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 ÚLTIMAS PROVAS – CESPE

 PEÇAS
EXAME DE ORDEM 2010.1
Problema Espelho

Leila, de quatorze anos de idade, Discursiva - Direito Penal - Peça


inconformada com o fato de ter engravidado
de seu namorado, Joel, de vinte e oito anos Faixa de
Quesito avaliado
de idade, resolveu procurar sua amiga Valores
Fátima, de vinte anos de idade, para que esta 1. Apresentação, estrutura 0,00 a
lhe provocasse um aborto. Utilizando seus textual e correção gramatical 0,40
conhecimentos de estudante de
enfermagem, Fátima fez que Leila ingerisse 2. Fundamentação e consistência
um remédio para úlcera. Após alguns dias, na
véspera da comemoração da entrada do ano 2.1. Peça endereçada ao juiz
0,00 a
de 2005, Leila abortou e disse ao namorado do tribunal do júri (CPP, art.
0,60
que havia menstruado, alegando que não 403, § 3.º)
estivera, de fato, grávida. Desconfiado, Joel
vasculhou as gavetas da namorada e 2.2. Preliminar: prescrição
encontrou, além de um envelope com o da pretensão punitiva (0,30), 0,00 a
resultado positivo do exame de gravidez de conforme art. 115 do Código 0,60
Leila, o frasco de remédio para úlcera Penal (0,30)
embrulhado em um papel com um bilhete de
2.3. Mérito: falta de
Fátima a Leila, no qual ela prescrevia as doses
comprovação da autoria 0,00 a
do remédio. Munido do resultado do exame
(0,60), da materialidade 1,80
e do bilhete escrito por Fátima, Joel narrou o
(0,60) e do dolo (0,60)
fato à autoridade policial, razão pela qual
Fátima foi indiciada por aborto. Tanto na 2.4. Pedidos:
delegacia quanto em juízo, Fátima negou a reconhecimento da
prática do aborto, tendo confirmado que preliminar (0,20) e extinção 0,00 a
fornecera o remédio a Leila, acreditando que da punibilidade (0,20); 0,60
a amiga sofria de úlcera. Leila foi impronúncia nos termos do
encaminhada para perícia no Instituto art. 414 do CPP (0,20)
Médico Legal de São Paulo, onde se
confirmou a existência de resquícios de saco 2.5. Pedido de absolvição
0,00 a
gestacional, compatível com gravidez, mas sumária nos termos do art.
0,20
sem elementos suficientes para a 415 do CPP
confirmação de aborto espontâneo ou
0,00 a
provocado. Leila não foi ouvida durante o 2.6. Prazo: 19/7/2010
0,20
inquérito policial porque, após o exame,
mudou-se para Brasília e, apesar dos esforços 3. Domínio do raciocínio
da autoridade policial, não foi localizada. Em jurídico (adequação da
30/1/2010, Fátima foi denunciada pela resposta ao problema; 0,00 a
prática de aborto. Regularmente processada técnica profissional 0,60
a ação penal, o juiz, no momento dos debates demonstrada; capacidade de
orais da audiência de instrução, permitiu, interpretação e exposição)
com a anuência das partes, a manifestação
por escrito, no prazo sucessivo de cinco dias.
A acusação sustentou a comprovação da
autoria, tanto pelo depoimento de Joel na
fase policial e ratificação em juízo, quanto
pela confirmação da ré de que teria fornecido
remédio abortivo. Sustentou, ainda, a
materialidade do fato, por meio do exame de
laboratório e da conclusão da perícia pela
existência da gravidez. A defesa teve vista dos
autos em 12/7/2010. Em face dessa situação
hipotética, na condição de advogado(a)
constituído(a) por Fátima, redija a peça
processual adequada à defesa de sua cliente,
alegando toda a matéria de direito processual
e material aplicável ao caso. Date o
documento no último dia do prazo para
protocolo.

EXAME DE ORDEM 2009.3


Problema Espelho

Em 17/1/2010, Rodolfo T., brasileiro,


divorciado, com 57 anos de idade, Discursiva - Direito Penal - Peça
administrador de empresas, importante
dirigente do clube esportivo LX F.C., Faixa
contratou profissional da advocacia para que Quesito avaliado de
adotasse as providências judiciais em face de Valores
conhecido jornalista e comentarista 1. Apresentação, estrutura 0,00 a
esportivo, Clóvis V., brasileiro, solteiro, com textual e correção gramatical 0,40
38 anos de idade, que, a pretexto de criticar o
fraco desempenho do time de futebol do LX 2. Fundamentação e consistência
F.C. no campeonato nacional em matéria
esportiva divulgada por meio impresso e 2.1. Endereçamento da
0,00 a
apresentada em programa televisivo, bem queixa crime: Vara Criminal
0,20
como no próprio blog pessoal do jornalista na de SP
Internet, passou, em diversas ocasiões,
juntamente com Teodoro S., brasileiro, de 60 2.2. Querelante: Rodolfo T.
0,00 a
anos de idade, casado, jornalista, desafeto de (0,10) e querelados: Clóvis V.
0,30
Rodolfo T., a praticar reiteradas condutas (0,10) e Teodoro S. (0,10)
com o firme propósito de ofender a honra do
2.3. Fundamentação correta 0,00 a
dirigente do clube. Foram ambos
com base no art. 41 do CPP 0,20
interpelados judicialmente e se recusaram a
dar explicações acerca das ofensas, 2.4. Tipificação da conduta
mantendo-se inertes. Por três vezes afirmou, de Clóvis V.: art. 138, caput,
em meios de comunicação distintos, o 0,00 a
do CP (0,50); art. 139, caput,
comentarista Clóvis V., sabendo não serem 1,50
do CP (0,50) e art. 140 do CP
verdadeiras as afirmações, que o dirigente (0,50)
"havia 'roubado' o clube LX F.C. e os
torcedores, pois tinha se apropriado, 2.5. Tipificação da conduta
0,00 a
indevidamente, de R$ 5 milhões de Teodoro S.: art. 138, § 1.º,
0,50
pertencentes ao LX F.C., na condição de seu do CP
diretor-geral, quando da venda do jogador Y,
ocorrida em 20/12/2008" e que "já teria 2.6. Prática dos crimes em 0,00 a
gasto parte da fortuna 'roubada', com festas, concurso material, conforme 0,20
bebidas, drogas e prostitutas". Tal afirmação
art. 69 do CP: Clóvis (0,10) e
foi proferida durante o programa de televisão
Teodoro (0,10)
Futebol da Hora, em 7/1/2010, às 21 h 30 m,
no canal de televisão VX e publicado no blog 2.7. Incidência da causa de
do comentarista esportivo, na Internet, em aumento prevista no art. 141, 0,00 a
8/1/2010, no endereço eletrônico III, do CP: Clóvis (0,10) e 0,20
www.clovisv.futebol.xx. Tais declarações Teodoro (0,10)
foram igualmente publicadas no jornal
impresso Notícias do Futebol, de circulação 2.8. Remissão às provas
nacional, na edição de 8/1/2010. Destaque-se 0,00 a
documentais referidas na
que o canal de televisão VX e o jornal Notícias 0,20
situação
do Futebol pertencem ao mesmo grupo
econômico e têm como diretor-geral e 2.9. Pedido principal: citação
0,00 a
redator-chefe Teodoro S., desafeto do (0,20) condenação dos
0,40
dirigente Rodolfo T. Sabe-se que todas as querelados (0,20)
notícias foram veiculadas por ordem direta e
expressa de Teodoro S. Prosseguindo a 2.10. Pedido de fixação de
empreitada ofensiva, o jornalista Clóvis V. valor mínimo para 0,00 a
disse, em 13/1/2010, em seu blog pessoal na indenização com fundamento 0,30
Internet, que o dirigente não teria condições no art. 387, inciso IV, do CPP
de gerir o clube porque seria "um burro, de
3. Domínio do raciocínio
capacidade intelectual inferior à de uma
jurídico (adequação da
barata" e, por isso, "tinha levado o clube à
resposta ao problema; 0,00 a
falência", porém estava "com os bolsos
técnica profissional 0,60
cheios de dinheiro do clube e dos
demonstrada; capacidade de
torcedores". Como se não bastasse, na última
interpretação e exposição)
edição do blog, em 15/1/2010, afirmou que
"o dirigente do clube está tão decadente que
passou a sair com homens", por isso "a
mulher o deixou". Entre os documentos
coletados pelo cliente e pelo escritório
encontram-se a gravação, em DVD, do
programa de televisão, com o dia e horário
em que foi veiculado, bem como a edição do
jornal impresso em que foi difundida a
matéria sobre o assunto, além de cópias de
páginas e registros extraídos da Internet, com
as ofensas perpetradas pelo jornalista Clóvis
V. Rodolfo T. tomou conhecimento da autoria
e dos fatos no dia 15/1/2010, tendo todos
eles ocorrido na cidade de São Paulo – SP,
sede da emissora e da editora, além de
domicílio de todos os envolvidos. Em face
dessa situação hipotética, na condição de
advogado(a) contratado(a) por Rodolfo T.,
redija a peça processual que atenda aos
interesses de seu cliente, considerando
recebida a pasta de atendimento do cliente
devidamente instruída, com todos os
documentos pertinentes, suficientes e
necessários, procuração com poderes
especiais e testemunhas.

EXAME DE ORDEM 2009.2


Problema Espelho

José de Tal, brasileiro, divorciado, primário e Discursiva - Direito Penal - Peça


portador de bons antecedentes, ajudante de
pedreiro, nascido em Juazeiro – BA, em Faixa
Atendimento
7/9/1938, residente e domiciliado em Quesito avaliado de
ao Quesito
Planaltina – DF, foi denunciado pelo Valores
Ministério Público como incurso nas penas 1
previstas no art. 244, caput, c/c art. 61, inciso Apresentação,
II, "e", ambos do Código Penal. Na exordial estrutura 0,00 a
acusatória, a conduta delitiva atribuída ao textual e 0,40
acusado foi narrada nos seguintes termos: correção
Desde janeiro de 2005 até, pelo menos, gramatical
4/4/2008, em Planaltina – DF, o denunciado
José de Tal, livre e conscientemente, deixou, 2 Fundamentação e consistência
em diversas ocasiões e por períodos
prolongados, sem justa causa, de prover a 2.1 Alegações
subsistência de seu filho Jorge de Tal, menor finais /
de 18 anos, não lhe proporcionando os memoriais,
recursos necessários para sua subsistência e conforme art.
faltando ao pagamento de pensão alimentícia 403, § 3.º, do
fixada nos autos n.º 001/2005 – 5.ª Vara de CPP (0,20), 0,00 a
Família de Planaltina – DF (ação de alimentos) endereçados 0,40
e executada nos autos do processo n.º ao juiz de
002/2006 do mesmo juízo. Arrola como direito da 9.ª
testemunha Maria de Tal, genitora e Vara Criminal
representante legal da vítima. A denúncia foi de Planaltina –
recebida em 3/11/2008, tendo o réu sido DF (0,20)
citado e apresentado, no prazo legal, de
próprio punho — visto que não tinha 2.10 Regime
condições de contratar advogado sem aberto para
prejuízo de seu sustento próprio e do de sua cumprimento
família — resposta à acusação, arrolando as da pena: art.
testemunhas Margarida e Clodoaldo. A 33, § 2.º, “c”,
audiência de instrução e julgamento foi do CP (0,20) /
designada e José compareceu Substituição da
desacompanhado de advogado. Na pena privativa
oportunidade, o juiz não nomeou defensor ao de liberdade
0,00 a
réu, aduzindo que o Ministério Público por pena de
0,60
estaria presente e que isso seria suficiente. multa ou
No curso da instrução criminal, presidida pelo restritiva de
juiz de direito da 9.ª Vara Criminal de direitos: art.
Planaltina – DF, Maria de Tal confirmou que 44, I, do CP
José atrasava o pagamento da pensão (0,20) /
alimentícia, mas que sempre efetuava o Apelação em
depósito parcelado dos valores devidos. Disse liberdade:
que estava aborrecida porque José primariedade,
constituíra nova família e, atualmente, bons
morava com outra mulher, desempregada, e
antecedentes,
seus 6 outros filhos menores de idade. As
residência fixa
testemunhas Margarida e Clodoaldo,
e ausência dos
conhecidos de José há mais de 30 anos,
requisitos que
afirmaram que ele é ajudante de pedreiro e
autorizariam
ganha 1 salário mínimo por mês, quantia que
prisão
é utilizada para manter seus outros filhos
preventiva
menores e sua mulher, desempregada, e para
(0,20)
pagar pensão alimentícia a Jorge, filho que
teve com Maria de Tal. Disseram, ainda, que, 2.11 Data:
todas as vezes que conversam com José, ele 0,00 a
22/6/2009
sempre diz que está tentando encontrar mais 0,10
(segunda-feira)
um emprego, pois não consegue sustentar a
si próprio nem a seus filhos, bem como que 2.2 Preliminar
está atrasando os pagamentos da pensão de nulidade: o
alimentícia, o que o preocupa muito, visto MP deveria ter
que deseja contribuir com a subsistência, proposto a
também, desse filho, mas não consegue. suspensão do
Informaram que José sofre de problemas processo
cardíacos e gasta boa parte de seu salário na (0,20), de
compra de remédios indispensáveis à sua 0,00 a
acordo com o
sobrevivência. Após a oitiva das testemunhas, 0,40
art. 89 da Lei
José disse que gostaria de ser ouvido para 9.099/1995,
contar sua versão dos fatos, mas o juiz por se tratar de
recusou-se a interrogá-lo, sob o argumento direito
de que as provas produzidas eram suficientes subjetivo
ao julgamento da causa. Na fase processual público do réu
prevista no art. 402 do Código de Processo (0,20)
Penal, as partes nada requereram. Em
manifestação escrita, o Ministério Público 2.3 Preliminar
pugnou pela condenação do réu nos exatos de nulidade
termos da denúncia, tendo o réu, então, por ausência
constituído advogado, o qual foi intimado, de nomeação
em 15/6/2009, segunda-feira, para de defensor
0,00 a
apresentação da peça processual cabível. para oferecer
0,40
Considerando a situação hipotética acima defesa
apresentada, redija, na qualidade de preliminar
advogado(a) constituído(a) por José, a peça (0,20): art. 396-
processual pertinente, privativa de advogado, A, § 2.º, do CPP
adequada à defesa de seu cliente. Em seu (0,20)
texto, não crie fatos novos, inclua a
fundamentação que embase seu(s) pedido(s) 2.4 Preliminar
e explore as teses jurídicas cabíveis, de nulidade
endereçando o documento à autoridade por falta de
competente e datando-o no último dia do nomeação de
prazo para protocolo. defensor ao 0,00 a
réu presente 0,30
que não o tiver
(0,10); art. 564,
III, “c”, do CPP
(0,10) e Súmula
523 do STF
(0,10)

2.5 Preliminar
de nulidade
por falta de
interrogatório
0,00 a
do réu
0,40
presente
(0,20): art. 564,
III, “e”, do CPP
(0,20)

2.6 Absolvição
por atipicidade
da conduta:
presença de
justa causa
para o atraso 0,00 a
do pagamento 0,60
da pensão
(0,30),
conforme art.
386, III, do CPP
(0,30)

2.7 Fixação da
pena no
mínimo legal
(0,20): réu
0,00 a
primário e
0,40
portador de
bons
antecedentes
(0,20)

2.8
Afastamento
da agravante
prevista no art.
61, II, “e”, do
CP: non bis in
idem (0,10) /
0,00 a
Vítima
0,30
descendente
do réu:
elemento
constitutivo do
tipo previsto
no art. 244,
caput, do CP
(0,10) /
Impossibilidade
de agravar a
pena por
circunstância
constitutiva do
crime: art. 61,
caput, do CP
(0,10)

2.9 Atenuante
prevista no art.
65, I, do CP:
0,00 a
réu maior de
0,10
70 anos na
data da
sentença

3 Domínio do
raciocínio
jurídico
(adequação da
resposta ao
problema; 0,00 a
técnica 0,60
profissional
demonstrada;
capacidade de
interpretação e
exposição)

EXAME DE ORDEM 2009.1


Problema Espelho

Agnaldo, que reside com sua esposa, Ângela,


e seus dois filhos na cidade de Porto Alegre – Discursiva - Direito Penal - Peça
RS, pretendendo fazer uma reforma na casa
onde mora com a família, dirigiu-se a uma Faixa
Quesito Atendimento
loja de material de construção para verificar de
avaliado ao Quesito
as opções de crédito existentes. Entre as Valores
opções que o vendedor da loja apresentou, a 1
mais adequada ao seu orçamento familiar era Apresentação,
a emissão de cheques pré-datados como estrutura 0,00 a
garantia da dívida. Como não possui conta- textual e 0,40
corrente em agência bancária, Agnaldo pediu correção
a seu cunhado e vizinho, Firmino, que lhe gramatical
emprestasse seis cheques para a aquisição do
referido material, pedido prontamente 2 Fundamentação e consistência
atendido. Com o empréstimo, retornou ao
0,00 a
estabelecimento comercial e realizou a 2.01 Recurso
1,00
compra, deixando como garantia da dívida os
seis cheques assinados pelo cunhado. Dias
em sentido
depois, Firmino, que tivera seu talonário de
estrito – vara
cheques furtado, sustou todos os cheques
(0,50) –
que havia emitido, entre eles, os
perante o
emprestados a Agnaldo. Diante da sustação,
TJRS (0,50)
o empresário, na delegacia de polícia mais
próxima, alegou que havia sido fraudado em 2.02 Firmino
uma transação comercial, uma vez que não é o
Firmino frustrara o pagamento dos cheques devedor 0,00 a
pré-datados. Diante das alegações, o (0,20) – 0,40
delegado de polícia instaurou inquérito Argumento
policial para apurar o caso, indiciando (0,20)
Firmino, por entender que havia indícios de
ele ter cometido o crime previsto no inciso VI 2.03 Alegação
do § 2.º do art. 171 do Código Penal. de
Inconformado, Firmino impetrou habeas 0,00 a
recebimento
corpus perante a 1.ª Vara Criminal da 0,40
de cheques
Comarca de Porto Alegre, tendo o juiz pré-datados
denegado a ordem. Considerando essa
situação hipotética, na condição de 2.04 Cheques
advogado(a) contratado(a) por Firmino, entregues 0,00 a
interponha a peça judicial cabível, privativa como garantia 0,60
de advogado, em favor de seu cliente. de dívida

2.05
Inexistência
de fraude
(0,30):
0,00 a
cheques
0,60
sustados em
decorrência
de furto
(0,30)

2.06 Ausência
da fraude não
configura
crime de
0,00 a
emissão de
0,40
cheques
(0,20): STF,
Súm. 246
(0,20)

2.07
0,00 a
Trancamento
0,60
do inquérito

3 Domínio do
raciocínio 0,00 a
jurídico 0,60
(adequação
da resposta
ao problema;
técnica
profissional
demonstrada;
capacidade de
interpretação
e exposição)

EXAME DE ORDEM 2008.3


Problema Espelho

Alessandro, de 22 anos de idade, foi Prova Prático-Profissional Direito


denunciado pelo Ministério Público como Penal - Peça
incurso nas penas previstas no art. 213, c/c Faixa
art. 224, alínea b, do Código Penal, por crime Quesito avaliado de
praticado contra Geisa, de 20 anos de idade. Valores
Na peça acusatória, a conduta delitiva
atribuída ao acusado foi narrada nos 1 Apresentação,
0,00 a
seguintes termos: "No mês de agosto de estrutura textual e
0,40
2000, em dia não determinado, Alessandro correção gramatical
dirigiu-se à residência de Geisa, ora vítima,
2 Fundamentação e consistência
para assistir, pela televisão, a um jogo de
futebol. Naquela ocasião, aproveitando-se do 2.1 Ilegitimidade do MP
fato de estar a sós com Geisa, o denunciado 0,00 a
— ação penal privada:
constrangeu-a a manter com ele conjunção 1,00
preliminar ou exceção
carnal, fato que ocasionou a gravidez da
vítima, atestada em laudo de exame de corpo 2.2 Inépcia da denúncia
de delito. Certo é que, embora não se tenha — não-comprovação da 0,00 a
valido de violência real ou de grave ameaça debilidade mental da 0,40
para constranger a vítima a com ele manter vítima
conjunção carnal, o denunciando aproveitou-
se do fato de Geisa ser incapaz de oferecer 2.3 Mérito: atipicidade do
resistência aos seus propósitos libidinosos fato — desconhecimento 0,00 a
assim como de dar validamente o seu da debilidade mental da 0,80
consentimento, visto que é deficiente vítima
mental, incapaz de reger a si mesma." Nos
autos, havia somente a peça inicial 2.4 Pedido de nulidade
acusatória, os depoimentos prestados na fase (art. 564, II, do CPP) e de 0,00 a
do inquérito e a folha de antecedentes penais rejeição da denúncia (art. 0,60
do acusado. O juiz da 2.ª Vara Criminal do 395, I e II)
Estado XX recebeu a denúncia e determinou
a citação do réu para se defender no prazo 2.5 Pedido de absolvição 0,00 a
legal, tendo sido a citação efetivada em sumária (alterado) 0,80
18/11/2008. Alessandro procurou, no mesmo
2.6 Pedido de exame 0,00 a
dia, a ajuda de um profissional e outorgou-
pericial 0,20
lhe procuração ad juditia com a finalidade
específica de ver-se defendido na ação penal 0,00 a
2.7 Pedido de oitiva de
em apreço. Disse, então, a seu advogado que 0,20
não sabia que a vítima era deficiente mental,
testemunhas — rol
que já a namorava havia algum tempo, que
sua avó materna, Romilda, e sua mãe, 3 Domínio do raciocínio
Geralda, que moram com ele, sabiam do jurídico (adequação da
namoro e que todas as relações que manteve resposta ao problema;
com a vítima eram consentidas. Disse, ainda, 0,00 a
técnica profissional
que nem a vítima nem a família dela 0,60
demonstrada; capacidade
quiseram dar ensejo à ação penal, tendo o de interpretação e
promotor, segundo o réu, agido por conta exposição)
própria. Por fim, Alessandro informou que
não havia qualquer prova da debilidade
mental da vítima. Em face da situação
hipotética apresentada, redija, na qualidade
de advogado(a) constituído(a) pelo acusado,
a peça processual, privativa de advogado,
pertinente à defesa de seu cliente. Em seu
texto, não crie fatos novos, inclua a
fundamentação legal e jurídica, explore as
teses defensivas e date o documento no
último dia do prazo para protocolo.

EXAME DE ORDEM 2008.2


Problema Espelho

Odilon Coutinho, brasileiro, com 71 anos de


Prova Prático-Profissional Direito
idade, residente e domiciliado em Rio Preto
Penal - Peça
da Eva – AM, foi denunciado pelo Ministério
Público, nos seguintes termos: “No dia 17 de Faixa
setembro de 2007, por volta das 19 h 30 min, Quesito avaliado de
na cidade e comarca de Manaus – AM, o Valores
denunciado, Odilon Coutinho, juntamente 1 Apresentação e
com outro não identificado, imbuídos do estrutura textual
propósito de assenhoreamento definitivo, (legibilidade, respeito
quebraram a janela do prédio onde funciona às margens, 0,00 a
agência dos Correios e de lá subtraíram paragrafação); 0,40
quatro computadores da marca Lunation, no correção gramatical
valor de R$ 5.980,00; 120 caixas de (acentuação, grafia,
encomenda do tipo 3, no valor de R$ 540,00; morfossintaxe)
e 200 caixas de encomenda do tipo 4, no
valor de R$ 1.240,00 (cf. auto de avaliação 2 Fundamentação e consistência
indireta às fls.). Assim agindo, incorreu o
denunciado na prática do art. 155, §§ 1.º e 2.1 Razões
4.º, incs. I e IV, do Código Penal (CP), endereçadas ao 0,00 a
combinado com os arts. 29 e 69, todos do CP, Tribunal Regional 0,40
motivo pelo qual é oferecida a presente Federal da 1.ª Região
denúncia, requerendo-se o processamento
até final julgamento.” O magistrado recebeu 2.2 Apelação e
0,00 a
a exordial em 1.º de outubro de 2007, fundamento legal: art.
0,40
acolhendo a imputação em seus termos. 593, I do CPP
Após o interrogatório e a confissão de Odilon 0,00 a
Coutinho, ocorridos em 7 de dezembro de 2.3 Preliminares:
0,80
2007, na presença de advogado ad hoc,
utilização de prova
embora já houvesse advogado constituído
ilícita (escuta
não intimado para o ato, a instrução seguiu,
telefônica ilegal); não-
fase em que o magistrado, alegando que o
intimação do
fato já estava suficientemente esclarecido,
advogado constituído
não permitiu a oitiva de uma testemunha
para audiência;
arrolada, tempestivamente, pela defesa. O
cerceamento de
policial Jediel Soares, responsável pelo
defesa pela não-oitiva
monitoramento das conversas telefônicas de
de testemunha
Odilon, foi inquirido em juízo, tendo
esclarecido que, inicialmente, a escuta 2.4 Não-incidência do
telefônica fora realizada “por conta”, 0,00 a
§ 1.º do art. 155 do CP
segundo ele, porque havia diversas denúncias 0,40
– repouso noturno
anônimas, na região de Manaus, acerca de
um sujeito conhecido como Vovô, que 2.5 Análise da 0,00 a
invadia agências dos Correios com o aplicação da pena 0,80
propósito de subtrair caixas e embalagens
para usá-las no tráfico de animais silvestres. 2.6 Análise do regime
Jediel e seu colega Nestor, nas diligências por de cumprimento de 0,00 a
eles efetuadas, suspeitaram da pessoa de pena: não-incidência 0,40
Odilon, senhor de “longa barba branca”, e do regime fechado
decidiram realizar a escuta telefônica.
Superada a fase de alegações finais, 2.7 Pedidos: nulidade,
0,00 a
apresentadas pelas partes em fevereiro de redução de pena e do
0,60
2008, os autos foram conclusos para regime
sentença, em março de 2008, tendo o
2.8 Prazo: dia 21 de 0,00 a
magistrado, com base em toda a prova
outubro de 2008 0,20
colhida, condenado o réu, de acordo com o
art. 155, §§ 1.º e 4.º, incs. I e IV, do CP, à 3 Domínio do
pena privativa de liberdade de 8 anos de raciocínio jurídico
reclusão (a pena-base foi fixada em 5 anos de (adequação da
reclusão), cumulada com 30 dias-multa, no resposta ao problema;
valor de 1/30 do salário mínimo, cada dia. 0,00 a
técnica profissional
Fixou, ainda, para Odilon Coutinho, réu 0,60
demonstrada;
primário, o regime fechado de cumprimento capacidade de
de pena. O Ministério Público não interpôs interpretação e
recurso. Em face da situação hipotética acima exposição)
apresentada, na qualidade de advogado(a)
constituído(a) de Odilon Coutinho, e supondo
que, intimado(a) da sentença condenatória,
você tenha manifestado seu desacordo em
relação aos termos da referida decisão e que,
em 13 de outubro de 2008, tenha sido
intimado(a) a apresentar as razões de seu
inconformismo, elabore a peça processual
cabível, endereçando-a ao juízo competente,
enfrentando todas as matérias pertinentes e
datando o documento no último dia do prazo
para apresentação.
EXAME DE ORDEM 2008.1
Problema Espelho

Mariano Pereira, brasileiro, solteiro, nascido


em 20/1/1987, foi denunciado pela prática de Prova Prático-Profissional - Direito
infração prevista no art. 157, § 2.º, incisos I e Penal - Peça
II, do Código Penal, porque, no dia Faixa
19/2/2007, por volta das 17 h 40 min, em Quesito Atendimento
de
conjunto com outras duas pessoas, ainda não avaliado ao Quesito
Valores
identificadas, teria subtraído, mediante o
emprego de arma de fogo, a quantia de 1
aproximadamente R$ 20.000,00 de agência Apresentação
do banco Zeta, localizada em Brasília – DF. e estrutura
Consta na denúncia que, no dia dos fatos, os textual
autores se dirigiram até o local e (legibilidade,
0,00 a
convenceram o vigia a permitir sua entrada paragrafação);
0,50
na agência após o horário de encerramento correção
do atendimento ao público, oportunidade em gramatical
que anunciaram o assalto. Além do vigia, (acentuação,
apenas uma bancária, Maria Santos, grafia,
encontrava-se no local e entregou o dinheiro pontuação)
que estava disponível, enquanto Mariano, o
único que estava armado, apontava sua arma 2 Fundamentação e consistência
para o vigia. Fugiram em seguida pela 2.1
entrada da agência. Durante o inquérito, o Competência:
vigia, Manoel Alves, foi ouvido e declarou: Vara Criminal
que abriu a porta porque um dos ladrões de Brasília,
disse que era irmão da funcionária; que, após petição
destravar a porta e o primeiro ladrão entrar, correta:
os outros apareceram e não conseguiu mais 0,00 a
alegações
travar a porta; que apenas um estava armado 1,00
finais (art. 500
e ficou apontando a arma o tempo todo para do CPP) e
ele; que nenhum disparo foi efetuado nem prazo da
sofreram qualquer violência; que levaram petição:
muito dinheiro; que a agência estava sendo 26/6/2008 (3
desativada e não havia muito movimento no dias)
local. O vigia fez retrato falado dos ladrões,
que foi divulgado pela imprensa, e, por 2.2
intermédio de uma denúncia anônima, a Absolvição:
polícia conseguiu chegar até Mariano. O vigia não
Manoel reconheceu o indiciado na delegacia comprovação
e faleceu antes de ser ouvido em juízo. da autoria,
Regularmente denunciado e citado, em seu 0,00 a
indícios não
interrogatório judicial, acompanhado pelo 1,00
corroborados
advogado, Mariano negou a autoria do delito. em juízo e
A defesa não apresentou alegações aplicação do
preliminares. Durante a instrução criminal, a in dubio pro
bancária Maria Santos afirmou: que não reo
consegue reconhecer o réu; que ficou muito
nervosa durante o assalto porque tem 2.3 0,00 a
depressão; que o assalto não demorou nem Afastamento 1,00
5 minutos; que não houve violência nem viu a
da arma de
arma; que o Sr. Manoel faleceu poucos meses
fogo e outras
após o fato; que ele fez o retrato falado e
teses úteis à
reconheceu o acusado; que o sistema de
defesa
vigilância da agência estava com defeito e por
isso não houve filmagem; que o sistema não 2.4 Pedido
foi consertado porque a agência estava sendo final correto.
desativada; que o Sr. Manoel era meio Primariedade
distraído e ela acredita que ele deixou o 0,00 a
e
primeiro ladrão entrar por boa fé; que 1,00
circunstância
sempre ficava até mais tarde no banco e um atenuante:
de seus 5 irmãos ia buscá-la após as 18 h; menoridade
que, por ficar até mais tarde, muitas vezes
fechava o caixa dos colegas, conferia malotes 3 Domínio do
etc.; que a quantia levada foi de quase vinte raciocínio
mil reais. O policial Pedro Domingos também jurídico
prestou o seguinte depoimento em juízo: que (adequação
o retrato falado foi feito pelo vigia e muito da resposta 0,00 a
divulgado na imprensa; que, por uma ao problema, 0,50
denúncia anônima, chegaram até Mariano e capacidade de
ele foi reconhecido; que o réu negou interpretação
participação no roubo, mas não explicou e de
como comprou uma moto nova à vista já que exposição)
está desempregado; que os assaltantes
provavelmente vigiaram a agência e notaram
a pouca segurança, os horários e hábitos dos
empregados do banco Zeta; que não
recuperaram o dinheiro; que nenhuma arma
foi apreendida em poder de Mariano; que os
outros autores não foram identificados; que,
pela sua experiência, tem plena convicção da
participação do acusado no roubo. Na fase de
requerimento de diligências, a folha de
antecedentes penais do réu foi juntada e
consta um inquérito em curso pela prática de
crime contra o patrimônio. Na fase seguinte,
a acusação pediu a condenação nos termos
da denúncia. Em face da situação hipotética
apresentada, redija, na qualidade de
advogado(a) de Mariano, a peça processual,
privativa de advogado, pertinente à defesa
do acusado. Inclua, em seu texto, a
fundamentação legal e jurídica, explore as
teses defensivas possíveis e date no último
dia do prazo para protocolo, considerando
que a intimação tenha ocorrido no dia
23/6/2008, segunda-feira.
EXAME DE ORDEM 2007.3
Problema Espelho

O Ministério Público ofereceu denúncia Prova Prático-Profissional - Direito Penal -


contra Alexandre Silva, brasileiro, casado, Peça Profissional
taxista, nascido em 21/01/1986, pela prática Quesito Avaliado Faixa de
de infração prevista no art. 121, caput, do CP. Valores
Consta, na denúncia, que, no dia 10/10/2006, 1 Correção gramatical 0,00 a 0,50
aproximadamente às 21 horas, em via pública (acentuação, grafia,
da cidade de Brasília – DF, o acusado teria pontuação)
efetuado um disparo contra a pessoa de 2 Fundamentação e consistência
Filipe Santos, que, em razão dos ferimentos, 2.1 Competência: tribunal 0,00 a 0,50
veio a óbito. No laudo de exame cadavérico do júri de Brasília
acostado aos autos, os peritos do Instituto 2.2 Petição correta: 0,00 a 0,50
Médico Legal registraram a seguinte Alegações Finais
conclusão: “morte decorrente de anemia 2.3 Fundamentação legal: 0,00 a 0,50
aguda, devido a hemorragia interna artigos 406 e 409 do CPP
determinada por transfixação do pulmão por 2.4 Tese de defesa: negativa 0,00 a 1,00
ação de instrumento perfurocontundente de autoria
(projétil de arma de fogo)”. Consta da folha 2.5 Pedido: impronúncia ou 0,00 a 1,00
de antecedentes penais de Alexandre, um improcedência da denúncia
inquérito policial por crime de porte de arma, 2.6 Data da petição: 5 dias 0,00 a 0,50
anterior à data dos fatos e ainda em — 10.03.2008
apuração. No interrogatório judicial, o 3 Domínio do raciocínio 0,00 a 0,50
acusado afirmou que, no horário dos fatos, jurídico (adequações da
encontrava-se em casa com sua esposa e dois resposta ao problema;
filhos; que só saiu por volta das 22 horas para técnica profissional
comprar refrigerante, oportunidade em que demonstrada; capacidade
foi preso quando adentrava no bar; que de interpretação e
conhecia a vítima apenas de vista; que não exposição)
responde a nenhum processo. Na instrução
criminal, Paulo Costa, testemunha arrolada
pelo Ministério Público, em certo trecho do
seu depoimento, disse que era amigo de
Filipe, que aparentemente a vítima não tinha
inimigos; que deve ter sido um assalto; que
estava a aproximadamente cinqüenta metros
de distância e não viu o rosto da pessoa que
atirou em Filipe, mas que certamente era alto
e forte, da mesma compleição física do
acusado; que não tem condições de
reconhecer com certeza o ora acusado. André
Gomes, também arrolado pela acusação,
disse que a noite estava muito escura e o
local não tinha iluminação pública; que
estava próximo da vítima, mas havia bebido;
que hoje não tem condições de reconhecer o
autor dos disparos, mas tem a impressão de
que o acusado tinha o mesmo porte físico do
assassino. Breno Oliveira, policial militar,
testemunha comum, afirmou que prendeu o
acusado porque ele estava próximo ao local
dos fatos e suas características físicas
correspondiam à descrição dada pelas
pessoas que teriam presenciado os fatos;
que, pela descrição, o autor do disparo era
alto, forte, moreno claro, vestia calça jeans e
camiseta branca; que o céu estava encoberto,
o que deixava a rua muito escura,
principalmente porque não havia iluminação
pública; que, na delegacia, o acusado
permaneceu em silêncio; que a arma do
crime não foi encontrada. Maíra Silva, esposa
de Alexandre, arrolada pela defesa,
confirmou, em seu depoimento, que o
marido permanecera em casa a noite toda, só
tendo saído para comprar refrigerante,
oportunidade em que foi preso e não mais
voltou para casa; que só tomou
conhecimento da acusação na delegacia e, de
imediato, disse ao delegado que aquilo não
era possível, mas este não acreditou; que o
acusado vestia calça e camiseta clara no dia
dos fatos; que Alexandre é um bom marido,
trabalhador e excelente pai. Após a
audiência, o juiz abriu vista dos autos ao
Ministério Público, que requereu a pronúncia
do réu nos termos da denúncia. Com base na
situação hipotética apresentada, redija, na
qualidade de advogado de Alexandre, a peça
processual, privativa de advogado, pertinente
à defesa do réu; inclua a fundamentação
legal e jurídica, explore a tese defensiva
cabível nesse momento processual e date a
petição no último dia do prazo para
protocolo, considerando que a intimação
ocorra no dia 3/3/2008, segunda-feira.