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Economia e Constituição: para o conceito de Constituição Económica

Autor(es): Moreira, Vital


Publicado por: Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
URL URI:http://hdl.handle.net/10316.2/25912
persistente:
Accessed : 20-Feb-2018 11:19:16

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SUPLEMENTO AO BOLETIM DA FACULDADE DE DIREITO

VOLUME XIX
1 9 7 6

FACULDADE DE DIREITO
COIMBRA
BOLETIM DE CIÊNCIAS ECONÓMICAS
SUPLEMENTO AO BOLETIM DA FACULDADB DB DIREITO DE COIMBRA

Economia e Constituição
Para o Conceito de Con tituição Económica *

CAPíTULO V

CONSTITUIÇÃO ECONÓMICA
E CONSTITUIÇÃO POLÍTICA

1. Monismo e dualismo constitucional

O discurso precedente procurou estabelecer a possibi-


lidade do conceito de CE, delimitar os seus contornos,
aprofwldar o seu alcance teórico e aferir as suas virtuali-
dades no tratamento de alguns dos problemas de maior
importância da região económica da constituição. Mas
o discurso não pode dar-se por terminado sem se estender
a um problema (aliás já várias vezes referido) cuja impor-
tância resulta do seu próprio enunciado : se o conceito
de CE é necessário e possível, qual o seu lugar no campo
teórico deflnido pelo conceito de constituição? Qual
o estatuto do conceito de CE adentro do esquema concei-
tuaI existente? O conceito de CE pode integrar-se dentro
do de constituição, ou vem aparecer ao lado dele, ou
está-lhe hierarquicamente subordinado? CE: na consti-
tuição política, ao lado dela, ou abaixo dela?

* Conto no vol. XVIII.


1 - Boletim de Ciencias Ecooómicas - VoJ. XIX
2

A imp rtância deste cam.p pr blcmático deriva d


facto que a ua irres luçã p de levar até a reproblema-
tizar do conceit de E. Efectivamente, a quesk1:o de
saber se a CE é um c nceito paralelo e d mesmo carácter
e valor jurídico do de con tituiça política, ou se é não
mais do que uma regia o entre outras desta, ou se não
é apena um conceito infrac n titucional, agrava-se nas
uas dificuldade quando c tenham em c nta as sequelas
de cada uma des a las.
N primeiro caso haverá que e tabclecer e tatu to
das r laç -es mútua entre a dua c nstituições; no segundo
caso - aparentement mais simples -, haverá que
indagar das relaç-e entre a região económica e as outras
regiões da constituiçã : constituição «religi sa», consti-
tuiçã «cultural}), etc.' no t rceiro ca o haverá que fixar
o significado da superioridade hierárquica da constituição
«política» obre a CE (I).
São dois o pontos de vista a partir do quais se pode
discutir utilmente o problema: ou partir de um conceito
de con rituição (política) previamente determinado, com
o qual haverá de contrastar-se o de CE; ou partir do
conceito de CE, a que se chegou autonomamente, para
determinar o conceito de constituição (política) que pode
abrangê-lo - se é que isso tem interesse e é necessário.

(I) O grau de complexidade e não transparência do problema


demon tra-o a evolução de BALLER TEDT: num primeiro momento
inseriu a CE na constituição, como parte integrante da ordem consti-
tucional (tem aqui em conta o art. 2/I da Lei Fundamental de Borm)
do estado-de-direito-liberal-social (Mnssllalllllegeset::::e, 393 s); num
segundo momento colocou a CE ao lado da constituição política,
como conceito autónomo, embora unificando-o depoi a um nível
superior sob o conceito de fconstituição social- (WirtscllnftslJerfnSSll/lgsR ,
6); num terceiro momento recll ou as duas po ições anteriores ao negar
qualidade constitucional à CE, illtegrando-a na ordem jurídica infra-
-constitucional (Wirtschaftsverfassll/lg, 2571 s).
3

Seguindo a primeira via, e dando por aceite que


ao conceito de constituição é inerente a ideia de comunidade
ou de e trutura corporativamente organizada (2), somente
duas possibilidades estariam abertas ao conceito de CE: ou
como estatuto fundamental de uma comunidade econ6-
mica, ao lado da constituição da comunidade política (3), ou
como constituição de um domínio parcial-o econ6mico-
da comunidade política geral que se não esgota nele (4).
No primeiro caso, trata-se de uma constituição espe-
cial, aut6noma, independente da constituição política.
Mas, tal como esta, o conceito de CE s6 seria possível
se e quando a economia apresentasse uma estrutura comuni-
tária ou corporativa «semelhante à do estado»; somente
quando se possa reclamar de uma ainda que «longínqua
reminiscência jurídico-corporativa» é que a economia
pode chamar também a si o conceito de constituição (5).
E é esta mesma matriz conceitual que permite reunir os
dois conceitos independentes e aut6nomos num conceito
superior e superador de ambos (6).
No segundo caso, a CE é apenas uma parte da consti-
tuição, autonomizada dentro desta em virtude do objecto
a que se refere, do mesmo modo que o podem ser outras
regiões da constituição. CE será assim um conceito descri-
tivo, sem qualidade conceituaI diferente do de constituição:
é aquela parte da ordem jurídica fundamental de uma asso-

(2) efr. KRÜGER, Verfamwg, 72 ss; SCHMlDT-RlMPLER, Wirt-


schaftsR, 701a; ZACHER, WirtschaftslJerfassulIg, 76; infra n . o 4.
(3) Assim: BALLER TRDT, Wirtsc"aftslJerfassllngsR, passilll (4 ss.,
19 ss.); LEI NER, Crlllldrec"te, 182 s.
(4) Ne te sentido : BOHM (apud ZACHER, WirtscllOftslJerfassung, 76);
STRAU 5, WirtschaftslJerfaSS/lIlg, 7; c os autores referidos na nota (7).
(5) BALLRR TEDT, WirtschaftslJerfassllngsR, 5 ss; LEl5NER, Crund-
rec"te, 180, 184.
(6) Assim o conceito de . constituição social& de BALLER5TEDT,
(cfr. supra nota (1)).
4

ciaçao organizada em e tad que se refere à estrutura


econ' mica (7). P r i ,a e trutura e nómica é bjecto da
CE apenas na medida em que seja relevante para o estad .
Em qualquer d s casos c mo estatuto de uma c mu-
nidade económ.ica aut nomamente apr endida, ou como
tatuto regional do a pecto econ' mico da comunidade
política, a referência comunitária do constitucional é
preser ada. Contud, se tem de rejeitar-se a ideia de
comunidade económica ( ), do mesm modo que a con-
truçã do conceito de CE a partir do estado (9), parece
que amba as soluç-es não possibilitam a existência do
conceito de CE dentro do campo da c nstituição. Somente
dua soluções pareceriam restar: ou deixar subsistir os
dois conceitos, constnúdo autonomamente - a CE a
partir da estrutura económica, a constituição «política»
a partir do estado como a sociação -, ou eliminar o
conceito de CE. A esta última solução chega-se neces-
sariamente quando se haja de negar uma dualidade concei-
tuai no plano constitucional. Se se entende que existe
apenas uma cOllstituição e que o conceito de CE implicaria
um ilegítimo fraccionamento dela, então não há lugar
no plano constitucional para um conceito de CE qualita-
vamente autónomo (10).

(7) Cfr. E. R. HUBr:.R, Wirtschaftsverl/laltllllgsR I 23. Neste


sentido: EHMKE, .Staatt l/IId .Cesellschaft-, 46; SCHMlDT-RIMPLER,
WirtscltnftsR, 700 ss; R. E. SOARE, Direito PtÍblico, 142.
() Cfr. supra, cap. I, 1.
(9) Cfr. supra, cap. I, 2 e 5.
(10) Ne te sentido, com algumas variantes de acento: SCHMITI,
Hiiter der Verfassll/lg, 96 e HDStR II, 579 nota 19; EHMKE, 'Slaal' IIl1d
' Cesellscltaft', 46; KRÜCER, Staalslehre, 578 (o conceito de CE «conduziria
em última análise a atirar a economia contra o Estado, portanto, em
vez de um dualismo funcional, instituir e garantir um dualismo exis-
tencial e substancial entre o Estado e a economia, se 115'0 até dar à eco no-
5

Mas também é certo que nada postula a unidade te6ríca


do cOIl.'titllciollal, nenhum a priori 16gico impossibilita uma
eventual conclusão pelo dualismo te6rico da constituição
do estado e da CE (11). Uma vez aceito esse dualismo,
s6 haveria que estabelecer o estatuto das relações entre
os dois conceitos. Mas a aceitação de tal posição não
pode afirmar-se sem tentar outra via que possa evitá-la,
permitindo a solução do problema pela afirmação de
um campo comum para os dois conceitos.
Essa segunda via consiste em partir do conceito de
CE, tal como foi autonomamente elaborado, e adaptar o
conceito de constituição de modo a poder abarcá-lo.
Trata-se de um canUnho inverso do primeiro. Em vez
de partir do conceito tradicional de constituição, s6 acei-
tando o de CE quando este se pudesse encaixar dentro
do esquema demarcado por aquele, parte-se agora do de
CE e indaga-se se o conceito de constituição pode refor-
mar-se (sem se negar) de 1l1.odo a abranger também aquele.
O problema está em que isso seja possível, isto é,
que o conceito de constituição possa, sem se destruir,
alargar-se ou transformar-se, de modo a incluir conteúdos
que no seu alcance tradicional lhe são estranhos. O que
pressupõe desde logo que o conceito não seja intocável,
não seja ab il1itio impassível de modificação. Ora, quanto
a este ponto parece não haver impedimentos inultrapas-
sáveis, nada ameaça impedir desde logo a tentativa (12).
mia o domínio sobre o Estado»); STERN & PÜTTNER, Gemeilldewirtschaft, 2;
RIITNER, WirtschaftsR 818 s; SCHMIDT-RIMPLER, WirtschaftsR, 699;
NEUMANN, em Verhalt/lis, 13; SCHEUNER, Eillfiilmmg, 29 s.
(11) Assim ZUG, Subsidiaritiitsprillzip, 118 (apreciando a posição
de EHMKE); cepticamente em relação à representação de unidade,
também BALLERSTEDT, WirtschaftsverfasslmgsR, 47.
(12) BALLERSTEDT, apesar de querer manter o conceito de CE
dentro dos esquemas tradicionai do conceito de constituição, não pôde
deixar de propor um certo alargamento deste - Cfr. Wirtschaftsver-
6

conceito tradicional de constituiçã refere-a ao estatuto


do estado c m pessoa colectiva, como corporação, e o
eu obj ct é a indicação d órgãos dessa associação, a
distribuição de competência entre eles, e as relações com
o «súbditos». A constituição é pois a collstitl/ição do estado
como ente s berano, representado como e trutura associa-
ti a. Mas nada garante que este conceito, forjado pela escola
alemã nos fmais do éc. 19, seja (ainda) válido, ou sequer
que sempre tenha ido esse o conceito de constituição (13).
Mas, com essa possibilidade ap nas se abre caminho
ao principal problema: em que tennos e com que efeitos
é que essa transformação pode ter lugar? A resposta a
e ta questao ó pode obter-se mediante uma análise mais
chegada das relaç- s entr a CE e a constituição do estado.
Nesse trajecto e demonstra não só a neces idade de trans-
formação do conceito de constituição, mas também a
direcção em que ela há-de ter lugar. Um trajecto (14)
que implica uma prévia düucidação do que se há-de
entender por «estado», afim de delimitar o alcance da
«constituição do estado».
É que o problema fundamental parece ser este: como
é que e há-de compatibilizar com uma concepção de
constituição com.o estatuto do estado, pessoa colectiva,
ente soberano e aparelho de domínio - que tal é o objecto
do conceito tradicional de constituição - um conceito

fnssll/IgsR, 6, nota 12 e 46 ss. Igualmente LEISNER (Gn/lldrec1zte, 180 s)


afirma que a recepção do conceito de CE implica um «alargamento
de sentido. da constituição.
(13) Embora não idêntica, a concepção liberal vem a resultar
na mesma restrição do objecto da constituição. Este consiste funda-
mentalmente na limitação do poder do estado, em estabelecer balizas
à sua expansão. Ver-se-á ainda qual a correcção a fazer a esta repre-
sentação da constituição liberal (infra n. o 4).
(14) Infra n. o 3 - .Constituição do estado e constituição da
econonua•.
7

de CE que não tel/l por objecto o estado mas antes a econo-


mia? Como colocar no mesmo plano conceitos referentes
a estruturas tão diversas como as da economia e do
estado? (15). Trata-se aparentemente de uma dificuldade
insuperável, uma vez que os objectos dos dois conceitos
estão situados em dois planos «geograficamente» distintos
da formação social: um na estrutura económica, outro
na estrutura política (16).
Com tais dificuldades já não toparia uma concepção
da CE que a referisse apenas à disciplina jurídica funda-
mental da intervenção do estado no domínio econó-
mico (163). Aí não se sairia efectivamente do domínio
em que se circunscreve tradicionalmente o objecto do
conceito de constituição. Aí se permaneceria dentro dos
quadros de organização e da actividade do estado. Haveria
uma CE apenas quando a economia esteja «integrada na
comunidade política», quando existam por exemplo órgãos
da economia que sejam também órgãos do estado (17).

(15) A interrogação é formulada nos mesmos termos por


BALLERSTEDT, Wirtschaftsverfass/tngsR, 5.
(16) É fundamentalmente este o argumento de EHMKE contra
o conceito de CE. Construído unilateralmente a partir da sociedade
(da economia), o conceito aapolítico. de CE faria esquecer que a decisão
sobre as questões fundamentais da ordem económica deve ser conse-
guida no campo da político, na luta política. - Sobre o argumento
de EHMKE - desenvolvido em Wirtschaft IInd Verfam/Ilg, obra que
não pôde ser aqui utilizada - cfr.: REU S, Vertva[tllllgsarclriv 53. 0 (1962)
189 ss. (apreciação da referida obra de EHMKE); KLEIN, Tei/na//II/e, 105 ss;
ZUG, SlIbsidiarifiifsprinzip 118; BALLERSTEDT, Wirtschaftsverf, 2576 s.
Adiante ver-se-á que o argumento de EHMKE pode perder o
principal do seu fundamento.
C6 .) Ver supra, cap. I, 2.
(17) KLEIN, Tei/lla/III/e, 98. Klein segue aqui Forsthoff, segundo
o qual só poderá falar-se de CE quando ~sejam constituídos orgãos da
economia que sejam igualmente orgãos constitucionais do todo esta-
duah (citado por Klein). Como é evidente esta posição de FORSTHOFF
está ligada à sua concepção da constituição como estatuto organiza tório
do estado e da sua actividade.
Uma CE exi tid. então apena quand na medida em
que existir e ta integração. implcsmente, este conceito
de CE, deduzid d conceit geral de constituição, não
abrange te ricamente enao uma parte da realidade que
lhe de e er r ferida (1) . Daí o problema.

2. A separação estado-economia

Mas cata n- ficará o problema em interesse quando


a economia esteja integrada no estado, quando se dê
por finda a eparação entre o estado e a economia?
Com efeito, a partir do momento em que se possa
afirmar que a economia e o estado não representam já
dois planos autónomo, que e dissolveu a tradicional
separação estado-sociedade, o conceito de CE deixa de
ser um elemento estranho no quadro tradicional da consti-
tuição do estado. Esta é necessariamente também consti-
tuição da economia (19).
Ora, uma das ideias mais generalizadas nas actuais
teorizações do estado é precisamente o diagnóstico do
fim dessa separação (20). Esta seria inerente ao modelo
liberal do estado, à imagem do estado-guarda-nocturno
e da sociedade auto-regulando-se a si mesma, conceitual-

(1) Supra, cap. I, 2.


(19) É este o raciocínio de SCHMITT quando afirma que uma CE
só poderia existir num estado totalitário em que a economia fosse
completamente integrada no estado (ou vice-versa) - Hiifer der Verfas-
Sll/lg, 99 ss e HDStR II, 579. Ideia esta que se prolonga em K LEIN e em
FORSTHOFF (cfr. supra nota (17)) e serve de base a toda a literatura que
restringe o objecto do conceito de CE à intervenção económica do
estado. (Inversamente para EHMKE - cfr. supra nota (16) - o conceito
de CE pressuporia precisamente a separação entre o estado e a economia.)
(20) Assim, a título de exemplo: EHMKE, cStaatt uud eGesellschaftt,
23 ss; HERZOG, Allgemeine Staatslehre, 145 ss.
9

mente prévia ao estado e dispensando-o (21). A realidade


actual seria desmentido desse modelo. A realidade da
sociedade pluralista-técnica-dc-massas importaria a cadu-
cidade do modelo liberal, pela conjunção da sociedade
e do estado, desde logo pela conjunção entre o estado
e a economia (22). Economização do estado e cstaduali-
zação da economia, tomados unilateralmente ou conver-
gentemente levariam, de qualquer modo, ao fim do
dualismo (23).
A apreciação deste argumento não pode satisfazer-se
com a sua prova na realidade das formações sociais contem-
porâneas. Deve começar por questionar também o seu
ponto de partida: o teorema liberal da separação estado-
-economia, estado-sociedade. Ora, o que ficou escrito a pro-
pósito da CE liberal só permite uma conclusão: a de que o
teorema da separação, bem como a representação da sua
ultrapassagem nas formações sociais contemporâneas, expri-
mem duas formas de realização de um mesmo princípio:
a inseparabilidade do estado e da economia, mas ao mesmo
tem.po a sua autonomia. Nem eles estavam completamente
separados nas formações liberais, nem deixam agora de ser
autónomos. A não intervenção do estado no domínio
económico durante o séc. 19 era a resultante necessária das

(2') Sobre as origens da teoria da separação, BRUNNER, Land


Hlld Herrschaft, 124 ss.
(22) O teorema da separação estado-sociedade não consome
necessariamente o da separação estado-economia, como a própria
história das duas concepções o demonstra (cfr. PREDIERI, Piallijicazio/le,
21), mas os fundamentos teóricos são os mesmos e o seu tratamento
pode sem prejuízo fazer-se conjuntamente.
(23) Deste modo, entre outros: HABERMAS, Struktunvandel, 158;
SCHEUNER, Staat, 660; BENDA, I"dllstrielle Herrschaft, 71, 133, 154;
ZACHER, Wirtschaftsverf, 90; WIBTHOLTBR, Position, 53; GBHLEN, VOratH-
setzlwg, 328 s; LEIBHOLZ, Wesen der Repriisentatioll, 245; VIGORITA,
Iniziativa 9 ss (12); CHRISTEN, 130 ss; PREUSS, 83 ss.
10

relaç-es entre poder conómico o poder político.


Para aquele, a inacção d estado no d núnio económico
era o que corre pondia a eu interesse (24). A abstenção
era a melhor D nna de acçã do e tad . Mas a mesma
razão que explica a e requeria a passividade do e tado
ju tifica e exig hoje a sua actividade (25). Nos dois casos
me mo princípio ju tiflca ra a inacçao ora a acção:
a inacção é apenas uma forma particular de acção, a acti-
idade é apena uma forma particular de passividade.
Ab tencioni mo e intervencioni mo do estado no econó-
mico sao apenas dua formas de um mesmo tipo de rela-
ç- s, dua variáveis de uma mesma invariável (26).
Di curso idêntico se mostra pertinente em relação
ao teorema da separação estado-sociedade, que não é
mais do que uma generalização daquele (27). O estado
constrói-se a partir da «sociedade» e não pode existir
fora dela. É sempre o estado de uma sociedade, de uma
formação ocial. Que uma separação entre o estado e a
economia se possa ter lido na inacção da máquina daquele
sobre a estrutura desta no séc. 19, não pode servir isso
para afirmar a independência total das duas estruturas,
do me mo modo que a «interpenetração» actual não pode
fundamentar a negação da autonomia delas. O estado
como máquina de poder é uma projecção da sociedade
enquanto factor da coesão de uma estrutura social de con-
flitos. Mas essa mesma ligação é garante da sua autonomia
em relação à sociedade e à economia, seu fundamento.
Da matriz da sociedade capitalista, assente sobre a proprie-

(24) Piallificazionc, 21; HABERMAS, Strtlktrmvalldel, 86.


PREDlERI ,
(25) efr. HABERMAS , Struktllrrvalldel, 244.
(26) efr.VITAL MORErRA, A Ordem ]lIrfdica, 197 ss.
(27) No modelo liberal eram idênticos: a sociedade que se opunha
ao estado era a sociedade económica, burguesa, a sociedade dos produ-
tores.
11

dade privada dos meios de produção e do sobreproduto


social, faz parte necessariamente a autonomia do estado,
como espera do público, do político.
Deve pôr-se em relevo que a formulação típica do
teorema liberal da separação estado-sociedade é uma
construção da doutrina «clássica» alemã e aí encontra
bases materiais. Efectivamente nada de semelhante se
construiu em Inglaterra (28) nem nos Estados Unidos (29),
e nos restantes países europeus nunca recebeu uma formu-
lação em termos de oposição como a alemã (30). Para
uma compreensão dessas diferenças interessa saber (31)
que a sociedade que no modelo clássico alemão se opunha
ao estado era a sociedade burguesa (<<sociedade civil»),
e que o estado que se lhe opunha era o Obrigkeitstaat,
assente na nobreza, na aristocracia fundiária. Um estado
que segundo os esquemas herdados da Aufklarung se
arrogava, como depositário e garante do «bem comUl1ll>,
a legitimidade de interpretá-lo e realizá-lo na sociedade (32).
Compreende-se pois que uma burguesia consciente dos
seus interesses e instituída a si mesma como «sociedade
civib>, pretendendo a auto-dirigir-se, tivesse de opor-se a
esse estado. E compreende-se também que quando,

(28) LBIBHOLZ, Strukturprobleme, 206 ss; EHMKE, . Staatt und


«Gesellschaft't!, 25 s.
(29) KAISER, Reprãsentatioll, 69 s.
(30) Sobre a diferente evolução material da Alemanha e dos
restantes países europeus, R . E. SOARES, Direito Pâblico, 50 ss.
(31) Sobre o que se segue, LEIBHOLZ, Strukturprobleme, 326 ss e
PREUSS, 84 ss.
(32) A característica fundamental do estado absoluto é a sua
autonomia face à estrutura económica e social. O conceito de «inte-
resse geral», bem como os de «soberania do estado», mação' , ' povO>,
como conceitos políticos, que caracterizariam o conceito geral de
estado, nascem precisamente aí. - cfI. POULANTZAS, Pouvoir politique,
169 ss; SOARES, Interesse Pâblico, 49 ss.
12

depoi de 1 4 , o c nstitucionali mo ganha terreno sem


que c ntudo a c ncepçã de e tado perca o eu carácter
anteri r (33), a a emblcia parlamentares então erigidas
eJam. vi ta como uma ponte entre a sociedade e o
estado (34), mantend stes a sua diferente qualidade
anterior. O final do proce consistiria previsivelmente
num pa so mais no sentido de a burguesia lançar efecti-
amente mão da máquina do estad deslocando daí a
burocracia ari tocrático-militar do Reich de Bismark (35).
Ma abe-se como também o não conseguiu em 1918,
tendo de entrar em no compromisso (pelo menos
inicial), agora com O operariado. O que resulta daqui
é que, numa das sua perspectivas, a lústória da separação
e tado-sociedade é a história da separação entre o estado
absoluto e a sociedade burguesa. Desse modo ficam
demarcados os linútes da validade geral do teorema no
sec. 19 e da ua não validade actualmente.

(33) EHMKE, 'Staat' 111111 'Gesellschaft', 36 s, que refere também


o atrazo da burgue ia alemã em 48 como razão do compromis o
em que acabou por assentar a monarquia constitucional, confirmando
o anterior conceito de e tado. Cfr. também BADURA, VerwaltllllgsR, 6.
(34) Ao mesmo objectivo se dirigia anteriormente, segundo
a concepção de tein, a exigência da administração comunal autónoma.
- Cfr. FOR THOFF, Lehrbllch, 412 ss.
(35) Não se esquece evidentemente que a forma teórica mais
perfeita da oposição estado-sociedade se deve ao positivismo dessa
época. Como anteriormente a oposição derivava de uma concepção
idealista (hegeliana) do estado, deriva agora de uma concepção «jurídica.
entre o estado como sujeito de poder e os «particulares. - Cfr. EHMKE,
.Staat. (md Gesellschaft., 41 s. Contudo, quer como «espírito objectivo t ,
quer como formalizado sujeito de poder, o estado continuava a ser
uma abstracção, sendo os mesmos os seus suportes reais: monarca,
aparelho burocrático e militar e as classes sociais que o alimentavam.
A construção do estado como sujeito jurídico do poder não é pois
mais do que a construção jurídica do .princípio monárquico&(SCHBUNER,
Wesel1 des Staates, 227). Sobre a construção da escola «clássica- alemã,
sugestivamente, R. E. SOARES, Direito Público, 21 ss.
13

A independência do estado liberal é uma lenda (36),


mas não deixa de correr o mesmo risco a afirmação de
uma identidade actual entre o estado como aparelho de
poder e a «sociedade». A autonomia do estado e da econo-
rIDa continua a ser um dos traços das formações sociais
capitalistas contemporâneas (37).
Mas serão o estado e a sociedade contemporâneos
ainda os mesmos? A sua identificação nas formações
sociais contemporâneas não derivará precisamente do facto
que se trata de um estado e de uma sociedade diferentes
daqueles que se encontravam separados no modelo liberal?
Efectivamente, é neste último sentido que corre hoje
na literatura uma tendência visando ultrapassar o dualismo
tradicional. O estado em sentido estrito - ou entendido
ainda à maneira tradicional, como titular do poder soberano,
ou já diferentemente, como «governmenb>, isto é, como
conjunto de instituições de direcção e de coordenação (38)
- é apenas uma parte integrante de uma realidade mais
vasta - a «comunidade política» (Ehmke) ou a «comuni-
dade constituída em um todo» (Ballerstedt) -, que ainda

(36) LBIBHOLZ, Strukturproblellle, 328.


(37) O fim do teorema clássico é real quando se tenha em conta
uma outra das suas dimensões: separação do estado, monopolizador
do político (<<público.), e da sociedade, como domínio do apolítico
(<<privado.). A upublicizaçãot da sociedade moderna e o contraste
com o modelo liberal é irrecusável (sobre o processo de publicização
da sociedade, cfr. HABERMAS, Struktl/,,"andel, 157 ss, PREUSS , Begrif! des
Olfentlichen 73 ss, e infra no texto). Mas o fLln da dicotomia liberal
quanto a este aspecto não implica um igLlal resultado quanto à dico-
tomia estado-sociedade (economia). (Aliás também quanto àquele
aspecto nada de novo se terá passado quando se entenda que o carácter
.privado~ da sociedade burguesa não era mais do que uma cobertura
ideológica das reais relações de poder «público) que na sociedade exis-
tiam. Neste sentido a crítica marxista.)
(38) EHMKE, 'Staat' II/ld 'Gesellschaft', 44 s; LElBHOLZ, Strtlktur-
problellle, 333.
14

poderá ser designada p r estado (e tado em sentido amplo),


mas que já pouco tem do conceito tradicional (39). Da
« ociedade» já não está «e tad » separado, pois u faria
parte dela (c nc ito estrito) ou eria ela mesma (conceito
ampl ) (40). A comunidade política seria o ponto de
encontro e dc dis olução e identificação dos tradicionais
conceitos de «e tado» e de «sociedade».
Sabe-se quais ão os prcssupostos desta conccpção.
Fundamentalmente trata- e dc alteraç-es na strutura da
ciedade: por um lado, à s ciedade do modelo liberal,
centrada unidimen ionalmentc sobre o indivíduo, «privada»,
apolítica e contraposta ao e tado monopolizador do político,
ter- e-ia ucedido uma « ocicdade pluralista», centrada já
nã sobre o indi íduo mas sobre grupos de toda a ordem
(partido, associações económicas, sindicatos, associações
culturais e religiosas), dotado de dimensão «pública»,
mantendo entre i múltipla relações dc concorrência ou
de complementaridade, perante uma máquina do estado
que não é agora mais o detentor (mico do poder político (41).
Por outro lado, à sociedade de classes do sec. 19 ter-se-ia
substituído uma sociedade em que, ou as classes já não
existem, ou perderam qualquer importância na estrutura
pluralista da sociedade moderna (42). Por isso, o aparelho
do estado, outrora instrumento de donúnio da burguesia,

(39) EHMKE, 'Staat' lI/1d ' Cesellschaft', 44 ss; BALLERSTEDT, Wirt-


schajtStlerfasslI/lgsR , 46 s (4 nota 125); R . E. OARES , Direito P,íblico,
122 s (127, 135, 142).
(40) Pelo alargamento do estado de modo a abranger o aspecto
político da sociedade, além dos já referidos: LEIBHOLZ, tmkfllrprobleme,
330 s; D RATH, Theorie des Staates, 50.
(41) Por esta via, WIETHOLTER, Positio/l , 51 ss (53).
(42) Por esta via, KAlSER, R epriise/ltatio/l, 254. obre a visão
pluralista do estado contemporâneo, v. R. E. SOARES, Direito Público,
63 55, e M:JLLER, 126 55.
15

ter-se-ia tran formado num mero aparelho de prestações,


desprovido de poder.
Por qualquer das vias, o que aparece no final é uma
estrutura política constituída por uma multiplicidade de
corpos políticos, entre os quais aparece o estado. Agora
face ao estado a sociedade aparece já políticarnellte organizada,
e o estado não pode ser mais do que um controlador do
equilíbrio que se deve estabelecer entre os vários centros
conformadores do político. O estado, no seu sentido
tradicional, ou já não existe, ou já não é qualitativamente
diferente da multiplicidade dos centros políticos que
existem fora de si. O político é agora a dimensão de toda
a sociedade e o conceito de estado, se ainda há-de manter
algum significado, só pode designar essa nova realidade
do político, alargando-se de modo a abranger toda a
dimensão política da sociedade.
Também estas representações das formações sociais
contemporâneas, confluindo na dissolução do estado e da
sociedade (:da economia), permitiriam do mesm.o modo
a integração do conceito de CE no de constituição do
estado, dado que esta é agora também a constituição da
sociedade (43).
Entretanto, essas representações do estado contem-
porâneo não podem reclamar-se de maior correspondência
com a realidade do que as representações da formação
social contemporânea que lhes servem de fundamento.
Embora sejam múltiplas as direcções que convergem
naquelas representações, pode dizer-se que na sua base
estão as teorias da «sociedade industriab> e da «sociedade
pluralista», criações tardias da soci:ologia, e cujo modelo

(43) Note-se que o mesmo efeito pode obter-se pela via inversa:
não pela dissolução do estado na sociedade mas pela integração da socie-
dade no estado. É esta a visão corporativista-totalitária do estado.
16

mal refinad é d « istema ocial» fW1Cionalista. As


dua ideias fundamentai que pre idem a essa te ria
ão a d fim da cicdade de elas e e a d fim do estad
c 111 aparelh d d nÚDi . A primeira c idencia-se na
sub tituiçã de uma te ria da elas es p r uma teoria da
(estratificação social» ,noutra perspectiva, na teoria da
«institucionalizaçã da luta d ela es» (44). E ta integraçã
teria lugar especialmente pela transformação das elas e
em «grupos de intere s »(associaç-e patronais e sindicato)
e pela admissão de te à c nformaçao do político juntamente
com outros grupos (45). A egunda ideia referc-se ao
estado e vê nele não já um aparelho de domínio de uma
sociedade de ela ses mas apenas o vigilante ou regulador
ubsidiário d jogo de relaç-e que se estabelecem entre
o grupos sociais (ou, em linguagem. sociológica, coorde-
nador de sistemas ciais autónomos) e, quando seja
ca o disso, saneador das «di funç- es» que ponham em
cau a equilíbrio do sistema social global (46). No
campo teórico desta visão inserem-se também as ideias do
estado-árbitro (47) e do estado como mero aparelho

(44) CfL DAHRE DORF, Class alld Class Couflict, 64 s, 257 ss.
(45) LF.lBHOLZ, trukturproblellle, 333: «os grupo economlco
(as ociações patr nai e indicai) entraram progre sivamente no lugar
da classes e contribuiram decisivamente para relativizar o conceito
de classe e ultrapas ar a sociedade de c1as es do eco 19t. Do me mo
modo CREL KY, [udl/slric- IlIId Betriebsso_iologie, 165.
(46) Releve- e que uma das fonte do funcionalismo é Pareto,
do qual herdou a ideia do «equilíbrio social. - cfL BOTTOMORE, Elites
aud ociet)', 59. Para o ftmcionalismo a ociedade surge C0l110 um
organi mo, como um sujeito hi tórico, movimentando- e autonoma-
mente e mantendo o seu equilíbrio interno opondo a defesas nece-
sárias às causas de perturbação desse equilíbrio.
(47) A ideia neoliberal do e tado, árbitro das relações entre o
grupo e mantenedor do seu equilíbrio, está directamente ligada à
teoria da sociedade plurali ta. Uma das sua expressões mais conspícua
é a teoria dos «podere compensadore. de Galbraith (cfL VITAL
MOREIRA, Poder Ecollólllico, 567 ss), mas a ideia nasceu em Weimar
17

técnico, desprovido de poder (48) e desprovido de ideo-


logia (49).
Quando, porém, se tem de recusar, por irreal,
o modelo irénico da «sociedade industrial» (50) e nomeada-
mente o modelo integrado e equilibrado do «sistema
sociaL> funcionalista (51), fica do mesmo passo sem base
a teoria que pretenda diluir o estado na sociedade ou
neutralizá-lo como aparelho de domínio . O modelo
pluralista do estado não tem mais relevância do que o
modelo pluralista da sociedade em que assenta. O estado

com a concepção do estado como cúpula de um sistema de corpos


de administração autónoma (cfc. VITAL MORBlRA, Ordem Jurídica,
235 ss, 250 s).
(48) .Vácuo de poder», .perda de autoridade» do estado moderno,
~fragilidade da ordem modernat são expressões que exprimem um
dos leit-motiv de muitas manifestações da sociologia e da teoria do
estado. Que ele seja glosado «neutralmente» - v. g. GEHlEN, Soziolo-
gisc/'en VorallssetZl/lIgetl, 324 ss (329) - ou apreensivamente - v. g.
W. WEBER, Sozialpartner, 551 s (553); LUCAS-PIRES, Problema, 92 (fazendo
assentar precisamente na reedificação do poder soberano do estado um
dos pilares de uma moderna teoria da constituição) - isso não modifica
o carácter apodíctico que se lhe atribui.
(49) A neutralidade política e ideológica do estado contempo-
râneo, a sua Wertnel/tralitiit, seria aliás consequência da desideologização
da própria sociedade, e, por sua vez, este . fim das ideologias. seria
não mais do que a sequência do fim dos conflitos de classe e da sua
transformação em conflitos de interesse entre grupos formais. Teori-
zações dessa «despolitização. do estado podem encontrar-se v. g. em
FOR THOFF (cfc. R. E. SOARE, Direito Público, 113 s) e especialmente
em KRÜCER para o qual o «princípio constituinte do Estado modernol
é o . princípio da não identificação»: não identificação com doutrinas
políticas, económicas, ideias religiosas, ou com classes ou grupos sociais
(Staatsle/'re, 178 S5, 156 ss).
(50) Para a crítica do modelo, DAHRENDORF, cIndustrielle
Gese1l5chaft» em Gesellsc/'aft UI/d Freiheit, 13 55 (22 ss) e MlLIBAND, 23 S5.
(51) Por todos, DAHRENDORF, «pfade aus Utopiet, em Gesellschaft
'//ld Frei/'eit, 85 s (94 ss). Sobre os dois modelos opostos da sociedade,
cfc. DAHRBNDORF, Class alld Class COl/flict, 157 5S (<<integrative theoryo
v. «coercion theory») e RUNCIMA ,Social Sciellce alld Politicai Tileory, 109
(funcionalismo v. marxismo).
2 - Boletim de Ciênàas Económicas - Vol. XIX
capit.w t. C ntinua a er estad de uma s ciedade onde
a op ição e c nflit de ela se c ntinua a sobrelevar a
c mpetiça d grup s. Tal com o poder económico
na se dilui numa «comwlidade econónúca», também
o poder p lític nã se dilui numa «comwúdade política»,
abrangente de toda a sociedade (51)).

3. Constituição da econorrua e constituição do


estado.

A impossibilidade de alargar c nceito de estado de


modo a c mpreend r também a sociedade (economia),
implica também a impossibilidade d integrar a CE na
constituiçã do e tado.
Ap ar dis o, das não são estranhas uma à outra.
Numa das sua regiões - a «directi a» - a CE é mesmo
não mai do que a constituiçao da função económica
do e tado. E, enquanto defuúdora d estatuto das relaç~ es
econónúca, a CE (<<estatutáriéll» é também a definidora
do lugar e da função geral do estado. A um determinado
si tema econónúco corresponderá teoricamente um deter-
minado tipo de estado e a cada forma econónúca uma
diferente forma de estado (52) . Uma comprovação destas

(51.) C[r. VITAL MOREIRA II/Iage/ls da ociedade, 266 ss. São


três fundamentalmente os modelos teóricos que pretendem apreender
a realidade do poder político das sociedades capltaustas: (1) o modelo
pluralista (ou . de concorrência de elite », cuja expressão se encontra
generalizada na ciência politica norte-americana; (2) o modelo elitista,
cuja expre ão mais clara se encontra no livro de WRIGHT MILL ,
A Elite do Poder; (3) o modelo da clas e dominante, cuja expressão
mais decisiva continua a ser a teoria marxista.
(52) . Sistema económico. e . forma económica- vão utilizados
no sentido acima indicado (cap. l, 3); . tipo de estado. e . forma de
estadot vão utilizados no sentido que lhes atribui POULANTZAS, POl/lIoir
19

rclaç- es torna-se portanto uma tarefa necessana para


dilucidar completamente o lugar sistemático do conceito
de CE.
Ora, não é difícil encontrar na literatura expressões
como as de que «a forma de estado e a forma económica
devem pelo menos corresponder-se fundamentalmente» (53);
que «existe uma íntima ligação entre o económico e o
político» (54); que «é um erro supor que as várias formas
pensáveis de constituição do estado e da constituição
económica são arbitrariamente combináveis» (55). Estas
fórmulas não são mais do que a repetição da velha ideia
sugestivamente expressa por Montesquieu: «le commerce
a du rapport avec la constitutioll» (56). Esta ideia pode
encontrar-se cm autores dos mais diversos quadrantes
ideológicos e teóricos, e nem sequer é nos marxistas
- como poderia supor-se - que se encontra a sua formu-
lação mais extrema (57). Mas essa communis Opillio, se
é certo que poderá depor a favor da sua verdade, não é
menos certo que depõe iguahnente contra a sua utilidade
teórica.

Politique, 153 ss (158 ss). A relação entre «forma de estado» e «tipo


de estado- é a mesma que se estabelece entre «forma económica» e 'sistema
económico •.
(53) KOLLREUTER, Staatslellre, 85.
(54) LIP ON, Dell/ouatie Civilisatioll, 195.
(55) ERLlNGHAGEN, Wirtse"a.ftsl'erfasslIlIg, 9; cfr. também RINCK,
Wirtsc"aftsR, 21.
(56) L' Esprit des Lois, XX, 4.
(57) Foi o neoliberalismo in~pirado em Walter Eucken que
afirmou com toda a ênfase a ideia de uma «dependência necessária e
inelutáve!& das formas de estado em relação às form as económicas.
Com a forma democrático-parlamentar de estado só lima forma econó-
mica seria compatível- a «economia de mercado livre»; a uma «econo-
mia dirigida» ou «planificada. corresponderia neces ariamente uma
forma «totalitária» de estado. (Cfr. BOHM, Wirtschaftsordmmg, 7 e 39 ss;
ROPKE, Gesellschaftskrisis, 143; CONTANTlNE CO, 270 s (<<dependência
necessária e inelutável»).
20

Trata-se, na realidade, de uma ideia absolutamente


correcta. Ma ela carece de real significado te' rico: é uma
mera n tat ção. Afirmar, por e 'emplo, que uma
forma dem crático-parlam ntar do estado é incompatível
com uma fc rma mon polis ta e organizada d capitali mo,
ou qu uma forma «ditatorial» de e tado é incompatível
com uma economia «d mercado li re», pode ser confir-
mad ou infirmad empiricamente, mas nada acr scenta
à compreen ã te' rica do estatuto das relaç - es entre o
sist ma econ mico o sistema político. Pel contrário:
eXlge-a.
Não basta interrogar (58) se uma determinada forma
de estado pres upõe uma determinada forma con6mica,
ou e existem formas económicas compatíveis e outras
incompatí eis com ela, ou se a forma econ6mica lhe é
indiferente -, e poder responder por uma das primeiras
soluç-es; igualmente, não basta interrogar se uma determi-
nada forma económica exige uma determinada forma de
estado, se permite algumas excluindo outras, ou se a
forma política lhe é indiferente -, e poder responder
por uma das duas primeiras soluçõe. Para uma explicação
completa desse problema, é necessário não só explicitar o
smtido da relação que liga as duas realidades, mas igual-
mente encontrar o mediador desse sentido. Aliás, este
elemento é condição daquele: afirmar por exemplo que
a forma monopoli ta da economia determina uma forma
de estado «dirigista», caracterizada pelo predonúnio do
executivo sobre o legislativo e pelo predorrúnio da fWlção
económica dentro das funções do estado, não tem, só
por si, sentido algum, pois trata-se de relacionar causal-
mente dados qualitativamente diversos. É necessário,

(58) LIPSO, Dell/oerat;c C;II;/;satioll, 195 ss.


21

pois, encontrar também os mecarusmos de mediação


dessa relação.
Isso só pode conseguir-se recorrendo a um modelo
teórico geral da formação social, pois a economia e o
estado são dois planos de uma «totalidade concreta»,
que é a formação social global. Esse modelo teórico há
que recorrer a ele quando, por um lado, haja de evitar-se
determinismos simplistas ou demissões empiristas (59); por
outro lado, quando haja de afirmar-se uma efectiva relação
de determinação de um sistema sobre o outro e não haja
de limitar-se à afirmação de uma identidade cronológica
do n1.omento de, transformação deles (60).
Das considerações precedentes, pode começar por
afirmar-se como princípio que entre as formas do estado
e as formas da economia existe uma certa correspondência,
correspondência que se reproduz entre a constituição do
estado e a constituição da economia (65). À forma econó-

(59) Um exemplo: ~as transformações surgidas na economia


provocam modificações no aparelho político, mas é a acção consciente
deste que frequentemente está na origem da transformação daquela
(indu trialização e, mais geralmente, transformação das estruturas de
produção sob o impulso do aparelho governamental). - J. MEYNAUD,
POHIIOi, politique, 925. Com igual legitimidade empírica poder-se-ia
afirmar que o aparelllo político modifica muitas vezes as estruturas
económicas mas são estas que estão na origem desses actos do aparelho
político. Ambas as afirmações teriam igual valor: por um lado, meras
constatações de facto; por outro lado, ambas, tomadas em si, metodo-
logicamente defeituosas.
(60) Assim uma posição que se bastasse com a constatação histórica
de que as transformações profundas das formas económicas e das formas
do estado sempre tiveram lugar simultaneamente. - Cfr. Lll'SON,
Delllocratic Cillilisatioll, 197. Resta definir - e esse é o problema mais
importante - se se trata de duas transformações simultâneas, ou apenas
de uma - determinando a outra - , e qual.
(65) Quando aqui se fala em «constituição do estado» quer-se
compreender o sistema jurídico-político que e al1ali a na organização,
funcionamento e relações entre os «poderes., no carácter da condução
22

mica d apitali mo «privado)} d éc. 19 corresponde a


forma liberal d e tado burguê, de provido de função
econ ' mica e aracterizad quanto à ua e trutura interna
pela pr eminência d legi lativo sobre executivo; à forma
ec nómica d capitali m 111 nop lista contemporâneo
c rre ponde «e tad ocial» largamente intervencioni ta
na ec n mia (i t é, d tado de uma funçã económica
que sobrele a a re tante funç -e ) e caracterizado, como
forma típica pela pr eminencia d executivo sobre o
legi lati (66).
Simplc mente, a afirmação d princípio da corres-
pondência não elide ' por si duas quest- es de prim.eira
importância (e nã independente , c mo tentará mostrar-se):
a primeira traduz- e na circunstância de que a afirmada
corre pondência nã é nece sária, e empre varia dentro
de wna e cala ba tante larga; a segunda questão, teorica-
mente mais importante, incide obre a natureza dessa
corre pondência.
Quanto à primeira questão não pode deixar de cons-
tatar-se que à forma económica do capitalismo de concor-
rência nem sempre corresponderam formas liberais do
estado (67); que o «capitalismo organizado» não deixa de
l1armonizar-se com formas democrático-parlamentares, que
se aproximam do modelo do estado liberal; e que cada
forma típica do estado comporta múltiplos regimes polí-

da «coisa públicat que resulta daquela organização, e no estatuto das


relações entre essa organização e os «particulare t. É esta uma noção
bastante aproximada daquela que tradicionalmente se atribui ao conceito
de constituição. Cfr. infra, n.O 4.
(66) Sobre este tema, e particularmente sobre a caracterização
do estado liberal e do estado social, v. VrTAL MOREIRA , Estado Capi-
talista, passim.
(67) Casos exemplares são o bonapartismo (2. 0 Império) e o
bismarckismo
23

ticos. Por exemplo: o estado intervencionista do capita-


lismo rganizado pode ir desde a forma «totalitária» do
nazi mo até à forma pluripartidária e parlamentar italiana
actual (68). Essa 1/ão correspol/dência pode surgir em dois
planos: ou no da intervenção I não-intervenção do estado,
u no das relações executivo I legislativo. Uma forma
económica a que «deveria» corresponder um estado inter-
venciOlústa pode coexistir com um estádo fundamental-
mente abstencionista; num estado intervencionista a que
teoricamente «deveria» corresponder o domínio do exe-
cutivo sobre o legislativo, pode existir um «puro» regime
parlamentar.
É aqui que surge a segunda questão: como explicar
estas «excepções» ao príncípio da correspondência? Tra-
tar-se-á mesmo de excepções? N a verdade, a corres-
pondência é uma noção meramente descritiva, não teórica,
e a explicação das «excepções» é simultaneamente a expli-
cação da «regra». Essa explicação tem que ir buscar-se
na fUl/ção po[[tíca geral do estado: a função de manutenção
do sistema. A função do estado consiste «em garantir
globalm.ente as condições de estabilidade do status quo
social, eliminar riscos e conflitos estruturais e impedir
em todos os planos da sociedade disfunções que ponham
em perigo o sistema» (69). Sob esta perspectiva com-
(6) Sabe-se como cm certa época, um certo sector da literatura
pretendeu ver no estado fascista a foona natural e necessária do estado
do capitalismo monopolista; exemplarmente: MARCUSE, «Der Kampf
gegen den Liberaüsmus in der totalitaren Staat auffassung. (1933), in
Kultur l//ld Gesellschaft I, 17 ss. Provou-se entretanto q ue, pelo menos
na suas características típicas, não se tratou de mais do que uma
manifestação particular do e tado capitalista. (Sobre o e tado fascista
como ~estado de excepção», v., extensamente, POULA TZAS, Fascisl/lo
e Ditadura, II, 124 ss.)
(69) B ERGMA N et allii, Herrschaft, Klassellverhiiltllis utld Schichtullg,
83. Sobre este tema e no mesmo sentido cfr. POULA TZA , Poder Político
e Classes Sociais I, 41 s.
24

pre nde-s entã que a corre p ndência entre v. g. a forma


do capitalism mon p li ta e inter ncionismo do e tado
nã seja «directa»: é mediada por aquela tarefa polltica
d e tado. É na medida em que aquela forma económica
em p ~r em causa equilíbri da fc rmação social-asse-
gurada anteri rmente, durante capitalismo concorrencial,
ao lÚVel da própria e trutura econ' nuca, pelos mecanismos
do mercado - qu a econonúa se torna um problema
p lítico (conflitos de trabalho, desemprego, inflação, etc.),
exigindo a sua inclusã no âmbito dos problemas do
estad (políticas de desen olvimento, planificação, etc.).
A CE directiva que surge a partir da I Guerra (70) é
precisamente o estatuto da nova fWlção económica do
e tado. Mas e ta função económica não deixa de ser
polftica, pois que não é mais do que a extensão da função
política genérica do estado ao donúnio econónúco.
Compreende-se assim que a «correspondência» entre
a forma concentraciorusta da econonlia e o intervencio-
rusmo do estado não seja nec ssária - salvo aquele núcleo
de u;.tervenciorusmo tecrucamente exigido pelo o funcio-
namento da econonúa, nomeadamente aquelas medidas
que garantem um núnimo de expectativas, condição
necessária da racionalidade do lucro -, pois aquela pode
não pôr em causa gravemente o equilíbrio do sistema,
ou pode esse desequilíbrio ser sanado por uma actuação
política sobre outras instâncias que não a económica-por
exemplo, sobre a instância ideológica.
Pelo mesmo princípio se explica o deslocamento do
peso político do parlamento para o governo, nas formas
intervenciorustas do estado. Na medida em que isso
não seja uma exigência «(téclÚCa» da própria função econó-

(70) V. SI/pra, cap. rr, 2.


25

mica do estado - incapacidade por parte dos parlamentos


de corresponderem às exigências de celeridade e de conhe-
cimentos técnicos que a intervenção implica -, ela resulta
da combinação daquele princípio da manutenção do sistema
com a situação da relação de classes na formação social.
I

Com efeito, o princípio da separação dos poderes, com


predominância do parlamento, era totalmente adequado
aos objectivos da média classe burguesa que fizera a revo-
lução liberal, pois, reservando para si o parlamento, ela
mantinha sob controlo o aparelho de estado. Mas isso
só era assim na medida em que a representação era
limitada pela propriedade (71). Quando, pelo contrário,
o direito de voto foi conquistado pela classe operária
- resultado do seu crescimento em quantidade e em
poder -, surgiu simultaneamente o risco de o parlamento
vir a ser dominado pelos partidos operários. Então a
supremacia do parlamento transformou-se em elemento
perturbador do sistema. A desvalorização do parlamento
e a transferência do poder dominante para o governo
veio responder a essa situação (72). Mas, também aqui,
o grau de desvalorização do parlamento depende da
situação concreta das relações de classe, podendo perfei-
tamente acontecer que o parlamento mantenha alguma
importância no caso em que aquela situação se apresente
com uma certa estabilidade. Em situações de crise conjun-
tural ou estrutural, contudo, a apropriação da totalidade
do estado pelo executivo é uma consequência lógica.
Destas considerações resulta para o tema geral em
discussão que é a combinação do princípio política geral

(71) LIPSON, Del/1ocratic Civi[isatiol1, 202.


(72) Não se pretende afumar que o sufrágio operário tenha sido
o único responsável da perda de importância do parlamento, nem
que sem o primeiro não teria havido a última.
26

C 111 o efeitos qu bre el exerce a situação concreta


da trutura cc n' mica dos conflit sociais que dá
lugar a f; r111 determinadas da c n tituiçã do estado.
A rclaça que liga tado c a cc n mia - e que liga a
r pectivas c n tltwÇ c - nã é, afinal, uma relação de
c rre p ndênci mas im uma rclaçã de adequação:
adequaçã d c tad ,na ua organizaça e na sua activi-
dade a princípi p lítico geral que c nsiste na dcfcsa
do i tema cial. E a adequaçã e. -igirá por via de
regra a «c rre p ndência», ma p de na a eX1gir, se a
adequaçã ' puder conseguir- c ( u puder conseguir-se
melhor) pela <mao-corre pondencia».
Num do seus a pectos a CE é, pois, apenas a consti-
tuição d estado enquanto esta tem por objecto uma
região particular - a económica - da função geral do
estado. E na medida em que o estado seja definido a
partir da ua funçao a CE (directiva) é ela mesma uma
das determinantes da constituição do e tado. Mas, quanto
à CE estatutária, qual é o seu significado? Ele é duplo:
por um lado, é na base do tipo das relações de produção
por ela definid e fixado que se desenvolve um concreto
sistema económico, cujos efeitos sobre o sistema político
determinam particulares formas de constituição do estado
e de CE directiva; por outro lado, é ela mesma que define
o sentido e traça os limites de actuação do próprio prin-
cipio político, pois é ela que determina que sistema é que
o estado há-de manter coeso e equilibrado.
Contudo, também a CE estatutária não está fora da
estrutura política. Ela não é estrutura econónúca, mas
antes a tradução desta na estrutura política (73). As relações

(73) V. SI4pra cap. I, 3.


27

entre ela constituição do estado estabelecem-se adentro


da estrutura política. Ela é a chave da estrutura política,
da mesma maneira que a estrutura econ6mica é a chave
da formação social global- o que quer dizer que ao nível
das várias regiões da estrutura p lítica se estabelecem. relações
idênticas àquelas que se estabelecem entre as várias estruturas
da formação social. Isto porque a estrutura política, como
lugar de conservação (e de transformação) do sistema,
reflecte (<<resumc») toda a formação social, pelo menos
naqueles pontos necessários ao desempenho da sua
função.
Mas, com. isto, cstá a dar-se solução ao problema
central de todo este discurso: o lugar de inserção comum
da constituição do estado e da constituição da economia.
Esse lugar é a constituição do político como estrutura
aut6noma da formação social.

4. Constituição política

Está-se agora em. condições de retomar o argumento


e de resolver o problema do lugar te6rico-sistemático do
conceito de CE - o que impõe também o resumo de
todo o discurso sobre o pr6prio conceito e sobre o seu
alcance te6rico.
O conceito (dássico» de constituição referia-a-como
já ficou escrito - ao estatuto da organização e das atri-
buições do estado, qual pessoa jurídica. Tinha pois por
objecto o conjunto de disposições que estruturam a organi-
zação interna do estado, que definem as regras do seu
fWlcionamento, da distribuição de atribuições e de compe-
tências entre os vários 6rgãos ((poderes») e das relações
2

entre ele, e finalmente, que estabelecem as relaç-es do


estado com o seu úbditosl >, isto ,com a sociedade (74).
A constituição era a constituição do estado - enten-
dido como difer nte e separad da «sociedade civil» (embora
obtendo nela a ua base «pessoal») - e reportava-se apenas
à organização e actividade daquele, não à organização e
ida» da ociedade (que antes se r clamava dela para
garantir pr cisamente a sua liberdade face ao estado).
Para o indivíduos - constituintes da sociedade -, ope-
rando dentr da sua e fera privada, não poderiam. resultar
da constituiçao quaisquer direitos ou obrigações no que
respeita às suas relações privadas.
Uma tal concepção da constituição está no seguimento
do modelo liberal da sociedade: uma formação social
dividida por um estado e por uma «sociedade» separados
- aquele, lugar do político e monopólio legítimo do
poder esta, domínio da privaticidade das relações econó-
micas. Nesse modelo, o conceito de constituição era por

(74) efr. TROMA, HDStR l, 1; A. R. QUEIR6, Lições, 94; LIPSON,


Dell/oeratic Cilli[izatioll, 400: epolitical design of the institutions of
govemmellt and the citizens relations to them». Deve ter-se aqui em
conta a e pecificidade do conceito de «govemment» na teoria anglo-
-saxónica em confronto com o conceito continental de «estado» - efr.
EHMKE, ' taat' Imd ' Cesellschaft', 45. Apesar disso, a definição de cons-
tituição de Lipson não deixa de manter um apertado parentesco com
o que ficou em texto, pelo menos no sentido de limitar o objecto mate-
rial da constituição. Mas a definição apresenta duas -importantes dife-
renças em relação à definição «clássica»: (1) não tem a sugestão
«associativista» - estatuto de uma pessoa colectiva corporativamente
organizada -, evidente na definição de Thoma e característica do
sentido genérico do termo Verfasslmg (cfr. por último, BAUMANN,
Einfij/mwg, 332 ss); (2) é um conceito «político», enquanto que a deft-
nição de Thoma traduz um conceito ~urídico.: para o primeiro, o estado
é uma estrutura politica; para o segundo uma estrutura (pessoa) jurídica.
(Aliás este ejuridicismOt da teoria da constituição e do estado é caracte-
rístico do positivismo e do seu «horror ao politico».)
29

natureza alheio à sociedade, e reservado ab initio para o


estado.
Mas quando se considera que a constituição inclui
efectivamente uma constituição da economia - e não
apenas no sentido de esquema organizat6rio e plano
directivo da função econ6mica do estado, mas também
no sentido de estatuto das relações de produção, definidor
do sistema econ6mico, base da formação social-, qual
o lugar que restará ao conceito tradicional de constituição?
Pois: ou esse conceito se mantém, e então o seu objecto
abrange apenas uma parte da constituição, devendo a
restante ser considerada «ilegítima»; ou toda a constituição
há-de reclamar-se daquele conceito, e então este terá de
alargar-se concordantemente.
Simplesmente não se vê como é que o primeiro
caminho de reflexão (75) estará de acordo com um mínimo
de rigor metodo16gico ou até 16gico (76). Partir de um
conceito prévio de constituição e, verificando que a CE
não se enquadra nesse esquema conceituaI, afastar esta
por «ilegítima» ou por pôr em causa a unidade do conceito
originário, não resolve o problema. Sempre essa ilegitimi-
dade permanecerá, e desse modo inabarcável e incompreen-
sível. A única via adequada a compreender todo o mate-
rial constitucional existente parece ser aquela que consiste
em partir da constituição que aí está, dotada da sua <<neces-
sária» CE, e, verificado que o conceito tradicional de
constituição a não pode enquadrar, alargá-lo para esse
efeito.

(15) Que está pressuposto no falso problema de saber se a cons-


tituição deve (pode) conter ou não uma CE (v. SI/pra, cap. III. 1).
(16) LEISNER (Crtmdrechte, 186) diz a propósito tratar-se de uma
petitio prillcipii.
o

P is ag ra parece nã ser 111 is p sível dizer que a


con tituiçã - que além d mais estabelece as instituições
fundam ntai da rdem ocial (da ec nomia, da cultura, da
religiã , da fanúlia, etc.) (77), que pretende regular directa-
mente a r laçoe ntre os cidadãos (78) - é ainda apena
a constitUlça do cstado. Pa sa a ser também a constituição
da socicdade, i t é a constituição da formação social,
tal com e ta e traduz n plan da e trutura política (79).
Ne te c nceit alargad de con tituiçã cabe não só
a con tituiçã d estado - como c tatuto do estado-
-pe soa-colecti a u do gO IJcrl/mcllt - mas também

(77) omcadamcnte atravé da «garantia institucionais. ou


«garantias de instituto t , i to é, garantia con titucionais de certos
pnnClpl fundamentai da orgalllzaçã ocial (v. g. garantia da
propriedade privada, garantia da autonomia da administração local,
etc.). obre o tema vcr: QUARIT CH, IlIstitlltiollelle Caralltiell, 800 ss;
MA z, taatsrccht 9 ; DAHM, 294. A teoria das garantias institu-
cionais deve- e fundamcntalmente a Carl CHMITT (que aliás distinguia
entre illstltutiollel/e Caralltiw e IlIstitlltsgaralltiell, aquelas no donÚllio
do direito público, e tas no domínio do direito privado - cfr,
VerfasslIlIgslc/tre, 17 ; ReicllslJerfasslIlIg, 595 .)
(7) I t egundo a teoria da «eftcácia ab oluta. dos direitos funda-
mentais, egundo a qual e tes valeriam não ó contra o estado mas
também c ntra terceiros (Drittl/lirkll/lg). Assim, e pecialmente, NIPPBR-
DEV, Crtm:1recltte, 22 e Freie Elltfa/tllllg, 747 ss; LEI ER, Crtllldrecllte,
306 ,354 . Contra: MAu z, Staatsrccht, 93 . A teoria de que o
direito fundamentai n:io são apena dirigidos contra o estado
( taatsbezogc/I), não ão apenas di reit ubjectivos públicos, mas
e:;pecialmente princípio gerais da ordem Jurídica, aplicávei também
às relaç-e entre o particulare, funda- e em considerações sociológicas
referente às transfornllções da ociedade modcrna, nomeadamente
o fenómeno do p der (económico) privad e o da preeminência do
grupo face ao indivíduo. O estado nã é poi agora o único a e tar
em condiçõe de violar os direito fundamentais. (Para LEIS ER
tratar-se-ia também de voltar à concepção originária dos direitos
fundamcntai .)
(79) Não tcm razão LAUFK.E quando distingue entre as consti-
suições que se limitam a regular os podere do estado e aquelas que
te apresentam como -Grundordnung dcs wirtschaftlichen, des sozialen,
ja des privaten Lebens. - Vertragsfrciheit, 150 ss.
31

estatuto das restantes instâncias da formação social naquilo


em que elas produzem efeitos sobre a estrutura política
ou lhe servem de fundamento, incluindo o estatuto da
estrutura económica, a CE.
A inclusão do conceito de CE no campo teórico da
constituição não está pois dependente de - e não exige -
o alargamento do conceito de estado ou a dissolução das
balizas que o separam do económico. É a constituição
polttica - constituição da estrutura política - que a integra,
juntamente com o estatuto do estado e o estatuto político
de outras instâncias da formação social (80) (81).
Entretanto uma questão surge: é somente a consti-
tuição contemporânea que pode reclamar-se da qualidade
de estatuto da formação social (no sentido acima preci-
sado) ? Foi somente a partir do momento em que a
economia adquiriu o «grau de valor jurídico fundamental
para a comunidade» (82), que a CE pôde obter entrada

(80) A proposta de BALLERSTEDT (WirtschaftsllerfassulIgsR , 6)


no sentido de designar este conceito alargado de constituição por ' cons-
tituição social» parece ser de rejeitar, porque, além de poder conotar-se-
-lhe um sentido puramente sociológico, não releva o elemento funda-
mental: o político.
(81) Pelo alargamento do conceito de constituição no sentido indi-
cado: EHMKE, 'Staat' und 'Cesellsclwft', 45: «constituição da comlUlidade
polítiCAA; BALLERSTEDT, Wirtschaftsllerfassl/lIgsR, 48: .constituição do todo
socialo; R. E. SOARES, Direito plÍblico, 141: «constituição material que é
também a da sociedade enquanto ser político»; KLEIN, Teilnalllue, 108: ta
constituição do estado é mais do que o estatuto organiza tório do aparelho
estadual; abrange a comunidade política em todas as suas partes consti-
tuintes»; CHRJSTRN, 134: «[a constituição] organiza e conforma (... )
a comunidade no seu conjunto»; e ainda: SCHEUNER, Crrll/dfragen, 132 ss;
NIPPERDEY, Freie Eu/faltlll/g, 749 ss. Contra este alargamento do conceito
de constituição são, naturalmente, aquelas teorias que continuam a
conceber a constituição como aparelho de defesa contra o estado (v. g.
FORSTHOFF) ou como estatuto do processo do poder político (v. g.
LOEWENSTEIN).
(82) BALLERSTEDT, WirtschaftsllerfassllI/gsR, 47.
2

no terreno t 6rico da constituição? Era a constituição


liberal apenas o estatuto organizat6rio do estado (ou a
baliza que defendia a «sociedade» das interven ões do
e tado)?
As considerações anteriormente feitas em nada
impõ m um tratamento special da constituição liberal
quanto ao seu lugar na formação social; e as considerações
feitas aquando do tratamento da CE formal nas consti-
tuiçoes liberai (83) não o permitem. Com efeito, se a
constituiçao liberal- ainda que interdizendo ao estado
uma função econ6mica - incltúa uma CE, ela deixa s6
por isso de poder ser considerada como constituição
apenas do estado. Era constituição da formação social
ao mesmo título que a constituição do «estado social»
contemporâneo ( 4).
Nem poderia ser de outro modo. A constituição fora
um dos objectivos fundamentais da burguesia e uma
bandeira de luta na revolução, não apenas porque com
ela se haveria de domesticar o estado absoluto, mas acima
de tudo - e essa domesticação era um meio para isso-

(J) Supra, cap. II, 2.


(4) Assim: Iúru , Teilnahl1le, 41 (ta constituição liberal queria
não apenas ordenar o estado na sua relação com a economia mas também
ordenar o conjunto das relações sociais [gesellscltaftlichetl Lebe/lsz/lsam-
I/Ielllwng]-); HABERMA , Strukt/lrrv(/lIdel, 243 s (<<ao contrário da concepção
dominante entre os juristas, sob o aspecto sociológico a constituição
do estado-de-direito liberal, desde o principio, queria ordenar não
apenas o estado como tal e as suas relações com a sociedade mas sim
o conjunto das relações sociais [gesellsc"aftlichell Lebells:::/ls(/lI1mellha/lg]
no seu todo-; «a constituição liberal queria fLxar desde logo uma
ordem global do estado e d(/ sociedade»); R. E. OARES, CO/lstituição, 4
(c ... a constituição [liberal] também não se preocupa somente em dese-
nhar e limitar o Estado como máquina: contém ainda o pri/lcfpio estru-
t/lral da vida da sociedade»). Já Stein afirmara que a constituição é a
cexpressão da ordem social (Gesellschaftsordl/flllg) existente. (citado
por KRÜCER, Verfassllllg, 75).
33

porque nela se haveria de fixar uma nova forma social,


assente numa sociedade de homens economicamente inde-
pendentes, tratando entre si «privadamente», livres de
todo o constrangimento externo, e cujo fundamento
era a abertura ao pleno desenvolvimento de um novo
modo ccon6mico. A constituição surgia pois como
estatuto constitutivo de uma formação social, o qual
garantia a autonomia do estado e da economia e o conse-
quente estabelecimento do econ6mico como donúnio
de uma «sociedade civih, baseada na propriedade e na
igualdade, ambas garantidas na constituição. A proprie-
dade não era apenas uma balisa face ao estado, não era
apenas «direito de liberdade», era também instituição
de ordem econ6mica cuja defesa se impunha ao estado,
e direito do indivíduo (face ao estado) à defesa da sua
propriedade (85); o princípio da igualdade não era apenas
um princípio das r'dações do estado com os indivíduos,
pretendia-se também o princípio jurídico determinante
da estrutura social (86).
Que a constituição tenha em certo momento chegado
a ser considerada wucamente como estatuto organizat6rio

(85) Para a figuração da propriedade (não apenas como .direito


de liberdade» mas também) como direito a uma actividade do estado,
cfr. VAN IMPE, Droits Écollol1liqlles et Sociaux, 45.
(86) Cfr: E. R. HUBER, Verfassu/lgsgeschichte, 1125 e HABERMAS,
Strukturlvalldel, 243 (:os direitos de liberdade não tinham apenas o
sentido negativo de limitação da actividade do estado: funcionavam
também como garantias positiva de uma participação em igualdade
de condições na criação da riqueza social). Tenha-se em conta, a propó-
sito, que LEIS ER tentou provar - segundo NlPPERDEY (Freie Entfaltung,
748) com êxito, sem êxito segundo KLEIN (Teilllal/ll1e, 172 ss) - que o
sentido originário dos direitos fundamentais no direito natural e nas
próprias declarações de direitos revolucionárias era o de princípios
fundamentais da ordem jurídica - dotados portanto de .eficácia abso-
luta» nas relações sociais - e não de direitos subjectivos públicos
(Grrmdrechte wld Privatrecf,t, 3 ss, 9, 13 ss, 24, 42 ss).
3 - Boletim de Ci!ncias Económicas - Vol. XIX
34

do estad pode i o encontrar eventualmente explicaçã


em dois pr cessos c n ergentes. P r um lado, numa
disposiçã de «repouso do gu rreiro» de uma burguesia
qu , vitori sa, julgava ter in tituíd a fi nna natural,
perfeita, definitiva da sociedad. Isto teria por conse-
quência a formalização da constituição por perda d
seu conteúdo: estabelecida a ua sociedad , a burguesia
cria poder pre cindir da constituição, cuja importância
permanecia apenas em estabel cer uma baliza de limitação
ao núnimo do <\l11al necessário» - o estado. A formalização
e restrição do âmbito da constituição seria pois o resultado
do seu esgotamento con titutivo, do seu carácter reali-
zador (87). A constituiçã deL'{ara de ser constituinte de
um vir-a-ser para se transformar na armadura do que já era.
Por outro lado a redução do objecto da constituição
ao estado acontece numa altura (88) em que, definiti-
vamente rechaçado pela realidade o modelo pequeno-
-burguês da sociedade de homens livres (iguais porque
todos proprietários da sua oficina, loja ou lote de terra),
«os direitos do homem e do cidadão» deixaram de poder
ser ao lIleslIlo tempo direitos contra o estado e princípios
conformadores das relações sociais. Mas já nem. de opção
se podia tratar. A igualdad e a liberdade estavam defini-
tivamente arredadas das relações privadas pelo desenvol-
vimento da própria sociedade burguesa, já só podiam
valer nas relações com o estado. A permanência da ordem

(7) Cfr. LUCAS-PIRES, 47 ss.


(8) A formalização dos princípios materiais do estado-de-direito
A
(burgu é obra da e cola .clássica. alemã, que floresceu a partir do
)

último quartel do séc. 19, numa altura em que o modelo liberal era
contrastado nitidamente pela realidade da concentração e monopoli-
zação económica e pelo aparecimento do operariado como movimento
de massas, e numa formação social dominada pelo estado autoritário
do 'Princípio monárquico•.
35

burgu sa significava o sacrifício dos princípios com que


se construira (89). Como quer que seja, o que é certo
é que o facto de «uma constituição do estado surgir a
pretender fixar juridicamente também a constituição de
organizações sociais» não é exclusivo do estado (-de-direito)
social, muito menos o distingue do estado-de-direito
(liberal) (90).

S. A constituição política da economia

Vê-se pois que o alargamento do conceito de consti-


tuição não é propriamente um alargamento mas apenas a
reposição da constituição no seu verdadeiro lugar de
estatuto da estrutura política da formação social. Mas do
mesmo resulta que esse alargamento não estende a consti-
tuição para além dessa estrutura. Nomeadamente, a inclu-
são da CE no conceito de constituição não significa uma
interferência de planos, pois a CE não é o económico,
mas sim a expressão do económico no plano político.
O mesmo se diga para outras «constituições» - cultural,
religiosa, etc. - que não são mais do que a expressão
da estrutura ideológica no plano político.
Com isto vê-se como a dificuldade metodológica
fundamental acima referida (91) tem de sofrer uma trans-
formação profunda nos seus termos, perdendo aí toda a

(89) LEISNER afirma também que foi somente com a teoria clás-
sica - e especialmente com Jcllinek - que se veio a coroar teorica-
mcnte o movimento de estreitamento da problemática dos direitos
fundamentais à defesa do cidadão perante o estado (Grtl/ldrechte und
Privatrec/'t, 3 ss, 42 ss).
(90) A expressão citada e uma afirmação contrária à do texto
são de RmDER, Gelverkschaftell, 16 s.
(91) V. SI/pra, cap. V, 1.
36

gravidade. O problema teórico da CE em relação à


constituição do estado não é o da discrepância entre dois
c nceitos referid s a dua e truturas diversas da formaçã
ocial. Ambos s conceitos estão colocados no II/esmo
plallo, no plano da estrutura política. CE e constituição
do e tado não têm diferente natureza, apenas diverso
obj cto: na constituição o político refracta-se a si mesmo
mas refracta também o económico, o ideológico, etc.
O problema é pois intra-constitucional, manifesta-se
dentro do eu campo teórico, não por sobre ele, e consiste
fundamentalmente no estatuto das relações que nesse
campo se estabelecem entre as suas várias r giões. A objec-
ção levantada ao conceito de CE, de que ele produz uma
intolerável dualidade no campo da constituição, cai assim
por terra. Não que o conceito de CE não destrua o
postulado da unidade (e não contradição) da constituição.
Um dos rc ultados da admi são do conceito de CE é
precisamente esse: introduzir no próprio caJ'npo teórico
da constituição as contradições da formação social. Se a
estrutura política é o resumo de toda a formação social
- na medida em que exprime em menor ou maior medida
todas as estruturas dela - é um epítome fiel, inclui também
as suas clivagens. É certo que o económico não se traduz
ponto por ponto em termos políticos. Tal como já se
acentuou (92), a estrutura político-jurídica (constitucional)
apenas traduz aqueles elementos do económico que são
relevantes para a permanência e unidade do sistema por
aquele definido. Mas logo por essa mesma vocação de
unidade e integração ela exprime, ao pressupô-los como
condição da sua existência, os conflitos e contradições da
formação social.

(92) V. supra, cap. V, 3.


37

Também a outra objecção movida ao conceito de CE


- a de que ele seria construído «a partir da sociedade»-
parece perder todo o seu fundamento. Isto pelo menos
quando se tenha de considerar que toda a estrutura política
se constrói a partir da 'sociedade', isto é, da estrutura
económica como estrutura determinante da formação
social (93).
Mas nem pelo facto de não ser mais do que uma
região da constituição po[{tica deixa a constituição econ6-
mica de ter autonomia e de se tornar necessária a sua
elaboração teórica. O domínio problemático qut: o conceito
de CE cobre não está ao alcance dos conceitos, tomados
de per si, de constituição política e sistema económico;
estes limitam-se a demarcar os contornos do problema.
O elenco das questões em que o conceito de CE
manifesta a sua utilidade e (ou) necessidade não é pequena:
ele possibilita uma perfeita compreensão das relações
profundas entre o sistema económico e a ordem jurídica
que o suporta (94); permite uma coerente unificação da
ordem económica constitucional com o conjunto da
ordem jurídica da economia (95); contribui para iluminar os
fundamentos das principais transformações constitucionais
das últimas décadas (96); abre caminho à ultrapassagem do
que há de frágil na dicotomia constituição-realidade cons-
tituição e, por outro lado, leva a discernir na constituição
não um sistema unitário isento de tensões, mas sim um lugar
em que também se traduzem de certo modo as principais

(93) Quando se afirma que «o capitalismo é um sistema económico


e político» (C. HOOVER, Capitalism, 294), só pode significar-se correcta-
mente uma coisa: que o plano económico e o plano politico integram
ambos uma mesma formação social: a formação social capitalista.
(94) V. SI/pra, cap. l, 3.
(95) V. SI/pra, cap. l, 4.
(96) V. SI/pra, cap. II, 2.
38

contradiç - e e conflito da sociedad (97); briga a uma


interpretaçã c n titucional fi cunda, global e dinâmica,
através da relaci nação e i t matizaÇ das disposições
constitucionai rele antes (98), evitand o konkrctes Problem-
de/lkcl1 (99) em que os problem s da ord m con titucional
económica ão reduzidos à aferiçao em concreto da compa-
tibilidade de um fenóm.eno rela ti o ao e tado e à economia,
com a con tituição (100).
Finalmente, por tud isto, somente o conceito de
CE permite integrar a con tituiçã política no sistema
social de que irrecu avelment faz parte, conlO estatuto
da sua e trutura política. A CE é assim condição de
apreensão do lugar si temático da constituição política e,
pela sua referência à estrutura económica, é um lugar
privilegiado de leitura do conjunto do sistema social.

(97) V. SI/pra, cap. III, 2 e cap. IV, 2.


(9) Para uma tentativa de aplicação do conceito ver, extensa-
mente, VITAL MOREIRA, A Ordelll Jurídica do Capitalisl/lo, 143-261.
(99) De que fala KLEIN, Teilnahllle, 108.
(100) Alguns autore vêem aí o principal dos serviços prestados
pelo conceito de CE. Assim CHRISTEN: ,A constituição económica
é uma unidade, o que tem importância sobretudo para a interpretação.
(Wirtscllaftsverfass,mg, 229). Com efeito, o conceito de CE permite
uma interpretação global das disposições constitucionais económicas,
consideradas como cúpula da ordem jurídica da economia; uma inter-
pretação também dillal/lica , aberta às transformações do sistema econó-
mico e da ordem jurídica da economia; fmalmente, uma interpretação
valorizadora da hierarquia das disposições constitucionais, em função
da sua importância para o sistema económico (cfr. SI/pra, cap. III, 2). Por
outro lado, o conceito e a perspectiva que ele implica permitem demarcar
adequadamente o sentido e o alcance dos conceitos científico-económicos
e doutrinal-económicos utilizados pelas normas constitucionais (v. g.
'mercado. , ,concorrência. , ,bem comum económico.); sobre este ponto
v. R!NCK, Wirtscllaftswissellscl,aftlicl,e Begriffe, passim.
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A lista seguinte inclui as referências completas de todas as obras


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muitas vezes apena pelo nomc do autor.

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