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lei orgânica do distrito federal

SUMÁRIO

LEI ORGÂNICA DO DISTRITO FEDERAL................................................................................................................... 1

LEI ORGÂNICA DO DISTRITO FEDERAL cabendo à República Federativa do Brasil a titularidade da


soberania. Por conta do princípio federativo contemplado na
Constituição é que o Distrito Federal recebeu a competência
TÍTULO I para se auto­‑ organizar por suas normas constitucionais pró‑
DOS FUNDAMENTOS DA ORGANIZAÇÃO DOS prias, atendidos os princípios da Constituição Federal. Essas
normas constitucionais do DF estão contidas na LODF, que
PODERES E DO DISTRITO FEDERAL
foi criada pela Câmara Legislativa do DF, por autorização
do art. 32 da CF.
Art. 1º O Distrito Federal, no pleno exercício de sua Parágrafo único, do art. 1º– Princípio da Soberania
autonomia política, administrativa e financeira, observados os Popular: O parágrafo único, do art. 1º da LODF contem‑
pla o princípio da soberania popular, que é ínsito aos Esta‑
princípios constitucionais, reger­‑se­‑á por esta Lei Orgânica. dos Democráticos de Direito e fruto da doutrina americana,
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o capitaneada por Abram Lincoln, de que na Democracia
exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, temos o governo do povo, para o povo, pelo povo. Esse prin‑
cípio advém do art. 1º da CF. Embora o titular do poder seja
nos termos da Constituição Federal e desta Lei Orgânica. o povo, nem sempre ele pode exercê­‑lo diretamente, o que
exigirá a eleição de mandatários ou representantes. Con‑
COMENTÁRIO: forme expressa o art. 14 da CF e 5º da LODF, “a sobera‑
nia popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto
direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos
Art. 1º, caput: O dispositivo legal em comento declara que da lei, mediante: I – plebiscito; II – referendo e III – inicia‑
o Distrito Federal, ente integrante da Federação brasileira, tiva popular.” Conforme ensinamentos da doutrina consti‑
dotado de autonomia, será regido pela Lei Orgânica do DF. tucional, a norma em comento é fundamento da democracia
Esse dispositivo traduz o princípio da autonomia do Dis‑ semidireta, que representa a possibilidade de o povo exercer,
trito Federal que é consectário dos arts. 1º e 18, ambos da diretamente, algumas prerrogativas (plebiscito, referendo
CF, eis que o Estado brasileiro adotou a forma federativa, ou iniciativa popular de leis) e, indiretamente, participar da
em que os entes políticos (no caso do Brasil, são: a União, gestão política do poder, elegendo seus representantes que
Estados, Municípios e DF) possuem autonomia político­ comporão os Poderes Legislativo e Executivo próprios: o
‑administrativa e financeira, de forma que não haja hierar‑ Governador do Distrito Federal e os Deputados Distritais e o
quia entre eles, mas divisão constitucional de competências, Governador do Distrito Federal. Essa regra, embora pareça

1
inócua, assim não o é, pois o DF só conquistou o direito de ser dotado de liberdade e razão, não obstante as múltiplas
eleger seu Governador e seus Deputados Distritais após a diferenças de sexo, raça, religião ou costumes sociais. Esse
promulgação da Constituição Federal de 1988. Antes dela, o preceito tem fundamento constitucional, é observância obri‑
DF era gerido por Governador nomeado pelo Presidente da gatória pelo DF, pois o desrespeito aos direitos da pessoa
República. O DF, até 1988, não dispunha de um Poder Legis‑ humana pode acarretar a suspensão da autonomia distrital
lativo e as questões normativas de interesse distrital ficavam pela por meio de decretação de Intervenção Federal, pelo
a cargo do Senado Federal. Presidente da República, após a audiência dos Conselhos da
República e de Defesa Nacional, conforme reza o artigo 34,
VII, b, da CF.
Art. 2º O Distrito Federal integra a união indissolúvel Valores Sociais do Trabalho e da Livre Iniciativa: a
da República Federativa do Brasil e tem como valores fun‑ pessoa humana, para alcançar a sua dignidade, tem um meio
damentais: indispensável, que é o exercício de qualquer trabalho, ofício
I – a preservação de sua autonomia como unidade ou profissão. Daí o porquê do trabalho ser um fundamento da
República Federativa do Brasil (art. 1º, IV, da CF) e um dos
federativa;
valores fundamentais do DF. O reconhecimento do trabalho
II – a plena cidadania; como instrumento basilar para a subsistência e sobrevivên‑
III – a dignidade da pessoa humana; cia humanas, garantindo­‑se aos trabalhadores os valores à
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; dignidade do trabalho e à forma de alcançá­‑lo pela iniciativa
V – o pluralismo político. privada, já que se permite­‑nos inferir, que este nesse dispo‑
sitivo, prevê a adoção de um sistema capitalista de produção
Parágrafo único. Ninguém será discriminado ou pre‑ e consumo originado da propriedade privada e sua função
judicado em razão de nascimento, idade, etnia, raça, cor, social, da livre concorrência, da defesa do consumidor, da
sexo, estado civil, trabalho rural ou urbano, religião, con‑ proteção ao meio ambiente, da redução das desigualdades
vicções políticas ou filosóficas, orientação sexual, deficiên‑ econômico­‑sociais, da busca do pleno emprego, e da integra‑
cia física, imunológica, sensorial ou mental, por ter cum‑ ção com a região do entorno do Distrito Federal, conforme o
disposto no art. 158 da Lei Orgânica.
prido pena, nem por qualquer particularidade ou condição, Pluralismo Político: A CF (art. 1º, V) lança como um dos
observada a Constituição Federal. fundamentos do Estado brasileiro o pluralismo político.
Assim, no DF também são respeitados os direitos fundamen‑
COMENTÁRIO: tais de livre convicção política e livre atuação partidária,
como forma de se assegurar eficazmente a soberania popu‑
Art. 2º, caput e incisos I ao V – Valores Fundamentais lar no âmbito distrital. Tais assuntos, mesmo que não tives‑
do DF: O caput, do art. 2º da LODF reitera que o DF é ente sem sido adotados pela LODF, deveriam ser respeitados em
integrante da República Federativa do Brasil, copiando o decorrência de comando superior que se encontra na Consti‑
disposto nos arts. 1º e 18 da CF. Além disso, esse disposi‑ tuição da República. Regra derivada do regime democrático
tivo orgânico estabelece os valores fundamentais do DF, adotado nacionalmente, ele representa o reconhecimento da
ou seja, os alicerces que sustentam a existência autônoma coexistência entre divergentes correntes político­‑filosóficas
do DF como ente federativo. Esse dispositivo guarda um e de agremiações partidárias com ideais plurais.
paralelismo com os fundamentos da República Federativa Parágrafo único do art. 2º ­‑ Princípio da Igualdade ou
do Brasil, elencados no art. 1º da CF, quais sejam: soberania, da Isonomia: a norma contida no parágrafo único, do art. 2º
cidadania, dignidade da pessoa humana, os valores sociais da LODF reproduz de forma mais prolixa o princípio cons‑
do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político. titucional da isonomia, de que todos são iguais perante a lei,
Assim, o que distingue os valores fundamentais do DF dos sem distinção de qualquer natureza (art. 5º, caput, da CF).
fundamentos do Brasil é a apenas a Soberania. A soberania Desse princípio, decorre a vedação ao tratamento discri‑
é titularizada pela República Federativa do Brasil, ao passo minatório entre pessoas que se encontrem na mesma situ‑
que a autonomia é atributo dos entes federados (União, Esta‑ ação. Tal princípio, propugnado desde Aristóteles, é pedra
dos, DF e Municípios). angular dos direitos fundamentais e deve ser encarado com
Autonomia: O primeiro alicerce ou valor fundamental do razoabilidade e proporcionalidade, pois nem toda distinção
DF é a preservação de sua autonomia como unidade fede‑ é a ele violadora. Com efeito, para assegurar à parte mais
rativa. Conforme vimos, o DF é um ente federado, político, fragilizada o alcance de igual tratamento atribuído ao mais
que integra a República Federativa do Brasil e detém autono‑ forte, é possível que quaisquer normas jurídicas primárias
mia política, administrativa e financeira, cabendo­‑lhe exer‑ ou secundárias, realizem distinções entre esses desiguais na
cer, em seu território, a competência que lhe foi atribuída razão em que se desigualam. Aliás, esse é o compromisso
pela Constituição, expressa ou implicitamente. No exercício constitucional de se alcançar a isonomia material. Toda dis‑
de sua autonomia, o DF poderá legislar, observados os limi‑ tinção que tem por finalidade alcançar a igualdade de pes‑
tes constitucionais, praticar atos político­‑administrativos, soas diferentes, em verdade, deseja alcançar esse princípio
instituir e arrecadar seus tributos, e organizar seus serviços, da isonomia, que deve ser obedecido pelo legislador ao criar
órgãos e entidades. a lei; pelo Poder Judiciário, ao aplicá­‑la; pelo Executivo, ao
Cidadania: A cidadania é o segundo valor fundamental do gerir interesses públicos; e pelo particular, nas relações priva‑
DF e é um atributo do brasileiro que já esteja apto a exercer das. Para alcançar o princípio em comento e reduzir as desi‑
seus direitos políticos, votando, sendo votado, e participando gualdades sociais, o Poder Público tem reiteradamente prati‑
dos demais instrumentos de soberania popular. Logo, é atri‑ cado políticas e atos discriminatórios – ações afirmativas ou
buto do eleitor brasileiro. distinções positivas – a exemplo das cotas raciais, dos pro‑
gramas sociais de bolsa­‑ escola, e bolsa­‑família. Mas frise­
Dignidade da Pessoa Humana: A dignidade da pessoa
‑se que as distinções devem ser proporcionais e razoáveis. A
humana é o princípio com maior peso na atualidade. Pois
exclusão, por via editalícia, de pessoas do sexo feminino em
a pessoa humana deve ser encarada como um fim em si
concursos da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Mili‑
mesma e não como meio. Em qualquer relação, pública ou
tar, por exemplo, é violadora dessa regra em estudo, bem
privada, não se poderia afastar dessa ideia nuclear de orga‑
como o impedimento de acesso para o quadro complementar
nização político­‑social de que o homem é o valor supremo,
de segurança pública por conta da altura: dentistas, advoga‑
em sua integridade física, moral, e psíquica. Dessa maneira,
e o homem passa, conforme diria Fábio Konder Compa‑ dos, fisioterapeutas, médicos com altura superior a 1,60 cm1.
rato, a ser considerado, em sua igualdade essencial, como 1 Veja-se precedente do TJDFT que em Mandado de Segurança, concedeu ordem
para que o Corpo de Bombeiros do DF não eliminasse candidata ao cargo de

2
D e n i s e V a r g a s
Art. 3º São objetivos prioritários do Distrito Federal: COMENTÁRIO:
I – garantir e promover os direitos humanos assegura‑
dos na Constituição Federal e na Declaração Universal dos Direito de Petição: A garantia da petição aos Poderes Públi‑
cos gratuitamente é reprodução de instrumento fundamental
Direitos Humanos; inserido na CF, em seu art. 5º, XXXIV: “são a todos asse‑
II – assegurar ao cidadão o exercício dos direitos de gurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o
iniciativa que lhe couberem, relativos ao controle da legali‑ direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direi‑
tos ou contra ilegalidade ou abuso de poder”. Mesmo que
dade e legitimidade dos atos do Poder Público e da eficácia não houvesse sido reproduzida na LODF, é inerente a qual‑
dos serviços públicos; quer pessoa, natural, jurídica, nacional, estrangeira, em todo
III – preservar os interesses gerais e coletivos; o território nacional, com a finalidade de receber, do Poder
Público, informações de caráter coletivo ou individual;
IV – promover o bem de todos;
informá­‑lo sobre a existência de irregularidade na gestão da
V  – proporcionar aos seus habitantes condições de coisa pública e de abuso de poder que infrinja deveres públi‑
vida compatíveis com a dignidade humana, a justiça social cos e direitos assegurados por lei. No entanto, o art. 4º da
e o bem comum; LODF, ao tratar do direito de petição, isentou o seu exercício
de pagamento de:
VI – dar prioridade ao atendimento das demandas da –– Taxas;
sociedade nas áreas de educação, saúde, trabalho, trans‑ –– Emolumentos;
porte, segurança pública, moradia, saneamento básico, –– Garantia de Instância.
Logo, no âmbito da Administração distrital, não se pode
lazer e assistência social; cobrar taxa (tributo), emolumento (valores pagos pelo preço
VII – garantir a prestação de assistência jurídica inte‑ de serviços de cartórios e serventias não oficializadas), e
gral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recur‑ garantia de instância (depósito prévio como pressuposto de
admissibilidade do recurso administrativo2).
sos;
VIII – preservar sua identidade, adequando as exigên‑
Art. 5º A soberania popular será exercida pelo sufrá‑
cias do desenvolvimento à preservação de sua memória,
gio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual
tradição e peculiaridades;
para todos e, nos termos da lei, mediante:
IX – valorizar e desenvolver a cultura local, de modo a
I – plebiscito;
contribuir para a cultura brasileira;
II – referendo;
X – assegurar, por parte do Poder Público, a proteção
III – iniciativa popular.
individualizada à vida e à integridade física e psicológica
das vítimas e das testemunhas de infrações penais e de seus
COMENTÁRIO:
respectivos familiares; (Inciso acrescido pela Emenda à Lei
Orgânica n. 6, de 1996) A soberania popular é princípio decorrente do sistema polí‑
XI – zelar pelo conjunto urbanístico de Brasília, tom‑ tico democrático formado pela ordem constitucional. Dentre
bado sob a inscrição n. 532 do Livro do Tombo Histórico, os instrumentos de democracia participativa ora indicados
pela LODF estão as consultas populares em temas relevantes
respeitadas as definições e critérios constantes do Decreto e a iniciativa de projetos de lei.
n. 10.829, de 2 de outubro de 1987, e da Portaria n. 314, de 8 Esse artigo e os respectivos incisos são reprodução do art. 14
de outubro de 1992, do então Instituto Brasileiro do Patri‑ da CF. A Lei Federal n. 9.709/1998 regulamenta a execução
do disposto nos incisos I, II e III do art. 14 da Constitui‑
mônio Cultural – IBPC, hoje Instituto do Patrimônio Histó‑ ção Federal. O que diferencia o plebiscito do referendo é o
rico e Artístico Nacional – IPHAN. (Inciso acrescido pela momento de realização da consulta popular. Consulta prévia
Emenda à Lei Orgânica n. 12, de 1996) à criação ou adoção de algum ato, lei ou instituto, é plebis‑
cito. Consulta posterior à criação, é referendo. Dispõe o art.
2º da Lei n. 9.709/1998:
COMENTÁRIO: Art. 2º Plebiscito e referendo são consultas formuladas ao
povo para que delibere sobre matéria de acentuada rele‑
Objetivos Prioritários do DF: O art. 3º anuncia os objeti‑ vância, de natureza constitucional, legislativa ou adminis‑
vos prioritários do DF. Objetivos são metas a serem perse‑ trativa.
guidas por políticas públicas. Portanto, se espera dos dispo‑ §1º O plebiscito é convocado com anterioridade a ato legis‑
sitivos em comento normas essencialmente programáticas. lativo ou administrativo, cabendo ao povo, pelo voto, apro‑
Entretanto, vários desses dispositivos contêm, em verdade, var ou denegar o que lhe tenha sido submetido.
mais comandos do que normas programáticas para o Dis‑ §2º O referendo é convocado com posterioridade a ato legis‑
trito Federal. lativo ou administrativo, cumprindo ao povo a respectiva
ratificação ou rejeição.
A LODF, igualmente, previu esses instrumentos de consulta
Art. 4º É assegurado o exercício do direito de peti‑ popular porque a referida lei nacional autorizou, nas ques‑
ção ou representação, independentemente de pagamento de tões de competência dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, que o plebiscito e o referendo fossem convoca‑
taxas ou emolumentos, ou de garantia de instância. dos em conformidade, respectivamente, com a Constituição
Estadual e com a Lei Orgânica.
odontopediatra do CBDF por razão de altura. (TJDFT, 20070110778885RMO, 3ª.
Turma Cível, Julgamento em 17.03.2009). Nessa decisão, o TJDFT confirmou 2 A LODF, nesse ponto, ao assegurar o direito de petição, independemente de
sentença proferida pela 3ª Vara de Fazenda Pública, que classificava a candidata garantia de instância adotou um posicionamento de vanguarda, pois o STF
aprovada, mesmo sem altura mínima exigida. Confira a sentença, no referido só passou a entender a garantia de instância como inconstitucional em 2008.
mandado de segurança por nós impetrado: Processo : 2007.01.1.077888-5 (http:// Logo, a LODF tratava em 2003 de direito que o STF só foi reconhecer em
tjdf19.tjdft.jus.br/cgi-bin/tjcgi1?NXTPGM=tjhtml105&ORIGEM=INTER&SE 2008. (STF, AI 698626 RG-QO/SP, Rel. Min. Min. ELLEN GRACIE, DJe-232
LECAO=9&CIRCUN=1&CDNUPROC=20070110778885). DIVULG 04.12.2008 PUBLIC 05.12.2008 EMENT VOL-02344-06 PP-01253).

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L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
No âmbito local, o plebiscito e o referendo encontram­‑se Art. 8º O território do Distrito Federal compreende o
regulados pela Lei Distrital n. 1.642/1997. Segundo o art. espaço físico­‑geográfico que se encontra sob seu domínio
1º dessa lei:
O plebiscito é a consulta à população do Distrito Federal
e jurisdição.
acerca de tema relevante sobre questões ambientais, urba‑
nísticas, sociais ou econômicas do Distrito Federal, devendo COMENTÁRIO:
ser proposto à Câmara Legislativa:
I – por cinco por cento dos eleitores inscritos no Distrito O termo “jurisdição” tem sido utilizado com múltiplos sig‑
Federal; nificados, mas, restritivamente, no direito deve se restringir
II – por dois terços dos Deputados Distritais; à capacidade atribuída, em regra, ao Judiciário de exercitar
III – pelo Poder Executivo, por ato do Governador. sua competência típica com definitividade. No art. 8°, por
De acordo com o art. 11 da mesma lei: “A Câmara Legis‑ óbvio, que jurisdição significa competência.
lativa autorizará o referendo quando requerido por, no
mínimo, meio por cento do eleitorado do Distrito Federal, Art. 9º O Distrito Federal, na execução de seu pro‑
no prazo de noventa dias da publicação do ato do Poder
grama de desenvolvimento econômico­‑social, buscará a
Executivo ou da aprovação ou veto da norma legislativa”.
Tais votações serão organizadas pelo Tribunal Regional integração com a região do entorno do Distrito Federal.
Eleitoral do Distrito Federal. Ficam vedados mais de três
plebiscitos distritais por ano, bem como a sua realização COMENTÁRIO:
nos seis meses que antecedem às eleições distritais para os
cargos de Deputados Distritais e Governador. O Distrito Federal, por ter em seu território Brasília, capi‑
O resultado da votação será pela maioria simples dos eleito‑ tal nacional, deve se preocupar em integrar­‑se política e
res que votaram e tem caráter opinativo, ou seja, não vincu‑ administrativamente com os Estados que o circundam com
lam os Poderes distritais. A questão debatida em plebiscito a finalidade de adotar políticas conjuntas para assegurar os
só poderá ser objeto de nova consulta quando houver decor‑ desenvolvimentos econômico e social regionais, sob pena
rido três anos após a primeira deliberação. do isolamento acarretar gravames financeiros e sociais ao
Quanto à iniciativa popular no Distrito Federal, o inciso DF, já que a população do entorno para atendimento de seus
previu a possibilidade dos eleitores inscritos oferecerem direitos sociais se socorre dos serviços públicos de saúde,
junto à Câmara Legislativa proposta para a criação de alte‑ educação etc. ofertados pelo Distrito Federal.
rações no texto da Lei Orgânica e projeto para a criação de Atentos a essa necessidade, foram criados na estrutura orga‑
leis distritais, respectivamente tratados nos arts. 70 e 76 da nizacional do Poder Executivo distrital por autorização da
LODF. Lei Distrital n. 2.297/1999, a Secretaria de Articulação para
o desenvolvimento do entorno e o plano de desenvolvimento
econômico e social do Distrito Federal, a ser analisado no
TÍTULO II título da ordem social. Esse tipo de política é constitucional‑
DA ORGANIZAÇÃO DO DISTRITO FEDERAL mente aceita, por meio de convênios e consórcios.

CAPÍTULO I CAPÍTULO II
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS DA ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA DO
DISTRITO FEDERAL
Art. 6º Brasília, Capital da República Federativa do
Brasil, é a sede do governo do Distrito Federal. Art. 10. O Distrito Federal organiza­‑se em Regiões
Administrativas, com vistas à descentralização administra‑
tiva, à utilização racional de recursos para o desenvolvi‑
COMENTÁRIO:
mento socioeconômico e à melhoria da qualidade de vida.
Brasília não se confunde com o Distrito Federal. O Distrito
§1º A lei disporá sobre a participação popular no pro‑
Federal é uma pessoa jurídica de Direito Público interno, cesso de escolha do Administrador Regional.
constituindo­‑se como ente federado. Brasília, de outro lado, §2º A remuneração dos Administradores Regionais
é um órgão territorial que integra o Distrito Federal; é uma não poderá ser superior à fixada para os Secretários de
de suas regiões administrativas e sede do governo distrital.
Estado do Distrito Federal. (Parágrafo com a redação da
Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005.)3
Art. 7º São símbolos do Distrito Federal a bandeira, o
hino e o brasão. COMENTÁRIO:
Parágrafo único. A lei poderá estabelecer outros símbo‑
los e dispor sobre seu uso no território do Distrito Federal. Art. 10, caput: O art. 32 da CF veda a subdivisão do Distrito
Federal em municípios. Restou­‑lhe, portanto, para melhor
articular a gestão administrativa, geograficamente, dividir
COMENTÁRIO: o território distrital em espaços ou “Regiões Administrati‑
vas”, que são geridas por Administradores regionais, nome‑
A CF (art. 13) estabelece os símbolos da República Federa‑ ados pelo Governador do Distrito Federal, a fim de se des‑
tiva do Brasil (bandeira, hino, as armas e o selo nacionais) e concentrar a gestão administrativa do GDF.
autoriza que os demais entes da Federação criem seus sím‑ Por conseguinte, qualquer subdivisão de natureza política
bolos. A Lei Orgânica, de acordo com a Constituição Fede‑ no Distrito Federal se afigura como inconstitucional. Desa‑
ral, instituiu os símbolos mínimos do DF: a bandeira, o hino tenta a esse comando constitucional, a Câmara Legislativa
e o brasão. Entretanto, lei ordinária distrital poderá estabe‑ aprovou a Lei Distrital 1.713/1997 que permitia a criação de
lecer outros, regulando o seu uso no DF. Logo, verifica­‑se prefeituras comunitárias e associações de moradores com
que esse rol de símbolos distritais elencados no art. 7° em
3 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de
comento é apenas exemplificativo.
Governo do Distrito Federal” por “Secretários de Estado do Distrito Federal”.

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D e n i s e V a r g a s
competência para administrar algumas quadras residenciais Art. 11. As Administrações Regionais integram a
do plano piloto. O Supremo Tribunal Federal confrontando­‑a estrutura administrativa do Distrito Federal.
com o art. 32 da Constituição Federal determinou­‑lhe a
suspensão liminar, conforme acórdão proferido no julga‑
mento da ADI 1.706­‑ 4, cuja decisão fora publicada no DJ COMENTÁRIO:
de 01.08.2003.
Interpretação do STF sobre o tema: Conforme vimos anteriormente, as regiões administrati‑
No julgamento da ADI 1509, publicada a decisão no DJ vas são órgãos geográficos ou territoriais. Logo, integram a
11.04.1997, p. 12179, Relator Min. Sydney Sanches, ficou estrutura administrativa do Distrito Federal.
consignada a relevante questão da natureza das Regiões
Administrativas: órgãos de natureza territorial da Admi‑
nistração do Distrito Federal. Por conseguinte, determinou Art. 12. Cada Região Administrativa do Distrito Fede‑
a Suprema Corte, é de iniciativa privativa do Governador ral terá um Conselho de Representantes Comunitários, com
a lei que disponha sobre criação, estruturação, reestrutura‑ funções consultivas e fiscalizadoras, na forma da lei.
ção, desmembramento, extinção, incorporação, fusão e atri‑
buições das Secretarias de Governo, Órgãos e Entidades da
Administração Pública Distrital, conforme disposição do COMENTÁRIO:
art. 71, §1º, IV, da LODF.
Quando um ente político, visando melhorar a gestão admi‑ O Conselho de Representantes Comunitários só possui atri‑
nistrativa dos serviços, transfere parte de suas atribuições a buições para emitir pareceres e realizar controle, ou seja, fis‑
uma unidade de atuação integrante da estrutura da Admi‑ calização. Logo, não possui funções deliberativas ou decisó‑
nistração direta ou indireta, sem personalidade jurídica, está rias. Haverão quantos Conselhos quantas forem as regiões
a realizar a desconcentração mediante a criação de órgãos. administrativas, eis que cada uma dessas possuirá o seu res‑
Afigura­‑nos, pois, equivocada a expressão legal de descen‑ pectivo Conselho.
tralização administrativa utilizada no caput do art. 10, em
comento.
Art. 13. A criação ou extinção de Regiões Administra‑
Art. 10, §1º ­– Escolha dos Administradores regionais:
Na prática, não existe a escolha do Administrador Regio‑ tivas ocorrerá mediante lei aprovada pela maioria absoluta
nal, com participação popular, o que torna esse dispositivo dos Deputados Distritais.
orgânico apenas teórico. A Lei Distrital n. 1.799/1997 regu‑
lamentava o parágrafo em epígrafe, estabelecendo que os
COMENTÁRIO:
administradores regionais fossem indicados pelo Governa‑
dor do DF, após o recebimento de uma lista tríplice de cada
região. À Câmara Legislativa cabia a incumbência de apro‑ O art. 58, VII, da Lei Orgânica estabelece caber à Câmara
var ou rejeitar, após arguição, um dos nomes por ele indi‑ Legislativa, com a sanção do Governador, dispor sobre a cria‑
cado. Essa Lei Distrital, entretanto, se mostrava violadora da ção, estruturação e atribuição de órgãos e entidades da admi‑
independência e separação entre os poderes, por usurpar a nistração pública distrital, e o art. 71, §1º estatui que a criação
competência administrativa do Governador do DF de estru‑ de órgãos depende de projeto de lei de iniciativa do Gover‑
turar os órgãos administrativos. A par desse argumento, a nador. Tendo em vista que as Regiões Administrativas são
Lei Distrital n. 2.861/2001 revogou a Lei n. 1.799/1997, o órgãos integrantes da estrutura da Administração direta do
que assegura a escolha dos administradores regionais ato de DF, a sua criação depende de lei de iniciativa do Governador.
governo de livre iniciativa do Poder Executivo4. Assim, as regiões administrativas, como órgãos administra‑
Art. 10, §2º – A remuneração dos Administradores Regio‑ tivos que são, somente podem ser criadas ou modificadas
nais é limitada, garantindo­‑se a moralidade administrativa. mediante lei, cujo projeto seja aprovado pela Câmara Legis‑
O limite máximo de sua remuneração tem como paradigma lativa, com o quórum de maioria dos membros ou maioria
o equivalente ao subsídio pago aos Secretários de Estado do absoluta. Da leitura do dispositivo supramencionado, poder­
Distrito Federal, que, a seu turno, é limitada pela Constitui‑ ‑se­‑ia inferir que a lei criadora das regiões administrativas
ção Federal (art. 28, §2º), a qual indica que os subsídios do é complementar. Mas, a criação é por lei ordinária sui generis:
Governador, Vice­‑ Governador e Secretários serão fixados com o quórum de maioria absoluta, pois as leis complemen‑
por lei de iniciativa da Câmara Distrital. tares só devem ser adotadas para tratar de tema especifi‑
No DF, o subsídio e a remuneração dos agentes públicos per‑ cados expressamente pela LODF (art. 75).
tencentes à estrutura do Poder Executivo e Legislativo, salvo
quanto aos Deputados Distritais, podem, a partir da Emenda
Constitucional n. 47, de 2005, e da Emenda à Lei Orgânica COMENTÁRIO:
n. 46, de 14 julho de 2006, ter como limite máximo o equiva‑
lente aos subsídios pagos aos Desembargadores do Tribunal Interpretação do STF sobre o tema
de Justiça do DF. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento inicial da ADI
A Emenda Constitucional n. 47/2005, portanto, possibilitou n. 1.509­‑5, concedeu liminar suspendendo os efeitos parciais
ao DF adotar, por Emenda à Lei Orgânica, um teto único da Lei Distrital n. 899/1995, que transferiu da Região Admi‑
de subsídio para seus agentes políticos, correspondente ao nistrativa de Ceilândia, para Brazlândia, parte de certa área
subsídio dos Desembargadores do TJDFT, que se limita a territorial onde se situa o Núcleo INCRA 9 – do Projeto de
noventa inteiros e vinte e cinco décimos por cento do subsí‑ Colonização Alexandre Gusmão – que engloba, inclusive,
dio pago aos Ministros do Supremo Tribunal Federal. Esse parte do território do Estado de Goiás. A suspensão liminar
teto foi estabelecido em 14 de julho de 2006 mediante a pro‑ dos efeitos da referida norma teve em conta o vício formal
mulgação da Emenda à Lei Orgânica n. 46, que modificou o de iniciativa, pois seu projeto não foi ofertado pelo Chefe
art. 19, X, da LODF. No entanto, a referida Emenda à Lei do Executivo, a quem compete iniciar o processo legislativo
Orgânica não revogou, expressamente, o teto para os admi‑ para a criação, modificação ou extinção de órgãos adminis‑
nistradores regionais.
trativos pela simetria com as normas de processo legislativo
federal. Ademais, com a modificação territorial pretendida
4 Informação aos concursandos: Embora na prática não haja participação popular pela referida legislação, se incorreria em inconstitucionali‑
no processo de escolha dos Administradores, o concursando deve ficar atento ao dade por afronta aos §§3º e 4º do art. 18 da Constituição que
comando de eventual questão de concurso sobre o tema, pois se o examinador exige requisitos procedimentais específicos para o desmem‑
determinar que a pergunta seja respondida à luz do disposto na LODF, siga o
bramento de Estados e Municípios.
examinador e a literalidade desse dispositivo da LODF.

5
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
CAPÍTULO III COMENTÁRIO:
DA COMPETÊNCIA DO DISTRITO FEDERAL
O DF, por seu ente político dotado de autonomia, possui
competência para se auto­‑organizar, desde que respeitados
Art. 14. Ao Distrito Federal são atribuídas as compe‑ os princípios constitucionais. Por conta dessa autonomia
tências legislativas reservadas aos Estados e Municípios, é que cabe­‑lhe, privativamente, organizar seu Governo e
cabendo­‑lhe exercer, em seu território, todas as competên‑ Administração.
cias que não lhe sejam vedadas pela Constituição Federal.
II – criar, organizar ou extinguir Regiões Administra‑
tivas, de acordo com a legislação vigente;
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
O constituinte, ao criar a Carta Política de 1988, optou
por dividir espacialmente o Poder. Essa divisão espacial
A criação, organização ou extinção das Regiões Administra‑
do Poder significa que é atribuída autonomia aos Estados­
tivas depende de lei ordinária aprovada pela maioria abso‑
‑membros, Municípios e DF.
luta, conforme explicamos no art. 13. Conforme manifesta‑
Uma das técnicas para assegurar essa autonomia é por inter‑ ção do Supremo Tribunal Federal (ADI n. 1.509) as regiões
médio de repartição constitucional de competências, que é a administrativas se constituem em órgãos da administração e
capacidade conferida a um ente político, pela Constituição que por simetria às normas de processo legislativo federal,
Federal, para se auto­‑organizar, mediante a criação de suas encetadas pelo §1º, do art. 61, da CF, compete ao Chefe do
leis próprias, a administração de serviços de sua alçada a prá‑ Executivo ofertar o projeto de lei respectivo para a sua cria‑
tica de atos político­‑administrativos, com exclusividade ou ção, organização ou extinção.
em comum com outro ente.
O Distrito Federal é um ente que alguns doutrinadores indi‑
cam como sui generis. José Afonso da Silva entende que o DF: III – instituir e arrecadar tributos, observada a compe‑
Não é Estado. Não é Município. Em certo aspecto, é mais do tência cumulativa do Distrito Federal;
que o Estado, porque lhe cabem competências legislativas
e tributárias reservadas aos Estados e Municípios [...]. Sob COMENTÁRIO:
outros aspectos, é menos do que os Estados, porque algumas
de suas instituições fundamentais são tuteladas pela União
Esse dispositivo trata da atribuição do DF para instituir (criar
(Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública
por lei) e arrecadar (cobrar) os tributos da sua competência
e Polícia). É nele que se situa a Capital Federal (Brasília).
cumulativa. Diz­‑se cumulativa porque ao DF é permitido
Tem, pois, como função primeira, servir de sede ao Governo
cobrar todos os tributos estaduais e municipais, que se encon‑
Federal.
tram, respectivamente, nos arts. 155 e 156.
Por conta de sediar a Capital Federal, denomina­‑se o Distrito
Conceito de Tributo: Tributo é toda prestação pecuniária,
Federal como um ente federado anômalo. Assim, a Cons‑
criada por lei, como obrigatória, e paga em moeda ou valor
tituição Federal atribuiu ao DF neutralidade, assegurando
equivalente, desde que não seja sanção por cometimento de
maiores limites em sua autonomia.
ato ilícito, cobrada por entidades públicas em atividade admi‑
É da competência do DF tudo aquilo o que for competên‑ nistrativa plenamente vinculada à CF e às leis tributárias.
cia de um Estado­‑membro ou de um Município, salvo as Não obstante as correntes doutrinárias diversas, é entendi‑
vedações constitucionais de prestar alguns serviços e legis‑ mento da Suprema Corte a subdivisão desse gênero de tri‑
lar sobre alguns assuntos: Judiciário, Ministério Público, butos de forma quinquipartite: I – Impostos; II – Taxas; III –
Defensoria Pública, Segurança Pública, com algumas parti‑ Contribuições de Melhoria; IV – Empréstimos Compulsórios
cularidades a serem exploradas no capítulo oportuno. e Contribuições Especiais.
Imposto é o tributo cuja obrigação nasce de uma situação inde‑
pendente de qualquer atividade estatal específica que bene‑
Seção I ficie o contribuinte, bastando para tal que o contribuinte
Da Competência Privativa possua patrimônio, renda, preste atividade privada de servi‑
ços ou comércio. O DF pode cobrar os seguintes impostos:
ITCMD, ICMS, IPVA, IPTU e ISS.
COMENTÁRIO: Taxas são valores cobrados pelo DF pelo exercício regular do
seu poder de polícia (poder administrativo de fiscalizar bens,
As competências aqui previstas são, ordinariamente, de serviços, atividades e atos de interesse coletivo) ou pela uti‑
natureza administrativa, isto é, inerentes à prestação de lização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e
serviços ou prática de atos administrativos. São competên‑ divisível prestado ao contribuinte ou posto a sua disposição.
cias ditas privativas, haja vista que são destinadas ao DF, Contribuições de Melhoria são valores criados por lei para
como instrumentos assecuratórios de sua autonomia. Muitas fazer face ao custo de obras públicas de que decorra valori‑
das atribuições elencadas no art. 15 não podem ser objeto zação imobiliária em favor de propriedades do contribuinte
de delegação, o que nos faz lembrar de uma crítica de José (CF, art. 145 c/c art. 81 do CTN). O DF pode cobrar tal tributo
Afonso da Silva sobre o legislador que, a pretexto de elen‑ nas obras públicas que realiza, mas tal cobrança tem como
car competências indelegáveis, acaba por utilizar o termo limite total a despesa realizada e como limite individual de
“privativa”, quando o mais técnico seria se falar em exclu‑ cada contribuinte o acréscimo de valor que da obra resultar
siva. Mas essa questão é primordialmente de forma e não de para cada imóvel beneficiado. Assim, por exemplo, o DF
fundo, o que permite que o intérprete intuitivamente alcance poderia instituir a Contribuição de Melhoria, atendidos os
quais delas não são objeto de delegação. requisitos legais, para custear as obras com a terceira ponte
que resultou em valorização dos imóveis próximos a ela.
Empréstimos compulsórios são prestações obrigatórias, cria‑
Art. 15. Compete privativamente ao Distrito Federal: das por Lei Complementar Federal, pagas pelo contribuinte,
em favor da União, para atender a situações emergenciais
I – organizar seu Governo e Administração;
que demandem despesas extraordinárias ou gastos públicos
urgentes, que atendam calamidades públicas; guerras exter‑

6
D e n i s e V a r g a s
nas ou sua iminência, ou investimento público relevante de VII – manter, com a cooperação técnica e financeira da
caráter urgente e interesse relevante nacional (art. 148 da União, programas de educação, prioritariamente de ensino
CF). São tributos que não podem ser cobrados pelo DF, pois
fundamental e pré­‑escolar;
não fazem parte de sua competência.
Contribuições Especiais são tributos que envolvem a
cobrança compulsória de valores denominados de Cide (Con‑ COMENTÁRIO:
tribuições de Intervenção, pela União, no Domínio Econô‑
mico); Cicape (Constituição de interesse das Categorias Esse dispositivo da LODF está desatualizado em face de
Profissionais e Econômicas): Crea, OAB, CRO, CRM; CS Emendas à CF. Com efeito, o art. 212, §3º da CF, com reda‑
(Contribuições Sociais), pagas pelos trabalhadores e empre‑ ção dada pela EC 14/1996, determina que: “Os Estados e o
gadores, em favor da União, a exemplo do PIS, Pasep, CPMF, Distrito Federal atuarão prioritariamente no ensino funda‑
INSS; CS de Estados, DF e Municípios, que são contribui‑ mental e médio”. O §4º desse mesmo dispositivo constitucio‑
ções sociais cobradas dos servidores públicos estaduais, nal, com redação dada pela EC 59/2009 estabelece que: “Na
municipais e distritais para custeio do regime previdenciário organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados,
do servidor público. (CF, art. 149). o Distrito Federal e os Municípios definirão formas de cola‑
Dessas Contribuições Especiais verifica­‑se que são de com‑ boração, de modo a assegurar a universalização do ensino
petência do DF apenas as contribuições sociais de seus ser‑ obrigatório. Logo, ao DF cabe priorizar o ensino fundamen‑
vidores. tal e médio, nos moldes do que determina a CF.

IV – fixar, fiscalizar e cobrar tarifas e preços públicos VIII – celebrar e firmar ajustes, consórcios, convênios,
de sua competência; acordos e decisões administrativas com a União, Estados e
Municípios, para execução de suas leis e serviços;
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
Tarifas ou preços públicos são valores que se pagam pela
utilização de serviços públicos contratados pelos adminis‑
Essa competência nem necessitaria estar explicitada pela
trados diretamente da Administração Pública ou de Conces‑
LODF, pois é natural que, para garantir a autonomia admi‑
sionárias ou Permissionárias do Serviço Público, a exemplo
nistrativa, por vezes, se fazem necessários acordos, contra‑
das tarifas pela utilização pelos consumidores dos serviços tos com outros entes federativos. Ademais, ela é reprodução,
de água canalizada à Caesb e de luz à CEB. A mudança na parcial, da regra prevista no art. 241 da CF:
política tarifária é inclusive prevista na Lei de Diretrizes
A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dis‑
Orçamentárias do DF. ciplinarão por meio de lei os consórcios públicos e os convê‑
nios de cooperação entre os entes federados, autorizando a
V – dispor sobre a administração, utilização, aquisição gestão associada de serviços públicos, bem como a transfe‑
e alienação dos bens públicos; rência total ou parcial de encargos, serviços, pessoal e bens
essenciais à continuidade dos serviços transferidos.
Convênio, segundo a doutrina, é uma “forma de ajuste entre
COMENTÁRIO: o Poder Público e entidades públicas ou privadas para a rea‑
lização de objetivos de interesse comum, mediante mútua
A Lei Complementar distrital n. 388/2001 trata da conces‑ colaboração5”.
são de direito real de uso de áreas públicas distritais. Tal Consórcio administrativo “é o acordo de vontades entre
assunto deve, em regra, ser tratado por Lei Complementar, duas ou mais pessoas jurídicas públicas da mesma natureza
ou seja, com aprovação por maioria absoluta dos membros e mesmo nível de governo ou entre entidades da administra‑
da Câmara Legislativa. ção indireta para a consecução de objetivos comuns6”.
Ambos são ajustes. No entanto, o convênio é o acordo de
VI  – organizar e prestar, diretamente ou sob regime vontade de um ente público com outro de natureza diversa,
ou com particulares, a exemplo de um convênio celebrado
de concessão ou permissão, os serviços de interesse local,
entre o DF e uma Autarquia Federal, ou o DF e a União. Ao
incluído o de transporte coletivo, que tem caráter essencial; passo que, no consórcio, o acordo de vontades é entre entida‑
des de níveis iguais, a exemplo do ajuste celebrado entre DF
COMENTÁRIO: e Estado­‑membro ou entre Estados­‑membros.
A Lei Federal n. 11.107, de 6 de abril de 2005, dispõe sobre
Conforme comando do art. 175 da CF: “Incumbe ao Poder normas gerais para a União, os Estados, o Distrito Federal e
Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de con‑ os Municípios contratarem consórcios públicos para a reali‑
cessão ou permissão, sempre através de licitação, a presta‑ zação de objetivos de interesse comum. Esse consórcio defi‑
ção de serviços públicos”. nido pela Lei n. 11.107 não é o administrativo, mas o con‑
Atenta a tal dispositivo constitucional, a LODF dispôs sobre sórcio público. Os consórcios públicos podem ser definidos
a prestação direta ou indireta (concessão ou permissão) de “como associações formadas por pessoas jurídicas políticas
(União, Estados, Distrito Federal ou Municípios), com per‑
serviços públicos.
sonalidade de direito público ou de direito privado, criadas
Concessão e permissão de serviços públicos são modalida‑
mediante autorização legislativa, para a gestão associada de
des de prestação indireta de serviços de natureza pública,
serviços públicos7”.
pelas quais o DF pode delegar à iniciativa privada a ativi‑
dade de tais serviços, mediante a cobrança de tarifas ou
preços públicos diretamente dos consumidores. IX – elaborar e executar o plano plurianual, as diretrizes
Os serviços de transporte coletivo local são da competên‑ orçamentárias e o orçamento anual;
cia do DF, que deve prestar diretamente ou sob os regimes
acima. Ressalta­‑se que tal serviço tem natureza essencial, o 5 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 23. ed. São Paulo:
que significa que não pode sofrer interrupção total por quem Atlas, 2010, p. 337.
o presta. 6 Ibidem, p. 342.
7 Ibidem, p. 478.

7
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
COMENTÁRIO: XI – autorizar, conceder ou permitir, bem como regu‑
lar, licenciar e fiscalizar os serviços de veículos de aluguéis;
Todos os entes federados (União, Estados­‑membros, DF XII – dispor sobre criação, transformação e extinção
e Municípios) possuem uma tarefa primordial: satisfazer de cargos, empregos e funções públicas;
as necessidades coletivas com o fim de se alcançar o bem
comum, que é alcançado pela atividade financeira de obten‑
ção de recursos (Receitas Públicas); criação de crédito COMENTÁRIO:
público (Endividamento Público); planejamento e gestão
dos recursos públicos (Orçamento Público); gastos (Des‑ Em face da autonomia administrativa que foi conferida ao
pesa Pública) com as necessidades públicas. As peças que os DF pela CF, está ele autorizado a gerir seus serviços e servi‑
entes políticos utilizam para realizar o planejamento da ati‑ dores, podendo dispor, por lei, sobre a criação, transforma‑
vidade financeira são os orçamentos, leis pelas quais o Poder ção e extinção de cargos, empregos e funções públicas. A
Legislativo realiza o planejamento financeiro e autoriza o propósito, a iniciativa de lei para a criação, transformação
Poder Executivo, em um período determinado, a arrecadar e extinção de cargos, empregos e funções públicas distritais
receitas criadas por lei e a despender dinheiro público para pertence ao Governador, conforme leitura do art. 71, §1º, I,
custear o funcionamento de serviços e atividades públicas. dessa Lei Orgânica.
Daí, a competência constitucional concorrente entre União,
Estados e DF para legiferarem sobre orçamento e direito
financeiro (art. 24 da CF).
XIII  – dispor sobre a organização do quadro de seus
O art. 165, da Constituição Federal, dispõe ser da competên‑ servidores; instituição de planos de carreira, na administra‑
cia do Chefe do Poder Executivo (no caso do DF, competên‑ ção direta, autarquias e fundações públicas do Distrito Fede‑
cia do Governador) propor à casa legislativa as três espécies ral; remuneração e regime jurídico único dos servidores;
existentes de leis orçamentárias, sob pena de cometimento
de crime de responsabilidade:
PPA – Plano Plurianual (planejamento quadrienal, isto é, de
COMENTÁRIO:
quatro anos);
LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias (planejamento para Os servidores do DF são regidos por um conjunto de normas
o exercício financeiro subsequente); e Texto original: X – próprias, denominado Regime Jurídico. No âmbito distrital
elaborar e executar o plano diretor de ordenamento terri‑ aplicam­‑se, em regra, as normas da Lei n. 8.112/1990 (Esta‑
torial e os planos diretores locais, para promover adequado tuto dos Servidores Públicos Civis da União, das autarquias
ordenamento territorial integrado aos valores ambientais, e das fundações públicas federais), com algumas modifi‑
mediante planejamento e controle do uso, parcelamento e cações determinadas por Leis Distritais. A matéria desse
ocupação do solo urbano; inciso deve ser regulamentada por lei de iniciativa do Gover‑
LOA – Lei Orçamentária Anual (planejamento anual). Cada nador, conforme o art. 71, §1º, da Lei Orgânica.
ente da federação possui o dever de criar tais orçamentos. A Lei Distrital n. 197/1991, de autoria do poder executivo,
estabelece em seu art. 5º que:
A partir de 1 de janeiro de 1992, aos servidores da Adminis‑
X  – elaborar e executar o Plano Diretor de Ordena‑
tração Direta, Autárquica e Fundacional do Distrito Federal,
mento Territorial, a Lei de Uso e Ocupação do Solo e Planos aplicar­‑se­‑ão, no que couber, as disposições da Lei Federal
de Desenvolvimento Local, para promover adequado orde‑ n. 8.112, de 11 de dezembro de 1990 e legislação complemen‑
namento territorial, integrado aos valores ambientais, tar, até a aprovação do Regime Jurídico Único dos Servi‑
mediante planejamento e controle do uso, parcelamento e dores Públicos do Distrito Federal pela Câmara Legislativa.
ocupação do solo urbano; (Inciso com a redação da Emenda
à Lei Orgânica n. 49, de 2007)8 XIV – exercer o poder de polícia administrativa;

COMENTÁRIO: COMENTÁRIO:

Esse inciso trata da competência do DF para promover o Poder de polícia administrativa não se confunde com a ativi‑
adequado ordenamento territorial, mediante planejamento dade policial de investigação de infrações penais e preven‑
e controle do uso, do parcelamento e da ocupação do solo ção de atividades criminosas.
urbano. Essa competência é eminentemente municipal, ou Ao DF cabe exercer a polícia administrativa que se traduz
seja, trata de assunto de interesse local, conforme se apura em uma atividade pública de limitação imposta a direitos
da leitura do art. 30, VIII, da CF. individuais em prol do interesse coletivo, mediante fiscali‑
Ao DF cabe organizar a política de desenvolvimento zação, autorizações, aplicações de multas administrativas.
urbano, conforme diretrizes gerais fixadas na Lei Federal n. Segundo o art. 78 do Código Tributário Nacional:
10.257/2001 (Estatuto da Cidade), mediante um plano dire‑ Considera­‑se poder de polícia atividade da Administração
tor aprovado pela Câmara Legislativa como instrumento Pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse
básico da política de desenvolvimento e de expansão de sua ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato,
área urbana, conforme regra inserida no art. 182 da CF. Esse em razão de interesse público concernente à segurança, à
dispositivo orgânico sofreu alteração por conta da ELODF higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e
n. 49/2007. A referida emenda atribuiu ao DF a competência do mercado, ao exercício de atividades econômicas depen‑
para elaborar e executar, igualmente, a Lei de Uso e Ocu‑ dentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tran‑
pação do Solo e planos de Desenvolvimento Local. Com quilidade pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos
efeito, a reforma empreendida está em consonância com a individuais ou coletivos.
necessidade de se discriminar a propriedade das terras no
DF. Acerca do tema, leia nossos comentários ao art. 32 das
disposições transitórias da LODF. XV – licenciar estabelecimento industrial, comercial,
prestador de serviços e similar ou cassar o alvará de licença
8 Texto original: X – elaborar e executar o plano diretor de ordenamento territorial dos que se tornarem danosos ao meio ambiente, à saúde,
e os planos diretores locais, para promover adequado ordenamento territorial ao bem­‑estar da população ou que infringirem dispositivos
integrado aos valores ambientais, mediante planejamento e controle do uso, par‑
celamento e ocupação do solo urbano;
legais;

8
D e n i s e V a r g a s
COMENTÁRIO: Mesmo diante de sonegação fiscal, não poderá o DF apre‑
ender mercadorias como meio coercitivo para o pagamento
Licenciar é praticar ato administrativo unilateral pelo qual de tributos (Súmula n. 323 do STF).
a Administração Pública faculta a quem preencha os requi‑ O STF já se manifestou, no julgamento da ADI n. 2.796­‑ 4,
sitos legais o exercício de uma atividade, no caso do inciso: pela inconstitucionalidade da Lei Distrital n. 2.059/2002
industrial, comercial ou civil. que determinava a apreensão de veículos automotores
A licença é uma espécie de autorização concedida ao parti‑ conduzidos por pessoas sob a influência do álcool, por
cular para o exercício de atividades lícitas, mas que devam entender haver usurpação de competência da União para
atender aos requisitos mínimos estabelecidos em lei. Como legislar sobre trânsito.
se sabe, a iniciativa privada é um dos fundamentos da Repú‑
blica Federativa do Brasil e, igualmente, do Distrito Federal. XX  – disciplinar e fiscalizar, no âmbito de sua com‑
No entanto, o particular deve exercê­‑la com responsabili‑
dade social, sob pena de prejudicar interesses indisponíveis petência, competições esportivas, espetáculos, diversões
da coletividade, como meio ambiente, saúde, segurança. públicas e eventos de natureza semelhante, realizados em
Daí a competência do DF para realizar o ato de licença, que locais de acesso público;
é vinculado, isto é, preenchendo o particu­lar os requisitos
estabelecidos em lei, não cabe à Administração Pública XXI – dispor sobre a utilização de vias e logradouros
negar a licença. Todavia, poderá cassá­‑la, isto é, revogá­‑la, públicos;
com base no seu poder de polícia administrativa, quando XXII – disciplinar o trânsito local, sinalizando as vias
houver abuso ou desatendimento da lei, pelo particular.
urbanas e estradas do Distrito Federal;
XVI – regulamentar e fiscalizar o comércio ambulante,
inclusive o de papéis e de outros resíduos recicláveis; COMENTÁRIO:

A disciplina do trânsito local e a implantação de política de


COMENTÁRIO: educação para a segurança do trânsito são atribuições per‑
mitidas constitucionalmente ao Distrito Federal. Essa disci‑
Esse inciso reflete o poder de polícia de fiscalizar os resí‑ plina deve fundamentar­‑se nas normas do Código de Trân‑
duos que possam ser prejudiciais ao meio ambiente, afetando sito Brasileiro, pois compete privativamente à União legislar
direitos do consumidor ou sua própria saúde. Essa compe‑ sobre trânsito. No entanto, frequentemente, a Câmara Legis‑
tência é estabelecida também na CF (art. 23). lativa, desatenta a esse comando superior, legisla sobre trân‑
sito, inclusive determinando sanções e multas, usurpando
XVII – dispor sobre a limpeza de logradouros públicos, competência constitucional da União.
remoção e destino do lixo domiciliar e de outros resíduos; Exemplo disso é a Lei Distrital n. 1925, declarada incons‑
titucional pelo STF, que dispõe sobre a obrigatoriedade da
iluminação interna dos veículos automotores fechados, no
COMENTÁRIO: período das dezoito horas às seis horas, quando se aproxi‑
marem de blitz ou barreiras policiais. Se desrespeitada essa
Esse inciso trata da limpeza urbana, que é competência do regra, o infrator estará sujeito à aplicação de penalidades
DF, principalmente em logradouros públicos (praças, aveni‑ pecuniárias, a serem definidas pelo Poder Executivo, sem
das, ruas, jardins). Trata, também, da destinação dos resíduos prejuízo das demais cominações legais. (ADI n. 3.625, Rel.
domiciliares com a finalidade de preservação ambiental. Min. Cezar Peluso, DJe­‑ 089 DIVULG 14.05.2009 PUBLIC
15.05.2009).
XVIII – dispor sobre serviços funerários e administra‑
ção dos cemitérios; XXIII  – exercer inspeção e fiscalização sanitária, de
postura ambiental, tributária, de segurança pública e do tra‑
COMENTÁRIO: balho, relativamente ao funcionamento de estabelecimento
comercial, industrial, prestador de serviços e similar, no
Os serviços funerários têm caráter público e se mostram âmbito de sua competência, respeitada a legislação federal;
como uma faceta do Direito Administrativo. A administra‑
ção de cemitérios pertence à competência do DF para tratar
de assuntos locais. COMENTÁRIO:
Se o DF fosse considerado Estado­‑membro, não poderia
tratar de tal matéria, típica de competência de Município, Embora esse inciso não tenha ainda sido objeto de ques‑
conforme decidiu o STF no julgamento da ADI n. 1.221/RJ tionamento junto ao Supremo Tribunal Federal, nos parece
(DJ 31.10.2003). Para a utilização dos serviços funerários, não ser da atribuição do Distrito Federal realizar a inspeção
o DF exige, em regra, a taxa de cemitério público, espécie e fiscalização do trabalho, pois tal tema é da competência
de Tributo pela utilização de serviço público, específico e exclusiva da União, conforme art. 21, XXIV, da Constitui‑
divisível. ção Federal, que estabelece ser da União a competência para
“organizar, manter e executar a inspeção do trabalho”.
XIX  – dispor sobre apreensão, depósito e destino
de animais e mercadorias apreendidas em decorrência de XXIV  – adquirir bens, inclusive por meio de desa‑
transgressão da legislação local; propriação, por necessidade, utilidade pública ou interesse
social, nos termos da legislação em vigor;
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
As únicas mercadorias que podem ser apreendidas em
razão da transgressão de Lei Distrital são as relacionadas Ao Distrito Federal são atribuídas, constitucionalmente,
com o Poder de Polícia do DF, ou seja, de transgressão às a desapropriação de imóveis por necessidade pública, uti‑
normas de saúde e proteção ambiental. lidade pública e interesse social, mediante justa e prévia

9
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
indenização em dinheiro (art. 5º, inciso XXIV, da CF), e a VIII  – combater as causas da pobreza, a subnutrição
desapropriação­‑sanção de imóvel urbano que descumpra a e os fatores de marginalização, promovendo a integração
sua função social, isto é, as regras de ordenação do território
estabelecidas no plano diretor, mediante justa e prévia inde‑ social dos segmentos desfavorecidos;
nização em títulos da dívida pública, resgatáveis em até 10 IX – fomentar a produção agropecuária e organizar o
anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas (art. 182, §2º, abastecimento alimentar;
da CF), ambas com fundamento em leis federais, pois com‑ X – promover programas de construção de moradias
pete à União legislar sobre sobre desapropriação.
e a melhoria das condições habitacionais e de saneamento
básico;
XXV – licenciar a construção de qualquer obra;
XI – registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões
XXVI – interditar edificações em ruína, em condições
de direitos de pesquisa e exploração de recursos hídricos e
de insalubridade e as que apresentem as irregularidades
minerais em seu território;
previstas na legislação específica, bem como fazer demolir
construções que ameacem a segurança individual ou cole‑ COMENTÁRIO:
tiva;
XXVII – dispor sobre publicidade externa, em espe‑ Concessão é uma espécie de delegação para a exploração de
cial sobre exibição de cartazes, anúncios e quaisquer outros serviços de natureza pública.
meios de publicidade ou propaganda, em logradouros públi‑ A Constituição Federal atribui a propriedade dos recursos
minerais e dos recursos de energia hidráulica à União, em
cos, em locais de acesso público ou destes visíveis. conformidade com o art. 20, incisos VIII e IX. Entretanto,
é competência material comum entre União e DF registrar e
COMENTÁRIO: acompanhar a exploração de recursos hídricos e minerais e
fiscalizá­‑la no território do Distrito Federal.
A competência prevista nesse dispositivo para estatuir sobre
publicidade e propaganda deve ater­‑se ao disposto em lei XII – estabelecer e implantar política de educação para
federal, pois determina a Constituição Federal ser da compe‑ a segurança do trânsito.
tência privativa da União legislar sobre propaganda comer‑
cial (art. 22, XXIX, da CF), sem prejuízo da competência
concorrente e comum entre União e o Distrito Federal para, COMENTÁRIO:
respectivamente, legislarem sobre meio ambiente, protegê­
‑lo e combater a poluição em qualquer de suas formas, inclu‑ O inciso XII em comento estabelece a competência mate‑
sive a visual e sonora. rial, administrativa ou não legislativa do DF, em coo‑
peração técnica e financeira com a União e os Estados­
‑membros. Logo, ao DF é defeso legislar ou exercer a
Seção II competência legislativa sobre trânsito, sob pena de usur‑
Da Competência Comum pação da competência constitucional atribuída de forma
privativa à União (art. 22 da CF).
COMENTÁRIO: Assim, a competência para criação de normas sobre trânsito
pertence somente à União (art. 21, XI, CF). Logo, não pode
Como o DF não é dividido em municípios, tais serviços e a Câmara Legislativa criar leis distritais que modifiquem as
atividades devem ser prestados em comum pela União e pelo regras do Código de Trânsito Brasileiro.
DF. A competência comum está relacionada com a prestação A propósito, a CLDF editou a Lei n. 1.516/1997, que isen‑
tou do exame teórico para a obtenção da CNH (Carteira
de algumas atividades nas áreas de saúde; educação; cul‑
Nacional de Habilitação) aqueles que tenham obtido apro‑
tura; ciência; assistência e proteção às pessoas carentes, aos
vação na disciplina segurança no trânsito. Tal legislação
portadores de deficiências; preservação e proteção do meio
foi declarada inconstitucional pela Suprema Corte, reco‑
ambiente; do patrimônio histórico e cultural, inclusive com o
nhecendo a usurpação de competência do Distrito Federal,
registro e fiscalização de concessões em pesquisa e explora‑
pois é da competência privativa da União legislar sobre
ção de recursos naturais; fomento da produção agropecuária
trânsito ao teor do art. 22, XI, da Constituição Federal.
e abastecimento alimentar.
(ADI n. 2.175­‑1. Decisão publicada no DJ de 3/12/2004).

Art. 16. É competência do Distrito Federal, em comum Seção III


com a União: Da Competência Concorrente
I – zelar pela guarda da Constituição Federal, desta Lei
Orgânica, das leis e das instituições democráticas; Art. 17. Compete ao Distrito Federal, concorrente‑
II – conservar o patrimônio público; mente com a União, legislar sobre:
III – proteger documentos e outros bens de valor his‑
tórico e cultural, monumentos, paisagens naturais notáveis COMENTÁRIO:
e sítios arqueológicos, bem como impedir sua evasão, des‑
Competência concorrente é a capacidade autorizada pela
truição e descaracterização;
Constituição Federal, em seu art. 24, para que, em conjunto,
IV – proteger o meio ambiente e combater a poluição União, Estados e Distrito Federal, possam legiferar sobre
em qualquer de suas formas; determinados assuntos de interesse difuso, restringindo­‑se,
V – preservar a fauna, a flora e o cerrado; contudo, à União a criação de normas gerais e ao DF, normas
específicas para atender as suas necessidades locais.
VI – proporcionar os meios de acesso à cultura, à edu‑ A omissão da União em criar normas gerais não impede, no
cação e à ciência; entanto, que o DF legifere de forma plena sobre esses inte‑
VII – prestar serviços de assistência à saúde da popula‑ resses, utilizando­‑se da denominada competência supletiva.
ção e de proteção e garantia a pessoas portadoras de defici‑ Todavia, havendo normas gerais supervenientes da União,
as normas distritais ficam com a eficácia suspensa no que
ência com a cooperação técnica e financeira da União; as contrariar.

10
D e n i s e V a r g a s
Os assuntos a que se referem os incisos deste artigo podem a Lei n. 4.726, de 13 de julho de 1965, regulamentada pelo
ser tratados pelo Legislativo distrital e pelo Legislativo fede‑ Decreto n. 62.037, de 29 de dezembro de 1967, com o trata‑
ral porque são matérias que atribuem de alguma forma auto‑ mento atribuído, igualmente, pela Lei n. 8.934/1994.
nomia ao DF, como forma de não restringir a possibilidade A JCDF faz parte da estrutura do Ministério do Desenvolvi‑
de se autogerir. mento, Indústria e Comércio Exterior, no âmbito da Secre‑
taria do Desenvolvimento da Produção, e é vinculada ao
I – direito tributário, financeiro, penitenciário, econô‑ Departamento Nacional de Registro do Comércio (DNRC).
A principal finalidade da Junta é a execução dos serviços de
mico e urbanístico;
registro mercantil de empresas e de agentes auxiliares (lei‑
loeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais e admi‑
COMENTÁRIO: nistradores de armazéns­‑gerais).
Interpretação do STF sobre o tema relacionado:
Direito Tributário é o ramo do Direito Público composto por O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI n. 804,
princípios e regras que autorizam os entes federados, inclu‑ suspendeu a eficácia da Lei Distrital n. 314/1992, que criou a
sive o DF, a instituir e arrecadar tributos dos particulares. Junta Comercial do Distrito Federal, por entender relevante
São espécies de tributos: I – Impostos; II – Taxas; III – Con‑ a questão levantada na petição inicial de que a JCDF é subor‑
tribuições de Melhoria; IV – Contribuições Especiais e V – dinada administrativa e tecnicamente ao DNRC – Departa‑
Empréstimos Compulsórios. mento Nacional de Registro de Comércio, órgão federal,
O DF somente poderá legislar sobre determinados tributos, vinculado ao Ministério da Indústria e Comércio. Logo,
quais sejam: impostos de natureza municipal (ISS, IPTU caberia privativamente à União legislar sobre Juntas Comer‑
e ITIV – art. 156 da CF); impostos de natureza estadual ciais no Distrito Federal, o que foi feito pelas Leis Federais
(ICMS, IPVA e ITCMD – art. 155, da CF); taxas e contribui‑ n. 4.726/1965 e 8.934/1994 (Registro Público de Empresas
ções de melhoria (art. 145, II e III); contribuições sociais de Mercantis).
seus servidores públicos (art. 149, §1º, da CF).
Frise­‑se, entretanto, que esse inciso da Lei Orgânica não foi
Direito Financeiro é o ramo do Direito público composto por
questionado de inconstitucionalidade, mas somente a Lei
normas e princípios que regulam a atividade de obtenção de
Distrital n. 314/1992.
receita, sua gestão e orçamentos públicos para custear os
gastos necessários à realização das tarefas do Estado.
IV – custas de serviços forenses;
II – orçamento;
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
A competência aqui atribuída ao DF afigura­‑se inócua,
Orçamentos são leis pelas quais o Poder Legislativo realiza embora não haja ADI versando sobre o tema, pois custas
um planejamento financeiro organizado pelo chefe do Poder de serviços forenses são taxas de serviço jurisdicional devi‑
Executivo e outros órgãos que gozam de independência finan‑ das ao judiciário pela prestação da jurisdição. Entretanto, a
ceira e o autoriza, em um período determinado, a arrecadar organização e manutenção do Tribunal de Justiça do Distrito
receitas criadas por lei e a despender dinheiro público para Federal é atribuição da União. Logo, mostra­‑se lógico que
custear o funcionamento de atividades e serviços públicos. a tabela de custas processuais do TJDFT obedeça à regula‑
mentação federal, conforme Decreto­‑Lei n. 115/1967, que, a
III – junta comercial; seu turno, autoriza, conforme art. 19, que Resolução, anual,
expedida pelo Conselho do TJDFT, a atualize.
COMENTÁRIO: Salvo melhor juízo, portanto, é vedado à Câmara Legisla‑
tiva exercer a competência legislativa sobre custas dos ser‑
viços forenses no DF, pois tais custas processuais possuem,
As sociedades empresárias do DF devem, para praticar ati‑
segundo entendimento do STF, natureza tributária na moda‑
vidades comerciais de forma regular, possuir registro junto à
Junta Comercial do Distrito Federal. lidade de taxa de serviço, e, como tal, deve ser prestado pela
O registro de empresas fica a cargo de dois órgãos distintos: União e por ela instituída.
o DNRC – Departamento Nacional de Registro do Comércio
e as JCs – Juntas Comerciais. V – produção e consumo;
O DNRC é órgão federal que integra a estrutura do Minis‑
tério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e
cuja competência é de normatizar, disciplinar, supervisio‑ COMENTÁRIO:
nar e controlar o registro de empresas efetuado pelas Juntas
Comerciais, no país, conforme Lei Nacional n. 8.934/1994. A competência do DF cinge­‑se, nesse tema, à competência
Às Juntas Comerciais compete realizar o registro de empre‑ supletiva, quando houver norma federal, não podendo vedar
sas conforme as normas legais e do DNRC. Entretanto, o produção ou consumo de produtos e serviços que sejam
DNRC não pode intervir nas Juntas Comerciais dos Esta‑ autorizados por lei federal ou que se relacionem à importa‑
dos, mas somente representar ao Executivo e ao Ministério ção ou exportação, porque nesta hipótese trataria de tema da
Público o desrespeito das Juntas. competência privativa da União (art. 22 da CF).
A Lei Distrital n. 314/1992 criou a Junta Comercial do DF.
Entretanto, tramita no STF a ADI n. 804, que suspendeu a
eficácia dessa lei, até o julgamento do mérito, que ainda não
VI – cerrado, caça, pesca, fauna, conservação da natu‑
ocorreu até a 5ª edição dessa obra. reza, defesa do solo e dos recursos naturais, proteção do
Posteriormente a edição dessa Lei Distrital, fora criada a Lei meio ambiente e controle da poluição;
Federal n. 8.934/1994, que estabelece, no seu art. 6º, que “As
Juntas Comerciais subordinam­‑se administrativamente ao
governo da unidade federativa de sua jurisdição e, tecnica‑ COMENTÁRIO:
mente, ao DNRC, nos termos desta Lei. Parágrafo único. A
Junta Comercial do Distrito Federal é subordinada adminis‑ O meio ambiente é direito difuso, transindividual ou metain‑
trativa e tecnicamente ao DNRC”. dividual de natureza indivisível e que deve ser protegido e
Portanto, à Junta Comercial do Distrito Federal é aplicada defendido por todos os entes políticos.

11
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
VII – proteção do patrimônio histórico, cultural, artís‑ XV – procedimentos em matéria processual;
tico, paisagístico e turístico;
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO: Procedimento, em matéria processual, constitui o modo
como se desenvolve um processo em juízo. No que tange aos
Ressalte­‑se que Brasília foi tombada e inscrita no Livro de procedimentos processuais no Distrito Federal, nos parece
Tombo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 4 de não ser exercitável essa competência pela Câmara Legisla‑
março de 1990, com instituição da Portaria Regulamentadora tiva, já que a organização, manutenção e legislação sobre o
n. 4/1990, alterada pela Portaria n. 314, de 8 de outubro de 1992, Tribunal de Justiça do Distrito Federal é matéria da compe‑
tência exclusiva da União, conforme os arts. 21, XIII c/c o
como Patrimônio Histórico, Cultural e Arquitetônico.
art. 22, XVII, todos da Constituição Federal.
Tombamento é ato administrativo pelo qual bens imóveis e
móveis, que sejam de interesse público, à preservação ambien‑
tal, cultural e histórica, sofrem limitações ao direito do proprie‑
XVI – organização, garantias, direitos e deveres da
tário em construir, usar e modificar bens de sua propriedade. polícia civil.
É possível que o DF se utilize dessa competência para tombar
bens distritais que atendam aos requisitos legais. COMENTÁRIO:
Contudo, diferentemente de Brasília, o restante do DF sofrerá
fiscalização distrital, ao passo que alguns bens do Brasil O inciso XVI em comento, embora reproduza, parcial‑
sofrem fiscalização distrital e federal. Nesse último, a fiscali‑ mente, a Constituição brasileira, afigura­‑nos inconstitucio‑
zação é realizada pelo IPHAN, órgão vinculado ao Ministério nal, eis que o art. 21, inciso XIV, da Constituição Federal,
da Cultura. fixa competência exclusiva da União para manter a polícia
civil do Distrito Federal. Logo, a competência para legislar
sobre sua organização, garantias, direitos e deveres é, logi‑
VIII – responsabilidade por danos ao meio ambiente, camente, incompatível com as atribuições do DF, sob pena
deste ente federativo usurpar competência atribuída, siste‑
ao consumidor e a bens e direitos de valor artístico, estético, maticamente, à União.
histórico, espeleológico, turístico e paisagístico; Nesse sentido, frise­‑se o verbete da Súmula 647 do STF
IX – educação, cultura, ensino e desporto; “COMPETE PRIVATIVAMENTE À UNIÃO LEGISLAR
SOBRE VENCIMENTOS DOS MEMBROS DAS POLÍ‑
CIAS CIVIL E MILITAR DO DISTRITO FEDERAL”.
COMENTÁRIO: O Plenário do STF já se manifestou sobre o tema, conforme
parte da ementa abaixo:
“II. Distrito Federal: polícia civil e militar: organização e
Embora a legislação sobre educação seja da competência
manutenção da União: significado. Ao prescrever a Consti‑
concorrente da União e do DF, é mister observar que é da tuição (art. 21, XIV) que compete à União organizar e manter
competência privativa da União legislar sobre as diretrizes e a polícia do Distrito Federal – apesar do contra­‑senso de
bases da educação nacional, conforme previsão constitucio‑ entregá­‑la depois ao comando do Governador (art. 144, §6º)
nal do art. 22, inciso XXIV, da Magna Carta. – parece não poder a Lei Distrital dispor sobre o essencial
Ademais, não pode o Distrito Federal, a pretexto de legislar do verbo “manter”, que é prescrever quanto custará pagar
sobre educação, estabelecer normas distritais sobre presta‑ os quadros de servidores policiais: desse modo, a liminar do
ções e contratos escolares, pois conforme entendimento da Tribunal de Justiça local, que impõe a equiparação de venci‑
Suprema Corte, no julgamento da ADI n. 1.042, normas de mentos entre policiais – servidores mantidos pela União – e
Direito Civil sobre contratos de prestação de serviços, entre servidores do Distrito Federal parece que, ou impõe a este
particulares, é competência privativa da União, conforme despesa que cabe à União ou, se a imputa a esta, emana de
art. 22, inciso I, da Constituição Federal. autoridade incompetente e, em qualquer hipótese, acarreta
risco de grave lesão à ordem administrativa.” (STF, plenário,
Rel. Min. Sepúlveda Pertence, SS­‑AgR 846, DJU 8/11/1996,
p.43208).
X – previdência social, proteção e defesa da saúde;
XI – assistência jurídica nos termos da legislação em §1º O Distrito Federal, no exercício de sua competên‑
cia suplementar, observará as normas gerais estabelecidas
vigor;
pela União.
XII – proteção e integração social das pessoas porta‑
doras de deficiência; COMENTÁRIO:
XIII – proteção à infância e à juventude;
XIV – manutenção da ordem e segurança internas; Atenção: os termos “competência supletiva” e “competên‑
cia suplementar” não se confundem, pois externam situa‑
ções diversas.
COMENTÁRIO: A competência supletiva refere­‑se à hipótese de haver omis‑
são ou lacuna na legislação federal, nas disciplinas da com‑
A competência concorrente, prevista no art. 24 da CF, nos petência concorrente entre a União e o DF.
afigura como taxativa. Logo, por não existir a concorrên‑ A competência suplementar refere­‑se à atribuição de Estados
cia constitucional entre União e DF sobre a manutenção da e DF complementarem as normas gerais da União, segundo
ordem e segurança internas, o inciso XIV, ora em estudo, Fernanda Dias, nas matérias da competência concorrente. É
nos parece inconstitucional. suplementar a do §1º desse artigo e Supletiva a do §2º.
Atenção: entretanto, para concursos públicos, devemos ficar
atentos para o enunciado ou comando, pois se o enunciado
determinar ao candidato que responda à luz da LODF, essa §2º Inexistindo lei federal sobre normas gerais, o Dis‑
observação que fizemos sobre possível inconstitucionali‑ trito Federal exercerá competência legislativa plena, para
dade deve ser relegada ao esquecimento. atender suas peculiaridades.

12
D e n i s e V a r g a s
COMENTÁRIO: bidade administrativa, objetivando evitar a utilização da
máquina pública para subvencionar atividade partidária que
Esse dispositivo trata da competência supletiva. Assim, res‑ privilegie os atuais detentores de mandatos eletivos.
tando omissa a União em criar as normas gerais sobre as
matérias em questão, o DF exercerá a competência plena, IV – doar bens imóveis de seu patrimônio ou constituir
criando normas gerais e específicas, suprindo, desta feita, a sobre eles ônus real, bem como conceder isenções fiscais ou
omissão legislativa federal.
remissões de dívidas, sem expressa autorização da Câmara
Legislativa, sob pena de nulidade do ato.
§3º A superveniência de lei federal sobre normas gerais
suspende a eficácia de lei local, no que lhe for contrário. COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO: Ônus real é a limitação que restringe a fruição, disposição
sobre um bem, a exemplo da hipoteca, do penhor, da ser‑
No sistema normativo brasileiro, não existe hierarquia entre vidão.
lei federal e Lei Distrital, o que existe é uma divisão de Esse inciso tentou implantar no DF, por semelhança, a regra
tarefas entre elas. Assim, a lei federal se destinará a regu‑ do art. 188, §1º, da CF, que exige da União prévia aprovação
lar matérias de interesse nacional; a distrital, as matérias do Congresso Nacional para a alienação ou cessão de terras
de interesse local e regional. Logo, nos assuntos de compe‑ públicas com área superior a 2.500 hectares, salvo se tais
tência concorrente entre a União e o DF, as normas gerais terras forem destinadas à reforma agrária.
supervenientes da União apenas suspenderão os efeitos das Entretanto, para o caso do DF, não se limitou a área do bem
normas anteriores do DF naquilo que forem contrárias. imóvel. Afigura­‑se, em tese, inconstitucional tal disposição,
pois usurpa a competência do Poder Executivo local de, obe‑
CAPÍTULO IV decidos os requisitos legais, autorizar atos de permissão,
DAS VEDAÇÕES concessão e uso de determinados bens públicos distritais.

Art. 18. É vedado ao Distrito Federal: CAPÍTULO V


I – estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná­ DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
‑los, embaraçar­‑lhes o funcionamento ou manter com eles ou
seus representantes relações de dependência ou aliança, res‑ Seção I
salvada, na forma da lei, a colaboração de interesse público; Das Disposições Gerais

COMENTÁRIO: Art. 19. A administração pública direta, indireta ou


fundacional, de qualquer dos Poderes do Distrito Federal,
Essa vedação encontra assento constitucional no art. 19 da obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade,
CF: “Visa assegurar a liberdade, no âmbito distrital, que moralidade, publicidade, razoabilidade, motivação e inte‑
se configura como direito fundamental de todo individuo:
convicção e crença, pois o Brasil não possui religião oficial,
resse público, e também ao seguinte:
configurando­‑se como um Estado laico.” Não pode, assim,
o DF subverter essa consagração da liberdade de crença, COMENTÁRIO:
mesmo que reflexamente, ou seja, por subvenções, impedi‑
mentos ou alianças com igrejas ou religiões determinadas. Esse artigo deve ser interpretado em conjunto com o art. 37,
A respeito do tema, tramitam no TJDFT algumas ações caput, da CF, reformado em 1998, em virtude da Emenda
de inconstitucionalidade sobre atos distritais que, em tese, Constitucional n. 19. O dispositivo constitucional também
beneficiam determinadas religiões. determina que seja obedecido o princípio da eficiência, que
é norma obrigatória para o Distrito Federal. Logo, verifica-se
II – recusar fé aos documentos públicos; que embora o art. 19, caput, não tenha sido objeto de revoga‑
ção expressa por Emenda à Lei Orgânica, deve-se interpretá-lo
COMENTÁRIO: à luz da supremacia da Constituição Federal. Assim, é mister
que no âmbito local sejam aplicados, os princípios da lega‑
lidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência,
Os documentos subscritos pelo Poder Público de quais‑
razoabilidade, motivação e interesse público.
quer entes políticos (União, Estados, DF e Municípios)
Logo, para memorizarmos, vamos recapitular os princípios
presumem­‑se legítimos.
da Administração Pública no DF:
É vedado ao DF recusar o reconhecimento dessa legitimi‑
• Legalidade;
dade, sem causa justa, quando for subscrito por qualquer
entidade, órgão ou agente da União, dos Estados­‑membros e • Impessoalidade;
dos Municípios, sob pena de desrespeitar a autonomia fede‑ • Moralidade;
rativa dos demais entes. • Publicidade;
• Razoabilidade;
• Interesse Público;
III – subvencionar ou auxiliar, de qualquer modo, com • Motivação.
recursos públicos, quer pela imprensa, rádio, televisão, ser‑
viço de alto­‑falante ou qualquer outro meio de comunica‑
I – os cargos, empregos e funções públicas são acessíveis
ção, propaganda político­‑partidária ou com fins estranhos à
a brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei;
administração pública;

COMENTÁRIO: COMENTÁRIO:

Essa regra tem por finalidade garantir a livre convicção polí‑ Esse inciso deve se ater à nova redação dada pela Emenda
tica, que é direito fundamental previsto na Constituição de Constitucional n. 19/1998 ao art. 37, I, da CF, que determina
1988. Ademais, é verdadeiro instrumento contra a impro‑ serem os cargos, empregos e funções públicas acessíveis aos

13
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei, vertido na doutrina. O Plenário do STF tem entendimento
assim como aos estrangeiros, na forma da lei. ventilado em ADI de que é mera expectativa de direito (ADI
No entanto, tal disposição constitucional é norma de eficácia 2931­‑RJ). Entretanto, a primeira Turma do STF, em 2009,
limitada porque exige, para a sua aplicabilidade, uma atividade pacificou o entendimento de que o candidato classificado
complementar do legislador, ou seja, a criação de uma lei, de dentro do número de vagas previstas em edital tem o direito
iniciativa do Chefe do Executivo, para se identificar em quais líquido e certo à nomeação, logo o ato de convocação que era
hipóteses e sob quais requisitos os estrangeiros farão jus a esse discricionário, passa a ser vinculado às regras do edital (RE
direito. A lei em questão deve ser local, pois, conforme enten‑ 227.480). A Lei Distrital 3.964/2007 estabelecia o direito
dimento esposado por Celso Antônio Bandeira de Mello, com‑ adquirido à nomeação dos candidatos aprovados dentro das
pete a cada ente político legiferar sobre a acessibilidade aos seus vagas. Entretanto, nos autos da ADI 2007.00.2.010211­‑ 4, o
cargos públicos, atendidos aos comandos constitucionais. Conselho Especial do TJDFT a declarou inconstitucional
É importante, quanto a esse assunto, saber a definição de por vício formal de iniciativa do projeto.
cargo, emprego e funções. Assim, cargos são estruturas loca‑
lizadas na Administração Pública, criados por lei, com um V – as funções de confiança, exercidas exclusivamente
conjunto de atribuições próprias para o atendimento das ati‑ por servidores ocupantes de cargo efetivo, e pelo menos cin‑
vidades públicas e a serem ocupados por quem preencha os quenta por cento dos cargos em comissão, a serem preen‑
requisitos legais. chidos por servidores de carreira nos casos e condições pre‑
Empregos são estruturas criadas por lei para serem preenchi‑ vistos em lei, destinam­‑se apenas às atribuições de direção,
das por agentes públicos que exerçam tarefa pública, mas sob
o regime celetista (Consolidação das Leis Trabalhistas).
chefia e assessoramento; (Inciso com a redação da Emenda
Funções são atividades públicas exercidas em um cargo à Lei Orgânica n. 50, de 2007)9
ou fora dele, por um agente público. Logo, verifica­‑se que
embora o art. 19, I, não tenha sido objeto de revogação COMENTÁRIO:
expressa por Emenda à Lei Orgânica, deve­‑se interpretá­‑lo à
luz da supremacia da Constituição Federal. Assim, é mister Esse inciso estabelece que as funções de confiança devem
que no âmbito local a acessibilidade aos cargos, empregos ser exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de
e funções públicas sejam a brasileiros que preencham os cargos de provimento efetivo. Entretanto, os cargos em
requisitos estabelecidos em lei; “assim como aos estrangei‑ comissão, ou de livre nomeação ou exoneração, devem ser
ros na forma da lei”. preenchidos, no mínimo, por 50% de servidores ocupan‑
tes de cargo efetivo. Essa redação inspirou­‑se na reforma
empreendida na Constituição brasileira (art. 37, V, com reda‑
II – a investidura em cargo ou emprego público depende ção atribuída pela Emenda Constitucional n. 19/1998) e foi
de aprovação prévia em concurso público de provas ou de empreendida por conta de ADI que tramitou no STF, ques‑
provas e títulos, ressalvadas as nomeações para cargos em tionando a redação anterior à ELODF n. 50/2006.
comissão, declarados em lei, de livre nomeação e exoneração;
VI – é vedada a estipulação de limite máximo de
COMENTÁRIO: idade para ingresso, por concurso público, na administra‑
ção direta, indireta ou fundacional, respeitando­‑se apenas o
Investidura é a relação jurídica entre a Administração limite para aposentadoria compulsória e os requisitos esta‑
Pública e o seu agente, constituída a partir da posse que, belecidos nesta Lei Orgânica ou em lei específica; (Inciso
por seu turno, é a aceitação das atribuições legais atinen‑ declarado inconstitucional: ADI n. 1165 – STF, Diário de
tes ao cargo ou emprego público pelo agente aprovado em
concurso de provas ou provas e títulos, ou livremente indi‑
Justiça de 14.06.2002)
cado, nos casos ressalvados por lei. A investidura por con‑
curso só é exigível para cargos e empregos, exceto quando COMENTÁRIO:
os cargos forem comissionados ou quando empregados
temporários (excepcional interesse público). Por conta da O inciso VI foi declarado inconstitucional pelo STF,
reforma constitucional empreendida pela Emenda Consti‑ nos autos da ADI n. 1.165, que entendeu ter ocorrido
tucional n. 19, de 1998, o dispositivo da lei orgânica em vício formal de iniciativa, já que, por conta dos arts. 37,
questão encontra­‑se desatualizado, já que, expressamente, I, e 61, §1º, II, c, da Constituição Federal, que é norma
o art. 37, II, da CF estabelece, in verbis: de reprodução obrigatória pelos Estados e DF, a matéria
II – a investidura em cargo ou emprego público depende de relacionada ao Regime Jurídico e provimento de cargos de
aprovação prévia em concurso público de provas e títulos, servidores públicos é de competência do Chefe do Executivo
de acordo com a natureza e a complexidade do cargo ou (ADI n. 1.165, Relator Nelson Jobim, DJ 14.06.2002, p. 126).
emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nome‑ Portanto, o inciso em tela não tem aplicabilidade.
ações para cargos em comissão declarado em lei de livre
nomeação e exoneração. VII – a lei reservará percentual de cargos e empregos
públicos para portadores de deficiência, garantindo as adap‑
tações necessárias a sua participação em concursos públi‑
III – o prazo de validade do concurso público será de cos, bem como definirá critérios de sua admissão;
até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período;
IV – durante o prazo improrrogável previsto no edital de 9 Texto original: V – os cargos em comissão e as funções de confiança serão exer‑
cidos preferencialmente por servidores ocupantes de cargo de carreira técnica ou
convocação, o aprovado em concurso público de provas ou de profissional, nos casos e condições previstos em lei;
provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos Texto alterado: V – no mínimo cinquenta por cento dos cargos em comissão e
concursados, para assumir cargo ou emprego na carreira; cinquenta por cento das funções de confiança serão exercidos por servidores
ocupantes de cargo de carreira técnica ou profissional. (Inciso com a redação da
Emenda à Lei Orgânica n. 26, de 1998. Ver ADI n. 1981 – STF, Diário de Justiça
COMENTÁRIO: de 5.11.1999)
Texto alterado: V – os cargos em comissão e as funções de confiança serão exer‑
cidos preferencialmente por servidores ocupantes de cargo de carreira técnica ou
Questão interessante acerca da convocação dos aprovados profissional, nos casos e condições previstos em lei; (Inciso com a redação da
dentro do prazo é sobre a natureza do direito do candidato: Emenda à Lei Orgânica n. 29, de 1999. Ver ADI n. 1981 – STF, Diário de Justiça
direito adquirido ou expectativa de direito. O tema é contro‑ de 5.11.1999)

14
D e n i s e V a r g a s
VIII  – a lei estabelecerá os casos de contratação de §11. Não serão computados, para efeito dos limites remu‑
pessoal por tempo determinado para atender a necessidade neratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as
parcelas de caráter indenizatório previstas em lei.
temporária de excepcional interesse público; §12. Para os fins do disposto no inciso XI do caput deste
IX – a revisão geral de remuneração dos servidores artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Federal fixar,
públicos far­‑se­‑á sempre na mesma data; em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Constitui‑
ções e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal
dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça,
COMENTÁRIO:
limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por
cento do subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribu‑
A Emenda Constitucional n. 19/1998 modificou expressa‑ nal Federal, não se aplicando o disposto neste parágrafo aos
mente o art. 37, X, da CF, que é norma obrigatória ao DF, subsídios dos Deputados Estaduais e Distritais e dos Vere‑
in verbis: “a remuneração dos servidores públicos e o sub‑ adores.
sídio de que trata o §4º do art. 39 da Constituição Federal
Logo, por autorização constitucional superveniente,
somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica,
a Lei Orgânica sofreu modificação nesse inciso, por
observada a iniciativa privativa em cada caso, assegurada
conta da ELODF n. 46, de 2006, para se implantar o teto
revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção
remuneratório único, que será de 90,25% dos sub‑
de índices”.
sídios pagos aos Desembargadores do Tribunal de Jus‑
A emenda em tela acrescentou o princípio da periodicidade
tiça, ressalvados os Deputados que têm regra própria –
no sistema remuneratório do serviço público, pois garantiu
no máximo 75% dos subsídios pagos aos Deputados Fede‑
aos servidores públicos, ao menos, uma revisão geral anual
rais.
sem distinção de índices que visam primordialmente recom‑
Frise­‑se que foram modificadas, igualmente, as redações dos
por as perdas remuneratórias decorrentes do sistema infla‑
§§4º e 5º desse art. 19, para excluir da contabilização desse
cionário.
teto remuneratório as parcelas de caráter indenizatório.
Ambas as regras aplicam­‑se às empresas públicas e às socie‑
X  – para fins do disposto no art. 37, XI, da Consti‑ dades de economia mista, e suas subsidiárias, que receberem
tuição da República Federativa do Brasil, fica estabelecido recursos do Distrito Federal para pagamento de despesas de
pessoal ou de custeio em geral.
que a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos,
funções e empregos públicos, dos membros de qualquer dos
Poderes e dos demais agentes políticos do Distrito Federal, XI – os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo
bem como os proventos de aposentadorias e pensões, não não poderão ser superiores aos pagos pelo Poder Executivo;
poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Desem‑
bargadores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Ter‑ COMENTÁRIO:
ritórios, na forma da lei, não se aplicando o disposto neste
inciso aos subsídios dos Deputados Distritais; (Inciso com a A Constituição Federal, em seu art. 37, inciso XII, estabe‑
lece que os vencimentos dos cargos do Poder Legislativo
redação da Emenda à Lei Orgânica n. 46, de 2006)10 não poderão ser superiores aos pagos pelos Poderes Execu‑
tivo e Judiciário. Como no Distrito Federal, o Judiciário é
COMENTÁRIO: organizado e mantido pela União, esse dispositivo orgânico
em tela nada mencionou, corretamente, sobre o Judiciário.
Conforme o art. 37, XI, da CF, com a redação determinada Essa vedação é o princípio constitucional da paridade de
pela Emenda Constitucional n. 19, de 1998: vencimentos.
A remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções
e empregos públicos da administração direta, autárquica XII – é vedada a vinculação ou equiparação de venci‑
e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da mentos para efeito de remuneração de pessoal do serviço
União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos
detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políti‑ público, ressalvado o disposto no inciso anterior e no artigo
cos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, 39, §1º, da Constituição Federal;
percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens
pessoais ou de qualquer natureza, não poderão exceder o
subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tri‑
COMENTÁRIO:
bunal Federal, aplicando­‑se como limite, nos Municípios, o
subsídio do Prefeito, e nos Estados e Distrito Federal, o sub‑ Não obstante a paridade de vencimentos estabelecida no
sídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, inciso anterior, o atual veda a vinculação ou equiparação
o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito para efeito de remuneração de pessoal. No entanto, a reda‑
do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do ção desse dispositivo reproduz a do inciso XIII, art. 37 da
Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e CF, antes da reforma administrativa encetada pela Emenda
cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, Constitucional n. 19/1998, que determinou in verbis: “XIII
dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito – é vedada a vinculação ou equiparação de quaisquer espé‑
do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do cies remuneratórias para o efeito de remuneração de pessoal
Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores do serviço público”. Logo, foi excluída a antiga exceção. O
Públicos. que se proíbe é a equiparação entre vinculação e carreiras
Frise­‑se que, com o advento da Emenda Constitucional n. 47, diversas.
de julho de 2005, foram acrescidos ao art. 37 da Constituição
os seguintes parágrafos: XIII – os acréscimos pecuniários percebidos por ser‑
10 Texto original: X – a lei fixará o limite máximo e a relação de valores entre a vidores públicos não serão computados nem acumulados,
maior e menor remuneração dos servidores públicos do Distrito Federal, obser‑
vados como limites máximos, no âmbito dos Poderes Legislativo e Executivo, os
para fins de concessão de acréscimos ulteriores, sob o
valores percebidos como remuneração, em espécie, a qualquer título, por Depu‑ mesmo título ou idêntico fundamento;
tados Distritais e Secretários de Estado;

15
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
COMENTÁRIO: ção possui supremacia sobre as normas infraconstitucionais
e sobre o poder constituinte derivado decorrente do Distrito
A Emenda Constitucional n. 19/1998 alterou o art. 37, XIV, Federal.
da CF, que passou a ter a seguinte redação: “os acréscimos
pecuniários percebidos por servidor público não serão com‑ XVI – a proibição de acumular, a que se refere o inciso
putados nem acumulados para fins de concessão de acrésci‑ anterior, estende­‑se a empregos e funções e abrange autar‑
mos ulteriores”. quias, empresas públicas, sociedades de economia mista e
Essa regra é denominada de vedação ao efeito repicão, pois
uma determinada vantagem remuneratória concedida é
fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público;
repetidamente contabilizada sobre as ulteriores vantagens.
Essa vedação, de matriz constitucional, é aplicável à remu‑ COMENTÁRIO:
neração e aos proventos.
A emenda constitucional em comento não alterou substan‑ A Emenda Constitucional n. 19/1998 modificou expressa‑
cialmente o regime do efeito repicão, mas modificou a reda‑ mente o art. 37, XVII, da CF, que é norma obrigatória ao
ção por uma questão formal, para deixá­‑lo mais inteligível. DF, in verbis: “a proibição de acumular estende­‑se a empre‑
gos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas
XIV  – os vencimentos dos servidores públicos são públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e
sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder
irredutíveis e a remuneração observará o que dispõem os público”. Como se trata de norma constitucional obrigatória
incisos X e XI deste artigo, bem como os arts. 150, II, 153, ao Distrito Federal, deve­‑se entender que, na prática, essa
III, e 153, §2º, I, da Constituição Federal; proibição é extensiva às subsidiárias e sociedades contro‑
ladas, direta ou indiretamente, pelo poder público distrital.
COMENTÁRIO:
XVII – a administração fazendária e seus agentes fis‑
A Emenda Constitucional n. 19/1998 modificou parcial‑ cais, aos quais compete exercer privativamente a fiscaliza‑
mente o regime das regras desse dispositivo da LODF em ção de tributos do Distrito Federal, terão, em suas áreas de
face da reforma expressa realizada pelo art. 37, XV, da CF, competência e jurisdição, precedência sobre os demais seto‑
que é norma de reprodução obrigatória pelo DF, in verbis:
“o subsídio e os vencimentos dos ocupantes de cargos e
res administrativos, na forma da lei;
empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o disposto XVIII – a criação, transformação, fusão, cisão, incor‑
nos incisos XI e XIV do art. 37, 39, §4º, 150, II, 153, III poração, privatização ou extinção de sociedades de eco‑
e 153, §2º, I, todos da Constituição Federal”. Houve essa nomia mista, autarquias, fundações e empresas públicas
reformulação para expressamente alcançar os subsídios depende de lei específica;
que são remunerações pagas aos agentes políticos e para
servidores organizados em carreira. Na redação originá‑
ria da Carta Magna, não havia essa espécie remuneratória COMENTÁRIO:
paga aos agentes políticos e servidores organizada em car‑
reira – subsídio. A Emenda Constitucional n. 19/1998 reformou, implicita‑
mente, o regime desse dispositivo da LODF, pois modificou
expressamente o art. 37, XIX, da CF, que é norma obriga‑
XV – é vedada a acumulação remunerada de cargos tória ao DF, in verbis: “somente por lei específica poderá
públicos, exceto quando houver compatibilidade de horários: ser criada autarquia e autorizada a instituição de empresa
a) a de dois cargos de professor; pública, de sociedade de economia mista e de fundação,
b) a de um cargo de professor com outro técnico ou cabendo à lei complementar, neste último caso, definir as
áreas de sua atuação”.
científico;
c) a de dois cargos privativos de médico.
XIX – depende de autorização legislativa, em cada
caso, a criação de subsidiárias das entidades mencionadas
COMENTÁRIO:
no inciso anterior, assim como a participação de qualquer
Esse dispositivo era reprodução do inciso XVI do art. 37 da delas em empresa privada;
CF. Entretanto, a CF sofreu alteração pela Emenda Constitu‑ XX – ressalvada a legislação federal aplicável, ao ser‑
cional n. 19/1998, que estendeu a acumulação a dois cargos vidor público do Distrito Federal é proibido substituir, sob
ou empregos privados de profissionais de saúde, com profis‑
qualquer pretexto, trabalhadores de empresas privadas em
sões regulamentadas e não só aos médicos.
Ora, como o caput do art. 37 da CF determina que: greve;
A Administração Pública direta e indireta de qualquer dos XXI – todo agente público, qualquer que seja sua cate‑
poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos goria ou a natureza do cargo, emprego, função, é obrigado a
Municípios obedecerá aos princípios da legalidade, impes‑ declarar seus bens na posse, exoneração ou aposentadoria;
soalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também,
ao seguinte:
[...] XVI – é vedada a acumulação remunerada de cargos COMENTÁRIO:
públicos, exceto quando houver compatibilidade de horá‑
rios, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI SOBRE A DECLARAÇÃO PÚBLICA DE BENS: a LODF,
(teto remuneratório): nesse dispositivo, determina o dever de todo agente público
a) a de dois cargos de professor; do DF fazer declaração de seus bens na posse, exoneração ou
b) a de um cargo de professor com outro, técnico ou cien‑ aposentadoria. Mas, há outros, que além desse dever, tem o
tífico; de fazer declaração pública de bens a cada ano:
c) a de dois cargos ou empregos privados de profissionais de • Governador;
saúde, com profissões regulamentadas. • Vice­‑ Governador;
Logo, a norma em comento encontra­‑se, parcialmente, revo‑ • Secretários de Estado;
gada, de forma implícita, pela redação da Emenda Constitu‑ • Diretor de Empresa Pública, Sociedade de Economia
cional n. 19/1998 da Constituição Federal, já que a Constitui‑ Mista e Fundações;

16
D e n i s e V a r g a s
• Administradores Regionais; §5º O disposto no inciso X aplica­‑se às empresas públi‑
• Procurador­‑ Geral do Distrito Federal;
cas e às sociedades de economia mista, e suas subsidiárias,
• Conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito
Federal; que receberem recursos do Distrito Federal para pagamento
• Deputados Distritais. de despesas de pessoal ou de custeio em geral. (Parágrafo
acrescido pela Emenda à Lei Orgânica n. 46, de 2006)
XXII – lei disporá sobre cargos que exijam exame psi‑ §6º Do percentual definido no inciso V deste artigo
cotécnico para ingresso e acompanhamento psicológico excluem­‑se os cargos em comissão dos gabinetes parla‑
para progressão funcional; mentares e lideranças partidárias da Câmara Legislativa do
COMENTÁRIO: Distrito Federal. (Parágrafo acrescido pela Emenda à Lei
Orgânica n. 50, de 2007)
A exigência de submissão ao exame psicotécnico deve estar § 7º Para a privatização ou extinção de empresa pública
contida em lei, pois conforme o verbete da Súmula n. 686 ou sociedade de economia mista, a que se refere o inciso
do STF: “só por lei se pode sujeitar a exame psicotécnico a XVIII deste artigo, a lei específica dependerá de aprovação
habilitação de candidato a cargo público”.
por dois terços dos membros da Câmara Legislativa. (para‑
XXIII – aos integrantes da carreira Fiscalização e Ins‑ gráfo adicionado pela Emenda à Lei Orgânica nº 59, de
peção é garantida a independência funcional no exercício 2010, publicada no DODF de 11 de janeiro de 2011).
de suas atribuições, exigido nível superior de escolaridade Art. 20. As pessoas jurídicas de direito público e as de
para ingresso na carreira. (Inciso acrescido pela Emenda à direito privado, prestadoras de serviços públicos, responde‑
Lei Orgânica n. 21, de 1997) rão pelos danos que seus agentes, nesta qualidade, causa‑
§1º É direito do agente público, entre outros, o acesso rem a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o
à profissionalização e ao treinamento como estímulo à pro‑ responsável nos casos de dolo ou culpa.
dutividade e à eficiência.
§2º A lei estabelecerá a punição do servidor público COMENTÁRIO:
que descumprir os preceitos estabelecidos neste artigo.
§3º São obrigados a fazer declaração pública anual de Esse dispositivo traz à baila a responsabilidade extracontra‑
seus bens, sem prejuízo do disposto no art. 97, os seguintes tual do poder público, independentemente de culpa – respon‑
sabilidade objetiva –, conforme o art. 37, §6º, da CF.
agentes públicos: (Parágrafo acrescido pela Emenda à Lei A norma em análise trata da responsabilidade extracontra‑
Orgânica n. 4, de 1996) tual do poder público e das prestadoras de serviço público
I – Governador; delegado. Nesse dispositivo, estão compreendidas duas
II – Vice­‑ Governador; regras diversas, como assevera Di Pietro (2009, p. 623), em
comentário à norma idêntica da Constituição Federal: a da
III – Secretários de Estado; (Inciso com a redação da responsabilidade objetiva do Estado e a da responsabilidade
Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005)11 subjetiva do funcionário. Nesta, o agente que causa o dano
IV – Diretor de Empresa Pública, Sociedade de Econo‑ poderá ser demandado, desde que fique comprovado de sua
mia Mista e Fundações; parte dolo ou culpa.
V – Administradores Regionais; A responsabilidade objetiva do Estado exige que se trate de
ato que cause prejuízo ao particular praticado por agente de
VI – Procurador­‑ Geral do Distrito Federal; pessoa jurídica de direito público ou de direito privado pres‑
VII – Conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito tadora do serviço público, excluídas, portanto, as explora‑
Federal; doras da atividade econômica. Excluem essa responsabili‑
VIII – Deputados Distritais. dade objetiva, no entanto, a força maior e a culpa exclusiva
da vítima. Entende­‑se por força maior o fato imprevisível,
inevitável e estranho à vontade das partes, a exemplo dos
COMENTÁRIO: eventos da natureza. Se o dano decorreu de culpa exclusiva
da vítima, está excluída, igualmente, a responsabilidade do
O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) entende Estado. Agora, se a culpa for concorrente entre vítima e o
não ser obrigado a cumprir tal dispositivo, conforme deci‑
poder público, há uma atenuação em sua responsabilidade,
sões administrativas 8/2001 e 34/1996, publicadas no Diário
repartindo­‑a com a da vítima.
da Câmara Legislativa do Distrito Federal em 23.04.2001.
Tema polêmico é o pertinente à responsabilidade no caso de
Entretanto, tal resistência do TCDF não se mostra, salvo
força maior, quando o poder público for omisso. Tomemos
melhor juízo, legal, pois, embora não tenha tido ADI junto
por empréstimo o exemplo narrado por Di Pietro, em que
ao STF sobre o tema, cumpre destacar que o art. 60, XXIX,
atribui à Câmara Legislativa a competência para apreciar chuvas provocam enchentes na cidade, inundando casas e
e julgar, anualmente, as contas do Tribunal de Contas do destruindo objetos. Nesse caso, se ficar demonstrada que a
Distrito Federal. Isso não fere a independência funcional prestação de serviços de limpeza de bueiros e rios teria sido
dessa Corte, porquanto sobre o julgamento dessas contas, suficiente para impedir a enchente, o Poder Público será res‑
o STF já se manifestou pela constitucionalidade, conforme ponsabilizado, mas sua responsabilidade será subjetiva, ou
decisão proferida na ADI n. 1.175, Rel. Carlos Velloso, DJ seja, será necessária a comprovação do dolo ou culpa.
18.08.2004.
Art. 21. É vedado discriminar ou prejudicar qualquer
§4º Para efeito do limite remuneratório de que trata pessoa pelo fato de haver litigado ou estar litigando contra
o inciso X, não serão computadas as parcelas de caráter os órgãos públicos do Distrito Federal, nas esferas adminis‑
indenizatório previstas em lei. (Parágrafo acrescido pela trativa ou judicial.
Emenda à Lei Orgânica n. 46, de 2006) Parágrafo único. As pessoas físicas ou jurídicas que
11 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de
se considerarem prejudicadas poderão requerer revisão dos
Governo” por “Secretários de Estado”. atos que derem causa a eventuais prejuízos.

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L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
COMENTÁRIO: V – a publicidade dos atos, programas, obras, serviços
e as campanhas dos órgãos e entidades da administração
Diante da forma de governo adotada pelo Brasil e do seu pública, ainda que não custeada diretamente pelo erário,
regime político (CF, art. 1º, caput), as informações de inte‑
resse público não podem ser sigilosas, salvo quando impres‑
obedecerá ao seguinte:
cindíveis à segurança do Estado e da sociedade (CF, art. 5º, a) ter caráter educativo, informativo ou de orienta‑
XXXIII). ção social, dela não podendo constar símbolos, expressões,
De acordo com o art. 5º, inciso XXXIII, da Constituição nomes ou imagens que caracterizem promoção pessoal de
Federal:
autoridades ou servidores públicos;
todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações
de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, b) ser suspensa noventa dias antes das eleições, ressal‑
que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsa‑ vadas aquelas essenciais ao interesse público.
bilidade, ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindí‑ §1º Os Poderes do Distrito Federal, com base no plano
vel à segurança da sociedade e do Estado. anual de publicidade, ficam obrigados a publicar, nos seus
Embora não haja ADI contra o dispositivo da LODF em
comento, ele nos parece inconstitucional, pois não é qualquer órgãos oficiais, quadros demonstrativos de despesas reali‑
interesse público ou administrativo que enseja a alegação de zadas com publicidade e propaganda, conforme dispuser a
sigilo, que é de natureza excepcional na forma republicana e lei.
no regime democrático. Mas, enquanto não declarada a sua §2º Os Poderes do Distrito Federal mandarão publicar,
inconstitucionalidade, continua a produzir efeitos.
trimestralmente, no Diário Oficial demonstrativo das des‑
pesas realizadas com propaganda e publicidade de todos os
Art. 22. Os atos da administração pública de qualquer
seus órgãos, inclusive os da administração indireta, empre‑
dos Poderes do Distrito Federal, além de obedecer aos prin‑
sas públicas, sociedades de economia mista e fundações
cípios constitucionais aplicados à administração pública,
mantidas pelo Poder Público, com a discriminação do bene‑
devem observar também o seguinte:
ficiário, valor e finalidade, conforme dispuser a lei.
I – os atos administrativos são públicos, salvo quando
a lei, no interesse da administração, impuser sigilo;
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO: Dispõe o art. 37, §1º, da CF: “A publicidade dos atos, pro‑
gramas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos
A CF (art. 5º, XXXIII) assegura a publicidade como regra, deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação
quanto aos atos do poder público, exceto quando a informa‑ social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou ima‑
ção for imprescindível à segurança do Estado e da sociedade. gens que caracterizem promoção pessoal de autoridades
ou servidores públicos”. Essa regra é decorrência do prin‑
II – a administração é obrigada a fornecer certidão ou cípio republicano, pois os administradores e governantes
cópia autenticada de atos, contratos e convênios adminis‑ não alcançam o poder para gerir interesses próprios, mas da
coletividade. Logo, devem agir de forma impessoal no exer‑
trativos a qualquer interessado, no prazo máximo de trinta
cício de suas atribuições.
dias, sob pena de responsabilidade de autoridade compe‑
tente ou servidor que negar ou retardar a expedição;
III – é garantida a gratuidade da expedição da primeira
Art. 23. A administração pública é obrigada a:
via da cédula de identidade pessoal; (Inciso com a redação
I – atender a requisições judiciais nos prazos fixados
da Emenda à Lei Orgânica n. 19, de 1997)12 pela autoridade judiciária;
IV – no processo administrativo, qualquer que seja o II – fornecer a qualquer cidadão, no prazo máximo de
objeto ou procedimento, observar­‑se­‑ão, entre outros requi‑ dez dias úteis, independentemente de pagamento de taxas
sitos de validade, o contraditório, a ampla defesa e o despa‑ ou emolumentos, certidão de atos, contratos, decisões ou
cho ou decisão motivados; pareceres, para defesa de seus direitos e esclarecimento de
situações de interesse pessoal ou coletivo.
COMENTÁRIO:

Esse inciso reproduz a ideia dos princípios do contraditório COMENTÁRIO:


e da ampla defesa, insculpidos como direitos fundamentais
pela CF, em seu art. 5º, inciso LV: “aos litigantes, em pro‑ A gratuidade no fornecimento de certidões para a defesa
cesso judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são de direitos encontra­‑se prevista como direito fundamen‑
assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e tal no art. 5º, XXIV, b, da CF: “São a todos assegura‑
recursos a ela inerentes”. dos, independentemente do pagamento de taxas: [...] b)
Acaso desrespeitados tais princípios, o ato administrativo a obtenção de certidões em repartições públicas, para
será inválido por nulidade. defesa de direitos e esclarecimentos de situações pes‑
Igualmente, o inciso prestigia o princípio da motivação dos soais”.
atos administrativos defendido pela doutrina administrati‑ A Lei Federal n. 9.051/1995 dispõe sobre a expedição
vista nacional, que dispõe sobre a necessária explicitação de certidões para a defesa de direitos e esclarecimento
dos fundamentos legais e fáticos da decisão tomada pelo de situações e estabelece a obrigatoriedade de o Poder
administrador público, como forma de se impedir a arbitra‑ Público fornecê­‑las no prazo máximo de 15 dias, a
riedade e o abuso de poder. contar do registro do pedido no órgão expedidor.
Tais atos relacionam­‑se com o exercício de direitos de
cidadania, cuja competência para legislar é privativa da
12 Texto original: III – é garantida a gratuidade da expedição da cédula de identi‑ União, conforme art. 22, XIII, da CF.
dade pessoal;

18
D e n i s e V a r g a s
Até o presente estudo, não havia ADI no STF questio‑ titucional, compete privativamente à União legislar sobre
nando a usurpação de competência pelo DF, ao legis‑ normas gerais de licitação. Logo, não se afasta, no caso, a
lar sobre tais assuntos. Portanto, enquanto não sobre‑ competência suplementar do Distrito Federal sobre o tema,
vier decisão sobre o tema, continua em vigor a presente podendo, assim, editar normas específicas que estejam com‑
regra. patíveis com as diretrizes das normas gerais federais.
Contra a recusa ao fornecimento de certidões, depen‑
dendo da hipótese, caberá mandado de segurança.
Art. 27. Os atos de improbidade administrativa impor‑
Parágrafo único. A autoridade ou servidor que negar tarão suspensão dos direitos políticos, perda da função
ou retardar o disposto neste artigo incorrerá em pena de res‑ pública, indisponibilidade dos bens e ressarcimento ao
ponsabilidade, excetuados os casos de comprovada impos‑ erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo
da ação penal cabível.
sibilidade.

COMENTÁRIO: COMENTÁRIO:

Ao servidor público é proibido opor resistência injustificada Trata­‑se da Lei Federal n. 8.429/1992, que dispõe sobre as
ao andamento de documento e processo ou execução de ser‑ sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enri‑
viço, segundo o art. 117 da Lei Federal n. 8.112/1990, que é quecimento ilícito no exercício do mandato, cargo, emprego
aplicável ao DF, ficando sujeito às sanções civis, disciplina‑
ou função na Administração Pública direta, indireta ou
res e, conforme o caso, penais.
fundacional; de atos que causem prejuízo ao erário e os
que importem em violação aos princípios constitucionais
Art. 24. A direção superior das empresas públicas, da Administração Pública, cujas sanções, em cada caso,
autarquias, fundações e sociedades de economia mista terá poderão ser: perda da função pública, suspensão dos direi‑
tos políticos entre três e dez anos, indenização ao erário e
representantes dos servidores, escolhidos do quadro funcio‑
indisponibilidade dos bens, sem prejuízo de ser, igualmente,
nal, para exercer funções definidas, na forma da lei. responsabilizado na esfera criminal.

COMENTÁRIO:
Art. 28. É vedada a contratação de obras e serviços
O Distrito Federal, pessoa jurídica de direito público, no públicos sem prévia aprovação do respectivo projeto, sob
exercício de sua autonomia conferida pela Constituição pena de nulidade do ato de contratação.
Federal e pela LODF, poderá descentralizar algumas ativida‑
des públicas, para melhor atender às necessidades adminis‑
trativas. Para isso, criam­‑se, no DF, por lei, pessoas jurídi‑
COMENTÁRIO:
cas que comporão a Administração Pública descentralizada
ou indireta pelas empresas públicas, autarquias, fundações A inexistência do projeto prévio às contratações de obras e
e sociedades de economia mista. Entretanto, algumas delas serviços pela Administração Pública distrital exige a inva‑
(Sociedades de Economia Mista e Empresas Públicas) ficam lidação desses negócios jurídicos, que pode tanto ser feito
sujeitas ao regramento do direito privado. judicialmente quanto pela própria Administração, mediante
Esse artigo mostra­‑se, inicialmente, como inconstitucional, anulação, decorrência do poder de autotutela administrativa.
por violação à autonomia administrativa dessas sociedades
e empresas.
É necessário acompanhar o andamento da ADI n. 1.167­‑7, Art. 29. A lei garantirá, em igualdade de condições,
Rel. Celso de Mello, que tramita no Supremo Tribunal Fede‑ tratamento preferencial à empresa brasileira de capital
ral sobre a inconstitucionalidade desse artigo. Até o presente
estudo, o STF não havia proferido nenhuma decisão cautelar
nacional, na aquisição de bens e serviços pela adminis‑
ou de mérito sobre o tema. tração direta e indireta, inclusive fundações instituídas ou
mantidas pelo poder público.
Seção II
COMENTÁRIO:
Dos Serviços Públicos
O artigo em questão foi revogado pela Emenda Constitucio‑
Art. 25. Os serviços públicos constituem dever do Dis‑ nal n. 6/1995, que alterou a redação original do art. 170, IX,
trito Federal e serão prestados, sem distinção de qualquer da CF, passando a ter o seguinte texto: “tratamento favore‑
cido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as
natureza, em conformidade com o estabelecido na Consti‑ leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no
tuição Federal, nesta Lei Orgânica e nas leis e regulamentos País”. E, igualmente, a revogação do art. 171 da CF, que auto‑
que organizem sua prestação. rizava o tratamento favorecido à empresa brasileira de capital
nacional.
Art. 26. Observada a legislação federal, as obras, com‑
A Emenda Constitucional n. 19/1998 tornou inaplicável esse
pras, alienações e serviços da administração serão contra‑ dispositivo da LODF, pois o art. 171 da CF passou a vigorar
tados mediante processo de licitação pública, nos termos com a seguinte redação: “o tratamento diferenciado só pode
da lei. ser hoje concedido para empresas de pequeno porte consti‑
tuídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e admi‑
nistração no País”.
COMENTÁRIO:
Art. 30. Lei disporá sobre participação popular na fis‑
O art. 26 é reprodução parcial do art. 37, XXI, da CF.
calização da prestação dos serviços públicos do Distrito
A competência para legislar sobre licitações encontra previ‑
são no art. 22, XXIII, da CF. Conforme esse preceito cons‑ Federal.

19
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
COMENTÁRIO: Art. 34. A lei assegurará aos servidores da adminis‑
tração direta isonomia de vencimentos para cargos de atri‑
A Norma Orgânica, em caso, é consectário do regime
democrático e do princípio republicano insculpidos no art.
buições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder ou entre
1º, caput, da Constituição Federal, bem como da soberania servidores dos Poderes Executivo e Legislativo, ressalvadas
popular, inscrita no parágrafo único da lei fundamental bra‑ as vantagens de caráter individual e as relativas a natureza
sileira. ou local de trabalho.

COMENTÁRIO:
Seção III
Da Administração Tributária Veja­‑se o art. 39, §1º, da CF:
A fixação de padrões de vencimentos e dos demais componen‑
Art. 31. À administração tributária incumbem as fun‑ tes do sistema remuneratório observará:
I – a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade
ções de lançamento, fiscalização e arrecadação dos tributos
dos cargos componentes de cada carreira;
de competência do Distrito Federal e o julgamento admi‑ II – os requisitos para a investidura;
nistrativo dos processos fiscais, os quais serão exercidos, III – as peculiaridades dos cargos
privativamente, por integrantes da carreira de auditoria tri‑ No entanto, é mister recordar que é vedada a equiparação,
butária. conforme o inciso XIII, do art. 37, da CF, ou a vinculação
§1º O julgamento de processos fiscais em segunda ins‑ de vencimentos para efeito de remuneração de pessoal do
serviço público.
tância será de competência de órgão colegiado, integrado
por servidores da carreira de auditoria tributária e repre‑
Art. 35. São direitos dos servidores públicos, sujeitos
sentantes dos contribuintes. (Parágrafo renumerado pela
Emenda à Lei Orgânica n. 35, de 2001) ao regime jurídico único, além dos assegurados no §2º do
§2º Excetuam­ ‑se da competência privativa referida art. 39 da Constituição Federal, os seguintes:
no caput o lançamento, a fiscalização e a arrecadação das I – gratificação do titular quando em substituição ou
taxas que tenham como fato gerador o exercício do poder de designado para responder pelo expediente;
polícia, bem como o julgamento de processos administrati‑
vos decorrentes dessas funções, na forma da lei. (Parágrafo COMENTÁRIO:
acrescido pela Emenda à Lei Orgânica n. 35, de 2001) A maior parte dos direitos dos servidores públicos encontra­
Art. 32. Lei específica disciplinará a organização e ‑se contemplada na Constituição Federal. Entretanto, a Lei
funcionamento da administração tributária, bem como tra‑ Orgânica pode estabelecer outros não constantes no rol da
tará da organização e estruturação da carreira específica de Constituição, pois tais direitos não são taxativos.
Esse inciso consagra a gratificação como direito dos servi‑
auditoria tributária.
dores públicos do DF.
Gratificação é a retribuição paga ao servidor público em
CAPÍTULO VI virtude de condições especiais em que presta seu serviço
DOS SERVIDORES PÚBLICOS à Administração Pública. Essa gratificação do servidor,
quando substituir outrem, é denominada, pela doutrina, de
Art. 33. O Distrito Federal instituirá regime jurídico gratificação de serviço ou gratificação propter laborem.
único e planos de carreira para os servidores da adminis‑
tração pública direta, autarquias e fundações públicas, nos II  – duração do trabalho normal não superior a oito
termos do art. 39 da Constituição Federal. horas diárias e quarenta horas semanais, facultado ao Poder
Público conceder a compensação de horários e a redução da
COMENTÁRIO: jornada, nos termos da lei;

Regime Jurídico é o conjunto de normas, preceitos, que COMENTÁRIO:


regem um dado instituto ou a alguns agentes específicos,
dadas as suas particularidades. O Regime Jurídico dos Ser‑ Esse dispositivo determina o limite máximo de jornada
vidores é o estatuto ou o conjunto de regras que disciplinam de trabalho. A lei poderá estabelecer jornadas inferiores a
a relação travada entre o Distrito Federal e seus servidores depender do cargo, das atribuições, da necessidade do ser‑
públicos. viço público.
O Regime Jurídico dos servidores do DF é a Lei n.
8.112/1990, com modificações criadas por leis distritais.
São servidores do Distrito Federal os agentes que ocupam III – proteção especial à servidora gestante ou lactante,
os serviços auxiliares da Câmara Legislativa e os cargos do inclusive mediante a adequação ou mudança temporária de
Poder Executivo e do Tribunal de Contas do Distrito Federal. suas funções, quando for recomendável a sua saúde ou à
do nascituro, sem prejuízo de seus vencimentos e demais
§1º No exercício da competência estabelecida no caput, vantagens;
serão ouvidas as entidades representativas dos servidores IV – atendimento em creche e pré­‑escola a seus depen‑
públicos por ela abrangidos. dentes de até sete anos incompletos, preferencialmente em
§2º As entidades integrantes da administração pública dependência do próprio órgão ao qual são vinculados ou, na
indireta não mencionadas no caput instituirão planos de impossibilidade, em local que pela proximidade permita a
carreira para os seus servidores, observado o disposto no amamentação durante o horário de trabalho, nos doze pri‑
parágrafo anterior. meiros meses de vida da criança;

20
D e n i s e V a r g a s
COMENTÁRIO: COMENTÁRIO:

Com a reforma empreendida no sistema educacional, por A Constituição Federal assegura ao servidor público o
conta da Emenda Constitucional n. 53/2006, que assegura o direito à livre associação sindical (art. 37, VI). Por conse‑
atendimento em creche e pré­‑ escola aos filhos e dependentes guinte, é mister que lhe seja assegurada licença para o exer‑
do trabalhador até 5 anos de idade, esse dispositivo tornar­ cício das funções de direção sindical.
‑se­‑á inaplicável tendo em vista a reestruturação nos níveis
Atenção: quando a LODF se referir ao servidor público de
de escolaridade empreendia por Emenda à CF. Logo, na prá‑
forma genérica, se refere aos não militares, pois os militares
tica esse direito, mesmo no âmbito distrital, é assegurado à
criança de zero a 5 anos de idade. não têm direito à sindicalização nem à greve.

V – vedação do desvio de função, ressalvada, sem pre‑ Art. 37. Às entidades representativas dos servidores
juízo de seus vencimentos, salários e demais vantagens do públicos do Distrito Federal cabe a defesa dos direitos e
cargo, emprego ou função:
interesses coletivos ou individuais da categoria, inclusive
a) a mudança de função concedida a servidora ges‑
em questões judiciais ou administrativas, observado o dis‑
tante, sob recomendação médica;
posto no art. 8º da Constituição Federal.
b) a transferência concedida a servidor que tiver sua
capacidade de trabalho reduzida em decorrência de aci‑
dente ou doença de trabalho, para locais ou atividades com‑ COMENTÁRIO:
patíveis com sua situação.
As entidades associativas, inclusive as de caráter sindical,
VI – recebimento de vale­‑transporte, nos casos previs‑ quando expressamente autorizadas, podem defender os seus
tos em lei; associados e filiados judicial e extrajudicialmente, conforme
VII – participação na elaboração e alteração dos planos autorizações da Constituição Federal (art. 5º, XXI c/c 8º, III).
de carreira; E o art. 5º, LXX, também da Constituição Federal, esta‑
belece autorização para que as organizações sindicais, as
VIII – promoções por merecimento ou antiguidade, no entidades de classe, bem como outros legitimados, propo‑
serviço público, nos termos da lei; nham mandado de segurança coletivo, independentemente
IX – quitação da folha de pagamento do servidor ativo de autorização.
A diferença entre os dois dispositivos anteriormente mencio‑
e inativo da administração direta, indireta e fundacional do nados reside no fato de que na primeira hipótese as entidades
Distrito Federal até o quinto dia útil do mês subsequente, pleiteiam, em nome dos associados, seus direitos, por auto‑
sob pena de incidência de atualização monetária, obedecido rização expressa. Ao passo que, na segunda, as entidades
pleiteiam, em nome próprio, direitos dos associados, inde‑
o disposto em lei. pendentemente de autorização destes, pois a lei lhes permite
§1º Para a atualização a que se refere o inciso IX utilizar­‑se­‑ão realizar a substituição processual.
os índices oficiais, e a importância apurada será paga junta‑
mente com a remuneração do mês subsequente. Art. 38. Às entidades de caráter sindical que preen‑
§2º É computado como exercício efetivo, para efeito cham os requisitos estabelecidos em lei, é assegurado o des‑
de progressão funcional ou concessão de licença­‑prêmio e conto em folha de pagamento das contribuições dos asso‑
aposentadoria nas carreiras específicas do serviço público, ciados, aprovadas em assembleia geral.
o tempo de serviço prestado por servidor requisitado a qual‑
COMENTÁRIO:
quer dos Poderes do Distrito Federal.
A Constituição Federal, em seu art. 8º, IV, estabelece a pre‑
COMENTÁRIO: visão de duas contribuições: a sindical e a de custeio. Aquela
será fixada em lei e cobrada, independentemente de filiação.
Esta, em assembleia geral, para o custeio do sistema con‑
O art. 40 da CF, que trata do regime previdenciário dos ser‑ federativo da representação sindical respectiva e deverá ser
vidores públicos, com normas gerais a serem obedecidas cobrada apenas dos filiados.
por todos os entes políticos, estabelece no §10, incluído pela
Emenda Constitucional n. 20, de 15.12.1998, a vedação de
contagem de tempo fictício para fins de aposentadoria, in Art. 39. O direito de greve será exercido nos termos e
verbis: “A lei não poderá estabelecer qualquer forma de con‑ nos limites definidos na lei complementar federal.
tagem de tempo de contribuição fictício”. Mas o §9º desse
mesmo artigo constitucional determina que: “O tempo de
COMENTÁRIO:
contribuição federal, estadual ou municipal será contado
para efeito de aposentadoria e o tempo de serviço correspon‑
dente para efeito de disponibilidade”. Esse inciso traduz um comando contido na redação original
da CF, em seu art. 37, inciso VII. No entanto, com o início da
reforma administrativa, a Emenda Constitucional n. 19/1998
Art. 36. É garantido ao servidor público o direito à deu nova redação ao art. 37, inciso VII, estabelecendo que
“o direito de greve será exercido nos termos e nos limites
livre associação sindical, observado o disposto no art. 8º da
definidos em lei específica”.
Constituição Federal. Logo, não há necessidade de o direito à greve ser estabele‑
Parágrafo único. A lei disporá sobre licença sindical cido por lei complementar federal, basta lei ordinária espe‑
cífica.
para os dirigentes de federações e sindicatos de servidores Diante da omissão legislativa em se colmatar essa norma,
públicos, durante o exercício do mandato, resguardados os o Supremo Tribunal Federal, em um julgamento histórico,
direitos e vantagens inerentes à carreira de cada um. nos autos de mandado de injunção, permitiu a aplicação, por

21
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
analogia, da lei que regula a greve para a iniciativa privada. §2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servi‑
O Tribunal, por maioria, nos termos do voto do Relator Min. dor estável, será ele reintegrado com todos os direitos e vanta‑
Gilmar Mendes, conheceu do mandado de injunção e propôs
a solução para a omissão legislativa com a aplicação da Lei gens devidos desde a demissão, e o eventual ocupante da vaga
n. 7.783, de 28 de junho de 1989, no que couber (Confira: será reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indeniza‑
STF, MI 708, Julgamento Plenário, 25.10.2007). ção, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade
remunerada.
Art. 40. São estáveis, após dois anos de efetivo exer‑
cício, os servidores nomeados em virtude de concurso COMENTÁRIO:
público.
A Emenda Constitucional n. 19/1998 modificou expressamente
COMENTÁRIO: o art. 41, §2º, da CF, norma obrigatória ao DF, exigindo, por
consequência, uma interpretação da Lei Orgânica consentâ‑
nea com a CF: “Invalidada por sentença judicial a demissão do
A estabilidade do servidor público, que é a garantia de
servidor estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da
somente ser exonerado ou demitido nos casos previstos na
vaga, se estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito à
Constituição e nas leis, hoje não é mais de 2, mas de 3 anos,
indenização, aproveitado em outro cargo ou posto em disponi‑
inclusive para o DF, conforme a nova redação do art. 41 da
bilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço”.
CF, de acordo com a Emenda Constitucional n. 19/1998.
A Emenda Constitucional n. 19/1998 tornou inaplicáveis as
regras desse dispositivo da LODF em face da modificação §3º Extinto o cargo ou declarada sua desnecessidade, o
expressa realizada no art. 41 da CF, que é norma de repro‑ servidor estável ficará em disponibilidade remunerada até seu
dução obrigatória pelo DF, in verbis: “São estáveis após três adequado aproveitamento em outro cargo.
anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo
de provimento efetivo em virtude de concurso público”.
COMENTÁRIO:
§1º O servidor público estável só perderá o cargo
A Emenda Constitucional n. 19/1998, que expressamente
em virtude de sentença judicial transitada em julgado ou modificou o art. 41, §3º, da CF, tornou inaplicáveis as regras
mediante processo administrativo em que lhe seja assegu‑ desse dispositivo da LODF, pois é norma de reprodução obri‑
rada ampla defesa. gatória para o DF, in verbis: “Extinto o cargo ou declarada a
sua desnecessidade, o servidor estável ficará em disponibili‑
dade, com remuneração proporcional ao tempo de serviço, até
COMENTÁRIO: seu adequado aproveitamento em outro cargo”. Logo, a dispo‑
nibilidade de que trata o §3º ora em comento deve com remu‑
Esse parágrafo da LODF encontra­‑se em choque com o art. neração proporcional ao tempo de serviço, na prática.
41 da CF.
A Emenda Constitucional n. 19/1998 tornou parcialmente
obsoletas as regras desse dispositivo da LODF em face da Art. 41. O servidor será aposentado:
modificação expressa realizada pelo art. 41, §1º, da CF, que é
norma de reprodução obrigatória pelo DF, in verbis: COMENTÁRIO:
O servidor público estável só perderá o cargo:
I – em virtude de sentença judicial transitada em julgado; As regras de aposentadoria devem ser retiradas dos dispo‑
II – mediante processo administrativo em que lhe seja asse‑ sitivos da Constituição Federal. Os dispositivos da LODF
gurada ampla defesa; estão desatualizados em face de sucessivas emendas à CF,
III – mediante procedimento de avaliação periódica de no que tange às regras de aposentadoria. As regras orgânicas
desempenho, na forma de lei complementar, assegurada em comento devem ser interpretadas à luz da CF, para que
ampla defesa. se faça a soma da aposentadoria, na prática. O regime cons‑
Logo, além dos casos elencados na LODF, o servidor titucional de aposentadoria sofreu diversas modificações
público, na prática, poderia perder o cargo em razão de pro‑ por emendas constitucionais. A mais recente foi a Emenda
cedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma Constitucional n. 47, de julho de 2005. A reforma previden‑
de lei complementar. Ademais, a CF, em seu art. 169, auto‑ ciária teve início com o advento da Emenda Constitucional
riza, igualmente, a perda do cargo por excesso de gasto com n. 20/1998, que instituiu um regime previdenciário contribu‑
o pagamento de pessoal. Com efeito, estatui o art. 169 da CF: tivo para os servidores públicos da União.
“Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo da União, Com a Emenda Constitucional n. 41/2003, fora instituída a
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, não poderá regra de obrigatoriedade da instituição do regime previden‑
exceder os limites estabelecidos em lei complementar; [...] ciário de caráter contributivo para todos os entes políticos:
§3º Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Instituiu,
neste artigo, durante o prazo fixado na lei complementar refe‑ também, o caráter solidário do regime previdenciário ao
rida no caput, a União, os Estados, o Distrito Federal e os exigir a contribuição para os inativos e pensionistas.
Municípios adotarão as seguintes providências: Já com o advento da Emenda Constitucional n. 47/2005,
I – redução em pelo menos vinte por cento das despesas com restou autorizada a instituição, por lei complementar, de
cargos em comissão e funções de confiança; regime previdenciário especial para os servidores cujas ati‑
II – exoneração dos servidores não estáveis; vidades sejam exercidas sob condições especiais, que preju‑
§4º Se as medidas adotadas com base no parágrafo ante‑ diquem a saúde ou a integridade física, para os portadores
rior não forem suficientes para assegurar o cumprimento da de deficiência e para aqueles que exerçam atividade de risco.
determinação da lei complementar referida neste artigo, o Logo, compete ao intérprete realizar uma leitura desses dis‑
servidor estável poderá perder o cargo, desde que ato nor‑ positivos da Lei Orgânica com uma filtragem constitucional.
mativo motivado de cada um dos Poderes especifique a ati‑ Veja­‑se o disposto na CF, à luz das Emendas Constitucionais
vidade funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto n. 20/1998 e 41/2003, que modificaram expressamente o art.
da redução de pessoal; 40 CF (norma obrigatória para o DF):
§5º O servidor que perder o cargo na forma do parágrafo Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos
anterior fará jus a indenização correspondente a um mês de Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas
remuneração por ano de serviço”. suas autarquias e fundações, é assegurado regime de pre‑

22
D e n i s e V a r g a s
vidência de caráter contributivo e solidário, mediante con‑ COMENTÁRIO:
tribuição do respectivo ente público, dos servidores ativos
e inativos e dos pensionistas, observados critérios que pre‑ A partir da Emenda Constitucional n. 20/1998, que modi‑
servem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste ficou expressamente o art. 40, §5º, da CF, aos professores
artigo; que comprovem tempo exclusivo de magistério no ensino
§1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência de infantil, fundamental e médio, os requisitos de idade e de
que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus tempo de contribuição serão reduzidos em cinco anos, para
proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§3º e 17. o critério de aposentadoria integral, analisado na alínea a.
Assim, esses professores aposertar­‑se­‑ão da seguinte forma:
se homem, com 55 anos de idade e 30 anos de contribuição;
I – por invalidez permanente, sendo os proventos inte‑ se mulher, com 50 anos de idade e 25 anos de contribuição,
grais, quando decorrente de acidente em serviço, moléstia ambos com proventos integrais.
profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, especi‑
ficadas em lei, e proporcionais nos demais casos; c) aos trinta anos de serviço, se homem, e aos vinte e
cinco, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de
COMENTÁRIO: serviço;

As Emendas Constitucionais n. 20/1998 e 41/2003 determi‑ COMENTÁRIO:


naram a instituição do sistema contributivo e solidário. Logo,
deve-se entender que, na prática, sem prejuízo das regras de Veja o comentário disposto na alínea seguinte.
transição, os proventos proporcionais em tela são em virtude
do tempo de contribuição e não do tempo de serviço. Veja‑ d) aos sessenta e cinco anos de idade, se homem, e aos
mos a expressa modificação realizada no art. 40 da CF, que é
norma de reprodução obrigatória pelo DF, in verbis: “por inva‑
sessenta, se mulher, com proventos proporcionais ao tempo
lidez permanente, sendo os proventos proporcionais ao tempo de serviço.
de contribuição, exceto se decorrente de acidente em serviço, §1º Lei complementar estabelecerá exceções ao dis‑
moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurá‑ posto no inciso III, a e c, no caso de exercício de atividades
vel, na forma da lei.” consideradas penosas, insalubres ou perigosas, na forma do
Em regra, em concurso público, tradicionalmente, os examina‑
dores determinam ao candidato que respondam à luz da LODF.
que dispuser lei federal.
Logo, é crucial que o candidato analise com cuidado o enun‑
ciado da questão para que não confunda a regra vigente (CF) e COMENTÁRIO:
a regra insculpida na LODF.
A Emenda Constitucional n. 47/2005 constitucionalizou a
aposentadoria de quem esteja nas circunstâncias indicadas
II – compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com no parágrafo em comento. Vejamos: art. 40, §4º, da CF:
proventos proporcionais ao tempo de serviço; É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados
para a concessão de aposentadoria aos abrangidos pelo
regime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos defi‑
COMENTÁRIO: nido em leis complementares, os casos de servidores:
I – portadores de deficiência;
A partir das Emendas Constitucionais nos 20/1998 e II – que exerçam atividades de risco;
41/2003, que expressamente modificaram o art. 40 da CF, III  – cujas atividades sejam exercidas sob condições espe‑
que é norma de reprodução obrigatória pelo DF, os proventos ciais que prejudiquem a saúde ou a integridade física.
serão calculados proporcionalmente ao tempo de contribui‑
ção e não mais de serviço: “compulsoriamente, aos setenta §2º A lei disporá sobre aposentadoria em cargos ou
anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de
empregos temporários.
contribuição.”.
COMENTÁRIO:
III – voluntariamente:
a) aos trinta e cinco anos de serviço, se homem, e aos A Emenda Constitucional n. 20/1999 modificou expressa‑
mente o art. 40 da CF, que teve acrescido o §13 – norma
trinta, se mulher, com proventos integrais;
de reprodução obrigatória pelo DF – in verbis: “Ao servidor
ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado
COMENTÁRIO: em lei de livre nomeação e exoneração, bem como de outro
cargo temporário ou de emprego público, aplica­‑se o regime
A Emenda Constitucional n. 20/1998, que modificou expres‑ geral da previdência social”.
samente o art. 40 da CF, estabelece, in verbis: “voluntaria‑
mente, desde que cumprido tempo mínimo de dez anos de §3º O tempo de serviço público federal, estadual, muni‑
efetivo exercício no serviço público e cinco anos no cargo cipal ou do Distrito Federal será computado integralmente
efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as
para os efeitos de aposentadoria e disponibilidade.
seguintes condições”. Logo, verifica­‑se que esse dispositivo
se encontra em desacordo com as novas regras constitucio‑
nais, o que na prática o torna inaplicável.
COMENTÁRIO:

A Emenda Constitucional n. 20/1998 tornou inaplicável esse


b) aos trinta anos de efetivo exercício em funções de
parágrafo da LODF, já que alterou o art. 40 da CF, in verbis:
magistério, se professor ou especialista de educação, e aos “O tempo de contribuição federal, estadual ou municipal
vinte e cinco anos, se professora ou especialista de educa‑ será contado para efeito de aposentadoria e o tempo de ser‑
ção, com proventos integrais; viço correspondente para efeito de disponibilidade”.

23
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
§4º Os proventos da aposentadoria serão revistos, na quando o servidor ocupar outro cargo de regime idêntico,
mesma proporção e na mesma data, sempre que se modificar ou pelo critério da proporcionalidade, quando se tratar de
a remuneração dos servidores em atividade, sendo também regimes diversos, na forma da lei.
estendidos aos inativos quaisquer benefícios ou vantagens Art. 42. É assegurada a participação de servidores
posteriormente concedidos aos servidores em atividade, públicos na gerência de fundos e entidades para os quais
inclusive quando decorrentes de reenquadramento, trans‑ contribui, na forma da lei.
formação ou reclassificação do cargo ou função em que se Art. 43. Será concedida licença para atendimento
deu a aposentadoria, na forma da lei. de filho, genitor e cônjuge doente, a homem ou mulher,
mediante comprovação por atestado médico da rede oficial
COMENTÁRIO: de saúde do Distrito Federal.
A Emenda Constitucional n. 41/2003 tornou inaplicável esse Art. 44. Ao servidor público da administração direta,
parágrafo da LODF e, expressamente, revogou o art. 40, §8º, autárquica e fundacional do Distrito Federal, fica assegu‑
da CF, que passou a ter a seguinte redação: “É assegurado o rado:
reajustamento dos benefícios para preservar­‑lhes, em caráter I – percebimento de adicional de um por cento por ano
permanente, o valor real, conforme critérios estabelecidos
em lei”. Logo, pela nova redação atribuída ao §8º do art. 40
de serviço público efetivo, nos termos da lei;
da CF, fora extinta a paridade entre proventos e pensões e II – contagem, para todos os efeitos legais, do período
vencimentos dos servidores em atividade, o que torna inefi‑ em que o servidor estiver de licença concedida por junta
caz este §4º da Lei Orgânica do DF. médica oficial;
III – contagem recíproca, para efeito de aposentado‑
§5º O benefício de pensão por morte corresponderá à ria, do tempo de contribuição na administração pública e na
totalidade dos vencimentos ou proventos do servidor fale‑ atividade privada, rural e urbana, na forma prevista no art.
cido, qualquer que seja a causa mortis, até o limite estabe‑ 202, §2º, da Constituição Federal.
lecido em lei, observado o disposto no parágrafo anterior. Parágrafo único. Ficam assegurados os benefícios
constantes do art. 35, IV, desta Lei Orgânica, aos servidores
COMENTÁRIO:
das empresas públicas e sociedades de economia mista do
A Emenda Constitucional n. 41/2003 tornou inaplicáveis as
Distrito Federal.
regras desse dispositivo da LODF em face da modificação
expressa realizada no o art. 40, §7º, da CF, que é norma de CAPÍTULO VII
reprodução obrigatória pelo DF, in verbis: DOS SERVIDORES PÚBLICOS MILITARES
Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão por
morte, que será igual:
I – ao valor da totalidade dos proventos do servidor fale‑
Art. 45. São servidores públicos militares do Dis‑
cido, até o limite máximo estabelecido para os benefícios do trito Federal os integrantes da Polícia Militar e do Corpo
regime geral de previdência social de que trata o art. 201, de Bombeiros Militar. (Artigo declarado inconstitucional:
acrescentado de setenta por cento da parcela excedente a ADI n. 1045 – STF, julgamento em 15.04.2009)
este limite, caso aposentado à data do óbito; ou §1º As patentes, com prerrogativas, direitos e deveres
II – ao valor da totalidade da remuneração do servidor
no cargo efetivo em que se deu o falecimento, até o limite
a elas inerentes, são asseguradas em plenitude aos oficiais
máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de da ativa, da reserva ou reformados da Polícia Militar e do
previdência social de que trata o art. 201, acrescentado de Corpo de Bombeiros Militar, sendo­‑lhes privativos os títu‑
setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso em los, postos e uniformes militares.
atividade na data do óbito. §2º As patentes dos oficiais da Polícia Militar e do
Diante da superveniência da Emenda n. 41/2003, o Distrito
Federal não pode, portanto, seguir o regime de pagamento
Corpo de Bombeiros Militar são conferidas pelo Governa‑
de pensões na sua integralidade, de acordo com o critério de dor do Distrito Federal, e as graduações dos praças pelos
paridade entre a remuneração na atividade e a pensão. respectivos Comandantes­‑ Gerais.
§3º O militar em atividade que aceitar cargo público
§6º É assegurada a contagem em dobro dos períodos de civil permanente será transferido para a reserva.
licença­‑prêmio não gozados, para efeito de aposentadoria. §4º O militar da ativa que aceitar cargo, emprego ou
função pública temporária, não eletiva, ainda que da admi‑
COMENTÁRIO: nistração indireta, ficará agregado ao respectivo quadro e
somente poderá, enquanto permanecer nesta situação, ser
A Emenda Constitucional n. 41/2003 tornou inaplicáveis as promovido por antiguidade, contando­‑se­‑lhe o tempo de
regras desse dispositivo da LODF em face da modificação
serviço apenas para aquela promoção e transferência para
expressa realizada no art. 40, §10º, da CF, que é norma de
reprodução obrigatória pelo DF, in verbis: “A lei não poderá reserva, sendo depois de dois anos de afastamento, contí‑
estabelecer qualquer forma de contagem de tempo de contri‑ nuos ou não, transferido para a inatividade.
buição fictício”. §5º Ao militar são proibidas a sindicalização e a greve.
§6º O militar, enquanto em efetivo serviço, não pode
§7º Aos servidores com carga horária variável, são estar filiado a partidos políticos.
assegurados os proventos de acordo com a jornada predo‑ §7º O oficial da Polícia Militar e do Corpo de Bom‑
minante dos últimos três anos anteriores à aposentadoria. beiros Militar só perderá o posto e a patente se for julgado
§8º O tempo de serviço prestado sob o regime de indigno do oficialato ou de comportamento com ele incom‑
aposentadoria especial será computado da mesma forma, patível por decisão da Justiça militar.
§8º O oficial condenado pela Justiça comum ou militar

24
D e n i s e V a r g a s
a pena privativa de liberdade superior a dois anos, por sen‑ Alguns dispositivos da LODF, que tratam da Polícia
tença transitada em julgado, será submetido ao julgamento Civil e da Polícia Militar do Distrito Federal foram algo
de questionamento no STF. No julgamento da ADI n.
previsto no parágrafo anterior. 1045­‑ 0, o STF declarou competir privativamente à União
§9º Aplica­‑se aos servidores públicos militares e a seus legislar sobre as Polícia Civil e Militar do DF, e, por con‑
pensionistas o disposto no art. 40, §§4º e 5º, da Constituição sequência, declarou a inconstitucionalidade dos seguin‑
Federal. tes dispositivos da LODF:
§10. Aplica­‑se aos servidores a que se refere este artigo • Art. 45 e todos os seus parágrafos;
• Art. 177, §§1º, 2º, 3º, 4º e 5º;
o disposto no art. 7º, VIII, XII, XVII, XVIII e XIX, da • Art. 118 e respectivos parágrafos;
Constituição Federal. • Art. 119, §1º, quanto à expressão “autonomia funcional”;
• Art. 119, §§2º e 3º;
COMENTÁRIO: • Art. 120;
• Art. 121 e respectivos incisos e parágrafo único;
• Art. 51 do Ato das Disposições Tranistórias da LODF.
A PMDF é organizada e mantida pela União, conforme o art.
21 da CF. O número de integrantes efetivos, a organização (STF, Plenário, ADI N. 1.045­‑0, Rel. Min. Marco Aurélio,
e a manutenção deverão ser fixados em lei da União. A CF, DJ­‑ e 108, 12.06.2009).
em seu art. 32, §4º, autoriza que lei federal disponha sobre a Em outra ADI, o STF declarou a inconstitucionalidade de
utilização da PMDF pelo Governo do Distrito Federal. A Lei dispositivos ligados aos órgãos de segurança pública no DF,
Federal n. 6.450/1977 dispõe sobre a organização básica da por entender que a CLDF não poderia tratar desses assuntos,
Polícia Militar do Distrito Federal. Embora seja a União que pois a matéria está adstrita a projeto de lei de iniciativa do
possua competência para organizar e mantê­‑la, a CF, no seu Chefe do Executivo. Logo, foram declarados inconstitucio‑
art. 144, §6º, entrega o seu comando geral ao Governador do nais, igualmente, os seguintes dispositivos:
Distrito Federal. Logo, não pode a Lei Orgânica ou qualquer • Art. 117 e seus incisos I, II, III e IV. (STF, Plenário, ADI
outra distrital tratar desses temas, conforme já decidido pelo 1182, Rel. Min. Eros Grau, DJ 10.03.2006).
STF (ADI n. 2.545­‑ 41, Rel. Cezar Peluso, publicada no DJ
26.03.2004).
No entanto, é mister observar que há uma hipótese em que CAPÍTULO VIII
ao DF é permitido legislar sobre alguns integrantes da polícia DOS BENS DO DISTRITO FEDERAL
militar, de acordo com o teor da ementa do acórdão do STF,
no julgamento da ADI n. 677, in verbis:
Ação Direta de Inconstitucionalidade. Lei n. 186, de Art. 46. São bens do Distrito Federal:
22.11.1991, do Distrito Federal, art. 39 e parágrafos. Gra‑ I – os que atualmente lhe pertencem, que vier a adqui‑
tificação de representação pelo exercício de função militar, rir ou lhe forem atribuídos;
devida aos servidores militares do Distrito Federal, lotados
no Gabinete Militar do Governador e Vice­‑Governadoria. II  – as águas superficiais ou subterrâneas, fluentes,
Incorporação aos proventos de inatividade, desde que o ser‑ emergentes e em depósito, ressalvadas, neste caso, na forma
vidor militar tenha exercido os cargos ou funções pelo prazo da lei, as decorrentes de obras da União;
mínimo de dois anos consecutivos ou não. As despesas daí
resultantes correrão à conta dos recursos orçamentários III – a rede viária do Distrito Federal, sua infraestru‑
próprios do Distrito Federal, conforme o art. 49 do mesmo tura e bens acessórios.
diploma. Alegação de ofensa ao art. 21, XIV, e ao §40 do Art. 47. Os bens do Distrito Federal declarados inserví‑
art. 32, ambos da Constituição Federal. Se é certo que, pelo
art. 21, XIV, da Constituição, à União compete organizar e veis em processo regular poderão ser alienados, mediante lici‑
manter a polícia militar e o corpo de bombeiros militares do tação, cabendo doação somente nos casos que a lei especificar.
Distrito Federal, sendo federal a lei que fixa vencimentos §1º Os bens imóveis do Distrito Federal só poderão ser
desses servidores militares, não é menos exato que, com base
no art. 32, §4º, da Lei Magna, incumbe ao Distrito Fede‑
objeto de alienação, aforamento, comodato ou cessão de
ral organizar seus serviços, aí compreendidos, à evidência uso, em virtude de lei, concedendo­‑se preferência à cessão
e notadamente, os referentes ao Gabinete do Governador, de uso sobre a venda ou doação.
competindo­‑lhe estabelecer gratificações, em Lei Distri‑
tal, pelo exercício de funções de confiança ou de cargos em
§2º Todos os bens do Distrito Federal deverão ser
comissão. Lei que assim disponha não invade a esfera de cadastrados com a identificação respectiva.
competência legislativa da União Federal. De acordo com
o art. 42 e §20, da Constituição, são servidores militares
COMENTÁRIO:
do Distrito Federal os integrantes de sua polícia militar e
de seu corpo de bombeiros militares, sendo as patentes dos
respectivos Oficiais conferidas pelo Governador do Distrito Trata­‑se do princípio da legalidade específico para transa‑
Federal, a quem estão subordinados, art. 144, §69, da Cons‑ ções imobiliárias que tenham por objeto a propriedade do
tituição. Emprestando ao art. 39 e seus parágrafos, da Lei DF. Logo, para as transações referidas, é mister lei autoriza‑
n. 186, de 1991, a exegese que cabe atribuir­‑lhes, diante do dora. Dentre essas negociações se encontram:
disposto no art. 40 do mesmo diploma, segundo o qual as Alienação é o “negócio jurídico pelo qual o proprietário,
despesas provenientes da execução dessa Lei correrão à no gozo da autonomia privada gratuita (doação) ou one‑
conta do Distrito Federal, compreendendo­‑se, também, as rosamente (venda, dação em pagamento, permuta), trans‑
relativas à incorporação aos proventos das gratificações fere a outrem o seu direito sobre a coisa” (ROSENVALD e
nela previstas, não há ver conflito dos dispositivos impug‑ FARIAS, 2007, p. 326).
nados com as normas constitucionais trazidas a confronto Aforamento: “é o direito real limitado que confere a alguém,
(Constituição, art. 21, XIV, e §49 do art. 32). Ação direta perpetuamente, poderes inerentes ao domínio, com a obriga‑
de inconstitucionalidade julgada improcedente, cassada a ção de pagar ao dano da coisa uma renda anual, conhecida
medida liminar. como foro” (ROSENVALD e FARIAS, 2007, p. 560). O ins‑
Todo o art. 45 foi declarado inconstitucional pelo STF. No tituto é denominado também de emprazamento enfiteuse. O
julgamento da ADI n. 1045 (DJ 06.05.1994), o STF firmou o novo Código Civil veda a constituição de enfiteuses e suben‑
entendimento de que compete à União legislar sobre a Polí‑ fiteuses particulares, a partir de 11 de janeiro de 2003 (art.
cia Militar do DF. 2.038, CCB).

25
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
Comodato: “é o empréstimo gratuito de coisas não fungí‑ Art. 51. Os bens do Distrito Federal destinar­‑se­‑ão
veis” (GONÇALVES, 2007, p. 126), ou seja, é o contrato pelo prioritariamente ao uso público, respeitadas as normas de
qual um dos contratantes entrega ao outro uma coisa para ser proteção ao meio ambiente, ao patrimônio histórico, cul‑
usada e posteriormente restituída.
tural, arquitetônico e paisagístico, e garantido o interesse
O caput do art. 47 da LODF, em atenção ao comando consti‑
tucional da obrigatoriedade mitigada da licitação, determina
social.
que a alienação de bens públicos depende de procedimento §1º Os bens públicos tornar­‑se­‑ão indisponíveis ou dis‑
de licitação. Acerca da venda direta de bens imóveis do DF, poníveis por meio de afetação ou desafetação, respectiva‑
veja nossos comentários ao art. 32, das Disposições Transi‑ mente, nos termos da lei.
tórias da LODF.
COMENTÁRIO:
Art. 48. O uso de bens do Distrito Federal por tercei‑
ros poderá ser feito mediante concessão administrativa de Afetação é o ato pelo qual um bem público é destinado, por
lei ou por ato administrativo, a uma finalidade pública espe‑
uso, permissão ou autorização, conforme o caso e o inte‑ cífica, tornando­‑se, por isso, inalienável, imprescritível e
resse público, na forma da lei. impenhorável.
Desafetação, por sua vez, é ato pelo qual um bem público
COMENTÁRIO: distrital tem sua destinação modificada, deixando de ser
considerado como de finalidade pública específica.
Neste artigo, a LODF estabelece a regra de necessidade de A desafetação, ao contrário da afetação, só se faz por lei
ato normativo que permite a terceiro utilizar‑se de bens e mediante audiência à população interessada, conforme
públicos. comando do parágrafo seguinte.
Autorização de uso é o ato unilateral e discricionário pelo Tramitam no Tribunal de Justiça do Distrito Federal algu‑
qual a Administração Pública permite ao particular o uso mas Ações Diretas de Inconstitucionalidade, com concessão
privativo de um bem público, de forma precária, isto é, de liminares, que questionam a constitucionalidade de leis
podendo cassar a autorização quando desejar, sem ensejar distritais que desafetam áreas públicas sem a devida audi‑
nenhuma indenização ao particular, como regra. ência pública. Precedentes: ADI n. 2004 002006153­‑2; ADI n.
Permissão de uso é o ato administrativo unilateral e discri‑ 2004.00.2 00. 8416­‑0, TJDFT.
cionário pelo qual o Poder Público permite a terceiro que
se utilize, privativamente, de um bem público mediante um §2º A desafetação, por lei específica, só será admitida
contrato de adesão. Concessão, conforme posicionamento de
Maria Sylvia Zanella Di Pietro (doutrina adotada no presente
em caso de comprovado interesse público, após ampla audi‑
estudo em razão de entendimento adotado pelas bancas de ência à população interessada.
concursos públicos), é o contrato administrativo pelo qual §3º O Distrito Federal utilizará seus bens dominiais
o Poder Público atribuí ao particular o direito de uso de um como instrumento para a realização de políticas de ocupa‑
bem público, para que o explore, por sua conta e risco, por ção ordenada do território.
prazo e nas condições determinadas em lei e no contrato.

Art. 49. A aquisição por compra ou permuta, bem COMENTÁRIO:


como a alienação dos bens imóveis do Distrito Federal
dependerão de prévia avaliação e autorização da Câmara Quanto à destinação, os bens classificam­‑se em:
Legislativa, subordinada à comprovação da existência de a) bens de uso comum do povo;
interesse público e à observância da legislação pertinente b) bens de uso especial; e
à licitação. c) bens dominiais ou dominicais.
Os bens de uso comum são todos os bens destinados ao
COMENTÁRIO: uso de toda a coletividade, indistintamente, a exemplos das
praças, ruas, estradas, mares etc.
A aquisição onerosa de bens imóveis pelo DF, por troca ou Os bens de uso especial são os destinados ou afetados a um
serviço público, como os prédios de repartições públicas,
compra, assim como a doação, venda ou permuta, somente
museus públicos, universidades públicas, os automóveis ofi‑
pode ser realizada mediante procedimento de avaliação
ciais etc.
prévia, autorização legislativa. Tal procedimento comprova
a prevalência do interesse coletivo, observada, em qualquer Os bens dominiais ou dominicais são os bens do Distrito
caso, a regra constitucional da exigência de licitações públi‑ Federal desafetados de uma finalidade pública específica,
pois não estão empregados ao uso comum nem ao especial,
cas (Lei Federal n. 8.666/1993).
a exemplo dos terrenos, dentre eles as terras devolutas e os
prédios públicos desativados. Tendo em vista que os bens
Art. 50. O Governador encaminhará, anualmente, à dominiais não estão reservados para nenhuma atividade
Câmara Legislativa relatório do qual conste a identificação pública específica, esse parágrafo determinou que o DF os
dos bens do Distrito Federal objeto de concessão ou per‑ utilizará como instrumento para a ocupação ordenada do
missão de uso no exercício, assim como sua destinação e território.
beneficiário. Assunto tratado nos arts. 314 e 315 da LODF, que se relacio‑
nam com a política distrital de desenvolvimento urbano e
Parágrafo único. O descumprimento do disposto neste das desapropriações utilitárias de bens privados.
artigo importa crime de responsabilidade.

COMENTÁRIO: Art. 52. Cabe ao Poder Executivo a administração dos


bens do Distrito Federal, ressalvado à Câmara Legislativa
A respeito dos crimes de responsabilidade do Governador, administrar aqueles utilizados em seus serviços e sob sua
consulte os comentários ao art. 82 da LODF. guarda.

26
D e n i s e V a r g a s
COMENTÁRIO: noções introdutórias, somente com o advento da Constitui‑
ção Democrática é que o povo do DF passou a ter soberania
O dispositivo em questão atribuiu ao Poder Executivo local popular para a formação de seus órgãos distritais.
a competência para gerir os bens do DF. Com efeito, pelo
princípio da “separação dos poderes”, ao Executivo fora atri‑ Parágrafo único. Cada legislatura terá a duração de
buída, com primazia, a tarefa administrativa. Logo, não é
de se estranhar esse dispositivo, pois é um consectário da
quatro anos, iniciando­‑se com a posse dos eleitos.
mencionada separação de funções entre órgãos distintos.
Entretanto, ao Legislativo, além de suas funções típicas – COMENTÁRIO:
legiferar e fiscalizar – foram atribuídas funções atípicas:
administrativa e jurisdicional. Por conseguinte, os bens que A titularidade do Poder Legislativo
se encontram sob a atribuição da Câmara Legislativa são por Diferentemente do Legislativo Federal, em que vigora a
ela geridos. bicameralidade, o Legislativo Distrital é estruturado em
uma única casa, isto é, unicameral. A Casa Legislativa é
TÍTULO III composta por Deputados Distritais, conforme denominação
DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES atribuída pela Constituição Federal, em seu art. 32, §3º.
O número de Deputados da Câmara Legislativa corresponde
ao triplo de Deputados Federais que representam o Distrito
CAPÍTULO I
Federal na Câmara dos Deputados, conforme o art. 27 da
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS Constituição. Na atual legislatura, portanto, é composta por
24 (vinte e quatro) representantes do povo, vez que, nas elei‑
Art. 53. São Poderes do Distrito Federal, independen‑ ções passadas, elegemos 8 (oito) parlamentares pelo DF para
tes e harmônicos entre si, o Executivo e o Legislativo. compor a Câmara dos Deputados.
§1º É vedada a delegação de atribuições entre os Poderes. Legislatura: é o ciclo de funcionamento do órgão legislativo
que corresponde, em regra, ao período do mandato eletivo do
COMENTÁRIO: parlamentar, ou seja, quatro anos. Nesse período de quatro
anos, a Câmara Legislativa deve se reunir, anualmente, para
Em virtude da Teoria da Separação e Independência entre os o desenvolvimento de seus trabalhos, e isto é realizado pelas
Poderes, em regra, fica vedado o ato de transferir (delegar) sessões legislativas.
uma atividade típica de um Poder a outro.
Um exemplo em que ocorre delegação, por expressa auto‑ Art. 55. A Câmara Legislativa do Distrito Federal tem
rização Constitucional, é quando o Congresso Nacional sede em Brasília, Capital da República Federativa do Brasil.
delega, sob certos requisitos, a atribuição ao Presidente da
República para a criação de leis delegadas. Parágrafo único. Poderá a Câmara Legislativa reunir­‑se
No caso do DF, as regras orgânicas de processo legislativo temporariamente, em qualquer local do Distrito Federal, por
não contemplaram essa delegação legislativa ao Governador deliberação da maioria absoluta de seus membros, sempre
do DF, tampouco a possibilidade de adoção de medida pro‑ que houver motivo relevante e de conveniência pública ou
visória pelo Governador.
em virtude de acontecimento que impossibilite seu funcio‑
namento na sede.
§2º O cidadão, investido na função de um dos Poderes,
não poderá exercer a de outro, salvo as exceções previstas
nesta Lei Orgânica. COMENTÁRIO:
Sede da Câmara Legislativa: Brasília é a sede e não o Dis‑
COMENTÁRIO: trito Federal.
Atenção, portanto, na hora de resolver eventuais questões de
Pelo mesmo motivo do parágrafo anterior, é vedado que prova. Não confunda Brasília com o Distrito Federal.
membro de um Poder exerça, igualmente, atribuição de
outro, salvo hipóteses autorizadas, por exemplo Deputado Mudança Temporária da Sede da Câmara Legislativa
Distrital que é nomeado Secretário de Estado do Distrito
Por razões relevantes, pode a Câmara Legislativa reunir­‑se,
Federal.
transitoriamente, em outro local do Distrito Federal desde
que haja aprovação da mudança pelo quorum mínimo da
CAPÍTULO II maioria absoluta. Diz­‑se maioria absoluta “o número inteiro
DO PODER LEGISLATIVO que ultrapassar a metade dos membros ou integrantes da
CLDF”. Na presente Legislatura, a CLDF é composta por
Seção I 24 membros. Logo, a maioria absoluta representa 13 (treze)
votos favoráveis. Segundo o Regimento Interno da Câmara
Da Câmara Legislativa
Legislativa do DF, são motivos para a mudança temporária
da sede: relevância, conveniência pública ou impossibili‑
Art. 54. O Poder Legislativo é exercido pela Câmara dade.
Legislativa, composta de Deputados Distritais, represen‑
tantes do povo, eleitos e investidos na forma da legislação Art. 56. Salvo disposição em contrário da Constituição
federal. Federal e desta Lei Orgânica, as deliberações da Câmara
Legislativa e de suas comissões serão tomadas por maioria
COMENTÁRIO: de votos, presente a maioria absoluta de seus membros, em
votação ostensiva. (Artigo com a redação da Emenda à Lei
O Poder Legislativo Distrital é um órgão recente, criado
em 1991, diante da autonomia político­‑administrativa con‑ Orgânica n. 47, de 2006)13
cedida pela Constituição Federal ao Distrito Federal, para 13 Texto original: Art. 56. Salvo disposição em contrário da Constituição Federal e
eleger seus representantes políticos. Conforme visto, em desta Lei Orgânica, as deliberações da Câmara Legislativa e de suas comissões serão
tomadas por maioria de votos, presente a maioria absoluta de seus membros.

27
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
Parágrafo único. Quando o sigilo for imprescindível ao §1º São funções institucionais da Procuradoria­‑Geral
interesse público, devidamente justificado, a votação poderá da Câmara Legislativa, em seu âmbito: (Parágrafo acres‑
ser realizada por escrutínio secreto, desde que requerida por cido pela Emenda à Lei Orgânica n. 9, de 1996)
partido político com representação na Câmara Legislativa e I – representar a Câmara Legislativa judicialmente;
aprovada, em votação ostensiva, pela maioria absoluta dos II – promover a defesa da Câmara, requerendo a qual‑
Deputados Distritais. quer órgão, entidade ou tribunal as medidas de interesse da
justiça, da Administração e do Erário;
COMENTÁRIO: III  – promover a uniformização da jurisprudência
administrativa e a compilação da legislação da Câmara
Quorum geral das deliberações da CLDF Legislativa e do Distrito Federal;
Em regra, as deliberações da CLDF, inclusive de suas comis‑
sões, devem ser tomadas pela maioria simples ou relativa,
IV  – prestar consultoria e assessoria jurídica à Mesa
isto é, pela maioria dos votos dos presentes à sessão de vota‑ Diretora e aos demais órgãos da estrutura administrativa;
ção, desde que presentes a maioria absoluta ou maioria dos V – (Inciso revogado pela Emenda à Lei Orgânica n.
membros. A votação, em regra, também será ostensiva, ou 14, de 1997)15
seja, pública. A votação ostensiva pode ser transformada em §2º O ingresso na carreira de Procurador da Câmara
secreta, desde que:
Legislativa far­‑se­‑á mediante concurso público de provas
• apresentado pedido de sigilo por partido político com
representação na CLDF; e títulos. (Parágrafo acrescido pela Emenda à Lei Orgânica
• aprovação desse pedido, em votação ostensiva, pela n. 9, de 1996)
maioria absoluta; §3º A Câmara Legislativa do Distrito Federal regu‑
• quando o sigilo for imprescindível ao interesse público. lamentará a organização e o funcionamento da sua
Procuradoria­‑Geral e da respectiva carreira de Procura‑
Art. 57. O Poder Legislativo será representado por dor da Câmara Legislativa. (Parágrafo com a redação da
seu Presidente e, judicialmente, pela Procuradoria­‑ Geral Emenda à Lei Orgânica n. 14, de 1997)16
da Câmara Legislativa. (Caput do artigo com a redação da §4º A Câmara Legislativa disporá, ainda, sobre o fun‑
Emenda à Lei Orgânica n. 9, de 1996. Dispositivo decla‑ cionamento da sua Procuradoria­‑ Geral até que sejam pro‑
rado inconstitucional, sem redução de texto, para escla‑ vidos por concurso público os respectivos cargos daquele
recer que a representação judicial do Poder Legislativo órgão. (Parágrafo acrescido pela Emenda à Lei Orgânica
do Distrito Federal pela Procuradoria­‑Geral da Câmara n. 14, de 1997)
Legislativa se limita aos casos em que a Casa compareça
em juízo em nome próprio: ADI n. 1557 – STF, Diário de
COMENTÁRIO:
Justiça de 18.06.2004.)14
A representação judicial da Câmara Legislativa foi objeto de
COMENTÁRIO: questionamento no STF. Com efeito, o caput do art. 57, ora
em comento, tinha uma redação originária: “O Poder Legis‑
Representação da Câmara Legislativa: o art. 57, em lativo será representado por seu Presidente e, judicialmente,
comento, determina que a CLDF seja representada: pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal”. Logo, origi‑
• por seu presidente; nariamente, a representação judicial da Câmara Legislativa
• pela Procuradoria-Geral da CLDF, judicialmente. era atribuição da PGDF (Procuradoria-Geral do Distrito
Esse dispositivo tem um histórico problemático e está Federal). A Emenda à Lei Orgânica n. 9/1996, modificou a
com redação oficial problemática. Com efeito, originaria‑ redação desse dispositivo que passou a vigorar nos seguintes
mente, esse artigo estava assim redigido: “O Poder Legis‑ termos: “O Poder Legislativo será representado por seu Pre‑
lativo será representado por seu Presidente e, judicialmente, sidente e, judicialmente, pela Procuradoria-Geral da Câmara
pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal”. A Emenda Legislativa”. Como se infere da Emenda, a CLDF passou a
à Lei Orgânica n. 9/1996 instituiu uma procuradoria pró‑ ser representada judicialmente não mais pela PGDF, mas por
pria para a CLDF, qual seja: PROCURADORIA-GERAL sua procuradoria própria PGCLDF (Procuradoria-Geral da
DA CÂMARA LEGISLATIVA. Assim, a referida ELODF Câmara Legislativa do DF). A referida emenda foi alvo de
modificou o caput do art. 57 para determinar que: “O Poder questionamento no STF. Entretanto, o Supremo Tribunal
Legislativo será representado por seu Presidente e, judicial‑ Federal, no julgamento da ADI n. 1.557 declarou inconstitu‑
mente, pela Procuradoria-Geral da Câmara Legislativa”. cional essa nova redação, sem redução de texto, para escla‑
Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, no julgamento da recer que a representação judicial do Poder Legislativo do
ADI n. 1.557 declarou inconstitucional essa nova redação, Distrito Federal pela Procuradoria-Geral da Câmara Legis‑
sem redução de texto, para esclarecer que a representação lativa se limita aos casos em que a Casa compareça em juízo
judicial do Poder Legislativo do Distrito Federal pela Procu‑ em nome próprio, na defesa de suas prerrogativas: ADI n.
radoria-Geral da Câmara Legislativa se limita aos casos em 1.557 – STF, Diário de Justiça de 18.06.2004.
que a Casa compareça em juízo em nome próprio, na defesa Nas provas de concursos públicos, esse tema merece aten‑
de suas prerrogativas: ADI n. 1.557 – STF, Diário de Justiça ção. Assim, o candidato deve ficar atento ao enunciado ou
de 18.06.2004. comando da questão, pois se o examinador determinar que
Nas provas de concursos públicos, esse tema merece aten‑ a questão seja respondida à luz da Lei Orgânica, deveremos
ção. Assim, o candidato deve ficar atento ao enunciado ou ignorar essa declaração de inconstitucionalidade do STF e
comando da questão, pois se o examinador determinar que responder exatamente nos moldes do que está determinado
a questão seja respondida à luz da Lei Orgânica, deveremos na LODF.
ignorar essa declaração de inconstitucionalidade do STF e
responder exatamente nos moldes do que está determinado
15 Texto revogado: V – efetuar a cobrança judicial das dívidas para com a Câmara
na LODF. Legislativa.
16 Texto original: §3º A Câmara elaborará resolução específica que disporá sobre
a organização e o funcionamento da Procuradoria Geral da Câmara Legislativa
14 Texto original: Art. 57. O Poder Legislativo será representado por seu Presidente do Distrito Federal e da respectiva carreira de Procurador. (Parágrafo acrescido
e, judicialmente, pelo Procurador­‑ Geral do Distrito Federal. pela Emenda à Lei Orgânica n. 9, de 1996)

28
D e n i s e V a r g a s
Seção II públicas são: PPA – Plano Plurianual; LDO – Lei de Diretri‑
Das Atribuições da Câmara Legislativa zes Orçamentárias e LOA – Lei Orçamentária Anual, con‑
forme previsão do art. 165 da CF e 149 da LODF.
O PPA é a lei de planejamento governamental de longo
Art. 58. Cabe à Câmara Legislativa, com a sanção do prazo, com vigência quadrienal, com início da produção de
Governador, não exigida esta para o especificado no art. 60 seus efeitos a partir do segundo exercício financeiro do man‑
desta Lei Orgânica, dispor sobre todas as matérias de com‑ dato do Governador eleito e empossado e exaurindo­‑se no
final do primeiro exercício do mandato subsequente. O PPA
petência do Distrito Federal, especialmente sobre:
fixa as diretrizes, os objetivos e as metas do Distrito Federal
para despesas de capital, correntes derivadas das de capi‑
COMENTÁRIO: tal e programas de duração continuada. Ele orienta a cria‑
ção das outras duas leis orçamentárias: LDO e LOA. Todo
A Câmara Legislativa do DF possui duas tarefas primordiais o investimento governamental, cuja execução dure mais de
conferidas pela Constituição Federal e por esta Lei Orgâ‑ um exercício financeiro, deve estar previsto no PPA. Quanto
nica: legislar e fiscalizar os atos do Poder Público. à LDO, é a lei de planejamento orçamentário de curto­‑prazo
Para assegurar a realização das atribuições da Câmara que estabelece metas e prioridades do Distrito Federal para o
Legislativa do DF, é que fora prevista a regra da Separação exercício financeiro subsequente à sua aprovação, mediante
dos Poderes locais: Executivo e Legislativo, já que o Judiciá‑ regras de previsão de alterações tributárias; política de
rio é organizado e mantido, no Distrito Federal, pela União. investimentos das agências financeiras oficiais no fomento
A fórmula encontrada para garantir a divisão de atribuições e concessão de aumento ou vantagem financeira na remune‑
e, igualmente, a harmonia entre elas é que algumas compe‑ ração dos servidores públicos distritais e a autorização para
tências serão realizadas somente pela CLDF, sem a partici‑ criação de cargos, empregos e funções públicas.
pação de qualquer outro órgão, ao passo que, em outras, a Determina a LODF (art. 65, §2º) que a sessão legislativa não
CLDF necessitará da aquiescência do Chefe do Executivo será interrompida (30 de junho) sem a aprovação do projeto
local, ou seja, o Governador do DF. de lei de diretrizes orçamentárias, nem encerrada (15 de
As tarefas que a CLDF realizará sem a sanção do Governa‑ dezembro) sem a aprovação do projeto de lei orçamentária
dor são, em regra, denominadas de competências exclusivas anual (LOA).
ou privativas e possuem natureza político­‑administrativa do O art. 150 da LODF estabelece prazo para o Governador
Poder Legislativo. Outras competências necessitarão da par‑
encaminhar o Projeto dessas leis orçamentárias à Câmara
ticipação do Governador, mediante sanção (competências
Legislativa: I – PPA deve ser enviado pelo Governador, no
legislativas do DF para a criação de Leis Complementares e
primeiro ano de seu mandato, no máximo dois meses e meio
Ordinárias).
após sua posse, e devolvido pelo Legislativo para sanção do
Esse artigo trata da competência Legislativa do Distrito
Governador até dois meses antes do encerramento do pri‑
Federal com a sanção do Governador. São matérias relacio‑
nadas à autonomia administrativa do DF, aos assuntos da meiro período da sessão legislativa. II – O projeto de LDO
competência local ou de interesses sociais denominados de deve ser encaminhado, pelo Governador, à CLDF até sete
difusos. meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro
e devolvido para a sanção até o encerramento do primeiro
período da sessão legislativa. III – O projeto de lei orçamen‑
I – matéria tributária, observado o disposto nos arts. tária para o exercício seguinte será encaminhado até três
145, 147, 150, 152, 155, 156 e 162 da Constituição Federal; meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro
em curso e devolvido para sanção até o encerramento do
COMENTÁRIO: segundo período da sessão legislativa.
Tais prazos são vinculados, pois a sua desobediência enseja
a responsabilidade política.
Por expressa autorização dos artigos (145, 147, 150, 152, 155,
156, e 162) da Constituição Federal, verifica‑se que cabe ao Dis‑
trito Federal instituir por lei os tributos de sua competên‑ III – criação, transformação e extinção de cargos,
cia: taxas, contribuições de melhoria e especiais e alguns empregos e funções públicas, fixação dos vencimentos ou
impostos, obedecidas as normas gerais de Direito Tributário
já editadas pela União em diversos dispositivos legais e, em aumento de sua remuneração;
especial, pelo Código Tributário Nacional. IV – planos e programas locais de desenvolvimento
A propósito, cabe ao DF, em concorrência com a União, econômico e social;
legislar sobre Direito Tributário, restringindo­‑se à União
as normas gerais, salvo, quanto aos seus tributos, em que
legisla sobre normas gerais e específicas. COMENTÁRIO:
O DF, exercitando essa competência, editou seu Código Tri‑
butário mediante lei aprovada pela maioria absoluta de seus O plano de desenvolvimento econômico e social é exaustiva‑
membros (lei complementar distrital). mente tratado no Título VI.

II – plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orça‑ V – educação, saúde, previdência, habitação, cultura,
mento anual, operações de crédito, dívida pública e emprés‑ ensino, desporto e segurança pública;
timos externos a qualquer título a ser contraídos pelo Dis‑ VI – autorização para alienação dos bens imóveis do
trito Federal; Distrito Federal ou cessão de direitos reais a eles relativos,
bem como recebimento, pelo Distrito Federal, de doações
COMENTÁRIO: com encargo, não se considerando como tais a simples des‑
Para assegurar sua autonomia como ente da Federação, o DF
tinação específica do bem;
possui competência para legislar sobre orçamento, planeja‑ VII  – criação, estruturação e atribuições de Secreta‑
mento de receita e despesas, mediante leis orçamentárias, rias do Governo do Distrito Federal e demais órgãos e enti‑
cuja iniciativa da proposta pertence ao Governador, obri‑ dades da administração direta e indireta;
gatoriamente. Essas leis que planejam os gastos e receitas

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L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
COMENTÁRIO: XII  – o servidor público, seu regime jurídico, provi‑
mento de cargos, estabilidade e aposentadoria;
Criação, estruturação e atribuições de órgãos e entidades
da Administração distrital: da leitura do art. 58, caput, da COMENTÁRIO:
LODF, infere­‑se que as matérias constantes dos respectivos
incisos dependem de lei aprovada pela Câmara Legislativa
do DF, com sanção do Governador. Dentre essas matérias Esse tema foi tratado no comentário ao art. 19.
está, conforme se denota do inciso VII, a criação, estrutura‑
ção e atribuição de Secretarias do Governo do DF e demais XIII – criação, transformação, fusão e extinção de
órgãos e entidades da Administração Pública direta e indi‑ entidades públicas do Distrito Federal, bem como normas
reta do DF. Portanto, a criação, estruturação e atribuições de
órgãos e entidades administrativas no DF dependem de lei
gerais sobre privatização das entidades de direito privado
cujo projeto seja de iniciativa do Governador e aprovação integrantes da administração indireta;
da Câmara Legislativa (art. 58, inciso VII, c/c o art. 71, §1º,
inciso I e IV, todos da Lei Orgânica). COMENTÁRIO:
Logo, seria inconstitucional Decreto do Governador que
criasse, estruturasse órgãos ou entidades, pois a matéria
Tema já tratado no comentário ao art. 19, inciso XVIII.
depende de lei.
O TJDFT julgou inconstitucionais os Decretos 26.118/05
e 25.975/05 que efetuavam a reestruturação de autarquia e XIV – prestação de garantia, pelo Distrito Federal, em
criação de seus respectivos cargos por violação ao art. 58, operação de crédito contratada por suas autarquias, funda‑
inciso VII, da LODF. Segundo o TJDFT, nos termos da Lei ções, empresas públicas e sociedades de economia mista;
Orgânica do DF, somente por meio de lei ordinária regula‑
mente aprovada pela Câmara Legislativa, poderia o Chefe
do Poder Executivo tratar de matéria referente à criação de COMENTÁRIO:
cargos públicos e reestruturação de entidade autárquica,
jamais podendo fazê­‑lo por meio de decretos, sob pena de As operações de crédito, que visam auferir receita ao Poder
contrariar o princípio constitucional da legalidade. O enten‑ Público mediante empréstimo, têm um regime fixado, par‑
dimento do TJDFT foi alvo de Recurso Extraordinário no cialmente, pelo art. 52 da Constituição Federal, que estabe‑
STF. O STF confirmou o acórdão do TJDFT, nos seguintes lece as competências privativas do Senado, dentre elas auto‑
termos: rizar operações externas de natureza financeira, de interesse
“EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PODER da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios
EXECUTIVO. COMPETÊNCIA LEGISLATIVA. ORGA‑ e dos Municípios; dispor sobre limites globais e condições
NIZAÇÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. DECRE‑ para as operações de crédito externo e interno da União, dos
TOS 26.118/05 E 25.975/05. REESTRUTURAÇÃO DE Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, de suas autar‑
AUTARQUIA E CRIAÇÃO DE CARGOS. REPERCUSSÃO quias e demais entidades controladas pelo Poder Público
GERAL RECONHECIDA. INOCORRENTE OFENSA À federal; e dispor sobre limites e condições para a conces‑
CONSTITUIÇÃO FEDERAL. RECURSO DESPROVIDO. são de garantia da União em operações de crédito externo e
I ­– A Constituição da República não oferece guarida à pos‑ interno. Por conseguinte, a prestação de garantia, pelo Dis‑
sibilidade de o Governador do Distrito Federal criar cargos trito Federal, em operação de crédito contratada por suas
e reestruturar órgãos públicos por meio de simples decreto. autarquias, fundações, empresas públicas e sociedades de
II ­– Mantida a decisão do Tribunal a quo, que, fundado em economia mista, é tema da competência da Câmara Legisla‑
dispositivos da Lei Orgânica do DF, entendeu violado, na tiva e não do Senado Federal.
espécie, o princípio da reserva legal. III –­ Recurso Extra‑
ordinário desprovido”. (STF, Plenário, RE 577025/DF, Rel. XV – aquisição, administração, alienação, arrenda‑
Min. Ricardo Lewandowski, DJ­‑ e 43.
mento e cessão de bens imóveis do Distrito Federal;
XVI – transferência temporária da sede do Governo;
VIII – uso do solo rural, observado o disposto nos arts. XVII – proteção e integração de pessoas portadoras
184 a 191 da Constituição Federal; de deficiência;
IX  – planejamento e controle do uso, parcelamento,
ocupação do solo e mudança de destinação de áreas urba‑ COMENTÁRIO:
nas, observado o disposto nos arts. 182 e 183 da Constitui‑
ção Federal; Tema tratado nos comentários às competências do Distrito
X – criação, incorporação, fusão e desmembramento Federal e no Título VI.
de Regiões Administrativas;
XVIII – proteção à infância, juventude e idosos;
COMENTÁRIO: XIX – organização do sistema local de emprego, em
consonância com o sistema nacional.
Tema tratado exaustivamente no art. 10.
Art. 59. Compete à Câmara Legislativa autorizar, nos
limites estabelecidos pelo Senado Federal, a celebração de
XI – concessão ou permissão para a exploração de ser‑ operações de crédito, a realização de operações externas
viços públicos, incluído o de transporte coletivo; de natureza financeira, bem como a concessão de qualquer
garantia pelo Distrito Federal ou por suas autarquias.
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
Tema tratado nos comentários das competências do Distrito
Federal (art. 14 ao 17). Tema tratado no inciso XIV do art. 58.

30
D e n i s e V a r g a s
Art. 60. Compete, privativamente, à Câmara Legisla‑ Ao Poder Executivo cabe, por vezes, explicitar como aplicar
tiva do Distrito Federal: a lei criada pelo Legislativo, sendo­‑lhe vedado criar direitos
ou impor obrigações inexistentes na lei. Se ultrapassar esse
I  – eleger os membros da Mesa Diretora e constituir poder regulamentar, o Legislativo pode suspender os efeitos
suas comissões; do ato exorbitante do Executivo. Essa suspensão é uma espé‑
cie de controle repressivo de constitucionalidade realizado
COMENTÁRIO: pelo Legislativo.

Mesa Diretora é o órgão do Poder Legislativo responsável VII  – fixar, para cada exercício financeiro, a remu‑
por dirigir os trabalhos legislativos e administrativos da neração do Governador, Vice­‑Governador, Secretários de
Casa Legislativa, no cumprimento de sua tarefa constitu‑
Estado do Distrito Federal e Administradores Regionais,
cional. A Mesa Diretora da Câmara Legislativa do Distrito
Federal compõe­‑se de cinco membros titulares e três suplen‑ observados os princípios da Constituição Federal; (Inciso
tes de secretário, conforme o Regimento Interno da CLDF. com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005)17
São membros titulares: o Presidente, o Vice­‑Presidente, Pri‑
meiro, Segundo e Terceiro Secretários.
COMENTÁRIO:
Os suplentes, em atenção ao art. 46 do Regimento Interno
da CLDF, participarão das reuniões da Mesa Diretora com
As autoridades elencadas nesse inciso, à exceção dos Admi‑
direito a se manifestar sobre os temas discutidos (direito à nistradores Regionais, devem perceber uma espécie remune‑
voz) ou de proferir voto, quando estiver substituindo algum ratória paga em parcelas fixas, vedado o acréscimo de van‑
membro titular (direito a voto). tagens, cuja denominação é subsídios. As remunerações, em
geral, vencimentos e subsídios, devem se ater ao art. 37, XI,
II – dispor sobre seu regimento interno, polícia e servi‑ da CF, bem como aos dispositivos orgânicos, nos casos dos
ços administrativos; agentes públicos do DF.
III  – estabelecer e mudar temporariamente sua sede,
o local de suas reuniões, bem como o de suas comissões VIII – fixar a remuneração dos Deputados Distritais,
permanentes; em cada legislatura, para a subsequente;
IV – zelar pela preservação de sua competência legis‑
lativa; COMENTÁRIO:
V – criar, transformar ou extinguir cargos de seus ser‑ Os Deputados Distritais recebem subsídio, conforme o art.
viços, bem como provê­‑los e fixar ou modificar as respecti‑ 37, XI, da Constituição.
vas remunerações; No entanto, por expressa disposição da CF, em seu art. 27,
§2º c/c o art. 32, §3º, o subsídio dos Deputados Distritais será
fixado por lei de iniciativa da Câmara Legislativa, na razão
COMENTÁRIO:
de, no máximo, setenta e cinco por cento daquele estabele‑
cido, em espécie, para os Deputados Federais, observado o
Cargos na CLDF: A criação, transformação ou extinção de
que dispõem os arts. 39, §4º, 57, §7º, 150, II, 153, III, e 153,
cargos na Câmara Legislativa é matéria de sua competên‑
§2º, I.
cia. Entretanto, essa competência demanda a criação de uma
Interpretação do STF sobre o tema relacionado
lei de iniciativa da Câmara com sanção do Governador, pois
No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade n.
a criação, transformação ou extinção de cargos é matéria
548, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstituciona‑
reservada à Lei. Logo, é vedada à criação de Resolução da
lidade da Resolução n. 24/1991 que estabelecia remuneração
CLDF com o fim de criar seus cargos.
de Deputados Distritais e Servidores da Câmara Legislativa
O STF já teve oportunidade de se manifestar sobre o tema:
em virtude das sessões extraordinárias por afrontar a norma
1. Medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade.
do art. 27, §2º, da Constituição Federal, que assim estabe‑
2. Resoluções da Câmara Legislativa do Distrito Federal que
lece: “O subsídio dos Deputados Estaduais será fixado por
dispõem sobre o reajuste da remuneração de seus servidores.
lei de iniciativa da Assembleia Legislativa, na razão de, no
3. Violação dos arts. 37, X (princípio da reserva de lei); 51,
máximo, 75% (setenta e cinco por cento) daquele estabele‑
IV; e 52, XIII, da Constituição Federal. 4. Superveniência
cido, em espécie, para os Deputados Federais, observado o
de Lei Distrital que convalida as resoluções atacadas. 5. Fato
que dispõem os arts. 39, §4º, 57, §7º, 150, II, 153, III e 153,
que não caracteriza o prejuízo da presente ação. 6. Medida §2º, I”.
cautelar deferida, suspendendo­‑se, com eficácia ex tunc, os O art. 57, §7º, da CF, sofreu modificação por conta da
atos normativos impugnados (STF, Plenário, 3306­‑MC/DF, Emenda Constitucional n. 50/2006, vedando, na área fede‑
Rel. Min. Gilmar Mendes, DJ 28.04.2006); ral, o recebimento de jeton, ou seja, indenização extra em
virtude de convocação extraordinária.
VI – sustar os atos normativos do Poder Executivo que
exorbitem do poder regulamentar, configurando crime de IX – solicitar intervenção federal para garantir o livre
responsabilidade sua reedição; exercício de suas atribuições, nos termos dos arts. 34, IV, e
36, I, da Constituição Federal;
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
Ato normativo é o ato editado pelo Poder Executivo, no DF,
é o Governador, para regulamentar ou explicitar a aplicação Intervenção federal é o ato pelo qual a União, por autoriza‑
de uma lei no âmbito distrital. ção expressa do art. 34 da Constituição Federal, suspende
Conforme o art. 5º, II, da Constituição Federal, ninguém por prazo determinado a autonomia político­‑administrativa
será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão do DF com a finalidade de restabelecer a estabilidade aba‑
em virtude de lei. Esse é o princípio da legalidade. lada por fatos previstos no art. 34 da CF.
Somente a lei pode criar direitos ou impor obrigações a
17 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de
alguém. Só ela pode inovar na ordem jurídica.
Governo do Distrito Federal” por “Secretários de Estado do Distrito Federal”.

31
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
Esse inciso prevê a competência da CLDF para solicitar a COMENTÁRIO:
intervenção federal a fim de garantir o livre exercício de suas
atribuições, que, eventualmente, esteja sendo violada. Sobre tal assunto, verificar os comentários do inciso XIII
desse artigo.
X – promover, periodicamente, a consolidação dos
textos legislativos com a finalidade de tornar sua consulta XV  – julgar anualmente as contas prestadas pelo
acessível aos cidadãos; Governador e apreciar os relatórios sobre a execução dos
XI – dar posse ao Governador e Vice­‑Governador e planos do governo;
conhecer da renúncia de qualquer deles; declarar vacância
COMENTÁRIO:
e promover as respectivas substituições ou sucessões, nos
termos desta Lei Orgânica; O julgamento das contas públicas distritais pode ser atri‑
buição da Câmara Legislativa ou do Tribunal de Contas do
COMENTÁRIO: Distrito Federal (TCDF). As contas do Governador e as do
TCDF serão julgadas pela Câmara Legislativa, ao passo que
as dos demais administradores serão julgadas pelo TCDF.
Sobre vacância dos cargos de Governador e Vice, consulte
os comentários empreendidos aos arts. 93 e 94.
XVI  – fiscalizar e controlar os atos do Poder Execu‑
XII – autorizar o Governador e o Vice­‑ Governador a tivo, incluídos os da administração indireta;
se ausentarem do Distrito Federal por mais de quinze dias;
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO: É tarefa típica do Legislativo fiscalizar os atos do Poder
Executivo. Essa competência lhe é ínsita, para assegurar a
Esse dispositivo já foi objeto de análise perante o STF, que o
harmonia entre os poderes, e encontra respaldo no modelo
declarou válido por expressar simetria com o modelo fede‑
federal, já que é da competência do Congresso Nacional fis‑
ral.
calizar os atos do Poder Executivo Federal.

XIII  – proceder à tomada de contas do Governador, XVII – escolher cinco entre os sete membros do Tribu‑
quando não apresentadas nos prazos estabelecidos; nal de Contas do Distrito Federal;

COMENTÁRIO: COMENTÁRIO:
O Governador do Distrito Federal deve, anualmente, pres‑ Escolha dos membros do TCDF
tar contas à Câmara Legislativa relativas ao exercício finan‑ O inciso XVII, ora em comento, merece ser interpretado
ceiro anterior. Em conformidade com o art. 100, XVI, da Lei com cautela, eis que está em contradição aparente com o art.
Orgânica, deverá fazê­‑lo no prazo de 60 (sessenta) dias após 82, §2º, da LODF. Com efeito, dispõe que os Conselheiros
a abertura da Sessão Legislativa, que tem início na CLDF do Tribunal de Contas do Distrito Federal serão escolhidos:
em 1º de fevereiro de cada ano. I – três pelo Governador do Distrito Federal, com a apro‑
Se não apresentadas, no prazo, à Câmara Legislativa, vação da Câmara Legislativa, sendo um de livre escolha, e
segundo o Regimento Interno da CLDF, em seu art. 215, dois alternadamente dentre auditores e membros do Minis‑
caberá à Comissão de Economia, Orçamento e Finanças, tério Público junto ao Tribunal, indicados em lista tríplice
com o auxílio do Tribunal de Contas do Distrito Federal,
pelo Tribunal, segundo os critérios de antiguidade e mereci‑
proceder à tomada de contas dentro de 90 (noventa) dias,
mento; II – quatro pela Câmara Legislativa. Essa contradi‑
mediante regulamento. Mas é bom ressaltar que isso não
ção é meramente aparente, porque a Emenda à Lei Orgânica
impede as providências para a abertura do processo de
n. 36, de 2002, revogou, implicitamente, o inciso XVII. A
impeachment pela prática de crime de responsabilidade do
redação originária do art. 82, que trata da composição do
Governador, cabendo à Comissão de Constituição e Jus‑
TCDF, estabelecia a competência para a Câmara Legisla‑
tiça, nos moldes do art. 63, do Regimento Interno da CLDF,
tiva efetuar a escolha de 5 (cinco) membros, e o Governador
emitir parecer sobre o pedido de autorização para processar
escolher 2 (dois).
o Governador.
Entretanto, foi ele julgado inconstitucional pelo Supremo
Tribunal Federal, na ADI n. 1.632, já que nos Tribunais de
XIV – convocar Secretários de Estado, dirigentes e Contas compostos por sete membros, o Poder Legislativo só
servidores da administração direta e indireta do Distrito pode escolher quatro, sob pena de violação do princípio da
Federal a prestar pessoalmente informações sobre assuntos independência e harmonia entre os poderes. É esse, também, o
previamente determinados, importando crime de respon‑ teor da Súmula n. 653 do STF.
Com esteio nessa ADI, a Câmara Legislativa, utilizando­
sabilidade a ausência sem justificativa adequada ou o não ‑se do poder de reformar a Lei Orgânica, efetuou a Emenda
atendimento no prazo de trinta dias, bem como a prestação à Lei Orgânica n. 36, de 3 de janeiro de 2002, após o jul‑
de informações falsas, nos termos da legislação pertinente; gamento da ADI, dispondo caber à CLDF a escolha de 4
(Inciso com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 44, de (quatro) membros e ao Governador 3 (três).
2005)18
18 Texto original: XIV – convocar Secretários de Governo, dirigentes e servidores informações sobre assuntos previamente determinados, importando crime de
da administração direta e indireta do Distrito Federal a prestar pessoalmente responsabilidade a ausência sem justificativa adequada ou o não atendimento no
informações sobre assuntos previamente determinados, importando crime de prazo de trinta dias, bem como a prestação de informações falsas, nos termos da
responsabilidade a ausência sem justificativa adequada, nos termos da legisla‑ legislação pertinente; (Inciso com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 10,
ção federal pertinente; de 1996)
Texto alterado: XIV – convocar Secretários de Governo, dirigentes e servidores A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de
da administração direta e indireta do Distrito Federal a prestar pessoalmente Governo” por “Secretários de Estado”.

32
D e n i s e V a r g a s
XVIII – aprovar previamente, em votação ostensiva, só terá eficácia se a decisão partir do Tribunal de Justiça do
após arguição em seção pública, a escolha dos titulares do DF, pois conforme o art. 52, X, da CF, é da competência pri‑
vativa do Senado Federal suspender a execução, mediante
cargo de conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito resolução, de lei ou ato normativo declarado inconstitucional
Federal indicados pelo Governador; (Inciso com a redação pelo STF.
da Emenda à Lei Orgânica n. 47, de 2006)19 Essa resolução, senatorial ou da CLDF, é desnecessária
no controle repressivo abstrato, concentrado, por meio de
algumas ações, como Ação Direta de Inconstitucionalidade
COMENTÁRIO: (ADI), pois nesses casos, o acórdão do STF ou do TJDFT
possui os seguintes efeitos diretos: vinculante (obriga a
Os Conselheiros do TCDF, indicados pelo Governador,
todos os órgãos da Administração Pública e do judiciário
deverão ter seus nomes aprovados pela CLDF em votação inferior) e erga omnes (atinge a todos os regulados pela lei
realizada com o emprego de meio material para recolhi‑ ou pelo ato normativo).
mento dos votos em uma urna (escrutínio). Esse escrutínio
era secreto, no entanto, a Emenda à Lei Orgânica n. 47/2006
transformou­‑o em ostensivo. Em conformidade com o art. XX – aprovar previamente a indicação ou destituição
277 do Regimento Interno, o Governador enviará à CLDF do Procurador­‑ Geral do Distrito Federal;
mensagem esclarecedora sobre o nome indicado, que será
lida em Plenário e encaminhada à Comissão de Economia,
Orçamento e Finanças (art. 64, I, t, do RICL). Por sua vez,
COMENTÁRIO:
essa Comissão convocará o indicado para ouvi­‑lo sobre maté‑
ria relacionada ao cargo a ser ocupado, no prazo máximo de Conforme o art. 100, XIII, da LODF, compete ao Governador
dez dias, contado da leitura da mensagem em Plenário. À nomear e destituir o Procurador­‑ Geral do DF. No entanto, tal
Comissão cabe a elaboração de parecer a ser encaminhado à atribuição deve ser aprovada pela CLDF, mediante parecer
Mesa Diretora, que o lerá em Plenário, o publicará e o inclu‑ prévio da Comissão de Constituição e Justiça, cujo tramite
íra na Ordem do Dia, para ser discutido e votado. se encontra previsto regimentalmente.

XIX – suspender, no todo ou em parte, a execução de XXI – convocar o Procurador­‑ Geral do Distrito Fede‑
lei ou ato normativo declarado ilegal ou inconstitucional ral a prestar informações sobre assuntos previamente deter‑
tanto pelo Supremo Tribunal Federal quanto pelo Tribunal minados, no prazo de trinta dias, sujeitando­‑se este às penas
de Justiça do Distrito Federal nas suas respectivas áreas de da lei por ausência injustificada;
XXII – declarar a perda do mandato do Governador e
competência, em sentenças transitadas em julgado;
do Vice­‑ Governador;
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
No sistema normativo brasileiro não existe hierarquia nor‑
O Governador e o Vice­‑Governador do Distrito Federal,
mativa, salvo quanto às normas de natureza constitucional,
quando praticam crimes comuns, estão imunes processual‑
pois estas possuem supremacia formal e material em relação
mente, pois deve o Judiciário obter, previamente, a autoriza‑
a todas as normas infraconstitucionais. Para controlar tal
ção da Câmara Legislativa, por voto de dois terços dos seus
supremacia, o sistema jurídico brasileiro previu o controle
membros, para a instauração do processo criminal. Havendo
de constitucionalidade das leis e dos atos normativos.
a autorização da CLDF, o Governador estará sujeito a julga‑
Em nosso sistema, o controle de constitucionalidade, quanto
mento, nos crimes comuns, no Superior Tribunal de Justiça,
ao momento de sua realização, pode ser: a) preventivo e b) a teor do disposto no art. 105, I, a, da Constituição Fede‑
repressivo. Diz­‑se preventivo quando o controle é realizado ral. A decisão condenatória do Superior Tribunal de Justiça
no processo legislativo, mediante parecer da Comissão de (STJ) não produz, em regra, efeitos automáticos de declarar
Constituição e Justiça ou de rejeição do projeto no Plená‑ a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo, con‑
rio, ou, caso aprovado, por veto jurídico do Chefe do Execu‑ forme o art. 92 do Código Penal brasileiro:
tivo. No entanto, há uma predominância do Legislativo, que Art. 92. São também efeitos da condenação:
poderá, no prazo de 30 (trinta) dias, rejeitar o veto, fazendo I – a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo:
surgir, assim, uma lei contrária à Constituição Federal ou, a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo
no caso Distrital, à Lei Orgânica do Distrito Federal. Desta igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com
forma, para privar efeitos provocados por lei inconstitucio‑ abuso de poder ou violação de dever para com a Adminis‑
nal, realiza­‑se os controles repressivos, que é tarefa primor‑ tração Pública;
dial do Supremo Tribunal Federal e dos Tribunais de Justiça. b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por
O controle repressivo pode ser, por sua vez: a) concreto, tempo superior a quatro anos nos demais casos;
difuso, por meio de exceção ou incidental, quando qual‑ II – omissis;
quer interessado, nos autos de qualquer tipo de ação judi‑ III – omissis.
cial, como incidente processual, pede para não se aplicar um Parágrafo único. Os efeitos de que trata este artigo não são
ato ou norma, por contrariar a Constituição Federal, ou, no automáticos, devendo ser motivadamente declarados na
caso do Distrito Federal, também a Lei Orgânica do Distrito sentença. (grifo nosso)
Federal. Nesse controle, os efeitos da decisão judicial se res‑ O que se tem como efeito automático das decisões judiciais
tringem às partes do processo, o que não impede que a lei condenatórias é a suspensão dos direitos políticos, conforme
continue a ser aplicada aos outros que não figuraram como o art. 15 da Constituição Federal, in verbis:
partes. Mas, pode, se o controle for feito incidentalmente Art.  15. É vedada a cassação de direitos políticos, cuja
pelo Supremo Tribunal Federal ou o Tribunal de Justiça do perda ou suspensão só se dará nos casos de:
Distrito Federal, haver suspensão dos efeitos da lei, alcan‑ I – cancelamento da naturalização por sentença transitada
çando a todos (efeitos erga omnes) se a Câmara Legislativa em julgado;
aprovar Resolução, privando a lei inconstitucional ou ilegal II – incapacidade civil absoluta;
originariamente de seus efeitos. No entanto, tal dispositivo III – condenação criminal transitada em julgado, enquanto
durarem seus efeitos; IV – recusa de cumprir obrigação a
19 Texto original: XVIII – aprovar previamente, em escrutínio secreto, após argui‑
todos imposta ou prestação alternativa, nos termos do art.
ção em sessão pública, a escolha dos titulares do cargo de conselheiro do Tribu‑
nal de Contas do Distrito Federal, indicados pelo Governador; 5º, VIII;

33
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
V – improbidade administrativa, nos termos do art. 37, §4º. XXV  – processar e julgar o Procurador­‑ Geral nos
(grifo nosso) crimes de responsabilidade;
Logo, cabe à Câmara Legislativa, segundo a Lei Orgânica,
declarar a perda do mandato do Governador e do Vice­
‑Governador, tendo em conta os dispositivos supracitados. COMENTÁRIO:
No entanto, há doutrinadores que entendem que é efeito
automático das decisões condenatórias a perda do mandato Esse dispositivo tentou seguir o modelo federal de julga‑
dos Chefes do Executivo Federal, Estadual, Distrital, salvo o mento legislativo para o Advogado­‑ Geral da União, perante
Municipal, a exemplo de Alexandre de Moraes. o Senado Federal. No entanto, há posicionamento sumulado
do STF de que não compete aos Estados e ao Distrito Federal
XXIII – autorizar, por dois terços dos seus membros, legislarem sobre processo penal e Direito Penal.
a instauração de processo contra o Governador, o Vice­
Interpretação do Supremo Tribunal Federal sobre o tema
‑Governador e os Secretários de Estado; (Inciso com a Conforme o verbete da Súmula n. 722 do STF: “são da com‑
redação da Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005)20 petência legislativa da União a definição dos crimes de res‑
ponsabilidade e o estabelecimento das respectivas normas
COMENTÁRIO: de processo e julgamento”.

Art. 60, XXIII, da LODF: O art. 60, inciso XXIII, da LODF XXVI – autorizar ou aprovar convênios, acordos ou
estatui competência privativa para a Câmara Legislativa contratos de que resultem, para o Distrito Federal, encar‑
autorizar a instauração de processo contra o Governa‑
dor, o Vice­‑Governador e os Secretários de Estado do DF, gos não previstos na lei orçamentária; (Inciso declarado
mediante quorum de dois terços de seus membros. Esse dis‑ inconstitucional: ADI n. 1166 – STF, Diário de Justiça de
positivo é alvo de questionamento perante o STF em face de 25.10.2002)
ação proposta pelo Procurador­‑ Geral da República (ADI N.
4362). A referida ação ainda encontra­‑se pendente de julga‑
mento. Entretanto, em decisão interlocutória, o STF denegou
COMENTÁRIO:
a concessão de medida cautelar, por, liminarmente, válida a
Convênios, acordos ou contratos são espécies de ajustes que
regra ora em comento. Portanto, o STF entendeu que essa
podem ser celebrados pelo Poder Executivo, com a finali‑
exigência de autorização prévia não encontra óbice na CF.
dade de melhor alcançar o bem comum.
Ao contrário, é firme a sua jurisprudência no sentido da
constitucionalidade de exigência prévia de licença do legis‑ Esse inciso retira a independência do Executivo e, por conta
lativo para se processar o Governador. (ADI 4362, Decisão disso, foi considerado inconstitucional pelo STF por afronta
Interlocutória, STF, Plenário, Rel. Min. Dias Toffoli, Deci‑ aos arts. 18, 25 e 28, todos da Constituição da República.
são 01.02.2010). (ADI n. 1.166, Rel. Min. Ilm ar Galvão, DJ de 25.10.2002).

XXIV – processar e julgar o Governador nos crimes XXVII – aprovar previamente, em votação ostensiva,
de responsabilidade, bem como adotar as providências per‑ após arguição pública, a escolha dos membros do Conse‑
tinentes, nos termos da legislação federal, quanto ao Vice­ lho de Governo indicados pelo Governador; (Inciso com a
‑Governador e Secretários de Estado, nos crimes da mesma redação da Emenda à Lei Orgânica n. 47, de 2006)22
natureza ou conexos com aqueles; (Inciso com a redação da
Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005)21 COMENTÁRIO:
A Emenda à Lei Orgânica n. 47, de 2006, modificou o pro‑
COMENTÁRIO: cedimento de votação que era secreto, originariamente, e
passou a ser ostensivo.
Tramita, no Supremo Tribunal Federal a Ação Direta de
Inconstitucionalidade 3.466, ajuizada pelo Procurador­
‑Geral da República, cujo objeto é o pedido de declaração
XXVIII – aprovar previamente a alienação de terras
de inconstitucionalidade desse inciso e, igualmente, da públicas com área superior a vinte e cinco hectares e, no
expressão “ou perante a própria Câmara Legislativa, nos caso de concessão de uso, com área superior a cinquenta
crimes de responsabilidade” inscrita no caput do art. 103 hectares;
da Lei Orgânica. Argumenta o Procurador­‑ Geral da Repú‑
blica que a Lei Federal n. 1.079/1950 regula o procedimento,
XXIX  – apreciar e julgar, anualmente, as contas do
dentre outros temas, a ser feito quando do crime de respon‑ Tribunal de Contas do Distrito Federal;
sabilidade cometido por Governador. Nesse caso, a lei fede‑
ral estabelece que tal julgamento se efetivará com um Tri‑ COMENTÁRIO:
bunal Especial composto por cinco Parlamentares e cinco
Desembargadores, e, por isso, não pode a Legislação local O dispositivo em epígrafe foi objeto de questionamento
afastar a incidência de lei federal. perante o STF, que julgou improcedente o pedido de declara‑
Embora até a presente edição não haja manifestação limi‑ ção de inconstitucionalidade dessa norma, nos autos do ADI
nar ou definitiva do Supremo Tribunal Federal, o que acar‑ n. 1.175. Logo, ele é plenamente eficaz.
reta a validade desse inciso até ulterior decisão judicial,
é mister ressaltar que, em casos análogos previstos pelas
Constituições Estaduais, a Suprema Corte chegou a decla‑ XXX – receber renúncia de Deputado Distrital e decla‑
rar a inconstitucionalidade de dispositivos similares. Cite­ rar a vacância do cargo;
‑se como exemplo a decisão proferida no julgamento da XXXI – declarar a perda de mandato de Deputado Dis‑
ADI n. 1.628­‑ SC, DJU 24.11.2006 (vide comentário ao art.
trital, como prevê o art. 63, §2º;
101).
XXXII  – solicitar ao Governador informação sobre
20 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de atos de sua competência;
Governo” por “Secretários de Estado”. 22 Texto original: XXVII – aprovar previamente, por voto secreto, após arguição
21 A Emenda à lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de pública, a escolha dos membros do Conselho de Governo indicados pelo Gover‑
Governo” por Secretários de Estado”. nador;

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D e n i s e V a r g a s
XXXIII  – encaminhar, por intermédio da Mesa ou para a criação de leis ordinárias e complementares. No
Diretora, requerimento de informação aos Secretários de entanto, a Constituição estabeleceu liberdade para que os
Estado, implicando crime de responsabilidade, nos termos Estados e o DF regulamentem essa participação.
da legislação pertinente, a recusa ou o não atendimento no
prazo de trinta dias, bem como o fornecimento de informa‑ XXXIX – indicar membros do Conselho de Governo,
ção falsa; (Inciso com a redação da Emenda à Lei Orgânica nos termos do art. 108, V;
n. 44, de 2005)23 XL – (Inciso revogado pela Emenda à Lei Orgânica
n. 28, de 1999)24
COMENTÁRIO: XLI – conceder título de cidadão benemérito ou hono‑
rário, nos termos do regimento interno;
Pelo princípio da legalidade penal, não há crime sem lei XLII – autorizar referendo e convocar plebiscito. (Inciso
anterior que o defina nem pena sem prévia cominação legal. acrescido pela Emenda à Lei Orgânica n. 25, de 1998)
Logo, para que a conduta seja qualificada como crime deve
haver lei. E, compete privativamente à União legislar sobre
Direito Penal. Assim, a tipificação de crime de responsabili‑
COMENTÁRIO:
dade é atribuição privativa da União.
Acerca do plebiscito, vide comentário ao art. 1º da LODF.

XXXIV – apreciar vetos, observando, no que couber, o


disposto nos arts. 66 e 67 da Constituição Federal; §1º Em sua função fiscalizadora, a Câmara Legislativa
XXXV – aprovar previamente a indicação de presi‑ observará, no que couber, o disposto nos arts. 70 a 75 da
dente de instituições financeiras oficiais do Distrito Federal; Constituição Federal.
XXXVI – conceder licença para processar Deputado §2º No caso do inciso XI, a Mesa Diretora da Câmara
Distrital; Legislativa enviará denúncia, em cinco dias, à Comissão
Especial composta em conformidade com o art. 68, garan‑
COMENTÁRIO: tida a proporcionalidade partidária; a qual emitirá parecer,
no prazo de quinze dias, submetendo­‑o imediatamente ao
Os parlamentares federais (Senadores e Deputados Federais) Plenário.
possuem, em razão da função pública que exercem, algumas §3º A remuneração dos Deputados Distritais obede‑
inviolabilidades e prerrogativas.
cerá ao limite estabelecido pela Constituição Federal.
Conforme o art. 53 da CF, com redação dada pela Emenda
Constitucional n. 35/2001, não se faz mais necessária a auto‑
rização da Casa Legislativa para se processar tais parlamen‑ COMENTÁRIO:
tares. Podem eles ser processados por crimes anteriores e
posteriores à diplomação junto ao Supremo Tribunal Fede‑ Tema já comentado nas competências vistas no art. 60.
ral. No entanto, para os crimes que ocorreram após a diplo‑
mação, o processo criminal poderá ser suspenso pela Casa
respectiva, após proposta de partido político nela represen‑
tado e voto da maioria de seus membros. Caso haja sustação Seção III
do processo criminal, o prazo prescricional também ficará Dos Deputados Distritais
suspenso. Nesse caso, considera­‑se uma imunidade formal
para o processo, aplicada, igualmente, aos parlamentares Art. 61. Os Deputados Distritais são invioláveis, civil
distritais, por força dos arts. 53, §§3º ao 5º, c/c o art. 32, §2º
e 27, todos da Constituição Federal de 1988. e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e
Logo, não pode mais subsistir o tratamento desse inciso em votos. (Artigo e parágrafos com a redação da Emenda à Lei
comento porque não há mais necessidade de concessão de Orgânica n. 48, de 2007)25
licença para processar Deputado Distrital. Todavia, pode a 24 Texto revogado: XL – referendar a escolha de metade dos membros do Conselho
Câmara Legislativa sustar o andamento do processo. de Educação do Distrito Federal, indicados pelo Executivo, na forma do art. 244.
E foi por esse motivo que a CLDF elaborou a ELODF 25 Texto original: Art. 61. Os Deputados Distritais são invioláveis por suas opini‑
48/2007, que modificou expressamente o §1º do art. 61 da ões, palavras e votos.
LODF, que também exigia a licença para processar os Depu‑ §1º Desde a expedição do diploma, os membros da Câmara Legislativa não pode‑
tados Distritais, criminalmente. A referida reforma expressa rão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável, nem processados crimi‑
nalmente sem prévia licença da Casa.
no art. 61 da LODF importou em revogação tácita do inciso
§2º O indeferimento do pedido de licença ou a ausência de deliberação suspende
XXXVI do art. 60, ora em comento. a prescrição enquanto durar o mandato.
§3º No caso de flagrante de crime inafiançável, os autos serão remetidos, dentro
XXXVII – emendar a Lei Orgânica, promulgar leis, de vinte e quatro horas, à Câmara Legislativa, para que, pelo voto da maioria
de seus membros, em votação ostensiva, resolva sobre a prisão, aplicando­‑se o
nos casos de silêncio do Governador, expedir decretos disposto no art. 53 da Constituição Federal, no que couber. (Parágrafo com a
legislativos e resoluções; redação da Emenda à Lei Orgânica n. 47, de 2006)
XXXVIII – regulamentar as formas de participação Texto original: §3º No caso de flagrante de crime inafiançável, os autos serão
remetidos, dentro de vinte e quatro horas, à Câmara Legislativa, para que, por
popular previstas nesta Lei Orgânica; voto secreto da maioria absoluta, resolva sobre a prisão e autorize ou não a forma‑
ção da culpa.
§4º Os Deputados Distritais serão submetidos a julgamento perante o Tribunal
COMENTÁRIO: de Justiça do Distrito Federal.
§5º Os Deputados Distritais não serão obrigados a testemunhar sobre informa‑
Um dos instrumentos assegurados constitucionalmente para ções recebidas ou prestadas em razão do exercício do mandato, nem sobre pes‑
dar efetividade à democracia participativa ou direta foi a ini‑ soas que lhes confiarem ou deles receberem informações.
ciativa popular ou permissão para os cidadãos ofertarem ao §6º A incorporação de Deputados Distritais às Forças Armadas, embora mili‑
Legislativo sugestão para a criação de plebiscito e referendo tares e ainda que em tempo de guerra, dependerá de prévia licença da Câmara
Legislativa.
23 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de §7º As imunidades dos Deputados Distritais subsistirão durante o estado de sítio,
Governo” por “Secretários de Estado”. só podendo ser suspensas mediante voto de dois terços dos membros da Câmara

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L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
COMENTÁRIO: terminis. Aliás, a Constituição de 1988 é clara nesse sen‑
tido, ao prever um juízo censório próprio e específico para
os membros do Parlamento, que é o previsto em seu artigo
A Emenda Constitucional n. 35/2001, que reflexamente se 55. Noutras palavras, não há falar em crime de responsabi‑
aplica também ao Distrito Federal e aos Estados, por conta lidade de parlamentar”. (Pet 3923 QO / SP, Relator(a): Min.
da expressa determinação do art. 27 c/c 32, ambos da CF, JOAQUIM BARBOSA, DJe­‑182 de 26.09.2008).
veio esclarecer que essa imunidade material é de natureza
civil e penal, in verbis: “Os Deputados Distritais são invio‑
láveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, §2º Desde a expedição do diploma, os membros da
palavras e votos”.
Câmara Legislativa não poderão ser presos, salvo em fla‑
O caput desse artigo institui o que doutrinariamente se
denomina de imunidade material ou inviolabilidade, que se grante de crime inafiançável.
traduz na garantia de assento constitucional dos Deputados
Distritais não sofrerem responsabilização civil ou penal COMENTÁRIO:
quando, no exercício de suas funções, na Câmara Legis‑
lativa ou fora dela, manifestar suas opiniões, proferir seus O parágrafo em comento trata da denominada “imunidade
votos ou reduzir oralmente ou por escrito suas palavras. formal prisional” dos parlamentares, que também sofreu
Agora, frise­‑se que o fato de se impedir a responsabiliza‑ modificação pela ELODF n. 48/2007. A redação originária
ção civil e criminal do parlamentar no exercício de suas estaria inaplicável por conta da Emenda Constitucional n.
funções, quando manifesta suas convicções, não impede a 31/2005.
decretação de perda do mandato, por quebra de decoro par‑ A vedação de se prender os parlamentares distritais, na
lamentar, após o contraditório e a ampla defesa em processo vigência de seu mandato, por outros crimes, que não afian‑
disciplinar interna corporis. Entendemos, sem embargo de çáveis e em flagrante, é o que se denomina de imunidade
opiniões restritivas, que a imunidade parlamentar deve ser formal prisional, que está prevista pelo art. 53 c/c 27, ambos
resguardada mesmo fora do território do DF ou, em algu‑ da Constituição Federal. Na hipótese de flagrante de crime
mas hipóteses, fora do território nacional, já que os par‑ inafiançável, os autos serão enviados à Câmara Legislativa
lamentares podem compor comissão para representarem o para decidir sobre a manutenção ou permanência da prisão.
Poder Legislativo Distrital em qualquer parte do território Segundo Bulos (2005, p. 784):
nacional ou em atos internacionais. com o advento da Emenda Constitucional n. 35/2001, a
Questão interessante refere­‑se à manutenção dessa imuni‑ prisão civil do deputado ou senador, nas hipóteses consti‑
dade material, quando o parlamentar é investido no cargo tucionalmente permitidas, isto é, dever de alimentos ou ser
de Ministro ou Secretário de Estado. Sobre o tema, o STF depositário infiel, não poderá ser decretada sem a necessi‑
já teve oportunidade de decidir, em um Inquérito aberto dade do consentimento de sua respectiva Casa Legislativa.
contra um Deputado Federal, que aquele que se licencia do Este autor cita a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal
cargo de deputado para ocupar cargo no executivo não pode que admite, igualmente, a prisão do parlamentar após sen‑
invocar a imunidade material e a processual de parlamen‑ tença judicial irrecorrível. Mas, como é cediço, a perda do
tar. (STF, Inq. 104 – RS, DJU, 2/10/1981). mandato, nessa hipótese, dependerá, conforme o art. 63, §2º,
da Lei Orgânica, de decisão da maioria absoluta dos mem‑
bros da Câmara Legislativa, em votação secreta, mediante
§1º Os Deputados Distritais, desde a expedição do aprovação da Mesa Diretora ou de partido político represen‑
diploma, serão submetidos a julgamento perante o Tribu‑ tado na Casa, assegurada ampla defesa.
nal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. Desde o advento da Emenda Constitucional n. 35/2001, não
se faz mais necessária a licença da Câmara Legislativa para a
instauração de processo criminal em desfavor de Deputados
COMENTÁRIO: Distritais, o que autoriza que o TJDFT receba a Denúncia ou
a Queixa­‑ crime, sem licença da CLDF. Mas se o crime for
cometido após a diplomação no Tribunal Regional Eleitoral,
O presente parágrafo foi alterado pela ELODF 48/2007
pode a CLDF, por voto da maioria absoluta, após a sugestão
para adequar­‑se às regras contidas no art. 53 da CF (com
de partido político nela representado, suspender o curso do
redação dada pela Emenda Constitucional n. 35/2001). Ele
processo criminal.
dispõe sobre o foro por prerrogativa de função. Assim,
antes mesmo da posse, a partir da diplomação perante a jus‑
tiça eleitoral, os Deputados Distritais passam a ter o direito §3º No caso de flagrante de crime inafiançável os autos
de serem processados e julgados, criminalmente, perante serão remetidos dentro de vinte e quatro horas à Câmara
o TJDFT.
Essa competência do TJDFT, por óbvio, que se refere ao
Legislativa, para que, pelo voto da maioria de seus mem‑
julgamento dos Deputados quanto aos “crimes comuns”, bros, resolva sobre a prisão.
pois parlamentar não comete crime de responsabilidade.
Sobre o tema, pedimos vênia para citar um excerto de uma
COMENTÁRIO:
ementa paradigmática do STF:
“2) Crime de responsabilidade ou impeachment, desde os
A Emenda à Lei Orgânica n. 47, de 2006, modificou o proce‑
seus primórdios, que coincidem com o início de consolida‑
dimento de votação de secreta para ostensiva, visando atri‑
ção das atuais instituições políticas britânicas na passagem
buir maior transparência ao relaxamento de prisão em fla‑
dos séculos XVII e XVIII, passando pela sua implantação
grante de crime inafiançável de Deputados Distritais.
e consolidação na América, na Constituição dos EUA de
1787, é instituto que traduz à perfeição os mecanismos de
fiscalização postos à disposição do Legislativo para con‑ §4º Recebida a denúncia contra o Deputado Dis‑
trolar os membros dos dois out ros Poderes. Não se con‑ trital por crime ocorrido após a diplomação, o Tribunal
cebe a hipótese de impeachment exercido em detrimento
de membro do Poder Legislativo. Trata­‑se de contraditio in de Justiça do Distrito Federal e Territórios dará ciência à
Câmara Legislativa, que, por iniciativa de partido político
Legislativa, nos casos de atos praticados fora do recinto da Casa, que sejam
incompatíveis com a execução da medida. nela representado e pelo voto da maioria de seus membros,
§8º Poderá o Deputado Distrital, mediante licença da Câmara Legislativa, poderá, até a decisão final, sustar o andamento da ação.
desempenhar missões de caráter diplomático e cultural.

36
D e n i s e V a r g a s
COMENTÁRIO: ou a sua soberania, nos casos de guerra externa, agressão
armada estrangeira ou por ineficácia de medidas adotadas
O sobrestamento do processo criminal já iniciado contra no estado de defesa. Encontra­‑se previsto no art. 137 c/c o
o parlamentar distrital só pode ser tomado pela decisão 139 da Constituição Federal. Na vigência de comoção grave
da maioria absoluta da CLDF. Entretanto, só poderá ser de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que compro‑
sobrestado o processo criminal que tenha por objeto a apu‑ vem a ineficácia de medidas adotadas no estado de defesa,
ração de delitos praticados após a diplomação. Logo, se o o Presidente da República, depois de ouvidos os Conselhos
fato criminal for anterior à diplomação, a casa legislativa da República e da Defesa Nacional, e desde que autorizado
não poderá suspender o curso da referida ação penal. Mas, por voto da maioria absoluta do Congresso Nacional, pode
sobrestando­‑a, no caso de crimes posteriores à diplomação, decretar um estado de legalidade extraordinária em que se
sobrestá­‑se, igualmente, a contagem do prazo prescricional, limita temporariamente o exercício dos direitos constitu‑
conforme o disposto §6º. cionais de liberdade de locomoção, reunião e de imprensa,
inviolabilidade domiciliar, dos sigilos de correspondência,
das comunicações, de obtenção de informações, conforme
§5º O pedido de sustação será apreciado pela Câmara
art. 139 da Magna Carta.
Legislativa no prazo improrrogável de quarenta e cinco dias Aliás, na vigência de intervenção federal, estado de defesa e
do seu recebimento pela Mesa Diretora. estado de sítio, sofridos no território do DF, salvo no último
§6º A sustação do processo suspende a prescrição, caso, quando for de âmbito nacional, a Câmara Legislativa
não poderá deliberar sobre proposta de emendas à Lei Orgâ‑
enquanto durar o mandato. nica, conforme leitura do art. 70, §5º.
§7º Os Deputados Distritais não serão obrigados a
testemunhar sobre informações recebidas ou prestadas em §10. Poderá o Deputado Distrital, mediante licença da
razão do exercício do mandato, nem sobre as pessoas que Câmara Legislativa, desempenhar missões de caráter diplo‑
lhes confiaram ou deles receberam informações. mático e cultural.

COMENTÁRIO: Art. 62. Os Deputados Distritais não poderão:

Esse parágrafo é consectário do art. 5º, XIV, que assegura a COMENTÁRIO:


todos o acesso à informação, resguardado o sigilo da fonte,
quando ele for necessário para o exercício profissional. Esse artigo, inspirado no art. 54 da Constituição Federal,
estabelece incompatibilidades parlamentares, vedações que
§8º A incorporação de Deputados Distritais às Forças asseguram a independência do Poder Legislativo.
Tais incompatibilidades se classificam em: a) funcionais; b)
Armadas, embora militares e ainda que em tempo de contratuais; c) políticas; e d) profissionais.
guerra, dependerá de prévia licença da Câmara Legislativa. Algumas incompatibilidades têm início mesmo antes da
posse, dando­‑se a partir da expedição do diploma. Outras
COMENTÁRIO: se iniciam a partir da posse do Deputado Distrital no cargo.
O desrespeito a essas vedações poderá implicar em perda do
mandato parlamentar.
Esse parágrafo instituiu a imunidade à obrigação constitu‑
cional de prestar serviço militar prevista no art. 143 da Carta
Magna, pois os Deputados Distritais só poderão ser compe‑ I – desde a expedição do diploma:
lidos a cumprir o serviço militar obrigatório mediante prévia a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de
licença da Câmara Legislativa. Aliás, recorde­‑se que o par‑
lamentar distrital que desejar se incorporar às forças arma‑ direito público, autarquia, empresa pública, sociedade
das em tempo de estabilidade institucional deverá renunciar de economia mista ou empresa concessionária de serviço
ao seu mandato. público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uni‑
formes;
§9º As imunidades dos Deputados Distritais subsis‑ b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remu‑
tirão durante o estado de sítio, só podendo ser suspensas nerado, inclusive os de que sejam demissíveis ad nutum nas
mediante o voto de dois terços dos membros da Câmara entidades constantes da alínea anterior;
Legislativa, nos casos de atos praticados fora do recinto da
Casa que sejam incompatíveis com a execução da medida.
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO: Após a proclamação do resultado das eleições pela Justiça
Eleitoral, é marcada sessão solene a ser realizada pelo Juízo
O parágrafo em tela demonstra que as imunidades dos parla‑ Eleitoral competente. Os eleitos, por conta disso, recebem
mentares não são absolutas ou intangíveis, pois estão sujei‑ diploma que os habilita ao exercício do cargo, em que se cer‑
tas à suspensão, na vigência de estado de sítio, desde que tifica a eleição, o nome do candidato, a coligação pela qual
tenham eles praticado atos fora do recinto parlamentar e que foi eleito, sem prejuízo de outros dados que forem pertinen‑
afrontem as medidas tomadas no estado de sítio. tes. Essa sessão solene é o termo inicial para algumas garan‑
Esse parágrafo é autoexplicativo. Contudo, não é demais tias ou impedimentos dos Deputados Distritais.
recordar que o estado de sítio é o procedimento pelo qual a Nesse inciso estão previstos impedimentos contratuais e
União, por decreto do Presidente da República, após audi‑ profissionais que vedam aos Deputados Distritais a assina‑
ência dos Conselhos da República e de Defesa Nacional, e tura ou mantença de contrato com empresas públicas, socie‑
autorização do Congresso Nacional, suspende e restringe dades de economia mista, autarquias ou, até mesmo, pessoas
em locais do território nacional o exercício de alguns direi‑ jurídicas privadas que prestem serviços de natureza pública
tos e garantias fundamentais com a finalidade de preser‑ por autorização da Administração Pública, exceto se tal con‑
var ou restabelecer a estabilidade institucional do Estado trato estiver regido por cláusulas uniformes.

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L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
Cláusulas uniformes, segundo entendimento do Superior por sentença da qual não caiba mais recurso (sentença tran‑
Tribunal Eleitoral, são regras unilaterais, existentes nos con‑ sitada em julgado); II – incapacidade civil absoluta; III –
tratados de adesão, em que o contratante adere ao contrato condenação criminal transitada em julgado, enquanto dura‑
em face de oferta unilateral do Poder Público, sem espaço rem seus efeitos; IV – recusa de cumprir obrigação a todos
para a negociação das cláusulas. (REPE 2239, julgado em imposta ou prestação alternativa, nos termos do art. 5º, VIII,
03.09.2004). da CF; V – for condenado em ação de improbidade admi‑
nistrativa.
II – desde a posse: A perda dos direitos políticos ocorre no caso de Deputado
Distrital que seja brasileiro naturalizado e perca a sua nacio‑
a) ser proprietários, controladores ou diretores de
nalidade brasileira, após decisão emanada do Poder Judiciá‑
empresa que goze de favor decorrente de contrato com rio. A suspensão ocorre com: a) a perda da capacidade civil
pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função do Deputado Distrital em virtude de superveniente decisão
remunerada; judicial de interdição em que se apura algumas das seguin‑
b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis ad tes causas: enfermidade ou deficiência mental, que lhe
retire o discernimento necessário para a prática de atos; ou
nutum, nas entidades referidas no inciso I, a; por impossibilidade, mesmo que transitória, para exprimir
c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer sua vontade; tiver reduzido o discernimento em virtude de
das entidades a que se refere o inciso I, a; embriaguez habitual; vício em substância entorpecente ou
d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato tóxica; b) condenação pela prática de infração penal, quando
a decisão for irrecorrível; c) a recusa, injustificada, de cum‑
público eletivo. prir obrigação legal, que a todos é imposta; d) a condenação
em ação civil pública de improbidade administrativa, por
Art. 63. Perderá o mandato o Deputado Distrital: praticar qualquer ato que viole os princípios da Administra‑
ção Pública.
COMENTÁRIO:
V  – quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos
Esse artigo prevê as hipóteses em que o mandato do Depu‑ previstos na Constituição Federal;
tado Distrital cessará antes do término da legislatura, como
sanção por descumprimento de alguma vedação, ou por
VI – que sofrer condenação criminal em sentença tran‑
ausência de decoro parlamentar, ou desídia no cumprimento sitada em julgado;
de suas atividades legislativas, ou suspensão de direitos polí‑
ticos e decisão do Tribunal Eleitoral. COMENTÁRIO:
Cabe à Mesa Diretora da Câmara Legislativa aplicar as san‑
ções aos parlamentares distritais por infringência ao dever Embora a sentença condenatória transitada em julgado
de comparecer, em cada sessão legislativa, no mínimo, a 1/3 acarrete, conforme o art. 15 da CF, a suspensão dos direi‑
das sessões ordinárias, que tiver seus direitos políticos sus‑ tos políticos pelo prazo da pena fixado na sentença, a perda
pensos em virtude de sentença judicial ou perder o mandato do mandato não é automática, pois depende de deliberação
por ordem do Juízo Eleitoral. da maioria dos membros da casa. Por absurdo que pareça,
um Deputado que sofrer a condenação penal transitada em
I – que infringir qualquer das proibições estabelecidas julgado permanece no mandato até deliberação da maioria
no artigo anterior; absoluta da Casa, mas com direitos políticos suspensos.
II – cujo procedimento for declarado incompatível com
o decoro parlamentar; VII – que utilizar­‑se do mandato para a prática de atos
III – que deixar de comparecer, em cada sessão legis‑ de corrupção ou improbidade administrativa.
lativa, à terça parte das sessões ordinárias, salvo licença ou §1º É incompatível com o decoro parlamentar, além
missão autorizada pela Câmara Legislativa; dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prer‑
rogativas asseguradas ao Deputado Distrital ou a percepção
COMENTÁRIO: de vantagens indevidas.
§2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do man‑
Em cada sessão legislativa (1º de fevereiro a 15 de dezembro, dato será decidida por maioria absoluta dos membros da
excluídos os recessos parlamentares legislativos), a Câmara
desenvolverá seus trabalhos em sessões ordinárias, que são
Câmara Legislativa, em votação ostensiva, mediante provo‑
as reuniões realizadas em plenário, entre terças e quintas­ cação da Mesa Diretora ou de partido político representado
‑feiras. O parlamentar distrital que, durante o ano legisla‑ na Casa, assegurada ampla defesa. (Parágrafo com a reda‑
tivo, isto é, a sessão legislativa, deixar de comparecer à terça ção da Emenda à Lei Orgânica n. 47, de 2006)26
parte das reuniões ordinárias (sessões ordinárias), poderá ter
seu mandato interrompido prematuramente por desídia no
cumprimento de suas tarefas, mediante declaração da perda COMENTÁRIO:
do mandato por ato da Mesa Diretora.
A Emenda à Lei Orgânica n. 47, de 2006, exigiu que a vota‑
ção seja ostensiva nos casos de declaração de perda do
IV – que perder ou tiver suspensos os direitos políticos; mandato, pela maioria dos membros, quando o parlamentar
infringir qualquer das proibições estabelecidas no art. 62; ou
COMENTÁRIO: cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro
parlamentar; ou que sofrer condenação criminal em sen‑
Os direitos políticos são espécies de direitos fundamentais tença transitada em julgado.
previstos na Constituição Federal.
O art. 15 da Carta Magna veda a cassação de tais direitos, 26 Texto original: §2º Nos casos dos incisos I, II e VI, a perda do mandato será
cuja perda ou suspensão só se dará nos casos taxativamente decidida por maioria absoluta dos membros da Câmara Legislativa, em votação
previstos, quais sejam: I – cancelamento da naturalização secreta, mediante provocação da Mesa Diretora ou de partido político represen‑
tado na Casa, assegurada ampla defesa.

38
D e n i s e V a r g a s
§3º Nos casos previstos nos incisos III a V, a perda será COMENTÁRIO:
declarada pela Mesa Diretora, de ofício ou mediante pro‑
Ocorrendo vaga e inexistindo suplente de Deputado Distrital
vocação de qualquer dos membros da Câmara Legislativa
para lhe substituir, serão feitas novas eleições para o preen‑
ou de partido político nela representado, assegurada ampla chimento do cargo, se faltar mais de quinze meses para o
defesa. término do mandato, que é de quatro anos
O único cargo em que há eleição de suplente é o de Senador.
COMENTÁRIO: Mas, havendo impedimento ou licença de deputados distri‑
tais, deverá ser chamado à substituição aquele mais votado
Nem sempre a perda do mandato deverá ser tomada pela e que não tenha tomado posse, do partido ou legenda par‑
maioria absoluta da Casa. Nos casos em que o parlamentar tidária.
deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça
parte das sessões ordinárias, salvo licença ou missão autori‑ §3º Na hipótese do inciso I, o Deputado Distrital
zada pela Câmara Legislativa; perder ou tiver suspensos os
direitos políticos e quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos
poderá optar pela remuneração de seu mandato.
casos previstos na Constituição Federal, a decisão poderá ser
tomada pela Mesa Diretora. Seção IV
Do Funcionamento da Câmara Legislativa
§4º A renúncia de Deputado Distrital submetido a
processo que vise ou possa levar à perda do mandato, nos Subseção I
termos deste artigo, terá seus efeitos suspensos até as deli‑ Das Reuniões
berações finais de que tratam os §§2° e 3°. (Parágrafo
acrescido pela Emenda à Lei Orgânica n. 31, de 1999) Art. 65. A Câmara Legislativa reunir­ ‑se­
‑á, anual‑
Art. 64. Não perderá o mandato o Deputado Distrital: mente, em sua sede, de 1º de fevereiro a 30 de junho e de 1º
I – investido na função de Ministro de Estado, de agosto a 15 de dezembro.
Secretário­‑Executivo de Ministério ou equivalente, Secre‑
tário de Estado do Distrito Federal, Administrador Regio‑ COMENTÁRIO:
nal, Chefe de Missão Diplomática Temporária ou diri‑
gente máximo de Autarquia, Fundação Pública, Agência, A sessão legislativa ordinária compreende dois períodos
anuais:
Empresa Pública ou Sociedade de Economia Mista perten‑
1º período – de 1º de fevereiro a 30 de junho.
centes à Administração Pública Federal e Distrital; (Inciso 2º período – de 1º de agosto a 15 de dezembro.
com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005)27 Na área federal, atendendo aos reclames de eficiência e
II – licenciado pela Câmara Legislativa por motivo de moralidade, a Emenda Constitucional n. 50/2006 estabele‑
doença ou para tratar, sem remuneração, de interesse par‑ ceu a sessão legislativa ordinária entre 2 de fevereiro a 17 de
ticular desde que, neste caso, o afastamento não ultrapasse julho e 1º de agosto a 22 de dezembro.
cento e vinte dias por sessão legislativa.
§1º O suplente será convocado nos casos de vaga, de §1º As reuniões marcadas para essas datas serão trans‑
investidura nas funções previstas neste artigo ou de licença feridas para o primeiro dia útil subsequente, quando recaí‑
superior a cento e vinte dias. rem em sábados, domingos ou feriados.

COMENTÁRIO: COMENTÁRIO:
Os Deputados Distritais não são eleitos com suplentes, dife‑
rentemente do que ocorre com os Senadores. Serão suplentes A sessão legislativa sempre terá início em 1º de fevereiro,
aqueles que na legenda ou partido foram os mais votados e o que poderá ser transferido é a reunião marcada em 1º de
não conquistaram a vaga. fevereiro, se recair em dia não útil.
§2º A sessão legislativa não será interrompida sem a
§2º Ocorrendo vaga e não havendo suplente, far­‑se­‑á aprovação do projeto de lei de diretrizes orçamentárias,
eleição para preenchê­‑la, se faltarem mais de quinze meses nem encerrada sem a aprovação do projeto de lei do orça‑
para o término do mandato. mento.

27 Texto original: I – investido na função de Ministro de Estado, Secretário de COMENTÁRIO:


Governo do Distrito Federal ou chefe de missão diplomática temporária;
Texto alterado: I – investido na função de Ministro de Estado, Secretário de
Se até 30 de junho, término do 1º período da sessão legisla‑
Governo, Administrador Regional ou chefe de missão diplomática temporária;
tiva, não for votado projeto de lei de diretrizes orçamentá‑
(Inciso com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 20, de 1997)
Texto alterado: I – investido na função de Ministro de Estado, Secretário de rias, e se até 15 de dezembro não for analisado o projeto de
Estado, Administrador Regional ou chefe de missão diplomática temporária; orçamento anual, não se poderá fazer convocação extraordi‑
(Inciso com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 37, de 2002) nária, mas, simplesmente, estender, respectivamente, os tra‑
Texto alterado: I – investido na função de Ministro de Estado, Secretário­ balhos do primeiro e segundo períodos da sessão legislativa.
‑Executivo de Ministério ou equivalente, Secretário de Estado, Administrador
Regional, Chefe de Missão Diplomática Temporária ou dirigente máximo de
Autarquia, Fundação Pública, Agência, Empresa Pública ou Sociedade de Eco‑ Art. 66. A Câmara Legislativa, em cada legislatura,
nomia Mista pertencentes à Administração Pública Federal e Distrital; (Inciso
com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 39, de 2002) reunir­‑se­‑á em sessões preparatórias no dia 1º de janeiro,
A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretário de observado o seguinte:
Estado” por “Secretário de Estado do Distrito Federal”.

39
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
COMENTÁRIO: sítio, que, igualmente, é decretado por comoção grave de
repercussão nacional; declaração de estado de guerra ou res‑
Durante a legislatura, a Câmara Legislativa desenvolve suas posta à agressão armada estrangeira, tudo em conformidade
atribuições em quatro espécies de sessões: com os requisitos estabelecidos nos arts. 136 e 137, ambos da
Constituição Federal.
(1) Sessão Preparatória;
Caso esses estados atinjam o território do DF, a Câmara
(2) Sessão Solene; Legislativa poderá se reunir em convocação extraordinária
(3) Sessão Ordinária; realizada pelo Presidente, cabendo a este, também, efetuar
(4) Sessão Extraordinária. a convocação extraordinária na hipótese de intervenção
Sessões preparatórias: são as que antecedem a inauguração federal decretada no Distrito Federal, conforme o art. 34
dos trabalhos legislativos na primeira e na terceira sessões da Constituição Federal.
legislativas de cada legislatura.
As sessões preparatórias ocorrem:
c) recebimento dos autos de prisão de Deputado Distri‑
a) na primeira sessão legislativa da legislatura (1º de janeiro),
para empossar os Deputados Distritais eleitos e já diploma‑
tal, na hipótese de flagrante de crime inafiançável;
dos pelo Tribunal Regional Eleitoral, bem como as eleições d) posse do Governador e Vice­‑ Governador;
e posse dos membros da Mesa Diretora (Presidente, Vice­ II – pela Mesa Diretora ou a requerimento de um terço
‑Presidente, Primeiro, Segundo e Terceiro Secretários e os dos Deputados que compõem a Câmara Legislativa, para
respectivos suplentes de Secretários) da Câmara Legislativa;
b) na terceira sessão legislativa da legislatura (1º de janeiro),
apreciação de ato do Governador do Distrito Federal que
para empossar os membros que foram eleitos no final da ter‑ importe crime de responsabilidade;
ceira sessão legislativa. O mandato da Mesa Diretora é de III – pelo Governador do Distrito Federal, pelo Presi‑
dois anos, vedada a reeleição para o mesmo cargo nas elei‑ dente da Câmara Legislativa ou a requerimento da maio‑
ções seguintes.
ria dos seus membros, em caso de urgência ou interesse
público relevante;
I – na primeira sessão legislativa, para a posse dos
IV – pela comissão representativa prevista no art. 68,
Deputados Distritais, eleição e posse dos membros da Mesa
§5º, nas hipóteses estabelecidas nesta Lei Orgânica.
Diretora;
Parágrafo único. Na sessão legislativa extraordinária,
II – na terceira sessão legislativa, para a posse dos
a Câmara Legislativa somente deliberará sobre a matéria
membros da Mesa Diretora eleitos no último dia útil da pri‑
para a qual tiver sido convocada.
meira quinzena de dezembro da sessão legislativa anterior,
vedada a recondução para o mesmo cargo.
Subseção II
Parágrafo único. Na composição da Mesa Diretora é
Das Comissões
assegurada, tanto quanto possível, a proporcionalidade da
representação partidária ou de blocos parlamentares com
participação na Câmara Legislativa. Art. 68. A Câmara Legislativa terá comissões per‑
manentes e temporárias, constituídas na forma e com as
COMENTÁRIO: atribuições previstas no seu regimento interno ou no ato
legislativo de que resultar sua criação.
Para compor a Mesa Diretora, fica garantida a represen‑
tação proporcional aos partidos ou blocos parlamentares, de COMENTÁRIO:
acordo com o Princípio da Proporcionalidade Partidária.
De acordo com o Princípio da Proporcionalidade Partidá‑ Para a melhor divisão dos trabalhos legislativos, a CLDF é
ria, o partido que tiver maior número de membros na Casa
composta por órgãos colegiados permanentes ou temporá‑
Legislativa terá maiores chances de ocupar os lugares na
rios, que possuem atribuições administrativas, legislativas
Mesa Diretora e nas Comissões.
ou fiscalizadoras, devidamente organizadas no Regimento
Interno da CLDF.
Art. 67. A convocação extraordinária da Câmara As Comissões Permanentes, em número de nove, possuem
Legislativa far­‑se­‑á: caráter técnico ou especializado sobre determinados temas
para apreciar assuntos ou proposições submetidos ao seu
I – pelo Presidente, nos casos de:
exame, mediante parecer, ou acompanhar e fiscalizar pro‑
a) decretação de estado de sítio ou estado de defesa que gramas, atos e orçamentos públicos distritais. São compos‑
atinja o território do Distrito Federal; tas por cinco membros efetivos e seus respectivos suplentes,
b) intervenção no Distrito Federal; considerando­‑se a proporcionalidade partidária ou de blocos
parlamentares constituídos na Câmara Legislativa.
É vedado, regimentalmente, ao Presidente da Câmara Legis‑
COMENTÁRIO: lativa, compor qualquer comissão permanente. Cada Depu‑
tado Distrital poderá integrar duas Comissões Permanentes,
Estado de defesa é ato privativo do Presidente da República
desde que não ocupe, concomitantemente, a presidência de
que, após parecer do Conselho da República e de Defesa
ambas comissões, conforme art. 60 do Regimento Interno.
Nacional, visa preservar ou restabelecer, em locais restri‑
As Comissões Temporárias são órgãos colegiados criados
tos, determinados, a paz social, a ordem pública, abaladas
para a análise de um assunto circunstancial ou temporário,
por uma grave e iminente instabilidade institucional ou,
que se extinguem com o cumprimento da finalidade para
até mesmo, atingidas por calamidades naturais de grandes
proporções. qual foram constituídas, a exemplo das Comissões Parla‑
Caso as medidas tomadas, pelo prazo máximo de trinta dias, mentares de Inquérito.
no estado de defesa, forem insuficientes para restabelecer a Conforme o art. 70 do Regimento Interno, as Comissões
ordem abalada, pode o Presidente da República solicitar ao Temporárias são: I – Especiais; II – Parlamentares de Inqué‑
Congresso Nacional autorização para decretar o estado de rito; e III – de Representação.

40
D e n i s e V a r g a s
As Comissões Especiais são constituídas, por deliberação das mediante requerimento de um terço dos membros da
do plenário, mediante proposta da Mesa Diretora ou por
requerimento de 1/3 dos Deputados Distritais, para analisar
Câmara Legislativa, para apuração de fato determinado e
assuntos predeterminados, com prazo certo de duração. por prazo certo; sendo suas conclusões, se for o caso, enca‑
As Comissões Parlamentares de Inquérito são criadas, por minhadas ao Ministério Público e à Procuradoria­‑ Geral do
prazo certo, por requerimento de 1/3 dos membros da CLDF,
Distrito Federal, para que promovam a responsabilidade
e tem por finalidade a investigação e apuração de fato deter‑
minado que se constitua como acontecimento relevante para civil, criminal, administrativa ou tributária do infrator.
a vida pública, a ordem constitucional, legal, econômica e
social do Distrito Federal. Seus membros possuirão, por COMENTÁRIO:
autorização constitucional, poderes próprios de autoridade
judiciária. Não se encontram entre as atribuições das CPI´s:
Comissões Parlamentares de Inquérito são órgãos tem‑
determinar busca e apreensão domiciliar; efetuar bloqueio;
arresto; sequestro de bens; expedir ordem de prisão, salvo porários do Poder Legislativo para instrumentalizá­‑lo ao
em flagrante delito; impor sanção de natureza penal. exercício de uma função de controle sobre os atos do Poder
As Comissões de Representação são órgãos colegiados que Público. Por autorização da Constituição Federal, art. 58,
tem por finalidade representar a CLDF em atos externos de §3º, da CF, o Legislativo poderá utilizar­‑se de suas comis‑
missão temporária. sões temporárias especiais para fiscalizar e emitir parecer
Atenção: não se confunde Comissão de Representação com a ser enviado às autoridades competentes para as providên‑
Comissão Representativa. cias cíveis e penais cabíveis contra quaisquer atos prati‑
A Comissão Representativa é o órgão colegiado que, nos cados em desacordo com o interesse público ou de forma
períodos de recesso legislativo, representa a CLDF, com‑ ilícita.
posta por três membros efetivos e seus respectivos suplen‑ Entretanto, as CPIs devem funcionar por período certo, vez
tes, que se reunirão semanalmente em dia e horários previa‑ que se conf iguram como temporárias, podendo, no
mente ajustados, ou, excepcionalmente, quando convocada entanto, confor me entendimento do Supremo Tribu‑
pelo seu Presidente ou maioria absoluta de seus membros nal Federal, tal prazo sofrer prorrogações sucessivas
efetivos. dentro da legislatura. Logo, cada CPI poderá, no máximo,
É da competência da Comissão Representativa:
durar o prazo de uma legislatura, ou seja, quatro anos. Pos‑
–– convocar, nos períodos de recesso legislativo, sessão
suem tais comissões parlamentares alguns poderes instru‑
legislativa extraordinária;
– – deliberar sobre pedido do Governador ou Vice­ tórios próprios de autoridades judiciais, que compreendem,
‑Governador para se ausentar do DF, por período segundo Alexandre de Moraes: a possibilidade de quebra
superior a 15 dias; de sigilo bancário, fiscal e de dados; oitiva de testemunhas,
–– decidir sobre a manutenção de prisão em flagrante de investigados, indiciados; realização de perícias, exames
crime inafiançável praticado por Deputado Distrital; necessários; requisição de documentos. As CPI´s não pos‑
–– receber as petições que forem endereçadas à CLDF; suem poderes de determinar buscas e apreensões, sem auto‑
–– receber a comunicação de veto. rização judicial prévia, quando puder ocasionar violação de
Atenção: não cabe, nesse caso, deliberação sobre o veto. domicílio nem possuem poderes de efetuar prisões, salvo
em flagrante delito; determinar indisponibilidade de bens;
§1º Na composição de cada comissão, é assegurada, proibições ou restrições aos direitos de ir, vir, defender­‑se,
permanecer calado. As Comissões Parlamentares de Inqué‑
tanto quanto possível, a representação proporcional dos
rito encontram­‑se previstas no art. 72 do RICL.
partidos ou dos blocos parlamentares com participação na Pelas regras regimentais, serão criadas mediante requeri‑
Câmara Legislativa. mento de 1/3 dos membros da CLDF (8); que deve ser ana‑
§2º Às comissões, em razão da matéria de sua compe‑ lisado pelo plenário, considerando­‑se aprovado se obtiver o
tência, cabe: voto favorável da maioria dos membros da CLDF, ou seja,
I  – apreciar e emitir parecer sobre proposições, na se obtiver, no mínimo, 13 (treze). Permanecerá ativa até 180
dias corridos, prorrogáveis automaticamente, pela metade
forma do regimento interno da Câmara Legislativa; do prazo, se subscrito requerimento pela maioria absoluta
II – realizar audiências públicas com entidades repre‑ e encaminhado à Mesa Diretora. Só poderão ser criadas na
sentativas da sociedade civil; CLDF, em regra, duas CPI´s, salvo se for apresentado reque‑
III – convocar Secretários de Estado, dirigentes e ser‑ rimento subscrito pela maioria absoluta.
vidores da administração pública direta e indireta do Dis‑
trito Federal e o Procurador­‑Geral a prestar informações §4º A omissão de informação às comissões parlamen‑
sobre assuntos inerentes a suas atribuições; (Inciso com a tares de inquérito, inclusive as que envolvam sigilo, ou a
redação da Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005)28 prestação de informações falsas constituem crime de res‑
IV – receber petições, reclamações, representações ou ponsabilidade, na forma da legislação pertinente.
queixas contra atos ou omissões das autoridades ou entida‑
des públicas; COMENTÁRIO:
V – solicitar depoimento de qualquer autoridade ou
cidadão; Para esse dispositivo ter aplicabilidade, depende de lei fede‑
VI – apreciar programas de obras, planos regionais e ral tipificando essa conduta como crime de responsabili‑
dade, pois compete à União legislar sobre Direito Penal.
setoriais de desenvolvimento e sobre eles emitir parecer;
VII – fiscalizar os atos que envolvam gastos de órgãos
e entidades da administração pública. §5º Durante o recesso, haverá uma comissão repre‑
§3º As comissões parlamentares de inquérito, que terão sentativa da Câmara Legislativa, com atribuições definidas
poderes de investigação próprios das autoridades judiciais, no regimento interno, cuja composição reproduzirá, tanto
além de outros previstos no regimento interno, serão cria‑ quanto possível, a proporcionalidade da representação par‑
tidária, eleita na última sessão ordinária de cada sessão
28 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de legislativa.
Governo” por “Secretários de Estado”.

41
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
COMENTÁRIO: COMENTÁRIO:
A comissão representativa não se confunde com comissão de A lei em questão é a Lei Distrital Complementar n.
representação. Esta, tratada no art. 75 do Regimento Interno 13/2006, que dispõe sobre a elaboração, redação, alteração
da CLDF, tem a finalidade de representar a Câmara Legis‑ e consolidação das leis do Distrito Federal.
lativa em atos externos para cumprir missões temporárias.

Seção V Subseção I
Do Processo Legislativo Das Emendas à Lei Orgânica

COMENTÁRIO: Art. 70. A Lei Orgânica poderá ser emendada mediante


proposta:
O processo legislativo compreende uma série de atos suces‑
sivos, coordenados, praticados na atividade legislativa para
a criação das leis, a partir de regras gerais e específicas que COMENTÁRIO:
se encontram na Constituição Federal, na Lei Orgânica e no
Regimento Interno.
O STF entende que as regras de processo legislativo estam‑ A LODF pode ter seu texto alterado mediante Emenda à Lei
padas na Constituição Federal são de observância compul‑ Orgânica, desde que observados limites circunstanciais, for‑
sória para os Estados e, igualmente, para o Distrito Federal. mais e materiais.
Podem os Estados e o DF, em face do Princípio da Simetria, O art. 70, I, II, III, §§1º, 2º, 4º e 5º, da LODF, estabelece os
adotar medidas provisórias em suas normas constitucionais. limites formais para a criação de Emendas à Lei Orgânica.
No caso do DF, o Constituinte Distrital não contemplou a A primeira espécie de limites formais é quanto à legitima‑
hipótese de adoção de medida provisória pelo Governador ção: incisos I a III do artigo em questão.
nem de Leis Delegadas, que são normas criadas por autori‑ Somente três são legitimados para proporem emenda à
zação do Legislativo pelo Executivo para tratar de assuntos LODF:
relacionados, primordialmente, com o Direito Administra‑
–– 1/3, no mínimo, dos parlamentares distritais;
tivo.
Doutrinariamente, o processo legislativo classifica­‑se em: –– Governador do DF; ou
Ordinário: que se refere ao procedimento legislativo utili‑ –– iniciativa popular mediante proposta subscrita por
zado para se criar Leis Ordinárias. cidadãos com domicílio eleitoral no DF, que representem
Sumário: que se refere ao procedimento legislativo utilizado 1% do eleitoral do DF, distribuído, no mínimo, em três
para se criar Leis, Ordinárias ou Complementares, de inicia‑ zonas eleitorais, com não menos de 0,3% do eleitorado
tiva do Chefe do Executivo, quando acompanhado o projeto de cada uma delas.
de solicitação de urgência em sua apreciação. A segunda espécie de limites formais relaciona­‑se com o
Especial: que se refere ao procedimento legislativo em que número de sessões para a discussão e deliberação da matéria
se aplica regras especiais, para a criação das demais espécies e o quórum mínimo para a aprovação. Em regra, as delibera‑
normativas: Emendas à Lei Orgânica; Leis Complementa‑ ções da CLDF serão tomadas, presente a maioria absoluta de
res; Decretos Legislativos e Resoluções. seus membros, pelo voto da maioria dos presentes à sessão
única.
Art. 69. O processo legislativo compreende a elabo‑ No caso de Proposta de Emenda à LODF, os requisitos for‑
ração de: mais são mais rígidos, pois para ser aprovada deve ser dis‑
I – emendas à Lei Orgânica; cutida e votada em dois turnos, com intervalo mínimo de 10
dias entre os turnos e, em ambos, o quórum mínimo é de 2/3
II – leis complementares; dos Deputados Distritais.
III – leis ordinárias; Caso seja a proposta rejeitada ou havida por prejudicada,
IV – decretos legislativos; não poderá ser reapresentada, em nenhuma hipótese, na
V – resoluções. mesma sessão legislativa. Aprovada, será promulgada pela
própria Mesa Diretora da Câmara Legislativa, sem necessi‑
dade de sanção do Governador.
COMENTÁRIO:
O procedimento de emenda pode tramitar durante circuns‑
Decretos Legislativos e Resoluções são normas jurídicas tâncias de instabilidade institucional, como intervenção
criadas pela Câmara Legislativa para tratar das matérias de federal, estado de defesa ou de sítio. O que se veda é a sua
sua competência político­‑administrativa, em que não se faz promulgação, porque é mediante esta que se encerra o proce‑
necessária a aquiescência ou sanção do Governador. dimento legislativo e se certifica a criação da emenda.
O que as difere são os efeitos que produzem. Quanto aos limites materiais, o §3º veda a deliberação de
Quando a matéria a ser tratada se relacionar com a compe‑ proposta de Emenda que viole os princípios estabelecidos na
tência interna (administrativa) da CLDF, far‑se‑á por Reso‑ Constituição Federal.
lução, razão pela qual o Regimento Interno é criado por meio
de projeto de resolução.
Quando a matéria a ser tratada se relacionar com a compe‑ I – de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara
tência política da CLDF, o que permite que produza efeitos Legislativa;
que atinjam terceiros, como o Governador do DF, far­‑se­‑á
por decreto legislativo, conforme se infere do art. 141 do
II – do Governador do Distrito Federal;
Regimento Interno da CLDF. III – de cidadãos, mediante iniciativa popular assinada,
no mínimo, por um por cento dos eleitores do Distrito Federal
Parágrafo único. Lei complementar disporá sobre ela‑ distribuídos em, pelo menos, três zonas eleitorais, com não
boração, redação, alteração e consolidação das leis do Dis‑ menos de três décimos por cento do eleitorado de cada uma
trito Federal. delas.

42
D e n i s e V a r g a s
COMENTÁRIO: §5º A Lei Orgânica não poderá ser emendada na vigên‑
cia de intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio.
INICIATIVA DA PROPOSTA DE EMENDA À LEI
ORGÂNICA
As regras de processo legislativo, nos Estados, nos Municí‑ COMENTÁRIO:
pios e no DF, devem seguir os parâmetros constitucionais,
pois as regras de processo legislativo previstas na Carta Esse parágrafo estabelece uma vedação circunstancial ao
Federal aplicam­‑se aos Estados­membros, inclusive para Poder Constituinte derivado reformador, proibindo que o
criar ou revisar as respectivas Constituições, e, logicamente, Legislativo Distrital delibere sobre propostas de emendas
ao DF. Sobre esse tema, o STF já decidiu diversas vezes à Lei Orgânica durante instabilidade da ordem pública, da
(Ver ADI n. 1.352/RN, Rel. Min. Maurício Correa. DJU federação e da soberania. Tais instabilidades configuram a
20.03.2003). A LODF estabeleceu uma regra de iniciativa de intervenção federal, o estado de defesa e o estado de sítio.
proposta de emenda, não prevista na CF, eis que permitiu a A intervenção federal está prevista no art. 34 da Constituição
reforma da LODF, mediante iniciativa popular, o que não Federal e constitui procedimento pelo qual a União, excep‑
existe para a reforma da CF. Então, nossa sugestão é que esse cional e temporariamente, suspende a autonomia distrital
dispositivo seja questionado perante o STF, que é o maior diante de desrespeito à separação dos poderes, aos direitos
intérprete da CF. humanos, à responsabilidade fiscal com os serviços públicos
de saúde e educação, ao sistema republicano e a princípios
sensíveis estabelecidos pela atual ordem constitucional.
§1º A proposta será discutida e votada em dois turnos, Constitui estado de defesa o alerta decretado pela União em
com interstício mínimo de dez dias, e considerada aprovada um local determinado diante de comoção grave que abale a
se obtiver, em ambos, o voto favorável de dois terços dos ordem pública.
membros da Câmara Legislativa. Caso as medidas adotadas pela União não restabeleçam a
ordem abalada, pode a União, desde que autorizada pelo
§2º A emenda à Lei Orgânica será promulgada pela Congresso Nacional, decretar o estado de sítio, adotando
Mesa Diretora da Câmara Legislativa, com o respectivo medidas que limitam de forma mais enérgica alguns direitos
número de ordem. e garantias fundamentais, a exemplo do direito de liberdade,
§3º Não será objeto de deliberação a proposta de de reunião, de sigilo de dados epistolares.
emenda que ferir princípios da Constituição Federal.
Subseção II
COMENTÁRIO: Das Leis

Trata­‑se de um limite material ao poder de reforma da Lei Art. 71. A iniciativa das leis complementares e ordiná‑
Orgânica. Inclusive, não pode o legislador distrital, por
emenda à lei orgânica, abolir direitos e garantias indivi‑ rias cabe a qualquer membro ou comissão da Câmara Legis‑
duais, como os princípios da legalidade tributária, anterio‑ lativa, ao Governador do Distrito Federal e, nos termos do
ridade tributária, sob pena de ferir as cláusulas pétreas ou art. 84, IV, ao Tribunal de Contas do Distrito Federal, assim
núcleos intangíveis, previstos no art. 60, §4º, da Constitui‑
ção Federal, in verbis:
como aos cidadãos, na forma e nos casos previstos nesta
§4º Não será objeto de deliberação a proposta de emenda Lei Orgânica.
tendente a abolir:
I – a forma federativa de Estado; COMENTÁRIO:
II – o voto direto, secreto, universal e periódico;
III – a separação dos poderes; A iniciativa consiste na primeira fase do processo legislativo
IV – os direitos e garantias individuais. e compreende a redação e apresentação de um projeto de lei
ao Poder Legislativo. A iniciativa classifca­‑se doutrinaria‑
§4º A matéria constante de proposta de emenda rejei‑ mente em:
tada ou havida por prejudicada não pode ser objeto de nova • comum: quando é atribuída a diversos órgãos ou
proposta na mesma sessão legislativa. agentes.
• parlamentar: quando o projeto de lei é oferecido
por um parlamentar.
COMENTÁRIO:
• extraparlamentar: quando o projeto é oferecido por
Essa regra retrata o princípio da irrepetibilidade, pelo qual outros legitimados, excluídos os parlamentares.
se veda o reexame de proposta de lei rejeitada ou prejudi‑ • privativa: diz­
‑se privativa ou exclusiva a legiti‑
cada no mesmo ano legislativo, denominado de sessão legis‑ mação para o oferecimento de projetos que se
lativa – no caso do Distrito Federal, em regra, é de 1º de confere a certos órgãos ou agentes, com exclusão
fevereiro a 15 de dezembro. Tratando‑se proposta de emenda de qualquer outro, sobre determinadas matérias
à Lei Orgânica que tenha sido prejudicada ou rejeitada, o
princípio é absoluto, pois não sofre exceção ou mitigação, ao
específicas. O parágrafo a seguir determina os
contrário das demais espécies normativas que, excepcional‑ assuntos que são da iniciativa privativa do Gover‑
mente, poderão ser novamente propostas na mesma sessão nador.
legislativa, bastando, neste caso, que haja a manifestação da
maioria absoluta dos parlamentares, conforme §7º do art. 74, §1º Compete privativamente ao Governador do Dis‑
comentado mais adiante.
O STF, no julgamento do Mandado de Segurança 22503­‑3/ trito Federal a iniciativa das leis que disponham sobre:
DF, entendeu não haver violação ao princípio da irrepetibi‑
lidade quando o Legislativo tenha rejeitado o substitutivo e COMENTÁRIO:
não o projeto inicial. Logo, rejeitado o substitutivo, a matéria
do projeto inicial poderá ser objeto de deliberação na mesma Nesses assuntos, elencados pelo parágrafo primeiro, se o
sessão legislativa. Diz­‑se substitutivo a emenda a projeto de projeto de lei for oferecido por outrem, e aprovado, estará
lei que altera o sentido da proposição principal na sua inte‑ inquinado de vício formal de iniciativa, o que autoriza o
gralidade. Governador a vetá­‑lo por inconstitucionalidade, no prazo

43
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
máximo de 15 (quinze) dias úteis, ou, se tiver seu veto der‑ COMENTÁRIO:
rubado, ingressar com Ação Direta de Inconstitucionalidade
junto ao Supremo Tribunal Federal ou ao Tribunal de Justiça Esse artigo trata do processo legislativo sumário. Nos proje‑
do Distrito Federal, respectivamente, conforme a natureza tos de lei ordinária e complementar de iniciativa do Gover‑
municipal ou estadual da norma impugnada. nador, salvo os projetos de código, se solicitada urgência, a
Câmara Legislativa deve deliberar a matéria em até 45 dias,
sob pena de ter a pauta das demais votações sobrestada (tran‑
I – criação de cargos, funções ou empregos públicos na camento de pauta).
administração direta, autárquica e fundacional, ou aumento
de sua remuneração;
§1º Se, na hipótese prevista no caput, a Câmara Legis‑
lativa não se manifestar sobre a proposição em até quarenta
COMENTÁRIO: e cinco dias, esta deverá ser incluída na Ordem do Dia,
sobrestando­‑se a deliberação quanto aos demais assuntos,
A criação, modificação e extinção de cargos, funções e para que se ultime a votação.
empregos públicos é matéria reservada à lei, logo está ads‑
trita ao princípio da reserva legal. Só se admite a extinção de §2º Os prazos de que trata o parágrafo anterior não
cargo mediante decreto do chefe do executivo, por simetria ao correm nos períodos de recesso da Câmara Legislativa, nem
modelo federal, quando o cargo já tiver sido declarado vago, se aplicam a projetos de código e de emendas a esta Lei
nos moldes do art. 84, inciso VI, b, da Constituição Federal. Orgânica.

II – servidores públicos do Distrito Federal, seu regime COMENTÁRIO:


jurídico, provimento de cargos, estabilidade e aposentado‑
ria; Esse artigo estabelece o que a doutrina comumente deno‑
mina de processo legislativo sumário, em que se autoriza o
III – organização da Procuradoria­‑Geral do Distrito Chefe do Executivo, ao apresentar os projetos de lei de sua
Federal; iniciativa, requerer urgência na sua análise pela Câmara
IV – criação, estruturação, reestruturação, desmem‑ Legislativa, que deverá, em regra, deliberar sobre eles, no
prazo de 45 dias, sob pena de ter sobrestada a deliberação
bramento, extinção, incorporação, fusão e atribuições das das demais matérias.
Secretarias de Estado do Distrito Federal, Órgãos e enti‑
dades da administração pública; (Inciso com a redação da
Art. 74. Aprovado o projeto de lei, na forma regimen‑
Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005)29
tal, será ele enviado ao Governador que, aquiescendo, o
sancionará e promulgará.
COMENTÁRIO: COMENTÁRIO:
Por simetria ao modelo federal, a criação, extinção ou quais‑ A sanção é o ato pelo qual o Chefe do Executivo manifesta,
quer modificações de órgãos estão adstritas à reserva legal, de forma explícita ou tácita, concordância a projeto de lei
cabendo, privativamente ao Governador, na sua tarefa admi‑ ordinária ou complementar aprovado pelo legislativo.
nistrativa, decidir, criar ou modificar a estrutura da Admi‑ O veto é o ato pelo qual o Chefe do Executivo manifesta de
nistração Pública Direta e Indireta, inclusive as Regiões forma expressa, no prazo de 15 (quinze) dias úteis, sua dis‑
Administrativas. Para se criar pessoas da Administração cordância a projeto de lei ordinária ou complementar apro‑
Pública Direta, o Governador deverá atentar para as regras vado pelo Legislativo.
previstas no art. 19, XVIII, da Lei Orgânica do Distrito Fede‑ O veto pode ser jurídico ou político.
ral, interpretável à luz da Emenda Constitucional n. 19/1998, Será jurídico na hipótese de discordar do projeto de lei con‑
que alterou o art. 37, XVIII, da Constituição Federal. trário à Constituição Federal ou à Lei Orgânica.
Será político quando alegar sua discordância por contrariar
o interesse público.
V – plano plurianual, orçamento anual e diretrizes É requisito do veto que ele seja motivado. Sem o envio, no
prazo de 48 (quarenta e oito) horas, desses motivos à Câmara
orçamentárias. Legislativa, o veto se tornará insubsistente, e seus efeitos se
§2º Não será objeto de deliberação proposta que vise a equipararão ao de uma sanção tácita. Tais efeitos também se
conceder gratuidade ou subsídio em serviço público pres‑ aplicam ao veto intempestivo, ou seja, àquele apresentado
após os 15 (quinze) dias úteis, pois nessa hipótese já ocor‑
tado de forma indireta, sem a correspondente indicação da rera a sanção tácita. O veto do Governador pode ser total
fonte de custeio. ou parcial. É total quando não aquiescer ao projeto inteiro.
Art. 72. Não será admitido aumento da despesa pre‑ Será parcial quando não aquiescer à parte do projeto, sendo­
‑lhe vedado vetar expressões, frases, períodos ou palavras.
vista: Logo, o veto parcial só poderá abranger artigos, parágrafos,
I – nos projetos de iniciativa exclusiva do Governador incisos, alíneas e itens.
do Distrito Federal, ressalvado o disposto no art. 166, §§3º O veto jurídico é um instrumento de controle preventivo
de constitucionalidade. Contudo, perde muito de seus efei‑
e 4º, da Constituição Federal; tos em face da possibilidade do legislativo, no prazo de 30
II – nos projetos sobre organização dos serviços admi‑ (trinta) dias, poder rejeitar o veto, pelo voto da maioria abso‑
nistrativos da Câmara Legislativa. luta da Casa.

Art. 73. O Governador do Distrito Federal pode soli‑


§1º Se o Governador do Distrito Federal considerar o
citar urgência para apreciação de projetos de sua iniciativa.
projeto de lei, no todo ou em parte, inconstitucional ou con‑
29 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretarias de
Governo do Distrito Federal” por “Secretarias de Estado do Distrito Federal”.
trário ao interesse público, vetá­‑lo­‑á total ou parcialmente,

44
D e n i s e V a r g a s
no prazo de quinze dias úteis, contados da data do recebi‑ poderá ser objeto de deliberação na mesma sessão legisla‑
mento, e comunicará, dentro de quarenta e oito horas, os tiva. Diz­‑se substitutivo a emenda a projeto de lei que altere
a proposição principal na sua integralidade.
motivos do veto ao Presidente da Câmara Legislativa.
§2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de
artigo, parágrafo, inciso ou alínea. §8º Caso o projeto de lei seja vetado durante o recesso
da Câmara Legislativa, o Governador comunicará o veto
COMENTÁRIO: à comissão a que se refere o art. 68, §5º, e, dependendo
da urgência e da relevância da matéria, poderá convocar a
Se o Chefe do Executivo entender que uma palavra ou Câmara Legislativa para sobre ele se manifestar, nos termos
expressão é contrária à Lei Orgânica ou à Constituição, terá do art. 67, IV.
de vetar o dispositivo todo. Essa restrição, entretanto, não
existe ao Judiciário, que pode declarar a inconstitucionali‑ Art. 75. As leis complementares serão aprovadas por
dade de palavras ou expressões. maioria absoluta dos Deputados da Câmara Legislativa e
receberão numeração distinta das leis ordinárias.
§3º Decorrido o prazo de quinze dias, o silêncio do Parágrafo único. Para os fins deste artigo, constituirão
Governador importará sanção. leis complementares, entre outras:
§4º Se o veto não for mantido, será o projeto enviado
ao Governador para promulgação. COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO: Este parágrafo trata de matérias exclusivas ao princípio da
reserva legal de lei complementar, que é aquela cujo requi‑
Com a sanção ou rejeição do veto, a lei é existente, não sito de aprovação é o quórum de maioria absoluta, isto, o
podendo, no entanto, produzir efeitos, pois é necessária a número inteiro que ultrapassa a metade dos integrantes ou
declaração formal de seu surgimento, que se dá mediante membros da Casa Legislativa. Na atual legislatura, a Câmara
a promulgação e posterior indicação aos destinatários de Legislativa se compõe de 24 membros, logo, a maioria abso‑
sua existência, mediante a inserção integral de seu texto no luta representa o voto favorável de 13 Deputados Distritais.
Diário Oficial. Todavia, esse parágrafo é apenas exemplificativo, pois nem
todas as matérias que devem ser regulamentadas por Lei
Complementar se encontram nele especificadas.
§5º Esgotado, sem deliberação, o prazo estabelecido no São, igualmente, regulados por lei complementar distrital:
art. 66, §4º, da Constituição Federal, o veto será incluído • O estabelecimento de requisitos diferenciados para
na ordem do dia da sessão imediata, sobrestadas as demais as aposentadorias especiais de deficientes, penosas
proposições até a sua votação final, só podendo ser rejei‑ e insalubres (art. 41, §1º).
tado pelo voto da maioria absoluta dos Deputados, em vota‑ • A criação de regras para a elaboração, redação,
ção ostensiva. (Parágrafo com a redação da Emenda à Lei alteração e consolidação das leis distritais (art. 69,
parágrafo único).
Orgânica n. 47, de 2006)30
• Normas sobre finanças públicas; emissão e resgate
de títulos da dívida pública; concessão de garantia
COMENTÁRIO: pelas entidades públicas do Distrito Federal; fisca‑
lização das instituições financeiras do Distrito
A Emenda à Lei Orgânica n. 47, de 2006, exigiu que a delibe‑ Federal (art. 146).
ração sobre o veto seja tomada por votação ostensiva. • Normas de gestão financeira e patrimonial da
§6º Se a lei não for promulgada em quarenta e oito administração direta e indireta, bem como
horas pelo Governador nos casos dos §§3º e 4º, o Presidente condições para instituição e funcionamento de
da Câmara Legislativa a promulgará e, se este não o fizer fundos (art. 149, §12).
em igual prazo, caberá ao Vice­‑Presidente fazê­‑lo.
I – a lei de organização do Tribunal de Contas do Dis‑
§7º A matéria constante de projeto de lei rejeitado
trito Federal;
somente poderá constituir objeto de novo projeto, na mesma
II – o estatuto dos servidores públicos civis;
sessão legislativa, mediante proposta da maioria absoluta
dos membros da Câmara Legislativa.
COMENTÁRIO:

COMENTÁRIO: O Regime Jurídico dos Servidores Distritais em vigor, con‑


forme comentários anteriores, não nos parece que obedeceu
O §7º em comento instituiu o princípio da irrepetibilidade à reserva de lei complementar.
mitigada pelo qual se veda, em regra, a reapresentação de
projeto de lei rejeitado ou prejudicado dentro da mesma III – a lei de organização da Procuradoria­‑Geral do
sessão legislativa, salvo se o projeto for subscrito pela maio‑ Distrito Federal;
ria absoluta dos Deputados Distritais. Conforme comentário
do art. 70, §5º, desta Lei Orgânica, o STF, no julgamento
do Mandado de Segurança 22503­‑3/DF, entendeu não haver COMENTÁRIO:
violação ao princípio da irrepetibilidade quando o Legis‑
lativo tenha rejeitado o substitutivo e não o projeto inicial. A Lei Complementar distrital n. 395, de 31 de julho de 2001,
Logo, rejeitado o substitutivo, a matéria do projeto inicial trata da organização da Procuradoria­ ‑ Geral do Distrito
30 Texto original: §5º Esgotado, sem deliberação, o prazo estabelecido no art. 66, Federal, cujos comentários encontraremos adiante, no Capí‑
§4º da Constituição Federal, o veto será colocado na ordem do dia da sessão ime‑ tulo IV, deste Título III.
diata, sobrestadas as demais proposições até sua votação final.

45
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
IV – a lei do sistema tributário do Distrito Federal; aos cidadãos inscritos como eleitores no Distrito Federal e
consiste na legitimação de, no mínimo, 1% do eleitorado do
Distrito Federal reunido de, no mínimo, três zonas eleitorais.
COMENTÁRIO: A apresentação de projetos de lei à Câmara Legislativa ou
de proposta de emenda à Lei Orgânica exige, ainda, neste
O Código Tributário do Distrito Federal foi instituído pela último caso, que 0,3% do eleitorado de cada zona onde se
Lei Complementar distrital n. 4, de 30 de dezembro de 1994. colheu as assinaturas se manifeste.
V  – a lei que dispõe sobre as atribuições do Vice­
‑Governador do Distrito Federal;
iniciativa popular
VI – a lei que dispõe sobre a organização do sistema de
educação do Distrito Federal; 1% do Eleitorado do DF
VII – a lei de organização da previdência dos servido‑ distribuido em, no mínimo,
EMENDAS
res públicos do Distrito Federal; Três Zonas Eleitorais; 0,3
À LEI ORGÂNICA
VIII – a lei que dispõe sobre o plano diretor de ordena‑ do eleitorado de cada uma
mento territorial do Distrito Federal; das Zonas.
IX – a lei que dispõe sobre a Lei de Uso e Ocupação 1% do Eleitorado do DF
do Solo; (Inciso acrescido pela Emenda à Lei Orgânica n. PROJETOS DE LEI distribuído em, no mínimo,
49, de 2007) Três Zonas Eleitorais.

COMENTÁRIO: Seção VI
Da Fiscalização Contábil e Financeira
Veja nossos comentários ao art. 32 das Disposições Transitó‑
rias da LODF. AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIO‑
NALIDADE ­– LEI DISTRITAL N. 1.978 DE 1998 ­– ALTE‑ Subseção I
RAÇÃO DA DESTINAÇÃO DE LOTES –­ COMPETÊNCIA Das Disposições Gerais
PRIVATIVA DO GOVERNADOR DO DISTRITO FEDE‑
RAL ­– INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. RECO‑
NHECIDO O VÍCIO NA INICIATIVA DA LEI DISTRI‑
Art. 77. A fiscalização contábil, financeira, orçamen‑
TAL N. 1.978 DE 1998, DE AUTORIA PARLAMENTAR tária, operacional e patrimonial do Distrito Federal e das
E DISPONDO SOBRE A INSTALAÇÃO PROVISÓRIA entidades da administração direta, indireta e das funda‑
DE ESTACIONAMENTO PAGO NOS LOTES NÃO EDI‑ ções instituídas ou mantidas pelo Poder Público, quanto à
FICADOS DAS REGIÕES ADMINISTRATIVAS DO DIS‑
TRITO FEDERAL, É DE SE JULGAR PROCEDENTE A
legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação de sub‑
AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE, COM venções e renúncia de receitas, será exercida pela Câmara
EFEITOS EX TUNC E EFICÁCIA ERGA OMNES, POR‑ Legislativa, mediante controle externo, e pelo sistema de
QUANTO TODA LEI RELATIVA AO USO E OCUPAÇÃO controle interno de cada Poder.
DO SOLO NO DISTRITO FEDERAL ESTÁ AFETA À INI‑
CIATIVA EXCLUSIVA DO SENHOR GOVERNADOR. 
(TJDFT, ADI 3121­‑8, DJ 11.06.2006) COMENTÁRIO:
Diante dos princípios constitucionais e orgânicos da lega‑
X – a lei que dispõe sobre o Plano de Preservação do lidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiên‑
Conjunto Urbanístico de Brasília; (Inciso acrescido pela cia, interesse público e motivação, os atos do Poder Público
Emenda à Lei Orgânica n. 49, de 2007) devem limitar­‑se ao alcance do interesse coletivo. Desta
XI  – a lei que dispõe sobre o Plano de Desenvolvi‑ feita, para fiscalizar a correta aplicação desses princípios
nas finanças públicas, o Poder Legislativo auxiliará as tare‑
mento Local. (Inciso acrescido pela Emenda à Lei Orgâ‑ fas administrativas dos demais órgãos e entidades públi‑
nica n. 49, de 2007) cas de zelar pela correta gestão dos interesses econômico­
‑financeiros do Poder Público, mediante a instituição de um
Subseção III controle externo com auxílio do Tribunal de Contas do Dis‑
trito Federal. Nesse controle, se fará:
Da Iniciativa Popular • a fiscalização contábil, que é a análise de documentos e
registros dos balanços e demonstrativos contábeis quanto
Art. 76. A iniciativa popular pode ser exercida pela às variações financeiras e econômicas do patrimônio, e,
apresentação à Câmara Legislativa de emenda à Lei Orgâ‑ igualmente, o resultado do exercício financeiro.
• a fiscalização financeira, referente ao exame das receitas
nica, na forma do art. 70, III, ou de projeto de lei devida‑ e despesas públicas.
mente articulado, justificado e subscrito por, no mínimo, • a fiscalização orçamentária, que se constitui em um
um por cento do eleitorado do Distrito Federal, distribuído controle sobre os atos de execução das leis orçamentárias,
por três zonas eleitorais, assegurada a defesa do projeto por mediante verificação da legalidade dos atos que resultem
em arrecadação de receita ou extinção de direitos ou
representantes dos respectivos autores perante as comissões
obrigações; da fidelidade funcional dos agentes respon‑
nas quais tramitar. sáveis pela guarda, conservação e administração de bens
e valores públicos e o cumprimento do programa de ação
COMENTÁRIO: ou trabalho expresso em termos monetários e de reali‑
zação de obras e serviços.
A iniciativa popular consiste na prerrogativa concedida aos • a fiscalização operacional, que compreende o exame do
cidadãos inscritos como eleitores e no gozo de seus direi‑ desempenho, da eficiência confrontada com as metas e
tos políticos de ofertarem ao Poder Legislativo propostas de resultados traçados em relação aos recursos materiais, à
criação de leis. A iniciativa popular de leis distritais só cabe prestação de serviços e realização de obras.

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D e n i s e V a r g a s
• a fiscalização patrimonial compreende a análise da b) dos dirigentes ou liquidantes de empresas incorpo‑
administração, conservação, guarda, acréscimos e radas, extintas, liquidadas ou sob intervenção ou que, de
diminuições financeiras no patrimônio público.
• Os aspectos a serem controlados são: qualquer modo, venham a integrar, provisória ou definiti‑
• legalidade: verifica se, atendido o princípio, o adminis‑ vamente, o patrimônio do Distrito Federal ou de outra enti‑
trador, ao gerir os gastos, receitas, créditos e orçamentos dade da administração indireta;
públicos, atentou­‑se à uma autorização prevista em lei. c) daqueles que assumam obrigações de natureza
• legitimidade: refere­‑se à moralidade, probidade e ao
interesse público das despesas públicas.
pecuniária em nome do Distrito Federal ou de entidade da
• economicidade: é a análise do binômio custo­‑benefício administração indireta;
das despesas públicas, em que se examina a eficiência da d) dos dirigentes de entidades dotadas de personali‑
despesa, ou seja, se ela alcançou o melhor resultado com dade jurídica de direito privado que recebam contribuições,
o menor custo para o Poder Público.
• aplicação de subvenções: subvenções são transferências
subvenções, auxílios e afins, até o limite do patrimônio
financeiras destinadas a cobrir despesas de custeio de transferido;
entidades públicas ou privadas de caráter assistencial ou
cultural, sem finalidade lucrativa, ou de caráter indus‑ COMENTÁRIO:
trial, comercial, agrícola ou pastoril, nos moldes no art.
12, §3º, da Lei Federal n. 4.320/1964. Como vimos anteriormente, o julgamento das contas do
• renúncia de receitas: são as isenções e estímulos fiscais Governador é tarefa do Legislativo, já as contas dos demais
atribuídos a empresas em prol do desenvolvimento socio‑ administradores e pessoas ficam a cargo do Tribunal de
econômico. Contas.

Parágrafo único. Prestará contas qualquer pessoa física III  – apreciar, para fins de registro, a legalidade dos
ou entidade pública que utilize, arrecade, guarde, gerencie atos de admissão de pessoal, a qualquer título, na adminis‑
ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos tração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas
quais o Distrito Federal responda, ou quem, em nome deste, e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações
assuma obrigações de natureza pecuniária. para cargo de provimento em comissão, bem como a das
concessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressal‑
COMENTÁRIO: vadas as melhorias posteriores que não alterem o funda‑
mento legal do ato concessório;
Os sujeitos passivos da prestação de contas não são só admi‑
nistradores públicos, mas quem, de qualquer forma, lide
com bens, valores ou dinheiro públicos. COMENTÁRIO:
Nesse seu mister, o Tribunal de Contas está autorizado a rea‑
Art. 78. O controle externo, a cargo da Câmara Legis‑ lizar controle repressivo de constitucionalidade, conforme o
lativa, será exercido com auxílio do Tribunal de Contas do teor da Súmula n. 347 do STF: “O Tribunal de Contas, no
Distrito Federal, ao qual compete: exercício de suas atribuições, pode apreciar a constitucio‑
nalidade das leis e dos atos do Poder Público”, desde que
respeitada a cláusula de reserva de plenário que exige que as
COMENTÁRIO: decisões sejam tomadas pela maioria dos membros do Tri‑
bunal (CF, art. 97).
O sujeito ativo do controle externo é o Legislativo, que conta
com o auxílio do Tribunal de Contas. Em 2007, o STF adotou Súmula Vinculante, cujo verbete
I – apreciar as contas anuais do Governador, fazer determina que:
sobre elas relatório analítico e emitir parecer prévio no NOS PROCESSOS PERANTE O TRIBUNAL DE CONTAS
prazo de sessenta dias, contados do seu recebimento da DA UNIÃO ASSEGURAM­‑SE O CONTRADITÓRIO E A
AMPLA DEFESA QUANDO DA DECISÃO PUDER RESUL‑
Câmara Legislativa. TAR ANULAÇÃO OU REVOGAÇÃO DE ATO ADMINIS‑
TRATIVO QUE BENEFICIE O INTERESSADO, EXCE‑
COMENTÁRIO: TUADA A APRECIAÇÃO DA LEGALIDADE DO ATO DE
CONCESSÃO INICIAL DE APOSENTADORIA, REFORMA
O julgamento das contas prestadas anualmente pelo Gover‑ E PENSÃO (SÚMULA VINCULANTE N. 3 DO STF).
nador, no máximo em 60 (sessenta) dias a contar da abertura Embora o enunciado se refira ao Tribunal de Contas da
da sessão legislativa, é tarefa do Legislativo, mas o Tribunal União, por simetria, aplica­‑se também ao Tribunal de Contas
de Contas emitirá sobre elas parecer prévio, em no máximo dos Estados, do DF e dos Municípios que os tenha.
sessenta dias a contar de seu recebimento.
IV – avaliar a execução das metas previstas no plano
II – julgar as contas: plurianual, nas diretrizes orçamentárias e no orçamento
a) dos administradores e demais responsáveis por anual;
dinheiros, bens e valores da administração direta e indi‑
reta ou que estejam sob sua responsabilidade, incluídos os COMENTÁRIO:
das fundações e sociedades instituídas ou mantidas pelo
Essas leis orçamentárias, tratadas exaustivamente ao longo
Poder Público do Distrito Federal, bem como daqueles que
dos comentários, traçam objetivos e metas. Estas são quanti‑
derem causa a perda, extravio ou outra irregularidade de ficações matemáticas e financeiras daqueles. A análise quan‑
que resulte prejuízo ao erário; titativa, portanto, é da competência do Tribunal de Contas.

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L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
V – realizar, por iniciativa própria, da Câmara Legisla‑ COMENTÁRIO:
tiva ou de alguma de suas comissões técnicas ou de inqué‑
As decisões, inclusive de imputação do débito e multa, têm
rito, inspeções e auditorias de natureza contábil, financeira, caráter administrativo e se sujeitam à apreciação do Judici‑
orçamentária, operacional e patrimonial, nas unidades ário se forem impugnadas, pois a lei não excluirá da apre‑
administrativas dos Poderes Executivo e Legislativo do ciação do Judiciário o conhecimento de lesão ou ameaça de
lesão a direito. (CF, art. 5º, XXXV).
Distrito Federal:
a) da estimativa, lançamento, arrecadação, recolhi‑
X – assinalar prazo para que o órgão ou entidade adote
mento, parcelamento e renúncia de receitas;
as providências necessárias ao exato cumprimento da lei,
b) dos incentivos, transações, remissões e anistias fis‑ verificada a ilegalidade;
cais, isenções, subsídios, benefícios e afins, de natureza XI – sustar, se não atendido, a execução do ato impug‑
financeira, tributária, creditícia e outras concedidas pelo nado, comunicando a decisão à Câmara Legislativa;
Distrito Federal;
c) das despesas de investimento e custeio, inclusive à COMENTÁRIO:
conta de fundo especial, de natureza contábil ou financeira;
d) das concessões, cessões, doações, permissões e con‑ É curial frisar que o Tribunal de Contas do DF só tem com‑
petência para sustar atos, pois contratos só podem ser susta‑
tratos de qualquer natureza, a título oneroso ou gratuito, e dos pelo Legislativo, e, no caso de omissão, residualmente
das subvenções sociais ou econômicas, dos auxílios, contri‑ pelo Tribunal de Contas, conforme o disposto no §1º.
buições e doações;
e) de outros atos e procedimentos de que resultem XII – representar ao Poder competente sobre irregula‑
variações patrimoniais; ridades ou abusos apurados;
XIII – comunicar à Câmara Legislativa qualquer irregulari‑
COMENTÁRIO: dade verificada na gestão ou nas contas públicas, enviando­
‑lhe cópias dos respectivos documentos;
As inspeções e auditorias do Tribunal de Contas podem ser XIV – apreciar e apurar denúncias sobre irregularida‑
realizadas ex officio ou por provocação da Câmara Legis‑ des e ilegalidades dos atos sujeitos a seu controle.
lativa, de suas comissões técnicas ou parlamentares de §1º No caso de contrato, o ato de sustação será ado‑
inquérito, nos órgãos e entidades que compõem a estrutura tado diretamente pela Câmara Legislativa, que solicitará,
organizacional do Legislativo e do Executivo. Frise­‑se que o
Judiciário distrital não está sujeito à fiscalização do TCDF,
de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis.
mas do TCU e do CNJ – Conselho Nacional de Justiça, insti‑ §2º Se a Câmara Legislativa ou o Poder Executivo, no
tuído pela Emenda Constitucional n. 45/2004. prazo de noventa dias, não efetivar as medidas previstas no
parágrafo anterior, o Tribunal decidirá da questão.
VI  – fiscalizar as aplicações do Poder Público em §3º O Tribunal encaminhará à Câmara Legislativa, tri‑
empresas de cujo capital social o Distrito Federal participe mestral e anualmente, relatório circunstanciado e demons‑
de forma direta ou indireta, nos termos do respectivo ato trativo das atividades internas e de controle externo reali‑
zadas.
constitutivo;
§4º Nos casos de irregularidade ou ilegalidade cons‑
VII  – fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos
tatados, sem imputação de débito, em que o Tribunal de
repassados ao Distrito Federal ou pelo mesmo, mediante Contas do Distrito Federal decidir não aplicar o disposto
convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres; no inciso IX deste artigo, deverão os respectivos votos ser
publicados juntamente com a ata da sessão em que se der o
COMENTÁRIO: julgamento.
§5º As decisões do Tribunal de Contas do Distrito
Os recursos recebidos da União estão sujeitos, igualmente,
à fiscalização do Tribunal de Contas da União, conforme o
Federal de que resultem imputação de débitos ou multa
disposto no art. 71, inciso VI, da Constituição Federal, que terão eficácia de título executivo.
estabelece ser dar competência do TCU: “fiscalizar a aplica‑ Art. 79. A Câmara Legislativa ou a comissão com‑
ção de quaisquer recursos repassados pela União mediante petente, diante de indícios de despesas não autorizadas,
convênio, acordo, ajuste ou outros instrumentos congêneres, ainda que sob forma de investimentos não programados ou
a Estado, ao Distrito Federal ou a Município”. de incentivos, isenções, anistias, remissões, subsídios ou
benefícios de natureza financeira, tributária ou creditícia
VIII – prestar as informações solicitadas pela Câmara não aprovados, poderá solicitar à autoridade governamental
Legislativa ou por qualquer de suas comissões técnicas ou responsável que, no prazo de cinco dias, preste os esclareci‑
de inquérito sobre a fiscalização contábil, financeira, orça‑ mentos necessários.
mentária, operacional e patrimonial e sobre resultados de §1º Não prestados os esclarecimentos ou considera‑
auditorias e inspeções realizadas; dos estes insuficientes, a Câmara Legislativa ou a comis‑
IX – aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade são competente solicitará ao Tribunal de Contas pronuncia‑
de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas mento conclusivo sobre a matéria, no prazo de trinta dias.
em lei, a qual estabelecerá, entre outras cominações, multa §2º Entendendo o Tribunal de Contas irregular a des‑
proporcional ao dano causado ao erário; pesa, a comissão competente, se julgar que o gasto possa
causar dano irreparável ou grave lesão à economia pública,

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D e n i s e V a r g a s
proporá à Câmara Legislativa sua sustação, se ainda não Subseção II
realizado, ou seu reembolso devidamente atualizado mone‑ Do Tribunal de Contas
tariamente, consoante regras vigentes, se já efetuado.
§3º O Tribunal de Contas do Distrito Federal agirá de Art. 82. O Tribunal de Contas do Distrito Federal, inte‑
ofício ou mediante iniciativa da Câmara Legislativa, do grado por sete Conselheiros, tem sede na cidade de Brasília,
Ministério Público ou das autoridades financeiras e orça‑ quadro próprio de pessoal e jurisdição em todo o território do
mentárias do Distrito Federal ou dos demais órgãos auxilia‑ Distrito Federal, exercendo, no que couber, as atribuições
res, sempre que houver indício de irregularidade em qual‑ previstas no art. 96 da Constituição Federal.
quer despesa, inclusive naquela decorrente de contrato. §1º Os Conselheiros do Tribunal serão nomeados entre
Art. 80. Os Poderes Legislativo e Executivo mante‑ brasileiros que satisfaçam os seguintes requisitos:
rão, de forma integrada, sistema de controle interno com a I – mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco
finalidade de: anos de idade;
I – avaliar o cumprimento das metas previstas no plano II – idoneidade moral e reputação ilibada;
plurianual, a execução dos programas de governo e dos III – notáveis conhecimentos jurídicos, contábeis, eco‑
orçamentos do Distrito Federal; nômicos e financeiros ou de administração pública;
II – comprovar a legalidade e avaliar os resultados IV – mais de dez anos de exercício de função ou de
quanto à eficácia e eficiência da gestão orçamentária, finan‑ efetiva atividade profissional que exija os conhecimentos
ceira, contábil e patrimonial nos órgãos e entidades da mencionados no item anterior.
administração do Distrito Federal, e quanto à da aplicação §2º Os Conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito
de recursos públicos por entidades de direito privado; Federal serão escolhidos:
III – exercer o controle sobre o deferimento de vanta‑ I – três pelo Governador do Distrito Federal, com a
gens e a forma de calcular qualquer parcela integrante da aprovação da Câmara Legislativa, sendo um de livre esco‑
remuneração, vencimento ou salário de seus membros ou lha, e dois alternadamente dentre auditores e membros do
servidores; Ministério Público junto ao Tribunal, indicados em lista
IV – exercer o controle das operações de crédito, avais tríplice pelo Tribunal, segundo os critérios de antiguidade
e garantias, bem como o dos direitos e haveres do Distrito e merecimento; (Inciso com a redação da Emenda à Lei
Federal; Orgânica n. 36, de 2002)31
V – avaliar a relação de custo e benefício das renúncias II – quatro pela Câmara Legislativa. (Inciso com a
de receitas e dos incentivos, remissões, parcelamentos de redação da Emenda à Lei Orgânica n. 36, de 2002)32
dívidas, anistias, isenções, subsídios, benefícios e afins de §3º (Parágrafo revogado pela Emenda à Lei Orgânica
natureza financeira, tributária, creditícia e outros. n. 36, de 2002)33
VI – apoiar o controle externo, no exercício de sua §4º Os Conselheiros do Tribunal de Contas terão as
missão institucional. mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimen‑
§1º Os responsáveis pelo controle interno, ao toma‑ tos e vantagens dos Desembargadores do Tribunal de Justiça
rem conhecimento de qualquer irregularidade, ilegalidade do Distrito Federal e Territórios, na forma da Constituição
ou ofensa aos princípios do art. 37 da Constituição Federal, Federal, e somente poderão aposentar­‑se com as vantagens
dela darão ciência ao Tribunal de Contas do Distrito Fede‑ do cargo quanto o tiverem exercido, efetivamente, por mais
ral, sob pena de responsabilidade solidária. de cinco anos.
§2º As contas públicas do Distrito Federal ficarão,
durante sessenta dias, anualmente, em local próprio da COMENTÁRIO:
Câmara Legislativa à disposição de qualquer contribuinte
O Tribunal de Contas do Distrito Federal deve seguir o
para exame e apreciação. modelo do Tribunal de Contas da União, cujo tratamento
§3º Qualquer cidadão, partido político, associação encontra raízes no art. 73 da Constituição da República.
ou entidade sindical é parte legítima para, na forma da Logo, se mostra adequada a regra orgânica que estabelece aos
lei, denunciar irregularidades ao Tribunal de Contas ou à Conselheiros as garantias, prerrogativas e impedimentos dos
Desembargadores do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
Câmara Legislativa. No entanto, contrariando a regra orgânica com esteio na
§4º A prestação de contas anual do Governador e as Constituição Federal, a Câmara Legislativa aprovou a Lei
tomadas ou prestações de contas anuais dos administra‑ Complementar n. 1/1994 que, além de tais garantias, atri‑
dores dos órgãos e entidades do Distrito Federal deverão bui aos Conselheiros a aplicação subsidiária do Regime Jurí‑
dico dos servidores públicos, o que certamente poderia lhes atri‑
ser acompanhadas de relatório circunstanciado do órgão de buir vantagens pecuniárias que ferem a regra constitucional
controle interno sobre o resultado das atividades indicadas
31 Texto original: I – dois pelo Governador do Distrito Federal, com a aprovação da
neste artigo. Câmara Legislativa, sendo um, alternadamente, entre auditores e membros do
Art. 81. O Tribunal de Contas do Distrito Federal Ministério Público junto ao Tribunal de Contas, indicados em lista tríplice pelo
Tribunal, segundo os critérios de antiguidade e merecimento; (Inciso declarado
prestará contas anualmente de sua execução orçamentária, inconstitucional: ADI n. 1632, Diário de Justiça de 28.06.2002. Ver também ADI
financeira e patrimonial à Câmara Legislativa até sessenta n. 2502, Diário de Justiça de 14.12.2001.)
dias da data da abertura da sessão do ano seguinte àquele 32 Texto original: II – cinco pela Câmara Legislativa. (Inciso declarado inconstitu‑
cional: ADI n. 1632, Diário de Justiça de 28.06.2002. Ver também ADI n. 2502,
a que se referir o exercício financeiro quanto aos aspectos Diário de Justiça de 14.12.2001.)
de legalidade, legitimidade e economicidade, observados os 33 Texto revogado: §3º Caberá à Câmara Legislativa indicar Conselheiros para a
primeira, segunda, quarta, sexta e sétima vagas, e ao Poder Executivo para a
demais preceitos legais. terceira e quinta vagas.

49
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
da remuneração fixada em subsídios. Tramita no Supremo Art. 85. Funcionará junto ao Tribunal de Contas o
Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade Ministério Público, regido pelos princípios institucionais
3417, pendente de liminar, de autoria do Procurador­‑ Geral
da República, que tenta impugnar a norma complementar
de unidade, indivisibilidade e independência funcional,
acima citada. com as atribuições de guarda da lei e fiscal de sua execução.

§5º Os Conselheiros, nas suas faltas e impedimentos, COMENTÁRIO:


serão substituídos por Auditores, na forma da lei. Ministério Público de Contas do Distrito Federal. De acordo
com a CF, art. 130, aos membros do Ministério Público,
COMENTÁRIO: junto aos Tribunais de Contas, aplicam­‑se as disposições
constitucionais pertinentes a direitos, vedações e forma de
Os Auditores são servidores de carreira. O STF, levando em investidura relativos ao Ministério Público em geral.
conta que eles serão substitutos dos Auditores, considera Diante desse comando constitucional, a LODF previu o
válida regra editalícia que lhes exija a idade superior a 35 funcionamento de um órgão do Ministério Público junto ao
anos, já que os Conselheiros devem possuir tal idade. TCDF. O DF não possui competência para legislar sobre o
Ministério Público em geral, salvo o do Tribunal de Contas
do DF, pois este é órgão específico, cujas normas são espe‑
§6º O Auditor, quando em substituição a Conselheiro, ciais e podem ser previstas em legislação distrital.
terá as mesmas garantias, prerrogativas e impedimentos do Muito foi discutido a respeito de o Ministério Público de
titular e, no exercício das demais atribuições da judicatura, Contas ser um órgão da estrutura do Ministério Público da
União ou ser vinculado ao próprio TCDF, tendo imperado
as de Juiz de Direito da Justiça do Distrito Federal e Terri‑ este último posicionamento.
tórios. Logo, o Ministério Público de Contas do Distrito Federal
§7º Os Conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito não integra o Ministério Público do Distrito Federal. São
Federal farão declaração pública de bens, no ato da posse e órgãos distintos e organizados por leis diversas.
O STF, no julgamento da ADI n. 160­‑TO, declarou a inexis‑
no término do exercício do cargo. tência de autonomia funcional ou administrativa aos Minis‑
§8º Os Conselheiros do Tribunal de Contas do Distrito térios Públicos junto aos Tribunais de Contas. Segundo
Federal, nos casos de crime comum e nos de responsabili‑ entendimento do STF:
dade, serão processados e julgados, originariamente, pelo MINISTÉRIO PÚBLICO ESPECIAL JUNTO AOS TRIBU‑
NAIS DE CONTAS. Não lhe confere, a Constituição Fede‑
Superior Tribunal de Justiça. ral, autonomia administrativa. Precedente: ADI n. 789.
Também em sua organização, ou estruturalmente, não é ele
COMENTÁRIO: dotado de autonomia funcional (como sucede ao Ministé‑
rio Público comum), pertencendo, individualmente, a seus
O §8º é referente ao foro por prerrogativa de função dos Con‑ membros, essa prerrogativa, nela compreendida a plena
selheiros do TCDF. O foro em tela tem assento constitucio‑ independência de atuação perante os poderes do Estado, a
nal, pois foi a Constituição Federal (art. 105) que atribuiu a começar pela Corte junto à qual oficiam (Constituição, arts.
competência originária ao Superior Tribunal de Justiça para 130 e 75). DJ 20.11.1998.
julgar, nos crimes comuns e de responsabilidade, as referi‑ Tendo em vista que o STF pacificou o entendimento de que
das autoridades, que têm os mesmos privilégios dos desem‑ o Ministério de Contas não é independente, mas vinculado
bargadores do TJDFT. ao Tribunal de Contas, afigura­‑nos inconstitucional a inicia‑
tiva regimental de proposição de lei pelo Procurador­‑ Geral
do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas do Dis‑
Art. 83. Os Conselheiros do Tribunal de Contas do trito Federal, prevista no art. 134 do Regimento Interno da
Distrito Federal, ainda que em disponibilidade, não pode‑ Câmara Legislativa.
Ademais, tal iniciativa não fora prevista na Lei Orgânica,
rão exercer outra função pública, nem qualquer profissão
não cabendo ao Regimento estender a iniciativa de leis, que é
remunerada, salvo uma de magistério, nem receber, a qual‑ matéria exclusiva da Constituição Federal e da LODF.
quer título ou pretexto, participação nos processos, bem
como dedicar­‑se à atividade político­‑partidária, sob pena Art. 86. Lei complementar do Distrito Federal dis‑
de perda do cargo. porá sobre a organização e funcionamento do Tribunal de
Art. 84. É da competência exclusiva do Tribunal de Contas, podendo dividi­‑lo em câmaras e criar delegações ou
Contas do Distrito Federal: órgãos destinados a auxiliá­‑lo no exercício de suas funções
I – elaborar, aprovar e alterar seu regimento interno; e na descentralização dos seus trabalhos.
II – organizar seus serviços auxiliares e prover os res‑
pectivos cargos, ocupados aqueles em comissão preferen‑ CAPÍTULO III
cialmente por servidores de carreira do próprio tribunal, DO PODER EXECUTIVO
nos casos e condições que deverão ser previstos em sua lei
de organização; Seção I
III – conceder licença, férias e outros afastamentos a Do Governador e Vice­‑ Governador
Conselheiros e Auditores;
IV – propor à Câmara Legislativa a criação, transfor‑ Art. 87. O Poder Executivo é exercido pelo Gover‑
mação e extinção de cargos e a fixação dos respectivos ven‑ nador do Distrito Federal, auxiliado pelos Secretários de
cimentos; Estado. (Artigo com a redação da Emenda à Lei Orgânica
V – elaborar sua proposta orçamentária, observados os n. 44, de 2005)34
princípios estabelecidos na lei de diretrizes orçamentárias. 34 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de
Governo” por “Secretários de Estado”.

50
D e n i s e V a r g a s
COMENTÁRIO: Art. 91. O Governador e o Vice­‑ Governador do Dis‑
trito Federal tomarão posse em sessão da Câmara Legisla‑
O Governador se limita a exercer as funções de chefe de
governo da Administração Pública e comandante superior
tiva, quando prestarão o compromisso de manter, defender
da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do DF, e cumprir a Constituição Federal e a Lei Orgânica, observar
por autorização constitucional. Ressalta­‑se que quaisquer as leis e promover o bem geral do povo do Distrito Federal.
vantagens conferidas ao Presidente da República como chefe Parágrafo único. Se, decorridos dez dias da data fixada
de Estado não poderá ser atribuída ao Governador.
para a posse, o Governador ou o Vice­‑Governador do Dis‑
trito Federal, salvo motivo de força maior, não tiver assumido
Art. 88. A eleição do Governador e do Vice­
o cargo, este será declarado vago.
‑Governador do Distrito Federal realizar­‑se­‑á noventa dias
Art. 92. Cabe ao Vice­‑ Governador substituir o Gover‑
antes do término do mandato de seus antecessores, e a posse
nador em sua ausência ou impedimento e suceder­‑lhe no
ocorrerá no dia 1º de janeiro do ano subsequente.
caso de vaga.
§1º A eleição do Governador do Distrito Federal
Parágrafo único. O Vice­‑ Governador do Distrito Fede‑
importará a do Vice­‑ Governador com ele registrado.
ral, além de outras atribuições que lhe forem conferidas por
§2º A eleição do Governador do Distrito Federal é feita
por sufrágio universal e por voto direto e secreto. lei complementar, auxiliará o Governador, sempre que por
§3º O mandato do Governador do Distrito Federal será ele convocado para missões especiais.
de quatro anos, permitida a reeleição para um único período Art. 93. Em caso de impedimento do Governador e do
subsequente. (Parágrafo com a redação da Emenda à Lei Vice­‑Governador, ou de vacância dos respectivos cargos,
Orgânica n. 37, de 2002)35 serão sucessivamente chamados ao exercício da chefia do
Art. 89. São condições de elegibilidade para Governa‑ Poder Executivo o Presidente da Câmara Legislativa e o
dor e Vice­‑ Governador do Distrito Federal: Presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Ter‑
I – nacionalidade brasileira; ritórios. (Artigo com a redação da Emenda à Lei Orgânica
n. 57, de 2010)36
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
Não se exige que o Governador e o Vice­‑ Governador sejam
brasileiros natos, podem ser brasileiros naturalizados ou até O art. 93 da LODF sofreu duas reformas. A primeira reforma
mesmo portugueses equiparados a brasileiros naturalizados, nos é indicada pela doutrina:
quando gozam dos benefícios do estatuto da igualdade, con‑
“Até 2002, a Lei Orgânica, no art. 93, situava na linha da
forme previsão no art. 12, §1º, da Constituição Federal e o
sucessão, em seguida ao vice­‑governador, o presidente da
Tratado da Amizade, subscrito entre Brasil e Portugal, em
Câmara Distrital e o seu substituto legal. No final de 2002,
Porto Seguro, no dia 21 de abril de 2000.
emenda à Lei Orgânica acrescentou o Presidente do Tri‑
Os cargos privativos de brasileiros natos, segundo o art.
12, §3º, da Constituição Federal, são aqueles que tragam bunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios na linha
risco à soberania nacional: Presidente da República, Vice­ sucessória local”.
‑Presidente da República, Presidente da Câmara dos Depu‑ A segunda modificação foi empreendida pela ELODF
tados, Presidente do Senado Federal, Ministros do Supremo 57/2010. Essa modificação se deu em face da vacância dos
Tribunal Federal, Oficiais das Forças Armadas, membro de cargos de Governador e Vice­‑ Governador do Distrito Fede‑
carreira diplomática e Ministro da Defesa. ral. Com efeito, o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito
Federal declarou a perda do mandato do Governador do
Distrito Federal José Roberto Arruda, em 18 de março de
II – pleno exercício dos direitos políticos; 2010 (Acórdão 2885, publicado no Diário da Câmara Legis‑
III – domicílio eleitoral na circunscrição do Distrito lativa, de 19 de março de 2010 ­– Processo 335­‑ 69/TRE­‑DF).
Federal pelo prazo fixado em lei; O seu substituto legal imediato seria o Vice­‑ Governador
IV – filiação partidária; Paulo Octávio. Entretanto, o Vice­‑Governador do Distrito
Federal havia renunciado ao mandato em carta publicada no
V – idade mínima de trinta anos; Diário da Câmara Legislativa, de 24 de fevereiro de 2010.
VI – alistamento eleitoral. Pela redação anterior do art. 93 da LODF a sucessão deve‑
Art. 90. Será considerado eleito Governador do Dis‑ ria recair sobre o Presidente da CLDF ou, sucessivamente,
trito Federal o candidato que, registrado por partido polí‑ sobre seu substituto legal. A ELODF 57 modificou o art.
93 em comento para estabelecer a nova ordem de sucessão
tico, obtiver a maioria absoluta de votos, não computados
ou substituição nos casos de vacância e impedimento dos
os em branco e os nulos. cargos de Governador e Vice, quais sejam: Presidente da
§1º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na Câmara Legislativa e Presidente do TJDFT.
primeira votação, far­‑se­‑á nova eleição em até vinte dias Essa ordem de sucessão é questionável. Com efeito, Lei
após a proclamação do resultado, na qual concorrerão os Distrital determina, na ordem de sucessão ou substituição,
que uma autoridade pública federal – Presidente do TJDFT
dois candidatos mais votados e será considerado eleito o – substitua ou suceda uma autoridade pública distrital –
que obtiver a maioria dos votos válidos. Governador.
§2º Se, antes de realizado o segundo turno, ocorrer Conforme vaticina a doutrina:
morte, desistência ou impedimento legal de candidato, “A deliberação é de difícil compatibilidade com a Constitui‑
convocar­‑se­‑á, entre os remanescentes, o de maior votação. ção Federal, já que o Tribunal de Justiça do Distrito Fede‑
ral não integra a estrutura do poder governamental do DF.
§3º Se, na hipótese dos parágrafos anteriores, remanes‑ Tampouco pode a lei orgânica do DF definir competência de
cer, em segundo lugar, mais de um candidato com a mesma órgão sobre quem não exerce poder de organização”.
votação, qualificar­‑se­‑á o mais idoso. 36 Texto original: Art. 93. Em caso de impedimento do Governador e do Vice­
Governador, ou de vacância dos respectivos cargos, serão sucessivamente cha‑
35 Texto original: §3º O mandato do Governador é de quatro anos, vedada a reelei‑ mados ao exercício da chefia do Poder Executivo o Presidente da Câmara Legis‑
ção para o período subsequente. lativa e o seu substituto legal.

51
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
Art. 94. Vagando os cargos de Governador e Vice­ §2º O Governador e o Vice­‑Governador do Distrito
‑Governador do Distrito Federal, se fará eleição noventa Federal poderão afastar­‑se durante trinta dias, a título de
dias depois de aberta a última vaga. (Artigo com a redação férias, em cada ano de seu mandato. (Parágrafo com a
da Emenda à Lei Orgânica n. 57, de 2010)37 redação da Emenda à Lei Orgânica n. 41, de 2004)38
§1º Ocorrendo a vacância nos últimos dois anos do Art. 97. O Governador e o Vice­‑ Governador deverão,
mandato, a eleição para ambos os cargos será feita trinta no ato da posse e no término do mandato, fazer declaração
dias depois da última vaga, pela Câmara Legislativa, na pública de bens.
forma da lei. Art. 98. Aplicam­ ‑se ao Governador e ao Vice­
§2º Em qualquer dos casos, os eleitos deverão comple‑ ‑Governador, no que couber, as proibições e impedimentos
tar o período de seus antecessores. estabelecidos para os Deputados Distritais, fixados no art. 62.
Art. 99. Perderá o mandato o Governador que assumir
COMENTÁRIO:
outro cargo ou função na administração pública direta ou
O art. 94 da LODF foi modificado, recentemente, pela indireta, federal, estadual, municipal ou do Distrito Fede‑
ELODF 57/2010, por conta da vacância dos cargos de Gover‑ ral, ressalvada a posse em virtude de concurso público e
nador e Vice­‑ Governador do DF ocorrida em 2010. Até essa
emenda, no caso de vacância desses cargos nos três primei‑
observado o disposto no art. 38, I, IV e V, da Constituição
ros anos, nova eleição deveria ser convocada em noventa Federal.
dias depois de aberta última vaga. Se a vacância ocorresse
no último ano do mandato, assumiriam os cargos, sem elei‑
Seção II
ção, o Presidente da CLDF e o seu substituto legal.
Com a reforma empreendida pela ELODF 57, havendo Das Atribuições do Governador
vacância dos cargos de Governador e Vice nos dois primei‑
ros anos do mandato, será convocada eleição em 90 dias. Se Art. 100. Compete privativamente ao Governador do
a vacância ocorrer nos dois últimos anos do mandato, a elei‑
ção será feita em trinta dias pela própria Câmara Legisla‑ Distrito Federal:
tiva do DF. Assim, com a referida reforma, a LODF passa a I – representar o Distrito Federal perante o Governo
seguir o modelo federal de sucessão do Presidente da Repú‑ da União e das Unidades da Federação, bem como em suas
blica previsto no art. 81 da CF.
O caso de vacância dupla, de Governador e Vice, já havia relações jurídicas, políticas, sociais e administrativas;
sido objeto de discussão no STF, quanto aos estados da II – nomear, observado o disposto no caput do art. 244
Bahia, Sergipe e Tocantins, nas seguintes ações, respecti‑ e em seu parágrafo único, os membros do Conselho de Edu‑
vamente: ADI 1057 MC/BA DJU de 6.4.2001; ADI 2709/
SE DJ­‑ e 88 de 16.05.2008 e ADI 4298 MC/TO DJ­‑ e 223 de
cação do Distrito Federal;
27.11.2009. Nessas ações, ficou consignado que o estado­ III – nomear e exonerar Secretários de Estado; (Inciso
‑membro não precisa seguir simetricamente o modelo pre‑ com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005)39
visto para a sucessão presidencial na CF. Entretanto, ocor‑
IV – exercer, com auxílio dos Secretários de Estado,
rendo a vacância dos cargos, é sempre necessária eleição,
sob pena de violação do princípio republicano. a direção superior da administração do Distrito Federal;
(Inciso com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 44,
Art. 95. O Governador e o Vice­‑ Governador deverão de 2005.)40
residir no Distrito Federal. V – exercer o comando superior da Polícia Militar e do
Art. 96. O Governador e o Vice­ ‑ Governador não Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal, e promo‑
poderão, sem licença da Câmara Legislativa, ausentar­‑se ver seus oficiais;
do Distrito Federal por período superior a quinze dias, sob
pena de perda do cargo. COMENTÁRIO:

COMENTÁRIO: Comando Superior da Polícia Militar e do Corpo de Bom‑


beiros Militar do Distrito Federal. Estabelece a Constituição
Essa regra atende ao modelo federal e foi declarada constitu‑ Federal, no art. 21, XIV, compete à União organizar e manter
cional pelo STF: ADI n. 1.172 (DJU 25.04.2003). a Polícia Civil, a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros
Militar do Distrito Federal. Diante desse ditame constitucio‑
nal, o STF suspendeu a eficácia, em medida limitar, no jul‑
§1º A licença a que se refere o caput deste artigo deverá gamento da ADI n. 1.045­‑ 0, de todo o art. 45 da LODF, que
ser justificada. (Parágrafo renumerado pela Emenda à Lei tratou de assunto que não lhe pertence.
Orgânica n. 37, de 2002) Observe­‑se que o inciso em comento não se mostra incons‑
titucional. Pelo contrário, pois embora a organização dessas
37 Texto original: Art. 94. Vagando os cargos de Governador e Vice­‑ Governador instituições fique a cargo da União, a CF, no art. 144, §6º,
do Distrito Federal, far­‑se­‑á eleição noventa dias depois de aberta a última vaga,
atribuiu ao Governador do Distrito Federal o comando supe‑
devendo os eleitos completar o período de seus antecessores, na forma do art. 81
da Constituição Federal. rior: “As polícias militares e corpos de bombeiros militares,
forças auxiliares e reserva do Exército, subordinam­‑se, jun‑
Parágrafo único. Em caso de impedimento do Governador e do Vice­‑ Governador tamente com as polícias civis, aos Governadores dos Esta‑
do Distrito Federal, ou vacância dos respectivos cargos, no último ano do perí‑
dos, do Distrito Federal e dos Territórios”.
odo governamental, serão sucessivamente chamados para o seu exercício, em
caráter definitivo no caso de vacância, o Presidente da Câmara Legislativa, o 38 Texto original: §2º O Governador do Distrito Federal poderá afastar­‑se durante
Vice­‑Presidente da Câmara Legislativa e o Presidente do Tribunal de Justiça. trinta dias, a título de férias, em cada ano de seu mandato. (Parágrafo acrescido
(Parágrafo com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 37, de 2002) pela Emenda à Lei Orgânica n. 37, de 2002.
Texto original: Parágrafo único. Ocorrendo a vacância no último ano do período 39 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de
governamental, assumirão os cargos de Governador e Vice­‑ Governador do Dis‑ Governo” por “Secretários de Estado”.
trito Federal, em caráter permanente, na seguinte ordem, o Presidente da Câmara 40 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de
Legislativa e o seu substituto legal. Governo” por “Secretários de Estado”.

52
D e n i s e V a r g a s
Também, o art. 32, §4º, da Carta Constitucional, estabeleceu XV – nomear e destituir presidente de instituições
que: “Lei federal disporá sobre a utilização, pelo Governo do financeiras controladas pelo Distrito Federal, após a apro‑
Distrito Federal, das Polícias Civil e Militar e do Corpo de
Bombeiros Militar” vação pela Câmara Legislativa, na forma do art. 60, XXXV;
A Lei Federal n. 6.450/1977 dispõe sobre a organização XVI  – enviar à Câmara Legislativa projetos de lei
básica da PMDF e em seu art. 3º a sujeita administrativa‑ relativos a plano plurianual, diretrizes orçamentárias, orça‑
mente ao Governador do DF, a quem cabe, igualmente,
prover o cargo de Comandante­‑ Geral da PMDF.
mento anual, dívida pública e operações de crédito;

VI – iniciar o processo legislativo, na forma e nos COMENTÁRIO:


casos previstos nesta Lei Orgânica;
Vide comentários à parte de orçamento público.
COMENTÁRIO:
XVII – prestar anualmente à Câmara Legislativa, no
Acerca do processo legislativo, confira nossos comentários prazo de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa,
aos arts. 69 e seguintes.
as contas referentes ao exercício anterior;
VII  – sancionar, promulgar e fazer publicar as leis,
COMENTÁRIO:
bem como expedir decretos e regulamentos para sua fiel
execução; A não prestação de contas pelo Governador, além de
acarretar­‑lhe possível processo por crime de responsabili‑
COMENTÁRIO: dade, autoriza a Câmara Legislativa a tomar­‑lhe as contas,
com o auxílio do TCDF.
Acerca da sanção, da promulgação e da publicação das leis,
veja nossos comentários sobre o processo legislativo.
XVIII – prover e extinguir os cargos públicos do Dis‑
VIII – nomear, na forma da lei, os Comandantes­ trito Federal, na forma da lei;
‑Gerais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, XIX – nomear e destituir diretores de sociedades de
bem como o Diretor da Polícia Civil; economia mista, empresas públicas e fundações mantidas
pelo Poder Público;
COMENTÁRIO: XX – subscrever ou adquirir ações, realizar ou aumen‑
tar capital, desde que haja recursos disponíveis, de socie‑
Embora esses órgãos sejam organizados e mantidos pela dade de economia mista ou de empresa pública, bem como
União, essas autoridades são nomeadas pelo Governador,
por conta de autorização constitucional (art. 144 da CF). dispor, a qualquer título, no todo ou em parte, de ações
ou capital que tenham subscrito, adquirido, realizado ou
IX – vetar projetos de lei, total ou parcialmente; aumentado, mediante autorização da Câmara Legislativa;
XXI – delegar, por decreto, a qualquer autoridade do
COMENTÁRIO: Executivo atribuições administrativas que não sejam de sua
exclusiva competência;
Acerca do veto, veja nossos comentários sobre o processo XXII – solicitar intervenção federal na forma estabele‑
legislativo.
cida pela Constituição da República;
X  – dispor sobre a organização e o funcionamento
da administração do Distrito Federal, na forma desta Lei COMENTÁRIO:
Orgânica;
A solicitação de intervenção caberá ao Governador quando
XI – remeter mensagem e plano de governo à Câmara o Poder Executivo for o coacto. Caso o poder coacto seja
Legislativa por ocasião da abertura da sessão legislativa, o Legislativo, essa competência de provocar o Presidente
expondo a situação do Distrito Federal e indicando as pro‑ da República recairá sobre a Câmara Legislativa. (art. 34,
vidências que julgar necessárias; inciso IV, da CF)
XII – nomear os Conselheiros do Tribunal de Contas do
Distrito Federal, após a aprovação pela Câmara Legislativa, XXIII  – celebrar ou autorizar convênios, ajustes ou
observado o disposto no art. 82, §§1º e 2º e seus incisos; acordos com entidades públicas ou particulares, na forma
da legislação em vigor;
COMENTÁRIO: XXIV – realizar operações de crédito autorizadas pela
Câmara Legislativa;
Dos sete conselheiros do TCDF, o Governador faz jus a
nomear três. Vide comentários ao art. 82. XXV – decretar situação de emergência e estado de
calamidade pública no Distrito Federal;
XIII – nomear e destituir o Procurador­‑ Geral do Dis‑ XXVI – praticar os demais atos de administração, nos
trito Federal, na forma da lei; limites da competência do Poder Executivo;
XIV – nomear os membros do Conselho de Governo, a XXVII – nomear, dispensar, exonerar, demitir e desti‑
que se refere o art. 108; tuir servidores da administração pública direta.

53
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
Seção III I – a existência da União e do Distrito Federal;
Da Responsabilidade do Governador II – o livre exercício dos Poderes Executivo e Legisla‑
tivo e das outras autoridades constituídas;
Art. 101. São crimes de responsabilidade os atos do III – o exercício dos direitos políticos, individuais e
Governador do Distrito Federal que atentem contra a Cons‑ sociais;
tituição Federal, contra esta Lei Orgânica e, especialmente, IV – a segurança interna do País e do Distrito Federal;
contra: V – a probidade na administração;
I – a existência da União e do Distrito Federal; VI – a lei orçamentária;
II – o livre exercício do Poder Executivo e do Poder VII – o cumprimento das leis e decisões judiciais.
Legislativo ou de outras autoridades constituídas; §1º A recusa em atender a convocação da Câmara
III – o exercício dos direitos políticos, individuais e Legislativa ou de qualquer das suas Comissões constitui
sociais; igualmente crime de responsabilidade.
IV – a segurança interna do País e do Distrito Federal; §2º A Mesa Diretora, as Comissões Permanentes e os
V – a probidade na administração; Deputados Distritais poderão apresentar ao plenário denún‑
VI – a lei orçamentária; cia solicitando a instauração de processo por crime de res‑
ponsabilidade contra qualquer das autoridades elencadas no
VII – o cumprimento das leis e das decisões judiciais.
caput.
Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo
§3º Admitida a acusação constante da denúncia, por
serão definidos em lei especial, que estabelecerá as normas
maioria absoluta dos deputados distritais, será a autoridade
de processo e julgamento.
julgada perante a própria Câmara Legislativa.

COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
Os crimes de responsabilidade do Governador estão previs‑
Não nos parece que todos os crimes de responsabilidade pra‑
tos na Lei Federal n. 1.079/1950, em face da competência pri‑
ticados pelos agentes indicados no caput devam ser julga‑
vativa da União para legislar sobre Direito Penal, conforme
dos pela Câmara Legislativa do DF, pois os Secretários de
seu art. 21, inciso I.
Estado do DF, por exemplo, quando os pratica isoladamente,
Segundo a legislação em tela, qualquer cidadão é parte sem haver conexão com os crimes de responsabilidade prati‑
legítima para ofertar denúncia contra o Governador à Casa cados pelo Governador, devem ser julgados pelo Judiciário,
Legislativa. O julgamento deve ocorrer perante um Tribunal nos moldes dos Ministros de Estado.
Misto Especial, nos Estados, composto por cinco Desembar‑ A Constituição Federal, no art. 52, atribuiu a competência,
gadores dos Tribunais de Justiça e cinco Deputados. Esse ao Senado Federal, de julgar os Ministros de Estado nos
foi o entendimento do Supremo Tribunal Federal, no julga‑ crimes de responsabilidade tão­‑somente quando conexos
mento da ADI n. 1.628­‑8 SC, DJU 24.11.2006. Além disso, com o do Presidente e Vice­‑Presidente da República. Logo,
o STF entendeu que os Estados não podem legislar sobre o por ser norma de reprodução obrigatória, não poderia a
prazo de suspensão dos direitos políticos para Governado‑ Lei Orgânica estender a sua competência para julgamento
res, que continua a ser de cinco anos, conforme a Lei Federal irrestrito dos crimes de responsabilidade dos Secretários de
n. 1.079/1950. É dessa forma porque a Constituição Federal Estado do DF e das demais autoridades que cita, sob pena
de 1988 só inabilita, por oito anos, as autoridades que elenca, de estar legislando sobre Direito Processual Penal e Direito
não estando entre elas o Governador, cujas regras continuam Penal, que são temas da atribuição exclusiva da União.
a ser regidas por esta lei federal. Ademais, conforme o entendimento esposado pelo STF, no
No julgamento do 24.297­‑3/DF, o STF teve oportunidade julgamento da ADI n. 1.628­‑8 SC, DJU 24.11.2006, o Gover‑
de declarar, incidentalmente, a constitucionalidade desse nador deve ser julgado, nos crimes de responsabilidade,
artigo em comento, por entender que o DF não legislou sobre perante um Tribunal Misto Especial, nos Estados, com‑
Direito Penal, mas limitou­‑se a reproduzir o art. 84 da CF. posto por cinco Desembargadores dos Tribunais de Justiça
e cinco Deputados. DJU 24.11.2006. E a Súmula n. 722 do
STF determina que são da competência legislativa da União
Art.  101­‑A. São crimes de responsabilidade os atos a definição dos crimes de responsabilidade e o estabeleci‑
dos Secretários de Estado, dos dirigentes e servidores da mento das respectivas normas de processo e julgamento.
administração pública direta e indireta, do Procurador­
‑Geral, dos comandantes da Polícia Militar e do Corpo de §4º Após admitida a denúncia pela Câmara Legislativa
Bombeiros Militar e do Diretor­‑ Geral da Polícia Civil que a autoridade será afastada imediatamente de seu cargo.
atentarem contra a Constituição Federal, esta Lei Orgânica §5º Aos ex­‑governadores e aos ex­‑ocupantes dos cargos
e, especialmente, contra: (Artigo e respectivos incisos e referidos no caput, aplica­‑se o disposto no §1º quando a con‑
parágrafos com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. vocação referir­‑se a atos praticados no período de mandato
44, de 2005)41 ou gestão dos respectivos cargos.
41 Texto original: Art. 101­‑A. São crimes de responsabilidade os atos dos secretá‑ Art. 102. Qualquer cidadão, partido político, associa‑
rios de governo, dos dirigentes e servidores da administração pública direta e ção ou entidade sindical poderá denunciar à Câmara Legis‑
indireta, do Procurador­‑ Geral, dos comandantes da Polícia Militar e do Corpo
de Bombeiros Militar e do Diretor­‑ Geral da Polícia Civil que atentarem contra a
lativa o Governador, o Vice­‑ Governador e os Secretários de
Constituição Federal, esta Lei Orgânica e, especialmente, contra: (Artigo e res‑ Estado por crime de responsabilidade. (Artigo com a reda‑
pectivos incisos e parágrafos acrescidos pela Emenda à Lei Orgânica n. 33, de ção da Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005)42
2000)
A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de 42 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de
Governo” por “Secretários de Estado”. Governo” por “Secretários de Estado”.

54
D e n i s e V a r g a s
Art. 103. Admitida acusação contra o Governador, por II – nos crimes de responsabilidade, após a instauração
dois terços da Câmara Legislativa, será ele submetido a jul‑ do processo pela Câmara Legislativa.
gamento perante o Superior Tribunal de Justiça, nas infra‑ §2º Se, decorrido o prazo de cento e oitenta dias, o jul‑
ções penais comuns, ou perante a própria Câmara Legisla‑ gamento não estiver concluído, cessará o afastamento do
tiva, nos crimes de responsabilidade. Governador, sem prejuízo do regular prosseguimento do
processo.
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
Os crimes de natureza político­‑administrativa de Governado‑
res estão regulados pela Lei Federal n. 1.079/1950, que define Enquanto não declarada a inconstitucionalidade desse dis‑
quais condutas são consideradas crimes de responsabilidade positivo, é ele eficaz. No entanto, a Lei n. 1.079 estabelece
pelos Chefes do Executivo federal, estadual e distrital, bem que o prazo de suspensão é de cento e vinte dias.
como de Ministros e Secretários de Estado. É permitido a todo
§3º (Parágrafo revogado pela Emenda à Lei Orgânica
cidadão denunciar o Governador perante a Assembleia Legis‑
lativa, por crime de responsabilidade. Conforme o disposto n. 57, de 2010)43
nessa lei, qualquer cidadão pode oferecer ao Poder Legislativo §4º (Parágrafo revogado pela Emenda à Lei Orgânica
a denúncia assinada pelo denunciante e com a firma reconhe‑ n. 57, de 2010)44
cida, acompanhada dos documentos que a comprovem, ou da
declaração de impossibilidade de apresentá­‑los com a indica‑
ção do local em que possam ser encontrados. Nos crimes em Art. 104. A condenação do Governador ou do Vice­
que houver prova testemunhal, conterão rol das testemunhas, ‑Governador do Distrito Federal implica a destituição do
em número de cinco pelo menos. Não será recebida a denún‑ cargo, sem prejuízo das demais sanções legais cabíveis.
cia depois que o Governador, por qualquer motivo, houver
deixado definitivamente o cargo. Apresentada a denúncia e
julgada objeto de deliberação, se o Legislativo, por maioria COMENTÁRIO:
absoluta, decretar a procedência da acusação, será o Governa‑
dor imediatamente suspenso de suas funções. Interpretação do STF sobre o tema relacionado
O art. 78 da supracitada lei federal determina que o Governa‑ Os §§3º e 4º estabelecem imunidade formal prisional e pro‑
dor será julgado nos crimes de responsabilidade, pela forma cessual ao Governador do Distrito Federal. No entanto, o
que determinar a Constituição do Estado e não poderá ser Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI – Ação
condenado senão à perda do cargo, com inabilitação até cinco Direta de Inconstitucionalidade 1.020­‑4, declarou a inconsti‑
anos para o exercício de qualquer função pública, sem pre‑ tucionalidade destes parágrafos.
juízo da ação da justiça comum. Quando o tribunal de jul‑ Segundo decisão do Tribunal, a imunidade prisional cautelar
gamento for de jurisdição mista, serão iguais, pelo número, e a qualquer processo penal por delitos estranhos a função
os representantes dos órgãos que o integrarem, excluído o governamental viola o princípio republicano de responsa‑
Presidente, que será o Presidente do Tribunal de Justiça. Em bilização pessoal do Chefe do Executivo. Ademais, o legis‑
qualquer hipótese, só poderá ser decretada a condenação pelo lador distrital teria usurpado a competência legislativa da
voto de dois terços dos membros de que se compuser o tri‑ União para tratar de imunidades e direitos penal e processual
bunal de julgamento. Nos Estados, em que as Constituições penal, bem como atribuído ao Governador as mesmas prer‑
não determinarem o processo nos crimes de responsabilidade rogativas do Presidente da República, atribuídas enquanto
dos Governadores aplicar­‑se­‑á o disposto nesta lei, devendo, Chefe de Estado. Logo, tais artigos são inconstitucionais.
porém, o julgamento ser proferido por um tribunal composto (ADI n. 1.020­‑DF, Decisão publicada em 17.11.1995).
de cinco membros do Legislativo e de cinco desembargadores
sob a presidência do Presidente do Tribunal de Justiça local,
que terá direito de voto no caso de empate. A escolha desse Seção IV
Tribunal será feita – a dos membros do Legislativo – mediante Dos Secretários de Estado
eleição pela Assembleia; a dos desembargadores, mediante (Título da seção com a redação da Emenda à Lei
sorteio. Os Secretários de Estado, nos crimes conexos aos dos
governadores, estão sujeitos ao mesmo processo e julgamento.
Orgânica n. 44, de 2005.)45
Tramita no STF a ADI n. 3.436­‑DF contra o art. 60, XXIV, e o
art. 103 da LODF, em epígrafe, questionando a inconstitucio‑ Art. 105. Os Secretários de Estado serão escolhidos
nalidade desses dispositivos, pois há precedentes do plenário entre brasileiros maiores de vinte e um anos, no exercí‑
sobre dispositivos análogos de constituições estaduais, como
Santa Cantarina, em que a Suprema Corte entendeu que não
cio dos direitos políticos. (Artigo e parágrafo único com a
compete aos Estados legislar sobre Direito Penal e Processual redação da Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005)46
Penal. Logo, cabe a aplicação da Lei Federal n. 1.079/1950 Parágrafo único. Compete aos Secretários de Estado,
nesses crimes de responsabilidade. Na ADI supramencio‑ além de outras atribuições estabelecidas nesta Lei Orgânica
nada, ainda não há liminar nem decisão, mas parecer favo‑
rável do Procurador­‑Geral da República e votos favoráveis ao
e nas demais leis:
pedido de declaração de inconstitucionalidade. 43 Texto revogado: §3º Enquanto não sobrevier sentença condenatória nas infrações
E, como visto anteriormente, a Súmula n. 722 do STF não comuns, o Governador não estará sujeito a prisão. (Parágrafo declarado incons‑
titucional: ADI n. 1020 – STF, Diário de Justiça de 17.11.1995, republicado em
admite legislação distrital sobre Direito Penal e Processual 24.11.1995.)
Penal. 44 Texto revogado: §4º O Governador, na vigência de seu mandato, não pode ser
responsabilizado por atos estranhos ao exercício de suas funções. (Parágrafo
declarado inconstitucional: ADI n. 1020 – STF, Diário de Justiça de 17.11.1995,
§1º O Governador ficará suspenso de suas funções: republicado em 24.11.1995.)
45 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de
I – nas infrações penais comuns, se recebida a denún‑ Governo” por “Secretários de Estado”.
cia ou queixa­‑crime pelo Superior Tribunal de Justiça; 46 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de
Governo” por “Secretários de Estado”.

55
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
I – exercer a orientação, coordenação e supervisão dos O Conselho de Governo do Distrito Federal é composto
órgãos e entidades da administração do Distrito Federal, na pelo Governador, Vice­‑Governador, Presidente da Câmara
Legislativa e por quatro cidadãos, brasileiros natos, residen‑
área de sua competência;
tes no DF há pelo menos dez anos, com mais de 30 anos de
II – referendar os decretos e os atos assinados pelo idade, para um mandato de dois anos.
Governador, referentes à área de sua competência;
III – expedir instruções para a execução das leis, Art. 108. O Conselho de Governo é o órgão superior
decretos e regulamentos; de consulta do Governador do Distrito Federal, que o pre‑
IV – apresentar ao Governador relatório anual de sua side e do qual participam:
gestão; I – o Vice­‑ Governador do Distrito Federal;
V – praticar os atos pertinentes às atribuições que lhe II – o Presidente da Câmara Legislativa;
forem outorgadas ou delegadas pelo Governador do Distrito
III – os líderes da maioria e da minoria na Câmara
Federal;
Legislativa;
VI – comparecer à Câmara Legislativa ou a suas comis‑
IV – o Procurador­‑ Geral do Distrito Federal;
sões, nos casos e para os fins indicados nesta Lei Orgânica;
V  – quatro cidadãos brasileiros natos, residentes no
VII  – delegar a seus subordinados, por ato expresso,
Distrito Federal há pelo menos dez anos, maiores de trinta
atribuições previstas na legislação.
anos de idade, todos com mandato de dois anos, vedada a
Art. 106. Os Secretários de Estado poderão compare‑ recondução, sendo dois nomeados pelo Governador e dois
cer à Câmara Legislativa do Distrito Federal ou a qualquer indicados pela Câmara Legislativa.
de suas comissões, por sua iniciativa ou por convocação,
para expor assunto relevante de sua secretaria. (Artigo com
a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005)47 COMENTÁRIO:
Art. 107. Os Secretários de Estado serão, nos crimes
comuns e nos de responsabilidade, processados e julgados A Constituição Federal trata, em seu art. 12, da
pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, nacionalidade, vínculo jurídico e político que
ressalvada a competência dos órgãos judiciários federais. une um indivíduo, por ato voluntário ou involun‑
(Artigo e respectivos parágrafos com a redação da Emenda tário, à autoridade de um Estado, devendo­‑lhe
à Lei Orgânica n. 44, de 2005)48 obrigações e exigindo­‑lhe direitos.
§1º São crimes de responsabilidade dos Secretários de São brasileiros naturalizados aqueles que, nas‑
Estado os referidos nos arts. 60, XII, e 101, bem como os cendo fora do território nacional, voluntaria‑
demais previstos em lei, incluída a recusa ou o não com‑ mente adquirem a nacionalidade brasileira por
parecimento à Câmara Legislativa ou a qualquer de suas processo de naturalização.
comissões quando convocados, além da não prestação de São brasileiros natos:
informações no prazo de trinta dias ou o fornecimento de a) os nascidos no território brasileiro, mesmo que os pais
informações falsas. sejam estrangeiros, salvo se um dos pais, ao menos, estiver
no Brasil a serviço de seu país;
§2º O acolhimento da denúncia pela prática de crime
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe bra‑
de responsabilidade acarreta o afastamento do Secretário sileira, desde que qualquer deles esteja a serviço do Brasil;
de Estado do Distrito Federal do exercício de suas funções. c) os que nasçam fora do território brasileiro, mas seja filho
de pai brasileiro ou mãe brasileira, e venham a residir no
Brasil e optem, em qualquer tempo, a partir da maioridade,
COMENTÁRIO: pela nacionalidade brasileira.
O §2º do art. 12 da CF veda que a lei faça distinção entre bra‑
Conforme visto, não compete ao Distrito Federal legislar sileiros natos e naturalizados, salvo os casos taxativamente
sobre Direito Penal e Processual Penal. Súmula n. 722 do STF. previstos na própria CF.
Em face do princípio da isonomia ou igualdade, previsto
no art. 5º, caput, da CF, não seria plausível distinções
Seção V
entre os brasileiros.
Do Conselho de Governo Entretanto, o §2º do art. 12 da CF estabelece que: “A lei não
poderá estabelecer distinções entre brasileiros natos e natu‑
ralizados, salvo nos casos previstos nesta Constituição”.
COMENTÁRIO:
Logo, só poderá ser realizada distinção entre brasileiros se
for pela própria Constituição e, por conseguinte, qualquer ato
O Conselho de Governo do Distrito Federal é um corpo administrativo, político ou norma que faça tal diferenciação
coletivo ou colegiado misto de grau superior que auxiliará o será considerado inconstitucional.
Chefe do Executivo em matérias relevantes para o DF, sem a
Esse inciso da Lei Orgânica não se enquadra nas exceções
percepção de qualquer remuneração.
constitucionais, mostrando­‑se, ao nosso ver, inconstitucio‑
47 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de nal.
Governo” por “Secretários de Estado”. Portanto, quais seriam as hipóteses constitucionais de dis‑
48 A Emenda à Lei Orgânica n. 44, de 2005, substituiu a expressão “Secretários de tinção? Veja o Quadro a seguir:
Governo” por “Secretários de Estado”.

56
D e n i s e V a r g a s
DISTINÇÕES CONSTITUCIONAIS TAXATIVAS ENTRE BRASILEIROS
Presidente e Vice­‑Presidente da República; Pre‑
sidente do Senado; Presidente da Câmara dos
Deputados; Ministro do STF; membros da car‑
reira diplomática (embaixador, cônsul, e secre‑
CARGOS PRIVATIVOS DE BRASILEIROS NATOS tários até o terceiro grau); Oficiais das Forças Art. 12, §3º, CF.
Armadas; Ministro de Estado da Defesa.

Seis cidadãos brasileiros natos, com mais de 35


anos, nomeados, dois pelo Presidente da Repú‑
PRIVATIVAS DE BRASILEIROS Art. 89, VII, CF.
FUNÇÕES blica, dois pelo Senado e dois pela Câmara dos
NATOS
Deputados.
70% do capital votante e total de empresa jor‑
nalística e de radiodifusão sonora e de sons e
PRIVATIVAS DE BRASILEIROS NATOS
imagens são privativas de brasileiros natos ou
PROPRIEDADE OU Art. 222 da CF.
naturalizados há mais de 10 anos.
NATURALIZADOS HÁ MAIS DE 10 ANOS

Nenhum brasileiro (nato ou naturalizado) será


extraditado, salvo, em duas hipóteses, o natura‑
lizado será extraditado:
a) comprovado envolvimento em tráfico de
BRASILEIRO entorpecentes praticado antes ou após a natura‑
EXTRADIÇÃO Art. 5º, LI, CF.
NATURALIZADO lização;
b) crime comum, i.e., que não seja político ou de
opinião, praticado antes da naturalização.
Somente o brasileiro naturalizado poderá perder
PERDA DA a nacionalidade brasileira, por sentença, em
NACIONALI‑ razão da prática de atividade nociva ao interesse
BRASILEIRO NATURALIZADO Art. 12, §4º, CF.
DADE POR ATI‑ nacional.
VIDADE NOCIVA

Art. 109. Compete ao Conselho de Governo pronun‑ ção de inconstitucionalidade da Emenda à Lei Orgânica n. 9, de
ciar‑se sobre questões relevantes suscitadas pelo Governo 1996, que havia alterado o dispositivo: ADI n. 1557 – STF,
do Distrito Federal, incluída a estabilidade das institui‑ Diário de Justiça de 18.06.2004)49
ções e os problemas emergentes de grave complexidade
e magnitude. COMENTÁRIO:
Parágrafo único. A lei regulará a organização e funcio‑
A redação do dispositivo em comento trata­‑se da originária.
namento do Conselho de Governo e as atribuições de seus Houve tentativa, por intermédio da Emenda à Lei Orgânica n.
membros, que as exercerão independentemente de qualquer 9/1996, de alterá­‑la, nos seguintes termos: “A Procuradoria­
remuneração. ‑Geral é o órgão central do sistema jurídico do poder Execu‑
tivo, de natureza permanente, na forma do art. 132 da Cons‑
tituição Federal”. Entretanto, essa redação nova foi declarada
COMENTÁRIO: inconstitucional pelo STF na ADI n. 1.557, que esposou o
entendimento de que a Procuradoria, conforme configurado
O Conselho de Governo do DF está regulamentado pela Lei
no art. 132 da CF, é órgão jurídico dos Estados e do DF e
Distrital n. 1.123, de 1º de julho de 1996. Conforme esse
não de um de seus poderes tão- somente. Parece­‑nos que o
diploma legal, a participação no Conselho de Governo do
texto do art. 110 deveria manter a redação determinada pela
Distrito Federal é considerada atividade relevante e não
Emenda à Lei Orgânica n. 9/1996, com a ressalva de que ela
remunerada. Incumbe à Secretaria de Governo prestar apoio
estaria sem aplicabilidade, pois, como é cediço, as decisões
administrativo ao Conselho de Governo do Distrito Federal,
judiciais não acarretam a revogação do texto. Mas, por equí‑
que se reunirá por convocação do Governador, sendo reali‑
voco de interpretação da CLDF, foi republicada no Diário
zada a reunião com o comparecimento da maioria dos con‑
Oficial do DF, em outubro de 2005, a terceira edição con‑
selheiros. O art. 7º dessa lei atribui ao Conselho do Governo
solidada oficial da Lei Orgânica, que restabeleceu, sem a
do Distrito Federal a possibilidade de requisitar, de órgãos e
devida emenda correspondente, a redação originária.
entidades públicas, as informações e estudos necessários ao
exercício de suas atribuições.
Art. 111. São funções institucionais da Procuradoria­
CAPÍTULO IV ‑Geral do Distrito Federal, no âmbito de Poder Executivo:
DAS FUNÇÕES ESSENCIAIS À JUSTIÇA (Artigo com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 9, de
1996. Declarada a inconstitucionalidade da expressão “no
Seção I âmbito do Poder Executivo”, contida no caput deste artigo:
Da Procuradoria­‑ Geral do Distrito Federal ADI n. 1557 – STF, Diário de Justiça de 18.06.2004)50

Art. 110. A Procuradoria­‑Geral é o órgão central do 49 Texto declarado inconstitucional: Art. 110. A Procuradoria Geral é o órgão cen‑
tral do sistema jurídico do Poder Executivo, de natureza permanente, na forma
sistema jurídico do Distrito Federal, de natureza perma‑ do art. 132 da Constituição Federal. (Artigo com a redação da Emenda à Lei
nente, na forma do art. 132 da Constituição Federal. (Artigo Orgânica n. 9, de 1996.)
50 Texto original: Art. 111. São funções institucionais da Procuradoria­‑Geral do
com a redação original restaurada em virtude da declara‑ Distrito Federal:

57
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
COMENTÁRIO: COMENTÁRIO:

O STF, nos autos da ADI n. 1.557­‑5, julgou inconstitucional A Lei Complementar distrital n. 395, de 31 de julho de 2001,
a expressão: “no âmbito do Poder Executivo”. Com efeito, o dispõe sobre a organização da Procuradoria­‑Geral do Distrito
art. 132 da Carta Magna determina que: “Os Procuradores Federal. A Procuradoria­‑Geral do Distrito Federal, PRG­
dos Estados e do Distrito Federal, organizados em carreira, ‑DF, órgão central do sistema jurídico do Distrito Federal. A
na qual o ingresso dependerá de concurso público de provas Procuradoria­‑ Geral do DF é instituição de natureza perma‑
e títulos, com a participação da Ordem dos Advogados do nente, essencial à Justiça e à Administração, dotada de auto‑
Brasil em todas as suas fases, exercerão a representação nomia funcional, administrativa e financeira, na forma do
judicial e a consultoria jurídica das respectivas unidades art. 132 da Constituição Federal, cabendo­‑lhe a representa‑
federadas” e não do Poder Executivo. ção judicial e a consultoria jurídica do Distrito Federal, pri‑
vativas dos Procuradores do Distrito Federal. Sua finalidade
é exercer a advocacia pública, cabendo­‑lhe, ainda, prestar
I  – representar o Distrito Federal judicial e extraju a orientação normativa e a supervisão técnica do sistema
dicialmente; jurídico do Distrito Federal. Conforme o art. 3º da lei em
comento, essa instituição é equiparada, para todos os efeitos,
II – representar a Fazenda Pública perante os Tribunais
às Secretarias de Estado e seu titular tem as prerrogativas,
de Contas da União, do Distrito Federal e Juntas de Recur‑ direitos e vantagens de Secretário de Estado.
sos Fiscais;
III  – promover a defesa da Administração Pública, Seção II
requerendo a qualquer órgão, entidade ou tribunal as medi‑ Da Assistência Judiciária
das de interesse da Justiça, da Administração e do Erário;
IV  – representar sobre questões de ordem jurídica Art. 114. À Defensoria Pública, instituição essencial à
sempre que o interesse público ou a aplicação do Direito o função jurisdicional do Distrito Federal, compete, na forma
reclamarem; do art. 134 da Constituição Federal, a orientação jurídica e
V – promover a uniformização da jurisprudência admi‑ a defesa, em todos os graus, dos necessitados, observado
nistrativa e a compilação da legislação do Distrito Federal; quanto a sua organização e funcionamento o disposto na
VI  – prestar orientação jurídico­‑normativa para a legislação federal.
administração pública direta, indireta e fundacional; Art. 115. É assegurada ao policial militar, policial civil
VII – efetuar a cobrança judicial da dívida do Distrito e bombeiro militar do Distrito Federal assistência jurídica
Federal. especializada através da Assistência Judiciária, quando no
§1º A cobrança judicial da dívida do Distrito Federal exercício da função se envolverem em fatos de natureza
a que se refere o inciso VII desse artigo inclui aquela rela‑ penal ou administrativa.
tiva à Câmara Legislativa do Distrito Federal. (Parágrafo Art. 116. Haverá na Assistência Judiciária centro de
acrescido pela Emenda à Lei Orgânica n. 14, de 1997) atendimento para a assistência jurídica, apoio e orientação
§2º É também função institucional da Procuradoria‑Geral à mulher vítima de violência, bem como a seus familiares.
do Distrito Federal a representação judicial e extrajudicial do
Tribunal de Contas do Distrito Federal. (Parágrafo acrescido COMENTÁRIO:
pela Emenda à Lei Orgânica n. 14, de 1997)
O art. 21, inciso XIV, da Constituição brasileira, determina:
compete à União organizar e manter a Defensoria Pública
COMENTÁRIO: no DF. A competência legislativa, igualmente, é da com‑
petência da União, conforme o artigo constitucional poste‑
rior. O que não está vedado, constitucionalmente, ao DF é a
O art. 307 da LODF determinou a criação, na estrutura da
legislação sobre assistência jurídica por conta do art. 24 da
Procuradoria­‑ Geral do DF, de uma subprocuradoria especia‑
CF. Tanto o é que, no DF, temos o Ceajur, cujos integrantes
lizada em tutela ambiental, defesa de interesses difusos e do
patrimônio histórico, cultural, paisagístico, arquitetônico e ingressam, mediante a aprovação em concursos de provas
urbanístico. e títulos, na carreira de procurador de assistência jurídica.
Um dos diplomas normativos locais que regulamenta a orga‑
nização do Ceajur é a Lei n. 821, de 26 de dezembro de 1994,
Art. 112. Os servidores de apoio às atividades jurídi‑ que determina em seu primeiro artigo que “ao Centro de
cas serão organizados em carreira, com quadro próprio e Assistência Judiciária do Distrito Federal – Ceajur, órgão de
direção superior, diretamente subordinado ao Procurador­
funções específicas.
‑Geral, incumbido de prestar assistência jurídica, judicial e
Art. 113. Aplicam­ ‑se aos Procuradores das Autar‑ extrajudicial, integral e gratuita aos necessitados, compete:”
quias e Fundações do Distrito Federal e aos Procuradores
da Câmara Legislativa do Distrito Federal os mesmos direi‑
CAPÍTULO V
tos, deveres, garantias, vencimentos, proibições e impedi‑
DA SEGURANÇA PÚBLICA
mentos da atividade correcional e de disposições atinentes
à carreira de Procurador do Distrito Federal. (Artigo com a
redação da Emenda à Lei Orgânica n. 9, de 1996)51 Art. 117. A Segurança Pública, dever do Estado, direito
e responsabilidade de todos, é exercida nos termos da legis‑
51 Texto original: Art. 113. Aplicam­‑se aos Procuradores das Autarquias e Funda‑ lação pertinente, para a preservação da ordem pública, da
ções do Distrito Federal os mesmos direitos, deveres, garantias, vencimentos, incolumidade das pessoas e do patrimônio, pelos seguintes
proibições e impedimentos da atividade correcional e de disposições atinentes à
carreira de Procurador do Distrito Federal.
órgãos relativamente autônomos, subordinados diretamente

58
D e n i s e V a r g a s
ao Governador do Distrito Federal: (Declarada a incons‑ • Art. 117 e seus incisos I, II, III e IV. (STF, Plenário, ADI
titucionalidade do caput e dos respectivos incisos deste 1182, Rel. Min. Eros Grau, DJ 10.03.2006).
Logo, todo o art. 117 foi declarado inconstitucional.
artigo: ADI n. 1182 – STF, Diário de Justiça 10.03.2006)
I – Polícia Civil; Art. 118. Os órgãos integrantes da Segurança Pública
II – Polícia Militar; ficam autorizados a receber doações em espécie e em bens
III – Corpo de Bombeiros Militar; móveis e imóveis, observada a obrigatoriedade de prestar
IV – Departamento de Trânsito. contas. (Artigo declarado inconstitucional: ADI n. 1045 –
§1º O ingresso nas carreiras dos órgãos de que trata STF, julgamento em 15.04.2009)
este artigo dar­‑se­‑á por concurso público de provas ou de §1º As doações em espécie constituirão fundo para a
provas e títulos, provas psicológicas e curso de forma‑ aquisição de equipamentos.
ção profissional específico para cada carreira. (Parágrafo §2º As doações em bens móveis e imóveis integrarão o
declarado inconstitucional: ADI n. 1045 – STF, julgamento patrimônio do órgão.
em 15.04.2009)
§2º Durante o curso de formação profissional de que Seção I
trata o parágrafo anterior, o pretendente à carreira terá Da Polícia Civil
acompanhamento psicológico, o qual se estenderá pelo perí‑
odo de estágio probatório. (Parágrafo declarado inconsti‑ Art. 119. À Polícia Civil, órgão permanente dirigido
tucional: ADI n. 1045 – STF, julgamento em 15.04.2009) por delegado de polícia de carreira, incumbe, ressalvada a
§3º O exercício da função de policial civil, de poli‑ competência da União, as funções de polícia judiciária e a
cial militar e de bombeiro militar é considerado penoso apuração de infrações penais, exceto as militares.
e perigoso para todos os efeitos legais. (Parágrafo decla‑
rado inconstitucional: ADI n. 1045 – STF, julgamento em COMENTÁRIO:
15.04.2009)
O STF, no julgamento da ADI n. 1.045­‑ 0, declarou inconsti‑
§4º Os diretores, chefes e comandantes de unidades tucional a expressão “autonomia funcional” contida no caput
da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar serão do art. 119 em comento. Com efeito, a Constituição Federal
nomeados pelo Comandante­‑Geral da respectiva corpora‑ sempre que quis atribuir autonomia a algum órgão, o fez
explicitamente. Entretanto, o art. 144 da CF, ao enumerar
ção, entre oficiais do quadro correspondente. (Parágrafo os órgãos de segurança pública, dentre eles a polícia civil,
declarado inconstitucional: ADI n. 1045 – STF, julgamento “em momento algum lhes atribuiu qualquer tipo de AUTO‑
em 15.04.2009) NOMIA, seja funcional, administrativa, financeira ou o que
possa ser52”.
§5º Lei própria disporá sobre a organização e funciona‑
mento da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar,
bem como sobre os direitos, deveres, vantagens e regime §1º São princípios institucionais da Polícia Civil a uni‑
de trabalho de seus integrantes, respeitados os preceitos dade, indivisibilidade, autonomia funcional, legalidade,
constitucionais e a legislação federal pertinente. (Parágrafo moralidade, impessoalidade, hierarquia funcional, disci‑
declarado inconstitucional: ADI n. 1045 – STF, julgamento plina, unidade de doutrina e de procedimentos. (Declarada
em 15.04.2009) a inconstitucionalidade da expressão “autonomia funcio‑
nal”, constante deste parágrafo: ADI n. 1045 – STF, julga‑
mento em 15.04.2009)
COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:
Dispositivo declarado inconstitucional
Alguns dispositivos da LODF, que tratam da Polícia Civil A expressão “autonomia funcional” foi declarada inconstitu‑
e da Polícia Militar do Distrito Federal foram algo de ques‑
cional pelo STF, na ADI 1.045­‑ 0.
tionamento no STF. No julgamento da ADI 1045­‑ 0, o STF
declarou competir privativamente à União legislar sobre as
Polícia Civil e Militar do DF, e, por consequência, declarou §2º O Diretor­‑Geral da Polícia Civil, integrante da
a inconstitucionalidade dos seguintes dispositivos da LODF: carreira de policial civil do Distrito Federal, pertencente à
• Art. 45 e todos os seus parágrafos;
categoria de delegado de polícia, será nomeado pelo Gover‑
• Art. 177, §§1º, 2º, 3º, 4º e 5º;
• Art. 118 e respectivos parágrafos; nador do Distrito Federal e deverá apresentar declaração
• Art. 119, §1º, quanto à expressão “autonomia funcional”; pública de bens no ato de posse e de exoneração. (Parágrafo
• Art. 119, §§2º e 3º; declarado inconstitucional: ADI n. 1045 – STF, julgamento
• Art. 120;
• Art. 121 e respectivos incisos e parágrafo único;
em 15.04.2009)
• Art. 51 do Ato das Disposições Tranistórias da LODF.
• (STF, Plenário, ADI 1.045­‑ 0, Rel. Min. Marco Aurélio, COMENTÁRIO:
DJ­‑ e 108, 12.06.20 09).
Em outra ADI, o STF declarou a inconstitucionalidade de O STF, no julgamento da ADI n. 1.045­‑ 0, declarou incons‑
dispositivos ligados aos órgãos de segurança pública no DF, titucional esse dispositivo por inconstitucionalidade formal
por entender que a CLDF não poderia tratar desses assuntos, orgânica, eis que não poderia o legislador distrital regular
pois a matéria está adstrita a projeto de lei de iniciativa do assunto que deveria ser regulado por lei de iniciativa do
Chefe do Executivo. Logo, foram declarados inconstitucio‑ 52 Texto original: III – é garantida a gratuidade da expedição da cédula de identi‑
nais, igualmente, os seguintes dispositivos: dade pessoal;

59
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
Chefe do Executivo (art. 61, §1º, a e c da CF). Ademais, os §8º As atividades desenvolvidas nos Institutos de Cri‑
§§2º e 3º, do art. 119, em comento, estão eivados de incons‑
minalística, de Medicina Legal e de Identificação são consi‑
titucionalidade material por incluírem numa única carreira
(policial civil do Distrito Federal) Delegados, Agentes, deradas de natureza técnico­‑científica.
Escrivães, Datiloscopistas e Agentes Penitenciários. Com §9º Aos integrantes das categorias de perito crimi‑
efeito, a jurisprudência do STF entende inconstitucional leis nal, médico legista e datiloscopista policial é garantida a
estaduais e distritais que estabeleçam uma carreira única nas
policias civis, dentro da qual se incluam os Delegados, vez independência funcional na elaboração de laudos periciais.
que a CF determina a existência de uma carreira específica (Parágrafo com a redação original, restaurada em vir‑
de Delegado de Polícia (ADI 245­‑7/RJ). tude da declaração de inconstitucionalidade da Emenda à
Lei Orgânica n. 34, de 2001, que havia alterado o disposi‑
§3º Os vencimentos dos delegados de polícia civil não tivo: ADI n. 2004 00 2 008821­‑3 – TJDFT, julgamento em
serão inferiores aos percebidos pelas carreiras a que se refere 23.05.2006)53
o art. 135 da Constituição Federal, observada, para esse
efeito, a correlação entre as respectivas classes e entrâncias COMENTÁRIO:
e assegurada a revisão de remuneração, em igual percentual,
sempre que forem revistos aqueles, garantida a atual propor‑ Não invade competência legislativa da União o disposto no
cionalidade de vencimentos devida às demais categorias da §9º do art. 119 da Lei Orgânica do Distrito Federal, ao confe‑
rir, aos datiloscopistas policiais, a garantia de independência
carreira de policial civil do Distrito Federal, nos termos da funcional, na elaboração de laudos periciais. Esse é o enten‑
legislação federal. (Parágrafo declarado inconstitucional: dimento assentado pelo plenário do STF: ADI n. 1.477, DJU
ADI n. 1045 – STF, julgamento em 15.04.2009) 5/11/1999. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da
ADI n. 1.477­‑3, julgou válido esse parágrafo. Segundo o voto
do Ministro Otávio Gallotti, tal dispositivo não tem
COMENTÁRIO:
em mira norma causadora de despesa, e do ponto de vista da
O STF no julgamento da ADI n. 1.045­‑ 0, declarou incons‑ organização não ultrapassa ela o porte da divisão e metodo‑
titucional esse dispositivo, porque invade esfera própria da logia das tarefas policiais, alvo de disciplina contida na com‑
lei federal e cria uma vinculação remuneratória inconstitu‑ petência para legislar concorrentemente, sobre organização,
cional entre os delegados de polícia do DF e os defensores garantias, direitos da polícia civil, conferida ao Distrito
públicos. Federal, ao qual cabe também a sua utilização (Constituição,
arts. 24, XVI, e 32, §4º).
Decisão publicada no DJ de 05.09.1999.
§4º Aos integrantes da categoria de delegado de polícia
é garantida independência funcional no exercício das atri‑
Seção II
buições de Polícia Judiciária.
Da Polícia Militar
§5º Os Institutos de Criminalística, de Medicina Legal
e de Identificação compõem a estrutura administrativa da
Art. 120. À Polícia Militar, órgão regular e perma‑
Polícia Civil, devendo seus dirigentes ser escolhidos entre
os integrantes do quadro funcional do respectivo instituto. nente, organizado e mantido pela União, cujos princípios
§6º A função de policial civil é considerada de natu‑ fundamentais estão embasados na hierarquia e disciplina,
reza técnica. compete, além de outras atribuições definidas em lei e res‑
§7º O ingresso na carreira de policial civil do Distrito salvadas as missões peculiares às Forças Armadas: (Artigo
Federal far­‑se­‑á observado o disposto no art. 117, §1º, numa declarado inconstitucional: ADI n. 1045 – STF, julgamento
das categorias de nível médio ou superior, reservando­‑se em 15.04.2009)
metade das vagas dos cargos de nível superior para pro‑
vimento por progressão funcional das categorias de nível COMENTÁRIO:
médio, na forma da lei. (Declarada a inconstitucionalidade O STF, no julgamento da ADI n. 1.045­‑ 0, declarou a incons‑
da expressão “reservando­‑se metade das vagas dos cargos titucionalidade integral do art. 120 (caput e demais dispo‑
de nível superior para provimento por progressão funcio‑ sitivos), pois conforme o disposto no art. 21, XIII, da CF,
nal das categorias de nível médio”, constante deste pará‑ compete à União organizar e manter a Polícia Civil, a Polícia
grafo: ADI n. 960 – STF, Diário de Justiça de 29.08.2003) Militar e o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal.

COMENTÁRIO: I – a polícia ostensiva de prevenção criminal, de rádio­


‑patrulha aérea, terrestre, lacustre e fluvial, de trânsito
No julgamento do mérito da ADI n. 960, o STF declarou urbano e rodoviário e de proteção ao meio ambiente, bem
inconstitucional a progressão funcional das categorias de
nível médio para as de nível superior por entender haver vio‑
como as atividades relacionadas com a preservação e res‑
lação ao art. 37, II, da Constituição Federal que determina: tauração da ordem pública e proteção a fauna e flora;
“a investidura em cargo ou emprego público depende de II – a garantia do exercício do poder de polícia dos
aprovação prévia em concurso público de provas ou provas e órgãos e entidades públicas, especialmente das áreas fazen‑
títulos, de acordo com a natureza e a complexidade do cargo
ou emprego, na forma prevista em lei, ressalvadas as nomea‑ dária, sanitária, de proteção ambiental, de uso e ocupação
ções para cargo em comissão declarado em lei de livre nome‑ do solo e do patrimônio histórico e cultural do Distrito
ação e exoneração”. Federal;
Por conseguinte, a expressão “reservando­‑se metade das
vagas dos cargos de nível superior para provimento por pro‑ 53 Texto declarado inconstitucional: §9º Aos integrantes das categorias de perito
gressão funcional das categorias de nível médio” foi conside‑ criminal, médico legista e perito papiloscopista é garantida a independência fun‑
cional na elaboração dos laudos periciais. (Parágrafo com a redação da Emenda
rada inconstitucional pelo STF.
à Lei Orgânica n. 34, de 2001)

60
D e n i s e V a r g a s
III – as guardas externas da sede do Governo do Dis‑ regime jurídico federal: “Lei federal disporá sobre a utiliza‑
trito Federal, prédios e instalações públicas, residências ofi‑ ção, pelo Governo do Distrito Federal, das Polícias Civil e
Militar e do Corpo de Bombeiros Militar”.
ciais, estabelecimentos de ensino público, prisionais e de
custódia, das representações diplomáticas acreditadas junto
Seção IV
ao Governo brasileiro, assim como organismos internacio‑
Da Política Penitenciária
nais sediados no Distrito Federal;
IV – a função de polícia judiciária militar, nos termos
Art. 122. A legislação penitenciária do Distrito Fede‑
da lei federal.
ral assegurará o respeito às regras da Organização das
Parágrafo único. O Comandante­ ‑ Geral da Polícia
Nações Unidas para o tratamento de reclusos, a defesa téc‑
Militar será nomeado pelo Governador do Distrito Federal,
nica nas infrações disciplinares e definirá a composição e
entre oficiais da ativa ocupantes do último posto do quadro
competência do Conselho de Política Penitenciária do Dis‑
de oficiais policiais militares, conforme dispuser a lei, e
trito Federal.
prestará declaração pública de seus bens no ato de posse e
de exoneração.
COMENTÁRIO:
Seção III O art. 24, caput, CF, determina ser da competência concor‑
Do Corpo de Bombeiros Militar rente entre União, Estados e DF a legislação sobre direito
penitenciário. Logo, o Distrito Federal poderá criar legisla‑
ção penitenciária.
Art. 121. Ao Corpo de Bombeiros Militar, instituição
regular e permanente, organizada e mantida pela União,
Art. 123. O estabelecimento prisional destinado a
cujos princípios fundamentais estão embasados na hierar‑
mulheres terá, em local anexo e independente, creche em
quia e disciplina, compete, além de outras atribuições defi‑
tempo integral, para seus filhos de zero a seis anos, atendi‑
nidas em lei: (Artigo declarado inconstitucional: ADI n. 1045 –
dos por pessoas especializadas, assegurado às presidiárias
STF, julgamento em 15.04.2009)
o direito à amamentação.
Parágrafo único. À mulher presidiária será garantida
COMENTÁRIO:
assistência pré­‑natal prioritariamente e a obrigatoriedade
O STF, no julgamento da ADI n. 1.045­‑ 0, declarou a incons‑ de assistência integral a sua saúde.
titucionalidade total do art. 121 (caput e demais dispositi‑
vos), pois conforme o disposto no art. 21, XIII, da CF, com‑ COMENTÁRIO:
pete à União organizar e manter a Polícia Civil, a Polícia
Militar e o Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal. A execução da sanção penal privativa de liberdade deve ater­
‑se a normas gerais da execução penal insculpidas na Lei
I – executar atividades de defesa civil; Federal n. 7.210, de 11 de julho de 1984. O art. 83, §2º, da
Lei federal de execução penal, institui que os estabelecimen‑
II – prevenir e combater incêndios; tos penais destinados a mulheres serão dotados de berçário,
III – realizar perícias em locais de incêndios e sinis‑ onde as condenadas possam amamentar seus filhos. O art. 89
tros; estabelece que a penitenciária de mulheres poderá ser dotada
IV – executar ações de busca e salvamento de pessoas de seção para gestante e parturiente e de creche com a fina‑
lidade de assistir ao menor desamparado, cuja responsável
e seus bens; esteja presa.
V – estudar, analisar, planejar, fiscalizar, realizar visto‑
rias, emitir normas e pareceres técnicos e fazer cumprir as Art. 124. Os estabelecimentos prisionais e correcio‑
atividades relativas à segurança contra incêndios e pânico, nais proporcionarão aos internos condições de exercer ati‑
bem como impor penalidades de notificação, interdição e vidades produtivas remuneradas, que lhes garantam o sus‑
multas, com vistas a proteção de pessoas e de bens públicos tento e de suas famílias e assistência à saúde, de caráter
e privados, na forma da legislação específica; preventivo e curativo, em serviço próprio do estabeleci‑
VI – exercer a função de polícia judiciária militar nos mento e com pessoal técnico nele lotado em caráter perma‑
termos da lei federal. nente. (Artigo com a redação da Emenda à Lei Orgânica n.
Parágrafo único. O Comandante­‑Geral do Corpo de 32, de 1999)54
Bombeiros Militar será nomeado pelo Governador do Dis‑ Parágrafo único. A Lei definirá as características do
trito Federal, entre oficiais da ativa ocupantes do último serviço e as modalidades de sua integração com a rede
posto do quadro de oficiais bombeiros militares, conforme pública de saúde do Distrito Federal.
dispuser a lei, e apresentará declaração pública de bens no
ato de posse e de exoneração. COMENTÁRIO:

COMENTÁRIO: O trabalho do condenado, conforme disposição da lei de


execução penal, como dever social e condição de dignidade
Conforme o disposto no art. 21, XIII, CF, compete à União humana, terá finalidade educativa e produtiva. O produto
organizar e manter a polícia civil, a polícia militar e o corpo da remuneração pelo trabalho deverá atender: a) à indeni‑
de bombeiros militar do Distrito Federal. O art. 32, igual‑ zação dos danos causados pelo crime, desde que determi‑
mente, da CF, em seu §4º não deixa dúvidas de que o corpo 54 Texto original: Art. 124. Os estabelecimentos prisionais e correcionais propor‑
de bombeiros militar, no Distrito Federal, se sujeita a um cionarão aos internos condições de exercer atividades produtivas remuneradas,
que lhes garantam o sustento e de suas famílias.

61
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
nados judicialmente e não reparados por outros meios; b) §2º O exercício da função de inspetor e agente de trân‑
à assistência à família; c) a pequenas despesas pessoais; d) sito é considerado penoso e perigoso para todos os efeitos
ao ressarcimento ao Estado das despesas realizadas com
a manutenção do condenado, em proporção a ser fixada e legais.
sem prejuízo da destinação prevista nas letras anteriores. O
condenado à pena privativa de liberdade está obrigado ao TÍTULO IV
trabalho na medida de suas aptidões e capacidade. Para o
preso provisório, o trabalho não é obrigatório e só poderá ser
DA TRIBUTAÇÃO E DO ORÇAMENTO
executado no interior do estabelecimento. Na atribuição do DO DISTRITO FEDERAL
trabalho, deverão ser levadas em conta a habilitação, a con‑
dição pessoal e as necessidades futuras do preso, bem como CAPÍTULO I
as oportunidades oferecidas pelo mercado. Os maiores de 60
(sessenta) anos poderão solicitar ocupação adequada à sua
DO SISTEMA TRIBUTÁRIO DO
idade. Os doentes ou deficientes físicos somente exercerão DISTRITO FEDERAL
atividades apropriadas ao seu estado. A jornada normal de
trabalho não será inferior a 6 (seis) nem superior a 8 (oito) Seção I
horas, com descanso nos domingos e feriados. Poderá ser
atribuído horário especial de trabalho aos presos designados Dos Princípios Gerais
para os serviços de conservação e manutenção do estabele‑
cimento penal. O trabalho poderá ser gerenciado por fun‑ Art. 125. Compete ao Distrito Federal instituir os
dação, ou empresa pública, com autonomia administrativa,
seguintes tributos:
e terá por objetivo a formação profissional do condenado.
Os governos federal, estadual e municipal poderão celebrar I – impostos de sua competência previstos na Consti‑
convênio com a iniciativa privada, para implantação de ofi‑ tuição Federal;
cinas de trabalho referentes a setores de apoio dos presídios.

COMENTÁRIO:
Seção V
Do Departamento de Trânsito
Imposto é o tributo cuja obrigação de pagamento tem por
fato gerador uma situação relacionada com o indivíduo e
(Seção acrescida pela Emenda à Lei Orgânica n. 3, de
independente de qualquer atividade estatal específica, rela‑
1995. Declarada a inconstitucionalidade da Emenda à Lei tiva ao contribuinte.
Orgânica n. 3, de 1995, que acrescentou esta Seção à Lei São impostos do Distrito Federal: I – transmissão
Orgânica – ADI n. 2007002000025­‑5 – TJDFT, Diário de causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos;
Justiça de 03.09.2007) II – operações relativas à circulação de mercadorias e
sobre prestações de serviços de transporte interesta‑
Art.  124­‑A. Ao Departamento de Trânsito, órgão dual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as
autárquico, com personalidade jurídica própria e autonomia operações e as prestações se iniciem no exterior; III –
administrativa e financeira, vinculado à Secretaria de Segu‑ propriedade de veículos automotores. (Previstos no art. 155
rança Pública e integrante do Sistema Nacional de Trânsito, da CF)
competem as funções de cumprir e fazer cumprir a legisla‑
São também os impostos do DF aqueles de natureza muni‑
ção pertinente e aplicar as penalidades previstas no Código cipal:
Nacional de Trânsito, ressalvada a competência da União.
§1º Compete, ainda, ao DETRAN/DF o exercício do I – propriedade predial e territorial urbana; II – transmissão
poder de polícia administrativa de trânsito, bem como a inter vivos, a qualquer título, por ato oneroso, de bens imó‑
veis, por natureza ou acessão física, e de direitos reais sobre
fixação dos preços públicos a serem cobrados pelos servi‑ imóveis, exceto os de garantia, bem como cessão de direitos
ços administrativos prestados aos usuários na forma da lei. a sua aquisição; III – serviços de qualquer natureza, salvo
serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de
COMENTÁRIO: comunicações, pois sobre estes recaem ICMS.

O Detran, no exercício do poder de polícia administrativa, II – taxas em razão do exercício do poder de polícia ou
aplicará o Código de Trânsito brasileiro e deverá, no pro‑ pela utilização, efetiva ou potencial, de serviços públicos de
cesso administrativo para imposição de multa de trânsito,
realizar as notificações da autuação e da aplicação da pena
sua atribuição, específicos e divisíveis, prestados ao contri‑
decorrente da infração (Súmula n. 312 do STJ). O dispo‑ buinte ou postos a sua disposição;
sitivo em epígrafe estabelece que o Detran/DF é um órgão
autárquico. Ora, concessa venia, se é órgão, não é autarquia,
pois órgão é unidade de atuação integrante da estrutura da COMENTÁRIO:
Administração direta e da estrutura da Administração indi‑
reta sem personalidade jurídica. Já Autarquia é o serviço
autônomo, criado por lei, com personalidade jurídica, patri‑ Taxas são tributos vinculados, pagos pelo contribuinte, em
mônio e receita própria, para executar atividades típicas da razão de um serviço público específico colocado a sua dis‑
Administração Pública, que requeiram, para seu melhor fun‑ posição ou em razão do poder de polícia do Distrito Federal.
cionamento, gestão administrativa e financeira descentrali‑ São elas:
zada. No entanto, essa incorreção técnica não desconfigura a a) Taxas de polícia;
natureza de entidade autárquica do Detran, que, no entanto, b) Taxas de serviço.
não pode, como vimos acima, ser considerado integrante Diferentemente dos impostos, as taxas são pagas em virtude
da segurança pública, conforme precedente do STF: ADI n. de uma situação específica relativa ao contribuinte. Por isso,
1.182 (DJU, 10.03.2006, Rel. Min. Eros Grau). são chamadas de tributos vinculados, pois, ao se pagar uma
taxa, o contribuinte fica ciente do motivo da cobrança.

62
D e n i s e V a r g a s
As taxas de polícia são pagas em virtude do poder adminis‑ §6º O Distrito Federal poderá instituir contribui‑
trativo do Distrito Federal de limitar ou disciplinar direito, ção cobrada de seus servidores para custeio, em benefício
interesse ou liberdade, mediante regulamentação de ativi‑
dades concernentes ao interesse público, como saúde, segu‑ destes, de sistema de previdência e assistência social.
rança, higiene, ordem, costumes. Esse poder de polícia que
se configura como a faculdade administrativa de condicio‑
nar o uso e o gozo de bens, atividades e direitos individu‑ COMENTÁRIO:
ais, em prol da coletividade, ou do próprio Estado, permite
que seja remunerado pelas taxas de polícia, a exemplo das
Taxas de Inspeção Sanitária; Taxa de Obras em Logradouros Contribuição Previdenciária dos Servidores Distritais. Esse
Públicos; Taxa de Alvará de Funcionamento. parágrafo contempla a autorização conferida ao Distrito
As taxas de serviços, a seu turno, são tributos cobrados do Federal pela CF, em seu art. 149, §1º, para instituir o tributo
contribuinte em virtude da utilização, potencial ou efetiva, denominado de contribuição previdenciária, que deverá ser
de serviços públicos destacados em unidades autônomas de cobrada dos servidores públicos do Distrito Federal, para
atuação da administração e suscetíveis de utilização, separa‑ custeio, em benefícios destes, do regime previdenciário, cujo
damente, por parte de cada um dos beneficiários ou usuários, tratamento foi objeto de comentário no art. 41 da LODF.
a exemplo da taxa de limpeza pública; taxa para expedição Como anteriormente citado, os servidores públicos fazem
de certidões; taxa de conservação; taxa para habilitação de jus à aposentadoria.
motorista ou renovação da Carteira Nacional de Habilitação. Contudo, o regime previdenciário é contraprestacional, ou
A Lei Complementar n. 264, de 14.12.1999, publicada no seja, só o receberá aquele que contribui com parte de sua
DODF de 23.12.1999, discrimina e institui taxas que inte‑ remuneração e, com o advento da Emenda Constitucional n.
gram o Código Tributário do DF, a saber: I – Taxa de Lim‑ 41/2003, com parte de seus proventos de aposentadoria para
peza Pública – TLP; II – Taxa de Fiscalização, Prevenção e o regime do servidor público.
Extinção de Incêndio e Pânico; III – Taxa de Cemitério; IV Criação da Contribuição de Custeio do Serviço de Ilumina‑
– Taxa de Fiscalização de Localização, Instalação e Funcio‑ ção Pública. A Emenda Constitucional n. 30/2002 criou um
namento; V – Taxa de Fiscalização de Anúncios; VI – Taxa novo tributo denominado vulgarmente como “taxa de ilumi‑
de Fiscalização do Uso de Área Pública; VII – Taxa de Fis‑ nação pública”.
calização de Obras; VIII – Taxa Ambiental; IX – Taxa de
Conforme o art. 149-A da CF: “Os Municípios e o Distrito
Vigilância Sanitária; X – Taxa de Expediente.
Federal poderão instituir contribuição, na forma das respec‑
tivas leis, para o custeio do serviço de iluminação pública,
III – contribuição de melhoria, decorrente de obras observado o disposto no art. 150, I e III”.
públicas. Como a iluminação pública é um serviço que não é especí‑
fico e não se pode dividi-lo em parcelas autônomas a ponto
de se identificar quem o utiliza, já que a iluminação é difusa
COMENTÁRIO: (indistinta), a fórmula encontrada pelo legislador para cobrar
por esses serviços foi a criação de contribuição mediante
emenda constitucional, que autorizou sua cobrança na fatura
Contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas, é de consumo de energia elétrica.
o tributo pago pelo contribuinte para fazer face ao custo de
obras públicas de que decorra valorização imobiliária, tendo
como limite total a despesa realizada e como limite indivi‑ Art. 126. O sistema tributário do Distrito Federal obe‑
dual, a ser pago por cada contribuinte, o acréscimo de valor decerá ao disposto no art. 146 da Constituição Federal, em
que da obra resultou para cada imóvel beneficiado.
Embora a CF autorize o Poder Público a cobrar tal tributo, resolução do Senado Federal, nesta Lei Orgânica e em leis
por questões políticas, muitos entes acabam por não cobrá‑ ordinárias, no tocante a:
-lo. I – conflitos de competência em matéria tributária
Um exemplo local que autorizaria o DF a cobrar a contribui‑
ção de melhoria, em virtude da valorização imobiliária de
entre pessoas de direito público;
obra pública, seria a construção da Ponte JK, no Lago Sul, II – limitações constitucionais ao poder de tributar;
conhecida como a Terceira Ponte do Lago Sul. III – definição de tributos e de suas espécies, bem
como em relação aos impostos constitucionais discrimi‑
§1º A função social dos impostos incorpora o princípio nados, dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e
de justiça fiscal e o critério de progressividade a ser obser‑ contribuintes;
vados na legislação. IV – obrigação, lançamento, crédito, prescrição e
§2º Sempre que possível, os impostos terão caráter decadência tributários;
pessoal e serão graduados segundo a capacidade econô‑
V – adequado tratamento tributário ao ato cooperativo
mica do contribuinte, facultado à administração tributária,
praticado pelas sociedades cooperativas.
especialmente para conferir efetividade a esses objetivos,
identificar o patrimônio, rendimentos e atividades econô‑ Art. 127. Ao Distrito Federal competem, cumulativa‑
micas do contribuinte, respeitados os direitos individuais e mente, os impostos reservados aos Estados e Municípios
nos termos da lei. nos termos dos arts. 155 e 156 da Constituição Federal.
§3º As taxas não poderão ter base de cálculo própria
de impostos. COMENTÁRIO:
§4º Nenhuma taxa, à exceção das decorrentes do exer‑
cício do poder de polícia, poderá ser aplicada em despesas
Limitações ao poder de tributar são princípios constitu‑
estranhas aos serviços para os quais foi criada. cionais explícitos ou implícitos, reproduzidos pela LODF,
§5º O Distrito Federal poderá, mediante convênio com que limitam o poder tributário do DF mediante o estabele‑
a União, Estados e Municípios, delegar ou deles receber cimento de garantias mínimas do cidadão frente ao Poder
Público.
encargos de administração tributária.

63
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
Seção II IV – utilizar tributo com efeito de confisco;
Das Limitações do Poder de Tributar
COMENTÁRIO:
Art. 128. Sem prejuízo de outras garantias assegura‑
das ao contribuinte, é vedado ao Distrito Federal: Princípio da Vedação ao Confisco ou da Proporcionalidade
I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Tributária. É vedada a instituição de tributo com efeito con‑
fiscatório, ou seja, com valores elevados a ponto da tributa‑
ção funcionar como apreensão do bem. Os valores cobrados
COMENTÁRIO: em um tributo devem ser razoáveis, sob pena de privar o
contribuinte da propriedade de seus bens, sem indenização,
o que é vedado pelo sistema constitucional brasileiro.
Princípio da Legalidade Estrita ou da Reserva Legal Tribu‑
tária. Inspirado no art. 150, I, da CF, esse inciso estabelece
ser vedado, no caso do DF, instituir ou aumentar tributos
V – estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou de
sem lei prévia que o estabeleça. bens por meio de tributos, ressalvada a cobrança de pedágio
pela utilização de vias conservadas pelo Distrito Federal;
II – instituir tratamento desigual entre contribuintes
que se encontrem em situação equivalente, proibida qual‑ COMENTÁRIO:
quer distinção em razão de ocupação profissional ou função
por eles exercida, independentemente da denominação jurí‑ Princípio da Ilimitabilidade ao Tráfego de Pessoas ou Bens.
dica dos rendimentos, títulos ou direitos; Para garantir o direito de liberdade de locomoção, garantia
fundamental do indivíduo conforme o art. 5º, XV, da Consti‑
III – cobrar tributos: tuição Federal, é vedada a instituição de tributos que tenham
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início por finalidade limitar o acesso intermunicipal e interesta‑
da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; dual de pessoas e bens, sob pena de se violar a liberdade de
ir, vir e permanecer em qualquer local do território nacional
com seus bens.
COMENTÁRIO: A única ressalva é quanto à cobrança de pedágios, em valo‑
res razoáveis, que possui natureza controvertida na doutrina;
alguns a consideram como preço público e outros, como
Princípio da Irretroatividade Tributária. É vedado ao Dis‑ taxa.
trito Federal instituir cobrança de tributos em relação a fatos
geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os VI – instituir impostos sobre:
instituiu ou os majorou.
a) patrimônio, renda ou serviços da União, Estados e
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido Municípios;
publicada a lei que os instituiu ou aumentou;

COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:

Princípio da Anterioridade Tributária. Por esse princípio se Princípio da Imunidade Tributária Recíproca. A Constitui‑
garante que, em regra, o Distrito Federal não poderá cobrar ção Federal, em seu art. 1º, estabelece que o Brasil constitui‑
-se como um Estado Federado, cuja ideia central é a auto‑
tributo no mesmo exercício financeiro (ano da publicação da
nomia dos entes que o compõem: União, Estados-Membros,
lei que corresponde ao ano civil) em que haja sido publicada
DF e Municípios.
a lei que os criou ou os aumentou.
Como forma de garantir essa autonomia, a Carta Constitu‑
Princípio da Anterioridade Nonagesimal, Mitigada ou da
cional, em seu art. 150, VI, a, reproduzido nesse dispositivo
Carência. Em 2003, foi aprovada, pelo Congresso Nacional,
da LODF, veda que o DF institua e cobre impostos que inci‑
a Emenda Constitucional n. 42, que instituiu um novo prin‑ dam sobre o patrimônio, a renda ou o serviço da União, dos
cípio configurado como limitação ao poder de tributar da Estados-Membros e de Municípios.
União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal,
no art. 150, III, c. Ele é denominado de princípio da anterio‑
ridade nonagesimal e é de observância obrigatória pelo DF. b) templos de qualquer culto;
Por esse último princípio, fica vedado ao DF cobrar tributo c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos,
“antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido
inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos traba‑
publicada a lei que os instituiu ou aumentou”, observado
ainda o princípio da anterioridade tributária.
lhadores, das instituições de educação e assistência social
Diante dessa regra, o princípio da anterioridade tributária sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
ficou mais seguro, pois além do DF não poder cobrar tri‑
buto no mesmo ano de sua instituição, agora, ainda, possuirá
outra limitação, pois tal tributo somente poderá ser cobrado COMENTÁRIO:
após decorridos noventa dias da data em que haja sido publi‑
cada a lei. Essa medida visa a evitar surpresas tributárias
que possam ocorrer na virada do ano, quando, por exem‑ Princípio da Imunidade Tributária Religiosa, Política e de
plo, no dia 31 de dezembro, algum ente cria um novo tributo, Instituições de Assistência Social sem Fins Lucrativos.
Nessas alíneas, fica vedado ao DF instituir impostos aos
que, só pelo princípio da anterioridade, possibilitaria que a
templos e ao patrimônio, renda ou serviços dos partidos
cobrança se desse no novo exercício financeiro, iniciado no
políticos e de suas fundações, das entidades sindicais dos
dia 1 de janeiro.

64
D e n i s e V a r g a s
trabalhadores e das instituições de educação e assistência das pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados,
social sem fins lucrativos, no que tange às suas finalidades ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou
essenciais.
Tal princípio tem por finalidade assegurar o direito funda‑
tarifas pelo usuário, nem exoneram o promitente comprador
mental à liberdade de crença e culto religiosos e reforçar um da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.
dos fundamentos da República Federativa do Brasil: o plu‑ §3º As vedações do inciso VI, alíneas b e c, compre‑
ralismo político. endem somente patrimônio, renda e serviços relacionados
com as finalidades essenciais das entidades nelas mencio‑
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua nadas.
impressão; §4º Ressalvados os casos previstos na lei de diretri‑
zes orçamentárias, os projetos de lei que instituam ou majo‑
rem tributos só serão apreciados pela Câmara Legislativa,
COMENTÁRIO: no mesmo exercício financeiro, se a ela encaminhados até
noventa dias de seu encerramento.
Princípio da Imunidade Tributária sobre Livros, Jornais e §5º A contribuição de que trata o art. 125, §6º, só
Periódicos. Fica vedado ao DF instituir impostos incidentes poderá ser exigida após decorridos noventa dias da vigên‑
sobre esses itens, como forma de assegurar a efetiva liber‑
dade de manifestação do pensamento, que se constitui como
cia da lei que a houver instituído ou modificado, não se lhe
direito fundamental, bem como fomentar o direito social à aplicando o disposto no inciso III, b.
cultura e à educação. Art. 129. A lei poderá isentar, reduzir ou agravar tri‑
O STF, a propósito, dá interpretação restrita a essa imu‑ butos, para favorecer atividades de interesse público ou
nidade, entendendo não recair sobre livros editados em
para conter atividades incompatíveis com este, obedecidos
CD-ROM ou em maquinário gráfico.
os limites de prazo e valor.
Parágrafo único. Para efeito de redução ou isenção da
VII – estabelecer diferença tributária entre bens e ser‑ carga tributária, a lei definirá os produtos que integrarão
viços de qualquer natureza, em razão de sua procedência a cesta básica, para atendimento da população de baixa
ou destino. renda, observadas as restrições da legislação federal.
Art. 130. São isentas de impostos de competência do
COMENTÁRIO: Distrito Federal as operações de transferência de imóveis
desapropriados para fins de reforma agrária.
Essa norma, que encontra fundamento no art. 152 da CF (É
vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios COMENTÁRIO:
estabelecer diferença tributária entre bens e serviços, de
qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino), Compete à União desapropriar por interesse social, para fins
estabelece o princípio da não discriminação tributária em de reforma agrária, o imóvel rural que não esteja cumprindo
razão da origem ou destino. Ele é uma expressão específica sua função social, mediante prévia e justa indenização em
dos princípios federativos e da isonomia. Paulsen, citando a títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do
mais abalizada doutrina pátria de Direito Tributário, indica‑ valor real, resgatáveis no prazo de até vinte anos, a partir do
-nos a inconstitucionalidade das alíquotas diferenciadas segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida
estabelecidas pelos Estados e o DF em face dos veículos em lei (art. 184 da CF).
importados. Esse é o posicionamento adotado pela 2ª Turma O art. 184, §5º, CF, ainda determina que são isentas de
do Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de impostos federais, estaduais e municipais as operações
Justiça. Vejamos um precedente, no controle difuso, reali‑ de transferência de imóveis desapropriados para fins de
zado pelo STF: reforma agrária. Assim, essa norma em comento é apenas
EMENTA AGRAVO REGIMENTAL NO reprodução de norma constitucional.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IPVA.
VEÍCULO IMPORTADO. ALÍQUOTA DIFERENCIADA.
1. Não se admite a alíquota diferenciada de IPVA para veí‑
Art. 131. As isenções, anistias, remissões, benefícios
culos importados e os de procedência nacional. 2. O trata‑ e incentivos fiscais que envolvam matéria tributária e previ‑
mento desigual significaria uma nova tributação pelo fato denciária, inclusive as que sejam objeto de convênios cele‑
gerador da importação. Precedentes. Agravo regimen‑ brados entre o Distrito Federal e a União, Estados e Muni‑
tal a que se nega provimento. (RE-AgR 367785/RJ – RIO
cípios, observarão o seguinte:
DE JANEIRO, 2ª Turma, Rel. Eros Grau, Publicação, DJ
02.06.2006 PP-00038) I – só poderão ser concedidos ou revogados por meio
de lei específica, aprovada por dois terços dos membros da
Essa alíquota de IPVA diferenciada nos veículos importados Câmara Legislativa, obedecidos os limites de prazo e valor;
também viola diversos tratados subscritos pelo Brasil, como II – não serão concedidos no último exercício de cada
o do Mercosul e o do Gatt.
legislatura, salvo os benefícios fiscais relativos ao imposto
sobre operações relativas à circulação de mercadorias e
§1º A vedação do inciso VI, a, é extensiva a autarquias
sobre prestações de serviços de transporte interestadual
e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no
e intermunicipal e de comunicação, deliberados na forma
que se refere a patrimônio, renda e serviços vinculados a do inciso VII do §5º do art. 135, e no caso de calami‑
suas finalidades essenciais ou delas decorrentes. dade pública, nos termos da lei; (Inciso com a redação da
§2º As vedações do inciso VI, a, e as do parágrafo Emenda à Lei Orgânica n. 38, de 2002.)55
anterior não se aplicam a patrimônio, renda e serviços rela‑
cionados com a exploração de atividades econômicas regi‑ 55
Texto original: II – não serão concedidos no último exercício de cada legislatu‑
ra, salvo no caso de calamidade pública, nos termos da lei.

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L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
III – não serão concedidos às empresas que utilizem e) transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato
em seu processo produtivo mão de obra baseada no trabalho oneroso, de bens imóveis, por natureza ou acessão física, e
de crianças e de adolescentes, em desacordo com o disposto de direitos reais sobre imóveis, exceto os de garantia, bem
no art. 7°, XXXIII, da Constituição Federal. (Inciso acres‑ como cessão de direitos a sua aquisição;
cido pela Emenda à Lei Orgânica n. 30, de 1999.) f) venda a varejo de combustíveis líquidos e gasosos,
Parágrafo único. Os convênios celebrados pelo Dis‑ exceto óleo diesel;
trito Federal na forma prescrita no art. 155, §2º, XII, g, da g) serviços de qualquer natureza, não compreendidos
Constituição Federal, deverão observar o que dispõe o texto na alínea b, definidos em lei complementar federal;
constitucional e legislação complementar pertinente. (Pará‑ II – adicional de até cinco por cento do que for pago à
grafo acrescido pela Emenda à Lei Orgânica n. 1, de 1994.) União por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no Dis‑
trito Federal, a título do imposto previsto no art. 153, III, da
Seção III Constituição Federal, incidente sobre lucros, ganhos e rendi‑
Dos Impostos do Distrito Federal mentos de capital.
Art. 133. O imposto sobre a transmissão causa mortis
Art. 132. Compete ao Distrito Federal instituir: e doação de quaisquer bens ou direitos:
I – impostos sobre: I – incidirá sobre:
a) transmissão causa mortis e doação de quaisquer a) bens imóveis situados no Distrito Federal e respecti‑
vos direitos;
bens ou direitos;
b) bens móveis, títulos e créditos quando o inventário
ou arrolamento se processar no Distrito Federal ou o doador
COMENTÁRIO: nele tiver domicílio;
II – terá a competência para sua instituição regulada por
ITCMD é o imposto que tem por fato gerador a transmissão lei complementar federal:
dos bens ou direitos ocorridos em razão de herança, legado, a) se o doador tiver domicílio ou residência no exterior;
testamento (causa mortis) ou por recebimento de doações de b) se o de cujus possuía bens, era residente ou domici‑
bens ou direitos. Esse imposto leva em conta como base de
cálculo o valor venal dos bens ou direitos transmitidos, con‑
liado, ou teve o seu inventário processado no exterior;
forme regras gerais constantes do art. 38 do Código Tribu‑ III – obedecerá a alíquotas máximas fixadas por resolu‑
tário Nacional. Se o de cujus tiver deixado bens imóveis em ção do Senado Federal.
diversos lugares, ao DF resta a cobrança do imposto sobre os Art. 134. O imposto sobre operações relativas à circu‑
bens localizados em seu território. Se houver bens móveis,
lação de mercadorias e sobre prestações de serviços de trans‑
títulos e créditos, competirá ao DF o imposto, se o processo
de inventário ou arrolamento de bens tramitar no DF ou se
porte interestadual e intermunicipal e de comunicação aten‑
for o domicílio do doador. derá ao seguinte:
I – será não cumulativo, compensando-se o que for
b) operações relativas à circulação de mercadorias e devido em cada operação relativa à circulação de mercado‑
sobre prestações de serviços de transporte interestadual e rias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas
intermunicipal e de comunicação, de que trata o art. 21, XI, anteriores pelo Distrito Federal ou outro Estado;
da Constituição Federal, ainda que as operações e as presta‑ II – a isenção ou não incidência, salvo determinação em
ções se iniciem no exterior; (Declarada a inconstituciona‑ contrário da legislação:
lidade da expressão “de que trata o art. 21, XI, da Consti‑ a) não implicará crédito para compensação com o mon‑
tuição Federal”, constante desta alínea: ADI n. 1467 – STF, tante devido nas operações ou prestações seguintes;
Diário de Justiça de 11.04.2003.) b) acarretará a anulação do crédito às operações ante‑
riores;
III – poderá ser seletivo, em função da essencialidade
COMENTÁRIO: das mercadorias e dos serviços;
IV – terá as alíquotas aplicáveis a operações e presta‑
Interpretação do STF sobre o tema ções interestaduais e de exportação fixadas por resolução
do Senado Federal.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADI n.
Art. 135. O Distrito Federal fixará as alíquotas do
1.467 (DJ de 11.4.2003), declarou a inconstitucionalidade da
expressão “de que trata o art. 21, XI, da Constituição Fede‑ imposto de que trata o artigo anterior para as operações
ral”. Segundo o entendimento ventilado pelo acórdão da internas, observado o seguinte:
Suprema Corte, com tal tratamento, o Distrito Federal esta‑ I – limite mínimo não inferior ao estabelecido pelo
ria concedendo imunidade tributária aos prestadores de ser‑ Senado Federal para as operações interestaduais, salvo:
viços de radiodifusão sonora e de sons e de imagens sem que
a) deliberação em contrário, estabelecida na forma da
essa imunidade estivesse prevista na Constituição Federal,
conforme seu art. 155, inciso II. lei complementar federal, conforme previsto no art. 155,
§2º, VI, da Constituição Federal;
c) propriedade de veículos automotores; b) resolução do Senado Federal, na forma do art. 155,
d) propriedade predial e territorial urbana; §2º, V, a, da Constituição Federal;

66
D e n i s e V a r g a s
II – limite máximo, na hipótese de resolução do Senado §7º À exceção do imposto sobre circulação de merca‑
Federal, para solução de conflito específico que envolva dorias e prestações de serviços de transporte interestadual e
interesse do Distrito Federal e dos Estados; intermunicipal e de comunicação e do imposto sobre vendas
III – em relação a operações e prestações que desti‑ a varejo de combustíveis líquidos e gasosos, nenhum outro
nem bens e serviços a consumidor final localizado em outro tributo de competência do Distrito Federal incidirá sobre
Estado, adotar-se-á: operações relativas a energia elétrica, combustíveis líquidos
a) a alíquota interestadual, quando o destinatário for e gasosos, lubrificantes e minerais do País.
contribuinte do imposto; Art. 136. O imposto sobre propriedade predial e terri‑
b) a alíquota interna, quando o destinatário não for torial urbana será progressivo, nos termos de lei específica,
contribuinte do imposto. de forma a assegurar o cumprimento da função social da
§1º Caberá ao Distrito Federal o imposto correspon‑ propriedade, considerados, entre outros aspectos:
dente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, I – valor real do imóvel, corrigido a cada ano fiscal;
nas operações e prestações interestaduais que lhe destinem II – existência ou não de área construída;
mercadorias e serviços, quando o destinatário, situado no III – utilização própria ou locatícia.
seu território, for contribuinte do imposto. Art. 137. O imposto sobre transmissão inter vivos de
§2º O imposto incidirá também: bens imóveis e de direitos a eles relativos não incide sobre
a) sobre entrada de mercadoria importada do exterior, a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimô‑
ainda quando se tratar de bem destinado a consumo ou ativo nio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a
fixo do estabelecimento, assim como sobre serviço prestado transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incor‑
no exterior, se estiver situado no Distrito Federal o estabele‑ poração, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se,
cimento destinatário da mercadoria ou do serviço; nesses casos, a atividade preponderante do adquirente for
b) sobre o valor da operação, quando mercadorias a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens
forem fornecidas com serviços não sujeitos ao imposto imóveis ou arrendamento mercantil.
sobre serviços de qualquer natureza. Art. 138. O imposto sobre vendas a varejo de combus‑
§3º O imposto não incidirá: tíveis líquidos e gasosos não exclui a incidência do imposto
I – sobre operações que destinem ao exterior produtos sobre operações relativas à circulação de mercadorias e
industrializados, excluídos os semielaborados definidos em sobre prestações de serviços de transporte interestadual e
lei complementar federal; intermunicipal e de comunicação sobre a mesma operação.
II – sobre operações que destinem a outro Estado Art. 139. As alíquotas máximas do imposto sobre
petróleo, lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele vendas a varejo de combustíveis líquidos e gasosos e sobre
derivados e energia elétrica; serviços de qualquer natureza serão aquelas fixadas em lei,
III – sobre o ouro, quando definido em lei federal, nas que também definirá a exclusão da incidência do imposto
hipóteses previstas no art. 153, §5º, da Constituição Federal. sobre serviço de qualquer natureza em exportações de ser‑
§4º O imposto não compreenderá, em sua base de cál‑ viços para o exterior.
culo, o montante do imposto sobre produtos industriali‑ Art. 140. O Distrito Federal divulgará, até o último
zados, quando a operação, realizada entre contribuintes e dia do mês subsequente ao da arrecadação, os montantes
relativa a produto destinado a industrialização ou a comer‑ de cada um dos tributos arrecadados e dos demais recursos
cialização, configure fato gerador dos dois impostos. recebidos, inclusive os transferidos pela União.
§5º Observar-se-á a lei complementar federal para: Art. 141. O Distrito Federal orientará os contribuin‑
I – definir seus contribuintes; tes com vistas ao cumprimento da legislação tributária,
II – dispor sobre substituição tributária; que conterá, entre outros princípios, o da justiça fiscal, bem
III – disciplinar o regime de compensação do imposto; como determinará mediante lei medidas para esclarecer os
IV – fixar, para efeito de sua cobrança e definição do consumidores acerca de impostos que incidam sobre mer‑
estabelecimento responsável, o local das operações relativas cadorias e serviços, fazendo ainda publicar anualmente a
à circulação de mercadorias e das prestações de serviços; legislação tributária consolidada.
V – excluir da incidência do imposto, nas exportações
para o exterior, serviços e outros produtos além dos men‑ Seção IV
cionados no §3º, I; Da Repartição das Receitas Tributárias
VI – prever casos de manutenção de crédito, relati‑
vamente a remessa para outro Estado e exportação para o Art. 142. Constituem receitas do Distrito Federal:
exterior de serviços e de mercadorias; I – o produto da arrecadação do imposto da União
VII – regular a forma como, mediante deliberação dos sobre renda e proventos de qualquer natureza, incidente na
Estados e do Distrito Federal, isenções, incentivos e benefí‑ fonte sobre rendimentos pagos, a qualquer título, pelo Dis‑
cios fiscais serão concedidos e revogados. trito Federal, suas autarquias e pelas fundações que instituir
§6º As deliberações tomadas nos termos do §5º, VII, e mantiver;
no tocante a convênios de natureza autorizativa, serão esta‑ II – vinte por cento do produto da arrecadação do
belecidas sob condições determinadas de limites de prazo e imposto que a União instituir no exercício da competên‑
valor e somente produzirão efeito no Distrito Federal após cia que lhe é atribuída pelo art. 154, I, da Constituição
sua homologação pela Câmara Legislativa. Federal;

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L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
COMENTÁRIO: vidade ocorre mediante Receita Pública; Endividamento
Público; Orçamento Público e Despesa Pública, tratados nos
artigos abaixo.
O art. 154 da CF autoriza a União a instituir, mediante lei Em conformidade com o art. 24 da CF, compete à União
complementar, impostos não previstos no art.153 – impor‑ legislar, concorrentemente com o DF, sobre Direito Finan‑
tação de produtos estrangeiros; exportação de produtos ceiro, cujas normas de finanças ficam a cargo de Lei Com‑
nacionais ou nacionalizados; renda e proventos de qualquer plementar, ao teor do disposto no art. 163 da CF.
natureza; produtos industrializados; operações de crédito, A Lei Complementar Federal n. 101/2000 denominada de
câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliá‑ Lei de Responsabilidade Fiscal, de observância obrigató‑
rios; propriedade territorial rural; grandes fortunas, nos ria pelos Estados, Municípios e pelo DF, implantou regras
termos de lei complementar – desde que sejam não cumula‑ relacionadas à responsabilidade do administrador público
tivos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios na gestão dos recursos públicos. A responsabilidade na
dos discriminados na Constituição. Essa competência resi‑ gestão fiscal pressupõe, segundo comando da legislação em
dual da União, quando exercitada, acarretará a repartição do comento, a ação planejada e transparente, em que se previ‑
produto de sua arrecadação com o Distrito Federal, em 20%. nem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o equilíbrio
das contas públicas, mediante o cumprimento de metas de
III – cinquenta por cento do produto da arrecadação resultados entre receitas e despesas.
do imposto da União sobre a propriedade territorial rural,
relativamente aos imóveis nele situados; Art. 143. A receita pública será constituída por:
I – tributos;
COMENTÁRIO: II – contribuições financeiras e preços públicos;
III – multas;
IV – rendas provenientes de concessão, permissão,
O dispositivo em comento é reprodução literal da redação
originária do art. 157, II, da CF. No entanto, a Emenda Cons‑ cessão, arrendamento, locação e autorização de uso;
titucional n. 42, de 19.12.2003, atribui-lhe nova redação: V – produto de alienação de bens móveis, imóveis,
“cinquenta por cento do produto da arrecadação do imposto ações e direitos, na forma da lei;
da União sobre a propriedade territorial rural, relativamente
aos imóveis neles situados, cabendo a totalidade na hipótese
VI – doações e legados com ou sem encargos;
da opção a que se refere o art. 153, §4º, III”. O art. 153, §4º, VII – outras definidas em lei.
III, da CF, a seu turno, estabeleceu que o ITR “será fisca‑
lizado e cobrado pelos Municípios que assim optarem, na
forma da lei, desde que não implique redução do imposto COMENTÁRIO:
ou qualquer outra forma de renúncia fiscal”. Assim, se o DF
optar em fiscalizar o ITR, ficará com a totalidade do imposto
relativo aos imóveis nele situados. A receita pública é a soma de dinheiro que integra o patrimô‑
nio público para custear as despesas que se fazem necessá‑
IV – a parcela que lhe couber dos fundos de partici‑ rias à realização das finalidades do Estado. Em interpretação
à Lei Federal n. 4.320/1964, é o conjunto de recursos que são
pação a que se referem as alíneas a e b do art. 159, I, da obtidos pelo Distrito Federal mediante empréstimos (endi‑
Constituição Federal, bem como o percentual decorrente da vidamento público) ou atividade que tributa o patrimônio,
entrega prevista no inciso II do mesmo artigo; a renda ou algum outro fato relativo à coletividade; ou pelo
V – o produto da arrecadação do imposto que a União recebimento de doações ou alienação de produtos ou servi‑
ços de natureza pública.
instituir no exercício da competência que lhe é atribuída
pelo art. 153, V e seu §5º, da Constituição Federal.
Art. 144. A arrecadação de todas e quaisquer recei‑
tas de competência do Distrito Federal far-se-á na forma
COMENTÁRIO: disciplinada pelo Poder Executivo, devendo seu produto
ser obrigatoriamente recolhido ao Banco de Brasília S.A.,
O imposto previsto no art. 153, V, da CF, é o IOF, imposto à conta do Tesouro do Distrito Federal.
sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a
títulos ou valores mobiliários e, conforme o §5º desse dispo‑
sitivo constitucional, o ouro, quando definido em lei como COMENTÁRIO:
ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusi‑
vamente à incidência do IOF devido na operação de origem,
cuja alíquota mínima será de um por cento, assegurada As receitas públicas distritais devem ser depositadas na ins‑
a transferência do montante da arrecadação em trinta por tituição financeira oficial do DF em benefício dos cofres dis‑
cento para o Estado, o Distrito Federal ou o Território, con‑ tritais.
forme a origem.
§1º O Banco de Brasília S.A. é o agente financeiro do
CAPÍTULO II Tesouro do Distrito Federal e o organismo fundamental de
DAS FINANÇAS PÚBLICAS fomento da região.

COMENTÁRIO: COMENTÁRIO:

Finanças Públicas é a atividade financeira praticada pelo O Banco de Brasília (BRB) é a entidade oficial do DF que
Distrito Federal para obter, criar, planejar e despender mantém em depósito todas as receitas públicas. E, igual‑
dinheiro para atender às necessidades coletivas. Essa ati‑ mente, é entidade da Administração Pública distrital res‑

68
D e n i s e V a r g a s
ponsável pelo fomento da região, ou seja, pelo incentivo à III – concessão de garantia pelas entidades públicas do
iniciativa privada na prestação de serviços de utilidade cole‑ Distrito Federal;
tiva, mediante concessões de subvenções, financiamentos.
A CLDF criou a Lei n. 919/1995, que autorizou o Banco de IV – fiscalização das instituições financeiras do Dis‑
Brasília a converter em empréstimo pessoal o saldo devedor trito Federal.
de cheque especial concedido ao servidor público corren‑ §1º Fica vedada ao Distrito Federal, salvo disposição
tista, mesmo que aposentado. No entanto, o STF suspendeu em contrário de norma federal, a contratação de emprésti‑
a eficácia da referida Lei distrital sob o argumento de haver
relevância para se entender, liminarmente, que o tema regu‑ mos sob garantias futuras, sem previsão do impacto a recair
lado por ela é da competência privativa da União, já que se nas subsequentes administrações financeiras do Distrito
refere à operação de crédito de instituição financeira. Federal.
§2º A aquisição de títulos públicos pelo Banco de Bra‑
§2º A disponibilidade de caixa e os recursos coloca‑ sília S.A. será disciplinada em lei específica.
dos à disposição dos órgãos da administração direta, bem §3º O lançamento de títulos da dívida pública e a con‑
como das autarquias e fundações instituídas ou mantidas tratação de operações de crédito interno ou externo depen‑
pelo Poder Público e das empresas públicas e sociedades derão de prévia autorização da Câmara Legislativa, obser‑
de economia mista e demais entidades em que o Distrito vadas as disposições pertinentes da legislação federal.
Federal, direta ou indiretamente, detenha a maioria do §4º O Poder Executivo encaminhará à Câmara Legis‑
capital social com direito a voto, serão depositados e movi‑ lativa, até o último dia de cada mês, a posição contábil da
mentados no Banco de Brasília S.A., ressalvados os casos dívida fundada interna e externa e da dívida flutuante do
previstos em lei. Poder Público no mês anterior.
§3º A execução financeira dos órgãos e entidades man‑
tidos com recursos do orçamento do Distrito Federal far-se‑ CAPÍTULO III
-á por sistema integrado de caixa, conforme disposto em lei. DO ORÇAMENTO
§4º Os pagamentos das remunerações, de qualquer
natureza, devidas pelo Distrito Federal aos servidores da Art. 147. O orçamento público, expressão física,
administração direta, aos servidores das autarquias e das social, econômica e financeira do planejamento governa‑
fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público, aos mental, será documento formal de decisões sobre a aloca‑
empregados das empresas públicas e das sociedades de eco‑ ção de recursos e instrumento de consecução, eficiência e
nomia mista, bem como aos empregados das demais enti‑ eficácia da ação governamental.
dades em que o Distrito Federal, direta ou indiretamente,
detenha a maioria do capital social com direito a voto, serão COMENTÁRIO:
efetuados pelo Banco de Brasília – BRB, para concretizar‑
-lhe e preservar-lhe a função social. (Parágrafo acrescido
Orçamento Público é o conjunto de leis que realiza a previ‑
pela Emenda à Lei Orgânica n. 51, de 2008.)
são e o planejamento de receitas e despesas do DF e autoriza
§5º As disposições do parágrafo anterior se aplicam órgãos e entidades a constituir, em certo período determi‑
inclusive aos pagamentos dos servidores cujas remunera‑ nado, gastos públicos para se alcançar a finalidade pública.
ções sejam custeadas por recursos oriundos de repasses Três leis representam, em essência, o orçamento público
distrital: PPA – Plano Plurianual; LDO – Lei de Diretrizes
feitos pela União. (Parágrafo acrescido pela Emenda à Lei
Orçamentárias e LOA – Lei Orçamentária Anual. O orça‑
Orgânica n. 51, de 2008.) mento do DF deve contemplar os gastos necessários ao aten‑
dimento das despesas das Administrações Regionais que,
conforme visto, são órgãos de natureza territorial vincula‑
COMENTÁRIO: dos e subordinados ao Poder Executivo Distrital.

Estatui o §3º do art. 164 da CF que a disponibilidade de caixa Art. 148. Na elaboração de seu orçamento, o Distrito
do DF deverá estar depositada em instituição financeira ofi‑ Federal destinará anualmente às Administrações Regionais
cial, ressalvados os casos previstos em lei. recursos orçamentários em nível compatível, com critério
a ser definido em lei, prioritariamente para o atendimento
Art. 145. Os recursos financeiros correspondentes às de despesas de custeio e de investimento, indispensáveis a
dotações orçamentárias da Câmara Legislativa e do Tri‑ sua gestão.
bunal de Contas do Distrito Federal serão repassados em Parágrafo único. Para os fins preconizados no caput,
duodécimos, até o dia vinte de cada mês, em cotas esta‑ as Regiões Administrativas constituem-se individualmente
belecidas na programação financeira, exceto em caso de em órgãos.
investimento, em que se obedecerá ao cronograma estabe‑
lecido. COMENTÁRIO:
Art. 146. Lei complementar, observados os princípios
estabelecidos na Constituição da República e as disposições
Tendo em conta que o DF não pode se subdividir em municí‑
de lei complementar federal e resoluções do Senado Fede‑ pios, foi criada a desconcentração territorial da administra‑
ral, disporá sobre: ção, mediante a criação de órgãos territoriais: regiões admi‑
I – finanças públicas; nistrativas, cujas despesas serão custeadas por autorizações
legislativas previstas no orçamento.
II – emissão e resgate de títulos da dívida pública;

69
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
Art. 149. Leis de iniciativa do Poder Executivo esta‑ II – o orçamento de investimento das empresas em que
belecerão: o Distrito Federal, direta ou indiretamente, detenha a maio‑
I – o plano plurianual; ria do capital social com direito a voto;
II – as diretrizes orçamentárias; III – o orçamento de seguridade social, abrangidas
III – os orçamentos anuais. todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da adminis‑
tração direta e indireta, bem como os fundos e fundações
COMENTÁRIO: instituídos ou mantidos pelo Poder Público.
§5º O orçamento da seguridade social compreenderá
receitas e despesas relativas a saúde, previdência, assistên‑
O orçamento público é composto pelas leis orçamentárias
aprovadas pela Câmara Legislativa do Distrito Federal, mas cia social e receita de concursos de prognósticos, incluídas
de iniciativa privativa e vinculada ao Governador do Distrito as oriundas de transferências, e será elaborado com base
Federal, que, inclusive, pode cometer crime de responsabili‑ nos programas de trabalho dos órgãos incumbidos de tais
dade se deixar de apresentar projeto de lei orçamentária ou
serviços, integrantes da administração direta e indireta.
apresentá-lo intempestivamente.
Os prazos a serem obedecidos pelo Chefe do Executivo estão §6º Os projetos de lei referentes a matérias de receita
previstos no art. 150 da LODF. e despesa públicas serão organizados e compatibilizados,
O Plano Plurianual (PPA) deverá ser encaminhado à CLDF em todos os seus aspectos setoriais, pelo órgão central de
no primeiro ano do mandato eletivo do Governador, no prazo
máximo de dois meses e meio após sua posse, e a CLDF deve
planejamento do Distrito Federal.
devolvê-lo à sanção do Governador no prazo máximo de dois §7º Integrarão o projeto de lei orçamentária, além
meses antes do fim do primeiro período da sessão legisla‑ daqueles definidos em lei complementar, demonstrativos
tiva, que se dá no dia 30 de junho. específicos com detalhamento das ações governamentais,
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deve ser enca‑
minhada no prazo máximo de sete meses e meio antes do
dos quais constarão:
encerramento do exercício financeiro e devolvida para I – objetivos, metas e prioridades, por Região Admi‑
sanção pelo Governador até o encerramento do primeiro nistrativa;
período da sessão legislativa. II – identificação do efeito sobre as receitas e despe‑
E, por fim, a Lei Orçamentária Anual ou Lei do Orçamento
Anual (LOA) será encaminhada no prazo máximo de três
sas, decorrente de isenções, anistias, remissões, subsídios
meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro e benefícios de natureza financeira, tributária e creditícia,
em andamento e devolvida pela CLDF ao Governador, para referidos no art. 131;
sanção, até o encerramento do segundo período da sessão III – demonstrativo da situação do endividamento, no
legislativa, que se dá em 15 de dezembro. Se não aprovada
nesse prazo, a sessão legislativa prorrogar-se-á. qual se evidenciará para cada empréstimo o saldo devedor
e respectivas projeções de amortização e encargos finan‑
§1º O plano plurianual será elaborado com vistas ao ceiros correspondentes a cada semestre do ano da proposta
desenvolvimento econômico e social do Distrito Federal, orçamentária.
podendo ser revisto ou modificado quando necessário, §8º A lei orçamentária incluirá, obrigatoriamente, pre‑
mediante lei específica. visão de recursos provenientes de transferências, inclusive
§2º A lei que aprovar o plano plurianual, compatível aqueles oriundos de convênios, acordos, ajustes ou instru‑
com o plano diretor de ordenamento territorial, estabele‑ mentos similares com outras esferas de governo e os desti‑
cerá, por região administrativa, as diretrizes, objetivos e nados a fundos.
metas, quantificados física e financeiramente, da adminis‑ §9º As despesas com publicidade do Poder Legislativo
tração pública do Distrito Federal, no horizonte de quatro e dos órgãos ou entidades da administração direta e indireta
anos, para despesas de capital e outras delas decorrentes, do Poder Executivo deverão ser objeto de dotação orçamen‑
bem como as relativas a programas de duração continuada, tária específica.
a contar do exercício financeiro subsequente. §10. O orçamento anual deverá ser detalhado por
§3º A lei de diretrizes orçamentárias, compatível com Região Administrativa e terá entre suas funções a redução
o plano plurianual, compreenderá as metas e prioridades das desigualdades inter-regionais.
da administração pública do Distrito Federal, incluídas as §11. A lei orçamentária não conterá dispositivo estra‑
despesas de capital para o exercício financeiro subsequente; nho à previsão da receita e à fixação da despesa, excluindo‑
orientará a elaboração da lei orçamentária anual; disporá -se da proibição:
sobre as alterações da legislação tributária; estabelecerá a I – a autorização para a abertura de créditos suplemen‑
política tarifária das entidades da administração indireta e tares;
a política de aplicação das agências financeiras oficiais de II – a contratação de operações de crédito, ainda que
fomento; bem como definirá a política de pessoal a curto por antecipação de receita, nos termos da lei;
prazo da administração direta e indireta do Governo. III – a forma da aplicação do superávit ou o modo de
§4º A lei orçamentária, compatível com o plano pluria‑ cobrir o déficit.
nual e com a lei de diretrizes orçamentárias, compreenderá: §12. Cabe a lei complementar estabelecer normas de
I – o orçamento fiscal referente aos Poderes do Distrito gestão financeira e patrimonial da administração direta e
Federal, seus fundos, órgãos e entidades da administração indireta, bem como condições para instituição e funciona‑
direta e indireta, inclusive fundações instituídas ou manti‑ mento de fundos, observados os princípios estabelecidos
das pelo Poder Público; nesta Lei Orgânica e na legislação federal.

70
D e n i s e V a r g a s
Art. 150. Os projetos de lei relativos ao plano pluria‑ mente gastos com pessoal e encargos sociais; amortizações,
nual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos juros e demais encargos da dívida; contrapartida de finan‑
créditos adicionais serão encaminhados à Câmara Legisla‑ ciamentos ou outros encargos de sua manutenção e inves‑
tiva, que os apreciará na forma de seu regimento interno. timentos prioritários; respeitadas as peculiaridades de cada
§1º O projeto de lei do plano plurianual será encami‑ um.
nhado pelo Governador no primeiro ano de mandato, até §12. Não tendo o Legislativo recebido a proposta de
dois meses e meio após sua posse, e devolvido pelo Legis‑ orçamento anual até a data prevista no §3º, será considerado
lativo para sanção até dois meses antes do encerramento do como projeto a lei orçamentária vigente, com seus valo‑
primeiro período da sessão legislativa. res iniciais, monetariamente atualizados pela aplicação do
§2º O projeto de lei de diretrizes orçamentárias será índice inflacionário oficial.
encaminhado até sete meses e meio antes do encerramento §13. Na oportunidade da apreciação e votação da lei
do exercício financeiro e devolvido pelo Legislativo para orçamentária anual, o Poder Executivo colocará à disposi‑
sanção até o encerramento do primeiro período da sessão ção do Poder Legislativo todas as informações sobre o endi‑
legislativa. vidamento do Distrito Federal, sem prejuízo do disposto no
§3º O projeto de lei orçamentária para o exercício art. 146, §4º.
seguinte será encaminhado até três meses e meio antes do Art. 151. São vedados:
encerramento do exercício financeiro em curso e devol‑ I – o início de programas ou projetos não incluídos na
vido pelo Legislativo para sanção até o encerramento do lei orçamentária anual;
segundo período da sessão legislativa. II – a realização de despesas ou a assunção de obri‑
§4º Cabe à comissão competente da Câmara Legisla‑ gações diretas que excedam aos créditos orçamentários ou
tiva examinar e emitir parecer sobre os projetos referidos adicionais;
neste artigo e sobre as contas apresentadas anualmente pelo III – a realização de operações de crédito que excedam
Governador do Distrito Federal. ao montante das despesas de capital, ressalvadas as auto‑
§5º As emendas ao projeto de lei do orçamento anual rizadas mediante créditos suplementares ou especiais com
ou aos projetos que o modifiquem serão admitidas desde finalidade precisa, aprovados pela Câmara Legislativa, por
que: maioria absoluta;
I – sejam compatíveis com o plano plurianual e com a lei IV – a vinculação de receita de impostos a órgão,
de diretrizes orçamentárias; fundo ou despesa, ressalvada a destinação de recursos para
II – indiquem os recursos necessários, admitidos manutenção e desenvolvimento do ensino, como determina
apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas o art. 212 da Constituição Federal, bem como a prestação
as que incidam sobre: de garantias às operações de crédito por antecipação de
a) dotações para pessoal e seus encargos; receita, prevista no art. 165, §8º da Constituição Federal;
b) serviço da dívida; V – a abertura de crédito suplementar ou especial sem
III – sejam relacionadas: prévia autorização legislativa e sem indicação dos recursos
a) com a correção de erros ou omissões; correspondentes;
b) com os dispositivos do texto do projeto de lei. VI – a transposição, remanejamento ou transferência
§6º As emendas ao projeto de lei de diretrizes orça‑ de recursos de uma categoria de programação para outra ou
mentárias não poderão ser aprovadas quando incompatíveis de um órgão para outro, sem prévia autorização legislativa;
com o plano plurianual. VII – a concessão ou utilização de créditos ilimitados;
§7º As emendas serão apresentadas à comissão com‑ VIII – a utilização, sem autorização legislativa especí‑
petente da Câmara Legislativa, que sobre elas emitirá pare‑ fica, de recursos do orçamento fiscal e da seguridade social
cer, e serão apreciadas na forma do regimento interno. para suprir necessidade ou cobrir déficit de empresas, fun‑
§8º O Governador poderá enviar mensagem ao Legis‑ dações e fundos, inclusive os mencionados no art. 149, §4º,
lativo para propor modificações nos projetos a que se refere desta Lei Orgânica, em conformidade com o art. 165, §5º,
este artigo, enquanto não iniciada, na comissão competente da Constituição Federal;
da Câmara Legislativa, a votação da parte cuja alteração é IX – a instituição de fundos de qualquer natureza, sem
proposta. prévia autorização legislativa;
§9º Aplicam-se aos projetos mencionados neste artigo, X – a concessão de subvenções ou auxílios do Poder
no que não contrariar o disposto neste capítulo, as demais Público a entidades de previdência privada.
normas relativas ao processo legislativo. §1º Nenhum investimento cuja execução ultrapasse
§10. Os recursos que, em decorrência de veto, emenda um exercício financeiro poderá ser iniciado sem prévia
ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem inclusão no plano plurianual ou sem lei que autorize sua
sem despesas correspondentes, poderão ser utilizados, con‑ inclusão, sob pena de crime de responsabilidade.
forme o caso, mediante créditos especiais ou suplementa‑ §2º Os créditos especiais e extraordinários terão vigên‑
res, com prévia e específica autorização legislativa. cia no exercício financeiro em que forem autorizados, salvo
§11. As receitas próprias de órgãos, fundos, autarquias se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro
e fundações instituídas ou mantidas pelo Poder Público, meses daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites
bem como as das empresas públicas e sociedades de eco‑ de seus saldos, serão incorporados ao orçamento do exercí‑
nomia mista, serão programadas para atender preferencial‑ cio financeiro subsequente.

71
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
§3º A abertura de crédito extraordinário somente será TÍTULO V
admitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, DA ORDEM ECONÔMICA DO
como as decorrentes de calamidade pública, e será objeto de DISTRITO FEDERAL
apreciação pela Câmara Legislativa no prazo de trinta dias.
§4º A autorização legislativa de que trata o inciso IX COMENTÁRIO:
dar-se-á por proposta do Poder Executivo, que conterá,
entre outros requisitos estabelecidos em lei, os seguintes:
ORDEM ECÔNOMICA
I – finalidade básica do fundo;
II – fontes de financiamento; A palavra “econômica” vem de economia, que deriva do
III – instituição obrigatória de conselho de administra‑ grego oikos (casa) e nomos (norma, lei). Literalmente, seria
ção, composto necessariamente de representantes do seg‑ “administração da casa”. Economia, segundo Vasconcellos
mento respectivo da sociedade e de áreas técnicas pertinen‑ (2006, p. 4),
tes ao seu objetivo; pode ser definida como a ciência social que estuda
IV – unidade ou órgão responsável por sua gestão. como indivíduo e sociedade decidem utilizar recursos pro‑
Art. 152. Qualquer proposição que implique alteração, dutivos escassos, na produção de bens e serviços, de modo a
direta ou indireta, em dotações de pessoal e encargos sociais distribuí-los entre as várias pessoas e grupos da sociedade,
com a finalidade de satisfazer às necessidades humanas.
deverá ser acompanhada de demonstrativos da última posi‑ Hodiernamente, identificamos duas formas, principais, de
ção orçamentária e financeira, bem como de suas projeções organização econômica:
para o exercício em curso. • Economia de mercado: a) pelo sistema de
Parágrafo único. As proposições de créditos adicionais concorrência e b) pelo sistema de economia
que envolvam anulação de dotações de pessoal e encargos mista.
sociais somente poderão ser apresentadas à Câmara Legis‑ • Economia planificada ou centralizada gover‑
lativa no último trimestre do exercício financeiro relativo à namentalmente.
lei orçamentária. Basicamente, os países, no geral, adotam a organização da
Art. 153. O Poder Executivo publicará, até o trigésimo economia de mercado, com o sistema de concorrência pura,
dia após o encerramento de cada bimestre, relatório resu‑ em que não há interferência do governo. Ao contrário, no sis‑
mido da execução orçamentária, do qual constarão: tema de economia mista, há interferência do governo.
I – as receitas, despesas e a evolução da dívida pública Após a grande depressão econômica, nos anos 1930, a filo‑
sofia da economia de mercado com concorrência pura, sem
da administração direta e indireta em seus valores mensais; intervenção estatal, entrou em declínio, já que a economia
II – os valores realizados desde o início do exercício não consegue operar sozinha, exigindo uma atuação ativa do
até o último bimestre objeto da análise financeira; Poder Público na atividade econômica. O Brasil, conforme
III – relatório de desempenho físico-financeiro. se infere do art. 1º, IV, CF, e art. 2º, IV, da LODF, adotou o
modo capitalista de produção, erigindo a valor fundamen‑
Art. 154. A lei de diretrizes orçamentárias estabe‑ tal a livre iniciativa. Mas o Governo poderá atuar na ini‑
lecerá procedimentos de ligação entre o planejamento de ciativa privada, corrigindo-lhe as distorções, fixando preços
médio e longo prazos e cada orçamento anual, de modo a de mercadorias, valores mínimos dos salários, fornecendo
ensejar continuidade de ações e programas que, iniciados serviços, construindo obras, comprando bens e serviços do
setor privado.
em um governo, tenham prosseguimento no subsequente.
Logo, verifica-se que o Estado participa da atividade econô‑
Art. 155. Ao Poder Legislativo é assegurado amplo mica desenvolvida em seu território. Ele é um corresponsá‑
e irrestrito acesso, de forma direta e rápida, a qualquer vel pela economia nacional. Por isso, a CF, preocupada com
informação, detalhada ou agregada, sobre a administração o papel do Poder Público na economia, criou várias normas
pública do Distrito Federal. que limitam a atividade econômica.
Art. 156. Os ocupantes de cargos públicos do Governo
do Distrito Federal serão pessoalmente responsáveis por CAPÍTULO I
suas ações e omissões, no que tange à administração DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
pública.
Art. 157. A despesa com pessoal ativo e inativo ficará
sujeita aos limites estabelecidos na lei complementar a que Seção I
se refere o art. 169 da Constituição Federal. Dos Princípios Gerais
Parágrafo único. A concessão de qualquer vantagem
ou aumento de remuneração, a criação de cargos ou alte‑ Art. 158. A ordem econômica do Distrito Federal,
ração da estrutura de carreiras, bem como a admissão de fundada no primado da valorização do trabalho e das ati‑
pessoal, a qualquer título, por órgãos e entidades da admi‑ vidades produtivas, em cumprimento ao que estabelece a
nistração direta ou indireta, inclusive fundações instituídas Constituição Federal, tem por fim assegurar a todos exis‑
ou mantidas pelo Poder Público, só poderão ser feitas: tência digna, promover o desenvolvimento econômico com
I – se houver prévia dotação orçamentária, suficiente justiça social e a melhoria da qualidade de vida, observados
para atender às projeções de despesa de pessoal e aos acrés‑ os seguintes princípios:
cimos dela decorrentes; I – autonomia econômico-financeira;
II – se houver autorização específica na lei de diretri‑ II – propriedade privada;
zes orçamentárias, ressalvadas as empresas públicas e as III – função social da propriedade;
sociedades de economia mista. IV – livre concorrência;

72
D e n i s e V a r g a s
V – defesa do consumidor; §1º A empresa pública, a sociedade de economia mista
VI – proteção ao meio ambiente; e outras entidades que explorem atividade econômica sujei‑
VII – redução das desigualdades econômico-sociais; tam-se ao regime jurídico próprio das empresas privadas,
VIII – busca do pleno emprego; inclusive quanto às obrigações trabalhistas e tributárias.
IX – integração com a região do entorno do Distrito
Federal.
COMENTÁRIO:
Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício
de qualquer atividade econômica, independentemente de
O art. 173 da CF determina que, ressalvados os casos nela
autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos previstos, a exploração direta de atividade econômica pelo
em lei. Estado só será permitida quando necessária aos imperativos
da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, con‑
forme definidos em lei.
COMENTÁRIO: A lei é que deverá estabelecer o estatuto jurídico da empresa
pública, da sociedade de economia mista e de suas subsi‑
Fundamento da ordem econômica diárias que explorem atividade econômica de produção ou
A ordem econômica do DF é fundada no primado da valori‑ comercialização de bens ou de prestação de serviços, dis‑
zação do trabalho e das atividades produtivas. Dessa forma, pondo sobre sua função social e formas de fiscalização pelo
um dos instrumentos para a conquista de uma vida digna é o Estado e pela sociedade. Assim como sua sujeição ao regime
trabalho, sendo assegurado a todos o exercício de atividade jurídico próprio das empresas privadas, inclusive quanto aos
econômica, independentemente de autorização estatal, res‑ direitos e obrigações civis, comerciais, trabalhistas e tribu‑
salvados os casos legais. tários.
Fim da ordem econômica
a ordem econômica do DF tem por fim:
§2º As empresas públicas e as sociedades de econo‑
• Assegurar a todos existência digna;
• Promover o desenvolvimento econômico com mia mista não poderão gozar de privilégios fiscais que não
justiça social; sejam extensivos às do setor privado.
• Melhoria da qualidade de vida.
COMENTÁRIO:
Princípios da ordem econômica
a ordem econômica distrital deverá observar os seguintes
princípios: Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista na Ati‑
• Autonomia econômico-financeira; vidade Econômica
• Propriedade privada; Tendo em vista que o Poder Público e suas entidades inte‑
• Função social da propriedade; grantes da Administração Indireta só podem atuar de forma
supletiva na atividade econômica, o art. 173 da CF determi‑
• Livre concorrência;
nou que,
• Defesa do consumidor;
• Proteção ao meio ambiente; ressalvados os casos previstos na Constituição, a
• Redução das desigualdades econômico‑ exploração direta de atividade econômica pelo Estado só
-sociais; será permitida quando necessária aos imperativos da segu‑
• Busca do pleno emprego; rança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme
• Integração com a região do entorno do Distrito definidos em lei.
Federal.
A lei estabelecerá o estatuto jurídico da empresa pública,
da sociedade de economia mista e de suas subsidiárias que
Seção II explorem atividade econômica de produção ou comerciali‑
Da Disciplina da Atividade Econômica zação de bens ou de prestação de serviços. Disporá sobre
sua função social e formas de fiscalização pelo Estado e pela
sociedade e a sua sujeição ao regime jurídico próprio das
Art. 159. O Poder Público só participará diretamente
empresas privadas, inclusive quanto aos direitos e obriga‑
na exploração da atividade econômica nos casos previstos ções civis, comerciais, trabalhistas e tributários, sob pena de
na Constituição Federal e, na forma da lei, como agente causar um desequilíbrio para as empresas do setor privado e
indutor do desenvolvimento socioeconômico do Distrito violar alguns princípios constitucionais.
Vedação de privilégios fiscais para as sociedades de econo-
Federal, em investimentos de caráter estratégico ou para
mia mista e empresas públicas exploradoras da atividade
atender relevante interesse coletivo. econômica: esse dispositivo (art. 159, §2º, LODF) é mera
reprodução do §2º do art. 173 da CF: “As empresas públicas
e as sociedades de economia mista não poderão gozar de
COMENTÁRIO:
privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. Os
dois parágrafos do art. 159 estão em consonância com os
Atividade supletiva do Poder Público: uma vez que um dos fundamentos da República Federativa do Brasil e dos valo‑
valores fundamentais adotados pelo Estado brasileiro e pelo res sociais fundamentais do Distrito Federal.
DF é o valor da livre iniciativa, o Poder Público não tem como
fim a participação na exploração de atividade econômica.
Esta é tarefa atribuída ao setor público, cabendo, excepcio‑
§3º Na aquisição de bens e serviços, os órgãos da
nalmente, à Administração Pública, na forma da lei e obede‑ administração direta e indireta, sem prejuízo dos princípios
cidos os princípios constitucionais, atuar de forma supletiva da publicidade, legitimidade e economicidade, darão trata‑
na exploração de atividade econômica, com o fim de servir mento preferencial, nos termos da lei, às atividades econô‑
como agente indutor do desenvolvimento social e econômico
do DF. Assim, o DF somente prestará atividades necessárias
micas exercidas em seu território e, em especial, à empresa
ao atendimento das demandas sociais. brasileira de capital nacional.

73
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
COMENTÁRIO: Seção III
Da Regulação da Atividade Econômica
Tratamento preferencial à empresa brasileira de capital
nacional Art. 161. O Poder Público, como agente normativo e
O §3º desse artigo reproduzia uma norma da Constitui‑ regulador da atividade econômica, exercerá as funções de
ção Federal. No entanto, a Emenda Constitucional n. 6, de planejamento, incentivo e fiscalização, na forma da lei.
15.8.1995, revogou expressamente o art. 171 da CF que con‑
cedia tratamento privilegiado às empresas brasileiras de
capital nacional. Assim, infere-se que esse tratamento pre‑ COMENTÁRIO:
ferencial à empresa brasileira de capital nacional, na LODF,
está tacitamente revogado, o que exige sua interpretação à Regulação da atividade econômica pelo Poder Público
luz da Constituição Federal, em face da supremacia formal e O Poder Público pode e deve participar de forma indireta na
material da Carta Magna. economia. Essa faculdade-dever do Poder Público está pre‑
vista no art. 174 da CF, que assim estabelece: “Como agente
Nas provas de concursos públicos, esse tema merece aten‑ normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exer‑
ção. Assim, o candidato deve ficar atento ao enunciado ou cerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e
comando da questão, pois, se o examinador determinar que planejamento, sendo este determinante para o setor público
a questão seja respondida à luz da Lei Orgânica, o candidato e indicativo para o setor privado”. O art. 161 da LODF, por‑
deve ignorar essa revogação tácita operada pela Emenda tanto, tem fundamento no art. 174 da CF, prevendo a atividade
Constitucional n. 6, de 15 de agosto de 1995. normativa do Poder Público na atividade econômica. Assim,
o DF deve atuar na atividade econômica de forma indireta,
mediante regulamentação dessa atividade. O DF atua, nesse
Art. 160. O regime de gestão das empresas públicas, caso, como agente normativo. Conforme Tavares (2006,
sociedades de economia mista e fundações instituídas pelo p. 307),
Poder Público do Distrito Federal implica: Estado regulador é o novo perfil do Estado con‑
I – composição de pelo menos um terço da diretoria temporâneo, que se afastou da prestação efetiva de diversas
executiva por representantes de seus servidores, escolhidos atividades, transferindo-as aos particulares, sem, contudo,
abandonar totalmente os setores que deixava, já que perma‑
pelo Governador entre os indicados em lista tríplice para neceu neles regulando e acertando (fiscalizando) a conduta
cada cargo, mediante eleição pelos servidores, atendidas privada [...].
as exigências legais para o preenchimento dos referidos
Além dessa atividade normativa, cabe ao DF a atividade fis‑
cargos; calizadora, de forma que realize o controle da juridicidade
II – assinatura de contratos de gestão que estabeleçam do exercício econômico pelos particulares, ou seja, observa
metas de desempenho e responsabilidade, bem como asse‑ se a atividade empresarial está obedecendo aos princípios
da ordem econômica e os parâmetros traçados pelo DF,
gurem a autonomia necessária ao alcance dos resultados enquanto agente normativo.
estabelecidos.
Parágrafo único. Excetuam-se do percentual indi‑ Art. 162. A lei estabelecerá diretrizes e bases do pro‑
cado no inciso I as instituições financeiras controladas pelo cesso de planejamento governamental do Distrito Federal,
Governo do Distrito Federal, facultada a participação de o qual incorporará e compatibilizará:
um servidor no Conselho de Administração. (Parágrafo I – o Plano Diretor de Ordenamento Territorial e os
com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 27, de 1999.)56 Planos de Desenvolvimento Local; (Inciso com a redação
da Emenda à Lei Orgânica n. 49, de 2007.)57
COMENTÁRIO: II – as ações de integração com a região do entorno do
Distrito Federal;
III – o plano de desenvolvimento econômico e social
Participação dos servidores na gestão das estatais do DF do Distrito Federal;
O art. 160 em comento determina a participação dos ser‑
vidores das fundações, empresas públicas e das sociedades
IV – o plano plurianual;
de economia mista em sua diretoria. Assim, pelo menos um V – o plano anual de governo;
terço da diretoria executiva dessas estatais deve ser com‑ VI – as diretrizes orçamentárias;
posto por representantes de seus servidores, escolhidos pelo VII – o orçamento anual.
Governador entre os indicados em lista tríplice para cada
cargo, mediante eleição pelos servidores, atendidas as exi‑
gências legais para o preenchimento dos referidos cargos. COMENTÁRIO:
Desse percentual mínimo de 1/3, estão excetuadas, no
entanto, a diretoria das instituições financeiras controladas Acerca do assunto, consulte o comentário ao art. 32 das dis‑
pelo GDF, permitindo-se, no entanto, a participação de um posições transitórias da LODF.
servidor no Conselho de Administração (parágrafo único do
art. 160 da LODF).
Art. 163. O Plano Diretor de Ordenamento Territorial
Contratos de Gestão é o instrumento básico da política de expansão e desenvol‑
O art. 160, II, LODF, estabelece que a gestão das estatais vimento urbanos, de longo prazo e natureza permanente.
e fundações distritais implica a assinatura de contratos de (Artigo com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 49,
gestão que contenham metas de desempenho e responsabi‑
lidade, atribuindo-lhes autonomia necessária para o alcance de 2007.)58
dos resultados estabelecidos.
57
Texto original: I – o plano diretor de ordenamento territorial e os planos direto‑
res locais;
56
Texto original: Parágrafo único. Excetuam-se do percentual indicado no inciso 58
Texto original: Art. 163. O plano diretor de ordenamento territorial e os pla‑
I as instituições financeiras controladas pelo Governo do Distrito Federal, cuja nos diretores locais são os instrumentos básicos, de longo prazo, da política de
direção executiva terá participação de pelo menos dois servidores, escolhidos na desenvolvimento e expansão urbana e independentes da alternância de gestão
forma prevista em seu estatuto. governamental.

74
D e n i s e V a r g a s
COMENTÁRIO: II – as diretrizes estabelecidas no plano diretor de
ordenamento territorial e planos diretores locais e as ações
O plano diretor de ordenamento territorial é lei de funda‑ de integração com a região do entorno do Distrito Federal;
mental importância para a política urbana, que tem seus III – os planos e políticas do Governo Federal;
caracteres essenciais delineados na Carta Política de 1988,
no art. 182, que determina: a política de desenvolvimento
IV – os planos regionais que afetem o Distrito Federal.
urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme §2º Serão consideradas ainda as seguintes condicio‑
diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar nantes:
o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade I – a singular condição de Brasília como Capital Federal;
e garantir o bem-estar de seus habitantes. O plano diretor
aprovado pela Câmara Municipal e, no DF, pela Câmara II – a compatibilização do ordenamento da ocupação
Legislativa é obrigatório para cidades com mais de vinte mil e uso do solo com a concepção urbanística do Plano Piloto
habitantes e se constitui como instrumento básico da política e Cidades Satélites e com a contenção da especulação, da
de desenvolvimento e de expansão urbana. Ele servirá como
concentração fundiária e imobiliária e da expansão desor‑
paradigma para a fiscalização da função social da proprie‑
dade urbana, pois o §2º do art. 182 da CF estabelece que: “A denada da área urbana;
propriedade urbana cumpre sua função social quando atende III – a condição de Brasília como Patrimônio Cultural
às exigências fundamentais de ordenação da cidade expres‑ da Humanidade;
sas no plano diretor”.
É facultado ao Poder Público distrital, conforme autorização
IV – a concepção do Distrito Federal que pressupõe
constitucional, mediante lei específica para área incluída no limitada extensão territorial como espaço modelar;
plano diretor, exigir, nos termos do estatuto da cidade (Lei V – a superação da disparidade sociocultural e econô‑
Federal n. 10.257/2001), do proprietário do solo urbano não mica existente entre as Regiões Administrativas;
edificado, subutilizado ou não utilizado, que ele promova
seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de: VI – a concepção do Distrito Federal como polo cien‑
I – parcelamento ou edificação compulsórios; tífico, tecnológico e cultural;
II – imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana VII – a defesa do meio ambiente e dos recursos natu‑
progressivo no tempo; rais, em harmonia com a implantação e expansão das ativi‑
III – desapropriação com pagamento mediante títulos
da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo dades econômicas, urbanas e rurais;
Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em VIII – a necessidade de elevar progressivamente os
parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real padrões de qualidade de vida de sua população;
da indenização e os juros legais.
IX – a condição do trabalhador como fator preponde‑
rante da produção de riquezas;
Art. 164. As ações de integração com a região do
X – a participação da sociedade civil, por meio de
entorno do Distrito Federal são constituídas pelo conjunto
mecanismos democráticos, no processo de planejamento;
de políticas para o desenvolvimento das áreas do entorno,
XI – a articulação e integração dos diferentes níveis de
com vistas a integração e harmonia com o Distrito Fede‑
governo e das respectivas entidades administrativas;
ral, em regime de corresponsabilidade com as unidades
XII – a adoção de políticas que viabilizem a geração
da Federação às quais pertencem, preservada a autonomia
de empregos e o aumento da renda.
administrativa e financeira das unidades envolvidas.
§3º O plano de desenvolvimento econômico e social do
Art. 165. O plano de desenvolvimento econômico‑
Distrito Federal será encaminhado pelo Poder Executivo,
-social do Distrito Federal é o instrumento que estabelece
no primeiro ano de mandato do Governador, até dois meses
as diretrizes gerais, define os objetivos e políticas globais e
e meio após sua posse, e devolvido pelo Legislativo para
setoriais que orientarão a ação governamental para a pro‑
moção do desenvolvimento socioeconômico do Distrito sanção até dois meses antes do encerramento do primeiro
Federal, no período de quatro anos. período da sessão legislativa.

COMENTÁRIO:
COMENTÁRIO:

O Plano de Desenvolvimento Econômico e Social é lei de


O Plano de Desenvolvimento Econômico e Social estabelece iniciativa do Governador com prazo fixado de entrega do
um conjunto de ações que objetivam uma maior integração respectivo projeto e da análise pela Câmara Legislativa.
social, melhoria na qualidade de vida, desenvolvimento sus‑ Prazo de entrega do projeto ao Legislativo: até dois meses e
tentável e erradicação das desigualdades como um todo. São
meio após a posse do Governador, cujo termo inicial é 1º de
sempre estabelecidas agendas sociais e econômicas nesses
janeiro do primeiro ano de seu mandato. Logo, o governador
planos visando à consecução de objetivos nele traçados, fun‑
teria, ordinariamente, até 15 de março para encaminhá-lo.
damentando-se em iniciativas estruturadoras da ação gover‑
Prazo de devolução do projeto aprovado para sanção: o pro‑
namental.
jeto deve ter sido deliberado e encaminhado ao Governador
até 30 de abril.
§1º O plano mencionado no caput será proposto pelo
Poder Executivo, no primeiro ano do mandato do Governa‑ Art. 166. O plano plurianual, a ser aprovado em lei, é
dor, e aprovado em lei, observadas as seguintes premissas: instrumento básico que detalha diretrizes, objetivos e metas
I – as demandas da sociedade civil e os planos e polí‑ quantificadas física e financeiramente, para as despesas de
ticas econômicas e sociais de instituições não governamen‑ capital e outras delas decorrentes, bem como para as relati‑
tais que condicionem o planejamento governamental; vas a programas de duração continuada.

75
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
Parágrafo único. O plano plurianual será elaborado em COMENTÁRIO:
consonância com o plano de desenvolvimento econômico e
social, para o período de quatro anos, incluído o primeiro O Orçamento Anual é lei de iniciativa do Chefe do Executivo,
ano da administração subsequente. respeitadas as metas e prioridades previstas nas demais leis
orçamentárias. Contém a autorização legislativa para a con‑
COMENTÁRIO: cretização das receitas e despesas para um ano financeiro.
O projeto de lei orçamentária para o exercício seguinte será
encaminhado até três meses e meio antes do encerramento
O Plano Plurianual é uma lei de vigência quadrienal, cujo do exercício financeiro em curso e devolvido para sanção até
projeto é de iniciativa do Chefe do Executivo. Deve conter o encerramento do segundo período da sessão legislativa.
diretrizes (políticas), objetivos e metas (quantificação dos
objetivos) para as despesas de capital e outras delas deriva‑
das, bem como para aquelas oriundas de programas de dura‑ Art. 170. O processo de planejamento do desenvolvi‑
ção continuada. mento do Distrito Federal atenderá aos princípios da parti‑
São despesas de capital as realizadas com a finalidade de
formar e/ou adquirir ativos reais, abrangendo, entre outras
cipação, da coordenação, da integração e da continuidade
ações, o planejamento e a execução de obras, a compra de das ações governamentais.
instalações, equipamentos, material permanente, títulos Parágrafo único. As definições consequentes do pro‑
representativos do capital de empresas ou entidades de qual‑
quer natureza, bem como as amortizações de dívida e con‑ cesso de planejamento governamental são determinativas
cessões de empréstimos. para o setor público e indicativas para o setor privado.
Conforme o art. 150, o projeto que institui o PPA deve ser Art. 171. A lei disporá sobre a implementação e per‑
enviado pelo Governador, no primeiro ano de seu mandato,
no máximo, dois meses e meio após sua posse, e devolvido manente atualização de sistema de informações capaz de
pelo Legislativo, para sanção do Governador, até dois meses apoiar as atividades de planejamento, execução e avaliação
antes do encerramento do primeiro período da sessão legis‑ das ações governamentais.
lativa.
Art. 172. Poderão ser concedidos a empresas situadas
Art. 167. O plano anual de Governo é instrumento no Distrito Federal incentivos e benefícios, na forma da lei:
básico que estabelece os objetivos, diretrizes e políticas que I – especiais e temporários, para desenvolver ativida‑
orientarão a ação governamental para o exercício subse‑ des consideradas estratégicas e imprescindíveis ao desen‑
quente e serve de base para elaboração das diretrizes orça‑ volvimento econômico e social do Distrito Federal;
mentárias. II – prioritários para as empresas que em seus estatutos
Art. 168. A lei de diretrizes orçamentárias é instru‑ estabeleçam a participação dos empregados em sua gestão
mento básico que compreende as metas e prioridades da e resultados;
administração pública do Distrito Federal para o exercício III – para prestar assistência tecnológica e gerencial e
subsequente e deverá:
estimular o desenvolvimento e transferência de tecnologia
I – dispor sobre as alterações da legislação tributária;
a atividades econômicas públicas e privadas, propiciando:
II – estabelecer a política de aplicação das agências
financeiras oficiais de fomento; a) acesso às conquistas da ciência e tecnologia por
III – servir de base para a elaboração da lei orçamen‑ quantos exerçam atividades ligadas à produção e ao con‑
tária anual; sumo de bens;
IV – ser proposta pelo Executivo e aprovada pelo b) estímulo à integração das atividades de produção,
Legislativo. serviços, pesquisa e ensino;
c) incentivo a novas empresas que invistam em seu ter‑
COMENTÁRIO: ritório com alta tecnologia e alta produtividade.
Art. 173. O agente econômico inscrito na dívida ativa
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é criada anual‑ junto ao fisco do Distrito Federal, ou em débito com o sis‑
mente a partir de projeto subscrito pelo Chefe do Poder Exe‑
tema de seguridade social, conforme estabelecido em lei,
cutivo, com fundamento nas normas do plano plurianual.
Sua finalidade é estabelecer metas e prioridades para o exer‑ não poderá contratar com o Poder Público nem dele receber
cício financeiro seguinte ao de sua publicação e fixar prazo benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.
para os demais órgãos que gozem de autonomia financeira
para encaminhamento de suas propostas parciais a serem
Art. 174. A lei e as políticas governamentais apoiarão
futuramente consolidadas em uma única, que estará contida e estimularão atividades econômicas exercidas sob a forma
no projeto de lei de orçamento anual. O projeto de LDO deve de cooperativa e associação.
ser encaminhado, pelo Governador, à CLDF, até sete meses e
meio antes do encerramento do exercício financeiro e devol‑ Art. 175. O Poder Público do Distrito Federal dará tra‑
vido para a sanção até o encerramento do primeiro período tamento favorecido a empresas sediadas em seu território e
da sessão legislativa. dispensará às microempresas e empresas de pequeno porte,
definidas em lei, tratamento jurídico diferenciado, com
Art. 169. O orçamento anual é instrumento básico de vistas a incentivá-las por meio da simplificação, redução ou
detalhamento financeiro das receitas e das despesas para eliminação de suas obrigações administrativas, tributárias
o exercício subsequente ao de sua aprovação, na forma ou creditícias, na forma da lei.
da lei.

76
D e n i s e V a r g a s
CAPÍTULO II Art. 179. O Distrito Federal propiciará a criação de
DA INDÚSTRIA E DO TURISMO cooperativa e associação que objetivem:
I – integração e coordenação entre produção e comer‑
Seção I cialização;
Da Política Industrial II – redução dos custos de produção e comercialização;
III – integração social.
Art. 176. A política industrial, respeitados os preceitos Art. 180. O Poder Público direcionará esforços para
do plano de desenvolvimento econômico e social, será pla‑ fortalecer especialmente os segmentos do setor industrial
nejada e executada pelo Poder Público conforme diretrizes de micro, pequeno e médio porte, por meio de ação con‑
gerais fixadas em lei, tendo por objetivo, entre outros: centrada nas áreas de capacitação empresarial, gerencial e
I – preservar o meio ambiente e os níveis de qualidade tecnológica e na de organização da produção.
de vida da população do Distrito Federal, mediante defini‑ Art. 181. O Poder Público estimulará a formação do
ção de critérios e padrões para implantação e operação de perfil industrial das empresas localizadas em cada região.
indústrias e mediante estímulo principalmente a instalação
de indústrias com menor impacto ambiental;
II – promover e estimular empreendimentos indus‑ COMENTÁRIO:
triais que se proponham a utilizar, racional e prioritaria‑
mente, recursos e matérias-primas disponíveis no Distrito Essa norma reproduz o comando constitucional (Art. 180,
Federal ou áreas adjacentes; CF) em que a União, os Estados, o Distrito Federal e os
III – propiciar a implantação de indústrias, particular‑ Municípios promoverão e incentivarão o turismo como fator
mente as de tecnologia de ponta, compatíveis com o meio de desenvolvimento social e econômico.
ambiente e com os recursos disponíveis no Distrito Federal
e áreas adjacentes; Seção IV
IV – promover a integração econômica do Distrito Do Turismo
Federal com a região do entorno, mediante apoio e incen‑
tivo a projetos industriais que estimulem maior concentra‑ Art. 182. O Poder Público promoverá e incentivará o
ção de atividades existentes e complementaridade na eco‑ turismo como fator de desenvolvimento socioeconômico e
nomia regional; de afirmação dos valores culturais e históricos nacionais e
V – estimular a implantação de indústrias que permi‑ locais.
tam adequada absorção de mão de obra no Distrito Federal Art. 183. Cabe ao Distrito Federal, observada a legis‑
e geração de novos empregos. lação federal, definir a política de turismo, suas diretrizes e
Parágrafo único. O Poder Público adotará mecanismos ações, devendo:
de participação da sociedade civil na definição, execução e I – adotar, por meio de lei, planejamento integrado e
acompanhamento da política industrial. permanente de desenvolvimento do turismo em seu terri‑
tório;
Seção II II – desenvolver efetiva infraestrutura turística;
Da Implantação de Polos Industriais no III – promover, no Brasil e no exterior, o turismo do
Distrito Federal Distrito Federal;
IV – incrementar a atração e geração de eventos turís‑
Art. 177. O Poder Público estimulará: ticos;
I – a criação de polos industriais de alta tecnologia, V – regulamentar o uso, ocupação e fruição de bens
privilegiados os projetos que promovam a desconcentração naturais e culturais de interesse turístico;
espacial da atividade industrial e da renda, respeitadas as VI – proteger o patrimônio ecológico, histórico e cul‑
vocações culturais e as vantagens comparativas de cada tural;
região; VII – promover Brasília como Patrimônio Cultural da
II – a criação de polos agroindustriais, respeitadas as Humanidade;
diretrizes do planejamento agrícola. VIII – conscientizar a população da necessidade de
Parágrafo único. Todo projeto industrial com potencial preservação dos recursos naturais e do turismo como ativi‑
poluidor, a critério do órgão ambiental do Distrito Federal, dade econômica e fator de desenvolvimento social;
será objeto de licenciamento ambiental. IX – incentivar a formação de pessoal especializado
para o setor.
Seção III
Dos Incentivos e Estímulos à Industrialização no CAPÍTULO III
Distrito Federal DO COMÉRCIO E DOS SERVIÇOS

Art. 178. A lei poderá, sem prejuízo do disposto no Art. 184. O Poder Público regulará as atividades
art. 131, conceder incentivos fiscais, creditícios e financei‑ comerciais e de serviços no Distrito Federal, na forma da lei.
ros, para implantação de empresas industriais considera‑ Art. 185. O Poder Executivo organizará o sistema de
das prioritárias pela política de industrialização no Distrito abastecimento do Distrito Federal, de forma coordenada
Federal. com a União.

77
L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
Art. 186. Cabe ao Poder Público do Distrito Federal, – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ainda
na forma da lei, a prestação dos serviços públicos, direta‑ fixou prazo ao Legislativo para a aprovação de Lei agrícola
a ser promulgada no prazo de um ano, a fim de dispor, nos
mente ou sob regime de concessão ou permissão, e sempre termos da Constituição, sobre os objetivos e instrumentos
por meio de licitação, observado o seguinte: de política agrícola, prioridades, planejamento de safras,
I – a delegação de prestação de serviços a pessoa física comercialização, abastecimento interno, mercado externo e
ou jurídica de direito privado far-se-á mediante comprova‑ instituição de crédito fundiário.
ção técnica e econômica de sua necessidade, e de lei auto‑
rizativa; Art. 189. O Poder Público criará estímulos a agri‑
II – os serviços concedidos ou permitidos ficam sujei‑ cultura, abastecimento alimentar e defesa dos consumido‑
tos a fiscalização do poder público, sendo suspensos quando res, por meio de fomento e política de crédito favorecida a
não atendam, satisfatoriamente, às finalidades ou às condi‑ micro, pequenos e médios produtores.
ções do contrato; Parágrafo único. Dar-se-á preferência a aquisição de
III – é vedado ao Poder Público subsidiar os serviços produtos locais, na formação de estoques reguladores.
prestados por pessoas físicas e jurídicas de direito privado; Art. 190. O Governo do Distrito Federal manterá esto‑
IV – depende de autorização legislativa a prestação de ques reguladores e estratégicos de alimentos, na forma da lei.
serviços da atividade permanente da administração pública Art. 191. São atribuições do Poder Público, entre outras:
por terceiros; I – criar estímulos a micro, pequeno e médio produto‑
V – a obrigatoriedade do cumprimento dos encargos e res rurais e suas organizações cooperativas para melhorar
normas trabalhistas, bem como das de higiene e segurança as condições de armazenagem, processamento, embalagem,
de trabalho, deve figurar em cláusulas de contratos a ser com redução de perdas ao nível comunitário e de estabele‑
executados pelas prestadoras de serviços públicos. cimento rural;
Art. 187. A política de comércio e serviços terá por II – apoiar a organização dos pequenos varejistas e fei‑
objetivo promover o desenvolvimento e a integração do
rantes, de modo a compatibilizar sua atuação com as comu‑
Distrito Federal com a região do entorno e estimular empre‑
nidades, organizações de produtores rurais e atacadistas;
endimentos comerciais e de serviços que permitam a gera‑
III – estimular a criação de pequenas agroindústrias
ção de novos empregos.
alimentares, especialmente de forma cooperativa, aprovei‑
CAPÍTULO IV tando os excedentes de produção e outros recursos disponí‑
DA AGRICULTURA E DO ABASTECIMENTO veis, com vistas ao suprimento das necessidades da popula‑
ção do Distrito Federal;
Art. 188. A atividade agrícola no Distrito Federal será IV – estimular a integração do programa de merenda
exercida, planejada e estimulada, com os seguintes objetivos: escolar com a produção local, com prioridade para micro,
I – cumprimento da função social da propriedade; pequenos e médios produtores rurais e suas cooperativas;
II – compatibilização das ações de política agrícola V – desenvolver programas alimentares específicos
com as de reforma agrária definidas pela União; dirigidos aos grupos sociais mais vulneráveis como idosos,
III – aumento da produção de alimentos e da produti‑ gestantes, portadores de deficiência, desempregados e
vidade, para melhor atender ao mercado interno do Distrito menores carentes;
Federal; VI – instituir mecanismos que estimulem o trabalho
IV – geração de emprego; de plantio individual, coletivo ou cooperativo de produtos
V – organização do abastecimento alimentar, com básicos, especialmente hortigranjeiros;
prioridade para o acesso da população de baixa renda aos VII – manter serviços de inspeção e fiscalização, arti‑
produtos básicos; culados com o setor privado, com prioridade para os produ‑
VI – apoio ao micro, pequeno e médio produtores rurais tos alimentares;
e suas formas cooperativas e associativas de produção, arma‑ VIII – promover a defesa e a proteção do consumidor e
zenamento, comercialização e aquisição de insumos; fiscalizar os produtos em sua fase de comercialização, auxi‑
VII – orientação do desenvolvimento rural; liando os consumidores organizados e orientando a popula‑
VIII – complementaridade das ações de planejamento ção quanto a preços, qualidade dos alimentos e ações espe‑
e execução dos serviços públicos de responsabilidade da
cíficas de educação alimentar;
União e do Distrito Federal;
IX – fiscalizar o uso de agrotóxicos e incentivar o emprego
IX – definição das bacias hidrográficas como unidades
de produtos alternativos de controle de pragas e doenças;
básicas de planejamento do uso, conservação e recuperação
dos recursos naturais; X – promover a formação e aperfeiçoamento dos recur‑
X – integração do planejamento agrícola com os sos humanos em agricultura e abastecimento;
demais setores da economia. XI – manter serviço de pesquisa e difusão de tecnolo‑
gias agropecuárias, voltadas para as peculiaridades do Dis‑
trito Federal.
COMENTÁRIO:
Art. 192. Os recursos da política agrícola regional,
inclusive os do crédito rural, serviços, subsídios, apoio e
Fomentar a produção agropecuária e organizar o abasteci‑
mento alimentar são atribuições comuns entre a União e o assistência do Poder Público, serão destinados prioritaria‑
DF, por disposição expressa do art. 23, VIII, CF. O ADCT mente a micro, pequenos e médios produtores rurais e suas

78
D e n i s e V a r g a s
organizações associativas ou cooperativas, bem como para §3º O Distrito Federal garantirá o acesso às informa‑
o abastecimento de produtos alimentares indispensáveis ao ções geradas, coletadas e armazenadas em todos os órgãos
consumo do Distrito Federal. públicos ou em entidades e empresas em que tenha partici‑
pação majoritária, na forma da lei.
CAPÍTULO V §4º A implantação e expansão de sistemas tecnológi‑
DA CIÊNCIA E DA TECNOLOGIA cos de impacto social, econômico ou ambiental devem ter
prévia anuência do Conselho de Ciência e Tecnologia, na
Art. 193. O Distrito Federal, em colaboração com as forma da lei.
instituições de ensino e pesquisa e com a União, os Estados Art. 195. O Poder Público instituirá e manterá Funda‑
e a sociedade, reafirmando sua vocação de polo científico, ção de Apoio à Pesquisa – FAPDF, atribuindo-lhe dotação
tecnológico e cultural, promoverá o desenvolvimento téc‑ mínima de 0,5% (cinco décimos por cento) da receita cor‑
nico, científico e a capacitação tecnológica, em especial por rente líquida do Distrito Federal, que lhe será transferida
meio de: mensalmente, em duodécimos, como renda de sua privativa
I – prioridade às pesquisas científicas e tecnológicas administração, para aplicação no desenvolvimento cientí‑
voltadas para o desenvolvimento do sistema produtivo do fico e tecnológico. (Artigo com a redação da Emenda à Lei
Distrito Federal, em consonância com a defesa do meio Orgânica n. 54, de 2009.)59
ambiente e dos direitos fundamentais do cidadão;
II – formação e aperfeiçoamento de recursos humanos COMENTÁRIO:
para o sistema de ciência e tecnologia do Distrito Federal;
III – produção, absorção e difusão do conhecimento
O Artigo 195 ganhou nova redação, por conta da ELODF
científico e tecnológico; 54/2009, para vincular parte da receita orçamentária do DF
IV – orientação para o uso do sistema de propriedade em uma instituição pública de pesquisa distrital. Em regra,
industrial e processos de transferência tecnológica. a CF veda a vinculação de receitas a órgãos ou fundos, salvo
nos casos por ela previstos. Um desses casos é justamente
o de vinculação de verba orçamentária às entidades públi‑
COMENTÁRIO: cas de ensino e pesquisa, como se infere do art. 218, §5º da
CF: “É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular
parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de
É competência comum entre União e DF proporcionar os fomento ao ensino e à pesquisa científica e tecnológica”.
meios de acesso à cultura, à educação e à ciência (CF, art.
23, V). É dever constitucional do Poder Público promover
e incentivar o desenvolvimento científico, a pesquisa e a Art. 196. O Poder Público apoiará e estimulará ins‑
capacitação tecnológicas, com fulcro nos princípios esta‑ tituições e empresas que propiciem investimentos em pes‑
belecidos nos arts. 218 e 219 da Constituição Federal, que quisa e tecnologia, bem como estimulará a integração das
determinam : a pesquisa científica básica receberá trata‑
mento prioritário do Estado, tendo em vista o bem público atividades de produção, serviços, pesquisa e ensino, na
e o progresso das ciências. Já a pesquisa tecnológica forma da lei.
voltar-se-á preponderantemente para a solução dos proble‑ Parágrafo único. A lei definirá benefícios a empresas
mas brasileiros e para o desenvolvimento do sistema produ‑ que propiciem pesquisas tecnológicas e desenvolvimento
tivo nacional e regional.
Para fomentar a pesquisa nacional, é ordem constitucional
experimental no âmbito da medicina preventiva e terapêu‑
o apoio e o estímulo às empresas que invistam em pesquisa, tica e produzam equipamentos especializados destinados
criação de tecnologia adequada ao País, formação e aper‑ ao portador de deficiência.
feiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sis‑ Art. 197. O Distrito Federal criará, junto a cada polo
temas de remuneração que assegurem ao empregado, des‑
vinculada do salário, participação nos ganhos econômicos
industrial ou em setores da economia, núcleos de apoio tec‑
resultantes da produtividade de seu trabalho. Para atender nológico e gerencial, que estimularão:
a esse comando, restou facultado aos Estados e ao Distrito I – a modernização das empresas;
Federal vincular parcela de sua receita orçamentária a enti‑ II – a melhoria da qualidade dos produtos;
dades públicas de fomento ao ensino e à pesquisa científica
e tecnológica.
III – o aumento da produtividade;
IV – o aumento do poder competitivo;
Art. 194. O plano de ciência e tecnologia do Distrito V – a capacitação, difusão e transferência de tecnologia.
Federal estabelecerá prioridades e objetivos para o desen‑ Art. 198. O Distrito Federal celebrará convênios com
volvimento científico e tecnológico do Distrito Federal. as universidades públicas sediadas no Distrito Federal para
§1º As ações e programas empreendidos em confor‑ realização de estudos, pesquisas, projetos e desenvolvi‑
midade com o plano deverão ser compatíveis com as metas mento de sistemas e protótipos.
globais de desenvolvimento econômico e social do Distrito Art. 199. O Poder Público orientará gratuitamente
Federal. o encaminhamento de registro de patente de idéias e
invenções.
§2º A dotação orçamentária para instituições de pes‑
quisa do Distrito Federal será determinada de acordo com
59
Texto original: Art. 195. O Poder Público instituirá e manterá Fundação de
Apoio a Pesquisa – FAPDF, atribuindo-lhe dotação mínima de dois por cento da
as diretrizes e prioridades estabelecidas no plano de ciência receita orçamentária do Distrito Federal, que lhe será transferida mensalmente,
e tecnologia e constará da lei orçamentária anual. em duodécimos, como renda de sua privativa administração, para aplicação no
desenvolvimento científico e tecnológico.

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L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
TÍTULO VI COMENTÁRIO:
DA ORDEM SOCIAL E DO MEIO AMBIENTE
A requisição de bens particulares tem seu regime deline‑
CAPÍTULO I ado na Constituição Política de 1988 que, em seu art. 5º,
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS XXV, autoriza o Poder Público, em caso de iminente perigo
público, a se utilizar da propriedade privada, sem o prejuízo
ulterior de indenizar o particular se houver dano.
COMENTÁRIO:
Art. 203. A seguridade social compreende o conjunto
O Capítulo II do Título II da CF dispõe sobre os direitos de ações de iniciativa do Poder Público e da sociedade, des‑
sociais. O Título VIII da Carta Magna regulamenta a ordem tinadas a assegurar os direitos referentes a saúde, previdên‑
social. Esse tema está umbilicalmente relacionado com o
fundamento adotado na Constituição brasileira e um valor cia e assistência social.
fundamental da Lei Orgânica do DF: valores sociais do tra‑
balho e da livre iniciativa. Portanto, o presente Título VI
da LODF não pode ser analisado com as necessárias asso‑
COMENTÁRIO:
ciações aos dispositivos constitucionais. Esse título, junta‑
mente com os direitos e garantias fundamentais, constitui É mister relembrar que compete à União legislar privativa‑
o núcleo substancial do regime democrático instituído, con‑ mente sobre seguridade social, conforme expressa previsão
forme assevera José Afonso da Silva. constitucional (art. 22, XXIII, CF). O art. 203 da LODF
trata-se de reprodução textual do art. 194 da CF. Constitui‑
Art. 200. A ordem social tem como base o primado -se em norma cristalina que conceitua a seguridade social,
consubstanciada em um conjunto integrado de ações públi‑
do trabalho e como objetivo o bem-estar e a justiça sociais. cas e privadas, cuja finalidade é garantir o direito à saúde,
previdência e assistência social.
COMENTÁRIO: Os direitos à saúde e assistência social são destinados a
todos, independentemente de contribuição ao Poder Público,
ao passo que os benefícios previdenciários pressupõem uma
Esse artigo é mera reprodução textual do disposto no art. 193 filiação à previdência com a necessária contribuição perió‑
da CF. Assim, verifica-se que o trabalho é o valor supremo dica para fazer jus às vantagens.
a qualquer outro de ordem econômica, pois é por seu inter‑
médio que o homem alcança a sua dignidade e sua sobrevi‑
vência. Ademais, todas as relações socioeconômicas devem §1º O dever do Poder Público não exclui o das pessoas,
objetivar a promoção do bem-estar e da justiça social, que da família, das empresas e da sociedade.
contém valores como igualdade material, higidez espiritual, §2º O Distrito Federal promoverá, nos termos da lei, o
intelectual etc.
planejamento e o desenvolvimento de ações baseadas nos obje‑
tivos previstos nos arts. 194 e 195 da Constituição Federal.
Art. 201. O Distrito Federal, em ação integrada com
§3º Nenhum benefício ou serviço da seguridade social
a União, assegurará os direitos relativos à educação, saúde,
poderá ser criado, majorado ou estendido sem a correspon‑
segurança pública, alimentação, cultura, assistência social,
dente fonte de custeio total.
meio ambiente equilibrado, lazer e desporto.

COMENTÁRIO: COMENTÁRIO:

O art. 23 da Carta Magna trata das competências materiais O parágrafo em epígrafe estabelece a vedação de conces‑
comuns entre União, Estados, DF e Municípios. Nesse dis‑ são de benefícios ou a prestação de serviços da Seguridade
positivo constitucional, está determinada a competência Social sem a respectiva fonte de custeio e é norma que repro‑
comum entre todos esses entes políticos para proporciona‑ duz literalmente o art. 195, §5º, da CF.
rem os meios de acesso à cultura, à educação e à ciência; pro‑ Esse mesmo artigo da CF determina, em seu §2º, que a pro‑
teger o meio ambiente; fomentar a produção agropecuária e posta de orçamento da Seguridade Social será elaborada de
organizar o abastecimento alimentar; promover programas forma integrada pelos órgãos responsáveis pela saúde, pre‑
de construção de moradia; combater as causas da pobreza e vidência e assistência social, tendo em vista metas e prio‑
da marginalização, mediante a integração social dos setores ridades estabelecidas na Lei de Diretrizes Orçamentárias,
desfavorecidos. Como se infere do dispositivo em tela, todos assegurada a cada área a gestão de seus recursos.
os entes políticos devem realizar os direitos sociais mediante
cooperação técnica, que inclusive teve seu regime consti‑
tucional modificado pela Emenda Constitucional n. 53, de CAPÍTULO II
dezembro de 2006, que alterou a redação do parágrafo único DA SAÚDE
do art. 23 da CF, in verbis: “Parágrafo único. Leis comple‑
mentares fixarão normas para a cooperação entre a União Art. 204. A saúde é direito de todos e dever do Estado,
e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, tendo em
vista o equilíbrio do desenvolvimento e do bem-estar em assegurado mediante políticas sociais, econômicas e
âmbito nacional”. ambientais que visem:
I – ao bem-estar físico, mental e social do indivíduo
Art. 202. Compete ao Poder Público, em caso de imi‑ e da coletividade, à redução do risco de doenças e outros
nente perigo ou calamidade pública, prover o atendimento agravos;
das necessidades coletivas urgentes e transitórias, podendo II – ao acesso universal e igualitário às ações e servi‑
para este fim, requisitar propriedade particular, observado ços de saúde, para sua promoção, prevenção, recuperação e
o disposto na Constituição Federal. reabilitação.

80
D e n i s e V a r g a s
COMENTÁRIO: §4º Os gestores locais do sistema único de saúde
poderão admitir agentes comunitários de saúde e agentes de
combate às endemias por meio de processo seletivo público,
A saúde decorre do direito fundamental à vida e do princí‑ de acordo com a natureza e complexidade de suas atribui‑
pio da dignidade da pessoa humana, insculpidos na CF. O ções e requisitos específicos para sua atuação. (Incluído pela
caput e os incisos I e II do art. 204, em epígrafe, são normas Emenda Constitucional n. 51, de 2006).
de reprodução literal do art. 196 da CF. O direito à saúde
tem conteúdo dual, como anotam Canotilho e Vital Moreira,
pois pode ser enxergado sob o prisma negativo que “consiste §2º Lei disporá sobre o regime jurídico e a regula‑
no direito de exigir do Estado (ou de terceiros) que se abs‑ mentação das atividades de agente comunitário de saúde e
tenham de qualquer acto que prejudique a saúde; outra, de
natureza positiva, que significa o direito às medidas e pres‑ agente de combate às endemias. (Parágrafo acrescido pela
tações estaduais visando à prevenção das doenças e o trata‑ Emenda à Lei Orgânica n. 53, de 2008.)
mento delas”.
Embora o direito à saúde seja, em essência, de caráter pro‑
gramático, é mister recordar que a Constituição Federal COMENTÁRIO:
autoriza a União a intervir no DF e nos Estados-Membros se
não houver aplicação mínima de verbas públicas resultantes
de impostos nos serviços de saúde e educação (art. 34, VII), O §2º desse dispositivo em comento deve ser interpretado
pois a não aplicação mínima de recursos nessas áreas viola à luz da EC 63/2010, que modificou a redação do §5º, do
um dos princípios constitucionais sensíveis. art. 198 da CF. Esse dispositivo constitucional estabelece,
a partir da EC 63, que o regime jurídico, o piso salarial e as
diretrizes do plano de carreira desses agentes comunitários
§1º A saúde expressa a organização social e econômica de saúde depende de lei federal, in verbis:
e tem como condicionantes e determinantes, entre outros, Lei federal disporá sobre o regime jurídico, o piso
o trabalho, a renda, a alimentação, o saneamento, o meio salarial profissional nacional, as diretrizes para os Planos de
Carreira e a regulamentação das atividades de agente comu‑
ambiente, a habitação, o transporte, o lazer, a liberdade, a
nitário de saúde e agente de combate às endemias, compe‑
educação, o acesso e a utilização agroecológica da terra. tindo à União, nos termos da lei, prestar assistência financeira
§2º As ações e serviços de saúde são de relevância complementar aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municí‑
pública, e cabe ao Poder Público sua normatização, regu‑ pios, para o cumprimento do referido piso salarial. (Redação
lamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução dada pela Emenda Constitucional n. 63, de 2010)
ser feita, preferencialmente, por meio de serviços públicos
e, complementarmente, por intermédio de pessoas físicas §3º Além das hipóteses previstas no art. 41, §1º, e no
ou jurídicas de direito privado, nos termos da lei. art. 169, §4º, da Constituição Federal, o servidor que exerça
Art. 205. As ações e serviços públicos de saúde inte‑ funções equivalentes às de agente comunitário de saúde ou
gram uma rede única e hierarquizada, constituindo o Sis‑ de agente de combate às endemias poderá perder o cargo
tema Único de Saúde — SUS, no âmbito do Distrito Fede‑ em caso de descumprimento dos requisitos específicos fixa‑
ral, organizado nos termos da lei federal, obedecidas as dos em lei para o seu exercício. (Parágrafo acrescido pela
seguintes diretrizes: Emenda à Lei Orgânica n. 53, de 2008.)
I – atendimento integral ao indivíduo, com prioridade
para atividades preventivas, sem prejuízo dos serviços
COMENTÁRIO:
assistenciais;
II – descentralização administrativa da rede de servi‑
ços de saúde para as Regiões Administrativas; Esse parágrafo não existia na LODF e foi adicionado pela
ELODF 53/2008 para atualizá-lo em face da EC 51/2006,
III – participação da comunidade; que acrescentou ao art. 198 da CF o §6º com idêntica redação
IV – direito do indivíduo à informação sobre sua saúde desse §3º em comento.
e a da coletividade, as formas de tratamento, os riscos a que
está exposto e os métodos de controle existentes; Art. 206. A assistência à saúde é livre à iniciativa pri‑
V – gratuidade da assistência à saúde no âmbito do vada.
SUS; §1º As instituições privadas poderão participar, de
VI – integração dos serviços que executem ações pre‑
forma complementar, do Sistema Único de Saúde, segundo
ventivas e curativas adequadas às realidades epidemiológicas.
diretrizes deste, mediante contrato de direito público ou
§1º Os gestores do Sistema Único de Saúde poderão
convênio, concedida preferência às entidades filantrópicas
admitir agentes comunitários de saúde e agentes de com‑
e às sem fins lucrativos.
bate às endemias por meio de processo seletivo público, de
§2º É vedada a participação direta ou indireta de
acordo com a natureza e a complexidade de suas atribuições
empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde do
e requisitos específicos para sua atuação. (Parágrafo acres‑
Distrito Federal, salvo nos casos previstos em lei federal.
cido pela Emenda à Lei Orgânica n. 53, de 2008.)
§3º É vedada a destinação de recursos públicos do Dis‑
trito Federal para auxílio, subvenções, juros e prazos privi‑
COMENTÁRIO: legiados a instituições privadas com fins lucrativos. (Pará‑
grafo com a redação da Emenda à Lei Orgânica n. 2, de
O artigo em comento foi acrescido do §1º em face da ELODF 1994.)60
n. 53/2008. Essa emenda veio atualizar a Lei Orgânica em
face de uma regra constitucional incluída pela EC 51/2006
60
Texto original: §3º É vedada a destinação de recursos públicos do Distrito Fede‑
ral para auxílio, subvenções, juros e prazos privilegiados a instituições privadas
ao art. 198, §4º da CF:
com fins lucrativos, bem como para serviços de saúde privativos de servidores.

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L e i O r g â n i c a d o D i s t r i t o F e d e r a l
§4º É vedada, nos serviços públicos de saúde, a con‑ XV – prestar assistência integral à saúde da mulher,
tratação de prestadores de serviço de empresas de caráter em todas as fases biológicas, bem como nos casos de aborto
privado, salvo nos casos previstos em lei. previsto em lei e de violência sexual, assegurado o aten‑
§5º É vedada a designação ou nomeação de proprietá‑ dimento nos serviços do Sistema Único de Saúde – SUS,
rios, administradores e dirigentes de entidades ou serviços mediante programas específicos;
privados de saúde para exercer cargo de chefia ou função de XVI – garantir o atendimento médico-geriátrico ao
confiança no Sistema Único de Saúde do Distrito Federal. idoso na rede de serviços públicos;
Art. 207. Compete ao Sistema Único de Saúde do Dis‑ XVII – orientar o planejamento familiar, de livre deci‑
trito Federal, além de outras atribuições estabelecidas em são do casal, garantido o acesso universal aos recursos edu‑
lei: cacionais e científicos e vedada qualquer forma de ação
I – identificar, intervir, controlar e avaliar os fatores coercitiva por parte de instituições públicas ou privadas;
determinantes e condicionantes da saúde individual e cole‑ XVIII – garantir o atendimento integral à saúde da
tiva; criança e do adolescente, por intermédio de equipe multi‑
II – formular política de saúde destinada a promover, disciplinar;
nos campos econômico e social, a observância do disposto XIX – executar a vigilância sanitária mediante ações
no art. 204; que eliminem, diminuam ou previnam riscos à saúde e
III – participar na formulação da política de ações de intervir nos problemas sanitários decorrentes da degrada‑
saneamento básico e de seu controle, integrando-as às ações
ção do meio ambiente, da produção e circulação de bens e
e serviços de saúde;
da prestação de serviços de interesse da saúde;
IV – prevenir os fatores determinantes das deficiên‑
XX – executar a vigilância epidemiológica, mediante
cias mental, sensorial e física, observados os aspectos de
ações que proporcionem o conhecimento, detecção ou pre‑
profilaxia;
venção dos fatores determinantes e condicionantes de saúde
V – oferecer assistência odontológica preventiva e de
coletiva ou individual, adotando medidas de prevenção e
recuperação;
controle das doenças ou agravos;
VI – participar na formulação e execução da política
de fiscalização e inspeção de alimentos, bem como do con‑ XXI – executar a vigilância alimentar e nutricional,
trole do seu teor nutricional; mediante ações destinadas ao conhecimento, detecção,
VII – formular política de recursos humanos na área controle e avaliação da situação alimentar e nutricional da
de saúde, garantidas as condições adequadas de trabalho a população, e reconhecer intervenções para prevenir ou eli‑
seus profissionais; minar riscos e sequelas originadas do consumo inadequado
VIII – promover e fomentar o desenvolvimento de de alimentos;
novas tecnologias, a produção de medicamentos, matérias‑ XXII – promover a educação alimentar e nutricional;
-primas, insumos e imunobiológicos por laboratórios ofi‑ XXIII – prestar assistência à saúde comunitária
ciais; mediante acompanhamento do doente em sua realidade
IX – promover e fomentar práticas alternativas de familiar, comunitária e social;
diagnósticos e terapêutica , de comprovada base científica, XXIV – prestar assistência farmacêutica e garantir o
entre outras, a homeopatia, acupuntura e fitoterapia; acesso da população aos medicamentos necessários à recu‑
X – participar da formulação da política e do controle peração de sua saúde;
das ações de preservação do meio ambiente, nele compre‑ XXV – executar o controle sanitário-fármaco-epide‑
endido o trabalho; miológico sobre estabelecimentos de dispensação e mani‑
XI – participar no controle e fiscalização da produção, pulação de medicamentos, drogas e insumos farmacêuticos
no transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos destinados ao uso e consumo humano.
psicoativos, tóxicos, mutagênicos, carcinogênicos, inclu‑ Art. 208. É dever do Poder Público garantir ao porta‑
sive radioativos; dor de deficiência os serviços de reabilitação nos hospitais,
XII – fiscalizar e controlar os expurgos, lixos, dejetos centros de saúde e centros de atendimento.
e esgotos hospitalares, industriais e de origem nociva, em Art. 209. Ao Poder Público, na forma da lei e no limite
conformidade com o art. 293, bem como participar na ela‑ das disponibilidades orçamentárias, compete:
boração das normas pertinentes; I – criar banco de órgãos e tecidos;
XIII – desenvolver o sistema público de coleta, proces‑ II – incentivar a instalação e o funcionamento de uni‑
samento e transfusão de sangue e seus derivados, vedado dades terapêuticas e educacionais para recuperação de usu‑
todo tipo de comercialização; ários de substâncias que gerem dependência física ou psí‑
XIV – garantir a assistência integral ao portador de quica;
qualquer doença infecto-contagiosa, inclusive ao porta‑ III – prover o atendimento médico e odontológico aos
dor do vírus da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida estudantes da rede pública, prioritariamente aos do ensino
–SIDA, assegurada a internação dos doentes nos serviços fundamental.
mantidos direta ou indiretamente pelo Sistema Único de Art. 210. Compete ao Poder Público incentivar e auxi‑
Saúde e vedada qualquer forma de discriminação por parte liar entidades filantrópicas de estudos, pesquisas e combate
de instituições públicas ou privadas; ao câncer e às doenças infectocontagiosas, na forma da lei.

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D e n i s e V a r g a s
Art. 211. É dever do Poder Público promover e restau‑ Art. 215. O Sistema Único de Saúde do Distrito Fede‑
rar a saúde psíquica do indivíduo, baseado no rigoroso res‑ ral contará, sem prejuízo das funções do Poder Legislativo,
peito aos direitos humanos e à cidadania, mediante serviços com três instâncias colegiadas e definidas na forma da lei:
de saúde preventivos, curativos e extra-hospitalares. I – a Conferência de Saúde;
§1º Fica vedado o uso de celas-fortes e outros procedi‑ II – o Conselho de Saúde;
mentos violentos e desumanos ao doente mental. III – os Conselhos Regionais de Saúde.
§2º A internação psiquiátrica compulsória, realizada §1º A Conferência de Saúde, órgão colegiado, com
pela equipe de saúde mental das emergências psiquiátricas representação de entidades governamentais e não governa‑
como último recurso, deverá ser comunicada aos familiares mentais e da sociedade civil, reunir-se-á a cada dois anos
e à Defensoria Pública. para avaliar e propor as diretrizes da política de saúde do
Distrito Federal, por convocação do Governador ou, extra‑
COMENTÁRIO: ordinariamente, por este ou pelo Conselho de Saúde, pela
maioria absoluta dos seus membros.
É cediço que o art. 21, XIII, CF, determina que compete à §2º O Conselho de Saúde, de caráter permanente e deli‑
União organizar e manter o Poder Judiciário, o Ministério berativo, órgão colegiado com representação do governo,
Público e a Defensoria Pública do Distrito Federal e dos prestadores de serviços, profissionais de saúde e usuários,
Territórios. O órgão local que pode prestar assistência jurí‑
atuará na formulação de estratégias e no controle de execu‑
dica gratuita aos juridicamente pobres, na forma da lei, é
um órgão criado pelo DF denominado de Ceajur – Centro de ção da política de saúde, inclusive nos aspectos econômicos
Assistência Jurídica. e financeiros, e terá suas decisões homologadas pelo Secre‑
tário de Saúde do Distrito Federal.
§3º Serão substituídos, gradativamente, os leitos psi‑ §3º Os Conselhos Regionais de Saúde, de caráter per‑
quiátricos manicomiais por recursos alternativos como a manente e deliberativo, órgãos colegiados, com represen‑
unidade psiquiátrica em hospital geral, hospitais-dia, hos‑ tação do governo, prestadores de serviços, profissionais de
pitais-noite, centros de convivência, lares abrigados, coope‑ saúde e usuários, atuarão na formulação, execução, controle
rativas e atendimentos ambulatoriais. e fiscalização da política de saúde, em cada Região Admi‑
§4º As emergências psiquiátricas deverão obrigatoria‑ nistrativa, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros,
mente compor as emergências dos hospitais gerais. e terão suas decisões homologadas pelo Diretor Regional
Art. 212. Compete ao Poder Público investir em pes‑ de Saúde.
quisa e produção de medicamentos e destinar-lhes recursos §4º A representação dos usuários na Conferência e
especiais, definidos anualmente no orçamento. nos Conselhos de Saúde será paritária com o conjunto dos
Art. 213. Cabe ao Distrito Federal, em coordenação demais segmentos.
com a União, desenvolver ações com vistas a promoção, §5º A composição, organização e normas de funciona‑
proteção, recuperação e reabilitação da saúde dos trabalha‑ mento dos órgãos a que se refere o caput serão definidas em
dores submetidos a riscos e agravos advindos das condições seus respectivos regimentos internos.
e processos de trabalho, incluídas, entre outras atividades:
I – a informação ao trabalhador, entidade sindical e
COMENTÁRIO:
empresa sobre:
a) riscos de acidentes do trabalho e de doenças profis‑
Instâncias do SUS/DF: o Sistema Único do Distrito Federal
sionais; é subdividido em três instâncias, conforme disposto no art.
b) resultados de fiscalização e avaliação ambiental; 215 em comento. São instâncias do SUS-DF: a Conferência
c) exames médicos de admissão, periódicos e de de Saúde, o Conselho de Saúde e os Conselhos Regionais
demissão; de Saúde.
II – a assistência a vítimas de acidentes do trabalho e
CONFERÊNCIA DE SAÚDE: a Conferência de Saúde é
portadores de doenças profissionais e do trabalho; órgão colegiado, periódico, com gestão tripartite:
III – a promoção regular de estudos e pesquisas sobre • Representação de entidades governamentais;
saúde do trabalhador; • Representação de entidades não governamentais;
IV – a proibição de exigência de atestado de esteriliza‑ • Representação da sociedade civil.
ção, de teste de gravidez e de anti-HIV como condição para
admissão ou permanência no emprego; As reuniões da Conferência de Saúde serão bienais e con‑
vocadas:
V – a intervenção com finalidade de interromper as • Ordinariamente: pelo Governador;
atividades em locais de trabalho comprovadamente insa‑ • Extraordinariamente: pelo Governador ou pela
lubres, de risco ou que tenham provocado graves danos à maioria absoluta do Conselho de Saúde.
saúde do trabalhador.
Art. 214. A política de recursos humanos para o SUS Instâncias do SUS/DF.
será, nos termos da lei federal, organizada e formalizada É atribuição da Conferência de Saúde:
articuladamente com as instituições governamentais de • Avaliar e propor as diretrizes da política de
ensino e de saúde, com aprovação pela Câmara Legislativa. saúde
O CONSELHO DE SAÚDE: é órgão deliberativo de natu‑
Parágrafo único. O plano de carreira da área de saúde reza permanente e colegiada, cujas decisões serão homolo‑
da administração pública direta, indireta e fundacional gadas pelo Secretário de Saúde do DF, possui gestão quadri‑
deverá garantir a admissão por concurso público. partite, com representantes:

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• Do governo; Art. 218. Compete ao Poder Público, na forma da lei e
• Prestadores de serviços;
por intermédio da Secretaria competente, coordenar, elabo‑
• Profissionais de saúde; e
• Usuários. rar e executar política de assistência social descentralizada
e articulada com órgãos públicos e entidades sociais sem
São atribuições do Conselho de Saúde: fins lucrativos, com vistas a assegurar especialmente:
• Formulação de estratégias;
• Controle de execução da política de saúde. I – apoio técnico e financeiro para programas de cará‑
ter socioeducativos desenvolvidos por entidades beneficen‑
OS CONSELHOS REGIONAIS DE SAÚDE: são órgãos que tes e de iniciativa de organizações comunitárias;
seguem os padrões do Conselho Regional de Saúde, suas
II – serviços assistenciais de proteção e defesa aos seg‑
decisões são homologadas pelo Diretor Regional de Saúde.
mentos da população de baixa renda como:
Art. 216. O Sistema Único de Saúde do Distrito Fede‑ a) alojamento e apoio técnico e social para mendigos,
ral será financiado com recursos do orçamento do Distrito gestantes, egressos de prisões ou de manicômios, portado‑
Federal e da União, além de outras fontes, na forma da lei. res de deficiência, migrantes e pessoas vítimas de violência
§1º As empresas privadas prestadoras de serviços de doméstica e prostituídas;
assistência médica,