nº ______
e previstas no art. 45º da Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000, e nos
Decretos que a regulamentam, e de promover a gestão dos recursos hídricos
estaduais e, também, dos recursos hídricos federais, cuja gestão tenha sido a ela
delegada pela União.

Parágrafo único. A Agência funcionará como apoio técnico e operacional ao


organismo coordenador Estadual de Gerenciamento dos Recursos Hídricos, o qual
continua a ser a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos
(SEMAR).

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Art. 3º A atuação da AGEAPI obedecerá aos fundamentos, objetivos,
diretrizes, instrumentos e princípios da Política Estadual de Recursos Hídricos,
objeto da Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000.

Art. 4º A natureza de autarquia especial conferida à Agência no art. 1º da Lei


de sua criação é caracterizada por independência administrativa, ausência de
subordinação hierárquica e capacidade progressiva de auto-sustentação financeira,
em especial no que tange aos encargos de gestão de recursos hídricos e operações
de infra-estruturas hidráulicas.

Art. 5º A AGEAPI tem sede e foro na cidade de Teresina, capital do Estado


de Piauí, e jurisdição em todo o território estadual, podendo implantar núcleos
regionais nas regiões hidrográficas abrangidas pela jurisdição dos Comitês de
Bacias, gozando no que se refere aos seus bens, receitas e serviços, das regalias,
privilégios, isenções e imunidade conferidas à Fazenda Pública.

Art. 6º A extinção da Agência somente ocorrerá por Lei específica de maior


ou igual hierarquia que a Lei que a criou.

Art. 7º O Poder Executivo regulamentará a Lei de criação da Agência,


mediante Decretos Governamentais, no prazo regulamentar de 180 (cento e oitenta)
dias contados da data da publicação da referida Lei, Decretos estes entre os quais
se inclui o presente, de criação e aprovação da Estrutura Administrativa e do
Regimento Interno da Entidade.

§1º A data da nomeação da primeira Diretoria, é considerada,


administrativamente, como a data da instalação da Agência, investindo-a,
automaticamente, no exercício das suas funções.

§2º Para fins festivos e comemorativos, a data de Fundação da AGEAPI será


o dia 22 de março, Dia Mundial da Água.

Art. 8º. – Compete à AGEAPI, além do contido no art. 45º da Lei 5.165, de 17
de agosto de 2000, o seguinte:

I – promover o uso racional da água e o desenvolvimento sustentável;

II – gerenciar, supervisionar e executar ações concernentes aos recursos


hídricos do Estado;

III – promover estudos de engenharia e estudos econômicos sobre os


recursos hídricos do Estado;

IV – acompanhar a execução de obras previstas nos planos de utilização


múltiplas dos recursos hídricos;

V – coordenar de forma integrada com outros órgãos estaduais a operação e


monitoramento da rede hidrométrica e de dados hidrometeorológicos do Estado, e
manter intercâmbio de informações com órgãos e entidades da União ou do setor
privado;

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VI – elaborar relatório anual sobre a situação dos recursos hídricos do Estado;

VII – exercer a função de Agência de Bacia de uma ou mais bacias


hidrográficas enquanto estas não forem instituídas, ou quando lhe for delegada esta
função pelo respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica, ou ainda, por Resolução do
Conselho Estadual de Recursos Hídricos;

VIII – participar da implantação e executar a Política Estadual de Recursos


Hídricos, e os Projetos e Programas Estaduais de Gestão, referentes a este setor;

IX – orientar as ações da sociedade para o uso sustentável dos recursos


naturais e da melhoria da qualidade de vida, promovendo o uso racional da água e o
desenvolvimento sustentável;

X– executar as atividades de gerenciamento de recursos hídricos no Estado;

XI– elaborar e coordenar estudos, pesquisas e projetos na área de recursos


hídricos, com ênfase na preservação dos mesmos, bem como elaborar normas e
padrões de recursos hídricos;

XII – propor o estabelecimento de áreas em que a ação governamental deva


ser prioritária, tendo como objetivo a proteção aos recursos hídricos e à manutenção
da qualidade de vida;

XIII – orientar e apoiar os Municípios para uma gestão integrada dos


Recursos Hídricos, bem como fomentar a inclusão nos Planos Diretores de Uso do
Solo Municipais de dispositivos que objetivem a proteção dos recursos hídricos,
essenciais à manutenção da qualidade de vida;

XIV – estabelecer parcerias e orientar, de forma compartilhada com a


SEMAR, as atividades técnicas e administrativas de informação, comunicação,
mobilização social e demais, relacionadas com a política estadual de Educação
Ambiental, no âmbito do Governo do Estado;

XV – elaborar, estruturar e manter operacionais todos os instrumentos de


gestão necessários a uma perfeita gestão dos recursos hídricos no Estado de Piauí;

XVI – executar e gerenciar a Política Estadual de Recursos Hídricos, como


apoio do órgão coordenador e gestor central do sistema integrado de
Gerenciamento e Monitoramento dos Recursos Hídricos do Estado de Piauí;

XVII – exercer o poder de polícia administrativa e ainda fiscalizar o


cumprimento da legislação de proteção aos recursos hídricos vigentes, podendo,
para tanto, celebrar convênios com órgãos federais, estaduais e municipais, civis ou
militares, especialmente com a Polícia Ambiental do Estado de Piauí, tendo como
objetivo a aplicação da legislação de proteção, conservação e melhoria do meio
ambiente e dos recursos hídricos, no Estado de Piauí;

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XVIII – propor à SEMAR alterações da legislação de recursos hídricos com a
finalidade de aperfeiçoar a legislação vigente, nos limites de sua competência legal;

XIX – analisar projetos e conceder licença técnica para a construção de obras


hídricas, sem prejuízo da licença ambiental obrigatória, a qual, dentro do possível,
se constituirá em processo integrado de liberação no caso das obras hídricas;

XX – elaborar estudos visando a fixação ou alterações de critérios e normas


quanto a outorga de direito de uso, cobrança e outras providências relacionadas à
utilização racional dos recursos hídricos;

XXI – estabelecer e implementar as regras de operação da infra-estrutura


hídrica existente;

XXII – estipular o cálculo do rateio das obras de uso múltiplo de interesse


comum ou coletivo;

XXIII - planejar e promover ações destinadas a prevenir ou minimizar os


efeitos de secas e inundações, no âmbito do sistema estadual de Recursos Hídricos
em articulação com o organismo estadual de Defesa Civil em apoio aos municípios;

XXIV – promover a elaboração de estudos para subsidiar a aplicação de


recursos financeiros da União e do Tesouro do Estado em obras e serviços de
regularização de cursos de água, de alocação e distribuição de água e de controle
da poluição hídrica, em consonância com o estabelecido nos Planos de Recursos
Hídricos;

XXV – elaborar e manter um sistema de prevenção de eventos críticos,


relacionados aos recursos hídricos;

XXVI – operar as obras de usos múltiplos de água, que lhe forem delegadas
pela União ou pelo Estado, para operação;

XXVII – fiscalizar o uso de recursos hídricos;

XXVIII– elaborar e manter cadastros de infra-estrutura hídrica e de usuários


de recursos hídricos;

XXIX – manter atualizada uma Base Cartográfica para os recursos hídricos


estaduais, e a hidrografia do Estado;

XXX – manter atualizado o Balanço Hídrico do Estado e de cada uma das


suas Bacias Hidrográficas;

XXXI – fazer uso de instrumentos avançados na Gestão de Recursos


Hídricos, tais como Sistemas de Suporte à Decisão, Modelos Matemáticos de
Qualidade e Quantidade de Água, Manualização, Sistemas Telemétricos, etc.;

XXXII – apoiar a resolução e a administração dos Conflitos pelo Uso da Água;

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XXXIII – elaborar e manter atualizado um Atlas de Recursos Hídricos do
Estado de Piauí;

XXXIV – exercer outras atividades correlatas de apoio às atividades de


Gestão de Recursos Hídricos.

Parágrafo único. Poderá a AGEAPI, aceitar, mediante a celebração de


convênios, acordos e ajustes, a delegação de atribuições compatíveis com a sua
esfera de competência, bem como poderá delegar a terceiros, como Agências de
Água dos Comitês de Bacias, competências de sua esfera.

TÍTULO II
DO PATRIMÔNIO, DO ORÇAMENTO E DAS RECEITAS DA AGEAPI

Art. 9º Constituem patrimônio da AGEAPI os bens e direitos de sua


propriedade, os que lhe foram conferidos na sua criação, e os que venham a ser
adquiridos ou incorporados ao longo de sua existência.

Art. 10 A Autonomia Financeira da AGEAPI é assegurada pelas seguintes


fontes de recursos ou de receitas:

I – os recursos provenientes do FERH que lhe venham a ser destinados,


obedecido ao disposto nesta Lei, na Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000
e Decretos correspondentes, com as modificações previstas na presente Lei;

II – Os recursos resultantes de dotações orçamentárias e os créditos


adicionais e repasses que lhe forem conferidos;

III – O produto resultante da arrecadação de multas e demais infrações


previstas na Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000;

IV – Os recursos provenientes de acordos, convênios, contratos e consórcios


celebrados com entidades ou organismos públicos ou privados, nacionais ou
internacionais;

V – Os recursos advindos de doações, legados, subvenções, contribuições e


outros quaisquer que lhe forem destinados;

VI – O produto advindo da venda de publicações, material técnico, dados e


informações, inclusive para licitações públicas e taxas de inscrições em concursos
públicos;

VII – Os valores apurados com a venda ou aluguel de bens móveis ou imóveis


de propriedade da Autarquia;

VIII – O produto da alienação de bens, objetos e instrumentos utilizados para


a prática de infrações, assim como do patrimônio dos infratores incorporados ao
patrimônio da autarquia, nos termos de decisão judicial;

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IX – Os recursos decorrentes da cobrança de emolumentos e taxas
administrativas;

X – O resultado das operações de crédito, no que lhe couber;

XI – O produto das aplicações financeiras dos seus recursos;

XII – A parcela dos valores cobrados pelo uso dos Recursos Hídricos, na
forma estabelecida na Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000, inclusive do
repasse de recursos arrecadados por órgãos e entidades federais com base na Lei
Federal nº 8.001, de 13 de março de 1990;

XIII – receitas advindas de tarifas pela reservação e adução de água bruta a


longas distâncias, de modo a cobrir gastos com operação e manutenção de
reservatórios, açudes, canais e adutoras;

XIV – Outras receitas que lhes destinarem a Lei e os Orçamentos;

XV – O produto da retribuição por serviços de qualquer natureza prestados a


terceiros;

XVI – 100% da compensação financeira que o Estado recebe em decorrência


do aproveitamento do potencial hidro-energético localizado em seu território, na
forma da Lei, repassado pelo FERH;

XVII – 10% da parte da compensação financeira que o Estado recebe pela


exploração de petróleo, gás natural e recursos minerais, destinada à aplicação
exclusiva em programas pertinentes ao estudo, pesquisa, exploração e conservação
dos recursos hídricos, repassado pelo FERH;

XVIII – recursos eventuais oriundos de outras fontes.

Art. 11 A Diretoria Executiva da AGEAPI apresentará, anualmente, ao


Conselho Diretor da Autarquia, um Plano de Trabalho e uma Previsão Orçamentária
da Agência.

§1º A Agência, através da sua Diretoria Executiva, elaborará e submeterá, à


SEMAR/PI, no seu primeiro ano de existência, a sua proposta orçamentária para
inclusão no projeto de lei orçamentária anual da Secretaria e das suas vinculadas;

§2º A elaboração da proposta orçamentária obedecerá as normas fixadas


pelo regime orçamentário e financeiro do Estado;

§3º A Agência fará acompanhar as propostas orçamentárias de um quadro


demonstrativo do planejamento plurianual das receitas e despesas visando à busca
do seu equilíbrio orçamentário e financeiro;

§4º A fixação das dotações orçamentárias da Autarquia na Lei de Orçamento


Anual e sua Programação orçamentária e financeira de execução não sofrerão
limites nos seus valores para movimentação e empenho;

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Art. 12 Os recursos financeiros colocados à disposição da Autarquia, após a
data da sua instalação, serão mantidos à disposição da AGEAPI, na Conta Única do
Estado do Piauí, enquanto não forem utilizados para as respectivas destinações.

§1º A regra estabelecida neste artigo não se refere a recursos oriundos de


Convênios e/ou doações que tiverem regras próprias específicas.

§2º As disponibilidades financeiras enquanto não utilizadas poderão ser


mantidas em aplicações financeiras nos termos da legislação específica sobre a
matéria.

TÍTULO III
DAS ESTRUTURAS ADMINISTRATIVA, ORGANIZACIONAL E
ORGÂNICA DA AGÊNCIA – AGEAPI

Art. 13 A AGEAPI será dirigida por uma Diretoria Executiva, composta por
cinco membros, dentre eles, um Presidente e quatro Diretores, nas áreas
administrativa-financeira, de gerenciamento de recursos hídricos, planejamento e
relações institucionais e operacional, todos nomeados pelo Governador do Estado,
com mandatos não coincidentes de quatro anos, admitida uma única recondução
consecutiva.

Art. 14 À Diretoria Executiva da AGEAPI compete, dentre outras atribuições,


as seguintes:

I – exercer a administração da AGEAPI;

II – editar normas sobre matérias de competência da AGEAPI, sob diretrizes e


orientações gerais advindas da SEMAR;

III – propor ao Governador do Estado, a aprovação do Regimento Interno da


AGEAPI, a organização, a estrutura, e o âmbito decisório de cada unidade
administrativa da Agência, bem como o seu Plano de Cargos e Salários, respeitados
os limites legais vigentes;

IV – cumprir e fazer cumprir as normas relativas ao Sistema Estadual de


Gerenciamento de Recursos Hídricos;

V – examinar e decidir sobre pedidos de outorga e cobrança de direito de uso


de recursos hídricos de domínio do Estado, exercendo fiscalização e poder de
polícia e respeitadas as competências e atribuições pertinentes aos demais órgãos
do Sistema Estadual de Recursos Hídricos;

VI – elaborar e divulgar relatórios sobre as atividades da AGEAPI;

VII – encaminhar os demonstrativos contábeis da AGEAPI aos órgãos


competentes;

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VIII – decidir pela venda, cessão ou aluguel de bens integrantes do patrimônio
da AGEAPI;

IX – conhecer e julgar pedidos de reconsideração de decisões de


componentes da Diretoria da AGEAPI;

X – a admissão, designação, promoção e demissão de servidores, bem como


estabelecer a lotação de pessoal da Agência, de acordo com o previsto nesta Lei;

XI – gerenciar os diversos instrumentos de Gestão de Recursos Hídricos


utilizados pelo Estado do Piauí;

XII - desenvolver todas as ações necessárias à realização dos objetivos


institucionais do órgão gestor;

XIII - planejar, dirigir e controlar, conjuntamente com os diretores, os serviços


e atividades do órgão gestor;

XIV - representar o órgão gestor, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele;

XV – outras atividades correlatas.

§1º A Diretoria deliberará por maioria simples de voto e se reunirá com a


presença do seu Presidente ou substituto legal e, de pelo menos, dois diretores.

§2º A Diretoria da AGEAPI, ao atuar de forma colegiada, é o seu órgão


superior, responsável por implementar as diretrizes estabelecidas nesta Lei e
demais normas aplicáveis, incumbindo-lhe exercer as competências executiva, fiscal
e outras que lhe reservem a regulamentação desta Lei.

§3º As decisões relacionadas com as competências institucionais da AGEAPI


serão tomadas de forma colegiada.

Art. 15 A AGEAPI contará, na sua estrutura administrativa, com as seguintes


Diretorias:

I – Diretoria Administrativa-Financeira;
II – Diretoria de Gerenciamento de Recursos Hídricos;
III – Diretoria de Planejamento e Relações Institucionais;
IV – Diretoria Operacional.

Art. 16 A AGEAPI contará, na sua estrutura administrativa, com os seguintes


Níveis:

I – nível de Direção Superior, composto pela Presidência e Diretoria


Executiva;

II – nível Gerencial, composto pelas Gerências e as Unidades Administrativas.

Art. 17 A Presidência terá, dentre outras, as seguintes atribuições:

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I - desenvolver todas as ações necessárias à realização dos objetivos
institucionais do órgão gestor;

II - planejar, dirigir e controlar, conjuntamente com os diretores, os serviços e


atividades do órgão gestor;

III - representar o órgão gestor, ativa e passivamente, em juízo ou fora dele;

IV – realizar, por intermédio de sua assessoria jurídica, atividades de


representação jurídica, judicial e extrajudicial do órgão gestor perante o Poder
Judiciário Federal, Estadual, Municipal e órgãos públicos;

V – prestar, por intermédio de sua assessoria jurídica, apoio em assuntos


jurídicos e legislativos;

VI – prestar, por intermédio de sua assessoria jurídica, serviços de consultoria


jurídica às diretorias e gerências do órgão e zelar pela observância da legalidade
dos atos administrativos;

VII – realizar, por intermédio de sua assessoria de comunicação, as


atividades de interpretação, redação e organização de notícias, atinentes ao órgão
gestor, ao uso e preservação dos recursos hídricos e de ocorrências cotidianas;

VIII – assessorar, por intermédio de sua assessoria de comunicação, os


integrantes da Presidência e Diretorias quanto ao conteúdo e forma de se obter
publicidade e transparência aos atos e serviços prestados pelo órgão gestor;

IX – realizar, por intermédio de sua secretária executiva, as atividades de


assessoramento e de secretária executando a redação das correspondências,
documentos, relatórios, controle de compromissos e de informações necessárias
para assegurar o desenvolvimento dos trabalhos e despachos da administração
superior da Instituição.

Art. 18 A Diretoria Administrativa-Financeira terá as seguintes atribuições:

I – promover o gerenciamento dos recursos humanos, com a realização de


concursos públicos para a contratação de quadro próprio de funcionários,
estabelecendo critérios e normas compatíveis com a legislação e regimento interno
que serão propostos, incluindo ações periódicas para a formação e capacitação
continuada de seus profissionais;

II – incumbir-se da administração e manutenção do patrimônio material da


AGEAPI, incluindo eventual sede própria ou imóvel alugado, veículos, máquinas e
equipamentos, sistemas e aparelhos de informática e de comunicação, até chegar,
dentre outros, a postos da rede hidrometeorológica de sua propriedade;

III – responsabilizar-se pela gestão de contratos com serviços terceirizados e


elaboração de projetos e estudos por consultorias especializadas, dentre outros;

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IV – responsabilizar-se pelo gerenciamento dos gastos gerais da entidade,
com a aquisição de material de expediente, serviços de limpeza e de segurança,
combustíveis, despesas com diárias de viagens de seu quadro de profissionais,
contratação de motoristas, aluguéis de veículos, etc;

V – atuar na administração das fontes de receitas que deverão conferir


sustentação e autonomia para o novo órgão e, bem assim, para o SEGRH/PI;

VI – responsabilizar-se pela gestão do Fundo Estadual de Recursos Hídricos,


ao qual deverão ser destinados, dentre outros, aportes advindos da compensação
financeira paga pelo setor elétrico;

VII – responsabilizar-se pelo acompanhamento dos níveis de arrecadação e


percentuais de inadimplência quanto à cobrança pelo uso da água e às tarifas a
serem pagas por serviços de operação e manutenção de reservatórios e açudes e
pelo transporte de água a médias e longas distâncias;

VIII – responsabilizar-se pelos aportes oriundos do OGE e de receitas


transferidas pela União Federal, como também, de potenciais operações de crédito
destinadas a ações de gestão e intervenções estruturais em recursos hídricos.

Art. 19 A Diretoria de Gerenciamento de Recursos Hídricos terá as seguintes


atribuições:

I – coordenar o funcionamento de uma rede hidrometeorológica para


monitoramento da quantidade e qualidade das águas, operada diretamente ou
mediante parcerias (convênios) com a Agência Nacional de Águas (ANA) e/ou com a
Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), além da consideração de
serviços terceirizados, que podem atender regiões ou bacias hidrográficas
específicas;

II - projetar e coordenar inversões destinadas à expansão e aprimoramento


tecnológico da rede hidrometeorológica, incluindo treinamento e capacitação dos
técnicos e profissionais que atuam nesta função e a aquisição de novos
equipamentos;

III - apoiar o desenvolvimento de estudos e pesquisas voltados ao


conhecimento sobre recursos hídricos subterrâneos e superficiais, abrangendo
aspectos de quantidade e qualidade das águas, além de relações com mudanças
climáticas;

IV – responsabilizar-se pela análise de dados de um monitoramento mais


abrangente de variáveis ambientais, incluindo temperatura, evapotranspiração
regional, umidade relativa do ar, velocidade dos ventos, dentre outras;

V - consolidar um cadastro de usos e usuários de recursos hídricos, a ser


periodicamente atualizado, em termos da consistência de dados sobre as
características dos usuários e suas demandas efetivas, sazonais e anuais e
cruzando os dados com as projeções de demandas que constam de estudos, de

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modo a identificar eventuais inconsistências que podem indicar investigações em
determina das bacias e/ou setores;

VI - efetuar cruzamentos de dados entre o mencionado cadastro de usos e


usuários e as projeções de demandas que constam de estudos como o da COBA
Engenharia, a fim de identificar eventuais inconsistências que podem indicar
investigações em determinadas bacias e/ou setores e com informações que constam
de licenças ambientais emitidas pela Superintendência de Meio Ambiente da
SEMAR, de modo a assegurar compatibilidade e mútua complementaridade de
dados entre os setores de recursos hídricos e meio-ambiente;

VII - promover continuamente o aperfeiçoamento da base de dados e


informações e das análises sobre fontes de emissão de efluentes e de captação de
águas que afetam o comportamento hidrológico, hidrogeológico e da qualidade das
águas, como forma de aprimorar as bases técnicas e apoiar a tomada de decisões;

VIII - sistematizar e disseminar socialmente esses dados e informações não


confidenciais, de modo a contribuir para a realização de estudos e projetos e para
maiores consciência e conhecimento de todos os usuários e organizações da
sociedade civil interessados na temática das águas;

IX - induzir a organização institucional de usuários nas diferentes bacias


hidrográficas do Piauí, de modo a facilitar a sua inserção orgânica no contexto do
SEGRH/PI e torná-los participantes de negociações coletivas e dos processos de
tomada de decisões relativas à alocação das disponibilidades hídricas;

X - identificar, em cada bacia hidrográfica, quais os usuários estratégicos que


devem ter uma participação mais substantiva junto ao SEGRH/PI, para manter o
sistema fortalecido;

XI - empreender a sistematização e análise de dados sobre disponibilidades


hídricas e demandas pelo uso da água, como também, de subsídios e informações
que auxiliem os processos de negociação entre usuários e a conseqüente alocação
dos recursos hídricos, notadamente em períodos sazonais críticos, nas diferentes
regiões e bacias hidrográficas do estado;

XII - promover, diretamente ou mediante o apoio de consultorias


especializadas, o desenvolvimento de novas ferramentas e metodologias mais
avançadas, de modo a aprimorar a gestão dos recursos hídricos quanto a processos
decisórios voltados ao equacionamento e solução de problemas de escassez e/ou
conflitos entre usos múltiplos, identificados nas diferentes regiões do estado;

XIII - divulgar às comunidades locais e à sociedade em geral, os processos e


critérios de alocação, controle e regulação de usos das águas e as ações de
planejamento relacionadas aos recursos hídricos drenantes do território piauiense;

XIV – realizar a avaliação periódica dos resultados efetivamente alcançados


e, por conseqüência, as possibilidades de maior eficiência dos sistemas de apoio à
decisão, considerando a possibilidade de descentralização de ações para a gestão
de recursos hídricos, sempre com vistas à maior capacitação de entidades locais

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e/ou de diretorias regionais a serem estabelecidas pelo novo órgão estadual gestor
de recursos hídricos.

Art. 20 A Diretoria de Planejamento e Relações Institucionais terá as


seguintes atribuições:

I - definir uma estratégia institucional consistente para que o SEGRH/PI siga


em seu processo de instalação e funcionamento, com avaliações e justificativas
sobre a prioridade na instalação de comitês de bacia, notadamente em áreas onde
instâncias regionais para negociações sobre a alocação de recursos hídricos sejam
relevantes;

II - conferir consistência e importância político-estratégica às pautas do


Conselho Estadual de Recursos Hídricos, de forma articulada a objetivos traçados
pelo Plano Estadual de Recursos Hídricos, de modo a instigar que os principais
setores usuários tenham interesses em participar das reuniões, na expectativa de
que decisões substantivas sejam efetivamente tomadas e implementadas, no âmbito
do Governo do Estado;

III - elaborar mapeamento prévio dos principais usuários de recursos hídricos


e representantes de organizações da sociedade civil nas bacias hidrográficas onde
se pretende instalar comitês, de modo a assegurar importância e efetiva
representatividade a essas instâncias colegiadas;

IV – acompanhar a elaboração dos planos de bacias hidrográficas;

V - conferir subsídios e promover a interação com atores locais, de modo a


buscar uma constante articulação entre as pautas das reuniões de seus respectivos
comitês e a seqüência de etapas de implementação e atendimento de objetivos e
metas traçadas em cada plano, evitando assim reuniões de comitês com pautas
abertas e constantes dispersões;

VI - inserir nas pautas debates sobre formas para uma aplicação efetiva e
eficaz dos demais instrumentos de gestão, notadamente critérios para a alocação e
concessão de outorgas ao direito de uso da água, de forma articulada com a ANA e
com os órgãos gestores dos estados com bacias compartilhadas, incluindo uma
competente definição de critérios que levem em conta especificidades regionais e
diretrizes advindas de planos de recursos hídricos;

VII - prover o devido suporte operacional e financeiro ao pleno funcionamento


do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, na qualidade de sua Secretaria
Executiva, e também aos comitês de bacia que sejam instalados, além dos encargos
de divulgação e comunicação social relacionada às atividades do SEGREH/PI;

VIII – definir as estratégias regionais específicas, com rebatimentos sobre


ênfases e prioridades e sobre as formas de interlocução associadas aos órgãos
colegiados do SEGRH/PI, de modo a associar problemas e arranjos institucionais,
de forma a conferir maior dinâmica à gestão dos recursos hídricos;

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IX - obter maiores informações e detalhes sobre políticas, programas, projetos
e investimentos previstos pelos principais setores usuários das águas no Piauí, de
modo a propiciar intervenções em determinados casos, com o objetivo de que sejam
atendidas diretrizes advindas da gestão de recursos hídricos, a ser reconhecida
como uma política transversal a todos os segmentos usuários das águas;

X - abordar os potenciais conflitos com o Estado do Ceará, sempre sob


interesses estratégicos ao Piauí, a serem traduzidos em acordos formais e/ou na
revisão de protocolos já assinados;

XI – observar os aspectos ambientais que possam sofrer impactos


decorrentes de ações e intervenções na bacia do rio das Balsas;

XII - investigar planos e projetos para futuros aproveitamentos do potencial


hidroelétrico do rio Parnaíba, notadamente quanto às suas repercussões sobre
disponibilidades hídricas para todos os demais usos, além de possíveis impactos
sobre o controle de cheias, sempre relacionado às regras e despachos operacionais
emitidos pelo ONS, o que demanda relações e acordos envolvendo instituições de
nível federal, como a ANA e a ANEEL;

XIII - acompanhar a possibilidade futura de grandes empreendimentos


nacionais relacionados aos recursos hídricos;

XIV – observar as articulações recomendadas entre o Conselho e o Plano


Estadual de Recursos Hídricos, para identificar e atuar sobre aspectos estratégicos
externos ao Piauí, e entre os comitês e seus planos de bacias, concernente aos
aspectos estratégicos próprias a cada região do estado.

Art. 21 A Diretoria Operacional terá as seguintes atribuições:

I - intervir na definição de prioridades na expansão da infra-estrutura


hidráulica a ser implantada em território piauiense, a fim de conferir consistência em
termos de planejamento e otimização de tais investimentos, de modo coerente com
objetivos e metas traçadas no contexto do Plano Estadual de Recursos Hídricos
e/ou em Planos de Bacias Hidrográficas;

II - estabelecer regras para a operação articulada e coerente de grandes


reservatórios, açudes, canais e adutoras, superando atuações, isoladas e sob
perspectivas e interesses setoriais específicos, de modo a otimizar a infra-estrutura
existente e mitigar conflitos entre usos múltiplos;

III - assegurar que a operação de reservatórios, açudes, canais e adutoras


seja sempre efetuada de modo coerente com os mencionados modelos e
ferramentas de apoio à decisão, que devem instruir as novas regras operativas a
serem adotadas por todas as entidades, estaduais ou federais, a exemplo da
AGESPISA, DNOCS, CODEVASF e outras;

IV - identificar demandas e assegurar os recursos necessários para a


manutenção e/ou recuperação da infra-estrutura hidráulica existente, de forma a
evitar acidentes e desastres, atuando de modo preventivo.

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TÍTULO IV
DOS SERVIDORES DA AGEAPI

Art. 22 A AGEAPI constituirá, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses a contar


da data da publicação da Lei de Criação da Entidade, o seu quadro próprio de
pessoal, por meio da realização de concurso público de provas ou de provas e
títulos, ou, ainda, da redistribuição de servidores de órgãos e entidades da
administração estadual direta ou indireta.

Parágrafo único. Nos termos do art. 37 da CF, ficou a AGEAPI autorizada a


efetuar contratação temporária, por prazo não excedente a 24 meses, do pessoal
técnico imprescindível ao exercício de suas atribuições institucionais, utilizando-se,
para tanto, de Contratos de Terceirização de Mão de Obra.

Art. 23 A AGEAPI poderá requisitar servidores de órgãos e entidades


integrantes da administração pública estadual ou municipal, direta e indireta,
quaisquer que sejam as atribuições a serem exercidas, desde que sejam atendidos
os requisitos técnicos para àquela função.

§1º As requisições para exercício na AGEAPI, sem cargo em comissão ou


função gratificada e de confiança, ficam autorizadas pelo prazo máximo de 24
meses, contado da instalação da autarquia.

§ 2º Transcorrido o prazo a que se refere o parágrafo anterior somente serão


cedidos para a AGEAPI servidores por ela requisitados para o exercício de cargos
de comissão ou para exercer funções de chefia.

Art. 24 Poderão ser aproveitados, nos quadros de pessoal da AGEAPI, em


cargos de atribuições iguais ou assemelhadas, por ato do Governador do Estado, os
servidores concursados e/ou estáveis da Administração Pública Estadual Direta ou
Indireta, que se encontrem prestando serviços à SEMAR/PI, na data da vigência
desta Lei, na condição de requisitados e/ou cedidos, ou ainda, como integrantes dos
quadros da Secretaria, mediante opção e anuência do órgão de origem, desde que
os aproveitados possuam experiência e escolaridade compatível com o exercício
das futuras funções.

Parágrafo único. O aproveitamento de que trata este artigo far-se-á mediante


processo seletivo, cujos critérios serão fixados pela Secretaria de Estado da
Administração.

Art. 25 Ficam criados, com a finalidade de integrar a estrutura da AGEAPI, os


seguintes cargos do quadro permanente e do quadro dos cargos em comissão e das
funções gratificadas:

I – um cargo em comissão de Presidente;

II – quatro cargos em comissão de Diretor;

III – um cargo em comissão de Secretária Geral;

14
IV – 9 (nove) funções gratificadas de nível 1, para Gerentes, a saber:
A – Gerente Administrativo;
B – Gerente Financeiro;
C – Gerente de Disponibilidades Hídricas;
D – Gerente de Usos de Recursos Hídricos;
E – Gerente de Informações e de Sistemas de Apoio à Decisão;
F – Gerente de Apoio ao Sistema de Gestão de Recursos Hídricos;
G – Gerente de Relações Estratégicas;
H – Gerente de Operações;
I – Gerente de Manutenção;

V – 22 (vinte e dois) cargos de nível superior, a saber:


A – 1 (um) advogado;
B – 1 (um) assessor de comunicação;
C – 11 (onze) especialistas em recursos hídricos;
D – 2 (dois) analistas de sistemas;
E – 4 (quatro) técnicos da área social;
F – 3 (três) engenheiros civis;

VI – 12 (doze) profissionais de nível médio, a saber:


A – 1 (um) auxiliar de secretaria;
B – 1 (um) telefonista;
C – 2 (dois) gestores de pessoal;
D – 1 (um) auxiliar administrativo;
E – 1 (um) auxiliar de finanças;
F – 1 (um) auxiliar de serviços gerais;
G – 2 (dois) assistentes técnicos;
H – 3 (três) técnicos em obras e manutenção;

VII – 15 (quinze) estagiários, nas seguintes áreas:


A – 1 (um) de direito;
B – 1 (um) de comunicação social;
C – 3 (três) administrativos-financeiros;
D – 6 (seis) de recursos hídricos e meio ambiente;
E – 4 (quatro) de engenharia civil.

§1º A carga horária dos cargos em comissão e de provimento efetivo


instituídos no caput deste artigo será de quarenta horas semanais.

§2º O servidor investido em cargo de confiança ou função gratificada,


perceberá remuneração correspondente ao cargo efetivo ou emprego permanente,
acrescida do valor percentual previsto na Lei Estadual, ou optará pelo recebimento
do valor atribuído ao Cargo de Confiança respectivo, para o qual tiver sido
designado.

Art. 26 O Poder Executivo, no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias a


contar da data da publicação da presente Lei, promulgará instrumento legislativo
com o Plano de Cargos e Salários da AGEAPI, obedecendo aos parâmetros já
dispostos no presente Decreto.

15
Art. 27 A Escala de Implantação, o Perfil, a Qualificação e o número de
funcionários previstos para a Presidência são os seguintes:

Quadro 01: Presidência

Cargo Escala de Perfil – Qualificação Nº de


Implantação Funcionários.

Presidente Preliminar Profissional de formação superior, com 01


notória capacidade técnica e
reconhecida idoneidade moral.
Secretária Geral da Preliminar Formação de nível médio, com curso 01
Presidência técnico especializado e atuação como
secretária com mais de 03 (três) anos
de experiência.
Auxiliar da Avançada Formação de nível médio e atuação 01
Secretária Geral comprovada como secretária e/ou
auxiliar administrativo.

Advogado Preliminar Profissional de formação superior com 01


habilitação legal para o exercício da
profissão de Advogado por no mínimo
05 (cinco) anos.
Assessor de Preliminar Profissional de formação superior com 01
Comunicação habilitação legal para o exercício da
profissão de Jornalista por no mínimo
05 (cinco) anos.
Telefonista Preliminar Formação de nível médio e atuação 01
comprovada como telefonista.
Estagiários Avançada Em curso nas áreas de direito e de 02
Comunicação Social.

Art. 28 A Escala de Implantação, o Perfil, a Qualificação e o número de funcionários


previstos para a Diretoria Administrativa-Financeira, são os seguintes:

16
Quadro 02: Diretoria Administrativa e Financeira

Cargo Escala de Perfil – Qualificação Nº de


Implantação Funcionários.

Diretor Preliminar Profissional sênior, com formação 01


Administrativo e superior, com mais de 10 (dez) anos
Financeiro de experiência e atuação destacada
em questões administrativas e
financeiras do setor público.
Gerente Preliminar (*) Profissional sênior, com formação 01
Administrativo superior, com mais de 05 (cinco) anos
de experiência em gestão de pessoal
e de gastos operacionais e
administrativos.
Gerente Financeiro Avançada Profissional sênior, com formação 01
superior em economia, com
experiência em gestão financeira de
órgãos públicos e conhecimentos
específicos de receitas relacionadas
aos setores de recursos hídricos e de
saneamento.
Gestor de Pessoal Preliminar Formação de nível médio, com 01
atuação por 03 (três) anos na gestão
Avançada de pessoal. 01

Auxiliar Preliminar Formação de nível médio, com 01


Administrativo atuação por 03 (três) anos como
auxiliar administrativo.
Auxiliar de Avançada Formação de nível médio, com 01
Finanças atuação por 05 (cinco) anos em
orçamentos públicos.
Auxiliar de Preliminar Formação de nível médio, com 01
Serviços Gerais atuação por 03 (três) anos como
auxiliar de serviços gerais.
Estagiários Preliminar Em curso na área de gestão 01
administrativa e financeira.
Avançada 02
(*) Na fase preliminar de implantação, esta gerência deve acumular encargos de gestão financeira

Art. 29 A Escala de Implantação, o Perfil, a Qualificação e o número de funcionários


previstos para a Diretoria de Gerenciamento de Recursos Hídricos, são os
seguintes:

17
Quadro 03: Diretoria de Gerenciamento de Recursos Hídricos

Cargo Escala de Perfil – Qualificação Nº de


Implantação Funcionários.

Diretor de Preliminar Profissional sênior, com formação 01


Gerenciamento de superior, com mais de 10 (dez) anos
Recursos Hídricos de experiência e atuação destacada
em gestão de Recursos Hídricos.
Gerente de Preliminar Profissional sênior, com formação 01
Disponibilidades superior, preferencialmente em
Hídricas Engenharia e especialização em
Hidrologia, com mais de 05 (cinco)
anos de atuação no setor.
Gerente de Usos Preliminar Profissional sênior, com formação 01
de Recursos superior, preferencialmente em
Hídricos Engenharia, com mais de 05 (cinco)
anos de atuação no setor.
Gerente de Avançada Profissional sênior, com formação 01
Informações e superior, preferencialmente em
Sistemas de Apoio Engenharia e especialização em
à Decisão Hidrologia e Modelos de Simulação
Hidrológica, com no mínimo 08 (oito)
anos de atuação no setor.

Especialista em Preliminar Profissionais de nível superior com 05


Recursos Hídricos habilitação legal para o exercício da
Avançada profissão de Engenheiro Civil, 03
Agrônomo, Cartógrafo, Geógrafo,
Químico, ou, Geólogo, com
especialização de no mínimo de 01
(um) ano em Hidrologia ou
Hidrogeologia, Saneamento ou
Geoprocessamento.
Analista de Preliminar Técnico com formação superior, com 01
Sistemas habilitação legal para o exercício da
Avançada 01
profissão de Analista de Sistemas.
Assistente Técnico Preliminar Formação de nível médio, com 01
experiência de 1 (um) ano na função
Avançada ou serviços conexos. 01

Estagiários Preliminar Em curso na área de Recursos 02


Hídricos e Meio Ambiente.
Avançada 02

Art. 30 A Escala de Implantação, o Perfil, a Qualificação e o número de funcionários


previstos para a Diretoria de Planejamento e Relações Institucionais, são os
seguintes:

18
Quadro 04: Diretoria de Planejamento e Relações Institucionais

Cargo Escala de Perfil – Qualificação Nº de


Implantação Funcionários.

Diretor de Preliminar Profissional sênior, com formação 01


Planejamento e superior, com atuação de 10 (dez)
Relações anos nas áreas de Recursos Hídricos
Institucionais e Meio Ambiente e experiência em
Políticas Públicas.
Gerente de Apoio Preliminar Profissional sênior, com formação 01
ao SEGREH/PI superior, com atuação comprovada em
Conselhos e Comitês de Bacias.
Gerente de Preliminar Profissional sênior, com formação 01
Relações superior, com atuação de 08 (oito)
Estratégicas anos nas áreas de Recursos Hídricos
e Meio Ambiente e experiência
comprovada em Relações
Institucionais e Entidades Federais.
Gestor Social Preliminar Profissional com formação superior, 02
Avançada com habilitação legal para o exercício 02
da profissão de Serviço Social ou
Assistente Social ou Sociólogo ou
Pedagogo.

Especialista em Preliminar Profissionais de nível superior com 05 02


Recursos Hídricos (cinco) anos de atuação em Gestão de
Recursos Hídricos e experiência
Avançada comprovada em Planejamento. 01

Estagiários Preliminar Em curso na área de Recursos 01


Hídricos e Meio Ambiente.

Art. 31 A Escala de Implantação, o Perfil, a Qualificação e o número de funcionários


previstos para a Diretoria Operacional, são os seguintes:

19
Quadro 05: Diretoria Operacional

Cargo Escala de Perfil – Qualificação Nº de


Implantação Funcionários.

Diretor Operacional Preliminar Profissional sênior, com formação 01


superior em Engenharia Civil ou
Engenharia Mecânica, com
experiência de 08 (anos) anos em
planejamento e regras operativas de
infra-estrutura hidráulica.
Gerente de Preliminar (*) Profissional com formação superior em 01
Operações Engenharia Civil ou Engenharia
Mecânica, com experiência de 05
(cinco) anos em obras de infra-
estrutura hidráulica e operações de
sistema de saneamento.
Gerente de Avançada Profissional com formação superior em 01
Manutenção Engenharia Civil ou Engenharia
Mecânica com experiência em obras
de infra-estrutura hidráulica e
operações de sistema de saneamento.
Engenheiro de Preliminar Profissional com formação superior em 02
Obras e Engenharia Civil ou Engenharia
Manutenção Avançada Mecânica com experiência em obras 01
de infra-estrutura hidráulica, barragens
açudes, canais e adutoras.
Técnico Auxiliar Preliminar Formação de nível médio, com 02
em Obras e experiência em obras de infra-
Manutenção estrutura hidráulica, barragens,
açudes, canais e adutoras.

TÍTULO V
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS

Art. 32 A recém criada AGEAPI, substituirá a Secretaria do Meio Ambiente e


dos Recursos Hídricos como administradora do Fundo Estadual de Recursos
Hídricos.

Art. 33 No artigo 42 da Lei Estadual nº 5.165, de 17 de agosto de 2000, se


inseriram os seguintes incisos:

XIV – responder pelas gestões: administrativa, orçamentária, financeira e


patrimonial do Fundo Estadual de Recursos Hídricos, funcionando como sua
Secretaria Executiva;

XV - elaborar o orçamento anual do Fundo Estadual de Recursos Hídricos,


conjuntamente com os Comitês de Bacias ou suas respectivas Agências de Águas,
e elaborar o plano anual de receita e aplicação dos recursos consignados no Fundo,
bem como dos rendimentos auferidos de aplicações financeiras das receitas
consignadas na Lei nº 5.165, de 17 de agosto de 2000;

20
XX – apoiar os organismos colegiados do Sistema de Gestão, como o
Conselho Estadual, os Comitês e as Agências de Bacias, além de promover a
difusão e a comunicação do setor, sempre articuladamente com a sociedade,
através de campanhas e de promoção comunitária;

XXI – as competências previstas para as Agências de Água, enquanto estas


não existirem.

Art. 34 Cabe à AGEAPI a coordenação da implantação do Programa Estadual


de Educação Ambiental, vinculado a Recursos Hídricos.

Art. 35 Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação.

Art. 36 Revogam-se as disposições em contrário.

Palácio ______, em Teresina, capital do Estado, em

___/__________/_____

______________________________
GOVERNADOR DO ESTADO

21
ANEXO III – DECRETO Nº 14.145 COM O TERMO DE REFERÊNCIA
PARA ELABORAÇÃO DOS PLANOS DE RECURSOS HÍDRICOS DAS
BACIAS HIDROGRÁFICAS
DECRETO Nº 14.145, DE 22 DE MARÇO DE 2010

Dispõe sobre os Planos de Recursos Hídricos.

O GOVERNADOR DO ESTADO DO PIAUÍ, no uso de suas atribuições legais que


lhe confere o inciso XIII, do art. 102, da Constituição Estadual,

CONSIDERANDO que a Lei nº 5.165, de 17 de agosto de 2000, institui os planos


de recursos hídricos como instrumentos da Política Estadual de Recursos
Hídricos;

CONSIDERANDO a necessidade de estabelecer diretrizes complementares para


a elaboração e implementação dos Planos de Recursos Hídricos,

DECRETA:

Art. 1º - Os Planos de Recursos Hídricos são planos diretores que visam


fundamentar e orientar a implementação da Política Estadual de Recursos
Hídricos e o gerenciamento desses recursos.

Parágrafo Único - Os Planos de Recursos Hídricos serão elaborados por bacia


hidrográfica, de acordo com a divisão hidrográfica do Estado do Piauí.

Art. 2º - Os Planos de Recursos Hídricos são planos de longo prazo, com


horizonte de planejamento compatível com o período de implantação de seus
programas e projetos e terão o seguinte conteúdo mínimo:

I - diagnóstico da situação atual dos recursos hídricos;

II - análise de alternativas de crescimento demográfico, de evolução de atividades


produtivas e de modificações dos padrões de ocupação do solo;

III - balanço entre disponibilidades e demandas futuras dos recursos hídricos, em


quantidade e qualidade, com identificação de conflitos potenciais;

IV - metas de racionalização de uso, aumento da quantidade e melhoria da


qualidade dos recursos hídricos disponíveis;

V - medidas a serem tomadas, programas a serem desenvolvidos e projetos a


serem implantados, para o atendimento das metas previstas;

VI - prioridades para outorga de direitos de uso de recursos hídricos;

VII - diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso dos recursos hídricos;

VIII - propostas para a criação de áreas sujeitas a restrição de uso, com vistas à
proteção dos recursos hídricos.

1
IX – programas de gestão de águas subterrâneas, compreendendo a pesquisa, o
planejamento, o mapeamento da vulnerabilidade à poluição, a delimitação de
áreas destinadas à sua proteção e controle e monitoramento;

X – programa de investimentos em pesquisas, projetos e obras relativas à


utilização, recuperação, conservação e proteção dos recursos hídricos, inclusive
dessanilização das águas;

XI - proposta de enquadramento dos corpos de águas em classes de uso


preponderante, com as metas respectivas;

XII - programas de monitoramento climático, zoneamento das disponibilidades


hídricas, usos prioritários e avaliação de impactos ambientais causados por obras
hídricas;

XIII - programas de desenvolvimento institucional, tecnológico e gerencial de


valorização profissional e de comunicação social no campo dos recursos hídricos;

XIV - programas anuais e plurianuais de recuperação, conservação, proteção e


utilização dos recursos hídricos definidos mediante articulação técnica e
financeira com a União e Estados fronteiriços;

XV - programas de desenvolvimento regional integrado, com base na utilização


múltipla e sustentável dos recursos hídricos.

Parágrafo único – Na elaboração dos Planos de Recursos Hídricos deverão ser


levados em consideração os planos, programas, projetos e demais estudos
relacionados a recursos hídricos existentes na área de abrangência das
respectivas bacias, articulando-se com os planejamentos setoriais e regionais.

Art. 3º – Os Planos de Recursos Hídricos devem considerar os usos múltiplos das


águas superficiais e subterrâneas e as peculiaridades de função dos aqüíferos,
bem como os aspectos de qualidade e quantidade necessários à promoção do
desenvolvimento social e ambientalmente sustentável.

Art. 4º - O conteúdo mínimo dos Planos de Recursos Hídricos, estabelecido no


art. 5º da Lei nº 5.165, de 2000, deverá indicar, além dos diagnósticos e
prognósticos, alternativas de compatibilização, metas, estratégias, programas e
projetos, inclusive indicadores que permitam sua avaliação contínua,
contemplando os recursos hídricos superficiais e subterrâneos.

§ 1º - Na elaboração do diagnóstico e prognóstico da situação dos recursos


hídricos da bacia, deverão ser observados os seguintes itens:

I - avaliação quantitativa e qualitativa da disponibilidade hídrica da bacia


hidrográfica, computando-se as águas subterrâneas, com a descrição e previsão
da estimativa de demandas sócio-econômicas e ambientais sobre essas
disponibilidades, para subsidiar o gerenciamento dos recursos hídricos, em
especial o enquadramento dos corpos de água, as prioridades para outorga de
direito de uso e a definição de diretrizes e critérios para a cobrança pelo

2
respectivo uso;

II - avaliação do quadro atual e potencial de demanda hídrica da bacia, em função


da análise das necessidades relativas aos diferentes usos setoriais e das
perspectivas de evolução dessas demandas, estimadas com base na análise das
políticas, planos ou intenções setoriais de uso, controle, conservação e proteção
dos recursos hídricos;

III - avaliação ambiental e sócio-econômica da bacia, identificando e integrando os


elementos básicos que permitirão a compreensão da estrutura de organização da
sociedade e a identificação dos atores e segmentos setoriais estratégicos, os
quais deverão ser envolvidos no processo de elaboração do Plano e na gestão
dos recursos hídricos.

IV – avaliação das características e usos do solo;

V - estimativa das fontes pontuais e difusas de poluição;

VI - análise de outros impactos da atividade humana relacionadas às águas


superficiais e subterrâneas identificados na bacia hidrográfica.

VII - caracterização dos aqüíferos e suas inter-relações com os demais corpos


hídricos superficiais e subterrâneos e com o meio ambiente, visando à gestão
sistêmica, integrada e participativa das águas, incluindo:

a) a caracterização espacial;

b) a estimativa das recargas e descargas, tanto naturais quanto artificiais;

c) a estimativa das reservas permanentes explotáveis dos aqüíferos;

d) caracterização físico, química e biológica das águas dos aqüíferos;

VIII - análise comparativa dos resultados do monitoramento existente sobre a


quantidade e qualidade dos recursos dos aqüíferos, com os resultados
apresentados em mapa. Em caso de não existir monitoramento, definir:

a) rede mínima de monitoramento dos níveis d’água dos aqüíferos e sua


qualidade;

b) definição dos parâmetros de qualidade e de quantidade a serem monitorados;

c) densidade dos pontos de monitoramento;

d) freqüência de monitoramento.

§ 2º - Na elaboração das alternativas de compatibilização de uso dos recursos


hídricos, serão considerados os seguintes aspectos:

I - prioridades de uso dos recursos hídricos;

3
II - disponibilidades e demandas hídricas superficiais e subterrâneas, associando
alternativas de intervenção e de mitigação dos problemas detectados, para que se
estabeleçam os cenários possíveis;

III - alternativas técnicas e institucionais para a articulação dos interesses internos


com os externos à bacia, visando minimizar eventuais conflitos de interesse.

§ 3º - Na fixação das metas, estratégias, programas e projetos, deverá ser


incorporado o elenco de ações necessárias à implementação do plano, visando
minimizar os problemas relacionados aos recursos hídricos superficiais e
subterrâneos, otimizando o seu uso múltiplo e integrado, compreendendo os
seguintes tópicos:

I - identificação de prioridades das ações, dos órgãos ou entidades executoras ou


intervenientes, avaliação de custos, fontes de recursos e estabelecimento de
prazos de execução;

II - proposta para adequação e/ou estruturação do Sistema de Gerenciamento de


Recursos Hídricos da bacia, quando necessário;

III - programa para a implementação dos instrumentos de gestão previstos na Lei


nº 5.165, de 2000, contemplando os seguintes aspectos:

a) os limites e critérios de outorga para os usos dos recursos hídricos;

b) as diretrizes e critérios para a cobrança pelo uso de recursos hídricos;

c) a proposta de enquadramento dos corpos d'água;

d) a sistemática de implementação do Sistema de Informações da bacia;

e) ações de educação ambiental consoantes com a Política Nacional de


Educação Ambiental, estabelecida pela Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999;

f) indicação das soluções de curto, médio e longo prazo para os problemas


detectados, incluindo as ações de proteção e mitigação a serem empreendidas e
respectivos valores.

g) as propostas de medidas de uso, prevenção, proteção, conservação e


recuperação dos aqüíferos com vistas a garantir os múltiplos usos e a
manutenção de suas funções ambientais e medidas emergenciais a serem
adotadas em casos de contaminação e poluição acidental.

h) propostas de criação de áreas de uso restritivo, como medida de alcance dos


objetivos propostos;

Art. 5º - Os Planos de Recursos Hídricos serão elaborados pelas respectivas


Agências de Água ou por entidades que tenham recebido delegação do Conselho
Estadual de Recursos Hídricos – CERH/PI, por tempo determinado, nos termos

4
do disposto no art. 68 da Lei nº 5.165, de 2000, para o exercício das funções de
Agência.

Parágrafo Único - O conteúdo dos Termos de Referência para a contratação dos


Planos de Recursos Hídricos terão como base o Anexo Único a este Decreto,
com as adaptações às características e necessidades de cada bacia hidrográfica.

Art. 6º - Enquanto não for criada a Agência de Água e não houver delegação, nos
termos do art. 68 da Lei nº 5.615 de 2000, o Órgão Gestor Estadual de Recursos
Hídricos será responsável, com a participação dos usuários de água e das
entidades civis de recursos hídricos, pela elaboração do Termo de Referência e
da proposta de Plano de Recursos Hídricos, a serem aprovados e ter sua
execução acompanhada pelo respectivo Comitê de Bacia Hidrográfica.

Art. 7º - Nas bacias hidrográficas em que não estiver instalado o respectivo


comitê, a proposta e a elaboração do Plano de Recursos Hídricos terão caráter
participativo por meio de consultas públicas, encontros técnicos e oficinas de
trabalho, organizados pela entidade ou órgão gestor de recursos hídricos, a quem
caberá a elaboração do plano, visando possibilitar a discussão das alternativas de
solução dos problemas, fortalecendo a interação entre a equipe técnica, usuários
de água, órgãos de governo e sociedade civil, de forma a incorporar contribuições
ao Plano.

§ 1º - Ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos – CERH, caberá acompanhar a


elaboração do plano, aprová-lo e acompanhar sua execução.

§ 2º - O Plano de Recursos Hídricos deve indicar as ações necessárias à criação


e implantação efetiva do respectivo Comitê, cabendo ao Órgão Gestor Estadual
de Recursos Hídricos implementar tais ações.

§ 3º - Em parceria ou colaboração com entidades, tais como: empresas privadas,


indústrias e irrigantes, poderão ser elaborados planos e projetos para sub-bacias
e áreas específicas, mediante convênios e contratos.

Art. 8º - Os diversos estudos elaborados, referentes ao Plano de Recursos


Hídricos, serão amplamente divulgados e apresentados na forma de consultas
públicas, convocadas com esta finalidade pelo Comitê de Bacia Hidrográfica ou,
na inexistência deste, pela entidade responsável pela elaboração do Plano.

§ 1º - As informações geradas nos Planos de Recursos Hídricos deverão ser


incorporadas ao Sistema Estadual de Informações sobre Recursos Hídricos.

§ 2º - A elaboração ou atualização dos Planos de Recursos Hídricos deverá ser


subsidiada com informações do Sistema de Informações de Recursos Hídricos,
de acordo com o art. 24, III, da Lei nº 5.165 de 2000.

Art. 9º - Enquanto não estiver estabelecido o Plano de Recursos Hídricos de uma


determinada bacia hidrográfica, a prioridade de uso dos respectivos recursos
hídricos, para fins de outorga, obedecerá à seguinte ordem:

5
I - atendimento ao consumo humano e à dessentação dos animais;

II - abastecimento de água às populações, incluindo-se as dotações específicas


necessárias para suprimento doméstico, de saúde e de segurança;

III - abastecimento de água de estabelecimentos industriais, comerciais e públicos


em geral, situados em áreas urbanas, que se utilizam diretamente da rede
pública, com demandas máximas a serem fixadas em regulamento;

IV - abastecimento doméstico e de animais, em estabelecimentos rurais e


irrigação em pequenas propriedades agrícolas para produção de alimentos
básicos, olericultura, fruticultura e produção de mudas em geral;

V - abastecimento industrial, para fins sanitários e para a indústria de alimentos;

VI - aqüicultura;

VII - projetos de irrigação coletiva, com participação técnica, financeira e


institucional do Estado, dos Municípios e dos irrigantes;

VIII - abastecimento industrial em geral, inclusive para a agroindústria;

IX - irrigação de culturas agrícolas em geral, com prioridade para produtos de


maior valor alimentar e tecnologias avançadas de irrigação;

X - geração de energia elétrica, inclusive para o suprimento de termoelétricas;

XI - navegação fluvial e transporte aquático;

XII - usos recreativos e esportivos;

XIII - desmonte hidráulico na indústria da mineração;

XIV - diluição, assimilação e transporte de efluentes urbanos, industriais e


agrícolas.

Art. 10 - O Plano de Recursos Hídricos de uma sub-bacia somente poderá ser


aprovado se as condições do seu exutório estiverem compatibilizadas com o
Plano de Recursos Hídricos da bacia hidrográfica principal.

§ 1º Entende-se por condições de exutório os aspectos de quantidade e qualidade


dos recursos hídricos existente na foz de cada rio.

§ 2º Se inexistir o Plano de Recursos Hídricos da bacia hidrográfica principal, as


condições mínimas de exutório serão definidas por seu Comitê em articulação
com o Comitê da sub-bacia.

§ 3º No caso de não existir o Comitê da Bacia Hidrográfica principal, a proposta


de compatibilização das condições do seu exutório deverá ser definida sob a
coordenação do Órgão Gestor Estadual de Recursos Hídricos, com ampla

6
participação da sociedade civil e dos demais órgãos e entidades intervenientes na
bacia.

§ 4º - No caso de aqüíferos subjacentes a grupos de bacias ou sub-bacias


hidrográficas contíguas, os critérios de elaboração, sistematização e aprovação
dos respectivos Planos de Recursos Hídricos, de forma articulada deverão ser
estabelecidos pelos comitês de bacia hidrográfica, ou na sua falta, pelo Conselho
Estadual de Recursos Hídricos - CERH/PI e seu correspondente em nível federal,
quando for o caso.

Art. 11 - Para avaliação da eficiência dos Planos de Bacias Hidrográficas, o Órgão


Gestor Estadual de Recursos Hídricos fará publicar relatórios sobre a "Situação
dos Recursos Hídricos" de cada bacia hidrográfica, objetivando detectar
evoluções nas questões relativas ao uso dos recursos hídricos das bacias para
fins de atualizações e ajustes necessários aos Planos e também de dar
transparência à administração pública e subsídios às ações administrativas de
âmbito municipal, estadual e federal.

§ 1º - Os relatórios definidos no "caput" deste artigo serão elaborados a cada dois


anos, devendo conter no mínimo:

I - a avaliação da qualidade das águas;

II - o balanço entre a disponibilidade e a demanda das águas superficiais e


subterrâneas,;

III - a avaliação do cumprimento dos programas previstos no Plano de Recursos


Hídricos;

IV - a proposição de eventuais ajustes dos programas, cronogramas de obras e


serviços e das necessidades financeiras previstas nos Planos de Recursos
Hídricos;

V - as decisões tomadas pelo CERH/PI e pelos respectivos Comitês de Bacias.

§ 2º - Os relatórios deverão ter conteúdo compatível com a finalidade e com os


elementos que caracterizam os Planos de Recursos Hídricos.

§ 3º - Os relatórios previstos no "caput" deste artigo consolidarão os ajustes


necessários aos Planos de Recursos Hídricos.

Art. 12 - Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.

7
ANEXO ÚNICO
Termos de Referência para Elaboração dos
Planos de Recursos Hídricos
(documento básico)

SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ..............................................................................................................................10
2 LOCALIZAÇÃO DA BACIA HIDROGRÁFICA...............................................................................11
3 CONCEITUAÇÕES BÁSICAS ......................................................................................................11
4 SIGLAS DE ÓRGãOS A SEREM CONSuLTADOS ......................................................................11
5 TERMINOLOGIA TÉCNICA ..........................................................................................................11
6 CONDIÇÕES GERAIS ..................................................................................................................13
6.1 Âmbito Contratual dos Serviços .......................................................................................13
6.2 Subcontratação ................................................................................................................13
6.3 Normas Técnicas .............................................................................................................13
6.4 Fiscalização / Supervisão ................................................................................................13
6.5 Coordenador dos Trabalhos por parte da Contratada .....................................................13
6.6 Reuniões de Supervisão/Fiscalização .............................................................................13
6.7 Conformidade com os Termos de Referência .................................................................13
6.8 Propriedade dos Serviços ................................................................................................13
6.9 Fornecimento de Dados, Resultados, Produtos e Treinamentos ....................................14
6.10 Apresentação dos Produtos ...........................................................................................14
7 INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS....................................................................................................14
8 ESTRATÉGIA PARA O ENVOLVIMENTO DA SOCIEDADE NA ELABORAÇÃO DO PLANO ...14
9 ESCOPO GERAL DOS TRABALHOS ..........................................................................................15
10 DIRETRIZES GERAIS ................................................................................................................15
11 DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ................................................................................................16
11.1 Concepção e Implementação do Sistema de Informação sobre os Recursos Hídricos
da Bacia ..................................................................................................................................16
11.2 Coleta de Informações Disponíveis ...............................................................................16
11.3 Detalhamento das Atividades das Fases A, B e C ........................................................16
Fase A - DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO ...................................................................................16
A.1 Diagnóstico das Disponibilidades Hídricas da Bacia Hidrográfica ............................................16
A.1.1 - Águas Superficiais .........................................................................................................17
A.1.2 - Águas Subterrâneas ......................................................................................................19
A.2 Diagnóstico e Prognóstico das Demandas Hídricas .................................................................20
A.2.1 Evolução das atividades produtivas e da polarização regional .......................................20
A.2.2 Uso do Solo e Cobertura Vegetal ....................................................................................20
A 2.3. Cadastro de Usuários da Água ......................................................................................21
A 2.4. Uso Múltiplo das Águas .................................................................................................23
A.3 Cenário Tendencial das Demandas Hídricas ............................................................................25
A.3.1 Confronto das disponibilidades e demandas hídricas ....................................................26
A.4 Diagnóstico da Dinâmica Social da Bacia .................................................................................26
A.4.1 - Análise institucional e legal ...........................................................................................26
A.4.2 – Caracterização dos padrões culturais e antropológicos ...............................................27
A.4.3 – Caracterização dos sistemas de educação e de comunicação....................................27
A.4.4 – Identificação e caracterização dos atores sociais estratégicos ....................................27
A.5 Organização e Condução da Mobilização Social para o Diagnóstico .......................................27
A.5.1 Encontro preparatório .....................................................................................................28
A.5.2 Primeira Consulta Pública...............................................................................................28
A.5.3 Encontros técnicos dos grupos temáticos para discussão do diagnóstico ....................28
Fase B – COMPATIBILIZAÇÃO E ARTICULAÇÃO..........................................................................29
B.1 Alternativas de compatibilização das disponibilidades e demandas hídricas ...........................29
B 1.1 Identificação de alternativas de incremento das disponibilidades quantitativas da água29
B.1.2 Cenários alternativos das demandas hídricas ................................................................29
B.1.3 Estimativa da carga poluidora por cenário .....................................................................30
B 1.4 Definição de medidas mitigadoras para redução da carga poluidora e de ....................30
controle quantitativo das demandas..........................................................................................30

8
B 1.5 Seleção do cenário normativo ........................................................................................30
B.2 Articulação e compatibilização dos interesses internos e externos à bacia ..............................30
B.2.1 Análise de Planos de Recursos Hídricos de Bacias Hidrográficas compartilhadas .......31
B.2.2 Análise das alternativas para a articulação dos interesses das bacias compartilhadas:
propostas técnicas e institucionais ............................................................................................31
B.3 Mobilização social para compatibilização e articulação ............................................................31
B.3.1 Encontros técnicos dos GTs para discussão de soluções .............................................31
B.3.2 Preparação para a Segunda Consulta Pública ...............................................................31
B.3.3 Segunda Consulta Pública..............................................................................................32
FASE C – Elaboração do PLANO DIRETOR DE RECURSOS HÍDRICOS .....................................32
C.1 Definição das Metas e Estratégias ............................................................................................32
C.1.1 Proposição de Programas, Projetos e de Medidas Emergenciais .................................32
C.1.2 Diretrizes para Implementação dos Instrumentos de Gestão dos Recursos Hídricos na
bacia ..........................................................................................................................................32
C.1.3 Proposta organizacional para implementação do gerenciamento de recursos hídricos
na Bacia Hidrográfica. ...............................................................................................................33
C.1.4 Capacitação material e técnica do OGRH......................................................................33
C.2 Mobilização social para participação no Sistema de Gerenciamento de Recursos Hídricos ...34
C.2.1 Preparação da Terceira Consulta Pública ......................................................................34
C.2.2 Terceira Consulta Pública...............................................................................................34
10 PRAZOs 34
11 CRONOGRAMA FÍSICO E FINANCEIRO ..................................................................................34

9
1. INTRODUÇÃO

A gestão das águas deve se dar a partir de um processo de planejamento envolvendo instituições
públicas e privadas e a sociedade, fundamentado em um Modelo de Gerenciamento de Recursos
Hídricos, tendo como eixo central a compatibilização entre a disponibilidade hídrica e a demanda
de água pelos diferentes setores, sob a perspectiva de proteção e conservação desse recurso.

Trata-se de um documento orientativo para a elaboração de TR em bacias hidrográficas


específicas, que tomou como referência uma bacia hipotética, com problemas comuns à maioria
das nossas bacias, não tendo sido, portanto, contemplados aspectos de ambientes particulares
como os estuarinos, os alagáveis e os semi-áridos. Portanto, ele deve ser necessariamente
adequado considerando-se as peculiaridades da bacia, objeto da Licitação. Esses Termos de
Referência deverá nortear a estruturação e a apresentação da proposta técnica para execução
dos estudos de elaboração do Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia do rio em questão,
que se constitui em um instrumento de gestão imprescindível e fundamental ao balizamento
técnico e operacional das ações a serem desenvolvidas nessa bacia. Sua clareza e conteúdo
técnico deverão ser suficientes para permitir sua análise por decisores políticos e agentes
financeiros, de forma a viabilizar a implementação dos programas e ações priorizados para a
concretização do Plano.

Em síntese, o TR proporcionará:

• Uma padronização terminológica e conceitual para o entendimento claro e inequívoco das


exigências, procedimentos operacionais, objetivos, metodologias e produtos do PDRH.

• A identificação das três Fases em que os estudos devem se desenvolver, quais sejam:

Fase A – Diagnóstico e Prognóstico;


Fase B – Compatibilização e Articulação;
Fase C – Elaboração do Plano Diretor de Recursos Hídricos.

• A identificação, em cada uma das Fases, de linhas estruturais interdependentes, representadas


por um conjunto de temas afins, cujo desenvolvimento, embora utilize métodos e técnicas
específicos, exige uma permanente integração dos conteúdos, de forma a dar unidade e eficácia
aos estudos.

10
2. LOCALIZAÇÃO DA BACIA No TR, ou em quaisquer outros documentos
HIDROGRÁFICA relacionados com o Plano Diretor de Recursos
Hídricos, serão adotadas as seguintes siglas
A bacia hidrográfica, objeto do TR, deverá ser e/ou terminologia:
localizada, descrevendo-se a região de estudo
por coordenadas geográficas e indicando-a em • CONSÓRCIO DE EMPRESA - Associação
figura específica. de empresas especializadas em uma ou
mais atividades relacionadas ao objeto do
Devem ser descritos o principal curso de água, TR;
com localização das nascentes e as
respectivas cotas altimétricas, extensão do rio • CONSÓRCIO DE MUNICÍPIOS –
e discriminação dos municípios abrangidos Associação de municípios, objetivando a
pela bacia. A área de drenagem da bacia deve recuperação ambiental e o desenvolvimento
2
ser apresentada em km , com o percentual sustentável de uma bacia hidrográfica da
contido em cada Estado, quando se tratar de qual fazem parte;
bacia federal. Também devem ser listados os
principais afluentes pelas margens direita e • CONSULTA PÚBLICA – Evento destina- do
esquerda. a envolver a sociedade na discussão das
potencialidades, dos problemas e de
3. CONCEITUAÇÕES BÁSICAS soluções para os recursos hídricos da bacia
e no processo de gestão das águas,
sensibilizando-a para a responsabilidade
• Gerenciamento Integrado dos Recursos
coletiva quanto à sua utilização e
Hídricos: Ações estruturadas, definidas
conservação.
com base nos instrumentos legais de
gestão, destinadas a regular o uso dos
recursos hídricos, visando o seu controle e • CONSULTOR - Técnico especializado, com
proteção. reconhecida capacitação e competência nos
meios técnico e científico.
• Sistema de Gerenciamento de Recursos
Hídricos: Conjunto de organismos, • CONSULTORA/CONTRATADA – Empresa
agências e instituições públicas e privadas, responsável pela execução dos trabalhos.
no âmbito federal ou estadual, estabelecido
com o objetivo de planejar, regular e • CONTRATANTE- Instituição responsável
controlar o uso, a preservação e a pelo contrato.
recuperação dos recursos hídricos; e
coordenar a gestão integrada das águas • CONTRATO – Instrumento jurídico - legal,
com a implementação das políticas de subscrito pelo Contratante e pela
recursos hídricos, arbitrando Contratada, que define as obrigações de
administrativamente os conflitos ambas, com relação à execução dos
relacionados com os recursos hídricos, serviços.
promovendo a cobrança pelo uso da água.
• CRITÉRIOS DO PLANO - Conjunto de
• Sistema de Informações sobre Recursos normas, conceitos, padrões, parâmetros,
Hídricos: É um sistema georreferenciado de dentre outros aspectos, que nortearão o
coleta, tratamento, recuperação e desenvolvimento do Plano.
armazenamento, em banco de dados, de
informações sobre recursos hídricos e sobre • DESENHOS/FIGURAS - Documentos que
os fatores intervenientes em sua gestão, consubstanciam, por meio de plantas,
com previsão de atualização permanente. croquis, diagramas, gráficos, os resultados
dos trabalhos descritos no TR.
4. SIGLAS DE ÓRGÃOS A SEREM
CONSULTADOS • EDITAL - Documento onde são
estabelecidas as normas de licitação e a
(Relacionar as siglas apresentadas no TR, participação dos Proponentes.
relacionando-as aos órgãos ou entidades,
públicos e privados a que se referem.) • EQUIPE DE FISCALIZAÇÃO - Equipe
indicada pelo Contratante para atuar sob a
5. TERMINOLOGIA TÉCNICA autoridade de um gerente, exercendo, em
sua representação, a fiscalização do

11
contrato. de Licitação, em atendimento ao Edital de
Licitação.
• EQUIPE DE SUPERVISÃO - Equipe
responsável pelo acompanhamento técnico • RELATÓRIO DE ANDAMENTO (RA) -
dos serviços prestados pela Contratada, Documento de emissão periódica,
atuando sob a autoridade do Contratante. geralmente mensal, pelo qual a Contratada
descreve os trabalhos executados no
• ESPECIFICAÇÕES COMPLEMENTARES - período, e a forma como vem cumprindo o
Documentos que, por força de condições cronograma, para exame e aprovação pelo
técnicas totalmente imprevisíveis, se fazem Contratante.
necessários para a complementação das
especificações já emitidas.
• RELATÓRIO DE COLETA DE DADOS (R1)
• GTs – Grupos de trabalho formados por – Documento de emissão prevista no
técnicos da OGRH, da Contratada e por Programa de Trabalho, no qual se
representantes de instituições, de entidades apresentam os resultados do levantamento
representativas e da sociedade civil de dados disponíveis para cada tema de
organizada para discutir os problemas e estudo, incluindo uma análise crítica sobre a
soluções relativos aos recursos hídricos da qualidade dessas informações.
bacia.
• RELATÓRIO TEMÁTICO (RT) - Documento
• MAG - Modelo de Avaliação e Gestão de de emissão prevista no Programa de
Recursos Hídricos. Trabalho, no qual se apresenta o produto de
estudos específicos e que serve de
• MEDIÇÃO - Documento emitido referência para a liberação de faturas,
mensalmente pela Contratada relativo aos conforme medição e RA pertinentes.
serviços executados no período, conforme
programa de trabalho previamente ajustado • RELATÓRIO SÍNTESE (RS) – Documento
com o Contratante, acompanhado do de emissão prevista no Programa de
Relatório de Andamento – RA, para ser Trabalho, no qual se apresenta o produto
submetido a exame e aprovação do conclusivo das fases de Diagnóstico e
Contratante. Prognóstico (Fase A) e de Compatibilização
e Articulação (Fase B). Serve de referência
• OGRH – Órgão Gestor de Recursos para a liberação de fatura conforme
Hídricos. medição e RA pertinentes.

• ORDEM DE SERVIÇOS (OS) - Documento • RELATÓRIO FINAL (RF) - Documento de


emitido pelo Contratante, autorizando o emissão prevista no Programa de Trabalho
início dos trabalhos, ou parte deles. em que se caracteriza o produto final ou
conclusivo dos Serviços e que serve de
• PDRH – Plano Diretor de Recursos referência para a liberação do pagamento
Hídricos. final.

• PROGRAMA DE TRABALHO – Documento • SERVIÇOS OU TRABALHOS - Conjunto


técnico contendo o cronograma de das atividades de responsabilidade da
Atividades/Eventos, os produtos parciais e Contratada.
finais, as etapas de trabalho, os
treinamentos e os elementos próprios à • SGBD – Sistema Gerenciador de Banco de
caracterização das atividades, proposto pela Dados.
Proponente/Contratada e aprovado pelo
Contratante, para o desenvolvimento • SIG – Sistema de Informação Geográfica.
contratual dos serviços.
• TERMOS DE RECEBIMENTO - Documento
• PROPONENTE - Empresa ou associação comprobatório de que os serviços foram
de empresas que se propõem a atender o realizados conforme as normas e exigências
TR. contratuais.

• PROPOSTA - Conjunto de Documentos • TR - Termos de Referência onde se define o


apresentado pelos Proponentes à Comissão escopo dos serviços a serem detalhados na

12
proposta técnica. pela execução dos Serviços.
6. CONDIÇÕES GERAIS
6.5 Coordenador dos Trabalhos por parte
6.1 Âmbito Contratual dos Serviços da Contratada

Os serviços serão realizados de acordo com o A Contratada designará oficialmente um


contrato resultante da licitação a que se refere responsável pela coordenação dos trabalhos,
o presente TR, do qual farão parte integrante com capacidade para responder pelas partes
as propostas técnica e financeira da técnica e administrativa do Contrato, bem como
Proponente. para assumir a representação da Contratada
sobre qualquer assunto relativo à execução dos
Caberá à Proponente a inteira responsabilidade Serviços.
pela qualidade dos serviços e pela elaboração
do Plano Diretor de Recursos Hídricos junto ao 6.6 Reuniões de Supervisão/
Contratante, quanto à observância de normas Fiscalização
técnicas e códigos profissional.
Serão realizadas reuniões técnicas de
6.2 Subcontratação supervisão / fiscalização devidamente
programadas conforme proposta da
As atividades fins, objeto do TR, não poderão Proponente. Previamente, será comunicado à
ser transferidas ou subcontratadas a terceiros, Contratada todo o conteúdo da pauta de
a não ser em casos especiais, devidamente reunião. A Contratada poderá solicitar reunião
analisados, autorizados e aprovados pelo técnica, devidamente justificada, sobre assunto
Contratante. que sugerir. Os assuntos, as discussões e as
decisões deverão ser registrados em ata
6.3 Normas Técnicas elaborada pela Contratada, entregue no
máximo no quinto dia útil após a reunião. A
Em todos os trabalhos de natureza técnica qualquer tempo o Contratante poderá convocar
compreendidos nos serviços, deverão ser reuniões que julgar necessárias ao bom
adotadas prioritariamente as normas técnicas desempenho dos trabalhos.
do Instituto Nacional de Metrologia - INMETRO
e, caso estas não existam, deverão ser A Contratada fará exposições relativas ao
utilizadas as normas da Associação Brasileira desenvolvimento dos trabalhos sempre que
de Normas Técnicas - ABNT. Onde essas solicitada e apresentará propostas de
normas forem omissas ou incompletas poderão alternativas julgadas pertinentes, acompa-
ser adotadas normas de outras entidades nhadas dos respectivos requerimentos de
brasileiras ou de origem estrangeira sendo que, orientações e ajustes de conteúdos,
em qualquer hipótese, tais normas estarão procedimentos e diretrizes específicas.
sujeitas à aceitação pelo Contratante, antes de
sua adoção. A Supervisão/Fiscalização comunicará
formalmente à Contratada as orientações
6.4 Fiscalização / Supervisão necessárias para o bom desenvolvimento dos
serviços.
A Fiscalização/Supervisão dos serviços
prestados pela Contratada terá livre acesso aos 6.7 Conformidade com os Termos de
locais de trabalho, sem prévio aviso e a Referência
qualquer momento para exercer suas funções e
obter informações julgadas necessárias ao A Contratada deverá declarar em documento
acompanhamento dos trabalhos. próprio o inteiro conhecimento e a plena
aceitação das condições e conteúdos deste
O Contratante poderá designar uma equipe de TR.
fiscalização/supervisão, que atuará sob a
responsabilidade de um gerente sendo que a 6.8 Propriedade dos Serviços
este caberá estabelecer os procedimentos
detalhados de fiscalização do Contrato, em Todos os produtos dos serviços e seus
observância ao TR. suportes, inclusive resultados, informações e
A ação ou omissão, total ou parcial, da métodos desenvolvidos no contexto dos
fiscalização/supervisão não eximirá a serviços, serão propriedades exclusivas do
CONTRATADA da integral responsabilidade

13
Órgão Gestor Estadual de Recursos Hídricos, objeto da Licitação. Deve-se observar que
sendo que o uso e a divulgação da totalidade essas informações têm caráter orientativo,
ou parte desses produtos ficam sujeitos à cabendo à Proponente obter elementos
expressa autorização dos proprietários. adicionais e complementares.
Quadro das Informações disponíveis sobre
6.9 Fornecimento de Dados, Resultados, a bacia
Produtos e Treinamentos
Deverão ser entregues ao Órgão Gestor Descrição Data Situação da Órgão/Setor
Estadual de Recursos Hídricos, todos os informação
dados, programas e Sistemas Gerenciadores
de Bancos de Dados - SGBD, com os
respectivos manuais de operação e programas 8. ESTRATÉGIA PARA O ENVOLVIMENTO
adquiridos para elaboração dos trabalhos. DA SOCIEDADE NA LABORAÇÃO DO
PLANO
Os Programas e Sistemas serão implantados
nos equipamentos de informática do Órgão O objetivo do envolvimento da sociedade na
Gestor Estadual de Recursos Hídricos e das elaboração do plano diretor é, em
instituições estaduais que participam conformidade com a Lei federal 9.433/97,
diretamente da Contratação ou do complementar o levantamento técnico do
acompanhamento do Plano. diagnóstico, divulgar a elaboração do plano,
Deverão ser oferecidos, pela Contratada, envolver a população na discussão das
cursos de treinamento no SGBD e nos demais potencialidades e dos problemas hídricos e
Programas para as equipes indicadas pela suas implicações, sensibilizar a sociedade para
Órgão Gestor Estadual de Recursos Hídricos. a responsabilidade coletiva na preservação e
A previsão desses cursos constará do na conservação dos recursos hídricos e
Programa apresentado pela Contratada. estimular os segmentos sociais a participarem
do processo de gestão desses recursos.
6.10 Apresentação dos Produtos
Para que haja a gestão participativa, é
Os resultados dos trabalhos deverão ser indispensável que os vários atores sociais da
apresentados em forma de relatórios técnicos, bacia hidrográfica, sobretudo os maiores
a seguir discriminados: usuários das águas, sejam envolvidos durante
toda a elaboração do Plano, identificando e
• Relatórios de Andamento dos serviços, em sistematizando os interesses múltiplos, muitas
encadernação simples (mola espiral) em 5 vezes conflitantes. Além disso, a participação
(cinco) vias e em 2 cópias em meio social permite obter informações que
informatizado (CD ou DVD). usualmente não estão disponíveis nas fontes
convencionais de consulta e que, por meio de
• Relatórios de Coleta de Dados, Temáticos e técnicas especiais e de profissionais
de Síntese, em encadernação de capa dura experientes, são incorporadas ao Plano.
reforçada, em 20 (vinte) vias e em 2 (duas)
cópias em meio informatizado (CD ou DVD). Considerando que uma das condições básicas
para a participação é o conhecimento claro e
• Relatório Final, contendo o Plano de consistente do objeto de estudo, devem ser
Recursos Hídricos da bacia, em sua versão previstos mecanismos permanentes de repasse
final. Deverá ser apresentado em de informações sobre os trabalhos propostos e
encadernação especial, reforçada, em 50 em desenvolvimento, estimulando a
(cinqüenta) vias e em 10 (dez) cópias em participação dos diversos atores estratégicos
meio informatizado (CD ou DVD). durante todo o período de elaboração do Plano.
Nesse contexto, está sendo prevista, como
• Todos os relatórios deverão ser atividade preparatória para a elaboração do
apresentados em Português lido e falado no Plano, uma primeira reunião da contratada e da
Brasil. entidade responsável pela elaboração do Plano
7. INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS com representantes políticos e de entidades de
Para subsidiar a elaboração da proposta classes da região, para apresentação do
técnica deve ser apresentado em Quadro, escopo dos trabalhos a serem realizados, de
conforme mostrado a seguir, um levantamento acordo com os Termos de Referência.
preliminar de informações disponíveis em
instituições ou entidades com atuação na bacia O processo de planejamento e gestão

14
participativos dos recursos hídricos na bacia recursos hídricos, internos e externos à bacia.
deverão se dar a partir da organização e
condução do processo de mobilização social, Nessa fase deverão ser desenvolvidos três
que terá como base o “Diagnóstico da blocos de atividades:
Dinâmica Social da Bacia”. Na implementação
desse processo estão incluídas consultas B1) Alternativas de compatibilização das
públicas e encontros técnicos participativos disponibilidades e das demandas hídricas.
para discussão de problemas e soluções B2) Articulação e compatibilização dos
relativos à gestão das águas. interesses internos e externos à bacia.
B3) Mobilização social para a compatibilização
9. ESCOPO GERAL DOS TRABALHOS e articulação.

A proposta técnica dos trabalhos a serem FASE C – PLANO DIRETOR DE


contratados para a elaboração do Plano Diretor RECURSOS HÍDRICOS
de Recursos Hídricos da bacia em questão
deverá ser estruturada em três fases, a serem O Plano Diretor de Recursos Hídricos é o
desenvolvidas de forma articulada e harmônica, primeiro instrumento definido pela Lei nº 9
conforme discriminado a seguir: 433/97 para subsidiar a gestão dos recursos
hídricos de uma bacia hidrográfica. É resultado
FASE A – DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO de um processo de planejamento participativo,
que contempla objetivos, metas e ações de
A Fase de Diagnóstico e Prognóstico curto, médio e longo prazos. Essas ações se
compreende o levantamento e a avaliação traduzem em programas e projetos específicos
integrada das restrições e das potenciali-dades a serem periodicamente reavaliados, diretrizes
dos recursos hídricos, associadas às para a implementação dos demais
demandas atuais e futuras para os diversos instrumentos de gestão previstos na Lei
usos. Envolve a articulação de diferentes áreas 9.433/97, e proposta de organização social e
do conhecimento relacionadas a esses usos, institucional voltada para o gerenciamento dos
incluindo, conforme menciona-do, o recursos hídricos da bacia.
conhecimento da dinâmica social, a
organização e a condução inicial do processo Prevê-se o desenvolvimento de duas grandes
de mobilização social, com vistas a subsidiar a atividades nessa Fase:
execução do plano diretor e o estabelecimento
de diretrizes para implementação dos C1 - Elaboração do Plano Diretor de Recursos
instrumentos de gestão preconizados pela Lei Hídricos.
das Águas. C2 - Mobilização social para participação na
elaboração do Plano e no
Os estudos previstos nessa fase podem ser sistema de gerenciamento
agrupados em quatro blocos de atividades: de recursos hídricos da
bacia.
A1 - Diagnóstico das disponibilidades hídricas
(quantidade e qualidade). 10. DIRETRIZES GERAIS
A2 - Diagnóstico e prognóstico das demandas
hídricas. O detalhamento das atividades que integram as
A3 - Cenário Tendencial das demandas fases mencionadas deverá seguir as
hídricas. orientações descritas no item 11 e
A4 - Diagnóstico da dinâmica social. esquematizadas no Diagrama das Atividades
dos Termos de Referência para Elaboração de
FASE B – COMPATIBILIZAÇÃO E Planos Diretores de Recursos Hídricos, em
ARTICULA ÇÃO anexo.

Essa fase consiste na análise e na seleção das A proposta técnica para o desenvolvimento dos
alternativas de intervenção visando o trabalhos deverá incorporar as diretrizes
incremento da disponibilidade hídrica e a descritas a seguir.
identificação de medidas mitigadoras para • Conter descrição do conhecimento dos
redução da carga de poluentes nos cursos de problemas gerais pertinentes aos recursos
água, em função das demandas atuais e hídricos da bacia hidrográfica, de forma a
projetadas pelos cenários alternativos, evidenciar que a Proponente está
articulando os diversos interesses de uso dos plenamente habilitada a propor as

15
metodologias mais adequadas para a deverá incorporar, no mínimo, as seguintes
execução do trabalho. ferramentas:

• Explicitar todos os procedimentos • Sistema de Informação Geográfica - SIG


metodológicos, que deverão obedecer (A ser detalhado Órgão Gestor Estadual de
padrões técnicos reconhecidos pela Recursos Hídricos, incorporando a
comunidade científica, cabendo à estruturação do Sistema Estadual de
Contratante a sua aprovação. Informações sobre os Recursos Hídricos).

• Fundamentar o desenvolvimento de todo o Armazenar, no SIG, todas as informações


trabalho de diagnóstico e de elaboração do cartográficas utilizadas para obtenção dos
Plano Diretor, demonstrando como os produtos finais, além destes.
recursos hídricos serão apreendidos pelas
diferentes áreas do conhecimento e quais • Modelos de Avaliação e Gestão dos
as estratégias analíticas que serão Recursos Hídricos e Programas
empregadas para o desenvolvimento de Computacionais
uma análise interdisciplinar capaz de
associar informações e dados dos diferentes • Os modelos de simulação e programas
estudos. Nesse sentido é imprescindível que computacionais utilizados no
a proposta técnica inclua um diagrama, tipo desenvolvimento das atividades e serviços
Pert, capaz de mostrar como as diversas deverão ser incorporados ao sistema de
áreas de estudo se inter-relacionarão ao informação.
longo do trabalho.
11.2 Coleta de Informações Disponíveis
• Considerar que todas as atividades deverão
ser desenvolvidas com base em dados Levantar as informações disponíveis sobre
secundários disponíveis, devendo-se cada tema da Fase A – Diagnóstico e
efetuar levantamentos de dados primários Prognóstico, que serão utilizadas nessa fase,
apenas para as atividades discriminadas no incluindo uma análise crítica sobre a qualidade
TR, quando houver ausência ou das mesmas. Descrever a natureza e a fonte
insuficiência de informações. dos dados e das informações disponíveis
(qualitativa, quantitativa, nível de detalhamento
ou escala, abrangência temporal e espacial,
• Considerar a utilização, para os estudos a etc.). Especificar o tipo de tratamento,
serem realizados, de mapeamentos básicos processamento, armazenamento e difusão dos
no mínimo na escala de 1: 250 000, que mesmos. Prever a elaboração de Relatório de
corresponde ao nível de reconhecimento Coleta de Dados – R1, contendo as
regional e à maior escala de mapeamento informações levantadas que deverão ser
de recursos naturais que abrange todo o utilizadas no desenvolvimento dos trabalhos, e
território nacional. Essa orientação tem por que deverão ser incluídas no Sistema de
finalidade garantir um nível de padronização Informações Geográficas discriminado a seguir.
da informação a ser incorporada ao Sistema
Nacional de Informação sobre Recursos 11.2 Detalhamento das Atividades das
Hídricos. Fases A, B e C

FASE A - DIAGNÓSTICO E
11. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES PROGNÓSTICO

11.1 Concepção e Implementação do A.1 Diagnóstico das Disponibilidades


Sistema de Informação sobre os Hídricas da Bacia Hidrográfica
Recursos Hídricos da Bacia Objetivo geral: Inventariar e estudar os
recursos hídricos, superficiais e subterrâneos,
A Contratada deverá prever a concepção e a com vistas à avaliação quantitativa e qualitativa
utilização de um sistema de informação sobre da disponibilidade hídrica da bacia hidrográfica,
os recursos hídricos, com o objetivo de reunir, de forma a subsidiar o gerenciamento dos
organizar, analisar e difundir as informações recursos hídricos, em especial o
geradas no desenvolvimento das atividades, enquadramento dos corpos de água, as
permitindo o monitoramento permanente dos prioridades para outorga de direito de uso das
recursos hídricos da bacia. Esse sistema águas e a definição de diretrizes e critérios

16
para a cobrança pelo uso das águas. • Levantamento de locais apropriados, já
estudados, para localização de obras
Indicações metodológicas: Utilização de hidráulicas necessárias à regularização da
informações contidas em trabalhos já vazão.
realizados por entidades públicas (federais,
estaduais e municipais) e privadas, que operam • Extensão de séries temporais, de forma a
redes meteorológicas, hidrométricas e de homogeneizar o período de dados,
qualidade das águas, complementados por baseadas em estudo de interpolação,
estudos e análises específicos a serem correlação estatística e/ou modelagem
desenvolvidos, de forma a caracterizar as matemática dos processos naturais
disponibilidades hídricas da bacia. hidrológicos.

Produtos: Avaliação das disponibilidades • Estimativa de probabilidade de ocorrên-cia


quali-quantitativas das águas superficiais e de eventos extremos, associando às
subterrâneas, incluindo cartas temáticas variáveis que descrevem as disponibilidades
georreferenciadas que, em conjunto com hídricas em Termos de quantidade de água,
funções matemáticas, gráficos, tabelas, dentre as probabilidades que permitam o
outros, permitam uma estimativa espacial da conhecimento do risco de ocorrência desses
disponibilidade das águas. eventos.
• Regionalização das vazões médias,
A.1.1 - Águas Superficiais máximas e mínimas.

Objetivos: Inventário e estudo dos recursos • Análise e representação cartográfica da


hídricos, envolvendo as fases meteórica disponibilidade hídrica regional em Termos
(chuva) e superficial (vazões fluviais e de quantidade de água, indicando regiões
acumulação de água em lagos e reservatórios) de escassez hídrica ou de risco de
e análise da qualidade das águas superficiais, inundações. As áreas de risco de
com vistas à avaliação da disponibilidade inundações devem ser identificadas por
hídrica da bacia hidrográfica. Identificar e meio da análise dos dados hidrológicos
analisar os processos que interferem na relativos às cheias, em conjunto com as
dinâmica fluvial. análises de mapeamentos geomorfológicos,
geológicos, pedológicos e de uso do solo.
Indicações metodológicas:
♦ Avaliação da Quantidade
• Identificação de carência de dados
Os estudos hidrometeorológicos deverão ser hidrometeorológicos na bacia e proposição
realizados a partir do levantamento, de uma rede hidrométrica que atenda às
apropriação, análise e adequação das necessidades do gerenciamento dos
informações disponíveis sobre os recursos recursos hídricos.
hídricos superficiais. No caso de insuficiência
de informações na bacia deverão ser utilizados ♦ Avaliação da Qualidade
dados relativos a outras bacias hidrográficas,
potencialmente comparáveis à bacia estudada. Os estudos deverão ser elaborados
Os estudos devem abranger as seguintes prioritariamente a partir do levantamento das
atividades: informações e dados existentes, relativos aos
constituintes físico-químicos e biológicos,
• Levantamento e análise dos dados contemplando a consistência, o tratamento e a
meteorológicos e climatológicos com vistas interpretação dos dados, incluindo a utilização
à estimativa mensal da evapotranspiração. de modelos matemáticos de qualidade das
• Análise de consistência dos dados águas. Os dados levantados deverão ser
fluviométricos. tratados por meio de estatística descritiva e
• Obtenção de séries fluviométricas mensais, emprego de índices físico-químicos e
características do período histórico biológicos. Os resultados deverão correlacionar
considerado para cada unidade hidrográfica os índices obtidos com os diversos usos da
da região. água na bacia, identificando o
comprometimento da qualidade das águas e a
• Análise de continuidade das séries adequação para os usos atuais, bem como a
fluviométricas mensais. avaliação dos aspectos sanitários e da
manutenção da integridade dos ecossistemas

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aquáticos. da mesma forma como foi estabelecido para os
Verificada a insuficiência de dados disponíveis dados secundários.
sobre a qualidade das águas na bacia, deverá
ser efetuado o levantamento de dados ♦ Análise de processos associados à
primários, por meio de: dinâmica fluvial

• Estabelecimento de rede de amostragem de • Processos sedimentológicos


qualidade das águas baseada na análise do
uso e ocupação do solo, hidrografia, Os estudos deverão caracterizar o estado de
sistema viário, fontes de poluição pontuais e degradação da bacia em Termos de produção,
difusas, rede hidrométrica existente e outros transporte e deposição de sedimentos fluviais,
fatores pertinentes. mediante a determinação da magnitude e da
Para o estabelecimento das estações distribuição temporal e espacial da descarga
recomenda-se o reconhecimento da área, sólida nos cursos de água, bem como
associando-se coletas exploratórias, em caracterizar os sedimentos que a compõe. As
particular da biota aquática, e a caracterização atividades necessárias ao atendimento dos
expedita dos habitats. objetivos propostos deverão contemplar, no
mínimo, o que se segue:
A rede de amostragem deverá conter estações
que reflitam os fatores discriminantes da • Levantamento, apropriação e análise de
qualidade das águas ao longo do curso consistência de dados sedimentomé-tricos e
principal e de seus afluentes e, sempre que de estudos sobre a produção de
possível, ser integrada à rede hidrométrica sedimentos, transporte sólido e
existente. assoreamento nos rios da bacia.
Localização, em mapa, das estações
Os parâmetros de qualidade a serem sedimentométricas existentes.
analisados deverão ser definidos em função
dos usos das águas e de outras características • Cálculo da descarga de sedimentos
consideradas de relevância na bacia estimado por meio de modelos matemáticos
hidrográfica. A utilização dos parâmetros computacionais se os dados secundários
biológicos deverá estar direcionada à forem suficientes. Na impossibilidade do
bioindicação da qualidade das águas, emprego de modelos deve-se utilizar uma
incorporando, além da colimetria, outros metodologia simplificada. Desaconselha-se
componentes da biota aquática. Devem ser o emprego da curva - chave de sedimentos
considerados, também, parâmetros específicos associada à curva de duração de vazões
a serem utilizados na aplicação de modelos para o cálculo da descarga.
matemáticos.
• Interpretação dos dados direcionada à
Operação da rede de amostragem (coleta de determinação de valores característicos,
amostras de água, análises laboratoriais e suas épocas de ocorrência ao longo do ano
atividades afins) hidrológico, tendências ao longo do tempo,
As amostragens deverão cobrir pelo menos um e à caracterização granulométrica dos
ano hidrológico e sua freqüência deverá ser sedimentos em suspensão e no leito.
estabelecida de acordo com o regime hídrico,
contemplando as diferenças sazonais, e outras • Processos erosivos
peculiaridades inerentes à bacia hidrográfica.
Os estudos deverão identificar as áreas fonte
Os métodos e técnicas de coleta, preservação de sedimento submetidas a processos de
e análises laboratoriais das amostras de água erosão acelerada e as áreas críticas potenciais,
deverão atender às normas técnicas nacionais contemplando o que se segue:
vigentes ou, caso necessário, poderão ser
adotadas normas de cunho internacional, que
• Levantamento, a partir de dados
deverão ser devidamente relatadas e
secundários, dos focos de erosão, visando a
justificadas na metodologia dos trabalhos. Em
identificação das principais tipologias.
ambos os casos, os limites de detecção dos
métodos analíticos deverão ser especificados.
• Elaboração do mapa de potencial erosivo na
escala de 1:250.000, utilizando as
De posse dos dados analíticos gerados, os
informações referentes às formas de relevo,
mesmos deverão ser tratados e interpretados
focos erosivos, erodibilidade dos solos,

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erosividade das chuvas, declividade, incluindo localização e dados referentes aos
comprimento das vertentes, uso e manejo perfis construtivos, métodos de perfuração e
do solo. ensaios ou testes de produção, com indicação
dos parâmetros hidráulicos dos aqüíferos.
• Utilização de modelo(s) de predição de
perda de solo para avaliar a produção de • Realização de inventário hidrogeológico e
sedimentos nas sub-bacias, relacionando-a levantamento do uso atual e das condições de
aos processos sedimentológicos. utilização das águas subterrâneas para
quantificação dos volumes atualmente
• Identificação de áreas assoreadas a partir explotados.
de dados secundários, atualizando-as e
complementando-as com interpretação em • Representação cartográfica das
imagens de satélite e reconhecimento informações disponíveis sobre os pontos de
expedito no campo. água.

Produtos: Relatório temático da • Análise e interpretação dos dados para


disponibilidade hídrica superficial da bacia em avaliação do potencial e das
Termos de quantidade e de qualidade das disponibilidades hídricas subterrâneas,
águas, contendo: utilizando os seguintes procedimentos:
• tratamento estatístico dos dados de
• avaliação da disponibilidade quali - produção dos poços com elaboração de
quantitativa dos recursos hídricos histogramas de freqüência e gráficos de
superficiais, com indicações de regiões probabilidade de vazões de produção e de
onde existam risco de inundações, de vazões específicas, com representação
escassez de água e de comprometimento cartográfica;
da qualidade; de trechos favoráveis à
manutenção e restauração da • cálculo dos parâmetros do balanço hídrico
biodiversidade da bacia e de ocorrência de para a bacia; cálculo e/ou estimativa das
espécies vetoras de doenças de veiculação taxas de recarga (entrada) e descarga
hídrica e de importância sanitária. (saída) de cada sistema aqüífero; utilização
de modelos de circulação de água
• subsídios à proposição de programas de subterrânea quando possível.
monitoramento hidrometeorológico, • Análise das variações temporal e espacial
hidrosedimentológico e de qualidade das das superfícies piezométricas.
águas superficiais e à proposição de • Análise das direções de fluxo e cálculo dos
estudos específicos direcionados à volumes de escoamento natural das águas
calibração e à validação dos modelos subterrâneas.
utilizados . • Estimativa de infiltração e do tempo de
residência das águas.
A.1.2 - Águas Subterrâneas • Identificação das áreas de recarga e
descarga.
Objetivos: Avaliar o potencial e as No tocante aos aspectos de qualidade, deverão
disponibilidades das águas subterrâneas, bem ser efetuados o levantamento e análise dos
como determinar suas principais limitações e dados existentes sobre os parâmetros físico-
áreas mais favoráveis à explotação. químicos e bacteriológicos das águas por
unidade aqüífera, identificando os principais
Indicações metodológicas: As informações processos de mineralização e definindo sua
hidrogeológicas deverão ser obtidas a partir do adequação aos diversos tipos de utilização,
levantamento, apropriação, análise e principalmente quanto à potabilidade e usos
adequação das informações existentes agrícola e pecuário.
(aspectos litológicos e estruturais, Constatada a inexistência ou insuficiência de
características hidráulicas, dentre outros), dados de qualidade de água subterrânea,
complementadas com os dados disponíveis no deverá ser realizado o levantamento de dados
cadastro de usuários. Deverão ser realizadas primários, mediante o estabelecimento e
as atividades descritas a seguir: operação de uma rede de amostragem que
contemple parâmetros e pontos de coleta
• Organização de base de dados dos pontos suficientes para uma caracterização regional.
de água (poços tubulares, piezômetros, Os resultados obtidos deverão ser analisados
cisternas, além de fontes e nascentes), de acordo com os seguintes procedimentos:

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− Os dados físico-químicos deverão ser interferem na disponibilidade hídrica e
previamente tratados objetivando a realizadas estimativas das demandas atuais e
determinação do balanço iônico, verificação de futuras, para horizontes de curto (5 anos),
eventuais erros ou imprecisões das análises e médio (10 anos) e longo (20 anos) prazos.
cálculo dos índices hidrogeoquímicos mais Produtos: Avaliação das demandas, atual e
apropriados. projetada, por uso setorial e para a proteção e
− O tratamento estatístico dos parâmetros conservação ambiental.
físico-químicos e bacteriológicos deverá
contemplar o conjunto das amostras e A.2.1 Evolução das atividades produtivas e
particularizar as águas dos principais sistemas da polarização regional
aqüíferos, de modo a se obterem histogramas
de freqüência e de probabilidade desses Objetivos: Analisar a evolução histórica da
parâmetros. ocupação e de exploração econômica da bacia,
enfatizando a associação desses processos
− Representação cartográfica dos dados com o uso e os impactos sobre os recursos
hidroquímicos e bacteriológicos, mostrando a hídricos, visando subsidiar a compreensão da
distribuição dos parâmetros mais relevantes. dinâmica temporal e espacial dos padrões de
ocupação da bacia. Identificar as áreas de
Produtos: Relatório temático com a influência dos principais núcleos urbanos,
classificação química das águas para os definindo os direcionamentos dos fluxos de
diferentes usos, caracterização das áreas mais bens e serviços, visando subsidiar a construção
favoráveis à captação de águas subterrâneas, dos cenários alternativos.
além das principais restrições ao seu Indicações metodológicas: Levantamento,
aproveitamento do ponto de vista quali - consolidação e análise de dados obtidos em
quantitativo. Subsídios a programa de documentos históricos, em estatísticas
monitoramento onde houver risco de temporais e em estudos de regionalização, com
comprometimento da reserva por super ênfase no estudo do IBGE (áreas de influência
explotação ou onde as águas subterrâneas das cidades), sobre a malha viária e a infra-
forem vulneráveis à contaminação. estrutura de transportes (aeroportos, ferrovias,
terminais rodoviários e de cargas), e estudos
A.2 Diagnóstico e Prognóstico das dos setores produtivos, de comércio e de
Demandas Hídricas