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5ª DEFENSORIA PÚBLICA CRIMINAL DA COMARCA DE ARACAJU/SE

__________________________________________________________
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR DESEMBARGADOR
PRESIDENTE DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO
DE SERGIPE.

Processo de origem nº. 201520100727


Paciente: EDMILSON SILVA DOS SANTOS
Autoridade Coatora: Juíza de Direito da 1ª Vara Criminal da Comarca de
Aracaju-SE.

ÁUREA GLÓRIA OLIVEIRA COSTA, brasileira,


divorciada, Defensora Pública do Estado, Substituta da 1ª Defensoria Criminal da
Comarca de Aracaju/SE, vem, mui respeitosamente, perante V. Exa., no uso das
atribuições legais conferidas pela Lei Complementar nº 180∕2010 e com supedâneo
no art. 5º, LXVIII c∕c art. 647 e ss. do CPP, observados, ainda, os arts. 239, et seq.,
do Regimento Interno do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe,
para impetrar

ORDEM DE HABEAS CORPUS COM PEDIDO DE LIMINAR, em mercê


de:

Rua Vila Cristina, 382,São José Tv. João Francisco da Silveira (Barão de Maruim), 94
CEP: 49.015-000, Aracaju/SE Centro, CEP:49.010-360, Aracaju/SE
Tel.: (79) 3179-7440 / Fax: (79) 3179-7445 Tel.: (79) 3179-1383
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EDMILSON SILVA DOS SANTOS, brasileiro, solteiro, ajudante de pedreiro,
residente e domiciliado no Bairro Industrial, nº 29, Aracaju/SE, natural da cidade de
Aracaju/SE, filho de Manoel Messias dos Santos e Maria do Carmo Rodrigues da
Silva, nascido em 23/01/1995, atualmente constrito junto ao sistema prisional
do Estado de Sergipe, em face de coação ilegal, em detrimento da liberdade
ambulatória do paciente, fazendo-se alicerçar, para tal mister, nos fundamentos de
fato e de direito alinhavados nas razões que secundam a presente peça de
impetração.

1. SÚMULA FÁTICA

O paciente encontra-se preso, desde o dia 14 de novembro de


2015, sendo acusado pela prática do crime previsto no art. 157, 2º, inciso II, do
Código Penal.

RESSALTE-SE QUE O ACUSADO ENCONTRA-SE


PRESO HÁ QUASE TRÊS MESES, OU SEJA, APROXIMADAMENTE 90
DIAS!!, e até a presente data a instrução processual não se encerrou.

Diante do flagrante excesso de prazo que torna a prisão


cautelar ilegal foi impetrado o presente writ para fazer cessar o
constrangimento à liberdade ambulatorial do paciente.

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2. DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS

2.1. DA APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA EXTENSIVIDADE DAS

DECISÕES BENÉFICAS.

O efeito extensivo deve ocorrer, de ofício, desde que presente


a identidade das circunstâncias de caráter objetivo, que deu fundamento à decisão
cuja eficácia se deseja estender.

É claro o Código de Processo Penal, em seu artigo 580:

Art. 580. No caso de concurso de agentes


(Código Penal, art. 25), a decisão do recurso
interposto por um dos réus, se fundado em
motivos que não sejam de caráter
exclusivamente pessoal, aproveitará aos
outros.

Ora, Excelência, como se pode notar no processo


201520190906, houve a revogação da preventiva de Michael Douglas Santos
da Silva, acusado de roubo em concurso de pessoas com EDMILSON
SILVA SANTOS. Se os dois possuem bons antecedentes, supostamente
praticaram o crime diante das mesmas circunstâncias, possuem residência
fixa e trabalham, como pode o benefício da revogação da preventiva ter sido
dado apenas a Michael?

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Entendemos que se foi proporcionado o benefício da
revogação da preventiva a um, Michael, deve ser proporcionado também ao
outro, com base no art. 580, do Código de Processo Penal, tendo como
fundamento o Princípio da Extensividade das Decisões Benéficas.

Entende-se que a não aplicação da extensividade das decisões


benéficas fere gravemente o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana e da
Igualdade, pois todas as pessoas são iguais e têm direito a tratamento igualmente
digno.

Essencial se mostra o uso do princípio da interpretação


efetiva das normas, em especial, daquelas que consagram direitos e garantias
fundamentais, de acordo com o qual, a melhor interpretação dos preceitos legais é
aquela apta a dar-lhes maior efetividade.

A doutrina é pacifica em torno desse assunto:

“A extensão da medida pode ser concedida a


corréu que se encontre em idêntica situação
jurídica à do paciente beneficiado (...). Se o
juiz ou tribunal podem conceder a ordem de
ofício, nada pode obstar a extensão quando
flagrante o constrangimento ilegal.”

MIRABETE, Julio Fabbrini. Processo Penal.


18 ed. São Paulo: Atlas, 2006a, p. 641.

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Nesse sentido, é o entendimento da Suprema Corte:

HABEAS CORPUS. ART. 580 DO


CÓDIGO DE PROCESSO
PENAL. PEDIDO DE EXTENSÃO.
QUESTÃO NÃO APRECIADA PELA
CORTE DE
ORIGEM. CONSTRANGIMENTO ILEGAL
EVIDENCIADO. ORDEM DE HABEAS
CORPUS CONCEDIDA. 1. Não tendo o
Tribunal a quo avaliado o pedido de
extensão da ordem concedida a corréu,
conforme a regra do art. 580 do Código de
Processo Penal, embora tenha sido instado a
se manifestar, resta configurado o
constrangimento ilegal. 2. A extensão dos
efeitos da decisão favorável ao réu aproveita ao
corréu, mesmo que este não seja impetrante do
writ, desde que fundado em motivos que não
sejam de caráter exclusivamente pessoal.
[...]. (grifo nosso).

Diante do que foi exposto, requer que seja concedido a


EDMILSON SILVA SANTOS a extensão da decisão benéfica (processo:
201520190906), isto é, a revogação da prisão preventiva.

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2.2. DO RELAXAMENTO DA PRISÃO POR EXCESSO DE PRAZO

A prisão do paciente mostra-se ilegal por excesso de prazo.

O mesmo foi preso no dia 14 de novembro de 2015, pela


suposta prática do crime previsto no art. 157, 2º, inciso II, do Código Penal, não
tendo se encerrado a instrução processual.

Portanto, A AÇÃO PENAL NÃO FOI ENCERRADA,


ESTANDO O RÉU PRESO HÁ QUASE 03 (TRÊS) MESES E NÃO
TENDO PREVISÃO DE QUANTO TEMPO FICARÁ AGUARDANDO O
TÉRMINO DA INSTRUÇÃO PROCESSUAL.

O denunciado aguarda preso há quase 03 (três) meses,


sob a acusação de ter roubado em concurso de pessoas.

A prisão do paciente mostra-se ilegal por excesso de prazo.

Portanto, A AÇÃO PENAL NÃO FOI FINALIZADA,


ESTANDO O RÉU PRESO A MAIS DE 67 DIAS E A INSTRUÇÃO
PROCESSUAL AINDA NÃO FOI FINALIZADA.

As prisões cautelares são regidas pelos princípios da


excepcionalidade e provisoriedade. Pelo primeiro princípio a prisão processual
somente deve ser decretada ou mantida quando extremamente necessária, visto que
até o trânsito em julgado da decisão o indiciado/acusado é considerado inocente,
devendo a constrição da liberdade ser considerada a ultima ratio. Já o princípio da
provisoriedade, que possui estreita ligação com o da excepcionalidade, defende a
ideia de que a prisão cautelar, se decretada, deve perdurar pelo menor tempo
possível, ou seja, deve ter breve duração.

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Esse é o escólio da melhor doutrina, representada por Aury
Lopes Júnior:

“A provisoriedade está relacionada ao fator tempo,


de modo que toda prisão cautelar deve(ria) ser
temporária, de breve duração. Manifesta-se, assim,
na curta duração que deve ter a prisão cautelar, até
porque é apenas tutela de uma situação fática
(provisionalidade) e não pode assumir contornos
de pena antecipada.”

A Lei n. 11.719/2008 estabeleceu que no rito comum


ordinário a Audiência de instrução e julgamento deve ser realizada em, no máximo,
60 dias (artigo 400, CPP); sendo o rito sumário, esse prazo cai para 30 dias (artigo
531, CPP). No rito do Tribunal do Júri, a Lei n. 11.689/2008, alterando o artigo 412,
fixou prazo de 90 dias para o encerramento da primeira fase. São marcos que
podem ser utilizados como indicativos de excesso de prazo em caso de prisão
preventiva e se extrapolados configuram o excesso de prazo e, por conseguinte,
ilegalidade da prisão, ensejador do relaxamento da mesma.

Ressalte-se ainda que, segundo doutrina e jurisprudência


pátrios, existem 3 (três) elementos para se analisar o excesso de prazo, que são: a
complexidade da causa, o comportamento da defesa e das autoridades estatais. No
caso em tela não se vislumbra complexidade da causa, tendo em vista que as
acusações contra o réu são de roubo em concurso de pessoas, sendo claramente
causa pouco complexa e que não demonstre qualquer motivo para a manutenção
exacerbada da segregação cautelar; outro elemento que relação nenhuma tem com a

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causa é o comportamento da defesa, que em nada e em momento algum contribuiu
para o adiamento da instrução e julgamento do processo. O comportamento das
autoridades estatais não pode ser contestado pelo fato de ainda nem ser marcada
audiência, o que torna o fato mais absurdo.

Dessa forma, a consequência jurídica de tal prorrogação


é o relaxamento da sua prisão, pois a prisão, nesse caso, tornou-se ilegal por
excesso de prazo causado por culpa exclusiva do Estado que não cumpriu
com o seu múnus de conduzir o réu preso a audiência.

Nem o acusado nem a sua defesa em nada contribuíram para


a extrapolação dos referidos prazos. Até porque o mesmo, conforme já dito,
encontra-se recolhido, sendo tal fato atribuído à máquina estatal, não obstante a
presteza da MM. Juíza no exercício de seu mister.

Consequentemente, a prisão do paciente passa a ser


considerada um constrangimento ilegal, nos termos do art. 648, II, do CPP, em
virtude dos excessos dos prazos observados, no caso em tela:

“Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal:

II- quando alguém estiver preso por mais tempo do


que determina a lei;” (negrito nosso)

O art. 654 do CPP, em seu § 2º, assim assevera:

“Os Juízes e Tribunais têm competência para


expedir de ofício ordem de ‘habeas corpus’,
quando no curso do processo verificarem que
alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação
ilegal.” (destaque acrescido)

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A Carta Magna, no inciso LXV do art. 5º, dispõe:

“A prisão ilegal será imediatamente relaxada pela


autoridade judiciária.” (grifo nosso)

Ademais, não há possibilidade de negar-se o relaxamento de


prisão preventiva unicamente tomando-se por base a manutenção dos requisitos
autorizadores da prisão preventiva, máxime se imperativa a soltura com base no
excesso de prazo. É este o entendimento dominante na jurisprudência. Senão
vejamos:

DIREITO PROCESSUAL PENAL. HABEAS


CORPUS. PRISÃO PREVENTIVA. SUSPENSÃO
DA ORDEM DA PRISÃO PREVENTIVA.
EXCESSO DE PRAZO. GARANTIA DO PRAZO
RAZOÁVEL NA DURAÇÃO DO PROCESSO.
EXCESSO DE PRAZO DA PRISÃO CAUTELAR.
1. Em casos teratológicos e excepcionais, viável a
superação do óbice da Súmula 691 desta Suprema
Corte. Precedentes. 2. Embora a razoável duração do
processo não possa ser considerada de maneira isolada e
descontextualizada das peculiaridades do caso concreto,
diante do decurso de mais de 4 (quatro) anos e 10 (dez)
meses sem que o paciente, preso preventivamente,
tenha sido julgado em primeiro grau e sem que tenha

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dado causa à demora, não se sustenta a manutenção da
constrição cautelar. 3. Ordem de habeas corpus concedida.
(STF – 1.ª T. – HC 126.070 – rel. Rosa Weber – j.
12.05.15 – public. 25.06.15 –Cadastro IBCCRIM 3273)

DIREITO PROCESSUAL PENAL. EXCESSO DE


PRAZO. EXCESSO DE PRAZO PARA
OFERECIMENTO DA DENÚNCIA. EXCESSO DE
PRAZO DA PRISÃO CAUTELAR. MINISTÉRIO
PÚBLICO. REMESSA DOS AUTOS PARA
PROCURADOR-GERAL. (...) 3. Mesmo que no
presente caso tenha sido invocado o art. 28, com
remessa dos autos ao Exm.º Sr. Procurador Geral da
República, o excesso de prazo não encontra justificativa.
Há notícia de que o feito foi encaminhado a Sua
Excelência em 03.02.2015 e até a presente data não
foram tomadas as providências elencadas no citado
dispositivo legal. 4. Os inquéritos em que os réus
estejam presos devem ser finalizados em 10(dez) dias,
segundo o art. 10 do Código de Processo Penal e o
prazo para denúncia, na mesma situação, segundo o art.
46 do mesmo Código, é de 05 (cinco) dias. Logo, a
prisão que se estende desde 11/10/2014, sem nem
mesmo denúncia oferecida, mostra-se abusiva. (TRF –
3.ª R. – 5.ª T. – HC 0004381-07.2015.4.03.0000 –
rel. Raquel Perrini – j. 13.04.2015 – public. 17.04.15)

DIREITO PROCESSUAL PENAL. EXCESSO DE

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PRAZO E CONSTRANGIMENTO ILEGAL. [...] A
jurisprudência desta Corte Superior pacificou-se no
sentido de que o excesso de prazo na formação da culpa
não decorre da simples soma dos prazos processuais,
devendo ser analisado observando-se as peculiaridades
do caso concreto bem como o princípio da
razoabilidade. - Considerando o tempo global de
prisão do paciente, que já perdura quase 5 anos,
verifico evidente afronta ao princípio da
razoabilidade, tendo em vista ser inadmissível, em
processo cuja complexidade não extrapola os
limites normais e tratando de apenas dois corréus,
a excessiva demora injustificada na sua conclusão,
especialmente quando cuida de réus submetidos a
prisão processual. - Embora seja esperada uma maior
demora nos processos em que a defesa interpõe recurso
em sentido estrito contra a sentença de pronúncia, não é
razoável a atribuição da excessiva delonga observada
nos autos ao regular exercício do direito de recorrer, até
mesmo porque, após o julgamento do referido recurso
pelo Tribunal de origem, os autos deveriam ter sido
devolvidos ao Juízo de primeiro grau para que fosse
dado prosseguimento ao feito, ainda que pendente de
julgamento por essa Corte o Agravo em Recurso
Especial. - Não havendo sequer previsão para a
realização do julgamento pelo Plenário do Tribunal do
Júri, resta demonstrado o alegado excesso de prazo na

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prisão do paciente, verificando-se, assim, o
constrangimento ilegal apto a ser sanado na presente
impetração. Habeas Corpus não conhecido. Ordem
concedida de ofício, para determinar a soltura do
paciente, nos autos da Ação Penal 0000141-
29.2010.8.17.0710, se por outro motivo não estiver
preso, sem prejuízo da possibilidade da fixação de
outras medidas cautelares pelo Juízo de primeiro grau.
(STJ – 6.ª T. – HC 242.723 – rel. Ericson Maranho – j.
09.12.2014 – public. 19.12.2014 – Cadastro IBCCRIM
3159)

DIREITO PROCESSUAL PENAL. EXCESSO DE


PRAZO E CONSTRANGIMENTO ILEGAL.
Paciente preso preventivamente e denunciado pela
suposta prática do crime de roubo duplamente
circunstanciado pelo emprego de arma e concurso de
pessoas (art. 157, § 2º, I e II, do Código Penal). Alegado
excesso de prazo para formação da culpa. Paciente
segregado há mais de 6 (seis) meses. Demora na
instrução do processo que ultrapassa os limites da
razoabilidade. Constrangimento ilegal evidenciado.
Ordem conhecida e concedida. (TJSC – 1.ª Câm. Crim.
– HC2015.004866-6 – rel. Marli Mosimann Vargas – j.
10.02.2015 – public. 18.02.2015 – Cadastro IBCCRIM

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3191)

DIREITO PROCESSUAL PENAL. CRIMES


CONTRA O PATRIMÔNIO. EXCESSO DE
PRAZO E CONSTRANGIMENTO ILEGAL.
Alegado constrangimento ilegal por excesso de prazo e
ausência dos requisitos da prisão preventiva. Excesso de
prazo evidenciado. Audiência marcada para mais de
06 meses após o recebimento da denúncia. Feito de
baixa complexidade. Ausência de justificativa para
a demora. Constrangimento ilegal evidenciado.
Ordem concedida, confirmando a liminar anteriormente
deferida. (TJPR – 4.ª Câm. Crim. – AP. 1304888-7 –
rel. Antônio Carlos Ribeiro Martins – j. 05.02.2015 –
public. 25.02.2015 – Cadastro IBCCRIM 3195)

Esse é o entendimento também deste Egrégio Sodalício:

HABEAS CORPUS – DIREITO PENAL E


DIREITO PROCESSUAL PENAL – TENTATIVA
DE HOMICÍDIO – PRISÃO PREVENTIVA –
EXCESSO DE PRAZO – VIOLAÇÃO AO
PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE –
PACIENTE PRESO CAUTELARMENTE HÁ
mais de 03 (três) MESES - INQUÉRITO POLICIAL
NÃO CONCLUÍDO – MORA INJUSTIFICADA DO
APARELHO JUDICIÁRIO CONSTATADA -
CONSTRANGIMENTO ILEGAL

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CONFIGURADO – APLICAÇÃO DAS MEDIDAS
CAUTELARES PREVISTAS NO ART. 319, I A V,
DO CPP - ORDEM CONCEDIDA - Unânime.
(Habeas Corpus Nº 201500302242, CÂMARA
CRIMINAL, Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe,
MARIA DA CONCEIÇÃO DA S. SANTOS , JUIZ(A)
CONVOCADO(A), Julgado em 03/03/2015)

HABEAS CORPUS – ESTUPRO DE


VULNERÁVEL (ART. 217-A, DO CÓDIGO
PENAL) - ALEGAÇÃO DE EXCESSO DE PRAZO
- RÉU PRESO PREVENTIVAMENTE HÁ
QUASE 60 (SESSENTA) DIAS SEM QUE
TIVESSE SIDO OFERECIDA A DENÚNCIA –
CONSTRANGIMENTO ILEGAL
CONFIGURADO – INTELIGÊNCIA DO ART. 46,
DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL – ORDEM
CONCEDIDA – DECISÃO POR MAIORIA. (Habeas
Corpus Nº 201400303500, CÂMARA CRIMINAL,
Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe,
BETHZAMARA ROCHA MACEDO , JUIZ(A)
CONVOCADO(A), Julgado em 29/01/2015)

HABEAS CORPUS – DIREITO PENAL E


DIREITO PROCESSUAL PENAL –PACIENTE
PRESO PREVENTIVAMENTE POR CERCA
DE 01(UM) ANO – CONSTATAÇÃO DE
EXCESSO DE PRAZO NA INSTRUÇÃO –
ACUSAÇÃO DA PRÁTICA DA
CONTRAVENÇÃO PENAL DE VIAS DE FATO
(ART. 21, DO DECRETO-LEI Nº 3.688/41, C/C
ART. 7º, DA LEI Nº 11.340/06) – VIOLAÇÃO AO
PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE -
CONSTRANGIMENTO ILEGAL
CONFIGURADO - MANUTENÇÃO DAS
MEDIDAS CAUTELARES PREVISTAS NO ART.
319, I A V, DO CPP - RATIFICAÇÃO DA

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DECISÃO LIMINAR – ORDEM CONCEDIDA
UNÂNIME. (Habeas Corpus Nº 201500302142,
CÂMARA CRIMINAL, Tribunal de Justiça do Estado
de Sergipe, MARIA DA CONCEIÇÃO DA S.
SANTOS , JUIZ(A) CONVOCADO(A), Julgado em
24/02/2015)

Ora, Excelências, a defesa do paciente entende que não


existe qualquer razoabilidade em manter o réu encarcerado já há QUASE
TRÊS MESES, aguardando mais ainda pela audiência, QUE AINDA NEM
FOI MARCADA, devendo-se destacar que o julgamento de um processo criminal,
dentro de um prazo razoável, constitui direito inerente à pessoa humana.

A própria Constituição Federal, com a EC nº 45/2004, em


seu art. 5º, inciso LXXVIII, ratificou, de forma expressa, os preceitos da Convenção
Americana:

“A todos, no âmbito judicial e administrativo, são


assegurados a razoável duração do processo e os
meios que garantam a celeridade de sua
tramitação;” (negrito nosso)

Além de desrespeitar dispositivo constitucional, acima citado,


a permanência do réu em cárcere há MAIS DE 67 DIAS “fere de morte” outro
direito fundamental, qual seja, o princípio da presunção de inocência, haja vista que
o paciente cumpre pena em regime fechado mesmo antes de ter contra si uma
sentença condenatória.

Art. 5º, LVII, da CF/88:

“Ninguém será considerado culpado até o trânsito

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em julgado de sentença penal condenatória;”
(destaque acrescido)

Nesse norte, é o entendimento adotado por Guilherme de


Souza Nucci – renomado processualista penal, doutrinador, professor e juiz de
direito –, em sua obra Manual de Processo Penal e Execução Penal (ed. Revista dos
Tribunais, 4a edição, São Paulo: 2008, p. 96):

“Observa-se, como fruto natural dos princípios constitucionais


explícitos da presunção de inocência, da economia processual e da
estrita legalidade da prisão cautelar, ser época de se consagrar, com
‘status’ constitucional, a meta de que ninguém poderá ficar
preso, provisoriamente, por prazo mais extenso do
que for absolutamente imprescindível para o
escorreito desfecho do processo. Essa tem sido a
tendência dos tribunais pátrios, em especial do Supremo Tribunal
Federal. De fato, não se torna crível que, buscando-se
respeitar o estado de inocência, conjugado com o
direito ao processo célere, associando-se a todas as
especificações para se realizar, legitimamente, uma
prisão cautelar, possa o indiciado ou réu
permanecer semanas, meses, quiçá anos, em
regime de restrição de liberdade, ‘sem culpa
formada’. O Código de Processo Penal, de 1941, já não
apresenta solução concreta para o binômio, hoje realidade
intrínseca do sistema judiciário brasileiro, ‘prisão cautelar
necessária x lentidão do trâmite processual’. Não é possível,
igualmente, quedar inerte a doutrina; muito menos, nada fazer a
jurisprudência. Por isso, extraindo-se uma interpretação lógico-
sistemática de preceitos existentes na Constituição Federal, é
medida transitável afirmar a indispensabilidade da ‘duração
razoável’ não somente do processo-crime, mas, sobretudo, da
prisão preventiva. É realidade não se pode fixar em
dias o número exato de duração de uma prisão
preventiva, por exemplo. Porém, ingressa, nesse
cenário, o critério da razoabilidade, devendo o
magistrado avaliar, no caso concreto, o que
ultrapassa a medida do bom senso. (...) Ora,
inviável, então, manter alguém no cárcere por mais

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de ano, sem que se consiga concluir a instrução do
processo em primeira instância. A prática forense nos
evidencia a ocorrência de prisões preventivas que chegam a atingir
vários anos, o que não nos soa sensato, ainda que se
possa agir em nome da segurança pública. Cabe ao
Judiciário adiantar o andamento do feito, sem
permitir a ruptura de princípios fundamentais (como
a ampla defesa), mas proporcionando a duração
razoável da prisão cautelar.” (grifo nosso)

2.3. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES PARA MANUTENÇÃO DA PRISÃO


PREVENTIVA

Excelências, caso entendam pela não configuração do excesso


de prazo na prisão, deve-se atentar que a decretação da prisão preventiva fica
estritamente atrelada à existência ou não dos requisitos previstos no art. 312 do
CPP, ou seja, no caso em discussão não se fazem presentes os motivos elencados na
Decretação da Prisão Preventiva, nos termos já expostos.

Vejamos o artigo 312 do Código de Processo Penal, in verbis:

“Art. 312. A prisão preventiva poderá ser decretada como


garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência
da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal,
quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de
autoria.” (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

Dessa forma, a revogação da prisão cautelar impõe-se,


levando-se em consideração o disposto no artigo 316 do Código de Processo Penal,
vez que ausente qualquer sustentáculo para a manutenção da prisão preventiva,

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possuindo o réu todas as condições para responder o processo em liberdade.

Art. 316. O juiz poderá revogar a prisão preventiva


se, no correr do processo, verificar a falta de motivo
para que subsista, bem como de novo decretá-la, se
sobrevierem razões que a justifiquem.

Acrescente-se, a propósito, que o sequestro corporal, como


medida extrema, drástica e emergencial, por afetar o status libertatis, é cabível
somente em acontecimentos restritos, devendo ser aplicada em situações específicas
de absoluta necessidade, com a devida cautela, justificando-se somente nas hipóteses
em que a custódia seja mesmo indispensável, sendo inadmissível sem a existência de
razão sólida e individualizada a motivar a medida excepcional.

A excepcionalidade da prisão cautelar é decorrência lógica do


princípio do estado de inocência, previsto na Constituição Federal em seu:

Art. 5º “omissis”

(....................)

LVII: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em


julgado de sentença penal condenatória.”

Vejamos o posicionamento do jurista Aury Lopes Júnior, ao


lecionar sobre as prisões cautelares, “in verbis”:

“Ademais, a excepcionalidade deve ser lida em


conjunto com a presunção de inocência, constituindo
um princípio fundamental de civilidade, fazendo com
que as prisões cautelares sejam (efetivamente) a ultima

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ratio do sistema, reservadas para os casos mais graves,
tendo em vista o elevadíssimo custo que representam.
O grande problema é a massificação das cautelares,
levando ao que FERRAJOLI denomina ‘crise e
degeneração da prisão cautelar pelo mau uso’.

No Brasil, as prisões cautelares estão


excessivamente banalizadas, a ponto de primeiro
se prender, para depois ir atrás do suporte
probatório que legitime a medida. Ademais, está
consagrado o absurdo primado das hipóteses sobre
os fatos, pois se prende para investigar, quando, na
verdade, primeiro se deveria investigar, diligenciar,
para somente após prender, uma vez suficiente
demonstrados o fomus commissi e o periculum
libertais.”

É pacífica a orientação da Jurisprudência dos Tribunais


pátrios, em homenagem ao princípio da presunção de inocência, no sentido
de por em liberdade o acusado quando não estiverem presentes os requisitos
autorizativos da decretação da custódia preventiva. Confira-se:

Direito Processual Penal. Prisão preventiva.


Medida excepcional. Necessidade de motivação
em casos de decretação, substituição ou denegação
da prisão preventiva. Direito de recorrer em

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liberdade. Princípio da presunção de não
culpabilidade ou presunção de inocência.

(...) 2. A prisão oriunda de acórdão condenatório


recorrível é espécie de prisão provisória; dela se exige
venha sempre fundamentada, vez que ninguém será
preso senão por ordem escrita e fundamentada de
autoridade judiciária competente (Constituição da
República, art. 5º, inciso LXI). Mormente porque a
fundamentação das decisões do Poder Judiciário é
condição absoluta de sua validade (CRFB, art. 93, inciso
IX). 3. Ademais, se o cárcere está apoiado no simples
esgotamento das vias ordinárias, ofende o art. 5º, inciso
LVII, da Constituição, visto que ninguém será
considerado culpado até o trânsito em julgado de
sentença penal condenatória. O cerceamento da
liberdade de quem responde a processo criminal,
sem qualquer motivação idônea, ofende a garantia
da presunção de inocência. 4. Precedentes das
Turmas que compõem a Terceira Seção desta Corte
Superior. 5. Ordem concedida para permitir que o
paciente aguarde em liberdade o trânsito em julgado da
condenação. (STJ – 5.ª T. – HC271.757 – rel. Reynaldo
Soares da Fonseca – j. 18.06.2015 – public.
25.06.2015)

HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL.


AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DA PRISÃO

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PREVENTIVA. Inobstante a gravidade do tipo
penal, pelas particularidades do fato e pelas
condições favoráveis do paciente não subsiste risco
à ordem pública e à conveniência da instrução
criminal. No caso, a substituição da prisão por medidas
alternativas se mostra suficiente. Ordem concedida,
ratificando a liminar. (Habeas Corpus Nº 70059614024,
Sétima Câmara Criminal, Tribunal de Justiça do RS,
Relator: Jucelana Lurdes Pereira dos Santos, Julgado em
05/06/2014) (TJ-RS - HC: 70059614024 RS , Relator:
Jucelana Lurdes Pereira dos Santos, Data de
Julgamento: 05/06/2014, Sétima Câmara Criminal,
Data de Publicação: Diário da Justiça do dia
11/06/2014) (grifos nossos)

É de suma importância exaltar que a modalidade da prisão


cautelar tem caráter de exceção, na qual, a LIBERDADE É A REGRA, sendo,
aquela, somente imposta em último caso. Isto se dá porque a regra constitucional é
que os indivíduos fiquem em liberdade até que sobre eles recaia sentença
condenatória transitada em julgado. Para que esse direito individual seja afastado é
imperioso que exista um quadro fático a demonstrar que a prisão (processual) do
indivíduo é necessária, imprescindível, inadiável, ainda que tenha sido preso em
flagrante, quadro necessário que não se encontra presente no caso em comento.

Assim, tendo em vista que a liberdade é a regra e a prisão


exceção, a manutenção da prisão deve estar fundamentada nos requisitos previstos
no artigo 312 do Código de Processo Penal, com a análise das circunstâncias que
cercaram a prática delituosa, tais como: a gravidade do delito, a forma e execução do

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crime, uma vez que a medida tem caráter excepcional.

Neste sentido é o entendimento da melhor doutrina, vejamos:

“As exigências do processo penal são de tal natureza que


induzem a colocar o imputado em uma situação absolutamente
análoga ao de condenado. É necessário algo mais para advertir
que a prisão do imputado, junto com sua submissão, tem, sem
embargo, um elevado custo? O custo se paga, desgraçadamente em
moeda justiça, quando o imputado, em lugar de culpado, é
inocente, e já sofreu, como inocente, uma medida análoga à pena;
não se esqueça de que, se a prisão ajuda a impedir que o
imputado realize manobras desonestas para criar falsas provas ou
para destruir provas verdadeiras, mais de uma vez prejudica a
justiça, porque, ao contrário, lhe impossibilita de buscar e de
proporcionar provas úteis para que o juiz conheça a verdade. A
prisão preventiva do imputado se assemelha a um daqueles
remédios heroicos que devem ser ministrados pelo médico com suma
prudência, porque podem curar o enfermo, mas também pode
ocasionar-lhe um mal mais grave; quiça uma comparação eficaz se
possa fazer com a anestesia, e sobretudo com a anestesia geral, a
qual é um meio indispensável para o cirurgião, mas ah se este
abusa dela!”. (CARNELUTTI, Francesco. Lecciones sobre El
Processo Penal. Trad. Santiago Santís Melendo. Buenos Aires,
Bosch, 1950. V. II, p. 75).

Vale destacar que o princípio constitucional da presunção


de inocência, e o do in dubio pro reo, associados ao direito de permanecer em

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liberdade, configuram o quadro ideal para a situação do réu.

Outrossim, no caso em tela não se afiguram nenhum dos


fundamentos ensejadores para decretação da prisão preventiva, senão vejamos:

a) Da Garantia da Ordem Pública

Sendo o requerente posto em liberdade, de nenhuma


forma estará prejudicada a ordem pública, posto que o acusado é homem de boa
índole. Sua liberdade, portanto, não colocará em risco a paz social.

Nos ensinamentos de Eugênio Pacelli (Curso de


Processo Penal, 15. Ed, Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011, p. 552), “a prisão
preventiva para garantia da ordem pública somente deve ocorrer em
hipóteses de crimes gravíssimos, quer quanto à pena, quer quanto aos meios
de execução utilizados, e quando haja o risco de novas investidas criminosas
e ainda seja possível constatar uma situação de comprovada intranquilidade
coletiva no seio da comunidade”.

No caso em tela, não se observa risco a novas


investidas criminosas, pelo fato de o paciente ser de boa índole. Prova disto é
que não tem antecedentes criminais, possui residência fixa e trabalha como
ajudante de pedreiro.

A gravidade em abstrato do crime não é meio


idôneo a fundar a manutenção da prisão preventiva, consoante entendimento
do Egrégio Superior Tribunal de justiça:

PROCESSUAL PENAL. RECURSO

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ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS.
TRÁFICO DE ENTORPECENTES.
ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO.
PRISÃO PREVENTIVA. GARANTIA
DA ORDEM PÚBLICA. AUSÊNCIA DE
FUNDAMENTAÇÃO. RECURSO
ORDINÁRIO PROVIDO. I - A prisão
cautelar deve ser considerada exceção,
já que, por meio desta medida, priva-se
o réu de seu jus libertatis antes do
pronunciamento condenatório
definitivo, consubstanciado na
sentença transitada em julgado. É por
isso que tal medida constritiva só se
justifica caso demonstrada sua real
indispensabilidade para assegurar a
ordem pública, a instrução criminal ou
a aplicação da lei penal, ex vi do artigo
312 do Código de Processo Penal. A
prisão preventiva, portanto, enquanto
medida de natureza cautelar, não pode
ser utilizada como instrumento de
punição antecipada do indiciado ou do
réu, nem permite complementação de
sua fundamentação pelas instâncias
superiores (HC 93498/MS, Segunda
Turma, Rel. Min. Celso de Mello, DJe

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de 18/10/2012). II- No caso dos autos,
a douta Subprocuradoria-Geral da
República manifestou-se
favoravelmente ao provimento do
recurso, por vislumbrar, no presente
caso, a existência de constrangimento
ilegal, uma vez que "ausentes
fundamentos idôneos para a decretação
da prisão preventiva da recorrente, deve
ela ser revogada", requerendo, ao final,
"sejam aplicadas à denunciada, ora
recorrente, medidas cautelares diversas
da prisão, a serem detalhadas pelo
Juízo perante o qual tramita a ação
penal" (fls. 166/167, e-STJ). III - O
decreto que impôs a prisão preventiva à
paciente não apresenta a devida
fundamentação, uma vez que a simples
invocação da gravidade genérica ou da
repercussão social do delito não se
revela suficiente para autorizar a
segregação cautelar com fundamento
na garantia da ordem pública e
aplicação da lei penal. Recurso
ordinário provido para revogar a prisão
preventiva decretada em desfavor da
recorrente, salvo se por outro motivo

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estiver presa, e sem prejuízo da
decretação de nova prisão, desde que
concretamente fundamentada,
determinando que o juízo de primeiro
grau aplique, como entender de direito,
alguma das medidas cautelares diversas
da prisão, previstas no art. 319 do
Código de Processo Penal.

(STJ - RHC: 55070 MS 2014/0336072-9,


Relator: Ministro FELIX FISCHER, Data
de Julgamento: 10/03/2015, T5 -
QUINTA TURMA, Data de Publicação:
DJe 25/03/2015)

HABEAS CORPUS. PRISÃO


PREVENTIVA. FUNDAMENTAÇÃO
INIDÔNEA. EXCESSO DE PRAZO
DA INSTRUÇÃO CRIMINAL.
DEMORA INJUSTIFICADA. 1. A
decretação ou a manutenção da
custódia provisória, em qualquer fase
do processo, exige a demonstração
efetiva do preenchimento dos requisitos
do art. 312 do Código de Processo

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Penal. Para tanto, não é suficiente,
evidentemente, a simples reportação
abstrata aos pressupostos previstos no
mencionado artigo, à gravidade
abstrata do delito ou à repercussão
social dos crimes objeto da ação penal,
sem nenhuma referência a elemento
real de cautelaridade. 2. Eventual excesso
de prazo para a formação da culpa deve ser
analisado segundo critérios de
razoabilidade, levando-se em conta as
peculiaridades do caso. 3. Na espécie,
reconhecida a ausência de fundamentação
concreta na decisão que decretou a prisão
preventiva dos pacientes, bem como o
excesso de prazo para o término da
instrução criminal. 4. Ordem concedida.

(STJ - HC: 311162 SP 2014/0324871-1,


Relator: Ministro SEBASTIÃO REIS
JÚNIOR, Data de Julgamento:
17/03/2015, T6 - SEXTA TURMA, Data
de Publicação: DJe 26/03/2015)

Desta forma, vislumbra-se que é infundado motivar o


encarceramento do suplicante na garantia da ordem pública, posto que não afeta

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nem traz qualquer risco concreto à sociedade simplesmente por que, supostamente,
teria praticado o crime de roubo.

b) Da Conveniência da Instrução Criminal

Manter preso o requerente sob a alegação de


conveniência da instrução criminal não é fato que pode ser concebido, uma vez que
não há sequer indício de que o mesmo encontra-se dificultando as investigações e a
coleta de provas, ao contrário tem o maior interesse em que tudo seja investigado a
fundo para comprovar a sua inocência. Ou seja, não se justifica manter a segregação
do suplicante com os fundamentos supracitados.

“HABEAS CORPUS - ROUBO


QUALIFICADO - ALEGAÇÃO DE
CONSTRANGIMENTO ILEGAL EM
DECORRÊNCIA DE INDEFERIMENTO DE
PEDIDO DE LIBERDADE PROVISÓRIA -
PROCEDÊNCIA - DECISÃO MOTIVADA DE
FORMA GENÉRICA - AFIRMADA A
CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO
CRIMINAL E A NECESSIDADE DE
GARANTIR A ORDEM PÚBLICA COM
AMPARO EM CONCEITOS ABSTRATOS
E ELEMENTOS INERENTES AO TIPO -
GRAVIDADE GENÉRICA DO DELITO -
NÃO INDICAÇÃO DE FATOS
CONCRETOS CAPAZES DE JUSTIFICAR
A NECESSIDADE DA PRISÃO -
MOTIVAÇÃO INIDÔNEA -
CONSTRANGIMENTO ILEGAL
CONFIGURADO - ORDEM CONCEDIDA,
CONFIRMANDO LIMINAR DEFERIDA.”
(TJPR 7573588 PR 0757358-8, Relator: Rui

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Bacellar Filho, Data de Julgamento:
24/02/2011, 3ª Câmara Criminal, Data de
Publicação: DJ: 586)

O corréu, nesse caso, foi beneficiado com a revogação


da prisão preventiva, o que não ocorreu com EDMILSON SILVA DOS
SANTOS. Importante ressaltar que o paciente possui as mesmas
circunstâncias pessoais do beneficiado pela revogação da preventiva,
Michael Douglas Santos Silva.

Vale frisar ainda o próprio Ministério Público pediu


a concessão da revogação da prisão preventiva, compartilhando do mesmo
entendimento da defesa. Sobretudo por isso a liberdade do paciente se torna
mais do que necessária.

c) Da Aplicação da Lei Penal

O REQUERENTE POSSUI RESIDÊNCIA FIXA


(conforme TERMO DE QUALIFICAÇÃO E INTERROGATÓRIO, fl. 08),
podendo desta forma ser localizado a qualquer momento para prática dos
atos processuais, não possui antecedentes criminais, RÉU PRIMÁRIO
(conforme Folha Corrida em anexo), bem como SEMPRE TRABALHOU.

Segundo Pacelli (op.cit. p.548), “A prisão preventiva


para assegurar a aplicação da lei penal contempla as hipóteses em que haja risco real
de fuga do acusado e, assim, risco de não-aplicação da lei na hipótese de decisão
condenatória. É de bem ver, porém, que semelhante modalidade de prisão há de se
fundar em dados concretos da realidade, não podendo revelar-se fruto de mera

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especulação teórica dos agentes públicos”.

Vislumbra-se que requerente não oferece risco à


aplicação da lei penal, da mesma forma que não existe risco algum de fuga.

“Habeas Corpus. Roubo simples. Prisão em


flagrante. Indeferimento de liberdade provisória.
Paciente primário e com residência fixa.
Confissão no auto de prisão em flagrante,
circunstância indicativa de que o réu não
pretende dificultar a instrução ou mesmo
furtar-se à aplicação da lei penal.
Desnecessidade de manutenção da prisão
decorrente do flagrante. Constrangimento ilegal
configurado. Ordem concedida, deferida liberdade
provisória, sob compromisso, que será
formalizado na origem. Expedição de alvará de
soltura clausulado.” (5291900520108260000 SP
0529190-05.2010.8.26.0000, Relator: Luís Carlos
de Souza Lourenço, Data de Julgamento:
10/02/2011, 5ª Câmara de Direito Criminal,
Data de Publicação: 12/02/2011)

2.4. DA INADEQUAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA: POSSIBILIDADE


DE SUBSTITUIÇÃO POR OUTRA MEDIDA CAUTELAR.

Mesmo entendendo V. Exa. que esteja presente um dos


fundamentos para decretação da prisão preventiva, deve-se observar se a segregação
provisória se faz necessária e é a medida mais adequada no caso sub examem, ou seja,
a prisão preventiva está condicionada à análise do binômio necessidade-adequação.

Ainda que o crime que esteja sendo imputado ao


Suplicante seja considerado grave, não faz sentido a atual segregação, vez que não se
apresenta adequada ao caso em tela e a custódia cautelar só deve ser adotada como

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ultima ratio.

A nova redação do art. 282 do Código de Processo


Penal dada pela Lei n° 12.403/2011 deixa claro que a prisão preventiva tem
caráter excepcionalíssimo e somente deve ser decretada quando não for
cabível a sua substituição por outra medida cautelar.

Assim dispõe o art. 282 do Estatuto Processual Penal


com a novel redação:

Art. 282. As medidas cautelares previstas neste Título


deverão ser aplicadas observando-se a:
I - necessidade para aplicação da lei penal, para a
investigação ou a instrução criminal e, nos casos
expressamente previstos, para evitar a prática de
infrações penais;
II - adequação da medida à gravidade do crime,
circunstâncias do fato e condições pessoais do
indiciado ou acusado.
§ 1o As medidas cautelares poderão ser aplicadas
isolada ou cumulativamente.
§ 2o As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz,
de ofício ou a requerimento das partes ou, quando no
curso da investigação criminal, por representação da
autoridade policial ou mediante requerimento do
Ministério Público.
§ 3o Ressalvados os casos de urgência ou de perigo de
ineficácia da medida, o juiz, ao receber o pedido de
medida cautelar, determinará a intimação da parte
contrária, acompanhada de cópia do requerimento e
das peças necessárias, permanecendo os autos em
juízo.
§ 4o No caso de descumprimento de qualquer das
obrigações impostas, o juiz, de ofício ou mediante

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requerimento do Ministério Público, de seu assistente
ou do querelante, poderá substituir a medida, impor
outra em cumulação, ou, em último caso, decretar a
prisão preventiva (art. 312, parágrafo único).
§ 5o O juiz poderá revogar a medida cautelar ou
substituí-la quando verificar a falta de motivo para que
subsista, bem como voltar a decretá-la, se sobrevierem
razões que a justifiquem.
§ 6o A prisão preventiva será determinada quando
não for cabível a sua substituição por outra medida
cautelar (art. 319).
No caso em tela não se afigura adequada a prisão
preventiva, nem se fazem presentes os seus fundamentos. Neste caso, mais
adequada seria a imposição de uma ou mais de uma das medidas cautelares previstas
no art. 319 do CPP.

Art. 319. São medidas cautelares diversas da prisão:


I - comparecimento periódico em juízo, no prazo e nas
condições fixadas pelo juiz, para informar e justificar
atividades;
II - proibição de acesso ou frequência a determinados
lugares quando, por circunstâncias relacionadas ao fato,
deva o indiciado ou acusado permanecer distante
desses locais para evitar o risco de novas infrações;
III - proibição de manter contato com pessoa
determinada quando, por circunstâncias relacionadas ao
fato, deva o indiciado ou acusado dela permanecer
distante;
IV - proibição de ausentar-se da Comarca quando a
permanência seja conveniente ou necessária para a
investigação ou instrução;
V - recolhimento domiciliar no período noturno e nos
dias de folga quando o investigado ou acusado tenha

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residência e trabalho fixos;
VI - suspensão do exercício de função pública ou de
atividade de natureza econômica ou financeira quando
houver justo receio de sua utilização para a prática de
infrações penais;
VII - internação provisória do acusado nas hipóteses de
crimes praticados com violência ou grave ameaça,
quando os peritos concluírem ser inimputável ou semi-
imputável (art. 26 do Código Penal) e houver risco de
reiteração;
VIII - fiança, nas infrações que a admitem, para
assegurar o comparecimento a atos do processo, evitar
a obstrução do seu andamento ou em caso de
resistência injustificada à ordem judicial;
IX - monitoração eletrônica.
§ 1o (Revogado).
§ 2o (Revogado).
§ 3o (Revogado).
§ 4o A fiança será aplicada de acordo com as
disposições do Capítulo VI deste Título, podendo ser
cumulada com outras medidas cautelares.
Da mesma forma, as jurisprudências dos tribunais
pátrios já se posicionaram no sentido de ser possível a conversão da prisão
preventiva em medida cautelar, ainda que o acusado seja reincidente e o
crime a ele imputado seja considerado grave. Vejamos:

HABEAS CORPUS. ROUBO MAJORADO.


AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DA PRISÃO
PREVENTIVA. No caso, ausente os requisitos da
prisão preventiva. Embora o crime seja grave, a

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primariedade dos pacientes, somada à
demonstração de que são pessoas trabalhadoras e
de que um deles (Deivid) atualmente exerce
atividade lícita autorizam a imposição de medidas
alternativas. Ordem concedida, por maioria. (Habeas
Corpus Nº 70060150166, Sétima Câmara Criminal,
Tribunal de Justiça do RS, Relator: Jucelana Lurdes
Pereira dos Santos, Julgado em 17/07/2014) (TJ-RS -
HC: 70060150166 RS , Relator: Jucelana Lurdes Pereira
dos Santos, Data de Julgamento: 17/07/2014, Sétima
Câmara Criminal, Data de Publicação: Diário da Justiça
do dia 31/07/2014) (grifos nossos)

HABEAS CORPUS– ROUBO SIMPLES –


PACIENTE PRIMÁRIO – AUSÊNCIA DOS
REQUISITOS DA PRISÃO PREVENTIVA –
MEDIDAS SUBSTITUTIVAS ADEQUADAS E
SUFICIENTES – CONCESSÃO PARCIAL. I. A
LIBERDADE PROVISÓRIA DEVE SER
CONCEDIDA SE AS CIRCUNSTÂNCIAS SÃO
FAVORÁVEIS E NÃO HÁ INDÍCIOS DE
PERICULOSIDADE OU AMEAÇA À ORDEM
PÚBLICA E À INSTRUÇÃO CRIMINAL. II. A
PRISÃO CAUTELAR É UMA EXCEÇÃO E, NA
HIPÓTESE, AS MEDIDAS DE RESTRIÇÃO DE
LIBERDADE, ALTERNATIVAS AO CÁRCERE,
PODEM ATINGIR O DESIDERATO DE

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MANTER O PACIENTE SOB VIGILÂNCIA. III.
ORDEM CONCEDIDA PARCIALMENTE. (TJ-DF -
HBC: 20140020141743 DF 0014281-04.2014.8.07.0000,
Relator: SANDRA DE SANTIS, Data de Julgamento:
10/07/2014, 1ª Turma Criminal, Data de Publicação:
Publicado no DJE : 16/07/2014 . Pág.: 164) (grifos
nossos)

Desta forma, o requerente faz jus a conversão de


sua segregação cautelar por um medida cautelar disposta no artigo 319, CPP,
pois, É RÉU PRIMÁRIO, POSSUI BONS ANTECEDENTES,
RESIDÊNCIA FIXA (conforme TERMO DE QUALIFICAÇÃO E
INTERROGATÓRIO, fl. 08), E TRABALHAVA e nunca foi propenso a
prática delitiva.

Sendo assim, pugna, em caso de entender presente


qualquer fundamento para decretação da prisão preventiva, que a mesma seja
convertida por uma das medidas cautelares previstas no Código de Processo Penal.

Assim sendo, mesmo que Vossas Excelências entendam


estarem presentes os requisitos autorizativos da prisão preventiva, previstos
no art. 312 do CPP, a prisão do paciente extrapola o prazo da razoabilidade,
configurando constrangimento ilegal e devendo o mesmo ser,
consequentemente, posto imediatamente em liberdade.

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3. DOS PEDIDOS

Diante dos fundamentos expostos, finda por postular o


impetrante:

1º) Seja promovida a intimação pessoal do Defensor Público,


em atuação junto a este Conspícuo Órgão Jurisdicional, quanto a todos os atos do
presente feito, em obséquio aos ditames legais específicos que regem a Instituição;

2º) Seja emitido juízo positivo de admissibilidade quanto


aos termos do presente writ, e concedida a ordem pleiteada, em caráter
liminar, para fins de que seja restituída, incontinenti, a liberdade do paciente,
fazendo-se expedir o adequado alvará de soltura, até a decisão final da
presente impetração;

3º) Sejam, acaso julgado necessário, requisitadas as


informações necessárias à Douta Autoridade Judicial sinalada como coatora,
promovendo-se, com ou sem as mesmas informações, a oitiva do Ilustre Órgão do
Ministério Público, em exercício perante este Venerável Sodalício;

4º) Seja concedida a extensão da decisão benéfica, com base


no art. 580, CPP, estendendo a revogação da preventiva para o corréu
EDMISILSON SILVA DOS SANTOS.

5º) Seja, ao final, concedida a ordem pleiteada, para fins


de que se veja declarada a ilegalidade da prisão provisória designada pela
Insigne Juíza de Direito da 1ª Vara Criminal da Comarca de Aracaju(SE) e mantida
pelo colegiado, em razão do excesso de prazo na prisão cautelar que já
perdura por quatro meses o que a torna ilegal e até a audiência de instrução
perdurará por mais tempo, consoante o disposto no art. 5°, LXV da Constituição

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Federal, ordenando-se, ato contínuo, a pronta restituição da liberdade ambulatória
do paciente, mediante a expedição do adequado alvará de soltura.

6°) Caso entendam contrariamente, seja, ao final,


concedida a ordem pleiteada, para fins de que se veja declarada a ilegalidade
da prisão provisória mantida pela Insigne Juíza de Direito da 1ª Vara Criminal da
Comarca de Aracaju(SE), em razão da inexistência dos fundamentos para a
decretação da prisão preventiva com a consequente expedição de alvará de
soltura e aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, previstas no
artigo 319 do CPP, se entenderem necessárias.

Nestes termos, por ser de direito, pede deferimento.

Aracaju, 03 de fevereiro de 2016.

ÁUREA GLÓRIA OLIVEIRA COSTA


DEFENSORA PÚBLICA DO ESTADO DE SERGIPE.

JOSÉ ACÁCIO DOS SANTOS SOUTO


Estagiário DPE-SE

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