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COMARCA DE __________

Autos nº 0001152-45.2012.8.13.______
Natureza: art. 157, §2º, II e II, e art. 288, § único, ambos do CP.
Réus:

ALEGAÇÕES FINAIS DO MINISTÉRIO PÚBLICO

Honrado Julgador,

Os réus acima epigrafados, qualificados à fls. 02, foram denunciados


pela prática do crime tipificado no art. 157, §2º, I e II, e art. 288, §único, ambos do CP,
pois, narra a denúncia que:
1. Consta dos inclusos autos inquisitoriais que no dia 21 de setembro de 2011, por
volta das 21h, no Posto de Combustível “Cacheiro”, situado na Av. João Pinheiro,
Bairro do Campo, __________/MG, nesta comarca, os denunciados Paulo ____ e
John ___ali estiveram, um encapuzado e outro utilizando um capacete, e mediante
o uso de armas de fogo, calibre .32, ameaçou a vítima Domingos Sávio da Silva,
subtraindo para si e para os demais comparsas, a quantia total em espécie de cerca
de R$ 300,00, ou seja, todo o dinheiro que se encontrava no caixa do
estabelecimento, em seguida, evadiram-se do local à pé até um determinado local
(próximo a um pesque-pague), onde o acusado David ______ os aguardava no
interior do veículo GM/Kadett, placa BHQ-1088, para dar fuga a todos.

2. Logo após o crime, a Polícia Militar foi acionada e empreendeu rastreamento ao


veículo onde se encontravam os acusados, que foi avistado na Rodovia, em direção
ao município de __________/MG, e ao ser dada a ordem de parada, os acusados
acima citados não acataram o comando e o veículo seguiu em alta velocidade pela
rodovia, até ser alcançado e abordado mais adiante, instante em que, o acusado
Paulo ______ conseguiu evadir do local, embrenhando em um matagal, na posse
das armas, capacete e touca ninja, deixando, para trás, porém, uma blusa de cor
escura e a quantia de R$ 241,00 em espécie, que ficou espalhada no asfalto junto a
porta dianteira direita do referido veículo.

3. No dia 22 de setembro de 2011, durante a madrugada, e após rastreamento, a


Policia Militar logrou encontrar o denunciado Paulo ______ caminhando pelas
margens da Rodovia MGT-383, seguindo em direção a __________/MG,
oportunidade em que também localizaram as armas calibre .32 e a touca ninja.

4. O produto do crime se destinava a todos os denunciados, sendo que o acusado


Daniel ______ já havia fornecido as munições calibre .32 para carregar as armas

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empregadas nesse e no crime perpetrado na data de 14/09/2011 (IP 018/2011),
sendo que na data de 16/09/2011 (ou seja, dois dias depois de a quadrilha cometer
o primeiro roubo), a Polícia Civil encontrou e apreendeu munições calibre .32 na
citada residência ocupada pelo bando, o que está sendo tratado no IP 017/2011
(tráfico de drogas e posse ilegal de munição).

A denúncia foi recebida em 26/01/2012 (fls. 171), tendo sido


apresentadas as respectivas defesas prévias às fls. 217/218 (Daniel); fls. 227/228 (Paulo
______); fls. 225/226 (John) e fls. 231/232 (David), tudo em conformidade com o rito
processual pertinente. Foram ouvidas as testemunhas arroladas pela Acusação e Defesa,
procedendo-se, por fim, ao interrogatório dos réus (fls. 343/349v).
Procedimento hígido; inexistindo, portanto, qualquer causa que
provoque a nulidade do feito, eis que a Defesa concordou em apresentar suas alegações
finais noutra oportunidade que não a da audiência de instrução.
As diligências pertinentes foram requeridas ao final da AIJ (fls. 341),
sendo deferidas. Para agilizar o trâmite do feito, o Ministério Público obteve
diretamente cópia do laudo de prestabilidade e eficiência das armas e munições do
bando em questão e do BO da apreensão das armas, munições, toucas e capacete
(anexo).
Procedimento hígido; inexistindo, portanto, qualquer causa que
provoque a nulidade do feito.
Para o Ministério Público está provada a prática dos crimes ora
imputados aos réus, com base nos depoimentos das testemunhas, nos demais elementos
de prova e no teor dos interrogatórios a que foram submetidos os imputados.
A materialidade do crime material está infirmada pelos BOs de fls.
07/14; Auto de Apreensão de fls. 19; Autos de Reconhecimento de fls. 45/47, e pelo BO
e laudo inclusos.
Lado outro, a autoria também se revela inconteste.
Os réus cometeram o crime de roubo na cidade de __________, no dia
21/09/2011, por volta das 21h, em desfavor do posto de combustível “___”, quando este
encerrava as atividades do dia. Apesar de o réu Daniel, v. “Barão”, ter sido preso em
flagrante por tráfico de drogas no dia 16/09/2011 (fls. 102/119), continuou mantendo
contato com os comparsas (v. relato contido à fls. 69, mantido entre David e Fabiane,
filha de Daniel, em que David admite ter visto e tido contato com Daniel exatamente no

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dia do crime, ou seja, 21/09). Na verdade, os réus mantinham contato com Daniel, a
filha e a genitora dele (Fabiane e D. Lígia).
Anteriormente ao roubo no posto de combustível de __________,
segundo o BO de fls. 122/123, na data de 14/09/2011, por volta das 22h10min, o roubo
ao posto de combustível Montanha, em __________, havia acabado de ocorrer, sendo
acionada a Polícia Militar de pronto pelas vítimas. Na ocasião, foram roubados valores
em dinheiro, dois celulares, um aparelho de som automotivo, um capacete e uma moto,
marca Yamaha/YBR 125, cor vermelha, placa HHL-0131. No dia seguinte, a Polícia
Militar encontrou a motocicleta e o capacete roubados, no loteamento Cidade Nova (BO
fls. 124/126v).
A prisão preventiva dos réus John, David e Paulo ______ (fls.
178/192) foi decretada em 02/12/2011, a pedido da Autoridade Policial (fls. 80/83).
A vítima Domingos Sávio da Silva, na fase policial (fls. 39) disse:
[...] QUE o depoente na data de ontem fechava o posto em que
trabalha quando foi abordado por um rapaz alto, magro e negro, e
outro um outro rapaz mais baixo e com capacete, ambos com
sotaque semelhante ao de pessoas de São Paulo; QUE ambos
estavam armados e pediram todo o dinheiro que estivesse disponível;
QUE logo em seguida disseram “vamos lá pra casinha”, e mandaram
o depoente abrir um armário, enquanto outro retirava as gavetas;
QUE logo em seguida saíram a pé, indo em direção a um carro que
estava a mais de cem metros para frente; QUE o depoente
reconheceu a pessoa de ______ como portador de características
semelhante ao rapaz que lhe assaltou, principalmente o andar; QUE
os mesmos levaram quantia superior a duzentos e cinqüenta reais;
QUE o depoente reconheceu as armas e a touca ninja que os
mesmos estavam usando, sendo com dois furos nos olhos [...]
Também na fase policial, na Delegacia de ______ (fls. 20/21), a
vítima relatou:
[...] Posto Cacheiro, onde trabalha como frentista, e na data de ontem, por volta das
21:00 horas, o declarante encontrava-se trabalhando, quando foi abordado por dois
indivíduos estando um escondendo o rosto com um capuz [...] e outro usando um
capacete de motoqueiro; QUE ambos estava armados com um revólver; QUE o
indivíduo de estatura mais baixa mandou que o declarante lhe entregasse o dinheiro
do caixa, tendo o declarante lhe entregado cerca de R$290,00 a R$300,00 [...] em

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dinheiro trocado, maioria de nota de R$10,00 (dez reais), tendo somente duas de
vinte reais; QUE em seguida mandaram que o declarante entrasse no escritório e
abrisse o cofre, tendo o indivíduo mais baixo entrado com o declarante enquanto o
outro ficou do lado de fora vigiando; QUE como não tinha dinheiro no cofre os
elementos fugiram em direção sentido à BR [...] QUE o declarante passou as
características dos autores aos policial e eles saíram à procura dos autores; QUE
momentos após os policiais retornaram com dois elementos, sendo eles
identificados como sendo o DAVID ______ DE SOUZA e JOHN ______ DA
SILVA MACHADO; QUE o declarante acredita que pela voz, sotaque e forma
de olhar, o elemento JOHN ______ DA SILVA pode ser o indivíduo mais baixo,
o qual lhe abordou [...]

Em Juízo (fls. 309), complementou:


[...] que confirma integralmente o seu depoimento de fls. 20/21, prestado na fase
policial, que lhe foi lido nesta audiência; que as duas pessoas que lhe foram
apresentadas na DEPOL no mesmo dia do roubo um deles tinha características
físicas semelhantes aquelas dos denunciados, sendo estaturas e forma de andar;
que no dia seguinte ao primeiro reconhecimento esteve na DEPOL de
__________/MG onde lhe foram apresentados três detentos; que destes três, um
havia sido reconhecido no dia anterior, outro reconheceu neste instante, como
sendo o indivíduo de pele cor escura, que o abordou, e um terceiro, que segundo
as autoridades policias estaria no apoio aos demais [...] que após a subtração dos
bens mencionados, os dois agentes saíram a pé [...] que não houve agressão física,
somente apontaram armas de fogo ao informante, estando cada um dos agentes
munido de uma arma; que conhece pouco sobre arma de fogo, mas cada agente
portava um revólver [...]

A testemunha Sebastião Ribeiro Leal, na fase policial (fls. 49),


relatou:
[...] Que trabalha no posto denominado Posto Montanha, situado na Rua Celso
Penha Viela, neste município a 02 anos, é frentista, durante o dia; Que este posto
fica próximo a residência de Daniel; Que havia ALGUNS rapazes que estavam
ficando na residência de Daniel, inclusive um deles chegou a freqüentar o posto
levando o carro para lavar ou para abastecer; Que o rapaz que levou o carro para
lavar era estatura média, cor clara; Que o declarante não tem certeza mas “acha
que o cabelo do rapaz era espetado”; Que ao ver a foto de Davidson o reconheceu
como sendo o rapaz que levou o veiculo para lavar; Que este rapaz ficava na
residência de Daniel [...]

Em Juízo (fls. 317), a testemunha confirmou o depoimento de fls. 49 e


o reconhecimento fotográfico de fls. 34.
A testemunha Marcelo Guedes Menezes, na fase policial (fls. 48),
asseverou:
[...] Que trabalha no posto denominado Posto Montanha, situado na Rua Celso
Penha Viela, neste município (____) há 02 anos, durante o dia é auxiliar
administrativo; Que este posto fica próximo a residência de Daniel; Que havia
ALGUNS rapazes que estavam ficando na residência de Daniel, inclusive NO DIA
EM QUE OCORREU O ASSALTO O DECLARANTE OS VIU NA REFERIDA
RESIDÊNCIA, durante o dia; Que dois desses rapazes vieram para __________
aproximadamente a três meses; que no começo estes rapazes moravam no bairro
do Rosário; Que o declarante não tem certeza, mas acha que os mesmos estavam
ficando na residência de um rapaz conhecido como “Xoque”; Que o declarante

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por diversas vezes os viu juntos andando pela rua e na residência de Daniel; Que
estes rapazes iam com muita freqüência no referido posto, as vezes chegavam a
abastecer três vezes no dia; Que aproximadamente há um mês, esses dois rapazes
vieram morar na residência de Daniel; Que NO DIA EM QUE OCORREU O
ASSALTO NO POSTO, DURANTE O DIA, O DECLARANTE CHEGOU A VER
ESSES RAPAZES SENTADOS DO LADO DE FORA DA RESIDÊNCIA DE
DANIEL POR DIVERSAS VEZES; Que neste dia o rapaz conhecido como
“Xoque” não estava na residência de Daniel; Que na terça-feira e na quarta-feira
desta semana o declarante VOLTOU A VER OS TRÊS JUNTOS NA
RESIDÊNCIA DE DANIEL; Que o rapaz conhecido como “Xoque” é alto,
magro, negro [...]

Em Juízo (fls. 316), complementou:

[...] que confirma integralmente o seu depoimento de fls. 48, prestado na fase
policial, que lhe foi lido nesta audiência; que o carro que os corréus levavam ao
abastecimento no Posto em que o depoente trabalha era um Kadet, de cor verde;
que em tais ocasiões em que o veículo era levado para abastecimento, David estava
na condução, estando PRESENTES OS CORRÉUS JOHN E PAULO ______,
CONHECIDO POR “CHOQUE”; que o abastecimento em questão fora feito no
período entre as 08:00 e as 17:00 horas, horário de trabalho do depoente, não
sabendo informar se o mesmo ocorreu em outros horários; que David comentou com
o depoente que o veículo em questão teve problemas mecânico e fora submetido a
conserto numa oficina de __________/MG; que o numerário subtraído do roubo
do Posto Montanha não fora restituído; que o som automotivo e os aparelhos
telefônicos subtraídos dos empregados do Posto não foram restituídos; que
houve a restituição da motocicleta de um amigo de Deoclecio; que fora intimado
para comparecer na DEPOL, ocasião em que fora mostrado um retrato de dois
indivíduos de fls. 33/34, ocasião em que reconheceu como sendo John de fls. 33 e
David de fls. 34; que após foi colhido seu depoimento [...]

À fls. 47, foi acostado o auto de reconhecimento dessa testemunha, em


que ela ressalta a ligação estreita entre os quatro réus.
Os depoimentos das vítimas são uníssonos e seguros, apontando a
autoria direta do delito aos réus John e Paulo ______ que foram reconhecidos como
sendo as pessoas que os abordaram portando cada um deles uma arma de fogo, que
utilizaram para praticar o roubo.
O réu David também estava no município de __________ no dia e na
hora da consumação do delito, juntamente com os réus John e Paulo ______.
A testemunha Joaquim Pedro Moreira, na fase policial (fls. 40),
asseverou:
[...] QUE o depoente estava no bar da Fátima na cidade de __________, quando
presenciou um Kadet na cor verde, que tripulado por três pessoas; QUE o depoente
se recorda as letras da placa do carro era BHQ, não se lembrando do número nem da
cidade; QUE eram três rapazes, sendo um mais alto, magro, escuro, o outro era
de estatura mediana e mais claro, e outro claro e mais baixo que os outros dois;
QUE o depoente reconhece através da foto constante dos autos a pessoa de David
como sendo o que estava no bar em companhia dos demais; QUE tal se deu por

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volta das 19:10 ou 19:20, sendo que os mesmos consumiam cervejas, refrigerantes e
tira gosto; QUE os três estiveram o tempo todo juntos e conversando [...]

Em Juízo (fls. 315), a testemunha Joaquim complementou:


[...] que confirma integralmente o seu depoimento de fls. 40, prestado na fase
policial, que lhe foi lido nesta audiência; que o veículo Kadet mencionado, estava
estacionado próximo ao bar; que por estar escuro acredita que a cor de tal veículo
seja verde; que a placa de fora da cidade lhe chamou a atenção, que lhe motivou
a brincar com a atendente do bar que os corréus Paulo, John e David se
localizavam; que A NOTÍCIA DO ROUBO AO POSTO DE GASOLINA
SURGIU APÓS A SAÍDA DOS CORRÉUS DO BAR; que o depoente não
conhecia tais pessoas da cidade de __________/MG [...]

Os réus John, Paulo ______ e David estavam no dia dos fatos no


município de __________. A testemunha Joaquim Pedro Moreira, tanto na fase policial
quanto em Juízo, relatou que viu os três réus em __________, (descrevendo-os da
mesma forma que TODAS as demais vítimas do roubo ocorrido em __________/MG),
mais precisamente no interior de um bar, por volta das 19h, no mesmo dia do roubo ao
posto de combustível, salientando que “A NOTÍCIA DO ROUBO AO POSTO DE
GASOLINA SURGIU APÓS A SAÍDA DOS CORRÉUS DO BAR”. Inclusive, soube
informar até o veículo que eles utilizavam (Kadet), as letras da placa do veículo (BHQ),
justificando que lhe chamou a atenção a placa porque era “de fora”, motivando até uma
brincadeira com a atendente do bar. Importante frisar que a testemunha reconheceu
todos os três réus juntos (fls. 46), enquanto eles tentaram fazer crer que estariam
separados de Paulo ______, e que este teria dormido na casa da avó e que estaria
supostamente fazendo uma caminhada às margens da rodovia, por volta das 09h,
embora o BO incluso refute totalmente a inverdade dessas alegações.
Para demonstrar a formação de quadrilha (art. 288, do CP), é
importante atentar para o relato das vítimas do roubo ocorrido no posto de combustível
no município __________.
Paulo Fernandes Lagoa Filho, ouvido na fase policial no dia
22/09/11 (fls. 35/36), relatou:
[...] Que na data dos fatos em apuração o depoente estava fechando o posto em que
trabalha, quando foi abordado por um rapaz alto, magro e negro, e outro um
outro rapaz mais baixo, AMBOS com sotaque semelhante ao de pessoas de São
Paulo; QUE ambos estavam armados e pediram todo o dinheiro que estivesse
disponível; QUE o depoente passou o dinheiro que estava em seu bolso, sendo a
quantia de R$283,00 e mais R$15,00 reais que estava na carteira do depoente; QUE
na ocasião se fazia presente seu companheiro de serviço Deuclecio; QUE o
depoente reconheceu na presente data a pessoa de ______ como tendo as
características do rapaz que lhe roubou; QUE também reconheceu as armas
utilizadas; QUE esclarece que também lhe foi roubado um aparelho celular da

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marca Sansung, acreditando que o modelo é Corb SH 68, com função touch screen,
juntamente levaram um aparelho Pionner; QUE após lhe foi solicitado a moto de
Deuclecio e mandaram que o depoente e aquele deitassem; QUE o rapaz menor a
todo o momento dizia para o outro algoz para atirarem contra as vítimas; QUE
o depoente informa já viu as pessoas de David e John na casa de Daniel, sendo
que este último veio preso recentemente por tráfico de drogas; QUE esclarece que
estes estavam juntos na casa de Daniel; QUE ESCLARECE QUE TODOS
CHEGARAM JUNTOS NA CIDADE HÁ MAIS DE DOIS MESES; QUE o
rapaz que foi reconhecido na presente data, também já esteve na casa de
Daniel; QUE ESCLARECE QUE TODOS SÃO AMIGOS; QUE o depoente viu
em poder de tais pessoas um GM Kadet da cor verde; QUE logo após o assalto,
quando foram saindo do posto, a pessoa de David estava saindo de casa, então o
depoente falou com David que tinha acabado de ser assaltado, e o mesmo começou
a lhe perguntar como eram os “caras”, QUERENDO SABER SE O
DEPOENTE HAVIA RECONHECIDO [...]

O deslocamento do réu David para o posto de combustível, logo após


a ocorrência do roubo e o questionamento sobre o reconhecimento dos autores,
demonstra claramente que David se encontrava na casa de Daniel, monitorando toda a
ação dos comparsas.
Em Juízo (fls. 311), a vítima complementou:

[...] que confirma parcialmente o seu depoimento de fls. 35/36, prestado na fase
policial, que lhe foi lido nesta audiência, retificando que não pode afirmar com
certeza que as pessoas apresentadas ao depoente na DEPOL são as mesmas que
estiveram no Posto de Gasolina, visto que naquela situação estavam utilizando
toucas, que cobriam o rosto, estando muito próximo ao informante, ocasião em que
viu apenas sua mão, afirmando se tratar de pessoa negra; que na DEPOL
apresentaram três indivíduos, sendo que um deles era mais próximo ao sujeito que
lhe abordou no dia dos fatos; que no dia do reconhecimento, a pessoa de
__________/MG presente que efetuara o reconhecimento de tal sujeito; que
Deoclecio foi abordado por um outro sujeito [...] que A PESSOA QUE LHE FORA
APRESENTADA AO RECONHECIMENTO NA DEPOL O INFORMANTE
HAVIA VISTO EM __________/MG, AFIRMANDO TRATAR-SE DA PESSOA
CONHECIDA POR “CHOQUE”; [...] que o sujeito que lhe fez abordagem
portava uma arma do tipo revolver, de cor preta, com cabo branco; que o indivíduo
que abordou Deoclecio também portava arma de fogo, não sabendo informar as
características de tal armamento [...]

O Sr. Paulo Fernandes, vítima do roubo ocorrido no município de


__________, reconheceu o réu Paulo ______, que lhe abordou diretamente no dia do
crime, conforme auto de reconhecimento de fls. 22. O reconhecimento foi feito perante
a testemunha Eustáquio Pereira Abrahão. Outras características dos réus também são
apontadas por Paulo (como também pelas outras vítimas e testemunhas), como o
sotaque de paulista, a forma de andar, a compleição física, o que de fato confere, eis que
os réus John e Paulo ______ (além de David) são de Jacareí/SP, e que por ser muito
diferente do sotaque desta região, marca a pessoa que irá certamente destoar das demais.

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Salienta-se que na região de nossa comarca, pessoas oriundas do Estado de São Paulo
são raridade, o que facilita a identificação. Também o porte físico dos autores, descritos
por todas as vítimas e testemunhas, são absolutamente idênticos aos dos réus (mesmo
porque são as mesmas pessoas). O Sr. Paulo Fernandes não teve visão dos réus, pois
ambos estavam utilizando balaclavas (“touca ninja”). Contudo, a identificação feita
levando em consideração as características acima apontadas é suficiente para gerar a
certeza necessária indicando a autoria do delito. Logo, os elementos contidos no outro
IP (roubo ao posto de combustível de __________) também conferem a certeza sobre a
responsabilidade e ligação dos réus entre si.
A retificação parcial do depoimento do Sr. Paulo Fernandes (que nem
pode ser considerada retificação) prestado na fase policial é perfeitamente aceitável,
haja vista que __________ é cidade pequena, onde “todos se conhecem”, e sabendo da
periculosidade dos réus, obviamente, Paulo Fernandes tentou se resguardar, fato este
perfeitamente normal, ainda mais quando no momento do roubo o réu John
(principalmente) a todo momento dizia que era para atirar nas vítimas (em ambos os
roubos). Não se deve olvidar que o depoimento prestado na fase policial foi livre de
coação, pouquíssimos dias depois dos fatos. Na verdade, se se analisar os exatos termos
do reconhecimento, não se perceberá nenhuma incoerência, pois tanto Paulo Fernandes
quanto Deoclécio (vítima dos roubos no município de __________), além das vítimas
desses autos, disseram ter reconhecido Paulo ______ e John como tendo as
características dos rapazes que lhes roubaram, ou seja, foram identificados pelas
características, além das armas apreendidas pela Polícia Militar no dia 22/09, durante a
madrugada, pós roubo ao posto de __________, quando Paulo ______ foi preso nas
mesmas circunstâncias.
Entende o Ministério Público que não se deve subvalorar as provas
colhidas na fase policial, porque foram submetidas ao crivo do contraditório e todas elas
possuem correlação e coincidência de elementos e indícios, forjando um arcabouço
robusto e coerente de provas em desfavor dos réus. O caráter inquisitivo do inquérito
policial não retira o valor das provas produzidas no seu âmbito, uma vez não
demonstrado nos autos ter havido qualquer tipo de coação, tortura ou fraude. As provas
obtidas no bojo do inquérito policial seguem o que Maria Thereza Rocha de Assis
Moura entende como uma prevenção para se evitar a falsificação, ou seja, a rápida

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captação das provas (A prova por indícios no processo penal. Rio de Janeiro:Lumen
Juris, 2009, p. 95).
Deoclécio Ribeiro Olimpio, na fase policial (fls. 37/38), afirmou:
[...] QUE o depoente na data dos fatos em apuração estava fechando o posto em
que trabalha, juntamente com seu amigo de serviço Paulo, quando Paulo foi
abordado por um rapaz alto, magro e negro, e outro um outro rapaz mais baixo,
AMBOS com sotaque semelhante ao de pessoa de São Paulo; QUE ambos
estavam armados e pediram todo o dinheiro que estivesse disponível; QUE Paulo
passou o dinheiro que estava em seu bolso, sendo a quantia de R$283,00 e mais
R$15,00 reais que estava na carteira do depoente; QUE o depoente reconheceu na
presente data a pessoa de ______ ______ como tendo as características do rapaz
que lhe roubou; QUE também reconheceu as armas utilizadas; QUE esclarece
que também lhe foi roubado um aparelho de celular da marca Sony Ericson,
acreditando que o modelo é ES500i slide, juntamente levaram um aparelho
Pionner; QUE após lhe foi solicitado a moto e mandaram que o depoente e aquele
deitassem; QUE o rapaz menor a todo momento dizia para o outro algoz para
atirarem contra as vítimas; QUE o depoente informa já viu as pessoas de David e
John na casa de Daniel, sendo que este último veio preso recentemente por tráfico
de drogas; QUE esclarece que estes estavam juntos na casa de Daniel; QUE
esclarece que TODOS chegaram juntos na cidade há mais de dois meses; QUE o
rapaz que foi reconhecido na presente data, também já esteve na casa de Daniel;
QUE esclarece que todos são amigos; QUE o depoente viu em poder de tais
pessoas um GM Kadet da cor verde; QUE logo após o assalto, quando foram
saindo do posto, a pessoa de David estava saindo da casa, então o Paulo falou com
David que tinha acabado de ser assaltado, e o mesmo começou a lhe perguntar
como eram os “caras”, querendo saber se o depoente havia reconhecido; QUE
David emprestou o aparelho de celular para o depoente ligar para Polícia [...]

Em juízo (fls. 310), (re)afirmou:


[...] que confirma parcialmente o seu depoimento de fls. 37/38, prestado na fase
policial, que lhe foi lido nesta audiência, retificando que não pode afirmar com
certeza que as pessoas apresentadas ao depoente na DEPOL são as mesmas que
estiveram no Posto de Gasolina, visto que naquela situação estavam utilizando
toucas, que cobriam o rosto; que, contudo, AMBOS TINHAM A MESMA COR
DE PELE, MESMA ALTURA E COMPLEIÇÃO FÍSICA; que tais fatos acima
descritos foram praticados em um roubo a um posto de gasolina da cidade de
__________/MG ocorrido em 14/09/2011 diverso do apurado nos presentes autos;
[...] que conhece o corréu Daniel há muito tempo; que David chegou após a
subtração de bens, ocasião em que emprestou seu aparelho telefônico para que a
vítima Paulo chamasse a Polícia; que não viu se havia outras pessoas dando
cobertura para os assaltantes [...]

As mesmas ponderações feitas em relação à vítima Paulo Fernandes


são perfeitamente cabíveis para a Deoclécio. Os depoimentos das vítimas do roubo ao
posto de combustível de __________ são semelhantes ao prestado pela vítima do roubo
em tela, Sr. Domingos Sávio da Silva, que aponta os réus John e Paulo ______ como
autores diretos do delito, sendo que nesse caso David se encontrava em seu carro, a uma
certa distância, para garantir a fuga dos comparsas, como ocorreu, lembrando que os
três foram vistos juntos num bar de __________/MG, antes da prática do roubo.

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Como se pode observar, diversamente das inúmeras versões que os
réus apresentaram a cada momento da persecutio criminis, eles estavam todos juntos,
morando juntos e fazendo os levantamentos necessários para consumar os delitos, já que
se encontravam desocupados em __________, precisando de dinheiro para pagar a mãe
de Daniel, em virtude das despesas que tiveram para consertar o veículo de David, além
de já possuírem o know-how necessário para o cometimento da empreitada criminosa,
eis que John responde a diversos processos em Jacareí/SP, por roubo e porte de arma
raspada, e Paulo ______ já havia inclusive sido condenado definitivamente por porte de
arma raspada em Jacareí/SP e cumprindo a pena nesta comarca.
O Policial Civil Gustavo, em juízo (fls. 354/355) relatou:
[...] que confirma integralmente o seu depoimento de fls. 05, prestado na fase
policial, que lhe foi lido nesta audiência; que a expedição do mandado de busca e
apreensão por este juízo fora iniciado por conta de denúncias através da autoridade
policial, que montou campana próximo a casa do indiciado Daniel, que se localiza
próxima a Delegacia de Polícia na cidade de __________/MG; que tais denúncias
indicavam a venda de droga pelo investigado no interior de sua residência; que no
momento da abordagem policial a autoridade encontrou os corréus David e
John no interior de um veículo que saia da garagem da casa onde o mandado
seria cumprido; que tais corréus alegaram não conhecer Daniel, embora
afirmaram estarem hospedados em tal casa há cerca de três dias; que antes da
mencionada busca o veículo usado pelos corréus John e David fora submetido a uma
manutenção numa oficina denominada “Shopping Car”; que os quatro papelotes de
substância parecida a droga cocaína foram encontradas nas vestes do corréu David,
após a autoridade policial determinar que saíssem do veículo; que no momento da
busca o corréu Daniel informara ao depoente que não tinha atividade
remunerada; que os demais corréus não mencionaram nada sobre suas
ocupações; [...] que não fora mencionado por John e David qual o destino teriam no
momento da abordagem; que AS CARACTERÍSTICAS DOS CORRÉUS JOHN
E DAVID JÁ SE ENCAIXAVAM EM DENÚNCIAS FORNECIDAS A
AUTORIDADE POLICIAL DE ENVOLVIDOS NUM CRIME EM
DESFAVOR DO POSTO DE COMBUSTÍVEIS CACHEIRO, OBJETO DO IP
042/2011; que as porções de drogas encontradas estavam aptas ao consumo
imediato; que na época da investigação perceberam grande movimentação de
veículos e pessoas que se dirigiam a casa do corréu Daniel, inclusive no período
noturno; que tal investigação teve duração aproximada de três meses antes da
expedição do mencionado mandado de busca e apreensão; [...] que a droga e a
munição foram encontradas no pavimento inferior [...] que as pessoas procuravam a
casa do corréu Daniel na época da investigação eram pessoas conhecidas no meio
policial como usuários de drogas, havendo, inclusive, algumas que figuravam em
TCO’s desta natureza [...].

O também policial civil Ricardo ___, em juízo (fls. 356/357),


asseverou:
[...] que confirma integralmente o seu depoimento de fls. 06, prestado na fase
policial, que lhe foi lido nesta audiência; que no momento da abordagem os
corréus John e David alegaram estarem hospedados na casa do corréu Daniel
[...] que segundo os denunciados em períodos anteriores já ocorreram tal
hospedagem; [...] que em tal abordagem o corréu Daniel obtinha sair com o veículo

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da garagem, e os corréus John e David saiam do interior da residência; que os
corréus John e David alegaram que estavam em __________/MG, pois o veículo
(KADET) havia dado problemas; que tais investigações iniciaram tendo em vista
possível ocorrência de tráfico de drogas praticado por Daniel e mais dois indivíduos,
sem precisar inicialmente a qualificação destes; que APÓS A OCORRÊNCIA DE
UM ROUBO NO POSTO DE GASOLINA DE __________/MG, BANDEIRA
PETROBRAS, SURGIU A INFORMAÇÃO DE QUE ESTES DOIS
INDIVÍDUOS USAVAM UM VEÍCULO MODELO KADET; que tal operação
fora realizada em conjunto entre as Policias Civil e Militar; que a Polícia Militar
comentou com o depoente que recebera denúncias do corréu Daniel com os fatos em
apuração; que é praxe antes de requerer expedição de mandado de busca e
apreensão, realizar diligências com fim de verificar a procedência das denúncias,
para só então formalizar o pedido de busca e apreensão; que tal procedimento é
efetuado desde a atuação do atual Delegado de Polícia, Dr. Rafael [...] que no
momento da abordagem os corréus John e David afirmaram que estavam na cidade
em função de problemas no veículo; que tais corréus são oriundos de Jacareí/SP [...].

A testemunha PM ___, em juízo (fls. 369/369A), esclareceu:


[...] que [...] se recorda do teor do documento de fls. 13, que se trata de notícia
reservada de tráfico de drogas; que de posse de tais informações, pleiteou ao juízo a
expedição de mandado de busca e apreensão conforme ofício de fls. 14; que Daniel
mencionado no ofício tem a alcunha de “______”, que apontado nesta assentada
para o réu Daniel, afirmou tratar-se da mesma pessoa; que a operação deflagrada
fora efetuada em conjunto com a Polícia Civil de __________/MG; [...] que ao que
se recorda, JUNTO COM TAL NOTÍCIA DE TRÁFICO HAVIA
INFORMAÇÃO DA PRÁTICA DO DELITO DE ROUBO EM UM POSTO DE
GASOLINA EM __________/MG; que nesta ocasião deixara um militar
descaracterizado de campana para obtenção de informações; que o serviço reservado
mencionado fora estabelecido a partir da denúncia de fls. 13, datada de 16/08/2011;
que os militares em operação do serviço reservado notaram movimentação estranha
na casa do denunciado Daniel, bem como a presença do veículo Kadet mencionado
em tal ofício de fls. 14 [...] que conheceu o réu Daniel a partir da atuação do serviço
reservado mencionado, quando foram efetuadas as fotografias do denunciado; que
não se recorda a data exata em que o réu fora identificado, apenas que se deu a partir
do documento de fls. 13 aludido; que o veículo mencionado no ofício de fls. 14 fora
visto com mais freqüência no local da investigação; que tal veículo por vezes ficava
parado defronte a residência do réu Daniel [...]

As testemunhas Sebastião e Marcelo, funcionários do posto de


combustível que foi roubado em __________, que reconheceram os réus (todos os
quatro), atestaram categoricamente o vínculo entre eles, sendo que John e David
estavam hospedados na casa de Daniel e Paulo ______ frequentava a residência
habitualmente e foi visto por várias vezes no carro juntamente com David e John, não
havendo qualquer dúvida sobre sua ligação e vínculo.
Além disso, a testemunha Joaquim afirmou que David, John e Paulo
______ estavam do bar da Fátima, todos juntos e conversando, articulando a ação
criminosa, bem como observando detalhes da rotina do estabelecimento, tais como o
lugar em que era guardado o dinheiro, se havia mais objetos de valor, horários de maior

11
vulnerabilidade etc. Ou seja, observa-se que houver premeditação (maior
culpabilidade, portanto, à luz do art. 59 do CP).
Os policiais também foram enfáticos, esclarecendo que haviam
recebido “denúncias” anônimas de que os réus haviam sido também os autores do
assalto ao posto de combustível de __________, constatando o estreito relacionamento
existente entre deles.
Destaca-se que o réu John é especialista nesse tipo de delito (contra
posto de combustível), conforme consta às fls. 372/385, tendo sido denunciado por
delito análogo na comarca de Jacareí/SP. Ele mesmo admitiu ter ficado recolhido na
Fundação Casa (por um ano e dois meses), quando adolescente, por prática de ato
infracional análogo a roubo qualificado, além de ter confessado para a Polícia Civil
paulista inúmeros outros roubos qualificados (por uso de arma e em concurso de
agentes) a postos de gasolina e mercados.
Se não bastassem as robustas provas carreadas aos autos, o laudo
pericial de fls. 61/78 também serve para elucidar os fatos.
No Celular 01, marca Nokia, modelo 2720, IMEI 355247032812222,
com chip da operadora “OI”, número (35)8855-0166, estava armazenado na agenda
“______ Bb”, “Choque”, “Choquea” e “Choqueb”, além de outros nomes de pessoas
identificadas nos autos.
No Celular 02, marca Samsung, modelo GT-I5500B, IMEI
357950034108402, com chip da operadora “Vivo”, número (35)9893-1357, estava
armazenado na agenda o nome “David Vivo” (99874131 – mesmo número Celular 03).
A caixa de mensagem registra várias mensagens, entre elas de “Fabiane”, filha de
Daniel, informando que Ligia, mãe de Daniel, estava tentando falar “c VCS” (fls. 63),
além de mensagens de conteúdo variado enviado por Elen e Thais. Todas as mensagens
recebidas nos dias 21, 22 e 23 de setembro de 2011.
No Celular 03, também marca Samsung, modelo GT-I5500B, IMEI
353655042885792, com chip da operadora “Vivo”, número (35)9887-4131, estava
armazenado na agenda no nome “______”, “David Vivo M” (Número correspondente
ao telefone), “jhon s/1”, “johll/1”, “John Vivo M” (número do celular 02), “Xoki Tim”,
“Xoki/1”. A caixa de mensagem contém várias mensagens, entre elas de “Bia Minas”,
que no dia 26/09/2011, enviou para o telefone: “muita saudade de vcs.. Do choks do

12
meu baraozinho, ate do chato do John [...] Vcs sabem k toh aki torcendo por vcs,
independente d todo somos amigos.” Também há mensagens recebidas do número
99144165 (Fabiane – filha do réu Daniel – fls. 63), no dia 21/09/2011, após a prisão do
réu Daniel, “falando sobre o conserto do carro do réu David (Kadet). Também no dia
21/09/2011, “Rose Minas” perguntou do réu Daniel, que na oportunidade já estava
preso na cadeia pública local, sabendo, inclusive, que ele estava indo no CAPS de
__________.
Como se viu alhures também, David admitiu para Fabiane (filha do
réu Daniel) ter visto e falado com o réu Daniel (mesmo este estando preso), no exato dia
do segundo roubo (ao posto de gasolina de __________ – v. fls. 69). Ora, mesmo preso,
Daniel tinha contato com os corréus e podia combinar e orientá-los sobre as novas
empreitadas criminosas, que iriam garantir a arrecadação do dinheiro necessário para
pagar a dívida contraída com a Sra. Lígia (mãe de Daniel), para pagar o conserto do
veículo GM/Kadett.
Pouco antes do roubo ao posto de combustível de __________, tratado
nestes autos, o réu David recebeu mais mensagens, agora da pessoa denominada “Marly
Minas”. Na linha 23 (21/09, dia do crime), o réu menciona “Amor c tudo d certo
amanhã...”. Na linha 91 (fls. 75), o réu escreve para a citada pessoa: “vou trabalhar ta
amor to indu quandu xegar t aviso”. Considerando que o réu mesmo afirmou que não
possuía trabalho lícito no município de __________, e como não poderia dizer que tipo
de trabalho seria esse (linha 93), é possível concluir com tranquilidade que o “trabalho”
citado por David era exatamente o roubo ao posto de gasolina de __________/MG. Na
linha 94, Marly adverte David para ter cuidado.
Após alguns instantes a pessoa denominada Marly Minas pergunta
para o réu David: “Pronto?”, sendo respondido que “Ainda nauo to no esquema”,
logicamente relatando que o roubo ainda não teria iniciado. Nas linhas subsequentes
(102/111) a narrativa continua, inclusive o réu David dando indicação da hora em que
ele e os comparsas iriam agir, dizendo “tah na hora luz câmera acaum deuxa com nois”.
Não tendo notícias, a pessoa denominada Marly Minas (que por sinal
sabia antecipadamente do roubo que iria acontecer) mandou várias mensagens pedindo
desesperadamente um “sinal” do réu David. Inconformada e sem notícias chegou a ligar
para o celular, sendo atendida por um policial (linhas 108/116). Não satisfeita continuou

13
a mandar mensagens. A autoria do roubo, como se vê, está perfeitamente delineada e
provada em diversos elementos de prova e de convicção, não havendo nenhuma dúvida.
Noutro ponto, uma pessoa identificada como “Maira Vivo” também
mandou mensagens para o celular de David, e, entre outras coisas, perguntou “meu deu
serto pelomenos” (fls. 78).
O réu John também mandou mensagens para David no dia do roubo
ao posto de combustível de __________ (fls. 78), falando que “Iae meu vai espera
fecha”. Ou seja, os réus estavam discutindo o melhor momento para cometer o assalto.
As robustas provas carreadas aos autos são suficientes para levar o
julgador à certeza necessária para condenação.
A conduta de cada um deles restou amplamente demonstrada. Os réus
John e Paulo ______ abordavam as vítimas e, mediante violência e grave ameaça,
ambos armados, subtraíam os valores e bens alheios. O réu David garantia o sucesso da
empreitada, monitorando a ação dos comparsas, e se assegurando de que as vítimas não
haviam reconhecido os seus parceiros Paulo ______ e John, no caso do roubo do posto
de combustível de __________, e dirigindo seu carro, modelo Kadet, para facilitar a
fuga deles, no caso do roubo ao posto de combustível de __________. Já o réu Daniel,
como é conhecido na região por ser o único morador e sua participação direta poderia
facilitar a solução do caso, já que seria mais fácil identifica-lo, proveu as necessidades
dos demais, permitindo que os corréus permanecessem no município de __________
por várias semanas, estudando suas vítimas, fornecendo casa, logística e informações.
Nesse ponto deve ser percebido que o réu Daniel teve sim participação nos delitos, pois
prestou auxílio para os corréus, além do que dependia do produto dos crimes para
ressarcir sua genitora do alegado empréstimo que teria quitado o valor do conserto do
veículo GM/Kadet, sendo, portanto, a sua participação fundamental para a prática dos
delitos, eis que sem esse auxílio material, a empreitada criminosa sequer iniciaria e se
consumaria.
Vale lembrar também a lição de MIRABETE (1985, v. 1, p. 225),
segundo a qual, respondem “pelo ilícito o que ajudou a planejá-lo, o que forneceu os
meios materiais para a execução, o que intervém na execução e mesmo os que
colaboram na consumação do ilícito”.

14
Como se sabe, a teoria que foi adotada pelo Código Penal, de modo a
definir o concursus delinquentium é, sem embargo de raríssimas exceções, a teoria
monística ou unitária, segundo a qual, todo aquele que concorre para o crime causa-o
em sua totalidade e por ele responde integralmente (ANTOLISEI apud BITENCOURT,
2003, v. 1, p. 379). Essa concepção se funda na equivalência das condições necessárias
à produção do resultado.
É preciso registrar que o concurso de pessoas compreende não só a
contribuição causal, puramente objetiva, mas também a contribuição subjetiva,
representando, respectivamente, causalidade física e psíquica determinante da produção
do resultado típico.
Não só a pluralidade de participantes e de condutas e o vínculo
subjetivo entre os participantes, mas também a identidade de infração penal e,
principalmente, a relevância causal de cada conduta, afiguram-se os requisitos
inarredáveis dessa construção dogmática.
E o crime de quadrilha ou bando também restou amplamente
demonstrado. É de se lembrar que os réus Daniel, David e John também foram
denunciados por crime de tráfico consumado nessa comarca e, incluindo o réu Paulo
______, por mais um crime de roubo contra posto de combustível cometido no
município de __________.
Em relação ao delito de formação de quadrilha (art. 288, do CP),
importante ressaltar os ensinamentos de Guilherme de Souza Nucci, em sua obra
Código Penal Comentado – 6. ed. ver., atual. e ampl. – São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2006:
[...] associar-se significa reunir-se em sociedade, agregar-se ou unir-se. O objetivo
da conduta é a finalidade de cometimento de crimes. ‘O crime de formação de
quadrilha aperfeiçoa-se com o momento associativo, o qual já pode se revelar pelas
dimensões objetivas e subjetivas do modus operandi em único cometimento de
autoria múltipla, sem se condicionar à realização de mais de um, consumado ou
tentado, pelos membros da sociedade delinqüentes’ (TJSP, Ver. 254.056-Limeira, 2º
Grupo de Câmaras, rel. Gonçalves Nogueira, 03.11.1998, v.u., JUBI 30/99). [...]
(pág. 947).

[...] 22. Quadrilha ou bando: são termos sinônimos, significando a reunião de, no
mínimo, quatro pessoas, com caráter estável e permanente, visando a prática de
delitos, ainda que não os tenha efetivamente cometidos. [...] (pág. 947)

[...] o elemento subjetivo específico é exigido neste tipo penal, devendo configurar-
se como a vontade de realizar crimes determinados [...] (pág. 948)

15
[...] cremos admissível a possibilidade de punição do agente pela associação em
quadrilha ou bando, algo que ofende a sociedade, tratando-se de crime de perigo
abstrato e comum, juntamente com o roubo com causa de aumento, consistente
na prática por duas ou mais pessoas, delito que se volta contra vítima determinada
e é de dano. Inexiste bis in idem, pois os objetos jurídicos são diversos, bem como
a essência dos delitos [...] No sentido que defendemos: “Cumulação da qualificadora
do crime de roubo (uso de arma) com a qualificadora de quadrilha armada. O crime
de quadrilha é um crime autônomo, que independe dos demais crimes que vierem a
ser cometidos pelo bando. É, também, um crime permanente que se consuma com o
fato da associação e cuja a unidade perdura, não obstante os diversos crimes-fim
cometidos pelos integrantes do grupo criminoso” (STF, HC 75.349-3, 2ª T., rel. Néri
da Silveira, 21.10.1997, v.u., DJ 26.11.1999, p. 84). Idem: STJ, HC 35.220-RS, 5ª
T., rel. Felix Fischer, 05.10.2004, v.u., DJ 08.11.2004, p. 259; HC 28.035-SP, 6ª. T.,
rel. Hamilton Carvalhinho, 01.03.2005, v.u., DJ 01.08.2005, p. 560. [...] (pág. 949).

Vale ressaltar, ainda, os julgados do TJMG a este respeito:


TJMG - APELAÇÃO CRIMINAL - FORMAÇÃO DE BANDO OU QUADRILHA -
FURTOS QUALIFICADOS - ROUBO MAJORADO - AUTORIA - PROVA - PARTE
DA 'RES FURTIVA' APREENDIDA COM OS RÉUS - DELAÇÃO DE CORRÉUS -
RETRATAÇÃO - INSUBSISTÊNCIA - CONDENAÇÕES MANTIDAS – [...]- Os
indícios, quando coerentes, firmes e harmônicos com os demais elementos
carreados aos autos, são suficientes para embasar um decreto condenatório, não
se exigindo que seja o conjunto probatório perfeito e impecável. - Havendo provas
concludentes do 'animus' associativo entre os agentes em verdadeira 'societas
sceleris', em que a vontade de se associar seja separada das vontades necessárias
às práticas dos crimes patrimoniais visados, caracterizado está o delito autônomo
de quadrilha. [...] Os depoimentos prestados na fase inquisitorial, se não
demonstrada irregularidade ou vício na sua obtenção, mesmo que retificados em
juízo, são dotados de plena validade, principalmente quando harmônicos e
coerentes com a prova colhida nos autos. Não constitui participação de menor
importância para a prática dos crimes de furto e roubo a conduta do corréu que
discute com os comparsas sobre a forma de execução e ainda aguarda para dar
fuga aos demais em seu veículo. [...] (TJMG – Ap. Crim. 1.0459.09.035305-
1/001(1) – rel. Des. José Antonino Baía Borges – DJ. 12/08/2010 – Publ.
27/08/2010).

TJMG - APELAÇÃO CRIMINAL - ROUBO MAJORADO - FORMAÇÃO DE


QUADRILHA - AUTORIA E MATERIALIDADE COMPROVADAS - ABSOLVIÇÃO
- INADMISSIBILIDADE – [...]. 1. Havendo prova direta - delação de corréu, aliada
aos reconhecimentos das vítimas - e prova indireta ou circunstancial - indícios
veementes, coerentes e concatenados - de que os apelantes participaram das ações
delituosas, em unidade de desígnios e divisão de tarefas, não há que se falar em
absolvição sob a singela alegação de ausência de provas, pois o conjunto
probatório gera certeza da participação dos mesmos nos delitos de roubo e furto
narrados na exordial, formando uma verdadeira organização criminosa . [...]
(TJMG – Ap. Crim. 1.0166.08.022055-0/001(1) – rel. Des. Antônio Armando dos
Anjos – DJ. 05/10/2010 – Publ. 28/10/2010).

Ainda que nenhuma arma de fogo tivesse sido apreendida, a


qualificadora em questão não poderia ser afastada, pois o TJMG assim entende:
TJMG - PENA - ROUBO MAJORADO - AFASTAMENTO DO EMPREGO DE
ARMA - IMPOSSIBILIDADE - CAUSA DE AUMENTO CONFIGURADA [...]
A ausência do laudo pericial não afasta a majorante do emprego de arma,
quando existem outros elementos nos autos a comprovar a efetiva utilização da

16
mesma. – [...] (TJMG – Ap. Crim. nº 0927998.2008.8.13.0114(1) – rel. Des.
Alexandre Victor de Carvalho – DJ 11/09/2012 – Publ. 19/09/2012).
Os réus não conseguiram ilidir a pretensão punitiva do Estado, sendo
omissos e incoerentes em suas diversas versões, retratando-se de quase tudo que lhes
pudesse prejudicar, principalmente após assistência técnica, o que não quer dizer que
tais versões serão acreditadas, conforme trecho de um dos acórdãos citados acima: [...]
os depoimentos prestados na fase inquisitorial, se não demonstrada irregularidade ou
vício na sua obtenção, mesmo que retificados em juízo, são dotados de plena validade,
principalmente quando harmônicos e coerentes com a prova colhida nos autos.
O réu John, na fase policial, em 16/09/12 (fls. 105), apresentou sua
primeira versão:
Que o depoente informa ter chegado a esta cidade na data de ontem para passar
uns dias; que informa que também veio porque o carro de David estragou em um
acidente e o mesmo estava precisando de dinheiro para consertar o carro, sendo que
o depoente iria trazer o dinheiro de São Paulo para cá, para realizar o conserto do
carro de David, que ficou orçado em R$ 3.200,00; que o depoente não chegou a
trazer o dinheiro por não ter encontrado o pai de David [...] que o depoente informa
que a primeira vez que vem a cidade de __________; que o depoente informa que
David sempre andava com o depoente na cidade de Jacareí [...] que David veio para
São Vicente há aproximadamente um mês [...] que David conhece Daniel da cidade
de Jacareí, onde trabalham juntos; que o depoente informa que teve uma
passagem recentemente por porte de arma de fogo [...] que desta feita o
depoente portava um revólver calibre .38.

Posteriormente ouvido na DEPOL de ______/MG, na data de


22/09/2011, quando da abordagem em relação ao roubo cometido em __________ (fls.
26/27), o réu John afirmou:
[...] que na data de ontem (21/09), por volta das 21:30 horas, o declarante voltava
da cidade de ______ no veículo GM/Kadet, placa BHQ-1088, dirigido por seu
amigo David; que na rodovia que liga a BR 265 A CIDADE DE __________/MG,
perto de um restaurante, tinha uma motocicleta [...] parada na rodovia; que
pediram para que David e ele parou; que tinha dois elementos e um deles pediu
carona até o próximo trevo, dizendo que a moto estava estragada; que assim que o
indivíduos entrou no carro a mesma motocicleta começou a seguir o carro onde o
declarante estava; que pouco depois uma viatura da Polícia Militar sinalizou para
que parassem, mas nesse momento o indivíduo sacou um revolver [...] parecendo
calibre .32 ou .38 e apontou para as costas do declarante e disse para que David
continuasse e não parasse o carro; que no entanto David parou mais na frente,
tendo o declarante inclinado o banco e o indivíduo descido do carro e corrido para
um matagal e sumido [...] que o indivíduo sendo de cor morena, um pouco mais
alto, usava uma blusa preta [...] que ele estava com um capacete cor preta [...] que
perguntado pela quantia de R$ 241,00, encontrada e arrecadada próximo ao seu
veículo, respondeu que não é de sua propriedade, e nem sabe a quem pertence [...]
que perguntado qual é o seu aparelho celular, respondeu que é o Sansung de cor
preta [...] QUE O DECLARANTE ESTÁ HOSPEDADO NA CIDADE DE SÃO
VICENTE HÁ POUCO MAIS DE UM MÊS, ESTANDO FICANDO NA
RESIDÊNCIA DE SEU AMIGO DANIEL, PASSANDO FÉRIAS; QUE NÃO SE

17
RECORDA DE TER PASSADO POR DENTRO DE MADRE DE DEUS e só
esteve lá uma vez na exposição.

Finalmente, conduzido a Delegacia local, na mesma data


(22/09/2012), o réu John informou o seguinte (fls. 43/44):
QUE na data de ontem estava indo para a cidade de ______, onde se encontrariam
com a mãe de Daniel, para levar uma lista com solicitações deste para ela, uma vez
que o mesmo se encontrava preso nesta Delegacia de Polícia; QUE passaram por
__________; QUE lá pararam em um bar e tomaram uma Fanta Uva e
comeram uma carne de panela; QUE foram para aquela cidade em um GM
Kadett, de propriedade de David; QUE estavam no carro apenas o declarante e
David; QUE ao chegaram no bar, logo em seguida chegou o rapaz da cidade de
__________, que conhece o declarante e David, estando em uma motocicleta com
outro rapaz; QUE o declarante nunca viu o outro rapaz; QUE com relação ao
primeiro rapaz, sendo ______ ______, ao que acredita ter o apelido de
“choque”, o declarante o conhece de vista; QUE depois de consumirem no bar,
saíram em direção a ______, se recordaram que a mãe de Daniel não estava naquela
cidade e então resolveram voltar para __________; QUE na volta em torno de
21:00 horas foram abordados por ______ e o outro rapaz que lhe pediram carona;
QUE o ______ foi dentro do carro, e o outro foi na motocicleta; QUE quando
desciam com o carro uma viatura já estava vindo com giroflex ligado; QUE a viatura
mandou encostar, e ______ ameaçou o declarante com uma arma, dizendo que não
era para parar o carro; QUE continuaram e em seguida pararam no trevo, e o
declarante abriu a porta querendo sair, e então o ______ empurrou o banco do
declarante para frente, saindo do carro correndo e indo para o meio do mato;
QUE então a Polícia abordou o carro com o declarante e David; QUE o declarante
informa que ______ deixou no interior do veículo uma blusa de moleton cinza,
sendo que esta não pertence ao declarante nem a David; QUE o carro foi
revistado por inteiro; QUE o declarante não tem nenhum relacionamento com
______ sendo que apenas o conhece de vista da cidade de __________; QUE o
declarante esclarece que chegou na cidade de __________, na quinta-feira passada;
QUE esclarece que há duas semanas antes da quinta feira passada, permaneceu por
dois dias em __________, e foi para Jacareí para pegar dinheiro com o pai de David,
para consertar o carro deste, e retornou na quinta; QUE antes de ter ido para Jacareí,
estava na casa de Daniel, com este e seu primo David; QUE não tem nada a ver com
o roubo da cidade de __________ e nem de __________; QUE esclarece a casa de
Daniel da de frente para onde o posto foi roubado em __________.

Finalmente em juízo (fls. 345/346), estando devidamente processado,


sob o influxo da defesa técnica, e já conhecendo o teor das associações e contradições
da prova, o réu procurou se retratar de muito do que já havia dito e que lhe
comprometia, sem apresentar qualquer motivo para tanto, ainda mais por ter confirmado
diversos fatos constantes de seus interrogatórios e que só o beneficiariam:
[...] que NÃO são verdadeiros os fatos narrados na denúncia; que confirma em
parte o seu depoimento prestado na fase policial, às fls. 43/44, que lhe foi lido nesta
audiência, visto que não conhecia Paulo ______, como relato em tal depoimento;
que a pessoa que estava no interior do carro mediante carona não era o réu Paulo
______; que o caronista tinha semelhança física diversa a de Paulo ______; que não
sabe qualquer informação quanto ao mencionado caronista; que quanto ao mais,
reconhece que estavam indo para ______/MG onde se encontraram com a mãe de
Daniel; que antes de chegarem a tal cidade, por ser muito tarde, retornaram, onde se
deu tal fato relacionado ao caronista; que Paulo ______ não encontrou o

18
interrogando no bar de __________/MG, não havendo participação deste em tal
conversa mencionada no estabelecimento em questão; que ao voltarem para
__________/MG e darem carona para tal desconhecido, relata o depoente que
poucos instantes do início da carona, iniciou-se a perseguição policial; que ao
pararem e o caronista fugir relata que uma motocicleta passou por estes, conferindo
carona para um terceiro que empreendeu fuga, ocasião em que a polícia não fora no
encalço destes; que a Polícia Militar o conduziu a __________/MG para
reconhecimento pelas vítimas; que as vítimas não reconheceram o interrogando; que
após fora à Delegacia de __________/MG, ocasião em que prestaram depoimento;
que após, durante a madrugada, foram levados à ______/MG no plantão da Polícia
Civil, ocasião em que fora novamente ouvido pela autoridade policial; que confirma
em parte o seu depoimento prestado na fase policial, às fls. 26/27, que lhe foi lido
nesta audiência, fazendo as retificações supra mencionadas, confirmando que
estava na casa de Daniel há apenas três dias antes de sua prisão; que no momento da
abordagem policial não fora achado qualquer quantia em dinheiro próximo ao
automóvel Kadet; que em relação ao roubo ocorrido no posto de __________/MG
afirma que chegara à cidade no dia seguinte, ao que se recorda, entre 15 e 16 de
setembro de 2011, pela manhã, data esta em que o delito já havia ocorrido; que o
frentista do posto em questão lhe viu chegar à cidade portando uma mala; que não
sabe o nome de tal frentista afirmando que era o que estava de serviço no dia de sua
chegada na cidade; que conheceu Paulo ______ somente após sua prisão, que David
já havia lhe falado de tal pessoa; que pretendiam se dirigir até ______ pela rodovia
que passa em __________/MG, __________/MG, ______/MG, passariam por uma
outra cidade que não se recorda o nome, acreditando ser Itanhandú/MG, por não
conhecer bem a região, até chegar a ______/MG; que antes de chegarem a
______/MG retornaram; que acredita que o telefone de David era da operadora
VIVO; que o nome de sua companheira é Bárbara; que não sabe o nome da
companheira David, afirmando que esta não é da região, sendo ao que acredita da
cidade de Carvalhos/MG; que se fazia presente no momento em que a Polícia
Militar chegou a casa de Daniel para fazer a busca e apreensão, estando do lado de
fora; que acompanharam os militares no pavimento superior da casa, não havendo a
apreensão da munição encontrada; que na Delegacia de Polícia não viu a munição
apreendida, sendo apenas informado pelos policiais de tal apreensão; que não lhe
informaram o calibre preciso da munição, sendo apenas informado no processo; que
para esclarecer, no momento da abordagem policial, se fazia ao lado do motorista
[...]

Vale ressaltar que as inúmeras contradições não se resumiram a esses


interrogatórios, pois ao ser ouvido no bojo do processo por tráfico de drogas (fls.
366/368), o réu John se retratou de outros fatos, como p.ex., o fato de ter conseguido
trazer consigo R$ 1.500,00 para pagar parte do conserto do veículo de David; o de ter
conhecido Paulo ______ por tê-lo visto pelas ruas de __________ (e não porque David
comentou sobre ele, após as suas prisões, portanto, na cadeia pública local); que para
chegar a ______, a procura da mãe de Daniel, ele e David passariam por
__________/MG e ______/MG e não por __________/MG, ______/MG e ______/MG
(que está muito distante dessa rota, aliás), conforme afirmou acima, alegando inclusive
terem chegado a casa de D. Lígia, enquanto no interrogatório acima, afirmou terem
desistido de encontrá-la no meio do caminho, antes mesmo antes de chegarem a

19
______. Por outro lado, o réu alegou não ter sido coagido pela Polícia para prestar
qualquer esclarecimento ou interrogatório.
Por fim, observe-se os relatos contidos na documentação de fls.
371/385 (carta precatória oriunda de Jacareí/SP), no bojo da qual há dois interrogatórios
do réu, em que ele (em junho de 2011, isto é, alguns meses antes de se envolver em
todos esses delitos nesta comarca) admite ter ficado recolhido na Fundação Casa por um
ano e dois meses por cometimento de ato infracional análogo a roubo qualificado, bem
como admitiu ter cometido inúmeros roubos, alguns deles contra postos de gasolina
situados em municípios paulistas, além de ter sido preso em flagrante com uma arma
calibre .38, com nº de série raspado, no momento em que intencionava de roubar um
posto de gasolina (fls. 375).
Cotejando as alegações do réu John, em confronto com todo o restante
da prova colhida, depoimento de testemunhas, interrogatório dos corréus, não há dúvida
alguma de que John era o rapaz branco, mais baixo, que na companhia de Paulo
______, rapaz mais alto, magro e negro/moreno (choque) perpetrou ambos os assaltos
ocorridos nesta comarca, um em __________, no dia 14/09/12 e outro em
__________/MG, no dia 21/09/12. Vejamos, agora, o que disseram os outros réus.
O réu David, na fase policial (fls. 106) alegou que estaria em
__________/MG há um mês e 10 dias (e não há 15 dias, como John relatou), e que John
não teria trazido nenhum dinheiro de Jacareí para pagar o conserto de seu carro
(desmentindo John). Também na fase policial, em ______/MG (fls. 24/25), David disse
não ter passado dentro da cidade de __________/MG, nem parado no local, sendo
desmentido pelas testemunhas, notadamente o Sr. Joaquim Pedro, que se encontrava no
bar em __________/MG onde David, John e Paulo ______ (inclusive) foram vistos
juntos (fls. 46).
Às fls. 41/42, David apresentou esta versão:
QUE na data de ontem estava indo para a cidade de ______, onde se encontrariam
com a mãe de Daniel, para levar uma lista com solicitações deste para ela, uma vez
que o mesmo se encontrava preso nesta Delegacia de Polícia; QUE passaram por
__________; QUE lá pararam em um bar e tomaram uma Fanta Uva e
comeram uma carne cozida com batatas; QUE foram para aquela cidade em um
GM Kadett, de propriedade de David, de placa BHQ 1088, Jacareí; QUE estavam no
carro apenas o declarante e John; QUE então saíram do bar onde estavam e foram
direto para a cidade de ______; QUE lá chegando chamaram na casa de Dona Ligia,
mãe de Daniel, e esta não estava no local; QUE então retornaram tencionando
procura-la no dia seguinte; QUE ao voltarem e passarem por __________, havia
um rapaz na pista, que o declarante o conhecia de vista; QUE é a pessoa de

20
______ ______ que veio conduzido para esta Delegacia; QUE o declarante o
conhece da cidade de __________; QUE o declarante o conhece pelo apelido de
Choque; QUE Choque lhe disse que já morou em Jacareí; QUE Choque lhe pediu
carona, alegando que a moto em que estava, possuía algum defeito, e um outro rapaz
que estava com Choque permaneceu na moto; QUE Choque então pediu ao
declarante que o levasse no trevo daquela cidade; QUE quando saíram a viatura da
polícia já os perseguia; QUE no interior do veículo Choque apontou a arma para
John, e disse para o declarante não parar uma vez que estava foragido; QUE o
declarante ao chegar próximo do trevo parou o carro; QUE Choque empurrou o
banco de John abriu a porta e saiu correndo para o mato; QUE o declarante e John
permaneceram no carro; QUE a polícia revistou todo o carro, e encontrou apenas
uma blusa de moleton na cor cinza, pertencente a Choque; QUE após terem sido
abordados pelos policiais, uma motocicleta veio e se evadiu, sendo provavelmente a
motocicleta do rapaz que estava com Choque; QUE conhece Choque de vista da
cidade de __________ já tendo o visto por várias vezes; QUE não tem nenhum
envolvimento com o assalto ao posto de __________ nem o de __________; QUE
com relação ao assalto de __________, ainda emprestou o celular para o frentista
ligar para polícia; QUE o declarante informa estar em __________, desde o dia
10 de agosto; QUE John está naquela cidade, tendo vindo após o declarante, mas
retornou a Jacareí para buscar o dinheiro do conserto de seu carro; QUE o carro que
estava consertando era o Kadett; QUE o declarante informa que no assalto do posto
de __________ seu carro estava no conserto; QUE o declarante conhece Daniel há
sete anos e John há mais ou menos um mês e meio.

Da mesma forma que John, o réu David, no seu interrogatório judicial


(fls. 343/344v), apresentou uma nova versão:
[...] que NÃO são verdadeiros os fatos narrados nas denúncias; que confirma
parcialmente o seu depoimento prestado na fase policial, às fls. 18/19 do feito de
nº ______.12.000124-4, de forma livre e espontânea, que lhe foi lido nesta
audiência, esclarecendo que avistou duas pessoas numa moto no trevo de
__________/MG que lhe pediram auxílio, alegando que o pneu estava furado; que
não viu nenhuma arma ser apontada para a pessoa de John no interior do veículo no
momento em que deram carona para o indivíduo que estava na motocicleta; que
John lhe deu um “toque” para não parar quando a viatura apareceu; que pouco
depois da abordagem policial parou seu veículo Kadet; que não conhecia o rapaz da
moto que lhe pediu carona, afirmando não se tratar do corréu Paulo ______; que
conheceu o corréu Paulo ______ de vista, no campo de futebol, ocasião em que
trocaram poucas palavras; que retifica, ainda, afirmando que na ida para ______/MG
para encontrar a Sra. Ligia, pararam num bar de __________/MG, por volta das
19:00 horas, ocasião em que fizeram um lanche e saíram depois de uns quinze
minutos; que não chegaram até a cidade de ______/MG; que na cidade de
Itutinga/MG fez um retornou e voltou, em razão do horário, pois já era tarde; que
calculou mal o trajeto, pois já tinha ido a ______ por uma estrada de terra, que não
pode ser feita no dia, pois seu veículo era rebaixado e somente conseguia andar em
vias asfaltadas; que pretendia ir até a casa de tal senhora para entregar uma chave;
que confirma parcialmente o seu depoimento prestado na fase policial, às fls.
41/42, dos autos nº ______.12.000115-2, de forma livre e espontânea, que lhe foi
lido nesta audiência, esclarecendo que não era Paulo ______, vulgo “Choque”
que estava no interior do veículo; que não chegaram até a cidade de ______/MG
para encontrar a Sra. Ligia; que conhece John desde que são pequenos, pois
residem no mesmo bairro; que conhece Daniel há cerca de sete anos, vez que
trabalharam juntos na cidade de Jacareí/SP; que no dia do roubo ao Posto de
__________/MG, se deparou com o frentista do posto em questão que lhe pediu
telefone emprestado para avisar a polícia; que emprestou seu aparelho sem fazer
indagações a tal pessoa; que nesta ocasião a vítima do roubo se mostrava nervosa
passando ao interrogando algumas informações; que abastecia seu carro em tal

21
posto; que no momento da abordagem policial afirma que a motocicleta que vinha
no mesmo sentido de seu automóvel, ao vislumbrar a viatura da polícia, fez o
retorno indo em direção a ______/MG; que em relação ao roubo de
__________/MG, afirma que esteve naquela cidade apenas para fazer o lanche
mencionado e para lá não retornou; que na época dos fatos namorava com a pessoa
de nome Marlyn; que atualmente namora com a pessoa de nome Pamela; que
conhece apenas o apelido da esposa de John, sendo “Babi”; que a pessoa que
forneceu carona era da sua estatura, de pele mais escura, não sendo negro e tinha
uma tatuagem na mão direita; que não sabe descrever as características físicas do
outro ocupante da motocicleta, visto que usava um capacete; que apenas um dos dois
aparelhos celulares era de sua propriedade, de marca Samsung; QUE O
APARELHO DA MARCA NOKIA PERTENCIA A DANIEL; que não sabe
informar o tempo preciso em que John ficou em __________/MG, afirmando que o
mesmo saiu de tal cidade para buscar um dinheiro para conserto de seu automóvel,
retornando posteriormente; que nas duas ocasiões em que esteve na cidade, John não
ficou tempo superior há uma semana; que não se lembra se Daniel tinha alguma
sobrinha, afirmando que o mesmo possui uma filha, de nome Fabiane; que não
pagou a Sra. Ligia no valor relativo ao conserto do carro; que tal valor se refere a
três prestações de quinhentos reais; que viu Paulo ______ em __________/MG
numa partida de futebol, quando conversaram sobre a cidade de Jacareí/SP; que fora
tal situação já encontrou o réu Paulo ______ no trevo de lanche em outros lugares
no interior da cidade, que não se recorda, apenas se cumprimentavam; que em
__________/MG conhecia uma mulher de nome “Bia”, afirmando se tratar de prima
da Marlyn; que não teve um relacionamento amoroso com tal pessoa, mas já chegou
a “trocar umas idéias com ela”; que conheceu Rose, pessoa que somente conversava;
que conheceu Máira, tratando-se apenas de uma amiga; que não chegou a fazer
contato com o réu Paulo ______ por telefone; que conhece uma pessoa com o
apelido de “Choque” que mora em São Lourenço/MG; que ficou sabendo que houve
duas buscas na casa do réu Daniel, estando presente na primeira desta, visto que na
segunda já estava preso; que fora encontrada munição na casa de Daniel, não
sabendo mencionar o calibre [...]

David, porém, comprometeu-se em seu interrogatório prestado no


bojo do processo do tráfico, ao admitir (fls. 360/362) que Paulo ______ apareceu
algumas vezes na casa de Daniel, com o que conferiu total credibilidade para o
testemunho de Marcelo Guedes Menezes (fls. 316), desmentindo a si próprio e aos
demais comparsas.
Todas as versões apresentadas (fase policial e em Juízo) por estes dois
réus devem ser analisadas em conjunto.
Os depoimentos prestados pelos réus John e David são contraditórios
entre si (e com os das testemunhas), informando fatos relevantes de forma diferente,
notadamente, em relação a terem ou não passado e parado em __________, de terem ou
não tido contato com Paulo ______ (inclusive de terem sido vistos os três juntos em
Madre de Deus); de terem ou não se encontrado com a mãe de Daniel; de terem ou não
amizade com este; do tempo em que John estaria em __________, antes dos crimes etc.

22
Observa-se, portanto, que suas versões apresentadas em juízo (que também não foram
absolutamente coerentes entre si) não passam de estratégia de defesa.
A participação do réu Paulo ______ Borges, além de todos os
elementos já citados nos autos (interrogatórios retratados dos réus John e David;
esclarecimentos prestados pelas testemunhas sobre a ligação entre os réus, em especial,
pela testemunha Marcelo; alusões constantes dos textos de mensagens e relação de
contatos existentes nos celulares dos réus etc) está descrita no pedido de prisão
preventiva feito pela Autoridade Policial (fls. 81 dos autos), ao asseverar que:
Hoje, dia 22 de setembro de 2011, pela madrugada, a Polícia Militar em
rastreamento, localizou o cidadão ______ ______ caminhando pelas margens da
rodovia MGT-383, seguindo sentido a __________/MG. Após, continuando a
operação, a PM localizou dois revólveres calibre .32, além de cinco munições do
mesmo calibre [...]

David ______ de Souza e John ______ da Silva Machado, tentando esquivar-se


da imputação de autoria contra eles feita, afirmaram que ______ cometeu os
crimes de roubo ora sob apuração. Pontuaram, ainda, que estavam dando
carona para o mesmo para __________/MG, quando o mesmo sacou uma arma
e, em tom de ameaça, obrigou David ______, que conduzia o Kadet, a não parar
no bloqueio policial.

Ainda no referido pedido (fls. 82), a Autoridade Policial pontuou que


os depoimentos das testemunhas revelaram que os quatro réus já se relacionavam em
__________, há meses, e que uma testemunha reconheceu John, David e Paulo ______
no Bar da Fátima em __________, na data do roubo lá ocorrido. Por fim, destacou que o
reconhecimento dos réus pelas vítimas teve de ser feito com muita cautela, porque as
vítimas estavam bastante temerosas por suas vidas, asseverando serem os réus
perigosos.
Também importante é o relato contido na comunicação de serviço de
fls. 181, da Polícia Civil, a qual explica como ocorreu a condução dos réus David e John
de ______/MG para __________/MG, a abordagem e condução do réu Paulo ______, e
do reconhecimento e indicação deste pelos réus David e John, com aquele (Paulo
______) a quem teria sido dada supostamente uma carona no dia do assalto ao posto de
__________/MG. Esclareceu-se, também, a condução das testemunhas até a Delegacia
local e o reconhecimento que elas fizeram das armas e toucas apreendidas pela PM de
__________, e o reconhecimento dos réus, diante da semelhança de suas características
e compleições físicas, exatamente como disseram em seus depoimentos.

23
Vale ressaltar que o terceiro elemento do roubo a __________ (no
caso, Paulo ______) evadiu-se no momento da abordagem policial, embrenhando-se
num mato, carregando consigo as armas, capacete e o que mais conseguiu transportar
naquela hora. O crime ocorreu na noite do dia 21/09, e o réu Paulo ______ foi abordado
ás margens da rodovia MGT-383, ou seja, a que liga __________/MG a
__________/MG, sendo que o réu caminhava sentido __________/MG, e nessa
oportunidade, a Polícia Militar também localizou um capacete de motocicleta de cor
preta, duas balaclavas e as duas armas usadas no crime (cujo laudo segue em anexo),
uma calibre .32 e outra calibre .38, exatamente como John descreveu num de seus
depoimentos, ao dizer que teria sido supostamente ameaçado por uma arma calibre .32
ou .38. As toucas ninja e armas de fogo apreendidas no contexto da prisão de Paulo
______ foram reconhecidas pelas vítimas (v. fls. 37/38 e 39).
No histórico da ocorrência de __________ (fls. 11), consta que a
vítima descreveu que um dos réus usava um capacete de cor preta e o outro, capuz.
Aliás, no histórico dessa ocorrência, confirmada pelo relator (fls. 22/23), o militar
descreve a mesma versão dada pelos réus David e John, que foi colhida na Delegacia, e
da qual os réus se retrataram em parte.
Ao invés de tentar explicar o que estaria coincidentemente fazendo na
estrada que liga __________/MG a __________/MG, na madrugada do dia 22/09
(posterior ao crime), o réu Paulo ______ preferiu se valer do seu direito ao silêncio (fls.
166), e se o silêncio não pode prejudicar o réu, ele também não o beneficia. Note-se, por
fim, que Paulo ______ já cumpria pena, nesta comarca, por crime de porte ilegal de
arma de fogo raspada (assim como John), aplicada definitivamente, pelo Juízo de
Jacareí/SP, sendo, portanto, REINCIDENTE, bem como cometeu crime de furto de
energia em __________, em 2009, em processo que está prestes a ser julgado.
No seu interrogatório judicial (fls. 347/348), o réu Paulo ______
obviamente negou os fatos:
que NÃO são verdadeiros os fatos narrados nas denúncias; que fica prejudicada
sua oitiva na fase inquisitorial, tendo em vista que reservou-se ao direito do
silêncio; que fazia uma caminhada próximo ao trevo de __________/MG –
__________/MG, quando fora abordado por dois policiais, afirmando ser suspeito
de um crime ocorrido nesta cidade; que fora conduzido até __________/MG para
reconhecimento por funcionários de um posto de gasolina [...] que após fora
encaminhado a Delegacia de Polícia de __________/MG, ocasião em que fora
submetido a reconhecimento pelas vítimas [...] que fora avistado pelas vítimas ao
lado dos detentos Fernando e “Leo”; que após estes fatos fora submetido a prisão

24
preventiva, até a presente data [...] que a mencionada caminhada se deu às 09:00
horas da manhã; que conheceu John e David numa partida de futebol na cidade
de __________/MG; que as vezes no trajeto de sua caminhada encontrava os
corréus mencionados, cumprimentando-os; que não sabe afirmar quanto tempo John
e David estavam em __________/MG; que acredita que estes já estavam em
__________/MG há mais de três dias; que não sabe informar se estes estavam
hospedados na casa de Daniel; que antes de ser preso, quando morava em
__________/MG, possuía um aparelho celular da marca LG, da operadora TIM;
que no dia de sua prisão estava sem seu aparelho celular; que no dia de sua prisão a
Polícia Militar não apreendeu nenhum objeto na estrada; que apenas fora algemado e
conduzido ao interior da viatura; que conhece o corréu Daniel apenas de vista de
cidade de __________/MG; que fora condenado por porte de arma na cidade de
Jacareí/SP; que não sabe informar porque está sendo atribuído tais delitos à sua
pessoa; que mora em __________/MG desde o ano de 2006; que tem vários
apelidos, sendo “Choque” um deles [...] que no dia da prática dos delitos estava
sozinho em sua casa, no período noturno; que mora com sua avó, mas esta havia se
afastado da casa em tais datas [...]

Todavia, o histórico do BO nº M1176-2011-0001001 (incluso) obtido


diretamente no Destacamento da PM de __________ desmente o réu em inúmeros
pontos:
Em decorrência do registro de roubo efetuado no posto de combustível, enquanto
uma equipe se deslocava com dois autores presos para a delegacia de polícia de
______, outra equipe continuava rastreando pela zona rural onde um terceiro
autor teria se evadido. Ao clarear do dia, vasculhamos minuciosamente as
margens da MGT 383, nas proximidades do local da abordagem inicial onde o
veículo apreendido e seus ocupantes tentaram evadir, sendo localizadas duas
armas de fogo e cinco munições cartuchos 38, estando três picotadas e não
deflagradas, conforme consta em campo próprio, dois capuzes cor preta e um
capacete preto, por volta das 07h00, recebemos ligação anônima de que um
cidadão alto, moreno, descalço, trajando bermuda e camisa azul estaria as
margens da MGT 383 se deslocando sentido a __________ de forma arredia e
desconfiada. Deslocamos até o local e pelas características, abordamos ______.
Constatamos que o autor apresentava inúmeros arranhões pelo corpo e os pés
sujos de areia. Autor alegou que era da cidade de __________ e que dormiu
num rancho de propriedade desconhecida e que os arranhões são provenientes
de noita, ou seja, brincadeiras de brigas com amigos. Autor não soube informar
nome de nenhum amigo com quem teria brincado. Retornamos ao local onde um
terceiro autor teria se evadido na noite anterior e encontramos as margens do Rio
Grande, por debaixo de uma ponte um par de meias cor preta úmidas. Face as
versões desconexas e incoerentes, foi dada voz de prisão em flagrante delito a
______ ______ [...]

Ou seja, como se vê, o réu Paulo ______ não possui nem mesmo um
álibi, já que alegou que estaria sozinho ou com pessoas desconhecidas na noite dos
fatos. Aliás, as versões apresentadas em juízo e para os PMs que o abordaram divergem
sensivelmente. Não há a menor chance de aceitar suas alegações, eis que os PMs o
abordaram mais cedo do que ele declarou, sendo que ele não fazia caminhada alguma, já
que se encontrava descalço, com os pés sujos de areia, e todo arranhado, comprovando
ser o terceiro autor que fugiu pelo mato. Tudo isso sem contar que todo o material

25
utilizado no crime (armas, capacete, toucas) foi encontrado exatamente no local da fuga
de Paulo ______. Por fim, o celular de David registrava o contato “Xoki-Tim” (fls.
138), e Paulo ______ confirmou que tinha um celular dessa mesma operadora, o que é
mais um elemento de convicção, dentre os inúmeros acima registrados.
O réu Daniel, no interrogatório de fls. 349/349v, tentou se justificar:
[...] que NÃO são verdadeiros os fatos narrados nas denúncias; que confirma
parcialmente o seu depoimento prestado na fase policial, às fls. 103 do feito de nº
______.12.000115-2 (fls. 63 destes autos), de forma livre e espontânea, que lhe foi
lido nesta audiência, esclarecendo que tinha cerca de dez munições, calibre .32,
cartucheira; que algumas já estavam deflagradas, não se recordando o número exato;
que tais munições chegaram em sua posse por intermédio de um amigo
caminhoneiro, conforme consta de seu depoimento na fase inquisitorial; que não
possuía arma de fogo; que em relação ao roubo em __________/MG estava fazendo
um lanche na praça, entre 21:30 e 22:30 horas; que em relação ao roubo de
__________/MG afirma que no dia dos fatos já estava preso; que na ocasião dos
fatos David estava hospedado em sua casa e John chegou um dia após o roubo ao
Posto de __________/MG; que não sabe de envolvimento de tais réus aos dois
crimes de roubo; que conhece Paulo ______ apenas de vista de __________/MG
[...] que conhecia Paulo ______ apenas de passar em frente a sua casa, que fica
defronte ao Posto assaltado; que não se recorda o tempo exato em que John e David
ficaram hospedados em sua casa, acreditando tratar-se de alguns dias; que tais
pessoas vieram a passeio a cidade de __________/MG ficando hospedados em sua
casa; que trabalhou local próximo ao estabelecimento em que David laborava na
cidade de Jacareí/SP; [...] que sua filha se chama Fabiane Silva; que namora
Edilaine há cerca de dez meses [...] que no período em morou em tal cidade nunca o
viu [...].

Acontece, porém, que esse interrogatório de Daniel conflita com o


anteriormente prestado por ele, no bojo do processo de tráfico (fls. 363/365), quando
então alegou que John e David haviam chegado em sua casa, um dias antes de sua
prisão, pedindo abrigo (ou seja, eles teriam chegado juntos no dia 15/09/12), ou que os
teria encontrado na rua, levando-os para sua casa, para que passassem a semana até o
carro ficar pronto, sendo que John não saíra de __________/MG no período em que
permaneceu em sua casa (fls. 365), enfim, uma contradição total.
O réu Daniel também não comprovou o álibi alegado, quanto o local e
o que estaria fazendo no dia do roubo a __________. Também foi contraditório com os
comparsas, e com o depoimento da testemunha Marcelo, ao alegar que John e David
teriam ficado apenas por alguns dias, quando o próprio David alegou que já se
encontrava na casa de Daniel há mais de um mês e 10 dias, e quando a testemunha
Marcelo alegou que costumava ver os quatro réus juntos e em diversas oportunidades.
As alegações infundadas e inverídicas do réu Daniel, o depoimento
das testemunhas vinculando as figuras de todos os réus, e por muito mais tempo do que

26
eles tentaram fazer crer, as munições apreendidas em sua residência (de Daniel), ainda
que não sejam destinadas ao uso das armas apreendidas pela PM, no mesmo dia e
contexto da prisão de Paulo ______ (juntamente com as toucas, o capacete e munições),
mas que mostram que se ele conseguiu as munições, poderia ter conseguido as armas,
até porque, conforme lembrou o il. patrono de Daniel, seu pai era militar; a existência
da dívida contraída pelos réus David e John com a genitora de Daniel; o fato de serem
todos desocupados, incluindo Paulo ______, que não comprovou ocupação lícita; o fato
de o réu David ter registrado em seu celular ter visto e falado com o réu Daniel no dia
21/09, ou seja, dia do cometimento do 2º roubo (em __________); os conhecimentos
dos réus desde longa data, em Jacareí/SP inclusive; enfim, todos os elementos
probatórios e indiciários constantes dos autos e a pluralidade de condutas criminosas
externadas (muito embora o crime de quadrilha independa da prática efetiva dos delitos
decorrente dessa associação) demonstram a exata configuração do delito de quadrilha
(armada inclusive) e a participação de todos em todos os delitos que lhes foram
imputados nos três processos que tramitam perante este Juízo.
Como também se pode denotar, os depoimentos dos réus são
contraditórios em inúmeros pontos, quando cotejados, inclusive entre os próprios
interrogatórios prestados por cada qual isoladamente, evidenciando sua
responsabilidade, e a vã tentativa de se alijarem da condenação. Não restou comprovada
qualquer ocupação lícita deles, vivendo, certamente, de atividades ilícitas, como roubos
e venda de drogas, aliás, o réu John declarou isso em Jacareí, ao ser preso pelo porte de
arma de fogo raspada, ou seja, que teria passado a roubar porque não arranjou emprego
após deixar a Fundação Casa.
Os réus nada comprovaram, apenas apresentaram várias versões
(contraditórias inclusive), negando os fatos, o que comumente fazem os autores de
delitos, tentando se furtar da responsabilidade que lhes cabe.
Sem embargo, entende o Ministério Público que o réu só não terá o
ônus de provar alguma coisa se negar o fato a ele imputado pura e simplesmente.
Porém, se o imputado negar e apresentar qualquer outro fato, por mais simplório que
seja, deverá ele, obrigatoriamente, provar sua versão. Negar o fato não é o mesmo que
apresentar nova versão! Terá o réu o ônus de provar suas alegações mesmo que não se
trate de fatos extintivos, modificativos ou impeditivos, caso não se abstenha em

27
somente negar os fatos, como é o caso dos autos. Também entende da mesma forma
Marcelo Batlouni Mendroni:
O ônus de provar incube – sempre – a quem alega. Então, o acusado, pela sua
Defensoria, não é obrigado a provar que não praticou o crime. Mas se alegar
qualquer coisa, qualquer tese, se trouxer aos autos qualquer prova, a ele incumbirá
provar a sua veracidade – é dizer, a idoneidade da prova. (MENDRONI, Marcelo
Batlouni. Provas no processo penal: estudo sobre a valoração das provas penais, São
Paulo: Atlas, 2010, p. 69).
Aliás, sobre a mentira, Marcelo Batlouni Mendroni, (Provas no
processo penal: estudo sobre a valoração das provas penais, São Paulo: Atlas, 2010, p.
69) ensina com precisão:
O agente, tendo o direito constitucional de se manter calado, decide por manifestar e
apresentar a sua versão. Ele deve ter o direito de se comunicar com o seu Defensor
antes de se manifestar. Se ele apresenta uma versão que resulta falsa, ou se aportar
aos autos prova falsa, distorcida, desvirtuada do objeto etc., quando confrontada às
demais provas dos autos, e trata-se de valoração por parte do Juiz, parece dedutível
que aquela versão mentirosa e aquelas “provas” falsas consistirão
“contraindícios” que se somarão às evidencias e provas contra o próprio
suspeito ou acusado tiverem sido produzidas. Serão elementos a mais para
formar o montante de “provas” capazes de gerar o influxo probatório de
valoração direcionado à sua culpabilidade – ao invés de enquadrar naquelas
provas que poderiam favorecê-lo no âmbito da análise de convencimento do
Magistrado.

Não foi arrolada qualquer testemunha que pudesse confirmar a versão


apresentada pelos réus, por mais absurda que fossem e sejam. Assim, entende o
Ministério Público que a autoria/materialidade dos crimes restaram devidamente
comprovadas, tendo em vista o confronto dos depoimentos das testemunhas; dos
interrogatórios do réu e a dinâmica do delito acima reportada, consoante a lógica e a
inteligência mediana.
Na ponderação das circunstâncias judiciais (art. 59, do CP), devem ser
levados em consideração alguns fatos desabonadores dos réus: são desocupados, dois
deles usuários de drogas declarados (o que atenta contra sua personalidade e conduta
social). Ora, se um vadio e/ou usuário de drogas tiver o mesmo conceito social que este
Órgão Ministerial, que nunca sequer experimentou tabaco e que chega a trabalha 17 ou
mais horas por dia, então, o Ministério Público e o Judiciário terão que passar a aceitar
em seus quadros candidatos a Promotores de Justiça e Juízes usuários de droga, já que
isso é um “indiferente jurídico”, nem poderão punir administrativamente aqueles
membros de cada Instituição que não trabalham.
Ademais, os roubos perpetrados são duplamente qualificados,
bastando uma causa para modificar o limite mínimo da pena, e a outra qualificadora

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poderá legitimamente servir para valorar desfavoravelmente as circunstâncias do
delito. Na verdade, observe-se que uma das armas apreendidas tem o nº de série
raspado, sendo que o crime de porte de arma de fogo raspado tem pena avulsa de 03
anos de reclusão (art. 16, parágrafo único, IV da Lei 10.826/03), sendo assim, o
concurso de agentes já qualificou o crime de roubo, e o emprego de arma de fogo
raspada deve ser ponderada como circunstância judicial ainda mais desfavorável aos
réus, exatamente porque o porte de arma raspada já representa conduta mais grave do
que o porte de uma arma que tenha numeração de série preservada, o que permitiria
rastrear sua origem.
As consequências também devem ser ponderadas negativamente,
porque o prejuízo das vítimas não foi ressarcido (dinheiro, celulares e o som
automotivo, no caso de __________/MG, e o dinheiro subtraído, no caso de
__________/MG). Também desfavoráveis a circunstância da não contribuição da
vítima para o delito, e a culpabilidade, em virtude da premeditação do crime (a
representar uma maior censurabilidade da conduta no caso concreto).
Além disso, não se pode olvidar que o réu Paulo ______ é
reincidente, sendo condenado definitivamente por porte de arma, merecendo a
agravante estampada no art. 61, I do CP.
Em face ao exposto, considerando os fatos colacionados, bem como os
argumentos acima expendidos, só resta ao Ministério Público requerer que seja julgada
totalmente procedente a pretensão punitiva do Estado, a fim de condenar Paulo
_____, John ______, David ______ e Daniel ______, nas sanções correspondentes ao
delito tipificado no art. 157, §2º, I e II, e art. 288, parágrafo único, ambos do Código
Penal c/c art. 29, do Código Penal, condenando-se ainda os réus a ressarcirem os
prejuízos das vítimas (dinheiro, valor dos celulares e do som automotivo Pioneer), nos
termos do art. 387, IV do CPP.
Requer-se, outrossim, que se declare, por conseguinte, a suspensão dos
direitos políticos dos réus, enquanto durarem os efeitos da condenação (art. 15, III,
CF/88), oficiando-se à Justiça Eleitoral, para que faça o registro da condenação no
cadastro do eleitor apenado, de forma a excluir seu nome da(s) futura(s) lista(s) de
votação, bem como que se aplique a inelegibilidade prevista no art. 1º, I, “e”, itens 2 e
10 da LC 64/90.

29
__________, 05 de outubro de 2012.

__________________________
Promotor de Justiça

30