Вы находитесь на странице: 1из 36

UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA

FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO


PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Metodologia de Análise de Risco Ecológico – Caso Noroeste

Brasília

2011
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA
FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO
PÓS-GRADUAÇÃO EM ARQUITETURA E URBANISMO

Metodologia de Análise de Risco Ecológico – Caso Noroeste

André Maurício
Carlos Barbosa
Caroline Duarte Gentil
Gabriel Salles
Katia Broeto Miller
Luciana Helena
Yvette Carrillo

Brasília

2011
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 3

2. ANÁLISE DO TERMO DE REFERÊNCIA DO NOROESTE............................................ 4

3. ANÁLISE DOS EIA/RIMA PRODUZIDOS EM 2003 E 2005 PARA O NOROESTE...... 7

3.1. Análise do dos métodos utilizados na Avaliação de Impactos Ambientais dos


EIA/RIMA de 2003 e 2005 ....................................................................................................... 7

3.2. Análise da Efetividade das recomendações dos EIA/RIMA de 1997, 2003 e 2005 ..... 8

4. METODOLOGIA DE ANÁLISE DO RISCO ECOLÓGICO ........................................... 10

4.1. Adequabilidade do método de Análise do risco Ecológico para o Noroeste............... 10

4.2. Comparação do método de Análise do Risco Ecológico com os métodos usados nos
EIA/RIMA de 2003 e 2005 ..................................................................................................... 12

4.3. Delimitação das áreas de influência ............................................................................ 14

4.4. Impactos ambientais constatados em campo ............................................................... 15

5. ANÁLISE AMBIENTAL UTILIZANDO O RISCO ECOLÓGICO PARA O NOROESTE 17

5.1. Atributos Ambientais Estratégicos .............................................................................. 17

5.2. Árvore de Sensibilidade .............................................................................................. 18

5.3. Arvore de Intensidade de Uso ..................................................................................... 21

5.4. Matriz de Risco Ecológico .......................................................................................... 23

5.5. Mapas .......................................................................................................................... 24

5.5.1 Sensibilidade .............................................................................................................. 24

5.5.2 Intensidade de Danos ................................................................................................. 25

5.5.3 Mapa Síntese de Risco Ecológico .............................................................................. 25

6. CONCLUSÃO .................................................................................................................... 28

7. BIBLIOGRAFIA................................................................................................................. 29

ANEXOS..................................................................................................................................... 30

2
1. INTRODUÇÃO
O presente trabalho descreve a aplicação da metodologia denominada
metodologia Análise do Risco Ecológico (ARE), ao Bairro Noroeste em Brasília – DF.
A aplicação desta metodologia tem como principal objetivo a análise das questões
ambientais de interesse para o parcelamento do solo urbano, referente ao controle,
mitigação e prevenção de danos ao meio ambiente, anterior ao uso e ocupação do
empreendimento.
A metodologia da ARE resulta da combinação de duas variáveis: a sensibilidade
dos fatores naturais a danos causados por usos antrópicos (dada pela vulnerabilidade
natural desses fatores acrescida do seu estado de conservação/ degradação) e a
intensidade de danos potenciais causados por usos antrópicos aos mesmos fatores
naturais.
O trabalho foi desenvolvido na disciplina Ateliê de Tecnologia - Avaliação
Ambiental de Assentamentos Urbanos, ministrada pela Professora Doutora Maria do
Carmo Bezerra no primeiro semestre de 2011, contando também com a orientação do
Professor Doutor Otto Ribas.
O estudo e analise ambiental do empreendimento foi construído através dos
seguintes elementos:
• Análise do termo de referência do EIA/RIMA de 2005 no qual foi possível avaliar a
pertinência do mesmo quanto ao tipo de empreendimento que estava sendo proposto;
• Análise dos EIA/RIMA produzidos em 20031 e 20052 para o Setor Noroeste, através
dos quais foi possível extrair dos diagnósticos elementos que auxiliaram na aplicação
da metodologia ARE;
• Aplicação da ARE ao Setor Noroeste, para obtenção do mapa síntese que apresentou
as condições ambientais, com as fragilidades e potencialidades de uso para o Setor
Residencial Noroeste (espacialização dos resultados);
De acordo com os resultados obtidos com a aplicação do método, ao final são
feitas as proposições de medidas de controle (mitigadoras, monitoramento) visando
contribuir para a sustentabilidade ambiental do parcelamento.

1
Revisão do EIA/RIMA original de 1997 elaborado como trabalho da Disciplina Atelier de Tecnologia
no ano de 2003 por PARENTE et al (2003).
2
Revisão do EIA/RIMA de 1997 exigido em função das alterações do projeto do Bairro Noroeste.

3
2. ANÁLISE DO TERMO DE REFERÊNCIA DO NOROESTE
De acordo com a leitura do Termo de Referência do Noroeste pode-se
concluir que o mesmo apresenta uma boa estrutura de diretrizes, no entanto, alguns
elementos devem ser considerados.
Considerando que o Termo de Referência tem como objetivo fornecer
diretrizes básicas para orientar a elaboração do Estudo de Impacto Ambiental – EIA, e
Relatório de Impacto Ambiental – RIMA para criação da Área de Expansão Urbana
Noroeste, Mota (2003) aponta que para elaboração de um estudo de impacto ambiental
envolvendo uma área de expansão urbana é importante analisar os seguintes fatores:
a) Desmatamento: ocorre em função da abertura de novas vias e ocupação dos lotes
por edificação, resultando na retirada de cobertura vegetal, que pode causar
impactos a fauna, flora, alterações na drenagem das águas superficiais, aumento
da erosão, dentre outros;
b) Terraplenagem: a implantação do loteamento pode provocar alterações na
topografia original do local, de forma, que é interessante analisar criticamente se
o projeto de parcelamento se adequa as curvas de nível do terreno. Outros
impactos ocasionados pela terraplenagem também podem ocorrer: alterações na
drenagem das águas superficiais, desmatamento, exposição do solo, aumento da
erosão, emissão de ruídos, dentre outros.
c) Pavimentação de vias: ocasiona a impermeabilização do solo e consequente
aumento de escoamento superficial;
d) Ocupação dos lotes: que ocasionam desmatamentos, impermeabilização do solo,
redução de infiltração da água, problemas ambientais decorrentes dos resíduos
sólidos (lixo) e líquidos (esgoto).
Deve constar no Termo de Referência a importância de se estudar a
fundo esses elementos. A caracterização através de mapas e fotos, ou outras análises
não terão sentido se não der uma resposta a estes problemas (que vão ocorrer) expostos
acima. O fato do termo de referência não tratar de alguns elementos específicos da
urbanização (por exemplo: diretrizes para elaboração do projeto urbanístico que
contenham informações sobre tipo de ocupação mais adequado, fundação recomendada,
melhor desenho do parcelamento com relação à topografia, solo existente) deixaria o
trabalho de Estudo de Impacto Ambiental obsoleto.

4
O Termo de Referência estabelece que podem ser adotadas quaisquer
metodologias de abordagem para EIA/RIMA, recomendando-se que na adoção do
procedimento metodológico seja feita uma abordagem integrada do meio ambiente.. Ao
não definir um método, não se limita ou restringe o estudo, deixando a critério da
equipe que irá fazer a análise decidir pelo método mais adequado para o caso. No
entanto, seria importante pedir a utilização de mais de um ou associação de vários
métodos para avaliar o impacto ambiental. A utilização de métodos que permitam uma
melhor visualização dos impactos também pode ser recomendada, como exemplo pode-
se citar os métodos cartográficos. Os métodos utilizados para o estudo de impacto
ambiental devem ser descritos, utilizando-se referências bibliográficas que explicitem a
origem dos métodos adotados.
O Termo de Referência estabelece ainda as diretrizes gerais para o
desenvolvimento do EIA, que devem em primeiro lugar seguir a Resolução do
CONAMA 001/86 (critérios básicos e diretrizes gerais para o RIMA). Existem ainda
algumas diretrizes específicas presentes em função das particularidades do
empreendimento (parcelamento do solo).
O termo de referência aponta como itens obrigatórios a serem abordados
no EIA/RIMA:
a) Caracterização e localização do empreendimento;
b) Diagnóstico ambiental da área, análise do meio físico, biótico e antrópico;
c) Áreas de influência;
d) Prognóstico das alterações ambientais sobre a área de estudo e sua região de
influência;
e) Alternativas ao uso e ocupação propostas;
f) Análise dos impactos ambientais do projeto e suas alternativas;
g) Definição de medidas mitigadoras;
h) Programa de acompanhamento e monitoramento dos Impactos ambientais;
i) Habilitação e composição de equipe técnica;
j) Elementos de referência.

Mota (2003), define um roteiro para elaboração de um estudo de impacto


ambiental, no qual relaciona as principais informações que devem constar em um EIA.
É possível perceber que os pontos abordados no termo de referência do Noroeste se
aproximam muito da proposta do autor. Segue a lista de itens proposta por Mota (2003,
p331):

a) Informações sobre o empreendimento;


b) Objetivos e justificativa do empreendimento;
c) Caracterização do empreendimento;
5
d) Área de influência do empreendimento (direta, indireta);
e) Diagnóstico ambiental, considerando meio físico, biótico e antrópico;
f) Identificação e avaliação dos impactos ambientais;
g) Proposta de medidas mitigadoras;
h) Programas de acompanhamento e monitoramento;
i) Legislação ambiental;
j) Bibliografia consultada;
k) Equipe responsável pelo EIA;
l) Anexos – conter mapas, documentários fotográfico, resultado de levantamento
de campo, dentre outros.
Ao final na proposta do termo de referência do Noroeste, deve ser
realizada audiência pública, para demonstração dos resultados. Mota (1993, apud Jain et
al, 2003), destaca também, como parte de um EIA a discussão com a população (figura
1):

Figura 1: Etapas de Elaboração de um Estudo de Impacto Ambiental segundo Jain et al 1993.


(Mota, 2003)

6
3. ANÁLISE DOS EIA/RIMA PRODUZIDOS EM 2003 E 2005 PARA O
NOROESTE

3.1. Análise do dos métodos utilizados na Avaliação de Impactos Ambientais


dos EIA/RIMA de 2003 e 2005
Foi identificado como o método utilizado pelo EIA/RIMA original de
1997 e pela sua revisão, de 2005, como sendo o de Matrizes de Interação. O método
consiste em listagens de controle bidimensionais, dispondo no eixo horizontal os
fatores ambientais que podem ser afetados e no eixo vertical as ações do
empreendimento (Figura 2).

Figura 2: Trecho da Matriz de Vulnerabilidade do EIA/RIMA do Noroeste;


Fonte: TC/BR, 2005.

A cada item vertical e horizontal foi atribuído uma avaliação,


denominada potencial de impacto para as colunas e susceptibilidade para as linhas. Os
valores da avaliação variam entre nulo, baixo, médio e alto. O potencial de impacto
seria a capacidade de produzir efeitos ambientais de uma determinada ação do
empreendimento. A susceptibilidade seria a tendência ou pré-disposição de um
componente ambiental de sofrer alterações.
As interações entre os valores de potencial de impacto e a
susceptibilidade indicam a os impactos de cada ação a um respectivo fator ambiental,
conforme tabela abaixo. O EIA/RIMA denomina a matriz de interação de Matriz de
Vulnerabilidade.

7
Tabela 1: Interação entre potencial e susceptibilidade – impactos ambientais;

Moreira (1992) aponta que as matrizes de interação são eficientes para


identificação de impactos diretos, mas não para identificar os indiretos, desconsiderando
tempo e espaço dos impactos. Por esse motivo, a autora julga limitado o uso isolado
deste método de AIA.
O EIA/RIMA de 2003 revisa o original, de 1997, mantendo o método da
matriz de interação e adicionando o de sobreposição de mapas temáticos de McHarg.
Ainda que permaneça a matriz de interação, os valores de avaliação de potencial de
impacto e de susceptibilidade de alguns itens foram revisados em relação ao EIA/RIMA
de 1997. Na matriz do EIA/RIMA de 2005 são encontradas algumas incongruências
quanto ao resultado das interações dos valores de potencial de impacto e
susceptibilidade, que não seguem a lógica apresentada na Tabela X acima. Ou seja, por
exemplo, um potencial de impacto ALTO, ao interagir com uma susceptibilidade
ALTA, ao invés de resultar em um impacto FORTE, resulta em MÉDIO-FORTE.

3.2. Análise da Efetividade das recomendações dos EIA/RIMA de 1997, 2003 e


2005
As recomendações feitas pelo EIA/RIMA de 1997 são genéricas e
focadas somente na análise do meio ambiente, por isso não aborda questões do projeto
urbanístico em si. A única recomendação feita que se refere ao projeto urbanístico do
Noroeste é a nova proposta de organização físico-espacial do empreendimento: inverter
8
as localizações das áreas de uso residencial, institucional e centro do bairro, passando a
primeira para o limite leste da área. Assim, os moradores sofreriam menos com a
poluição e ruído vindos da EPIA e se beneficiariam com a paisagem do Parque
Ecológico Norte. Além de essa nova estruturação facilitar o acesso dos usuários e
serviços disponíveis no Noroeste.
Vale ressaltar ainda que são propostas medidas mitigadoras para os
impactos ambientais positivos decorrentes do parcelamento do Noroeste, o que não
condiz com a definição do termo medidas mitigadoras: “São aquelas destinadas a
prevenir impactos negativos ou reduzir sua magnitude. Nestes casos, é preferível usar a
expressão 'medida mitigadora' em vez de 'medida corretiva', também muito usada, uma
vez que a maioria dos danos ao meio ambiente, quando não podem ser evitados, podem
apenas ser mitigados ou compensados.”(AMBIENTE BRASIL, 2011). Sendo assim, as
medidas deveriam concentrar-se nos impactos negativos uma vez que os impactos
positivos não precisariam ser corrigidos.
Muitas medidas propostas não condizem com os impactos definidos por
meio da análise dos impactos ambientais. Ou seja, são medidas genéricas que poderiam
ser aplicadas a qualquer estudo de caso. Outro erro grave do estudo é a falta de diálogo
entre as medidas mitigadoras propostas e a forma com que devem ser acompanhadas e
fiscalizadas. Além disso, não se descrevem os efeitos esperados por essas medidas, nem
grau de alteração que poderiam ser evitados e nem os impactos que não poderão ser
evitados.
As recomendações do EIA/RIMA do Noroeste de 2003 são mais
específicas para a região e demonstram uma forte preocupação com o projeto
urbanístico, questionando a reprodutibilidade do traçado usado no plano piloto para o
Noroeste.
Foram definidos atributos ambientais estratégicos específicos para a
região, tais como o solo, a água, a drenagem, esgotamento sanitário, a presença de
espécimes nativas do cerrado e a importância da manutenção da vegetação,
O estudo ainda propõem a utilização de inovações tecnológicas para a
amenização de alguns impactos relacionados a infraestrutura necessária para o
Noroeste, e também o uso de tecnologias limpas ao invés de tecnologias contaminantes.
A associação de métodos de AIA (mapas cartográficos de McHarg e matriz de
vulnerabilidades) proporcionaram uma visão mais holística do empreendimento, uma
vez que o mapeamento não permitiria a inserção de aspectos socioeconômicos e a
9
divisão dos impactos por fases do projeto, e a matriz não permite uma visão
espacializada dos impactos.
De forma geral, as recomendações feitas por esse EIA/RIMA possuem
grande preocupação com o projeto urbanístico e com o meio ambiente, além de inserir
novos elementos e parâmetros para a análise ambiental, tais como novas tecnologias
construtivas, os atributos ambientais estratégicos, etc.
Sobre o EIA/RIMA de 2005, suas recomendações são abrangentes e
podem atingir o estudo nos aspectos ambientais de forma bastante eficaz, caso as
recomendações sejam seguidas em todas as fases do projeto. Entretanto, essas
recomendações mostram-se bastante genéricas e não propõem diretrizes para o projeto
urbanístico em si.
O foco principal das recomendações dizem respeito ao uso do solo, ao
controle do desmate, preocupação com espécimes nativas, conformidade com as
legislações urbana e ambiental, erosão, carreamento de sedimentos, controle a visitação
de áreas protegidas, campanhas educativas ao uso racional da água, etc.
A recomendação de divulgação do empreendimento não condiz com os
objetivos que pretende alcançar que são a criação de consciência sobre a ocupação,
respeito ao tombamento de Brasília e preservação do Parque Nacional e do Burle Marx.
Para atingir esses objetivos as ações deveriam ser educativas e não de divulgação do
empreendimento.
As recomendações poderiam ser mais específicas para o projeto
urbanístico do Noroeste definindo parâmetros para os tipos de uso do solo que poderiam
ser feitos, os tipos de fundações dos edifícios, equilíbrio entre áreas construídas e
vazias, etc. Assim, as recomendações poderiam ser melhor aproveitadas pela equipe
responsável pelo planejamento urbanístico do Noroeste.

4. METODOLOGIA DE ANÁLISE DO RISCO ECOLÓGICO

4.1. Adequabilidade do método de Análise do risco Ecológico para o Noroeste


De acordo com Ribas (2003), os métodos cartográficos foram
desenvolvidos no âmbito do planejamento territorial e são aplicados na avaliação de
impactos ambientais objetivando a localização e a identificação da extensão dos efeitos
sobre o meio ambiente. Pode-se obter uma representação dos impactos de um projeto,
através da superposição de cartas temáticas, o grau de impacto avaliado é representado
10
por uma escala de gradação de tonalidades. Através da superposição de mapas obtem-se
um mapa síntese das condições ambientais salientando as fragilidades e potencialidades
da área em estudo.
O método do Risco Ecológico é uma derivação do método de McHarg e
refere-se às mudanças qualitativas ou quantitativas dos recursos naturais em função de
um conjunto de informações que se tem da área analisada. A dimensão do risco é dada
pela combinação entre sensibilidade dos recursos a degradação, com a intensidade de
danos potenciais causados pela atividade humana. (Ribas, 2003)
De acordo com Faria (2009), a combinação dos mapas de Intensidade de
danos potenciais causados por usos e da Sensibilidade dos fatores naturais a danos,
gera o Mapa de risco ecológico referente a cada área de conflito, é orientada por uma
matriz binária (FIGURA 3), que será construída pela equipe, com base nos níveis de
Intensidade e de Sensibilidade que resultarem das análises realizadas. Portanto, a
composição dessa matriz irá variar, de acordo com cada situação.

NÍVEIS DE INTENSIDADE
IV III II I

I 4 4 4 4 4

II RISCO
4 3 3 2 3

NÍVEIS DE
II 3 3 2 1 2
SENSIBILIDA
DE
I 1 1 1 1 1

Figura 3: Exemplo de matriz de combinação de indicadores de risco ecológico.


Fonte: FARIA, 2006, Slide nº 27 (retirado do material: Guia de Elaboração e Revisão do Plano
Diretor Municipal com Base em análise do Risco Ecológico.)

Moreira (1992) coloca que as limitações referentes ao método


cartográfico se referem ao fato de haver uma impossibilidade de serem introduzidos na
análise os fatores ambientais que não podem ser mapeados e a difícil integração dos
impactos socioeconômicos. Outra questão levantada pela autora é a subjetividade na
escolha dos parâmetros que definem as potencialidades e sensibilidades do projeto em
questão.

11
Outra fragilidade do método incide no fato de ser preditivo, o que limita
o mesmo a estabelecer um grau de risco a partir das variáveis selecionadas, sem a
preocupação de correlacionar as possíveis respostas para redução ou eliminação do
risco. (Ribas, 2003)
A principal vantagem deste método está na capacidade de representar a
distribuição espacial dos impactos, expressando de modo mais direto e compreensível o
resultado da interação de sensibilidade e intensidade na área em estudo.
Diante do exposto, acredita-se que seja um método que possa ser
adequado ao caso do Setor Noroeste, caso típico de parcelamento do solo. Não há
restrição na utilização do método, no entanto, é importante observar as fragilidades do
mesmo.
Deve-se fazer um levantamento dos dados cartográficos existentes da
área, para depois definir a intensidade de danos potenciais causados pelo uso e a
sensibilidade dos fatores naturais que serão utilizados a elaboração da matriz. Em
tempos atuais o volume de informações cartográficas é grande e é possível obter vários
mapas sobre solo, relevo, declividade, vegetação, dentro outros para análise do trabalho.
Reforçando o exposto anteriormente, é importante trabalhar com dados
existentes e tentar criar parâmetros de sensibilidade e intensidade que retratem a
realidade do setor Noroeste. Com relação aos dados socioeconômicos, a alternativa seria
agregar outro método ao do risco ecológico, já que o mesmo não identifica esses
parâmetros e não caracteriza os riscos nas diversas fases: projeto, implantação e
ocupação.

4.2. Comparação do método de Análise do Risco Ecológico com os métodos


usados nos EIA/RIMA de 2003 e 2005
A tabela a seguir apresenta uma síntese comparativa dos métodos de AIA
estudados neste trabalho.

12
Tabela 2: Síntese e comparação dos métodos de AIA
DOCUMENTO
TIPO DE BREVE
ONDE É APLICAÇÃO VANTAGENS DESVANTAGENS
MÉTODO DESCRIÇÃO
UTILIZADO

- Não identificam
Listagens de
impactos indiretos.
controle
- Não consideram
bidimensionais
características
dispondo nas
Boa disposição espaciais dos impactos
linhas os fatores
visual do - Subjetividade na
ambientais e nas Identificação dos
conjunto de atribuição de
Matrizes de EIA/RIMA de colunas as ações impactos
impactos diretos. magnitude, usando
Interação 1997, 2003 e 2005 do projeto; cada ambientais
Simplicidade de valores simbólicos
célula de diretos
elaboração. para expressá-la
interseção
Baixo custo. - Não atendem às
representa a
demais etapas do EIA
relação de causae
- Não consideram a
efeito generadora
dinâmica dos sistemas
do impacto
ambientais
- Subjetividade dos
resultados
- Não quantifica a
Preparação de
magnitude dos
cartas temáticas
Projetos lineares impactos
em transparência;
- escolha de - Não admite fatores
síntese das
alternativas de Boa disposição ambientais não
Superposição EIA/RIMA de interações dos
menor impacto visual dados mapeáveis; difícil
de cartas 2003 fatores ambientais
mapeáveis integração de impactos
por superposição
Diagnósticos sócio-econômicos
das cartas ou
ambientais - Não atende ás
processamento no
demais etapas do EIA
computador
- Não considera a
dinâmica dos sistemas
ambientais

- categorização
dos impactos

- define
informações - subjetividade
estratégicas para
- não caracteriza os
tomada de
Relação de causa e riscos nas diversas
decisões
efeito dos usos e fases do projeto
Identificação dos
impactos e
Análise do risco impactos - da uma visão
Presente Estudo modificações - não considera dados
ecológico ambientais mais abrangente
qualitativas e socioeconômicos
diretos do parcelamento
quantitativas ao
do solo - impossibilidade de
meio natural
medir efeitos
- possibilita
negativos ao longo do
associar
tempo
impactos
negativos e
potencialidade
de uso

Fonte: Adaptado de Moreira (1992), pag. 4.

13
4.3. Delimitação das áreas de influência
O EIA/RIMA de 2005 utilizou como critérios para delimitar a área de
influencia do projeto urbano da SHCNW os seguintes pontos:
1. Por força de lei, nomeadamente da resolução CONAMA nº001/86, o critério
primeiro estabelecido para delimitar a área de influencia do projeto baseou-se na
área da bacia hidrográfica;
2. Os outros critérios utilizados foram os físico-ambientais (dados geotécnicos,
feições do relevo, erodibilidade e colapsividade, vegetação); socioeconômicos;
os de caráter político-administrativo-institucionais; e o de distâncias fixas pré-
estabelecidas, fazendo com que o empreendimento ficasse no centro de uma área
delimitada -; e o de unidades ambientais;

Delimitou-se ainda a Área de Influência Indireta que utilizou como


critério:
1. Ter os limites do Parque Nacional e a área de tombamento de Brasília, não
coincidindo assim com a microbacia hidrográfica onde se insere o
empreendimento, fato que tradicionalmente norteia a elaboração do EIA/RIMA,
entendeu-se que com a ampliação deste limite o estudo permite um
entendimento mais abrangente da dinâmica que envolve o empreendimento;

Assim, seguindo os critérios estabelecidos delimitou-se a área de


influência com os seguintes contornos:
• Limite norte: o trecho que vai até o ribeirão Bananal, que recebe a drenagem da
área definida para o Setor;
• Limite leste: o Parque Burle Marx;
• Limite sul: o Setor de Recreação Pública Norte (Camping);
• Limites sudoeste e noroeste: é estabelecida uma faixa de 500 metros, definida como
entorno segundo critérios urbanísticos, correspondendo à distância ideal a ser
percorrida por pedestres. Com isso são incorporados à Área de Influência Direta um
trecho do Setor Militar Urbano, o Setor de Oficinas Norte e um trecho do Parque
Nacional, onde essa faixa se alarga, chegando a aproximadamente 1.000 metros, de
modo a abranger a totalidade da área aberta à visitação pública nessa unidade de
conservação.

14
4.4. Impactos ambientais constatados em campo
Foram realizadas duas visitas ao local para observação e verificação de
ocorrência dos impactos ambientais identificados no EIA/RIMA do Noroeste na fase de
implantação do projeto. Os impactos foram registrados e computados na tabela 3:
Tabela 3: Síntese dos impactos ambientais e a ocorrência.
FASE DE IMPLANTAÇÃO
Impacto ambiental positivo e negativo Ver. Considerações
Disponibilidade de Recursos Minerais X O solo e cascalho extraídos nas escavações dos edifícios são
aproveitados para terraplanagem e produção de areia reciclada.
Estabilidade dos Solos X Observa-se uma grande movimentação nos solos, pois a maioria
dos projetos dos empreendimentos possui garagens para o
subsolo. Sendo assim, a retirada de solo é grande (figura 4 e 5).
Cobertura Vegetal X Observa-se a retirada da cobertura vegetal nas áreas onde serão
construídos os edifícios e os equipamentos (figura 6). Como
consequência, observa-se a presença de erosão em alguns pontos
(figura 7).
Eutrofização do Lago
Integridade de Habitats X Com a retirada da cobertura vegetal e a movimentação dos solos,
existe o comprometimento de habitats. Entretanto, foi destinada
uma área para o Parque Burle Marx, o que ameniza esse impacto.
Percepção de Impactos Ambientais X A população de Brasília percebe o empreendimento como um
impacto ambiental grande e como uma das últimas áreas de
“respiro” para o Parque Nacional de Brasília, visto que as áreas
do entorno do parque já estão ocupadas.
Equilíbrio Demográfico
Harmonia Paisagística X Observa-se que a harmonia paisagística foi respeitada pelo
projeto, uma vez que o mesmo valoriza as áreas verdes do
entorno do Setor habitacional do Noroeste.
Estado de Conservação das Áreas X Apesar da área reservada para o Parque Burle Marx, a empresa
Protegidas TC/BR, que é responsável pelo acompanhamento dos impactos
causados pela obra, constatou a deposição irregular de resíduos
na área que deveria ser preservada.
Qualidade da Água
Capacidade de Autodepuração Corpos
d'água
Qualidade do Solo
Uso da Água
Qualidade do Ar X Existe uma grande quantidade de material particulado
proveniente da movimentação dos solos. Situação agravada pelo
período de seca (figuras 8 e 9).
Ruídos e Vibrações de Fundo X Observa-se uma grande quantidade de caminhões e maquinários
usados nas construções causadores de ruídos e vibrações (figura
10).
Patrimônio Histórico-Cultural X Observa-se que o traçado urbanístico considera o tombamento
histórico de Brasília. Entretanto, foram regulamentadas
adequações que eram consideradas práticas irregulares nas áreas
já edificadas do Plano Piloto, tais como prédios de uso misto nas
comerciais.
Equilíbrio no Mercado de Trabalho X Observa-se geração de empregos tanto diretos quanto indiretos.
Nos empregos diretos pode-se citar os empregados dos
construtores dos empreendimentos e, quanto a empregos
indiretos, destacam-se os caçambeiros, os catadores de resíduos
sólidos da construção, etc.
Perfil Econômico/Renda Regional
Equilíbrio Urbano Funcional X As obras previstas visam o equilíbrio urbano-funcional,
entretanto vale ressaltar o aumento do tráfego que pode gerar
congestionamentos.
Disponibilidade x Demanda de Observa-se a previsão de equipamento público e obras de
infraestruturas saneamento visando a fase de operação do Setor Habitacional do
Noroeste.

15
Figura 4: Movimentação de solos com as escavações para os empreendimentos.

Figura 5: Retirada da cobertura vegetal e solo exposto.

a)

b)
Figura 6: a) Movimentação de solos com as escavações para os empreendimentos – b) Erosão em
conseqüência da retirada de cobertura vegetal e solo exposto.

16
Figura 7: Material particulado.

a) b)

Figura 8: a) Material particulado – b) Grande movimentação de caminhões que provoca ruído,


vibrações e suspensão de material particulado.

5. ANÁLISE AMBIENTAL UTILIZANDO O RISCO ECOLÓGICO PARA O


NOROESTE

5.1. Atributos Ambientais Estratégicos


A definição dos atributos ambientais estratégicos do Noroeste para montagem
das Árvores de Sensibilidade e Intensidade foi feita utilizando os dados levantados no
EIA/RIMA de 2005 (GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL, 2005) e o trabalho
acadêmico final da disciplina “Avaliação de Impactos Ambientais de Assentamentos
Urbanos” (PARENTE, et al 2003) e os mapas cartográficos da área em questão.
As análises desses documentos resultaram nos seguintes atributos estratégicos,
classificados quanto à sensibilidade e a intensidade de uso:

17
5.2. Árvore de Sensibilidade
A) Vegetação
Um dos aspectos mais evidenciados como fator de risco ambiental no
levantamento da área do Noroeste foi à retirada de cobertura vegetal para implantação
do parcelamento. A retirada de cobertura vegetal pode ocasionar dois tipos de
problemas: deixar o solo exposto a intempéries que pode ocasionar erosões dependendo
do tipo de solo e declividade do terreno; ou quando se trata da retirada da vegetação
para impermeabilização do solo pode-se provocar alterações fundamentais na
distribuição das águas pluviais.
Com isso, foram identificadas três situações sensibilidades para o atributo:

Sensibilidade nível 1: Área degradas e alteradas


Áreas que já estão sendo ocupadas ou foram degradadas, distinguindo-as com o
menor grau de sensibilidade.

Sensibilidade nível 2:Cerrado e campo


Área que permanecem com o tipo de vegetação cerrado e campo e importantes
quanto à preservação ou manutenção. Estabeleceu-se o grau de sensibilidade médio.

Sensibilidade nível 3: Mata Ciliar e Campos de murunduns


Essas áreas possuem a maior sensibilidade, pois a mata ciliar é um tipo de
vegetação que se desenvolve próximo a pequenas nascentes, por isso importante para
manutenção dos recursos de flora e fauna. Os Campos de murunduns são geoformas de
campo úmido caracterizados por pequenas elevações no terreno, semelhantes a uma
seção esférica, e permitem a recarga de aqüíferos.

B) Solo
A sensibilidade do solo está relacionada aos seus aspectos físicos e químicos,
como por exemplo: plasticidade, resistência, composição granulométrica,
permeabilidade, dentre outros. Considerando estes fatores, podem-se observar duas
classes de solo predominantes no Noroeste:

18
Sensibilidade nível 1: Latossolo
Apresenta boa drenagem, a estrutura granulométrica é composta de agregados
com formato arredondado e espessuras muito pequenas criando assim macroporos que
propiciam permeabilidade da água, mesmo com teores altos de argila. Quando
compactado aumenta sua resistência de suporte, por isso é um tipo de solo mais propício
a urbanização. Em função desses fatores foi classificado como o solo menos sensível.

Sensibilidade nível 2: Neossolo


Solo com alto teor de areia, originados de arenitos ou sedimentos. É pouco
férteil e muito permeável, possuindo baixa capacidade de retenção de água e alta
suscetibilidade à erosão. Por isso, foi considerado o solo mais sensível da região. Ainda
nessa classificação de sensibilidade foram inseridos o Cambissolo e os solos
hidromórficos, que por suas características físicas possuem a mesma sensibilidade do
Neossolo.

C) Drenagem Natural – DRN


Observando o mapa de curva de nível do Noroeste foi possível identificar dois
cursos para a drenagem natural da área:

Sensibilidade nível 1: Drenagem para Bananal


Considerada menos sensível já que a água drenada será levada para o leito do
córrego.

Sensibilidade nível 2: Drenagem para Asa Norte e Parque Nacional


É considerada como mais sensível por atingir a área do Plano Piloto já
urbanizada, portanto, bastante impermeabilizada, podendo ocasionar inundações. Com o
mesmo nível de sensibilidade, tem-se a drenagem para o Parque Nacional de Brasília,
uma vez que grande quantidade de água será destinada a uma área de preservação
ambiental.

19
D) Montagem da Árvore de Sensibilidade
Com a agregação desses indicadores foi formulada a árvore de sensibilidade do
Noroeste (figura 9):

Figura 9: Árvore de Sensibilidade

Pela leitura do diagrama percebe-se que a situação de menor sensibilidade a


danos, encontra-se em locais com área alteradas/degradadas, associadas ao tipo de solo
latossolo e com drenagem natural para o Córrego Bananal. O risco nível II encontra-se
nas áreas degradadas/alteradas com Neossolo e drenagem natural para o Córrego
Bananal e áreas alteradas/degradadas com Latossolo e drenagem natural para a Asa
Norte/Parque Nacional. O risco nível III está associado à vegetação Cerrado/Campo
com Latossolo e áreas degradadas/alteradas com Neossolo e Drenagem natural para a
Asa Norte/Parque Nacional. A situação de maior sensibilidade a danos é provocada por
área com vegetação do tipo mata ciliar e campos de murunduns.
Os níveis de sensibilidade variam de I a IV, indicando que quanto maior a
gradação de valores maior também será a sensibilidade a danos.

20
Vale ressaltar ainda que a drenagem natural foi suprimida dos riscos IV e III,
pois as características da vegetação e solo já definiram o nível de sensibilidade e, por
isso, a drenagem tornava-se irrelevante para a montagem do diagrama.

5.3. Arvore de Intensidade de Uso


A) Uso
Para este atributo, foi considerado que cada uso predominante atribuído a uma
área exerce impactos diferenciados quanto a ruídos, intensidade de trafego de veículos,
pressão sobre a infraestrutura urbana, emissão de poluentes e outros fatores.

Intensidade de Uso nível 1: Área Protegida/Não edificável


Correspondem às áreas pertencentes ao Parque Nacional de Brasília, matas
ciliares em torno do córrego Bananal e de Cerrado/campo. Como são protegidas,
entende-se que o uso é proibido ou extremamente controlado, logo a intensidade do uso
é a menor.

Intensidade de Uso nível 2: Lazer


Correspondem às áreas destinadas ao Parque Ecológico Burle Marx. O projeto
do parque prevê a instalação de equipamentos públicos, edificações institucionais,
ciclovias e estacionamentos. O Parque também abrigará os lagos de drenagem que
receberão as águas captadas do Bairro Noroeste.

Intensidade de Uso nível 3: Residencial/Institucional


Áreas que abrigam o uso predominantemente residencial, nas superquadras do
Noroeste, ou institucional, presente na área de influência do empreendimento.

Intensidade de Uso nível 4: Comercial/Serviços e Vias Arteriais


Ao maior nível de intensidade de uso foram relacionadas às áreas identificadas
no Plano de Ocupação do Noroeste como Eixo central de atividades (localização de
escolas secundárias, flats e pequenos hotéis, supermercados, praças públicas, clubes de
vizinhança, cinemas e áreas de lazer e esporte, entre outros usos) e comércio local
(localizado entre as áreas residenciais). A Estrada Parque Indústria e Abastecimento

21
(EPIA) também foi inclusa neste nível de intensidade de uso, considerando os impactos
provocados pela intensidade e modalidade de trafego da via.

B) Permeabilidade do Solo
Para este atributo foram analisadas as projeções das edificações e áreas
pavimentadas, de forma a determinar a relação de predominância entre as áreas mais
permeáveis (gramados, vegetação, etc.) e menos permeáveis (edificações, calçadas, via
pavimentadas e estacionamentos).

Intensidade de Uso nível 1: Alta


Predominância de áreas permeáveis (gramados, vegetação, etc.).

Intensidade de Uso nível 2: Baixa


Predominância de áreas impermeáveis ou de menor permeabilidade
(edificações, calçadas, via pavimentadas e estacionamentos).

C) Montagem da Árvore de Intensidade de Uso:


Com a agregação desses indicadores foi formulada a árvore de Intensidade de
Uso do Noroeste (figura 10):

Figura 10: Árvore de Intensidade de Uso

22
Os níveis de intensidade de uso variam de I a IV, indicando que quanto maior a
gradação de valores maior também será a pressão pelas atividades e intensidades do uso
nas áreas.
Pela leitura do diagrama percebe-se que a situação de menor intensidade de uso
encontra-se em áreas de protegidas ou em áreas de lazer com permeabilidade alta. A
intensidade nível II engloba áreas de lazer com permeabilidade baixa ou áreas
residenciais de alta permeabilidade. A intensidade de uso nível III engloba áreas de uso
predominantemente residencial ou institucional com permeabilidade baixa ou áreas
comerciais/serviço/vias arteriais de alta permeabilidade. A situação de maior
intensidade de uso são os locais de uso predominantemente comercial/de serviço/de vias
arteriais.

5.4. Matriz de Risco Ecológico


Segundo Ribas (2003), os resultados da análise dos diagramas, influenciam nas
conclusões do trabalho, pois, a agregação dos indicadores de sensibilidade a danos e de
intensidade de uso gera a matriz de agregação, feita através da hierarquia de seus
indicadores.

Os diagramas (ou árvores) e a matriz funcionam como filtros que selecionam


alternativas até se chegar ao nível de risco determinado. A matriz é construída através
da técnica de superposição de informações, levando em conta a maior prevalência dos
indicadores em área. A matriz de risco para análise do Setor Residencial Noroeste ficou
definida da seguinte forma (figura 11):

RISCO

IV Inviabilidade de uso nas condições


previstas

III Necessário total controle,

risco elevado

II Necessário controle,

risco médio

I Necessário acompanhamento,
a)
pequeno risco

b)

Figura 11: a) Matriz de Risco – b) Tabela de Risco


23
5.5. Mapas
Para a espacialização das sensibilidades e dos riscos, foram elaborados cinco
mapas temáticos. Os mapas temáticos referentes à sensibilidade dos recursos naturais do
Noroeste são: mapa de Vegetação, mapa de Solos e o mapa da drenagem natural.
Quanto aos mapas das intensidades de uso tem-se: o mapa de Uso e o mapa de
permeabilidade.

Vale ressaltar ainda que esses mapas foram produzidos a partir dos mapas
cartográficos do GDF e o Sistema Cartográfico e Cadastral (SICAD), utilizando-se
como unidade de análise quadrículas correspondentes a 200 metros de lado. Essas
quadrículas foram numeradas e classificadas de acordo com as características
predominantes ou de maior sensibilidade/intensidade de uso quanto aos atributos
estratégicos escolhidos. Por exemplo, se a quadrícula 20 fosse 60% latossolo e 40%
neossolo, toda a quadrícula seria caracterizada como neossolo, pois esse solo possui
características de maior risco que o latossolo.

5.5.1 Sensibilidade
Conforme o mapa (ANEXO I), a maior sensibilidade concentra-se na região do
Parque Nacional de Brasília, pois o mesmo concentra uma área de mata nos pontos em
vermelho; na área que margeia o Córrego Bananal por ser composta de mata ciliar; e
duas áreas centrais composta por cerrado/campo e neossolo.

A sensibilidade III é uma das maiores ocorrências no mapa e concentra o


latossolo associado à vegetação cerrado/campo e o neossolo associado à drenagem para
a Asa Norte. Como essa característica abrange uma parte considerável do mapa,
principalmente na área do empreendimento, observa-se que a implantação do Noroeste
exige medidas de controle mais rígidas quanto às sensibilidades identificadas.

A sensibilidade II abrange as áreas que circundam o loteamento, pois são áreas


já degradadas e alteradas para a construção da malha viária, equipamentos urbanos e
existência de usos institucionais.

A menor das sensibilidades concentra-se em uma pequena região próximo ao


Córrego Bananal que já se encontra alterada e degradada, mas que possui um solo
menos propício a erosão, o Latossolo, e uma drenagem natural que impõem menos
riscos aos recursos naturais.
24
Sendo assim, observa-se a predominância da sensibilidade III para a área do
empreendimento e II para a área que contorna o empreendimento.

5.5.2 Intensidade de Danos


A partir do mapa (ANEXO II) a menor intensidade de uso predomina na área de
influência, pois nessa região predominam áreas que possuem pouca intensidade de uso,
como o Parque Nacional de Brasília, o Parque Burle Marx, as áreas não-edificáveis
próximas as rodovias e as áreas próximas ao Córrego Bananal.

A intensidade II aparece em pequenas áreas do Parque Burle Marx, onde


teremos impermeabilização para a construção dos estacionamentos, área de lazer e
edificações institucionais; e áreas residenciais do próprio empreendimento e do final da
Asa Norte e institucionais com alta permeabilidade do solo, concentrando-se no final da
Asa Norte e perímetro inferior da área de influência.

A intensidade III abrange as áreas das rodovias, áreas já construídas e trechos


comerciais do empreendimento com a predominância de alta permeabilidade.

A intensidade IV tem menor representatividade no mapa, pois se concentra nas


áreas comerciais do futuro empreendimento.

Sendo assim, observa-se que a região estudada demandará poucos trechos com
alta intensidade de uso, principalmente pelas características do empreendimento: área
com densidade demográfica controlada, com equipamento de saneamento instalado, etc.

5.5.3 Mapa Síntese de Risco Ecológico


Observa-se no mapa (ANEXO III) na área de influência a predominância do
risco II, ou seja, um risco médio que demanda controle. Entretanto, na área do
empreendimento observa-se que o risco III ocupa a maior parte da área edificada, ou
seja, o risco é elevado e necessita-se de um total controle dessa área.

Na região onde se concentrará o empreendimento observa-se ainda a ocorrência


do risco IV. Esse risco inviabiliza, para esses pequenos trechos, a ocupação da área pela
proposta de projeto do Noroeste. Sendo assim, para esses trechos o projeto do Noroeste
demandaria uma revisão, pois são locais que unem alta intensidade de uso com alta
sensibilidade.

25
De forma geral, a espacialização da matriz de risco ecológico demonstra a
viabilidade da implantação do empreendimento, mas é necessário a elaboração de um
plano de controle para a região com medidas e fiscalização das ações no local.

3.1. Proposição de Medidas de Controle

Através dos resultados obtidos com a aplicação da metodologia do risco


ecológico e obtenção do mapa síntese são estabelecidas a seguir um conjunto de
procedimentos relativos às medidas de controle que podem ser adotados para que a
ocupação do Setor Residencial Noroeste seja feita com menor impacto ao meio
ambiente. As proposições de medidas de controle estão estabelecidas abaixo:

a) Respeito aos elementos naturais de maior sensibilidade

A retirada de cobertura vegetal para ocupação do Setor Residencial Noroeste


faz-se necessária, mas, para que o impacto seja minimizado pode-se propor um desenho
urbano que aproveite ao máximo a vegetação local, contribuindo assim para
manutenção da vegetação nativa.

b) Problemas relativos à drenagem natural do terreno

A declividade natural do terreno pode causar danos, principalmente as pessoas


que residem na Asa Norte, já que as águas pluviais tendem a correr neste sentido. Como
proposta para evitar este tipo de problema sugere-se a construção de bacias de drenagem
(já estão sendo feitas) que serviriam como uma barragem, auxiliando assim na
contenção de inundações em áreas mais baixas.

Pode-se também reutilizar a água coletada da chuva para outros fins como, por
exemplo, irrigação dos jardins, favorecendo a umidade e preservação dos espaços
públicos, além de propiciar uma utilização ambientalmente sustentável para água
pluvial.

26
c) Controle de impermeabilização do solo

De acordo com Mascaró (2010), a impermeabilização do solo urbano, traz


alterações fundamentais na distribuição das águas da chuva, fazendo com que algumas
áreas urbanas sejam alagáveis.

Para Ribas (1988) uma forma de controlar a impermeabilização do solo é


especificar a pavimentação, reduzir as áreas de estacionamento e utilizar um tratamento
paisagístico para as áreas livres.

O costume generalizado de usar pavimentos impermeáveis faz aumentar


desnecessariamente a água que escorre superficialmente nas cidades. Propõem-se então
a utilização de pavimentos adequados a cada função que se destina (para passagem de
pedestre, ciclista ou veiculo), por exemplo, em vias ou áreas destinadas a pedestres
pode-se utilizar blocos articulados, este tipo de pavimento absorve mais as águas da
chuva.

d) Traçado urbano do sistema viário e desenho das curvas de nível

Como regra geral o desenho das vias deve cortar as curvas de nível e possuir
declividade suficiente para escoar as águas da chuva. Se possível estabelecer um traçado
que favoreça poucas alterações no terreno, tornando a implantação do parcelamento
mais econômica (obras de terraplenagem menores).

e) Utilização de usos compatíveis com a capacidade de suporte da área

Sugere-se aqui que sejam estabelecidos usos considerando a sensibilidade da


área, de tal forma que áreas mais sensíveis devam ter ocupações com menos intensidade
e vice-versa.

f) Alternativas tecnológicas para implantação e operação do Setor Residencial


Noroeste (sugestões retiradas do trabalho do Bey, 2003):

i. Reutilização do resíduo sólido gerado pela construção dos


edifícios no setor;

27
ii. Recuperação das áreas degradadas pela retirada de material
mineral (cascalho e areia);

iii. Utilização de coleta seletiva ou reciclagem do lixo;

iv. Fixação de densidade populacional máxima para evitar que se


extrapole a capacidade de infra-estrutura projetada para o
parcelamento;

v. Criar áreas para comércios, prestação de serviços, e instituições


públicas e privadas ao longo da via de ligação entre a Asa Norte e
a EPIA, a ser projetada;

vi. Não implantar vias para veículos entre as áreas residenciais do


Setor e o Parque Ecológico Norte –PqEN, para integrar a área de
cerrado remanescente ao PqEN e facilitar o uso do mesmo pelos
moradores do Noroeste;

6. CONCLUSÃO
Através do método do risco ecológico, foi possível espacializar os impactos que,
para o grupo que desenvolveu este trabalho eram mais significativos. Os resultados
obtidos demonstram que a área é passível de ser urbanizada, no entanto, é importante
estabelecer algumas medidas de controle, que podem minimizar os impactos deste tipo
de empreendimento.

Algo que deve ser ressaltado, é que as variáveis de sensibilidade e intensidade


utilizada neste trabalho refletem o pensamento do grupo de trabalho que as propôs.
Outros grupos valendo-se do mesmo método e área podem considerar outros atributos
mais importantes. Esta é uma característica do método ARE, quem tem como premissa
básica tornar objetivo questões de cunho subjetivo - o subjetivo no ponto de vista e
experiência profissional de cada pessoa pode varia muito.

Uma limitação quanto à utilização do método foi a pouca experiência prática da


equipe, principalmente na elaboração das arvores de sensibilidade e intensidade. Esta
etapa é bem complexa já que devem ser definidos aqui os atributos ambientais
estratégicos e tomou bastante tempo, inviabilizando, talvez que fossem explorados
outros atributos também importantes. Como possibilidade futura para aprofundamento

28
do trabalho, pode-se utilizar quadrículas menores, refinando a análise. Pode ainda
elaborar diferentes mapas de intensidade de uso a partir de diferentes propostas de
projeto para a área.

7. BIBLIOGRAFIA
FARIA, Sueli Corrêa. Guia de Elaboração e Revisão do Plano Diretor Municipal
com Base em análise do Risco Ecológico. Ministério do Meio Ambiente. 2009.

GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL. Secretaria de Desenvolvimento Urbano e


Habitação. Relatório de Impacto Ambiental: Setor Noroeste. 2005.

MOREIRA, Iara. Manual de Avaliação de Impactos Ambientais. Curitiba, 1992.

MOTA, S. Urbanização e Meio Ambiente. 3. ed. Rio de Janeiro: ABES, 2003.

PARENTE, A. AYRES, B. BOTTINI, D. GRILLO, J. C. S. FEITOSA, J. Relatório de


Impacto Ambiental Setor Residencial Noroeste. 2003.

RIBAS, Otto. Notas de aula: métodos para avaliação de impactos ambientais. 2003,
pgs. 91-107.

29
ANEXOS

30
ANEXO I – Mapa de Sensibilidade

31
32
ANEXO II – Mapa de Intensidade de Uso

33
34
ANEXO I – Mapa Síntese de Risco Ecológico

35