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COMO EXPLORAR O BRASIL COMO CENÁRIO PARA CRÔNICAS DE VAMPIRO: A MÁSCARA?

PARTE I – A PERSPECTIVA DAS PRINCIPAIS SEITAS

Escrito por Porakê Martins

Ainda na segunda edição de Vampiro: A Máscara, no suplemento A World of Darkness Second Edition, de 1996,
ficam estabelecidas as bases para como o jogo retrata a América Central e do Sul, consequentemente o Brasil, bases
essas que ecoariam até os mais recentes suplementos lançados para o V20:

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“A América do Sul e Central não são tão desenvolvidas quanto os vizinhos do norte. Em algumas áreas, as selvas e as
montanhas permanecem quase intocadas por Cainitas e mortais. Apesar de inúmeras reivindicações pelo Sabá e
Camarilla, nenhuma das duas seitas realmente detém o poder em mais do que uma fração do continente. A maioria
das atividades das seitas aqui é muito menos organizada do que na América do Norte e na Europa; muitos vampiros
operam como predadores individuais, apenas vagamente respeitados pelos ditames dos Regentes do Círculo Interno.

A América Central é inquestionavelmente uma grande fortaleza do Sabá. A seita faz sua principal sede no México, e
o centro das operações do Sabá é a Cidade do México. Ainda assim, o domínio da seita está longe de ser
incontestável: bolsões de Camarilla e linhagens independentes (particularmente os Samedi) existem e mantêm os seus
próprios domínios, como a tapeçaria de revoluções e golpes da América Central.

A América do Sul é uma colcha louca de influência sobrenatural. Aqui, a guerra entre Camarilla e Sabá é
permanente, enquanto Setitas e Giovanni espreitam nas margens, aguardando uma oportunidade. Lupinos e outros
metamorfos buscam os lugares selvagens, ainda lutando contra criaturas, Magos percorrem as cidades da América do
Sul e seus locais místicos, aproveitando a energia bruta das cerimônias de santeria e explorando pirâmides maias há
muito esquecidas. Os changelings nativos detêm segredos antigos para aqueles que são astutos o suficiente para
negociar com eles - e maldições antigas para os incautos.

Como regiões em desenvolvimento, a América Central e a América do Sul têm muito a oferecer aos vampiros que
buscam poder e oportunidade. Muitos neófitos e anciões, cansados de estruturas de poder calcinadas e de falta de
oportunidades, se reúnem nas terras não cultivadas do sul. No entanto, há um outro lado: a região está repleta de
inimigos potenciais, vampíricos e de outra natureza, e a autoridade frouxa das seitas significa que um vampiro com
problemas pode não recorrer à proteção de um Príncipe, Arcebispo, Arconte ou domínio.

Também não é sensato subestimar os mortais da região. Os habitantes da América do Sul brotam de todo tipo de
origem. Os mitos africanos, as lendas nativas e as doutrinas católicas fervilham em um caldeirão borbulhante de
crenças, e muitas das antigas histórias ainda ecoam pelas noites úmidas dos trópicos. Não é surpresa que os ‘realistas
fantásticos’ da literatura, como Garcia-Marquez, venham desta região. O sobrenatural faz parte integrante da visão de
mundo sul-americana, e os mortais preparam-se de acordo. Os cainitas podem ser menos cautelosos com a Máscara,
verdade, mas devem manter seus olhos morto-vivos atentos para pessoas habilidosas, muito familiarizados com os
poderes - e fraquezas - dos vampiros.” (A World of Darkness, Pg 26).

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Curiosamente, este cenário de caos e incerteza, favorável aos crossovers mais bizarros, onde as fronteiras entre as
Seitas parecem incertas e os interesses pessoais e conveniências momentâneas são muito maiores do que qualquer
compromisso com elas, até poderia ofender algum traço hipócrita de nacionalismo do público brasileiro, mas nos
parece bastante condizente e adequado à realidade da Região.

Tratando-se mais especificamente do Brasil, o referido suplemento apresenta assim o cenário para o país:

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“O Brasil é o maior país da América do Sul, estendendo-se a cerca de 2700 milhas, do sopé da Cordilheira dos
Andes, até o Oceano Atlântico, a leste. Em área, o Brasil é o quinto maior país do mundo. Faz divisa com todos os
países do continente, exceto Chile e Equador. Apesar de deter dentro de suas fronteiras uma área quase do tamanho
dos Estados Unidos, sua população é de quase metade daquela.

O Brasil ganhou independência de Portugal em 1822, e durante o século XIX teve uma estabilidade política incomum
para a América Latina. No entanto, com o alvorecer do século 20, a área caiu em uma turbulência social.
Os vampiros do Brasil não reivindicam parte no caos; a queda violenta de uma dúzia de administrações diferentes é
inteiramente o trabalho dos mortais. É claro que os Brujah, os Gangrel e outros estavam mais do que felizes em se
refestelar no caos. Brasília, a capital, foi construída no Planalto em 1957, a fim de incentivar o desenvolvimento do
interior. Os Nosferatu brasileiros aproveitaram a construção, e têm uma casamata bem fortificada escondida debaixo
da cidade propriamente dita. O Refúgio Amanganti está bem protegido pela geografia natural da área, e esta proteção
é complementada por portas projetadas sob demanda especialmente para resistir à explosão de uma bomba de
hidrogênio. O Amanganti é supostamente guardado por minas terrestres, lança-chamas e granadas de fósforo. Os
Nosferatu falam com orgulho de sua fortaleza impenetrável, mas raramente mencionam por que eles sentiram que ela
era necessária. Aqueles que perguntaram simplesmente foram informados de que ‘Aquela Que Grita nas Florestas’
resurgiu.

As planícies brasileiras são composta principalmente de rochas sedimentares e terrenos acidentados. Por esta razão,
grande parte do interior do Brasil ainda está desabitado, apesar dos avanços tecnológicos que permitiriam o fácil
acesso. Os mortais brasileiros preferem permanecer concentrados ao longo da costa ou às margens dos principais rios.
Este panorama exuberante de floresta indomável tornou o Brasil muito popular para os Gangrel. Ninguém sabe o
número de membros do Clã Gangrel no Brasil, mas a maioria suspeita que os números sejam altos. O medo do
estrago que os Gangrel poderiam causar se fossem incomodados impediu os outros vampiros do Brasil de se
esforçarem para a expansão em novas áreas.” (A World of Darkness, Pg 34-35).

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Aqui a White Wolf dá uma escorredaga, a ideia do Brasil como um país rural que este trecho pode transmitir já não
condiz há algum tempo com a nossa realidade. Na segunda metade do Século XX o Brasil, que concentra quase
metade da população da América do Sul, se estabeleceu como o maior parque industrial de toda a América Latina e a
principal potência econômica da região, embora ainda se mantenha submisso aos interesses econômicos e culturais da
Europa e EUA.

Mais de 80% da população do país é urbana, se espremendo em grandes cidades, alguma delas, como São Paulo,
figuraram entre as maiores do mundo, 5 das maiores metrópoles sul-americanas estão no Brasil (São Paulo, Rio de
Janeiro, Brasília, Salvador e Fortaleza). Esse processo é recente, só na década de 70 o Brasil deixou de ser um país
rural, mas as cidades brasileiras, com seu crescimento desordenado e altíssimos índices de violência e criminalidade
certamente seriam um prato cheio para os cainitas.

Uma abordagem mais condizente com a importância real do país só viria com o advento do V20, como já abordamos
em artigos anteriores, onde São Paulo foi estabelecida como um dos mais importantes centros de poder mundial do
Sabá e uma Brujah de origem brasileira foi introduzida ao Círculo Interno da Camarilla.

Mas além de tocar em Brasília, o “A World of Darkness” teve o mérito de estabelecer o Rio de Janeiro como uma
cidade única no mundo, onde as seitas mantém um pacto de convivência:

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“A influência Lasombra no Rio remonta à descoberta do local por Gonçalo Coelho. Afinal, foi o lendário arcebispo
Moncada quem financiou sua expedição. Os Toreadores chegaram escassas décadas depois, com os primeiros
huguenotes exilados para construir um assentamento permanente ao longo da baía. Até que o ouro e as gemas
começaram a fluir pelo Rio de Minas Gerais na década de 1690, os dois clãs tiveram escaramuças intermitentemente.
Com o dinheiro, no entanto, vieram as verdadeiras guerras, que duraram até 1807, com a chegada da corte portuguesa
exilada fugindo de Napoleão. O afluxo de membros poderosos de ambos os clãs sedimentaram o conflito em um
impasse rapidamente, enquanto a imensa riqueza da cidade e a grande população transitória tornaram a paz uma ideia
muito atraente. Eventualmente, a trégua se transformou em algo que tem semelhanças ocasionais com uma aliança,
com base no princípio sagrado de não perturbar o ganso que coloca os ovos dourados (e esmeralda).

Então é aqui, de todos os lugares, que Lasombras do Sabá e Toreadores da Camarilla fizeram uma paz tácita. A
cidade foi declarada informalmente um Carnaval Cainita: uma cidade livre, fora das guerras das seitas e da Jyhad.
Todos os vampiros são bem-vindos aqui, desde que deixem a política para trás durante sua permanência. Isso não
quer dizer que o Rio seja seguro para vampiros – muito longe disso, mas apenas significa que se um vampiro mata
outro aqui, é mais provável que seja por razões de negócios - ou prazer - do que por ganho político.

Vampiros de todas as estirpes passam pelos caminhos tórridos do Rio, mas certos clãs são predominantes. Os
Lassombra e Toreadores ainda dominam o Rio, conduzindo os assuntos da cidade (ou simplesmente existentes) com
um estilo e elegância desconhecido para regiões mais estáveis. Brujah também andam aqui em abundância; alguns
são descendentes de escravos ou escravos das noites de revolução, enquanto outros são atraídos pelos ritos de
Santeria do Rio e pelos cultos de sangue subversivos. Malkavianos atravessam as ruas a noite, os excessos ignorados
pelo rebanho que ri; Tremere deslizam pelas sombras, espiam e vendem seus serviços; Setitas sibilava dos becos,
oferecendo diversões para satisfazer todos os gostos; e até Assamitas podem ser encontrados aqui, como assassinos
ou praticantes de capoiera (uma arte marcial brasileira).
Para a população mortal do Rio, o Carnaval é o festival lendário que ocorre quatro dias antes da quarta-feira da cinza.
Para os vampiros, o Carnaval é algo completamente diferente. É o código oficial do Rio, executado por vampiros
seculares que, talvez cansados das guerras de sua espécie, fizeram da cidade um campo de entretenimento. Em uma
cidade onde os esquadrões da morte percorrem as ruas para exterminar o excesso de escória da rua, certamente há
uma abundância de alimentos para todos. A cidade é um porto livre para bens e serviços vampíricos, onde os
negócios podem ser atingidos e as atribuições podem ser feitas longe dos olhos vigilantes dos anciões da seita. É no
Rio que um Toreador pode contratar uma Tzimisce para fabricar seu amante de sonhos, ou um devoto Lassombra
pode rezar na estátua de Cristo Redentor no Corcovado ao lado de um pequeno bando Gangrel.

Como se poderia esperar, tais liberdades custam um bom preço. Enquanto as linhas de batalha do Jyhad foram
temporariamente apagadas aqui, para muitos vampiros, isso simplesmente significa que agora aqueles de seu próprio
lado pode tentar atacá-lo sem retaliações. Alguns dos esquadrões da morte que caçam jovens são na verdade gangues
mercenárias de cainitas que caçam outros de sua espécie, recebendo recompensas em vitae e ouro de qualquer pessoa
disposta a contratá-los. Ainda assim, isso faz parte da alegria do Rio: o desfile de escolas de samba podem esconder
uma meia dúzia de assassinatos e os 'prestativos' Tzimisce se orgulham de quanto tempo eles podem prolongar o
processo de alimentação de suas vítimas, um gole de cada vez, nas ruidosas linhas de esgoto que correm para a baía".
(A World of Darkness, Pg 35-36)

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Alguns fãs podem torcer o nariz para esse “Carnaval Cainita” de Vampiro: A Máscara (Mantido como canônico pelo
V20, segundo o Beckett's Jihad Diary). Mas é interessante perceber alguns elementos que foram introduzidos no A
World of Darkness e mais tarde aprofundados nos livros seguintes da terceira edição e do V20.

O primeiro desses elementos refere-se à quão antiga é a presença cainita no Brasil, afinal, o trecho acima estabelece
que os Lasombra estiveram por trás das primeiras navegações portuguesas ao que viria a ser Brasil, na aurora do
século XVI. Já a presença Toreador é relacionada aos huguenotes, protestantes franceses que tentaram estabelecer
uma colônia na região que viria a ser o Rio de Janeiro em meados do século XVI, a chamada “França Antártica”.

Certamente, com um Novo Mundo repleto de criaturas sobrenaturais hostis (zoomorfos, fadas e magos nativos), faz
muito sentido que seres sobrenaturais do Velho Mundo tenham tomado a linha de frente do processo de colonização,
em especial, os cainitas menos dados as restrições impostas pela humanidade, lupinos, fadas europeias e os temidos
artífices da Ordem da Razão.

Pode parecer um duro golpe para nossa autoestima, mas o fato é que por aqui estamos na periferia das potências que
dão as cartas na política e na economia mundiais e faz todo o sentido que na periferia as formalidades e fidelidades
sejam muito mais flexíveis.

O segundo elemento semeado no suplemento de 1996 é o de como o contexto político, econômico e cultural do
processo de colonização, tanto do ponto de vista da nossa realidade quanto da perspectiva do jogo, parece contribuir
para justificar essa falta de apego às formalidades das seitas por essas bandas.

Em nosso mundo real, a América em geral e o Brasil em particular, tem sido, de fato, um caldeirão das mais
diferentes culturas, onde a presença dos colonos europeus se pautou por degredados, refugiados e fugitivos do Velho
Mundo. Náufragos, piratas, degredados, traficantes de escravos e especiarias, os próprios escravos, refugiados de
perseguições políticas e religiosas das mais diversas origens.

Do ponto de vista do cenário do jogo, é importante ressaltar que o período colonial coincide com a consolidação das
Seitas. Tanto a Camarilla quanto o Sabá não passavam de embriões quando Colombo aportou no Novo Mundo e,
como tudo naquele tempo, a notícia deve ter demorado bastante para cruzar o atlântico, mas ainda se considerarmos o
ritmo lento da própria sociedade dos mortos-vivos. Como esclarece a 3ª edição do Guia da Camarilla:

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“Em 1435, Hadestadt invocou uma convenção de anciões para lidar com o problema dos anarquistas. Ele propôs a
formação de uma aliança entre os vampiros com o objetivo de lidar com os problemas que cruzassem as fronteiras
estabelecidas entre os clãs. Embora a maioria dos anciões tivesse suspeitas e tenha rejeitado a ideia, um pequeno
grupo se juntou a Hadestadt. Na década seguinte, esse grupo definiu sutilmente os ideais da Camarilla em conselhos
informais e encontros particulares.

Em 1450, os Fundadores da Camarilla haviam assegurado o apoio de um número suficiente de anciões europeus para
começarem a afirmar sua autoridade, enviando circulos mistos em ataques contra as fortalezas anárquicas. Ao mesmo
tempo, os fundadores encorajavam outros grupos a procurar por Alamut, a fortaleza oculta dos Assamitas.
O poder centralizado da Camarilla parece ter sido a chave para a derrota dos anarquistas. Em 1493, os líderes do
Movimento Anarquista consentiram em realizar uma convenção para discutir os termos da rendição. A Convenção
dos Espinhos trouxe a maioria dos anarquistas de volta à Camarilla e se encarregou da punição do Clã Assamita pelo
seu papel durante a guerra. A convenção também testemunhou o primeiro discurso público do Toreador Rafael de
Corazon exigindo a imposição das Tradições e da Máscara. Os Anarquistas que rejeitaram os termos da Convenção
dos Espinhos fugiram para mais tarde fundar o Sabá.” (Guia da Camarilla, Pg20)

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Ou seja, se a Convenção dos Espinhos só ocorreu em 23 de outubro de 1493 (como é esclarecido na página 16 do
Guia do Sabá), nos resta a curiosa conclusão de que ela só foi formalmente instituída 11 dias após Colombo aportar
no que viria a ser conhecido como América, o que ocorreu na madrugada de 12 de outubro daquele mesmo ano.

Levaria ainda meio século para se lançar as bases da organização do Sabá e, mesmo na Europa, as fronteiras entre
seitas demorariam para serem estabelecidas, como demonstra esse trecho, que também sugere que o controle cainita
sobre os governos mortais nesse período foi bem menor do que alguns poderia supor, talvez pela influência dos
mortais da Ordem da Razão:

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“Nos 50 anos que se seguiram [à Convenção dos Espinhos], bandos ("sabás") de antitribo infestaram a noite,
arrastando aldeões para a escuridão e atacando cada vez com mais precisão a base de poder que a Camarilla estava
construindo para si. Ao longo daqueles 50 anos, esses rebeldes se organizaram em uma seita coesa e ideológica,
chegado ao acordo quanto a uma doutrina primitiva contra anciões e antidiluvianos que puxavam seus cordões. A
libertação da Jyhad dos Antigos, tornou-se o principal fundamento da seita - mesmo que os Lasombra e Tzimisce
tenham conseguido destruir seus Antediluvianos, isso só permitiu que os outros Antigos existentes preenchessem o
espaço deixado. Até a metade do século XVI, a entidade conhecida como Sabá se uniu formando uma oposição à
Camarilla e a uma sujeição cega ao mal maior.

No final do século XVI, o Sabá se viu em uma posição precária. Composta, como estava, por alguns anciões Cainitas
obstinados (que teriam sido alvos da violência, caso tivessem declarado fidelidade à Camarilla) e uma vasta maioria
de jovens vampiros sem muito poder ou influência, a seita não tinha conseguido obter vantagem significativa (nem
mesmo uma cabeça-de-ponte) contra a nascente Camarilla.

Uma guerra implacável brotou entre os vampiros do recém-formado Sabá e os da não muito mais velha Camarilla. A
Inquisição continuava fazendo vitimas enquanto todos os Cainitas da Europa trocavam sinais na areia para indicar
seus compromissos de lealdade. No entanto, essas fronteiras não eram políticas, já que os vampiros não possuíam
habilidade para controlar os chefes de estado ou requerer comissões governamentais para si mesmos (isso é, pelo
menos não em grande escala; alguns vampiros operam em níveis mais baixos do governo até as noites de hoje), mas
especificamente até onde os Membros poderiam estender seu poder. Algumas cidades importantes da Espanha (nas
quais o Sabá predominava) possuíam comunidades poderosas de vampiro da Camarilla, enquanto mais de uma cidade
na França - nas quais os Toreadores e Ventrue exerciam influência - abrigavam grandes populações do Sabá. No final
das contas, a guerra era muito mais uma litania noturna de ataques de guerrilhas do que ações francas em campo de
batalha. Governos fantoches caíram ou mudaram de lado, ordem cavaleirescas se desintegraram, a ciência criava
armas terríveis com as quais podia-se atacar inimigos e ter refúgios queimados como lenha na lareira no inverno.”
(Guia do Sabá, Pág 15-16)

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Sobre a questão do quando o Novo Mundo se manteve por muito tempo à margem do pior da disputa entre as seitas,
alguns Clanbooks da terceira edição são ainda mais claros.

Sobre as primeiras as noites dos cainitas europeus no Novo Mundo o Clanbook Lasombra revela uma curiosa relação
entre a Camarilla e este clã, tão intimamente ligado ao Sabá:

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“Aquelas eram noites de caos, ou foi isso que aqueles que fizeram cedo a viagem me disseram. Separados das
formalidades de governo de seus vários clãs, os emigrantes brigavam constantemente entre si. Esforços para
organizar reuniões continentais de Vaulderie não deram em nada, então os únicos laços confiáveis de unidade eram
locais. Além disso, os emigrantes encontraram um nível de atividade Lupina sem precedentes desde a Idade da Pedra.
Nem conseguimos o continente para nós: a turba da Camarilla (e alguns infiltrados disfarçados de ralé) também
atravessaram o mar, trazendo com eles os protocolos sufocantes que adoram como ‘Tradições’.
Não é preciso ressaltar que, no meio desta luta, nos distinguimos como líderes. A natureza um tanto descentralizada
dos Amigos da Noite significa que os membros do nosso clã nunca estão totalmente isolados, desde que um lanmates
experiente estivesse por perto. Os Tribunais de Sangue tornaram-se, por várias décadas, a coisa mais próxima da
justiça formal no Novo Mundo, e em algumas ocasiões os Amigos chegaram a terceirizar seus serviços para os
cainitas da Camarilla que precisavam ter suas disputas resolvidas. Perceba que nenhum das partes que ainda
permanece ativa jamais questionou isso, no entanto.” (Clanbook Lasombra 3º Edition, pg 26)

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Já o Clanbook Nosferatu, pela voz de um Nosferatu brasileiro, chega a sugerir até mesmo uma espécie de divisão de
tarefas entre as seitas para promover o processo de ocupação do Novo Mundo:

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“Quando a Camarilla e o Sabá ouviram notícias sobre isso, eles também estavam ansiosos para dividir esse admirável
mundo novo entre suas duas seitas. É verdade que a Camarilla e os Cainitas do Sabá geralmente não eram tão
civilizados uns com os outros, mas ainda assim definiam um plano semelhante. Alguns príncipes ricos em Portugal
investiram pesadamente na colonização da costa nordeste, enquanto o Sabá espanhol usava a influência que podiam
para receber novos relatos de exploradores de seus rebanhos mortais. Depois que os exploradores europeus lançaram
as bases para assentamentos no apropriadamente equivocado "Novo Mundo", futuros neófitos seguiriam, ajudando a
desenvolver rebanhos de mortais para a próxima geração de Cainitas.” (Clanbook Nosferatu 3º Edition, pg 37).

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Seja como for, o Clanbook Ventrue deixa claro que o clã, e consequentemente, a Camarilla, se beneficiaram muito da
colonização do Novo Mundo, o suficiente para justificar tais arranjos:

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“Por toda a Europa, o clã Ventrue liderou o caminho para investir e explorar o comércio com o Novo Mundo e a
Ásia. Embora os mortais fizessem a maior parte do trabalho real e os próprios Ventrue raramente viajassem para suas
propriedades estrangeiras, os cofres do Membro aumentavam além do imaginável. Foi nessa época que o clã ganhou
a merecida reputação de clã mais rico do mundo. As receitas desses investimentos originais no exterior ainda servem
como base para a riqueza de muitos anciões europeus nas noites modernas.” (Clanbook Ventrue 3º Edition, pg 24-
25).

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Este panorama histórico é o que nos permite entender o cenário atual para a América do Sul, que é descrito assim
pelo Guia do Sabá:

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"Em um continente infestado de domínios vampíricos feudais e ultrapassados, o Sabá exerce apenas um controle
limitado. A maioria dos Cainitas da America do Sul apoia a existência de domínios privados sustentados por
pequenos círculos de aliados influentes. Levando em conta que esses soberanos vampiros não têm a menor vontade
de arriscar sua posição participando da Jyhad do Sabá, a seita tem tido pouco êxito em suas tentativas de conversão
na região. Além disso, embora as grandes cidades sejam sempre os alvos principais da seita, a economia dos países da
America do Sul não possue o mesmo apelo das existentes na America do Norte e Europa, por isso, são muitas vezes
consideradas alvos secundários devido a sua falta de poder financeiro e — incorretamente — de importância para a
Jyhad. Na verdade, a postura neutra da America do Sul faz com que muitas cidades sejam perfeitas para encontros
com membros de outras seitas ou organizações. Quando um vampiro independente ou da Camarilla tem que fazer um
acordo com o Sabá, existem grandes chances das negociações ocorrerem aqui, muitas vezes convivendo com
criminosos de guerra, expatriados e outros exilados do mundo mortal.

Os vampiros do Sabá da America do Sul são desorganizados e rebeldes. As cidades da região são altamente
independentes e a presença do Sabá em uma cidade é normalmente limitada a um único bando. Alám disso, dado o
relacionamento antagônico com os metamorfos aparentemente onipresentes da regido (que parecem estar envolvidos
em algum tipo de guerra deles), o Sabá considera o continente Sul Americano muito incômodo para qualquer tipo de
viagem.” (Guia do Sabá, Pg 23)

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Ou seja, cidades consideradas relevantes para o cenário mundial Vampiro, como Brasília e o Rio de Janeiro descritos
no A World of Darkness Second Edition, ou a São Paulo apresentada no V20 Companion, são uma exceção na
região.

Assim, um cenário nacional para Vampiro: A Máscara, que siga as diretrizes estabelecidas pelo cânone do Jogo, não
só permite a presença das seitas tradicionais, mas amplia bastante a complexidade e as possibilidades de interação
entre elas, abrindo muito espaço nebuloso para que Autarcas, Anarquistas, Clãs Independentes, outras seitas e cultos
obscuros possam brilhar de uma forma que seria impensável no Velho Mundo e difícil de considerar mesmo em
cenários mais tradicionais na América do Norte, onde, nas noites atuais, as fronteiras entre as grandes seitas são
muito mais delimitadas. Tudo isso, tem o potencial de conferir uma personalidade única para crônicas ambientadas
em domínios tupiniquins.

Afinal, se o caos e a incerteza são a maldição daqueles que levam suas não-vidas na periferia do mundo, é também
aqui, fora das luzes dos holofotes que iluminam o centro do palco, que se tem a chance de obter a melhor perspectiva
do quadro geral e de se manter ocultos os maiores segredos.

COMO EXPLORAR O BRASIL COMO CENÁRIO PARA CRÔNICAS DE VAMPIRO: A MÁSCARA?

PARTE II: OS 7 CLÃS “DA CAMARILLA”

Escrito por: Porakê Martins

Na primeira parte dessa série de artigos sobre como adaptar o Brasil como cenário para suas crônicas de Vampiro,
vimos como a América do Sul em geral, e o Brasil como parte dela, é apontado pelo cânone do jogo como uma região
onde a fronteira entre as seitas é nebulosa e os interesses particulares dos Membros individuais costuma se sobrepor
muito mais do que qualquer laço de fidelidade às seitas.

Além, disso, essa também é indicada como uma região perigosa, onde ainda há muito espaço para o selvagem e o
desconhecido, um destino reservado aos cainitas menos ortodoxos, aos mais misteriosos, aos párias e fugitivos de
toda a espécie que buscam se manter distantes dos domínios de anciões mais tradicionalistas e conservadores na
Europa e EUA.

Embora o V20 tenha trazido muito mais relevância para o Brasil em particular, como também já assinalamos em
nosso primeiro artigo, essa tônica e inserção do país no quadro geral da América do Sul foi mantido.

Agora nos debruçaremos sobre como adaptar cada um dos treze clãs de Vampiro: A Máscara para o cenário nacional,
iniciando pelos sete clãs que os fãs costumam relacionar à Camarilla e partindo do panorama geral que o cânone
estabelece mais especificamente para a cena cainita do Rio de Janeiro:

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“Vampiros de todas as estirpes passam pelos caminhos tórridos do Rio, mas certos clãs são predominantes. Os
Lassombra e Toreadores ainda dominam o Rio, conduzindo os assuntos da cidade (ou simplesmente existentes) com
um estilo e elegância desconhecido para regiões mais estáveis. Brujah também andam aqui em abundância; alguns
são descendentes de escravos ou remanescentes das noites de revolução, enquanto outros são atraídos pelos ritos de
Santeria do Rio e pelos cultos de sangue subversivos. Malkavianos atravessam as ruas a noite, seus excessos são
ignorados pelo rebanho que ri; Tremere deslizam pelas sombras, espiam e vendendo seus serviços; Setitas sibilava
nos becos, oferecendo diversões para satisfazer todos os gostos; e até Assamitas podem ser encontrados aqui, como
assassinos ou praticantes de capoeira (uma arte marcial brasileira).” (A World of Darkness Secnd Edition, pg. 36).
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Este panorama, facilmente generalizado para todo o país, nos oferece uma idéia de quão caótica pode ser a sociedade
cainita tupiniquim. É interessante notar como o cânone de vapiro valoriza a influência africana em nossa cultura,
embora, lamentavelmente, muitos nem se dêem conta do quanto ela é relevante para nós.

O Brasil viveu a grande parte de sua história (quase 400 anos dos pouco mais de cinco séculos que reconhecemos),
sob o regime da escravidão, primeiramente indígena e logo em seguida dos africanos forçados a migrarem para cá, e
também Brasil foi o último país do novo mundo a abolir formalmente a escravidão e aquele que, de longe, recebeu o
maior volume de escravos trazidos do continente africano, tudo isso não poderia deixar de marcar profundamente
nosso país, em especial, quando consideramos a perspectiva de criaturas imortais que, muitas delas, certamente
surgiriam e seriam moldadas por uma sociedade que encarava como algo natural a completa submissão e
objetificação de seres humanos. O que talvez também nos permitisse propor algum nível de relação entre a sociedade
Cainita local e os exóticos legados Laibon, revisados mas ainda mantidos como canône pelo V20.

Na sociedade cainita a pesada herança da escravidão não seria menor nem menos desumana do que é em nossa
própria sociedade. Chega a ser irônico (e até um tanto cômico) que nós mesmos muitas vezes não nos demos conta de
tudo isso, quando até mesmo os autores gringos, apesar de seus inúmeros deslizes ao tratarem de questões
antropológicas minimamente distantes de sua própria realidade mais imediata, demonstrem essa sensibilidade.

BRUJAH

Embora o cânone estabeleça os Toreadores e Lasombras como os senhores da América Central e do Sul, em uma
região com uma história tão conturbada e repleta de episódios como guerras, insurreições, revoltas, levantes e
revoluções, não deveria causar espanto a relevante presença Brujah.

Ao se referir à presença dos passionais membros da “Ralé” cainita nas Américas Central e do Sul, o material oficial
disponível os apresenta assim:

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“Os Brujah infestam as ‘repúblicas’ devastadas pela guerrilha na América Latina, tendo imigrado durante as noites de
conquista e multiplicado-se desde então. Muitos Brujah veem a região como um lugar ideal para erigir outra Cartago
ainda que com a lâmina do facão. Revoluções, opressão e golpes de estado são ímãs para vampiros Brujah. Os Brujah
acham a política tumultuada dos mortais tão inebriante quanto seu sangue. Não é que o clã possa concordar com
qualquer princípio específico, é claro. Para cada Brujah que se liga com um aspirante à presidente, outro luta ao lado
dos rebeldes. Alguns Brujah também são ativos nos cultos de Santeria da região, vivendo o significado alternativo do
nome do clã, "bruxa". Rumores de um coven secreto de feiticeiros Brujah de sangue indígena - com seus próprios
caminhos e rituais - perturbam os Tremere da região”. (A World of Darkness Second Edition, pg. 26-27).
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É interessante notar o curioso vinculo que este trecho estabelece entre os Brujah e, não apenas o turbulento cenário
político da região, mas também seus povos nativos e Magia de Sangue, através de cultos afro-americanos, mesclando
elementos indígenas, africanos e católicos, a chamada “Santeria”, que nós aqui no Brasil costumamos conhecer como
Umbanda, Candomblé e suas variantes.

O livro revisado do Clã, já na terceira edição, detalha e aprofunda ainda mais esses elementos:

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“Ao contrário do Velho Mundo, Brujah nos primórdios das Américas se centralizaram. Isso ocorreu não tanto por
camaradagem, mas pela prática do Abraço - confrontados com recursos significativos no que diz respeito ao sustento
e sem príncipes fortes para impedí-los, muitos Brujah pisaram em terra firme e imediatamente Abraçaram novas
crias. Rabble que seguiu Cortez às grandes cidades astecas instalou-se entre feiticeiros da morte e deuses mitológicos.
Alguns se estabeleceram com os Incas e se banquetearam com o sangue dos fazendeiros de quinoa. Outros ainda se
mudaram para o sul... e nunca mais foram vistos, o que faz com que muitos especulem que algo os destruiu ou eles
aproveitaram a oportunidade para se afastarem da política mesquinha da sociedade vampírica. Alguns seguiram os
portugueses para o que viria a ser o Brasil, mas mesmo essas especulações dos modernos membros sul-americanos
não sabem nada do que aconteceu com os Brujah que viajaram no rastro de Pizarro”. (Clanbook Brujah 3º Edition,
pg. 25)
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Estes elementos relacionando nosso cenário nacional aos Brujah é ainda mais aprofundado e adquire uma maior
relevância com a introdução de uma personagem do metaplot no V20, a nova Justicar Brujah, Manuela Cardoso
Pinto, uma personagem oficial negra e de origem brasileira, antiga Xerife de Natal e membro dos Josianos, uma
espécie de Arconde empenhada especificamente no combate à cultos demoníacos que em algumas situações pode
atuar de forma conjunta com a Inquisição do Sabá. Uma personagem fascinante, descrita no V20 - Beckett's Jyhad
Diary (pg. 232) e no V20 - Dread Names (pg. 53-55), que explora um aspecto pouco lembrado de nossa história, a
pirataria na costa brasileira na época colonial.

A Justicar Cardoso Pinto, aliás, de muitas formas ajuda a sintetizar e entender como os Brujah podem ser trabalhados
de forma bastante única em um cenário nacional. Afinal, no Brasil, a Camarilla está muito longe de ser a força
dominante, como desde sempre foi instituído no cânone do jogo. Em um cenário assim, com a relação que se
estabelece entre os Brujah e as convulsões políticas e sociais na América do Sul, seria esperado que o Clã esteja mais
vinculado aos Anarquistas do que propriamente à Torre de Marfim, mas talvez seja exatamente para buscar unir (ou
simplesmente disciplinar) o Clã em uma região tão caótica, que um de seus membros tenha sido alçado a tão elevada
posição no circulo interno da Seita.

Os fatos de que Cardoso Pinto é referida como uma incansável caçadora de diabolistas, em contraposição a conexão
de pelo menos um dos ramos latino-americanos do Clã com a Magia de Sangue, e o papel que é dito que ela, como
uma negra, cumpre, reprimindo Anarquistas envolvidos com a pirataria contemporânea na costa da África nos oferece
uma idéia de quão dividido o Clã se encontra e quanto ela pode cumprir um papel-chave na tentativa de discipliná-lo
sob a égide da Camarilla.
Uma interpretação possível e coerente com tudo o que foi estabelecido no material oficial seria a de que pelo menos
alguns Brujah brasileiros, representados por Cardoso Pinto, após séculos de caos e conflitos, chegaram à conclusão de
que a melhor maneira de promover seus ideais no país é colaborar com a Camarilla na tentativa de promover o
desenvolvimento e a ordem na região. De qualquer forma, nosso Brujah parecem ter uma identidade própria e
bastante interessante para ser explorada por jogadores e narradores.

GANGREL

Desde a primeira Edição de Vampiro: A Máscara, através de suplementos como o Awakening: Diablerie Mexico, de
1992, está bem estabelecido no cânone do jogo que a presença Gangrel (e Nosferatu) no continente americano e entre
os povos pré-colombianos nativos remonta a séculos (talvez milênios) antes da colonização européia.

Já na segunda edição, a presença Gangrel, mais especificamente no que tange a América Latina, é apresentada assim:

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“Os Gangrel prosperam nas vastas florestas da América Central e do Sul. De fato, algumas linhagens de Gangrel
costumavam habitar aqui desde as noites pré-colombianas. Por aqui, como em alguns outros lugares, eles se sentem
verdadeiramente em casa. Voando com os morcegos vampiros nativos do continente, Gangrel vagam livremente
através das extensões indomadas. Mas essas regiões idílicas também acolhem outros seres, criaturas entre as quais
mesmo os Gangrel devem caminhar cautelosamente. Há coisas estranhas e maravilhosas escondidas nas profundezas
das florestas tropicais, verdade - mas muitas dessas maravilhas têm garras suficientes para decapitar um vampiro
ingênuo.” (A World of Darkness Second Edition, pg. 27).
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Uma presença tão antiga e estabelecida do Clã na região nos oferece oportunidade para explorar uma das partes mais
obscuras e desconhecidas da história profunda do Brasil, as noites anteriores à chegada de Colombo e os conflitos e
relacionamentos entre os povos nativos e os colonizadores portugueses e invasores holandeses e franceses, afinal, em
poucos jogos de RPG, mesmo em crônicas narradas em cenários contemporâneos, o background histórico é tão
relevante quanto em Vampiro: A Máscara. Histórias esquecidas e segredos ocultos são, quase sempre, um tempero
interessante para uma crônica.

No Brasil, não tivemos civilizações urbanas tão notáveis como os Astecas, Maias da América Central e os Incas dos
altiplanos andinos, mas seria ingenuidade imaginar que as fronteiras políticas atuais seriam capazes de conter o mais
andarilho e selvagem dos Clãs de Vampiro. Na verdade registros arqueológicos, em nosso mundo real, como a
refinada cerâmica indígena da Ilha do Marajó ou da civilização Tapajônica, no Pará, e as reminiscências de estradas
indígenas no Sudeste do Brasil, o “Caminho de Peabiru”, são apontados por alguns especialistas como indícios de
interação entre povos indígenas nativos do que viria a ser o Brasil e os Povos Maias e Incas. No universo do jogo, não
seria difícil imaginar os Gangrel na linha de frente desse tipo de intercambio cultural.

Além disso, a peculiar afinidade dos Gangrel pela natureza selvagem e os animais, tornam muito interessante
imaginar e explorar as relações de um ramo nativo tão antigo do clã com a riquíssima fauna brasileira. Seria bem
estranho, por exemplo, imaginar um Gangrel nativo do Brasil assumir a forma de um lobo, um animal completamente
exótico em relação a natureza local, opções mais condizentes seriam onças pardas e pintadas, jaguatiricas, lobos
guarás (que quase nada tem a ver com os lobos verdadeiros além do nome), guaraxains, gaviões reais, jacarés,
sucuris, etc. Ironicamente, as únicas três espécies de morcegos hematófagos conhecidas em todo o mundo são
exclusivas da América Latina e ocorrem naturalmente em quase todo o Brasil, estranho é que os morcegos vampiros
sejam considerados a forma evasiva padrão até mesmo entre os Gangrel do Velho Mundo.

Embora ainda costume ser visto como um clã de certa fora ligado à Camarilla, os Gangrel de um ramo nativo do Clã
não teriam muitas razões para se apegar à Humanidade, dada toda a violência e o massacre dos povos nativos, em
uma região onde a situação das seitas é caótica e potencialmente instável, os Gangrel provavelmente surgiriam como
um Clã claramente independente.

MALKAVIANOS

Loucos estão em todos os lugares, e os rincões miseráveis e exuberantes do Brasil, não devem ser uma exceção.
Porém, o país, como o restante da América do Sul, não parece exercer uma atração especial sobre os membros do Clã
Malkaviano, o que pode soar ironicamente sensato, levando em conta o clima dominante de caos e incertezas que o
cânone designa à região:

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“Mais para o sul, na América do Sul? Hum. Não é um território muito familiar lá embaixo. Às vezes há ecos de
sangue antigo derramado e fogo - mas eles são tão antigos e desbotados. O Chamado não vem muito da América do
Sul; rumores de ambos os lados, da Camarilla e do Sabá, afirmam que alguns dos antigos decidiram se estabelecer
por lá. Não há muito espaço para recém-chegados deixarem sua marca.” (Clanbook Malkavian 3º Edition, pg. 53)
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Na segunda edição, o suplemento “A World of Darkness”, enriquecia esse aparente desinteresse Malkaviano pela
região com toques caricaturescos e sombrios:

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“Os Malkavianos da América Central e do Sul permanecem em grande parte indiferentes às guerras sectárias. A
maioria perambula por toda a parte, aproveitando a turbulenta e instável atmosfera para agir como quiserem. O ponto
de junção e revolta espasmódico dos mortais, entretanto, intriga profundamente os Malkavianos. De fato, alguns
Malkavianos são conhecidos por apoiar movimentos políticos radicais, ou mesmo instigar golpes de Estado,
simplesmente por diversão. (Malkavianos verdadeiramente insanos frequentemente lançam mão da Dominação e
Ofuscação, atuando como demagogos para vários partidos políticos e enviam-nos para concorrer no Dia da Eleição).
Alguns Malkavianos vestem-se com uniformes quase assimilados, enfeitados com dezenas ou centenas de medalhas
ridículas, insígnias, crachás e outras bobagens. Esses Malkavianos muitas vezes tomam títulos tão belamente
ornamentados como ‘O Grande Generalíssimo’, ‘Comandante-em-Chefe e Presidente da Vida’ (preencha o nome
aqui), ‘Chefe de todos os Sanguessugas’ ou ‘O Nobre Cavaleiro da Liberdade’”. (A World of Darkness Second
Edition, pg. 27)
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Apesar da caricatura que este trecho transmite, ele também nos permite aferir que no Brasil, como no restante da
região, os membros do Clã Malkaviano tendem a ser mais sedentos por liberdade e inclinados à manipular os mortais
por mera diversão, o que talvez nos leve a identificá-los mais com o perfil anti-tribo do Clã mais associado ao Sabá.

NOSFERATU

Embora estabeleça nos subterrâneos de Brasília uma fortaleza construída e mantida pelos Nosferatu, é assim que o
suplemento da segunda edição descreve a presença do Clã na América Latina:

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“Os Nosferatu estão desconfortáveis na América do Sul e Central. A maioria prefere evitar toda a área, exatamente
pelos mesmos motivos que os Gangrel se sentem atraídos para essa região turbulenta. Apenas uma coisa leva os
Nosferatu cada vez mais profundo nos territórios inexplorados: a curiosidade. Há simplesmente muito para aprender e
muitos lugares que poderiam conter segredos valiosos para manter os Nosferatu longe. Eles estão um pouco mais em
casa nas cidades, muitas das quais foram construídas sobre as ruínas de antigos fortes espanhóis, assim, oferecem
muitos túneis subterrâneos. Mesmo aqui, a maior disposição dos mortais em perceberem sua presença (e responder de
acordo) evita que os Nosferatu se proliferem em números significativos.” (A World of Darkness Second Edition, pg.
27).
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Obviamente, não há muitos fortes espanhóis no Brasil, mas felizmente os colonos portugueses também possuíam o
costume de erguer esse tipo de construção para assegurar seus domínios coloniais.

Outros suplementos do jogo, inclusive anteriores a esse, como o já citado Awakening: Diablerie Mexico, apontarem
que a presença Nosferatu no continente Americano remonta a séculos antes da colonização européia. Essa idéia é
reafirmada até mesmo no recente V20 – Lore of Clans:

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“Os Conquistadores Cainitas vieram para o Novo Mundo sedentos por terras e sangue fresco. Imagine a surpresa que
despertou em seus corações mofados quando se depararam com vampiros que já estavam aqui: Nosferatu, Gangrel e
uma linhagem que chamava a si mesma de Tlacique”. (V20 - Lore of the Clans, pg. 63).
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Aqui, como no caso anterior dos Gangrel, abre-se a possibilidade de explorar os segredos e mistérios do período
anterior à colonização européia, além de todas as implicações do metaplot envolvendo a construção de Brasília e a
razão dos Nosferatu se sentirem tão acuados no Brasil. Mas diferente dos Gangrel, Nosferatu pré-colombianos
estariam mais ligados às cidades construídas pelos nativos, embora costumemos vincular cidades pré-coloniais
apenas aos povos Maias, Astecas e Incas (nenhum deles nativos do Brasil), descobertas arqueológicas recentes, como
as descritas no livro 1499 – O Brasil antes de Cabral, de Reinaldo José Lopes, tem resgatado a credibilidade de
antigos relatos de colonizadores sobre grandes cidades indígenas em território Brasileiro, nestas cidades, os Nosferatu
talvez pudessem ter reinado secretamente entre nossos indígenas.

Curiosamente, o Livro Revisado do Clã, ao tratar da América do Sul, dá voz a um Nosferatu brasileiro que nos brinda
com muitas informações interessantes:
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“Um Nosferatu brasileiro conclui as festividades da noite: Quanto mais eu estudo os Nosferatu, mais mistérios eu
descubro. Suas histórias sobre a África apenas confirmam isso. Apenas quando penso que descobri uma verdade
definitiva sobre o nosso clã, um de nós encontra um link para um Nosferatu que se escondeu ainda melhor do que
nós. A diversidade do nosso clã é o maior mistério de todos. Há aqueles entre nós que temem o que eles se tornaram
tanto que se escondem de todos, incluindo outros da nossa espécie. Por tudo que sabemos, alguns deles podem estar
entre nós agora, observando e julgando-nos pelo que dizemos. Pensamento sombrio, não é?

Não importa onde vamos, lá estamos nós. Como nosso amigo bestial observou, quando o Sabá viajou pela primeira
vez para a América do Norte, eles ficaram alarmados ao descobrir que já havia variedades exóticas de Nosferatu se
escondendo nas regiões selvagens. Como nosso dyulamansa anacrônico comentou, quando a Camarilla européia
tentou ajudar a ‘civilizar’ o continente da África, eles não deram conta dos Nosferatu africano que já havia
desenvolvido sua própria civilização. O próprio Nosferatu era originalmente um caçador, e seus descendentes saíram
à noite sem medo de nada menos monstruoso que eles. Nosso clã talvez perca apenas para os Gangrel em nosso amor
pelo feral, o indomável, o selvagem.

E quanto a mim - devo contar brevemente a minha história? Eu sou do Brasil, e também conheço Nosferatu, que se
esconderam das depredações de seus irmãos e irmãs nas profundezas do mundo caótico, ‘incivilizado’. Por incrível
que pareça, meus ancestrais perderam seus domínios para os Membros e Cainitas do outro lado do planeta. A
Camarilla lembra o ano em que foi formada; Lembro-me do ano de 1494 e do Tratado de Tordesilhas. Diplomatas
que atuam em nome de Portugal e da Espanha se reuniram para beber vinho, exibir os babados de seus colarinhos e
debater o futuro do continente da América do Sul. Emissários dos dois países traçaram uma linha num mapa grosseiro
(cerca de 50 graus de longitude oeste), decidindo que Portugal obteria a parte oriental do continente, enquanto a
Espanha receberia o resto.
Quando a Camarilla e o Sabá ouviram notícias sobre isso, eles também estavam ansiosos para dividir esse admirável
mundo novo entre suas duas seitas. É verdade que a Camarilla e os Cainitas do Sabá geralmente não eram tão
civilizados uns com os outros, mas ainda assim definiam um plano semelhante. Alguns príncipes ricos em Portugal
investiram pesadamente na colonização da costa nordeste, enquanto o Sabá espanhol usava a influência que podiam
para receber novos relatos de exploradores de seus rebanhos mortais. Depois que os exploradores europeus lançaram
as bases para assentamentos no apropriadamente equivocado "Novo Mundo", futuros neófitos seguiriam, ajudando a
desenvolver rebanhos de mortais para a próxima geração de Cainitas.

A história mortal que se segue é direta e muito relevante para o ponto que estou prestes a chegar. Em 1498, os
europeus exploraram pela primeira vez o interior da América do Sul. Cristóvão Colombo - em sua terceira viagem ao
oeste - aportou perto da foz do rio Orinoco. Um ano depois, Alonso de Ojeda, tenente espanhol trabalhando para o
navegador Américo Vespúcio - e Deus sabe que outro patrono secreto - desembarcou na costa norte. Embora os
Membros europeus não soubessem nada dos Gangrel, Nosferatu e outros vampiros que já estavam escondidos por lá,
eles escolheram príncipes e anciãos para dividir os domínios de um continente que eles nunca tinham visto. Muitos
que iniciaram a jornada perigosa através do Atlântico receberam seus títulos muito antes de pisarem em seus novos
domínios.

Na borda do mapa, os exploradores colocariam uma legenda: Aqui há monstros. E com certeza, quando neófitos
transplantados começaram a se alimentar de colonos mortais, haviam Nosferatu que já estavam lá, se escondendo e
esperando. Como aconteceu com tantos outros lugares no mundo, mais exploradores e mercadores europeus
chegaram - Francisco Pizarro em 1509, Jiménez de Quesada em 1538 e assim por diante - e os vampiros europeus
ansiosos por reivindicar novos domínios viajaram em seu rastro. No final do século 16, os colonos europeus haviam
estabelecido as fundações das cidades, e os vampiros ricos usavam a influência que podiam para protegê-los.

O interesse dos invasores se intensificou após a descoberta de veios de ouro e prata no fundo da terra. Esse fervor não
diminuiu quando souberam que parentes distantes de nosso clã também se esconderam ali. Os Nosferatu do
continente sul-americano permaneceram intactos até que os mortais, motivados por senhores mortais ou invisíveis,
começaram a escavar a terra atrás da riqueza que conseguissem encontrar. Ao mesmo tempo, a população indígena
foi dizimada por doenças européias; aqueles que sobreviveram foram freqüentemente forçados à servidão.

Nós não temos forças para resistir à Camarilla ou ao Sabá; nós nos arrastamos mais fundo em nossos domínios, pois
nossos rebanhos foram escravizados ou destruídos, mas dentro de um século, nosso território estava limitado aos
túneis e esgotos sob as cidades da Camarilla e do Sabá. Nosso legado permaneceu como sempre, em favelas, esgotos
e rios de merda. Você diz que escolheu esse destino, mas eu não. Nós não. O que me leva a pensar....” (Clanbook
Nosferatu 3º Edition, pg. 37)
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Este longo trecho trás um novo elemento de grande interesse: além da presença de Nosferatu nativos e de origem
européia, ele introduz a presença de uma terceira vertente do clã por essas bandas, Nosferatu de origem africana.
Seriam esse uma referência direta aos orgulhosos Guruhi? Teriam membros do altivo Legado Laibon que governa a
sociedade dos mortos-vivos africanos também cruzado o Atlântico?
TOREADOR

Os Toreadores são apontados nos livros oficiais de Vampiro: A Máscara (ao lado dos Lasombra) como os verdadeiros
senhores da América do Sul, um dos clãs mais influentes da região, provavelmente, o principal pilar do limitado
poder da Camarilla por essas bandas.

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“Os Toreador tiveram sua chance na América Central. Em algum lugar ao longo do caminho, seus esquemas
desandaram. A Cidade do México foi, um dia, a Meca de artes de renome mundial, mas agora é pouco mais do que
um antro arruinado. Poucos Toreadores insistem em reviver a fabulosa Tenochtitlan, e a turbulência das outras nações
centro-americanas dificilmente é convidativa ao Clã da Rosa. Na América do Sul, no entanto, o clã ainda é forte, de
fato. Muitos Toreadores vivem entre a elite fabulosamente rica, tendo todas as suas necessidades satisfeitas por um
séquito de escravos e adoradores. Alguns Toreadores, emulando os Brujah, tornatm-se figuras centrais em cultos de
Santeria, adaptando os rituais às suas necessidades por sangue. O Brasil e a Argentina possuem grandes populações
de Toreadores: decadentes, ricos e tão diversificados quanto as aves tropicais nas imediações.” (A World of Darkness
Second Edition, pg. 27).
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Este quadro de relevância e ambigüidade é simbolizado pela presença de uma personagem de muito destaque para
toda a América do Sul, possivelmente para o Brasil também, a Matusalém, Alexandria, uma poderosíssima Membro
do Clã, introduzida na Segunda Edição do Livro do Clã Toreador, como a misteriosa Príncipe de Buenos Aires,
reapresentada na Enciclopédia Vampírica, na Terceira Edição, inicialmente essa personagem seria “apenas” uma
Matusalém de 5ª Geração que desembarcou com Francisco Pizarro na região em 1531, mas é plantado o rumor de que
ela seria, na verdade, a lendária Callisti y Castillo, progenitora de ninguém menos do que o famoso Rafael de
Corazon (conforme referências do Children of the Inquisition, pg. 35), secretamente ligada ao Inconnu (conforme
referências do Children of the Night, pg. 97) e possivelmente uma Membro da 4ª geração, outros rumores a
identificam como a infame e renomada ladra de obras de arte, "Red Ludwig".

É curioso que o Clã, que não costuma estar associado à coragem e ousadia na mente de muitos jogadores, tenha sido
um dos primeiros a desbravar o Novo Mundo. Este fato, porém, não só é reafirmado pelo histórico da Príncipe de
Buenos Aires, como está presente na descrição oficial do cenário do jogo para o Rio de Janeiro, onde é estabelecido
um vinculo entre a presença dos primeiros Toreadores com os colonos franceses que tentaram ocupar a região antes
mesmo dos portugueses, em meados do século XVI. O Livro Revisado do Clã, não deixa qualquer margem de dúvida
sobre esse ponto:

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“Muitos Toreador estavam na vanguarda do movimento dos Membros para as Américas. É verdade que alguns
ficaram para trás para mergulhar em seu conforto, mas muitos mais queriam ver os novos territórios, experimentar
esse novo lugar que nenhum deles havia visto antes. A América era um brinquedo, um novo canto do playground a
ser investigado. Alguns Toreador tornaram-se exploradores com o passar do tempo, levando a fronteira americana
para o oeste. Alguns ajudaram a matar e subjugar os nativos. Outros, como na África, descobriram as culturas nativas
e tentaram ajudar os nativos. Neste momento, a comunicação na fronteira era difícil, então essa divisão de atitudes
causou menos distúrbios no clã do que a questão da escravidão nos anos anteriores.
Mais tarde, vários Toreadores viajaram entre o que restava dos nativos americanos, coletando e publicando suas
histórias. Alguns deles ainda perseguem esse objetivo - algumas dessas coleções agora podem ser encontradas em
livros ou em páginas da Web. A história oral dos índios fascinou esses Toreador, assim como sua mitologia. É uma
sorte para nós que esses contos sobrevivam - e é uma pena que tantos outros tenham sido perdidos. Esse é o preço do
progresso.” (Clanbook Toreador 3º Edition, pg. 35-36).
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Por fim, é importante notar que apesar de antiga e relevante a presença Toreador por aqui estaria muito longe de ser
heterogênea e isenta de conflitos:

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“Você já reparou que os livros didáticos falam de escravos, mas eles nunca falam de donos? Eles nos dão algo para
nos entristecer, mas nunca alguém por quem sentir raiva. É como se a escravidão tivesse acontecido magicamente por
si mesma, como se ninguém realmente tivesse cometido e perpetrado esses crimes terríveis. Indígenas sul-americanos
e africanos foram todos escravizados, mas ninguém o fez. Bom Deus, quão estúpidas eles pensam que somos?

A questão da escravidão dividiu o clã por um tempo, tanto quanto qualquer causa pode dividir o Clã da Rosa - um
botão fresco enquanto a questão permaneceu na moda. Pode ser mais correto dizer que isso resultou em várias
rodadas de disputas que se concluíram com os Toreadores fazendo o que sempre fazem: seguir seu próprio caminho.”
(Clanbook Toreador 3º Edition, pg. 29).
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Há, inclusive, espaço para Toreadores Antitribu, ligados ao Sabá, como a ameaçadora Amazona Inquisidora,
Allisandra, mais conhecida como Mercy (Piedade), uma Toreadora Antitribu carioca, ligada ao candomblé e a
Feitiçaria de Sangue, descrita na página 18 do suplemento Children of the Night, da terceira edição.

TREMERE

A presença Tremere no continente americano é bem mais antiga do que muitos poderiam esperar:

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“De mãos dadas com a turbulência na Europa, veio a descoberta e exploração do Novo Mundo - as Américas. Os
Anciões podem ter ridicularizado a colonização da fronteira (‘Por que se preocupar, quando todas as conveniências
da civilização permanecem aqui?’), mas o conselho rapidamente indicou Tremere para explorar esses recursos.
Poucas décadas após a descoberta do Novo Mundo, os Tremere já haviam enviado agentes para os assentamentos
espanhóis, ingleses, franceses e holandeses, e se preparavam para viajar assim que as populações alcançassem um
nível capaz de apoiar os Membros.

Infelizmente, o Sabá parecia ter chegado às Américas também; Os jovens que procuravam fugir dos mais velhos e
esculpir os seus próprios domínios acharam a ideia de novas terras tentadoras. De maneira usual, pensamos que seria
melhor nos entrincheirarmos para que pudéssemos levantar as defesas apropriadas. Nós sutilmente encorajamos o
desenvolvimento de fortalezas, o armamento da população e a expansão contínua das cidades.
Naturalmente, não estávamos totalmente despreparados para a eventual separação das colônias do domínio europeu.
As opiniões diferem sobre se o Sabá esperava que a independência colonial também significasse a separação dos
anciãos europeus, ou se os esforços da Camarilla para armar e defender o território encorajavam a propagação da
rebelião. Independentemente disso, as colônias se revoltaram; a guerra tornou-se a ordem do dia - e da noite.

A guerra colonial provou ser benéfica para o clã e a Camarilla. As várias escaramuças forneceram uma excelente
cobertura para o conflito direto entre os agentes da Camarilla e o recém-nascidos Sabá. Portos bombardeados e
cidades queimadas também destruíram os refúgios inimigos. Enquanto isso, coletamos cuidadosamente grande parte
de nossos trabalhos em bibliotecas ou fortificações defensáveis; os exércitos que saqueariam um prédio do governo
prestariam pouca atenção a uma biblioteca, e as defesas das capelas ajudaram a dissuadir os invasores e ajudaram a
proteger as cidades onde residiam.

Quando a guerra colonial acabou, conseguimos espalhar nossa influência em grande parte do continente americano e
também no Canadá. Oportunidades permitiram que nosso clã expandisse e concedesse posições a jovens e
promissores membros, fortalecendo assim a lealdade e ampliando a cadeia da pirâmide. O Sabá foi empurrado de
volta para o México, onde sua influência caótica ajudou a conduzir o país à pobreza e destroços, ou confinado a
climas mais frios do norte. (Clanbook Tremere 3º Edition, pg. 19-20).
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É assim que a principal fonte de referência para o cenário oficial do jogo para a América Central e do Sul descreve a
presença Tremere na região:

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“Os Tremere têm uma forte presença na região, liderados pelo membro do Conselho Interno Xavier de Cincao.
América Central e do Sul, com suas antigas civilizações e impérios perdidos, seguramente guardam segredos
esquecidos valiosos para os Tremere. Alguns guerreiros intrépidos se aventuraram no interior. A maioria deles está
perdida para sempre, mas, ocasionalmente, um Tremere emerge com algum artefato perdido das noites pré-
colombianas.” (A World of Darkness Second Edition, pg. 28)
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Sem dúvida, os Tremere, ao lado dos Toreadores, são um dos principais pilares da Camarilla na América do Sul, a
presença de Xavier de Cincao, um dos sete membros do Circulo Interno do Clã, simboliza essa posição, embora seja
estabelecido na Segunda Edição do Livro do Clã que ele mantém seu refúgio na Venezuela e, mais recentemente, no
V20 – Beckett’s Jyhad Diary, seja mencionado que esse personagem desapareu e pode ter sido destruído após o
surgimento de uma obscura linhagem de cainitas nativos.

VENTRUE

Historicamente e de forma geral, os “sangues-azuis” foram um dos últimos Clãs a se deslocarem para o “Novo
Mundo”, mas nem por isso deixaram de ser influentes por aqui:

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“Por toda a Europa, o clã Ventrue liderou o caminho para investir e explorar o comércio com o Novo Mundo e a
Ásia. Embora os mortais fizessem a maior parte do trabalho real e os próprios Ventrue raramente viajassem para suas
propriedades estrangeiras, os cofres dos Membros aumentavam além do imaginável. Foi nessa época que o clã
ganhou a merecida reputação de clã mais rico do mundo. As receitas desses investimentos originais no exterior ainda
servem como base para a riqueza de muitos antigos europeus nas noites modernas.” (Clanbook Ventrue 3º Edition,
pg. 24-25).

“Os Ventrue demoraram para acompanhar pessoalmente seus investimentos coloniais, especialmente no Novo
Mundo. Enquanto os apoiadores Ventrue enriqueceram com seus ‘parceiros’ britânicos, o Sabá se ocupou
estabelecendo refúgios em todas as grandes colônias ao longo da costa leste norte-americana. Jovens Ventrue e outros
Membros da Camarilla em busca de oportunidades viajaram para o Novo Mundo, mas não em números comparáveis
aos Lasombra, Tzimisce e outros Cainitas alinhados ao Sabá.” (Clanbook Ventrue 3º Edition, pg 25).
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O interessante nesse trecho é que ele estabelece o vinculo entre os Ventrue e a Coroa Britânica, aliada histórica da
Coroa Portuguesa, responsável pela escolta da Corte Real Portuguesa em sua transferência de Lisboa para o Rio de
Janeiro e pelas pressões que coibiram o tráfico transatlântico de africanos escravizados para o Brasil, dois dos mais
relevantes episódios da história do País. De fato, na segunda edição do suplemento “A World of Darkness”, é bem
estabelecido que o Clã Ventrue é o mais influente, tanto na Inglaterra, como na Holanda, o que também abre a
possibilidade de explorar a questão nos episódios das tentativas de invasão holandesa no Brasil.

Especificamente sobre a presença do Clã nas Américas Central e do Sul na atualidade, é dito o seguinte:

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“Os Ventrue estão frequentemente envolvidos nas corporações norte-americanas que exploram as ‘repúblicas de
bananas’ da região, mas relativamente poucos Ventrue fazem seu refúgio aqui. O ambiente é muito mais adequado
aos seus rivais Lasombra, e a presença generalizada do Sabá torna a área perigosa demais para eles. Ainda assim,
alguns Ventrue residem aqui, administrando os negócios dispersos da Camarilla, mas são estrangeiros por aqui e
sabem disso. Parecem menos como príncipes e mais com governadores provinciais.” (A World of Darkness Second
Edition, pg. 28).
-------------

Embora os interesses Ventrue na região de fato pareçam convergir na direção dos interesses estrangeiros, é
importante notar também, que o material oficial não restringe o clã ao arquétipo do gringo loiro de olhos azuis e
sotaque carregado, há muito mais diversidade entre os Ventrue do que alguns poderiam supor:

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“A composição étnica dos Ventrue do Novo Mundo é predominantemente caucasiana, com proporções de
descendentes núbios, asiáticos ou hispânicos semelhantes aos do mundo mortal. Em partes menos cosmopolitas do
mundo, a diversidade étnica é ainda menos comum”. (Clanbook Ventrue 3º Edition, pg. 38).
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COMO EXPLORAR O BRASIL COMO CENÁRIO PARA CRÔNICAS DE VAMPIRO: A MÁSCARA?

PARTE III: OS CLÃS “DO SABÁ”, INDEPENDENTES E LINHAGENS

Escrito por Porakê Martins

Neste terceiro e último artigo sobre como abordar o cenário nacional em crônicas de Vampiro: A Máscara nos
debruçaremos sobre os clãs que de fato dominam a América do Sul, e consequentemente o Brasil, aqueles que, em
geral, decidiram não se unir à Camarilla e não se submeter às amarras da Máscara e da Humanidade.

Até a segunda edição, o jogo se concentrava na Camarilla e o Sabá e Clãs independentes não passavam de “monstros
no armário”, elementos exóticos, sobre os quais pouca coisa poderia ser afirmada e cujo objetivo era fornecer ao
narrador a liberdade para surpreender e subverter as expectativas dos jogadores. Então, é natural que muitos fãs do
jogo relutem em aceitar o Brasil e a América do Sul como uma região onde Clãs Independentes e ligados ao Sabá
costumam ser mais influentes que os tradicionais Clãs “da Camarilla”.

A terceira edição, contudo, passou a dar um destaque muito maior ao Sabá, estabelecendo definitivamente a Espada
de Caim, como um contraponto jogável à clássica abordagem da Camarilla, um contraponto que propõem explorar
outras facetas dos dilemas morais apresentados em Vampiro, se uma forma potencialmente mais madura (e
perturbadora) do que os fãs estavam acostumados.

Alguns fãs do jogo eventualmente poderiam se sentir ofendidos com o fato de, em meio ao caos da sociedade cainita
da América do Sul, a balança pender favoravelmente ao Sabá, mas a verdade é que nada seria mais coerente com o
reflexo sombrio da nossa realidade que o Mundo das Trevas se propõem a ser.
De forma geral, o jogo relaciona o desenvolvimento social e aparente tranquilidade à hipócrita e elitista Camarilla,
deixando para o Sabá as regiões mais subdesenvolvidas e obviamente imersas em violência e caos social. O Brasil é
um dos países com os maiores índices de desigualdade social no mundo e que concentra algumas das cidades mais
violentas do planeta, então, se esperamos ver no universo do jogo uma versão ainda mais sombria e extrema dessa
realidade, não há muito para onde fugir. Monstros espreitam em cada sombra em nossas metrópoles e por aqui há
pouco espaço para sutilezas e comedimento, mesmo para aqueles que preferem se ocultar sob a hipócrita máscara de
civilidade da Camarilla.

ASSAMITAS

Em um primeiro olhar, os Filhos de Haquim podem parecer um tanto deslocados na imagem paradisíaca e tropical
que domina o imaginário sobre a América do Sul. Em uma região de ampla maioria cristã, um clã tão associado no
jogo ao Oriente Médio e à cultura árabe e mulçumana é normal pensar que a presença Assamita por aqui não seria
muito relevante.

Apesar de reconhecer um certo vínculo do Clã com a cultura afro-brasileira e até um grau aparentemente inusitado de
adaptação à cultura do país, ao mencionar membros do clã que seriam reconhecidos como praticantes de capoeira
quando apresenta o cenário do jogo para o Rio de Janeiro, é assim que o suplemento A World of Darkness descreve a
presença Assamita na América do Sul:

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“Os Assamitas encontram pouco interesse na região. Mas eles buscam qualquer vampiro que precisam de seus
serviços, isso é suficiente.” (A World of Darkness Second Edition, pg. 28).

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O Livro Revisado do Clã, mantém a tônica de uma presença Assamita pouco relevante no “Novo Mundo”, mas
estabelece alguma relação, esta de fato muito inusitada, entre os Filhos de Haquim e culturas nativas da América
central e do Sul.

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“O Novo Mundo não tinha nenhum atrativo especial para nós, mas alguns de nossos guerreiros partiram para terras
estrangeiras em busca de uma cura para a maldição ou uma oportunidade de deixar para trás sua desgraça. As
colônias norte-americanas eram muito inóspitas para a maioria de nós, exceto para os não-conquistados que se
encontravam nas costas americanas. No entanto, os povos nativos de Aztlan era um assunto diferente. Membros das
três castas se estabeleceram nas cidades da selva, saturando-se em selvagens ritos de sangue e maravilhados com as
realizações fascinantes dessas culturas. Alguns desses pioneiros, ou seus descendentes, ainda permanecem nas
grandes cidades do México e do Brasil e em imponentes ruínas nos Andes”. (Clanbook Assamite 3º Edition, pg. 26-
27)

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Para a maioria dos jogadores, pouco familiarizados com detalhes da história do Brasil e da África, pode soar
igualmente inusitadas as ideias de Assamitas capoeiristas e imersos na cultura de povos pré-colombianos. Mas com
um pouco de conhecimento histórico é possível entender que os autores do jogo não propuseram algo tão absurdo
quanto pode parecer.

A relação entre o Oriente Médio e o norte da África é antiga e remonta ao período pré-colonial, desde o século VII,
muitos séculos antes da Era das Grandes Navegações, o mundo assistiu a expansão árabe em direção ao Magreb
(noroeste africano que abarca os atuais territórios do Marrocos, Argélia, Tunísia, Mauritânia e Líbia), caravanas
mercantes estabeleceram-se entre a África e Oriente Médio, mesclando povos e culturas ao longo de séculos. Essa
influência secular da cultura árabe e mulçumana sobre a áfrica foi transportada para o Brasil através dos africanos
escravizados, em especial os escravos mulçumanos oriundos daquela região, conhecidos no Brasil como malês.

Essa influência foi tão marcante que pode ser vista mesmo hoje, e de forma bastante óbvia, no uso de turbantes e em
elementos da religiosidade e da cultura afro-brasileira como o estabelecimento da sexta-feira como dia sagrado –
consagrado à Oxalá - (em contraposição ao sábado dos judeus e ao domingo dos católicos). Todo esse sincretismo
histórico e cultural, certamente se refletiria também no Clã Assamita, em especial entre seu ramo Antitribu,
conhecido por admitir membros das mais diversas ascendências e por não terem aceitado jamais se submeter aos
ditames da Camarilla.

Já o vínculo sugerido com os povos nativos pré-colombianos seria algo muito mais recente na história Assamita, mas
ainda assim, faz sentido se considerarmos como essas culturas valorizavam a pratica de sacrifícios rituais e as
oferendas de sangue aos seus deuses. No contexto do jogo é mais do que possível relacionar essas práticas a poderosa
magia de sangue, o que dificilmente deixaria de chamar atenção dos Filhos de Haquim e abre margem para explorar o
exotismo e os mistérios pouco conhecidos das culturas pré-colombianas em suas crônicas, renovando a sensação de
inesperado mesmo entre os grupos mais experientes de jogadores.

GIOVANNI

Fica bem estabelecido no cânone do jogo uma influência antiga e relevante dos clãs Giovanni e Seguidores de Set,
dois clãs independentes, poderosos e cheios de mistérios, na América do Sul.

Em linhas gerais é assim que o referido suplemento aborda a presença Giovanni na América do Sul:

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“Onde outros veem uma região selvagem, os Giovanni veem uma oportunidade. O potencial de lucro na região é
muito alto, e não há motivo para deixar as colheitas fáceis para os Ventrue ou Lassombras. Há dinheiro a ser feito e
poder a ser arrancado de outros que são fracos demais para manter suas antigas heranças. Há ainda muitas culturas
pré-colombianas que praticavam intrigantes formas de necromancia, praticas que o Clã da Morte ficaria muito feliz
em unir a seus próprios ritos.” (A World of Darkness Second Edition, pg. 28).

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Também fica estabelecido que a presença Giovanni no Novo Mundo é uma das mais antigas na região:

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“No início do século 16, Hernando Cortês liderou uma expedição à colônia espanhola de Cuba para investigar contos
de um rico império indígena no México. Sendo oportunistas, alguns Giovanni foram junto com Cortês. O que eles
descobriram foi o Império Asteca e sua capital Tenochtitlan e uso formal de necromancia em uma escala que os
Giovanni jamais tinham visto. Os Giovanni ficaram impressionados. Os conquistadores, por outro lado, ficaram
horrorizados. Então, os espanhóis fizeram a única coisa que um grupo de cristãos tementes a Deus poderia fazer
quando confrontado com uma cultura que eles não puderam entender. Eles abateram todos e pilharam seus pertences.
Idiotas estúpidos.

Como eu disse, os Giovanni que viajaram com Cortês ficaram impressionados com as habilidades necromânticas
evidenciadas pelos sacerdotes astecas. Com sua própria necromancia, os Membros notaram dificuldade em se
aventurar na parte asteca do submundo. Aparentemente um grupo de espíritos europeus também tinha marchado junto
com a expedição de Cortês. Logo, essas aparições se uniram a outras, e, eventualmente, esses idiotas ignorantes
tomaram como escravos os fantasmas dos astecas, que eram tão mal preparados para se defender como seus
homólogos vivos tinham sido. Essas aparições zelosas eram ainda mais minuciosas que os conquistadores, destruindo
as almas de milhares e milhares de espíritos nativos.

Muito em breve, toda a carnificina em ambos os lados do sudário tornou-se terrível o suficiente para desencadear
outro maelstrom. Os Giovanni tinha lidado com uma situação semelhante meros dois séculos antes e assim estavam
cientes do que estava acontecendo. Os sacerdotes astecas foram apanhados completamente de surpresa, no entanto.

Não querendo ver tal talento em necromancia completamente destruído, os Giovanni em Tenochtitlan enviaram
mensagens para casa via espiritual pedindo permissão para abraçar alguns desses sacerdotes pagãos. Augusto e os
anzianos ficaram intrigados e concordaram. Então nossos rapazes aproximaram-se dos sacerdotes, que se referiam a
si mesmos como pisanob (que é um termo maia que traduz como algo como "fantasmas dos mortos que andam na
terra”), com sua oferta e foram escoltados até seu líder, um sujeito conhecido como Pochtli. Aparentemente, isso
provou ser interessante para ele porque Pochtli continua a ser a cabeça pouco atraente do ramo Pisanob do clã
Giovanni a as noites atuais.

Eu costumava me perguntar por que os Giovanni que visitaram Tenochtitlan foram tão rápidos em abraçar os
Pisanob. Quanto mais eu pensava nisso, comecei a perceber quanto a história dos astecas espelhava a da primeira
família Giovanni. Ambos eram grupos de refugiados que foram forçados por circunstâncias além seu controle para se
mudar para uma nova pátria. Ambos estabeleceu-se em uma área rude e desfavorável e, através da força de vontade,
ajudaram a esculpir uma cidade poderosa de grandiosa arquitetura, entrecruzada por imponentes canais – os Giovanni
em Veneza, os Pisanob em Tenochtitlan. E ambos usaram as artes das trevas da necromancia para se capacitarem,
apenas para ter esse poder negado quando foi mais necessário pelos efeitos de uma infernal tempestade de espíritos
no Submundo.” (Clanbook Giovanni 3º Edition, pg. 30-31).

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O México dos Astecas fica um pouco distante da América do Sul, mas os domínios Pisanob se estendem até lá, o que
também inclui o Brasil:

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“Os Pisanob tiveram tempos difíceis. Embora a maioria de seus refúgios em templos no interior do México
permaneçam seguros, muitos paraísos Pisanob no México foram comprometidos. Entre os ataques descontrolados do
Sabá e conflitos no Submundo com os Precursores do Ódio, os Pisanob foram sitiados antes mesmo do maelstrom no
mundo espiritual. Quando metade de seus servos fantasmagóricos foi destruída em um instante, os Pisanob ficaram
finalmente vulneráveis à vingança dos espíritos que esperavam uma chance desde antes de Colombo chegar à
América. A única razão pela qual o templo de Pochtli sobreviveu é que o maelstrom e suas consequências pegaram os
inimigos de Pisanob de surpresa, assim como os próprios Membros. Os Precursores do Ódio sofreram o apocalipse
fantasmagórico pelo menos tanto quanto os Giovanni da América Central e do Sul. Quanto a outros Pisanob, eles se
viram frequentemente alvos de um grupo de humanos que afirmam ser movidos por um poder superior para
reivindicar o mundo. Ser o cão líder no México fez com que o Sabá fosse atacado por esses caçadores, enquanto os
poucos vampiros mexicanos da Camarilla sentam-se presunçosamente e se felicitam pela proteção da Máscara.
Numerosos Pisanob também encontraram seu fim nas mãos desses caçadores mortais, presos entre as seitas em guerra
ou sacrificados para salvar a pele de outro Membro.

Com o México sobrenatural em grande parte desordenado, a organização da família é uma bagunça. Os Pisanob
individuais ainda são comparativamente confiáveis e eficazes, trabalhando como mercadores de armas, mercenários
ou (se eles são tradicionais) atendentes hospitalares no resto da América do Sul e Central.” (Clanbook Giovanni 3º
Edition, pg. 43)

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Outro ramo Giovanni que parece usufruir de um vinculo especial com a região é a família Ghiberti. Os Ghiberti
estiveram bastante envolvidos com o tráfico de escravos e seus estudos em necromancia os tornaram muito
familiarizados com o misticismo de origem africana que deu origem a praticas como as da Umbanda, no Brasil.

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“Os Ghiberti que adquirimos no início do século XVII, quando ficou óbvio quanto dinheiro estava apenas esperando
para ser feito no comércio entre os Estados Unidos, a África Ocidental e a Índias Ocidentais. Seus contatos com os
povos indígenas da África (que era mais do que apenas um acordo de negócios com alguns desses caras, se você
entende o que eu quero dizer) também proporcionou aos Ghiberti uma oportunidade única para estudar esses povos e
seu conceito de morte, como suas ideias sobre as quatro partes das almas e reencarnação espiritual. Os Ghiberti ainda
desenvolveram sua própria variação de Necromancia, a Cenotaph Path, que se preocupa com rastreamento e ligações
com as aparições - não muito diferente do que esses caras estavam fazendo para os viventes na África, se você me
perguntar”. (Clanbook Giovanni 3º Edition, pg. 32).

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Os Giovanni são notadamente influentes na Colômbia, onde segundo o World of Darkness Second Edition mantém
uma aliança com os Seguidores de Set para controlar a maior parte dos poderosos cartéis de narcotráfico do país; e no
Uruguai, país que já foi parte do Brasil, caracterizado pela grande imigração europeia, estabelecido como domínio
controlado pelos Giovanni. Faz bastante sentido que no Brasil o clã também tenha adquirido algum destaque,
sobretudo considerando a relevância histórica do país como principal destino para o trafico transatlântico de escravos
de origem africana, seu papel atual como rota do narcotráfico internacional e a imigração e vínculos históricos entre o
Brasil e a terra natal dos Giovanni, a Itália.

LASOMBRA

Os Lasombra foram os primeiros cainitas a acompanharem os colonizadores europeus até o Novo Mundo e
reivindicam a América do Sul como seu domínio, embora tenham estabelecido importantes e antigos tratados com os
Toreadores no Rio de Janeiro e Buenos Aires. Muito da influência do Sabá na América do Sul reflete o poder
Lasombra sobre a região:

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“A América do Sul permanece em grande parte hospitaleira, para além das grandes áreas selvagens da Amazônia. Em
Buenos Aires, nosso clã tomou a iniciativa de elaborar um pacto sensato com os Toreadores da área, que mantém os
conflitos da seita no mínimo graças em parte aos Tribunais de Sangue. Eles costumam resolver disputas antes de se
intensificarem.” (Clanbook Lasombra 3º Edition, pg. 34)
“A América do Sul é um terreno de treino e um campo de caça para os Guardiões. Eles deslizam através das noites
tropicais se deleitando com o sangue quente dos enxames de presas que os cercam. Em nenhum outro lugar, salvo
talvez na Espanha, os Lassombra estão mais em casa. Aqui, o clã é forte e decisivo. Aqui, esses orgulhosos rebentos
dos conquistadores podem governar como deveriam, sem ninguém para detê-los. Poucas regiões estão completamente
desprovidas de Lasombras, e o clã é indiscutivelmente o mais forte do continente. Além disso, os Lasombra se
infiltraram na hierarquia católica da região, o melhor lugar para atacar os Setitas.” (A World of Darkness Second
Edition, pg. 28).

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Este último trecho faz referência aos Seguidores de Set, que são outra força relevante no Novo Mundo, sobretudo em
relação aos Tlacique, a linhagem Setita nativa que eles encontraram entre os povos nativos. Os Lasombra, com sua
influencia sobre a nobreza ibérica e a igreja, são o clã que melhor representa os colonizadores e o processo de
colonização europeia da América do Sul, assim como o massacre dos povos nativos:

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“Não revelo um grande segredo quando digo que apesar de nossos melhores esforços, não conseguimos expulsar a
Camarilla da Europa. Essa não deve ser nenhuma grade surpresa, é claro. Dos clãs fora da Camarilla, só nós e os
Giovanni tivemos presença significativa na Europa Ocidental. Os outros foram todos, em seus respectivos caminhos,
marginais, ligados a outras terras. Nós tivemos fervor do nosso lado - fervor divino, eu gosto de pensar, um eco da
paixão que moveu Caim - mas nos faltavam os recursos.

Inevitavelmente, então, examinamos alternativas. A Camarilla sabia sobre as descobertas do outro lado do Atlântico,
assim como nós, é claro. Eles simplesmente não se importavam, exceto por um interesse passageiro nas cidades
astecas e incas. Nós não tivemos o luxo de deixar passar o interesse - tivemos que encontrar novos reinos para nós
mesmos. Foi assim que, individual e coletivamente, navegamos com os próprios corsários do nosso clã (e mortais
inconscientes) para esculpir impérios nas terras dos selvagens.

Eu vejo uma pergunta em seus rostos. Sim, eu disse ‘selvagens’. Eu não me importo com as conquistas sociais que
eles alcançaram antes da chegada dos europeus. Um povo que não constrói grandes cidades não é um povo digno
para se alimentar, e muito menos candidatos dignos para o Abraço. A noção europeia de que a cidade define a
civilização é, pelo menos em parte, um tributo à nossa influência, e é uma das grandes verdades de nossa espécie,
apesar dos Gangrel e outros ainda piores. Apoiamos empreendimentos de assentamento em todo o mundo para criar
casas adequadas para nós mesmos.

Aquelas eram noites de caos, ou foi isso que aqueles que fizeram cedo a viagem me disseram. Separados das
formalidades de governo de seus vários clãs, os emigrantes brigavam constantemente entre si. Esforços para
organizar reuniões continentais de Vaulderie não deram em nada, então os únicos laços confiáveis de unidade eram
locais. Além disso, os emigrantes encontraram um nível de atividade Lupina sem precedentes desde a Idade da Pedra.
Nem conseguimos o continente para nós: a turba da Camarilla (e alguns infiltrados disfarçados de ralé) também
atravessaram o mar, trazendo com eles os protocolos sufocantes que adoram como ‘Tradições’.

Não é preciso ressaltar que, no meio desta luta, nos distinguimos como líderes. A natureza um tanto descentralizada
dos Amigos da Noite significa que os membros do nosso clã nunca estão totalmente isolados, desde que um lasombra
experiente estivesse por perto. Os Tribunais de Sangue tornaram-se, por várias décadas, a coisa mais próxima da
justiça formal no Novo Mundo, e em algumas ocasiões os Amigos chegaram a terceirizar seus serviços para os
cainitas da Camarilla que precisavam ter suas disputas resolvidas. Perceba que nenhum das partes que ainda
permanece ativa jamais questionou isso, no entanto.

O tema dos paralelos entre nossas práticas e várias tradições que os selvagens praticaram é justificado, mas em
alguma outra ocasião. É suficiente dizer que, assim como incorporamos diferentes tradições europeias para nos
adequar ao nosso corpo emergente de rituais, também nos baseamos nesses costumes desconhecidos. Infelizmente,
enquanto nos engajamos nesse sincretismo, a principal força da própria Camarilla chegou no final do século XVII;
em 1700, importantes enclaves surgiram na maioria das cidades portuárias e em alguns assentamentos internos.
Nossas táticas de tomadas bruscas se saíram melhor na fronteira, então nos concentramos lá, deixando para trás
muitas outras opções.

Fomos melhor na América Central e do Sul. O México, claro, tem sido nosso quase desde Cortez. Nós estávamos lá
quando a antiga cidade de Tenochtitlan se tornou a Cidade do México, com literalmente quilômetros de ruas perfeitas
para nossos encontros. Nós fomos mais lentos para seguir Pizarro e sua laia, mas isso é culpa da Amazônia e das
criaturas que odeiam fanaticamente os Cainitas que moram lá. Levou tempo para encontrar rotas seguras para novas
fortalezas do Sabá nas montanhas e margens do sul. Não quero lhe dar a impressão de que não fizemos nada nas
colônias de língua inglesa e francesa, apenas que era mais difícil progredir. Por alguma razão, os ‘Membros’ da
Camarilla das nações do norte fizeram um trabalho melhor em agarrar as oportunidades do que seus primos do sul.
Enfrentamos a competição mais acirrada ao longo da costa atlântica do norte e descemos o St. Lawrence Seaway.
Seus instrutores, tenho certeza, apontaram que, como um clã, raramente tentamos conduzir os assuntos humanos,
simplesmente para lucrar com eles, conforme nossos interesses. A questão dos conquistadores e dos astecas é uma
exceção interessante. Dois estudiosos Lasombra acompanharam a segunda expedição ao México e escutaram com
grande interesse os relatos dos sacerdotes astecas de como os sacrifícios a Huitzilopochtli, deus do sol, asseguravam
que o sol aumentaria a cada dia. Essas eram noites de ambição às vezes de loucura entre nosso clã, e um par de
bandos espanhóis decidiram que poderiam ser capazes de mergulhar o mundo em escuridão eterna, eliminando os
astecas.

Essa não era uma ideia tão ridícula quanto você imagina. Os primeiros viajantes do Sabá no Novo Mundo
encontraram antigos taumaturgistas à espreita nas florestas, praticando caminhos desconhecidos no Velho Mundo.
Alguns deles pareciam ser muito velhos, Matusaléns de fato, talvez até mesmo Antediluvianos cujos nomes foram
perdidos para a história. Francamente, não parecia inteiramente fora de questão que eles pudessem ter um magia
poderosa afetando o sol, ou pelo menos a passagem da luz para a Terra.

Nós não fizemos o grande genocídio. Aliás, nem os europeus, diretamente, pelo menos. As doenças fizeram a maior
parte do trabalho muito antes dos exércitos terem chegado. Como clã nós provimos de fundos as missões de
conquista, e usamos nossa influência para apoiar o sonho da conquista nos momentos em que más notícias poderiam
enfraquecer o compromisso mortal com a causa. Tudo isso equivalia a ajudar os mortais a fazer o que já haviam
decidido fazer, mas os tornamos mais eficientes do que eles teriam sido de outra forma.

Como você sabe, o sol não se apagou quando os sacrifícios a Huitzilopochtli vacilaram e pararam. Uma pena”.
(Clanbook Lasombra 3º Edition, pg. 26-27)

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RAVNOS

É assim que a principal fonte de referência oficial sobre a América do Sul apresenta a presença Ravnos na região:

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“Os nômades Ravnos gozam de uma grande liberdade na América do Sul. Onde todos são aliados potenciais, até os
Ravnos são tratados com uma certa cortesia. Ravnos muitas vezes atuam como traficantes, movendo itens ou pessoas
através de fronteiras nacionais e alfândegas. Finalmente, alguns Ravnos recordam que muitos nazistas vieram para cá
se esconder após a Segunda Guerra Mundial. Esses Ravnos ansiosamente apoiam os demônios que mataram suas
famílias mortais, saboreando os gritos de soldados orgulhosos que uma vez clamaram apenas cumprir seu dever”.
(World of Darkness Second Edition, pg. 28).

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Em uma região caótica onde o poder das Seitas é limitado como a América do Sul, apesar de todos os perigos que
possa esconder, os andarilhos Ravnos se sentem bastante à vontade:

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“Enquanto a Camarilla sofria suas dores crescentes e a Inquisição começou a desacelerar (pelo menos no que diz
respeito a destruir os Membros), as nações europeias estavam construindo impérios. Como a maior parte da Europa já
havia sido explorada, a ‘civilização’ viajou para o oeste e para o sul e estabeleceu colônias na África, América do
Norte e América do Sul. Naturalmente, como a exploração envolvia viagens, os Ravnos não ficavam muito atrás.

Com os anciãos da Camarilla e suas reivindicações de dominação austera sufocando toda a vida fora da Europa, o
chamado Novo Mundo representou uma nova oportunidade. Muitos Ravnos, sem dúvida, encontraram a chance de
aproveitar o nascimento de novas – e perigosas - nações. Ainda assim, não importa o quanto as coisas fiquem ruins
nas novas fronteiras, os Ravnos que foram para lá provavelmente encontraram uma nova existência preferível a lidar
com os príncipes da Camarilla que tinham o peso de sete clãs por trás de suas proclamações. Não, a autoridade da
Camarilla não tornou os Ravnos mais bem-vindos na Europa do que havíamos sido antes. Na verdade, mais príncipes
mostraram vontade de nos dar um bote - especialmente se não tivéssemos o claro apoio de mentores, Ravnos ou
outros. Os ciganos tinham a vantagem porque viajavam em grupos relativamente grandes, grandes o bastante para
deixar os príncipes cautelosos em mantê-los.

Em vez disso, os governantes locais apenas ‘encorajaram’ os ciganos a avançar rapidamente. Na África, as coisas
eram diferentes. Os Ravnos tinham vivido lá por muito tempo, competindo com os Setitas, Assamitas, Nosferatu e
Gangrel por território e existindo entre civilizações amplamente esquecidas pela sociedade mortal. Com o aumento da
colonização e expansão, as coisas mudaram consideravelmente. Previsivelmente, a Camarilla seguiu suas
contrapartes mortais para todos os quatro cantos do mundo e estabeleceu seus pequenos feudos ao lado das colônias
recém-nascidas.

Eu quero deixar algo claro - nós não somos exatamente como os Gangrel. Onde um Gangrel cruza uma cadeia de
montanhas para ver o vale do outro lado, sua contraparte Ravnos atravessará uma cadeia de montanhas para colocar
as montanhas entre ele e quaisquer inimigos que ela deixou para trás. Eu não estou dizendo que os Ravnos se
propõem a fazer inimigos, mas parece quase inevitável. Se um Ravnos está na cidade e algo de ruim acontece, o
Ravnos é o culpado. Mesmo quando estamos no nossa melhor atitude, podemos ter problemas apenas por estarmos na
área.

Eu quero estabelecer este ponto para colocar a migração dos Ravnos para o Novo Mundo no contexto apropriado.
Nem todos os europeus que vieram para a América do Norte, por exemplo, migraram porque tinham sede de viajar.
Muitos viajaram para o oeste para deixar seus respectivos passados para trás. Nós viajamos ao lado deles, exatamente
pela mesma razão. O Novo Mundo não tinha príncipes anciões com estruturas de poder firmemente entrincheiradas e
redes de apoio construídas ao longo dos séculos. Na melhor das hipóteses, os ancillae príncipes só estavam presentes
há décadas, e eram muitas vezes gratos por apoio, não importava de onde viesse.

A maioria dos Ravnos viajou para as Américas em busca de domínios onde os príncipes simplesmente não eram
fortes o suficiente para oferecer o tipo de indulgência e arrogância que os anciãos europeus exalavam como suor. Isso
me faz pensar o que aconteceu no ínterim.” (Clanbook Ravnos 3º Edition, pg. 29)

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Mais uma vez, esse trecho faz referência entre as relações históricas entre a América do Sul e a África, lembrando o
Legado Laibon relacionado aos Ravnos – conhecido como Kinyonyi - que dividiu por muito tempo o território
africano com membros de outros clãs “entre civilizações amplamente esquecidas”. Essa lembrança, juntamente com a
marcante presença histórica de adeptos do hinduísmo na Guiana e no Suriname, nos permite diversificar a
representação dos Ravnos na América do Sul e, consequentemente, no Brasil.

SEGUIDORES DE SET

O Novo Mundo, a América do Sul e, por consequência, o Brasil, são um solo fértil para os Setitas. Há pelo menos
duas linhagens Setitas exclusivas da região que encarnam alguns dos aspectos mais peculiares da cultura sul-
americana.

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“Os seguidores de Set são fortes aqui, tendo adquirido há muito tempo um seguidor entre os imigrantes africanos da
região. Mais do que até os Brujah e os Toreador, os Setitas criaram cultos de Santeria da região e, assim, tentaram
afastar os mortais da Igreja Católica e sua escória Lasombra. Não deveria ser preciso dizer que os Setitas também
estão fortemente envolvidos nos notáveis cartéis de drogas da Colômbia, da Bolívia e do Chile, embora enfrentem
uma forte concorrência do Sabá e dos Giovanni. Os setitas também estão enraizadas em grande parte do cenário
político da América Central; seus "missionários", muitas vezes, introduzem elementos do culto à Set nas crenças
maias existentes, transformando os nativos em seu culto de sangue com intenção de derrubar violentamente os
europeus”. (World of Darkness Second Edition, pg. 28).

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Este trecho do suplemento World of Darkness Second Edition estabelece os elementos centrais da presença setita na
região. Eles se contrapõem aos Lasombra, onde os Guardiões do Sabá encarnam o domínio cristão dos colonizadores
europeus, os Setitas personificam o misticismo pagão e visceral dos povos nativos e de seu legado africano, através
dos membros da Linhagem Tlacique e dos Serpentes da Luz, envolvidos com os povos nativos, cultos pagãos, cartéis
de narcotráfico e tráfico de pessoas.

É assim que a edição revisada do livro do clã descreve a situação:

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“O antigo tráfico de escravos resultou em um ramo secundário da tribo Setita africana no Caribe e na América do Sul.
Estes foram realmente os primeiros seguidores de Set a alcançar o Novo Mundo. Eu não sei porque os Setitas
africanos seguiram seus parentes mortais através do Atlântico. Nas últimas décadas, muitos alegam que seus senhores
vieram para ‘vingar os crimes contra seu povo’. Eu não posso encontrar nenhuma evidência dessa fábula antes de
1950, então, eu não acredito. Os Setitas Africanos simplesmente queriam uma participação nos lucros das plantações?
Eles temiam que os escravos se movessem além do alcance do culto? Eu suspeito que muitos fugiram de inimigos
mais poderosos na África, mas ainda não posso comprovar essas suspeita. Até o século 19, esses setitas afro-
americanos tiveram ainda menos contato com o clã original do que primos que permaneceram na África.

Outros Setitas vieram para a América junto com imigrantes mais dispostos da Europa, do Oriente Médio e de todo o
mundo. Alguns cultos se moviam em massa, fugindo dos Cainitas hostis ou das autoridades civis. A maioria desses
Setitas e seus cultos se estabeleceram na apinhadas cidades industriais da Costa Leste e do Centro-Oeste. O Red
Hook Temple em Nova York, por exemplo, foi fundado em 1893 como um templo filho do Typhoeum de Alexandria.

Muitos desses Setitas orientais eram jovens: neófitos ou ancillae na esperança de ganhar glória, levando o culto de Set
para novos locais. Outros jovens Setitas não tinham zelo religioso e viajaram para o oeste para escapar da
desaprovação de seus anciãos. Muitos destes jovens setitas preferem o aspecto comercial do nosso clã no lugar do
conhecimento ou a fé no Deus das Trevas. Eu simpatizo com seu desejo de trabalharem para si mesmos no lugar de
servir ao Deus das Trevas (ou ao Hierofante que afirma ter encontrado com ele). Por outro lado, às vezes eu me canso
de outros vampiros supondo que trafico narcóticos ou exploro prostitutas.

Só a partir da Segunda Guerra Mundial Setitas mais velhos de cultos orientais e do norte da África se aventuraram
nas Américas. Alguns Setitas do Novo Mundo os honram como professores e superiores iniciados. Outros se irritam
com os anciões que chegam para assumir o controle seus templos, ou que os exortam a maior piedade. A fé de meu
clã não é gentil; uma lição de um ancião setita sacode a alma até as raízes. Faz tremer pensar em um ancião
considerando você um estudante promissor. O culto setita chamado de Corte de Wepwawet tentou mais do que
trabalho missionário. Nos anos 70 e 80, os Wepwawetans tentaram forçar novos errantes do Novo Mundo de volta à
sua ideia de ortodoxia. Eles reprovam especialmente os setitas afro-caribenhos, que tinham esquecido a existência de
Set. Os Setitas do Caribe lutaram e finalmente se viraram para o Sabá buscando proteção. Eles agora chamam-se de
Serpentes da Luz e buscam a destruição do fundador do clã. Sua esperança é vã, mas todos os vampiros parecem
propenso a vinganças impossíveis. Nossos missionários e os deles agora se esforçam para ganhar a lealdade do outra
comunidades de Setita de origem africana América do Sul”. (Clanbook Followers of Set 3º Edition, pg. 34)

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Os Seguidores de Set podem reconhecer os Serpentes da Luz como os primeiros verdadeiros setitas na América, mas
a verdade, ignorada por muitos Membros do ramo principal do clã, é que os setitas já estavam por aqui muito antes
dos colonizadores europeus, embora eles próprios não se considerem Seguidores de Set e se autodenominem
Tlacique:

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“Contemple os servos do Sol. Os Conquistadores Cainitas vieram para o Novo Mundo sedentos por terras e sangue
fresco. Imagine a surpresa que despertou em seus corações mofados quando se depararam com vampiros que já
estavam aqui: Nosferatu, Gangrel e uma linhagem que chamava a si mesma de Tlacique. Seriam esses últimos um
novo Clã? Não havia nenhuma alusão sobre eles, não em todos os velhos registros, mas esses vampiros nativos eram
antigos e poderosos.

Os Tlacique se reivindicavam descendentes do deus asteca da noite e da magia. Os Membros europeus assumiram
que este tal Tezcatlipoca deveria ter sido o progenitor Matusalém de uma linhagem muito antiga, talvez dos Gangrel
ou mesmo dos Seguidores de Set. Mas o que impressionou os cainitas do Velho Mundo foi a forma como os Tlacique
viviam. Eles não apenas influenciavam os mortais que encontraram, mas governavam abertamente, como deuses, de
uma maneira que não se ouviu desde Cartago. Um culto de sacrifícios. E de rios de sangue em êxtase. Imagine!

Eles eram os filhos de um deus, reflexos do Espelho Fumegante. Acreditavam que isso os colocava acima de mortais
e vampiros. Sua crença era de que seus rituais e o consumo de sangue mantinha o sol vivo e em movimento. Eles
tinham um lugar no drama cósmico. Ao contrário dos Seguidores de Set, seu progenitor divino nunca haviam sido
banidos.

Esses antigos deuses do sangue fizeram negociações cautelosas com os recém-chegados. A Camarilla poderia ter
conquistado um oitavo Clã, não fosse pela ganância. Todos sabemos o que os conquistadores fizeram com os nativos.
Os Tlacique então decidiram se aliar ao Sabá. Bem, isso não funcionou. O Sabá adorava seus rituais sangrentos, mas
carecia de propósito espiritual. Os Tlacique protegiam uma ordem divina e o Sabá se opunha a essa mesma ordem.
Então a Espada de Caim dizimou os filhos de Tezcatlipoca.

Eles estão dispersos, mas alguns permanecem. Ocultos, buscam unirem-se e reconstruir seu poder. Eles se espalham
pela América Central, do Sul e do Norte. Buscam trazer de volta do Torpor seus anciões que não foram devorados
pelo Sabá e abraçam novas crias. Nós fazemos amizade com eles quando podemos. Compartilhamos o amor pelos
segredos sombrios e pela feitiçaria primordial. Ajudamos e os exortamos à vingança. O Sabá tem algo desagradável
em seu encalço e nem sabem disso. Certamente não seremos nós que diremos a eles.” (V20 - Lore of the Clans, pg.
63).
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TZIMISCE

Embora os Lasombra sejam os senhores inquestionáveis da América Latina, o papel dos Tzimisce nessa terra não
deve ser subestimado, a ferocidade e crueldade levou os Demônios a cumprirem um papel de destaque na linha de
frente da colonização europeia nos territórios hostis do Novo Mundo:

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“Novamente estivemos na proa do Sabá enquanto a tempestade da história se enfurecia sobre nós. Jovens membros
de seitas fugiram para o Novo Mundo, na esperança de ganhar a liberdade que os mais velhos e o fracasso da Revolta
Anarquista lhes negaram. Certamente, muitos Lupinos atormentavam as extensões virgens das Américas, mas pelo
menos o Sabá poderia combater essa ameaça. A seita não poderia travar abertamente a chamada revolução na Europa.
Em vez disso, a Camarilla jogou seus jogos de política e intriga habilmente, frustrando a seita, privando-nos de
apoiadores e conquistando nossos territórios. Muitos antitribu saíram primeiro, seguidos por suas jovens crias.

Os mais velhos Tzimisce não podiam deixar seus lares ancestrais para trás, independentemente de seus compromissos
com o Sabá. Em vez disso, eles nos encorajaram, os Demônios mais jovens, a atravessar o Atlântico primeiro e nos
ofereceram grandes comitivas de revenantes. Foi o máximo que os Tzimisce europeus quiseram arriscar nessa
jornada. Essa falta de visão nos custou, no entanto, porque não podíamos confiar em revenantes leais a mestres a
centenas de quilômetros de distância; isso permitiu que um bom número escapasse para as regiões selvagens. Ainda
assim, aqueles de nós que sobreviveram à viagem de dois meses de barco espalharam-se pela nossa nova casa e
levaram consigo a iniciativa do Sabá. Era um mundo vibrante e violento, desde os conflitos com os nativos até a
eventual independência colonial.” (Clanbook Tzimisce 3º Edition, pg. 25).

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A experiência dos antigos vovoides Tzimisce em combater os lupinos que assolavam os Cárpatos deve ter sido
valiosa às suas crias pioneiras que desbravaram os territórios do Brasil e da América do Sul enfrentando todo o tipo
de ameaça zoomórfica. O fato de que por séculos a nobreza ibérica e os voivodes Tzimisce compartilharam o ódio
contra o Império Otomano e o empenho em relação as cruzadas, certamente poderia fundamentar uma aproximação
entre os interesses Tzimisce e os da elite espanhola e portuguesa.

E mesmo na atualidade o cenário caótico da região soaria particularmente convidativo aos Demônios do Sabá:

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“Os Tzimisce desfrutam da América Central e do Sul: os governos repressivos facilitam a criação de feudos privados
e a subjulgação sem medo de retaliação, mas a disparidade da riqueza assegura uma variedade de serviços e luxos não
disponíveis na África ou na Ásia. Os Tzimisces se infiltram em muitos dos governos da região. Certas histórias
infames sobre o que se verifica em prisões políticas de ditadores são de fato relatos confusos dos passatempos de
Tzimisces”. (A World of Darkness Second Edition, pg. 28).

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LINHAGENS

Coerente com tudo o que é estabelecido no material oficial acerca da América do Sul ser um território caótico e com
muitas regiões inexploradas pelos Membros, este é o cenário ideal para encontrar as mais exóticas e obscuras
linhagens cainitas:

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“Muitos dos membros da região não pertencem a nenhum clã conhecido. Os Samedi são conhecidos por percorrerem
a área, servindo a qualquer que pague seu preço. Outros rumores estranhos estão relacionados à existência de outras
criaturas, produtos de antigos sobreviventes deixados para seguir seu caminho entre as selvas, pampas e desfiladeiros.
Na verdade, poucos membros europeus podem declarar com certeza exatamente o que habita por aqui”. (A World of
Darkness Second Edition, pg. 28).

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Além dos emblemáticos Samedi, que facilmente seriam encontrados no Brasil, sobretudo em regiões mais ao norte do
país (como o Maranhão, Pará, Amapá e Amazonas), a hostilidade e violência dessa região parece adequada para
exigir a força bruta (e potencialmente descartável) de linhagens como os Gárgulas e Irmãos de Sangue.

Reconhecida como uma região remota, onde, em geral, o poder das grandes seitas é bastante limitado, a América do
Sul, em geral, e o Brasil, mas especificamente, seria um destino particularmente atrativo para qualquer membro
remanescente de Linhagens obscuras e há muito esquecidas, como, inclusive, é apresentado no V20, onde o país é o
cenário para o ressurgimento da Linhagem Angellis Ater, através da introdução da Anátema brasileira, Francisca
Santos dos Rodrigues (vide V20 - Dread Names, Red List, pg. 53).

É no derradeiro suplemento do V20, Beckett’s Jyhad Diary, que pela primeira vez são apresentados os “Legados
Afogados” (Drowned Legacy, no original), que seriam linhagens ou variantes de clãs desconhecidas e nativas da
América do Sul, mais ou menos como os Laibon africanos, o que abre aos narradores a possibilidade de surpreender
seus jogadores com todo o tipo de linhagem bizarra e desconhecida, embora a opção por abordar figuras do folclore
latino-americano para inspirar as linhagens propostas no suplemento pareça conferir a elas uma pegada muito mais
voltada à temática de Changeling: O Sonhar, do que de Vampiro: A Máscara.

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