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SIDERURGIA

A CARVÃO
VEGETAL
ÍNDICE

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................. 01
2 . FONTES DE ENERGIA PRIMÁRIA ............................................................... 02
3. FONTES TERMO-REDUTORAS ..................................................................... 04
4. ASPECTOS TÉCNICOS ENTRE A SIDERURGIA A CARVÃO VEGETAL
E COQUE NO BRASIL. ........................................................................................ 06
4.1 CARACTERÍSTICAS DO TERMO REDUTOR ...................................... 06
4.2. GARANTIA DE SUPRIMENTO ............................................................. 07
4.3. PREVISÃO DE PREÇOS ......................................................................... 07
4.4. TECNOLOGIA CONHECIDA E DOMINADA ...................................... 09
4.5. FLEXIBILIDADE DE ESCALA .............................................................. 10
4.6. VANTAGENS SOCIAIS .......................................................................... 10
5. A PRODUÇÃO DE CARVÃO VEGETAL NO BRASIL. ................................ 11
5.1. ORÍGEM DA MATERIA PRIMA. ........................................................... 11
5.2 PRINCIPAIS PROBLEMAS DOS PROCESSOS DE
CARBONIZAÇÃO UTILIZADOS NO BRASIL .................................................. 13
5.2.1. PROBLEMAS AMBIENTAIS ........................................................... 13
6. IMPACTOS AMBIENTAIS DO CARVÃO MINERAL .................................. 15
6.1 CICLO DE PRODUÇÃO E USO DO CARVÃO ...................................... 16
6.1.2 EXTRAÇÃO DO MINÉRIO ............................................................... 16
6.1.3 PREPARAÇÃO E PURIFICAÇÃO DO CARVÃO ........................... 17
6.1.4 TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO .......................................... 18
6.1.5 COMBUSTÃO .................................................................................... 18
7. SIDERURGIA A CARVÃO VEGETAL E COQUE E O CICLO DO
CARBONO ............................................................................................................. 22
8. CONCLUSÃO .................................................................................................... 26
9. BIBLIOGRAFIA ................................................................................................ 28

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1. INTRODUÇÃO

Segundo o MME, 1998, 35% da energia primária do Brasil é originaria de


recursos renováveis. MOREIRA, 1993 explica que em contraste com outros países
em desenvolvimento, o Brasil diferencia-se por utilizar uma porção significativa da
biomassa em setores industriais considerados modernos, como transporte,
siderurgia, metalurgia, cimento e outras industrias.
O primeiro alto forno siderúrgico do país foi posto em funcionamento em
1888, no estado de Minas Gerais, desde então a produção siderúrgica nacional
cresceu exponencialmente, impulsionada, principalmente até nas décadas passadas,
a carvão vegetal como termo-redutor (RIBEIRO, 1974).
Nos últimos anos, na siderurgia nacional vem se verificando mudanças de
utilização das fontes termo-redutoras para a produção de ferro gusa, optando-se pelo
coque importado, substituto do carvão vegetal.
Dentre muitos outros fatores causadores destas mudanças, destaca-se a
redução dos custos do carvão mineral em relação ao carvão vegetal. Entretanto,
existem questões bem mais complexas envolvidas, pois os custos ambientais e
sociais envolvidos também devem ser levados em consideração. Além disso, muitos
outros aspetos técnicos devem ser considerados.

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2 . FONTES DE ENERGIA PRIMÁRIA

A energia primária em uso no nosso planeta provém basicamente de duas


fontes: o sol e as reações provocadas pela fusão ou fissão nuclear.
Pode-se ainda as fontes primárias de energia segundo o quadro esquemático
apresentado abaixo.

HIDRAULICA
ENERGIA
NUCLEAR HEOLICA
RENOVÁVEL
DIRETA

ENERGIA BIOMASSA
SOLAR
PETRÓLEO
NÃO
GÁS NATURAL
RENOVÁVEL
CARVÃO

Quadro 1. Classificação das principais fontes primárias de energia.

Os materiais de origem fóssil hoje são responsáveis hoje pela maioria da


energia consumida no mundo e exatamente esta utilização intensiva característica
deste século, levou a aproximação de seu horizonte de esgotamento.
BORGES e COLOMBAROLI, 1978 afirmam que “uma característica
importante destes produtos é sua extrema concentração em um pequeno grupo de

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países, o que lhes confere uma conotação política mais importante que a econômica,
seja pela alta dependência do mundo por estes insumos, seja pela utilização do poder
conferido pela posse das riquezas para a criação de alternativas de desenvolvimento
que lhes garantam a futura sobrevivência”.
O relatório “Beiyond Petroleum”, em seu volume 1 (Biomass Energy
Chains), 1975, já concluía: “nem todos os riscos e custos sociais e ambientais podem
ser convertidos em seus equivalentes em moeda, porque, paras certos casos, ainda
não existe tecnologia disponível e talvez ene venham a existir, que possa garantir a
eliminação destes riscos. Como exemplo, os problemas de resíduos nucleares e a
recuperação de terras após a mineração a céu aberto de carvão mineral são
problemas ainda não resolvidos. De outro lado a geração de energia por processos
térmicos transfere sempre energia para o ambiente, resultando em elevações de
temperatura.

FRONTES DE ENERGIA PODER CALORÍFICO


(Kcal/Kg)
MADEIRA 4.200
C. VEGETAL 7000
GASOLINA 11.500
ÓLEO DIESEL 10.000
ÓLEO COMBUSTÍVEL 10.500
C. MINERAL 7.500
PETRÓLEO 10.800
QUDRO 2. Poder calorífico inferior de alguns combustíveis

Quanto as formas renováveis de energia, a mais utilizada em nossos dias é a


hidroelétrica, cabendo ainda destaque a utilização de madeira, principalmente no
hemisfério sul. As reservas ainda utilizáveis de energia hidráulica são aquelas mais
distantes dos grandes centros de consumo, de alto custo de aproveitamento e,

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principalmente, transporte. Quanto as demais formas renováveis de energia como o
álcool de cana-de-açúcar, o seu aproveitamento ainda esta comprometido em larga
escala com programas de desenvolvimento tecnológico que permitam a sua
transformação e disponibilidade contínuas.
Há um grande potencial de geração de energia renovável de biomassa nos
trópicos. O sol fornece a Terra cerca de 700w/m2, de energia. A média de insolação
de da região intertropical bem a média do potencial disponível para a capitação
fotossintética. O rendimento possível para captação e fixação de energia nas plantas,
pode chegar a 2% (BORGES e COLOMBAROLI, 1978). Tem-se assim, um imenso
potencial a ser explorado.

3. FONTES TERMO-REDUTORAS

O processo de produção de ferro gusa consiste em retirar oxigênio, através de


reações termoquímicas em um alto forno, do minério de ferro (Fe2O3), previamente
preparado (pelotizado), produzindo ferro metálico. Para que isto seja possível, é
preciso que hajam, além das condições adequadas, uma fonte termoredutora, ou seja,
que forneça energia ao mesmo tempo que proporcione as devidas reações de
redução.
Os termo-redutores mais importantes para a siderurgia são:

1. carvão mineral;
2. carvão vegetal;
3. derivados do petróleo;
4. gás natural.

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Salvo a injeção de óleo combustível nas ventaneiras dos altos fornos, as duas
últimas fontes mencionadas são utilizadas principalmente para a redução direta, tem
aplicação bastante limitada.
O termo-redutor siderúrgico mais importante é o coque.
Os combustíveis fosseis são carentes em todo mundo, sobretudo na faixa
tropical do hemisfério sul. Esses recursos energéticos encontram-se em poder de
poucos países, que controlam o seu mercado.
O carvão mineral, insumo básico para a siderurgia convencional, ainda que
abundante, apresenta sua reservas concentradas em poucos países.
Pode-se verificar pelo QUADRO 3. a posição delicada dos países que
dependem do da importação de carvão mineral para sua siderurgia, tanto no que diz
respeito a garantia do seu abastecimento, quanto aos preços que deverá pagar no
futuro por esta matéria prima.

PAÍS %
RÚSSIA 38,72
ESTADOS UNIDOS 26,67
CHINA 14,33
ÍNDIA 1,70
EUROPA 11,21
AFRICA 1,70
AMERICA DO SUL 0,14
JAPÃO 0,14
OCEANIA 3,55
RESTO DO MUNDO 1,84
TOTAL 100,00
QUADRO 3. Reservas Mundiais de Carvão
Economicamente Recuperáveis.

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Para o caso do Brasil, sobretudo Minas Gerais, o carvão vegetal ocupa lugar
de destaque entre as opções energéticas para a produção de gusa. Os países carentes
de energia fóssil, desde que apresentem condições favoráveis, podem possuir
siderurgia carvão vegetal como termo-redutor.
Esta condição é plenamente exeqüível mediante um planejamento adequado,
sobretudo para aqueles países de elevado índice de insolação e clima adequado a
produção econômica de biomassa com fins energéticos.

4. ASPECTOS TÉCNICOS ENTRE A SIDERURGIA A CARVÃO VEGETAL E


COQUE NO BRASIL.

4.1 CARACTERÍSTICAS DO TERMO REDUTOR

O carvão vegetal possui baixos teores de cinza (não mais que 3%) e enxofre
(praticamente zero). O baixo teor de cinzas permite trabalhar com menor volume de
escória, resultando economia em fundentes (menos que 100Kg/ton de gusa,
enquanto o coque produz cerca de 260Kg/ton de gusa produzido). O baixo teor de
enxofre resulta na produção de gusa com mínimo teor desta impureza nociva,
permitindo que o produto seja utilizado diretamente em aciarias ou fundições e
dispensando o tratamento de dessulfuração, necessário quando se utiliza carvão
mineral. Além disso, o carvão vegetal é cerca de dez vezes mais reativo na reação de
regeneração do CO, gás redutor responsável pela redução do minério de ferro.
Entretanto a baixa densidade do carvão vegetal, associada a alta friabilidade e
pequena resistência a compressão, geram grande quantidade de finos (20 a 30%) e
limitam o tamanho dos altos fornos. A tecnologia atual prevê o total aproveitamento
destes finos pela sua injeção nas ventaneiras dos altos fornos ou para a obtenção de

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sínter e briquetagem, com economia energética e sem inconvenientes de eliminação
de rejeitos. A baixa densidade do carvão vegetal (são necessários 3 m.d.c. de carvão
vegetal/ ton. de gusa produzido) também influencia no tempo de residência da carga
metálica, que demora cerca de duas vezes mais, em relação ao coque, quando este
termo redutor é utilizado.

4.2. GARANTIA DE SUPRIMENTO

Contando com a geração interna de seu termo redutor, a siderurgia de um país


carente em energia fóssil nunca dependerá dos problemas de outras nações ou da
conjuntura mundial para o abastecimento de seus altos fornos. A sua autonomia
ficará condicionada a suas fronteiras.
Por outro lado, essa geração interna de energia economizará divisas e
contribuirá no balanço comercial do país, visto que todos os insumos necessários
para essa geração podem ser obtidos internamente.

4.3. PREVISÃO DE PREÇOS

O custo do termo redutor fóssil foge do controle da empresa e do país, sujeito


a constantes aumentos, ditados pela carência e por problemas políticos e
estratégicos.
A empresa que adquire suas terras e implanta suas florestas tem condições de
prever o custo final do termo redutor e adequar seus planos de produção e preços do
produto acabado em bases sólidas, remunerados todos os fatores que intervêm no
processo.
Entretanto, Segundo SILVA et alii, as quedas nos preços coque, oriundas da
queda geral de preços dos combustíveis e também do ferro gusa, provocaram a

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diminuição no preço pago pelo carvão vegetal, o que pode provocar o aumento na
tendência de substituição deste insumo pelo de origem fóssil, muitas vezes mais
viável economicamente.
Um fator que esta sendo considerado no controle dos custo e na formação de
preços do carvão vegetal é o transporte. Portanto a inexistência de um sistema
adequado de transporte, é uma das grandes limitações para a competitividade entre
as materiais primas. Verifica-se que, em condições desfavoráveis, o transporte pode
significar um aumento de até 50% nos custos do carvão posto na usina (ALFARO,
1985).
Segundo ALFARO, 1985, o fornecimento de carvão vegetal torna-se cada vez
mais problemático, uma vez que as áreas de produção estão cada vez mais se
distanciando dos centros consumidores, provocando um aumento no preço do
produto, devido ao aumento do custo do transporte, no caso rodoviário.
Outro fator importante a ser considerado nos custos de produção do carvão
vegetal é o valor da terra. Com o passar do tempo fica mais difícil a obtenção de
terras próximas aos centros consumidores, contínuas de boa produtividade.
Normalmente os fatores que contribuem para isto são a expansão da fronteira
agrícola, expansão urbana, demanda imobiliária, etc. Estes fatores inviabilizam
muitas vezes a aquisição de grandes faixas de terras para a implantação d
reflorestamentos.
O aumento produtividade florestal também afeta sobremaneira a redução dos
custos do carvão vegetal, podendo significar, a depender da taxa de desconto, um
aumento na renda do empreendimento mais que proporcional à produtividade
(BERGER, 1975 citado por ALFARO, 1985).
MAGALHÃES, 1993, comenta que o futuro do carvão vegetal esta
intimamente ligado a capacidade do setor em responder os seguintes desafios:
 substituir o carvão nativo pelo de reflorestamento, em 100%, conforme
prevê a legislação atual e mesmo assim gerar um produto de qualidade e
baixo custo, conforme as necessidades da siderurgia;

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 incorporar novos plantios próximos às usinas, com vistas a cumprir a
legislação atual;
 remunerar a madeira em pé de eucalipto em níveis que permitam a
concorrência com os demais seguimentos consumidores de madeira como
a celulose, exportação de toras e o crescente mercado de madeira serrada.

Para tanto, caberá ao setor desenvolver a tecnologia, tanto de produto, como


de processo que possibilite consideráveis ganhos tanto no plantio de florestas como
em sua exploração e produção de carvão.
Paralelamente caberá a siderurgia desenvolver processos que permitam a
redução do consumo de carvão vegetal, bem como de produtos que possibilitem
maior remuneração da matéria-prima eucalipto.

4.4. TECNOLOGIA CONHECIDA E DOMINADA

O Brasil é o melhor exemplo de que é possível se tomar uma siderurgia a


carvão vegetal. Esta sendo produzido ferro gusa e outros metais a carvão vegetal,
sem maiores problemas de ordem técnica, sem que hajam soluções viáveis para tais
problemas, independentemente de tecnologias externas.
Os produtos oriundos do parque siderúrgico nacional a carvão vegetal, possui
competitividade técnica, produzindo metais de reconhecida qualidade.
As tecnologias empregadas para a obtenção dos produtos siderúrgicos a partir
do coque, são em sua maioria importadas, necessitando de adaptações às condições
brasileiras, principalmente no caso de substituição (coque por carvão mineral) onde
se faz necessárias mudanças operacionais nos altos fornos, etc.

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4.5. FLEXIBILIDADE DE ESCALA

Os fornos a carvão vegetal têm uma alta flexibilidade de escala, quando


comparados a coque, apresentando fornos com capacidades que podem chegar a
3.000 t/dia. Esta flexibilidade permite a empresa planejar sua produção e expansões
futuras dentro de limites bastante amplos, inclusive para atender a demanda ou
peculiaridades regionais.

4.6. VANTAGENS SOCIAIS

Embora não haja diferença na quantidade e capacitação técnica do pessoal


envolvido na siderurgia a coque e a carvão vegetal, a formação de uma floresta é
uma atividade que demanda apreciável de mão de obra, sobretudo daquela não
qualificada.
A implantação de florestas representa uma alternativa econômica e
socialmente desejável para os países tropicais em vias de desenvolvimento, onde se
encontram regiões extremamente pobres e predominado as atividades primárias de
pecuária e agricultura de subsistência. O desenvolvimento destas regiões pode ser
equacionado por programas adequados de geração de energia florestal, ocupando
mão de obra rural, fixando o homem no campo.
Os resultados decorrentes desta atividade podem decorrer das fases iniciais de
implantação de uma floresta, tais como:

 abertura de estradas;
 geração de empregos e atividades indiretas;
 oportunidade de capacitação para os trabalhadores rurais e seus
dependentes.

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De acordo com GOMES et alii, 1988, aliados a estes benefícios, pode-se
implantar programas de fomento florestal, significando uma alternativa de renda aos
pequenos produtores. Estas plantações geralmente ocupam terras marginais
(pastagens degradadas, solos de baixa fertilidade, etc.) que normalmente não seriam
utilizadas. Porém, apesar da viabilidade econômica desta alternativa, muitas vezes
não são bem aceitas pelos pequenos produtores, principalmente por ser este um
investimento a longo prazo. Já a utilização de coque não apresenta vantagens sociais
relevantes, pois a mediada que este substitui o carvão, pode significar em redução de
reflorestamentos e, consequentemente, redução de empregos e renda internamente.

5. A PRODUÇÃO DE CARVÃO VEGETAL NO BRASIL.

5.1. ORÍGEM DA MATERIA PRIMA.

A produção de lenha de uma floresta nativa explorável varia entre largos


limites, em função da densidade da população vegetal e as características das
espécies presentes. Pode-se obter desde alguns poucos até a ordem de centenas de
esteres por hectare. Os limites situam-se entre os cerrados leves e as matas
humbrofilas densas, inexploradas (floresta equatorial amazônica). No caso da
Amazônia brasileira, a lenha obtida apresenta-se como um subproduto da exploração
de madeiras nobres para serraria, conjugado com a implantação de projetos
agropecuários.
No caso de Minas Gerais, onde estão concentradas a maior parte da produção
siderúrgica nacional (84%), a exploração dos cerrados é a principal fonte dos
recursos madereiros nativos. Trata-se de uma atividade primitiva, nômade,

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trabalhando com material lenhoso heterogêneo, o que impossibilita a adoção de
técnicas mais aprimoradas. De acordo com CARVALHO e MUNIZ, 1996 a
fronteira do carvão acelerou-se a partir da edição da lei florestal de Minas Gerais,
em dezembro de 1991, que faculta ao estado controlar e fiscalizar o processo de
produção e consumo de recursos florestais, desde a licença de desmatamento
concedida ao proprietário rural até o acompanhamento dos planos de auto-
suprimento das siderúrgicas. Segundo os mesmos autores, calculo-se que, em 1996,
6 milhões de metros cúbicos de carvão vegetal, aproximadamente 25% do carvão
consumido pela siderurgia mineira, foram extraídos das matas de Goiás, Mato
grosso do Sul e Bahia. CARVALHO e MUNIZ, 1996 relatam que o cerrado mineiro
esta reduzido a 25% da sua cobertura original.
O cronograma estabelecido por esta lei ainda programava para este ano
(1999), que a totalidade do carvão consumido pelas usinas siderúrgicas e de ferro-
gusa deverão ser extraídos de florestas plantadas ou manjadas, meta que não deverá
ser atingida, apesar de alguns avanços ambientais. Em 1998, segundo a
ABRACAVE, 75% do carvão consumido pela indústria siderúrgica originou-se de
florestas homogêneas.
O reflorestamento com eucalipto, ainda constitui-se na alternativa mais viável
para o Brasil, no que diz respeito a madeira para os mais diversos fins, apresentando
incrementos médios anuais superiores às outras espécies já testadas (nativas ou
exóticas). Além disso, a grande diversidade genética deste gênero (Eucaliptus),
torna-o apto a ocupar as mais diferentes condições edafoclimatológicas, desde que
manejado corretamente. Segundo BARROS et alii, 1998, a experiência mineira na
produção de madeira para energia, apesar de ter cometido erros no passado, tem
grande possibilidade de adequar novas tecnologias, principalmente no que diz
respeito ao melhoramento aliado ao correto manejo do solo, tornando possível
maiores produtividades e melhor qualidade da madeira de eucalipto para o uso
energético.

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5.2 PRINCIPAIS PROBLEMAS DOS PROCESSOS DE CARBONIZAÇÃO
UTILIZADOS NO BRASIL.

Apesar de que a pirólise, quando bem conduzida, proporciona rendimentos


em torno de 35% de carvão, recuperação dos gases condensáveis (compostos de
ácido pirolenhoso e alcatrão vegetal), no Brasil utiliza-se muito ainda tecnologias
rudimentares de carbonização, fornos de baixos rendimentos, que promovem um
tempo de residência da carga muito alto (“corridas” em torno de 7 a 8 dias) e a não
recuperação dos compostos orgânicos condensáveis – COC. Além disso, por vezes
não são conduzidos adequadamente os parâmetros da carbonização ( temperatura
final de carbonização, taxa de aquecimento e pressão), o que geralmente gera um
produto (carvão) que não satisfaz os critérios qualitativos necessários a siderurgia.
Tais fatores contribuem também para o aumento dos custos de carbonização
(baixo rendimento gravimétrico), além de gerar resíduos ( madeira não totalmente
carbonizada – “tiço”, partículas de granulometria rejeitada pelas siderúrgicas –
finos).
Devido a tais problemas, algumas empresas siderúrgicas, que produzem seu
próprio carvão, procuraram adotar tecnologias mais adequadas. Entretanto, mesmo
havendo alguns avanços nesta fase do processo, muito se tem ainda por explorar
para melhorar o aproveitamento dos produtos da carbonização.

5.2.1. PROBLEMAS AMBIENTAIS

Além dos problemas operacionais enfrentados, a carbonização pode provocar


impactos ambientais devido a emissão dos seguintes poluentes:
1) gases não condensáveis – GNC;
2) compostos orgânicos condensáveis – COC e
3) pós e partículas em suspensão.

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Entre os GNC’s estão incluídos CO2, CO, H2 e os hidrocarbonetos (CnHm).
Entre estes gases, o que pode ocasionar maiores problemas é o monóxido de
carbono, porém devido as suas baixas concentrações, não é tão relevante. O maior
problema do CO2 produzido, diz respeito a sua contribuição para o efeito estufa,
entretanto, quando a madeira é produzida de forma sustentável, pode se garantir que
o carbono emitido é reaprizionado na floresta em crescimento, incorporando-se
novamente ao ciclo.
Segundo PIMENTA, 1998 os COC’s são os maiores responsáveis pelos
efeitos nocivos do processo convencional de carbonização. Alguns dos compostos
presentes nesta fração (compostos fenólicos, hidrocarbonetos poli aromáticos)
quando não recuperados são potencialmente tóxicos e até carcinogênicos, mesmo a
baixas concentrações.
As emissões de particulados também constitui-se um problema ambiental
importante, entretanto a sua quantificação e avaliação dos efeitos é dificultada, pois
tais emissões estão sempre associadas às microgoticulas de alcatrão.
PIMENTA, 1998, ressalta que mesmo não sendo viável a recuperação dos
compostos orgânicos condensáveis, esta se justificaria pela redução da emissão de
poluentes e diminuição considerável da insalubridade do ambiente de trabalho. De
qualquer forma, é importante lembrar que a atualmente só é possível a recuperação
dos COC’s em empresas, cuja a estrutura o permita. Em pequenas carvoarias que
utilizam fornos rudimentares, isto torna-se inviável também tecnicamente. Assim, é
preciso a introdução de tecnologias que tornem viáveis a recuperação destes
compostos a menores custos e em escalas menores.

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6. IMPACTOS AMBIENTAIS DO CARVÃO MINERAL

Iniciada a Revolução Industrial na segunda metade do século XVIII,


verificou-se um aumento exponencial no consumo de combustíveis e recursos
energéticos, principalmente os de origem fóssil, causando uma série de impactos
sobre o meio ambiente. Um dos principais responsáveis por esta virada na matriz
energética mundial foi, sem dúvida, o carvão mineral.
Um dos principais impactos estudados hoje diz respeito aos efeitos das
emissões gasosas causadas pela combustão do carvão mineral relacionadas as
mudanças climáticas da Terra, bem como os efeitos sobre o ambiente ( Ecológicos e
sanitários) associados ao ciclo de produção e uso deste combustível.
Segundo WOCOL, 1980, devem ser considerados os seguintes aspectos na
utilização do carvão mineral:
a) os impactos ambientais relativos a utilização do carvão ( produção,
transporte e uso) podem ser diminuídos com a adoção de novas
tecnologias de produção, transporte e utilização; porém cada incremento
nesta redução, implica em custos adicionais que podem tornar-se
relativamente altos, a depender do nível de controle adotado;
b) os impactos ambientais são diferentes de acordo com as características
regionais tais como: aspectos meteorológicos, topografia, densidade
populacional e distribuição de recursos;
c) as medidas mitigadoras a serem tomadas para reduzir os efeitos nocivos
devem levar em conta que os níveis de impacto causados pelo uso desta

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fonte energética não se restringem a nível local, (chuvas ácidas, metais
pesados, resíduos, etc.) sendo necessário que muitas destas decisões
tenham caráter regional, nacional e até internacional, pois emissões
gasosas, por exemplo, pode se tornar um problema generalizado;
d) finalmente, os efeitos sobre o clima, decorrentes da utilização de
combustíveis fósseis ( principalmente petróleo, carvão e gás natural) e
renováveis (madeira, álcool, resíduos, etc.) deveriam ser considerados
,quanto a emissão de CO2, (que esta relacionado com o aquecimento
global) nos planos de desenvolvimento de todos os países, com prioridade,
sempre que possível, pela alternativas sustentáveis economicamente e
ambientalmente.

6.1 CICLO DE PRODUÇÃO E USO DO CARVÃO

O ciclo do carvão compreende nas seguintes fases principais: extração do


minério e eventual purificação, transporte, estoque, processamento e combustão.

6.1.2 EXTRAÇÃO DO MINÉRIO

A extração do carvão pode ser feita de duas formas: minas subterrâneas ou a


céu aberto (quando o minério encontra-se próximo a superfície).
As vantagens da extração a céu aberto são: maior segurança no trabalho,
menores prejuízos a saúde dos trabalhadores e menores custos de produção,
entretanto pode apresentar uma séria desvantagem como a emissão de particulado
que pode alcançar extensas áreas (até vários quilômetros em torno da jazida)

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causando problemas ainda maiores quando essas áreas vizinhas são densamente
povoadas. Outra desvantagem deste processo diz respeito a remoção do solo e da
vegetação local. Diminuição significativa na produção de material particulado,
tradicionalmente é conseguida com a borrifação de água durante a extração,
entretanto neste processo é gerado outro problema: água contaminada, inclusive com
sais, óxidos metálicos, etc., sendo necessário para este caso a adoção de técnicas,
como a coleta e tratamento destes efluentes líquidos, para minimizar os possíveis
riscos de poluições de solo, cursos d’água e lençol freático.
A exploração subterrânea de carvão apresenta-se como atividade de risco,
além de proporcionar perigo para a saúde dos mineiros, (principalmente
relacionadas a doenças respiratórias, provocadas pela inalação de pó de carvão)
existe sempre a possibilidade de explosões (presença de gases inflamáveis) e
inundações (água contida nos lençóis subterrâneos). Atualmente a freqüência com
que tais problemas acontecem é minimizada, pela utilização de modernos sistemas
de segurança, proteção individual, ventilação e monitoramento. Além disso, a
mecanização do processo aumentou bastante a relação: tonelada de carvão
produzido por hora por homem, o que significa menor exposição de trabalhadores a
tais condições, que apesar das mudanças, continuam sendo bastante insalubres.

6.1.3 PREPARAÇÃO E PURIFICAÇÃO DO CARVÃO

Etapa posterior a extração, constitui-se basicamente na remoção de impurezas


e água, com o objetivo de aumentar o poder calorífico do carvão.
A purificação do carvão produz resíduos sólidos, que quantitativamente
representam cerca de 25% do material total extraído, neste processo ainda são
retirados água contaminada e pó, cuja quantidade depende da eficácia do sistema de
purificação e redução da emissão de resíduos.

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Outro problema inerente ao carvão mineral é a alta quantidade de enxofre,
que durante o uso energético, pode resultar na emissão de óxidos altamente
prejudiciais ao meio ambiente. Uma das alternativas mais eficientes para a
separação do enxofre, são através de processos químicos, porém estes são
relativamente caros, onerando os custos de produção, além de outros inconvenientes
tais como: problemas para o armazenamento dos resíduos extraídos e diminuição do
potencial energético do carvão tratado.

6.1.4 TRANSPORTE E ARMAZENAMENTO

Os maiores problemas ambientais relacionados com estas fases do ciclo de


utilização do carvão são principalmente causados pela inadequação dos processos
utilizados. Caso as normas de segurança para o armazenamento não sejam
respeitadas, há sempre maiores riscos de contaminação do solo (percolação) , água
(efluentes) e ar (material particulado). Da mesma forma, seja qual for o meio de
transporte utilizado (ferroviário, marítimo, fluvial, etc.) devem ser tomados os
devidos cuidados para que acidentes sejam evitados tais como: derramamento da
carga e contaminação de rios, solo, etc.

6.1.5 COMBUSTÃO

Esta é a fase mais importante do ciclo energético do carbono, pelos seguintes


fatos:
 nesta fase há maior possibilidade de interação com o ambiente;
 define as estratégias a serem adotadas para minimizar os possíveis
impactos ao ambiente;
 é onde esta implícito o maior custo para minimização de tais impactos.

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O carvão diferencia-se dos outros combustíveis fósseis usuais, por que possui uma
composição bem mais complexa, com a presença bem mais elevada de substâncias
minerais não-combustíveis (cinzas) e outros elementos como o enxofre e nitrogênio.
Esta elevada heterogeneidade do produto inicial (e final)da combustão do carvão,
pode conduzir a dois problemas cruciais em sua utilização:

 elevada emissão de material particulado na atmosfera, caso não sejam


adotadas tecnologias mitigadoras adequadas para este problema;
 emissão de gases de diversas naturezas (CO2, CO, SOx, NOx, etc.), que
podem significar poluentes importantes se emitidos sem nenhuma forma
de tratamento.

Os poluentes mais importantes presentes no carvão mineral são os seguintes:

a) Dióxido de carbono

Seu maior problema esta relacionado ao aquecimento global ou efeito estufa.


Este é um problema cuja solução é bastante complexa, exigindo medidas mais
radicais, tais como: redução de emissões pelo aumento da eficiência energética,
substituição (parcial) por combustíveis alternativos renováveis, “seqüestro” de
carbono, etc.

b) Óxidos de enxofre e nitrogênio

Estes óxidos vêm sendo emitidos em grandes quantidades nas centrais


termoeléctricas e de coqueificação, principalmente aquelas que possuem baixa
tecnologia para reduzir tais emissões.

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Parte do problema pode ser minimizado pela utilização de carvões com teores
relativamente mais baixos de nitrogênio e enxofre e/ou aplicação de tecnologias de
combustão que minimizem a formação dos SOx e NOx, aliados a sistemas de
retenção destes gases, principalmente os SOx.
O principal problema associado a estes gases diz respeito a possibilidade, de
causar diminuição significativa do pH das precipitações, causando o fenômeno
denominado chuva ácida.
Segundo BELLOMO et alii, 1981, existem estudos que indicam que cerca de
50% do acréscimo da acidez das precipitações ocorridas no sul do Canadá, era
originada das emissões da zona industrial do norte dos EUA. O mesmo autor relata
ainda que a maior parte das chuvas ácidas que ocorrem em seu território têm origem
nas emissões do norte europeu.

c) Particulado

Durante a combustão do carvão, parte do carbono não é queimado, mantendo-


se como produto sólido ou fuligem. Estas partículas possuem diversas
granulometrias, porém sempre um diâmetro inferior a um mícron.
As tecnologias utilizadas atualmente para reter tais partículas não possuem
uma eficiência muito elevada.
Os problemas ambientais oriundos do particulado são agravados por este
conter várias substâncias, em quantidades variáveis, de elementos naturais (família
do tório e urânio) e elementos tais como: As, Sb, Se, Cd e Hg (metais pesados).
No particulado são ainda encontrados alguns resíduos orgânicos que passam
pelo processo pirolítico, tais como compostos aromáticos policíclicos,
hidrocarbonetos, etc.

d) Outras substâncias gasosas ou voláteis

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As emissões de monóxido de carbono, apesar de problemáticas devido a
toxicidade deste gás, podem ser evitadas com o controle mais eficiente da
combustão, o que reduz sobremaneira tais emissões.
O radônio, gás nobre radioativo, passa em sua totalidade parra a atmosfera
durante o processo de combustão. Por enquanto as possibilidades de contaminação
radioativa do ambiente pela utilização de carvão são relativamente baixos, porém
por ser uma emissão potencialmente perigosa, se fazem necessários maiores estudos
sobre o assunto e, caso necessário, a adoção de tecnologias para minimizar tal
problema.
Parte dos voláteis emitidos pela coqueificação e até combustão do carvão
podem ser recuperados através da condensação de tais substâncias, o que já pode
reduzir sobremaneira parte do problema causado pelos mesmos.

e) Cinzas

O acúmulo das cinzas representa um grande problema de utilização de


resíduos sólidos, já que estas representam cerca de 10% do peso do carvão.
Eventualmente pode-se utilizar as cinzas em usos alternativos ou o descarte em
aterros sanitários apropriados. Entretanto, devido ao grande volume produzido, este
é um problema que se torna cada vez mais relevante.
Outro aspecto que deve ser observado é a sistematização do armazenamento e
transporte das cinzas antes do seu uso final, a fim de se evitar que durante estas fases
do processo ocorra dispersão de particulado ao ar, carreamento por chuvas, etc.
impedindo tais contaminações.

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7. SIDERURGIA A CARVÃO VEGETAL E COQUE E O CICLO DO
CARBONO.

Segundo ROSILLO et alii, 1993, o uso de biomassa como fonte de energia,


desde que usada de forma sustentável, pode significar uma redução significativa nas
taxas de aquecimento global por razões como:

1) A biomassa pode reduzir a utilização de combustíveis fósseis, evitando a


introdução quantidades adicionais de gás carbônico ,ao ambiente, que não
estava dentro do ciclo;
2) Em regime sustentado, o CO2 liberado na utilização energética da
biomassa, poderá ser capturado por esta durante o crescimento vegetativo.

Segundo este autor, em 1993, a energia proveniente de biomassa representava


cerca de 15% da energia total consumida no mundo (38% nos países em
desenvolvimento e 3% nos países industrializados). É importante ressaltar ainda
que, principalmente nos países em desenvolvimento, a energia da biomassa não é
utilizada eficientemente, o que remete a quase sempre aumento de custos deste tipo
de energia, além de provocar necessidade da área a ser explorada com fins
energéticos. Atualmente, se consome uma maior quantidade de biomassa do que se
repõe, o que pode vir a causar problemas de deficiência energética num futuro
próximo.

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A melhor alternativa para minimizar os problemas causados pelas massivas
emissões de CO2 , é a captura destas através da produção de biomassa, inclusive a
florestal.
Segundo PONCE e KUMAR, 1998 uma análise sistêmica leva à conclusão
que a atual mudança climática global é causada por dois tipos de combustão: 1) a
combustão fóssil e 2) a combustão artificial permanente e indireta. Estas combustões
devolvem níveis de dióxido de carbono à atmosfera bem maiores do que os níveis
dos agentes de carbono geológicos e biológicos naturais. As sociedades modernas
não poderão continuar apostando somente na combustão fóssil (natural) para
sustentar o desenvolvimento econômico. Para um desenvolvimento ser sustentável,
ele deverá ser redefinido a tal ponto que minimize a combustão artificial indireta
permanente.
Desta forma, uma alternativa viável, comprovadamente, para diminuir as
emissões de carbono oriundas da atividade siderúrgica e, ao mesmo tempo ser um
meio de imobilizar dióxido de carbono, seria a utilização de biomassa neste
processo. Um caso típico é a produção de ferro gusa usando como termo-redutor o
carvão vegetal, de madeira de florestas plantadas de eucalipto, conforme é
observado no QUADRO 4.

QUADRO 4. Balanço de CO2, O2 e SO2 na Produção de Gusa com Carvão Vegetal


Consumo Kg de C O2 Kg de O2 Kg deSO2
(kg/ton. Gusa) produzido Consumido produzido
PRODUÇÃO MADEIRA 2057 -3737 (2814)
CARBONIZAÇÃO 1337 1323,4 0
O2 MINÉRIO (386)
REDUÇÃO (CARVÃO) 720 2280 1620 0
BALANÇO -120 -257 0
ESTOQUE (BIOMASSA)* 14100 -25360 -18440
FONTE: SAMPAIO e RESENDE, 1998

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Observando o QUADRO 4., verifica-se que a utilização de carvão vegetal
como termo-redutor siderúrgico, proporciona ganhos em termos de não emitir SOx,
como também por reter CO2. Isto acontece porque o dióxido de carbono consumido
durante a produção de ferro gusa é “aprisionado” em um reservatório dinâmico.
Assim se considerarmos uma floresta de ciclo de sete anos, o carbono, consumido na
forma de dióxido, durante o processo siderúrgico, pelo consumo do carvão vegetal,
será obtido novamente com o crescimento da floresta de seis anos que será colhida
no ano seguinte. Além disso, existe uma quantidade maior ainda de carbono na
biomassa das florestas plantadas nos anos anteriores, que, se cultivada de forma
sustentável, torna-se um reservatório “permanente” de CO2.
O consumo de madeira para a produção de 6.379.570 ton. de ferro gusa a
carvão vegetal foi de 23.600.000 m3 em 1997, sendo que 75% desta, oriunda de
reflorestamentos com eucalipto (ABRACAVE, 1998).
Se considerarmos, de acordo com o QUADRO 4., podemos dizer que tal
produção de gusa contribui com o aprisionamento, na biomassa de reflorestamentos,
de aproximadamente 121.340.000 ton. de dióxido de carbono.
Apesar de tais vantagens do carvão vegetal, o carvão mineral ainda é mais
utilizado, de forma geral, na siderurgia devido aos seus custos serem mais baixos na
grande maioria das vezes. Entretanto, os custos ambientais da produção siderúrgica
a coque, deve ser considerado, tanto pelas emissões de dióxido de carbono, quanto
de SO2. No QUADRO 5. pode-se verificar, quantitativamente, as emissões de CO2
SO2 na produção de ferro gusa a partir de carvão mineral e de coque.

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QUADRO 4. Balanço de CO2, O2 e SO2 na Produção de Gusa com Carvão Mineral.
Consumo Kg de C O2 Kg de O2 Kg deSO2
(kg/ton. Gusa) Produzido Consumido produzido
MINERAÇÃO 902,8
COQUEIFICAÇÃO 528,4 694,6 6,2
REDUÇÃO (COQUE) 660 1750 1336 8.0
O2 MINÉRIO -386
SOMA (REDUÇÃO) 1750 950 8,O
BALANÇO 2278,4 1644,6 14,2
FONTE: SAMPAIO e RESENDE, 1998

Vê-se, pelo QUQADRO 5. que uma tonelada de ferro gusa a partir de coque
produz emissões de 1750 kg de CO2, 8,0 Kg de SO2 e o consumo de 950 kg de O2.
Tais emissões são bastante significativas; a siderúrgica Usiminas, por exemplo,
libera anualmente 48 mil toneladas de SO2. ( GUERRA, 1993 citado por
CARVALHO e MUNIZ, 1996).

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8. CONCLUSÃO

Apesar da viabilidade atualmente da substituição do carvão vegetal pelo


coque como insumo metalúrgico, devido a problemas como preço, necessidade de
planejamento de reflorestamentos para obtenção de matéria-prima, etc., o carvão
vegetal ainda é viável, principalmente quando se pensa nos aspectos ambientais
envolvidos.
Tem que ser considerado também, que os custos do carvão vegetal estão
ligados, também, a problemas tecnológicos, tais como: falta de investimentos na
melhoria das florestas, etc. Conforme relata BARROS et alii, 1988, os
reflorestamentos em Minas Gerais tem sido localizados, principalmente, em áreas de
cerrado, em razão da topografia favorável à mecanização a ao baixo preço da terra.
Entretanto, os solos dessas terras apresentam, de modo geral, baixa fertilidade e
requerem a aplicação de fertilizantes minerais para permitir maior produtividade.
A implantação de programas de pesquisa em fertilidade de solos,
melhoramento genético, manejo, exploração e defesa florestal pode aumentar
sensivelmente a produtividade. Por outro lado, se associar-se a isso as tecnologias
em desenvolvimento para a conversão de biomassa, a área demandada com madeira
para fins energéticos poderá diminuir.
Aliado a isto tem-se ainda as possibilidades de que a própria siderurgia
melhore seus rendimentos energéticos, como , por exemplo, o aproveitamento de

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resíduos (briqutagem, injeção de finos nas ventaneiras dos altos fornos, etc.) e
melhoria de processos.
Desta forma há ainda um grande potencial de melhoria das produtividades e
redução de custos ainda a serem explorados, o que demonstra as possibilidades para
uma matéria-prima renovável (carvão vegetal) em relação ao carvão mineral, que
tende, mesmo que há um horizonte a longo prazo, se esgotar . Além disso, os preços
do coque sempre estarão a mercê do mercado internacional.

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9. BIBLIOBRAFIA

BORGES, M.H. e COLOMBAROLI. Carvão Vegetal: Opção Energética para a


Siderurgia dos Países Tropicais. ACESITA, Belo Horizonte, 1978. 27p.

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CARVALHO, R. B. de, MUNIZ, M. Árvore no Chão ou Enxofre no Ar – O Di-


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