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Caixa escolar: instituto

inestimavel para execução


do projeto da educação
primária
Rosana Areal de Carvalho e Fabiana de Oliveira Bernardo

Resumo
A instalação dos grupos escolares traz a marca da
modernidade, tão aspirada pela República brasileira e
apresentada como solução para os problemas sociais.
Alçada à missão de formação do cidadão brasileiro, a
instituição escola foi organizada a partir do estabelecimento
de muitas práticas: o ensino seriado, classes homogêneas,
método de ensino apropriado, festas cívicas, exames
públicos e as caixas escolares, por exemplo. Este artigo
discute a instituição da caixa escolar como um mecanismo
para garantir a freqüência das crianças pobres, pois a
freqüência era fundamental para, através da escola, as
crianças e suas famílias recebessem a instrução necessária
à constituição do cidadão republicano. Discute-se, ainda, o
caráter dessa instituição: muito menos que o inanciamento
da educação, entendemos a caixa escolar como entidade de
ilantropia, a ponto de ser elogiada por órgãos religiosos
que, em principio, se opunham à escola laica imposta pela
República.

Abstract
Elementary School establishment had a so desired by
The Republican Government modernity mark and was
recognized as a solution for the social problems. Elementary
School was charged with growing Brazilian citizen so it
was organized after some usual practice as: serial teaching,
classes at the same level of learning, appropriated teaching
method, civic parties, public tests and the School Bank (the
institution responsible by school inancial resources). This
article discuss School Bank establishment as a way to assure
poor children frequency at the school once this frequency
was essential to them receive necessary instruction to their
growth. This aim is still arguable because besides to inance
teaching we see the as a philanthropic institute that was
praised by the Church which was, at the beginning, against
secular school. 141
Rosana Areal de Carvalho
Fabiana de Oliveira Bernardo Introdução

O objeto privilegiado deste estudo denomina-se Caixa


Escolar, instituto escolar implantado pela educação pública do
Estado de Minas Gerais no ano de 19111.
O objetivo primordial da agenda de pesquisa do trabalho
ora proposto foi o de discutir a bibliograia atual que categoriza
a Caixa Escolar no rol dos mecanismos de inanciamento da
educação, apresentando seu caráter de cunho ilantrópico. Outros
problemas surgiram no decorrer de nossas investigações, como a
relação entre a Caixa Escolar e outras instâncias do ensino, como
o ensino de História, de Moral e Cívica, o Museu Escolar. Tais
dispositivos, e tantos outros, foram criados pelos republicanos
mineiros com o objetivo de consolidar o ensino público primário
enquanto cotidiano das famílias. Desta forma, buscavam legitimar o
regime político ora colocado para esta sociedade que ainda respirava
os ares imperiais.
Baseamos nossa pesquisa na legislação mineira referente ao
tema, contudo não nos restringimos apenas ao âmbito oicial das
fontes históricas. Com o objetivo de veriicar a apropriação da lei
de criação das Caixas Escolares, buscamos periódicos da época, e
demais publicações que davam publicidade das ações desenvolvidas
no âmbito escolar. Além dos periódicos, que nos apresentam o
discurso que um grupo especíico de sujeitos históricos apresentava,
analisamos documentos escolares como balancetes e relatórios de
inal de ano que traçam um peril da atuação do instituto escolar
aqui analisado. O âmbito escolar, tomado como lócus de análise
privilegiado não é visto como um mero relexo do cotidiano social,
mas um local dinâmico que estabelece uma via de mão dupla com
a sociedade: ao mesmo tempo em que a molda é por ela moldado.
É dessa maneira dinâmica que a Caixa Escolar deve ser apreendida.
Mesmo partindo de parâmetros gerais estabelecidos pela legislação,
em cada Grupo Escolar especíico a atuação do instituto teve
particularidades.
Com o objetivo de veriicar a mudança processual das
idéias que culminaram na implantação da Caixa Escolar, partimos
das primeiras menções feitas ao modelo, já no período imperial.

1 A Caixa Escolar tem sido objeto de pesquisa ao longo dos últimos três anos,
Educ. foco, no âmbito de projetos de IC, com apoio da FAPEMIG, pelo que agradecemos.
Juiz de Fora,
v. 16, n. 3, p. 141-158, Assim, vários recortes sobre o tema já foram apresentados em congressos da
set 2011/fev 2012 142 área de História da Educação.
Partindo de um cenário local, a cidade de Mariana, fomos, Caixa escolar: instituto
inestimavel para
paulatinamente, ampliando o raio de pesquisa, estendendo-a para o execução do projeto
da educação primária
âmbito estadual. Conforme já nos indica a bibliograia consultada,
o modelo se apresenta em diversos estados da União, motivo que
demonstra a importância da instituição para o cenário da educação
nacional.

Caixa escolar: primeiros ensaios

A Caixa Escolar tem sua trajetória iniciada na França


oitocentista, país de tradição republicana, quando neste mesmo
século, foi assimilada pelo governo do Brasil imperial como
sugestão de Leôncio de Carvalho. Dentre outras, a implantação da
caixa escolar se coniguraria em mais uma das ações desenvolvidas
com o objetivo de organização do ensino público primário, em vias
de estatização e de nacionalização de um único modelo, tendência
universal, já iniciada nos países da Europa, como Bélgica, Holanda,
França, Rússia, e até mesmo as Repúblicas do Chile e da Argentina2.
Para o então ministro imperial Leôncio de Carvalho, “da
difusão das luzes entre as massas dependia o futuro das instituições
brasileiras”. Chegava a considerar perigoso para o Estado a não
educação das massas populares e ponderava: “A educação é para o
Estado, uma questão de defesa pessoal”, e sobre as massas escreve:
“O que farão eles de nós?”. O ministro via como primordial,
“reformar o presente, preparar o futuro e melhorar dia a dia as
condições de existência” humana, a partir da educação.
Das fontes utilizadas para análise das idéias de Leôncio de
Carvalho, podemos inferir que este estava claramente imbuído das
idéias liberais de ensino difundidas, principalmente, pelo projeto
norte-americano. Ele defendia, inclusive, o ensino livre que, a seu
ver, promoveria melhorias nunca antes veriicadas no ensino: para
o ministro, os professores, imersos nessa lógica liberal, seriam
obrigados a se aperfeiçoarem proissionalmente no que tange às
metodologias de ensino, bem como procurariam “ensinar mais
e melhor”, para permanecerem como funcionários do estado
e mestres regentes das cadeiras isoladas adotadas pelo governo
imperial.
Ainda de acordo com o ministro, em cada um dos distritos
deveria haver uma caixa escolar para depósito de donativos e quaisquer Educ. foco,
Juiz de Fora,
v. 16, n. 2, p. 141-158,
2 Relatório anual do Ministro Imperial. Ano de 1877. 143 set 2011/fev 2012
Rosana Areal de Carvalho
Fabiana de Oliveira Bernardo
somas destinadas a formar o fundo escolar. Estas caixas seriam
administradas por um conselho formado pelo respectivo inspetor
da escola. De acordo com Maria Cristina Gomes Machado, em seu
artigo O decreto de Leôncio de Carvalho e os pareceres de Rui Barbosa em
debate: a criação da escola para o povo no Brasil no século XIX, algumas
considerações importantes sobre o referido decreto, datado de
1879, devem ser destacadas.
Preconizados no relatório de 1877, os diversos artigos
que compunham esse decreto possibilitam um vasto horizonte de
análise. Neste trabalho, nos concentraremos nas apreciações que
se referem à educação popular e ao lugar do Estado nesse sentido.
Para Machado, o simples fato do documento analisado se
conigurar na forma de um decreto, demonstra a avidez com que o
ministro imperial pretendia alterar a situação da educação nos anos
em que esteve no cargo. Como um decreto, deveria ser implementado
imediatamente, icando a cargo da Assembleia apenas os artigos
que implicassem despesas orçamentárias. Assim, prontamente
seriam cumpridas as determinações que não trouxessem aumento
de despesas, enquanto que as demais, ou seja, as medidas vinculadas
ao inanciamento da instrução pública primária icariam sujeitas à
apreciação e aprovação na citada instância legislativa.
Podemos elencar, ainda, outra marca da inequívoca
preocupação do ministro com relação aos alunos considerados
pobres: o artigo 3º do decreto deinia que

Às meninas pobres cujos pais, tutores ou professores


justiicarem impossibilidade de prepará-las para irem
à escola, será fornecido vestuário decente e simples,
livros e mais objetos indispensáveis ao estudo. Este
fornecimento será feito por ordem do conselho
diretor da instrução pública, o qual prestará contas
trimensalmente ao Governo, e no im de cada ano
apresentará um calculo aproximado do fornecimento
necessário ao ano seguinte.

Algumas inferências se delineiam na leitura atenta do trecho


destacado. Se, por um lado, percebemos a tendência do Ministério
imperial de resolver o problema da educação colocado para o Brasil
no inal do século XIX, dando destaque para a educação dos menos
favorecidos, das massas, e procurando promover estratégias para
Educ. foco, cooptar os alunos com menor poder aquisitivo; por outro lado, tal
Juiz de Fora,
v. 16, n. 3, p. 141-158, disposição não se demonstrou efetiva, visto que alguns anos depois,
set 2011/fev 2012 144
no relatório de 1881-A3, foi declarado que nos dois anos que se Caixa escolar: instituto
inestimavel para
passaram não teria sido aumentado o número de escolas públicas execução do projeto
da educação primária
de instrução primária, denotando a ineicácia do decreto e das idéias
de cunho liberal de Leôncio de Carvalho.
Para Marlos Bessa Mendes da Rocha4, a busca pela
modernidade no âmbito da educação pública teria sido vislumbrada
ainda no Império. Para o estudioso, a modernidade educacional
pressuporia: “o direito dos povos à educação, a previsão
constitucional de aplicação de recursos públicos orçamentários
no setor, a incorporação obrigatória à escola do público em idade
escolarizável”. Vale destacar que apenas estes elementos conjugados
e aplicados pelo Estado é que deiniriam uma educação que se
pretendesse moderna.
Contudo, podemos vislumbrar nestes termos certa
continuidade entre as tentativas imperiais e as ações republicanas
no que tange à constatação empírica da necessidade de maior
intervenção estatal na organização do ensino5. De outra forma,
veriicamos uma maior efetividade das ações empreendidas pelos
republicanos, no que tange à organização e iscalização para o bom
funcionamento do que viria a ser a Caixa Escolar. É nesse contexto,
no qual o Estado chama para si a responsabilidade acerca do ensino
público, que a Caixa Escolar será organizada.

Caixa Escolar: o perfil do instituto

Em setembro de 1906, foi instituída a Lei 439, mais


conhecida como Reforma João Pinheiro, que traria, dentre outras
inúmeras inovações, a criação dos Grupos Escolares6. No ano de

3 Sob os auspícios do Governo de Francisco Ignácio Homem de Mello.


4 Para maiores dados consulte: Rocha. Marlos Bessa Mendes da. O ensino elementar
no decreto Leôncio de Carvalho: “visão de mundo” herdada pelo tempo republicano?Anais
do Congresso Ibero-Americano de História da Educação Latino-Americana.
Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2009. Outras obras do autor se
referem também a essa posição.
5 Rocha. Marlos Bessa Mendes da. O ensino elementar no decreto Leôncio de
Carvalho: “visão de mundo” herdada pelo tempo republicano?. Anais do Congresso
Ibero-Americano de História da Educação Latino-Americana. Universidade
Estadual do Rio de Janeiro, 2009.
6 Vasta bibliograia tem sido produzida acerca da instituição dos grupos
escolares no Brasil. Acerca dos grupos escolares no Estado de Minas Educ. foco,
Juiz de Fora,
Gerais consulte: FARIA FILHO, Luciano Mendes de. Dos pardieiros v. 16, n. 2, p. 141-158,
aos palácios: cultura escolar e urbana em Belo Horizonte na Primeira 145 set 2011/fev 2012
Rosana Areal de Carvalho
Fabiana de Oliveira Bernardo
1911, a Lei Bueno Brandão viria preencher certas lacunas deixadas
pela reforma precedente, dentre elas a legislação concernente à
Caixa Escolar.
De acordo com a referida lei (1911), as caixas escolares,
deinidas no artigo 354, eram “instituições criadas com o im de
fomentar e impulsionar a frequência nas escolas”. A questão da
frequência era um problema recorrente para o Estado, mesmo antes
de 1906, como a seguinte mensagem enviada pelo então Presidente
da Província de Minas, Francisco Silviano de Almeida Brandão, ao
Congresso Mineiro, em 15 de junho de 1899 demonstra: “A lei foi
cumprida, sendo suspenso o ensino em 338 escolas sem frequência7.”
Podemos encontrar, ainda, informações com este caráter
nas correspondências enviadas à Diretoria de Instrução Pública,
bem como nos relatórios de inal de ano produzidos pelos diretores
dos grupos escolares. Nestes últimos há um tópico destinado,
exclusivamente, a tratar da matrícula e frequência escolares. Cabe
destacar que mesmo havendo um tópico também exclusivo para
as referências à Caixa Escolar, veriicamos a recorrente menção
desse instituto nesta parte do relatório – matrícula e freqüência,
denotando a ligação direta que existia entre a assiduidade esperada
para o ano letivo e o bom funcionamento da Caixa Escolar. A
seguinte correspondência enviada para Delim Moreira, Secretário
do Interior, à época, elucida as inferências acima:
Exmo Senhor,

Tenho a honra e satisfação de comunicar a V. Exc.


que a esforços do Snr. Inspetor escolar secundado por
esta diretoria, acaba de ser criada a “Caixa Escolar”
deste estabelecimento, destinada a favorecer os alunos
pobres(...).

O decrescimento da freqüência, conforme verá do


mapa junto tem sido motivado não só pela negligência
da maior parte dos responsáveis como também
por alegarem falta de meios com que possam fazer
seus ilhos freqüentarem a escola, e agora com a
criação da “Caixa”, estou certo e convencido de que
desaparecerão as faltas, correspondendo assim, aos

República. Passo Fundo: UPF, 2000.


Educ. foco, 7 Refere-se à lei que determinava o número mínimo de alunos por escolas.
Juiz de Fora,
v. 16, n. 3, p. 141-158, Caso no decorrer do ano a freqüência não chegasse ao número determinado a
set 2011/fev 2012 146 escola deveria ser fechada.
esforços do Governo de que é V. Exc. um dos mais Caixa escolar: instituto
inestimavel para
dignos auxiliares.(...)8 execução do projeto
da educação primária

O papel da Caixa Escolar era bastante singular. Além de seus


objetivos referentes à assiduidade escolar já citados, sua atuação era
restrita aos alunos considerados exageradamente pobres. A estes
alunos, individualmente, deveria ser proporcionado o auxílio com os
seguintes elementos: fornecimento de alimentos; idem de vestuário
e calçados; assistência médica e fornecimento de livros, papel, pena
e tinta. Além disso, os recursos obtidos pela Caixa Escolar seriam
utilizados na aquisição de livros, estojos, medalhas, brinquedos,
etc., a serem distribuídos, como prêmio, aos alunos mais assíduos.
Novamente neste último elemento vislumbra-se o destaque com
que deveria ser premiado o aluno frequente e comprometido com
as atividades escolares.
Os recursos, por sua vez, eram adquiridos através de
algumas fontes peculiares, quais sejam: as jóias e subvenções pagas
pelos sócios; o produto das subscrições, quermesses, teatros, festas,
etc.; donativos espontâneos e legados; gratiicações às quais não
fariam jus os professores licenciados ou faltosos, que deviam ser
solicitados pelo diretor à Coletoria local; e inalmente, com o
produto líquido das multas do art. 414 n.10.9 Eventualmente, as
câmaras municipais destinavam recursos para as Caixas Escolares.
No caso da Caixa Escolar Dr. Nuno Mello, encontra-se na ata de
instalação da Caixa Escolar um artigo extra, onde consta o apoio
da Câmara Municipal à instituição. Contudo, não se faz clara a
periodicidade de tal auxílio por parte dos legisladores municipais10.
Contudo, veriica-se que os valores destinados à
manutenção de alunos carentes não eram provenientes de recursos
do Estado vinculados diretamente à educação, mas sim de ações
privadas a cada estabelecimento de ensino (festas, quermesses,
teatros). A única verba orçamentária que procedia dos cofres
públicos e se destinava à Caixa Escolar, se deinia em um recurso
vinculado ao pagamento de gratiicação para os professores que,
automaticamente, perdiam o benefício caso se licenciassem ou
faltassem ao trabalho mais vezes do que o número limite permitido.

8 Correspondência enviada pelo diretor do Grupo Escolar da Cidade de Entre


Rios em julho de 1912. Arquivo Público Mineiro. SI 3405.
9 Conforme art. 414 do Regulamento de 1911: As penas que o presente código
estabelece são: X. multa de até dois contos de réis. Educ. foco,
Juiz de Fora,
10 Minas Gerais. Órgão de publicações oiciais do Estado de Minas Gerais. v. 16, n. 2, p. 141-158,
Encontrado na Hemeroteca da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa. 147 set 2011/fev 2012
Rosana Areal de Carvalho
Fabiana de Oliveira Bernardo
Esse valor seria repassado pela Diretoria de Instrução Pública à
Coletoria Estadual e, então, enviado aos fundos da caixa escolar.
Tal recurso, entretanto, variava de escola para escola, não havendo
qualquer previsão ou continuidade do mesmo.
Apesar de o Estado republicano mineiro não fornecer os
recursos para os alunos carentes, não podemos deixar de salientar
que, ao organizar esse instituto, incentivaram a mobilização das
escolas, seus diretores, inspetores, professores. E, mais ainda, ao
determinar as atribuições dos sócios do instituto, içaram para
dentro da escola toda uma gama social. Tal desdobramento atendia
a outro im, simultaneamente: o grupo escolar deveria consolidar
seu valor perante a sociedade.
As festas cívicas escolares, os teatros promovidos pelos
professores, os exames públicos de promoção, dentre outras
ações, se coniguravam em grandes espetáculos promovidos pela
educação republicana, que se queria de excelência, organizada,
rígida, e ostentosa, de forma a expressar a mesma imagem que se
almejava cunhar para o governo.

Festas, exposições escolares, desiles de batalhões


infantis, exames de promoção e comemorações cívicas
se constituem em momentos de ápice da vida escolar,
possibilitando maior visibilidade do trabalho realizado
e dos progressos alcançados. Assim, práticas de
caráter simbólico, tornar-se-iam, a partir do universo
escolar, uma expressão do imaginário político-social
republicano, transformando uma prática social em uma
prática educativa.

Os exames escolares abertos ao público se conigurariam


em uma grande inovação e possibilitariam à sociedade
o acompanhamento da promoção dos alunos através
das bancas examinadoras compostas por autoridades
importantes da cidade. O saber do aluno evidenciaria
a qualidade do ensino republicano e as comemorações
se conigurariam em práticas urbanas e não apenas do
grupo escolar.11

11 Para maiores informações sobre a relação intrínseca entre as festas cívicas e


a Caixa Escolar consulte: CARVALHO, R. A.; BERNARDO, F. O.; CRUZ,
Educ. foco, G. A. A caixa escolar e a bandeira republicana de educação para o povo. Anais do
Juiz de Fora,
v. 16, n. 3, p. 141-158, Congresso Ibero-Americano de História da Educação Latino-Americana.
set 2011/fev 2012 148 Universidade Estadual do Rio de Janeiro, 2009.
O Diretor do Grupo Escolar de Entre Rios encaminhou, Caixa escolar: instituto
inestimavel para
no inal do ano de 1912, correspondência para a diretoria de execução do projeto
da educação primária
instrução pública explicando que “esta diretoria promovendo
[promoverá] festas escolares que terão lugar nos dias 15 e 19 deste
mês de novembro corrente, cujo programa terminará com uma
representação teatral em que tomarão parte os alunos do grupo em
benefício da “Caixa Escolar” (...).12
Na cidade de Mariana, diversos periódicos davam
publicidade às ações da Caixa Escolar, principalmente o jornal
republicano O Germinal, editado pelo partido republicano da cidade.
No mesmo município, o anuário católico intitulado Escrínio
das Damas do Sagrado Coração de Jesus13 referente aos anos de 1913 e
1914 chamou-nos a atenção porquanto, a partir deste documento,
vislumbramos o instituto escolar para além das apreciações feitas
pelo Estado, pelos sujeitos escolares, ou, ainda pelos partidários
republicanos. Senhoras da cidade de Mariana se referiam às ações
promovidas em benefício da Caixa como muito agradáveis e
favoravelmente retas; a distribuição de prêmios como excelentes
formas de estímulo e emulação aos alunos e as atuações dos
mesmos como muito garbosas e vivazes.
Interessante notar que nesse período, Boletins Eclesiásticos
se referem aos grupos escolares como “escolas atéias”, as quais não
estariam aptas a receber ilhos de cristãos católicos. Mesmo assim,
dentro da instituição religiosa são cunhados discursos favoráveis
ao desenvolvimento da Caixa Escolar, uma instituição republicana,
orquestrada e desenvolvida no interior das escolas famigeradas.
Tais boletins eram enviados às paróquias para orientação dos iéis
católicos. Inferimos a respeito disso que o caráter ilantrópico
que era conferido à Caixa Escolar foi fator determinante para a
aceitação social das escolas republicanas, que viam neste instituto
valores inerentes às tradições religiosas já consolidadas.
Esse caráter distinto conferido pelos discursos à Caixa
Escolar foi forjado, pacientemente, a partir da efetividade de suas
ações de caráter beneicente junto à sociedade. Como exemplo,
elencamos a implementação, em diversas escolas, da Liga da Bondade,
cujo im era o de aumentar
no espírito da criança o amor da bondade para tudo o
que vive, o horror da violência, e da mentira, a beleza da
12 Correspondência enviada pelo diretor do Grupo Escolar da Cidade de Entre
Rios em novembro de 1912. Arquivo Público Mineiro. SI 3405. Educ. foco,
Juiz de Fora,
13 Semanário das Damas do Sagrado Coração de Jesus, publicado por ordem do v. 16, n. 2, p. 141-158,
Arcebispo de Mariana. 149 set 2011/fev 2012
Rosana Areal de Carvalho misericórdia e, ao mesmo tempo, todas as virtudes que
Fabiana de Oliveira Bernardo
formam o caráter, tendo por lema – bondade, justiça
e piedade - para com toda criatura viva, inofensiva,
humana ou animal14.

Tais valores não estavam desvinculados do comportamento


dos alunos na escola e do respectivo aproveitamento escolar de
cada um.
No ano de 1914, O Germinal publicou a transcrição de
um ofício enviado por Delim Moreira, presidente do Estado
naquele momento, congratulando a aluna do Grupo Escolar de
Mariana, Maria Agostinha, a quem coube o prêmio instituído pela
Caixa Escolar “Dr. Gomes Freire”. A aplicada aluna do Grupo
conquistou, no ano letivo de 1914, o primeiro lugar na Liga da
Bondade, “conseguindo reunir notas ótimas nos exames, aplicação,
aproveitamento e procedimento”.
Como podemos notar, receber um prêmio concedido pela
Caixa Escolar representava muito na carreira dos alunos, lembrados
pelas altas patentes do governo estadual e felicitados por toda a
cidade na cerimônia de entrega dos mesmos, que geralmente
ocorria nas câmaras municipais15.
Outro aspecto da Caixa Escolar extraído das fontes
documentais que aponta para seu caráter ilantrópico está no caráter
assistencialista de suas ações. Não raro, epidemias de “varicela”
(catapora) impediam os alunos de freqüentarem as aulas. Contudo,
com o apoio fornecido pela instituição no que tange a remédios, e
até mesmo apoio médico – como no caso de Mariana, cujo diretor
do Grupo Escolar era farmacêutico, e o presidente da Caixa era o
médico da cidade – os alunos restabelecidos logo voltavam às aulas,
concorrendo assim para a manutenção da frequência escolar.

A Caixa Escolar como dispositivo de


poder
As transformações na educação brasileira se inserem num
contexto em que o Estado delineava sua alteridade perante o mundo

14 SI 3661. Arquivo Público Mineiro. Correspondência.


15 É importante lembrar que diversos grupos escolares no Estado de Minas só
vieram a ter seus prédios próprios muitos anos depois de sua instalação. O
Educ. foco, Grupo Escolar de Mariana, hoje centenário, teve seu prédio próprio construído
Juiz de Fora,
v. 16, n. 3, p. 141-158, apenas 21 anos depois de sua primeira instalação no ano de 1909. Até a década
set 2011/fev 2012 150 de trinta, as aulas ocorriam em um prédio cedido pela Câmara Municipal.
descobrindo-se atrasado e obsoleto. Para além das mudanças Caixa escolar: instituto
inestimavel para
políticas esperadas pelo novo regime imposto, a sociedade, como execução do projeto
da educação primária
um todo, via na República uma oportunidade de redenção de todos
os problemas vinculados ao império. Críticos e intelectuais do
período se empenharam em colocar a instrução popular como uma
das formas de sanar vários problemas que assolavam o Brasil do
século XX, criando-se, a partir da escola, os cidadãos dos quais o
novo regime necessitava.
A propaganda republicana teria se desenvolvido nos centros
de atuação e debates de uma elite política e intelectual, cada vez
mais cética e crítica ao regime monárquico, sobretudo nas últimas
décadas do século XIX16.
Segundo Ângela de Castro Gomes, os republicanos se
empenharam em promover ações que permitissem a criação do
que chamou de uma cultura política republicana. Para a autora
haveria, com relação a este aspecto, uma convergência de falas,
geralmente dissonantes, no que concernia à urgência da produção
de um discurso político carregado de valores e simbologias cívico-
morais, no qual os saberes escolares teriam um lugar estratégico. Ao
privilegiar o ensino de História e Geograia, a autora abre caminho
para uma gama extensa de análises de outros mecanismos criados
com o objetivo de promover a formação do sujeito republicano
a partir da escola. Entendemos que a análise destes mecanismos,
em conjunto, possibilita uma apreensão mais elaborada do projeto
republicano.
Concordando ainda com a historiadora, os processos de
construção de identidades nacionais não são elaborados e aplicados
fortuitamente – demandam tempo, esforço e articulações entre
os diversos atores sociais, que mobilizam dimensões simbólicas e
práticas, unindo, por vezes, a imposição e adesão de certos grupos
aos pressupostos de determinadas idéias, valores, crenças, aspectos
estes criados e divulgados materialmente, através de instituições,
rituais, festas, símbolos, etc.
Há uma farta bibliograia que trata do tema concernente à
construção de um ideário republicano através das ações escolares,
desde o programa de ensino até as festas cívicas. Contudo, o estudo
sobre os institutos escolares, dentre eles o Museu Escolar, a Caixa
Escolar ou o Banco Agrícola carecem de pesquisas devido à parca

16 GOMES, Ângela Maria de Castro. República, educação e história pátria no Brasil e Educ. foco,
Juiz de Fora,
Portugal. In: A República, a História e o IHGB. Belo Horizonte, Argvmentvm, v. 16, n. 2, p. 141-158,
2009. 151 set 2011/fev 2012
Rosana Areal de Carvalho
Fabiana de Oliveira Bernardo
documentação sobre os mesmos, principalmente nos casos dos
dois últimos temas. Buscamos compreender, em nossa pesquisa,
como foi forjada essa identidade nacional, como foi construído esse
sujeito republicano, e de que maneira a Caixa Escolar compunha
esse cenário: como coadjuvante ou como uma peça fundamental na
criação desse novo sujeito.
Consideramos, então, a Caixa Escolar como um dispositivo
de poder nos termos foucaultianos. Entende-se por
dispositivo de poder o “conjunto de discursos, instituições,
organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas
administrativas, enunciados cientíicos, proposições ilosóicas,
morais, ilantrópicas”17, bem como a rede que se estabelece entre
estes segmentos.
Para o autor, todo objeto da história é construído e se
constitui historicamente. Ora, dessa forma entendemos que a
implementação da Caixa Escolar não foi organizada de forma
aleatória ou despretensiosa, mas se inseria nas transformações
ensejadas pelo projeto de nação forjado no início do século XX.
O dispositivo de poder se constitui em um momento histórico
especíico, com o objetivo de responder a uma urgência da sociedade
que o produz.
Nessa perspectiva, as práticas escolares mencionadas neste
trabalho, devem ser vislumbradas não a partir delas mesmas, ou
seja, não buscamos analisar como elas eram praticadas, mas estudar
o que determinava estas práticas, o que estava em jogo na legislação
acerca da Caixa Escolar e os outros mecanismos do governo
republicano disseminados pelos estabelecimentos de ensino.
Para Foucault, tanto o poder como o dispositivo de poder
tem como objetivo produzir tendências de ações. Procuramos,
assim, veriicar quais relações de força sustentaram a elaboração
meticulosa do regulamento da Caixa Escolar e quais foram as ações
articuladas pelo governo republicano para que a adesão a este
instituto se concretizasse em todos os grupos escolares do Estado.
Veriicamos que no interior da escola republicana estavam
presentes diversos dos fatores citados pelo pensador francês, nas
mais variadas formas, todos amparados legalmente e devidamente
publicados nos jornais oiciais, bem como sempre iscalizados pelos
inspetores de ensino, com o objetivo de garantir sua funcionalidade,
qual seja a de promover a criação do sujeito republicano almejado.
Educ. foco,
Juiz de Fora,
v. 16, n. 3, p. 141-158,
set 2011/fev 2012 152 17 FOUCAULT, M. Microfísica do poder.
Caixa escolar: instituto
A Caixa Escolar e a manutenção de alunos inestimavel para
execução do projeto
carentes no âmbito da educação pública da educação primária

Tomamos a Caixa Escolar, portanto, como parte integrante


do dispositivo de poder criado pelos republicanos com objetivos
claramente deinidos, quais sejam o de produzir uma cultura
política a partir das práticas e saberes disseminados pela escola. Se,
para algumas famílias, manter o ilho na escola se coniguraria em
um custo maior do que sua possibilidade inanceira, com a Caixa
Escolar essa diiculdade seria sanada, como airmam diversos
diretores na década de 10 do século passado. Uma vez amparados
pelo instituto, a baixa frequência destas crianças no grupo escolar
não teria justiicativa. Por sua vez, mantida a frequência, os alunos
teriam contato com todos os mecanismos elaborados para a
difusão das idéias republicanas, do sentimento de amor à nação
e, principalmente, o sentimento de responsabilidade pela pátria.
Tal sentimento se manifestaria de várias formas, inclusive na
formação de um maior número de trabalhadores, imprescindíveis
na caminhada rumo ao progresso, através da ordem, preceito
difundido e proporcionado pela instrução pública18.
Concluímos, portanto, que a Caixa Escolar visava amparar
a manutenção de alunos carentes nos grupos escolares e que a
especiicidade da envergadura de atuação do instituto também
merece análise.
De acordo com José Murilo de Carvalho, o grupo social
favorecido com as benesses do instituto não teria participado
ativamente – ou mesmo passivamente – do processo que culminou
com a Proclamação da República. Teriam assistido “bestializados”
o que ocorria. Entendemos que a preocupação dos republicanos
em manter representantes deste grupo social nos estabelecimentos
de ensino público primário seria uma tentativa de cooptação
dos mesmos, orientados para legitimar o governo republicano
nos termos de uma educação que se queria renovadora, mas que
carregava ainda muito de tradicional. Assim, a partir da permanência
desses alunos na educação primária pública, valores inerentes a uma
verdadeira cultura republicana se disseminariam também para o
grupo social de pertencimento, com o objetivo de conformá-los de
acordo com os tempos vindouros.

18 Tal aspecto, a formação de trabalhadores a partir da escola pública Educ. foco,


Juiz de Fora,
primária, é tema do artigo “O programa de ensino primário de 1906 como v. 16, n. 2, p. 141-158,
espelho do projeto civilizador republicano”. Anais do VIII do CLBHE. 153 set 2011/fev 2012
Rosana Areal de Carvalho
Fabiana de Oliveira Bernardo
Faz-se equivocado, ainda, no nosso entender, considerar a
caixa escolar como um mecanismo de inanciamento da educação,
porquanto esta, mesmo amparada legalmente, e se conigurando
obrigatória em todos os estabelecimentos de educação pública
primária no Estado de Minas a partir de 1911, não obtinha recursos
provenientes do Estado, mas sim de iniciativas particulares a cada
escola.
Nos livros-caixa da Caixa Escolar, bem como em relatórios
de inal de ano, entre os anos de 1912 e 1950, encontramos
referências às verbas provenientes da Coletoria Estadual. Contudo,
tais verbas se apresentaram intermitentes no que tange aos valores
enviados para as escolas. Esses valores se referiam às gratiicações
perdidas pelos professores, e por isso não havia um valor pré-
estabelecido pela Diretoria de Instrução Pública, sustentado em
critérios objetivos e distribuídos, equitativamente, para todas as
escolas.
Mais uma vez, a falta de recursos vinculados à educação se
apresentava como uma diiculdade enfrentada pelos alunos carentes
e pela gestão escolar. Os recursos angariados pela Caixa Escolar,
nestes termos, não possuíam caráter de periodicidade na receita e
despesas, como os balancetes da Caixa Escolar de diversos grupos
escolares demonstraram.
Para além destas questões, veriica-se através das fontes,
que o instituto é antes considerado, mesmo à época, como uma
ação ilantrópica. Os recursos da Caixa Escolar se destinavam a
alunos que seriam amparados com alimentos, remédios, materiais
escolares, roupas; e os prêmios por mérito escolar, sempre
recorrente, só eram oferecidos com os recursos do instituto caso
não houvesse faltas para as demandas colocadas como primordiais.
De acordo com Gomes Henrique Freire de Andrade,
Presidente da Caixa Escolar “Dr. Gomes Freire” e Agente Executivo
de Mariana durante as primeiras décadas do século XX:
Era deliberação da diretoria, distribuir uniformes pelos
alunos mais precisados, pelo que se guardou até agora, intacto o
saldo de que vos dei conta, não convindo exporem em público,
alunos uniformizados, ao lado de outros menos felizes, que não
puderam, à míngua de recursos necessários, comprá-los.
Estes últimos são os beneiciários da Caixa, devendo ser
empregados em prêmios e recompensa, tão somente as sobras que
Educ. foco, se veriicarem, e que servirão de estimular nos alunos o amor ao
Juiz de Fora,
v. 16, n. 3, p. 141-158,
estudo; se estes prêmios embelezam a vida aos que nela entram mais
set 2011/fev 2012 154
felizes, os auxílios dados aos que nela se vêm desajudados da sorte Caixa escolar: instituto
inestimavel para
parecem corresponder sobejamente aos ins da bela instituição, ao execução do projeto
da educação primária
serviço da qual nos achamos aqui reunidos.19
A composição da diretoria, bem como do séquito de
sócios que acompanhavam a Caixa Escolar, também era fator de
distinção na sociedade. Tanto nos periódicos locais, como nas
correspondências e relatórios de inal de ano elaborados pelos
diretores, destaca-se que os sócios da Caixa estavam empenhados
em angariar fundos para o instituto que era tido como inestimável
para a execução do projeto da educação primária. Na composição
societária da Caixa Escolar encontramos personagens gradas da
cidade, que recebiam o status de verdadeiros republicanos atuando
em favor da educação.
Outro aspecto que corrobora a hipótese da ilantropia está
sustentado na relação conlituosa entre Estado e Igreja no tocante
à educação. A educação promovida pelo Estado que se dizia laico,
afastava-se da religião, rompendo um vínculo histórico tradicional.
Entretanto, apesar do relativo afastamento das aulas de ensino
religioso, o caráter beneicente a partir do qual a Caixa Escolar se
delineou expressava vários preceitos cristãos, como a caridade, a
bondade, o valor dos humildes. Daí a forma elogiosa com a qual se
referia o periódico citado anteriormente.

Conclusões

A Caixa Escolar vem sendo tratada como um mecanismo


de inanciamento da educação nos poucos registros bibliográicos
que dedicaram seus esforços para elaborar um panorama histórico
do inanciamento da educação brasileiro. Contudo, veriicamos que
os recursos direcionados para ela bem como as ações desenvolvidas
em seu interior, mesmo amparados legalmente, se inserem em
maior medida no âmbito da ilantropia ou mesmo beneicência do
que em qualquer outro. Não seria correto, portanto, considerá-la
como um mecanismo de inanciamento da educação. Para além
do fato de que seus recursos não eram destinados aos alunos do
Grupo Escolar, mas apenas aos alunos carentes, a questão ali posta
se referia à frequência escolar, como dito acima, problema herdado
do período imperial.
19 Correspondência enviada pelo Presidente da Caixa Escolar “Dr. Gomes Educ. foco,
Juiz de Fora,
Freire” do Grupo Escolar da Cidade Mariana em março de 1913. Arquivo v. 16, n. 2, p. 141-158,
Público Mineiro. SI 3440 155 set 2011/fev 2012
Rosana Areal de Carvalho
Fabiana de Oliveira Bernardo
A análise investigativa do vínculo de um aluno com o
Grupo Escolar através da Caixa se apresenta como uma maneira
de veriicarmos as estratégias lançadas pelos republicanos, com o
objetivo não apenas de garantir a presença deste grupo social no
âmbito da educação primária pública, mas de levar para dentro da
escola a sociedade mineira. Os “alunos da caixa”, além de receberem
os conteúdos formais previsto no programa, demonstravam para a
sociedade que os republicanos mineiros possuíam valores de iam
ao encontro das necessidades da cidade que abrigava o Grupo –
instituição que deveria construir os futuros cidadãos que a república
necessitava: cientes de seu papel no rumo progressista da história
como cidadãos trabalhadores e patriotas legítimos.

Fontes Primárias

Relatório do Ministro Imperial. 1877.


Relatório do Ministro Imperial. 1879.
Relatório do Ministro Imperial. 1881-A
SI 3405. Arquivo Público Mineiro. Correspondência.
SI 3440. Arquivo Público Mineiro. Correspondência.
SI 3661. Arquivo Público Mineiro. Correspondência.
SI 3743. Arquivo Público Mineiro. Correspondência.
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